Defesa em: 23/04/2026
PRECEPTORIA EM SAÚDE E AS ESTRATÉGIAS EDUCACIONAIS DE ENSINO: REVISÃO INTEGRATIVAAutor: ALMIR JABES DOS SANTOS JUNIOR
TACC_-_ALMIR_JABES.pdf
Documento PDF (4.4MB)
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UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS – UFAL
FACULDADE DE MEDICINA – FAMED
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENSINO NA SAÚDE
MESTRADO PROFISSIONAL EM ENSINO NA SAÚDE – MPES
ALMIR JABES DOS SANTOS JUNIOR
PRECEPTORIA EM SAÚDE E AS ESTRATÉGIAS EDUCACIONAIS
DE ENSINO: REVISÃO INTEGRATIVA
MACEIÓ-AL
2026
ALMIR JABES DOS SANTOS JUNIOR
PRECEPTORIA EM SAÚDE E AS ESTRATÉGIAS EDUCACIONAIS
DE ENSINO: REVISÃO INTEGRATIVA
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Programa de
Pós-graduação em Ensino na Saúde, Mestrado Profissional em
Ensino na Saúde da Faculdade de Medicina da Universidade
Federal de Alagoas, como requisito para a obtenção do título de
Mestre em Ensino na Saúde.
Linha de pesquisa: integração, ensino, serviço de saúde e
comunidade.
Orientadora: Profª. Drª. Celia Maria Silva Pedrosa
Coorientadora: Profª. Drª. Maria Viviane Lisboa de Vasconcelos
MACEIÓ-AL
2026
Catalogação na Fonte
Universidade Federal de Alagoas
Biblioteca Central Divisão de
Tratamento Técnico
Bibliotecário: Marcelino de Carvalho Freitas Neto – CRB-4 – 1767
S237p
Santos Junior, Almir Jabes dos.
Preceptoria em saúde e as estratégias educacionais de ensino: revisão
integrativa / Almir Jabes dos Santos Junior. – 2025.
70 f.: il.
Orientadora: Celia Maria Silva Pedrosa.
Co-orientadora: Maria Viviane Lisboa de Vasconcelos.
Dissertação (Mestrado em Ensino na Saúde) – Universidade Federal de
Alagoas. Faculdade de Medicina. Programa de Pós-Graduação em Ensino na
Saúde. Maceió.
Inclui produto educacional.
A
Inclui bibliografias.
Anexos: f. 69-70.
1. Ensino. 2. Preceptoria. 3. Estágio não médico. 4. Técnica educacional. I.
Título.
CDU: 614.253.4
Universidade Federal de Alagoas - UFAL
Faculdade de Medicina – FAMED
Programa de Pós-Graduação em Ensino na Saúde - PPES
FOLHA DE APROVAÇÃO
Defesa do Trabalho Acadêmico de Mestrado do(a) aluno(a) Almir Jabes dos Santos Junior,
intitulado: “PRECEPTORIA EM SAÚDE E AS ESTRATÉGIAS EDUCACIONAIS DE ENSINO:
REVISÃO INTEGRATIVA”, sob orientação da Profª. Drª. Celia Maria Silva Pedrosa e coorientação
da Profa. Dra. Maria Viviane Lisboa de Vasconcelos. Foi apresentada ao Programa de PósGraduação em Ensino na Saúde da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Alagoas,
em 23 de abril de 2026. A ATA dessa defesa é a de nº 116.
Os membros da Banca Examinadora consideraram o/a candidato (a):
( x ) Aprovado(a)
( ) Reprovado
Banca Examinadora:
Presidente: Profª. Drª. Celia Maria Silva Pedrosa - MPES/UFAL
Membro Interno: Prof. Dr. Carlos Henrique Falcão Tavares - MPES/UFAL Membro
Externo: Profª. Drª. Ana Lydia Vasco de Albuquerque Peixoto - UNEAL Membro
Interno (Suplente): Profª. Drª. Lenilda Austrilino Silva - MPES/UFAL Membro
Externo (Suplente): Prof. Dr. Walter Matias Lima - PROPEP/UFAL
Membro Presidente da Banca
Membro Titular da Banca
Membro Titular da Banca
MESTRADO PROFISSIONAL EM ENSINO NA SAÚDE – MPES
Campus A. C. Simões - Av. Lourival Melo Mota, S/N – Tabuleiro do Martins CEP:
57072-900 Telefone: (82) 3214-1857 – Email: mpesufal@gmail.com
http://www.ufal.edu.br/unidadeacademica/famed/pos-graduacao/ensino-na-saude
Universidade Federal de Alagoas - UFAL
Faculdade de Medicina – FAMED
Programa de Pós-Graduação em Ensino na Saúde – PPES
À Secretaria do PPG em e Ensino na Saúde – FAMED/UFAL
Eu, Prof.ª Drª. Celia Maria Silva Pedrosa, na qualidade de orientadora de
Almir Jabes dos Santos Junior, aluno de mestrado deste Programa de Pósgraduação, autorizo o mesmo a entregar o Trabalho Acadêmico de
Conclusão de Curso – TACC, após haver procedido à devida revisão do seu
trabalho.
Título do Trabalho: “PRECEPTORIA EM SAÚDE E AS ESTRATÉGIAS
EDUCACIONAIS DE ENSINO: REVISÃO INTEGRATIVA”
Maceió-AL, 19 de junho de 2026
Assinatura da Orientadora
AGRADECIMENTOS
À Deus, por me sustentar em cada etapa desta caminhada, dando-me força e
sabedoria, para seguir adiante, mesmo nos momentos mais desafiadores.
À minha família, base de tudo que sou. Aos meus pais, pelo apoio e ensinamentos
que me guiaram até aqui. Aos meus irmãos e sobrinhos, pela compreensão e pela
alegria constante que renovam minhas energias. À minha esposa, minha companheira
de jornada, por seu amor, paciência e incentivo.
À minha orientadora Profa. Dra. Celia Maria Silva Pedrosa, deixo um agradecimento
muito especial. Sua dedicação, acolhimento e disponibilidade foram fundamentais
para que este trabalho ganhasse forma.
À minha coorientadora Profa. Dra. Maria Viviane Lisboa de Vasconcelos pelas
valiosas contribuições e pelo apoio ao longo do desenvolvimento desta pesquisa.
Aos membros da banca examinadora, Prof. Dr. Carlos Henrique Falcão Tavares,
Profa. Dra. Ana Lydia Vasco de Albuquerque Peixoto, Profa. Dra. Lenilda Austrilino
Silva e Prof. Dr. Walter Matias Lima, por disponibilizarem seu tempo e por aceitarem
contribuir com a avaliação deste estudo.
À Vannessa Carvalho de Almeida pela parceria e companhia que tornou essa
caminhada mais leve ao longo do mestrado.
À Thaís Veras de Morais Rezende pelo incentivo e apoio fundamentais ao longo desta
trajetória.
Aos professores do MPES da FAMED/UFAL, por compartilharem experiências que
ampliaram meu entendimento sobre pesquisa em saúde.
Aos colegas do MPES da FAMED/UFAL, pela convivência colaborativa e troca de
ideias, durante toda a trajetória.
“A formação em saúde deve ser baseada em
experiências de aprendizagem que promovam o
pensamento crítico e autonomia”
(Julio Frenk, 2010)
RESUMO GERAL
Esse Trabalho Acadêmico de Conclusão de Curso - TACC do Mestrado Profissional
de Ensino na Saúde da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Alagoas
é composto por um artigo científico e um produto educacional provenientes da
pesquisa: “Preceptoria em saúde e as estratégias educacionais de ensino: revisão
integrativa”. Esse estudo teve como ponto de partida a reflexão sobre como contribuir
de forma efetiva para a formação prática de discentes no estágio curricular
supervisionado. Nesse contexto, a pesquisa tem como objetivo analisar as evidências
científicas sobre as estratégias pedagógicas na preceptoria em saúde, identificando a
sua aplicabilidade no desenvolvimento do raciocínio clínico e na integração do ensinoserviço no âmbito do SUS. Metodologicamente, realizou-se uma pesquisa descritiva,
do tipo revisão integrativa da literatura, ancorada nas bases de dados
PUBMED/MEDLINE, WEB OF SCIENCE, SCOPUS, LILACS e BDENF, via CAPES e
Biblioteca Virtual em Saúde (BVS). O processo de seleção seguiu as recomendações
do fluxo Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses
(PRISMA), utilizando os descritores “Preceptoria”, “Ensino”, “Internato não médico"
“Técnica educacional”. Após a aplicação dos critérios de elegibilidade — que incluíram
artigos na íntegra, gratuitos, publicados entre 2014 e 2024, nos idiomas português,
inglês e espanhol, com a presença dos termos preceptoria/tutoria/mentoria/ ou estágio
curricular supervisionado/estágio clínico e graduação/pós-graduação em saúde, nos
títulos dos estudos —, obteve-se um corpus final de 13 artigos científicos. Os dados
foram submetidos à análise de conteúdo, seguindo a abordagem qualitativa proposta
por Bardin (2016) e organizados em temas, com suporte de dados quantitativos da
análise bibliométrica. As evidências foram submetidas a uma análise qualitativa
estruturada, resultando em duas dimensões fundamentais: estratégias educacionais
na preceptoria em saúde: síntese das evidências e qualificação da preceptoria para
efetividade do ensino. Os achados demonstraram que o uso de métodos estruturados
estimula a participação ativa do estagiário no processo formativo e potencializa seu
raciocínio clínico, transformando encontros assistenciais em momentos de
aprendizagem. Conclui-se que a incorporação de estratégias ativas, modelos
colaborativos de ensino e tecnologias digitais, voltadas ao aluno no ensino prático,
não apenas ajuda o desenvolvimento do processo de ensino-aprendizagem, como
ainda redefini o papel do preceptor como mediador do conhecimento e facilitador do
desenvolvimento do raciocínio clínico. Com fundamento nos resultados obtidos foi
cuidadosamente estruturado um produto educacional (E-book) “Recursos para
preceptoria em saúde: ensinar na prática”. O produto fortalece o SUS ao
instrumentalizar os serviços com uma estratégia capaz de harmonizar o rigor
assistencial à excelência da formação profissional, cumprindo o papel ético de
devolver soluções inovadoras ao ambiente de prática.
Palavras-chave: Ensino. Preceptoria. Estágio não médico. Técnica educacional.
ABSTRACT
This Academic Final Course Project (TACC) for the Professional Master's Degree in
Health Education at the Faculty of Medicine of the Federal University of Alagoas
consists of a scientific article and an educational product resulting from the research:
"Preceptorship in health and educational teaching strategies: an integrative review."
This study started with a reflection on how to effectively contribute to the practical
training of students in supervised curricular internships. In this context, the research
aims to analyze scientific evidence regarding pedagogical strategies in health
preceptorship, identifying their applicability to the development of clinical reasoning
and the integration of education and service within the scope of the SUS (Brazilian
Unified Health System). Methodologically, a descriptive research, of the integrative
literature review type, was carried out, anchored in the PUBMED/MEDLINE, WEB OF
SCIENCE, SCOPUS, LILACS and BDENF databases, via CAPES and the Virtual
Health Library (BVS). The selection process followed the recommendations of the
Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses (PRISMA)
workflow, using the descriptors "Preceptorship," "Teaching," "Non-medical internship,"
and "Educational technique." After applying the eligibility criteria—which included fulltext articles, free of charge, published between 2014 and 2024, in Portuguese, English,
and Spanish, with the presence of the terms preceptorship/tutoring/mentoring/ or
supervised curricular internship/clinical internship and undergraduate/postgraduate
studies in health in the study titles—a final corpus of 13 scientific articles was obtained.
