21- Dannyela Andreia Silva Santos - AS ATIVIDADES DE PRECEPTORIA NA REDE DE ATENÇÃO BÁSICA: FATORES QUE INFLUENCIAM NA ATUAÇÃO DO PRECEPTOR
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UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
FACULDADE DE MEDICINA
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENSINO NA SAÚDE
DANNYELA ANDREIA SILVA SANTOS
AS ATIVIDADES DE PRECEPTORIA NA REDE DE ATENÇÃO BÁSICA:
FATORES QUE INFLUENCIAM NA ATUAÇÃO DO PRECEPTOR
Maceió - AL
2018
DANNYELA ANDREIA SILVA SANTOS
AS ATIVIDADES DE PRECEPTORIA NA REDE DE ATENÇÃO BÁSICA:
FATORES QUE INFLUENCIAM NA ATUAÇÃO DO PRECEPTOR
Trabalho Acadêmico de Conclusão de Curso
de Mestrado do Programa de Mestrado
Profissional em Ensino na Saúde da
Universidade Federal de Alagoas –
Faculdade de Medicina, como requisito
parcial para obtenção do título de Mestra.
Orientadora: Profa. Dra. Maria Viviane
Lisboa de Vasconcelos
Maceió - AL
2018
Catalogação na fonte
Universidade Federal de Alagoas
BIBLIOTECA CENTRAL
Bibliotecária Responsável: Helena Cristina Pimentel do Vale
S237a
Santos, Dannyela Andreia Silva.
As Atividades de preceptoria na rede de atenção básica: fatores que
influenciam na atuação do preceptor / Dannyela Andreia Silva Santos. – 2018.
62 f. : il.
Orientadora: Maria Viviane Lisboa de Vasconcelos.
Dissertação (Mestrado Profissional em Ensino na Saúde) – Universidade
Federal de Alagoas. Faculdade de Medicina. Programa de Pós-Graduação em
Ensino na Saúde. Maceió, 2016.
Inclui Bibliografia.
Apêndices: f. 52 - 56
Anexos: f. 57 - 62
1. Preceptor – Formação. 2. Assistência básica à saúde. 3. Ensino. I. Título.
CDU: 614.25
AGRADECIMENTOS
A Deus por ter me guiado em um caminho em busca de conhecimentos e por
ter me dado forças para prosseguir chegar até aqui.
À minha família pelo carinho, paciência e incentivo;
Ao meu marido, pela compreensão nos momentos de ausência.
Ao meu anjinho, Pedro Lucca que me trouxe muita alegria e a certeza de um
amor incondicional.
A Profª. Maria Viviane Lisboa de Vasconcelos, um agradecimento especial,
por me orientar nessa jornada, me mostrando o caminho da pesquisa de forma
paciente e profissional;
A todos os professores do Mestrado Profissional de Ensino na Saúde, que se
dedicam para manter a boa qualidade do curso;
A todos os colegas do mestrado, turma 2013 pelo convívio e aprendizado;
A todas as minhas colegas de trabalho da Diretoria de Atenção à Saúde, da
Secretaria Municipal de Saúde de Marechal Deodoro por todo apoio e paciência.
Aos meus colegas professores da Universidade Estadual de Ciências da
Saúde de Alagoas que direta ou indiretamente possibilitaram a conclusão desse
curso de mestrado;
Aos profissionais participantes desta pesquisa, por permitirem descobertas a
partir de sua valiosa experiência;
Aos amigos, que mesmo à distância, torceram por mim.
LISTA DE GRAFICOS
Gráfico 1 – Caracterização dos Preceptores quanto à formação acadêmica............ 20
Gráfico 2 – Caracterização dos Preceptores quanto à faixa etária ........................... 20
Gráfico 3 – Caracterização dos Preceptores quanto ao tempo de trabalho na
Estratégia Saúde da Família.................................................................... 21
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
APS
Atenção Primária em Saúde
CEP
Comitê de Ética Pesquisa
CNS/MS
Conselho Nacional de Saúde, do Ministério da Saúde.
DCN
Diretrizes Curriculares Nacionais
ESF
Estratégia Saúde da Família
FAMED
Faculdade de Medicina
IES
Instituição de Ensino Superior
MPES
Programa de Mestrado Profissional em Ensino na Saúde
SUS
Sistema Único de Saúde
TACC
Trabalho Acadêmico de Conclusão de Curso
TCLE
Termo De Consentimento Livre e Esclarecido
UNCISAL
Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas
UFAL
Universidade Federal de Alagoas
RESUMO
A preceptoria é uma modalidade de ensino que vem tomando o cenário da formação
em saúde no Brasil. Preceptores são vinculados a serviços do Sistema Único de
Saúde que recebem estudantes de graduação ou pós-graduação na área da saúde,
no contexto de um programa de educação, a fim de orientá-los no cotidiano de seu
trabalho. A presente investigação teve como objetivo identificar os fatores que
influenciam na Atuação do Preceptor, conhecer a percepção dos profissionais de
saúde, sobre o processo ensino-aprendizagem, identificar os avanços e dificuldades
enfrentadas pelos profissionais no exercício da preceptoria. Trata-se de um estudo
de cunho descritivo, com abordagem qualitativa. Os participantes foram preceptores
vinculados a Rede da Atenção Básica do Município de Marechal Deodoro/AL,
constituindo um total de 17 preceptores. Para a coleta de dados foi realizada a
técnica de entrevista semi-estruturada, baseada num roteiro elaborado para orientar
a abordagem, com intuito de obter informações em profundidade. A técnica
escolhida para tratamento dos dados qualitativos foi a análise de conteúdo de
Bardin. Os dados deste estudo apontaram que os fatores que influenciam nas
atividades de preceptoria dos profissionais de saúde na Atenção Básica são: falta de
formação específica para preceptores, a falta de espaço físico; a escassez de
equipamentos e materiais adequados para desenvolver uma boa prática; grande
demanda diária de atendimentos; insegurança e o despreparo de alguns estudantes;
o distanciamento entre as Instituições de Ensino Superior e o serviço de saúde; falta
de capacitação específica. Além disso, a experiência profissional e o tempo de
serviço dos preceptores, e a troca de experiências com os acadêmicos foram
marcadores positivos nas atividades de ensino-aprendizagem. Os profissionais de
saúde entrevistados quase de forma consensual consideraram o papel do preceptor
como transmissor do conhecimento, aquele responsável em ensinar tudo o que sabe
para os discentes. Dessa forma, os resultados fornecem subsídios para a
sensibilização dos profissionais e gestores em relação à importância da formação e
corroboram para um planejamento adequado para as ações de melhoria do
processo de ensino-aprendizagem nos serviços de saúde na Atenção Básica.
Palavras-Chave: Preceptor. Atenção básica. Ensino.
ABSTRAT
Preceptory is a teaching modality that has been taking the scenario of health
education in Brazil. Preceptors are linked to services of the Unified Health System
that receive undergraduate or postgraduate students in the health area, in the
context of an education program, in order to guide them in the daily life of their work.
The purpose of the present research was to identify the factors that influence the
performance of the Preceptor, to know the perception of health professionals, about
the teaching-learning process, and to identify the advances and difficulties faced by
professionals in the exercise of preceptorship. This is a descriptive study with a
qualitative approach. The participants were preceptors linked to the Basic Attention
Network of the Municipality of Marechal Deodoro / AL, constituting a total of 17
preceptors. For data collection, a semi-structured interview technique was used,
based on a script developed to guide the approach, in order to obtain in-depth
information. The technique chosen for the treatment of qualitative data was the
Bardin content analysis. The data of this study pointed out that the factors that
influence the preceptory activities of health professionals in Primary Care are: lack of
specific training for preceptors, lack of physical space; The scarcity of adequate
equipment and materials to develop good practice; Great daily demand for services;
Insecurity and unpreparedness of some students; The distance between the
Institutions of Higher Education and the health service; Lack of specific training. In
addition, the professional experience and the time of service of the preceptors, and
the exchange of experiences with the academics were positive markers in the
activities of teaching-learning. The health professionals interviewed almost
consensually considered the role of the preceptor as transmitter of knowledge, who is
responsible for teaching everything he knows to the students. Thus, the results
provide support for the awareness of professionals and managers regarding the
importance of training and corroborate to an adequate planning for the actions of
improvement of the teaching-learning process in health services in Primary Care.
Keywords: Preceptor. Basic attention. Teaching.
SUMÁRIO
1 APRESENTAÇÃO.......................................................................................................... 10
2 ARTIGO: AS ATIVIDADES DE PRECEPTORIA NA REDE DE ATENÇÃO BÁSICA:
FATORES QUE INFLUENCIAM NA ATUAÇÃO DO PRESCEPTOR..............................
2.1 Introdução...................................................................................................................
2.2 Percurso Metodológico.............................................................................................
2.2.1 Tipo de estudo..........................................................................................................
12
13
15
15
2.2.2 Cenário da Pesquisa.................................................................................................
15
2.2.3 Participantes da pesquisa.........................................................................................
16
2.2.4 Instrumento de coleta de dados................................................................................
17
2.2.5 Análise de dados.......................................................................................................
17
2.2.6
Aspectos éticos......................................................................................................
18
2.3 Resultados e Discussão................................................................................
19
2.3.1 Caracterização dos sujeitos..........................................................................
19
2.3.2 Análise das entrevistas.................................................................................
21
2.3.2.1 Formação específica para preceptores.....................................................
21
2.3.2.2 (Des)integração do ensino e serviços de saúde.......................................
23
2.3.2.3 O papel do preceptor................................................................................
29
2.4 Considerações finais....................................................................................
31
Referências...........................................................................................................
32
3 PRODUTO DE INTERVENÇÃO........................................................................
35
3.1 Projeto de Intervenção: Preceptoria: Compreendendo o seu papel na
Estratégia Saúde da Família..............................................................................
35
3.1.1 Apresentação do projeto de intervenção......................................................
35
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS..............................................................................
47
REFERÊNCIAS FINAIS.........................................................................................
49
APÊNDICES........................................................................................................
52
Apêndice A – Roteiro para entrevista gravada.....................................................
53
Apêndice B – Ficha de Caracterização do sujeitos..............................................
54
Apêndice C – Termo de Consentimento Livre e Esclarecido..............................
55
ANEXOS...............................................................................................................
57
Anexo A - Autorização do Município participante da pesquisa.........................................
58
Anexo B - Declaração de entrega e apresentação do Projeto de Intervenção................
59
Anexo C - Parecer Consubstanciado do CEP...................................................................
