Sandra Márcia Omena Bastos - AVALIAÇÃO DO ENSINO SOBRE SEGURANÇA DO PACIENTE GRADUAÇÃO MÉDICA DE UMA UNIVERSIDADE PÚBLICA
Sandra Márcia Omena Bastos - AVALIAÇÃO DO ENSINO SOBRE SEGURANÇA DO PACIENTE GRADUAÇÃO MÉDICA DE UMA UNIVERSIDADE PÚBLICA
SANDRA MÁRCIA OMENA BASTOS DISSERTAÇÃO FINAL PDF 06 JANEIRO 2019 (1).pdf
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UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
FACULDADE DE MEDICINA
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENSINO NA SAÚDE
MESTRADO PROFISSIONAL EM ENSINO NA SAÚDE
SANDRA MÁRCIA OMENA BASTOS
AVALIAÇÃO DO ENSINO SOBRE SEGURANÇA DO PACIENTE NA
GRADUAÇÃO MÉDICA DE UMA UNIVERSIDADE PÚBLICA
Maceió-AL
2018
SANDRA MÁRCIA OMENA BASTOS
AVALIAÇÃO DO ENSINO SOBRE SEGURANÇA DO PACIENTE NA
GRADUAÇÃO MÉDICA DE UMA UNIVERSIDADE PÚBLICA
Trabalho Acadêmico de Conclusão do
Curso apresentado ao Programa de
Pós-Graduação em Ensino na Saúde
da Faculdade de Medicina – FAMED,
da Universidade Federal de Alagoas –
UFAL, como parte dos requisitos para
obtenção do título de Mestre em
Ensino na Saúde.
Orientador: Professor Dr. Francisco
José Passos Soares
Coorientador: Prof. Dr. Jorge Artur
Peçanha de Miranda Coelho.
Maceió-AL
2018
Catalogação na fonte
Universidade Federal de Alagoas
Biblioteca Central
Bibliotecária Responsável: Helena Cristina Pimentel do Vale – CRB4 - 661
B327a
Bastos, Sandra Márcia Omena.
Avaliação do ensino sobre segurança do paciente na graduação médica de uma
universidade pública / Sandra Márcia Omena Bastos. – 2018.
104 f. : il.
Orientador: Francisco José Passos Soares.
Coorientador: Jorge Artur Peçanha de Miranda Coelho.
Dissertação (Mestrado Profissional em Ensino na Saúde) – Universidade Federal
Federal de Alagoas. Faculdade de Medicina. Maceió, 2018.
Inclui bibliografia.
Apêndices: f. 74-75.
Anexos: f. 91-99.
1. Ensino superior. 2. Segurança do paciente. 3. Ensino médico - Currículo.
4. Qualidade na assistência à saúde. 5. Eventos adversos. I. Título.
CDU: 61:378.126
AGRADECIMENTOS
A Deus que se revela e desvela; aparece e às vezes se “esconde” e me
faz procurá-Lo... e, assim, estar com Ele.
A meus pais Anésio Bastos e Lourdes Omena, que muito mais que
palavras me ensinaram a acreditar e prosseguir. Jamais os perdi!
Ao meu orientador, Prof. Dr. Francisco José Passos Soares por me
proporcionar momentos únicos de crescimento.
Ao meu co-orientador Prof. Dr. Jorge Artur Peçanha de Miranda Coelho
pela disponibilidade de sempre.
À Profª. Drª.Celina Maria Costa Lacet, eterna mestra, a minha mais
profunda gratidão e carinho.
Difícil lembrar em um só momento todos aqueles que contribuíram para
tornar possível esse sonho!
Certamente há fatos que jamais esquecerei na vida, como a história de
uma Rosa Azul ou a fábula de um Leão e um Panda, mas minha cabeça já não
é mais tão jovem para socorrer-me do labirinto da memória, tão rápida quanto
frágil e, no exercício de lembrar, fatalmente haveria de cometer falhas!
Assim, repouso, em saber que meus familiares e amigos não se
importarão de ter seus nomes gravados no papiro, pois que sabem estão
cravados em meu coração.
“Primum non nocere”.
Hipócrates
RESUMO GERAL
Há mais de 400 a.C., Hipócrates, advertia: “primum non nocere” (antes de tudo não
prejudicar), considerado uma das primeiras referências à segurança do paciente.
Porém, nas últimas décadas, passou-se a reconhecer que as organizações de
saúde não apenas curam doenças e aliviam a dor, mas também causam dano e
sofrimento. Após o relatório “Errar é Humano”, publicado pelo Institute of Medicine
em 1999, que denunciou morrer-se mais por Eventos Adversos, que por acidentes
automobilísticos, câncer de mama ou AIDS, um movimento crescente na busca pela
segurança do paciente vem acontecendo mundialmente. Preocupada com essa
grave epidemiologia, em 2011 a Organização Mundial de Saúde publicou um Guia
Multiprofissional para o ensino da Segurança do Paciente. Em 2013, o Ministério da
Saúde, institui o Programa Nacional de Segurança do Paciente, tendo como um de
seus objetivos “fomentar a inclusão do tema Segurança do Paciente no ensino
técnico, de graduação e pós-graduação na área da Saúde”. As Diretrizes
Curriculares Nacionais (DCNs) do Curso de Graduação em Medicina, trazem à tona
as solicitações da OMS sobre a Segurança do Paciente (SP). Este estudo teve por
objetivo analisar o Projeto Pedagógico e a Matriz Curricular do curso de graduação
em Medicina da Universidade Federal de Alagoas (FAMED/UFAL) para verificar
conteúdos acerca de SP e propor uma reflexão mais ampla acerca do tema, com
proposta a sua implementação. Trata-se de pesquisa documental de caráter
exploratório, do tipo descritiva-analítica, com abordagem qualitativa. O documento
de investigação foi o Projeto Pedagógico do curso de Medicina (ano base 2014), da
FAMED/UFAL, sua matriz curricular e planos de aula. O referencial teórico adotado
foi o Multi-Professional Patient Safety Curriculum Guide (MPPSC) da OMS de 2011.
Para tanto, foi elaborada uma lista de 159 termos rastreadores (subtópicos), a partir
dos 11 tópicos (categorias de análise) do guia da OMS, observando-se uma
abordagem parcial e insuficiente do tema, em que menos de 40% das disciplinas
abordaram pouco mais de 50% dos conteúdos previstos. Com o resultado da
pesquisa, elaborou-se um plano executivo para adequação e implementação dos
conteúdos previstos, que será apresentado ao Núcleo Docente Estruturante da
FAMED/UFAL, com o objetivo de desenvolver competências em SP e desta forma
desenvolver uma assistência mais segura.
Palavras-chave: Segurança do Paciente. Ensino Médico. Educação. Currículo.
Qualidade na assistência à saúde. Eventos adversos.
GENERAL ABSTRACT
As early as 400 b.C., Hippocrates postulated the “primum non nocere”. This maxim is
considered as one of the first references regarding Patient Safety to date. Over the
past few decades, however, it has been acknowledged that protocol adopted by
Healthcare Systems are generally not solely related tohealing and pain relief, but can
also have consequences associated with suffering, as well as physical and emotional
damage. Several years after the “To Err Is Human” report was published by the
Institute Of Medicine (IOM) in 1999, which contemplated deaths in hospitals due to
preventable adverse events exceed the number of deaths caused by traffic
accidents, breast cancer and AIDS, awareness regarding Patient Safety is being
raised around the globe. In 2011, the WHO released the Multi-professional Patient
Safety Curriculum Guide.¹In 2013, the Brazilian Ministry Of Health established a
national Patient Safety program, which set goals to include topics related to Patient
Safety when teaching in undergraduate, technical and post graduate courses in the
field of Health. The medical education National Curriculum Guidelines follow the
WHO requirements regarding Patient Safety. To analyze the Teaching Project and
Curriculum Guidelines of the medical bachelor course of the Faculty of Medicine in
Federal University of Alagoas (FAMED– UFAL) to verify what is being taught on the
subject of Patient Safety and propose a new and broader approach and reflection on
the subject regarding its concepts and implementation process. This study conducted
exploratory, documentary and descriptive-analytic research of qualitative approach
that took place between October and December of 2017. The investigation was
conducted based on the Teaching Project Guidelines for medical school, with the
year of 2014 as reference at FAMED- UFAL, analyzing the Curriculum Guidelines
and Lesson Plans provided by teachers. The theoretical foundation of choice was the
Multi-professional Patient Safety Curriculum Guide (MPPSC) adopted by the WHO in
2011. For this purpose, a list of 159 keywords (subtopics) was put together based on
the 11 topics (categories of analysis) contained in the Guide. A partial and insuficient
approach was observed, with less than 40% of the subjects covered. With the result
of the research, an executive plan of adequacy and implementation of the predicted
indicators was elaborated, that will be presented to the Structuring Teaching Nucleus
of FAMED / UFAL, with the objective of developing SP competencies and in order to
develop a safer journey.
Keywords: Patient Safety. Medical teaching. Education. Curriculum. Quality in health
care. Adverse events
LISTA DE FIGURAS
Figura 1- Modelo do queijo suíço............................................................................. 17
Figura 2 - O Marco Canadense................................................................................19
Figura 3 - Planilha do Excel para rastreamento de Conteúdos de Segurança........ 25
LISTA DE GRÁFICOS
Gráfico 1 - Frequência percentual de subtópicos, por ciclo constitutivo da
matriz curricular do curso de Medicina da UFAL. Maceió, 2018........... 26
Gráfico 2 - Frequência percentual de subtópicos, por eixo constitutivo da
matriz curricular do curso de medicina da UFAL. Maceió, 2018............28
LISTA DE QUADROS
Quadro 1 - Metas internacionais para segurança do paciente................................ 18
Quadro 2 - Estratégias de implementação no PNSP............................................... 20
Quadro 3 - Frequência absoluta e percentual de subtópicos específicos a
cada tópico, por ciclo constitutivo da matriz curricular do curso de
Medicina da UFAL..................................................................................27
Quadro 4 - Frequência absoluta e percentual de subtópicos específicos a cada
tópico por eixo constitutivo da matriz curricular do curso de medicina
da UFAL. Maceió, 2018..........................................................................29
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
BMF
Bases Morfofisiológicas
CPSI
Canadian Patient Safety Institute
CCH
Clínica Cirúrgica Hospitalar
CINAEM
Comissão Interinstitucional Nacional de Avaliação do Ensino Médico
CM
Clínica Médica
DCN
Diretrizes Curriculares Nacionais
EA
Eventos Adversos
EAPMC
Eixo de Aproximação à Prática e Comunidade
EDP
Eixo de Desenvolvimento Pessoal
ER
Estágio Rural
ERP
Ética e Relações Psicossociais
ETPI
EixoTeóricoPráticoIntegrado
FAMED
Faculdade de Medicina
FIOCRUZ
Fundação Oswaldo Cruz
HU
HospitalUniversitário
IHI
Institute of Healthcare Improvement
IOM
Institute of Medicine
JCI
Joint Comission International
MPPSCG
Multiprofessional Pacient Safety Curriculum Guide
MRSA
Methicillin-Resistant Staphylococcus Aureus
MS
MInistério da Saúde
OAC
Organização de Alta Confiabilidiade
OMS
Organização Mundial da Saúde
ONU
Organização das Nações Unidas
OSCE
Objective Structured Clinical Examination
PBL
Problem Based Learning
PDSA
Plan - Do - Study - Act
PNSP
ProgramaNacional de Segurança do Paciente
PPC
Projeto Pedagógico do Curso
SAI
Saúde do Adulto e do Idoso
SI
Semiologia Integrada
SM
Saúde Mental
SP
Segurança do Paciente
SS
Saúde e Sociedade
SUS
Sistema Único de Saúde
EU
Urgência eEmergência
UFAL
Universidade Federal de Alagoas
UFMG
UniversidadeFederal de Minas Gerais
UNIFESP
UniversidadeFederal de São
SUMÁRIO
1
APRESENTAÇÃO .............................................................................................. 13
2
INTRODUÇÃO.................................................................................................... 16
2.1 O Guia Curricular Multiprofissional para a segurança do paciente
da OMS ............................................................................................................. 18
2.2 O Brasil e o Movimento pela Segurança do Paciente ............................... 19
2.3 A Segurança do Paciente e o Ensino na Saúde ............................................. 20
3
OBJETIVOS ....................................................................................................... 22
4
METODOLOGIA ................................................................................................. 23
5
RESULTADOS ................................................................................................... 26
6
DISCUSSÃO....................................................................................................... 31
7
CONCLUSÃO ..................................................................................................... 36
REFERÊNCIAS .................................................................................................. 37
8
PRODUTO 1 – ARTIGO ..................................................................................... 41
8.1 Introdução ......................................................................................................... 42
8.2 Metodologia ....................................................................................................... 44
8.3 Resultados......................................................................................................... 46
8.4 Discussão .......................................................................................................... 49
8.5 Considerações finais ........................................................................................ 53
REFERÊNCIAS .................................................................................................. 55
9
PRODUTO 2 – PLANO EXECUTIVO PARA INTRODUÇÃO DE
CONTEÚDOS MÍNIMOS DE SEGURANÇA DO PACIENTE NA MATRIZ
CURRICULAR DO CURSO MÉDICO DA UFAL ................................................ 58
9.1 Introdução ......................................................................................................... 58
9.2 Objetivos ........................................................................................................... 60
9.3 Metodologia ....................................................................................................... 60
REFERÊNCIAS .................................................................................................. 67
10
CONCLUSÃO GERAL ....................................................................................... 68
REFERÊNCIAS GERAIS ................................................................................... 70
APÊNDICE ......................................................................................................... 74
APÊNDICE A - Análise do Projeto Pedagógico do Curso de Medicina da
FAMED-UFAL acerca de conteúdos em segurança do paciente .... 75
ANEXOS...............................................................................................................90
Anexo A - Link do PPC ................................................................................. 91
Anexo B - Ordenamento da matriz curricular............................................. 92
Anexo C - Tópicos do Guia e Termos Rastreadores
sobre segurança do paciente no curso de medicina e seu
percentual de abordagem .......................................................... 93
Anexo D - Parecer do Comitê de Ética em Pesquisa da FAMED/UFAL...........98
13
1
APRESENTAÇÃO
Ingressei na Universidade Federal de Alagoas em 1983, formando em 1988.
Segui nos passos da medicina interna, fazendo a especialização em Clínica Médica
no Hospital Universitário (UFAL) e, posteriormente, me apaixonando por terapia
intensiva.
A Santa Casa de Maceió, em 1991, já era um centro formador, reconhecido
pela Associação de Medicina Intensiva (AMIB). Nela tive a oportunidade de um
estágio por 2 anos em Terapia Intensiva, durante os quais, conheci o serviço de
Pneumologia e Cirurgia Torácica, forte estímulo para após o término da formação
em UTI, seguir em 1993 para o Pavilhão Pereira Filho (Santa Casa de Porto Alegre)
rumo à pneumologia e depois ao Rio de janeiro (Universidade Estadual do Rio de
Janeiro – UERJ, Hospital Pedro Ernesto e Instituto Fernando Figueira - FIOCRUZ)
para um curso de aperfeiçoamento em endoscopia respiratória.
Durante minha formação sempre tive um grande desejo de partilhar
conhecimentos. Essa troca prazerosa, ensino-aprendizagem me levou a estar entre
discentes, discutindo em plantões, sobretudo à beira do leito, casos clínicos.
Em 1997 fiz o concurso da Universidade Federal de Alagoas para ingressar
como intensivista na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Universitário. A
partilha de saberes com internos e residentes de medicina levou-nos a criar, por um
tempo, um espaço no plantão, que, carinhosamente, chamamos de “SABUTI” –
Sábados em UTI. Nesses dias, em uma parte da manhã, discutíamos alguns temas
de terapia intensiva com os estudantes que quisessem participar, inclusive de outras
áreas (algumas vezes a enfermagem e fisioterapia participavam).
Em 2006, a Santa Casa de Misericórdia de Maceió iniciou o programa de
Residência, entre eles o de Clínica Médica, quando fui convidada a fazer parte do
grupo de preceptores, em que estou até hoje.
Em 2011, recebi o convite para participar, como médica, do Escritório da
Qualidade da Santa Casa de Maceió, hoje Divisão de Estratégia e Qualidade, que
serve de apoio à gestão na Certificação – “Acreditação Hospitalar” e no
gerenciamento dos processos, ficando por quase 2 anos: um aprendizado para toda
vida! O convívio mais de perto com outras profissões da saúde, sem pódium, mas
em pé de igualdade, fez-me perceber melhor a importância da multidisciplinaridade!
A troca de saberes com outras profissões para além da área da saúde, mas com
14
vistas ao cuidado do paciente, assegurou-me a importância da interdisciplinaridade e
transdisciplinaridade.
Conheci naquele escritório, um líder eficaz, hoje também amigo: Cláudio
Albuquerque. Percebia com clareza o que era liderar para além dos muros físicos e
metafísicos! Compreendi o que é aprendizado com significado – construir junto;
“pertencimento”: andragogia! Entendi que importamos conhecimento e não cultura e
que mudá-la é um trabalho artesanal e não uma produção em série, como o
“fordismo”! Leva tempo!
No período que passei naquele escritório, uma de minhas tarefas era avaliar
as notificações dos eventos, classificá-los e encaminhá-los para o conhecimento não
apenas dos envolvidos, mas partilhar com todos, na compreensão de que a maior
parte das falhas são de natureza sistêmica, buscando juntos entender a causa raiz
do erro, afim de planejar, elaborar e gerenciar (acompanhar) planos com vistas ao
aperfeiçoamento dos processos tendo como foco o paciente! Pude perceber que
excelência não era a perfeição, mas, seguindo os passos de Deming, é melhoria
contínua.
Compreendi melhor a fronteira entre o ideal a ser feito e o real a ser oferecido
aos pacientes; percebi melhor o fator humano no erro e os múltiplos fatores
sistêmicos que o favorece e se não podemos mudar a natureza humana, como
discorre James Reason, é possível mudar as condições em que os indivíduos
trabalham criando barreiras para evitar o dano através da implementação de
protocolos, rotinas operacionais, checklist; melhora na comunicação e colocar o
paciente de fato como o foco do cuidado.
Estudos demonstram que esse entendimento precisa ser adquirido ainda na
academia, daí a construção pela Organização Mundial de Saúde de um guia
curricular multiprofissional para facilitar a implantação do tema segurança do
paciente nos cursos da área de saúde.
Durante a caminhada e com a identificação cada vez mais forte com o ensino,
surgiu não apenas o desejo, mas a necessidade de formalizar a docência através do
mestrado. Foi quando me submeti ao processo seletivo para o mestrado em Ensino
da FAMED/UFAL e, bastante motivada pelo tema Segurança do Paciente,
considerando ser ele relevante não apenas para a formação do egresso de
medicina, mas como o caminho a ser seguido para a melhoria na qualidade do
cuidado em saúde, escolhi o tema “Avaliação do Ensino sobre Segurança do
15
Paciente na Graduação Médica de uma Universidade Pública”, esperando de
alguma forma poder contribuir para uma maior reflexão sobre o assunto, com a
proposta de sua adequação/ implementação no currículo da FAMED/UFAL.
16
2
INTRODUÇÃO
A segurança do paciente é o primeiro domínio da qualidade na assistência,
sendo definida pela Organização Mundial da Saúde como ausência de dano
potencial ou desnecessário para o paciente associado aos cuidados1.
Esse tema é de importância crescente, sendo essencial que o médico, como
profissional integrante da equipe e, muitas vezes, sua principal liderança, conheça
amplamente os conceitos envolvidos na construção de um ambiente hospitalar
seguro, no qual o paciente, a família e o próprio profissional estejam protegidos2.
A expressão “Cultura de Segurança” foi definida por Cox, S. e Cox, T. (1991)3
como um conjunto de atitudes, crenças e valores compartilhados pelos profissionais
em relação à segurança. De modo semelhante, Sorra et al. (2004) definiram-na
como o produto individual ou coletivo desse conjunto de habilidades4, que
determinam o estilo e a competência de uma organização de saúde na promoção de
segurança5.
Há mais de 400 anos a.C., Hipócrates advertia: “Primum non nocere” (antes
de tudo não prejudicar), considerado uma das primeiras referências explícitas à SP6.
Porém, apenas nas últimas décadas, com o desenvolvimento e expansão da
complexidade do cuidado, passou-se a reconhecer que as organizações de saúde
não só curam doenças e aliviam a dor, mas também causam dano e sofrimento6.
