2-Rodrigo Andre Teixeira- A PRÁTICA DO CANTO CORAL NO AMBIENTE DA EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA: UM CAMINHO PARA A EDUCAÇÃO INTERPROFISSIONAL.
DISSERTAÇÃO RODRIGO ANDRADE TEIXEIRA 03 JUN 2018.. PDFpdf.pdf
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UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
FACULDADE DE MEDICINA
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENSINO NA SAÚDE
RODRIGO ANDRADE TEIXEIRA
A PRÁTICA DO CANTO CORAL NO AMBIENTE DA EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA:
UM CAMINHO PARA A EDUCAÇÃO INTERPROFISSIONAL
MACEIÓ-AL
2018
RODRIGO ANDRADE TEIXEIRA
A PRÁTICA DO CANTO CORAL NO AMBIENTE DA EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA:
UM CAMINHO PARA A EDUCAÇÃO INTERPROFISSIONAL
Trabalho Acadêmico de Mestrado apresentado ao
Programa de Pós-Graduação em Ensino na Saúde
da Faculdade de Medicina da Universidade Federal
de Alagoas – FAMED/UFAL - como requisito parcial
para obtenção do título de Mestre em Ensino na
Saúde.
Linha de Pesquisa: Currículo e processo ensinoaprendizagem na formação em saúde (CPEAS)
Orientadora: Profa. Dra. Lenilda Austrilino Silva
Coorientador: Prof. Dr. Francisco José Passos Soares
MACEIÓ-AL
2018
Catalogação na fonte
Universidade Federal de Alagoas
Biblioteca Central
Bibliotecária Responsável: Helena Cristina Pimentel do Vale – CRB4-661
T266p
Teixeira, Rodrigo Andrade.
A prática do canto coral no ambiente da extensão universitária : um caminho para
a educação interprofissional / Rodrigo Andrade Teixeira. – 2018.
53 f.: il.
Orientadora: Lenilda Austrilino.
Coorientador: Francisco José Passos Soares.
Dissertação (mestrado em Ensino e Saúde) – Universidade Federal de Alagoas.
Faculdade de Medicina, Maceió, 2018.
Inclui bibliografia.
Anexos: f. 43-53.
1. Extensão universitária. 2. Canto coral. 3. Educação interprofissional. 4. Prática
colaborativa. I. Título.
CDU: 378
Dedico este trabalho acadêmico à minha querida
mãe, Rose Mary Andrade Silva, pois desde muito
pequenino me mostrou, com exemplos, a importância
do estudo, da disciplina e da dedicação, deixando
claro que com ele não se objetivava ascensão,
reconhecimento ou riqueza, mas sim, clareza e
conhecimentos,
instrumentos
fundamentais
sermos livres e autores do nosso próprio destino.
para
AGRADECIMENTOS
Ao Divino, pela imensa generosidade em proporcionar com infinito amor o
crescimento dos seus filhos, por nos fortalecer pela fé para seguir com confiança e
tranquilidade naqueles momentos de fragilidades da alma humana.
Aos príncipes e princesas do meu reino encantado, chamado família: minhas
pequenas e doces Dailla e Fernanda, que após intermináveis horas de aulas fora de
suas companhias, quando em casa ainda precisava estudar e escrever, muito
sabiamente, elas sentavam ao meu lado com suas tarefas escolares, livros infantis e
brinquedos e ali ficávamos... Assistia as danças de bailarina, olhares ternos,
brincávamos, sorríamos, cantávamos, soltávamos beijinhos e carinhos entre as
preciosas migalhas de tempo dos intervalos. Dessa forma, crescíamos juntos. Aos
meus príncipes Daniel e D’Angello, desejando que eles tenham no pai um exemplo do
mínimo que podem ser e que alcancem muito mais vitórias em seus caminhos. Ao meu
bebê que ainda nem sei o sexo, mas que está por vir, hoje repousante no ventre de sua
mãe.
A minha companheira, que em nenhum momento questionou minha ausência, ao
contrário, assumiu grande parte das obrigações domésticas, sozinha, sempre
reafirmando, em momentos de fraquezas, que eu era capaz. Ela, sem perceber,
proporcionou meu crescimento profissional enquanto alcançava o seu na mesma
Universidade. Eu só posso dizer que te amo e que me orgulho de sua inteligência e
dedicação.
A minha querida orientadora Dra. Lenilda e ao meu co-orientador Francisco,
sempre firmes e concisos em suas recomendações. Ela que, de repente, com uma
gostosa risada, surpreendia, resgatando-me de altos voos. Foi com esse humor e
sabedoria que tudo se tornou leve e claro. Impossível não te admirar Lenilda. Ele com
sua forma genial de perceber e direcionar, cobrar e incentivar, impossível não o ter
como modelo de orientador Francisco.
Aos meus colegas de mestrado, que embarcaram nessa aventura e descobrimos
que juntos somos melhores. E em especial a minha amiga Luzia Malta, que o mestrado
me proporcionou aproximação, agradeço as conversas virtuais, as risadas, o incentivo e
acima de tudo tua amizade, que não se encerrará aqui.
Ao Programa de Mestrado Profissional Ensino na Saúde e aos meus
professores, que me fizeram ver o mundo por outra ótica, comprovando que “o todo não
é apenas as somas das partes”, vai muito além...
Aos meus estudantes, que foram os verdadeiros protagonistas de toda esta
história e contribuíram de forma efetiva para melhorar a educação na saúde com os
frutos deste estudo.
E a todos que direta ou indiretamente contribuíram para o desenvolvimento desta
pesquisa.
Muito obrigado!
Viver e não ter a vergonha de ser feliz,
Cantar e cantar e cantar
Na beleza de ser um eterno aprendiz...
Gonzaguinha
RESUMO GERAL
Introdução: O princípio da integralidade é entendido como a organização da atenção à
saúde em rede e linhas de cuidados, visando contemplar distintas etapas e
necessidades para manter ou restabelecer a saúde dos indivíduos. O sistema de saúde
acolhe ao usuário, trata do seu mal físico ou mental, mas também cuida ou orienta para
o bem-estar psicossocial e espiritual. A atenção integral exige dos profissionais de
saúde comunicação, interação e colaboração. A Educação Interprofissional favorece o
desenvolvimento de habilidades como a boa comunicação, a liderança compartilhada, o
foco no paciente e atendimento aos princípios éticos. No canto coral, esses aspectos do
trabalho em equipe também são desenvolvidos. As aproximações entre a prática do
canto coral com a educação Interprofissional motivou a realização desse trabalho.
Objetivo: Identificar a percepção de discentes participantes do Coral da UNCISAL,
acerca da relação entre a prática do canto coral e a educação Interprofissional.
Metodologia: Estudo qualitativo, do tipo estudo de caso, abordando a relação entre a
prática do canto coral e a educação interprofissional. O projeto de extensão Coral
Extensionista, oferecido a todos os cursos da universidade sede da pesquisa, foi o
locus deste estudo. Foram entrevistados sete estudantes da área da saúde, com
atuação mínima, atual e contínua, de trinta horas no projeto “Coral Extensionista”. Para
a coleta dos dados foi utilizado um questionário semiestruturado, contendo seis
perguntas relativas à aquisição de habilidades e aspectos pertinentes a educação
interprofissional. Durante os ensaios do Coral foram realizadas reflexões em grupo
acerca da importância do desenvolvimento de habilidades como a liderança e a
reponsabilidade compartilhadas, a comunicação, a colaboração, bem como a aquisição
de princípios éticos. Esses temas se transformaram em ações durante diversas
atividades práticas dos estudantes no decorrer da pesquisa. As informações obtidas
foram analisadas por meio da técnica de análise de conteúdo. Resultados: a prática do
canto coral favorece o desenvolvimento de habilidades e aspectos pertinentes à
formação Interprofissional, passíveis de aplicação para a prática colaborativa na
formação em saúde. Produto: Criação de uma disciplina sobre as aplicabilidades da
música na área da saúde que demonstre em seu conteúdo a importância de práticas
musicais em conjunto, em especial do canto coral, na contribuição para a educação
interprofissional.
Palavras–chave: Canto coral. Educação interprofissional. Prática colaborativa.
GENERAL ABSTRACT
Introduction: The principle of integrality is understood as the organization of health care
in a network and care lines, aiming to contemplate different steps and needs to maintain
or restore the health of individuals. The health system welcomes the user, deals with
their physical or mental illness, but also cares for or directs them towards psychosocial
and spiritual well-being. Comprehensive care requires healthcare professionals to
communicate, interact, and collaborate. Interprofessional Education favors the
development of skills such as good communication, shared leadership, patient focus
and compliance with ethical principles. In choral singing, these aspects of teamwork are
also developed. The approximations between the practice of choral singing and
Interprofessional education motivated this work. Objective: To identify the perception of
students participating in the UNCISAL Choir about the relationship between choral
singing practice and Interprofessional education. Methodology: A qualitative study, of
the case study type, addressing the relationship between the practice of choral singing
and interprofessional education. The Extensionist Choral extension project, offered to all
courses at the research headquarters university, was the locus of this study. Seven
students from the health area were interviewed, with a minimum current and continuous
activity of thirty hours in the "Extensionist Coral" project. For the data collection, a semistructured questionnaire was used, containing six questions related to the acquisition of
skills and aspects pertinent to interprofessional education. During the rehearsals of the
Choir, group reflections were held on the importance of developing skills such as shared
leadership and responsibility, communication, collaboration, and the acquisition of
ethical principles. These themes became actions during various practical activities of the
students in the course of the research. The information obtained was analyzed through
the technique of content analysis. Results: the practice of choral singing favors the
development of skills and aspects pertinent to Interprofessional training, which can be
applied to the collaborative practice in health education. Product: Creation of a
discipline on the applicability of music in the health area that demonstrates in its content
the importance of musical practices together, especially choral singing, in the
contribution to interprofessional education.
Keywords: Coral singing. Interprofessional education. Collaborative practice.
