6- Gidelson Gabriel Gomes - INTERDISCIPLINARIDADE NA GRADUAÇÃO EM ENFERMAGEM: PERSPECTIVA DOCENTE
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UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
FACULDADE DE MEDICINA
MESTRADO PROFISSIONAL EM ENSINO NA SAÚDE
GIDELSON GABRIEL GOMES
INTERDISCIPLINARIDADE NA GRADUAÇÃO EM ENFERMAGEM:
PERSPECTIVA DOCENTE
MACEIÓ-AL
2017
GIDELSON GABRIEL GOMES
INTERDISCIPLINARIDADE NA GRADUAÇÃO EM ENFERMAGEM:
PERSPECTIVA DOCENTE
Trabalho Acadêmico de Conclusão de Curso apresentado ao
Programa de Pós-Graduação Mestrado Profissional em Ensino na
Saúde da Faculdade de Medicina – FAMED da Universidade
Federal de Alagoas – UFAL como requisito parcial para
obtenção do título de Mestre em Ensino na Saúde.
Orientadora: Maria de Lourdes Fonseca Vieira
Coorientadora: Maria Viviane Lisboa de Vasconcelos
MACEIÓ-AL
2017
Catalogação na fonte
Universidade Federal de Alagoas
Biblioteca Central
Bibliotecária Responsável: Helena Cristina Pimentel do Vale
G633i
Gomes, Gidelson Gabriel.
Interdisciplinaridade na graduação em enfermagem: perspectiva docente
/ Gidelson Gabriel Gomes. – 2017.
79 f.: il.
Orientadora: Maria de Lourdes Fonseca Vieira.
Coorientadora: Maria Viviane Lisboa de Vasconcelos.
Dissertação (Mestrado Profissional em Ensino na Saúde) – Universidade
Federal de Alagoas. Faculdade de Medicina. Programa de Pós-Graduação em
Ensino na Saúde. Maceió, 2017.
Inclui bibliografia
Apêndices: f. 52-76.
Anexo: f.77-79
1. Enfermagem – Estudo e ensino. 2. Docente. 3. Formação profissional
em saúde. 4. Comunicação interdisciplinar. 5. Bacharelado em enfermagem.
I. Título.
CDU: 616-083:378
Dedico este Trabalho Acadêmico de Conclusão de
Curso do Mestrado Profissional em Ensino na Saúde
aos meus queridos discentes que dão sentido a minha
vida e carreira acadêmico-profissional diariamente,
tornando meus dias mais felizes e me estimulando a um
reencontrar
permanente
no
processo
ensino-
aprendizagem. Vocês são o combustível da minha busca
incessante pelo conhecimento!
AGRADECIMENTOS
Primeiramente, agradeço a Deus por mais esta conquista em minha vida, e por me
conduzir mais uma vez em seus braços, dando-me força e proteção sobretudo nos momentos
difíceis.
À minha mãe e meu pai (in memorian) pela base sólida de caráter, humildade e
perseverança, elementos essenciais nos quais arquiteto meus ideais de ser humano, docente e
cidadão. Bem como aos meus irmãos e familiares por sempre estarem ao meu lado contribuindo
para o meu crescimento.
Ao meu amigo Durcival Francisco pelo incentivo, apoio e pela acolhida em sua
residência durante o período regular das aulas. Confesso que tudo teria sido mais difícil sem
sua ajuda. Obrigado, de coração!
À minha querida e estimada orientadora Maria de Lourdes Fonseca Vieira, pelo carinho
e zelo no qual me tratou durante todo o convívio desde a sala de aula ao processo de orientação.
Uma profissional espetacular, um ser humano ímpar e de coração grandioso.
À minha co-orientadora Maria Viviane Lisboa que, além de despertar em mim o gosto
pela área de pesquisa a partir de suas aulas de metodologia, foi também de fundamental
importância para a construção deste trabalho.
Às minhas amigas Thaíse Torres, Rutheale Alves, Ana Paula Albuquerque e Hulda
Alves pelo cuidado com minha vida e por todas as manifestações de carinho, palavras e gestos
de incentivo. E não menos importante, a Sarana Pereira e Sarah Zaelipelo apoio com os grupos
focais e suporte quando necessário, vocês foram imprescindíveis.
Aos meus colegas de turma por todo o aprendizado compartilhado e por tornarem meus
dias de quintas e sextas feiras mais felizes. A saudade já é imensa!
Ao corpo docente do Mestrado Profissional em Ensino na Saúde da FAMED-UFAL e
todos os funcionários, toda minha gratidão.
À coordenação geral do Curso de Graduação em Enfermagem do UNIFAVIP/DeVry,
bem como ao corpo docente. Obrigado pela parceria. Vocês foram essenciais para o sucesso do
meu TACC.
Aos componentes da banca examinadora de qualificação, em especial a professora
RozanaQuintella, a qual ainda não havia mencionado. Grato pelas contribuições pertinentes e
presteza. Bem como à banca de defesa, representada pelas professoras Lucy Vieira e Almira
Alvespela disponibilidade.
Aos meus estimados alunos, que me motivam de forma ímpar e dão sentido ao meu
viver enquanto docente, tornando-me um constante e eterno aprendiz na busca do conhecimento
e de melhorias no processo ensino-aprendizagem.
INTERDISCIPLINARIDADE – CORDEL
Falar sobre interdisciplinaridade
É transcender de alegria
E como diz fazenda (2001):
É diálogo,
É parceria.
É repensar a formação disciplinar
Com raízes positivistas.
É fazer surgir o novo
Promovendo o diálogo
Entre os especialistas.
É buscar nas fronteiras das disciplinas
Os pontos de congruência
Percebendo a importânciada temática
Dada a complexidade
Do processo saúde-doença.
É espera
Pois os resultados são processuais
E envolvem o tempo de cada sujeito.
É humildade e coerência.
É respeito e desapego.
É (re) significar o exercício docente
Considerando o processo educacional
E seus interlocutores.
Envolve a ação participativa
De docentes, discentes e gestores.
É envolver toda comunidade escolar
Tendo-os como agentes promotores.
É necessária a ruptura de paradigmas
Para que a interdisciplinaridade aconteça
Desvelando as multifaces do processo
Para que a proposta floresça!
Acima de tudo é importante
Saber para onde se pretende ir,
Pois como diz fazenda
A interdisciplinaridade
Tem o velho como ponto de partida
Para o novo se constituir.
No contexto da formação
Corrobora com as diretrizes curriculares
E o processo de reorientação,
O que tende a repercutir positivamente
Para a nossa população.
Dada a polissemia do termo
O qual evoca vários conceitos,
Fica a máxima da temática
Que é o diálogo entre as disciplinas
E o encontro dos sujeitos.
Encerro estes versos
E confesso que muito contente
Lembrando que o caminho interdisciplinar
É caminho inter, intra e entre.
E que esta pesquisa na minha vida
Foi divisor de águas enquanto docente.
Gidelson Gabriel Gomes
RESUMO GERAL
O estudo possibilitou compreender o exercício da interdisciplinaridade na graduação em
enfermagem sob a óptica dos docentes. Trata-se de um estudo exploratório de abordagem
qualitativa realizado no Centro Universitário do Vale do Ipojuca – UNIFAVIP/DeVry
localizado no agreste de Pernambuco. Participaram do estudo 15 docentes dos módulos teóricos
e práticos da referida graduação sendo os dados coletados a partir da técnica de grupo focal. Os
dados foram analisados por meio da análise de conteúdo. Os resultados deste estudo
possibilitaram um vislumbre com a temática interdisciplinaridade na graduação em
enfermagem, conjecturando concepções, caraterísticas do exercício interdisciplinar, bem como
fatores que influenciam e os desafios para tal prática no âmbito do processo de ensino- aprendizagem na graduação em enfermagem na perspectiva dos docentes. Observou-se também
que, mesmo diante de uma matriz curricular de característica disciplinar, ainda que de forma
incipiente a interdisciplinaridade aconteça, dando indícios de sua viabilidade no currículo em
questão. Porém, para que ela se estabeleça como práxis de maior intensidade, é preciso repensar
e/ou (re)significar: as questões de natureza organizacionais e administrativas que ainda
dificultam tal prática, as limitações pedagógicas da formação docente, a matriz curricular e o
perfil de formação discente, tendo em vista o mudo do trabalho e o que versa as DCNENF. A
pesquisa teve como desfecho dos seus resultados o produto de intervenção na modalidade de
oficina pedagógica, denominada “Introdução ao Diálogo Interdisciplinar”. A oficina, realizada
junto a programação do encontro pedagógico do semestre, contou com a participação dos
docentes, representados pelos módulos teórico e prático, membros do NDE e coordenação geral
do curso que se constituíram em verdadeiros parceiros para o alcance dos objetivos propostos.
Enquanto produto de intervenção, a oficina configurou-se numa estratégia inicial de
re(significação) da práticas pedagógicas do curso de graduação em enfermagem no tocante a
temática interdisciplinaridade, culminando na realização de um relatório técnico.
Palavras-chave: Educação em Enfermagem. Comunicação Interdisciplinar. Docentes de
Enfermagem.BachareladoemEnfermagem.Docentes.
GENERAL ABSTRACT
The study made possible to understand the interdisciplinarity exercise in nursing school from
theperspective of teachers. It is an exploratory study of a qualitative approach carried out at the
Centro Universitário do Vale do Ipojuca - UNIFAVIP / DeVry located in the agreste of
Pernambuco. At this study, fifteen teachers participated from the theoretical and practical
modules of the mentioned degree, being the data collected from the focal group technique. The
data were analyzed through content analysis. The results allowed a glimpse of the
interdisciplinary theme in nursing school, conjecturing concepts, characteristics of the
interdisciplinary exercise, as well as factors that influence and the challenges for the practice in
the scope of the teaching-learning process in nursing school from the perspective of the
teachers. It was also observed that even in the face of a curricular matrix of disciplinary
characteristics, although in an incipient way the interdisciplinarity happens, giving indications
of yours viability in the curriculum in question. Nevertheless, for it to establish itself as a práxis
of greater intensity, it is necessary to rethink and / or (re) signify: the organizational and
administrative issues that still hamper this practice, the pedagogical limitations of teacher
training, the curriculum and the profile of student training, taking into account the world of
work and what is DCNENF. The research had as an outcome of their results, the intervention
product in the modality of pedagogical workshop, called "Introduction to Interdisciplinary
Dialogue". The workshop, held together with the schedule of the pedagogical meeting of the
semester, was attended by the teachers of the theoretical and practical modules, members of the
NDE and general coordination of the course, who became true partners to reach the proposed
objectives. As intervention product, the workshop was an initial strategy of re (meaning) of the
pedagogical practices of the nursing degree in the interdisciplinary subject, culminating in the
attainment of a technical report.
Keyword: Nursing Education.Interdisciplinary Communication.NursingTeachers.Bachelor
ofNursing.Teachers.
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
ABP
Aprendizagem Baseada em Problemas
ASPROMA
Associação Protetora do Meio Ambiente
BVS
Biblioteca Virtual em Saúde
CAPES
Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior
CASA
Coordenadoria de Apoio e Suporte ao Aluno
CRAS
Centro de Referência de Assistência Social
DCNENF
Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em
Enfermagem
DCNT
Doenças Crônicas Não Transmissíveis
ESF
Estratégia de Saúde da Família
FAMED
Faculdade de Medicina
FAVIP
Faculdade do Vale do Ipojuca
IES
Instituição de Ensino Superior
IRAMUTEQ
Interface de R PourLesAnalyses. Multidimensionnelles de Textes et
deQuestionnaires
NDE
Núcleo Docente Estruturante
P
Participante
PCR
Parada Cardiorrespiratória
PNI
Programa Nacional de Imunização
PPC
Projeto Pedagógico do Curso
RCP
Reanimação Cardiopulmonar
SAMU
Serviço de Atendimento Móvel de Urgência
SIS
Sistemas de Informação em Saúde
SUS
Sistema Único de Saúde
TACC
Trabalho Acadêmico de Conclusão de Curso
TCLE
Termo de Consentimento Livre Esclarecido
UBS
Unidade Básica de Saúde
UFAL
Universidade Federal de Alagoas
UFPE
Universidade Federal de Pernambuco
UNIFAVIP DEVRY Centro Universitário do Vale do Ipojuca
SUMÁRIO
1
APRESENTAÇÃO....................................................................................................... 13
2
ARTIGO – INTERDISCIPLINARIDADE NA GRADUAÇÃO EM
ENFERMAGEM: PERSPECTIVA DOCENTE....................................................... 16
2.1
Introdução..................................................................................................................... 17
2.2
PercursoMetodológico.................................................................................................. 19
2.3
Resultados e Discussão................................................................................................. 21
2.4
Considerações finais......................................................................................................28
Referências.....................................................................................................................29
3
RELATÓRIO TÉCNICO – OFICINA PEDAGÓGICA...........................................32
4
CONSIDERAÇÕES FINAIS.................................................................................... 45
REFERÊNCIAS FINAIS............................................................................................. 50
APÊNDICES................................................................................................................. 53
APÊNDICE A - Convite Aos Participantes................................................................... 53
APÊNDICE B– Roteiro De Identificação Dos Participantes....................................... 54
APÊNDICE C – Roteiro De Discussão Dos Grupos Focais......................................... 55
APÊNDICE D– Matriz Com As Categorias Temáticas............................................... 56
APÊNDICE E– Termo De Consentimento Livre Esclarecido..................................... 62
APÊNDICE F – Projeto Da Oficina.............................................................................. 64
APÊNDICE G –Tarjas De Identificação Dos Participantes por Eixo........................... 67
APÊNDICE H – Etiquetas Das Salas Por Eixos........................................................... 68
APÊNDICE I– Impressos Para Elenco Das Propostas Interdisciplinares..................... 71
APÊNDICE J–Ata De Participação.............................................................................. 73
APÊNDICE K–Fotos da Oficina Pedagógica............................................................... 74
ANEXO.......................................................................................................................... 77
ANEXO A – Parecer consubstanciado do CEP............................................................. 77
13
1
APRESENTAÇÃO
O presente trabalho representa parte do meu percurso de aprendizagem no ambiente de
formação do Mestrado Profissional em Ensino na Saúde da Faculdade de Medicina – FAMED
– da Universidade Federal de Alagoas – UFAL. Corresponde à pesquisa intitulada
“Interdisciplinaridade na Graduação em Enfermagem: perspectiva docente”. Esta é fruto de
algumas indagações pessoais e profissionais no âmbito científico e, sobretudo, no exercício da
docência, gerando como produto de intervenção a oficina pedagógica intitulada “Introdução ao
diálogo interdisciplinar”.