The data were subjected to content analysis, following the qualitative approach
proposed by Bardin (2016), and organized into themes, supported by quantitative data
from bibliometric analysis. The evidence was subjected to a structured qualitative
analysis, resulting in two fundamental dimensions: educational strategies in health
preceptorship: synthesis of evidence and qualification of preceptorship for teaching
effectiveness. The findings Studies have shown that the use of structured methods
encourages the trainee's active participation in the training process and enhances their
clinical reasoning, transforming clinical encounters into learning moments. It is
concluded that the incorporation of active strategies, collaborative teaching models,
and student-centered digital technologies in practical teaching not only aids the
development of the teaching-learning process but also redefines the role of the
preceptor as a mediator of knowledge and facilitator of the development of clinical
reasoning. Based on the results obtained, an educational product (E-book) entitled
"Resources for preceptorship in health: teaching in practice" was carefully structured.
The product strengthens the Brazilian Unified Health System (SUS) by equipping
services with a strategy capable of harmonizing rigorous care with excellence in
professional training, fulfilling the ethical role of providing innovative solutions to the
practice environment.
Keywords: Preceptorship. Teaching. non-medical internship. Educational technique.
RESUMEN
Este Proyecto de Fin de Curso Académico (TACC) para la Maestría Profesional en
Educación para la Salud de la Facultad de Medicina de la Universidad Federal de
Alagoas consiste en un artículo científico y un producto educativo resultante de la
investigación: "Preceptoría en salud y estrategias de enseñanza educativa: una
revisión integradora". Este estudio comenzó con una reflexión sobre cómo contribuir
eficazmente a la formación práctica de los estudiantes en prácticas curriculares
supervisadas. En este contexto, la investigación tiene como objetivo analizar la
evidencia científica sobre las estrategias pedagógicas en la preceptoría en salud,
identificando su aplicabilidad al desarrollo del razonamiento clínico y a la integración
de la educación y el servicio en el ámbito del SUS (Sistema Único de Salud de Brasil).
Metodológicamente, se realizó una investigación descriptiva, del tipo revisión
integradora de la literatura, anclada en las bases de datos PUBMED/MEDLINE, WEB
OF SCIENCE, SCOPUS, LILACS y BDENF, a través de CAPES y la Biblioteca Virtual
en Salud (BVS). El proceso de selección siguió las recomendaciones del flujo de
trabajo PRISMA (Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and MetaAnalyses), utilizando los descriptores "Preceptorship", "Teaching", "Non-medical
internship" y "Educational technique". Tras aplicar los criterios de elegibilidad —que
incluían artículos de texto completo, gratuitos, publicados entre 2014 y 2024, en
portugués, inglés y español, con la presencia de los términos
preceptorship/tutoring/mentoring/ o supervised curricular internship/clinical internship
y estudios de pregrado/posgrado en salud en los títulos de los estudios— se obtuvo
un corpus final de 13 artículos científicos. Los datos se sometieron a un análisis de
contenido, siguiendo el enfoque cualitativo propuesto por Bardin (2016), y se
organizaron en temas, apoyados por datos cuantitativos del análisis bibliométrico. La
evidencia fue sometida a un análisis cualitativo estructurado, que dio como resultado
dos dimensiones fundamentales: estrategias educativas en la tutoría clínica: síntesis
de la evidencia y cualificación de la tutoría para la efectividad docente. Los hallazgos
indican que el uso de métodos estructurados fomenta la participación activa del
estudiante en el proceso de formación y mejora su razonamiento clínico,
transformando los encuentros clínicos en momentos de aprendizaje. Se concluye que
la incorporación de estrategias activas, modelos de enseñanza colaborativa y
tecnologías digitales centradas en el estudiante en la docencia práctica no solo
favorece el desarrollo del proceso de enseñanza-aprendizaje, sino que también
redefine el rol del preceptor como mediador del conocimiento y facilitador del
desarrollo del razonamiento clínico. Con base en los resultados obtenidos, se
estructuró cuidadosamente un producto educativo (libro electrónico) titulado
"Recursos para la preceptoría en salud: enseñanza en la práctica". Este producto
fortalece el Sistema Único de Salud (SUS) de Brasil al dotar a los servicios de una
estrategia capaz de armonizar la atención rigurosa con la excelencia en la formación
profesional, cumpliendo así con el rol ético de brindar soluciones innovadoras al
entorno de la práctica.
Palabras clave: Tutoría clínica. Enseñanza. Pasantía non médica. Técnica
pedagógica.
LISTA DE ILUSTRAÇÕES
FIGURA 1 – Flowchart Prisma..........................................................................28
FIGURA 2 – Nuvem de palvras.........................................................................32
FIGURA 3 – E-book..........................................................................................55
FIGURA 4 – E-book..........................................................................................56
FIGURA 5 – E-book..........................................................................................57
FIGURA 6 – E-book..........................................................................................58
FIGURA 7 – E-book..........................................................................................59
FIGURA 8 – E-book..........................................................................................60
LISTA DE QUADROS
QUADRO 1 – Organização dos artigos analisados segundo as variáveis selecionadas,
dispostos em ordem cronológica decrescente no período de 2014 a
2024............................................................................................................................28
QUADRO 2 – Análise Bibliométrica dos Estudos Incluídos........................................33
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
AJPE
American Journal of Pharmaceutical Education
BDENF
Banco de Dados em Enfermagem
BMC
BioMed Central
BVS
Biblioteca Virtual de Saúde
CAPES
Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior
CoP
Co-Preceptorships
DECS
Descritores em Ciências da Saúde
DEFT
Diagnosis, Evidence, Feedback, Teaching
DCNs
Diretrizes Curriculares Nacionais
ECS
Estágio Curricular Supervisionado
EUA
Estados Unidos da América
FAMED
Faculdade de Medicina
HEHA
Hospital Escola Dr. Hélvio Auto
HSL
Healthcare Supervision Logbook
LILACS
Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde
MEC
Ministério da Educação
MPES
Mestrado Profissional em Ensino na Saúde
MESH
Medical Subject Heading
MS
Ministério da Saúde
NEP
Nurse Education in Practice
NPT
Near-Peer Teaching
OMP
One-Minute Preceptor/One-Minute Precetorship
PAFMJ
Pakistan Armed Forces Medical Journal
PAL
Peer-Assisted Learning
PBL
Problem-based learning
PET
Programa de Educação pelo Trabalho
PME
Perspectives on Medical Education
REBEn
Revista Brasileira de Enfermagem
RBGO
Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia
SC
Supervisão Clínica
SFDPQ
Stanford Faculty Development Program Questionnaire
SNAPPS
Summarize, Narrow, Analyze, Probe, Plan, Select
SUS
Sistema Único de Saúde
TACC
Trabalho Acadêmico de Conclusão de Curso
UFAL
Universidade Federal de Alagoas
UNCISAL
Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas
SUMÁRIO
1 APRESENTAÇÃO ........................................................................................ 15
2. PRECEPTORIA EM SAÚDE E AS ESTRATÉGIAS EDUCACIONAIS DE
ENSINO: REVISÃO INTEGRATIVA ................................................................ 16
2.1 Introdução ................................................................................................. 19
2.2 Objetivos ................................................................................................... 23
2.2.1 Objetivo geral .......................................................................................... 23
2.2.2 Objetivos específicos............................................................................... 23
2.3 Percurso Metodológico............................................................................ 23
2.3.1 Seleção, triagem e backup dos estudos .................................................. 24
2.3.2 Ética e integridade da pesquisa................................................................26
2.4 Resultados e Discussão............................................................................27
2.4.1 Tema 1- Estratégias de Ensino na Preceptoria em Saúde ...................... 36
2.4.2 Tema 2- Qualificação da Preceptoria para efetividade do Ensino ........... 40
2.6 Considerações Finais .............................................................................. 44
REFERÊNCIAS ................................................................................................ 46
3. PRODUTO EDUCACIONAL..........................................................................50
3. PRODUTO EDUCACIONAL: "Ensinar na prática: metodologia e recursos
para preceptoria em saúde E-BOOK."............................................................51
3.1 Título em Português...................................................................................51
3.2 Título em Inglês..........................................................................................51
3.3 Tipo de Produto..........................................................................................51
3.4 Público-Alvo...............................................................................................51
3.5 Introdução...................................................................................................51
3.6 Objetivo.......................................................................................................52
3.7 Metodologia................................................................................................53
3.8 Resultados Esperados..............................................................................54
3.9 Considerações Finais................................................................................54
3.10. Endereço Eletrônico de Acesso............................................................54
REFERÊNCIAS.................................................................................................61
4 Considerações finais do TACC...................................................................64
REFERÊNCIAS GERAIS..................................................................................65
15
1 APRESENTAÇÃO
Esse estudo se refere ao Trabalho Acadêmico de Conclusão de Curso (TACC)
apresentado ao Programa de Mestrado Profissional em Ensino na Saúde (MPES) da
Faculdade de Medicina (FAMED) da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), tendo
como título: “Preceptoria em Saúde e as Estratégias Educacionais de Ensino: revisão
integrativa”.
Ao longo de uma década atuando como fisioterapeuta assistencial e preceptor dos
acadêmicos do curso de Fisioterapia da Universidade Estadual de Ciências da Saúde
de Alagoas (UNCISAL), em um hospital público de ensino, percebi que a preceptoria,
desempenha um papel relevante na formação profissional dos discentes.
A experiência cotidiana nos cenários de enfermaria e terapia intensiva, associada ao
acompanhamento de estudantes em estágio supervisionado, possibilitou a
observação de desafios relacionados ao processo de ensino-aprendizagem nos
cenários de prática, despertando reflexões acerca de estratégias educacionais de
ensino capazes de contribuir para a prática preceptora.
Nesse contexto, veio o questionamento que motivou o desenvolvimento desta
pesquisa: quais estratégias de ensino são passíveis de implementação na preceptoria
em saúde?
Este TACC contém um artigo submetido em um periódico científico e um produto
educacional tipo e-book interativo com conteúdo teórico, links de pesquisas científicas,
vídeos e podcast, sobre as principais estratégias educacionais em saúde que fizeram
parte do escopo dessa revisão, além de design digital pensado para engajar o leitor e
evitar que o conteúdo se torne cansativo .
16
2 PRECEPTORIA EM SAÚDE E AS ESTRATÉGIAS EDUCACIONAIS DE ENSINO:
REVISÃO INTEGRATIVA
RESUMO
Introdução: como um dos participantes do sistema formativo, é o preceptor que ajuda
o estudante no processo de desenvolvimento do aprendizado, além de estimular a
aquisição de saber prático e a integração deste com a realidade do ambiente de
prática. O domínio de estratégias pedagógicas é uma necessidade de todos os
docentes envolvidos na formação de estudantes, entre eles os preceptores, cuja
atuação está vinculada às atividades práticas desses aprendizes. A formação de
profissionais, que possam dar conta dos desafios presentes no mundo atual, passa
pela mudança na orientação pedagógica, sendo essencial o conhecimento e
apropriação, por professores e preceptores, de novas metodologias de ensinoaprendizagem. Diante do exposto, o presente estudo pretende identificar, por meio de
revisão integrativa, na literatura científica nacional e internacional, estratégias
educacionais de ensino, passíveis de implementação na preceptoria em saúde.
Objetivo: analisar as evidências científicas sobre as estratégias pedagógicas na
preceptoria em saúde, identificando a sua aplicabilidade no desenvolvimento do
raciocínio clínico e na integração do ensino-serviço no âmbito do SUS. Metodologia:
trata-se de uma pesquisa descritiva, do tipo revisão integrativa da literatura ancorada
nas bases de dados PUBMED/MEDLINE, WEB OF SCIENCE, SCOPUS, LILACS e
BDENF. O processo de seleção seguiu as recomendações do fluxo Preferred
Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses (PRISMA), utilizando os
descritores “Preceptoria”, “Ensino”, “Internato não médico” “Técnica educacional”. Os
dados foram submetidos à análise de conteúdo, seguindo a abordagem qualitativa
proposta por Bardin (2016) e organizados em temas, com suporte de dados
quantitativos da análise bibliométrica. Resultados: os achados demonstraram que o
uso de métodos estruturados estimula a participação ativa do estagiário no processo
formativo e potencializa seu raciocínio clínico, transformando encontros assistenciais
em momentos de aprendizagem. A análise dos estudos que compõem esta pesquisa
também revelou que, embora o preceptor ocupe posição estratégica na formação dos
estudantes, sua atuação ainda é fragilizada por lacunas na preparação pedagógica e
pela ausência de suportes institucionais que sustentem o exercício efetivo da
preceptoria. Considerações finais: essa revisão integrativa traz dados e informações
sobre estratégias de ensino na preceptoria em saúde, para o desenvolvimento do
pensamento crítico e do raciocínio clínico, tanto para alunos de graduação como da
pós-graduação, além de proporcionar o aprimoramento pedagógico dos preceptores.
