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                    UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
FACULDADE DE MEDICINA
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS MÉDICAS

Thays de Sá Targino Liberal

O itinerário percorrido pelos cuidadores de crianças e adolescentes com transtornos
mentais na busca por tratamento especializado em Maceió

Maceió
2022

THAYS DE SÁ TARGINO LIBERAL

O itinerário percorrido pelos cuidadores de crianças e adolescentes com transtornos
mentais na busca por tratamento especializado em Maceió

Dissertação apresentada ao Programa de Pós-graduação em
Ciências Médicas da Universidade Federal de AlagoasUFAL, como exigência para a obtenção do título de Mestre
em Ciências Médicas.
Área de Concentração: Epidemiologia, Fisiopatologia e
Terapêutica em Ciências Médicas
Orientador: Prof. Dr. Claudio Torres de Miranda
Coorientador: Prof. Dr. Jacks Soratto

Maceió
2022

Catalogação na fonte
Universidade Federal de Alagoas
Biblioteca Central
Divisão de Tratamento Técnico
Bibliotecária: Taciana Sousa dos Santos – CRB-4 – 2062
L695i

Liberal, Thays de Sá Targino.
O itinerário percorrido pelos cuidadores de crianças e adolescentes com
transtornos mentais na busca por tratamento especializado em Maceió /
Thays de Sá Targino Liberal. – 2022.
100 f. : il. color.
Orientador: Claudio Torres de Miranda.
Coorientador: Jacks Soratto.
Dissertação (Mestrado em Ciências Médicas) – Universidade Federal de
Alagoas. Faculdade de Medicina. Programa de Pós-Graduação em Ciências
Médicas. Maceió, 2022.
Bibliografia: f. 65-71.
Apêndices: f. 72-83.
Anexos: f. 84-100.
1. Transtornos mentais. 2. Crianças. 3. Adolescentes. 4. Tratamento. 5.
Cuidadores. I. Título.
CDU: 616.89-053.2

Folha de Aprovação
Thays de Sá Targino Liberal
O itinerário percorrido pelos cuidadores de crianças e adolescentes com transtornos
mentais na busca por tratamento especializado em Maceió

Dissertação submetida ao corpo docente do
Programa de Pós-Graduação em Ciências
Médicas da Universidade Federal de Alagoas e
aprovada em 03/05/2022.

Claudio Torres de Miranda
Universidade Federal de Alagoas/ Programa Pós-Graduação em Ciências Médicas
Orientador

Banca Examinadora:

Mércia Lamenha Medeiros
Universidade Federal de Alagoas/ Faculdade de Medicina
Examinadora interna

Daniela Martins Lessa Barreto
Universidade Tiradentes/UNIT
Examinadora externa

Alessandra Plácido Lima Leite
Universidade Federal de Alagoas/ Faculdade de Medicina
Examinadora externa

À minha avó Hercília e à Professora Iasmin Duarte
(In memoriam), mulheres admiráveis que tanto me
inspiraram, e hoje são sinônimo de saudade.

Às minhas amadas filhas Maria Júlia e Giovana, razão
maior para o ingresso neste projeto.

AGRADECIMENTOS

À Deus pela vida e proteção diante de todas as lutas; pela força e consolo nos momentos
mais difíceis.
Ao meu orientador Professor Claudio Miranda por me presentear com esta tão grandiosa
pesquisa, que me proporcionou vivências que ressignificaram minha vida por completo. Meus
sinceros agradecimentos pela serenidade em todas as fases desta pesquisa.
Ao meu coorientador Professor Jacks Soratto, pela disponibilidade e compartilhamento
do conhecimento necessário para a conclusão deste estudo. Minha eterna admiração por sua
competência e prestatividade.
À Weidila, minha maior incentivadora neste desafio. Obrigada por sua preocupação,
pelas palavras de apoio e solidariedade
À minha família: meu esposo Anderson, meus irmãos Monique, Bruno, Gabriela e
Anízio e minha mãe. Agradeço pelo apoio, incentivo, solidariedade e sobretudo, por
acreditarem sempre no meu êxito.
À Plúvia, pelos conselhos, preocupação e suporte profissional. Grata por cuidar com
tanto zelo da minha saúde mental.
À minha família FAMED, a quem agradeço pela amizade, companheirismo e incentivo
na concretização não só deste, mas de todos os meus sonhos.
Aos amigos que caminharam comigo neste projeto, sempre me cercando de palavras de
fé e apoio nos momentos mais difíceis: Polyana Gomes, Graça, Ednelson, Cícera e Sandra.
Aos profissionais do CAPSi Dr. Luiz da Rocha Cerqueira, por me fazerem compreender
o sentido da palavra Acolhimento. Obrigada pela receptividade e apoio na condução desta
pesquisa. Dedico a vocês minha admiração pela excelência na prestação de tão importante
serviço à sociedade.

Entre a lucidez e a loucura existe uma tênue linha
que chamamos de ‘normal’. Talvez a racional
lucidez seja apenas um breve momento de surto,
onde a alma leva-nos a experimentar a obscura
sanidade que chamamos simplesmente de
‘loucura’ ”
Ubaldo Santos de Jesus

RESUMO

Diversos fatores podem interferir no acesso de crianças e adolescentes com transtornos mentais
ao tratamento especializado. Neste contexto, esta pesquisa teve como objetivo analisar os
caminhos percorridos pelos cuidadores dos usuários atendidos em um CAPSi do município de
Maceió, buscando identificar as motivações para a busca do tratamento, as dificuldades e
estratégias utilizadas neste processo e descrever possíveis fatores relacionados à desistência do
mesmo. Trata-se de um estudo exploratório, descritivo e de abordagem qualitativa, cuja
amostra foi composta por 29 participantes, sendo 20 em atendimento no CAPSi e 9 desistentes.
A coleta de dados foi realizada através de entrevista semiestruturada, realizada nos meses de
maio e junho de 2021. Os dados alcançados foram submetidos à Análise de Conteúdo com o
auxílio do software Atlas Ti versão 9. De acordo com os resultados, a principal motivação para
busca de tratamento foi percepção materna de sintomas externalizantes na criança em idades
precoces. O itinerário terapêutico foi descrito como uma etapa desgastante, onde as estratégias
para busca do tratamento para o transtorno mental envolveram deslocamentos pelas redes de
atenção básica própria, complementar de serviços ao SUS e hospitalar. Considerando a
vulnerabilidade social dos participantes e as limitações na articulação de rede de atenção
psicossocial do município, as principais barreiras de acesso relatadas foram a insuficiência de
instituições e profissionais especializados, a falta de capacitação profissional na atenção básica,
a distância do CAPSi, a longa espera por atendimento psiquiátrico, a negação da doença mental,
o estigma e a sobrecarga materna. A identificação dos fatores que foram determinantes para
abandono do tratamento no CAPSi, além de revelarem indicadores socioeconômicos que
comprometeram o engajamento no cuidado, também serviram como norteadores para visualizar
as fragilidades das políticas públicas para a saúde mental infantojuvenil, bem como a falta de
investimentos no setor.

Palavras-chave: Serviços comunitários de saúde mental; Criança; Adolescente; Transtornos
mentais.

ABSTRACT

Several factors can interfere with the access of children and adolescents with mental disorders
to specialized treatment. In this context, this research aimed to analyze the paths taken by the
caregivers of users assisted in a CAPSi in the city of Maceió, seeking to identify the motivations
for seeking treatment, the difficulties and strategies used in this process and describe possible
factors related to dropping out. This is an exploratory study, descriptive and qualitative
approach, whose sample was composed of 29 participants, being 20 in care at CAPSi and 9
dropouts. Data collection was performed through semi-structured interviews, conducted in
May and June 2021. The data obtained were submitted to Content Analysis with the help of the
Atlas Ti version 9 software. According to the results, the main motivation for seeking treatment
was maternal perception of externalizing symptoms in the child at an early age. The therapeutic
itinerary was described as a stressful stage, where the strategies for seeking treatment for the
mental disorder involved displacement by the networks of basic care, complementary services
to the SUS and hospital. Considering the social vulnerability of the participants and the
limitations in the articulation of the psychosocial care network of the municipality, the main
barriers of access reported were the insufficient number of specialized institutions and
professionals, the lack of professional training in primary care, the distance to CAPSi, the long
wait for psychiatric care, the denial of mental illness, the stigma, and maternal overload. The
identification of the factors that were determinants for abandoning treatment in CAPSi, besides
revealing socioeconomic indicators that compromised the engagement in care, also served as a
guide to visualize the weaknesses of public policies for child and adolescent mental health, as
well as the lack of investment in the sector.

Keywords: Community mental health services; Child; Adolescent; Mental disorders.

LISTA DE ILUSTRAÇÕES
Figura 1 - Detalhamento da categoria ‘Dificuldades enfrentadas no itinerário terapêutico’…63
Figura 2 - Rede da Codificação "Itinerário Terapêutico"..........................................................62
Figura 3 - Fatores relacionados à desistência do tratamento no CAPSi.....................................80

LISTA DE TABELAS

Tabela 1 - Perfil demográfico dos responsáveis pelos usuários atendidos no CAPSi
de.Maceió/AL, 2021 ................................................................................................................. 60
Tabela 2 - Perfil demográfico e transtornos mentais dos usuários, crianças e adolescentes,
atendidos no CAPSi de Maceió, AL - 2021 .............................................................................61
Tabela 3 - Transtornos mentais em relação ao sexo dos usuários, crianças e adolescentes do
CAPSi. Maceió – AL. .............................................................................................................. 62
Tabela 4 - Perfil demográfico dos responsáveis e respectivos usuários desistentes do tratamento
no CAPSi de Maceió – AL, 2021 ............................................................................................ 78

LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

CAPSi

Centro de Atenção Psicossocial Infantojuvenil

ESF

Estratégia da Saúde da Família

SUS

Sistema único de Saúde

LIMCs

Países de média e baixa rendas

DSM -5

Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais

CID -10

Classificação Internacional de Doenças

OMS

Organização Mundial da Saúde

TDAH

Transtorno do deficit de atenção e hiperatividade

IT

Itinerário terapêutico

UBS

Unidade Básica de Saúde

UPA

Unidade de Pronto Atendimento

MTSM

Movimento dos Trabalhadores em Saúde Mental

ONU

Organização Das Nações Unidas

ECA

Estatuto da Criança e do Adolescente

CAPS

Centro de Atenção Psicossocial

RAPS

Rede de Atenção Psicossocial

NASF

Núcleo de Apoio à Saúde da Família

CECCO

Centro de Convivência e Cultura

AD
IBGE

Álcool e outras drogas
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

UA

Unidade de Acolhimento

RT

Residência Terapêutica

UAI

Unidade de Acolhimento Infantil

TEA

Transtorno do Espectro Autista

PTS

Projeto Terapêutico singular

SRY

Sex determing region Y

SNC

Sistema Nervoso Central

IDH

Índice de Desenvolvimento Humano

PMS

Plano Municipal de Saúde

DS

Distrito Sanitário

APS

Atenção Primária em Saúde

CREAS

Centro de Referência Especializada de Assistência Social

SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................... 13
2 OBJETIVOS .......................................................................................................................... 15
Objetivo geral ..................................................................................................................... 15
Objetivos específicos .......................................................................................................... 15
3 REVISÃO DE LITERATURA ............................................................................................. 16
Considerações sobre os transtornos mentais em crianças e adolescentes .......................... 16
As estratégias de busca para o tratamento em saúde mental .............................................. 19
Histórico da assistência psicossocial no Brasil................................................................... 21
Estrutura da saúde mental em Alagoas ............................................................................... 24
4 METODOLOGIA.................................................................................................................. 26
Tipo de estudo .................................................................................................................... 26
Local da pesquisa................................................................................................................ 27
Participantes da pesquisa .................................................................................................... 27
Amostra................... ........................................................................................................... 27
4.4.1 Amostragem .................................................................................................................... 28
4.4.2 Critérios de inclusão ........................................................................................................ 28
4.4.3 Critérios de exclusão ....................................................................................................... 28
Coleta dos dados ................................................................................................................. 28
Análise de dados ................................................................................................................. 29
Aspectos Éticos .................................................................................................................. 31
5 PRODUTOS .......................................................................................................................... 32
Artigo 1: Experiências dos cuidadores nos itinerários terapêuticos em saúde mental
infantojuvenil............................................................................................................................33
2
6 CONCLUSÃO ....................................................................................................................... 63
7 LIMITAÇÕES E PERSPECTIVAS ...................................................................................... 64
REFERÊNCIAS........................................................................................................................67
APÊNDICE .............................................................................................................................. 72
APÊNDICE A – Instrumento de Coleta de dados .................................................................... 72
APÊNDICE B – Termo de Consentimento Livre e Esclarecido .............................................. 73

APÊNDICE C - Conteúdo Suplementar: Fatores relacionados a desistência do tratamento no
CAPSi........................................................................................................................................78
ANEXOS ................................................................................................................................84
ANEXO A - Rede Ambulatorial Própria do SUS (RAPS), Maceió/Al, 2017..........................86
ANEXO B - Dispositivos de Saúde da Rede Própria. Maceió/Al, 2017....................................87
ANEXO C- Parecer do Comitê De Ética E Pesquisa ............................................................... 86
ANEXO D- Instruções para autores ......................................................................................... 89

13

1 INTRODUÇÃO

A infância e a adolescência representam um período de suma importância para o
desenvolvimento humano, entretanto dentre as mais diversas condições patológicas inerentes a
estas fases de vida, o transtorno mental vem se destacando na atualidade, tanto pelo surgimento
cada vez mais precoce, quanto pelo impacto econômico, organizacional e psicológico que envolve
desde o contexto social até o familiar. Segundo Elia (2019) cerca de 20% das crianças e
adolescentes no mundo sofrem de um ou mais transtornos mentais diagnosticáveis.
No Brasil, as estimativas indicam que 13% do público infantojuvenil seja portador de
alguma psicopatia (PAULA et. al, 2015), e que apenas 37,5 % destes recebam alguma intervenção
terapêutica ao longo de 4 anos (FATORI, EVANS-LACKO e PAULA, 2012). Esta lacuna entre a
prevalência e o acesso ao tratamento especializado demonstra que alguns fatores possam interferir
na cobertura e na eficácia da atenção em saúde mental destinadas a crianças e adolescentes
(WAKIDA, et al., 2018; FATORI, EVANS-LACKO E PAULA, 2012).
Cabe aos pais ou cuidadores o papel da percepção do problema e das providências a serem
tomadas. A doença mental abala de forma incontestável toda a estrutura familiar, devido às
dificuldades enfrentadas para ajudar a criança ou o adolescente, sejam pessoais (situação
financeira, abdicação de compromissos sociais e desgaste físico e emocional exigidos no cuidado)
(MONTEIRO et al., 2015) ou relativas às deficiências na rede assistencial tais como: desarticulação
nos serviços, a falta de investimentos, de profissionais especializados e a procrastinação no
diagnóstico (CUBAS, VOSGERAU e CARVALHO, 2018).
As barreiras de acesso frustram as expectativas de obtenção de um tratamento para estes
usuários. Reconhecer o transtorno mental é um fardo doloroso e os obstáculos enfrentados pelos
familiares no itinerário terapêutico, tendem a tornar as experiências ainda mais traumáticas. As
práticas individuais e socioculturais de saúde orientam os caminhos a serem percorridos, na
tentativa destes indivíduos de solucionarem seus problemas e estão envoltos em uma rede
complexa de escolhas possíveis, baseados no contexto em que estão inseridos (GERHARDT et al,
2020).
As “escolhas’ se aliam à disponibilidade dos recursos. Sendo assim, como a existência de
instituições especializadas, ou seja, os Centros de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPSi)
não contemplam a maioria dos municípios no Brasil, o acesso para as diversas demandas inerentes

14

à saúde mental infantil, ocorre a princípio na Atenção Básica, através da Estratégia da Saúde da
Família (ESF) (CARVALHO et al.,2016).
Cinco décadas após a instituição da Reforma Psiquiátrica no país, cuja ideologia defendia
o lema de uma “Sociedade sem manicômios”, ao propor a substituição dos hospitais psiquiátricos
por serviços comunitários de atenção à saúde mental, são notórios alguns avanços relacionados à
expansão dos mesmos, inclusive para o público infantojuvenil, garantidos por mobilizações sociais
e legislações específicas (BRAGA e D´OLIVEIRA, 2019). No entanto, o cenário político e
econômico atual vem ameaçando gravemente este progresso, uma vez que o congelamento dos
gastos públicos com saúde pelos próximos 20 anos, enfraquecerá ainda mais o Sistema Único de
Saúde (SUS) (MASSUDA et al., 2018).
Era totalmente imprevisível que as tribulações políticas e econômicas incipientes no país
seriam acirradas pela maior crise sanitária mundial dos últimos tempos: a pandemia pela Covid 19, iniciada em 2020. Segundo Goldberstein et al. (2020), este advento deixou a população
infantojuvenil ainda mais vulnerável ao surgimento ou agravamento de transtornos mentais. A
interferência do isolamento na rotina diária, suprimindo a frequência nas escolas, os cuidados com
a saúde, as atividades de lazer e o convívio familiar, expôs os mais jovens e suas famílias a um
elevado nível de estresse e sobrecarga psíquica. Exatamente nesta conjuntura, foram desenvolvidas
integralmente, todas as etapas necessárias para a condução desta pesquisa.
Neste contexto, enfatiza-se a necessidade de discorrer sobre a atuação das políticas públicas
locais, na configuração da rede de assistência em saúde mental em Maceió. Para tanto, a pesquisa
teve como objetivo analisar a trajetória percorrida pelos familiares ou cuidadores na busca por
tratamento especializado para crianças e adolescentes atendidos no CAPSi do município,
identificando suas motivações, dificuldades e estratégias vivenciadas no itinerário, bem como
descrever os possíveis motivos para abandono do tratamento.
Espera-se que os resultados sirvam como subsídio para elencar dados que auxiliem na
detecção de eventuais fragilidades ou potencialidades, frente aos desafios que regem a Rede de
Atenção Psicossocial presente no município; bem como identificar e propor estratégias para o
enfrentamento das dificuldades de acesso vivenciadas pelos usuários deste serviço. Diante do
exposto, a pergunta central que norteou esta pesquisa foi: Quais os caminhos percorridos pelas
famílias de crianças e adolescentes que utilizam ou utilizaram o CAPSi?

15

2 OBJETIVOS

Objetivo geral



Analisar o caminho percorrido por familiares ou cuidadores de crianças e adolescentes para o
tratamento de transtornos mentais em Maceió.

