13. Maria Helena de Araújo - A Biossegurança em Tuberculose Hospitalar na formação de residentes do HUPAA.
TACC 2018 21.09.18 - MARIA HELENA DE ARAÚJO.pdf
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UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
FACULDADE DE MEDICINA
MESTRADO PROFISSIONAL ENSINO NA SAÚDE
MARIA HELENA DE ARAÚJO
A Biossegurança em Tuberculose Hospitalar na formação
de residentes do HUPAA
Maceió, 2018
2
MARIA HELENA DE ARAÚJO
A Biossegurança em Tuberculose Hospitalar na formação de
residentes do HUPAA
Trabalho Acadêmico de Conclusão de Curso de
Mestrado Profissional em Ensino na Saúde da
Universidade Federal de Alagoas, como requisito
parcial para a obtenção do título de mestre, sob a
orientação da Prof.ª Dr.ª Margarete Pereira
Cavalcante.
Maceió, 2018
3
Catalogação na fonte
Universidade Federal de Alagoas
Biblioteca Central
Bibliotecária Responsável: Helena Cristina Pimentel do Vale – CRB4 – 661
A663b
Araújo, Maria Helena de.
A biosegurança em tuberculose hospitalar na formação do residentes do
HUPAA / Maria Helena de Araújo . – 2018.
63 f : il.
Orientador: Margarete Pereira Cavalcante.
Dissertação (mestrado Profissional em Ensino e Saúde) – Universidade Federal
de Alagoas. Faculdade de Medicina, Maceió, 2018.
Inclui bibliografia e anexos.
1. Ensino superior. 2. Residentes (Medicina). 3. Tuberculose. 4. Biossegurança.
5. Formação profissional. I. Título.
CDU: 61:378.096
4
5
DEDICATÓRIA
Dedico esse trabalho à memória de meus pais Jonas Vieira
de Araújo e Odete Costa de Araújo, pelo amor e dedicação a
mim e aos meus filhos. Odete foi uma mulher que viveu em
uma época difícil e que mesmo assim generosamente cuidou
de meus filhos para me permitir estudar. Minha eterna
gratidão!
Aos meus filhos e netos, fonte dos meus dias felizes e
esperançosos por um mundo com mais humanidade.
6
AGRADECIMENTOS
À Prof.ª Dr.ª Margarete Pereira Cavalcante, mais que uma orientadora, uma amiga
que aceitou o desafio de me orientar e me oferecer possibilidade de mergulhar no
mundo do conhecimento. Segundo ela, “estudar é a única coisa que nunca
decepciona, só nos dá prazer e alegria, uma sustentação para nossa vida”;
Ao Arthur Maia Paiva, por sempre se colocar à minha disposição e não medir
esforços para me ajudar, também, por ser meu grande incentivador na caminhada
constante que é o aprendizado;
Ao Hospital Universitário Professor Alberto Antunes e Universidade Federal de
Alagoas pela flexibilização de horário, tornando possível minha qualificação, e a todo
corpo docente e técnico, que compõe o mestrado, meu muito obrigado;
À Banca Examinadora – Prof.ª Dr.ª Divanise Suruagy Correia, Prof.ª Dr.ª Maria
Betânia Buarque Lins Costa e Prof.ª Dr.ª Josineide Sampaio – por ter aceitado o
meu convite. Mais uma vez, obrigada pela disponibilidade e atenção;
À Jocelina, pela valiosa ajuda operacional na organização da agenda de Trabalho, e
à Liz, pela preciosa colaboração como observadora do grupo focal;
Aos 17 residentes do Programa de Residência Multiprofissional em Saúde do Adulto
e do Idoso, da clínica Médica, Hospital Dia, CACON e UBS que foram o caminho
para a concretização deste trabalho;
A todos aqueles que, de alguma forma, me ajudaram a vencer este desafio.
7
LISTA DE SIGLAS
AIDS
Síndrome da Imunodeficiência Adquirida
BAAR
Bacilo Álcool Ácido Resistente
CF/1988
Constituição Federal de 1988
CLT
Consolidação das Leis do Trabalho
COREMU
Coordenação da Residência Multiprofissional de Saúde
CONSUNI
Conselho Universitário
CRT
Centro de Referência para Tuberculose
CTNBio
Comissão Técnica Nacional de Biossegurança
DCNs
Diretrizes Curriculares Nacionais
DST
Doença Sexualmente Transmissível
GF
Grupo Focal
HIV
Vírus da Imunodeficiência Humana
HUPAA
Hospital Universitário Professor Alberto Antunes
LDB
Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional
MEC
Ministério da Educação
MS
Ministério da Saúde
NIH
National Institute of Health
NR32
Norma Regulamentadora 32
OGM
Organismos Geneticamente Modificados
OMS
Organização Mundial de Saúde
PCTH
Programa do Controle da Tuberculose Hospitalar
RM
Residência Multiprofissional
R1
Residente do primeiro ano
R2
Residente do segundo ano
SINAN
Sistema de Informação de Agravos de Notificação
SIS
Sistema de Informação de Saúde
SUS
Sistema Único de Saúde
TB
Tuberculose
TB-XDR
Tuberculose Extensivamente Resistente às Drogas
TCLE
Termo de Consentimento Livre e Esclarecido
UDIP
Unidade de Doenças Infecciosas e Parasitárias
8
UFAL
Universidade Federal de Alagoas
UBS
Unidade Básica de Saúde
9
RESUMO
O presente estudo destinou-se a investigar a biossegurança em tuberculose na
formação dos residentes do Hospital Universitário Professor Alberto Antunes,
HUPAA/UFAL, e se justificou diante da gravidade da exposição dos residentes ao
bacilo da tuberculose; ressaltou a necessidade de medidas de prevenção, ou seja,
de monitoramento das medidas de biossegurança, visto que os profissionais de
saúde têm aumentado risco aumentado de infecção e adoecimento por tuberculose
e pelo fato de representar um assunto pouco explorado na graduação, no tocante às
especificidades e complexidade do atendimento, no local onde o residente atua.
Diante disso, revelou-se a necessidade de implantação de ações de controle
específicas direcionadas à proteção destes profissionais. Trata-se de um estudo
investigativo que utilizou a técnica de Grupo Focal (GF) para apreensão do material
de campo com residentes dos cenários de práticas: Clínica Médica, Centro de
Assistência em Alta Complexidade em Oncologia (CACON), Unidade de Doenças
Infecciosas e Parasitarias/Hospital Dia (UDIP/HD), Unidades Básicas de Saúde
(UBS). No contexto do trabalho, a interpretação das falas foi orientada pela análise
de conteúdo de Bardin. Este trabalho resultou em um artigo científico: “A
Biossegurança em Tuberculose Hospitalar na formação de residentes do HUPAA”,
que traz uma discussão em torno da biossegurança em tuberculose hospitalar e teve
como objetivo central analisar o atual nível de conhecimento entre os residentes do
Programa de Residência Multiprofissional em Saúde, atuantes no HUPAA, sobre
medidas de biossegurança em tuberculose hospitalar. A proposta de intervenção
consistiu em um treinamento intitulado: “Biossegurança em Tuberculose Hospitalar”
que teve como objetivo treinar os alunos da residência sobre o referido tema, para
utilização nos cenários de prática. A inclusão da tuberculose enquanto problema de
saúde pública e as medidas para seu controle, nos diversos níveis do ensino em
saúde, é pré-requisito necessário para que a operacionalização das ações direcionadas ao controle da transmissão da infecção nosocomial àqueles
profissionais e estudantes na área de saúde - seja efetiva. As evidências nos levam
a buscar estratégias capazes de contribuir para a formação de profissionais que
atendam as diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS).
PALAVRAS-CHAVE: Tuberculose; Biossegurança; Formação em saúde.
10
ABSTRACT
The objective of the present study was to investigate the knowledge about biosafety
in tuberculosis during the training of residents of the University Hospital Professor
Alberto Antunes, HUPAA/UFAL, and was justified by the severity of the residents'
exposure to tuberculosis bacillus; the study also emphasized the need for preventive
measures, ie monitoring of biosafety measures, since health professionals have an
increased risk of infection and illness due to tuberculosis, and because it is a subject
rarely explored during graduation in relation to specificities and complexity of health
care, performed in the places where the Multiprofessional Resident practices them.
Given this, it was revealed the need to implement specific control actions aimed at
the protection of these professionals. It was an investigative study that utilized the
Focal Group (GF) technique to seize the field material with residents of the practice
scenarios: Medical Clinic, Center for Assistance in High Complexity in Oncology
(CACON), Unit of Infectious Diseases and Parasitary/Day Hospital (UDIP/HD), Basic
Health Units (UBS). In the context of the work, the interpretation of the speech was
guided by the content analysis of Bardin. This study resulted in a scientific article:
"Biosafety in Hospital Tuberculosis in HUPAA Resident Training", which brings a
discussion about biosafety in hospital tuberculosis and had as its central objective to
analyze the current level of knowledge among residents of the Program of
Multiprofessional Health Residency at HUPAA on biosafety measures in hospital
tuberculosis. The intervention proposal consisted of a training titled: "Biosafety in
Hospital Tuberculosis", which aimed to train the students of the residence on the said
topic, for use in the practice scenarios. The inclusion of tuberculosis as a public
health problem and the measures for its control at the different levels of health
education is a necessary prerequisite for the operationalization of actions aimed at
controlling the transmission of nosocomial infection to those professionals and
students in the area become effective. The evidence leads us to seek strategies
capable of contributing to the training of professionals that meet the guidelines of the
Unified Health System (SUS).
KEYWORDS: Tuberculosis; Biosafety; Health education
11
SUMÁRIO
APRESENTAÇÃO ............................................................................................ 12
2 ARTIGO CIENTÍFICO: A Biossegurança em Tuberculose Hospitalar na
formação de residentes do HUPAA.................................................................21
INTRODUÇÃO.................................................................................................. 23
2.1 MÉTODO..................................................................................................... 26
2.2 RESULTADOS E DISCUSSÃO................................................................... 28
2.3 CONCLUSÃO.............................................................................................. 37
REFERÊNCIAS................................................................................................. 38
3 PROJETO DE INTERVENÇÃO..................................................................... 41
INTRODUÇÃO.................................................................................................. 41
3.1 JUSTIFICATIVA.......................................................................................... 46
3.2 OBJETIVOS................................................................................................ 48
3.3 CONTEÚDO PROGRAMÁTICO................................................................. 51
3.4 MÉTODO..................................................................................................... 51
3.5 PROGRAMAÇÃO........................................................................................ 52
3.5 AVALIAÇÃO................................................................................................ 53
REFERÊNCIAS................................................................................................. 53
CONCLUSÃO GERAL...................................................................................... 55
REFERÊNCIAS................................................................................................. 56
APÊNDICES...................................................................................................... 60
Apêndice A- Memorando de autorização para a pesquisa ................................ 60
Apêndice B- Código de identificação dos participantes...................................... 61
Apêndice C - Roteiro orientador das discussões dos grupos focais................... 62
Apêndice D - Cenários de práticas dos residentes da RM................................. 63
ANEXOS............................................................................................................ 64
Anexo A - Fotos: Treinamento “Biossegurança em Tuberculose Hospitalar”.... 64
12
APRESENTAÇÃO
Nossa experiência em uma equipe multidisciplinar em um hospital-dia,
dedicado a pacientes acometidos de Síndrome da Imunodeficiência Adquirida
(AIDS), em uma forma interdisciplinar de trabalho e com resultados positivos, levounos a expandir o trabalho para pacientes de tuberculose, o que resultou na
publicação de artigo científico no periódico “Boletim de Pneumologia Sanitária”. A
proposta avançou para criação do “Programa de Controle de Tuberculose Hospitalar
do HUPAA/UFAL” e, no momento atual, enquanto gestão, resgatamos a Comissão
de Controle de Tuberculose Hospitalar e atualizar o Plano de Ação previamente
elaborado pela Comissão, além de revisar o Manual de Controle da Tuberculose
Hospitalar, também elaborado pela Comissão, e que estava para ser lançado.
Durante o período de 2013 a 2015 no Programa de Residência
Multiprofissional em Saúde do Adulto e do Idoso, observamos o despreparo dos
residentes ao atuarem em cenários de práticas que exigiam conhecimento sobre
tuberculose. No primeiro ano, como preceptora da residência, em acompanhamento
de pacientes, realizamos uma sondagem com a equipe de profissionais da Clínica
Médica,
residentes de
medicina,
residentes
do
Programa
de
Residência
Multiprofissional e com graduandos. O resultado revelou pouco conhecimento em
tuberculose e, na condição de preceptora do referido programa, constatamos que
havia uma visão distorcida sobre as medidas de biossegurança.
Toda essa vivência motivou a realização da presente pesquisa, que teve
como objetivo apreender qual a contribuição desse campo de estudo para a
formação dos profissionais, tendo ainda o propósito de construção de uma proposta
de treinamento que visa melhorar as atividades da Residência.
