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                    UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
FACULDADE DE MEDICINA
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS MÉDICAS

Gabriela Barbosa Azevedo

Relação entre violência doméstica e tentativa de suicídio entre as mulheres

MACEIÓ/AL
2023
1

GABRIELA BARBOSA AZEVEDO

Relação entre violência doméstica e tentativa de suicídio entre as mulheres

Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa
de

Pós-graduação

em

Universidade Federal

de

Ciências

Médicas

da

Alagoas-UFAL, como

requisito para a obtenção do título de Mestre em
Ciências Médicas.
Área

de

Concentração:

Doenças

Crônicas

e

Degenerativas
Orientador: Prof. Dr Valfrido Leão de Melo Neto

MACEIÓ/AL
2023
2

3

4

Quando chegar
Quando chegar aos 30
serei uma mulher de verdade
nem Amélia nem ninguém
um belo futuro pela frente
e um pouco mais de calma talvez
e quando chegar aos 50
serei livre, linda e forte
terei gente boa ao lado
saberei um pouco mais do amor
e da vida quem sabe
e quando chegar aos 90
já sem força, sem futuro, sem idade
vou fazer uma festa de prazer
convidar todos que amei
registrar tudo que sei
e morrer de saudade.
-Martha Medeiros

5

AGRADECIMENTOS

Ao meu avô Martires sertanejo forte sempre a frente do seu tempo, criou três mulheres fortes
uma delas a minha mãe, eu sou grata por ter nascido neta do seu Barbosa.
A minha mãe Janete que sempre foi exemplo de força e trabalho, sempre me ensinou a valorizar
a educação, assim como mina tia Jaisa, eu serei feliz se um dia for metade das mulheres que
elas são.
A todos os professores que tive até aqui, em especial àqueles nascidos para ensinar, guardo
deles o exemplo.
A meus colegas de jornada de residência e de mestrado, aos meus tutores e ao meu orientador,
foi um caminho cheio de aprendizado, obrigada Valfrido cresci muito.
O ensino é sempre transformador, leva a gente a qualquer lugar sem mesmo mudar a
localização.

6

RESUMO
Introdução: A violência contra a mulher é um grave problema de saúde pública global. No
Brasil são elevados e crescentes os casos de agressão doméstica contra mulheres. Essa violência
pode levar a uma série de transtornos mentais e condições que favorecem o comportamento
suicida. Objetivos: A presente pesquisa teve como objetivo avaliar a relação entre histórico de
violência doméstica provocada pelo parceiro e comportamento suicida em mulheres atendidas
pelo SUS. Métodos: Neste estudo transversal, quantitativo e analítico foram entrevistadas
pacientes com idade mínima de 18 anos, utilizando um questionário sociodemográfico criado
para a presente pesquisa, bem como os instrumentos a seguir: Woman Abuse Screening Tool
(WAST) para investigar violência doméstica contra as mulheres, Escala de Dor Psicológica
(Psychache Scale – PAS), para avaliar o risco iminente de suicídio e também o módulo de
suicidalidade da Mini Entrevista Neuropsiquiátrica em sua versão 5.0 (MINI 5.0), para
pesquisar histórico recente e pregresso de comportamento suicida (ideação suicida passiva,
ativa, planejamento e tentativa de suicídio). Resultados: Foram entrevistadas 51 mulheres, com
uma mediana de idade de 57 anos (variando de 18 a 85 anos) e 8 anos de estudo. A maioria se
identificava como não branca (78,4%), sem companheiro (51,0%), porém com filhos (88,0%),
apesar de não serem economicamente ativas (76,5%). Quase metade das mulheres apresentaram
histórico de violência por parceiro íntimo (47,0%). Destas, 54,0% encontravam-se em um
relacionamento íntimo no momento da entrevista, porém não necessariamente com o parceiro
agressor. A investigação sobre dor psicológica identificou que 53,0% das entrevistadas
apresentaram risco iminente de suicídio, o qual se relacionou com a presença, nos últimos 30
dias, de ideação suicida passiva (p<0,01; odds ratio: 14,2; IC 95% 2,6 – 76,2) e ideia de autoagressão (p<0,01; odds ratio: 7,2; IC95% 1,3 – 38,2), também, com tentativa de suicídio ao
longo da vida (p<0,05; odds ratio: 6,1; IC 95% 1,1 – 32,4). O histórico de violência contra a
mulher por parceiro íntimo apresentou correlação de fraca intensidade com comportamento
suicida (rho: 0,3; p<0,05). Conclusões: A presente pesquisa identificou elevadas taxas de risco
iminente de suicídio e de histórico ao longo da vida de violência pelo parceiro íntimo entre as
mulheres entrevistadas. Também identificou uma correlação entre a histórico de violência
doméstica e gravidade do comportamento suicida dessas mulheres. Isto ressalta a importância
de políticas públicas que colaborem para a redução da violência doméstica para
consequentemente contribuir com a prevenção do suicídio entre mulheres.
Palavras-chave: Sofrimento psicológico. Tentativa de suicídio. Violência doméstica.
Mulheres.

7

ABSTRACT

Introduction: Violence against women is a serious global public health issue. In Brazil, cases
of domestic violence against women are high and increasing. This violence can lead to a range
of mental disorders and conditions that favor suicidal behavior. Objectives: This research
aimed to evaluate the relationship between a history of domestic violence perpetrated by
intimate partners and suicidal behavior in women treated the Brazilian Unified Health System
(SUS). Methods: In this cross-sectional, quantitative, and analytical study, patients aged 18
years and older were interviewed using a sociodemographic questionnaire created for this
research, as well as the following instruments: the Woman Abuse Screening Tool (WAST) to
investigate domestic violence against women, the Psychological Pain Scale (Psychache Scale
– PAS) to assess imminent suicide risk, and the suicidality module of the Mini International
Neuropsychiatric Interview version 5.0 (MINI 5.0.) to investigate recent and past history of
suicidal behavior (passive suicidal ideation active suicidal ideation suicide planning, and
suicide attempt). Results: Fifty-one women were interviewed, with a median age of 57 years
(range 18 to 85 years) and 8 years of education. The majority identified as non-white (78.4%),
without a partner (51.0%), but with children (88.0%), although they were not economically
active (76.5%). Almost half of the women reported a history of intimate partner violence
(47.0%). Of these, 54.0% were in an intimate relationship at the time of the interview, but not
necessarily with the abuse partner. Investigation into psychological pain identified that 53.0%
of the interviewees had an imminent risk of suicide, which was associated with the presence, in
the last 30 days, of passive suicidal ideation (p<0.01; odds ratio: 14.2; 95% CI 2.6 – 76.2) and
self-harm ideation (p<0,01; odds ratio: 7.2; 95% CI 1.3 – 38.2), as well as with lifetime suicide
attempt (p<0,05; odds ratio: 6.1; 95% CI 1.1 – 32.4). A history of violence against women by
an intimate partner showed a weak correlation with suicidal behavior (rho: 0.3; p<0.05).
Conclusions: This research identified high rates of imminent suicide risk and lifetime history
of intimate partner violence among the interviewed women. It also identified a correlation
between a history of domestic violence and the severity of suicidality in these women. This
underscores the importance of public policies that contribute to the reduction of domestic
violence, consequently aiding in the prevention of suicide among women.

Keywords: Psychological distress. Suicide attempt. Domestic Violence. Women.

8

LISTA DE TABELAS

Tabela 1 - Distribuição e Análise de Associação dos Dados Demográficos das Mulheres
Estudadas de Acordo com a História de Violência por Pareceiro Íntimo (escala WAST, ponto
de corte 13)................................................................................................................................30
Tabela 2 - Análise de Associação entre Comportamento Suicida nos Últimos 30 Dias e História
de Violência Íntima por Parceiro (WAST, ponto de corte= 13) entre 43 mulheres
entrevistadas........................................................................................................................................................32
Tabela 3 – Análise de Associação entre História de Violência Íntima por Parceiro (WAST,
ponto de corte 13) e Risco Iminente de Suicídio de Acordo com Gravidade da Dor Psicológica
(PAS, ponto de corte 30)............................................................................................................34
Tabela 4 - Distribuição e Análise de Associação dos Dados Demográficos das Mulheres
Estudadas de Acordo com o Risco Iminente de Suicídio Determinado pela Gravidade da Dor
Psicológica (PAS, ponto de corte 30).........................................................................................33
Tabela 5 - Análise de Associação entre Comportamento Suicida nos Últimos 30 Dias e Risco
Iminente de Suicídio de Acordo com a Gravidade da Dor Psicológica (PAS, ponto de corte=
30) entre 43 mulheres entrevistadas...........................................................................................36
Tabela 6 - Coeficiente de Correlação de Spearman segundo as variáveis: idade, número de
filhos, escolaridade, renda familiar total, número de tentativas de suicídio, grau de
suicidalidade(MINI), grau de dor psicológica (PAS) e rastreamento de violência (WAST)......37

9

LISTA DE ABREVIATURAS

APS Atenção Primária à Saúde
CVV Centro de valorização da vida
MINI Minientrevista psiquiátrica
OMS Organização Mundial de Saúde
PAS Escala de dor psicológica
SUS Sistema Único de Saúde
TMC Transtorno mental
UBS Unidade Básica de Saúde
VPI Violência por parceiro íntimo
WAST Woman abuse screening tool (rastreamento de abuso contra mulher)

10

SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO.......................................................................................................12
2 OBJETIVOS............................................................................................................15
2.1 Objetivo Geral......................................................................................................15
2.2 Objetivos Específicos ..........................................................................................15
3 REVISÃO DE LITERATURA................................................................................16
4 METODOLOGIA...................................................................................................26
4.1. Natureza do estudo...............................................................................................26
4.2. Amostra...............................................................................................................26
4.3. Local....................................................................................................................26
4.4.Aspectos Éticos e legais.......................................................................................27
4.5. Critérios de inclusão............................................................................................27
4.6.Critérios de exclusão............................................................................................27
4.7.Instrumentos de coleta.........................................................................................27
4.7.1.Questionário sociodemográfico........................................................................28
4.7.1. Mini International Neuropsychiatric Interview Brazilian version (MINI 5.0.) –
MóduloC: Risco de suicídio ......................................................................................28
4.7.2.Escala de dor psicológica - Psychache Scale (PAS).........................................28
4.7.3.WAST(Woman Abuse Screening Tool) ..........................................................28
4.8. Procedimentos.....................................................................................................29
5 RESULTADOS.......................................................................................................30
6 DISCUSSÃO..........................................................................................................38
7 CONSIDERAÇÕES FINAIS .................................................................................45
8 LIMITAÇÕES E PERSPECTIVAS.......................................................................46
REFERÊNCIAS ……………....................................................................................47
APÊNDICES..............................................................................................................52
ANEXOS...................................................................................................................54

11

1 INTRODUÇÃO

As tentativas de suicídio assim como a ideação suicida e as lesões autoprovocadas fazem
parte do grupo que personaliza o comportamento suicida; apesar dos números de boletins
nacionais e internacionais apontarem a maioria entre os que cometem suicídio sendo do sexo
masculino, mulheres são as que tentam mais vezes por utilizarem métodos menos letais.
Segundo a Organização Mundial de Saúde - OMS (2021) as taxas de suicídio entre homens são
geralmente mais altas em países de alta renda 16,5 por 100 mil. Para mulheres, as taxas de
suicídio mais altas são encontradas em países de baixa-média renda 7,1 por 100 mil.
Comparando os anos de 2010 e 2019, verificou-se um aumento de 29% nas taxas de suicídios
de mulheres, e 26% das taxas entre homens. (BRASIL, 2021).
O suicídio é considerado um ato intencional e consciente, no qual o indivíduo utiliza de
um meio que acredita ser letal tendo como objetivo tirar a sua própria vida, sua ocorrência está
relacionada a diversos fatores: ambientais, sociais, psicológicos, genéticos e culturais, afetando
não apenas o sujeito, mas seus familiares, amigos e toda a sociedade. A cada quarenta segundos
um suicídio é concretizado. O levantamento da OMS (2021) aponta que as taxas de suicídio
caíram nos 20 anos entre 2000 e 2019, com a taxa global diminuindo 36%, diminuições
variando de 17% na região do Mediterrâneo Oriental a 47% na região europeia e 49% no
Pacífico Ocidental, mas na Região das Américas, as taxas aumentaram 17% no mesmo período.
Para Bertolote e Fleischmann (2002) em 97% dos casos caberia, um diagnóstico de transtorno
mental a época do ato fatal.
As tentativas de suicídio são compostas basicamente de ambivalência, impulsividade e
rigidez, neste sentido podem ser prevenidas caso a intervenção seja feita em momento oportuno
assim como o tratamento, logo nota-se que por se tratar de uma importante causa de morte entre
os jovens e adultos impacta na população economicamente ativa do país e na sociedade como
um todo visto que para cada pessoa que comete o suicídio haverá amigos e familiares afetados
que viverão com algum tipo de transtorno mental em decorrência deste ato, para tanto a pesquisa
dos mecanismos e fatores envolvidos é crucial para que intervenções sejam realizadas, a
prevenção pode ocorrer de forma acessível por profissionais de saúde sobretudo aqueles que
compõem a Atenção Primária à Saúde (APS). Nessa perspectiva, realizar a identificação e a