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
AC
Análise de Conteúdo
CONSU
Conselho Superior Universitário
DCN
Diretrizes Curriculares Nacionais
EIP
Educação Interprofissional
FAMED
Faculdade de Medicina
FORPROEX Fórum de Pró-Reitores de Extensão das Universidades Públicas
Brasileiras
OMS
Organização Mundial de Saúde
SUS
Sistema Único de Saúde
TCLE
Termo de Consentimento Livre e Esclarecido
UFAL
Universidade Federal de Alagoas
UNCISAL
Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas
UNICAMP
Universidade Estadual de Campinas
SUMÁRIO
1
APRESENTAÇÃO........................................................................................ 12
2
ARTIGO: A PRÁTICA DO CANTO CORAL NO AMBIENTE DA
EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA: UM CAMINHO PARA A
EDUCAÇÃO INTERPROFISSIONAL........................................................... 15
2.1
Introdução.................................................................................................... 15
2.2
Percurso Metodológico...............................................................................19
2.2.1 Metodologia para análise dos dados............................................................. 21
2.3
Resultados e discussão..............................................................................22
2.3.1 Liderança compartilhada............................................................................... 23
2.3.2 Responsabilidade compartilhada.................................................................. 24
2.3.3 Ética...............................................................................................................25
2.3.4 Foco no objetivo final.....................................................................................26
2.3.5 Comunicação.................................................................................................27
2.3.6 Colaboração.................................................................................................. 27
2.4
Conclusão.................................................................................................... 28
REFERÊNCIAS............................................................................................. 29
3
PRODUTO DE INTERVENÇÃO................................................................. 32
3.1
Disciplina→Título: “Aplicabilidades da Música na área da Saúde”....... 32
3.1.1 Introdução......................................................................................................32
3.1.2 Objetivos........................................................................................................33
3.1.3 Metodologia................................................................................................... 33
3.1.4 Avaliação do Produto.................................................................................... 39
3.2
Considerações Finais................................................................................. 39
REFERÊNCIAS............................................................................................. 40
REFERÊNCIAS GERAIS.............................................................................. 41
ANEXOS....................................................................................................... 43
ANEXO A - TCLE.......................................................................................... 44
ANEXO B - Parecer Consubstanciado do CEP............................................ 47
ANEXO C - Certificado da XVI Jornada Alagoana de Pediatria....................48
ANEXO D - Certificado do VII Congresso Acadêmico da UNCISAL.............49
ANEXO E - Certificado do Caiite 2016.......................................................... 50
ANEXO F - Resolução de homologação da disciplina (produto) e
publicação no diário oficial do estado........................................ 51
ANEXO G - Declaração de submissão de artigo para Revista Científica.... 53
12
1
APRESENTAÇÃO
O interesse para o desenvolvimento deste estudo surgiu, inicialmente, ao
observar a dificuldade de integração entre os profissionais de saúde que prestaram
atendimento à minha filha quando necessitou de socorro por conta de um acidente
automobilístico. Posteriormente minha inquietação se agravou após ingressar no
Mestrado Profissional de Ensino na Saúde da Faculdade de Medicina (FAMED) da
Universidade Federal de Alagoas (UFAL), quando aprendi conceitos como o da
integralidade no cuidar. Pude então aprofundar conhecimentos sobre a Educação
Interprofissional e a prática colaborativa e observar que a falta de integração na saúde
também estava presente em muitos discentes das graduações na Universidade
Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas (UNCISAL), instituição na qual sou docente
nas graduações de medicina, fisioterapia, enfermagem, fonoaudiologia e terapia
ocupacional.
Indo em busca de mais informações acerca da problemática da falta de
integração na saúde, encontrei autores brasileiros falando sobre o tema e sobre sua
complexidade no cenário do Sistema Único de saúde (SUS). Descobrir a proporção da
falta de integração dos profissionais da saúde me motivou ainda mais para pesquisar
prováveis contribuições para as possíveis soluções. É de meu interesse que o SUS seja
fortalecido, sou de origem pobre e sei que ele é o único acesso à saúde de muitos
brasileiros.
Dentre os autores pesquisados, Marina Peduzzi se destaca pelo número e
profundidade de publicações sobre a dificuldade na interação das equipes
multiprofissionais. Desde 1998, em sua tese de doutorado, pela Universidade Estadual
de Campinas (UNICAMP), já tratava do assunto.
Através do trabalho que desenvolvo como regente de coral em empresas e
instituições de ensino, observei que surgiam atitudes como solidariedade e respeito nos
membros destes grupos, elevando a qualidade da convivência nestes locais. A obra de
Amato (2007), teórico da prática musical, descreve o canto coral como instrumento de
aproximação das relações pessoais
13
Juntando as informações já descritas, percebi que poderia me instrumentalizar
para a realização de uma pesquisa que responderia a seguinte pergunta: Há
contribuição da prática do Canto Coral para o desenvolvimento de habilidades da
Educação Interprofissional?
Essa instrumentalização pôde se dar através de um projeto de extensão
intitulado “Coral Extensionista”. Sendo a UNCISAL uma Universidade de Ciências da
Saúde, de outra maneira não haveria logística para reunir discentes das cinco
graduações, de períodos diversos, no mesmo ambiente, no mesmo horário, para
aprenderem sobre um conhecimento que necessita ser tratado pela instituição como um
saber de aplicabilidade no ensino na Saúde.
A extensão universitária implantou, através de um projeto, o Canto Coral. A
existência deste projeto tem sua fundamentação teórica na Política Nacional da
Extensão, que possui 5 eixos que são suas diretrizes: Interação Dialógica,
Interdisciplinaridade
e
Interprofissionalidade,
Indissociabilidade
Ensino-Pesquisa-
Extensão, Impacto na Formação do Estudante, e Impacto e Transformação Social
(FÓRUM DE PRÓ-REITORES DE EXTENSÃO DAS UNIVERSIDADES PÚBLICAS
BRASILEIRAS, 2012).
A extensão deve estar alinhada ao ensino. É um recurso que pode ser utilizado
para o alcance de competências (FÓRUM DE PRÓ-REITORES DE EXTENSÃO DAS
UNIVERSIDADES PÚBLICAS BRASILEIRAS, 2012). Em nossa pesquisa, um projeto
de extensão de manutenção de um grupo de canto coral, foi um caminho para verificar
se a prática do canto coral levaria os estudantes ao desenvolvimento de aspectos
relacionados à educação Interprofissional.
No que se refere à relação Extensão e Ensino, a diretriz de indissociabilidade
coloca o estudante como protagonista de sua formação técnica - processo de
obtenção de competências necessárias à atuação profissional - e de sua
formação cidadã - processo que lhe permite reconhecer-se como agente de
garantia de direitos e deveres e de transformação social (FÓRUM DE PRÓREITORES DE EXTENSÃO DAS UNIVERSIDADES PÚBLICAS BRASILEIRAS,
2012, p. 32).
A importância do tema da Educação Interprofissional já foi sugerida pela
Organização Mundial de Saúde (2010) que publicou, em 2010, um documento intitulado
“Marco para a ação em Educação Interprofissional e Prática Colaborativa”.
14
A diferença entre a Educação Interprofissional e a Multiprofissional é que a
interação entre os estudantes ocorre apenas na EIP (PEDUZZI et al., 2013). Contudo,
em ambos os casos, eles aprendem no mesmo ambiente.
Conceitualmente, a diferença entre a EIP (Educação Interprofissional) e
multiprofissional está em que no primeiro caso os estudantes aprendem de
forma interativa sobre papéis, conhecimentos e competências dos demais
profissionais. No segundo, as atividades educativas ocorrem entre estudantes
de duas ou mais profissões conjuntamente, no entanto, de forma paralela, sem
haver necessariamente interação entre eles (PEDUZZI et al., 2013, p. 979).
O conceito de Práticas Colaborativas, que são o objetivo da Educação
Interprofissional, é descrito pela OMS como sendo a ação de “otimizar as habilidades
de seus membros, compartilhar o gerenciamento de casos e prestar serviços de saúde
de melhor qualidade a pacientes e à comunidade” (ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE
SAÚDE, 2010, p.10). A prática colaborativa deve ser a consequência da Educação
Interprofissional.
A Prática Colaborativa, consequência da EIP, possui algumas dimensões a
serem observadas como requisitos para a sua efetividade. Entre elas estão a ética e
habilidades como a liderança compartilhada, a boa comunicação, o respeito aos limites
dos membros da equipe, às suas potencialidades, o foco no paciente (ORGANIZAÇÃO
MUNDIAL DE SAÚDE, 2010).
Este estudo teve como objetivo: Identificar a percepção de discentes
participantes de um projeto extensionista acerca da relação entre a prática do canto
coral e a educação Interprofissional. As publicações de Marina Peduzzi et al. (2013),
Nildo Batista (2012) e Organização Mundial de Saúde (2010), todas relativas a
Educação Interprofissional, foram utilizadas como referencial teórico desta pesquisa.
Nestes autores foram pesquisados os aspectos relativos a Educação Interprofissional
que serviram como indicadores para a análise de conteúdo realizada com os dados
obtidos.
15
2
Artigo: A PRÁTICA DO CANTO CORAL NO AMBIENTE DA EXTENSÃO
UNIVERSITÁRIA: UM CAMINHO PARA A EDUCAÇÃO INTERPROFISSIONAL
Resumo: A observação da pouca integração existente entre os profissionais da
saúde e também entre os estudantes da referida área, em suas atividades clínica e
acadêmica, foi a motivação para o início deste estudo. O objetivo desta pesquisa foi
identificar a percepção dos discentes de uma universidade pública, estadual,
participantes de um projeto extensionista de canto coral, acerca da relação entre a
prática do canto coral e a educação Interprofissional. A metodologia de abordagem
qualitativa, do tipo estudo de caso. Foram entrevistados sete estudantes, utilizandose um questionário semiestruturado, com seis perguntas que buscavam
informações sobre a percepção dos estudantes acerca da contribuição da prática
do canto coral em suas atividades de aprendizagem na saúde. Os dados obtidos
foram analisados com a técnica de análise de conteúdo e apontaram que os
estudantes desenvolveram os aspectos requeridos pela educação interprofissional,
principalmente a liderança e a responsabilidade compartilhada.
