REGINA BRAGA COSTA - ATENÇÃO ONCOLÓGICA NO ENSINO DE GRADUAÇÃO EM ENFERMAGEM: UMA PERSPECTIVA DISCENTE.
DISSERTACAO_REGINA_BRAGA_COSTA.pdf
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UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
FACULDADE DE MEDICINA
MESTRADO PROFISSIONAL DE ENSINO NA SAÚDE
REGINA BRAGA COSTA
ATENÇÃO ONCOLÓGICA NO ENSINO DE GRADUAÇÃO EM ENFERMAGEM:
UMA PERSPECTIVA DISCENTE.
MACEIÓ/AL
2019
REGINA BRAGA COSTA
ATENÇÃO ONCOLÓGICA NO ENSINO DE GRADUAÇÃO EM ENFERMAGEM:
UMA PERSPECTIVA DISCENTE.
Trabalho acadêmico de conclusão de curso
apresentado ao Programa de Pós-graduação do
Mestrado Profissional em Ensino na Saúde como
pré-requisito parcial para obtenção do título de
Mestre.
Orientadora: Profª. Drª. Célia Alves Rozendo
Linha de Pesquisa: Currículo e processo de ensinoaprendizagem na formação em saúde.
MACEIÓ/AL
2019
4
AGRADECIMENTOS
Após uma longa jornada, chego ao final deste ciclo com a certeza de que essa tão esperada
conquista só foi possível porque tive pessoas especiais ao meu lado que contribuíram, cada uma
ao seu modo, para a concretização deste sonho.
Agradeço, primeiramente, à Deus, pela vida, pelas pessoas que fazem parte dela e pela
oportunidade de vivenciar esse momento.
Ao meu marido, incentivador e companheiro de todas horas, à minha filha, a mais bela razão
do meu viver.
Aos meus familiares e ao meu grupo querido de amigos, pelo apoio e incentivo em todos os
momentos, em especial às amigas Suderlande Leão e Tatiana Almeida, por sempre me
fortalecerem nos momentos de angústia.
À minha orientadora, Professora Doutora Célia Alves Rozendo, por acreditar nessa proposta de
estudo, por me nortear com suas recomendações e importantes contribuições para o
desenvolvimento desta pesquisa.
Aos componentes das bancas de qualificação e defesa, professoras Drª Cristina Trezza, Drª
Ângela Canuto, Drª Lenilda Australino, agradeço a disponibilidade e as contribuições valorosas
para o aperfeiçoamento desta pesquisa.
Aos graduandos de enfermagem pela disponibilidade em participar da pesquisa e pela
contribuição com suas ricas discussões.
Aos meus companheiros de turma do mestrado, pela união e companheirismo em todos os
momentos.
5
RESUMO GERAL
O câncer é considerado um problema de saúde pública no Brasil e no mundo. Atualmente ocupa
a segunda causa de morte por doença no Brasil, com estimativas de 600 mil novos casos da
doença para cada ano do biênio 2018-2019. Mesmo diante deste cenário epidemiológico, a
maioria dos estudos encontrados demonstram que as escolas de enfermagem incorporam
conteúdos de oncologia de forma insuficiente em seus currículos. Neste contexto, o objetivo
desta pesquisa é analisar o ensino da oncologia no curso de graduação em Enfermagem de uma
Universidade Federal do Nordeste sob a perspectiva discente. Trata-se de uma pesquisa de
caráter exploratório, do tipo descritiva-analítica, com abordagem qualitativa, realizada com
graduandos do curso de enfermagem. A produção de informação se deu a partir da realização
de um grupo focal com graduandos de enfermagem com a finalidade de conhecer a percepção
discente sobre o ensino da oncologia na graduação. Os resultados obtidos a partir do grupo focal
foram analisados à luz da análise de conteúdo de Bardin e demonstraram que os graduandos
consideram o ensino da oncologia insuficiente na formação do enfermeiro, devido ao pouco
tempo destinado aos conteúdos teóricos e atividades práticas em oncologia. Também foi
evidenciado nos discursos a existência de uma lacuna das ações de atenção oncológica no
âmbito da atenção primária. Na tentativa de evitar um viés analítico, também foi utilizado o
Projeto Político Pedagógico (PPP) como fonte de informação na intenção de verificar como a
oncologia estava inserida no planejamento do curso. Para exploração documental do PPP foram
utilizadas as Diretrizes Nacionais para a Graduação em Enfermagem (DCN) e a obra de
Kramer, intitulada “Propostas Pedagógicas ou Curriculares: subsídios para uma leitura crítica”,
com foco adaptado para oncologia. Os resultados da análise documental demonstraram que o
PPP segue a linha generalista orientada pelas Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs), onde
a oncologia é tratada de forma implícita. Acredita-se que os resultados dessa pesquisa poderão
contribuir para despertar sobre a necessidade de abordagem de conteúdos de atenção oncológica
na graduação em enfermagem, e servirão de subsídio para uma adequação curricular na intenção
de formar enfermeiros com competências profissionais para lidar com a realidade
epidemiológica do câncer no país e região de atuação. A partir desta pesquisa foi possível
elaborar dois produtos educacionais, sendo um artigo científico para fins de publicação e um
relatório técnico que foi entregue ao Colegiado do Curso.
Palavras-chave: oncologia, educação em enfermagem, currículo, competência profissional.
6
GENERAL ABSTRACT
Cancer is considered a public health problem in Brazil and worldwide. It is currently the second
leading cause of death from disease in Brazil, with approximately 600 thousand new cases of
disease in each year of the 2018-2019 biennium. Even in the face of this epidemiological
scenario, the studies found on this subject show that most nursing schools incorporate oncology
content insufficiently into their curriculum. Given this context, this study aims to analyze the
teaching of oncology in the Nursing Undergraduate Course of a Federal University of the
Northeast of Brazil from the student perspective. This is an exploratory research, descriptiveanalytical, with a qualitative approach. The information production was based on the realization
of a focal group with nursing undergraduates in order to know the student perception about the
teaching of oncology in undergraduate studies. The data obtained from the focal group were
analyzed in the light of Bardin's content analysis with the proposition of five analytical
categories. The results showed that undergraduates consider the teaching of oncology to be
insufficient in nursing education, due to the short time allocated to the theoretical contents and
practical activities in oncology. There was also a gap in oncological care actions in primary
care. In an attempt to avoid an analytical bias, the Pedagogical Political Project (PPP) was also
used as a source of information in order to verify how the oncology was inserted in the course
planning. For documentary exploration of the PPP, the National Guidelines for Undergraduate
Nursing and Kramer's work were used, which provides subsidies for a critical analysis of
pedagogical or curricular proposals, where the focus of the analysis was adapted to oncology.
The results of the documentary analysis showed that PPP follows the generalist line guided by
the National Curriculum Guidelines, where oncology is implicitly treated. It is believed that the
results here found may contribute to arouse the need for approaching oncological care content
in undergraduate nursing, and will serve as a basis for curriculum adequacy in the intention to
train nurses with professional skills to deal with the epidemiological reality of cancer in the
country and region of operation. From this research it was possible to elaborate two educational
products, being a scientific article for publication purposes and a technical report that was
delivered to the Course Collegiate.
Keywords: oncology, nursing education, curriculum, professional competence.
7
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
APVP – Anos potenciais de vida perdidos
CEP – Comitê de Ética em Pesquisa
CNS – Conselho Nacional de Saúde
DCN– Diretrizes Curriculares Nacionais
DNTs– Doenças Não-Transmissíveis
EPE – Escola Paulista de Enfermagem
ESENFAR – Escola de Enfermagem e Farmácia
ESF – Estratégia de Saúde da Família
EUA – Estados Unidos da América
FAMED – Faculdade de Medicina
HU – Hospital Universitário
IARC – Internacional Agency for Research on Cancer
IES – Instituições de Ensino Superior
INCA – Instituto Nacional do Câncer
MEC – Ministério da Educação
MPES – Mestrado Profissional de Ensino na Saúde
MS – Ministério da Saúde
OMS – Organização Mundial da Saúde
LDB – Lei de Diretrizes e Bases da Educação
PPP – Projeto Político Pedagógico
PRO-ONCO – Programa de Oncologia
SUS – Sistema Único de Saúde
TACC – Trabalho Acadêmico de Conclusão de Curso
TCLE – Termo de Consentimento Livre e Esclarecido
TI – Transcrição integral
TS – Transcrição sequencial
UFAL – Universidade Federal de Alagoas
UNIFESP – Universidade Federal de São Paulo
WHO – World Health Organization
8
SUMÁRIO
1.
1.1
1.2.
APRESENTAÇÃO GERAL DO TACC.............................................................
10
DISSERTAÇÃO: ATENÇÃO ONCOLÓGICA NO ENSINO DE
GRADUAÇÃO
EM
ENFERMAGEM:
UMA
PERSPECTIVA
DISCENTE............................................................................................................
12
INTRODUÇÃO.....................................................................................................
Magnitude do câncer no Brasil e no mundo............................................................
Movimentos para a estruturação do ensino da oncologia na Graduação em
Enfermagem no Brasil.............................................................................................
Dados relativos ao ensino da oncologia nos cursos de Graduação em Enfermagem
no Brasil..................................................................................................................
14
15
2.
2.1.
2.2.
OBJETIVOS.........................................................................................................
Objetivo Geral.........................................................................................................
Objetivos Específicos..............................................................................................
22
22
22
3.
3.1.
3.2.
3.3.
3.4.
3.5.
3.6.
ABORDAGEM TEÓRICO-METODOLÓGICA..............................................
Documentos como fonte de informação..................................................................
Grupo Focal como método de produção de informação.........................................
Participantes............................................................................................................
Ética na Pesquisa.....................................................................................................
Procedimentos.........................................................................................................
Métodos de Análise das Informações......................................................................
23
23
23
24
25
25
26
4.
4.1.
4.2.
RESULTADOS E DISCUSSÕES........................................................................
Representação da Oncologia no Projeto Político Pedagógico.................................
Caracterização dos participantes e categorias analíticas originadas a partir das
discussões do grupo focal........................................................................................
Categoria 1 – Conteúdos teóricos e atividades práticas em
Oncologia................................................................................................................
Categoria 2 – Preparo para lidar com o enfrentamento da pessoa com
câncer......................................................................................................................
Categoria 3 – Receio de lidar com o paciente oncológico......................................
Categoria 4 – Estágio curricular e extracurricular versus experiência na atenção
oncológica...............................................................................................................
Categoria 5 – Ações de atenção oncológica nas unidades básicas de
saúde.......................................................................................................................
28
28
Considerações Finais............................................................................................
49
Referências Bibliográficas......................................................................................
51
1.3.
4.2.1
4.2.2.
4.2.3.
4.2.4.
4.2.5.
4.3.
17
18
32
32
37
40
42
44
9
5.
5.1.
5.2.
5.3.
5.3.1.
5.3.1.1
5.3.1.2.
5.3.1.3.
5.3.1.4.
5.3.1.5.
5.4.
5.5.
6.
6.1.
6.2.
6.3.
6.4.
6.4.1.
6.4.2.
6.5.
6.6.
7.
PRODUTO EDUCACIONAL 1: ARTIGO ORIGINAL - ATENÇÃO
ONCOLÓGICA NO ENSINO DE GRADUAÇÃO EM ENFERMAGEM:
UMA PERSPECTIVA DISCENTE.....................................................................
INTRODUÇÃO.....................................................................................................
METODOLOGIA.................................................................................................
RESULTADOS.....................................................................................................
Caracterização dos participantes e categorias analíticas originadas a partir das
discussões do grupo focal........................................................................................
Categoria 1 – Conteúdos teóricos e atividades práticas em
Oncologia................................................................................................................
Categoria 2 – Preparo para lidar com o enfrentamento da pessoa com
câncer......................................................................................................................
Categoria 3 – Receio de lidar com o paciente oncológico......................................
Categoria 4 – Estágio curricular e extracurricular versus experiência na atenção
oncológica...............................................................................................................
Categoria 5 – Ações de atenção oncológica nas unidades básicas de
saúde.......................................................................................................................
DISCUSSÃO.........................................................................................................
CONSIDERAÇÕES FINAIS................................................................... ............
Referências Bibliográficas......................................................................................
61
63
64
65
65
66
67
68
68
69
70
75
76
PRODUTO EDUCACIONAL 2: RELATÓRIO TÉCNICO DA PESQUISA
ATENÇÃO ONCOLÓGICA NO ENSINO DA GRADUAÇÃO EM
ENFERMAGEM: UMA PERSPECTIVA DISCENTE.....................................
81
APRESENTAÇÃO...............................................................................................
83
Introdução...............................................................................................................
Objetivos.................................................................................................................
Metodologia............................................................................................................
Resultados...............................................................................................................
Resultados obtidos da análise do Projeto Político Pedagógico...............................
Resultados obtidos a partir das discussões do grupo focal com graduandos de
enfermagem............................................................................................................
Considerações Finais..............................................................................................
Recomendações......................................................................................................
Referências Bibliográficas......................................................................................
84
86
86
87
87
CONSIDERAÇÕES FINAIS DO TRABALHO ACADÊMICO......................
96
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS................................................................
APÊNDICES.........................................................................................................
APÊNDICE A: Revisão Bibliográfica....................................................................
APÊNDICE B: Roteiro do grupo focal....................................................................
ANEXOS................................................................................................................
ANEXO 1: Parecer consubstanciado do CEP.........................................................
ANEXO 2: Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE).......................
ANEXO 3: Proposta curricular para o ensino da cancerologia..............................
ANEXO 4: Síntese da proposta curricular para o ensino da cancerologia..............
98
108
109
110
111
112
116
120
134
88
90
91
93
10
APRESENTAÇÃO GERAL DO TACC
Este estudo refere-se ao Trabalho Acadêmico de Conclusão de Curso (TACC) do
Programa de Mestrado Profissional em Ensino na Saúde (MPES) da Faculdade de Medicina
(FAMED) da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), intitulado, “ATENÇÃO
ONCOLÓGICA
NO
ENSINO
DE
GRADUAÇÃO
EM
ENFERMAGEM:
UMA
PERSPECTIVA DISCENTE”, composto por uma dissertação e dois produtos educacionais,
sendo um artigo científico e um relatório técnico dos resultados da pesquisa que foi apresentado
ao colegiado do curso.
A motivação para este estudo surgiu pela minha vivência como preceptora de
graduandos de enfermagem na prática hospitalar. No decorrer de 12 (doze) anos de preceptoria,
tenho observado um despreparo dos graduandos de enfermagem no que diz respeito aos
conteúdos de oncologia, ações de prevenção e controle do câncer e a assistência de enfermagem
ao paciente oncológico. Além disso, quando indagados sobre o ensino da oncologia na
graduação, esses graduandos geralmente relatam que obtiveram pouco conteúdo e atividades
práticas escassas em oncologia. Tal circunstância provocou inquietações pertinentes a
abordagem da oncologia durante a formação acadêmica, considerando que o câncer é um
problema de saúde pública no Brasil e a real necessidade de se formar profissionais aptos para
atender a essa crescente demanda, desde a atenção básica até a atenção terciária.
O hospital-escola da instituição estudada, reflete a realidade do impacto do câncer no
estado, não sendo diferente do restante do país. Um exemplo claro é a taxa de ocupação do setor
de Clínica Médica que corresponde a mais de 50% dos seus leitos ocupados por doentes com
diagnóstico de câncer em fase de tratamento ou em cuidados paliativos. Tal situação
demonstrou a necessidade de um olhar em especial para a demanda da oncologia em nosso
estado, resultando na recente criação do setor de Clínica Oncológica dentro da Clínica Médica
do hospital.
A partir dessas inquietações, surgiu o questionamento que impulsionou o
desenvolvimento da pesquisa: Como os graduandos de enfermagem percebem o ensino da
oncologia na formação do enfermeiro para atuar com o cliente oncológico?
Sendo assim, a pesquisa tem o objetivo de analisar o ensino da oncologia no curso de
graduação em enfermagem em uma Universidade Federal do Nordeste. Para tanto, foi
necessário ouvir os principais sujeitos envolvidos neste processo: os discentes de enfermagem,
buscando apreender a percepção deles sobre a temática em questão.
11
Como subsídio teórico-metodológico, as informações obtidas do grupo focal foram
transcritas na íntegra e de forma sequencial e analisadas de acordo com o referencial de Bardin.
A análise consistiu em três fases: pré-análise (leitura flutuante, verificação de temas que se
repetem, organização do material por semelhanças), exploração do material (determinação das
categorias, agrupamento dos temas nas categorias definidas em quadros matriciais e construção
da definição de cada categoria), e tratamento dos resultados – inferência e interpretação (busca
de sentido por trás do que foi apreendido).
A pesquisa também contou com a análise do Projeto Político Pedagógico do Curso
(PPP), utilizando-se como referências norteadoras as Diretrizes Curriculares Nacionais para
Graduação em Enfermagem e a obra de Kramer (1997) que traz subsídios para uma leitura
crítica de propostas pedagógicas ou curriculares.
Com base nos resultados da pesquisa, foram elaborados dois produtos educacionais,
sendo um artigo científico que será submetido a um periódico para fins de publicação e um
relatório técnico apresentado ao Colegiado do Curso.
12
DISSERTAÇÃO:
ATENÇÃO ONCOLÓGICA NO ENSINO DE GRADUAÇÃO EM ENFERMAGEM:
UMA PERSPECTIVA DISCENTE.
RESUMO
O câncer é considerado um problema de saúde pública no Brasil e no mundo. Atualmente ocupa
a segunda causa de morte por doença no Brasil, com estimativas de 600 mil novos casos da
doença para cada ano do biênio 2018-2019. Mesmo diante desse cenário epidemiológico, os
estudos encontrados sobre essa temática, demonstram que a maioria das escolas de enfermagem
incorporam conteúdos de oncologia de forma insuficiente em seus currículos. Diante desse
contexto, o objetivo desse estudo foi analisar o ensino da oncologia no Curso de Graduação em
Enfermagem de uma Universidade Federal do Nordeste sob a perspectiva discente. Trata-se de
uma pesquisa de caráter exploratório, do tipo descritiva-analítica, com abordagem qualitativa.
A produção de informação se deu a partir da realização de um grupo focal com graduandos de
enfermagem com a finalidade de conhecer a percepção discente sobre o ensino da oncologia na
graduação. Os dados obtidos a partir do grupo focal foram analisados à luz da análise de
conteúdo de Bardin com a proposição de cinco categorias analíticas. Os resultados
demonstraram que os graduandos consideram o ensino da oncologia insuficiente na formação
do enfermeiro, devido ao pouco tempo destinado aos conteúdos teóricos e atividades práticas
em oncologia. Também foi constatada uma lacuna nas ações de atenção oncológica no âmbito
da atenção primária. Na tentativa de evitar um viés analítico, também foi utilizado o Projeto
Político Pedagógico (PPP) como fonte de informação na intenção de verificar como a oncologia
estava inserida no planejamento do curso. Para exploração documental do PPP foram utilizadas
as Diretrizes Nacionais para a Graduação em Enfermagem (DCN) e a obra de Kramer que traz
subsídios para uma análise crítica de propostas pedagógicas ou curriculares, onde o foco da
análise foi adaptado para oncologia. Os resultados da análise documental demonstraram que o
PPP segue a linha generalista orientada pelas Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs), onde
a oncologia é tratada de forma implícita. Acredita-se que os resultados dessa pesquisa poderão
contribuir para despertar sobre a necessidade de abordagem de conteúdos de atenção oncológica
na graduação em enfermagem, e servirão de subsídios para uma adequação curricular na
intenção de formar enfermeiros com competências profissionais para lidar com a realidade
epidemiológica do câncer no país e região de atuação.
Palavras-chave: oncologia, educação em enfermagem, currículo, competência profissional.
13
CANCER CARE IN UNDERGRADUATE NURSING EDUCATION: A STUDENT
PERSPECTIVE.
ABSTRACT
Cancer is considered a public health problem in Brazil and worldwide. It is currently the second
leading cause of death from disease in Brazil, with approximately 600 thousand new cases of
disease in each year of the 2018-2019 biennium. Even in the face of this epidemiological
scenario, the studies found on this subject show that most nursing schools incorporate oncology
content insufficiently into their curriculum. Given this context, this study aims to analyze the
teaching of oncology in Nursing Undergraduate Course of a Federal University of the Northeast
of Brazil under the student perspective. This is an exploratory research, descriptive-analytical,
with a qualitative approach. The information production was based on the realization of a focal
group with nursing undergraduates in order to know the student perception about the teaching
of oncology in undergraduate studies. The data obtained from the focal group were analyzed in
the light of Bardin's content analysis with the proposition of five analytical categories. The
results showed that undergraduates consider the teaching of oncology to be insufficient in
nursing education, due to the short time allocated to the theoretical contents and practical
activities in oncology. There was also a gap in oncological care actions in primary care. In an
attempt to avoid an analytical bias, the Pedagogical Political Project (PPP) was also used as a
source of information in order to verify how the oncology was inserted in the course planning.
For documentary exploration of the PPP, the National Guidelines for Undergraduate Nursing
and Kramer's work were used, which provides subsidies for a critical analysis of pedagogical
or curricular proposals, where the focus of the analysis was adapted to oncology. The results of
the documentary analysis showed that PPP follows the generalist line guided by the National
Curriculum Guidelines, where oncology is implicitly treated. It is believed that the results here
found may contribute to arouse the need for approaching oncological care content in
undergraduate nursing, and will serve as a basis for curriculum adequacy in the intention to
train nurses with professional skills to deal with the epidemiological reality of cancer in the
country and region of operation.
Keywords: oncology, nursing education, curriculum, professional competence.
