2- Preceptoria no Estágio Curricular de Nutrição: O Desafio do Fazer

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                    UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
FACULDADE DE MEDICINA
MESTRADO PROFISSIONAL EM ENSINO NA SAÚDE

ANA PATRÍCIA TOJAL DE FRANÇA

PRECEPTORIA NO ESTÁGIO CURRICULAR DE NUTRIÇÃO:
O DESAFIO DO FAZER

Maceió
2014

ANA PATRÍCIA TOJAL DE FRANÇA

PRECEPTORIA NO ESTÁGIO CURRICULAR DE NUTRIÇÃO:
O DESAFIO DO FAZER.

Trabalho Acadêmico de Mestrado apresentado ao
Programa de Pós-Graduação em Ensino na Saúde
da Faculdade de Medicina - FAMED da
Universidade Federal de Alagoas - UFAL, como
requisito parcial à obtenção do título de Mestra em
Ensino na Saúde.
Linha de pesquisa: Integração ensino, serviço de
saúde e comunidade.

Orientador: Prof. Dr. Antonio Carlos Silva Costa
Co-orientadora: Profa. Dra. Maria Alice Araújo
Oliveira

Maceió
2014

Dedico este trabalho:

Aos meus pais, Elson e Betania, pilares da minha
existência.
Aos meus filhos, Felipe e Natália, fontes de vitalidade,
coragem e ousadia.
Ao meu marido, Marco Túlio, grande parceiro no
projeto vida.
À querida Cláudia Viana de Melo Malta, Tia Doda (in
memoriam), grande entusiasta e incentivadora deste
trabalho.

AGRADECIMENTOS
Às minhas irmãs, Soraya e Sofia, pela convicção de que tudo daria certo.
Aos meus sobrinhos Guilherme, Vinícius e Luís Renato, por existirem na minha história.
Às minhas tias, Cândida e Lourdes, presentes em todos os momentos da minha vida.
Ao meu tio Paulo, apoiador incondicional desde sempre.
Aos meus queridos sogros, Solange e Fábio, por me acolherem como filha e me
incentivarem a prosseguir.
Ao meu orientador Prof. Dr. Antonio Carlos Costa, por me conceder a liberdade de
construir e reconstruir a trajetória do trabalho, apoiando as ideias que surgiam. Por
conduzir a orientação de forma tranquila e competente. E pelos instantes de
descontração, que abrandavam a inquietude do momento.
À minha co-orientadora Profa. Dra. Alice Oliveira, parceira de tantas jornadas, por
acreditar e me encorajar a assumir mais esse desafio. Sua presteza e competência na
orientação fortaleceram nosso espírito de equipe.
Às Profas. Dras. Leiko Assakura, Lysete Bastos e Nádia Silveira pela gentileza em
participar da banca de defesa e pelas valiosas contribuições ao aperfeiçoamento do
trabalho.
À minha querida amiga Goreti Pereira, a educadora mais fascinante que já conheci.
Esse trabalho, sem sombra de dúvidas, traz muito dela.
Às minhas caríssimas amigas Aline Ribeiro e Lisley Nogueira, por acompanharem toda
a construção desse trabalho, incentivando, acreditando e acima de tudo suportando
pacientemente o meu inevitável “papo acadêmico”.
Às amigas e companheiras de ofício Maria de Lourdes Assis e Emília Wanderley, pela
cumplicidade de ideias e parceria inesquecível, em um momento marcante da nossa
trajetória profissional.
Aos colegas da Turma 2012, pela solidariedade nos momentos de angústia e o
contentamento da boa convivência. Gratidão especial às amigas Rudja Abreu e Ana
Paula Rabelo, sempre prontas a atender aos meus pedidos de socorro.
Aos colegas da Turma 2011, particularmente à amiga Arlete Farias parceira em uma
grande aventura.
Aos docentes e preceptores participantes do estudo, por compartilharem seu tempo e
suas ideias, contribuindo com a realização desse sonho.

RESUMO GERAL

O presente trabalho é fruto da pesquisa realizada no decurso do Programa de Mestrado
Profissional em Ensino na Saúde. Constitui-se de um artigo científico e de um produto
de intervenção originados do estudo. Teve como objetivo compreender a preceptoria
desenvolvida em um estágio curricular na área de nutrição em saúde pública, de uma
instituição de ensino superior da cidade de Maceió – AL, a partir das vivências de
docentes e preceptores a ele vinculados. Foi uma pesquisa de abordagem qualitativa,
do tipo estudo de caso. Utilizaram-se as técnicas de grupo focal (GF) para coleta dos
dados e a de análise de conteúdo para sua avaliação. Realizaram-se sessões distintas
de GF para docentes e preceptores. Nos resultados observou-se: controvérsias entre os
grupos quanto à concepção de preceptoria; formação comprometida pela baixa
inserção do profissional na Atenção Básica à saúde; precárias condições de
funcionamento dos serviços; frágil interação entre as instituições de ensino e de
assistência; necessidade de investimento no desenvolvimento pedagógico dos
profissionais envolvidos com a preceptoria. A partir dos resultados construiu-se o artigo
científico, discutindo os aspectos considerados essenciais para singularizar a
preceptoria do estágio em questão e o produto de intervenção, cuja intencionalidade foi
gerar um recurso pedagógico motivador do pensamento crítico-reflexivo dos atores
envolvidos na formação em saúde e que ao mesmo tempo atendesse à demanda de
ampliação das tecnologias empregadas no ensino profissionalizante da área. Assim, foi
criado um vídeo de animação retratando um dos vários cenários de prática na saúde. A
realização deste trabalho criou um ambiente agradável de encontros e reflexões a
respeito da preceptoria, suas vivências e significados; abriu janelas de possibilidades
para novas pesquisas e reafirmou a importância de se fortalecer a integração ensinoserviço em prol da adequada formação e assistência em saúde.
Palavras - chave: Preceptoria. Nutrição. Saúde Pública.

GENERAL ABSTRACT

The work herein is the result of research carried out during the course of a Professional
Master’s Degree Program in Health Education. It consists of a scientific article and the
product of an intervention stemming from the study.

Its goal was to assess the

preceptorship developed in a public health nutrition internship program at an institution
of higher education in the city of Maceio – AL, based on the experiences of faculty
members and preceptors engaged in it. It was a qualitative approach research using a
case study format.

Data were collected through focus group (FG) technique and

evaluated using content analysis. Separate FG sessions were carried out for faculty
members and preceptors. It was noted in the results: the conceptions of the groups
regarding preceptorship are controversial; the education is crippled by the weak
participation of nutritionists in primary health care; working conditions in health care
settings are precarious; there is poor interaction between educational institutions and
health care providers; there is the need to invest in the pedagogical development of
those professionals involved in preceptorship programs.

The scientific article that

ensued from these results discusses the aspects deemed essential for singling out
preceptorship for the internship program concerned and to the product of the
intervention, whose intention was to create a pedagogical tool that would stimulate
critical reflective thought in those involved in health education while simultaneously
meeting the demand for novel technologies to be used in professional teaching in that
area. Thus, an animation video was created depicting one of the many settings in
health care practice.

This work led to pleasant gatherings and reflections on

preceptorship and the experiences and meanings thereof; it opened windows of
possibilities for new research and proclaimed the importance of strengthening
classroom-workplace integration toward adequate education and the rendering of good
health care services.
Keywords: Preceptorship. Nutrition. Public Health.

LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

ABNT

Associação Brasileira de Normas Técnicas

AIS

Agente Indígena de Saúde

BIOE

Banco Internacional de Objetos Educacionais

CAPES

Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível
Superior

CEP

Comitê de Ética em Pesquisa

DCN

Diretrizes Curriculares Nacionais

ES

Estágio Supervisionado

ESF

Estratégia de Saúde da Família

ESNSP

Estágio Supervisionado em Nutrição e Saúde Pública

FAMED

Faculdade de Medicina

FANUT

Faculdade de Nutrição

FAPEAL

Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas

GF

Grupo Focal

IES

Instituição de Ensino Superior

MAANABS

Matriz de Ações de Alimentação e Nutrição na Atenção
Básica em Saúde

MPES

Mestrado Profissional em Ensino na Saúde

NASF

Núcleo de Apoio à Saúde da Família

AO

Objeto de Aprendizagem

PET-Saúde

Programa de Educação pelo Trabalho para Saúde

PHN

Public Health Nutrition

PNAN

Política Nacional de Alimentação e Nutrição

SESAU-AL

Secretaria Executiva de Saúde do Estado de Alagoas

SMSM

Secretaria Municipal de Saúde de Maceió

SUS

Sistema Único de Saúde

TACC

Trabalho Acadêmico de Conclusão de Curso

TCLE

Termo de Consentimento Livre e Esclarecido

TIC

Tecnologias da Informação e Comunicação

UBS

Unidade Básica de Saúde

UFAL

Universidade Federal de Alagoas

SUMÁRIO
1 APRESENTAÇÃO.................................................................................................... 10

2 ARTIGO: PRECEPTORIA NO ESTÁGIO CURRICULAR DE NUTRIÇÃO: O
DESAFIO DO FAZER .............................................................................................. 14
RESUMO ...................................................................................................................... 14
ABSTRACT................................................................................................................... 15
2.1 Introdução.............................................................................................................. 16
2.2 Método ................................................................................................................... 18
2.3 Resultados e discussão ...................................................................................... 20
2.3.1 Concepções ........................................................................................................ 20
2.3.2 Práticas ............................................................................................................... 22
2.3.3 Desafios .............................................................................................................. 24
2.4 CONSIDERAÇÕES FINAIS .................................................................................. 30
REFERÊNCIAS ..................................................................................................... 32

3 PRODUTO DE INTERVENÇÃO: PRECEPTORIA EM SAÚDE: UMA
AVENTURA POSSÍVEL ........................................................................................... 37
3.1 Introdução ............................................................................................................ 37
3.2 Conteúdo .............................................................................................................. 39
3.3 Roteiro .................................................................................................................. 39
3.4 Ilustrações ............................................................................................................ 40
3.5 Avaliação por juízes ............................................................................................ 42
3.4 Considerações finais ........................................................................................... 46
REFERÊNCIAS ....................................................................................................... 47

4 CONCLUSÃO GERAL ............................................................................................. 49
REFERÊNCIAS GERAIS ......................................................................................... 50
APÊNDICES ............................................................................................................. 51
ANEXOS ................................................................................................................... 62

