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                    UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS – UFAL
FACULDADE DE MEDICINA – FAMED
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS MÉDICAS – PPGCM

Alexandre Otilio Pinto Júnior

Depressão em Mulheres com Fibromialgia: Associação entre Dor Física,
Funcionalidade, Percepção de Solidão, Dor Psicológica, Anedonia e Risco de
Suicídio

Maceió
2024

Alexandre Otilio Pinto Júnior

Depressão em Mulheres com Fibromialgia: Associação entre Dor Física, Funcionalidade,
Percepção de Solidão, Dor Psicológica, Anedonia e Risco de Suicídio

Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa de Pósgraduação em Ciências Médicas da Universidade Federal
de Alagoas-UFAL, como parte das exigências para a
obtenção do título de Mestre em Ciências Médicas.

Área de Concentração: Doenças Crônicas e Degenerativas
Orientador: Prof. Dr. Valfrido Leão de Melo Neto

Maceió
2024

Catalogação na Fonte
Universidade Federal de Alagoas
Biblioteca Central
Divisão de Tratamento Técnico
Bibliotecário: Marcelino de Carvalho Freitas Neto – CRB-4 – 1767
P659d

Pinto Júnior, Alexandre Otilio.
Depressão em mulheres com fibromialgia : associação entre dor física,
funcionalidade, percepção de solidão, dor psicológica, anedonia e risco de
suicídio / Alexandre Otilio Pinto Júnior. – 2024.
59 f. : il.
Orientador: Valfrido Leão de Melo Neto.
Dissertação (Mestrado em Ciências Médicas) – Universidade Federal de
Alagoas. Faculdade de Medicina. Programa de Pós-Graduação em Ciências
Médicas. Maceió, 2024.
Bibliografia: f. 46-49.
Apêndices: f. 50.
Anexos: f. 51-59.
1. Dor. 2. Fibromialgia. 3. Solidão. 4. Angústia psicológica. I. Título.
CDU: 616.8-009.62

Folha de Aprovação

Alexandre Otilio Pinto Júnior
Depressão em Mulheres com Fibromialgia: Associação entre Dor Física, Funcionalidade,
Percepção de Solidão, Dor Psicológica, Anedonia e Risco de Suicídio

Dissertação submetida ao corpo docente do
Programa de Pós-Graduação em Ciências Médicas
da Universidade Federal de Alagoas e aprovada
em 30 de Julho de 2024.

________________________________________________
Prof. Dr. Valfrido Leão de Melo Neto
Pós-Graduação em Ciências Médicas da Universidade Federal de Alagoas
Orientador

Banca Examinadora:
________________________________________________
Prof. Dr. Thiago Sotero Fragoso
Pós-Graduação em Ciências Médicas da Universidade Federal de Alagoas
Examinador interno

________________________________________________
Prof. Dr. Jorge Artur Peçanha de Miranda Coelho
Pós-Graduação em Ciências Médicas da Universidade Federal de Alagoas
Examinador interno

________________________________________________
Profa. Dra. Auxiliadora Damianne Pereira V. da Costa e Silva
Pós-Graduação em Ciências Médicas da Universidade Federal de Alagoas
Examinadora interna

Aos meus pais (Alide Calaça e Alexandre Otilio) que, apesar de pouco estudo, dedicaram suas
vidas para me proporcionar educação, que nunca permitiram que eu declinasse dos meus
objetivos. Pela inteligência deles em me ofertar aquilo que não tiveram, eu lhes dedico a
realização deste sonho e a minha profunda satisfação em orgulhá-los.

A minha estrela, minha avó (Josete Otilio), que foi a primeira professora da família e plantou
em meu coração a semente da docência. Seu entusiasmo em lecionar no ensino básico me
inspira a querer seguir seus passos e ser professor. Sei que do céu intercedes por mim e se
orgulha dessa conquista.

A minha querida Profa. Dra. Quitéria Wanderley, que foi minha professora durante a
graduação de Fisioterapia e, depois, na Medicina, se tornou minha madrinha, contribuindo
diretamente na mudança da minha história. Fonte de inspiração e admiração. Foi quem me
inseriu no caminho da docência e da pesquisa, me deu oportunidades e zelou para que aqui eu
chegasse.

A todos vocês eu dedico este trabalho.

Agradeço imensamente, antes de tudo, a Deus, por sempre me levantar, me renovar e
sustentar nos momentos difíceis, pela proteção e permissão divina. Também agradeço àqueles
que contribuíram direta ou indiretamente para concretização deste sonho.
Ao meu companheiro de vida, Marcelo Araújo, que me deu apoio e fortaleza durante o
processo.
A minha querida família, meus pais, irmão, avós, tios, tias, minha prima (Ary) e meus
sobrinhos, os quais sempre me apoiam, torcem e vibram por cada conquista minha e cada
novo sonho realizado.
Aos meus amigos que participam ativamente do meu dia a dia, me ouvindo e incentivando:
Lorena Borges, minha amiga de infância; aos amigos do ensino médio – Aline, Priscila, Karla
e Yslanilson; aos amigos da Fisioterapia – Zanzy, Nessa e Danylo; aos amigos da Medicina –
Day, Dárgaro, Gabi, Victor e Michelle; e ao grande presente que o programa de Mestrado me
deu, uma amiga que tanto me incentivou e fez com que o processo fosse mais feliz, a querida
Catarina Rosa.
A minha coordenadora da residência médica, Dra. Lorella Chiappetta, por ter permitido e
incentivado minha participação no Mestrado concomitantemente com a residência. Por me
acolher como filho e estimular meu crescimento profissional e acadêmico. Também agradeço
à preceptora Dra. Viviane Porangaba, a qual me ajudou no recrutamento de participantes e
coleta de dados do estudo.

A todos vocês minha profunda gratidão e respeito.

“Os rios não bebem sua própria água; as árvores não
comem seus próprios frutos. O sol não brilha para si
mesmo; e as flores não espalham sua fragrância para
si. Viver para os outros é uma regra da natureza. A vida
é boa quando você está feliz; mas a vida é muito
melhor quando os outros estão felizes por sua causa.”
(Papa Francisco)

RESUMO

OBJETIVOS: Investigar a associação entre Fibromialgia e depressão em mulheres,
considerando a intensidade da dor física, comprometimento funcional, percepção de solidão,
dor psicológica, anedonia e risco de suicídio. MÉTODOS: Estudo transversal analítico. Entre
os instrumentos utilizados estão: versão brasileira da Escala de Solidão de UCLA, Escala de
Dor Psicológica, Questionário de Impacto da Fibromialgia, critérios ACR para o diagnóstico de
FM, Escala Numérica da Dor, e Inventário de Depressão de Beck. A amostra foi subdividida
em dois grupos de acordo com a presença ou ausência de sintomas depressivos graves. Os
grupos foram comparados através dos testes t de student, Mann-Whitney, Qui-quadrado ou
Exato de Fisher e as correlações por Spearman. A análise estatística foi pelo JAMOVI ®.
RESULTADOS: A amostra foi composta por 100 mulheres com média de idade de 48,7 anos
(±9,5), a maioria possuía parceiro(a) (54%), se autodeclarou como não branca (74%), possuía
baixa escolaridade (61,2%), era sedentária (69%) e possuía comorbidades como hipertensão
e/ou diabetes (53%). Não houve diferença quanto à intensidade da dor física nos grupos com
ou sem sintomas depressivos graves, contudo, as mulheres com sintomas depressivos graves
apresentaram 10 vezes mais chances de relatar comprometimento funcional intenso (p<0,001);
2,6 vezes mais queixas de solidão moderada a grave (p=0,024), 10 vezes mais anedonia intensa
(p<0,001) e 8,6 vezes mais risco de suicídio (p<0,001). CONCLUSÃO: Mulheres com FM
que possuam sintomas depressivos graves apresentam maior comprometimento funcional, dor
psicológica mais intensa e com risco de suicídio, maior percepção de solidão de intensidade
moderada a grave, maior gravidade de sintomas de anedonia e maior risco de suicídio.
Entretanto, a dor física manifestada na FM não sofre influência pelos sintomas depressivos
graves.
Palavras-chaves: Dor, Fibromialgia, Solidão, Angústia Psicológica.

ABSTRACT

OBJECTIVES: To investigate the association between Fibromyalgia and depression in
women, considering the intensity of physical pain, functional impairment, perception of
loneliness, psychological pain, anhedonia, and suicide risk. METHODS: Analytical crosssectional study. The instruments used include: the Brazilian version of the UCLA Loneliness
Scale, the Psychological Pain Scale, the Fibromyalgia Impact Questionnaire, ACR criteria for
FM diagnosis, the Numeric Pain Scale, and the Beck Depression Inventory. The sample was
subdivided into two groups according to the presence or absence of severe depressive
symptoms. The groups were compared using Student's t-test, Mann-Whitney, Chi-square, or
Fisher's Exact tests, and correlations by Spearman. Statistical analysis was performed using
JAMOVI®. RESULTS: The sample consisted of 100 women with an average age of 48.7 years
(±9.5), the majority had a partner (54%), self-identified as non-white (74%), had low
educational attainment (61.2%), were sedentary (69%), and had comorbidities such as
hypertension and/or diabetes (53%). There was no difference in the intensity of physical pain
between groups with or without severe depressive symptoms; however, women with severe
depressive symptoms were 10 times more likely to report severe functional impairment
(p<0.001); 2.6 times more likely to report moderate to severe loneliness (p=0.024), 10 times
more likely to experience severe anhedonia (p<0.001), and 8.6 times more likely to be at risk
of suicide (p<0.001). CONCLUSION: Women with FM who have severe depressive
symptoms exhibit greater functional impairment, more intense psychological pain with suicide
risk, higher perception of moderate to severe loneliness, greater severity of anhedonia
symptoms, and higher risk of suicide. However, the physical pain manifested in FM is not
influenced by severe depressive symptoms.
Keywords: Pain, Fibromyalgia, Loneliness, Psychache.

SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO .................................................................................................................... 11
2. OBJETIVOS ......................................................................................................................... 12
2.1 Objetivo Primário: .......................................................................................................... 12
2.2 Objetivos Secundários: ................................................................................................... 12
3. REVISÃO DE LITERATURA ............................................................................................. 13
3.1 Fibromialgia.................................................................................................................... 13
3.2 Sentimento de Solidão, Dor Psicológica, Depressão e Anedonia................................... 16
3.3 Fibromialgia e manifestações psicológicas .................................................................... 18
4. METODOLOGIA ................................................................................................................. 20
4.1 Tipo de estudo, participantes, local da pesquisa e aspectos éticos ................................. 20
4.2 Variáveis e instrumentos ................................................................................................. 20
4.3 Procedimento .................................................................................................................. 24
4.4 Análise dos dados ........................................................................................................... 25
5. RESULTADOS ..................................................................................................................... 26
6. DISCUSSÃO ........................................................................................................................ 33
Avaliação Sociodemográfica e Clínica................................................................................. 33
Avaliação da dor física e do comprometimento funcional na Fibromialgia ........................ 34
Avaliação dos Aspectos Psicológicos da Fibromialgia ........................................................ 35
7. PRODUTO ........................................................................................................................... 42
8. LIMITAÇÕES DO ESTUDO ............................................................................................... 43
9. CONCLUSÃO ...................................................................................................................... 44
10. REFERÊNCIAS ................................................................................................................. 46
APÊNDICE 1 – Questionário Sociodemográfico .................................................................... 50
ANEXO 1 – Parecer de aprovação do CEP .............................................................................. 51
ANEXO 2 – Critério de Classificação Econômica Brasil (ABEP) .......................................... 52
ANEXO 3 – Critérios ACR para o Diagnóstico da FM ........................................................... 53
ANEXO 4 – Escala Numérica da Dor (END) .......................................................................... 54
ANEXO 5 – Questionário de Impacto da Fibromialgia (QIF) ................................................. 55
ANEXO 6 – Versão brasileira da Escala de Solidão de UCLA (UCLA-BR)........................... 56
ANEXO 7 – Versão brasileira da Escala de Dor Psicológica (EDP) ........................................ 57
ANEXO 8 – Inventário de Depressão de Beck (BDI II) .......................................................... 58

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1. INTRODUÇÃO

A fibromialgia (FM) é uma doença inflamatória crônica caracterizada por dor difusa,
fadiga e comprometimento cognitivo. Apesar da prevalência da fibromialgia variar de 1,3 a 8%
da população geral em estudos epidemiológicos, o diagnóstico preciso permanece desafiador,
podendo levar à subestimação de sua real prevalência (GAU et al., 2023).
A presença de comorbidades psiquiátricas na fibromialgia destaca sua influência na
qualidade de vida do paciente, piorando o prognóstico da doença. Dentre essas alterações, podese destacar a depressão, o sentimento de solidão e a dor psicológica. Solidão pode ser definida
como uma percepção cognitiva que os relacionamentos sociais são insuficientes ou
inadequados, o que resulta em uma sensação afetiva de vazio ou tristeza (BARROSO et al.,
2016). A Dor Psicológica (DP) também pode ser encontrada na literatura como dor mental,
sofrimento psíquico, dor psíquica, vazio ou perturbação interna, havendo relato de que a dor
psicológica já fora descrita como pior do que qualquer dor física que um indivíduo já sentira
(IELMINI et al., 2022).
O tratamento da Fibromialgia consiste em um desafio para os serviços de saúde, pois
engloba tanto medidas farmacológicas e intervencionistas para dor crônica, quanto educação
cognitivo-comportamental em saúde. Diante disso, objetivou-se com este estudo investigar se
sintomas depressivos graves implicariam em piores alterações psicológicas em mulheres com
fibromialgia. Tal investigação irá corroborar com o entendimento dos aspectos multifatoriais
relacionados à FM, além de possibilitar melhores estratégias na abordagem terapêutica desses
pacientes.
A depressão é um transtorno multifatorial que pode surgir em qualquer período da vida,
que aumenta o risco de comportamentos autodestrutivos, podendo levar ao suicídio
(BARROSO et al., 2019). A associação entre depressão, percepção de solidão, dor psicológica,
anedonia e risco de suicídio está bem documentada, uma vez que já foi verificado que a
sintomatologia depressiva pode atuar de forma sinérgica para diminuir o bem-estar e
intensificar distúrbios psicológicos. Considerando que a FM é uma condição crônica limitante
que frequentemente coexiste com a depressão e, também, a ausência de estudos semelhantes no
Brasil, avaliar as alterações psicológicas de mulheres que vivem com fibromialgia é de suma
relevância para um melhor manejo clínico, além de possibilitar o desenvolvimento de
estratégias terapêuticas em saúde mental e políticas públicas voltadas a esses pacientes.

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2. OBJETIVOS

2.1 Objetivo Primário:
Investigar a associação entre depressão e intensidade da dor física, comprometimento
funcional, percepção de solidão, dor psicológica, anedonia e risco de suicídio em mulheres com
Fibromialgia.

2.2 Objetivos Secundários:
-Traçar o perfil sociodemográfico;
- Avaliar a intensidade da dor física;
- Medir o grau de prejuízo funcional devido à Fibromialgia;
- Avaliar a percepção de solidão;
- Medir a dor psicológica;
- Verificar a frequência de depressão na amostra e comparar os resultados entre os
grupos com depressão grave e sem depressão grave;
- Mensurar a frequência de anedonia na amostra, verificando sua relação com outras
variáveis psicológicas;
- Avaliar o risco de suicídio pelas escalas de depressão e dor psicológica.

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3. REVISÃO DE LITERATURA

3.1 Fibromialgia
De acordo com o Colégio Americano de Reumatologia (American College of
Rheumatology – ACR), a Fibromialgia (FM) consiste em uma doença crônica e complexa,
caracterizada por dor difusa de intensidade moderada a severa. Comumente, está acompanhada
por fadiga, distúrbios do sono, cefaleia, disfunções sistêmicas como a síndrome do intestino
irritável, cistite intersticial; além de alterações cognitivas e psicológicas, como ansiedade e
depressão (ANAYA et al., 2021; CUYUL-VÁSQUEZ et al., 2021). A FM leva a um complexo
estado de disfunção cognitiva conhecido como “fibrofog”, caracterizado por distúrbios na
memória de trabalho, atenção e funções executivas globais, muitas vezes referidos pelos
pacientes como uma sensação de desaceleração, falta de jeito e confusão que têm um profundo
impacto na capacidade de realizar e planejar efetivamente as atividades diárias (MAFFEI,
2020).
A prevalência da FM é de 1,3% a 8% da população geral, estimada no Brasil em 2,5%,
acometendo mais frequentemente mulheres com média de idade entre 30 e 50 anos, no entanto,
os sintomas podem surgir em qualquer idade (ANAYA et al., 2021). A doença representa o
terceiro diagnóstico mais frequente em clínicas de reumatologia, sendo uma condição que afeta
significativamente a qualidade de vida, exigindo muitas vezes um esforço de saúde inesperado
e custos sociais consistentes (MAFFEI, 2020).
A etiopatogenia da FM parece estar relacionada a fatores decorrentes de traumas de vida,
imunidade e à genética. Estressores de vida apresentaram associações significativas com a FM,
principalmente o abuso físico, abuso sexual, trauma médico e abuso emocional podendo estar
conectados a alterações na sinalização dos glicocorticoides. Alguns estudos demonstraram que
mulheres com FM têm níveis mais elevados de secreção espontânea e evocada por
lipopolissacarídeo de IL-5 e outras citocinas selecionadas por monócitos circulantes do que
mulheres sem dor. Além disso, nas mulheres com FM, a maior secreção de IL-5 correlacionouse significativamente com dor e outros sintomas somáticos e psicológicos clinicamente
relevantes. Entretanto, todos esses achados carecem de mais estudos na investigação etiológica
da FM (GIORGIL et al., 2022).
O diagnóstico da FM foi proposto pelo ACR em 1990 e sofreu modificações ao longo
do tempo, sendo utilizada hoje a versão de 2016. Os critérios diagnósticos não são baseados

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em testes laboratoriais ou radiológicos para diagnosticar FM. Inicialmente (1990), fazia-se a
contagem de pontos dolorosos (os “tender points”), na revisão de 2010 essa prática foi
abandonada e sugerido considerar o número de regiões corporais dolorosas, além de avaliar a
presença e a gravidade da fadiga, dificuldade cognitiva, sono não revigorado e a extensão dos
sintomas somáticos, surgindo o Índice de Dor Generalizada (Widespread Pain Índex – WPI), o
qual divide o corpo em 19 regiões e pontua quantas regiões são relatadas como dolorosas; e por
um escore de Gravidade dos Sintomas (Symptom Severity – SS), que avalia sintomas cognitivos,
sono não reparador e gravidade da fadiga. Por fim, em 2016, estabeleceu-se que além da
avaliação do WPI e SS, também deve-se avaliar o tempo dos sintomas e validar a FM
independentemente de outros diagnósticos, ou seja, a presença de outras doenças clinicamente
importantes não exclui o diagnóstico de FM (MAFFEI, 2020).
Devido à ausência de biomarcadores objetivos ou exames de imagem que confirmem a
doença, o diagnóstico da FM ainda é eminentemente clínico e bastante questionável. Bennett et
al. (2022), cujos trabalhos têm sido uma pedra angular para a pesquisa clínica em FM,
apontaram que a confiança em fazer um diagnóstico de FM pode ser aumentada perguntando
sobre os cinco sintomas de dor profunda persistente que afeta a maior parte do corpo, equilíbrio
deficiente, sensibilidade ambiental, sensibilidade ao toque e dor após o exercício (GIORGIL et
al., 2022).
Modelos com biomarcadores e análise de fluidos foram estudados na tentativa de
diagnosticar a FM. Dentre eles, destacam-se os achados de Begum et al. (2022), que
encontraram que aqueles em risco de desenvolver FM apresentam níveis de cortisol salivar
particularmente elevados, sendo os fatores de risco mais significativos: distúrbios do sono e
experiências estressantes. E os de HSU et al. (2022), que encontraram indícios que pacientes
com FM apresentam alterações nas redes de metabolismo de radicais livres, lipídios e
aminoácidos que levam à geração de citocinas dependentes de NF-κB, incluindo tanto citocinas
pró-inflamatórias (TNF-α, IL-6, IL-8) e anti-inflamatórias (IL-10), como quimiocinas
(eotaxina). Quanto à imaginologia, estudos que ganharam notoriedade foram os de SEO et al.
(2021), que utilizaram a tomografia por emissão de pósitrons (PET) [11C]-(R)-PK11195 para
mostrar que os cérebros de pacientes com FM apresentam níveis anormais de neuroinflamação
em comparação com os de pacientes com a Síndrome da Dor Crônica Regional (SDCR); e o de
CORDÓN et al. (2022), que utilizaram a tomografia de coerência óptica para detectar
neuroinflamação e degeneração, e verificaram que pacientes com FM apresentam redução das

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camadas retinianas internas da área macular, e que essa degeneração se correlaciona com a
gravidade da doença e pior qualidade de vida.
O tratamento da FM requer uma abordagem ampla, que engloba medidas
farmacológicas e não farmacológicas, tendo em vista seu caráter multifatorial. A terapia
farmacológica parece proporcionar uma redução de 50% na intensidade da dor em apenas 10%
a 25% dos pacientes, no entanto, alguns tratamentos parecem melhorar significativamente a
qualidade de vida. Esse controle álgico limitado se deve em parte aos efeitos adversos limitantes
da dose e à eficácia incompleta da droga. Como os distúrbios do sono, a dor e o sofrimento
psíquico são os mais passíveis de terapia medicamentosa, os fármacos devem ser escolhidos
para controlar os sintomas predominantes do indivíduo (MAFFEI, 2020).
Dentre os fármacos sugeridos para o tratamento da FM, destacam-se: os
gabapentinóides, que demonstraram redução da intensidade da dor durante um período de
acompanhamento de 12 a 26 semanas, com efeitos adversos toleráveis; e os antidepressivos,
principalmente os Inibidores da Recaptação de Serotonina e Noradrenalina (IRSN), com ênfase
para a Duloxetina, que demonstrou resultados positivos na qualidade de vida relacionada à
saúde, fadiga, problemas de sono, dor e impressão geral do paciente, com boa segurança e
tolerabilidade; e os Antidepressivos Tricíclicos (ADT), sendo a Amitriptilina a droga mais
estudada, no entanto, viu-se que ela apesar de proporcionar alívio satisfatório da dor, alcançou
apenas uma minoria dos pacientes. Os canabinóides tem gerado discussão nos dias atuais,
parecendo haver algum benefício no controle álgico, porém essa afirmação não possui
evidência robusta (MAFFEI, 2020).
Além dos fármacos utilizados no tratamento da FM, pode-se também lançar mão de
terapias complementares para o controle do quadro álgico. Dentre elas destacam-se:
Acupuntura a qual pode ser empregada na melhora do sono ou bem-estar global ou na redução
da dor ou fadiga. A eletroacupuntura (AE) foi mais efetiva que a acupuntura manual (AM) na
melhora do sono, bem-estar global e fadiga e na redução da dor e rigidez. A estimulação elétrica
transcraniana ou transcutânea apresentaram efeitos positivos, sem evidências fortes. Já o
exercício físico demonstrou promover melhor qualidade de vida, pelo exercício de alongamento
muscular, especialmente no que diz respeito à capacidade funcional e à dor, enquanto a
depressão foi reduzida pelo treinamento resistido. Além disso, a combinação com programa de
massoterapia durante três meses influenciou o índice de estresse percebido, as concentrações
de cortisol, a intensidade da dor e a qualidade de vida de pacientes com FM (MAFFEI, 2020).

