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                    UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
FACULDADE DE MEDICINA
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS MÉDICAS

Antonio Filipe Pereira Caetano

Atividade Física, Qualidade de Vida e Perfil Nutricional em Pacientes
Renais Crônicos em Tratamento Conservador

Maceió
2022

ANTONIO FILIPE PEREIRA CAETANO

Atividade Física, Qualidade de Vida e Perfil Nutricional
em Pacientes Renais Crônicos em Tratamento Conservador

Defesa (Mestrado) apresentado ao Programa de PósGraduação em Ciências Médicas da Universidade Federal
de Alagoas - UFAL como parte das exigências para
obtenção de Mestre em Ciências Médicas.
Área de Concentração: Epidemiologia, Fisiopatologia e
Terapêutica em Ciências Médicas
Orientadora: Profa. Dra. Juliana Célia de Farias Santos

Maceió
2022

2

Folha de Aprovação
Antonio Filipe Pereira Caetano
Atividade Física, Qualidade de Vida e Perfil Nutricional de Pacientes Renais Crônicos em
Tratamento Conservador

Dissertação submetida ao corpo docente do Programa de Pós-Graduação em Ciências Médicas
da Universidade Federal de Alagoas e aprovada em 03 de fevereiro de 2022.

________________________________________________
Profa. Dra. Juliana Célia Farias dos Santos
UFAL/Faculdade de Nutrição
Orientador(a)
Banca Examinadora:

______________________________________________
Michelle Jacintha Cavalcante Oliveira
UFAL/ FAMED
Examinadora Interna
________________________________________________
Bráulio César de Alcântara Mendonça
UFAL/INSTITUTO DE EDUCAÇÃO FÍSICA E ESPORTE
Examinador Externo

________________________________________________
Samara Bomfim Gomes Campos
UNINASSAU MACEIÓ/Curso de Nutrição
Examinadora Externa
3

4

RESUMO
INTRODUÇÃO: A Doença Renal Crônica (DRC) é um dano sustentado do parênquima renal causando
deterioração e perda progressiva da função dos rins que pode progredir para o estágio terminal. Alguns
estudos apresentaram resultados benéficos para a prática de exercício físico no tratamento adjuvante para
doenças metabólicas como obesidade, dislipidemia e diabetes mellitus; e para doenças cardiovasculares e
hipertensão arterial sistêmica, patologias que são bases ou alterações metabólicas associadas ao
desenvolvimento da DRC. Tais benefícios também podem ser observados nos aspectos da qualidade de vida.
OBJETIVO: Associar o nível de atividade física, a qualidade de vida e o perfil nutricional em pacientes em
tratamento conservador para Doença Renal Crônica em hospital de atendimento terciário da região nordete
do Brasil. MATERIAIS E MÉTODOS: Estudo observacional de corte transversal. A amostra foi
selecionada por conveniência e formada por pacientes em tratamento conservador para DRC com TFG <89
mL/min/1,73m2. Foram incluídas pessoas de ambos os sexos; com idade superior aos 18 anos; que assinaram
o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). Foram avaliados o perfil social (sexo, moradia,
estado civil e escolaridade), de saúde (doenças pré-existentes, comportamento etílico e tabaco) e nutricional
(peso, altura, índice de massa corporal (IMC), circunferência de cintura (CC) e percentual de gordura
(calculados a partir das pregas tricipital, subescapular e suprailíaca); nível de atividade física (IPAQ); nível
de qualidade de vida (WHOQOL-Bref). Todas as análises foram realizadas com o auxílio do software R,
com o pacote estatístico JASP versão 0.13.1, atingindo um nível de confiança de 95% (p<0,05).
RESULTADOS: Nesta dissertação foram produzidos dois artigos. No artigo 1 o objetivo foi associar os
estágios da DRC com o nível de atividade física, qualidade de vida e o perfil nutricional, e os resultados
foram: 52 pacientes com idade média de 60,3 ± 9,11 anos, 53,84% mulheres, 61% com menos de nove anos
de escolaridade, 57,69% diabéticos Tipo 2 e 76,92% hipertensos; para o perfil nutricional e nível de atividade
física, 38,46% eram obesos e 61,53% eutróficos ou sobrepeso; 82,69% com padrões elevados de CC; e 67%
apresentaram baixos níveis de atividade física; em relação ao nível de qualidade de vida, menores escores
em satisfação com saúde (2,98± 0,83) e meio ambiente (2,75± 0,38); melhores escores em domínio
psicológico (3,80± 0,53) e relações sociais (3,58± 0,58), a amostra apresentou níveis regulares de qualidade
de vida; Não houve associação significativa entre as variáveis do estudo e a estratificação dos pacientes em
níveis de filtração glomerular; A correlação foi positiva para estágio DRC com dimensão de relações sociais
do nível de qualidade de vida (r=0,247, p=0,07, IC de 95% 0,7, 0,4), mas as demais variáveis apresentaram
correlações negativas. No artigo 2 o objetivo foi associar o nível de atividade física dos pacientes DRC em
tratamento conservador com o perfil nutricional e a percepção de qualidade de vida e o resultados foram: 70
pacientes com idade média de 60,5 ± 9,57 anos, 57,14% mulheres, 52,85% diabéticos e 80% hipertensos;
para o perfil nutricional a amostra apresentou quadros de obesidade na maior parte da população (55,71%),
elevados índices de CC (95,04± 16,9 cm); e 67,15% apresentaram baixos níveis de atividade física, com a
maior média nas atividades físicas domésticas (32,23 min/sem); para o nível de qualidade de vida, menores
escores em satisfação com saúde (2,85± 1,53) e meio ambiente (2,73± 0,49); melhores escores em domínio
psicológico (3,73± 0,69) e relações sociais (3,64 ± 0,73); o grupo fisicamente ativo apresentou menores
valores de peso, IMC e CC que os grupos com baixa atividade física, p=0,028, p=0,043 e p=0,039
respectivamente. O nível de atividade física se correlacionou positivamente com as variáveis de taxa de
filtração glomerular; percentual de gordura; massa gorda; dimensões físicas, percepção geral da saúde e
satisfação geral com a saúde da qualidade de vida; e com todas as dimensões da atividade física (trabalho,
deslocamento, doméstico e lazer), r=0,190, r=0,004, r=0,442, r=0,212, r=0,125, r=0,125, r=0,947, r=0,442,
r=0,674, r=0,564 respectivamente. CONCLUSÃO: Os sujeitos apresentaram baixos níveis de atividade
física e elevado percentual de excesso de peso/obesidade, mas estes níveis não se alteraram em associação
com os estágios da DRC. Apesar da DRC ser uma doença de característica inflamatória, crônica e
progressiva, com terapias farmacológicas atuais se mostrando limitadas no controle da sua evolução, o estudo
mostrou que a atividade física apresenta uma resposta positiva no controle de parâmetros que contribuem
para seu avanço, sendo um caminho o cuidado multiprofissional à doença.
Palavras-chave: Doença Renal Crônica. Atividade Física. Qualidade de Vida. Nutrição.

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ABSTRACT
INTRODUCTION: Chronic Kidney Disease (CKD) is a sustained damage to the renal parenchyma
causing deterioration and progressive loss of kidney function that can progress to the end stage. Some
studies have shown beneficial results for the practice of physical exercise in adjuvant treatment for
metabolic diseases such as obesity, dyslipidemia and diabetes mellitus; and for cardiovascular diseases
and systemic arterial hypertension, pathologies that are bases or metabolic alterations associated with
the development of CKD. Such benefits can also be observed in aspects of quality of life. OBJECTIVE:
To associate the level of physical activity, quality of life and nutritional profile in patients undergoing
conservative treatment for Chronic Kidney Disease in a tertiary care hospital in the northeastern region
of Brazil. MATERIALS AND METHODS: Cross-sectional observational study. The sample was
selected for convenience and consisted of patients undergoing conservative treatment for CKD with
GFR <89 mL/min/1.73m2. People of both sexes were included; aged over 18 years; who signed the Free
and Informed Consent Term (ICF). The social profile (gender, housing, marital status and education),
health (pre-existing diseases, alcohol consumption and tobacco) and nutritional profile (weight, height,
body mass index (BMI), waist circumference (WC) were evaluated. and fat percentage (calculated from
the triceps, subscapular and suprailiac skinfolds), physical activity level (IPAQ), quality of life level
(WHOQOL-Bref). JASP statistical package version 0.13.1, reaching a confidence level of 95% (p<0.05)
RESULTS: Two articles were produced in this dissertation. In article 1 the objective was to associate
the stages of CKD with the level of physical activity , quality of life and nutritional profile, and the
results were: 52 patients with a mean age of 60.3 ± 9.11 years, 53.84% women, 61% with less than nine
years of schooling, 57.69% diabetics Type 2 and 76.92% hypertensive; for the nutritional profile and
level of physical activity, 38.46 % were obese and 61.53% eutrophic or overweight; 82.69% with high
CC standards; and 67% had low levels of physical activity; in relation to the level of quality of life,
lower scores in satisfaction with health (2.98± 0.83) and environment (2.75± 0.38); better scores in the
psychological domain (3.80±0.53) and social relationships (3.58±0.58), the sample showed regular
levels of quality of life; There was no significant association between study variables and stratification
of patients in glomerular filtration levels; The correlation was positive for the CKD stage with the social
relationships dimension of the level of quality of life (r=0.247, p=0.07, 95% CI 0.7, 0.4), but the other
variables showed negative correlations. In article 2, the objective was to associate the level of physical
activity of CKD patients undergoing conservative treatment with the nutritional profile and the
perception of quality of life and the results were: 70 patients with a mean age of 60.5 ± 9.57 years, 57
.14% women, 52.85% diabetics and 80% hypertensive; for the nutritional profile, the sample presented
obesity in most of the population (55.71%), high WC rates (95.04± 16.9 cm); and 67.15% had low levels
of physical activity, with the highest average in domestic physical activities (32.23 min/week); for the
level of quality of life, lower scores in satisfaction with health (2.85± 1.53) and environment (2.73±
0.49); better scores in the psychological domain (3.73±0.69) and social relationships (3.64±0.73); the
physically active group presented lower values of weight, BMI and WC than the groups with low
physical activity, p=0.028, p=0.043 and p=0.039 respectively. The level of physical activity was
positively correlated with the glomerular filtration rate variables; fat percentage; fat mass; physical
dimensions, general health perception and general health satisfaction and quality of life; and with all
dimensions of physical activity (work, commuting, domestic and leisure), r=0.190, r=0.004, r=0.442,
r=0.212, r=0.125, r=0.125, r=0.947, r=0.442, r=0.674, r=0.564 respectively. CONCLUSION: The
subjects presented low levels of physical activity and a high percentage of overweight/obesity, but these
levels did not change in association with the stages of CKD. Although CKD is an inflammatory, chronic
and progressive disease, with current pharmacological therapies proving to be limited in controlling its
evolution, the study showed that physical activity presents a positive response in the control of
parameters that contribute to its advancement, being a way to multiprofessional care for the disease.
Keywords: CDK. Physical Activity. Quality of Life. Nutrition.

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LISTA DE TABELAS

Tabela 1. Perfil Social e Estado Geral da Saúde de Pacientes Renais Crônicos em Tratamento
Conservador Atendidos no HUPAA/UFAL ______________________________________ 32
Tabela 2. Perfil Nutricional e Antropométrico dos Pacientes Renais Crônicos em Tratamento
Conservado no HUPAA/UFAL _______________________________________________ 33
Tabela 3. Associação entre Perfil Nutricional, Nível de Atividade Física e Qualidade de Vida
com a Progressão da DRC em pacientes em Tratamento Conservador no HUPAA/UFAL __ 34
Tabela 4. Perfil Social e de saúde de pacientes renais crônicos em tratamento conservador
atendidos no HUPAA/UFAL _________________________________________________ 45
Tabela 5. Nível de atividade física e associação com perfil clínico, nutricional e de qualidade
de vida de pacientes renais crônicos em tratamento conservador no HUPAA/UFAL ______ 47

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LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
ACMS

American College of Medicine of Sports

CC

Circunferência de Cintura

DM

Diabetes Mellitus

DRC

Doença Renal Crônica

EXF

Exercício Físico

HAS

Hipertensão Arterial Sistêmica

HD

Hemodiálise

HUPAA

Hospital Universitário Professor Alberto Antunes

IBGE

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

IMC

Índice de Massa Corporal

IPAQ

International Physical Activity Questionaire

MS

Ministério da Saúde

NAF

Nível de Atividade Física

QV

Qualidade de Vida

SBN

Sociedade Brasileira de Nefrologia

SF36

Short Form of Quality of Life

SM

Síndrome Metabólica

TC

Tratamento Conservador

TCLE

Termo de Consentimento Livre e Esclarecido

TFG

Taxa de Filtração Glomerular

TRS

Terapia Renal Substitutiva

UFAL

Universidade Federal de Alagoas

WHO

World Health Organization

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SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO __________________________________________________________ 10
2 OBJETIVOS ____________________________________________________________ 13
2.1 Objetivo Geral __________________________________________________________ 13
2.2 Objetivos Específicos ____________________________________________________ 13
3 REVISÃO DE LITERATURA ______________________________________________ 14
4 METODOLOGIA ________________________________________________________ 23
5 PRODUTOS ____________________________________________________________ 27
5.1 Artigo 1. ATIVIDADE FÍSICA, QUALIDADE DE VIDA E PERFIL NUTRICIONAL DE
PACIENTES RENAIS CRÔNICOS EM TRATAMENTO CONSERVADOR EM UM
HOSPITAL DE ALTA COMPLEXIDADE DE UMA CAPITAL DO NORDESTE
BRASILEIRO _____________________________________________________________ 28
5.2. Artigo 2. NÍVEL DE ATIVIDADE FÍSICA EM PACIENTES RENAIS CRÔNICOS E
ASSOCIAÇÕES COM PERFIL NUTRICIONAL E QUALIDADE DE VIDA __________ 41

6 CONCLUSÕES __________________________________________________________ 57
7 LIMITAÇÕES E PERSPECTIVAS ___________________________________________ 59
8 REFERÊNCIAS __________________________________________________________60
9 APÊNDICES ____________________________________________________________ 71
10 ANEXOS ______________________________________________________________ 76

9

1. INTRODUÇÃO
A Doença Renal Crônica (DRC) é um dano sustentado do parênquima renal causando
deterioração renal e perda progressiva da função dos rins que pode progredir para o estágio
terminal (AKCHURIN, 2019). Segundo a National Kidney Foundation caracteriza-se pela
presença de anormalidades na estrutura ou função renal, presentes por um período maior que 3
meses de Taxa de Filtração Glomerular abaixo de 60 mL/min/1,73m2, com implicações para
saúde (K/DOQI, 2002; KDIGO, 2012).
Em países desenvolvidos, a prevalência da DRC varia de 10 a 13% na população adulta.
Contudo, os países em desenvolvimento possuem dados limitados e heterogêneos (FRANCIS
et al., 2015; OGNA et al., 2016; STANIFER et al., 2016; MARINHO et al., 2017). De acordo
com a Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), a DRC tem a prevalência de 7,2% de pessoas
acima de 30 anos em 2019, atingindo valores entre 28% a 46% em pessoas acima de 64 anos
(MS, 2019). Em Alagoas, em 2017, a prevalência era de 3.400 pacientes, distribuídos em 11
clínicas de nefrologia (SANTOS, 2017).
Em adultos a hipertensão arterial sistêmica (HAS) e a diabetes mellitus (DM) são as
principais responsáveis pela incidência da DRC (AKCHURIN, 2019). Entretanto, pode haver
uma adaptação fisiológica que mascara o avanço da diminuição da função renal, com sinais e
sintomas característicos sendo vistos apenas nos estágios mais avançados da doença (SBN,
2020). Dentre as comorbidades que favorecem ao agravo dos pacientes com DRC encontra-se
a obesidade (HALL et al., 2004; TING, et al., 2009), que representa um fator etiológico e de
risco para a progressão para os casos graves, independente da associação com HAS e DM (De
PAULA, 2006; EJERBLAD et al., 2006). Isto porque a disfunção renal está associada ao IMC
e a obesidade visceral, devido à presença da Síndrome Metabólica (SM), além do acúmulo de
gordura ectópica no rim (HALL et al., 2014).
Em 2019, segundo a WHO, 2,3 bilhões de pessoas no mundo estavam com obesidade ou
sobrepeso (ABESO, 2019). No Brasil, a pesquisa VIGITEL demonstrou que 1 em cada 5
brasileiros (19,8%), em 2018, encontrava-se obeso (MS, 2019). Para Alagoas, a prevalência foi
de 18% da população como obesa (MS, 2019). Diante o aumento significativo de casos de
obesidade, há possibilidade de incidências de doenças como HAS, DM e DRC.
Alguns estudos têm apresentado resultados benéficos à prática de exercício físico (EXF)
no tratamento adjuvante a várias patologias (RASO, 2013; VIEIRA, 2015; NIEMAN, 2011).
Para as doenças metabólicas como obesidade, dislipidemia e DM, tem-se encontrado resultados
10

