11- Fernanda Braga Peixoto - Núcleo Docente Estruturante: Um Olhar Sobre a Formação Acadêmica Em Odontologia

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                    UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
FACULDADE DE MEDICINA
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENSINO NA SAÚDE

FERNANDA BRAGA PEIXOTO

NÚCLEO DOCENTE ESTRUTURANTE: um olhar sobre a formação acadêmica em
Odontologia

MACEIÓ/AL
2015

FERNANDA BRAGA PEIXOTO

NÚCLEO DOCENTE ESTRUTURANTE: um olhar sobre a formação acadêmica em
Odontologia

Trabalho Acadêmico de Conclusão de
Curso de Mestrado apresentado ao
Programa de Mestrado Profissional em
Ensino na Saúde da Universidade
Federal de Alagoas, como requisito
parcial para obtenção do grau de
Mestre em Ensino na Saúde.
Orientador: Prof. Dr. Carlos Henrique
Falcão Tavares.
Coorientadora: Profa. Dra. Jerzuí
Mendes TorresTomaz.

MACEIÓ/AL
2015

FERNANDA BRAGA PEIXOTO

NÚCLEO DOCENTE ESTRUTURANTE: um olhar sobre a formação acadêmica em
Odontologia

Trabalho Acadêmico de Conclusão de
Curso de Mestrado apresentado ao
Programa de Mestrado Profissional em
Ensino na Saúde da Universidade
Federal de Alagoas, como requisito
parcial para obtenção do grau de
Mestre em Ensino na Saúde.

APROVADO EM ___/___/____

_____________________________
Prof. Dr. Carlos Henrique Falcão Tavares - Universidade Federal de Alagoas
______________________________
Profa. Dra. Cristina Camelo de Azevedo - Universidade Federal de Alagoas
______________________________
Prof. Dr. Marcos Antônio Leal Ferreira – Centro Universitário CESMAC

AGRADECIMENTOS

Ao meu marido e amigo Marcilio Peixoto, meu maior incentivador. Obrigado por você
estar presente em todos os momentos da minha vida, acreditando em mim mesmo
quando nem eu acredito. Para você, meu amor eterno.

Minhas filhas Isabela Peixoto e Letícia Peixoto, meus maiores tesouros. A vocês
dedico todas as minhas conquistas

Ao meu orientador e amigo prof. Carlos Henrique, obrigado pelo incentivo e por ter
entendido as minhas dificuldades.

A minha Coorientadora profa. Jerzuí Tomaz pelas observações importantes para
execução desse trabalho.

Aos irmãos queridos Marcos Antônio Leal Ferreira e Roberta Ferreira, vocês não
poderiam estar fora desta conquista.

Aos membros do NDE pela disponibilidade, carinho e paciência em aceitar participar
desse trabalho.

Aos amigos do mestrado que deixaram essa jornada mais suave e tornaram os dias
mais agradáveis.

As colegas de trabalho por entenderem minhas ausências, principalmente a minha
amiga profa. Roberta Pinto Moura Penteado, pela compreensão e amizade durante
toda essa jornada.

Aos professores do MPES pela oportunidade de aprendizagem.

Ao CRO-AL por acreditar na construção do meu produto.

“Movo-me como educador, porque, primeiro, me movo como gente.”
Paulo Freire

RESUMO

Este trabalho acadêmico de conclusão de curso busca apresentar e discutir a
pesquisa realizada no Programa de Mestrado Profissional Ensino na Saúde (MPES)
da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Alagoas, nos anos de 2013 e
2014. As justificativas e motivações pessoais para a realização desta investigação
estão baseadas na minha prática docente e na minha experiência como assessora
da coordenação de um curso de graduação em odontologia. A pesquisa teve como
objetivo analisar o olhar de docentes do Núcleo Docente Estruturante de dois cursos
de Odontologia de Alagoas. Para o desenvolvimento dessa pesquisa com
abordagem qualitativa, optou-se em realizar entrevista aberta ou em profundidade,
com questões norteadoras, permitindo que o entrevistador tivesse liberdade para
desenvolver situações e explorar amplamente a questão apresentada. Foi utilizado
o referencial de análise de conteúdo a fim de organizar os discursos coletados .
Como produto de intervenção foi criando um fórum de docentes e preceptores dos
cursos de graduação em Odontologia de Alagoas em parceria com o Conselho
Regional de Odontologia de Alagoas. Todo esse desenrolar do mestrado possibilitou
aproximação aos desafios voltados para a realização de pesquisas sobre o ensino
nos cursos de Odontologia e motivou a buscar a interação dialógica a fim de se
construir uma Odontologia mais forte e concatenada com as necessidades do nosso
Estado.
Palavras-chave: Educação em odontologia. Políticas públicas. Educação superior.
Docentes de Odontologia.

ABSTRACT

This academic work shows and discuss the research conducted in the Professional
Master's Program in Health Education (MPES), Faculty of Medicine of the Federal
University of Alagoas, in 2013 and 2014. The reasons and personal motivations for
performing this research are based in my teaching practice and my experience as a
coordination advisor an undergraduate degree in dentistry. The research aimed to
analyze the look of the professors of the Structuring Teaching Center from two
Alagoas Dentistry courses. For the development of this research with a qualitative
approach, it was decided to hold open interviews or in-depth, with guiding questions,
allowing the interviewer had freedom to develop situations and widely explore the
issue presented. Content analysis framework was used to organize the collected
speeches. As intervention product was created a forum for professors and tutors of
undergraduate courses in Alagoas Dentistry in partnership with the Alagoas Dental
Regional Council. This whole course of Master allowed approach to the challenges
facing the development of research on education in dentistry courses and motivated
to seek dialogic interaction in order to build a stronger Dentistry and linked to needs
of our state.
Key words: Education, Dental. Public Policies. Education, Higher. Faculty, Dental.

LISTA DE ABREVIATURAS

AISB - Atenção Integral em Saúde Bucal
APS - Atenção Primária em Saúde
CD - Cirurgião-dentista
CONAES - Comissão Nacional de Avaiação da Educação Superior
DCN - Dirretrizes Curriculares Nacionais
DCNO - Dirretrizes Curriculares Nacionais para o curso de Odontologia
ENADE - Exame Nacional de desempenho de Estudantes
ESF - Estratégia de Saúde da Família
IES - Instituições de Ensino Superior
MEC - Ministério da Educação
MS - Ministério da Saúde
NDE - Núcleo Docente Estruturante
PET saúde - Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde
PPC - projeto pedagógico dos Cursos
SUS - Sistema Único de Saúde

SUMÁRIO

1 APRESENTAÇÃO .......................................................................................

10

2 ARTIGO ORIGINAL .....................................................................................

12

2.1 Título/Title ................................................................................................

12

2.2 Resumo/Abstract .....................................................................................

12

2.3 Introdução ................................................................................................

13

2.4 Percurso metodológico ..........................................................................

18

2.5 Resultados e discussão ..........................................................................

23

2.6 Considerações finais ..............................................................................

39

2.7 Colaboradores .........................................................................................

40

2.8 Agradecimentos ......................................................................................

41

2.9 Conflito de interesse ...............................................................................

41

2.10 Referências ............................................................................................

41

3 PRODUTO DE INTERVENÇÃO ..................................................................

47

4 CONCLUSÃO GERAL .................................................................................

53

REFERÊNCIAS ...............................................................................................

54

ANEXOS .........................................................................................................

60

1 APRESENTAÇÃO

Os frutos do Mestrado Profissional em Ensino na Saúde advêm da minha
trajetória como professora e assessora da coordenação do curso de Odontologia do
Centro Universitário CESMAC. Surgiram das minhas inquietações a respeito do que
venho produzindo enquanto participante ativa na formação do meu corpo discente
perpassando pela adequação do curso às Diretrizes Curriculares Nacionais para a
Odontologia – DCNO.
Ao ingressar para assessoria da coordenação do curso de Odontologia
percebi um significativo despreparo pedagógico necessário ao exercício da função
docente entre nós professores, apesar de nossa excelência técnica.
No momento em que passei a fazer parte da coordenação do curso, deu-se o
início de um processo de transição onde precisávamos adequar o curso de
Odontologia para o que se preconiza nas DCNO. Estávamos em busca de uma
Odontologia que deixasse de ser tão “tecnicista” e compartimentalizada e se
tornasse mais preocupada com a demanda social. Deparei-me com um mundo muito
diferente da sala de aula e, ao mesmo tempo, percebi que a minha sala de aula
dependia desse conhecimento.
O Projeto Pedagógico do Curso – PPC estava sendo construído de acordo
com o novo modelo de formação acadêmica, mas os atores principais, que são os
professores, estavam à margem dessa mudança. Para que se colocasse em prática
o que estava tão bem escrito no papel era necessário que os professores
passassem a entender e se inserir nesse processo de mudança.
Para responder aos meus questionamentos, considerando a minha trajetória
pessoal na inserção docente e em uma melhor adequação as DCNO, decidi
trabalhar durante a minha pesquisa no mestrado com o Núcleo Docente Estruturante
– NDE, grupo de professores responsáveis, em conjunto com o Colegiado do Curso,
por elaborar e atualizar o PPC e conduzir os trabalhos de acompanhamento e
desenvolvimento curricular.
Durante o desenvolvimento da pesquisa, procurei entender de que forma
esses professores eram escolhidos para fazer parte dessa equipe e o que, de fato,
eles contribuíam para a formação acadêmica dos graduandos do curso de

Odontologia, além de tentar identificar quais as dificuldades enfrentadas nesse
processo.
Para atender aos meus anseios a minha pergunta de pesquisa foi: Qual o
olhar de membros do NDE de cursos de graduação em Odontologia sobre a
formação acadêmica?
Durante a realização da pesquisa foram observadas algumas dificuldades
para realizá-la como, por exemplo, conseguir a disponibilidade de tempo para que
ocorressem as entrevistas, apesar de todos se mostrarem bem interessados e
receptivos com a pesquisa.
Um fato marcante durante as entrevistas foi a unanimidade entre os
entrevistados quando se referiam ao distanciamento e o desinteresse da maioria do
corpo docente em se inserir nessa nova filosofia de formação acadêmica, afirmando
a todo o momento ser o principal entrave para que ocorra uma maior efetividade na
implantação em novas matrizes curriculares.
Pensando nessa inserção docente e em uma melhor adequação as DCNO
criou-se como produto de intervenção durante a realização do meu mestrado o
fórum de docentes e preceptores dos cursos de graduação em Odontologia de
Alagoas, em parceria com o Conselho Regional de Odontologia de Alagoas – CROAL .
O projeto desse fórum foi entregue e apresentado aos diretores do CRO-AL e
passará a fazer parte, anualmente, das comemorações deste conselho ao dia do
Cirurgião-dentista – CD, que acontece na última semana de Outubro (anexo A).
Este fórum, além da parceria com o CRO-AL, contou com a participação para
sua elaboração de um representante de cada IES de Alagoas que ofertam o Curso
de Odontologia. Esse cuidado durante a elaboração desse produto foi para que
todas as instituições se sentissem inseridas no processo, que visa uma maior
integração e um momento de discussão em prol de uma Odontologia melhor.

