Dissertação Melina.pdf
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UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
FACULDADE DE MEDICINA
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS MÉDICAS
Melina Pimentel Cavalcante Pedrosa
Traumas precoces e manifestações clínicas em mulheres com fibromialgia
Maceió
2022
MELINA PIMENTEL CAVALCANTE PEDROSA
Traumas precoces e manifestações clínicas em mulheres com fibromialgia
Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa de Pósgraduação em Ciências Médicas da Universidade Federal
de Alagoas-UFAL, como parte das exigências para a
obtenção do título de Mestre em Ciências Médicas.
Área de Concentração: Epidemiologia, fisiopatologia e
terapêutica em Ciências Médicas
Orientador: Prof. Dr. Valfrido Leão de Melo Neto
Coorientador: Prof. Dr. Thiago Sotero Fragoso
Maceió
2022
Catalogação na Fonte
Universidade Federal de Alagoas
Biblioteca Central
Divisão de Tratamento Técnico
Bibliotecário: Marcelino de Carvalho Freitas Neto – CRB-4 – 1767
P372p
Pedrosa, Melina Pimentel Cavalcante.
Traumas precoces e manifestações clínicas em mulheres com fibromialgia /
Melina Pimentel Cavalcante Pedrosa. – 2022.
91 f. : il.
Orientador: Valfrido Leão de Melo Neto.
Co-orientador: Thiago Sotero Fragoso.
Dissertação (Mestrado em Ciências Médicas) – Universidade Federal de
Alagoas. Faculdade de Medicina. Programa de Pós-Graduação em Ciências
Médicas. Maceió, 2022.
Inclui produto educacional.
Bibliografia: f. 71-78.
Apêndices: f. 79-84.
Anexos: f. 85-91.
1. Fibromialgia. 2. Experiências adversas na infância. 3. Angústia
psicológica. I. Título.
CDU: 616-002.771
Folha de Aprovação
Melina Pimentel Cavalcante Pedrosa
Traumas precoces e manifestações clínicas em mulheres com fibromialgia
Dissertação submetida ao corpo docente do
Programa de Pós-Graduação em Ciências
Médicas da Universidade Federal de Alagoas.
______________________________________________
Valfrido Leão de Melo Neto
Faculdade de Medicina/UFAL
Orientador
Banca Examinadora:
_______________________________________________
Cláudio Torres Miranda
Faculdade de Medicina / UFAL
________________________________________________
André Barciela Veras
Universidade Estadual do Mato Grosso do Sul/
Mestrado profissional em Saúde da família
_______________________________________________
Mércia Lamenha Medeiros
Universidade Federal de Alagoas
UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
FACULDADE DE MEDICINA
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS MÉDICAS
ATA DE DEFESA DE TRABALHO DE CONCLUSÃO
DE PÓS-GRADUAÇÃO STRICTO SENSU
ATA Nº
Ata da sessão referente à defesa intitulada “Estudo de associação entre trauma precoce e
manifestações clínicas em portadoras de fibromialgia.”, área de concentração
CIÊNCIAS MÉDICAS e linha de pesquisa Doenças crônicas e degenerativas, pelo(a)
discente Melina Pimentel Cavalcanti Pedrosa sob orientação do Prof. Dr. Valfrido Leão
de Melo Neto.
Aos vinte e nove dias do mês de agosto do ano de 2022, às 19h30min., reuniu-se a
Banca Examinadora em epígrafe, aprovada pelo Colegiado do Programa de
Pós-Graduação conforme a seguinte composição:
Dr.(a) Presidente – VALFRIDO LEÃO DE MELO NETO
Dr. (a) Titular – CLÁUDIO TORRES DE MIRANDA
Dr. (a) Titular – ANDRÉ BARCIELA VERAS
Dr. (a) Titular – MÉRCIA LAMENHA MEDEIROS
Dr. (a) Suplente – MARIA CÍCERA DOS SANTOS DE ALBUQUERQUE
Dr. (a) Suplente – MICHELLE JACINTHA CAVALCANTE
OLIVEIRA
Tendo o(a) Senhor(a) Presidente declarado aberta a sessão, mediante o prévio exame do
referido trabalho por parte de cada membro da Banca, o(a) discente procedeu a
apresentação de seu Trabalho de Conclusão de Curso de Pós-graduação stricto sensu e
____________________________________________________________________________________________________
PRÓ-REITORIA DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO (PROPEP)
Av. Lourival Melo Mota, S/N, Tabuleiro do Martins, Maceió - AL, Cep: 57072-970
(82) 32141069 EMAIL: cpg@propep.ufal.br
foi submetido(a) à arguição pela Banca Examinadora que, em seguida, deliberou sobre
o seguinte resultado:
☐ X APROVADO
☐ NÃO APROVADO, conforme parecer circunstanciado, registrado no campo Observações
desta Ata e/ou em documento anexo, elaborado pela Banca Examinadora.
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS MÉDICAS – PPGCM
Observações da Banca Examinadora (caso não inexistam, anular o campo):
Nada mais havendo a tratar, o(a) senhor(a) Presidente declarou encerrada a sessão de DEFESA, sendo
a presente Ata lavrada e assinada pelos(as) senhores(as) membros da Banca Examinadora e pelo(a)
discente, atestando ciência do que nela consta.
__________________________________________________
Membro da banca
_________________________________________________________
_
_________________________________________________
Membro da banca
Membro da banca interno
____________________________________________________________________________________________________
PRÓ-REITORIA DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO (PROPEP)
Av. Lourival Melo Mota, S/N, Tabuleiro do Martins, Maceió - AL, Cep: 57072-970
(82) 32141069 EMAIL: cpg@propep.ufal.br
Dedicado a todas as mulheres que
sentem dor.
AGRADECIMENTOS
Agradeço primeiramente a todas as mulheres, que tiverem coragem e disposição de
compartilhar suas experiências para a realização deste trabalho. Agradeço ao Hospital
Universitário Professor Alberto Antunes (HUPAA) e a Universidade Federal de Alagoas por
terem me dado condições de realizar a pesquisa dentro do ambulatório de dor. Agradeço a
todos os professores do Programa de Pós-Graduação em Ciências Médicas da Faculdade de
Medicina da UFAL, em especial, meu orientador Prof. Dr. Valfrido Leão de Melo Neto por
toda confiança ao meu trabalho. Por fim, agradeço a Deus e a minha família, em especial meu
marido Alan Pedro, que me deu apoio e força necessária para seguir nas pesquisas,
conciliando com o período de pandemia, a gestação e o nascimento do meu querido filho Tom.
RESUMO
Introdução: A fibromialgia (FM) é uma síndrome dolorosa crônica que acomete, em sua
maioria, mulheres adultas (18-55 anos). Apresenta uma prevalência de aproximadamente 2,5%
na população brasileira. É caracterizada por dor musculoesquelética generalizada,
frequentemente acompanhada por fadiga, sono não reparador, distúrbios cognitivos leves,
ansiedade e depressão. Não há etiologia e fisiopatologia bem estabelecidas. Trabalhos atuais
vêm demonstrando a associação do trauma precoce com alterações na modulação da dor e maior
sofrimento psíquico. Objetivo: Investigar a associação entre a história de trauma precoce e as
características clínicas em mulheres com FM. Metodologia: Estudo transversal com abordagem
quantitativa, realizado no serviço de medicina da dor. Amostra é não probabilística e, por
conveniência, realizada durante um ano de atendimentos do ambulatório. A coleta de dados
ocorreu a partir da realização de um questionário sociodemográfico e clínico, criado pelos
pesquisadores, associado com instrumentos validados: 1) Critérios diagnósticos para FM do
Colégio Americano de Reumatologia (ACR,2010); 2) Questionário sobre o impacto da
FM(QIF) que avalia funcionalidade e qualidade de vida; 3) Escala visual análoga (EVA), para
avaliar intensidade da dor física; 4) Inventário de depressão de Beck (BDI II), para mensurar a
intensidade dos sintomas depressivos; 5) Psychache Scale (Escala de dor psicológica), avalia
intensidade do sofrimento psicológico; 6) Inventário de autoavaliação do trauma precoce:
Versão reduzida (ETISR-SF) que avalia a história de trauma até os 18 anos de idade.
Resultados: Foram entrevistadas 50 mulheres com FM. A média de idade das participantes foi
de 49,84(±8,25), a média de escolaridade foi de 7 (±5,77) anos de estudo e, 58% relataram ter
companheiro. Dentre as entrevistadas, 33 (66%) Traumas gerais, 36 (72%), Abuso físico, 33
(66%) Abuso emocional e 25 (50 %) Abuso sexual. Os escores do ACR, QIF, BDI II e da escala
de Dor psicológica foram piores em pacientes fibromiálgicas com história de trauma precoce
(p<0,01; p<0,05; p<0,01; p <0,01, respectivamente). Além disso, observou-se uma correlação
positiva entre intensidade da história de trauma precoce com maior gravidade dos sintomas em
todos os aspectos avaliados (p<0,05). Conclusão: Nessa população estudada a história de
trauma precoce foi comum em mulheres com FM e se associou a pior perfil clínico (tanto ACR
2010 quanto QIF) e psicológico (BDI II e Dor psicológica), por isso, sugerimos deve ser
sistematicamente investigado nessa população.
Palavras-chave: fibromialgia; trauma na infância; dor crônica; sofrimento psicológico.
ABSTRACT
Introduction: Fibromyalgia (FM) is a chronic painful syndrome that affects mostly adult
women (18-55 years). It has a prevalence of approximately 2.5% in the Brazilian population. It
is characterized by generalized musculoskeletal pain, often accompanied by fatigue, nonrestorative sleep, mild cognitive impairment, anxiety and depression. There is no clearly wellestablished etiology or pathophysiology. Current studies have demonstrated the association of
early trauma with changes in pain modulation and greater psychological distress. Objective:
To investigate the association between history of early trauma and clinical characteristics in
women with FM. Methodology: Cross-sectional study with a quantitative approach, carried
out in the pain medicine service of the general outpatient clinic of the Professor Alberto Antunes
University Hospital (HUPAA) of the Federal University of Alagoas (UFAL). The sample is
non-probabilistic and for convenience Carrier out during the period of care at the clinic. Data
collection took place through a sociodemographic and clinical questionnaire created by the
researchers. The following instruments were also used: 1) FM diagnosis questionnaire from the
American College of Rheumatology (ACR); 2) Questionnaire on the impact of FM (QIF) that
assesses functionality and quality of life; 3) Visual analogue scale (VAS) to assess physical
pain intensity; 4) Beck Depression Inventory (BDI II), to measure the intensity of depressive
symptoms; 5) Psychache Scale, assesses the intensity of psychological suffering; 6) Early
trauma self-assessment inventory: Short version (ETISR-SF) that assesses trauma history up to
18 years of age. Results: Fifty women with FM were interviewed. The mean age of the
participants was 49.84(±8.25), the mean schooling was 7(±5.77) years of study and 58%
reported having a partner. Among the interviewees, 33 (66%) reported general trauma, 36
(72%) physical abuse, 33 (66%) emotional abuse and 25 (50%) sexual abuse. ACR, QIF, BDI
II and Psychological Pain scale scores were worse in fibromyalgia patients with a history of
early trauma (p<0.01; p<0.05; p<0.01; p<0.01, respectively). In addition, there was a positive
correlation between the intensity of the early trauma history and greater severity of symptoms
in all aspects evaluated (p<0.05). Conclusion: History of early trauma is common in women
with FM and is associated with a worse clinical profile (both ACR 2010 and QIF) and
psychological profile (BDI II and Psychological pain) so it should be systematically
investigated in this population.
Keywords: fibromyalgia; early trauma; chronic pain; mental suffering.
LISTA DE TABELAS
Tabela 1
Características sociodemográficas e Clínicas das pacientes com fibromialgia
atendidas no Ambulatório de Dor do HUPAA - UFAL.....................................31
Tabela 2
Tratamento farmacológico e não farmacológico em mulheres com fibromialgia
atendidas no HUPAA – UFAL..........................................................................32
Tabela 3
Análise descritiva da amostra de acordo com o Inventário de autoavaliação de
trauma precoce: Versão reduzida (ETISR-SF) .................................................33
Tabela 4
Prevalência dos tipos de trauma precoce na amostra geral de acordo com o
ETISR-SF..........................................................................................................33
Tabela 5
Características Clínicas das Mulheres com Fibromialgia Atendidas no
Ambulatório de Dor do HUPAA- UFAL de acordo com a presença ou ausência
de Traumas Gerais.............................................................................................34
Tabela 6
Características Clínicas das Mulheres com Fibromialgia Atendidas no
Ambulatório de Dor do HUPAA- UFAL de acordo com a presença ou não de
abuso físico........................................................................................................35
Tabela 7
Características Clínicas das Mulheres com Fibromialgia Atendidas no
Ambulatório de Dor do HUPAA- UFAL de acordo com a presença ou não de
abuso emocional................................................................................................35
Tabela 8
Características Clínicas das Mulheres com Fibromialgia Atendidas no
Ambulatório de Dor do HUPAA- UFAL de acordo com a presença ou não de
abuso sexual.......................................................................................................36
Tabela 9
Correlação entre os escores de trauma precoce do Inventário de autoavaliação de
trauma precoce: Versão reduzida (ETISR-SF) e características clínicas das
mulheres com fibromialgia atendidas no ambulatório de Dor do HUPAA –
UFAL.................................................................................................................37
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
ACR
American College of Rheumatology
BDI
Inventário de depressão de Beck
CEP
Conselho de Ética
COVID-19
Coronavírus disease 2019
EVA
Escala Visual Análoga
FM
Fibromialgia
ETISR-SF
Inventário de autoavaliação do trauma precoce
HUPAA
Hospital Universitário Professor Alberto Antunes
QIF
Questionário sobre o impacto da Fibromialgia
SBR
Sociedade Brasileira de Reumatologia
SS
Symptom Severity
STROBE
Relatório de Estudos Observacionais em Epidemiologia
SUS
Sistema Único de Saúde
TCLE
Termo de Consentimento Livre e Esclarecido
UFAL
Universidade Federal de Alagoas
WPI
Widespread Pain Index
SUMÁRIO
1
INTRODUÇÃO...........................................................................................................13
2
OBJETIVOS................................................................................................................16
3
REVISÃO DE LITERATURA..................................................................................17
3.1
História da Fibromialgia............................................................................................17
3.2
Evolução dos critérios diagnósticos na FM..............................................................17
3.3
Prevalência da FM......................................................................................................19
3.4
Etiologia e Fisiopatologia da FM...............................................................................20
3.5
Trauma Precoce..........................................................................................................22
3.6
Trauma Precoce e Fibromialgia................................................................................23
4
METODOLOGIA.......................................................................................................25
4.1
Tipo de Estudo.............................................................................................................25
4.2
Local.............................................................................................................................25
4.3
Participantes................................................................................................................25
4.4
Critério de Inclusão....................................................................................................25
4.5
Critério de Exclusão...................................................................................................26
4.6
Amostragem................................................................................................................26
4.7
Instrumentos de Avaliação........................................................................................26
4.7.1 Questionário sociodemográfico e clínico (APÊNDICE B) .........................................26
4.7.2 Instrumento Diagnóstico na FM-ACR 2010 (ANEXO A) ..........................................27
4.7.3 Questionário sobre o impacto da Fibromialgia (ANEXO B) ......................................28
4.7.4 Escala visual analógica (Visual Analogue Scale - VAS) (ANEXO C) ......................28
4.7.5 Inventário de depressão de Beck (BDI II) (ANEXO D) .............................................28
4.7.6 Escala de dor psicológica (Psychache Scale) (ANEXO E) .........................................28
4.7.7 Inventário de autoavaliação de trauma precoce: Versão reduzida (ETISR-SF) ..........28
4.8
Procedimentos.............................................................................................................29
4.9
Análise Estatística.......................................................................................................29
5
PRODUTO:.................................................................................................................30
Early trauma, psychological pain and depressive symptoms in women with
fibromyalgia, submetido segundo as normas da revista Psychological Medicine.......30
6
RESULTADOS............................................................................................................53
7
DISCUSSÃO................................................................................................................61
8
CONCLUSÃO.............................................................................................................68
9
LIMITAÇÕES.............................................................................................................69
REFERÊNCIAS..........................................................................................................70
APÊNDICES................................................................................................................78
ANEXOS......................................................................................................................84
13
1
INTRODUÇÃO
A fibromialgia (FM) é uma síndrome dolorosa crônica que acomete, em sua maioria,
mulheres adultas (18-55 anos). É caracterizada por dor musculoesquelética generalizada,
frequentemente acompanhada por fadiga, sono não reparador, distúrbios cognitivos leves,
ansiedade e depressão. Não há evidências sustentáveis de anormalidades em exames
complementares, imagens, laboratoriais ou disfunções em tecidos e músculos; portanto, o
diagnóstico é exclusivamente clínico, realizado pelos critérios diagnósticos definidos pelo
Colégio Americano de Reumatologia (ACR) (WOLFE et. al. 2010; CLAUW et. al., 2014).