Objetivos específicos



Identificar as motivações dos responsáveis para busca de tratamento especializado;



Compreender as dificuldades e estratégias utilizadas pelos cuidadores no processo de busca
pelo tratamento dos transtornos mentais;



Descrever os possíveis fatores relacionados às desistências do tratamento no CAPSi.

16

3 REVISÃO DE LITERATURA

Considerações sobre os transtornos mentais em crianças e adolescentes

Define-se o transtorno mental como uma síndrome caracterizada por uma relevante
alteração cognitiva, capaz de interferir na regulação emocional ou comportamental de um
indivíduo, refletindo uma disfunção nos processos biológicos, psicológicos ou de desenvolvimento
inerentes ao funcionamento mental (AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION, 2014). Com
uma prevalência mundial estimada em 13,4%, (POLANCZYK et al., 2015) e sendo a juventude a
fase que representa um maior risco para o adoecimento psíquico (KESSLER et al., 2005), este tem
sido classificado, por estudos sobre a carga global de doenças, como umas das condições mais
incapacitantes, desde a década de 90. (WHITEFORD et al., 2013; NAGAVI et al., 2017).
De uma maneira geral, os dados epidemiológicos sobre saúde mental infantojuvenil
apresentam discrepâncias relacionadas ao nível de desenvolvimento socioeconômico dos países.
Uma maior precisão é observada naqueles de alta renda, correspondendo 7% destes, como por
exemplo os Estados Unidos e a Austrália. (ERSKINE et al., 2017). Dentre os estudos sobre
prevalência indexados ao Banco de Dados Web of Science, nos últimos dez anos, 90% se
desenvolveram nestas nações (KIELING e ROHDE, 2012).
Em contrapartida, publicações sobre a prevalência dos transtornos mentais nos países de
média e baixa rendas (LIMCs) são escassas (ERSKINE et al.,2015) e representam respectivamente
1.19% e 0,33% (KIELING e ROHDE, 2012). Revisões sistemáticas realizadas para determinar a
cobertura global de alguns destes distúrbios entre crianças e adolescentes revelaram que na África
Subsaariana, Oceania e partes da Ásia e América Latina essa cobertura foi praticamente nula.
(ERSKINE et al., 2017). Isto reflete um fator bastante preocupante, uma vez que indivíduos na
faixa etária entre 5 e 17 anos compõem quase um quarto da população mundial e cerca de 85%
deles residem nas nações menos favorecidas (NAÇÕES UNIDAS, 2011).
Estudos epidemiológicos desenvolvidos no Brasil também são limitados e dependem de
circunstâncias como a região analisada, a exposição a fatores de risco e a metodologia de
investigação. (KIELING et.al., 2011; PETRESCO et al.,2014). Garcia (2015) relata que em
diversos estados e municípios brasileiros foram encontradas variações entre 7% e 24,6%, para
algum transtorno mental identificado na infância ou na adolescência. Por ser considerado uma

17

nação em desenvolvimento, o país não é capaz de atender demandas específicas para a promoção
da saúde mental dos jovens, que ao estar ainda moldada para a população adulta, desconsidera as
especificidades relativas ao desenvolvimento infantil e as formas de intervenção (COUTO et al.,
2008).
Sendo assim, a escassez destes dados propõe um questionamento sobre a existência de
políticas públicas eficazes, destinadas ao tratamento dos transtornos mentais em crianças e
adolescentes, principalmente nos LMICs, sugerindo uma lacuna entre a disponibilidade e o acesso
ao tratamento especializado. Há evidências que determinadas condições socioeconômicas estão
associadas a um maior risco de desenvolvimento de um transtorno mental ao longo da vida, como
por exemplo, pobreza extrema, aspectos nutricionais, catástrofes naturais, maternidade ou
paternidade precoce, doenças, negligência e institucionalização. (ANSELMI et al., 2008;
KIELING et al., 2011).
Outros fatores de risco relatados na literatura compreendem a desestruturação familiar;
eventos indutores de estresse; violência psicológica, física e sexual; carga genética e disfunções no
sistema nervoso provocadas por infecções, lesões ou abuso de substâncias tóxicas (BORDIN e
PAULA, 2007). Elia (2019) cita que o contexto familiar exerce uma importante influência no
desenvolvimento da criança e que um ambiente conturbado por violência doméstica e abuso de
substâncias, pode desencadear numa criança normal, distúrbios psíquicos únicos ou variados.
Para se diagnosticar um transtorno mental são utilizados rotineiramente na prática clínica,
instrumentos padronizados como o Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais (DSMIV) ou a Classificação Internacional de Doenças (CID-11). Ambos compreendem critérios que
associam os sintomas à incapacidade ou sofrimento relatados pelo indivíduo (MASH &
HUNSLEY, 2007). Apresentam também uma seção específica dedicada aos distúrbios que são
detectados pela primeira vez na infância e na adolescência, não fazendo, entretanto, distinção entre
estes períodos, uma vez que muitos transtornos tendem a se manifestar de maneira mais branda ou
residual na fase adulta (AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION, 2002).
Quando se trata da criança, este diagnóstico é ainda mais complexo, uma vez que seus
problemas emocionais são externalizados através de comportamentos não adaptados e divergentes,
muitas vezes não sendo correlacionados a um sofrimento interno. (BIRD E DUARTE, 2002). Além
disso, alguns sintomas como: intolerância frente às frustrações; dificuldade no controle de
impulsos; na comunicação e na atenção, podem ser considerados normais em uma determinada

18

idade, mas serem sugestivos de distúrbios com o envelhecimento. (PAPOLOS E PAPOLOS,
2007).
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS) as psicopatologias em crianças e
adolescentes podem ser classificadas em duas categorias: transtornos do desenvolvimento
psicológico e transtornos de comportamento e emocionais. Disfunções da primeira categoria são
caracterizadas pelo comprometimento ou atraso do desenvolvimento de funções relacionadas ao
processo de maturação biológica do sistema nervoso central, de progressão contínua e sem
remissão. Os outros compreendem aqueles de início precoce, geralmente nos primeiros cinco anos
de vida, podendo vir acompanhados de déficit cognitivo e retardo na motricidade e na linguagem
(OMS, 2001).
Outra classificação usual de diagnósticos corresponde aos chamados transtornos
internalizantes e transtornos externalizantes. A sintomatologia dos internalizantes compreende a
reclusão social, sintomas somáticos, a anedonia e a disforia, sendo estes dois últimos
correlacionados ao transtorno depressivo maior. Nos externalizantes há a manifestação de
agressividade, desatenção, hiperatividade e impulsividade. Excluindo a agressividade, os demais
sintomas são indicativos do Transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH). Esses
critérios diagnósticos têm grande importância para o rastreio dos principais transtornos mentais
que acometem crianças e adolescentes, sendo frequentemente realizados nas instituições
especializadas em tratamento para saúde mental. (CARRAGHER e KRUEGER, 2015; BROWN
et al.,2013).
Um estudo descritivo e Ecológico desenvolvido por Ceballos et al. (2019) com dados
obtidos através do DataSUS, identificou que 85,7% dos prontuários de crianças e adolescentes
menores de 19 anos, atendidos em centros de atenção psicossocial infantojuvenis, nas cinco regiões
do Brasil, estavam concentrados em tais grupos diagnósticos: 29,7% para transtornos
comportamentais/emocionais (F90-F98); 23,6% para transtornos do desenvolvimento psicológico
(F80-F89); 12,5% para retardo mental (F70-F79); 10,4% para transtornos somatoformes e
neuróticos relacionados ao estresse (F40-F48) e 9,5% para transtornos de humor (afetivo) (F30F39).
Revisões sistemáticas conduzidas por Erskine et al. (2017) visando determinar a
prevalência de seis tipos de transtornos mentais típicos em indivíduos com idade de 5 a 17 anos,
em 187 países, demonstrou que destes 66% não possuíam nenhum dado disponível para tais

19

distúrbios. Dos resultados obtidos 26,41% correspondiam aos dados de países de alta renda e 4,52%
aos de média e baixa renda. O maior registro foi de 6,7% para transtorno do espectro autista,
seguido de 6,2% para depressão; 5,5% para TDAH e 5,0% para transtorno de conduta.

As estratégias de busca para o tratamento em saúde mental

O ponto inicial para a definição das estratégias de busca para o tratamento especializado é
a percepção dos pais ou responsáveis acerca dos sintomas, da gravidade e do sofrimento
observados, principalmente quando o paciente se trata de uma criança (MONTEIRO, 2015).
Manifestações graves similares a psicose, ou leves como agitação ou retraimento foram
consideradas anormais e preocupantes em discussões de grupos focais, com pais de crianças
menores de 10 anos em uma comunidade ugandesa, entretanto, houve variações sobre a real
consideração destas como preditoras para um transtorno mental. Ainda neste estudo, as principais
motivações relatadas para a busca de tratamento foram a mudança comportamental, a preocupação
com o bem-estar da criança e o receio do estigma (SKYLSTAD ET al., 2019).
O sofrimento psíquico da criança e o anseio por buscar alternativas viáveis para a sua
recuperação, compreendem um processo social que se inicia no deslocamento dos familiares pelas
redes que compõem o sistema de saúde mental. Rabelo, Alves e Souza (1999) definem esta
trajetória de uma forma mais técnica como Itinerário terapêutico (IT), ou seja, uma ação humana
desenvolvida em cadeia contínua, envolvendo um conjunto de planos e estratégias destinados a um
objetivo: o cuidado voltado para a psicopatia. Tal ação é descrita através da narrativa do paciente,
ou de seu responsável e permite ao pesquisador entender como se deu o processo de adoecimento,
quais foram as vias de acesso por cuidado e como tais experiências foram vivenciadas pela pessoa
e seus familiares (MOREIRA, BOSI e SOARES, 2016).
Uma definição ainda mais precisa do IT é descrita por Pinheiro e Martins (2011, p.188):
[...] “trajetórias de busca, produção e gerenciamento do cuidado para saúde,
empreendidas por pessoas e famílias seguindo uma lógica própria, tecida nas múltiplas
redes para o cuidado em saúde, de sustentação e de apoio, que possam lhes dar certa
sustentabilidade na experiência de adoecimento. Comporta, também, como os serviços de
saúde produzem e disponibilizam cuidados, segundo sua própria lógica, e atendem, em
certo modo e medida, às necessidades de saúde dessas pessoas e famílias. ”

20

Os percursos desenvolvidos pelos indivíduos no intuito de solucionar algum problema de
saúde são carregados de significados e transpassam pelas experiências, imersos em complexas
redes de relações sociais. A constituição de um IT incita crenças populares, religiosas e saberes
científicos inerentes ao serviço público de saúde, evidenciando assim, a existência de uma
variedade terapêutica, cujo objetivo é se alcançar a saúde ou a cura (PINHO e PEREIRA, 2012;
SANTOS e SILVA, 2014; SEGATA e SEGATA, 2011).
De acordo com o Sistema de Cuidado à Saúde proposto por Arthur Kleinman, a partir da
experiência com os sintomas, as pessoas podem fazer uso de três subsistemas - popular, profissional
e folk - podendo ser ou não simultâneos. Os cuidados disponibilizados no subsistema popular são
informais, cujo conhecimento é derivado do senso comum, incluindo a compreensão da família
acerca do adoecimento e cuidado, bem como a rede social e comunitária do indivíduo. O subsistema
profissional compreende a medicina científica e os sistemas médicos tradicionais. Finalmente, o
subsistema folk é formado por especialistas de cura sem reconhecimento legal, como por exemplo,
os curandeiros e rezadeiras (KLEINMAN, 1978).
Além de refletir os fatores culturais, a trajetória dos indivíduos pelos aparelhos sociais na
procura por cuidados exibe a influência do nível socioeconômico no alcance da assistência à saúde,
visto que o itinerário terapêutico revela práticas e estratégias na população, principalmente de baixa
renda, no enfrentamento de seus problemas de saúde (GERHARDT, 2006).
Aspectos sistêmico-estruturais relacionados aos serviços de saúde mental podem levantar
possíveis barreiras de acesso ao tratamento especializado para a população infantojuvenil, inclusive
em países mais ricos. Estudos realizados nos Estados Unidos, Canadá, Reino Unido e Austrália
apontam que o elevado tempo de espera, a dificuldade de obter um referencial, o custo da
terapêutica e moradia em área rural foram os obstáculos mais comuns em amostras de usuários
(REARDON et al., 2017)
No Brasil, as barreiras de acesso são mais complexas e estão relacionadas a fatores
estruturais/organizacionais, econômicos e humanos, tais como: baixa capacitação dos profissionais
que contribui para o atraso no diagnóstico, desarticulação na prestação dos serviços, escassos
investimentos em saúde mental infantojuvenil (número reduzido de locais especializados no
tratamento) e falta de psiquiatras infantis (CUBAS, VOSGERAU e CARVALHO, 2018). No
contexto familiar, os pais ainda lidam com o desgaste físico e emocional, a privação de
compromissos sociais e com o estigma ligado ao adoecimento psíquico (MONTEIRO, 2015).

21

Todos estes aspectos são determinantes para que haja uma espécie de lacuna entre a procura
e o acesso ao tratamento especializado, o que corrobora com a estimativa de que cerca de 85% dos
indivíduos no mundo com algum transtorno mental grave não recebam nenhum tipo de intervenção
terapêutica nos LMICs (WAKIDA et al., 2018). Apesar deste agravante, familiares de crianças e
adolescentes em sofrimento psíquico não se abstêm do seu maior desafio: a superação das barreiras
de acesso.
Assim, como estratégia de enfrentamento, os pais costumam iniciar a trajetória terapêutica
buscando apoio nas redes de atenção básica. De acordo com os arts. 8º e 9 do Decreto 7.508 / 2011,
que dispõe sobre a organização do Sistema Único de Saúde, o acesso universal, igualitário e
ordenado às ações e serviços de saúde se inicia pelas Portas de Entrada do SUS, dos quais fazem
parte os serviços de atenção primária; de urgência e emergência; de atenção psicossocial e especiais
de acesso aberto (BRASIL, 2011).
Delfini, Bastos e Reis (2017) exemplificam uma trajetória muito comum, iniciada pela
procura do médico pediatra da Unidade Básica de Saúde (UBS) adstrita, com posterior
encaminhamento para outras especialidades, findando com a chegada na rede de atenção
psicossocial. Assim, os familiares descreviam rotineiramente, um sentimento de frustração nos
direcionamentos e procuras que seguiram, em decorrência desta peregrinação.
Ainda frágil e fragmentada, as políticas públicas destinadas ao cuidado em saúde mental
infantojuvenil foram aos poucos sofrendo reformulações em seu modelo de atendimento prestado,
mudanças essas que começaram a ganhar impulso a partir dos anos 70, em um movimento que viria
a desencadear a Reforma Psiquiátrica Brasileira (NUNES et al.,2019).

Histórico da assistência psicossocial no Brasil

O movimento da Reforma Psiquiátrica, iniciado no final da década de 1970 no Brasil,
representou um processo de libertação do confinamento e opressão ligados ao adoecimento
psíquico, estimulando uma nova conscientização sobre o conceito de ‘loucura’ (NUNES et al.,
2019). As críticas e a necessidade de se propor mudanças incisivas no padrão de assistência
psiquiátrica no país, desencadearam em 1978, o Movimento dos Trabalhadores em Saúde Mental
(MTSM), que trouxe como consequência a constituição da Política Nacional de Saúde Mental, cujo

22

propósito era instituir no SUS um modelo de atenção psicossocial aberto, com foco na reintegração
social e de base territorial (BRASIL, 2005).
Este modelo idealizado marcaria o prenúncio da luta antimanicomial, que incentivou
profundas transformações nos âmbitos político, cultural e social para o portador de doença mental.
Assim, paulatinamente o modelo hospitalocêntrico seria desestruturado, ressignificando o
tratamento das psicopatias através de uma intervenção com ênfase no paciente como sujeito,
promovendo a inclusão social, inserindo a família como apoio e, também, alvo das intervenções
(MELLO, 2005; TELLES, 2010).
Até a década de 80 ainda não havia no Brasil políticas de saúde mental que
regulamentassem uma rede de atenção direcionada para a população infantojuvenil em
adoecimento psíquico. Cabia aos setores de educação e assistência social, através de instituições
filantrópicas, educandários, reformatórios e outras equivalentes, a função de formular e orientar
esta rede, porém utilizando-se de medidas reclusivas e institucionalizadoras, privando os jovens de
seus direitos e liberdade (TAÑO e MATSUKURA, 2015).
Entre 1980 e 1990 mudanças sociais nas ações do Estado perante a infância, coincidiram
com reformulações no âmbito jurídico, como a Constituição de 1988, a Convenção Internacional
sobre Direitos da Criança realizada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1989, o
Movimento da Redemocratização e a promulgação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA)
(COUTO&DELGADO, 2015). Sucedendo essas reformulações, no início do século XXI, a Política
de Saúde Mental no Brasil é enfim reestruturada, através da publicação da Lei 10.216/2001,
conhecida como Lei da Reforma Psiquiátrica Brasileira, que dispõe sobre os direitos e atenção a
toda e qualquer pessoa em adoecimento psíquico (BRASIL, 2001).
A Lei 10.216/2001 desencadeou uma inversão na curva de investimentos na atenção à saúde
mental, restringindo o estabelecimento de novos leitos em hospitais psiquiátricos, atendendo às
reivindicações da luta antimanicomial, cujo objetivo era uma “sociedade sem manicômios”. Desta
forma, passaram a ser priorizados os serviços extra-hospitalares de caráter comunitário (BRASIL,
2001). Tais serviços viriam a ser descritos como Centros de Atenção Psicossocial (CAPS),
regulamentados através da portaria 336/2002 do Ministério da saúde (BRASIL, 2002).
Visando integrar estes serviços de base comunitária, em 2011, foi publicada a Portaria nº
3088 também do Ministério da Saúde, que instituiu a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), ligada
ao SUS (BRASIL, 2011) e, no caso da infância, composta pelos seguintes pontos de atenção: a