Palavras-chave: Canto Coral. Educação Interprofissional. Prática Colaborativa.
CONTRIBUTION OF CORAL CORE PRACTICE FOR INTERPROFESSIONAL
EDUCATION IN THE HEALTH AREA.
Abstract: The lack of integration among health professionals and also among the
students of this area in their clinical and academic activities was the motivation for
the beginning of this study. The objective of this research was to identify the
perception of the students of a public university, state, participants of an extension
project of choral singing, about the relationship between the practice of choral
singing and Interprofessional education. The methodology of a qualitative approach,
of the case study type. Seven students were interviewed, using a semi-structured
questionnaire, with six questions that sought information about the students'
perception about the contribution of choral singing practice to their health learning
activities. The data obtained were analyzed with the technique of content analysis
and pointed out that students developed the aspects required by interprofessional
education, mainly leadership and shared responsibility.
Keywords: Coral Singing. Interprofessional Education. Collaborative Practice.
2.1 Introdução
O cuidado ao paciente é regido por princípios já estabelecidos em textos
oriundos da Organização Mundial de Saúde (OMS). Um destes princípios, o da
integralidade, é entendido como a organização da atenção à saúde em rede e linhas de
16
cuidados visando contemplar distintas etapas e necessidades para manter ou
restabelecer a saúde dos indivíduos. Na prática o sistema de saúde acolhe ao usuário,
trata do seu mal físico ou mental, mas também cuida ou orienta para o bem-estar
psicossocial e espiritual (FONTOURA; MAYER, 2006).
A integralidade exige que diferentes profissionais de saúde se comuniquem,
interajam e colaborem uns com os outros. Esta exigência pode ser resumida como a
necessidade de uma Prática Colaborativa, nela deve haver boa comunicação, liderança
compartilhada, ética e foco no paciente (ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE, 2010).
A Educação Interprofissional (EIP) apresenta-se como uma ponte entre a
identidade profissional e a prática colaborativa. A EIP oferece aos estudantes,
oportunidades de aprendizagem que possibilitam o desenvolvimento de aspectos como
habilidades e competências, incluindo princípios, que são requisitos para um trabalho
coletivo na atenção à saúde norteada pela integralidade (ORGANIZAÇÃO MUNDIAL
DE SAÚDE, 2010).
Há pelo menos trinta anos que o conceito de EIP está presente nas publicações
em nível mundial (BATISTA, 2012). Ela surge em decorrência do desdobramento
multifacetado de atuações profissionais na área da saúde. As especializações, cada
vez mais presentes e específicas, tornam os profissionais de saúde como peças que
atuam de maneira isolada (REEVES et al., 2016). Apesar disso, o pensamento
predominante das políticas de saúde é de unir estas peças para o funcionamento de
uma grande engrenagem (BRASIL, 2014). Fazendo um comparativo com a música, é
como afirmar que estes profissionais da saúde precisam atuar como coristas de um
coro sinfônico em vez de atuarem como solistas.
As especializações são importantes para a excelência técnica dos profissionais
de saúde, contudo, o que não é benéfico para o cuidado ao paciente, é a segregação
destes profissionais na prática do cuidar (BATISTA, 2012).
Para a Organização Mundial
de Saúde (2010,
p.
10)
“A educação
interprofissional ocorre quando estudantes de duas ou mais profissões aprendem sobre
os outros, com os outros e entre si para possibilitar a efetiva colaboração e melhorar os
resultados na saúde”.
17
A EIP não está restrita ao período da graduação, podendo inclusive ocorrer, em
nível de pós-graduação ou mesmo na educação permanente, já no ambiente de
trabalho. Ao longo das três décadas de existência da EIP, ou pelo menos, dela
enquanto conceito definido, ela tem ocorrido cada vez com mais frequência e com
diversos formatos. Independentemente do modo e do período em que a EIP ocorra, ela
tem se mostrado importantíssima inclusive para evitar mortes de pacientes causadas
por má comunicação entre os profissionais de saúde (SILVA et al., 2007).
Documentos como o Marco Para a Ação em Educação Interprofissional e Prática
Colaborativa, servem de influência para que os países se ajustem a estes
direcionamentos dados pela OMS. Os ajustes ocorrem por meio de ações políticas,
educacionais, profissionais
e organizacionais,
culminando
na implantação ou
implementação de EIP em programas de educação na saúde em suas diversas esferas
(BATISTA, 2012).
A finalidade da EIP é a Prática Colaborativa, para tal, busca-se o
desenvolvimento de aspectos, como habilidades e princípios, para o alcance de
competências relacionadas a este tipo de prática. Fazendo um levantamento nos textos
de Marina Peduzzi et al. (2013), Nildo Batista (2012), e da Organização Mundial de
Saúde (2010), no tocante aos aspectos requeridos para a Prática Colaborativa,
podemos dizer que ela ocorre quando os profissionais de saúde atuam por meio da
liderança e da responsabilidade compartilhadas, através de uma boa comunicação,
pautados na ética profissional, com colaboração e com foco no atendimento integral do
paciente.
Embora a EIP não seja garantia de futura Prática Colaborativa, já se mostrou
viável pela OMS e é apontada como estratégia para a aquisição das competências e
habilidades que este tipo de prática requer (ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE,
2010).
A incorporação do conceito da EIP no Brasil, nas Diretrizes Curriculares
Nacionais (DCN’s) dos cursos de saúde, explicita a indicação de determinados
aspectos do trabalho em grupo e de práticas colaborativas (SILVA. et al, 2015).
Seguindo as indicações da OMS, as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) do
curso de medicina, publicado em julho de 2014, traz em seu texto a expressão de
18
prática interprofissional (BRASIL,2014). Já as DCN de Enfermagem (BRASIL, 2001),
Fonoaudiologia (BRASIL, 2002b), Fisioterapia (BRASIL, 2002a) e Terapia Ocupacional
(BRASIL, 2002c), não fazem referências a expressão interprofissional por serem textos
publicados antes de 2010, portanto anteriores à publicação do documento da OMS.
Mas mencionam expressões similares, como multiprofissional e trabalho em equipe.
A Educação Interprofissional pode ocorrer no primeiro ano de um programa de
graduação diminuindo a possibilidade de criação de estereótipos hostis e ajudando na
neutralização dos efeitos negativos da socialização má sucedida entre os estudantes de
graduações diferentes, que por vezes se comportam como rivais (REEVES et al., 2016).
Considera-se importante que a EIP continue ocorrendo durante o período da
graduação para que haja um constante combate a segregação profissional que está
ainda tão arraigada na sociedade contemporânea. A modalidade da extensão
universitária pode ser um recurso útil se o objetivo for a promoção da Educação
Interprofissional durante todo o período da graduação. Através da extensão, estudantes
de graduações e de períodos diversos podem conviver no mesmo ambiente para a
mesma prática educacional (FÓRUM DE PRÓ-REITORES DE EXTENSÃO DAS
UNIVERSIDADES PÚBLICAS BRASILEIRAS, 2012).
Considerando o tripé universitário – pesquisa, ensino, extensão –; a integração
entre eles através da extensão possibilita que os estudantes de graduações e de
períodos diversos possam aprender juntos, uns com os outros e sobre os outros,
favorecendo a Educação Interprofissional de acordo com o conceito da OMS (OMS,
2010). Além disso, a Extensão possibilita a continuidade da Educação Interprofissional
durante todo o período da graduação (FÓRUM DE PRÓ-REITORES DE EXTENSÃO
DAS UNIVERSIDADES PÚBLICAS BRASILEIRAS, 2012).
A Política Nacional de Extensão reforça a prática da interprofissionalidade em um
de seus eixos.
O suposto dessa diretriz é que a combinação de especialização e visão
holísticas pode ser materializada pela interação de modelos, conceitos e
metodologias oriundos da Política Nacional de Extensão Universitária várias
disciplinas e áreas do conhecimento, assim como pela construção de alianças
intersetoriais, interorganizacionais e interprofissionais (FÓRUM DE PRÓREITORES DE EXTENSÃO DAS UNIVERSIDADES PÚBLICAS BRASILEIRAS,
2012, p. 31).
19
Distintos métodos de aprendizagem podem ser utilizados associados ao
interprofissionalismo, no entanto a aprendizagem baseada em projetos tem sido
considerada um método eficaz para servir de estratégia de ensino-aprendizagem da
EIP, promovendo nos discentes a independência, a responsabilidade, a prática social e
modos democráticos de comportamento (GONZÁLEZ; RUGGIERO, 2006).
Há uma aparente aproximação na prática da Educação Interprofissional com a
prática do canto coral no que tange ao convívio com o diferente, o respeito e a
colaboração em prol de um objetivo comum. Participar de um coral não é apenas cantar
em grupo, mas traçar objetivos e buscar alcançá-los em conjunto. É ter a noção de que
o convívio precisa ser benéfico para a concretização do projeto.
O canto coral configura-se como uma prática musical exercida e difundida nas
mais diferentes etnias e culturas. Por apresentar-se como um grupo de
aprendizagem musical, desenvolvimento vocal, integração e inclusão social, o
coro é um espaço constituído por diferentes relações interpessoais e de ensinoaprendizagem, exigindo do regente uma série de habilidades e competências
referentes não somente ao preparo técnico musical, mas também à gestão e
condução de um conjunto de pessoas que buscam motivação, aprendizagem e
convivência em um grupo social (AMATO, 2007, p.75).
As habilidades relativas à aspectos da Educação Interprofissional e Prática
Colaborativa podem ser observadas nos momentos da prática do canto coral. A música
como potencial ferramenta para a Educação Interprofissional pode impactar na
minimização das relações de poder oriundas da identificação com os valores
profissionais específicos.
Essa pesquisa se propôs a identificar a percepção dos discentes de uma
universidade pública, estadual, participantes de um projeto extensionista que promove a
prática do canto coral, acerca da relação entre essa prática e a educação
Interprofissional no desenvolvimento de habilidades e princípios, necessários à prática
colaborativa.