14
1. INTRODUÇÃO
Atualmente, as doenças não transmissíveis (DNTs) passam a ser responsáveis pela
maioria das mortes globais e espera-se que em breve o câncer seja a principal causa de morte e
considerada a barreira mais importante para aumentar a expectativa de vida em todos os países
do mundo no século XXI. Conforme estimativas mundiais, em 2015 o câncer foi a primeira e
segunda causa de morte antes dos 70 anos de idade em 91 de 172 países, e ocupa o terceiro ou
quarto lugar em outros 22 países (WHO, 2018).
O Brasil vem passando por um fenômeno chamado de transição epidemiológica nas
últimas décadas. Esse fenômeno inclui um conjunto de transformações demográficas, sociais e
econômicas e está caracterizado por um aumento da morbimortalidade pelas doenças nãotransmissíveis, o deslocamento da carga de morbimortalidade da faixa etária mais jovem para
a faixa etária idosa e uma situação dominante de morbidade que vem causando grande impacto
ao sistema de saúde (INCA, 2019).
Os fatores relacionados a incidência do câncer apontam para uma mudança do perfil de
adoecimento da população brasileira, dentre eles, podemos relacionar à uma maior exposição a
agentes cancerígenos resultantes das mudanças no estilo de vida em decorrência do processo
de industrialização e o aumento da expectativa de vida e o envelhecimento populacional (INCA,
2019).
O padrão de incidência e mortalidade pelo câncer no Brasil apresenta características
marcadas pela falta de informação da população e dificuldade de acesso aos serviços
especializados, ou seja, a prevenção e promoção de saúde são deficientes, e os diagnósticos são
realizados em fase tardia. As ações de controle do câncer não dependem apenas do nível de
instrução da população, mas também dos profissionais de saúde que devem estar aptos,
principalmente, para prevenir e detectar precocemente o câncer e dar o devido seguimento
(GUTIÉRREZ et al, 2009).
O câncer é considerado um dos problemas de saúde pública mais complexos enfrentados
pelo sistema de saúde no Brasil devido a sua magnitude nos âmbitos epidemiológico, social e
econômico (INCA, 2018). Diante desta gravidade, o governo vem desenvolvendo Programas
de Saúde e Planos de Ação para prevenir, diagnosticar, tratar e cuidar das pessoas que adoecem,
contudo, essas estratégias de enfrentamento só conseguirão alcançar seus objetivos e metas se
os profissionais de saúde assumirem seu papel, em menor ou maior grau, como responsáveis
pelo sucesso das ações de controle da doença (INCA, 2019).
15
1.1. Magnitude do câncer no Brasil e no mundo e seu impacto sobre a economia e o sistema
de saúde.
Com base no documento World Cancer Report 2014 da International Agency for
Research on Cancer (IARC), da Organização Mundial da Saúde (OMS), é inquestionável que
o câncer é um problema de saúde pública, especialmente entre os países em desenvolvimento,
onde se espera que, nas próximas décadas, o impacto do câncer na população corresponda a
80% dos mais de 20 milhões de casos novos estimados para 2025 (WHO, 2014).
Conforme o banco de dados do Projeto GLOBOCAN 2018 da Agência Internacional de
Pesquisa sobre o Câncer (IARC), que fornece estimativas de incidência e mortalidade por
câncer em 185 países, a carga global de câncer é estimada em 18,1 milhões de novos casos no
mundo e 9,8 milhões de mortes em 2018. Um em cada cinco homens e uma em cada seis
mulheres em todo o mundo desenvolverão câncer durante a vida, e um em cada oito homens e
uma em cada 11 mulheres irá à óbito pela doença. Em todo o mundo, o número total de pessoas
dentro dos 5 anos após o diagnóstico de câncer é estimado em 43,8 milhões (IARC, 2018). A
OMS estima que em 2030, a incidência de câncer será de 27 milhões de casos, com 17 milhões
de óbitos e 75 milhões de pessoas vivendo com câncer (WHO, 2014).
As estimativas para o biênio de 2018-2019 no Brasil são de 600 mil novos casos de
câncer para cada ano. O cálculo global corrigido para o sub-registro estima 640 mil novos casos.
No Nordeste estima-se 117.280 mil novos casos da doença, sendo 5.050 em Alagoas e 1.840
em Maceió (INCA, 2017). O número de casos prevalentes no Brasil dentro de 5 anos após o
diagnóstico é estimado em 1.307.120. Os tipos mais prevalentes entre o sexo masculino são o
câncer de próstata, colorretal, pulmão, estômago, e bexiga, e para o sexo feminino são o câncer
de mama, colorretal, tireóide, colo uterino e pulmão. Sendo que o câncer de próstata e o de
mama correspondem a mais de 30% dos novos casos, respectivamente, para homens e mulheres
(IARC, 2018).
O câncer é a segunda causa de morte por doença em todos os estados brasileiros,
perdendo apenas para as doenças cardiovasculares, com exceção da Bahia, onde o agravo não
aparece entre as três principais causas de morte (INCA, 2019).
É constatado o registro do aumento de incidência de cânceres associados ao melhor nível
socioeconômico, tais como, mama, próstata, cólon e reto, paralelamente também se observa
taxas de incidência elevadas de tumores associados a condições sociais menos favorecidas –
colo de útero, estômago, cabeça e pescoço. O número de óbitos por câncer se concentra nas
16
faixas etárias mais elevadas, refletindo uma redução da mortalidade em idades jovens e adultos
jovens, e consequentemente evidenciando o aumento da expectativa de vida (INCA, 2019).
As mortes em faixas etárias jovens apresentam elevado número de anos potenciais de
vida perdidos (APVP), este é considerado um indicador de saúde que reflete o número de anos
de uma pessoa morta prematuramente e a importância das ações para redução de mortes
evitáveis com medidas de prevenção, detecção, diagnóstico e tratamento. Este indicador
também permite vislumbrar o impacto econômico e social causado na sua grande parte por
mortes prematuras ou evitáveis. A perda de vidas em fase economicamente ativa pode acentuar
ainda mais as diferenças socioeconômicas da população (INCA, 2019). O custo dessas mortes
no Brasil com relação à perda de produtividade foi de aproximadamente R$ 15 bilhões, com
tendências de crescimento, considerando o desenvolvimento econômico e as mudanças de estilo
de vida que resultaram no aumento expressivo de doenças crônicas não transmissíveis, dentre
elas, o câncer (CANCELA; ALMEIDA, 2018).
No Brasil, comparando os gastos de 2008 e 2016, observa-se que o investimento do
Ministério da Saúde em ações para o controle e tratamento do câncer dobrou, passando de R$
1,9 bilhões para R$ 3,8 bilhões. Para cada 1 real gasto em tratamento para o câncer, apenas 0,05
centavos foram investidos em ações de prevenção e controle do câncer. Em 2016, os gastos
com ações de promoção e prevenção em saúde representaram apenas 1,09% dos custos,
enquanto os gastos com procedimentos clínicos chegaram a 59,90 %, 31,54% para
procedimentos cirúrgicos e 3,51% para procedimentos diagnósticos (CEPAS, 2018).
Para se ter uma ideia, um exemplo claro em relação aos custos com prevenção do câncer
de colo uterino no Brasil, enquanto uma biópsia de colo de útero custa R$ 18,33 para o sistema
de saúde, o tratamento quimioterápico tem o custo mínimo de R$ 1.300,00. Parte considerável
dos custos com câncer poderia ser evitada ou reduzida por meio de investimento na prevenção,
detecção precoce e promoção à saúde (CEPAS, 2018).
Segundo o Ministério da Saúde, para a organização do cuidado de saúde é necessário
pensar e planejar as intervenções nos chamados grupos de risco, e integrar os diversos níveis
de atenção (atenção básica, média e alta complexidade), para que desta forma, as ações sejam
mais efetivas e as chamadas linhas de cuidado possam ganhar espaço. Essas linhas de cuidado
consistem em políticas de saúde matriciais que agregam ações de proteção, promoção,
vigilância, prevenção e assistência, direcionadas para as especificidades dos grupos de risco ou
para as necessidades individuais, proporcionado conduzir o paciente pelas várias possibilidades
de diagnósticos e tratamentos, considerando uma visão geral de suas condições de vida. As
linhas de cuidado têm sua importância por oferecer uma referência para prever um conjunto
17
mínimo de ações e procedimentos necessários para conduzir o paciente e estimar custos, porém
não representam um protocolo clínico (INCA, 2019).
1.2. Movimentos para a estruturação do ensino da oncologia na Graduação em
Enfermagem no Brasil.
Essa preocupação vem percorrendo algumas décadas, quando os primeiros movimentos
de estruturação do ensino da oncologia nos cursos de graduação em Medicina, Odontologia e
Enfermagem se iniciaram durante o I Simpósio de Educação em Cancerologia, coordenado pela
Divisão Nacional de Doenças Crônico-Degenerativas do Ministério da Saúde (MS) que
aconteceu em Brasilía/DF no ano de 1987 (GUTIÉRREZ et al, 2009).
Nesse encontro foram elaboradas diretrizes para a inclusão de conteúdos desta
especialidade nos currículos dos referidos cursos, no sentido de adequar a formação dos futuros
profissionais às necessidades da população e dos serviços de saúde. Como resultado desse
encontro, o grupo de estudos que representava a área da enfermagem propôs, entre outras ações,
a criação de uma disciplina específica que contemplasse a prevenção, detecção precoce,
diagnóstico do câncer, tratamento e reabilitação (GUTIÉRREZ et al, 2009).
No mesmo ano, ocorreu o I Congresso Brasileiro de Enfermagem Oncológica em
Florianópolis/SC, no qual a recomendação relativa à educação em Cancerologia na graduação
foi a implantação de conteúdos curriculares de Enfermagem Oncológica (GUTIÉRREZ et al,
2009).
Ainda no ano de 1987, foi formalizada pelo Programa de Oncologia do MS (Pro-Onco)
uma Comissão Nacional para o Ensino da Cancerologia que se reuniu pela primeira vez para
discutir sobre as diretrizes do ensino dessa temática. Esta comissão foi composta por
enfermeiros docentes e assistenciais das cinco macrorregiões do Brasil (GUTIÉRREZ et al,
2009).
Os resultados obtidos a partir de reuniões e eventos que aconteceram em 1988 foram
determinantes para a estruturação do paradigma e operacionalidade do ensino da oncologia com
base nos princípios da transversalidade e interdisciplinaridade, não sendo necessária a
existência de uma disciplina específica (GUTIÉRREZ et al, 2009).
Foi defendido que os conteúdos relativos ao câncer perpassassem as disciplinas das
matrizes curriculares da época e que, além da integração dos saberes e convergência nos
objetivos educacionais, houvessem movimentos que articulassem as instituições formadoras e
prestadoras de serviço, como também uma política contínua de atualização dos conhecimentos
18
e experiências. O documento elaborado por essa comissão foi enviado às Escolas de
Enfermagem do país, à Secretaria da Comissão de Especialistas do Ensino de Enfermagem do
Ministério da Educação e Cultura e à Associação Brasileira de Enfermagem (GUTIÉRREZ et
al, 2009).
O Instituto Nacional do Câncer (INCA) e o Departamento de Enfermagem da
Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), em 1990, firmaram um convênio de
cooperação técnico-científica para acompanhamento e avaliação contínua das atividades e
etapas a serem cumpridas para viabilizar o desenvolvimento dessa proposta. Dentre as
iniciativas, se destaca a realização do I e II Seminário Nacional sobre o Ensino da Cancerologia
nos Cursos de Graduação em Enfermagem, respectivamente em 1992 e 1995 (GUTIÉRREZ et
al, 2009).
Considerando as diferentes realidades existentes nas macrorregiões, foram realizados
eventos regionais para adequar o programa de ensino às reais necessidades locais e estaduais,
tais como os seminários ocorridos na região sul (Londrina/PR) em 1996 e região sudeste (Rio
de Janeiro/RJ), ambos com a organização do INCA e instituições de ensino que sediaram o
evento (GUTIÉRREZ et al, 2009).
As investigações na área após 1997 tiveram apenas como objetivo atualizar os dados
relativos ao ensino da cancerologia nos cursos de graduação em enfermagem. Os resultados
reiteraram diagnósticos anteriores, como ensino restrito a algumas aulas avulsas e experiências
práticas esporádicas e a escassez ou falta de conteúdos teóricos e práticos sobre reabilitação e
cuidados paliativos. Entretanto, alguns avanços foram identificados, dentre eles, a inclusão de
experiências práticas em ações de promoção, prevenção e detecção precoce do câncer e o
interesse do docente em participar de cursos de capacitação na área (GUTIÉRREZ et al, 2009).
Em virtude do resultado dessa investigação ter sido divulgado apenas em 2008, houve
uma lacuna entre o ano de 1997 e 2008, causando um distanciamento das instituições
envolvidas no processo, não havendo continuidade desses movimentos (GUTIÉRREZ et al,
2009).
1.3. Dados relativos ao ensino da oncologia nos cursos de Graduação em Enfermagem no
Brasil.
Estudos realizados na década de 80 e 90 por Rodrigues & Queiroz (1988) e Cezareti et
al (1991) demonstraram que existe uma grande variação dos conteúdos de oncologia no
programa curricular das escolas de enfermagem no Brasil. Portanto, foi constatado que inexiste
19
um programa básico comum entre as escolas de enfermagem para capacitar o futuro enfermeiro
para atuar de forma competente na atenção oncológica.
Gutierrez; Castro; Aguinaga (1993), investigaram dados sobre o ensino da oncologia
em 96 escolas de enfermagem do país a partir de um questionário enviado aos diretores dos
cursos de graduação em enfermagem. Desse total, 60 escolas de enfermagem responderam ao
questionário, 55 delas informaram que ministravam conteúdos de oncologia e 5 informaram
não ministrar. Foi verificado que a inclusão dos conteúdos de oncologia ocorre, principalmente,
com aulas avulsas ministradas dentro do programa de uma das disciplinas do curso, palestras
informais ou ocasionais, que geralmente se concentram na disciplina de Enfermagem MédicoCirúrgica, enquanto na disciplina de Saúde Pública foi observada pouca relevância. Mais da
metade das escolas apresentam os conteúdos de oncologia ministrados de forma “estanque ou
isolada” em cada disciplina.
Dando seguimento, Gutierrez et al (1995) realizaram nova pesquisa a fim de
complementar os dados da pesquisa anterior e que pudesse contribuir para um delineamento de
uma proposta de ensino de oncologia para os cursos de graduação em enfermagem. Após
discussão desses resultados no primeiro seminário sobre o “Ensino da Cancerologia nos Cursos
de Graduação em Enfermagem”, promovido pela Escola Paulista de Enfermagem, Instituto
Nacional do Câncer e Pro-Onco, em 1992, foi elaborada uma proposta para reorientar os
programas para a inserção de conteúdos de oncologia.
Estudos posteriores tiveram o objetivo de atualizar dados relativos ao processo de
implantação do ensino da oncologia nos cursos de graduação em enfermagem. Porém, os
resultados só reafirmaram diagnósticos anteriores, tais como, ensino restrito, aulas avulsas,
experiências práticas esporádicas, escassez ou falta de conteúdos relativos à reabilitação e
cuidados paliativos (GUTIÉRREZ et al, 2009).
Considerando toda essa problemática do câncer no país e estudos diagnósticos que
demonstraram a deficiência do ensino da oncologia na graduação de enfermagem, a Escola
Paulista de Enfermagem (EPE/UNIFESP) adotou uma proposta curricular para o ensino da
oncologia no curso de graduação de Enfermagem, pautada nos princípios, conhecimentos e
desenvolvimento de atitudes e habilidades em oncologia. Esse modelo pretende garantir uma
transversalidade do ensino da oncologia com conteúdos distribuídos ao longo do curso em
diferentes disciplinas, tendo a preocupação de integrar conteúdos teórico-práticos curriculares
com atividades de extensão e pesquisa, na intenção de formar profissionais mais preparados
para atuar de forma mais incisiva na prevenção, detecção precoce, tratamento e reabilitação de
doentes com câncer (GUTIÉRREZ et al, 2009).
20
Em conformidade com seu compromisso pela qualidade na formação de profissionais
capacitados para o controle do câncer no Brasil, o INCA/MS realizou a publicação de livrotexto voltado para estudantes, profissionais e docentes de enfermagem, intitulado “Ações de
Enfermagem para o Controle do Câncer: uma proposta de integração ensino-serviço”, já está
na sua terceira edição e propõe uma estruturação e integração ensino-serviço, respondendo às
crescentes demandas por subsídios ao ensino na área de enfermagem oncológica no Brasil
(INCA, 2008).
Em estudo realizado pelo INCA com enfermeiras assistenciais das cinco regiões do
Brasil, principalmente na área da atenção básica, foi verificado que existe carência de
qualificação sobre noções básicas de controle e prevenção do câncer, atuação profissional na
promoção à saúde e na prevenção de agravos ligados à oncologia, gestão e políticas públicas de
atenção ao câncer (INCA, 2012).
Considerando que cerca de um terço dos casos de câncer no mundo poderia ser evitado,
O INCA/MS desenvolveu o curso “ABC do Câncer” em 2012, realizado à distância e destinado
aos profissionais da saúde de nível superior não especializados em oncologia e aos estudantes
de graduação e pós-graduação na área de saúde, com objetivo de capacitar aqueles que atuam
na ponta da assistência, consultórios e ambulatórios, os quais possuem maior potencial nas
ações de prevenção e detecção precoce da doença. Recentemente foi lançada a quinta edição
revisada, atualizada e ampliada (INCA, 2019).
Após esse período, a maioria dos estudos encontrados investigaram como enfermeiros,
estudantes ou residentes de enfermagem se sentiam ao prestarem cuidados aos pacientes
oncológicos e se concentram no fortalecimento dos currículos de enfermagem para o enfoque
no preparo para atenção oncológica.
Vale lembrar que para atender às exigências da Lei de Diretrizes e Bases da Educação
Nacional (LDB) - Lei nº 9.394 de dezembro de 1996, foram elaboradas as Diretrizes
Curriculares Nacionais dos Cursos de Graduação em Saúde, dentre eles, o curso de
Enfermagem, onde foi aberto espaço para a flexibilização dos currículos para melhor atender
ao perfil epidemiológico e social da comunidade (FERNANDES; REBOUÇAS, 2013).
As Diretrizes Curriculares Nacionais do curso de enfermagem conduzem sua proposta
de formação do enfermeiro generalista, porém, que este seja capaz de conhecer e intervir sobre
os problemas/situações de saúde-doença mais prevalentes no perfil epidemiológico da
população brasileira e da sua região de atuação (MEC, 2001).
O PPP tem a função de sistematização, nunca definitiva, de um tipo de ação educativa,
a partir de um posicionamento quanto à sua intencionalidade e de uma leitura da realidade.
21
Sendo assim, quando nos deparamos com o perfil de morbimortalidade pelo câncer, percebemos
a necessidade de uma especial atenção e contextualização desta proposta na elaboração do PPP
(CALIL, 2010).
Portanto, considerando todo o contexto apresentado, a relevância desse estudo está no
fato de poder contribuir com subsídios científicos para uma reestruturação dos conhecimentos
que envolvem a formação do enfermeiro para atuar na atenção oncológica, promovendo uma
reflexão sobre a temática em questão. Acredita-se ainda, que o estudo possivelmente poderá
contribuir para um delineamento de conteúdos de atenção oncológica necessários a formação
do enfermeiro. A partir dessas considerações surgiu o questionamento da pesquisa: Como os
graduandos de enfermagem percebem o ensino da oncologia na formação do enfermeiro para
atuar com o cliente oncológico?
Na intenção de responder essa questão, o estudo tem como objetivo analisar o ensino da
oncologia no curso de graduação em Enfermagem de uma Universidade Federal do Nordeste.
22
2. OBJETIVOS
2.1. OBJETIVO GERAL
Analisar o ensino da oncologia no curso de graduação em enfermagem de uma
Universidade Federal do Nordeste.
2.2. OBJETIVOS ESPECÍFICOS
•
Verificar como a temática da oncologia está inserida no Projeto Político
Pedagógico do curso de Enfermagem;
•
Analisar a percepção dos graduandos de enfermagem sobre o ensino teóricoprático de oncologia na graduação e sua formação para atuar na atenção
oncológica.
23
3. ABORDAGEM TEÓRICO-METODOLÓGICA
Trata-se de uma pesquisa de caráter exploratório, do tipo descritiva e analítica, com
abordagem qualitativa, realizado em uma Universidade Federal do Nordeste, após aprovação
do projeto no Comitê de Ética em Pesquisa (CEP). Os dados foram obtidos a partir da realização
de grupo focal com graduandos de enfermagem e por análise do PPP do referido curso.
3.1. Documentos como fonte de informação
Na tentativa de evitar um viés analítico, além da produção de informação originada a
partir do grupo focal, foi verificado também o Projeto Político Pedagógico do curso (PPP) no
sentido de buscar informações que representassem o ensino da oncologia na graduação em
enfermagem e que pudessem reforçar os resultados qualitativos apreendidos a partir das
discussões do grupo focal.
A análise documental consiste num procedimento que envolve a identificação,
verificação e apreciação de documentos que possuem relação com o objeto investigado
(MOREIRA, 2012). Sua utilização favorece a observação do processo de maturação ou de
evolução de indivíduos, grupos, conceitos, conhecimentos, comportamentos, mentalidades,
práticas, entre outros (CELLARD, 2008).
