Dissertação Danielle.pdf
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UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
FACULDADE DE MEDICINA
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS MÉDICAS
Danielle de Araújo Vanderlei
Sarcopenia da pessoa idosa com Doença Renal Crônica e sua associação com a Taxa de
Filtração Glomerular
Maceió
2024
1
DANIELLE DE ARAÚJO VANDERLEI
Sarcopenia da pessoa idosa com Doença Renal Crônica e sua associação com a Taxa de
Filtração Glomerular
Dissertação apresentada ao Programa de Pós-graduação
em Ciências Médicas da Universidade Federal de
Alagoas-UFAL, como parte das exigências para a
obtenção do título de Mestre em Ciências Médicas.
Área de Concentração:
Orientador: Profa. Dra. Juliana Célia de Farias Santos
Coorientador: Profa. Dra. Michelle Jacintha Cavalcante
Oliveira
Maceió
2024
Catalogação na fonte
Universidade Federal de Alagoas
Biblioteca Central
Divisão de Tratamento Técnico
Bibliotecária: Helena Cristina Pimentel do Vale CRB-4/ 661
V235s
Vanderlei, Danielle de Araújo.
Sarcopenia da pessoa idosa com doença renal crônica e sua associação com a taxa de
filtração glomerular / Danielle de Araújo Vanderlei. – 2024.
92 f. : il.
Orientadora: Juliana Célia de Farias Santos.
Coorientadora: Michelle Jacintha Cavalcante.
Dissertação (Mestrado em Ciências Médicas) – Universidade Federal de Alagoas,
Faculdade de Medicina. Programa de Pós-Graduação em Ciências Médicas, Maceió, 2024.
Bibliografia: f. 57-62.
Apêndices: f. 63-71.
Anexos: f. 72-92.
1. Sarcopenia. 2. Grupo de trabalho europeu sobre sarcopenia em pessoas idosas.
3. EWGSOP2. 4. BIS, equação. 5. Creatinina. I. Título.
CDU: 616.7-053.9
2
Folha de Aprovação
Danielle de Araújo Vanderlei
Sarcopenia da pessoa idosa com Doença Renal Crônica e sua associação com a Taxa de
Filtração Glomerular
Dissertação submetida ao corpo docente do
Programa de Pós-Graduação em Ciências
Médicas da Universidade Federal de Alagoas
e aprovada em (data).
________________________________________________
Profa. Dra. Juliana Célia de Farias Santos
UFAL/ Faculdade de Nutrição
Orientadora
_______________________________________________
Profa. Dra. Michelle Jacintha Cavalcante Oliveira
UFAL/ Faculdade de Medicina
Coorientadora
Banca Examinadora:
_______________________________________________
Profa. Dra. Fabiana Andréa Moura
UFAL/ Faculdade de Nutrição
Examinador interno
3
_______________________________________________
Profa. Dr. Flávio Teles de Farias Filho
UFAL/ Faculdade de Medicina
Examinador interno
________________________________________________
Prof. Dr. Antônio Filipe Pereira Caetano
UFAL/ Instituto de Educação Física e Esporte
Examinador externo
4
RESUMO
INTRODUÇÃO: O envelhecimento mundial da população traz a preocupação com a
degradação dos tecidos e funções do corpo, como o metabolismo muscular, que pode levar ao
desenvolvimento de sarcopenia, quadro que pode surgir de forma primária, mas que também
pode estar relacionado a doenças crônicas como a Doença Renal Crônica (DRC). Tratando-se
da avaliação da função renal da pessoa idosa, a ausência de uma equação adequada para
estimar a TFG de pessoas idosas é uma limitação encontrada na literatura, havendo o
apontamento de que a fórmula BIS1 seria a mais adequada, pois foi desenvolvida com pessoas
com idade superior a 70 anos. OBJETIVO: O presente estudo se propôs a identificar a
presença de sarcopenia e outras alterações da capacidade física da pessoa idosa portadora de
DRC e suas correlações com a taxa de filtração glomerular (TFG), assim como avaliar o
desempenho das fórmulas CKD-EPI, Cockcroft-Gault, MDRD e BIS, sugeridas pelo KDIGO
para estimar a TFG, fazendo também a correlação da TFG estimada pelas fórmulas utilizadas
com as variáveis de diagnóstico da sarcopenia e outros dados de avaliação do estado
nutricional. MATERIAIS E MÉTODOS: Tratou-se de um estudo transversal com pessoas
idosas portadoras de DRC, com coleta de dados socioeconômicos, demográficos, clínicos,
antropométricos, laboratoriais e de sarcopenia pelos critérios do European Working Group on
Sarcopenia in Older People – EWGSOP (2019) e a TFG foi calculada a partir da fórmula das
fórmulas CKD-EPI, Cockcroft-Gault, MDRD e BIS1. A análise estatística fez comparação
entre os grupos com o teste t de student, qui-quadrado, fisher, regressões lineares simples e
ajustadas para sexo, além do kappa de cohen, todas no software IBM SPSS versão 21,
adotando-se um valor alfa de 5%. RESULTADOS: A sarcopenia foi detectada em 24,61%
dos indivíduos. Contudo, 53,84% dos pacientes apresentaram baixa força de preensão palmar,
e 30,80% apresentou baixa massa muscular, o que, juntamente com os baixos níveis de
hemoglobina, foram dados associados positivamente com a TFG. Quando comparadas as
fórmulas, a CKD-EPI apresentou melhor similaridade com a BIS1 e as variáveis força e níveis
de hemoglobina se relacionaram diretamente com os níveis de TFG. CONCLUSÃO: A
diretriz EWGSOP2 se mostrou pouco sensível para diagnóstico de sarcopenia na população
estudada, porém, houve correlação positiva entre força e hemoglobina com a TFG, mesmo na
comparação do desempenho das fórmulas. Sugere-se o uso das equações BIS1 e CKD-EPI
para acompanhamento da função renal da pessoa idosa, sendo necessário maior
monitoramento dessa população, tanto em relação ao perfil muscular, quanto em relação à
função renal.
Palavras-chave: EWGSOP2; BIS; Creatinina
5
ABSTRACT
INTRODUCTION: The global aging of the population raises concerns about the degradation
of tissues and body functions, such as muscle metabolism, which can lead to the development
of sarcopenia, a condition that can appear primarily, but can also be related to chronic
diseases such as Chronic Kidney Disease (CKD). In the case of assessing renal function in
elderly people, the lack of an adequate equation to estimate GFR in elderly people is a
limitation found in the literature, with the point being that the BIS1 formula would be the
most appropriate, as it was developed with people aged over 70 years. OBJECTIVE: The
present study aimed to identify the presence of sarcopenia and other changes in the physical
capacity of elderly people with CKD and their correlations with the glomerular filtration rate
(GFR), as well as to evaluate the performance of the CKD-EPI, Cockcroft formulas -Gault,
MDRD and BIS, suggested by KDIGO to estimate GFR, also correlating the GFR estimated
by the formulas used with the sarcopenia diagnostic variables and other nutritional status
assessment data. MATERIALS AND METHODS: This was a cross-sectional study with
elderly people with CKD, collecting socioeconomic, demographic, clinical, anthropometric,
laboratory and sarcopenia data according to the criteria of the European Working Group on
Sarcopenia in Older People – EWGSOP (2019) and GFR was calculated using the CKD-EPI,
Cockcroft-Gault, MDRD and BIS1 formulas. The statistical analysis compared the groups
with the Student's t test, chi-square test, Fisher's test, simple linear regressions and adjusted
for sex, in addition to Cohen's kappa, all using the IBM SPSS version 21 software, adopting
an alpha value of 5%. RESULTS: Sarcopenia was detected in 24.61% of individuals.
However, 53.84% of patients had low handgrip strength, and 30.80% had low muscle mass,
which, together with low hemoglobin levels, were data positively associated with GFR. When
comparing the formulas, CKD-EPI showed better similarity with BIS1 and the variables
strength and hemoglobin levels were directly related to GFR levels. CONCLUSION: The
EWGSOP2 guideline was not very sensitive for diagnosing sarcopenia in the studied
population, however, there was a positive correlation between strength and hemoglobin with
GFR, even when comparing the performance of the formulas. The use of the BIS1 and CKDEPI equations is suggested to monitor the renal function of elderly people, requiring greater
monitoring of this population, both in relation to the muscular profile and in relation to renal
function.
Keywords: EWGSOP2; BIS; Creatinine
6
LISTA DE TABELAS
Fluxograma 1. Algoritmo adaptado do EWGSOP2 (2019)
20
Tabela 1. Classificação dos níveis de sarcopenia
20
Tabela 2. Testes a serem realizados para diagnóstico de sarcopenia conforme a 20
EWGSOP2
Tabela 3. Triagem para risco de sarcopenia SARC-F
21
Produto 1
Tabela 1. Dados sociodemográficos e clínicos de pessoas idosas com doença renal 32
crônica atendidas no ambulatório de nefrologia de um hospital universitário de
Maceió-AL.
Tabela 2. Perfil nutricional e funcional das pessoas idosas com doença renal crônica 33
atendidas no ambulatório de nefrologia de um hospital universitário de Maceió-AL,
2023.
Tabela 3. Correlação entre o Perfil nutricional, funcional e laboratorial com a TFG de 34
pessoas idosas com doença renal crônica atendidas no ambulatório de nefrologia de um
hospital universitário de Maceió-AL, 2023
Produto 2
Tabela 1. Tabela 1. Características sociodemográficas, antropométricas e clínicas de 46
pessoas idosas com doença renal crônica atendidos em ambulatório de nefrologia de
um hospital universitário de Maceió-AL em 2023, segundo a massa muscular
apendicular preservada ou reduzida
Tabela 2. Avaliação da diferença das equações para cálculo da taxa de filtração 48
glomerular em comparação a equação BIS-1
Tabela 3. Avaliação das equações utilizadas para estimativa de TFG de pessoas idosas 48
com doença renal crônica atendidos em ambulatório de nefrologia de um hospital
universitário de Maceió-AL em 2023, segundo a massa muscular apendicular
preservada ou reduzida
Tabela 4. Avaliação da correlação entre a estimativa por quatro fórmulas da TFG de 50
pessoas idosas com doença renal crônica atendidos em ambulatório de nefrologia de
um hospital universitário de Maceió-AL em 2023 e as variáveis relacionadas à
sarcopenia
7
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO ......................................................................................................8
2 OBJETIVOS ..........................................................................................................11
2.1 Objetivo Geral .....................................................................................................11
2.2 Objetivos Específicos ..........................................................................................11
3 REVISÃO DE LITERATURA ..............................................................................12
4 METODOLOGIA ..................................................................................................17
5 PRODUTOS ...........................................................................................................25
5.1 Produto 1: Risco de Sarcopenia da pessoa idosa com Doença Renal Crônica e
sua
associação
com
o
status
nutricional,
força
muscular
e
função
renal............................................................................................................................25
5.2 Produto 2: Análise de concordância entre métodos de avaliação da TFG da
pessoa idosa e suas associações com as variáveis da sarcopenia definidas pela
EWGSOP2 (2019)......................................................................................................41
6 CONCLUSÕES......................................................................................................56
REFERÊNCIAS ........................................................................................................57
APÊNDICES..............................................................................................................63
ANEXOS ..................................................................................................................73
8
1 INTRODUÇÃO
A população mundial de pessoas idosas está em crescimento, tendo sido estimada em
8% do total em 2020, havendo uma perspectiva de que em 2050 a população dobre e que até
2099 a quantidade de pessoas idosas atinja 30% (OPAS, 2021). No Brasil, segundo o Censo
2022, entre 203.080.756 (duzentos e três milhões, oitenta mil, setecentos e cinquenta e seis)
pessoas, a população de pessoas idosas conta com 15,81% entre homens e mulheres com mais
de 60 anos (IBGE, 2023).
Com o processo de envelhecimento há a degradação natural de várias funções do
corpo, resultado de fatores genéticos e ambientais, ligada ao crescimento do estresse oxidativo
(Ebert et al, 2022; Dodig, Cepelak e Pavic, 2019), à redução no tamanho dos telômeros, que
tem seu tamanho reduzido de 5-20kb (cinco a vinte quilobases) para 4-7kb (quatro a sete
quilobases) (Dodig, Cepelak e Pavic, 2019), entre outros fatores.
Como em outras funções do corpo, a senescência atua também no metabolismo
muscular, que sofre redução de tamanho da fibra muscular responsável pela contração rápida
e um desequilíbrio entre a síntese e a degradação de proteínas do músculo esquelético,
ocasionando a perda de autonomia da pessoa idosa (Tieland e Trouwborst, 2018). Quando a
redução de capacidade física deriva da perda patológica de massa e força/função muscular que
ocorre predominantemente em decorrência do envelhecimento é chamada de sarcopenia e está
ligada ao desenvolvimento de patologias crônicas (Landi et al., 2018).
A sarcopenia foi inicialmente definida como redução da massa muscular relacionada
ao envelhecimento, em decorrência dos processos fisiológicos com consequente redução de
autonomia e funcionalidade dessa população, podendo inclusive aumentar o índice de
hospitalização e mortalidade (Papadopoulou, 2020). Atualmente, no entanto, considera-se que
a perda de força muscular é um fator mais importante para o diagnóstico de sarcopenia que a
redução de massa, que se tornou secundária de acordo com a diretriz EWGSOP2 (CruzJentoft et al., 2019). Além disso, é importante destacar que o quadro de sarcopenia pode estar
associado a várias condições patológicas diferentes (Li et al., 2022), como Diabetes Mellitus
2 (Izzo et al., 2021; Nishikawa et al., 2021, obesidade (Li et al., 2022), DRC (Shu et al.,
2022), câncer (Aleixo et al., 2020), entre outras.
Desta forma, em 2019 o EWGSOP2 (Cruz-Jentoft et al., 2019) trouxe uma nova
definição de sarcopenia como “uma doença muscular definida por baixos níveis de medidas
9
para três parâmetros: (1) força muscular; (2) quantidade/qualidade muscular; (3) desempenho
físico como indicador de gravidade”, ao tempo em que aponta que esse quadro é comum em
idosos.