10

1 APRESENTAÇÃO
O trabalho aqui apresentado resulta da pesquisa desenvolvida durante a
realização do Programa de Mestrado Profissional em Ensino na Saúde (MPES), da
Faculdade de Medicina (FAMED) da Universidade Federal de Alagoas (UFAL). Este
Programa tem como missão capacitar para o ensino, em nível stricto sensu, professores
universitários e profissionais dos serviços de saúde atuantes na graduação e pósgraduação da área, com a finalidade de produzir impactos na ação profissional, sob a
égide das inovações pedagógicas e da prática da pesquisa (FACULDADE DE
MEDICINA a, 2014).
A proposta formativa do MPES coincidiu perfeitamente com meus interesses e
práticas profissionais. Ao longo da minha carreira estive sempre muito ligada às
questões da educação na saúde, seja no contato direto com usuários do Sistema Único
de Saúde (SUS), na formação de futuros profissionais da área, ou mesmo em
processos de capacitação de trabalhadores da saúde. Tais vivências fortaleceram
progressivamente em mim, a certeza de que para me aventurar no campo da educação
em saúde seria imprescindível ir além da minha formação técnica como nutricionista.
Foi preciso aprender. Aprender a ouvir, sentir, interagir, entender, encantar, construir e
reconstruir.
Experiência anterior como professora substituta da Faculdade de Nutrição da
UFAL (FANUT/UFAL) e como preceptora da Disciplina Estágio Supervisionado em
Nutrição e Saúde Pública (ESNSP/FANUT/UFAL) motivou o interesse pelo tema
preceptoria, visto que as dificuldades e necessidades relatadas na literatura são
semelhantes às vivenciadas na nossa prática cotidiana. Fez-se necessário então,
compreender melhor a preceptoria e ir em busca dos seus significados, vivências e
perspectivas a partir das vozes de alguns dos envolvidos no processo.
O Curso de Bacharelado em Nutrição da UFAL iniciou suas atividades no ano de
1978. Seu Projeto Político Pedagógico propõe formar nutricionistas generalistas,
humanistas e críticos. O ESNSP/FANUT/UFAL ocupa 300 horas do último ano do Curso
e destina-se ao “treinamento em serviço” no nível primário de atenção à saúde

11

(FACULDADE DE NUTRIÇÃO, 2010). Acontece em cenários diversos da atenção
básica, envolvendo Unidades Básicas de Saúde (UBS), Núcleos de Apoio à Saúde da
Família (NASF), gestão da atenção básica, entre outros. Atuo profissionalmente em
hospital e em uma UBS do Município de Maceió, onde recebo formandos do Curso de
Nutrição para o ESNSP/FANUT/UFAL.
A concepção do trabalho enquanto princípio educativo valoriza suas vivências e
torna a preceptoria uma atividade fundamental na formação de novos profissionais da
saúde (WERNECK et al., 2010). Para Macêdo e colaboradores (2006) a formação
profissional, a transformação do ensino e sua inserção com mundo do trabalho, estão
entre os grandes desafios à efetivação do direito à saúde. Portanto, investir no estudo e
fortalecimento das relações ensino-serviço, configura-se como uma das estratégias
mais importantes na melhoria do ensino e da assistência.
Prática comum na área de saúde, a preceptoria ainda é pouco abordada na
literatura. Tem sido definida por alguns autores como atividade de cunho pedagógico,
desenvolvida em ambiente de trabalho e formação profissional, conduzida por
profissional da assistência, o qual recebe a designação de preceptor (CARVALHO;
Fagundes, 2008; BOTTI; REGO, 2008; ROCHA; RIBEIRO, 2012).
Em 2012 com a aprovação no mestrado e a escolha da preceptoria em nutrição
como objeto de estudo, começamos enquanto equipe formada por mim e meus
orientadores, a delinear a pesquisa que originou este trabalho acadêmico de conclusão
do curso (TACC). Atendendo às determinações do MPES/UFAL (FACULDADE DE
MEDICINA, 2014), o TACC é composto por um artigo científico e um produto de
intervenção resultantes da investigação realizada, os quais estão dispostos em duas
seções distintas no corpo do trabalho. Sua organização obedece ao Padrão UFAL de
Normalização (UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS, 2012) para elaboração de
trabalhos científicos, o qual está fundamentado nos preceitos da Associação Brasileira
de Normas Técnicas (ABNT).
No primeiro semestre do ano de 2013 submetemos nosso trabalho, ainda na
condição de projeto de pesquisa, ao Edital Nº 001/2013 da Fundação de Amparo à

12

Pesquisa do Estado de Alagoas (FAPEAL) em parceria com a Coordenação de
Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), posteriormente adaptado para
concessão de bolsa especial ao MPES da FAMED/UFAL. Com o projeto classificado
em primeiro lugar no pleito (ANEXO - A) obtive direito ao incentivo no período de
outubro de 2013 a fevereiro de 2014. Na mesma época inserimos o projeto na
Plataforma Brasil, de onde foi encaminhado à avaliação do Comitê de Ética em
Pesquisa (CEP) da UFAL, sendo aprovado em julho de 2013 (ANEXO - B). A partir daí
iniciamos os processos coleta e análise dos dados, que deram origem a este TACC.
O artigo “Preceptoria no estágio curricular de nutrição: o desafio do fazer”,
apresenta os aspectos que julgamos mais relevantes para configurar a situação atual
da preceptoria no ESNSP/FANUT/UFAL. Constitui a seção 2 deste trabalho e foi
submetido à publicação (ANEXO – C) em periódico de considerável impacto científico
na área, a revista Public Health Nutrition (PHN), cujas normas para organização do
trabalho

estão

disponíveis

na

página

eletrônica

http://assets.cambridge.org/PHN/PHN_ifc.pdf.
A análise dos dados nos levou a cogitar várias possibilidades para o produto de
intervenção, até que chegamos à ideia de criar algo capaz de contribuir com a reflexão
e o estímulo ao fortalecimento da preceptoria em saúde, de acesso livre e utilização
fácil por qualquer profissional envolvido com o tema. Assim nasceu o vídeo de
animação intitulado “Preceptoria em saúde: uma aventura possível”, apresentado em
detalhes na seção 3 deste TACC.
O objetivo principal do nosso estudo foi compreender a preceptoria desenvolvida
no ESNSP/FANUT/UFAL a partir das vivências de docentes e preceptores envolvidos
na disciplina no ano de 2012. Coletamos os dados em duas sessões de grupo focal
(GF), uma para cada grupo de sujeitos. A técnica de GF mostrou-se adequada ao
objetivo da pesquisa, pois nos permitiu acessar significados, vivências e expectativas
dos participantes em relação ao fenômeno estudado, a partir da interação das suas
falas.

O clima acolhedor e a correta condução dos GF propiciaram um ambiente

13

favorável ao debate sereno de questões importantes, facilitando a participação de todos
e gerando um encontro produtivo e agradável.
A realização deste trabalho permitiu sistematizar vivências e significados até
então inexplorados no contexto do ESNSP/FANUT/UFAL. Estimulou o pensamento
crítico-reflexivo dos sujeitos envolvidos. Abriu espaço para novas discussões. Criou
possibilidades para futuros encontros e reforçou a ideia de que o fortalecimento da
integração ensino-serviço é um dos caminhos necessários à adequada formação em
saúde.

14

2 ARTIGO
PRECEPTORIA NO ESTÁGIO CURRICULAR DE NUTRIÇÃO:
O DESAFIO DO FAZER.
PRECEPTORSHIP IN A FOR-CREDIT INTERNSHIP IN NUTRITION:
THE CHALLENGE IN DOING IT.
RESUMO
Objetivo: Compreender a preceptoria desenvolvida em um estágio curricular de
nutrição em saúde pública, a partir das vivências de profissionais envolvidos.
Desenho: Pesquisa de abordagem qualitativa, tipo estudo de caso, com dados
coletados através da técnica de grupo focal e interpretados por meio de análise do
conteúdo.
Cenário: Disciplina Estágio Supervisionado em Nutrição e Saúde Pública da Faculdade
de Nutrição da Universidade Federal de Alagoas (ESNSP/FANUT/UFAL).
Sujeitos: Seis docentes e quatro preceptores ligados ao ESNSP/FANUT/UFAL.
Resultados: Três categorias temáticas emergiram da análise: concepções, práticas e
desafios. Para os dois grupos estudados, as concepções sobre o tema ainda são
controversas; as práticas em linhas gerais condizem com os principais documentos
orientadores da atuação do nutricionista e os desafios se apresentam como óbices às
práticas profissionais e formativas nos cenários de assistência à saúde. Dentre as
principais dificuldades relatadas, destacam-se: baixa inserção do profissional na rede
de saúde, frágil interação entre academia e serviços de saúde, precárias condições de
trabalho e o despreparo pedagógico dos profissionais envolvidos na preceptoria.
Conclusão: É urgente a necessidade de se adotar um trabalho interinstitucional e
interprofissional, com a finalidade precípua de melhorar as condições de formação e
assistência na área de saúde e nutrição. Recomenda-se a realização de novos estudos
que contribuam com o fortalecimento da preceptoria enquanto prática pedagógica e
estimulem a inserção ampla e qualificada do nutricionista na área de saúde pública.
Palavras-chave: Preceptoria. Nutrição. Saúde Pública.

15

ABSTRACT

Objective: To learn about the preceptorship carried out in a for-credit public health
nutrition internship program, based on the experiences of professionals engaged in it.
Design: Qualitative approach research, case study format, data were collected through
focus group technique and evaluated using content analysis.
Setting: Supervised Internship Course in Public Health Nutrition at the School of
Nutrition at the Federal University of Alagoas (ESNSP/FANUT/UFAL).
Subjects: Six faculty members and four preceptors from the ESNSP/FANUT/UFAL.
Results: Three thematic categories derived from the analysis: conceptions, practices,
and challenges. For the two groups studied, the conceptions regarding the theme are
still controversial; in general terms, the practices are in accordance with the main
documents that guide the work of the nutritionist; and the challenges are seen as
impediments to professional and formative practices in health care settings.

Of the

many difficulties reported, the following stand out: weak participation of nutritionists in
the health care sector, poor interaction between academia and health services,
precarious working conditions, and the pedagogical unpreparedness of those
professionals engaged in preceptorship.
Conclusion: There is the urgent need to adopt an inter-institucional and interprofessional approach aimed at improving learning conditions and care in health and
nutrition services. Further studies are recommended so as to contribute toward
bolstering the preceptorship as pedagogical practice and to encourage a broad and
skilled participation of the nutritionist in the public health sector.
Keywords: Preceptorship. Nutrition. Public Health.

16

2.1Introdução
Prática comum na área de saúde, a preceptoria destaca-se cada vez mais como
modalidade de ensino na formação de recursos humanos. Tem o objetivo primário de
promover a integração do saber teórico ao exercício profissional, a partir de vivências
em cenários reais de atenção à saúde (RODRIGUES; RIGOTTO, 2013). Dentre as
muitas possibilidades de encontro do estudante com o dia-a-dia do seu ofício estão os
estágios supervisionados (ES), componentes curriculares obrigatórios dos cursos de
graduação e fundamentados na experiência da prática profissional.
Os ES representam oportunidades concretas de transformação do ensino em saúde
e seus cenários firmam-se como espaços pedagógicos privilegiados, nos quais o
mundo do trabalho se materializa para o aluno através do contato com a realidade
social da saúde na sua expressão mais verdadeira (WERNECK et al., 2010).
Em geral, nas graduações de saúde, a atividade de preceptoria parece ser mais
evidente durante os estágios curriculares obrigatórios, porém, por razões diversas e
complexas nem sempre esse processo ocorre satisfatoriamente. A inadequação dos
serviços à docência, sua ineficiência em atender aos princípios do Sistema Único de
Saúde (SUS) e a não habilitação para o fazer pedagógico, estão entre os principais
entraves à efetivação dos objetivos a que se destinam esses estágios (GARCIA, 2001).
A busca não é por modelos ideais, mas pela experiência real em cenários concretos de
saúde, que propicie ao estudante o desenvolvimento de habilidades para a tomada de
decisões adequadas no contexto da assistência, em um processo de aprender fazendo.
Nessa perspectiva de ensino, a preceptoria é vista como atividade essencial às
atuais demandas de formação e atenção em saúde, favorecendo a aprendizagem
significativa na formação humana e técnica do estudante (MISSAKA; RIBEIRO, 2011).
Insere-se no contexto a figura do preceptor, profissional de saúde responsável por
desempenhar dupla função no seu ambiente de trabalho, a de assistência e a de ensino
(JESUS; RIBEIRO, 2012). Elemento pedagógico fundamental à concepção de trabalho
enquanto princípio educativo, o preceptor é responsável por mediar o aprendizado
prático do aluno (WERNECK et al., 2010), sendo por isso impulsionado a superar o
papel do especialista que transmite um ofício, para assumir a condição de educador,