Paralelamente ao aumento das opções diagnósticas e terapêuticas na
medicina, no Século XX aumentou a preocupação com a qualidade da assistência e
os riscos oferecidos aos pacientes. O cirurgião Ernest Amory Codman (1869-1940),
em seu livro, relacionou os desfechos dos pacientes com os erros na assistência
prestada, sendo essencial que os médicos descrevessem seus erros e como fazer
para reduzí-los, de forma a tentar melhorar a assistência de seu hospital7.
James Reason, psicólogo cognitivo, tendo como premissa a falibilidade dos
seres humanos, propôs o “modelo do queijo suíço” (Figura 1), que se adequa aos
sistemas complexos de trabalho. Neles, as barreiras são construídas na perspectiva
de evitar o dano, porém, por razões como erros latentes (fragilidade do processo) e
erros ativos (ato inseguro cometido pelo sujeito), o evento acontece8-9.
Reason assume a premissa de que não se pode mudar a natureza humana,
mas é possível mudar as condições em que os indivíduos trabalham. O sistema de
defesa (criação de barreiras para evitar o dano) são o eixo dessa abordagem. Na
17
ocorrência do erro, a questão importante é identificar como e porque as defesas
falharam8-9.
Figura 1 - Modelo do queijo suíço
Fonte: REASON, J. Human error: models and management. BMJ, v. 320, (7237), p. 768-770, 2000.
Disponível em:
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/?term=10720363%5BPMID%5D&report=imagesdocsum. Acesso
9
em: 5 março 2018 .
A publicação do relatório “Errar é Humano” do Institute of Medicine (IOM) em
1999, um marco histórico na área de SP, denunciou que a mortalidade por danos
assistenciais era maior que por acidentes automobilísticos, câncer de mama e AIDS.
Na perspectiva da OMS esses danos são chamados de Eventos Adversos (EA)10.
Desse modo, tal relatório trouxe uma nova forma de interpretação para os EA,
destacando que a maioria das falhas e incidentes derivava de processos e sistemas
defeituosos, e não de ações específicas dos indivíduos9, propondo que a maneira
mais adequada de reduzí-las seria efetuar modificações nos sistemas e processos.
A possibilidade de dano ao paciente, quando sob cuidados relacionados à
assistência, não advém de dados recentes, mas de estudos realizados há mais de
30 anos, dentre eles “The Medical Insurance Feasibility Study” em 1974 e “The
Harvard Medical Practice Study” em 1984
2;11
.
Nesse contexto, preocupada com a magnitude dos EA, a OMS criou, em 2004,
a Aliança Mundial para a Segurança do Paciente, como objetivo de elaborar a cada
2 anos desafios globais, de modo a apoiar os países no desenvolvimento de
políticas públicas e práticas para a SP12.
As principais causas de risco clínico para a ocorrência de EA foram
identificadas pela Joint Commission International (JCI), que em parceria com a OMS
instituiu as “Metas Internacionais de Segurança do Paciente”13 (Quadro 1). No Brasil,
a ANVISA desenvolve ações visando a SP, consoantes com as previstas pela OMS.
18
Quadro 1 - Metas internacionais para a segurança do paciente
14
Fonte: ANVISA, 2011 .
2.1
Guia curricular multiprofissional pela Segurança do Paciente
Dentre as 13 áreas de ações da OMS sobre SP, destaca-se a “Educação
para o cuidado seguro - desenvolver guias curriculares para estudantes da área
de saúde voltados para a segurança do paciente”15.
Identificando que a inclusão do tema nos currículos tem sofrido resistência
nas universidades, a OMS lançou o Patient Safety Curriculum Guide for Medical
School15, um guia para auxiliar as entidades de ensino como objetivo de
preparar os estudantes para uma prática segura.
Tal guia abrange 11 tópicos, selecionados com base no Marco Australiano
15
(2005) . A partir disso, o Canadá lançou, em 2009, o documento “As Competências
de Segurança – Melhorando a Segurança do Paciente entre Profissionais de
Saúde”16 (tradução nossa), que foi a base do desenvolvimento do guia (Figura 2).
19
Figura 2 - O Marco Canadense
Fonte: CANADIAN PATIENT SAFETY INSTITUTE (CPSI).. The safety competencies enhancing
patient safety across the health professions. 1 ed. rev. Ontario, CPSI 56 p. ISBN 978-1-92654115-0. Disponível em:
http://www.patientsafetyinstitute.ca/en/toolsResources/safetyCompetencies/Documents/Safety%20Co
16
mpetencies.pdf. Acesso em: 5 mar. 2018 .
Nota: Tradução nossa da imagem.
Este guia é dividido em parte A e B. A primeira orienta os docentes e
instituições de ensino na saúde acerca da implementação do tema SP na matriz
curricular dos cursos, enquanto a segunda fundamenta o conhecimento, habilidades
e atitudes a serem contemplados no aprendizado do discente17.
2.2
O Brasil e o Movimento pela Segurança do Paciente
No Brasil, estudos como o de Mendes et al. (2009)18 e Pavão et al. (2011)19
constataram a relevância dos EA, sendo a maioria deles evitáveis. Nesse contexto,
em 2013, o Ministério da Saúde, decreta a Portaria 529, que institui o Programa
Nacional de Segurança do Paciente (PNSP)20 e a Resolução da Diretoria Colegiada
(RDC) de número 3621, que determina a estruturação de Núcleos de Segurança do
Paciente para todos os hospitais do país.
20
Quadro 2 - Estratégias de implementação do PNSP
20
Fonte: BRASIL. Ministério da Saúde, 2013 .
2.3
A Segurança do Paciente e o ensino na saúde
As publicações envolvendo a temática segurança do paciente e educação
médica são escassas. Dentre elas, destaca-se o trabalho de Bohomol e Cunha
(2015)23, que a partir da análise do projeto pedagógico da faculdade de Medicina da
Universidade de São Paulo, evidencia que o ensino em SP ainda é pouco
valorizado.
Outro estudo, também relevante e realizado na UNIFESP, foi o de Gallotti
(2011)24, que avaliou o desenvolvimento de competências através de OSCE. Ele
demonstrou que o desempenho dos estudantes de Medicina que tiveram o tema SP
incluído
no
internato,
em
metodologia
tradicional
de
aprendizagem,
foi
significativamente mais baixo do que, por exemplo, no domínio adquirido sobre a
relação médico-paciente.
Um terceiro trabalho é o de Marra (2015)25, que embasada nas pesquisas,
sobretudo nos resultados de Bohomol e Cunha23, sugere a abordagem do tema SP
como um eixo temático integrador, com a priorização de metodologias ativas, como
propõe o guia da OMS.
Watcher (2013), em seu livro “Compreendendo a Segurança do Paciente”26,
defende inclusão obrigatória de SP nos currículos das áreas de saúde e destaca o
que denomina de “currículo oculto”, que todo estudante se deparara em algum
21
estágio, e corresponde à falta da cultura de segurança, que ainda hoje predomina.
De acordo com a OMS (ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE, 2016)15 e o
Marco Australiano para a Educação em SP (2011), a aprendizagem deve se iniciar o
mais precocemente possível e seguir não só a graduação, mas toda a trajetória.
profissional,
através
de
capacitações
e
atualizações
permanentes
dos
profissionais27.
Para que ocorra mudança da cultura de segurança nas instituições de saúde,
os novos profissionais devem apresentar conhecimentos e habilidades para
identificar e tomar medidas para prevenir, mitigar ou corrigir o erro. Dessa forma,
cursos de graduação na área de saúde podem desempenhar importante papel na
promoção de conceitos e habilidades a respeito do erro humano e SP. Estudos
demonstram que, ao serem inseridos nessa temática, os alunos são encorajados e
reconhecem a relevância desse conteúdo para a sua formação, além de ser possível
distinguir o grande impacto na assistência prestada ao paciente2;27.
As Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) do Curso de Medicina orientam o
planejamento curricular e estabelecem princípios, fundamentos e finalidades da
formação, fixadas pela Câmara de Educação Superior do Conselho Nacional de
Educação (CNE), com última revisão publicada em 20 de junho de 201428.
Elas têm por objetivo orientar o desenvolvimento de uma prática competente
pautada nos princípios de Atenção à saúde; Gestão e Educação em Saúde. As
últimas DCN (2014) revelam muito das solicitações da OMS sobre SP, quando
enaltece a prevenção dos riscos e danos; comunicação eficaz; integralidade no
cuidado; interdisciplinaridade; o paciente como o centro do cuidado e o seu
empoderamento; a importância da avaliação crítica dos erros28.
Faz-se necessária, portanto, a realização de um diagnóstico situacional do
ensino
em
Segurança
do
Paciente
na
FAMED/UFAL,
verificando
sua
concordância com as DCN para o curso médico e a OMS para que conteúdos de
segurança do paciente possam ser adequados ou melhor incorporados ao
projeto pedagógico, de forma a contribuir na formação do egresso de medicina,
em face à grave epidemiologia dos Eventos Adversos(EA).
22
3
OBJETIVOS
3.1
Principal
Elaborar um diagnóstico situacional do ensino em Segurança do Paciente no
curso de medicina da UFAL.
3.2
Específicos
1. Verificar como é abordado o tema Segurança do Paciente no PPC e na
matriz curricular do curso de medicina da UFAL;
2. Verificar como é contemplado o tema Segurança do Paciente nos Eixos e
Ciclos constitutivos da matriz curricular do curso de medicina da UFAL.
3. Elaborar um projeto a ser avaliado e implementado sobre o ensino de
competências em Segurança do Paciente no curso de graduação da FAMED/UFAL.
23
4
METODOLOGIA
A pesquisa foi realizada em âmbito local, tendo como limite o curso de
medicina de uma universidade pública – Universidade Federal de Alagoas. O projeto
de pesquisa foi encaminhado à Plataforma Brasil, sendo aprovado pelo Comitê de
Ética em Pesquisa da UFAL em 02 de fevereiro de 2018 sob o número
82395517.2.0000.5013. A coleta de dados realizou-se de outubro a dezembro de
2017.
Trata-se de estudo documental, de caráter exploratório, do tipo descritivoanalítico, com abordagem qualitativa, que busca analisar o Projeto Pedagógico,
versão 201329 e Matriz Curricular30 do curso de graduação em Medicina da
Faculdade de Medicina (FAMED) da Universidade Federal de Alagoas (UFAL),
disponíveis no site http://www.ufal.edu.br/unidadeacademica/famed, para verificar o
que se ensina sobre segurança do paciente.
Organizada em graus crescentes de complexidade, a matriz tem sustentação
de três eixos norteadores da proposta curricular, articulados entre si de forma
interdependente e contextualizada, que perpassam todos os períodos que
antecedem o internato, a saber: Eixo Teórico-Prático Integrado (ETPI) fundamentado
na formação científica;
Eixo de Aproximação a Prática Médica e Comunidade
(EAPMC), que busca aliar a construção de saberes e práticas a sua inserção nos
ambientes de trabalho e o Eixo de Desenvolvimento Pessoal (EDP), mais voltado à
ética e ao exercício legal da medicina.
Antes da análise documental, foi realizada avaliação estrutural prévia do PPC
FAMED/UFAL, das DCNs (2014)28 e do guia da OMS para avaliar a existência de
elementos suficientes para embasar a importância do ensino em Segurança do
Paciente para a graduação médica.
O referencial teórico adotado para a análise de conteúdo em segurança do
paciente foi o Multi-professional Patient Safety Curriculum Guide da OMS, publicado
em 201115, apresentando 11 tópicos que serviram como categorias de análise. Cada
tópico, distribuídos por capítulos no guia, integra diversos conteúdos, definidos
nessa pesquisa como subtópicos, que serviram como termos a serem rastreados.
Para seleção dos termos rastreadores (subtópicos) e uniformidade na
condução da investigação foi utilizado o guia da OMS15 e aplicado o método de
Bohomol e Cunha de 2015, elaborando-se uma lista de “palavras-chave”,
24
autodeclaradas no próprio guia, acrescida de outros termos pertinentes, extraídos do
mesmo referencial teórico, computando-se ao todo 159 termos rastreadores23.
Para a escolha dos termos pertinentes acrescidos, contou-se além da autora
da pesquisa, com uma profissional especialista em segurança do paciente pela
FIOCRUZ. Para tanto, foram avaliados em separado os possíveis termos
rastreadores que extrapolassem os já autodeclarados como “palavras-chave” e em
um segundo momento foram confrontados os termos pertinentes encontrados, que
coincidiram em 89,4%. Em um terceiro momento, foram comparados os termos
rastreadores com os encontrados por Bohomol e Cunha (2015)23, obtendo-e a
concordância em 78,7%.
Portanto, em face à semelhança dos resultados da avaliação pareada entre a
autora e a profissional especialista em SP, foram mantidos os 159 termos
rastreadores (subtópicos) propostos, inicialmente, nessa pesquisa.
Esses 159 termos rastreadores adotados podem ser visualizados no “ANEXO
2”, distribuídos nos 11 tópicos do guia, que serviram para buscar no PPC e na matriz
curricular “unidades de contexto” (ANEXO 3), ou seja trechos dos documentos em
análise que permitiram codificar os subtópicos, verificando os conteúdos sobre
segurança do paciente previstos nos ciclos teórico-prático (primeiro ao oitavo
período) e internato (dois útimos anos).
Os dados obtidos foram lançados em planilhas do programa Microsoft Excel
for Windows 2007, totalizando 11 planilhas que correspondem aos 11 tópicos de
segurança do paciente. Cada planilha ou tópico tem em suas linhas as disciplinas.
Quanto às colunas das planilhas, correspondem aos subtópicos ou termos
rastreadores, que mudam de acordo com o tópico a ser pesquisado. Os subtópicos,
ao serem identificados, ou seja, codificados, através de unidades de contexto,
distribuídas nas disciplinas, foram transportados para a planilha do Excel.
Desta forma, foram sinalizados conteúdos previstos e não previstos sobre
segurança do paciente no PPC e na Matriz Curricular. Os resultados são
apresentados na forma de gráficos, conforme a ordem de frequência percentual dos
subtópicos nos ciclos e eixos estruturantes da matriz.
25
Figura 3 - Planilha do Excel para rastreamento de Conteúdos em Segurança do
Paciente no PPC e Matriz Curricular da FAMED/UFAL, Maceió, 2018
Fonte: AUTORA, 2018.
Para a elaboração do Plano Executivo de conteúdos em SP, a ser avaliado e
implementado no curso da graduação da FAMED, um dos produtos desse mestrado,
foram condensados, por aproximação, os 159 subtópicos encontrados no guia da
OMS em 35 proposições intituladas “Temas Chaves em SP”, de forma a melhorar
sua aplicabilidade. De igual modo, a escolha dos termos se deu de forma pareada
com a profissional especialista em SP.
26
5
RESULTADOS
A frequência de distribuição dos11tópicosdoguia sobre SP variou de 9% a
60,7% no PPC e 8,3% a 55,5% na matriz curricular (ANEXO B).
Das 34 disciplinas modulares identificadas na matriz curricular, 31 (91,7%)
apresentavam assuntos relacionados à SP.
Dos 159 termos rastreadores, denominados subtópicos, 62(38,5%) foram
encontrados no PPC e 59 (36,6%) na matriz curricular.
A frequência acumulada (%) de subtópicos por ciclo constitutivo da matriz
curricular é apresentada no gráfico 1, e a frequência de subtópicos específicos a
cada tópico no quadro 4. Os resultados expressam aumento crescente na inserção
de conteúdos sobre Segurança do Paciente à medida que o curso evolui em direção
ao internato.
Gráfico 1 - Frequência percentual de subtópicos por ciclo constitutivo da
matriz curricular do curso de medicina da UFAL. Maceió, 2018.
Fonte: AUTORA, 2018.
27
Quadro 3 - Frequência absoluta e percentual de subtópicos específicos a cada tópico
por ciclo constitutivo da matriz curricular do curso de medicina da UFAL.
Maceió, 2018
TÓPICOS DO GUIA CURRICULAR
MULTIPROFISSIONAL – OMS (2011)
FREQUÊNCIA DE SUBTÓPICOS POR
CICLO
Básico
Clínico
Internato
(1/17)
5,9%
(3/17)
17,6%
(4/17)
23,5%
(2/11)
18,2%
(2/11)
18,2%
(4/11)
36,4%
3. Compreensão dos sistemas
(2/9)
22,2%
(3/9)
33,3%
(4/9)
44,4%
4. Atuar em equipe de forma eficaz
(6/13)
46,2%
(4/13)
30,7%
(2/13)
15,4%
(1/12)
8,3%
(1/12)
8,3%
(3/12)
25%
(2/17)
11,7%
(2/17)
11,7%
(5/17)
29,4%
(3/11)
27,3%
(2/11)
18,2%
(1/11)
9,1%
8. Envolver pacientes e cuidadores
(6/17)
35,3,%
(9/17)
52,9%
(5/17)
29,4%
9. Prevenção e Controle de Infecções
(3/17)
17,6%
(7/17)
41,2%
(8/17)
47,1%
10. Segurança do paciente e procedimentos
invasivos
0%
(2/10)
20%
11. Melhora na segurança da medicação
0%
(2/25)
8%
(4/25)
16%
MÉDIA
17,5%
23,7%
27,4%
MEDIANA
17,6%
18,2%
29,4%
1. O que é segurança do paciente
2. Por que empregar fatores humanos é
importante para a segurança do paciente
5. Aprender com os erros para evitar
danos
6. Compreender e gerenciar o risco clínico
7. Usar método de melhoria de qualidade
para melhorar os cuidados
(3/10)
30%
Fonte: AUTORA, 2018.
O ciclo básico foi o menos contemplado com o tema SP (17,5%): em 2 tópicos
não foram identificados subtópicos. O tópico com mais subtópicos descritos (46,2%)
foi: atuar em equipe de forma eficaz. No ciclo Clínico a descrição de subtópicos
variou entre 8 e 52,9%. O tópico com mais subtópicos descritos foi: Envolver
28
pacientes e cuidadores. Houve uma variação de 9,1% a 47,1% de subtópicos nos
tópicos descritos no internato. O item com maior descrição de subtópicos foi:
prevenção e controle de infecção.
A média é afetada por valores extremos, sejam muito altos ou muito baixos.
Isso não acontece com a mediana, por esse motivo foi calculada também a
mediana. Neste caso, percebe-se que os valores da média e mediana são próximos.
A frequência de subtópicos específicos a cada eixo é apresentada no quadro
4.Observa-se que o Eixo Teórico Prático Integrado (ETPI) foi o que mais contemplou
o tema SP (26,4%), seguido pelo Eixo de Aproximação à Prática Médica e à
Comunidade (EAPMC) (16,4%) e por fim o Eixo de Desenvolvimento Pessoal (EDP)
(7,5%) – Gráfico 2.
Gráfico 2 - Frequência percentual de subtópicos por eixo constitutivo da matriz
curricular do curso de medicina da UFAL. Maceió, 2018
Fonte: AUTORA, 2018.
29
Quadro 4 - Frequência absoluta e percentual de subtópicos específicos a cada
tópico por eixo constitutivo da matriz curricular do curso de medicina
da UFAL. Maceió, 2018
TÓPICOS DO GUIA CURRICULAR
MULTIPROFISSIONAL – OMS (2011)
FREQUÊNCIA DE SUBTÓPICOS
POR EIXO
ETPI
EAPMC
EDP
(4/17)
23,5%
(1/17)
(1/17)
5,9%
2. Porque empregar fatores humanos é
importante para a segurança do paciente
(2/11)
18,2%
(3/11)
27,3%
(1/11)
9,1%
3. Compreensão dos sistemas
(3/9)
33,3%
(3/9)
(3/9)
33,3%
1. O que é segurança do paciente
4. Atuar em equipe de forma eficaz
(5/13)
38,5%
5,9%
33,3%
(5/13)
38,5%
(4/13)
30,8%
5. Aprender com os erros para evitar danos
(1/12)
8,3%
0%
0%
6. Compreender e gerenciar o risco clínico
(2/17)
11,8%
(1/17)
5,9%
(1/17)
5,9%
0%
(4/11)
36,4%
0%
8. Envolver pacientes e cuidadores
(6/17)
35,3%
(5/17)
29,4%
(3/17)
17,6%
9. Prevenção e Controle de Infecções
(7/17)
41,2%
(3/17)
17,6%
0%
(3/10)
30%
0%
0%
(8/25)
32%
(1/25)
4,0%
0%
24,7%
18,0%
9,3%
7. Usar método de melhoria de qualidade para
melhorar os cuidados
10. Segurança do paciente e procedimentos
invasivos
11. Melhora na segurança da medicação
MÉDIA
MEDIANA
30,0%
17,6%
5,9%
Fonte: AUTORA, 2018.