Como referencial teórico da pesquisa, tomamos por base o estudo das
categorias a saber: Tuberculose; Biossegurança; Formação em Saúde.
A Tuberculose (TB) é a doença infecciosa que mais mata no mundo,
superando as mortes causadas por HIV e a malária junta. Em 2015, 10,4 milhões de
pessoas no mundo adoeceram de tuberculose e 1,8 milhão morreram em
decorrência da doença. Um terço da população mundial está infectada com o bacilo
da tuberculose. Os profissionais de saúde e os estudantes têm maior risco de
infecção e adoecimento por tuberculose, em comparação com a população geral.
Entre profissionais de saúde no Brasil, 70% encontravam-se já infectados pelo
13
bacilo. Em um Centro de Referência para Tuberculose (CRT), 100% dos
profissionais de saúde admitidos há mais de cinco anos encontravam-se infectados
(KRITSKI, 2005).
Um indivíduo infectado pelo bacilo tem chance, de 5%, de adoecer por
tuberculose ao longo de sua vida. Pacientes com HIV/AIDS, infectados pelo bacilo,
por sua vez, apresentam risco de adoecimento de 10%, ao ano. Já entre
profissionais de saúde recém infectados, este risco de adoecimento por tuberculose
é de mais de 9%, nos três meses seguintes. Anualmente, são notificados dez
milhões de novos casos de TB em todo mundo, resultando em mais de um milhão
de mortes. No Brasil, a tuberculose se constitui em sério problema de saúde pública,
com profundas raízes sociais; a cada ano, são notificados aproximadamente setenta
mil casos novos e ocorrem 4,5 mil mortes, em decorrência da doença (BRASIL,
2016).
Em 2014, o Brasil registrou 4.374 óbitos nos quais a tuberculose
aparece como causa básica. Os maiores coeficientes de mortalidade nesse mesmo
ano foram observados no Rio de Janeiro (5,1/100 mil hab.), em Pernambuco
(4,3/100 mil hab.) e em Alagoas (3,3/100 mil hab.). Entre as capitais, Rio de Janeiro
- RJ (7,0/100 mil hab.), Recife-PE (6,8/100 mil hab.) e Maceió-AL (6,0/100 mil hab.)
apresentaram os maiores riscos de morte por tuberculose (BARBOSA, 2014).
Se por um lado, os indicadores operacionais refletem a qualidade dos
serviços prestados aos pacientes acometidos por tuberculose e servem como apoio
para a tomada de decisão, por outro lado, as condições de vida da população
constituem-se em um dos fatores que desencadeiam a proliferação da tuberculose.
Segundo Neto et al. (2010), os casos de TB geralmente são ambulatoriais, no
entanto o número de casos de TB diagnosticados e tratados em hospitais é bastante
significativo, tanto devido à desorganização do sistema de saúde, em algumas
regiões, como pela associação da TB à infecção por HIV e a outras doenças
imunossupressoras, o que representa risco aos profissionais de saúde e aos demais
usuários do serviço.
Em hospitais gerais, com atendimento superior a 30 casos de tuberculose por
ano, é preconizada a implantação do Programa do Controle da Tuberculose
Hospitalar (PCTH), para o efetivo controle da transmissão intra-hospitalar da
tuberculose. Uma das metas do referido programa consiste em oferecer treinamento
aos profissionais de saúde sobre as medidas de biossegurança.
14
Os profissionais de saúde apresentam risco aumentado de infecção e
adoecimento por tuberculose, comparando-se à população geral. Todavia, as
medidas para controle e prevenção da transmissão do bacilo da tuberculose no
ambiente hospitalar são efetivas e deveriam ser de conhecimento de todos os
profissionais de saúde (KRITSKI, 2000).
Assim sendo, diante da gravidade da exposição dos profissionais ao bacilo, é
necessário que se adotem medidas de prevenção. É importante a adoção de normas
e procedimentos seguros e adequados à manutenção da saúde dos pacientes,
residentes e demais profissionais, ou seja, o monitoramento das medidas de
biossegurança.
Quanto ao estudo da biossegurança, pode-se dizer que, do ponto de vista
etimológico, este é um termo que provém do radical grego bio, que significa vida, e
da palavra segurança, vida livre de perigo. Segundo Alves e Pacheco (2015, p.35),
genericamente, a biossegurança é
[…] o conjunto de ações voltadas para a prevenção, minimização ou
eliminação dos riscos inerentes às atividades de pesquisa, produção,
ensino, desenvolvimento tecnológico e prestação de serviços. Há ainda
outros conceitos para a biossegurança, como o que está relacionado à
prevenção de acidentes em ambientes ocupacionais, o que inclui o conjunto
de medidas técnicas, administrativas, educacionais, médicas e psicológicas.
Os debates sobre a biossegurança surgem na década de 1970, com a
preocupação da segurança nos laboratórios e com as consequências constantes
dos avanços tecnológicos na área de engenharia genética. Em nosso país, a
regulamentação para atividades a Biossegurança está vinculada a Lei N° 8974 de
1995, que trata especificamente do uso das técnicas de Engenharia Genética dos
Organismos Geneticamente Modificados (OGM’s) (BRASIL, 2006).
O primeiro procedimento que utilizou a técnica de engenharia genética se deu
em 1973 e provocou uma polêmica na comunidade mundial de ciência. Esse
contexto levou à realização da Conferência de Asilomar, que por sua vez deu origem
às normas de Biossegurança do National Institute of Health (NIH), dos EUA, 1974
(PENNA, et al.2010).
Segundo Costa (2002), a Organização Mundial de Saúde, em 1980,
conceituou a biossegurança como práticas de prevenção para o trabalho em
laboratório com agentes patogênicos, e, classificou os riscos em categorias, a saber:
biológicos, químicos, físicos, radioativos e ergonômicos.
15
No Brasil, nas décadas de 1970 e 1980, com a constatação de um elevado
número de infecções consideradas graves no ambiente laboratorial é que a
biossegurança
se
estruturou
enquanto
área
específica
(ALMEIDA
e
ALBUQUERQUE, 2000). Na década de 1990 foi publicado o Decreto N° 1.752/1995,
que criou a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) com vistas a
estabelecer normas às várias atividades, entre outras as de construção, cultivo,
comercialização, consumo e descarte relacionados a OGM em todo o território
brasileiro (SCHOLZE, 1999).
Em 2002, o Ministério da Saúde cria a Comissão de Biossegurança em Saúde
(CBS)
com
o
objetivo
de
definir
estratégias
de
atuação,
avaliação
e
acompanhamento das ações de biossegurança (BRASIL, 2006b). A referida
Comissão classifica os agentes biológicos que afetam o homem, animais e plantas
em classes de 1 a 4, incluindo também a classe de risco especial (BRASIL, 2006a).
A Tuberculose está na classe de risco 3, agentes biológicos que oferecem diferentes
níveis de riscos aos indivíduos e comunidade, podendo transmitir patologias por via
respiratória (BRASIL, 2006a).
Diante do exposto, pode-se prevenir a disseminação da TB em serviços de
saúde por meio de controle da infecção, aplicar as diretrizes de biossegurança,
capacitar e sensibilizar os profissionais sobre os riscos biológicos (SILVA e
NAVARRO, 2013).
Há necessidade também dos trabalhadores da saúde se reconhecerem como
uma população sujeita ao risco de adoecimento, e de efetivarem suas ações no
sentido de minimizar os riscos potenciais nos locais onde acontecem os cuidados
aos pacientes com TB (MACIEL et al., 2009).
A biotecnologia traz relevantes contribuições para a sociedade como também
traz grandes riscos indicando a necessidade de se estabelecer normas de
segurança com objetivo de reduzi-los. As ações de biossegurança só serão efetivas
se todos que desenvolvem atividades de risco tiverem conhecimento das atuais
diretrizes e as aplique (PENNA et al,2010).
Com base nessa assertiva, esta pesquisa se propôs a aprofundar o
conhecimento sobre Biossegurança em Tuberculose Hospitalar com vistas a
contribuição das práticas de ensino/serviço — especificamente para a ‘Formação em
Saúde’ dos residentes do programa de residência multiprofissional —, identificando,
ainda, possibilidades e limites que subsidiem a construção de uma proposta
16
pedagógica, que considere os indicadores epidemiológicos, no sentido de qualificar
as atividades dos residentes e contemplar sua segurança.
Nesse sentido, a relação ensino/serviço têm sido desafiante para o
aprendizado do profissional pelo gigantesco grau de complexidade presente na
desorganização dos serviços de saúde gerado pela falta de estrutura, redução de
quadro de pessoal, sobrecarga de serviço e demandas infinitamente superiores à
capacidade instalada ofertada. Esse conjunto de fatores, produzido pela atual
política de desmonte da rede pública de assistência à saúde em nosso país, vem
inviabilizando o desenvolvimento da proposta de formação preconizada pelas
Diretrizes Curriculares Nacionais dos cursos de graduação na saúde. Tal
consideração encontra-se em contraposição ao preconizado na Lei n°8.080, de
1990, no seu parágrafo único do artigo 27, que traz a necessidade de
desenvolvimento de atividades de ensino/serviço, no Sistema Único de Saúde
(SUS), ao destacar que “[…] constituem campo de prática para ensino e pesquisa,
mediante
normas
específicas,
elaboradas
conjuntamente
com
o
sistema
educacional”.
Diante dessa realidade, coloca-se a necessidade de integrar cada vez
mais o ensino acadêmico e o ensino/serviço, treinando os profissionais desde sua
inserção em cenários de práticas, particularmente no Hospital Universitário Professor
Alberto Antunes (HUPAA) e nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), unidades
executoras do Programa de Residência Multiprofissional em Saúde do Adulto e do
Idoso.
O Programa de Residência Multiprofissional em Saúde do Adulto e do Idoso é
uma proposta que surge para formar profissionais com um perfil que responda os
princípios do SUS e vem se desenvolvendo no cotidiano da prática profissional,
ações nessa direção.
Nesse momento em que a Organização Mundial de Saúde (OMS) aponta a
emergência na tuberculose, faz-se necessária a intensificação na implementação da
proposta ensino em serviço na aplicação das medidas de biossegurança em
tuberculose hospitalar, com objetivo de ampliar a consciência através do
conhecimento e reduzindo os índices de infecção. Para tanto, foi relançado o Manual
de Bolso de Controle da Tuberculose Hospitalar, servindo para consulta no momento
da prática diária. Acreditamos que o ensino/ serviço focado na capacitação das
equipes de saúde com vistas a desenvolver ações de educação e prevenção, na
17
perspectiva da interdisciplinaridade, superando a fragmentação e barreiras das
disciplinas, ampliará o nível de contribuição na promoção da saúde da população,
respondendo assim às políticas preconizadas pelo SUS.
No que se refere ao percurso metodológico, este estudo é descritivo,
transversal, com uma abordagem qualitativa, por considerar que responde a
questões particulares identificadas por meio da fala dos sujeitos e compreende o
“[...] universo dos significados, dos motivos, das aspirações, das crenças, dos
valores e das atitudes” (MINAYO, 2000, p. 21). Para atingir os objetivos propostos,
fez-se necessário a utilização da pesquisa bibliográfica e documental, direcionadas
ao aprofundamento teórico, legal e normativo, sobre a temática. Além disso, foi
realizada uma pesquisa de campo, com o auxílio da técnica de grupo focal. Para
Backes (2011, p. 439),
[...] Os estudos que utilizaram o grupo focal demonstram ser esse um
espaço de discussão e de troca de experiências em torno de determinada
temática. Além disso, o grupo estimula o debate entre os participantes,
permitindo que os temas abordados sejam mais problematizados do que em
uma situação de entrevista individual. Os participantes, de modo geral,
ouvem as opiniões dos outros antes de formar as suas próprias e,
constantemente, mudam de posição, ou fundamentam melhor sua opinião
inicial, quando envolvidos na discussão em grupo.
A técnica de grupo focal tem por objetivo trabalhar com a reflexão da fala
através do debate dos participantes, a fim de captar suas concepções, ideologias,
conhecimentos e impressões sobre o tema (DIAS, 2000). Nesta pesquisa
realizamos reunião com dois grupos focais (GFs). Para dar início ao processo de
pesquisa com esses dois GFs, foi encaminhado um memorando solicitando
autorização à coordenadora do Programa de Residência em Saúde do Adulto e do
Idoso para a participação dos residentes (Apêndice 1). O convite foi feito
previamente através de visita à Clínica Médica, cenário de prática dos R1, ocasião
em que foram esclarecidos os objetivos do grupo focal. O convite aos R2 foi
realizado através de contato pessoal, e a confirmação foi dada por mensagem
telefônica. Deste modo, agendamos, através de contato telefônico, a sala do Centro
de Estudos, para realização da aplicação da técnica e para garantir a
confidencialidade das informações. Ressalte-se que, o consentimento para a coleta
dos dados empíricos foi dado mediante a assinatura do Termo de Consentimento
Livre e Esclarecido (TCLE).