23

Estratégia Saúde da Família (ESF), a Unidade Básica de Saúde (UBS), as equipes de Consultório
na rua, o Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF), o Centro de Convivência e Cultura
(CECCO), o Centro de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPSi) e os serviços de urgência e
emergência hospitalares (BRASIL, 2014).
O CAPSi é um local de referência para a identificação e tratamento de transtornos mentais
graves e persistentes em crianças e adolescentes ou que apresentem problemas pelo uso abusivo de
álcool, crack e outras drogas (BRASIL, 2011). Neste contexto, Santos (2008) reitera sobre a
importância da atenção ao adoecimento psíquico na juventude, uma vez que intervenções precoces
podem intervir no agravamento dos sintomas e reduzir demasiados custos ao sistema de saúde.
Com a proposta de uma abordagem mais acolhedora, O CAPSi integra a família, o portador
de doença mental e uma equipe multiprofissional na perspectiva da atenção psicossocial. Foi
estruturado num modelo de atenção diária, intensiva, de base territorial e comunitária com
atendimentos individuais ou grupais. Além de estender assistência aos familiares, promove
atividades socioculturais, esportivas, de reinserção social e oficinas terapêuticas (BRASIL, 2011).
As evidências dos avanços da Reforma Psiquiátrica no Brasil se consolidaram com o
crescimento do número dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), chegando a 891 unidades
em 2008, paralelamente ao declínio dos leitos em hospitais psiquiátricos (ALMEIDA e HORVITZLENOS, 2010). O processo de expansão foi contínuo, obtendo-se um quantitativo de 2549 CAPS
no país, no ano de 2015 (BRASIL, 2015). Como forma de fomentar estes avanços nas redes de
atenção à saúde mental, a Organização Mundial da Saúde (2013) estipulou metas a serem
cumpridas para os países até o ano de 2020:


Atualização ou desenvolvimento de políticas e leis próprias para saúde mental,
considerando instrumentos de direitos humanos regionais e internacionais;



Aumento de 20% da abrangência do serviço para distúrbios mentais graves;



80% dos países mantendo em funcionamento ao menos dois programas nacionais
multissetoriais de promoção e prevenção em saúde mental;



Redução em 10% da taxa global de suicídio;



Coleta e registro em 80% dos países de indicadores básicos de saúde mental, em intervalos
de dois anos, através de sistemas locais de informação.
Ultrapassados quase 20 anos da promulgação da Lei 10.216/2001, o modelo de assistência

psicossocial, apesar dos avanços em seu quantitativo, vem enfrentando uma série de desafios como

24

entraves financeiros, de recursos humanos e de gestão governamental (ALMEIDA, 2019;
ONOCKO – CAMPOS, 2019; TRAPÉ e ONOCKO-CAMPOS, 2017). Com a aprovação da
Emenda Constitucional 95 em 2016, os gastos primários do governo federal com saúde foram
limitados para os próximos 20 anos. O impacto no financiamento do SUS e no orçamento da RAPS
advindos desta medida, dificultarão a prestação dos serviços e a contratação de profissionais da
saúde (BRASIL, 2017; SAMPAIO e BISPO JÚNIOR, 2021).
Outro ponto bastante polêmico envolve a Nota Técnica n° 11/2019, publicada pela
Coordenadoria Geral de Saúde Mental, Álcool e outras drogas, que representou o declínio do
modelo de atenção psicossocial comunitário, uma vez que reintroduziu leitos hospitalares e propôs
a conversão dos serviços “AD” (Álcool e outras drogas) para serviços de internação de adolescentes
em dependência química (BRASIL, 2019).

Estrutura da saúde mental em Alagoas

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o estado de
Alagoas possui uma população estimada em 3.351.543 habitantes, sendo 1.025.360 residindo na
capital, Maceió (BRASIL, 2020). Cronologicamente, o processo de implantação dos serviços
comunitários para atendimento de indivíduos em sofrimento psíquico seguiu o padrão de expansão
proposto pela Portaria nº 3088/2011, no que diz respeito à instituição da RAPS. Sendo assim, o
número de CAPS no território estadual avançou de 7 para 50 em 2012 (RIBEIRO, 2015), chegando
às 55 unidades habilitadas atualmente (ALAGOAS, 2021).
Cada serviço que compõe a RAPS apresenta parâmetros distintos para sua implantação,
dentre estes, destacam-se a população do município e a existência de outros serviços similares em
saúde mental. Em relação aos CAPS, os parâmetros utilizados são: CAPS I (atendimento aos
usuários em municípios com mais de 20.000 habitantes); CAPSII (municípios com até 70.000
habitantes); CAPS III (municípios com mais de 200.000 habitantes); CAPS IV (municípios a partir
de 500.000 habitantes); CAPS-AD (entre 70.000 a 300.00 habitantes) e CAPSi (municípios com
200.000 habitantes) (BRASIL, 2017).
Alagoas possui um modelo assistencial em saúde mental que busca promover o cuidado
humanizado para indivíduos com transtornos mentais e para usuários de álcool e outras drogas. A
rede de serviços é composta pelos CAPS, com todas as suas modalidades, pelas Unidades de

25

Acolhimento (UA) adulto e infantojuvenil e as Residências Terapêuticas (RT). As UA´s
correspondem aos locais com funcionamento 24 horas, de acompanhamento contínuo para pessoas
de ambos os sexos, com problemas decorrentes do uso de álcool, crack e outras drogas. São
destinadas para pessoas em situação de vulnerabilidade social e/ou familiar acentuada, cujo tempo
de permanência é de até 6 meses (ALAGOAS, 2021).
As RT´s são ambientes restritos à moradia de pacientes que passaram por longos períodos
de internamento em hospitais psiquiátricos. Visam dar continuidade às ações de
desinstitucionalização, oferecendo a oportunidade de autonomia do usuário, reinserção na
sociedade, além de um tratamento assistencial comunitário através da integração com os CAPS
(SILVA, 2021).
No contexto da prestação de serviços assistenciais específicos para crianças e adolescentes,
o município de Maceió conta com uma Unidade de Acolhimento Infantil (UAI), voltada para o
atendimento humanizado no tratamento de dependência química, e um Centro de Atenção
Psicossocial Infantojuvenil (SILVA, 2021).
O CAPSi “Dr. Luiz da Rocha Cerqueira”, localizado no bairro da Serraria, é a única
referência no atendimento especializado de crianças e adolescentes, na faixa etária de 5 aos 18 anos
no Estado, portadores de algum transtorno mental grave, tais como: Autismo / TEA (Transtorno
do Espectro Autista), automutilação, depressão, esquizofrenia, transtorno de conduta, transtorno
de personalidade, TDAH com comorbidade e sofrimento psíquico grave. (ALMEIDA, 2019)
Compreende um serviço do tipo “porta aberta”, não exigindo encaminhamento médico para
garantir o cuidado ao usuário, atendendo inclusive a demanda espontânea. Neste contexto, o
CAPSi se adequa também às estratégias estipuladas pela Portaria 3.088/11, que propõe ampliar o
acesso à atenção psicossocial, articulando e integrando vários pontos da rede de saúde na
comunidade. Assim, na instituição, as ações de matriciamento são de fundamental importância,
uma vez que se propõem a ampliar a atuação de indivíduos, sejam profissionais ou não, através de
capacitações concentradas no reconhecimento do transtorno mental e na condução ao tratamento
especializado (BRASIL, 2011).
Chiaverini (2011, p. 13) define o apoio matricial como um método de produção de saúde
onde duas ou mais equipes compartilham ou criam uma proposta de intervenção terapêutica, a
exemplo da integração da atenção primária à saúde mental, desenvolvida no Brasil. De acordo
com Almeida (2019, p.44) o NASF atua como uma ferramenta valiosa junto ao matriciamento na

26

intermediação de conflitos relacionados às demandas em saúde mental, e complementa que
capacitações e treinamentos constituem alternativas para o beneficiamento tanto dos pacientes,
quanto dos profissionais, que passam a adquirir a qualificação necessária para abordá-los.
Ao primeiro contato com o CAPSi, tanto o paciente quanto seu responsável são acolhidos
por uma equipe multiprofissional, antecedendo a avaliação psiquiátrica. O tratamento instituído é
focado no acompanhamento ambulatorial com prescrição de medicações, como também na
promoção de oficinas terapêuticas em grupos para determinados usuários. As principais finalidades
das oficinas são estimular o desenvolvimento cognitivo e a autonomia do usuário, seguindo o
protocolo do Projeto Terapêutico Singular (PTS), que determina o tratamento individualizado
conforme as suas necessidades.
Segundo uma avaliação realizada pelo corpo técnico e administrativo, em outubro de 2019,
o local prestava assistência a cerca de 550 usuários, residentes exclusivamente em Maceió, dentre
os quais 150 estavam inseridos nas oficinas terapêuticas. A equipe de profissionais no serviço é
composta por 5 psiquiatras, 1 pediatra, 6 psicólogos, 3 terapeutas ocupacionais, 4 assistentes
sociais, 2 enfermeiros, 1 nutricionista, 1 farmacêutico, 2 fonoaudiólogos, 2 profissionais de
Educação Física, 1 pedagoga, 6 técnicos de enfermagem, 6 assistentes administrativos, 4
oficineiros, 6 agentes sociais, 1 agente de gestão e 1 gerente de unidade.
Tomando como referencial o contingente da população maceioense de pouco mais de 1
milhão de habitantes e a portaria 3088 de 23 de dezembro de 2011 do Ministério da Saúde, é
possível deduzir que deveriam existir ao menos cinco Centros de Atenção para o público
infantojuvenil em Maceió. Este fato expõe a fragilidade das políticas públicas e investimentos
direcionados para a saúde mental infantil, gerando uma sobrecarga advinda da demanda crescente
de usuários no CAPSi e da falta de outras instituições similares.

4 METODOLOGIA

Tipo de estudo

Trata-se de um estudo exploratório, descritivo com abordagem qualitativa, alicerçado nos
preceitos teóricos e metodológicos dos itinerários terapêuticos.

27

Local da pesquisa

A pesquisa foi realizada no Centro de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPSi) Dr.
Luiz da Rocha Cerqueira, localizado no bairro da Serraria, único do município de Maceió, e
também, no estado de Alagoas.

Participantes da pesquisa

A amostra foi composta por 29 participantes, divididos de acordo com a seguinte
organização: 20 responsáveis por crianças ou adolescentes com transtornos mentais em
atendimento no CAPSi e 9 responsáveis que abandonaram o tratamento no período compreendido
entre os anos de 2019 a 2020. Os cuidadores cujas crianças estavam em tratamento foram
classificados em duas categorias: 10 com usuários em atendimento tipo Ambulatorial Exclusivo e
10 com atendimento tipo Ambulatorial ‘Perfil CAPS’.
Todos os usuários atendidos pelo CAPSi são, a priori, incluídos na modalidade
Ambulatorial, que correspondem àqueles que são acompanhados pelo tratamento médico realizado
pelos psiquiatras da instituição. Os pacientes considerados ‘Perfil CAPS’ são aqueles que além do
tratamento psiquiátrico, são submetidos às intervenções de uma equipe multiprofissional, através
de oficinas terapêuticas, composta por: oficineiros, agentes sociais, técnicos de enfermagem,
terapeutas ocupacionais, assistentes sociais, psicólogos, profissionais de educação física,
fonoaudiólogos, enfermeiros e pedagoga, através de oficinas terapêuticas. O critério de seleção
para ingresso nas oficinas é definido de acordo com a necessidade de atividades em grupo, visando
estratégias de socialização, autocuidado e estímulo cognitivo.
O número exato dos participantes da pesquisa foi delimitado pelos preceitos da saturação
dos dados, usado em estudos qualitativos, sendo a interrupção da coleta definida quando nenhum
elemento novo foi encontrado e o acréscimo de mais informações, não alterou a compreensão do
fenômeno estudado.

(THIRY-CHERQUES, 2009). Quando na avaliação do pesquisador,

redundâncias ou repetições se apresentaram na análise (DENZIN e LINCOLN, 1994).

Amostra

28

4.4.1 Amostragem

A amostragem foi realizada por conveniência, levando em consideração o agendamento das
consultas para os psiquiatras realizadas no CAPSi durante os meses de maio e junho de 2021. No
caso dos desistentes, foi realizada uma pesquisa no arquivo de prontuários inativos, de onde foram
selecionados os 20 primeiros que se enquadraram no período descrito, sendo possível contato
através do número telefônico informado com 11 participantes, dos quais 9 aceitaram participar da
entrevista.

4.4.2 Critérios de inclusão

Foram incluídos os familiares ou responsáveis que acompanharam desde o início, o
percurso para busca de tratamento em saúde mental da criança e cujo ingresso no CAPSi tenha
ocorrido há pelo menos 1 ano. Entre os desistentes, foi considerado o período do abandono até 2
anos da data do último atendimento registrado no prontuário.

4.4.3 Critérios de exclusão

Foram excluídos os responsáveis que durante a abordagem foi observado visível déficit
cognitivo que impossibilitou a participação na entrevista e aqueles cuja criança tinha menos de 1
ano de acompanhamento no CAPSi.
Entre os desistentes foram excluídos os usuários cujo tempo de abandono foi superior a 2
anos, considerando-se a data do último atendimento registrado em prontuário e aqueles em que não
foi possível manter contato telefônico.

Coleta dos dados

A coleta de dados foi realizada durante os meses de maio e junho de 2021, através de
entrevista semiestruturada, composta por perguntas abertas elaboradas pelos pesquisadores.
(Apêndice A). As entrevistas tiveram em média 18 minutos de duração e totalizaram 6 horas e 23
minutos. O roteiro de perguntas foi estruturado em duas partes. A primeira com a caracterização

29

dos dados demográficos do responsável e da criança/adolescente com transtorno mental, obtidas a
partir dos respectivos prontuários. A segunda parte apresentou a questão norteadora do objeto de
estudo: “Em algum momento você percebeu que sua criança ou adolescente tinha algum problema
e que necessitava de ajuda? Você poderia nos contar como foi o caminho percorrido ou que você
fez desde a suspeita do problema mental até a conseguir tratamento no CAPSi?”
A partir desse questionamento mais amplo, no decorrer dos relatos, outras questões mais
específicas foram contempladas, no intuito de obter do entrevistado o relato das suas experiências
no itinerário terapêutico.
Entre os usuários em atendimento, as entrevistas aconteceram no próprio CAPSi, em salas
abertas e arejadas. Devido às medidas restritivas de distanciamento impostas pela pandemia do
Coronavírus ainda vigentes, foram adotadas algumas medidas de proteção como: manutenção de
pelo menos 1,5 metro de distância entre a pesquisadora e o entrevistado; exigência do uso de
máscara e disponibilização de álcool a 70% para assepsia das mãos.
Entre os desistentes, as entrevistas foram realizadas através de contato telefônico. O Termo
de Consentimento foi enviado através de aplicativo de mensagens e a condução das entrevistas
apenas após o aceite e a confirmação da leitura do TCLE. Todos os relatos foram gravados e
posteriormente transcritos com auxílio de programa de edição de texto.

Análise de dados

Os dados produzidos pelas entrevistas foram trabalhados na tipologia qualitativa, optandose pela abordagem teórico-metodológica da Análise de Conteúdo.
A lógica da Análise de Conteúdo é a mensagem, seja ela oral ou escrita, gestual, silenciosa,
figurativa, documental ou diretamente provocada. Tal análise debruça-se em comparações textuais,
assumindo que um dado sobre determinado conteúdo de uma mensagem deve, necessariamente,
estar relacionado a outro dado (FRANCO, 2008).
Pode ser definida como uma reunião de técnicas que permitem a análise de uma
comunicação. É provida de métodos sistemáticos e objetivos de descrição de conteúdos que visam
a localização de indicadores, permitindo a interpretação dos conhecimentos relacionados à
produção/recepção de mensagens (BARDIN, 2010). Para fortalecer as análises optou-se por
utilizar o software Atlas.ti versão 9.

30

De acordo com MURH (1991), o software é capaz de auxiliar na análise qualitativa, sem
automatizá – la, facilitando e apoiando a interpretação humana. Nesta circunstância, as entrevistas
foram transcritas na íntegra e registradas em documentos do Microsoft Word. Na interface do
Atlas.ti cada entrevista foi agrupada em documentos, nomeados de acordo com a identificação
estabelecida para os participantes. Paralelamente, o processamento dos dados qualitativos seguiu
as três fases para Análise de Conteúdo propostas por Bardin (2010):
1- Pré-Análise – Compreende a organização do material a ser trabalhado, de forma a
sistematizar as ideias iniciais. Nesta organização quatro etapas são seguidas: 1- a leitura
‘flutuante, na qual é estabelecido o primeiro contato com os documentos coletados,
buscando a sua compreensão; 2 – Escolha dos documentos que serão analisados; 3 formulação das hipóteses e dos objetivos; 4- criação de indicadores que irão orientar a
interpretação e delimitação formal do material.
2- Exploração do material: Compreende a fase em que os documentos são examinados,
investigados e analisados no intuito de selecionar as informações relevantes para a
pesquisa. Envolve o processo de codificação e da definição das unidades de codificação:
as unidades de registro (unidade de significação definida pelo pesquisador que
corresponde ao segmento de conteúdo a ser considerado como unidade base, visando sua
categorização e frequência); as unidades de contexto (unidades de compreensão utilizadas
para codificar as unidades de registros correspondentes ao segmento da mensagem, no
intuito de compreender a exata significação unidade de registro). A exploração do material
representa uma valiosa etapa que pode viabilizar ou não a riqueza das interpretações.
Representa a fase da descrição analítica, na qual o corpus (todo e qualquer material textual
coletado) é submetido à uma rigorosa análise orientada pelas hipóteses e referenciais
teóricos. Ao final deste processo, para facilitar a compreensão, os dados obtidos foram
organizados em categorias, de acordo com a temática estabelecida nos objetivos da
pesquisa.
3- Tratamento dos resultados e interpretação: corresponde ao tratamento dos resultados, onde
são enfatizadas as informações necessárias para análise que resultarão nas interpretações
inferenciais. É o momento de intuição, inferência e da análise reflexiva e crítica
(BARDIN,2010).

31

Aspectos Éticos

Esta pesquisa está em consonância com os preceitos éticos firmados nas Resoluções nº
466/2016 e 510/2016 do Conselho Nacional de Saúde, tendo sido aprovada pelo Comitê de Ética
em

Pesquisa da

Universidade

Federal

de

Alagoas,

sob

parecer n°

4.696.969

e

CAAE: 43327220.2.0000.5013.
Todos os participantes assinaram Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, em duas
vias e o anonimato foi garantido pela inclusão de um código alfa numérico expresso pelas letras A,
APC e D, seguido de um número cardinal sequencial.

32

5 PRODUTOS

1. EXPERIÊNCIAS DOS CUIDADORES NOS ITINERÁRIOS TERAPÊUTICOS EM
SAÚDE MENTAL INFANTOJUVENIL, submetido segundo as normas da REVISTA
CIÊNCIA & SAÚDE COLETIVA.