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A dor é o sintoma mais encontrado, em sua maioria relacionada à alodínia e à
hiperalgesia, sendo considerada um fator limitante para realização de atividades de vida diária
e profissional. A questão do estado de comorbidade psiquiátrica na fibromialgia tem sido
discutida há muito tempo, uma vez que o aparecimento de um transtorno psiquiátrico poderia
influenciar maciçamente a qualidade de vida do paciente, piorando o prognóstico da
fibromialgia (GAU et al., 2023).
Um estudo espanhol recente percebeu que mulheres com FM apresentavam maior índice
de alterações psicopatológicas, como somatização, TOC, depressão e ansiedade quando
comparadas àquelas que não possuíam diagnóstico de FM. A depressão é a principal condição
mental que afeta as pessoas que vivem com FM, o que as leva à restrição das atividades e
relações pessoais. Aproximadamente um quarto dos pacientes com fibromialgia tem depressão
comórbida, enquanto mais da metade experimenta um transtorno depressivo maior em algum
momento de suas vidas (GAU et al., 2023).
GRAMINHA et al. (2021), perceberam que pessoas com FM que tinham sintomas
depressivos graves apresentavam maior intensidade da dor e fadiga, maior gravidade da doença,
pior qualidade de sono e maior comprometimento dos aspectos emocionais de qualidade de
vida relacionados à saúde (QVRS), quando comparados aqueles que possuíam FM com
depressão leve. Esses transtornos afetam 264 milhões de pessoas no mundo, 21% delas só no
continente americano (ANAYA et al., 2021; CUYUL-VÁSQUEZ et al., 2021; BATISTA et al.,
2021; GRAMINHA et al., 2021; LUNA et al., 2021).

3.2 Sentimento de Solidão, Dor Psicológica, Depressão e Anedonia
O conceito de solidão pode ser definido como uma percepção cognitiva de que os
relacionamentos sociais são insuficientes ou inadequados, o que resulta em uma sensação
afetiva de vazio ou tristeza. Em 1978, foi publicada a primeira versão da Escala de Solidão de
UCLA, a qual já demonstrava moderada correlação com a triagem para depressão, tendo
mostrado melhora nessa relação com sua versão mais atual, sendo uma das escalas mais
utilizadas (BARROSO et al., 2019).
A Dor Psicológica (DP) também pode ser encontrada na literatura como dor mental,
sofrimento psíquico, dor psíquica, vazio ou perturbação interna. Sendo a DP compreendida
como um estado de consciência desagradável, resultante de experiências de perdas, que leva à

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quebra da integridade individual e social. Além disso, durante um episódio depressivo a dor
psicológica já fora descrita como pior do que qualquer dor física que um indivíduo já sentira
(LUIS, 2016).
Para melhor compreender a dor psicológica, Schneidman, em 1993, a diferenciou da dor
física, nomeando-a como “psychache”, o que corresponderia a um estado agudo de dor interna
intolerável, associado a emoções negativas, como tristeza, culpa, angústia, medo, raiva,
desespero, solidão, vergonha e perda. Mais recentemente, MEERWIJK e WEISS (2014)
definiram a dor psicológica como um sentimento desagradável e insustentável, resultante de
sensações negativas pessoais frente a uma perda (de algo ou alguém) ou ao fracasso em alcançar
objetivos ou realizar atividades básicas. Além disso, diversas teorias vem sendo estudadas nos
últimos anos, dentre elas a dor psicológica como um fator contribuinte para a ideação suicida e
motivação para consumação do ato. Coortes disponíveis na literatura já abordam a relação entre
a dor psicológica e o suicídio em populações com elevado e baixo risco, além de relacioná-la
com outras variáveis psicológicas e os comportamentos suicidas (LUIS, 2016).
Diversos instrumentos foram desenvolvidos com objetivo de avaliar a dor psicológica,
dentre os quais pode-se destacar a Escala de Dor Psicológica (Psychache Scale), a qual foi
traduzida e validada em 2019 para o português de Portugal, por Campos e outros colaboradores.
Consoante, para mensurar o sentimento de solidão BARROSO et al. (2016), testaram a versão
brasileira da UCLA (UCLA-BR) e verificaram que ela apresenta boa qualidade psicométrica,
com capacidade de avaliar solidão em jovens de idade entre 20 a 87 anos, apresentando bom
índice de fidedignidade, logo, uma medida confiável (CAMPOS et al., 2019; BARROSO et al.,
2016; LUIS, 2016).
A anedonia pode ser entendida como uma deficiência na experiência de prazer, pode ser
manifestada em muitos transtornos psicológicos, como depressão, transtorno do estresse póstraumático, esquizofrenia. Além disso, ela é vista como um preditor de mau resultado do
tratamento farmacológico para depressão. Logo, percebe-se que a anedonia é um importante
alvo e desfecho de tratamento, podendo ser uma ferramenta útil na avaliação clínica e no
monitoramento de pacientes com depressão (COGAN et al., 2024).

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3.3 Fibromialgia e manifestações psicológicas
A dor social foi recentemente proposta como um sintoma saliente na polissintomatologia
da FM, além de outros sintomas centrais da FM, como a dor física. A dor, ou sentimento de
invalidação perante a sociedade, é um fenômeno multifatorial que engloba diversas
experiências sociais angustiantes, como a não aceitação, não compreensão da condição,
descrença, rejeição, estigmatização e ruptura; o que faz com que a experiência de dor da FM
não seja restritivamente encarada como uma sensação física desagradável a quem a sente, mas
também contemplada pelo sentimento social – por meio de outras dimensões da dor (PARSA et
al., 2021).
A falta de explicação laboratorial e de imagem que justifiquem o quadro clínico da FM
corrobora com o aspecto social negligenciado da dor. Nesse ponto, estudos em neurociências
sustentam que a dor social e a invalidação se somam intensamente na natureza da FM, e
representam uma expressão crucial da manifestação da dor física e de sintomas somáticos.
Reconhecer na FM o complexo “dor física-social” garante não somente a inserção da dor social
ou invalidação como sintoma complementar, como também permite o diagnóstico e manejo
mais amplos dessa condição. Contudo, vale ressaltar que apesar da relação mútua existente
entre dor física e social, uma pode continuar ou não mudar apesar do alívio da outra (e viceversa). Apesar da importância desse entendimento, nem sempre é possível delimitar os limites
entre esses dois tipos de dor, entretanto, sabe-se que uma resposta social negativa percebida ou
invalidação (não compreensão e desconsideração de outros) impacta negativamente no bem
estar psicológico (saúde mental) e físico das pessoas que vivem com FM, inclusive, acredita-se
que contribua na intensificação da dor, pelo aumento da atividade neural em regiões especiais
do cérebro, como a porção dorsal do córtex cingulado anterior e a ínsula anterior, que também
codificam componentes afetivos da dor física. Já a dor social acarretaria no isolamento, solidão,
depressão, falta de autoestima e redução da atividade física (PARSA et al., 2021).
BATISTA et al. (2021), constataram relação direta entre a dor causada pela FM e
cinesiofobia, uma vez que a sensação de dor ao se movimentar leva ao medo de senti-la ainda
mais intensa. Por conseguinte, esses sintomas psicológicos relacionados a FM podem aumentar
os sintomas primários da síndrome, como a dor e a incapacidade funcional, o que impacta
diretamente na qualidade de vida do indivíduo. Além disso, diversas teorias vem sendo
estudadas nos últimos anos, dentre elas a dor psicológica como um fator contribuinte para a
ideação suicida e motivação para consumação do ato. Coortes disponíveis na literatura já

19

abordam a relação entre a dor psicológica e o suicídio em populações com elevado e baixo
risco, além de relacioná-la com outras variáveis psicológicas e os comportamentos suicidas
(BATISTA et al., 2021).
O tratamento da Fibromialgia consiste em um desafio para os serviços de saúde, pois
engloba tanto medidas farmacológicas e intervencionistas para dor crônica, quanto educação
cognitivo-comportamental em saúde. As recomendações da Liga Europeia Contra o
Reumatismo enfatizam como primeira linha para o tratamento da FM o manejo não
farmacológico, juntamente a outras diretrizes clinicas internacionais que destacam a
importância de considerar aspectos como personalidade, fatores contextuais, tomada de decisão
compartilhada, adesão terapêutica, psicoterapia e atividade física. Dessa forma, percebe-se que
a necessidade de uma avaliação global do paciente fibromiálgico levando em consideração a
relação “dor físico-social” para que seja possível alcançar uma avaliação clínica e manejo
adequados desses pacientes. (ANAYA et al., 2021; CUYUL-VÁSQUEZ et al., 2021; PARSA
et al., 2021).
Diante disso, objetiva-se com este estudo investigar a gravidade do sentimento de
solidão, da dor psicológica e da depressão, bem como se há relação desses com o impacto
causado pela doença, em mulheres que vivem com Fibromialgia. Considerando que a
Fibromialgia é uma condição crônica que reduz a qualidade de vida, especialmente em
mulheres, está frequentemente ligada à depressão e, além disso, diante da ausência de estudo
semelhantes no Brasil, compreender essas questões pode ajudar a desenvolver estratégias de
tratamento mais eficazes e personalizadas, que considerem tanto os aspectos físicos quanto os
psicológicos da doença. Ademais, esse estudo inédito pode apoiar o desenvolvimento de
políticas assistivas que garantam acesso a cuidados adequados e aumentem a conscientização
sobre a importância da saúde mental no contexto da Fibromialgia.

20

4. METODOLOGIA

4.1 Tipo de estudo, participantes, local da pesquisa e aspectos éticos
Trata-se de um estudo transversal, analítico. Submetido ao Comitê de Ética em Pesquisa
do Hospital Escola Prof. Alberto Antunes da Universidade Federal de Alagoas
(HUPAA/UFAL), aprovado sob o protocolo CAAE 68294223.3.0000.0155 (Anexo 1), e
somente teve início após sua aprovação.
A amostra foi composta por mulheres que vivem com Fibromialgia (n=100). A seleção
das participantes foi feita por conveniência, tratando-se de uma amostra não probabilística. Os
dados foram coletados com mulheres associadas à Associação de Fibromiálgicos de Alagoas
(AFIBAL), além de pacientes em acompanhamento nos ambulatórios vinculados ao SUS: CER
III Pam Salgadinho, CER III UNCISAL, ambulatório de Dor do HUPAA/UFAL, ambulatório
de Reumatologia do HUPAA/UFAL. Os critérios de inclusão foram: gênero feminino, maiores
de 18 anos e que possuíssem o diagnóstico de FM. Os critérios de exclusão foram: pacientes
portadoras de dor de etiologia oncológica ou autoimune; acamadas ou cadeirantes devido à
sequela de acidente vascular encefálico (AVE), lesão medular (LM), traumas físicos; quadros
psicóticos e déficit intelectual clinicamente significativo.

