Perspectiva Discente sobre as Competências e Habilidades na Formação em Fisioterapia – Laíssa Fonseca Tatajuba Monteiro

Data da Defesa: 10/02/2020

Arquivo
PERSPECTIVA DISCENTE SOBRE AS COMPETÊNCIAS E HABILIDADES NA FORMAÇÃO EM FISIOTERAPIA - LAISSA FONSECA TATAJUBA MONTEIRO.pdf
Documento PDF (10.2MB)
                    UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
FACULDADE DE MEDICINA
PROGRAMA DE PÓS
PÓS-GRADUAÇÃO
GRADUAÇÃO EM ENSINO NA SAÚDE

LAÍSSA FONSECA TATAJUBA MONTEIRO

PERSPECTIVA
SPECTIVA DISCENTE SOBRE AS COMPETÊNCIAS E
HABILIDADES NA FORMAÇÃO EM FISIOTERAPIA

MACEIÓ
2020

1

LAÍSSA FONSECA TATAJUBA MONTEIRO

PERSPECTIVA DISCENTE SOBRE AS COMPETÊNCIAS E
HABILIDADES NA FORMAÇÃO EM FISIOTERAPIA

Trabalho acadêmico de conclusão de curso
apresentado ao Programa de Pós-Graduação em
Ensino na Saúde da Faculdade de Medicina da
Universidade Federal de Alagoas, para obtenção
do título de Mestre em Ensino na Saúde.
Orientador: Prof. Dr. Waldemar Antônio das
Neves Júnior
Co-orientadora: Profa. Dra. Mércia Lamenha
Medeiros
Linha de Pesquisa: Currículo e processo ensinoaprendizagem na formação em saúde (CPEAS).

MACEIÓ
2020

2

AGRADECIMENTOS
Todo meu agradecimento, honra e glória ao Deus Maravilhoso que guiou
meus caminhos e me capacitou para chegar até aqui. Eu o tenho como amigo, pai e
protetor.
À minha Mãe do Céu, Nossa Senhora, que tanto levou a seu filho minhas
angústias e aflições e a minha mãe Maria da Conceição Fonseca Tatajuba pelas
palavras de incentivo e por acreditar sempre no melhor de mim.
Ao meu esposo e amigo, Fabiano Santos Monteiro que fez de seus braços
abrigo nas horas de tumulto e confusão.
À minha família, em especial meus sobrinhos e minha irmã Lívia Tatajuba,
que traziam no sorriso tudo o que eu precisava.
Aos meus amigos, que souberam respeitar minha ausência neste percuso.
Aos meus orientadores, Waldemar Neves e Mércia Lamenha por todo apoio e
disponibilidade de tempo e atenção. Acredito que vocês foram escolhidos por Deus
para me ajudar neste percurso, não poderia ter sido diferente! Serei sempre muito
grata! Deus os abençoe!
A toda a equipe do MPES/ 2018, professores, colaboradores e a minha turma
querida que deixará saudades.
Ao Centro Universitário Tiradentes, através das coordenadoras Ana Luísa
Exel e Anne Galindo e da Preceptora e amiga Cícera Trindade. Acredito que juntos
poderemos construir uma instituição cada vez melhor.
Aos amigos da Maternidade Escola Santa Mônica no nome da querida
Jaciene Farias: “vivo com vocês um tempo de sonho e crescimento, sou muito
grata!”.
Aos meus alunos, que sempre serão o grande incentivo na busca do meu
aperfeiçoamento para o exercício da docência.
Ao meu Pai, Carlos Antônio Oliveira Tatajuba (em memória), que tanto
abdicou de seus sonhos para que hoje eu tocasse nos meus. Saudades sem fim!