PRODUTO
Experiências dos cuidadores nos itinerários terapêuticos em saúde mental infantojuvenil.
Thays de Sá Targino Liberal – Liberal, T.de S.T. – thays.sa@famed.ufal.br
ORCID: https://orcid.org/0000-0002-3183-0328
Coautores:
Claudio Torres de Miranda – Miranda, C.T de.
ORCID: http://orcid.org/0000-0002-9602-6736
Jacks Soratto – Soratto, J.
ORCID: http://orcid.org/0000-0002-1339-7268
Alessandra Plácido Lima Leite – Leite, A.P.L
ORCID: https://orcid.org/0000-0002-4956-8823

33

TÍTULO RESUMIDO: Itinerários terapêuticos em saúde mental infantojuvenil.

RESUMO
Objetivo: analisar os caminhos percorridos pelos cuidadores de usuários atendidos em um Centro
de Atenção Psicossocial Infantil (CAPSi) de Maceió, procurando identificar as motivações,
dificuldades e estratégias na busca do tratamento em saúde mental infantojuvenil.

Estudo

exploratório, descritivo e qualitativo, cuja amostra foi composta por 20 participantes, selecionados
de acordo com o tipo de acompanhamento. A coleta de dados foi feita através de entrevista
semiestruturada e submetidos à análise de conteúdo com o auxílio do software Atlas Ti versão 9.
Observou-se que a principal motivação foi percepção materna de sintomas externalizantes na
criança em idades precoces. O itinerário terapêutico envolveu deslocamentos pelas redes de
atenção básica própria, complementar de serviços ao SUS e hospitalar. Entre as barreiras de acesso
relatadas destacaram-se a insuficiência de instituições e profissionais especializados, a falta de
capacitação profissional na atenção básica, a localização do CAPSi e a longa espera por psiquiatras.
Conclusão: os resultados obtidos mostraram que indicadores socioeconômicos comprometeram o
engajamento no cuidado e expuseram as fragilidades das políticas públicas e a escassez de
investimentos na saúde mental infantojuvenil.
Palavras-chave: Serviços comunitários de saúde mental; Criança; Adolescente; Transtornos
mentais.

34

ABSTRACT
Objective: This study aimed to analyze the paths taken by the caregivers of users assisted in a Child
Psychosocial Care Center (CAPSi) of Maceió, seeking to identify the motivations, difficulties and
strategies in the search for treatment in child and adolescent mental health. Exploratory, descriptive
and qualitative study, whose sample was composed of 20 participants, selected according to the
type of follow-up. The data collection was made through semi-structured interviews and submitted
to content analysis with the help of the Atlas Ti version 9 software. It was observed that the main
motivation was maternal perception of externalizing symptoms in the child at early ages. The
therapeutic itinerary involved displacements through the networks of basic care, complementary
services to SUS and hospital. Among the barriers to access reported were the insufficient number
of institutions and specialized professionals, the lack of professional training in primary care, the
location of CAPSi and the long wait for psychiatrists. Conclusion: the results obtained showed that
socioeconomic indicators compromised the engagement in care and exposed the weaknesses of
public policies and the scarcity of investments in child and adolescent mental health.
Keywords: Community mental health services; Child; Adolescent; Mental disorders.

35

INTRODUÇÃO

Cerca de 20% das crianças e adolescentes no mundo sofrem de um ou mais transtorno
mental diagnosticável¹. No Brasil, as estimativas indicam uma prevalência de 13%2, e que destes,
apenas 37,5 % recebam alguma intervenção terapêutica ao longo de 4 anos³. Esta lacuna entre a
prevalência e o acesso ao tratamento especializado sugere que alguns fatores possam interferir na
cobertura e na eficácia da atenção em saúde mental destinadas a este público.
Aspectos sistêmico-estruturais relacionados aos serviços de saúde mental podem levantar
possíveis obstáculos ao tratamento especializado para a população infantojuvenil, inclusive em
países mais ricos4. Para a população brasileira, as barreiras de acesso são ainda mais complexas e
estão relacionadas tanto a fatores estruturais/organizacionais, quanto a econômicos e humanos, tais
como: baixa capacitação dos profissionais, desarticulação na rede de prestação dos serviços,
escassos investimentos em saúde mental e falta de psiquiatras infantis5.
Reconhecer o transtorno mental é um fardo doloroso e as dificuldades enfrentadas pelos
familiares no itinerário terapêutico, ou seja, no deslocamento pelas redes que compõem o sistema
de saúde destinada ao tratamento 6, tendem a tornar as experiências ainda mais traumáticas7.
De acordo com os artigos 8º e 9º do Decreto 7.508 / 2011, que dispõe sobre a organização
do Sistema Único de Saúde, o acesso universal, igualitário e ordenado às ações e serviços de saúde
se inicia pelas Portas de Entrada do SUS, dos quais fazem parte os serviços de atenção primária;
de urgência e emergência; de atenção psicossocial e especiais de acesso aberto8.
Com o advento da Lei 10.216/2001, o modelo de atenção à saúde mental foi reformulado,
priorizando o tratamento dos portadores de transtornos mentais em serviços extra-hospitalares de
caráter comunitário, restringindo assim os internamentos em instituições com características

36

asilares9. Tais serviços viriam a ser denominados, no caso da criança e do adolescente, Centros de
Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPSi), regulamentados através da portaria 336/2002 do
Ministério da Saúde.10
O CAPSi é um local de referência para a identificação e tratamento de transtornos mentais
graves e persistentes em crianças e adolescentes ou que apresentem problemas pelo uso abusivo de
álcool, crack e outras drogas11. Entretanto a maioria dos municípios do Brasil não são contemplados
com estas instituições, justificando o fato de que o acesso das demandas à saúde mental infantil
ocorre, a princípio, na Atenção Básica12.
Neste contexto, destacou-se a necessidade de discorrer sobre a atuação das políticas
públicas locais, na configuração da rede de assistência em saúde mental em Maceió. Para tanto, a
pesquisa teve como objetivo analisar a trajetória percorrida pelos familiares ou cuidadores na busca
por tratamento especializado para crianças e adolescentes atendidos no CAPSi do município,
identificando suas motivações, dificuldades e estratégias vivenciadas no itinerário.

MÉTODOS

Estudo exploratório, descritivo com abordagem qualitativa, realizado no único CAPSi do
município de Maceió, e também do estado de Alagoas. A amostra foi composta por 20 participantes
cujas crianças estavam em tratamento na instituição, classificados em duas categorias: 10 usuários
em atendimento tipo Ambulatorial Exclusivo e 10 em atendimento tipo Ambulatorial ‘Perfil
CAPS’.

37

Todos os usuários atendidos pelo CAPSi são, a priori, incluídos na modalidade
Ambulatorial, que correspondem a aqueles que são acompanhados pelo tratamento médico
realizado pelos psiquiatras. Os pacientes considerados ‘Perfil CAPS’ são aqueles que além do
tratamento psiquiátrico, são submetidos às intervenções de uma equipe multiprofissional, através
de oficinas terapêuticas. O critério de seleção para ingresso nas oficinas é definido de acordo com
a necessidade de atividades em grupo, visando estratégias de socialização, autocuidado e estímulo
cognitivo.
O número exato dos participantes foi delimitado pelos preceitos da saturação dos dados
usado em estudos qualitativos, sendo a interrupção da coleta definida quando nenhum elemento
novo foi encontrado e o acréscimo de mais informações, não alterava a compreensão do fenômeno
estudado13.
A amostragem foi realizada por conveniência, levando em consideração o agendamento das
consultas para os psiquiatras realizadas no CAPSi durante os meses de maio e junho de 2021.
Foram entrevistados os familiares ou responsáveis que acompanharam desde o início o percurso
para busca de tratamento em saúde mental da criança e cujo ingresso no CAPSi tenha ocorrido há
pelo menos 1 ano. Foram excluídos aqueles em que se observou visível deficit cognitivo que
impossibilitou a participação na entrevista, e aqueles cuja criança tinha menos de 1 ano de
acompanhamento no CAPSi.
A coleta de dados foi realizada através de entrevista semiestruturada, composta por
perguntas abertas elaboradas pelos pesquisadores, cujo roteiro foi estruturado em duas partes. A
primeira com a caracterização dos dados demográficos do responsável e da criança/adolescente
com transtorno mental, obtidas a partir dos respectivos prontuários.
A segunda parte apresentou a questão norteadora do objeto de estudo: “Em algum momento

38

você percebeu que sua criança ou adolescente tinha algum problema e que necessitava de ajuda.
Você poderia nos contar como foi o caminho percorrido ou que você fez desde a suspeita do
problema mental até a conseguir tratamento no CAPSi?”
A partir desse questionamento mais amplo, no decorrer dos relatos, outras questões mais
específicas foram contempladas, no intuito de obter do responsável o relato das suas experiências
no itinerário terapêutico. As entrevistas aconteceram no próprio CAPSi e em virtude do período
de pandemia de Covid-19 foram tomadas as medidas de proteção exigidas pelos órgãos
competentes.
Os dados obtidos foram trabalhados na tipologia qualitativa, optando-se pela abordagem
teórico-metodológica da Análise de Conteúdo. Para fortalecer as análises utilizou-se o software
Atlas.ti versão 9. As falas foram transcritas na íntegra e registradas em documentos do Microsoft
Word. Na interface do Atlas.ti cada entrevista foi agrupada em documentos, nomeados de acordo
com a identificação estabelecida para os participantes. Paralelamente, o processamento analítico
dos dados qualitativos seguiu as três fases da Análise de Conteúdo propostas por Bardin14: PréAnálise; Exploração do material e Interpretação, conforme descrição de Soratto, Pires e Friese.15
Esta pesquisa faz parte de um estudo multicêntrico realizado em conjunto com o Programa
de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da Universidade do Extremo Sul Catarinense, em
Criciúma/SC, tendo sido aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de
Alagoas, sob parecer n° 4.696.969. Todos os participantes assinaram Termo de Consentimento
Livre e Esclarecido, em duas vias e o anonimato foi garantido pela inclusão de um código alfa
numérico expresso pelas letras A e APC, seguido de um número cardinal sequencial.

39

RESULTADOS E DISCUSSÃO

No sentido de quantificar o perfil demográfico dos participantes, os dados foram
apresentados em tabelas, considerando-se as frequências absoluta e relativa.
Quanto aos responsáveis foi observada a figura materna, na faixa etária de 41 a 50 anos
como principal responsável pela criança ou adolescente no tratamento no CAPSi. Houve
predominância de renda familiar de até um salário mínimo (R$1.100,00), de ensino fundamental
incompleto e de atividade domiciliar não remunerada, fatores característicos de uma população em
vulnerabilidade social (tabela 1).
Na amostra das crianças e adolescentes atendidos, houve predominância do sexo masculino.
Maior quantitativo esteve presente nas faixas etárias de 11 a 13 anos e de 14 a 16 anos, com tempo
de permanência no serviço de 1 a 3 anos. Os transtornos prevalentes foram F90-F98 (Transtornos
do comportamento e transtornos emocionais que aparecem habitualmente durante a infância ou
adolescência); F70-79 (Retardo mental) e F80-F89 (Transtornos do desenvolvimento psicológico)
(tabela2). Estes também foram predominantes no sexo masculino, entretanto, os episódios
depressivos (F32.2) foram exclusivos no sexo feminino, como detalhado na tabela 3.
Os resultados deste estudo foram convergentes com pesquisas nacionais e internacionais.
Uma análise do perfil de crianças e adolescentes que utilizaram serviços de CAPSi no Brasil, no
período de 2008 a 2012, observou uma maior predominância do sexo masculino (68,8%). Dos
85,7% registros dos transtornos encontrados, 29,7% estavam presentes no grupo (F90-F98); 23,6%
em (F80-F89); 12,5% em (F70-F9), 10,4% em (F40-F48) e 9,5% em (F30-39). Transtornos
hipercinéticos, transtornos de conduta (F90-98) e TEA (F80-89) também são bastante citados na
literatura pela sua incidência precoce16.

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Os dados obtidos demonstraram uma diferença contundente na propensão de gênero,
indicando a predominância masculina17, e encontraram respaldo na literatura, como observado na
tabela 2 deste estudo. Tal fato é justificado pela associação de fatores genéticos (mutações dos
genes presentes no cromossomo Y) e da maior vulnerabilidade a lesões no cérebro18.
Um crescimento alarmante da combinação de ansiedade, depressão e automutilação tem
sido observado entre meninas e mulheres jovens19. Um estudo realizado por Morgan et al20 sobre
autolesão no Reino Unido identificou um aumento de 68% na incidência destes problemas em
jovens de 13 a 16 anos entre 2011-2014. Apesar de não haver uma explicação única para este
advento, supõe-se que uma confluência de fatores sociais, econômicos e comportamentais possam
contribuir nestes aspectos na atual geração19.
Os dados provenientes das entrevistas, analisados com o auxílio do software Atlas Ti versão
9, geraram um total de 20 documentos. Destes foram extraídas 322 citações (Unidades de
contexto), organizadas em 62 códigos (Unidades de registro), posteriormente subdivididas em 3
grupos de códigos de acordo com as temáticas definidas nos objetivos da pesquisa: Motivações
para busca de ajuda; Dificuldades enfrentadas no itinerário terapêutico e Estratégias na busca de
tratamento, que serão apresentados com subtítulos retirados das falas dos participantes.

Motivações para busca de ajuda: “Eu achava ele muito estranho! ” (APC8)

Os achados mostraram que a principal motivação para que os cuidadores procurassem
tratamento para a criança ou adolescente foi a percepção de algum comportamento anormal, notado
predominantemente pela figura materna. As alterações relatadas faziam inferências a sintomas
externalizantes, mais reprovados socialmente e de fácil identificação, com maior frequência no
sexo masculino em idades precoces, ou seja, entre 2 a 4 anos, tais como: heteroagressidade;

41

autoagressividade; hiperatividade e atraso no desenvolvimento psicomotor, conforme os relatos a
seguir:
“Amizade com coleguinha, ele não tinha. Ele chegava só para machucar... atacava,
agredia, mordia demais!” (A1)

“Eu já notava uma inquietação e um afastamento dos amigos da creche. Depois eu
comecei a reparar as autoagressões...” (A6)

“Ele também não falava e retrocedeu! Ele engatinhava, andava e depois voltou a
engatinhar. Ele gritava muito, não dormia, era muito inquieto...” (A2)

Algumas hipóteses de que o reconhecimento de transtornos mentais é mais facilmente
percebido em meninos foram confirmadas, uma vez que sintomas como a agressividade e
irritabilidade tendem a ser mais valorizados pela família e pela escola. Isso sugere que seus
responsáveis procuram atendimento precoce com mais frequência, em serviços de saúde mental
específicos21.
As adolescentes do sexo feminino, na faixa etária entre 13 e 17 anos, constituíram 40% da
amostra dos usuários, sendo predominante neste grupo, a presença de transtorno depressivo,
associado a sintomas internalizantes como introspecção, tristeza e baixa autoestima. Foi comum
nos depoimentos dos responsáveis a dificuldade em reconhecer, que tais manifestações eram
sugestivas de transtorno mental, postergando a procura pelo tratamento especializado e culminando
com o agravamento dos mesmos:

“Ela se reservava, não queria fazer amizade. Aí a sua ficha vai caindo[...], poxa aquilo
que acontecia com a minha filha, era uma depressão!” (APC6)

“Eu não tinha prestado atenção nos sintomas que ela tinha. Eu cheguei, creio que um
pouquinho tarde e ela já estava uma pessoa muito mais debilitada, em questão da
depressão.”. (APC3)

42

A procura tardia pelo tratamento especializado para meninas pode ser explicada pelo fato
de que os problemas internalizantes, devido às suas peculiaridades, tendem a ser identificados com
maior dificuldade por outras pessoas do convívio. Indivíduos com este padrão não costumam
causar muito incômodo ou desconforto no meio familiar ou social sendo, portanto, menos
encaminhados para avaliação e, consequentemente, tratamento22. Nos trechos acima foi possível
identificar esta correlação com a literatura.

Dificuldades enfrentadas no itinerário terapêutico: “Eles não consultam o paciente,
consultam a doença! ” (A7)

Neste contexto e com base nos relatos dos entrevistados, as dificuldades mais enfrentadas
no acesso ao tratamento especializado foram: a escassez de vagas na rede complementar; a
insatisfação com a rede de atenção primária; os problemas financeiros; a sobrecarga do cuidador;
a negação da doença mental e o estigma (figura 1).
A falta de vagas nos serviços relacionados à atenção em saúde mental infantojuvenil esteve
relacionada à insuficiência de serviços e profissionais especializados (sobretudo o psiquiatra). Nos
últimos quatro anos recursos federais foram investidos na estruturação de toda a rede física de
gestão do SUS em Maceió, contudo os serviços pertinentes à saude mental não obtiveram a devida
prioridade, mesmo com o crescimento dos transtornos mentais identificado no perfil
epidemiológico da população. Assim, a implementação da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS),
enfrentou diversos limites para a efetivação dos seus objetivos. O principal deles é a existência de
apenas um CAPSi23.
Os excessivos deslocamentos pela rede eram responsáveis pela angústia, desgaste físico e

43

psíquico e longo tempo de espera relatados pelos familiares. Estes fatores os impulsionaram a
buscar como alternativa as instituições integrantes da rede de atenção complementar de serviços
ao SUS ou redes de serviços mais complexas (rede hospitalar).

“Foi um ano de correria. Entre esse total de profissionais nesse período, entre pediatras,
psicólogos, neuro, assistentes sociais, foram onze profissionais em um ano de trajetória”
(A2)
“Acho que passei em torno de 7 meses até chegar aqui. Procurei a Clínica Z. Procurei a
Clínica H, mas também não tinha vaga, devido à demanda. ” (A6)

“Fui no que tinha de posto para ver psiquiatra. Consegui só no Hospital P. Eu já tinha
ido lá 3 vezes. E lá, me disseram: ” Mãe, nós não temos vaga, porque tem que ser um
psiquiatra que seja infantil” (A1)

Nas narrativas foi possível observar a precária atenção à população infantojuvenil em
adoecimento psíquico. O próprio plano Municipal de Saúde reconhece estas falhas, e no intuito de
amenizar este problema, dispõe de uma parceria com as chamadas instituições da rede
complementar de serviços ao SUS. Especificamente em Maceió, estas instituições são na realidade
integrantes da rede complementar de deficiência23.
Na trajetória por esta rede muitos pais relataram um desfecho bastante comum, assim que
seus filhos chegavam à adolescência: o desligamento por alta.