4.2 Variáveis e instrumentos
- Perfil Sociodemográfico: o perfil sociodemográfico dos participantes foi traçado
através da aplicação de um questionário de própria autoria dos pesquisadores (Apêndice 1) e
pela aplicação do questionário Critério de Classificação Econômica Brasil – Associação
Brasileira de Empresas de Pesquisa – ABEP (Anexo 2), versão atualizada de 2022. As respostas
do questionário de caracterização foram organizadas da seguinte forma:
- Idade: em números inteiros e anos completados.
- Estado Civil: “com” ou “sem” parceiro(a). Considerou-se “com parceiro(a)”
aquelas que informavam união formalizada em cartório, união estável, residir juntos ou
namoro estabelecido.
- Etnia: “branca” e “não branca”. De acordo com o autorrelato das participantes.

21

- ABEP: Sua interpretação foi adotada conforme preconizado pelo próprio
documento, subagrupando os resultados nas seguintes classes: “A” (45-100 pontos),
“B1” (38-44 pontos), “B2” (29-37 pontos), “C1” (23-28 pontos), “C2” (17-22 pontos) e
“DE” (0-16 pontos). Neste estudo, foi adotado como variável a “Vulnerabilidade
Socioeconômica”, sendo incluídas nesta categoria aquelas que se enquadrassem nas
classes “D” e “E”.
- Escolaridade: anos completos de estudo formal. Sendo as respostas
padronizadas para a variável “Menor Escolaridade”: sim (tempo de estudo ≤ 12 anos);
não (tempo de estudo > 12 anos).
- Tempo de Sintomas (TS): em números inteiros e anos completados desde o
início do quadro clínico.
- Tempo de Diagnóstico (TD): em números inteiros e anos completados desde
o início do quadro clínico até receber o diagnóstico fechado de FM.
- Atividade Física: “sim” e “não”. Considerou-se atividade física regular a
prática de qualquer exercício com tempo de duração ≥ 50 minutos, ao menos três vezes
por semana (ou que o somatório semanal fosse igual ou superior a 150 minutos).
Atividade dentro do ambiente de trabalho ou doméstico que não fosse executada de
forma intencional e com vestimentas adequadas não foram consideradas.
- Comorbidades: “sim” ou “não”. Em caso positivo era solicitado a
especificação da comorbidade.
- Medicações em uso: quantidade e classe dos fármacos de uso contínuo para o
tratamento da FM e comorbidades.
- Terapia não farmacológica: “sim” ou “não”. Considerou-se qualquer terapia
com a finalidade de atenuação dos sintomas dolorosos e/ou psiquiátricos. Em caso
positivo era solicitado a especificação da terapia.
- Diagnóstico de Fibromialgia: o diagnóstico da FM foi revisado em 2016 através dos
critérios do Colégio Americano de Reumatologia (American College of Rheumatology – ACR)
de 2010 (Anexo 3), que diagnosticam a FM quando (MAFFEI et al., 2020):
1- Dor generalizada, definida como dor presente em pelo menos 4 de 5 regiões;
2- Sintomas apresentarem nível semelhante por pelo menos três meses;

22

3- O Índice de Dor Generalizada (Widespread Pain Index – WPI) ≥ 7 e Escala
de Severidade dos Sintomas (Symptom Severity – SS) ≥ 5 OU WPI 3-6 e com escala de
SS ≥ 9;
4- O diagnóstico de FM é válido independentemente de outros diagnósticos.
Outro ponto importante é que a presença de outras doenças clinicamente importantes
não exclui o diagnóstico de FM.
- Intensidade da Dor: foi mensurada através da Escala Numérica da Dor – END
(Anexo 4). Trata-se de uma escala que varia de 0 a 10, na qual 0 significa “ausência de dor” e
10 a “pior dor que o entrevistado já sentira”, considera-se valores de 1 a 3 como dor leve, de 4
a 6 como dor moderada, e de 7 a 10 como dor intensa (KARCIOGLU et al., 2018). Neste estudo
a intensidade da dor foi entendida como “Dor Física”.
- Estabeleceu-se também uma subvariável dicotômica para “Dor Física
Intensa”, incluindo aquelas que possuíssem níveis de dor de 7 a 10 pontos na END.
- Impacto da Fibromialgia: mensurado através do Questionário de Impacto da
Fibromialgia – QIF (Anexo 5), o qual consiste em um instrumento específico para avaliar a
qualidade de vida (QV) em pacientes com FM, englobando aspectos relacionados à capacidade
funcional, situação profissional, distúrbios psicológicos e sintomas físicos. Ele é composto por
19 questões, organizadas em 10 itens. Os dados foram normalizados para variarem de 0 a 100,
obedecendo-se o escore total. Cada item possui pontuações diferentes (o item 1 foi somado e
dividido por 3, os itens 2 e 3 multiplicados por 1,43 e os itens de 4 a 10 somados). Sua pontuação
quanto mais alto for o valor, pior será a QV do avaliado (LORENA et at., 2016; AZEVEDO et
al., 2011). Neste estudo o impacto da FM foi interpretado como “Comprometimento
Funcional”.
- Maior comprometimento funcional: objetivando a comparação entre grupos, a
variável comprometimento funcional foi subdividida de forma categórica dicotômica
em “Maior Comprometimento Funcional” (QIF > 70 pontos) (AZEVEDO et al.,
2011).
- Solidão: avaliada através da versão brasileira da Escala de Solidão de UCLA – UCLABR (Anexo 6). Trata-se da versão traduzida e validada no Brasil em 2013, tendo como
referência a escala internacional UCLA-R, desenvolvida por Russel, Peplau e Cutrona em1980.
A UCLA-BR contém 20 afirmações e apresenta as alternativas de resposta em forma de escala

23

likert de quatro pontos, no qual “nunca” pontua 0 ponto; “raramente” 1 ponto; “algumas vezes”
2 pontos; e “frequentemente” equivale a 3 pontos. Até pouco tempo, a escala ainda não possuía
ponto de corte estabelecido, considerava-se que as pessoas com maior pontuação se
encontravam mais solitárias; hoje, entretanto, entende-se que do total dos 60 pontos: 0 a 22 seja
indicativo de solidão mínima; 23 a 35 solidão leve; 36 a 47 solidão moderada; e 48 a 60 solidão
intensa (BARROSO et al., 2019; BARROSO et al., 2016).
- Para a análise comparativa a variável percepção de solidão foi subdividida de
forma categórica dicotômica em “solidão moderada-grave” (UCLA-BR ≥ 36 pontos)
e “solidão mínima-leve” (UCLA-BR < 36 pontos).
- Dor Psicológica: avaliada por meio da Escala de Dor Psicológica (Psychache Scale)
– EDP (Anexo 7), traduzida e validada em 2019 para o português de Portugal, por Campos e
outros colaboradores, sendo, neste estudo, ajustada para uma versão em português brasileiro
pelos autores deste estudo. É um questionário composto por 13 itens, que visam avaliar dor
psicológica de acordo com a perspectiva de Shneidman (1993). As respostas são dadas numa
escala de likert de 5 pontos (de 1 a 5): os nove primeiros itens são respondidos de acordo com
a frequência da dor psicológica, variando entre “nunca” (1) a “sempre” (5); os quatro últimos
itens avaliam a intensidade da dor psicológica, e são respondidos numa escala de concordância,
que varia de “discordo fortemente” (1) a “concordo fortemente” (5). O valor total da escala
pode variar entre 13 e 65 pontos, sendo que quanto mais alto o resultado maior será a dor
psicológica. Escores ≥ 32,4 pontos foram relacionados com maior risco de tentativa de suicídio
e, portanto, neste estudo foi acrescentada a variável “risco de suicídio (EDP)” para descrever
aqueles que apresentavam maior risco de suicídio mensurado pela escala de dor psicológica –
EDP > 32 pontos (CAMPOS et al., 2019; FRAGATA et al., 2019).
- Depressão: foi identificada pelo Inventário de Depressão de Beck – BDI II (Anexo
8), o qual contém 21 questões que abordam diversos itens relacionados aos sintomas
depressivos como desesperança, irritabilidade e cognições como culpa ou sentimentos de estar
sendo punido, assim como sintomas físicos como fadiga, perda de peso e diminuição da libido.
O questionário resulta em escores que variam de 0 a 63. A interpretação sugerida para os níveis
de gravidade foi a seguinte: 0-13, depressão mínima/sem depressão; 14-19, depressão leve; 2028, depressão moderada; e 29-63, depressão grave. Trata-se de um questionário validado e
traduzido para o Brasil, amplamente utilizado (JULIO et al., 2022; GOMES-OLIVEIRA et al.,
2012).

24

- Após análise de regressão linear, foi identificada a depressão como fator
preditivo que contribui para o pior impacto da FM, assim, foi optado, neste estudo, pela
adoção “depressão” como variável dependente e pela divisão da amostra em dois
grupos: “sem sintomas depressivos graves” (BDI II < 29 pontos) e “com sintomas
depressivos graves” (BDI II ≥ 29 pontos).
- Anedonia: foi identificada a partir da avaliação dos subdomínios do BDI II (4
– perda de satisfação/prazer; 12 – perda de interesse; 15 – esforço/energia; e 21 – perda
de interesse por sexo). Essa avaliação foi proposta por Pizzagalli et al. (2005), que
relataram um alfa de .60 para a medida desses quatro itens. A validação da escala não
foi um objetivo deste estudo, haja vista que estudos já relatam correlações entre as
medidas de anedonia derivadas do BDI e outras escalas de anedonia, fornecendo algum
suporte convergente de validade (COGAN et al., 2024).
- Risco de suicídio (BDI): o subdomínio 9 do BDI aborda o risco de suicídio.
Diante disso, buscou-se, também, neste estudo investigar o risco de suicídio associado a
sintomas depressivos, observando esse subdomínio da escala.

4.3 Procedimento

As pacientes foram recrutadas por meio de convite via ligação telefônica ou digital por
aplicativo de comunicação, sendo convidadas para consulta médica, ou via demanda espontânea
no serviço que já faziam acompanhamento. As consultas aconteceram em consultório médico,
nos referidos locais mencionados no tópico “local da pesquisa”. Após exame clínico e
confirmação do diagnóstico de FM, os examinadores forneciam as informações sobre o estudo,
bem como as eventuais dúvidas eram sanadas. Em caso de aceite em participar como
voluntárias do estudo, lhes era solicitado a assinatura do TCLE e os questionários aplicados
com auxílio dos examinadores. As consultas com aplicação dos questionários duravam um
tempo médio de 40 minutos.

25

4.4 Análise dos dados

Uma análise descritiva inicial foi realizada para determinar frequências absolutas e
relativas (número e porcentagens) para variáveis categóricas, além de medidas de tendência
central e dispersão (médias, medianas, desvios-padrão e intervalos interquartis), para variáveis
contínuas, de acordo com os resultados do teste de Shapiro-Wilk para análise da distribuição da
amostra e determinação de análise paramétrica ou não paramétrica.
Dessa forma, a análise foi construída para investigar as diferenças entre os grupos com
e sem sintomas depressivos graves. Verificou-se distribuição paramétrica para as variáveis
idade, Solidão (UCLA-BR), Depressão (BDI) e Anedonia, deste modo, o teste t de student foi
utilizado para comparar as médias dessas variáveis contínuas entre os dois grupos. O teste de
Mann-Whitney foi utilizado para comparar medianas das variáveis cuja distribuição era não
normal.
Foi optado por considerar depressão como variável dependente e realizar a análise dos
dados coletados comparando os grupos com e sem sintomas depressivos graves (ponto de corte
BDI II ≥ 29 para o grupo com sintomatologia depressiva grave).
As variáveis dicotômicas [dor física intensa, risco de suicídio (BDI), presença de
anedonia, solidão moderada-grave, maior comprometimento funcional e risco de suicídio
(EDP)] tiveram suas proporções comparadas entre os grupos com e sem sintomatologia
depressiva grave através dos testes Qui-quadrado e Exato de Fisher, esse último utilizado para
variáveis com frequências menores que 05. O teste de correlação de Spearman foi utilizado
para avaliar as relações entre as variáveis contínuas e ordinais.
Também buscou-se investigar quais dessas variáveis eram preditoras da sintomatologia
depressiva grave em mulheres com FM, através de uma regressão logística binomial.
A análise estatística foi realizada pelo software estatístico JAMOVI® (versão 2.3.28),
sendo adotado p ≤ 0.05 como significativo e IC (95%).

