13- Maria Erigleide Bezerra da Silva - CUIDADOS PALIATIVOS HABILIDADES E IMPORTÂNCIA DO TEMA PARA DISCENTES DE GRADUAÇÃO EM MEDICINA

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MARIA ERIGLEIDE BEZERRA DA SILVA - CUIDADOS PALIATIVOS HABILIDADES E IMPORTÂNCIA DO TEMA PARA DISCENTES DE GRADUAÇÃO EM MEDICINA.pdf
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                    UNVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
FACULDADE DE MEDICINA
PROGRAMA DE MESTRADO PROFISSIONAL
EM EDUCAÇÃO EM SAÚDE - MESTRADO

MARIA ERIGLEIDE BEZERRA DA SILVA

CUIDADOS PALIATIVOS: HABILIDADES E IMPORTÂNCIA DO TEMA PARA
DISCENTES DE GRADUAÇÃO EM MEDICINA

Maceió-AL
2017

MARIA ERIGLEIDE BEZERRA DA SILVA

CUIDADOS PALIATIVOS: HABILIDADES E IMPORTÂNCIA DO TEMA PARA
DISCENTES DE GRADUAÇÃO EM MEDICINA

Trabalho Acadêmico de Conclusão de Curso
de Mestrado apresentado ao Programa de
Mestrado Profissional em Educação em Saúde
da Faculdade de Medicina (FAMED), da
Universidade Federal de Alagoas (UFAL),
como requisito parcial para obtenção do grau
de Mestre em Ensino na Saúde.

Orientadora: Prof.ª Dr.ª Divanise Suruagy
Correia
Coorientador: Prof. Dr. Jorge Luiz Souza
Riscado

Maceió-AL
2017

Catalogação na fonte
Universidade Federal de Alagoas
Biblioteca Central
Bibliotecária Responsável: Helena Cristina Pimentel do Vale
S586c

Silva, Maria Erigleide Bezerra da.
Cuidados paliativos: habilidades e importância do tema para discentes de
graduação em Medicina / Maria Erigleide Bezerra da Silva. – 2017.
52 f. : il.
Orientadora: Divanise Suruagy Correia
Coorientador: Jorge Luiz Souza
Dissertação (Mestrado Profissional em Ensino na Saúde) – Universidade
Federal de Alagoas. Faculdade de Medicina. Programa de Pós-Graduação em
Ensino na Saúde. Maceió, 2017.
Inclui bibliografia.
Apêndice: f. 42-47.
Anexos: f. 48-52.
1. Cuidados paliativos. 2. Educação médica. 3. Morte. 4. Medicina – Currículo.
I. Título.

CDU: 616:378

Você é importante porque você é único.
Você será importante para nós até o último dia da sua vida,
e nós faremos de tudo o que pudermos,
não apenas para que você morra em paz,
mas para que você “viva” até o momento da sua morte.

Cecily Saunders

RESUMO GERAL

No contexto da Medicina, a morte sempre é considerada como sinônimo de fracasso
da atuação do profissional médico, sendo abordada geralmente com uma visão
científica, sem aproximação com as emoções. Neste momento, os cuiddos paliativos
são imprescindiveis. Apresenta-se aqui um artigo cujo objetivo foi avaliar o grau de
habilidade e a importância da temática dos Cuidados Paliativos no currículo de
graduação em Medicina. Trata-se de um estudo quantitativo transversal, descritivo,
com aplicação de uma versão adaptada do Instrumento “PEAS – Physicians’ End-ofLife Care Attitude Scale”, elaborado por Levetown, Hayslip e Peel (1999-2000). Com
base nos 64 (sessenta e quatro) itens originalmente existentes no instrumento,
foram elaboradas 37 (trinta e sete) assertivas, organizadas de modo a melhor
atender às finalidades do estudo, sendo verificadas a autopercepção dos estudantes
de Medicina em relação à sua capacidade técnico-profissional, ética e pessoal para
lidar com Cuidados Paliativos de pacientes em fase terminal e, ainda, para avaliar a
importância por eles atribuída à inserção de elementos específicos da temática no
currículo de graduação em Medicina. O questionário foi aplicado em 2015 a todos os
estudantes que se dispuseram a participar e que estavam cursando o internato (dois
últimos anos do curso), na Faculdade de Medicina (FAMED) da Universidade
Federal de Alagoas (UFAL), num total de 134 (cento e trinta e quatro) participantes.
As variáveis estudadas foram: a) idade; b) sexo; c) classificação da autopercepção
em relação ao grau de competência a respeito de tópicos sobre interação com
pacientes e familiares e manejo clínico; d) preocupação com decisões clínicas que
possam contrariar o que é aceito legal, ética e profissionalmente ou que possam ser
contrárias às crenças pessoais; e) classificação de situações em relação à morte; e
f) indicação do grau de importância que algumas temáticas deveriam ter no currículo
de graduação em Medicina da FAMED/UFAL. Os estudantes alegaram precisar de
supervisão para discutir a respeito de cuidados paliativos e da retirada de tratamento
com pacientes e familiares. Os dados sugerem que os estudantes identificam as
deficiências ocasionadas pela ausência/limitação do ensino referente aos cuidados
paliativos, bem como demonstram interesse em vê-lo incluído com mais destaque no
currículo de Medicina, restando, portanto, inconteste a importância do tema para a
formação humanizada dos estudantes de Medicina para além da busca desmedida
pelo curar. A partir destes resultados foi criado um produto em forma de aplicativo,
para a comunidade acadêmica, bem como para profissionais da área da saúde,
visando contribuir com sua formação e difundir conhecimentos acerca dos Cuidados
Paliativos, disponível para download gratuito a aparelhos Android e IOS (Figura 1),
com tamanho total de 2,94 mb.

Palavras-Chave: Cuidados Paliativos. Educação Médica. Morte.

GENERAL ABSTRACT

In the context of Medicine, death is always considered as a synonym of failure of the
medical professional, being generally approached with a scientific vision, without
approaching the emotions. At the moment, palliative care is essential. The objective
of this article was to evaluate the degree of ability and importance of Palliative Care
theme in medical curriculum. This is a cross-sectional, descriptive study with the
application of an adapted version of the "PEAS - Physicians' End-of-Life Care
Attitude Scale", developed by Levetown, Hayslip and Peel (1999-2000). Based on
the 64 (sixty-four) items originally in the instrument, 37 (thirty-seven) assertions were
elaborated, organized in order to better serve the purposes of the study, being
verified the students' self-perception of their technical ability to deal with Palliative
Care of terminally ill patients and also to evaluate the importance attributed by them
to the insertion of specific elements of the subject in the curriculum of graduation in
Medicine. The questionnaire was applied in 2015 to all students who were willing to
attend and who were attending the internship (last two years of the course), at the
Faculty of Medicine (FAMED) of the Federal University of Alagoas (UFAL), in a total
of 134 (hundred and thirty-four) participants. The studied variables were: a) age; B)
sex; C) classification of self-perception in relation to the degree of competence
regarding topics on interaction with patients and relatives and clinical management;
D) concern with clinical decisions that may contradict what is legally, ethically and
professionally accepted or that may be contrary to personal beliefs; E) classification
of situations in relation to death; And f) indication of the degree of importance that
some subjects should have in the medical curriculum of FAMED / UFAL. The
students claimed to need supervision to discuss palliative care and withdrawal of
treatment with patients and family members. The data suggest that the students
identify the deficiencies caused by the absence/limitation of the teaching related to
palliative care, as well as show interest in seeing it included with more prominence in
the medical curriculum, thus remaining uncontested the importance of the theme for
the training humanized education of medical students beyond the unqualified pursuit
of healing. From these results, an application product was created for the academic
community, as well as for health professionals, to contribute to their training and
disseminate knowledge about Palliative Care, available for free download for Android
and IOS devices (Figure 1), with a total size of 2.94 mb.
Keywords: Palliative Care. Education Medical. Death.