12

avaliação precoce do risco de suicídio é uma prática fundamental para prevenção (DE
OLIVEIRA, DE SOUSA, 2023, p.1).
No Brasil entre todos adolescentes e jovens, o número de suicídios é bastante elevado.
De 2012 a 2016 ocorreram em média 11 mil suicídios na população geral e 3.043 suicídios entre
adolescentes e jovens, colocando o suicídio como a quarta causa de morte nesses grupos etários
(BRASIL, 2018). Explorando os fatores que envolvem o comportamento suicida se evidencia
que a dor psicológica é um componente obrigatoriamente presente nos indivíduos que tentam
suicídio, independentemente de haver ou não um diagnóstico psiquiátrico envolvido. Lambert
et al. (2020) observaram que ao contrário de muitas investigações que se concentram na ideação
suicida em vez do comportamento suicida, a mensuração da dor mental pode prever tentativas
de suicídio autorrelatadas entre estudantes universitários que estão começando a universidade.
A violência contra a mulher é um problema de proporções epidêmicas. Causa danos
devastadores ao longo da vida delas. Também prejudica a saúde econômica e social de suas
famílias, comunidades e países. (WHO, 2018, p.2). Segundo o Código Penal “a violência contra
a mulher é qualquer conduta ação ou omissão de discriminação, agressão ou coerção,
ocasionada pelo simples fato de a vítima ser mulher e que cause dano, morte, constrangimento,
limitação, sofrimento físico, sexual, moral, psicológico, social, político ou econômico ou perda
patrimonial”, esses números alertam para que ações globais precisam ser tomadas para que a
realidade melhore, através da atuação dos setores da saúde, educação, economia, enfim toda a
sociedade precisa se engajar. As questões sociais, culturais, econômicas de um país têm impacto
na saúde da população, a violência também. Um terço das mulheres sofrerão violência física
e/ou sexual ao longo da vida, principalmente por parte de um parceiro íntimo (WHO, 2018,
p.2).
Os dados mensais de feminicídios no Brasil entre 2019 e 2021 indicam que houve um
aumento dos casos entre os meses de fevereiro e maio de 2020, quando houve maior restrição
nas medidas de isolamento social devido à Pandemia de Covid 19. Foram registrados 56.098
boletins de ocorrência de estupros, incluindo vulneráveis, apenas do gênero feminino. Isso
significa dizer que em 2020 uma menina ou mulher foi vítima de estupro a cada 10 minutos,
considerando apenas os casos que chegaram até as autoridades policiais. A violência, em suas
diferentes formas, segue como um dos principais obstáculos ao empoderamento feminino. É
preciso garantir condições básicas de vida para meninas e mulheres, livres da violência
13

endêmica que continua a atingi-las, estima-se que no Brasil atualmente a cada 7 horas uma
mulher seja vítima de feminicídio, ainda, segundo dados da Agência de Segurança Pública, o
Brasil circula entre os países mais violentos do mundo para as mulheres, as que sofrem mais
são mulheres de baixa renda, em sua maioria a violência é sofrida dentro da própria casa, vinda
de um companheiro.
O Brasil enfrenta desafios econômicos e nos últimos anos vem sofrendo com os reflexos
da Pandemia de Covid 19 e da gestão administrativa, o custo de vida está mais alto, há muitos
desempregados, neste cenário há aumento das desigualdades sociais e da violência sobretudo
nos grandes centros urbanos e quem está mais vulnerável são as mulheres; neste panorama o
que se observa é aumento da violência doméstica e maior risco para as mulheres tanto quanto
a agressões externas provocadas por parceiros, mas também do sofrimento mental e transtornos
que levam à deterioração da autoestima, do prazer pela vida, sentimento de abandono de
impotência, agonia, todos esses sentimentos em um cenário de ausência de apoio familiar,
somado a desestruturação familiar geram dor e adoecimento mental, conforme Tretin et al,
2022).
A OMS está trabalhando para garantir que a capacidade do setor de saúde
atenda às necessidades das mulheres que sofreram violência, fortalecendo o
conhecimento e as habilidades dos provedores e da prestação de serviços e garantindo
diretrizes e ferramentas baseadas em evidências sobre a resposta de saúde à violência
contra as mulheres. disponíveis para uso em contextos humanitários. (WHO, 2018,
p.8).

Consoante Barros (2020) a APS é o meio de entrada da população e a principal
vinculação da comunidade a todos os níveis de atenção à saúde, nela há a possibilidade de
conhecer a comunidade, a família, a rede de apoio de um indivíduo, bem como manter a
longitudinalidade de cuidado e a integração com outros serviços, em um trabalho
interdisciplinar, integrando não somente instituições de saúde.
Assim, diante do exposto a presente pesquisa questiona: quais aspectos do histórico de
violência doméstica pelo parceiro íntimo se relacionam com o comportamento suicida de
mulheres atendidas pelo SUS? Espera-se que quanto maior a gravidade da exposição à violência
doméstica, maior o risco de suicídio entre mulheres.

14

2 OBJETIVOS
2.1 Objetivo geral
Avaliar a relação entre histórico de violência doméstica provocada pelo parceiro e
comportamento suicida em mulheres atendidas pelo SUS.
2.2 Objetivos específicos


Caracterizar o perfil sociodemográfico das mulheres avaliadas.



Avaliar se estas mulheres vivenciam ou já vivenciaram abusos.



Avaliar a dor psicológica (risco iminente de suicídio) das mulheres

estudadas.


Caracterizar a frequência de comportamento suicida entre eles a ideação

suicida passiva, ativa e tentativas de suicídio entre as mulheres e sua gravidade.


Relacionar a violência contra a mulher às variáveis sociodemográficas.



Relacionar

a

gravidade

da

dor

psicológica

às

variáveis

sociodemográficas.


Avaliar a relação da gravidade da dor psicológica ao risco de suicídio.



Avaliar a prevalência de violência entre as mulheres.

15

3 REVISÃO DE LITERATURA

Violência contra mulher e suicidalidade

No Brasil assim como nos países subdesenvolvidos e em desenvolvimento há
estimativas alarmantes quanto à violência contra mulher, diariamente mulheres em todo mundo
são expostas à violência, na maioria das vezes dentro de seus lares, seus autores são pais, filhos,
esposos, vizinhos, amigos; essas mulheres são expostas à violência de gênero, violência física,
violência moral, violência patrimonial, violência psicológica, violência sexual, violência
intrafamiliar e doméstica. (FÓRUM BRASILEIRO DE SEGURANÇA PÚBLICA, 2021).
Já no final do século passado Cassorla (1991) e Shneidman (1994) indicaram que o
comportamento suicida demonstra várias faces, ao longo do que pode denominar-se um
contínuo: a partir de pensamentos de autodestruição, na demonstração de ameaças, e através de
gestos no cotidiano que podem culminar em tentativas de suicídio. (DANTAS, 2019, p.34).
O Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMF-DH), em
parceria com a Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos (ONDH), declarou que nos
meses de fevereiro, março e abril de 2020 o número de denúncias de violência
doméstica teve um aumento de 14,12% em comparação com o mesmo período de
2019. (SOUZA e FARIAS, 2022, p.4).

Ainda segundo o Boletim de 2021 o perfil das notificações de lesões autoprovocadas foi
de pessoas brancas, do sexo feminino, com baixo grau de instrução e com idade entre 15 e 29
anos, sendo a residência o principal local de ocorrência, e o envenenamento o meio mais
empregado para a tentativa de suicídio, contudo os dados revelaram que a violência ocorrida
durante o isolamento decorrente da pandemia atinge de forma mais contundente mulheres
negras e pobres (SOUZA e FARIAS, 2022).
Através de lutas conseguiu-se progredir em direitos e defesas, porém as mulheres ainda
são mais vulneráveis à violência os dados do Fórum de Segurança corroboram, em 2021, 18
Unidades Federativas tiveram um aumento nos registros de estupros de mulheres em relação ao
ano anterior, os maiores destaques são os estados da Paraíba (11,3%), Maranhão (46,3%),
Alagoas (23,5%), Piauí (19,3%), Sergipe (19%) e Rio Grande do Norte (11%).

16

A violência doméstica contra a mulher é um fenômeno crescente em todo o mundo,
configurando-se enquanto problema de saúde pública visto que acarreta adoecimento físico e
mental, no qual se insere o suicídio. (CORREIA, 2018, p. 3). Reconhecida mundialmente como
um problema de saúde pública, a violência cometida contra a mulher geralmente ocorre na
esfera privada e o parceiro íntimo é o principal perpetrador. (LEITE et al., 2017, p.2).
Estudo realizado por Maronezi et al. (2021) no Rio Grande do Sul quanto ao perfil de
lesões autoprovocadas verificou predomínio do sexo feminino (67%), idade entre 30 e 59 anos
(46,4%), cor da pele branca (86%), ensino fundamental completo/incompleto (58,3%) e
residência em zona urbana/periurbana (89,2%), com a maioria dos episódios ocorridos na
própria residência do indivíduo (88,8%). Destacam-se os envenenamentos/intoxicações
(39,7%), enforcamentos (13,8%), uso de agentes perfurocortantes (13,6%) e armas de fogo
(2%). Vale salientar que tanto o adoecimento quanto a morte dessas mulheres interferem na
produtividade do país, tendo em vista os anos potenciais de vida perdidos, os custos com
tratamento, além do aumento na concessão de benefícios financeiros gerados à Seguridade
Social. (CORREIA, 2018, p.2).
Aguiar et al (2022) constataram alta prevalência de tentativa de suicídio, em comparação
à média nacional, e associação com idade adulta, sexo feminino, menor escolaridade, ausência
de cônjuge, diagnóstico de doenças crônicas, insônia e história familiar de suicídio. É plausível
admitir que a prevalência encontrada esteja subestimada, pois, embora o planejamento seja um
risco para tentativa, muitos casos ocorrem de forma impulsiva. A rigidez do pensamento diante
do sofrimento psíquico decorrente da violência doméstica, algumas mulheres apresentam
ideação constante de morte como a única solução para os problemas, incluindo-se recorrentes
tentativas de suicídio. (CORREIA, 2018, p.6).
Conforme O’Rourke et al, 2021 possivelmente justificada pela maior frequência de
mulheres em idade reprodutiva, que correspondem a cerca de 70% das vítimas, compondo uma
“janela de vulnerabilidade” muito relacionada a maiores exposições, pressões e cargas sociais,
quanto aos métodos de violência empregados, destacaram-se os envenenamentos/intoxicações
(39,7%), enforcamentos (13,8%), agentes perfurocortantes (13,6%) e armas de fogo (2,0%).
Essa realidade adverte para o elevado gasto público em internações e tratamentos direcionados
ao reestabelecimento da saúde das mulheres, sinalizando para a necessidade de olhares
profissionais mais atentos, sobretudo no sentido de prevenir tais situações ou mesmo identificálas precocemente. (CORREIA, 2018, p.2).
17

