Dissertação Ana Carolina.pdf
Dissertação Ana Carolina.pdf
Documento PDF (1.1MB)
Documento PDF (1.1MB)
UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
FACULDADE DE MEDICINA
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS MÉDICAS
ANA CAROLINA ABREU MACHADO
Função renal no idoso: como estamos avaliando?
Concordância entre a equação do BERLIN INITIATIVE STUDY (BIS1),
CKD-EPI, MDRD e COCKROFT-GAULT.
Maceió
2023
ANA CAROLINA ABREU MACHADO
Função renal no idoso: como estamos avaliando?
Concordância entre a equação do BERLIN INITIATIVE STUDY (BIS1), CKD-EPI,
MDRD e COCKROFT-GAULT.
Exame de qualificação de Mestrado apresentado ao
Programa de Pós-graduação em Ciências Médicas da
Universidade Federal de Alagoas-UFAL, como parte
das exigências para a obtenção do título de Mestre em
Ciências Médicas.
Área de Concentração: Epidemiologia, fisiopatologia e
terapêutica em ciências Médicas
Orientador: Profa. Dra. Michelle Jacintha Cavalcante
Oliveira
Coorientadores: Prof. Dr. Jorge Arthur Peçanha de
Miranda Coelho e Prof. Ms. David Costa Buarque
Maceió
2023
Catalogação na fonte
Universidade Federal de Alagoas
Biblioteca Central
Divisão de TratamentoTécnico
Bibliotecária: Helena Cristina Pimentel do Vale CRB-4/ 661
M149f
Machado, Ana Carolina Abreu.
Função renal no idoso : como estamos avaliando? concordância entre a equação do
Berlin Initiative Study (BIS1), CKD-EPI, MDRD e COCKROFT-GAULT / Ana Carolina
Abreu Machado. – 2024.
58 f. : il.
Orientadora: Michelle Jacintha Cavalcante Oliveira.
Coorientadores: Jorge Arthur Peçanha de Miranda Coelho, David Costa Buarque.
Dissertação (mestrado em Ciências Médicas) – Universidade Federal de Alagoas,
Faculdade de Medicina. Programa de Pós-Graduação em Ciências Médicas, Maceió, 2024.
Bibliografia: f. 44-47.
Apêndices: f. 48-54.
Anexos: f. 55-58.
1. Idoso. 2. Taxa de filtração glomerular. 3. Doença renal crônica. 4. Creatinina.
I. Título.
CDU: 616.61-053.9
Folha de Aprovação
ANA CAROLINA ABREU MACHADO
Função renal no idoso: como estamos avaliando?
Concordância entre a equação do BERLIN INITIATIVE STUDY (BIS1), CKD-EPI,MDRD e
COCKROFT-GAULT.
Dissertação submetida ao corpo docente do
Programa de Pós-Graduação em Ciências
Médicas da Universidade Federal de Alagoas e
aprovada em27/02/2024.
Profa. Dra. Michelle Jacintha Cavalcante Oliveira
Programa de Pós-graduação em Ciências Médicas – PPGCM / Universidade Federal deAlagoas
Orientadora
Prof. Dr. Jorge Arthur Peçanha de Miranda Coelho
Programa de Pós-graduação em Ciências Médicas – PPGCM / Universidade Federal deAlagoas
Coorientador
Prof. Ms. David Costa Buarque
Programa de Pós-graduação em Ciências Médicas – PPGCM / Universidade Federal deAlagoas
Coorientador
Banca Examinadora:
Prof. Dr. André Falcão Pedrosa Costa
Universidade Federal de Alagoas - UFAL / FAMED
Examinador externo
Profa. Dra. Juliana Célia de Farias Santos
Programa de Pós-graduação em Ciências Médicas – PPGCM / Universidade Federal deAlagoas / FANUT
Examinadora interna
Profa. Dra. Priscila Silva Pontes Pereira
Hospital Universitário Professor Alberto Antunes - HUPAA
Examinadora externa
AGRADECIMENTOS
A Deus, sempre em primeiro lugar, por me conceder forças, sabedoria e perseverança
diante de todos os desafios que a vida me impõe. A Ele toda a graça e toda a honra deste
momento.
Aos meus pais, que sempre foram meus maiores incentivadores em todos os aspectos
da minha vida. Me fornecendo desde pequena todo amor, apoio e segurança necessários ao meu
desenvolvimento e crescimento até chegar ao dia de hoje. Vocês são minha inspiração diária e
fonte do meu mais extremo orgulho e gratidão.
Aos meus demais familiares, meus irmãos e meus amigos, que torceram por mim e
compreenderam minhas ausências, estando sempre ao meu lado. Muito obrigada!
À minha orientadora, Profa. Michelle Oliveira, extremamente dedicada, disponível e
gentil. Fonte de grande admiração para mim, e pessoa na qual me espelho não só na vida
acadêmica e profissional, mas como uma grande mulher e mãe. Muito obrigada por me
conceder a oportunidade de realizar este sonho ao seu lado.
Aos meus coorientadores, Prof. Jorge Arthur Coelho e Prof. David Buarque, que me
auxiliaram a tornar este projeto possível, sempre disponíveis e dispostos a contribuir para o meu
crescimento e desenvolvimento. São pessoas como vocês que mantem a chama da educação e
da ciência ainda viva em nossa sociedade.
Aos acadêmicos Eliab, Matheus, Luciana e Maria Clara, que estiveram ao meu lado
durante todo o projeto, sempre dispostos a ajudar com o que fosse necessário. Desejo grande
sucesso na vida profissional de cada um.
A toda a equipe do laboratório de análises clínicas do Hospital Universitário Professor
Alberto Antunes, que nos recebeu de portas abertas durante o processo de coleta de dados,
sendo sempre gentis e afetuosos com todo o nosso grupo.
Aos participantes da nossa pesquisa, que tornaram tudo isso possível, doando não
apenas seus dados, mas uma parte de seu tempo e de suas vidas em prol da ciência. Este projeto
é por vocês e para vocês.
Aos meus colegas de turma do PPGCM, pessoas extremamente humanas, de índole
inquestionável e apaixonados pela ciência, que tornaram meus dias mais leves e mais felizes
neste árduo processo ao longo de dois anos.
Enfim, minha eterna gratidão a todos que direta ou indiretamente tornaram este
momento possível.
“Viste como levantaram aquele edifício de
grandeza imponente? - Um tijolo, e outro. Milhares.
Mas, um a um. - E sacos de cimento, um a um. E
blocos de pedra, que são bem pouco ante a mole do
conjunto. - E pedaços de ferro. - E operários
trabalhando, dia após dia, as mesmas horas…
Viste como levantaram aquele edifício de grandeza
imponente?… À força de pequenas coisas! ”
(São José Maria Escrivá)
RESUMO
Mensurar corretamente a taxa de filtração glomerular em idosos é de extrema importância
clínica e permanece um desafio até os dias atuais. Diversas fórmulas baseadas na creatinina têm
sido usadas para este fim, mas todas com limitações em relação à população idosa. A fórmula
do Berlin Initiative Study 1 (BIS 1) demonstrou boa acurácia em uma amostra de idosos
europeus acima de 70 anos. O objetivo do presente estudo foi avaliar o desempenho diagnóstico
da equação BIS 1, comparando-a às mais utilizadas em nosso meio (CKD-EPI, MDRD e
Cockroft-Gault) em equivalência e concordância, bem como sua correlação com variáveis
antropométricas e clínicas da população estudada. Quanto a metodologia, realizamos um estudo
transversal, onde os dados foram analisados nos softwares SPSS para Macintosh, versão 23
(Armonk, NY: IBM Corp.), GraphPad Prism, versão 6.01 e R (R Core Team, 2022) e para
analisar a concordância entre a equação BIS 1 e os outros estimadores para a TFG foi utilizado
o método Bland-Altman. Obtivemos uma amostra de 98 participantes com média de idade de
75 ± 5, majoritariamente do sexo masculino (51%). Após as análises, a fórmula CKD-EPI
mostrou ter boa correlação e concordância com a fórmula BIS 1, que foi desenvolvida e
validada para a população idosa acima de 70 anos de idade, sendo uma possibilidade de uso em
nosso meio até que novas evidências em relação ao tema venham a luz. Já as demais equações
apresentaram desempenho menor e muito similar entre elas. Novos estudos de validação são
necessários para se avaliar com precisão a validade e superioridade da fórmula BIS 1 na nossa
população.
Palavras-chave: Taxa de Filtração Glomerular. Idoso. Doença Renal Crônica. Creatinina
ABSTRACT
Correctly measuring the glomerular filtration rate in the elderly is of extreme clinical
importance and remains a challenge to this day. Several formulas based on creatinine have been
used for this purpose, but all have limitations in relation to the elderly population. The Berlin
Initiative Study 1 (BIS 1) formula demonstrated good accuracy in a sample of European elderly
people over 70 years of age. The objective of the present study was to evaluate the diagnostic
performance of the BIS 1 equation, comparing it to the most used in our country (CKD-EPI,
MDRD and Cockroft-Gault) in terms of equivalence and agreement, as well as its correlation
with anthropometric and clinical variables of the population studied. Regarding methodology,
we carried out a cross-sectional study, where data were analyzed using SPSS software for
Macintosh, version 23 (Armonk, NY: IBM Corp.), GraphPad Prism, version 6.01 and R (R
Core Team, 2022) and to analyze the agreement between the BIS 1 equation and the other
estimators for GFR, the Bland-Altman method was used. We obtained a sample of 98
participants with a mean age of 75 ± 5, mostly male (51%). After the analyses, the CKD-EPI
formula showed to have good correlation and agreement with the BIS 1 formula, which was
developed and validated for the elderly population over 70 years of age, being a possibility of
use in our environment until new evidence in regarding the topic come to light. The other
equations presented lower and very similar performance between them. New validation studies
are necessary to accurately assess the validity and superiority of the BIS 1 formula in our
population.
Keywords: Glomerular Filtration Rate. Elderly. Chronic Kidney Disease. Creatinine.
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
BIS
Berlin Initiative Study
CKD-EPI
Chronic Kidney Disease Epidemiology Collaboration
CG
Cockroft-Gault
Cr
Creatinina
CP
Circunferência de Panturrilha
DCV
Doença Cardiovascular
DRC
Doença renal crônica
FAS
Full Age Spectrum
HUPAA
Hospital Universitário Professor Alberto Antunes
KDIGO
Kidney Disease: Improving Global Outcomes
MDRD
Modification of Diet in Renal Disease
ONU
Organização das Nações Unidas
REDCAP
Research Eletronic Data Capture
TGF
Taxa de filtração glomerular
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO .....................................................................................................
11
2 OBJETIVOS ............................................................................................................
14
2.1 Objetivo Geral ......................................................................................................
14
2.2 Objetivos Específicos ............................................................................................
14
3 REVISÃO DE LITERATURA ...............................................................................
15
3.1 Envelhecimento do sistema renal ........................................................................
15
3.2 Doença renal crônica e o envelhecimento............................................................
16
3.3 Mensuração da função renal através taxa de filtração glomerular em idosos.
17
4 METODOLOGIA ...................................................................................................
20
4.1 Desenho do estudo ...............................................................................................
20
4.2 Cálculo amostral .................................................................................................
20
4.3 Critérios de inclusão ..........................................................................................
20
4.4 Critérios de não inclusão e exclusão .................................................................
21
4.5 Procedimentos .....................................................................................................
21
4.6 Variáveis estudadas ............................................................................................
21
4.7 Aspectos éticos .....................................................................................................
22
4.8 Análise estatística .................................................................................................
23
5 PRODUTO ...............................................................................................................
24
6 CONCLUSÃO .........................................................................................................
44
7 LIMITAÇÕES E PERSPECTIVA ........................................................................
45
REFERÊNCIAS .........................................................................................................
46
APÊNDICES ..............................................................................................................
50
ANEXOS .....................................................................................................................
57
MATERIAL SUPLEMENTAR ................................................................................
58
11
1
INTRODUÇÃO
O envelhecimento humano é um fenômeno universal e extremamente complexo, com
mecanismos ainda não totalmente esclarecidos, mas que se caracteriza basicamente por
alterações na função celular levando em última instância a um declínio funcional dependente
do tempo, sendo um fator de risco dominante para a maioria das doenças crônicas em humanos,
incluindo doenças cardiovasculares, câncer e as doenças neurodegenerativas (CAI et al., 2022).
Com a maior expectativa de vida e queda nas taxas de natalidade mundiais, a população
idosa vem aumentando rapidamente. Segundo o relatório da “World Population Prospects”
2022 da Organização das Nações Unidas (ONU), a proporção de pessoas com 65 anos ou mais
aumentará de 10% em 2022 para 16% em 2050, sendo que este número deve ser mais que o
dobro do número de crianças menores de 5 anos. Globalmente, as mulheres com idade mais
avançada superam os homens em quase todas as populações, sendo que em 2022 representavam
55,7% das pessoas com 65 anos ou mais (ONU, 2022).
Para esta população, as doenças crônicas e degenerativas seguem sendo um problema
de saúde mundial, dentre elas, a Doença Renal Crônica (DRC) se destaca como de grande
morbimortalidade nesta parcela da população. A DRC pode ser definida a partir da
caracterização de uma lesão renal progressiva e irreversível, alterando em última instância a
função deste órgão, seja a nível glomerular, tubular ou endócrina. (Cai et al., 2022)
Em sua fase final, os rins não são mais capazes de manter a homeostase do indivíduo
levando a um maior risco de óbito, sendo que nos idosos a DRC é altamente associada a outras
doenças crônicas tais como diabetes, hipertensão arterial, doença cardíaca e acidente vascular
cerebral, sendo em conjunto as principais causas de morte e incapacidade em pessoas mais
idosas. (ROMÃO JÚNIOR, 2004; TONELLI; RIELLA, 2014).