LISTA DE FIGURAS

Figura 1 – Tela de Download para Aplicativo Cuidados Paliativos.......................... 34
Figura 2 – Informações sobre Aplicativo Cuidados Paliativos................................. 34
Figura 3 – Tela de início Aplicativo Cuidados Paliativos......................................... 34
Figura 4 – Menu Principal Aplicativo Cuidados Paliativos....................................... 34
Figura 5 – Scores..................................................................................................... 35
Figura 6 – Procedimentos........................................................................................ 35
Figura 7 – Conceitos................................................................................................ 36
Figura 8 – Medicamentos.........................................................................................36

LISTA DE TABELAS

Tabela 1 – Classificação do grau de competência do estudante a respeito de
Tópicos sobre interação com pacientes e familiares (%)..................... 19
Tabela 2 – Classificação do grau de competência do estudante acerca do
manejo línico do paciente terminal (%).................................................. 20
Tabela 3 – Prover o máximo de alívio da dor em pacientes oncológicos, mesmo
antes da fase terminal (%)..................................................................... 21
Tabela 4 – Pensamentos e sentimentos sobre a morte (%).................................... 22
Tabela 5 – Grau de importância sobre habilidades e cuidados com pacientes
terminais para o currículo de Graduação em Medicina (%)................... 23

LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

AL

Alagoas

ABCP

Associação Brasileira de Cuidados Paliativos

ANCP

Academia Nacional de Cuidados Paliativos

CP

Cuidados Paliativos

CFM

Conselho Federal de Medicina

EUA

Estados Unidos da América

FAMED

Faculdade de Medicina

MEC

Ministério da Educação

OMS

Organização Mundial da Saúde

PEAS

Physicians End-of-life Care Attitude Scale

TCLE

Termo de Consentimento Livre e Esclarecido

UFAL

Universidade Federal de Alagoas

SUMÁRIO

1

APRESENTAÇÃO.......................................................................................... 10

2

ARTIGO: CUIDADOS PALIATIVOS: competência e importância do
tema no currículo de Graduação em Medicina........................................... 13

2.1

Introdução.................................................................................................... 15

2.2

Método.......................................................................................................... 18

2.3

Resultado..................................................................................................... 19

2.4

Discussão.................................................................................................... 23

2.5

Conclusão.................................................................................................... 29
Referências.................................................................................................. 30

3

PRODUTO: Aplicativo para IOS e Android............................................... 33

3.1

Apresentação............................................................................................... 33

3.2

O Aplicativo.................................................................................................. 33

3.2.1 Informaçãões gerais...................................................................................... 33
3.2.2 Considerações finais..................................................................................... 36
4

CONSIDERAÇÕES GERAIS........................................................................ 37
REFERÊNCIAS GERAIS.............................................................................. 39
APÊNDICES................................................................................................. 42
ANEXOS...................................................................................................... 48

10

1

APRESENTAÇÃO
As representações sociais sobre a morte e o morrer podem ser entendidas

como resultado da construção de uma interpretação social partilhada em diferentes
contextos históricos, sociais e culturais. Dessa forma, as diferentes leituras sobre o
processo da morte e do morrer têm determinado distintas interpretações e
influenciado a forma como se dará seu enfrentamento e, ainda, os meios de
assistência ao moribundo (BORGES; MENDES, 2012).
Durante toda a nossa formação médica, somos treinados a combater as
doenças e a morte a qualquer custo, e, evidentemente, sentimo-nos gratificados
quando obtemos a cura e a recuperação dos pacientes que atendemos. No entanto,
já nos primeiros contatos com os enfermos, ainda como acadêmicos, é comum nos
depararmos com quadros clínicos incuráveis ou irreversíveis, nos quais a morte é
inevitável. Se a morte é socialmente pouco aceita e muitas vezes entendida como
um fenômeno desconhecido, para um médico treinado exclusivamente em curar, a
morte é vista como um fracasso, uma frustração, não sendo abordada em nenhuma
disciplina da grade curricular médica.
Cassorla (2009 ) descreve as fases sobre a morte apresentadas por Klubber.
Kübler-Ross (c1969) descreve emoções sobre a morte, informando que a fase de
negação é uma defesa mental que implica recusar o contato com um fato que
promoveria turbulência e sofrimento emocional. A raiva surge quando não se pode
mais negar, ou o impacto vivenciado foi tão grande que a negação se tornou
impossível. Na fase de barganha o paciente aceita a realidade, todavia busca
acordos que lhe possibilitem camuflar a realidade dos fatos, para aproveitar melhor o
tempo que lhe resta.
No estágio da depressão ocorrerá a elaboração dos lutos, com retraimento e
tristeza. Finalmente a aceitação, que é o estágio final, em que há superação. A
chance para seu alcance é maior se os pacientes contarem com apoio durante todo
o processo. A despedida das experiências vividas e dos entes queridos pode
evidenciar paz e tranquilidade.
No decorrer da minha vida profissional, minha especialização foi em Medicina
Intensiva, considerada, ao lado das especialidades cirúrgicas, uma das áreas mais
invasivas e intervencionistas. A frustração e a sensação de impotência diante da

11

morte persistiam; apesar dos anos de experiência, não me sentia confortável, faltava
algo.
Em 2006, tive a oportunidade do primeiro contato com o conceito de Cuidados
Paliativos, acidentalmente, durante uma aula de Ética Médica. Foi o despertar de
uma percepção diferente a respeito dos cuidados com o final da vida. O interesse
inicial permaneceu durante algum tempo longe da prática diária. Novamente, as
circunstâncias me aproximaram do Paliativismo. Com a obrigatoriedade da
implantação do Serviço de Cuidados Paliativos no Centro de Alta Complexidade em
Oncologia (CACON) do Hospital Universitário Professor Alberto Antunes – UFAL,
verificou-se a necessidade de capacitação de profissionais locais. A convite de um
grande amigo, participei de um fellow em Cuidados Paliativos no hospital do INCA
durante três meses.
A partir de então, passei a atender pacientes oncológicos terminais, fora de
possibilidade de cura no CACON, e tive a oportunidade de ver os dois lados: curar e
cuidar. Na UTI, tecnicismo e procedimentos invasivos visando à cura; e no CACON,
o cuidado de pacientes com doenças terminais, visando não à cura, mas a uma
melhora na qualidade de vida, propiciando medidas de conforto e humanização aos
pacientes e seus familiares. O exercício da Medicina, partir de então, passou a ter
uma dimensão mais ampla e completa.
Como intensivistas, comumente admitimos pacientes que deveriam estar em
cuidados paliativos. O crescente avanço tecnológico e o tecnicismo típico da UTI
possibilitam a manutenção das funções vitais, a despeito da qualidade de vida e da
humanização. Eventualmente esses pacientes são submetidos a procedimentos
invasivos, dolorosos e fúteis, aumentando a sobrevida por poucos dias ou semanas,
à custa de muito sofrimento físico e emocional.
No Hospital Universitário, muitos desses internamentos de indicação
questionável são encaminhados por docentes e discentes; sempre me indaguei se
por desconhecimento e/ou por falta de preparo durante a formação acadêmica. Com
a oportunidade do Mestrado em Educação na Saúde, senti a necessidade de
aprofundar-me nessas questões, tentando compreender a percepção e o grau de
competência dos estudantes de Medicina com relação aos Cuidados Paliativos.
Por entender que a educação dos mais jovens é a forma mais efetiva de
difundir o conceito e garantir a sua aplicação prática no futuro, imagino este trabalho

12

como o primeiro passo em um projeto maior que inclui a conscientização de
docentes e discentes sobre a importância da temática dos Cuidados Paliativos na
grade curricular dos profissionais da área médica.
Este trabalho apresenta um artigo resultante da pesquisa realizada com 134
estudantes dos dois ultimos anos do Curso de Medicina e sobre um produto a ser
disponibilizado gratuitamente para a comunidade acadêmica, bem como para
profissionais da área da saúde, visando contribuir com sua formação e difundir
conhecimentos acerca dos Cuidados Paliativos. Tal produto já se encontra
disponível para download em aparelhos Android e IOS.