A aplicação do fluxo de diagnóstico da sarcopenia inicia com a aplicação de um
instrumento de rastreio do risco de sarcopenia, a exemplo do SARC-F, que avalia dimensões
através de um questionário em que os indivíduos referem suas limitações e através da
pontuação ao final se define a continuidade ou não do diagnóstico (Cruz-Jentoft et al., 2019;
Malmstrom et al., 2016). Com o objetivo de melhorar a sensibilidade do SARC-F, o grupo de
estudos em composição corporal e Nutrição (COCONUT) desenvolveu o instrumento SARCCalF, que inclui a circunferência da panturrilha (CP) na avaliação e propõe outro ponto de
corte para risco/não risco de sarcopenia (Barbosa-Silva et al., 2016).
Assim como na presença de outras doenças crônicas, quando o indivíduo é
acometido de Doença Renal Crônica (DRC) há um maior estado de inflamação presente, que,
associados à uma redução no nível de atividade física e ao balanço proteico negativo
contribuem para o catabolismo proteico, resultando no quadro de sarcopenia, que aumenta a
hospitalização e mortalidade desses pacientes (Ribeiro et al, 2022; Gomes et al, 2022).
O Kidney Disease: Improving Global Outcames (KDIGO) (2012) orienta o uso das
fórmulas Modification of Diet in Renal Disease (MDRD) e Chronic Kidney Disease
Epidemiology Collaboration (CKD-EPI) de estimativa da Taxa de Filtração Glomerular
(TFG) a partir da creatinina sérica, por ser esse um marcador mais presente na prática clínica,
para avaliação inicial e monitoramento da progressão da doença. Já o KDIGO - Glomerular
diseases guideline (2021) sugere para adultos as equações Cockcroft-Gault, MDRD, CKDEPI cistatina C e CKD-EPI creatinina, com preferência para o último, para a avaliação de
função glomerular.
O uso da creatinina sérica como marcador da função renal apresenta uma limitação,
já que há relação desse marcador com situações inflamatórias e com quadro de perda de força
e reserva muscular e performance física comuns com o avançar da idade (Pillatt et al., 2021).
Em suas duas versões a diretriz KDIGO (2012, 2021) recomenda algumas equações
para a estimativa da taxa de filtração glomerular (TFG), tais como CKD-EPI, MDRD e
Cockcroft-Gault, que usam a creatinina sérica como marcador, por ser de mais fácil acesso na
prática clínica. Porém, alguns estudos apontam que essas equações apresentam limitação para
10
estimar a TFG na população idosa, pois foram desenvolvidas para a população adulta e
apresentam inconsistências quando usadas na população mais velha, piorando o desempenho
de acordo com o avançar da idade dos indivíduos (XIA et al., 2021). Com o objetivo de
avaliar com mais precisão a filtração glomerular da população idosa, Schaeffner et al. (2012)
derivaram a equação do Berlin Initiative Study (BIS), apontando as equações BIS1 (baseada
nos níveis de creatinina sérica) e BIS2 (baseada nos níveis de cistatina C) para estimar a TFG,
sendo prioritário o uso da BIS2, mas em não havendo disponibilidade do dado da cistatina C,
o uso da BIS1 é aceito.
Assim, o estudo se propõe a avaliar a presença de sarcopenia e outros fatores de
avaliação da capacidade física na pessoa idosa com DRC, avaliando o uso de quatro fórmulas
preditivas (CKD-EPI; Cockcroft & Gault; MDRD e BIS1) como preditoras da TFG e sua
associação com a presença de sarcopenia nesta população, pois a partir do resultado dessa
associação, talvez seja possível fazer intervenções preventivas em relação ao quadro de
sarcopenia e apontar qual melhor fórmula a ser aplicada para avaliação de função renal da
pessoa idosa na prática clínica.
11
2 OBJETIVOS
2.1 Objetivo geral
Avaliar a presença de sarcopenia da pessoa idosa com Doença Renal Crônica e associar
com a Taxa de Filtração Glomerular.
2.2 Objetivos específicos
Caracterizar o perfil socioeconômico, demográfico e clínico da população estudada;
Mensurar os níveis de creatinina sérica na população estudada;
Quantificar a Taxa de Filtração Glomerular (TFG);
Fazer a concordância entre fórmulas de estimativa de TFG;
Determinar a prevalência de Risco de Sarcopenia e Sarcopenia;
Fazer a associação entre a massa, força/função muscular e o resultado da estimativa da
TFG;
Fazer a associação entre a massa, força/função muscular, resultado da estimativa da TFG e
o risco de sarcopenia.
12
3
REVISÃO DE LITERATURA
Sarcopenia na população idosa: saudável e doente
De acordo com a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) o aumento da
população idosa está acontecendo de forma mais veloz do que acontecia no passado, sendo
em 2020 estimada em 8% da população mundial com mais de sessenta e cinco anos, há uma
perspectiva de que até 2050 esse número dobre e que até o fim do século os idosos cheguem a
ser mais de 30% da população, sendo necessário voltar os olhares para as necessidades dessa
população (OPAS, 2021).
A senescência traz naturalmente o declínio de várias funções do corpo, bem como a
redução de respostas neurológicas e hormonais (redução dos níveis anabólicos de
testosterona, estrogênio, hormônio do crescimento, Fator de crescimento semelhante à
insulina do tipo 1 - IGF-1), além do desenvolvimento de uma inflamação crônica de baixo
grau com o acúmulo de citocinas inflamatórias, como fator de necrose tumoral alfa (TNF-α),
interleucina-6 (IL-6) e do aumento do estresse oxidativo causado pelo acúmulo de espécies
reativas de oxigênio e nitrogênio que, somados, acabam impactando na autonomia física
através da alteração do metabolismo muscular, que sofre interferência de todos esses fatores
(Ebert et al., 2022; Panda e Booth, 2022; Gungor et al., 2021; Papadopoulou, 2020).
Welch et al. (2018) descrevem que o cortisol, que costuma aumentar com a idade, está
relacionado à fraqueza muscular, pois a 11β-hidroxiesteróide desidrogenase (11β-HSD1),
uma enzima que atua convertendo a cortisona em cortisol ativo em humanos e pode ser
induzida por citocinas inflamatórias como o fator de necrose tumoral alfa (TNFα), está
negativamente associada à força de preensão em homens e mulheres e à massa magra total em
homens, e apontou que o 11β-HSD1 é um importante regulador do metabolismo de proteínas
miocelulares.
O impacto no metabolismo muscular pode ser agravado pelo quadro de anorexia que é
comum nessa população, que costuma apresentar redução nos níveis de grelina, que é o
hormônio da fome, desencadeando uma baixa ingestão de energia e proteínas (Panda e Booth,
2022).
Com o envelhecimento, naturalmente, há o declínio do tamanho da fibra muscular do
tipo 2, responsável pela contração rápida, que pode impactar em perda de força/ capacidade
física ao longo do tempo. Também ocorre um desequilíbrio orgânico entre a síntese e a
degradação das proteínas do músculo esquelético que resulta em perda na reserva muscular,
podendo levar à perda de autonomia (Tieland e Trouwborst, 2018). Somam-se aos aspectos
descritos a alteração do estilo de vida comum nos idosos, que costumam reduzir os níveis de
13
atividade física, apresentam baixa qualidade na dieta e muitas vezes condições como
obesidade, hipertensão e resistência à insulina estão presentes (Alfano et al., 2022).
Sarcopenia é a perda patológica de massa e força/função muscular que acontece
predominantemente em decorrência do envelhecimento, que se apresenta atualmente como
um problema de saúde pública e está ligado ao desenvolvimento de diversas doenças crônicas
(Landi et al., 2018; Li et al., 2022). Essa condição pode acontecer de forma aguda no contexto
de alguma enfermidade e com duração de até 6 meses, ou se desenvolver de forma mais lenta
e gradual, num contexto crônico com duração superior a 6 meses, e ambas decorrem de uma
perda de função, quantidade e qualidade muscular que acontece após um platô atingido no
início da idade adulta (Cruz-Jentoft et al., 2019).
Welch et al. (2018) também descrevem a sarcopenia aguda como uma condição
derivada de eventos de saúde que causem restrição ao leito e inflamação sistêmica como
presença em UTI ou cirurgias de grande porte onde há desuso dos músculos e catabolismo
presente pela inflamação causada pelo adoecimento, devendo ser usados os mesmos critérios
diagnósticos da sarcopenia para identificar essa condição.
A perda da reserva e da função muscular associada apenas ao envelhecimento
apresentam como fatores de risco principalmente do avanço da idade, da presença de préfragilidade e da baixa atividade física. Com o avanço da idade ocorre a disfunção
mitocondrial, aumento de células satélites disfuncionais, alteração nos sinalizadores
neuromusculares, redução na síntese ou resposta de hormônios anabólicos e anorexia do
envelhecimento e a soma desses fatores leva ao desenvolvimento de sarcopenia primária,
quando não há nenhuma outra condição de saúde relacionada ao quadro (Therakomen,
Petchlorlian e Lakananurak, 2020).
A diretriz mais usada atualmente para rastreio de sarcopenia é o European Working
Groupon Sarcopenia in Older People 2 - EWGSOP2 (Cruz-Jentoft et al., 2019). A perda de
força/função e qualidade muscular definida como sarcopenia pode ser classificada como
primária, quando seu desenvolvimento não está associado a outra comorbidade (Cruz-Jentoft
et al., 2019).
A sarcopenia comumente está associada a outras comorbidades comuns na população
idosa, em que o grau de inflamação presente pode contribuir com a evolução do declínio de
quantidade e qualidade muscular. Na população idosa saudável há a presença de uma
inflamação crônica e leve que afeta o metabolismo muscular, podendo agravar condições de
saúde aumentando o risco de incapacidade e mortalidade dessa população (Papadopoulou,
2020). Quando a perda de função, qualidade e quantidade de massa muscular, assim como o
14
declínio da performance física está associado a outras comorbidades, como doenças crônicas,
hospitalização prolongada, desnutrição, entre outras razões, a sarcopenia é chamada de
secundária (Cruz-Jentoft et al., 2019; Nishikawa et al, 2021; Izzo et al, 2021; Panda e Booth,
2022).
Sarcopenia e DRC
O desenvolvimento de doença renal crônica (DRC) é mais frequente em indivíduos
mais velhos, estando o envelhecimento ligado a alterações deletérias do parênquima renal,
além do acúmulo de agentes nefrotóxicos que acontece ao longo da vida desses indivíduos
(Alfano et al, 2022).
Pacientes com DRC podem estar propensos a apresentar declínio progressivo da massa
muscular em decorrência da inflamação crônica, do acúmulo de toxinas urêmicas, da
desnutrição, do desequilíbrio hormonal, do aumento do estresse oxidativo e a ingestão
insuficiente de alimentos que causam o catabolismo proteico desses indivíduos (Gungor et al.,
2021; Sabatino et al., 2021).
O ambiente urêmico, a resistência a insulina, a disfunção endotelial, a inflamação e o
estresse oxidativo são fatores de risco para sarcopenia que está associada à idade, sexo, Índice
de Massa Corporal (IMC), comorbidades, proteinúria e anemia nos pacientes portadores de
DRC em tratamento conservador (Gulcicek e Seyahi, 2023).
Watannabe, Enoki e Maruyama (2019) apontam que a redução de mitocôndrias no
músculo parece estar associada à resistência muscular nos indivíduos com DRC. Descrevem
também que as toxinas urêmicas ligadas a proteínas como o indoxil sulfato, p-cresil sulfato,
ácido indol acético, ácido hipúrico, ácido quinurênico, ácido 3-carboxil-4-metil-5-propil-2furanpropanóico, entre outras, bem como a acúmulo de glicocorticoides e angiotensina II,
contribuem para a progressão e complicações da DRC, estimulados pelo estresse oxidativo e
pela inflamação e desempenham um papel essencial na atrofia e na diminuição da resistência
muscular.
Em 2022, Chatzipetrou, Bégin e Hars fizeram uma revisão que apontou como fatores
de risco para desenvolvimento de sarcopenia em pacientes com DRC idade avançada, sexo
masculino, baixo IMC, necessidade de diálise, desnutrição, escore alto na Avaliação Subjetiva
Global (ASG), estado de inflamação, baixos níveis de vitamina D e uso de diuréticos. Os
pesquisadores apontaram também que a presença de sarcopenia em pacientes com DRC
apresentaram aumento de incapacidade física, hospitalização e mortalidade.
Em decorrência da perda muscular derivada da DRC, os indivíduos são mais
suscetíveis ao desenvolvimento da sarcopenia, podendo apresentar uma piora nos desfechos,
15
podendo causar hospitalização, incapacidades, quedas e até aumento de mortalidade (Yu et
al., 2021; Do e Kang, 2022; Dahl et al., 2023).
Interferência da diminuição da massa muscular na creatinina X seu uso como marcador de
dano renal
Como a creatinina sérica é resultado do metabolismo muscular, a creatinina sérica
tende a ser alterada quando há alteração na quantidade de massa muscular dos indivíduos,
podendo ser usada como marcador para rastreio de sarcopenia, uma vez que há uma forte
associação com a quantidade de massa muscular e é um marcador de fácil acesso na prática
clínica de rotina (Kakita et al., 2022).
Ocorre que a creatinina é também o indicador mais usado para estimar a função renal,
uma vez que é o dado mais simples de ser encontrado na prática clínica de rotina,
principalmente por questão de custo (Iacomelli et al., 2021).
Quando se trata da avaliação da função renal através da estimativa de taxa de filtração
glomerular (TFG) de pacientes com baixa concentração de massa muscular, como acontece
em indivíduos com sarcopenia, a creatinina sérica reduzida pela baixa massa muscular tende a
superestimar a TFG, mascarando o quadro real de doença renal crônica. Assim, a sarcopenia
se apresenta como uma limitação no uso da creatinina sérica para estimar a taxa de filtração
glomerular (Iacommelli et al., 2021; Gulyaev et al., 2020; Yoshimura et al., 2021).
Fórmulas preditoras de TFG X limitação para uso em idosos
A doença renal crônica tem aumento de prevalência com o avançar da idade e até o
presente momento a TFG é o melhor marcador para avaliar a função renal dos indivíduos,
conforme indicado pela diretriz KDIGO (2021), que traz como parâmetro de corte para
identificação da TFG o valor <60mL/min/1,73m² e indica as fórmulas Cockcroft-Gault,
MDRD e CKD-EPI baseadas na creatinina para estimar a TFG.
Noronha et al. (2022) ao avaliar as formas de mensuração da TFG de idosos descreve
que deve ser considerado o custo efetivo ao escolher o método, mas que as fórmulas baseadas
em cistatina C são mais precisas na mensuração desses valores.