O estudo alerta para a violência intrafamiliar enquanto agravo relacionado ao
comportamento suicida, oferecendo elementos que auxiliam na identificação de suas
expressões, o que possibilitará atenção para o comportamento suicida e
consequentemente prevenção do suicídio. (O’ROURKEET al, 2021, p.5)

Correia et al (2019) entrevistou mulheres que tentaram suicídio entre uma e quatro
vezes, todas por envenenamentos com uso de medicamentos ou raticidas. Faixa etária entre 27
e 57 anos, a maioria era negra, apresentava baixa escolaridade e dependia total ou parcialmente
de seus parceiros. Quanto à vivência de violência intrafamiliar na infância e/ou adolescência, a
história oral das mulheres revela que essa se expressou nas formas psicológica, sexual e física,
rejeição e negligência.
Além disso, sabe-se que, em decorrência das marcas físicas e psicológicas da vivência
de violência, comumente essas mulheres são atendidas no âmbito secundário, nas emergências
dos hospitais ou na atenção primária, em unidades básicas de saúde e centros de atenção
psicossocial. (CORREIA, 2018, p.2).
A violência contra a mulher se estabelece na desigualdade de poder entre o sexo
feminino e o masculino, decorrente do sistema patriarcal, cuja estrutura de poder está
fundamentada sob a ideologia machista, prevalecendo as relações de poder que submetem as
mulheres ao domínio e ao controle dos homens, refletindo em violência contra a mulher. Os
resultados da pesquisa de Souza e Farias (2022) revelam que a violência contra as mulheres
brancas está em queda, à medida que aumenta contra as pretas e pardas.
Correia et al (2014) evidenciou que das 150 palavras evocadas por mulheres vítimas de
abuso, 31 eram diferentes, denotando a baixa dispersão em torno da representação do tema
pesquisado, ou seja, apontando para o fato de a maioria das mulheres com história de violência
doméstica e tentativa de suicídio ter a mesma representação sobre o suicídio.
O modelo de suicídio de Shneidman propõe que a psychache (ou seja, dor psicológica
intensa) é a causa psicológica preeminente da tendência suicida e medeia a influência de todos
os outros correlatos psicológicos, como depressão ou desesperança. (PEREIRA, 2010,
p.1). Para Correia (2018) enquanto algumas mulheres com histórias de tentativas de suicídio
demonstram ideias e planos constantes de morte, outras agem também de forma impulsiva,
principalmente diante situações conflitantes. Não há como prever quem cometerá suicídio, mas
é possível avaliar o risco individual que cada paciente apresenta, tendo em vista a investigação
detalhada e empática da entrevista clínica. (BERTOLOTE, BOTEGA, 2010, p.1).
18

A ambivalência independentemente da rigidez de pensamento ou impulsividade, a
urgência para sair de uma vida de violência é percebida nas falas de forma conflitante, por
pensamentos ambivalentes entre os desejos de viver e os de pôr fim à dor psíquica. Assim,
mesmo em face da exposição ao risco de morte, com a tentativa de suicídio, as mulheres não
expressam claramente o desejo de morrer, mas o de livrar-se do sofrimento a qualquer custo.
(CORREIA, 2018, p.6).
O comportamento suicida representa um foco de prevenção, haja vista que todos esses
aspectos podem fazer parte do cotidiano de atendimentos em saúde, incluindo a APS (AGUIAR
et al., 2022, p.2). Faz-se importante ainda referir sobre o pensamento contínuo ou impetuoso da
ideação suicida perante as frustrações vivenciadas no âmbito doméstico. A primeira situação,
rigidez do pensamento, caracteriza-se pela ideação constante de morte, podendo ser identificada
precocemente, a partir da investigação da reação da mulher diante das situações difíceis ou
extremas de vida, a exemplo dos conflitos conjugais. Nesses casos, a dificuldade para se pensar
em outras possibilidades de saída do sofrimento, assinalada pela rigidez do pensamento, confere
ao suicídio a única via para a resolução de problemas. (CORREIA, 2018, p.4).
Ainda assim, o controle mais efetivo dessas violências depende da
identificação da correta classificação e da notificação dos casos, de modo que, ao
caracterizar a demanda, a descrição das populações acometidas pode fornecer
instrumentos importantes para a adoção de estratégias. (MARONEZI et al., 2021).

Assim, diante da tendência de não tornar visível o problema no ambiente privado, fazse necessário que os profissionais de saúde estejam mais atentos para o fato de que a violência
traumatiza, incapacita, humilha, frustra, altera os comportamentos e deixa sequelas. (CORREIA
et al 2014, p.2)
Suicidalidade
A tentativa de suicídio caracteriza-se por fenômenos complexos e multifacetados, com
destaque na saúde pública mundial. (CORREIA et al, 2014, p.1). Segundo dados da OMS
(2019) no ano de 2016 o suicídio foi a segunda principal causa de óbito entre jovens de 15 a 29
anos, permanecendo atrás apenas dos acidentes de trânsito. (CASSINI, 2023, p.3).
A tentativa de suicídio tem as mesmas características fenomenológicas do suicídio,
diferindo deste apenas quanto ao desfecho, que não é fatal; neste sentido, deve-se diferenciá-la
de outros comportamentos autodestrutivos, nos quais não existe uma intenção de pôr fim à vida,
19

embora elementos exteriores possam ser comuns a ambos. (BERTOLOTE, BOTEGA, 2010,
p.2).
Cassini et al (2023) apontam sobre a multidimensionalidade presente, como da dor
emocional e emoções negativas relacionadas, e do suicídio se apresentar como resolução de
problema para o indivíduo. No entanto, mesmo presentificados no contexto da dinâmica social
de cada uma delas, na maioria das vezes, os familiares não encaram esse desejo expresso de
não existir como um preditor fatídico para o suicídio. (DANTAS, 2019, p. 37).
Nesse sentido, nomeia características centrais, tais como o propósito refletindo a procura
de solução; o objetivo, de parar a consciência; o estímulo, da dor psicológica intolerável; do
estresse, sendo da frustração pela falta das necessidades psicológicas; a emoção, como
desespero desesperança; do estado cognitivo, a ambivalência; do estado perceptivo, sendo a
constrição; da ação, a fuga; do ato interpessoal, a comunicação de intenção; e a consistência, de
acordo com estratégias de "cópia" mal adaptativas do passado. (CASSINI et al., 2023, p.4).
Numa emergência psiquiátrica, as principais situações clínicas associadas ao
comportamento suicida são os pacientes que apresentam grave ideação suicida e os
sobreviventes de tentativas de suicídio, que já estão com os possíveis comprometimentos
clínicos e cirúrgicos estabilizados. As três principais funções do psiquiatra, em particular, e de
todo o pessoal de saúde, no geral, em relação ao comportamento suicida, são: identificar o risco,
proteger o paciente e remover ou tratar os fatores de risco. (BERTOLOTE, BOTEGA, 2010,
p.2).

Dor Psicológica e suicidalidade

O modelo de Shneidman criado em 1987 conceitua as condições para o suicídio: 1ª)
níveis máximos de dor psicológica resultantes da frustação de necessidades básicas; 2ª) pressão
resultante de acontecimentos de vida negativos e 3ª) perturbação resultante de uma maior
restrição cognitiva (perturbação interior). Embora reconheça que nem todas as pessoas que
experienciam estas três condições irão necessariamente cometer suicídio, defende que aquelas
que o cometem se encontrarão dentro destas condições no momento do ato. ( LUÍS, 2016, p.

12). Shneidman (1993) concluiu que todos os suicídios são resultado de uma dor psicológica
intensa, chamada por ele de psychache. Para Flamenbaum (2009) esta dor pode ser caraterizada

20

como sendo uma dor aguda intensa, associada sempre a um sentimento de vergonha,
humilhação, angústia, desespero, solidão e medo.
Na área da suicidologia, o maior esforço dos estudiosos tem sido a identificação de
fatores de risco para o ato suicida, e o desenvolvimento de instrumentos de avaliação auxilia no
reconhecimento de grupos de risco, na identificação de sua gravidade e intensidade, e sua
associação com diversas variáveis. (FENSTERSEIFER; WERLANG, 2005, p.5). Há seis
componentes na progressão ao suicídio: 1) a ocorrência de várias situações de estresse ao longo
da vida e insultos psicológicos (e.g. as mudanças, as falhas pessoais); 2) a influência de outras
vulnerabilidades como os fatores genéticos e sociais; 3) a percepção da vida como sendo algo
doloroso e negativo; 4) a percepção da dor como sendo algo insuportável e inaceitável; 5)
ideação suicida como forma de terminar com essa dor, considerada como sendo a dor
psicológica; e 6) o nível da dor sentida ultrapassa o limiar da dor para conseguir tolerar
(PEREIRA apud FLAMENBAUM, 2013, p.6).
Referindo-se à dor mental Baumeister (1990) descreve-a como o resultado do
desapontamento individual quando objetivos e expetativas pessoais não são alcançados e sobre
os quais se fazem atribuições internas. Indivíduos com tendência excessiva a fazer atribuições
negativas das suas próprias falhas podem experimentar mais dor psicológica. Shneidman,
(1993) atribuía a causa desta dor à frustação de necessidades psicológicas básicas, como a
necessidade de conforto, segurança, autonomia, afiliação, de evitar a vergonha, à rutura de
relações interpessoais importantes e ainda a dificuldades em lidar com o sofrimento, com a
raiva e com a hostilidade. Também Sensky (2010), reforça esta ideia e afirma que o sofrimento
pode ter diversos significados e como tal, impactos distintos em cada pessoa. Embora estes
conceitos variem, todos remetem para uma avaliação negativa que o indivíduo faz sobre si
próprio o que provoca uma dor insuportável, sendo impossível mantê-la indefinidamente.
Definem a dor psicológica como um sentimento insustentável e desagradável, que resulta de
uma avaliação negativa sobre as capacidades pessoais face a uma perda, de algo ou de alguém,
ou face ao fracasso em alcançar objetivos relacionados com necessidades psicológicas básicas.
(LUÍS, 2016, p. 12).
Shneidman (1993, 1996, 1999) concluiu que a dor psicológica, que designou por
psychache, é a causa e condição necessária para que o suicídio possa ocorrer, de tal forma que
todos os outros estados afetivos, nomeadamente a depressão e a desesperança, também
21

variáveis importantes para o risco, só o serão quando esta dor psicológica intensa estiver
presente. Contrariando as tendências anteriores de explicação do suicídio, que enfatizavam as
perturbações mentais, especialmente a depressão e outros estados psicológicos como a
desesperança, como causa para o suicídio, Shneidman (1996) defende que a dor psicológica é
uma constante na base dos comportamentos suicidários e que por isso os atos suicidas podem
ser considerados como uma tentativa de fuga ao sofrimento intolerável sentido. Conceitualizar
o suicídio numa perspectiva funcional e não como o resultado de uma perturbação psiquiátrica.
Considera que o suicídio não é um caminho para a morte, mas sim um caminho para terminar
com o sofrimento, pelo que se a intensidade da dor diminuir os indivíduos escolherão não
morrer (Shneidman, 2001a, 2001b). (LUÍS, 2016, p. 12).

Violência contra mulher e a suicidologia

A incidência de transtornos mentais comuns foi de 44,6% entre as mulheres que
relataram violência por parceiro íntimo nos últimos 12 meses e de 43,4% entre as que relataram
violência nos últimos sete anos. Os transtornos mentais permaneceram associados à violência
psicológica (RR = 3,0; IC95% 1,9–4,7 e RR = 1,8; IC95% 1,0–3,7 nos últimos 12 meses e sete
anos, respectivamente), mesmo na ausência de violência física ou sexual. Quando a violência
psicológica foi relacionada à violência física ou sexual, o risco de transtornos mentais comuns
foi ainda maior, tanto nos últimos 12 meses (RR = 3,1; IC95% 2,1–4,7) quanto nos últimos sete
anos (RR = 2,5; IC 95% 1,7–3,8) para Mendonça e Ludemir (2017). A violência por parceiro
íntimo está associada à incidência de transtornos mentais comuns em mulheres. É essencial o
tratamento das consequências da violência por parceiro íntimo (VPI) e o apoio às mulheres na
busca de proteção para si mesmas nos serviços públicos.