O uso de documentos em pesquisas deve ser apreciado e valorizado, considerando a
riqueza de informações que deles podem ser extraídas e resgatadas, possibilitando a ampliação
do entendimento de objetos cuja compreensão necessita de contextualização histórica e
sociocultural (SÁ-SILVA et al, 2009).
Em nosso estudo, a coleta documental foi realizada a partir da leitura do PPP do curso
de graduação em enfermagem de um Universidade Federal do Nordeste a fim de se extrair
informações referentes ao ensino da oncologia. O PPP do curso de Enfermagem analisado foi
referente a última atualização do documento e disponível no site acadêmico.
3.2. Grupo Focal como método de produção de informação
Para alcançar os objetivos desta pesquisa, foi realizado um grupo focal com os
graduandos de enfermagem, no mês de novembro de 2017, em uma sala tranquila e reservada,
localizada no hospital escola da referida instituição. Segundo Dall’agnol et al (2012), a
24
abordagem por meio do grupo focal valoriza a interação entre os participantes e o pesquisador
a partir das discussões focadas em tópicos específicos e diretivos, proporcionando a troca de
experiências, conceitos e opiniões entre os participantes. Além disso, evidencia o protagonismo
dos participantes, conforme dialogam entre si, construindo coletivamente os resultados da
pesquisa.
Busanello (2013) define o grupo focal como uma técnica de coleta de dados que se
utiliza da interação grupal para a produção de dados que normalmente seriam pouco acessíveis
fora do contexto interacional. Essa técnica possibilita a coleta de dados diretamente dos
depoimentos de um grupo, a partir dos relatos de experiências e percepções a cerca de um tema
de interesse coletivo.
O grupo foi conduzido pela pesquisadora e contou com a colaboração de uma auxiliar
que contribuiu com a organização da sala, dos materiais e no registro de observações relevantes.
Os participantes receberam todas as informações acerca da pesquisa, dos objetivos e
procedimentos do grupo focal. Foi informado a todos os participantes que as discussões seriam
gravadas com auxílio de dispositivo de telefone móvel (smartphone). Foram reforçados o
respeito e o anonimato entre todos, em seguida o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido
(TCLE) foi lido e entregue a cada participante, foram fornecidos esclarecimentos a respeito do
documento e solicitada a assinatura do termo.
3.3. Participantes
Foram convidados para participar da pesquisa todos os 14 graduandos de enfermagem
do ano de 2017, regularmente matriculados e concluintes da disciplina de Estágio
Supervisionado em Hospital Geral e Unidade Básica de Saúde II. Este momento foi escolhido,
pois ao final do curso, os graduandos teriam maior capacidade de expressar suas percepções
sobre a temática proposta nesta pesquisa.
Contudo, vale ressaltar, que do total de convidados para o grupo focal, contamos com a
participação de 10 graduandos que confirmaram presença anteriormente por contato verbal,
dois não confirmaram presença e dois expressaram desejo de participar, porém, deixaram a
possibilidade de participação em aberto devido a questões de cunho pessoal. Devido ao número
de graduandos que aceitaram participar da pesquisa, optou-se por realizar apenas um grupo
focal, visto que essas ausências não foram consideradas como prejuízo para a pesquisa.
25
3.4. Ética na Pesquisa
O grupo focal foi realizado após a aprovação do Comitê de Ética e Pesquisa (CEP) da
Universidade Federal de Alagoas (UFAL), pelo parecer nº 2.212.631 (anexo 1). O estudo seguiu
as Resoluções nº 466/12 e 510/16 do Conselho Nacional de Saúde do Ministério da Saúde
(CNS/MS), garantindo o cumprimento dos princípios éticos e legais que regem a pesquisa com
seres humanos, que incorpora sob a ótica do indivíduo e das coletividades, referenciais da
bioética, tais como, autonomia, não maleficência, beneficência, justiça e equidade, dentre
outros, visando assegurar direitos e deveres no que diz respeito à comunidade científica, aos
sujeitos da pesquisa e do Estado (BRASIL, 2016).
Os sujeitos convidados para participar da pesquisa receberam o Termo de
Consentimento Livre e Esclarecido - TCLE (Anexo 2), com linguagem acessível, constando
informações sobre o estudo, tais como: justificativa, objetivos, procedimentos que serão
utilizados com detalhamento dos métodos, explicitação dos possíveis desconfortos e riscos
decorrentes da participação na pesquisas, além dos benefícios esperados e apresentação de
providências e cautelas a serem empregadas para evitar e/ou reduzir possíveis condições
adversas que possam causar dano, considerando características e contextos do participante da
pesquisa. Foi garantida também a plena liberdade ao participante de se recusar a participar ou
de retirar o seu consentimento em qualquer fase da pesquisa, sem penalização alguma. O sigilo
e privacidade dos participantes foram preservados durantes todas as fases da pesquisa.
3.5. Procedimentos
Para a análise do PPP foram utilizadas as Diretrizes Curriculares Nacionais para
Graduação em Enfermagem (DCN), a obra de Kramer (1997) intitulada “Propostas pedagógicas
ou curriculares: subsídios para uma leitura crítica”. Foi realizada uma análise crítica do PPP
com a intenção de verificar a existência de elementos que pudessem fundamentar a
representação do ensino da oncologia na graduação em Enfermagem.
Tomando como base Kramer (1997), algumas perguntas foram formuladas para
responder como se dá a representação da importância do ensino da oncologia no PPP analisado.
Dentre elas são: o documento faz menção a um diagnóstico situacional do perfil epidemiológico
do país, estado ou município? O câncer aparece nesse diagnóstico? A formação dos
profissionais permite pensar o câncer como um problema de saúde pública? O perfil do
profissional formado está em consonância com as necessidades epidemiológicas do país ou
26
região de atuação como expressão das políticas de saúde? As práticas pedagógicas para a
implementação da proposta curricular contemplam campo na atenção oncológica?
Já o grupo focal foi realizado com a finalidade de conhecer a percepção dos graduandos
de enfermagem sobre o ensino da oncologia na formação do enfermeiro. Os participantes foram
identificados com crachá e acomodados à uma mesa grande de reunião onde todos pudessem
ver uns aos outros. Inicialmente, os participantes foram recebidos com boas-vindas e
agradecimentos, em seguida com uma breve explanação sobre os objetivos da pesquisa e suas
possíveis contribuições. Foi garantido o sigilo das discussões do grupo focal e solicitada
permissão para gravação e anotações que pudessem enriquecer a pesquisa. Foi enfatizado o
caráter voluntário da participação, a importância da fala de cada participante e esclarecido que
não existe resposta “certa ou errada”.
Foi solicitado que todos preenchessem uma ficha com informações para caracterização
dos participantes, seguido da leitura e assinatura do TCLE. Concluída essa etapa, foi aberto um
processo de discussões, onde os participantes tinham a oportunidade de expressar sua opinião
ou percepção sobre a temática proposta. Para nortear as discussões foram utilizadas três
perguntas provocadoras: Como vocês percebem o ensino da oncologia na sua formação para
atuar com a pessoa que tem câncer? Na sua opinião, o curso fornece subsídios para você atuar
junto a pessoa que tem câncer? Justifique sua opinião. Como foi a experiência de vocês na
atenção básica com relação a oncologia?
3.6. Métodos de Análise das Informações
Como subsídio teórico-metodológico, as informações do grupo focal registradas em
áudio, foram transcritas na íntegra e de forma sequencial. Conforme Nascimento, Tavanti e
Pereira (2014), a Transcrição Sequencial (TS) é a primeira aproximação com o material que
será analisado, com base na escuta e identificação das falas contidas no áudio. A Transcrição
Integral (TI) contempla todas as falas presentes no áudio, conservando o discurso original
produzido durante o grupo focal. Os participantes foram identificados com a letra “G” de
graduando, seguido de numeral, conforme a sequência inicial de participação no grupo.
Diante da leitura atenta das falas, o conteúdo das informações foi analisado de acordo
com Bardin (2011). A análise das informações obtidas consistiu em três fases: 1) pré-análise,
na qual foi realizada leitura flutuante, verificação de temas que se repetem e organização do
material por semelhanças; 2) exploração do material, com determinação das categorias,
agrupamento dos temas nas categorias definidas em quadros matriciais e construção da
27
definição de cada categoria, e 3) tratamento dos resultados – inferência e interpretação, onde se
buscou sentido por trás do que foi apreendido, possibilitando encontrar respostas para a questão
norteadora da pesquisa.
28
4. RESULTADOS E DISCUSSÃO
Nesta seção, apresentaremos os resultados e discussões produzidos a partir da análise
do Projeto Político Pedagógico (PPP) e dos diálogos que emergiram do grupo focal.
4.1. Representação da oncologia no Projeto Político Pedagógico do Curso
A análise estrutural do PPP de enfermagem foi inspirada no artigo de Kramer (1997),
que discorre sobre orientações para subsidiar uma análise crítica de propostas pedagógicas ou
curriculares. As DCN para o curso de graduação em enfermagem também foram utilizadas para
subsidiar a análise.
•
O PPC faz menção a um diagnóstico situacional do perfil epidemiológico do país,
estado ou município? O câncer aparece nesse diagnóstico?
Foi verificado na introdução do PPP que para a revisão e atualização do documento
foram consideradas como referências principais, a realidade de saúde do país e como o Brasil
vem respondendo à essa realidade com suas políticas de saúde. Na justificativa do PPP, os
cânceres são mencionados como agravos de altos índices da sociedade mais desenvolvida e
considerados na atualização da proposta pedagógica do curso. Não foram encontradas mais
informações referentes ao câncer no documento.
“Essas referências, por sua vez, foram adotadas com base numa análise de conjuntura
que levou em conta a situação sócio-econômica do Estado de Alagoas e que toma
como referência o seu perfil epidemiológico, o estado de desenvolvimento que o SUS
alcançou neste espaço social até o momento, os recursos existentes para prestação de
assistência à saúde, os mandados sociais da Enfermagem e o compromisso assumido
por esta Universidade de contribuir para o desenvolvimento do Estado, através da
formação de profissionais preparados para refletir – agir - refletir em direção ao
desenvolvimento de Alagoas e do Brasil” (PPP/ENFERMAGEM, 2007). (grifo
nosso)
“Ao lado destes indicadores, outros comprovam a coexistência dos agravos da
sociedade mais desenvolvida como altos índices de doenças cardiovasculares,
cânceres, acidentes de trânsito, sem esquecer os agravos resultantes de violência, tanto
urbana como rural” (PPP/ENFERMAGEM, 2007). (grifo nosso)
29
Apesar das informações encontradas sobre o perfil epidemiológico como norteador da
elaboração do PPP, não foi verificada contextualização da magnitude do câncer no Brasil e seu
impacto na assistência à saúde, considerando os desafios frente a uma população que adoece e
morre por câncer. Tais informações contextualizadas seriam de fundamental importância ao
PPP, destacando a problemática deste agravo no país e a relevância de conteúdos relacionados
ao câncer na matriz curricular.
Segundo estimativa mundial, o câncer é a segunda principal causa de morte no mundo,
sendo responsável por 9,6 milhões de óbitos em 2018, onde aproximadamente 70% desses
óbitos ocorrem em países de baixa e média renda (PAHO, 2018).
O câncer tem promessa de permanecer entre as maiores necessidades da população,
visto que estudos epidemiológicos continuam apontando uma alta e crescente incidência da
doença, com projeções futuras. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que para o ano
de 2030 cerca de 23,4 milhões de pessoas no mundo morrerão por câncer (INCA, 2014).
A estimativa para o Brasil, biênio 2018-2019, aponta a ocorrência de cerca de 600 mil
casos novos de câncer para cada ano, sendo mais de 117 mil no Nordeste e mais de 5 mil em
Alagoas, respectivamente para cada ano. Apesar das estimativas apontarem maior proporção
da doença nos países em desenvolvimento, o perfil da magnitude de certos cânceres acompanha
o mesmo perfil dos países desenvolvidos (INCA, 2017).
•
A formação dos profissionais permite pensar o câncer como um problema de saúde
pública? O perfil do profissional formado está em consonância com as necessidades
epidemiológicas do país ou região de atuação como expressão das políticas de saúde?
O texto deixa claro que o perfil do egresso que se pretende formar está orientado no
desenvolvimento de habilidades para reconhecer e intervir sobre as necessidades de saúde da
população. Nas especificações das competências é evidenciado o preparo do egresso para as
ações de cura, prevenção, promoção e reabilitação da saúde nos diferentes níveis de
complexidade do sistema, considerando as especificidades da região e seu perfil
epidemiológico, embora não haja menção específica ao câncer.
“Compreende a política de saúde no contexto das políticas sociais, reconhecendo os
perfis epidemiológicos das populações” (PPP/ENFERMAGEM, 2007). (grifo nosso)
“Responde às especificidades regionais de saúde mediante intervenções planejadas
estrategicamente, em níveis de promoção, prevenção e reabilitação à saúde, dando
30
atenção integral à saúde dos indivíduos, das famílias e da comunidade”
(PPP/ENFERMAGEM, 2007). (grifo nosso)
As DCN orientam o perfil do egresso com formação generalista e que seja capaz de
reconhecer e intervir sobre os problemas de saúde-doença mais prevalentes no perfil
epidemiológico nacional e com ênfase na região de atuação, identificando as dimensões
biopsicossociais de seus determinantes (MEC, 2001).
Refletindo sobre as DCN no que diz respeito à formação do enfermeiro que deve ser
orientada pelo perfil epidemiológico nacional, com ênfase na região de atuação, é possível
vincular o câncer dentre as doenças mais prevalentes nos âmbitos nacional e regional, apesar
de não existir referência a este agravo no documento.
Apesar do curso ter a formação pautada no perfil epidemiológico da população, não se
faz menção sobre o preparo do profissional para atuar na atenção oncológica, assim também
como não se observa nas DCN. Portanto, cabe uma reflexão acerca de como uma formação
generalista poderia atender as demandas prevalentes do perfil epidemiológico regional e
nacional sem perder sua essência de generalidade. Tratar de questões específicas e que são
relevantes no ponto de vista epidemiológico não exclui o caráter generalista da formação.
Se faz necessário refletir até que ponto a generalidade da formação está alcançando as
necessidades específicas de saúde da população. É completamente aceitável que a visão
generalista permite olhar de forma mais abrangente a realidade, mas a questão em foco é saber
se as especificidades de atendimento da população estão conseguindo ser contempladas pelos
profissionais durante e após a formação inicial (GIUSTINA; MOREIRA, 2015).
É importante reconhecer a necessidade de se repensar o que realmente é essencial para
uma formação generalista. A generalidade corre o risco de ser fragmentada e abrangente, ao
ponto de tratar de forma superficial os temas ou conteúdos teórico-práticos.
Percebe-se um certo receio dos profissionais em atender pacientes com o diagnóstico de
câncer, principalmente na atenção básica, e dessa forma, muitas vezes esses pacientes são
encaminhados ao seu médico oncologista ou para uma unidade hospitalar desnecessariamente.
Cabe lembrar, que o paciente oncológico possui diversas necessidades que não são exclusivas
do câncer, e sim, necessidades gerais inerentes a qualquer paciente, que poderiam ser atendidas
em qualquer unidade básica de saúde, mas talvez o despreparo profissional aliado ao estigma
de complexidade que o câncer carrega, resulta nesse tipo de atitude.
31
•
As práticas pedagógicas para a implementação da proposta curricular contemplam
campo na atenção oncológica?
A respeito dos aspectos estruturais para viabilização da proposta do curso, podemos
citar a utilização de situações-problemas e de relatos de prática com a finalidade de promover
o desenvolvimento de uma aprendizagem significativa. Os cenários de prática diversificados
são inseridos no decorrer do curso, com diferentes graus de complexidade, propiciando o
desenvolvimento de ações integrais à saúde, na tentativa de se evitar a fragmentação do ensino,
porém não é observada nenhuma referência à atenção oncológica no documento.
“Com o propósito de formar o enfermeiro generalista com uma visão crítica e
reflexiva da realidade onde está inserido, com competência para exercer a profissão,
o Curso de Enfermagem desenvolve atividades práticas de ensino do 1º ao 4º ano,
realizando estágio curricular no 5º ano. Nos primeiros quatro anos as práticas são
realizadas em instituições públicas da própria IES, do SUS e conveniados,
comunidade e organizações da sociedade civil organizada. As ações são
desenvolvidas predominantemente nos setores de internação e ambulatorial,
envolvendo atividades nas áreas de saúde comunitária, saúde da criança, da mulher,
saúde do adulto, idoso, saúde mental. Essas práticas são acompanhadas pelas
professoras das disciplinas específicas”(PPP/ENFERMAGEM, 2007). (Grifo nosso)
Apesar do documento analisado não reportar sobre atividades práticas ou conteúdos em
oncologia, as metodologias e os cenários de prática propostos pelo PPP são propícios para o
desenvolvimento de competências relativas a atenção oncológica nos diferentes níveis de
complexidade, principalmente quando se trata das áreas de saúde comunitária, saúde da criança,
da mulher, do adulto e do idoso.
Vale salientar que o contato do estudante de enfermagem com a oncologia ocorre
principalmente nesses momentos extra sala de aula, tanto na atenção básica quanto na
hospitalar, nos quais será possível vivenciar na prática a demanda de cuidados inerentes a este
tipo de paciente.
Considerando que a atenção básica representa, quase em sua totalidade, o primeiro
contato com os pacientes, e que nem sempre uma pessoa que apresente câncer terá acesso ao
acompanhamento com um oncologista se esta situação não for suspeitada pelo médico ou
enfermeiro da atenção básica, entende-se que para a melhoria do atendimento prestado à
população acometida pelo câncer, é necessário que a enfermagem encontre subsídios dentro da
sua formação na graduação (FRAGA et al, 2016).
32
Em estudo sobre carências e oportunidades no ensino da atenção oncológica, os assuntos
identificados como mais urgentes na demanda nacional, foram a necessidade de qualificação
da atuação profissional na atenção básica ao paciente oncológico, seguido da atuação
ambulatorial e das noções básicas de controle e prevenção ao câncer (THULER et al, 2011).
4.2. Caracterização dos participantes e categorias analíticas originadas a partir das
discussões do grupo focal.
Todos os participantes foram do sexo feminino com faixa etária compreendendo entre
23 e 29 anos, todas já haviam concluído o último período do curso. Umas das participantes
tinha formação em Ciências Biológicas (licenciatura) e quatro delas tinham realizado atividades
extracurriculares em oncologia. Com relação ao estágio curricular obrigatório, apenas duas
realizaram o estágio curricular obrigatório na clínica oncológica.
Diante do que foi apreendido a partir dos discursos dos graduandos de enfermagem no
grupo focal e com base no referencial teórico adotado, Bardin (2011), foi possível a elaboração
de 5 (cinco) categorias analíticas para interpretação dos dados empíricos:
1) Conteúdos teóricos e atividades práticas em oncologia;
2) Preparo para lidar com o enfrentamento da pessoa com câncer;
3) Receio de lidar com o paciente oncológico;
4) Estágio curricular e extracurricular versus experiência na atenção oncológica;
5) Ações de atenção oncológica nas unidades básicas de saúde.
4.2.1. Categoria 1 - Conteúdos teóricos e atividades práticas em Oncologia
Nesta categoria destacamos os principais pontos originados das falas dos graduandos
quando questionados sobre como percebem o ensino da oncologia na sua formação profissional.
Subdividimos em tópicos para melhor compreensão.
•
Pontual e Fragmentado:
Podemos identificar que algumas falas possuem consonância no sentido de
considerarem que os conteúdos teóricos e as atividades práticas em oncologia são pontuais e
fragmentados. Vejamos a seguir os relatos:
33
“Eu acho que na formação é muito pontual o que a gente vê. A gente vê mais a
oncologia na saúde do adulto e do idoso, acho que é só durante um período, e é parte
da matéria.” G1
“Eu acho que como G1 falou, também acho que é bem pontual.[...] mas dentro da
universidade o que eu vejo é isso, é pouco, é como G1 falou, é dentro de uma matéria,
dentro de saúde do adulto e do idoso, que é um mundo e a gente vai pegar um
pouquinho da oncologia.” G2
“Eu também acho que é fragmentado.” G5
“[...] você vê um ano de saúde da mulher, que eu acho que é o que a gente se sente
mais preparada pra atuar dentro da escola e as outras (disciplinas) são bem
fragmentadas, bem mais pequenininhas. A gente passou um ano também vendo saúde
e sociedade né, às vezes repetindo muitas coisas e outras disciplinas que a gente
poderia ver melhor a parte da oncologia, a gente não vê, a gente passa só uma visita
no CACON.” G3
“Então, eu vejo técnica em uma disciplina, eu vejo fármacos em outra disciplina, e
na parte de oncologia fica o resto que eu não consigo vivenciar nas outras disciplinas,
que é tá próximo desse paciente dentro dos setores que tem oncologia.” G3
Apesar da proposta de ensino abordar conteúdos teórico-práticos de oncologia durante
a formação, percebe-se que essa prática ainda é concentrada em determinado momento do
curso, de forma que os graduandos a conceituam como pontual. Nos relatos que expressam que
o ensino da oncologia é fragmentado, entende-se que não existe uma transversalidade entre
esses conteúdos.
Essa realidade se assemelha a realidade de outras Instituições de Ensino, como foi
observado em diversos estudos que apresentaremos no decorrer da discussão.
Em se tratando de formação profissional, Rosa et al (2017), verificaram uma lacuna que
se inicia na graduação no que diz respeito a capacitação da enfermagem para as demandas
oncológicas. Calil (2011); Cruz; Rossato (2015) corroboram que existe uma lacuna de
capacitação de profissionais de enfermagem na atenção oncológica que advém da graduação,
pois, a maioria dos cursos de graduação em enfermagem não trata com profundidade os temas
relacionados à oncologia e enfermagem oncológica, mesmo sendo o câncer um problema
expressivo de saúde pública e com estimativas preocupantes.