2 ARTIGO ORIGINAL

2.1 Título/ Title

Núcleo Docente Estruturante: um olhar sobre a formação acadêmica em
Odontologia
Core Structuring Teaching: a sight on academic training in Dentistry.

2.2 Resumo/Abstract

O Núcleo Docente Estruturante (NDE) é composto por professores responsáveis por
elaborar e atualizar o Projeto Pedagógico do Curso, além de conduzir os trabalhos
de acompanhamento e desenvolvimento curricular. Objetivou-se analisar o olhar
sobre a formação acadêmica de professores do NDE de dois cursos de Odontologia.
Optou-se por desenvolver uma pesquisa com abordagem qualitativa utilizando a
entrevista aberta para obter as informações necessárias. Os referenciais teóricometodológicos utilizados foram documentais e de autores que desenvolvem
publicações sobre a evolução do ensino odontológico. Após a análise de conteúdo
das respostas concluiu-se que, as clínicas integradas e o aumento da carga horária
das disciplinas de saúde coletiva foram as estratégias citadas para que as
instituições se adaptassem ao novo modelo de formação odontológica preconizado
pelas Diretrizes Curriculares Nacionais, pois o perfil do aluno voltado para a
especialização e a influência familiar dificultam as adequações necessárias para a
formação acadêmica e também que a reestruturação curricular dos cursos de
Odontologia se apresenta como uma oportunidade para colocar em discussão o
ensino na graduação e pautar as discussões no plano epistemológico.
Palavras-chave: Educação em odontologia. Políticas públicas. Educação superior.
Docentes de Odontologia.
The Core Structuring Lecturer (CSL) is formed by professors who are
responsible for developing and updating the Pedagogical Project of the Course, in

addition to conduct the work of monitoring and curriculum development . This study
aimed to analyze the look on the academic training of teachers CSL two students of
dentistry. It was decided to develop a research with qualitative approach using open
interview to obtain the necessary information. The theoretical and methodological
frameworks used were files from authors who develop publications on the evolution
of dental education. After answers analysis it was concluded that the integrated
clinical and the workload increase of public health disciplines were strategies cited
for institutions to adapt to the new dental education model recommended by the
National Curriculum Guidelines for the Profile facing student for specialization and
the family influence hinder the necessary adjustments to the academic training and
also the curricular restructuring of Dentistry courses is presented as an opportunity to
put

in

discussion

teaching

at

undergraduate

and

guided

discussions

in

epistemological plan. After answers analysis it was concluded that the integrated
clinical and the increase workload of public health disciplines were strategies cited for
institutions to adapt to the new dentistry education model recommended by National
Curriculum Guidelines, as the profile of the student is right for specialization and
family influence hinder the necessary adjustments to the academic training and also
the curricular restructuring of Dentistry courses are showDentistry courses is showed
as an opportunity to put in discussion teaching at graduate and guided discussions in
epistemological plan.
Key words: Education, Dental. Public Policies. Education, Higher. Faculty,
Dental.

2.3 Introdução

A Odontologia advém da área de conhecimento das ciências médicas
acompanhando, por conseguinte, marco conceitual e alicerces decorrentes da
“medicina científica”, também utilizando o relatório de Flexner na organização das
escolas de formação1. Nesse sentido, os primeiros currículos foram elaborados com
ênfase em ciclos de conhecimento (básico e clínico), aproximação aos pacientes
apenas após o ciclo básico e concentração do ensino em ambiente ambulatorial. Tal

modelo acadêmico baseava-se em uma prática individual, curativa, tecnicista,
especializada e biologicista2.
A própria história tratou de evidenciar que o ensino odontológico, neste
modelo, apresenta-se como insuficiente, na medida em que não responde, em níveis
significativos, aos problemas de saúde bucal da população, e ineficiente, uma vez
que é de alto custo e de baixíssimo rendimento. Isto pode ser ratificado observandose diretamente o modelo assistencial ainda predominante que exige alta
complexidade e enfatiza o enfoque curativo1,3,4.
No início dos anos 70, com a maior implementação de cursos de pósgraduação lato e stricto sensu e as exigências de titulação nos concursos públicos
para a carreira universitária no Brasil, começou um movimento de questionamentos
a respeito da formação e das dificuldades do exercício docente, em virtude da
percepção de maiores requisitos de abordagens múltiplas e complexas do processo
ensino-aprendizagem4.
O movimento de reforma sanitária que impulsionou a criação e promulgação
constitucional do Sistema Único de Saúde – SUS acirrou este debate e desde o ano
2000, com a inclusão definitiva do Cirurgião-dentista – CD na principal política da
Atenção Primária em Saúde – APS do Ministério da Saúde – MS, a Estratégia de
Saúde da Família – ESF ficou ainda mais clara a necessidade de reformulações
curriculares no sentido do atendimento integral a saúde, centrado principalmente na
promoção da saúde e não apenas na resolução imediatista das enfermidades 5, 6.
Ratificou-se, assim, a necessidade de uma nova prática em saúde onde a
produção de conhecimento, a formação profissional e a prestação de serviços
surjam de forma indissociáveis 7,8,9.
Pensar a universidade hoje exige, cada vez mais, que estejamos abertos a
um mundo em constante transformação. Se, durante muito tempo, esta representou
um espaço social marcado pela produção e pelo armazenamento do conhecimento
acumulado pela humanidade, atualmente, as mudanças socioeconômicas e culturais
demandam, desta instituição, novas formas de gerir o conhecimento e as relações
que ela estabelece com a realidade social10.
Neste sentido, com o objetivo de formar profissionais voltados para trabalhar
nos diversos níveis de atenção à saúde do SUS, respeitando e aperfeiçoando seus

princípios e diretrizes normativas, foram instituídas as Diretrizes Curriculares
Nacionais – DCN para os cursos de graduação e, dentre estes, para o curso de
Odontologia – DCNO em 200211. Este documento procurou diminuir o atraso da
Odontologia frente à reforma sanitária brasileira e suas repercussões estimulando a
interação ensino-serviço, procurando desconstruir o cuidado individualista da
promoção de saúde e tornando as Instituições de Ensino Superior – IES próximas à
realidade da população11, 12.
Ao definir o novo perfil profissional desejado para os egressos dos cursos de
Odontologia, as DCN trazem uma nova prática profissional que pode ser realizada
também fora dos limites do consultório, tanto de forma individual quanto coletiva. A
formação de um profissional generalista, pautado no atendimento integral ao
paciente, procura romper com a dicotomia preventivo-curativo e público-privado, com
a valorização precoce da especialização e com a falta de integração com outras
áreas da saúde que tem caracterizado o exercício da profissão 13.
Desta forma, muitos cursos de Odontologia começaram a buscar caminhos
que respondessem aos desafios de construção colegiada e interdisciplinar dos
Projetos Políticos Pedagógicos, de mudanças curriculares e de profissionalização do
trabalho docente4,9, permitindo que o SUS assumisse definitivamente o papel ativo
na reorientação das estratégias de cuidado, tratamento e acompanhamento da
saúde individual e coletiva, a partir da revisão do modo de formação para adequada
atuação em seus diversos níveis de atenção, em equipe multiprofissional, primando
pelo atendimento integral à saúde14,15.
Ambicionando-se a atenção integral em saúde, o Ministério da Saúde – MS
editou a Portaria n. 2.488, de 21 de outubro de 2011 15, que destaca, em suas
disposições gerais, que:
A atenção básica caracteriza-se por um conjunto de ações de saúde, no
âmbito individual e coletivo, que abrange a promoção e proteção da saúde,
a prevenção de agravos, o diagnóstico, o tratamento, a reabilitação,
redução de danos e a manutenção da saúde com o objetivo de desenvolver
uma atenção integral.