60
10
1
APRESENTAÇÃO
A presente pesquisa configura-se como um Trabalho Acadêmico de
Conclusão de Curso (TACC) do Programa de Mestrado Profissional Ensino na
Saúde da Faculdade de Medicina (FAMED) da Universidade Federal de Alagoas
(UFAL). Ele contém uma pesquisa em formato de artigo, intitulado: “As Atividades de
Preceptoria na Rede de Atenção Básica: Fatores que Influenciam na Atuação do
Preceptor” e um projeto de intervenção como produto: “Preceptoria: Compreendendo
seu papel na Estratégia Saúde da Família”, este com o objetivo de capacitar os
profissionais que atuam como preceptores no município de Marechal Deodoro.
Motivações Pessoais para pesquisar sobre o tema
Este trabalho surgiu da minha vivência como enfermeira atuando no Sistema
Único de Saúde (SUS). Ao me formar ingressei na Residência Multiprofissional em
Saúde da Família e durante minha trajetória na Residência fui acompanhada por
preceptor do serviço e supervisor do curso, nesse período pude sentir a importância
do papel do preceptor no processo de ensino-aprendizagem. Após o término da
Residência ingressei no serviço público atuando como coordenadora da Estratégia
em Saúde da Família, como docente da disciplina Saúde Coletiva do curso de
enfermagem e coordenando Estágios Supervisionados. Nesse momento conheci de
perto os problemas vivenciados pelos profissionais de saúde que atuavam como
preceptores, e percebi a necessidade de se desenvolver práticas pedagógicas que
facilitassem na atuação dos preceptores. A partir destas experiências foi que
comecei a questionar a minha própria formação e quanto à boa relação entre ensino
e serviço podem favorecer na atividade prática, entre profissionais, supervisores e
alunos.
Nesse contexto, surgiu a vontade de obter um melhor entendimento do
exercício da preceptoria e da figura do preceptor. Reconhecer o papel do preceptor
como mediador de um processo de ensino-aprendizagem no espaço das interrelações entre estudantes, professores, clientes/usuários, gestores e demais
membros da equipe de saúde.
Dessa forma, esse estudo foi realizado com profissionais de saúde que
realizam atividade de preceptoria na Rede de Atenção Básica do Município de
11
Marechal Deodoro-AL, com abordagem qualitativa. Para a coleta de dados utilizouse a técnica da entrevista semiestruturada e todos os dados subjetivos foram
analisados através da técnica de Análise de Conteúdo segundo Bardin (2009).
Motivações para o produto
A pesquisa revelou que os fatores que influenciam as atividades de
preceptoria são: falta de preparo dos preceptores, ausência de espaço físico
adequado; a escassez de equipamentos e materiais; excesso de trabalho;
insegurança e o despreparo de estudantes; o distanciamento entre as Instituições de
Ensino Superior e o serviço de saúde. Além disso, os marcadores positivos como: a
experiência profissional e o tempo de serviço dos preceptores, e a troca de
experiências com os acadêmicos foram salientados pelos entrevistados. E quase de
forma consensual consideraram o papel do preceptor como transmissor do
conhecimento, aquele responsável em ensinar tudo o que sabe para os discentes.
Assim, este estudo gerou como produto uma proposta de intervenção, no formato de
uma oficina, sobre a compreensão do papel do preceptor na Estratégia Saúde da
Família (ESF), o público-alvo para participação da oficina são todos os sujeitos desta
pesquisa. O produto será direcionado, inicialmente, à Secretaria Municipal de Saúde
de Marechal Deodoro, para que a equipe de Educação Permanente possa iniciar
com a mobilização deste projeto de intervenção em parceria com todas as
Instituições de Ensino Superior que são conveniadas, com o intuito de contribuir com
o processo ensino-aprendizagem dos discentes e com a formação dos profissionais
preceptores do serviço nos cenários de prática da ESF.
Limitações do Trabalho de Conclusão de Curso (TACC)
No desdobramento para realização desta pesquisa, várias dificuldades foram
enfrentadas, inicialmente para coleta de dados que não foi obtido dispensa das
atividades laborais, o que foi bastante difícil conciliar o trabalho com a
disponibilidade dos preceptores e a função de pesquisadora. Em paralelo a isso foi
necessário interromper o andamento de conclusão do TACC logo após a
qualificação por questões de saúde, no curso de uma gestação de alto risco com
diagnóstico de pré-eclâmpsia, e apesar de uma vontade interior para finalizar todo o
processo, o momento vivenciado exigia cuidados.
12
2
ARTIGO
AS ATIVIDADES DE PRECEPTORIA NA ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA:
FATORES QUE INFLUENCIAM NA ATUAÇÃO DO PRECEPTOR
THE ACTIVITIES OF PRECEPTORIA IN THE BASIC ATTENTION NETWORK:
FACTORS THAT INFLUENCE IN THE OPERATION OF THE PRECEPTOR
RESUMO
O objetivo deste estudo foi identificar os fatores que influenciam na atuação do
preceptor. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, realizada com 17 preceptores que
atuam na Estratégia Saúde da Família, no município de Marechal Deodoro/AL. Os
resultados apontam como fatores que influenciam nas atividades de preceptoria:
falta de formação específica para preceptores, a falta de espaço físico; a escassez
de equipamentos e materiais; grande demanda diária de atendimentos; insegurança
e o despreparo de alguns estudantes; o distanciamento entre o ensino e o serviço.
A experiência profissional e o tempo de serviço dos preceptores, e a troca de
experiências com os acadêmicos foram marcadores positivos. Os entrevistados
consideraram o seu papel como detentor e transmissor do conhecimento. Assim, as
informações sensibilizam os protagonistas desse processo corroborando para um
planejamento adequado das ações de melhoria do processo ensino-aprendizagem
nos serviços de saúde.
Palavras-chave: Preceptor. Atenção básica. Ensino.
ABSTRACT
The objective of this study was to identify the factors that influence the performance
of the preceptor. This is a qualitative research carried out with 17 preceptors who
work in the Family Health Strategy, in the municipality of Marechal Deodoro / AL. The
results point to factors that influence preceptory activities: lack of specific training for
preceptors, lack of physical space; Scarcity of equipment and materials; Great daily
demand for services; Insecurity and unpreparedness of some students; The distance
between teaching and service. The professional experience and the time of service
of the preceptors, and the exchange of experiences with the academicians were
positive markers. Respondents considered their role as the holder and transmitter of
knowledge. Thus, the information sensitizes the protagonists of this process
corroborating to an adequate planning of the actions of improvement of the teachinglearning process in the health services.
Keywords: Preceptor. Basic attention. Teaching.
13
2.1
Introdução
A Estratégia Saúde da Família surge como proposta de reformulação do
modelo assistencial, a partir dos princípios e diretrizes do SUS e da difusão das
propostas de Atenção Primária em Saúde (APS), determinando mudanças, na
organização dos serviços e na concepção e atenção à saúde. A Família é o foco,
vista no seu espaço físico e social, na ampliação do processo saúde-doença, que
permite intervenções para além da prática curativa e propondo aos profissionais
repensarem práticas, valores e conhecimentos envolvidos no processo de produção
social da saúde (SANTOS, 2011).
O novo modelo de assistência à saúde pressupõe um vínculo dos
profissionais com a comunidade, entendido como a responsabilização pelo problema
de saúde seja individual ou coletivo. Esse novo cenário de trabalho do SUS requer
que os profissionais de saúde estejam preparados para enfrentar essa mudança no
modelo de atenção que transfere o foco da doença para a saúde das pessoas,
levando em consideração os determinantes sociais de saúde (ALMEIDA et al.,
2012).
Nesse contexto, a formação superior nos cursos da área da saúde tem como
proposta o reposicionamento para a atenção básica, o trabalho em equipe
multiprofissional e a variação dos cenários de aprendizagem. Sendo recomendado
pelo Ministério da Educação nas Diretrizes Curriculares Nacionais, que os
profissionais de saúde sejam aptos a atuar pautado nos princípios éticos, senso de
responsabilidade social, na perspectiva da integralidade, no processo saúde-doença
em seus diferentes níveis de atenção com ações de promoção, prevenção,
recuperação e reabilitação à saúde com base na realidade epidemiológica do país,
além de uma formação generalista e humanista (GARCIA; SILVA, 2011).
A inserção prática dos estudantes na Atenção Básica inicia com os estágios
supervisionados, que são componentes curriculares obrigatórios, cujo processo de
ensino-aprendizagem fundamenta-se na experiência prática do exercício profissional
(CARVALHO; FAGUNDES, 2008). A Atenção Básica à Saúde passou a ser um
espaço essencial para ajudar na formação de um profissional de saúde crítico,
reflexivo, preparado para atuar em equipe (ALMEIDA et al., 2012).
Os estudantes das instituições de ensino superior são recebidos e
acompanhados pelos profissionais que atuam nos serviços de saúde durante todo o
14
estágio curricular e é neste contexto que surge a figura do preceptor, assumindo
papel de facilitador e mediador no processo de aprendizagem e produção de
saberes no mundo do trabalho, levando os estudantes a problematizarem a
realidade, refletirem sobre as soluções e agirem para responder as questões do
cotidiano do ensino/serviço (CARVALHO; FAGUNDES, 2008; LIMA; ROZENDO,
2015).
O preceptor é o mediador da teoria com a prática, com a função de ensinar
por meio de instruções formais e com determinados objetivos e metas. Portanto,
entre as suas características marcantes devem estar o conhecimento e habilidade
prática (BOTTI; REGO, 2008).
A preceptoria constitui importante atividade para a formação do futuro
profissional, facilitando a sua transição entre aluno de curso de graduação e sua
prática profissional (SILVA; ESPÓCITO; NUNES 2008). Tendo como papel de
orientar, dar suporte, ensinar e compartilhar experiências e deve se preocupar,
sobretudo, com a competência clínica e com os aspectos de ensino aprendizagem
do desenvolvimento profissional, além de favorecer a aquisição de habilidades e
competências para os discentes nos locais de prática em que estes estão inseridos.
Cabe, também, ao preceptor criar as condições necessárias para que mudanças
sejam implementadas de maneira satisfatória durante o processo de formação dos
estudantes (BOTTI; REGO, 2008).
A importância de um melhor entendimento do exercício da preceptoria e da
figura do preceptor torna-se cada vez mais fundamental (BRASIL, 2004). Nesse
sentido, (re)conhecer o papel do preceptor como mediador de um processo de
ensino-aprendizagem, significa retirá-lo do silêncio que o cerca para colocá-lo no
espaço das inter-relações entre estudantes, professores, clientes/usuários, gestores
e demais membros da equipe de saúde.
Dessa forma, este estudo objetiva identificar os fatores que influenciam nas
atividades de preceptoria dos profissionais de saúde na Atenção Básica e conhecer
a percepção dos profissionais de saúde, sobre preceptoria.