Inicialmente, tinha como propósitotrabalhar com as políticas indutoras na graduação em
enfermagem, sendo este, inclusive, o tema apresentado à banca de seleção do programa. Porém,
ao analisar o contexto sócio-político atual, considerando os cortes financeiros, redução do
incentivo para tais políticas e com receio de que deixassem de existir resolvi não seguir adiante
com a proposta. Eis que me veio então o tema “Interdisciplinaridade”. O interesse em estudar
essa temática surge de várias inquietações.
A primeira delas, é que na minha graduação em enfermagem vivenciei a dinâmica do
currículo integrado que trabalhava desde as questões da interdisciplinaridade à abordagem
holística do ser humano, o qual, referencio sempre com muito encantamento por perceber que
fez total diferença na construção do meu perfil profissional. Embora tenha vivenciado, de
início,certa resistência por receio do “novo”, considerando que minha formação até então havia
acontecido por meio do currículo tradicional, aos poucos percebi que trabalhar de forma
interdisciplinar é importantíssimo diante da complexidade do processo saúde-doença.
A segunda, porque, na minha práticadocente atual em outra instituição, observo que,
apesar de ser incentivado diante do contexto social, educacional e de saúde atual, o exercício
da interdisciplinaridade ainda se constitui em um desafio à docência e, portanto, muitas vezes
não é trabalhado no contexto ensino-aprendizagem. Isto se dá, muitas vezes, em virtude da
própria formação dos professores no modelo tradicional de ensino, que prima pela
verticalização do saber em que o discente ainda é visto como sujeito passivo no processo
ensino-aprendizagem ou ainda em virtude do próprio Projeto Pedagógico do Curso não
propiciar tal prática.
14
A terceira inquietação é que, devido minha formação nos moldes do currículo integrado
e por trazer esta vivência para a sala de aula, sinto muita dificuldade em trabalhar nessa
perspectiva com os discentes.
E, finalmente, pelo interesse da coordenação em implementar a interdisciplinaridade no
curso de enfermagem como ferramenta inovadora favorecendo as mudanças nos processos
pedagógicos em geral. E isso indicaum cenário favorável para uma mudança na perspectiva da
formação em consonância com as DCNENF.
O estudo foi desenvolvido no UNIFAVIP/DeVry. A instituição, inicialmente
denominada de Faculdade do Vale do Ipojuca (FAVIP), iniciou sua trajetória em 2001 e, a partir
de 2012, passou a fazer parte do modelo educacional de um dos maiores grupos de ensino dos
Estados Unidos – o grupo DeVrY, tornando-se Centro Universitário do Vale do Ipojuca –
UNIFAVIP/DeVry em 2014. Hoje, a instituição conta com mais de 30 cursos de graduação
(incluindo a Graduação em Enfermagem) e 14 cursos de pós-graduação.
Ressalta-se que o Projeto Pedagógico do Curso - PPC da referida instituição, faz
menções de forma muito incipiente sobre o termo interdisciplinaridade como um elemento
balizador do processo de formação em enfermagem, porém o que se observa é uma matriz
curricular tradicional e com fortes características disciplinares refletindo na práxis em um certo
distanciamento do preconizado pelas DCNENF.
Face às problemáticas supracitadas e como investimento pessoal, por acreditar na
importância da interdisciplinaridade para a formação em saúde e enfermagem, adveio o desejo
em viabilizar esta pesquisa, balizada pelos seguintes objetivos: compreender o exercício da
interdisciplinaridade em um curso de graduação em enfermagem na perspectiva docente;
descrever as concepções sobre interdisciplinaridade na graduação em enfermagem na
perspectiva docente; identificar as ações interdisciplinares no curso de graduação em
enfermagem;
identificar
os
fatores
que
facilitam
e
dificultam
o
exercício
da
interdisciplinaridade e conhecer os desafios no exercício da interdisciplinaridade.
Realizou-se para tanto um estudo exploratório de abordagem qualitativa, com os dados
coletados mediante a técnica de grupo focal, tendo participado quinze docentes dos módulos
teóricos e práticos. Procedeu-se com a análise de conteúdo fazendo emergir cinco categorias
que subsidiaram o produto de intervenção proposto a partir de uma oficina pedagógica.
Enquanto produto de intervenção, a oficina pedagógica, denominada “Introduçãoao
Diálogo Interdisciplinar”, teve como objetivo promover o diálogo entre os docentes com ênfase
na interdisciplinaridade como proposta de intervenção nas práticas pedagógicas do curso de
15
graduação em enfermagem da instituição, fomentando melhorias nos processos educacionais e
de ensino tendo em vista o perfil de formação proposto pelas DCNENF.
Face ao exposto, este Trabalho Acadêmico de Conclusão de Curso - TACC é composto
por um artigo científico intitulado “Interdisciplinaridade na Graduação em Enfermagem:
Perspectiva Docente”, a ser submetido à apreciação em periódico científico e pelo relatório
técnico do produto de intervenção na modalidade de oficina pedagógica intitulado “Introdução
ao Diálogo Interdisciplinar” cuja pretensão foi de possibilitar um ponta-pé inicial para que o
empreendimento interdisciplinar se materialize e se consolide nas práticas pedagógicas do curso
de graduação em enfermagem da instituição em estudo.
16
2
ARTIGO: INTERDISCIPLINARIDADE NA GRADUAÇÃO EM
ENFERMAGEM: PERSPECTIVA DOCENTE.
RESUMO
Tendo em vista o processo de reorientação de formação para o SUS e considerando que o perfil
profissional começa a ser delineado pelas práticas curriculares e pedagógicas do processo de
formação do futuro enfermeiro, este estudo teve como objetivocompreender o exercício da
interdisciplinaridade em um curso de graduação em enfermagem na perspectiva docente. Tratase de um estudo exploratório, com abordagem qualitativa, realizado em um centro universitário
do agreste pernambucano. A pesquisa teve o parecer favorável de n°: 1.483.215, expedido pelo
Comitê de Ética Pesquisa do UNIFAVIP/DeVry. Participaram 15 docentes do curso de
graduação em enfermagem dos módulos teóricos e/ou práticos, sendo os dados coletados
mediante a técnica de grupo focal. Como ferramenta de tratamento dos dados, após a transcrição
na íntegra, procedeu-se com a técnica de análise de conteúdo, a partir da qual, emergiram as
seguintes categorias: concepções sobre interdisciplinaridade; a interdisciplinaridade como
componente da prática; dificuldades ao exercício da interdisciplinaridade; fatores facilitadores
ao exercício da interdisciplinaridade e desafios à interdisciplinaridade. Os resultados do estudo,
possibilitaram uma aproximação com a temática interdisciplinaridade na perspectiva do
docente, vislumbrando concepções, caraterísticas do exercício interdisciplinar, bem com fatores
que influenciam e os desafios para tal prática. Percebe-se que, para a interdisciplinaridade se
estabelecer como práxis de maior intensidade, é preciso repensar e/ou (re)significar: as questões
de natureza organizacionais e administrativas que ainda dificultam tal prática, as limitações
pedagógicas da formação docente, a matriz curricular e o perfil de formação discente, tendo em
vista o mudo do trabalho e o preconizado pelas DCNENF.
Palavras-chave: Educação em Enfermagem. Comunicação Interdisciplinar.Docentes de
Enfermagem. BachareladoemEnfermagem.Docentes.
ABSTRACT
Owing to the process of reorientation of training for the SUS and considering that the
professional profile begins to be delineated by the curricular and pedagogical practices process
training of the future nurse, the aim of this study was to understand the exercise of
interdisciplinarity in a course of nursing degree from a teaching perspective. It is an exploratory
study of a qualitative approach carried out at the University Center of agreste from Pernambuco.
The research was approved under N° 1.483.215 by the UNIFAVIP / DeVry Research Ethics
Committee. Fifteen teachers of the nursing degree course from the theoretical and / or practical
modules have participated, being the data collected through the focal group technique. As a tool
17
for data analysis, after a full transcript, it proceed with the technique of content analysis, from
which, the following categories emerged; conceptions about interdisciplinarity; an
interdisciplinarity as a component of practice; difficulties in the exercise of interdisciplinarity;
facilitators to exercise of interdisciplinarity and challenges to interdisciplinarity. The results of
the study made possible an approach with the interdisciplinary theme in the teacher’s
perspective, glimpsing the conceptions, characteristics of the interdisciplinary exercise, as well
as factors that influence and the challenges for the practice. It is perceived that for an
interdisciplinarity to establish itself as a praxis of greater intensity, it is necessary to rethink and
/ or (re) meaning: the organizational and administrative issues that still hamper such practice,
the pedagogical limitations of teacher training, the curricular matrix and the profile of student
training, in view of the world of work and the one advocated by the DCNENF.
Keyword: Nursing. Education.Interdisciplinary. Communication.NursingTeachers.
BachelorofNursing. Teachers.
2.1
Introdução
A interdisciplinaridade, embora pareça um fenômeno moderno (MINAYO,2010), tem
suas origens marcadas na filosofia grega enquanto se buscava a formação do homem integral
(AZEVEDO; ANDRADE, 2011; GUSDORF, 2006; JAPIASSU, 1976; ZABALA, 2002). Na
década de 1960, toma impulso a partir dos estudos de Gusdorf, Piaget, e outros estudiosos da
temática, sendo alavancada a partir da década de 1970 na área educacional e discutida com
afinco na atualidade (ROJAS et.al., 2014).
No Brasil, a temática tem como precursor Hilton Japiassu (1976) com seu célebre livro
“Interdisciplinaridade e Patologia do Saber”, cuja abordagem objetiva discutir a
interdisciplinaridade como contraponto a concepção cartesiana fragmentária do ser humano.
Destaca-se também os trabalhos de Ivani Fazenda (2001) na mesma linha teórica do autor, a
qual tem sido referenciada como umas das principais pesquisadoras sobre o assunto na
atualidade.
A interdisciplinaridade, enquanto conceito polissêmico, o que vem dificultando um
constructo teórico, tem sido estudada por diversos autores, a exemplo dos supracitados, na
busca de ruptura do modelo tradicional e fragmentado de ensino, com raízes no positivismo que
incentiva a especialização em detrimento da integralidade da assistência, constituindo desde os
aspectos epistemológicos, metodológicos, pedagógicos e práticos (MENEZES; YASUI, 2012).
Para o entendimento do domínio interdisciplinar, é importante compreender algumas
terminologias, para tanto segue algumas definições terminológicas importantes advindas dos
trabalhos de Jantsch (1972apudJAPIASSU, 1976, p.73):
18
Multidisciplinaridade – sistema de um só nível e de objetivos múltiplos;
nenhuma cooperação.
Pluridisciplinaridade – sistema de um só nível e de objetivos múltiplos;
cooperação, mas sem coordenação.
Interdisciplinaridade – sistema de dois níveis e objetivos múltiplos;
caracteriza-se pela intensidade das trocas entre duas ou mais disciplinas.
Transdisciplinaridade– sistema de níveis e objetivos múltiplos; coordenação
com vistas a uma finalidade comum dos sistemas.
Fazenda (2001), autora no qual este estudo ancorou-se, considera a interdisciplinaridade
como uma relação de reciprocidade que pressupõe uma atitude diferente a ser assumida frente
ao problema do conhecimento, ou seja, é a troca de uma concepção fragmentária para unitária
do ser humano. Para a autora, cinco são os princípios que deveriam subsidiar uma prática
docente interdisciplinar: “humildade, coerência, espera, respeito e desapego”, além de
incentivar a parceria como categoria maior desse processo, com ênfase no diálogo e interrelação das disciplinas.
Assim sendo, a interdisciplinaridade evoca o diálogo franco que se encontra nas
fronteiras disciplinares nos campos filosóficos, epistemológicos, pedagógicos, práticos e
metodológicos (SOUZA, 2017).
Para o exercício da interdisciplinaridade, compete refletir sobre integralidade enquanto
diretriz do Sistema Único de Saúde (SUS) e na perspectiva de formação para o SUS como versa
as Diretrizes Curriculares Nacionais dos Cursos de Graduação em Enfermagem (DCNENF), a
qual aborda que a estrutura do curso deverá assegurar que as atividades teóricas e práticas que
permeiam a formação do enfermeiro, presentes desde o início da graduação, aconteçam de
forma integrada e interdisciplinar (BRASIL,2001).
Corroborando com as DCNENF e como forma de compreender a complexidade dos
fenômenos, de reduzir os efeitos danosos dessa fragmentação do saber e oferecer assistência
humanizada, a interdisciplinaridade tem conquistado espaço importantíssimo na sociedade
contemporânea, tanto na área de educação na formação dos profissionais de saúde, como nas
atividades do cotidiano dos serviços de saúde (MINAYO, 2010; MORIN, 2002; ROJAS et al.,
2014, SCHERER, 2013).