A partir dessa indicação, se fazem necessários alguns apontamentos. O primeiro deles
é o de que a literatura traz a informação de que há com o envelhecimento um declínio
fisiológico da TFG, conhecido como diminuição da TFG relacionada a idade, que se dá em
razão da redução do número de néfrons e não está relacionada a outros sintomas da DRC,
apresentando declínio a cada ano a partir dos 30-40 anos (Noronha et al., 2022). Outro ponto
que é necessário dar relevância é que considerando a alteração renal fisiológica presente com
16
a idade, o uso do mesmo valor de corte aplicado para adultos se mostra inadequado, sendo
apontado pelos pesquisadores o uso do valor <45mL/min/1,73m² para identificar DRC em
pessoas com mais de 65 anos, sob o risco de sobrediagnóstico de DRC na população idosa
(Delanaye et al., 2019; Alfano et al., 2022).
Com o avançar da idade a população idosa tende a apresentar declínio da massa
muscular, acarretando redução nos níveis de creatinina sérica o que se relaciona com um
aumento na TFG calculada a partir da creatinina (Iacommelli et al., 2021). Eriksen et al.
(2020) também aponta que pessoas saudáveis com idade entre 50 e 95 anos apresentam
declínio da TFG, que mesmo em indivíduos saudáveis não apresenta valores preservados na
velhice.
Além disso, é importante destacar que as fórmulas indicadas pela diretriz KDIGO
(2021), Cockcroft e Gault (1976), MDRD (Levey, 1999) e CKD-EPI (Levey, 2009), tiveram
baixa representatividade da população com mais de 65 anos e tendem a superestimar a TFG
de idosos (Alfano et al., 2022; Noronha et al., 2022, o que demonstra uma limitação na
avaliação da função renal de idosos.
Pensando em melhorar a estimativa da TFG de idosos, Schaeffner et al. (2012)
desenvolveram duas equações voltadas para a população idosa alemã através do Berlin
Iniative Study, identificadas como BIS1 e BIS2, a primeira baseada na creatinina sérica e a
segunda baseada na cistatina C. Os autores apresentam as duas equações com boa acurácia
para estimar a TFG dessa população.
Acolhendo os achados de Schaeffner et al. (2012), outros estudos indicam as duas
equações de BIS (1 e 2) para avaliação da função renal da população idosa, indicando como
mais precisa em relação a outras (Alfano et al., 2022 e Noronha et al., 2022).
17
4 METODOLOGIA
4.1 TIPO DE ESTUDO
Trata-se de um estudo transversal realizado com pessoas idosas portadoras de DRC
(Idade ≥ 60 anos) de ambos os sexos, atendidos nos ambulatórios de nefrologia do Hospital
Universitário Professor Dr Alberto Antunes.
O
cálculo
amostral
foi
realizado
online//comentto.com/calculadora-amostral/
a
com
auxílio
da
calculadora
partir do número total de pacientes
efetivamente atendidos entre outubro e dezembro de 2022 nos ambulatórios de nefrologia do
local de pesquisa, em seguida aplicada a prevalência de 21,4% de DRC em pessoas idosas
(Amaral et al., 2019), que perfez um total de 199, chegou-se a uma população de 42,5,
fazendo o ajuste para seis meses de coleta, a população usada para o cálculo da amostra foi de
85.
Partindo da população de 85 pessoas, admitiu-se um erro amostral de 5% e um nível
de confiança de 95% e uma distribuição de população homogênea de 80/20, obteve-se o
número amostral de 64 participantes na pesquisa, selecionados entre dezembro de 2022 e
maio de 2023.
A partir desse número, foram avaliados 65 participantes, seguindo o fluxo da diretriz
EWGSOP2, aplicando todos os instrumentos sugeridos pelo estudo europeu, o que incluiu o
rastreio do risco de sarcopenia; a avaliação da força/função muscular; a quantificação da
massa muscular apendicular; a avaliação da capacidade funcional e a avaliação da TFG de
cada indivíduo através das fórmulas Chronic Kidney Disease Epidemiology Collaboration
(CKD-EPI) (Levey, 2009), Modification of Diet in Renal Disease (MDRD) (Levey, 1999),
Cockcroft e Gault (1976) e Berlin Iniative Study 1 (BIS1) (Schaeffner et al., 2012).
4.2 LOCAL DE REALIZAÇÃO DO ESTUDO
Ambulatórios de nefrologia do Hospital Universitário Professor Dr. Alberto Antunes.
4.3 CRITÉRIOS DE ELEGIBILIDADE
4.3.1 Critérios de inclusão
Foram incluídos na pesquisa indivíduos de ambos os sexos, com idade igual ou
superior aos 60 anos, com diagnóstico de DRC, atendidos no local de pesquisa.
4.3.2 Critérios de não inclusão/exclusão
18
Não foram incluídos indivíduos com diagnóstico de neoplasias nos últimos 5 anos
(exceto neoplasias de pele não melanoma), pacientes renais crônicos em diálise, pacientes
com diagnóstico de lesão renal aguda. Além disso, foram excluídos pacientes com histórico
de internação hospitalar compatível com quadro séptico, cirurgias de grande porte nos últimos
6 meses e com carga viral elevada de HIV.
4.4 DESENHO DO ESTUDO
A coleta de dados aconteceu no período de dezembro de 2022 a maio de 2023.
Inicialmente foi feita uma busca inicial de dados por meio dos prontuários, a fim coletar
dados demográficos, socioeconômicos, bioquímicos, clínicos e identificar possíveis critérios
de exclusão que pudessem inviabilizar o convite para participação da pesquisa. Após a
verificação inicial, os participantes foram convidados a participar da pesquisa.
Na oportunidade foi apresentado o projeto ao participante, explicando como se daria
cada etapa da pesquisa, destacando que as avaliações nutricionais, de força e função muscular
seriam feitas estritamente entre um profissional habilitado e o participante, visando assim a
minimização de constrangimento ao mesmo. Ademais, foram apresentados ao participante os
protocolos bioéticos de sua proteção, culminando na adesão através da assinatura do Termo
de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE).
Os participantes que aceitaram participar foram avaliados com questionamentos
presentes no Apêndice A, contendo dados demográficos, socioeconômicos, clínicos e,
adicionalmente, foi feita a avaliação de sarcopenia, iniciada através da rastreio de risco de
sarcopenia com aplicação do Questionário SARC-F e do SARC-CalF, seguido da avaliação
da força de preensão palmar com o dinamômetro, composição corporal com peso, altura,
circunferência da cintura (CC), circunferência da panturrilha (CP), bioimpedância elétrica
tetrapolar, e performance física, avaliada com o Timed up and go test (TUG) (Cruz-Jentoft et
al., 2019)
Foram coletados também os dados de creatinina sérica, hemoglobina e glicemia dos
participantes a partir de dados de prontuário (últimos 3 meses da data da coleta).
Os dados foram coletados conforme descrito abaixo.
Preenchimento de instrumentos de coleta
Após assinatura do TCLE, a pesquisadora procedeu a entrevista com a aplicação do
protocolo de coleta e preenchimento dos dados demográficos e socioeconômicos dos
participantes.
19
Em seguida foi realizada a triagem do risco de sarcopenia através dos questionários
SARC-F e SARC-CalF, apresentados abaixo nas tabelas 3 e 4.
Rastreio da sarcopenia
Para o rastreio da sarcopenia foram utilizados os pontos de corte do European
Working Groupon Sarcopenia in Older People 2 - EWGSOP2 (CRUZ-JENTOFT et al.,
2019), segundo fluxograma 1 e Tabela 1 e 2, abaixo:
Fluxograma 1 Algoritmo adaptado do EWGSOP2 (2019) para encontrar casos, fazer um
diagnóstico e quantificar a gravidade na prática. As etapas do caminho são representadas como
Encontrar-Avaliar-Confirmar-Definir Severidade ou, do inglês, F-A-C-S. (Devem ser
consideradas outras razões para a baixa força muscular (depressão, acidente vascular cerebral,
distúrbios do equilíbrio, distúrbios vasculares periféricos).
Tabela 1. Classificação dos níveis de sarcopenia
Provável Sarcopenia
Baixa Força Muscular
Sarcopenia
Baixa força muscular + baixa quantidade ou
qualidade muscular
Sarcopenia Grave
Baixa força muscular + baixa quantidade ou
qualidade muscular + baixa performance física
Tabela 2. Testes a serem realizados para diagnóstico de sarcopenia conforme EWGSOP2
Teste
Pontos de
Pontos de corte (mulheres)
corte
(homens)
Força da prensão palmar
< 27kg
< 16kg
20
Massa muscular esquelética apendicular
Timed up and go test
< 20 Kg
< 10 s
< 15 Kg
Vale ressaltar que independente do rastreio para risco de sarcopenia ter dado negativo,
todos os parâmetros pontuados na diretriz utilizada no estudo para rastreio e diagnóstico da
sarcopenia foram realizados, uma vez que associações independentes estavam dentro dos
objetivos desse estudo.
SARC-F
O questionário que compõe o SARC-F consiste em 5 perguntas que avaliam a força (S
de Strength), assistência para andar (A de Assistance walking), necessidade de auxílio para
levantar-se da cadeira (R de Rising from a chair), subir escadas (C de Climbing Stairs) e
histórico de quedas (F de Falls). O ponto de corte utilizado para a presença de risco de
sarcopenia é a pontuação final ≥ 4 pontos, como preditor de maior risco de acordo com o
estudo de validação feito por Malstrom e Morley em 2013. A pontuação para cada pergunta
vai de 0 a 2 pontos, sendo 0 (ausência de alterações) até 2 (incapacidade de realizar a ação); o
somatório total é de 10 pontos e a pontuação final maior ou igual a 4 sugere risco de
sarcopenia (Malmstrom e Morley, 2013).
Tabela 3. Triagem SARC-F para Risco de Sarcopenia
Componente
Força
Pergunta
O quanto de dificuldade você tem para levantar e
carregar 5 Kg?
Ajuda para
caminhar
O quanto de dificuldade você tem para atravessar
um cômodo?
Levantar da
cadeira
O quanto de dificuldade você tem para levantar de
uma cama ou cadeira?
Subir escadas
O quanto de dificuldade você tem para subir um
lance de escadas de 10 degraus?
Quedas
Quantas vezes você caiu no último ano?
Pontuação
Nenhum = 0
Alguns = 1
Muito ou incapaz = 2
Nenhum = 0
Alguns = 1
Muito, usa ajuda ou
incapaz = 2
Nenhum = 0
Alguns = 1
Muito ou incapaz
sem ajuda = 2
Nenhum = 0
Alguns = 1
Muito ou incapaz = 2
Nenhuma = 0
1–3 quedas = 1
4 ou mais quedas = 2
Adaptado de Malmstrom e Morley (2013)
Força muscular estática
Após a triagem para risco de sarcopenia, seguindo as orientações da diretriz
EWGSOP2 (Cruz-Jentoft et al., 2019), foi avaliada a força muscular estática através do teste
21
de preensão palmar (dinamometria). Foi utilizado um dinamômetro hidráulico da marca
SAEHAN, modelo SH5001. A aferição foi feita com o participante do estudo sentado, com a
coluna inteiramente apoiada no encosto da cadeira, com joelhos fletidos a 90º, os pés
totalmente apoiados no solo e os membros superiores posicionados paralelos ao tronco, com
cotovelos flexionados a 90º, na posição neutra e punho entre 0o e 30º de extensão e entre 0o e
15º graus de adução. O participante impôs força no dinamômetro para identificação do valor,
que teve a força aferida no braço dominante. O teste foi realizado três vezes, respeitando um
intervalo de 30 segundos entre cada repetição. Foi considerado para esta população idosa, a
redução da Força de Preensão Palmar - FPP pelos pontos de corte propostos pelo EWGSOP2,
sendo para homens <27 kg e mulheres <16 kg (Cruz-Jentoft et al., 2019), sendo a amostra
classificada em força muscular preservada e baixa força muscular.
Composição corporal
Após a triagem para risco de sarcopenia, foi iniciada a avaliação antropométrica,
através da aferição de peso, altura, circunferência da cintura e circunferência da panturrilha.
Para aferição do peso atual e altura dos pacientes foi utilizada uma balança eletrônica da
marca Lider®, modelo LD1050 com capacidade de até 300 kg e precisão de 100g; e a altura
verificada em estadiômetro acoplado a balança citada, com precisão de 0,1 cm, presente na
sala de triagem do ambulatório de nefrologia, ambos segundo metodologia indicada pelo
Ministério da Saúde (BRASIL, 2004). Após a obtenção do peso e da estatura foi calculado o
índice de massa corporal (IMC) por meio da razão entre o peso corporal e a estatura ao
quadrado (kg/m²). Para classificação do IMC foram considerados os pontos de corte propostos
por Lipschitz (1994), adequados para a população idosa, sendo a amostra dividida entre baixo
peso e eutrofia/excesso de peso.
A circunferência da cintura foi medida ao nível do umbigo no final da expiração com
uma fita métrica de plástico flexível, enquanto os pacientes permaneceram em pé com o peso
igualmente distribuído em ambos os pés e a cabeça voltada para frente. A média das três
medidas será considerada para as análises (Bazanelli et al., 2012) e o grupo foi classificado
através dos pontos de corte de 96cm para homens e 88cm para mulheres em adequada e alta.
A circunferência da panturrilha foi medida através de fita métrica inelástica
posicionada horizontalmente em volta da panturrilha na circunferência máxima, sendo
classificada como boa reserva de massa muscular quando >33 cm para mulheres e >34 cm
para homens (Pagotto, 2018), sendo feita a divisão dos pacientes em musculatura preservada e
depleção muscular.
22
A bioimpedância elétrica foi realizada com um aparelho portátil, padrão tetrapolar
profissional, Sanny, modelo Quantum BIA1010. A avaliação foi feita seguindo os critérios e
procedimentos propostos pelo próprio manual do equipamento para a realização do exame,
com o paciente em repouso deitado na maca em posição supina, com os eletrodos
posicionados na altura das articulações do punho, do tornozelo e a articulação
metacarpofalangiana da mão e do pé direito, todas do lado direito do paciente. Para a
realização do exame e a partir dos seus resultados foram usados os dados de resistência,
reactância e percentual de massa muscular total. Antes da realização, os participantes foram
orientados a estar em jejum de alimentos por quatro horas; urinar pelo 30 minutos antes; não
ingerir bebidas alcoólicas nas 24 horas que antecederam a medição; não ingerir cafeína no dia
do exame; não executar atividades físicas nas 24 horas anteriores; e não utilizar cremes ou
loções hidratantes nas mãos e pés no dia do exame.