34
Luz et al (2016), constataram entre enfermeiros que atuam em unidades hospitalares e
ambulatoriais que prestam atendimentos oncológicos, que durante a graduação, os conteúdos e
estágios em oncologia foram considerados superficiais.
Dentre as dificuldades citadas em assistir o paciente oncológico, enfermeiros da
estratégia de saúde da família, destacaram a falta de capacitação em oncologia como um dos
principais motivos (SOUZA et al, 2017).
Enfermeiros que atuam na atenção oncológica no Brasil e em Portugal também
elencaram a presença de déficits de formação profissional na área de oncologia como um dos
motivos de insatisfação profissional ao assistir pacientes oncológicos (BORDINGNON et al,
2015).
Estudantes de enfermagem do Reino Unido consideram que a triagem para cânceres
específicos não foi abordada adequadamente durante o ensino na graduação, além disso,
referem que se sentem com déficits de conhecimentos sobre tratamentos para o câncer e seus
efeitos colaterais (EDWARDS et al, 2016a). Estudo realizado com enfermeiras zambianas
revela que a falta de formação para atenção oncológica colabora para o surgimento de
experiências negativas e impossibilita a prestação de cuidados de enfermagem adequados
(MAREE; MULONDA, 2017).
Em um outro estudo no Reino Unido, estudantes de enfermagem foram expostos a um
novo modelo de educação para o câncer no currículo da graduação. Como resultado, foi
observado uma melhoria no conhecimento geral sobre o câncer, sobre o impacto e as
consequências de um diagnóstico de câncer, o desenvolvimento de atitudes mais positivas em
relação ao tratamento e cuidados aos pacientes oncológicos e uma maior confiança em sua
capacidade de apoiar pacientes com câncer em todas as fases da jornada do câncer, desde o
diagnóstico até a sobrevivência (EDWARDS et al, 2016b).
•
Insuficiente:
Também verificamos nas comunicações analisadas que os conteúdos teórico-práticos de
oncologia são considerados insuficientes devido ao pouco tempo que é destinado para essas
atividades durante a formação, principalmente em relação as atividades práticas.
35
“A gente teve umas atividades práticas supervisionadas que é dentro da disciplina,
mas se não me engano é uma semana só. [...] Eu acho que a teoria não é ruim, é que
ela é insuficiente e a prática também.” G2
“É muito pouca a assistência ao paciente oncológico, tanto a teoria é pouca como a
prática é muito pouca. Eu acho que acaba sendo pouca pelo tempo.” G3
“Mas pra mim, a parte de oncologia eu acho que a gente perdeu em questão de prática,
em questão de botar a mão na massa mesmo. Eu acho que não foi um dos meus
melhores campos, com certeza.” G4
“Eu não tive oportunidade de acompanhar um paciente lá dentro, foi só visita mesmo
[...]o tempo foi muito curto.” G7
“Eu acho que a disciplina tenta trazer os aspectos gerais da oncologia e algumas
particularidades que essa pessoa nessa condição precisa ter. Eu acredito que deixa
muito a desejar, principalmente devido ao tempo.” G9
“Eu acho que ficou essa deficiência, mas pelo tempo mesmo, foi pouco tempo pra
que a gente pudesse fazer. Então, eu acho que o que faltou bastante foi essa questão
de tempo de vivência ali dentro pra gente ter subsídios mesmo pra assumir uma área
tão importante.” G8
Achados semelhantes a essa natureza foram encontrados por Cruz; Rossato (2015), onde
afirmam que existe uma carência considerável na capacitação de profissionais de enfermagem
para atenção oncológica, desde a graduação, visto que a maioria dos cursos de enfermagem não
oferece aprofundamento nessa área. King-Okoye; Arber (2014) apontam que as deficiências de
conhecimentos relacionados ao processo de adoecimento pelo câncer e modalidades de
tratamento foram evidentes em seu estudo com estudantes de enfermagem no Reino Unido e,
que essas deficiências podem ter contribuído para causar sentimentos de medo e de estigma do
câncer.
Sobre o preparo acadêmico de enfermeiros que atuam em unidades hospitalares
oncológicas, foi evidenciado que o conhecimento na área de oncologia foi bastante limitado
durante a graduação. Sendo a oncologia uma área específica, na maioria das vezes, os conteúdos
relativos à atenção oncológica dentro do currículo generalista são insuficientes (SANTOS et al,
2015).
Rosa et al (2017), em estudo sobre demandas de atendimento e qualificação em
oncologia na atenção básica, verificaram carência e/ou insuficiência de formação em oncologia
e necessidades de qualificação para o atendimento de adultos, crianças, adolescentes e
36
sobreviventes com câncer ou com suspeita da doença. Na avaliação, quase 55% dos enfermeiros
participantes do estudo considerou os conteúdos teóricos e práticos sobre oncologia na
graduação em enfermagem insuficientes, mais de 35% considerou regular e apenas 8%
considerou bom.
Lins et al (2018) afirma que o egresso deve estar apto para promover ações de
prevenção, promoção, proteção e reabilitação da saúde, porém, este não se sente preparado para
atuar com o paciente oncológico devido a carência de teoria e curto período de estágio na área.
Situação semelhante também é encontrada em países desenvolvidos. Em estudo no
Reino Unido, estudantes de enfermagem ao mencionarem sobre o conteúdo do programa de
enfermagem, relatam que gostariam de ter mais conhecimentos sobre câncer e as manifestações
dos tipos mais comuns de câncer (KING-OKOYE; ARBER, 2014).
Kav et al (2013) dizem que é de se esperar que estudantes de enfermagem encontrem
dificuldades ao cuidar de pacientes com câncer devido à falta de conhecimentos e experiência
na área de oncologia, porém, Sanford et al (2011) e Kav et al (2013) asseguram que quando
estudantes são expostos aos cuidados e interações mais próximas com pacientes oncológicos,
principalmente em ambientes menos estressantes, estes, consideram as intervenções
potencialmente úteis para o preparo clínico do estudante com evidente melhora na interação
estudante-paciente.
Sobre as experiências práticas de estudantes de enfermagem com pacientes oncológicos,
Sanford et al (2011) afirmam que, a menos que essas oportunidades sejam oferecidas, os
estudantes de enfermagem podem não ter consciência dos muitos aspectos positivos e negativos
inerentes ao cuidado de pacientes com câncer em todos os contextos.
•
Sentimento de despreparo / Falta de bagagem
Percebemos também alguns relatos que demonstram sentimento de despreparo e falta
de “bagagem” em oncologia. Nesse contexto, “bagagem” traz a conotação de experiência
pessoal, conhecimento adquirido com o tempo.
“[...] eu tinha ficado alocada na clínica médica [...] mas ao chegar lá a gente soube
que a clínica médica tava dividida com a clínica oncológica, então a gente ia ficar num
andar inteiro e eu senti muito receio no começo, justamente por não ter tido tanta
experiência pelo tempo que a disciplina comporta, e aí eu tinha muito receio de como
eu ia conseguir assistir, do que eu precisava saber né.” G9
37
“Eu não me sinto preparada hoje se precisasse agora trabalhar num setor de pacientes
oncológicos, eu sinceramente não acho que eu tenho bagagem pra isso.” G7
Achados semelhantes foram encontrados em estudo com enfermeiros que atuam na
atenção oncológica, onde foi relatado que durante a formação profissional na graduação, os
conteúdos referentes ao cuidado de pacientes oncológicos foram inexistentes ou insuficientes,
o que gerou um sentimento de despreparo para a assistência ao paciente com câncer por se
considerarem desprovidos de bagagem na área de oncologia (LUZ et al, 2016).
No Brasil, a maioria dos cursos de graduação em enfermagem não aborda a oncologia
de forma consistente, mesmo sendo o câncer um problema de saúde pública alarmante e com
estimativas futuras preocupantes (ROSA et al, 2017).
Um outro aspecto discutido, é que o déficit de conhecimento e o pouco contato com a
oncologia dificulta que os futuros profissionais em formação na graduação possam se identificar
com a área, justamente onde há uma carência de atuação (SANFORD et al, 2011; LUZ et al,
2016).
Se faz necessária uma reflexão sobre a inserção de conteúdos de oncologia nos
currículos de graduação em enfermagem e que esta informação esteja contextualizada no
Projeto Político Pedagógico dos cursos, garantindo, desta forma, uma formação com subsídios
para atuar na atenção oncológica em seu aspecto multidimensional, possibilitando preveni-lo e
combatê-lo (LUZ et al, 2016).
4.2.2. Categoria 2 – Preparo para lidar com o enfrentamento da pessoa com câncer
Foi mencionado pelos graduandos que o preparo em oncologia na graduação foi mais
direcionado para lidar com o enfrentamento da pessoa com câncer e sua família em detrimento
aos conteúdos teóricos e atividades práticas na área.
“[...] então, eu acho que as atividades são mais direcionadas pra essa questão do
enfrentamento do que com a parte técnica.” G3
“Acaba que a disciplina dá mais direção ao enfrentamento com a família e com o
paciente e com a situação.” (G4)
“Eu concordo com a maioria das opiniões aqui, acho que realmente a gente viu muito
essa parte do enfrentamento, de como se portar, de como chegar, de como abordar
38
essa parte da consulta de enfermagem né, vivenciando toda essa situação difícil na
vida do paciente oncológico em específico.” G8
Nesse aspecto, observa-se pelas falas que o ensino da oncologia na graduação parece
satisfazer os graduandos no tocante a abordagem sobre como lidar com a situação de
enfrentamento da pessoa com câncer e sua família, considerando as questões de finitude da
vida.
Em contrapartida, outros estudos demonstram resultados divergentes. Silva et al (2015)
apontam dificuldades durante a formação acadêmica devido à falta de preparo para lidar com
situações que envolvem a complexidade do ser humano, processo de morte e morrer e influência
do modelo curativista. King-Okoye; Arber (2014) reconhecem que estudantes de enfermagem
se sentem despreparados para lidar com as fortes emoções apresentadas pelos pacientes com
câncer, como choro e raiva. Os estudantes relatam que se sentem amedrontados e preocupados
em dizer algo errado para os pacientes.
Outros estudos corroboram com resultados incipientes sobre a abordagem em cuidados
paliativos nos currículos de graduação, ocasionando despreparo para lidar com situações de
final de vida (COSTA et al, 2016).
Observa-se a importância de se formar profissionais com habilidades para lidar com a
subjetividade. Quando o estudante é colocado em situação de oferecer conforto ao paciente no
final da vida, ele é forçado a transitar por impressões, sentimentos e transferências que serão
impossíveis de simular em sala de aula (COSTA et al, 2016).
É exatamente nesse processo de aprender a lidar com a subjetividade que o estudante
poderá extrair o aprendizado para suprir sua formação teórica. Essa vivência permite exercitar
atitudes de compaixão, respeito, diálogo e práticas terapêuticas para o controle da dor (COSTA
et al, 2016).
Apesar de considerarem que a formação em oncologia é mais direcionada para lidar com
o enfrentamento da pessoa com câncer e sua família em detrimento aos conteúdos teóricos e
práticos, os graduandos consideram indispensável esse preparo para lidar com aspectos
psicoemocionais dos pacientes oncológicos. Vejamos os relatos:
“A gente pode acompanhar e ver o enfrentamento da família, que é isso o que a
disciplina traz muito pra gente, esse enfrentamento da pessoa, o sofrimento que a
pessoa está vivendo, principalmente quando está em cuidados paliativos, de dá uma
atenção devida a esse enfrentamento no momento da vida.” G3
39
“Eu acho muito importante essa questão da empatia que a gente falou, eu acho que é
um dos pontos principais, e eu acho que a gente ganha muito quando a gente trabalha
essa questão, mas se a gente ficar só nessa questão, a gente sai do curso sem saber de
nada, entendeu!? Eu percebo que muitas vezes a gente bate muito nessa tecla e
realmente tem que bater, mas deixa muito o teórico de lado.” G4
“[...] a nossa graduação se volta muito pra essa questão da sensibilização. Você chega
lá e vê um paciente absolutamente comprometido que realmente sensibiliza. Você vê
situações terríveis e aí a gente volta muito pra essa sensibilização, mas a questão da
técnica deixa a desejar e a última coisa que o paciente precisa é só que você se
sensibilize, você precisa saber também o que fazer naquelas situações.” G10
Estudantes de enfermagem em um estudo no Reino Unido sugerem que há uma falta de
preparação quando se trata de confiança para apoiar o diagnóstico de câncer e más notícias.
Reconheceram também o impacto que o câncer tem sobre a pessoa e os membros da família
(EDWARDS et al, 2016b).
Nesse mesmo estudo, equipes de enfermagem que trabalham em enfermarias não
especializadas relatam a falta de educação e treinamento em relação ao tratamento do câncer e
consideram que essa falta de conhecimento pode impedi-los de prestar os cuidados que
gostariam de dispensar aos pacientes com câncer e suas famílias (EDWARDS et al, 2016b).
O número de pessoas que vivem com ou além do câncer está aumentando. Cada vez
mais enfermeiros encontrarão pessoas vivendo e lidando com câncer como uma condição
crônica (WHO, 2015; MACMILLAN CANCER SUPPORT, 2015; EDWARDS et al, 2016b).
Desta forma, a graduação precisa fornecer um preparo compatível com as demandas de saúde
da população.
Considerando a relevância da temática dos cuidados paliativos na formação profissional
e a realidade epidemiológica nacional, entende-se que essa abordagem deva ser processual e
transversal durante o curso de graduação (GUIMARÃES et al, 2017).
Os estudantes reconhecem a dificuldade de lidar com a subjetividade do ser, pois é algo
que não se pode tornar técnico, mas acreditam que reformulações curriculares nesse sentido são
possíveis. A temática de cuidados paliativos deve ser apresentada de forma longitudinal durante
todo o curso, cultivando a noção de que a cura e o paliativismo andam de mãos dadas (COSTA
et al, 2016).
40
4.2.3. Categoria 3 - Receio de lidar com o paciente oncológico
Foi observado nos discursos um certo receio dos graduandos em lidar com o paciente
oncológico devido à falta de afinidade com a área por considerar o paciente oncológico
vulnerável e debilitado.
“Eu mesma não gostava de oncologia, senti muito medo de trabalhar com oncologia,
porque você já vai na cabeça que é um paciente super vulnerável, a sua
responsabilidade aumenta, qualquer procedimento que você vai fazer, você já vai
pensando: -poxa, já é um paciente mais vulnerável ainda, se eu errar, já é um trauma
maior.” G5
“Eu tenho que me trabalhar para poder trabalhar com paciente de oncologia, é uma
coisa que eu tenho dificuldade.” G5
“Eu não me sinto preparada, eu não tenho muita afinidade com a área exatamente por
ver que é uma área que precisa muito e que eu acho que não deve ser qualquer
profissional, qualquer pessoa que deve chegar ali pra assumir, nenhum local deve ser,
mas ali em específico eu acho que precisa alguém muito bem preparado pra tá
assumindo, principalmente, como a gente sabe que são pacientes tão vulneráveis.” G8
“[...] eu penso que com paciente oncológico, mais ainda, a gente tem que ser mais
assertivo. É um paciente que tá mais debilitado, não dá pra tá treinando com ele, eu
penso assim.” G10
“A gente vê muito o paciente oncológico como uma coisa diferente [...] a gente vê de
uma forma mística demais [...] mas eu acho que o que prejudica a gente, ou pelo menos
pra mim, eu não sei se vocês vão concordar, é o fato da gente vê esse paciente
oncológico como diferente de qualquer outro paciente.” G6
Corroborando com esses achados da nossa pesquisa, podemos verificar dois estudos
qualitativos realizados no Reino Unido sobre as experiências de estudantes de enfermagem ao
cuidar de pessoas com câncer, um deles demonstrou que os estudantes geralmente se sentiam
despreparados em como ser empáticos e consideram difícil lidar com suas próprias emoções e
as emoções dos pacientes (KING-OKOYE, ARBER, 2014). No outro, os estudantes relataram
que não tinham as habilidades necessárias para se comunicar e apoiar pacientes com câncer
(CUNNINGHAM et al, 2017).
Kapucu; Bulut (2019) demonstraram que estudantes de enfermagem geralmente tinham
sentimentos negativos quando prestavam cuidados a pacientes oncológicos, como por exemplo,
preocupação, pena, tristeza. Sanford et a1 (2011); Kav et al (2013); King-Okoye, Arber (2014);
41
Cunningham et al (2017) constataram que estudantes de enfermagem possuem atitudes
pessimistas em relação ao câncer e o associam ao sofrimento e à morte.
A literatura aponta que vários estudos mostraram que estudantes de enfermagem têm
um medo quase igual de câncer e morte tal qual seus pacientes. Portanto, no ensino da
enfermagem, é importante preparar os estudantes de enfermagem sobre como formar relações
positivas com os pacientes oncológicos e suas famílias (KAPUCU; BULUT, 2017).
De acordo com estudos realizados na Turquia que buscaram analisar as experiencias de
estudantes de enfermagem que cuidam de pacientes com câncer, Kapucu; Bulut (2017)
verificaram que os estudantes se sentiram afetados negativamente em termos psicológicos,
particularmente quando estavam cuidando de pacientes em estágio terminal ou com dores
severas. Kav et al (2013) constataram que estudantes de enfermagem tinham medo de ferir
fisicamente os pacientes oncológicos.
Sanford et al (2011), em um estudo realizado nos EUA detectaram que estudantes de
enfermagem tinham dificuldade em trabalhar com pacientes terminais e falar da doença em sua
presença, bem como, sentimentos de inadequação. Além disso, foi enfatizado pelos estudantes
a necessidade de mais treinamento para enfrentar seus próprios medos e preconceitos e obter as
habilidades necessárias para ter confiança no atendimento a pacientes com câncer.
Cuidar do paciente com câncer requer acolhimento e confiança, estabelecimento de
vínculos, ter habilidades para resolver questões que envolvem os pacientes e sua família, porém,
na maioria das vezes, os profissionais não têm essa habilidade desenvolvida devido a uma
lacuna na formação, inviabilizando a construção de estratégias de enfrentamento (LUZ et al,
2016).
Abordar um paciente com câncer e sua família pode ser um ponto de fragilidade dos
profissionais da saúde, visto que estão envolvidos conteúdos significativos no âmbito
psicoemocional relacionado à doença oncológica. Nem todos os profissionais se sentem
capacitados para trabalhar algumas dessas dimensões psicoemocionais que envolvem o
adoecimento crônico, principalmente quando se trata do câncer, que por si só já traz o estigma
de sofrimento e finitude antecipada (ROSA et al, 2017).
A formação profissional envolve também o desenvolvimento de habilidades relativas ao
manejo de pacientes e seus familiares, no que diz respeito a maneira de enfrentamento do
tratamento e sobrevivência ao câncer, conduzindo o profissional a ser capaz de lidar com os
42
medos, sofrimentos, necessidades biológicas, psicológicas, espirituais e de saúde/doença (LUZ
et al, 2016).
O acadêmico e futuro profissional, irá experimentar em alguns momentos, algumas
dificuldades que irão aflorar quando os mesmos se depararam com situações de morte na vida
acadêmica. É importante considerar o contexto em que esse estudante está inserido para
proporcionar um ambiente acolhedor e que motive novas aprendizagens (GUIMARÃES et al,
2017).
Por fim, Edwards et al (2016b), verificaram que a maioria dos estudantes de
enfermagem que participaram de seu estudo, achavam importante que soubessem como abordar
e conversar com pacientes com câncer, mas também reconheceram que a comunicação não é
necessariamente uma habilidade que pode ser ensinada, mas é algo que vem com a experiência,
que surge com exposição crescente a pessoas que vivem com câncer.
4.2.4. Categoria 4 - Estágio curricular e extracurricular versus experiência na atenção
oncológica.
Nos relatos, podemos verificar que os graduandos consideram que o estágio curricular
supervisionado em Hospital Geral, que acontece no final do curso, não possibilita a
aproximação com a oncologia igualmente para todos os graduandos. A carga horária destinada
para esse estágio compreende 500 horas e os graduandos são distribuídos pelos setores do
hospital que são campos de estágio. Cada graduando cumpre o seu estágio integralmente no
mesmo setor.
Vejamos nas falas de graduandos que cumpriram seu estágio em setores não afins com
oncologia, que estes se consideram com pouca experiência na assistência a pacientes com
câncer.
“Eu ainda tive menos experiência, porque teve umas meninas que ficaram na clínica
médica e daí elas puderam ter mais, realmente, essa assistência. Eu fiquei na
maternidade, eu não tive essa aproximação.” G1
“No obrigatório da gente eu fiquei na maternidade, no HU por exemplo, eu só tive a
experiência que a maioria aqui teve que foram os estágios dentro da matéria de saúde
do adulto e idoso, que teve o momento em que a gente ia pro CACON e o momento
em que a gente ia pra clínica, pouco tempo é, realmente, eu acho que na universidade
as práticas são muito limitadas, infelizmente.” G6
43
Considerando a necessidade de experiências práticas com pacientes oncológicos, ainda
que os graduandos deste estudo considerem que o estágio curricular supervisionado que
acontece no último ano do curso não oportunize a aproximação com a oncologia igualmente
para todos os graduandos, vale salientar que o objetivo desse estágio não se destina
exclusivamente para reparar lacunas específicas do cuidado de enfermagem, que, porventura,
tenham ocorrido durante o percurso, e sim, mais além:
“O estágio supervisionado é compreendido como o momento em que o aluno
experimenta o processo de ser enfermeiro, ainda sob a supervisão dos docentes do
curso. É a etapa em que ele exercita a prática profissional, atuando diretamente nos
cenários de prática, participando ativamente do processo de trabalho, aplicando o
conjunto de conhecimentos adquiridos ao longo do curso, porém, mais do que isso,
exercitando sua capacidade crítica, reflexiva, numa postura que respeita os princípios
éticos
que
sustentam
a
prática
profissional,
numa
atitude
propositiva”
(PPP/ENFERMAGEM, 2007).