Apresenta uma prevalência de aproximadamente 2,5% na população brasileira; 5% em
mulheres estadunidenses; e 4,7% na população europeia. E, estimada em 2% a 8% na população
mundial (SOUZA et. al., 2018; CLAUW et. al., 2014).
A etiologia e fisiopatologia não são bem esclarecidas. Há autores que questionam o
papel orgânico da doença e sugerem que tal síndrome pode ter mais características psicogênicas
ou psicossomáticas (BLUMER, et. al., 1982). Outras análises avaliam que a FM parece ser uma
desregulação na modulação da dor, caracterizada por uma sensibilização central, que causa uma
hipersensibilidade ao estímulo álgico como, também, uma manutenção dele sem um novo
estímulo desencadeante (GOLDENBERG,1987; AFARI, et. al., 2014).
A sensibilização central consiste no aumento da excitabilidade de neurônios da medula
espinal, que transmitem a informação da dor para o córtex pelas fibras C. Essa sensibilização
parece ser o principal fator que contribui para a hiperalgesia nas síndromes dolorosas crônicas
(STAUD et. al., 2004).
Trabalhos vêm abordando a sensibilização central como justificativa para o
aparecimento dos sintomas na FM, porém, sem evidências claras de como surgem e qual a causa
dessa condição nesses pacientes (STAUD et. al., 2004). Um estudo concluiu que a dor induzida
experimentalmente em portadores de FM requer estímulos dolorosos significativamente
menores e menos frequentes que o grupo de controle saudável, ou seja, o grupo de pacientes
fibromiálgicos apresentaram menor limiar da dor e maior sensibilidade a estímulos noceptivos,
térmicos e pressóricos (PETZKE et. al., 2003). Tais trabalhos indicam que a FM está
intimamente relacionada com a sensibilização central, por isso, a maioria das diretrizes de
tratamentos atuais recomendam o uso de medicamentos de ação central como antidepressivos
e anticonvulsivantes na tentativa de diminuir essa condição anormal na modulação da dor a
nível do sistema nervoso central, pois, tais medicamentos atuam em receptores neuronais,
inibindo a transmissão da dor (WOOLF; CLIFFORD, 2011).
14
Nesse sentido, pesquisadores (LUTZ et. al., 2018) seguem estudando causas que
poderiam estar relacionadas com as alterações nas vias moduladoras da dor, como a via opioide,
uma via responsável tanto pela modulação da dor física como psicológica. Segundo esses
estudos, eventos como exclusão social e traumas infantis parecem causar uma maior
sensibilização às dores e uma menor resiliência. Nesses casos, esses pacientes teriam uma
diminuição no limiar das dores físicas e psicológicas, tendo uma propensão maior a essa
condição.
Outras pesquisas também mostram a relação do trauma precoce com um impacto na
expressão de genes que alteram a resposta do eixo Hipotálamo-Hipófise-Suprarrenal (HHS)
causando disfunção nos neurônios periféricos e no corno dorsal da medula espinal, assim como
nos neuropeptídios centrais, ocasionando uma entrada nociceptiva anormal no cérebro
responsável por uma manutenção da dor nos pacientes com FM (BEGGS et. al., 2012;
SCHWALLER, FITZGERALD, 2014). Também foi associado o trauma precoce a níveis
achatados de cortisol diurno em pacientes com FM, sugerindo uma desregulação do eixo
neuroendócrino (WEISSBECKER, 2006; YEUNG, 2016).
A prevalência do trauma precoce na FM se mostra elevada, variando desde 21% a 71%
(SOLITAR E DUBOIS, 2012; NELSON et. al., 2017; TAYLOR et. al., 1995; BOISSETPIORO, 1995). Essa variação é ampla devido às diversas metodologias utilizadas nos trabalhos,
como diferentes instrumentos de rastreio da história de trauma, bem como da investigação de
um trauma precoce específico, como, por exemplo, abuso sexual ou negligência na infância.
A literatura descreve uma associação do trauma precoce com maior gravidade nas
manifestações clínicas e prejuízo funcional de pacientes com FM (AFARI et. al., 2014,
CICCONE DS et. al., 2005; DELL'OSSO et. al., 2011; WINFRIED HÄUSER et. al. 2013;
FILIPPON 2013; NELSON et. al. 2017).
Trabalhos (NELSON et. al., 2017; FILLIPPON, 2013; TURK et. al., 1996) que
estudaram a influência do trauma precoce na fibromialgia associam o trauma precoce a uma
maior gravidade clínica, além de maior comorbidade com depressão.
Um estudo recente (KIZILKURT et. al, 2021) mostrou uma correlação positiva entre
traumas precoces com gravidade de sintomas na FM e uma correlação negativa entre a escala
de resiliência psicológica e gravidade clínica nesses pacientes submetidos a traumas na infância.
Esse dado evidencia, possivelmente, o aspecto psicológico como determinante no
enfrentamento da doença e prognóstico.
Apesar de dados relevantes que apontam a associação entre traumas precoces e
gravidade dos sintomas em pacientes com FM, ainda não foi investigado a intensidade da dor
15
psicológica nesses pacientes, mesmo sendo um importante aspecto clínico relacionado a
maiores níveis de gravidade na depressão e elevados níveis de desesperança e comportamento
suicida (SHNEIDMAN,1993). Além disso, a dor psicológica também vem sendo associada ao
trauma infantil relacionado ao pertencimento frustrado e ao sentimento de carga na infância e
menor resiliência e adoecimento psicológico no adulto (SHILLING et. al., 2015), porém, ainda
não estudada na população com FM. Portanto, a dor psicológica pode ser uma característica
promissora a ser observada na análise do perfil clínico e psicológico dos pacientes com FM que
sofreram traumas precoces, visto que elevados níveis de sofrimento mental parecem afetar
diretamente na funcionalidade e no enfrentamento da doença.
Nesse contexto, há um entendimento de que é necessária uma maior investigação na
associação entre trauma precoce e sofrimento/dor psicológica nos pacientes com FM. Por isso,
o presente trabalho pretende ampliar a discussão acerca das características clínicas, tais como:
escores clínicos da ACR, funcionalidade, dor física, intensidade da depressão e incluir, pela
primeira vez, a avaliação da intensidade da dor psicológica em pacientes com FM submetidos
a adversidades na infância.
16
2
OBJETIVOS
Objetivo geral
▪
Investigar a associação entre trauma precoce e as manifestações clínicas em mulheres
com fibromialgia.
Objetivos específicos
▪
Mapear os dados sociodemográficos de mulheres com FM acompanhadas no
ambulatório de dor do Hospital Universitário Professor Alberto Antunes (HUPAA) da
Universidade Federal de Alagoas (UFAL);
▪
Mensurar os escores das variáveis clínicas: Critérios da ACR (2010); Questionário sobre
o impacto da fibromialgia (QIF); Intensidade da dor física (EVA); Intensidade dos
sintomas depressivos (BDI II); Intensidade da dor psicológica (Escala de dor
psicológica - Psychache Scale);
▪
Pesquisar a história de trauma precoce na amostra;
▪
Analisar a associação entre a história de trauma precoce com o mapeamento dos dados
sociodemográficos e clínicos.
17
3
REVISÃO DE LITERATURA
3.1
História da Fibromialgia
A partir de meados do século XX, as características clínicas de pacientes com sintomas
sugestivos do diagnóstico de FM vêm sendo discutidas. O termo fibrosite foi proposto
inicialmente por Willian Gowers em 1904, para caracterizar uma síndrome complexa designada
por dor musculoesquelética generalizada, aumento da sensibilidade à dor e fadiga (LOPES
ESPINO, 2008). A fibrosite poderia ser classificada em primária ou secundária, sendo a
primeira uma síndrome de dor generalizada e não associada a qualquer artropatia subjacente e,
a segunda, associada a doenças articulares subjacentes e podendo ser regional em suas
manifestações (TRAUT, 1952).
Na década de 1930, particularmente em 1937, Halliday sugeriu a mudança do termo
fibrosite para reumatismo psicogênico por perceber que, além da dor e rigidez articular, a
síndrome se apresentava, muitas vezes, associada a sintomas de ansiedade e depressão
(BEETHAM, 1979). Durante os anos compreendidos entre as décadas de 1950 e 1960, os
termos fibrosite e reumatismo psicogênico foram utilizados sem muitos critérios e
discriminação.
Em meados da década de 1970, Moldosfsky estabeleceu a relação entre distúrbios de
sono a essa síndrome dolorosa que passou a ser reconhecida por uma entidade clínica chamada
Fibromialgia, precisamente em 1976, por Hench (SMYTHE et. al., 1981).
Smythe, em 1979, foi o primeiro a propor a síndrome dolorosa fibromiálgica como dor
generalizada com critérios diagnósticos de dor difusa, com duração de mais de três meses,
sensibilidade na região escapular superior, distúrbios de sono, fadiga e rigidez matinal
(SMYTHE, 1981; WOLFE, 1986).
Na década de 1980, diversos autores tentaram estabelecer critérios diagnósticos mais
precisos para a fibromialgia (YUNUS et. al., 1981; CAMPBELL et. al., 1983; WOLFE et. al.,
1986). Em 1990, o Colégio Americano de Reumatologia (American College of Rheumatology),
ACR, publicou um estudo multicêntrico estabelecendo critérios para o diagnóstico da
fibromialgia (WOLFE et. al., 1990).
3.2 Evolução dos critérios diagnósticos na FM
Como dito anteriormente, em 1990, o Colégio Americano de Reumatologia (ACR)
elaborou critérios diagnósticos para a FM, que foram aceitos pela comunidade científica e
contribuíram significativamente para impulsionar pesquisas sobre a síndrome, além de
promover uma homogeneização do diagnóstico a nível mundial (HEYMANN et. al., 2017).
18
Esses
critérios
de
1990
dependiam
primariamente
da
presença
de
dor
musculoesquelética difusa por mais de 3 meses, além do exame físico dos pontos dolorosos,
onde o médico examinador encontraria: Dor em 11 de 18 locais de pontos sensíveis(tender
points) à palpação digital em áreas simétricas no occipital, cervical, trapézios, supraespinhal,
segundas costelas, epicôndilos, glúteos, proeminências trocantéricas, joelhos e, pelo menos,
mais dois dos quatro sintomas seguintes: fadiga, alteração do sono, perturbações emocionais e
dores de cabeça (WOLFE et. al., 1990).
Apesar de alavancar os estudos científicos sobre FM, o diagnóstico da FM a partir dos
critérios da ACR de 1990 apresentaram 25% de falso negativo quando comparados ao
diagnóstico clínico. Em 2010, em nova reunião para estabelecer critérios mais precisos diante
da prática clínica, a ACR elaborou novos critérios para o diagnóstico da FM (WOLFE et. al.,
2010).
Os diagnósticos da FM realizados através de critérios ACR 2010 são baseados no
número de regiões dolorosas do corpo, avaliado pelo Índice de Dor Generalizada – Widespread
Pain Index (WPI), e, na presença e gravidade da fadiga, do sono não reparador e da dificuldade
cognitiva, bem como na extensão de sintomas somáticos, avaliados pela Escala de Gravidade
de Sintomas - Symptom Severity (SS) (WOLFE et. al., 2010).
A pontuação do WPI varia entre 0 e 19 e, consideram pontos determinados de dor que
são referidos pelos pacientes (cintura escapular esquerda e direita; membro superior esquerdo
e direito proximal; membro superior esquerdo e direito distal; quadril (nádega, trocanter)
esquerdo e direito; membro inferior esquerdo e direito proximal; membro inferior esquerdo e
direito distal; mandíbula esquerda e direita; região anterior e posterior do tórax; abdome; região
lombar; pescoço (WOLFE et. al., 2010).
Para a SS, considera-se nos últimos 7 dias: fadiga, sono não reparador e sintomas
cognitivos e sintomas somáticos gerais marcados em uma escala tipo likert variando de 0 a 3
de acordo com a gravidade (WOLFE et al, 2010).
O diagnóstico de FM pelos critérios da ACR 2010 é considerado quando: Índice de dor
generalizada (Widespread Pain Index – WPI) maior ou igual a 7 e pontuação da escala de
severidade dos sintomas (Symptom Severity – SS) maior ou igual a 5 OU WPI entre 3 a 6 e
pontuação da escala de SS maior ou igual a 9, somado ao fato de os sintomas estarem presentes
em um nível similar por, no mínimo, 3 meses, e o paciente não deve ter outra condição de saúde
que explicaria a dor (WOLFE et. al., 2010).
O diagnóstico de FM com os critérios ACR 2010 com o WPI >7, associado à Escala SS
>5, ambos baseados nos sintomas do paciente (dor, fadiga, sono, cognição e sintomas
19
somáticos), permite precisão diagnóstica de 90,8% (sensibilidade de 90,9% e especificidade de
85,9%) quando comparada aos critérios ACR 1990 (HEYMANN et. al., 2107).
A sociedade brasileira de reumatologia recomenda que o diagnóstico da FM seja feito
através dos critérios ACR 2010, não sendo imprescindível o uso dos critérios de 1990, porém,
a união dos dois permite melhor acurácia diagnóstica (HEYMANN et. al., 2017).
Em 2016, a ACR propôs revisão dos critérios de 2010/2011, no intuito de corrigir erros
de classificação observados em pacientes com dor regional, adicionou‐se um critério
complementar: dor difusa (WOLFE et. al., 2016).
Além da dor difusa , definida como dor em pelo menos 4 das 5 regiões, os novos critérios
do ACR, em 2016, também definiram: alteração no critério 1 para "índice de dor generalizada
(WPI) ≥ 7 e escala de gravidade dos sintomas (SSS) escore ≥ 5 OU WPI entre 4 e 6 e pontuação
SSS ≥ 9 com WPI mínimo de ≥ 4 em vez de ≥ 3 com duração dos sintomas por, pelo menos, 3
meses, além do diagnóstico da FM não excluir a presença de outras doenças clinicamente
importantes, ou seja, o diagnóstico é valido independente de outros diagnósticos (WOLFE et.
al., 2016).
3.3
Prevalência da FM
A FM apresenta uma prevalência importante na população mundial, entre 2% e 8%
(CLAUW, 2014). Na população brasileira, a prevalência fica em torno de 2,5%, sendo a
segunda maior prevalência de dor crônica entre as síndromes dolorosas, atrás somente da dor
lombar com uma prevalência de 12% (GOREN et. al., 2012; SOUZA et. al., 2018).
As mulheres são afetadas até 10 vezes mais que os homens e, a frequência aumenta
proporcionalmente à idade. Pode ser encontrada também em pacientes jovens e adolescentes
sendo mais raro que em mulheres com idades mais avançadas (ASUMPÇÃO et. al., 2009).
A prevalência da FM na população geral pode variar consideravelmente entre os países
e, de acordo com a utilização dos critérios diagnósticos. Em países como Estados Unidos e
Escócia, foram encontrados valores de prevalência na população geral mais elevados, sendo,
respectivamente, 6,4 % e 5,4% (VICENT et. al., 2013). Já Em países como Venezuela, por
exemplo, foi encontrado uma prevalência de 0,2 % na população geral, possivelmente pela
escassez de estudos ou, mesmo, pela metodologia utilizada, não aplicando os critérios
diagnósticos da ACR para identificação dos diagnósticos (GRANADOS et. al., 2015).