18
Contamos com uma profissional do HUPAA/UFAL como observadora,
enquanto nós assumimos a função moderadora, por meio da disponibilização de um
roteiro composto de temáticas norteadoras diante das quais os participantes ficaram
livres para fazer registros escritos, caso julgassem necessário. As falas foram
gravadas; o resultado em termos da participação foi positivo, os residentes ficaram
bastante à vontade nas respostas, e houve uma interação significativa, nas
discussões.
A coleta de informações ocorreu em dois momentos distintos. O primeiro
momento consistiu na realização de Grupo Focal 01, composto por oito residentes
do primeiro ano (R1), e teve como objetivo identificar o nível de conhecimento sobre
medidas de biossegurança em tuberculose hospitalar, quando inseridos no ambiente
hospitalar. Para tanto, foi utilizado um roteiro de questões orientadoras da discussão
no grupo focal. O segundo momento foi consolidado por meio da realização do
Grupo Focal 02, composto por nove residentes do segundo ano (R2) e que também
contou com o mesmo roteiro orientador das discussões.
Ressalte-se que a pesquisa contou com uma amostra de 17 residentes do
segundo semestre, composta por 02 representantes das quatro áreas que integram
a Residência (Serviço Social, Enfermagem, Nutrição e Psicologia). Os encontros
aconteceram no período de setembro e outubro de 2017.
Nos dois grupos focais, o registro das interações aconteceu por meio de
gravações de áudio e vídeo e de anotações cursivas, em que foram consideradas
pela pesquisadora as falas, reações e impressões. Cada grupo focal teve a duração,
em média, de 60 minutos e contou com um relator e um facilitador das discussões.
Para efeitos de conservação do sigilo e preservação da identidade dos participantes
da pesquisa foi utilizada uma codificação relacionada à profissão (Apêndice 2). A
interpretação das falas foi orientada pela análise de conteúdo de Bardin, com a
finalidade de descrever o conteúdo explícito ou implícito, de forma aprofundada, no
processo de comunicação dos sujeitos, estabelecendo as conexões com as
produções teóricas e com os contextos sociais e culturais em que emergiram
(MINAYO, 2014).
Nesse contexto inicial o tema gerador da discussão foi: “Os residentes do
Programa de Residência Multiprofissional em Saúde do Adulto e do Idoso do
HUPAA/UFAL possuem conhecimento sobre as medidas de biossegurança em
tuberculose hospitalar”.
19
O roteiro para discussão das temáticas foi o seguinte: Considerando os
conhecimentos e experiências sobre as inúmeras doenças contagiosas:
- Discorram a respeito das informações que vocês dispõem sobre a
tuberculose hospitalar e suas formas de transmissão e implicações, assim como as
medidas de biossegurança para a saúde do residente.
- Falem sobre as circunstâncias e agravos que podem levar pacientes com
tuberculose ao isolamento respiratório.
- Discutam sobre os cuidados e precauções que deve ter o acompanhante de
paciente com tuberculose pulmonar bacilífera (escarro positivo), indicando os
objetos de proteção que devem ser utilizados pelo mesmo.
- Destaquem as medidas de proteção em tuberculose que vocês têm
conhecimento e digam se já utilizaram algumas delas no trabalho no HUPAA/UFAL.
O conteúdo do material construído foi analisado com o foco voltado para o
objetivo proposto de analisar o atual nível de conhecimento entre os residentes do
Programa de Residência Multiprofissional em Saúde do Adulto e do Idoso que atuam
no HUPAA/UFAL, sobre medidas de biossegurança em tuberculose hospitalar.
A construção dos dados se deu, inicialmente, com um estudo documental
nos registros institucionais sobre tuberculose hospitalar, destacando a grade
curricular e as disciplinas voltadas para biossegurança, identificando conteúdos
trabalhados e carga horária. O universo da pesquisa localiza-se no Programa de
Residência Multiprofissional com cenário de prática na Unidade de Clínica Médica,
Unidade de Doenças Infecciosas e Parasitárias e Unidade Básica de Saúde.
Ressalte-se que, com base na apreciação do referencial teórico e da
formatação para as disciplinas que constituem a grade curricular do referido
Programa de Residência, é plausível dizer que seu conteúdo não atende à exigência
do pleno conhecimento das medidas de prevenção e uso de proteção individual
como pré-requisito para o desenvolvimento de qualquer atividade exercida pelo
estudante no ambiente hospitalar, incluindo transitar em ambulatórios e enfermarias
durante aulas práticas, mesmo quando as atividades estejam relacionadas às
referidas disciplinas. Portanto, tal aprendizado sobre biossegurança só seria eficaz
se incluído ainda na fase de acolhimento aos residentes, já que o bacilo
teoricamente circula em enfermarias e ambulatórios.
Esclarece-se que, o presente TACC é integrado por um Artigo Cientifico,
intitulado “A Biossegurança em Tuberculose Hospitalar na Formação de Residentes
20
do HUPAA/UFAL”, com o propósito de refletir sobre a biossegurança em tuberculose
hospitalar, particularizando a relação ensino-serviço dos residentes, no contexto dos
cenários de prática do HUPAA/UFAL. Apresenta, ainda, um produto, configurado
como uma Proposta de Intervenção denominada: “Treinamento sobre biossegurança
em
tuberculose
hospitalar
com
residentes
do
Programa
de
Residência
Multiprofissional em Saúde do Adulto e do Idoso”, com o objetivo de instrumentalizálos em medidas de biossegurança em tuberculose hospitalar, para utilização nos
seus cenários de prática.
Pelo exposto, consideramos que os estudos que resultaram nesse TACC,
particularmente no aprendizado das principais medidas de biossegurança em
tuberculose hospitalar, são passíveis de serem incorporados na prática diária dos
profissionais residentes, favorecendo mudança das práticas que resultem em risco
aumentado de infecção e adoecimento por tuberculose. As informações, trazidas à
luz pela pesquisa, provavelmente contribuirão para a reflexão no ensino em saúde,
ao tempo em que subsidiarão discussões sobre uma grade curricular que contemple
o objeto do estudo. Por outro lado, confirmamos a necessidade de outras pesquisas
que investiguem a incidência de infecção e adoecimento pelo bacilo da tuberculose
entre profissionais e estudantes do HUPAA.
21
2 ARTIGO CIENTIFICO A Biossegurança em Tuberculose Hospitalar na formação
de residentes do HUPAA/UFAL
Este artigo traz uma discussão em torno do estudo da biossegurança em tuberculose
hospitalar e tem como objetivo de analisar o nível de conhecimento dos residentes do
Programa de Residência Multiprofissional em Saúde, atuantes no HUPAA, sobre
medidas de biossegurança em tuberculose hospitalar; particularizando o conhecimento
destes em relação ao tema e ao ensino-serviço, no contexto dos cenários de prática do
HUPAA/UFAL. Trata-se de um estudo de natureza qualitativa, o referencial
metodológico foi a análise de conteúdo de Bardin por favorecer a discussão das
contradições presentes nas falas. O conteúdo do material foi analisado com o foco
voltado para os objetivos com a finalidade de responder à pergunta, “Os residentes do
Programa de Residência Multiprofissional em Saúdo do Adulto e do Idoso do HUPAA,
possuem conhecimento sobre as medidas de biossegurança em tuberculose
hospitalar?” O estudo se apropriou da pesquisa bibliográfica e documental, além da
pesquisa de campo, mediante o uso da técnica de grupo focal, em que foram envolvidos
17 residentes do referido Programa. No material de campo, por meio das falas dos
residentes, identificou-se o incipiente conhecimento do grupo sobre a biossegurança em
tuberculose, assim como, observou-se que a proposta da grade curricular necessita de
mudanças. Desse modo, os residentes e as equipes de trabalhadores do HUPAA/UFAL
precisam ser instrumentalizados para aderir às medidas de biossegurança em
tuberculose hospitalar, afastando de si circunstâncias nocivas à sua saúde.
PALAVRAS-CHAVE: Tuberculose; Biossegurança; Formação em saúde .
22
ABSTRACT
This paper presents a discussion about biosafety in nosocomial tuberculosis,
particularizing the knowledge that professionals of the Multiprofessional Residency
Program have related to that subject, as well as to the teaching-service topic, in the
context of HUPAA practice scenarios. This is a qualitative research in which the focal
group technique was used in 17 professionals from the HUPAA Multiprofessional
Residency Program in Adult and Elderly Health for the assimilation of the field
material. The incipient knowledge on the subject was identified in the field material
(residents' speeches), just as we have observed that the curriculum proposal needs
changes. HUPAA residents and staff therefore need to be trained to adhere to
biosafety measures in nosocomial tuberculosis, removing harmful health conditions
from them.
KEY WORDS: Tuberculosis; Biosafety; Health Training.
23
INTRODUÇÃO
A tuberculose apresenta-se, até os dias atuais, como uma das maiores
causas de morbidade e mortalidade, ainda que a descoberta do bacilo tenha
ocorrido em 1882. A propagação da tuberculose está intimamente relacionada às
condições de vida da população, ocorrendo de modo desigual entre países pobres e
ricos. Enquanto a tuberculose se tornava rara em países desenvolvidos,
permaneceu com incidência alta entre aqueles em desenvolvimento.
Com o advento da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS), casos de
tuberculose começaram a aumentar em países nos quais estava declinando,
enquanto nos países em desenvolvimento, nos quais permanecia como sério
problema de saúde pública, a epidemia de AIDS causou um impacto muito maior, e
levando a Organização Mundial de Saúde (OMS) em 1993 a declarar a tuberculose
uma emergência mundial (BENNET, DOLIN e BLASER, 2015).
A pandemia de AIDS é atualmente o fator isolado que mais tem contribuído
para o aumento do número de casos de tuberculose. Em 2016, o risco de
desenvolver a doença tuberculose, entre os 37 milhões de pessoas que viviam com
Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) era cerca de 21 vezes maior do que o risco
evidenciado no resto da população mundial. Estima-se mais de um milhão de casos
de tuberculose entre as pessoas que vivem com HIV – 10% de todos os casos
globais de tuberculose em 2016. Uma em cada cinco (22%) das mortes por
tuberculose ocorre entre pessoas que vivem com HIV. A tuberculose é a nona
principal causa de morte no mundo e a principal causa por um único agente
infeccioso, inclusive superando o HIV/AIDS, embora represente quase 40% de todas
as mortes relacionadas à AIDS. Estima-se que 10,4 milhões de pessoas adoeceram
com tuberculose em 2016 (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2017).
Em termos gerais, atualmente há três grandes ameaças ao controle
global da tuberculose: (1) Condições sociais precárias, (2) Comprometimento
imunológico relacionado à pandemia do HIV; e (3) surgimento de tuberculose
resistente ao medicamento (BENNET et al., 2015).
O Brasil, com uma incidência de 32,4 casos de tuberculose por 100 mil
habitantes, 2,2 mortes por tuberculose por 100 mil habitantes (BRASIL, 2017) e 13%
HIV positivos, é responsável por um terço dos casos de tuberculose nas Américas e
ocupa a 20ª posição no ranking da Organização Mundial de Saúde (OMS) que inclui
24
os 20 países com maior incidência de tuberculose e que, juntos, correspondem a
83% dos casos no mundo (BRASIL, 2017).
Os profissionais de saúde apresentam risco aumentado de infecção e
adoecimento por tuberculose, quando comparados com a população geral, em
decorrência da exposição diária no ambiente de trabalho e, mais especificamente, o
hospitalar. As medidas de biossegurança em tuberculose hospitalar visam o controle
da transmissão nosocomial do bacilo, tanto entre pacientes, como entre o paciente e
o profissional de saúde, e vice-versa (KRITSKI et al, 2005). Segundo Neto et al.
(2010), os casos de tuberculose geralmente são ambulatoriais, no entanto o número
de casos diagnosticados e tratados em hospitais é bastante significativo, tanto
devido à desorganização do sistema de saúde, em algumas regiões, como pela
associação
da
tuberculose
à
infecção
por
HIV
e
a
outras
doenças
imunossupressoras, o que representa risco aos profissionais de saúde e aos demais
usuários do serviço.
Em hospitais gerais, com atendimento superior a 30 casos de tuberculose por
ano, é preconizada a implantação do Programa do Controle da Tuberculose
Hospitalar (PCTH) para o efetivo controle de sua transmissão intra-hospitalar,
inclusive oferecendo treinamento aos profissionais de saúde sobre medidas de
biossegurança (KRITSKI et al., 2005).
De acordo com Kritski et al. (2005), as medidas de controle da transmissão
nosocomial da tuberculose dividem-se em três categorias: a) administrativas (ou
gerenciais); b) ambientais (ou de engenharia); c) proteção respiratória. Entre tais
medidas, as de maior impacto, de mais fácil operacionalização e de menor custo,
consistem nas medidas de proteção respiratória e administrativas.