Ou seja, mais de uma a cada três mulheres no mundo já foi vítima de pelo menos um
episódio desses tipos de violência, embora ainda existam muitas outras formas de violência
contra a mulher, que abrangem um amplo espectro, desde a agressão verbal e outras formas de
abuso emocional, passando pela violência física ou sexual, e que tem como expressão máxima
o feminicídio. É evidente que as estatísticas sobre violência contra a mulher no Brasil revelam
somente uma pequena fração da ocorrência das diversas formas de violência às quais as
22

mulheres são cotidianamente submetidas. Diante disto, evidencia-se a necessidade de
aprimoramento dos sistemas de informação, no sentido de se ampliar sua cobertura e melhorar
sua qualidade. (Garcia LP, 2016, p.1). Nesse contexto, as unidades de saúde constituem um
espaço privilegiado para o rastreamento dos casos de violência. Nesse ambiente, ocorre o acesso
frequente, constante e legitimado às mulheres ao longo de suas vidas. (LEITE, et al, 2017, p.3).

A violência contra a mulher é um problema de saúde pública de proporções epidêmicas
no Brasil, embora sua magnitude seja em grande parte invisível. Este problema não pode ser
tratado como se fora restrito a alguns segmentos, uma vez que permeia toda a sociedade
brasileira. A prevenção e o enfrentamento da violência contra a mulher passam necessariamente
pela redução das desigualdades de gênero e requerem o engajamento de diferentes setores da
sociedade, para se garantir que todas as mulheres e meninas tenham acesso ao direito básico de
viver sem violência. (GARCIA, 2016, p.2).
A incidência de TMC (transtorno mental) nos últimos sete anos foi maior em
mulheres com renda mensal inferior a 1 salário-mínimo. De acordo com as
características socioeconômicas e demográficas, a maioria das mulheres tinha mais de
28 anos, não era branca, vivia com companheiro e tinha cinco ou mais anos de estudo.
A maioria das mulheres também estava desempregada e recebia menos de 1 saláriomínimo. (MENDONÇA, LUDERMIR, 2017, p.4).

Além disso, o TMC aumenta com a gravidade da violência, sendo 30,6% para mulheres
vítimas apenas de violência física e 62,9% para as que sofreram todas as formas de violência.
Estimar o TMC na população ajuda a entender sua distribuição em diferentes grupos em relação
às suas diferentes características, bem como aos fatores de risco associados à sua ocorrência. O
diagnóstico fornece informações relevantes para orientar as políticas de intervenção em saúde
mental, reduzindo ou prevenindo o agravamento. (MENDONÇA, LUDERMIR, 2017, p.3).

Rastreamento de violência contra mulher na população feminina

A violência por parceiro íntimo (VPI) causa danos físicos, sexuais ou psicológicos,
incluindo agressão física, coerção sexual, abuso psicológico e comportamentos controladores.
(MENDONÇA, LUDERMIR, 2017, p.1). As mulheres podem sofrer isolamento, incapacidade
para o trabalho, perda de salários e falta de participação em atividades regulares, além de limitar
23

sua capacidade de cuidar de si e de seus filhos. (MENDONÇA, LUDERMIR, 2017, p.1). A
triagem para violência por parceiro íntimo (VPI) em serviços de saúde tem sido recomendada
por algumas organizações profissionais, embora haja informações limitadas sobre a precisão,
aceitabilidade e abrangência de diferentes métodos e instrumentos de triagem. (MACMILLAN,
et al, 2006, p.1).
O objetivo do estudo de BROWN, SCHMIDT (2000) foi avaliar a validade e
confiabilidade da Ferramenta de Triagem de Abuso Feminino (WAST) na população em geral
dentro do ambiente de prática familiar; determinar os níveis de conforto dos médicos de família
que administram o WAST, suas percepções de sua capacidade de ajudá-los a identificar
mulheres vítimas de abuso e sua vontade de continuar a usá-lo na prática; e para determinar o
autorrelato de conforto dos pacientes que responderam às perguntas do WAST por seus médicos
de família.
Na triagem para VPI, as mulheres preferiram abordagens autopreenchidas em vez de
questionamentos face a face; a triagem por computador não aumentou a prevalência; e as telas
escritas tiveram menos dados perdidos. Estas são considerações importantes para os esforços
clínicos e de pesquisa na triagem de IPV. (MACMILLAN, et al, 2006, p.1).
Na validação do estudo de Brown, Schmidt e Sas (2000) foram encontradas diferenças
significativas entre as mulheres abusadas e não abusadas nas pontuações médias gerais do
WAST (18 vs 8,8, respectivamente; P <0,001).

24

4 METODOLOGIA

4.1. Natureza do Estudo
Trata-se de estudo quantitativo, transversal e analítico.

4.2. Amostragem
A amostra estudada foi obtida por conveniência de modo consecutivo, quando
aceitavam participar do estudo, foram entrevistadas exclusivamente mulheres atendidas em
ambulatórios do Sistema Único de Saúde, ao todo foram entrevistadas 51 mulheres, 34 no
HUPAA e 17 na UBS Canafístula, entre janeiro e abril de 2023.
Não ocorreram recusas diretas à participação do estudo, porém algumas pacientes
evadiram dos locais de coleta antes de serem abordadas pelas entrevistadoras, uma paciente por
possuir deficiência intelectual não pode participar pois não tinha entendimento suficiente, duas
pacientes que participaram nunca estiveram em um relacionamento amoroso, portanto essas
mulheres não responderam o WAST. O cálculo amostral foi feito através da calculadora
eletrônica: https://www.qualtrics.com/blog/calculating-sample-size/, sendo para o HUPAA 132
o N considerando o intervalo de confiança de 95% e margem de erro de 5%; não foi possível
dimensionar a quantidade de mulheres com idade superior a 18 anos atendidas na UBS, devido
a variação de perfil de atendimentos a cada dia.

4.3. Local
As entrevistas ocorreram no Hospital Universitário Prof. Alberto Antunes
(HUPAA/UFAL) em Maceió, capital do estado de Alagoas no ambulatório de Psiquiatria Geral
e na Unidade Básica de Saúde (UBS) Canafìstula, localizada em Arapiraca, interior de Alagoas,
ambas unidades escola em que os pesquisadores realizavam suas atividades acadêmicas e
assistenciais.
O HUPAA/UFAL – é o único hospital universitário do estado de Alagoas, sendo
referência ao município de Maceió e ao estado de Alagoas para a especialidade de Psiquiatria
entre outras, sendo também o hospital escola da graduação de pós graduação da UFAL.
A UBS Canafístula– é uma das unidades de saúde que compõem a Atenção Primária à
Saúde do município de Arapiraca, possuindo 04 equipes de saúde da família e sendo unidade
escola, umas das unidades sede da Residência em Medicina de Família e Comunidade
25

vinculadas ao programa de residência do HUPAA e sendo sede de estágio para graduação em
Medicina da UFAL.

4.4. Aspectos Éticos e legais
A presente pesquisa fez parte de um projeto maior aprovado pelo Comitê de Ética em
Pesquisa da Universidade Federal de Alagoas, com o parecer número 4.696.966, respeitandose as orientações do Conselho Nacional de Saúde de acordo com os termos da Resolução 466/12
e Resolução 510/2016. Para tanto as coordenações das unidades de saúde envolvidas neste
estudo formalmente autorizaram sua execução e as participantes da pesquisa assinaram o Termo
de Consentimento Livre e Esclarecido após o convite e explicação sobre a pesquisa. As
entrevistas ocorreram em ambiente privativo, silencioso e calmo. Os dados quando divulgados
cientificamente não identificam as participantes e suas identidades estão mantidas em sigilo.

4.5. Critérios de inclusão

4.5.1. Ser mulher biologicamente ou possuir identidade de gênero feminina;

4.5.2. Ter 18 anos de idade ou mais;

4.5.3. Ser paciente do Ambulatório de Psiquiatria do HUPAA, Maceió-AL; ou da UBS
Canafístula, Arapiraca-AL;

4.5.4. Possuir capacidade cognitiva, intelectual e física para responder as questões sem auxílio;

4.5.5. Estar envolvida em um relacionamento estável hetero ou homoafetivo ou já ter estado em
algum momento da vida, critério exclusivo para responder o instrumento WAST;

4.6. Critérios de exclusão

4.6.1. Déficit intelectual significativa que claramente impede o entendimento das perguntas
realizadas na entrevista.

4.7. Instrumentos de coleta
26

Foram

utilizados

o

Questionário

Sociodemográfico,

o

Mini

International

Neuropsychiatric Interview Brazilian version 5.0.0 (MINI 5), a Escala de Dor Psicológica e o
Questionário de rastreamento de violência doméstica (WAST).

4.7.1. Questionário sociodemográfico e clínico preparado para a pesquisa criado pelos
pesquisadores, agrega dados de identificação, idade, renda familiar em reais (considerando o
valor atualizado de salário-mínimo segundo a medida Provisória 1172/23 que reajustou
o salário-mínimo para R$ 1.320 a partir de 1º de maio de 2023), atividade laboral (ativa ou
inativa), procedência (interior ou capital do estado de Alagoas e outro estado), escolaridade em
anos, possuir ou não filhos e a quantidade no caso de possuir, possuir ou não parceiro (anexo
2).

4.7.2. Mini International Neuropsychiatric Interview Brazilian version 5.0.0 (MINI 5): Sheehan
DV & Lecrubier Y. traduzida por Amorim P. (2002) é uma entrevista diagnóstica padronizada
acerca de transtornos psiquiátricos, o módulo C: Risco de Suicídio utilizado neste estudo é
composto por 06 perguntas criado para graduar o risco atual de suicídio; permite investigar
ideação suicida passiva, ativa, tentativa ao longo da vida, além de intenção, planejamento de
métodos e acesso a meios, a resposta positiva para o quesito história pessoal de tentativa de
suicídio anterior, representa risco de suicídio pelo instrumento, ainda que no momento negue
quaisquer outras atitudes ou mesmo ideação atual, podendo variar de 0 a 33 pontos; entre 1 e 5
o risco é baixo, entre 6 e 9 o risco é moderado e maior ou igual a 10 o risco é alto (anexo 3).

4.7.3. Escala de dor psicológica - Psychache Scale (PAS): Esta escala composta por 13 itens,
tipo likert, tem por objetivo avaliar a frequência e intensidade da dor psicológica (sofrimento
mental), podendo variar de 13 a 65; Campos e Holden (2020) conceituaram 30 como ponto de
corte para risco de suicídio, quanto maiores os escores, maior o nível de dor, por exemplo,
“Parece que dói por dentro” os itens são respondidos em classificações de 5 pontos a 1 ponto
(nunca ou discordo totalmente) a 5 (sempre ou concordo totalmente). A validade da pontuação
da escala foi indicada por correlações com medidas de ideação suicida (r = 0,65), tentativas de
suicídio (r = 0,45), probabilidade de cometer suicídio no futuro (r = 0,33) e automutilação (r =
0,50) Holden, Campos, Lambert, 2020, (anexo 4).

27

4.7.4. WAST (Woman Abuse Screening Tool): o grupo de doutorado em medicina de família
do qual Brown e Schmidt (2000) fazem parte buscou avaliar a validade e confiabilidade do
WAST na população em geral no contexto do ambiente de prática familiar, contém 8 perguntas
do tipo likert que varia de 1 a 3 determinando uma pontuação global de 8 a 24 pontos, com
ponto de corte de 13 para indicar presença de abuso, suas questões versam sobre quão
complicado é o relacionamento, como ocorre o diálogo entre a mulher e seu parceiro, se ela
sente-se mal após discussões, se tem medo do parceiro, se já sofreu violência física ou
psicológica e se já foi sexualmente abusada, através do mesmo pode ser indicado se ela sofreu
ou sofre violência e se a mesma é física, psicológica, verbal ou sexual (anexo 5).