importantes para a diminuição dos níveis glicêmicos, da gordura corporal e equilíbrio das taxas
lipídicas (TUOMILEHTO, 2001; JEWEED, 1993; GEFFKEN, 2011). Para as doenças
cardiovasculares e HAS os estudos apontam para diminuição crônica dos níveis pressóricos e
auxílio na reabilitação de doenças coronarianas (ARIJA, 2018; CAO, 2018).
Essas patologias são bases ou alterações metabólicas associadas ao desenvolvimento da
DRC (K/DOQI, 2002; SILVEIRA, 2019), podendo o EXF diminuir os fatores que levam ao seu
desenvolvimento. Estudos apontam que o EXF tem auxiliado na melhora da taxa de filtração
glomerular (GREENWOOD, 2015; TOYAMA, 2010; KIUCHI, 2017), na atenuação das
doenças consideradas como fatores de risco (AOIKE, 2015; BARIA, 2014; HEADLEY, 2014;
LEEHEY, 2016), nas alterações positivas na composição corporal e obesidade (HOWDEN,
2015; ZHANG, 2019); no aperfeiçoamento da massa muscular e força muscular, essenciais para
auxiliar no transporte de glicose para desencadear respostas positivas para a resistência à
insulina (LEE, JUNG e KIM, 2018); bem como na melhora da autopercepção da qualidade de
vida de pessoas com DRC.
A qualidade de vida (QV) é uma percepção subjetiva dos indivíduos de seu estado geral
de bem-estar físico, mental, social, psíquico e comportamental, podendo variar conforme as
circunstâncias ao longo da vida (NAHAS, 2017). Além disso, pode estar relacionado com as
questões materiais e imateriais (parâmetros socioambientais) que envolvem a existência e
dignidade humana. Todavia, o acometimento por uma doença pode levar a percepções
comprometidas da qualidade de vida, auxiliando no surgimento de comportamentos de tristeza,
depressão, inatividade física e sedentarismo.
Sales, Hister e Fagundes (2018) reportaram os efeitos positivos nos níveis de qualidade
de vida nos pacientes em hemodiálise que realizam exercícios físicos. Na mesma perspectiva,
Giacomazzi, Ritzel e Birck (2017) apresentaram melhoras nos aspectos físicos e emocionais na
QV dos pacientes renais em um protocolo de exercício. Ainda no âmbito do tratamento de
hemodiálise, Lisboa, Lima e Lopes (2019) perceberam uma alteração positiva no estado geral
da saúde, na integridade física e aspectos psicossociais ao longo do tratamento com exercício
físico.
Existe uma baixa incidência de pesquisas que correlacionam nível de atividade física,
qualidade de vida e pacientes DRC em tratamento conservador. Quando existentes, tais estudos
se debruçaram nos efeitos sobre a capacidade funcional, nas respostas isoladas da função renal,
sobre as ações terapêuticas, nos níveis nutricionais e nos aspectos psicológicos em populações
dialíticas. Neste sentido, ao se debruçar sobre estas variáveis a pesquisa objetiva ampliar as
11

respostas às comunidades científicas para manejos adequados nos possíveis protocolos de
intervenção de exercício físico para pacientes com DRC.
A dificuldade de monitoramento desta variável após um diagnóstico de DRC e o aumento
dos casos no Estado de Alagoas torna a temática essencial para a construção de indicativos para
pesquisas futuras para os tratamentos coadjuvantes. A incidência da obesidade, HAS e DM
como fatores associados à DRC aponta para necessárias alterações no estilo de vida dos
pacientes, importantes para a retenção do avanço ao dano renal. Assim, o conhecimento do
nível de atividade física dos pacientes com DRC do HUPAA/UFAL, sobretudo associado ao
perfil nutricional, pode contribuir para a identificação de um perfil do usuário com DRC e para
a construção de protocolos de tratamento voltados para utilização do recurso do exercício físico
como mecanismo mais baratos para contenção do avanço da evolução renal para o estágio de
falência renal.
Neste sentido, o objetivo deste estudo foi identificar qual é o nível de atividade física,
qualidade de vida e o perfil nutricional em pacientes em tratamento para Doença Renal Crônica
no HUPAA/UFAL. E mais do que isso, demonstrar a associação dos estágios da Doença Renal
Crônica com as variáveis aqui estudadas, bem como qual a associação dos níveis de atividade
física com o perfil nutricional e a percepção da qualidade de vida dos pacientes em tratamento
conservador.

12

2. OBJETIVOS
2.1 Objetivo geral
Associar o nível de atividade física, a qualidade de vida e o perfil nutricional em pacientes em
tratamento conservador para Doença Renal Crônica em um hospital de atendimento terciário
da cidade de Maceió/Alagoas.

2.2 Objetivos específicos
● Caracterizar o perfil socioeconômico, demográfico e clínico da população estudada;
● Categorizar os pacientes por estágios de taxa de filtração glomerular;
● Avaliar o nível de atividade física dos pacientes com DRC em tratamento conservador;
● Avaliar o nível de qualidade de vida dos pacientes com DRC em tratamento
conservador;
● Avaliar o perfil nutricional dos pacientes com DRC em tratamento conservador;
● Associar os estágios da evolução da DRC dos pacientes em tratamento conservador com
o nível de atividade física, qualidade de vida e o perfil nutricional.
● Associar o nível de atividade física dos pacientes DRC em tratamento conservador com
o perfil nutricional e a percepção de qualidade de vida.

13

3. REVISÃO DE LITERATURA
No intuito de melhor compreender os temas e as variáveis que constituem o presente
estudo, esta revisão de literatura será dividida em três tópicos. O primeiro debruçar-se-á sobre
uma descrição geral das características, da fisiopatologia, dos sistemas e dos tipos de tratamento
para Doença Renal Crônica (DRC). Em um segundo momento, apresentar-se-á o papel da
atividade física para o tratamento de doenças e agravos à saúde, especificamente uma visão
geral sobre os achados para os pacientes em DRC. E, por fim, descortinar-se-á a relação entre
atividade física e qualidade de vida, descrevendo seu papel no tratamento para DRC, destacando
as principais produções que versam sobre esta relação.

3.1. Doença Renal Crônica
A Doença Renal Crônica pode ser conceituada como uma lesão renal e perda progressiva
e irreversível da função dos rins, incluindo os aspectos glomerulares, tubulares e endócrinos
(AKCHURIN, 2019). Ainda que os dados epidemiológicos sobre pessoas com DRC sejam
bastante frágeis, a associação da doença com outras comorbidades ajudam a corroborar a
hipótese de a doença ser compreendida como um problema de saúde coletiva, especialmente
em virtude dos gastos que podem ser dispendidos para o tratamento destas populações.
As causas da DRC estão relacionadas ao histórico familiar e ao comportamento e estilo
de vida dos sujeitos. Pessoas que apresentam quadros de obesidade, HAS, DM e Dislipidemia
ao longo da vida têm maiores chances de desenvolvimento da DRC.
A hipótese diagnóstica concreta para DRC leva em consideração dois elementos: 1) a
presença de uma taxa de filtração glomerular inferior a 60 ml/min/1,73m2 por 3 meses
consecutivos ou mais; 2) a presença de sinais de lesão renal avaliadas através de exames
laboratoriais, imagens ou histologia renal (BASTOS & KIRSZTAJN, 2011). Neste caso, a
proteinúria é uma das referências básicas para a identificação dos danos renais, podendo ser
acrescidas de imagens de ultrassom para identificar alterações morfológicas, mudanças
histopatológicas e outras alterações na urina (hematúria glomerular). A importância de um
diagnóstico precoce é essencial para o desenvolvimento de ações clínicas mais efetivas para o
paciente.
14

A Taxa de Filtração Glomerular (TFG) é a medida que informa a capacidade renal em
eliminar as substâncias do sangue, referenciado pela quantidade de solutos depurados em
unidade de tempo (BASTOS et al, 2004). No processo de filtração, a absorção (albumina) e
eliminação de substâncias (resultados de metabolismo proteico) revela uma diminuição da
função dos néfrons em decorrência de vários fatores fisiológicos.
Em termos fisiopatológicos, os efeitos do estilo de vida ocasionam ao longo do tempo um
insulto renal e uma hiperfiltração adaptativa. O insulto promove uma perda irreversível dos
néfrons e alterações na atividade intra renal do sistema renina-angiotensina, corroborando para
um aumento dos níveis pressóricos e do fluxo glomerular. Ao mesmo tempo, em virtude da
hiperfiltração adaptativa há manifestações de proteinúria e fibrose renal, culminando em uma
glomeruloesclerose segmentar difusa. Logo, a partir da clearance de substâncias exógenas
(inulina, iotalamato-I, EDTA, DTPA-Tc ou iohexol) a visualização do ritmo da filtração
glomerular pode ser identificada com melhor propriedade (RIELA & MARTINS, 2013).
Os principais sintomas apresentados pelos sujeitos com DRC com o avanço da doença
podem ser apontados como diminuição da produção da urina, retenção líquida com formação
de edemas, sonolência, falta de apetite, dor ou pressão no peitoral, falta de ar, confusão mental,
náusea, vômitos e, em casos mais severos, convulsões (SBN, 2021).
A classificação dos estágios da DRC tem como referência o ritmo da TFG: G1 = ≥90
mL/min/1,73 m2, G2 = 60 a 89 mL/min/1,73 m2, G3a = 45 a 59 mL/min/1,73 m2, G3b = 30 a
44 mL/min/1,73 m2 , G4 = 15 a 29 mL/min/1,73 m2, G5 = <15 mL/min/1,73 m2 G5D = diálise
2. A DRC G1-2 é definida pela evidência de dano renal, usualmente albuminúria (>30 mg/g ou
>3 mg/mmol), com TFG >60 mL/min/1,73m2, enquanto isso a DRC G3-5 compreende
variações mais baixas e progressivas da TFG (LEVEY et al, 2021). Nos estágios G1 a G4
utiliza-se o protocolo de tratamento conservador e o G5 poderá ser iniciada a terapia substitutiva
de filtração renal.
Na fase final, com a observação da inoperância da função renal, as terapias substitutivas
podem ser necessárias para sobrevida do paciente, que incluem a hemodiálise, a diálise
peritoneal ou o transplante. Neste tipo de paciente já podem ser observados efeitos severos nos
sistemas

nervoso,

cardiovascular,

respiratório,

musculoesquelético,

imunológico

e

endócrino/metabólicos (PLENTZ, SILVA e SIGNORI, 2013; LEVEY et al, 2020).
De acordo com a Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN, 2021), o Tratamento
Conservador consiste no manejo clínico do paciente visando uma promoção de alterações no
estilo de vida, na utilização de medicamentos para atenuar comorbidades mais avançadas e no
15

monitoramento dos marcadores bioquímicos com a realização de exames. Os procedimentos
incluem:
- Orientação nutricional com restrições proteicas em fósforo e potássio.
- Controle da pressão arterial nos níveis de 130 x 80 mmHg.
- Controle Glicêmico com HbA1c < 7% e Glicemia em jejum < 140mg/dl;
- Interrupção do tabagismo;
- Utilização de medicação para o controle da proteinúria;
- Tratamento para o controle dislipidêmico;
- Utilização de medicação para controle da anemia;
- Tratamento para possíveis distúrbios ósseos;
- Manejo dietético para hipercalemia;
- Tratamento de acidose no sangue;
- Orientações para prática de atividade física e diminuição do comportamento sedentário
A Terapia Renal Substitutiva (TRS) também inclui uma orientação nutricional, mas exige
um maior controle de ingestão proteica e controle da excreção de fósforo. Além disso, poderá
ser realizado um transplante renal, uma diálise peritoneal (que consiste na inserção de um
cateter no peritônio para estimular a filtração glomerular) ou Hemodiálise (HD), cuja filtração
seria inteiramente realizada por uma máquina. O principal efeito da HD é a instauração da
síndrome urêmica que se manifesta no aparecimento de “neuropatias motoras e/ou autonômicas,
miopatias cardíacas ou musculoesqueléticas, mudanças vasculares periféricas, anemia,
disfunção no metabolismo ósseo, comprometimento imunológico e a danos cognitivos”
(PLENTZ; SILVA; SIGNORE, 2004, p. 450; NEVES et ali, 2021).
Em grande parte, os pacientes em HD apresentam quadros de doenças cardiovasculares
como hipertrofia ventricular esquerda (HVE), insuficiência cardíaca (IC), HAS e doença
arterial coronariana, bem como percebe-se um quadro de diminuição da capacidade funcional,
do consumo máximo de oxigênio (VO2max), sarcopenia, perda da força muscular e alterações
psicossociais (depressão, melancolia e tristeza profunda) (DEUS et al, 2015; EVARISTO et al,
2020; MURDERSHWAR & ANJUN, 2021)
Em síntese, pode-se apontar que o tratamento da DRC envolve quatro etapas: 1) retardar
a progressão da doença (inibidores de ECA, controle da HAS e glicemia, redução da proteinúria
e restrição proteica quando necessária); 2) prevenir complicações (desnutrição, anemia,
osteodistrofia, alterações eletrolíticas e acidose); 3) modificar comorbidades (cardiopatia,
16

vasculopatia, neuropatia, dislipidemia e retinopatia); 4) e preparar para a TRS (educação em
saúde, escolha da melhor terapia, disponibilizar melhor acesso e início do tratamento)
(ROMÃO JÚNIOR, 2004; TERRA et al, 2010; PAVARTHAREDDY et al, 2021; YAN, CHAO
& LIN, 2021).
Neste sentido, a prática regular de atividade física pode ser considerada como um
importante comportamento adotado pelas pessoas com DRC que agregaria mudanças positivas
nos parâmetros de saúde clínica da doença, no controle do avanço dos quadros severos e
melhoria nas respostas aos tratamentos realizados.

3.2. Atividade Física
A atividade física é considerada como qualquer movimento músculo esquelético
voluntário do corpo que possibilite o gasto enérgico acima dos níveis basais. No entanto,
quando o movimento corpóreo é realizado de maneira planejada, sistematizada, com uma
determinada frequência, duração e intensidade, bem como visa o aperfeiçoamento de variáveis
da aptidão física (composição corporal, força, flexibilidade ou condicionamento
cardiorrespiratório) a mesma atividade pode ser classificada como exercício físico
(CARPESEN et al, 2005).
A importância da prática de atividade física para a saúde dos sujeitos foi pela primeira
vez reportada no trabalho de Morris & Crawford (1958) quando apontou que os níveis de
atividade física entre motoristas e cobradores de ônibus londrinos indicavam desfechos para
aumento de incidência de doença coronariana e mortalidade por doenças cardiovasculares. Tal
estudo corroborou para o aumento das investigações na associação entre prática de atividade
física e mortalidade em várias causas nas décadas de 60 e 70, contribuindo para o American
Heart Association e o American College Sports of Medicine sinalizam os benefícios da
atividade física para melhoria cardiorrespiratória, associando aptidão física e saúde. Neste
cenário, a OMS vem historicamente recomendando os níveis básicos de frequência e
intensidade de atividade física para população mundial para aquisição de saúde, atualizados em
2021, pelo Ministério da Saúde, com a recente publicação do Guia de Atividade Física para a
População Brasileira (MS, 2021).
Os benefícios da atividade física para o controle da obesidade e diabetes mellitus tipo 2
foram largamente comprovados pela literatura. Para obesidade, Moraes e Zanesco (2013)
17

destacaram a importância da atividade física como um recurso adjuvante ao uso de medicação,
controle de ingesta de alimentos e intervenções psíquico-comportamentais para tratamento da
obesidade, apontando a importância da realização de uma anamnese para diagnóstico do estado
geral de saúde, bem como uma avaliação de mecanismos biodinâmicos, como pressão arterial
e frequência cardíaca, para prescrição de exercícios. Coquart (2008) apontou que, em termos
de exercício aeróbio, deve-se priorizar o volume em detrimento da carga, direcionando para
uma frequência de cinco vezes por semana. Sobre os exercícios de força, o American College
of Sports Medicine (ACSM, 2008) sinalizou para necessidade de associação com as atividades
aeróbicas, tendo em vista a baixa perda ponderal de peso durante as práticas anaeróbicas, mas
necessárias para a manutenção da massa magra. Pasetti (2006) reportou os exercícios aquáticos
como uma alternativa viável para tratamento da obesidade, tendo em vista a diminuição de risco
de lesões, a possibilidade de aumento da intensidade do exercício e redução de riscos de
hipertermia.
No que se refere à Diabetes, Burini e colaboradores (2013) relataram a prática de
atividade física como benéfica para a diminuição dos níveis de glicemia de jejum e da massa
corporal. Exercícios aeróbios de intensidade moderada e com maiores volumes têm sido
apontados como um manejo importante tanto para conter o avanço da doença como para
manutenção das taxas glicêmicas antes da instauração da doença (SUI, 2008; WEI, 1999). Os
exercícios com força, em virtude da melhora nas respostas insulínicas ao ganho de massa
muscular, constituem-se como recurso para diminuição da gordura visceral e glicemia de jejum
(SRIKANTHAN, 2011; IBAÑEZ, 2005).
Logo, a ausência de atividade física e a consequente instauração do sedentarismo traz
danos físicos que corroboram para instauração da diabetes, obesidade e outras doenças. A razão
da intercorrência destas comorbidades está associada a inatividade do sistema muscular,
causando: diminuição da absorção do oxigênio (VO2max), diminuição do volume cardíaco,
perda de fósforo e cálcio, desequilíbrio hormonal, baixas no sistema imunológico e perda da
massa muscular e função física (NARICI, 2020). Para além dos efeitos assinalados, Pinho et ali
(2020) apontam para os prejuízos na força muscular, no equilíbrio, mobilidade, performance e
controle motor, função cardiorrespiratória, flexibilidade e amplitude dos movimentos. A prática
de atividade física aumenta a expressão da IL-10 e IL-37, citocinas que ativam a AMPK
promovendo a diminuição da inflamação crônica.
Em virtude da condição crônica, a DRC ao longo tempo, sempre foi estudada em
associação com estas comorbidades. Entretanto, por conta da severidade da falência renal e na
18

busca de melhorias nas condições do tratamento de hemodiálise, a maioria dos estudos
voltaram-se para compreensão do efeito do exercício físico e da atividade física em pacientes
em TRS.
Estudos de Coorte e observacionais sobre os níveis de atividade física são escassos. No
Brasil, um dos pioneiros foi o apresentado por Araújo Lima et al (2019) com base em
prontuários hospitalares demonstrando a baixa orientação clínica para a prática de atividade
física dos pacientes renais (70,4%) sendo possível fazer uma associação com a apresentação de
baixos níveis de comportamento ativo na população investigada. Becerra-Arias (2019), em um
estudo colombiano, identificou as mesmas condições da população renal apresentando uma
incidência de 0,4% de presença de DRC em 1626 pacientes avaliados. Logo, os estudos
observacionais tem realizado associações positivas nos altos níveis de pacientes DRC com as
capacidades e habilidades cognitivas, na capacidade funcional e nos parâmetros
antropométricos.
Em se tratando de estudo de intervenção o cenário modifica-se completamente. Para os
exercícios aeróbios, Seso (2004), Bohm (2010) e Segura-Orti (2010; 2010) em suas
investigações descrevem como a intervenção promovia a diminuição da pressão arterial
sistêmica em repouso, da frequência cardíaca de repouso, do perfil lipídico e do incremento em
10% a 40% do VO2max. Em decorrência das diferentes condições de capacidade funcional dos
pacientes em HD, a intensidade e a frequência deveriam ser ajustadas nas especificidades
clínicas. Entretanto, uma base comum apontava que entre 30 a 60 minutos de duração com uma
frequência cardíaca de 60-70% de intensidade revelariam estes benefícios. Um elemento
interessante é que os autores recomendaram a possibilidade de associação entre vários tipos de
exercícios, avaliando a capacidade funcional e gravitacional dos sujeitos. Estudos mais
recentes, deixaram de observar os aspectos exclusivamente funcionais relacionadas à aptidão
física e parâmetros gerais de saúde, mas comprovaram os resultados importantes dos exercícios
aeróbicos nas respostas da função renal, da taxa de filtração glomerular e nos marcadores
inflamatórios (MANFREDINI, 2017; BEETHAM, 2018; CRUZ, 2018)
No que refere aos exercícios com peso, houve muitas restrições no início das
investigações envolvendo essa população, sobretudo por conta da debilidade física, da
diminuição da capacidade funcional e fadiga oriundas do tempo de exposição na HD. Todavia,
rapidamente desenvolveu-se a constatação da potencialidade da força na recuperação da
resistência muscular como mecanismo de promoção da melhora da massa corporal para o
desenvolvimento das tarefas diárias. Estudos clínicos pioneiros, Cheema (2005) e Johansen
19