2.2
Percurso metodológico
Trata-se de pesquisa com abordagem qualitativa, do tipo estudo de caso,
que busca responder sobre a possibilidade de contribuição da prática do canto coral em
desenvolver aspectos relativos à Educação Interprofissional.
20
O estudo de caso é estratégia de pesquisa que deve ser sempre bem delimitado
e distinto, pois tem um interesse próprio, único, particular e representa um potencial na
educação (VENTURA, 2007).
O estudo teve como critérios de inclusão: ser estudante dos cursos da área de
saúde, inscrito no projeto de extensão canto coral, e com tempo de participação atual e
contínua, equivalente a trinta horas; e como critérios de exclusão: não ser discente da
UNCISAL.
Os sujeitos foram convidados para responder ao questionário, lhes sendo
explicados os objetivos da pesquisa e a importância de sua contribuição; em seguida foi
entregue o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido – TCLE. Para a sua
realização, a pesquisa foi avaliada pelo Comitê de Ética e aprovada pelo CAAE:
70110517.5.3001.5011 e sob o Número do Parecer: 2.303.475.
Os entrevistados foram sete estudantes dos cursos da área da saúde, assim
distribuídos: enfermagem (1), fisioterapia (2), fonoaudiologia (2) e terapia ocupacional
(2), correspondendo a 25% do universo de cantores membros do grupo.
A coleta dos dados foi presencial, realizada em momento oportuno, no ambiente
de ensaio do canto coral, prédio da UNCISAL, entre os meses de outubro e novembro
de 2017.
No processo de produção de dados foi utilizada um questionário semiestruturado
contendo seis questões acerca da percepção dos estudantes frente à prática do canto
coral, correlacionando-a com o processo ensino aprendizagem na saúde com ênfase na
EIP.
1) O que você observa que vivencia em comum na sua prática atual no projeto canto
coral com a sua prática de aprendizagem na saúde?
2) Quais as contribuições, desafios e limites que a prática do canto coral traz para sua
aprendizagem em saúde?
3) O que você considera importante para o trabalho em equipe?
21
4) Como o trabalho de liderança deve ser desenvolvido?
5) De quem é a responsabilidade se as metas não são atingidas?
6) Você observa mudanças no campo das relações inter-pessoais à partir de sua
participação no projeto do canto coral e em quê estas mudanças se aproximam de
sua prática de aprendizagem?
2.2.1 Metodologia para análise dos dados
A análise dos dados se deu por meio de Análise de Conteúdo (AC), que
considera a presença de determinada característica e suas repetições ao longo dos
fragmentos das mensagens. Na pesquisa em questão, indicadores de conteúdo foram
os listados previamente, como aspectos da Educação Interprofissional. Buscou-se
dentro do fragmento dos textos suas aparições literais ou por meio de sinônimos.
A definição da AC em 1943 era como sendo a semântica estatística do discurso
político. A AC pode ser quantitativa e qualitativa. Existe uma diferença entre
essas duas abordagens: na abordagem quantitativa se traça uma frequência
das características que se repetem no conteúdo do texto. Na abordagem
qualitativa se considera a presença ou a ausência de uma dada característica
de conteúdo ou conjunto de características num determinado fragmento da
mensagem (CAREGNATO; MUTTI, 2006, p. 682).
Após reunir as repostas dos estudantes em um quadro contendo todas as
entrevistas, foi realizada uma síntese vertical e outra horizontal, buscando encontrar as
aproximações de seus conteúdos com os indicadores previamente identificados com
base no referencial teórico sobre os aspectos da Educação Interprofissional.
A análise categorial é o tipo de análise mais antiga e na prática a mais
utilizada. Funciona por operações de desmembramento do texto em unidades,
em categorias segundo reagrupamentos analógicos. A análise categorial
poderá ser temática, construindo as categorias conforme os temas que
emergem do texto. Para classificar os elementos em categorias é preciso
identificar o que eles têm em comum, permitindo seu agrupamento. Este tipo de
classificação é chamado de análise categorial (CAREGNATO; MUTTI, 2006, p.
683).
Os passos da AC foram seguidos com inspiração na técnica de Bardin,
(BARDIN, 2011): a pré-análise; a exploração do material; e o o tratamento dos
22
resultados e interpretação. O primeiro passo é a da leitura flutuante. Nela podem surgir
indicadores que fundamentem e orientem a interpretação. No segundo passo são
criados códigos para os dados tomando por base as unidades de registro. No último
passo se faz a categorização para a classificação dos elementos segundo suas
semelhanças. Portanto, a codificação e a categorização fazem parte da AC.
(CAREGNATO; MUTTI, 2006).
Para manter o sigilo dos entrevistados, adotamos a nomenclatura dada a cada
nota musical, considerando que são sete, dó – ré – mi – fá – sol – lá – si, assim como o
número de entrevistados.
2.3
Resultados e discussão
Nesta pesquisa foi realizado um levantamento, antes da coleta dos dados,
identificando aspectos da Educação Interprofissional, visando verificar, com base nas
respostas dos estudantes, se a prática do canto coral contribui para a educação
Interprofissional.
Buscou-se, por meio de análise de conteúdo, a aproximação da fala dos
estudantes com os indicadores listados previamente ou com significados semelhantes
aos aspectos da EIP conforme referencial teórico que foi constituído por Peduzzi et al.
(2013), Batista (2012), e Organização Mundial de Saúde (2010).
As dimensões encontradas da EIP no referencial teórico foram a liderança
compartilhada, responsabilidade compartilhada, Comunicação, Colaboração, foco no
Paciente e Ética.
O aspecto foco no paciente foi substituído por foco no objetivo final, tendo em
vista que na prática do canto coral não há paciente.
Nenhum dos textos, isolados, faz menção as seis dimensões pesquisadas neste
estudo. Em Peduzzi et al. listamos 2 aspectos, em Batista e na Organização Mundial de
Saúde foram encontrados 4, em ambos. O quadro a seguir apresenta o conjunto das
dimensões mencionadas em cada um dos textos utilizados.
23
Quadro 1 - Dimensões da EIP
Fonte:
Ética
OMS
Colaboração
X
Foco no
Liderança
Responsabilidade
Paciente
Compartilhada
Compartilhada
X
X
Peduzzi
X
X
Batista
X
Comunicação
X
X
X
X
Fonte: TEIXEIRA, 2018.
As habilidades da Educação Interprofissional foram trabalhadas através das
atividades
realizados
por
naipe,
que
proporcionavam
momentos
para
o
desenvolvimento da colaboração, durante a escolha do repertório e das roupas, que
promovia o desenvolvimento da liderança compartilhada, através do desejo de que a
execução da música saísse harmoniosa, que fomentava a responsabilidade
compartilhada, por meio do cotidiano dos ensaios, bem como dos avisos, que
desenvolvia a comunicação. O foco no paciente pôde ser trabalho por meio do foco no
objetivo final, que era a apresentação, sempre preparada durante os ensaios com base
nos princípios da ética e no convívio democrático.
A noção de equipe e de trabalho em conjunto é inerente a todo grupo musical.
Ainda assim, durante os ensaios do coral, os conceitos e definições das habilidades da
Educação Interprofissional foram abordados segundo os entendimentos de Peduzzi et
al. (2013), Organização Mundial de Saúde (2010) e Batista (2012). Os conceitos de EIP
e de Prática colaborativa também foram abordados não só para os estudantes, mas
também para o público que assistiu as apresentações artísticas do coral em congressos
e simpósios da saúde.
2.3.1 Liderança compartilhada
Em Batista (2012) verificamos o termo “negociação na tomada de decisões”, o
que mostra ser necessário buscar um resultado comum, a partir da liderança
compartilhada entre os membros da equipe.
A EIP se compromete com uma formação para o interprofissionalismo, no qual
o trabalho de equipe, a discussão de papéis profissionais, o compromisso na
24
solução de problemas e a negociação na tomada de decisão são características
marcantes (BATISTA, 2012, p. 26).
Cinco entrevistados evidenciaram o desenvolvimento do conceito e da
importância da liderança compartilhada.
“O líder é aquele que respeita todo mundo, e tipo, ele tá ali pra representar e
[...] ele se importa assim, com, com o restante do grupo né? Com a opinião, ele
sabe ouvir o grupo.” (Entrevistado Do)
“Liderança [#] agora me pegou, eu acho que, se colocar no lugar do outro [#]
sem falar dos monitores e também dos alunos normais, é [#] por exemplo, se
tiver uma pessoa se destacando mais, com mais facilidade, de aprender, de
aprender mais rápido, no caso a música, o tom, tudo, ficar ali meio que
responsável pra ajudar o seu grupo al. [...] agindo como líderes também,
ajudando” (Entrevistado Mi)
“Liderança. Ah, o de liderança é aquela questão de você tá, de você não impor
opinião [...]” (Entrevistado Fá)
“Liderança, é [#] coparticipação de todos na verdade, porque não é só líder
aquele que dá ordem [...] ” (Entrevistado Sol)
“[...] eu acho que o líder, ele tem que mostrar isso e tem que saber# é,
entender, acho que a palavra toda é entender o outro. ” (Entrevistado La)
Contudo o entrevistado Si demonstrou discordância com o desenvolvimento de
uma liderança sendo compartilhada e se mostrou favorável a centralização de decisões.
“Líder é para liderar e se não tem líder, ninguém lidera. As coisas não andam. ”
(Entrevistado Si)
É importante frisar que mesmo o “entrevistado Si” afirma que o líder deve
respeitar o limite de seu liderado, buscando o senso de justiça em sua decisão
monocrática.