Os graduandos que realizaram estágio curricular supervisionado na clínica oncológica
e/ou estágio extracurricular em oncologia relatam que se sentem mais preparados para prestar
assistência ao paciente oncológico, tendo em vista que ao acompanhar um paciente com câncer
por um período maior, foi possível o reconhecimento das demandas inerentes aos pacientes
oncológicos, além disso, referem também que tiveram mais oportunidades de praticar as
técnicas e procedimentos pertinentes à enfermagem.
“[...] quando você está acompanhando aquele paciente, como teve um paciente que a
gente chegou lá e ele já estava interno, fomos embora e ele continuou, e você
acompanha e vai entendendo as demandas de cada um daqueles pacientes, aí você vê
que é muito diferente.” G10
“Então, eu acho isso, eu saí muito mais preparada, mas foi uma situação que nem todo
mundo tem a opção, teve a oportunidade de vivenciar, mas se fosse só pelo o que a
graduação oportuniza, com certeza eu não me sentiria preparada.” G10
“Eu só pude sentir isso mais, porque eu tive a oportunidade de ficar na clínica
oncológica do HU.” G9
“Eu, quando falei que me sentia mais preparada pra atender, pra ficar numa clínica
oncológica, foi pela experiência que eu tive extracurricular.” G6
“Em relação aos procedimentos que são gerais, como sonda vesical de alívio e de
demora, sonda nasoentérica e nasogástrica, isso é recorrente, lá na clínica a gente faz
muito, todo dia tinha alguma coisa desse tipo, mas tem gente que vai terminar a
graduação sem nunca ter feito um cateterismo vesical.” G10
44
Mas não se pode deixar de enfatizar que os enfermeiros irão, em algum momento
durante sua vida profissional, encontrar pacientes diagnosticados com câncer. No Reino Unido,
equipes de enfermagem que trabalham em setores não especializados relatam a falta de
educação e treinamento em relação ao tratamento do câncer e consideram que essa falta de
conhecimento pode impedi-los de prestar os cuidados que gostariam de dispensar aos pacientes
com câncer e suas famílias (EDWARDS et al, 2016b).
É preciso considerar que pacientes com câncer não são atendidos exclusivamente em
centros oncológicos e sim em toda a rede de atenção à saúde. Desta forma, pode-se destacar a
urgência na formação de profissionais enfermeiros com competências mínimas para o cuidado
do paciente com câncer em busca de alcançar melhores resultados na qualidade de vida dessas
pessoas (LUZ et al, 2016).
Em estudo que objetivou identificar a percepção de acadêmicos de enfermagem
bolsistas de um projeto de extensão de atenção oncológica na atenção básica, verificou-se que
os bolsistas consideraram que o projeto contribuiu para ampliação dos conhecimentos
anteriormente apreendidos em oncologia, na obtenção de novos conhecimentos na área e no
desenvolvimento de pesquisas (ROSA et al, 2017).
Edwards et al (2016b) defende que a preparação para a prática na graduação forma
enfermeiros suficientemente competentes para cuidar e apoiar pessoas afetadas com câncer e
que também sejam capazes de reconhecer suas limitações.
4.2.5. Categoria 5 - Ações de atenção oncológica nas unidades básicas de saúde.
Os graduandos cumprem 500 horas de estágio supervisionado na atenção básica. Nos
relatos, observamos que existe uma lacuna na atenção básica no que diz respeito à atenção
oncológica. Nas falas, verifica-se o desconhecimento da existência de pacientes oncológicos
nas áreas de cobertura da estratégia de saúde da família ou um distanciamento dos profissionais
no acompanhamento e no cuidado desses pacientes.
“Eu só soube que ela tinha câncer depois que ela saiu e aí a enfermeira comentou
comigo, porque eu achei até estranho, porque durante toda a consulta isso não foi
abordado e achei que era importante já que ela tinha sido uma paciente que tinha
terminado tratamento e tal.” G4
“Eu só soube também durante uma visita domiciliar porque o agente de saúde veio
conversar comigo: - olha, ela não tá muito bem por conta dos efeitos da quimioterapia,
45
e daí eu fui fazer uma visita a essa moça e ela terminou o tratamento tem uns 15 dias
e a abordagem é: não há! Não vou dizer que é ruim, não há! A enfermeira do ESF nem
sabia que existia uma paciente na área dela com câncer de colo uterino.” G5
“Na unidade em que eu fiquei como enfermeiranda agora, tem um senhor idoso, já
bastante debilitado, que vai periodicamente para trocar o cateterismo vesical de
demora e por incrível que pareça, a minha enfermeira não sabia qual o motivo dele
usar essa sonda e ir periodicamente trocar, e aí quando ele foi eu perguntei, porque
ela não sabia e aí eu falei com ele e com o filho que é quem acompanha, e ele tem
câncer de próstata e isso era desconhecido.” G6
“Eu tive uma experiência agora no estágio, uma paciente, ela tava com câncer de
garganta, e tinha um ciclo, eu não me lembro se eram quatro doses, não lembro, aí ela
não tomou a última e disse que não ia tomar por causa das reações. Na hora eu falei o
básico mesmo, é importante você terminar o ciclo [...] e a enfermeira disse: mas Deus
quer que você se cure. Não que isso não seja importante, mas assim, como profissional
naquele momento, o direcionamento deveria ser outro. Depois desse dia, eu não vi
mais preocupação dela de retornar à casa pra saber se ela foi tomar, enfim, se deu
continuidade ao tratamento, nada!” G2
Algumas possíveis causas dessa lacuna na atenção oncológica nas unidades básicas de
saúde são a falta de preparo durante a formação acadêmica, a falta de afinidade com a área
justamente por não terem tido aproximação com oncologia na graduação, dificuldades em lidar
com a subjetividade do ser humano frente ao diagnóstico de câncer e finitude da vida, o não
desenvolvimento de estratégias de enfrentamento e ausência de educação permanente em
oncologia.
Observa-se que o período pós-tratamento do câncer geralmente é negligenciado, mas é
necessário compreender que a pessoa com diagnóstico de câncer percorre uma trajetória sofrida
que precisa de suporte clínico, social e emocional por um longo tempo.
Há de se considerar que a rede de atenção básica é a principal porta de entrada de pessoas
a procura de atendimento às suas necessidades de saúde, incluindo pessoas em tratamento de
câncer. Desta forma, o profissional enfermeiro tem a responsabilidade de reconhecer e intervir
devidamente nos casos de indivíduos portadores de câncer, necessitando assim, ter
conhecimentos básicos de enfermagem oncológica para prestar cuidados apropriados aos
pacientes (CRUZ; ROSSATO, 2015).
Pacientes oncológicos em tratamento frequentam unidades de Estratégia de Saúde da
Família (ESF) e podem apresentar reações adversas, para tanto, se faz necessário o
46
conhecimento dessas reações para promover um cuidado adequado desses pacientes,
prevenindo complicações decorrentes do tratamento (CRUZ; ROSSATO, 2015).
Atualmente, tratamentos mais eficazes contra o câncer estão prolongando a sobrevida
das pessoas acometidas pela doença. No Reino Unido, espera-se que 50% dos dois milhões de
pessoas com câncer vivam 10 anos ou mais (CANCER RESEARCH UK, 2015, MACMILLAN
CANCER SUPPORT, 2015). Na Europa e nos EUA, os serviços estão sendo desenvolvidos
para permitir que as pessoas que gerenciam a vida ao lado de um diagnóstico de câncer, vivam
bem com o câncer (DEPARTMENT OF HEALTH, 2013; McCABE et al, 2013).
Nos países em desenvolvimento, essa sobrevida é menor. No Brasil, espera-se que 50%
dos casos de cânceres tenha sobrevida de 5 anos (INCA, 2019). Esses pacientes necessitam de
suporte antes, durante e após o tratamento. O objetivo é conviver com o câncer tendo qualidade
de vida e, nesse sentido, a atuação da atenção básica tem um relevante papel nesse processo.
Vale salientar, que o enfermeiro da ESF tem uma importante posição na equipe por
destacar-se como o profissional mais preparado e disponível para apoiar e orientar os pacientes
e suas famílias no enfrentamento do processo de doença, tratamento e reabilitação (SOUZA et
al, 2017).
Cabe lembrar o importante papel e responsabilidade do enfermeiro da atenção básica no
que se refere a prevenção do câncer, promoção da saúde e cumprimento das políticas públicas.
Essas ações de prevenção e promoção devem acontecer de forma contínua, rotineira,
considerando as características da população atendida e as características individuais das
famílias acompanhadas. Porém, o que se verifica nos relatos, são ações de prevenção pontuais,
esporádicas ou engessadas.
“Pra mim ficou notório que as mulheres de lá, a maioria que chega lá, só faz a
mamografia em outubro, aí eu digo: mas é o ano inteiro, minha gente!...Só trabalham
o câncer de mama em outubro.” G5
“E aí, a paciente com câncer de mama só foi importante no dia do outubro rosa, porque
convidou a mulher pra ir lá dar uma palestra.” G5
“Só outubro rosa. Mas, talvez porque tenha o mês específico né, talvez se não tivesse,
não seria tão enfatizado essa questão do câncer do colo uterino, não sei se em janeiro
ou fevereiro é visto dessa mesma forma como a gente vê em outubro.” G3
47
“Todo dia de citologia, só fazia citologia se escutasse a palestra [...] o tema era sempre
“prevenção do câncer de colo de útero”, eu até dei a ideia, acho que poderia mudar, e
ela (enfermeira): - não, porque toda semana são mulheres diferentes.” G1
É justamente na prevenção do câncer, detecção precoce e promoção da saúde que se
concentra a maior atuação do profissional enfermeiro. A atenção básica geralmente é o primeiro
contato do paciente com um profissional da saúde em busca de um acompanhamento de rotina
ou de uma solução para o seu problema de saúde, além de ser o local onde as políticas de
prevenção e controle de agravos são implementadas (SOUZA et al, 2017).
Reforçando o importante papel da atenção básica na prevenção do câncer, a OMS
considera que 40% das mortes por câncer poderiam ser evitadas, reforçando a premissa de que
a prevenção é um componente essencial aos planos de controle do câncer, principalmente na
adoção de medidas para reduzir a exposição a fatores de risco para a doença (INCA, 2011).
O INCA alerta que as ações de prevenção e controle do câncer necessitam adquirir a
mesma intensidade que a atenção dispensada aos serviços assistenciais de tratamento, visto que
o expressivo aumento de novos casos trazem a perspectiva de que o sistema de saúde pública
não tenha recursos financeiros e humanos para o atendimento das demandas oncológicas do
país, situação que poderá contribuir para mortes prematuras e desnecessárias (INCA, 2015).
Refletindo sobre essa perspectiva preocupante, podemos destacar a importância das
linhas de cuidado para a prevenção e controle do câncer, onde as ações de prevenção e
promoção à saúde devem ser iniciadas prioritariamente na atenção básica, perpassando todos
os níveis de atenção à saúde, de forma transversal e dirigidas aos determinantes sociais do
processo de saúde-doença, com a finalidade de promover a qualidade de vida, melhorar a saúde
da população e controlar as doenças e agravos à saúde (INCA, 2019).
Sobre o ensino em atenção oncológica no Brasil, foi verificado entre enfermeiros
assistenciais uma carência de qualificação sobre noções básicas de controle e prevenção do
câncer, atuação profissional na promoção à saúde e na prevenção de agravos relativos à
oncologia, além de gestão e políticas públicas de atenção ao câncer (INCA, 2012). Portanto,
essa carência de qualificação pode estar prejudicando a atuação dos enfermeiros na atenção
básica.
Sendo assim, a Atenção Básica é caracterizada como um lugar propício para o
desenvolvimento de ações de controle do câncer e para a realização de ações de promoção e
prevenção. A Estratégia de Saúde da Família (ESF) deve desempenhar o seu papel enfatizando
48
o cuidado à família, na construção de vínculos, na longitudinalidade e na integralidade da
atenção e na atuação diante dos determinantes de saúde da população (SOUZA et al, 2017).
49
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Diante da análise documental percebe-se que o PPP segue a orientação generalista
estabelecida nas DCN, onde o câncer é tratado de forma implícita, o que reforça os resultados
qualitativos apreendidos nas discussões do grupo focal. Mesmo sendo o câncer um relevante
problema de saúde pública no país, a oncologia muitas vezes não é contemplada nos currículos
generalistas, ou é, mas de forma insuficiente.
O estudo revelou a percepção dos graduandos de enfermagem sobre o ensino da
oncologia na formação profissional. Foi possível identificar que o ensino em oncologia na
graduação em enfermagem foi considerado pontual, por se concentrar em um determinado
momento de uma das disciplinas do curso, e insuficiente, devido ao pouco tempo destinado
para os conteúdos teóricos e atividades práticas em oncologia.
Constatou-se uma lacuna no aprendizado dos graduandos de enfermagem relativa à
atenção oncológica durante o estágio supervisionado na atenção básica. Essa carência merece
ser investigada em estudos futuros com o objetivo de se compreender as razões para essa
fragilidade da atenção oncológica no âmbito da atenção básica, pois é justamente na atenção
primária que as ações de prevenção e promoção à saúde compõem uma das mais importantes
atribuições do enfermeiro.
Podemos afirmar que o cenário do ensino da oncologia encontrado neste estudo não
apresentou mudanças com relação aos resultados apresentados em diversos estudos nacionais
das últimas três décadas, nos quais demonstraram ensino restrito, caracterizado por aulas
avulsas dentro de uma determinada disciplina do curso e experiências práticas escassas.
Desta forma, sugere-se a incorporação de conteúdos teórico-práticos de oncologia de
forma mais consistente na matriz curricular, podendo ser utilizada como norteadora a proposta
curricular da Comissão Nacional para o Ensino da Cancerologia na Graduação em
Enfermagem, versão final de 1992 (Anexo 3), ou a síntese dessa proposta com versão atualizada
em 1998 e publicada no livro-texto do INCA, intitulado “Ações de Enfermagem para o Controle
do Câncer” de 2002 (Anexo 4).
Além disso, é importante garantir uma transversalidade dos conteúdos de oncologia ao
longo do curso e viabilizar a capacitação docente em oncologia utilizando os recursos
disponíveis pelo INCA, tais como: cursos à distância, cursos presenciais e publicações
destinadas a docentes, estudantes de graduação e profissionais não especializados na área.
50
Outro aspecto relevante que deve ser considerado é oferecer oportunidades para que
estudantes de enfermagem acompanhem e prestem cuidados a pacientes com câncer, inserindo
atividades práticas em oncologia durante o curso, evitando que expectativas de preencher
lacunas do cuidado oncológico sejam depositadas no estágio curricular supervisionado. Esse
maior contato com pacientes oncológicos também poderá contribuir para a superação de
barreiras relativas ao medo e estigma associados ao câncer e ao paciente oncológico.
Os conteúdos e atividades que tratam do enfrentamento do paciente com câncer devem
ser mantidos na matriz curricular, visto que esse aspecto foi considerado relevante pelos
graduandos de enfermagem.
51
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THULLER, L.C.S.; BERGMANN, A.; FERREIRA, S.C. Ensino em atenção oncológica no
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60
<http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/ensino_atencao_oncologica_brasil.pdf>. Acesso
em: 18 out. 2017.
UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS (UFAL). Escola de Enfermagem e Farmácia.
Projeto Político Pedagógico do Curso de Enfermagem, 2007. Disponível em:
<http://www.ufal.edu.br/unidadeacademica/esenfar/ptbr/graduacao/enfermagem/documentos/ppc-enfermagem.pdf>. Acesso em: 08 out. 2018.
61
5. PRODUTO EDUCACIONAL 1: ARTIGO ORIGINAL
ATENÇÃO ONCOLÓGICA NO ENSINO DE GRADUAÇÃO EM ENFERMAGEM:
UMA PERSPECTIVA DISCENTE.
Resumo
O câncer é considerado um problema de saúde pública no Brasil e no mundo. Atualmente ocupa
a segunda causa de morte por doença no Brasil, com estimativas de 600 mil novos casos da
doença para cada ano do biênio 2018-2019. Mesmo diante desse cenário epidemiológico, os
estudos encontrados sobre essa temática, demonstram que as escolas de enfermagem
incorporam conteúdos de oncologia de forma insuficiente em seus currículos. Esse estudo teve
como objetivo analisar o ensino da oncologia no Curso de Graduação em Enfermagem de uma
Universidade Federal do Nordeste sob a perspectiva discente. Foi realizado um grupo focal com
10 graduandos de enfermagem, buscando apreender a percepção discente sobre a temática em
questão. Para a análise e interpretação dos dados obtidos no grupo focal foi utilizado o
referencial da análise de conteúdo de Bardin com a proposição de cinco categorias analíticas.
Os resultados demonstraram que os graduandos de enfermagem consideram o ensino da
oncologia na formação profissional insuficiente devido ao pouco tempo destinado aos
conteúdos teóricos e atividades práticas em oncologia. Também foi observada uma fragilidade
das ações de atenção oncológica no âmbito da atenção primária. Acredita-se que os resultados
dessa pesquisa poderão contribuir para despertar sobre a necessidade de abordagem de
conteúdos de atenção oncológica na graduação em enfermagem, e servirão de subsídios para
uma adequação curricular na intenção de formar enfermeiros com competências profissionais
para lidar com a realidade epidemiológica do câncer no país e região de atuação.
Palavras-chave: oncologia, educação em enfermagem, currículo, competência profissional.
62
CANCER CARE IN UNDERGRADUATE NURSING EDUCATION: A STUDENT
PERSPECTIVE
Abstract
Cancer is considered a public health problem in Brazil and worldwide. It is currently the second
leading cause of death from disease in Brazil, with approximately 600 thousand new cases of
disease in each year of the 2018-2019 biennium. Even in the face of this epidemiological
scenario, the studies found on this subject show that most nursing schools incorporate oncology
content insufficiently into their curriculum. This study aims to analyze the teaching of oncology
in the Nursing Undergraduate Course of a Federal University of the Northeast of Brazil from
the student perspective. A focal group with 10 undergraduate nursing students was conducted,
seeking to apprehend the student's perception of the theme in question. For the analysis and
interpretation of the data obtained in the focal group, the Bardin content analysis framework
and the proposition of five analytical categories were utilized. The results showed that nursing
undergraduates consider the teaching of oncology in vocational training insufficient due to the
limited time devoted to theoretical contents and practical activities in oncology. There was also
a weakness of oncological care actions in primary healthcare. It is believed that the results of
this research may contribute to arouse the need for approaching oncological care content in
undergraduate nursing, and will serve as a basis for curriculum adequacy in the intention to
train nurses with professional skills to deal with the epidemiological reality of cancer in the
country and region of operation.
Keywords: oncology, nursing education, curriculum, professional competence.
63
5.1. INTRODUÇÃO
Conforme o banco de dados do Projeto GLOBOCAN 2018 da Agência Internacional de
Pesquisa sobre o Câncer (IARC), que fornece estimativas de incidência e mortalidade por
câncer em 185 países, a carga global de câncer é estimada em 18,1 milhões de novos casos no
mundo e 9,8 milhões de mortes em 2018. Um em cada cinco homens e uma em cada seis
mulheres em todo o mundo desenvolverão câncer durante a vida, e um em cada oito homens e
uma em cada 11 mulheres irá à óbito pela doença. Em todo o mundo, o número total de pessoas
dentro dos 5 anos após o diagnóstico de câncer é estimado em 43,8 milhões (IARC, 2018).
As estimativas para o biênio de 2018-2019 no Brasil são de 600 mil novos casos de
câncer para cada ano. No Nordeste estima-se mais de 117 mil novos casos da doença, dentre
estes, mais de 5 mil só em Alagoas (INCA, 2017). O câncer é a segunda causa de morte por
doença em todos os estados brasileiros, perdendo apenas para as doenças cardiovasculares, com
exceção da Bahia, onde o agravo não aparece entre as três principais causas de morte (INCA,
2019).
Os fatores relacionados a incidência do câncer apontam para uma mudança do perfil de
adoecimento da população brasileira nas últimas três décadas, dentre eles, podemos relacionar
à uma maior exposição a agentes cancerígenos resultantes das mudanças no estilo de vida em
decorrência do processo de industrialização e o aumento da expectativa de vida e o
envelhecimento populacional (INCA, 2019).
No Brasil, comparando os gastos de 2008 e 2016, observa-se que o investimento do
Ministério da Saúde em ações para o controle e tratamento do câncer dobrou, passando de R$
1,9 bilhões para R$ 3,8 bilhões. Para cada 1 real gasto em tratamento para o câncer, apenas 0,05
centavos foram investidos em ações de prevenção e controle do câncer (CEPAS, 2018).