De acordo com Alves e Pacheco (2015), a globalização levou os países a
desenvolver políticas e estratégias voltadas para diversas áreas e, dentre estas, a
biossegurança, que tem como objetivo reduzir os impactos na saúde da população
mundial. Nesse contexto, a Conferência de Asilomar deu origem às normas de
biossegurança do National Institute of Health (NIH), dos EUA, 1974. Desde então, a
Organização Pan-Americana da Saúde e a Organização Mundial da Saúde têm
promovido ações no sentido de fortalecer a biossegurança nos sistemas de saúde.
Do ponto de vista etimológico, biossegurança é um termo que provém do radical
grego bio, que significa vida, e da palavra segurança, vida livre de perigo. Segundo
25
Alves e Pacheco (2015, p.35), genericamente, a biossegurança é [...] o conjunto de
ações preventivas, eliminação de riscos no desenvolvimento de pesquisa,
tecnologia, prestação de serviços, prevenção de acidentes ocupacionais incluindo
medidas técnicas, administrativas, educacionais, médicas e psicológicas.
Em nosso país, a regulamentação para atividades em Biossegurança está
vinculada a Lei N° 8.974, de 1995, que trata especificamente do uso das técnicas de
Engenharia Genética dos Organismos Geneticamente Modificados (OGM’s)
(BRASIL, 2006). Em 2002, o Ministério da Saúde cria a Comissão de Biossegurança
em Saúde (CBS) com o objetivo de definir estratégias de atuação, avaliação e
acompanhamento das ações de biossegurança (BRASIL, 2006b). A referida
Comissão classifica os agentes biológicos que afetam o homem, animais e plantas
em classes de 1 a 4, incluindo também a classe de risco especial (BRASIL, 2006a).
A Tuberculose está na classe de risco 3: agentes biológicos que oferecem diferentes
níveis de riscos aos indivíduos e comunidade, podendo transmitir patologias por via
respiratória (BRASIL, 2006a).
Merece destaque, ainda, a Norma Regulamentadora 32 (NR32), para
trabalhadores regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), que tem por
finalidade a implementação de medidas de proteção à saúde dos trabalhadores dos
serviços de saúde (2005). Essa Norma enfatiza as medidas de biossegurança que
os profissionais de saúde devem cumprir para prevenção de doenças do trabalho,
como a tuberculose.
As Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs, 2004), aprovadas pelo Ministério
de Educação (MEC), em consonância com a CF/1988, estabeleceram as
competências e habilidades para formação em saúde visando à efetivação do SUS.
Nesse sentido, pressupõe-se que o trabalho em equipe promove a integralidade das
ações, através do diálogo e por meio da troca de saberes entre as diversas
categorias e segmentos profissionais, contribuindo assim para a promoção da
saúde, considerando que a produção do cuidado em saúde se dá através da escuta
qualificada, instrumento de trabalho de todas as profissões.
A formação em saúde, numa perspectiva de atuação multiprofissional,
responde ao desafio de formar profissionais comprometidos com o pensamento
crítico, com a afirmação do que é público, e em defesa do SUS. Nesse sentido, a
Residência Multiprofissional que tem como locus um Hospital Universitário, favorece
26
o diálogo entre diferentes profissões, que se articulam por meio de reflexões e
práticas orientadas pelos princípios do SUS.
O Programa de Residência Multiprofissional em Saúde do Adulto e do Idoso do
HUPAA, propôs-se a trabalhar a formação mediante o ensino e a prática, tendo
como foco as necessidades da população. Das sete profissões previstas no projeto
original, participam atualmente da Residência cinco – Enfermagem, Farmácia,
Nutrição, Psicologia e Serviço Social – cada uma com 04 vagas, perfazendo um
ingresso anual de 20 residentes. Os cenários de práticas da Residência
Multiprofissional são: Clínica Médica, Clínica Cirúrgica, Unidade de Doenças
Infecciosas e Parasitárias/Hospital Dia, Centro de Oncologia e Unidades Básicas de
Saúde (UFAL, 2009).
Diante da gravidade da exposição dos profissionais ao bacilo da
tuberculose, é necessário que se tomem medidas de prevenção, sendo importante a
adoção de normas e procedimentos seguros e adequados à manutenção da saúde
dos pacientes, residentes e demais profissionais, ou seja, a implementação do
monitoramento das medidas de biossegurança. Nesse sentido, o presente estudo
buscou analisar o nível de conhecimento dos residentes sobre as medidas de
biossegurança em tuberculose hospitalar, afastando de si circunstâncias nocivas à
sua saúde, assim como os entraves à sua implementação.
2.1 MÉTODO
Esta é uma pesquisa de natureza qualitativa que utiliza a Análise de
Conteúdo de Bardin. O universo da pesquisa situa-se no Programa de Residência
Multiprofissional com cenários de prática na Unidade de Clínica Médica, Unidade de
Doenças Infecciosas e Parasitarias e Unidade Básica de Saúde, realizada durante o
segundo semestre de 2017, e contou com uma amostra totalizando 17 residentes.
Os residentes participantes foram previamente informados sobre a finalidade do
grupo focal e logo após terem sido convidados e concordados em participar,
assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE).
O percurso metodológico foi constituído de pesquisa bibliográfica, pesquisa
documental e pesquisa de campo. A técnica utilizada foi de grupo focal, aplicado em
dois momentos.
27
O primeiro momento consistiu na realização de Grupo Focal 1, composto por
residentes do primeiro ano (R1) do Programa de Residência Multiprofissional em
Saúde do Adulto e do Idoso, com objetivo de identificar, nos profissionais inseridos
no ambiente hospitalar, seu nível de conhecimento sobre medidas de biossegurança
em tuberculose hospitalar. O segundo momento teve por objetivo comparar o nível
de conhecimento sobre medidas de biossegurança em tuberculose hospitalar entre
os R1 e R2, por meio da realização do Grupo Focal 2.
Os dois grupos contaram com roteiro orientador das discussões, com ênfase
nas informações que dispunham sobre a tuberculose hospitalar e suas formas de
transmissão e implicações, assim como com as medidas de biossegurança para a
saúde do residente.
O roteiro para discussão foi o seguinte:
Considerando os conhecimentos e experiências sobre as inúmeras doenças
contagiosas: 1) Discorra a respeito das informações que vocês dispõem sobre a
tuberculose hospitalar e suas formas de transmissão e implicações, assim como as
medidas de biossegurança para a saúde do residente; 2) Fale sobre as
circunstâncias e agravos que podem levar pacientes com tuberculose ao isolamento
respiratório; 3) Discuta sobre os cuidados e precauções que deve ter o
acompanhante de paciente com tuberculose pulmonar bacilífera (escarro positivo),
indicando os objetos de proteção que devem ser utilizados pelo mesmo; 4)
Destaque as medidas de proteção em tuberculose que vocês têm conhecimento e
digam se já utilizaram algumas delas no trabalho no HUPAA/UFAL.
O registro das interações nos grupos focais aconteceu por meio de gravações
e áudios e de anotações cursivas, considerando as falas, reações e impressões, por
parte da pesquisadora. Cada grupo focal teve a duração máxima de cerca de 1 hora
e contou com um relator e um facilitador das discussões. Para efeitos de
conservação do sigilo e preservação da identidade dos participantes da pesquisa, foi
utilizada uma codificação, que substituiu os nomes dos participantes pela profissão.
A interpretação das falas foi orientada pela análise de conteúdo de Bardin,
visto que este tipo de procedimento objetiva descrever o conteúdo explícito ou
implícito no processo de comunicação dos sujeitos, de forma aprofundada,
estabelecendo as conexões com as produções teóricas e com os contextos sociais e
culturais em que emergiram (MINAYO, 2014).
28
O conteúdo do material construído foi analisado com o foco nos objetivos
propostos, a fim de responder à pergunta da pesquisa, que tem por finalidade
analisar o atual nível de conhecimento entre os residentes sobre medidas de
biossegurança em tuberculose hospitalar. Ressalte-se que o material consolidado
teve como base para sua fundamentação as categorias teóricas preestabelecidas, a
saber: tuberculose; biossegurança; formação em saúde.
Realizou-se também uma pesquisa documental, com o propósito de
conhecer e analisar os vários tipos de documento produzidos por um grupo de
profissionais do HUPAA/UFAL, no período de 1998 a junho de 2017, destacando a
grade curricular e as disciplinas voltadas para biossegurança, identificando
conteúdos trabalhados e carga horária.
2.2 RESULTADOS E DISCUSSÃO
Em relação ao grau de conhecimento sobre as implicações da tuberculose
para a saúde do residente, a ênfase nos depoimentos incidiu sobre a insuficiência de
conhecimento no período da graduação, à exceção da enfermagem, que tem na sua
grade curricular, disciplinas específicas, embora apresentando lacunas de conteúdo.
As demais profissões não tiveram aproximações com a temática antes da
experiência na Residência. Desse modo, a Residência passa a ser o locus formativo
para esses residentes. Tal constatação pode ser comprovada por meio das falas a
seguir, primeiro em relação aos integrantes do Grupo focal formado por residentes
do primeiro ano (R1):
A formação é deficitária. O que sabemos sobre tuberculose e outras
doenças a vivência na prática (Psicólogo 2).
A gente sabe no dia a dia que tuberculose é por vias aéreas, então se
precisa de isolamento, mas às vezes a experiência nos diz que o isolamento
é só do paciente, o acompanhante que está lá dentro sai perambulando
pelos corredores então tem outros contatos (Enfermeira 1).
Cabe ressaltar que os R1 têm como cenário de prática a Clínica Médica, que
se configura como um setor de risco, por ter um isolamento respiratório para
tratamento de pacientes com tuberculose. Nesse sentido, faz-se necessário o
conhecimento das medidas de biossegurança, às quais não tiveram acesso os
envolvidos na pesquisa na graduação, nem tampouco na formação em serviço da
modalidade Residência Multiprofissional sabendo-se que nesse contexto, de acordo
29
com Kritski et al. (2005), os profissionais de saúde apresentam risco aumentado de
infecção e adoecimento por tuberculose (TB), se comparado à população geral.
Todavia, as medidas para controle e prevenção da transmissão do bacilo de
tuberculose no ambiente hospitalar são efetivas e deveriam ser de conhecimento de
todos os profissionais de saúde. Tais medidas dividem-se em três categorias: a)
administrativas (ou gerenciais); b) ambientais (ou de engenharia); c) proteção
respiratória.
No tocante às medidas de biossegurança relativas à necessidade de
isolamento, Kritski (2005) adverte que as medidas de maior impacto, de mais fácil
operacionalização e de menor custo consistem nas medidas de proteção respiratória
e administrativas.
Os depoimentos dos Residentes do segundo ano (R2), apresentam um
maior aproximação teórica coma temática. Embora os depoimentos dos residentes
advindos do curso de enfermagem revelem apenas as noções básicas sobre as
implicações da tuberculose para a saúde do residente – proveniente da graduação –
os seus depoimentos apresentaram um maior conhecimento sobre a temática, o que
se pode constatar nas falas seguintes:
A forma de transmissão direta é através da fala, do espirro. É muito falha
nossa formação. Como muitos falaram, a gente ainda não teve aula de
biossegurança (Assistente Social 3).
Você chega na Residência e não tem orientação sobre biossegurança, [...],
você é exposto várias vezes para depois começar a estudar e perceber as
situações de risco que vivenciou (Nutricionista 4).
A transmissão é pelos aerossóis, que são transmitidos através da fala, da
tosse, do espirro (Enfermeira 3).
Os depoimentos do grupo focal 1 (GF1) e do grupo focal 2 (GF2),
relativos ao conhecimento sobre a tuberculose, evidenciam a importância do
conhecimento na formação de todos os profissionais, e os participantes, em sua
maioria, citaram a formação deficitária neste sentido, demonstrando interesse na
oportunidade de acesso a esses conhecimentos.
É importante compartilhar o conhecimento de biossegurança, principalmente
com as outras áreas [...] contato com esse paciente use a máscara, mas eu
acho que deveria ter uma conscientização dessas orientações por estarmos
expostos ali diariamente várias horas, e é interessante ter acesso a essa
informação, eu acho (Enfermeira1)
Acho muito deficitária a formação em psicologia nesse sentido, se eu estou
no hospital eu tenho que saber qual é a segurança que eu tenho (Psicólogo
1).
30
Como foi falado sobre a criação de um fluxo, é muito importante lá no HD,
mas à frente disso está um treinamento, uma preparação independente de se
saber se o paciente tem ou não, ele vai precisar receber esse
acompanhamento multiprofissional (Enfermeira 4).