“o líder tem que saber também o limite do outro, não é porque: ah, eu posso
mandar, porque eu sou líder. Mas aí tem que saber, até onde ele deve ir com
seu poder, com o poder que ele tem, tudo tem que ter limite. ”
(Entrevistado Si)
2.3.2 Responsabilidade compartilhada
Semelhante à liderança compartilhada, a reponsabilidade compartilhada é
um conceito que a EIP traz para que seus adeptos possam dividir atribuições. Seja no
25
tocante do dever de uma tarefa a ser executada ou na atribuição de encargo por
alguma falha. É a responsabilidade compartilhada que vai distribuir o compromisso na
resolução do problema. Batista (2012) traz a informação de que na EIP o outro deve ser
“parceiro legítimo” no diálogo, no desafio, no comprometimento e na “responsabilidade”:
Para isto, a valorização da história de diferentes áreas profissionais, a
consideração do outro como parceiro legítimo na construção de conhecimentos,
com respeito pelas diferenças num movimento de busca, diálogo, desafio,
comprometimento e responsabilidade são componentes essenciais (BATISTA,
2012, p. 26).
A responsabilidade pelas falhas é vista por todos os entrevistados como uma
responsabilidade compartilhada, onde o grupo como um todo tem um compromisso na
reparação do processo.
Todos os entrevistados demonstraram ter a habilidade de responsabilidade
compartilhada:
“Eu acho que de cada um, cada um tem que dar o máximo pra... pra fazer o
trabalho, e se não, não for, não der resultado, tem que tentar de novo, eu acho
que cada um tem, tem a responsabilidade disso.” (Entrevistado Re)
“Porque é uma coisa em equipe, não é só do [#] do regente, nem só de um
grupo específico, nem só do contralto por exemplo, é todo mundo junto# então
se todo mundo não se esforçar junto, não sai.” (Entrevistado Mi)
“Seria de todos, porque todo mundo tem uma contribuição para que, é [#] o
objetivo seja alcançado, se nem todos, é [#] colaboram então, acaba sendo
que [#] se não alcançou o objetivo, é meio que, todo mundo tem um pouquinho
de responsabilidade sobre isso. ” (Entrevistado Sol)
“tanto o líder quanto o grupo, tem que rever suas atitudes e parar pra analisar
quais os pontos em que estão errando [...]” (Entrevistado La)
“De todos porque a culpa não vai só pra uma pessoa e geralmente é [#]
quando tá um grupo pra desenvolver algum trabalho, alguma coisa, todos tem
que tá com o mesmo objetivo” (Entrevistado Si)
2.3.3 Ética
A OMS apresenta por meio de Reeves et al. (2008), o apoio teórico para reforçar
a presença de aspectos como a comunicação, a ética e o foco no paciente. A ética,
segundo Reeves et al. enquanto princípio presente na EIP, permeia todas as ações e
deve estar focada no paciente.
26
A educação interprofissional é geralmente bem recebida pelos participantes,
que desenvolvem habilidades de comunicação, aumentam a capacidade de
análise crítica e aprendem a valorizar os desafios e benefícios do trabalho em
equipe. A educação interprofissional efetiva promove o respeito entre os
profissionais de saúde, elimina estereótipos prejudiciais e evoca a prática da
ética focada no paciente (REEVES et. al., 2008, apud ORGANIZAÇÃO
MUNDIAL DE SAÚDE, 2010, p. 20).
A menção a princípios éticos aparece na fala do entrevistado Mi, com a ideia de
se fazer o que é certo. A ética está embasada em ações que eles acreditam ser o
correto a ser feito, é o comportamento adequado para cada situação.
“[...] eu tenho a obrigação de ajudar o meu colega.” (Entrevistado Mi)
2.3.4 Foco no objetivo final
O usuário do sistema de saúde é colocado como objetivo final e é no
atendimento dele que o foco deve ser direcionado.
Espera-se do ensino nos moldes Interprofissional os subsídios necessários para
fortalecer o trabalho em equipe, tendo em vista a transformação das práticas de
saúde no sentido da integração e colaboração Interprofissional, com foco nas
necessidades de saúde dos usuários e população (PEDUZZI et al., 2013, p.
979).
Na prática do canto coral, desenvolvida durante esta pesquisa, não houve
pacientes ou usuários a serem atendidos. Assim sendo, a prática da EIP, desenvolvida
por meio das atividades do coral, tinha por objetivo final o som produzido pelo grupo.
O objetivo final, o foco dos ensaios e práticas de um coral, é a apresentação da
música. Esta apresentação pode ser considerada o resultado da integralidade das
ações no ambiente do coro. É o conjunto que predomina sobre a individualidade dos
membros.
O foco no objetivo final esteve presente em duas respostas.
“[...] para que, é [#] o objetivo seja alcançado, se nem todos, é [#] colaboram
então, acaba sendo que [#] se não alcançou o objetivo [...]” (Entrevistado Sol)
“[...] quando tá um grupo pra desenvolver algum trabalho, alguma coisa, todos
tem que tá com o mesmo objetivo pra alcançar a meta, [...] ” (Entrevistado Si)
27
2.3.5 Comunicação
No referencial teórico pesquisado encontramos a presença do termo
“exercício permanente do diálogo”. Entendemos com base na publicação de Batista,
(2012), que o diálogo é uma forma de comunicação e que é necessária para a
efetivação da EIP.
Dentre estes e outros desafios, a necessidade de integração assume ponto de
destaque. Integração entendida numa perspectiva de [...] parcerias na
construção de projetos e exercício permanente do diálogo (BATISTA, 2012, p.
25).
Seis entrevistados apontaram o desenvolvimento da habilidade de
comunicação durante a sua participação no coral. Muitos explicitaram em suas falas
que a timidez era uma grande barreira para a comunicação e, consequentemente, para
a sua aprendizagem em sala e prática em ambiente de estágio.
“[...] e também a questão de aprendizagem, porque eu perdi a timidez, perdi, a
timidez e questão de, é [#] comunicação, como em sala de aula, como em
ambiente de estágio [...]” (Entrevistado Fa)
“Percebo, a forma como eu vou, eu lido mais com os pacientes, [...] Por meio
da música, com outras pessoas, cantar pra várias pessoas e também, dentro
mesmo do coral, a gente tem tantas pessoas que não são de nenhuma área da
saúde. Como pessoas que também estudam. Diferentes graus, e [#] de
escolaridade. Isso faz com que a gente saiba praticamente [...] assim, como se
portar diante de tal pessoa, porque se é uma pessoa mais instruída a gente já
usa mais uma linguagem um pouco técnica, se não já usa uma linguagem mais
coloquial, que faça [...], que seja de fácil entendimento.” (Entrevistado Sol)
“[...] eu por exemplo, posso falar, uma questão de dicção, questão de cantar,
assim que eu iniciei, eu via que tava cantando muito rápido, eu comecei a me
observar mais, observar minha voz, observar como eu falava, e isso tá me
ajudando muito, a me concentrar em realmente falar corretamente, falar direito,
tanto de uma formalidade também, [...]” (Entrevistado La)
“[...] então, aquelas duas pessoas estariam atrapalhando, se o grupo em si não
chegasse em um consenso e conversasse com aquelas pessoas, acho que é
isso” (Entrevistado Si)
2.3.6 Colaboração
A habilidade da colaboração é apresentada por Batista (2012):
[...] numa perspectiva de novas interações no trabalho em equipe
interprofissional, de troca de experiências e saberes e posição de respeito à
28
diversidade, possibilitando-se, com isso, a cooperação para o exercício de
práticas transformadoras [...] (BATISTA, 2012, p. 25).
Os entrevistados foram unânimes em apontar a colaboração como ponto
fundamental para o funcionamento do coral. Alguns deles colocaram em suas falas a
aproximação da necessidade de colaboração na prática do canto coral assim como na
prática em saúde.
“Trabalho em equipe, é... a não ser individualista, porque... o grupo depende
um do outro, ninguém é melhor do que ninguém, e trabalho em equipe é muito
importante, tanto aqui no coral, quanto no trabalho na saúde.” (Entrevistado Do)
“Ah, sim, eu acho que a gente fica mais, é# mais empático assim, a gente
consegue pensar mais um no outro, consegue querer ajudar mais mesmo, é#
daí tipo, isso daí, tipo, vai refletir lá na frente, quando a gente começar a
atender e tal, pensar sempre que aquela pessoa ali que você tá atendendo,
poderia ter sido eu, independente da situação, doença e tal, mesma coisa no
coral, eu poderia estar com aquela dificuldade independente de ser de cantar
entendeu? Tipo a pessoa não tá aprendendo a letra, mas pode ser outra coisa,
a pessoa não foi pro ensaio hoje porque aconteceu tal coisa e ninguém tá nem
aí entendeu? Todo mundo se preocupar um com o outro.” (Entrevistado Mi)
“É# Seria trabalhar o conjunto, sempre pensar no conjunto, trabalhar de forma
multiprofissional, de forma sempre unida, não de forma individual, é# acho que
é isso.” (Entrevistado Fa)
“União. União, porque sem a união não, não tem as outras coisas, sem a união
não tem concordância, sem a união não tem trabalho justo, sem a união não,
não anda nem o tratamento, nem, nem em clínica, quanto em coral, [...] ”
(Entrevistado Si)
2.4
Conclusão
O presente estudo indicou que prática do canto coral pode favorecer a Educação
Interprofissional voltada para a prática colaborativa. Os aspectos da EIP levantados
junto ao referencial teórico foram identificados nas falas dos discentes sujeitos da
pesquisa. Os resultados indicam que a prática do canto coral pode favorecer o
desenvolvimento de habilidades e princípios que são objetivos da EIP e requisitos da
prática
colaborativa.
Os
estudantes,
participantes
do
projeto
de
extensão,
demonstraram fazer reflexões positivas sobre a relação entre aspectos a serem
desenvolvidos tanto na prática do canto coral como na formação na saúde. Há,
portanto, uma semelhança entre os aspectos desenvolvidos na prática do canto coral e
29
os desenvolvidos na EIP, evidenciando assim, que o canto coral poderá contribuir para
a concretização da EIP.
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30
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32
3
PRODUTO DE INTERVENÇÃO
Constituindo-se um dos pré-requisitos para a obtenção do título de mestre do
Programa de Ensino na Saúde, da Faculdade de Medicina (FAMED), da Universidade
Federal de Alagoas (UFAL), como produto foi proposto a criação de uma disciplina que
pudesse favorecer, aos estudantes das graduações dos cinco cursos da área da saúde
da UNCISAL, uma aprendizagem com base na EIP. A disciplina tem por nome:
“Aplicabilidades da Música na área da Saúde”.