13

2

ARTIGO: CUIDADOS PALIATIVOS: IMPORTÂNCIA DO TEMA PARA
DISCENTES DE GRADUAÇÃO EM MEDICINA
PALLIATIVE CARE: IMPORTANCE OF THE SUBJECT FOR MEDICAL
STUDENTS

Resumo
Introdução: Cuidados paliativos são ações que buscam atuar na qualidade de vida
de pessoas doentes e dos seus familiares, aliviando e prevenindo sofrimento diante
de uma doença terminal. A inserção da temática dos cuidados paliativos no currículo
da graduação em Medicina, confere possibilidades para que futuros médicos
enfrentem as limitações/implicações a que serão submetidos em sua vida
profissional e até mesmo durante a graduação. Objetivo: Identificar a importância da
temática dos Cuidados Paliativos para discentes da graduação em Medicina.
Metodologia: Trata-se de um estudo quantitativo, descritivo e transversal. Foi usada
como instrumento uma versão adaptada do Instrumento “PEAS – Physicians’ Endof-Life Care Attitude Scale”. Foram usadas 37 questões do tipo Likert buscando
atender às finalidades do estudo. A coleta aconteceu em 2015, em amostra
aleatória, não probabilística, composta por 134 estudantes que cursavam os dois
últimos anos (internato) da graduação de Medicina de uma Universidade Federal
brasileira Os dados foram analisados no programa SPSS. Resultados: Dos 134
participantes, 59,7% eram do sexo feminino, com idades entre 22 e 37 anos. Os
resultados apontam que 85,84% dos estudantes necessitam de alguma supervisão
ou instrução básica para discutir a respeito de cuidados paliativos e a retirada de
tratamento com pacientes e familiares. Com relação ao manejo clínico do paciente
terminal, 78,35% consideram-se capazes para manejar sozinhos, ou sob supervisão
mínima, sintomas como constipação ou vômitos, entretanto apenas 19,05%
consideram-se capazes de manejar sintomas como delirium ou dispneia terminais.
Apesar de 41,8% dos estudantes não se preocuparem com sua própria morte,
88,1% sentem-se ansiosos ou desconfortáveis diante da morte do seu paciente. A
inclusão no currículo de Medicina de habilidades de comunicação em Cuidados
Paliativos e de ética sobre o fim da vida foi considerada importante ou muito
importante por 95,5% dos estudantes entrevistados. Conclusão: Os dados
demonstraram que os discentes identificam as deficiências ocasionadas pela
ausência ou limitação do ensino de Cuidados Paliativos na graduação e têm
interesse em ver a temática incluída como disciplina no currículo médico, o que
sugere a realização de mais estudos com aprofundamento sobre o tema.
Palavras-Chave: Cuidados Paliativos. Educação Médica. Morte.

14

Abstract
Introduction: Palliative care are actions that seek to act on the quality of life of sick
people and their families, alleviating and preventing suffering in the face of a terminal
illness. The insertion of the palliative care theme in the undergraduate medical
curriculum offers possibilities for future physicians to face the limitations / implications
that they will undergo in their professional life and even during graduation. Objective:
To identify the importance of the Palliative Care theme for undergraduate students in
Medicine. Methodology: This is a quantitative, descriptive and cross-sectional study.
An adapted version of the Instrument "PEAS - Physicians' End-of-Life Care Attitude
Scale" was used as instrument. 37 Likert-type questions were used to meet the aims
of the study. The collection was made in 2015, in a random, non-probabilistic sample,
composed of 134 students who were attending the last two years (internship) of
Medicine School of a Brazilian Federal University. Data were analyzed in the SPSS
program. Results: Of the 134 participants, 59.7% were female, aged between 22 and
37 years. The results indicate that 85.84% of students need some supervision or
basic instruction to discuss palliative care and withdrawal of treatment with patients
and their families. Regarding the clinical management of the terminal patient, 78.35%
consider themselves capable of handling alone or under minimal supervision,
symptoms such as constipation or vomiting, but only 19.05% consider themselves
capable of handling symptoms such as terminal delirium or dyspnea. Although 41.8%
of students do not care about their own death, 88.1% feel anxious or uncomfortable
about the death of their patient. The inclusion in the medical curriculum of
communication skills in Palliative Care and end-of-life ethics was considered
important or very important by 95.5% of the students interviewed. Conclusion: data
showed that the students identify the deficiencies caused by the absence or limitation
of the Palliative Care teaching during graduation and are interested in seeing the
theme included as a discipline in the medical curriculum, which suggests further
studies on the topic.
Keywords: Palliative care. Medical education. Death.

15

2.1

Introdução
O contexto sociocultural atual relega a morte à condição de “indesejada”, o

que leva a comportamentos de negação, dificultando sua inclusão como parte da
vida (DUARTE; ALMEIDA; POPIM, 2015). Apresentando as fases emocionais pelas
quais passam os pacientes e familiares perante uma doença potencialmente
terminal, Paiva e Almeida Júnior (2014) introduzem os estudos realizados por
Kübler-Ross. A esse respeito, Carssola (2009) acrescenta que tais estudos
culminaram com a identificação de cinco estágios apresentados por pacientes,
familiares, médicos e equipe de saúde ante a ameaça da morte: negação e
isolamento; raiva; barganha; depressão e aceitação.
No contexto da Medicina, a morte sempre foi considerada um sinônimo do
fracasso da atuação do profissional médico, sendo abordada nos currículos de
Medicina, no máximo, sob o aspecto eminentemente científico, sem aproximação
com o campo das emoções (BORGES; MENDES, 2012; LAGO; LOPES, 2005).
A integração entre ensino e pesquisa e assistência aos pacientes com doença
terminal é o grande legado deixado pelo movimento Hospice e pela Dra. Cicely Mary
Saunders, no Saint Christopher’s Hospice em Londres, em 1967. Iniciados por
Cicely Saunders, os serviços de cuidados paliativos espalharam-se por todo o
mundo, chegando ao Brasil na década de 1980.
Passados mais de trinta anos desde sua inicial implantação e, recentemente,
com seu reconhecimento como área de atuação médica no país, a literatura acerca
da temática demonstra que a formação em cuidados paliativos no Brasil se
apresenta aquém do que era de se esperar para o tempo decorrido e a importância
atribuída ao tema.
Ao tratar do desenvolvimento histórico dos cuidados paliativos no mundo,
Santos (2011) se remete à origem da humanidade, apontando que desde seu
surgimento a espécie é acompanhada por sofrimentos e doenças, buscando, em
consequência, meios para aliviá-los.
Avançando na história, merece destaque, devido à contribuição para o
desenvolvimento moderno dos cuidados paliativos, a experiência de Cicely
Saunders em Saint. Joseph e Saint. Luke. Nesse período, sua atuação consistia em
manter um contato direto com os pacientes, ouvindo-os e anotando e monitorando

16

os resultados do desenvolvimento da dor e controle dos sintomas, bem como da
administração dos opioides orais, na Inglaterra da década de 1960, o que culminou
com a fundação do Saint Cristopher’s Hospice em 1967, em Londres (SANTOS,
2011). Figueiredo e Stano (2013) ressaltam que esse período criou as bases do que
se convencionou chamar de “Movimento Hospice ou Cuidados Paliativos (CP)”.
No contexto do desenvolvimento histórico dos cuidados paliativos, merece um
destaque especial o cenário mais recente observado para a temática. Nesse sentido,
Santos (2011) menciona a existência de organismos internacionais dedicados aos
cuidados paliativos, como a Internacional Association of Hospice and Paliative Care,
um braço da Organização Mundial da Saúde (OMS), visando normatizar a atuação e
proporcionar treinamento para os profissionais, além de educar a população acerca
dos cuidados paliativos.
Ranking divulgado pelo The Economist Intelligence Unit (2015) apresenta o
Índice de Qualidade de Morte ao redor do Mundo em 2015, estando a Europa
representada como a região com a melhor qualidade de morte, com o Reino Unido
ocupando a primeira posição; já as Américas são superadas apenas pelo continente
africano, estando o Brasil na 10ª posição entre os 17 países americanos listados.
Enquanto o continente europeu já trabalhava os cuidados paliativos há cerca
de vinte anos, no Brasil sua história é mais recente. Inicia-se na década de 1980,
com o surgimento do primeiro serviço de cuidados paliativos em 1983, no Rio
Grande do Sul (HERMES; LAMARCA, 2013). Somente em 2011, através da
Resolução nº 1.973/2011 do Conselho Federal de Medicina (CFM), é que a medicina
paliativa tornou-se área de atuação de seis especialidades médicas (geriátrica,
pediátrica, oncológica, clínica médica, anestesiológica e medicina da família)
(FIGUEIREDO; STANO, 2013).
Os autores tendem a apresentar o conceito de cuidados paliativos conforme a
definição da OMS apresentada em 1990 e redefinida em 2002, enfatizando que a
prática deve se dar a partir da ação de uma equipe multiprofissional (HERMES;
LAMARCA, 2013). Desse modo, os cuidados paliativos constituem uma abordagem
para o aprimoramento da qualidade de vida de pacientes e seus familiares que
estejam enfrentando questões relacionadas às doenças, por meio da prevenção e
alívio do sofrimento, identificação, avaliação e tratamento da dor, e de outros
assuntos de ordem física, psicossocial e espiritual.