Em números absolutos, as

instituições integrantes da rede complementar conseguem contemplar quase todos os distritos
sanitários do município, ao contrário da rede especializada. Ao serem desligados desse sistema, as
opções de tratamento em saúde mental para os adolescentes se tornavam cada vez mais escassas,
culminando com a sobrecarga do CAPSi. Embora este estudo não tenha abrangido peculiaridades
acerca do funcionamento da rede complementar, tais relatos sugeriram que a grande demanda
limitava a permanência no tratamento.

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“Disseram que ele estava melhorando e tiraram ele, que com o tempo se precisasse, eu
procurasse lá ou outro lugar, para arrumar outra vaga. Eu creio que é porque é muita gente
que precisa!”. (A3)
“Chegou um momento, disseram que não dava para ele ficar lá. E eu perguntei: “Como é
que vai ser? Meu filho vai ficar sem tratamento? E me disseram: “não mãe, você procura
um posto.” (A1)

Na abordagem da temática insatisfação com a rede de atenção primária em saúde (APS),
alguns depoimentos descreveram uma frustração no contato profissional da APS, especialmente o
pediatra, gerando uma descrença dos familiares nas terapêuticas propostas. A falta de capacitação
dos profissionais nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) para atender a demanda em saúde mental
foi compreendida pelos cuidadores como um descaso frente ao seu sofrimento. Ao não receberem
informações, encaminhamentos ou diagnósticos adequados, muitos deles acabaram abandonando
suas buscas, agravando posteriormente a condição clínica da criança:

“Falei para a pediatra que ele estava desencadeando umas coisas que não eram normais.
Aí ela disse: ‘Infelizmente eu não vou encaminhar a senhora para ‘neuro’ nenhum, porque
isso daí é malcriação! ’ Não gostei da experiência com ela, foi péssima. ” (APC2)
“Eu comecei a procurar pediatras. Mudei de pediatras várias vezes, e eles diziam que era
normal e cada criança tem o seu tempo. Porque ele não falava. [...]. Se você é profissional
e me diz que não tem nada, por que eu vou continuar?” (A2)

Convém esclarecer que na APS, porta inicial de procura por tratamento clínico e
encaminhamento para serviços especializados, nem todas as equipes estão aptas a prestarem
assistência em saúde mental24. Como a integração de psiquiatras e psicólogos ao NASF é opcional,
a não acessibilidade a estes profissionais na APS, faz com que crianças e adolescentes sejam
atendidos rotineiramente por pediatras ou médicos da família, e a falta de capacitação destes podem
retardar a identificação e o tratamento adequado25.

45

Em se tratando de uma população vulnerável, fatores pessoais também podem impactar
diretamente no cuidado destinado ao portador de transtornos mentais. Considerando a ordem de
relevância, a questão financeira, em algumas situações, foi determinante para a limitação do acesso
e/ou permanência da criança no tratamento.

Eu passei uns meses sem vir, quase perdi a vaga dele. Só que fui compreendida pelos
profissionais, por causa da questão do transporte e a questão financeira. E a distância,
de lá para cá eu pego 02 ônibus. Devido isso também, a gente acaba nem vindo, porque
é falta de passagem. (A6)

O relato acima evidencia uma correlação entre o fator financeiro e o geográfico. Para a
maioria dos entrevistados, residentes nas áreas mais populosas, a localização do CAPSi representa
uma barreira de acesso, uma vez que a malha rodoviária do município que interliga os bairros é
escassa e fragmentada.
Uma criança com transtorno mental ao invés de se tornar independente com o tempo, vai
requerer de seu responsável cuidados periódicos, impedindo-o de ter um vínculo empregatício
duradouro, restando – lhe ainda a exclusividade nos afazeres domésticos. Além de não conseguir
ingressar em uma ocupação formal, a baixa escolaridade acaba por limitar a possibilidade de uma
melhor formação profissional, prejudicando ainda mais a renda familiar26. Isto parece justificar o
esforço destas mães em obter o benefício social destinado a portadores de doenças mentais, que
vem a se tornar a única fonte de sustento.

“Hoje é a principal renda porque eu não posso trabalhar e ninguém quer ficar. Se a gente
que é mãe, não tem condições de trabalhar, vai correr atrás do benefício da criança.”
(APC9)

Nesta investigação o predomínio da figura materna como único ou principal cuidador e a
sobrecarga advinda desta atribuição esteve de acordo com diversos estudos sobre o tema. A

46

presença constante das mães em serviços de saúde, inclusive mental, é reflexo de uma tradição
histórica que mesmo após modificações ao longo do tempo, ainda lhes atribui o dever de cuidar27.
Ao negar à mulher o direito de abdicar dos filhos para cuidar de si mesma, danos à sua saúde podem
se manifestar, não devendo ser negligenciados pelos profissionais que acompanham a criança28.
“Era tudo para mim... Às vezes, eu esquecia até de ir às consultas, porque tudo sou eu,
tudo sou eu...” (A5)
“Ele tinha crise uma atrás da outra. Eu chorava e dizia: ‘Meu Deus, me ajuda! ’ Eu
sentia vontade de me matar. Ele era esquizofrênico, mudava de personalidade. Tinha hora
que eu sentia um medo tão grande! Nem de garfo e faca eu deixo ele comer”. (APC1)

Foi comum o desabafo sobre experiências negativas vividas pela doença mental de seus
filhos. Nesta perspectiva, as mães relataram a frustração e o constrangimento diante da confirmação
do diagnóstico, seguida por um sentimento de negação em aceitá-lo. Sob esta recusa pairava uma
inquietação provocada pelo preconceito ao qual estas crianças estavam sujeitas, e que em alguns
casos era responsável pelo receio em buscar o tratamento e pelo isolamento social.

“A minha mãe percebeu primeiro que ele nasceu com problema, só que eu não queria
aceitar. Eu tenho cinco filhos fora ele e todos nasceram perfeitos”. (APC1)
“Nunca procurei um médico porque eu não aceitava que a minha filha tivesse esse
problema. Eu não aceitava depressão. Eu dizia que era malcriação porque eu tinha
vergonha! ” (APC6)
“Eu passo vergonha até mesmo entre família. Fazem festa, não me avisam, não dizem
nada, por causa desse problema do menino. Às vezes até rejeitam! (APC10)

Pesquisas consideram que a recusa em aceitar a doença mental é decorrente do estigma que
é imposto ao doente e às pessoas que lhes são próximas. O medo de rejeição e de como a
comunidade encara a condição da criança, impõem ao cuidador inúmeras restrições e sobrecargas
física e emocional29, como podemos verificar nos relatos acima.

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Estratégias na busca de tratamento: “Procure um médico que eu acho que esse teu filho é
especial! ” (A3)

A partir dos trechos selecionados nas entrevistas referentes à rede de codificação ‘Itinerários
Terapêuticos’, foram catalogadas 60 citações, distribuídas em 6 códigos. Tais códigos foram
utilizados para especificar todas as opções terapêuticas acessadas no itinerário que antecederam o
ingresso no CAPSi, ou seja: rede complementar de serviços ao SUS (21 citações); rede
ambulatorial própria do SUS (15 citações); rede hospitalar (12 citações); profissional privado (9
citações); Juizado especial/Conselho Tutelar (2 citações) e dirigente religioso (1 citação), conforme
demonstrado na figura 2.
Os discursos sobre os itinerários permitiram inferir que nas fases iniciais de busca por ajuda,
por iniciativa própria ou aconselhamento de terceiros, os familiares tenderam a procurar pelas UBS
da rede própria do SUS:

“Fui no posto de saúde do conjunto Carminha. A médica que atende todas as
especialidades lá, encaminhou ele para o CAPS.” (A3)

“Eu conversei com a dirigente da igreja, que tem conhecimento com a médica do posto
do Jacintinho, aí ela conseguiu uma vaga para mim lá. (A4)

A preferência pelas UBS pode ser explicada pelo fato de que a alta prevalência, a baixa
adesão ao tratamento e a trajetória crônica relativas ao adoecimento psíquico, tornam a atenção
primária em saúde do SUS, o âmbito ideal para prevenção, avaliação e tratamento deste agravo na
infância e adolescência30. Destaca-se também a proximidade com a população e o caráter menos
estigmatizante que propõe atendimento mais célere em casos mais graves31.
Após a triagem na rede ambulatorial própria, os cuidadores se dirigiam para a rede

48

complementar de serviços ao SUS, devido a insuficiência da RAPS do município e em alguns casos
devido à idade mínima para ingresso no CAPSi (5 anos).
Composta por segmentos regulamentados pela Lei 13.146 de 06 de julho de 2015, a rede
complementar tem como objetivo garantir e promover, em condições de igualdade, o exercício dos
direitos e das liberdades fundamentais para a pessoa com deficiência, propondo sua inclusão social
e cidadania32. Através do atendimento aos portadores de deficiência intelectual, a exemplo do
Transtorno do Espectro Autista (TEA), estas instituições passaram a atuar como parceiras da
RAPS33.
Diferentemente do atendimento nas UBS, a trajetória pelas unidades complementares não
era única, sendo frequente a migração entre uma ou duas instituições, à medida que os usuários
recebiam alta ou necessitavam de novas avaliações médicas. Isto explica seu maior número de
citações nos itinerários.

“Na clínica X a neuro disse que eu procurarasse um psiquiatra porque o caso de A1 não
era com ela, e sim psiquiátrico. E ele ficou sendo atendido no Hospital H e na clínica X.”
(A1)
“Fiz a entrevista aqui no CAPSi e falaram que no momento ele não podia ficar porque
era muito pequeno e que eu procurasse um lugar que aceitassem. Fui procurar a clínica
X ”. (A3)

Também foram registrados alguns relatos de responsáveis cujos adolescentes ao
apresentarem agravamento do transtorno mental, adotaram atitudes e comportamentos extremos
como automutilação e ideação suicida. Nestes casos, a procura por ajuda se deu através da rede
hospitalar.

Quando ela tinha 14 anos eu vi que realmente as coisas estavam se agravando. Comecei
a observar uns cortes nas pernas dela com lâmina. Um deles foi profundo e fomos para o
hospital geral. Chegando lá, eles encaminharam para o CAPS. (APC6)

49

“Eu fui no hospital psiquiátrico porque ela estava muito agoniada, inquieta. Ela queria
se cortar, se matar. E eu não estava aguentando mais. ” (A4)

A procura pela rede hospitalar retrata um ponto ainda muito polêmico relacionado ao padrão
de assistência em saúde mental preconizado pela Lei 10.216/2001, que incitava a luta
antimanicomial e priorizava os serviços comunitários em detrimento do modelo hospitalocêntrico9.
Como o papel do CAPSi é prestar assistência para transtornos mentais graves e persistentes, podese inferir que a falta de informação, a sobrecarga na RAPS e a resistência na manutenção dos
hospitais psiquiátricos possa levar os indivíduos a errôneos direcionamentos.
Desta forma, é evidente que a carência de serviços especializados configura um obstáculo
para a expansão e regionalização da RAPS no Brasil, como forma substitutiva às necessidades de
internação em hospitais psiquiátricos e também no enfrentamento dos casos de transtornos
psiquiátricos menores, comportamento suicida e apoio ao público infantil34.
Na sequência da temática dos itinerários, alguns familiares relataram a necessidade de
recorrer a profissionais particulares, especificamente psiquiatras infantis e psicólogos, alegando
carência dos mesmos pela rede de atenção do SUS. Devido ao orçamento familiar insuficiente,
esta estratégia era comumente abandonada.

“Como na clínica A não tinha psiquiatra para as crianças na época, as mães tinham que
se virar. Aí marquei uma consulta com o Dr G. Só que eu não tinha condições de pagar
toda vez, na época duzentos reais a consulta. ” (A1)
“O pai levou ela para uma psicóloga particular, pois ela tinha depressão. Ficou alguns
meses só, porque a gente não podia tá pagando. ” (A10)

Foram registradas duas entrevistas em que o transtorno mental das usuárias esteve
relacionado ao abuso sexual. Nestes casos um itinerário terapêutico menos convencional envolveu
a participação de órgãos de assistência jurídica (Juizado de Violência Doméstica contra a Mulher),

50

e social (Conselho Tutelar) além de dirigentes religiosos. Os agressores eram pessoas ligadas ao
convívio familiar das vítimas: pai e padrasto. As constantes situações envolvendo ameaças,
perseguições e violência física acarretaram na cronicidade e ocultação dos abusos, bem como o
acesso tardio ao tratamento.

“Eu vivia com um rapaz que aliciou minha filha dos 5 aos 11 anos. Ele abusava dela, só
que eu não sabia, nunca nem notei. Quando ela completou 11 anos, ela falou para a
pastora da igreja que chamou o conselho tutelar e foi aquela confusão toda.” (A7)

“Ela foi abusada pelo pai dos 9 aos 12 anos. Como eu criei o processo de violência
doméstica, e o Juizado de Violência contra a mulher tinha uma psicóloga, ela me orientou.
Estava em fase de pandemia e ela disse: ‘Vou dar essa ajuda psicológica até a gente
arrumar um local para ela se tratar. ’ “ (APC3)

O abuso sexual no contexto familiar representa uma experiência traumática que
afeta principalmente, o desenvolvimento emocional de crianças e adolescentes, com consequências
danosas que podem se estender até a vida adulta35. Devido ao chamado “pacto de silêncio” que
consiste no comportamento de omissão por parte da vítima e seus responsáveis, menos de 10% dos
casos chegam ao conhecimento do sistema de saúde e de segurança36.
Considerou-se o marco final do itinerário terapêutico neste estudo a chegada dos
responsáveis com suas crianças ou adolescentes ao CAPSi. Através da análise de alguns diálogos,
foi observado o esforço da gestão e da equipe multiprofissional em proporcionar um tratamento
integral e humanizado, apesar das dificuldades para manter a excelência do serviço, uma vez que
a unicidade da instituição em todo o estado de Alagoas expôs a sobrecarga na atenção em saúde
mental infantojuvenil.
Um dos tratamentos propostos pelo CAPSi são as oficinas terapêuticas, consideradas
fundamentais para o desenvolvimento cognitivo e emocional. Devido às limitações estruturais e
humanas (quantitativo de profissionais), elas são ofertadas a apenas 1/3 das crianças. Com o

51

advento da pandemia por COVID – 19, houve um crescimento de cerca de 30% na procura por
atendimento. Entretanto, devido às normativas sanitárias impostas, as oficinas foram suspensas,
acarretando grande prejuízo à saúde mental dos usuários:

“A pandemia influenciou muito! Porque se não fosse isso, eles estariam fazendo oficina
durante a semana e encontrariam outras crianças. Iriam brincar, conversar...eu acho que
está fazendo muita falta” (APC6)
“Ele voltou a ficar agressivo, a comer compulsivamente e engordou depois da pandemia”
(APC2)

Inúmeras vulnerabilidades sociais e de gestão governamental foram reveladas com o
impacto da pandemia. Aliada à irreparável perda de milhares de vidas, as medidas restritivas
impostas para conter a disseminação do vírus, mudaram bruscamente as relações sociais,
principalmente para as crianças e adolescentes.
Assim, será um grande desafio para o CAPSi gerir o aumento da futura demanda, à medida
que o avanço da estruturação e os investimentos na RAPS permanecem estagnados em Maceió.
Diante disso, fica a reflexão do quanto as fragilidades das políticas públicas para saúde mental
infantojuvenil e as barreiras pessoais poderão influenciar ou desencorajar a procura por tratamento.

Fontes de financiamento

A pesquisa não recebeu financiamento específico para a sua realização.

52

Conflito de interesses

Os autores declaram que não há conflito de interesses.

Colaboradores

T.S.T Liberal foi responsável pelo planejamento do estudo, análise e interpretação dos dados,
revisão bibliográfica, discussão dos resultados e redação do manuscrito. J. Soratto contribuiu na
concepção do estudo, análise dos dados e revisão do conteúdo intelectual para aprovação da versão
a ser publicada. A.P.L. Leite contribuiu na revisão do conteúdo intelectual para aprovação da
versão a ser publicada. Todos os autores leram e aprovaram a versão final do manuscrito. C.T.
Miranda contribuiu na concepção e revisão crítica do conteúdo intelectual para a aprovação da
versão final a ser publicada.

53

REFERÊNCIAS

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na Internet]. 2019 [acessado 2021 Jul 5]. Disponível em: https://www.msdmanuals.com/ptbr/profissional/pediatria/transtornos-mentais-em-crianças-e-adolescentes/visão-geral-dostranstornos-mentais-em-crianças-e-adolescentes

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disorders among children and adolescents from four Brazilian regions. Braz J Psychiatry 2015;
37(2): 178–179.
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54

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58

TABELAS

Tabela 1 - Perfil demográfico dos responsáveis pelos usuários atendidos no CAPSi de Maceió,
AL - 2021.
Responsável

Frequência
Absoluta(FA)

Frequência
Relativa(FR)

Mãe
Pai
Avó

15
03
02

75
15
10

Faixa etária
20-30
31-40
41-50
51-60
Acima 61

FA
1
6
11
1
1

FR
5
30
55
5
5

Grau de instrução
Nenhum
Ensino fundamental incompleto
Ensino médio completo
Ensino médio incompleto
Ensino Superior incompleto

FA
2
11
4
2
1

FR
10
55
20
10
5

Renda Familiar (salário mínimo vigente R$ 1.100,00)
Sem renda
Menos de 1 salário mínimo
1 salário mínimo
1 a 2 salários mínimos
Mais de 2 salários mínimos

FA
2
2
11
4
1

FR
10
10
55
20
5

Profissão
Do lar (atividade domiciliar não remunerada)
Vendedora
Desempregado
Porteiro
Designer

FR
16
1
1
1
1

FR
80
5
5
5
5

Fonte: Autoria própria

59

Tabela 2 - Perfil demográfico e transtornos mentais dos usuários, crianças e adolescentes,
atendidos no CAPSi de Maceió, AL - 2021.

Sexo

Frequência
Absoluta(FA)

Frequência
Relativa
(FR)

Masculino
Feminino

12
8

60
40

Faixa Etária (anos)
5-7
8-10
11-13
14-16
17-18

FA
1
2
6
6
5

FR
5
10
30
30
25

Tempo no CAPSi (anos)
1-3
4-6
7-9
Acima de 10

FA
8
6
4
2

FR
40
30
20
10

Transtornos mentais
F(90-98)
F70-79
F(80-89)
F(40-49)
F32.2
F(60-69)

FA
10
8
7
4
4
1

FR
29,4
23,5
20,6
11,8
11,8
2,9

Fonte: Autoria própria

60

Tabela 3 - Transtornos mentais em relação ao sexo dos usuários, crianças e
adolescentes do CAPSi. Maceió, AL - 2021.