Observa-se, pelos depoimentos, que os profissionais de enfermagem são mais
informados por terem usufruído, em uma grade curricular do curso de graduação, de
disciplina relativa à tuberculose. Apesar disto, esses residentes revelam que tais
conhecimentos não atenderam às suas necessidades, como se pode verificar pelo
relato: “[...] o isolamento é só do paciente, o acompanhante que está lá dentro sai
perambulando pelos corredores, então tem outros contatos [...] só isola o paciente
que está suspeito ou no caso com tuberculose...” (Enfermeira1). Em relação à
transmissão, seguem depoimentos:
A gente sabe no dia a dia que tuberculose é por vias aéreas, então se
precisa de isolamento de contato mas, às vezes a experiência nos diz que o
isolamento é só do paciente, o acompanhante que está lá dentro sai
perambulando pelos corredores então tem outros contatos, só isola o
paciente (Enfermeira 1).
O que sei é que existe o tratamento e ai na fase inicial realmente tem que
ter essa precaução de isolamento [...] e após não sei como é a avaliação,
exame não sei o que é feito, se o paciente pode depois voltar para o
convívio (Nutricionista 2).
Muita gente acha que via respiratória vai pegar pelo ar e nem sempre é
assim, a bactéria é transmitida por contato porém está em via respiratória,
então o que é isso... ela vai tossir a secreção vai tocar em algum local e se
tem o contato não é no ar (Enfermeira 2).
Diante dos relatos acima, fica claro o desconhecimento sobre transmissão da
tuberculose, considerando a afirmação de necessidade de isolamento para os
acompanhantes, a falta de posicionamento de três participantes da pesquisa, e
outros que afirmaram que: a bactéria seria transmitida pelo contato; a tosse, a
secreção, vai tocar em algum local e, se tem o contato, esta transmissão não é pelo
ar; as precauções da tuberculose só devem ser tomadas quando de fato é
descoberto e confirmado o diagnóstico; ignoram como são os exames para
avaliação, e também, não sabem como orientar, quando os pacientes devem voltar
ao convívio; não sabem duração de tratamento afirmando que a tuberculose não se
desenvolve se o sistema imune estiver normal.
Em contraposição às opiniões destes últimos entrevistados acima e de acordo
com o Ministério da Saúde (BRASIL, 2015, a transmissão ocorre através do ar, por
meio de gotículas que contêm os bacilos expelidos por um doente, ao tossir, espirrar
31
ou falar em voz alta. Quando estas gotículas são inaladas por pessoas sadias,
provocam a infecção tuberculosa e o risco de desenvolver a doença. A fonte de
infecção mais importante, do ponto de vista epidemiológico, é o portador da forma
pulmonar da enfermidade, com bacilo detectável no escarro através do exame
direto. Os usuários com baciloscopia do escarro positiva são denominados
bacilíferos e eliminam pelo menos 5.000 bacilos por ml de escarro. Assim, ao falar,
espirrar e, sobretudo, ao tossir, o paciente bacilífero expele gotículas oriundas do
trato respiratório.
No tocante às medidas de biossegurança para a saúde do residente, cabe
destacar, nos depoimentos dos R1, a questão subjetiva da biossegurança,
particularmente em relação ao medo e à insegurança expressa por alguns, que
decorre da falta de informação sobre como proceder frente ao desafio de cuidar. As
consequências dos sentimentos expressos por esses trabalhadores inseridos nos
espaços de risco são evidenciadas através dos depoimentos que seguem:
Fico pensando até onde vai essa segurança, quem sabe o que o paciente
tem? Como é disseminado? Isso me preocupa (Assistente Social 4).
Equipamento de proteção deve ser usado independentemente de estar com
suspeita, nós estamos em um lugar que é de risco, [...] a gente tem contato
várias vezes e aí chega no dia que o paciente descobriu alguma doença ou
enfermidade que possa contaminar (Psicólogo 2).
Diante dos relatos dos envolvidos na pesquisa, fica evidenciada a inabilidade
no uso das medidas de biossegurança, fragilidade do conhecimento desses sujeitos,
como também a necessidade da Residência Multiprofissional aprimorar o processo
de aprendizagem por meio da melhoria dos conteúdos das disciplinas, treinamentos,
ciclos de estudo e incremento às atividades desenvolvidas por esses profissionais.
A
abrangência
da
biossegurança
deve
considerar
que
esses
profissionais estão expostos a riscos, não só químicos, infecciosos (biológicos),
mecânicos, mas também psicológicos, muitas vezes com repercussão no seu
componente emocional, tomando-se como exemplo o fato, evidenciado por Santa e
Cantilino (2016), de que a taxa de suicídio entre estudantes de nível superior é maior
entre os estudantes de medicina. Diante disto, os profissionais residentes estão
inseridos em um cenário de prática onde vários outros fatores devem ser
considerados, nesse período de formação profissional.
Santa e Cantilino (2016) referem que entre os fatores associados à taxa
de suicídio, incluem-se fatores sociais e ambientais e, entre estes últimos, cita a alta
32
carga de trabalho, as condições de trabalho e pressão psicológica. Com base nisto,
verifica-se a necessidade de se avançar em medidas de biossegurança, com
enfoque na saúde mental.
No tocante a visão dos R2 sobre as medidas de biossegurança, os
depoimentos a seguir demonstram que mesmo os R2, apesar de já terem recebido
informações nas disciplinas da Residência, deixam transparecer insegurança e
medo diante das situações vivenciadas.
Também utilizei a máscara no HD e recentemente a gente recebeu um
óculos, mas não foi explicado quando usar [...] eu não sei como é que usa ou
para que usa (Assistente Social 3).
O diagnóstico às vezes demora a sair, é um fator que dificulta mais esse
controle, mas ele também é um paciente que precisa usar máscara, [...] a
demora no resultado do exame de escarro consiste em falha operacional no
controle da tuberculose hospitalar (Enfermeira 4).
Segundo Penna et. al (2010), para que as ações de biossegurança
sejam efetivas é necessário que todos os envolvidos em atividades de risco estejam
devidamente informados acerca das diretrizes atuais, bem como aptos a colocá-las
em prática de maneira correta.
Nos depoimentos, observa-se também a existência de falhas no serviço
vivenciado pelos profissionais pesquisados que foram percebidas por expressões de
contestação diante da fragilidade do hospital da residência, em relação aos
cuidados, principalmente em relação ao isolamento.
Quanto às medidas de biossegurança para a saúde do residente, foi muito
mencionada a falta de informação relacionada à demora no fechamento do
diagnóstico, ficando o paciente exposto e contaminando os demais, sem que a
equipe tenha conhecimento.
Em relação aos equipamentos de proteção, houve pouca discussão,
sendo mencionada a máscara N95 apenas como forma de proteção; a maioria dos
profissionais não se posicionou sobre o assunto, demonstrando, inclusive, falta de
conhecimento em relação a outros equipamentos de proteção.
Diante do exposto, é factível prevenir a transmissão da tuberculose em
serviços de saúde, por meio de controle da infecção, aplicação das diretrizes de
biossegurança, capacitação e sensibilização dos profissionais sobre os riscos
biológicos (SILVA e NAVARRO, 2013). Há necessidade também dos trabalhadores
33
da saúde se reconhecerem como uma população sujeita ao risco de adoecimento, e
de efetivarem suas ações no sentido de reduzir os riscos nos setores onde os
pacientes com tuberculose são assistidos (MACIEL et al., 2009).
Em relação ao conteúdo das disciplinas da Residência Multiprofissional
em Saúde do Adulto e do Idoso, frente às exigências das medidas de biossegurança
em tuberculose hospitalar, observa-se na fala dos residentes que participaram da
pesquisa a grande lacuna existente, que deixa os residentes em situação de
vulnerabilidade e que determina a urgente necessidade de mudança no conteúdo da
grade curricular do referido curso. Inquiridos sobre a grade curricular das disciplinas
do curso que fizeram, os participantes deram os depoimentos a seguir: “[…] tem na
matriz curricular a disciplina biossegurança na residência, só que acontecia no
segundo ano; a gente já tem passado pelo hospital inteiro, [...] então o que tinha que
pegar já foi” (Psicólogo 2).
Como foi falado, a criação de um fluxo é muito importante lá no HD, mas à
frente disso está um treinamento, uma preparação independente de
sabermos se o paciente tem ou não. Ele vai precisar receber esse
acompanhamento multiprofissional (Enfermeira 4).
Cabe destacar, também, que no conteúdo das disciplinas nos dois anos de
Residência, das 73 disciplinas que fazem parte de sua matriz curricular quatro
disciplinas abordam a biossegurança em tuberculose, a saber: (1) Segurança do
paciente; (2) Biossegurança; (3) Adulto e Idoso nos programas de Hiperdia,
Diabetes, DST-AIDS e TB; e (4) Assistência de enfermagem em Tuberculose e
Hanseníase. No entanto, nenhuma dessas quatro disciplinas está sendo
desenvolvida durante o primeiro semestre da Residência. Nesse contexto, a
disciplina Assistência de enfermagem em Tuberculose e Hanseníase é ministrada
durante o segundo semestre, porém é específica para os profissionais de
enfermagem, enquanto as disciplinas Segurança do paciente e Biossegurança
ocorrem no terceiro semestre, e a disciplina Adulto e Idoso nos programas Hiperdia,
Diabetes, DST-AIDS, Tuberculose no quarto semestre.
Ressaltamos que o referencial teórico e a formatação para as referidas
disciplinas não atendem à exigência do pleno conhecimento das medidas de
prevenção e uso de proteção individual como pré-requisito ao desenvolvimento de
qualquer atividade pelo estudante no ambiente hospitalar, incluindo a atividade de
transitar em ambulatório e enfermarias durante aulas práticas, mesmo quando estas
34
atividades estejam relacionadas às referidas disciplinas. Portanto, tal aprendizado só
seria eficaz se incluído ainda na fase de acolhimento aos residentes, já que o bacilo
teoricamente circula em enfermarias e ambulatórios desde sempre.
Cabe destacar, que as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN), pressupõem,
por excelência, uma compreensão ampliada e sistêmica da saúde, em vez de uma
visão alienante e dicotômica, que fragiliza a capacidade reflexiva e crítica (BACKES
et al., 2014). Nesses termos, as DCN exigem um novo perfil profissional, para atuar
em equipes multiprofissionais de saúde, bem como a necessidade de intensificar a
aproximação e o diálogo entre as instituições formadoras e os serviços de saúde.
Os depoimentos evidenciaram, ainda, a preocupação com a socialização das
informações como uma necessidade do trabalho em equipe, visto que, das cinco
profissões que integram a Residência Multiprofissional, apenas a enfermagem traz
um conhecimento advindo da graduação. As demais aprendem na prática, sem
qualquer capacitação, no momento da sua inserção na Residência. Nesse sentido, o
trabalho em equipe, na perspectiva interdisciplinar, pressupõe trocas significativas,
tanto de conceitos, teorias e métodos, quanto de práticas, de modo que os pares
que detêm os diferentes conhecimentos trabalhem integrados e articulados entre si e
com o todo (BACKES et al., 2014). Para ocorrer à citada integração é preciso haver
um pensamento organizador único aqui denominado de pensamento complexo,
compreendido como sendo tudo “aquilo que é tecido em conjunto” (MORIN, 1990, p.
20).
No tocante à comparação do nível de conhecimento sobre medidas de
biossegurança em tuberculose hospitalar entre os R1 e R2 do Programa de
Residência Multiprofissional em Saúde do Adulto e do Idoso, cabe considerar que o
processo de ensino e aprendizagem está relacionado ao objeto desejável da
mudança do papel de responsabilidade do setor da educação, da orientação dos
cursos. O apoio à mudança no ensino pode e deveria ter como objetivo o
engendramento de novas relações de compromisso e responsabilidade, entre as
instituições formadoras e o SUS.
Em relação aos R1, constata-se que não sabem lidar com a situação de risco
por receio de contágio, decorrente da falta de conhecimento na abordagem ao
paciente e ao acompanhante. A dificuldade é tamanha que alguns depoimentos
correm o risco de passar a ideia de preconceito em relação ao uso dos
35
equipamentos, como uma dificuldade na relação profissional-paciente, e também de
discriminação.
Eu vou falar com paciente de máscara, vou pro outro sem máscara e aí
como é que vai ficar essa distinção? É como se fosse a maior barreira do
mundo essas EPI. Vamos ter que desmistificar e demonstrar essa
importância, de usar esses EPI no dia a dia, eu acho que se deve usar
independente de estar com suspeita, sempre lembrar da importância dos
pacientes para que não fique nessa de ‘aquele doutor tem nojo de mim
porque sempre vem aqui com a luva, vem com a máscara e o outro não
vem (Psicólogo 1).
Essas coisas que vocês trouxeram, tem a ver com biossegurança. As
medidas de que a gente chama de precaução padrão, esse é pra todo
mundo, independente. E o que muita gente não utiliza, saber quando é que
o uso de luva é necessário. Tem tudo isso é muito falho na nossa formação.