RESUMO GERAL
As Diretrizes Curriculares Nacionais para o curso de fisioterapia (DCN/FISIO)
propõem um perfil de profissionais a ser formado baseando-se na construção de
seis competências e habilidades gerais que devem estar presentes nos modelos
de formação dos cursos de Fisioterapia. Sendo assim, esta pesquisa teve como
objetivo analisar a perspectiva discente sobre as competências e habilidades na
formação em Fisioterapia de um centro universitário alagoano. Tratou-se de um
Estudo quanti-qualitativo, descritivo, exploratório, transversal, do tipo estudo de
caso que teve como população estudada discentes do 6°, 7° e 10° períodos do
referido curso. Para coleta de dados, foi aplicado um questionário semiestruturado, revisado por especialista, composto por 36 assertivas com 4
opções de resposta (não se aplica, discordo, concordo parcialmente e concordo)
e uma questão aberta. As assertivas estavam relacionadas às competências
descritas nas DCN/FISIO (atenção à saúde, tomada de decisões, comunicação,
liderança, administração e gerenciamento e educação permanente). As
respostas obtidas dos questionários foram codificadas e distribuídas no
programa Microsoft Excel, divididas em 2 grupos, bem como as respostas das
questões abertas. Para a análise estatística, utilizou-se frequência, percentual, o
teste estatístico Mann- Whitney e o nível de significância com (p<0,05).
Participaram da pesquisa 59 discentes, sendo 50,8% participantes do 6° e/ou 7°
períodos do curso (grupo 1) e 49,2% do 10° período (grupo 2). Da totalidade dos
dois grupos, 81% se encontravam na faixa etária de 21 a 30 anos e 75% eram
do gênero feminino. Dentre as diversas competências, as que obtiveram um
considerável número de respostas corretas foram: administração e
gerenciamento; atenção à saúde e comunicação. As de educação permanente,
liderança e tomada de decisões apresentaram-se de forma diferente nos grupos.
Não foi encontrada diferença significativamente estatística entre os grupos nas
categorias estudadas. A categoria liderança foi a que obteve o maior deficit com
relação a frequência das assertivas. Também foi identicada uma fragilidade para
a percepção da competência educação permanente e para a alternativa não se
aplica, principalmente no grupo 1. Os alunos afirmaram terem adquirido
competências e habilidades durante seu processo de formação mencionando
nas respostas abertas todas as competências e habilidades gerais descritas nas
DCN. Deste trabalho foram elaborados 3 produtos de intervenção: um relatório
técnico direcionado à Coordenação do Curso de Fisioterapia estudado, como
devolutiva institucional; uma oficina, que foi aplicada aos alunos em fase de
estágio e seus preceptores intitulada “Reconhecendo as competências e
habilidades do fisioterapeuta”; e por fim, um relatório técnico sobre os resultados
obtidos da oficina que será entregue à IES e disponibilizado à banca de
mestrado.
Palavras Chaves – Fisioterapia. Competência profissional. Habilidade.
Currículo.

GENERAL ABSTRACT
The National Curriculum Guidelines for the Physiotherapy course (DCN/FISIO)
propose a professional profile to be formed based on six general competencies and
skills which should be in the training programs of physiotherapy courses in Brazil.
Thus, this research aimed to analyse the students’ perspective on the competencies
and skills during their training in physiotherapy in a University Center in the Brazilian
state of Alagoas. This was a quantitative, descriptive, exploratory, cross-sectional
case study that had as subjects’ students from the 6th, 7th and 10th semesters of the
course and an open question. A semi-structured questionnaire consisting of 36
statements with 4 response options (not applicable, disagree, partially agree and
agree) was applied for data collection. The statements were related to the
competencies described in the DCN/FISIO (health care, decision making,
communication, leadership, administration and management, and continuing
education). The answers obtained from the questionnaires were coded and
distributed in the Microsoft Excel program, divided into 2 groups, as well as the
answers to the open questions. For statistical analysis we used: frequency,
percentage, Mann-Whitney statistical test and significance level with (p <0.05). Fiftynine students participated in the research, being 50.8% participants from the 6th and
/ or 7th semesters of the course (group 1) and 49.2% of the 10th semester (group 2).
Across both groups, 81% subjects were in the age group of 21 to 30 years and 75%
of them were female. Among the various competencies, the ones with a considerable
number of correct answers were administration and management; attention to health
and communication. The competencies of permanent education, leadership and
decision making presented different results between the groups. Difference between
the groups was negligible in the categories studied. The leadership category was the
one with the largest deficit in relation to the frequency of assertions. Weaknesses
were also identified relating to the perception of continuing education competence
and for the alternative does not apply, especially in group 1. The students stated that
they had acquired competences and abilities during their training process, mentioning
all the general competences and skills described in DCN in their open answers. This
work resulted in 3 intervention products: a technical report directed to the
Coordination of the studied Physiotherapy Course; a workshop to internship students
and their preceptors named “Recognizing the competences and skills of the
physiotherapist”; and finally, a technical report on the results obtained from the
workshop that will be delivered to higher education institution and made available to
the master's board.
Keywords: Physical therapy. Professional competence. Skill. Curriculum