A observação dos textos relativos ao ETPI revelou que 6 tópicos foram
contemplados em mais de 1/3 do conteúdo proposto. Apenas em um tópico nenhum
subtópico foi verificado: usar método de melhoria de qualidade para melhorar os
30
cuidados. Os tópicos com mais subtópicos abordados foram: prevenção e controle
de infecções (41,2%) e atuar em equipe de forma eficaz (38,5%).
Nos textos referentes ao eixo EAPMC observou-se ampla variação (0% a
38,5%) na abordagem dos subtópicos: apenas 3 tópicos contemplavam mais de
30% do conteúdo previsto, e em 2 tópicos nenhum subtópico foi identificado. Nos
textos relativos ao EDP, 5 tópicos não contemplavam qualquer subtópico sobre SP,
e em apenas dois tópicos, compreensão dos sistemas e atuar em equipe de forma
eficaz, foram identificados mais de 30% do conteúdo previsto do tema. Todos os
resultados estão representados no fluxograma abaixo.
Fluxograma 1 - Análises realizadas no PPC e na matriz curricular em seus ciclos
e eixos correspondentes do curso de medicina da UFAL. Maceió, 2018
Fonte: AUTORA, 2018.
31
6
DISCUSSÃO
O estudo revelou que a maior parte das disciplinas modulares existentes na
matriz curricular da FAMED/UFAL lidava, ainda que algumas vezes de forma
incipiente, com assuntos relacionados à SP, sendo observada uma ampla variação
na distribuição dos subtópicos dos 11 tópicos do guia da OMS.
Nessa direção, o estudo de Bohomol e Cunha (2015)23 realizado na
UNIFESP, também obteve em seus resultados a não contemplação, em sua
totalidade, dos conteúdos acerca de SP nas disciplinas encontradas. Ressalta-se
que essa autora baseou sua pesquisa no projeto pedagógico de 2006, o que pode
ter impactado no percentual de disciplinas com menos abordagem em relação à
FAMED/UFAL, uma vez que nesta pesquisa foi analisado o PPC de 201329.
Na análise tanto dos ciclos quanto dos eixos, verificou-se o não
entrelaçamento entre as disciplinas acerca de conteúdos em SP, sem que houvesse
um ordenamento na distribuição do tema, uma vez que alguns subtópicos foram
encontrados em várias disciplinas, em iguais eixos e ciclos, a despeito de outros que
não foram abordados.
Verificou-se, ainda, a distribuição de forma pulverizada, carecendo de um
maior aprofundamento, a partir da observação dos conteúdos programáticos e
planos de aula respectivos e em algumas disciplinas o tema apareceu apenas de
forma propositiva em suas ementas.
Conforme a progressão do curso, observa-se o aumento gradual da
frequência de subtópicos por ciclos da matriz curricular. Todavia, isso contrapõe-se
à recomendação do guia da OMS, que é a introdução o mais precoce possível do
tema na formação dos futuros profissionais. Muito embora o ciclo básico seja
sustentado quase totalmente pelos 3 eixos norteadores e, desse modo, bastante
propício à sua abordagem, ele contemplou menos os conteúdos sobre SP previsto
pelo guia.
Ademais, a sustentação da matriz curricular por eixos norteadores, como
observado em várias escolas de graduação médica, favorece à FAMED/UFAL a
integralização
e
aprofundamento
das
disciplinas
em
suas
dimensões
e
competências em SP sugeridas pelo Canadian Patient Safety Institute (CPSI)16, que
constituem os pilares para o desenvolvimento do guia (OMS).
O CPSI define, para o ensino em SP, os domínios e as competências:
32
1.Técnica (contribuir para uma cultura de SP); 2. Colaboradora (trabalhar em equipe
para a SP); 3. Gestora (gerenciar os riscos de segurança; otimizar fatores humanos
e o meio ambiente); 4. Comunicadora (comunicar eficazmente para a SP) e 5.Ética
(reconhecer, responder e divulgar eventos adversos)16.
Em relação a competência ética, o EDP (Eixo de Desenvolvimento Pessoal),
volta-se melhor a esse aspecto, tendo como principal foco a Humanização da
Medicina e, em sua disciplina deontologia, os seus aspectos legais.
Observa-se que esse eixo foi o que menos contemplou o assunto SP,
podendo ser melhor explorado, sobretudo no tópico menos contemplado: aprender
com os erros para evitar danos. De forma análoga, no estudo realizado por Bohomol
e Cunha, a abordagem desse tópico não foi verificada em nenhuma Unidade
Curricular. Essa lacuna na abordagem aos erros contrasta com publicações
recentes, realizados pela Faculdade de medicina da Universidade Federal de Minas
Gerais (UFMG) que enfatizam as falhas em hospitais como a segunda causa de
morte no país31.
Tal dificuldade de discussão sobre os erros, pode ser atribuída à cultura da
“infalibilidade médica”. Desde a graduação, assume-se a noção equivocada de que
os bons profissionais da saúde não erram, ou de que basta ter atenção que não há
erro. Poucos se dão conta que errar é humano, sendo os primeiros passos para o
entendimento e prevenção do erro humano, o conhecimento sobre a possibilidade
de sua ocorrência, os tipos de erros, suas causas e consequências9.
Estudos demonstram que, ao serem apresentados a esse tema, alunos
mostram-se encorajados e reconhecem a relevância do conteúdo para sua
formação, além de ser identificado uma grande possibilidade de impacto na melhoria
da assistência prestada ao paciente pelos mesmos2;23.
Outro tema pouco contemplado foi o cuidado centrado no paciente, que
poderia ser melhor abordado no EDP ao que foi visto de forma pouco aprofundada
em uma disciplina do eixo ETPI, no ciclo clínico. É válido salientar que, de igual
modo, o conteúdo incluir o paciente e família à equipe não foi mencionado, embora
evidências apontam para o alcance de uma melhor segurança, justamente com a
medicina centrada no paciente e na multidisciplinaridade, que consiste em um novo
perfil do egresso para o qual apontam o guia e as últimas DCN (2014) do curso da
graduação médica28.
Nesse sentido, a OMS lançou em 2010 a campanha “patients for patients”, a
33
qual assegura que a voz do paciente esteja no centro do movimento pela SP em
todo o mundo. No Brasil, foi lançado em dezembro de 2012 pela Gerência Geral de
Tecnologias em Serviços de Saúde (ANVISA), um projeto denominado "Pacientes
pela Segurança do Paciente em Serviços de Saúde"32, que envolve a
comunicação/divulgação e a publicação dos materiais informativos/educativos como
panfletos, cartazes, hotsite e vídeos sobre o tema.
Nota-se também a ausência deum dos temas mais abordados em vários
tópicos no guia: a comunicação eficaz. A referência a boa comunicação entre
equipes aparece apenas em uma disciplina no EAPMC (ciclo básico clínico), com o
tema: “o processo da comunicação”.
Pesquisas mostram que os profissionais prestadores de cuidados de saúde
têm dificuldades de manter uma comunicação que favoreça o trabalho em equipe e,
consequentemente, a segurança do paciente. Diferenças hierárquicas, poder e
conflitos no contexto do trabalho no campo da saúde têm influenciado diretamente
no modo como a comunicação se estabelece, o que gera uma atuação em paralelo,
em detrimento do trabalho em equipe33.
Desse modo, a falha na comunicação entre os profissionais de saúde tem
sido apontada como um dos principais fatores que contribuem para a ocorrência de
eventos adversos e, consequentemente, diminuição da qualidade dos cuidados29.
Também se evidencia que apesar de várias ementas e objetivos das
disciplinas enaltecerem a importância da formação para a multidisciplinaridade
(dimensão colaboradora), essa abordagem interativa entre profissionais ocorre de
maneira mais sistemática apenas nos primeiros períodos do curso, nas ações
comunitárias do eixo de aproximação à prática e comunidade (EAPMC).
No entanto, a FAMED/UFAL tem o compromisso explícito de liderar a
formação em saúde para as práticas multiprofissionais, colaborativas, ofertando uma
pós-graduação específica, o Mestrado Multiprofissional de Ensino na Saúde.
Um dos tópicos de grande importância e também pouco contemplado, tanto
nos ciclos como nos eixos foi: melhora na segurança da medicação, quando o erro
atribuído aos medicamentos, é um dos mais frequentes e mais graves eventos
adversos, sendo a melhoria na sua segurança uma das 6 metas internacionais para
a SP propostas pela OMS13. Esse tema foi melhor abordado no eixo ETPI, que tem o
direcionamento melhor ao diagnóstico e terapêutica, porém, também poderia ser
abordado no eixo EAPMC uma vez que o ciclo do medicamento tem sido cada vez
34
mais compreendido como uma prática multidisciplinar.
A competência gestora que trata as DCN (2014) e enaltece o marco
Canadense (2009)22, alicerce ao guia da OMS, também foi contemplada em pouco
mais de 30% de seu conteúdo, observando-se os resultados encontrados nessa
pesquisa para o tópico: usar método de melhoria de qualidade para melhorar os
cuidados. Conteúdos (subtópicos) como liderança eficaz, resolução de conflitos,
melhoria de processos e da qualidade, acreditação, sistemas complexos,
importância do uso de lista de verificação (Checklist) não foram abordados7.
Outro fato a ser considerado é que, de acordo com o resultado dessa
pesquisa, o tópico que melhor contempla a competência gestora, foi abordado no
EAPMC, o que é esperado, entretanto, foi melhor contemplado no ciclo básico em
detrimento do internato, o qual é o mais oportuno para o exercício dessa
competência. Isso ocorre porque nesse ciclo o futuro profissional egresso da
medicina deve encontrar-se mais apto à assimilação e gerenciamento desses
conceitos.
Nessa perspectiva, Carvalho, Campos e Oliveira propõe reflexões sobre o
ensino da gestão em saúde no internato de medicina da Faculdade de Ciências
Médicas da Universidade Estadual de Campinas, e conclui acerca da importância
dos assuntos gestão em saúde, gestão da clínica médica, do cuidado e gestão em
rede no curso médico e a respeito da necessidade de novos estudos que
aprofundem o tema34. Afinal, os egressos de medicina constituirão futuros gestores,
sendo essencial gerir de forma correta para a melhoria da qualidade da assistência
prestada e, consequentemente, da SP.
Ademais, a preocupação com a grave epidemiologia dos eventos adversos
não apenas no Brasil, mas no mundo, tem reforçado a necessidade de desenvolver
a
prevenção
quaternária,
que
visa
proteger
os
pacientes
do
excessivo
intervencionismo diagnóstico e terapêutico e minimizar o risco de iatrogenias31;
sendo primordial o aprofundamento sobre segurança do paciente nos currículos não
apenas médico, mas de todos os cursos de saúde35.
Nesse contexto, é nítida a carência desse conteúdo na graduação,
demonstrando não somente a necessidade de novos estudos acerca do tema, mas
também de inclusão o mais precocemente possível nos Projetos Pedagógicos.
Conforme pleiteia a OMS, isso pode ser realizado adaptando-o às disciplinas já
existentes, preferencialmente com metodologias ativas de aprendizagem, de forma a
35
consolidar a formação desses futuros profissionais da saúde14
36
7
CONCLUSÃO
Tendo em vista os objetivos propostos, avaliando-se o PPC e a Matriz
Curricular do Curso de Medicina da UFAL, conclui-se que o ensino em SP tem
muitas lacunas a serem sanadas, que podem impactar negativamente na formação
do futuro egresso, uma vez que os eventos adversos têm uma epidemiologia ainda
alarmante.
Com isso, pode-se inferir que em face a sua extrema importância o tema
necessita de maior reflexão e aprofundamento pela academia, com a proposta de
elaboração de um roteiro estruturado de competências em Segurança do Paciente,
com ajustes ou inclusão das mesmas, avaliando-se a melhor estratégia de
abordagem.
37
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19 PAVÃO, A. L. B. et al. Estudo de incidência de eventos adversos hospitalares,
Rio de Janeiro, Brasil: avaliação da qualidade do prontuário do paciente. Rev.
Bras. Epidemiol., São Paulo, v. 14, n. 4, p. 651-661, 2011. DOI:
http://dx.doi.org/10.1590/S1415-790X2011000400012.
20 BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº. 529, de 1 de abril de 2013. Institui o
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República Federativa do Brasil. Brasília, DF, 1 abr. 2013. Disponível em:
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2013/prt0529_01_04_2013.html.
Acesso em: 12 fevereiro. 2018.
21 AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA (ANVISA). Resolução RDC nº 36, de 25 de Julho de 2013. Institui ações para a segurança do paciente
em serviços de saúde e dá outras providências. Brasília, DF, ANVISA, 2013.
39
22 CONSELHO NACIONAL DE SAÚDE (CNS). RDC nº 569, de 8 de dezembro de
2017. Aprova pressupostos, princípios e diretrizes gerais a serem incorporados
nas DCN de todos os cursos de graduação da área da saúde. Diário Oficial [da]
República Federativa do Brasil: seção 1, Brasília, DF, n. 38, p. 85-90, 26 fev.
2018.
23 BOHOMOL, E.; CUNHA, I. C. K. O. Ensino sobre segurança do paciente no
curso de Medicina da Universidade Federal de São Paulo, Einstein, São
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24 GALLOTTI, R. M. D. Eventos adversos: o que são? Rev. Assoc. Med. Bras.,
São Paulo, v. 50, n. 2, p. 114, abr. 2004. DOI: http://dx.doi.org/10.1590/S010442302004000200008.
25 MARRA, V. L. N. Metodologias de aprendizagem ativa na graduação médica:
uma proposta de ensino-aprendizagem de segurança do paciente. 2015.
Monografia (Especialização em Formação Docente em Medicina e Ciências da
Saúde ) - Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro,
2015.
26 WATCHER, R. M. Compreendendo a segurança do paciente. Porto Alegre:
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27 YOSHIKAWA, J. M. et al. Compreensão de alunos de cursos de graduação em
enfermagem e medicina sobre segurança do paciente. Acta Paul. Enferm., São
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28 CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO (CNE). CÂMARA ENSINO
SUPERIOR (CES). Resolução CNE/CES 3, de 20 de junho de 2014. Institui
Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Medicina e dá
outras providências. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil: seção
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29 UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS. Faculdade de Medicina. Projeto
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Disponível em:
http://www.ufal.edu.br/unidadeacademica/famed/graduacao/medicina/projetopedagogico/pcc-medicina-2013. Acesso em: 5 mar. 2017.
30 UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS. Faculdade de Medicina. Matriz
Curricular. Maceió: UFAL, FAMED, [2013]. Disponível em:
http://www.ufal.edu.br/unidadeacademica/famed/graduacao/medicina/matrizcurricular. Acesso em: 5 mar. 2017.
31 UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS. Anuário da segurança
assistencial hospitalar no Brasil do Instituto de Estudos de Saúde
Suplementar. Belo Horizonte: IESS, 2017, p. 5-89.
40
32 AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA (ANVISA). Gerência de
Vigilância e Monitoramento em Serviços de Saúde (GVIMS). Como posso
contribuir para aumentar a segurança do paciente: orientações aos
pacientes, familiares e acompanhantes: pacientes pela segurança do paciente
em serviços de saúde. Brasília, DF: ANVISA, 2017.
33 SANTOS, M. C. et al. Comunicação em saúde e a segurança do doente:
problemas e desafios. Rev. Port. Saúde Pública, Lisboa, v. 10, p. 47-57, out,
2010. ISSN 0870-9025.
34 CARVALHO, S.R.; CAMPOS G.W.S.; OLIVEIRA G.N. Reflexões sobre o ensino
de gestão em saúde no internato de medicina na Faculdade de Ciências
Médicas da Universidade Estadual de Campinas: Unicamp. Interface
(Botucatu), Botucatu, v. 13, n. 29, p. 455-465, 2009. ISSN 1807-5762.
35 DEMING, W. E. Out of the Crisis. 2. ed. United States of America: Mit Press,
2000. ISBN: 0262541157.
.
41
8
PRODUTO 1 - ARTIGO
AVALIAÇÃO DO ENSINO SOBRE SEGURANÇA DO PACIENTE NA
GRADUAÇÃO MÉDICA DE UMA UNIVERSIDADE PÚBLICA
Analysis of Patient Safety skills teaching in a medical graduation course
Sandra Márcia Omena Bastos1, Francisco José P. Soares1, Jorge Artur P. M. Coelho1
1
Mestrado Profissional de Ensino na Saúde, Faculdade de Medicina, Universidade
Federal de Alagoas, Brasil. smobastos@ig.com.br;
franscisco_passos01@hotmail.com; jorge.coelho@famed.ufal.br
Resumo: Em face à grave epidemiologia dos eventos adversos, definidos como
complicações indesejadas decorrentes do cuidado prestado aos pacientes, não
atribuídas à evolução natural de sua doença de base, um dos apelos da
Organização Mundial de saúde é a inclusão do tema Segurança do Paciente (SP)
nos currículos das áreas de saúde, motivo pelo qual criou um Guia Curricular
Multiprofissional para o Ensino da Segurança do Paciente (GMSPOMS) em 2011.
Trata-se de estudo documental de caráter exploratório do tipo descritivo-analítico
com abordagem qualitativa. O referencial teórico adotado foi o GMSPOMS e o
Documento de Referência para o Programa Nacional de Segurança do Paciente.
Analisou-se o Projeto Pedagógico do curso de Medicina da FAMED/UFAL e sua
matriz curricular para verificar conteúdos acerca de SP e elaborar um projeto de
inclusão transversal do tema. Foram encontrados 159 termos rastreadores, dos
quais 62 (38,5%) no PPC e 59 (36,6%) na matriz curricular. Das 34 disciplinas
modulares identificadas na matriz curricular, 31 (91,7%) apresentaram assuntos
relacionados à SP, porém de forma fragmentada e com importantes lacunas.
Verificou-se que o tema SP não foi adequadamente assimilado pelo curso, que
contempla conteúdos parciais, sem a integração necessária entre as disciplinas
modulares e aprofundamento do conteúdo.
Palavras-chave: Segurança do paciente. Ensino médico. Currículo médico.
Qualidade na assistência à saúde. Eventos adversos.
42
Abstract: Considering the serious epidemiology of adverse events, defined as
unwanted complications arising from the care provided to patients, not attributed to
their underlying disease’s natural evolution, one of the appeals of the World Health
Organization is to include “Patient Safety” (PS) lessons in the curriculums of the
health areas, which lead to the Multi-professional Patient Safety Curriculum Guide
(MPPSC) creation. This study conducted exploratory, documentary and descriptiveanalytic research of qualitative approach. It was aimed to analyze the Medical school
from Federal University of Alagoas. Considering the MPPSC and the reference
document for National Patient Safety Program, this work intended to verify how much
PS is being taught during the lessons. Considering 159 terms trackers, 62 (38.5%)
were found in Pedagogical Project of the Course (PPC) and 59 (36.6%) in the
curriculum. 34 curriculum units were described, of which 31(91,17%) involved topics
related to Patient Safety, but with important gaps, noting that less than 40% of topics
were covered in little more than 50% content. It was verified that PS was not
adequately assimilated by the course, only contemplating fragments of the contents
and without the necessary deepening and integration between the modular subjects.
Keywords: Patient safety. Medical teaching. Curriculum. Quality in healthcare.
Adverse events.
8.1
Introdução
A Segurança do Paciente (SP) é um tema ainda recente nas práticas
assistenciais e no ensino. A assistência à saúde se tornou mais complexa, com o
avanço do conhecimento científico e o grande aparato tecnológico, passando-se a
reconhecer que as organizações de saúde não apenas curam doenças e aliviam a
dor, mas também causam dano e sofrimento1-3.
Desde a graduação assume-se a noção equivocada de que os bons
profissionais da saúde não erram ou de que basta ter atenção para não ter erro.
Poucos se dão conta de que errar é humano4.
A publicação feita pelo IOM (Institute of Medicine) em 1999, intitulada “Errar é
Humano: Construindo um Sistema de Saúde mais Seguro”5, tornou-se um marco
histórico para a percepção da grave epidemiologia do dano ao paciente, que na
perspectiva da OMS, são os chamados Eventos Adversos (EA) – erros decorrentes
da prestação dos cuidados e não da patologia de base que motivou a internação do
paciente6.
Essa publicação denunciou que se morre mais por EA que por acidente
automobilístico, câncer de mama e AIDS. A partir desse estudo, a OMS vem fazendo
um apelo para que todos os países priorizem políticas públicas que visem,
sobretudo, a prevenção destes eventos e quando não possível, sua mitigação e
43
tratamento, buscando-se uma melhoria contínua das práticas assistências, rumo a
excelência de um cuidar sem danos6.