Dada a magnitude da temática no contexto de formação do profissional enfermeiro com
perfil condizente aos propostos pelas DCNENF e com vistas à formação para o SUS, a
interdisciplinaridade se constitui em importante objeto de estudo a ser explorado no processo
ensino aprendizagem, tendo em vista à formação de profissionais crítico-reflexivos,
19
possibilitando melhorias nas práticas pedagógicas o que repercutirá na qualidade da assistência
prestada à população (SILVA, et al., 2012).
Assim sendo, à guisa de reorientação do modelo de formação dos profissionais de saúde,
a interdisciplinaridade assume sentido nuclear, se constituindo em um campo profícuo para o
entrelace dos saberes e conhecimentos no processo ensino-aprendizagem em benefício da
coletividade, rompendo saberes isolados e construindo uma arena de saberes inter-relacionados
que consolidam possibilidades de enfrentamento dos problemas de saúde, considerando a
heterogeneidade do processo saúde-doença (FONTOURA, et al., 2014).
Neste sentido, a formação em enfermagem centrada na interdisciplinaridade, traduz-se
numa relação dialógica e não dicotômica, em que os saberes diversos se complementam em
diferentes cenários, relações e interações múltiplas, possibilitando uma concepção
multidimensional, haja vista a complexidade do processo saúde-doença e suas multifaces nos
diversos cenários de atuação do enfermeiro (SILVA, et al., 2013).
Pelo exposto, torna-se relevante conhecer a interdisciplinaridade na graduação em
enfermagem sob a óptica dos docentes, considerando que o perfil profissional começa a ser
delineado pelas práticas curriculares e pedagógicas do processo de formação do futuro
enfermeiro. Para Fazenda (2001), a aplicação pedagógica da interdisciplinaridade centra-se nas
atitudes do professor.
Logo, o presente estudo teve como objetivo compreender o exercício da
interdisciplinaridade em um curso de graduação em enfermagem na perspectiva docente. Para
tanto, buscou-se identificar as concepções sobre interdisciplinaridade na graduação em
enfermagem na visão dos docentes bem como as ações interdisciplinares com seus fatores
facilitadores e dificultadores, além dos desafios no exercício da interdisciplinaridade.
Assim sendo, este se propôs a responder a seguinte pergunta de pesquisa: Como os
docentes do curso de graduação em enfermagem de uma Instituição de Ensino Superior do
Nordeste brasileiro enxergam a interdisciplinaridade no contexto ensino-aprendizagem?
2.2
Percurso Metodológico
No intuito de aproximação com o objeto de pesquisa e de entender a singularidade do
termo “Interdisciplinaridade” na perspectiva docente, realizou-se um estudo exploratório de
abordagem qualitativa. Optou-se pelo método qualitativo em virtude da probabilidade de uma
maior proximidade com o universo dos participantes no tocante à temática ao considerar a
subjetividade das falas dos participantes e a complexidade do tema.
20
A pesquisa teve como cenário, o Centro Universitário do Vale do Ipojuca –
UNIFAVIP/DeVry, localizado no agreste pernambucano. A instituição, inicialmente
denominada de Faculdade do Vale do Ipojuca (FAVIP), iniciou sua trajetória em 2001 e, a partir
de 2012, passou a fazer parte do modelo educacional de um dos maiores grupos de ensino dos
Estados Unidos – o grupo DeVrY, cuja matriz curricular, denominada G5 é utilizada em todas
as graduações em enfermagem pertencentes ao referido grupo no Brasil (UNIFAVIP, 2016).
Participaram do estudo, quinze docentes do curso de graduação em enfermagem dos
módulos teóricos e/ou práticos, selecionados por critérios de conveniência e intencionalidade
em conformidade com os objetivos do estudo, enumerados de acordo com a ordem das falas,
no decorrer da coleta de dados.
Para a seleção dos docentes participantes, foram estabelecidos os seguintes critérios de
inclusão: atuar nos módulos teóricos e/ou práticos do curso de graduação em enfermagem e ter
no mínimo dois anos de atuação no UNIFAVIP/DeVry. Em se tratando dos critérios de
exclusão, estabeleceram-se os seguintes: docentes dos módulos teórico e/ou prático do curso de
graduação em enfermagem que estavam em licença médica ou gestacional.
Os dados primários foram coletados mediante a técnica de grupo focal, realizados em
dois grupos distintos, com tempo de duração de 00:33:40 e 00:58:05, respectivamente,
considerando a disponibilidade dos sujeitos (o primeiro composto por sete participantes e o
segundo por oito). Utilizou-se como referência para os grupos focais, o roteiro proposto por
Backes et al. (2011), atendendo as seguintes etapas: seleção da equipe, convite ao participante
(APÊNDICE A), preenchimento do roteiro de identificação dos sujeitos (APÊNDICE B),
roteiro de discussão com questões norteadoras para alcance do objetivo proposto e aproximação
com a temática estudada aplicadas pelo moderador (APÊNDICE C), condução do grupo e
registro da discussão por meio de gravação.
Para o tratamento dos dados referentes aos grupos focais, após a transcrição na íntegra,
procedeu-se com a técnica de análise de conteúdo (BARDIN, 2011), cujas etapas estabelecidas
consistem em: organização da análise (pré-analise, exploração do material, tratamento dos
resultados obtidos e interpretação), codificação, categorização e inferência. Procedeu-se
também uma análise textual informatizada por meio do software IRAMUTEQ (Interface de R
pourlesAnalysesMultidimensionnelles de Textes et de Questionnaires) para validação das
categorias, vislumbrando aproximações entre as técnicas.
Após a análise de conteúdo correspondente aos grupos focais, emergiram as categorias
temáticas que seguem (APÊNDICE D):
Categoria 1: Concepções sobre interdisciplinaridade.
21
Categoria 2: A prática como indutora da interdisciplinaridade.
Categoria 3: Dificuldades ao exercício da interdisciplinaridade.
Categoria 4: Fatores facilitadores ao exercício da interdisciplinaridade.
Categoria 5: Desafios à interdisciplinaridade.
Os dados foram discutidos à luz da teoria relacionada à temática, com subsídios teóricos
obtidos a partir de pesquisa em bases de dados da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e portal
de periódicos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES),
utilizando-se os respectivos descritores e identificador único: Educação em Enfermagem
(D004506), Comunicação Interdisciplinar (D033183) e Docentes de Enfermagem (D005181),
Bacharelado em Enfermagem (D004508); Docentes (D005178).
Dada a polissemia do termo “Interdisciplinaridade”, este estudo ancorou-se nos
pressupostos teóricos e metodológicos propostos por Fazenda (2001), considerando-a como um
processo dialógico entre as disciplinas e que se estabelece a partir de um trabalho em parcerias,
categoria maior para um empreendimento interdisciplinar.
A participação dos sujeitos deu-se mediante a assinatura do Termo de Consentimento
Livre e Esclarecido – TCLE (APÊNDICE E), havendo pela pesquisa, o parecer favorável n°:
1.483.215 (ANEXO 1), expedido pelo Comitê de Ética Pesquisa em Pesquisa do Centro
Universitário do Vale do Ipojuca, conforme preconiza a Resolução 466/12 do Conselho
Nacional de Saúde, que regulamenta a pesquisa com seres humanos no Brasil.
2.3Resultados e Discussão
A presente pesquisa possibilitou uma aproximação com o universo dos participantes
numa perspectiva de caracterização. Observa-se que os docentes em sua maioria são jovens de
faixa etária situadas entre 25 e 40 anos, com titulação preponderante de mestrado e atuaçãonos
módulos teóricos e práticos do curso, além de possuírem formações diversasnas áreas de
nutrição, ciências biológicas, biomedicina e enfermagem, esta última com maior
representatividade.
Ademais, os resultados deste estudo possibilitaram um vislumbre com a temática
interdisciplinaridade na graduação em enfermagem, conjecturando concepções, caraterísticas
do exercício interdisciplinar, bem como fatores que influenciam e os desafios para tal prática
no âmbito do processo de ensino-aprendizagem na graduação em enfermagem.
A partir da técnica de análise de conteúdo (BARDIN, 2011), emergiram cinco
categorias, sendo denominadas: concepções sobre interdisciplinaridade; a prática como
22
indutora da interdisciplinaridade; dificuldades ao exercício da interdisciplinaridade; fatores
facilitadores ao exercício da interdisciplinaridade e desafios à interdisciplinaridade, as quais
serão apresentadas e discutidas adiante.
A Categoria 1, versasobre as “concepções sobre interdisciplinaridade”. Nela,observamse algumas características que remetem à ideia de integração, junção, diálogo e comunhão,
dentre outros termos que se relacionam ao conceito de interdisciplinaridade, mesmo se tratando
de um termo polissêmico, conforme descrito nas seguintes falas:
Eu acho que a interdisciplinaridade é a integração da disciplinas [...] é fazer
com que o aluno aprenda de forma unificada, integrada. (P2)
Eu acredito que interdisciplinaridade é o diálogo, realmente, entre as
disciplinas que vai proporcionar ao aluno um ensino contextualizado, um
ensino mais significativo. E não a fragmentação, como a maioria das vezes a
gente vê numa prática mais tradicional. Acredito que a interdisciplinaridade
possibilita esse ensino mais ativo e ainda instiga o pensamento críticoreflexivo do aluno. (P3)
Compreendo como uma junção de várias disciplinas com um objetivo
específico. (P8)
É justamente aquilo [...] verificar o que é comum entre duas ou mais
disciplinas. (P9)
Percebe-se que os sujeitos a remetem à ideia de integração, comunhão das diversas
disciplinas, o que impele a possibilidade de aproximações, corroborando com os pressupostos
teóricos no qual este estudo se ancora. No entanto é preciso levar em consideração que o
exercício interdisciplinar requer uma relação constante entre teoria e prática e só assim poderá
superar as dificuldades do processo de formação na perspectiva disciplinar que fragmenta o
conhecimento.
Os achados do estudo corroboram com Azevedo e Andrade (2011), pois afirmam que
os debates sobre a interdisciplinaridade no contexto da educação surgem sempre ligados à
possibilidade de obtenção da unificação, de integração das disciplinas e dos conhecimentos.
Para estes autores, a interdisciplinaridade pode ser entendida como uma atmosfera de diálogo
que se arquiteta entre os saberes especializados.
Fazenda (2001), Machado e Batista (2012) e Souza (2017), reforçam que a
interdisciplinaridade consiste no diálogo entre duas ou mais disciplinas e do encontro entre os
indivíduos. Ressalta-se a importância de uma comunicação dialógica, que pelo uso da
linguagem, da comunicação, estabeleça-se quatro tipo de relações: “relação palavra-mundo”,
“palavra-encontro”, “palavra-ação” e “palavra-valor”, remetendo às dimensões importantes da
23
prática
interdisciplinar
desde
os
aspectos
epistemológicos
à
práxis
cotidiana
(FAZENDA,2001).
Na sociedade contemporânea, a discussão sobre interdisciplinaridade tem conquistado
importante espaço nas instituições de ensino dada a necessidade de compreensão do mundo e
em contraponto à fragmentação do conhecimento (ROJAS, et al., 2014). Assim sendo, a
convivência das disciplinas (interdisciplinaridade) pode ser vista como uma estratégia mais
aberta, dando oportunidade aos sujeitos de construírem novos conceitos com conhecimento e
autonomia, superando os desafios da fragmentação do conhecimento e simplificação
reducionista imposto pelo modelo cartesiano trazido pelo positivismo (MORIN, 2010).
No entanto, para que a interdisciplinaridade se estabeleça, é importante observar que o
diálogodeve se fundar não só entre as disciplinas, mas, sobretudo a partir da relação entre os
diversos atores envolvidos no processo ensino-aprendizagem e com ênfase no estabelecimento
de parcerias, considerando que o empreendimento interdisciplinar é um projeto que se arquiteta
no trabalho colaborativo.
É preciso avançar (além do multi), propondo meios para que o encontro entre os
indivíduos aconteça (para além das disciplinas) de forma mais intensa e que o diálogo
interdisciplinar com seus pressupostos teóricos e metodológicos se estabeleça no processo
ensino-aprendizagem, considerando as multifaces do aprender. Haverá, assim, um estímulo a
uma
formação
mais
crítica
e
significativa,quesupera
os
limites
da
formação
tradicionalecorrobora com processo de reorientação como versa as DCNENF.
Na Categoria 2, que dispõe sobre a “A prática como indutora da interdisciplinaridade”,
os participantes referiram o objeto de estudo como sendo um elemento de forte associação com
as atividades práticas.
Acho que na prática vivencia isso melhor (P4)
[...] Então, quando você consegue juntar e contar numa situação mais prática
que usa vários conhecimentos, eu acho que ele (o aluno) realmente aprende
e memoriza [...] mas na prática [...] o tempo todo, tem a interdisciplinaridade.
(P5)
Na prática a gente vivencia muito isso, porque quando ele chega, vamos
resgatar tudo. (P10)
Isso é bem visível na prática [...](P12)
Porque a prática é muito realista para ele, ele pega um paciente, vê o caso
clínico, vê anatomia e fisiologia do paciente, vê a patologia com todas as
disciplinas que ele pagou, por isso é mais fácil [...] (P13)
24
A partir das falas dos participantes, nota-se uma limitação do exercício da
interdisciplinaridade nos seus aspectos teóricos o que pode estar relacionado à própria formação
docente, muitas vezes pautadas em sua maioria no modelo de ensino tradicional, cartesiano.