15
2.2
Percurso Metodológico
2.2.1 Tipo de Estudo
Trata-se de um estudo de cunho descritivo, com abordagem qualitativa,
buscou a compreensão dos fatores que influenciam na atuação do preceptor da
Estratégia Saúde da Família. A pesquisa qualitativa se preocupa com um nível de
realidade que não pode ser quantificado, trabalhando “com o universo de
significados, motivos, aspirações, crenças, valores e atitudes, o que corresponde a
um espaço mais profundo das relações, dos processos e dos fenômenos que não
podem ser reduzidos à operacionalização de variáveis” (MINAYO et al., 1999, p. 21).
Quando incorporada à pesquisa de campo, é definida como o recorte espacial que
trata da abrangência, em termos empíricos, do recorte teórico correspondente ao
objeto da investigação e sem o trabalho de campo, a rigor, a pesquisa qualitativa
não poderia ser pensada, sendo esta, parte essencial da mesma, que busca por
compreender questões abstratas de difícil e ou impossível mensuração, responde a
questões muito particulares (MINAYO, 2008).
2.2.2 Cenário da Pesquisa
A pesquisa foi realizada na Rede da Atenção Básica do Município de
Marechal Deodoro/AL, que atualmente possui convênios com cinco instituições de
ensino superior e que recebe alunos de várias áreas da saúde.
A Rede de Atenção a Saúde do Município de Marechal Deodoro contempla: 1
Centro de Especialidades Odontológicas, 1 Centro de Especialidades Médicas
(Professor Estácio de Lima), 1 Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), 1 Unidade
de Pronto Atendimento – UPA (Irmã Dulce), 1 Hospital 24 horas, 1 Casa Maternal
Nossa Senhora da Conceição, Base descentralizada de Serviço Móvel de Urgência
(SAMU) e 15 Unidades de Saúde da Família – USF: Unidade de Saúde da Família
Tuquanduba, Unidade de Saúde da Família Poeira, Unidade de Saúde da Família
Barro Vermelho, Unidade de Saúde da Família Terra da Esperança, Unidade de
Saúde da Família José Dias, Unidade de Saúde da Família Taperaguá, Unidade de
Saúde da Família Vila Altina, Unidade de Saúde da Família Estiva, Unidade de
Saúde da Família Pedras, Unidade de Saúde da Família Malhadas, Unidade de
Saúde da Família Francês, Unidade de Saúde da Família Massagueira, Unidade de
16
Saúde da Família Rua Nova, Unidade de Saúde da Família Santa Rita, e Unidade
de Saúde da Família Barra Nova.
O município é banhado pela lagoa Manguaba, possui grande valor histórico,
por ter sido a primeira capital do estado e berço do proclamador da república, que
deu nome a localidade. Sua economia baseada em Cana -de- Açúcar, Pesca, Coco,
Turismo e Artesanato.
A Rede de Atenção Básica de Saúde do município de Marechal Deodoro é
composta pelas 15 Unidades de Saúde da Família, que são campos de estágios
curriculares, extracurriculares e de atividades práticas, conveniada por cinco
Instituições de Ensino Superior (CESMAC, SEUNE, UNIT, UNCISAL, UFAL). A Cada
semestre o município recebe em média de 50 alunos distribuídos entre os cursos de
Medicina, Enfermagem e Odontologia, com rodízio de dias e horários, sendo
acompanhados por 28 profissionais da Estratégia Saúde da Família que realizam
atividades de preceptoria.
2.2.3 Participantes da Pesquisa
Os participantes do estudo constituíram-se de profissionais dos serviços de
saúde, da rede de Atenção Básica do SUS, de Marechal Deodoro, que
acompanhavam, como preceptores, estudantes de graduação da área da saúde
(enfermagem, medicina e odontologia) nos campos de prática das Instituições de
Ensino Superior. A população pertencente ao estudo foi configurada de acordo com
informações obtidas na secretaria de saúde pela coordenação de Educação
Permanente, que listou os nomes de todos os profissionais que atuam como
preceptores e sua respectiva lotação nos serviços de saúde.
Na amostra da pesquisa foram incluídos de forma intencional todos os
profissionais preceptores da Estratégia Saúde da Família (ESF), com formação
superior na área da saúde e que receberam discentes nos últimos seis meses, e
foram excluídos deste estudo os profissionais que estavam afastados de suas
funções no período da coleta de dados.
De acordo com os critérios de inclusão e exclusão, todos os sujeitos após
explicação verbal a respeito da pesquisa aceitaram a participar através da
assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). A coleta de
17
dados foi desenvolvida durante os meses de Setembro e Outubro de 2014,
totalizando 17 entrevistados.
2.2.4 Instrumentos de Coleta de Dados
Os dados foram coletados por um entrevistador previamente treinado,
utilizando-se a técnica de entrevista semi-estruturada, baseada num roteiro
elaborado para orientar a abordagem, com intuito de obter informações em
profundidade. A entrevista foi realizada através da gravação do discurso dos
sujeitos, com o objetivo de não serem perdidos detalhes das conversas, sendo
aplicada em um único momento e estruturada por meio das perguntas norteadoras:
1 Qual o papel do preceptor no processo de ensino-aprendizagem?
2 Quais atividades de ensino aprendizagem você realiza com os alunos?
3 Você possui alguma dificuldade em exercer atividade de preceptoria?
4 Como você foi “treinado” para exercer a preceptoria?
2.2.5 Análise de Dados
Como forma de análise dos dados, foi escolhida a Análise Temática que, por
sua vez, utiliza o “tema” conforme Bardin (2009). O tema é uma unidade de
significação, de recorte, que se desprende do texto, fluentemente, para descobrir os
núcleos de sentido cuja aparição é representativa para o objeto questionado, a
depender da teoria utilizada. É geralmente utilizado como unidade de registro
quando se pretende estudar ideias, opiniões, vivências, valores, atitudes.
Todas as gravações das entrevistas foram transcritas na íntegra. Sobre ess e
material realizou-se leitura exaustiva para apropriação do conteúdo, seguindo o
modelo para tratamento, redução e análise, conforme as três etapas da análise de
conteúdo preconizadas por Bardin (2009, p. 121): 1) Pré-análise; 2) Exploração do
material; 3) Tratamento dos resultados: a inferência e a interpretação.
1 - Pré-análise: Nessa fase foi realizada a operacionalização das idéias
contidas nas falas dos sujeitos; e feita a transcrição das falas, catalogação e leitura
flutuante a fim de facilitar uma aproximação como o objetivo da pesquisa;
18
2 - Exploração do material: Na segunda etapa ou de exploração do
material, foi feito leituras exaustivas de todo o conteúdo da pesquisa, buscando suas
similaridades, representatividades e significados. Iniciando com a identificação e
apreensão das unidades de contexto – frases, ou seja, parágrafos dos dados
coletados. Nesta fase foram obedecidos os critérios que dão rigor à análise do
conteúdo: o critério da exaustividade, ou seja, o alcance da saturação por meio da
utilização de todo o conteúdo das entrevistas até não haver mais nenhum tipo de
informação nova; o critério da representatividade do conteúdo, respeitado para que
expressasse o universo escolhido; o critério da homogeneidade, buscando-se dentro
da singularidade do conteúdo das entrevistas as similitudes existentes; o critério da
pertinência do conteúdo das entrevistas aos objetivos da pesquisa e aos
pressupostos iniciais, como orientação para atender a imprevisibilidade do que
poderia ser encontrado; e, a referenciação dos índices, pela delimitação do contexto.
Prosseguindo, as unidades foram agrupadas por similaridade de temas e,
posteriormente, em unidades temáticas distribuídas em três categorias, sendo uma
dividida em duas subcategorias, possibilitando o processo de análise da pesquisa.
3 - Tratamento dos resultados: A terceira e última etapa – a inferência e a
interpretação, segundo Bardin (2009), refere-se ao procedimento analítico
propriamente dito, ou seja, atribuição de sentidos e análise qualitativa das
categorias. Esta etapa foi realizada mediante a interpretação dos resultados,
fundamentadas no referencial explorado e na experiência profissional, pois a análise
de conteúdo permite fazer inferências sobre informações encontradas no contexto
do qual, as mesmas estão inseridas, permitindo que a análise ultrapassasse o
caráter meramente descritivo e alcance o caráter analítico.
2.2.6 Aspectos Éticos
O estudo foi realizado de acordo com os princípios éticos e aprovado pelo
Comitê de Ética em Pesquisa envolvendo Seres Humanos, designado pela
Plataforma Brasil, obedecendo à determinação da Resolução do Conselho Nacional
de Saúde nº 466, de 2012 (CONSELHO NACIONAL DE SAÚDE, 2012),
assegurando os direitos e deveres que dizem respeito à comunidade científica e aos
sujeitos da pesquisa, sob o número de protocolo nº 788.411/2014.
19
Foi
assegurado
aos
participantes
à confidencialidade,
o sigilo das
informações e o anonimato dos colaboradores do estudo e dos locais de trabalho
dos mesmos, tanto no processo de desenvolvimento da pesquisa, quanto do sentido
de tornar público os resultados obtidos. Foi também assegurado ao participante o
direito de desistir da pesquisa a qualquer momento, sem que isso lhe trouxesse
qualquer dano.
Os riscos dessa pesquisa foram considerados mínimos, onde os possíveis
riscos se referem ao incômodo do sujeito ao relatar alguma experiência ou idéia
desagradável relativa ao tema, sendo minimizado pela liberdade que o sujeito tem
de não responder a nada que não lhe convenha, tendo garantias do sigilo total das
informações fornecidas. Os benefícios com os dados obtidos nessa pesquisa estão
na construção do conhecimento científico acerca dos fatores que influenciam nas
atividades de preceptoria dos profissionais de saúde na Atenção Básica.
2.3
Resultados e Discussão
2.3.1 Caracterização dos sujeitos
Dentre os dezessete entrevistados que participaram deste estudo, nove eram
graduados em Enfermagem, cinco em Odontologia e três em Medicina, sendo
catorze do gênero feminino e três do gênero masculino (gráfico 1). As idades
variaram entre 29 a 63 anos; sete deles encontram-se na faixa etária de 29 a 39
anos, três entre 40 a 50 anos, quatro entre 51 a 61 anos, e acima de 62 anos foram
três sujeitos (gráfico 2).
20
Gráfico 1 – Caracterização dos Preceptores quanto à formação acadêmica
Fonte: Elaborado pela autora.
Gráfico 2 – Caracterização dos Preceptores quanto à faixa etária
Fonte: Elaborado pela autora.
Quanto ao tempo de atuação na preceptoria, dois preceptores estavam
vinculados apenas há 6 meses, onze deles entre 1 a 7 anos, e quatro deles com 10
anos ou mais realizando atividades de preceptoria na Atenção Básica. A respeito do
tempo de trabalho na Estratégia Saúde da Família, evidenciou-se que mais de 70%
dos preceptores possuíam mais de 10 anos de experiência. O gráfico 3 a seguir
ilustra esta última informação.