4.8. Procedimentos e Análise Estatística
Após a autorização do Comitê de Ética em Pesquisa, com consentimento dos
estabelecimentos de saúde conforme parecer, foi iniciado o planejamento da coleta de dados,
as pacientes foram convidadas a participar do estudo durante a consulta psiquiátrica no HUPAA
e com médico de família na UBS Canafístula, uma pesquisadora se identificou explicou a
relevância e os aspectos éticos, com a permissão as pacientes assinaram o Termo de
consentimento livre e esclarecido (TCLE) e responderam as questões apresentadas, a entrevista
ocorreu em sala a parte só estavam no local a pesquisadora (entrevistadora) e a paciente
(entrevistada), os dados foram tabulados no EXCEL, posteriormente foram analisados através
do SPSS versão 29. Primeiro realizou-se uma análise descritiva da amostra, apresentando
resultados absolutos e percentuais, médias, medianas e desvios-padrão, em seguida, o teste de
Kolmogorov-Sminorv foi aplicado para determinar o tipo de distribuição das variáveis
dependentes contínuas da amostra.
Os escores da WAST e da PAS apresentaram distribuição não normal e foram analisadas a
partir de testes não paramétricos, como teste de Mann-Whitney e Correlação de Spearman,
valores entre 0 e 0,3 (ou 0 e 0,3) são diminutos; entre 0,31 e 0,5 (ou -0,31 e -0,5) são correlações
fracas; entre 0,51 e 0,7 (ou -0,51 e -0,7) são moderadas; entre 0,71 e 0,9 (ou -0,71 e 0,9) são
correlações fortes; e > 0,9 (ou < -0,9) são consideradas muito fortes (MUKATA, 2012, p.3).
Os testes Qui-quadrado e o teste Exato de Fisher foram empregados para comparar grupos
envolvendo variáveis dicotômicas, sendo o teste Exato de Fisher escolhido quando uma das
variáveis apresentavam menos de 5 respostas no teste. Foi estabelecido o nível de significância
estatística em p < 0,05, com intervalo de confiança de 95%.
28

4.9. Produtos
Esta dissertação será apresentada à banca de mestrado e o artigo fruto dela será enviado
para publicação em revista e eventos científicos de saúde, podendo inclusive subsidiar
capacitação de funcionários.

29

5 RESULTADOS

Foram incluídas na análise 51 mulheres, sendo 33 (65%) procedentes da capital e 18
(35%) procedentes do interior do estado de Alagoas, 40 (78,4%) eram não brancas e 11 (21,6%)
brancas, a média de idade das mulheres foi 53,31 anos, variando de 18 a 85 anos, sendo 2 (4,6%)
mulheres na faixa etária entre 18 e 24 anos, 2 (4,6%) entre 25 e 34 anos, 8 (18,7%) entre 35 e
44 anos, 9 (21%) entre 45 e 54 anos, 14 (32,5%) entre 55 e 64 anos, 6 (14%) entre 65 e 74 anos
e 2 (4,6%) entre 75 e 84 anos de idade; com em média 8,22 anos de estudos, correspondente ao
ensino fundamental incompleto, o menor tempo de estudo foi de 0 e o maior 21 anos (pósgraduação completa), 10 mulheres (19,6%) analfabetas, 15 (29,5%) com escolaridade entre 1 e
8 anos, dezesseis (31,3%) entre 9 e 12 anos de escolaridade e 10 (19,6%) com escolaridade
superior a 12 anos.
Tabela 1 – Distribuição e análise de associação dos dados demográficos das mulheres estudadas de acordo com a
história de violência por pareceiro íntimo (escala WAST, ponto de corte 13).
Variáveis
Total
Sofreu
Não Sofreu
Análise Estatística
Violência
Violência
N (%)

N (%)

N (%)

X2
(p-valor)

Odds ratio
(IC: 95%)

11 (21,6)
40 (78,4)

8(33)
16(67)

1(4)
24(96)

7,0 (0,01)

12,0 (1,4-105,4)

24 (49)
25 (51)

13 (54)
11 (46)

11(44)
14(56)

0,5 (0,48)

1,5 (0,5-4,6)

12 (25)
37 (75)

8 (33)
16 (67)

4 (16)
21 (84)

1,99 (0,19)

0,38 (0,1-1,5)

26 (53)
23 (47)
0 (0)

9 (38)
15 (62)
0 (0)

17 (68)
8 (32)
0 (0)

4,6 (0,03)

0,28 (0,09-0,92)

45 (88)
6 (12)
Mediana (Q1-Q3)
57 (44-64)

23 (95,8)
1 (4,2)

21 (84,0)
4 (16,0)

1,87 (0,35)

4,38 (0,45-42,39)

57 (50–62)

53,5 (3964)

Escolaridade, em anos

9 (3-12)

9 (4-15)

4,5 (2-12)

379,5 (0,11)

Renda familiar, em reais

1.400 (940-2.550)

1500 (6703100)

1320(12001975)

182,5 (0,43)

Etnia
- Branca
- Não branca
Estado civil
- Com companheiro
- Sem companheiro
Situação ocupacional
- Ativo
- Inativo
Procedência
- Interior
- Capital
- Outro estado
Filhos
- Com filhos
- Sem filhos
Idade, em anos

Mann-Whitney (p-valor)
324,5 (0,62)

30

A maioria era inativa laboralmente 39 (76,5%), 12 (23,5%) trabalhavam fora de casa,
apenas 6 (12%) não possuíam filhos, a maioria possuía filhos 45 (88%) sendo o número de
filhos em média 2,9; duas mulheres (4,5%) tinham apenas 1 filho, 21(46,5%) 2 filhos, onze
mulheres (24,5%) possuíam 3 filhos, 5 (11%) possuíam 4 filhos e 6 mulheres (13,5%) possuíam
5 filhos ou mais; desses, 9% necessitavam de cuidados especiais.
A renda familiar era em média de R$ 2.086,05 reais, sendo assim, dezessete mulheres
(46%) tinham renda menor que um salário-mínimo, dezessete (46%) renda mensal entre 1 e 3
salários-mínimos, 1 (3%) possuía salário entre 4 e 5 salários-mínimos e 2 (5%) possuíam mais
que 5 salários-mínimos de renda mensal; 27 (52,9%) não tinham companheiro, 24 (47,1%)
relataram ter companheiro, a descrição dos dados sociodemográficos consta na tabela 1.
Vinte e quatro (49%) apresentaram rastreamento positivo para violência por parceiro
íntimo, 11 (46%) não tinham companheiro e 13 (54%) possuíam; sendo destas 15 provenientes
da capital e 09 do interior (X2: 4,573 e p 0,032; razão de chance 1,81, IC95%: 0,9-3,3), ser da
capital representou nesta amostra maior risco para sofrer violência, 16 (66,6%) eram não
brancas e 8 (33,4%) brancas (p 0,01) representando um risco 12 vezes maior de sofrer violência
quando se era branca, na amostra investigada; 11 (46%) não possuíam companheiro e 13 (54%)
possuíam companheiro, apenas uma não teve filho; a escolaridade em anos foi de 9,6 anos o
que corresponde ao ensino médio incompleto, 8 (33,4%) ativas economicamente e 16 (66,6%)
inativas, a média de renda em reais foi R$ 2.473,30; 15 (62%) procedentes da capital e 9 (38%)
do interior.
Vinte e cinco mulheres não sofreram violência pelo escore do WAST, destas 14 sem
companheiro e 11 com companheiro; a média do WAST foi 13,8 desvio padrão (4,301), mínimo
8 e máximo 23; em relação a todas as mulheres entrevistadas, 21 (43%) têm medo do parceiro,
27 (55%) sofreram agressões físicas, 28 (57%) sofreram abuso emocional (humilhação e
agressão verbal) e 13 (26,5%) foram estupradas; 24 (49%) apresentaram rastreamento positivo
para abuso segundo o escore total do WAST (maior ou igual a 13), destas, 17 (71%) tinham
medo de seus parceiros, 23 (96%) sofreram abuso emocional, 23 (96%) sofreram agressões
físicas e 13 (54%) sofreram violência sexual.
Foi observado portanto entre as pacientes entrevistadas, maior prevalência de mulheres
não brancas (78,4%), a maioria com idade entre 55 e 64 anos, sem companheiro (52,9%) WAST
(Woman Abuse Screening Tool) média 13,80 (mínimo 8 e máximo 23), com nove a doze anos
de estudo (ensino médio completo ou incompleto); a maioria possuía filhos e sua renda variou
de um a três salários mínimos; a maioria 76,5% laboralmente inativa (ver tabela 1).
31

A tabela 2 apresenta uma análise inferencial sobre a relação entre os diferentes aspectos
do comportamento suicida de acordo com a presença ou ausência de violência doméstica pelo
parceiro íntimo de acordo com o ponto de corte de 13 da WAST. De acordo com essa divisão,
as mulheres que pontuaram mais de 13 pontos na WAST não apresentaram diferenças
significativas entre os diferentes aspectos do comportamento suicida (tais como ideação
passiva, ativa, ideia de autoagressão, seleção de método, tentativa recente ou tentativa ao longo
da vida e ter) daquelas que não vivenciaram violência doméstica por parceiro íntimo ao longo
da vida.

Tabela 2 - Análise de associação entre comportamento suicida nos últimos 30 dias e história de violência íntima
por parceiro (WAST, ponto de corte= 13) entre mulheres entrevistadas.
Comportamento
Sofreu
Não Sofreu
Suicida

Violência

Violência

N (%)

N (%)

Ideação Passiva
Sim

10 (55)

7 (30)

Não

8 (45)

16 (70)

Ideação Ativa
Sim

4 (22)

5 (22)

Não

14 (78)

18 (78)

Ideia de Autoagressão
Sim

6 (33)

7 (30)

Não

12 (67)

16 (70)

Seleção de Método
Sim

5 (28)

4 (17)

Não

13 (72)

19 (83)

Tentativa < 1 mês
Sim

0 (0)

1 (4)

Não

18 (100)

22 (96)

Tentativa ao longo da

X2 (p valor)

Odds ratio (IC-95%)

2,62 (0,10)

2,86 (0,8-10,34)

0,001(1,0)

1,03 (0,23-4,56)

0,4 (0,84)

1,14 (0,3-4,29)

0,64 (0,47)

1,83 (0,41-8,12)

0,80 (1,0)

0,55 (0,42-0,73)

0,25 (0,61)

1,42 (0,37-5,47)

vida
Sim

6 (33)

6 (26)

Não

12 (67)

17 (74)

Não houve relação entre a história positiva de violência pelo parceiro e a presença de
risco de suicídio clinicamente relevante pelo MINI 5.0. (X2:0,039 e p: 0,843).