Entre os anos de 1995 e 2006, a prevalência de fibromialgia na população geral em nível
mundial variou de 0,7% a 4,4 % (MARQUES et. al., 2017). Já Com a evolução dos critérios
diagnósticos da ACR em 2010, os estudos de prevalência parecem seguir esses critérios com
20
uma melhor padronização e acurácia nos resultados. Em 2016, a literatura aponta valores de
prevalência da FM entre 0,2% e 6,6% na população em geral, entre 2,4% e 6,8% em mulheres,
0,7% a 11,4%, nas áreas urbanas, 0,1% a 5,2% nas rurais e em populações especiais entre 0,6%
e 15% (MARQUES et. al., 2017).
No cenário brasileiro, observam-se estudos de prevalência, variando desde 2% na
população geral (GOREN et. al., 2012), em trabalho que utiliza o autorrelato para identificar o
diagnóstico, além de outros trabalhos que utilizam os critérios do ACR para confirmar os
diagnósticos, tendo resultados de prevalência de 4,4 % na população de baixo nível
socioeconômico (ASSUMPÇÃO et. al., 2009) e 5% em pacientes idosos (SANTOS et. al.,
2010). O estudo mais recente em que os pesquisadores utilizam o ACR como instrumento
diagnóstico mostra uma prevalência de 2,5% na população geral do Brasil (SOUZA et. al.,
2018).
3.4 Etiologia e fisiopatologia da FM
A etiologia e fisiopatologia da FM ainda não é bem esclarecida. Algumas teorias durante
a história da doença buscaram entender causas para o seu aparecimento. Na teoria Muscular de
Fassbender, nos anos 1990, os pacientes com fibromialgia apresentavam ruptura de sarcômeros
e destruição de miofilamentos em consequência de uma isquemia induzida pela contração
localizada do músculo, essas lesões justificariam a presença de fadiga e dor muscular
(BALDRY, 2001). Apesar de alguns estudos morfológicos e fisiológicos discutirem essa
origem muscular na FM (LINDH, 1995), não foi demonstrada a relação de causa e efeito acerca
de uma etiologia por lesão muscular em pacientes com FM devido a lacunas metodológicas
presentes nestes trabalhos.
Outro aspecto discutido acerca das possíveis causas para o desenvolvimento da FM está
relacionado a um enfoque mais psicológico devido à alta prevalência de características clínicas
como sintomas de ansiedade, depressão e distúrbio do sono nos pacientes fibromiálgicos
(BLUMER et. al., 1982).
A hipervigilância do paciente com FM desencadeada por evento traumático é um
aspecto aliado ligado a situações traumáticas que proporcionam medo persistente e podem
explicar o desenvolvimento de vulnerabilidade pessoal e propensão a distúrbios psicológicos
(RAPHAEL et. al., 2002). A hipervigilância, caracterizada pelo aumento da atenção a todo
estímulo externo, poderia proporcionar uma atenção exagerada nas sensações corporais,
causando uma diminuição no limiar da dor, ocasionando dores mais constante e intensas nas
pessoas com FM (ROST et. al., 2017). Além disso, estudos que investigam a dor em agregados
21
familiares levantam a hipótese de que a FM seria uma depressão disfarçada (BLUMER, et. al.,
1982).
A origem genética também é um aspecto levantado na literatura acerca da etiologia da
FM. A prevalência de FM em uma mesma família foi investigada por estudos, tendo em
referência parentes de primeiro grau, e está entre 6,4% e 18,5 %, enquanto em portadores de
artrite reumatoide varia de 1,1% a 4,2% (ARNOLD et. al., 2000). Essa alta prevalência familiar
pode ser classificada pela presença de um fator genético ou até um fator fenotípico associado
ao nível de educação familiar e potencializada por condições socioeconômicas em que vive essa
família.
A hipótese da FM como um distúrbio no Sistema Nervoso Central (SNC) vem sendo a
mais estudada nas últimas décadas, a partir de distúrbios do sono, causas de origem central
como distúrbio do eixo Hipotálamo Hipófise Suprarrenal (HHS), distúrbios no sistema nervoso
autônomo, além de distúrbios na modulação da dor a nível de SNC.
O distúrbio do sono é muito prevalente em portadores de FM, relatados por cerca de
48% a 90 % desses pacientes (ROIZENBLLAT et. al., 2001). Estudos mostram que os pacientes
com FM apresentam o sono profundo interrompido por períodos de vigília, porém, esse evento
não é exclusivo em pacientes com FM, pois também ocorre em outras síndromes de dor
crônicas, possibilitando maior gravidade na dor devido ao prejuízo na liberação do hormônio
do crescimento, responsável por homeostase muscular (SPEATH et. al., 2011; MOLDOFSKY
et. al., 2009).
Distúrbios do eixo HHS são encontrados em pacientes com depressão, transtorno de
estresse pós-traumático, como, também, em pacientes com FM, apresentando baixos níveis de
cortisol que demonstram alteração crônica geralmente associada a estresse crônico, sendo um
ponto em comum a essas três entidades clínicas (YEHUDA et. al.,2015; GUR et. al., 2004).
Também foi relatado, na literatura, que pacientes fibromiálgicos podem apresentar
alterações no Sistema simpático e parassimpático do Sistema Nervoso Autônomo (SNA), com
maior ativação do Sistema Nervoso Simpático (SNS) durante o sono e intolerância à atividade
física, possibilitando uma piora na gravidade da dor e baixo limiar (CATLEY et. al., 2000).
Por fim, a sensibilização central, com alteração das vias de modulação da dor, consiste
numa entrada nociceptiva anormal em nível de SNC, e parece ser o principal fator que contribui
para a hiperalgesia e alodínea nas síndromes dolorosas crônicas, sobretudo em pacientes
portadores de FM (STAUD et. al., 2004).
Estudos demonstram experimentalmente que a dor induzida em portadores de FM
requer estímulos dolorosos significativamente menores e menos frequentes que o grupo de
22
controle saudável, ou seja, o grupo de pacientes fibromiálgicos apresentam menor limiar da dor
e maior sensibilidade a estímulos noceptivos, térmicos e pressóricos (PETZKE et. al., 2003;
STAUD et. al., 2004). Portanto, estímulos com intensidade abaixo do limiar da dor, repetidos
no tempo, podem produzir dor em portadores de FM, ao contrário do que é observado em
sujeitos saudáveis, onde não há sensibilização central (STAUD et. al., 2004).
3.5
Trauma Precoce
O trauma precoce vem sendo cada vez mais estudado e reconhecido como um problema
de saúde pública no mundo, devido à alta prevalência e o impacto na vida adulta (BREMNER,
2007).
Dados do Ministério da Saúde no Brasil entre 2017 e 2019 mostram que 283.481 mil
brasileiros com faixa etária entre 1 e 19 anos sofreram algum tipo de abuso, sendo que desses,
187.085 eram mulheres. Outros dados brasileiros mostram que 41,7 em cada 100 mil mulheres
sofreram abuso sexual na infância, sobretudo, meninas de 10 a 13 anos, compreendendo 81,3%
das abusadas (BUENO et. al.,2019).
As formas de experiência do trauma precoce podem ser variadas e compreendem desde
traumas gerais, como divórcios dos pais, tragédias naturais, guerras, doenças graves, convívio
com adultos usuários de drogas, violência entre cônjuges ou violência extrema entre outras
pessoas próximas; além de rejeição e negligência materna; privação de comida; abusos físicos,
emocionais e abuso sexual (BREMNER, 2000)
A neuroplasticidade é a capacidade inerente do cérebro de adaptar-se dinamicamente às
influências ambientais, promovendo o aprendizado e desenvolvimento normal do ser humano,
além de promover recuperação da função cerebral após lesão ou insulto. Ao mesmo tempo,
pode deixar o cérebro humano mais vulnerável ao efeito negativo ao sofrer experiências rápidas
e dinâmicas na estrutura e função cerebral (GILMORE et. al., 2018; SCHWALLER,
FITZGERALD, 2014).
Alguns estudos nas últimas duas décadas vêm mostrando evidências de que o trauma
precoce pode alterar a reatividade do organismo adulto a vários estressores, provocando
permanentes alterações fisiológicas, como mudanças no sistema autonômico, endócrino,
metabólico
e
imunológico,
além
de
alteração
em
certas
estruturas
neurais
(BARTHOLOMEUSZ et. al., 2013).
Estudos vêm evidenciando que outros substratos neurobiológicos importantes como
sistemas monoaminérgicos, opioide, endocanabinoides e imunológicos sofrem impacto
importante no funcionamento, sobretudo, através de mecanismos epigenéticos, relacionados a
23
adversidades no início da vida, levando a maior propensão de dor crônica e transtornos
psiquiátricos (BURKE et. al., 2017).
Muitos trabalhos realizados nas últimas décadas demonstram a associação do trauma
precoce a desfechos de adoecimento mental no adulto, como depressão; transtorno de estresse
pós-traumático; transtorno de ansiedade generalizada; dependência química; além de outras
síndromes como migrânea; dor crônica, sobretudo, fibromialgia; síndrome da fadiga crônica e
déficit cognitivo (MACKES et. al., 2020; KEMPKE et. al., 2015; TIETJEN et. al., 2010;
SPATZ WIDOM et. al., 2007).
3.6
Trauma Precoce e Fibromialgia
Trabalhos atuais vêm mostrando uma associação entre trauma precoce e FM, tanto
devido à alta prevalência como relacionado à gravidade dos sintomas. Estudos mostram uma
prevalência variada do trauma precoce na FM desde 21 a 71 % (AFARI et. al, 2014; SOLITAR
e DUBOIS, 2012; NELSON S et. al., 2017; KIZILKURT et al, 2021), bem como uma
associação com transtorno de estresse pós-traumático (TEPT), tendo uma prevalência de 44,3%
na FM enquanto na população geral a prevalência de TEPT é cerca de 3% (WINFRIED
HÄUSER et. al., 2013). Sendo o TEPT um potencial fator de risco na FM e vice-versa. Ambas
as condições comorbidades encontram-se intimamente ligadas ao fator de risco em comum, o
trauma precoce.
Um trabalho americano publicado em 2005 (CICCONE et. al., 2005) comparou um
grupo de mulheres com FM e um grupo controle saudável e concluiu que mulheres com FM
abusadas sexualmente tinham um aumento na comorbidade com TEPT e que mulheres que
sofrem abuso sexual na infância têm 3,1 vezes mais chances de desenvolver fibromialgia.
Quadros depressivos também aparecem com alta comorbidade com a fibromialgia,
assim como no TEPT. A prevalência de depressão na FM chega a 65% ao longo da vida (J.S.
Løge-Hagen et. al., 2019). Assim como o TEPT e a FM, a depressão apresenta forte correlação
com o trauma na infância, sobretudo, negligência, abuso emocional e abuso físico (MANDELLI
et. al., 2015). Portanto, o trauma precoce se apresenta como um fator de risco compartilhado
entre a FM e a depressão, apresentando alta prevalência em ambos (FIETTA et. al., 2007).
Além das associações de alta prevalência entre trauma precoce e FM, outros trabalhos
concluíram que pacientes com FM que sofreram trauma na infância são mais propensas a
desenvolverem um quadro clínico mais grave que as pacientes com FM que não relataram
história de trauma precoce (FILLIPON, 2013; NELSON et. al., 2017; CICCONE et. al., 2005;
DELL'OSSO et. al., 2011). Os sintomas que se mostraram mais intensos nesses pacientes com
24
FM que sofreram trauma na infância são os sintomas depressivos e ansiosos e o prejuízo na
funcional.
25
4
METODOLOGIA
O projeto realizado para o desenvolvimento dessa pesquisa foi aprovado pelo Comitê
de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Alagoas (Número do Parecer: 4.787.792), de
acordo com os princípios da Declaração de Helsinki (1964).
4.1
Tipo de estudo
Esse estudo é uma pesquisa de delineamento transversal, analítico, com abordagem
quantitativa.
4.2
Local
A pesquisa foi desenvolvida com pacientes acompanhados no setor de Medicina da dor
do Ambulatório geral do Hospital Universitário Professor Alberto Antunes (HUPAA), da
Universidade Federal de Alagoas (UFAL).
4.3
Participantes
As participantes foram recrutadas no serviço de Medicina da dor do ambulatório geral
do HUPAA, onde estavam realizando tratamento com diagnóstico de fibromialgia estabelecido,
realizado por médica especialista em dor que as acompanham. Após o convite para participar
da pesquisa, as mulheres que concordaram assinaram o Termo de Consentimento Livre e
Esclarecido (APÊNDICE A), onde estavam descritas todas as informações acerca da pesquisa
a ser realizada.
4.4
Critérios de inclusão
▪
Pacientes em tratamento no ambulatório de medicina da dor no HUPAA;
▪
Sexo feminino;
▪
Idade entre 18 e 65 anos;
▪
Diagnóstico de FM realizado por médico especialista através dos critérios da
American College of Rheumatology (ACR), 2010;
▪
Assinatura do TCLE concordando em participar da pesquisa.
26
4.5
4.6
Critérios de exclusão
▪
Pacientes com neoplasias em estadiamento avançado;
▪
Déficit cognitivo grave que claramente comprometa a entrevista;
▪
Retirada do consentimento livre e esclarecido.
Amostragem
Não probabilística, por conveniência e consecutiva durante período da coleta dos dados,
resultando em 50 participantes, selecionadas após critérios de inclusão e exclusão e assinatura
do TCLE. Todas as convidadas aceitaram participar da pesquisa em questão. Importante
ressaltar que houve uma interrupção de todos os serviços do ambulatório geral do HUPAA
durante 8 meses devido à pandemia da COVID-19. As entrevistas iniciaram após retorno das
atividades ambulatoriais mesmo durante a pandemia, porém, não foi possível marcar entrevistas
exclusivas para a pesquisa, devido aos riscos sanitários desse momento. Então, as pacientes
eram convidadas a participar do estudo durante a consulta de rotina, previamente agendada,
para minimizar as aglomerações durante o período pandêmico. Esta situação gerou prejuízo na
agilidade da coleta dos dados e, portanto, resultou em um menor número de participantes na
pesquisa.
4.7
Instrumentos de avaliação
Os instrumentos de avaliação clínica das pacientes foram escolhidos com o intuito de
confirmar o diagnóstico em fibromialgia e avaliar a gravidade dos sintomas e funcionalidade
dos participantes, bem como pesquisar adversidades precoces na vida, ou seja, história de
traumas antes dos 18 anos de idade.
4.7.1 Questionário sociodemográfico e clínico (APÊNDICE B)
Este questionário foi criado pelos pesquisadores com o intuito de caracterizar a amostra
com dados individuais de todas as participantes, como: idade; estado civil; escolaridade em
anos concluídos; hábitos de vida (tabagismo, etilismo); comorbidades; início dos sintomas;
tempo de diagnóstico, tratamentos não-farmacológicos, dentre eles: acupuntura, fisioterapia
motora, psicoterapia e atividade física regular e farmacológicos, apresentando os principais
fármacos utilizados no tratamento da fibromialgia, como antidepressivos tricíclicos , inibidores
da recaptação de serotonina e antidepressivos duais, além de anticonvulsivantes, analgésicos
opioides, analgésicos simples não opioides, anti-inflamatórios não hormonais e miorrelaxantes.
27
4.7.2 Instrumento diagnóstico na FM-ACR 2010 (ANEXO A)
Os critérios diagnósticos da ACR 2010 (WOLF et. al., 2010) (ANEXO A) foram
utilizados para confirmar o diagnóstico de fibromialgia em todas as participantes, apesar de
todas já estarem com diagnóstico feito anteriormente e descritos em prontuário, e estarem em
tratamento no ambulatório de dor (HUPAA- UFAL).