Como muitos falaram a gente ainda não teve aula de biossegurança
(Enfermeira 2).
É importante que a gente quando entrasse no hospital, na residência tivesse
a informação. Porque a realidade a gente está vivenciando agora [...] a
gente ir à enfermaria todo encapuzado, o porquê tem que usar aquela
máscara, a partir do momento que entendemos diminui o sentimento de
incômodo por aquilo. Também a gente pode estar levando alguma coisa
para o paciente que esteja com a imunidade baixa (Enfermeira 2)
Tal perspectiva limita a abordagem do cuidado, na medida em que a
socialização das informações ao paciente e acompanhante integram as ações de
educação em saúde. Deste modo, apenas o profissional de enfermagem detinha
mais informações, que decorreram da sua graduação.
Comparando as falas R1 e R2, observa-se o desconhecimento e a não
utilização adequada das máscaras especiais pelos R1, enquanto que entre os
residentes R2, apesar de terem conhecimento da máscara e da necessidade de sua
utilização, eles observam que inexiste uma atenção para isto em outros setores do
HUPAA de modo geral, sem que, no entanto este conhecimento seja observado em
todos os R2. Além disso, percebe-se que o fato de estar informado não significava
necessariamente mudança de comportamento e adoção da medida da proteção
individual por todos os R2. Como agravante dessa questão, todos os R1 já deveriam
ter conhecimento e adotar as referidas medidas de proteção individual no início de
suas atividades como residentes, pois estas são iniciadas por eles na enfermaria de
Clínica Médica, que inclui quarto individual para isolamento para pacientes com
suspeita ou diagnóstico de tuberculose pulmonar, de vias aéreas.
Pressupõe-se que os residentes já deveriam ter se apropriado deste
conhecimento previamente, quando do seu ingresso na residência multiprofissional –
durante o curso de graduação –, pois em todas as suas especialidades, ao atuarem
36
em serviços de saúde, poderão lidar com sintomáticos respiratórios ou indivíduos
com tuberculose de vias aéreas, não sendo este tipo de ensino-aprendizagem um
apanágio do curso de especialização ou de residência multiprofissional.
Diante do exposto, cabe ressaltar que, no setor da saúde, a incorporação de
inovações tecnológicas é premente e deve ser constante, para que novos processos
decisórios repercutam na concretização da responsabilidade técnico-científica, social
e ética do cuidado, do tratamento ou acompanhamento em saúde. A área da saúde
requer educação permanente, por ter uma lógica descentralizadora, ascendente e
multiprofissional, além de ter a possibilidade de propiciar resultados desejáveis,
como a democratização institucional; o desenvolvimento da capacidade de
aprendizagem e da capacidade de docência e de enfrentamento criativo das
situações de saúde; a possibilidade de trabalhar em equipes matriciais e de
melhorar permanentemente a qualidade do cuidado à saúde, bem como de constituir
práticas técnicas críticas, éticas e humanísticas (CECCIM e FERLA, 2008). Portanto,
mudar a formação e a gestão do trabalho em saúde é algo complexo, já que as
mudanças se dão nas relações, nos processos, nos atos de saúde e nas pessoas.
37
2.3 CONCLUSÃO
Esta pesquisa buscou apreender qual o nível de conhecimento dos residentes
sobre as medidas de biossegurança, em tuberculose hospitalar, ao serem inseridos
nos cenários de prática do HUPAA/UFAL. A importância da biossegurança no
ambiente hospitalar é apontada por diversos autores e várias justificativas são
apresentadas em relação à necessidade de sua efetiva aplicabilidade, para a saúde
do trabalhador.
Verificou-se uma lacuna entre teoria e prática que nos levou a concluir sobre
a necessidade de treinar os residentes no momento do acolhimento em sua inserção
no cenário de prática devido a uma insuficiência de conhecimento por parte dos
residentes acerca das medidas de biossegurança em tuberculose hospitalar, assim
com a mudança na proposta curricular da residência multiprofissional, considerando
sua inserção em cenários de práticas de maiores riscos no hospital. Por isso, a
necessidade de antecipação, na grade curricular, das disciplinas Segurança do
Paciente e Biossegurança, que ocorrem no terceiro semestre, e da disciplina Adulto
e Idoso nos Programas de Hiperdia, Diabetes, DST-AIDS e Tuberculose, no quarto
semestre. A ausência dessas disciplinas nos primeiros semestres da Residência
pode explicar o não atendimento à exigência de pleno conhecimento das medidas
de prevenção e uso de proteção individual como pré-requisito ao desenvolvimento
das atividades pelos residentes no ambiente hospitalar, incluindo transitar em
ambulatórios e enfermarias durante aulas práticas. Tal aprendizado, portanto, só
será eficaz se incluído ainda na fase de acolhimento aos residentes, pois,
teoricamente, o bacilo já estaria previamente circulando nas enfermarias e
ambulatórios.
A contribuição dos resultados da pesquisa incidirá na
difusão de
conhecimentos sobre as medidas de biossegurança em tuberculose hospitalar na
formação dos residentes, através de treinamento a ser feito durante sua inserção no
cenário de prática, além da realização das disciplinas concernentes ao tema durante
o
primeiro
semestre
da
Residência,
enquanto
componentes
pedagógicos
fundamentais para proteção e redução da probabilidade de infecções e,
consequentemente, do adoecimento por tuberculose, desta forma contribuindo para
melhoria na qualidade de vida dos residentes. Em suma, pode-se concluir que a
inserção das ações de controle da tuberculose hospitalar na matriz curricular da
38
residência terá resultados positivos em relação ao conhecimento em biossegurança
para os residentes, profissionais e usuários de saúde no ambiente hospitalar.
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41
3 PROPOSTA DE INTERVENÇÃO
Título: Treinamento sobre Biossegurança em Tuberculose Hospitalar com
residentes do Programa de Residência Multiprofissional em Saúde do Adulto e do
Idoso do HUPAA/UFAL.
INTRODUÇÃO
A tuberculose apresenta-se, até os dias atuais, como uma das maiores
causas de morbidade e mortalidade, ainda que a descoberta do bacilo tenha
ocorrido em 1882. Os profissionais de saúde apresentam risco aumentado de
infecção e adoecimento por tuberculose, quando comparados com a população
geral, em decorrência da exposição diária, no ambiente de trabalho e, mais
especificamente, no meio hospitalar. As medidas de biossegurança em tuberculose
hospitalar visam o controle da transmissão nosocomial do bacilo, tanto entre
pacientes, como de paciente para o profissional de saúde, e vice-versa (KRITSKI,
2005).
A propagação da tuberculose está intimamente relacionada às condições de
vida da população, ocorrendo de modo desigual entre países pobres e ricos.
Enquanto a tuberculose se tornava rara em países desenvolvidos, permaneceu com
incidência alta entre aqueles em desenvolvimento. Com o advento da síndrome da
imunodeficiência adquirida (AIDS), casos de tuberculose começaram a aumentar em
países nos quais estava declinando, enquanto que, nos países em desenvolvimento,
nos quais permanecia como sério problema de saúde pública, a epidemia de AIDS
causou um impacto muito maior, levando a Organização Mundial de Saúde (OMS),
em 1993, a declarar a tuberculose uma emergência mundial (MANDELL et al.,2015).
Embora seja primariamente um patógeno pulmonar, M. tuberculosis pode
causar doença em todo o corpo. Além disso, pode variar desde uma infecção
assintomática a uma doença ameaçadora à vida. Do ponto de vista de saúde
pública, os indivíduos podem ser classificados como: a) virgens de infecção (sem
contato prévio com o bacilo), b) infectados pelo M. tuberculosis ou c) doentes de
tuberculose, entre os quais aqueles com tuberculose pulmonar ativa, principalmente
os com escarro positivo para pesquisa de bacilos álcool-ácido resistente (BAAR),
42
que são os transmissores da doença e representam a fonte de infecção (NATURE,
2017).
Estima-se que cerca de um terço da população mundial esteja infectada com
o Mycobacterium tuberculosis, estando sob risco de desenvolver a enfermidade.
Situações que aumentem as chances de aproximação entre a fonte de infecção e
indivíduos susceptíveis, virgens de infecção, aumentam o risco de transmissão e
infecção pelo M. tuberculosis, como é o caso da aglomeração humana, influenciada
por condições de transporte, habitação, e trabalho, dentre outras. Outros fatores
influenciam o risco de adoecimento em indivíduos infectados pelo bacilo, tais como,
idade, estado nutricional, estresse e acesso a lazer, formas de reposição de energia,
etilismo, tabagismo, comorbidades, infecções associadas, dentre outros. Indicadores
de saúde da população, como cobertura do saneamento básico, taxas de
imunização infantil e expectativa de vida, também predizem, independentemente, a
incidência de tuberculose.
Cabe considerar que a pandemia de AIDS é atualmente o fator isolado que
mais tem contribuído para o aumento no número de casos de tuberculose. Em 2016,
o risco de desenvolver tuberculose, a doença, entre os 37 milhões de pessoas que
viviam como Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV), era cerca de 21 vezes maior
do que o risco no resto da população mundial. Estima-se mais de um milhão de
casos de tuberculose entre as pessoas que vivem com HIV – de 10% de todos os
casos globais de tuberculose, em 2016. As pessoas vivendo com HIV têm muito
mais chances de morrer de TB do que pessoas HIV negativas, sendo que uma, em
cada cinco (22%) das mortes por tuberculose, ocorrem entre pessoas vivendo com
HIV (WHO, 2017).
A tuberculose é a nona principal causa de morte no mundo e a principal causa
por um único agente infeccioso, superando o HIV/AIDS. Em 2016, estima-se que
houve 1,3 milhões de mortes por tuberculose entre pessoas soronegativas (menos
de 1,7 milhões em 2000) e mais 374.000 mortes entre pessoas HIV-positivas, o que
representa quase 40% de todas as mortes relacionadas à AIDS. Estima-se que 10,4
milhões de pessoas adoeceram com tuberculose em 2016, e destas, 90% eram
adultos, 65% eram homens, 10% eram pessoas vivendo com o VIH (74% na África)
e 56% em cinco países: Índia, Indonésia, China, Filipinas e Paquistão (WHO, 2017).
A emergência de tuberculose resistente às drogas é atualmente uma grande
preocupação. A OMS estimou 600.000 novos casos em 2016 com resistência à
43
rifampicina, a mais efetiva droga de primeira linha, sendo 490.000 casos com
tuberculose multidrogarresistente (resistência a pelo menos isoniazida e rifampicina).
Destes, 6,2% tinham tuberculose extensivamente resistente às drogas (TB-XDR), ou
seja, com cepas resistentes ao menos a rifampicina, isoniazida, uma fluoroquinolona
e um aminoglicosídeo (WHO, 2017). Em termos gerais, há três grandes ameaças ao
controle global da TB: 1) Condições sociais precárias, incluindo habitação e nutrição
inadequada; 2) Comprometimento imunológico relacionado à pandemia do HIV, e
surgimento de tuberculose resistente a medicamento (MANDELL, 2015).
O Brasil é responsável por um terço dos casos de tuberculose nas Américas e
ocupa a 20ª posição no ranking da Organização Mundial de Saúde (OMS) que inclui
os 20 países com maior incidência de tuberculose e que, juntos, correspondem a
83% dos casos no mundo. No Brasil, os números dos últimos anos apontam para
uma desaceleração, tanto no número de diagnósticos, quanto na mortalidade por
tuberculose. A incidência, em 2006, passou de 38,7casos, para 32,4, por 100 mil
habitantes, em 2016, enquanto que, de 2004 a 2015, o coeficiente de mortalidade
passou de 2,8 para 2,2 por 100 mil habitantes (BOLETIM, 2017).
Mas, a quantidade de novos casos da tuberculose, a cada ano, ainda é
considerada alta, principalmente, entre populações mais vulneráveis, como os
indígenas, pessoas privadas de liberdade e indivíduos em situação de rua. Nesse
sentido, em 2016, foram registrados 66.796 casos novos e 12.809 casos de
retratamento de tuberculose, no país. Entre os 76% dos casos com resultado
conhecido do teste anti-HIV, 13% eram HIV positivos. No mesmo ano, foram
registrados mais de 5 mil mortes por tuberculose e quase 2 mil pela coinfecção,
tuberculose e HIV. Foram registrados 1.044 casos com resistência aos
medicamentos para tuberculose, no Sistema de Informação de Agravos de
Notificação (SINAN), sendo 700 casos novos com resistência à rifampicina ou
multidrogarresistente e 10 casos de TB-XDR (BOLETIM, 2017).