32

Analisando cada item do WAST para todas as entrevistadas: o tipo de relacionamento,
11 (22,5%) não referiam problemas e 38 (77,5%) possuíam relacionamentos problemáticos;
qualidade de diálogo, 13 (25,5%) não tinham dificuldades no diálogo e 36 (70,6%) possuíam
dificuldades em conversar sobre temas pertinentes à relação ou assuntos complicados; se as
discussões terminam mal 12 (23,5%) negaram e 37 (72,5%) afirmaram que sim, às vezes ou
sempre, ver na tabela a seguir.
Tabela 3 – Análise de associação entre história de violência íntima por parceiro (wast, ponto de corte 13) e risco
iminente de suicídio de acordo com gravidade da dor psicológica (PAS, ponto de corte 30).
Itens do WAST

Com Risco
Iminente de
Suicídio
N (%)

Sem Risco
Iminente de
Suicídio
N (%)

X2 (p-valor)

Odds Ratio
(IC:95%)

4 (15)
22 (85)

7 (30)
16 (70)

1,59 (0,30)

2,40 (0,60-9,63)

4 (15)
22 (85)

9 (40)
14 (60)

3,53 (0,10)

3,53 (0,91-3,71)

5 (19)
21 (81)

7 (30)
16 (70)

0,83 (0,36)

1,83 (0,49-6,87)

15 (57)
11 (43)

17 (74)
6 (26)

1,42 (0,23)

2,08 (0,62-6,98)

12 (46)
14 (54)

15 (65)
8 (35)

1,79 (0,18)

2,19 (0,69-6,93)

18 (70)
8 (30)

19 (82)
4 (18)

1,18 (0,33)

2,11 (0,54-8,24)

10 (38)
16 (62)

11 (48)
12 (52)

0,44 (0,51)

1,47 (0,47-4,57)

20 (77)
6 (23)

17 (74)
6 (26)

0,06 (0,81)

0,85 (0,23-3,13)

Tipo de Relacionamento
- Sem problemas
- Com problemas
Qualidade do Diálogo
- Sem dificuldade
- Com dificuldade
Discussões Terminam Mal
- Nunca
- Às vezes/sempre
Agressões Pós-discussão
- Nunca
- Às vezes/sempre
Medo do Parceiro
- Nunca
- Às vezes/sempre
Agressão Física
- Nunca
- Às vezes/sempre
Abuso Emocional
- Nunca
- Às vezes/sempre
Abuso Sexual
- Nunca
- Às vezes/sempre

Sobre as agressões físicas após discussão 32 (62,7%) negaram ter sofrido e 17 (33,3%)
referiram já ter sofrido às vezes ou sempre; no quesito possuir medo do parceiro 27 (52,9%)
negaram, enquanto 22 (43,1%) referiram possuir medo às vezes ou sempre 22; 10 (20%)
sofreram abusos físicas e 39 (80%) não sofreram; 21 (43%) não sofreram abuso emocional e
28 (57%) sofreram; por fim sobre abuso sexual 37 (75,5%) negaram estupro e 12 (24,5%)
foram estupradas, ver na tabela 3.
Em relação à dor psicológica mensurada pela escala PAS, a média foi 35,27 (±16,65),
mínimo 13 e máximo 64, mediana 30; 24 mulheres (47%) apresentaram pontuação inferior a
33

30 na PAS sem risco de suicídio iminente, enquanto 27 mulheres (53%) apresentaram
pontuação acima de 30 (com risco de suicídio iminente); dessas, 21 eram não brancas e 6
brancas, tabela 4.
Tabela 4 – Distribuição e análise de associação dos dados demográficos das mulheres estudadas de acordo com
o risco iminente de suicídio determinado pela gravidade da dor psicológica (PAS, ponto de corte 30).
Variáveis
Total
Com Risco Sem Risco
Iminente
Iminente
de
de Suicídio
Suicídio
Análise Estatística
N (%)
N (%)
N (%)
X2
Odds ratio
(p-valor)
(IC: 95%)
Etnia
- Branca
11 (21)
6 (22)
5 (21)
0,14 (0,90)
1,09 (0,28-4,14)
- Não branca
40 (79)
21 (78)
19 (79)
Estado civil
- Com companheiro
24 (47)
13 (48)
11 (46)
0,03 (0,87)
1,10 (0,36-3,30)
- Sem companheiro
27 (53)
14 (52)
13 (54)
Situação ocupacional
- Ativo
12 (24)
5 (19)
7 (29)
0,80 (0,37)
1,81 (0,49-6,72)
- Inativo
39 (76)
22 (81)
17 (71)
Procedência
- Interior
27 (53)
12 (44)
15 (62)
1,66 (0,20)
0,48 (0,15-1,47)
- Capital
24 (47)
15 (56)
9(38)
- Outro estado
0 (0)
Filhos
- Com filhos
45 (88)
26 (96,3)
19 (79,2)
3,59 (0,09)
6,84 (0,74-63,4)
- Sem filhos
6 (12)
1 (3,7)
5 (20,8)
Mediana (Q1-Q3)
Mann-Whitney (p-valor)
57 (44-64)
51 (37-60) 59 (45-65)
260,5 (0,23)
Idade, em anos
Escolaridade, em anos

9 (3-12)

7 (4-12)

12 (1-15)

283 (0,43)

Renda familiar, em reais

1.400 (940-2.550)

1200
(12002400)

2050
(12753300)

105 (0,05)

Na avaliação da Dor Psicológica: 53% apresentaram dor psicológica significativa
indicando risco de suicídio iminente.
Entre as mulheres com risco clínico e risco de suicídio iminente 5 eram ativas e 22
inativas economicamente, entre as mulheres sem risco iminente de suicídio (PAS ≤ 30) 07 eram
ativas e 17 inativas.
Houve significância entre já ter tentado suicídio ao longo da vida e possuir risco de
suicídio iminente (dor psicológica significativa); PAS ≥ 30, 10 mulheres; (PAS<30) 2 mulheres
(X2: 5,11 e p 0,024, razão de chance 6,071; IC95%: 1,13-32,41). Houve também significância
34

estatística a respeito da correlação do risco clínico de suicídio e da Escala de Dor psicológica
(risco de suicídio iminente. Podemos perceber na tabela 5 que as mulheres com elevado grau
de dor psicológica apresentaram um risco quase 12 vezes maior de terem relatado pensamentos
sobre morte ou desejo de estar morta nos últimos 30 dias.

Tabela 5 - Análise de associação entre comportamento suicida nos últimos 30 dias e risco iminente de suicídio de
acordo com a gravidade da dor psicológica (PAS, ponto de corte= 30) entre 43 respostas.
Comportamento
Com Risco
Sem Risco
Suicida

Iminente de

Iminente de

Suicídio

Suicídio

N (%)

N (%)

Ideação Passiva
Sim
Não
Ideação Ativa

15 (62)
9 (38)

2 (10)
17 (90)

Sim

7 (30)

2 (10)

Não

17 (70)

17 (90)

Ideia de Autoagressão
Sim

11 (46)

2 (10)

Não

13 (54)

17 (90)

Seleção de Método
Sim

8 (33)

1 (5)

Não

16 (67)

18 (95)

Tentativa < 1 mês
Sim

0 (0)

1 (5)

Não

24 (100)

18 (95)

Tentativa ao longo da

X2 (p valor)

Odds ratio (IC-95%)

11,98 (<0,001)

14,17 (2,63-76,18)

2,23 (0,26)

3,5 (0,63-19,34)

6,27 (0,01)

7,19 (1,35-38,24)

5,05 (0,05)

9 (1,01-80,03)

1,29 (0,44)

0,43 (0,30-0,61)

5,11 (0,04)

6,07 (1,14-32,41)

vida
Sim

10 (42)

2 (10)

Não

14 (58)

17 (90)

Assim, como é notável que mulheres com elevada dor psicológica à entrevista
apresentaram um risco 6,3 vezes maior de terem pensado em autoagressão no último mês, um
risco 5 vezes maior de terem pensado num método para se matarem, bem como um risco 5
vezes maior de terem referido alguma tentativa de suicídio ao longo da vida, tabela 5.
Na análise do grau de suicidalidade e risco de suicídio iminente: oito mulheres não
tinham risco, cinco baixo risco, três risco moderado e oito risco alto; enquanto entre as que não
tinham risco de suicídio iminente uma sem risco, um risco baixo, uma apresentou risco
35

moderado e um alto risco. (X2:11,35; p 0,010), houve significância estatística entre o risco de
suicídio iminente e o grau de suicidalidade dos instrumentos utilizados, dados descritos na
tabela 5.
Risco clinicamente significativo (moderado/ alto) e risco de suicídio iminente (avaliado
pelo escore de dor psicológica); 13 mulheres com 30 pontos ou mais na escala de dor
psicológica, apresentaram risco baixou ou ausente de suicídio (investigado pela MINI 5.0.) e
11 apresentaram risco moderado ou alto, ou seja, clinicamente significativo. Comparando o
grupo com pontuação igual ou superior a 30 pontos na escala de dor psicológica, com o grupo
com escore menor que 30, observou-se que havia uma maior ocorrência de casos de risco de
suicídio clinicamente significativo, avaliados pela MINI 5.0, no grupo com maiores escores de
dor psicológica (X2:6,26 e p 0,012; razão de chance: 7,192; IC95%: 1,35-38,23), ver na tabela
5.
Quanto à análise do módulo de suicidalidade do MINI 5.0, relacionando aos dados de
violência; das que apresentaram ideação de autoagressão no último mês 6 já sofreram violência,
porém 7 entre as que não sofreram violência também apresentaram ideação, não havendo
portanto nesta análise relação estatística (X2: 0,039 e p 0,843); 11 com pontuação acima de 30
no PAS e 02 com pontuação abaixo de 30 (X2: 6,26, p 0,01; razão de chance= 7,19; IC: 1,3538,23), ou seja, a presença de dor psicológica elevada representou risco de aproximadamente 7
vezes maior de pensar em se autoagredir. Já quanto à ideação suicida ativa no último mês, não
houve relação com história de violência doméstica pelo parceiro (X 2: 0,001, p 0,970), tabela 5.
Trinta mulheres (67%) sem risco ou baixo risco, 13 (29%) de risco moderado a alto;
como era de se esperar, mulheres com risco iminente de suicídio apresentavam 14 vezes mais
chances de serem classificadas com risco de suicídio clínico moderado a grave pela MINI 5.0.
Entre as mulheres com risco iminente de suicídio de acordo com os escores da PAS, 15
apresentaram risco de suicídio moderado a grave de acordo através do escore do módulo de
suicidalidade do MINI 5.0 (X2: 11,98; p<0,001; razão de chance: 14,16; IC 95% 2,63-76,17),
(ver tabela 5).
Na tabela abaixo (6) pode-se notar a descrição das correlações das variáveis conforme
a correlação de Spearman, houve correlação diretamente proporcional fraca entre o Número de
filhos e Idade, Renda e Escolaridade, houve correlação moderada entre a PAS e a MINI 5.0.;
inversalmente proporcional entre a escolaridade e o número de filhos e a idade e renda familiar
das mulheres. Apesar de fraca, a análise dicotômica por Spearman demonstrou correlação entre
36

ter histórico de abuso por parceiro e possuir ideação suicida, esta relação pode não ter ficado
evidente na análise de Qui quadrado devido ao N da amostra.
Os dados indicam que no geral a linguagem do WAST foi de fácil compreensão entre
as pacientes, as perguntas foram respondidas de forma rápida e objetiva. Duas mulheres
negaram ter se envolvido em algum relacionamento íntimo duradouro ao longo da vida,
portanto não responderam ao WAST.

Tabela 6 - Coeficiente de correlação de Spearman segundo as variáveis: idade, número de filhos, escolaridade,
renda familiar total, número de tentativas de suicídio, grau de suicidalidade(mini), grau de dor psicológica (pas) e
rastreamento de violência (wast).
Variável
Idade
Filhos
Esco.
Renda
MINI
PAS
WAST
Idade
Filhos
Esco.

1

0,34*

-0,23

0,17

-0,21

-0,24

0,08

1

-0,46**

0,02

0,09

0,11

0,03

1

0,37*

0,07

-0,19

0,20

1

0,02

-0,286

0,17

1

0,65**

0,30*

1

0,25

Renda
MINI
PAS

1
WAST
(*) a correlação é significativa no nível 0,05 (2 extremidades); (**) a correlação é significativa no nível 0,01 (2
extremidades).

Os questionários apesar de no construto geral apresentarem muitas questões,
separadamente são suscintos e foram de compreensão razoável dentro da população estudada,
as pacientes se sentiram a vontade para responder os questionamentos ainda que suscitassem
questões e lembranças difíceis de suas vidas.

37

6 DISCUSSÃO

O presente estudo entrevistou em sua maioria mulheres não brancas, a maioria
proveniente da capital do estado, a maioria economicamente inativa e, portanto, dependente de
seus parceiros ou programas sociais, porém essas características podem diferir quanto as regiões
do país.