Há bastante tempo no estudo do envelhecimento humano já se sabe que a Taxa de
Filtração Glomerular (TFG) declina com a idade, sem que este dado necessariamente indique o
diagnóstico de doença renal crônica. Entretanto, apesar dessa redução ser considerada até certo
ponto “fisiológica”, sabe-se que este fenômeno não ocorre em todos os idosos, e em grande
parte dos que ocorre, acontece provavelmente de forma secundária a insultos patológicos, sendo
o principal representante a nefroesclerose causada pelas doenças cardiovasculares. Este fator
contribui para um maior risco de o idoso desenvolver doença renal crônica, com sua prevalência
estimada em níveis acima de 45% nesta população. (Fernandes et al., 2021) (LENGNAN et al.,
2021; XIA et al, 2021).
12
Esforços tem sido feitos para a detecção precoce da DRC e alterações renais
predisponentes, visando melhor manejo da condição e prevenção de suas complicações.
Atualmente, a taxa de filtração glomerular (TFG) ainda é a maneira mais recomendada de se
mesurar ou estimar a função renal. (YE et al., 2014)
Não só para definição e seguimento de idosos com DRC, a avaliação correta da função
renal é essencial para correção de doses de medicamentos com potencial nefrotóxico, bem como
auxiliar na tomada de decisões sobre necessidade de procedimentos invasivos, indicação de
terapia de substituição renal e uso de contrastes endovenosos. (SCHAEFFNER et al., 2012;
FERNANDES et al., 2015).
O método de mensuração da TFG atualmente considerado padrão ouro é baseado na
depuração de substâncias exógenas específicas. Porém, quando se avalia a aplicabilidade
clínica, aliada aos custos efetivos, tempo despendido e necessidade de mensuração frequente
desta taxa para acompanhamento dos doentes, torna-se inviável a utilização de tais métodos na
prática clínica diária. A creatinina e/ou a cistatina C são substâncias de produção endógena, e
que, apesar de alguns fatores interferirem na depuração de ambas, tais como idade, massa
muscular, sexo, etnia e tipo de dieta para a creatinina, e a inflamação, uso de corticoides,
tabagismo e altos níveis de proteína C reativa para a cistatina C, atualmente ainda são as mais
recomendadas para mensuração da função renal. (YE et al., 2014)
Para estimar a TFG, as principais diretrizes da área recomendam o uso de equações que
utilizam tais biomarcadores endógenos, havendo diversas fórmulas até então utilizadas para
esta finalidade, porém a validação da maioria delas para a população idosa ainda é questionável,
não havendo consenso sobre qual seria a mais adequada dentre elas. (YAO MA, et al., 2023)
Além disto, muitas delas foram derivadas a partir de amostras bastante heterogêneas.
Valendo-se ressaltar que o uso de diferentes equações, mesmo que validadas, para pessoas com
a mesma idade e níveis de creatinina e/ou cistatina, pode levar a diferentes classificações de
estágios de DRC, repercutindo diretamente nos cuidados e terapias despendidos para tais
indivíduos. (FARRINGTON et al., 2017; SCHAEFFNER et al., 2012)
Neste contexto, o Berlin Initiative Study avaliou a TFG de uma coorte composta por
idosos a partir de 70 anos e comparou com as equações existentes até o momento, tendo como
base uma medida padrão-ouro, chegando a derivação de duas novas fórmulas para avaliação da
função renal nesta parcela da população. A fórmula de BIS 1 baseada na creatinina, e a fórmula
de BIS 2 baseada na cistatina C. (SCHAEFFNER et al., 2012)
Como resultado, ambas mostraram melhor precisão e excelente concordância com as
demais fórmulas que visam mensurar a TFG, em especial na população com TFG >
13
30ml/min/1,73m², trazendo uma nova perspectiva de avaliação personalizada a esta parcela da
população. Porém, uma das principais limitações do estudo se refere ao tipo de população
utilizada na amostra, tendo um n = 570 participantes, predominantemente da raça branca,
provenientes de um único centro na cidade Berlim (SCHAEFFNER et al., 2012)
O objetivo do presente estudo foi avaliar o desempenho diagnóstico da equação de BIS
1 e comparar a concordância desta ferramenta com as mais usadas atualmente dentro da nossa
população, analisando as possíveis variáveis relacionadas às diferenças encontradas.
14
2
OBJETIVOS
2.1 Objetivo geral
● Avaliar a concordância da equação BIS 1 com as demais equações que estimam a TFG
em idosos atendidos em um hospital de referência no nordeste do Brasil.
2.2 Objetivos específicos
● Caracterizar a amostra do ponto de vista clínico, epidemiológico e laboratorial.
● Estimar as taxas de filtração glomerular através das fórmulas BIS-1, COCKROFTGAULT (CG), Chronic Kidney Disease Epidemiology Collaboration (CKD-EPI) e
Modification of Diet in Renal Disease (MDRD) da população estudada.
● Correlacionar as possíveis comorbidades encontradas na população com as diferenças
na estimativa da taxa de filtração glomerular através das fórmulas BIS-1, CG, CKDEPI e MDRD.
● Comparar a equivalência da classificação de doença renal crônica pela taxa de
filtração glomerular fornecida pela equação de BIS 1 com as identificadas nas
principais fórmulas usadas em nosso meio (CG, MDRD e CKD-EPI).
15
3 REVISÃO DE LITERATURA
3.1 Envelhecimento e o sistema renal
O envelhecimento é um fenômeno biológico universal onde os indivíduos e seus órgãos
envelhecem em taxas variáveis, influenciados por codificação genética e por fatores ambientais
(GLASSOCK; DENIC; RULE, 2017). Ao processo biológico natural caracterizado pelo
declínio gradual da função celular chamamos de senescência (DENIC; GLASSOCK; RULE,
2016).
O sistema renal também é afetado por este processo, apresentando alterações
anatômicas, histológicas e hemodinâmicas que levam, em última instância, a uma redução
considerada até certo ponto, “fisiológica” da taxa de filtração glomerular (TFG) (GLASSOCK;
DENIC; RULE, 2017).
A função renal declina de maneira progressiva com o envelhecimento, tendo seu fluxo
plasmático reduzido de 600ml/min aos 30 anos de idade, para 300ml/min quando o indivíduo
atinge em torno dos 80 anos. (PEREIRA, 2017). Nesse contexto, a TFG também acaba sendo
reduzida com o decorrer dos anos, tendo sido relatado uma queda de 1 ml/min/1,73m 2 por ano
após a 3ª década de vida, sendo que, na maioria dos nonagenários, é esperado uma depuração
de aproximadamente 50ml/min (ABREU; SESSO; RAMOS, 1998).
Apesar dessa redução ser por muitos considerada fisiológica, o processo de
diferenciação da senescência para alterações renais patológicas não é tão simples. É sabido que
o declínio progressivo da taxa de filtração glomerular ocorre em muitos idosos de forma
secundária a insultos como a nefroesclerose, causada pelas doenças cardiovasculares,
hipertensão arterial e a aterosclerose, contribuindo em última instância para um maior risco do
idoso desenvolver doença renal crônica de forma clinicamente efetiva (FERNANDES et al.,
2015).
Indivíduos mais velhos, principalmente com idade acima dos 70 anos, precisam ter seus
riscos analisados de forma individualiza, visto que apenas a TFG < 60 mL/min/1,73m² por mais
de 03 meses pode não necessariamente defini-lo como portador de DRC. Porém, este mesmo
declínio relacionado ao envelhecimento normal ainda se traduz em relevância clínica, pois afeta
diretamente no ajuste de medicamentos, seleção de doadores renais vivos, aumentando também
o risco de DRC e de lesão renal aguda no futuro (DENIC; GLASSOCK; RULE, 2016).
16
3.2 Doença renal crônica (DRC) e o envelhecimento
De acordo com a última diretriz do Kidney Disease: Improving Global Outcomes
(KDIGO), de 2012, a doença renal crônica pode ser definida quando há presença de
anormalidades da estrutura e/ou função renal, por mais de três meses, trazendo impacto para a
saúde do indivíduo. Este mesmo documento, recomenda que a DRC seja classificada pela taxa
de filtração glomerular (TFG), além da causa de base e pelo grau de albuminúria (KDIGO,
2023).
A orientação atual é de que a TFG seja avaliada a partir da creatinina sérica para
classificação e acompanhamento da DRC. Ela é geralmente medida em mL/min/1,73m² e pode
ser dividida nas categorias abaixo:
(Quadro 1. Categorias da taxa de filtração glomerular (TFG) na doença renal crônica (DRC).
Categoria pela TFG
TFG (ml/min/1,73m²)
Termos
G1
≥ 90
Normal ou alta
G2
60-89
Levemente reduzida
G3a
45-59
Redução leve a moderada
G3b
30-44
Redução moderada a severa
G4
15-29
Severamente reduzida
G5
<15
Falência renal
Adaptada de KDIGO, 2023).
Porém, muito se discute sobre o quanto essa rígida definição em estágios para indivíduos
de todas as idades realmente têm significância diagnóstica, e principalmente prognóstica, visto
que a expectativa de vida de jovens e idosos são dificilmente comparáveis, não sendo possível
ainda separar de forma definitiva a doença renal crônica da senescência renal, por exemplo
(ALFANO et al., 2022).
A DRC é atualmente uma questão de saúde global, com sua prevalência estimada entre
11 a 13% no mundo. Dados do Centers for Disease Control (CDC) de 2021 mostram que a
DRC afeta em média 1 em cada 7 adultos nos Estados Unidos da América (EUA), representando
em média 37 milhões de americanos. Em indivíduos com hipertensão arterial sistêmica,
diabetes mellitus e nos maiores de 65 anos o risco se torna ainda maior. Sendo que a prevalência
de DRC nesta faixa etária chega em torno de 38%, levando a gastos em saúde que ultrapassaram
70 bilhões de dólares no ano de 2018 (Centers for disease control and prevention, 2021).
17
No Brasil, segundo dados da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), o número de
portadores de DRC só aumenta, sendo que atualmente cerca de 140 mil pacientes realizam
diálise no país. Entre os indivíduos com idade igual ou acima de 70 anos, a prevalência de DRC
pode chegar em até 47% (FERNANDES et al., 2015).
A mortalidade global causada por doenças renais, segundo estimativas da Organização
Mundial de Saúde (OMS), gira em torno de 5 a 10 milhões de pessoas por ano, sendo que este
número ainda é provavelmente subestimado, pois infelizmente ainda há uma realidade mundial
de falta de acesso a serviços laboratoriais, falta de conscientização sobre a doença e pouco
investimento em estudos epidemiológicos que nos tragam uma visão mais realista deste
panorama (LUYCKX; TONELLI; STANIFER, 2018).
A principal causa de morte em pacientes portadores de doença renal crônica é a doença
cardiovascular, sendo que a taxa de acometimento pela mesma é considerada alta em todos os
estágios da DRC, chegando a ter uma taxa 15 a 30 vezes maior nos pacientes em diálise
(ALFANO et al., 2022).
Quando analisamos apenas a população idosa, o risco de desenvolver DRC chega a ser
de 3 a 13 vezes maior que os jovens (MINUTOLO; BORELLI; DE NICOLLA, 2015). Além
da idade, os principais fatores de risco para o desenvolvimento da DRC são a hipertensão
arterial sistêmica e o diabetes mellitus tipo 2, condições de alta prevalência na população acima
de 65 anos, o que invariavelmente acarreta um sinergismo para esta condição. (ALFANO et
al., 2022)
3.3 Mensuração da função renal através da taxa de filtração glomerular em idosos
Na prática clínica, mensurar de forma correta a TFG é de extrema importância para a
adequada classificação e acompanhamento dos indivíduos portadores ou não, de doença renal
crônica, auxiliando na redução de complicações, bem como na correção de doses de
medicamentos e na tomada de decisões quanto a necessidade de terapias medicamentosas,
procedimentos invasivos ou contrastados (SCHAEFFNER et al., 2012; FERNANDES et al.,
2015).
A mensuração da TFG pode ser feita idealmente através da determinação do clearance
renal de algumas substâncias exógenas tais como a inulina, iohexol ou de uma molécula
radiomarcada (ex. EDTA). Porém essas medidas são invasivas, de complexa execução e de alto
custo, sendo raramente empregadas na prática clínica diária. Sendo assim, a mensuração da
TFG estimada acaba sendo mais frequente através do clearance de creatinina na urina coletada
18
em 24 horas ou outras moléculas como a cistatina C e por detecção de proteínas de baixo peso
molecular, sendo que a creatinina é a mais utilizada mundialmente para esta finalidade.
(KIRSZTAJN, 2009).
A escolha da creatinina para esta finalidade deve-se ao fato de ser produzida na
musculatura esquelética e ser quase totalmente excretada via renal, tendo uma taxa muito baixa
de secreção e reabsorção tubular. Esta é uma opção mais viável, entretanto, no idoso, a
utilização da creatinina urinária traz uma série de particularidades que acabam por interferir na
aplicabilidade desta medida. Uma das principais é a dificuldade na coleta da urina de 24 horas
por questões relacionadas a incontinência urinária, quadros demenciais ou até mesmo de
imobilismo, comuns nesta população (PÉQUIGNOT et al., 2009). Sendo então na grande
maioria dos casos utilizada a creatinina sérica através de fórmulas preestabelecidas e validadas
para se alcançar esta finalidade.