LISTA DE TABELAS E QUADROS
Tabela 1 Distribuição das categorias para a organização dos dados .....................26
Quadro 1 Frequência de respostas quanto a perspectiva

discente

sobre as Competências e Habilidades ....................................................28
Tabela 2 Distribuição de categorias e contagem da frequência ..............................29
Quadro 2 Planejamento da Oficina .........................................................................70
Quadro 3 Conteúdo programático da oficina: Reconhecendo as
competências e habilidades do fisioterapêuta .........................................71
Quadro 4 Distribuição dos participantes da oficina: Reconhecendo
as competências e habilidades do fisioterapêuta ....................................73
Quadro 5 Frequência das respostas correspondentes a avaliação
da oficina..................................................................................................84

LISTA DE ILUSTRAÇÕES
Figura 1 Eixos estruturantes do curso de Fisioterapia com respectivas
disciplinas e objetivos ..............................................................................22
Imagem 1 Materia necessário para dinâmica ...........................................................74
Imagem 2 Disposição dos participantes (10º período) .............................................74
Imagem 3 Apresentação dos conceitos: competência e habilidades e
divisão dos grupos (9º período) ...............................................................76
Imagem 4 Apresentação dos conceitos: competência e habilidades e
divisão dos grupos (10º período) .............................................................76
Imagem 5 Modelo de cartolina pré – estabelecido ...................................................77
Imagem 6 Processo de construção dos cartazes (9º período) .................................77
Imagem 7 Processo de construção dos cartazes (10º período) ...............................77
Imagem 8 Processo de conteúdo dos cartazes (grupo de preceptores
do 10º período) .......................................................................................78
Figura 2

Nuvem de palavras sugeridas pelos participantes relacionadas
a competência Liderança (9º período) ...................................................78

Figura 3

Nuvem de palavras sugeridas pelos participantes relacionadas
a competência Liderança (10º período) .................................................79

Imagem 9 Preceptora do 9º período apresentando o cartaz do seu grupo.............80
Imagem 10 Alunas do 10º período realizando a apresentação dos cartazes...........80
Imagem 11 Exposição da figura aos líderes dos grupos ..........................................83
Imagem 12 Orientação do líder para execução da figura pelos componenentes
do grupo ................................................................................................83

LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS

MPES

Mestrado profissional em Ensino na Saúde

FAMED

Faculdade de Medicina

UFAL

Universidade Federal de Alagoas

UNCISAL

Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas

AL

Estado de Alagoas

CPEAS

Currículo e processo ensino aprendizagem na formação em Saúde

DCN

Diretrizes Curriculares Nacionais

LDB

Lei de Diretrizes e Bases da Educação

IES

Instituição de Ensino Superior

DCN/FISIO

Diretrizes curriculares Nacionais do Ensino de graduação em
Fisioterapia

INEP

Instituto Nacional de Ensino e Pesquisa

PPC

Projeto Pedagógico do curso

CEP

Comitê de Ética e Pesquisa

TCLE

Termo de Consentimento Livre e Esclarecido

LISTA DE GRÁFICOS
Gráfico 1 Distribuição do grupo 1 quanto a percepção discente sobre as
competências e habilidades por categoria .............................................. 34
Gráfico 2 Distribuição do grupo 2 quanto a percepção discente sobre as
competências e habilidades por categoria .............................................. 34
Gráfico 3 Perspectiva discente sobre as competências e

habilidades

(comparação entre grupos) .................................................................... 43
Gráfico 4 Distribuição das competências de acordo com as respostas dos
cartazes da questão 1 (9º e 10º períodos) ............................................. 81
Gráfico 5 Distribuição das competências de acordo com as respostas dos
Cartazes da questão 2 (9º e 10º períodos) ............................................ 82