E onde são consideradas atribuições específicas dos Cirurgiões-dentistasCDs, dentre outras:

I – realizar diagnóstico com a finalidade de obter o perfil epidemiológico
para o planejamento e a programação em saúde bucal; II – realizar a
atenção integral a saúde em saúde bucal (promoção e proteção da saúde,
prevenção

de

agravos,

diagnóstico,

tratamento,

acompanhamento,

reabilitação e manutenção da saúde) individual e coletiva a todas as
famílias, a indivíduos e a grupos específicos, de acordo com planejamento

Mesmo com as discussões sobre o (re)pensar da formação acadêmica, ainda
persiste a percepção de certo distanciamento entre a prática e a teoria pregada na
academia, uma vez que o papel de constatar a realidade e de produzir sentidos, no
caso da saúde, pertence tanto ao SUS como às instituições formadoras de suas
profissões16,17 .
Fonseca18 observou que muitas instituições de ensino “desconhecem” ou
retardam a implantação das DCN devido à necessidade de uma ampla e trabalhosa
reformulação voltada para a necessidade de mercado. É importante rever as
estruturas curriculares e o próprio desenvolvimento dos cursos para a formação de
um profissional compatível com a realidade social do país. Feuerwerker7 afirma ser
fundamental a utilização de metodologias ativas de ensino-aprendizagem, focada no
aluno como sujeito participante ativo do processo e não apenas como ouvinte de
informações, para que se possibilite a construção dos conhecimentos a partir de
problemas da realidade.
Peixoto19, avaliando a prática da Atenção Integral em Saúde Bucal –AISB na
ESF de Alagoas, constatou que apenas uma minoria dos CDs entrevistados sentiuse satisfatoriamente preparada por sua formação acadêmica para atuar nesta
estratégia,

evidenciando

o

decisivo

papel

da

educação

para

o

aprimoramento/aperfeiçoamento do serviço em saúde.
Embora a educação se realize em múltiplas instituições, destacando a família,
o meio social, a cultura, a escola, a profissão, dentre outros, o professor representa
um dos fatores decisivos no processo educativo 20.
Como ocorreu em muitos cursos da área da saúde, o ensino odontológico
surgiu historicamente utilizando como critério para a seleção e contratação de
professores

a

conhecimento21.

condição

de

especialistas

em

uma

determinada

área

do

Costumeiramente foram selecionados no mercado os bons profissionais
(Cirurgiões-dentistas consagrados na cidade ou região que se sobressaiam por meio
de habilidades/capacidades técnicas) para ensinar nas faculdades, sendo que
muitos deles não tinham nenhum conhecimento na área educacional ou pedagógica,
o que resultava na aplicação de técnicas de ensino fundamentadas apenas na
reprodução de suas formações nos programas de pós-graduação, de modelo geral
tecnicistas,

baseada

na

filosofia

de

fragmentação

do

conhecimento

por

21

especialidades , assumindo esta carreira por status, com o intuito de ganhar
clientela e não por vocação ou interesse inicial 22.
Diante da necessidade desse novo enfoque, preconizado pelas DCNO,
voltado para a formação de profissionais capazes de atuar em sintonia com o
sistema de saúde vigente no país4, o papel do professor dos cursos de graduação
em Odontologia passa por uma constante necessidade de atender às mudanças
oriundas da evolução científica, tecnológica e social como um todo e, desta forma,
espera-se que este seja capaz de reajustar e adaptar o processo do ensino às novas
demandas sociais das quais a Odontologia vem se fazendo tão distante 1,19,23,24.
Com base na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira 25, a gestão
dos cursos de ensino superior tem seu alicerce para a construção, implementação e
desenvolvimento dos projetos institucionais envolvendo um Coordenador de Curso,
um órgão Colegiado e um Núcleo Docente Estruturante – NDE. Este último foi
normatizado pela resolução da Comissão Nacional de Avaliação da Educação
Superior – CONAES n. 01, de 17 de janeiro de 201026, sendo composto por um
corpo de professores titulados com regime integral ou parcial de trabalho na
Instituição27.
O NDE é responsável, em conjunto com o Colegiado do Curso, por elaborar e
atualizar o Projeto Pedagógico e conduzir os trabalhos de acompanhamento e
desenvolvimento curricular. Também deve estar envolvido em ações de socialização
de informações sobre o Exame Nacional de Desempenho de Estudantes – ENADE
e, sobretudo, em atividades de integração entre docentes e estudantes que
culminam no processo de produção de conhecimento no âmbito do curso de
graduação26,27.
Cabe ao NDE dos cursos superiores zelar pelo cumprimento das Diretrizes
Curriculares Nacionais para os Cursos de Graduação 26 e, desta forma, espera-se

que o corpo docente que compõe tal gestão esteja consoante aos preceitos dessas
diretrizes, com intencionalidade pedagógica voltada para uma adequada absorção
do egresso no SUS.

2.4 Percurso metodológico

O presente estudo, desenvolvido na área de ensino na saúde, corresponde a
uma pesquisa descritiva de abordagem qualitativa, por permitir uma aproximação
adequada do objeto de estudo, possibilitando apreender seus aspectos singulares e
específicos considerando sua realidade28, baseando-se no realizado por Bispo,
Tavares e Tomaz29.
Optou-se pela pesquisa qualitativa por esta permitir a compreensão de
valores culturais e representações. Segundo Minayo28, a pesquisa qualitativa não se
baseia em critérios numéricos para garantir sua representatividade. Nesse sentido,
os sujeitos sociais que detêm os atributos que se pretende investigar, conforme os
critérios de inclusão para participação na pesquisa devem ser considerados em
número suficiente, de tal forma que permita a reincidência das informações, sem que
se desprezem outras informações relevantes. Além disso, o conjunto de informantes
deve ser diversificado de forma que possibilite a apreensão de semelhanças e
diferenças e a escolha do local e do grupo de observação deve conter o conjunto
das experiências e expressões que se pretende objetivar com a pesquisa.
Objetivou-se, com este artigo, principalmente analisar o olhar destes docentes
sobre a formação acadêmica em Odontologia e, também, mais especificamente
compreender: a) o que os estimulou a comporem o NDE; b) os ganhos advindos
dessa atuação na gestão acadêmica dos cursos aos quais fazem parte; c) quais
eram suas percepções sobre as DCNO para a formação em Odontologia; d) as
principais dificuldades encontradas para desenvolvimento de habilidades e
competências em Atenção Integral em Saúde Bucal nas IES.
Para consecução dos objetivos propostos, a pesquisa foi desenvolvida com
professores que compõem o NDE de dois cursos de Odontologia de Alagoas. Todos
os professores apresentavam título de pós-graduação stricto sensu (mestrado e/ou

doutorado) e possuíam vínculo empregatício de tempo integral (40h semanais),
parcial (20h ou 30h semanais) ou Dedicação Exclusiva (DE). O número total de
sujeitos da pesquisa que poderia ter sido alcançado era de 14 pessoas. No entanto,
por conta de afastamento temporário de dois docentes por conta de férias e
obtenção de título, obteve-se a participação de 12 indivíduos, sendo esse número de
sujeitos suficiente para saturação de vários discursos 30.
Os sujeitos da pesquisa foram recrutados por convite verbal presencial em
seus locais de trabalho, durante horário de atividades acadêmicas, após a
aprovação do projeto de pesquisa pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CAAE nº
26025614.3.0000.5013, anexo B).
Foram incluídos na pesquisa docentes em plena atividade acadêmica,
componentes do NDE de cursos de graduação em Odontologia de Alagoas com
egressos inseridos no mercado de trabalho.
Como marco de inclusão para participação do sujeito na pesquisa lavrou-se
um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido – TCLE, baseado nas diretrizes da
resolução CNS/MS 466/12.
Após assinatura do TCLE foi agendado horário de preferência para que o
sujeito participasse de uma entrevista. Considerando que o interesse deste estudo
foi compreender o que fundamentava o comportamento manifesto das pessoas
envolvidas, optamos pelo método da Entrevista Aberta ou em Profundidade segundo
Minayo28, com questões norteadoras, permitindo que o entrevistador tivesse
liberdade

para

desenvolver

situações

e

explorar

amplamente

a

questão

apresentada.
Antes da entrevista, os participantes preencheram um formulário de coleta de
dados sociodemográficos, estudantis e profissionais para caracterização do grupo
pesquisado apresentado nos quadros 1 e 2.
Quadro 1 – Caracterização sociodemográfica e estudantil dos sujeitos da pesquisa.

Sujeito

Sexo

Idade

Ano de
graduação

Região de
formação

Pósgraduação

1

Feminino

41

1997

Nordeste

Mestrado

2

Feminino

52

1990

Nordeste

Mestrado

3

Feminino

36

1999

Nordeste

Mestrado

4

Masculino

41

1998

Nordeste

Doutorado

5

Masculino

38

1998

Nordeste

Doutorado

6

Feminino

38

1999

Nordeste

Mestrado

7

Feminino

42

1999

Nordeste

Mestrado

8

Masculino

53

1982

Nordeste

Doutorado

9

Masculino

57

1980

Nordeste

Doutorado

10

Feminino

60

1977

Nordeste

Mestrado

11

Masculino

31

2006

Nordeste

Doutorado

12

Feminino

64

1978

Nordeste

Mestrado

Fonte: Peixoto, FB (2015).

Quadro 2 – Caracterização profissional dos sujeitos da pesquisa.

Sujeito

Área de atuação

Tempo de atuação no
NDE

Exercício de outra atividade
além da docência

1

Básica e
Específica

Desde sua
implementação

Consultório particular

2

Específica

Desde sua
implementação

Não

3

Específica

Desde sua
implementação

Consultório particular e
serviço público

4

Básica

04 anos

Não

5

Específica

03 anos

Consultório particular e
serviço público

6

Específica

Desde sua
implementação

Não

7

Básica

01 ano

Não

8

Específica

Desde sua
implementação

Não

9

Específica

Desde sua
implementação

Consultório particular

10

Específica

Desde sua
implementação

Não

11

Específica

01 ano

Não

12

Específica

Desde sua
implementação

Não

Fonte: Peixoto, FB (2015).