26

5. RESULTADOS
O estudo contém uma amostra de 100 mulheres, todas com diagnóstico e preenchendo
critérios para Fibromialgia, de acordo com o estabelecido pelo ACR. A média de idade
encontrada foi de 48,7 anos (±9,5), a maioria das participantes (54%) possuía parceiro(a) fixo(a)
e se autodeclarava como “não branca” (74%), o que pode ser observado pela maior
miscigenação do povo brasileiro. A mediana encontrada para situação socioeconômica (ABEP)
foi 21,5 (17-30), já para o nível de escolaridade foi 12,0 (12-16) anos, do tempo de sintomas
foi 10,0 (5-17) anos e para o tempo do diagnóstico foi 5,0 (3-9) anos, sendo possível identificar
um longo período desde o início do quadro clínico até a confirmação diagnóstica. A maioria
dessas mulheres era sedentária (69%), relatava ter comorbidades (53%), fazia uso de
medicações contínuas para o tratamento da FM, principalmente de antidepressivos (71%) e/ou
anticonvulsivantes (55%), com ênfase nos gabapentinóides; em menor frequência houve relato
do uso de antipsicóticos (13%), opioides (9%), miorrelaxantes (16%) e do lítio (7%). Pouco
mais da metade da amostra (51%) afirmou fazer alguma terapia não farmacológica para o
tratamento da dor.
A mediana encontrada para dor física (END) foi de 8,0 (7-9), para o comprometimento
funcional (QIF) foi 80,5 (71-89), e para dor psicológica de 46 (36-56). A média obtida para
percepção de solidão (UCLA-BR) foi de 32,6 (±14,6), para depressão (BDI II) 27,1 (±10,1), e
para anedonia 6,43 (2,2). A caracterização sociodemográfica e clínica da amostra se encontra
organizada na tabela 1.

Tabela 1 – Caracterização sociodemográfica e clínica de mulheres com fibromialgia
(n=100)
RESPOSTA
VARIÁVEL
n=100 (%)
IDADE (anos)
(MÉDIA ±DP)

48,7 (±9,5)

ESTADO CIVIL
COM PARCEIRO(A)
SEM PARCEIRO(A)

54 (54%)
46 (46%)

ETNIA
BRANCA
NÃO BRANCA

26 (26%)
74 (74%)

ABEP (escore)
MEDIANA (IQR 25-75)

21,5 (17-30)

ESCOLARIDADE (anos)
MEDIANA (IQR 25-75)

12,0 (12-16)

TEMPO DE SINTOMAS (anos)

10,0 (5-17)

27

MEDIANA (IQR 25-75)

TEMPO DIAGNÓSTICO (anos)
MEDIANA (IQR 25-75)

5,0 (3-9)

ATIVIDADE FÍSICA
SIM
NÃO

31 (31%)
69 (69%)

COMORBIDADES
SIM
NÃO

53 (53%)
47 (47%)

ANTIDEPRESSIVOS
SIM
NÃO

71 (71%)
29 (29%)

ANTICONVULSIVANTES
SIM
NÃO

55 (55%)
45 (45%)

ANTIPSICÓTICOS
SIM
NÃO

13 (13%)
87 (87%)

OPIOIDES
SIM
NÃO

09 (9%)
91 (91%)

MIORRELAXANTES
SIM
NÃO

16 (16%)
84 (84%)

LÍTIO
SIM
NÃO

07 (7%)
93 (93%)

TERAPIA NÃO FARMACOLÓGICA
SIM
NÃO

51 (51%)
49 (49%)

DOR FÍSICA
MEDIANA (IQR 25-75)

8,0 (7-9)

IMPACTO DA FM
MEDIANA (IQR 25-75)

80,5 (71-89)

DOR PSICOLÓGICA
(MEDIANA; IQR 25-75)

46 (36-56)

SOLIDÃO
(MÉDIA ±DP)

32,6 (±14,6)

DEPRESSÃO
(MÉDIA ±DP)

27,1 (±10,1)

ANEDONIA
(MÉDIA ±DP)

6,43 (2,2)

n: número de participantes. %: percentual. DP: desvio-padrão. ABEP: questionário socioeconômico Critério
Brasil 2022. IQR: intervalo interquartil.

A amostra foi distribuída em dois grupos: sem sintomas depressivos graves (n=59) e
com sintomas depressivos graves (n=41), indicando que a prevalência de sintomas depressivos
graves na amostra foi de aproximadamente 60%. A média de idade encontrada foi semelhante
entre os grupos – 49,2 (±8,38) e 48,0 (±11,1) anos. Nenhuma variável sociodemográfica
apresentou relação significativa com sintomas depressivos graves.

As relações

sociodemográficas comparadas entre os grupos se encontram agrupadas na tabela 2.

28

Tabela 2 – Características sociodemográficas de mulheres com FM subdivididas de acordo com
a presença ou ausência de sintomas depressivos graves (n=100).
SEM SINTOMAS
COM SINTOMAS
VARIÁVEL
DEPRESSIVOS GRAVES
DEPRESSIVOS GRAVES
p
(n=59)
(n=41)
IDADE
(MÉDIA ±DP)

49,2 (±8,38)

48,0 (±11,1)

31 (52,5%)
28 (47,4%)

15 (36,6%)
26 (63,4%)

13 (22,0%)
46 (78,0%)

13 (31,7%)
28 (68,2%)

0,551
0,112

ESTADO CIVIL
COM PARCEIRO(A)
SEM PARCEIRO(A)

0,282

ETNIA
BRANCA
NÃO BRANCA

0,212

VULNERABILIDADE
SOCIOECONÔMICA
SIM
NÃO

11 (18,6%)
48 (81,4%)

12 (29,3%)
29 (70,7%)

35 (61,4%)
22 (38,6%)

25 (61,0%)
16 (39,0%)

0,972

BAIXA ESCOLARIDADE
SIM
NÃO

n: número de participantes. p: significância. DP: desvio padrão. %: percentual. Vulnerabilidade socioeconômica: escores
ABEP (Critério Brasil 2022) pertencentes às classes “D” e “E”. Baixa escolaridade: tempo de estudo formal menor que 12
anos. 1t-student. 2Qui-quadrado.

As medianas (IQR percentil 25-75) dos tempos de sintomas e de diagnóstico para os
grupos sem sintomas depressivos graves e com sintomas depressivos graves foram de 10 (5,015) e 10 (5,0-19); 5 (3,0-8,75) e 5 (2,0-10), respectivamente. A maioria das participantes de
cada grupo era sedentária (62% e 78%). Houve diferença entre os grupos quanto ao uso de lítio,
o qual foi 10 vezes mais frequente entre as mulheres com sintomas depressivos graves (p=0,01;
OR 9,9; IC 1,1-86,1). A maioria das mulheres de ambos os grupos (51%) relataram realizar
terapias não farmacológicas para o controle da dor, sendo as mais prevalentes: fisioterapia,
psicoterapia e acupuntura; além de outras em menor proporção, como alongamento,
massoterapia, hidroterapia. As relações clínicas comparadas entre os grupos se encontram na
tabela 3.

Tabela 3 – Características clínicas de mulheres com FM subdivididas de acordo com a presença ou ausência de
sintomas depressivos graves
SEM SINTOMAS
COM SINTOMAS
VARIÁVEL
DEPRESSIVOS GRAVES
DEPRESSIVOS GRAVES
p
OR
IC 95%
(n=59)
(n=41)
0,661
TEMPO DE SINTOMAS
MEDIANA (IQR 25-75)

10 (5,0-15)

10 (5,0-19)

TEMPO DE DIAGNÓSTICO
MEDIANA (IQR 25-75)

ATIVIDADE FÍSICA
SIM
NÃO

COMORBIDADES
SIM

5 (3,0-8,75)

5 (2,0-10)

22 (37%)

09 (22%)

37 (62%)

32 (78%)

34 (58%)
25 (42%)

19 (46%)
22 (54%)

0,711

-

-

0,102

0,5

0,2-1,2

0,272

0,6

0,3-1,4

29

NÃO

HAS
SIM
NÃO

21 (36%)
38 (64%)
12 (20%)
47 (80%)

10 (24%)
31 (76%)

40 (68%)
19 (32%)

31 (76%)
10 (24%)

ANTIDEPRESSIVO
SIM
NÃO

ISRS
SIM
NÃO

19 (32%)
40 (68%)
19 (32%)
40 (68%)

10 (24%)
31 (76%)

10 (17%)
49 (83%)

13 (32%)
28 (68%)

ADT
SIM
NÃO

ATÍPICOS
SIM
NÃO

05 (9%)
54 (91%)
36 (61%)
23 (39%)
06 (10%)
53 (90%)
04 (7%)
55 (93%)
11 (19%)
48 (81%)

TERAPIA NÃO
FARMACOLÓGICA
SIM
NÃO

01 (2%)
58 (98%)
30 (51%)

21 (51%)

29 (49%)

20 (49%)

20 (34%)
39 (66%)
19 (32%)
40 (68%)

16 (39%)
25 (61%)

04 (7%)
55 (93%)

04 (10%)
37 (90%)

ACUPUNTURA
SIM
NÃO

0,752

0,9

0,4-2,1

0,152

1,8

0,8-4,1

0,082

2,3

0,9-5,9

0,703

0,5

0,1-3,0

0,152

0,5

0,2-1,2

0,312

1,8

0,6-5,9

0,483

1,9

0,5-7,6

0,392

0,6

0,2-1,9

0,01*3

9,9

1,1-86,1

0,972

1,0

0,5-2,2

0,192

0,5

0,2-1,4

0,482

1,35

0,6-3,1

0,713

1,5

0,3-6,3

09 (22%)
32 (78%)

PSICOTERAPIA
SIM
NÃO

0,6-3,6

06 (15%)
35 (85%)

FISIOTERAPIA
SIM
NÃO

1,5

05 (12%)
36 (88%)

LÍTIO
SIM
NÃO

0,402

05 (12%)
36 (88%)

MIORRELAXANTES
SIM
NÃO

0,5-3,3

07 (17%)
34 (83%)

OPIOIDES
SIM
NÃO

1,3

19 (46%)
22 (54%)

ANTIPSICÓTICOS
SIM
NÃO

0,632

02 (5%)
39 (95%)

ANTICONVULSIVANTES
SIM
NÃO

0,2-1,4

12 (29%)
29 (71%)

INRS
SIM
NÃO

0,6

10 (24%)
31 (76%)

DM
SIM
NÃO

0,232

n: número de participantes. p: significância. OR: Odds Ratio. IC: Intervalo de confiança. %: percentual. IQR: Intervalo interquartil. HAS: Hipertensão
Arterial Sistêmica. DM: Diabetes mellitus. ISRS: Inibidores seletivos da recaptação de serotonina. INRS: Inibidores não seletivos da recaptação de
serotonina. ADT: Antidepressivo tricíclico. 1Mann-Whitney. 2Qui-quadrado. 3Exato de Fisher.