Neste sentido, a preocupação com o ensino da oncologia nos cursos da saúde vem
percorrendo algumas décadas, quando os primeiros movimentos de estruturação do ensino da
oncologia nos cursos de graduação em Medicina, Odontologia e Enfermagem se iniciaram
durante o I Simpósio de Educação em Cancerologia em 1987 (GUTIÉRREZ et al, 2009). Em
ocasião da reunião da Comissão Nacional para o Ensino da Oncologia nos Cursos de Graduação
em Enfermagem que aconteceu em 1988, com base nos resultados obtidos sobre o levantamento
da situação do ensino da oncologia nesses cursos, resultou na elaboração de uma proposta de
ensino e implementação de estratégias para a implantação dessa proposta nos cursos de
enfermagem, na tentativa de adequar o ensino à realidade epidemiológica do Brasil (INCA,
2002)
64
As investigações na área após 1997 reafirmaram diagnósticos anteriores, como ensino
restrito a algumas aulas avulsas e experiências práticas esporádicas e a escassez ou falta de
conteúdos teóricos e práticos sobre reabilitação e cuidados paliativos. Em virtude do resultado
dessa investigação ter sido divulgado apenas em 2008, houve uma lacuna entre o ano de 1997
e 2008, causando um distanciamento entre as instituições envolvidas no processo, não havendo
continuidade desses movimentos (GUTIÉRREZ et al, 2009).
Considerando o perfil epidemiológico brasileiro e que as Diretrizes Curriculares
Nacionais do curso de Enfermagem orientam que a formação do enfermeiro seja generalista,
mas capaz de reconhecer e intervir sobre os problemas de saúde-doença mais prevalentes no
perfil epidemiológico brasileiro, é fundamental que as Instituições de Ensino repensem suas
estratégias e prioridades para a formação de novos profissionais que prestarão assistência a uma
população que cresce rapidamente e que cada vez mais irá buscar os serviços de saúde para o
atendimento de suas necessidades. Para tal, é imprescindível uma reflexão acerca da formação
inicial do enfermeiro (CALIL, 2010).
Acredita-se ainda, que os resultados do estudo poderão contribuir para uma adequação
curricular no sentido de formar profissionais mais capacitados para atender as necessidades
epidemiológicas do país e região de atuação. Dessa forma, o estudo tem como objetivo analisar
o ensino da oncologia no curso de graduação em Enfermagem em uma Universidade Federal
do Nordeste.
5.2. METODOLOGIA
Trata-se de uma pesquisa de caráter exploratório, do tipo descritiva-analítica, com
abordagem qualitativa, realizada em uma Universidade Federal do Nordeste, após aprovação
do projeto no Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) sob o parecer nº 2.212.631. A coleta de dados
aconteceu em novembro de 2017 com a realização de um grupo focal com graduandos de
enfermagem, regularmente matriculados e concluintes da disciplina referente ao Estágio
Supervisionado. Foram convidados para participar do grupo todos os 14 graduandos do ano de
2017. Esse momento foi escolhido, pois ao final do curso, os graduandos teriam maior
capacidade de responder sobre a temática em questão. Contudo, vale ressaltar, que contamos
com a participação de 10 graduandos que confirmaram presença anteriormente por contato
verbal.
Devido ao número de graduandos que aceitaram participar da pesquisa, optou-se por
realizar apenas um grupo focal. A transcrição do áudio do grupo focal foi realizada na íntegra
65
e os participantes foram identificados com a letra “G” de graduandos seguido de numeral,
conforme a sequência inicial de participação no grupo. As disciplinas citadas nas discussões
foram identificadas com as letras do alfabeto para evitar qualquer possibilidade de identificação
dos docentes ou da instituição.
Como subsídio teórico-metodológico, as informações produzidas pelas discussões do
grupo focal foram transcritas na íntegra e de forma sequencial e analisadas de acordo com
Bardin (2011). A análise das informações obtidas consistiu em três fases: 1) pré-análise, na qual
foi realizada leitura flutuante, verificação de temas que se repetem e organização do material
por semelhanças; 2) exploração do material, com determinação das categorias, agrupamento
dos temas nas categorias definidas em quadros matriciais e construção da definição de cada
categoria, e 3) tratamento dos resultados – inferência e interpretação, onde se buscou sentido
por trás do que foi apreendido, possibilitando encontrar respostas para a questão norteadora da
pesquisa.
5.3. RESULTADOS
5.3.1. Caracterização dos participantes e categorias analíticas originadas das discussões
do grupo focal.
Todos os participantes foram do sexo feminino entre a faixa etária de 23 a 29 anos e já
haviam concluído o último período do curso. Umas das participantes tinha formação em
Ciências Biológicas (licenciatura) e quatro delas tinham realizado atividades extracurriculares
em oncologia. Com relação ao estágio curricular obrigatório, apenas duas realizaram o estágio
curricular obrigatório na clínica oncológica.
Diante do que foi apreendido a partir dos discursos dos graduandos de enfermagem no
grupo focal e com base no referencial teórico adotado, Bardin (2011), foi possível a elaboração
de 5 (cinco) categorias analíticas para interpretação dos dados empíricos:
1) Conteúdos teóricos e atividades práticas em oncologia;
2) Preparo para lidar com o enfrentamento da pessoa com câncer;
3) Receio de lidar com o paciente oncológico;
4) Estágio curricular e extracurricular versus experiência na atenção
oncológica;
5) Ações de atenção oncológica nas unidades básicas de saúde.
66
5.3.1.1. Categoria 1 – Conteúdos teóricos e atividades práticas em Oncologia
Nesta categoria destacamos os principais pontos originados das falas dos graduandos
quando questionados sobre como percebem o ensino da oncologia na sua formação profissional.
• Pontual e Fragmentado:
Podemos identificar que algumas falas possuem consonância no sentido de
considerarem que os conteúdos teóricos e as atividades práticas em oncologia são pontuais e
fragmentados durante a graduação.
“Eu acho que na formação é muito pontual o que a gente vê. A gente vê mais a
oncologia na Disciplina A, acho que é só durante um período, e é parte da matéria.”
G1
“[...]também acho que é bem pontual [...]. é dentro de uma matéria, dentro da
Disciplina A, que é um mundo e a gente vai pegar um pouquinho da oncologia.” G2
Apesar da proposta de ensino abordar conteúdos teórico-práticos de oncologia durante
a formação, percebe-se que essa prática ainda é concentrada em determinado momento do curso
como parte de uma disciplina, de forma que os graduandos a conceituam como pontual. Nos
relatos que expressam que o ensino da oncologia é fragmentado, entende-se que não existe uma
transversalidade entre esses conteúdos, conforme o que foi expressado na seguinte fala:
“Então, eu vejo técnica em uma disciplina, eu vejo fármacos em outra disciplina, e
na parte de oncologia fica o resto que eu não consigo vivenciar nas outras
disciplinas, que é tá próximo desse paciente dentro dos setores que tem oncologia.”
G3
•
Insuficiente:
Também verificamos nas comunicações analisadas que os conteúdos teórico-práticos de
oncologia são considerados insuficientes devido ao tempo que é destinado para essas atividades
durante a formação, principalmente em relação as atividades práticas.
“Eu acho que a teoria não é ruim, é que ela é insuficiente e a prática também.” G2
“É muito pouca a assistência ao paciente oncológico, tanto a teoria é pouca como a
prática é muito pouca. Eu acho que acaba sendo pouca pelo tempo.” G3
“Eu não tive oportunidade de acompanhar um paciente lá dentro, foi só visita mesmo
[...] o tempo foi muito curto.” G7
67
“Eu acho que a disciplina tenta trazer os aspectos gerais da oncologia e algumas
particularidades que essa pessoa nessa condição precisa ter. Eu acredito que deixa
muito a desejar, principalmente devido ao tempo.” G9
•
Sentimento de Despreparo / Falta de Bagagem:
Percebemos também alguns relatos que demonstram sentimento de despreparo e falta
de “bagagem” em oncologia em resposta à insuficiência de conteúdos teórico-práticos de
oncologia.
[...] eu senti muito receio no começo, justamente por não ter tido tanta experiência
pelo tempo que a disciplina comporta, e aí eu tinha muito receio de como eu ia
conseguir assistir, do que eu precisava saber né.” G9
“Eu não me sinto preparada hoje se precisasse agora trabalhar num setor de pacientes
oncológicos, eu sinceramente não acho que eu tenho bagagem pra isso.” G7
5.3.1.2. Categoria 2 – Preparo para lidar com o enfrentamento da pessoa com câncer
Foi mencionado pelos graduandos que o preparo em oncologia na graduação foi mais
direcionado para lidar com o enfrentamento da pessoa com câncer e sua família em detrimento
aos conteúdos teóricos e atividades práticas na área.
“[...] então, eu acho que as atividades são mais direcionadas pra essa questão do
enfrentamento do que com a parte técnica.” G3
“Acaba que a disciplina dá mais direção ao enfrentamento com a família e com o
paciente e com a situação”. (G4)
“[...] a nossa graduação se volta muito pra essa questão da sensibilização [...] mas a
questão da técnica deixa a desejar e a última coisa que o paciente precisa é só que
você se sensibilize, você precisa saber também o que fazer naquelas situações.” G10
Apesar de considerarem que a formação em oncologia é mais direcionada para lidar com
o enfrentamento da pessoa com câncer e sua família em detrimento aos conteúdos teóricos e
práticos, os graduandos consideram indispensável esse preparo para lidar com aspectos
psicoemocionais dos pacientes oncológicos. Vejamos os relatos:
“A gente pode acompanhar e ver o enfrentamento da família, que é isso o que a
disciplina traz muito pra gente, esse enfrentamento da pessoa, o sofrimento que a
68
pessoa está vivendo, principalmente quando está em cuidados paliativos, de dá uma
atenção devida a esse enfrentamento no momento da vida.” G3
“Eu acho muito essa questão da empatia que a gente falou, e acho que é um dos pontos
principais, eu acho que a gente ganha muito quando a gente trabalha essa questão, mas
se a gente ficar só nessa questão, a gente sai do curso sem saber de nada, entendeu?!”
G4
5.3.1.3. Categoria 3 - Receio de lidar com o paciente oncológico
Foi observado nos discursos um certo receio dos graduandos em lidar com o paciente
oncológico devido à falta de afinidade com a área por considerar o paciente oncológico
vulnerável e debilitado.
“Eu mesma não gostava de oncologia, senti muito medo de trabalhar com oncologia,
porque você já vai na cabeça que é um paciente super vulnerável, a sua
responsabilidade aumenta”. G5
“Eu não me sinto preparada, eu não tenho muita afinidade com a área [...]
principalmente, como a gente sabe que são pacientes tão vulneráveis.” G8
“[...] eu penso que com paciente oncológico, mais ainda, a gente tem que ser mais
assertivo. É um paciente que tá mais debilitado, não dá pra tá treinando com ele, eu
penso assim.” G10
5.3.1.4. Categoria 4 - Estágio curricular e extracurricular versus experiência na atenção
oncológica.
Nos relatos, podemos verificar que os graduandos consideram que o estágio curricular
supervisionado em Hospital Geral, que acontece no final do curso, não possibilita a
aproximação com a oncologia igualmente para todos os graduandos. A carga horária destinada
para esse estágio compreende 500 horas e os graduandos são distribuídos pelos setores do
hospital que são campos de estágio. Cada graduando cumpre o seu estágio integralmente no
mesmo setor.
Vejamos nas falas de graduandos que cumpriram seu estágio em setores não afins com
oncologia, que estes se consideram com pouca experiência na assistência a pacientes com
câncer.
69
“Eu ainda tive menos experiência, porque teve umas meninas que ficaram na clínica
médica e daí elas puderam ter mais, realmente, essa assistência. Eu fiquei na
maternidade, eu não tive essa aproximação.” G1
“No obrigatório da gente eu fiquei na maternidade [...] eu só tive a experiência que a
maioria aqui teve que foram os estágios dentro da disciplina A, que teve o momento
em que a gente ia pro CACON e o momento em que a gente ia pra clínica, pouco
tempo é.” G6
Os graduandos que realizaram o estágio curricular supervisionado na clínica oncológica
e/ou estágio extracurricular em oncologia relatam que se sentem mais preparados para prestar
assistência ao paciente oncológico, tendo em vista que ao acompanhar um paciente com câncer
por um período maior, possibilitou o reconhecimento das demandas inerentes aos pacientes
oncológicos.
“[...] quando você está acompanhando aquele paciente, como teve um paciente que a
gente chegou lá e ele já estava interno, fomos embora e ele continuou, e você
acompanha e vai entendendo as demandas de cada um daqueles pacientes, aí você vê
que é muito diferente.” G10
“Então, eu acho isso, eu saí muito mais preparada, mas foi uma situação que nem todo
mundo tem a opção, teve a oportunidade de vivenciar, mas se fosse só pelo o que a
graduação oportuniza, com certeza eu não me sentiria preparada.” G10
“Eu, quando falei que me sentia mais preparada pra atender, pra ficar numa clínica
oncológica, foi pela experiência que eu tive extracurricular.” G6
5.3.1.5. Categoria 5 - Ações de atenção oncológica nas unidades básicas de saúde.
Os graduandos cumprem 500 horas de estágio supervisionado na atenção básica. Nos
relatos, observamos que existe uma lacuna na atenção básica no que diz respeito à atenção
oncológica. Nas falas, verifica-se o desconhecimento da existência de pacientes oncológicos
nas áreas de cobertura da estratégia de saúde da família ou um distanciamento dos profissionais
no acompanhamento e no cuidado desses pacientes.
“Eu só soube que ela tinha câncer depois que ela saiu e aí a enfermeira comentou
comigo, porque eu achei até estranho, porque durante toda a consulta isso não foi
abordado e achei que era importante já que ela tinha sido uma paciente que tinha
terminado tratamento e tal.” G4
70
“[...] e daí eu fui fazer uma visita a essa moça e ela terminou o tratamento tem uns 15
dias e a abordagem é: não há! Não vou dizer que é ruim, não há! A enfermeira do ESF
nem sabia que existia uma paciente na área dela com câncer de colo uterino.” G5
“[...] a minha enfermeira não sabia qual o motivo dele usar essa sonda e ir
periodicamente trocar, e aí quando ele foi eu perguntei [...] e ele tem câncer de próstata
e isso era desconhecido.” G6
As ações de prevenção e promoção devem acontecer de forma contínua, rotineira e
planejada, considerando as características da população atendida e as características individuais
das famílias acompanhadas. Porém, o que se verifica nos relatos, são ações de prevenção
pontuais, esporádicas ou engessadas.
“Pra mim ficou notório que as mulheres de lá, a maioria que chega lá, só faz a
mamografia em outubro, aí eu digo: mas é o ano inteiro, minha gente!...Só trabalham
o câncer de mama em outubro.” G5
“Todo dia de citologia, só fazia citologia se escutasse a palestra...o tema era sempre
“prevenção do câncer de colo de útero”, eu até dei a ideia, acho que poderia mudar, e
ela (enfermeira): - não, porque toda semana são mulheres diferentes.” G1
5.4. DISCUSSÃO
Os relatos presentes neste estudo apontam um cenário do ensino da oncologia na
graduação em enfermagem caracterizado por conteúdos teórico-práticos pontuais,
fragmentados e insuficientes, se assemelhando à realidade de outras instituições de ensino. Em
se tratando de formação profissional, Calil (2011); Cruz; Rossato (2015); Santos et al (2015);
Rosa et al (2017) corroboram que existe uma lacuna de capacitação de profissionais de
enfermagem na atenção oncológica que advém da graduação, pois, a maioria dos cursos de
graduação em Enfermagem não trata com profundidade os temas relacionados à oncologia e
enfermagem oncológica, mesmo sendo o câncer um problema expressivo de saúde pública e
com estimativas preocupantes.
Luz et al (2016), constataram entre enfermeiros que atuam em unidades hospitalares e
ambulatoriais que prestam atendimentos oncológicos, que durante a graduação, os conteúdos e
estágios em oncologia foram considerados superficiais.
Estudantes de enfermagem do Reino Unido referem que se sentem com déficits de
conhecimentos sobre tratamentos para o câncer e seus efeitos colaterais (EDWARDS et al,
71
2016a). Em outro estudo no Reino Unido, estudantes de enfermagem ao mencionarem sobre o
conteúdo do programa de enfermagem, relatam que gostariam de ter mais conhecimentos sobre
câncer e as manifestações dos tipos mais comuns de câncer (KING-OKOYE, ARBER, 2014).
Sanford et al (2011) afirmam que, a menos que as oportunidades de prestar assistência a
pacientes oncológicos sejam oferecidas, os estudantes de enfermagem podem não ter
consciência dos muitos aspectos positivos e negativos inerentes ao cuidado de pacientes com
câncer em todos os contextos.
A respeito do sentimento de despreparo e falta de “bagagem” apontado no presente
estudo, achados semelhantes foram encontrados em estudo com enfermeiros que atuam na
atenção oncológica, onde foi relatado que durante a formação profissional na graduação, os
conteúdos referentes ao cuidado de pacientes oncológicos foram inexistentes ou insuficientes,
o que gerou um sentimento de despreparo para a assistência ao paciente com câncer por se
considerarem desprovidos de bagagem na área de oncologia (LUZ et al, 2016). Um outro
aspecto discutido, é que o déficit de conhecimento e o pouco contato com a oncologia dificulta
que os futuros profissionais em formação na graduação possam se identificar com a área,
justamente onde há uma carência de atuação (SANFORD et al, 2011; LUZ et al, 2016).
Podemos verificar que o cenário do ensino da oncologia encontrado no presente estudo,
reafirma diagnósticos realizados em estudos anteriores, nos âmbitos nacional e internacional,
nos quais revelam insuficiência de conteúdos teórico-práticos de oncologia nas escolas de
enfermagem. De fato, neste estudo observa-se a persistência do mesmo cenário encontrado em
estudo de Gutierrez; Castro; Aguinaga (1993), no qual constatou que o ensino da oncologia nos
cursos de graduação de enfermagem do Brasil era restrito a aulas avulsas dentro de uma
determinada disciplina e experiências práticas escassas.
Diante desta perspectiva do ensino da oncologia nas escolas de enfermagem, Luz et al
(2016) afirma que se faz necessária uma reflexão sobre a inserção de conteúdos de oncologia
nos currículos de graduação em enfermagem e que esta informação esteja contextualizada no
Projeto Político Pedagógico dos cursos, garantindo, desta forma, uma formação com subsídios
para atuar na atenção oncológica em seu aspecto multidimensional, possibilitando preveni-lo e
combatê-lo.
Um outro aspecto observado nas falas é que o ensino da oncologia na graduação parece
satisfazer os graduandos no tocante a abordagem sobre como lidar com a situação de
enfrentamento da pessoa com câncer e sua família, considerando as questões de finitude da
72
vida. Em contrapartida, outros estudos demonstram resultados divergentes. Silva et al (2015)
apontam dificuldades durante a formação acadêmica devido à falta de preparo para lidar com
situações que envolvem a complexidade do ser humano, processo de morte e morrer e influência
do modelo curativista.
King-Okoye; Arber (2014) reconhecem que estudantes de enfermagem se sentem
despreparados para lidar com as fortes emoções apresentadas pelos pacientes com câncer, como
choro e raiva. Os estudantes relatam que se sentem amedrontados e preocupados em dizer algo
errado para os pacientes. Estudantes de enfermagem em um estudo no Reino Unido sugerem
que há uma falta de preparação quando se trata de confiança para apoiar o diagnóstico de câncer
e más notícias. Reconheceram também o impacto que o câncer tem sobre a pessoa e os membros
da família (EDWARDS et al, 2016b).
Observa-se a importância de se formar profissionais com habilidades para lidar com a
subjetividade. Quando o estudante é colocado em situação de oferecer conforto ao paciente no
final da vida, ele é forçado a transitar por impressões, sentimentos e transferências que serão
impossíveis de simular em sala de aula. É exatamente nesse processo de aprender a lidar com a
subjetividade que o estudante poderá extrair o aprendizado para suprir sua formação teórica.
Essa vivência permite exercitar atitudes de compaixão, respeito, diálogo e práticas terapêuticas
para o controle da dor (COSTA et al, 2016).
Em relação ao sentimento de receio em lidar com o paciente oncológico, alguns estudos
corroboram com os achados na nossa pesquisa. Podemos verificar dois estudos qualitativos
realizados no Reino Unido sobre as experiências de estudantes de enfermagem ao cuidarem de
pessoas com câncer, um deles demonstrou que os estudantes geralmente se sentiam
despreparados em como ser empáticos e consideram difícil lidar com suas próprias emoções e
as emoções dos pacientes (KING-OKOYE; ARBER, 2014). No outro, os estudantes relataram
que não tinham as habilidades necessárias para se comunicar e apoiar pacientes com câncer
(CUNNINGHAM et al, 2016).
Kapucu e Bulut (2019) demonstraram que estudantes de enfermagem geralmente tinham
sentimentos negativos quando prestavam cuidados a pacientes oncológicos, como por exemplo,
preocupação, pena, tristeza. Sanford et a1 (2011); Kav et al (2013); King-Okoye e Arber (2014),
Cunningham et al (2016) constataram que estudantes de enfermagem possuem atitudes
pessimistas em relação ao câncer e o associam ao sofrimento e à morte. Kapucu e Bulut (2017)
verificaram que os estudantes turcos se sentiram afetados negativamente em termos
73
psicológicos, particularmente quando estavam cuidando de pacientes em estágio terminal ou
com dores severas.
Kav et al (2013) constataram que estudantes de enfermagem tinham medo de ferir
fisicamente os pacientes oncológicos. Sanford et al (2011), em um estudo realizado nos EUA,
detectaram que estudantes de enfermagem tinham dificuldade em trabalhar com pacientes
terminais e falar da doença em sua presença, bem como, sentimentos de inadequação.
Cuidar do paciente com câncer requer acolhimento e confiança, estabelecimento de
vínculos, ter habilidades para resolver questões que envolvem os pacientes e sua família, porém,
na maioria das vezes, os profissionais não têm essa habilidade desenvolvida devido a uma
lacuna na formação, inviabilizando a construção de estratégias de enfrentamento (LUZ et al,
2016).