A incorporação de estratégias ativas, modelos colaborativos de ensino e tecnologias
digitais, voltadas ao aluno no ensino prático, não apenas ajuda o desenvolvimento do
processo de ensino-aprendizagem, como ainda redefini o papel do preceptor como
mediador do conhecimento e facilitador do desenvolvimento do raciocínio clínico.
Palavras-chave: Preceptoria. Ensino. Estágio não médico. Técnica educacional.
17
ABSTRACT
Introduction: as a participant in the educational system, the preceptor assists
students in their learning and development process, while also fostering the acquisition
of practical knowledge and its integration with the realities of the practice environment.
Mastery of pedagogical strategies is essential for all educators involved in student
training—including preceptors, whose work is closely linked to the learners' practical
activities. Preparing professionals capable of meeting the challenges of today's world
requires a shift in pedagogical orientation; it is crucial for teachers and preceptors to
understand and adopt new teaching-learning methodologies. Against this backdrop,
this study aims to identify—through an integrative review of national and international
scientific literature—educational teaching strategies suitable for implementation in
health-related preceptorship. Objective: to analyze the scientific evidence on
pedagogical strategies in health preceptorship, identifying their applicability to the
development of clinical reasoning and in the integration of teaching and service within
the Brazilian Unified Health System (SUS). Methodology: this is a descriptive study,
of the integrative literature review type, based on the databases PUBMED/MEDLINE,
WEB OF SCIENCE, SCOPUS, LILACS and BDENF. The selection process followed
the recommendations of the Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and
Meta-Analyses (PRISMA) workflow, using the descriptors "Preceptorship," "Teaching,"
"Non-medical internship," and "Educational technique." The data were subjected to
content analysis, following the qualitative approach proposed by Bardin (2016), and
organized into themes, supported by quantitative data from bibliometric analysis.
Results: the findings demonstrated that the use of structured methods stimulates the
active participation of the intern in the training process and enhances their clinical
reasoning, transforming clinical encounters into learning moments. The analysis of the
studies that comprise this research also revealed that, although the preceptor occupies
a strategic position in the training of students, their performance is still weakened by
gaps in pedagogical preparation and the absence of institutional support to sustain the
effective exercise of preceptorship. Final considerations: this integrative review
provides data and information on teaching strategies in health preceptorship for the
development of critical thinking and clinical reasoning, both for undergraduate and
postgraduate students, in addition to providing pedagogical improvement for
preceptors. The incorporation of active strategies, collaborative teaching models, and
digital technologies, focused on the student in practical teaching, not only helps the
development of the teaching-learning process, but also redefines the role of the
preceptor as a mediator of knowledge and facilitator of the development of clinical
reasoning.
Keywords: Preceptorship. Teaching. Non-medical internship. Educational technique.
18
RESUMEN
Introducción: como participante del sistema educativo, el preceptor acompaña a los
estudiantes en su proceso de aprendizaje y desarrollo, al tiempo que fomenta la
adquisición de conocimientos prácticos y su integración con la realidad del entorno de
práctica. El dominio de estrategias pedagógicas es fundamental para todos los
educadores que intervienen en la formación de los estudiantes, incluidos los
preceptores, cuya labor está estrechamente vinculada a las actividades prácticas de
los alumnos. La formación de profesionales capaces de afrontar los desafíos del
mundo actual exige un cambio en la orientación pedagógica; resulta crucial que
docentes y preceptores comprendan y adopten nuevas metodologías de enseñanzaaprendizaje. En este contexto, el presente estudio tiene como objetivo identificar —
mediante una revisión integradora de la literatura científica nacional e internacional—
estrategias pedagógicas de enseñanza adecuadas para su implementación en la
tutoría clínica (preceptoría) en el ámbito de la salud. Objetivo: analizar la evidencia
científica sobre las estrategias pedagógicas en la preceptoría en salud, identificando
su aplicabilidad al desarrollo del razonamiento clínico y a la integración de la
educación y el servicio dentro del Sistema Único de Salud (SUS) brasileño.
Metodología: este es un estudio descriptivo, de tipo revisión integradora de la
literatura, basado en las bases de datos PUBMED/MEDLINE, WEB OF SCIENCE,
SCOPUS, LILACS y BDENF. El proceso de selección siguió las recomendaciones del
flujo de trabajo PRISMA (Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and MetaAnalyses), utilizando los descriptores "Preceptorship", "Teaching", "No-medical
interns" y "Educational technique". Los datos se sometieron a un análisis de contenido,
siguiendo el enfoque cualitativo propuesto por Bardin (2016), y se organizaron en
temas, apoyados por datos cuantitativos del análisis bibliométrico. Resultados: los
hallazgos demostraron que el uso de métodos estructurados estimula la participación
activa del interno en el proceso de formación y mejora su razonamiento clínico,
transformando los encuentros clínicos en momentos de aprendizaje. El análisis de los
estudios que conforman esta investigación también reveló que, si bien el preceptor
ocupa una posición estratégica en la formación de los estudiantes, su desempeño aún
se ve debilitado por deficiencias en la preparación pedagógica y la ausencia de apoyo
institucional para sostener el ejercicio efectivo de la preceptorship. Consideraciones
finales: esta revisión integradora proporciona datos e información sobre estrategias
de enseñanza en la tutoría clínica para el desarrollo del pensamiento crítico y el
razonamiento clínico, tanto para estudiantes de pregrado como de posgrado, además
de ofrecer mejoras pedagógicas para los tutores. La incorporación de estrategias
activas, modelos de enseñanza colaborativa y tecnologías digitales, centradas en el
estudiante durante la práctica docente, no solo contribuye al desarrollo del proceso de
enseñanza-aprendizaje, sino que también redefine el rol del tutor como mediador del
conocimiento y facilitador del desarrollo del razonamiento clínico.
Palabras clave: Tutoría clínica. Enseñanza. Pasantía non médica. Técnica
pedagógica.
19
2.1 Introdução
As experiências formativas no campo da saúde devem favorecer uma
compreensão ampliada do cuidado, contribuindo para práticas menos tecnicistas e
mais orientada às necessidades do usuário e na complexidade do processo saúdedoença (Rodrigues; Araújo; Lazarini, 2024).
No contexto do Sistema Único de Saúde (SUS), a integração ensino-serviço
pode ser compreendida como componente relacionado à formação de recursos
humanos (BRASIL, 1990), essa integração torna-se fundamental para promover um
processo de formação e desenvolvimento profissional que atenda às necessidades do
SUS (Galindo; Sampaio, 2025).
A educação em saúde deve ser compreendida como um processo continuo de
transformação e atualização das práticas, construído no cotidiano do trabalho
(Ceccim, 2005).
A preceptoria em saúde é descrita como uma prática pedagógica que ocorre no
contexto do ambiente de trabalho e da formação profissional, durante o exercício
clínico – sendo liderada por profissionais da assistência, independentemente de
exercerem função de docência – onde o objetivo principal dessa prática é construir e
transmitir conhecimentos específicos de cada área de atuação e auxiliar na formação
ética e moral dos alunos internos e residentes – além disso, busca-se estimulá-los a
participar ativamente do processo saúde-doença-cuidado, considerando os diversos
níveis de atenção, com compromisso com a responsabilidade social e a cidadania
(Biscegli et al., 2020).
Para Walter; Mulherinb; Coxd, (2018), a preceptoria em saúde é parte
integrante da profissão, sendo, portanto, compreendida como uma responsabilidade
profissional – considerando o cenário atual, os órgãos de acreditação a reconhecem
como sendo um compromisso inerente à prática profissional.
No exercício da preceptoria, o profissional deve não apenas demostrar domínio
do conhecimento clínico, contudo, deve estar apto para transformar as vivências do
ambiente profissional em experiências de aprendizagem, promovendo a integração
entre teoria e prática e para isso é necessário adquirir conhecimento pedagógico
(Ribeiro; Prado, 2014).
20
Como um dos participantes do sistema formativo, é o preceptor que ajuda o
estudante no processo de desenvolvimento do aprendizado, além de estimular a
aquisição de saber prático e a integração deste com a realidade do ambiente de
prática, fazendo com que a articulação entre ensino, serviço e comunidade seja
fortalecida – entretanto há alguns desafios na preceptoria como a utilização de
estratégias pedagógicas que não facilitam o aprendizado e a falta de experiência dos
preceptores no campo do ensino – diante do contexto apresentado é indispensável
qualificar esses preceptores no que diz respeito à utilização de metodologias que
promovam a independência do estudante e que estimulem a construção do
conhecimento (Tonso; Fernandes, 2024).
Conforme Martínez-Linares et al. (2019), embora, o preceptor mantenha a
responsabilidade pela orientação do grupo de estagiários, observa-se uma mudança
global na abordagem do ensino, que priorizam métodos centrados no aluno, com o
objetivo de aumentar seu envolvimento e protagonismo no processo
de
aprendizagem, além disso, tais transformações no ensino superior estimulam uma
modificação na maneira de transmitir o conhecimento, adaptando os métodos de
ensino às novas exigências acadêmicas, evidência também observada por Rodrigues
e Witt (2022), os quais afirmam que orientações sobre as competências da preceptoria
fundamentam o preparo dos preceptores diante das mudanças recentes na formação
em saúde no Brasil, que exigem práticas inovadoras e proativas.
O domínio de estratégias pedagógicas é uma necessidade de todos os
docentes envolvidos na formação de estudantes, entre eles os preceptores, cuja
atuação está vinculada às atividades práticas desses aprendizes (Girotto et al., 2019).
As Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) de curso de graduação em saúde
destacam a necessidade e a importância da inserção precoce de estudantes em
atividades práticas (Nalom et al., 2019).
Nesse sentido, no contexto educacional, a integração dos alunos desde os
primeiros anos escolares às atividades práticas profissionais revela claramente a
importância do preceptor na capacitação e formação dos futuros profissionais,
contribuindo para o desenvolvimento das habilidades e competências necessárias ao
exercício profissional (Nordi et al., 2022).
21
A legislação que normatiza o Sistema Único de Saúde (SUS) estabelece a
relevância da formação de profissionais com características compatíveis com seus
fundamentos, ressaltando a necessidade de envolver o aluno em iniciativas que
favoreçam a articulação entre ensino, serviço e sociedade (Tonso; Fernandes, 2024).
Desde então, tem sido realizado esforços conjuntos entre o Ministério da
Educação e o Ministério da Saúde, visando desenvolver uma política para orientar as
práticas de formação de profissionais de saúde; tendo como base as DCNs e o SUS,
considerando que as DCNs visam desenvolver um perfil acadêmico e profissional que
inclua competências, habilidades e conteúdos essenciais para a formação de
profissionais aptos a atuar com eficiência e resolutividade no SUS (Possoli, 2022).
As iniciativas governamentais direcionadas à educação em saúde promovem a
integração entre as instituições de ensino e os serviços assistenciais de saúde,
colocando o profissional de saúde, na função de preceptor, como um ator central no
processo de formação (Autonomo et al., 2015).
A formação de profissionais, que possam dar conta dos desafios presentes no
mundo atual, passa pela mudança na orientação pedagógica, sendo essencial o
conhecimento e apropriação, por professores e preceptores, de novas metodologias
de ensino-aprendizagem (Missaka; Ribeiro, 2011).