Para tanto, a WHO criou em 2004 a Aliança Mundial para a Segurança do
Paciente, que, desde então, a cada 2 anos, vem lançando campanhas – Desafios
Globais para a Segurança do Paciente, na tentativa de reafirmar o tema SP. (Joint
Comission for Pacient Safety)7.
Os erros relacionados à prevenção e diagnóstico das doenças são muito
comuns, particularmente pela não aderência aos protocolos. Estudos denunciam
que para cada 10 pacientes que se internam em um hospital, um sofrerá um EA,
cuja maioria poderia ser evitável e boa parte cursa com danos permanentes
(sequelas) ou até a morte6,8.
A preocupação com esses eventos e a busca pela melhor formação dos
profissionais de saúde levaram a WHO a desenvolver um guia curricular
multiprofissional – Patient Safety Curriculum Guide for Medical Schools9, para
auxiliar as instituições de ensino sobre o tema, como objetivo de preparar os
estudantes, futuros profissionais de saúde, para uma prática segura em seus locais
de trabalho; informar às faculdades de ciências da saúde os temas principais de SP;
maximizar a importância do assunto para todas as carreiras médicas; sugerir um
programa integrado ao currículo regular das universidades; fomentar a capacitação
de educadores em SP entre os docentes das faculdades; ampliar os conhecimentos
sobre SP e motivar a elaboração de pesquisas acadêmicas sobre o tema10.
Em consonância com a OMS, em 2013, o Ministério da Saúde, considerando
a relevância e magnitude que os Eventos Adversos possuem, lança a Portaria 529,
que institui o Programa Nacional de Segurança do Paciente (PNSP)11 e a Resolução
da Diretoria Colegiada (RDC) de número 3612, a qual determina a estruturação de
Núcleos de Segurança do Paciente para todos os hospitais do país.
Dentre as sete estratégias de implementação do PNSP está a articulação com
o Ministério da Educação e com o Conselho Nacional de Educação13 para inclusão
do tema SP nos currículos dos cursos de formação em saúde de nível técnico,
superior e de pós-graduação, como recomendado pela OMS. (PNSP do Ministério
da Saúde, 2013)11.
As publicações envolvendo a temática segurança do paciente e educação
médica são escassas. Isso sugere que outras pesquisas devem ser realizadas para
que sejam preenchidas as lacunas no conhecimento sobre como formar médicos
44
que saibam prevenir e minimizar eventos adversos na cadeia do cuidado em
saúde14-15.
Portanto, foi realizado um diagnóstico situacional do ensino em Segurança do
Paciente na FAMED/UFAL, verificando a concordância com as DCN para o curso
médico, e as orientações da OMS para o ensino, visando a readequação do tema no
projeto pedagógico, com a perspectiva de contribuir na mudança do perfil do
egresso de medicina, em face à grave epidemiologia dos Eventos Adversos (EA).
8.2
Metodologia
A pesquisa foi realizada em âmbito local, tendo como limite o curso de
medicina de uma universidade pública – Universidade Federal de Alagoas. O projeto
de pesquisa foi encaminhado à Plataforma Brasil, sendo aprovado pelo Comitê de
Ética em Pesquisa da UFAL, sob o número 82395517.2.0000.5013. A coleta de
dados realizou-se de outubro a dezembro de 2017.
Trata-se de estudo documental, de caráter exploratório, do tipo descritivoanalítico, com abordagem qualitativa, que analisou o Projeto Pedagógico, versão
2013 e Matriz Curricular do curso de graduação em Medicina da Faculdade de
Medicina (FAMED) da Universidade Federal de Alagoas (UFAL)16-17, disponíveis no
site http://www.ufal.edu.br/unidadeacademica/famed, para verificar o que se ensina
sobre segurança do paciente, extraído da dissertação intitulada “Avaliação do ensino
sobre segurança do paciente na graduação médica de uma universidade pública”
apresentada ao Programa de Pós-Graduação a nível de Mestrado Profissional em
Ensino na Saúde da FAMED/UFAL em 2018. Não há conflito de interesse.
Antes da análise documental, foi realizada avaliação estrutural prévia do PPC
FAMED/UFAL16, das DCNs (2014)13, da proposta do Sistema de Saúde vigente –
SUS, portaria 52911 e RDC 3612, procurando-se verificar a existência de elementos
suficientes para embasar a importância do ensino em Segurança do Paciente para a
graduação médica.
O referencial teórico adotado para a análise de conteúdo em segurança do
paciente foi o Multi-professional Patient Safety Curriculum Guide da Organização
Mundial da Saúde, publicado em 2011, apresentando 11 tópicos que serviram como
categorias de análise. Cada tópico, distribuídos por capítulos no guia, integra
diversos conteúdos, definidos nessa pesquisa como subtópicos, que serviram como
45
termos a serem rastreados9.
Para seleção dos termos rastreadores (subtópicos) e uniformidade na
condução da investigação, foi utilizado o guia da OMS e aplicado o método de
Bohomol e Cunha de 2015, elaborando-se uma lista de “palavras-chave”,
autodeclaradas no próprio guia, acrescida de outros termos pertinentes, extraídos do
mesmo referencial teórico, computando-se ao todo 159 termos rastreadores9,18.
Para a seleção dos termos pertinentes acrescidos, contou-se além da autora
da pesquisa, com uma profissional especialista em segurança do paciente pela
FIOCRUZ19. Para tanto, foram avaliados em separado os possíveis termos
rastreadores, que extrapolassem os já auto-declarados como “palavras chave” e em
um segundo momento foram confrontados os termos pertinentes encontrados, que
coincidiram em 89,4%. Em um terceiro momento, foram comparados os termos
rastreadores com os encontrados por Bohomol e Cunha (2015), obtendo-se a
concordância em 78,7%, considerada adequada para a realização do estudo, sendo
mantidos os 159 termos rastreadores (subtópicos) propostos nessa pesquisa18.
Portanto, em face à semelhança dos resultados da avaliação pareada entre a
autora e a profissional especialista em SP, foram mantidos os 159 termos
rastreadores (subtópicos) propostos, inicialmente, nessa pesquisa.
Esses 159 termos rastreadores adotados, distribuídos nos 11 tópicos do guia,
serviram para buscar no PPC e na matriz curricular “unidades de contexto”, ou seja,
trechos dos documentos em análise que permitam codificar os subtópicos (Tabela
1), verificando os conteúdos sobre segurança do paciente previstos nos ciclos
teórico-prático (primeiro ao oitavo período) e internato (dois últimos anos).
Os dados obtidos foram lançados em planilhas do programa Microsoft Excel
for Windows 2007, indicando conteúdos previstos e não previstos sobre segurança
do paciente no PPC e na Matriz Curricular. Os resultados são apresentados na
forma de gráficos, conforme a ordem de frequência percentual dos subtópicos nos
ciclos e eixos estruturantes da matriz.
46
Tabela 1 - Instrumento de análise documental do Projeto pedagógico do Curso (PPC)
Fonte: AUTORA, 2018.
8.3
Resultados
Na análise qualitativa dos documentos utilizados no estudo, a frequência de
distribuição dos 11 tópicos do guia sobre Segurança do Paciente (SP) variou de 9%
a 60,7% no PPC e 8,3% a 55,5% na matriz curricular. Das 34 disciplinas modulares
identificadas na matriz curricular, 31 (91,7%) apresentavam assuntos relacionados à
SP. Dos 159 termos rastreadores, denominados subtópicos, 62 (38,5%) foram
encontrados no PPC e 59 (36,6%) na matriz curricular.
A frequência de subtópicos específicos a cada tópico é apresentada no
quadro 1. Os resultados expressam aumento crescente na inserção de conteúdos
sobre Segurança do Paciente à medida que o curso evolui em direção ao internato.
Quadro 1 - Frequência absoluta e percentual de subtópicos específicos a cada
tópico por ciclo constitutivo da matriz curricular do curso de medicina
da UFAL. Maceió, 2018.
(continua)
TÓPICOS DO GUIA CURRICULAR
FREQUÊNCIA DE SUBTÓPICOS POR
MULTIPROFISSIONAL – OMS (2011)
1. O que é segurança do paciente
CICLO
Básico
Clínico
Internato
(1/17)
(3/17)
(4/17)
5,9%
17,6%
23,5%
(2/11)
(2/11)
(4/11)
18,2%
18,2%
36,4%
(2/9)
(3/9)
(4/9)
22,2%
33,3%
44,4%
(6/13)
(4/13)
(2/13)
46,2%
30,7%
15,4%
(1/12)
(1/12)
(3/12)
8,3%
8,3%
25%
2. Por que empregar fatores humanos é
importante para a segurança do paciente
3. Compreensão dos sistemas
4. Atuar em equipe de forma eficaz
5. Aprender com os erros para evitar danos
47
Quadro 1 - Frequência absoluta e percentual de subtópicos específicos a cada
tópico por ciclo constitutivo da matriz curricular do curso de medicina
da UFAL. Maceió, 2018.
(conclusão)
TÓPICOS DO GUIA CURRICULAR
FREQUÊNCIA DE SUBTÓPICOS POR
MULTIPROFISSIONAL – OMS (2011)
CICLO
Básico
Clínico
Internato
(2/17)
(2/17)
(5/17)
11,7%
11,7%
29,4%
7. Usar método de melhoria de qualidade
(3/11)
(2/11)
(1/11)
para melhorar os cuidados
27,3%
18,2%
9,1%
8. Envolverpacientes e cuidadores
(6/17)
(9/17)
(5/17)
35,3,%
52,9%
29,4%
(3/17)
(7/17)
(8/17)
17,6%
41,2%
47,1%
0%
(2/10)
(3/10)
20%
30%
(2/25)
(4/25)
8%
16%
6. Compreender e gerenciar o risco clínico
9. Prevenção e Controle de Infecções
10. Segurança do paciente e procedimentos
invasivos
11. Melhora na segurança da medicação
0%
MÉDIA
17,5%
23,7%
27,4%
MEDIANA
17,6%
18,2%
29,4%
Fonte: AUTORA, 2018.
O ciclo básico foi o menos contemplado com o tema SP (17,5%) e em 2
tópicos não foram identificados subtópicos. O tópico com mais subtópicos descritos
(46,2%) foi: atuar em equipe de forma eficaz. No ciclo Clínico a descrição de
subtópicos variou entre 8 e 52,9%. O tópico com mais subtópicos descritos foi:
Envolver pacientes e cuidadores. Houve uma variação de 9,1% a 47,1% de
subtópicos nos tópicos descritos no internato. O item com maior descrição de
subtópicos foi: prevenção e controle de infecção.
A frequência de subtópicos específicos a cada eixo é apresentada no quadro
2. Observa-se que o Eixo Teórico Prático Integrado (ETPI) foi o que mais
contemplou o tema SP (26,4%), seguido pelo Eixo de Aproximação à Prática Médica
e à Comunidade (EAPMC) (16,4%) e por fim o Eixo de Desenvolvimento Pessoal
(EDP) (7,5%).
48
Quadro 2 - Frequência absoluta e percentual de subtópicos específicos a cada
tópico, por eixo constitutivo da matriz curricular do curso de medicina
da UFAL. Maceió, 2018.
TÓPICOS DO GUIA CURRICULAR
FREQUÊNCIA DE SUBTÓPICOS
MULTIPROFISSIONAL – OMS (2011)
POR EIXO
ETPI
EAPMC
EDP
(4/17)
(1/17)
(1/17)
23,5%
5,9%
5,9%
2. Porque empregar fatores humanos é
(2/11)
(3/11)
(1/11)
importante para a segurança do paciente
18,2%
27,3%
9,1%
(3/9)
(3/9)
(3/9)
33,3%
33,3%
33,%
(5/13)
(5/13)
(4/13)
38,5%
38,5%
30%
(1/12)
0%
0%
1. O que é segurança do paciente
3. Compreensão dos sistemas
4. Atuar em equipe de forma eficaz
5. Aprender com os erros para evitar danos
8,3%
6. Compreender e gerenciar o risco clínico
7. Usar método de melhoria de qualidade
(2/17)
(1/17) 5,9% (1/17)
11,8%
5,9%
0%
(4/11) 36,4%
0%
(6/17)
(5/17)
(3/17)
35,3%
29,4%
17,%
(7/17)
(3/17)
0%
41,2%
17,6%
para melhorar os cuidados
8. Envolver pacientes e cuidadores
9. Prevenção e Controle de Infecções
10. Segurança do paciente e procedimentos (3/10) 30%
0%
0%
(8/25)
(1/25)
0%
32%
4,0%
MÉDIA
24,7%
18,0%
9,3%
MEDIANA
30,0%
17,6%
5%
invasivos
11. Melhora na segurança da medicação
Fonte: AUTORA, 2018.
A observação dos textos relativos ao ETPI revelou que 6 tópicos foram
contemplados em mais de 1/3 do conteúdo proposto. Apenas em um tópico nenhum
subtópico foi verificado: usar método de melhoria da qualidade para melhorar os
49
cuidados. Os tópicos com mais subtópicos abordados foram: prevenção e controle
de infecções (41,2%) e atuar em equipe de forma eficaz (38,5%).
Nos textos referentes ao eixo EAPMC observou-se ampla variação (0% a
38%) na abordagem dos subtópicos: apenas 3 tópicos contemplavam mais de 30%
do conteúdo previsto, e em 2 tópicos nenhum subtópico foi identificado. Nos textos
relativos ao EDP, 5 tópicos não contemplavam qualquer subtópico sobre SP e, em
apenas dois tópicos, compreensão dos sistemas e atuar em equipe de forma
eficaz, foram identificados mais de 30% do conteúdo previsto do tema.
8.4
Discussão
O estudo demonstra uma variação importante na distribuição de conteúdos de
segurança do paciente no PPC. Quando observado na matriz curricular, essa
mesma variação aparece tanto em relação aos tópicos, quanto aos subtópicos.
O estudo revelou que a maior parte das disciplinas modulares existentes na
matriz curricular da FAMED/UFAL lidava, ainda que algumas vezes de forma
incipiente, com assuntos relacionados à SP, sendo observada uma ampla variação
na distribuição dos subtópicos dos 11 tópicos do guia da OMS9.
Nessa direção, o estudo de Bohomol e Cunha (2015) realizado na UNIFESP,
também obteve em seus resultados a não contemplação, em sua totalidade, dos
conteúdos acerca de SP nas disciplinas encontradas. Ressalta-se que essa autora
baseou sua pesquisa no projeto pedagógico de 2006, o que pode ter impactado no
percentual de disciplinas com menos abordagem em relação à FAMED/UFAL, uma
vez que nesta pesquisa foi analisado o PPC de 201318.
Na análise tanto dos ciclos quanto dos eixos, verificou-se o não
entrelaçamento entre as disciplinas acerca de conteúdos em SP, sem que houvesse
um ordenamento na distribuição do tema, uma vez que alguns subtópicos foram
encontrados em várias disciplinas, em iguais eixos e ciclos, a despeito de outros que
não foram abordados.
Verificou-se, ainda, a distribuição de forma pulverizada, carecendo de um
maior aprofundamento, a partir da observação dos conteúdos programáticos e
planos de aula respectivos e em algumas disciplinas o tema apareceu apenas de
forma propositiva em suas ementas.
50
Conforme a progressão do curso, observa-se o aumento gradual da
frequência de subtópicos por ciclos da matriz curricular. Todavia, isso contrapõe-se à
recomendação do guia da OMS, que é a introdução o mais precoce possível do
tema na formação dos futuros profissionais. Muito embora o ciclo básico seja
sustentado quase totalmente pelos 3 eixos norteadores e, desse modo, bastante
propício à sua abordagem, ele contemplou menos os conteúdos sobre SP previstos
pelo guia.
Ademais, a sustentação da matriz curricular por eixos norteadores, como
observado em várias escolas de graduação médica, favorece, à FAMED/UFAL a
integralização e aprofundamento das disciplinas em suas dimensões e competências
em SP sugeridas pelo Canadian Patient Safety Institute (CPSI), que constituem os
pilares para o desenvolvimento do guia20.
O CPSI define, para o ensino em SP, os domínios e as competências:
1.Técnica (contribuir para uma cultura de SP); 2.Colaboradora (trabalhar em equipe
para a SP); 3.Gestora (gerenciar os riscos de segurança; otimizar fatores humanos e
o meio ambiente); 4.Comunicadora (comunicar eficazmente para a SP) e 5.Ética
(reconhecer, responder e divulgar eventos adversos)21.
Em relação a competência ética, o EDP (Eixo de Desenvolvimento Pessoal),
volta-se melhor a esse aspecto, tendo como principal foco a Humanização da
Medicina e, em sua disciplina deontologia, os seus aspectos legais.
Observa-se que esse eixo foi o que menos contemplou o assunto SP,
podendo ser melhor explorado, sobretudo no tópico menos contemplado: aprender
com os erros para evitar danos. De forma análoga, no estudo realizado por Bohomol
e Cunha (2015), a abordagem desse tópico não foi verificado em nenhuma Unidade
Curricular (UC)18. Essa lacuna na abordagem aos erros contrasta com publicações
recentes, realizados pela Faculdade de medicina da Universidade Federal de Minas
Gerais (UFMG) que enfatizam as falhas em hospitais como a segunda causa de
morte no país22. (UFMG, 2017)
Tal dificuldade de discussão sobre os erros, pode ser atribuída à cultura da
“infalibilidade médica”. Desde a graduação, assume-se a noção equivocada de que
os bons profissionais da saúde não erram, ou de que basta ter atenção que não há
erro. Poucos se dão conta que errar é humano, sendo os primeiros passos para o
entendimento e prevenção do erro humano, o conhecimento sobre a possibilidade
de sua ocorrência, os tipos de erros, suas causas e consequências4-5.
51
Estudos demonstram que, ao serem apresentados a esse tema, alunos
mostram-se encorajados e reconhecem a relevância do conteúdo para sua
formação, além de ser identificado uma grande possibilidade de impacto na melhoria
da assistência prestada ao paciente pelos mesmos3,23,.
Outro tema pouco contemplado foi o cuidado centrado no paciente, que
poderia ser melhor abordado no EDP ao que foi visto de forma pouco aprofundada
em uma disciplina do eixo ETPI, no ciclo clínico. É válido salientar que, de igual
modo, o conteúdo “incluir o paciente e família à equipe” não foi mencionado, embora
evidências apontam para o alcance de uma melhor segurança, justamente, com a
medicina centrada no paciente e na multidisciplinaridade, que consiste em um novo
perfil do egresso para o qual apontam o guia e as últimas DCN (2014) do curso da
graduação médica13.
Nesse sentido, a OMS lançou em 2010 a campanha “patients for patients”, a
qual assegura que a voz do paciente esteja no centro do movimento pela SP em
todo o mundo. No Brasil, foi lançado em dezembro de 2012 pela Gerência Geral de
Tecnologias em Serviços de Saúde (GGTES/ANVISA), um projeto denominado
"Pacientes pela Segurança do Paciente em Serviços de Saúde"24, que envolve a
comunicação/divulgação e a publicação dos materiais informativos/educativos como
panfletos, cartazes, hotsite e vídeos sobre o tema.
Nota-se também a ausência de um dos temas mais abordados em vários
tópicos no guia: a comunicação eficaz. A referência a boa comunicação entre
equipes aparece apenas em uma disciplina no EAPMC (ciclo básico clínico), com o
tema: “o processo da comunicação”.
Pesquisas mostram que os profissionais prestadores de cuidados de saúde
têm dificuldades de manter uma comunicação que favoreça o trabalho em equipe e,
consequentemente, a segurança do paciente. Diferenças hierárquicas, poder e
conflitos no contexto do trabalho no campo da saúde têm influenciado diretamente
no modo como a comunicação se estabelece, o que gera uma atuação em paralelo,
em detrimento do trabalho em equipe25.
Desse modo, a falha na comunicação entre os profissionais de saúde tem
sido apontada como um dos principais fatores que contribuem para a ocorrência de
eventos adversos, resultando na diminuição da qualidade dos cuidados26.
Também se evidencia que apesar de várias ementas e objetivos das
disciplinas enaltecerem a importância da formação para a multidisciplinaridade
52
(dimensão colaboradora), essa abordagem interativa entre profissionais ocorre de
maneira mais sistemática apenas nos primeiros períodos do curso, nas ações
comunitárias do eixo de aproximação à prática e comunidade (EAPMC).