Nos idosos, a alta prevalência de sarcopenia e de baixo consumo proteico, especialmente
nos mais frágeis, acarreta uma redução dos níveis séricos de creatinina, que podem manter-se
normais mesmo em idosos com marcada redução da função renal. Essa alteração na relação
creatinina/depuração de creatinina (onde a creatinina se mantém constante enquanto a
depuração tende a diminuir) acaba por gerar um desafio quando o objetivo é mensurar de forma
fidedigna a TFG na população idosa e traz a necessidade de maior inclusão desta população nos
estudos de validação dessas equações (FAN L. et al., 2015; ABREU; SESSO; RAMOS, 1998).
A fórmula classicamente mais utilizada é a de Cockroft-Gault (CG) de 1976, onde a
depuração de creatinina ml/min = [ (140-idade em anos) x peso em kg / 72 x creatinina sérica
mg/dl] x 0,85 se mulher (PÉQUIGNOT et al, 2009). Porém, muitos trabalhos vêm questionando
a validade desta fórmula, tendo sido demonstrado que a mesma não leva em consideração a
variabilidade na produção de creatinina, tendendo a superestimar níveis de depuração de
creatinina mais altos e subestimar os níveis mais baixos, principalmente quando avaliamos
pacientes obesos e edematosos, evidenciando uma menor confiabilidade principalmente nos
extremos de função renal. (ABREU; SESSO; RAMOS, 1998; GALLO et al., 2018)
Nos últimos 15 anos, novas fórmulas para estimar a TFG têm sido desenvolvidas,
incluindo as mais conhecidas como a Modification of Diet in Renal Disease (MDRD) e Chronic
Kidney Disease Epidemiology Collaboration (CKD-EPI). Entretanto, seu uso ainda é limitado
nos idosos devido à falta de representatividade desta população nos estudos de validação, tendo
a maioria deles excluído os indivíduos acima de 70 anos ou apresentado uma representação
muito baixa dessa parcela da população (LENGNAN et al., 2021; XIA et al., 2021).
19
Estudos de análise populacional do desempenho da equação MDRD demonstraram um
alto viés e menor precisão de valores em indivíduos com taxas de filtração glomerular mais
altas (≥ 60ml/min/1,73m²) (STEVENS et al., 2007).
Em contrapartida, uma das fórmulas mais utilizadas atualmente é a CKD-EPI, que foi
derivada de uma população predominantemente jovem ou de meia idade, com TFG em torno
de 70 ml/min/1,73m², e quando comparada a equação do MDRD demonstrou estimativas mais
altas para os jovens com uma classificação de risco mais adequada nesta faixa etária, porém,
quando se trata dos idosos, foi demonstrado que a CKD-EPI subestimou esses valores, não
sendo possível prever as consequências dessa alteração neste grupo populacional específico
(Van Den Brand et al., 2011).
Tais equações são baseadas pelos níveis séricos de creatinina e, como já discutido
anteriormente, sofrem grande influência da massa muscular do indivíduo, bem como de sua
ingesta proteica e até da presença ou não de doenças crônicas, o que é extremamente comum
quando se trata da população idosa (SCHAEFFNER et al., 2012). Logo, deixar de incluir esse
público torna-se um grande problema quando pensamos nas repercussões clínicas que podem
advir relacionados a mensuração incorreta da TFG.
Nesse contexto, o Berlin Initiative Study desenvolveu duas novas fórmulas para estimar
a TFG em pessoas com 70 anos ou mais. Uma delas baseada na creatinina, sexo e idade (BIS
1) e a segunda baseada na cistatina, sexo e idade (BIS 2), em um estudo onde foram incluídos
570 indivíduos com média de idade de 78,5 anos, sendo descrita como BIS1 = 3736 × creatinina 0,87× idade-0,95× 0,82 (se mulher) e BIS 2= 767 x cistatina C-0,61 x creatinina-0,40 x idade x 0,87
(se mulher) (SCHAEFFNER et al., 2012).
As equações foram derivadas a partir deste estudo e comparadas com o Iohexol (padrão
ouro), além de três equações baseadas na creatinina (CG, MDRD e CKD-EPI) e três equações
baseadas na cistatina C, visando avaliar sua consistência, precisão e exatidão na amostra
estudada. Como resultado, as medições baseadas no iohexol revelaram taxas de filtração
glomerular mais baixas que as encontradas pelas equações atuais, sendo que entre as fórmulas
baseadas na creatinina, a BIS 1 teve a menor taxa de erro de classificação de doença renal
crônica e obteve o segundo menor viés entre todas as equações avaliadas (SCHAEFFNER et
al., 2012).
Estudos de concordância em outras etnias e populações já mostraram superioridade da
fórmula BIS 1 para determinados subgrupos de idosos, como o realizado por XIA et al. (2021),
que demonstraram que a equação BIS1 apresentou desempenho superior em idosos chineses
com insuficiência renal moderada a grave (XIA et al., 2021).
20
Entretanto, uma das limitações do estudo alemão original, foi o fato de se tratar de uma
análise transversal abrangendo uma população muito homogênea composta apenas por
pacientes da raça branca, residentes da cidade de Berlim, com função renal normal ou
moderadamente diminuída, o que torna difícil a extrapolação desses dados para uso em outras
populações mais heterogêneas como a encontrada em nosso país, bem como aquelas com
função renal mais grave (SCHAEFFNER et al., 2012).
4 METODOLOGIA
4.1 Desenho do estudo
Trata-se de um estudo transversal, realizado no período de agosto a novembro de
2022, com participantes que buscaram o laboratório de análises clínicas de um hospital
localizado na cidade de Maceió - Alagoas (Hospital Universitário Professor Alberto Antunes HUPAA) para realização de exames bioquímicos solicitados por seus médicos assistentes e
que, após convidados, aceitaram colaborar voluntariamente.
4.2 Cálculo amostral
No cálculo do tamanho da amostra seguiu-se a demonstração do autor do método BlandAltman que afirma que em uma amostra de 100 participantes é possível estimar os valores (viés
e limites) com um intervalo de confiança de 95% aproximado de ± 0,34 sd e, com 200, um
intervalo de ± 0,24sd (HIRAKATA; CAMEY, 2009). Dessa forma, adotando-se um nível de
significância de 0,05, foi oportuno adotar uma amostra de 100 participantes.
4.3 Critérios de inclusão
-
Participantes com idade igual a 70 anos ou mais, de ambos os sexos.
-
Com ou sem doença renal crônica, clinicamente estáveis, que esteja em
acompanhamento no HUPAA e realizando exame de creatinina sérica no momento da
abordagem.
-
O participante ter aceitado e assinado e termo de consentimento livre e esclarecido.
21
4.4 Critérios de não inclusão e exclusão
-
Participantes em terapia de substituição renal.
-
Transplantados renais.
-
Participantes com diagnóstico de lesão renal aguda no momento da avaliação.
-
Participante que a qualquer tempo retire o consentimento para participar da pesquisa ou
que estejam com dados incompletos.
4.5 Procedimento
Os participantes foram abordados durante a coleta de exames de sangue de rotina no
laboratório do HUPAA, onde foi explanado sobre os objetivos da pesquisa e aplicado o termo
de consentimento livre e esclarecido (TCLE). Uma vez informados e após assinado o TCLE os
participantes da pesquisa foram recrutados para compor a amostra. No caso de participantes
com quadro demencial por qualquer causa, que não estavam aptos a responder por suas questões
legais e cíveis, um responsável foi determinado para consentir com a pesquisa e assinar o TCLE.
Após consentido e assinado o termo os pesquisadores obtinha acesso ao número de prontuário
do participante da pesquisa para coleta dos dados necessários a mesma (resultado da creatinina
dosada naquele momento e dados sobre comorbidades preexistentes) e direcionaram os
participantes a uma sala privativa onde foi aferido peso, altura e circunferência de panturrilha
do mesmo, tendo então finalizado esta etapa da pesquisa. A coleta de dados foi realizada por
meio da plataforma RedCap (Research Eletronic Data Capture).
4.6 Variáveis estudadas
- Epidemiológicas: Idade e gênero.
- Equações: Foram obtidos valores da TFG através das equações abaixo especificadas,
calculadas por aplicativo padronizado (“eGFR calculator” da National Kidney Foundation para
o cálculo com a fórmula CKD-EPI versão 2021 e “Nefrocalc 2.0” para as demais fórmulas).
22
Quadro 2 - Equações utilizadas para avaliação da TFG
BIS 1
CKD-EPI versão 2021
TFG = 3736 × creatinine-0.87 × age-0.95 × 0.82 (se for mulher).
eGFR = 142 * min(Scr /K padronizados, 1) α * max(Scr /K padronizados,
1) -1,200 * 0,9938 Idade * 1,012 [se for mulher]
MDRD
TFG (ml/min/1.73m2) = 186 x creatinina-1.154 x idade-0.203
sexo feminino=TFG x 0.742; negros=TFG x 1.21
TFG = [(140-idade) x peso / (72 x creatinina) x 0,85 (se mulher)]
Cockroft-Gault
Abreviações/ unidades: eGFR (taxa de filtração glomerular estimada) = mL/min/ 1,73 m ²; Scr (creatinina
sérica) = mg/dL; K = 0,7 (fêmeas) ou 0,9 (homens); α = -0,241 (fêmeas) ou -0,302 (homens); min = indica o
mínimo de Scr /K ou 1; max = indica o máximo de Scr /K ou 1
- Antropométricas: Foram obtidos dados de peso e altura corporal através de balança mecânica
com estadiômetro devidamente calibrada (Welmy Ⓡ 110CH) para cálculo de índice de massa
corpórea (IMC). A circunferência de panturrilha foi mensurada através de fita antropométrica
flexível e inelástica (SannyⓇ TR4013). Tais medidas foram classificadas de acordo com os
critérios classificatórios descritos na Norma Técnica da Vigilância Alimentar e Nutricional
(SISVAN) disponível no DATASUS, 2004.
- Comorbidades: Diagnóstico registrado em prontuário de diabetes mellitus, hipertensão arterial
sistêmica, doença pulmonar obstrutiva crônica, doença renal crônica ou doença coronariana
crônica.
- Dados bioquímicos: A partir da solicitação do médico assistente do participante, ao se dirigir
ao laboratório de análises clínicas foi então dosada a creatinina sérica por meio de teste
bioquímico colorimétrico pela metodologia de Jaffé, mensurado em um laboratório único do
Hospital Universitário Professor Alberto Antunes - HUPAA/AL através de um analisador
automatizado. Os valores de referência padronizados pelo laboratório são de 0,6 a 1,1 mg/dL
em indivíduos do sexo feminino e 0,7 a 1,3 mg/dL para indivíduos do sexo masculino.
4.7 Aspectos éticos
O projeto foi submetido a análise do comitê de ética do Hospital Universitário Professor
Alberto Antunes - HUPAA/AL via plataforma Brasil. Os participantes foram incluídos na
pesquisa mediante assinatura do termo de consentimento livre e esclarecido (TCLE) pelo
próprio participante ou por seu responsável legal caso necessário.
23
4.8 Análise estatística
As variáveis qualitativas foram expressas como contagem absoluta e porcentagens,
sendo comparadas através do teste do qui-quadrado ou teste exato de Fisher. Todas as variáveis
quantitativas foram avaliadas quanto a distribuição normal através de teste de normalidade
Shapiro-Wilk, análise de histogramas, gráficos Q-Q e de medidas de dispersão. Dados normais
foram então expressos como Média ± Desvio Padrão (DP). Para comparação entre dois grupos
independentes foram usados os testes t de Student e teste de soma de postos de Wilcoxon. Para
avaliar a correlação entre as equações e outras variáveis contínuas, foi usada a correlação de
Pearson.
Foi feita a avaliação da performance em detectar TFGe <60mL/min pela equação BIS
1, por parte das outras equações (CKD-EPI, Cockcroft-Gault e MDRD) através de curvas ROC
e calculada a área sob a curva ROC (AUC–ROC) com respectivos intervalos de confiança de
95%. Dentre os vários cut-offs da curva ROC de cada equação, foi usado o índice de Youden
mais alto (Índice de Youden = sensibilidade + especificidade – 1), para escolha do cut-off,
sendo representado os respectivos valores de sensibilidade e especificidade.
Além disso, foi feita uma análise de concordância entre as equações, usando o método
de Bland-Altman, onde foram calculadas as diferenças e médias entre os valores da equação de
BIS 1 vs Cockcroft-Gault; BIS 1 vs CKD-EPI; e BIS 1 vs MDRD. Por fim, foram feitos gráficos
de Bland-Altman com indicação da média das diferenças e respectivo intervalo de confiança de
95%. Os dados foram analisados nos softwares SPSS para Macintosh, versão 23 (Armonk, NY:
IBM Corp.), GraphPad Prism, versão 6.01 e R (R Core Team, 2022). Para todos os testes foi
considerado p<0,05 como estatisticamente significativos.
24
5 PRODUTO
“Função Renal no Idoso: Como estamos avaliando? Concordância entre a equação
do Berlin Initiative Study (BIS1), CKD-EPI, MDRD e COCKROFT-GAULT. ”
SUBMETIDO A REVISTA SAUDE PUBLICA (RSP)
ISSN 1518-8787
Fator de impacto JCR 2022: 2,8
Índice H(Scopus): 81
Qualis A1 em Saúde Coletiva
Título original: Função Renal no Idoso: Como estamos avaliando? Concordância
entre a equação do Berlin Initiative Study (BIS1), CKD-EPI, MDRD e COCKROFTGAULT.