(2006) apresentaram os benefícios da utilização de exercício dinâmicos com esta população,
estabelecendo os parâmetros de frequência de 3 a 4 vezes por semana, com séries de 10 a 12
repetições, intensidade de 30 a 75% de 1RM (repetição máxima).
Para além dos exercícios dinâmicos, investigações mais recentes têm se debruçado na
avaliação dos efeitos dos exercícios estáticos nestes pacientes. Freire (2013), por exemplo,
identificou algumas eficiências na hemodiálise com a utilização de exercícios isotônicos.
Leehey (2016) e Howden (2015) com pacientes em tratamento conservador (estágios 2 a 4)
apontou que melhores alterações em perfil lipídicos e TFG podem ser vislumbradas a partir de
12 semanas de intervenção. Hiraki (2017) percebeu que ao longo de um ano houve um
incremento na força muscular dos membros superiores a partir da intervenção. Em recente
estudo de revisão, Villanego (2020) identificou 21 ensaios clínicos com intervenção aeróbica e
resistência com pacientes renais demonstrando que muitas intervenções desenvolvem maiores
benefícios na capacidade funcional, na força muscular e nos parâmetros de aptidão físico do
que propriamente uma contenção do avanço da doença renal com melhoras nos níveis de TFG.
Em virtude destas inconsistências sobre os efeitos nos aspectos fisiopatológicos da
doença, atualmente há uma perspectiva de investigar variáveis voltadas para melhora na
capacidade funcional dos pacientes, como a sarcopenia. Moorthi & Alvin (2017) reportaram a
importância de avaliações clínicas na associação entre sarcopenia e DRC sobretudo por conta
dos desfechos para aumento de fraturas, hospitalização, limitações funcionais e mortalidade
destes pacientes. Por conta deste cenário, recomendam um trabalho interdisciplinar voltado para
a intervenção com exercícios físicos de forma individualizada, associado ao tratamento
nutricional. Gadelha et al (2021) em um ensaio clínico com idosos sarcopênicos em uma
intervenção com 24 semanas identificou benefícios em biomarcadores para anemia e na
capacidade muscular, demonstrando que este é um campo de investigação em aberto para
pacientes com DRC.
Para além dos exercícios de força e aeróbicos, a relação entre DRC com exercícios de
flexibilidade e aquáticos ainda não são sólidos na comunidade científica. Kosmadakis (2010) e
Gárcia (2000) informaram uma possibilidade de frequência de 3 a 5 vezes por semana, com
exercícios estáticos, sobretudo visando a melhora na amplitude articular de movimento e na
amenização de câimbras oriundas da HD. Para os exercícios aquáticos, Petcher (2003; 2003)
foi um dos percursores neste tipo de intervenção demonstrando possíveis diminuições nos
níveis de estresse oxidativo, na PAS e função renal, bem como uma ampliação do VO2max.
20

Todavia os resultados com este tipo de exercício ainda são incipientes, descortinando melhores
escores no âmbito das complicações da DRC do que nas variáveis funcionais da doença.
3.3. Qualidade de Vida
Outro aspecto que impacta no cotidiano de tratamento dos pacientes com DRC é a sua
percepção de qualidade de vida. Ainda que o conceito tenha apresentado uma percepção do
sujeito de sua vida a partir de dimensões variadas como questões físicas, emocionais,
comportamentais, sociais e de meio ambiente, Vilarta, Gutierrez e Monteiro (2010) apontaram
as dificuldades de operacionalização cotidiana destas dimensões. De uma certa forma é como
se as pessoas conhecessem o conceito, mas, em virtude de inúmeras condições internas e
externas, não conseguissem alcançar a plenitude orientadas pelas postulações teóricas. A lógica
de trabalho e as pressões do modelo capitalista trouxeram à luz o conceito como uma condição
sine qua non para saúde e bem-estar dos indivíduos. Sem dúvida alguma, a condição de
enfermidade pode vir agravar essas situações, especialmente em dimensões efetivamente
relacionadas à doença.
A avaliação dos níveis de Qualidade de Vida de populações com ou sem doenças tem se
utilizado de questionários que, mesmo que produzam dados quantitativos na avaliação final,
são oriundos de informações subjetivas ofertadas por participantes. O WHOQOL-Bref e o SF36, instrumentos validados internacionalmente, identificam a percepção da QV em um marco
temporal de 15 dias, deixando evidente a possibilidade de alterações nas respostas oferecidas
pelos sujeitos logo após a aquisição das informações. Enquanto instrumentos indiretos de
aquisição de variáveis, o WHOQOL-bref tornou-se mais pertinente em populações fora das
condições de hospitalização, enquanto o SF-36, normalmente se aplica para casos mais graves
de internação. Todavia, para algumas doenças já existem questionários específicos voltados
para identificação do impacto nos sintomas, no tratamento e dos efeitos colaterais na QV
específicas daquela enfermidade. Caso da hemodiálise, cuja QV pode ser averiguada através do
Kidney Disease Quality of Life Short Form (KDQOL-SF).
Em se tratando de estudos observacionais com pacientes DRC, há um consenso sobre o
impacto na capacidade funcional, na satisfação com a saúde e na percepção de qualidade de
vida destes sujeitos com o avanço da doença (LIMA, 2021; PRETTO, 2020; ZHANG, 2020;
PANILLOS-PATIÑO, 2019; FUKUSHIMA, 2019; JESUS, 2019; PEREIRA, 2019; TOMISH,
2014). As especificidades no tratamento com HD revelam maiores impactos nas dimensões de
21

dor, limitação por aspectos funcionais, vitalidade e aspectos emocionais. Evidentemente que os
trabalhos apontam diferenciações no âmbito do sexo, nível de escolaridade, tempo de
tratamento e associação com outras comorbidades.
Em muitos casos, a avaliação da QV em pacientes renais é incluída nas variáveis de
avaliação em programas de intervenção com exercício físico. Por exemplo, no grande estudo
multicêntrico de Manfredini et ali (2017), com exercícios aeróbicos detectou alterações
significativas após seis meses na função cognitiva, qualidade social de interação e na qualidade
do sono. Em outro estudo, Lobo et ali (2018), com apenas um mês de intervenção, revelou
alterações benéficas nos aspectos físicos, escala de sintomas, escala de mudanças e domínio de
efeitos.
Estudos de revisão sistemática são raros envolvendo QV e DRC. Santos e Rocha (2014)
realizaram um levantamento de estudos com pacientes transplantados, identificando 11
trabalhos que utilizaram, em sua maioria, o SF-36. Constatou-se, na visão dos participantes,
que a realização do transplante de rim traria melhorias à QV dos pacientes, especialmente nas
dimensões física e emocional.
Essa breve revisão de literatura revela que poucos estudos observacionais ou de coorte
são realizados com a população DRC associado à QV e NAF, contribuindo para um limitado
conhecimento destas características da população. Além disso, quando estudos emergem são
voltados essencialmente para pacientes em tratamento HD, tornando mais invisíveis dados com
pacientes em TC que possam auxiliar em um acompanhamento mais preciso da evolução da
doença. Desta feita, os estudos de intervenção também privilegiam os pacientes HD sobretudo
pela facilidade, maior controle e aderência da população aos programas.

22

4. METODOLOGIA
Tipo de estudo, População e Amostra
Tratou-se de um estudo transversal.
Para o desenvolvimento do plano amostral foi considerada a amostra por conveniência,
formada por pacientes com diagnóstico de DRC assistidos pelos ambulatórios nefrologia do
Hospital Universitário Professor Alberto Antunes (HUPAA) da Universidade Federal de
Alagoas (UFAL) com Taxa de Filtração Glomerular (TFG) abaixo de 89 mL/min/1,73m2,
classe 2.
O cálculo da amostra respeitou uma média pacientes atendidos nos ambulatórios da
nefrologia durante o período de estudo. Dentro desta população considerou-se o percentual de
40% de pacientes com DRC e HAS para o cálculo do número mínimo de pacientes necessários
para participação do estudo (NEVES et al, 2020). A escolha desta comorbidade como parâmetro
no cálculo deveu-se ao fato de ser aquela de maior manifestação associada à DRC. Utilizou-se
como base o nível de um nível de confiança de 90% e erro amostral de 10%, para a identificação
do número de pacientes mínimos para configuração da amostra.
Foram incluídos os pacientes de ambos os sexos; com idade superior aos 18 anos;
diagnosticadas com DRC atendidos no HUPAA/UFAL; que se encontravam em
acompanhamento médico para o tratamento da doença; que assinarem o Termo de Livre
Consentimento e Esclarecido (TCLE). Foram excluídos do estudo os pacientes que tenham
assinalado mais de uma resposta para as questões ou não respondido quaisquer das questões
dos instrumentos de pesquisa; gestantes, pessoas com deficiência física, pessoas com
transtornos mentais, pessoas com câncer, lúpus, autismo ou síndrome de Down.

Instrumentos e Procedimentos de Coleta
Os instrumentos de pesquisa foram aplicados no ambulatório de nefrologia do
HUPAA/UFAL, de segunda a sexta, no horário vespertino e matutino, por pesquisadores
habilitados para o desenvolvimento da pesquisa.
Os pacientes foram convidados a participar do estudo no próprio ambiente de consulta.
Após receberem esclarecimentos quanto à realização da pesquisa, os pacientes assinaram o
Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) (Apêndice A). Naquele momento, foram
23

recolhidos os dados clínicos no prontuário do participante, realizado a aplicação dos
questionários (Anexos A, B e C) e realizadas as aferições antropométricas.
As variáveis de interesse do estudo foram:
● Dados demográficos: foram coletados dados referentes à idade, cor da pele (branca, preta ou

parda) e estado civil nos prontuários de atendimento dos ambulatórios de nefrologia.
● Dados socioeconômicos: foram coletados dados referentes aos anos de escolaridade, sendo

classificados a partir do tempo de permanência na educação básica e superior referenciadas nos
dos prontuários de atendimento dos ambulatórios de nefrologia.
● Dados clínicos: foram coletados dados referentes à história clínica do paciente (resultados

de exames bioquímicos: proteinúria, hematócrito, creatinina, glicemia de jejum, hemoglobina
glicada, colesterol total, HDL, LDL, triglicerídeos, ureia, proteínas totais, albumina, ferritina,
cálcio, potássio, sódio e fósforo), o perfil do estilo de vida (identificação do consumo de álcool
e tabaco) e as doenças e agravos preexistentes (prevalência de HAS, DM, Dislipidemia,
Obesidade ou outras).
● Taxa de Filtração Glomerular (TFG): para esta variável foram utilizadas as equações de

CKD-EPI que inclui os dados de sexo, raça, idade e níveis de creatinina para classificação dos
sujeitos, a saber: TFG = 141 X min (SCR/k, 1) a X max (SCR/k, 1) -1,209 X 0,993 Idade X
1,018 [se mulher] X 1,159 [negro]. O critério de inclusão na condição de DRC considerou os
pacientes com uma TGF < 90mL/min/1,73m2, por 3 meses seguidos, e que vinham sendo
acompanhados por atendimento clínico no ambulatório da instituição pesquisada.
● Perfil Nutricional: para esta variável foram realizadas avaliações do Índice de Massa

Corporal, da Circunferência de Cintura e o Percentual de Gordura dos participantes. Para o
Índice de Massa Corporal foram coletadas o peso (kg) atual e altura (m). Para aferição do Índice
de Massa Corporal foi utilizado uma balança digital portátil Charder® modelo MS6121R com
capacidade para 250 kg e precisão de 100g; a estatura foi verificada em estadiômetro Seca
modelo 213, dotado de fita métrica inextensível com sensibilidade para 0,1 cm e amplitude de
205 cm. O índice de massa corporal-IMC (kg/m²) foi calculado e classificado segundo as
recomendações da WHO (PETROSKI, 1995) ou Lipschitz (1994) para os idosos. Para a
24

Circunferência de Cintura (CC) foi utilizado uma fita métrica inextensível Cescorf, com
sensibilidade de 0,1cm e capacidade de 150 (TBW Importadora 62 Ltda). A CC foi avaliada
segundo os critérios estabelecidos pela Organização Mundial da Saúde (OLIVEIRA e
RODRIGUES, 2016). Para o Percentual de Gordura foram coletadas as pregas cutâneas
tricipital (PCT), bicipital (PCB), subescapular (PCSE) e supra-ilíaca (PCSI), seguindo
protocolos internacionais padronizados de Lohman (1988) e WHO (1995). As pregas cutâneas
foram tomadas utilizando-se adipômetro (Cescorf Clínico® Modelo 162522). Para o somatório
das pregas cutâneas foi utilizado para avaliação do percentual de gordura corporal segundo a
equação de Durning e Womersley (1974).
● Nível de Atividade: foram coletadas as informações a partir do questionário de nível de

atividade física (IPAQ-Versão Longa) (Anexo A). O perfil da atividade física apresenta os
índices dos pacientes nas atividades no âmbito do lazer, nas tarefas domésticas, nas atividades
no trabalho e em deslocamento (MATSUDO et ali). Foi utilizado o parâmetro de 150 a 300
minutos/semana de atividade moderada-vigorosa, recomendados pela OMS (2020). Os escores
atribuídos para a classificação dos participantes seguiram a seguinte distribuição: muito ativo
> 300 min/sem; ativo = 150 a 300 min/sem; insuficientemente ativo = 150 a 70 min/sem;
sedentário < 70min/sem.
● Nível de Qualidade de Vida: para identificação da percepção de qualidade de vida dos

participantes foi utilizado o questionário World Health Organization Quality of Life
(WHOQOL-Bref) (Anexo B), tendo em vista que os demais instrumentos comumente aplicados
para mensurar esta variável, o SF-36 (recomendado cientificamente para pacientes em situação
de internação hospitalar) e KDQOL-SF (validado cientificamente para pacientes que já se
encontram em tratamento de hemodiálise), não apresentavam características adequadas a
amostra. Neste sentido, o WHOQOL-Bref permitiu identificar a percepção na variável subjetiva
de qualidade de vida dos pacientes nas dimensões física, psicológica, relações sociais, meio
ambiente, satisfação com a saúde e percepção geral da qualidade de vida (KLUTHCOVKSY,
2009). Os cálculos dos escores seguiram as recomendações dos instrumentos, sendo o
continuum entre 0 a 100 pontos a referência para identificação do nível de qualidade de vida
dos participantes.

25

Análise dos Dados
Os dados foram tabulados utilizando o programa Microsoft Excel®. Todas as análises
foram realizadas com o auxílio do software R, com o pacote estatístico JASP versão 0.13.1,
adotando um nível de confiança de 95% (p<0,05).
Para verificar a normalidade dos dados foi utilizado o Shapiro-Wilk Test. Para
associação entre as variáveis foi utilizado o teste de Mann-Whitney; bem como utilizou-se a
correlação de R-Spearman para as variáveis monotônicas (contínuos ou ordinais) das variáveis
QV, NAF e IMC e TFG. Para as associações e correlações do produto 1, os participantes foram
divididos em dois grupos referentes a TFG, a saber: participantes com TFG entre 8945mL/min/1,73m2 e pacientes com TFG <45mL/min/1,73m2. Para as associações e
correlações do produto 2, os participantes foram divididos em dois grupos, a saber:
sedentários, pacientes com tempo de prática de atividade física menor que 150
minutos/semana a partir dos dados do IPAQ; e ativos pacientes com tempo de prática de
atividade física superior a 150 minutos/semana a partir dos dados do IPAQ. O tamanho do
efeito baseado em D-Cohen’s Standardt tendo como referência 0-0,2 para efeito irrelevante;
0,3-0,5 para efeito pequeno; 0,6-0,8 efeito médio; acima 0,9 largo efeito. Os níveis de
significância foram considerados p= <0,05 e o Intervalo de Confiança em 95%.

Procedimentos Éticos
O presente trabalho foi submetido ao Comitê de Ética e Pesquisa da Universidade Federal
de Alagoas, correspondendo a Etapa 1 do Projeto “Ação da Própolis Vermelha e do Exercício
Física em Doentes Renais Obesos”, sendo aprovado sob o número do Protocolo 4.130.914/2020
(Anexo C).

26

5. PRODUTOS

ARTIGO 1. NÍVEL DE ATIVIDADE FÍSICA, QUALIDADE DE VIDA E PERFIL
NUTRICIONAL

DE

PACIENTES

RENAIS

CRÔNICOS

EM

TRATAMENTO

CONSERVADOR segundo as normas da REVISTA BRASILEIRA DE ATIVIDADE FÍSICA
E SAÚDE. Comprovante de submissão à revista encontra-se no ANEXO D.
ARTIGO 2. NÍVEL DE ATIVIDADE FÍSICA EM PACIENTES RENAIS CRÔNICOS E
ASSOCIAÇÕES COM PERFIL NUTRICIONAL E QUALIDADE DE VIDA segundo as
normas da REVISTA CONTEXTO & SAÚDE. Comprovante de submissão à revista encontrase no ANEXO E.