Pesquisas evidenciam obstáculos associados a capacitação de estudantes e
recém-graduados que precisam ser superados, além de apontar que a prática
reflexiva no processo do ensino-aprendizagem, tanto da graduação quanto na pósgraduação, encontra-se fragilizada, com um debate teórico insuficiente e uma
interação reduzida entre preceptor-aluno e o ensino-serviço (Paiva; Silva, 2024).
Um dos desafios na adoção de metodologias de aprendizagem ativa é preparar
os preceptores para redefinir seu papel acadêmico como mediadores do
conhecimento – aspecto fundamental para a aplicação de qualquer abordagem
pedagógica centrada no aluno (Chandran et al., 2020). Nesse sentido, estudos
indicam que métodos exclusivamente expositivos – baseados na transmissão
unidirecional de informações e na escuta passiva dos alunos, nem sempre promovem
compreensão dos conteúdos, tampouco estimulam a autonomia e o raciocínio clínico
necessários à formação em saúde.
22
O uso de estratégias de ensino que potencializam a participação do estudante
no processo de aprendizagem, ampliam suas competências cognitivas e desenvolvem
atitudes e habilidades importantes para solução de problemas inerentes à prática
clínica (Stentoft, 2019).
A aprendizagem ativa é um método que mantém os estudantes engajados,
tanto mental quanto fisicamente, em seu processo educacional, por meio de
atividades que os incentivam a buscar informações, refletir e solucionar desafios, da
mesma forma, a instrução centrada no aluno é uma estratégia pedagógica na qual os
estudantes têm influência sobre o conteúdo, as dinâmicas, os materiais e o ritmo de
aprendizado, sendo esse modelo de ensino voltado para colocar o estudante no centro
do processo, enquanto o preceptor proporciona oportunidades para que aprendam de
maneira autônoma e colaborativa (Michael, 2006).
Fomentar o pensamento crítico e o raciocínio clínico é um aspecto fundamental
na educação em saúde, sendo influenciado tanto pelo ambiente de aprendizagem
quanto pela metodologia adotada pelo preceptor – estimular essas habilidades é
importante para a assimilação e aplicação de conhecimentos, de forma lógica, durante
o estágio supervisionado, a residência e toda trajetória profissional (Abraham et al.,
2004).
Embora o pensamento crítico seja fundamental na orientação prática em saúde,
diversas pesquisas apontam deficiências em seu desenvolvimento, especialmente a
ausência de investigações e de uma compreensão abrangente acerca das estratégias
e metodologias adotadas pelos preceptores para desenvolver habilidades de
pensamento crítico em seus discentes – mesmo considerando que a preceptoria
constitui um processo essencial na formação em saúde, os dados sobre os métodos
específicos utilizados para reforçar tais habilidades entre estudantes de graduação e
pós-graduação permanecem limitados – estas deficiências identificadas destacam a
necessidade de pesquisas que explorem os métodos empregados por preceptores na
orientação de estudantes universitários (Hamarash et al., 2023).
Diante do exposto, o presente estudo pretende identificar, por meio de revisão
integrativa, na literatura científica nacional e internacional, estratégias educacionais
de ensino, passíveis de implementação na preceptoria em saúde.
23
2.2 Objetivos
2.2.1 Objetivo geral
Analisar as evidências científicas sobre as estratégias pedagógicas na
preceptoria em saúde, identificando a sua aplicabilidade no desenvolvimento do
raciocínio clínico e na integração do ensino-serviço no âmbito do SUS.
2.2.2 Objetivos específicos
Verificar as estratégias educacionais de ensino existentes no estudo.
Selecionar as estratégias educacionais de ensino, passíveis de implementação
na preceptoria em saúde.
Descrever as etapas das estratégias educacionais de ensino, elegíveis para a
preceptoria em saúde.
2.3 Percurso Metodológico
Esse estudo é uma revisão integrativa da literatura sobre estratégias
educacionais de ensino aplicadas na preceptoria em saúde. Para conduzir a
investigação foi utilizada uma abordagem qualitativa, através da análise de conteúdo,
com referência em Bardin (2016), com suporte de dados quantitativos da análise
bibliométrica.
A revisão integrativa é um método de pesquisa que viabiliza a síntese de
diversos estudos publicados (Mendes; Silveira; Galvão, 2008), estruturada seguindo
etapas definidas para sua operacionalização, desde 1980 (Roman; Friedlander, 1998).
“A análise de conteúdo visa o conhecimento de variáveis de ordem psicológica,
sociológica, histórica, etc., por meio de um mecanismo de dedução com base em
indicadores reconstruídos a partir de uma amostra de mensagem particulares”
(Bardin, 2016, p. 49).
A revisão integrativa adotada foi conduzida com base no referencial
metodológico proposto por Souza, Silva e Carvalho (2010).
Segundo Souza; Silva e Carvalho (2010, p. 104)
24
a revisão integrativa é destacada como uma ferramenta
indispensável no campo da saúde, pois reúne e condensa as
pesquisas existentes sobre um determinado tema, orientando a prática
com base em conhecimento científico e é formada por seis fases: (1)
definição da pergunta norteadora; (2) exposição dos critérios de
inclusão e exclusão, sendo determinados em concordância com a
pergunta norteadora; (3) extração dos dados dos artigos selecionados,
que irão compor a revisão integrativa; (4) intepretação dos dados
incluídos; (5) sintetização dos resultados e comparação com os dados
evidenciados sobre o referencial teórico da revisão; (6) Exposição dos
resultados alcançados.
2.3.1 Seleção, triagem e backup dos estudos
Com o propósito de atender a primeira fase da revisão integrativa, elaborou-se
a pergunta norteadora: quais estratégias de ensino são passíveis de implementação
na preceptoria em saúde?
Na segunda fase, para delimitar a abrangência da pesquisa, foi definido os
seguintes critérios de inclusão: recorte temporal de publicação (2014 – 2024); idioma
inglês, português ou espanhol; gratuidade no acesso dos estudos; texto disponível
integralmente; presença dos termos preceptoria/tutoria/mentoria/ ou estágio curricular
supervisionado/estágio clínico e graduação/pós-graduação em saúde, no título do
estudo. Critérios de exclusão são estudos que envolvem literatura cinzenta, artigos
com títulos genéricos.
Para assegurar o controle e a padronização do vocabulário, foram empregados
os tesauros Descritores em Ciências da Saúde (DeCS) e Medical Subject Headings
(MeSH). As palavras-chave definidas foram “teaching”, “preceptorship”, “non-medical
internship” e “educational technics”. A partir desses descritores e seus respectivos
termos alternativos e de entrada – discriminados nos tesauros correspondentes, –
foram elaboradas as chaves de busca.
Na terceira fase, a busca de dados foi realizada no período de outubro a
dezembro de 2024, por meio de duas chaves de busca, combinadas com os
operadores booleanos AND e OR. Chave1: (Teaching or Academic Training or
Educational Technic or Educational Technics or Educational Technique or Educational
Techniques or Pedagogies or Pedagogy or Teaching Method or Teaching Methods or
Training Activities or Training Activity or Training Technic or Training Technics or
Training Technique or Training Techniques). Chave 2: (Preceptorship AND
25
Educational Technics or Educational Technique or Teaching Method or Teaching
Methods). As strings de busca foram associadas para aprimorar os achados.
Os artigos foram acessados pelo Portal de Periódicos da Coordenação de
Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), remotamente da
Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas (UNCISAL) e pela
Plataforma online da Biblioteca Virtual de Saúde (BVS).
Foram selecionadas as cinco bases de dados, que apresentaram mais estudos
na procura inicial, sem associação entre as chaves de busca. A partir do Portal de
Periódicos da CAPES foram acessadas três bases de dados: PubMed/Medline; Web
of Science; Scopus e a partir da Plataforma online da BVS, as buscas foram
direcionadas nas bases de dados LILACS (Literatura Latino-Americano e do Caribe
em Ciências da Saúde) e BDENF (Banco de Dados em Enfermagem). Em seguida os
resultados foram exportados para um computador, nomeados e organizados em
pastas. Posteriormente, o conteúdo foi importado para o gerenciador de referências e
citações chamado Zotero, onde foram compilados e identificados os duplicados,
resultando na exclusão de 21 artigos – procedimento essencial para garantir a
consistência do banco de dados.
O processo de avaliação das referências armazenadas no Zotero, foi
estruturado em três etapas sequenciais – a primeira consistiu na leitura dos títulos dos
artigos, a segunda concentrou-se na análise dos resumos e a terceira compreendeu
a leitura completa e avaliação integral dos estudos. A triagem e seleção dos estudos
foram realizadas pelo pesquisador principal, com supervisão das etapas pela
orientadora da pesquisa.
A primeira etapa teve como proposito identificar, nos títulos dos estudos, os
termos “preceptoria/tutoria/mentoria” ou “estágio curricular supervisionado/estágio
clínico” e “graduação/pós-graduação em saúde”. Na segunda etapa, após a seleção
inicial, procedeu-se a leitura dos resumos para avaliar com maior precisão, suas
adequações aos critérios de inclusão definidos. Por fim, na terceira etapa, buscou-se
confirmar a relevância e a qualidade metodológica dos artigos, incluindo no conjunto
definitivo da revisão integrativa, apenas aqueles que respondiam à pergunta
orientadora. Durante a elaboração dessas etapas, com o intuito de embasar a revisão
26
e examinar como a temática se apresenta nas publicações analisadas, foi realizada
uma análise bibliométrica.
A análise bibliométrica caracteriza-se por técnica, que analisa a produção
científica por métodos estatísticos e matemáticos, visando a mensuração da
produção, disseminação e aplicação das informações registradas no âmbito do
conhecimento científico, mediante a identificação de autores, ano de publicação,
impacto das citações, periódicos e palavras-chave (Souza; Ferreira; Carvalho, 2023).
Segundo Stefanuto (2022), a análise bibliométrica associada a análise de
conteúdo e apoiada por ferramentas digitais, configura-se como um instrumento
essencial para o aprofundamento sobre problemas específicos, que se busca
compreender e solucionar em distintas áreas do saber.
Os dados bibliométricos utilizados nessa revisão integrativa foram extraídos
diretamente dos artigos selecionados a partir dos metadados individuais de cada
publicação
presente no
gerenciador
de referências e
citações
Zotero
e
complementados por informações disponíveis nas páginas eletrônicas dos periódicos.
Paralelamente, os dados foram organizados em um instrumento analítico, disposto
em formato tabular, com campos específicos para: título do artigo, número de autores,
número de palavras-chave, fator de impacto da revista (FI), qualis da revista, número
de citações, revista de publicação, idioma da publicação, número de referências
nacionais e internacionais, conforme demostrado no (Quadro 2). Adotou-se a
expressão não aplicável (NA) para indicar a ausência de informação, seja pela
indisponibilidade de dados, seja pela inexistência de resposta por parte do estudo
consultado.
2.3.2 Ética e integridade da pesquisa
Por se tratar de uma revisão integrativa da literatura, este estudo prescinde de
submissão ao sistema CEP/CONEP, uma vez que não envolveu a participação direta
de seres humanos nem o acesso a dados nominais identificados.
Ademais, esta pesquisa incorpora as diretrizes da Resolução Normativa do
CNPq de 2026, que estabelece o marco regulatório para a Integridade na Pesquisa
Científica e o uso de Inteligência Artificial. Em observância a esta norma, os autores
27
declaram que o uso de ferramentas de IA durante a elaboração do manuscrito
restringiu-se ao auxílio na estruturação textual.
2.4 Resultados e Discussão
A apresentação dos resultados desta revisão integrativa estrutura-se a partir do
rigor metodológico proposto pelo protocolo PRISMA (Preferred Reporting Items for
Systematic Reviews and Meta-Analyses). O percurso de seleção dos estudos, que
fundamenta a confiabilidade desta pesquisa, está detalhado na Figura 1 (Fluxograma
PRISMA). Este diagrama ilustra o processo de afunilamento sistemático, desde a
identificação inicial de 1.452 registros nas bases de dados, até a constituição da
amostra final de 13 artigos que atenderam integralmente aos critérios de elegibilidade.