17

dominando estratégias diversas de aprendizagem e de avaliação (ROCHA; RIBEIRO,
2012).
Na formação do nutricionista, assim como em outros cursos da saúde, a
preceptoria faz-se presente de modo mais expressivo durante os ES. No Brasil, as
atuais Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) para graduação em Nutrição orientam
para formação baseada nas necessidades sociais da saúde e com ênfase nos
princípios do SUS, porém, passada uma década de sua homologação, concretizar tais
recomendações continua sendo um grande desafio para instituições de ensino e
serviços de saúde (SOARES; AGUIIAR, 2010).
Na área de nutrição em saúde pública, estudos recentes apontam a necessidade
de transformação das graduações a fim de atender ao leque de competências
necessárias à adequada atuação profissional na área (GURINOVIC et al., 2014;
VIEIRA, UTIKAVA; CERVATO-MANCUSO, 2013; RECINE et al., 2012). Outros
trabalhos revelam que mesmo contabilizando alguns avanços, a formação do
nutricionista em saúde pública ainda é incipiente e destacam como fatores limitantes a
baixa inserção do profissional na área, a relação teoria e prática predominantemente
tradicional e a frágil integração entre o ensino e os serviços de saúde (CERVATOMANCUSO et al., 2012; PINHEIRO et al., 2012).
Formação e exercício profissional do nutricionista são temas que ainda suscitam
discussões mais profundas. Trabalhos que busquem estabelecer a atividade da
preceptoria enquanto prática pedagógica e espaço de formação interprofissional em
saúde podem gerar caminhos viáveis ao fortalecimento da integração ensino-serviço e
consequente melhoria da assistência aos usuários do SUS, o que justifica a realização
desta pesquisa, cujo objetivo foi compreender a preceptoria desenvolvida na Disciplina
Estágio Supervisionado em Nutrição e Saúde Pública da Faculdade de Nutrição da
Universidade Federal de Alagoas (ESNSP/FANUT/UFAL), a partir da investigação das
vivências de docentes e preceptores ligados à referida disciplina.

18

2.2 Método
Pesquisa de abordagem qualitativa, tipo estudo de caso, cujo campo de investigação
compreendeu as atividades de preceptoria ligadas ao ESNSP/FANUT/UFAL, disciplina
que ocupa 300 horas do último ano do Curso de Nutrição da UFAL. Sua ementa
determina o “treinamento em serviço” no nível primário de atenção à saúde. Acontece
prioritariamente nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) do Município de Maceió,
mediante convênio firmado entre a UFAL e a Secretaria Municipal de Saúde de Maceió
(SMSM). Recentemente, também foram incluídos como campos de estágio os Núcleos
de Apoio à Saúde da Família (NASF) e os níveis centrais de gestão da saúde nas
SMSM e Secretaria Executiva de Saúde do Estado de Alagoas (SESAU-AL).
Foram sujeitos da pesquisa seis docentes e quatro preceptores vinculados à referida
disciplina, os quais foram divididos em grupo dos docentes (Grupo D) e grupo dos
preceptores (Grupo P), cujas falas foram identificadas individualmente pelas letras “D” e
“P” seguidas de um número de ordem. Todos os integrantes do estudo eram
nutricionistas, com tempo de graduação oscilando de menos de cinco até mais de trinta
anos. Os níveis de pós-graduação variaram entre especialização (03 P), mestrado (01 P
e 02 D) e doutorado (04 D). Os docentes tinham, em sua maioria, mais tempo de
experiência (entre 05 e 30 anos) em atividades de ensino quando comparados aos
preceptores (menos de 05 anos).
Os dados foram coletados entre agosto e setembro de 2013, por meio da técnica de
grupo focal (GF), atendendo adequadamente ao objetivo primário de apreender
significados, atitudes e expectativas dos sujeitos sobre fenômeno em estudo (VIEIRA et
al., 2013; GATTI, 2012; POPE; MAY, 2009; RESSEL et al., 2008). Foram realizadas
duas sessões distintas de GF, a primeira com o Grupo P e a segunda com o Grupo D,
ambas registradas em vídeo, cujo material produzido foi mantido em absoluto sigilo e
manipulado exclusivamente pelos pesquisadores responsáveis. Na condução da
atividade e estímulo à interação entre os participantes, o facilitador do GF utilizou
roteiros diferentes para cada um dos grupos, constituídos por tópicos específicos e
diretivos a respeito do tema “preceptoria no ESNSP/FANUT/UFAL”.
Para análise dos dados foi aplicada a técnica de análise do conteúdo, segundo o
referencial teórico-metodológico proposto por Bardin (2011). Iniciou-se com a

19

transcrição integral das gravações em vídeo, seguida de leituras e releituras do material
produzido, a fim de conhecer profundamente o texto e determinar o corpus de análise.
A partir daí emergiram as categorias temáticas “concepções, práticas e desafios”, por
meio das quais se tornou possível chegar aos resultados.
Com o propósito de demarcar a discussão do objeto de estudo, adotou-se nesta
pesquisa a definição de preceptoria como sendo uma atividade de cunho pedagógico,
desenvolvida em ambiente de trabalho e formação profissional, conduzida por
profissional da assistência, o qual recebe a designação de preceptor (ROCHA;
RIBEIRO, 2012).
A realização do trabalho foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da UFAL,
através do parecer de número 327.589, de 05/07/2013. Todos os participantes foram
previamente informados sobre os pormenores da pesquisa e concordaram em participar
voluntariamente, por meio da leitura e assinatura do Termo de Consentimento Livre e
Esclarecido (TCLE).

20

2.3 Resultados e discussão
A partir dos dados obtidos pode-se identificar vivências, significados e expectativas
dos

sujeitos

em

relação

ao

fenômeno

em

questão,

a

preceptoria

no

ESNSP/FANUT/UFAL. Resultados e discussão decorrentes da análise são agora
apresentados junto às suas categorias temáticas.
2.3.1 Concepções
Observaram-se nas conversas, diferenças de concepções entre o Grupo D e o Grupo
P, quando se trata de definir a “atividade de preceptoria” e o “profissional chamado
preceptor”.
Para os docentes, foi imediata a ligação da preceptoria com o exercício da prática
profissional do estudante e o entendimento do preceptor como profissional responsável
por viabilizar esse aprendizado prático, claramente identificado em uma das falas como
“estágio”, conforme se constata a seguir:
[…] Pra mim é a maior oportunidade que o estudante tem de vivenciar o
fazer do nutricionista como profissional no cenário de prática. (D 5)
[…] Há certa confusão com a nomenclatura. Preceptor é quem recebe lá
no serviço. (D1)
[…] Preceptoria é a pura prática mesmo e o preceptor aquele que
possibilita a execução do estágio. (D4)

No grupo dos preceptores os conceitos abordados não demonstravam, na sua
maioria, relação com a disciplina ESNSP/FANUT/UFAL, nosso objeto de estudo. Para
este grupo a conexão dos termos preceptoria e preceptor foi direta com o Programa de
Educação pelo Trabalho para Saúde (PET-Saúde), sendo que este sequer fazia parte
do escopo desta pesquisa, surgindo aqui através dessa ligação trazida pela maioria dos
preceptores, conforme se observa em suas falas:
[…] Preceptoria é um termo novo. Conheci com o PET. (P 3)

21

[…] Sempre associei preceptoria com supervisão de estágio. A diferença
é que no PET a gente supervisiona outros cursos também. (P 2)

[…] Minha realidade é diferente, só recebo estagiários do curso de
nutrição. A preceptoria facilita a relação da teoria com a prática. (P 1)

Os resultados apresentados nesta categoria refletem achados de outros estudos,
que mostram o quanto o entendimento a cerca da preceptoria e dos preceptores, ainda
é assunto controverso e pouco abordado tanto na literatura científica quanto na
legislação pertinente (JESUS; RIBEIRO, 2012; BOTTI; REGO, 2011). Há uma
multiplicidade de conceitos e atribuições dirigidas à preceptoria e aos preceptores,
consequência provável da falta de clareza sobre a atuação desses profissionais
(PAGANI; ANDRADE, 2012), o que pode ter contribuído para as diferenças de
concepções observadas entre os Grupos D e P.
Nesse contexto, ainda um tanto obscuro em relação às concepções de preceptoria e
preceptor, surge o PET-Saúde, programa governamental instituído com o propósito de
estimular e apoiar a reorientação da formação em saúde, fortalecendo o vínculo entre a
academia e os serviços de saúde, através da inserção efetiva do estudante nos
cenários de assistência do SUS e da instrumentalização dos profissionais dos serviços
para o desenvolvimento de pesquisas na área (RODRIGUES; RIGOTTO, 2013).
Esse programa, já na sua portaria de criação, define claramente conceitos e funções
dessa modalidade de ensino, assim como as atribuições dos atores envolvidos (PINTO
et al., 2013), fato que parece ter determinado a forte associação entre preceptoria e
PET-Saúde estabelecida pelo Grupo P. Lembrando que três dos preceptores, além do
estágio, participavam também do PET-Saúde e apenas um no Grupo apontou a
preceptoria como atividade própria do estágio curricular do curso de nutrição.
Contudo, observou-se na fala de P2 uma aproximação de significados entre
preceptoria e supervisão de estágio. Considerando a ideia de que conceitos podem não
ter significados definitivos e se transformarem de acordo com experiências e

22

compreensão de cada um, percebeu-se que restringir a prática do estágio à palavra
“preceptoria” conduziu o Grupo P às questões ligadas ao PET-Saúde, quando a
utilização simultânea do termo “supervisão” poderia ter gerado uma discussão mais
centrada no objeto do estudo, a disciplina ESNSP/FANUT/UFAL. Não se pode
desconsiderar, entretanto, a diferença existente entre as modalidades pedagógicas em
questão, pois para o estágio curricular obrigatório o foco é o exercício das atribuições
específicas de cada profissão, enquanto que o PET-Saúde objetiva desenvolver
competências mais globais do profissional de saúde (PINTO et al., 2013).
2.3.2 Práticas
Ao falar sobre atividades relacionadas à preceptoria, os docentes elencaram desde
tarefas burocráticas, que teoricamente não lhes caberiam, mas se faziam essenciais à
realização do estágio, até as demandas dos serviços de saúde nas quais os estagiários
se envolviam como forma de exercitar profissão e ao mesmo tempo contribuir com
ações necessárias ao serviço e à comunidade:
[…] Os professores fazem o contato com os locais de estágio e
encaminham para a coordenação do curso. Todo semestre é o mesmo
problema, nós carregamos o piano nas costas. Isso desorganiza. (D1)

[…] O convênio entre a UFAL e a SMSM está vencido e a gente tem que
correr atrás. (D5)

[…] É uma questão que deveria ser tratada pela UFAL. Pela Diretoria,
pela Pró-Reitoria, enfim, pela Instituição! A busca do convênio vencido
não nos cabe como professores do estágio. (D4)

[…] Essas questões burocráticas todas... É o que exige mais esforço, é
onde está o desgaste. (D3)

O tipo de relação estabelecida entre Instituições de Ensino Superior (IES) e serviços
de saúde interfere diretamente na qualidade da profissionalização em saúde.