27

5.1. ARTIGO 1
NÍVEL DE ATIVIDADE FÍSICA, QUALIDADE DE VIDA E PERFIL NUTRICIONAL
DE PACIENTES RENAIS CRÔNICOS EM TRATAMENTO CONSERVADOR
Level of physical activity, quality of life and nutritional profile of chronic renal patients in
conservative treatment
RESUMO
Estudos apresentaram resultados benéficos para a prática de exercício físico no tratamento adjuvante à
Doença Renal Crônica. O objetivo desse estudo foi analisar o nível de atividade física, qualidade de vida
e o perfil nutricional em pacientes em tratamento conservador para Doença Renal Crônica no Hospital
de Alta Complexidade. A amostra foi composta por pacientes de ambos os sexos, com idade superior
aos 18 anos em tratamento conservador para DRC. Foram avaliados o perfil nutricional (Índice de Massa
Corporal, Circunferência de Cintura e Percentual de Gordura); nível de atividade física (IPAQ); nível
de Qualidade de Vida (WHOQOL-Bref)). Participaram do estudo 52 pacientes com idade média de 60,3
± 9,11 anos, 53,84% mulheres, 57,69% diabéticos e 76,92% hipertensos. Para o perfil nutricional e nível
de atividade física, 38,46% eram obesos; 82,69% com padrões elevados de CC; e 67% apresentaram
baixos níveis baixos de atividade física. Para o nível de qualidade de vida, menores escores em satisfação
com saúde (2,98± 0,83) e meio ambiente (2,75± 0,38); melhores escores em domínio psicológico (3,80±
0,53) e relações sociais (3,58± 0,58). Não houve associação significativa entre as variáveis do estudo e
a estratificação dos pacientes em níveis de filtração glomerular. A correlação foi positiva do estágio
DRC somente com a dimensão de relações sociais (r=0,247, p=0,07, IC de 95% 0,7, 0,4) do nível de
qualidade de vida. Os sujeitos apresentaram baixos níveis de atividade física e elevado percentual de
excesso de peso/obesidade, mas estes níveis não se alteraram em associação com os estágios da DRC.
Palavras-chaves: Atividade física; Qualidade de vida; Nutrição; Renal.

ABSTRACT
Studies have shown beneficial results for the practice of physical exercise in the adjuvant treatment of
Chronic Kidney Disease. The aim of this study was to analyze the level of physical activity, quality of
life and nutritional profile in patients undergoing conservative treatment for Chronic Kidney Disease at
Hospital de Alta Complexidade. The sample consisted of patients of both genders, aged over 18 years,
under conservative treatment for CKD. The nutritional profile (Body Mass Index, Waist Circumference
and Fat Percentage) were evaluated; physical activity level (IPAQ); Quality of Life level (WHOQOLBref)). The study included 52 patients with a mean age of 60.3 ± 9.11 years, 53.84% women, 57.69%
diabetic and 76.92% hypertensive. For the nutritional profile and level of physical activity, 38.46% were
obese; 82.69% with high CC standards; and 67% had low levels of physical activity. For the level of
quality of life, lower scores in satisfaction with health (2.98± 0.83) and environment (2.75± 0.38); better
scores in the psychological domain (3.80±0.53) and social relationships (3.58±0.58). There was no
significant association between study variables and patients' stratification in glomerular filtration levels.
The correlation was positive for the DRC stage only with the dimension of social relationships (r=0.247,
p=0.07, 95% CI 0.7, 0.4) of the level of quality of life. The subjects had low levels of physical activity
and a high percentage of overweight/obesity, but these levels did not change in association with the
stages of CKD.
Keywords: Physical activity; Quality of life; Nutrition; Renal.

28

Introdução
A atividade física, entendida como qualquer movimento muscular voluntário que
promova gasto energético acima do basal1, e, ao longo dos anos, vem sendo apontada como um
importante comportamento para melhora nos indicadores de saúde dos indivíduos. Pessoas com
doenças metabólicas (obesidade, dislipidemia), cardiovasculares, neoplasias e doenças
imunológicas com baixos níveis de sedentarismo podem ter benefícios nos marcadores
inflamatórios, bioquímicos e nas respostas satisfatórias aos tratamentos medicamentosos.
Para a Doença Renal Crônica, que muitas vezes têm agravo de outras comorbidades como
obesidade, hipertensão arterial sistêmica, dislipidemia e diabetes, a atividade física vem sendo
recomendada com um importante recurso não farmacológico para melhoria nos níveis de
filtração glomerular e função renal2-3; para aquisição de benefícios nos tratamentos com HD4;
para melhora de variáveis relacionadas à aptidão física5-7; para a diminuição de prevalência de
comorbidades e/ou agravos à saúde8-9; para a melhoria de variáveis psicológicas e cognitivas
de pacientes com DRC10-11; para benefícios na autopercepção da Qualidade de Vida.
Neste sentido, a qualidade de vida (QV) – compreendida como a percepção que os sujeitos
adquirem ao longo da vida de variáveis como saúde, longevidade, lazer, relações familiares,
trabalho, meio ambiente, questões financeiras e espiritualidade12 – vem sendo considerado um
item importante no tratamento de pessoas com DRC. Estudos já indicam níveis abaixo de
percepção da QV em populações com DRC independente dos estágios13-14; além das possíveis
melhoras nos indicadores de QV com intervenções com exercícios físicos nessas populações.
Entretanto, ainda que muitos estudos têm avaliado o papel do exercício físico nos níveis
de aptidão física, na função renal, no perfil nutricional; além de identificar os níveis de atividade
física e qualidade de vida dos pacientes com DRC, a maioria das investigações se debruçam em
populações em estágio 5 (falência renal). Isso ocorre muito em virtude da facilidade em
realizações de intervenções e coleta de informações em pacientes em tratamento com HD.
Logo, existem lacunas em estudos com populações com DRC em tratamento conservador.
O presente estudo visa identificar o nível de atividade física (NAF), qualidade de vida e
perfil nutricional em pacientes DRC em Tratamento Conservador (DRC TC); associar os NAF
e QV com os estágios da DRC TC; e correlacionar o NAF e QV com os estágios da DRC TC
em pacientes em acompanhamento em ambulatórios de nefrologia de um Hospital de Alta
Complexidade da cidade de Maceió/AL.
29

Método
Tratou-se de um estudo transversal.
A amostra foi recrutada e selecionada por conveniência a partir da população em
atendimento nos ambulatórios de nefrologia de um Hospital Universitário da cidade de
Maceió/AL entre os meses de novembro de 2020 a junho de 2021.
O cálculo da amostra respeitou uma média de 200 pacientes atendidos nos ambulatórios
da nefrologia, correspondendo a 1600 pacientes atendidos no período de estudo. Dentro desta
população considerou-se o percentual de 40% de pacientes com DRC e HAS (640) para o
cálculo do número mínimo de pacientes necessários para participação do estudo (NEVES et al,
2020). A escolha desta comorbidade como parâmetro no cálculo deveu-se ao fato de ser aquela
de maior manifestação associada à DRC. Utilizou-se como base o nível de confiança em 90%
e erro amostral de 10% identificando um número mínimo de 41 pacientes.
Foram incluídos no estudo os pacientes que possuíam a Taxa de Filtração Glomerular
(TFG) abaixo de 90mL/min/1,73m2 diagnosticados com DRC; maiores de 18 anos; de ambos
os sexos; com acompanhamento médico; e que assinaram o Termo de Consentimento Livre e
Esclarecido (TCLE).
Foram excluídos do estudo pacientes que não tenham respondido ou assinalado mais de
uma resposta em qualquer questão dos instrumentos de pesquisa; que estavam realizando
tratamento com hemodiálise; pessoas com deficiência física; pessoas com lúpus; pessoas com
transtornos mentais, com câncer, autismo ou síndrome de down.
O presente trabalho foi submetido ao Comitê de Ética e Pesquisa da Universidade Federal
de Alagoas e aprovado sob o número do Protocolo 4.130.914/2020.
Para disposição do Perfil Social e Estado Geral da Saúde dos pacientes foram coletadas
informações sobre sexo, idade, cor, local de residência, estado civil, nível de escolaridade,
presença de outras doenças e comportamento etílico e tabagista dos prontuários eletrônicos na
instituição de atendimento.
Para o Perfil Nutricional e Antropométrico dos pacientes foram realizadas avaliações
do Índice de Massa Corporal segundo as recomendações da WHO15 ou Lipschitz16 para os
idosos; a Circunferência de Cintura de acordo com os critérios estabelecidos pela OMS17; e o
Percentual de Gordura seguindo os protocolos internacionais padronizados de Lohman18 e
WHO19, bem como o somatório das pregas cutâneas segundo a equação de Durning e
Womersley20.
30

Para identificação do Nível de Atividade Física dos pacientes foi utilizado um
instrumento internacional e validado denominado Questionário de Nível de Atividade Física
(IPAQ-Versão Longa). Utilizou-se como parâmetro de classificação dos sujeitos como ativos
as recomendações de 150 a 300 minutos/semana de atividade moderada-vigorosa, da OMS e
do Guia de Atividade Física para População Brasileira21.
Para verificação do Nível de Qualidade de Vida foi utilizado o questionário validado
World Health Organization Quality of Life (WHOQOL-Bref)22. As classificações seguiram as
orientações proposta por Fleck et al23 que delimita as seguintes classificações para os escores:
1 a 2,9 =necessita melhorar; 3 a 3,9 = regular; 4 a 4,9 = boa; 5 = muito boa.
Os dados foram tabulados utilizando o programa Microsoft Excel®. Todas as análises
foram realizadas com o pacote estatístico JASP versão 0.13.1, adotando um nível de confiança
de 95% (p<0,05).
Para verificar a normalidade dos dados foi utilizado o Shapiro-Wilk Test. Para associação
entre as variáveis foi utilizado o Teste de Mann-Whitney com estratificação de dois grupos
DRC: entre 90-45mL/min/1,73m ; e <45mL/min/1,73m . Utilizou-se a correlação de R2

2

Spearman para as variáveis monotônicas (contínuos ou ordinais) das variáveis QV, NAF e IMC
e TFG. O tamanho do efeito baseado em D-Cohen’s Standardt tendo como referência 0-0,2 para
efeito irrelevante; 0,3-0,5 para efeito pequeno; 0,6-0,8 efeito médio; acima 0,9 largo efeito. Os
níveis de significância foram considerados p= <0,05 e o Intervalo de Confiança em 95%.
Resultados
A coleta foi realizada entre os meses de novembro de 2020 e junho de 2021, compondo
a amostra 52 pacientes com idade média entre 60,3 ± 9,11 anos.
Os dados do Perfil Social e Estado Geral de Saúde podem ser observados na Tabela 1.
Os participantes do estudo foram em sua maioria mulheres (53,84%), de cor parda
(88,46%), residentes na cidade de Maceió (63,49%), solteiros (42,30%) e com ensino
fundamental incompleto (34,61%).
No que se refere a presença de outras comorbidades, metade dos pacientes informaram
possuir Diabetes Mellitus (57,69%) e Hipertensão Arterial Sistêmica (76,92%), mas
apresentaram baixa prevalência de dislipidemia (13,47%). Sobre os comportamentos de risco,
relataram não ser tabagistas (86,53%) ou consumidores de álcool (78,84%).
31

Tabela 1 – Perfil Social e Estado Geral da Saúde de Pacientes Renais Crônicos em
Tratamento Conservador Atendidos no HUPAA/UFAL
Variáveis

N

%

Homens
Mulheres
Total

24
28
52

46,16
53,84

Parda
Preto
Branco
Não Identificado

46
3
2
1

88,46
5,77
3,85
1,92

Maceió
Região Metropolitana
Outros Municípios*

33
7
12

63,49
13,44
23,07

Solteiro
Casado
Viúvo
Divorciado
Não Identificado

22
21
4
3
2

42,30
40,38
7,70
5,77
3,85

Escolaridade
1º- 9º ano do Ensino Fundamental
Ensino Médio
Analfabeto
Ensino Superior
Não Identificado

18
10
9
3
12

34,61
19,25
17,30
5,77
23,07

Sim
Não

30
22

57,69
42,31

Sim
Não

40
12

76,92
23,08

Sim
Não
Não Identificado

7
42
3

13,47
80,76
5,77

Sim
Não
Ex-consumidor

3
41
8

5,77
78,84
15,39

Sim
Não
Ex-Tabagista

1
45
6

1,94
86,53
11,53

2
3a
3b
4

15
13
14
10

28,84
25,00
26,91
19,25

Sexo

Cor

Cidade

Estado Civil

Diabetes

Hipertensão Arterial

Dislipidemia

Consumo de Álcool

Tabagismo

Estágio DRC

(*) Cidades: Arapiraca, Teotônio Vilela, União dos Palmares, São Miguel dos Campos, São José
da Tapera, Colônia Leopoldina, Vera Cruz, Matriz de Camaragibe, Major Izidoro, São José da
Lage e Santa Luzia do Norte

32

O nível nutricional e antropométrico pode ser observado na Tabela 2, abaixo:
Tabela 2 – Perfil clínico, nutricional, antropométrico, de atividade física e de qualidade
de vida dos Pacientes Renais Crônicos em Tratamento Conservado no HUPAA/UFAL
Variáveis

Diabetes (n)
Hipertensão (n)
Peso (kg)
Estatura (cm)
IMC (kg/m2)
CC (cm)
CBD (cm)
CBE (cm)

Total
N=52
(média±DP)
30
40
76,73 ± 15,31
159 ± 7,31
30,28 ± 5,25
95,76 ± 11,88
30,23 ± 4,44
30,06 ± 4,45

TFG = 8945mL/min/1,73m2
N= 28
(média±DP)
14
20
77,62 ± 22,17
157 ± 9,13
30,94 ± 7,48
94,03± 14,63
30,88 ± 6,15
30,67 ± 6,09

TFG
<45mL/min/1,73m
2

N=24
(média±DP)
16
20
76,13 ± 20,80
160±10,39
29,49 ± 7,72
97,037 ± 18,37
29,54 ±6,99
29,58 ± 7,21

p-valor
Normalidade
Shapiro Wilk

p-valor
MannWhitney

<0.001
<0.001
0.001
0.001
<0.001
0.045
<0.001
0.001

0.832
0.846
0.377
0.882
0.087
0.780
0.191
0.260

CPD (cm)
34,27 ± 4,47
34,18 ± 5,52
34,20± 6,39
0.632
0.500
CPE (cm)
34,17 ± 4,29
34,18 ± 5,43
34,15 ± 6,23
0.260
0.518
MM
57,88 ± 13,14
56,34 ± 20,69
59,66 ± 18,64
<0.001
0.664
MG
11,70 ± 4,82
12,18 ± 6,15
11,14 ± 7,16
0.039
0.108
%G
15,34 ± 5,02
16,02 ± 6,27
14,55 ± 14,52
0.119
0.093
NAF – Sedentários (%)
67
67,85
70,83
<0.001
0.183
NAF – Ativos (%)
33
32,15
29,17
<0.001
0.183
QVDF
3,08 ± 0,65
3,20± 0,73
2,93±0,77
0.251
0.258
QVDP
3,80 ± 0,53
3,99±0,44
3,66±0,90
0.025
0.455
QVRS
3,58 ± 0,58
3,41±0,78
3,76±0,64
0.006
0.079
QVMA
2,75 ± 0,38
2,84±0,42
2,61±0,52
0.443
0.138
QVPG
3,04 ± 0,48
3,03±0,69
3,04±0,71
<0.001
0.959
QVSF
2,98 ± 0,83
3,25±1,04
2,66 ±1,09
0.002
0.087
Legenda: IMC – Índice de Massa Corporal; CC – Circunferência de Cintura; CBD – Circunferência do Braço Direito; CBD (Circunferência
do Braço Esquerdo); CPD -Circunferência da Panturrilha Direita; CPE (circunferência da Panturrilha Esquerda); MM – Massa Magra; MG
(Massa Gorda); %G – Percentual de Gordura; NAF – Nível de Atividade Física; QVDF – Qualidade de Vida: Domínio Físico; QVDP –
Qualidade de Vida: Domínio Psicológico; QVMA – Qualidade de Vida: Meio Ambiente; QVRS – Qualidade de Vida: Relações Sociais;
QVRPG – Qualidade de Vida: Perspectiva Geral; QVSF – Qualidade de Vida: Satisfação com a Saúde.

A média de peso corporal da amostra foi de 76,73±15,31kg podendo o grupo ser
classificado como obeso grau 1 ou obesidade (30,28 kg/m2) nos parâmetros do IMC e, padrão
alto para média de CC tanto para homens como para mulheres (95,76cm). Em contrapartida, o
grupo se encontrou em padrões normais para %G (15,34 kg).
Para o nível de atividade física identificou-se que os participantes do estudo, em sua
maioria (38%), podem ser classificados como insuficientemente ativos, que se acrescidos dos
sujeitos sedentários (29%) perfaz um total de 67% da amostra com baixos níveis de atividade
física.
Para os níveis de percepção de qualidade de vida, a dimensão que apresentou o melhor
escore foi o domínio psicológico (3,80 ± 0,53) ainda que se enquadre no nível de “regular”. Em
contrapartida, o mais baixo índice verificou-se em meio ambiente cuja orientação apontou para
33

“precisa melhorar”. Dos 6 domínios, a amostra enquadrou-se em quatro deles na qualificação
de “regular” (físico, psicológico, relações sociais e percepção da qualidade de vida) e dois em
“necessita melhorar” (meio ambiente e satisfação com a saúde) o que representa condições de
qualidade de vida muito preocupantes.
Tabela 3 – Associação entre Perfil Nutricional, Nível de Atividade Física e Qualidade de
Vida com a Progressão da DRC em pacientes com Tratamento Conservador no
HUPAA/UFAL
Variáveis

TFG = 8945mL/min/1,73m2

NAF
PNT
QVDF
QVDP
QVRS
QVMA
QVPG
QVSF

169.53
30.95
3.20
3.92
3.41
2.84
3.03
3.25

MTFG
<45mL/min/1,73
m2
140.62
29.49
2.93
3.66
3.76
2.64
3.04
2.66

p-valor
0.174
0.372
0.258
0.455
0.079
0.138
0.959
0.087

Cohen’s Effect
Size
0.222
0.146
0.185
0.122
-0.283
0.241
0.009
0.269

Legenda: DRC – Doença Renal Crônica; PNT – Nível Nutricional; NAF – Nível de Atividade Física; QVDF –
Qualidade de Vida: Domínio Físico; QVDP – Qualidade de Vida: Domínio Psicológico; QVMA – Qualidade de
Vida: Meio Ambiente; QVRS – Qualidade de Vida: Relações Sociais; QVRPG – Qualidade de Vida: Perspectiva
Geral; QVSF – Qualidade de Vida: Satisfação com a Saúde.