17

Matsumoto (2012, p. 26), ao tecer alguns comentários acerca do conceito
apresentado pela OMS, destaca que “ao tratar dos cuidados paliativos não se fala
mais em protocolos, terminalidade e impossibilidade de cura, mas sim em princípios,
doença que ameaça a vida e tratamento modificador da doença, incluindo a
abordagem da espiritualidade” enquanto dimensão do ser humano, e a família como
foco dos cuidados, inclusive após a morte do paciente.
A equipe multiprofissional que atua com cuidados paliativos deve estar
preparada para lidar com sentimentos de medo, angústia e sofrimento dos pacientes
e seus familiares, pautando sua atuação pelo equilíbrio e respeito entre a realidade
da finitude e as necessidades do paciente (MACHADO; PESSINI; HOSSNE 2007).
Para Matsumoto (2012), os princípios que fundamentam os cuidados
paliativos foram estabelecidos pela OMS: promover alívio da dor e outros sintomas
que causam sofrimento; afirmar a vida e considerar a morte um processo natural;
não pretender apressar nem retardar a morte; integrar os aspectos psicossociais e
espirituais ao cuidado do paciente; oferecer sistema de apoio com intuito de ajudar
pacientes a viverem ativamente tanto quanto possível até a morte; oferecer sistema
de apoio para ajudar a família a lidar com a doença do paciente e com seu próprio
luto; utilizar equipe para abordar as necessidades dos pacientes e seus familiares,
incluindo aconselhamento para o luto, se indicado; reforçar e aprimorar a qualidade
de vida e, também, influenciar positivamente o curso da doença a ser aplicável no
início do curso da doença, em conjunto com outras terapias que prolonguem a vida,
como químio e/ou radioterapia; e incluir investigações necessárias para o melhor
entendimento e abordagem das complicações clínicas que causam sofrimento.
Para inserir a temática dos cuidados paliativos no contexto do ensino em
Medicina, existem alguns aspectos gerais e específicos. Nesse sentido, o Ministério
da Educação, através das Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação
em Medicina (BRASIL, 2014), apresenta as características que se recomendam para
a formação do graduado em Medicina, quais sejam: formação geral, humanista,
crítica, reflexiva e ética; capacidade para atuar nos diferentes níveis de atenção à
saúde, na promoção, prevenção, recuperação e reabilitação da saúde, tanto no
âmbito individual quanto no coletivo.
Por tudo o que foi exposto, torna-se relevante e necessária a discussão sobre
o ensino dos cuidados no fim da vida. Desse modo, o presente estudo se propõe a

18

identificar o grau de habilidade e a importância da temática dos Cuidados Paliativos
para discentes da graduação em Medicina.
2.2

Método
Estudo quantitativo, descritivo e transversal. Para a coleta dos dados utilizou-

se uma versão adaptada do instrumento “PEAS – Physicians’ End-of-life Care
Attitude Scale”, ou Escala de Atitudes Médicas de Cuidados no Fim da Vida (em
tradução livre), elaborada por Levetown, Hayslip e Peel (1999-2000), com o intuito
de medir o resultado do ensino de cuidados paliativos, composto por 64 questões do
tipo Likert.
Os 64 itens da Escala PEAS foram traduzidos para português e a partir deles
foram elaboradas 37 questões objetivas, organizadas em quatro grupos, sem opção
de neutralidade, visando verificar a autopercepção dos estudantes de Medicina em
relação as suas habilidades para lidar com Cuidados Paliativos de pacientes em
fase terminal e, ainda, identiifcar sua opinião sobre a importância da inserção de
elementos específicos dos Cuidados Paliativos no currículo de graduação em
Medicina.
Os dados foram coletados durante o ano de 2015, na Faculdade de Medicina.
Foram convidados a participar da pesquisa todos os estudantes que cursavam, no
momento da pesquisa, o internato (dois últimos anos do curso), totalizando 167
alunos, dos quais 80,24% participaram.
As variáveis estudadas foram: idade; sexo; classificação da autopercepção
em relação ao grau de competência a respeito de tópicos sobre interação com
pacientes e familiares e manejo clínico; preocupação com decisões clínicas que
possam contrariar o que é aceito legal, ética e profissionalmente ou que possam ser
contrárias às crenças pessoais; classificação de situações em relação à morte;
indicação do grau de importância que algumas temáticas deveriam ter no currículo
de graduação em Medicina da FAMED/UFAL.
Para análise dos dados usou-se o programa SSPS. O projeto de pesquisa foi
aprovado pelo Comitê de Ética da UFAL, processo número 1.091.844.

19

2.3

Resultados
A amostra foi comporta por 134 participantes, sendo 59,7% do sexo feminino,

com idade entre 22 e 37 anos.
Como pode ser visto na Tabela 1, no que se refere à interação com pacientes
e familiares e manejo clínico, a maioria dos estudantes respondeu que se sente
capaz de executar as atividades sob supervisão ou sob supervisão mínima, sendo a
atividade de discutir retirada de tratamentos aquela com maior necessidade de
supervisão (73,9%), seguida pela discussão de orientação de não reanimação ou
limitação de tratamento (70,9%), que, juntamente com a discussão sobre mudança
de abordagem terapêutica de curativa para medidas de conforto são as que
apresentaram os menores índices de estudantes que se consideram competentes
para executá-las sozinhos (9,7%).
Na média, 12,7% dos alunos responderam que necessitam de mais instrução
básica para executar as atividades indicadas, número muito próximo à média dos
que se consideram competentes para realizar as atividades sem supervisão
(14,16%).
Tabela 1 – Classificação do grau de competência do estudante a respeito de tópicos
sobre interação com pacientes e familiares (%)
(continua)
Competente
para executar
sozinho

Competente
para executar
com
supervisão
mínima

Competente
para executar
apenas com
supervisão ou
tutoria

Necessita de
mais instrução
básica

Discutir cuidados
paliativos com os
pacientes

13,4

34,3

34,3

17,9

Discutir retirada de
tratamentos (ex.:
antibióticos, hidratação)

10,4

36,6

37,3

15,7

Discutir mudança de
abordagem terapêutica
curativa para medidas de
conforto

9,7

29,1

41

20,1

20

Tabela 1 – Classificação do grau de competência do estudante a respeito de tópicos
sobre interação com pacientes e familiares (%)
(continuação)
Competente
para executar
sozinho

Competente
para executar
com
supervisão
mínima

Competente
para executar
apenas com
supervisão ou
tutoria

Necessita de
mais instrução
básica

Discutir orientação de não
reanimação ou limitação
de tratamento

9,7

30,6

40,3

19,4

Dar noticias para
pacientes ou familiares

27,6

44

22,4

6

Fonte: Elaborada pela autora.

No que se refere à avaliação do grau de competência acerca do manejo
clínico do paciente terminal, os resultados demonstram que os estudantes sentemse mais competentes para executar sozinhos ou com supervisão mínima as
atividades de avaliação e manejo de constipação (79,1%) e avaliação e manejo de
náuseas e vômitos (77,6%), enquanto para as atividades de avaliação e manejo de
dispneia terminal e de delirium terminal, afirmaram que são competentes para
realizar apenas com supervisão (40,3% e 44,8%, respectivamente) ou necessitam
de mais instrução básica (38,1% e 38,8%, respectivamente), conforme ilustra a
Tabela 2.
Tabela 2 – Classificação do grau de competência do estudante acerca do manejo
clínico do paciente terminal (%)
Competente
para executar
sozinho

Competente
para executar
com
supervisão
mínima

Competente
para executar
apenas com
supervisão ou
tutoria

Necessita de
mais instrução
básica

Avaliação e manejo de
constipação

35,1

44,0

14,9

6,0

Avaliação e manejo de
náuseas e vômitos

36,6

41,0

19,4

3,0

Avaliação e manejo de
dispneia terminal

4,5

17,2

40,3

38,1

valiação e manejo de
delirium terminal

3,7

12,7

44,8

38,8

Fonte: Elaborada pela autora.

21

No que concerne à preocupação dos estudantes de que certas decisões
clínicas possam contrariar o que é aceito legal, ética e profissionalmente, ou ainda
que sejam contrárias às suas crenças pessoais, os dados foram organizados em
quatro gráficos que demonstram que em relação à decisão de prover o máximo de
alívio da dor em pacientes oncológicos, mesmo antes da fase terminal, os discentes
preocupam-se, na maioria, com o fato de se a questão é ilegal ou viola
recomendações da profissão ou normas éticas, conforme se observa no Tabela 3,
enquanto 41% revelam que não estão preocupados com as crenças pessoais nesse
ponto.
Tabela 3 – Prover o máximo de alívio da dor em pacientes oncológicos, mesmo antes
da fase terminal (%)

Que seja ilegal
Que viole as
recomendações
estabelecidas e
represente erro médico

Que viole as normas
éticas
Que viole minhas
crenças pessoais
religiosas, éticas e
morais

Não me
preocupo

Algo
despreocupado

Algo
preocupado

Muito
preocupado

24,6

15,7

20,1

39,6

11,9

14,9

30,6

42,5

16,4

16,4

29,9

37,3

41

17,2

21,6

20,1

Fonte: Elaborada pela autora.