SUMÁRIO
1

APRESENTAÇÃO ..............................................................................13

2

ARTIGO: Perspectiva discente sobre as competências e habilidades
na formação em fisioterapia ...............................................14

2.1

INTRODUÇÃO ...................................................................................16

2.2

PERCURSO METODOLÓGICO ........................................................20

2.2.1 1ª Etapa – Exploratória .......................................................................21
2.2.2 2ª Etapa – Construção do Instrumento de pesquisa ...........................23
2.2.3 3ª Etapa – Aplicação do instrumento de pesquisa (coleta de dados).25
2.2.4 4ª Etapa – Organização dos dados .....................................................26
2.3

DISCUSSÃO DOS RESULTADOS .....................................................27

2.3.1 Análise e discussão do perfil da amostra ............................................27
2.3.2 Perspectiva discente sobre as competências e habilidades ...............28
2.3.2.1Categoria Atenção à Saúde ................................................................29
2.3.2.2Categoria Comunicação ......................................................................31
2.3.2.3Categoria Admibistração e Gerenciamento .........................................32
2.3.2.4Categoria Liderança .............................................................................35
2.3.2.5Categoria Educação Permanente ........................................................36
2.3.2.6Categoria Tomada de Decisões ...........................................................38
2.3.3

Comparação entre as Perspectivas discentes sobre as competências
e habilidades ......................................................................................39

2.4 CONSIDERAÇÕES FINAIS .....................................................................41
REFERÊNCIAS ........................................................................................43
3

PRODUTOS .............................................................................................48

3.1 PRODUTO 1: Relatório técnico da pesquisa: Perspectiva discente sobre
as competências e habilidades na formação em fisioterapia ...................49
3.2 PRODUTO 2: Oficina: “Reconhecendo as competências e habilidades
do fisioterapêuta” ......................................................................................60
3.3 PRODUTO 3: Relatório técnico da oficina: “Reconhecendo as competências e habilidades do fisioterapeuta’ .........................................................68
APÊNDICES .............................................................................................86
Apêndice 1 ................................................................................................86
Apêndice 2 ................................................................................................90
Apêndice 3 ................................................................................................94
Apêndice 4.................................................................................................95
Apêndice 5 ................................................................................................96
Apêndice 6 ................................................................................................97

ANEXOS .................................................................................................101
Anexo 1 ...................................................................................................101
Anexo 2 ...................................................................................................104
Anexo 3 ...................................................................................................108
Anexo 4 ...................................................................................................109
Anexo 5 ...................................................................................................110

13

1

APRESENTAÇÃO
O presente trabalho, apresentado à Banca de Defesa do Mestrado

Profissional em Ensino na Saúde (MPES) da Faculdade de Medicina (FAMED)
da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), foi resultado da pesquisa:
Perspectiva discente sobre as competências e habilidades na formação em
fisioterapia.
A pesquisadora responsável possui graduação em Fisioterapia (2010) e,
após atuação em áreas clínicas desta profissão, em 2015, iniciou as atividades
da preceptoria de estágio em Fisioterapia na saúde da Criança e da Mulher,
realizando suas atividades em um curso de Fisioterapia de um centro
universitário na cidade de Maceió – AL.
Foi a partir da rotina de atendimentos junto aos alunos em fase de estágio
supervisionado que surgiu o interesse do tema pesquisado. A pesquisadora
percebia que os estudantes apresentavam dificuldades na hora de executar
técnicas fisioterapêuticas e de tomar decisões frente à condição clínica do
paciente. Diante dessa inquietação, surgiu a seguinte questão: qual o
entendimento dos discentes sobre as competências e habilidades na formação
em fisioterapia?
Na tentativa de obter respostas e tentar contribuir para a formação do perfil
profissional