De acordo com o Ministério da Saúde (BRASIL, 2015), a transmissão da
doença ocorre através do ar, por meio de gotículas contendo os bacilos expelidos
por um doente, ao tossir, espirrar ou falar em voz alta. Quando estas gotículas são
inaladas por pessoas sadias, provocam a infecção tuberculosa e o risco de
desenvolver a doença. A fonte de infecção mais importante, do ponto de vista
epidemiológico, é o portador da forma pulmonar da enfermidade com bacilo
detectável no escarro, através do exame direto. Os indivíduos com baciloscopia do
44
escarro positiva são denominados bacilíferos e eliminam pelo menos 5.000 bacilos
por mL de escarro. O paciente bacilífero ao falar, espirrar e, sobretudo, ao tossir
expele gotículas oriundas do trato respiratório.
O indivíduo que convive no mesmo domicílio com um caso índice para o qual
a investigação de contato é direcionada, embora que, nem sempre corresponda ao
caso fonte, no momento do diagnóstico de tuberculose pulmonar, prioritariamente
com baciloscopia de escarro positiva, é considerado contato domiciliar (TDO, 2017).
Valoriza-se apenas o contato no mesmo espaço físico fechado, como ocorre em
instituições, abrigos e, mesmo, no ambiente de trabalho. Esse contato é a condição
de maior risco de transmissão da tuberculose para indivíduos suscetíveis. Em
crianças,
preconiza-se
a
investigação
de
todos
os
seus
contatos,
independentemente da forma clínica (TDO, 2017).
Segundo Neto et al (2010), os casos de tuberculose geralmente são
ambulatoriais, no entanto, o número de casos diagnosticados e tratados em
hospitais é bastante significativo, tanto devido a desorganização do sistema de
saúde, em algumas regiões, como pela associação da tuberculose à infecção por
HIV e a outras doenças imunossupressoras, o que dessa forma representa risco,
para os profissionais de saúde e demais usuários do serviço. Entretanto, não há
dados nacionais consolidados sobre número de casos de tuberculose em
profissionais de saúde e medidas específicas de controle dessa transmissão em
hospitais, a exemplo do inquérito tuberculínico, visto que, tais medidas carecem
ainda de implementação.
Em hospitais gerais, com atendimento superior a 30 casos de tuberculose por
ano, é preconizada a implantação do Programa do Controle da Tuberculose
Hospitalar (PCTH), para o efetivo controle da transmissão intra-hospitalar da
tuberculose. Uma das metas desse programa consiste em oferecer treinamento aos
profissionais de saúde, sobre medidas de biossegurança (KRITSKI, 2005).
Os profissionais de saúde, comparando-se à população geral, apresentam
risco aumentado de infecção e adoecimento por tuberculose (TB). Todavia, as
medidas para controle e prevenção da transmissão do bacilo de tuberculose no
ambiente hospitalar são efetivas e deveriam ser de conhecimento de todos os
profissionais de saúde (KRITSKI, 2005).
De acordo com Kritski (2005), as medidas de controle da transmissão
nosocomial da tuberculose divide-se em três categorias: a) administrativas (ou
45
gerenciais); b) ambientais (ou de engenharia); c) proteção respiratória. Dentre tais
medidas, as de maior impacto, de mais fácil operacionalização e de menor custo
consistem nas medidas de proteção respiratória e administrativas.
As medidas administrativas baseiam-se na busca e identificação precoce de
casos potencialmente infectantes, agilidade em iniciar o tratamento efetivo, e
controle do fluxo na instituição. As medidas de proteção respiratória, por sua vez,
baseiam-se no uso de máscaras apropriadas (KRITSKI, 2005).
As medidas de controle ambiental (ou de engenharia) devem ser
consideradas somente após definição das medidas administrativas apropriadas para
a Unidade de Saúde, pois, se as medidas administrativas estiverem inadequadas, as
medidas de controle ambiental não reduzirão o risco de transmissão.
O Hospital Universitário Professor Alberto Antunes (HUPAA), da Universidade
Federal de Alagoas (UFAL), foi o primeiro hospital da América Latina a demonstrar
que é possível controlar a taxa de abandono de tratamento por TB em hospitais
através do atendimento interdisciplinar, acompanhado de visita domiciliar aos
faltosos. Em 2008, foi elaborado plano de ação para implantação de Programa de
controle de Tuberculose Hospitalar (PCTH) do HUPAA, por uma comissão de
controle da TB hospitalar formada pelos setores de Medicina do Trabalho, Hospital
Dia, Ambulatório de Tuberculose, Serviço Social, Laboratório, CCIH e Engenharia
Hospitalar de Segurança, sendo também elaborado Manual de Controle da TB
hospitalar, para profissionais de hospitais (PAIVA et al.,1999). Atualmente, identificase, no HUPAA, a deficiência de medidas de proteção da TB hospitalar, o que
compromete o controle da doença, além de aumentar o risco de infecção, entre os
residentes e demais profissionais de saúde.
O Projeto de Residência Integrada Multiprofissional do Adulto e do Idoso da
UFAL, oficializado através da Resolução nº 74/2009-CONSUNI/UFAL, de 06 de
novembro de 2009, e revisado em 2011, propôs-se trabalhar a formação mediante o
ensino e a prática, tendo como foco as necessidades da população. Das sete
profissões previstas no primeiro projeto, atualmente, apenas cinco profissões
participam da Residência – Enfermagem, Farmácia, Nutrição, Psicologia e Serviço
Social – cada uma com 04 vagas, perfazendo um ingresso anual de 20 residentes.
As áreas de Educação Física e Fisioterapia não tiveram suas vagas renovadas em
função de dificuldades para a consecução e manutenção de tutores, preceptores, e
de professores específicos dessas áreas profissionais. O Programa possui uma
46
carga horária total de 5.760 horas a serem cumpridas no HUPAA e nas Unidades
Básicas de Saúde (UBS), sob a supervisão de profissionais das áreas citadas.
Os cenários de práticas da Residência Multiprofissional em Saúde do Adulto
e do Idoso, da UFAL, destinados à formação do residente são: Clínica Médica,
Clínica Cirúrgica, Unidade de Doenças Infecciosas e Parasitárias/Hospital Dia,
Centro de Oncologia e Unidades Básicas Graciliano Ramos e Dídimo Otto Kümmer.
Desses cenários de prática, evidenciamos a Unidade de Doenças Infecciosas
e Parasitárias/Hospital Dia, como cenários de maior risco. Nesse universo, a Clínica
Médica destaca-se por sua enfermaria, onde são internados pacientes com
tuberculose, incluindo aqueles em isolamento respiratório. A Unidade de Doenças
Infecciosas e Parasitárias/Hospital Dia, por ser o espaço de desenvolvimento das
ações do Programa de Controle da Tuberculose e pelo fato de seu ambulatório
constituir-se em referência terciária em Alagoas, espaço de saúde para onde são
encaminhados pacientes com tuberculose multidrogarresistente. Além desses
espaços, também se considera o Serviço Ambulatorial Especializado para
atendimento a paciente com HIV/AIDS e o Hospital Dia, que atendem casos de
coinfecção HIV/Tuberculose, que possui capacidade instalada de internamento dia
para estes coinfectados, inclusive, para aqueles com indicação para isolamento
respiratório. Para a Clínica Médica e Unidade de Doenças Infecciosas e
Parasitárias/Hospital Dia também são referenciados os casos de tuberculose do
sistema prisional.
Diante da gravidade da exposição dos profissionais e alunos, ao bacilo da
tuberculose, evidenciamos que é necessário que sejam adotadas medidas de
prevenção, como também, que os conteúdos referentes a essas questões sejam
inclusos na grade curricular dos cursos de formação dos profissionais de saúde,
visto que, tais conteúdos já deveriam ter sido ministrados no curso de graduação
desses profissionais.
3.1 JUSTIFICATIVA
Atualmente, das 73 disciplinas que fazem parte da matriz curricular da
Residência, quatro destas abordam a biossegurança em tuberculose, a saber: 1)
Segurança do paciente; 2) Biossegurança; 3) Adulto e Idoso nos programas de
Hiperdia, Diabetes, DST-AIDS, e TB; e 4) Assistência de enfermagem em
47
Tuberculose e Hanseníase. Vale ressaltar que nenhuma dessas quatro disciplinas
está sendo desenvolvida durante o primeiro semestre da Residência, como também,
que a disciplina Assistência de enfermagem em Tuberculose e Hanseníase é
ministrada durante o segundo semestre, mas é específica para os profissionais de
enfermagem, enquanto que, as disciplinas Segurança do paciente e Biossegurança
ocorrem no terceiro semestre e as disciplinas Adulto e Idoso são ministradas nos
programas Hiperdia, Diabetes, DST-AIDS; enquanto que a disciplina que enfoca a
Tuberculose é trabalhada, apenas, no quarto semestre.
Ressalte-se que o referencial teórico e a formatação para as referidas
disciplinas não atendem à exigência do pleno conhecimento das medidas de
prevenção e uso de proteção individual, como pré-requisito ao desenvolvimento de
qualquer atividade exercida pelo residente, no ambiente hospitalar, incluindo
transitar em ambulatório e enfermarias durante aulas práticas, mesmo que
relacionadas às referidas disciplinas. Portanto, tal aprendizado só seria eficaz se
incluído ainda na fase de acolhimento aos residentes, já que o bacilo, teoricamente,
circula em enfermarias e ambulatórios.
Em geral, os conteúdos dos cursos e as tecnologias a serem utilizadas devem
ser determinados a partir da observação dos problemas no dia a dia do trabalho e
precisam ser solucionados para que os serviços prestados ganhem qualidade e
resolutividade, incluída aí a biossegurança. Nesse sentido, cabe ressaltar que “a
formação e intervenção não se separam” (BRASIL, 2011, p.76).
A proposta sobre construir projetos de formação a partir da realidade coloca a
necessidade de intensificar a aproximação e o diálogo entre as instituições
formadoras e os serviços de saúde. Para os atores envolvidos nesse processo, o
grande desafio é identificar as situações-problema, o cotidiano da administração dos
serviços de saúde, e fornecer instrumentos metodológicos que ajudem a refletir
sobre as práticas do campo da atenção e da gestão.
Diante da constatação de realidade na qual ocorre a insuficiência de
supervisão dos processos do cuidado, o olhar para a prevenção é considerado a
melhor alternativa para se evitar doenças relacionadas ao trabalho. Desse modo, os
residentes e as equipes de trabalhadores do HUPAA/UFAL precisam ser treinados
para aderir às medidas de biossegurança em tuberculose hospitalar, apesar de
entraves à sua implementação, afastando de si circunstâncias nocivas à sua saúde,
48
especialmente se refletirmos sobre a complexidade das relações no ambiente
hospitalar.
Foi com essa intencionalidade que, a partir da realização de dois grupos
focais – enquanto fonte de informação para o estudo qualitativo – formado por 17
alunos do primeiro e segundo período, discutirmos sobre o tema “Biossegurança em
tuberculose hospitalar”, apreendendo o nível de conhecimento dos residentes sobre
o assunto. Com o emprego dessa técnica observamos a insuficiência de
conhecimento sobre a tuberculose e sobre as medidas de biossegurança em
tuberculose hospitalar. Nesse sentido, é fundamental incluir o Treinamento sobre
Biossegurança em Tuberculose Hospitalar com residentes do Programa de
Residência Multiprofissional em Saúde do Adulto e do Idoso do HUPAA/UFAL na
Semana de Acolhimento dos novos residentes, que acontece no início do ano letivo.
3.2 OBJETIVOS
Objetivo Geral:
Treinar
os
alunos da
residência
do
programa
de
Residência
Multiprofissional do Adulto e do Idoso do HUPAA/UFAL em medidas de
biossegurança em tuberculose hospitalar, para utilização nos seus cenários de
prática.
Objetivos Específicos:
Instrumentalizar os residentes com os conceitos e informações de maior
relevância sobre transmissão e medidas de proteção da tuberculose no ambiente
hospitalar.
Interagir com os residentes estimulando-os a aplicarem os conhecimentos
aprendidos em situações hipotéticas a serem vivenciadas nos seus cenários de
prática.
Avaliar o grau de aprendizado do conteúdo programático do treinamento
através das respostas a questões de múltiplas escolhas.
Data: 09 de novembro de 2017
Carga horária: 04 horas.
Local de realização: Sala de aula do setor de radiologia do HUPAA
49
Público:
Vinte residentes do Programa de Residência Multiprofissional do Adulto e do
Idoso, selecionados pelo critério de participação nos grupos focais formados para
avaliar o grau de conhecimento sobre biossegurança em tuberculose hospitalar.
Participaram ainda oito residentes não incluídos nos grupos focais que,
espontaneamente, manifestaram interesse em participar.
As tabelas 1, 2, 3, 4 e 5, a seguir, apresentam alguns dos caracteres do perfil
dos alunos da Residência Multiprofissional (RM) que participaram do treinamento em
Biossegurança em Tuberculose Hospitalar.