Nesse item, foram destacados os quatro pontos mais relevantes para o
estudo, os quais indicam o grau de ansiedade ou desconforto do estudante de
Medicina quando pensa sobre sua própria morte e sobre a morte de seu paciente e,
ainda, o grau de preocupação com a reação emocional diante de pacientes
morrendo e do sentimento de impotência diante de pacientes terminais.
Os dados demonstram que há algum equilíbrio entre o número de estudantes
que se sentem ansiosos ou desconfortáveis quando pensam sobre a própria morte:

22

58% apresentam algum grau de concordância com a assertiva, enquanto 42%
discordam plenamente ou em parte (Tabela 4).
Por outro lado, em relação ao pensar na morte do paciente, a maioria dos
entrevistados indicou algum grau de ansiedade ou desconforto (88,1%). Da mesma
forma, 70,4% dos entrevistados afirmaram que concordam com a assertiva referente
à preocupação quanto à sua reação emocional diante de pacientes morrendo,
enquanto apenas 9,8% não demonstraram tal preocupação. Esclareça-se que dois
entrevistados deixaram de responder a esse item, de modo que o número
representado na ilustração é referente a 132 alunos (Tabela 4). Do mesmo modo,
destaca-se o sentimento de impotência dos estudantes diante de pacientes
terminais, presente em 68% dos casos.
Tabela 4 – Pensamentos e Sentimentos sobre a Morte (%)
Discordo
*

Discordo em
Parte

Concordo
em Parte

Concordo
*

Pensando sobre a própria
morte

19,4

22,4

29,9

28,4

Pensando sobre a
morte do paciente

2,2

9,7

50

38,1

Preocupe-me com minha
reação emocional diante de
pacientes morrendo

9,8

19,7

43,9

26,5

Sinto-me impotente diante de
pacientes terminais

8

24

38

30

Fonte: Elaborada pela autora.
Nota: * plenamente
.

Em relação ao grau de importância que deveriam ter algumas habilidades e
cuidados com pacientes terminais no currículo de graduação em Medicina, foram
selecionados nove assuntos para que os estudantes avaliassem o grau de
importância de cada um no referido currículo (Tabela 5).
Informe-se, quanto a esse ponto, que um dos entrevistados deixou de
responder ao referido item, de modo que os valores constantes na tabela 5 foram
calculados contabilizando-se essa ausência.

23

Ressalta-se o fato de que todos os itens apontados, com exceção da
“Espiritualidade em Cuidados Paliativos: o papel do médico”, foram considerados
importantes ou muito importantes para o currículo de Medicina por pelo menos 95%
dos entrevistados, sendo “avaliação e manejo da dor” considerado importante por
99,3% dos estudantes, enquanto a “espiritualidade em cuidados paliativos”
apresentou o menor índice, considerada importante para o currículo por 69,1% e,
ainda, apresentando o maior índice de rejeição, na medida em que foi considerada
pouco relevante ou que não deveria ser incluída na graduação: 19,5% e 11,3%,
respectivamente.
Tabela 5 – Grau de Importância sobre Habilidades e Cuidados com Pacientes
Terminais para o Currículo de Graduação em Medicina (%)
Muito
Importante

Importante

Pouco
importante

Não
Incluir

Avaliação e manejo da dor

82

17,3

0

0,8

Avaliação e manejo de náuseas e
vômitos

57,1

39,1

3

0,8

Avaliação e manejo do delirium
terminal

55,6

40,6

3

0,8

Avaliação e manejo da dispneia
terminal

63,9

33,1

2,3

0,8

Habilidades em comunicação de
pacientes terminais*

69,9

25,6

3,8

0,8

Suporte hospitalar

60,9

36,1

2,3

0,8

Ética de fim-de-vida **

66,2

29,3

3

1,5

Uso de hidratação
venosa/alimentação enteral

66,2

29,3

4,5

0

Espiritualidade em CP, papel do
médico

35,3

33,8

19,5

11,3

Fonte: Elaborada pela autora.
Notas: * dar notícias ruins, orientar reunião familiar para discutir prognóstico, retirada de tratamento/**
orientação de não reanimação, cuidados paliativos.

2.4

Discussão
Refletir sobre a formação acadêmica, em especial sobre a inserção (ou não)

da temática dos cuidados paliativos no currículo da graduação em Medicina, confere

24

densidade para enfrentar as limitações/implicações a que serão submetidos os
futuros médicos, interna e externamente (reflexos sobre si e sobre os pacientes e
seus familiares).
Tal reflexão é importante na medida em que, a partir dela, podem ser
construídos/revistos os elementos basilares da formação, de modo a expandir o
universo de atuação do profissional médico e, ainda, garantir a assistência aos
pacientes e a seus familiares, envolvendo dimensões que afirmem a dignidade do
ser humano, para além do tratamento com viés exclusivamente curativo.
Conforme assevera Paiva (2009), os estudantes de Medicina são treinados
para curar e salvar, não conseguindo lidar com os limites da Medicina e suas
próprias limitações quando isso não é possível.
No que diz respeito ao indicador “Avaliação do grau de competência acerca
da interação com pacientes e familiares”, a maioria dos estudantes respondeu que
se sente competente para realizar as atividades elencadas na Tabela 1 com algum
nível de supervisão (média de 69,2%), sendo consideravelmente inferior o
percentual daqueles que se consideram capacitados para realizar tais atos sem
supervisão (média de 14,16%).
Por outro lado, em relação à variável “Avaliação do grau de competência
acerca do manejo clínico do paciente terminal”, chamam atenção os resultados
obtidos em relação às atividades de avaliação e manejo de dispneia terminal e de
delirium terminal, para as quais os pesquisados afirmaram que se sentem
competentes para realizar sob supervisão (40,3% e 44,8%, respectivamente) ou que
necessitam de mais instrução básica (38,1% e 38,8%, respectivamente), conforme
ilustra a Tabela 2.
Machado, Pessini e Hossne (2007) afirmam que o profissional de saúde sabe
manejar de forma eficaz a alta tecnologia, porém nem todos são tão eficazes quando
se trata do manejo do processo da terminalidade, considerando o fato de humanizar
a morte e o morrer. Nesse sentido, vale destacar que na formação em Medicina, a
tecnicidade dos tratamentos curativos é o foco principal, sendo necessário o preparo
do alunado para lidar com os cuidados paliativos, como também para discutir a
questão com os pacientes e familiares, o que geralmente é negligenciado.
Estudo realizado por Jiang et al. (2011) na China, com o intuito de avaliar o
conhecimento dos estudantes de Medicina chineses sobre conceitos de cuidados

25

paliativos, corrobora os resultados encontrados no presente estudo: 58,9% dos
acadêmicos responderam estar preparados para lidar com cuidados terminais do
paciente, enquanto apenas 7,5% se consideraram adequadamente preparados para
lidar com a gestão da dor, e 13% adequadamente treinados para controlar os
sintomas de pacientes em estado terminal.
O estudo realizado por Pinheiro (2010) ratifica os resultados encontrados,
porquanto nele também se verificou que muitos profissionais médicos não foram
treinados formalmente para comunicar aspectos importantes no trato com pacientes
terminais, como, por exemplo, dar notícias ruins, e por não receberem a
capacitação, sentem-se despreparados para este cuidado. Tal fato pode causar
sentimentos de impotência e fracasso, o que com o tempo pode levar a um
distanciamento emocional do paciente e da família deste.
Em relação à preocupação dos estudantes de que suas decisões possam
contrariar o que é aceito legal, ética e profissionalmente, ou, ainda, que possam
contrariar suas crenças pessoais, os resultados demonstraram que o foco da
preocupação em relação a prover o máximo alívio da dor em pacientes oncológicos,
mesmo antes da fase terminal, acha-se nos aspectos éticos, legais e profissionais
das atividades realizadas, ficando em segundo plano as preocupações em relação a
contrariar as crenças pessoais, conforme a Tabela 3.
Machado, Pessini e Hossne (2007) são enfáticos ao tratar da questão da
moralidade e legalidade do exercício médico voltado a cuidados paliativos; afirmam
que se algum ato estiver no código profissional, será legal e, portanto, pode ser feito;
se não estiver, não pode ser feito. Informam ainda que não se deve aceitar algo
como verdade absoluta, e sim buscar uma visão pluralista para exercitar a
capacidade de reflexão na escolha das melhores condutas para o paciente.
Desta forma, o que se extrai da fala dos autores é que os aspectos legais,
ético-profissionais e as crenças pessoais que estão na base das preocupações dos
estudantes de Medicina ao lidar com decisões clínicas referentes aos cuidados
paliativos de pacientes terminais merecem um tratamento especial na graduação e
na formação continuada desses profissionais, devendo ser amplamente discutidos
para que não representem per si um mecanismo de limitação da atuação profissional
por ausência de conhecimento no assunto.