Assim sendo, por não terem vivenciado na formação, sentem dificuldades de aplicá-la no
contexto de sala de aula. Por outro lado, dado o dinamismo da prática profissional em
enfermagem nos diversos cenários de atuação, a exigência do interdisciplinar tende a surgir
favorecendo tal práxis.
Para Scherer (2013), a interdisciplinaridade manifesta-se na realização da atividade, a
partir de ações que se estabelecem entre os saberes e práticas. A prática interdisciplinar supõe
que haja uma interrelação entre teoria e prática, corroborando com Fazenda (2007) que defende
que a interdisciplinaridade não é aprendida, mas sim vivida, o que remete aos aspectos práticos
de uma metodologia interdisciplinar. Dito isto, observa-se fortes indícios do uso das
metodologias ativas como ferramentas propulsoras e importantes no processo ensino- aprendizagem de cunho interdisciplinar.
Para tanto, é imprescindível buscar a superação dicotômica entre teoria e prática para
além de um constructo teórico; é preciso atentar que a interdisciplinaridade se consolida como
a práxis de um trabalho coletivo e vinculado a experiências concretas, com metodologias que
consideram a realidade dos sujeitos envolvidos no processo ensino-aprendizagem (MARTINS;
SOLDÁ; PEREIRA,2017).
A práxis deve perpassar a visão fragmentada e descontextualizada, tornando a
aprendizagem mais significativa por meio de processo interacional entre docente e discente
(ROJAS et al., 2014). É preciso, portanto, instituir condições efetivas para a prática
interdisciplinar nas universidades brasileiras (PEREIRA; NASCIMENTO, 2016). Há um
movimento em favor da ruptura de barreiras e paradigmas para uma prática disciplinar
(SOUSA; BOGO; BASTOS, 2013). Porém, precisa-se avançar na firmação desse processo,
com a fomentação de medidas efetivas para que a prática interdisciplinar se difunda e se
constitua elemento importante no processo de formação, considerando, sobretudo, os fatores
que podem interferir para o êxito de tal prática, desde as concepções téorico-metodológicas às
concepções pedagógicas.
Quanto às “Dificuldades ao exercício da interdisciplinaridade” (Categoria 3), os
participantes remetem a problemas inerentes ao discente, bem como para a própria formação
docente dos profissionais de saúde. Ambas, muitas vezes, desprovidas dos aspectos
pedagógicos importantes para o contexto ensino-aprendizagem, além do tempo destinado para
cada disciplina bem como a estrutura curricular da instituição.
25
Eu acredito que o problema é porque a gente enquanto professor não tem
formação, pelo menos algumas pessoas, a gente não tem formação
pedagógica [...] não somos formados pra sermos professores [...] então,
alguns conhecimentos pedagógicos que são necessários, nós não temos. Nós
fomos construindo a nossa prática docente. (P3)
Mas uma coisa que eu acho que atrapalha é tempo. (P5)
[...] A questão do tempo [...] a gente ser limitado a um turno. Porque você
tenta, vamos supor [...] vou pegar um paciente desde a semiologia até [...]
Mas pra isso, vão três aulas (P7)
Eu também concordo com o pessoal, que é o tempo e o quantitativo de alunos
que a gente trabalha. (P3)
Eles (os alunos) dissociam teoria e prática, isso é um grande problema do
currículo disciplinar, fragmenta muito o conhecimento. (P13)
Eu não consigo enxergá-la (a interdisciplinaridade) dentro do currículo um
pouco fragmentado [...] o currículo não dá aos professores, os docentes tanto
da prática quanto da teoria essa integração [...] não existe uma ementa
comum, que junte. (P12)
Historicamente, a formação dos profissionais de saúde deu-se de maneira fragmentada,
motivo pelo qual vem sendo estimulado um movimento de reorientação, adquirindo a
interdisciplinaridade um sentido nuclear frente a esse processo de transformação (MACHADO;
BATISTA, 2012). A formação tradicional pautada na disciplinaridade gera um descompasso
entre o saber e o fazer interdisciplinar (SOUSA; BOGO; BASTOS, 2013). Esta formação
disciplinar acaba por não conseguir dar conta da complexidade dos fenômenos na área da saúde,
o que pode repercutir de forma drástica na formação dos novos/futuros profissionais, gerando
um “ciclo vicioso” de um modelo de formação tradicional, ultrapassado, conteudistaede baixa
resolutividade.
Azevedo e Andrade (2011), ao discutirem o papel da interdisciplinaridade na formação
do professor, enfatizam que, na sala de aula, afora o espaço físico, existem outros elementos
que são constitutivos do processo interdisciplinar, remetendo ao tempo, à disciplina
determinada pela matriz curricular e à avaliação. Tais elementos se configuram como
importantes no contexto da metodologia interdisciplinar, considerando uma construção social
e participativa, assim sendo, é preciso ampliar os diálogos acadêmicos, sem centralizações, um
diálogo que se estabeleça numa relação de reciprocidade (SANTOS; SILVA, 2017).
Na área da saúde, as práticas voltadas para a construção interdisciplinar ainda são
incipientes, demonstrando que há um longo caminho ainda a ser percorrido considerando a
proposta das DCNENF (SOUSA; BOGO; BASTOS, 2013). No entanto, é importante ressaltar
que a carreira desde a formação básica deve ser repensada, considerando que o professor,
26
enquanto mediador do processo ensino-aprendizagem poderá se tornar um facilitador na efetiva
dinâmica do processo interdisciplinar, e diminuir as fragilidades entre teoria e prática e
estimulando o pensamento crítico-reflexivo do aluno, considerando a importância da relação
entre escola e sociedade (SANTOS; SILVA, 2017).
Assim sendo, é preciso repensar de forma colaborativa a formação profissional em
enfermagem, rompendo os paradigmas disciplinares, pois tal formação não consegue dar conta
do assistir o indivíduo em sua complexidade, com abordagem integral e visão crítico-
-
reflexiva, além de refletir um distanciamento do que é preconizado pelas DCNENF, como
modelo de reorientação e formação para o SUS.
Repensar a formação, envolve uma mudança de pensamento e mudança de sentido no
fazer docente, é preciso não só (re) significar as práticas de ensino, mas, sobretudo, criar
subsídios para que ela se estabeleça a contento.Nesse sentido, requer elementos que perpassam
desde a formação, a questão curricular em todos os seus aspectos, objetivos educacionais, perfil
de formação desejável, bem como o sentimento de pertencimento do docente nesse processo,
enquanto mediador, além do protagonismo do discente.
No tocante à Categoria 4, denominada “Fatores facilitadores ao exercício da
interdisciplinaridade”, as unidades de contexto vislumbram para ferramentas que remontam à
estrutura física, bem como ao processo de trabalho e autonomia do docente.
Eu acredito que a biblioteca também é um ambiente que pode ser exercido a
interdisciplinaridade, o nosso cyber espaço, os nossos campos de estágios
[...] são muitos os recursos que contribuem para interdisciplinaridade, na
verdade ela vai ser exercida mediante a mediação do professor. Não basta ter
o recurso, precisa ter a facilitação, a mediação. (P3)
Eu acho que até o próprio laboratório do curso de enfermagem, até o próprio
laboratório já induz a isso [...] É um laboratório onde foram unificadas as
vivências práticas que eram segregadas [...] Quando você entra no
laboratório, tem a vivência da baixa, média e alta complexidade. (P7)
A autonomia do professor. (P8)
Eu acho que a liberdade que a instituição dá pra gente trabalhar nisso. (P10)
Ao observar as falas dos participantes, podemos perceber características que podem ser
consideradas como pontos fortes para uma prática interdisciplinar. Porém, além da estrutura
física, é preciso que o professor cada vez mais se empodere do seu espaço de sala de aula, com
autonomia e dando autonomia, estimulando a parceria, numa constante transformação do fazer
e pensar (AZEVEDO; ANDRADE, 2011).
27
Os cenários físico, estrutural e organizacional do campo de estudo se estabelecem num
campo profícuo para que o empreendimento interdisciplinar aconteça, pois oferece ferramentas
importantes desde a autonomia docente à recursos que podem ser utilizados nas práticas
educacionais interdisciplinares da instituição. Porém, de forma planejada e sistematizada, é
preciso otimizar a utilização dessas ferramentas de ensino tendo em vista os objetivos
educacionais e de formação propostos pelas DCNENF, sem esquecer do processo de formação
permanente dos docentes com vistas a subsidiar tal prática.
Quanto aos “Desafios à interdisciplinaridade”, estabelecidos pela Categoria 5, observase que as unidades de contexto circunscrevem aspectos que vinculam acepções que perpassam
o saber e o saber exercer a interdisciplinaridade, remetendo a elementos conceituais,
metodológicos e estruturais.
Como avaliar a aprendizagem do aluno? (P3)
Eu acho que é justamente, aprender como se faz a interdisciplinaridade, o
conceito dela mesmo, como faz, porque a gente não tem essa vivência de
muitos anos, então é uma coisa quase que recente para a maioria de nós. (P8)
Talvez inclua a mudança do currículo. (P12)
Uma avaliação interdisciplinar deve estar imbuída de (re) significação, devendo ser vista
como um processo contínuo, que não tem um fim em si mesmo com base teórica nos cinco
princípios propostos por Fazenda (2001): Humildade para entender e acolher o erro enquanto
possibilidade do processo ensino-aprendizagem; sabedoria para entender e buscar melhorias
frente à falha do discente, instituindo parceria; coerência entre o que é ensinado e o que é
avaliado; espera, porque os resultados são processuais, o que remete ao tempo de cada aluno;
respeito às singularidades e desapego da forma clássica de avaliação, com fortes influências
culturais.
Azevedo e Andrade (2011) sugerem que ao atuar no processo de formação, os
professores deveriam rever as próprias concepções acerca do conhecimento e suas diversas
interfaces, potencializando por um lado os princípios epistemológicos e metodológicos em si
próprios e, por outro, potencializando tal concepção e prática interdisciplinar de forma a
repercutir na futura atuação docente de nossos alunos. Para Menezes e Yasui (2013), a
superação dos desafios não ocorrerão sem a mister percepção do não saber.
A interdisciplinaridade enquanto mudança de atitude, também deve perpassar pelo
interesse dos docentes que almejam superar as práticas pedagógicas tradicionais (AZAVEDO;
28
ANDRADE,2011). A vontade e o desejo pessoal de ultrapassar tais práticas são pré-requisitos
indispensáveis para que o empreender interdisciplinar aconteça (RAYNAUT, 2014).
Entende-se que o processo de formação é crucial para o exercício da
interdisciplinaridade, considerando que o perfil do futuro profissional começa a ser delineado
na sala de aula a partir das reflexões promovidas na busca do conhecimento. Portanto, é
importante aliar ferramentas que promovam um diálogo entre o ser e o fazer, capaz de formar
profissionais dinâmicos, de alta capacidade para enfrentamento dos problemas da realidade, de
forma crítica e criativa (PEREIRA; NASCIMENTO, 2016).
Destarte, construir uma abordagem interdisciplinar requer um dialogar constante entre
o processo de formação das disciplinas e seus interlocutores (professor e aluno) numa
perspectiva dialógica e relacional, suprimindo o processo de hierarquização e constituindo uma
arena de colaboração, sob a égide da interdisciplinaridade. A convivência das disciplinas
vislumbra para o desenvolvimento de uma visão mais aberta dos fenômenos (ROJAS et al.,
2014).
Superar tais desafios requer não só uma mudança de concepção, uma ruptura de
paradigmas, mas, sobretudo, o reconhecimento do protagonismo docente enquanto sujeito
importante do processo de formação em enfermagem, uma adequação e/ou mudança de
currículo e, quem sabe até, um processo de institucionalização da interdisciplinaridade como
ferramenta balizadora na graduação em enfermagem. Quanto à avaliação, esta deve perpassar
todo o planejamento e considerar o aprendizado construído de forma processual, remetendo a
avaliação do tipo formativa.
2.4Considerações Finais
Conhecer o exercício da interdisciplinaridade na perspectiva do docente é primordial no
contexto em que se insere todo um movimento de reorientação da formação profissional na área
da saúde. É preciso (re)conhecer sob a ótica dos educadores como se estabelece o diálogo entre
as disciplinas, considerando que o processo de formação acaba por delinear as competências e
habilidades dos futuros profissionais.
No cenário em estudo, observa-se que, mesmo diante de uma matriz curricular de
característica disciplinar, ainda que de forma incipiente, a interdisciplinaridade acontece dando
indícios de sua viabilidade no currículo em questão. Porém, para que ela se estabeleça como
práxis de maior intensidade, é preciso repensar e/ou (re)significar: as questões de natureza
organizacionais e administrativas que ainda dificultam tal prática, as limitações pedagógicas da
29
formação docente, a matriz curricular e o perfil de formação discente, tendo em vista o mudo
do trabalho e o que versa as DCNENF.
Os desafios são inúmeros, no entanto, ao considerar os fatores facilitadores, os
resultados do estudo vislumbram para um campo profícuo e uma arena favorável à
interdisciplinaridade. Para tal, carece de um exercício compartilhado que envolva, os docentes,
discentes, coordenação do curso e gestão da instituição. É preciso estimular e intensificar o
diálogo não só entre as disciplinas, mas também entre os sujeitos envolvidos no processo, é
necessário um trabalho em parceria.
Assim sendo, é imperativo repensar o modo de ensinar e os processos de ensino-
-
aprendizagem numa perspectiva dialógica, em que os saberes especializados se intersectem nos
pontos de congruência das disciplinas e superem as fronteiras marcadas por um processo sóciohistórico com ranço positivista.
É preciso avançar de uma discussão que se detém à conceituação sobre
interdisciplinaridade (considerando que se trata de um termo polissêmico) para a constituição
de uma metodologia que vislumbre para um movimento de construção interdisciplinar enquanto
prática pedagógica, ou seja, é preciso um movimento que perpasse da epistemologia. Da busca
de um conceito para a práxis cotidiana.