A formação profissional deve envolver também o desenvolvimento de habilidades
relativas ao manejo de pacientes e seus familiares, no que diz respeito a maneira de
enfrentamento do tratamento e sobrevivência ao câncer, conduzindo o profissional a ser capaz
de lidar com os medos, sofrimentos, necessidades biológicas, psicológicas, espirituais e de
saúde/doença (LUZ et al, 2016). Edwards et al (2016b), verificaram que a maioria dos
estudantes de enfermagem reconheceram que a comunicação não é necessariamente uma
habilidade que pode ser ensinada, mas é algo que vem com a experiência, que surge com
exposição crescente a pessoas que vivem com câncer.
Considerando a necessidade de experiências práticas com pacientes oncológicos, apesar
dos graduandos do presente estudo considerarem que o estágio curricular obrigatório que
acontece no último ano do curso não possibilita a aproximação com a oncologia igualmente
para todos os graduandos, vale salientar que o objetivo do estágio curricular supervisionado não
se destina exclusivamente para reparar lacunas específicas do cuidado de enfermagem, que,
porventura, tenham ocorrido durante o percurso, e sim, mais além:
“O estágio supervisionado é compreendido como o momento em que o aluno
experimenta o processo de ser enfermeiro, ainda sob a supervisão dos docentes do
curso. É a etapa em que ele exercita a prática profissional, atuando diretamente nos
cenários de prática, participando ativamente do processo de trabalho, aplicando o
conjunto de conhecimentos adquiridos ao longo do curso, porém, mais do que isso,
exercitando sua capacidade crítica, reflexiva, numa postura que respeita os princípios
éticos
que
sustentam
a
prática
(PPP/ENFERMAGEM, 2007).
profissional,
numa
atitude
propositiva”
74
É preciso considerar que pacientes com câncer não são atendidos exclusivamente em
centros oncológicos e sim em toda a rede de atenção à saúde. Desta forma, pode-se destacar a
urgência na formação de profissionais enfermeiros com competências mínimas para o cuidado
do paciente com câncer em busca de alcançar melhores resultados na qualidade de vida dessas
pessoas (LUZ et al, 2016). No Reino Unido, equipes de enfermagem que trabalham em setores
não especializados relatam a falta de educação e treinamento em relação ao tratamento do
câncer e consideram que essa falta de conhecimento pode impedi-los de prestar os cuidados que
gostariam de dispensar aos pacientes com câncer e suas famílias (EDWARDS et al, 2016b).
Com relação às ações de atenção oncológica nas unidades básicas de saúde, percebe-se
nos resultados encontrados, uma lacuna evidenciada pelo desconhecimento de pacientes
oncológicos nas áreas de cobertura da ESF ou um distanciamento dos profissionais no
acompanhamento e no cuidado dos pacientes oncológicos. Além disso, as ações de prevenção
e promoção à saúde, que deveriam ocorrer de forma contínua e planejada, considerando as
características da população atendida, demonstram ser pontuais, esporádicas ou engessadas.
É justamente na prevenção do câncer, detecção precoce e promoção da saúde que se
concentra a maior atuação do profissional enfermeiro. A atenção básica geralmente é o primeiro
contato do paciente com um profissional da saúde em busca de um acompanhamento de rotina
ou de uma solução para o seu problema de saúde, além de ser o local onde as políticas de
prevenção e controle de agravos são implementadas (SOUZA et al, 2017).
Reforçando o importante papel da atenção básica na prevenção do câncer, a OMS
considera que 40% das mortes por câncer poderiam ser evitadas, reforçando a premissa de que
a prevenção é um componente essencial aos planos de controle do câncer, principalmente na
adoção de medidas para reduzir a exposição a fatores de risco para a doença (INCA, 2011).
As ações de prevenção e controle do câncer necessitam adquirir a mesma intensidade
que a atenção dispensada aos serviços assistenciais de tratamento, visto que o expressivo
aumento de novos casos trazem a perspectiva de que o sistema de saúde pública não tenha
recursos financeiros e humanos para o atendimento das demandas oncológicas do país, situação
que poderá contribuir para mortes prematuras e desnecessárias (INCA, 2015).
Vale salientar, que o enfermeiro da ESF tem uma importante posição na equipe por
destacar-se como o profissional mais preparado e disponível para apoiar e orientar os pacientes
e suas famílias no enfrentamento do processo de doença, tratamento e reabilitação. Sendo assim,
75
a Atenção Básica é caracterizada como um lugar propício para o desenvolvimento de ações de
controle do câncer e para a realização de ações de promoção e prevenção (SOUZA et al, 2017).
Refletindo sobre essa perspectiva preocupante, podemos destacar a importância das
linhas de cuidado para a prevenção e controle do câncer, onde as ações de prevenção e
promoção à saúde devem ser iniciadas prioritariamente na atenção básica, perpassando todos
os níveis de atenção à saúde, de forma transversal e dirigidas aos determinantes sociais do
processo de saúde-doença, com a finalidade de promover a qualidade de vida, melhorar a saúde
da população e controlar as doenças e agravos à saúde (INCA, 2019).
5.5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Apesar do câncer ser um relevante problema de saúde pública, a oncologia muitas vezes
não é contemplada nos currículos generalistas, ou é, mas de forma insuficiente.
O estudo revelou que os graduandos de enfermagem consideram o ensino da oncologia
na graduação pontual, por se concentrar em um determinado momento de uma das disciplinas
do curso, e insuficiente, devido ao pouco tempo destinado para os conteúdos teóricos e
atividades práticas em oncologia.
Constatou-se uma lacuna no aprendizado dos graduandos na atenção oncológica durante
o estágio supervisionado na atenção básica. Essa carência merece especial atenção para ser
investigada em estudos futuros com o objetivo de se compreender as razões para essa
fragilidade, tendo em vista que as ações de prevenção e promoção à saúde são atribuições
prioritárias do enfermeiro na atenção primária.
Podemos afirmar que o cenário do ensino da oncologia encontrado neste estudo não
apresentou mudanças com relação aos resultados apresentados em diversos estudos nacionais
das últimas três décadas, nos quais demonstraram ensino restrito, caracterizado por aulas
avulsas dentro de uma determinada disciplina do curso e experiências práticas escassas.
Desta forma, sugere-se a incorporação de conteúdos teórico-práticos de oncologia de
forma mais consistente na matriz curricular da graduação em enfermagem, podendo ser
utilizada como norteadora a proposta curricular da Comissão Nacional para o Ensino da
Cancerologia na Graduação em Enfermagem, versão final de 1992 ou a síntese dessa proposta
com versão atualizada em 1998 e publicada pelo INCA.
Além disso, é importante garantir uma transversalidade dos conteúdos de oncologia ao
longo do curso e viabilizar a capacitação docente em oncologia utilizando os recursos
76
disponíveis pelo INCA, tais como: cursos à distância, cursos presenciais e publicações
destinadas a docentes, estudantes de graduação e profissionais não especializados na área.
Outro aspecto relevante que deve ser considerado é oportunizar maior contato dos
estudantes de enfermagem com pacientes oncológicos, contribuindo para a superação de
barreiras relativas ao medo e estigma associados ao câncer e ao paciente oncológico.
Entende-se que se fazem necessárias reformulações curriculares no sentido de formar
profissionais mais preparados para lidar com essa realidade epidemiológica do câncer em nosso
país. Contudo, essas reformulações devem partir inicialmente do PPP.
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81
6. PRODUTO EDUCACIONAL 2:
UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
FACULDADE DE MEDICINA
MESTRADO PROFISSIONAL DE ENSINO NA SAÚDE
REGINA BRAGA COSTA
RELATÓRIO TÉCNICO DA PESQUISA - Atenção oncológica no ensino de graduação
em enfermagem: uma perspectiva discente.
MACEIÓ/AL
2019
82
REGINA BRAGA COSTA
RELATÓRIO TÉCNICO DA PESQUISA - Atenção oncológica no ensino de graduação
em enfermagem: uma perspectiva discente.
Relatório Técnico apresentado como um dos
requisitos para obtenção do título de mestre do
Programa de Mestrado Profissional de Ensino na
Saúde da Faculdade de Medicina da Universidade
Federal de Alagoas.
Orientadora: Profª. Drª. Célia Alves Rozendo
MACEIÓ/AL
2019
83
APRESENTAÇÃO
O produto educacional de intervenção apresentado neste Trabalho Acadêmico de
Conclusão de Curso (TACC) constitui-se como pré-requisito para obtenção do título de mestre
pelo Programa de Mestrado Profissional em Ensino na Saúde, ofertado pela Faculdade de
Medicina (FAMED) da Universidade Federal de Alagoas. O produto educacional de
intervenção tem a finalidade de contribuir para transformar a realidade das práticas de ensino
nos locais onde são desenvolvidas as atividades profissionais de cada mestrando.
Diante das ponderações e necessidades evidenciadas a partir da análise dos resultados
da pesquisa intitulada “Atenção oncológica no ensino de graduação em enfermagem: uma
perspectiva discente”, realizada com graduandos de enfermagem da Universidade Federal de
Alagoas, foi possível a elaboração de um relatório técnico da pesquisa como produto
educacional de intervenção, o qual foi apresentado ao Colegiado do Curso de Enfermagem da
referida Instituição.
84
6.1. INTRODUÇÃO
Conforme o banco de dados do Projeto GLOBOCAN 2018 da Agência Internacional de
Pesquisa sobre o Câncer (IARC), que fornece estimativas de incidência e mortalidade por
câncer em 185 países, a carga global de câncer é estimada em 18,1 milhões de novos casos no
mundo e 9,8 milhões de mortes em 2018. Um em cada cinco homens e uma em cada seis
mulheres em todo o mundo desenvolverão câncer durante a vida, e um em cada oito homens e
uma em cada 11 mulheres irá à óbito pela doença. Em todo o mundo, o número total de pessoas
dentro dos 5 anos após o diagnóstico de câncer é estimado em 43,8 milhões (IARC, 2018).
As estimativas para o biênio de 2018-2019 no Brasil são de 600 mil novos casos de
câncer para cada ano. O cálculo global corrigido para o sub-registro estima 640 mil novos casos.
No Nordeste estima-se mais de 117 mil novos casos da doença, sendo 5.050 em Alagoas e 1.840
em Maceió (INCA, 2017). O número de casos prevalentes no Brasil dentro de 5 anos após o
diagnóstico é estimado em 1.307.120 (IARC, 2018). O câncer é a segunda causa de morte por
doença em todos os estados brasileiros, perdendo apenas para as doenças cardiovasculares, com
exceção da Bahia, onde o agravo não aparece entre as três principais causas de morte (INCA,
2019).
Com base no documento World Câncer Report 2014 da International Agency for
Research on Cancer (IARC), da Organização Mundial da Saúde (OMS), é inquestionável que
o câncer é um problema de saúde pública, especialmente entre os países em desenvolvimento,
onde se espera que, nas próximas décadas, o impacto do câncer na população corresponda a
80% dos mais de 20 milhões de casos novos estimados para 2025 (WHO, 2014).
Neste sentido, a preocupação com o ensino da oncologia nos cursos da saúde vem
percorrendo algumas décadas, quando os primeiros movimentos de estruturação do ensino da
oncologia nos cursos de graduação em Medicina, Odontologia e Enfermagem se iniciaram
durante o I Simpósio de Educação em Cancerologia em 1987 (GUTIÉRREZ et al, 2009).
Em ocasião da reunião da Comissão Nacional para o Ensino da Oncologia nos Cursos
de Graduação em Enfermagem que aconteceu em 1988, com base nos resultados obtidos sobre
o levantamento da situação do ensino da oncologia nesses cursos, resultou na elaboração de
uma proposta de ensino e implementação de estratégias para a implantação dessa proposta nos
cursos de enfermagem, na tentativa de adequar o ensino à realidade epidemiológica do Brasil
(INCA, 2002).
85
Estudos realizados na década de 80 e 90 por Rodrigues & Queiroz (1988) e Cezareti et
al (1991) constataram a inexistência de um programa básico comum entre as escolas de
enfermagem para capacitar o futuro enfermeiro para atuar de forma competente na atenção
oncológica.
Gutierrez; Castro; Aguinaga (1993), investigaram dados sobre o ensino da oncologia
em 96 escolas de enfermagem do país a partir de um questionário enviado aos diretores dos
cursos de graduação em enfermagem. Desse total, 60 escolas de enfermagem responderam ao
questionário, 55 delas informaram que ministravam conteúdos de oncologia e 5 informaram
não ministrar. Foi verificado que a inclusão dos conteúdos de oncologia ocorre, principalmente,
com aulas avulsas ministradas dentro do programa da disciplina, palestras informais ou
ocasionais, que geralmente se concentram na disciplina de Enfermagem Médico-Cirúrgica,
enquanto na disciplina de Saúde Pública foi observada pouca relevância. Mais da metade das
escolas apresentam os conteúdos de oncologia ministrados de forma “estanque ou isolada” em
cada disciplina.
As investigações na área após 1997 reafirmaram diagnósticos anteriores, como ensino
restrito a algumas aulas avulsas e experiências práticas esporádicas e a escassez ou falta de
conteúdos teóricos e práticos sobre reabilitação e cuidados paliativos (GUTIÉRREZ et al,
2009). E estudos mais recentes investigaram como estudantes de enfermagem e enfermeiros se
sentiam ao prestarem assistência ao paciente oncológico e nos relatos foi possível constatar a
queixa sobre a abordagem insuficiente de conteúdos de atenção oncológica durante a graduação
(CRUZ; ROSSATO, 2015; LUZ et al, 2016; ROSA et al, 2017; SANTOS et al, 2015; COSTA
et al, 2016; SOUZA et al, 2017).
As Diretrizes Curriculares Nacionais do curso de Enfermagem conduzem sua proposta
de formação do enfermeiro generalista, porém, que este seja capaz de conhecer e intervir sobre
os problemas/situações de saúde-doença mais prevalentes no perfil epidemiológico da
população brasileira e da sua região de atuação (MEC, 2001).
Portanto, considerando o perfil epidemiológico brasileiro, é fundamental que as
Instituições de Ensino repensem suas estratégias e prioridades para a formação de novos
profissionais que prestarão assistência a uma população que cresce rapidamente e que cada vez
mais irá buscar os serviços de saúde para o atendimento de suas necessidades. Para tal, é
imprescindível uma reflexão acerca da formação inicial do enfermeiro (CALIL, 2010).
Diante do contexto apresentado, esta pesquisa teve relevância no fato de fomentar
discussões acerca dos conhecimentos que envolvem a formação do enfermeiro para atuar na
atenção oncológica, promovendo uma reflexão sobre a temática em questão. Acredita-se ainda,
86
que os resultados do estudo poderão contribuir para uma adequação curricular no sentido de
formar profissionais mais capacitados para atender as necessidades epidemiológicas do país e
região de atuação.
6.2. OBJETIVOS
•
Apresentar os resultados da pesquisa às instâncias gestoras do curso de
Enfermagem estudado;
•
Contribuir para a discussão da temática no curso;
•
Contribuir para a revisão curricular de conteúdos teórico-práticos de oncologia
na graduação em Enfermagem.
6.3. METODOLOGIA
A referida pesquisa de caráter qualitativo teve como objetivo analisar o ensino da
oncologia na graduação em enfermagem e foi realizada por meio de grupo focal com 10
graduandos de enfermagem do ano de 2017, concluintes da disciplina de Estágio
Supervisionado em Hospital Geral e Unidade Básica de Saúde II. Este momento foi escolhido,
pois ao final do curso, os graduandos teriam maior capacidade de expressar suas percepções
sobre a questão norteadora da pesquisa: Como os graduandos de enfermagem percebem o
ensino da oncologia na formação do enfermeiro para atuar com o cliente oncológico?
Também foi analisado o Projeto Político Pedagógico do Curso (PPP) em busca de
verificar como se dá a representação do ensino da oncologia no referido curso. Utilizamos as
Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) para o curso de Enfermagem e a obra de Kramer
(1997) que traz subsídios para uma análise crítica de propostas curriculares ou pedagógicas.
O grupo focal foi conduzido pela pesquisadora e as discussões foram gravadas em áudio
com autorização dos participantes. As falas foram transcritas na íntegra e de forma sequencial
e analisadas sob a perspectiva da análise de conteúdo de Bardin (2011). Todos os participantes
foram esclarecidos sobre os objetivos e procedimentos da pesquisa, e em consonância, todos
assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). O projeto foi aprovado pelo
Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da Universidade Federal de Alagoas (UFAL) pelo parecer
nº 2.212.631.
87
6.4. RESULTADOS
6.4.1. Resultados obtidos a partir da análise do Projeto Político Pedagógico
Foi verificado na introdução do PPP que para a revisão e atualização do documento
foram consideradas como referências principais, a realidade de saúde do país e como o Brasil
vem respondendo à essa realidade com suas políticas de saúde. Na justificativa do PPP, os
cânceres são mencionados como agravos de altos índices da sociedade mais desenvolvida e
considerados na atualização da proposta pedagógica do curso. Não foram encontradas mais
informações referentes ao câncer no documento.
Apesar das informações encontradas sobre o perfil epidemiológico como norteador da
elaboração do PPP, não foi verificada contextualização da magnitude do câncer no Brasil e seu
impacto na assistência à saúde, considerando os desafios frente a uma população que adoece e
morre por câncer. Tais informações contextualizadas seriam de fundamental importância ao
PPP, destacando a problemática deste agravo no país e a relevância de conteúdos relacionados
ao câncer na matriz curricular.
O texto deixa claro que o perfil do egresso que se pretende formar está orientado no
desenvolvimento de habilidades para reconhecer e intervir sobre as necessidades de saúde da
população. Nas especificações das competências é evidenciado o preparo do egresso para as
ações de cura, prevenção, promoção e reabilitação da saúde nos diferentes níveis de
complexidade do sistema, considerando as especificidades da região e seu perfil
epidemiológico, embora não haja menção específica ao câncer.
Apesar do curso ter a formação pautada no perfil epidemiológico da população, não se
faz menção sobre o preparo do profissional para atuar na atenção oncológica, assim também
como não se observa nas DCN.
A respeito dos aspectos estruturais para viabilização da proposta do curso, podemos
citar a utilização de situações-problemas e de relatos de prática com a finalidade de promover
o desenvolvimento de uma aprendizagem significativa. Os cenários de prática diversificados
são inseridos durante o decorrer do curso, com diferentes graus de complexidade, propiciando
o desenvolvimento de ações integrais à saúde, na tentativa de se evitar a fragmentação do
ensino, porém não é observada nenhuma referência à atenção oncológica no documento.
Apesar do documento analisado não reportar sobre atividades práticas ou conteúdos em
oncologia, as metodologias e os cenários de prática propostos pelo PPP são propícios para o
desenvolvimento de competências relativas à atenção oncológica nos diferentes níveis de
88
complexidade, principalmente quando se trata das áreas de saúde comunitária, saúde da criança,
da mulher, do adulto e do idoso.
6.4.2. Resultados obtidos a partir das discussões do Grupo Focal com Graduandos de
Enfermagem
Todos os participantes foram do sexo feminino entre a faixa etária de 23 a 29 anos e já
haviam concluído o último período do curso. Umas das participantes tinha formação em
Ciências Biológicas (licenciatura) e quatro delas tinham realizado atividades extracurriculares
em oncologia. Com relação ao estágio curricular obrigatório, apenas duas realizaram o estágio
curricular obrigatório na clínica oncológica.
Diante do que foi apreendido a partir dos discursos dos graduandos de enfermagem no
grupo focal e com base no referencial teórico adotado, Bardin (2011), foi possível a elaboração
de 5 (cinco) categorias analíticas para interpretação dos dados empíricos:
1) Conteúdos teóricos e atividades práticas em oncologia;
2) Preparo para lidar com o enfrentamento da pessoa com câncer;
3) Receio de lidar com o paciente oncológico;
4) Estágio curricular e extracurricular versus experiência na atenção
oncológica;
5) Ações de atenção oncológica nas unidades básicas de saúde.
Na categoria 1, que tratou sobre conteúdos teóricos e atividades práticas em oncologia,
podemos identificar que algumas falas possuem consonância no sentido de considerarem que
os conteúdos teóricos e as atividades práticas em oncologia são pontuais e fragmentados.
Também verificamos nas comunicações analisadas que os conteúdos teórico-práticos de
oncologia são considerados poucos ou insuficientes devido ao tempo que é destinado para essas
atividades durante a formação, principalmente em relação as atividades práticas. Percebemos
também alguns relatos que demonstram sentimento de despreparo e falta de “bagagem” em
oncologia.
Segundo os relatos dos graduandos, algumas disciplinas são extensas e/ou repetitivas,
enquanto a abordagem em oncologia é considerada insuficiente e as atividades práticas
resumidas a uma visita ao Centro de Alta Complexidade em Oncologia. A disciplina
89
considerada extensa pelos graduandos é referente à saúde da mulher e a disciplina considerada
extensa e repetitiva é referente à saúde e sociedade. Nos surpreende não ter sido mencionado
pelos graduandos a abordagem do câncer ginecológico na disciplina de saúde da mulher, talvez
em razão da disciplina ter maior concentração nas questões de saúde reprodutiva feminina.
Na categoria 2 que abordou sobre o preparo para lidar com o enfrentamento da pessoa
com câncer, foi mencionado pelos graduandos que o preparo em oncologia na graduação foi
mais direcionado para lidar com o enfrentamento da pessoa com câncer e sua família, deixando
uma carência nos conteúdos teóricos e atividades práticas na área.