No entanto, a FAMED/UFAL tem o compromisso explícito de liderar a
formação em saúde para as práticas multiprofissionais, colaborativas, ofertando uma
pós-graduação específica, o Mestrado Multiprofissional de Ensino na Saúde.
Um dos tópicos de grande importância e também pouco contemplado, tanto
nos ciclos como nos eixos foi: melhora na segurança da medicação, quando o erro
atribuído aos medicamentos, é um dos mais freqüentes e mais graves eventos
adversos, sendo a melhoria na sua segurança uma das 6 metas internacionais para
a SP propostas pela OMS. Esse tema foi melhor abordado no eixo ETPI, que tem o
direcionamento melhor ao diagnóstico e terapêutica, porém, também poderia ser
abordado no eixo EAPMC uma vez que o ciclo do medicamento tem sido cada vez
mais compreendido como uma prática multidisciplinar27.
A competência gestora que trata as DCN (2014)9 e enaltece o marco
Canadense (2009), alicerce ao guia da OMS, também foi contemplada em pouco
mais de 30% de seu conteúdo, observando-se os resultados encontrados nessa
pesquisa para o tópico: usar método de melhoria de qualidade para melhorar os
cuidados. Os conteúdos (subtópicos) como liderança eficaz, resolução de conflitos,
melhoria de processos e da qualidade, acreditação, sistemas complexos,
importância do uso de lista de verificação (Checklist) não foram abordados21.
O tópico que melhor contempla a competência gestora foi abordado no
EAPMC, o que é esperado, entretanto, foi melhor contemplado no ciclo básico em
detrimento do internato, o qual é o mais oportuno para o exercício dessa
competência. Isso ocorre porque nesse ciclo o futuro profissional egresso da
medicina deve encontrar-se mais apto à assimilação e gerenciamento desses
conceitos.
Nessa perspectiva, Carvalho, Campos e Oliveira28 propõe reflexões acerca do
ensino da gestão em saúde no internato de medicina da Faculdade de Ciências
Médicas da Universidade Estadual de Campinas, e conclui acerca da importância
dos assuntos gestão em saúde, gestão da clínica médica, do cuidado e gestão em
rede no curso médico e acerca da necessidade de novos estudos que aprofundem o
tema. Afinal, os egressos de medicina constituirão futuros gestores, sendo essencial
gerir de forma correta para a melhoria da qualidade da assistência prestada e,
53
consequentemente, da SP28.
Ademais, a preocupação com a grave epidemiologia dos eventos adversos
não apenas no Brasil, mas no mundo, tem reforçado a necessidade de desenvolver
a
prevenção
quaternária,
que
visa
proteger
os
pacientes
do
excessivo
intervencionismo diagnóstico e terapêutico e minimizar o risco de iatrogenias; sendo
primordial o aprofundamento sobre segurança do paciente nos currículos não
apenas médico, mas de todos os cursos de saúde20.
Nesse contexto, é nítida a carência desse conteúdo na graduação dos cursos
de medicina e de saúde no Brasil e no mundo, demonstrando não somente a
necessidade de novos estudos acerca do tema, mas também de sua inclusão o mais
cedo possível no Projeto Pedagógico. Conforme pleiteia a OMS, isso pode ser
realizado adaptando o tema SP às disciplinas já existentes, preferencialmente com
metodologias ativas de aprendizagem, de forma a consolidar a formação desses
futuros profissionais da saúde em uma prática assistencial mais segura: livre de
danos (RDC do Ministério da Saúde, 201730).
Em conclusão, o estudo demonstra que o curso de medicina da UFAL aborda
o tema SP de forma parcial, pouco integrada e sem a identidade conceitual
preconizada no guia da OMS e como demanda das DCN 201413.
8.5
Considerações Finais
Os resultados observados são concordantes com outros estudos em que a
despeito da importância das evidências publicadas nos últimos anos, mostrando ser
inegável que a Segurança do Paciente é crucial para um cuidado hospitalar de
qualidade e que acidentes e falhas acontecem e tem um custo muito elevado para o
paciente e para o sistema de saúde. Há poucos estudos nacionais sobre o tema e
sobre a sua aplicabilidade na graduação médica e a inserção de assuntos de
qualidade em saúde e Segurança do Paciente nos currículos universitários tem sido
negligenciada pelas esferas de ensino superior, não apenas no Brasil, mas em todo
o mundo.
Tal fato reitera a hipótese de que a cultura de segurança ainda não foi
adequadamente assimilada pelos cursos de medicina, apesar do apelo da Aliança
Mundial para a Segurança do Paciente em implementar as proposições do “Patient
Safety Curriculum Guide”9 na matriz curricular dos cursos técnicos, de graduação e
54
pós-graduação da área de saúde.
Como demonstrado, o PPC de 2013 da FAMED/UFAL contempla conteúdos
parciais sobre a segurança do paciente. Porém, como em outros estudos
encontrados acerca do tema, esses conteúdos são abordados de forma tradicional,
fragmentada, sem a integração necessária entre as disciplinas modulares, deixando
muitas lacunas a serem sanadas.
A OMS sugere a inclusão curricular do tema adaptando-o às disciplinas já
existentes, preferencialmente com metodologias ativas de aprendizagem. E que seja
iniciada o mais precocemente possível, por tratar-se não apenas de aquisição de
conteúdos, mas de formação de uma cultura que orientará o egresso em toda sua
trajetória profissional, para que a qualidade assistencial possa atingir níveis de
excelência, traduzida pela minimização dos riscos aos quais diariamente os
pacientes são expostos.
Uma das limitações na análise documental, presente nesse estudo, foi a
impossibilidade da verificação da aplicação prática dos conteúdos. Os documentos
avaliados, ementas, conteúdos programáticos, são apenas indicativos, propositivos,
necessitando posteriormente o uso de estratégias de pesquisa relacionais, com
docentes e discentes, para compreender o nível de conhecimentos, a compreensão
da necessidade da inserção, e a dimensão real da aplicabilidade prática do tema.
No entanto, a organização curricular, com um eixo de ética e desenvolvimento
pessoal, e outro de aproximação à prática médica na comunidade, o estímulo ao
trabalho em equipe propiciado pela metodologia PBL, a ampliação do tempo do
internato para dois anos, a tentativa da integração modular, e a efetiva
implementação de um laboratório de simulação de situações de urgência e
emergência, representa uma posição ética favorável à aprendizagem orientada para
a segurança do paciente.
Com os dados obtidos na fase de exploração, após análise e interpretação,
elaborou-se um plano executivo como sugestão para introdução ou adequação dos
“Temas Chaves em Segurança do Paciente”, que será apresentado ao Núcleo
Docente Estruturante do Curso de Medicina da FAMED/UFAL.
Esse estudo, pioneiro em Alagoas, representa um marco no ensino médico e
apresenta um alcance de aplicabilidade avaliativa diagnóstica para os demais cursos
da área da saúde.
55
REFERÊNCIAS
1
AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Assistência segura: uma
reflexão teórica aplicada à prática. 2. ed. Brasília, DF, ANVISA, 2013. (Série
Segurança do Paciente e Qualidade em Serviços de Saúde, v. 1).
2
AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Segurança do paciente e
qualidade assistencial em serviços de saúde. Boletim Informativo, Brasília, DF,
2011.
3
WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO); WORLD ALLIANCE FOR PATIENT
SAFETY. Research Priority Setting Working Group. Summary of the evidence
on patient safety : implications for research. Edited by Ashish Jha. Geneva :
WHO, 2008. Disponível em: http://www.who.int/iris/handle/10665/43874. Acesso
em: 5 mar. 2017.
4
REASON, J. Human error: models and management. BMJ, London, v. 1, n. 320,
p. 768-770, 2000.
5
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system. Washington: IOM, 1999.
6
LEUNG, G. K.; PATIL, N. G. Patient safety in the undergraduate curriculum:
medical students perception. Hong Kong Med J., v. 16, n. 2, p. 101-105, 2010.
7
REVERE, A.; ELDRIDGE, N. Joint commission national patient safety goals for
2008. Topics in Patient Safety, Ann Arbor, v. 12, n. 1, p. 1-4, 2008.
8
WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Patients for patient safety:
partnerships for safer health care. Geneva: WHO, 2013.
9
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE (OMS). Guia curricular de segurança
do paciente da Organização Mundial da Saúde: edição multiprofissional.
Coordenação de Vera Neves Marra, Maria de Lourdes Sette. Rio de Janeiro:
Autografia, 2016. Versão de World Health Organization (WHO). Patient safety
curriculum guide: multi-professional Edition. Geneva, 2011. ISBN 978 92 4
150195 8.
10 ZAMBON, Lucas Santos. Segurança do paciente em terapia intensiva:
caracterização de eventos adversos em pacientes críticos, avaliação de sua
relação com mortalidade e identificação de fatores de risco para sua ocorrência.
2014. Dissertação (Tese de Doutorado). São Paulo: Universidade de São Paulo,
2014.
11 BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº. 529, de 1 de abril de 2013. Institui o
Programa Nacional de Segurança do Paciente (PNSP). Diário Oficial [da]
República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 1 abr. 2013. Disponível em:
56
<http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2013/prt 0529_01_04 _2013
.html>. Acesso em: 12 fevereiro. 2018.
12 AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA (ANVISA). Resolução RDC Nº 36, de 25 de Julho de 2013. Institui ações para a segurança do
paciente em serviços de saúde e dá outras providências. Brasília, DF, ANVISA,
2013.
13 CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO. Câmara de Educação Superior.
Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Medicina.
Resolução CNE/CES 3/2014. Diário Oficial [da] República Federativa do
Brasil, Brasília, 23 jun. 2014.
14 GALLOTTI, R. M.D. Eventos adversos: o que são? Rev. Assoc. Med. Bras., São
Paulo, v. 50, n. 2, p. 114, abr. 2004.
15 MARRA, V. L. N. Metodologias de aprendizagem ativa na graduação médica:
uma proposta de ensino-aprendizagem de Segurança do Paciente. Monografia
(Especialização em Formação Docente em Medicina e Ciências da Saúde) –
Pontifícia Universidade de Católica, Rio de Janeiro, 2015.
16 UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS. Faculdade de Medicina. Projeto
Pedagógico do Curso de Medicina: PPC 2013. Maceió: UFAL, FAMED, 2013.
Disponível em:
http://www.ufal.edu.br/unidadeacademica/famed/graduacao/medicina/projetopedagogico/pcc-medicina-2013. Acesso em:
17 UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS. Faculdade de Medicina. Matriz
Curricular. Maceió: UFAL, FAMED, [2013]. Disponível em:
http://www.ufal.edu.br/unidadeacademica/famed/graduacao/medicina/matrizcurricular. Acesso em:
18 BOHOMOL, E.; CUNHA, I. C. K. O. Ensino sobre segurança do paciente no
curso de Medicina da Universidade Federal de São Paulo, Einsten, São Paulo,
v. 13, n. 1, p. 7-13, 2015.
19 NORMAN, A. H.; TESSER, C. D. Prevenção quaternária na atenção primária à
saúde: uma necessidade do Sistema Único de Saúde. Cad. Saúde Pública, Rio
de Janeiro, v. 25, n. 9, p. 2012-2020, 2009.
20 CANADIAN PATIENT SAFETY INSTITUTE (CPSI).The safety competencies
enhancing patient safety across the health professions. 1 ed. rev. Ontario:
CPSI , 2008. 56 p. ISBN 978-1-926541-15-0. Disponível em:
http://www.patientsafetyinstitute.ca/en/toolsResources/safetyCompetencies/Docu
ments/Safety%20Competencies.pdf. Acesso em: 5 mar. 2018.
21 MARRA, V. L. N. Metodologias de aprendizagem ativa na graduação médica:
uma proposta de ensino-aprendizagem de Segurança do Paciente. Monografia
(Especialização em Formação Docente em Medicina e Ciências da Saúde) –
Pontifícia Universidade de Católica, Rio de Janeiro, 2015.
57
22 UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS (UFMG), Anuário da Segurança
Assistencial Hospitalar no Brasil do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar
(IESS), Belo Horizonte, 2017, p. 5-89.
23 YOSHIKAWA, J. M. et al. Compreensão de alunos de cursos de graduação em
enfermagem e medicina sobre segurança do paciente. Acta Paul. Enferm., São
Paulo, v. 26, n. 1, 2013.
24 AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA (ANVISA). Gerência de
Vigilância e Monitoramento em Serviços de Saúde (GVIMS). Como posso
contribuir para aumentar a segurança do paciente: orientações aos
pacientes, familiares e acompanhantes: pacientes pela segurança do paciente
em serviços de saúde. Brasília, DF: ANVISA, 2017.
25 SANTOS, M. C. et al. Comunicação em saúde e a segurança do doente:
problemas e desafios. Rev. Port. Saúde Pública, Lisboa, Portugal, v. 10, p. 4757, 2010.
26 DEMING, W. Edwards. Out of the Crisis. 2. ed. United States of America: Mit
Press, 2000. P. 507. ISBN: 0262541157
27 AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA (ANVISA). Segurança do
paciente e qualidade assistencial em serviços de saúde Boletim Informativo,
Brasília, DF, v. 1, n. 1, p. 1-12. jan.-jun. 2011.
28 CARVALHO, S.R.; CAMPOS G.W.S.; OLIVEIRA G.N. Reflexões sobre o ensino
de gestão em saúde no internato de medicina na Faculdade de Ciências
Médicas da Universidade Estadual de Campinas: Unicamp. Interface
(Botucatu), Botucatu, v. 13, n. 29, p. 455-465, 2009. ISSN 1807-5762.
29 NORMAN, A. H.; TESSER, C. D. Prevenção quaternária na atenção Primária À
Saúde: Uma Necessidade Do Sistema Único De Saúde. Cad. Saúde Pública.
Rio De Janeiro, V. 25, N. 9, P. 2012-2020, 2009.
30 BRASIL. Ministério da Saúde. RDC nº 569, de 8 de dezembro de 2017. Aprova
pressupostos, princípios e diretrizes gerais a serem incorporados nas DCN de
todos os cursos de graduação da área da saúde. Disponível em:
<http://conselho. saude.gov.br/resolucoes/2017/Reso569.pdf>. Acesso em: 5
mar. 2018.
58
9
PRODUTO 2
PLANO EXECUTIVO PARA INTRODUÇÃO DE CONTEÚDOS MÍNIMOS DE
SEGURANÇA DO PACIENTE NA MATRIZ CURRICULAR DO CURSO MÉDICO
DA UFAL
Executive Plan to introduce “Patient Safety” (PS) lessons in the curriculum of
the Medical school from Federal University of Alagoas.
9.1
Introdução
A segurança do paciente é o primeiro domínio da qualidade na assistência à
saúde, sendo definida pela Organização Mundial da Saúde como ausência de dano
potencial ou desnecessário para o paciente associado aos cuidados em saúde1.
Hipócrates já advertia em um de seus preceitos: “primum non nocere” (antes
de tudo não prejudicar), sobre a nossa capacidade de causar dano, mesmo na
busca de curar. Porém, apenas nas últimas décadas, com o desenvolvimento e
expansão da complexidade do cuidado em saúde, passou-se a reconhecer que as
organizações de saúde não apenas curam doenças e aliviam a dor, mas também
causam dano e sofrimento1.
Fica evidente a importância crescente desse tema para o exercício do
cuidado e formação em saúde, sendo essencial que o médico conheça amplamente
os conceitos envolvidos na construção de um ambiente hospitalar seguro, no qual o
paciente, a família e o profissional estejam protegidos2.
Nesse panorama, para que ocorra mudança da cultura de segurança do
paciente nas instituições de saúde, as escolas médicas, assim como demais cursos
de graduação na área de saúde, não podem omitir de sua formação habilidades e
conhecimentos mínimos a respeito do erro humano e segurança do paciente. No
ano de 2011, a Organização Mundial de Saúde (OMS), lançou um Guia Curricular
Multiprofissional para o Ensino da Segurança do Paciente (GMSPOMS) com
conteúdos mínimos acerca do tema para serem incluídos nos currículos das áreas
de saúde3.
A despeito de sua relevância, a inserção de assuntos de qualidade em saúde
e Segurança do Paciente nos currículos universitários tem sido negligenciada pelas
esferas de ensino superior, não apenas no Brasil, mas em todo o mundo4.
59
Dentre as escassas publicações sobre a inclusão do tema SP nos currículos,
destaca-se o trabalho de Bohomol e Cunha (2015), que a partir da análise do projeto
pedagógico da faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, evidencia que
o ensino em SP ainda é pouco valorizado5.
Outro estudo, também relevante e realizado na UNIFESP, foi o de Gallotti
(2011), que avaliou o desenvolvimento de competências através de OSCE.
Ele
demonstrou que o desempenho dos estudantes de Medicina que tiveram o tema SP
incluído
no
internato,
em
metodologia
tradicional
de
aprendizagem,
foi
significativamente mais baixo do que, por exemplo, no domínio adquirido sobre a
relação médico-paciente6.
Um terceiro trabalho é o de Marra (2015)4, que embasada nas pesquisas,
sobretudo nos resultados de Bohomol e Cunha5, sugere a abordagem do tema SP
como um eixo temático integrador, com a priorização de metodologias ativas, como
propõe o guia da OMS.
De acordo com a OMS e o Marco Australiano para a Educação em Segurança
do Paciente (Australian Patient Safety Education Framework, 2011), a aprendizagem
deve se iniciar o mais precocemente possível, e seguir não só a graduação, mas
também toda a trajetória profissional, através de capacitações e atualizações
permanentes dos profissionais3.
Leung e Patil (2010) e Yoshikawa (2013) demonstraram que, ao serem
inseridos nessa temática, os alunos são encorajados e reconhecem a relevância
desse conteúdo para a sua formação, além de ser possível distinguir o grande
impacto na assistência prestada ao paciente2;7, uma vez que possibilita a formação
de profissionais com conhecimentos e habilidades para identificar e tomar medidas
cabíveis para prevenir, mitigar ou corrigir um erro.
Marra (2015), elaborou um modelo pedagógico sobre o tema Segurança do
Paciente, para a PUC/RJ, propondo que o assunto fosse estruturado como um Eixo
Temático Longitudinal, denominado “Eixo Temático Segurança do Paciente” (ETSP)4.
Durante a análise documental no Projeto Pedagógico do Curso (PPC), versão
2013, de Medicina da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), foi encontrada uma
lacuna na abordagem do ensino de conteúdos em segurança do paciente. Dentre 34
disciplinas modulares identificadas na matriz curricular, 31 (91,7%) apresentaram
assuntos relacionados à SP. Dos 159 termos rastreadores (subtópicos) de acordo
60
com o GMSPOMS, 62 (38,5%) foram encontrados no PPC e 59 (36,6%) na matriz
curricular. Buscou-se, de posse de tais dados, apresentar sugestões para a
introdução ou adequação de conteúdos sobre SP à realidade da FAMED/UFAL.
9.2
Objetivos
Apresentar, ao Núcleo Docente Estruturante (NDE) e demais instâncias
administrativas da Faculdade de Medicina (FAMED) da UFAL um plano executivo
para introdução ou adequação de conteúdos mínimos em Segurança do paciente.
9.3
Metodologia
Através da análise documental do PPC de medicina da UFAL (versão 2013) e
planos de aula, com base no GMSPOMS3 e no Programa Nacional de Segurança do
Paciente (2013)8 identificaram-se importantes lacunas nos conteúdos de SP, em que
o tema foi contemplado em menos de 40% de seu conteúdo, com abordagem
fragmentada e, ao que parece, sem maior aprofundamento, necessitando de uma
adequação ou inclusão na matriz curricular.
Seguindo o modelo de Marra (2015)4, foram listados os domínios das
competências de segurança recomendadas pelo Instituto Canadense de Segurança
do Paciente. A seguir baseando-se no guia curricular da OMS, nos Marcos
Canadense e Australiano e no Programa Nacional de Segurança do Paciente do
Brasil7,9 foram determinadas as competências específicas de segurança.
As competências específicas – conteúdos para o ensino de SP foram
selecionadas a partir dos 159 subtópicos, encontrados no GMSPOMS3. Para
possibilitar melhor a aplicabilidade do plano executivo, esses termos foram
condensados,
por
aproximação,
sempre
pareados
com
outra
profissional,
especialista em SP pela FIOCRUZ, em 35 proposições, que intitulamos de “Temas
Chaves em Segurança do Paciente”.