26

O estudo realizado por Moritz e Nassar (2004) deixa clara a preocupação dos
profissionais em relação ao debate do tema “Morte e Morrer”, especialmente no
ambiente de trabalho, constatando-se que para os profissionais envolvidos no
estudo, a falta de comunicação sobre o assunto acaba sendo prejudicial ao
relacionamento entre os profissionais envolvidos no cuidado, entre estes e os
pacientes e seus familiares, provocando processos ético-legais.
Sobre o assunto, Hermes e Lamarca (2013) asseveram ainda que muitos
médicos têm receio de que o tratamento através dos cuidados paliativos possa ser
mal interpretado ou confundido com a eutanásia, ratificando o entendimento aqui
defendido de que os estudos dos cuidados paliativos devem ser implementados na
formação do profissional médico durante a graduação em Medicina.
A discriminação dos sentimentos em relação à morte e aos cuidados de
pacientes terminais, apresentados na Tabela 4, mostra um tópico importante para
identificar a autopercepção dos estudantes de Medicina em relação aos sentimentos
que nutrem quando pensam sobre a própria morte e a morte de seu paciente.
Nesse passo, a Tabela 4 apresenta um comparativo entre o sentimento de
ansiedade ou o desconforto dos participantes ao pensar sobre a própria morte (58%)
e sobre a morte do paciente (88,1%). É de se observar a discrepância entre as duas
variáveis, informações estas que condizem com a preocupação dos entrevistados
em relação à sua reação perante pacientes morrendo (70,4%) e quanto ao
sentimento de impotência em tal situação (68%).
Figueiredo e Stano (2013), em estudo que apresentou a experiência da
Faculdade de Medicina de Itajubá (MG), que conta com a disciplina Tanatologia e
Cuidados Paliativos em seu currículo, afirmam que na medida em que a doença não
cede ao tratamento terapêutico e o doente caminha para a morte, o médico
encontra-se menos preparado para seu acompanhamento e cuidado, concluindo que
quando não há o preparo inicial do aluno para lidar com essas questões, não sobra
muito tempo ou espaço para isso no futuro.
Os autores afirmam que o ensino dos cuidados paliativos pode complementar
o aprendizado dos profissionais médicos em formação, para que estes se sintam
mais capacitados para lidar com os cuidados ao paciente através do viés da
medicina resolutiva e, na mesma medida, quando a cura não for mais possível.

27

Sadala e Silva (2008) realizaram uma pesquisa para compreender os
significados que os alunos de Medicina atribuem à experiência de cuidar de
pacientes em fase terminal, apresentando-se de forma recorrente entre os
participantes os sentimentos de ansiedade e angústia, provocados pela situação de
deparar-se com pacientes em fase terminal.
Marta et al. (2009) sintetizam bem a situação que envolve os estudantes de
Medicina. afirmam que a formação gera expectativas idealizadas de que ele tem de
combater e vencer a morte, e quando isso não acontece, ou quando não mais é
possível que aconteça, a realidade de sua própria finitude se apresenta, a fachada
da onipotência se esvai, e aquelas expectativas e o próprio estudante restam
frustrados.
O despreparo dos estudantes para lidar com a morte se dá especialmente
devido ao modelo de morte que é adotado pelas escolas de Medicina e pelos
hospitais, nos quais o profissional é treinado para salvar vidas e a morte é entendida
como um fracasso (HERMES; LAMARCA, 2013; MORITZ; NASSAR, 2004 ).
Desse modo, os referidos autores apresentam o que entendem ser uma das
formas mais adequadas para lidar com essas situações: a adoção do modelo
contemporâneo da boa morte, no qual a morte é vista de forma diferente e,
consequentemente, procura-se tratá-la de modo distinto, estendendo os cuidados ao
paciente e sua família até mesmo após esse momento, com a utilização de recursos
para minimizar a dor e o desconforto e proporcionar suporte emocional e espiritual.
O que se observou, portanto, é que o lidar com a morte não necessariamente
pode ser ensinado, mas precisa fazer parte da formação continuada do estudante de
Medicina para que ele possa desenvolver em si a capacidade de lidar com a morte e
com os cuidados paliativos desde os primeiros anos da escola de Medicina. Desta
forma, apresenta-se como um meio menos traumático e possivelmente mais eficaz
de quebrar os tabus e paradigmas que permeiam a temática ou de prepará-lo para
lidar com a terminalidade, sem desconectar-se de sua humanização e de seu
paciente, reconhecendo os limites de sua atuação e respeitando a dignidade do
paciente e de seus familiares no momento em que o tratamento com viés curativo
não é mais adequado.

28

Figueiredo e Stano (2013) informam que na Europa, berço dos cuidados
paliativos, verificou-se que há a necessidade de iniciar a sensibilização dos
estudantes de Medicina durante a graduação.
No tocante ao grau de importância que deveriam ter algumas habilidades e
cuidados com pacientes terminais no currículo de graduação em Medicina, foram
elencados para os fins deste estudo nove temáticas relacionadas aos cuidados
paliativos, avaliadas pelos estudantes participantes da pesquisa (Tabela 4). Entre
todos os itens listados para a pesquisa, apenas a questão da espiritualidade em
cuidados paliativos foi considerada menos importante por 30,8% dos alunos.
Hermes e Lamarca (2013), bem como Frizzo et al. (2013), consideram que o
currículo médico deve ser reformulado para a inclusão de disciplinas que tratem da
tanatologia e da assistência integral ao paciente em cuidados paliativos e sua
família, enaltecendo a formação humana desses profissionais, além da formação
técnica, que já é bastante preconizada. Da mesma forma, Lago e Lopes (2005)
assinalam que a temática da morte deve ser inserida nas discussões realizadas
entre os alunos e os responsáveis pelo ensino.
O estudo realizado por Pinheiro (2010) avalia o grau de conhecimento sobre
dor e cuidados paliativos dos estudantes de Medicina do quinto e sexto anos.
Corrobora os resultados obtidos na presente pesquisa, pois constata que os
estudantes se sentem inseguros ao aplicar os conhecimentos adquiridos durante a
graduação, demonstrando interesse em ver incluídas na educação em Medicina a
temática da dor e os cuidados ao paciente terminal.
Do mesmo modo, no estudo realizado por Jiang et al. (2011), na China, mais
de 80% dos entrevistados reconheceram a necessidade de inclusão de mais
elementos sobre cuidados paliativos no currículo médico básico.
Em Jacobowski e Mulder (2010), estudo realizado nos Estados Unidos (EUA)
sob a perspectiva dos reitores de escolas de Medicina, restou demonstrado que
estes superestimam os programas de educação em cuidados paliativos, apesar de
que para os estudantes os ensinamentos recebidos são insuficientes para preparálos quanto a este aspecto da prática.
Toledo e Priolli (2012) realizaram pesquisa com coordenadores de cursos de
Medicina no Brasil, os quais consideraram muito importante o ensino dos cuidados
no fim da vida (96,6%), indicando o baixo número de docentes especializados na

29

área como uma das barreiras para incorporar esse ensino no currículo da
graduação. Comparando seu estudo com um estudo realizado por Toledo e Priolli
(2012) concluem que os coordenadores de curso acreditam que o alunado não tem
interesse em aprender sobre cuidados no fim da vida.
No entanto, tal afirmação não condiz com as respostas apresentadas pelos
estudantes da FAMED/UFAL, os quais, em sua grande maioria, revelaram interesse
em ver inseridos na grade curricular temas relativos aos cuidados paliativos,
conforme demonstrou a Tabela 1.
2.5

Conclusão
Pode-se concluir, diante dos resultados apresentados, que os estudantes de

Medicina da FAMED/UFAL não se sentem capacitados a fim de interagir com
pacientes e familiares para discutir a morte e em relação ao manejo clínico do
paciente terminal, sem o auxílio de algum nível de supervisão; sentem-se ansiosos,
desconfortáveis e impotentes ao pensar sobre a morte de seu paciente e, diante
disso, entendem que elementos relacionados à temática dos cuidados paliativos
deveriam ser incluídos no currículo de graduação em Medicina.
As análises sugerem que o ensino em cuidados no fim da vida para os
estudantes de Medicina da UFAL necessita de ampla discussão. Assim, os dados
indicam

que

os

estudantes

identificam

as

deficiências

ocasionadas

pela

ausência/limitação do ensino referente aos cuidados paliativos, bem como
demonstram interesse em vê-lo incluído no currículo de Medicina, restando,
portanto, inconteste a importância do tema para a formação humanizada dos
estudantes de Medicina para além da busca pelo curar.
Diante do exposto, a autora permite-se sugerir que os temas da morte e dos
cuidados paliativos passem a ser discutidos com mais vigor, e sugere ainda, ante a
situação verificada (dificuldades enfrentadas em face da ausência de discussão
específica do tema e interesse do alunado em vê-lo incluído em sua formação), que
se procure analisar a razão por que ainda não integram a grade regular do curso de
Medicina da FAMED/UFAL.