As entrevistas ocorreram nos locais escolhidos pelos entrevistados. Lakatos e
Marcone31 afirmam que o entrevistador deve proporcionar ao pesquisado bem-estar
para que ele possa falar sem constrangimento de sua vida e de seus problemas e,
quando isso ocorrer, surgirão discursos extraordinários com informações fidedignas
e válidas. Entrevistas realizadas em locais de trabalho, por exemplo, podem trazer
problemas difíceis de solucionar, fazendo com que o entrevistado perca o “fio da
meada” e se veja obrigado a retomar a narrativa de um outro ponto ou, até mesmo,
a desistir de vez daquele assunto32.
A flexibilidade de escolha do local de entrevista permitiu que os entrevistados
se sentissem mais confortáveis, contribuindo dessa forma com respostas mais
confiáveis e legitimas observadas em todas as falas.
Os dados foram obtidos por meio de material áudio digital, os quais, após
transcrição, foram descartados. As transcrições ocorreram imediatamente após cada
entrevista. Depois de cada transcrição foi realizada a conferência de fidedignidade,
ou seja, ouviu-se a gravação tendo o texto transcrito em mãos acompanhando e
conferindo cada frase, mudança de entonação, interjeições e interrupções 30.
Cada participante recebeu uma codificação aleatória com a letra S seguida
por um algarismo arábico (S1, S2, S3...) após o conjunto total das transcrições que
culminaram um total de 66 páginas obtidas, não sendo mais possível identificá-los
particularmente ou em relação à sua IES.
O Roteiro de Entrevista teve as seguintes perguntas norteadoras:
1. De que forma ocorreu seu ingresso ao NDE?
2. O fato de estar no NDE repercutiu na sua prática pedagógica? De que
forma?
3.Na sua perspectiva, qual a importância das DCN para a formação do
Cirurgião-dentista?
4. A Atenção Integral em Saúde Bucal é discutida na disciplina que você
ministra? De que forma?
5.Você

identifica fatores

que facilitam

a implantação de atividades

relacionadas à Atenção Integral em Saúde Bucal? Quais são?

6. Você identifica fatores que dificultam a implantação de atividades
relacionadas à Atenção Integral em Saúde Bucal? Quais são?
7. Que sugestão você apresentaria para melhorar o aprendizado da Atenção
Integral em Saúde Bucal durante as aulas que ocorrem na(s) sua(s) disciplina(s)?
Para a interpretação dos dados, os resultados da pesquisa foram
confrontados com o referencial teórico documental sobre Política Nacional de
Atenção Básica, Diretrizes Curriculares Nacionais, Diretrizes curriculares nacionais
para o curso de Odontologia, Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira,
Programas Pedagógicos dos Cursos de Odontologia e também foram utilizados
autores que desenvolvem publicações sobre a evolução do ensino Odontológico,
buscando por conteúdos coerentes, singulares ou contraditórios.
Para análise dos dados foi utilizado o referencial de análise de conteúdo a fim
de organizar os discursos coletados 33. Como forma de análise dos dados, foi
escolhida a Análise Temática que, por sua vez, utiliza o “tema” 33 como conceito
central e pode ser graficamente apresentado mediante uma mensagem que pode
ser uma palavra, uma frase ou um resumo. Os temas principais foram: NDE, DCN e
AISB.
Após a análise de conteúdo das respostas descritas pelos participantes, os
relatos em comum e a aproximação com o objeto deste estudo, as categorias
intituladas foram as seguintes:
C1) A Composição do NDE e a forma de ingresso docente;
C2) Ganho na atuação docente decorrentes da participação no NDE;
C3) Importância das Diretrizes Curriculares Nacionais para a formação
em Odontologia;
C4) Adequações dos projetos pedagógicos dos cursos às Diretrizes
Curriculares Nacionais e a formação generalista em Odontologia;
C5) Atenção Integral em Saúde Bucal.

2.5 Resultados e discussão

2.5.1 A COMPOSIÇÃO DO NDE E A FORMA DE INGRESSO DOCENTE

A normatização do NDE foi feita a partir da Resolução n. 01, de 17 de junho
de 2010 da CONAES 26. Em seu artigo 1º, a resolução o caracteriza como “um grupo
de docentes, com atribuições acadêmicas de acompanhamento, atuante no
processo de concepção, consolidação e contínua atualização do projeto pedagógico
do curso”.
Sobre a escolha dos membros docentes que deverão constituir esse núcleo,
diz o parágrafo único do mesmo artigo26 que
O NDE deve ser constituído por membros do corpo docente do curso, que
exerçam liderança acadêmica no âmbito do mesmo, percebida na produção
de conhecimentos na área, no desenvolvimento do ensino, e em outras
dimensões entendidas como importantes pela instituição, e que atuem
sobre o desenvolvimento do curso.

Mesmo com a garantia de flexibilidade na definição de atribuições gerais e
critérios de constituição por parte das IE Sem atos normativos próprios, a resolução
apresenta em seu artigo 3º algumas condições mínimas necessárias para
composição do grupo, conforme pode ser observado in verbis nos seguintes incisos:
I - ser constituído por um mínimo de 5 professores pertencentes ao corpo
docente do curso; lI - ter pelo menos 60% de seus membros com titulação
acadêmica obtida em programas de pós-graduação stritco sensu; III - ter
todos os membros em regime de trabalho de tempo parcial ou integral,
sendo pelo menos 20% em tempo integral; IV - assegurar estratégia de
renovação parcial dos integrantes do NDE de modo a assegurar
continuidade no processo de acompanhamento do curso.

Como em qualquer outro curso de graduação, o êxito do ensino na
Odontologia está diretamente relacionado a um adequado modelo pedagógico34. A
escolha dos membros que irão compor o NDE deve ser feita considerando os
docentes que efetivamente possam contribuir com o curso no qual estão inseridos,
além de terem um conhecimento pedagógico satisfatório para o cargo de gestão
acadêmica que irão exercer.

No entanto, o relato a seguir ratifica que a participação do corpo docente na
gestão pode ser realizada de forma impositiva.
“S11 – Na realidade caí de paraquedas. Como era professor novo na
instituição me colocaram para fazer parte do NDE”.

Tal situação leva a entender que a condução do curso de graduação pode se
tornar um mero conjunto de normas burocráticas que pode resultar em uma simples
padronização da estrutura curricular.
Para Toassi et al 35 o verdadeiro pertencimento a este órgão deve ser
considerado, uma vez que as atitudes desses gestores tendem a reverberar em uma
mudança de comportamento que implicarão nas ações institucionais como um todo,
conduzindo à uma discussão de estratégias e metas do currículo integrado e de uma
discussão acerca de como a aprendizagem deve ser avaliada no curso.
A participação na gestão acadêmica requer uma constante reflexão sobre a
condução do curso de graduação devendo ser encarada com seriedade, para que
não se corra o risco de se tornarem apenas letras mortas, que em nada mudam a
realidade do ensino. O professor tem que estar disposto a ajudar na mudança36.
“S6 – (...) tem uma falha minha, eu gosto muito da gestão do ponto de vista
prático, mas esses textos pedagógicos eu acho meio árido, não gosto muito
da leitura deles, mesmo o projeto pedagógico do curso eu li partes, eu
sempre leio as ementas das minhas disciplinas. Eu acho os textos chatos...”

Essa afirmação é preocupante e vai à contramão do que se espera do papel
docente, pois conforme apontam Veras e Carvalho37 há necessidade do
conhecimento e do comprometimento dos professores universitários de uma
maneira geral, mas principalmente dos membros do NDE, com o projeto pedagógico
do curso.
Esses mesmos autores 37 propõem como uma das causas para esse
“descuido” com a formação pedagógica dos professores do ensino superior o fato
desses professores serem valorizados apenas pela sua mais alta titulação e pela
participação em renomados eventos científicos nacionais e internacionais e pela
divulgação de suas pesquisas em veículos reconhecidos pela comunidade científica.
Concordamos com a proposição de Masetto et al 38 quando afirmam que a
questão fundamental para os programas de pós-graduação lato e stricto sensu é

assumir que além de se formar pesquisadores seja imprescindível formar
pedagogicamente os docentes do ensino superior. Esses autores sugerem a
formação no mestrado de pós-graduandos para as tarefas de docência e da
pesquisa iniciante e o doutorado para formação do pesquisador pleno. Diante desse
novo perfil de formação em pós-graduação esperam-se docentes mais preparados
para sua atuação profissional e, assim, mais capazes de exercer funções
administrativas, inclusive junto ao NDE.

2.5.2 GANHOS NA ATUAÇÃO DOCENTE DECORRENTES DA PARTICIPAÇÃO
NO NDE

A maioria dos entrevistados notou mudanças significativas, na sua atuação
docente após participar como membro efetivo do NDE, principalmente com relação
às integrações entre as disciplinas e as noções de educação humanizada20 em sala
de aula, ficando mais aberto ao diálogo e à uma construção coletiva de
aprendizagem.
“S2 – Muda, porque existe um outro tipo de conversa nas reuniões do NDE.
No momento em que você se reúne para estruturar um curso do ponto de
vista pedagógico você trabalha a sua própria prática pedagógica. Fica muito
mais fácil assimilar e se predispor à mudança...”
“S4- Passei a ouvir mais meu aluno, vi que não era só eu que sabia tudo...”

Para os sujeitos da pesquisa, o fato de conhecer mais de perto o PPC teve
grande influência nessas mudanças, uma vez que, por se tratar de um documento
com uma leitura por vezes complexa a discussão entre pares facilitou a
implementação

de

novas

atitudes

pedagógicas,

inclusive

com

maior

contextualização social durante suas aulas teóricas e práticas. No entanto, ainda
permearam nos relatos, de uma maneira geral, a presença de predomínio de
práticas pedagógicas tradicionais, ou seja, marcadas por aulas expositivas com o
ensino centrado no professor.
“S5 – Através do conhecimento adquirido no NDE mudei a minha postura.
Tem uma aula que faço que mostra o preparo cavitário para uma
restauração, bem técnica. Depois que começamos a trabalhar as Diretrizes
(Curriculares Nacionais) e o projeto pedagógico do curso eu comecei a

associar as causas para que aquele dente cariasse, que estava surgindo
por acumulo de biofilme, que vinha devido a uma falta de higienização. Ai
comecei a contextualizar sobre a situação econômica da população,
higienização, para depois ir para parte técnica”
“S4 –(...) a minha forma de dar aula também se altera na medida em que eu
sou avaliador do meu próprio trabalho, eu sou aquele indivíduo que
organizo a estrutura do meu curso junto com um grupo e ao mesmo tempo
me sinto na obrigação de me auto avaliar...”