Transtornos
mentais
F(90-98)
F(80-89)
F(70-79)
F(60-69)
F(40-49)
F32.2
Fonte: Autoria própria

Feminino
FA
1
2
2
1
2
4

FR
2,94
5,88
5,88
2,94
5,88
11,8

Masculino
FA
9
6
5
0
2
0

FR
26,5
17,6
14,7
0
5,88
0

61

FIGURAS
Figura 1 - Detalhamento da categoria ‘Dificuldades enfrentadas no itinerário terapêutico’

Fonte: Printscreen da análise de conteúdo realizada pela autora com auxílio do software Atlas.ti versão 9.

62

Figura 2 - Rede da Codificação “Itinerário Terapêutico”

Fonte: Rede de codificação realizada pela autora no software Atlas.ti versão 9.

63

6 CONCLUSÃO

O acesso ao tratamento especializado em saúde mental infantojuvenil é uma problemática
mundial, sendo este ainda mais crítico em países menos favorecidos economicamente.
Considerando-se o perfil da população estudada, pode-se inferir que a percepção materna do
comportamento anormal na criança foi determinante para a decisão de procura por tratamento.
Essa análise permitiu a compreensão da sequência lógica dos deslocamentos, iniciados nas
UBS (porta de entrada do SUS) e continuados nas redes Complementar e Hospitalar. As narrativas
desta temática revelaram as fragilidades de um sistema que ainda não priorizou a saúde mental
infantojuvenil, nem tampouco consagrou a implementação e efetividade da RAPS.
A insuficiência de CAPSi´s e profissionais especializados no município foram decisivos
para que estas famílias enfrentassem barreiras de acesso ao serviço, como a escassez de vagas e
falta de capacitação dos profissionais na atenção básica, que implicaram em longas esperas,
excessivos deslocamentos, abandono da busca por tratamento e agravamento da condição clínica
da criança. Entre as barreiras pessoais predominaram a escassez de recursos financeiros, a negação
da doença, a sobrecarga do cuidador e o estigma direcionado ao doente mental.
Os desdobramentos desta pesquisa apontaram para a urgente necessidade do investimento
e fortalecimento da RAPS, programa de educação continuada sobre saúde mental na infância e
adolescência para profissionais atuantes na estratégia de saúde da família, com objetivo de
favorecer o diagnóstico precoce e melhorar o acompanhamento, considerando os prováveis
desafios futuros, decorrentes principalmente do aumento da vulnerabilidade da população ao
surgimento e ao possível agravamento dos transtornos mentais.

.

64

7 LIMITAÇÕES E PERSPECTIVAS

Dada as características peculiares da população analisada, o contexto socioeconômico em
que está inserida, e ao fato da pesquisa ter se desenvolvido durante a pandemia, entende-se que os
resultados e conclusões deste estudo não devem ser generalizados. Os discursos referentes aos
itinerários terapêuticos percorridos pelos serviços em saúde do município de Maceió foram
alusivos às experiências vividas no passado dos participantes, e necessariamente podem não
representar problemáticas persistentes na atualidade. Nesta perspectiva e devido à escassez de
estudos correlacionados, sugere- se que novas pesquisas sejam instituídas, no intuito de se obterem
dados sobre a atual conjuntura de integração entre as redes de atenção básica e psicossocial, de
modo a facilitar o acesso e o engajamento no cuidado em saúde mental de crianças e adolescentes.

65

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72

APÊNDICE

APÊNDICE A – Instrumento de Coleta de dados

ROTEIRO DE ENTREVISTA

1.Em algum momento você percebeu que sua criança ou adolescente tinha algum problema e que
necessitava de ajuda. Você poderia contar como foi o caminho percorrido ou que você fez desde a
suspeita do problema mental até a conseguir tratamento no CAPSi?

Temas ou subquestões a serem contemplados
a. Quem notou ou suspeitou pela primeira vez de algum comportamento estranho ou diferente
na criança/adolescente? Quando?
b. Quais foram os problemas ou dificuldades que você percebeu na criança/adolescente?
c. O que você fez inicialmente para auxiliar a criança/adolescente?
d. Você poderia nos contar como foi o contato inicial com o serviço de saúde/profissional de
saúde procurado?
e. E o que o profissional de saúde disse que a criança/adolescente tinha? Quais os tratamentos
e encaminhamentos sugeridos por ele?
f. Quais as dificuldades enfrentadas por você para a realização do tratamento no CAPSi?
g. Como a criança/adolescente ficou depois de iniciar o tratamento no CAPSi? Você
recomendaria o serviço para outras pessoas?
h. A pandemia influenciou de alguma forma no tratamento da criança? Como isso afetou sua
criança?
i. A criança/adolescente fazia acompanhamento com outros profissionais ou locais, além do
CAPSi?

A pergunta a seguir será destinada somente para os cuidadores que abandonaram o tratamento no
CAPSi.

2.2. Gostaríamos de saber um pouco mais sobre os motivos pelos quais você deixou de levar sua
criança/adolescente para o tratamento no CAPSI?

73

APÊNDICE B – Termo de Consentimento Livre e Esclarecido

Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (T.C.L.E.)
Você está sendo convidado (a) a participar do projeto de pesquisa O itinerário percorrido
pelos cuidadores de crianças e adolescentes com transtornos mentais na busca por tratamento
especializado no estado de Alagoas, dos pesquisadores Claudio Torres de Miranda, Jacks Soratto e Thays
de Sá Targino Liberal. A seguir, as informações do projeto de pesquisa com relação a sua participação
neste projeto:
O estudo se destina a analisar o caminho percorrido pelos familiares ou cuidadores para
tratamento em saúde mental de crianças e adolescentes atendidos no CAPSi Dr. Luiz da Rocha Cerqueira.
Sua importância está fundamentada em proporcionar meios que permitam melhor acesso a informações e
ao tratamento especializado em saúde mental em Alagoas.
Com esta pesquisa espera-se identificar quais os caminhos percorridos e as barreiras
enfrentadas pelos pais ou cuidadores de crianças e adolescentes com transtorno mental até a chegada ao
CAPSI, analisando suas motivações para a busca ou abandono do tratamento especializado.
A coleta de dados começará em maio de 2021 e terminará em junho de 2021.
O estudo será norteado pelos preceitos da história oral de vida e terá como instrumento de
coleta de dados principal a entrevista semiestruturada. Esta será realizada com perguntas abertas com
duração aproximada de 30 minutos e contemplará a percepção da doença mental, os caminhos que levaram
até a chegada ao serviço e as dificuldades enfrentadas. Toda a narrativa será gravada para posterior
transcrição e análise.
Sua participação será voluntária, mediante assinatura deste termo de consentimento e
consistirá em responder às questões formuladas.
Os incômodos e possíveis riscos à sua saúde física e/ou na pesquisa são: desconforto pelo
tempo exigido, constrangimento pelo teor dos questionamentos ou pela recordação de fatos que evoquem
sofrimento emocional.
O benefício esperado com a sua participação no projeto de pesquisa, mesmo que não
diretamente será proporcionar meios que permitam melhor acesso a informações e ao tratamento
especializado em saúde mental em Alagoas.
Você poderá contar com assistência psicológica, em caso de algum constrangimento ou
desconforto no decorrer desta pesquisa, sendo disponibilizada no próprio CAPSi.
Você será informado (a) do resultado final do projeto e sempre que desejar, serão fornecidos
esclarecimentos sobre cada uma das etapas do estudo.
A qualquer momento, você poderá recusar a continuar participando do estudo e, também,

74

que poderá retirar seu consentimento, sem que isso lhe traga qualquer penalidade ou prejuízo.
Se você tiver dúvidas sobre seus direitos como participante de pesquisa, você pode contatar
o Comitê de Ética em Pesquisa em Seres Humanos (CEP) da UFAL, pelo telefone: (82) 3214- 1041. O
CEP trata-se de um grupo de indivíduos com conhecimentos científicos que realizam a revisão ética inicial
e continuada do estudo de pesquisa para mantê-lo seguro e proteger seus direitos.
As informações conseguidas através da sua participação não permitirão a identificação da
sua pessoa, exceto para a equipe de pesquisa, e que a divulgação das mencionadas informações só será
feita entre os profissionais estudiosos do assunto após a sua autorização.
Você não terá custo nem receberá por participar desta pesquisa.
Você receberá uma via do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido assinado por todos.
Eu ....................................................................................................................., tendo compreendido
perfeitamente tudo o que me foi informado sobre minha participação no mencionado estudo e estando
consciente dos direitos, das responsabilidades, dos riscos e dos benefícios que a minha participação
implica, concordo em dele participar e para isso eu DOU O MEU CONSENTIMENTO SEM QUE PARA
ISSO EU TENHA SIDO FORÇADO OU OBRIGADO.
Endereço d(os,as) responsáve(l,is) pela pesquisa (OBRIGATÓRIO):
Instituição: Universidade Federal de Alagoas
Endereço: Campus A.C.Simões – BR 104 Norte, Km 96,7 – Tabuleiro do Martins
Complemento:
Cidade/CEP: Maceió / 57072-970
Telefone:
Ponto de referência:
Contato de urgência: Sr (a).
Endereço:
Complemento:
Cidade/CEP:
Telefone:
Ponto de referência:
ATENÇÃO: O Comitê de Ética da UFAL analisou e aprovou este projeto de pesquisa. Para obter
mais informações a respeito deste projeto de pesquisa, informar ocorrências irregulares ou danosas
durante a sua participação no estudo, dirija-se ao:
Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Alagoas
Prédio do Centro de Interesse Comunitário (CIC), Térreo , Campus A. C. Simões,
Cidade Universitária
Telefone: 3214-1041 – Horário de Atendimento: das 8:00 as 12:00hs.
E-mail: comitedeeticaufal@gmail.com
Maceió, ___ de ________ de 2021.

75

Assinatura ou impressão
datiloscópica d(o,a) voluntári(o,a)
ou responsável legal e rubricar as
demais folhas

Nome e Assinatura do Pesquisador pelo estudo
(Rubricar as demais páginas)

76

APÊNDICE C - CONTEÚDO SUPLEMENTAR: Fatores relacionados a desistência do
tratamento no CAPSi: “ Eu fiquei sem trabalho e também para continuar levando tinha que pagar
passagem” (D1)

Nesta temática serão apresentados os motivos relatados pelos cuidadores que os levaram a
abandonar o tratamento de suas crianças ou adolescentes no CAPSi. O critério para classificação
como desistente na instituição é o registro de 3 faltas consecutivas e sem justificativa no prontuário.
Neste contexto utilizou-se a Tabela 4 para quantificar os dados relativos ao perfil demográfico dos
responsáveis e dos respectivos usuários desistentes.

Tabela 4 - Perfil demográfico dos responsáveis e respectivos usuários desistentes do
tratamento no CAPSi de Maceió – AL, 2021
Parentesco

FA

FR

Mãe
Pai
Avó

7
1
1

77,8
11,1
11,1

Usuários
Masculino
Feminino

FA
5
4

FR
55,6
44,4

Faixa etária
9-12 anos
13-16

FA
2
7

FR
22,2
77,8

Diagnóstico
F12.3 (Transtornos mentais e comportamentais devido ao uso de
canabióides)
F32 (Episódios depressivos)
F41 (Outros transtornos ansiosos)
F84 (Transtornos globais do desenvolvimento)
Não especificado

FA
1

FR
11,1

2
1
2
3

22,2
11,1
22,2
33,4

Ano do último atendimento
2019
2020

FA
3
6

FR
33,3
66,7

Fonte: Autoria própria

77

De acordo com os dados, foi observada a predominância da genitora como cuidadora
principal (77,8%), percentual equivalente ao encontrado entre os pacientes em atendimento no
CAPSi (75%), o que reforça a crença social de que o cuidado integral ao doente é inerente à figura
materna. Entre os usuários, maior prevalência do abandono do tratamento foi verificada no público
adolescente, na faixa etária dos 13 aos 16 anos, com equivalência entre os gêneros. Como descrito
na tabela 2, os adolescentes também representavam a maioria entre os usuários, o que justifica
comporem os maiores índices de abandono.
Entre os diagnósticos prevaleceu o não especificado, uma vez que a interrupção do
acompanhamento cessou as investigações clínicas necessárias para a identificação do transtorno.
Maior parte dos prontuários foram relativos ao registro do último atendimento no ano de 2020,
período afetado pela pandemia de Covid-19.
Alguns estudos sugerem que os adolescentes são mais propensos a abandonar o tratamento
(PEREZ et al., 2007), além de considerarem a terapêutica pouco interessante. Para estes um
tratamento atrativo e eficaz deve dispor de uma equipe especializada, disposta a propor atividades
que despertem seu interesse, os motivem e que, sobretudo, sejam sensíveis às suas necessidades de
forma contínua (VASTERS, 2009). Neste público deve-se se inclusive considerar que, na maioria
dos casos, a interrupção do tratamento também ocorre por motivos relacionados à terceiros,
principalmente aos responsáveis (PAZ, 2015).
As informações referentes ao questionamento desta temática podem ser visualizadas na
figura 3, através da rede de codificação ‘Fatores relacionados à desistência do tratamento no
CAPSi’. As motivações relatadas foram organizadas de acordo a magnitude (número de citações).

78

Figura 3 - Fatores relacionados à desistência do tratamento no CAPSi

Fonte: Rede de codificação realizada pela autora no software Atlas.ti versão 9

No contexto da amostra estudada, a distância do CAPSi para a residência dos usuários
representou a principal motivação para o abandono. De acordo com relato dos familiares, a
localização do serviço não é estratégica para os residentes em alguns bairros do município, o que
dificulta a acessibilidade. Foi possível perceber uma relação de causa-consequência, segundo as
falas, entre as dificuldades financeiras enfrentadas pelos pais e o fator da distância, que implicava
na necessidade de se utilizar mais de uma via de condução, demandando maiores gastos com o
deslocamento. Não obstante, os efeitos da pandemia na situação econômica do país, atingiram
ainda mais esta população vulnerável, sobretudo pelo desemprego.
“Eu fiquei sem trabalho e para continuar levando o D, tinha que pagar passagem...então
eu tive que parar de continuar o tratamento do D1. Antes dessa pandemia, eu tinha moto
né, mas tive que vender a moto também por causa da dificuldade financeira. Eu moro
aqui no bairro do Tabuleiro, moro aqui Clima Bom, então se eu for pra onde ele tava né,
ali no Barro Duro, eu tenho que pegar [...], se eu não for de van, eu tenho que pegar 2
ônibus né. ” (D1)
“Ele é autista. Eu levava ele para fazer parte lá do CAPSi, participar lá do tratamento de
lá, mas infelizmente não pude continuar, porque financeiramente eu não tenho condições
de pagar um transporte pra ele, né. Então, meu marido trabalha, mas ganha pouco e tem
muito gasto. Aí assim, eu não pude continuar porque não tive como pagar transporte.

79

Então, infelizmente ficou ruim pra mim e pra levar ele, porque é muito longe pra mim. ”
(D3)
“A distância dificulta muito. Quando eu morava no Tabuleiro já dificultava, imagine aqui
no Eustáquio Gomes. Era muito difícil mesmo pra ela e pra mim [...] Fomos bem
atendidos pelas meninas do CAPSi, elas fizeram o que puderam, mas por conta da
situação financeira e dessa pandemia [...]não tava dando né. O pai dela tava
desempregado, a mãe dela também. Eu desisti, mas D9 continua tendo crise” (D9)

No intuito de minimizar as barreiras relativas às restrições financeiras e dificuldades de
acesso dos familiares, o CAPSi, disponibiliza transporte próprio (2 vans) para os usuários em
acompanhamento nas oficinas terapêuticas, porém este recurso não é suficiente para contemplar
todos os usuários.
O código insatisfação com o atendimento profissional no CAPSi esteve relacionado a
algumas expectativas frustradas descritas. A narrativa abaixo foi reportada por uma mãe de
adolescente de 14 anos, encaminhada do Hospital Geral do Estado, após alta desta unidade,
decorrente de uma tentativa de suicídio. Observa-se em seu depoimento abaixo, um intenso
desapontamento em não obter atendimento imediato numa situação de maior gravidade. Na sua
concepção, não houve uma avaliação de risco, nem dada prioridade ao caso.
“Até então a pessoa que me atendeu queria que eu fosse lá 4 horas da manhã, dormir pra
pegar uma ficha. Eu não tinha como dormir lá pra pegar uma ficha porque tenho outra
criança. Eu senti a necessidade da minha filha, porque tentar tirar a vida, algo que seja
realmente grave [...] Mas a resposta que a gente teve foi a seguinte: ‘Ah isso acontece
com outros! ‘E a minha filha não é outros! Ela estava numa situação de emergência né,
já tinha tentado tirar a vida [...] Não é chegar e ser atendido não, pelo que a moça disse!
E tem que ser tudo na ordem[...] Até então ela foi atendida, ela fez a triagem, mas aí
parou.[...] Ela não foi atendida pelo médico. Foi pra assistente social e a enfermeira. Não
teve médico não pra minha filha! [...] A menina tentou suicídio, vai mandar ela pra uma
oficina? De primeiro era pra ter passado pelo próprio psiquiatra”. (D8)

O acolhimento realizado no CAPSi Dr. Luiz da Rocha Cerqueira segue uma lógica própria
nos direcionamentos. No primeiro contato com o local, os responsáveis e a criança/adolescente são
atendidos pelo profissional plantonista no acolhimento inicial, que avaliará se o caso é perfil para
o CAPSi e solicitará o relatório escolar. Em caso negativo, o profissional realiza o encaminhamento
para os demais serviços da rede. Caso o profissional considere perfil para o serviço, ele agendará
uma avaliação psicossocial para um segundo profissional. Após a mesma e confirmando o perfil,
é agendada a avaliação psiquiátrica. Após avaliação médica, é feito o estudo do caso em reunião