23

Planejamento inadequado e comunicação insuficiente são apontados como empecilhos
à formação prática do estudante (COSTA et al, 2012). É imprescindível que
universidade e serviços, de fato assumam o papel que lhes cabe no processo, criando
espaços coletivos de pactuação e co-gestão das ações de formação e assistência na
área de saúde. Definir responsabilidades individuais e conjuntas, através de
instrumentos jurídicos-legais firmados entre IES e gestão da saúde, com vistas ao
planejamento de longo prazo, são iniciativas recomendadas para a melhoria da
integração ensino-serviço (DEMARZO et al., 2012).
Em relação às atividades envolvendo estagiários, os docentes listaram diversas
práticas em serviço, todas condizentes com a Política Nacional de Alimentação e
Nutrição (PNAN) e a Matriz de Ações de Alimentação e Nutrição na Atenção Básica de
Saúde (MAANABS), (CANELLA, SILVA; JAIME, 2013; CAMOSSA, TELAROLLI
JÚNIOR; MACHADO, 2012), especialmente no que diz respeito às ações de prevenção
e promoção em saúde, capacitação de equipes e outras atividades ligadas à área de
nutrição e saúde pública, como mostrado a seguir:
[…] Fortalecimento dos programas de suplementação, quando a
cobertura está muito baixa. (D6)

[…] Com recurso da Secretaria de Saúde a gente fez um calendário para
promoção do consumo de frutas. (D1)

[…] Capacitação dos agentes de saúde. Elaboração de material para
atualização dos agentes indígenas de saúde, os AIS. (D4)

[…] A gente faz o levantamento das prioridades dos serviços e tenta
alinhar à proposta de ementa da disciplina. (D5)

24

Os preceptores, ao tratar sobre práticas, relacionaram diversas atividades
desenvolvidas pelos estudantes, sempre enfatizando a relação da preceptoria com o
PET-Saúde:
[…] Palestras educativas com grupos de idosos, gestantes... (P4)

[…] Elaboração de material educativo. Planejamento de ações. Diário
de campo. Relatório mensal das atividades. (P1)

[…] Palestras para profissionais da UBS. Trabalho científico, que
também é um dos objetivos do PET. (P2)

Assim como as práticas citadas pelos docentes, as relacionadas pelos preceptores
também atendem em linhas gerais aos objetivos da PNAN, da MAANABS e do PETSaúde, já que todos esses balizadores, mesmo diferenciados em suas especificidades,
guardam em última instância o propósito comum de melhorar a formação profissional e
a assistência prestada na saúde pública.
2.3.3 Desafios
Nos dois grupos estudados a categoria “desafios” emerge não como possibilidades
de avanços no exercício da preceptoria, mas ainda como entraves a serem superados.
Parece que o desafio maior, tanto para docentes como para preceptores, seja garantir o
pleno funcionamento da experiência prática do estudante nos cenários de atenção à
saúde:
[…] A maior dificuldade é a inserção do profissional na rede. São
poucos nutricionistas e não fazem parte da Estratégia de Saúde da
Família. Já no NASF, eles têm um papel mais definido. (D 5)

[...] Falta estrutura; falta recursos. Ações que necessitem de um sistema
de informação não são realizadas. (D2)

25

[...] A rotatividade na gestão complica ainda mais. Muda o secretário,
muda toda a equipe e quem chega não sabe da negociação anterior. Aí
a gente tem que começar tudo de novo! (D1)

[...] Muitas vezes o próprio gestor não sabe o papel do nutricionista na
atenção básica. A grande exigência é para atendimento ambulatorial e
ações até mais resolutivas, são deixadas no segundo plano. (D 5)

Considerando que há mais de uma década as DCN para a graduação em nutrição
orientam a formação com ênfase nos princípios do SUS, visando atuação
multiprofissional e assistência integral à saúde, seria de se esperar que o nutricionista
já estivesse plenamente inserido no sistema (GEUS et al., 2011); sua ausência
compromete

a

efetivação

dos

princípios

da

integralidade,

universalidade

e

resolubilidade na atenção à saúde (PIMENTEL et al., 2014).
Buscando apoiar a Estratégia de Saúde da Família (ESF) e potencializar as ações da
Atenção Básica foram criados em 2008 os NASF, núcleos de constituição
multidisciplinar nos quais o nutricionista tem papel claramente definido (JAIME et al.,
2011); em consequência, houve um incremento na inserção do profissional na rede,
porém ainda insuficiente para atender às demandas da população (CERVATOMANCUSO et al., 2012). O exíguo número de nutricionistas na saúde pública
compromete também a inserção do estudante nos serviços e, consequentemente o
exercício da sua futura prática profissional (SOARES; AGUIAR, 2010).
Figuram ainda entre as principais barreiras à atuação do nutricionista na Atenção
Básica, o predomínio do cuidado individual em detrimento das ações coletivas, as
precárias condições de trabalho e a falta de institucionalização das ações de nutrição
(PINHEIRO et al, 2012). Para ser efetiva, a prática da nutrição em saúde pública
precisa ser dinâmica, responsiva e contextualizada, sempre levando em consideração o
lugar, a situação e os recursos disponíveis (HUGHES; MARGETTS, 2011).
Outra questão de ordem estrutural nas graduações em saúde é a dificuldade de
integração entre instituições de ensino superior (IES) e serviços de saúde e vem ao

26

longo do tempo comprometendo as possibilidade de crescimento e cooperação entre os
dois setores. É necessário que se criem espaços coletivos entre a academia e a rede,
dotados de intencionalidade complementar e convergente, comprometidos com a
dimensão pedagógica das práticas de ensino e de atenção à saúde, incluindo também
a gestão setorial e o controle social, com estímulo ao trabalho multiprofissional e
interdisciplinar (FINKLER, CAETANO; RAMOS, 2011).
Ainda sobre os desafios da preceptoria, o Grupo D trouxe para o debate a função
pedagógica do preceptor enquanto mediador da formação prática do estudante,
deixando emergir também seu próprio anseio em desenvolver maiores habilidades no
campo didático-pedagógico:
[…] O preceptor muitas vezes não percebe que é um formador! Ele não
é o professor, mas é formador também. (D1)

[…] Um problema muito sério é a perpetuação das mesmas coisas:
salas de espera confusas nas unidades de saúde; palestras o mais
tradicional possível. (D1)

[…] Uso de metodologias ativas a gente cobra, a gente quer, mas a
gente mesmo não tem! Somos profissionais de saúde! (D1)

[…] Formação didático-pedagógica até a gente precisa, porque a gente
não é pedagogo. (D5)

Um dos assuntos mais abordados nas publicações sobre preceptoria é a formação
pedagógica do preceptor. Autores afirmam a importância do preceptor enxergar-se
como partícipe na construção do conhecimento e demostram evolução profissional em
egressos de curso de capacitação pedagógica voltado para preceptores, cuja
experiência formativa lhes permitiu romper padrões tradicionais de educação e
protagonizar mudanças capazes de promover um ensino inovador (ROCHA; RIBEIRO,
2012). Profissionais capacitados passam a compreender melhor a complexidade do

27

processo ensino-aprendizagem e do trabalho na saúde, valorizando mais sua prática
pedagógica e reconhecendo seu papel como preceptor (JESUS; RIBEIRO, 2012).
Com a necessidade de transformação da prática profissional em saúde, refletir
também sobre o papel docente na graduação ganha importância singular (MACHADO,
MACHADO; VIEIRA, 2011). O mundo do trabalho exige que o nutricionista de hoje seja
um profissional crítico, reflexivo e criativo. Desempenhar a profissão de maneira
contextualizada e interprofissional é atributo incompatível com modelos de ensino
fortemente tradicionais, onde até mesmo a progressão na carreira docente fundamentase em indicadores de produção científica, secundarizando o desenvolvimento de
habilidades pedagógicas (COSTA, 2009).
É função da universidade promover o desenvolvimento dos seus docentes, de modo
que se possa adequar os diferentes campos do conhecimento às metodologias
inovadoras de ensino-aprendizagem, posicionando o estudante como ponto de partida
do processo (SÁENZ-LOZADA,

CÁRDENAS-MUÑOZ;

ROJAS-SOTO,

2010) e

valorizando o trabalho como espaço democrático e propício ao fortalecimento da
capacidade de aprender e de ensinar de todos os atores envolvidos (BATISTA;
GONÇALVES, 2011).
Nos depoimentos dos preceptores, foram várias as situações encaradas como
desafios, porém quase sempre relacionadas ao PET-Saúde. Apenas um dos
participantes, trouxe para a discussão problemas mais intimamente ligados ao estágio,
como se observa a seguir:
[…] Atividade com todos (alunos e preceptores) juntos é sempre
complicado! Horários de aula diferentes para cada curso. (P 4)

[…] Sinto certa dificuldade para orientar trabalhos científicos, que é
objetivo do PET. É preciso saber aquelas normas e a gente tem essa
dificuldade. (P2)

28

[…] Definir o mais importante para atender à expectativa do estágio,
não é fácil! A gente já recebe o estudante no último ano e não sabe
direito o que foi visto em saúde pública. Mas a parte pior é avaliar. Como
entre zero e dez, chegar naquele conceito, na nota? (P1)

Atender à expectativa do estágio não é tarefa simples. Faz parte do processo de
ensino-aprendizagem e exige além de conhecimentos técnicos, competências
pedagógicas específicas como, por exemplo, reconhecer nos cenários de saúde
momentos propícios ao aprendizado e saber utilizá-los produtivamente na prática do
estudante (RODRIGUES; RIGOTTO, 2013). Avaliar é um dos aspectos cruciais do
ensino, logo exige dos profissionais de saúde capacitação para que a realizem
adequadamente. Cabe às IES, até mesmo pela natureza do seu fazer, a
responsabilidade de preparar esses formadores e, junto com a gestão de saúde,
fomentar políticas de desenvolvimento, avaliação e monitoramento do preceptor
(ROCHA; RIBEIRO 2012). Oferecer cursos ou oficinas pedagógicas para os
profissionais dos serviços pode ser uma forma útil de promover melhores parcerias
entre a academia e os serviços (MADHAVANPRAPHAKARAN et al., 2014).
As falas relacionadas ao PET-Saúde condizem com achados de outros autores
quando indicam entre as principais dificuldades vivenciadas no Programa: agendas
conflitantes entre os componentes das equipes, inexperiência dos preceptores na
orientação de pesquisas e dificuldade em articular e envolver alunos dos diversos
cursos nas atividades realizadas (PINTO et al., 2013; RODRIGUES et al., 2012 ).
Embora o PET-Saúde não seja objeto desta pesquisa, é imprescindível registrar sua
importância para a o aprimoramento da formação em saúde, através do estimulo ao
trabalho interprofissional e fundamentado nos princípios e diretrizes do SUS. Não se
pode formar separado, profissionais que necessitarão trabalhar juntos, mesmo porque
conhecimento e competência de cada um isoladamente não são suficientes para
atender à complexidade da atenção à saúde (AGUILAR-DA-SILVA, SCAPIN; BATISTA,
2011).