Parece que o maior conhecimento e aproximação às propostas constantes
dos projetos pedagógicos dos cursos de Odontologia podem possibilitar a superação
da prática da “Odontologia tecnicista” por uma “Odontologia integral”, considerando
os aspectos mais amplos do movimento da reforma sanitária. Nesse sentido, além
do surgimento de um projeto pedagógico inovador e alternativo ao tradicional,
baseado na construção coletiva e centrado no aluno c omo sujeito de aprendizagem
espera-se que seja corretamente contemplado o equilíbrio entre a excelência técnica
e a relevância social39.

2.5.3 IMPORTÂNCIA DAS DIRETRIZES CURRICULARES NACIONAIS PARA A
FORMAÇÃO EM ODONTOLOGIA

A flexibilidade do currículo e a liberdade das Instituições de Ensino Superior
(IES) para elaborarem seus projetos pedagógicos permitem a adequação do ensino
de acordo com as DCNs, formando egressos com um perfil generalista, humanista,
crítico e reflexivo, competente técnico e cientificamente, respeitando os princípios
legais, éticos e compreendendo a realidade em que se encontra a fim de
proporcionar a melhoria da saúde bucal da população brasileira 5,7,18.
Em relação à importância das DCNO, a grande maioria dos entrevistados
relata que estas são de suma importância para a adequação dos egressos para
melhor inserção no mercado de trabalho.
“S4 –(...) o que se propõe hoje é uma diminuição da parte técnica para fazer
com que o aluno se enquadre no que se pede no próprio país. O governo
federal já tem uma cobrança maior em relação à qualidade desse
profissional que vai para o mercado de trabalho, tem que ter a ideia de
serviço público, ser generalista, capaz de contribuir de uma forma mais

enfática do que vinha acontecendo antes. Antes se formavam e iam buscar
os seus ambientes particulares e o governo federal não tinha nenhuma
contrapartida do investimento com a educação...”.
“S7 – (...) não adianta você investir em um profissional que não consiga se
inserir no mercado de trabalho, que tem domínio de uma tecnologia muito
avançada, mas não consegue resolver os problemas básicos da
população”.

Silveira40 e Cavalcanti et al41 destacam o interesse crescente dos recém
formados na procura por emprego no setor público trazendo, dessa forma,
responsabilidade para que as IES ofereçam uma formação capaz de desenvolver no
aluno perfil profissional generalista, de sensibilidade social e de competência
técnica.
Apesar das DCNO serem normatizadas desde 2002 5, as mudanças efetivas
continuam lentas18,42 e não são unanimidade entre os entrevistados.
“S8 – (...) na realidade nós fomos obrigados a aceitar, veio de cima para
baixo e a gente tinha que seguir aquele padrão”.
“S10 – Ela foi imposta... Vem uma lei que modifica tudo que estava sendo
feito”.

Santos et al 21 mostram que o perfil de formação do professor em Odontologia
tem se baseado fundamentalmente nos programas de pós-graduação, de modo
geral tecnicista, cuja formação é fundada na filosofia positivista, caracterizada pela
fragmentação do conhecimento por especialidades. É possível que essa formação
seja o fator que venha dificultando a aceitação das mudanças preconizadas pelas
DCNO que devem ser adaptadas aos PPC por parte dos sujeitos desta pesquisa.
A crença de que o professor universitário deva ser altamente especializado e
qualificado apenas no que se refere aos conhecimentos específicos da área que
leciona está ultrapassada e sendo repensada, tendo em vista a necessidade sentida
pelos próprios professores universitários de diferentes áreas, do conhecimento das
peculiaridades próprias da profissão docente para o exercício de sua função
acadêmica37.
Apesar dos NDEs serem formados por professores graduados e pósgraduados em épocas diferentes, fica clara a dificuldade de se construir uma nova
proposta de formação acadêmica. Em todas as entrevistas há relatos afirmando a

necessidade de uma capacitação dos docentes, a fim de se buscar esse novo perfil,
tendo em vista que se não todos, mas a maioria dos docentes que hoje estão
atuando nas instituições foi formada no modelo tradicional, flexneriano.
“S8 – É preciso mostrar ao grupo (dos professores) que a gente vive um
momento diferente e que esse momento veio para ficar mesmo, a não ser
que mude toda a constituição. É preciso repensar, mesmo que não
concorde, mas tem que se adequar. O espaço não está fechado para quem
quer seu consultório e sua especialidade, só que a graduação não possui
mais esse espaço. Temos que formar para o sistema de saúde vigente no
país”.
“S9 –Precisaria trazer os professores, reunir o pessoal e mostrar a realidade
através de cursos, palestras e workshop. Ninguém lê, precisamos de
momentos de integração. Mudar o foco da pós (graduação), mas depende
de política de governo, das instituições...”.

2.5.4 ADEQUAÇÕES DOS PROJETOS PEDAGÓGICOS DOS CURSOS ÀS
DIRETRIZES CURRICULARES NACIONAIS E A FORMAÇÃO GENERALISTA EM
ODONTOLOGIA

Durante as entrevistas pode-se observar que as instituições as quais os
membros do NDE estão inseridos, utilizam prioritariamente a inclusão da disciplina
de clínica integrada, atualmente mais frequentemente denominadas como “clínicas
odontológicas”, para adequar suas matrizes curriculares às DCNO.
Segundo Reis, Santos e Leles 43 a Clínica Integrada foi criada com o objetivo
de tornar o graduando em odontologia capaz de diagnosticar, planejar e executar
procedimentos multidisciplinares de forma a integrar conhecimentos adquiridos ao
longo do curso de Odontologia e possibilitar a formação de um clínico geral.
Nas entrevistas muitos destacaram que a introdução precoce dos alunos nas
Clínicas Integradas foi supostamente a única iniciativa plausível de contribuição para
a formação do generalista e para a integração curricular.
“S1 – A gente vem se adequando, pelo menos no papel (risos), às Diretrizes
(Curriculares Nacionais). Montamos as clínicas odontológicas a partir do
quinto período onde não existe mais as disciplinas isoladas. O problema é
que nelas são feitos apenas o tratamento clínico e cada professor vê a sua

especialidade. Enfim, modelo antigo com roupagem nova, sem nenhuma
mudança consistente”.

Fica claro que ainda existe separação entre os professores, pois continuam
exercendo o ensino de forma individualizada e sem a visão do todo, de forma
multidisciplinar e integral ao paciente. Esta formação especialista pode ser
decorrente de deficiências de professores generalistas capazes de instruir os
acadêmicos para uma visão global e “generalista”, bem como aptos a atuar em
todas as áreas da Odontologia44. A real mudança no perfil de egressos não se dará
somente com mudanças curriculares, mas sim, com novas práticas de formação em
saúde45.
“S4 – O aluno que quer ser professor que sai da faculdade com a
característica de se especializar de fazer o seu mestrado e o seu doutorado
na sua área específica, retorna para dar aula naquela área, mas ele não
está preparado para pensar de forma integral. Ele está preparado para ser o
melhor na sua especialidade. Vai ser impecável no conhecimento técnico,
mas não está preparado de forma pedagógica para ver as áreas juntas e a
contribuição que as áreas juntas dariam para a formação do aluno”.
“S6 –(...) eles (os professores) adéquam o conteúdo da matriz antiga dentro
daquela nomenclatura de clínica integrada ou odontológica, isso é muito
notório e muito claro na prática”.
“S10 –(...) o aluno faz o atendimento com plano de tratamento englobando
todas as especialidades para ele ser generalista, mas o professor só olha a
sua área de especialização”.

As

clínicas

odontológicas

deveriam

substituir

as

antigas

disciplinas

especializadas que, entre outros vícios de natureza pedagógica, segundo Barreto
Júnior et al46, orientam o estudante no sentindo da especialização prematura,
considerando o caso isolado e dissociado, com perda da visão global dos problemas
profissionais.
Ficou claro também, durante a análise dos dados, que o entendimento a
respeito do termo generalista se traduziu apenas à atuação ao âmbito Odontológico,
limitando as discussões sobre o perfil profissional à integração das especialidades
odontológicas, desconsiderando-se toda importância que os conhecimentos das
outras áreas do saber têm nas práticas de saúde.

A capacidade e a habilidade técnica de tratamento de doenças não pode ser
o único objetivo na formação dos profissionais de saúde, faz-se necessário que os
profissionais sejam capazes de produzir níveis crescentes de saúde na população 35.
Além disso, percebeu-se um contra senso observado em um dos
entrevistados que apesar de dizer acreditar no perfil discente generalista, considera
que o professor generalista não desenvolve uma habilidade técnica suficiente,
levando a um prejuízo acadêmico do aluno.
“S5 – As disciplinas de clínicas integradas, apesar de ter as disciplinas
integradas, não estão em sintonia total com o que se pede nas Diretrizes
(Curriculares Nacionais), mas os professores têm começado a discutir mais
essa conduta generalista. Apesar de achar, sinceramente, que o aluno pode
perder em conteúdo se um professor, por exemplo, de dentística for avaliar
um procedimento de cirurgia”.

Essa afirmação mostra o desafio para os Cirurgiões-dentistas formados
tradicionalmente, em articular a atuação profissional do seu “universo biológico” ao
exercício da docência, uma vez que são solicitados a desenvolver abordagens,
conceitos e paradigmas das ciências humanas e sociais 42. Precisa-se, portanto,
entender que a formação em nível de graduação deve suprir principalmente as
necessidades para Atenção Primária em Saúde, destinando-se o aprendizado de
habilidades e competências de maiores complexidades principalmente aos cursos
de pós-graduação lato ou stricto sensu.
O aumento da carga horária das disciplinas de saúde coletiva também foi uma
estratégia relatada para tentar adequar os projetos pedagógicos das IES às DCNO.
Mais mesmo assim, a visão do atendimento minimamente generalista continua
dicotomizado, conforme relato a seguir.
“S10 – (...) a parte de promoção (à saúde) os professores da integrada
deixam para a (disciplina de) saúde coletiva. Acham que a obrigação de
trabalhar esse tema e os outros enfoques das Diretrizes (Curriculares
Nacionais) é só dela”.