A partir das competências selecionadas e seus conteúdos específicos foi
construído o Quadro 1- Quadro das competências e conteúdos específicos em
Segurança do Paciente e Quadro 2 – Sugestões de Abordagem de conteúdos em
SP nos eixos e ciclos constitutivos da Matriz Curricular da FAMED/UFAL, que serão
apresentados ao Núcleo Docente Estruturante e cuja metodologia a ser abordada
61
será discutida com as disciplinas, priorizando, como sugere o guia curricular
multiprofissional para a SP da OMS, metodologias ativas de ensino.
COMPETÊNCIA
COMUNICADORA
Domínio 3
Comunicação eficaz para a
segurança do paciente
COMPETÊNCIA
COLABORADORA
Domíno 2
Trabalhar em equipe para a
segurança do paciente
COMPETÊNCIA
TÉCNICA
Domínio 1
Contribuir para uma cultura
de segurança do paciente
COMPETÊNCIA
4. Comunicar-se com uma abordagem
centrada no paciente com respeito e
empatia.
5. Disposição de revelar a ocorrência de
Eventos Adversos, em consonância com
legislação e políticas correntes
Salvaguardar um ambiente propício ao
cuidado multidisciplinar e voltado à
segurança do paciente e dos profissionais
envolvidos no cuidado.
.
Ser participativo nas ações voltadas à
segurança, junto aos membros da
equipe, pacientes e familiares
3.Empregar e participar das rotinas
operacionais da instituição e de seus
protocolos
de
forma
compartilha
(multidisciplinar)
Empregar técnicas de comunicação
eficaz
com a equipe, pacientes e
familiares .
5. Comunicar a “Má Notícia” (EA; Morte;
Prognóstico ruim) de forma honesta e
clara.
ATITUDE (Comportamento/Valores)
1.Expressar no cuidado ao paciente,
familiares e equipe a importância do
cuidado.
2. Respeitar as regras, procedimentos e
normas adotadas pela instituição e/ou
referenciadas pela OMS e Programa
Nacional
de
Segurança
do
Paciente/ANVISA
HABILIDADES (Fazer)
Identificar circunstâncias inseguras na
cadeia do cuidado e responder
adequadamente a situações clínicas
inseguras e potenciais.
CONHECIMENTOS(Saber)
(continua)
1.Segurança do Paciente (Contextualização e
Taxonomia)
2.Infecções Associadas aos Cuidados em Saúde
(Infecção Hospitalar)
3.Uso Racional de Antibióticos
4.Individualização Terapêutica; 5.Reconciliação
Medicamentosa e Histórico de Medicamentos
6.Biossegurança
7.Prevenção Quaternária
8.Importância da Medicina Baseada em Evidência
(Diretrizes; Protocolos)
9.Modelo de Assistência Multidisciplinar
10.Conceito de Equipe e Trabalho em Equipe
Eficaz
11.“Patients for Patients”, OMS (Pacientes para a
Segurança do Paciente – Parceria no Cuidado.
12.Segurança no Uso dos Medicamentos;
Medicamentos de Alta Vigilância – “Os Certos da
medicação” e o Enfoque Multidisciplinar no Uso do
Medicamento
13.Cuidado Centrado no Paciente e Respeito às
Diferenças
14.Metas Internacionais para a Segurança do
Paciente
15.Consentimento Informado e Direito do
Consumidor / Paciente
16.Higienização das Mãos: Cuidado limpo é
Cuidado Seguro
17.Reconhecer limitações e Saber Pedir Ajuda
18.Importância da Comunicação Efetiva e da
Continuidade dos Cuidados
19.Comunicação da Má Notícia (Comunicação de
um EA; Prognóstico ruim; desfecho ruim; morte)
Quadro 1 - Quadro das competências e conteúdos específicos em Segurança do Paciente
62
Fonte: AUTORA, 2018.
COMPETÊNCIA ÉTICA
Domínio 6
Reconhecer, responder e
revelar os EA a pacientes e
familiares
COMPETÊNCIA GESTORA
Domínio 4
Gerenciar os riscos de
segurança
Domíno 5
Otimizar os fatores humanos
e ambientais
COMPETÊNCIA
Identificar preconceitos que influenciam a
tomada de decisão.
11. Prestar cuidados e apoio
aos pacientes e aos profissionais
de saúde afetados pelo
32.Ética; Ética Médica e Moral
(Comunicação de um EA; Prognóstico ruim;
desfecho ruim; morte)
33.Regulamentação Profissional; Definição de
Papéis e Responsabilidades
34.Implicações Legais do Erro e a Teoria da
Perda de uma Chance
35.Cultura da Culpa
HABILIDADES (Fazer)
Planejar as ações de prevenção
de riscos e erros na
assistência.
7. Antecipar e reconhecer os
problemas no nível pessoal e
organizacional.
8. Monitorar e reavaliar as
falhas do sistema e armadilhas
potenciais.
9. Avaliar questões de equilíbrio
trabalho-vida pessoal e o
desempenho profissional
20.Gestão dos Eventos Adversos e Importância
das Notificações
21.Gerenciamento de Riscos (Clínicose Nãoclínicos)
22.Liderança Eficaz e Resolução de Conflitos
23.Indicadores; Ferramentas da Qualidade e
24.Conceito de Deming (Melhoria Contínua)
25.Auditoria dos Registros Médicos
26.Qualidade em Saúde e Acreditação Hospitalar
27.Custos em Saúde
28.Ergonomia e uso adequado da Tecnologia na
Saúde
29.Definição de Sistemas e Sistemas Complexos
e Organizações de Alta Confiabilidade
30.O PNSP – Programa Nacional de Segurança
do Paciente
31.O Fator Humano no Erro; Abordagem
Sistêmica do Erro (Modelo do Queijo Suíço);
aprender com os Erros
CONHECIMENTOS(Saber)
Quadro 1 - Quadro das competências e conteúdos específicos em Segurança do Paciente
Respeito aos valores e direitos dos
pacientes e familiares.
9. Raciocínio ético-moral na tomada de
decisões, em torno de eventos adversos.
10.
Compromisso
com
a
relação
profissional
de saúde – paciente/familiares.
Agir com vigilância às diversidades, riscos
e os erros na assistência, com uma
atitude proativa de segurança.
7. Demonstrar vontade de participar na
análise de eventos e melhoria da qualidade
ATITUDE (Comportamento/Valores)
(conclusão)
63
4
3
1; 4 e 8
2
2 e 3
8
3 e 11
1 e 8
5
6
1 e 2
“Patients for Patients”, OMS
(Pacientes para a Segurança do
Paciente – Parceria no Cuidado.
Definição de Sistemas e Sistemas
Complexos e Organizações de
Alta Confiabilidade
Ergonomia e uso adequado da
Tecnologia na Saúde
Importância da Comunicação Efetiva
e da Continuidade dos Cuidados
Regulamentação Profissional;
Definição de Papéis e
Responsabilidades
Liderança Eficaz e Resolução de
Conflitos
Segurança do Paciente
(Contextualização e Taxonomia)
Gestão dos Eventos Adversos e
Importância das Notificações
O Fator Humano no Erro;
Abordagem Sistêmica do Erro
(Modelo do Queijo Suíço); Aprender
com os Erros
Cultura da Culpa
Reconhecer limitações e Saber
Pedir Ajuda
Cuidado Centrado no Paciente e
Respeito às Diferenças
Modelo de Assistência
Multidisciplinar
1
1 e 8
SUBTÓPICOS
TÓPICOS
(GMSPOMS)
INTERNATO
1
INTERNATO
2
2
INTERNATO
1
1
1
2
1
CICLO
EDP
ETPI
EAPMC
EDP/ EAPMC
EDP
EDP
EAPMC
EDP
EIXO
Participação em reunião
do conselho gestor
Deontologia
Propedeutica 1
Saúde e Sociedade 6
Unidade Básica de Saúde
(PSF) e
Estágio na UTI
Ética/Saúde Sociedade 1
Ética
Ética
Saúde e Sociedade 5
Ética
DISCIPLINA
MÉTODO DE
ABORDAGEM
(continua)
Quadro 2 – Sugestões de Abordagem de conteúdos em SP nos eixos e ciclos constitutivos da Matriz Curricular da FAMED/UFAL
64
9
9
9
9
9
6 e 7
6 e 7
7
6 e 8
8
4 e 6
8
1 e 10
Uso Racional de Antibióticos
Higienização das Mãos: Cuidado
limpo é Cuidado Seguro
Biossegurança
Metas Internacionais para a
Segurança do Paciente
Conceito de Equipe e Trabalho em
Equipe Eficaz
Gerenciamento de Riscos (Clínicos
e Não-clínicos)
Importância da Medicina Baseada
em Evidência (Diretrizes; Protocolos)
Ética; Ética Médica e Moral
Implicações Legais do Erro e a
Teoria da Perda de uma Chance
Consentimento Informado e Direito
do Consumidor / Paciente
Comunicação da Má Notícia
(Comunicação de um EA;
Prognóstico ruim; desfecho ruim;
morte)
Auditoria dos Registros Médicos
Indicadores; Ferramentas da
Qualidade e Conceito de Deming
(Melhoria Contínua)
Qualidade em Saúde e Acreditação
Hospitalar
Custos em Saúde
Infecções Associadas aos Cuidados
em Saúde (Infecção Hospitalar)
4
6
SUBTÓPICOS
TÓPICOS
(GMSPOMS)
1
1 e
INTERNATO
1
INTERNATO
2
1 e
INTERNATO
2
2
2
2
1e2
2
CICLO
EAPMC
EAPMC
ETPI
ETPI
ETPI
EAPMC
ETPI
EAPMC
EDP
EDP
EDP
EIXO
AGRESSÃO E DEFESA
Estágio em Cl. Médica
Saúde e Sociedade 6
Agressão e Defesa e
Hospital Estadual Hélvio
Auto
(Cl. Médica 2)
Agressão e Defesa
Agressão e Defesa
Saúde e Sociedade 5
Saúde e Sociedade 5
Saúde e Sociedade 3
Deontologia
Ética e Deodontologia
Deontologia
DISCIPLINA
MÉTODO DE
ABORDAGEM
(continua)
Quadro 2 – Sugestões de Abordagem de conteúdos em SP nos eixos e ciclos constitutivos da Matriz Curricular da FAMED/UFAL
65
Protocolo da Cirurgia Segura
Segurança no Uso dos
Medicamentos; Medicamentos de
Alta Vigilância – “Os Certos da
medicação” e o Enfoque
Multidisciplinar no Uso do
Medicamento
Individualização Terapêutica;
Reconciliação Medicamentosa e
Histórico de Medicamentos
O PNSP – Programa Nacional de
Segurança do Paciente
Prevenção Quaternária
10
11
Fonte: AUTORA, 2018.
11
SUBTÓPICOS
TÓPICOS
(GMSPOMS)
ETPI
EAPMC
ETPI
1
2
2
Propedêutica 1
Saúde e Sociedade 5
Princípios da
Farmacologia
Princípios da
Farmacologia
ETPI
1
DISCIPLINA
Cl. Cirúrgica
Hospitalar
EIXO
INTERNATO
CICLO
MÉTODO DE
ABORDAGEM
(conclusão)
Quadro 2 – Sugestões de Abordagem de conteúdos em SP nos eixos e ciclos constitutivos da Matriz Curricular da FAMED/UFAL
66
67
REFERÊNCIAS
1
WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO); WORLD ALLIANCE FOR PATIENT
SAFETY. Research Priority Setting Working Group. Summary of the evidence
on patient safety : implications for research. Edited by Ashish Jha. Geneva :
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2 LEUNG, G. K.; PATIL, N. G. Patient safety in the undergraduate curriculum:
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3
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Autografia, 2016. Versão de World Health Organization (WHO). Patient safety
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150195 8.
4 MARRA, V. L. N. Metodologias de aprendizagem ativa na graduação médica:
umaproposta de ensino-aprendizagem de Segurança do Paciente. Rio de Janeiro:
PUC, 2015.
5 BOHOMOL, E.; RAMOS, L. H. Erro de medicação: importância da notificação no
gerenciamento da segurança do paciente. Rev. Bras. Enferm., Brasília, DF, v.
60, n. 1, 2007.
6 GALLOTTI, R. M. D. Eventos adversos: o que são? Rev. Assoc. Med. Bras., São
Paulo, v. 50, n. 2, p. 114, Abr. 2004.
7 YOSHIKAWA, J. M. et al. Compreensão de alunos de cursos de graduação em
enfermagem e medicina sobre segurança do paciente. Acta Paul. Enferm., São
Paulo, SP, v. 26, n. 1, Fev, 2013.
8 BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº. 529, de 1 de abril de 2013. Institui o
Programa Nacional de Segurança do Paciente (PNSP). Diário Oficial [da]
República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 1 abr 2013. Disponível em:
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2013/prt
0529_01_04_2013.htmlAcesso em: 12 fevereiro. 2018.
9 COX, S. J.; COX, T. The structure of employee attitude to safety: a European
example. Work Stress, London, v. 5, n. 2, p. 93-106, 1991. DOI:
https://doi.org/10.1080/02678379108257007
68
10
CONCLUSÃO GERAL
A despeito da importância das evidências publicadas nos últimos anos,
mostrando ser inegável que a Segurança do Paciente é crucial para um cuidado
hospitalar de qualidade e que acidentes e falhas acontecem e têm um custo muito
elevado para o paciente e para o sistema de saúde, há poucos estudos nacionais
sobre o tema e sobre a sua aplicabilidade na graduação médica.
Tal fato reitera a hipótese de que a cultura de segurança ainda não foi
adequadamente assimilada pelos cursos de medicina, apesar do apelo da Aliança
Mundial para a Segurança do Paciente em implementar as proposições do “Patient
Safety Curriculum Guide” (OMS, 2011) na matriz curricular dos cursos técnicos, de
graduação e pós-graduação da área de saúde.
Como demonstrado, o PPC de 2013 da FAMED/UFAL contempla conteúdos
parciais sobre a segurança do paciente. Porém, como em outros estudos
encontrados acerca do tema, esses conteúdos são abordados de forma tradicional,
fragmentada, sem a integração necessária entre as disciplinas modulares, deixando
muitas lacunas a serem sanadas. A OMS sugere a inclusão curricular do tema
adaptando-o às disciplinas já existentes, preferencialmente com metodologias ativas
de aprendizagem.
A
análise
das
ementas
e
conteúdos
programáticos,
não
mostrou
aprofundamento de conteúdos específicos. Por esse motivo buscamos condensar os
159 termos rastreadores, por aproximação, sempre pareados com outra profissional,
especialista em segurança do paciente pela FIOCRUZ, em 35 proposições,
intitulados de “Temas Chaves em Segurança do Paciente”, de forma a melhor
possibilitar sua aplicabilidade.
Uma das limitações na análise documental, presente nesse estudo, foi a
impossibilidade de verificação da aplicação prática dos conteúdos. Os documentos
avaliados, ementas e conteúdos programáticos são apenas indicativos, propositivos,
necessitando posteriormente o uso de estratégias relacionais com docentes e
discentes para compreender o nível de conhecimentos, a compreensão da
necessidade da inserção e a dimensão real da aplicabilidade prática do tema.
No entanto, a organização curricular com um eixo de ética e desenvolvimento
pessoal, e outro de aproximação à prática médica na comunidade, o estímulo ao
69
trabalho em equipe propiciado pela metodologia PBL, a ampliação do tempo do
internato para dois anos, a tentativa da integração modular, e a efetiva
implementação de um laboratório de simulação de situações de urgência e
emergência, representa uma posição ética favorável à aprendizagem orientada para
a segurança do paciente.
Os resultados observados são concordantes com os de outros estudos, em
que a despeito de sua inegável relevância, a inserção de assuntos de qualidade em
saúde e Segurança do Paciente nos currículos universitários tem sido negligenciada
pelas esferas de ensino superior, não apenas no Brasil, mas em todo o mundo.
Recomenda-se que a aprendizagem seja iniciada o mais precocemente possível, por
tratar-se não apenas de aquisição de conteúdos, mas de formação de uma cultura
que orientará o egresso em toda sua trajetória profissional, para que a qualidade
assistencial possa atingir níveis de excelência, traduzida pela minimização dos
riscos aos quais diariamente os pacientes são expostos.
Com os dados obtidos na fase de exploração, após análise e interpretação,
elaborou-se um plano executivo como sugestão para introdução ou adequação dos
“Temas Chaves em Segurança do Paciente”, que será apresentado ao Núcleo
Docente Estruturante do Curso de Medicina da FAMED/UFAL.
Esse estudo, pioneiro em Alagoas, representa um marco histórico no ensino
médico local, e apresenta um alcance de aplicabilidade avaliativa diagnóstica para
os demais cursos da área da saúde no estado.
Ressalta-se a importância de novos estudos, considerando o baixo percentual
de publicações brasileiras acerca do tema, buscando avaliar a compreensão dos
discentes da área da saúde sobre o ensino em segurança do paciente durante a
graduação.
70
REFERÊNCIAS GERAIS
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reflexão teórica aplicada à prática. 2. ed. Brasília, DF, ANVISA, 2013. (Série
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2017. RDC nº 569, de 8 de dezembro de 2017. Aprova pressupostos, princípios e
diretrizes gerais a serem incorporados nas DCN de todos os cursos de graduação
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ocere.htm. Acesso em: 5 mar. 2017.
74
APÊNDICE
O QUE É SEGURANÇA
DO PACIENTE
Tópico
Complicações dos métodos
diagnósticos complementares
Complicações dos métodos
diagnósticos complementares
Prosseguimento do tratamento
do paciente
Conduta baseada em evidência
científica
Ter a visão do paciente como um
ser integral, respeitando a dor,
limitações, emoções e ligações
familiares desse ser
Capacitar os participantes na
busca de evidências que
fundamentam as condutas
terapêuticas racionais
Baseados em evidências
científicas
Acidentes, erros e incidentes na
prestação do cuidado
Continuidade dos cuidados
Prática de cuidados com base
em evidências
Assistência centrada no paciente
Prática de cuidados com base
em evidências
Prática de cuidados com base
em evidências
Unidade de contexto
Acidentes, erros e incidentes na
prestação do cuidado
Subtópicos
(Termos rastreadores)
8º
5º
8º
ETPI
ETPI
ETPI
ETPI
ETPI
8º
8º
ETPI
ETPI
5º
7º
Eixos
Período
Saúde da
criança e do
adolescente 2
Saúde da
criança e do
adolescente 1
SAI 6
Psiquiatria de
urgência
Psiquiatria de
urgência
Propedêutica 3
Propedêutica 1
Disciplina
Objetivos
Objetivos
Objetivos
Objetivos
Objetivos
Ementa
Ementa
Item na disciplina
APÊNDICE A - ANÁLISE DO PROJETO PEDAGÓGICO DO CURSO DE MEDICINA DA FAMED-UFAL ACERCA DE
CONTEÚDOS EM SEGURANÇA DO PACIENTE – CICLO TEÓRICO PRÁTICO (1º AO 8º SEMESTRE)
75
POR QUE EMPREGAR
FATORES HUMANOS
É IMPORTANTE PARA
A SEGURANÇA DO
PACIENTE?