As ocorrências distribuíram-se em cada base de dados da seguinte forma: 913
artigos na Medline, 250 na Scopus, 181 na Web of Science, 99 na LILACS e 9 na
BDENF.
Posteriormente à aplicação dos critérios de inclusão e exclusão,
permaneceram 368 publicações (Medline = 177; Scopus = 53; Web of Science = 62;
LILACS = 67; BDENF = 9). Após a importação dos resultados para o gerenciador de
referências e citações Zotero, a identificação de duplicidades levou à exclusão de 21
registros, totalizando 347 estudos. Nas etapas de 1 a 3, os estudos foram excluídos
depois da análise dos revisores. Na triagem por títulos, 280 foram descartados. A
leitura dos resumos resultou na exclusão de mais 36 estudos. Os 31 artigos elegíveis
foram analisados na íntegra, dos quais 13 atenderam aos critérios estabelecidos e
compuseram a amostra final.
(Figura 1). Fluxograma Prisma com as distribuições das publicações nas bases de
dados e as etapas da análise dos estudos presente no gerenciador de referências e
citações Zotero.
28
Fonte: autores
A análise dos 13 artigos publicados de 2014 a 2024 evidenciou uma distribuição
anual da produção científica com a ocorrência de um artigo (7,69%) em 2014, 2015,
2020 e 2021; dois artigos (15,38%) em 2016, 2022 e 2024; e um maior número de
publicações em 2019, com três artigos (23,07%) (Quadro 1).
No que se refere ao enfoque metodológico dos estudos analisados, observouse sete (53,85%), com abordagem quantitativa, seguidos de dois (15,38%) com
abordagem qualitativa, dois (15,38%) com abordagem mista, uma revisão não
sistemática (7,69%) e uma revisão integrativa (7,69%) (Quadro 1).
A análise dos estudos selecionados para participar da pesquisa também
evidenciou que as publicações ocorram em periódicos internacionais e nacionais,
sendo dois periódicos brasileiros (15,38%) e onze (84,61%) de nacionalidade
estrangeira.
Quadro 1. Distribuição dos artigos analisados segundo as variáveis selecionadas,
dispostos em ordem cronológica decrescente (2014 a 2024).
TÍTULO DO ARTIGO
PERIÓDICO
AUTORE
S / ANO
OBJETIVO
DESENHO DO
ESTUDO
PRINCIPAIS RESULTADOS /
CONCLUSÕES
29
1
Assessment of the
competency of
learner-centered
teaching of clinical
preceptor using the
augmented Stanford
Faculty Development
Program
Questionnaire
(SFDPQ): a cross
sectional comparative
study
2
Perception about one
minute preceptorship
in postgraduate
training of
ophthalmology
3
Enhancing the oneminute preceptor
method for clinical
teaching with a DEFT
approach: Clinical
teaching strategies
for infectious
diseases
4
Applying formative
evaluation in the
mentoring of student
intern nurses in an
emergency
department
5
Training preceptors of
obstetrics-gynecology
residents through the
one-minute preceptor
model
BioMed
Central
(BMC)
Medical
Education
Pakistan
Armed
Forces
Medical
Journal
(PAFMJ)
International
Journal of
Infectious
Diseases
(IJID)
Frontiers in
Public
Health
Revista
Brasileira
Ginecologia
e Obstetrícia
(RBGO)
Liu, ZX et
al.
(2024)
Avaliar a
competência
dos
preceptores
clínicos no
ensino
centrado no
aluno.
Estudo
Transversal
Avaliar a
percepção de
residentes de
pós-graduação
de
oftalmologia
sobre o
Programa de
Preceptoria de
Um Minuto.
Método misto
Savaria,
M.C.; et
al.
(2022)
Identificar e
abordar
potenciais
lacunas na
pedagogia da
educação
clínica em
diferentes
níveis de
treinamento
clínico em
doenças
infecciosas.
Revisão de
literatura
Zhang,
YR; et at.
(2022)
Explorar a
eficácia da
avaliação
formativa na
orientação de
estudantes
internos de
enfermagem
em
emergência.
Estudo
experimental
Machado
, M.A.;
Medeiros
, E.L.
(2021)
Analisar o
efeito de uma
capacitação
no modelo
One-Minute
Preceptor
(OMP) para
preceptores do
Estudo de
intervenção
quantitativa
Shah,
M.A.;
Waqar,
S.H.
(2024)
Preceptores mais
experientes tiveram
melhores autoavaliações,
confirmadas pelos
estagiários. O “clima de
aprendizagem” recebeu as
menores pontuações.
Conclusão: a integração
entre autoavaliações e
avaliações discentes facilita
a identificação de lacunas e
competências docentes.
Residentes treinados no
OMP relataram melhora na
apresentação de casos
(90%), identificação da
condição clínica (70%),
diagnóstico (60%), fatores
de risco (80%) e plano
terapêutico (70%).
Conclusão: o OMP mostrouse eficaz como estratégia de
ensino-aprendizagem em
ambiente ambulatorial.
A combinação do OMP com
o método DEFT foi proposta
para ampliar o conhecimento
clínico, o raciocínio
diagnóstico e o
reconhecimento de padrões
de doenças.
Conclusão: o modelo
OMP/DEFT pode ser
aplicado por preceptores e
estudantes em qualquer
etapa da abordagem ao
paciente.
Estudantes de Enfermagem
foram distribuídos em dois
grupos: controle (mentoria
usual) e experimental
(mentoria associada à
avaliação formativa). Ambos
realizaram avaliações
teóricas e clínicas, porém o
grupo experimental obteve
desempenho
significativamente superior.
Conclusão: os resultados
evidenciam que a avaliação
formativa potencializa o
desempenho teórico,
aprimora habilidades clínicas
e fortalece a aprendizagem
autodirigida durante o
estágio.
Após a capacitação no
modelo OMP, 86,7% dos
preceptores relataram maior
participação discente, 60%
mais agilidade no serviço e
86,7% sentiram-se mais
seguros ao oferecer
feedback. Entre os
30
setor de
urgência de
uma
maternidade
escola.
6
Case presentation
methods: a
randomized
controlled trial of the
one-minute preceptor
versus SNAPPS in a
controlled setting
7
Clinical supervision
and
preceptorship/tutorshi
p: contributions to the
Supervised Curricular
Internship in Nursing
Education
Perspectives
on Medical
Education
(PME)
Revista
Brasileira de
Enfermagem
– REBEn
Fagunde
s, E.D.T.;
et al.
(2020)
Esteves,
L. S. F.;
et al.
(2019)
Comparar o
conteúdo da
apresentação
do caso entre
os métodos
SNAPPS e
OMP.
Refletir sobre
as
contribuições
da supervisão
clínica e da
preceptoria/
Tutoria como
meios para a
aproximação e
envolvimento
dos
enfermeiros
dos serviços
de saúde nas
atividades de
Estágio
Curricular
Ensaio Clínico
randomizado
Estudo
reflexivo
Supervisionado.
8
Effectiveness of
SNAPPS for
improving clinical
reasoning in
postgraduates:
Randomized
controlled trial
BioMed
Central
(BMC)
Medical
Education
Jain, V.;
et al.
(2019)
Avaliar a
eficácia do
SNAPPS em
comparação
com a
apresentação
de caso
tradicional
para facilitar o
raciocínio
clínico em
ambiente de
internação.
Estudo
descritivo
residentes, a adesão ao
OMP chegou a 66,7%;
95,8% o consideraram mais
interessante que métodos
tradicionais e 70,9%
perceberam melhora no
ensino-aprendizagem.
Conclusão: o modelo OMP
mostrou-se eficaz para
qualificar o ensino na
emergência obstétrica.
Estudantes treinados em
SNAPPS e OMP não
diferiram quanto ao tempo
de apresentação ou à
demonstração do raciocínio
clínico. Contudo, o grupo
SNAPPS expressou mais
dúvidas e mostrou maior
iniciativa ao justificar
diagnósticos e condutas.
Conclusão: o SNAPPS
favorece maior protagonismo
discente, enquanto o OMP
tende a ser mais adequado
para estudantes com menor
experiência clínica.
A supervisão clínica,
amplamente utilizada na
Europa, favorece o
desenvolvimento profissional
por meio da reflexão e do
apoio qualificado, exigindo
preceptores capacitados. No
Brasil, o Estágio Curricular
Supervisionado enfrenta
limitações legais e
institucionais que restringem
a atuação dos enfermeiros,
apesar do potencial da
supervisão clínica para
fortalecer competências.
Conclusão: reforça-se a
necessidade de maior
integração ensino–serviço e
de formação de preceptores.
O método SNAPPS gerou
resumos mais concisos,
maior explicitação do
raciocínio clínico, mais
diagnósticos diferenciais e
maior formulação de
incertezas, além de mais
iniciativa nas discussões de
manejo. Preceptores
também avaliaram melhor a
organização, escolha de
exames, plano de manejo e
uso do tempo pelos
estudantes.
Conclusão: o SNAPPS
amplia o raciocínio clínico
explícito e reforça o
protagonismo discente.
31
9
An analysis of
Canadian doctor of
pharmacy student
experiences in nontraditional studentpreceptor models
10
In pursuit of an
optimal model of
undergraduate nurse
clinical education: an
integrative review
11
How to case
presentation teaching
methods-SNAPPS
and the one-minute
preceptor
12
The results of a
survey highlighting
issues with feedback
on medical training in
the United Kingdom
and how a
smartphone app
could provide a
solution
American
Journal of
Pharmaceuti
cal
Education
(AJPE)
Nurse
Education in
Practice
(NEP)
BioMed
Central
(BMC)
Medical
Education
BioMed
Central
(BMC)
Research
Notes
Mclntyre,
C.; et al.
(2019)
Descrever as
experiências e
percepções
dos alunos
sobre modelos
de
aprendizagem
não
tradicionais
entre aluno e
preceptor.
Ensaio clínico
randomizado
Forber,
J.; et al.
(2016)
Explorar como
estudos
compararam
ou
constataram
diferentes
modelos de
educação
clínica de
graduação
enfermagem.
Revisão
integrativa
Seki, M.;
et al.
(2016)
Verificar as
diferenças
entre o
SNAPPS e o
OMP no
conteúdo de
apresentação
de casos e na
avaliação do
aluno.
Estudo
comparativo
com simulação
Gray, T.
G.; Hood,
G.;
Farrell, T.
(2015)
Apresentar e
analisar os
resultados da
pesquisa e
discutir como
o uso do
aplicativo
Healthcare
Supervision
Logbook
(HSL) para
smartphones
pode constituir
para fornecer
feedback
sobre o
treinamento
médico.
Estudo
descritivo
Entrevistas com doutorandos
mostraram que CoP, PAL e
NPT ampliam o apoio entre
pares, a observação guiada
e o feedback contínuo. A
CoP diversificou
abordagens, a PAL reduziu
pressões individuais e a NPT
valorizou a orientação de
colegas experientes. Juntos,
fortaleceram autonomia,
colaboração e habilidades
clínicas.
Conclusão: esses modelos
facilitam a transição para a
prática profissional.
Relações interpessoais
positivas, integração à
equipe e estágios mais
longos ampliam
aprendizagem, satisfação e
reflexão.
Conclusão: a eficácia dos
modelos clínicos depende de
supervisores capacitados e
estágios adequados; ainda
faltam padronização
conceitual e estudos sobre
fatores de sucesso.
Entre residentes, modelos
SNAPPS e OMP tiveram
desempenho semelhante em
diagnósticos diferenciais,
manejo e identificação de
lacunas. Contudo, o
SNAPPS facilitou a
identificação de dúvidas e o
uso de questões e
incertezas.
Conclusão: o SNAPPS
favorece reflexão e
aprendizagem ativa,
enquanto o OMP enfatiza
correção guiada pelo
preceptor.
Em 499 residentes e 154
supervisores, observou-se
baixa frequência e qualidade
do feedback, limitada por
falta de tempo e ausência de
estruturas formais. Menos da
metade dos supervisores
tinha oportunidade
adequada para fornecer
retorno, e muitos não
recebiam feedback sobre
sua prática.