Foi unânime entre os entrevistados a necessidade da inserção da saúde
coletiva para esse novo perfil discente, como mostra o relato a seguir, mas fica claro
que os mesmos ainda acreditam que a clínica integrada tem um papel curativista e
reabilitador centrado no modelo biomédico, ficando apenas a cargo das disciplinas

de saúde coletiva ou Odontologia social a incumbência, dissociada, de promoção de
saúde e prevenção de doenças.
“S4 – Com essa nova matriz ganhamos disciplinas mais filosóficas. A saúde
coletiva, querendo ou não, carrega uma carga muito forte e uma
responsabilidade muito grande nesse contexto. O que ninguém quer fazer
joga para a saúde coletiva”.
“S8 – (...) a Odontologia social faz parte da base do curso, a partir das
Diretrizes (Curriculares Nacionais). Acho que andando junto com as clínicas
integradas daria um suporte melhor”.

Os sujeitos da pesquisa afirmam que o aluno sente falta do atendimento
preconizado pelas DCNO 5, visando um novo perfil para atender as necessidades do
SUS, dentro da Instituição, associando parte dos seus saberes apenas nos estágios
fora dos muros das universidades.
“S7 – Os alunos que vão para o PET (Programa de Educação pelo Trabalho
para a Saúde) comentam como é diferente do que há dentro da Instituição.
Dizem (os alunos) que aqui (na Universidade) não dá tempo nem de
aprender o nome do paciente, quanto mais a sua história. No PET eles
conversam com o paciente, conhecem sua história, família e fazem
prevenção. Aqui (na Universidade) a gente (os alunos) só faz o tratamento
curativo do paciente e o resto não é feito”.

A promoção de saúde não pode estar dissociada ao atendimento clínico, à
margem das clínicas odontológicas ofertada nas instituições. Segundo Oliveira et
al47, o CD precisa ter em mente que a promoção da s aúde é o nome dado ao
processo de capacitação da comunidade para atuar na melhoria de sua qualidade
de vida e saúde.
Considera-se que o egresso deva sair da graduação com embasamento
teórico e prático para entender que os caminhos da Odontologia transcendem as
ciências da saúde, rompendo com o modelo tecnicista e individualista, alertando-se
para o fato de que a boca por ele tratada está inserida em um corpo, que tem uma
história de vida e uma inserção social, que muitas vezes determina o adoecer bucal.
A integração entre pesquisa, ensino e extensão contemplados pela
Constituição Brasileira são os pilares que reflete um conceito de qualidade do
desempenho acadêmico capaz de favorecer a autorreflexão crítica, a emancipação

teórico-prática e o significado de responsabilidade social proporcionado pela
aproximação entre a universidade e a comunidade proposto pelas DCN 48.
A importância desses pilares propostos pela Constituição brasileira pode ser
vista nas DCNO5 no Artigo 8º:
Art. 8º O projeto pedagógico do Curso de Graduação em Odontologia
deverá contemplar atividades complementares e as Instituições de Ensino
Superior deverão criar mecanismos de aproveitamento de conhecimentos,
adquiridos pelo estudante, através de estudos e práticas independentes
presenciais e/ou à distância, a saber: monitorias e estágios; programas de
iniciação científica; programas de extensão; estudos complementares e
cursos realizados em outras áreas afins.

Chama atenção nas entrevistas que apesar da integração entre ensino,
pesquisa e extensão serem importantes para a formação acadêmica, apenas dois
entrevistados a relataram como fundamentais para o novo perfil de egresso que se
espera.
“S11 – houve um avanço muito grande desde que eu me formei e depois
que entrei como docente há um ano. Vejo hoje uma preocupação maior com
pesquisa e extensão, o aluno fica muito mais preparado para a realidade
que o espera”.
“S12 – Um ponto que eu acho muito importante para aproximar esses
alunos do mercado de trabalho é fazer com que o aluno não tenha só a
graduação como o único objetivo de estar aqui dentro da faculdade. É
preciso trabalhar no curso mais a parte de pesquisa e extensão”.

A

mudança

da

formação

tecnicista,

individualista

e

voltado

para

especialização que era visto nos Cirurgiões-dentistas implica na aquisição de
atitudes reflexivas, questionadoras que decorrem da interação com a comunidade
transcendendo os aspectos técnicos. Com a implantação das DCN, e as
adequações nos projetos pedagógicos e na prática docente, espera-se que as IES
formem egressos preparados para enfrentar os problemas de saúde da população e
atender as necessidades do mercado de trabalho 18.

2.5.5 ATENÇÃO INTEGRAL EM SAÚDE BUCAL

Os Projetos Pedagógicos aos quais os entrevistados estão vinculados 49,50
estão amplamente concatenados ao preconizado nas DCNO 5, definindo-se como
perfil do egresso
um Cirurgião-dentista generalista, humanista e ético, com formação
embasada em

conhecimentos

técnico-científicos orientados

para

a

promoção de saúde, capaz de atuar em todos os níveis de atenção à saúde
(diagnóstico, tratamento, prevenção e reabilitação da cavidade bucal) no
sentido de resolver os problemas de saúde bucal do indivíduo e da
comunidade, seja no âmbito da iniciativa privada ou no Sistema Único de
Saúde, capaz de trabalhar em equipe (multidisciplinar ou multiprofissional),
dotado de visão crítica e ciente da importância da educação continuada.

Mesmo assim, em estudo realizado com CDs principalmente graduados
nessas IES19 evidenciou-se grande dificuldade para exercício da AISB, sendo
principalmente correlacionadas à insuficiência na formação acadêmica desses
profissionais. Dessa forma, com o intuito de esclarecer esse contexto foi perguntado
aos membros do NDE quais as dificuldades encontradas para a formação dos
discentes considerado a AISB.
As respostas apontaram duas dificuldades principais para chegar à formação
pretendida pelo curso: o perfil dos alunos e a participação dos docentes nesse
processo.

2.5.5.1 Perfil dos alunos de Odontologia

Brustolin et al 51 relatam que, apesar da crescente participação dos
profissionais no setor público, historicamente a Odontologia, no Brasil, foi por muitos
anos uma das profissões mais elitizadas, predominando a prática liberal, estando o
setor público limitado à projetos escolares ineficazes e em extração dentária da
população.
Mesmo com as DCNO 5 e a incorporação do Cirurgião-dentista na ESF,
Barbosa52 encontrou uma maior tendência dos estudantes do curso de Odontologia

em abrir um consultório particular e especializar-se imediatamente após a conclusão
da graduação. Dessa forma, sendo o SUS considerado o maior absorvedor de mãode-obra em saúde53, já desde o ingresso nos cursos de Odontologia há o interesse e
expectativa para atuação em consultórios privados, havendo um predomínio de
atendimento clinico curativista sobre a preventiva e promotora de saúde.
Essa tendência em trabalhar em consultório particular foi mencionada por
praticamente todos os entrevistados. Os mesmos afirmam ainda que às vezes fica
difícil desconstruir esse anseio em realizar apenas o atendimento clínico.
“S3 – (...) O aluno entra na faculdade de Odontologia com uma visão focada
em apenas uma área, mas com essas novas diretrizes estão tendo uma
oportunidade de aprender mais”.
“S5 – Um problema de formar esse perfil mais generalista preconizado
pelas diretrizes é que o aluno de Odontologia já entra na faculdade
buscando uma especialização”.

Observou-se também que a influência familiar é outro fator muito importante
na escolha profissional do aluno, pois segundo alguns relatos estes já vêm com uma
opinião formada e focada em seguir a carreira clínica de algum membro familiar,
dando a entender que a visão do CD restrito à atuação no consultório odontológico e
regido por uma especialidade transcende à academia, sendo praticamente um senso
comum.
“S4 – Às vezes os alunos entram no curso querendo ser especialista como
o pai é ou gostaria de ter sido, porque já viu que esta (escolha) dará um
retorno financeiro e às vezes ele se fecha para as outras áreas”.

A qualidade do atendimento profissional no SUS está relacionada ao perfil do
profissional generalista, de sensibilidade social e competência técnica. A formação
acadêmica voltada para o sistema de saúde vigente no país deve ir à contramão
desse perfil voltado para especialização e apenas para o consultório particular 41.
Um dos relatos chama atenção quando afirma que o surgimento do sistema
de cotas tem tendenciado a uma mudança de perfil dos egressos
“S8 – Uma coisa que chama atenção é a mudança socioeconômica do
aluno. Odontologia era para quem tinha dinheiro. A elite podia bancar o
consultório que normalmente era muito caro e a especialização. A ideia
mudou radicalmente agora com as cotas, pois vem surgindo uma
Odontologia onde o aluno não tem esse poder aquisitivo alto e precisa se

inserir no mercado de trabalho através dos programas existentes e o que
existe em vigência é o SUS, o Programa de Saúde da Família”

Nesse sistema de cotas, aos alunos egressos das escolas públicas somam-se
outros grupos vulneráveis como a população negra, parcelas da população
tradicionalmente sub-representadas nas universidades brasileiras, principalmente
públicas. Os cursos mais concorridos, como a Odontologia, são os que oferecem a
carreira mais promissora, sendo beneficiados estudantes com melhor formação
escolar 54.
Os relatos seguintes afirmam que o aumento no número de faculdades
particulares também tem resultado na mudança no perfil do egresso, destacando a
interiorização de um representativo número de egressos do curso de Odontologia e
sua inserção no serviço público municipais.
“S1 – O que eu vejo muito entre os meus alunos é a sua interiorização.
Muitos dos alunos que estão aqui na faculdade particular são do interior. Lá
eles não tiveram um bom ensino básico para ir para uma instituição
pública”.
“S12 – (...) Isso é muito bacana, com as faculdades particulares a capital e a
especialização imediata deixaram de ser prioridades. Pelo que eu
acompanho, muitos se formam e vão prestar concurso público para o seu
município. Acredito que de certa forma melhoram a qualidade de vida da
sua população”.