dos

estudantes,

a

pesquisadora

ingressou

no

MPES

da

FAMED/UFAL com a finalidade de desenvolver sua pesquisa na área de
competências e Habilidades em fisioterapia, escolhendo como cenário o curso
no qual realiza suas atividades.
Os dados aqui apresentados, após a conclusão do estudo, demonstrarão o
percurso para a elaboração do artigo construído que foi composto por: resumo,
introdução, percurso metodológico, discussão dos resultados e considerações
finais, além de expor os Produtos de Intervenção gerados a partir desta
pesquisa com as suas devidas justificativas.

14

2

ARTIGO: Perspectiva discente sobre as competências e habilidades
na formação em Fisioterapia
RESUMO

Introdução- As Diretrizes Curriculares Nacionais para o curso de fisioterapia
(DCN/FISIO) propõem um perfil de profissionais a ser formado baseando-se na
construção de seis competências e habilidades gerais, além das específicas,
que devem estar presentes nos modelos de formação dos cursos de
Fisioterapia. Objetivo- Analisar a perspectiva discente sobre as competências e
habilidades na formação em Fisioterapia através da investigação de um centro
universitário alagoano. Percurso metodológico- Estudo quanti-qualitativo,
descritivo, exploratório, transversal, tipo estudo de caso. População estudada
foram discentes regularmente matriculados do 6, 7° e 10° períodos do curso de
Fisioterapia. Aplicou-se um questionário semi-estruturado, revisado por
especialista, e com a realização de validação semântica, composto por 36
assertivas com 4 opções de resposta (não se aplica, discordo, concordo
parcialmente e concordo) e uma questão aberta. As assertivas estavam
relacionadas às competências descritas nas DCN (atenção à saúde, tomada de
decisões, comunicação, liderança, administração e gerenciamento e educação
permanente). As respostas dos questionários foram codificadas e distribuidas no
programa Microsoft Excel, divididas em 2 grupos, assim como a resposta das
questões abertas, colocadas no programa Microsoft Word respeitando as 6
competências das DCN. Para a análise estatística, utilizou-se frequência,
percentual e o teste estatístico Mann- Whitney, utilizando nível de significância
com (p<0,05). Resultados- Participaram da pesquisa 59 discentes, sendo
50,8% participantes do 6° e/ou 7° períodos do curso (grupo 1) e 49,2% do 10°
período (grupo 2). Da totalidade dos dois grupos, 81% se encontravam na faixa
etária de 21 a 30 anos e 75% eram do gênero feminino. Dentre as diversas
competências, as que obtiveram um considerável número de respostas corretas
foram: administração e gerenciamento; atenção à saúde e comunicação. As de
educação permanente, liderança e tomada de decisões apresentaram-se de
forma diferente nos grupos. Não foi encontrada diferença significativamente
estatística entre os grupos nas categorias estudadas. Conclusão- Evidenciouse o maior reconhecimento das competências: atenção à saúde, administração
e gerenciamento e comunicação em ambos os grupos estudados. A categoria
liderança foi a que obteve o maior deficit com relação a frequência das
assertivas em ambos os grupos. Percebeu-se também fragilidade para a
percepção da competência educação permanente e da categoria não se aplica,
principalmente no grupo 1. Os alunos afirmaram ter adquirido competências e
habilidades durante seu processo de formação dissertando sobre todas as
competências e habilidades gerais descritas nas DCN.
Palavras Chaves – Fisioterapia. Competência profissional. Habilidade.
Currículo.