21
Gráfico 3 – Caracterização dos Preceptores quanto ao tempo de trabalho na
Estratégia Saúde da Família.
Fonte: Elaborado pela autora.
Quanto à formação em nível de pós-graduação, 13 preceptores possuíam
especialização, sendo seis com ênfase em Saúde Pública / Saúde da Família e/ou
em docência no ensino superior e os demais com pós-graduação em área mais
especifica de cada profissão. Dentre os sujeitos entrevistados três atuaram ou atuam
como professor no Ensino Superior e duas realizaram Especialização em Docência.
2.3.2 Análise das entrevistas
Analisando os textos das entrevistas, emergiram três grandes categorias de
análise: 1- Formação específica para Preceptores, 2- (Des)integração EnsinoServiço com duas subcategorias: Limitações e Potencialidades no processo ensinoaprendizagem da Preceptoria, 3- O papel do Preceptor. E como forma de garantir o
anonimato dos entrevistados os seus nomes foram substituídos por preceptor 1,
preceptor 2 e assim sucessivamente, para mostrarmos suas falas.
2.3.2.1 Formação especifica para Preceptores
Na categoria, que diz respeito sobre a Formação específica para atuação
como preceptor na Atenção Básica, a maioria dos entrevistados não apresentou, na
maior parte das falas, ter participado de qualquer treinamento que vise à qualificação
dos profissionais para exercerem atividade de preceptoria no que tange o processo
de ensino-aprendizagem. A falta de capacitação dos profissionais que atuam na
22
Atenção Básica do município em estudo, traz como consequência a falta de estímulo
dos preceptores para receberem os estudantes, dificultando a inserção do ensino
nos serviços de saúde.
Preceptor 3 [...] “Não é passado nada pra gente, que assim, qual o
objetivo da preceptoria. Assim, saber o que eles querem ou queriam
que o aluno vivenciasse, né? Não é passado nada disso!” [...]
Preceptor 6 “Nunca fui treinada para ser preceptora, tenho que
fazer na boa vontade mesmo (risos)”
Preceptor 7 “É muito difícil exercer a preceptoria nunca fui treinada
para isso. As instituições de ensino não oferecem isso aos
preceptores que ficam na atenção básica, no PSF pra receber os
alunos. Muitas vezes fico sem estímulo em receber os alunos”
Preceptor 10 “A gente não faz nenhuma capacitação e temos que
avaliar o aluno preencher folha de avaliação e a gente também não
foi treinado para fazer essa avaliação. Já informei a coordenadora de
saúde bucal esse grande empecilho que tenho de receber aluno”
(Preceptor 10).
Preceptor 14 “Teve uma vez que chegou um aluno aqui que eu nem
sabia que ele vinha por aqui, né? Quando ela chegou eu perguntei:
quem foi que te mandou? Ela não soube dizer. Aí eu disse: mulher,
eu não estou a fim de receber aluno não. Porque eu não sou
preparada para receber o aluno e fico sem estímulo”
Segundo Trajman et al. (2009) em seu estudo, “a maioria dos profissionais da
rede não encontra apoio institucional ou oferecimento de oportunidades para acesso
a cursos de formação especializada em saúde da família, em saúde coletiva [...]”.
Para que o processo de ensino-aprendizagem não ocorra de forma fragmentada e
que os campos de estágio da Atenção Básica transformem em verdadeiros espaços
para reflexões críticas e sistemáticas, é necessário apoio das Instituições de Ensino
e de estratégias que viabilizem atividades de Educação Permanente para os
preceptores.
Os preceptores precisam ter suas atividades reconhecidas, com investimento
em formação específica para o desenvolvimento de um perfil de educador,
indispensável ao desempenho da preceptoria. Muitas vezes o próprio profissional
realiza investimento próprio seja de recursos materiais ou de cursos e tr einamentos
para desenvolver atividades pedagógicas. (MISSAKA; RIBEIRO, 2009).
Dos 17 entrevistados nesse estudo apenas um referiu que recebeu
treinamento para atuar como preceptor. E que o curso foi oferecido por uma
23
instituição de Ensino Superior tendo como foco os campos de Estágio em Unidades
Hospitalares.
Preceptor 15 “Tenho dezessete anos de PSF, mais de dez
recebendo aluno e nunca fui treinada. Tive a oportunidade agora a
dois meses atrás, fui convidada por outra instituição que eu trabalho
para participar desse curso”
O preceptor deve estar capacitado para desenvolver uma pluralidade de
competências, tendo como objetivo facilitar aprendizagem do graduando. Entre
estas competências podemos citar: capacitação pedagógica para o treinamento de
habilidades clínicas, estímulo ao autoaprendizado, estímulo ao raciocínio clínico, e
avaliação do profissional em formação, entre outras (BENTES et al., 2013).
Entende-se que o investimento na qualificação de suas habilidades e
atributos, especialmente no quesito das competências pedagógicas, campo pouco
explorado na formação dos profissionais, merece sistematização e continuidade,
visando à melhora do processo de ensino-aprendizagem e estimulando a educação
permanente.
2.3.2.2 (Des)Integração do Ensino e Serviços de Saúde
Nesta categoria observou-se nas falas dos entrevistados, que a integração
entre o ensino e o serviço de saúde determina os diversos fatores que influenciam
nas atividades de preceptoria.
A integração do ensino e do serviço deve acontecer de forma pactuada e
articulada entre os diversos autores envolvidos no processo: docentes responsáveis
pelo curso em formação, estudantes, profissionais dos serviços de saúde, gestores
das secretarias municipais e das Instituições de Ensino Superior. Segundo
Albuquerque et al. (2008), a finalidade é a qualidade de atenção à saúde individual e
coletiva, a excelência da formação profissional e o desenvolvimento/satisfação dos
trabalhadores dos serviços.
Na análise do discurso das entrevistas do presente estudo emergiram duas
sub-categorias da (des)integração do Ensino e Serviço de Saúde: as limitações e
potencialidades que são encontradas na execução da preceptoria na Atenção
Básica.
24
Limitações nas atividades de preceptoria
Naturalmente, algumas dificuldades foram relatadas pelos preceptores. Com
relação ao serviço de saúde, destaca-se: a falta de espaço físico para receber os
estudantes; a escassez de equipamentos e materiais adequados para desenvolver
uma boa prática, que muitas vezes o próprio profissional do serviço orienta ao aluno
como “improvisar” técnicas de procedimentos; a grande demanda diária de
atendimentos e atividades que existem na Unidade Básica de Saúde da Família,
faltando tempo para exercer a preceptoria.
Já com relação ao Ensino, destaca-se a insegurança e o despreparo de
alguns estudantes para atuarem na Estratégia Saúde da Família e o distanciamento
entre as Instituições de Ensino Superior e o serviço de saúde.
O reduzido espaço e as precárias condições físicas das Unidades Básicas de
Saúde foram apontados por alguns preceptores entrevistados, por dificultar o
acolhimento do estudante, desenvolvimento de atividades didáticas, o entrosamento
e o diálogo entre estudantes e profissionais da equipe. Além de impedir ações
educativas como sala de espera, roda de conversa e entre outras, que o aluno
possa atuar nas práticas preconizadas pela Estratégia Saúde da Família.
Preceptor 6 “[...] a dificuldade que a gente sente no dia a dia é de
estrutura física, muito difícil receber o aluno e ainda fazer ações que
a faculdade quer que os alunos executem [...]”
Preceptor 14 “A Unidade aqui não possui condições de receber
alunos, muitas atividades não são realizadas por falta de espaço
físico”
Lima e Rosendo (2015), em seu estudo, apontam como uma grande
dificuldade a inadequação do espaço físico das Unidades de Saúde, para que se
possa desenvolver as atividades em grupo e acolher o estudante. Afirmam também
que a falta de recursos materiais, desde escritório até audiovisual, interfere, e muitas
vezes impossibilita, a realização das ações educativas de promoção à saúde,
controle social e planejamento das atividades.
Preceptor 2 “Tenho muita dificuldade de exercer a preceptoria. A
dificuldade muitas vezes está no material que falta, e termino
ensinando a improvisar. Porque temos que nos virar com o que
temos”.
25
A grande maioria dos sujeitos entrevistados apresentou, em suas falas, ter
bastante dificuldade em realizar atividades de preceptoria, paralelo a grande
demanda de atendimentos individuais e as demais atribuições voltadas para
organização do serviço e planejamento das ações.
Preceptor 17 “Eu não vejo como dar assistência a um aluno do que
ele precisa, quando eu atendo 30 a 40 pacientes por dia. Então eu
acho que é totalmente impossível. E o aluno tem que ser
acompanhado. Como é que eu vou avaliar um individuo desse,
entendeu? Essa é a minha dificuldade. é exatamente isso: eu não
vejo como dar assistência ao aluno [...]”
Preceptor 8 “Em relação ao tempo… isso aí pra mim tem sido uma
dificuldade porque diante de tantas atividades e da grande demanda
para atendimento aqui na estratégia, quando a gente pára para
orientar o aluno ou quando oriento e o aluno não faz correto e
precisa de uma re-orientação, aí você soma o tempo e vê que tem
um prejuízo”.
Preceptor 16 “São muitos pacientes para eu atender e ficar com
aluno atrapalha o meu atendimento, perco muito tempo, isso demora,
às vezes aquele horário da manhã você vai até o segundo horário”
(Preceptor 16).
Estes profissionais relataram que a falta de tempo para exercer atividade de
preceptoria é um grande empecilho. Pois para acompanhar os alunos os
atendimentos precisam ser mais minuciosos e que muitas vezes precisam parar o
atendimento ou intercalar o atendimento com explicações para que o aluno possa
interagir com assistência prestada.
Além disso, quando os atendimentos são realizados pelos estudantes, os
mesmos necessitam de maior tempo de consulta para completar a anamnese e o
exame físico, e a consulta deve ser seguida de um tempo para discussão da
conduta a ser realizada. A falta de tempo e a sobrecarga de trabalho apareceram, de
fato, como dificuldades nas respostas abertas (TRAJMAN et al., 2009).
Outras dificuldades como a falta de tempo, apoio, medicamentos, de materiais
e equipamentos, e além a burocracia, também foram relatados nos estudos de
Carvalho e Fagundes (2008), em que os elementos que dificultam o funcionamento
do estágio são as dificuldades estruturais e administrativas da instituição. É certo
que isso tudo acarreta uma sobrecarga muito grande de trabalho a esses
profissionais, além de deficiências nos serviços de apoio e carência de material e de
insumos, que atrapalham a atuação eficaz dos preceptores.