Apesar de considerarem que a formação em oncologia é mais direcionada para lidar com
o enfrentamento da pessoa com câncer e sua família em detrimento aos conteúdos teóricos e
práticos, os graduandos consideram indispensável esse preparo para lidar com aspectos
psicoemocionais dos pacientes oncológicos.
Na categoria 3, que tratou sobre o receio de lidar com o paciente oncológico, foi
observado nos discursos um certo receio dos graduandos em lidar com o paciente oncológico
devido à falta de afinidade com a área por considerar o paciente oncológico vulnerável e
debilitado. O pouco contato dos estudantes com pacientes oncológicos pode contribuir para o
medo e estigma com relação ao câncer e o paciente oncológico.
Na categoria 4 que tratou sobre estágios curricular obrigatório e extracurricular, nos
relatos, podemos verificar que os graduandos consideram que o estágio curricular
supervisionado em Hospital Geral, que acontece ao final do curso, não possibilita a
aproximação com a oncologia igualmente para todos os graduandos. Nos relatos de graduandos
que cumpriram seu estágio em setores não afins com oncologia, demonstram que estes se
consideram com pouca experiência na assistência a pacientes com câncer.
Os graduandos que realizaram o estágio curricular supervisionado na clínica oncológica
e/ou estágio extracurricular em oncologia relatam que se sentem mais preparados para prestar
assistência ao paciente oncológico, tendo em vista que ao acompanhamento de um paciente
com câncer por um período maior, possibilitou o reconhecimento das demandas inerentes aos
pacientes oncológicos, além disso, também mencionaram que o estágio nesses setores
proporcionou mais oportunidades de praticar as técnicas e procedimentos pertinentes à
enfermagem.
90
Na categoria 5 que abordou sobre as ações de atenção oncológica nas unidades básicas
de saúde, ao serem questionados sobre como percebem as ações de atenção oncológica nas
unidades básicas de saúde, observamos nos relatos que existe uma lacuna neste sentido. Nas
falas, verifica-se o desconhecimento da existência de pacientes oncológicos nas áreas de
cobertura da estratégia de saúde da família ou um distanciamento dos profissionais no
acompanhamento e no cuidado desses pacientes.
Quando questionados sobre as ações de prevenção e promoção à saúde nas unidades de
atenção básica, verificamos nos relatos dos graduandos de enfermagem, que as ações de
prevenção e promoção à saúde são pontuais, esporádicas ou engessadas, como por exemplo:
ações de atenção oncológica apenas no outubro rosa, apenas um tema específico de prevenção
abordado nas palestras em sala de espera.
6.5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Percebe-se que o PPP segue a orientação generalista estabelecida nas DCN, onde o
câncer é tratado de forma implícita, mesmo sendo este um problema de saúde pública no Brasil.
Os resultados do grupo focal demonstraram que os graduandos de enfermagem
consideram o ensino da oncologia na graduação pontual, por se concentrar em determinado
momento em uma das disciplinas do curso, e insuficiente, devido ao pouco tempo destinado
para os conteúdos teóricos e atividades práticas em oncologia. Os graduandos que realizaram
estágio curricular ou extracurricular em setores afins com oncologia, sentem-se mais
preparados para cuidar de pessoas com câncer, pois ao acompanharem um paciente oncológico
por um período maior, possibilitou a eles reconhecerem e entenderem as demandas inerentes a
esse tipo de paciente. Além disso, um maior contato dos estudantes de enfermagem com
pacientes oncológicos contribui para transpor a barreira do estigma e do medo frente ao câncer.
Constatou-se uma lacuna no aprendizado dos graduandos de enfermagem na atenção
oncológica durante o estágio supervisionado na atenção básica. Justo na atenção básica onde as
ações de prevenção e promoção à saúde compõem uma das mais importantes atribuições do
enfermeiro, observou-se nos relatos uma grande fragilidade neste sentido. Essa carência merece
especial atenção para ser investigada em estudos futuros com o objetivo de se compreender as
razões para essa fragilidade.
Podemos afirmar que o cenário do ensino da oncologia encontrado neste estudo não
apresentou mudanças com relação aos resultados apresentados em diversos estudos nacionais
91
das últimas três décadas, nos quais demonstraram ensino restrito, caracterizado por aulas
avulsas dentro de uma determinada disciplina do curso e experiências práticas escassas.
Entende-se que se fazem necessárias reformulações curriculares no sentido de
incorporar conteúdos teórico-práticos de oncologia de forma mais consistente na proposta
pedagógica com a intenção de formar profissionais mais preparados para lidar com a realidade
epidemiológica do câncer em nosso país. Contudo, essas reformulações devem partir
inicialmente do PPP.
6.6. RECOMENDAÇÕES
A partir dos resultados apresentados e diante da problemática do câncer no Brasil,
recomenda-se a esta escola buscar uma reorganização e incorporação de conteúdos téoricopráticos de oncologia na matriz curricular, na tentativa de melhor atender as demandas
epidemiológicas do câncer no país e região de atuação e que esta representação se dê
inicialmente no Projeto Político Pedagógico do Curso. Algumas ações são recomendadas para
garantir esta implementação:
•
Incorporação de conteúdos teórico-práticos de oncologia de forma mais
consistente na matriz curricular, podendo ser utilizada como norteadora a
proposta curricular da Comissão Nacional para o Ensino da Cancerologia na
Graduação de Enfermagem, versão final de 1992 (Anexo 3), ou a síntese dessa
proposta com versão atualizada em 1998 e publicada no livro-texto do INCA,
intitulado “Ações de Enfermagem para o controle do câncer” de 2002 (anexo 4);
•
Garantir uma transversalidade dos conteúdos de oncologia ao longo do curso;
•
Capacitação Docente em Oncologia utilizando os recursos disponíveis pelo
Instituto Nacional do Câncer (INCA), tais como: cursos à distância, cursos
presenciais, publicações destinadas a docentes e profissionais não especializados
na área;
•
Convidar enfermeiros especialistas ou com experiência na área de oncologia
para ministrar aulas no curso de graduação;
•
Oferecer oportunidades para que os estudantes acompanhem e prestem cuidados
a pacientes com câncer, inserindo atividades práticas em oncologia durante o
92
curso, evitando que expectativas de preencher lacunas do cuidado oncológico
sejam depositadas no estágio curricular supervisionado;
•
Proporcionar um maior contato dos estudantes com pacientes oncológicos como
forma de auxiliar na superação de barreiras relativas ao medo e estigma
associados ao câncer e ao paciente oncológico;
•
Manter conteúdos e atividades que tratem do enfrentamento do paciente com
câncer, visto que esse aspecto foi considerado relevante pelos graduandos;
•
Investigar as causas da lacuna nas ações de atenção oncológica no contexto da
atenção primária com a finalidade de promover um plano de intervenção durante
os estágios supervisionados, garantindo uma continuidade das ações de
prevenção e promoção à saúde;
•
Averiguar as demandas de capacitação em oncologia dos enfermeiros da atenção
primária e propor intervenções durante os estágios supervisionados.
93
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96
7. CONSIDERAÇÕES FINAIS DO TRABALHO ACADÊMICO
A análise documental do PPP revelou que o câncer é tratado de forma implícita,
seguindo a orientação generalista estabelecida nas DCN. Mesmo sendo o câncer um problema
de saúde pública, essa temática muitas vezes não é contemplada no currículo generalista ou é,
mas de forma insuficiente. Esse achado reforça os resultados qualitativos apreendidos a partir
das discussões do grupo focal.
O estudo demonstrou a percepção dos graduandos de enfermagem sobre o ensino da
oncologia na formação profissional. Foi possível identificar que o ensino em oncologia na
graduação em enfermagem foi considerado pontual, por se concentrar em um determinado
momento de uma das disciplinas do curso, e insuficiente, devido ao pouco tempo destinado
para os conteúdos teóricos e atividades práticas em oncologia.
Constatou-se uma lacuna no aprendizado dos graduandos de enfermagem relativa à
atenção oncológica durante o estágio supervisionado na atenção básica. Essa carência merece
ser investigada em estudos futuros com o objetivo de se compreender as razões para essa
fragilidade da atenção oncológica no âmbito da atenção básica.
Podemos afirmar que o cenário do ensino da oncologia encontrado neste estudo não
apresentou mudanças com relação aos resultados apresentados em diversos estudos nacionais
das últimas três décadas, nos quais demonstraram ensino restrito, caracterizado por aulas
avulsas dentro de uma determinada disciplina do curso e experiências práticas escassas.
O presente estudo possibilitou a elaboração de um artigo científico para fins de
publicação e um relatório técnico que foi entregue ao Colegiado do referido curso para
apresentação dos resultados da pesquisa às instâncias gestoras do curso, contribuir com as
discussões sobre a temática e oferecer algumas recomendações.
Desta forma, sugere-se a incorporação de conteúdos teórico-práticos de oncologia de
forma mais consistente na matriz curricular, podendo ser utilizada como norteadora a proposta
curricular da Comissão Nacional para o Ensino da cancerologia na Graduação em Enfermagem,
versão final de 1992 (Anexo 3), ou a síntese dessa proposta com versão atualizada em 1998 e
publicada no livro-texto do INCA, intitulado “Ações de Enfermagem para o Controle do
Câncer” de 2002 (Anexo 4).
Além disso, é importante garantir uma transversalidade dos conteúdos de oncologia ao
longo do curso e viabilizar a capacitação docente em oncologia utilizando os recursos
97
disponíveis pelo INCA, tais como: cursos à distância, cursos presenciais e publicações
destinadas a docentes, estudantes de graduação e profissionais não especializados na área.
Outro aspecto relevante que deve ser considerado é oferecer oportunidades para que
estudantes de enfermagem acompanhem e prestem cuidados a pacientes com câncer, inserindo
atividades práticas em oncologia durante o curso, evitando que expectativas de preencher
lacunas do cuidado oncológico sejam depositadas no estágio curricular supervisionado. Esse
maior contato com pacientes oncológicos também poderá contribuir para a superação de
barreiras relativas ao medo e estigma associados ao câncer e ao paciente oncológico.
Os conteúdos e atividades que tratam do enfrentamento do paciente com câncer devem
ser mantidos na matriz curricular, visto que esse aspecto foi considerado relevante pelos
graduandos de enfermagem.
Considerando que não houve mudanças no cenário de ensino da oncologia nas escolas
de enfermagem do Brasil, inclusive na escola estudada, além da alta incidência e mortalidade
por câncer no país e aumento da sobrevida de pessoas diagnosticadas com essa doença, cada
vez mais enfermeiros irão se deparar com pessoas vivendo e lidando com o câncer como uma
condição crônica. Frente a esta situação, entende-se que se fazem necessárias reformulações
curriculares no sentido de formar profissionais mais preparados para lidar com essa realidade
epidemiológica do câncer em nosso país. Contudo, essas reformulações devem partir
inicialmente do PPP.
98
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107
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<http://www.ufal.edu.br/unidadeacademica/esenfar/ptbr/graduacao/enfermagem/documentos/ppc-enfermagem.pdf>. Acesso em: 08 out. 2018.
108
APÊNDICES
109
APÊNDICE A:
Este documento descreve o procedimento de revisão bibliográfica adotado nesta pesquisa,
explicitando as opções e os critérios utilizados.
A presente pesquisa teve início com a formulação do objeto de estudo e a partir dele foi
realizada uma revisão da literatura na intenção de contextualizar a temática da atenção
oncológica no ensino de graduação em enfermagem.
As referências bibliográficas utilizadas incluíram livros, dissertações, teses, artigos
científicos, legislações, resoluções, documentos, pareceres e projeto político pedagógico do
curso de enfermagem estudado. Essas referências foram adquiridas mediante pesquisa nas bases
de dados da Bireme (Lilacs, Scielo e Medline), PubMed e Periódicos Capes. Essas bases de
dados foram escolhidas por possuírem maior número de publicações na área de saúde. Também
foram utilizadas referências sugeridas e/ou cedidas por professores do programa de mestrado e
por autores de artigos, após contato via endereço eletrônico.
Para a realização dessas buscas nas bases de dados foram utilizados os seguintes
descritores: oncologia, educação em enfermagem, currículo, competência profissional. Foi
realizado cruzamento dos descritores em cada uma das bases de dados mencionadas acima, na
tentativa de encontrar o maior número possível de referências relativas à temática proposta no
estudo.
110
APÊNDICE B:
ROTEIRO PARA O GRUPO FOCAL
•
Boas vindas, agradecimentos e apresentação da pesquisa;
•
Preenchimento da ficha com dados para caracterização dos participantes:
▪
Idade
▪
Sexo
▪
Possui outra formação?
▪
Realizou alguma atividade extracurricular em oncologia durante a
graduação?
•
Apresentação da dinâmica do grupo focal e pactuação das regras para o bom
andamento do grupo;
•
Leitura e assinatura do TCLE pelos participantes.
Orientação:
O mediador do grupo inicia a fala agradecendo a participação de todos e informando
sobre:
•
Os objetivos da pesquisa e suas contribuições;
•
O sigilo de todo o material qualitativo coletado no grupo focal;
•
O caráter voluntário da participação, cada fala será bem-vinda, a não existência
de respostas “certas ou erradas”, regras de funcionamento do grupo, pedido de permissão para
gravar as discussões e tomar notas que possam enriquecer a análise da pesquisa;
•
Fazer apresentação da equipe e suas funções (mediador das discussões do grupo
e observador)
•
Rodada de apresentação;
•
Perguntas provocadoras:
•
Como vocês percebem o ensino da oncologia na sua formação para atuar com a
pessoa que tem câncer?
•
Na sua opinião, o curso fornece subsídios para você atuar junto a pessoa que tem
câncer? Justifique sua opinião.
•
Como foi a experiência de vocês na atenção básica com relação a oncologia?
•
Lanche de confraternização
111
ANEXOS
112
ANEXO 1
113
114
115
116
ANEXO 2
TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO (T.C.L.E)
(Em 2 vias, firmado por cada participante voluntário(a) da pesquisa e pelo responsável)
“O respeito devido à dignidade humana exige que toda pesquisa se
processe após o consentimento livre e esclarecido dos sujeitos,
indivíduos ou grupos que por si e/ou por seus representantes legais
manifestem a sua anuência à participação na pesquisa.”
Eu
______________________________________________________________tendo sido
convidado(a) a participar como voluntário(a) do estudo: Protocolo de Pesquisa: “O ENSINO
DA ONCOLOGIA NO CURSO DE GRADUAÇÃO DE ENFERMAGEM DA
UNIVERSIDADE DE ALAGOAS”, que será realizado na Universidade Federal de Alagoas
(UFAL), situada em Maceió, recebi da Sra. Regina Braga Costa (mestranda e pesquisadora
responsável) e da Profa Dra. Célia Alves Rosendo (orientadora da pesquisa) as seguintes
informações que me fizeram entender sem dificuldades e sem dúvidas os seguintes aspectos:
1) Que o estudo se destina a Analisar e Discutir o ensino da oncologia na graduação de
enfermagem da Universidade Federal de Alagoas a partir da percepção dos graduandos de
enfermagem sobre a abordagem dessa temática durante sua formação.
2) Que a importância do estudo reside em investigar como vem ocorrendo o ensino da
oncologia na graduação de enfermagem da UFAL, considerando que o câncer hoje é um
problema de saúde pública, ocupando o segundo lugar entre as causas de morte por doença no
país; considerando, também, o propósito delineado nas Diretrizes Curriculares Nacionais do
Curso de Enfermagem, na qual estabelece o perfil do profissional generalista, porém capaz de
identificar e intervir nos problemas de saúde mais prevalentes no perfil epidemiológico do país
e da sua região, no qual reflete a problemática do câncer. O estudo poderá favorecer a uma
reflexão sobre a necessidade dessa temática para a formação de enfermeiros.
3) Que os resultados que se desejam alcançar são: Conhecer a percepção dos graduandos de
enfermagem sobre o ensino da oncologia na formação do enfermeiro para atuar com a pessoa
portadora de câncer, verificando como vem ocorrendo a abordagem dessa temática no curso de
enfermagem da UFAL a partir das experiências vividas pelos graduandos. Os resultados da
117
pesquisa poderão proporcionar uma reflexão sobre a temática em questão e promover o
delineamento de conteúdos de atenção oncológica necessários a formação do enfermeiro.
4) Que este estudo começará em abril de 2017 e terminará em abril de 2018.;
5) Que eu participarei do estudo da seguinte maneira: concedendo minha participação no grupo
focal proposto pela pesquisadora, no local e data marcados. A pesquisadora fará primeiro uma
conversa informal comigo, se apresentando, falando a respeito da pesquisa e respeitando a
minha liberdade para fazer as perguntas que achar conveniente. Depois decidirei sobre minha
participação, considerando o local e data pré-determinados, nesse momento será apresentado
previamente a mim o aparelho eletrônico que será utilizado;
6) Que os possíveis riscos à minha saúde física e mental são: risco de me cansar, entediar ou
me emocionar durante a entrevista, de me sentir incomodado, preocupado ou com medo de ser
prejudicado pelos professores do curso caso as respostas não os agradem, de me sentir
constrangido de me expressar em grupo, vergonha de confessar esquecimento sobre os assuntos
questionados, constrangimento por não poder ajudar como gostaria;
7) Que os pesquisadores adotarão as seguintes medidas para minimizar os riscos: a pesquisadora
realizará o grupo focal em local neutro, fora do horário e local de estágio, respeitará o meu
momento no grupo, permitirá um ambiente e diálogo de forma a me sentir confortável, ouvirá
meus argumentos; e terei a garantia de que os professores do curso ou qualquer outra pessoa
não saberão o que respondi nas discussões em grupo.
8) Que os benefícios que deverei esperar com a minha participação, mesmo que não diretamente
são: o sentimento de ter dado voz às minhas angústias, inquietações e contentamentos no que
se refere ao ensino da oncologia na minha graduação. Falando sobre este assunto, por meio
deste estudo, após a publicação dos resultados poderá haver alguma sensibilização que
contribua para que a instituição de ensino em questão repense sobre a formação do enfermeiro
diante do atual cenário epidemiológico do câncer no nosso país e possa favorecer com
contribuições para uma reorganização dos conteúdos de oncologia necessários à formação do
enfermeiro.
9) Que, sempre que desejar, serão fornecidos esclarecimentos sobre cada uma das etapas do
estudo, que, a qualquer momento, eu poderei recusar a continuar participando do estudo e,
também, que eu poderei retirar este meu consentimento, sem que isso me traga qualquer
penalidade ou prejuízo;
118
10) Que as informações conseguidas através de minha participação não permitirão a
identificação da minha pessoa, exceto aos responsáveis pelo estudo, e que a divulgação das
mencionadas informações só será feita entre os profissionais estudiosos do assunto, com
garantia do meu total anonimato;
11) Que o estudo não acarretará nenhuma despesa para mim enquanto participante da pesquisa
nem me renderá nenhum tipo de remuneração.
12) Que eu serei indenizado por qualquer dano que venha a sofrer com a participação na
pesquisa, podendo a reclamação ser encaminhada para o Comitê de Ética em Pesquisa da
Universidade Federal de Alagoas. Os recursos necessários para este tipo de despesa serão de
responsabilidade das pesquisadoras.
Finalmente, tendo eu compreendido perfeitamente tudo o que me foi informado sobre a minha
participação no mencionado estudo e, estando consciente dos meus direitos, das minhas
responsabilidades, dos riscos e dos benefícios que a minha participação implica, concordo em
dela participar e, para tanto eu DOU O MEU CONSENTIMENTO SEM QUE PARA ISSO EU
TENHA SIDO FORÇADO OU OBRIGADO.
Endereço d(o,a) participante-voluntári(o,a)
Domicílio: (rua, praça, conjunto):
Bloco: /Nº: /Complemento:
Bairro: /CEP/Cidade: /Telefone:
Ponto de referência:
Contato de urgência: Sr(a). Regina Braga Costa
Domicílio (rua, praça, conjunto): Rua Jornalista Noaldo Dantas, 50
Bloco: Quadra F /Complemento: Condomínio Bosque das Bromélias
Bairro: Serraria
/CEP/ 57046-475
Cidade: Maceió
Telefone: (82)3328-1503
Ponto de referência: Final da rua na esquina do Colégio Santíssimo Senhor
Endereço dos responsáveis pela pesquisa (OBRIGATÓRIO):
Instituição: Universidade Federal de Alagoas
Endereço completo: Av. Lourival Melo Mota, s/n, Tabuleiro dos Martins, CEP:57072-900,
Maceió – AL. Complemento: Faculdade de Medicina – FAMED
Endereço de Regina Braga Costa - Rua Jornalista Noaldo Dantas, 50, Condomínio Bosque das
Bromélias, Quadra F, Serraria, CEP 57046-475, Maceió/AL
Telefones p/contato: Regina Braga Costa (82) 98114-1313
119
ATENÇÃO: Para informar ocorrências irregulares ou danosas durante a sua participação no
estudo, dirija-se ao: Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Alagoas
Prédio da Reitoria, sala do C.O.C. , Campus A. C. Simões, Cidade Universitária.
Telefone: 3214-1041
Maceió, ______ de ______________ de 201__.
CÉLIA ALVES ROSENDO
Orientadora – Pesquisadora
(Assinatura ou impressão datiloscópica
d(o,a) voluntári(o,a) ou resposável legal
_________________________________
- Rubricar as demais folhas)
REGINA BRAGA COSTA
Mestranda - Pesquisadora
120
ANEXO 3
121
122
123
124
125
126
127
128
129
130
131
132
133
134
ANEXO 4
135
136
137