Conclusão: propôs-se o
aplicativo Healthcare
Supervision Logbook
(HSL) para apoiar feedback
contínuo e bilateral. O HSL é
uma maneira simples, rápida
e eficiente de coletar e reunir
feedback sobre o treinamento
médico.
32
13
Residents’ and
preceptors’
perceptions of the
use of the iPad for
clinical teaching in a
family medicine
residency program
BioMed
Central
(BMC)
Medical
Education
Archibald
, D.; et al.
(2014)
Avaliar a
experiência de
especialistas e
preceptores de
medicina de
família, e
residentes,
usando tablets
para
implementar e
adotar o novo
currículo de
medicina de
família.
Estudo piloto,
misto,
descritivo e
exploratório
Na residência médica, o uso
de iPads teve alta aceitação:
41% acessaram o currículo
pelo dispositivo, 88%
utilizaram e-mails e apps
clínicos, e 91% destacaram
facilidade de uso. Os apps
mais frequentes foram
RxFiles (residentes) e
LexiComp (preceptores). No
total, 76% avaliaram o tablet
positivamente.
Conclusão: o iPad favorece
o aprendizado clínico,
embora ainda exija melhor
infraestrutura e capacitação.
Fonte: autores
Como recurso de síntese semântica e visual das temáticas emergentes, a
elaboração da nuvem de palavras (Figura 2), a partir do site wordcloud permitiu
identificar os termos mais frequentes nos objetivos, nos principais resultados e na
conclusão, dos 13 estudos dessa revisão, a densidade terminológica e os eixos
centrais que sustentam a literatura selecionada.
(Figura 2). Nuvem de palavras mais frequentes nos objetivos e principais
resultados e conclusões dos 13 estudos submetidos a esta revisão integrativa.
Fonte: autores
A análise bibliométrica identificou que a maioria dos estudos foi publicado em
língua inglesa (12 artigos, correspondendo a 92,31%). A análise evidenciou a variação
de 4 a 5 palavras-chave por artigo, o total de 315 referências, o predomínio de artigos
publicados em periódicos de estrato Qualis A2 e publicações internacionais de
diversas nacionalidades (Quadro 2).
33
Essa predominância destaca não apenas o interesse global sobre a temática,
assim como a carência de estudos nacionais, identificada nas bases de dados
utilizadas. Considerando os critérios estabelecidos de: recorte temporal, acesso livre
e integral das publicações.
Quadro 2. Análise Bibliométrica dos artigos selecionados (2014-2024)
TÍTULO
DO
ARTIGO
1
Assessment
of the
competency of
learnercentered
teaching of
clinical
preceptor
using the
augmented
Stanford
Faculty
Development
Program
Questionnaire
(SFDPQ): a
cross
sectional
comparative
study
2
Perception
about one
minute
preceptorship
in
postgraduate
training of
ophthalmology
3
Enhancing the
one-minute
preceptor
method for
clinical
teaching with
a DEFT
approach:
Clinical
teaching
strategies for
infectious
diseases
Nº DE
AUTORES
Nº DE
PALAVRASCHAVES
FI
QUALIS
Nº DE
CITAÇÃO
PUBLICAÇÃO
/ACESSO
IDIOMA
REFERÊNCIA
(NAC/GLOB)
ING
0/39
ING
0/19
ING
0/25
Publicação:
paga
7
4
3.2
A2
1
Acesso:
gratuito
Publicação:
paga
2
5
0.13
NA
0
Acesso:
gratuito
Publicação:
paga
6
5
4,3
A2
4
Acesso:
gratuito
34
4
Applying
formative
evaluation in
the mentoring
of student
intern nurses
in an
emergency
department
5
Training
preceptors of
obstetricsgynecology
residents
through the
one-minute
preceptor
model
6
Case
presentation
methods: a
randomized
controlled trial
of the oneminute
preceptor
versus
SNAPPS in a
controlled
setting
7
Clinical
supervision
and
preceptorship/
tutorship:
contributions
to the
Supervised
Curricular
Internship in
Nursing
Education
Publicação:
paga
7
5
3,4
A1
2
ING
0/26
ING
15/6
ING
0/19
POR
3/7
Acesso:
gratuito
Publicação:
paga
2
5
1,4
B1
NA
Acesso:
gratuito
Publicação:
paga
6
4
3,9
A2
5
Acesso:
gratuito
Publicação:
paga
4
5
1,2
A4
21
Acesso:
gratuito
35
8
Effectiveness
of SNAPPS
for improving
clinical
reasoning in
postgraduates
: Randomized
controlled trial
9
An analysis of
Canadian
doctor of
pharmacy
student
experiences in
non-traditional
studentpreceptor
models
10
In pursuit of
an optimal
model of
undergraduate
nurse clinical
education: an
integrative
review
11
How to case
presentation
teaching
methodsSNAPPS and
the oneminute
preceptor
Publicação:
paga
7
5
2,7
A2
28
ING
0/14
ING
0/36
ING
0/54
ING
0/16
Acesso:
gratuito
Publicação:
paga
3
5
3,8
A2
3
Acesso:
gratuito
Publicação:
paga
6
4
4,0
A1
48
Acesso:
gratuito
Publicação:
paga
5
5
3,2
A2
31
Acesso:
gratuito
36
12
The results of
a survey
highlighting
issues with
feedback on
medical
training in the
United
Kingdom and
how a
smartphone
app could
provide a
solution
13
Residents’
and
preceptors’
perceptions of
the use of the
iPad for
clinical
teaching in a
family
medicine
residency
program
Publicação:
paga
3
4
1,6
B1
13
ING
0/16
ING
0/20
Acesso:
gratuito
Publicação:
paga
5
5
3,2
A2
27
Acesso:
gratuito
Fonte: autores
Os estudos, majoritariamente quantitativos, com alguns qualitativos, mistos e
revisões, investigaram a eficácia, aplicabilidade e percepções de preceptores e
estudantes sobre essas estratégias.
A partir da análise dos artigos selecionados, foi possível sistematizar as
informações de acordo com a análise de conteúdo de Bardin (2016) para construção
das categorias temáticas. A leitura flutuante dos estudos selecionados evidenciou um
conjunto diverso de estratégias pedagógicas utilizadas na preceptoria em saúde,
incluindo métodos estruturados de apresentação de casos, modelos de feedback, uso
de tecnologias, avaliação formativa, supervisão clínica e abordagens colaborativas.
2.4.1 TEMA 1. Estratégias educacionais na preceptoria em saúde: síntese das
evidências
Os estudos incluídos nesta revisão integrativa apresentam evidências
consistentes sobre o papel das estratégias educacionais na preceptoria em saúde,
especialmente no uso de metodologias ativas voltadas ao desenvolvimento de
competências clínicas.
37
Tonso e Fernandes, (2024) destacam que metodologias ativas de ensinoaprendizagem favorecem o raciocínio clínico, ao estimular o estudante a assumir uma
postura participativa no processo de construção do conhecimento e na análise objetiva
de casos clínicos.
Essa perspectiva dialoga com achados de Savaria et al. (2022), que
investigaram métodos educacionais capazes de envolver ativamente os alunos em
atividades que favorecessem a aprendizagem e, simultaneamente, orientassem
preceptores no ensino de habilidades clínicas em ambientes hospitalares. Nesse
estudo, seis estratégias educacionais foram identificadas, porém apenas duas: OMP
(One-Minute Preceptor) e SNAPPS, receberam destaque por apresentarem critérios
da educação baseada em evidências.
O modelo SNAPPS (sumarizar, numerar, analisar, perguntar, planejar e
selecionar) é amplamente reconhecido na preceptoria por favorecer a autonomia
discente, ao estruturar a apresentação de casos clínicos de forma ativa e reflexiva.
Enquanto o modelo OMP foi apontado por Savaria et al. (2022) como compatível com
ambientes clínicos de alta demanda, por sua aplicabilidade rápida e orientada pelo
preceptor. Os autores propuseram uma adaptação do método, sintetizando suas cinco
micro-habilidades em quatro, no chamado OMP/DEFT, com o intuito de expandir sua
utilidade para diferentes momentos da interação entre preceptor, aluno e paciente,
além de apoiar o ensino e a avaliação de múltiplas competências clínicas.
A efetividade do OMP também foi evidenciada por Shah e Waqar (2024), em
estudo conduzido com residentes de oftalmologia, no qual observaram melhora na
habilidade de apresentação de casos clínicos após a implementação do método. Essa
constatação reforça que o OMP promove o desenvolvimento do pensamento crítico,
ao incentivar o estudante a analisar situações, identificar problemas, levantar
hipóteses de diagnóstico e justificar suas decisões clínicas.
Na literatura, o OMP e o SNAPPS são reconhecidos como estratégias
centradas no aluno, ambas com resultados positivos na prática clínica. Contudo, o
OMP apresenta maior aderência em cenários de elevada demanda assistencial, por
depender essencialmente da habilidade técnica do preceptor e por oferecer um
formato mais conciso de orientação. De acordo Neumann et al., (2019), o OMP é
38
amplamente utilizado em contextos ambulatoriais com grande fluxo de pacientes, pois
suas cinco micro-habilidades estruturam adequadamente o ensino baseado em casos.
Por fim, o estudo de Souza e Vilagra (2024), desenvolvido para capacitar
preceptores de um hospital universitário no uso do OMP, concluiu que o método é
acessível, de fácil implementação e capaz de transformar a forma como o raciocínio
diagnóstico e terapêutico é conduzido na prática clínica, contribuindo para o
aprimoramento da formação em serviço.
Resultados semelhantes foram observados por Shah e Waqar (2024), que
verificaram melhora na organização e clareza das apresentações clínicas feitas por
residentes treinados no modelo.
O modelo SNAPPS, por sua vez, destaca-se pela ênfase na autonomia
discente e na expressão do raciocínio clínico. Pesquisas como as de Jain et al. (2019)
e Heinerichs, Vela e Drouin (2013) mostram que estudantes treinados com SNAPPS
apresentam maior capacidade de formular hipóteses, expressar incertezas, organizar
diagnósticos diferenciais e solicitar informações pertinentes. Apesar das diferenças
funcionais entre os modelos, comparações diretas indicam que OMP e SNAPPS
apresentam desempenho semelhante em termos de justificativa de diagnóstico e
elaboração do plano de cuidado, variando principalmente quanto ao grau de estímulo
à autonomia discente (Fagundes et al., 2020; Seki et al., 2016). A literatura sugere
que ambos os métodos podem ser utilizados de forma complementar, de acordo com
o nível de maturidade clínica do estudante.
Além dos modelos estruturados de discussão de casos, estratégias que
combinam avaliação formativa e mentoria clínica também demonstraram impacto
positivo. Zhang et al. (2022), ao integrarem simulações de cenários baseados em
especialidades, questões online, testes de habilidades e feedback contínuo à rotina
de estágio em um serviço de emergência, para um grupo de estagiários, observaram
que estes relataram melhorias em consciência de aprendizagem, no desempenho
prático e satisfação com o suporte e recursos dentro do programa. Esse estudo reforça
que intervenções estruturadas favorecem a integração teoria–prática e desenvolvem
competências essenciais para atuação profissional em cenários complexos do ensino
clínico.
39
A qualificação pedagógica dos preceptores aparece como elemento central
para a efetividade dessas estratégias. Machado e Medeiros (2021), ao capacitarem
preceptores no modelo OMP em um programa de residência médica, observaram
mudanças substanciais na prática docente: maior uniformidade nas discussões,
ampliação do feedback e melhora na percepção dos residentes quanto à qualidade
do ensino. Os autores ressaltam que a sobrecarga de trabalho e a ausência de
programas institucionais de formação comprometem a prática educativa na
preceptoria, reforçando a necessidade de investimentos na formação pedagógica dos
profissionais.