15

ABSTRACT
Students’ perspective on the competences and skills in physiotherapy training
Introduction- The National Curriculum Guidelines for the physiotherapy course
(DCN/FISIO) propose a professional profile to be formed based on six general and
specific competences and skills, which should be in training programs of the
Physiotherapy courses. Objective - To analyse the student perspective on the
competences and skills in Physical Therapy training through the investigation of a
University Center in the Brazilian state of Alagoas. Methodological pathQuantitative, qualitative, descriptive, exploratory, cross-sectional case study. The
subjects were students from the 6th, 7th and 10th semesters of the Physiotherapy
course. A semi-structured, peer-reviewed and semantically validated questionnaire
consisting of 36 statements with 4 answer options (not applicable, disagree,
partially agree and agree) was applied and an open question. The assertions were
related to the competencies described in the DCN (health care, decision-making,
communication, leadership, administration and management and continuing
education). The answers to the questionnaires were coded and distributed in the
Microsoft Excel program, divided into 2 groups, as well as the answer of the open
questions in the Microsoft Word program respecting the 6 DCN competences. For
statistical analysis we used frequency, percentage and the Mann-Whitney statistical
test, using significance level with (p <0.05). Results- Fifty-nine students
participated in the research, being 50.8% from the 6th and/or 7th periods of the
course (group 1) and 49.2% from the 10th period (group 2). Of all two groups, 81%
were in the age group of 21 to 30 years and 75% were female. Among the various
competencies, the ones with a considerable number of correct answers were
administration and management; attention to health and communication. The
competencies of permanent education, leadership and decision making presented
different results between the groups. No statistically significant difference was
found between the groups in the categories studied. Conclusion- A greater
recognition of the competences health care, administration and management and
communication was evidenced in both groups studied. The leadership category
was the one with the highest deficit regarding the frequency of assertions in both
groups. Categories continuing education competency and does not apply were
perceived as lacking, especially in group 1. Students reported having acquired
skills and abilities during their training process by disserting on all the general
competencies and skills described in the DCN.
Keywords: Physical therapy. Professional competence. Skill. Curriculum.

16

2.1 INTRODUÇÃO

A Fisioterapia surgiu enquanto profissão em meados do Século XX, devido
às duas Grandes Guerras Mundiais que causaram um número incalculável de
lesões e ferimentos graves em pessoas que necessitavam ser reabilitadas e
reinseridas numa vida ativa (CREFITTO, 2019). No Brasil, o primeiro curso
técnico em fisioterapia aconteceu em 1951 na Universidade de São Paulo (USP)
com duração de um ano em tempo integral (DA SILVA; ROCHA JÚNIOR, 2010).
As atividades do fisioterapeuta aconteciam em nível técnico e sua função
era somente a de executar técnicas prescritas por médicos com objetivo de
reabilitar pessoas lesionadas (RIBEIRO; ALVES; MAIA FILHO, 2016). Com a
publicação do Decreto-Lei n°938/69, a fisioterapia foi instituída como profissão
de nível superior, ganhando autonomia profissional (BRASIL, 1969). No entanto,
a atuação continuava destinada quase que exclusivamente às ações
reabilitadoras (RIBEIRO; ALVES; MAIA FILHO, 2016).
O modelo de formação e assistência vigente era biologicista e essa
conjuntura conduziu os profissionais a uma valorização excessiva da doença,
associando tal atividade a uma visão curativa, além de desenvolver práticas
distantes da interlocução com outras profissões (RAYMUNDO et al., 2015).
Poucas décadas depois, no ano de 1990, ocorreu um período de forte
crescimento no ensino superior brasileiro, decorrente de uma nova proposta de
política educacional, após o Regime Militar. Este crescimento repercutiu em
todas as áreas resultando em um aumento no número de escolas e vagas nos
mais diversos cursos de graduação, inclusive o de fisioterapia (SIMONI et al.,
2015).
Esta ampliação do número de cursos e vagas ocorreu de forma
desregulada, desencadeando problemas. Os cursos de fisioterapia expandiramse sem planejamento e regulação em meio à estagnação das Instituições de
Ensino Superior (IES) públicas e ao incentivo às instituições privadas (BISPO
JÚNIOR, 2009).
Diante das mudanças ocorridas nesse período na educação brasileira,
surge a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), Lei n°. 9.394, de 20 de
dezembro de 1996, a qual define diretrizes gerais para os cursos das IES