A dor física (END) apresentou mediana 08 (IQR 7-9), porém dor física intensa não foi
exclusividade do grupo com sintomas depressivos graves (p=0,65), uma vez que ambos os
grupos apresentaram alta prevalência (81% e 80%, respectivamente). Sendo assim, pode
considerar que a dor física decorrente da FM tende a ser intensa independentemente da
gravidade dos sintomas depressivos.

30

Os escores do QIF foram mais altos entre as mulheres com sintomas depressivos graves
(p<0,001). O QIF avalia domínios como funcionalidade, sensação de bem estar, sono e sintomas
psicológicos como depressão e ansiedade, o que permite afirmar que o comprometimento geral
causado pela FM é maior naquelas que possuíam sintomatologia depressiva grave. Reforçando
este achado, pode-se observar que as chances das mulheres fibromiálgicas com sintomas
depressivos graves apresentarem um comprometimento funcional mais intenso, isto é, acima
de 70 pontos na QIF são 10 vezes maiores que aquelas sem sintomas depressivo graves (χ2 =
11,9; OR 10,0; 2,2-45,7).
Na análise das variáveis psicológicas, encontrou-se uma média geral para a percepção
de Solidão (UCLA-BR) de 32,6 pontos (±14,6), enquadrando-se em solidão leve, no entanto,
ao avaliar separadamente os grupos, nota-se que o grupo com sintomas depressivos graves
apresenta maior concentração dos escores em solidão moderada a intensa (~61%), já a maioria
do grupo sem sintomas depressivos graves obteve escores de solidão mínima a leve (62%),
havendo uma diferença significativa entre os grupos com e sem sintomas depressivos graves
quanto à intensidade da percepção de solidão (p=0,001), o que permite perceber uma relação
entre solidão e depressão. Na relação com a subvariável “solidão moderada-grave”, foi
encontrado que sintomas depressivos graves aumentam a chance da percepção de solidão
moderada a grave em 2,6 vezes (χ2 = 5,1; p=0,024; OR 2,6; IC 1,1-5,8).
A mediana de Dor Psicológica (EDP) da amostra foi de 46 (36-56), com relação
significativa com os sintomas depressivos mais graves (p<0,001). Para fins de melhor
exploração da variável dor psicológica, foi criado neste estudo um subgrupo com aquelas que
obtiveram escores para maior risco de suicídio (EDP >32 pontos), observando-se que quase
70% das mulheres que não relataram sintomas depressivos graves e mais de 95% das que
possuíam sintomas depressivos graves se enquadravam neste grupo, sendo encontrado um valor
significativo χ2 = 9,9 (p=0,002; OR 8,6; IC 1,9-39,3), inferindo que o risco de suicídio é um
fator altamente prevalente nas mulheres com FM e 8,6 vezes maior naquelas com sintomas
depressivos graves.
Os escores para anedonia apresentaram média de 6,4 pontos (±2,21), com relação
significativa com sintomas depressivos graves (p=0,001), sendo possível também perceber que
mulheres com fibromialgia e sintomas depressivos graves apresentam 9,7 vezes mais chances
de se queixarem de anedonia mais intensa que aquelas sem sintomas depressivos graves (χ2 =
14,5; p=0,001; OR 9,7; IC 2,6-36,7). O risco de suicídio mensurado pelo BDI foi mais
prevalente no grupo de mulheres com sintomas depressivos graves, sendo sua chance 4,3 vezes

31

maior (χ2 = 11,8; p=0,001; OR 4,3; IC 1,8-10,0). A análise comparativa das variáveis
psicológicas encontra-se demonstrada na tabela 4.

Tabela 4 – Análise comparativa entre dor física intensa, maior comprometimento funcional, solidão moderada-grave, presença de anedonia e risco de
suicídio em mulheres com FM de acordo com a presença ou ausência de sintomas depressivos grave (n=100).
SEM SINTOMAS
COM SINTOMAS
DEPRESSIVOS
DEPRESSIVOS
VARIÁVEL
p
OR
IC 95%
χ2
GRAVES
GRAVES
n=59 (%)
n=41 (%)

Dor física intensa

48 (81,3%)

33 (80,5%)

0,01

0,913

0,9

0,3-2,6

Risco de suicídio (BDI)

17 (28,8%)

26 (63,4%)

11,8

<0,001*

4,3

1,8-10,0

Presença de anedonia

03 (5,1%)

14 (34,1%)

14,5

<0,001*3

9,7

2,6-36,6

Solidão moderada-grave

22 (37,9%)

25 (61,0%)

5,1

0,024*

2,6

1,1-5,8

Maior comprometimento
funcional

39 (66,1%)

39 (95,1%)

11,9

<0,001*3

10,0

2,2-45,7

Risco de suicídio (EDP)

41 (69,5%)

39 (95,1%)

9,9

0,002*3

8,6

1,9-39,3

n: número de participantes. %: percentual. p: significância. OR: Odds Ratio. IC: Intervalo de confiança. BDI: Inventário de Depressão de Beck II. EDP: Escala de Dor
Psicológica. χ2: Qui-quadrado.

Foi realizada uma regressão logística binomial para verificar quais variáveis entre o
maior comprometimento funcional, risco de suicídio (BDI), dor psicológica e anedonia são mais
preditoras de sintomas depressivos graves em mulheres com FM. O modelo contendo as
variáveis acima foi significativo (χ2 = 56,7; p<0,001; R2NegelKerke: 0,58). Todas as variáveis
analisadas foram preditoras de sintomas depressivos graves em mulheres com FM: maior
comprometimento funcional (QIF >70) (p = 0,023; OR = 7,71; IC 95% 1,33-44,74), risco de
suicídio (BDI) (p = 0,026; OR = 3,69; IC 95% 1,17-11,63), percepção da dor psicológica (EDP)
(p = 0,027; OR = 1,06; IC 95% 1,01-1,11) e anedonia (p = 0,001; OR = 2,02; IC 95% 1,362,99). A tabela 5 traz o modelo de Regressão Logística Binomial.

32

Tabela 5 – Fatores preditivos de sintomas depressivos graves em mulheres com FM através de um modelo de Regressão Logística
Binomial.
IC (95%)
Z
Erro-padrão
p
OR
Limite
Limite
inferior
superior
Maior
comprometimento
2,28
0,90
0,023*
7,71
1,33
44,74
funcional
Risco de suicídio (BDI)
2,23
0,58
0,026*
3,69
1,17
11,63
Dor Psicológica
Anedonia

2,21

0,02

0,027*

1,06

1,01

1,11

3,51

0,20

<0,001*

2,02

1,36

2,99

R2: 0,58
IC: intervalo de confiança. %: percentual. Z: resultado teste Z. p: significância. OR: Odds Ratio (Razão de Chance). BDI: Inventário de Depressão de
Beck II. R2: resultado da regressão (Nagelkerke).

As correlações de Spearman entre as variáveis demonstraram relações significativas
diretamente proporcionais de forte intensidade entre depressão e anedonia (r=0,73); de
moderada intensidade entre depressão e comprometimento funcional (r=0,59), depressão e dor
psicológica (r=0,56) e entre percepção de solidão e dor psicológica (r=0,61); as demais foram
de intensidade desprezível a fraca. A tabela 6 demonstra as correlações de Spearman entre as
variáveis clínicas e sociodemográficas.
Tabela 6 – Correlações de Spearman entre variáveis clínicas.
VARIÁVEL
TS
TD
END
QIF

BDI

ANEDONIA

TS

-

TD

,71***

-

END

-,15

-,23*

-

QIF

,22*

,09

,08

-

BDI

,01

-,01

,11

,59***

-

ANEDONIA

-,03

-,01

,27**

,39***

,73***

-

EDP

,13

,07

,27**

,44***

,56***

,43***

UCLA

,13

-,02

,36***

,38***

,48***

,37***

EDP

UCLA

,61***

-

TS: tempo de sintomas. TD: tempo de diagnóstico. END: Escala Numérica da Dor. QIF: Questionário de Impacto da
Fibromialgia. BDI: Inventário de Depressão de Beck II. EDP: Escala de Dor Psicológica. UCLA: Escala Brasileira
de Solidão (UCLA-BR). *p<0,05. **p<0,01. ***p<0,001.

33

6. DISCUSSÃO

Avaliação Sociodemográfica e Clínica
Nossos achados indicaram se tratar de uma amostra composta exclusivamente por
mulheres adultas, com média de idade de 48,7 anos, que preencheram os critérios estabelecidos
pela ACR para o diagnóstico de Fibromialgia. A maioria das participantes possuíam parceiro(a)
(54%), se autodeclararam como não brancas (74%) e possuía baixa escolaridade (61,2%), ou
seja, mais da metade da amostra estudou até o ensino médio ou menos. Quanto à situação
socioeconômica, aproximadamente 23% das participantes foram classificadas como em
vulnerabilidade social. Além disso, a maioria das mulheres (69%) era sedentária e apresentava
comorbidades clínicas como hipertensão arterial (58,5%) e diabetes mellitus (41,5%).
Todas as participantes relataram seguir com regularidade os tratamentos propostos para
suas comorbidades e para o tratamento da FM. A média de fármacos em uso por essas
participantes era de aproximadamente 4,0 (min. 0; máx. 10), sendo os antidepressivos os mais
comumente utilizados (71% da amostra), destacando-se os ISRS e os INRS. Pouco mais da
metade (51%) das participantes faziam uso de terapias complementares não medicamentosas
para o tratamento da FM e controle do quadro álgico, sendo as mais frequentes fisioterapia,
psicoterapia e acupuntura. Apesar de as participantes relatarem esse uso médio de
aproximadamente 04 fármacos de uso contínuo para o tratamento da FM e do quadro álgico,
sendo em sua maioria antidepressivos, ainda assim a dor física percebida foi intensa, com
elevados níveis de depressão. Achado que demonstra discordância com um ensaio clínico
(2020) realizado com 81 pacientes com FM, dos quais 44 foram tratados com Duloxatina e 27
com Pregabalina, verificou que não houve melhora significativa na dor social após o tratamento
com os fármacos citados, contudo, houve melhora significativa na dor física, depressão e
gravidade geral dos sintomas, e ausência de efeito do tratamento farmacológico de curto prazo
na dor social, independentemente do tipo de medicamento (MAFFEI et al., 2020). Essa
divergência precisa ser melhor investigada para ser esclarecida, pois, como a FM requer uma
abordagem biopsicossocial, o uso individualizado de fármacos pode não ser suficiente para a
melhora clínica, devendo-se analisar o efeito de outros pilares como atividade física, sono de
qualidade, alimentação e terapias não farmacológicas para o manejo da dor. Além disso, devese considerar a investigação de doses, adesão medicamentosa e combinação de medicamentos.