Outro eixo identificado envolve modelos colaborativos de ensino, como copreceptoria, aprendizagem entre pares e ensino quase entre pares. A pesquisa de
McIntyre et al. (2019) destaca benefícios como apoio mútuo, diversidade de
abordagens clínicas e estímulo à autogestão, especialmente entre estudantes
iniciantes. Os participantes desse estudo relataram que na co-preceptoria, houve
participação de preceptores de diferentes clínicas que atuaram de forma
complementar. Na aprendizagem por pares e no ensino quase entre pares, o trabalho
ocorreu de maneira colaborativa, com consequente redução da ansiedade,
favorecendo a aprendizagem. Esses foram pontos que sobressaíram diante dos
relatos dos estudantes nas entrevistas. No entanto, o estudo aponta desafios
relacionados à falta de comunicação e dificuldade na atenção individualizada por parte
dos preceptores e personalidades conflitantes, competição e lacuna de conhecimento
por parte dos alunos.
O uso de tecnologias digitais também surge como estratégia promissora. Gray
et al. (2015) demonstraram que o feedback ainda é pouco frequente em programas
de residência e propuseram o uso de um aplicativo em dispositivos eletrônicos para
facilitar a troca contínua de devolutivas entre residentes e supervisores. Esse recurso
permite a troca de informações que podem ser usadas para identificar tendências na
oferta de treinamento e para fornecer aos supervisores educacionais e clínicos
feedback sobre suas habilidades, permitindo assim, que os organizadores dos
programas, avaliem adequadamente o padrão do treinamento fornecido em um
departamento ou área específica.
Archibald et al. (2014), em uma pesquisa com preceptores e residentes de
medicina, no Canadá, mostraram que dispositivos como tablets e iPads ampliam o
40
acesso às informações clínicas, dinamizam o aprendizado e favorecem a
sistematização do estudo, embora dependam de infraestrutura que suporte
conectividade confiável, interface que facilite a navegação pelos conteúdos e
capacitação tecnológica, além da oferta de recursos específicos, com aplicativos
médicos e livros acessíveis nesses dispositivos eletrônicos (George et al., 2013).
De maneira geral, os estudos incluídos nesta revisão convergem ao mostrar
que metodologias ativas, modelos estruturados de discussão clínica (como OMP e
SNAPPS), estratégias colaborativas e tecnologias digitais fortalecem a preceptoria em
saúde. Entretanto, sua efetividade depende de condições fundamentais: formação
pedagógica dos preceptores, oferta sistemática de feedback, integração entre teoria
e prática, suporte institucional e ambientes de aprendizagem que favoreçam
participação ativa e reflexão crítica.
2.4.2 Tema 2- Qualificação da Preceptoria para a efetividade do Ensino
Esse tema trata da qualidade da formação prática: competências, capacitação
e tempo de prática como fatores importantes para os preceptores.
Neste sentido, o estudo de Liu et al. (2024) examinou a competência docente
de preceptores clínicos a partir de um instrumento validado aplicado tanto a
preceptores quanto a internos. Ambos os grupos fizeram avaliações positivas, mas
com discrepâncias relevantes: os preceptores atribuíram notas mais altas a si mesmos
em todas as dimensões, enquanto os internos foram mais críticos, especialmente
quanto ao clima de aprendizagem. Além disso, nas autoavaliações, os preceptores
classificaram “conhecimento” como sua menor pontuação, ao passo que os internos
classificaram essa dimensão como a mais elevada.
Essa diferença de percepções é central para compreender o desenvolvimento
docente. A pontuação inferior dos internos para o clima de aprendizagem sugere
fragilidades na relação pedagógica, possivelmente marcadas por comunicação
limitada, pouca abertura ao feedback e menor apoio à autonomia discente. Por outro
lado, o fato de os próprios preceptores se avaliarem com menor domínio de
conhecimento indica uma percepção de preparo insuficiente para conduzir o ensino
clínico, o que reforça a necessidade de formação contínua, supervisão estruturada e
instrumentos de avaliação que promovam autorreflexão acurada.
41
Assim, o estudo evidencia dois elementos críticos: 1) preceptores tendem a
subestimar seu desempenho, sobretudo em dimensões de conhecimento técnico; e
2) internos valorizam fortemente o domínio técnico, mas percebem lacunas no
ambiente de aprendizagem.
Esses achados reafirmam a importância de estratégias de capacitação que
articulem
conhecimento
clínico,
habilidades
pedagógicas
e
competências
comunicacionais, favorecendo uma relação de ensino colaborativa e sensível às
necessidades dos estudantes.
Diversos estudos enfatizam que a atuação do preceptor é estratégica para a
formação em saúde, mas ainda marcada por obstáculos estruturais, especialmente a
insuficiente preparação pedagógica e a falta de clareza sobre atribuições (Araújo et
al., 2023).
Velôso et al. (2019), ao analisarem preceptores da Atenção Primária vinculados
ao PET-Saúde, reforçam esse cenário ao mostrarem que muitos profissionais não se
sentem qualificados para orientar estudantes no cotidiano assistencial. A insegurança
quanto ao papel formador revela fragilidades na integração ensino-serviço e na oferta
de apoio institucional para o aprimoramento docente.
Em convergência, o estudo reflexivo de Esteves et al. (2019) destaca que
modelos consolidados de Supervisão Clínica (SC) amplamente adotados na Europa,
asseguram melhor articulação entre escola e prática ao estabelecerem processos
estruturados de suporte, reflexão e acompanhamento do desenvolvimento clínico.
Nesses contextos, o preparo do preceptor é compreendido como competência
fundamental, abrangendo habilidades de ensino-aprendizagem, comunicação e
avaliação.
A síntese desses achados evidencia que, embora a preceptoria seja
reconhecida como componente estratégico da formação profissional, persistem
lacunas que comprometem sua efetividade, principalmente a ausência de formação
específica e de modelos de supervisão sistematizados. Ao integrar as perspectivas
nacionais e internacionais, nota-se que o fortalecimento da preceptoria depende de
investimentos contínuos na qualificação dos profissionais e na consolidação de
estruturas pedagógicas que sustentem sua prática formadora.
42
A pesquisa de Esteves corrobora para o que sinalizam outras pesquisas sobre
preceptoria em saúde. A falta de conhecimentos pedagógicos aliada a ausência de
domínio sobre estratégias de ensino-aprendizagem por parte da maioria dos
profissionais que desempenham atividades de preceptoria, limita o desenvolvimento
das habilidades clínicas dos estudantes.
A literatura destaca que o preceptor, por ensinar no próprio local de trabalho,
precisa articular expertise técnica e competências pedagógicas para orientar, avaliar
e sustentar o processo formativo (Ribeiro et al., 2020).
A revisão de Forber et al. (2016) reforça que a aprendizagem clínica é
influenciada pela qualidade das relações entre preceptor e aluno, pela integração do
estudante à equipe e pelo tempo disponível no campo de prática. Estágios mais longos
favorecem vínculos, ampliam a reflexão sobre a prática e aumentam a satisfação
discente, pois permitem acompanhar casos com continuidade e compreender melhor
o contexto assistencial.
A análise dos artigos que compõem esta categoria revela um conjunto
consistente de evidências sobre os desafios e exigências que permeiam a atuação do
preceptor nos serviços de saúde. Em diferentes cenários, a literatura converge ao
mostrar que, embora o preceptor ocupe posição estratégica na formação dos
estudantes, sua atuação ainda é fragilizada por lacunas na preparação pedagógica e
pela ausência de suportes institucionais que sustentem o exercício efetivo da
preceptoria.
Os estudos concordam ao mostrar que a efetividade da preceptoria depende
de condições que combinem presença, diálogo e tempo para aprendizagem,
elementos necessários para que a prática clínica resulte em desenvolvimento de
competências e habilidades.
Síntese geral dos resultados
A literatura evidencia que o aprimoramento da preceptoria em saúde está
diretamente relacionado à adoção de estratégias educacionais estruturadas, capazes
de favorecer o desenvolvimento do raciocínio clínico e promover maior autonomia
discente.
43
Modelos como OMP e SNAPPS, abordagens formativas, práticas colaborativas
e recursos tecnológicos emergem como dispositivos pedagógicos eficazes quando
articulados ao suporte institucional e à capacitação dos preceptores. No conjunto, as
evidências indicam que ambientes de aprendizagem que combinam metodologias
ativas, feedback contínuo e integração teoria–prática favorecem processos formativos
consistentes, responsivos e alinhados às demandas contemporâneas da educação
em saúde.
Algumas técnicas, com mais de 20 anos de uso, como o modelo SNAPPS e
outras com mais de 30 anos, como o OMP, que tiveram seus resultados comprovados
em várias pesquisas, no estímulo do pensamento crítico e raciocínio clínico dos
estudantes e também em proporcionar a oportunidade de aprimoramento e
desenvolvimento contínuo dos preceptores, além de contribuir para o fortalecimento
da articulação entre ensino, serviço e a comunidade.
Outros três modelos de ensino não tradicionais, bem conhecidos, como a copreceptoria (CoP), aprendizagem assistida por pares (PAL), e ensino quase entre
pares (NPT), mostraram bons resultados sobre o ensino e aprendizagem de alunos
que estão participando de estágios curriculares, no entanto, para obter os melhores
resultados e uma aplicabilidade eficiente da técnica, os responsáveis pelos estágios
devem analisar cuidadosamente cada um desses modelos de ensino para distinguir
qual pode proporcionar melhores respostas para o seu programa.
Além das técnicas já conhecidas, essa pesquisa traz também técnicas
inovadoras, que acompanham a evolução da sociedade contemporânea. O emprego
de tecnologia digital, como dispositivos eletrônicos e softwares, que potencializam o
ensino. O implemento do uso de aplicativos que estimulem a troca de feedback entre
alunos e seus preceptores proporciona bons resultados ao estágio clínico. Esses
softwares também podem agregar recursos, como artigos, livros, protocolos, entre
outros documentos importantes para o bom desenvolvimento do aluno durante seu
período nos estágios. Os dispositivos eletrônicos corroboram com o ensino prático
ampliando o acesso à informação, otimizando a comunicação entre alunos e
preceptores e tornando as atividades de aprendizado dinâmicas.
Os estudos indicam que os preceptores frequentemente assumem a função
baseados apenas em sua experiência clínica, o que, embora importante, não é
44
suficiente para mediar processos educativos complexos, orientar estudantes em
situações reais de cuidado ou favorecer um ambiente de aprendizagem participativo
e dialogado. Essa falta de preparo repercute na segurança para ensinar, na
capacidade de avaliar, no manejo da comunicação e, sobretudo, na criação de um
clima de aprendizagem que acolha dúvidas, reflexões e tomadas de decisão
compartilhadas.
Outro elemento transversal identificado foi a importância das relações
interpessoais para o desenvolvimento do estudante. A literatura reforça que vínculos
contínuos, estágios longos e ambientes nos quais a hierarquia é substituída por
diálogo favorecem aprendizagens significativas. Contudo, a revisão também evidencia
que tais condições nem sempre estão presentes nos serviços, seja pela alta demanda
assistencial, seja pela falta de integração estruturada entre ensino e trabalho.
2.6 Considerações Finais
Essa revisão integrativa traz dados e informações sobre estratégias de ensino,
na preceptoria em saúde, para o desenvolvimento do pensamento crítico e do
raciocínio clínico, tanto para alunos de graduação como da pós-graduação, além de
proporcionar o aprimoramento pedagógico dos preceptores.
Os artigos mostraram que a qualificação e o suporte ao preceptor são
fatores importantes para a qualidade da formação clínica. Modelos de supervisão,
programas de capacitação e estratégias de ensino-aprendizagem precisam ser
fortalecidos para que o preceptor possa exercer plenamente seu papel, contribuindo
para a formação de profissionais críticos, autônomos e preparados para a
complexidade da prática em saúde.
Os achados dessa pesquisa evidenciaram que a incorporação de estratégias
ativas, modelos colaborativos de ensino e tecnologias digitais, voltadas ao aluno no
ensino prático, não apenas ajuda o desenvolvimento do processo de ensinoaprendizagem, como ainda redefini o papel do preceptor como mediador do
conhecimento e facilitador do desenvolvimento do raciocínio clínico.