Destarte, ao considerar a magnitude da temática interdisciplinaridade no contexto da
formação profissional em saúde e vastidão de sua aplicabilidade, sobretudo na formação em
enfermagem, outros aspectos carecem e devem ser investigados, conjecturando a possibilidade
de novos estudos com relação ao tema.
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SOUSA, I.F.; BOGO, D.; BASTOS, P.R.H.O. Formação interdisciplinar para atuação no
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p. 49-59, 2013. Disponível em:
<http://www.uesb.br/revista/rsc/ojs/index.php/rsc/article/view/185/220. Acesso em: 21 jun.
2017.
SOUZA, F.C. Estudos sobre a interdisciplinaridade: ritual da ciência ou ciência do ritual?
Informação & Sociedade: Estudos, João Pessoa. v.27, n.1, p.59-68, jan./abr., 2017.
Disponível em: http://www.ies.ufpb.br/ojs/index.php/ies/article/view/32494 Acesso em: 22
jun. 2017.
ZABALA, A. Enfoque globalizador e pensamento complexo: uma proposta para o
currículo escolar. Porto Alegre: Artmed,2002.
32
3
RELATÓRIO TÉCNICO DA OFICINA PEDAGÓGICA
UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
FACULDADE DE MEDICINA
MESTRADO PROFISSIONAL EM ENSINO NA SAÚDE
RELATÓRIO TÉCNICO
OFICINA PEDAGÓGICA: INTRODUÇÃO AO DIALÓGO INTERDISCIPLINAR
MACEIÓ – AL
2017
33
“O diálogo cria base para colaboração”.
Paulo Freire
34
SUMÁRIO
3.1
Introdução
35
3.2
A Oficina Pedagógica
37
3.2.1
Justificativa
37
3.2.2
Objetivos
37
3.2.3
Etapas de Execução
37
3.2.3.1
Etapa A – Pré-execução
38
3.2.3.2
Etapa B – Execução
41
3.2.3.3
Etapa C – Pós - execução
45
3.3
Avaliação
45
3.4
Considerações Finais
46
REFERÊNCIAS
47
35
3.1
Introdução
O relatório técnico em tela tem a finalidade de apresentar os resultados da Oficina
Pedagógica: Introdução ao Diálogo Interdisciplinar. Oficina esta elaborada como produto de
intervenção da pesquisa intitulada “Interdisciplinaridade na Graduação em Enfermagem:
Perspectiva Docente”, realizada no ambiente de formação do Programa de Pós – Graduação do
Mestrado Profissional em Ensino na Saúde da Faculdade de Medicina – FAMED, da
Universidade Federal de Alagoas – UFAL.
A oficina foi delineada levando-se em consideração os resultados da pesquisa, que
vislumbraram para a necessidade de uma ação planejada, compartilhada e dialógica entre os
diversos docentes e com ênfase na parceria, considerando as multifaces do processo ensino-
-
aprendizagem e com vistas ao perfil de formação crítico-reflexivo aclarado pelas DCNENF
(BRASIL, 2001).
Vieira e Volquind (2002) ressaltam que a oficina consiste em um instrumento útil para
a reflexão-ação e relação teoria-prática e se destaca por ser uma forma de ensinar e aprender
coletivamente, promovendo a investigação, combinando o trabalho individual com a tarefa
socializadora e permitindo um repensar da atividade cotidiana.
Destarte, as oficinas pedagógicas fomentam a co-responsabilização pelas decisões e
direcionamentos tomados, elemento essencial para o caráter dialógico do empreendimento
interdisciplinar, refletindo que nessa conjuntura não existe saber mais importante, mas,
sobretudo, saberes diferentes de mesmo valor e importância dentro do processo de formação do
discente (NASCIMENTO, et al., 2007).
Partimos do pressuposto de que o empreendimento interdisciplinar se estabelece a partir
das acepções sobre a temática e, sobretudo, no processo dialógico que envolve as diversas
disciplinas e seus interlocutores no processo ensino-aprendizagem. Assim sendo, o diálogo
entre os docentes seria o ponta-pé inicial para o exercício da interdisciplinaridade nas práticas
pedagógicas da instituição.
Pelo exposto, no curso de graduação em enfermagem, a temática interdisciplinaridade
assume aspecto nuclear, dada a complexidade do assistir o indivíduo, família e comunidade no
contexto de saúde e doença nos diversos níveis de atenção no contexto do SUS e em
consonância com o perfil de formação proposto pelas DCNENF (BRASIL, 2001; SILVA, et
al., 2012).
36
Vale ressaltar que o Projeto Pedagógico do Curso – PPC da referida instituição faz
menções ao termo “interdisciplinaridade” sem, no entanto, promover no cotidiano ações
efetivas para que de fato ela se estabeleça no contexto ensino-aprendizagem. Desta forma,
causa-secerto distanciamento do que é preconizado a partir das DCNENF, tendo em vista a
formação generalista do profissional enfermeiro.
Para a literatura, a interdisciplinaridade é um conceito polissêmico evocando vários
sentidos e tem sido discutida e estimulada para o enfrentamento da formação fragmentada na
área da saúde numa tentativa de superação aos limites impostos pelo positivismo que prima
pela especialização (GATTÁS, 2005; MENEZES; YASUI, 2012; SCHERER, 2013; ROJAS et
al., 2014).
Entende-se por interdisciplinaridade, o diálogo entre duas ou mais disciplinas em um
regime de interação e co-propriedade, que envolve reciprocidade, o que impele a troca e
parcerias na busca da construção de conhecimentos sólidos e significativos que ultrapassem as
fronteiras entre as disciplinas repercutindo numa melhor formação (FAZENDA, 2001, 2007).
Assim sendo, considerando que a interdisciplinaridade é um projeto que envolve
parceria (FAZENDA,2007), destaca-se os parceiros envolvidos na Oficina Pedagógica:
Introdução ao Diálogo Interdisciplinar, a saber: a coordenação do curso, o Núcleo Docente
Estruturante e os docentes dos módulos teóricos e práticos do curso de graduação em
enfermagem do UNIFAVIP/DeVry.
37
3.2 A OFICINA PEDAGÓGICA
3.2.1 Justificativa
Os resultados da pesquisa “Interdisciplinaridade na graduação em enfermagem:
perspectiva docente” vislumbraram para a necessidade de um trabalho coletivo que partisse,
inicialmente, de um aclaramento conceitual sobre interdisciplinaridade. Fato este observado a
partir das concepções trazidas com a Categoria 1, dos resultados da pesquisa, que versa sobre
as “Concepções sobre interdisciplinaridade”. O estudo também apontou para a necessidade do
trabalho interdisciplinar nas vivências pedagógicas do curso, mesmo diante dos limites
disciplinares impostos pelo modelo curricular adotado pela instituição, observados a partir das
Categorias 3, 4 e 5, denominadas “Dificuldades ao exercício da interdisciplinaridade”, “Fatores
facilitadores ao exercício da interdisciplinaridade” e “Desafios à interdisciplinaridade”,
respectivamente, justificando o produto de intervenção proposto.
3.2.2 Objetivos
Apresentar os resultados da pesquisa “Interdisciplinaridade na graduação em
enfermagem: perspectiva docente”;
Realizar reflexão teórica de nivelamento conceitual contemplando os conceitos de
disciplinaridade,
multidisciplinaridade,
pluridisciplinaridade,
interdisciplinaridade
e
transdisciplinaridade;
Promover o diálogo entre os docentes com ênfase na interdisciplinaridade como
proposta de intervenção nas práticas pedagógicas;
Estabelecer atividades interdisciplinares para implementação ao longo do semestre
letivo;
Socializar as propostas de atividades interdisciplinares construídas ao longo da oficina;
Encaminhar relatório técnico a coordenação do curso para acompanhamento das
atividades propostas e NDE.
3.2.3 Etapas de Execução
38
A oficina ocorreu junto às atividades do encontro pedagógico do semestre 2017.2 do
curso de graduação em enfermagem do Centro Universitário do Vale do Ipojuca –
UNIFAVIP/DeVry. Tal atividade ocorreu no dia 03/08/17 no horário das 16: 00 às 20:00 horas
em diversas salas do Bloco B da referida instituição obedecendo as seguintes etapas:
3.2.3.1 Etapa A - Pré-Execução
1.
Previamente, fora apresentado o projeto da oficina pedagógica (APÊNDICE F) à
coordenação do curso e solicitação de inclusão da atividade no cronograma do encontro
pedagógico;
2.
Diante da apresentação do projeto à coordenação do curso, que compartilhou com o
NDE, foi sugerido a criação de eixos temáticos para o trabalho inicial com o grupo de docentes;
3.
Preparação dos materiais da oficina pedagógica – tarjas para identificação dos eixos
temáticos e divisão dos grupos (APÊNDICE G), etiquetas das salas (APÊNDICE H), impresso
para elenco das propostas interdisciplinares por eixos (APÊNDICE I) e ata de participação
(APÊNDICE J);
4.
Criação dos Eixos Temáticos a partir da matriz curricular e tomando como referência as
DCNENF, como proposta do Núcleo Docente Estruturante – NDE, mediante apresentação do
projeto pela coordenação.
Considerando as DCNENF e a matriz curricular e conforme recomendação do NDE,
foram criados os seguintes eixos e subeixos a partir de estudo prévio realizado pelo pesquisador
sendo aprovados pela coordenação:
QUADRO 1 - EIXO I – CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E DA SAÚDE
PERÍODOS
1º
DISCIPLINAS
Anatomia Humana Geral
Citologia, Histologia e Embriologia
Bioquímica
Fisiologia Humana
2º
Imunologia
3º
Microbiologia
Fisiologia Humana Aplicada
Parasitologia
39
Patologia Humana
4º
Farmacologia
6º
Farmacologia e Exames Complementares Aplicados à Enfermagem
7º
Nutrição e Dietética
Fonte: Autor, 2017.
QUADRO 2 - EIXO II – CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS
PERÍODOS
DISCIPLINAS
1º
Fundamentos da Saúde Humana
2º
Ciências Humanas e Sociais
3º
Língua Portuguesa
5º
Psicologia Geral
6º
Humanização em Saúde
9º
Práticas Integrativas e Complementares
Fonte: Autor, 2017.
EIXO III – CIÊNCIAS DA ENFERMAGEM
QUADRO 3 - EIXO III A – FUNDAMENTOS DE ENFERMAGEM
PERÍODOS
DISCIPLINAS
3º
Metodologia da Prática de Enfermagem
4º
Fundamentos de Semiologia e Semiotécnica
Procedimentos Básicos de Enfermagem
5º
Semiologia e Semiotécnica Aplicada
Fonte: Autor, 2017.
QUADRO 4 - EIXO III B – ENFERMAGEM EM CLÍNICA GERAL E CIRÚRGICA
PERÍODOS
5º
DISCIPLINAS
Enfermagem em Centro Cirúrgico e Central de Material
Enfermagem em Clínica Geral e Cirúrgica Básica
6º
Fonte: Autor, 2017.
Enfermagem em Clínica Geral e Cirúrgica Aplicada
40
QUADRO 5 - EIXO III C – ENFERMAGEM NA ASSISTÊNCIA À MULHER, À CRIANÇA E
AO ADOLESCENTE
PERÍODOS
6º
DISCIPLINAS
Enfermagem em Saúde da Mulher
Enfermagem em Saúde da Criança e Adolescente
7º
Enfermagem em Saúde Sexual e Reprodutiva
Fonte: Autor, 2017.
QUADRO 6 - EIXO III D – ENFERMAGEM NA ASSISTÊNCIA AO ADULTO E AO IDOSO
PERÍODOS
DISCIPLINAS
7º
Enfermagem em Saúde Mental
8º
Enfermagem em Saúde do Homem
Enfermagem em Saúde do Idoso
Enfermagem em Oncologia
9º
Saúde do Trabalhador
Fonte: Autor, 2017.
QUADRO 7 - EIXO III E – VIGILÂNCIA EM SAÚDE
PERÍODOS
2º
DISCIPLINAS
Bioestatística
Epidemiologia
5º
Saúde Coletiva
6º
Processo de Trabalho em Saúde Coletiva
7º
Enfermagem em Saúde Coletiva
9º
Saúde Ambiental
Fonte: Autor, 2017.
QUADRO 8 - EIXO III F – ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM AO PACIENTE CRÍTICO
PERÍODOS
DISCIPLINAS
7º
Técnicas de Socorros Urgentes e Estudos em Acidentes e Violências
8º
Enfermagem em Unidade de Terapia Intensiva
Fonte: Autor, 2017.
41
QUADRO 9 - EIXO III G – ÉTICA, ENSINO, PESQUISA, GESTÃO E GERENCIAMENTO
PERÍODOS
4º
DISCIPLINAS
Ética e Legislação em Enfermagem
Metodologia da Pesquisa
8º
Informática Aplicada a Saúde
9º
Educação em Saúde
10º
Administração em Enfermagem
Auditoria em Saúde
Gestão de Sistemas e Serviços de Saúde
Carreira, Liderança e Trabalho em Equipe
Metodologia do Ensino da Enfermagem
Fonte: Autor, 2017.
3.2.3.2 Etapa B – Execução
Participaram da oficina, 30 docentes dos módulos teóricos e/ou práticos do curso de
graduação em enfermagem das diversas disciplinas, dentre eles, inclusive, os docentes que
compõem o Núcleo Docente Estruturante – NDE. A coordenadora do curso auxiliou na
condução das atividades juntamente com o pesquisador.