Relação com o paciente
Relação médico paciente
Complexidade das relações
humanas
Criar vínculo com o paciente
Criar vínculo com o paciente
Sistemas complexos
Prática de cuidados com base
em evidências
Evidências científicas
A pesquisa em saúde:
quantitativa e qualitativa sob a
perspectiva da bioestatística e da
epidemiologia
Prática de cuidados com base
em evidências
Evidências científicas
Prática de cuidados com base
em evidências
Continuidade dos cuidados
Orientar encaminhamento para
atenção pós atendimento de
emergência (contra referência
para atenção básica e
ambulatorial especializada)
EDP
EDP
2º
EDP
1º
1º
ETPI
EAPMC
1º
8º
ETPI/EAPMC
ETPI
4º
8º
ERP 2
ERP1
ERP1
Clínica
cirúrgica e
ambulatorial
Saúde e
sociedade 1
Semiologia
Saúde da
criança e do
adolescente 2
Conteúdo
programático
Conteúdo
programático
Objetivos
Objetivos
Conteúdo
programático
Objetivos
Objetivos
76
3.A COMPREENSÃO
DOS SISTEMAS E DO
EFEITO DA
COMPLEXIDADE NO
CUIDADO AO
PACIENTE
Desenvolver a auto confiança e a
capacidade de tomar iniciativa
diante de situações imprevisíveis
e sob pressão
O médico geral em cenários
específicos: área rural, favela e
tragédias - comentando textos
Gestão em serviços de saúde
Equipe multiprofissional
Comunicação adequada com os
colegas de trabalho, os pacientes
e seus familiares
Equipe multi e interdisciplinar e
multiprofissional
Equipe multi e interdisciplinar e
multiprofissional
Equipe multi e interdisciplinar e
multiprofissional
Desempenho humano (em
diferentes circunstâncias)
Desempenho humano (em
diferentes circunstâncias)
Gestão em saúde
Interação com os profissionais
/multidisciplinaridade/
interdisciplinaridade
Interação entre os profissionais
Interação com os profissionais
/multidisciplinaridade/
interdisciplinaridade
Interação com os profissionais
/multidisciplinaridade/
interdisciplinaridade
Interação com os profissionais
/multidisciplinaridade/
interdisciplinaridade
ETPI
8º
EAPMC
EAPMC
5º
EAPMC
2º
2º
ETPI
EAPMC
7º
8º
EAPMC
ETPI/EAPMC
1º
4º
Saúde e
sociedade 4
Saúde e
sociedade 3
Saúde e
sociedade 2
Clínica
cirúrgica e
ambulatorial
Clínica
cirúrgica e
ambulatorial
Saúde e
sociedade6
Saúde e
sociedade 1
Semiologia
Ementa
Ementa
Ementa
Objetivos
Objetivos
Objetivos
Conteúdo
programático
Objetivos
77
Normas legais que regem o
médico no seu relacionamento
com os pacientes, com os
colegas de profissão e com a
sociedade
Exercício legal e ilegal da
medicina
Relação interpessoal
Desenvolvimento de papéis com
suas diferentes perspectivas
Limites do exercício profissional
Papel que desempenho nos
grupos
Interdisciplinaridade
Refletir sobre o trabalho dos
profissionais de saúde e suas
atuações nas equipes
Regulamentação da profissão
Regulamentação da profissão
Interação entre os profissionais.
Multidisciplinaridade /
interdisciplinaridade
Definição de papéis e
responsabilidades
Regulamentação profissional.
Definição de papéis e
responsabilidades
Interação entre
profissionais/Multidisciplinaridade
Definição de papéis e
responsabilidades
EDP
ETPI
8º
2º
EDP
EDP
2º
2º
EDP
EDP
1º
1º
EDP
EDP
7º
7º
Erp 2
Saúde da
criança e do
adolescente 2
Erp 2
Erp 2
Erp1
Erp1
Deontologia
Deontologia
Conteúdo
programático
Objetivos
Conteúdo
programático
Objetivos
Metodologia
Conteúdo
programático
Conteúdo
programático
Objetivos
78
ATUAR EM EQUIPE DE
FORMA EFICAZ
ETPI
ETPI
ETPI
ETPI
ETPI
ETPI/EAPMC
EAPMC
6º
6º
8º
5º
4º
1º
Interdisciplinaridade
Interação com outros
profissionais
Multidisciplinar
Compreender como os fatores
genéticos, ambientais e a
interação entre eles determinam
o processo saúde doença
Compreender seu papel e lugar
na relação com o pacientefamília-equipe-comunidade
Complexidade da prática e os
diferentes aspectos que
envolvem o trabalho médico
Multidisciplinaridade
Interação com os profissionais
/multidisciplinaridade/
interdisciplinaridade
Diversidade e vulnerabilidade
dos pacientes
Definições de papéis e
responsabilidades
Definições de sistema e sistema
complexo
ETPI
5º
6º
ETPI
8º
Atenção multiprofissional
Interdisciplinaridade
Interação entre os profissionais /
multidisciplinaridade /
interdisciplinaridade
Interação com os profissionais
/multidisciplinaridade/
interdisciplinaridade
Interação com os profissionais
/multidisciplinaridade/
interdisciplinaridade
Atenção interdisciplinar e
multiprofissional
Interação entre os profissionais /
multidisciplinaridade /
interdisciplinaridade
Saúde e
sociedade 1
Semiologia
Saúde da
criança e do
adolescente 1
Saúde da
mulher 2
SAI 3
SAI 2
SAI 2
SAI 1
Psiquiatria de
urgência
Ementa
Objetivos
Objetivos
Objetivos
Avaliação
Objetivos
Objetivos
Objetivos
Ementa
79
Formar os estudantes sobre a
compreensão das diferentes
concepções do processo saúde
doença, reconhecendo a
determinação dos aspectos sócio
econônicos, político culturais e
ambientais
Aprendizagem baseada em
problemas
Aprendizagem
Solução para os problemas
Conduta médica responsável e
humana
Lidar com conflitos
Crenças e valores
Princípios e valores
Ética e moral
Preceitos éticos e humanísticos
Diversidade e vulnerabilidade
dos pacientes
Métodos de aprendizagem
Métodos de aprendizagem
Resolução de conflitos
Princípios e valores
Resolução de conflitos
Princípios e valores
Princípios e valores
Princípios e valores
Princípios e valores
EDP
2º
EDP
1º
EDP
EDP
1º
1º
EDP
7º
EDP
ETPI
8º
1º
ETPI
ETPI
EAPMC
3º
1º
1º
ERP 2
ERP1
ERP1
ERP1
ERP1
Deontologia
Clínica
cirúrgica e
ambulatorial
Bases morfofisiológicas 3
Bases morfofisiológicas 1
Saúde e
sociedade 1
Ementa
Conteúdo
programático
Conteúdo
programático
Objetivos
Ementa
Ementa
Objetivos
Conteúdo
programático
Metodologia
Objetivos
80
Crenças e valores
Conceito de grupo
Processo de aprendizagem
Preceitos éticos
Conflitos
Postura ética
Visão humanista e ética
Postura ética
Ética médica
Ética
Ética
Princípios e valores
Conceito de equipe
Métodos de aprendizagem
Princípios e valores
Resolução de conflitos
Princípios e valores
Princípios e valores
Princípios e valores
Princípios e valores
Princípios e valores
Princípios e valores
EDP
EDP
EDP
EDP
EDP
ETPI
ETPI
ETPI
ETPI
ETPI
ETPI
2º
2º
2º
3º
3º
7º
8º
8º
6º
8º
5º
Saúde da
criança e do
adolescente 1
Saúde da
mulher 2
Saúde da
mulher 1
SAI 7
SAI 6
SAI 4
ERP 3
ERP 3
ERP 2
ERP 2
ERP 2
Objetivos
Objetivos
Conteúdo
programático
Avaliação
Objetivos
Avaliação
Objetivos
Ementa
Conteúdo
programático
Conteúdo
programático
Objetivos
81
Princípios e valores
5.
Análise de causa raiz do evento
adverso
Resolução de conflitos
Avaliação de desempenho da
equipe
Ética
Comunicação
6. COMPREENDER E
GERENCIAR O RISCO
CLÍNICO
Comunicação médico paciente
Princípios e valores
Verificar todos os passos
empregados na solução dos
problemas e identificar onde está
o erro, em caso de insucesso
terapêutico
Tomar iniciativas para o
enfrentamento de problemas
relacionados à saúde das
pessoas e ao funcionamento de
serviços de saúde
Desempenho em equipe
Liderança
Ética
Formação de equipe e tipos de
equipe
Liderança
Capacidade de trabalho em
equipe
Estratégia de comunicação
APRENDER COM OS
ERROS PARA EVITAR
DANOS
Assegurar-se de que o paciente
tenha compreensão de tudo
5º
7º
5º
ETPI
EAPMC
EAPMC
ETPI/EAPMC
ETPI/EAPMC
4º
4º
ETPI/EAPMC
ETPI
8º
4º
ETPI
ETPI
8º
5º
Saúde da
criança e do
adolescente 1
Saúde e
sociedade 6
Saúde e
sociedade 4
Semiologia
Semiologia
Semiologia
Saúde da
criança e do
adolescente 2
Saúde da
criança e do
adolescente 2
Saúde da
criança e do
adolescente 1
Objetivos
Objetivos
Avaliação
Objetivos
Objetivos
Objetivos
Objetivos
Objetivos
Objetivos
82
7. USAR MÉTODOS DE
MELHORIA DE
QUALIDADE PARA
MELHORAR OS
CUIDADOS
Fatores de risco
Organização e planejamento de
ações de saúde
Indicadores
Ciclo do pdsa*
Indicadores
Enfoque na vigilância à saúde
como uma prática sanitária de
organização da assistência em
situações de riscos e agravos da
saúde da população
8º
Desenvolver competências,
atitudes e habilidades,
indispensáveis à boa prática em
clínica cirúrgica
Reconhecer limitações
EAPMC
EAPMC
1º
2º
ETPI/EAPMC
ETPI/EAPMC
EDP
ETPI
ETPI
4º
4º
2º
4º
Educação continuada
Fatores de risco (fadiga e
estresse como fatores de risco
aos incidentes)
Gerenciamento de riscos
Dificuldades
Importância do treinamento
contínuo do conhecimento,
habilidades e atitude (ética)
Importância do treinamento
contínuo do conhecimento,
habilidades e atitude (ética)
Saúde e
sociedade 2
Saúde e
sociedade 1
Semiologia
Semiologia
ERP 2
Clínica
cirúrgica e
ambulatorial
Agressão e
defesa
Objetivos
Objetivos
Objetivos
Ementa
Objetivos
Objetivos
Objetivos
83
8 - ENVOLVER
PACIENTES E
CUIDADORES
7º
7º
Reconhecer o homem, com
direitos e deveres
Um ser total, que transcende à
condição momentânea de mero
paciente
Temores
Comunicação
Fobias
Habilidade de comunicação
Notificação
Sigilo médico
Dar ao paciente, informação,
instruções e advertência sobre o
medicamento prescrito
Direitos do consumidor / paciente
Autonomia do paciente
Medo
Comunicação / comunicação
eficaz
Medo
Comunicação eficaz
Notificações
Confidencialidade e privacidade
do paciente
Consentimento informado
(comunicar com clareza, riscos e
benefícios
5º
8º
7º
6º
6º
1º
1º
7º
Auditoria médica
Auditoria dos registros médicos
ETPI
ETPI
ETPI
ETPI
ETPI
EDP
EDP
EDP
EDP
EAPMC
EAPMC
3º
Organização e planejamento de
ações de saúde
Ciclo do pdsa*
EAPMC
3º
Indicadores
Indicadores
Saúde da
criança e do
adolescente 1
SAI 6
SAI 5
SAI 2
SAI 2
ERP1
ERP1
Deontologia
Deontologia
Saúde e
sociedade 6
Saúde e
sociedade 3
Saúde e
sociedade 3
Objetivos
Conteúdo
programático
Objetivos
Conteúdo
programático
Avaliação
Conteúdo
programático
Conteúdo
programático
Objetivos
Conteúdo
programático
Objetivos
Objetivos
Conteúdo
programático
84
Entrevista médica
Reconhecimentos dos aspectos
culturais, sociais e religiosos da
doença
As especificidades individuais e
sua relação com o coletivos e as
estratégias de intervenção
Desenvolver atitudes facilitadoras
da comunicação frente aos
diversos padrões de
comportamento dos pacientes
Diálogo claro e coerente
considerando aspectos sócio
culturais do paciente e família
Vig. Epidemiológica: sistema de
informações
Ações de comunicação em saúde
Ações de comunicação
Comunicação em saúde
Comunicação com o
paciente/comunidade
Comunicação
Comunicação eficaz
Respeito às diferenças
(religiosas, culturais e pessoais)
e às necessidades individuais
Respeito às diferenças
(religiosas, culturais e pessoais)
e às necessidades individuais
Técnicas básicas da boa
comunicação
Comunicação eficaz
Comunicação
Comunicação
Comunicação
Comunicação
Comunicação
Notificações
Diálogo claro e coerente na
transmissão de informações aos
pacientes e familiares
Comunicação eficaz
3º
3º
3º
3º
3º
4º
4º
4º
4º
4º
4º
8º
EAPMC
EAPMC
EAPMC
EAPMC
EAPMC
ETPI/EAPMC
ETPI/EAPMC
ETPI/EAPMC
ETPI/EAPMC
ETPI/EAPMC
ETPI/EAPMC
ETPI
Saúde e
sociedade 3
Saúde e
sociedade 3
Saúde e
sociedade 3
Saúde e
sociedade 3
Saúde e
sociedade 3
Semiologia
Semiologia
Semiologia
Semiologia
Semiologia
Semiologia
Saúde da
criança e do
adolescente 2
Conteúdo
programático
Objetivos
Ementa
Ementa
Ementa
Conteúdo
programático
Objetivos
Objetivos
Ementa
Ementa
Ementa
Objetivos
85
9 - PREVENÇÃO E
CONTROLE DE
INFECÇÕES
Infecção
Paramentação
Meios de esterilização
Assepsia / antissepsia
Técnica cirúrgica asséptica
Prevenção
Prevenção
Estratégias de prevenção
Prevenção
Riscos biológicos
Riscos de infecção
Uso de equipamentos de
proteção individual (epi)
Princípios básicos de
esterilização e desinfecção de
equipamentos, dispositivos e
instrumentos
Assepsia / técnica asséptica
Assepsia / técnica asséptica
Prevenção
Prevenção
Prevenção
Prevenção
Riscos biológicos
Prevenção
3º
3º
O papel da linguagem e a relação
médico/paciente/usuário
Vigilância epidemiológica das
doenças de notificação
compulsória
Ações preventivas
3º
O processo de comunicação
Notificações
Consentimento informado
(comunicar com clareza, riscos e
benefícios
Comunicação e a relação médico
paciente
EAPMC
EAPMC
EAPMC
SAI 5
SAI 5
SAI 4
SAI 3
Clínica
cirúrgica e
ambulatorial
Clínica
cirúrgica e
ambulatorial
SAI 2
Agressão e
defesa
Clínica
cirúrgica e
ambulatorial
Clínica
cirúrgica e
ambulatorial
Agressão e
defesa
Saúde e
sociedade 3
Saúde e
sociedade 3
Saúde e
sociedade 3
Conteúdo
Objetivos
Ementa
Ementa
Ementa
Conteúdo
programático
Conteúdo
programático
Conteúdo
programático
Conteúdo
programático
Conteúdo
programático
Objetivos
Conteúdo
programático
Conteúdo
programático
Conteúdo
programático
86
Avaliação vacinal discente
Conhecimento sobre estratégias
de prevenção
Conhecimento sobre estratégias
de prevenção
Importância da prevenção
Estratégias de prevenção
Prevenir as patologias mais
prevalentes
Estratégias de prevenção
Prevenção
Prevenção
Medidas preventivas
Considerando a relação custo
benefício
Prevenção
Prevenção
Biossegurança
Vacinas
Prevenção
Prevenção
Prevenção
Prevenção
Prevenção
Prevenção
Prevenção
Prevenção
Prevenção
Custos associados aos cuidados
Prevenção
Prevenção
Prevenção e controle de
infecções
Saúde e
sociedade 3
Saúde e
sociedade 2
Saúde e
sociedade 2
Semiologia
Semiologia
Semiologia
Saúde da
mulher 2
Saúde da
criança e do
adolescente 2
Saúde da
mulher 1
Saúde da
mulher 2
Saúde da
mulher 2
SAI 7
SAI 6
SAI 5
Ementa
Objetivos
Ementa
Objetivos
Objetivos
Ementa
Ementa
Ementa
Metodologia
Ementa
Objetivos
Ementa
Ementa
Conteúdo
programático
programático
87
10 - SEGURANÇA DO
PACIENTE E
PROCEDIMENTOS
INVASIVOS
Prevenção
Trabalho em equipe,
relacionamento interpessoal
Avaliação pré-operatória e
seguimento pós operatório
Preparo da equipe cirúrgica e do
campo operatório
Noções de pós e pré operatório.
Operações fundamentais
Prevenção
Trabalho em equipe
Gerenciamento do paciente
cirúrgico pela equipe (antes,
durante e pós cirurgia)
Gerenciamento do paciente
cirúrgico pela equipe (antes,
durante e após a cirurgia). Não
contempla a totalidade do item
Gerenciamento do paciente
cirúrgico pela equipe (antes,
durante e após a cirurgia). Não
contempla a totalidade do item
A pesquisa em saúde:
quantitativa e qualitativa sob a
perspectiva da bioestatística e da
epidemiologia
Economia em saúde
Custos associados aos cuidados
Prática de cuidados com base
em evidências
Economia em saúde
Medidas preventivas
Prevenção
Custos associados aos cuidados
Prevenção
Prevenção
SAI 5 1
SAI 5
Saúde da
criança e do
adolescente 2
Clínica
cirúrgica e
ambulatorial
Agressão e
defesa
Saúde e
sociedade 7
Saúde e
sociedade 6
Saúde e
sociedade 5
Saúde e
sociedade 6
Saúde e
sociedade 4
Conteúdo
programático
Conteúdo
programático
Objetivos
Ementa
Objetivos
Ementa
Conteúdo
programático
Objetivos
Objetivos
Ementa
88
11. MELHORA NA
SEGURANÇA DA
MEDICAÇÃO
Interações medicamentosas
Os riscos envolvendo o uso
irracional dos medicamentos
Efeitos adversos
Uso racional de medicamentos
Uso racional de medicamentos
Capacitar o estudante para a
prescrição terapêutica, nas
diversas necessidades clínicas
Seleção de medicamentos e
tratamento adequados à
resolução de situações de saúde
prevalentes em pacientes
individuais
Entender os perigos intrínsecos
ao uso de medicamentos
Reação adversa à droga
Entender os perigos intrínsecos
ao uso de medicamentos
Entender os perigos intrínsecos
ao uso de medicamentos
Processo de prescrição,
distribuição e administração de
medicamentos. *
Individualização terapêutica
Trabalho em equipe
Trabalho em equipe
Utilizando os protocolos
Interações medicamentosas:
medicamento e medicamento e
medicamento e alimento
Trabalho em equipe
Trabalho em equipe
Importância das diretrizes,
protocolos e checklists
Saúde da
criança e do
adolescente 1
Saúde da
criança e do
adolescente 1
SAI 7
SAI 4
Psiquiatria de
urgência
Princípios da
farmacologia
Princípios da
farmacologia
Semiologia
Semiologia
Saúde da
mulher 1
Objetivos
Objetivos
Objetivos
Objetivos
Conteúdo
programático
Objetivos
Objetivos
Objetivos
Objetivos
Objetivos
89
Conteúdo
programático
Objetivos
Saúde da
criança e do
adolescente 1
Saúde da
criança e do
adolescente 2
Programas estratégicos de
distribuição de medicamentos
Erros de prescrição
Prescrição de medicamentos
Administração de medicamentos
Tipos de erro de medicação
Processo de prescrição,
distribuição e administração de
medicamentos.
Segurança no uso de
medicamentos
Saúde e
sociedade 2
Saúde da
criança e do
adolescente 1
Conteúdo
programático
Conteúdo
programático
Objetivos
Acesso do paciente à medicação
(questões financeiras,
fornecimento pelo governo)
Saúde da
criança e do
adolescente 1
Indentificar estratégias para
monitorizar o tratamento prescrito
Objetivos
Monitoramento (dos efeitos) do
medicamento
Saúde da
criança e do
adolescente 1
Selecionar um medicamento (ou
conjunto) adequado para ser
usado em uma dada indicação,
utilizando critérios de eficácia,
segurança, conveniência, custo e
acessibilidade
Segurança no uso de
medicamentos
90
91
ANEXOS
92
ANEXO A – LINK DO PPC
http://www.ufal.edu.br/unidadeacademica/famed/graduacao/medicina/
projeto-pedagogico
.