A massa muscular apendicular foi calculada através da fórmula ASMM2 proposta por
Sergi (2017), refrência indicada na diretriz EWGSOP2 (2019), já que existem muitas
variedades de marcas de bioimpedância no mercado, deixando o dado de massa muscular
apendicular fornecidos diretamente pelo aparelho pouco confiáveis. Sergi (2017) propõe as
fórmulas preditivas BIA 1 equation: ASMM1 (kg) = -0374+ (0,263*RI) + (0,079*weight) +
(0,840*sex) + 0,080*Xc) e BIA 2 equation: ASMM2 (kg) = -2,798 + (0,197*RI) +
(0,106*weight) + (1,824*sex) + (0,054*Xc), e aponta que as duas não diferiram
significativamente da massa muscular apendicular apontada pela dexa, que foi usado como
referência. A partir do resultado, o grupo foi dividido entre massa muscular preservada e
baixa massa muscular.
Performance física
O Timed up go test (TUG) foi utilizado para avaliar a performance física e determinar
a gravidade da sarcopenia. O teste consiste em levantar de uma cadeira, andar por três metros,
virar, caminhar de volta e sentar-se novamente, sendo mensurado o tempo em segundos para
sua realização. O tempo foi medido manualmente com um cronômetro eletrônico. O ponto de
corte >10s foi considerado como um indicador de comprometimento da capacidade funcional
(Cruz-Jentoft et al., 2019), sendo os indivíduos divididos entre boa capacidade funcional e
capacidade funcional prejudicada.
Creatinina sérica e Taxa de filtração Glomerular
23
O dado de creatinina sérica foi coletado a partir de dados de prontuário (últimos 3
meses) e classificado de acordo com as referências do laboratório. Posteriormente foi
calculada a TFG estimada pelas fórmulas MDRD, CKD-EPI e Cockroft-Gault através da
calculadora
presente
no
site
da
Sociedade
Brasileira
de
Nefrologia
https://www.sbn.org.br/profissional/utilidades/calculadoras-nefrologicas/ e BIS 1 através de
planilha do excel, com a fórmula BIS1 = 3736 x creatinine x age x 0,82 (se mulher), conforme
estudo de Schaeffner et al (2012), sendo classificados os participantes da pesquisa entre TFG
<60 mL/min/1,73m² e ≥ 60 mL/min/1,73m².
Diagnóstico de Sarcopenia
Foram utilizados os seguintes instrumentos para identificação de risco de sarcopenia
e sarcopenia entre os participantes:
(1) Risco de sarcopenia – SARC-F (Malmstrom e Morley, 2013);
(2) Força muscular reduzida – se força da preensão palmar (FPP), aferida com dinamômetro
hidráulico de mão Saehan®, for <27kg para homens e <16Kg para mulheres10 será
considerada reduzida – A aferição foi feita com o participante do estudo sentado, com a
coluna inteiramente apoiada no encosto da cadeira, com joelhos fletidos a 90º, os pés
totalmente apoiados no solo e os membros superiores posicionados paralelos ao tronco, com
cotovelos flexionados a 90º, na posição neutra e punho entre 0º e 30º de extensão e entre 0º e
15º graus de adução. O participante impôs força no dinamômetro para identificação do valor,
que teve a força aferida no braço dominante. O teste foi realizado três vezes, respeitando um
intervalo de 30 segundos entre cada repetição, sendo considerado o maior valor alcançado;
(3) Capacidade funcional prejudicada – se teste do Timed up go test (TUG) teve resultado
<10s (Cruz-Jentoft et al, 2019) – O teste consiste em levantar de uma cadeira, andar por três
metros, virar, caminhar de volta e sentar-se novamente, sendo mensurado o tempo em
segundos para sua realização. O tempo foi medido manualmente com um cronômetro
eletrônico;
(4) Sarcopenia – se participante apresentar Força muscular reduzida + MMEA reduzida,
mesmo sem risco de sarcopenia, foi considerado positivo o diagnóstico de sarcopenia.
Processamento e análise dos dados
As variáveis categóricas estão apresentadas em frequências absolutas e relativas, e as
variáveis contínuas em média e desvio-padrão. Para realizar a comparação entre grupos (com
e sem risco de sarcopenia) foram realizados teste t para amostras independentes, após a
24
verificação da igualdade das variâncias pelo teste de Levene. Para a realização das
comparações entre as variáveis categóricas foram feitos testes de qui-quadrado e Fisher, a
depender do tamanho da amostra. Além disso, para verificar a associação dos resultados dos
cálculos das equações da taxa de filtração glomerular (mL/min/1,73 m2) e o risco de
sarcopenia (sem e com), massa muscular apendicular, percentual de massa muscular,
força/função muscular, times up and go test, glicemia (mg/dL) e hemoglobina (g/dL), foram
realizadas regressões lineares simples, e ajustadas para sexo (feminino e masculino).
Por fim, também foi realizado o teste kappa de Cohen para avaliar a concordânia
entre as fórmulas que estimam a TFG em relação à BIS1. As análises foram realizadas no
software IBM SPSS Statistics versão 21, adotando-se um valor alfa de 5%.
Bioética
O presente estudo foi aprovado pelo comitê de ética do Hospital Universitário
Professor Alberto Antunes, com número de CAAE 58523122.5.0000.0155 e número de
parecer 5.785.165, em conformidade com a Resolução 196/96, do Conselho Nacional de
Saúde – CNS.
25
5 PRODUTOS
Produto 1. Risco de Sarcopenia da pessoa idosa com Doença Renal Crônica e sua associação
com o status nutricional, força muscular e função renal (Com formatação de acordo com
orientação da Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia – Anexo B)
Título: Sarcopenia e status funcional e clínico na pessoa idosa com doença renal
crônica: existe conexão com a função renal?
Title: Sarcopenia and functional and clinical status in elderly people with chronic
kidney disease: is there a connection with renal function?
Resumo
INTRODUÇÃO: Com o envelhecimento mundial da população, há a preocupação
com a degradação dos tecidos e funções do corpo, como o metabolismo muscular, o
que pode levar ao desenvolvimento de sarcopenia, quadro que pode surgir de forma
primária, mas que também pode estar relacionado a doenças crônicas como a
Doença Renal Crônica (DRC). OBJETIVO: O presente estudo se propôs a identificar
a presença de sarcopenia e outras alterações da capacidade física da pessoa idosa
portadora de DRC e suas correlações com a taxa de filtração glomerular (TFG).
MATERIAIS E MÉTODOS: Tratou-se de um estudo transversal com pessoas idosas
portadoras de DRC, com coleta de dados socioeconômicos, demográficos, clínicos,
antropométricos, laboratoriais e de sarcopenia pelos critérios do European Working
Group on Sarcopenia in Older People – EWGSOP (2019) e a TFG foi calculada a
partir da fórmula CKD-EPI (2009). A análise estatística fez comparação entre os
grupos com o teste t de student, qui-quadrado, fisher, regressões lineares simples e
ajustadas para sexo, todas no software IBM SPSS versão 21, adotando-se um valor
alfa de 5%. RESULTADOS: A sarcopenia foi detectada em 24,61% dos indivíduos.
Contudo, 53,83% dos pacientes apresentaram baixa força de preensão palmar, e
30,80% apresentou baixa massa muscular, o que, juntamente com os baixos níveis
de hemoglobina, foram dados associados positivamente com a TFG. CONCLUSÃO:
O status nutricional, a preservação de força e os níveis de hemoglobina se
correlacionaram com a taxa de filtração glomerular na população estudada, sendo
necessário maior monitoramento dessa população.
Palavras-chave: Taxa de filtração glomerular; Força de Preensão Manual; Creatinina
Abstract
INTRODUCTION: With the global aging of the population, there is concern about the
degradation of body tissues and functions, such as muscle metabolism, which can
lead to the development of sarcopenia, a condition that can appear primarily, but
which may also be related chronic diseases such as Chronic Kidney Disease (CKD).
OBJECTIVE: The present study aimed to identify the presence of sarcopenia and
other changes in the physical capacity of elderly people with CKD and their
correlations with the glomerular filtration rate (GFR). MATERIALS AND METHODS:
26
This was a cross-sectional study with elderly people with CKD, collecting
socioeconomic, demographic, clinical, anthropometric, laboratory and sarcopenia
data according to the criteria of the European Working Group on Sarcopenia in Older
People – EWGSOP (2019) and GFR was calculated using the CKD-EPI formula
(2009). The statistical analysis made comparisons between the groups using the
Student's t test, chi-square test, Fisher test, simple linear regressions and those
adjusted for sex, all using the IBM SPSS version 21 software, adopting an alpha
value of 5%. RESULTS: Sarcopenia was detected in 24.61% of individuals. However,
53.83% of patients had low handgrip strength, and 30.80% had low muscle mass,
which, together with low hemoglobin levels, were data positively associated with
GFR. CONCLUSION: Nutritional status, strength preservation and hemoglobin levels
correlated with the glomerular filtration rate in the studied population, requiring
greater monitoring of this population.
Keywords: Glomerular filtration rate; Hand Grip Strength; Creatinine
Introdução
O número de pessoas idosas está em crescimento em todo o mundo. Com a
prevalência ao redor de 8% em 2020, sua estimativa é para taxas superiores a 30%
da população mundial em 20991. O Brasil, apesar de ainda ser considerado um “país
jovem”, vive atualmente os resultados da transição epidemiológica, com aumento da
expectativa de vida e redução nas doenças infecto contagiosas, e vê o número de
idosos no país crescer a cada década, sendo que em 2022, cerca de 15,8% da sua
população tinha mais de 60 anos².
O processo de senescência atua diretamente e envolve a redução de
tamanho da fibra responsável pela contração rápida e um desequilíbrio entre a
síntese e a degradação de proteínas do músculo esquelético, que culminam numa
progressiva perda de autonomia da pessoa idosa3. Quando essa redução de
capacidade física do idoso está associada à perda patológica de massa e
força/função muscular, ocorre a chamada sarcopenia que pode ser agravada
quando há a presença de doenças crônicas comuns ao envelhecimento 4, como
Diabetes Mellitus 25, 6, obesidade7, DRC8, câncer9, entre outras.
Atualmente a perda de força muscular, comparativamente à redução de
massa muscular, é considerada o fator mais importante no diagnóstico de
sarcopenia10. Além disso, é importante destacar que o quadro de sarcopenia pode
estar associado a várias condições patológicas diferentes7.
Na Doença Renal Crônica (DRC) há o crescimento do estado inflamatório
juntamente com uma redução no nível de atividade física e um balanço protéico
negativo, que, em conjunto, contribuem para o catabolismo muscular, resultando no
27
quadro de sarcopenia, quadro este, diretamente relacionado a maiores taxas de
hospitalização e mortalidade11, 12.
Nesse contexto, fica evidente que a pessoa idosa com DRC apresenta duplo
risco para redução da força/função muscular e depleção proteica, o que intensifica a
possibilidade de sarcopenia e piora de uma forma geral todos os indicadores de
qualidade de saúde13, 12.
Assim, o estudo se propõe a avaliar a presença de sarcopenia e outros
fatores de avaliação da capacidade física na pessoa idosa com DRC, verificando a
associação entre as variáveis da sarcopenia e os níveis de TFG calculado a partir da
fórmula CKD-EPI15, assim como avaliar se essas variáveis são preditoras da
redução da TFG na população estudada.
Método
Tipo de estudo e Design
Trata-se de um estudo transversal realizado com pessoas idosas portadoras
de DRC (Idade ≥ 60 anos) de ambos os sexos, atendidos nos ambulatórios de
nefrologia do Hospital Universitário Professor Alberto Antunes, Maceió/Alagoas,
Brasil, de dezembro de 2022 e maio de 2023.
Foram elegíveis pacientes de ambos os sexos, com idade superior a 60 anos,
com diagnóstico de DRC em tratamento conservador. Não foram incluídos
indivíduos com diagnóstico de neoplasias nos últimos 5 (cinco) anos (exceto
neoplasias de pele não melanoma), pacientes renais crônicos em diálise, pacientes
com diagnóstico de lesão renal aguda. Além disso, foram excluídos pacientes com
histórico de internação hospitalar compatível com quadro séptico, cirurgias de
grande porte nos últimos 6 meses e com carga viral elevada de HIV.
Todos os participantes assinaram o termo de consentimento livre e
esclarecido.
Tamanho da amostra
O cálculo amostral foi realizado com auxílio da calculadora
online//comentto.com/calculadora-amostral/ a partir do número total de pacientes
maiores de 60 anos efetivamente atendidos entre outubro e dezembro de 2022 nos
ambulatórios de nefrologia do local de pesquisa, com aplicação da prevalência de
21,4% de DRC em pessoas idosas16, que perfez um total de 199 e chegou-se a uma
28
população de 42,5, fazendo o ajuste para seis meses de coleta, a população usada
para o cálculo da amostra foi de 85. Admitindo-se um erro amostral de 5% e um
nível de confiança de 95%, o número amostral foi de 64 participantes na pesquisa.
A partir daí os participantes foram avaliados seguindo o fluxo e os pontos de
corte da diretriz EWGSOP210, aplicando o rastreio do risco de sarcopenia; a
avaliação da força/função muscular; a quantificação da massa muscular apendicular;
a avaliação da capacidade funcional e, em seguida, foi feita a estimativa da TFG
através da fórmula CKD-EPI15.
Coleta de dados
Dados socioeconômicos, demográficos e clínicos
Foram coletados dados dos participantes sobre idade, sexo, raça, estado civil,
escolaridade, religião, se procedentes de capital ou interior do estado, além de
alguns dados clínicos como presença de diabetes, hipertensão arterial, presença de
cardiopatia e se o participante tem hábitos de etilismo e tabagismo.
Avaliação nutricional/funcional
A composição corporal foi estimada através de peso, altura, circunferências
da cintura (CC) e panturrilha (CP) e da bioimpedância tetrapolar. Os participantes
foram classificados segundo o índice de massa corporal (IMC) em dois grupos,
sendo um com os participantes com baixo peso e o outro com os participantes com
eutrofia e excesso de peso17. Para definição de risco cardiovascular utilizou-se a CC,
sendo os indivíduos classificados em sem risco quando CC inferior 96 cm para
homens e 88 cm para mulheres18, bem como foi calculada a razão cintura/estatura
(RCE), sendo considerada elevada quando >0,619. Através da CP os participantes
da pesquisa foram categorizados em “massa muscular preservada” quando >33 cm
para mulheres e >34 cm para homens20.