80

técnica para definir o Projeto Terapêutico Singular, com posterior inserção nas atividades do
CAPSi (ALMEIDA, 2019).
Verifica-se, portanto, que no relato da genitora D8, houve um equívoco, pois, a mesma não
compreendeu a logística de funcionamento do CAPSi, e a conduta dos profissionais esteve de
acordo com o regimento local. Nas demais situações, a insatisfação esteve relacionada à uma
recusa na terapêutica medicamentosa proposta pelo psiquiatra e a longa espera pelo atendimento
com o mesmo.
De acordo com Silva e Iguti (2013) psicofármacos são fundamentais no controle de
sintomas indesejáveis associados aos transtornos mentais, proporcionando alívio da euforia,
ansiedade, depressão e indução do sono, entretanto a concepção dos pais a respeito disto é
fundamental para adesão ou não da terapêutica. No relato da genitora D(5) observou-se que suas
crenças influenciaram na não aceitação da prescrição médica, fazendo com que a mesma buscasse
em outro profissional nova alternativa terapêutica para seu filho. Além disso, constatou-se em seu
depoimento, queixas acerca da longa espera pelo atendimento psiquiátrico, também relatado pela
responsável D(7), sendo para esta, determinante para a procura da rede de saúde privada.
“A gente saiu de lá da consulta com uma “ porrada” de medicação [...] uns inclusive
que eu sei que iam afetar outros sistemas, porque sempre é assim, você melhora uma
coisa, termina prejudicando outra. E a gente achou que numa primeira consulta, que não
dá ainda tempo nem do paciente conhecer o médico, nem do médico conhecer o paciente.
Então eu achei falha essa questão. Parecia receita de bolo. Então acho que a experiência
não foi muito boa, o primeiro contato com o profissional. Todo mundo que entra, sai de
lá com a mesma receita, com a mesma medicação e as mesmas orientações. E a gente
sabe que as pessoas são diferentes. E assim me falaram muito bem do serviço. Cheguei
7:30 da manhã. Eu saí de lá ia dar 20 horas! O dia inteiro de espera! Embora os
problemas sejam semelhantes, mas as pessoas têm diferenças. Aí eu voltei à psicóloga
dele, já saí de lá sem vontade nenhuma de começar o tratamento medicamentoso.”(D5)
“ Eu tava aguardando o psiquiatra, que por sinal demorou bastante. Eu sei que eu fui pra
não ser atendida na hora, mas eu cheguei cedo, cheguei antes do horário, porém demorou
muito! Mais do que o normal. [...]. Teve a demora, e aí eu fui atendida pelo médico. Foi
muito rápida a consulta. E aí quando a gente saiu de lá, eu resolvi não voltar mais. A
gente fez um esforço, fez um plano de saúde pra minha filha não ficar descoberta né. Foi
por isso”. (D7)

A longa espera pela consulta no CAPSi pode ser explicada pelo quantitativo insuficiente de
psiquiatras atuando na instituição. Segundo a equipe técnica, apenas cinco são responsáveis pelo
acompanhamento psiquiátrico de cerca de 720 crianças e adolescentes atendidos no CAPSi
atualmente, indicando uma sobrecarga para a categoria. Uma situação ainda mais crítica é o fato

81

de que apenas um psiquiatra é servidor efetivo, enquanto os demais trabalham em regime de
contrato temporário por hora trabalhada. Com o fim da vigência, são comuns a alta rotatividade de
profissionais (o que prejudica a aquisição de confiança e vínculo com o paciente) e o atraso na
substituição. Assim, no intervalo entre novas contratações, a demanda reprimida é absorvida pelo
servidor efetivo, gerando insatisfações em virtude da longa espera pela avaliação médica, como
observado na fala abaixo:
“E a médica que ele tava sendo acompanhado, ela saiu de lá, foi desligada. E o outro
médico também tinha muita gente, muita gente. Só era um. Uma consulta que tinha que
marcar a cada 3 meses. Tinha tanta gente que não tava dando. ” (D4)

Do último censo realizado em 2019, até os dias atuais, houve um aumento de mais de 30%
na demanda de usuários, entretanto, não houve um incremento equivalente no quantitativo de
psiquiatras. A carência destes profissionais não é uma problemática restrita ao CAPSi. De acordo
com Nobre (2021) na configuração da RAPS do município de Maceió, apenas 20 psiquiatras estão
lotados nas UBS e 17 nos CAPS.
A sobrecarga do cuidador, presente também nas barreiras enfrentadas no itinerário
terapêutico, foi considerada como predisponente para o abandono, principalmente quando o mesmo
não conta com o apoio dos demais familiares. Seu isolamento no cuidado da criança/ adolescente
impõe um desgaste físico e emocional que pode comprometer sua saúde mental.
“Tinha a dificuldade de me locomover com ela, tirar ela de dento de casa, né, sem
ninguém pra me ajudar [...]. E eu também numa situação, sem esposo, sozinha e como vó
dela né, fiquei muito assim...sem saber o que fazer! Ainda entrei um pouco em depressão,
mas aí eu melhorei, fiquei bem, porque não é fácil né, lutar com a pessoa assim, tendo
crises constantemente [...]” (D9)

Outro dilema que remete ao cuidador um sentimento de impotência é a dificuldade em
conciliar as responsabilidades no cuidado com a criança/adolescente quando o mesmo necessita
exercer atividade remunerada, para garantir o sustento familiar. Como o horário de atendimento no
CAPSi restringe o acesso para aqueles que trabalham em turno comercial, o familiar se vê obrigado
a abdicar do tratamento na instituição.

“Então o meu afastamento de lá foi devido ao meu trabalho, que eu trabalho no shopping.

82

Eu pego no shopping de 11 horas da manhã e saio às 18 da noite. E só, ele não queria ir.
E graças a Deus, que assim, ele ficou tranquilo e não tá fumando mais, não tá com droga
mais, graças a Deus! Eu queria muito assim, que ele acompanhasse mais e tal e coisa,
mas só que não posso também ficar sem trabalho, porque sou que mantém uma casa, né
minha renda é só com salário mesmo que eu trabalho. Aí foi por isso que eu desisti”.(D2)

Ramos e colaboradores (2019) descrevem uma variedade de sentimentos experimentados
pelos cuidadores de um familiar com transtorno mental. Impotência e tristeza podem estar
relacionadas à percepção da impossibilidade de cura ou mau prognóstico da doença, enquanto a
empatia, compaixão ou raiva podem advir da intensa convivência com o sofrimento ou com um
relacionamento problemático. Tais sentimentos somados ao acúmulo de responsabilidades exige
que o cuidador organize sua vida em torno da doença, levando-o a abdicar do trabalho ou estudos.
A última motivação para abandono registrada teve um caráter muito pessoal e envolveu um
episódio entre a entrevistada e as demais pessoas que aguardavam pela consulta médica no CAPSi.
A narrativa descreve uma situação de repreensão violenta a uma criança por sua mãe e ao
desconforto pelo comportamento dos demais usuários do local.
“Eu presenciei cenas lá que me chocaram. De algumas crianças que estavam
desgovernadas lá, e uma delas começou a atirar pedras. A a mãe foi pra cima dessa
criança, que eu acredito que tinha uns 9, 10 anos de idade. E começou a bater muito! E
aquilo me chocou. Batendo muito na criança né, espancar mesmo, a ponto de ir lá
assistente social intervir. E aquilo me chocou, chocou minha filha [...] ‘Eu tô
presenciando cenas que eu não tô acostumada, que me chocaram mesmo’ [...]E outras
que deixavam as crianças fazerem o que queriam. Estava totalmente desgovernado ali,
praticamente sem lei. Aí eu não vou voltar mais não. ” (D7)

Infelizmente para todas as famílias o acompanhamento no CAPSi é temporário e o ciclo do
cuidado para o público infantojuvenil se fecha quando o usuário adquire a maioridade, aos 18 anos.
A partir daí os destinos se dispersam para o contexto da atenção em saúde mental do adulto nos
CAPS. Este é definido como o momento de angústias e incertezas advindas do rompimento de um
vínculo afetivo com a intuição que lhes preencheu vazios assistenciais e emocionais.

“Ela já falou para mim que vai sentir muita falta quando sair daqui, porque talvez a gente
não tenha não a mesma assistência que a gente tem aqui. Talvez a gente não vai ter em
outro lugar. Eu tô preocupada por isso né! Que nem eu tava conversando com meu esposo
hoje. Eu disse a ele: ‘Será que a gente vai ter a mesma assistência que a gente tá tendo
aqui no CAPSi? Se a gente vai ter em outro que a gente for né? ‘Ele disse: ‘Não sei APC6,
quem sabe é Deus né! (APC6)

83

“Eu só sinto pena assim, eu só sinto é que isso vai acabar...porque quando ela completar
18 anos, ela vai ter que sair daqui. E eu não queria, né...” (A9)

Pesquisas sobre o abandono de tratamento em saúde mental infantil são escassas
(TSZESNIOSKI et al., 2015). Em uma revisão sistemática da literatura a respeito deste assunto,
Paz (2015) descreve que apenas 14 estudos sobre abandono do tratamento em saúde mental foram
encontrados no Brasil, e destes, somente 2 (14%) eram referentes ao público infantojuvenil.
Um outro estudo realizado por Gaustaud e Nunes (2009) sobre abandono de psicoterapia
por crianças identificou que determinados fatores podem predizer esta situação, entre eles: nível
socioeconômico, atraso na espera para atendimento com especialistas, distância geográfica dos
serviços, idade da criança, escolaridade da mãe, configuração parental, renda e tamanho da família.
Na perspectiva destes autores, foram identificadas similaridades com algumas das motivações para
o abandono do tratamento em saúde mental infantojuvenil encontradas nesta pesquisa, porém
ressalta-se que as mesmas não devem ser generalizadas, dada as particularidades da população.
Com análise dos discursos desta temática e considerando o perfil da organização da rede de
serviços em saúde mental de Maceió, destaca-se a extrema necessidade de iniciativas advindas da
gestão municipal, voltadas para fomentar o quantitativo de CAPS para o público infantojuvenil e
o provimento de profissionais especializados. Estas seriam medidas primordiais para garantir a
maior adesão e permanência dos usuários no CAPSi.

84

ANEXOS

ANEXO A - REDE AMBULATORIAL PRÓPRIA DO SUS (RAPS), MACEIÓ/AL, 2017

Descrição do Serviço de Saúde

Quantidade

Unidades de Estratégia Saúde da Família (ESF)

36

Unidades Básicas de Saúde – Modelo Tradicional /Demanda espontânea

16

Unidades Básicas de saúde Mistas (ESF e Modelo tradicional)

06

Unidades de Pronto Atendimento – UPA

02

Centro de Atenção Psicossocial – CAPS

05

Unidades Especializadas

08

Centro de Especialidade Odontológica - CEO

02

Centro de Especialidades (PAM Salgadinho)

01

Total

76

Fonte: SCNES/GGPS/CASS/SMS – Maceió, 2017

85

ANEXO B - DISPOSITIVOS DE SAÚDE DA REDE PRÓPRIA. MACEIÓ/AL, 2017.

Dispositivos de Saúde

Quantidade

Equipes de Consultório na Rua

06

Núcleo de Apoio a Saúde da Família – NASF

08

Equipes de Serviço de Atenção Domiciliar – SAD

06

Equipe de Academia da Saúde

03

Núcleo de Cultura e Reabilitação Psicossocial

01

Total

24

Fonte: GGPS/CASS/SMS de Maceió/AL, 2017

86

ANEXO C- PARECER DO COMITÊ DE ÉTICA E PESQUISA

87

88

89

ANEXO D- INSTRUÇÕES PARA AUTORES

INSTRUÇÕES PARA COLABORADORES

Ciência & Saúde Coletiva publica debates, análises e resultados de investigações sobre
um tema específico considerado relevante para a saúde coletiva; e artigos de discussão e análise
do estado da arte da área e das subáreas, mesmo que não versem sobre o assunto do tema central.
A revista, de periodicidade mensal, tem como propósitos enfrentar os desafios, buscar a
consolidação e promover uma permanente atualização das tendências de pensamento e das
práticas na saúde coletiva, em diálogo com a agenda contemporânea da Ciência & Tecnologia.
Política de Acesso Aberto - Ciência & Saúde Coletiva é publicada sob o modelo de
acesso aberto e é, portanto, livre para qualquer pessoa a ler e download, e para copiar e
divulgar para fins educacionais.
A Revista Ciência & Saúde Coletiva aceita artigos em preprints de bases de dados
nacionais e internacionais reconhecidas academicamente.
No momento em que você apresenta seu artigo, é importante estar atento ao que constitui
um preprint e como você pode proceder para se integrar nesta primeira etapa da Ciência Aberta.
O preprint disponibiliza artigos e outras comunicações científicas de forma imediata ou paralela
à sua avaliação e validação pelos periódicos. Desta forma, acelera a comunicação dos resultados
de pesquisas, garante autoria intelectual, e permite que o autor receba comentários que
contribuam para melhorar seu trabalho, antes de submetê-lo a algum periódico. Embora o artigo
possa ficar apenas no repositório de preprints (caso o autor não queira mandá-lo para um
periódico), as revistas continuam exercendo as funções fundamentais de validação, preservação
e disseminação das pesquisas. Portanto:
(1) Você pode submeter agora seu artigo ao servidor SciELO preprints
(https://preprints.scielo.org) ou a outro servidor confiável. Nesse caso, ele será avaliado por
uma equipe de especialistas desses servidores, para verificar se o manuscrito obedece a
critérios básicos quanto à estrutura do texto e tipos de documentos. Se aprovado, ele
receberá um doi que garante sua divulgação internacional imediata.
(2) Concomitantemente, caso você queira, pode submetê-lo à Revista Ciência & Saúde Coletiva.
Os dois processos são compatíveis.
(3) Você pode optar por apresentar o artigo apenas à Revista Ciência & Saúde Coletiva. A
submissão a repositório preprint não é obrigatória.

90

A partir de 20 de janeiro de 2021, será cobrada uma taxa de submissão de R$ 100,00
(cem reais) para artigos nacionais e US$ 25,00 (vinte e cinco dólares) para artigos internacionais.
O valor não será devolvido em caso de recusa do material. Este apoio dos autores é
indispensável para financiar o custeio da Revista, viabilizando a publicação com acesso universal
dos leitores.

ORIENTAÇÕES PARA ORGANIZAÇÃO DE NÚMEROS TEMÁTICOS

A marca da Revista Ciência & Saúde Coletiva dentro da diversidade de Periódicos da
área é o seu foco temático, segundo o propósito da ABRASCO de promover, aprofundar e
socializar discussões acadêmicas e debates interpares sobre assuntos consideradosimportantes e
relevantes, acompanhando o desenvolvimento histórico da saúde pública do país.
Os números temáticos entram na pauta em quatro modalidades de demanda:
• Por Termo de Referência enviado por professores/pesquisadores da área de saúde coletiva
(espontaneamente ou sugerido pelos editores-chefes) quando consideram relevante o
aprofundamento de determinado assunto.
• Por Termo de Referência enviado por coordenadores de pesquisa inédita e abrangente,
relevante para a área, sobre resultados apresentados em forma de artigos, dentro dos moldes já
descritos. Nessas duas primeiras modalidades, o Termo de Referência é avaliado em seu mérito
científico e relevância pelos Editores Associados da Revista.
• Por Chamada Pública anunciada na página da Revista, e sob a coordenação de Editores
Convidados. Nesse caso, os Editores Convidados acumulam a tarefa de selecionar os artigos
conforme o escopo, para serem julgados em seu mérito por pareceristas. Os artigos para essa
modalidade só serão aceitos os enviados no e-mail informado na chamada.
• Por Organização Interna dos próprios Editores-chefes, reunindo sob um título pertinente,
artigos de livre demanda, dentro dos critérios já descritos.
O Termo de Referência deve conter: (1) título (ainda que provisório) da proposta
donúmero temático; (2) nome (ou os nomes) do Editor Convidado; (3) justificativa resumida em
um ou dois parágrafos sobre a proposta do ponto de vista dos objetivos, contexto, significado e
relevância para a Saúde Coletiva; (4) listagem dos dez artigos propostos já com nomes dos
autores convidados; (5) proposta de texto de opinião ou de entrevista com alguém que tenha
relevância na discussão do assunto; (6) proposta de uma ou duas resenhasde livros que tratem do
tema.
Por decisão editorial o máximo de artigos assinados por um mesmo autor num número
temático não deve ultrapassar três, seja como primeiro autor ou não.
Sugere-se enfaticamente aos organizadores que apresentem contribuições de autores de
variadas instituições nacionais e de colaboradores estrangeiros. Como para qualquer outra
modalidade de apresentação, nesses números se aceita colaboração em espanhol, inglês e francês.

91

RECOMENDAÇÕES PARA A SUBMISSÃO DE ARTIGOS

Notas sobre a Política Editorial
A Revista Ciência & Saúde Coletiva reafirma sua missão de veicular artigos originais,
que tragam novidade e proporcionem avanço no conhecimento da área de saúde coletiva.
Qualquer texto que caiba nesse escopo é e será sempre bem- vindo, dentro dos critérios descritos
a seguir:
(1) O artigo não deve tratar apenas de questões de interesse local ou situar-se somente no plano
descritivo.
(2) Na sua introdução, o autor precisa deixar claro o caráter inédito da contribuição que seu
artigo traz. Também é altamente recomendado que, na carta ao editor, o autor explicite, de
forma detalhada, porque seu artigo constitui uma novidade e em que ele contribui para o
avanço do conhecimento.
(3) As discussões dos dados devem apresentar uma análise que, ao mesmo tempo, valorize
especificidade dos achados de pesquisa ou da revisão, e coloque esses achados em diálogo
com a literatura nacional e internacional.
(4) O artigo qualitativo precisa apresentar, de forma explícita, análises e interpretações
ancoradas em alguma teoria ou reflexão teórica que promova diálogo das Ciências Sociais
e Humanas com a Saúde Coletiva. Exige-se também que o texto valorize o conhecimento
nacional e internacional.
(5) Quanto aos artigos de cunho quantitativo, a revista prioriza os de base populacional e
provenientes de amostragem aleatória. Não se encaixam na linha editorial: os que
apresentam amostras de conveniência, pequenas ou apenas descritivas; ou análises sem
fundamento teórico e discussões e interpretações superficiais.
(6) As revisões não devem apenas sumarizar o atual estado da arte, mas precisam interpretar as
evidências disponíveis e produzir uma síntese que contribua para o avanço do conhecimento.
Assim, a nossa orientação é publicar somente revisões de alta relevância, abrangência,
originalidade e consistência teórica e metodológica, que de fato tragam novos
conhecimentos ao campo da Saúde Coletiva.
Nota importante - Dado o exponencial aumento da demanda à Revista (que em 2020
ultrapassou 4.000 originais), todos os artigos passam por uma triagem inicial, realizada pelos
editores-chefes. Sua decisão sobre o aceite ou não é baseada nas prioridades citadas e no mérito
do manuscrito quanto à originalidade, pertinência da análise estatística ou qualitativa, adequação
dos métodos e riqueza interpretativa da discussão. Levando em conta tais critérios, apenas uma
pequena proporção dos originais, atualmente, é encaminhada para revisores e recebe parecer
detalhado.