3.1
Produto Educacional : Disciplina intitulada “Aplicabilidades da Música na
área da Saúde”
3.1.1 Introdução
Atualmente, existe a necessidade de uma reflexão permanente acerca da
formação em saúde e a Educação Interprofissional deve fazer parte dessa formação.
“Assim, a EIP é complementar à educação uniprofissional e/ou multiprofissional, no
desenvolvimento de atividades curriculares planejadas, isto é, que compõem o currículo
dos cursos da saúde” (PEDUZZI et al., 2013, p. 979).
Isto se deve à indispensabilidade da abordagem integral ao atendimento do
paciente. O princípio da Integralidade do cuidado, dirigido ao paciente do SUS, exige
dos profissionais da Saúde uma prática pautada na colaboração (PEDUZZI et al.,
2013).
A Prática Colaborativa pode ser alcançada através da Educação Interprofissional
(OMS, 2010). Ocorre que há um constante desconhecimento de práticas de Educação
Interprofissional, sendo esta comumente confundida com a Educação Multiprofissional
(PEDUZZI et al., 2013). É necessário que sejam criados espaços de aprendizagem por
meio da EIP. O ambiente da aprendizagem musical em conjunto pode ser favorável
para o desenvolvimento de aspectos pertinentes a EIP, como ficou constatado nesta
pesquisa.
A criação desta disciplina pode fornecer oportunidade da vivência da EIP aos
discentes que não possam participar do Projeto de Extensão do Canto Coral por
33
impossibilidades de horário ou por medo de cantar. A disciplina proporciona outras
práticas musicais em conjunto, além do Canto Coral.
3.1.2 Objetivos
Proporcionar um novo ambiente de Educação Interprofissional, além do Coral
Extensionista;
Apresentar aos discentes matriculados na disciplina, os conceitos da Educação
Interprofissional e da Prática Colaborativa;
Demonstrar a importância de práticas musicais em conjunto, em especial o canto
coral, na contribuição para a educação Interprofissional;
Capacitar os discentes para o uso da música em seus futuros ambientes de
trabalho, possibilitando assim práticas de integração social já realizadas em sala
de aula e nos projetos de extensão, por eles desenvolvidos, durante o período da
disciplina;
3.1.3 Metodologia
Foi submetido ao Núcleo de Ciências Humanas Sociais e Políticas Públicas
(NUCISP) da Universidade de Ciências da Saúde de Alagoas (UNCISAL), uma
proposta de criação de disciplina.
A disciplina intitulada “Música e suas aplicabilidades na área da Saúde” foi
apresentada com carga horária de 60 horas. O período proposto foi considerado como
adequado para o desenvolvimento dos aspectos da Educação Interprofissional.
Após os trâmites administrativos junto ao Conselho Superior Universitário
(CONSU) e às coordenações de cada uma das cinco graduações de bacharelado da
UNCISAL, a disciplina foi aprovada.
A metodologia a ser utilizada na disciplina será a de aprendizagem baseada em
projetos.
O ensino baseado em projetos foca na atividade do aluno trabalhando em
equipe, relacionando aprendizagem e solução de projetos de grande escala e
diversas possibilidades. Cada projeto é apoiado por diversas disciplinas com
aulas teóricas, unidas por um tema que registra a unidade do currículo. Uma
equipe de estudantes analisa o projeto, fornece solução e entrega em um prazo
determinado, um produto da equipe como um protótipo e também um relatório
em grupo. Os alunos mostram o que aprenderam discutindo com os tutores e
refletindo como alcançaram o resultado final (POWELL; WEEENK, 2003, p. 28).
34
Essa metodologia tem se mostrado eficaz para servir de estratégia de ensino
aprendizagem da EIP, promovendo nos alunos independência, responsabilidade,
prática social e modos democráticos de comportamento (GONZÁLEZ; RUGGIERO,
2008).
Após o período de 30 horas de aulas expositivas das possíveis aplicabilidades da
música na área da saúde, será solicitado aos discentes que formem grupos
interprofissionais em sala de aula. Estes grupos criarão projetos de intervenção musical,
com finalidade terapêutica, em locais com necessidades destes tipos de projetos. Os
projetos criados pelos grupos interprofissionais, com discentes de graduações diversas,
formados na disciplina, são apresentados à Pro reitoria de Extensão e executados
durante o prazo de 6 meses. Após este período, a continuidade do projeto é facultada
aos discentes.
A avaliação dos discentes se dará por meio de envolvimento e êxito no projeto
apresentado e executado por cada grupo.
Quadro com o Plano de Ensino da Disciplina:
UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CIÊNCIAS DA SAÚDE DE ALAGOAS
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Quadro - PLANO DE ENSINO: MÚSICA E SUAS APLICABILIDADES
(Módulo interdisciplinar e interprofissional)
Cursos de Medicina, Enfermagem, Fisioterapia, Fonoaudiologia e Terapia Ocupacional
(continua)
Módulo: Música e suas aplicabilidades em Saúde
Ano letivo: 2018 Série [Todas] Semestral [ x ]
Números de alunos: No máximo 40 alunos distribuídos entre todas as turmas.
Carga Horária Total do Módulo:60 horas: Teóricas 30 hs Práticas 30 hs
Professor: Rodrigo Andrade Teixeira
I. Ementa
Estudo das diversas aplicabilidades da música na área da Saúde. Aborda os aspectos sociais
e culturais da música enquanto manifestação cultural e enquanto ciência. Sob a perspectiva da
saúde, verifica a música como ferramenta preventiva e terapia reabilitatória no trato de
35
diversas patologias mentais e físicas. Todo o conteúdo é envolto pelo objetivo da Educação
Interprofissional.
II Objetivos
a) Desenvolver no discente as habilidades para a prática da música em conjunto com
finalidade de prática clínica colaborativa em virtude da Educação Interprofissional na
disciplina;
b) Propiciar a interação do aluno com a EXTENSÃO e com a comunidade através da
elaboração e execução, dentro da disciplina, de “Projetos Extensionistas” relacionados a
atividades musicais em conjunto;
c) Promover parcerias com outros projetos de extensão com foco na educação
Interprofissional, à exemplo do Coral Extensionista;
d) Conhecer as aproximações e distanciamentos entre a música com aplicabilidade na saúde
e a musicoterapia. Conhecer como ambas interferem no processo saúde-doença;
e) Conhecer as aplicabilidades da música na saúde e da musicoterapia;
f) Possibilitar ao aluno o conhecimento dos processos históricos e políticos que contribuíram
para a valorização da musicoterapia enquanto ciência;
III Objetivos de aprendizagens
Promover as relações interprofissionais e colaborativas a partir de processos construídos de
aprendizado interdisciplinar considerando vivências concretas nos campos de atenção à
Saúde (experiências em grupo).
Objetivos de Conhecimentos: Subsidiar com fundamentos teóricos, práticos e metodológicos
a compreensão dos processos musicoterapêuticos e de música na saúde.
Objetivos de Habilidades: Favorecer ao discente de saúde a aquisição de habilidades
referentes a Educação Interprofissional como a liderança compartilhada, a responsabilidade
compartilhada, a comunicação, a ética, a colaboração e o foco no atendimento do paciente.
Objetivos de Atitudes: Facilitar os aspectos atitudinais inerentes ao cuidado de si e do outro,
à alteridade, na relação interprofissional e com os usuários em geral, às políticas públicas com
base nos princípios da equidade, da igualdade, da universalidade e da integralidade, no
comprometimento do profissional com a implementação plena da doutrina do SUS.
III. Métodos de Ensino
Estratégias
[x] Iniciação à pesquisa
[x] Aula expositivas
[x] Estudo dirigido
[x] Aulas teóricas práticas/demonstrativas
Vivenciais
[ ] Preleção dialogada
[x] Oficinas de canto e de instrumentos
[x] Discussão caso práticos
[x] Outras : Vivências nos hospitais.
[x] Quadro branco
[x] Retroprojetor
[x] Projetor de slides
[X] Elaboração e execução de Projetos
[x] Discussão em pequenos grupos
Recursos Audiovisuais
[x] Videos/filmes
[x] Textos
[ ] Projetor de Lâminas
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[x] Data-show
[ ] Quadra magnética
[x] Outros (partituras, estantes, teclado, violão, etc)
IV. Carga Horária/Aluno
Atividades Semestral:60 h/a : Teóricas 30 hs Praticas 30 hs
V. Conteúdo Programático
I Musicoterapia e Música na Saúde:
1.1 Diferenças e aproximações.
(Aula de Música x Musicoterapia) (Musicoterapia x Música na Saúde)
1.2 Breve história da Música
1.3 Breve história da Musicoterapia
1.4 Prática Musical na Educação Interprofissional (Objetivo da Disciplina e Apresentação da
Metodologia em Projetos)
1.5 A importância do canto coral na contribuição para a educação Interprofissional
(Apresentar a Pesquisa e dar exemplos de projetos que podem ser desenvolvidos);
II Espécies de abordagens da Música na Saúde:
2.1. Com a voz; com instrumentos e com objetos;
2.2 Divisão de vozes femininas e divisão de vozes masculinas;
2.2 Extensão, Timbres, cores e pesos vocais e suas representações de estado emocional;
2.3 Utilização de Cânones (Os dedinhos e lançai um sorriso);
2.4 Como cantar para crianças;
2.5 Famílias dos Instrumentos;
2.6 Exemplificar utilização de instrumentos;
http://pt.slideshare.net/bethygaucha/famlia-de-instrumentos-musicais
III Música e Musicoterapia na Saúde Materno Infantil:
3.1 Reconhecimento de Amusia ou do ouvido absoluto;
3.2 Imagens mentais a partir do som;
3.3 Diferença entre Música, som e ruído;
3.4 Sons intrauterinos;
3.5 Pulsação e sua importância na terapia;
IV Música e Musicoterapia na Gerontologia e Geriatria:
4.1 Importância da Matriz Cultural;
4.2 Importância da Identidade Sonora;
V Musicoterapia e suas 3 abordagens.