29

Viabilizar uma preceptoria forte, reconhecida e requisitada, é indiscutivelmente um
dos caminhos conducentes à formação de profissionais alinhados às diretrizes políticosanitárias atuais (TRAJMAN et al., 2009). Contudo, a simples inserção na rede de
saúde, não garante ao estudante uma formação generalista, humanista, crítica e
reflexiva, trazendo à tona importantes questões pedagógicas envolvidas na mediação
entre a teoria e a prática em saúde (JESUS; RIBEIRO, 2012).

30

2.4 Considerações finais
A realização do presente trabalho possibilitou analisar e sistematizar vivências,
significados e expectativas de docentes e preceptores vinculados à disciplina
ESNS/FANUT/UFAL.
Concepções sobre os termos preceptoria e preceptor foram controversas, porém
convergentes para formação prática do estudante da saúde.
Práticas descritas nem sempre mostravam ligação com o ESNS/FANUT/UFAL. No
Grupo P houve uma forte relação da preceptoria com o PET-Saúde. Contudo, todas as
atividades mencionadas por ambos os grupos eram condizentes com os principais
documentos balizadores da formação e atuação profissional do nutricionista. Tarefas
burocráticas relatadas pelos docentes evidenciaram frágil relação entre UFAL e gestão
dos serviços de saúde, gerando desorganização e dificuldade de planejamento na
formação prática dos estudantes.
Desafios emergiram para os grupos, no sentido de entraves ao desenvolvimento da
preceptoria, tanto na perspectiva do estágio curricular quanto do PET-Saúde. Destacase entre eles a baixa inserção do nutricionista na rede, cuja ausência nos serviços
compromete a aproximação do estudante com cenários reais de saúde para os quais
deverá tornar-se apto no fazer de sua profissão, além de obstar a efetivação dos
princípios do SUS. Precária infraestrutura nos serviços de saúde, práticas tradicionais
de ensino e despreparo pedagógico estavam também entre os desafios descritos pelos
grupos.
Usar a palavra “preceptoria” com intenção de delimitar práticas de estágio
configurou-se fator limitante do estudo, por conduzir o Grupo P a uma discussão
fortemente focada no PET-Saúde, quando o objeto investigado era a disciplina
ESNSP/FANUT/UFAL.
A realidade posta pelos resultados desta pesquisa traz consigo a necessidade
incontestável de se adotar um trabalho interinstitucional e interprofissional, cuja

31

finalidade precípua seja melhorar as condições de formação e assistência na área da
saúde. Recomenda-se a realização de novos estudos que incluam alunos e gestores,
contribuam para o fortalecimento da preceptoria na formação do nutricionista e
estimulem a inserção ampla e qualificada desse profissional na área de saúde pública,
especialmente na Atenção Básica.

32

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37

3 PRODUTO DE INTERVENÇÃO
Animação: “Preceptoria em saúde: uma aventura possível”
3.1 Introdução
A acelerada evolução tecnológica dos dias atuais e as transformações no
mundo do trabalho exigem um novo fazer na formação, capacitação e educação
permanente dos trabalhadores em saúde. Assim, tem sido crescente o uso das
Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) como ferramenta complementar na
melhoria do ensino na área (VASCONCELOS; VASCONCELOS, 2013). Quando
adequadamente utilizadas, as TIC podem se constituir em um facilitador do processo
educativo; para tanto devem integrar uma prática pedagógica bem estruturada, que
propicie interações necessárias e contextualizadas (RUIZ-MORENO; LEITE; AJZEN,
2013).
Nessa conjuntura, recursos pedagógicos diversos são criados e aperfeiçoados
no sentido de contribuir com a evolução da aprendizagem significativa. Destacam-se
entre eles os Objetos de Aprendizagem (OA), recursos reutilizáveis, de finalidade
didático-pedagógica e capazes de representar fenômenos ou contextos reais,
vinculados aos conteúdos programáticos explorados em sala de aula (SILVA et al.,
2012).
Os OAs podem utilizar vários canais sensoriais como textos, imagens, sons e
movimentos, para sensibilizar, motivar, ilustrar e favorecer o aprendizado. Vídeos
educativos são exemplos de OAs fundamentados no alto valor estético e pedagógico
das imagens para o ensino de diferentes saberes (CEZAR et al., 2011).
Os vídeos educativos, dentre os quais a animação, representam uma boa
estratégia para atrair a atenção da audiência e iniciar a problematização através da
relação estabelecida entre os fatos apresentados e o mundo real (RUI et al., 2013). O
dinamismo impresso pelo uso cada vez mais intenso da tecnologia vem popularizado a
produção de vídeos digitais de curta duração para fins diversos, incluindo os
educacionais (SCHNEIDER; CAETANO; RIBEIRO, 2012).

38

Para Móran (1995) o vídeo seduz, informa e entretém, envolvendo inicialmente
a comunicação sensorial, emocional, intuitiva, para posteriormente alcançar a racional.
Estudando a utilização pedagógica do cinema para temas em saúde e educação,
Xavier et al. (2011), concluem que o filme pode ser um recurso valioso para motivar,
envolver e tirar a prática de ensino do lugar comum.
A animação é uma das possibilidades de OA que emprega os vários canais
sensoriais como recursos pedagógicos. Derivada do verbo latino animare, a palavra
animação significa dar vida ou movimento a alguma coisa, pode representar algo da
mente ou do mundo real e para ser desenvolvida deve simbolizar semelhanças e
similaridades do objeto original ou fenômeno a ser representado (SILVA et al., 2012).
Partindo das necessidades de desenvolvimento pedagógico detectadas na
pesquisa “Preceptoria no estágio curricular de nutrição: o desafio do fazer”, surgiu a
ideia de se criar um OA para auxiliar processos de formação e aperfeiçoamento
profissional no campo da preceptoria em saúde, que atendesse à demanda
contemporânea de inovação educacional. Assim, nasceu o vídeo de animação intitulado
“Preceptoria em saúde: uma aventura possível”, cujo objetivo é servir de recurso
pedagógico motivador, estimulando o pensamento crítico-reflexivo e abrindo janelas de
oportunidades para criação e planejamento de soluções viáveis no campo da
preceptoria.
A necessidade de inovar os métodos de ensino, usando tecnologias fáceis e
amplamente acessíveis, justifica a criação deste produto de intervenção, que será
disponibilizado livre e gratuitamente através das páginas eletrônicas do Youtube
(www.youtube.com)

e

do

Banco

Internacional

de

Objetos

Educacionais

(http://objetoseducacionais2.mec.gov.br/) em duas versões, a original em português e
outra com legendas em inglês.
A plataforma Youtube foi um dos veículos escolhidos em razão da sua
capilaridade no mundo inteiro, do seu conteúdo crescente em vídeos educacionais e do
aumento no interesse por essa categoria, especialmente pelo público jovem
(SCHNEIDER; CAETANO; RIBEIRO, 2012).

39

Por sua vez, o Banco Internacional de Objetos Educacionais (BIOE), embora
também disponível na rede mundial de computadores, é voltado exclusivamente para
questões de ensino e aprendizagem, atraindo a atenção de um público bem particular.
Configura-se um excelente repositório de objetos educacionais em vários formatos,
diversos idiomas e para todos os níveis de ensino. Para integrar o acervo do BIOE, o
recurso pedagógico deve ser validado por dois Comitês Editoriais, com base em
critérios técnicos e pedagógicos pré-definidos (BRASIL, 2008). Está ancorado na
página do Ministério da Educação do Brasil, o que lhe confere segurança e
confiabilidade nas informações.

3.2 Conteúdo
O vídeo aponta alguns dos nós críticos do ensino prático na formação em saúde.
Desarticulação entre a academia e o serviço, falta de preparo pedagógico e de
planejamento conjunto das ações educativas, são questões que emergem no contexto
da animação. Mostra-se também na história, a preocupação de cada um dos envolvidos
em fazer o melhor em prol da formação profissional, porém de maneira isolada e
somente quando suas intenções convergem para uma construção coletiva, acontecem
avanços no processo ensino-aprendizagem, ficando evidente a satisfação de todos com
a mudança alcançada e seus resultados.

3.3 Roteiro
O roteiro foi elaborado com o propósito de problematizar a preceptoria em
saúde, a partir da representação lúdica de um cenário real de assistência e formação.
Dentre inúmeras possibilidades de prática profissional em saúde optou-se pela Atenção
Básica, precisamente uma Unidade Básica de Saúde (UBS), pois além de ser um
ambiente comum às diversas profissões de saúde, foi o cenário visitado por ocasião da
pesquisa “Preceptoria no estágio curricular de nutrição: o desafio do fazer”, berço do
OA aqui apresentado.

40

Sua sequência inicia-se com os conceitos de preceptoria e de preceptor
adotados na pesquisa acima referida. Segue, exibindo instituições envolvidas no
processo de integração ensino-serviço, representadas no vídeo pela Universidade
Conhecer e pela UBS Viva a Vida. Logo depois ilustra-se uma situação problema, para
estimular a reflexão sobre práticas e vivências na formação profissional em saúde. O
desfecho da história destaca a essencialidade dos coletivos de trabalho e de intenções,
como meio de adequar a profissionalização e a assistência em saúde às demandas do
mundo moderno.

3.4 Ilustrações
Para simbolizar uma vivência de preceptoria, foram idealizados ambientes e
personagens representativos da integração ensino-serviço em um dos cenários da
Atenção Básica em saúde. O Quadro 1 apresenta as oito peças de ilustração criadas
para o vídeo e suas representações no contexto estudado.

41
Quadro 1 - Peças de ilustração do vídeo “Preceptoria em saúde: uma aventura possível”.
ILUSTRAÇÕES

REPRESENTAÇÃO
Universidade Conhecer. Instituição de ensino
superior, que abriga diversos cursos na área

UNIVERSIDADE CONHECER

UNIDADE BÁSICA DE SAÚDE VIVA A VIDA

de saúde.
Unidade Básica de Saúde Viva a Vida, presta
assistência de saúde no nível primário de
atenção. Tem convênio de cooperação com
Universidade Conhecer, para realização de
visitas, aulas práticas e estágios curriculares.
Edu é graduando da área de saúde na
Universidade Conhecer e inicia sua vivência de
prática profissional na UBS Viva a Vida.

O ESTUDANTE: EDU

Alex é professor de Edu na Universidade
Conhecer. Atua na área de saúde pública e é
responsável pelas aulas práticas e estágios
O PROFESSOR: ALEX

realizados na UBS Viva a Vida.

Nina é uma profissional de saúde. Trabalha na
UBS Viva a Vida, atuando na assistência e
como preceptora da Universidade Conhecer.
A PRECEPTORA: NINA

Sr. João é usuário da UBS Viva a Vida e tornase o primeiro caso acompanhado por Edu.

O USUÁRIO DO SUS: Sr. JOÃO

Léo é o agente de saúde da UBS Viva a Vida,
que colabora Edu no acompanhamento do Sr
João.
O AGENTE DE SAÚDE: LÉO

Rita faz parte do Conselho Gestor da UBS Viva
a Vida e também participa do caso do Sr. João.

CONSELHEIRA: RITA

Fonte: Autora, 2014.