Ao chegarem à sala, era entregue uma tarjeta de identificação do respectivo eixo
considerando as disciplinas lecionadas, como forma de facilitar a divisão dos grupos
posteriormente, vale ressaltar que em cada sala havia a identificação dos eixos temáticos,
facilitando o direcionamento.
Assim sendo, o momento da oficina desenvolveu-se obedecendo às seguintes etapas:
Acolhimento do grupo e entrega das tarjas de identificação dos eixos temáticos;
Apresentação dos resultados da pesquisa;
Reflexão teórica de nivelamento conceitual proposta pelo autor do trabalho acerca das
concepções
sobre
disciplinaridade,
multidisciplinaridade,
interdisciplinaridade e transdisciplinaridade;
Coffee break;
Divisão dos grupos por eixos temáticos;
pluridisciplinaridade,
42
Entrega do impresso para listagem das propostas interdisciplinares por eixo e possíveis
parcerias;
Disponibilização das ementas impressas de cada disciplina pertencente ao eixo para que
os integrantes do grupo observassem as possíveis aproximações temáticas;
Trabalho em grupo para definição de atividades interdisciplinares e possíveis parcerias;
Tempo para discussão e formulação das propostas;
Socialização das propostas elencadas por cada eixo junto ao grande grupo e resposta à
pergunta lançada ao final de cada apresentação: É possível instituir tais atividades no curso de
graduação em enfermagem do UNIFAVIP/DeVry?
Feedback verbal de avaliação da atividade pelos docentes.
Agradecimentos e encerramento.
Após o tempo de discussão nos eixos e subeixos e elaboração das propostas, cada grupo
apresentou-as para o grande grupo correspondendo às atividades descritas adiante.
PROPOSTAS INTERDISCIPLINARES SUGERIDAS PELOS DOCENTES DOS
DIVERSOS EIXO E POSSÍVEIS PARCERIAS
QUADRO 10 - EIXO I – CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E DA SAÚDE
ATIVIDADE (S) PROPOSTA (S)
Casos Clínicos.
PARCERIA (S)
Anatomia,
fisiologia,
patologia
e
farmacologia.
Intervenção em comunidades no controle de infecções do trato
Microbiologia, imunologia e parasitologia.
gastrointestinal.
Visita técnica aos laboratórios de anatomia e patologia da UFPE, com
Citologia/histologia, anatomia e fisiologia.
discussão e comparação do tecido/órgão normal e danificado.
Intervenções em emergência.
Fisiologia,
farmacologia
e
exames
complementares.
Projeto de Extensão: Abordagem da Síndrome Metabólica (envolvendo
Fisiologia,
imunologia,
outros cursos com abordagem interdisciplinar e multiprofissional
patologia,
exames
/interprofissional).
bioquímica, nutrição e dietética.
Fonte: Autor,2017.
QUADRO 11- EIXO II – CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS
Fonte: Autor, 2017.
farmacologia,
complementares,
43
ATIVIDADE (S) PROPOSTA (S)
PARCERIA (S)
Atividade prática em locais diversificados (hospitais, albergues,
Professores, alunos, profissionais e comunidade.
Estratégia de Saúde da Família - ESF, instituições e lares para pessoas
idosas, creches, etc.) – Apresentação posterior em sala de aula de um
relato/estudo de caso que contemple ações específicas de sua formação
diante da realidade encontrada.
QUADRO 12 - EIXO III A – FUNDAMENTOS DE ENFERMAGEM
Fonte: Autor, 2017.
ATIVIDADE (S) PROPOSTA (S)
PARCERIA (S)
Associação teórico-prática e estudos de casos.
Professores da teoria e prática.
Ensino Clínico.
Professores da teoria e prática.
Reorganização das disciplinas.
Professores teóricos.
QUADRO 13 - EIXO III B – ENFERMAGEM EM CLÍNICA GERAL E CIRÚRGICA
Fonte: Autor, 2017.
Avaliação prática (simulação).
Professores das diversas disciplinas.
ATIVIDADE (S) PROPOSTA (S)
Casos clínicos comuns às disciplinas.
PARCERIA (S)
Professores das diversas disciplinas.
QUADRO 14 - EIXO III C – ENFERMAGEM NA ASSISTÊNCIA À MULHER, À CRIANÇA
E AO ADOLESCENTE
Fonte: Autor, 2017.
ATIVIDADE (S) PROPOSTA (S)
PARCERIA (S)
Aprendizagem Baseada em Problemas – ABP – prevenção do CA de
Atenção primária a saúde, saúde coletiva,
colo de útero e mama (estudo de casos clínicos).
secretaria municipal de saúde, Turbo Health e
professores.
Aprendizagem com pesquisa – Morbimortalidade infantil e materna.
Epidemiologia,
bioestatística,
informática
aplicada a saúde, saúde da mulher e saúde da
criança.
44
Visita Técnica ao Programa Nacional de Imunização (PNI).
Saúde da mulher, criança, adolescente e adulto.
Visita Técnica à Casa de Apoio à Gestante.
Disciplina de humanização, práticas integrativas e
complementares, saúde da mulher, saúde da
criança e saúde sexual e reprodutiva.
QUADRO 15 - EIXO III D – ENFERMAGEM NA ASSISTÊNCIA AO ADULTO E AO IDOSO
Fonte: Autor, 2017.
ATIVIDADE (S) PROPOSTA (S)
Projeto de Extensão voltado à saúde do homem – Promoção da Saúde
PARCERIA (S)
UNIFAVIP
do Homem: saúde corporal, social e mental.
Consulta de Enfermagem aos colaboradores homens do UNIFAVIP
Professores e monitores.
(25-60 anos).
Eventos de preparação para a terceira idade.
Centro de Referência de Assistência Social CRAS, UNIFAVIP e professores de psicologia.
Prevenção de riscos às Doenças Crônicas Não Transmissíveis -
Empresas parceiras, curso de educação física, etc.
DCNT.
Atendimento individual.
Coordenadoria de Apoio e Suporte ao Aluno CASA
Dia da prevenção (Oncologia) – Ação Social
- Áreas: Renal, pulmonar, etc.
Empresas parceiras de médio e grande porte,
consultas especializadas e direcionamento às
necessidades.
Dia da prevenção: alcoolismo, acidentes de trabalho, acidentes de
trânsito.
Incentivo à pesquisa.
QUADRO 16 - EIXO III E – VIGILÂNCIA EM SAÚDE
Fonte: Autor, 2017.
UNIFAVIP (Revista Veredas).
45
ATIVIDADE (S) PROPOSTA (S)
Visita Técnica.
PARCERIA (S)
Secretarias municipais e estadual de saúde,
companhia de tratamento da água, Unidades de
Saúde e Associação Protetora de Meio Ambiente ASPROMA
Oficina em laboratório de informática.
Instituição de Ensino Superior – IES e professores.
Análise Situacional.
Secretarias municipais.
Elaboração de maquete de mapa de risco de áreas.
Unidade Básica de Saúde – UBS.
QUADRO 17 - EIXO III F – ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM AO PACIENTE CRÍTICO
Fonte: Autor, 2017.
ATIVIDADE (S) PROPOSTA (S)
PARCERIA (S)
Vivência prática do Atendimento Pré-Hospitalar ou Visita Técnica.
Serviço de Atendimento Móvel de Urgência –
SAMU e corpo de bombeiros.
Alinhamento de literaturas entre as disciplinas.
Professores teoria e prática.
Estratégias de resgate de conteúdos teórico-práticos.
Professores teoria, prática e monitores.
Alinhar abordagem de Parda Cardiorrespiratória - PCR e
Professores teoria das disciplinas de emergência e
Reanimação Cardiopulmonar - RCP.
UTI.
QUADRO 18 - EIXO III G – ÉTICA, ENSINO, PESQUISA, GESTÃO E GERENCIAMENTO
Fonte: Autor, 2017.
ATIVIDADE (S) PROPOSTA (S)
PARCERIA (S)
Aprendizagem Baseada em Problemas – ABP/ Saúde Baseada em
Educação em saúde, metodologia da pesquisa, ética,
Evidência.
informática e demais disciplinas teóricas e práticas.
Elaboração e apresentação de trabalho que contemple a escrita
Educação em saúde, metodologia da pesquisa, ética
acadêmica versus a escrita popular.
e informática.
Prática no laboratório de informática (Plataforma Brasil).
Educação em saúde, metodologia da pesquisa, ética
e informática.
Clube de revista.
Educação em saúde, metodologia da pesquisa, ética
e informática e demais disciplinas teórico-práticas.
46
Boletim epidemiológico e sala de situação utilizando os Sistemas
Educação em saúde, metodologia da pesquisa, ética,
de Informação em Saúde (SIS).
informática, saúde coletiva e epidemiologia.
3.2.3.3 Etapa C - Pós-Execução:
Encaminhamento das propostas por eixos temáticos para a coordenação do curso para
acompanhamento das atividades juntamente com o NDE;
Elaboração do Relatório Técnico da Oficina Pedagógica: Introdução ao Diálogo
Interdisciplinar.
3.3Avaliação
A avaliação da atividade deu-se de forma aberta e espontânea ao final da atividade
quando o pesquisador solicitou que os participantes dessem um feedback da proposta da oficina.
Na ocasião, os mesmos verbalizaram o quão importante foi a atividade para as práticas
pedagógicas do curso, bem como demonstraram disponibilidade para implementação das
atividades interdisciplinares propostas. Alguns, inclusive, demonstraram nas redes sociais o
quão importante foi a atividade para a prática docente do grupo.
Vale ressaltar que ao final da socialização das propostas por eixos, o pesquisador
lançava a seguinte pergunta: É possível instituir tais atividades no curso de graduação em
enfermagem do UNIFAVIP/DeVry? A pergunta serviu para reforçar uma reflexão a partir das
propostas e obteve-se resposta “sim” em todos os eixos.
3.4
Considerações Finais
Considerando os resultados da pesquisa, a Oficina Pedagógica: Introdução ao Diálogo
Interdisciplinar, torna-se um relevante produto de intervenção, configurando-se numa estratégia
inicial de (re) significação das práticas pedagógicas do curso de graduação em enfermagem no
tocante à temática interdisciplinaridade.
A proposta da oficina advém dos resultados da pesquisa, sobretudo das categorias
emergidas a partir da fala dos participantes que configuravam de um modo geral, um campo
profícuo para o exercício da interdisciplinaridade no curso de graduação em enfermagem do
UNIFAVIP/DeVry.
47
A expectativa inicial era de que a atividade promovesse a consolidação dos conceitos
relacionados à interdisciplinaridade na perspectiva docente, fomentando possíveis
desdobramentos de práticas interdisciplinares a serem instituídas na práxis cotidiana, com
ênfase no diálogo, na interrelação das disciplinas e buscando parcerias no âmbito do processo
ensino-aprendizagem, com vistas ao rompimento da formação fragmentada disciplinar.
Percebe-se que os objetivos da oficina foram alcançados. Poder-se-ia dizer que
superados, dada a magnitude da proposta como elemento desencadeador de um processo
contínuo e permanente de mudança na perspectiva institucional, considerando as práticas
pedagógicas do curso de graduação em enfermagem.
Havia também a intencionalidade de que os docentes se sensibilizassem para o
empreendimento interdisciplinar como mecanismo de (re) significação do processo ensino-
-
aprendizagem considerando seus diversos interlocutores (docentes, discentes, coordenação de
curso, coordenação geral, etc.), bem como um processo de institucionalização de tal prática.
Como fator limitante, destaca-se a ausência de alguns professores, dificultando o
diálogo amplo e que envolvesse todas as disciplinas por eixo, no entanto, considerando que a
interdisciplinaridade se estabelece pela intensidade das trocas entre duas ou mais disciplinas,
cada eixo teve representação de pelo menos duas disciplinas e, à medida que foram
disponibilizadas as ementas, facilitou o processo.
Destaca-se a disponibilidade dos professores em participar da atividade, demonstrando
interesse pela proposta, sendo verdadeiros parceiros no processo, bem como a parceria
imprescindível da coordenação do curso, desde a etapa de pré à pós-execução da oficina. Isso
veio a contribuir para o sucesso da atividade com manifestações positivas, inclusive nas redes
sociais.
O feedback dos docentes, ao final da oficina, veio a confirmar o quão importante foi a
proposta dentro do encontro pedagógico do curso, pois possibilitou o diálogo interdisciplinar
inicial e descortinou possibilidades para que o empreendimento interdisciplinar aconteça
efetivamente a partir do semestre vigente, corroborando para o perfil de formação proposto
pelas DCNENF.
Assim, espera-se que, à medida que tais propostas forem sendo colocadas em prática,
consigamos melhorar as práticas pedagógicas do curso o que repercutirá numa melhor formação
dos discentes e melhor qualidade da assistência prestada à população, tendo como cerne, deste
processo, a interdisciplinaridade.
48
REFERÊNCIAS
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Superior. Resolução CNE/CES de 7 de novembro de 2001. Institui Diretrizes Curriculares
Nacionais do Curso de Graduação em Enfermagem. Diário Oficial [da] República
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<http://portal.mec.gov.br/cne/arquivos/pdf/CES03.pdf>. Acesso em: 29 dez. 2015.
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do Curso – PPC.Caruaru, 2014.
FAZENDA, I. C. A. (Org.) Dicionário em construção: interdisciplinaridade. São Paulo:
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SCHERER, M. D. A.; PIRES, D. E. P.; JEAN, R. A construção da interdisciplinaridade no
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Acesso em: 21 jun. 2017.
VIEIRA, E.; VOLQUIND, L. Oficinas de ensino? O quê? Por quê? Como? 4. ed. Porto
Alegre: EDIPUCRS, 2002.