A Escala diagnóstica de FM, de acordo com os critérios do Colégio Americano de
Reumatologia (ACR) 2010, tem pontuação máxima no escore total de 31 e avalia: 1) Dor
generalizada através do índice de dor generalizada (WPI) que mensura a quantidade de áreas
dolorosas em todo o corpo do paciente; 2) Escore de gravidade dos sintomas: avalia a
intensidade da fadiga, sono não reparador, sintomas cognitivos e sintomas somáticos.
Os pacientes fecham diagnóstico para FM se contemplam os critérios abaixo, segundo
a ACR (2010):
1) WPI maior ou igual a 7 e SS maior ou igual a 5 ou WPI entre 3 e 6 mais um escore da escala
SS maior ou igual a 9;
2) Os sintomas estão presentes em um nível semelhante há pelo menos 3 meses;
3) O paciente não é portador de doença que, de outra forma, justifique a dor.
4.7.3 Questionário sobre o impacto da fibromialgia (QIF) (ANEXO B)
Foi utilizada a versão brasileira do FIQ (Fibromyalgia Impact Questionnaire)
(MARQUES et. al., 2006) para avaliar funcionalidade e qualidade de vida das participantes.
Este questionário apresenta sessões que avaliam desde funcionalidades como fazer compras,
lavar roupa, cozinhar, limpar a casa e visitar parentes, além de faltas ao trabalho e, se a paciente
se sentiu bem na última semana, bem como a intensidade da dor, fadiga, sono restaurador,
rigidez matinal, ansiedade e depressão. As escalas contidas no QIF variam de 0 a 10, e o escore
máximo é 100. Quanto maior o escore total do questionário, maior o impacto da doença na
funcionalidade e qualidade de vida do paciente.
4.7.4 Escala visual analógica (Visual Analogue Scale- VAS) (ANEXO C)
A Escala Visual Análoga (EVA) ou VAS é utilizada como instrumento para avaliar a
intensidade da dor física na atualidade. É uma escala contínua em uma régua de 10 cm, onde 0
equivale a nenhuma dor e 10 equivale a pior dor possível descrita pelo paciente. O examinador
ou pesquisador solicita que o paciente/participante da pesquisa indique qual melhor
representação da sua dor atual na escala VAS. (SUNG, WU, 2018).
28
4.7.5 Inventário de depressão de Beck (BDI II) (ANEXO D)
Foi utilizado o Inventário de depressão Beck II, com validação em português na versão
brasileira (GOMES-OLIVEIRA et. al., 2012). Este instrumento avalia a intensidade e gravidade
dos episódios depressivos. Apresenta 21 itens de múltipla escolha, relacionados aos sintomas
depressivos desde tristeza, apatia, desesperança, irritabilidade, vontade de chorar, além de
sentimento de culpa ou de estar sendo punido, também, sintomas físicos como fadiga,
inapetência, perda de peso e diminuição da libido. Cada item é composto por quatro opções,
com pontuação em escala ordinal de 0 a 3. Os escores mais elevados representam maior
intensidade e gravidade dos sintomas depressivos. Escore menor que 10 equivale a não
depressão ou depressão mínima; escore entre 10 e 18 equivale à depressão leve; escore entre
19 e 29 equivale à depressão moderada a grave e escores a partir de 30 equivalem à depressão
grave (BECK, 1996).
4.7.6 Escala de dor psicológica (Psychache Scale) (ANEXO E)
É uma escala de autoavaliação ou autorrespostas composta por 13 itens, que avaliam
especificamente dor psicológica, não tendo relação com a dor física. Cada resposta corresponde
a uma pontuação numa escala likert de 5 pontos. As 9 primeiras respostas avaliam a frequência
da dor e as 4 últimas respostas avaliam a intensidade da dor de acordo com a concordância e,
quanto maior os valores, maiores os níveis de dor psicológica. A pontuação máxima é 65 pontos
(CAMPOS, HOLDEN, 2015).
4.7.7 Inventário de autoavaliação de trauma precoce: Versão reduzida (ETISR-SF)
(ANEXO F)
Para avaliação de trauma precoce, foi utilizada a versão brasileira do ETISR-SF
(OSORIO et. al., 2013), originalmente proposto por Bremmer (et. al, 2009) sendo validado
posteriormente em outros idiomas. Esse questionário avalia 27 itens divididos em 4 dimensões,
que precisam ter sido acontecidas até os 18 anos do participante. São eles: trauma geral
(perguntas como: acidentes, tragédias naturais, doenças graves consigo ou com familiares
próximos, testemunho de assassinatos ou cenas de extrema violência em ambiente domiciliar,
convívio com familiares próximos portadores de doença mental grave ou/e usuários de drogas);
abuso físico (agressões físicas como chutes, socos, tapas ou outros tipos de tortura física), abuso
emocional (negligência dos pais, frieza, falta de carinho e atenção, ridicularização por outros)
e abuso sexual de qualquer natureza, desde estupro consumado a tocar em partes intimas sem
consentimento. Todos os itens são pontuados em uma escala dicotômica (sim/não).
29
4.8
Procedimentos
Todas as entrevistas foram realizadas por médica especialista em dor, assistente do
serviço de Medicina da Dor do HUPAA-UFAL e pesquisadora nesse projeto. Aconteceram em
consultórios onde as pacientes já estavam sendo atendidas para as consultas de rotina e somente
estavam presentes na sala a participante a médica pesquisadora. A entrevista durava
aproximadamente 30 minutos cada. Todas as dúvidas em relação às perguntas dos questionários
foram esclarecidas pela pesquisadora, que esteve durante todo o período da entrevista junto às
participantes.
Além dos critérios diagnósticos da ACR 2010, novamente realizados no momento da
coleta de dados para confirmação diagnóstica de fibromialgia, foram utilizados os seis
instrumentos de avaliação, descritos no item acima, para entrevista com todas as participantes.
4.9
Análise Estatística
Os dados foram analisados pelo software SPSS 22. Inicialmente, foi realizada uma análise
descritiva da amostra com resultados em números absolutos e porcentagens. Em seguida, foi
realizada análise da distribuição da amostra, através do teste de Shapiro Wilk. As variáveis
contínuas com distribuição não normal foram analisadas pelo teste U de Mann – Whitney para
comparação de médias entre os grupos. As correlações entre duas variáveis numéricas foram
realizadas pelo teste de correlação de Spearman. As associações entre variáveis categóricas foram
realizadas pelo teste do Qui-quadrado de Pearson. Foi considerado significativo o teste com
intervalo de confiança de 95% válido e valor de p< 0,05.
30
PRODUTOS
Early trauma, psychological pain and depressive symptoms in women with fibromyalgia,
submetido segundo as normas da revista Psychological Medicine.
31
Early trauma, psychological pain and depressive symptoms in women with
fibromyalgia.
Introduction: Early trauma has been associated with changes in pain modulation and
greater psychological distress in adults, and has a high prevalence in people with
fibromyalgia. The clinical entity psychological pain is related to high levels of
hopelessness, and is prevalent in people who have suffered childhood trauma. This
study investigates psychological pain in people with fibromyalgia who have suffered
early life adversities. Methods: A cross-sectional study carried out at the pain clinic of
the general outpatient clinic of Professor Alberto Antunes University Hospital of the
Federal University of Alagoas, Maceió, Brazil. Data collection took place through
validated instruments: 1) American College of Rheumatology diagnostic criteria for FM
(ACR, 2010); 2) Visual analogue pain scale (VAS); 3) Beck’s Depression Inventory
(BDI II); 4) Psychache Scale; 5) Early Trauma Inventory Self Report - Short Form
(ETISR-SF). Results: Fifty women with FM were interviewed, 33 (66%) reported a
history of general trauma, 36 (72%) of physical abuse, 33 (66%) of emotional abuse,
and 25 (50%) of sexual abuse. BDI II and Psychache Scale scores were worse in
fibromyalgia patients with a history of early trauma (p<0.01; p<0.01, respectively)
compared to those without a history of trauma. There was a positive correlation
between the intensity of the history of early trauma with greater severity of depressive
symptoms and psychological pain (p<0.05). Conclusion: History of early trauma is
common in women with FM and is associated with a worse psychological profile and,
therefore, should be systematically investigated in this population.
Keywords: fibromyalgia; childhood trauma; chronic pain; psychache
INTRODUCTION
Fibromyalgia (FM) is a chronic pain syndrome that mostly affects adult
women (18-55 years old). FM is characterized by generalized musculoskeletal pain,
often accompanied by fatigue, non-restorative sleep, mild cognitive disorders, anxiety,
and depression. There is no sustainable evidence of abnormalities in complementary
exams, imaging, laboratory or tissue and muscle dysfunctions; therefore, the diagnosis
32
is exclusively clinical, performed by the diagnostic criteria defined by the American
College of Rheumatology (ACR) (Wolfe et al., 2010; Clauw, 2014). FM has a
prevalence of approximately 2.5% in the Brazilian population; 5% in American women;
and 4.7% in the European population. And, estimated at 2% to 8% of the world
population (Souza & Perissinotti, 2018; Clauw, 2014).
The etiology and pathophysiology are not well understood. Some authors
question the organic role of the disease and suggest that this syndrome may have
more psychogenic or psychosomatic characteristics (Blumer & Heilbronn, 1982). Other
analyzes have reported that FM seems to be a deregulation in pain modulation,
characterized by central sensitization, which causes hypersensitivity to the painful
stimulus, in addition to its maintenance without a new triggering stimulus
(Goldenberg,1987; Afari et al., 2014).
Studies have approached central sensitization as a justification for the onset
of FM symptoms, however, without clear evidence of how they arise and what the
cause of this condition in these patients may be (Staud, Price, Robinson, Mauderli, &
Vierck, 2004). One study concluded that experimentally induced pain in FM patients
requires significantly less and less frequent painful stimuli than the healthy control
group, that is, the group of fibromyalgia patients had a lower pain threshold and greater
sensitivity to nociceptive, thermal and pressure stimuli. (Petzke, Clauw, Ambrose,
Khine, & Gracely, 2003).
Such studies indicate that FM is closely related to central sensitization, so
most current treatment guidelines recommend the use of centrally acting drugs such
as antidepressants and anticonvulsants in an attempt to reduce this abnormal
condition in pain modulation at the central nervous system level, as such drugs act on
neuronal receptors, inhibiting pain transmission (Woolf, 2011).
In this sense, researchers (Lutz, Courtet, & Calati, 2020) have been
investigating causes that might be related to changes in pain modulating pathways,
such as the opioid pathway, responsible for both physical and psychological pain
modulation. According to these studies, events such as social exclusion and childhood
trauma seem to cause greater pain sensitization and less resilience. In these cases,
these patients would have a decrease in physical and psychological pain threshold,
presenting a greater tendency to this condition.
Other studies have also shown the relationship of early trauma with an impact
on the expression of genes that change the response of the Hypothalamus-Pituitary-
33
Adrenal (HPA) axis causing dysfunction in peripheral neurons and in the dorsal horn
of the spinal cord, and in the central neuropeptides, leading to an abnormal nociceptive
input in the brain responsible for a maintenance of pain in patients with FM (Beggs,
Currie, Salter, Fitzgerald, & Walker, 2012; Schwaller & Fitzgerald, 2014). Early trauma
has also been associated with flattened diurnal cortisol slopes in patients with FM,
suggesting a dysregulation of the neuroendocrine axis (Weissbecker, Floyd, Dedert,
Salmon, & Sephton, 2006; Yeung, Davis, & Ciaramitaro, 2016).
The prevalence of early trauma in FM is high, ranging from 21% to 71%
(Olivieri, Solitar, & Dubois, 2012; Nelson et al., 2017; Taylor, Trotter, & Csuka, 1995;
Boisset-Pioro, Esdaile, & Fitzcharles, 1995). This variation is wide due to the different
methodologies used in the studies, such as different instruments for tracing the history
of trauma, or the investigation of a specific early trauma, such as, for example, sexual
abuse or childhood neglect.
The literature describes an association of early trauma with greater severity
in the clinical manifestations and functional impairment of patients with FM (Afari et al.,
2014, Ciccone, Elliott, Chandler, Nayak, & Raphael, 2005; Dell'osso et al., 2011;
Winfried et al., 2013; Filippon, Bassani, Aguiar, & Ceitin, 2013; Nelson et al., 2017).
A recent study (Kizilkurt, Demirkan, Giynas, & Güleç, 2021) showed a
positive correlation between early trauma and symptom severity in FM and a negative
correlation between the psychological resilience scale and clinical severity in these
patients undergoing childhood trauma. This data possibly evidences the psychological
aspect as a determinant in coping with the disease and prognosis.
Despite relevant data pointing to an association between early trauma and
symptom severity in patients with FM, the clinical entity of psychological pain in these
patients has not yet been investigated, even though it is a significant clinical aspect
related to higher levels of severity of depressive symptoms, high levels of
hopelessness and suicidal behavior (Shneidman, 1993).
In addition, psychological pain has also been associated with childhood
trauma related to frustrated belonging, the feeling of burden in childhood and less
resilience and psychological illness in adults (Schilling, Weidner, Schellong, Joraschky,
& Pöhlmann, 2015). Therefore, psychological pain seems to be a promising feature to
be observed in the analysis of the clinical and psychological profile of FM patients who
have suffered early trauma as high levels of mental suffering directly affect functionality
and coping with the disease.
34
METHODOLOGY
Cross-sectional study with a quantitative approach developed with women
followed up in the Pain Clinic of the General Outpatient Clinic of Professor Alberto
Antunes University Hospital (PAAUH), of the Federal University of Alagoas (UFAL),
Maceió, Brazil. Participants were recruited from the Pain Clinic where they were
undergoing treatment for fibromyalgia and had a diagnosis established by a pain
specialist who follows them. Inclusion criteria were: patients undergoing treatment at
the Pain Clinic at PAAUH; women; age between 18 and 65 years; diagnosis of FM
performed by a specialist using the American College of Rheumatology (ACR) 2010
criteria; signature of the Consent Term. Exclusion criteria were: patients with advanced
stage neoplasms; severe cognitive deficit that would clearly jeopardize the interview;
refusal to consent. Sampling was non-probabilistic, for convenience and consecutive
during the data collection period, resulting in 50 participants.
Assessment instruments
The patients' clinical assessment instruments were chosen in order to confirm
the diagnosis of fibromyalgia and assess the severity of depressive symptoms,
physical pain and psychological pain, in addition to investigate early life adversities,
that is, a history of trauma before 18 years old. A sociodemographic and clinical
questionnaire developed by the researchers was used to characterize the sample with
individual data. The diagnostic instrument ACR 2010 (WOLFE et al, 2010) was used
for FM diagnostic confirmation. The Visual Analog Scale (VAS) was used as an
instrument to assess the intensity of current physical pain (Sung & Wu, 2018).
The Beck’s Depression Inventory (BDI II) (Beck, Steer, & Brown, 1996)
Brazilian validated version (Gomes-Oliveira, Gorenstein, Lotufo Neto, Andrade, &
Wang, 2012) was used to assess intensity of depressive symptoms. The Psychache
Scale was also used, a self-assessment or self-response scale composed of 13 items,
which specifically assess psychological pain, not related to physical pain. The higher
the values, the higher the levels of psychological pain (Campos, Holden, & Gomes,
2019).
Finally, the Early Trauma Inventory Self Report - Short Form (ETISR-SF),
Brazilian version of the ETISR-SF (Osório et al., 2013), originally proposed by
Bremner, Bolus, & Mayer (2007) was provided to the participants to collect their history
35
of early trauma (up to 18 years old). The types of assessed trauma are: General trauma
(questions such as: accidents, natural tragedies, serious illness with them or close
family members, witnessing murders or scenes of extreme violence in home setting,
living with close family members with severe mental illness or/and drug users);
Physical abuse (physical assaults such as kicking, punching, slapping or other types
of physical torture), Emotional abuse (parental neglect, coldness, lack of affection and
attention, ridicule by others) and Sexual abuse of any kind, from rape to touching in
intimate parts without consent. All items are scored on a dichotomous scale (yes/no).