Identificado de forma estratificada, os pacientes com TFG 89-45mL/min/1,73m2
apresentaram melhores resultados no domínio psicológico e relações sociais (3,99±0,44 e
3,41±0,78, respectivamente) e menor em meio ambiente (2,84±0,42); os sujeitos com TFG <
45mL/min/1,73m2 tiveram melhores índices nas relações sociais (3,76±0,64) e o menor em
meio ambiente (2,61±0,52).
A tabela 3 apresenta os resultados referentes à associação entre as variáveis de Perfil
Nutricional, Nível de Atividade Física e Percepção da Qualidade de Vida e dois grupos
estratificados de DRC (entre 89-45mL/min/1,73m ; e <45mL/min/1,73m2). Não houve
2

diferença significativa entre as variáveis. O tamanho do efeito, com base no D-Cohen’s
Standart, na associação entre estágio DRC também foi irrelevante em todas as variáveis.
Apenas a dimensão Relacionamento Social de Qualidade de Vida apresentou correlação
positiva (r=0,247, p=0,07, IC de 95% 0,7, 0,4) com a estratificação por TFG. As demais
variáveis apresentaram correlações negativas.

34

Discussão
Baixos níveis de escolaridade, prevalência do sexo feminino e regiões de moradia
carentes são frequentemente observados em estudos com pacientes em tratamento conservador
e hemodiálise como visto em nosso estudo13.
A prevalência de comorbidades como DM e HAS também é uma característica comum
destes pacientes2-3, mas os comportamentos de riscos como tabagismo e etilismo foram pouco
relatados, diferentemente do que foi observado em outras investigações4,24, provavelmente por
sofrer alterações pelo próprio abandono do consumo ao longo da vida. No entanto, tais
comportamentos não podem ser excluídos como agravantes para o desenvolvimento e evolução
da doença, tendo em vista as contribuições que promovem no aumento da pressão arterial, no
desenvolvimento de alimentação inadequada, na perda da capacidade cardiorrespiratória e na
diminuição da capacidade funcional.
O excesso de peso tem se mostrado mais expressivo, semelhante aos nossos achados, em
trabalhos com pacientes renais crônicos em tratamentos conservador6,7, diferentemente de
alguns estudos com pacientes em HD4,5, onde a eutrofia pode ser mais observada.
A presença de obesidade e sobrepeso é comum em pessoas com DRC em estágios 2 a 4,
tendo em vista a adoção de hábitos alimentares e comportamentos sedentários que contribuem
para o aumento dos danos renais e diminuição do ritmo da filtração glomerular. Como resultado
destes fatores risco, a incidência de DM, HAS e quadros de dislipidemia corroboram para um
avanço silencioso da DRC que, se não acompanhada a partir de intervenções nutricionais e
práticas de atividade física, podem potencializar a caracterização da falência renal e a inclusão
em tratamentos substitutivos (transplante ou hemodiálise). Em contrapartida, quadros de
eutrofia e baixo peso pode ser vislumbrado em pacientes em HD em virtude da restrição hídrica,
do controle alimentar, das modificações eletrolíticas e da perda da massa muscular25.
Associado a esse perfil de excesso de peso, níveis de atividade física são frequentemente
baixos nestas populações, DRC TC ou DRC HD4,6,10,11, seja com a utilização instrumentos
indiretos (IPAQ) como os diretos (acelerômetros ou teste de caminhada de 6 minutos).
Tanto a OMS quanto o recente Guia de Atividade Física da População Brasileira21
orientam a frequência mínima de 150 a 300 minutos/semana de atividade física, com uma
intensidade de moderada a vigorosa para manutenção básica dos parâmetros de saúde. Ao
mesmo tempo em que Wilkinson, Shur e Smith26 relataram a importância do exercício físico e
atividade física como um tratamento importante para pacientes com DRC para diminuição dos
35

riscos cardiovasculares, dos níveis inflamatórios, da hipertensão arterial e aumento da força, da
capacidade cardiorrespiratória e função física. Além disso, Barlovic, Dolenc e Groop27 também
informaram o papel do NAF para prevenção do desenvolvimento e progressão de DRC em
pacientes com Diabetes Tipo 1.
Além do seu papel na DRC, o exercício físico é reconhecido por melhorar diversos
aspectos da qualidade de vida17. E, a população com DRC, é reconhecida por alguns estudos
por

níveis baixos no âmbito da satisfação com a saúde4, vitalidade28, dor/aspectos

emocionais4,24, ainda que utilizando parâmetros diversos de avaliação.
Em nosso estudo, uma percepção importante foi encontrada na avaliação da qualidade de
vida, a partir da não observação de diferenças significativas na comparação entre as médias do
perfil nutricional, nível de atividade física e percepção da qualidade de vida com a estratificação
em estágios da DRC a partir do teste U de Mann Whitney. Demonstrando que o
sobrepeso/obesidade, o baixo nível de atividade física e as diminutas satisfações com a
qualidade de vida estão presentes nas pessoas com DRC independente da estratificação pelo
ritmo da TFG. Tal achado revelou um desconhecimento dos pacientes e/ou ausência de
orientações mais assertivas para mudanças do estilo de vida e comportamentos de riscos que
possam promover melhores respostas fisiológicas para contenção do avanço da doença.
Além disso, a prática de atividade física e do exercício físico pode promover melhoras
nos níveis de aptidão física voltados para a saúde, como aptidão cardiorrespiratória, força
muscular, composição corporal e flexibilidade12. Em populações com DRC auxilia no aumento
da capacidade funcional, na função física, na diminuição da fadiga, no aumento da massa
muscular e no controle de incidência da sarcopenia, na redução dos níveis de marcadores
inflamatórios, função cardíaca e controles pressóricos, bem como na promoção de vitalidade5,29.
Em relação direta, a prática de atividade pode estimular melhorias nas percepções de dor, da
fadiga, das questões psicológicas, na qualidade do sono, na capacidade cognitiva e no aumento
nas relações interpessoais, importantes variáveis que compõem a qualidade de vida e bemestar24.
Na correlação entre as variáveis NAF, NQV e PNT com a estratificação dos estágios DRC
a única variável que apresentou correlação positiva foi a dimensão relacionamento social da
Qualidade de Vida, apontando que mesmo com as diminuições das TFG (agravos da doença)
os participantes do estudo encontravam-se satisfeitos com a relações interpessoais que
desenvolvem com a família, parentes e amigos. As demais médias das variáveis confirmaram
os achados existentes de que o avanço da DRC está em consonância com pessoas com
36

diminuição da prática de atividade física, com perfil nutricional enquadrados em
sobrepeso/obesidade e com baixas percepções de qualidade de vida nas dimensões psicológicas,
estado geral da saúde, percepção geral da saúde, meio ambiente e dimensão física.
Os estudos observacionais e de intervenção que relacionam atividade física, nutrição e
qualidade de vida em pacientes com DRC (em tratamento conservador ou HD) revelaram que
pessoas fisicamente ativas apresentaram melhoras na composição corporal e nas percepções de
qualidade de vida4,6,10, auxiliando em alterações positivas no ritmo de filtração glomerular. No
entanto, os participantes do estudo parecem não terem conhecimentos das implicações
fisiológicas do seu comportamento sedentário e estilo de vida não saudável, impactando
diretamente em uma autopercepção baixa na qualidade de vida. O nível de instrução, a idade
(amostra com grande parte de idosos) e a diminuição do ritmo de trabalho podem ser aviltados
como hipóteses para a condição observada.
Com uma estimativa do IBGE para a prevalência de 14% da população brasileira, em
2025, ser formada por idosos30, os manejos de acompanhamento e tratamento de pessoas com
DRC em tratamento conservador exigirá alterações mais significativa de intervenções. No
âmbito fisiológico, a população exige um maior controle dos níveis pressóricos; da resistência
à insulina; das alterações dislipidêmicas e controle do peso corporal; e retardamento dos níveis
de sarcopenia, tratamentos terapêuticos que podem ser auxiliadas com intervenções nutricionais
e exercícios físicos. Além disso, no âmbito educacional, importante é buscar uma ampliação da
comunicação em saúde visando a promoção de alterações no estilo de vida (redução do etilismo,
tabagismo, comportamento sedentário), no qual a inclusão de efetivos serviços
multidisciplinares em saúde coletiva auxiliem no tratamento das doenças de base (DM e HAS)
e nos diagnósticos precoces de DRC, permitindo um acompanhamento efetivos dos pacientes.
O conjunto destas ações contribuirão para a melhora na percepção de qualidade de vida e nos
níveis de bem-estar de pessoas com DRC.
Os resultados aqui alcançados têm como ponto forte a apresentação de um estudo
específico sobre os pacientes em tratamento conservador, grupos muitas vezes invisibilizados
nos processos de estudos científicos voltados para a população com a DRC. Por ora, também
se confirmou os resultados de que baixos NAF e NQV, identificados em pacientes em HD, são
encontrados antecipadamente em sujeitos com TC. No entanto, a associação com pacientes em
HD, já fragilizados pelas condições de tratamento, especialmente nos aspectos de limitação
física, diminuição da prática de atividade física e baixa autoestima, tornam-se delicadas neste
tipo de comparação.
37

Conclui-se que independente do estágio de DRC dos pacientes em TC, os baixos níveis
de atividade física, percepções frágeis de qualidade de vida e perfil de excesso de peso ou
obesidade podem ser observadas nesta população. As associações e correlações entre as
variáveis indicam a necessidade de maior conscientização dos pacientes para prática de
atividade física e controle nutricional para proporcionar melhoras nos níveis de qualidade de
vida.
Aconselha-se que equipes multiprofissionais no Hospital Universitário busquem
alternativas para motivar ou incentivar os pacientes a adotarem um estilo de vida ativo,
seguindo as recomendações e orientações de profissionais de Educação Física e nutrição.
Espera-se que a pesquisa possa contribuir para futuros estudos, visto ser de grande importância
para a promoção de QV, estilo de vida ativo e bem-estar de pacientes com DRC.

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40

5.2. ARTIGO 2
NÍVEL DE ATIVIDADE FÍSICA EM PACIENTES RENAIS CRÔNICOS E
ASSOCIAÇÕES COM PERFIL NUTRICIONAL E QUALIDADE DE VIDA
Level of Physical Activity in Chronic Kidney Patients and Associations with Nutritional Profile
and Quality of Live
RESUMO
Estudos apresentaram resultados benéficos para a prática de exercício físico no tratamento adjuvante à Doença Renal
Crônica (DRC). O objetivo deste estudo foi associar o nível de atividade física com a qualidade de vida e o perfil
nutricional de pacientes em tratamento conservador para Doença Renal Crônica no Hospital de Alta Complexidade. A
amostra foi composta por pacientes de ambos os sexos, com idade superior aos 18 anos em tratamento conservador para
DRC com TFG <90 mL/min/1,73m2. Foram avaliados o perfil social (sexo, moradia, estado civil e escolaridade), de
saúde (doenças pré-existentes, comportamento etílico e tabaco) e nutricional (peso, altura, índice de massa corporal
(IMC), circunferência de cintura (CC) e percentual de gordura (calculados a partir das pregas tricipital, subescapular e
suprailíaca); nível de atividade física (IPAQ); nível de qualidade de vida (WHOQOL-Bref)). Participaram do estudo 70
pacientes com idade média de 60,5 ± 9,57 anos, 57,14% mulheres, 52,85% diabéticos e 80% hipertensos. Para o perfil
nutricional observou-se um elevado percentual de obesidade (55,71%), elevados índices de CC (95,04± 16,9 cm); e
67,15% apresentaram baixos níveis baixos de atividade física, com a maior média nas atividades físicas domésticas
(32,23 min/sem). Para o nível de qualidade de vida, menores escores em satisfação com saúde (2,85± 1,53) e meio
ambiente (2,73± 0,49); melhores escores em domínio psicológico (3,73± 0,69) e relações sociais (3,64 ± 0,73). O grupo
fisicamente ativo apresentou menores valores de peso, IMC e CC que os grupos com baixa atividade física, p=0,028,
p=0,043 e p=0,039 respectivamente. O nível de atividade física se correlacionou positivamente com a taxa de filtração
glomerular; percentual de gordura; massa gorda; dimensões físicas, percepção geral da saúde e satisfação geral com a
saúde da qualidade de vida; e com todas as dimensões da atividade física (trabalho, deslocamento, doméstico e lazer),
r=0,190, r=0,004, r=0,442, r=0,212, r=0,125, r=0,125, r=0,947, r=0,442, r=0,674, r=0,564 respectivamente. Apesar da
DRC ser uma doença de característica inflamatória, crônica e progressiva, com terapias farmacológicas atuais se
mostrando limitadas no controle da sua evolução, o estudo mostrou que a atividade física pode apresentar uma resposta
positiva no controle de parâmetros que contribuem para seu avanço, sendo um caminho positivo no cuidado
multiprofissional à doença.

Palavras-chaves: Atividade física; Qualidade de vida; Nutrição; Renal.

ABSTRACT
Studies have shown beneficial results for the practice of physical exercise in the adjuvant treatment of Chronic Kidney
Disease (CKD). The aim of this study was to associate the level of physical activity with the quality of life and nutritional
profile of patients undergoing conservative treatment for Chronic Kidney Disease at Hospital de Alta Complexidade.
The sample consisted of patients of both genders, aged over 18 years under conservative treatment for CKD with a GFR
<90 mL/min/1.73m2. Social (gender, housing, marital status and education), health (pre-existing diseases, alcohol and
tobacco) and nutritional (weight, height, body mass index (BMI), waist circumference (WC)) profiles were evaluated
and fat percentage (calculated from the triceps, subscapular and suprailiac folds); level of physical activity (IPAQ); level
of quality of life (WHOQOL-Bref)). The study included 70 patients with a mean age of 60.5 ± 9.57 years, 57.14%
women, 52.85% diabetics and 80% hypertensive. For the nutritional profile, there was a high percentage of obesity
(55.71%), high WC rates (95.04± 16.9 cm); and 67.15% had low low levels of physical activity, with the highest average
in household physical activities (32.23 min/wk). For the level of quality of life, lower scores in satisfaction with health
(2.85± 1.53) and the environment (2.73± 0.49); better scores in the psychological domain (3.73 ± 0.69) and social
relationships (3.64 ± 0.73). The physically active group had lower values for weight, BMI and WC than the groups with
low physical activity, p=0.028, p=0.043 and p=0.039 respectively. The level of physical activity was positively
correlated with the glomerular filtration rate; fat percentage; fat mass; physical dimensions, general health perception
and general satisfaction with health and quality of life; and with all dimensions of physical activity (work, commuting,
domestic and leisure), r=0.190, r=0.004, r=0.442, r=0.212, r=0.125, r=0.125, r=0.947, r=0.442, r=0.674, r=0.564
respectively. Although CKD is an inflammatory, chronic and progressive disease, with current pharmacological
therapies showing limited control of its evolution, the study showed that physical activity can present a positive response
in the control of parameters that contribute to its progress, being a positive path in multidisciplinary care for the disease.

Keywords: Physical activity; Quality of life; Nutrition; Renal.

41

Introdução
A atividade física é entendida como qualquer movimento corporal voluntário que
promova um gasto energético acima dos níveis basais (NAHAS, 2019). Dados da Secretaria de
Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde no Brasil apontaram que, em 2019, apenas 39%
da população brasileira praticava 150 minutos de atividade física moderada ao longo da semana,
com maior prevalência entre os homens (46,7%) (BRASIL, 2020). Para a cidade de Maceió, o
mesmo documento apontou para 39,9% da população, representando um pouco acima da média
nacional.
De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS) a prática de atividade física de
maneira regular pode ser considerada um comportamento preventivo e de proteção essencial
para o controle de algumas doenças e agravos à saúde, como doenças cardiovasculares, diabetes
mellitus (DM), doenças imunológicas, alguns tipos de cânceres e Doença Renal Crônica (WHO,
2020). Estudos demonstram os benefícios angariados com a prática regular de atividade física
para regulação da pressão arterial sistêmica (CARDOSO JR et al, 2013), para o controle da
glicemia (BURINI, MENDES e MCLELLAN, 2013), para respostas ao tratamento oncológico
(SANTOS, 2013), para melhoria da saúde mental (DESLANDES, 2013), para diminuição da
obesidade (MORAES & ZANESCO, 2013) e para o controle no ritmo da filtração glomerular
((BEETHAM et al, 2018).
Para a prevenção e o tratamento da Doença Renal Crônica (DRC), que muitas vezes têm
agravo de outras comorbidades, vem sendo recomendada a prática de atividade física com um
importante recurso não farmacológico para melhoria nos níveis de filtração glomerular e função
renal (BEETHAM et al, 2018; IKIZLER et al, 2018); para aquisição de benefícios nos
tratamentos com Hemodiálise (HD) (LIMA et al, 2013); para melhora de variáveis relacionadas
à aptidão física (HIRAKI et ali, 2017; MASAJTIS-ZAGAJEWKA et al, 2019; DIPP, 2010);
para a diminuição de prevalência de comorbidades e/ou agravos à saúde (AOIKE et al, 205;
HEADLEY et al, 2017); para a melhoria de variáveis psicológicas e cognitivas de pacientes
com DRC (FUKUSHIMA et al, 2018; ZHANG, GUO & MING, 2020); para benefícios na
autopercepção da qualidade de vida (LIMA et al, 2021).
Todavia, a maioria dos estudos que associam DRC e atividade física vêm se debruçando
em populações em estágio final da doença e que realizam a terapia substitutiva como a HD,
pouco cotejando investigações nos grupos em Tratamento Conservador.
42