Rastreamento da violência contra a mulher
O nosso estudo identificou que 24 mulheres, representando 49% da amostra sofreram
algum tipo de violência por parceiro íntimo dessas, 11 (46%) não tinham companheiro e 13
(54%) possuíam; sendo destas 15 provenientes da capital e 09 do interior (p 0,032) razão de
chance 1,81, ou seja, ser da capital representou nesta amostra uma tendência aproximada duas
vezes maior de relatar abuso, o que corrobora os demais estudos e estatísticas que demonstram
que as zonas urbanas por diversos fatores incluindo a desigualdade social e o desemprego
concentram áreas de violência; porém no nosso estudo isto pode decorrer também do fato das
mulheres da capital realizarem seguimento ambulatorial na psiquiatria.
Neste sentido Correia (2018) observou sinais de comportamento depressivo, tais como
labilidade emocional e baixa autoestima, foram evidenciados nas mulheres com história de
violência doméstica e tentativa de suicídio. Vários estudos e boletins de saúde já comprovaram
que entre as mulheres há maior prevalência de transtornos psiquiátricos que têm influência de
fatores hereditário, histórico de violência durante a infância e abusos domésticos; há muitos
fatores envolvidos nas tentativas de suicídio, se formos pensar nos apontamentos de estudiosos
da área há o sentimento de não pertencimento, a destruição da autoimagem, humilhações entre
outras violências que são características de mulheres que sofrem abuso são preponderantes para
que haja ideação suicida.( DE OLIVEIRA, DE SOUSA, 2023).
Apesar disso, são poucas as pesquisas sobre a violência contra a mulher desenvolvidas
na Região Nordeste; e reconhecendo-se que há significativas variações regionais nas taxas de
homicídios femininos e que os fatores sociais, econômicos e culturais influenciam a violência
no período estudado por Barros (2012), foram registradas 32.308 notificações de violência
contra a mulher, com predomínio na faixa etária de maiores de 20 anos (70,8%), negras/pardas
(81,6%) e não casadas (73,3%). A maioria residia em zona urbana (87,9%), onde também
ocorreu a maior parte das ocorrências (86,7%). A violência mais notificada foi do tipo física
(73%), por meio de força corporal (58,4%); a violência aconteceu no domicílio (67,8%), tendo
38

como agressores parceiro/ex-parceiro (48,9 %). Algumas mulheres apresentaram reincidência
de violência (4,6%).
No entanto o presente estudo identificou que mulheres brancas relataram abusos 12
vezes mais que as mulheres negras, isso pode evidenciar que as mulheres brancas tem mais
oportunidade para relatar abusos e esclarecimento sobre a violência doméstica, tendo menos
vergonha para relatarem histórico de violência ao serem indagadas sobe o assunto;
culturalmente há grupos e indivíduos que naturalizam violências contra a mulher como sendo
parte dos atributos de esposa, ao longo dos anos as lutas femininas desmistificaram padrões e
estabeleceram leis mais rígidas contra a violência.
Ao analisar cada item do instrumento WAST em relação a todas as mulheres
entrevistadas, 43% têm medo do parceiro, 55% sofreram agressões físicas, 57% sofreram abuso
emocional (humilhação e agressão verbal) e 26,5% foram estupradas; 49% apresentaram
rastreamento positivo para abuso segundo o escore total do WAST (maior ou igual a 13), destas,
71% tinham medo de seus parceiros, 96%, sofreram abuso emocional, 96% sofreram agressões
físicas e 54% sofreram violência sexual, estas estatísticas referem-se a amostra inteira e
demonstram que ainda que o escore mínimo para rastreio de violência tenha sido alcançado por
pouco menos de metade da amostra os números da violência são elevados; 43% das mulheres
vivenciavam relacionamentos complicados, onde havia dificuldade de diálogo e diferentes
formas de violação; mesmo as que não atingiram o ponto de corte para violência, apresentaram
altas prevalências de abuso.
Para Leite (2017) a violência psicológica foi a mais frequente, com prevalência de
25,3% seguida da violência física 9,9%; a violência sexual apresentou a menor prevalência
5,7%. Para violência física a idade, escolaridade e estado civil associaram-se significativamente
à violência física no modelo ajustado. Mulheres mais velhas (40 a 59 anos) sofreram menos
violência física em relação às de 20 a 29 anos, enquanto maior prevalência de vitimização por
violência física ocorreu, em média, em mulheres com menor escolaridade que se declararam
divorciadas ou separadas ou cuja mãe era a vítima da violência.
Em nosso estudo não foram identificadas relações estatisticamente significativas quanto
aos resultados obtidos através do WAST e as variáveis sociodemográficas, porém os resultados
indicaram valores elevados, indicando alta prevalência de violência na amostra. Mulheres que
vivenciavam relacionamentos problemáticos estiveram mais propensas a relatar histórico de
abuso do que as que tinham relacionamentos não problemáticos. Observou-se ainda
39

significância estatística entre o medo do parceiro e o maior risco de ideação suicida as mulheres
com medo apresentaram risco aumentado em cerca de 11 vezes para comportamento suicida.
Plazaola-Castano, Ruiz-Perez, Hernandez-Torres (2008) identificaram de acordo com a
versão curta do WAST, 7,4% das mulheres relataram muito estresse no relacionamento com o
parceiro e 41,3% algum estresse, 6,9% da amostra afirmou ter muita dificuldade em resolver as
discussões com o parceiro e 34,6% alguma dificuldade. Assim, de acordo com o primeiro
critério de pontuação, foram identificadas 132 mulheres (33,8%) que testaram positivo para
violência contra a mulher por parceiro íntimo; de acordo com o segundo critério, 39 mulheres
(10%) testaram positivo.
Não obstante, as informações aqui expostas ressaltam a importância de identificar e
abordar a violência contra a mulher nos relacionamentos íntimos, considerando os diferentes
aspectos sociodemográficos e os efeitos negativos na saúde mental das vítimas, a Anvisa
destaca o alto número de suicídios em serviços de saúde, especialmente entre pacientes que
receberam atendimento na atenção primária, mas cujas questões de saúde mental não foram
identificadas durante o atendimento, a capacitação dos profissionais dos serviços de saúde e
principalmente da APS é necessária, a equipe têm que se ater a isso pois fatores individuais e
culturais podem dificultar a abertura das mulheres a relatarem seus históricos, além disso de
muitas vítimas de abuso não se sentem a vontade para partilhar suas histórias. (LEITE, 2017;
BROWN E SCHMIDT, 2000; CASSINI, 2023).

Dor psicológica, suicidalidade e o histórico de violência por parceiro

Este estudo avaliou fatores importantes no comportamento suicida entre as mulheres,
da violência doméstica por parte de parceiro íntimo e a análise da dor psicológica através de
duas escalas a PAS que determina o grau de dor psicológica (o risco de suicídio iminente já que
pacientes com dor apresentam risco substancial) e o Módulo de Suicidalidade do MINI 5.0 que
avalia o risco de suicídio clínico; a utilização de tais variáveis e análises não está presente em
outros trabalhos da literatura o que torna este um estudo inédito, todavia podem ser
estabelecidos paralelos através das considerações feitas das diversas escalas que podem ser
aplicadas para avaliar a dor psicológica.

Sentindo-se impotente diante da necessidade de mudança e
libertação, as mulheres decidem pela morte, o que permite apreender
que as histórias de violência vivenciadas em diversos momentos da vida

40

familiar e conjugal desencadeiam problemas de âmbito emocional que
culminam na decisão de interromper a própria vida. (CORREIA,
COUTO, ERDMANN, 2014, p.6).

No estudo de Campos e Holden (2014) participou uma amostra também por
conveniência de 810 adultos com idades compreendidas entre os 19 e os 67 anos (M = 36,34,
DP = 12,46) e residentes em várias regiões portuguesas, os participantes responderam a
questões sociodemográficas, ao Questionário de Experiências Depressivas, à Escala do Centro
de Estudos Epidemiológicos da Depressão e ao Questionário de Comportamentos Suicidários
revisado, na amostra, 4,3% dos participantes indicaram tentativas anteriores de suicídio, 27,9%
relataram alguma ideação suicida ao longo da vida e 6,4% indicaram um plano de suicídio
anterior; sintomas depressivos, ter consultado psicólogo ou psiquiatra, autocrítica e educação
discriminaram entre participantes que tentaram suicídio e aqueles que não tentaram morrer por
suicídio.
Há na psiquiatria diversos fatores e estudos relacionados ao suicídio, buscando
principalmente o diagnóstico precoce de risco e tratamento eficaz para que o ato fatal seja
impedido. Dor psicológica refere-se à dor, angústia, e associa-se ao sentimento excessivo de
culpa, vergonha, solidão, medo. (FENSTERSEIFER; WERLANG, 2005, p2). O presente
estudo identificou que houve significância estatística entre a escala de dor psicológica PAS e a
ideação suicida passiva, as pacientes com esse tipo de ideação têm aproximadamente 12 vezes
mais risco de suicídio iminente, as pacientes que relataram ideação de autoagressão têm
aproximadamente 7 vezes mais risco de suicídio e já ter apresentado tentativa de suicídio ao
longo da vida representou um risco aumentado em 5 vezes de risco de suicídio iminente.
Para Campos e Holden (2020) a Psychache Scale (PAS) foi 1,8 vezes mais importante
do que ter um diagnóstico psiquiátrico para indicar um suicídio; demonstrando a importância
da escala PAS em prever o risco de suicídio em uma determinada amostra, este estudo
estabeleceu a PAS como importante ferramenta para diagnóstico de comportamento suicida,
assim como Lambert (2020) que também avaliou a contribuição da dor psicológica para os
comportamentos auto lesivos, controlando várias covariáveis uma amostra de conveniência de
207 residentes nos Estados Unidos forneceu informações sociodemográficas e clínicas e
respostas da PAS, a dor psicológica forneceu uma contribuição significativa na previsão de
comportamentos autodestrutivos.
A média de dor psicológica mensurada pela PAS em nosso estudo foi 35,27 (±16,65),
27 mulheres (53%) apresentaram pontuação acima de 30 na escala PAS representando risco de
41

suicídio iminente. O grau de suicidalidade pela MINI 5.0. identificou que 67% não tinha risco
ou apresentava baixo risco e 29% de risco moderado a alto.
Alguns suicídios são planejados e outros acontecem de maneira impulsiva, por esse
motivo é importante identificar o grau de intencionalidade para avaliação do risco de suicídio,
buscando a prevenção e auxílio a esse sujeito. (DE OLIVEIRA, DE SOUSA, 2023, p.5). Um
fator importante frente à prevenção das tentativas de suicídio e do suicídio é conhecer as causas,
identificar os sinais de alerta, estabelecer programas de prevenção e de tratamento. (CASSINI
et al, 2023, p.6).
Ainda que não tenha havido diferença significativa entre os grupos com e sem história
de violência pelo parceiro e a presença de risco de suicídio clinicamente pelo MINI 5.0. e o
risco de suicídio iminente (PAS) através da análise de Qui quadrado, houve correlação segundo
a análise de Spearman, ainda que fraca, esta significa que as mulheres que sofreram violência
têm maior risco para comportamento suicida, tendo assim, risco de suicídio, esses resultados
podem ter sido encontrados em decorrência do número de mulheres entrevistadas, ou indicar
resiliência das mulheres que já sofreram abuso, outro fator atenuante foi o fato da maioria da
amostra realizar tratamento de suporte psiquiátrico, que provavelmente contribuiu na
diminuição do risco de suicídio.
O estudo de Correia (2018) revelou que os comportamentos depressivo e suicida
consistem em sinais de alerta para o risco de suicídio em mulheres com história de violência
doméstica. Sinalizou ainda que o quadro de depressão pode evoluir para a ideação suicida, ou
ainda permeá-lo, de modo que tais sintomas; menciona também que, independentemente das
características apresentadas, a história de violência doméstica pode ser considerada importante
preditor na investigação de risco para o suicídio. Da mesma forma Dantas (2019) afirmou que
na trajetória de vida das mulheres que se suicidaram, identificou-se presença de ideação suicida
e tentativa prévia ao ato, transtorno mental como depressão e esquizofrenia, além de situações
conflitantes no seio familiar aliados a desigualdades de gênero e violência intrafamiliar.
Na análise do grau de suicidalidade e risco de suicídio iminente: oito mulheres não
tinham risco, cinco baixo risco, três risco moderado e oito risco alto; enquanto entre as que não
tinham risco de suicídio iminente uma sem risco, um risco baixo, uma apresentou risco
moderado e uma, alto risco clínico; houve significância estatística entre o risco de suicídio
iminente e o grau de suicidalidade dos instrumentos utilizados. Observou-se que 51% das
mulheres do presente estudo apresentaram dor psicológica significativa (risco de suicídio
42