No entanto, para Sousa, Pereira e Santos 55 o aumento de novos cursos de
graduação que surgem sem um planejamento apropriado, em contrapartida, leva ao
progressivo declínio da qualidade de ensino ofertado.
Para um dos sujeitos da pesquisa, essa motivação dos alunos para
especialização dos alunos é incentivada pelo corpo docente.
“S4 – Os docentes do curso de Odontologia têm uma grande participação
na escolha do aluno. A gente pode até pensar de uma forma global, mas
quando vamos mexer na nossa área a gente se sente meio dono dela e isso
você também transfere para o aluno, como se a cada vez que você
vendesse sua aula, apresentasse seus objetivos, você quisesse mostrar
para ele que é o mais importante e o resto não tem aquele mesmo valor”.

2.5.5.2 Participação docente e a prática da AISB

A formação do professor para o curso de Odontologia se baseia
fundamentalmente nos programas de pós-graduação que normalmente são
tecnicistas e fragmentados no conhecimento por especialidades 41. Em oposição a
essa concepção imposta pelos cursos de pós-graduação, as DCN preconizam que
os cursos de Odontologia formem CDs generalistas, humanistas, críticos e reflexivos
para atuar em todos os níveis de atenção em saúde, com base no rigor técnico e
científico5.
Santos et al 21 afirmam que a formação do professor de Odontologia deve
seguir a mesma linha das DCN, pois sem a adequação do corpo docente, que são
os agentes para essa mudança de perfil profissional, não haverá uma mudança real
no perfil do egresso.
Com a peculiar deficiência na formação pedagógica dos professores da área
de saúde, dificilmente será conseguida alguma modificação no processo ensinoaprendizagem, na reelaboração dos currículos e na interpretação deles, pois essa
dissociação da visão integral do ser humano, antes de ser orientada pelos
professores no processo ensino-aprendizagem, necessita ser entendida, assimilada
e praticada por esses docentes 13. Cabe assim enfatizar a necessidade de constante
estímulo às práticas de formação continuada.
Foi unânime entre os entrevistados que a maior dificuldade em se formar para
AISB é a participação efetiva do corpo docente nesse processo
“S3 – (...) os preconceitos que nós temos, as ideias pré-concebidas vinda da
nossa formação...Enfim, essa mudança dá trabalho, não é todo mundo que
está disposto a mudar, a sair da sua zona de conforto. É um pouquinho
difícil”.
“S4 – O fato do docente que sai da faculdade com a característica de se
especializar, de fazer o seu mestrado e o seu doutorado na sua área
específica e retornar para dar aula (...) não o deixa preparado para pensar
de forma integral. Ele está preparado para ser o melhor na sua
especialidade. Vai ser impecável no conhecimento técnico, mas não está
preparado de forma pedagógica para ver as áreas juntas e a contribuição
que as áreas juntas dariam para a formação do aluno”.

“S8 – Ele (o professor) precisa entender que a Odontologia não se faz só na
cadeira. Infelizmente, isso não acontece... Eles continuam vendo o
atendimento ao paciente de forma fragmentada e curativista e o que é pior
apenas na sua especialidade”.

O relato abaixo deixa clara a falta de interesse e a dificuldade do corpo
docente em se inserir nessa mudança de perfil para formação acadêmica exigida
nas DCN.
“S7 – (...) além dos professores das outras disciplinas desmerecerem a
atividade do PET (Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde),
ocorreu uma vez de coincidir uma avaliação no dia do estágio (dos alunos
no PET). Foi pedido então para que houvesse a mudança dessa avaliação e
o professor falou para o aluno, „você quer ser pobre? Então você vá, eu não
vou facilitar‟ fiquei arrasada...”.

As DCNO definem a realização de estágios supervisionados e programas de
extensão necessários para a inserção do acadêmico no contexto social. O PETsaúde surgiu da parceria do MS com o ME visando o aperfeiçoamento e a
especialização em serviço, bem como a iniciação ao trabalho, estágio e vivências,
dirigidos, respectivamente, aos profissionais e estudantes da área de saúde,
conforme a necessidade do SUS 56.
Os docentes precisam enxergar as atividades extramuros oferecidas nas IES,
como o PET-saúde, uma oportunidade de convívio e de aproximação com a
realidade social no qual será inserido após sua graduação.
O atual papel docente exige uma mudança de paradigma na sua forma de
ensinar. Ele precisa assumir

o

ensino-aprendizagem

como mediação

da

aprendizagem ativa do estudante com auxílio pedagógico do professor além de
conhecer e aplicar estratégias e metodologias ativas de ensinar-aprender a pensar,
a aprender, a cuidar e avaliar37.
Há uma discordância entre alguns sujeitos dessa pesquisa em relação a
essas atividades extramuros para formação acadêmica. Enquanto alguns acreditam
que não há a necessidade de atividades fora da instituição, já que vivemos em um
Estado falido, outros se mostraram favoráveis justamente por conta dessa vivência.
“S12 – estamos em um Estado falido, em um município onde nada
funciona.Com os postos de saúde fechados fica difícil incentivar o meu
aluno para o mercado de trabalho que o espera. Acho que podemos

desenvolver atividade de extensão sem ter que sair dos muros da nossa
instituição”.

Essa afirmação vai contra toda a filosofia preconizada pelas diretrizes 5 e
discorda da percepção de Feuerwerker 7 quando esta afirma ser fundamental que o
aluno construa seus conhecimentos através dos problemas da realidade. Vale
ressaltar que são esses sujeitos que compõem os NDEs que estão à frente do
Projeto Pedagógico dos cursos, e sem o necessário enfrentamento e pertencimento
dentro dos princípios de participação social preconizados no SUS, o estudante, em
um universo protecionista dentro dos muros de suas Instituições, acabará cada vez
mais tendo dificuldades em defender atitudes cidadãs.
Outros entrevistados são enfáticos quando ressalta a importância dessas
atividades para a formação universitária, indo além, pois acreditam que se houvesse
uma maior participação do corpo docente, certamente seria mais fácil mudar o perfil
dos egressos, já que os professores com certeza são espelhos para os futuros
profissionais13.
“S4 – O primeiro ponto que acho importante é sair da faculdade, se inserir
em uma engrenagem, de uma forma multiprofissional e entender como as
coisas funcionam, desde a opinião do próprio paciente até a forma em que
ele é visto na instituição que ele está inserido e fora dessa instituição”.
“S7 – Precisamos interagir com o serviço. O conhecimento não pode ficar
apenas nos muros da instituição, não há integração ensino e serviço, como
podemos falar a mesma língua?”.

Nas análises realizadas nas entrevistas fica explicito nos depoimentos que os
professores de uma maneira geral sentem lacunas importantes em sua preparação
pedagógica e que sua formação tecnicista dificulta a assimilação de um novo
“(re)pensar” na formação dessa nova Odontologia.
O “S6” enfatizou muito bem em sua fala quando afirmou que essa mudança
de pensamento para a Odontologia preconizada pelas DCNs 5 não vai ser
conseguida apenas com o empenho do NDE e coordenação.
“S6 – O corpo docente de uma maneira geral precisa entender por que a
matriz está mudando, entender que o perfil de formação mudou. Quando o
professor entender o porquê, o aluno desde o primeiro período vai acreditar
na necessidade dessa formação diferenciada. A sensibilização do corpo
docente irá acontecer a partir do momento que ele souber que essa

mudança não é da nossa cabeça, que é uma diretriz nacional que foi feita
por profissionais capacitados”.

Com o objetivo de formar um profissional para as necessidades da sociedade
de acordo as DCNO, corrigindo os equívocos de uma Odontologia flexneriana,
centrada em uma tecnologia de ponta, mas incapaz de resolver o problema da
população de uma forma geral, o professor deve ser visto como ator principal desse
processo de transformação, fazendo com que alunos, instituições e sociedade façam
parte de um todo, retroalimentado de forma interdependente e sistemática
pedagogicamente à docência na Odontologia.

2.6 Considerações finais

Percebe-se que a constituição do NDE é um mecanismo fundamental de
interlocução entre a Instituição, o curso e a comunidade acadêmica, porém a
escolha do corpo docente deveria ser pautada não somente na titulação e na
disponibilidade, mas no conhecimento e na atitude pedagógica daqueles que o
compõem.
Participar no NDE trouxe ganhos acadêmicos pedagógicos a todos os
entrevistados, ficando claro que se deve cumprir o adequado rodízio entre os
componentes, a fim de que um número significativo de docentes possa participar
dos avanços pedagógicos institucionais.
As clínicas integradas e o aumento da carga horária das disciplinas de saúde
coletiva foram às estratégias citadas para que as instituições se adaptassem ao
novo modelo de formação Odontológica preconizado pelas DCNO. No entanto,
houve uma marcante superficialização com relação ao papel das “clínicas
integradas”,

atualmente

mais

frequentemente

denominadas

como

“clínicas

odontológicas”, na fala de alguns entrevistados como principal elemento para
formação generalista do Cirurgião-dentista. Além disso, muitos entrevistados
enfatizaram que as estratégias de promoção à saúde e preven ção de agravos
deveriam ser atividades exclusivas da disciplina de saúde coletiva.