Procedures
All the interviews were carried out by a specialist in pain, an assistant at the
Pain Clinic at PAAUH-UFAL and researcher in this project. They took place in practices
where patients were already being seen for routine appointments and only the
participants and the researcher were present in the room. The interviews lasted
approximately 30 minutes each. In addition to the ACR 2010 diagnostic criteria, again
performed at the time of data collection to confirm the diagnosis of fibromyalgia, the
assessment instruments described in the item above were used to interview all the
participants.
Statistical analysis
Data were analyzed using SPSS 22 software. Initially, a descriptive analysis
of the sample was performed with results in absolute numbers and percentages. Then,
an analysis of the sample distribution was performed using the Shapiro Wilk test.
Continuous variables with non-normal distribution were analyzed using the MannWhitney U test to compare means between groups. Correlations between two
numerical variables were performed using Spearman’s correlation coefficient test.
Associations between categorical variables were performed using Pearson's chisquare test. The test with a valid 95% confidence interval and p-value < 0.05 was
considered significant.
Ethical issues
The project carried out for the development of this research was approved by
the Research Ethics Committee of the Federal University of Alagoas (Review Number:
4,787,792).
36
RESULTS
The total sample consisted of 50 women diagnosed with FM by the ACR.
Participants’ mean age was 49.84(±8.25). As for the diagnosis, performed according
to the ACR 2010 criteria, the mean total score in the sample was 20.04(±4.17), six
points above the necessary for the FM diagnosis. The mean number of years from the
onset of symptoms was 9.40 years, while the mean number of years from the diagnosis
was 3.67 years.
It was observed that 84% (42 women) of the sample reported at least one
type of trauma, without specifying the type and/or intensity. Regarding the types of
early trauma, the General Trauma category (accidents, diseases, loss of loved ones,
natural tragedies, witnessing violence, among others) was prevalent at 66% (33
women) in the general sample; physical abuse had a prevalence of 72% (36 women);
emotional abuse was prevalent in 66% (33 women) and sexual abuse was prevalent
in 50% (25 women) of the sample.
Tables 1, 2, 3 and 4 show a comparative analysis between groups with a
history of trauma and groups without a history of trauma: general trauma, physical
abuse, emotional abuse and sexual abuse, respectively. The Mann-Whitney U test was
used for independent samples and a significance level <0.05. These tables show the
medians, the maximum and minimum scores of each group in relation to the
researched clinical characteristics: depressive symptoms (BDI II), physical pain (VAS)
and psychological pain (Psychache Scale). Across all clinical parameters, the higher
the score, the more severe the symptoms.
Tables 1, 2 and 3 show that, in the BDI II and Psychache Scale parameters,
the groups with the presence of general trauma, physical abuse and emotional abuse,
respectively, presented higher maximum scores in comparison with the maximum
scores of the groups without trauma. In the statistical analysis, a p value <0.05 was
verified in the parameters BDI II and Psychache Scale.
The comparative analysis between groups with and without early sexual
abuse is shown in Table 4. It was evidenced, in all clinical parameters, higher maximum
scores in the group in which sexual abuse is present. Statistical analysis shows p value
<0.05 in clinical parameters BDI II, VAS and Psychache Scale. Respectively, p=0.000,
p=0.018, p=0.000. The group with the presence of sexual abuse was the only type of
early trauma showing a significant association with greater intensity of physical pain
(VAS).
37
Table 5 shows the correlation between the intensity of the types of early
trauma (general trauma, physical abuse, emotional abuse, sexual abuse) assessed by
the ETISR-SF questionnaire with the intensity of symptoms assessed in the BDI II,
VAS and Psychache Scale questionnaires. Spearman's correlation was used for this
analysis. The results show that in all types of trauma there is a directly proportional
correlation with the clinical parameters analyzed, that is, the more intense the type of
trauma, the more severe the symptoms. Depressive symptoms (BDI II) and
psychological pain had strong correlations (r>0.50), and physical pain had a weak
correlation (r<0.50). In all assessed parameters p value<0.05.
DISCUSSION
The history of early trauma in the total sample has a high prevalence in all
types of early trauma, general trauma (66%); physical (72%); emotional (66%); and
sexual (50%). And, it shows that 84% of the participants report at least one trauma
event in childhood, corroborating studies in the literature that reveal a high association
between FM and adversities in early life (Filippon et al., 2013; Nelson et al., 2017,
Taylor, Trotter, & Csuka, 1995).
These results strengthen the discussion that high levels of adversity in
childhood can change the reactivity of the adult organism to various stressors, causing
permanent physiological changes and leading to a permanent change in the
modulation of pain until adulthood (Fitzgerald, 2005) suggesting, moreover, that early
trauma may be a risk factor for fibromyalgia (Low & Schweinhardt, 2012,
Bartholomeusz, Callister, & Hodgson, 2013).
On the other hand, researchers (Kizilkurt et al., 2021) question the role of
resilience as a determinant for the clinical outcome of an adult patient who has suffered
adversities in early life, with the resilience scale being inversely proportional to the
clinical severity of the patient with FM who suffered early trauma. Some studies also
show that the traumatic event in childhood can cause a decrease in resilience in the
adult individual, causing greater difficulty in coping with stressful events in adult life
(Lutz et al., 2020).
Studies have shown that important neurobiological substrates such as
monoaminergic, opioid, endocannabinoid and immunological systems have an
important impact on functioning, especially through epigenetic mechanisms, related to
38
adversities in early life, leading to a greater susceptibility for chronic pain and
psychiatric disorders (Burke, Finn, Mcguire, & Roche, 2017).
Several investigations carried out in recent decades have demonstrated the
association of early trauma to the outcomes of mental illness in adults, such as
depression; post-traumatic stress disorder; generalized anxiety disorder; chemical
dependency; in addition to other syndromes such as migraine; chronic pain, especially
fibromyalgia; chronic fatigue syndrome and cognitive impairment (Mackes et al., 2020;
Kempke et al., 2015; Tietjen et al., 2010; Wildom, Dumont, & Czaja, 2007).
As for history of early trauma, FM and depression, the results of this research
showed that patients who had a history of early trauma were 20.4 times more likely to
have depression. All sample participants who had moderate to severe depressive
symptoms reported a history of trauma. These data strengthen the hypothesis that
early trauma is a shared risk factor between FM and depression, with a high prevalence
in both (Fietta, Fietta, & Manganelli, 2007). Similarly to FM, depression has a strong
correlation with childhood trauma, especially neglect, emotional abuse and physical
abuse (Mandelli, Petrelli, & Serretti, 2015).
In the comparative analysis of depressive symptoms measured by the BDI II,
all groups with the presence of trauma (general trauma, physical, emotional and sexual
abuse) showed greater severity of depressive symptoms with statistical significance
(p<0.005). This result is consistent with the literature which demonstrates the
association of early trauma to a more severe clinical profile in patients with FM, in
addition to a greater comorbidity with depression and other psychiatric disorders
(Ciccone et al., 2005; Dell'osso et al., 2011; Winfried et al., 2013; Filippon et al., 2013;
Nelson et al., 2017).
Regarding the presence of depressive symptoms, a prevalence of 74% in the
total sample was also verified, from scores above 13 on the BDI-II (Beck et al., 1996).
When assessing the prevalence of moderate to severe depression (scores above 19
points on the BDI II), the result was 38%, with all these women belonging to the group
with a history of early trauma. These findings corroborate studies that show the
association of depression with FM. In a recent meta-analysis, from 11 eligible studies,
it was found that the prevalence of current depressive episode in FM was 25%, with a
lifetime prevalence of 65%, with results ranging between 59% and 71% (Løge-Hagen
et al., 2019). Among the analyzed papers in this metanalysis, there is an association
between FM and depression with significant prevalence from 35% (Thieme, Turk, &
39
Flor, 2004) to 65% (Gelonch, Garolera, Valls, Rosselló, & Pifarré, 2017) varying
according to the instruments used for diagnosis.
Despite the association between FM and psychiatric disorders in patients with
a history of early trauma discussed in recent decades, no studies were found in the
literature that used the parameter Psychological pain, assessed through the
Psychache Scale instrument, in research with patients with FM.
It is known that the prevalence of suicidal behavior is higher in people with
FM in comparison with the general population (Gill et al., 2021). In the study by
Campos et al. in 2019, the Psychache Scale scores in suicide attempters was 32.4,
that is, people with suicidal behavior had high levels of psychological pain. In this
present research, the mean score on the Psychache Scale of women with fibromyalgia
and a history of early trauma was above 37.7, that is, equivalent and even more intense
than the individuals with suicidal behavior demonstrated in Campos's research. The
Psychache Scale is a commonly used instrument in patients with suicidal behavior and,
therefore, its use in populations that present high rates of suicidal behavior, such as
the fibromyalgia population, is relevant.
This research showed that patients who reported early, general, physical,
emotional and sexual trauma had significantly higher rates of psychological pain
compared with groups without a history of trauma (p<0.005). In addition, psychological
pain was the clinical parameter assessed in this research that presents the greatest
strength in the positive correlation between the groups of women with FM and a history
of early trauma (Table 5), that is, the more intense the trauma, the more intense the
psychological pain.
High levels of psychological pain found in participants who had a history of
early trauma reported in this research corroborate studies that demonstrate the
association of early trauma with suicide risk, as psychological pain is closely related to
suicidal behavior and high levels of hopelessness (Schilling et al., 2015; Shneidman,
1993). The knowledge of this association, psychological pain in patients with FM who
suffered early trauma, allows new forms of therapeutic approach in order to overcome
the event causing mental suffering that seems to be crucial for a better prognosis of
the patient with FM.
Physical pain (VAS), also assessed in comparative analysis tables between
groups with and without a history of trauma, did not show a significant difference
between most groups with trauma (general trauma, physical abuse and emotional
40
abuse) and groups without trauma, as seen in related studies (Filippon et al., 2013).
There was only a significant difference in the intensity of physical pain in the group with
a history of sexual trauma (p<0.05). Ciccone et al. published in 2005 that the history of
early sexual abuse leads to a three times greater chance of developing fibromyalgia.
In addition, these studies demonstrate greater severity of FM symptoms in patients
who suffered early sexual abuse, in line with the result of the present study, which
showed a strong correlation in the presence of this type of trauma with greater severity
in all assessed parameters: physical pain, psychological pain, depressive symptoms.
In addition to these data, it was also evidenced that patients who reported a history of
early sexual abuse were 13.03 times more likely to have severe depression (BDI II≥
19) (Pearson's X²: 14.35, p value < 0.001. Odds Ratio: 13.03).
In the results of correlations between trauma and the clinical profile of the
patient with FM (Table 5), it was observed that the more intense the early trauma, the
more severe the FM symptoms in all assessed parameters (depressive symptoms in
the BDI II, physical pain in the VAS and psychological pain). It was evidenced that all
types of trauma presented a positive correlation with the intensity of the related clinical
aspects.
In the Spearman’s correlation, used in the analysis of the data in table 5, it
was possible to evidence strong positive correlations, that is, closer to 1 (Sousa, 2019),
both in the severity of depressive symptoms (BDI II) and in Psychological pain
(Psychache Scale) (Spearman rho>0.500; p<0.001). Physical pain (VAS) showed a
weak correlation (Pearson's rho<0.500, p<0.05).
In addition, the results of this research also revealed that the more types of
early trauma reported by the patient with FM, the more severe their symptoms. These
results corroborate related study that showed the more intense and more types of
childhood trauma, the greater the clinical impact and severity of symptoms in FM
(Filippon et al., 2013; Nelson et al., 2017, Ciccone et al., 2005; Dell'osso et al., 2011).
CONCLUSION
The prevalence of early trauma in fibromyalgia is high and has a strong
correlation with the severity of depressive symptoms and psychological pain. Physical
pain had a weak or moderate correlation with types of early trauma, and was
associated only with early sexual abuse.
41
Psychological pain assessed by the Psychache Scale was the characteristic
that showed the greatest association and strong correlation with all types of trauma,
showing high levels in fibromyalgia patients with a history of early trauma. This data
reinforces the probable association of suicidal behavior in the population with FM.
The intensity of early trauma correlates with the severity of symptoms in FM,
as well as the more types of early trauma present in the patients, the more severe the
clinical profile.
LIMITATIONS
This research and the related papers that assess the association of early
trauma with the clinical profile of patients with FM are cross-sectional studies,
therefore, it is not possible to prove a cause-effect relationship between early trauma
and FM. However, it is possible to claim an association between them.
Furthermore, it is not possible to overcome the bias of memories common in
cross-sectional studies that investigate facts from the past, as seen in this work.
However, none of the participants reported a complaint of lack of memory or confusion
regarding the questions related to the past, perhaps because of the great impact that
the history of the trauma had on them.
Another limitation registered in the study is the fact that the research took
place during the COVID-19 pandemic. This may have contributed, perhaps, to more
severe symptoms by the patients. However, it is not possible to confirm this statement
as we do not have previous data from this sample. Thus, a possibility for further
research is to compare these two moments, during and after the pandemic. It is the
purpose of the researchers to increase the sample of this research.
Finally, we propose a qualitative study to investigate external factors and not
only predicted factors in the clinical parameters addressed in this research, in order to
seek more therapeutic options to reduce the impact of FM in women, and support
public policies in this context.
42
Table 1
Clinical Characteristics of Women with Fibromyalgia Seen at the Pain of PAAUH-UFAL
according to the presence or absence of early trauma (General trauma)
Variable
BDI IIa
VASb
Psychache
Scale
Presence
of Trauma (General) N:33
Absence
of Trauma (Gerais)N:17
Median
20.0
8.0
Minimum
6.0
5.0
Maximum
46.0
10.0
Median
13.0
8.0
Minimum
8.0
5.0
Maximum
19.0
9.0
39.0
18.0
58.0
20.0
13.0
39.0
Note. Data collected by the authors in 2021.
* Mann-Whitney U test of independent samples. Significance level 0.05.
a Beck Depression Inventory II.
b Visual analogue scale for physical pain.
Statistical Analysis
Mannp
Whitney U*
value
88.5
0.000
221.0
0.207
0.000
66.5
43
Table 2
Clinical Characteristics of Women with Fibromyalgia Seen at the Pain Clinic of PAAUHUFAL according to the presence or absence of physical abuse
Variable
BDI IIa
VASb
Psychache
Scale
Presence
of Physical Trauma N:36
Absence
of Physical Trauma N: 14
Mediana
20.6
7.9
Minimum
6.0
5.0
Maximum
46.0
10.0
Median
14.2
7.5
Minimum
8.0
5.0
Maximum
32.0
9.0
37.7
17.0
58.0
22.9
13.0
41.0
Note. Data collected by the authors in 2021.
* Mann-Whitney U test of independent samples. Significance level 0.05.
a Beck Depression Inventory II.
b Visual analogue scale for physical pain.
Statistical
Analysis
MannWhitney
p
U*
value
110.0
0.002
214.0
0.395
78.5
0.000
44
Table 3
Clinical Characteristics of Women with Fibromyalgia Seen at the Pain Clinic of PAAUHUFAL according to the presence or absence of emotional abuse
Variable
BDI IIa
VASb
Psychache
Scale
Presence
of Emotional Trauma N:33
Absence
of Emotional Trauma N:17
Median
21.6
8.0
Minimum
7.0
5.0
Maximum
46.0
10.0
Median
13.5
7.4
Minimum
6.0
5.0
Maximum
22.0
9.0
39.0
17.0
58.0
23.0
13.0
39.0
Note. Data collected by the authors in 2021.
* Mann-Whitney U test of independent samples. Significance level 0.05.
a Beck Depression Inventory II.
b Visual analogue scale for physical pain.
Statistical Analysis
MannWhitney
p
U*
value
101.0
0.000
199.0
0.086
64.0
0.000
45
Table 4
Clinical Characteristics of Women with Fibromyalgia Seen at the Pain Clinic of PAAUHUFAL according to the presence or absence of sexual abuse
Variable
BDI IIa
VASb
Psychache
Scale
Presence
of Sexual Trauma N: 25
Median
23.1
8.3
Minimum
13.0
6.0
40.4
15.0
Maximum
46.0
10.0
58.0
Absence
of Sexual Trauma N:25
Median
14.6
7.4
Minimum
6.0
5.0
Maximum
31.0
9.0
22.6
13.0
43.0
Note. Data collected by the authors in 2021.