A avaliação de bioimpedância foi feita seguindo os critérios e procedimentos
propostos pelo próprio manual do equipamento (Sanny® Modelo BIA1010) para a
realização do exame e a partir dos seus resultados foram usados os dados de
resistência, reactância e percentual de massa muscular total. Antes da realização do
exame, os participantes foram orientados a estar em jejum de alimentos por quatro
horas; urinar pelo 30 minutos antes; não ingerir bebidas alcoólicas nas 24 horas que
antecederam a medição; não ingerir cafeína no dia do exame; não executar
29
atividades físicas nas 24 horas anteriores; e não utilizar cremes ou loções
hidratantes nas mãos e pés no dia do exame.
A partir dos dados da resistência e reactância foi estimada a massa muscular
esquelética apendicular (MMEA) através da fórmula proposta por Sergi21, e se
<20Kg, no sexo masculino, ou <15Kg no sexo feminino, a massa muscular foi
classificada como reduzida10.
A resistência e a reactância foram também utilizadas pra aferição do ângulo
de fase dos indivíduos22.
Risco de Sarcopenia e Sarcopenia
Independente do rastreio para risco de sarcopenia ter dado negativo, todos os
parâmetros pontuados na diretriz utilizada no estudo para rastreio e diagnóstico da
sarcopenia foram realizados, uma vez que associações independentes estavam
dentro dos objetivos deste estudo. Foram utilizados os seguintes instrumentos para
identificação de risco de sarcopenia e sarcopenia entre os participantes:
(1) Risco de sarcopenia – SARC-F23;
(2) Força muscular reduzida – se força da preensão palmar (FPP), aferida com
dinamômetro hidráulico de mão Saehan®, for <27kg para homens e <16Kg para
mulheres10 será considerada reduzida – A aferição foi feita com o participante do
estudo sentado, com a coluna inteiramente apoiada no encosto da cadeira, com
joelhos fletidos a 90º, os pés totalmente apoiados no solo e os membros superiores
posicionados paralelos ao tronco, com cotovelos flexionados a 90º, na posição
neutra e punho entre 0º e 30º de extensão e entre 0º e 15º graus de adução. O
participante impôs força no dinamômetro para identificação do valor, que teve a
força aferida no braço dominante. O teste foi realizado três vezes, respeitando um
intervalo de 30 segundos entre cada repetição, sendo considerado o maior valor
alcançado;
(3) Capacidade funcional prejudicada – se teste do Timed up go test (TUG) teve
resultado <10s10 – O teste consiste em levantar de uma cadeira, andar por três
metros, virar, caminhar de volta e sentar-se novamente, sendo mensurado o tempo
em segundos para sua realização. O tempo foi medido manualmente com um
cronômetro eletrônico;
30
(4) Sarcopenia – se participante apresentar Força muscular reduzida + MMEA
reduzida, mesmo sem risco de sarcopenia, foi considerado positivo o diagnóstico de
sarcopenia.
Avaliação laboratorial
Os níveis de hemoglobina e creatinina sérica foram coletados a partir de
dados de prontuário (dados de até três meses antes da coleta), tendo os níveis de
hemoglobina sido utilizados para classificar anemia quando <12mg/dL para
mulheres e <13mg/dL para homens25 e os níveis de creatinina classificados
conforme as referências da diretriz KDIGO26, em que considera-se função renal
prejudicada a partir de 1,5 ml/dL. A partir dos dados de creatinina sérica foi
calculada a TFG estimada pela fórmula CKD-EPI15, sendo classificados os
participantes da pesquisa entre TFG <60 mL/min/1,73m² e ≥ 60 mL/min/1,73m² 26.
Aspéctos Éticos
O presente estudo foi aprovado pelo comitê de ética do Hospital
Universitário Professor Alberto Antunes, com número de CAAE
58523122.5.0000.0155 e número de parecer 5.785.165, em conformidade com a
Resolução 196/96, do Conselho Nacional de Saúde – CNS.
Análise estatística
As variáveis categóricas estão apresentadas em frequências absolutas e
relativas (n/%), e as variáveis contínuas em média e desvio-padrão. Para realizar a
comparação entre grupos (com e sem risco de sarcopenia) foram realizados teste t
para amostras independentes, após a verificação da igualdade das variâncias pelo
teste de Levene. Para a realização das comparações entre as variáveis categóricas
foram feitos testes de qui-quadrado e Fisher. Foram realizadas regressões lineares
simples, e ajustadas para sexo (feminino e masculino). As análises foram realizadas
no software IBM SPSS Statistics versão 21, adotando-se um valor alfa de 5.
Resultados
Foram incluídos no estudo 65 pacientes, com média de idade de 69,85 ±7,09
anos, sendo que a maioria era do sexo masculino (n=36; 55,40%), vivem com um
31
companheiro (a) (n=45; 69,20%), tinham renda inferior a três salários-mínimos
(n=42; 64,60%) e negavam etilismo (n=61; 93,8%). Em relação as doenças crônicas,
percebe que tanto a HAS quanto DM foram prevalentes na amostra estudada,
atingindo 89,20% (n=58) e 61,50% (n=40) dos participantes do estudo,
respectivamente. A variável cardiopatia apresentou diferença entre os grupos
segundo a presença ou não de sarcopenia, como pode ser visualizado na Tabela 1.
Como a população estudada, após aplicação do fluxograma indicado na
diretriz EWGSOP2, apresentou baixa confirmação para sarcopenia (n=5, 7,69%), foi
feita a escolha por realizar o diagnóstico dos pacientes sem a aplicação da triagem
feita através do SARC-F, sendo considerados requisitos para sarcopenia a redução
de força/função muscular e de massa muscular apendicular, como fez Gulcicek e
Seyahi32, a partir de onde foram classificados os grupos em com e sem sarcopenia
para as associações com as variáveis constantes no estudo. A prevalência de
sarcopenia da amostra foi de 24,61% (n=16).
Tabela 1: Dados sociodemográficos e clínicos de pessoas idosas com doença renal crônica atendidas
no ambulatório de nefrologia de um hospital universitário de Maceió-AL.
Sem
Com
Amostra total
sarcopenia
sarcopenia
p-valor
(n = 65)
(n = 49)
(n = 16)
Idade (anos), Média ± DP
69,85 ± 7,09
69,16 ± 6,94
71,94 ± 7,35
0,18
Sexo
Masculino, n (%)
36 (55,40)
27 (55,10)
9 (56,30)
0,94
Raça/cor de pele
Não Branca, n (%)
49 (75,40)
37 (75,70)
9 (56,30)
0,60
Estado civil
Com companheiro, n (%)
45 (69,20)
35 (71,40)
10 (65,20)
0,50
Escolaridade
≤ EF incompleto, n (%)
45 (69,20)
33 (67,30)
12 (75,00)
0,40
Religião
61 (93,80)
46 (93,90)
15 (93,80)
0,69
Com Religião, n (%)
Procedência
Interior, n (%)
43 (66,20)
34 (69,40)
9 (56,20)
0,34
Renda
< 3 SM, n (%)
42 (64,60)
29 (59,20)
13 (81,20)
0,09
Etilismo
Não, n (%)
61 (93,80)
45 (91,80)
16 (100,00)
0,31
Tabagismo
Não, n (%)
59 (90,80)
45 (91,80)
14 (87,50)
0,46
Diabetes mellitus
Sim, n (%)
40 (61,50)
33 (67,30)
7 (43,70)
0,09
HAS
Sim, n (%)
58 (89,20)
45 (91,80)
13 (81,20)
0,21
Cardiopatia
Não, n (%)
40 (61,50)
34 (69,40)
3 (18,80)
0,02
Creatinina sérica
32
Amostra total
(n = 65)
Média ± DP
Alta, n (%)
1,96 ± 1,23
47 (72,30)
Sem
sarcopenia
(n = 49)
1,91 ± 1,16
34 (69,40)
Com
sarcopenia
(n = 16)
1,99 ± 1,29
13 (81,20)
p-valor
0,28
Hemoglobina
Média ± DP
12,70 ± 1,53
12,60 ± 1,24
12,8 ± 1,68
0,61
Reduzida, n (%)
38 (59,4)
20 (69,0)
19 (51,4)
0,15
Normal, n (%)
26 (40,6)
9 (31,0)
17 (48,6)
TFG,
Média ± DP
44,57 ± 25,07
42,50 ± 24,82
46,24 ± 25,07
0,55
<60ml/min/1,73m²
53 (81,5)
40 (81,60)
13 (81,30)
0,62
Legenda: DP: Desvio padrão; HAS: Hipertensão Arterial Sistêmica; TFG = taxa de filtração glomerular
(estimada pela equação Cockcroft-Gault); p-valor: para variáveis contínuas foi usado testet e para
variáveis categóricas foram usados o qui-quadrado e teste Fisher.
Analisando a tabela 2, chama a atenção a prevalência de eutrofia e excesso
de peso, segundo o IMC (n=60, 92,30%). Esse achado vai ao encontro do
diagnóstico pela CC e RCE, que encontraram 48 (73,80%) e 49 (75,40%),
respectivamente, de participantes com obesidade visceral. Houve associação
dessas medidas com a presença de sarcopenia.
Ainda segundo a tabela 2, observa-se que houve diferença entre os grupos
com e sem sarcopenia para as variáveis peso; IMC; CC; RCE; CP; Massa muscular
apendicular; e força/função muscular.
Tabela 2: Perfil nutricional e funcional das pessoas idosas com doença renal crônica atendidas
no ambulatório de nefrologia de um hospital universitário de Maceió-AL, 2023.
Sem
sarcopenia
(n = 49)
Com
sarcopenia
(n = 16)
29,18 ± 60,04
60 (92,30)
30,83 ± 5,71
49 (100,00)
24,16 ± 4,02
11 (68,80)
<0,01
Alta, n (%)
48 (73,80)
42 (85,70)
6 (37,50)
<0,01
Alta, n (%)
49 (75,40)
40 (81,60)
9 (56,30)
0,04
Preservada
Ângulo de fase (º)
Normal
Risco de Sarcopenia
Sem risco
MMEA (kg)
Baixa
Força muscular (Kg)
Baixa
Timed Up and Go test (s)
Algum prejuízo
53 (81,50)
43 (87,80)
10 (62,50)
<0,01
58 (89,20)
44 (89,20)
14 (87,50)
0,55
43 (66,20)
32 (65,30)
11 (68,80)
0,53
20 (30,80)
5 (10,20)
15 (93,80)
<0,01
35 (53,80)
20 (40,80)
15 (93,80)
<0,01
51 (78,50)
39 (79,60)
12 (75,00)
0,47
Amostra total
(n = 65)
p-valor
2
IMC (kg/m )
Média ± DP
Eutrofia/Excesso de peso,
n (%)
CC (cm)
RCE
CP (cm)
33
Legenda: DP: Desvio padrão; IMC: Índice de Massa Corporal; CC: Circunferência da cintura; RCE:
Relação cintura-quadril; CP: Circunferência da Panturrilha; p-valor: para variáveis contínuas foi usado
teste t e para variáveis categóricas foram usados o qui-quadrado e teste Fisher.
A fim de identificar a relação entre as variáveis de avaliação nutricional e
funcional, bem como os marcadores laboratoriais, com a TFG entre as pessoas
idosas com DRC, procedeu-se a regressão linear simples e ajustada pelo sexo
(Tabela 3). Segundo essas análises, independentemente do sexo, ter baixa força e
estar com anemia, reduzem a TFG em 10,20 mL/min/1,73m² e 17,30 mL/min/1,73m²,
respectivamente. Esses resultados sugerem que, entre as variáveis de estudo da
sarcopenia, a Força de Preensão Palmar é a variável que melhor se correlacionam
com a TFG, calculada pela fórmula CKD-EPI em pessoas idosas com DRC.
Tabela 3. Correlação entre o Perfil nutricional, funcional e laboratorial com a TFG de pessoas
idosas com doença renal crônica atendidas no ambulatório de nefrologia de um hospital
universitário de Maceió-AL, 2023
Análise univariada*
Análise multivariada**
Equações
Beta
[IC95%]
p-valor
Beta
[IC95%]
p-valor
Risco de Sarcopenia
-0,14
[-11,11; 10,84]
0,98
-1,16
[-12,20; 9,88]
0,83
Sarcopenia
-4,25
[-16,26; 7,77]
0,48
-4,17
[-16,13; 7,79]
0,49
Força/Função Muscular
-10,20
[-20,30; -0,10]
0,05
-9,03
[-19,61; 1,55]
0,09
Capacidade Funcional
(TUG)
6,53
[-6,00; 19,06]
0,30
6,38
[-6,10; 18,85]
0,31
MMA
-1,07
[-12,32; 10,18]
0,85
-1,60
[-12,82; 9,63]
0,78
Anemia
-17,30
[-27,10; -7,48]
<0,01
-17,39
[-12,82; -7,66]
<0,01
CP
-0,99
[-12,39; 14,38]
0,88
1,24
[-12,09; 14,56]
0,85
Ângulo de fase
-3,19
[-19,93; 13,55]
0,70
0,97
[-18,03; 16,10]
0,91
Hiperglicemia
4,16
[-7,36; 15,69]
0,47
2,97
[-8,54; 14,47]
0,61
% de Massa Muscular
-1,02
[-1,65; -0,39]
<0,01
-1,78
[-2,78; -0,79]
<0,01
34
CC
3,03
[-8,77; 14,82]
0,61
1,20
[-10,96; 13,35]
0,84
IMC
11,48
[-7,81; 30,76]
0,24
11,15
[-8,05; 30,35]
0,25
*Regressão linear; ** regressão linear múltipla ajustada para sexo
Discussão
No presente estudo, apesar de tratar-se de população com mais de 60 anos,
os instrumentos de triagem usados, SARC-F e SARC-CalF, não foram sensíveis
para triar a população, que apresentou prejuízo em várias das demais fases do
diagnóstico de sarcopenia, mesmo sem apresentar risco, o que pode ter interferido
diretamente nas avaliações para triagem e diagnóstico de sarcopenia.