26
Os sujeitos entrevistados neste estudo apontaram outro fator que limita a
prática da preceptoria na Atenção Básica, que é o despreparo dos estudantes para
desenvolver as atividades pré-estabelecidas pelas Instituições de Ensino Superior.
Preceptor 2 “A dificuldade que a gente passa é justamente a visão
que o aluno chega no consultório, querem logo atender o paciente
fora da universidade , a gente sente que ele precisa vivenciar mais o
que é PSF, a parte educativa, fora do posto, ter o contato com o
paciente e vê-lo como um todo”
Preceptor 3 “[...] as vezes também tem alunos que já vem com
dificuldades e a gente perde tempo pra poder nivela-lo até chegar ao
ponto que a gente quer [...]”.
Preceptor 6 “Às vezes também sinto que pode ser problema na
graduação, os acadêmicos tem muita dificuldade quando chegam
aqui, aí a gente tem que ter um pouco mais de paciência pra poder
mostrar a eles. Por exemplo, tinha alunos que não sabiam escrever
uma prescrição e eu tive que parar e ensinar”.
Preceptor 16 “Eu sinto a dificuldade do aluno quando chega aqui, o
aluno chega muito verde pra o trabalho. Na verdade ele chega quase
do zero. Eles chegam com muita teoria, mas prática é muito pouca
coisa”.
Existem muitos conflitos decorrentes de problemas e dificuldades na inserção
de estudantes na Atenção Básica. Há queixas que dizem respeito, muitas vezes, ao
fato do despreparo dos discentes para atuarem na prática, da universidade estar no
serviço sem levar em consideração os trabalhadores que lá estão. Tal crítica se
amplia quando entra em cena a percepção de que os objetivos acadêmicos estão
definidos a priori e não podem se afastar da estrutura já estabelecida. Ou, ainda,
que não há participação do profissional do serviço, a não ser na supervisão do
estudante, feita em alguns casos de modo assistemático e solitário, sem uma
discussão ou presença mais efetiva do docente (ALBUQUERQUE et al., 2008).
A integração ensino-serviço é de fundamental importância para que ocorram
práticas pedagógicas primordiais na formação de profissionais qualificados, e que
seja um espaço privilegiado de reflexão sobre o ensino e produção de cuidados.
O distanciamento entre o ensino e o serviço de saúde também sugiram nas
falas dos sujeitos. Eles reconheceram o quanto é importante a preparação do
profissional-preceptor pela Instituição de Ensino Superior para receber os discentes
nos serviços de saúde.
27
Preceptor 1 “E falando da integração do professor - enfermeiro Unidade de Saúde da Família, acho que tem assim uma falta de
chegarem a ter um dia de sentar com o enfermeiro, com os alunos e
discutir como está sendo feito esse estágio supervisionado. O
professor senta com os alunos, mas não é só escutar o lado dos
alunos, né? Ele não procura saber o lado dos enfermeiros que tá ali
no dia a dia, que está acompanhando, tá supervisionado, como que
de fato isso tá acontecendo, Você escutar o aluno junto com a
enfermeira é diferente. Eu sinto falta disso. Acho que deveria ser algo
mais direcionado também para o enfermeiro”.
Preceptor 3 “[...] Não é passado pra gente, que assim, qual o
objetivo da preceptoria. Assim… o que eles querem ou queriam que
o aluno vivenciasse né?! Não é passado nada disso [...]. Mas assim,
na avaliação no final eles só dão, só cobra no final o que o aluno
deveria ter feito, mas no começo não diz o que ele deveria fazer, só
vem a avaliação no final”.
Preceptor 14 “Olhe, eu acho que o papel do preceptor ele ainda não
está muito esclarecido. Qual o seu papel? Entendeu? Talvez isso aí
tenha dificultado muitas questões dentro da própria instituição. Por
que o aluno chega, aí você acha que o aluno chega pra te ajudar.
Muitas vezes ele já vem com uma carga de trabalho pré-determinada
de pesquisa, de colher dados, de um monte de coisa. Às vezes eles
chegam sem saber qual o papel dele e a parte pior que eu acho é da
gente fazer uma avaliação desse aluno. E a gente não sabe nem o
que avaliar, por que a própria instituição que encaminha esses
alunos não colocam pra gente, entendeu?”.
Estes profissionais relataram receber alunos com frequência, porém
demonstraram dificuldade em executar atividade de ensino-aprendizagem atribuída
ao preceptor da ESF. Percebeu-se que os profissionais preceptores desta pesquisa,
em sua maioria, não receberam nenhum tipo de informação sobre: os objetivos do
estágio, ações a serem desenvolvidas no âmbito individual e coletivo, processo
avaliativo e não obtiveram apoio institucional.
Assim, estes sujeitos demonstraram interesse em conhecer melhor sobre o
estágio supervisionado, visto ser indispensável para a prática profissional na ESF e
essencial na formação dos discentes.
Potencialidades nas Atividades de Preceptoria
No que trata as potencialidades observou-se que muitos preceptores
associam a experiência profissional na Estratégia Saúde da Família, tempo de
serviço e a troca de experiências com os acadêmicos na Atenção Básica como
marcadores positivos no exercício das Atividades de ensino – aprendizagem.
28
Preceptor 16 “Eu na minha prática na verdade eu acho que tenho
uma prática muito grande. Eu tenho trinta e tantos anos de formada,
eu acho que eu tenho muita experiência, minha vivência na
odontologia é muito grande. E isso facilita para repassar para o
aluno”.
Preceptor 8 “Eu não fui treinada para receber aluno [...] mas eu
acho que é algo enriquecedor pro serviço e pra minha vida
profissional, e esse desejo também de repassar essa minha
experiência de quase 40 anos favorece no aprendizado”
Preceptor 7 “Tenho muito afinidade pela atenção básica e já atuo
há algum tempo, gosto tanto que fiz a especialização em saúde
pública, e assim, tenho prazer em recebê-los e levar um pouco no
meu conhecimento pra eles”.
A maioria dos entrevistados possui mais de seis anos de atuação na
Estratégia Saúde da Família e essa experiência do preceptor, assim como a reflexão
sobre sua prática diária, além das vivências adquiridas durante a assistência e
ensino, fazem dele uma pessoa capaz de contribuir significativamente para si e para
o discente, no exercício da prática com fundamento teórico-científico (SANT”ANA,
2014).
Segundo Pinheiro e Ceccim (2006 apud FOCAULT, 1994) a experiência não é
aprendida para ser simplesmente repetida ou passivamente transmitida, ela
acontece para migrar, recriar e potencializar vivência.
A inserção dos acadêmicos nos serviços de saúde da Estratégia Saúde da
Família possibilita conhecer a realidade do SUS e seus princípios bem como os
serviços prestados e as necessidades dos usuários, possibilitando maior integração
da teoria com a prática, a multidisciplinaridade e a possibilidade de compartilhar
saberes. Pizzinato et al. (2012), ressalta que a participação dos alunos dos
diferentes programas nos serviços de saúde tem servido de estímulo para a
qualificação e aprimoramento técnico dos trabalhadores, trazendo repercussões
positivas ao serviço.
Os preceptores acreditam que exercer a preceptoria contribui para sua vida
profissional, e possibilita aprendizado contínuo e atualizado, adquirindo mais
experiência profissional, aprendendo da mesma forma que ensinam, através da
reflexão sobre a prática.
Preceptor 9 “Gosto muito de pesquisas e normalmente nos estágios
eu sempre peço pesquisa ou um projeto de intervenção para prática.
Nós temos aqui vários projetos que foram frutos de alunos de estágio
29
com a minha orientação. Pois é um momento de troca, eles trazem
um material novo e atualizado e a gente faz essa troca”.
Preceptor 11 “Para mim é gratificante ensinar as enfermeirandas por
que eu aprendo muito com elas [...] é um período de aprendizado pra
mim e pra elas também”.
Preceptor 5 “Os alunos vem pra somar, nos dando idéias novas
para o crescimento de toda equipe, se eles acham que a gente deve
mudar alguma coisa pra melhorar o funcionamento da unidade eles
nos ajudam. É um crescimento diário que tenho com os alunos”.
Os resultados deste estudo demonstram que a preceptoria traz contribuições
para os profissionais, sobressaindo-se o aprendizado, o estímulo e a troca para a
aquisição dos conhecimentos, levando ao desenvolvimento profissional.
Botti e Rego (2011) relatam que a contribuição da preceptoria para os
preceptores é fundamental, pois é na troca dos conhecimentos que se constrói e se
reconstrói, num caminho para formar pessoas ativas na sociedade contemporânea,
comprometidas e com a percepção da importância de suas funções profissionais na
construção de cidadania.
2.3.2.3 O Papel do Preceptor
Os sujeitos da pesquisa referiram quase de forma consensual que o papel do
preceptor é transmitir conhecimentos, ensinar e orientar os estudantes, sendo
executado pela maioria dos preceptores ainda de forma tradicional. Porém o instinto
de transmitir tudo o que sabe não é o suficiente para o verdadeiro aprendizado, não
sendo o ideal porque não se foca no verdadeiro significado de aprender (BOTTI;
REGO, 2011).
Preceptor 8 ”Eu acho que basicamente é passar experiência de
toda a minha vida profissional para o aluno”.
Preceptor 6 “Pra mim é ensinar ao aluno para a vida profisisonal [...]
é mostrar a eles as dificuldades que tem no dia a dia, como a gente
deve orientar e acolher aquele paciente. Mostrar a ele a importância
do profissional odontólogo”.
Preceptor 13 “É de acompanhar, de avaliar e de transmitir os
ensinamentos”.
Preceptor 16 “O nosso papel é orientar o estudante, ensinar e
capacitar pra o mercado de trabalho, que eles chegam aqui sem
saber de quase nada. E a gente faz esse papel de estar ali junto dele
30
orientando, ensinando e explicando tudo que eles precisarem da
gente”.
Preceptor 17 “É um papel muito importante, por que o preceptor é
um professor. O aluno que chega na minha mão eu vou ter que
passar pra ele tudo que eu sei, de como eu sei pra um indivíduo que
está se formando, praticamente há poucos meses e você tem que
dar a experiência da prática que você vivencia”.
Para Zabalza (2004), a competência docente não se baseia tão somente no
domínio dos conteúdos científicos, mas em poder atuar para que os estudantes
aprendam o que pretende lhes ensinar, assim como estimular o desenvolvimento e a
maturidade para torná-los pessoas mais cultas, competentes e críticas do ponto de
vista pessoal, profissional e social.
No processo ensino – aprendizagem o educador tem importante papel de
facilitador com função de trocar, construir e reconstruir conhecimentos, num caminho
de formação de pessoas ativas na sociedade, que percebam o valor de suas ações
profissionais na construção da cidadania (BOTTI; REGO, 2011).