*Mann-Whitney U test of independent samples. Significance level 0.05.
a Beck Depression Inventory II.
b Visual analogue scale for physical pain.
Statistical Analysis
MannWhitney
p
U*
value
109.5
0.000
195.0
0.018
103.5
0.000
46
Table 5
Correlation between early trauma scores from the Early Trauma Inventory Self Report
- Short Form (ETISR-SF) and clinical characteristics of women with fibromyalgia
treated at the Pain Clinic at PAAUH – UFAL
Physical
BDI IIa
r*
p value
General
Trauma
.555
.000
VASb
r*
p value
.313
.027
.317
.000
.371
.001
.469
.008
.443
.001
Psychache
Scale
r*
p value
.658
.000
.676
.000
.732
.000
.551
.000
.780
.000
Variable
Abuse
.536
.000
Emotional
Abuse
.606
.000
Sexual
Abuse
.515
.000
Total
.662
.000
Note. Data collected by the authors in 2021.
*Mann-Whitney U test of independent samples. Significance level 0.05.
a Beck Depression Inventory II.
b Visual analogue scale for physical pain.
47
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53
5
RESULTADOS
A amostra total foi composta por 50 mulheres, diagnosticadas com FM pelo ACR. Na
tabela 1, pode-se verificar a distribuição de variáveis clínicas da amostra. Em relação aos
hábitos de vida, somente três mulheres fumavam (6%); uma mulher fazia abuso de álcool (2%);
e, apenas quatorze mulheres faziam alguma atividade física (28%). Quase metade das
participantes eram hipertensas (44%) e, 18% da amostra geral apresentavam diabetes melito. A
média de anos decorridos desde o início dos sintomas foi de 9,40 anos, a média de anos desde
o diagnóstico foi de 3,67 anos.
Em relação à comorbidade com depressão, avaliada através da pontuação no Inventário
de depressão de Beck (BDI-II), verificou-se uma prevalência de 74%, 37 pacientes da amostra
apresentavam, pelo menos, sintomas depressivos leves (BDI II> 13) e 38 % dessas mulheres ,
apresentavam sintomas depressivos moderados a graves (BDI II> 19).
Quanto ao diagnóstico, realizado pelos critérios da ACR 2010, a média do escore total
na amostra foi de 20,04(±4,17), seis pontos acima do necessário para o diagnóstico de FM.
O uso do tratamento farmacológico e não farmacológico está descrito na tabela 2. A
maior parte da amostra, quarenta (80%) participantes, relataram o uso de, pelo menos, uma
classe de antidepressivos. Trinta e seis mulheres (72%) relataram o uso de inibidores seletivos
da recaptação de serotonina (ISRS), sobretudo, a fluoxetina e, vinte e sete mulheres (54%)
relataram o uso de amitriptilina, antidepressivo tricíclico. A duloxetina, antidepressivo que
pertence a classe dos chamados inibidores da recaptação de serotonina-norepinefrina (IRSN)
foi usado por apenas 7 participantes. As outras classes de medicamentos mais utilizados pelas
mulheres entrevistadas foram:
relaxantes musculares, opioides e anticonvulsivantes,
respectivamente, 44%, 42% e 36% da amostra.
Em relação ao tratamento não farmacológico, as participantes mostraram baixa adesão.
Somente catorze mulheres (28%) praticavam atividade física regular, treze mulheres (26%)
faziam reabilitação física com fisioterapia, nove (18%) eram submetidas a tratamento com
acupuntura semanal; e, quatro (8%) mulheres realizavam algum tipo de psicoterapia.
54
Tabela 1: Características sociodemográficas e clínicas das pacientes com fibromialgia atendidas no Ambulatório
de Dor do HUPAA- UFAL
Amostra geral
Variáveis
(N=50)
Idade
Média (DP)
49,8 (±8,25)
Anos de estudo
Média (DP)
7,0 (±5,77)
Com Companheiro
N (%)
29 (58,0)
Sem Companheiro
N (%)
21 (42,0)
Tabagismo
N (%)
3 (6,0)
Etilismo
N (%)
1 (2,0)
Atividade física
N (%)
14 (28,0)
Hipertensão
N (%)
22 (44,0)
Diabetes
N (%)
9 (18,0)
Depressão*
N (%)
37 (74,0)
BDI-II > 19**
N (%)
19 (38,0)
Tempo de sintomas
Média (DP)
9,4 (±6,35)
Tempo de diagnóstico
Média (DP)
3,6 (±3,43)
Escore ACR¹
Média (DP)
20 (±4,17)
Estado civil
Fonte: Dados da Pesquisa (2021)
¹Critérios diagnósticos para FM do Colégio Americano de Reumatologia
²Inventario de Depressão de Beck II
*BDI II> 13 Odds ratio: 20,4
**BDI II >19 (depressão moderada a grave)
55
Tabela 2: Tratamento farmacológico e não farmacológico em mulheres com fibromialgia atendidas no serviço
de Dor do HUPAA- UFAL
Variáveis
Amostra geral
Uso de antidepressivos
ISRS¹
Tricíclicos
Duais
Anticonvulsivante
Opioide
Relaxante Muscular
Fisioterapia
Acupuntura
Psicoterapia
Exercício físico regular
N=50
N (%)
40 (80,0)
36 (78,0)
27 (54,0)
7 (14,0)
18 (36,0)
21 (42,0)
22 (44,0)
13 (26,0)
9 (18,0)
4 (8,0)
14 (28,0)
Fonte: Dados da pesquisa (2021). ISRS: ¹Inibidor Seletivo da Recaptação de Serotonina.
A prevalência do trauma precoce pode ser verificada na tabela 3. Foi observado que
84% (42 mulheres) da amostra relatou pelo menos um tipo de trauma, sem especificação do
tipo e/ou da intensidade. Em relação aos tipos de trauma precoce, a categoria Traumas Gerais
(acidentes, doenças, perdas de entes, tragedias naturais, presenciar violência contra outros etc.)
teve uma prevalência de 66% (33 mulheres) na amostra geral; o abuso físico apresentou
prevalência de 72 % (36 mulheres); o abuso emocional teve prevalência de 66 % (33 mulheres)
e o abuso sexual foi prevalente em 50 % (25 mulheres) da amostra.
A pontuação das participantes no questionário ETISR-SF é demonstrada na tabela 4. A
pontuação máxima para Trauma Precoce (Total) dentre as participantes foi 23, sendo 27 a
pontuação máxima da tabela, e a pontuação mínima foi 0. O escore médio entre as participantes
foi 7. Para os tipos específicos de Traumas pesquisados, a categoria Traumas Gerais teve
pontuação máxima 7 e mínima 0 e a média entre as mulheres entrevistadas foi 2. No abuso
físico, a máxima foi 5 e a mínima 0 com média 2. No abuso emocional, a máxima foi 6 e a
mínima 0, com média 3. Por fim, o abuso sexual teve pontuação máxima 6 e mínima 0, tendo
média 0,5 entre as participantes.
56
Tabela 3: Prevalência dos tipos de trauma na amostra geral de acordo com o ETISR-SF.
N amostra total =50
Variáveis ETISR-SF
Trauma precoce total
Presença de trauma
N (%)
42 (84 %)
Ausência de trauma
N (%)
8 (16%)
Traumas Gerais
33 (66%)
17 (34%)
Abuso Físico
36 (72%)
14 (28%)
Abuso Emocional
33 (66%)
17 (34%)
Abuso Sexual
25 (50%)
25 (50%)
Fonte: Dados da pesquisa (2021)
Tabela 4: Análise descritiva da amostra de acordo com o Inventário de autoavaliação de trauma precoce: Versão
reduzida (ETISR-SF) *. N=50.
Variáveis (ETISR-SF)
Média
Mínimo
Máximo
Trama Precoce Total
7
0
23
Traumas Gerais
Abuso Físico
2
3
0
0
7
5
Abuso Emocional
2
0
5
Abuso sexual
0,5
0
6
Fonte: Dados da pesquisa (2021)
Nas tabelas 5,6,7 e 8 observa-se uma análise comparativa entre os grupos com história
de trauma e os grupos sem história de trauma, sendo traumas gerais, abuso físico, abuso
emocional e abuso sexual, respectivamente. Foi utilizado o teste U de Mann-Whitney para
amostras independentes e nível de significância <0,05. Nessas tabelas, são expostas as
medianas, a pontuação máxima e mínima de cada grupo em relação às características clínicas
pesquisadas: escores dos critérios diagnósticos da ACR, funcionalidade através do QIF,
gravidade dos sintomas depressivos (BDI-II), dor física (EVA) e dor psicológica (Psycache
Scale). Em todos os parâmetros clínicos, quanto maior a pontuação, maior a gravidade dos
sintomas.
A tabela 5 mostra que, em todos os parâmetros clínicos avaliados (ACR, QIF, BDI-II,
Psycache Scale) o grupo com presença de Traumas Gerais apresentou pontuações máximas
maiores que as pontuações máximas do grupo ausente de Traumas Gerais. Na análise estatística,
foi verificado p valor <0,05 no ACR, BDI II e dor psicológica. Respectivamente p=0,006;
p=0,000, p=0,000.
57
Na tabela 6, também é observado que as pontuações máximas no grupo com presença
de Abuso Físico são maiores que as pontuações máximas do grupo sem história de abuso físico.
A análise estatística mostra p valor <0,05 nos parâmetros QIF total, BDI II e dor psicológica.
Respectivamente, p=0,04, p=0,002, p=0,000.
Na tabela 7, observa-se uma análise comparativa entre os grupos com presença e
ausência de abuso emocional avaliando os mesmos parâmetros clínicos. Foi evidenciado, assim
como nos outros tipos de trauma descritos acima, que o grupo que tem história de abuso
emocional precoce mostrou pontuação máxima com escores maiores em comparação ao grupo
sem trauma em todos os parâmetros. Na análise estatística, observa-se p valor<0,05 no ACR,
BDI II e dor psicológica. Respectivamente p=0,038, p=0,000, p=0,000.
A análise comparativa entre grupos com presença e ausência de abuso sexual precoce é
exposta na tabela 8. Também foi evidenciado, em todos os parâmetros clínicos, pontuação
máxima com escores maiores no grupo onde o abuso sexual está presente. A análise estatística
mostra p valor <0,05 nos parâmetros clínicos ACR, BDI II, EVA e dor psicológica.
Respectivamente, p= 0,000, p0,000, p=0,018, p=0,000. O grupo com presença de abuso sexual
foi o único tipo de trauma precoce que demonstrou associação significativa com maior dor
física (EVA). Em relação à funcionalidade, avaliada pelo QIF, houve apenas uma tendência de
associação (p=0,06).
Tabela 5: Características Clínicas das Mulheres com Fibromialgia Atendidas no Ambulatório de Dor do HUPAAUFAL de acordo com a presença ou não de trauma precoce (Traumas gerais)
Variáveis
Presença
Ausência
de Trauma (Gerais)
de Trauma (Gerais)
Mediana Mínimo Máximo Mediana Mínimo Máximo
ACR Total1
QIF Total2
BDI II3
EVA4
Dor
Psicológica
21,0
74,0
20,0
8,0
39,0
14,0
42,0
6,0
5,0
18,0
30,0
98,0
46,0
10,0
58,0
18,0
64,0
13,0
8,0
20,0
14,0
25,0
8,0
5,0
13,0
24,0
86,0
19,0
9,0
39,0
Análise
Estatística
U de
p
Mann
valor
Whitney*
145,5
0,006
189,0
0,061
88,5
0,000
221,0
0,207
66,5
0,000
Fonte: Dados da pesquisa (2021) *Teste U de Mann-Whitney de amostras independentes. Nível de significância
é 0,05. ¹Criterios diagnóstico do Colégio Americano de Reumatologia; ²Questionário sobre o impacto da FM –
Escore total; ³Inventario de depressão de Beck II. 4Escala visual Analógica para dor.
58
Tabela 6: Características Clínicas das Mulheres com Fibromialgia Atendidas no Ambulatório de Dor do HUPAAUFAL de acordo com a presença ou não de abuso físico
Variáveis
Presença
Ausência
de Trauma Físico
de Trauma Físico
Mediana Mínimo Máximo Mediana Mínimo Máximo
ACR Total1
QIF Total2
BDI II3
EVA4
Dor
Psicológica
20,6
71,8
20,6
7,9
37,7
14,0
42,0
6,0
5,0
17,0
30,0
98,0
46,0
10,0
58,0
18,5
61,9
14,2
7,5
22,9
14,0
25,0
8,0
5,0
13,0
28,0
86,0
32,0
9,0
41,0
Análise
Estatística
U de
p
Mann
valor
Whitney*
176,0
0,090
158,0
0,040
110,0
0,002
214,0
0,395
78,5
0,000
Fonte: Dados da pesquisa (2021). *Teste U de Mann-Whitney de amostras independentes. Nível de significância
é 0,05. ¹Criterios diagnostico do Colégio Americano de Reumatologia; ²Questionário sobre o impacto da FM –
Escore total; ³Inventario de depressão de Beck II. 4Escala visual Analógica para dor.
Tabela 7: Características Clínicas das Mulheres com Fibromialgia Atendidas no Ambulatório de Dor do HUPAAUFAL de acordo com a presença ou não de abuso emocional
Variáveis
Presença
Ausência
de Trauma Emocional
de Trauma Emocional
Mediana Mínimo Máximo Mediana Mínimo Máximo
ACR Total
QIF Total
BDI II
EVA
Dor
Psicológica
21,0
72,2
21,6
8,0
39,0
14,0
42,0
7,0
5,0
17,0
30,0
98,0
46,0
10,0
58,0
18,1
62,7
13,5
7,4
23,0
14,0
25,0
6,0
5,0
13,0
24,0
87,0
22,0
9,0
39,0
Análise
Estatística
U de
p
Mann
valor
Whitney
179,5
0,038
189,0
0,061
101,0
0,000
199,0
0,086
64,0
0,000
Fonte: Dados da pesquisa (2021). *Teste U de Mann-Whitney de amostras independentes. Nível de significância
é 0,05. ¹Criterios diagnósticos do Colégio Americano de Reumatologia; ²Questionário sobre o impacto da FM –
Escore total; ³Inventário de depressão de Beck II. 4Escala visual Analógica para dor.
59
Tabela 8. Características Clínicas das Mulheres com Fibromialgia Atendidas no Ambulatório de Dor do HUPAAUFAL de acordo com a presença ou não de abuso sexual
Variáveis
Presença
Ausência
de Trauma Sexual
de Trauma Sexual
Mediana Mínimo Máximo Mediana Mínimo Máximo
ACR Total
QIF Total
BDI II
EVA
Dor
Psicológica
22,2
73,0
23,1
8,3
40,4
15,0
50,0
13,0
6,0
15,0
30,0
92,0
46,0
10,0
58,0
17,8
65,0
14,6
7,4
22,6
14,0
25,0
6,0
5,0
13,0
24,0
98,0
31,0
9,0
43,0
Análise
Estatística
U de
p
Mann
valor
Whitney
127,5
0,000
226,0
0,093
109,5
0,000
195,0
0,018
103,5
0,000
Fonte: Dados da pesquisa (2021). *Teste U de Mann-Whitney de amostras independentes. Nível de significância
é 0,05. ¹Criterios diagnostico do Colégio Americano de Reumatologia; ²Questionário sobre o impacto da FM –
Escore total; ³Inventario de depressão de Beck II. 4Escala visual Analógica para dor.