17

públicas e privadas (BRASIL 1996).
A LDB sinalizou para a necessidade em se instituir as Diretrizes
Curriculares para todos os cursos de graduação de acordo com as concepções
de ensino e de educação defendidas pelo Ministério da Educação (SANTOS et
al., 2009).
As Diretrizes Curriclulares Nacionais (DCN) para os cursos de graduação
foram homologadas no período de 2001 a 2004 pelo Conselho Nacional de
educação, representando um avanço na formação de profissionais da saúde,
como também para o desenvolvimento de habilidades e competências que
possam garantir o perfil de um profissional: generalista, humanista, crítico e
reflexivo; utilizando-se de metodologias de ensino-aprendizagem centradas nos
estudantes e nas necessidades de saúde da população e do SUS (MADRUGA
et al., 2015).
As Diretrizes Curriculares Nacionais do ensino de Graduação em
Fisioterapia (DCN/FISIO) surgiram em 2002 e definiram os princípios,
fundamentos, condições e procedimentos da formação de fisioterapeutas, com a
finalidade de servir como base para aplicação, organização, desenvolvimento e
avaliação dos Projetos Pedagógicos dos Cursos (PPC) de Graduação em
Fisioterapia das IES brasileiras (BRASIL, 2002).
Após alguns anos, em 2017, o Censo de Educação Superior do Instituto
Nacional de Ensino e Pesquisa (INEP) já incluía o curso de fisioterapia como um
dos maiores do Brasil com relação ao número de matrículas, demonstrando o
crescimento deste campo ao longo do tempo (MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO,
2018). Houve também o reconhecimento e respeito atribuídos à fisioterapia e a
valorização da profissão pela sociedade (SIMONI et al., 2015).
De acordo com Madruga et al. (2015), o principal desafio agora, devido ao
crescimento do curso e do número de vagas, seria o de alcançar o perfil de
formação profissional proposto nas DCN/FISIO através da construção e
operacionalização dos currículos das IES.

18

2.1.1 O curriculo de Fisioterapia baseado nas competências e habilidades
Conforme Varela et al. (2016), as demandas sociais da contemporaneidade
e as necessidades de saúde da população não podem ser contempladas por
uma formação profissional rígida, presa a uma matriz curricular centrada apenas
em aquisições cognitivas. Segundo Delors et al. (1998), a educação deve ser
organizada em torno de quatro aprendizagens fundamentais que, ao longo de
toda a vida, serão de algum modo para cada indivíduo, os pilares do
conhecimento:
Aprender a conhecer, isto é adquirir os instrumentos da compreensão;
aprender a fazer, para poder agir sobre o meio envolvente; aprender a
viver juntos, a fim de participar e cooperar com os outros em todas as
atividades humanas; finalmente aprender a ser, via essencial que integra
as três precedentes (DELORS et al.,1998, p. 90).
A educação deve transmitir, de fato, de forma maciça e eficaz, cada vez
mais saberes e saber-fazer evolutivos, adaptados à civilização cognitiva,
pois são as bases das competências do futuro (DELORS et al., 1998,
p.90).

Considerando a perspectiva de Delors et al. (1998, p. 90), espera-se que o
curso de graduação em Fisioterapia dos dias atuais ofereça ao futuro
profissional uma visão crítica e problematizadora da natureza social do processo
saúde-doença, sem deixar de contemplar a formação técnica e científica que
deve estar expressa tanto na sua estrutura curricular quanto em sua opção
metodológica (MARÃES et al., 2010).
Outro desafio é romper com os modelos disciplinares rígidos na busca do
aperfeiçoamento da formação do fisioterapeuta, numa integração de diferentes
conhecimentos, áreas disciplinares e profissionais (MARÃES et al., 2010).
Além disso, para Galvão et al. (2014), os profissionais devem desenvolver
habilidades e competências gerais que ultrapassam os limites do conhecimento
técnico e enfatizam a formação em atitudes voltadas para a saúde, cidadania,
comunidade e a atuação em equipe.
Conforme o escopo das DCN/FISIO, a formação do fisioterapeuta tem por
objetivo dotar o profissional dos conhecimentos requeridos para o exercício das
seguintes competências e habilidades gerais: I - Atenção à saúde; II - tomada de
decisões; III - comunicação; IV - liderança; V - administração e gerenciamento;