Título em inglês: Renal Function in the Elderly: How are we evaluating it? Agreement
between the Berlin Initiative Study (BIS1), CKD-EPI, MDRD and COCKROFT-GAULT
equation.
Título resumido: Função Renal no Idoso: Como estamos avaliando? Concordância
entre a equação do Berlin Initiative Study (BIS1), CKD-EPI, MDRD e COCKROFTGAULT.
Autores:
Ana
Carolina
Abreu
Machado
–
ORCID:
0000-0002-2402-095X
Universidade Federal de Alagoas, e-mail: carol_machado11@hotmail.com; tel.: (82)
99646-4083
Matheus Monteiro de Luna Barros – ORCID: 0000-0001-6438-817X; Universidade
Federal de Alagoas; e-mail: matheus.barros@famed.ufal.br; tel.: (21) 98304-1822
Eliab Batista Barros – ORCID: 0000-0001-6842-9653; Universidade Federal de
Alagoas; e-mail: eliab.barros@famed.ufal.br; tel.: (82) 999172396
Maria Clara Teixeira Cassella - ORCID: 0000-0002-1776-3181; Universidade Federal
de Alagoas; e-mail: maria.cassella@famed.ufal.br; tel.: (82) 98899-4015
82 988994015
25
Prof. Dr. Jorge Arthur Peçanha de Miranda Coelho – ORCID: 0000-0002-0021-5963
Universidade Federal de Alagoas, e-mail: jorge.coelho@famed.ufal.br tel. (82) 998347071
Prof. Ms. David Costa Buarque – ORCID: 0000-0003-4528-1443 Universidade Federal
de Alagoas, e-mail: davidbuarque@gmail.com tel. (82) 99608-7652
Dr. Gdayllon Cavalcante Meneses – ORCID: 0000-0002-0160-5728 Universidade
Federal do Ceara, e-mail: gdayllon@yahoo.com.br tel. (85) 98865-1482
Profa. Dra. Michelle Jacintha Cavalcante Oliveira – ORCID: Universidade Federal de
Alagoas, e-mail: michellejcoliveira@gmail.com; tel. (82) 99930-9057
Resumo
Mensurar corretamente a taxa de filtração glomerular em idosos é de extrema
importância clínica e permanece um desafio até os dias atuais. Diversas fórmulas
baseadas na creatinina têm sido usadas para este fim, mas todas com limitações em
relação à população idosa. A fórmula do Berlin Initiative Study 1 (BIS 1) demonstrou
boa acurácia em uma amostra de idosos europeus acima de 70 anos. O objetivo do
presente estudo foi avaliar o desempenho diagnóstico da equação BIS 1,
comparando-a às mais utilizadas em nosso meio (CKD-EPI, MDRD e Cockroft-Gault)
em equivalência e concordância, bem como sua correlação com variáveis
antropométricas e clínicas da população estudada. Quanto a metodologia, realizamos
um estudo transversal, onde os dados foram analisados nos softwares SPSS para
Macintosh, versão 23 (Armonk, NY: IBM Corp.), GraphPad Prism, versão 6.01 e R (R
Core Team, 2022) e para analisar a concordância entre a equação BIS 1 e os outros
estimadores para a TFG foi utilizado o método Bland-Altman. Obtivemos uma amostra
de 98 participantes com média de idade de 75 ± 5, majoritariamente do sexo masculino
(51%). Após as análises, a fórmula CKD-EPI mostrou ter boa correlação e
concordância com a fórmula BIS 1, que foi desenvolvida e validada para a população
idosa acima de 70 anos de idade, sendo uma possibilidade de uso em nosso meio até
que novas evidências em relação ao tema venham a luz. Já as demais equações
apresentaram desempenho menor e muito similar entre elas. Novos estudos de
validação são necessários para se avaliar com precisão a validade e superioridade da
fórmula BIS 1 na nossa população.
26
INTRODUÇÃO
O envelhecimento humano é um fenômeno universal e extremamente
complexo, com mecanismos ainda não totalmente esclarecidos, mas que se
caracteriza basicamente por alterações na função celular levando em última instância
a um declínio funcional dependente do tempo.1
Com a maior expectativa de vida e queda nas taxas de natalidade mundiais, a
população idosa vem aumentando rapidamente. Segundo o relatório da “World
Population Prospects” 2022 da Organização das Nações Unidas (ONU), a proporção
de pessoas com 65 anos ou mais aumentará de 10% em 2022 para 16% em 2050,
sendo que este número deve ser mais que o dobro do número de crianças menores
de 5 anos.2
Para esta população, as doenças crônicas e degenerativas seguem sendo um
problema de saúde mundial, dentre elas, a Doença Renal Crônica (DRC) se destaca
como de grande morbimortalidade nesta parcela da população. A DRC pode ser
definida a partir da caracterização de uma lesão renal progressiva e irreversível,
alterando em última instância a função deste órgão, seja a nível glomerular, tubular
ou endócrina.1
Em sua fase final, os rins não são mais capazes de manter a homeostase do
indivíduo levando a um maior risco de óbito, sendo que nos idosos a DRC é altamente
associada a outras doenças crônicas tais como diabetes, hipertensão arterial, doença
cardíaca e acidente vascular cerebral, sendo em conjunto as principais causas de
morte e incapacidade em pessoas mais idosas.3,4
Esforços tem sido feitos para a detecção precoce da DRC e alterações renais
predisponentes, visando melhor manejo da condição e prevenção de suas
complicações. Atualmente, a taxa de filtração glomerular (TFG) ainda é a maneira
mais recomendada de se mesurar ou estimar a função renal.5
Não só para definição e seguimento de idosos com DRC, a avaliação correta
da função renal é essencial para correção de doses de medicamentos, bem como
auxiliar na tomada de decisões sobre necessidade de procedimentos invasivos,
indicação de terapia de substituição renal e uso de contrastes endovenosos.6,7
O método de mensuração da TFG atualmente considerado padrão ouro é
baseado na depuração de substâncias exógenas específicas. Porém, quando se
avalia a aplicabilidade clínica, aliada aos custos efetivos, tempo despendido e
necessidade de mensuração frequente desta taxa para acompanhamento dos
27
doentes, torna-se inviável a utilização de tais métodos na prática clínica. A creatinina
e/ou a cistatina C são substâncias de produção endógena, e que, apesar de alguns
fatores reconhecidos interferirem na depuração de ambas, atualmente ainda são as
mais recomendadas para mensuração da função renal.5
Para estimar a TFG existem atualmente diversas fórmulas até então utilizadas
para esta finalidade, porém a validação da maioria delas para a população idosa ainda
é questionável, não havendo consenso sobre qual seria a mais adequada. 8
Além disto, muitas delas foram derivadas a partir de amostras bastante
heterogêneas. Valendo-se ressaltar que o uso de diferentes equações, mesmo que
validadas, para pessoas com a mesma idade e níveis de creatinina e/ou cistatina,
pode levar a diferentes classificações de estágios de DRC, repercutindo diretamente
nos cuidados e terapias despendidos para tais indivíduos.9
Neste contexto, o Berlin Initiative Study avaliou a TFG de uma coorte composta
por idosos a partir de 70 anos e comparou com as equações existentes até o
momento, tendo como base uma medida padrão-ouro, chegando a derivação de duas
novas fórmulas para avaliação da função renal nesta parcela da população. A fórmula
de BIS 1 baseada na creatinina, e a fórmula de BIS 2 baseada na cistatina C.6
Como resultado, ambas mostraram melhor precisão e excelente concordância
com as demais fórmulas que visam mensurar a TFG, em especial na população com
TFG > 30ml/min/1,73m², trazendo uma nova perspectiva de avaliação personalizada
a esta parcela da população. Porém, uma das principais limitações do estudo se refere
ao tipo de população utilizada na amostra, tendo um n = 570 participantes,
predominantemente da raça branca, provenientes de um único centro na cidade
Berlim.6
O objetivo do presente estudo foi avaliar a concordância da equação BIS 1 com
as demais que estimam a TFG em idosos atendidos em um hospital de referência no
nordeste do Brasil, sendo que os objetivos secundários foram caracterizar a amostra
do ponto de vista clínico, epidemiológico e laboratorial. Estimar as taxas de filtração
glomerular através das fórmulas BIS-1, COCKROFT-GAULT (CG), Chronic Kidney
Disease Epidemiology Collaboration (CKD-EPI) e Modification of Diet in Renal
Disease (MDRD). Correlacionar as possíveis comorbidades encontradas na
população com as diferenças na estimativa da taxa de filtração glomerular através das
fórmulas BIS-1, CG, CKD-EPI e MDRD e comparar a equivalência da classificação de
28
doença renal crônica pela taxa de filtração glomerular fornecida pela equação de BIS
1 com as identificadas nas fórmulas citadas.
MÉTODOS
Trata-se de um estudo transversal, realizado no período de agosto a novembro
de 2022, com participantes que buscaram o laboratório de análises clínicas de um
hospital localizado na cidade de Maceió - Alagoas (Hospital Universitário Professor
Alberto Antunes - HUPAA) para realização de exames bioquímicos solicitados por
seus
médicos
assistentes
e
que,
após
convidados,
aceitaram
colaborar
voluntariamente.
No cálculo do tamanho da amostra seguiu-se a demonstração do autor do
método Bland-Altman que afirma que em uma amostra de 100 participantes é possível
estimar os valores (viés e limites) com um intervalo de confiança de 95% aproximado
de ± 0,34 sd e, com 200, um intervalo de ± 0,24sd.10 Dessa forma, adotando-se um
nível de significância de 0,05, foi oportuno adotar uma amostra de 100 participantes.
CRITÉRIOS DE INCLUSÃO:
-
Participantes com idade igual a 70 anos ou mais, de ambos os sexos.
-
Com ou sem doença renal crônica, clinicamente estáveis, que esteja em
acompanhamento no HUPAA e realizando exame de creatinina sérica no
momento da abordagem.
-
O participante ter aceitado e assinado e termo de consentimento livre e
esclarecido.
CRITÉRIOS DE NÃO INCLUSÃO E EXCLUSÃO:
-
Participantes em terapia de substituição renal.
-
Transplantados renais.
-
Participantes com diagnóstico de lesão renal aguda no momento da avaliação.
-
Participante que a qualquer tempo retire o consentimento para participar da
pesquisa ou que estejam com dados incompletos.
29
PROCEDIMENTO:
Os participantes foram abordados durante a coleta de exames de sangue de
rotina no laboratório do HUPAA, onde foi explanado sobre os objetivos da pesquisa e
aplicado o termo de consentimento livre e esclarecido (TCLE). Uma vez informados e
após assinado o TCLE os participantes da pesquisa foram recrutados para compor a
amostra. No caso de participantes com quadro demencial por qualquer causa, que
não estavam aptos a responder por suas questões legais e cíveis, um responsável foi
determinado para consentir com a pesquisa e assinar o TCLE. Após consentido e
assinado o termo os pesquisadores obtinha acesso ao número de prontuário do
participante da pesquisa para coleta dos dados necessários a mesma (resultado da
creatinina dosada naquele momento e dados sobre comorbidades preexistentes) e
direcionaram os participantes a uma sala privativa onde foi aferido peso, altura e
circunferência de panturrilha do mesmo, tendo então finalizado esta etapa da
pesquisa. A coleta de dados foi realizada por meio da plataforma RedCap (Research
Eletronic Data Capture).
VARIÁVEIS ESTUDADAS:
- Epidemiológicas: Idade e gênero.
- Equações: Foram obtidos valores da TFG através das equações abaixo
especificadas, calculadas por aplicativo padronizado (“eGFR calculator” da National
Kidney Foundation para o cálculo com a fórmula CKD-EPI versão 2021 e “Nefrocalc
2.0” para as demais fórmulas). As fórmulas originais são as descritas abaixo:
BIS 1: TFG = 3736 × creatinine-0.87 × age-0.95 × 0.82 (se for mulher).
CKD-EPI versão 2021: eGFR = 142 * min(Scr /K padronizados, 1) α * max(Scr /K
padronizados, 1) -1,200 * 0,9938 Idade * 1,012 [se for mulher]
MDRD: TFG (ml/min/1.73m2) = 186 x creatinina-1.154 x idade-0.203 sexo feminino=TFG x 0.742;
negros=TFG x 1.21
Cockroft-Gault: TFG = [(140-idade) x peso / (72 x creatinina) x 0,85 (se mulher)]
Abreviações/ unidades: eGFR (taxa de filtração glomerular estimada) = mL/min/ 1,73 m ²; Scr (creatinina
sérica) = mg/dL; K = 0,7 (fêmeas) ou 0,9 (homens); α = -0,241 (fêmeas) ou -0,302 (homens); min =
indica o mínimo de Scr /K ou 1; max = indica o máximo de Scr /K ou 1
30
- Antropométricas: Foram obtidos dados de peso e altura corporal através de balança
mecânica com estadiômetro devidamente calibrada (WelmyⓇ 110CH) para cálculo de
índice de massa corpórea (IMC). A circunferência de panturrilha foi mensurada
através de fita antropométrica flexível e inelástica (SannyⓇ TR4013). Tais medidas
foram classificadas de acordo com os critérios classificatórios descritos na Norma
Técnica da Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN) disponível no DATASUS,
2004.11
- Comorbidades: Diagnóstico registrado em prontuário de diabetes mellitus,
hipertensão arterial sistêmica, doença pulmonar obstrutiva crônica, doença renal
crônica ou doença coronariana crônica.