Neste sentido, o presente estudo tem por objetivo associar o nível de atividade física com
o perfil nutricional e a qualidade de vida de pacientes renais crônicos em tratamento
conservador em um hospital de alta complexidade da cidade de Maceió, Alagoas.
Método
Tratou-se de um estudo transversal.
A amostra foi recrutada e selecionada por conveniência a partir da população em
atendimento nos ambulatórios de nefrologia de um Hospital Universitário da cidade de
Maceió/AL entre os meses de novembro de 2020 a novembro de 2021.
O cálculo da amostra respeitou uma média de 200 pacientes por mês atendidos nos
ambulatórios da nefrologia , correspondendo a 2400 pacientes atendidos no período de estudo.
Dentro desta população considerou-se o percentual de 40% de pacientes com DRC e HAS (960)
para o cálculo do número mínimo de pacientes necessários para participação do estudo (NEVES
et al, 2020). A escolha desta comorbidade como parâmetro no cálculo deveu-se ao fato de ser
aquela de maior manifestação associada à DRC. Utilizou-se como base o nível de confiança em
90% e erro amostral de 10% identificando um número mínimo de 42 pacientes.
Foram incluídos no estudo os pacientes que possuíam a Taxa de Filtração Glomerular
calculados pela equação de CKD-EPI que possuíam níveis abaixo de 90mL/min/1,73m2 e
diagnosticados com DRC por pelo menos 3 meses; maiores de 18 anos; de ambos os sexos; com
acompanhamento médico; e que assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido
(TCLE).
Foram excluídos do estudo pacientes que não tenham respondido qualquer questão ou
respondido mais de uma opção dos instrumentos de pesquisa; que estavam realizando
tratamento com hemodiálise; pessoas com deficiência física; pessoas com lúpus; pessoas com
transtornos mentais, com câncer, autismo ou síndrome de down.
O presente trabalho faz parte de um estudo maior intitulado “Ação da Própolis Vermelha
e do Exercício Física em Doentes Renais Obesos” sendo submetido ao Comitê de Ética e
Pesquisa da Universidade Federal de Alagoas e aprovado sob o número do Protocolo
4.130.914/2020.
Para disposição do perfil social e estado geral da saúde dos pacientes foram coletadas
informações sobre sexo, idade, cor, local de residência, estado civil, nível de escolaridade,
presença de outras doenças pregressas e comportamento etílico e tabagista dos prontuários
43

eletrônicos na instituição de atendimento, na ausência destas informações neste instrumento, a
informação foi coletada diretamente com o paciente.
Para o perfil nutricional dos pacientes foram realizadas avaliações do peso, estatura e
cálculo do Índice de Massa Corporal segundo as recomendações da WHO (2020) ou Lipschitz
(1994) para os idosos; a circunferência de cintura de acordo com os critérios estabelecidos por
Oliveira & Rodrigues (2016); e o percentual de gordura seguindo os protocolos internacionais
padronizados de Lohman (1988) e WHO (2020), bem como o somatório das pregas cutâneas
(tricipital, suprailíaca e subescapular) segundo a equação de Durning e Womersley (1994).
Para identificação do nível de atividade física dos pacientes foi utilizado um instrumento
internacional e validado denominado Questionário de Nível de Atividade Física (IPAQ-Versão
Longa). Utilizou-se como parâmetro de classificação dos sujeitos como ativos as
recomendações de 150 a 300 minutos/semana de atividade moderada-vigorosa, da OMS e do
Guia de Atividade Física para População Brasileira (MS, 2021).
Para verificação do nível de qualidade de vida foi utilizado o questionário validado
World Health Organization Quality of Life (WHOQOL-Bref) (2009). As classificações
seguiram as orientações proposta por Fleck et al (2000) que delimita as seguintes classificações
para os escores: 1 a 2,9 =necessita melhorar; 3 a 3,9 = regular; 4 a 4,9 = boa; 5 = muito boa.
Os dados foram tabulados utilizando o programa Microsoft Excel®. Todas as análises
foram realizadas com o pacote estatístico JASP versão 0.13.1, adotando um nível de confiança
de 95% (p<0,05).
Para verificar a normalidade dos dados foi utilizado o Shapiro-Wilk Test. Para associação
entre as variáveis foi utilizado o Teste de Mann-Whitney com estratificação de dois grupos com
base no nível de atividade física, a saber: sedentários, pacientes com tempo de prática de
atividade física menor que 150 minutos/semana a partir dos dados do IPAQ; e ativos pacientes
com tempo de prática de atividade física superior a 150 minutos/semana a partir dos dados do
IPAQ. Utilizou-se a correlação de R-Spearman para as variáveis monotônicas (contínuos ou
ordinais) das variáveis QV, NAF e IMC e TFG. O tamanho do efeito baseado em D-Cohen’s
Standardt tendo como referência 0-0,2 para efeito irrelevante; 0,3-0,5 para efeito pequeno; 0,60,8 efeito médio; acima 0,9 largo efeito. Os níveis de significância foram considerados p= <0,05
e o Intervalo de Confiança em 95%.

Resultados
44

Tabela 4 – Perfil Social e de saúde de pacientes renais crônicos em tratamento
conservador atendidos no HUPAA/UFAL
Variáveis

N

%

Homens
Mulheres
Total

30
40
70

42,86
57,14

Parda
Preto
Branco
Não Identificado

64
3
2
1

91,42
4,28
2,85
1,45

Maceió
Rio Largo
Pilar
Teotônio Vilela
Outras Cidades*

41
6
2
2
19

58,57
8,57
4,28
4,28
24,30

Solteiro
Casado
Viúvo
Divorciado
Não Identificado

29
28
5
3
5

41,42
40,00
7,15
4,28
7,15

0 a 4 anos
5 a 9 anos
10 a 14 anos
> 14 anos
Não Identificado

31
2
11
3
23

44,28
2,85
15,71
4,28
32,88

Sim
Não

37
33

52,85
47,15

Sim
Não

56
14

80,00
20,00

Sim
Não
Não Identificado

7
60
3

10,00
85,71
4,29

Sim
Não
Ex-consumidor

4
55
11

5,72
78,57
15,71

Sim
Não
Ex-Tabagista

2
60
8

4,28
85,71
10,01

2
3a
3b
4
5

20
15
20
12
03

28,57
21,42
28,57
17,14
4,3

Sexo

Cor

Cidade

Estado Civil

Escolaridade

Diabetes

Hipertensão Arterial

Dislipidemia

Consumo de Álcool

Tabagismo

Estágio DRC

(*) Cidades: Arapiraca, União dos Palmares, São Miguel dos Campos, São José da Tapera, Colônia Leopoldina, Vera Cruz, Matriz de
Camaragibe, Major Izidoro, Joaquim Gomes, Senador Rui Palmeira, São José da Lage e Santa Luiza do Norte

45

Nosso estudo foi composto por 70 pacientes com idade média entre 60,5 ± 9,57 anos.
Conforme pode ser observado na tabela 4, os participantes foram em sua maioria mulheres
(57,14%), de cor parda (91,42%), residentes na cidade de Maceió (58,57%), solteiros (41,42%)
e com tempo de escolaridade abaixo de 4 anos (44,28%).
No que se refere a presença de outras comorbidades, metade dos pacientes informaram
possuir Diabetes Mellitus (52,85%) e grande parte foram diagnosticados com quadros de
Hipertensão Arterial Sistêmica (80%), mas apresentaram baixa prevalência de dislipidemia
(10,0%). Sobre os comportamentos de risco, relataram não ser tabagistas (85,71%) ou
consumidores de álcool (78,57%).
O perfil nutricional e de qualidade de vida pode ser observado na Tabela 5.
Os pacientes renais crônicos fisicamente ativos apresentaram menores valores para peso
corporal (71,33 ± 20,94), Índice de Massa Corporal (28,27 ± 5,88) e circunferência de cintura
(90,70 ± 19,23) em relação aos sedentários (p=0,028; p=0,043 e p=0,039, respectivamente). As
associações significativas expressaram tamanhos de efeito, com base no D-Cohen’s Standart,
de irrelevante para pequeno.
A obesidade foi o quadro mais presente no grupo (55,71%). Enquanto 12,85% podem
ser classificados pelo IMC com sobrepeso e, 25,71.% eutróficos. Apenas 5,73% apresentaram
desnutrição. A média de IMC do grupo foi de 30,21±7,34 kg/m2. Além disso, o risco
cardiovascular foi demonstrado pelos valores médios elevados de CC (95,04 ± 16,9 cm). Em
contrapartida, o grupo se encontrou em padrões normais para percentual de gordura (15,28 ±
6,90 kg).
Identificou-se que os participantes do estudo, em sua maioria (34,28%), podem ser
classificados como insuficientemente ativos, que se acrescidos dos sujeitos sedentários
(32,85%) perfaz um total de 67,15% da amostra com baixos níveis de atividade física.
Para os níveis de percepção de qualidade de vida, a dimensão que apresentou o melhor
escore foi o domínio psicológico (3,73 ± 0,69) ainda que se enquadre no nível de “regular”. Em
contrapartida, o menor índice nas dimensões de QV verificou-se no meio ambiente cuja
orientação apontou para “precisa melhorar” (2,73 ± 0,49). Dos 6 domínios, a amostra
enquadrou-se em quatro deles na qualificação de “regular” (físico, psicológico, relações sociais
e percepção da qualidade de vida) e dois em “necessita melhorar” (meio ambiente e satisfação
com a saúde) o que representa condições de qualidade de vida muito preocupantes.
46

Tabela 5 – Nível de atividade física e associação com perfil clínico, nutricional e de
qualidade de vida de pacientes renais crônicos em tratamento conservador no
HUPAA/UFAL

Variáveis

2

TFG (mL/min/1,73m )
Peso (kg)
Estatura (cm)
2

IMC (kg/m )
CC (cm)
CBD (cm)
CBE (cm)
CPD (cm)
CPE (cm)
MM
MG
%G
NAF – Trabalho (min)
NAF – Deslocamento (min)
NAF – Doméstico (min)
NAF – Lazer (min)
QVDF
QVDP
QVRS
QVMA
QVPG
QVSF

Total
N=70
(média ± DP)

NAF
<150min/sem
N= 47

NAF
>150min/sem
N=23

p-valor
(Mann
Whitney)

Cohen’s
Effect Size

46,91 21,92

45,03 ± 21,67

50,75 ± 22,41

0,086

-0.164

76,21 ± 20,45

78,60 ± 20,00

71,33 ± 20,94

0,028*

0.284

158 ± 9,09
30,21 ± 7,34
95,04 ± 16,9
30,23 ± 6,02
30,19 ± 6,17
34,43 ± 5,43
34,40 ± 0,97
57,94 ± 17,98
11,38 ± 6,57
15,28 ± 6,90
3,43 ± 6,76
32,03 ± 34,04
67,21 ± 64,28
44,00 ± 63,09
3,13 ± 0,77
3,73 ± 0,69
3,64 ± 0,73
2,73 ± 0,49
3,15 ± 0,77
2,85 ± 1,53

158 ± 8,27
31,15 ± 7,84
97,22 ± 15,38
30,33 ± 5,98
30,36 ± 6,23
34,72 ± 5,64
34,87 ± 5,48
59,53 ± 17,53
11,58 ± 6,49
15,20 ± 7,06
0,0 ± 0,0
21,38 ± 34,21
32,23 ± 42,53
11,91 ± 32,21
3,03 ± 0,80
3,77 ± 0,73
3,63 ± 0,78
2,78 ± 0,53
3,17 ± 0,70
2,80 ± 1,09

157 ± 10,74
28,27 ± 5,88
90,70 ± 19,23
30,02 ± 6,22
29,83 ± 6,18
33,85 ± 5,25
33,46 ± 5,31
54,88 ± 18,84
11,00 ± 6,50
15,45 ± 6,91
10,43 ± 50,04
4,02 ± 0,41
138,69 ± 117,60
109,56 ± 133,80
3,33 ± 0,68
3,64 ± 0,61
3,66 ± 0,65
2,63 ± 0,39
3,13 ± 0,92
2,95 ± 0,97

0,154

0.152

0,043*

0.254

0,039*

0.263

0,228

0.112

0,222
0,236

0.114
0.108

0,123

0.173

0.159

0.258

0.366

0.089

0.555

-0.036

0.00
0.99

-0.000
-0.384

1.00

-0.639

1.00
0.131

-0.465
- 0.224

0.266

0.165

0.995

0.002

0.219

0.182

0.967

0.006

0.444

-0.109

Legenda: TFG – Taxa de Filtração Glomerular; IMC – Índice de Massa Corporal; CC – Circunferência de Cintura; CBD –
Circunferência do Braço Direito; CBD (Circunferência do Braço Esquerdo); CPD -Circunferência da Panturrilha Direita; CPE
(circunferência da Panturrilha Esquerda); MM – Massa Magra; MG (Massa Gorda); %G – Percentual de Gordura; NAF – Nível
de Atividade Física; QVDF – Qualidade de Vida: Domínio Físico; QVDP – Qualidade de Vida: Domínio Psicológico; QVMA –
Qualidade de Vida: Meio Ambiente; QVRS – Qualidade de Vida: Relações Sociais; QVRPG – Qualidade de Vida: Perspectiva
Geral; QVSF – Qualidade de Vida: Satisfação com a Saúde.

Os pacientes fisicamente ativos apresentaram melhores resultados na variável de
percepção de qualidade de vida nos domínios físico (3,33), relações sociais (3,66) e satisfação
com a saúde (2,95). No entanto, a associação entre os grupos por nível de atividade com as
dimensões da QV não apresentou diferença significativa, com tamanho efeito irrelevante.
As médias dos resultados encontrados nos pacientes que apresentaram comportamento
fisicamente ativos se correlacionaram (R-Spearman) positivamente com a taxa de filtração
glomerular; percentual de gordura; massa gorda; dimensões físicas, percepção geral da saúde
e satisfação geral da saúde da qualidade de vida; e com todas as dimensões de atividade física
47

(trabalho, deslocamento, atividades domésticas e lazer), r=0,190, p=0,116 IC de 95% 0,0, 0,4;
c; r=0,442, p=<.001, IC de 95% 0,0, 0,1); r=0,212, p=0,079, IC de 95% 0,0, 0,4; r=0,125,
p=0,78, IC de 95% 0,2, 0,2; r=0,125, p=0,302, IC de 95% 0,1, 0,3; r=0,947, p=<.001, IC de
95% 0,9, 0,9; r=0,442, p=<.001, IC de 95% 0,2, 0,6; r=0,674, p=<.001, IC de 95% 0,5, 0,7;
r=0,564, p=<.001, IC de 95% 0,3, 0,7, respectivamente.
Discussão
O perfil dos pacientes renais crônicos participantes deste estudo não diferiu daqueles
realizados por outras investigações transversais (LIMA et ali, 2021), a saber: pessoas com
baixos níveis de escolaridade, de cor parda, do sexo feminino e com prevalência para doenças
como DM e HAS (BEETHAN et ali, 2018; IKIZLER, 2018). Neste sentido, pelas próprias
características do local onde fora realizada nossa investigação, voltadas para o atendimento de
serviço de saúde às populações vulneráveis, este cenário emergiria dos dados.
No entanto, em relação aos comportamentos de riscos a ausência de prevalência de
tabagismo e etilismo, mais das vezes identificados como característico da população com DRC
(LIMA et ali, 2013; IKIZLER et ali, 2018), apontou para uma amostra diferenciada que,
provavelmente, tenha abandonado o hábito em algum momento do diagnóstico da doença. Cabe
destacar que o etilismo e o tabagismo corroboram para o aumento da pressão arterial,
diminuição da capacidade cardiorrespiratória, limitações na aptidão física relacionada à saúde,
alterações na composição corporal, auxilia no aumento da ingesta de alimentação não saudável
e promove alterações psíquicas. Esse conjunto de comportamento auxilia na incidência da DRC
e no avanço da doença para aqueles que já tiveram comprometimento renal estabelecido.
A semelhança no perfil social deste estudo com os demais do Brasil, onde a baixa
escolaridade prevalece, aumenta a associação do aumento da obesidade e das doenças crônicas
(MALTA et ali, 2017; MARINHO et al, 2017; AGUIAR et al, 2020). Em pacientes em
tratamento conservador o excesso de peso e obesidade são recorrentes diferentemente da
hemodiálise (MASAJTIS-ZAGAJEWKA et al, 2019; DIPP et al, 2010), sobretudo por conta
do estilo de vida e comportamento sedentário pulsante nesta população. Os pacientes
participantes deste estudo corroboram com esta característica, possibilitando o avanço de
agravos à sua condição como DM, HAS, síndrome metabólica e dislipidemia que apontam para
complicações no ritmo da taxa de filtração glomerular.
48