34

Um trabalho de atualização de evidências acerca de sintomas depressivos em pacientes
com FM (2023), citou um ensaio clínico randomizado que comparou os efeitos da fisioterapia
e da acupuntura em mulheres com fibromialgia e notaram melhorias na qualidade de vida, dor,
rigidez, dificuldade para trabalhar e depressão, indicando que a escolha do tratamento deve ser
personalizada. Também relatou um estudo caso-controle que identificou que a dimensão afetiva
da dor é um fator determinante no ciclo patológico dor-insônia-ansiedade em pacientes com
fibromialgia, e sugeriram que intervenções que abordam a dimensão afetiva da dor podem ser
cruciais para o manejo da fibromialgia. Uma meta-análise de 18 ensaios clínicos randomizados
mostrou que exercícios aeróbicos, de resistência e alongamento têm um efeito significativo na
redução da dor, no entanto, a quantidade e intensidade do exercício devem ser adaptadas à
capacidade individual do paciente para evitar a exacerbação dos sintomas (GAU et al., 2023).
Os resultados também destacaram um longo período de início de sintomas (11,7 anos
em média), bem como um atraso até seu preciso diagnóstico (cujo tempo médio foi de 6,7 anos).
Esse atraso é consistente com a literatura e destaca um possível impacto negativo no
prognóstico e na qualidade de vida das pacientes.
A situação socioeconômica apresentou relações inversamente proporcionais de fraca
intensidade com anedonia (r=-0,33), e de intensidade desprezível com solidão (r=-0,30),
depressão (r=-0,26) e com dor psicológica (r=-0,25); ainda que a vulnerabilidade
socioeconômica não tenha demonstrado relação com sintomas depressivos graves. Logo,
quanto menor a renda do indivíduo – nesse estudo apesar de a maioria das mulheres se
enquadrarem na classe “C”, 23% se encontravam em situação de vulnerabilidade social nas
classes D e E – maior se espera a intensidade dos sintomas de anedonia, percepção de solidão,
depressão e dor psicológica. Estudos anteriores justificam a relação entre situação
socioeconômica e sentimento de solidão, sugerindo que pessoas com menor renda se sentem
mais solitárias, o que se justificaria pelo fato de muitos eventos de socialização serem pagos, o
que pode contribuir para excluir aqueles que não podem arcar com esses gastos, podendo
aumentar o sentimento de exclusão percebida (BARROSO et al., 2019).

Avaliação da dor física e do comprometimento funcional na Fibromialgia
A avaliação da dor física na FM apresentou resultados elevados, revelando dor intensa
tanto no grupo sem quanto no grupo com sintomas depressivos graves, o que permite perceber

35

que a manifestação dolorosa da FM é de forte intensidade independente da coexistência com
sintomas depressivos mais graves (p=0,65). Por outro lado, o comprometimento funcional,
avaliado pelo QIF, demonstrou ter relação com sintomas depressivos graves (p<0,001),
piorando em 10 vezes o comprometimento funcional (com elevados escores de QIF). Esse
achado pode ser justificado ao considerar que o QIF também avalia domínios relacionados aos
distúrbios psicológicos como depressão, ansiedade e a percepção de “sentir-se bem”, não se
restringindo apenas aos sintomas físicos de dor e funcionalidade.
Um estudo analítico (2011) também investigou níveis de depressão com a
sintomatologia e qualidade de vida em mulheres com FM, eles utilizaram escalas semelhantes
as deste estudo, como a BDI II e o QIF-R, e perceberam que os sintomas depressivos graves
estavam associados aos sintomas autorrelatados e à qualidade de vida mental, mas não se
relacionavam com a dor física e nem à funcionalidade, estando parcialmente em concordância
com os achados deste estudo, uma vez que ambos perceberam dor física intensa na amostra e
não encontraram relação com sintomas depressivos, porém, no que se refere à funcionalidade
houve divergência dos resultados, uma vez que o referido estudo utilizou a versão revisada do
QIF (QIF-R) e o atual estudo utilizou a versão original (QIF) (MALDONADO et al., 2015).
Outro estudo analítico, também de 2011, cuja amostra era formada por mulheres com FM,
investigou a relação da intensidade da dor e qualidade de vida em fibromiálgicas com sintomas
depressivos, concluindo que pacientes com sintomas depressivos apresentavam escores de END
significativamente mais altos, o que os levaram a afirmar que a coexistência de dor e depressão
em pacientes com FM pode ser explicada por processos fisiopatológicos compartilhados
(AGUGLIA et al., 2011). Os autores de ambos os estudos supracitados finalizaram sugerindo
que estudos futuros deveriam investigar se o nível de depressão é um fator prognóstico
relacionado aos resultados do manejo e tratamento da FM, correspondendo a proposta analisada
neste estudo.

Avaliação dos Aspectos Psicológicos da Fibromialgia
Os resultados dos diversos instrumentos de avaliação como o BDI II para sintomas
depressivos, e seus subdomínios que possibilitam a investigação de anedonia e risco de suicídio,
a UCLA-BR para percepção da solidão e a EDP para gravidade da dor psicológica e risco de
suicídio, além do QIF para o impacto da fibromialgia na qualidade de vida, funcionalidade e
percepção de se sentir bem das participantes, refletem a gravidade dos sintomas percebidos,

36

demonstrando um impacto significativo da fibromialgia na funcionalidade e no bem estar
psicológico e qualidade de vida das participantes.
Um estudo espanhol de 2017, com 3.535 participantes de ambos os gêneros, encontrou
maior prevalência do sentimento de solidão crônico ou frequente em mulheres com idade entre
50-65 anos, sem parceiros e com sintomas de depressão maior. O intervalo de idade dessas
mulheres se aproxima do encontrado em nosso estudo, estando em concordância com a presença
de sintomas depressivos, entretanto, o estudo espanhol não se restringia apenas às mulheres
com FM, mas sim a população geral. Em nosso estudo foi obtido um escore médio de 32,6
(±14,6) para o sentimento de solidão mensurado pela UCLA-BR. Apesar de inicialmente, após
sua validação brasileira, a UCLA-BR não possuir ponto de corte estabelecido, orientava-se
considerar que as pessoas com maior pontuação se encontrariam mais solitárias; entretanto,
estudos mais atuais já sugerem que escores de 23 a 35 pontos implicam em solidão leve, ou
seja, ainda que leve é clinicamente relevante. Além disso, foi possível notar que a uma
percepção moderada a intensa da solidão foi 2,6 vezes mais comum entre as mulheres com
fibromialgia e sintomas depressivos graves (p=0,024), uma vez que 61% do grupo de mulheres
com FM que apresentavam sintomas depressivos graves informaram essa percepção de solidão
(BARROSO et al., 2019; DOMÈNECH-ABELLA et al., 2017).
Neste estudo, o sentimento de solidão demonstrou ter relação diretamente proporcional
de moderada intensidade com a dor psicológica (r=0,61); de fraca intensidade com depressão
(r=0,48), comprometimento funcional (r=0,38), anedonia (r=0,37) e com dor física (r=0,36).
Logo, pode-se esperar uma mútua ligação entre essas variáveis, o que impacta diretamente na
qualidade de vida de pessoas que vivem com a FM.
Um estudo longitudinal (2014) avaliou solidão, diário de dor e percepções de eventos
interpessoais em adultos com FM, através de diários pré e pós-intervenção que analisavam
pontos dolorosos, questionários que exploravam saúde mental (depressão, ansiedade, exposição
a eventos traumáticos) e avaliação laboratorial de respostas fisiológicas e afetivas. Eles
encontraram associações de solidão com maiores níveis de dor, depressão e fadiga, e sugeriram
que intervenções que abordem as cognições sociais associadas à solidão podem ter benefícios
adicionais na redução de sintomas de depressão e dor crônica (WOLF et al., 2014). Estudos
anteriores verificaram forte associação entre solidão e depressão, além de perceberem que a
solidão foi apontada como um fator sinérgico que provocava aumentos subsequentes na
sintomatologia depressiva, em estudos realizados com grupo de idosos em Chicago. No entanto,
se a solidão causa depressão ou se a depressão aumenta os sentimentos de solidão, ou ambos,

37

não foi totalmente estabelecido. Em outro estudo na Suécia, foi visto que o aumento da
sintomatologia depressiva previu a solidão. Por outro lado, deve-se considerar o fato dos
estudos de Chicago e da Suécia não terem sido realizados com amostras de participantes com
Fibromialgia, sendo importante destacar também que solidão e depressão apresentam relação
mútua, tanto a solidão piora ou leva à depressão, como a depressão pode levar ao isolamento e
solidão (DOMÈNECH-ABELLA et al., 2017).
Acredita-se que quanto maior o sentimento de solidão maior intensidade da dor
psicológica. Coortes disponíveis na literatura já abordam a relação entre a dor psicológica e o
suicídio seja em populações com elevado ou baixo risco, além de relacioná-la com outras
variáveis psicológicas e os comportamentos suicidas. Barroso et al. (2019), apontaram a solidão
como um fator de risco para a depressão, ideação e comportamento suicida, bem como para
uma variedade de outros resultados psicológicos e fisiológicos negativos. Além disso, eles
também perceberam que estudantes mais solitários apresentavam maior prevalência de
depressão, demonstrando que a solidão é uma variável preditora da depressão. A solidão tem
sido cada vez mais reconhecida como um problema crítico de saúde pública, e até mesmo uma
prioridade de saúde global, que requer apoio social e médico, posto que estudos passados já
disponíveis na literatura descobriram que as pessoas solitárias eram mais propensas a relatar
fatores relacionados com problemas de saúde física, como consultas médicas, mais doenças
crônicas ou problemas de saúde subjetiva, entre outros (CHEN & GONG, 2022; BATISTA et
al., 2021; BARROSO et al., 2019; RICHARD et al., 2017).
WOLF & DAVIS (2014), analisaram a relação de solidão com a dor em 118
participantes com idade entre 18 e 72 anos. Eles perceberam que as relações da solidão com a
dor e o estresse diários são distintas de sua relação com o prazer interpessoal. Especificamente,
tanto a solidão crônica quanto a transitória foram relacionadas ao aumento da dor corporal e às
avaliações estressantes das interações interpessoais, mas não afetaram a reatividade a eventos
interpessoais negativos. Pouco depois, esses mesmos autores avaliaram 220 pacientes com FM,
através de diários eletrônicos respondidos quatro vezes ao dia, por 21 dias, e identificaram que
níveis de solidão matinal mais elevados do que o normal previram níveis mais elevados de
cognições desadaptativas à tarde, que, por sua vez, previram níveis mais elevados de dor no
final do dia, assim, a relação entre a solidão matinal e a dor no final do dia foi significativa e
totalmente mediada por cognições de dor desadaptativas à tarde (WOLF et al., 2015).
O escore médio observado para dor psicológica na população de fibromiálgicas
estudadas foi de 44,3 pontos (min. 13; máx. 65), pontuação elevada e acima do ponto de corte

38

conhecido na literatura para maior risco de suicídio. A dor psicológica demostrou relação
significativa com sintomas depressivos graves (p<0,001), logo, mulheres com FM que tenham
sintomas depressivos graves tendem a apresentar piores resultados para dor psicológica. Além
disso, a dor psicológica demonstrou ter relações semelhantes às de solidão, sendo diretamente
proporcional e de moderada intensidade com a depressão (r=0,56); de fraca intensidade com o
comprometimento funcional (r=0,44) e com anedonia (r=0,43); e de intensidade desprezível
com dor física (r=0,27);
OLIE et al. (2010), avaliaram 210 pacientes que já haviam cometido tentativa de
suicídio, através de escalas de dor psicológica, dor física e de intensidade das ideias suicidas.
Eles perceberam que a dor psicológica é um fator crítico na avaliação de pacientes com histórico
de tentativas de suicídio. A intensidade das ideias suicidas é um indicador importante a ser
considerado em avaliações clínicas. A utilização de escalas visuais analógicas mostrou ser
eficaz na medição da dor psicológica e ideação suicida (OLIE et al., 2010).
Um estudo analítico (2015) com 315 participantes, sendo aproximadamente 83%
mulheres com FM, com média de idade de 43,5 anos, analisou sintomas depressivos, bipolares,
nível socioeconômico, função e severidade da FM, através do QIF e de escalas que avaliam
transtorno do humor e IMC, e puderam verificar uma alta prevalência de sintomas depressivos
e bipolares em pacientes com FM. A identificação e tratamento desses sintomas são essenciais
para melhorar a qualidade de vida dos pacientes. A pesquisa destacou a necessidade de
abordagens terapêuticas individualizadas (CARMEN & GOTA et al., 2015). Outro estudo casocontrole (2019), analisou a relação de escores de sintomas depressivos em mulheres que sofriam
com FM, eles utilizaram o BDI II para mensurar os sintomas depressivos e comprar os grupos,
e perceberam que mulheres com FM apresentavam escores de BDI significativamente mais
altos e faixas de depressão mais elevadas em comparação com controles saudáveis,
independentemente da distribuição etária, também viram que mulheres com FM tinham até 15
vezes mais probabilidade (OR = 15,8) de sofrer de alguma faixa de depressão (de leve a severa)
de acordo com os escores de BDI, em comparação com mulheres saudáveis (PALOMO-LÓPEZ
et al., 2019).
O escore médio de anedonia em mulheres com FM foi de 6,4 ±2,21 (1;12), apresentando
relação significativa com sintomas depressivos (p<0,001), verificando-se que os sintomas
depressivos graves aumentam em aproximadamente 10 vezes a presença e intensidade dos
sintomas de anedonia (χ2 14,5; p<0,001; OR 9,7). Além disso, anedonia apresentou relações
significativas de intensidade forte com depressão (r=0,73); de intensidade fraca com dor