Assim, na percepção do preceptor 09, ele faz referência muito além da
transmissão de conhecimentos, entende que o papel do preceptor requer
aprendizado e atualização contínua, estímulo a troca de conhecimentos e que
ambos preceptor – aluno adquiram juntos um desenvolvimento pessoal e
profissional.
Preceptor 9 “No dia a dia a gente oportuniza o aluno a participar
dos procedimentos com orientação a compreender a necessidade de
articular com a comunidade, fazer planejamento do trabalho em
equipe. E de uma forma geral ele participa de um processo
profissional ainda no seu processo de aluno e dessa forma eu
acredito que tenha um ganho importante, porque também,
normalmente, eu peço pra que eles ampliem com pesquisas, que
eles busquem coisas novas para a unidade e que a gente possa
crescer juntos profissionalmente [...] aprendo todos os dias com eles,
e acho muito importante , pois é uma soma de muita coisa, eles
trazem um material novo e atualizado e a gente faz essa troca”.
O verdadeiro papel do preceptor favorece o processo de ensino aprendizagem, promovendo a troca de experiências, incentivando a busca de
conhecimento, estimulando o senso crítico e reflexivo da realidade. Lima e Rozendo
(2015) destacam na preceptoria o compromisso com a aprendizagem do aluno, o
conhecimento do papel do preceptor como formador e a capacidade de incentivar o
estudante a ser responsável por sua aprendizagem.
31
2.4
Considerações Finais
Os dados deste estudo apontam que os fatores que influenciam nas
atividades de preceptoria dos profissionais de saúde na Atenção Básica são: falta de
formação específica para preceptores, a falta de espaço físico; a escassez de
equipamentos e materiais adequados para desenvolver uma boa prática; grande
demanda diária de atendimentos; insegurança e o despreparo de alguns estudantes;
o distanciamento entre as Instituições de Ensino Superior e o serviço de saúde.
Além disso, a experiência profissional e o tempo de serviço dos preceptores, e a
troca de experiências com os acadêmicos foram marcadores positivos nas
atividades de ensino-aprendizagem.
Os dados apontaram, também, que as precárias condições de infraestrutura
das Unidades Básicas de Saúde e escassez de equipamentos dificultam o
acolhimento do estudante, no desenvolvimento de atividades didáticas, e na
realização das ações de promoção da saúde. Para superar estas questões, os
preceptores lançam mão de recursos próprios para resolver algumas dificuldades.
Os profissionais de saúde entrevistados quase de forma consensual
consideram o papel do preceptor como transmissor do conhecimento, aquele
responsável em ensinar tudo o que sabe para os discentes, porém houve relatos
sobre a importância de uma preceptoria executada como troca de conhecimentos,
estimulada por pesquisas e que desenvolva o senso critico e reflexivo na realidade
trabalhada.
Os preceptores reconhecem que a falta de uma capacitação especifica para
atuação no processo de ensino-aprendizagem, traz como consequência a falta de
estímulo para receberem os estudantes, dificultando a inserção do ensino nos
serviços de saúde.
Para que o processo de ensino-aprendizagem ocorra de forma satisfatória
nas Equipes das ESF, os preceptores sugerem um treinamento imediato, que seja
ofertado pelo município em parceria com as instituições de ensino superior, que são
conveniadas.
Este estudo, portanto, demonstrou que o exercício da preceptoria na Atenção
Básica se constitui em uma experiência muito valorosa, que apresenta inúmeras
possibilidades de desenvolvimento dos sujeitos envolvidos. Os resultados apontados
nesta pesquisa não finalizam a discussão sobre o tema em questão, mas se
32
pretende que ofereçam: subsídios para a sensibilização dos profissionais e gestores
em relação à importância da formação, condições de trabalho e capacitação
profissional. Neste sentido, esta pesquisa aponta para novos estudos e produtivos
estudos.
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hospitalar na perspectiva de médicos. 2014. 112 f. (Mestrado em Ensino na
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ZABALZA, M. A. O ensino universitário: seu cenário e seus protagonistas. Porto
Alegre: Artmed, 2004.
35
3
PRODUTOS DE INTERVENÇÃO
3.1 Projeto de Intervenção: “Preceptoria: Compreendendo seu papel na Estratégia
Saúde da Família”.
3.1.1 Apresentação do Projeto de Intervenção
A pesquisa intitulada “Atividades de Preceptoria da Rede de Atenção Básica:
Fatores que Influenciam na Atuação do Preceptor” realizada com os preceptores
vinculados a Rede da Atenção Básica do Município de Marechal Deodoro/AL,
proporcionou a elaboração de um projeto de intervenção como produto de
intervenção, que foi apresentado e discutido com a equipe de Educação Permanente
da Secretaria Municipal de Saúde de Marechal Deodoro.
Os resultados obtidos na pesquisa apontaram diversos fatores que
influenciam nas atividades de preceptoria dos profissionais de saúde na Atenção
Básica dentre eles estão: falta de uma capacitação específica para preceptores, a
falta de estrutura física adequada; a escassez de equipamentos e materiais
adequados para desenvolver uma boa prática; grande fluxo de atendimentos diários;
insegurança e o despreparo de alguns estudantes; o distanciamento entre as
Instituições de Ensino Superior e o serviço de saúde. Além disso, a experiência
profissional e o tempo de serviço dos preceptores, e a troca de experiências com os
acadêmicos foram marcadores positivos nas atividades de ensino-aprendizagem.
Com relação ao papel do preceptor é tido como transmissor do conhecimento,
aquele responsável em ensinar tudo o que sabe para os discentes, porém houve
relatos sobre a importância de uma preceptoria executada como troca de
conhecimentos, estimulada por pesquisas e que desenvolva o senso critico e
reflexivo na realidade trabalhada.
A partir da pesquisa contatou-se que a atividade de preceptoria desenvolvida
no município de Marechal Deodoro necessita de um planejamento estratégico que
viabilize uma reorganização das práticas de ensino nas Unidades Básicas de Saúde,
que estimule os profissionais dando condições favoráveis para o exercício da
preceptoria e corrobore na melhoria do processo ensino-aprendizagem.
Dessa forma, para que ocorra a implantação de um projeto curricular inovador
é necessário que haja uma aproximação entre as Instituições de Ensino Superior,
36
Gestão municipal e os Serviços de saúde (representados pelos profissionais)
preceptores.
Os objetivos do projeto de intervenção são: Aperfeiçoar a formação dos
profissionais de Nível Superior, quanto às capacidades pedagógicas e gerenciais
fundamentais para o exercício de atividades de ensino-aprendizagem, para atuarem
como preceptores, em processos formativos de profissionais de saúde na Rede de
Atenção Básica à Saúde e proporcionar melhor comunicação e uma maior
aproximação entre os atores envolvidos no processo de formação.
O projeto foi apresentado para a equipe de Educação Permanente, na
Secretaria Municipal de Saúde de Marechal Deodoro. Durante a apresentação os
técnicos envolvidos na execução do projeto puderam discutir e a proposta e elaborar
estratégias para sua execução, e com bastante entusiasmo de modificar a realidade
da Preceptoria no município.
37
UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
FACULDADE DE MEDICINA
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENSINO NA SAÚDE
DANNYELA ANDREIA SILVA SANTOS
PRODUTO - PROJETO DE INTERVENÇÃO
PRECEPTORIA: COMPREENDENDO SEU PAPEL NA ESTRATÉGIA SAÚDE DA
FAMÍLIA
Maceió - AL
2016
38
UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
FACULDADE DE MEDICINA
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENSINO NA SAÚDE
DANNYELA ANDREIA SILVA SANTOS
PRECEPTORIA: COMPREENDENDO SEU PAPEL NA ESTRATÉGIA SAÚDE DA
FAMÍLIA
Projeto de Intervenção apresentado
como requisito parcial para obtenção do
título de Mestra no Programa de
Mestrado Profissional em Ensino na
Saúde da Faculdade de Medicina da
Universidade Federal de Alagoas
Maceió - AL
2016
39
1
INTRODUÇÃO
A preceptoria é uma atividade muito utilizada no campo da saúde e, surge a
partir da inserção dos estágios curriculares supervisionados dentro da graduação.
Os estágios curriculares supervisionados tornam-se, cada vez mais, um processo
imprescindível para a formação profissional, a importância de um melhor
entendimento do exercício da preceptoria e da figura do preceptor torna-se mais
fundamental (BRASIL, 2004).
Dentro do campo de estágio, os profissionais de saúde que desenvolvem a
função de mediador na familiarização do estudante ao serviço, dando sustentação
às atividades de aprendizagem, estimulando ao estagiário a expor suas ideias,
dúvidas e receios, faz-se necessário esse elo favorecendo uma relação harmoniosa
e de confiança (FERREIRA; SILVA; AGUER, 2010).
O preceptor é o profissional que não é da academia, e sim do serviço, com
formação superior na área de saúde, e tem o papel de estreitar a distância entre a
teoria e a prática na formação do ensinar e compartilhar experiências que melhorem
a competência do discente (BOTTI; REGO, 2008). Nesse sentido, (re)conhecer o
papel do preceptor como mediador de um processo de ensino-aprendizagem,
significa retirá-lo do silêncio que o cerca para colocá-lo no espaço das inter-relações
entre estudantes, professores, clientes/usuários, gestores e demais membros da
equipe de saúde
O Ministério da Educação recomenda nas Diretrizes Curriculares Nacionais
(DCN) para os cursos da área da saúde, que os profissionais de saúde sejam aptos
a atuar pautado nos princípios éticos, senso de responsabilidade social, na
perspectiva da integralidade, no processo saúde-doença em seus diferentes níveis
de atenção com ações de promoção, prevenção, recuperação e reabilitação à saúde
com base na realidade epidemiológica do país, além de uma formação generalista e
humanista. Tem como proposta o reposicionamento para a atenção básica, o
trabalho em equipe multiprofissional e a variação dos cenários de aprendizagem
(GARCIA; SILVA, 2011).
No contexto do ensino na Estratégia Saúde da Família, o profissional do
serviço tem desempenhado além de suas atribuições como membro de uma equipe
multidisciplinar, atividades de supervisão e orientação de estudantes de graduação
da área da saúde. Esse envolvimento – que vem sendo nomeado preceptoria – não
40
só é recente como exige o acréscimo de uma formação/aculturação pedagógica
para além das funções técnicas que lhe são atribuídas (TRAJMAN et al., 2009).
Ribeiro et al. (2008), citam que uma das mais difíceis atribuições da docência
é a avaliação por competências, não se podendo esperar que o profissional de
saúde desempenhe esta tarefa sem qualquer treinamento, como vem sendo
realizado na prática. Advertem que a formação de um preceptor deve ser vista como
prioridade nas instituições de ensino no que se refere tanto a sua atualização
profissional quanto a suas funções de ensino.