42

Observa-se nos desenhos das instituições predomínio das linhas retas, mais
racionais e ligadas ao pensar. Originam formas construídas, não naturais, como o
quadrado que remete à ideia de firmeza, rigidez e organização e o retângulo indicando
solidez e crescimento. Os círculos e formas arredondadas foram usados na
representação humana pela sua relação com o orgânico, são facilmente percebidos na
natureza, a exemplo das células e seus núcleos, globo ocular, gema do ovo, certas
frutas, entre outros. Portanto o circulo liga-se ao natural e ao incalculável, dando a ideia
de

flexibilidade,

movimento,

infinito

e

inovação

(http://entreclics.blogspot.com.br/2010/09/o-significado-do-circulo-e-quadrado-na.html).
As cores, elementos fundamentais para qualquer processo de comunicação
visual, foram utilizadas com o objetivo de prender a atenção da audiência e ao mesmo
tempo vincular suas representações sensoriais aos cenários de ensino e assistência
mostrados no vídeo. Para Ferracciu,1997 apud Santos et al, 2014, a cor é a ponte entre
o emocional e o racional do ser humano, provoca sensações e sentimentos, podendo
atrair ou afastar. As cores quentes são estimulantes, transmitem calor e força, desejo
de realizar, são atrativas; as frias proporcionam tranquilidade, calma, segurança e
suavidade (WERNECK, 2001; ANDYA, 2009). Assim, buscou-se através da mistura de
cores quentes e frias, acessar a memória das diversas possibilidades de experiências
vivenciadas no ambiente apresentado.
3.5 Avaliação por juízes
Para avaliar e validar a animação “Preceptoria em saúde: uma aventura possível”
enquanto OA foram convidados via correio eletrônico, profissionais que atuam como
docentes e preceptores em estágios de nutrição ligados a Instituições de Ensino
Superior pública e privadas da cidade de Maceió, incluindo aqueles que haviam sido
sujeitos da pesquisa “Preceptoria no estágio curricular de nutrição: o desafio do fazer”.
Nove juízes compareceram voluntariamente à oficina avaliativa, na qual foi
apresentada a versão preliminar do vídeo. Distribuiu-se entre eles uma escala
(APÊNDICE E) do tipo Likert (SAMPIERI; COLLADO; LUCIO, 2006) contendo doze
afirmativas sobre aspectos importantes da animação, as quais deveriam ser

43

individualmente marcadas conforme a seguinte pontuação: (1) Concordo totalmente, (2)
Concordo, (3) Nem concordo nem discordo, (4) Discordo e (5) Discordo totalmente. No
formulário entregue, havia ainda um espaço destinado a críticas e sugestões que por
ventura alguém quisesse registrar.
A avaliação foi realizada com base na adequação dos aspectos: cotidiano do ensino
em saúde; atores envolvidos no tema; cenários de prática em saúde; qualidade das
ilustrações, da música e da locução; clareza do conteúdo; coerência do roteiro;
sequência lógica de apresentação; estímulo ao pensamento crítico-reflexivo; facilidade
de utilização e possibilidade de uso em diferentes contextos do ensino na saúde.
Segundo os cálculos de frequência e porcentagem, a maior parte das respostas
dividia-se entre as opções concordo totalmente e concordo, caracterizando em
princípio, boa adequação dos aspectos avaliados à finalidade do OA. A opção “nem
concordo

nem

discordo”,

apareceu

nos

itens:

qualidade

das

ilustrações,

representatividade dos cenários e adequação do roteiro e sequência da história. Este
achado pode estar relacionado à desvalorização dos itens propostos, ou mesmo à
dificuldade para avalia-los.
A resposta “discordo” apareceu em menor percentual, nos itens relativos às
ilustrações, atores e cenários, locução e conteúdo; já a alternativa “discordo totalmente”
não foi registrada em nenhum dos aspectos analisados. A Tabela – 1 apresenta os
itens que mais sofreram variação entre as respostas.

44
Tabela 1 – Frequência e porcentagens dos itens que apresentaram maior variação entre as
respostas.

RESPOSTAS

ITENS AVALIADOS
Representatividade
dos atores

Representatividade dos
cenários

Representatividade
das ilustrações

F (n)

FA (%)

F (n)

FA (%)

F (n)

FA (%)

Concordo totalmente

3

33,3

1

11,1

2

22,1

Concordo

5

55,6

3

33,1

3

33,3

Nem concordo nem
discordo

0

3

33,1

2

22,2

Discordo

1

2

22,2

2

22,2

Discordo totalmente

0

TOTAL
Fonte: Autora, 2014.

9

11,1

0

100

9

0

100

9

100

Nota: Frequência (F), Frequência Acumulada (FA).

O cálculo da variância mostrou maior heterogeneidade de respostas nos itens
representatividade dos cenários e qualidade das ilustrações, enquanto as de maior
homogeneidade foram aquelas relativas à facilidade de utilização e factibilidade nos
diversos contextos de ensino na saúde. A Tabela - 2 mostra os valores de variância
para todos os aspectos avaliados.

45

Tabela 2: valores da variância para os itens avaliados.

VARIÂNCIA
Cotidiano profissional

0,278

Representatividade dos atores

0,861

Representatividade dos cenários

1,000

Qualidade das ilustrações

1,278

Adequação da música

0,194

Qualidade da locução

0,861

Clareza do conteúdo

0,861

Coerência do roteiro

0,444

Adequação da sequência

0,444

Estímulo ao pensamento crítico-reflexivo

0,194

Facilidade de utilização

0,278

Factível nos diversos contextos do ens. na saúde

0,278

Fonte: Autora, 2014.

Ao se examinar os registros de críticas e sugestões dos juízes, pôde-se
compreender melhor os resultados gerados pela análise da escala. Os escritos
demostraram uma boa aceitação da proposta do vídeo, porém trazendo algumas
ressalvas. Apresentar apenas um cenário de prática foi considerado insuficiente para
representar o ensino na saúde. O volume da música competia com a fala do locutor,
provocando desconforto auditivo. As expressões faciais dos personagens em
determinados momentos, não foram bem aceitas e ainda em relação a estes foi
sugerido que se incluísse outros atores importantes na formação profissional em saúde,
a exemplo do usuário do sistema. O título foi considerado motivador. Os registros
abaixo ilustram bem os resultados apresentados:
[…] Há outros cenários de formação prática em saúde. (Juiz 4)
[…] Sugiro diminuir o volume da música, está competindo com a fala.
(Juiz 2)
[…] A expressão facial dos personagens é de insatisfação. (Juiz 8)
[…] Acrescentar a figura do usuário e sua relação com o aluno. (Juiz 4)

46

[…] O título reflete uma proposta inovadora e se adequa ao objetivo
motivacional do vídeo. (Juiz 6)

Em linhas gerais o OA avaliado configurou-se como recurso pedagógico de fácil
utilização, mas que carecia de certos ajustes para melhor atingir seu propósito de
motivar a reflexão sobre preceptoria em saúde, a partir da problematização do tema.
Concluída a etapa de avaliação, foram realizadas as modificações possíveis
dentro do projeto de animação, cuja duração é de apenas dois minutos e dez segundos.
Fez-se a correção do áudio, modificou-se a expressão dos personagens em
determinados momentos e acrescentaram-se mais três personagens: o usuário, o
agente de saúde e uma componente do conselho gestor. Por sua vez, a inclusão de
outros cenários de práticas foi considerada inexequível em razão da brevidade do
vídeo.

3.6 Considerações finais
O vídeo educativo é uma ferramenta interessante para mobilizar os mais
diversos sentidos em processos de ensino-aprendizagem, nos diferentes níveis de
formação e aperfeiçoamento profissional em saúde.
A animação “Preceptoria em saúde: uma aventura possível” foi considerada um
bom recurso pedagógico motivacional, embora carecesse certos ajustes, os quais foram
realizados na medida do possível. O fato de representar apenas uma das possibilidades
de cenário de práticas em saúde foi considerado um fator limitante na sua qualidade.
Por ter finalidade didático-pedagógica, representar contexto real de ensino na
saúde, ser capaz de vincular-se a conteúdos trabalhados em sala de aula e ser um
recurso reutilizável, o vídeo produzido atende aos requisitos necessários à
caracterização de um OA.

47

REFERÊNCIAS

ANDYA, M. Teoria das cores. Slideshare. Manaus, 2009. Arquivo Power Point.
Disponível em: < http://pt.slideshare.net/marthaandya/teoria-das-cores>. Acesso em: 10
Jun. 2014.

BRASIL. Ministério da Educação e Cultura. Banco Internacional de Objetos
Internacionais. Brasília, 2008. Disponível em: <http://objetoseducacionais2.mec.gov.br/
>. Acesso em: 20 Abr. 2014.

CEZAR, P.H.N.; GOMES, A.P.; BATISTA, R.S. O cinema e a educação bioética no
curso de graduação em medicina. Rev Bras Educ Méd. Rio de Janeiro, v. 35, n. 1, p.
93-101; 2011. Disponível em: < http://www.scielo.br/pdf/rbem/v35n1/a13v35n1.pdf> .
Acesso em: 20 Abr. 2014. ISSN 0100-5502.

ENTRECLICS. O significado do Circulo e Quadrado na construção de logotipos.
Disponível em: <http://entreclics.blogspot.com.br/2010/09/o-significado-do-circulo-equadrado-na.html>. Acesso em: 10 Jun. 2014.

MÓRAN, J.M. O vídeo na sala de aula. Comunicação e Educação. São Paulo, v.2,
p.27 a 35, 1995. Disponível em: <
http://www.revistas.univerciencia.org/index.php/comeduc/article/view/3927/3685>.
Acesso em: 22 Abr. 2014. ISSN: 0104-6829.

RUI, H.M.G. et al. Uma prova de amor: o uso do cinema como proposta pedagógica
para contextualiza o ensino de genética no ensino fundamental. R. Bras. de Ensino de
C & T. v.6, n.2, p. 268-280; 2013. Disponível em:<
http://revistas.utfpr.edu.br/pg/index.php/rbect/article/view/1642/1050>. Acesso em: 20
Abr. 2014.

RUIZ-MORENO, L.; LEITE, M.T.M.; AJZEN, C. Formação didático-pedagógica em
saúde: habilidades cognitivas desenvolvidas pelos pós-graduandos no ambiente virtual
de aprendizagem. Ciência & Educação. Bauru, v. 19, n. 1, p. 217-229; 2013.
Disponível em: < http://www.scielo.br/pdf/ciedu/v19n1/15.pdf>. Acesso em: 20 Abr.
2014. ISSN 1516-7313.

48

SAMPIERI, R. H.; COLLADO, C.F.; LUCIO, P. B. Coleta de dados. In: Metodologia da
Pesquisa. 3.ed. São Paulo: McGraw-Hill, 2006. p. 306-315.

SANTOS, B. et al. Influência das cores na construção das marcas e publicidade. Cad
de Graduação- Cien Hum e Soc Unit. Aracaju, v. 1, n.2, p. 45-53; 2014. Disponível
em: < https://periodicos.set.edu.br/index.php/cadernohumanas/article/view/976/702>.
Acesso em: 06 Maio 2014.

SILVA, F.O. et al. Objetos de aprendizagem no contexto educacional: o filme e a
animação. Rev Eletrônica Científica Inovação e Tecnologia. Medianeira, v. 1, n.5, p.
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<http://revista.md.utfpr.edu.br/sis/index.php/IT/article/viewFile/123/pdf>. Acesso em: 22
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SCHNEIDER, C. K., CAETANO, L.; RIBEIRO, L. O. M. Análise de vídeos educacionais
no youtube: caracteres e legibilidade. Rev Novas Tecnologias na Educação. Porto
Alegre, v. 10, n.1, p. 35-39; 2012. Disponível em:
<http://seer.ufrgs.br/index.php/renote/article/view/30816/19202>. Acesso em: 06 Maio
2014.