- Dados bioquímicos: Foi dosada a creatinina sérica por meio de teste bioquímico
colorimétrico pela metodologia de Jaffé, mensurado em um laboratório único do
Hospital Universitário Professor Alberto Antunes - HUPAA/AL através de um
analisador automatizado. Os valores de referência padronizados pelo laboratório são
de 0,6 a 1,1 mg/dL em indivíduos do sexo feminino e 0,7 a 1,3 mg/dL para indivíduos
do sexo masculino.
ASPECTOS ÉTICOS:
O projeto foi submetido e aprovado após análise do comitê de ética do Hospital
Universitário Professor Alberto Antunes - HUPAA/AL via plataforma Brasil. Os
participantes foram incluídos na pesquisa mediante assinatura do termo de
consentimento livre e esclarecido (TCLE) pelo próprio participante ou por seu
responsável legal caso necessário.
ANÁLISE ESTATÍSTICA:
As variáveis qualitativas foram expressas como contagem absoluta e
porcentagens, sendo comparadas através do teste do qui-quadrado ou teste exato de
Fisher. Todas as variáveis quantitativas foram avaliadas quanto a distribuição normal
através de teste de normalidade Shapiro-Wilk, análise de histogramas, gráficos Q-Q
e de medidas de dispersão. Dados normais foram então expressos como Média ±
Desvio Padrão (DP). Para comparação entre dois grupos independentes foram
31
usados os testes t de Student e teste de soma de postos de Wilcoxon. Para avaliar a
correlação entre as equações e outras variáveis contínuas, foi usada a correlação de
Pearson.
Foi feita a avaliação da performance em detectar TFGe <60mL/min pela
equação BIS 1, por parte das outras equações (CKD-EPI, Cockcroft-Gault e MDRD)
através de curvas ROC e calculada a área sob a curva ROC (AUC–ROC) com
respectivos intervalos de confiança de 95%. Dentre os vários cut-offs da curva ROC
de cada equação, foi usado o índice de Youden mais alto (Índice de Youden =
sensibilidade + especificidade – 1), para escolha do cut-off, sendo representado os
respectivos valores de sensibilidade e especificidade.
Além disso, foi feita uma análise de concordância entre as equações, usando o
método de Bland-Altman, onde foram calculadas as diferenças e médias entre os
valores da equação de BIS 1 vs Cockcroft-Gault; BIS 1 vs CKD-EPI; e BIS 1 vs MDRD.
Por fim, foram feitos gráficos de Bland-Altman com indicação da média das diferenças
e respectivo intervalo de confiança de 95%. Os dados foram analisados nos softwares
SPSS para Macintosh, versão 23 (Armonk, NY: IBM Corp.), GraphPad Prism, versão
6.01 e R (R Core Team, 2022). Para todos os testes foi considerado p<0,05 como
estatisticamente significativos.
RESULTADOS
No total, foram incluídos 98 participantes com idade média de 75 ± 5 anos, onde
49% eram do sexo feminino, sendo que 4,1% eram afrodescendentes. Com relação a
presença de comorbidades, foi observado que 53,1% apresentavam hipertensão
arterial sistêmica, 16,3% eram portadores de diabetes mellitus, seguido de doença
renal crônica (DRC) com 10,2% da amostra, além de 3,1% com doença pulmonar
obstrutiva crônica e 2% com doença arterial coronariana (Tabela 1).
Com relação à taxa de filtração glomerular estimada (TFGe) por cada fórmula,
foi observado um valor médio de 58,11 ± 15,22 para a BIS 1; 56,86 ± 20,74 para
Cockcroft-Gault; 69,06 ± 20,77 para CKD-EPI e 71,25 ± 23,41 para MDRD (Tabela 1).
Avaliação das correlações entre as diferentes equações usadas para cálculo da
TFG estimada com a equação BIS 1 em idosos
Nas análises de correlação foi observado que a equação BIS 1 apresentou
correlação estatisticamente significativa com todas as outras fórmulas, sobretudo com
32
a fórmula CKD-EPI (r=0,925, p<0,001), seguido da correlação com a MDRD (r=0,878,
p<0,001) e por último pela Cockcroft-Gault (r=0,831, p<0,001). (Figura 1)
Avaliação da performance das diferentes equações usadas para cálculo da TFG
estimada em detectar TFG < 60 mL/min pela equação BIS 1 em idosos
Na análise da curva ROC usando como variável de estado a BIS 1 < 60 mL/min,
foi observado que a CKD-EPI teve a maior AUC-ROC (0,932 (0,874; 0,99), p<0,001),
com um cut-off de 73,9 apresentando uma sensibilidade de 90%, e especificidade de
92% (Figura 2). Já as demais equações aprestaram desempenho menor e muito
similar entre elas, sendo o cut-off para a Cockcroft-Gault de 57,8 mL/min (AUC-ROC
de 0,898 (0,827; 0,968), p<0,001), e para MDRD de 72 mL/min (AUC-ROC de 0,890
(0,818; 0,961), p<0,001).
Avaliação da concordância das diferentes equações usadas para cálculo da TFG
estimada com a equação BIS 1 em idosos
Na análise de concordância usando Bland-Altman, foi observado que a menor
média das diferenças observadas entre a BIS 1 foi para a equação de Cockcroft-Gault,
porém os limites de concordância foram bastante amplos (-1,249 (IC 95%: -24,22;
21,72)), indicando que a TFGe pela Cockcroft-Gault tem menor acurácia em diversas
faixas de valores de TFGe conforme o gráfico de Bland-Altman. Já a equação CKDEPI foi a que apresentou menor intervalo de confiança para a média das diferenças
(10,96 (-6,41; 28,32)), com limites de concordância menores, embora pareça ter
menor acurácia em valores acima de 50 mL/min, com a média das diferenças
chegando ao valor de 20 mL/min. A MDRD tem comportamento melhor que a
Cockcroft-Gault, mas com acurácia menor que CKD-EPI conforme demonstrado no
Bland-Altman, com valores de diferenças ainda maiores a partir de 50 mL/min. (Figura
3)
Avaliação multivariada usando a TFGe pela BIS 1 em idosos como variável
dependente
Também foi avaliada a relação independente de comorbidades e das diferentes
equações usadas para calcular a TFGe com a TFGe pela BIS 1 em idosos.
Considerando a BIS 1 como evento dependente contínuo, foi observado que após o
ajuste multivariado, apenas a equação CKD-EPI permaneceu associado de maneira
33
independente a BIS 1 <60 mL/min (Odds ratio= 0,570 (IC 95%: 0,400 – 0,740),
p=0,005) sendo a fórmula de maior destaque quanto a sua associação com a BIS 1,
onde mesmo após ajuste com sexo, comorbidades e com as demais equações,
permaneceu associada de maneira independente. (Tabela 2)
DISCUSSÃO
A escolha da fórmula BIS1 para realização deste estudo se pauta nas
crescentes evidências de sua superioridade na mensuração da TFG em idosos ao
redor do mundo, como o evidenciado em uma recente metanálise publicada em
novembro de 2023 por YAO MA, et al. que demonstrou que entre as equações
baseadas em creatinina, a BIS1 e a Full Age Spectrum – creatinina (FAS Cr) tiveram
melhor desempenho que o CKD-EPI Cr em idosos associados à atenção primária à
saúde. Entretanto, estes são dados europeus e asiáticos majoritariamente, ainda não
sendo possível validar tais achados para nossa população.8
A média de idade dos participantes do nosso estudo foi de 75 ± 5 anos, sendo
compatível com o estudo original de SCHAEFFNER et al, 2012, para validação da
fórmula BIS 1, que revelou uma média de 78,5 anos. Em relação as comorbidades
apresentadas, chama a atenção a alta prevalência de indivíduos portadores de
hipertensão arterial sistêmica em ambos os estudos (57,81% versus 76,1% no estudo
original), sendo esta uma comorbidade extremamente prevalente em nosso meio,
chegando a afetar cerca de 30% da população mundial, levando a um maior risco de
desenvolvimento e agravo da DRC em seus portadores.6,12
Quanto as características antropométricas dos participantes, também
encontramos correlação semelhante ao estudo original, com uma média encontrada
para o IMC da população estudada de 26,98 Kg/m², o que os classifica como idoso
eutróficos (SISVAN, 2004), sendo que no estudo original 72,1% dos participantes
também tinham IMC < 30 Kg/m².6
Também avaliamos a circunferência de panturrilha (CP), por se tratar de um
marcador indireto de risco para sarcopenia, que poderia potencialmente influenciar
nos níveis séricos de creatinina. Neste parâmetro, obtivemos uma média de CP de
33,7 cm, se traduzindo em valores considerados dentro da normalidade tanto para
homens quanto para mulheres, o que consideramos ser um dado positivo do estudo
dada a sabida influência da massa muscular esquelética nos níveis séricos de
creatinina.13
34
Ao analisar as médias da taxa de filtração glomerular pelas diferentes equações
estudadas, vimos que os maiores valores foram encontrados a partir da fórmula
MDRD (71,25 mL/min ± 23,41) e os menores valores para a mesma população a partir
da equação de Cockroft-Gault (56,86 mL/min ± 20,74). A diferença entre as médias
destas duas equações se torna clinicamente significativa a medida em que há uma
mudança de estágio dentro da classificação de doença renal crônica, o que pode
acarretar condutas preventivas e terapêuticas diferentes adotadas a uma mesma
população de idosos, a depender da equação utilizada para fins de cálculo da TFG,
trazendo consequências muitas vezes irreversíveis.
Quando analisamos o grupo portador de Diabetes Mellitus, vemos uma
prevalência
baixa
desta
comorbidades
(aproximadamente
1,63%)
quando
comparamos com as taxas de prevalência no Brasil, que em 2020 chegou a 27,46%. 14
Ainda assim, vimos que esta variável foi a única que mostrou significância estatística
com p = 0,012 e também obteve um poder de efeito moderado a alta com um valor de
d de Cohen 0.726 (0.150 – 1.303), mostrando a alta correlação entre esta
comorbidade e a alteração nas taxas de filtração glomerular da amostra estudada.
Quando avaliado apenas a correlação entre as fórmulas estudadas e a equação
de BIS 1, vimos uma boa correlação entre todas elas, mas especialmente com a
fórmula de CKD-EPI (r = ,925). Sendo a pior correlação de Pearson encontrada entre
as fórmulas BIS 1 e Cockroft Gault.
Na avaliação de performance das diferentes equações para a detecção de uma
TFG < 60ml/min pela equação BIS 1 em idosos observamos que a equação CKD-EPI
teve a maior AUC-ROC, apresentando alta sensibilidade e especificidade esta análise.
Optamos por utilizar o cut-off de 60 mL/min por se tratar de indivíduos com
classificação G3 de doença renal crônica, sendo este um valor que consideramos
crítico tanto para o encaminhamento dos indivíduos ao serviço especializado de
nefrologia, quanto para maior atenção dos profissionais de saúde em relação a
possíveis efeitos adversos de medicamentos, bem como consequências a longo prazo
relacionados com a doença renal crônica. Já as demais equações apresentaram
desempenho menor e muito similar entre elas.
Foi feita então regressão logística usando como variável dependente BIS 1 <60
mL/min. Sendo observado que após o ajuste multivariado, apenas a equação CKDEPI permaneceu associado de maneira independente a BIS 1 <60 mL/min (Odds
ratio= 1,114 (IC 95%: 1,032 – 1,202), p=0,005).
35
Um ponto que consideramos positivo do presente estudo se pauta no fato de
que os idosos se constituem uma população classicamente excluída dos grandes
estudos clínicos devido em parte ao seu alto índice de comorbidades e peculiaridades
inerentes ao próprio envelhecimento. Estudos de validação para as principais
equações que visam calcular a taxa de filtração glomerular não fogem a esta regra.
Em contrapartida, há um crescimento exponencial desta parcela da população,
havendo uma necessidade urgente em direcionar o olhar científico a este grupo etário,
buscando melhorar cada vez mais as ferramentas diagnósticas e terapêuticas
necessárias ao melhor cuidado com a pessoa idosa. No presente estudo, a média de
idade da população foi de 75 anos, o que corrobora e agrega com a construção de
evidência cientifica neste grupo populacional.
CONCLUSÃO
Apesar de não ser possível apontar superioridade entre as equações, a
fórmula CKD-EPI já é amplamente utilizada e recomendada em nosso meio e mostrou
ter boa correlação e concordância com a fórmula BIS 1, tendo sido esta desenvolvida
e validada para a população idosa acima de 70 anos de idade, se tornando uma
possibilidade de uso até que novas evidências em relação ao melhor método de
cálculo para a TFG em idosos venham a luz.
Novos estudos de validação são necessários para se avaliar com precisão a
validade e superioridade da fórmula BIS 1 na nossa população.
36
Tabela 1 - Características clínicas e taxa de filtração
Grupo total (n=98)
glomerular estimada por diferentes equações em idosos.