4.1 Receptiva;
4.2 Ativa;
37
4.3 Interativa; (Barcellos 1984)
.
VI Música e Musicoterapia na Saúde Mental
6.1 Canto Coral - Técnica Vocal e Cânones Relaxamento;
6.2 Técnica de respiração e exercícios respiratórios;
6.3 Prática Instrumental em Conjunto;
6.4 Princípio do ISO de Ira Altshuler;(Estado emocional)
6.5 Princípio do ISO de Benenzon; (Músicas que ele gosta) (Identidade Sonora)
6.6. Evitar harmonia complexa e utilizar harmonia simples e sempre com resoluções;
VII Aplicabilidades da Musicoterapia e ou da Música na área da Saúde
7.1 Área Educacional: Dislexia, Síndromes e Memorização;
7.2 Área Hospitalar: Recuperação de Pacientes, Tratamentos diversos, integração
profissional;
7.3 Área Social: Empresas, Dependentes químicos, moradores de rua.
VIII Dificuldades nas nomenclaturas:
8.1 Amusia
8.2 Tone Deafness
8.3 Desafinação
8.4 Arritmia
Musicoterapia X Alzheimer e depressão
<https://www.youtube.com/watch?v=k1UtBgd4oZY&list=PLAbdsODwW2bGsIXbvs0hSzVP2PJi
b-_4u>
Musicoterapia holística: Sistema imunológico e Equilíbrio emocional)
<https://www.youtube.com/watch?v=dqjp5o7x6G8&list=PLAbdsODwW2bGsIXbvs0hSzVP2PJib_4u&index=2>
Saúde Física: Sistema Imunológico
(Anais do X ENPEMT – Encontro de Pesquisa em Musicoterapia, Salvador-BA-BR, out. 2010
<https://asbamt.files.wordpress.com/2011/08/anais-completos-x-enpemt.pdf> (PÁGINA 132)
Saúde Psíquica: Equilíbrio Mental, Alzheimer
<https://asbamt.files.wordpress.com/2011/08/anais-completos-x-enpemt.pdf> (PÁGINA 32)
Saúde Social: Integração (Educação interprofissional e Prática Colaborativa) Marco da
OMS.
<http://www.paho.org/BRA/index.php?Option=com_content&view=article&id=3019&Itemid=381>
VI. Avaliação
Avaliação
Os/as estudantes serão acompanhados por um/a professor(a)/tutor(a) tanto nas discussões
teóricas como práticas. Este/a Tutor/a ficará responsável por orientar e apoiar a turma do início
ao final do semestre, avaliando a participação, conhecimentos críticos e reflexivos e atitudes e
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habilidades do saber fazer dos/as alunos/as.
Do/a Estudante: Será contínua e processual, valorizando predominantemente a participação
efetiva de todo corpo discente, observando o alcance dos objetivos, o cumprimento do
conteúdo programático e as atitudes e habilidades do/a estudante. Para isso serão utilizados
instrumentos de avaliação como:
a) Resenhas críticas. Os estudantes realizarão, em grupo, resenhas críticas dos textos
lidos, da pesquisa de campo (diário de campo) e percepção individual das atividades
diárias;
b) Testes avaliativos: Os estudantes realizarão testes avaliativos de forma individual para
identificação das percepções individuais. (Questionário avaliativo do desenvolvimento
de habilidades para a Educação Interprofissional);
c) Construção e execução de projeto de intervenção musical em ambiente escolhido
pelo grupo, pautado na Prática Colaborativa da OMS. Este projeto será um projeto de
Extensão.
d) Apresentações artísticas\ culturais e terapêuticas durante todo o período da disciplina.
Estas apresentações ocorrerão em eventos dentro e fora da UNCISAL. Variará entre
congressos, simpósios e visitas aos hospitais.
Do módulo: Este é avaliado constante e processualmente a partir do “feed-back” dos
estudantes. Estas avaliações serão remetidas ao NUCISP.
VII. Bibliografia Básica (que conste na Biblioteca)
CUNHA, Rosemyriam. A prática da musicoterapia em diferentes áreas de atuação. Rio de
R.cient./FAP, Curitiba, v.3, p.85-97, jan./dez. 2008.
VIII. Bibliografia Complementar
COSTA, Clarice Moura. Música e psicose. 1. ed. Rio de Janeiro: Enelivros, 2010.
LOPEZ, A. L. L.; CARVALHO, P. Musicoterapia com hemiplégicos: um trabalho integrado à
fisioterapia. rio de janeiro: enelivros, 1999.
MARTINS, Cássio. Aulas e projetos do Curso de Música integram estudantes e
comunidade. Disponível em <http://www.ufpi.br/noticia.php?id=29414 >. Acesso em: 10 out.
2015.
Organização Mundial de Saúde. Marco para ação em educação interprofissional e prática
colaborativa. Genebra, 2010. Disponível em:
<http://www.paho.org/BRA/index.php?Option=com_content&view=article&id=3019&Itemid=381
.> Acesso em: 19 de out. 2015.
Nome
Rodrigo Andrade Teixeira
IX. Docentes do Módulo I
Cargo
Titulação
Prof. Assistente
Especialista
Carga horária semanal
20h
X. Observações
Serão realizadas visitas, com atividades vivenciais em grupos de 25 estudantes, aos hospitais,
comunidades atendidas pela Estratégia de Saúde da Família e nas próprias Unidades de
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Saúde. Estas unidades deverão ter convênio com a UNCISAL e estarem localizadas no Estado
de Alagoas. As visitas serão sempre acompanhadas por um/a professor/a tutor/a e agentes
comunitários de saúde da Unidade. Estas têm como ponto central a compreensão do processo
Saúde/Doença individual e coletivo e como a música e a musicoterapia servem de recurso no
tratamento\prevenção em loco de diversas patologias. Essa vivência terá como escopo também
a prática colaborativa dos alunos da disciplina, visando a Educação Interprofissional.
3.1.4 Avaliação do Produto
Para a verificação da eficácia do produto, ao fim de cada semestre, será aplicado
junto aos discentes da disciplina, o questionário utilizado nesta pesquisa para a
verificação da percepção, por parte dos estudantes, dos seis aspectos de EIP, já
listadas neste estudo, e se estes estudantes conseguiram realizar a aproximação da
prática musical na disciplina com a prática da EIP, incluindo a elaboração dos projetos e
a aquisição das habilidades e princípios.
3.2
Considerações Finais
Diante do acolhimento por parte da UNCISAL, da disciplina “Música e suas
aplicabilidades na área de Saúde”, os estudantes não participantes do projeto de
extensão do Coral poderão aprender que a prática da música em conjunto pode ser
importante para a efetivação da Educação Interprofissional.
Com práticas musicais em conjunto, dentro da disciplina, os estudantes serão
motivados a agir em conjunto, por meio da boa comunicação e da igualdade de papéis
com o foco no objetivo final, neste caso, a execução do projeto que eles mesmos
criarão em equipe.
Deste modo, pesquisa e produto estão em consonância e harmonia,
contribuindo para o aperfeiçoamento da extensão universitária e do ensino na
Instituição, englobando ambos como parceiros na Educação Interprofissional.
A
continuidade
e
o
fortalecimento
do
Projeto
de
Extensão
CORAL
EXTENSIONISTA devem ocorrer por ele ter se mostrado como contribuinte da EIP.
Com esta disciplina, a extensão universitária será constantemente fortalecida com
projetos que demonstram uma união de ensino e extensão para o fortalecimento da
formação na saúde, em especial, da EIP.
40
REFERÊNCIAS
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musical.Opus, Goiânia, v. 13, n.1, p. 75-96, 2007. Disponível em: <
https://www.anppom.com.br/revista/index.php/opus/article/view/295/273 >. Acesso em:
6 dez. 2017.
BATISTA, Nildo Alves. Educação interprofissional em saúde: concepções e práticas.
Caderno FNEPAS, Rio de Janeiro, v. 2, p. 25-28, jan. 2012. Disponível em: <
http://www.fnepas.org.br/artigos_caderno/v2/educacao_interprofissional.pdf>. Acesso
em: 6 dez. 2017.
GONZÁLEZ, Luisa Aleyda García. Um modelo conceitual para aprendizagem
colaborativa baseada na execução de projetos pela Web. Revista IEEE América
Latina, [s.l.], v. 3, n. 1, p. 47-60, 2008. Disponível em: <
http://rita.det.uvigo.es/200805/uploads/IEEE-RITA.2008.V3.N1.A6.pdf>. Acesso em: 6
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______; RUGGIERO, Wilson Vicente. Modelo aprendiz para atividades colaborativas de
projeto em sistemas de aprendizagem eletrônico. Revista IEEE América Latina, [s.l.],
v. 4, n. 4, p. 283-288, 2006. Disponível em: <
http://www.ewh.ieee.org/reg/9/etrans/ieee/issues/vol04/vol4issue4June2006/4TLA4_08
GarciaGonzalez.pdf>. Acesso em: 19 out. 2015.
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE. Rede de Profissões de Saúde - Enfermagem &
Obstetrícia. Recursos Humanos para a Saúde. Marco para ação em educação
interprofissional e prática colaborativa. Genebra, 2010. Disponível em: <
http://www.paho.org/bra/images/stories/documentos/marco_para_acao.pdf%20 >.
Acesso em: 19 out. 2015.
PEDUZZI, Marina et al. Educação interprofissional: formação de profissionais de saúde
para o trabalho em equipe com foco nos usuários. Revista Escola de Enfermagem da
USP, São Paulo, v. 47, n. 4, p.977-983, 2013.
POWELL, Peter C.; WEENK, Win. Project-led engineering education. Utrecht:
Lemma, 2003.
41
REFERÊNCIAS GERAIS
AMATO, Rita Fucci. O canto coral como prática sócio-cultural e educativo
musical.Opus, Goiânia, v. 13, n.1, p. 75-96, 2007.