VASCONCELOS, D.F.P.VASCONCELOS, A.C.C.G. Desenvolvimento de um ambiente
virtual de ensino em histologia para estudantes da saúde. Rev Bras Educ Méd. Rio de
Janeiro, v. 37, n. 1, p. 132-137; 2013. Disponível em:
<http://www.scielo.br/pdf/rbem/v37n1/19.pdf>. Acesso em: 31 Mar. 2014.

WERNEK,F. Teoria das cores. Slideshare. Rio de Janeiro, 2011. Arquivo Power Point.
Disponível em: < http://pt.slideshare.net/w.com/teoria-cores>. Acesso em: 10 Jun. 2014.

XAVIER, J.J.S. et al. Cinema: ferramenta pedagógica e humanista. A experiência do
CineSocial. Medicina. Ribeirão Preto. V.44, n.3, p.260-266; 2011. Disponível em:
<http://www.revistas.usp.br/rmrp/article/view/47434/51162>. Acesso em: 20 Abr. 2014.

49

4 CONCLUSÃO GERAL
A realização deste trabalho permitiu compreender melhor a preceptoria no
ESNP/FANUT/UFAL, por meio dos relatos de suas práticas e desafios. A técnica de GF
atendeu satisfatoriamente à proposta do estudo, possibilitou o acesso às vivências,
significados e expectativas dos sujeitos em relação ao objeto investigado e ajudou a
criar um ambiente propício à fala e sua reflexão. Os resultados obtidos inspiraram a
construção do artigo científico “Preceptoria no estágio curricular de nutrição: o desafio
do fazer” e do produto de intervenção “Preceptoria em saúde: uma aventura possível”.
O artigo, que deu nome também ao TACC, sistematizou aspectos subjetivos de
grande importância para a avaliação e planejamento do processo de ensino e
aprendizagem na preceptoria em nutrição e saúde pública. As falas dos participantes
corroboraram com trabalhos nacionais e internacionais, que discutem os principais nós
críticos da preceptoria e a sua importância enquanto prática pedagógica fundamental à
adequada formação de futuros profissionais da saúde.
Inquietações geradas pelo estudo e fato de que boa parte delas é comum
também a outras graduações em saúde, despertou o desejo de desenvolver um produto
de intervenção revestido de caráter democrático, utilizável por qualquer profissional de
saúde, de livre acesso e que contribuísse com a reflexão sobre as práticas formativas
na área. Assim, foi concebido o vídeo de animação “Preceptoria em saúde: uma
aventura possível”. Tem o propósito de ser um recurso pedagógico motivador da
aprendizagem significativa, seja na formação ou no aperfeiçoamento de profissionais
atuantes no ensino da saúde. Sua avaliação por juízes o caracterizou como objeto de
aprendizagem factível para o fim proposto, porém requerendo certos ajustes, os quais
foram providenciados dentro dos limites possíveis para um vídeo de curta duração.
O percurso transcorrido nesse estudo não foi suficiente para esgotar todas as
demandas da preceptoria em nutrição e saúde pública. Ao contrário, apontou novos
caminhos a serem trilhados, desvelou a necessidade de se acrescer outros olhares e
vozes envolvidas no processo e propôs novas investigações que busquem solucionar
os desafios encontrados.

50

REFERÊNCIAS GERAIS
BOTTI, S.H.O; REGO, S. Docente-clínico: o complexo papel do preceptor na residência
médica. Physis Revista de Saúde Coletiva. Rio de Janeiro, v. 21, n. 1, p. 65-85, 2011.
CARVALHO, E.S.S.; FAGUNDES, N.C. A inserção da preceptoria no curso de
graduação em enfermagem. Revista RENE. Fortaleza. abr./jun. 2008. v. 9, n. 2, p.98105.
FACULDADE DE MEDICINA. Universidade Federal de Alagoas. Institui a modificação
do prazo da comprovação de que o tema do Trabalho Acadêmico de Conclusão de
Curso (TACC), ou parte dele, foi encaminhado para publicação, sob a forma de artigo
científico, em periódicos indexados em bases nacionais ou internacionais, nas áreas de
interesse do PPES. Instrução Normativa № 1/2014, 29/04/2014. Disponível em:
<http://www.ufal.edu.br/unidadeacademica/famed/pos-graduacao/ensino-nasaude/instrucao-normativa-no-01-2014>. Acesso em: 3 maio 2014.
FACULDADE DE MEDICINA a. Universidade Federal de Alagoas. Histórico. Disponível
em: <http://www.ufal.edu.br/unidadeacademica/famed/pos-graduacao/ensino-nasaude/historico>. Acesso em: 11 Jun. 2014.
FACULDADE DE NUTRIÇÃO. Universidade Federal de Alagoas. Projeto Pedagógico
do Curso de Bacharelado em Nutrição. Colegiado do Curso de Nutrição, 2010.
Disponível em: < http://www.ufal.edu.br/arquivos/prograd/cursos/campusmaceio/nutricao-bacharelado>. Acesso em: 01 Abr. 2012.
GUEDES, E.M. et al. (Orgs.). Padrão UFAL de normalização. Maceió: EDUFAL, 2012.
MACÊDO, M.C.S.; ROMANO, R.A.T.; HENRIQUES, L.M.; PINHEIRO, R. Cenários de
aprendizagem: interseção entre os mundos do trabalho e da formação. In:
Pinheiro, Roseni ; Ceccim, Ricardo Burg ; Mattos, Ruben Araújo de (Orgs.). Ensinar
Saúde: a integralidade e o SUS nos cursos de graduação na área de saúde. Rio de
Janeiro: ABRASCO, 2006.
ROCHA, H.C.; RIBEIRO, V.B. Curso de Formação Pedagógica para oPreceptores do
Internato Médico. Rev Bras Educ Méd. Rio de Janeiro, v. 36, n. 3, p. 343-350, 2012.
WERNECK, M.A.F.et al. Nem tudo é estágio: contribuições para o debate. Cien Saúde
Colet. Rio de Janeiro, v. 15, n. 1, p. 221-231, Jan./2010. Disponível em:
<http://www.scielo.br/pdf/csc/v15n1/a27v15n1.pdf> Acesso em: 4 nov. 2011.

51

APÊNDICES

52

APÊNDICE A: Termo de consentimento livre e esclarecido para o grupo dos
docentes.

UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS – UFAL
FACULDADE DE MEDICINA – FAMED
MESTRADO PROFISSIONAL EM ESNINO NA SAÚDE MPES

TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO
GRUPO DOS DOCENTES
Maceió, maio de 2013.
Você está sendo convidado a participar como voluntário(a) da pesquisa intitulada
“Preceptoria no estágio curricular de nutrição: concepções, práticas e desafios”,
cujo objetivo principal é estudar a atividade de preceptoria que acontece na Disciplina
Estágio Supervisionado em Nutrição e Saúde Pública da Faculdade de Nutrição da
UFAL (ESNSP/FANUT/UFAL). Nosso propósito é fundamentar e fortalecer essa prática
tão importante na formação do profissional de saúde. A realização desse trabalho
justifica-se pela carência de publicações sobre preceptoria no contexto local de ensino
na saúde.
Não haverá nenhum tipo de custo ou vantagem financeira para o participante do
estudo, sendo assegurada total liberdade para aceitar ou recusar este convite, além do
direito de retirar seu consentimento ou interromper sua participação em qualquer fase
da pesquisa, sem que isso lhe cause penalidade alguma.
Trata-se de uma pesquisa de abordagem qualitativa, cujos dados serão coletados por
meio da técnica de grupo focal (GF), na qual um grupo de pessoas com experiências
semelhantes, no nosso caso o grupo dos docentes do ESNSP/FANUT/UFAL, reune-se
para discutir um determinado tema.
A conversa será conduzida por um moderador experiente e guiada por um roteiro de
tópicos específicos e diretivos a respeito do tema “preceptoria no
ESNSP/FANUT/UFAL”. É garantido ao participante total anonimato e o direito
incondicional de recusar-se a responder qualquer questão que considere inapropriada,
inoportuna ou constrangedora.
Gravações de áudio e vídeo registrarão o desenvolvimento do GF e as pessoas serão
identificadas por codinomes, evitando a exposição do seu nome real. Os dados
coletados serão mantidos em absoluto sigilo, utilizados exclusivamente nesse estudo e

53

destruídos ao término da pesquisa. O GF terá duração máxima de 90 minutos e
acontecerá em local de fácil acesso, tranquilo e confortável, a ser combinado com os
participantes, respeitando-se sua disponibilidade e conveniência.
Os riscos nesse estudo são mínimos e os mais iminentes estão ligados à quebra de
sigilo e confidencialidade, como também à possibilidade de situações constrangedoras
durante a realização da técnica de GF. Para minimizá-los, tomaremos cuidado especial
na condução do debate e nos empenharemos para que os preceitos de
confidencialidade e anonimato sejam acatados e respeitados por todos os presentes.
Embora não possamos dar total garantia que assim o façam, não acreditamos na
possibilidade de problemas desse tipo, haja vista serem os participantes profissionais
da área de saúde habituados às exigências de sigilo nas relações laborais que
exercem. Mais ainda, são pessoas que vivenciam o meio acadêmico e compreendem
as condições e tratamento dispensados aos que participam de estudos científicos da
mesma natureza.
Esperamos como benefício imediato estimular o fortalecimento da relação ensinoserviço, através da reflexão de vivências e expectativas relacionadas ao exercício da
preceptoria no ESNSP/FANUT/UFAL. E, em um futuro próximo, contribuir para melhorar
a formação profissional em saúde e revigorar a assistência à população usuária do
nosso Sistema Único de Saúde.
Os resultados alcançados serão conhecidos através de publicações em revistas ou
eventos científicos, contudo em nenhum momento, você será identificado como
participante do estudo.
É facultado ao participante solicitar a qualquer tempo, maiores explicações sobre
aspecto(s) da pesquisa que não esteja(m) perfeitamente claro(s) e retirar seu
consentimento em participar, se assim desejar. Disponibilizamos no fim desse
documento os nossos contatos, caso seja necessário.
Este “Termo de Consentimento Livre e Esclarecido” (TCLE) encontra-se impresso em
duas vias. Uma ficará sob a guarda da pesquisadora responsável, mestranda Ana
Patrícia Tojal de França, a outra será entregue a você.
Estando plenamente ciente a respeito da pesquisa, dos direitos que lhes são garantidos
e de acordo com a forma voluntária de participação, solicitamos seu consentimento em
tomar parte no estudo através da assinatura desse documento.
Eu, _______________________________________ fui informado(a) sobre os objetivos
e a forma como será desenvolvida a referida pesquisa, de maneira clara e detalhada e
pude esclarecer minhas dúvidas. Sei que em qualquer momento poderei solicitar novas
informações e modificar minha decisão se assim desejar. A pesquisadora responsável,

54

mestranda Ana Patrícia Tojal de França, seu orientador Prof. Dr. Antonio Carlos Silva
Costa e sua co-orientadora Profa. Dra. Maria Alice Araújo
Oliveira, confirmam os compromissos assumidos nesse TCLE e se colocam à
disposição para qualquer esclarecimento que eu ache necessário.
Declaro que concordo em participar voluntariamente desse estudo. Recebi uma cópia
do termo de consentimento livre e esclarecido e me foi dada a oportunidade de ler e
esclarecer as minhas dúvidas.
Participante:
Nome:________________________________________________________________
Assinatura: __________________________________________ Data:____/____/____
Pesquisadora responsável:
Ana Patrícia Tojal de França: ______________________________________________
Data: ____/____/____Contato: (82) 3313-1399/9921-3538/ ana.patricia.tf@hotmail.com
Orientador:
Prof. Dr. Antonio Carlos Silva Costa:_________________________________________
Data: ____/____/____Contato: (82) 9981-7222/ acscosta@gmail.com
Co-Orientadora:
Profa. Dra. Maria Alice Araújo Oliveira:_______________________________________
Data: ____/____/____Contato: (82) 3214-1166/3338-9817 / alicemcz@superiog.com.br
Testemunha:
Nome:________________________________________________________________
Assinatura: __________________________________________ Data:____/____/____

ATENÇÃO: Para tirar dúvidas sobre questões éticas ou informar ocorrências irregulares ou
danosas durante a sua participação no estudo, dirija-se ao:
Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Alagoas, no Prédio da Reitoria, sala do
C.O.C. , Campus A. C. Simões, Cidade Universitária. Telefone: 3214-1041.