A tabela 9 expõe a correlação entre intensidade dos tipos de trauma precoce (traumas
gerais, abuso físico, abuso emocional, abuso sexual) avaliadas pelo questionário ETISR-SF
com a intensidade dos sintomas avaliados nos questionários clínicos (ACR, QIF, BDI II, EVA)
e Dor psicológica. Foi utilizado a correlação de Spearman para esta análise. Os resultados
evidenciam que em todos os tipos de trauma existe uma correlação diretamente proporcional
com os parâmetros clínicos analisados, ou seja, quanto mais intenso o tipo de trauma, maior
gravidade dos sintomas. Sintomas depressivos (BDI-II) e dor psicológica tiveram as correlações
mais fortes (r>0,50) que os outros parâmetros avaliados em todos os tipos de traumas precoces
(p<0,001).
60
Tabela 9: Correlação entre os escores de trauma precoce do Inventário de autoavaliação de trauma precoce:
Versão reduzida (ETISR-SF) e características clínicas das mulheres com fibromialgia atendidas no ambulatório
de Dor do HUPAA – UFAL
Variáveis
Traumas
Gerais
Abuso
Físico
Abuso
emocional
Abuso
sexual
Total
ACR¹
rho*
p valor
,455
,001
,367
,009
,425
,002
,459
,001
,515
,000
QIF²
rho*
p valor
,427
,002
,400
,004
,456
,001
,320
,024
,477
,002
BDI II³
rho*
p valor
,555
,000
,536
,000
,606
,000
,515
,000
,662
,000
EVA4
rho*
p valor
,313
,027
,317
,000
,469
,001
,371
,008
,443
,001
Dor
Psicológica rho*
p valor
,658
,000
,676
,000
,732
,000
,551
,000
,780
,000
Fonte: Dados da pesquisa (2021). ¹Critérios diagnóstico do Colégio Americano de Reumatologia; ²Questionário
sobre o impacto da FM – Escore total; ³Inventario de depressão de Beck.4 Escala Visual Analógica da dor.
*Coeficiente de correlação Rô de Spearman.
61
6
DISCUSSÃO
A amostra foi composta apenas por mulheres para evitar viés de interpretação dos
resultados, estudos sugerem que o limiar de dor de homens é diferente das mulheres
(PALMEIRA, 2011).
A média de idade dessas mulheres foi de 49,84 anos e não houve diferença significativa
entre os grupos com e sem trauma precoce. Em relação à escolaridade, média de anos de estudo
foi de 7 anos, mostrando uma baixa escolaridade das participantes, compatível com os dados
dos usuários do SUS, onde a maioria dos usuários não completaram o ensino fundamental
(DIETRICH et. al., 2019). Quanto ao estado civil, pouco mais de metade da amostra (58%) 29
mulheres relataram ter um(a) companheiro(a).
Sobre as características clínicas, em relação aos hábitos de vida, somente 3 mulheres
fumavam (6%); uma mulher fazia abuso de álcool (2%); e, quatorze mulheres faziam alguma
atividade física (28%). Quase metade das participantes era hipertensa (44%) e 18% da amostra
geral apresentava diabetes.
Com relação ao início dos sintomas e momento do diagnóstico, é importante ressaltar
que houve um intervalo, em média, de 6 anos entre eles. A média de anos transcorridos desde
o início dos sintomas foi de 9,4 anos e a média de anos do diagnóstico foi 3,7 anos. Isso mostra
o quanto a fibromialgia, apesar de sua alta prevalência, em média 2,5 % no Brasil e 2% a 8%
em nível mundial (SOUZA, 2018; CLAUW, 2014) ainda é subdiagnosticada e menosprezada
por parte dos profissionais que, por vezes, desprezam as queixas dos pacientes por não
apresentarem exames complementares objetivos alterados e, por isso, os subjugam como
pacientes “vitimistas” ou, muitas vezes, entendem as queixas como um ganho secundário em
busca de benefícios ou aposentadorias. Essa problemática da dificuldade do diagnóstico e
entendimento da doença leva a um atraso no tratamento, bem como maiores níveis de gravidade
dos sintomas relacionados à FM. Apesar disso, alguns autores (FITZCHARLES, BOULOS,
2003) entendem que há um super diagnóstico da FM devido à imprecisão dos critérios
diagnósticos e, por isso, a elevada prevalência, sendo considerado muitos vezes um diagnóstico
de FM como qualquer dor musculoesquelética generalizada, principalmente em ambiente de
atenção básica.
Em relação à presença de depressão, foi verificado uma prevalência de 74% na amostra
total, a partir dos escores acima de 13 do BDI-II (BECK et. al., 1996), e, quando avaliada a
prevalência de depressão moderada a grave (escores de, pelo menos, 19 pontos no BDI II), o
resultado foi de 38 %, sendo todas essas mulheres pertencentes ao grupo com relato de história
62
de trauma precoce.
Esses achados corroboram trabalhos que mostram a associação da
depressão com a FM. Em uma metanálise recente, verificou-se, a partir de 11 estudos elegíveis,
que a prevalência de episódio depressivo atual na FM foi de 25%, sendo uma prevalência de
65% ao longo da vida, porém com resultados variando entre 59% e 71% (LØGE-HAGEN et.
al., 2019). Dentre os trabalhos analisados nessa metanálise, verifica-se a associação entre FM
e depressão com prevalências significativas desde 35% (THIEME et. al., 2004) a 65%
(GELOCH et. al., 2017) variando conforme os instrumentos utilizados para diagnóstico.
No que se refere à história de trauma precoce, FM e depressão, os resultados dessa
pesquisa mostraram que as pacientes que tinham história de trauma precoce apresentaram 20,4
mais chances de terem depressão. Quanto à depressão moderada a grave, todas as participantes
estavam no grupo com história de trauma. Esses dados fortalecem a hipótese de que o trauma
precoce é um fator de risco compartilhado entre a FM e a depressão, apresentando alta
prevalência em ambos (FIETTA et. al., 2007).
Quanto aos escores dos critérios diagnósticos da FM, realizado pelos critérios da ACR
2010, verificou-se que a média do escore total na amostra foi de 20,04(±4,17), evidenciando
uma amostra com elevados níveis de escores, ou seja, apesar da maior parte das participantes
estarem realizando algum tipo de tratamento atual, sobretudo o uso de medicamentos, a
intensidade dos sintomas se mostra elevada, levando em consideração que o paciente precisa
de pelo menos 12 pontos na escala ACR 2010 para confirmar o diagnóstico de FM (WOLFE
et. al., 2010). Vale ressaltar que, no momento da pesquisa, o serviço de dor ao qual as
participantes foram recrutadas permaneceu por nove meses suspenso devido à pandemia de
COVID 19, impossibilitando consultas de rotina. Esse fato pode ter causado certo viés devido
a uma possível piora no estado clínico das pacientes, tanto pela interrupção momentânea do
acompanhamento ambulatorial quanto pelo fato de o mundo estar passando por um momento
de crise humanitária relacionado à pandemia e muitas pacientes, inclusive, terem perdidos entes
queridos segundo seus relatos. Uma metanálise publicada em janeiro de 2021 (PRATI,
MANCINI, 2021), evidencia algum impacto na saúde mental devido ao isolamento social na
COVID-19, principalmente em populações com mais vulnerabilidade socioeconômica. Porém,
no momento, não há como confirmar se, de fato, a pandemia elevou os escores de gravidade
dessas pacientes, visto que não temos essas informações de antes da pandemia.
No que se refere ao tratamento farmacológico, foi evidenciado que a maioria das
participantes fazia uso de alguma classe de antidepressivos, sendo o ISRS utilizado por 40
mulheres (80 %) e em segundo lugar a amitriptilina, antidepressivo tricíclico, utilizado por 27
mulheres (54%). O uso combinado de ambos os antidepressivos têm recomendação A para uso
63
no tratamento da fibromialgia, porém, o uso isolado do ISRS não é recomendado (HEYMANN
et. al., 2010). Ambos os medicamentos estão disponíveis no SUS, normalmente. Em relação à
duloxetina (IRSN), não disponível no SUS, era usada por apenas 7 participantes, apesar de ter
grau de recomendação A pelo consenso brasileiro do tratamento da FM (HEYMANN et. al.,
2010), porém, por não ser disponibilizado pelo SUS e ser um medicamento de alto custo, é
pouco utilizado por essa população. Relaxantes musculares, opioides e anticonvulsivantes,
também foram medicamentos utilizados, respectivamente, por 44%, 42% e 36% da amostra.
Em relação ao tratamento não farmacológico, as participantes mostraram baixa adesão,
apesar de a atividade física e psicoterapia cognitivo comportamental serem tratamentos com
grande evidência de eficácia no manejo da FM (GOLDENBERG et. al, 2004). Somente 14
mulheres (28%) praticavam atividade física regular e 4 mulheres (8% da amostra) realizavam
algum tipo de psicoterapia como tratamento. Os outros tipos de tratamento não farmacológicos
também apresentaram baixa adesão: 13 mulheres (26%) faziam reabilitação física com
fisioterapia e 9 mulheres (18%) realizavam tratamento com acupuntura semanal, ambas as
terapêuticas possuem moderada evidência no tratamento da FM, talvez, pela falta de trabalhos
com análises mais cuidadosas (GOLDENBERG, 2004). Importante salientar que a baixa adesão
ao tratamento não farmacológico nessa amostra pode estar relacionada ao momento vivido da
pandemia de COVID 19, apresentando dificuldades no atendimento devido às recomendações
sanitárias de distanciamento social, ou, além disso, devido à escassez desses serviços no sistema
público de saúde.
Apesar do tratamento farmacológico ser utilizado pela maioria das participantes, grande
parte delas não aderiu, por algum motivo ao tratamento não farmacológico, a despeito de o
tratamento multidisciplinar ter a maior evidência de eficácia na FM (HEYMANN et. al., 2010).
Contudo, a literatura ainda segue demonstrando pouca evidência de sucesso terapêutico com
significância clínica na fibromialgia (GOLDENBERG et. al., 2004).
Na tabela 3, exposta nos resultados, observamos a prevalência dos tipos de trauma
precoce encontradas na amostra geral. Foi observado uma alta prevalência em todos os tipos de
trauma, traumas gerais (66%); físicos (72%); emocionais (66%); e sexuais (50%). E, mostrouse que 84 % das participantes relataram, pelo menos, um evento de trauma precoce,
corroborando trabalhos da literatura que mostram elevada associação entre FM e adversidades
na infância (FILLIPON et. al., 2013; NELSON, et. al., 2017, TAYLOR et. al.,1995) ou, que
mostram que elevados níveis de adversidade na infância levam a uma alteração permanente na
modulação da dor até a vida adulta (FITZGERALD, 2005) sugerindo, também, que o trauma
precoce pode ser um fator de risco para a fibromialgia (LOW, SCHWEINHARDT, 2012).
64
Outros pesquisadores (KILZART et. al., 2021) questionam o papel da resiliência como sendo
determinante para o desfecho clínico de um paciente adulto que sofreu adversidades no início
da vida, sendo a escala de resiliência inversamente proporcional à gravidade clínica do paciente
com FM que sofreu trauma precoce.
Relativo às análises comparativas entre grupos com presença de trauma precoce
(traumas gerais, abuso físico, abuso emocional e abuso sexual) e grupos ausentes desses tipos
de trauma, foi evidenciado que, em todos os tipos de trauma precoce, os grupos afetados
apresentaram maiores escores do ACR em suas pontuações máximas e medianas. Mesmo o
ACR não sendo uma escala que mede gravidade e prognóstico, pois, é uma escala diagnóstica,
é importante ressaltar que, quanto maior a pontuação no ACR, mais sintomas graves presentes.
A maioria dos trabalhos que estudam a associação do trauma precoce com a FM (CICCONE,
2005; DELL'OSSO, 2011; WINFRIED HÄUSER, 2013; FILIPPON, 2013; JIAO et. al. 2015,
NELSON, 2017) não utilizam os escores do ACR para comparar quadros clínicos dos
participantes, somente usam a escala para realizar ou confirmar diagnóstico de FM como
critério de inclusão para participar da pesquisa. Neste trabalho, consideramos ser relevantes
comparar os escores do ACR nos grupos analisados, visto que a diferença na intensidade dos
escores entre os grupos com e sem trauma também reforça a diferença da gravidade dos
sintomas nos pacientes que foram acometidos por trauma na vida precoce.
O QIF é um questionário validado utilizado tanto para fins de pesquisa como para
acompanhamento e prognóstico da doença (MARQUES et. al., 2006). Nas análises
comparativas entre os grupos com e sem história de trauma precoce em relação à funcionalidade
das pacientes com FM, avaliadas pelo QIF, os grupos com trauma mostraram escores maiores,
significando maior impacto da doença nessas pacientes. As tabelas que descrevem as análises
dos tipos de trauma: traumas gerais e abuso físico, mostram uma QIF significativamente maior
nos grupos com trauma com p=0,061 e p=0,040 corroborando trabalhos que também mostram
um prejuízo funcional quando compara mulheres com FM que sofreram trauma em relação a
grupos de mulheres com FM sem história de trauma precoce (DELL'OSSO, 2011; FILIPPON,
2013; JIAO et. al., 2015)
Um outro trabalho (NELSON et. al., 2017) que avaliou 86 pacientes com FM juvenil e
24 do grupo controle não apresentou diferenças em relação à funcionalidade dos pacientes com
FM que tiveram história de trauma precoce em relação aos que não tiveram relato de trauma,
porém, o questionário utilizado não foi o QIF, específico para a FM, e sim o SF-36, que avalia
qualidade de vida geral, mas, não é específico para a doença fibromialgia. Talvez por esse
65
motivo obteve resultados distintos, ou pelo fato de os pacientes serem mais jovens e com menos
tempo de diagnóstico.
Segundo Cacace e colaboradores em estudo realizado na Itália em 2006 com 53
mulheres com FM e 40 mulheres do grupo controle, utilizando o QIF, a médica do escore do
grupo controle foi de 13,15, enquanto a média do grupo com FM foi 66, 39. Os autores
chegaram à conclusão que um escore no QIF maior que 66,85 caracterizaria prejuízo moderado
a grave no funcionamento. No presente trabalho, foi observado que os grupos de mulheres com
história de trauma, independentemente do tipo de trauma, apresentaram uma média de escore
no QIF total que o classifica como um grupo de moderado a severo prejuízo funcional diferente
dos grupos sem história de trauma precoce, segundo o ponto de corte do trabalho citado acima
(CACACE et. al., 2006) mostrando que o impacto da fibromialgia em pacientes com trauma
parece ser maior que em pacientes sem trauma.
Outro parâmetro clínico avaliado pelas análises comparativas entre os grupos foram os
sintomas depressivos mensurados pelo BDI II. Em todos os grupos com presença de trauma
(traumas gerais, abuso físico, emocional e sexual), observou-se maior intensidade dos sintomas
depressivos com relevância estatística (p<0,005). Assim como os resultados obtidos nesse
trabalho, a literatura vem mostrando que o trauma precoce se associa a um perfil clínico mais
grave nos pacientes portadores de FM, além de uma maior comorbidade com distúrbios
psiquiátricos, sobretudo, depressão e transtorno de estresse pós-traumático (CICCONE, 2005;
DELL'OSSO, 2011; WINFRIED HÄUSER 2013; FILIPPON 2013; NELSON, 2017).
Apesar da associação entre FM e transtornos psiquiátricos em pacientes com história de
trauma precoce discutida nas últimas décadas, não foi encontrado na literatura trabalhos que
utilizem o parâmetro Dor psicológica, avaliado pelo instrumento Psycache Scale, em pesquisas
com pacientes com FM.
Sabe- se que a prevalência do comportamento suicida é mais elevada em pessoas com
FM do que entre a população em geral (GILL et. al., 2021). No trabalho de Campos e
colaboradores em 2019, os escores da Psychache Scale em tentadores de suicídio foi 32,4, ou
seja, pessoas com comportamento suicida apresentam elevados níveis de dor psicológica. Nesta
pesquisa, demonstramos que o escore médio no Psychache Scale de mulheres com fibromialgia
e história de trauma precoce foi maior que 37,7, ou seja, equivalente e até mais intenso do que
os indivíduos com comportamento suicida demonstrado no trabalho de Campos. O Psycache
66
Scale é um instrumento comumente utilizado em pacientes com comportamento suicida e, por
isso, é relevante a sua utilização em populações que apresentam altos índices de comportamento
suicida como a população fibromiálgica.