Idade, anos
75 ± 5
Sexo
Feminino
48 (49)
Masculino
50 (51)
Afrodescendente
Não
86 (87,8)
Sim
4 (4,1)
Sem registro
8 (8,2)
Hipertensão arterial sistêmica
Não
21 (21,4)
Sim
52 (53,1)
Sem registro
25 (25,5)
Diabetes
Não
57 (58,2)
Sim
16 (16,3)
Sem registro
25 (25,5)
Doença pulmonar obstrutiva crônica
Não
67 (68,4)
Sim
3 (3,1)
Sem registro
28 (28,6)
Doença renal crônica
Não
63 (64,3)
Sim
10 (10,2)
Sem registro
25 (25,5)
Doença arterial coronariana
Não
71 (72,4)
Sim
2 (2)
Sem registro
25 (25,5)
Circunferência Panturrilha (cm)
33,70 ± 3,50
37
IMC (Kg/m2)
26,98 ± 4,81
Creatinina (mg/dL)
1,09 ± 0,46
CKD-EPI (mL/min)
69,06 ± 20,77
Cockcroft-Gault (mL/min)
56,86 ± 20,74
MDRD (mL/min)
71,25 ± 23,41
BIS 1 (mL/min)
58,11 ± 15,22
Dados categóricos expressos como contagem absoluta e porcentagens entre parêntesis. Dados quantitativos
expressos como média ± desvio padrão.
Figura 1 - Gráfico de calor representando as correlações observadas entre as equações
para cálculo da taxa de filtração glomerular estimada.
38
Figura 2 - Curva ROC representando a performance das diferentes equações para
detectar valores de BIS 1 ≤ 60 mL/min.
39
Figura 3. Gráfico de Bland-Altman apresentando a concordância entre a BIS 1 com a equação
de Cockcroft-Gault, CKD-EPI e MDRD para estimar a Taxa de Filtração Glomerular em
indivíduos idosos. (A) BIS 1/CKD-EPI (B) BIS 1/Cockcroft-Gault (C) BIS 1/MDRD.
*Tracejado em negrito representando a média das diferenças e pontilhado representando o
intervalo de confiança de 95% dessa média.
40
Tabela 2 - Regressão linear com desfecho BIS 1 contínuo. *Foi utilizado o
método de regressão linear para a seleção das melhores variáveis para explicar o
BIS. IC – Intervalo de Confiança.
BIS 1
n
média ± desvio
Sexo
Feminino
Masculino
Afrodescendente
Não
Sim
Hipertensão arterial sistêmica
Não
Sim
Diabetes
Não
Sim
Doença pulmonar obstrutiva
crônica
Não
Sim
Doença renal crônica
Não
Sim
Doença arterial coronariana
Não
Sim
48
50
86
4
21
52
57
16
67
3
63
10
71
2
d de Cohen
p
0.202 (-0.253 – 0.657)
0,377
0.295 (-1.320 – 0.729)
0,567
0.025 (-0.490 – 0.541)
0,922
0.726 (0.150 – 1.303)
0,012
0.441 (-0.738 – 1.621)
-
1.878 (1.132 – 2.624)
<0,001
1.173 (-0.269 – 2.616)
-
59,67 ± 15,71
56,59 ± 14,76
57,81 ± 15,5
62,35 ± 12,02
58,2 ± 14,95
57,81 ± 15,9
60,3 ± 14,46
49,43 ± 16,69
58,6 ± 15,69
51,67 ± 16,26
61,29 ± 13,59
36,71 ± 8,89
58,41 ± 15,44
40,4 ± 6,51
41
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
1. CAI, Yusheng; WEI, Song; LI, Jiaming; JING, Ying; LIANG, Chuqian; ZHANG,
Liyuan; ZHANG, Xia; ZHANG, Wenhui; LIU, Beibei; AN, Yongpan; LI, Jingyi;
TANG, Baixue; PEI, Siyu; WU, Xueying; LIU, Yuxuan; ZHUANG, Cheng-Le;
YING, Yilin; DOU, Xuefeng; CHEN, Yu; XIAO, Fu-Hui; LI, Dingfeng; YANG,
Ruici; ZHAO, Ya; WANG, Yang; WANG, Lihui; LI, Yujing; MA, Shuai; WANG,
Si; SONG, Xiaoyuan; REN, Jie; ZHANG, Liang; WANG, Jun; ZHANG, Weiqi;
XIE, Zhengwei; QU, Jing; WANG, Jianwei; XIAO, Yichuan; TIAN, Ye; WANG,
Gelin; HU, Ping; YE, Jing; SUN, Yu; MAO, Zhiyong; KONG, Qing-Peng; LIU,
Qiang; ZOU, Weiguo; TIAN, Xiao-Li; XIAO, Zhi-Xiong; LIU, Yong; LIU, Jun-Ping;
SONG, Moshi; HAN, Jing-Dong J.; LIU, Guang-Hui. The landscape of aging.
Science China Life Sciences, v. 65, p. 2354–2454, 2022. DOI:
https://doi.org/10.1007/s11427-022-2161-3
2. ONU (United Nations Department of Economic and Social Affairs, Population
Division). World Population Prospects 2022: Summary of Results, 2022. UN
DESA/POP/2022/TR/NO.
3.
Disponível
em:
https://www.un.org/development/desa/pd/sites/www.un.org.development.desa.
pd/files/wpp2022_summary_of_results.pdf Acesso em 3 out. 2023.
3. ROMÃO JUNIOR, João Egidio. Doença Renal Crônica: definição,
epidemiologia e classificação. Jornal brasileiro de nefrologia, v. 26, n. 3, p.
1-3, set. 2004. Disponível em https://www.bjnephrology.org/article/doencarenal-cronica-definicao-epidemiologia-e-classificacao/. Acesso em 3 ou. 2023.
4. TONELLI, Marcello; RIELLA, Miguel. Chronic kidney disease and the aging
population. Brazilian journal of nephrology, v. 36, n. 1, p. 1–5, jan. 2014. DOI:
10.5935/0101-2800.20140001
5. YE, Xiaoshuang; WEI, Lu; PEI, Xiaohua; ZHU, Bei; WU, Jianqing; ZHAO,
Weihong. Application of creatinine- and/or cystatin C-based glomerular filtration
rate estimation equations in elderly Chinese. Clinical interventions in aging, v.
11, n. 9, p. 1539-49, set. 2014. DOI: 10.2147/CIA.S68801. PMID: 25246780;
PMCID: PMC4166349.
6. SCHAEFFNER, Elke; EBERT, Natália; DELANAYE, Pierre; FREI, Ulrico;
GAEDEKE, Jens; JACOB, Olga; KUHLMANN, Martin K.; SCHUCHARDT,
Mirjam; TOLLE, Markus; ZIEBIG, Reinhard; VAN DER GIET, Markus;
MARTUS, Pedro. Two novel equations to estimate kidney function in persons
aged 70 years or older. Annals of internal medicine, v. 157, n. 7, p. 471-81,
out. 2012. DOI: 10.7326/0003-4819-157-7-201210020-00003. Disponível em:
https://www.acpjournals.org/journal/aim. Acesso em: 6 set. 2021.
42
7. FERNANDES, Natália Maria da Silva; FERNANDES, Neimar; MAGACHO,
Edson, José de Carvalho; BASTOS, Marcus Gomes. Nomograma para a
estimativa da taxa de filtração glomerular em indivíduos idosos. Jornal
Brasileiro de Nefrologia, v. 37, n. 3, p. 379-381, set. 2015. DOI 10.5935/01012800.20150058. Disponível em: https://www.bjnephrology.org/. Acesso em: 6
set. 2021.
8. YAO MA, Xue Shen, Zhenzhu Yong, Lu Wei, Weihong Zhao, Comparison of
glomerular filtration rate estimating equations in older adults: A systematic
review and meta-analysis, Archives of Gerontology and Geriatrics, Volume 114,
2023,
105107,
ISSN
0167-4943,
https://doi.org/10.1016/j.archger.2023.105107.
9. FARRINGTON, Ken; COVIC, Adrian; NISTOR, Ionut; AUCELLA, Filippo;
CLYNE, Naomi; DE VOS, Leen; FINDLAY, Andrew; FOUQUE, Denis;
GRODZICKI, Tomasz; IYASERE, Osasuyi; JAGER, Kitty J.; JOOSTEN,
Hanneke; MACÍAS, Juan Florêncio; MOONEY, Andrew; NAGLER, Evi;
NITSCH, Dorothea; TAAL, Maarten; TATTERSALL, James; STRYCKERS,
Marijke; ASSELT, Dieneke van; VAN DEN NOORTGATE, Nele; VAN BIESEN,
Wim. Clinical Practice Guideline on management of older patients with chronic
kidney disease stage 3b or higher (eGFR<45 mL/min/1.73 m2): a summary
document from the European Renal Best Practice Group. Nephrology,
dialysis, transplantation: oficial publication of the european Dialysis and
Transplant Association – European Renal Association, v. 32, n. 1, p. 9-16,
jan. 2017. DOI: 10.1093/ndt/gfw411
10. HIRAKATA, Vânia Naomi; CAMEY, Suzi Alves. Análise de Concordância entre
Métodos de Bland-Altman. Clinical & Biomedical Research, v. 29, n. 3, p.
261-268,
2009.
Disponível
em:
https://seer.ufrgs.br/index.php/hcpa/article/view/11727/7021. Acesso em: 3 out.
2023.
11. NORMA TÉCNICA DA VIGILÂNCIA ALIMENTAR E NUTRICIONAL – SISVAN,
2004.
Referência:
Atalah
et
al.
1997.
Disponível
em
http://tabnet.datasus.gov.br/cgiwin/SISVAN/CNV/notas_sisvan.html
Acesso
em 03/10/23.
12. LEITE, Larissa Parada et al. HIPERTENSÃO NA DOENÇA RENAL CRÔNICA
EM TRATAMENTO CONSERVADOR. Revista Brasileira de Hipertenão, [s.
l.], v. 27, p. 115-121, 2020. DOI http://dx.doi.org/10.47870/15197522/20202704115-21. Disponível em: http://departamentos.cardiol.br/sbcdha/profissional/revista/27-4/hipertensao-na-doenca-renal-cronica-revistahipertensao-27-n4.pdf. Acesso em: 6 fev. 2024.
43
13. MELLO FS, Waisberg J, Silva MLN. Calf circumference is associated with the
worst clinical outcome in elderly patients. Geriatr Gerontol Aging. 2016;10:8085
14. FRANCISCO, Priscila Maria Stolses Bergamo; ASSUMPÇÃO, Daniela de;
BACURAU, Aldiane Gomes de Macedo; SILVA, Diego Salvador Muniz da;
YASSUDA, Mônica Sanches; BORIM, Flávia, Silva Arbex. Diabetes mellitus em
idosos, prevalência e incidência: resultados do Estudo Fibra. Revista
Brasileira de Geriatria e Gerontologia, v. 25, n. 5, p. e210203, 2022. DOI:
https://doi.org/10.1590/1981-22562022025.210203.pt
44
6 CONCLUSÃO
Apesar de não ser possível apontar superioridade entre as equações, a fórmula CKDEPI já é amplamente utilizada e recomendada em nosso meio e mostrou ter boa correlação e
concordância com a fórmula BIS 1, tendo sido esta desenvolvida e validada para a população
idosa acima de 70 anos de idade, se tornando uma possibilidade de uso até que novas evidências
em relação ao melhor método de cálculo para a TFG em idosos venham a luz.
Novos estudos de validação são necessários para se avaliar com precisão a validade e
superioridade da fórmula BIS 1 na nossa população.
45
7 LIMITAÇÕES E PERSPECTIVAS
- Por se tratar de amostra única de creatinina os participantes com TFG < 60 ml/min não
necessariamente podem ser considerados portadores de DRC, já que é necessária a confirmação
de cronicidade do quadro.
- A cistatina C apesar de ser um parâmetro mais fidedigno para mensuração da TFG em idosos,
não foi utilizada neste estudo por questões de inviabilidade financeira, sendo a creatinina
escolhida por ser amplamente disponível nos mais diversos cenários clínicos atuais.
- O uso do método de Jaffé para dosagem de creatinina se deu por padronização do laboratório
envolvido na pesquisa, sendo este o teste mais utilizado em nosso meio pelo baixo custo e
rapidez em sua análise, mas sabe-se que existem fragilidades em tal método, apresentando
interferentes positivos e negativos que podem superestimar, no caso dos primeiros, ou
subestimar os valores finais de creatinina. Tais efeitos são minimizados através de métodos de
calibração. Estudos posteriores utilizando o método de Espectrometria de Massa com Diluição
Isotópica (IDMS) devem ser favorecidos.
- As equações de estimativa não podem ser usadas de forma confiável em pacientes com
alterações agudas na função renal, fato que foi excluído do nosso trabalho apenas por dados de
prontuário.
- Não foi possível aferir superioridade de nenhuma das equações a partir do nosso estudo, por
não ter sido comparado a TFG mensurada por padrão ouro, o que torna mais estudos
prospectivos necessários visando a comparação das diferentes fórmulas de cálculo de depuração
de creatinina e a validação delas na nossa população.
- A amostra foi caracterizada por indivíduos idosos com média de 75 anos, não
afrodescendentes, predominantemente eutróficos, com valores de circunferência de panturrilha
dentro dos parâmetros considerados normais, não se sabendo se os dados encontrados podem
ser extrapolados para outras populações.
- Espera-se que com essa primeira análise exista a possibilidade de abrir caminho para uma
avaliação mais crítica e acurada da função renal em idosos, buscando estabelecer qual a equação
ideal nessa população e posteriormente validando a equação de BIS-1 para nossa população
estudada.
- Para o futuro, tem-se visto que diversos estudos com o uso de modelos de inteligência artificial
na área da saúde vêm sendo relatados em todo o mundo, inclusive buscando auxiliar na redução
das limitações das fórmulas atualmente disponíveis para o cálculo da TFG em idosos e não-
46
idosos, sendo uma perspectiva de melhora na detecção precoce de pacientes com DRC,
carecendo ainda de maior validação externa. (JIANG, S., Li, Y., Jiao, Y. et al.