92

A revista C&SC adota as “Normas para apresentação de artigos propostos para
publicação em revistas médicas”, da Comissão Internacional de Editores de Revistas Médicas,
cuja versão para o português encontra-se publicada na Rev Port Clin Geral 1997; 14:159-174.
O documento está disponível em vários sítios na World Wide Web, como por exemplo,
www.icmje.org ou www.apmcg.pt/document/71479/450062.pdf. Recomenda-se aos autores a
sua leitura atenta.

SEÇÕES DA PUBLICAÇÃO

Editorial: de responsabilidade dos editores chefes ou dos editores convidados, deve ter
no máximo 4.000 caracteres com espaço.
Artigos Temáticos: devem trazer resultados de pesquisas de natureza empírica,
experimental, conceitual e de revisões sobre o assunto em pauta. Os textos de pesquisa não
deverão ultrapassar os 40.000 caracteres.
Artigos de Temas Livres: devem ser de interesse para a saúde coletiva por livre
apresentação dos autores através da página da revista. Devem ter as mesmas características dos
artigos temáticos: máximo de 40.000 caracteres com espaço, resultarem de pesquisa e
apresentarem análises e avaliações de tendências teórico-metodológicas e conceituais da área.
Artigos de Revisão: Devem ser textos baseados exclusivamente em fontes secundárias,
submetidas a métodos de análises já teoricamente consagrados, temáticos ou de livredemanda,
podendo alcançar até o máximo de 45.000 caracteres com espaço.
Opinião: texto que expresse posição qualificada de um ou vários autores ou entrevistas
realizadas com especialistas no assunto em debate na revista; deve ter, no máximo, 20.000
caracteres com espaço.
Resenhas: análise crítica de livros relacionados ao campo temático da saúde coletiva,
publicados nos últimos dois anos, cujo texto não deve ultrapassar 10.000 caracteres com espaço.
Os autores da resenha devem incluir no início do texto a referência completa do livro. As
referências citadas ao longo do texto devem seguir as mesmas regras dos artigos. No momento
da submissão da resenha os autores devem inserir em anexo no sistema uma reprodução, em alta
definição da capa do livro em formato jpeg.
Cartas: com apreciações e sugestões a respeito do que é publicado em números anteriores
da revista (máximo de 4.000 caracteres com espaço).
Observação: O limite máximo de caracteres leva em conta os espaços e inclui da palavra
introdução e vai até a última referência bibliográfica.

93

O resumo/abstract e as ilustrações (figuras/ tabelas e quadros) são considerados à parte.

APRESENTAÇÃO DE MANUSCRITOS

1. Os originais podem ser escritos em português, espanhol, francês e inglês. Os textos em
português e espanhol devem ter título, resumo e palavras-chave na língua original e em inglês.
Os textos em francês e inglês devem ter título, resumo e palavras-chave na língua original e em
português. Não serão aceitas notas de pé-de-página ou no final dos artigos.
2. Os textos têm de ser digitados em espaço duplo, na fonte Times New Roman, no corpo 12,
margens de 2,5 cm, formato Word (de preferência na extensão .doc) e encaminhados apenas
pelo endereço eletrônico (http://mc04.manuscriptcentral.com/csc-scielo) segundo asorientações
do site.
3. Os artigos publicados serão de propriedade da revista C&SC, ficando proibida a reprodução
total ou parcial em qualquer meio de divulgação, impressa ou eletrônica, sem a prévia
autorização dos editores-chefes da Revista. A publicação secundária deve indicar a fonte da
publicação original.
4. Os artigos submetidos à C&SC não podem ser propostos simultaneamente para outros
periódicos.
5. As questões éticas referentes às publicações de pesquisa com seres humanos são de inteira
responsabilidade dos autores e devem estar em conformidade com os princípios contidos na
Declaração de Helsinque da Associação Médica Mundial (1964, reformulada em 1975,1983,
1989, 1989, 1996 e 2000).
6. Os artigos devem ser encaminhados com as autorizações para reproduzir material publicado
anteriormente, para usar ilustrações que possam identificar pessoas e para transferir direitos de
autor e outros documentos.
7. Os conceitos e opiniões expressos nos artigos, bem como a exatidão e a procedência das
citações são de exclusiva responsabilidade dos autores.
8. Os textos são em geral (mas não necessariamente) divididos em seções com os títulos
Introdução, Métodos, Resultados e Discussão, às vezes, sendo necessária a inclusão de subtítulos
em algumas seções. Os títulos e subtítulos das seções não devem estar organizados com
numeração progressiva, mas com recursos gráficos (caixa alta, recuo na margem etc.).
9. O título deve ter 120 caracteres com espaço e o resumo/abstract, com no máximo 1.400
caracteres com espaço (incluindo a palavra resumo até a última palavra-chave), deveexplicitar o
objeto, os objetivos, a metodologia, a abordagem teórica e os resultados do estudo ou
investigação. Logo abaixo do resumo os autores devem indicar até no máximo, cinco (5)
palavras-chave. palavras-chave/keywords. Chamamos a atenção para a importância da clareza e
objetividade na redação do resumo, que certamente contribuirá no interesse do leitor pelo artigo,
e das palavras-chave, que auxiliarão a indexação múltipla do artigo.
As palavras-chave na língua original e em inglês devem constar obrigatoriamente no
DeCS/MeSH. (http://www.ncbi.nlm.nih.gov/mesh/e http://decs.bvs.br/).

94

10. Passa a ser obrigatória a inclusão do ID ORCID no momento da submissão do artigo. Para criar um ID ORCID
acesse: http://orcid.org/content/initiative10. Na submissão dos artigos na plataforma da Revista, é

obrigatório que apenas um autor tenha o registro no ORCID (Open Researcher and Contributor
ID), mas quando o artigo for aprovado e para ser publicado no SciELO, todos os autores deverão
ter o registro no ORCID. Portanto, aos autores que não o têm ainda, é recomendado que façam
o registro e ovalidem no ScholarOne. Para se registrar no ORCID entre no site (https://orcid.org/)
e para validar o ORCID no ScholarOne, acesse o site (https://mc04.manuscriptcentral.com/cscscielo), e depois, na página de Log In, clique no botão Log In With ORCID iD.
AUTORIA

1. As pessoas designadas como autores devem ter participado na elaboração dos artigos de modo
que possam assumir publicamente a responsabilidade pelo seu conteúdo. A qualificação como
autor deve pressupor: a) a concepção e o delineamento ou a análise e interpretação dos dados, b)
redação do artigo ou a sua revisão crítica, e c) aprovação da versão a ser publicada.
2. O limite de autores no início do artigo deve ser no máximo de oito. Os demais autores serão
incluídos no final do artigo.
3. Em nenhum arquivo inserido, deverá constar identificação de autores do manuscrito.
NOMENCLATURAS

1. Devem ser observadas rigidamente as regras de nomenclatura de saúde pública/saúde coletiva,
assim como abreviaturas e convenções adotadas em disciplinas especializadas. Devem ser
evitadas abreviaturas no título e no resumo.
2. A designação completa à qual se refere uma abreviatura deve preceder a primeiraocorrência
desta no texto, a menos que se trate de uma unidade de medida padrão.
ILUSTRAÇÕES E ESCALAS

1. O material ilustrativo da revista C&SC compreende tabela (elementos demonstrativos como
números, medidas, percentagens, etc.), quadro (elementos demonstrativos com informações
textuais), gráficos (demonstração esquemática de um fato e suas variações), figura
(demonstração esquemática de informações por meio de mapas, diagramas, fluxogramas, como
também por meio de desenhos ou fotografias). Vale lembrar que a revista é impressa em apenas
uma cor, o preto, e caso o material ilustrativo seja colorido, será convertido para tons de cinza.

95

2. O número de material ilustrativo deve ser de, no máximo, cinco por artigo (com limite de
até duas laudas cada), salvo exceções referentes a artigos de sistematização de áreas específicas
do campo temático. Nesse caso os autores devem negociar com os editores- chefes.
3. Todo o material ilustrativo deve ser numerado consecutivamente em algarismos arábicos,com
suas respectivas legendas e fontes, e a cada um deve ser atribuído um breve título. Todas as
ilustrações devem ser citadas no texto.
4. Tabelas e quadros devem ser confeccionados no programa Word ou Excel e enviados com
título e
fonte. OBS:
No
link
do
IBGE
(http://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv23907.pdf) estão as orientações para
confeccionar as tabelas. Devem estar configurados em linhas e colunas, sem espaços extras,e
sem recursos de “quebra de página”. Cada dado deve ser inserido em uma célula separada.
Importante: tabelas e quadros devem apresentar informações sucintas. As tabelase quadros
podem ter no máximo 15 cm de largura X 18 cm de altura e não devemultrapassar duas
páginas (no formato A4, com espaço simples e letra em tamanho 9).
5. Gráficos e figuras podem ser confeccionados no programa Excel, Word ou PPT. O autor deve
enviar o arquivo no programa original, separado do texto, em formato editável (que permite o
recurso “copiar e colar”) e também em pdf ou jpeg, TONS DE CINZA. Gráficos gerados em
programas de imagem devem ser enviados em jpeg, TONS DE CINZA, resolução mínima de
200 dpi e tamanho máximo de 20cm de altura x 15 cm de largura. É importante que a imagem
original esteja com boa qualidade, pois não adianta aumentar a resolução se o original estiver
comprometido. Gráficos e figuras também devem ser enviados com título e fonte. As figuras e
gráficos têm que estar no máximo em uma página (no formato A4, com 15 cm de largura x 20cm
de altura, letra no tamanho 9).
6. Arquivos de figuras como mapas ou fotos devem ser salvos no (ou exportados para o) formato
JPEG, TIF ou PDF. Em qualquer dos casos, deve-se gerar e salvar o material na maior resolução
(300 ou mais DPI) e maior tamanho possíveis (dentro do limite de 21cm de altura x 15 cm de
largura). Se houver texto no interior da figura, deve ser formatado em fonte Times New Roman,
corpo 9. Fonte e legenda devem ser enviadas também emformato editável que permita o recurso
“copiar/colar”. Esse tipo de figura também deve ser enviado com título e fonte.
7. Os autores que utilizam escalas em seus trabalhos devem informar explicitamente na carta de
submissão de seus artigos, se elas são de domínio público ou se têm permissão parao uso.
AGRADECIMENTOS

1. Quando existirem, devem ser colocados antes das referências bibliográficas.
2. Os autores são responsáveis pela obtenção de autorização escrita das pessoas nomeadas nos
agradecimentos, dado que os leitores podem inferir que tais pessoas subscrevem os dados e as
conclusões.
3. O agradecimento ao apoio técnico deve estar em parágrafo diferente dos outros tipos de
contribuição.

96

FINANCIAMENTO

RC&SC atende Portaria N0 206 do ano de 2018 do Ministério da Educação/Fundação
Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior/Gabinete sobre obrigatoriedade
de citação da CAPES para os trabalhos produzidos ou publicados, em qualquer mídia, que
decorram de atividades financiadas, integral ou parcialmente, pela CAPES. Esses trabalhos
científicos devem identificar a fonte de financiamento através da utilização do código 001 para
todos os financiamentos recebidos.

REFERÊNCIAS

1. As referências devem ser numeradas de forma consecutiva de acordo com a ordem em que
forem sendo citadas no texto. No caso de as referências serem de mais de dois autores, no corpo
do texto deve ser citado apenas o nome do primeiro autor seguido da expressão et al.
2. Devem ser identificadas por números arábicos sobrescritos, conforme exemplos abaixo:ex.
1: “Outro indicador analisado foi o de maturidade do PSF” 11 (p.38).
ex. 2: “Como alerta Maria Adélia de Souza 4, a cidade...”
As referências citadas somente nos quadros e figuras devem ser numeradas a partir
donúmero da última referência citada no texto.
3. As referências citadas devem ser listadas ao final do artigo, em ordem numérica, seguindo as
normas gerais dos Requisitos uniformes para manuscritos apresentados a periódicos biomédicos
(http://www.nlm.nih.gov/bsd/uniform_requirements.html).
4. Os nomes das revistas devem ser abreviados de acordo com o estilo usado no Index Medicus
(https://www.ncbi.nlm.nih.gov/nlmcatalog/journals)
5. O nome de pessoa, cidades e países devem ser citados na língua original da publicação.
Exemplos de como citar referências

ARTIGOS EM PERIÓDICOS
1. Artigo padrão (incluir todos os autores sem utilizar a expressão et al.)
Pelegrini MLM, Castro JD, Drachler ML. Eqüidade na alocação de recursos para a saúde:
aexperiência no Rio Grande do Sul, Brasil. Cien Saude Colet 2005; 10(2):275-286.
Maximiano AA, Fernandes RO, Nunes FP, Assis MP, Matos RV, Barbosa CGS, OliveiraFilho EC. Utilização de drogas veterinárias, agrotóxicos e afins em ambientes hídricos:
demandas, regulamentação e considerações sobre riscos à saúde humana e ambiental. Cien Saude

97

Colet 2005; 10(2):483-491.

2. Instituição como autor
The Cardiac Society of Australia and New Zealand. Clinical exercise stress testing.
Safety and performance guidelines. Med J Aust 1996; 164(5):282-284.

3. Sem indicação de autoria
Cancer in South Africa [editorial]. S Afr Med J 1994; 84(2):15.

4. Número com suplemento
Duarte MFS. Maturação física: uma revisão de literatura, com especial atenção à criança
brasileira. Cad Saude Publica 1993; 9(Supl.1):71-84.

5. Indicação do tipo de texto, se necessário
Enzensberger W, Fischer PA. Metronome in Parkinson’s disease [carta]. Lancet 1996;
347(9011):1337.

LIVROS E OUTRAS MONOGRAFIAS
6. Indivíduo como autor
Cecchetto FR. Violência, cultura e poder. Rio de Janeiro: FGV; 2004.
Minayo MCS. O desafio do conhecimento: pesquisa qualitativa em saúde. 8ª ed. São
Paulo,Rio de Janeiro: Hucitec, Abrasco; 2004.

7. Organizador ou compilador como autor
Bosi MLM, Mercado FJ, organizadores. Pesquisa qualitativa de serviços de saúde.
Petrópolis: Vozes; 2004.

8. Instituição como autor
Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA).
Controle de plantas aquáticas por meio de agrotóxicos e afins. Brasília: DILIQ/IBAMA; 2001.

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9. Capítulo de livro
Sarcinelli PN. A exposição de crianças e adolescentes a agrotóxicos. In: Peres F, Moreira
JC, organizadores. É veneno ou é remédio. Agrotóxicos, saúde e ambiente. Rio de Janeiro:
Fiocruz; 2003. p. 43-58.

10. Resumo em Anais de congressos
Kimura J, Shibasaki H, organizadores. Recent advances in clinical neurophysiology.
Proceedings of the 10th International Congress of EMG and Clinical Neurophysiology; 1995
Oct 15-19; Kyoto, Japan. Amsterdam: Elsevier; 1996.

11. Trabalhos completos publicados em eventos científicos
Coates V, Correa MM. Características de 462 adolescentes grávidas em São Paulo.
In:
Anais do V Congresso Brasileiro de adolescência; 1993; Belo Horizonte. p. 581-582.

12. Dissertação e tese
Carvalho GCM. O financiamento público federal do Sistema Único de Saúde 19882001
[tese]. São Paulo: Faculdade de Saúde Pública; 2002.

Gomes WA. Adolescência, desenvolvimento puberal e sexualidade: nível de informação
deadolescentes e professores das escolas municipais de Feira de Santana – BA [dissertação].
Feira de Santana (BA): Universidade Estadual de Feira de Santana; 2001.

OUTROS TRABALHOS PUBLICADOS
13. Artigo de jornal
Novas técnicas de reprodução assistida possibilitam a maternidade após os 40 anos.
Jornaldo Brasil; 2004 Jan 31; p. 12
Lee G. Hospitalizations tied to ozone pollution: study estimates 50,000 admissions
annually. The Washington Post 1996 Jun 21; Sect. A:3 (col. 5).

99

14. Material audiovisual
HIV+/AIDS: the facts and the future [videocassette]. St. Louis (MO): Mosby-Year Book;
1995.

15. Documentos legais
Brasil. Lei nº 8.080 de 19 de setembro de 1990. Dispõe sobre as condições para a
promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento dos serviços
correspondentes e dá outras providências. Diário Oficial da União 1990; 19 set.

MATERIAL NO PRELO OU NÃO PUBLICADO
Leshner AI. Molecular mechanisms of cocaine addiction. N Engl J Med. In press 1996.
Cronemberg S, Santos DVV, Ramos LFF, Oliveira ACM, Maestrini HA, Calixto N.
Trabeculectomia com mitomicina C em pacientes com glaucoma congênito refratário. ArqBras
Oftalmol. No prelo 2004.

MATERIAL ELETRÔNICO
16. Artigo em formato eletrônico
Morse SS. Factors in the emergence of infectious diseases. Emerg Infect Dis [serial on
the Internet].1995 Jan-Mar [cited 1996 Jun 5];1(1):[about 24 p.]. Available from:
http://www.cdc.gov/ncidod/EID/eid.htm
Lucena AR, Velasco e Cruz AA, Cavalcante R. Estudo epidemiológico do tracoma
emcomunidade da Chapada do Araripe – PE – Brasil. Arq Bras Oftalmol [periódico naInternet].
2004 Mar-Abr [acessado 2004 Jul 12];67(2): [cerca de 4 p.]. Disponível em:
http://www.abonet.com.br/abo/672/197-200.pdf
17. Monografia em formato eletrônico
CDI, clinical dermatology illustrated [CD-ROM]. Reeves JRT, Maibach H. CMEA
Multimedia Group, producers. 2ª ed. Version 2.0. San Diego: CMEA; 1995.

100

18. Programa de computador
Hemodynamics III: the ups and downs of hemodynamics [computer program]. Version
2.2.Orlando (FL): Computerized Educational Systems; 1993.

Os artigos serão avaliados através da Revisão de pares por no mínimo três consultores
da área de conhecimento da pesquisa, de instituições de ensino e/ou pesquisa nacionais e
estrangeiras, de comprovada produção científica. Após as devidas correções e possíveis
sugestões, o artigo será aceito se tiver dois pareceres favoráveis e rejeitado quando dois
pareceres forem desfavoráveis.

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