Para implantação de um projeto curricular inovador também é necessário
existir diálogo entre a Instituição de Ensino Superior, a Secretaria Municipal de
Saúde e os cenários de prática possibilitadores de formação, representados pelos
profissionais
preceptores.
Estes
profissionais
precisam
ser
capacitados
permanentemente tanto para a função de preceptoria, já que estão presentes na
formação acadêmica dos discentes, quanto para os serviços de saúde (BISPO;
TAVARES; TOMAZ, 2014).
Neste contexto, foi realizada a pesquisa intitulada: “As Atividades De
Preceptoria na rede de Atenção Básica: Fatores que Influenciam na Atuação do
Preceptor”, com objetivo principal de: Identificar os fatores que influenciam nas
atividades de preceptoria dos profissionais de saúde na Atenção Básica. Esta
pesquisa faz parte de uma dissertação de mestrado profissional do Programa de
Ensino na Saúde da Faculdade de Medicina (FAMED) da Universidade Federal de
Alagoas (UFAL).
De acordo com a execução da pesquisa e obtenção dos dados com
aprofundamento e discussão dos resultados, o estudo reflete em uma demanda de
treinamento para os profissionais da Atenção Básica que atuam com atividades de
preceptoria na Atenção Básica do Município de Marechal Deodoro. E que esta
intervenção seja realizada pelas Instituições de Ensino Superior (IES), que são
conveniadas com a prefeitura Municipal de Marechal Deodoro, em parceria com a
Secretaria Municipal de Saúde. O treinamento dos profissionais constitui-se um
importante instrumento para obtenção de subsídios que permita contribuir de forma
benéfica para que as Instituições de Ensino Superior e a Secretaria Municipal de
Saúde possam planejar adequadamente ações de melhoria do processo de ensinoaprendizagem nos serviços de saúde na Atenção Básica.
41
1.1
Caracterização do local da pesquisa
As Atividades de Preceptoria na rede de Atenção Básica: Fatores que
Influenciam na Atuação do Preceptor”. A Rede de Atenção a Saúde do Município de
Marechal Deodoro contempla: 1 Centro de Especialidades Odontológicas, 1 Centro
de Especialidades Médicas (Professor Estácio de Lima), 1 Centro de Atenção
Psicossocial (CAPS), 1 Unidade de Pronto Atendimento – UPA (Irmã Dulce), 1
Hospital 24 horas, 1 Casa Maternal Nossa Senhora da Conceição, Base
descentralizada de Serviço Móvel de Urgência (SAMU) e 15 Unidades de Saúde da
Família – USF: Unidade de Saúde da Família Tuquanduba,
Unidade de Saúde da
Família Poeira, Unidade de Saúde da Família Barro Vermelho, Unidade de Saúde
da Família Terra da Esperança, Unidade de Saúde da Família José Dias, Unidade
de Saúde da Família Taperaguá, Unidade de Saúde da Família Vila Altina, Unidade
de Saúde da Família Estiva, Unidade de Saúde da Família Pedras, Unidade de
Saúde da Família Malhadas, Unidade de Saúde da Família Francês, Unidade de
Saúde da Família Massagueira, Unidade de Saúde da Família Rua Nova, Unidade
de Saúde da Família Santa Rita, e Unidade de Saúde da Família Barra Nova.
O município é banhado pela lagoa Manguaba, possui grande valor histórico,
por ter sido a primeira capital do estado e berço do proclamador da república, que
deu nome a localidade. Sua economia baseada em Cana -de- Açúcar, Pesca, Coco,
Turismo e Artesanato.
A Rede de Atenção Básica de Saúde do município de Marechal Deodoro é
composta pelas 15 Unidades de Saúde da Família, que são campos de estágios
curriculares, extracurriculares e de atividades práticas, conveniada por cinco
Instituições de Ensino Superior (CESMAC, SEUNE, UNIT, UNCISAL, UFAL). A Cada
semestre o município recebe em média de 50 alunos distribuídos entre os cursos de
Medicina, Enfermagem e Odontologia, com rodízio de dias e horários, sendo
acompanhados por 28 profissionais da Estratégia Saúde da Família que realizam
atividades de preceptoria.
Seguindo os critérios de inclusão e exclusão da pesquisa 17 profissionais
preceptores participaram como sujeitos do estudo. Desse modo, após o
aprofundamento teórico, aproximação com a temática de investigação e resultados
da pesquisa, este projeto foi elaborado com o intuito de oferecer uma resposta da
pesquisa aos sujeitos que participaram, como forma de produto da pesquisa.
42
Este projeto foi direcionado em reunião com a equipe técnica, inicialmente, à
Secretaria Municipal de Saúde de Marechal Deodoro, para que a equipe de
Educação Permanente possa iniciar com a mobilização deste projeto de intervenção
em parceria com todas as Instituições de Ensino Superior que são conveniadas. O
que poderá contribuir com o processo ensino-aprendizagem dos discentes e com a
formação dos profissionais preceptores do serviço nos cenários de prática da ESF.
1.2
Público Alvo
Profissionais preceptores da Estratégia Saúde da Família (ESF) do município
de Marechal Deodoro, com formação superior na área da saúde.
1.3
Local de Realização
Salas de aula do Instituto Federal de Alagoas (IFAL), de Marechal Deodoro.
1.4
Objetivo
Aperfeiçoar a formação dos profissionais de Nível Superior, quanto às
capacidades pedagógicas e gerenciais fundamentais para o exercício de atividades
de ensino-aprendizagem, para atuarem como Preceptores, em processos formativos
de profissionais de saúde na Rede de Atenção Básica à Saúde.
1.5
Meta
Melhor acompanhar de forma contínua o desenvolvimento de estudantes de
graduação, de forma a propiciar um processo de formação crítica,
humanística e contextualizada na Rede de Atenção Básica à Saúde, pautada
em competência pedagógica, de acordo com os princípios do Sistema Único
de Saúde (SUS).
Envolver a integração entre as entidades envolvidas no processo de
aprendizagem.
1.6
Período de Realização
Abril de 2016, com a proposta de realização de uma oficina, sendo realizada
em dois dias.
43
1.7
Metodologia
A Secretaria Municipal de Saúde, por intermédio da coordenação de
Educação Permanente realizará a localização de todos os coordenadores de
Estágios, das Instituições de Ensino Superior, conveniadas com o município de
Marechal Deodoro. E promoverá em parceria com as instituições uma oficina com
intuito de qualificar os profissionais da Atenção Básica para atuarem em atividades
de preceptoria. Após, os preceptores deverão ser convidados para participarem da
oficina.
Nesse processo, a partir da realização de uma oficina de trabalho, serão
utilizados recursos e estratégias pedagógicas, contextualizados na realidade do
trabalho em saúde no SUS, que potencializam o papel protagonista do Preceptor em
seu processo de ensino - aprendizagem. Pretende-se que a reflexão e
problematização sobre a própria prática, apoiadas no referencial teórico oferecido,
possibilitem que o preceptor desenvolva as competências priorizadas para a oficina.
No 1ª dia de oficina:
- No 1ª momento: Será discutido sobre o trabalho do preceptor na
Estratégia em Saúde da Família, em uma roda de conversa, e logo depois
os profissionais serão divididos em pequenos grupos por categoria
profissional e irão traçar o perfil de suas competências nas atividades de
ensino-aprendizagem e apresentarão para todo o grupo geral. Ao término
desse momento os docentes das IES farão exposição teórica sobre “O
papel e competências do preceptor no SUS na formação de profissionais
da saúde”.
- No 2ª momento: Os docentes das IES farão roda de conversa
abordando as Estratégias de ensino-aprendizagem na ação do preceptor.
Nesse momento os preceptores vão discutir sobre de que forma é
realizada a preceptoria nas Unidades Básicas de Saúde e os meios que
são utilizados para facilitar na aprendizagem, expondo dessa forma a
realidade existente. O fechamento será realizado leitura de artigos
científicos.
No 2ª dia de oficina:
44
- No 1ª momento: Os docentes de cada instituição fará uma exposição
sobre Avaliação em processos formativos na Saúde através de vídeos,
slides, em discussão com pequenos grupos e o fechamento será
realizado com todo o grupo geral abordando O SUS e as novas diretrizes
curriculares de cursos de graduação da saúde.
- No 2ª momento: A equipe de Educação Permanente da Secretaria
Municipal de Saúde dividirá os preceptores em pequenos grupos por
Equipe da Estratégia Saúde da Família, juntamente com docentes das
IES, e cada grupo fará um plano de ação de intervenção da realidade,
propondo ações coletivas com estratégias para execução na prática,
estratégias de solução para os problemas, as metas a serem alcançadas,
o prazo e os responsáveis. A finalização ocorrerá por meio de pactuação
com os preceptores e acompanhamento do plano pela IES e SMS.
1.8
Produtos e/ou Resultados Esperados
Espera-se que os objetivos do projeto sejam alcançados, e que os
profissionais da Atenção Básica, do Município de Marechal Deodoro, possam atuar
de forma integrada com as Instituições de Ensino Superior e Secretaria Municipal de
Saúde no que tange à teoria e à prática no exercício da preceptoria.
45
1.9
Cronograma
Data/ Horário Atividades Propostas
REUNIÃO 13/04/2016
EQUIPE DE EDUCAÇÃO PERMANENTE E
INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR
OFICINA – 1ª Momento
Manhã (8h-12h)
14.06.2016
O papel e competências do preceptor
no SUS na formação de profissionais da
saúde.
Tarde (14h-18h)
Estratégias de ensino-aprendizagem
na ação do preceptor
OFICINA – 2ª Momento
Manhã (8h-12h)
15.06.2016
Avaliação em processos formativos na
Saúde
O SUS e as novas diretrizes
curriculares de cursos de graduação da
saúde
Tarde (14h-18h)
Plano de ação de intervenção da
realidade
1.10
Orçamento
Recursos Materiais
Valor R$
1 Resma de Papel A4
15,00
510 Cópias
76,50
17 Pastas de papelão
51,00
17 Caneta esferográfica
29,75
17 Blocos de Nota
25,50
10 Pincel anatômico
20,00
15 Papel madeira 40kg
18,75
1 Grampeador
14,00
Total:
250,50
46
1.11
Acompanhamento e Avaliação
Avaliação será realizada de forma contínua durante a oficina e acompanhado
mensalmente pela Equipe de Educação Permanente da Secretaria Municipal de
Saúde de Marechal Deodoro. Com esta capacitação espera-se que os profissionais
preceptores tenham atingido os objetivos propostos da capacitação e fortalecido o
vínculo com a IES.