De uma forma geral, os entrevistados afirmaram que o perfil do aluno voltado
para a especialização e a influência familiar dificultam as adequações necessárias
para a formação acadêmica objetivada pelas DCNO.
Em relação à Atenção Integral em Saúde Bucal, os entrevistados
mencionaram o atendimento clínico das clínicas integradas como sendo o foco
principal para a realização dessa prática. Continuam deixando para a saúde coletiva
a função de estimular a realização dos outros componentes fundamentais para o
exercício da integralidade em saúde, como promoção de saúde e prevenção de
agravos.
O compromisso institucional do professor é condição precípua para efetivação
das mudanças curriculares concatenadas com o PPC. Só assim, poderão ser
considerados avanços na perspectiva da construção de uma prática educativa de
boa qualidade. Foi unanime entre os entrevistados que a maior dificuldade da
adequação a essa mudança necessária advém do envolvimento do corpo docente.
A reestruturação curricular dos cursos de Odontologia se apresenta como
uma oportunidade para colocar em discussão o ensino na graduação e pautar as
discussões no plano epistemológico. Mas, para que se tenha êxito, faz-se
necessário que toda comunidade acadêmica, instituição, gestão, professores e
alunos estejam inseridos nesse processo de ampliação para uma visão integral do
ser humano.

2.7 Colaboradores

FB Peixoto trabalhou na concepção e delineamento da pesquisa, análise e
interpretação dos dados e redação do artigo; MOB Peixoto trabalho revisão crítica
do artigo; JMT Tomaz e CHF Tavares trabalharam na orientação e no delineamento
da pesquisa, análise e interpretação dos dados e revisão crítica do artigo.

2.8 Agradecimentos

Agradeço aos membros do NDE pela participação e colaboração na pesquisa

2.9 Conflito de interesse

A autora declara não haver nenhum conflito de interesse.

2.10 Referências

1

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Universidade Federal do Espírito Santo. Revista ABENO, v.11, n.2, p. 27-33. 2011.

3. PRODUTO DE INTERVENÇÃO

3.1. Título

Fórum de docentes e preceptores dos cursos de graduação em odontologia
de alagoas: Perspectivas para formação acadêmica.

3.2. Público alvo

Professores e preceptores dos Cursos de Odontologia de Alagoas.

3.3. Introdução

Desde sua criação, há cinquenta anos, o sistema CFO/CRO vem trabalhando
em diversas frentes com o intuito de promover sua proposição principal de zelar e
trabalhar pelo perfeito desempenho ético da odontologia e pelo prestígio e bom
conceito da profissão e dos que a exercem legalmente 1.
Nessa perspectiva, discussões sobre a formação do profissional não
poderiam estar ausente do âmbito desse sistema, pois como essa se trata de um
processo contínuo e necessário de adequações, todo o norteamento precisa analisar
não só o mercado de inserção profissional, mas sim os avanços sociais e
tecnológicos sempre em constante evolução.
No início dos anos 70, com a implementação dos cursos de pós-graduação e
as exigências de titulação nos concursos públicos para a carreira universitária no
Brasil, começou um movimento de questionamentos a respeito da formação e das
dificuldades do exercício docente, em virtude da percepção de maiores requisitos de
abordagens múltiplas e complexas do processo ensino-aprendizagem2.
O movimento da reforma sanitária que impulsionou a criação e promulgação
constitucional do Sistema Único de Saúde (SUS) acirrou este debate e desde o ano
2000, com a inclusão definitiva do cirurgião-dentista na principal política da Atenção

Primária em Saúde (APS) do Ministério da Saúde (MS), a Estratégia de Saúde da
Família (ESF), ficou ainda mais clara a necessidade de reformulações curriculares
no sentido do atendimento integral a saúde, centrado principalmente na promoção
da saúde e não apenas na resolução imediatista das enfermidades 3,4.
Ratificou-se, assim, a necessidade de uma nova prática em saúde onde a
produção de conhecimento, a formação profissional e a prestação de serviços
surjam de forma indissociáveis 5,6,7.
Pensar a universidade hoje exige, cada vez mais, que estejamos abertos a
um mundo em constante transformação. Se, durante muito tempo, esta representou
um espaço social marcado pela produção e pelo armazenamento do conhecimento
acumulado pela humanidade, atualmente, as mudanças socioeconômicas e culturais
demandam, desta instituição, novas formas de gerir o conhecimento e as relações
que ela estabelece com a realidade social 8.
Neste sentido, com o objetivo de formar profissionais voltados para trabalhar
nos diversos níveis de atenção à saúde do SUS, respeitando e aperfeiçoando seus
princípios e diretrizes normativas, foram instituídas Diretrizes Curriculares Nacionais
(DCN) para os cursos de graduação e, dentre estes, para o curso de Odontologia
em 20029. Este documento procurou diminuir o atraso da odontologia frente à
reforma sanitária brasileira e suas repercussões estimulando a interação ensinoserviço, desconstruindo a ideologia individualista da promoção de saúde e tornando
as escolas de Odontologia próximas à realidade da população 9,10.
Pressionados por estas DCN, os cursos de Odontologia começaram a buscar
caminhos que respondessem aos desafios de construção colegiada e interdisciplinar
dos

Projetos

Políticos

Pedagógicos,

de

mudanças

curriculares

e

de

2,7

profissionalização do trabalho docente , permitindo que o SUS assumisse
definitivamente o papel ativo na reorientação das estratégias de cuidado, tratamento
e acompanhamento da saúde individual e coletiva, a partir da revisão do modo de
formação para adequada atuação em seus diversos níveis de atenção, em equipe
multiprofissional, primando pelo atendimento integral à saúde 11,12.
No entanto, Peixoto13 em 2013, avaliando a prática da atenção integral em
saúde bucal na Estratégia de Saúde da Família de Alagoas, constatou que apenas
uma minoria dos CDs entrevistados sentiu-se satisfatoriamente preparada por sua

formação acadêmica para atuar na ESF, evidenciando o decisivo papel da educação
para o aprimoramento/aperfeiçoamento do serviço em saúde.
Embora a educação se realize em múltiplas instituições, destacando a família,
o meio social, a cultura, a escola, a profissão, dentre outros, o professor representa
um dos fatores decisivos no processo educativo 14.
Como ocorreu em muitos cursos da área da saúde, o ensino odontológico
surgiu historicamente utilizando como critério para a seleção e contratação de
professores

a

condição

de

especialistas

em

uma

determinada

área

do

conhecimento. Desta forma, costumeiramente foram selecionados no mercado os
bons profissionais (cirurgiões-dentistas consagrados na cidade ou região que se
sobressaiam por meio de habilidades/capacidades técnicas) para ensinar nas
faculdades, sendo que muitos deles não tinham nenhum conhecimento na área
educacional ou pedagógica, assumindo esta carreira por status, com o intuito de
ganhar clientela e não por vocação ou interesse inicial 15.
Diante da necessidade desse novo enfoque voltado para a formação de
profissionais capazes de atuar em sintonia com o sistema de saúde vigente no país 4,
o papel do professor dos cursos de graduação em Odontologia passa por uma
constante necessidade de atender às mudanças que vem acontecendo na ciência,
na tecnologia e na sociedade como um todo e, desta forma, espera-se que este seja
capaz de reajustar e adaptar o processo do ensino às novas demandas sociais das
quais a Odontologia vem se fazendo tão distante13,16,17.

3.4. Objetivo

Propiciar encontro para discussão e troca de experiências entre os Cirurgiõesdentistas que atuem como professores e/ou preceptores de estágio dos cursos de
graduação em Odontologia no Estado de Alagoas.

3.5. Metodologia e conteúdo programático

Serão realizadas mesas redondas com temas definidos pelos organizadores
do evento. Inicia-se com até 01h de preleção para cada, seguida de discussão da
plenária.
ATIVIDADES SUGERIDAS:
Mesa redonda 01 (turno matutino):
Formação de professores: novas perspectivas
Evolução do ensino na Odontologia: onde precisamos chegar?
Mesa redonda 02 (turno vespertino): Interdisciplinaridade e transdisciplinaridade: é
possível fazer?
Interação ensino-serviço: como e o que fazer?
LOCAL
Auditório com capacidade para, no mínimo, 120 pessoas.
DIA E HORÁRIO
O dia e horário a ser definido

3.6. Referências bibliográficas

1

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2

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3

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Oficial da União, Brasília, 4 de março de 2002.

4

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Rev. bras. educ. med. [online]. v.1,n.36,p.14-23. 2012.

4 CONCLUSÃO GERAL

Ter concluído o Mestrado Profissional de Ensino na Saúde me fez
amadurecer e entender os processos de ensino-aprendizagem na saúde, mas
precisamente para o curso de Odontologia.
A construção da pesquisa mostrou que a Odontologia caminha em busca dos
preceitos estabelecidos pelas Diretrizes Curriculares Nacionais para o curso de
Odontologia, mas a inserção do corpo docente ainda precisa ser mais bem
trabalhada para que as mudanças necessárias, de fato, aconteçam.
A preocupação em buscar uma maior preparação para a docência na prática
do Cirurgião-dentista, como professor dos cursos de graduação em Odontologia, foi
citada por todos os entrevistados.
Espera-se que com a realização do fórum de docentes e preceptores dos
cursos de graduação em Odontologia de Alagoas, crie-se um momento de discussão
e de compartilhamento dos saberes e das angustias dos gestores, professores e
preceptores em prol de uma formação em Odontologia de qualidade.
Ainda são poucos

os

estudos relacionados

aos

Núcleos

Docentes

estruturantes. Faz-se necessário um aprofundamento a respeito da participação
deste núcleo em relação à gestão e formação acadêmicas atuais, visando o
aprimoramento na oferta de mão-de-obra qualificada resultante da graduação em
Odontologia.

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ANEXO A – Aceite do CRO-AL para realização do fórum de docentes e
preceptores dos cursos de Odontologia de Alagoas

ANEXO B – Aprovação no Comitê de Ética e Pesquisa

ANEXO C – Confirmação de recebimento de artigo