É importante destacar que os resultados para o diagnóstico da sarcopenia
propostos pela diretriz EWGSOP2 (2019) e utilizados neste trabalho, decorrem de
um fluxograma, que se inicia com a aplicação do rastreio do risco de sarcopenia com
o SARC-F e o SARC-CalF e que após a positivação deste, é que se iniciam os
passos seguintes, com identificação de função muscular (identificando a provável
sarcopenia em sua positivação) e, seguindo o fluxo de respostas positivas, massa
muscular, com diagnóstico de sarcopenia.
Assim como em Gulcicek e Seyahi32, a sarcopenia foi diagnosticada sem
considerar os instrumentos de triagem e classificando os pacientes diretamente pela
força muscular, o que os fez encontrar maior número de pacientes com sarcopenia,
como no estudo em discussão.
Os nossos achados mostram que o perfil de força e níveis de hemoglobina
abaixo do adequado se correlacionam diretamente com a TFG, piorando o quadro
de DRC, o que corrobora com outros estudos que estudaram a presença de
sarcopenia na população maior de 60 anos com DRC.
Ao considerarmos essa forma de classificação, o número de pacientes com
sarcopenia deste estudo aumentou de 7,69% (n=5) para 24,61% (n= 16) da
população estudada e 15,38% (n=10) foram classificados com sarcopenia grave. O
que levanta a hipótese de viés da autodeclaração em relação ao SARC-F, ou, ainda,
que a autonomia demora mais a ser reduzida do que a força/performance física.
Por ter sido o instrumento desenvolvido para a pessoa idosa, observa-se a
necessidade de revisão dos parâmetros para esse público, tanto apenas pela idade
avançada, como para aqueles que apresentam sarcopenia secundária a alguma
outra patologia instalada, como a DRC.
35
Guida e colaboradores27, grupo de pesquisa que também não aplicou a
triagem de risco de sarcopenia, sugerem que os critérios do EWGSOP2 não são
adequados para identificar sarcopenia e dinapenia de alto risco em pacientes
portadores de DRC.
Nesse trabalho, foi observado que a força dos pacientes com risco de
sarcopenia avaliada de forma independente do fluxograma diagnóstico para
sarcopenia, foi menor nos indivíduos com risco de sarcopenia, o que corrobora com
vários outros estudos, que trazem a associação da dinapenia com o
desenvolvimento da sarcopenia10, 4, 28.
A performance física, avaliada nos participantes através do teste Timed Up
and Go Test (TUG), esteve prejudicada na maioria dos participantes avaliados, o
que merece atenção, já que a diretriz EWGSOP2 aponta maior mortalidade entre os
indivíduos com baixo desempenho nesse teste10.
Além disso, observa-se que o teste de capacidade funcional em referência
foi capaz de identificar maior número de pessoas idosas com comprometimento na
avaliação do que o teste de força de preensão palmar e que a aferição de massa
muscular apendicular e isso pode ser promissor se considerarmos que o TUG
considera equilíbrio, marcha e força de membros inferiores, que são capacidades
mais usadas no cotidiano, sendo, portanto, importante a identificação precoce de
seu comprometimento, que tem maior impacto no dia a dia da pessoa idosa do que
a força de preensão palmar, que avalia o uso de músculos para atividade mais
refinada.
O envelhecimento está associado a um maior acúmulo de gordura e o tecido
adiposo tem forte ligação com quadro de inflamação sistêmica presente na pessoa
idosa, uma vez que a infiltração dos músculos por células de gordura pode preceder
a atrofia muscular, estando associada com o desenvolvimento da inflamação
sistêmica, desencadeando o quadro de sarcopenia13, 7, 6, 29, dado que corrobora com
o presente estudo, pois boa parte dos pacientes que confirmaram sarcopenia
apresenta excesso de peso e perda de capacidade física.
Ainda em relação à composição corporal dos nossos pacientes, alguns
estudos apontam IMC baixo como fator de risco associado ao desenvolvimento de
sarcopenia30, 31, outros referem a presença comum de obesidade sarcopênica na
população idosa portadora de DRC6, 7. Com a média de peso sendo de excesso de
peso se esperava encontrar uma boa reserva de massa muscular nos indivíduos,
36
porém este resultado não esteve presente, já que a população estudada apresentou
baixa massa muscular em número relevante de indivíduos.
No presente estudo, admite-se que os instrumento SARC-F dificulta o
diagnóstico da sarcopenia e precisa ser revisto como instrumento de triagem para
estudos com pacientes maiores de sessenta anos com doença renal crônica em
tratamento conservador, independentemente da idade, pois, como já evidenciado, se
o instrumento não tivesse sido usado, o diagnóstico de sarcopenia seria confirmado
em 16 participantes, o que representaria 24,61% da população estudada, resultando
significativamente maior que o resultado encontrado usando o instrumento, já que
foram apenas 5 confirmações de sarcopenia, correspondendo a 7,69% de todos os
participantes.
Apesar do não diagnóstico de sarcopenia para a maioria da população
estudada, como exposto no texto, houve correlação entre a variável força/função
muscular, do diagnóstico de sarcopenia, e piora do quadro de DRC, o que pode
demonstrar a associação existente entre o surgimento da sarcopenia e a TFG, como
acontece em diversos estudos32, 12.
A redução da massa muscular é uma condição comum relacionada ao
envelhecimento, associada à diminuição do apetite, diminuição da ingestão de
proteínas e redução da atividade física. Vários estudos apontam limitação no uso da
creatinina como marcador para estimar a taxa de filtração glomerular por estar
vinculada ao metabolismo muscular e sofrer alteração de nível sérico quando há
depleção muscular, como ocorre nos casos de sarcopenia33, 34.
Outro dado relevante entre os achados do presente estudo é a associação
positiva entre a hemoglobina e a TFG, que corrobora com a realidade encontrada
entre os portadores de DRC em geral, que comumente desenvolvem anemia em
decorrência da perda da função renal, seja pela desnutrição que causa redução nos
níveis de ferro sérico, seja pela disfunção na produção de eritropoetina 36, 24, 14, o que
justifica a queda de hemoglobina acontecer juntamente com a queda da TFG, que
indica uma piora da função renal e pode estar associada à diminuição da força e da
massa muscular.
O presente estudo apresenta como limitação o uso da bioimpedância
tetrapolar para avaliação da composição corporal dos participantes, pois que o
método avalia a composição corporal através de uma corrente alternada fraca e o
37
equilíbrio hídrico do paciente, que na população com diagnóstico de doença renal
crônica tende a estar alterado.
Conclusão
A partir dos achados do presente trabalho, é possível dizer que mais estudos
precisam avaliar a aplicação da diretriz EWGSOP2 na população com DRC, pois os
instrumentos de triagem impostos ao fluxograma da diretriz se mostraram pouco
sensíveis na população estudada, dificultando a real avaliação da sarcopenia com
as variáveis propostas. Todavia, apesar da não associação entre a sarcopenia e a
TFG em idosos, a análise de correlação entre as variáveis da sarcopenia e a DRC
permitiu observar que a degradação de força e uma queda nos níveis de
hemoglobina impactam nos níveis de TFG de forma direta, o que sugere que é
necessário maior monitoramento do desenvolvimento de sarcopenia, para que a
intervenção possa acontecer precocemente e evitar a perda de capacidade funcional
dos indivíduos.
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41
Produto 2. Análise de concordância entre métodos de avaliação da TFG da pessoa idosa e
suas associações com as variáveis da sarcopenia definidas pela EWGSOP2 (2019)
RESUMO
INTRODUÇÃO: A KDIGO aponta algumas fórmulas para estimar a taxa de filtração
glomerular dos indivíduos, que apresentam limitação para uso na pessoa idosa. A partir do
desenvolvimento da fórmula BIS1, que também estima a TFG a partir da creatinina sérica e
foi desenvolvida para a pessoa idosa. Com o passar dos anos a reserva muscular tende a
diminuir, o que torna a pessoa idosa mais predisposto ao desenvolvimento de sarcopenia,
principalmente àqueles com doenças crônicas, e os guidelines atuais para avaliação da taxa de
filtração glomerular (TFG) não preveem fórmulas que se adequem a essas limitações na
população idosa. OBJETIVO: Avaliar a TFG por diferentes equações preditivas e verificar
suas associações com o risco de sarcopenia, composição corporal e funcionalidade muscular
de pessoas idosas. MATERIAIS E MÉTODOS: Tratou-se de um estudo transversal com
pessoas idosas portadoras de DRC, com coleta de dados socioeconômicos, demográficos,
clínicos, antropométricos, laboratoriais e de sarcopenia pelos critérios do European Working
Group on Sarcopenia in Older People – EWGSOP (2019) e a TFG foi calculada a partir da
fórmula das fórmulas CKD-EPI, Cockcroft-Gault, MDRD e BIS1. A análise estatística fez
comparação entre os grupos com o teste t de student, qui-quadrado, fisher, regressões lineares
simples e ajustadas para sexo. Foi realizado também o teste kappa de Cohen para avaliar a
concordância e a confiabilidade das fórmulas CKD-EPI, Cockcroft-Gault e MDRD em
relação à BIS1. Todas as análises foram realizadas no software IBM SPSS versão 21,
adotando-se um valor alfa de 5%. RESULTADOS: Apesar de apresentarem boa
concordância entre si, quando comparadas as fórmulas, a Cockcroft-Gault apresentou melhor
similaridade com a BIS1, enquanto a CKD-EPI e a MDRD apresentaram diferenças
relevantes estatisticamente. As variáveis força, níveis de hemoglobina e massa muscular se
relacionaram diretamente com os níveis de TFG, apresentando piora quando os indivíduos
apresentaram declínio de estado nutricional. CONCLUSÃO: Sugere-se o uso das equações
BIS1 e CKD-EPI para acompanhamento da função renal da pessoa idosa, sendo necessário
maior monitoramento dessa população, tanto em relação ao perfil muscular, quanto em
relação à função renal.
Palavras-chave: BIS1; Taxa de filtração glomerular; Creatinina
ABSTRACT
INTRODUCTION: KDIGO points out some formulas to estimate the glomerular filtration
rate of individuals, which are limited for use in elderly people. From the development of the
BIS1 formula, which also estimates GFR from serum creatinine and was developed for
elderly people. Over the years, muscle reserve tends to decrease, which makes elderly people
more predisposed to the development of sarcopenia, especially those with chronic diseases,
and current guidelines for evaluating the glomerular filtration rate (GFR) do not provide for
formulas that are adapt to these limitations in the elderly population. OBJECTIVE: To
evaluate GFR using different predictive equations and verify its associations with the risk of
sarcopenia, body composition and muscle functionality in elderly people. MATERIALS AND
METHODS: This was a cross-sectional study with elderly people with CKD, collecting
socioeconomic, demographic, clinical, anthropometric, laboratory and sarcopenia data
according to the criteria of the European Working Group on Sarcopenia in Older People –
42
EWGSOP (2019) and GFR was calculated using the CKD-EPI, Cockcroft-Gault, MDRD and
BIS1 formulas. Statistical analysis made comparisons between groups using Student's t test,
chi-square test, Fisher test, simple linear regressions and adjusted for sex. Cohen's kappa test
was also performed to evaluate the agreement and reliability of the CKD-EPI, CockcroftGault and MDRD formulas in relation to BIS1. All analyzes were performed using IBM SPSS
version 21 software, adopting an alpha value of 5%. RESULTS: Despite showing good
agreement with each other, when comparing the formulas, the Cockcroft-Gault showed better
similarity with BIS1, while the CKD-EPI and MDRD showed statistically relevant
differences. The variables strength, hemoglobin levels and muscle mass were directly related
to GFR levels, worsening when individuals showed a decline in nutritional status.
CONCLUSION: The use of the BIS1 and CKD-EPI equations is suggested to monitor the
renal function of elderly people, requiring greater monitoring of this population, both in
relation to the muscular profile and in relation to renal function.
Keywords: BIS1; Glomerular filtration rate; Creatinine
INTRODUÇÃO
A diretriz Kidney Disease: Improving Global Outcames (KDIGO, 2021), define que
a melhor forma de estimar a função renal dos indivíduos é através da Taxa de Filtração
Glomerular (TFG), calculada através de fórmulas preditivas, indicando as equações
Cockcroft-Gault, MDRD e CKD-EPI como as mais adequadas e estabelecendo o parâmetro
de <60ml/min/1,73m² como ponto de corte para prejuízo da função renal.
Todavia, a literatura traz algumas ressalvas para o uso das referidas fórmulas para a
pessoa idosa, primeiro porque durante os estudos de definição das fórmulas houve pouca
participação de indivíduos com mais de 60 anos (Alfano et al., 2022, Noronha et al., 2022).
Um segundo ponto é que com o envelhecimento há um declínio da função renal decorrente da
senescência, havendo a indicação de que o ponto de corte para identificar prejuízo de função
renal da pessoa idosa deveria ser <45ml/min/1,73m². (Delanaye et al., 2019, Alfano et al.,
2022).
Schaeffner et al. (2012) observaram uma necessidade de elaborar uma forma mais
adequada de avaliar a função renal da pessoa idosa, o que aconteceu através do estudo Berlin
Initiative Study, onde desenvolveram duas equações identificadas como BIS1 e BIS2, sendo a
TFG estimada a partir da creatinina na BIS1 e a partir da cistatina C na BIS2, tendo como
população de estudo pessoas idosas da Alemanha. Outros estudos também indicam as
equações de BIS (1 e 2) como mais precisas para avaliar a função renal de pessoas com mais
de 60 anos (Alfano et al., 2022, Noronha et al., 2022), que, em decorrência do
envelhecimento, tem um funcionamento renal peculiar.
Assim como a função renal, o metabolismo muscular também sofre alterações com a
idade, seja pela redução dos níveis de atividade física e alteração da ingestão de nutrientes
(Panda e Booth, 2022, Alfano et al., 2022), pelo aumento do estresse oxidativo (Watannabe,
43
Enoki e Maruyama, 2019), seja pela redução no tamanho dos telômeros (Dodig, Cepelak e
Pavic, 2019), desencadeando na redução da quantidade e na qualidade da massa muscular,
que causam perda de força muscular e de capacidade funcional na pessoa idosa e pode estar
relacionado a outras doenças, como a Doença Renal Crônica (DRC) (Papadopoulou, 2020).
A DRC pode estar associada ao declínio progressivo da massa muscular, pela
inflamação constante, pela concentração de toxinas urêmicas que elevam o estresse oxidativo
e pela ingestão insuficiente de alimentos que resultam em um catabolismo protéico (Gungor et
al., 2021, Sabatino et al., 2021). E, quando associada e a idade avançada, aumenta a chance
de desenvolvimento de sarcopenia, que pode piorar os desfechos dos pacientes, aumentando a
hospitalização, as incapacidades funcionais, quedas e, inclusive, mortalidade (Yu et al., 2021,
Do e Kang, 2022, Dahl et al., 2023).