iminente), 49% das mulheres sofreram algum tipo de violência por parceiro íntimo e 24 % já
tentaram suicídio em algum momento da vida.
Em Correia et al (2014) a dor, insuportável segundo as mulheres, surge como elemento
do quadro depressivo que as impede de viver, ou seja, a ideação suicida começa a se esboçar
como um possível recurso, e pode culminar na morte, consequência fatal da depressão: é uma
dor muito grande, de ficar desesperada por ajuda, de querer se libertar da situação “[...]. Queria
dormir e não acordar. Queria perder a consciência [...]”; o termo morte foi evocado 10 vezes
(6,6%), sendo que seis mulheres o consideraram como o elemento mais importante, como o
desejo de sair de uma situação de sofrimento e dor: “não queria me matar, queria me livrar da
situação [...]”
Aqui as mulheres com elevado grau de dor psicológica apresentaram um risco quase 12
vezes maior de terem relatado pensamentos sobre morte ou desejo de estar morta nos últimos
30 dias; não houve ainda significância estatística entre a dor psicológica significativa e o fato
de terem sofrido agressão física, sexual e apresentarem dificuldades de diálogo intraconjugal.
Houve uma tendência entre o medo do parceiro e grau de suicidalidade moderado a alto.
O suicídio é um problema grave de saúde pública, sendo complexo e multifatorial e que
não acomete apenas o sujeito, mas também seus familiares, amigos e toda a sociedade; é
importante considerar que os pacientes com pensamentos suicidas, na maioria dos casos,
sentem-se aliviados e acolhidos por terem tido a oportunidade de expor seus pensamentos e
sentimentos relacionados ao suicídio. Na trajetória de vida das mulheres que se suicidaram,
identificou-se presença de ideação suicida e tentativa prévia ao ato, transtorno mental como
depressão e esquizofrenia, além de situações conflitantes no seio familiar aliados a
desigualdades de gênero e violência intrafamiliar. ampliando à Atenção Básica em Saúde como
norteadora de ações nos planos de identificação do risco suicida e de intervenções planejadas.
(BERTOLOTE, BOTEGA, 2010; CAMPOS, HOLDEN, 2014; CASSINI et al, 2023;
CORREIA, 2014; DANTAS, 2019).
Portanto os profissionais que compõem a APS em sua maioria são mulheres o que pode
facilitar a abertura das mulheres a falarem sobre sua dor, histórico de abuso e ideação suicida,
o Brasil possui um dos maiores e mais eficazes programas de saúde pública do mundo, sendo
o mesmo universal; cabe a atenção primária à saúde resolver a maioria de problemas de saúde
da população atendendo o indivíduo de forma integral, olhando também a comunidade e os
fatores determinantes para determinado adoecimento em uma população, os profissionais da
APS realizam seguimento das famílias, conhecem seus familiares, vizinhos e portanto
43

estabelecem vínculos que aumentam a possibilidade de identificar problemas de saúde de forma
eficaz; quando o cuidado está além da possibilidade de abrangência da APS a mesma continua
no cuidado descentralizando e compartilhando as iniciativas e terapias com os outros níveis de
atenção (secundário, terciário, quaternário); se torna valioso capacitar os profissionais que
atuam neste cenário para identificar problemas de violência doméstica e fatores envolvidos com
o risco de suicídio.

44

7 CONSIDERAÇÕES FINAIS

As mulheres avaliadas eram em sua maioria não brancas, com baixa renda, dependentes
financeiramente do parceiro ou de auxílios sociais governamentais; de baixa escolaridade. A
maioria não tinha companheiro à época da entrevista, porém, possuía filhos.
Cerca de metade destas mulheres já sofreu algum tipo de violência por parceiro íntimo
ao longo de suas vidas, sendo que 26,5% já foram estupradas. As mulheres brancas
proporcionalmente apresentaram 12 vezes mais relatos de violência do que as não brancas.
O nível de dor psicológica identificado foi elevado, pouco mais da metade apresentava
risco de suicídio iminente, com elevados escores de dor psicológica.
Não foi identificada correlação entre dor psicológica e histórico de violência, porém foi
encontrada entre dor psicológica e as variáveis do comportamento suicida tais como ideação
passiva, ativa, método e tentativa. Também, entre histórico de violência e comportamento
suicida.
Prevenir as tentativas de suicídio, identificar e intervir nas violências sofridas pelas
mulheres no ambiente doméstico, são iniciativas de impacto positivamente na prevenção de
possíveis fatores que têm relação com o suicídio.

45

8 LIMITAÇÕES E PERSPECTIVAS

No decorrer do mestrado houve a necessidade de adaptar o desenho e a amostra do
estudo frente as necessidades e possibilidades que surgiram.
Apesar da amostra ser reduzida o estudo aqui exposto é suficiente para embasar estudos
longitudinais, bem como para observação do panorama e embasamento de outros estudos, além
de proporcionar dados para capacitações e fluxogramas para melhor tomada de decisões quanto
às problemáticas abordadas. Nessa perspectiva há vieses que podem interferir nos resultados,
porém os dados demonstram associações importantes.
Apesar que estatisticamente o WAST e a PAS não demonstrarem correlação, ficou
evidente que ambas as escalas ao que se propõem são suficientes.
Na literatura científica são ainda incipientes os estudos que buscam estabelecer a fundo
as relações aqui investigadas. O estudo da ideação suicida bem como da violência contra mulher
e suas implicações é de interesse à saúde pública global e precisa ser incentivada, embora sejam
assuntos de interesse coletivo há pouca literatura, esse trabalho é um dos poucos a realizar a
associação entre dor psicológica, violência contra a mulher e tentativas de suicídio.

46

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51

APÊNDICE

Termo de Consentimento Livre e Esclarecido
“O respeito devido à dignidade humana exige que toda pesquisa se processe após o consentimento livre e
esclarecido dos sujeitos, indivíduos ou grupos que por si e/ou por seus representantes legais manifestem a sua
anuência

à

participação

na

pesquisa”

Eu,..........................................................................................................................tendo

sido

convidado (a) para participar como voluntário(a) do estudo “TENTATIVAS DE SUICÍDIO
ATENDIDAS NO HOSPITAL GERAL DO ESTADO (HGE) EM MACEIÓ: UM ESTUDO
EPIDEMIOLÓGICO

TRANSLACIONAL

COM

INTERVENÇÃO

CLÍNICA

EM

SEGUIMENTO DE 12 MESES”, que será realizado no serviço no Hospital Universitário (HU)
Prof. Alberto Antunes – Universidade Federal de Alagoas na cidade de Maceió (Alagoas) no
período de doze meses. Recebi do Prof. Dr. Valfrido Leão de Melo Neto, responsável por sua
execução, as seguintes informações que me fizeram entender sem dificuldades e sem dúvidas
os seguintes aspectos: 1) Que o objetivo geral do estudo é avaliar o impacto da associação de
teleatendimentos breves regulares, durante um período de 12 meses, ao tratamento
convencional, no comportamento suicida de pacientes inicialmente atendidos por tentativa de
suicídio no Hospital Geral do Estado (HGE). 2) Que para atingir o objetivo acima serão
aplicados questionários sóciodemográficos e clínicos para investigar características da tentativa
e do comportamento suicida, além de questionários para avaliar sintomas depressivos, ansiosos,
de traços de personalidade, história de trauma precoce e violência doméstica, além de dor
psicológica. 3) Que além da colheita de dados por intermédio de questionários, será colhida
uma amostra de meu sangue, para dosar alguns indicadores de inflamação no meu organismo,
para estudar a associação entre inflamação e comportamento suicida. 4) Que durante o tempo
da pesquisa, por 12 meses serão feitos contatos telefônicos ou por vídeo chamada para
investigarem como estou me sentindo mentalmente quanto ao risco de suicídio. 5) Que no final
do acompanhamento de 12 meses, nova amostra do meu sangue será colhida. 6) Que os
possíveis riscos à sua saúde são constrangimento ao responder o questionário e as escalas, além
de dor ou complicações como inflamação ou infecção na parte do meu corpo de onde será
colhido meu sangue. 7) Que o anonimato dos participantes da pesquisa será resguardado e suas
informações pessoais só serão divulgadas de modo que não seja possível me identificar. 8) Que
os benefícios esperados são: fornecer uma melhor assistência às pessoas com comportamento
52

suicida, por meio de contatos de teleatendimento regulares. Também, informações sobre a
condição estudada e orientações sobre educação em saúde, como também, a partir das
avaliações dos pacientes favorecer a identificação de fatores que contribuam para o
comportamento suicida. 9) Que o estudo começará a partir da aprovação do Comitê de Ética da
Universidade Federal de Alagoas (UFAL). 10) Que, sempre que desejar, serão fornecidos
esclarecimentos sobre cada uma das etapas do estudo. 11) Que, a qualquer momento, eu poderei
recusar a continuar participando do estudo e, também, que eu poderei retirar este meu
consentimento, sem que isso me traga qualquer penalidade ou prejuízo. 12) Que as informações
conseguidas através de minha participação não permitirão a identificação da minha pessoa,
exceto aos responsáveis pelo estudo, e que a divulgação das mencionadas informações só será
feita entre os profissionais estudiosos do assunto. 13) Que eu deverei ser ressarcido por qualquer
despesa que venha a ter com a minha participação nesse estudo e, também, por todos os danos
que venha a sofrer pela mesma razão, sendo que, para estas despesas foi-me garantida a
existência de recursos. 14) Garantimos que o participante da pesquisa receberá uma via do
Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Finalmente, tendo eu compreendido
perfeitamente tudo o que me foi informado sobre a minha participação no mencionado estudo
e, estando consciente dos meus direitos, das minhas responsabilidades, dos riscos e dos
benefícios, da assistência que será prestada e do sigilo que a minha participação implica,
concordo em dela participar e, para tanto eu DOU O MEU CONSENTIMENTO SEM QUE
PARA ISSO EU TENHA SIDO FORÇADO OU OBRIGADO. Nome e Endereço dos
Pesquisadores Responsáveis: (Obrigatório) Nome: Valfrido Leão de Melo Neto Endereço: Av.
Lourival Melo Mota, S/N, Tabuleiro do Martins, Maceió - AL, Cep: 57072-970 Instituição:
Universidade Federal de Alagoas Maceió, __________ de _________________ de ________.

_________________________________
Assinatura do responsável pela pesquisa (rubricar todas as páginas)
_________________________________
Assinatura do responsável pelo estudo (rubricar todas as folhas)

ANEXOS
53

ANEXO 1 – Parecer do Comitê de Ética e Pesquisa

54

55

56

57

58

59

60

61

62

63

ANEXO 2 - Questionário Sociodemográfico

Data da entrevista: ____________________ Procedência: ____________________________
Identificação:__________________________________
Data de Nascimento: ___/___/__

Idade em anos: ______

Etnia: ( )Branco ( ) Não-branco

Estado Civil: ( )Com companheiro(a) ( )Sem companheiro (a)
Escolaridade: _____ anos completos
Situação Ocupacional: ativo ( ) inativo ( )
Renda Familiar (em real): __________
Tem filhos? ( )Sim ( )Não. Se sim, quantos? _______________________________________
Algum dos filhos tem doença crônica? ( )Sim ( )Não. Se sim, qual? _____________________
Requer cuidados especiais? ( )Sim ( )Não

64

ANEXO 3 - Mini International Neuropsychiatric Interview (MINI 5), módulo C, risco de
suicídio

65

ANEXO 4 - Escala de Dor Psicológica - Psychache Scale (PAS)
Holden e colaboradores, 2000

66

ANEXO 5 - WAST (Woman Abuse Screening Tool)

67