49
4
CONCLUSÃO GERAL
A trajetória do mestrado representou para mim um divisor de águas enquanto ser
humano, enfermeiro e, sobretudo, como docente. Trabalhar com o tema interdisciplinaridade é
apaixonante e, mesmo diante da polissemia do termo, é um permitir-se reencontrar
constantemente com os desafios do processo ensino-aprendizagem. Nessa perspectiva,
favorece-seà quebra de paradigmas estabelecidos pelas fronteiras disciplinares da formação
tradicional.
No cenário em estudo, a pesquisa possibilitou identificar as concepções sobre a
interdisciplinaridade na graduação em enfermagem sob a óptica dos docentes, com seus fatores
facilitadores e dificultadores, além dos desafios ao exercício da interdisciplinaridade,
vislumbrando para elementos que permeiam desde a formação docente, a matriz curricular,
dentre outros fatores. Conhecer esses elementos foi imprescindível para as proposições
advindas do produto de intervenção, configurando-se o eixo norteador dos desdobramentos da
pesquisa e mudança de paradigma na instituição.
Considero que tão quão importante foi a pesquisa, enquanto subsídio científico para
compreensão do fenômeno interdisciplinaridade na graduação em enfermagem, o produto de
intervenção merece destaque, considerando os seus desdobramentos.
Com ele, foi possível avançar nos pressupostos de uma abordagem interdisciplinar
enquanto prática pedagógica a partir de seus elementos importantes: o diálogo entre os
docentes, o engajamento, a cooperação, a disponibilidade em conhecer os limites disciplinares
e, acima de tudo, o trabalho colaborativo em saúde enquanto função precípua da academia.
Perceber o quanto este trabalho mudou a característica de um grupo e o quanto isso pode
repercutir de forma significativa na formação profissional dos nossos discentes foi, sem
dúvidas, a maior recompensa que este feito poderia ter. Afinal, nem sempre é fácil lidar com o
“novo”, pois requer o sair da zona de conforto e isso, às vezes, causa repulsa. Porém, em se
tratando da proposta da oficina enquanto produto, vale ressaltar que os docentes em geral se
demonstraram verdadeiros parceiros, pois reconheceram a importância da interdisciplinaridade
na formação em enfermagem e se engajaram de forma muito expressiva durante as atividades.
Deixa-me ainda mais satisfeito, perceber que a semente plantada pela oficina já
começou a germinar frutos, pois algumas propostas já começaram a ser instituídas, a exemplo
do projeto interdisciplinar das atividades dos estágios supervisionados, do grupo de extensão
em abordagem das síndromes metabólicas, sem contar as cobranças dos docentes por mais
momentos como o da oficina nas atividades pedagógicas da instituição.
50
Enfim, este trabalho aponta para a importância da interdisciplinaridade no âmbito da
formação em enfermagem, enquanto prerrogativa para lidar com a complexidade do cuidado
em saúde, bem como descortinou, a partir do produto de intervenção, possibilidades para que o
empreendimento interdisciplinar aconteça de maneira factível e processual.
Agora, esperar que a semente continue germinando e que os frutos colhidos adiante se
configurem numa melhor formação em enfermagem o que repercutirá numa melhor assistência
prestada a população tendo a interdisciplinaridade como cerne desse processo de reorientação
da formação como versa as DCNENF.
51
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Alegre: EDIPUCRS, 2002.
ZABALA, A. Enfoque globalizador e pensamento complexo: uma proposta para o
currículo escolar. Porto Alegre: Artmed,2002.
54
APÊNDICES
APÊNDICE A - Convite para Participação na Pesquisa
Você está sendo convidado a participar da pesquisa “A interdisciplinaridade na
perspectiva docente na graduação em enfermagem”. A mesma será realizada sob a
responsabilidade dos pesquisadores Maria de Lourdes Fonseca Vieira e Gidelson Gabriel
Gomes. Para sua efetivação, a coleta de dados dar-se-á através da técnica de Grupo Focal no
local e horário abaixo:
Local: ________________________________________________________________
Horário:_______________________________________________________________
Vale ressaltar que a referida pesquisa obedece aos preceitos ético-legais da Resolução
466/12 do Conselho Nacional de Saúde, tendo sido aprovada mediante protocolo
Nº__________, do Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) do ______________________.
Para participação, será necessária a sua confirmação de presença no local e horário
supracitado para a coleta de dados, bem como a assinatura do TCLE.
Confirmação de Presença para a Coleta de Dados
Eu,
___________________________________________________________________,
confirmo presença para participação do grupo focal da pesquisa “A interdisciplinaridade na
perspectiva docente na graduação em enfermagem”, sob a responsabilidade dos
pesquisadores Maria de Lourdes Fonseca Vieira e Gidelson Gabriel Gomes, nos local e horário
estabelecido.
Caruaru, _____/_____/_______.
______________________________________
Assinatura do Participante
55
APÊNDICE B - Instrumento de Caracterização dos Participantes
A INTERDISCIPLINARIDADE NA PERSPECTIVA DOCENTE NA GRADUAÇÃO EM
ENFERMAGEM
CARACTERIZAÇÃO DOS PARTICIPANTES
P1 (Participante1)
Idade:________.
Gênero:____________.
Formação Acadêmica (Graduação):_________________________________________________________.
Formação Complementar:_________________________________________________________________
______________________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________________.
Tempo de docência:__________________________________________.
Tempo de docência na instituição:__________________________________________.
Disciplina (s) que leciona na Graduação em Enfermagem: _______________________________________
______________________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________________.
Módulo que leciona: ( ) Teórico
( ) Prático
( ) Teórico-prático
56
APÊNDICE C - ROTEIRO DE CONSTRUÇÃO DOS DADOS – GRUPO FOCAL
A INTERDISCIPLINARIDADE NA PERSPECTIVA DOCENTE NA GRADUAÇÃO EM
ENFERMAGEM
GRUPO FOCAL
Roteiro de execução
Acolhimento;
Explicação do objetivo da pesquisa e da técnica utilizada (Grupo Focal);
Autopreenchimento do questionário de caracterização dos sujeitos;
Abordagem do moderador a partir das questões norteadoras.
QUESTÕES NORTEADORAS
1. O que você entende por interdisciplinaridade?
2. Você já vivenciou alguma experiência interdisciplinar? Em caso de já ter vivenciado. Como você
avalia a experiência?
3. Como se estabelecia a relação entre as diversas disciplinas na sua formação?
4. A interdisciplinaridade é proposta no projeto pedagógico do curso de graduação em enfermagem da
instituição?
5. Existe alguma vivência interdisciplinar no curso? Em que você as identifica?
6. Existem fatores que facilitam o exercício da interdisciplinaridade no curso?
7. Existem fatores que dificultam o exercício da interdisciplinaridade no curso?
8. Quais os principais desafios para exercício da interdisciplinaridade no contexto ensinoaprendizagem?
-
57
APÊNDICE D
APÊNDICE D - ANÁLISE DE CONTEÚDO – MATRIZ
Título do Trabalho:A interdisciplinaridade na perspectiva docente na graduação em enfermagem
Local: UNIFAVIP/DeVry
Instrumento de coleta de dados: Grupo Focal
Título
A
interdisciplin
aridade na
perspectiva
docente na
graduação
em
enfermagem
Categorias
Conce
pções
sobre
interdi
sciplin
aridad
e.
Subcategorias
Indicadores/unidades de
registro
Unidades de Contexto
“Integração”, “unificada”,
“integrada”
“Eu
acho
que
a
interdisciplinaridade é a
integração
da
disciplinas” ... “É fazer
com que o aluno aprenda
de forma unificada,
integrada.”
Interdisciplina
ridade como
sinônimo de
integração e
unificação das
disciplinas.
Diálogo entre
as disciplinas.
Junção
de
várias
disciplinas e
construção de
um
único
conceito.
“Diálogo”, “ensino
contextualizado e
significativo”
“Junção de várias
disciplinas”
“Verificar o que é
comum”
“Eu
acredito
que
interdisciplinaridade é o
diálogo, realmente, entre
as disciplinas que vai
proporcionar ao aluno
um
ensino
contextualizado,
um
ensino
mais
significativo. E não a
fragmentação, como a
maioria das vezes a gente
vê numa prática mais
tradicional. Acredito que
a interdisciplinaridade
possibilita esse ensino
mais ativo e ainda instiga
o pensamento críticoreflexivo do aluno”.
“Compreendo como uma
junção
de
várias
disciplinas com um
objetivo específico”.
58
“Construção de um
conceito”
“É justamente aquilo, é
você verificar o que é
comum entre duas ou
mais disciplinas.”
“Um único conceito,
visões diferente”.
“Uma construção de um
conceito a partir de várias
visões.”
“É a junção de várias
disciplinas, um único
conceito, porém com
disciplinas diferente”.
1. A
prática
como
induto
ra
“Juntar, contar situação
Contribuição
da prática para prática”
o aprendizado
interdisciplinar
.
da
interdi
“Então, quando você
consegue juntar e contar
numa situação mais
prática que usa vários
conhecimentos, eu acho
que ele (o aluno)
realmente aprende e
memoriza”.
sciplin
aridad
“Prática, vivencia”
e
A
vivência
prática e a
interdisciplinar
idade.
“Acho que na prática
vivencia isso melhor”.
“Mas na prática também
assim, o tempo todo, tem
a interdisciplinaridade.”
“Bem visível na prática”
“Isso é bem visível na
prática...”
“Prática, momento de
resgate”
“Na prática a gente
vivencia muito isso,
porque quando ele chega,
vamos resgatar tudo.”
“Prática, realista”
“Porque a prática é muito
realista para ele, ele pega
um paciente, vê o caso
59
2. Dificu
O
aspecto
realista
da
prática para o
exercício da
interdisciplinar
idade.
clínico, vê anatomia e
fisiologia do paciente, vê
a patologia com todas as
disciplinas
que
ele
pagou, por isso é mais
fácil...”
“Dissociação teoria e
Dificuldade
em
associar prática”
teoria
e
prática.
“Eles dissociam teoria e
prática, isso é um grande
problema do currículo
disciplinar,
fragmenta
muito o conhecimento.”
ldades
ao
exercí
cio da
interdi
sciplin
aridad
e.
“Falta de formação
A
não pedagógica”
formação para
o ensino como
elemento de
dificuldade
para
a
interdisciplinar
idade.
“Eu acredito que o
problema é porque a
gente enquanto professor
não tem formação, pelo
menos algumas pessoas,
a gente não tem formação
pedagógica... Não somos
formados
pra
ser
professores.”
“Então,
alguns
conhecimentos
pedagógicos que são
necessários, nós não
temos.”
60
“Tempo”
“Mas uma coisa que eu
acho que atrapalha é
tempo.”
O tempo como
dificultado
“... A questão do tempo...
a gente ser limitado a um
turno.”
“Eu também concordo
com o pessoal, que é o
tempo e o quantitativo de
alunos que a gente
trabalha.”
“Limitação, currículo”
A limitação do
currículo para
a prática da
interdisciplinar
idade
“E
tem
outra
dificuldade. Eu acho
que o nosso currículo,
às vezes limita um
pouco.”
“Eu
não
consigo
enxergá-la dentro do
currículo um pouco
fragmentado.”
“O que eu vejo, me
reporta ainda a questão
do currículo, o currículo
não dá aos professores,
os docentes tanto da
prática quanto da teoria
essa integração.”
“Não existe uma ementa
comum, que junte.”
61
3. Fatore
s
facilita
dores
O laboratório “Laboratório”
como campo
profícuo para o
exercício da
interdisciplinar
idade.
“Eu acho que até o
próprio laboratório do
curso de enfermagem, até
o próprio laboratório já
induz a isso.”
ao
exercí
“Vivencias unificadas”
cio da
interdi
“... É um laboratório
onde foram unificados as
vivências práticas que
eram segregadas.”
sciplin
aridad
“Quando você entra no
laboratório,
tem
a
vivência da baixa, média
e alta complexidade.”
e.
“Biblioteca, cyber espaço,
Os
demais campos de estágios.”
espaços
disponibilizad
os
pela
instituição
como recurso
para a prática
interdisciplinar
.
“Muitos recursos,
mediação, facilitação.”
A facilitação e
mediação
como
ferramenta
para a ação
interdisciplinar
.
“Ferramentas”
“Eu acredito que a
biblioteca também é um
ambiente que pode ser
exercido
a
interdisciplinaridade, o
nosso cyber espaço, os
nossos
campos
de
estágios...”
“São muitos os recursos
que contribuem para
interdisciplinaridade, na
verdade ela vai ser
exercida mediante a
mediação do professor.
Não basta ter o recurso,
precisa ter a facilitação, a
mediação.”
“A instituição dá muitas
ferramentas...”
“Liberdade”
62
Liberdade
e “Autonomia”
autonomia
docente para a
interdisciplinar
idade.
“Estrutura, Turbo Health”
“Eu acho que a liberdade
que a instituição dá pra
gente trabalhar nisso.”
“A autonomia.”
“A estrutura em si, eu
acho que o laboratório, o
Turbo Health...”
4. Desafi
os
à
interdi
“Avaliar”
Avaliar na
perspectiva
interdisciplinar
.
“Como
avaliar
a
aprendizagem do aluno?”
sciplin
aridad
e.
O
desconhecime
nto sobre a
interdisciplinar
idade.
“Aprender
a
interdiscipli
naridade”
“Eu
acho
que
é
justamente,
aprender
como
se
faz
a
interdisciplinaridade, o
conceito dela mesmo,
como faz, porque a gente
não tem essa vivência de
muitos anos, então é uma
coisa quase que recente
para a maioria de nós”.
“Talvez
inclua
a
mudança do currículo”.