BARDIN, Laurence. Análise de conteúdo. Tradução: Luís Augusto Pinheiro. São
Paulo: Edições 70, 2011.
BATISTA, Nildo Alves. Educação interprofissional em saúde: concepções e práticas.
Caderno FNEPAS, Rio de Janeiro, v. 2, p. 25-28, jan. 2012.
BRASIL. Conselho Nacional de Educação. Câmara de Educação Superior. Resolução
CNE/CES nº 3, de 7 de novembro de 2001. Institui Diretrizes Curriculares Nacionais do
Curso de Graduação em Enfermagem. Diário Oficial [da] República Federativa do
Brasil, Brasília, DF, 9 nov. 2001. Seção 1, p. 37.
______. Resolução CNE/CES n. 4, de 19 de fevereiro de 2002. Institui Diretrizes
Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Fisioterapia. Diário Oficial [da]
República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 4 mar. 2002a. Seção 1, p. 11.
______. Resolução CNE/CES n. 5, de 19 de fevereiro de 2002. Institui Diretrizes
Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Fonoaudiologia. Diário Oficial [da]
República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 4 de março de 2002b. Seção 1, p. 12.
______. Resolução CNE/CES n. 3, de 20 de junho de 2014. Institui Diretrizes
Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Medicina e dá outras providências.
Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 23 jun. 2014. Seção
1, p. 8-11.
______. Resolução CNE/CES n. 6, de 19 de fevereiro de 2002. Institui Diretrizes
Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Terapia Ocupacional. Diário Oficial
[da] República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 4 mar. 2002c. Seção 1, p. 12.
CAREGNATO, Rita Catarina Aquino; MUTTI, Regina. Pesquisa qualitativa: análise de
discurso versus análise de conteúdo. Texto & Contexto – Enfermagem, Florianópolis,
v. 15, n. 4, p. 679-684, 2006.
FONTOURA, Rosane Teresinha; MAYER, Cristiane Nunes. Uma breve reflexão sobre a
integralidade. Revista Brasileira de Enfermagem, Brasília, DF, v. 59, n. 4, p. 532-536,
2006.
42
FÓRUM DE PRÓ-REITORES DE EXTENSÃO DAS UNIVERSIDADES PÚBLICAS
BRASILEIRAS - FORPROEX . Plano Nacional de Extensão Universitária. Manaus,
2012. Disponível em: < http://proex.ufsc.br/files/2016/04/Pol%C3%ADtica-Nacional-deExtens%C3%A3o-Universit%C3%A1ria-e-book.pdf>. Acesso em: 5 fev. 2018.
GONZÁLEZ, Luisa Aleyda García; RUGGIERO, Wilson Vicente. Modelo aprendiz para
atividades colaborativas de projeto em Sistemas de Aprendizagem Eletrônico. Revista
IEEE América Latina, [s.l.], v. 4, p. 283-288, 2006.
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE. Rede de Profissões de Saúde - Enfermagem &
Obstetrícia. Recursos Humanos para a Saúde. Marco para ação em educação
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PEDUZZI, Marina. Equipe multiprofissional de saúde: a interface entre trabalho e
interação. Campinas, 1998. 254p. Tese (Doutorado) – Faculdade de Ciências Médicas,
Universidade de Campinas, Campinas, 1998.
______ et al. Educação interprofissional: formação de profissionais de saúde para o
trabalho em equipe com foco nos usuários. Revista Escola de Enfermagem da USP,
São Paulo, v. 47, n. 4, p.977-983, 2013.
REEVES, Scott et al. Porque precisamos da educação interprofissional para um
cuidado efetivo e seguro. Interface (Botucatu), Botucatu, v. 20, n. 56, p. 185–196,
2016.
______ et al. Interprofessional education: effects on professional practice and health
care outcomes. Cochrane Database of Systematic Reviews, Oxford, n. 1, 2008.
SILVA, Ana Elisa Bauer de Camargo et al. Problemas na comunicação: uma possível
causa de erros de medicação. Acta Paulista de Enfermagem, São Paulo, v. 20, n. 3,
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SILVA, Jaqueline Alcântara Marcelino et al. Educação interprofissional e prática
colaborativa na Atenção Primária à Saúde. Revista da Escola de Enfermagem da
USP, São Paulo, v. 49, p. 16-24, dec. 2015.
VENTURA, Magda Maria. O estudo de caso como modalidade de pesquisa. Revista
SOCERJ, Rio de Janeiro, v. 20, n. 5, p. 383-386, 2007.
43
ANEXOS
44
ANEXO A – TCLE
TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO
Eu,___________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________ (Coloque aqui o seu nome), estou sendo convidado como
voluntário(a) à participar da pesquisa denominada:” A PRÁTICA DO CANTO CORAL
NO
AMBIENTE
DA
EXTENSÃO
UNIVERSITÁRIA:
UM
CAMINHO
PARA
A
EDUCAÇÃO INTERPROFISSIONAL”, cujos objetivos são verificar a contribuição do
processo ensino aprendizagem da prática musical, por meio do canto coral, para o
desenvolvimento de habilidades e competências voltadas à educação interprofissional e
a prática colaborativa entre discentes da graduação de uma instituição de ensino
superior.
A justificativa é que a capacidade de integrar que a prática do canto coral possui
em ambientes de ensino aprendizagem já é presente na literatura musical e
educacional. É proposto agora investigar se a prática do canto coral é também uma
ferramenta de eficiência para o alcance das competências e habilidades apontadas nas
diretrizes curriculares nacionais dos cursos da área de saúde.
Este trabalho está sendo desenvolvido como consequência da publicação e
direcionamento da Organização Mundial de Saúde que diz: “Para que os profissionais
de saúde efetivamente colaborem e melhorem os resultados na saúde, dois ou mais
deles, com diferentes experiências profissionais, devem em primeiro lugar ter
oportunidades de aprender sobre os outros, com os outros e entre si. Essa educação
interprofissional é essencial para o desenvolvimento de uma força de trabalho de saúde
“colaborativa preparada para a prática”, na qual os funcionários trabalham juntos para
prestar serviços abrangentes em uma ampla gama de locais de assistência de saúde.
(ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE, 2010).
45
A metodologia a ser desenvolvida será qualitativa e vai colher dados através de
questionários que abordarão temas relativos à prática colaborativa, educação
interprofissional, canto coral e a relação entre eles. O questionário será aplicado após
um período aproximado de 6 meses de atividades do coral como ensaios e
apresentações.
A minha participação no referido estudo será no sentido de participar das
atividades de ensaio e apresentações do Coral Extensionista da UNCISAL e responder
ao questionário desta pesquisa.
Fui alertado de que, da pesquisa a se realizar, posso esperar alguns benefícios,
tais como: Desenvolvimento da minha capacidade de comunicação, de aprendizagem,
de trabalho em grupo, artística e em específico, musical.
Recebi, por outro lado, os esclarecimentos necessários sobre os possíveis
desconfortos e riscos decorrentes do estudo. Assim como frustrações por um não
acolhimento do público à minha apresentação musical e também um desconforto no
não envolvimento amigável entre os membros do coral.
Estou ciente de que o(a) pesquisador(a) irá tratar a minha identidade com
padrões profissionais de sigilo. Meu nome ou o material que indique a minha
participação não será liberado sem a minha permissão. Não serei identificado(a) em
nenhuma publicação que possa resultar deste estudo.
Fui informado de que sou livre para recusar-me a participar desta pesquisa,
retirar meu consentimento ou interromper a minha participação a qualquer momento.
Com a minha recusa em participar, não irá acarretar-me qualquer penalidade ou perda
de benefícios ou modificação na forma em que sou atendido pelo pesquisador.
A minha participação no estudo não me trará qualquer custo, ocorrendo gastos
adicionais, estes serão absorvidos pelo orçamento da pesquisa e que não receberei
nenhuma compensação financeira. Caso eu venha sofrer algum dano decorrente dessa
pesquisa serei indenizado, desde que devidamente comprovado.
Em
caso
de
dúvidas
poderei
chamar
o(a)pesquisador(a)
no
e-mail
rodrikovc@hotmail.com ou o Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de
Alagoas, CEP/UFAL: 3214-1041, sito à Av. Dr. Lourival Melo Mota, S/N, Campus A. C.
Simões – Cidade Universitária – Tabuleiro do Martins, Maceió – AL.
46
Sendo assim, declaro que concordo em participar desse estudo. Recebi uma
via deste termo de consentimento livre e esclarecido e me foi dada a oportunidade de
ler e esclarecer as minhas dúvidas.
__________________________________
Nome, assinatura e CPF do Pesquisador
___________________________________
Assinatura do Participante
47
ANEXO B – Parecer Consubstanciado do CEP
UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CIÊNCIAS DA SAÚDE DE ALAGOAS - UNCISAL
PARECER CONSUBSTANCIADO DO CEP
Elaborado pela Instituição Coparticipante
DADOS DO PROJETO DE PESQUISA
Título da Pesquisa: CONTRIBUIÇÃO DA PRÁTICA MUSICAL DO CANTO CORAL NO
DESENVOLVIMENTO DE HABILIDADES E COMPETÊNCIAS PARA A FORMAÇÃO
INTERPROFISSIONAL NA ÁREA DE SAÚDE.
Pesquisador: RODRIGO ANDRADE TEIXEIRA
Área Temática:
Versão: 1
CAAE: 70110517.5.3001.5011
Instituição Proponente: Universidade Federal de Alagoas
Patrocinador Principal: Financiamento Próprio
DADOS DO PARECER
Número do Parecer: 2.303.475
48
ANEXO C – Certificado da XVI Jornada Alagoana de Pediatria
49
ANEXO D – Certificado do VII Congresso Acadêmico da UNCISAL
50
ANEXO E – Certificado do CAIITE 2016
51
ANEXO F – Resolução de Homologação da Disciplina (Produto) e Publicação no
Diário Oficial Do Estado
52
53
ANEXO G – Declaração de Submissão de Artigo para Revista Conhecimento &
Diversidade