REFERÊNCIAS
1. ABREU, Patricia Ferreira; SESSO, Ricardo de Castro Cintra; RAMOS, Luiz Roberto.
Aspectos renais no idoso. Jornal Brasileiro de Nefrologia, v. 20, n. 2, p. 158-65,
1998. Disponível em: https://bjnephrology.org/wpcontent/uploads/2019/12/jbn_v20n2a07.pdf Acesso em: 3 out. 2023.
2. ALFANO, Gaetano; PERRONE, Rossella; FONTANA, Francisco; LIGABUÉ, Giulia;
GIOVANELLA, Sílvia; FERRARI, Anachiara; GREGORINI, Mariacristina;
CAPELLI, Gianni; MAGISTRONI, Ricardo; DONATI, Gabriele. Rethinking Chronic
Kidney Disease in the Aging Population. Life, v. 12, n. 11, p. 1724, 2022. Disponível
em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC9699322/ Acesso em 3 out. 2023
3. CAI, Yusheng; WEI, Song; LI, Jiaming; JING, Ying; LIANG, Chuqian; ZHANG,
Liyuan; ZHANG, Xia; ZHANG, Wenhui; LIU, Beibei; AN, Yongpan; LI, Jingyi;
TANG, Baixue; PEI, Siyu; WU, Xueying; LIU, Yuxuan; ZHUANG, Cheng-Le;
YING, Yilin; DOU, Xuefeng; CHEN, Yu; XIAO, Fu-Hui; LI, Dingfeng; YANG,
Ruici; ZHAO, Ya; WANG, Yang; WANG, Lihui; LI, Yujing; MA, Shuai; WANG, Si;
SONG, Xiaoyuan; REN, Jie; ZHANG, Liang; WANG, Jun; ZHANG, Weiqi; XIE,
Zhengwei; QU, Jing; WANG, Jianwei; XIAO, Yichuan; TIAN, Ye; WANG, Gelin;
HU, Ping; YE, Jing; SUN, Yu; MAO, Zhiyong; KONG, Qing-Peng; LIU, Qiang;
ZOU, Weiguo; TIAN, Xiao-Li; XIAO, Zhi-Xiong; LIU, Yong; LIU, Jun-Ping; SONG,
Moshi; HAN, Jing-Dong J.; LIU, Guang-Hui. The landscape of aging. Science China
Life Sciences, v. 65, p. 2354–2454, 2022. DOI: https://doi.org/10.1007/s11427-0222161-3
4. CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION. Chronic Kidney
Disease in the United States. Centers for Disease Control and Prevention, 2021. US
Department of Health and Human Services.
5. DENIC, Aleksandar; GLASSOCK, Richard J.; RULE Andrew D. Structural and
Functional Changes With the Aging Kidney. Advances Chronic Kidney Disease, v.
23, n. 1, p. 19-28, jan. 2016. DOI: 10.1053/j.ackd.2015.08.004.
6. FAN L, Levey AS, Gudnason V, Eiriksdottir G, Andresdottir MB, Gudmundsdottir H,
Indridason OS, Palsson R, Mitchell G, Inker LA. Comparing GFR Estimating
Equations Using Cystatin C and Creatinine in Elderly Individuals. J Am Soc Nephrol.
2015 Aug;26(8):1982-9. doi: 10.1681/ASN.2014060607. Epub 2014 Dec 19. Erratum
in: J Am Soc Nephrol. 2016 Sep;27(9):2917. PMID: 25527647; PMCID:
PMC4520174.
7. FARRINGTON, Ken; COVIC, Adrian; NISTOR, Ionut; AUCELLA, Filippo;
CLYNE, Naomi; DE VOS, Leen; FINDLAY, Andrew; FOUQUE, Denis;
GRODZICKI, Tomasz; IYASERE, Osasuyi; JAGER, Kitty J.; JOOSTEN, Hanneke;
MACÍAS, Juan Florêncio; MOONEY, Andrew; NAGLER, Evi; NITSCH, Dorothea;
47
TAAL, Maarten; TATTERSALL, James; STRYCKERS, Marijke; ASSELT, Dieneke
van; VAN DEN NOORTGATE, Nele; VAN BIESEN, Wim. Clinical Practice
Guideline on management of older patients with chronic kidney disease stage 3b or
higher (eGFR<45 mL/min/1.73 m2): a summary document from the European Renal
Best Practice Group. Nephrology, dialysis, transplantation: oficial publication of
the european Dialysis and Transplant Association – European Renal Association,
v. 32, n. 1, p. 9-16, jan. 2017. DOI: 10.1093/ndt/gfw411
8. FERNANDES, Natália Maria da Silva; FERNANDES, Neimar; MAGACHO, Edson,
José de Carvalho; BASTOS, Marcus Gomes. Nomograma para a estimativa da taxa de
filtração glomerular em indivíduos idosos. Jornal Brasileiro de Nefrologia, v. 37, n.
3, p. 379-381, set. 2015. DOI 10.5935/0101-2800.20150058. Disponível em:
https://www.bjnephrology.org/. Acesso em: 6 set. 2021.
9. FRANCISCO, Priscila Maria Stolses Bergamo; ASSUMPÇÃO, Daniela de;
BACURAU, Aldiane Gomes de Macedo; SILVA, Diego Salvador Muniz da;
YASSUDA, Mônica Sanches; BORIM, Flávia, Silva Arbex. Diabetes mellitus em
idosos, prevalência e incidência: resultados do Estudo Fibra. Revista Brasileira de
Geriatria e Gerontologia, v. 25, n. 5, p. e210203, 2022. DOI:
https://doi.org/10.1590/1981-22562022025.210203.pt
10. GALLO, Paolo; DE VICENTIS, Antonio; PEDONE, Claudio; NOBILI, Alessandro;
TETTAMANTI, Mauro; GENTILUCCI, Umberto Vespasiani; PICARDI, Antonio;
MANNUCCI, Pier Mannuccio; INCALZI, Raffaele Antonelli; REPOSI Investigators.
Prognostic relevance of glomerular filtrartion rate estimation obtained through
diferente equations in hospitalized elderly patients. European Journal of Internal
Medicine, v. 54, p. 60-64, aug. 2018. DOI: https://doi.org/10.1016/j.ejim.2018.04.001
11. GLASSOCK, Richard J.; DENIC, Aleksandar; RULE Andrew D. When kidneys get
old: an essay on nephro-geriatrics. Jornal Brasileiro de Nefrologia, v. 39, n. 1, p. 5964, jan-mar. 2017. DOI: 10.5935/0101-2800.20170010.
12. HIRAKATA, Vânia Naomi; CAMEY, Suzi Alves. Análise de Concordância entre
Métodos de Bland-Altman. Clinical & Biomedical Research, v. 29, n. 3, p. 261-268,
2009. Disponível em: https://seer.ufrgs.br/index.php/hcpa/article/view/11727/7021.
Acesso em: 3 out. 2023.
13. JIANG, S., Li, Y., Jiao, Y. et al. Uma abordagem de rede neural de retropropagação
para estimar a taxa de filtração glomerular em uma população idosa. BMC Geriatr 23 ,
322 (2023). https://doi.org/10.1186/s12877-023-04027-5
14. Kidney Disease: Improving Global Outcomes (KDIGO) CKD Work Group. KDIGO
2012 clinical practice guideline for the evaluation and management of chronic kidney
disease. Kidney international supplements, 2013, v.3, p. 1-150.
15. KIRSZTAJN, Gianna Mastroianni. Avaliação de Função Renal. Braz. J. Nephrol., v.
31, n. 1 suppl. 1, p. 14-20, mar. 2009. https://bjnephrology.org/wp
content/uploads/2019/11/jbn_v31n1s1a04.pdf
48
16. LEITE, Larissa Parada et al. HIPERTENSÃO NA DOENÇA RENAL CRÔNICA EM
TRATAMENTO CONSERVADOR. Revista Brasileira de Hipertenão, [s. l.], v. 27,
p. 115-121, 2020. DOI http://dx.doi.org/10.47870/1519-7522/20202704115-21.
Disponível em: http://departamentos.cardiol.br/sbc-dha/profissional/revista/274/hipertensao-na-doenca-renal-cronica-revista-hipertensao-27-n4.pdf. Acesso em: 6
fev. 2024.
17. LENGNAN, Xu; AIQUN, Chen; YING, Sol; BAO, Li Chuan; YONGHUI, Mao. The
effects of aging on the renal function of a healthy population in Beijing and an
evaluation of a range of estimation equations for glomerular filtration rate. Aging, v.
13, n. 5, p. 6904-6917, fev. 2021. DOI: 10.18632/aging.202548 .
18. LUYCKX, Valerie; TONELLI, Marcello; STANIFER, John W. The global burden of
kidney disease and the sustainable development goals. Bulletin of the World Health
Organization, v. 96, n. 6, p. 414-422D, jun. 2018. DOI: 10.2471/BLT.17.206441.
19. MELLO FS, Waisberg J, Silva MLN. Calf circumference is associated with the worst
clinical outcome in elderly patients. Geriatr Gerontol Aging. 2016;10:80-85
20. MINUTOLO, Roberto; BORELLI, Silvio; DE NICOLA, Luca. CKD in the elderly:
kidney senescence or blood pressure-related nephropathy?. American journal of
kidney diseases: the oficial journal of the National Kidney Foundation, v. 66, n. 2,
p. 184-186, ago. 2015. DOI: 10.1053/j.ajkd.2015.05.004
21. NORMA TÉCNICA DA VIGILÂNCIA ALIMENTAR E NUTRICIONAL –
SISVAN, 2004. Referência: Atalah et al. 1997. Disponível em
http://tabnet.datasus.gov.br/cgiwin/SISVAN/CNV/notas_sisvan.html Acesso em
03/10/23.
22. ONU (United Nations Department of Economic and Social Affairs, Population
Division). World Population Prospects 2022: Summary of Results, 2022. UN
DESA/POP/2022/TR/NO. 3. Disponível em:
https://www.un.org/development/desa/pd/sites/www.un.org.development.desa.pd/files
/wpp2022_summary_of_results.pdf Acesso em 3 out. 2023.
23. PÉQUIGNOT, Renaud; BELMIN, Joël; CHAUVELIER, Sophie; GAUBERT, JeanYves; KONRAT, Cécile; DURON, Emmanuelle; HANON, Olivier. Renal function in
older hospital patients is more accurately estimated using the Cockcroft-Gault formula
than the modification diet in renal disease formula. Journal of the American
Geriatrics Society, v. 57, n. 9, p. 1638-1643, set. 2009. DOI 10.1111/j.15325415.2009.02385. Disponível em: https://agsjournals.onlinelibrary.wiley.com. Acesso
em: 19 ago. 2021.
24. PEREIRA, Silvia. Fisiologia do envelhecimento. In: FREITAS, Elizabete; PY, Ligia.
Tratado de Geriatria e Gerontologia. 4. ed. [S. Guanabara Koogan, cap. 14, p. 383414, 2017.
25. R Core Team (2021). R: A language and environment for statistical computing. R
Foundation for Statistical Computing, Vienna, Austria. URL https://www.Rproject.org/.
49
26. ROMÃO JUNIOR, João Egidio. Doença Renal Crônica: definição, epidemiologia e
classificação. Jornal brasileiro de nefrologia, v. 26, n. 3, p. 1-3, set. 2004.
Disponível em https://www.bjnephrology.org/article/doenca-renal-cronica-definicaoepidemiologia-e-classificacao/ . Acesso em 3 ou. 2023.
27. SCHAEFFNER, Elke; EBERT, Natália; DELANAYE, Pierre; FREI, Ulrico;
GAEDEKE, Jens; JACOB, Olga; KUHLMANN, Martin K.; SCHUCHARDT,
Mirjam; TOLLE, Markus; ZIEBIG, Reinhard; VAN DER GIET, Markus; MARTUS,
Pedro. Two novel equations to estimate kidney function in persons aged 70 years or
older. Annals of internal medicine, v. 157, n. 7, p. 471-81, out. 2012. DOI:
10.7326/0003-4819-157-7-201210020-00003. Disponível em:
https://www.acpjournals.org/journal/aim. Acesso em: 6 set. 2021.
28. STEVENS, Lesley E.; CORESH, Josef; FELDMAN, Haroldo I.; GREENE, Tom;
LASH, James P.; NELSON, Roberto G.; RAHMAN, Mahboob; DEYSHER, Amy E.;
ZHANG, Yaping Lucy; SCHMID, Christopher H; LEVEY, Andrew S. Evaluation of
the modification of diet in renal disease study equation in a large diverse population.
Journal of the American Society of Nephrology: JASN, v. 18, n. 10, p. 2749-57,
out. 2007. DOI: 10.1681/ASN.2007020199.
29. TONELLI, Marcello; RIELLA, Miguel. Chronic kidney disease and the aging
population. Brazilian journal of nephrology, v. 36, n. 1, p. 1–5, jan. 2014. DOI:
10.5935/0101-2800.20140001
30. VAN DEN BRAND, Jan A. J. G.; VAN BOEKEL, Gerben A. J.; WILLEMS, Hans
L.; KIEMENEY, Lambertus A. L. M.; HEIJER, Martin den; WETZELS, Jack, F. M.
Introduction of the CKD-EPI equation to estimate glomerular filtration rate in a
Caucasian population. Nephrology, dialysis, transplantation: oficial puplication of
the European Dialysis and Transplant Association – European Renal Association,
v. 26, n. 10, p. 3176-81, out. 2011. DOI: 10.1093/ndt/gfr003.