39

psicológica (r=0,43), comprometimento funcional (r=0,39), percepção de solidão (r=0,37); e
desprezível com dor física (r=0,27).
COGAN et al., (2024), validaram os subdomínios do BDI II para avaliar e descrever
anedonia, encontraram boa acurácia na escala e verificaram melhor consistência interna e
validade no uso de quatro subdomínios do BDI em comparação com três, entretanto, ambos são
adequados para uso clínico e de pesquisa. Eles recomendaram a avaliação de quatro domínios
para avaliação de anedonia devido à sua melhor performance psicométrica. A forte relação entre
anedonia e depressão pode ser justificada pelo fato da anedonia ser um sintoma típico do quadro
depressivo, e que quando mais grave for o sintoma depressivo mais intensa será a anedonia. O
QIF apresenta em seus subdomínios questões que englobam anedonia, como ao avaliar a
sensação de “sentir-se bem”, o que pode justificar sua relação com o comprometimento
funcional e à qualidade de vida relacionada à FM.
A depressão é comum em pacientes com fibromialgia e impacta significativamente sua
qualidade de vida e prognóstico. A relação entre depressão e fibromialgia é bidirecional, com
uma predisposição genética para a depressão aumentando ligeiramente o risco de fibromialgia
e vice-versa (GAU et al., 2023).

Fibromialgia e o risco de suicídio
Solidão como fator de risco de suicídio: uma metanálise desenvolvida por
MOTILLON-TOUDIC et al. 2022, que buscou estudar a relação entre isolamento social e risco
de suicídio, encontrou uma forte associação entre isolamento social e aumento do risco de
suicídio. Indivíduos com menor integração social apresentaram maior risco (MOTILLONTOUDIC et al., 2022). Outro estudo de revisão, buscou informações na literatura sobre o
suicídio em tempos de isolamento social e solidão, confirmando a relação entre isolamentosolidão com maior risco de suicídio, e os autores reforçaram a necessidade de identificação dos
fatores de risco, como isolamento social e transtornos mentais, e fatores de proteção, como
suporte social e acesso a cuidados de saúde mental para atuar na prevenção e atenuação dos
casos (ZALSMAN et al., 2020). Neste estudo foi comprovado o tripé que se relaciona entre
fibromialgia, sintomas depressivos graves e percepção de solidão moderada a grave, atuando
como importante fator sinérgico ao risco de suicídio.

40

Dor psicológica como fator de risco de suicídio: o risco de suicídio avaliado pela EDP
(com ponto de corte descrito na literatura >32 pontos) demonstrou relação com sintomas
depressivos graves em mulheres com FM, sendo possível afirmar que esses a sintomatologia
depressiva grave pode piorar em até quase 9 vezes a intensidade da dor psicológica e,
consequentemente, levando ao aumento no risco de suicídio. Estudos em suicidologia
contemporânea identificaram o principal fator de risco para o suicídio não sendo representado
pelo diagnóstico psiquiátrico, mas pelos níveis de dor psicológica (“psychache”), descrita como
uma experiência subjetiva intolerável que a pessoa deseja pôr fim à dor com qualquer meio
disponível, incluindo morte física. Vários estudos perceberam que a dor psicológica está
significativamente correlacionada com suicídio e tentativas de suicídio, e, ainda, com a
presença de ideação suicida. No estudo de IELMINI e outros colaboradores (2022), eles
mostraram que níveis elevados de depressão e níveis elevados de dor mental estão
correlacionados com uma maior probabilidade de ocorrer uma tentativa de suicídio a curto
prazo. Além disso, sugeriram a inclusão dessas escalas como métodos de triagem, pela
simplicidade e praticidade de sua aplicação, atuando diretamente na prevenção do suicídio,
representando uma ferramenta útil para identificação precoce na prática clínica (IELMINI et
al., 2022).
MEE e outros pesquisadores (2011), encontraram alta correlação entre EDP com
medidas de autodestrutividade (incluindo suicídio). A EDP aborda principalmente a frequência
e não a intensidade da dor psicológica, estando focada principalmente na dor psicológica atual.
Além disso, eles reenfatizaram o que há muitos anos já havia sido observado por Shneidman
(1993), quando afirma que a dor psicológica “insuportável” é uma das queixas mais frequentes
associadas à depressão grave e, quando presente, pode levar ao suicídio; tendo em vista que
uma frase comum em notas de suicídio é “não aguento mais a dor (mental)” (MEE et al., 2011).
Outro estudo longitudinal (2021), com 288 estudantes universitários, analisou dor
psicológica e ideação suicida, utilizando a EDP e outras escalas de sofrimento psicológico,
encontrou que a dor psicológica, especialmente a componente de evitamento, tem um impacto
significativo na ideação suicida negativa em jovens adultos, e sugeriu que intervenções que
visam reduzir o evitamento da dor psicológica podem ser eficazes na prevenção do suicídio
(MARQUES et al., 2021).
Depressão como fator de risco de suicídio: o subdomínio BDI-9 permite a avaliação
do risco de suicídio pela escala BDI. Neste estudo, percebeu-se que sintomas depressivos graves
se relacionaram com maior risco de suicídio mensurado pelo BDI-II, podendo ter seu risco

41

aumentado em até 4 vezes. Consoante, a depressão apresentou relações significativas
diretamente proporcionais de forte intensidade com anedonia (r=0,73); de moderada
intensidade com comprometimento funcional (r=0,59) e dor psicológica (r=0,56); e de leve
intensidade com a percepção de solidão (r=0,48).
O estudo verificou que as variáveis que predizem piores sintomas de depressão graves
são dor psicológica, presença de anedonia, o risco de suicídio avaliado pela depressão (BDI) e
o maior comprometimento funcional, sendo esse último aumentado em aproximadamente 8
vezes em mulheres com sintomas depressivos graves. Um estudo de 2024, que analisou saúde
mental e FM através de inteligência artificial explicável, concluiu que fatores de saúde mental,
como ansiedade, depressão e catastrofização da dor, são mais relevantes para a gravidade da
fibromialgia do que os fatores de dor percebida, ou seja, fatores de saúde mental têm uma
associação mais forte com a gravidade da fibromialgia, sugerindo a importância de intervenções
não farmacológicas focadas no bem-estar mental (MORENO-SANCHEZ et al., 2024).

42

7. PRODUTO
1. ARTIGO: “Depressão em Mulheres com Fibromialgia: Associação entre Dor Física,
Funcionalidade, Percepção de Solidão, Dor Psicológica, Anedonia e Risco de Suicídio”,
submetido à revista Clinical Neuropsychiatry (Qualis A3 em Medicina I – Plataforma
Sucupira, quadriênio 2017-2020).

43

8. LIMITAÇÕES DO ESTUDO
As principais limitações deste estudo consistem em ser transversal, não sendo possível
refletir à população com FM do Brasil. Além disso, o estudo utilizou escalas que podem permitir
erros de interpretação (entendimento) por parte do participante. No entanto, trata-se de escalas
validadas internacionalmente, com boa sensibilidade e fácil aplicabilidade clínica, podendo ser
utilizada como importante instrumento de triagem e avaliação na rotina clínica.

44

9. CONCLUSÃO
Diante do exposto, percebe-se que mulheres com FM que possuam sintomas depressivos
graves apresentam maior comprometimento funcional, dor psicológica mais intensa e com risco
de suicídio, maior percepção de solidão de intensidade moderada a grave, maior gravidade de
sintomas de anedonia e maior risco de suicídio. Entretanto, a dor física manifestada na FM não
sofre influência pelos sintomas depressivos graves. Além disso, uma limitação funcional maior
se mostrou como principal preditor da sintomatologia depressiva grave na FM.
O estudo contou com a participação de mulheres adultas, cujo a maioria possuía
parceiro(a), se autodeclarava não brancas, possuía baixa escolaridade (ensino médio ou inferior)
e era sedentária. Além disso, cerca de um quinto da amostra vivia em situação de
vulnerabilidade socioeconômica. Foi visto um atraso importante no tempo de diagnóstico da
doença. A maioria dessas mulheres fazia uso de antidepressivos para o tratamento da FM e,
também, de terapias não farmacológicas. Verificou-se, ainda, que a situação de vulnerabilidade
social levava a piores níveis de depressão, anedonia, dor psicológica e solidão.
A intensidade da dor física não sofre influência pelos sintomas depressivos graves.
Sintomas depressivos graves levam ao maior comprometimento funcional, sendo esse último o
principal preditor de depressão grave na FM. A percepção de solidão tende a ser de intensidade
moderada a grave em mulheres com FM que apresentem sintomas depressivos graves. A dor
psicológica se relaciona com sintomas depressivos graves na FM, sendo de alta intensidade e
com elevado risco de suicídio.
A anedonia mostrou-se prevalente na população estudada, mostrando-se um preditor de
sintomas depressivos graves. O risco de suicídio é um ponto importante a ser considerado em
mulheres com FM que apresentem sintomas depressivos graves, considerando seu alto índice
mensurado tanto pela escala de dor psicológica, quanto pelo BDI e pela escala de solidão.
Sintomas depressivos graves são comuns em mulheres com fibromialgia. Aquelas que
relatam sintomas depressivos graves queixam-se de dor física na mesma intensidade que
aquelas que não relatam sintomas depressivos graves, porém, ainda assim apresentam mais
relatos de maior prejuízo funcional, queixas de dor psicológica mais intensa, maior perda de
prazer pela atividades, maior percepção de solidão e maior risco de suicídio. Assim, pode-se
considerar ser de suma importância mais do que investigar a presença de sintomas depressivos
em mulheres com fibromialgia, identificar a gravidade desses sintomas e tratá-los

45

incisivamente, já que aquelas que apresentam sintomas depressivos mais graves apresentam
mais fatores de risco para um pior prognóstico e mantém pior qualidade de funcionamento e de
vida.

46

10. REFERÊNCIAS
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50

APÊNDICE 1 – Questionário Sociodemográfico

51

ANEXO 1 – Parecer de aprovação do CEP

52

ANEXO 2 – Critério de Classificação Econômica Brasil (ABEP)

53

ANEXO 3 – Critérios ACR para o Diagnóstico da FM

54

ANEXO 4 – Escala Numérica da Dor (END)

55

ANEXO 5 – Questionário de Impacto da Fibromialgia (QIF)

56

ANEXO 6 – Versão brasileira da Escala de Solidão de UCLA (UCLA-BR)

57

ANEXO 7 – Versão brasileira da Escala de Dor Psicológica (EDP)

58

ANEXO 8 – Inventário de Depressão de Beck (BDI II)

59