A partir dessa necessidade, o presente estudo se propõe a avaliar a concordância das
fórmulas CKD-EPI, Cockcroft-Gault e MDRD, proposta pelo KDIGO (2021) e BIS1,
proposta por Schaeffner et al (2012) para a população com mais de sessenta anos, bem como a
avaliar o comportamento dessas fórmulas em correlação com as variáveis que compõem o
diagnóstico de sarcopenia, quais sejam: força muscular, massa muscular apendicular,
capacidade funcional, e, ainda, aos níveis de hemoglobina e marcadores antropométricos, com
a finalidade de sugerir qual a melhor fórmula a ser usada para avaliar a função renal da pessoa
idosa com DRC.
MÉTODOS
Trata-se de um estudo transversal, realizado com pessoas idosas (idade ≥60 anos)
portadoras de DRC de ambos os sexos, atendidos nos ambulatórios de nefrologia de um
hospital universitário de Maceió/AL.
A amostra foi calculada a partir da aplicação prevalência de 21,4% de DRC em
pessoas idosas (Amaral et al, 2019) na população com mais de 60 anos atendida em um
ambulatório de nefrologia de um hospital universitário de Maceió entre outubro e dezembro
de 2022, que perfez o total de 42,5 pessoas, que foi ajustado para seis meses, totalizando uma
população de 85 pessoas. Considerando um erro amostral de 5% e um nível de confiança de
95%, o resultado do cálculo amostral foi de 64 indivíduos, que foram selecionados no local de
pesquisa entre dezembro de 2022 e maio de 2023.
Não foram incluídos indivíduos que declararam quadro de neoplasia nos últimos
cinco anos, pacientes em diálise, pessoas com lesão renal aguda e/ou outros quadros
44
compatíveis com quadro séptico, cirurgia de grande porte nos últimos seis meses e carga viral
de HIV elevada.
Foram incluídos 65 pessoas idosas, que após verificação de prontuário e
esclarecimentos de dúvidas e questões éticas assinaram o Termo Livre de Consentimento
Esclarecido (TCLE) e avaliados através de um questionário padronizado pelo grupo de
pesquisa, a partir do qual foram coletados dados socioeconômicos; antropométricos como
altura, peso, circunferência da cintura (CC) (Bazanelli, 2017), circunferência da panturrilha
(CP) (Pagotto, 2018), força de preensão palmar através da dinamometria, composição
corporal através da bioimpedância tetrapolar Sanny, teste de capacidade física Timed Up and
Go (TUG) (EWGSOP2 – Cruz-Jentoft et al., 2019), e dados bioquímicos (hemoglobina,
creatinina e glicemia) constantes no prontuário dos participantes e classificados conforme
referências do laboratório local.
Posteriormente foi calculada a TFG estimada pelas fórmulas CKD-EPI, CockcroftGault e MDRD (KDIGO, 2021), através da calculadora presente no site da Sociedade
Brasileira
de
Nefrologia
https://www.sbn.org.br/profissional/utilidades/calculadoras-
nefrologicas/ e BIS 1 através de planilha do excel, com a fórmula BIS1 = 3736 x creatinine x
age x 0,82 (se mulher), conforme estudo de Schaeffner et al (2012), sendo classificados os
participantes da pesquisa entre TFG <60 mL/min/1,73m² e ≥ 60 mL/min/1,73m².
As variáveis categóricas estão apresentadas em frequências absolutas e relativas, e
as variáveis contínuas em média e desvio-padrão. Para realizar a comparação entre grupos
(Com massa muscular preservada e diminuída) foram realizados teste t para amostras
independentes, após a verificação da igualdade das variâncias pelo teste de Levene. Para a
realização das comparações entre as variáveis categóricas foram feitos testes de qui-quadrado
e Fisher, a depender do tamanho da amostra. Além disso, para verificar a associação dos
resultados dos cálculos das equações da taxa de filtração glomerular (mL/min/1,73 m2) e o
risco de sarcopenia (sem e com), massa muscular apendicular, percentual de massa muscular,
força/função muscular (N), times up and go test, glicemia (mg/dL) e hemoglobina (g/dL),
foram realizadas regressões lineares simples, e ajustadas para sexo (feminino e masculino).
Foram também realizadas regressões logísticas para avaliar se as variáveis risco de
sarcopenia (sem e com), massa muscular apendicular, percentual de massa muscular,
força/função muscular (N), timed up and go test (TUG), glicemia (mg/dL) e hemoglobina
(g/dL) são preditoras do aumento da TFG.
Por fim, também foi realizado o teste kappa de Cohen para avaliar a concordânia
entre as fórmulas CKD-EPI, Cockcroft-Gault e MDRD, que estimam a TFG, e a fórmula
45
BIS1. As análises foram realizadas no software IBM SPSS Statistics versão 21, adotando-se
um valor alfa de 5%.
RESULTADOS
Entre os participantes do estudo (n=65), houve uma predominância de homens
(55,4%), com média de idade de 69,9±7 anos, com 75,4% (n=49) de pessoas não brancas.
69,2% (n=45) de participantes declararam viver com um companheiro e 93,8% (n=61)
declararam ser praticantes de alguma religião. A maior parte dos indivíduos era proveniente
do interior do estado (64,6%, n=42) e apresentavam renda inferior a três salários mínimos
(69,2%, n=45) (Tabela 1).
Os resultados da tabela 1 mostram que há uma relação direta entre algumas variáveis
do estado nutricional e a preservação da massa muscular, destacando que houve diferença
entre os grupos para peso, estatura, circunferência da cintura, circunferência da panturrilha,
força muscular e IMC, apontando que há piores desfechos quando há declínio do estado
nutricional.
Tabela 1. Características sociodemográficas, antropométricas e clínicas de pessoas idosas com
doença renal crônica atendidos em ambulatório de nefrologia de um hospital universitário de
Maceió-AL em 2023, segundo a massa muscular apendicular preservada ou reduzida
Características
Amostra
Com MMA
Com MMA
total
reduzida
preservada
(n = 65)
(n = 20)
(n = 45)
p-valora
Média ± DP
Média ± DP
Média ± DP
n (%)
n (%)
n (%)
Idade (anos)
69,85 ± 7,09
72,3 ± 7,17
68,76 ± 6,85
0,06
Sexo
0,56
Masculino
36 (55,4)
10 (50)
26 (57,8)
Feminino
29 (44,6)
10 (50)
19 (42,2)
Raça/cor de pele
Branca
16 (24,6)
5 (25)
11 (24,4)
1,0
Não Branca
49 (75,4)
15 (75)
34 (75,6)
0,96
Estado civil
0,62
Sem companheiro
20 (30,8)
7 (35)
13 (28,9)
Com companheiro
45 (69,2)
13 (65)
32 (71,1)
Escolaridade
0,93
Sem instrução e EF
45 (69,2)
14 (70)
31 (68,9)
incompleto
EF completo ou acima
20 (30,8)
6 (30)
14 (31,1)
Religião
Sem religião
4 (6,2)
2 (10)
2 (4,4)
0,58
Com religião
61 (93,8)
18 (90)
43 (95,6)
0,39
Procedência
0,66
Capital
22 (33,8)
6 (30)
16 (35,6)
Interior
43 (66,2)
14 (70)
29 (64,4)
46
Renda
≥ 3 SM
< 3 SM
Peso (kg)
Estatura (cm)
23 (35,4)
42 (64,6)
74,45 ±
15,44
159,81 ±
9,37
4 (20)
16 (80)
57,81 ± 8,19
19 (42,2)
26 (57,8)
81,84 ± 11,66
155,77 ± 8,12
161,6 ± 9,41
5 (7,7)
60 (92,3)
5 (25)
15 (75)
0 (0)
45 (100)
<0,01
<0,01
17 (26,2)
48 (73,8)
12 (69)
8 (40)
5 (11,1)
40 (88,9)
<0,01
<0,01
16 (75,38)
49 (24,62)
8 (40)
12 (60)
8 (17,8)
37 (82,2)
0,68
0,06
53 (81,53)
12 (18,46)
12 (60)
8 (40)
41 (91,1)
4 (8,9)
<0,01
<0,01
58 (89,2)
7 (10,8)
32,22 ± 7,72
18 (90)
2 (10)
33,86 ± 6,56
40 (88,9)
5 (11,1)
31,49 ± 8,15
0,89
1,0
0,26
0,26
36 (55,4)
29 (44,6)
9 (45)
11 (55)
27 (60)
18 (40)
30 (46,2)
35 (53,8)
5 (25)
15 (75)
25 (55,6)
20 (44,4)
0,03
0,02
14 (21,5)
51 (78,5)
5 (25)
15 (75)
9 (20)
36 (80)
0,75
0,65
18 (27,7)
47 (72,3)
5 (25)
15 (75)
13 (28,9)
32 (71,1)
1,0
0,75
25 (38,5)
40 (61,5)
11 (55)
9 (45)
14 (31,1)
31 (68,9)
0,07
0,07
7 (10,8)
58 (89,2)
3 (15)
17 (85)
4 (8,9)
41 (91,1)
0,67
0,46
0,07
40 (61,5)
25 (38,5)
9 (45)
11 (55)
31 (68,9)
14 (31,1)
23 (39,7)
35 (60,3)
9 (50)
9 (50)
14 (35)
26 (65)
38 (59,4)
26 (40,6)
9 (45)
11 (55)
29 (65,9)
15 (34,1)
61 (93,8)
4 (6,2)
20 (100)
0 (0)
41 (91,1)
4 (8,9)
0,1
0,08
<0,01
0,02
2
IMC (kg/m )
Baixo peso
Eutrofia/Excesso de peso
CC (cm)
Adequada
Alta
RCE
Adequada
Alta
CP
Preservada
Depletada
Ângulo de fase (º)
Normal
Baixo
MM (%)
Risco de Sarcopenia
Sem risco
Com risco
Força muscular (N)
Preservada
Baixa
Timed Up and Go test
Sem prejuízo
Algum prejuízo
Creatinina sérica
Normal
Alta
Diabetes mellitus
Não
Sim
HAS
Não
Sim
Cardiopatia
Não
Sim
Hiperglicemia
Não
Sim
Anemia
Não
Sim
Etilismo
Não
Sim
Tabagismo
0,28
0,11
0,17
0,3
47
Não
59 (90,8)
18 (90)
41 (91,1)
0,89
Sim
6 (9,2)
2 (10)
4 (8,9)
1,0
TFG estimada pela equação
45,12 ±
43,74 ± 13,16
45,73 ± 14,63
0,60
BIS1
14,12
≥60ml/min/1,73m²
9 (13,8)
2 (10)
7 (15,6)
0,71
<60ml/min/1,73m²
56 (86,2)
18 (90)
38 (84,4)
0,55
CC: circunferência da cintura; CP: circunferência da panturrilha; IMC: índice de massa corporal;
HAS: hipertensão arterial sistêmica; MMA: massa muscular apendicular; RCE: razão cintura-estatura;
EF: ensino fundamental; SM: salário mínimo.
a.
p-valor de teste t para amostras independentes para as variáveis continuas, e de qui-quadrado e fisher
para as variáveis categóricas.
Ao avaliar a concordância das fórmulas, o teste kappa de Cohen aponta que a
fórmula MDRD apresenta maior concordância e confiabilidade (K=0,932, p<0,01), com
concordância de 98,5%, mas a fórmula CKD-EPI (K= 0,83, p<0,01) também apresentou
confiabilidade forte, com concordância de 95,3% e a fórmula Cockcroft-Gault (K=0,717,
p<0,01) apresentou confiabilidade moderada, com concordância de 92,3% (McHugh, 2012).
A tabela 2 traz a comparação entre a filtração glomerular estimada a partir da BIS1,
que é a fórmula desenvolvida para idosos e as fórmulas indicadas pela diretriz KDIGO
(2023). Em média, o valor da TFG entre as fórmulas usadas no estudo foi menor na CKD-EPI
(p<0,01) e na MDRD (p<0,01) que na BIS1. Já entre a Cockcroft-Gault e a BIS1 não foram
encontradas diferenças relevantes (p=0,742).
Tabela 2. Avaliação da diferença das equações para cálculo da taxa
de filtração glomerular em comparação a equação BIS-1
Equações
Diferença (mL/min/1,73 m2)
IC95%
p-valor
BIS x CKD-EPI
BIS x Cockroft & Gault
Amostra total (n = 65)
2,53
0,55
0,64; 4,43
-2,77; 3,87
<0,01
0,742
BIS x MDRD
p-valor de teste t pareado
5,14
3,24; 7,02
<0,01
Ao analisar o desempenho das fórmulas em comparação da TFG dos indivíduos com
a massa muscular preservada e reduzida, a única fórmula que apresentou diferença entre os
grupos foi a Cockcroft-Gault (Tabela 3).
Tabela 3. Avaliação das equações utilizadas para estimativa de TFG de pessoas idosas com
doença renal crônica atendidos em ambulatório de nefrologia de um hospital universitário de
Maceió-AL em 2023, segundo a massa muscular apendicular preservada ou reduzida
Características
Amostra
Com MMA
Com MMA
pvalora
total
reduzida
preservada
(n = 65)
(n = 20)
(n = 45)
48
CKD-EPI (mL/min/1,73 m2)
Class CKD-EPI
1
2
Cockroft & Gault
(mL/min/1,73 m2)
Class Cockroft & Gault
1
2
MDRD (mL/min/1,73 m2)
Class MDRD
1
2
BIS-1 (mL/min/1,73 m2)
Média ± DP
n (%)
Média ± DP
n (%)
Média ± DP
n (%)
42,58 ±
20,79
41,84 ± 19,39
42,91 ± 21,59
12 (18,5)
53 (81,5)
32,66 ±
14,87
4 (20)
16 (80)
32,66 ± 14,87
8 (17,8)
37 (82,2)
49,87 ± 2,94
0,85
1,0
0,01
0,06
12 (18,5)
53 (81,5)
39,98 ±
19,72
1 (5)
19 (95)
38,89 ± 17,08
11 (24,4)
34 (75,6)
40,47 ± 20,95
0,77
1,0
8 (12,3)
57 (87,7)
45,12 ±
14,12
2 (10)
18 (90)
43,74 ± 13,16
6 (13,3)
39 (86,7)
45,73 ± 14,63
0,60
Class BIS-1
0,71
1
9 (13,8)
2 (10)
7 (15,6)
2
56 (86,2)
18 (90)
38 (84,4)
a.
p-valor de teste t para amostras independentes para as variáveis continuas, e de qui-quadrado e fisher
para as variáveis categóricas.