Tabela 1 – Distribuição de alunos da RM segundo o ano de Residência
Ano/curso
N
%
R1
15
53,0
R2
13
46,4
Total
28
100,0
Tabela 2 – Distribuição de alunos da RM segundo sexo
Sexo
Nº
%
Masculino
9
32,0
Feminino
19
68,0
Total
28
100,0
Tabela 3 – Residentes do primeiro ano de RM (R1) segundo profissão
R1 - Profissão
Nº
%
Enfermagem
01
6,7
Serviço Social
02
13,4
50
Farmácia
04
26,6
Nutrição
04
26,6
Psicologia
04
26,6
Total
15
100
Tabela 4 – Residentes do segundo ano de RM (R1) de acordo com a profissão
R2 – Profissão
Nº
%
Enfermagem
03
23,1
Serviço Social
01
7,7
Farmácia
04
30,7
Nutrição
02
15,4
Psicologia
03
23,1
Total
13
100,0
Tabela 5 – Distribuição dos alunos de RM do Adulto e do Idoso de acordo com
a profissão.
Categoria
(R1)
%
(R2)
%
Enfermagem
01
6,7%
03
23,1%
S. Social
02
13,4%
01
7,7%
Farmácia
04
26,6%
04
30,7%
Nutrição
04
26,6%
02
15,4%
51
Psicologia
04
26,6%
03
23,1%
Total
15
100%
13
100%
3.3 CONTEÚDOS PROGRAMÁTICOS:
I O bacilo e sua transmissão.
II A tuberculose em profissional de saúde.
III Medidas de proteção (uso de equipamentos de proteção individual;
indicação de isolamento respiratório e outras medidas de controle).
IV Indicadores de monitoramento em tuberculose hospitalar, exposição
acidental a paciente de tuberculose; abordagem ao profissional de saúde.
3.4 MÉTODO
As atividades do curso ocorreram na sala de aula do setor de radiologia do
HUPAA, localizado no III distrito de saúde no Município de Maceió. Foram
direcionadas a 28 participantes: três residentes dos cursos de serviço social, quatro
de enfermagem, oito de farmácia, sete de psicologia e seis de nutrição.
O curso teve duração de 4 horas, sendo utilizada uma variedade de métodos
de ensino, incluindo aula expositiva, discussão de casos, aplicação de teste com
múltipla escolha e avaliação, sendo realizado em três momentos distintos.
No primeiro momento, foi apresentado o projeto de pesquisa para informar
aos participantes, que não fizeram parte do grupo focal, que o treinamento em
questão foi resultado da discussão do grupo focal, que identificou o grau de
conhecimento dos participantes sobre tuberculose hospitalar, discutindo os
seguintes tópicos:
a) Discuta sobre as informações que vocês dispõem sobre a tuberculose
hospitalar e suas formas de transmissão e implicações, como também, sobre
medidas de biossegurança para a saúde do residente;
b) Falem sobre as circunstâncias e agravos que podem levar pacientes com
tuberculose ao isolamento respiratório;
52
c) Discuta sobre os cuidados e precauções que deve ter o acompanhante de
paciente com tuberculose pulmonar bacilífero (escarro positivo), indicando os
equipamentos de proteção individual que devem ser utilizados pelos mesmos;
d) Destaque as medidas de proteção em tuberculose que vocês conhecem e
digam se já utilizaram algumas delas no trabalho no HUPAA/UFAL.
No Segundo Momento, o tema foi apresentado por meio de exposição teórica
com o auxílio de slides, seguida de discussões em roda de conversa, em torno de
relatos de situações vivenciadas em medidas de biossegurança no cenário de
práticas.
Terceiro Momento consistiu na apresentação de casos clínicos para avaliar o
grau de aprendizado do conteúdo programático do treinamento. Para tal, foram
utilizadas questões de múltiplas escolhas; a participação interativa dos treinandos se
deu por meio de placas de cores diferentes correspondentes à assertiva escolhida
por cada um, como sendo a resposta correta, apresentada pelos mesmos ao final de
cada questão de múltipla escolha. Deste modo, a visualização das placas exibidas
permitiu a quantificação do número de acertos e erros, seguida de discussão sobre
as possíveis opções de resposta.
Os recursos didáticos consistiram em data show, placas coloridas para
respostas às questões de múltipla escolha, e exemplares da versão preliminar de
“Manual de Controle da Tuberculose Hospitalar” elaborado pela Comissão de
Controle da Tuberculose Hospitalar do HUPAA/UFAL.
Apresentação da aplicação do produto e análise.
O treinamento contou com a presença dos 17 residentes do Programa de
Residência Multiprofissional em Saúde do Adulto e do Idoso da HUPAA/UFAL que
participaram do grupo focal 1 e do grupo focal 2, representando 85% da amostra
programada para o treinamento, e mais 11 residentes que, apesar de não terem sido
parte dos grupos focais, apresentaram interesse no treinamento, o que totalizou 28
participantes, que correspondem a 74% do total de residentes do referido Programa.
3.5 PROGRAMAÇÃO:
a) Apresentação do treinamento
53
b) Aula expositiva sobre o tema “Biossegurança em tuberculose hospitalar”
c) Apresentação de casos clínicos e questões de múltipla escolha
d) Discussão final
e) Distribuição de “Manual de Controle da Tuberculose Hospitalar”
f) Encerramento
g) Coffe Breack
3.6 AVALIAÇÃO DO PRODUTO
A avaliação considerou o nível de interesse demonstrado pelos residentes
durante a exposição teórica, em que se estabeleceu a discussão dos casos clínicos
apresentados, e verificou-se o grau de acerto, nas respostas às questões de múltipla
escolha.
A análise do produto demonstrou que todos os residentes estiveram focados
e participando das discussões, denotando bastante interesse sobre o tema, com
participação ativa nos casos clínicos apresentados e índice de acerto, referentes aos
casos clínicos, de mais de 90% das respostas de múltipla escolha.
Cabe ressaltar que o treinamento foi planejado para oferecer aos residentes,
conhecimentos sobre biossegurança hospitalar e, nos grupos focais, suas falas, em
relação às questões acima referidas, demonstraram pouco conhecimento ou
conhecimento insuficiente para proteção e cuidado com a saúde. Nesse sentido, a
relevância dessa modalidade formativa – Treinamento – a ser incluída durante a
Semana de Acolhimento dos Residentes no Programa de Residência, coloca-se
como essencial para momentos futuros de inserção em cenários de práticas de
maiores riscos de infecção.
REFERÊNCIAS
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54
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intervenção. Textos básicos de saúde. Brasília – DF; 2011. p. 76.
KRITSKI, A. L.; MARCUS B. C.; GILVAN, R. M. de Souza. Tuberculose: do
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NETO et al. Tuberculose em ambiente hospitalar: perfil clínico em hospital
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27de mar. de 2014.
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caminhos e reflexões sobre as práticas Institucionais de Ensino. Curitiba: Editora
CRV. 2014.
PAIVA, ET AL, (1999). Impacto das ações implantadas no Programa de Controle da
Tuberculose do Hospital Universitário - UFAL sobre as taxas de abandono de
tratamento. Bol. Pneumol. Sanit. 1999 jun. [citado 2017 mar 13]; 7 (1): 43-50.
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UFAL. Projeto Político Pedagógico – Residência Multiprofissional em Saúde do
Adulto e do Idoso HUPAAUFAL, 2009. Disponível em htpp://www.ufal.edu.br. Acesso
em: Out. 2016
55
CONCLUSÃO GERAL
Depois de 35 anos enfrentando desafios em defesa do direito à saúde e de
uma assistência de qualidade comprometida com o serviço público na construção de
processos de trabalho, no interior do HUPAA, a oportunidade proporcionada pelo
acompanhamento aos residentes e estudantes de graduação nos motivou à
permanência na assistência, com o devido aprofundamento teórico e metodológico.
A assistência passou a ter um novo referencial: o ensino em serviço. Nesse sentido,
o mestrado veio renovar e fortalecer a certeza de que a formação em saúde é uma
estratégia pedagógica fundamental para o desenvolvimento de práticas coletivas e
relações de trabalho, democráticas e educativas.
A pesquisa e a construção do artigo revelaram, em primeiro lugar, a urgente
necessidade de reformulação da grade curricular da saúde para que a formação
profissional não continue a apresentar a importante lacuna relacionada às
informações sobre biossegurança em tuberculose, especificamente sua transmissão
no ambiente hospitalar, cenário de prática para alunos do curso de graduação e de
residência multiprofissional.
Em segundo lugar, este trabalho revelou o desconhecimento que implica no
risco e ocorrência de infecção, pelo bacilo da tuberculose, dentre aqueles do corpo
discente que, necessariamente, desenvolverão atividades acadêmicas no hospitalescola. Por último, a implantação do Programa de Controle da Tuberculose
Hospitalar no HUPAA, provavelmente, oportunizará rica experiência de integração
ensino serviço.
Espera-se que os resultados sejam o aprendizado das principais medidas de
biossegurança em tuberculose hospitalar a serem incorporadas na prática diária dos
profissionais residentes, e mudança das práticas que resultem em risco aumentado
de infecção e adoecimento por tuberculose, entre os profissionais de saúde e
pacientes de hospital, e alívio do stress psicológico gerado pela insegurança
resultante da falta de informações suficientes sobre o tema. As informações trazidas
à luz pela pesquisa provavelmente contribuirão para análise e discussão no ensino
em saúde e em função da proposta de reformulação de grade curricular que
contemple o objeto do estudo.
56
Supomos que a pesquisa acrescenta informações relevantes sobre o
conhecimento e práticas de biossegurança em tuberculose através de estudo
qualitativo, revelando dados detalhados e aprofundados, que complementam
estudos quantitativos existentes. No entanto, constatamos a necessidade de outras
pesquisas que investiguem a incidência de infecção e adoecimento pelo bacilo da
tuberculose, entre profissionais e estudantes do HUPAA; a efetividade de
abordagem aos profissionais de saúde expostos acidentalmente ao bacilo; o uso
adequado de equipamento de proteção individual nos diversos ambientes do
hospital; a adoção e reconhecimento da importância de indicadores específicos no
monitoramento da transmissão do bacilo, no ambiente hospitalar (isolamento
respiratório oportuno, agilidade na solicitação e resultado de exame de escarro,
tratamento adequado da infecção latente por tuberculose em profissionais de saúde,
dentre outros).
REFERÊNCIAS
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através da história oral. História, Ciências, Saúde-Manguinhos, v.7, n.1, p.171183, 2000.
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<http://dx.doi.org/10.1590/0103-1104201711305>. Acesso em Jun. 2018.
60
APÊNDICES
Apêndice A – Memorando de autorização para a pesquisa
61
Apêndice B – Código de identificação dos participantes
Grupo Focal 1
Assistente Social - 1 e 2
Enfermeira
-1e2
Psicólogo
-1e2
Farmacêutico
-1e2
Nutricionista
-1e2
Grupo Focal 2
Assistente Social - 3 e 4
Enfermeira
-3e4
Psicólogo
-3e4
Farmacêutico
-3e4
Nutricionista
-3e4
62
Apêndice C - Roteiro orientador das discussões dos grupos focais
a) Discuta sobre as informações que vocês dispõem sobre a tuberculose
hospitalar e suas formas de transmissão e implicações, como também, sobre
medidas de biossegurança para a saúde do residente;
b) Falem sobre as circunstâncias e agravos que podem levar pacientes com
tuberculose ao isolamento respiratório;
c) Discuta sobre os cuidados e precauções que deve ter o acompanhante de
paciente com tuberculose pulmonar bacilífero (escarro positivo), indicando os
equipamentos de proteção individual que devem ser utilizados pelos mesmos;
d) Destaque as medidas de proteção em tuberculose que vocês conhecem e digam
se já utilizaram algumas delas no trabalho no HUPAA/UFAL.
63
Apêndice D – Cenários de práticas dos residentes da RM
A Clínica Médica e Clínica Cirúrgica são cenárias de prática dos residentes do
primeiro ano R1, que são distribuídos em duas equipes multiprofissionais para cada
uma destas clinicas, totalizando dez residentes para Clínica Médica e dez residentes
para Clínica Cirúrgica.
Os residentes do segundo ano R2 totalizam 18 residentes, sendo cinco no
Hospital Dia, quatro no Cacon, e duas equipes de quatro residentes distribuídas em
duas Unidades Básicas de Saúde (UBS).
A tabela 6, que se segue, apresenta a Distribuição de Residentes (R1 e R2)
do Programa de Residência Multiprofissional do Hospital Universitário Prof. Alberto
Antunes que participaram do treinamento, de acordo com Cenário de Prática em que
atuavam, e proporção que representam do total de Residentes por Cenário.
64
ANEXOS
Anexo A: FOTOS: Treinamento sobre Biossegurança em Tuberculose Hospitalar
com residentes do Programa de Residência Multiprofissional em Saúde do Adulto e
do Idoso do HUPAA/UFAL
65
66