Um dos mais importantes tratamentos adjuvantes para auxiliar no combate ao
sobrepeso/obesidade e para a contenção de agravos à saúde, a prática de atividade física regular,
não foi observada nos doentes renais crônicos em tratamento conservador de forma prevalente.
O perfil de baixos níveis de atividade física com bases nas recomendações da OMS nas
populações com DRC é bastante comum (LIMA et al, 2013; MASAJTIS-ZAGAJEWKA et al,
2019; FUKUSHIMA et al, 2018; ZHANG et al, 2020), independente do estágio em que se
encontra a evolução da doença.
No âmbito das prescrições de atividade física para populações com condições crônicas,
acima de 18 anos, tanto o Guideline da OMS quanto o Guia de Atividade Física da População
Brasileira (WHO, 2020; MS, 2020) postulam a importância da prática de exercícios aeróbicos
com uma frequência mínima de 150 a 300 minutos/semanais com uma intensidade moderada
ou 75 a 150 minutos/semana de atividade física vigorosa para manutenção dos parâmetros
básicos de saúde. O mesmo instrumento orienta para a realização de exercícios de força, pelo
menos, 2 vezes por semana, com intensidade moderada a intensa, sobretudo voltados para os
principais grupos musculares. Alia-se, aos idosos, a inclusão de exercícios com componentes
de equilíbrios.
Em nossos achados, percebeu-se que as atividades físicas realizadas na dimensão das
tarefas domésticas, que envolvem as atividades diárias da manutenção da casa e do lar, foram
as mais frequentes nos participantes. Mas, ainda sim, o grupo avaliado encontrou-se nos estratos
entre o sedentarismo e o insuficientemente ativo, níveis de atividade física bastante baixos que
não seriam supridos apenas com a prática doméstica. Wilkinson, Shur e Smith (2016) relataram
a importância do exercício físico e atividade física como um tratamento importante para
pacientes com DRC para diminuição dos riscos cardiovasculares, dos níveis inflamatórios, da
hipertensão arterial e aumento da força, da capacidade cardiorrespiratória e função física. Além
disso, Barlovic, Dolenc e Groop (2019) também informaram o papel do NAF para prevenção
do desenvolvimento e progressão de DRC em pacientes com Diabetes Tipo 1. Além disso, em
decorrência dos possíveis distúrbios metabólicos oriundos do estresse oxidativo e da inflamação
celular que leva a desregulação da microbiota intestinal, a prática de atividade física tem obtido
respostas positivas na modulação desta variável (ESGALHADO, BORGES & MAFRA, 2016)
A não adesão à rotina de atividade física, ou seja, a intolerância ao movimento corporal
em pacientes DRC pode gerar inúmeros prejuízos. No âmbito neural, aumenta a atividade
simpática, o comando do SNC, os nervos eferentes renais e os mecano receptores; no aspecto
pulmonar, causa desordens obstrutivas e restritivas das vias aéreas, retém fluídos e promove o
49

relaxamento da musculatura respiratória; no aspecto muscular, desenvolve disfunção
mitocondrial, corrobora para aquisição de miopatias, aumenta a expressão da gordura
intramuscular, promove o manejo das fibras musculares Tipo I para Tipo II e auxilia na
instauração de quadros sarcopênicos; no âmbito cardiovascular, estimula disfunções
microvasculares e das regulações pressóricas (sistólica e diastólica), bem como aumenta a carga
pulsátil do ventrículo esquerdo; no aspecto vascular, acelera disfunções endoteliais e
microvasculares, diminui a capilarização por fibras vasculares, promove rigidez arterial e
prejudica a simpatólise funcional; e por fim, no próprio âmbito, aumenta a acidose e uremia
(KIRKMAN et al, 2021)
Uma das variáveis que pode apresentar impactos positivos a partir da prática regular da
atividade física é a auto percepção da qualidade de vida. Em pacientes renais crônicos, estudos
apresentam resultados com visões frágeis sobre as condições dos sujeitos em relação a QV,
especialmente nos aspectos da vitalidade, dor, questões emocionais e satisfação com a própria
saúde (LIMA et al, 2021; PRETTO et al, 2020; MANFREDINI et al, 2017). Nossos achados
corroboram tal percepção, identificando que as relações pessoais e o domínio psicológico
apresentam níveis razoáveis, mas muito distantes daqueles necessários para pensar em uma
relação plena com sua QV. Neste sentido, a adoção de um comportamento sedentário e de
hábitos não saudáveis no estilo de vida auxiliam nos agravos das doenças de base para DRC e
da própria condição crônica, instituindo uma sensação de insatisfação com as variáveis de
Qualidade de Vida.
Os pacientes fisicamente ativos parecem demonstrar menores índices de massa corporal,
peso corporal e circunferência de cintura nas populações DRC em consonância com dados para
adultos que apresentam o mesmo comportamento ativo mas em condições saudáveis (MS,
2021; NAHAS, 2017; PEREIRA et al, 2017). Tal achado pode sugerir que a prática de atividade
física, mesmo em populações com DRC em Tratamento Conservador, podem trazer benefícios
para o perfil nutricional e auxilia no possível retardamento do avanço dos estágios em direção
à falência renal. Além disso, esses achados sinalizam para uma diminuição da incidência de
síndrome metabólica, da resistência à insulina, de alterações nos níveis pressóricos, de respostas
inflamatórias e dos níveis de obesidade nesta população (SILVA JUNIOR et al, 2016).
Em termos físicos, a prática de atividade física pode promover melhoras nos níveis de
aptidão física voltados para a saúde, como aptidão cardiorrespiratória, força muscular,
composição corporal, flexibilidade (NAHAS, 2017), bem como auxilia no aumento da
capacidade funcional, na função física, na diminuição da fadiga, no aumento da massa muscular
50

e no controle de incidência da sarcopenia e na promoção de vitalidade (HIRAKI et al, 2017;
SIMÕES et ali, 2020). Em relação direta com a QV, a prática de atividade pode estimular
melhorias nas percepções de dor, da fadiga, das questões psicológicas, na qualidade do sono,
na capacidade cognitiva e no aumento nas relações interpessoais, importantes variáveis que
compõem a qualidade de vida e bem-estar (MANFREDINI et al, 2017).
Os estudos que relacionam atividade física, nutrição e qualidade de vida em pacientes
com DRC (em tratamento conservador ou HD) revelaram que pessoas fisicamente ativas
apresentaram melhoras na composição corporal e nas percepções de qualidade de vida (LIMA
et al, 2013; MASAJTIS-ZAGAJEWESKA et al, 2019; FUKUSHIMA et al, 2018), auxiliando
em alterações positivas no ritmo de filtração glomerular. No entanto, os participantes do estudo
parecem não terem conhecimentos das implicações fisiológicas do seu comportamento
sedentário e estilo de vida não saudável, impactando diretamente em uma autopercepção baixa
na qualidade de vida. O nível de instrução, a idade (amostra com grande parte de idosos) e a
diminuição do ritmo de trabalho podem ser aviltados como hipóteses para a condição
observada.
No âmbito da correlação entre as variáveis, nosso estudo percebeu que os pacientes
fisicamente ativos possuem maiores taxas de filtração glomerular; melhores níveis de
autopercepção nos domínios físico, satisfação geral da saúde e percepção geral da saúde da
qualidade de vida; maior quantidade de tempo em todos os domínios do nível de atividade física
(deslocamento, trabalho, tarefas domésticas e lazer); e maiores índices de massa gorda e
percentual de gordura. A correlação positiva dos fisicamente ativos com MG e %G expressam
que a prática de atividade física não promoveu mudanças visíveis na massa corporal dos
sujeitos, situação que pode estar associada ao fato de que grande parte do tempo despendido
semanalmente para a realização das práticas corporais esteja nas tarefas domésticas. Ou seja,
tempo necessário, pela OMS e MS, para se manter ativo. No entanto, do ponto de
vista fisiológicos, hemodinâmicos, metabólicos e psicológicos, atividade insuficiente para
modificações

em

composição

corporal.

Para

estes

objetivos,

deverão

ser

trabalhados intensidade, frequência e duração dos exercícios físicos, especificamente voltados
para alterações nos níveis de aptidão física relacionada à saúde.
As demais médias das variáveis confirmaram os achados existentes de que o avanço da
DRC está em consonância com pessoas com diminuição da prática de atividade física, com
perfil nutricional enquadrados em sobrepeso/obesidade e com baixas percepções de qualidade
de vida nas dimensões psicológicas, estado geral da saúde e meio ambiente e dimensão física.
51

Com uma estimativa do IBGE para a prevalência de 14% da população brasileira, em
2025, ser formada por idosos (NIEPEN, 2009), os manejos de acompanhamento e tratamento
de pessoas com DRC em tratamento conservador exigirá alterações mais significativas de
intervenções. No âmbito fisiológico, a população exige um maior controle dos níveis
pressóricos; da resistência à insulina; das alterações dislipidêmicas e controle do peso corporal;
e retardamento dos níveis de sarcopenia, tratamentos terapêuticos que podem ser auxiliados
com intervenções nutricionais e exercícios físicos. Além disso, no âmbito educacional,
importante é buscar uma ampliação da comunicação em saúde visando a promoção de
alterações no estilo de vida (redução do etilismo, tabagismo, comportamento sedentário), no
qual a inclusão de efetivos serviços multidisciplinares em saúde coletiva auxiliem no tratamento
das doenças de base (DM e HAS) e nos diagnósticos precoces de DRC, permitindo um
acompanhamento efetivos dos pacientes. O conjunto destas ações contribuirão para a melhora
na percepção de qualidade de vida e nos níveis de bem-estar de pessoas com DRC.
Em termos de limitação, o estudo apresentou uma população pequena que permite
qualquer análise maior no âmbito epidemiológico, sobretudo no que refere à identificação de
diferenças entre os sexos, nível de escolaridade e estágio da DRC. A utilização de questionários
para aferição do nível de qualidade de vida e atividade física, ainda que validados, podem se
demonstrar frágeis em virtude de as concessões de informações serem realizadas pelo
participante. A pouca existência de estudos com pacientes renais crônicos em tratamento
conservador impede a realização de comparações mais sólidas das variáveis aqui estudadas.
Os resultados aqui alcançados têm como ponto forte a apresentação de um estudo
específico sobre os pacientes em tratamento conservador, grupos muitas vezes invisibilizados
nos processos de estudos científicos voltados para a população com a DRC. Por ora, também
se confirmou os resultados de que baixos NAF e NQV, identificados em pacientes em HD, são
encontrados antecipadamente em sujeitos em Tratamento Conservador, mas que os sujeitos
fisicamente ativos apresentam melhores resultados nas variáveis relacionadas ao perfil
nutricional, que são essenciais para o controle das doenças e agravos à saúde que ampliam o
avanço da DRC para os estágios finais.
Conclusão
Os pacientes renais crônicos em tratamento conservador e usuários do sistema de saúde
público de um hospital de alta complexidade de Maceió/AL apresentam condições
52

características em relação ao perfil socioeconômico, nível de atividade física, perfil nutricional
e autopercepção da qualidade de vida de quaisquer outros estudos.
O comportamento fisicamente ativo em pacientes com DRC em tratamento conservador
parece apresentar respostas positivas nas variáveis responsáveis por agravos de doenças que
agravam o avanço da DRC, como diabetes mellitus, obesidade, síndrome metabólica e
hipertensão arterial sistêmica.
Aconselha-se que equipes multiprofissionais busquem alternativas para motivar ou
incentivar os pacientes a adotarem um estilo de vida ativo, seguindo as recomendações e
orientações de profissionais de Educação Física e Nutrição. Espera-se que a pesquisa possa
contribuir para futuros estudos, visto ser de grande importância para a promoção de QV, estilo
de vida ativo e bem-estar de pacientes com DRC.

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6. CONCLUSÕES
No âmbito socioeconômico, demográfico e clínico identificou-se que os pacientes com
DRC em tratamento conservador no HUPAA/UFAL foram em sua maioria mulheres, de cor
parda, com baixos níveis de escolaridade, residentes na cidade de Maceió/AL e com uma média
de idade em torno de 60 anos. Além disso, apresentaram prevalência de agravos como Diabetes
Mellitus e Hipertensão Arterial Sistêmica, mas não adotam um estilo de vida com consumo de
álcool e tabaco.
No que se refere à categorização do estágio para DRC, os pacientes estudados encontramse, em grande parte, no nível 3 (Taxa de Filtração Glomerular entre 59 a 30 mL/min/1,73m2),
momento em que mudanças no estilo de vida e a adoção de hábitos saudáveis podem corroborar
para possíveis contenções do avanço da doença e/ou na incidência de outros agravos como
obesidade, Diabetes Mellitus e Hipertensão Arterial Sistêmica.
Neste quesito, a prática de atividade física pode ser entendida como um comportamento
sine qua non para colaborar na melhoria das taxas e dos marcadores bioquímicos e no
tratamento de inúmeras comorbidades de pessoas com DRC. Mas, por outro lado, a amostra
estudada apresentou baixos níveis de atividade física podendo ser classificada como sedentária.
A dimensão de atividade física no âmbito doméstico, que se refere às práticas realizadas para
limpar a casa e organizar as demandas do lar, foram aquelas que apresentaram a maior
quantidade de tempo. Tal perfil é recorrentemente vislumbrado em grande parte dos estudos
com pacientes nestas condições que, mais das vezes, não atingem as recomendações básicas
para populações adultas, com comordidades ou idosas, postuladas pela Organização Mundial
da Saúde e pelo Ministério da Saúde a partir do Guia de Atividade Física para População
Brasileira.
Um outro benefício observado naqueles que possuem altos níveis de atividade física é
uma melhora na auto percepção da qualidade de vida. Os participantes deste estudo referiramse com frágeis e regulares olhares sobre sua qualidade de vida, demonstrando níveis
preocupantes para o enfrentamento das condições mais severas da doença quando ocorrerem.
Todavia, os domínios de relações sociais e domínio físico parecem apresentar resultados
permanentes de regulares a positivos independente do estágio da doença em que se encontram.
No âmbito nutricional, cuja atividade física também possui um papel adjuvante
importante, os pacientes com DRC em tratamento conservador encontram-se em níveis de
obesidade segundo as classificações de Índice de Massa Corporal, com riscos aumentados de
57

acordo com a Circunferência de Cintura, mas com percentuais adequados na distribuição da
gordura corporal. A condição de sobrepeso e obesidade é uma característica comum dos
pacientes com DRC em tratamento conservador, sobretudo aqueles que não adotam um
acompanhamento nutricional e a superação do comportamento sedentário. Níveis mais severos
de eutrofia e baixo peso são mais comuns em pacientes em tratamento com terapia substitutiva.
Quando se realizou a associação entre o estágio DRC com os resultados das variáveis de
Nível de Atividade Física, Perfil Nutricional e Qualidade de vida dos participantes deste estudo,
percebeu-se que, independente do estágio de DRC dos pacientes em tratamento conservador,
os baixos níveis de atividade física, as percepções frágeis de qualidade de vida e o perfil de
excesso de peso ou obesidade podem ser observadas nesta população. A correlação demonstrou
positividade somente no âmbito das relações sociais da Qualidade de Vida com os estágios
DRC revelando que o ambiente familiar, comunitário e de amizades permanecem sólidos
mesmo em estágio mais severos da doença.
Por outro lado, quando as associações foram feitas entre os níveis de atividade física
(sedentários/ativos) com as variáveis de Taxa de Filtração Glomerular, Perfil Nutricional e
Qualidade de vida destes mesmos participantes identificou-se diferenças significativas nas
variáveis peso, circunferência de cintura e Índice de Massa Corporal naqueles que eram
fisicamente ativos. Ao mesmo tempo em que correlações positivas foram observadas em todas
as dimensões da prática de atividade física; na TFG; na massa gorda; no percentual de gordura;
e nas dimensões física, perfil geral da saúde e satisfação geral com a saúde da Qualidade de
Vida. Conclui-se, assim, que a prática de atividade física pode fazer a diferença no perfil
nutricional e na percepção de qualidade de vida nos pacientes em tratamento conservador.
Logo, o presente estudo indica a necessidade de maior conscientização dos pacientes para
prática de atividade física e controle nutricional para proporcionar melhoras nos níveis de
qualidade de vida. Aconselha-se que equipes multiprofissionais no Hospital Universitário
busquem alternativas para motivar ou incentivar os pacientes a adotarem um estilo de vida
ativo, seguindo as recomendações e orientações de profissionais de Educação Física e nutrição.
Espera-se que a pesquisa possa contribuir para futuros estudos, visto ser de grande importância
para a promoção de QV, estilo de vida ativo e bem-estar de pacientes com DRC.

58

7. LIMITAÇÕES E PERSPECTIVAS
O estudo enfrentou inúmeras limitações. A principal delas pode ser associada à eclosão
da Pandemia do vírus Sars-CoV-2, responsável pela difusão de uma nova síndrome gripal
(coronavírus) que, até o presente momento, ocasionou 274.213.886 milhões de pessoas
infectadas no mundo e 241.895 em Alagoas, bem como 5,349 milhões e 6.377 óbitos
respectivamente (SESAU-AL, 2021)1. O cenário pandêmico atrasou o início da coleta dos
dados dos participantes nos ambulatórios do HUPAA/UFAL, bem como, em momento de
próxima normalidade, ainda impediu a visita dos pacientes em tratamento ao hospital em
virtude do risco de exposição à contaminação.
A utilização de questionários autorrelatados como o IPAQ e WHOQOL-Bref podem ser
empecilhos para aquisição de informações sólidas sobre as variáveis de estudo, mas são
instrumentos acessíveis e de fácil aplicação em populações em larga escala. Os desvios
interpretativos e dificuldades de compreensão das questões propostas foram amenizados
utilizando o recurso de aplicação dos instrumentos em formato de entrevista.
A inexistência de diferenças significativas nas associações pode estar relacionada ao
baixo número de participantes na estratificação por estágios DRC. Ao utilizar variáveis como
sexo, nível de escolaridade e comorbidades em relação ao NAF e QV diferenças perceptíveis
foram observadas. Todavia, percebeu-se uma pouca aderência e frequência de pacientes DRC
em tratamento conservador, inviabilizando um aumento expressivo no número de participantes
avaliados neste estudo. Tal cenário ocasiona um rápido e silencioso avanço do quadro clínico
dos pacientes para a falência renal e a consequente inserção em um programa de hemodiálise.
O pequeno número de trabalhos envolvendo pacientes em DRC em tratamento
conservador, sobretudo estudos de Coorte, impediram comparações mais precisas sobre o
estado geral da amostra investigada. Neste caso, a realização de um estudo de Coorte com
variáveis bioquímicas, nutricionais, comportamentais e de aptidão física poderia auxiliar em
uma adesão do paciente a um tratamento conservador mais eficiente, bem como o
desenvolvimento de um estudo multidisciplinar.

1

Os dados foram recolhidos no dia 20 de dezembro de 2021, certamente com números maiores no momento da
realização da leitura deste material.