30

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morrer. São Paulo: Atheneu, 2009. p. 77-87.
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DAMÁSIO, Anne Christine. Ética em cuidados paliativos: concepções sobre o fim da
vida. Brasília: Revista Bioética, Brasília, DF, v. 22, n. 3, p. 550-560, 2014.
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ago. 2016.
PINHEIRO, Thais Raquel Silva Pavão. Avaliação do grau de conhecimento sobre
cuidados paliativos e dor dos estudantes de medicina do quinto e sexto anos. O
Mundo da Saúde, São Paulo, v. 34, n. 3, p. 320-326, 2010. Disponível em:
<http://sobramfa.com.br/artigos/2010_dez_avaliacao_do_grau_de_conhecimento_so
bre_cuidados_paliativos.pdf>. Acesso em: 25 jun. 2016.
PRIBERAM. Aplicativo. 2016. Disponível em:
<https://www.priberam.pt/dlpo/aplicativo>. Acesso em: 23 dez. 2016.
SADALA, Maria Lúcia Araújo; SILVA, Mayle Paulino da. Cuidar de pacientes em fase
terminal: a experiência de alunos de medicina. São Paulo: Interface (Botucatu),
Botucatu, v. 12, n. 24, p. 7-21, jan./mar. 2008. Disponível em:
<http://www.scielo.br/pdf/icse/v12n24/01.pdf>. Acesso em: 25 jun. 2016.
SANTOS, Franklin Santana. O desenvolvimento histórico dos cuidados paliativos e a
filosofia hospice. In: SANTOS, Franklin S. (Org.). Cuidados paliativos: diretrizes,
humanização e alívio de sintomas. São Paulo: Atheneu, 2011.
TOLEDO, Andréia Padilha; PRIOLLI, Denise Gonçalves. Cuidados no fim da vida: o
ensino médico no Brasil. Revista Brasileira de Educação Médica, Rio de Janeiro,
v. 36, n. 1, p. 109-117, 2012. Disponível em:
<http://www.scielo.br/pdf/rbem/v36n1/a15v36n1.pdf>. Acesso em: 25 jun. 2

33

3

PRODUTO: Aplicativo para IOS e Android

3.1

Apresentação
O presente estudo resultou na elaboração do produto a ser

disponibilizado para a comunidade acadêmica e os profissionais da área da saúde,
visando contribuir com sua formação, bem como difundir conhecimentos acerca dos
cuidados paliativos.
Como exigência parcial para a obtenção do título de mestre, foi desenvolvido
um aplicativo para os sistemas operacionais IOS e Android com conteúdo sobre
cuidados paliativos, uma ferramenta para o estudante/profissional de Medicina no
exercício de suas atividades profissionais.
3.2

O Aplicativo
Um aplicativo pode ser definido como um “programa informático que visa

facilitar a realização de uma tarefa no computador” (PRIBERAM, 2016).
O aplicativo é uma ferramenta fundamental quando se buscam formas de
facilitar a disseminação de conhecimento, especialmente quando o que se pretende
é que seu conteúdo esteja ao alcance daqueles que irão utilizá-lo diariamente.
3.2.1 Informações gerais
O aplicativo já se encontra disponível para download gratuitamente para
aparelhos Android e IOS (Figura 1), com tamanho total de 2,94 mb (Figura 2).

34

Figura 1 – Tela de download Aplicativo
Cuidados Paliativos

Figura 2 – Informações sobre
Aplicativo Cuidados Paliativos

Fonte: Print screen da aplicação
no sistema Android

Fonte: Print screen da aplicação
no sistema Android

O aplicativo funciona de forma autoexplicativa, com menu de leitura fácil, em
fonte de tamanho adequado à leitura e menu simplificado com as principais
informações acerca dos cuidados paliativos (Figura 4). Conta com quatro
indicadores, aos quais podem ser adicionadas novas informações e arquivos, a
depender da necessidade.
Figura 3 – Tela de início Aplicativo
Figura 4 – Menu Principal Aplicativo
Cuidados Paliativos

Fonte: Print screen da aplicação no sistema IOS
no sistema IOS

Fonte: Print screen da aplicação
no sistema IOS

35

Ao clicar em uma das opções do menu principal, o usuário será redirecionado
a uma tela de conteúdo específico referente a Scores (Figura 5), Procedimentos
(Figura 6), Conceitos (Figura 7) e Medicamentos (Figura 8).
Nos Scores são disponibilizadas as principais ferramentas para auxiliar o
estudante/profissional, como Calculadoras PPS, KPS, Glasgow e de Escala de Dor,
e ainda consulta a ESAS-r e KATZ.
Nos Procedimentos é apresentado o passo a passo para a instalação e a
manutenção da Hipodermóclise em geriatria e cuidados paliativos, Manejo da
dispneia terminal, Hipodermóclise – via subcutânea e Sedação paliativa.
O item Conceitos traz informações teóricas sobre cuidados paliativos,
apresentando seu conceito, fundamentos e princípios, Indicações de cuidados
paliativos, Indicações de cuidados paliativos em Unidade de Terapia Intensiva,
Classificação, fisiopatologia e avaliação da dor, Fármacos opioides e Tabelas de
controle de sintomas (exceto dor).
Figura 5 – Scores

Fonte: Print screen da aplicação
no sistema IOS

Figura 6 – Procedimentos

Fonte: Print screen da aplicação
no sistema IOS

36

Figura 7 – Conceitos

Figura 8 - Medicamentos

MEDICAMENTOS
Fonte: Print screen da aplicação no sistema IOS

Fonte: Print screen da aplicação no
sistema IOS

Por fim, em Medicamentos é disponibilizado um Guia para Conversão de
Opioides.
3.2.2 Considerações Finais
De maneira geral, o aplicativo encontra-se em funcionamento. Para fins de
avaliação e melhorias, serão considerados os comentários postados na página de
download do aplicativo.
Espera-se que essa ferramenta contribua de forma efetiva para a
disseminação da prática dos cuidados paliativos.

37

4

CONSIDERAÇÕES GERAIS DO TRABALHO ACADÊMICO
A profissão de médico sempre me levou para caminhos dos quais tenho

orgulho e muito prazer em seguir, uma deles foi o trabalho humanizado que
desenvolvo nas Unidade de Tratamento Intensino e ser preceptora dos alunos do
curso de Medicina da UFAL.
Participar da formação de futuros colegas de profissao me deixa fascinada,
porém tournou-se um desafio uma vez que me faltava a formação pedagógica da
qual necessita um especialista que se torna professor(preceptor).
Sendo assim, em busca do aprimoramento e de conhecimento que me
levasse para uma melhor qualidade na formação dos alunos de Medicina, busquei a
pos graduação em Ensino na Saúde.
O meu trabalho teve como foco o ensino sobre cuidados paliativos visando
verificar a autopercepção dos estudantes de Medicina em relação as suas
habilidades para lidar com Cuidados Paliativos de pacientes em fase terminal e,
ainda, identiifcar sua opinião sobre a importância da inserção de elementos
específicos dos Cuidados Paliativos no currículo de graduação em Medicina.
Os resultados apontaram que os estudantes de medicna da FAMED/UFAL
não se sentem capacitados a fim de interagir com pacientes e familiares para discutir
a morte e em relação ao manejo clínico do paciente terminal, sem o auxílio de algum
nível de supervisão; sentem-se ansiosos, desconfortáveis e impotentes ao pensar
sobre a morte de seu paciente e, diante disso, entendem que elementos
relacionados à temática dos cuidados paliativos deveriam ser incluídos no currículo
de graduação em Medicina.
As análises sugerem que o ensino em cuidados no fim da vida para os
estudantes de Medicina da UFAL necessita de ampla discussão. Assim, os dados
indicam

que

os

estudantes

identificam

as

deficiências

ocasionadas

pela

ausência/limitação do ensino referente aos cuidados paliativos, bem como
demonstram interesse em vê-lo incluído no currículo de Medicina, restando,
portanto, inconteste a importância do tema para a formação humanizada dos
estudantes de Medicina para além da busca pelo curar.
O presente estudo resultou na elaboração do produto a ser disponibilizado
para a comunidade acadêmica e os profissionais da área da saúde, visando

38

contribuir com sua formação, bem como difundir conhecimentos acerca dos
cuidados paliativos.
Para tanto foi desenvolvido um aplicativo para os sistemas operacionais IOS e
Android com conteúdo sobre cuidados paliativos, uma ferramenta para o
estudante/profissional de Medicina no exercício de suas atividades profissionais. O
aplicativo já se encontra disponível para download gratuitamente para aparelhos
Android e IOS. Espera-se que essa ferramenta contribua de forma efetiva para a
disseminação da prática dos cuidados paliativos.
Essa

caminhada

no

Mestrado

me

proporcionou

expandir

meus

conhecimentos e o despertar para docência e para continuar buscando novos
conhecimentos e com isso contribuir efetivamente na formação dos novos médicos,
bem como proporcionar um atendimento de qualidades aos pacientes que se
encontram nesse estágio da vida.