93
ANEXO B – ORDENAMENTO DA MATRIZ CURRICULAR
I. CICLO TEÓRICO PRÁTICO
II. ESTÁGIO SUPERVISIONADO - INTERNATO
PERÍODO EIXO NORT
ETPI
Bas es morfofisiológicas 1
EA PM C
Saúde e Sociedade 1
1º
EDP
Ética e Relações psicoss ociais 1
PERÍODO
9º
URGÊNCIA E EMERGÊNCIA
CLÍNICA CIRÚRGICA 2
SA ÚDE MENTA L
EMERGÊNCIA E PEDIATRIA
2º
ETPI
EA PM C
EDP
Bas es morfofis iológicas 2
Saúde e Sociedade 2
Ética e Relações psicoss ociais 2
10º
3º
ETPI
EA PM C
EDP
Bas es morfofis iológicas 3
Princípios da farmacologia
Saúde e Sociedade 3
Ética e Relações ps icos s ociais 3
OBSTETRÍCIA 1
GINECOLOGIA
OBSTETRÍCIA 2
PEDIATRIA 1
11º
CLÍNICA MÉDICA 1
CLÍNICA MÉDICA 2
4º
ETPI
A gres são e Defes a
ETPI/EA PMC
Semiologia integrada
12º
ESTÁ GIO RURA L
ESTÁ GIO OPCIONAL
PEDIATRIA 2
5º
ETPI
EA PM C
6º
7º
8º
Saúde da criança e do adolescente 1
Propedêutica 1
Saúde do adulto e do idos o 1
Saúde e Sociedade 4
Saúde do adulto e do idos o 2
Saúde do adulto e do idos o 3
ETPI
Saúde da mulher 1
Propedêutica médica 2
Saúde e Sociedade 5
EA PMC M edicina legal
ETPI
EDP
EA PM C
ETPI
EA PM C
Saúde do adulto e do idos o 4
Saúde do adulto e do idos o 5
Propedêutica médica 3
Deontologia
Saúde e s ociedade 6
Saúde da criança e do adolescente 2
Saúde do aduto e do idoso 6
Saúde do adulto e do idos o 7
Saúde da mulher2
Psiquiatria de urgência
Clínica cirúrgica 1
Saúde e s ociedade 7
94
ANEXO C – TÓPICOS DO GUIA E TERMOS RASTREADOS SOBRE
SEGURANÇA DO PACIENTE NO CURSO DE MEDICINA E SEU
PERCENTUAL DE ABORDAGEM
Tópicos do Guia
Termos Rastreadores
• Segurança do Paciente
• Evento adverso / Dano ao paciente
• Custos econômico e humano dos EA;
• Gestão de eventos adversos
• Teoria dos sistemas
• Culpa, cultura deculpa
• Falha nos sistema
1.O que é
segurança do
paciente
29,4%
• Falhas, violações e erros
• Tipos de abordagem ao erro (pessoal e sistêmica)
• Modelos de segurança do paciente
•
Cuidado centrado no paciente*
•
Acidentes, erros e incidentes na prestação do cuidado*
• Causas dos erros
• Modelo do queijo suíço
•
Prática de cuidados com base em evidências*
•
Continuidade dos cuidados*
•
Criar vínculo com o paciente*
• Fatores humanos e segurança do paciente
•
Gestão de pacientes / Gestão da Saúde*
• Ergonomia
•
2.Por que
empregar fatores
humanos é
importante para a
segurança do
paciente?
36,3%
Desempenho humano (em diferentes circunstâncias)*
• Interação homem-máquina e segurança no uso da tecnologia
• Inevitabilidade do erro
•
Predisposição ao erro (fadiga, estresse, interrupções,
comunicação ineficaz, distrações, habilidades e
conhecimentos insuficientes)*
•
Sistemas, complexidade dos sistemas*
• Boa comunicação entre equipes
• Emprego de práticas seguras de prescrição e dispensação de
medicamentos
• Importância do uso de checklist (lista de verificação)
•
Definições de sistema e sistema complexo*
•
Diversidade e vulnerabilidade dos pacientes*
95
•
3.A compreensão
dos sistemas e do
efeito da
complexidade no
cuidado ao
paciente
55,5%
Interação entre os profissionais / Multidisciplinaridade/
Interdisciplinaridade*
• Organização de alta confiabilidade
•
Regulamentação profissional*
•
Definições de papéis e responsabilidades*
• Violações e erros
• Modelo do queijo suíço
• Defesas e barreiras de proteção (na prestação dos cuidados)
•
Conceito de equipe
•
Formação de equipe e tipos de equipe*
• Trabalho em equipe
•
Liderança e liderança eficaz*
•
Princípios e valores*
•
Métodos de aprendizagem*
• Educação interprofissionaL
4.Atuar em equipe
de forma eficaz
53,8%
• Contestação diante do erro (Regra da dupla contestação
•
Avaliação de desempenho da equipe*
• Habilidade de ouvir
•
Resolução de conflitos*
• Ferramentas para uma comunicação eficaz
• Incluir o paciente e família à equipe
• Ferramentas para uma comunicação eficaz
• Incluir o paciente e família à equipe
5.Aprender com
os erros para
evitar danos
8,3%
•
Erro, violação, nearmiss (quase-erro), viés de retrospecto
•
Tipos de erros na prestação do cuidado
•
Inevitabilidade do erro
•
Situações associadas a um maior risco de erro / Atitudes
perigosas
•
Fatores individuais que predispõem ao erro
•
Medidas adequadas para reduzir / neutralizar danos
•
Análise de causa raiz do evento adverso*
•
Importância da supervisão na realização de procedimentos
•
Auto-avaliação/ Monitoramento
•
Maneiras de aprender com os erros
•
Importância da notificação de incidentes
•
Estratégia de gestão de erro
•
Gerenciamento de riscos clínicos*
• Comunicação de riscos e perigos no local de trabalho
• O papel da boa comunicação para melhoria da qualidade na
assistência
• Notificação de near misses (quaseerros)
96
• Tipos de incidentes
• Notificação e monitoramento de incidentes
6.Compreendere
gerenciar o risco
clínico
• Abordagem estrutura da para avaliação, análise e tratamento do
erro/ incidente – Análise de causa-raiz
• Eventosentinela
•
23,5%
Importância dos registros precisos e completos da
prestação do cuidado*
• Importância da implementação de melhorias após análise do
incidente
• Confiabilidade na gestão do risco
• Responsabilidade profissional e individual na gestão de risco
•
Importância do treinamento contínuo do conhecimento,
habilidades e atitude (ética)*
• Credenciamento, licenciamento e acreditação
• Comunicação honesta a pacientes e família de um evento adverso
• Responder de forma apropriada a uma reclamação com vistas à
melhor
•
Reconhecer limitações e saber pedir ajuda*
• Teoria do Conhecimento de Deming
• Conceitos básicos de mudança
• Conceitos de Deming no campo da saúde (Teoria da Melhoria)
• Ferramentas de qualidade: fluxograma, diagrama de Ishikawa /
espinha de peixe, diagrama de Pareto.Histograma, gráficos de
7.Usar métodos de
melhoria de
qualidade para
melhorar
oscuidados
registros, tabelas,
•
/Indicadores / Tipos de indicadores (de processo; de
equilíbrio e de resultado); Ciclo do PDSA*
•
36,4%
Avaliação de resultados e propostas de melhorias
Auditoria dos registros médicos*
• Variações no serviço de saúde
• Métodos de melhoria (Método de melhoria da prática clínica;
análise de causa-raiz; análise de modos de falhas e efeitos –
FMEA)
• Qualidade / melhoria de qualidade
•
Planejamento (Planejamento do cuidado / Planejamento do
local de trabalho)*
•
Empoderamento do paciente*
•
Direitos do consumidor / Paciente*
• Implicações legais do erro
•
Consentimento informado (comunicar com clareza riscose
benefícios)*
• Revelação aberta: comunicação honesta com pacientes e
cuidadores após um dano (open disclosure–revelação aberta do
erro)
97
• Pacientes para a Segurança do Paciente –o envolvimento do
8.Envolverpacient
es ecuidadores
53%
paciente para a prevenção do dano - parceria no cuidado
•
Medo*
• Reclamações
• Pedido de desculpa
•
Notificações*
•
Comunicação e comunicação eficaz*
• Imparcialidade
•
Confidencialidade e privacidade do paciente*
•
Técnicas básicas da boa comunicação*
• Ferramentas de comunicação: SEGUE, SPIKE, SPEAKUP
•
Respeito às diferenças (religiosas, culturais e pessoais) eàs
necessidades individuais*
•
Garantir a continuidade do cuidado (na transição de um
profissional para outro; de um local para outro)
•
Riscos de infecção*
•
Prevenção e controle de infecção*
• Definição de Infecção Relacionada aos Cuidados de Saúde /
Infecção Hospitalar
• Transmissão de infecção; infecção cruzada/transmissão indireta;
• Pacientes susceptíveis à infecção;
•
Imunização do discente para hepatite B /Vacinas*
• Resistênciaantimicrobiana;Organismosresistentesamúltiplasdrogas
; MRSA (Staphylococus aureus resistente à meticilina)
9.Prevenção e
Controle de
Infecções
•
Custos associados aos cuidados e ao tratamento das
infecções relacionadas à assistência / Economia em saúde*
• Higienização das mãos:Campanha “Salvar Vidas” da OMS–
Clean Careis Safe Care
47%
• Controle do uso de antimicrobianos
•
Uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPI)*
• Utilização e descarte seguros de instrumentos pérfuro-cortantes
• Profilaxia antimicrobiana
•
Assepsia / Técnica asséptica*
• Precauções padrão e precaução no contato com pacientes
infectados/ colonizados
•
Princípios básicos de esterilização e desinfecção de
equipamentos, dispositivos e instrumentos*
•
Biossegurança/ Descarte seguro*
• Infecções de sítio cirúrgico e procedimentais
• Eventos adversos associados a procedimentos cirúrgicos e a
outros procedimentos invasivos
• Erros de lateralidade
• Falhas na comunicação
98
10. Segurança do
paciente e
procedimentos
invasivos
30%
• Processos de verificação
•
Trabalho em equipe*
• Checklist para cirurgia segura da OMS
•
Importância das Diretrizes, Protocolos e Checklists*
•
Gerenciamento do paciente cirúrgico pela equipe (antes,
durante e após a cirurgia)*
• Técnicas utilizadas em sala operatória para redução de riscos
eerros (tempo de descanso, pausas, briefing, de briefing,
expressar preocupações)
• Efeito colateral
•
Reação adversa à droga*
•
Tipos de erro de medicação*
•
Riscos e perigos no uso de medicamentos*
• Fatores que contribuem para erros de medicação
•
Processo de Prescrição, distribuição e administração de
medicamentos*
•
Monitoramento (dos efeitos) do medicamento*
•
Segurança no uso de medicamentos*
• Benefícios do enfoque multidisciplinar no uso de medicamentos
• Compreensão dos medicamentos de alta vigilância
(potencialmente perigosos)
•
11.Melhorana
segurança da
medicação
Interações medicamentosas: medicamento e medicamento e
medicamento e alimento*
• Vulnerabilidade do paciente aos efeitos adversos dos
medicamentos
• Atenção às possíveis Contra-indicações e alergias
32%
•
Individualização terapêutica (adaptação da receita /
prescrição ao paciente)*
• Legibilidade e clareza na prescrição
• Envolver o paciente em sua medicação
• Cálculo e diluições das medicações
• História farmacológica (histórico dos medicamentos)
• Notificar e aprender com erros de medicações enear-misses
•
Acesso do paciente à medicação (questões financeiras;
fornecimento pelo Governo)*
• Registro das drogas no sistema de saúde / Regulamentação dos
medicamentos
• Estar bem familiarizado com os medicamentos que prescreve e/ou
dispensa;
• Estratégias para minimizar erros de medicações
• Reconciliação medicamentosa
• Os 5 certos da administração de medicamentos
99
ANEXO D – PARECER DO COMITÊ DE ÉTICA EM PESQUISA DA FAMED/UFAL
UNIVERSIDADE FEDERAL
DE ALAGOAS
PARECER CONSUBSTANCIADO DO CEP
DADOS DO PROJETO DE PESQUISA
Título da Pesquisa: ANÁLISE DE CONTEÚDOS SOBRE SEGURANÇA DO
PACIENTE EM UM CURRÍCULO DE GRADUAÇÃO MÉDICA
E PERCEPÇÃO DO DISCENTE DO INTERNATO DE
MEDICINA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
SOBRE CULTURA DE SEGURANÇA DO PACIENTE
Pesquisador: SANDRA MARCIA OMENA BASTOS
Área Temática:
Versão: 1
CAAE: 82395517.2.0000.5013
Instituição Proponente: Faculdade de Medicina da UFAL
Patrocinador Principal: Financiamento Próprio
DADOS DO PARECER
Número do Parecer: 2.482.553
Apresentação do Projeto:
Desenho do Projeto: Estudo híbrido, descritivo e transversal, observacional, a
ser desenvolvido no período de julho a dezembro de 2017.
Metodologia:
7.1.Tipo de estudo Estudo híbrido, descritivo, transversal, documental e
observacional, a ser desenvolvido no período de julho a dezembro de 2017.
7.2.Local FAMED/UFAL 7.3. Amostra 7.3.1. Critérios de inclusão: Serão
incluídos alunos do segundo ano do internato correspondente aos 11º e 12º
períodos do curso de medicina da UFAL que concordarem em participar do
estudo, após assinarem o TCLE (Anexo1) 7.3.2. Critérios de exclusão: Serão
excluídos aqueles que optarem por não preencher o termo de consentimento,
ou não preencherem o questionário completamente. 7.3.3. Amostragem: A
amostra
total
corresponde
a
80
100
discentessendoconsideradaumamargemdenãoadesãode20%.7.4.Unidadesdean
álise
1. PPC e currículo do curso de medicina
2. Discentes.
7.5.Variáveis
1. Cultura de Segurança do Paciente
2. Internato
3. Gênero
Metodologia da Análise de Dados
Foi elaborada uma lista de palavras-chave, a partir dos 11 tópicos do guia
curricular multiprofissional sobre segurança do paciente, publicado pela OMS
em 2011, que servirão para buscar no Projeto Pedagógico do Curso (PPC) e em
sua matriz curricular da FAMED/UFAL, conteúdos sobre segurança do paciente
previstos no eixo do ensino do primeiro ao oitavo períodos. Será usado como
método para avaliação do PPC e do currículo a análise documental, conforme
os passos sugeridos por Bardin. Para a análise e interpretação dos dados,
serão observados os títulos, temas, expressões, e textos correspondentes à
cultura de segurança do paciente, identificados em cada períodoletivo.
Em paralelo, será aplicado um questionário para avaliar a Cultura de Segurança
com os discentes do último ano do internato do curso de medicina da UFAL,
que concordarem participar da pesquisa, mediante Termo de Consentimento
Livre e Esclarecido (TCLE). Este questionário foi pré-elaborado para este fim,
validado por 07 especialistas na área. A amostra total corresponde a 80
discentes, sendo considerada uma margem de não adesão de 20%. Esse
questionário avaliará o conhecimento e percepção do futuro egresso acerca de
segurança do paciente. Tais variáveis serão medidas por meio de escala do tipo
Likert. Os documentos para comparação dos dados extraídos dos documentos
e analisados (PPC e Matriz Curricular) serão o Guia Curricular Multiprofissional
da OMS em Segurança do Paciente, lançado em 2011 e o Documento de
Referência para o Programa Nacional de Segurança do Paciente (ANVISA,
2014). Os dados serão distribuídos em tabela simples, indicando conteúdos
previstos no PPC e matriz curricular e conteúdos não previstos sobre segurança
dopaciente.
101
Os dados consolidados servirão de base para sugestões de implementação do
tema no currículo médico da FAMED/UFAL.
Objetivo da Pesquisa:
Principal: Avaliar a proposta curricular e a percepção do discente do internato
do curso de medicina da UFAL sobre cultura de segurança do paciente.
Secundários:
1 – Analisar no PPC e na matriz curricular do curso de medicina da UFAL como
é proposta e implantada a cultura de segurança dopaciente;
2 – Verificar o conhecimento dos discentes do segundo ano do internato do
curso de medicina daUFAL sobre cultura de segurança do paciente.
Avaliação dos Riscos e Benefícios:
Riscos Possibilidade de incômodos e riscos à saúde física e mental, como não
saber como responder ao questionário, perda de tempo e constrangimento
diante de um observador. Os riscos e incômodos serão solucionados,
respectivamente, com explicação por parte do pesquisador passo-a-passo;
ofertando horários alternativos para responder ao questionário; e, após a
explicação, conduzir o participante a um local restrito para que possa responder
o sem possibilidade de constragimento. O pesquisador responsável suspenderá
a pesquisa imediatamente ao perceber algum risco ou dano à saúde do sujeito
participante
da
pesquisa,
conseqüenteàmesma,nãoprevistonotermodeconsentimentoougrevesnainstituiçã
o.
Benefícios Mapeamento dos conteúdos abordados sobre Segurança do
Paciente, abordados no currículo da FAMED/UFAL. Mapeamento dos
conteúdos ainda não abordados sobre Segurança do Paciente, abordados no
currículo da FAMED/UFAL. Avaliação do conhecimento e percepção do
discente de medicina da FAMED/UFAL sobre Segurança do paciente ao término
do curso. Elaboração de sugestões para possível implementação de conteúdos
em Segurança do Paciente, que possam favorecer à melhoria da formação
médica generalista, melhor capacitando ao egresso atuar no reconhecimento,
prevenção, mitigação e tratamento dos possíveis eventos adversos no campo
dos cuidados em saúde.
Comentários e Considerações sobre a Pesquisa:
Pesquisa relevante.
102
Considerações sobre os Termos de apresentação obrigatória:
Documentos examinados para este parecer:
FAMED (declaração de infraestrutura;
Folha de rosto;
Informações básicas;
Projeto mestrado (completo);
Publicização;
TCLE.
Recomendações:
1) Informar o destino dos dados (o que será feito deles; se no banco de dados,
esclarecer qual o banco, sob responsabilidade de quem, e por quantotempo);
2) No Projeto: em metodologia, ajustar o período da pesquisa (nele, consta: "julho a
dezembro 2017").
Conclusões ou Pendências e Lista de Inadequações:
O protocolo encontra-se de conformidade com as exigências das Resoluções
466/12 e 510/16. Aprovado.
Considerações Finais a critério do CEP:
Protocolo Aprovado
Prezado (a) Pesquisador (a), lembre-se que, segundo a Res. CNS 466/12 e sua
complementar 510/2016:
O participante da pesquisa tem a liberdade de recusar-se a participar ou de
retirar seu consentimento em qualquer fase da pesquisa, sem penalização
alguma e sem prejuízo ao seu cuidado e deve receber cópia do TCLE, na
íntegra, por ele assinado, a não ser em estudo com autorização de declínio;
V.Sª. deve desenvolver a pesquisa conforme delineada no protocolo aprovado e
descontinuar o estudo somente após análise das razões da descontinuidade por
este CEP, exceto quando perceber risco ou dano não previsto ao sujeito
participante ou quando constatar a superioridade de regime oferecido a um dos
grupos da pesquisa que requeiram ação imediata;
O CEP deve ser imediatamente informado de todos os fatos relevantes que
alterem o curso normal do estudo. É responsabilidade do pesquisador
assegurar medidas imediatas adequadas a evento adverso ocorrido e enviar
notificação a este CEP e, em casos pertinentes, à ANVISA;
Eventuais modificações ou emendas ao protocolo devem ser apresentadas ao
103
CEP de forma clara e sucinta, identificando a parte do protocolo a ser
modificada e suas justificativas. Em caso de projetos do Grupo I ou II
apresentados anteriormente à ANVISA, o pesquisador ou patrocinador deve
enviá-las também à mesma, junto com o parecer aprovatório do CEP, para
serem juntadas ao protocolo inicial;
Seus relatórios parciais e final devem ser apresentados a este CEP,
inicialmente após o prazo determinado no seu cronograma e ao término do
estudo. A falta de envio de, pelo menos, o relatório final da pesquisa implicará
em não recebimento de um próximo protocolo de pesquisa de vossa autoria.
O cronograma previsto para a pesquisa será executado caso o projeto seja
APROVADO
pelo
Sistema
CEP/CONEP,
conforme
Carta
061/2012/CONEP/CNS/GB/MS (Brasília-DF, 04 de maio de 2012).
Circular
nº.
104
Este parecer foi elaborado baseado nos documentos abaixo relacionados:
Tipo Documento
Arquivo
Informações Básicas PB_INFORMAÇÕES_BÁSICAS_DO_P
do Projeto
ROJETO_889363.pdf
TCLE / Termos de
Termo de Consentimento Livre e
Esclarecido
Assentimento /
2.pdf
Justificativa de
Ausência
Projeto Detalhado / PROJETOMESTRADO.pdf
Brochura
Investigador
Outros
Publicizacao.pdf
Declaração de
Instituição e
Infraestrutura
Folha de Rosto
FAMED.pdf
folhaDeRosto.pdf
Postagem
22:40:44
Situação
Aceito
Aceito
OMENA BASTOS
17/01/2018 SANDRA MARCIA
15:23:47 OMENA BASTOS
Aceito
09/01/2018
18:21:37
08/09/2017
11:56:33
SANDRA MARCIA
OMENA BASTOS
SANDRA MARCIA
OMENA BASTOS
Aceito
08/09/2017 SANDRA MARCIA
11:47:35 OMENA BASTOS
Aceito
Situação do Parecer:
Aprovado
Necessita Apreciação da CONEP:
Não
MACEIO, 02 de
Fevereiro de 2018
Assinado por:
Luciana Santana
(Coordenador)
Autor
23/01/2018
22:49:27
23/01/2018 SANDRA MARCIA
Aceito