59

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70

APÊNDICES

71

APÊNDICE A – Termo de Consentimento Livre e Esclarecido

UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
FACULDADE DE MEDICINA
Programa de Pós-Graduação em Ciências Médicas
TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO (T.C.L.E.)
Você está sendo convidado(a) a participar do projeto de pesquisa: “Ação da Própolis Vermelha e do
Exercício Físico na Evolução da Doença Renal em Obesos”, dos pesquisadores Juliana Célia de Farias
Santos, Antonio Filipe Pereira Caetano, Michelle Jacintha Cavalcante Oliveira e Fabiana Andrea
Moura. A seguir, as informações do projeto de pesquisa com relação a sua participação neste projeto:
1. O estudo se destina a investigar a ação da própolis vermelha e do exercício físico sob a evolução da
Doença Renal Crônica a partir de marcadores bioquímicos, de estresse oxidativo e inflamatórios, em
obesos atendidos em um Hospital Universitário de Maceió, AL.
2. A importância deste estudo se deve ao aumento da prevalência de casos da Doença Renal Crônica
(DRC), bem como das doenças associadas à sua manifestação, como a obesidade. A presença de doenças
crônicas não transmissíveis auxilia na evolução da DRC para falência das funções dos rins, obrigando o
paciente a iniciar o tratamento de hemodiálise.
3. Os resultados que se desejam alcançar é contribuir para o conhecimento do papel do exercício físico
e da própolis vermelha na diminuição dos estágios da DCR e averiguação de como estes recursos podem
contribuir para a utilização em novos manejos de tratamento adequados nos ambulatórios da instituição
hospitalar, reduzindo custos e proporcionando melhor qualidade de vida aos pacientes.
4. A coleta de dados começará em setembro de 2020. No entanto, o início das atividades poderá ser
alterado conforme as recomendações sanitárias em virtude da pandemia do COVID-19.
5. O estudo será feito da seguinte maneira: aplicação de coletas de dados; aplicação de testes de aptidão
física; realização de exames bioquímicos; intervenção física e utilização de suplementação alimentar.
6. A sua participação será nas seguintes etapas: responder as perguntas dos questionários aplicados;
participar das aferições antropométricas e de aptidão física; realizar exames laboratoriais bioquímicos;
participar das aulas de intervenção física; e adotar a suplementação diária orientada para
complementação alimentar.
7. Os exames bioquímicos que você realizará são: hemograma completo, ureia, creatinina,
microalbuminúria, glicemia e insulina jejum, hemoglobina glicada, lipidrograma, proteína C reativa,
ferritina. Estes exames serão feitos através de amostra biológica do sangue, no qual serão coletados 12
ml de sangue, que corresponde a uma colher de sopa, que também serão utilizados para averiguação dos
marcadores de inflamação nos rins. A coleta será feita nos laboratórios de bioquímica do HUPAAUFAL. Todas as amostras de sangue recolhidas para o âmbito desta pesquisa serão descartadas após a
realização das devidas avaliações. O descarte será feito em ambiente específico do Hospital Professor
Alberto Antunes (HUPAA) da UFAL. Os exames deverão ser realizados no início e ao fim do estudo.

72

8. Os testes de aptidão física que você realizará são: avaliação antropométrica, flexibilidade, força
muscular dos membros inferiores, força muscular sistêmica e teste cardiorrespiratório (Teste 6 minutos).
Os testes serão realizados no laboratório do Grupo de Pesquisa em Biodinâmica em Desempenho
Humano e Saúde do Instituto de Educação Física e Esporte da UFAL. Os mesmos deverão ser feitos
duas vezes: no início e ao fim do projeto.
9. Ao participar do estudo você poderá ser escolhido(a) para participar do grupo de intervenção. A
intervenção do exercício físico que você realizará será realizada nas dependências no parque aquático
do complexo esportivo do Instituto de Educação Física e Esporte. A intervenção ocorrerá ao longo de
24 semanas, 3 vezes por semana, com duração de 50 minutos, com intensidade de moderada-vigorosa,
no horário vespertino. A aula será dividida em três momentos: aquecimento; parte principal; e volta a
calma. Antes do início da atividade será aferida a sua pressão arterial e frequência cardíaca para
identificação das condições de saúde. O aquecimento terá a duração de 5 minutos e conterá exercícios
para aumento da temperatura corporal e preparação dos músculos para as tarefas que serão recrutados,
especialmente os grandes grupos musculares. A parte principal terá a duração de 30 minutos e conterá
exercícios para os membros superiores, inferiores e tronco, realizados de forma estática e/ou em
movimento, e com uso de implementos como peso de espuma, macarrão e pranchas. A volta a calma
terá a duração de 5 minutos e conterá práticas de relaxamento e alongamento na água, visando a
reposição do ritmo cardíaco/respiratório, aumento da flexibilidade, prevenção de lesões e o próprio
relaxamento. As semanas serão divididas em ciclos. Ao longo da aula a sua percepção de esforço usado
para atividade será averiguado através de uma Escala de 0 a 10 (Escola de Borg) que será feito de forma
verbal, sendo este instrumento um mecanismo utilizado para o controle da intensidade da aula. Ao final
da aula novamente será feita a mensuração da pressão arterial e da frequência cardíaca. As aulas serão
divididas em ciclos. O 1º Ciclo, com duração 8 semanas, a intensidade do exercício será de 50-60%
FCmax; 2º ciclo, 8 semanas, 60-70% FCmax; e o 3º Ciclo: 70-80% FCmax.
10. Ao participar do estudo você poderá ser escolhido(a) para participar do grupo de suplementação. A
suplementação que você receberá é o uso própolis vermelha em uma dose de 500 mg/dia (4 comprimidos
de 125 mg cada, divididos em 2 doses diárias). Todos as pastilhas serão fornecidas pela equipe do projeto
e serão revestidas de material organoléptico para não distinção entre a própolis e o placebo. Você
receberá tratamento padrão para o controle de suas comorbidades.
11. Os incômodos e possíveis riscos à sua saúde física e/ou mental são: 11.1 – a possibilidade de
desconforto com perguntas dos questionários aplicados, bem como o receio da divulgação de
informações indevidas, situação que não ocorrerá em virtude da utilização deste TCLE; 11.2 – a
existência de insatisfação, incômodos e constrangimento durante a aplicação dos testes de aptidão física,
circunstância que será amenizada com a realização dos mesmos em ambientes adequadas, com a
participação de poucos pesquisadores e não visando o esforço máximo pelos sujeitos; 11.3 – incidência
de lesão, dores, entorses, quedas e acidentes durante as intervenções realizadas, que serão evitadas a
partir de atividades com frequência e intensidade correlacionada ao paciente, bem como a prática de
prestação de serviço com kit de primeiros socorros caso haja alguma intercorrência; em situação mais
grave, os pesquisadores se responsabilizarão para o encaminhamento para a unidade de atendimento de
emergência mais próxima; 11.4 – o aparecimento de efeitos colaterais durante o uso da própolis vermelha
– como alergia, coceira, vermelhidão e urticária na pele – que serão acompanhados pelos pesquisadores
através de consultas semanais durante as práticas de intervenção e recomendação de suspensão da
utilização da suplementação em caso de maior desconforto.
12. Os benefícios esperados com a sua participação no projeto de pesquisa, mesmo é a obtenção de
resultados, não antes vistos e discutidos sobre o tema abordado, para a comunidade científica,
principalmente no aspecto de fornecer informações sobre os efeitos do exercício físico e da ação da
própolis vermelha no tratamento da DRC. Além disso, espera-se apontar caminhos mais baratos para o
tratamento clínico através de ações não farmacológicas. Além disso, as contribuições indiretamente para

73

sua saúde podem ser apontadas como diminuição do sedentarismo, perda de gordura corporal e
contenção do avanço da Doença Renal Crônica, condições importantes para melhoria de sua qualidade
de vida.
13. O estudo poderá ser interrompido mediante aprovação prévia do Comitê de Ética (CEP) em Pesquisa
da UFAL ou quando for necessário, para que seja salvaguardada a sua segurança. Neste caso, o CEP
deverá será comunicado à posteriori na primeira oportunidade conforme Resolução CNS nº 251 de 1997,
item III.2.e; Resolução 466 de 2012, item III.2.
14. Os resultados de sua participação no estudo poderão ser adquiridos de inúmeros formas. Para a
comunidade científica serão elaborados artigos publicados em revistas científicas, monografias e
dissertação de mestrado, que serão apresentados ao término do estudo. Para a sociedade os resultados
poderão ser observados nas alterações e ajustes de conduta ambulatorial no tratamento de pacientes com
DRC/Obesidade no Hospital Universitário. E para você poderá ser apresentada, conforme solicitação ou
não, uma planilha com os resultados individualizados das avaliações clínica, bioquímica e física
realizadas em você ao longo do estudo.
15. A qualquer momento, você poderá recusar a continuar participando do estudo e, também, que poderá
retirar seu consentimento, sem que isso lhe traga qualquer penalidade ou prejuízo.
16. As informações conseguidas através da sua participação não permitirão a identificação da sua pessoa,
exceto para a equipe de pesquisa, e que a divulgação das mencionadas informações só será feita entre
os profissionais estudiosos do assunto após a sua autorização.
17. O estudo não acarretará nenhuma despesa para você ou para seu acompanhante (exemplos: custos
com passagens e lanches, entre outros) que serão de responsabilidade do pesquisador
responsável/patrocinador (Resolução CNS nº 466 de 2012, itens II.11 e II.16). Caso venha sofrer algum
dano decorrente dessa pesquisa você ser indenizado, desde que devidamente comprovado, conforme a
resolução CNS 466/12, item IV (nexo causal), conforme decisão judicial ou extrajudicial.
18. Você receberá uma via do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido assinado por todos.
Eu
................................................................................................................................,
tendo
compreendido perfeitamente tudo o que me foi informado sobre a minha participação no mencionado
estudo e estando consciente dos meus direitos, das minhas responsabilidades, dos riscos e dos benefícios
que a minha participação implicam, concordo em dele participar e para isso eu DOU O MEU
CONSENTIMENTO SEM QUE PARA ISSO EU TENHA SIDO FORÇADO OU OBRIGADO.
Endereço dos responsáveis pela pesquisa (OBRIGATÓRIO):
Instituição: Universidade Federal de Alagoas
Endereço: Campos A. C. Simões, Cidade Universitária, Tabuleiro dos Martins
Complemento: Curso de Educação Física – UFAL
Cidade/CEP: Maceió -AL/ CEP: 57.072-970
Telefone: 9 8831 1415
Ponto de referência: Reitoria da UFAL
Contato de urgência:
Instituição:
Endereço:
Complemento:
Cidade/CEP:
Telefone:
Ponto de referência:

Profa. Dra. Juliana Célia de Farias Santos
Universidade Federal de Alagoas
Campos A. C. Simões, Cidade Universitária, Tabuleiro dos Martins
Faculdade de Medicina – UFAL
Maceió - Alagoas / CEP: 57.072-970
99950-8922
Reitoria da UFAL

74

ATENÇÃO: O Comitê de Ética da UFAL analisou e aprovou este projeto de pesquisa. O Sistema
CEP/CONEP tem a importância da proteção e garantia dos direitos dos participantes de pesquisas
científicas no Brasil.
Para obter mais informações a respeito deste projeto de pesquisa, informar ocorrências irregulares
ou danosas durante a sua participação no estudo, dirija-se ao:
Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Alagoas
Prédio do Centro de Interesse Comunitário (CIC), Térreo, Campus A.C. Simões Cidade Universitária
Telefone: 3214-1041 – Horário de Atendimento: das 8:00 as 12:00hs.
E-mail: comitedeeticaufal@gmail.com
Maceió – AL, em

de

Assinatura ou impressão
datiloscópica d(o/a) voluntári(o/a)
ou responsável legal e rubricar as
demais folhas

2020.

JULIANA CÉLIA DE FARIAS SANTOS
Coordenação do Projeto

75

ANEXOS

76

ANEXO A – Questionário Internacional de Atividade Física (IPAQ)
Atividade física em UMA SEMANA NORMAL/HABITUAL.
* VIGOROSAS são aquelas que precisam de um grande esforço físico e que fazem respirar mais forte
que o normal
* MODERADAS são aquelas que precisam de algum esforço físico e que fazem respirar UM POUCO
mais forte.
SEÇÃO 1- ATIVIDADE FÍSICA NO TRABALHO
1a. Atualmente você tem ocupação remunerada ou faz trabalho voluntário fora de sua casa? ( ) Sim
( )Não
1b. No trabalho faz alguma atividade vigorosa por mais 10 minutos? ( ) sim ( ) Não
Caso marque sim: (
) Quantos Dias da semana ____ ; quantos minutos dura cada atividade: _____
1c. No trabalho faz alguma atividade moderada por mais 10 minutos? ( ) sim ( ) Não
Caso marque sim: (
) Quantos Dias da semana ____ ; quantos minutos dura cada atividade: _____
1d. Caminha no trabalho por mais de 10 minutos seguidos? ( ) sim ( ) Não)
Caso marque sim: (
) Quantos Dias da semana ____ ; quantos minutos dura cada atividade: _____
1e. Como é sua caminhada no trabalho? ( ) rápido/vigoroso ( ) moderado ( ) lento
SEÇÃO 2 - ATIVIDADE FÍSICA COMO MEIO DE TRANSPORTE
2a. Usa meio de transporte (carro/moto/van)? ( ) sim ( ) não
Quantas vezes na semana ( ) Duração das viagens ______ minutos
2b. Usa bicicleta por mais de 10 minutos? ( ) sim ( ) não ___ vezes na semana ______ minutos
2c. Quando você anda de bicicleta, a que velocidade você costuma pedalar?
( ) rápida ( ) moderada ( ) lenta
2d. Caminha para lugares por mais de 10 minutos? ( ) sim ( )não __ vezes na semana __ minutos
2e. Quando você caminha para ir de um lugar a outro, a que passo você normalmente anda?
( ) rápido/vigoroso ( ) moderado ( ) lento
SEÇÃO 3 –
ATIVIDADE FÍSICA EM CASA: TRABALHO, TAREFAS DOMÉSTICAS E CUIDAR DA
FAMÍLIA
3a. Em casa faz alguma atividade vigorosa por mais 10 minutos? ( ) sim ( ) Não
Caso marque sim: (
) Quantos Dias da semana ____ ; quantos minutos dura cada atividade: _____
3b. Em casa faz alguma atividade moderada por mais 10 minutos? ( ) sim ( ) Não
Caso marque sim: (
) Quantos Dias da semana ____ ; quantos minutos dura cada atividade: _____

77

SEÇÃO 4- ATIVIDADES FÍSICAS DE RECREAÇÃO, ESPORTE, EXERCÍCIO E DE
LAZER
4a. Faz caminhada como atividade física por mais de 10 minutos? ( ) sim ( ) Não
Caso marque sim: (
) Quantos Dias da semana ____ ; quantos minutos dura cada atividade: _____
4b. Quando você caminha como você anda? ( ) rápido ( ) moderado ( ) lento
4c. Faz alguma atividade vigorosa por mais de 10 minutos? ( ) sim ( ) Não
Caso marque sim: (
) Quantos Dias da semana ____ ; quantos minutos dura cada atividade: _____

78

ANEXO B – World Health Organization Quality of Life (WHOQOL-Bref)
Este questionário procura conhecer a sua qualidade de vida, saúde, e outras áreas de sua vida.
Por favor, responda a todas as perguntas. Se não tiver a certeza da resposta a dar a uma pergunta, escolha
a que lhe parecer mais apropriada. Esta pode, muitas vezes, ser a resposta que lhe vier primeiro à cabeça.
Por favor, tenha presente os seus padrões, expectativas, alegrias e preocupações. Pedimos-lhes que tenha
em conta a sua vida nas DUAS ÚLTIMAS SEMANAS.
Por favor, leia cada pergunta, veja como se sente a respeito dela, e ponha um círculo à volta do número
da escala para cada pergunta que dá a melhor resposta.
Muito Má

Má

Nem Bom,
nem Má

Boa

Muito Boa

1

2

3

4

5

1. Como você avalia a sua qualidade de vida ?

Muito
Insatisfeito

Insatisfeito

Nem satisfeito,
nem insatisfeito

Satisfeito

Muito
Satisfeito

1

2

3

4

5

Nada

Pouco

Nem muito, nem
pouco

Muito

Muitíssimo

1

2

3

4

5

1

2

3

4

5

1

2

3

4

5

1

2

3

4

5

1

2

3

4

5

1

2

3

4

5

1

2

3

4

5

2. Até que ponto está satisfeito
com a sua saúde?

3. Em que medida as suas dores físicas o
impedem de fazer o que precisa de fazer?
4. Em que medida precisa de cuidados
médicos para fazer a sua vida diária?
5. Até que ponto você gosta da vida?
6. Em que medida sente que a sua vida
tem sentido?
7. Até que ponto você consegue se
concentrar?
8. Em que medida você se sente em
segurança no seu dia a dia?
9. Em que medida é saudável seu
ambiente físico (casa)?

Nada Pouco
10. Até que ponto você tem energia suficiente
para a sua vida diária?
11. Até que ponto você é capaz de aceitar a sua
aparência física?

Moderadamente Bastante Completamente

1

2

3

4

5

1

2

3

4

5

79

12. Até que ponto você tem dinheiro suficiente
para satisfazer as suas necessidades?
13. Até que ponto você tem fácil acesso às
informações necessárias para organizar a sua
vida diária ?
14. Em que medida tem oportunidade para
realizar atividades de lazer ?

1

2

3

4

5

1

2

3

4

5

1

2

3

4

5

Muito Má

Má

Nem boa,
nem má

Boa

Muito Boa

1

2

3

4

5

15. Como avaliaria a sua mobilidade (capacidade
para se movimentar e deslocar por si próprio) ?

16. Até que ponto está satisfeito com o seu
sono ?
17. Até que ponto está satisfeito com a sua
capacidade
para
desempenhar
as
atividades no seu dia a dia ?
18. Até que ponto está satisfeito com a sua
capacidade de trabalho ?
19. Até que ponto está satisfeito contigo
próprio?
20. Até que ponto está satisfeito com que
suas relações pessoais ?
21. Até que ponto está satisfeito com sua
vida sexual ?
22. Até que ponto está satisfeito com o
apoio que recebe de seus amigos ?
23. Até que ponto está satisfeito com as
condições do lugar em que vive ?
24. Até que ponto você está satisfeito com
o acesso que tem aos serviços de saúde ?
25. Até que ponto está satisfeito com os
transportes que utiliza?

26. Com que frequência você tem
sentimentos negativos, tais como tristeza,
desespero, ansiedade ou depressão ?

Muito
Insatisfeito

Insatisfeito

Nem
satisfeito, nem
insatisfeito

Satisfeito

Muito
Satisfeito

1

2

3

4

5

1

2

3

4

5

1

2

3

4

5

1

2

3

4

5

1

2

3

4

5

1

2

3

4

5

1

2

3

4

5

1

2

3

4

5

1

2

3

4

5

1

2

3

4

5

Nunca

Poucas
Vezes

Algumas
Vezes

Frequentemente

Sempre

1

2

3

4

5

80

ANEXO C – Parecer do Comitê de Ética da UFAL (CEPE/UFAL)

81

82

83

ANEXO D – Documento de Submissão do Produto 1 (Artigo “Nível de Atividade Física,
Qualidade de Vida e Perfil Nutricional de Pacientes Renais Crônicos em Tratamento
Conservador” ) na Revista Brasileira de Atividade Física e Saúde

84

ANEXO E – Documento de Submissão do Produto 1 (Artigo “Nível de Atividade Física,
Qualidade de Vida e Perfil Nutricional de Pacientes Renais Crônicos em Tratamento
Conservador” ) na Revista Brasileira de Atividade Física e Saúde

85