Não foram encontradas correlações entre a TFG estimada pelas quatro equações e o
risco de sarcopenia [CKD-EPI (p=0,89); Cockcroft & Gault (p=0,56); MDRD (p=0,92) e
BIS1 (p=0,83)], bem como entre a TFG e a performance física avaliada através do Timed Up
and go test (TUG) [CKD-EPI (p=0,28); Cockcroft & Gault (p=0,39); MDRD (p=0,25) e BIS1
(p=0,32)] e a glicemia [CKD-EPI (p=0,19); Cockcroft & Gault (p=0,59); MDRD (p=0,20) e
BIS1 (p=0,25)] (tabela 4).
No que diz respeito à força/função muscular [CKD-EPI (p=0,048); Cockcroft &
Gault (p=0,012); MDRD (p=0,055) e BIS1 (p=0,022)], a correlação foi positiva, com
melhores resultados para Cockcroft-Gault e BIS1. Para hemoglobina, também foi encontrada
corelação positiva entre os níveis baixos de hemoglobina e a TFG estimada em todas as
fórmulas, com destaque para a BIS1 que apresentou menor intervalo de confiança (IC) [17,78; -4,307]. Com as outras fórmulas, os IC foram os seguintes: CKD-EPI [-27,10; -7,48],
Cockcroft & Gault [-33,34; -9,86] e MDRD [-25,93; -7,38] (tabela 4). O que mostra que ao
passar do estado de saúde para doença os indivíduos tem um impacto negativo na TFG, a
exemplo dos baixos níveis de hemoglobina, que em correlalçao com a fórmula CockcroftGault impactam em perda na TFG em 21,698 ml/min/1,73m², o maior impacto encontrado.
49
Quando feitas associações entre a massa muscular apendicular (tabela 9) e as
estimativas de TFG, houve associação negativa apenas para a fórmula Cockcroft-Gault
(p=0,01), sendo esta a única fórmula com desempenho semelhante ao da BIS para diagnóstico
dos pacientes na comparação (tabela 2). Quando considerado o valor da massa muscular em
% (tabela 10), a associação foi negativa para todas as fórmulas.
Tabela 4. Avaliação da correlação entre a estimativa por quatro fórmulas da TFG de pessoas
idosas com doença renal crônica atendidos em ambulatório de nefrologia de um hospital
universitário de Maceió-AL em 2023 e as variáveis relacionadas à sarcopenia
Variáveis analisadas/Equações
CKD-EPI
Cockroft &
MDRD
BIS-1
(mL/min/1,7
Gault
(mL/min/1,7 (mL/min/1,7
3 m2)
(mL/min/1,7
3 m2)
3 m2)
2
3m)
Beta
0,758
-3,734
0,474
[IC95%
]
p-valor
[-9,69;
11,20]
0,89
[-16,29;
8,832]
0,56
[-9,437;
10,384]
0,92
Beta
Análise
multivariada [IC95%
*
]
p-valor
Beta
[IC95%
Análise
]
univariada
Força/
p-valor
função
Beta
muscular
Análise
[IC95%
multivariada
]
*
p-valor
Beta
[IC95%
Análise
]
univariada
p-valor
TUG
Beta
Análise
[IC95%
multivariada
]
*
p-valor
Beta
[IC95%
Hiperglicemi
Análise
]
a
univariada
p-valor
0,319
-4,178
-0,219
-1,184
[-10,105;
10,742]
0,95
-10,197
[-20,297; 0,097]
0,048
-9,031
[-19,611;
1,549]
0,09
6,53
[-6,00;
19,06]
0,30
6,378
[-6,097;
18,853]
0,31
4,164
[-7,362;
15,69]
0,47
[-16,76;
8,405]
0,51
-15,544
[-27,484; 3,605]
0,012
-14,93
[-27,484; 2,376]
0,02
5,65
[-9,52;
20,82]
0,46
5,508
[-9,666;
20,683]
0,47
5,77
[-8,04;
15,95]
0,41
[-9,748;
10,186]
0,97
-9,392
[-18,988;
0,204]
0,055
-9,027
[-19,122;
1,067]
0,07
6,83
[-5,03;
18,69]
0,25
6,744
[-5,162;
18,65]
0,26
3,75
[-7,18;
14,69]
0,49
[-8,166;
5,799]
0,74
-7,981
[-14,766; 1,197]
0,022
-6,729
[-13,783;
0,325]
0,06
3,42
[-5,12;
11,96]
0,43
3,280
[-5,113;
11,673]
0,44
3,83
[-3,99;
11,65]
0,33
Análise
univariada
Risco de
sarcopenia
-0,761
[-7,85; 6,33]
0,83
50
2,967
Beta
Análise
[-8,535;
[IC95%
multivariada
14,469]
]
*
0,61
p-valor
-17,295
Beta
[-27,10; [IC95%
Análise
7,48]
]
univariada
<0,01
p-valor
Níveis de
hemoglobina
-17,393
Beta
Análise
[IC95% [-27,123; multivariada
7,663]
]
*
<0,01
p-valor
-1,07
Beta
[-12,32;
[IC95%
Análise
10,18]
]
univariada
Massa
0,85
p-valor
Muscular
-1,598
Beta
apendicular
Análise
[-12,823;
[IC95%
multivariada
9,626]
]
*
0,78
p-valor
-1,02
Beta
[-1,65; [IC95%
Análise
0,39]
]
univariada
<0,01
p-valor
% de Massa
Muscular
-1,784
Beta
Análise
[-2,779; [IC95%
multivariada
0,788]
]
*
<0,01
p-valor
Regressão linear
* Análise ajustada para sexo (masculino e feminino).
4,759
[-9,175;
18,694]
0,50
-21,60
[-33,34; 9,86]
<0,01
-21,698
[-33,409; 9,986]
<0,01
-17,21
[-30,07; 4,35]
0,01
-17,806
[-30,639; 4,973]
<0,01
-1,46
[-2,19; 0,73]
<0,01
-2,97
[-4,059; 1,881]
<0,01
2,982
[-8,057;
14,021]
0,59
-16,65
[-25,93; 7,38]
<0,01
-16,71
[-26,005; 7,416]
<0,01
-1,59
[-12,25;
9,08]
0,77
-1,897
[-12,626;
8,832]
0,73
-0,83
[-1,44; 0,22]
<0,01
-1,67
[-2,625; 0,714]
<0,01
2,80
[-4,897;
10,501]
0,47
-11,04
[-17,78; 4,307]
<0,01
-11,138
[-17,720; 4,55]
<0,01
-1,99
[-9,62; 5,64]
0,60
-2,495
[-9,999;
5,009]
0,51
-0,80
[-1,22; 0,39]
<0,01
-1,266
[-1,925; 0,608]
<0,01
DISCUSSÃO
Os achados do presente estudo sugerem que entre as equações indicadas pelas
diretriz KDIGO (2021) a equação que obteve o melhor resultado dentro dos objetivos do
trabalho foi a MDRD (Levey, 1999), pois apresentou melhor similaridade com a BIS1, que é
uma fórmula desenvolvida em estudos com população idosa.
A literatura demonstra que a BIS1 foi mais precisa ao avaliar a TFG de pessoas
idosas do que a CKD-EPI baseada em creatinina, o que justifica o uso da BIS1 como
parâmetro de análise (Escribano-Serrano et al, 2019, Oscanoa, Amado, Romero-Ortuno,
Hidalgo, 2018, Carvalho et al, 2020) .
A avaliação entre as variáveis do diagnóstico de sarcopenia e as fórmulas preditivas
de avaliação da TFG foi realizada e, apesar da ausência de significância estatística entre elas e
o risco de sarcopenia, ocorreu correlação positiva para força muscular, massa muscular
51
apendicular, baixos níveis de hemoglobina e % de massa muscular e a TFG calculada por
todas as fórmulas, com melhor resultado para a Cockcroft-Gault. Isso pode demonstrar que
quando há uma piora da TFG, há também um declínio da massa muscular apendicular e
força/dinapenia, critérios do diagnóstico de sarcopenia, com a TFG (Yu et al., 2021; Gulcicek
e Seyahi, 2023; Gomes et al., 2022).
A redução da massa muscular é uma condição comum relacionada ao
envelhecimento, associada à diminuição do apetite, diminuição da ingestão de proteínas e
redução da atividade física. Vários estudos apontam limitação no uso da creatinina como
marcador para estimar a taxa de filtração glomerular por estar vinculada ao metabolismo
muscular e sofrer alteração de nível sérico quando há depleção muscular, como ocorre nos
casos de sarcopenia (Noronha et al., 2022; Iacomelli et al., 2021; Gulyaev et al., 2020;
Yoshimura et al., 2021; Huh et al., 2015).
Como reflexo do envelhecimento no metabolismo muscular ocorre redução da força
e massa muscular com níveis mais baixos de creatinina sérica que impactam na estimativa da
TFG baseada na creatinina. Portanto, o uso da creatinina sérica como marcador para estimar a
TFG em idosos resulta em uma superestimação da função renal (Noronha et al., 2022),
justificando a associação negativa entre massa muscular apendicular e TFG encontrada em
nosso estudo.
Esse dado é corroborado por Lee et al. (2024), que ao comparar a TFG estimada pela
CKD-EPI e a TFG medida diretamente através do ácido 99mTc-dietilenotriamina pentaacético
em grupos avaliados com Bioimpedância elétrica, perceberam que quando a massa muscular
está fora do padrão de normalidade, a TFG estimada a partir da creatinina sofre alteração.
Outro dado relevante entre os achados do presente estudo é a associação negativa
entre a hemoglobina e a TFG estimada em todas as fórmulas, que corrobora com a realidade
encontrada entre os portadores de DRC em geral, que comumente desenvolvem anemia em
decorrência da perda da função renal, seja pela desnutrição que causa redução nos níveis de
ferro sérico, seja pela disfunção na produção de eritropoietina (Pramod e Goldfarb, 2021;
Hanna, Streja e Kalantar-Zadeh, 2021; Mikhail, 2017), o que justifica a queda de
hemoglobina acontecer juntamente com a queda da TFG, que indica uma piora da função
renal e pode estar associada à diminuição da força e da massa muscular.
Dharmarajan e Yoo (2020) apontaram em uma carta ao editor da revista Journal of
the American Medical Directors Association, em análise ao artigo de Carnevale et al. (2019),
que as fórmulas que estimam a TFG a partir da creatinina sérica não fornecem bons resultados
para idosos, principalmente os frágeis, sugerindo que talvez o uso possa ser feito para
52
avaliação do mesmo idoso ao longo do tempo, interpretação que teve a concordância de
Carnevale et al. (2020) ao responder aos apontamentos feitos ao seu artigo.
Ao avaliar as diretrizes geriátricas e de nefrologia em uma revisão crítica, Piccoli et
al (2023) também sugerem que os idosos devem ser avaliados longitudinalmente para que seja
possível acompanhar o desempenho da função renal e identificar àqueles idosos com maior
chance de comprometimento e risco de complicações, apontando que as fórmulas existentes
não são suficientes para individualizar as condutas de saúde.
CONCLUSÃO
Apesar de termos encontrado uma boa concordância entre as fórmulas e a BIS1, a
fórmula MDRD apresentou maior similaridade nos resultados quando comparada à BIS1, com
maior confiabilidade e concordância com o padrão ouro. Na avaliação do desempenho das
fórmulas em relação às variáveis que avaliam o estado nutricional, a composição corporal e a
capacidade física dos pacientes, ficou clara a correlação do declínio do perfil muscular e da
capacidade funcional dos indivíduos com a piora dos níveis de TFG, já que a força, os níveis
de hemoglobina e a massa muscular apresentaram diferenças relevantes entre os grupos com
melhor e pior classificação da TFG. Fica sugerida a avaliação longitudinal da função renal dos
idosos através das fórmulas analisadas no presente estudo para monitoramento da função
renal entre os idosos, mas é importante que o uso seja feito com cautela, de preferência com a
escolha de uma única equação por toda a equipe de saúde que cuide do idoso ao longo do
tempo, a fim de que o monitoramento individual seja mais eficaz.
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6 CONCLUSÕES
O presente estudo demonstra que a aplicação da diretriz EWGSOP2 na população
com DRC precisa ser aplicada por mais grupos de pesquisa, pois o instrumento de triagem
imposto pelo fluxograma da diretriz se mostrou pouco sensível na população estudada, o que
dificultou que casos de sarcopenia fossem avaliados a partir das variáveis avaliadas. Mesmo
sem a associação entre o risco de sarcopenia e a TFG em idosos, a análise de correlação entre
as variáveis da sarcopenia e a DRC permitiu sugerir os desfechos negativos impostos pela
diminuição da TFG, que impactam na força, massa e capacidade funcional, além de reduzir os
níveis de hemoglobina. No que diz respeito à avaliação das fórmulas de estimativa da TFG, o
estudo apresentou boa concordância entre as fórmulas. Na avaliação do desempenho das
fórmulas em relação às variáveis que avaliam o estado nutricional, a composição corporal e a
capacidade física dos pacientes, ficou clara que a correlação do declínio do perfil muscular e
da capacidade funcional dos indivíduos com a piora dos níveis de TFG está presente nas
diferentes fórmulas, já que a força, os níveis de hemoglobina e a massa muscular
apresentaram diferenças relevantes entre os grupos com melhor e pior classificação da TFG.
Ficam sugeridas todas as equações para monitoramento da função renal entre os idosos, mas é
importante que o uso seja feito com cautela, de preferência com a escolha de uma única
equação por toda a equipe de saúde que cuide do idoso ao longo do tempo, a fim de que o
monitoramento individual seja mais eficaz e é necessário maior monitoramento do estado
nutricional dos pacientes tanto do desenvolvimento de sarcopenia, quanto do real
funcionamento dos rins, já que há variação na aplicação entre as fórmulas.
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PMC8520007
64
APÊNDICES
APÊNDICE A – Instrumento de coleta de dados
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APÊNDICE B – Termo de Consentimento Livre e Esclarecido
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ANEXOS
ANEXO A – Parecer do Comitê de Ética e Pesquisa
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ANEXO B – Instruções da Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia aos autores
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