Os altos níveis de Dor psicológica encontrados em participantes que tiveram história de
trauma precoce relatados nessa pesquisa corroboram estudos que demonstram a associação do
trauma precoce ao risco de suicídio, visto que a dor psicológica está intimamente relacionada
ao comportamento suicida e altos níveis de desesperança (SCHILLING et. al., 2015;
SHNEIDMAN, 1993). O conhecimento dessa associação Dor psicológica em pacientes com
FM que sofreram trauma precoce, possibilita novas formas de abordagem terapêutica no sentido
de superar o evento causador do sofrimento mental que parece ser determinante para um melhor
prognóstico do paciente com FM.
A dor física (EVA), também avaliada nas tabelas de análise comparativas entre grupos
com e sem história de trauma não mostrou diferença significativa entre a maioria dos grupos
com trauma (traumas gerais, abuso físico e abuso emocional) e os grupos sem trauma, assim
como visto em trabalhos relacionados (FILIPPON 2013). Somente houve diferença
significativa na intensidade da dor física no grupo com história de trauma sexual (p<0,05).
Ciccone et. al. publicaram, em 2005, que a história de abuso sexual precoce possibilita uma
chance três vezes maior de desenvolver fibromialgia. Além disso, esses trabalhos demonstram
maior gravidade nos sintomas da FM em pacientes que sofreram abuso sexual precoce assim,
como no resultado da presente pesquisa, que mostrou correlação da presença desse tipo de
trauma com maior gravidade de todos os parâmetros avaliados: dor física, dor psicológica,
sintomas depressivos, funcionalidade e escores da ACR 2010. Além desses dados, também foi
evidenciado que as pacientes que relataram história de abuso sexual precoce apresentaram
chance 13,03 vezes maior de apresentarem quando depressivo grave (BDI-II≥ 19) (X² de
Pearson:14,35, p valor< 0,001. Odds Ratio:13,03).
Nos resultados de correlações entre traumas e perfil clínico do paciente com FM (tabela
9) foi observado que, quanto mais intenso é o trauma precoce, maior gravidade nos sintomas
da FM em todos os parâmetros avaliados (critérios diagnósticos da ACR, funcionalidade no
QIF, sintomas depressivos no BDI, dor física no EVA e dor psicológica). Ficou evidenciado
que todos os tipos de trauma apresentaram correlação positiva com a intensidade dos aspectos
clínicos relacionados.
Na correlação de Spearman, utilizada na análise dos dados da tabela 9, foi possível
evidenciar correlações positivas fortes, ou seja, mais próximas de 1(Sousa,2019), tanto na
gravidade dos sintomas depressivos (BDI II), quanto na Dor psicológica (Psychache Scale) (rho
67
de Spaarman>0,500; p<0,001). A dor física (EVA), apresentou correlação fraca (rho de
Pearson<0,500, p<0,05). Além disso, também foi demonstrado nos resultados dessa pesquisa
que quanto mais tipos de traumas precoce relatados pelo paciente com FM, maior gravidade de
seus sintomas. Esses resultados corroboram trabalhos relacionados que demonstraram que,
quanto mais intenso e mais tipos de trauma na infância, maior impacto clínico e gravidade dos
sintomas na FM (FILLIPON, 2013; NELSON, 2017 CICCONE, 2005; DELL'OSSO, 2011).
68
7
CONCLUSÃO
A prevalência de trauma precoce na fibromialgia é elevada e apresenta uma associação
com gravidade dos sintomas depressivos, dor psicológica e prejuízo funcional e maiores escores
nos critérios diagnósticos do ACR. A dor física teve uma correlação fraca ou moderada com os
tipos de trauma precoce, e teve associação somente com o abuso sexual precoce.
A dor psicológica avaliada pela Psycacle Scale foi a característica que apresentou maior
associação e forte correlação com todos os tipos de trauma, evidenciando altos níveis nos
fibromiálgicos com história de trauma precoce. Esse dado reforça a provável associação do
comportamento suicida na população com FM, visto que a dor psicológica é elevada nesses
grupos em comum.
A intensidade do trauma precoce se correlaciona com a gravidade dos sintomas na FM,
como também, quanto mais tipos de traumas precoces presentes nos pacientes, maior gravidade
no perfil clínico.
69
8
LIMITAÇÕES
Essa pesquisa, assim como os trabalhos relacionados que avaliam a associação do
trauma precoce com perfil clínico de pacientes portadores de FM, por serem estudos
transversais, não possibilita comprovar uma relação de causa e efeito entre trauma precoce e
FM. Porém, é possível afirmar que existe uma associação entre eles.
Além disso, não é possível superar o viés de memórias comuns em trabalhos transversais
que investigam fatos do passado, como é visto nesse trabalho. Apesar que, nenhuma
participante relatou queixa por falta de memória ou confusão quanto às perguntas relacionadas
ao passado, talvez pelo grande impacto que a história do trauma as causou.
Uma outra limitação que fica registrada é o fato de a pesquisa ter acontecido durante a
pandemia de COVID-19. Isso pode ter contribuído, talvez, com uma maior gravidade dos
sintomas das pacientes. No entanto, não é possível confirmar essa afirmação, pois não temos
dados anteriores dessa amostra. Assim, uma possibilidade de pesquisa futura é comparar esses
dois momentos, durante e após pandemia. É propósito dos pesquisadores aumentar a amostra
dessa pesquisa.
Por fim, propõe-se um estudo qualitativo que busque encontrar fatores externos e não
somente previstos nos parâmetros clínicos abordados nesta pesquisa, a fim de buscar mais
opções terapêuticas para a redução do impacto da FM em mulheres, e apoiar políticas públicas
nesse contexto.
70
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78
APÊNDICES
APÊNDICE A
Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (T.L.C.E)
(Em 2 vias, firmado por cada participante voluntário(a) da pesquisa)
Você está sendo convidado (a) a participar do projeto de pesquisa ESTUDO DE
ASSOCIAÇÃO ENTRE O TRAUMA PRECOCE E MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS EM
MULHERES COM FIBROMIALGIA, dos pesquisadores Valfrido Leão de Melo Neto e
Melina Pimentel Cavalcante Pedrosa. A seguir, as informações do projeto de pesquisa com
relação a sua participação neste projeto:
O estudo se destina a investigar a relação do trauma precoce com as manifestações
clínicas em mulheres com fibromialgia. A importância deste estudo está em compreender
possíveis fatores de risco ou gatilhos que possibilitem o desenvolvimento de maior gravidade
nos sintomas e pior enfrentamento da doença, bem como, uma piora significativa na qualidade
de vida de mulheres acometidas. O resultado que se desejam alcançar é: estabelecer quais são
as associações e suas influências entre trauma precoce e as manifestações clínica presentes na
doença.
A Pesquisa será feita da seguinte maneira: Os participantes da pesquisa, mulheres com
fibromialgia já diagnosticada por médica assistente, serão recrutados no ambulatório de dor do
Hospital Universitário Professor Alberto Antunes onde estão realizando tratamento com médica
especialista. A médica especialista em dor e também pesquisadora deste projeto irá convidar as
pacientes selecionadas, após critérios de inclusão e exclusão, a assinatura deste Termo de
Consentimento Livre e Esclarecido, explicando como será realizada a pesquisa, caso
concordem, serão realizados, por aproximadamente 30 minutos, uma série de seis questionários
que são os instrumentos de avaliação para a coleta de dados da pesquisa. As entrevistas serão
realizadas em consultórios onde as pacientes vão para as consultas e somente estará presente na
sala a participante e a pesquisadora. Caso as participantes tenham dúvidas em relação as
perguntas dos questionários, todas serão esclarecidas pela pesquisadora que estará durante todo
o período da entrevista junto a participante. Segue abaixo a explicação sobre os questionários
que serão utilizados:
79
1. Questionário sociodemográfico e clínico: coleta de dados individuais como idade; estado
civil; escolaridade em anos concluídos; naturalidade; religião; tabagismo; etilismo; morbidades;
início dos sintomas; tempo de diagnóstico e medicamentos em uso.
2. Escala de Depressão de Beck: avalia a gravidade da depressão. É composto de diversos itens
relacionados aos sintomas depressivos como desesperança, irritabilidade e cognições como
culpa ou sentimentos de estar sendo punido, assim como sintomas físicos como fadiga, perda
de peso e diminuição da libido.
3. Inventário de trauma precoce: instrumento psicométrico que avalia presença de traumas
ocorridos durante a infância e adolescência de indivíduos adultos. Esse questionário avalia não
somente a presença, mas também o tipo de trauma (sexual, físico, emocional), a época que
ocorreu, a quantidade (episódio único ou repetido), quem foi o perpetuador da violência e o
impacto da violência na época e na atualidade, segundo a o entrevistado.
4. Questionário de impacto da fibromialgia (QIF): avalia diferentes parâmetros do paciente
portador da FM, como capacidade funcional, bem-estar, faltas no trabalho, capacidade de
trabalhar, dor, fadiga, cansaço matinal, rigidez, ansiedade e depressão.
5. Escala visual analógica (VAS): avalia a intensidade da dor física no momento atual.
6. Escala de dor psicológica: avalia a intensidade do sofrimento/dor psicológica.
Após realizada coleta de dados, os desfechos serão analisados estatisticamente.
Algum possível risco à sua saúde física e/ou mental seria a possibilidade de potencializar
momentaneamente a dor psicológica após entrevistas por recordar eventos traumáticos e
dolorosos que serão questionados nos instrumentos da pesquisa ou o medo de expor seu trauma
a público. Porém os pesquisadores garantem a confidencialidade e privacidade total das
informações colhidas, visto que, somente os pesquisadores terão domínio e acesso a esse banco
de dados. Se necessário, será garantido acompanhamento psiquiátrico a todas as pacientes que
estejam apresentando algum transtorno relacionado a sua saúde mental (declaração de anuência
do médico psiquiatra responsável pelo ambulatório está anexa a este documento).
Fica documentado neste TCLE que todos os participantes têm o direito de buscar
indenizações por eventuais danos, caso se sintam prejudicados de alguma maneira em relação
a esta pesquisa (Resolução CNS n°466 de 2012, item IV. 3.h)
Os benefícios esperados com a sua participação no projeto de pesquisa, diretos e
indiretos, são: contribuição cientifica para melhor entendimento da doença e a possibilidade de
identificar possíveis sofrimentos psicológicos, antes não investigados, e direcioná-la a um
tratamento adequado que possa contribuir para melhora na qualidade de vida e enfrentamento
da doença.
80
Você poderá contar com a seguinte assistência: atendimento médico especializado
sendo a médica responsável: Melina Pimentel Cavalcante Pedrosa.
Você será informada através de ligação telefônica sobre o resultado final do projeto e
sempre que desejar, serão fornecidos esclarecimentos sobre cada uma das etapas do estudo. A
qualquer momento, poderá se recusar a continuar participando do estudo e, também, poderá
retirar seu consentimento, sem que isso lhe traga qualquer penalidade ou prejuízo.
Também está garantido ao participante que aceite participar desta pesquisa o
ressarcimento de despesas, como alimentação, transportes, e outros, relacionadas a participação
no estudo nos dias em que for necessária à sua presença para consultas. (Resolução CNS n° 466
de 2012, itens II.21 e IV.3.g)
As informações conseguidas através da sua participação não permitirão a identificação
da sua pessoa, exceto para a equipe de pesquisa, e a divulgação das mencionadas informações
só será feita entre os profissionais estudiosos do assunto após a sua autorização sem mencionar
nomes e dados pessoais.
Caso ocorra interrupção da pesquisa por algum motivo, todas as participantes serão
informadas dos motivos bem como será informado imediatamente ao Comitê de Ética em
pesquisa da UFAL.
Os armazenamentos das informações serão coletados por um período de 5 anos para que
possam ser trabalhadas estatisticamente para futuros estudos e publicações com o intuito
científico e de busca por melhores tratamentos relacionados a vida dos pacientes portadores de
fibromialgia.
Esta pesquisa somente teve a possibilidade de ser realizada após avaliação e aprovação
pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da universidade Federal de Alagoas, este comitê
interdisciplinar e independente é responsável pela avaliação e acompanhamento dos aspectos
éticos de todas as pesquisas que envolvam a participação de seres humanos. A missão do CEP
é salvaguardar os direitos e a dignidade dos sujeitos participantes da pesquisa.
Você receberá uma via do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido assinado por todos.
Eu,
..............................................................................................................................,
tendo
compreendido perfeitamente tudo o que me foi informado sobre a minha participação no
mencionado estudo e estando consciente dos meus direitos, das minhas responsabilidades, dos
riscos e dos benefícios que a minha participação implica, concordo em dele participar e para
isso eu DOU O MEU CONSENTIMENTO SEM QUE PARA ISSO EU TENHA SIDO
FORÇADO OU OBRIGADO.
81
Endereço dos responsáveis pela pesquisa:
Instituição Afiliada: Universidade Federal de Alagoas
Endereço Postal: Av. Lourival Melo Mota, s/n - Tabuleiro do Martins, AL, 57072-900
Contato de urgência:
Sra. Melina Pimentel Cavalcante Pedrosa
Instituição Afiliada: Universidade Federal de Alagoas
Endereço Postal: Av. Lourival Melo Mota, s/n - Tabuleiro do Martins, AL, 57072-900
Telefone: 82 999344487.
ATENÇÃO: O Comitê de Ética da UFAL analisou e aprovou este projeto de pesquisa. Para
obter mais informações a respeito deste projeto de pesquisa, informar ocorrências irregulares
ou danosas durante a sua participação no estudo, dirija-se ao:
Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Alagoas
Endereço: Prédio do Centro de Interesse Comunitário (CIC), Térreo, Campus A. C. Simões,
Cidade Universitária. Telefone: 3214-104
Horário de Atendimento: das 8:00 as 12:00h.
E-mail: comitedeeticaufal@gmail.com
Maceió, _______ de_________________________
20____.
----------------------------------------------------------------------------------------------------------------Assinatura ou impressão datiloscópica da voluntária ou responsável legal e rubricar as demais
folhas.
----------------------------------------------------------------------------------------------------------------Nome e Assinatura do Pesquisador (Rubricar as demais páginas).
82
APÊNDICE B
Questionário sociodemográfico e clínico
Desejo responder: ( ) Sim ( )Não
N° de Identificação:
Idade:
Estado civil: ( ) com companheiro( a) ( ) Sem companheiro ( a)
Escolaridade: Anos de estudo:
Renda: ( ) Com renda. ( ) Sem renda
Atividade laborativa: ( ) Ativo
( ) Inativo
Idade do início dos sintomas:
Idade do início do diagnóstico:
Comorbidades:
Hipertensão ( ) Sim ( ) Não
Diabetes ( ) Sim ( )Não
Comorbidades ( )Sim ( )Não
Tabagista ( ) Sim ( )Não
Etilista ( )Sim ( )Não
Tratamento não farmacológico:
Exercício físico ( ) Sim ( ) Não
Acupuntura ( ) Sim ( ) Não
Fisioterapia / pilates ( ) Sim ( ) Não
Psicoterapia ( ) Sim ( )Não
Tratamento farmacológico:
( ) Analgésicos comuns ( Dipirona / paracetamol / Aspirana )
83
( ) AINHS
( ) opioides fracos ( ) opioides fortes
( ) algum antidepressivo
( ) antidepressivos tricíclicos ( ) Antidepressivos Duais ( ) Antidepressivos ISRS
( ) pregabalina ( ) gabapentina ( ) topiramato ( ) miorrelaxantes.
84
ANEXOS
ANEXO A
Escala diagnóstica de FM de acordo com os critérios do Colégio Americano de Reumatologia
(ACR) 2010/2011
85
ANEXO B- Questionário sobre o Impacto da Fibromialgia (QIF)
86
ANEXO C
Escala visual analógica para dor física
87
ANEXO D
Inventário de Depressão de Beck - II
88
89
ANEXO E - Escala de dor psicológica
90
ANEXO F- Inventário de Auto-Avaliação de Trauma Precoce- Versão Reduzida