39

REFERÊNCIAS GERAIS
BORGES, Moema S; MENDES, Nayara. Representações de profissionais de saúde
sobre a morte e o processo de morrer. Revista Brasileira de Enfermagem, Brasília,
DF, v. 65, n. 2, p. 324-331, mar./abr. 2012. Disponível em:
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BRASIL. Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação. Câmara de
Educação Superior. Resolução n. 3, de 20 de junho de 2014. Institui Diretrizes
Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Medicina e dá outras
providências. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 23
jun. 2014. Seção 1, p. 8-11. Disponível em:
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In: SANTOS, Franklin S. (Org.). Cuidados paliativos: discutindo a vida, a morte e o
morrer. São Paulo: Atheneu, 2009. p. 59-76.
CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA (CFM). Resolução CFM n. 1.973/2011.
Dispõe sobre a nova redação do Anexo II da Resolução CFM nº 1.845/08, que
celebra o convênio de reconhecimento de especialidades médicas firmado entre o
Conselho Federal de Medicina (CFM), a Associação Médica Brasileira (AMB) e a
Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM). Diário Oficial [da] República
Federativa do Brasil, Brasília, DF, 1 ago. 2011. Seção 1, p. 144-147. Disponível
em: <http://www.portalmedico.org.br/resolucoes/CFM/2011/1973_2011.htm>.
Acesso em: 26 jun. 2016.
DALMORO, Marlon; VIEIRA, Kelmara Mendes. Dilemas na construção de escalas
tipo Likert: o número de itens e a disposição influenciam nos resultados? Revista
Gestão Organizacional, Chapecó, v. 6, n. 3, p. 161-174, 2013. Disponível em:
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DUARTE, Anaísa Caparroz; ALMEIDA, Débora Vieira de; POPIM, Regina Célia. A
morte no cotidiano da graduação: um olhar do aluno de medicina. São Paulo:
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40

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41

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42

APÊNDICE

43

APÊNDICE A - Questionário da Pesquisa

SEXO: F

M

IDADE:

anos

PERÍODO:

I. Classifique seu grau de competência a respeito dos seguintes tópicos sobre
interação com pacientes e familiares e manejo clínico, usando a escala a
seguir:
4 = Competente para executar sozinho
3 = Competente para executar com supervisão mínima
2 = Competente para executar apenas com supervisão ou tutoria
1 = Necessito de mais instrução básica
___ Conduzir uma reunião familiar para discutir decisões importantes de
terminalidade
___ Dar notícias ruins para um paciente ou familiar
___ Discutir orientação de Não-Reanimação ou limitação de tratamento
___ Discutir encaminhamento ao Home-Care
___ Discutir a mudança de abordagem terapêutica de curativa para medidas de
conforto
___ Discutir retirada de tratamentos (ex. antibióticos, hidratação)
___ Executar avaliação básica da dor
___ Uso de analgésicos opióides por via oral
___ Uso de analgésicos opióides por via parenteral
___ Uso de analgésicos adjuvantes (ex. tricíclicos, corticoide, anti-convulsivantes)
___ Avaliação e manejo de delirium terminal
___ Avaliação e manejo de dispneia terminal

44

___ Avaliação e manejo de náuseas e vômitos
___ Avaliação e manejo de constipação
___ Avaliação da capacidade do paciente de tomar decisões
___ Discutir cuidados paliativos com os pacientes
II. Médicos geralmente tem a preocupação que certas decisões clínicas
possam contrariar ao que é aceito legalmente, eticamente e profissionalmente,
ou que possa ser contrário às suas próprias crenças. Para cada situação
abaixo, indique o quanto você se preocupa, usando a seguinte escala:
4 = Muito preocupado
3 = Algo preocupado
2 = Algo despreocupado
1 = Não me preocupo
A. Decisão: Prover o máximo alívio da dor em pacientes oncológicos, mesmo antes
da fase terminal.
Preocupação:
___ Que seja ilegal
___ Que viole as recomendações estabelecidas e represente erro médico
___ Que viole as normas éticas
___ Que viole minhas crenças pessoais religiosas, éticas e morais
B. Decisão: Retirar a alimentação enteral (SNE ou gastrostomia) de um paciente
terminal que solicitou que esse tipo de alimentação fosse descontinuada.
Preocupação:
___ Que seja ilegal
___ Que viole as recomendações estabelecidas e represente erro médico

45

___ Que viole as normas éticas
___ Que viole minhas crenças pessoais religiosas, éticas e morais
C. Decisão: Retirar a hidratação venosa de um paciente oncológico terminal, que
não consegue mais tomar líquidos orais e que está claramente morrendo.
Preocupação:
___ Que seja ilegal
___ Que viole as recomendações estabelecidas e represente erro médico
___ Que viole as normas éticas
___ Que viole minhas crenças pessoais religiosas, éticas e morais
D. Decisão: Retirar o antibiótico venoso de um paciente evoluindo com urosepse,
incapaz de decidir por si devido a quadro demencial, com a solicitação de seu
representante legal ou respaldado por declaração prévia registrada.
Preocupação:
___ Que seja ilegal
___ Que viole as recomendações estabelecidas e represente erro médico
___ Que viole as normas éticas
___ Que viole minhas crenças pessoais religiosas, éticas e morais
E. Decisão: Retirar o suporte ventilatório de um paciente incapaz de decidir por si
devido a quadro demencial, com a solicitação de seu representante legal ou
respaldado por declaração prévia registrada.
Preocupação:
___ Que seja ilegal
___ Que viole as recomendações estabelecidas e represente erro médico
___ Que viole as normas éticas

46

___ Que viole minhas crenças pessoais religiosas, éticas e morais
III. Classifique as situações abaixo com relação à morte de acordo com a
seguinte escala:
4 = Concordo plenamente
3 = Concordo em parte
2 = Discordo em parte
1 = Discordo plenamente
___ Sinto-me ansioso ou desconfortável quando penso sobre minha própria morte
___ Eu me preocupo se vou morrer jovem
___ Sinto-me ansioso ou desconfortável quando penso na morte do meu paciente
___ Eu me preocupo que minha morte seja dolorosa
___ Minha religião ou crenças ajudam-me a pensar sobre a morte
___ Eu acredito em vida após a morte
___ Preocupo-me com minha reação emocional diante de pacientes morrendo
___ Eu me sinto impotente diante de pacientes terminais
___ Eu tenho dificuldades em cuidar de pacientes terminais
IV. Indique o grau de importância que você considera que deveria ter no
Currículo da Graduação em Medicina em relação aos seguintes tópicos:
4 = Não deve ser incluído na Graduação
3 = Pouco relevante
2 = Importante
1 = Muito importante
___ Avaliação e manejo da dor

47

___ Avaliação e manejo de náuseas e vômitos
___ Avaliação e manejo do delirium terminal
___ Avaliação e manejo da dispneia terminal
___ Habilidades em comunicação de pacientes terminais – dar notícias ruins,
orientar reunião familiar para discutir prognóstico, discussão de retirada de
tratamento
___ Suporte hospitalar: quem, por que, quando e onde
___ Ética de fim-de-vida: orientação de Não-Reanimação, cuidados paliativos
___ Uso de hidratação venosa e alimentação enteral em cuidados paliativos
___ Espiritualidade em cuidados paliativos – o papel do Médico

48

ANEXOS

49

ANEXO A – Parecer Consubstanciado do CEP

50

51

52

ANEXO B – Comprovante de Submisão Revista Brasileira de Educação Médica