63
ANEXO E - TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE ESCLARECIDO
Convidamos V.Sa. a participar da pesquisa “A interdisciplinaridade na perspectiva
docente na graduação em enfermagem”. Este estudo é de responsabilidade da pesquisadora
Maria de Lourdes Fonseca Vieira e do pesquisador Gidelson Gabriel Gomes e tem por objetivo
compreender a prática da interdisciplinaridade em um curso de graduação em enfermagem na
perspectiva docente. Para a realização deste trabalho será utilizada a técnica de grupo focal com
gravação do discurso dos participantes.
Os riscos decorrentes dessa pesquisa não se concentram nos âmbitos biológico, físico
ou químico, todavia, os possíveis danos aos participantes poderão ser de cunho psicoemocional.
Para evitar tais danos, os pesquisadores se comprometem em fornecer os devidos
esclarecimentos, bem como se responsabilizam pelos possíveis danos advindos da mesma,
fornecendo direito à indenização de acordo com os preceitos éticos e legais, desde que
comprovado que o mesmo foi causado pela pesquisa.
Os benefícios esperados com o resultado desta pesquisa serão as possíveis melhorias
através de propostas pedagógicas de ensino aprendizagem. Desta forma, o participante não
receberá nenhum valor em dinheiro por sua participação no estudo, que deverá ser voluntária,
garantindo plena liberdade ao participante de recusar-se a participar, em qualquer fase da
pesquisa, sem penalização alguma.
Os dados desta pesquisa serão utilizados para fins acadêmicos na ocasião de sua
publicação, porém nunca revelada a identidade dos sujeitos. Após a conclusão, serão arquivados
por cinco anos, e posteriormente destruídos, não restando nada que venha a comprometê-los
agora ou futuramente.
No caso de dúvidas e esclarecimentos, procurar os pesquisadores através dos contatos:
Gidelson Gabriel Gomes, telefone: (81) 99770-6421 e a professora Drª Maria de Lourdes
Fonseca Vieira, telefone: (82) 98813-3526.
Consentimento Livre e Esclarecido:
Eu, ______________________________________________, após ter recebido todos os
esclarecimentos e ciente dos meus direitos, concordo em participar desta pesquisa, bem como
autorizo a divulgação e a publicação de toda informação por mim transmitida em publicações
64
e eventos de caráter científico. Desta forma, assino este termo, juntamente com o pesquisador,
em duas vias de igual teor, ficando uma via sob meu poder e outra em poder do pesquisador.
______________________________________
Assinatura do Participante
____________________________________
Maria de Lourdes Fonseca Vieira
Pesquisadora
_____________________________________
Gidelson Gabriel Gomes
Pesquisador
Caruaru, _____/_____/_______.
Para outras informações sobre a pesquisa, entrar em contato com o Comitê de Ética em
Pesquisa – CEP-UNIFAVIP/DeVry – Av. Adejar Casé, 800 – Indianópolis/Caruaru-PE. CEP:
55024-740 Bloco A / 3ºandar. Telefone para contato: (81) 3722-8087.
65
APÊNDICE F – Projeto da oficina apresentado a coordenação
PROGRAMA DE PÓS- GRADUAÇÃO STRICTO SENSU
MESTRADO PROFISSIONAL
EM ENSINO NA SAÚDE – MPES FAMED/UFAL
Título do Trabalho Acadêmico de Conclusão de Curso: Interdisciplinaridade na graduação
em enfermagem: perspectiva docente.
Autor:Gidelson Gabriel Gomes
Orientadora: Drª Maria de Lourdes Fonseca Vieira
Co-orientadora: Drª Maria Viviane Lisboa
PRODUTO DE INTERVENÇÃO - PROJETO
OFICINA PEDAGÓGICA: INTRODUÇÃO AO DIALÓGO INTERDISCIPLINAR
LOCAL: Sala de aula do Centro Universitário do Vale do Ipojuca (UNIFAVIP/DeVry),
Caruaru-PE.
DATA DE REALIZAÇÃO: 03/08/2017.
HORÁRIO: 16:00 as 20:00.
PARCEIROS: Coordenação Geral do Curso, Núcleo Docente Estruturante, Coordenação de
Estágios e docentes.
PÚBLICO ALVO: Docentes do curso de graduação em enfermagem.
OBJETIVOS:
Objetivo Geral:
Viabilizar possibilidades de práticas interdisciplinares entre os docentes do curso de
graduação em enfermagem, com ênfase no diálogo e interrelação das disciplinas.
Objetivos Específicos
Apresentar os resultados da pesquisa - Interdisciplinaridade na graduação em
enfermagem: perspectiva docente;
66
Realizar reflexão teórica de nivelamento conceitual contemplando os conceitos de
disciplinaridade,
multidisciplinaridade,
pluridisciplinaridade,
interdisciplinaridade
e
transdisciplinaridade;
Promover o diálogo entre os docentes com ênfase na interdisciplinaridade como
proposta de intervenção nas práticas pedagógicas;
Estabelecer propostas interdisciplinares para implementação ao longo do semestre
letivo.
Socializar propostas interdisciplinares construídas ao longo da oficina.
META
A oficina pedagógica visa promover o conhecimento sobre interdisciplinaridade como
ferramenta importante no processo ensino-aprendizagem, com ênfase na construção de
competências e habilidades para o trabalho colaborativo e formação crítico-reflexiva.
METODOLOGIA
Para efetivação da proposta, serão obedecidas as seguintes etapas:
Apresentação dos resultados da pesquisa: Interdisciplinaridade na graduação em
enfermagem: perspectiva docente, realizada pelo pesquisador;
Reflexão teórica de nivelamento conceitual;
Coffee Break
Trabalho em grupos com os docentes do semestre e por período do curso, para diálogo
sobre possíveis abordagens interdisciplinares e construção de uma proposta;
Socialização das propostas construídas pelos grupos.
RESULTADOS ESPERADOS
Espera-se, com os resultados da oficina, que os docentes do curso de graduação em
enfermagem consolidem os conceitos relacionados à interdisciplinaridade, fomentando
possíveis desdobramentos de práticas interdisciplinares para serem instituídas na práxis
cotidiana, com ênfase no diálogo, na interrelação das disciplinas, buscando parcerias no âmbito
do processo ensino-aprendizagem e com vistas ao rompimento da formação fragmentada
disciplinar. Espera-se também que os docentes se sintam sensibilizados para o empreendimento
interdisciplinar como mecanismo de (re) significação do processo ensino-
-aprendizagem
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com envolvimento dos seus diversos interlocutores (docentes, discentes, coordenação de curso,
coordenação geral, etc.), bem como um processo de institucionalização de tal prática.
ORÇAMENTO:
Descrição
Valor
Impressões
R$ 30,00
Resma de 100 folhas A4
R$ 5,00
Canetas esferográficas
R$ 20,00
Coffee Break
R$ 200,00
Valor total
R$ 255,00
Observação: Os gastos com a oficina serão custeados pelo pesquisador.
ACOMPANHAMENTO E AVALIAÇÃO
Durante a oficina, as atividades serão acompanhadas e supervisionadas pelo pesquisador
responsável e com parceria da coordenação geral do curso.
Posteriormente, deverá ocorrer de forma permanente pela Coordenação do Curso e
Núcleo Docente Estruturante o acompanhamento das atividades propostas.
Prevê-se o desenvolvimento contínuo de atividades permanentes na Instituição de
Ensino Superior (IES) para o fortalecimento das práticas interdisciplinares propostas e inclusão
da oficina semestral de planejamento interdisciplinar dentro das atividades do calendário
acadêmico
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APÊNDICE G – Tarjas individuais de identificação dos eixos
E- I
E- II
EIII-A
EIII-B
EIII-C
EIII-D
EIII-E
EIII-F
EIII-G
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APÊNDICE H – Identificação das salas por eixo
EIXO I – CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E DA SAÚDE
PERÍODOS
1º
DISCIPLINAS
Anatomia Humana Geral
Citologia, Histologia e Embriologia
Bioquímica
Fisiologia Humana
2º
Imunologia
3º
Microbiologia
Fisiologia Humana Aplicada
Parasitologia
Patologia Humana
4º
Farmacologia
6º
Farmacologia e Exames Complementares Aplicados à Enfermagem
7º
Nutrição e Dietética
EIXO II – CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS
PERÍODOS
DISCIPLINAS
1º
Fundamentos da Saúde Humana
2º
Ciências Humanas e Sociais
3º
Língua Portuguesa
5º
Psicologia Geral
6º
Humanização em Saúde
9º
Práticas Integrativas e Complementares
EIXO III A – FUNDAMENTOS DE ENFERMAGEM
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PERÍODOS
DISCIPLINAS
3º
Metodologia da Prática de Enfermagem
4º
Fundamentos de Semiologia e Semiotécnica
Procedimentos Básicos de Enfermagem
5º
Semiologia e Semiotécnica Aplicada
EIXO III B – ENFERMAGEM EM CLÍNICA GERAL E CIRÚRGICA
PERÍODOS
5º
DISCIPLINAS
Enfermagem em Centro Cirúrgico e Central de Material
Enfermagem em Clínica Geral e Cirúrgica Básica
6º
Enfermagem em Clínica Geral e Cirúrgica Aplicada
EIXO III C – ENFERMAGEM NA ASSISTÊNCIA À MULHER, À CRIANÇA E AO
ADOLESCENTE
PERÍODOS
6º
DISCIPLINAS
Enfermagem em Saúde da Mulher
Enfermagem em Saúde da Criança e Adolescente
7º
Enfermagem em Saúde Sexual e Reprodutiva
EIXO III D – ENFERMAGEM NA ASSISTÊNCIA AO ADULTO E AO IDOSO
PERÍODOS
DISCIPLINAS
7º
Enfermagem em Saúde Mental
8º
Enfermagem em Saúde do Homem
Enfermagem em Saúde do Idoso
Enfermagem em Oncologia
9º
Saúde do Trabalhador
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EIXO III E – VIGILÂNCIA EM SAÚDE
PERÍODOS
2º
DISCIPLINAS
Bioestatística
Epidemiologia
5º
Saúde Coletiva
6º
Processo de Trabalho em Saúde Coletiva
7º
Enfermagem em Saúde Coletiva
9º
Saúde Ambiental
EIXO III F – ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM AO PACIENTE CRÍTICO
PERÍODOS
DISCIPLINAS
7º
Técnicas de Socorros Urgentes e Estudos em Acidentes e Violências
8º
Enfermagem em Unidade de Terapia Intensiva
EIXO III G – ÉTICA, ENSINO, PESQUISA, GESTÃO E GERENCIAMENTO.
PERÍODOS
4º
DISCIPLINAS
Ética e Legislação em Enfermagem
Metodologia da Pesquisa
8º
Informática Aplicada a Saúde
9º
Educação em Saúde
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APÊNDICE I – Impresso para propostas interdisciplinares por eixo
PROGRAMA DE PÓS- GRADUAÇÃO STRICTO SENSU
MESTRADO PROFISSIONAL
EM ENSINO NA SAÚDE – MPES FAMED/UFAL
OFICINA PEDAGÓGICA: INTRODUÇÃO AO DIALÓGO INTERDISCIPLINAR
EIXO I:
PROPOSTA INTERDISCIPLINAR
Para Fazenda (2001) a interdisciplinaridade se estabelece numa relação de reciprocidade
que pressupõe uma atitude diferente a ser assumida frente ao problema do conhecimento, ou
seja, é a troca de uma concepção fragmentária para unitária do ser humano, além de incentivar
a parceria como categoria maior desse processo, com ênfase no diálogo e interrelação das
disciplinas.
Considerando as disciplinas do eixo proposto, sugirão possibilidades de trabalhar de
forma interdisciplinar e possíveis parcerias.
OFICINA PEDAGÓGICA: INTRODUÇÃO AO DIALÓGO INTERDISCIPLINAR
ATIVIDADE (S) PROPOSTA (S)
PARCERIA (S)
73
74
APÊNDICE J – Ata de participação
PROGRAMA DE PÓS- GRADUAÇÃO STRICTO SENSU
MESTRADO PROFISSIONAL
EM ENSINO NA SAÚDE – MPES FAMED/UFAL
Título do Trabalho Acadêmico de Conclusão de Curso: Interdisciplinaridade na graduação
em enfermagem: perspectiva docente.
Autor:Gidelson Gabriel Gomes
Orientadora: Drª Maria de Lourdes Fonseca Vieira
Co-orientadora: Drª Maria Viviane Lisboa
PRODUTO DE INTERVENÇÃO
OFICINA PEDAGÓGICA: INTRODUÇÃO AO DIALÓGO INTERDISCIPLINAR
LOCAL: Sala de aula do Centro Universitário do Vale do Ipojuca (UNIFAVIP/DeVry),
Caruaru-PE.
DATA DE REALIZAÇÃO: 03/08/2017.
HORÁRIO: 16:00 às 20:00.
PARCEIROS: Coordenação Geral do Curso, Núcleo Docente Estruturante, Coordenação de
Estágios e Docentes.
ATA DE PARTICIPAÇÃO
NOME
1.
2.
3.
4.
5.
E-MAIL
75
APÊNDICE K - Fotos da Oficina Pedagógica
1-
2-
Fonte: Acervo pessoal do autor.Fonte: Acervo pessoal do autor.
3-
4-
Fonte: Acervo pessoal do autorFonte: Acervo pessoal do autor.
76
5-
6-
Fonte: Acervo pessoal do autor.Fonte: Acervo pessoal do autor.
7-
8-
Fonte: Acervo pessoal do autor.Fonte: Acervo pessoal do autor.
77
Foto 10 -
Fonte: Acervo pessoal do autor.
78
ANEXO
ANEXO A – Parecer consubstanciado do CEP.
79
80