Contudo, para que esses níveis cognitivos sejam alcançados, torna-se
fundamental orientar os preceptores quanto a importância do seu papel no processo
formativo, substituindo métodos exclusivamente expositivos baseados na transmissão
45
unidirecional de informações, para uma aprendizagem ativa, onde o aluno seja o
protagonista no desenvolvimento do seu conhecimento. Essa transição do ensino
intuitivo para uma prática baseada em evidencias, confere maior segurança na
supervisão do ensino e na delegação de tarefas clínicas, além de influenciar
diretamente na segurança do paciente, uma vez que o preceptor passa a utilizar
estratégias de feedback e sondagem de compromisso criteriosas durante a
assistência.
Limitações do estudo
No que concerne às limitações deste estudo, destaca-se, o recorte temporal e
idiomático. Embora o intervalo de dez anos garanta a atualidade das fontes, a
exclusão de estudos fora do eixo português-inglês-espanhol pode ter omitido
experiências relevantes de outros sistemas de saúde.
Adicionalmente, sugere-se o desenvolvimento de estudos focados na
adaptação transcultural e validação de protocolos de ensino-aprendizagem para as
diversas categorias da equipe multiprofissional. Visto que a maioria da literatura atual
se concentra na educação médica, existe uma lacuna para investigar como estas
estratégias educacionais se comportam na preceptoria de outras categorias da área
da saúde, considerando as especificidades das suas competências técnicas.
46
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50
3 PRODUTO EDUCACIONAL
UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS – UFAL
FACULDADE DE MEDICINA – FAMED
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENSINO NA SAÚDE
MESTRADO PROFISSIONAL EM ENSINO NA SAÚDE – MPES
ALMIR JABES DOS SANTOS JUNIOR
RECURSOS PARA A PRECEPTORIA EM SAÚDE: ENSINAR NA PRÁTICA
Produto educacional desenvolvido a partir dos resultados
obtidos no trabalho: “Preceptoria em saúde e as estratégias
educacionais de ensino: revisão integrativa”, apresentado ao
Programa de Pós-graduação em Ensino na Saúde, Mestrado
Profissional em Ensino na Saúde da Faculdade de Medicina da
Universidade Federal de Alagoas (PPES/MPES/FAMED/UFAL),
como requisito para obtenção do título de Mestre em Ensino na
Saúde.
Orientadora: Profª. Drª. Celia Maria Silva Pedrosa
Coorientadora: Profª. Drª. Maria Viviane Lisboa de Vasconcelos
51
3. PRODUTO EDUCACIONAL: “Recursos para preceptoria em saúde: ensinar na
prática”. E-BOOK.
3.1 Título de produto em português
Recursos para a preceptoria em saúde: ensinar na prática.
3.2 Título do produto em inglês
Resources for preceptorship in health: teaching by doing.
3.3 Tipo de produto
Produto textual: E-book interativo
3.4 Público alvo
Docentes
Preceptores
Discentes de cursos de graduação e pós-graduação em saúde.
3.5 Introdução
A preceptoria é uma prática pedagógica indispensável, capaz de promover a
aprendizagem significativa e de potencializar a formação humana e profissional dos
estudantes (Missaka; Ribeiro, 2011).
Os cursos de graduação na área da saúde, em seus currículos, contemplam
atividades disciplinares teóricas e práticas, e o ensino prático, desenvolvido por meio
de estágio curricular supervisionado (ECS) e de internato.
Dessa forma, à medida que os ECS se consolidam como etapa imprescindível da
formação profissional, torna-se ainda mais relevante compreender de forma
aprofundada o exercício da preceptoria e o papel desempenhado pelo preceptor
(Santana Carvalho; Fagundes, 2008).
Para Ribeiro e Prado (2014), no exercício da preceptoria, o profissional deve
não apenas demostrar domínio do conhecimento clínico, contudo, deve estar apto
para transformar as vivências do ambiente profissional em experiências de
aprendizagem, promovendo a integração entre teoria e prática e para isso é
necessário adquirir conhecimento pedagógico.
52
Nessa perspectiva, Santana Carvalho e Fagundes (2008), destacam a
necessidade de ampliar a concepção e o planejamento do estágio, incorporando
estratégias de integração entre ensino e serviço, a fim de proporcionar a estudantes
e preceptores uma compreensão crítica do estágio na formação profissional e
favorecer seu aproveitamento como ambiente de aprendizagem para a prática em
saúde.
Algumas estratégias educativas passaram a utilizar a tecnologia como
ferramenta e meio de inter-relação entre docentes e discentes para transmissão de
dados e informações, uma vez que as metodologias de ensino baseadas na
incorporação de ferramentas computacionais, têm potencial para moldar o ensino de
acordo com as necessidades e exigências da realidade contemporânea, sendo
exemplo disso, os e-books (livros digitais eletrônicos), que, além do conteúdo em
texto, permite a inclusão de inúmeros recursos interativos (Dalgallo; Dutra; Silveira,
2022).
O avanço das tecnologias digitais na educação tem proporcionado novas
possibilidades de ensino, tornando o aprendizado mais dinâmico e interativo, de modo
que o uso do e-book como produto educacional vem se consolidando como um
recurso pedagógico eficiente para ampliar o acesso e a difusão de materiais digitais
(Santos; Mesquita, 2024).
3.6 Objetivos
3.6.1 Objetivo geral
Desenvolver e disponibilizar material digital eletrônico como recurso
educacional acessível, interativo e de fácil compreensão, com o propósito de auxiliar
profissionais e estudantes envolvidos no contexto do ensino da prática clínica, no
entendimento e reflexões sobre metodologias ativas na preceptoria em saúde.
3.6.2 Objetivos específicos
Apresentar estratégias de ensino no contexto clínico a profissionais da saúde;
Contribuir para o ensino clínico no âmbito da integração ensino-serviço;
53
Subsidiar a aprendizagem dos discentes por meio de estratégias de ensino
validadas para a preceptoria em saúde.
3.7 Metodologia
O e-book, entendido como uma versão digital do livro impresso, caracteriza-se
pela
praticidade
de
acesso
em
diferentes
dispositivos
eletrônicos,
como
computadores, tablets e smartphones, sendo uma tecnologia que oferece múltiplos
benefícios ao processo de ensino e aprendizagem (Santos; Mesquita, 2024).
A elaboração de materiais educativos com linguagem acessível, associada à
sua aplicação em contextos reais de ensino-aprendizagem, representa uma estratégia
relevante para reduzir barreiras de compreensão e favorecer a construção do
conhecimento (Melo et al., 2022).
A confecção do livro digital eletrônico se deu após análise minuciosa do
material científico, selecionado previamente, para compor a pesquisa.
O e-book possui 51 páginas (figuras 3 a 8) e foi elaborado através da plataforma
Canva.
No primeiro momento, propôs-se definir a identidade visual do e-book. Com o
objetivo de obter um design que facilitasse a leitura, transmitisse profissionalismo e
favorecesse o aprendizado, optou-se por uma combinação de cores em tonalidades
suaves, como azul e verde. A figura usada na capa foi definida com o intuito de ser
convidativa e moderna.
O material textual e a criação da interatividade, presentes no e-book, foram
elaborados pelos pesquisadores desse estudo, a partir das publicações selecionadas
para essa revisão. Os recursos interativos utilizados no livro digital são links de
pesquisas científicas, vídeos e podcast, sobre as principais estratégias educacionais
em saúde que fizeram parte do escopo dessa revisão, além de um design digital
pensado para engajar o leitor e evitar que o conteúdo se torne cansativo.
O e-book será divulgado no portal eduCAPES, que se trata de uma plataforma
educacional online que armazena, publica e permite o compartilhamento de materiais
educacionais abertos de maneira gratuita.
O livro digital também será divulgado na página virtual do MPES-FAMED-UFAL
e no repositório da biblioteca central da UFAL.
54
O e-book ainda será disponibilizado à Gerencia Docente Assistencial (GDA) do
hospital, unidade na qual o pesquisador exerce suas atividades profissionais e que
motivou desenvolvimento dessa pesquisa, com o objetivo de subsidiar a prática
profissional.
3.8 Resultados esperados
Espera-se que este livro digital possa estimular o desenvolvimento de estágios
clínicos com foco no ensino centrado no aluno, onde os preceptores, fundamentados
em abordagens pedagógicas reconhecidas na literatura, assumam o papel de
facilitadores do processo de construção do conhecimento, diversificando estratégias
para além da exposição de conteúdo.
Acredita-se que o e-book pode configurar-se como uma ferramenta relevante
na prática clínica de estagiários e preceptores especialmente pela facilidade de
acesso e compartilhamento em ambientes ambulatoriais e hospitalares caracterizados
por elevada demanda assistencial.
3.9 Considerações Finais
O e-book intitulado “Recursos para a preceptoria: ensinar na prática” foi
pensado e elaborado para fomentar o desenvolvimento de atividades práticas com
foco no ensino centrado no aluno, a partir de técnicas de ensino e aprendizagem
validadas e utilizadas no ensino prático em saúde, que estimulam o pensamento
crítico e o raciocínio clínico do estagiário.
Este e-book apresenta conteúdo interativo e de fácil compreensão. Conta com
um sumário dotado de recurso de navegação, que facilita a localização dos temas
abordados, além do uso de links que direcionam às pesquisas científicas citadas ao
longo do material. Inclui, ainda, quadros com perguntas reflexivas que estimulam uma
análise mais aprofundada dos conteúdos apresentados, bem como vídeos e podcast
sobre os principais modelos de ensino e aprendizagem, discutidos nesta pesquisa e
aplicados no contexto do estágio clínico.
3.10 Acesso ao enderenço eletrônico do e-book
https://encurtador.com.br/iZQr
55
FIGURA 3 – E-BOOK Recursos para preceptoria em saúde: ensinar na prática.
56
FIGURA 4 – E-BOOK Recursos para preceptoria em saúde: ensinar na prática.
57
FIGURA 5 – E-BOOK Recursos para preceptoria em saúde: ensinar na prática.
58
FIGURA 6 – E-BOOK Recursos para preceptoria em saúde: ensinar na prática.
59
FIGURA 7 – E-BOOK Recursos para preceptoria em saúde: ensinar na prática.
60
FIGURA 8 – E-BOOK Recursos para preceptoria em saúde: ensinar na prática.
61
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64
4 Considerações Finais do TACC
O presente Trabalho Acadêmico de Conclusão de Curso (TACC) buscou
analisar as evidências científicas sobre as estratégias pedagógicas na preceptoria em
saúde, identificando a sua aplicabilidade no desenvolvimento do raciocínio clínico e
na consolidação do ensino-serviço no âmbito do SUS.
Observa-se que o aprimoramento da preceptoria em saúde está diretamente
relacionado à adoção de estratégias educacionais estruturadas, capazes favorecer o
desenvolvimento do raciocínio clínico e promover maior autonomia discente.
As evidências indicam que ambientes de aprendizagem que combinam
metodologias ativas, feedback contínuo e integração teoria–prática favorecem
processos formativos consistentes, responsivos e alinhados às demandas
contemporâneas da educação em saúde.
Outro elemento transversal identificado foi a importância das relações
interpessoais para o desenvolvimento do estudante. A literatura reforça que vínculos
contínuos, estágios longos e ambientes nos quais a hierarquia é substituída por
diálogo favorecem aprendizagens significativas. Contudo, a revisão também evidencia
que tais condições nem sempre estão presentes nos serviços, seja pela alta demanda
assistencial, seja pela falta de integração estruturada entre ensino e trabalho.
Aspira-se que os resultados deste estudo e o produto educacional
desenvolvido contribuam com o ensino e aprendizagem dos programas de preceptoria
na graduação e pós-graduação em saúde. Em suma, espera-se que este TACC
promova a reflexão dos profissionais envolvidos no ensino em contexto clínico acerca
da aplicabilidade de estratégias voltadas à aprendizagem ativa, além de contribuir com
a prática clínica e, consequentemente, o atendimento à população, por meio de
práticas baseadas em evidências de educação em saúde.
65
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