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APÊNDICE B: Termo de consentimento livre e esclarecido para o grupo dos
preceptores.

UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS – UFAL
FACULDADE DE MEDICINA – FAMED
MESTRADO PROFISSIONAL EM ESNINO NA SAÚDE - MPES

TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO
GRUPO DOS PRECEPTORES
Maceió, maio de 2013.
Você está sendo convidado a participar como voluntário(a) da pesquisa intitulada
“Preceptoria no estágio curricular de nutrição: concepções, práticas e desafios”,
cujo objetivo principal é estudar a atividade de preceptoria que acontece na Disciplina
Estágio Supervisionado em Nutrição e Saúde Pública da Faculdade de Nutrição da
UFAL (ESNSP/FANUT/UFAL). Nosso propósito é fundamentar e fortalecer essa prática
tão importante na formação do profissional de saúde. A realização desse trabalho
justifica-se pela carência de publicações sobre preceptoria no contexto local de ensino
na saúde.
Não haverá nenhum tipo de custo ou vantagem financeira para o participante do
estudo, sendo assegurada total liberdade para aceitar ou recusar este convite, além do
direito de retirar seu consentimento ou interromper sua participação em qualquer fase
da pesquisa, sem que isso lhe cause penalidade alguma.
Os dados serão coletados por meio da técnica de grupo focal (GF), na qual um grupo
de pessoas com experiências semelhantes, no nosso caso o grupo dos preceptores do
ESNSP/FANUT/UFAL, reúne-se para discutir um determinado tema.
A conversa será conduzida por um moderador experiente e guiada por um roteiro de
tópicos específicos e diretivos a respeito do tema “preceptoria no
ESNSP/FANUT/UFAL”. É garantido ao participante total anonimato e o direito
incondicional de recusar-se a responder qualquer questão que considere inapropriada,
inoportuna ou constrangedora.
Gravações de áudio e vídeo registrarão o desenvolvimento do GF e as pessoas serão
identificadas por codinomes, evitando a exposição do seu nome real. Os dados
coletados serão mantidos em absoluto sigilo, utilizados exclusivamente nesse estudo e
destruídos ao término da pesquisa. O GF terá duração máxima de 90 minutos e

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acontecerá em local de fácil acesso, tranquilo e confortável, a ser combinado com os
participantes, respeitando-se sua disponibilidade e conveniência.
Os riscos nesse estudo são mínimos e os mais iminentes estão ligados à quebra de
sigilo e confidencialidade, como também à possibilidade de situações constrangedoras
durante a realização da técnica de GF. Para minimizá-los, tomaremos cuidado especial
na condução do debate e nos empenharemos para que os preceitos de
confidencialidade e anonimato sejam acatados e respeitados por todos os presentes.
Embora não possamos dar total garantia que assim o façam, não acreditamos na
possibilidade de problemas desse tipo, haja vista serem os participantes profissionais
da área de saúde habituados às exigências de sigilo nas relações laborais que
exercem.
Esperamos como benefício imediato estimular o fortalecimento da relação ensinoserviço, através da reflexão de vivências e expectativas relacionadas ao exercício da
preceptoria no ESNSP/FANUT/UFAL. E, em um futuro próximo, contribuir para melhorar
a formação profissional em saúde e revigorar a assistência à população usuária do
nosso Sistema Único de Saúde.
Os resultados alcançados serão conhecidos através de publicações em revistas ou
eventos científicos, contudo em nenhum momento, você será identificado como
participante do estudo.
É facultado ao participante solicitar a qualquer tempo, maiores explicações sobre
aspecto(s) da pesquisa que não esteja(m) perfeitamente claro(s) e retirar seu
consentimento em participar, se assim desejar. Disponibilizamos no fim desse
documento os nossos contatos, caso seja necessário.
Este “Termo de Consentimento Livre e Esclarecido” (TCLE) encontra-se impresso em
duas vias. Uma ficará sob a guarda da pesquisadora responsável, mestranda Ana
Patrícia Tojal de França, a outra será entregue a você.
Estando plenamente ciente a respeito da pesquisa, dos direitos que lhes são garantidos
e de acordo com a forma voluntária de participação, solicitamos seu consentimento em
tomar parte no estudo através da assinatura desse documento.
Eu, _______________________________________ fui informado(a) sobre os objetivos
e a forma como será desenvolvida a referida pesquisa, de maneira clara e detalhada e
pude esclarecer minhas dúvidas. Sei que em qualquer momento poderei solicitar novas
informações e modificar minha decisão se assim desejar. A pesquisadora responsável,
mestranda Ana Patrícia Tojal de França, seu orientador Prof. Dr. Antonio Carlos Silva
Costa e sua co-orientadora Profa. Dra. Maria Alice Araújo Oliveira, confirmam os

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compromissos assumidos nesse TCLE e se colocam à disposição para qualquer
esclarecimento que eu ache necessário.
Declaro que concordo em participar voluntariamente desse estudo. Recebi uma cópia
do termo de consentimento livre e esclarecido e me foi dada a oportunidade de ler e
esclarecer as minhas dúvidas.
Participante:
Nome:________________________________________________________________
Assinatura: __________________________________________ Data:____/____/____
Pesquisadora responsável:
Ana Patrícia Tojal de França: ______________________________________________
Data: ____/____/____Contato: (82) 3313-1399/9921-3538/ ana.patricia.tf@hotmail.com
Orientador:
Prof. Dr. Antonio Carlos Silva Costa:_________________________________________
Data: ____/____/____Contato: (82) 9981-7222/ acscosta@gmail.com
Co-Orientadora:
Profa. Dra. Maria Alice Araújo Oliveira:_______________________________________
Data: ____/____/____Contato: (82) 3214-1166/3338-9817 / alicemcz@superiog.com.br
Testemunha:
Nome:________________________________________________________________
Assinatura: __________________________________________ Data:____/____/____
ATENÇÃO: Para tirar dúvidas sobre questões éticas ou informar ocorrências irregulares ou
danosas durante a sua participação no estudo, dirija-se ao:
Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Alagoas, no Prédio da Reitoria, sala do
C.O.C. , Campus A. C. Simões, Cidade Universitária. Telefone: 3214-1041.

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APÊNDICE C: Roteiro de perguntas para o grupo focal dos docentes.

PERGUNTAS NORTEADORAS PARA REALIZAÇÃO DO GRUPO FOCAL COM OS
DOCENTES DA DISCIPLINA ESTÁGIO SUPERVISIONADO EM NUTRIÇÃO E SAÚDE
PÚBLICA DA FACULDADE DE NUTRIÇÃO DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE
ALAGOAS (ESNSP/FANUT/UFAL).

1. Qual o papel da atividade de “PRECEPTORIA” no processo de formação
profissional do nutricionista?
2. Como a figura do “PRECEPTOR(A)” está inserida no processo de ensinoaprendizagem dos alunos da disciplina ESNSP/FANUT/UFAL?
3. Como acontece a participação docente nos processos de planejamento e
avalição da preceptoria no ESNSP/FANUT/UFAL?
4. Você observa algum tipo de dificuldade de cunho didático-pedagógico no
desenvolvimento da preceptoria no ESNSP/FANUT/UFAL?
5. O que poderia ser
ESNSP/FANUT/UFAL?

feito

para

melhorar

o

desenvolvimento

do

59

APÊNDICE D: Roteiro de perguntas para o grupo focal dos preceptores.

PERGUNTAS NORTEADORAS PARA REALIZAÇÃO DO GRUPO FOCAL COM OS
PRECEPTORES DA DISCIPLINA ESTÁGIO SUPERVISIONADO EM NUTRIÇÃO E
SAÚDE PÚBLICA DA FACULDADE DE NUTRIÇÃO DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE
ALAGOAS (ESNSP/FANUT/UFAL).

1. O que é “PRECEPTORIA”?
2. Qual a relação entre “PRECEPTORIA” e a formação do futuro profissional de
nutrição?
3. Que atividades do dia-a-dia de trabalho podem ser listadas como “atividades de
PRECEPTORIA”?
4. A preceptoria é uma função que exige formação específica?
5. Que sugestões poderiam
“PRECEPTORIA”?

ser

dadas

para

melhorar

a

prática

da

60

APÊNDICE E – Escala para avaliação do vídeo “Preceptoria em saúde: uma
aventura possível”.

“PRECEPTORIA EM SAÚDE: UMA AVENTURA POSSÍVEL!”
Dê sua opinião a respeito do vídeo, marcando as alternativas de acordo com a legenda.
(1) Concordo totalmente; (2) Concordo; (3) Nem concordo nem discordo; (4) Discordo; (5) Discordo totalmente.

1
1. Reflete situações cotidianas da formação profissional em saúde.
2. Representa adequadamente os atores envolvidos no tema.
3. Representa adequadamente os cenários da formação prática
em saúde.
4. As ilustrações são bem feitas.
5. A música é apropriada.
6. A locução é agradável.
7. Apresenta o conteúdo de forma clara.
8. Seu roteiro é coerente.
9. Segue uma sequência lógica.
10. Estimula o pensamento crítico-reflexivo sobre o tema.
11. É um recurso pedagógico de fácil utilização.
12. Pode ser usado em diversos contextos do ensino na saúde.

Comentários e sugestões:

ANEXOS

2

3

4

5

61

APÊNDICE F – Lista de presença da oficina avaliativa do vídeo “Preceptoria em
saúde: uma aventura possível”.

Oficina “Preceptoria na formação do nutricionista”
LISTA DE PRESENÇA
Local: Escola Téc. De Saúde Dra. Valéria Hora
Data: 10/06/2014
Período: 14 às 16h

PARTICIPANTE

FUNÇÃO

INSTITUIÇÃO

EMAIL

ASSINATURA

62

ANEXOS

63

ANEXO – A: Classificação no processo seletivo para concessão de bolsa da
FAPEAL.

64

ANEXO - B: Parecer do Comitê de Ética em Pesquisa da UFAL.

65

ANEXO - C: Comprovante de submissão do artigo à Revista Public Health
Nutrition.