31. XIA, Fangxiao; HAO, Wenke; LIANG, Jinxiu; WU, Yanhua; YU, Feng; HU,
Wenxue; ZHAO, Zhi; LIU, Wei. Applicability of creatinine-based equations for
estimating glomerular filtration rate in elderly Chinese patients. BMC geriatrics,
2021, v. 21, n. 1, p. 481. DOI: 10.1186/s12877-021-02428-y
32. YAO MA, Xue Shen, Zhenzhu Yong, Lu Wei, Weihong Zhao, Comparison of
glomerular filtration rate estimating equations in older adults: A systematic review and
meta-analysis, Archives of Gerontology and Geriatrics, Volume 114, 2023, 105107,
ISSN 0167-4943, https://doi.org/10.1016/j.archger.2023.105107.
33. YE, Xiaoshuang; WEI, Lu; PEI, Xiaohua; ZHU, Bei; WU, Jianqing; ZHAO,
Weihong. Application of creatinine- and/or cystatin C-based glomerular filtration rate
estimation equations in elderly Chinese. Clinical interventions in aging, v. 11, n. 9, p.
1539-49, set. 2014. DOI: 10.2147/CIA.S68801. PMID: 25246780; PMCID:
PMC4166349.
50
APÊNDICES
APÊNDICE A – Termo de Consentimento Livre e Esclarecido
Você está sendo convidado (a) a participar do projeto de pesquisa AVALIAÇÃO DA
EQUAÇÃO DO BERLIN INITIATIVE STUDY (BIS 1) PARA ESTIMAR A TAXA DE
FILTRAÇÃO GLOMERULAR EM IDOSOS dos pesquisadores Ana Carolina Abreu
Machado, Michelle Jacintha Cavalcante Oliveira, Jorge Arthur Peçanha de Miranda Coelho,
David Costa Buarque e Matheus Monteiro de Luna Barros. A seguir, as informações do projeto
de pesquisa com relação a sua participação neste projeto:
1. O estudo se destina a: Avaliar a concordância da equação BIS 1 com demais utilizadas para
estimar a taxa de filtração glomerular em idosos atendidos no Hospital Universitário Professor
Alberto Antunes.
2. A importância deste estudo é a de avaliar o desempenho de uma ferramenta simples e
fidedigna para estimar a função renal nos idosos da nossa população, ajudando na tomada de
decisões clínicas que dependem deste dado, proporcionando uma melhor assistência a essa
população.
3. Os resultados que se desejam alcançar são os seguintes: Espera-se que a fórmula BIS 1 tenha
boa concordância com as demais na população estudada, a fim de dispor de uma ferramenta
simples, de baixo custo e fidedigna para avaliação da taxa de filtração glomerular em idosos.
4. A coleta de dados começará em agosto de 2022 e terminará em novembro de 2022.
5. O estudo será feito da seguinte maneira: Durante sua coleta de exames de sangue de rotina
no laboratório do Hospital Universitário Professor Alberto Antunes iremos explicar a finalidade
do estudo e caso concorde, após assinar este termo, iremos coletar seus dados de peso, altura
corporal e circunferência da sua panturrilha, além de ter acesso ao seu prontuário médico e
resultado do exame de creatinina coletado, a fim de dispor das informações clínicas necessárias
à execução da pesquisa. Com estes resultados iremos realizar o cálculo da taxa de filtração
glomerular por diferentes fórmulas para avaliar a concordância entre elas e qual seria a ideal
para utilização em idosos, relacionando também com as outras variáveis coletadas como peso,
altura, IMC e possíveis doenças crônicas preexistentes.
51
6. A sua participação será nas seguintes etapas: Você participará da pesquisa fornecendo
consentimento para que tenhamos acesso a sua dosagem de creatinina coletada no dia da
pesquisa e seu prontuário médico, tendo ainda seu peso, altura e circunferência de panturrilha
avaliados durante este mesmo momento.
7. Os incômodos e possíveis riscos à sua saúde física e/ou mental são: Há o incômodo de
responder a entrevista e ter seus dados antropométricos medidos em público, que será
minimizado pela coleta em sala reservada com profissionais de saúde presentes e habilitados
para tal. Existe o desconforto relacionado à coleta de sangue, que será minimizado utilizando
sua dosagem bioquímica de rotina, coletada por profissional experiente do laboratório. Há
também o risco de invasão de privacidade e vazamento de dados que será minimizado pelo
compromisso de total sigilo e correto armazenamento dos dados por parte de todos os
pesquisadores envolvidos.
8. Os benefícios esperados com a sua participação no projeto de pesquisa, mesmo que não
diretamente são: Com esta pesquisa iremos estudar, avaliar e propor métodos alternativos, mais
simples e fidedignos para avaliação da função renal em idosos, minimizando problemas
relacionados à mensuração incorreta da taxa de filtração glomerular nesta população que variam
desde uso correto de doses de medicamentos, indicação correta de exames invasivos e
contrastados e correto diagnóstico de doenças relacionados ao mal funcionamento do rim, além
de contribuir para o desenvolvimento científico na área de pesquisa.
9. Você poderá contar com a seguinte assistência: Para alívio de desconforto que você sentir
relacionado à pesquisa, sendo responsável (is) por ela: Ana Carolina Abreu Machado ou
Matheus Monteiro de Luna Barros.
10. Você será informado (a) do resultado final do projeto e sempre que desejar, serão fornecidos
esclarecimentos sobre cada uma das etapas do estudo.
11. A qualquer momento, você poderá recusar a continuar participando do estudo e, também,
poderá retirar seu consentimento, sem que isso lhe traga qualquer penalidade ou prejuízo.
12. As informações conseguidas através da sua participação não permitirão a identificação da
sua pessoa, exceto para a equipe de pesquisa, e que a divulgação das mencionadas informações
só será feita entre os profissionais estudiosos do assunto após a sua autorização.
13. O estudo não acarretará nenhuma despesa para você.
52
14. Você será indenizado(a) por qualquer dano que venha a sofrer com a sua participação na
pesquisa (nexo causal).
15. Você receberá uma via do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido assinado por todos.
16. Se você tiver dúvidas sobre seus direitos como participante de pesquisa, você pode contatar
o Comitê de Ética em Pesquisa em Seres Humanos (CEP) da UFAL, pelo telefone: (82) 32141041. O CEP trata-se de um grupo de indivíduos com conhecimentos científicos que realizam
a revisão ética inicial e continuada do estudo de pesquisa para mantê-lo seguro e proteger os
seus direitos.
Eu
................................................................................................................................,
tendo
compreendido perfeitamente tudo o que me foi informado sobre a minha participação no
mencionado estudo e estando consciente dos meus direitos, das minhas responsabilidades, dos
riscos e dos benefícios que a minha participação implicam, concordo em dele participar e para
isso eu DOU O MEU CONSENTIMENTO SEM QUE PARA ISSO EU TENHA SIDO
FORÇADO OU OBRIGADO.
Endereço da equipe da pesquisa (OBRIGATÓRIO):
Instituição: Programa de Pós-Graduação em Ciências Médicas da Universidade Federal
de Alagoas - UFAL
Endereço: Av. Lourival Melo Mota, S/N. Tabuleiro dos Martins.
Complemento: Faculdade de Medicina - FAMED
Cidade/CEP: Maceió / CEP: 57072-900
Telefone: (82) 3214-1858
Ponto de referência: Universidade Federal de Alagoas - UFAL
53
Contato de urgência: Sr(a). Ana Carolina Abreu Machado
Endereço: Rua Deputado José Lages, número 113, edf. ABAIBA, Ponta Verde
Complemento: apto 501
Cidade/CEP: Maceió – Alagoas / 57035330
Telefone: (82) 99646-4083
Ponto de referência: próximo a academia selfit
ATENÇÃO: O Comitê de Ética da UFAL analisou e aprovou este projeto de pesquisa. Para
obter mais informações a respeito deste projeto de pesquisa, informar ocorrências irregulares
ou danosas durante a sua participação no estudo, dirija-se ao:
Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Alagoas
Prédio do Centro de Interesse Comunitário (CIC), térreo, Campus A. C. Simões,
Cidade Universitária
Telefone: 3214-1041 – Horário de Atendimento: das 8:00 as 12:00hs.
E-mail: comitedeeticaufal@gmail.com
Maceió,
de
de
.
54
Assinatura ou impressão datiloscópica
Nome e Assinatura do Pesquisador pelo estudo (Rubricar as
d(o,a) voluntári(o,a) ou responsável
demais páginas)
legal e rubricar as demais folhas
55
APÊNDICE B – FICHA DE COLETA DE DADOS
56
Foi acrescentada também a informação sobre a raça, classificando os participantes em
afrodescendentes ou não afrodescendentes para fins de cálculo da equação MDRD.
57
ANEXOS
ANEXO A – Parecer do comitê de ética e pesquisa
58
MATERIAL SUPLEMENTAR
Avaliação da relação da TFG estimada pela equação BIS 1 com comorbidades dos idosos
Foi avaliada a relação entre sexo, etnia e comorbidades e os valores de TFGe pela
equação BIS 1. Como esperado, foi observado que houve diferença estatisticamente
significativa com a presença de doença renal crônica (DRC), confirmando níveis reduzidos de
TFGe presente no grupo com DRC (36,71 ± 8,89 vs 61,29 ± 13,59, p<0,001), e apresentando
um efeito alto considerando d de Cohen (Figura 2; Tabela 3). Além disso, dentre as
comorbidades, apenas diabetes esteve associada com TFGe pela BIS, onde os diabético tiveram
níveis diminuídos de TFGe (49,43 ± 16,69 vs 60,3 ± 14,46, p=0,012). Por outro lado, não houve
mais nenhuma associação significativa (p>0,05) com as demais comorbidades, e também com
sexo e afrodescendência (Tabela 3).
59
Tabela 3 - Taxa de filtração glomerular estimada pela BIS 1 e sua relação com
características clínicas em idosos.
BIS 1
n
média ± desvio
Sexo
Feminino
Masculino
Afrodescendente
Não
Sim
Hipertensão arterial sistêmica
Não
Sim
Diabetes
Não
Sim
Doença pulmonar obstrutiva
crônica
Não
Sim
Doença renal crônica
Não
Sim
Doença arterial coronariana
Não
Sim
48
50
86
4
67
3
63
10
71
2
p
0.202 (-0.253 – 0.657)
0,377
0.295 (-1.320 – 0.729)
0,567
0.025 (-0.490 – 0.541)
0,922
0.726 (0.150 – 1.303)
0,120
0.441 (-0.738 – 1.621)
-
1.878 (1.132 – 2.624)
<0,001
1.173 (-0.269 – 2.616)
-
59,67 ± 15,71
56,59 ± 14,76
57,81 ± 15,5
62,35 ± 12,02
21
52
57
16
d de Cohen
58,2 ± 14,95
57,81 ± 15,9
60,3 ± 14,46
49,43 ± 16,69
58,6 ± 15,69
51,67 ± 16,26
61,29 ± 13,59
36,71 ± 8,89
58,41 ± 15,44
40,4 ± 6,51
Foi usado o teste t de Student para as comparações.
60
Figura 4. Níveis médios dos valores de taxa de filtração glomerular estimada por
diferentes equações em uma população de idosos de acordo com a presença de doença
renal crônica.
Barras representando média, e barras de erro o intervalo de confiança de 95%.
Tabela 4 - Correlação entre as equações da taxa de filtração glomerular e com
parâmetros quantitativos avaliados em idosos.
BIS 1
BIS 1
CockcroftGault
MDRD
CKD-EPI
Creatinina
Idade
IMC
Circunferência
Panturrilha
Cockcroft-Gault
MDRD
CKD-EPI
r
p
r
P
r
p
r
p
1
-
,831
<0,001
,878
,925
,831
<0,001
1
-
,771
<0,001
<0,001
<0,001
<0,001
,878
,925
-,811
-,389
0,142
<0,001
<0,001
<0,001
<0,001
1
,925
-,819
-0,177
0,054
<0,001
0,123
0,641
,925
1
-,885
-,248
0,12
0,093
0,422
,397
<0,001
<0,001
<0,001
<0,001
<0,001
<0,001
<0,001
<0,001
0,218
,771
,860
-,729
-,360
,508
0,011
0,923
0,058
0,617
,860
<0,001
0,029
0,297
61
Tabela 5 - Valores de cut-offs das diferentes equações de estimativa da TFG para
determinar a TFG <60 mL/min pela equação BIS 1 em idosos.
cut-off
CKD-EPI
CockcroftGault
MDRD
Sensibilidade Especificidade
(%)
(%)
AUC-ROC
(IC 95%)
p
73,9
90
92
0,932 (0,874 ; 0,99)
<0,001
57,8
85
84
0,898 (0,827 ; 0,968)
<0,001
72,0
85
81
0,890 (0,818 ; 0,961)
<0,001
IC 95%: intervalo de confiança de 95%. Valores de cut-offs definidos pelo teste de Youden.
Tabela 6 - Análise de Bland-Altman avaliando a concordância entre as equações para
estimar a Taxa de Filtração Glomerular em indivíduos idosos.
BIS 1
Bland-Altman
CKD-EPI
MDRD
Cockcroft-Gault
IC 95%: intervalo de confiança de 95%
Média das
diferenças
IC 95%
10,96
13,14
-1,249
(-6,41 ; 28,32)
(-11,2 ; 37,47)
(-24,22 ; 21,72)