47
4
CONSIDERAÇÕES FINAIS DO TRABALHO ACADÊMICO
O presente estudo foi realizado por meio de uma pesquisa de campo e a
elaboração do produto: “Preceptoria: Compreendendo seu papel na Estratégia
Saúde da Família” foi baseado por meio dos resultados obtidos. Tendo como objeto
de estudo os fatores que influenciam nas atividades de preceptoria dos profissionais
de saúde na Atenção Básica, no município de Marechal Deodoro.
Os dados deste estudo apontaram que os fatores que influenciam nas
atividades de preceptoria dos profissionais de saúde na Atenção Básica são: falta de
formação específica para preceptores, a falta de espaço físico; a escassez de
equipamentos e materiais adequados para desenvolver uma boa prática; grande
demanda diária de atendimentos; insegurança e o despreparo de alguns estudantes;
o distanciamento entre as Instituições de Ensino Superior e o serviço de saúde, falta
de interação entre os atores envolvidos no processo (SMS, IES E Serviço de Saúde)
e falta de planejamento estratégico.
Diante dos resultados obtidos foi elaborado um projeto de intervenção com a
proposta de realização de uma oficina com intuito de aperfeiçoar a formação dos
profissionais de Nível Superior do município, quanto às capacidades pedagógicas e
gerenciais fundamentais para o exercício de atividades de ensino-aprendizagem,
para atuarem como Preceptores, em processos formativos de profissionais de saúde
na Rede de Atenção Básica à Saúde.
O projeto foi apresentado e proposto para equipe técnica de Educação
Permanente da Secretaria Municipal de Saúde de Marechal, o mesmo foi apreciado
e aprovado pela Secretária Municipal de Saúde e sua equipe e teve sua aplicação
durante os três meses seguintes, onde cada equipe pode elaborar um plano de ação
voltado para as práticas pedagógicas de cada Unidade de Saúde envolvida. A
reflexão e a problematização sobre a própria prática, apoiadas no referencial teórico
oferecido,
possibilitaram
que
o preceptor
desenvolvesse
as
competências
priorizadas durante a oficina.
Espera-se que o produto de intervenção possa além de preparado os
preceptores para suas atividades práticas pedagógicas possa também envolver de
48
forma integrada as Instituições de Ensino Superior, a Gestão Municipal e os serviços
de saúde no que tange à teoria e à prática no exercício da preceptoria.
A realização do Mestrado Em Ensino na Saúde foi de extrema importância,
pois possibilitou reflexões sobre práticas pedagógicas no processo de ensinoaprendizagem o que trouxe um grande crescimento profissional e pessoal. E com o
desenvolvimento desta pesquisa foi possível conhecer o papel do preceptor e sua
relevância na formação.
49
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internato médico. Rev. Bras. Educ. Med., Rio de Janeiro, v.36, n.3, p. 343-350,
2012.
51
SANT”ANA, E. R. B. A preceptoria em serviço de emergência e urgência
hospitalar na perspectiva de médicos. 2014. 112 f. (Mestrado em Ensino na
saúde) - Universidade Federal de Goiás, Goiânia, 2014.
TRAJMAN, A. et al. A preceptoria na rede básica da Secretaria Municipal de Saúde
do Rio de Janeiro: opinião dos profissionais de Saúde. Rev. Bras. Educ. Med., Rio
de Janeiro, v. 33, n.1, p. 24-32, 2009.
ZABALZA, M. A. O ensino universitário: seu cenário e seus protagonistas. Porto
Alegre: Artmed, 2004.
52
APÊNDICES
53
APÊNDICE A – Roteiro para Entrevista Gravada
AS ATIVIDADES DE PRECEPTORIA NA REDE DE ATENÇÃO BÁSICA:
FATORES QUE INFLUENCIAM NA ATUAÇÃO DO PRECEPTOR
Mestrado Profissional em Ensino na Saúde FAMED/UFAL FAMED
Pesquisador: Dannyela Andreia Silva Santos; fone: 8296270632; correio eletrônico:
danny_enfon@hotmail.com
Orientador: Profa. Dra. Maria Viviane Lisboa de Vasconcelos
___________________________________________________________________
__________
Roteiro para entrevista:
Qual o papel do preceptor no processo de ensino-aprendizagem?
Quais atividades de ensino aprendizagem você realiza com os alunos?
Você possui alguma dificuldade em exercer atividade de preceptoria?
Como você foi “treinado” para exercer a preceptoria?
54
APÊNDICE B – Ficha para Caracterização dos Sujeitos
AS ATIVIDADES DE PRECEPTORIA NA REDE DE ATENÇÃO BÁSICA:
FATORES QUE INFLUENCIAM NA ATUAÇÃO DO PRECEPTOR
Mestrado Profissional em Ensino na Saúde FAMED/UFAL FAMED
Pesquisador: Dannyela Andreia Silva Santos; fone: 8296270632; correio eletrônico:
danny_enfon@hotmail.com
Orientador: Profa. Dra. Maria Viviane Lisboa de Vasconcelos
_______________________________________________________________
Ficha de Caracterização dos sujeitos
Entrevista: Nº ___
Idade: ____________________________________________________
Sexo: _____________________________________________________
Graduação:_________________________________________________
Ano De Conclusão: __________________________________________
Formação Complementar: _____________________________________
Atua Como Professor Em Instituição De Ensino Superior:______________
Tempo De Atividade Na Rede Básica: _____________________________
Tempo De Atividade Como Preceptor: _____________________________
55
APENDICE C – TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO
(T.C.L.E.)
(Em 2 vias, firmado por cada participante voluntário(a) da pesquisa e pelo responsável)
Eu,_____________________________________________________________,RG:______
___________Endereço:______________________________CEP:____________tendo sido
convidado(a) a participar como voluntário(a) do estudo: “As atividades de preceptoria na
rede de atenção básica: Fatores que influenciam na atuação do preceptor”, recebi da
pesquisadora responsável Dannyela Andreia Silva Santos e orientadora desta pesquisa
Profª Drª Maria Viviane Lisboa de Vasconcelos, as seguintes informações que me fizeram
entender sem dificuldades e sem dúvidas os seguintes aspectos:
1. Que o estudo se destina a analisar os fatores que influenciam na atuação dos preceptores
que atuam na Estratégia Saúde da Família do Município de Marechal Deodoro-AL.
2. Que esta pesquisa iniciará após a aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa e tem
como prazo para ser concluída janeiro de 2015.
3. Que a importância deste estudo é a de identificar os fatores que influenciam na atividades
de preceptoria dos profissionais de saúde que atuam na Estratégia Saúde da Família do
Município de Marechal Deodoro-AL, sendo possível produzir conhecimento científico e
formular estratégias que possam melhorar o processo de ensino - aprendizagem e a
integração do ensino e os serviços de saúde.
4. Que a coleta de dados será realizada por meio de uma entrevista com perguntas prontas,
que serão feitas, pela pesquisadora, após aprovação do projeto pelo do comitê de ética em
pesquisa, estando a coleta dos dados prevista para Setembro e Outubro de 2014. Os dados
coletados serão analisados e publicados em formato de artigo cientifico. Sua participação
não é obrigatória: você pode se recusar a responder quaisquer perguntas do questionário,
sem lhe causar prejuízos ou danos, atuais e futuros.
5. Os riscos e danos são considerados mínimos e que os possíveis riscos se referem ao
incômodo que poderei sentir com a minha participação ao relatar alguma experiência ou
idéia desagradável relativa ao tema, minimizado pela liberdade de não responder a nada
que eu não me convenha, tendo garantias no sigilo das informações obtidas;
6.Que os benefícios que posso esperar com os dados obtidos são indiretos e consiste na
construção do conhecimento científico acerca das atividades de preceptoria no processo de
ensino-aprendizagem.
I– ESCLARECIMENTOS DADOS PELO PESQUISADOR SOBRE GARANTIAS
DO SUJEITO DA PESQUISA
1. Que, sempre que desejar, serão fornecidos esclarecimentos sobre cada uma das etapas
do estudo. Que, a qualquer momento, eu poderei recusar a continuar participando do estudo
e, também, que eu poderei retirar este meu consentimento, sem que isso me traga qualquer
penalidade ou prejuízo;
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2. Que as informações conseguidas através de minha participação não permitirão a
identificação da minha pessoa, exceto aos responsáveis pelo estudo, e que a divulgação
das mencionadas informações só será feita entre os profissionais estudiosos do assunto;
3. Que eu deverei ser ressarcido, por qualquer despesa que venha a ter com a minha
participação nessa pesquisa e, também, indenizado por todos os danos que venha a sofrer
pela mesma razão, sendo que, para estas despesas foi a mim assegurado a existência de
recursos;
4.Que eu receberei uma (01) via do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.
5.Que tenho informações dos endereços dos pesquisadores para contato em caso de
intercorrências.
__________________________________________
Dannyela Andreia Silva Santos
___________________________________________
Profª Drª Maria Viviane Lisboa de Vasconcelos
Para informar ocorrências irregulares ou danosas durante a sua participação no
estudo, dirija-se ao: Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de
Alagoas. Endereço: Prédio da Reitoria, sala do C.O.C., Campus A. C. Simões,
Cidade Universitária, Maceió Telefone: 3214-1041.
Para necessidade de entrar em contato com o pesquisador responsável entre em
contato com, Dannyela Andreia Silva Santos. Endereço: Avenida Jorge Montenegro
Barros, nº 3200, apto 202, Bloco E (Guaxuma), Santa Amélia, Maceió-AL.
E-mail: danny_enfon@hotmail.com, Fone: (82) 8833-8223.
Para necessidade de entrar em contato com a orientadora responsável, Maria
Viviane Lisboa de Vasconcelos. Endereço profissional: Universidade Federal de
Alagoas, Faculdade de Medicina; BR 101 km 14, Campus Universitário A.C.
Simões. Tabuleiro dos Martins-CEP 57072900. Maceió-Al. Fone: (82) 32141147 e
Celular: (82) 9972-0977.
II – CONSENTIMENTO PÓS-ESCLARECIDO
Finalmente, tendo eu compreendido perfeitamente tudo o que me foi informado sobre a
minha participação no mencionado estudo e estando consciente dos meus direitos, das
minhas responsabilidades, dos riscos e dos benefícios que a minha participação implicam,
concordo em dele participar e para isso eu DOU O MEU CONSENTIMENTO SEM QUE
PARA ISSO EU TENHA SIDO FORÇADO OU OBRIGADO.
Maceió, _____ de________________________ de ___________
______________________________
Assinatura do sujeito de pesquisa
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ANEXOS
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Anexo A - Autorização do município participante da pesquisa.
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ANEXO B – Declaração de apresentação do Projeto de Intervenção
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ANEXO C - Parecer Consubstanciado do CEP
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