19

VI - educação permanente, além de competências e habilidades específicas
(BRASIL, 2002).
Desta forma, as DCN apontam as competências como aspectos
fundamentais na conformação dos projetos pedagógicos e das grades
curriculares, norteando a formação dos profissionais. Nesta perspectiva, o
ensino baseado em competências é apontado como uma das estratégias para
as transformações que vêm ocorrendo no mundo do trabalho, especificamente
nos serviços de saúde (CAMELO; ANGERAMI, 2013).
Historicamente, a palavra “competência” é utilizada em diferentes contextos
e como referência a diversos fenômenos (SANTOS et al., 2009). Na educação,
surgiu como alternativa a capacidade, habilidade, aptidão, potencialidade,
conhecimento, entre outros. É a competência que permite ao sujeito aprendiz
enfrentar e regular adequadamente um conjunto de tarefas e de situações
educativas (DIAS, 2010).
O termo competência pode ser definido como a aquisição de habilidades
apropriadas para a realização de uma tarefa, ou capacidade para decidir,
utilizando habilidades e conhecimentos adquiridos, para conduzir uma
situação particular. Também pode ser descrita como uma combinação
articulada e complexa de habilidades e capacidades, que são o resultado
de uma síntese conceitual e funcional de aspectos teóricos, ligados aos
conteúdos disciplinares e a experiência atual (CAMELO; ANGERAMI,
2013, p. 563).

Já o sentido de habilidades, para Aguiar e Ribeiro (2010, p.375), pode ser
comprendido como: “parte constituinte ou conteúdo da competência que acaba,
assim, por estar definida como conjunto de atributos de natureza cognitiva,
psicomotora e afetiva, também qualificados como dimensão da competência”.
“Uma competência traduz-se na capacidade de agir eficazmente perante
um determinado tipo de situação, apoiada em conhecimentos, mas sem se
limitar a eles” (DIAS, 2010 apud PERRENOUD, 1999, p.74). No entanto, o
reconhecimento da própria pertinência da noção de competência continua sendo
um desafio nas ciências cognitivas, assim como na didática (PERRENOUD,
1999).
Quando discutem sobre o desenvolvimento de competências, Suñé,
Araújo e Urquiza (2015), consideram que as IES devem propiciar a formação
integral no sentido de tornar os alunos competentes para dar respostas aos
problemas que a vida os apresenta. A concepção dialógica de competência

20

trabalha com o desenvolvimento de capacidades ou atributos (cognitivos,
psicomotores e afetivos) que, ao serem combinados, produzem diferentes
maneiras de realizar, com sucesso, as ações essenciais e as características de
uma determinada atividade (COTTA; COSTA; MENDONÇA, 2013).
Reconhecendo que as DCN/FISIO definem a resolução de problemas, a
possibilidade de tomada de decisões, o uso de uma melhor comunicação e
liderança, além da maior interação com os profissionais do local como
competências que devem ser reconhecidas e executadas pelos fisioterapeutas
no final de sua formação (BRASIL, 2002), torna -se necessário levantar
discussões mais profundas acerca do desenvolvimento de competências para a
formação dos fisioterapeutas considerando a visão do aluno, que tem o dever de
monitorar sua aquisição de habilidades e planejar as mudanças necessárias
para sua realização (GERMAM; RICO, 2014).
Portanto, esta pesquisa teve como objetivo analisar a perspectiva discente
sobre as competências e habilidades na formação em Fisioterapia tendo como
cenário um centro universitário alagoano.

2.2 PERCURSO METODOLÓGICO

A pesquisa trata-se de um estudo quanti-qualitativo, do tipo estudo de caso,
descritivo, exploratório, desenvolvido entre os meses de janeiro e agosto do ano
de 2019, num curso de Fisioterapia de um centro universitário localizado na
cidade de Maceió-AL.
Nos estudos que procuram compreender o ensino na saúde, seus
processos de avaliação e as IES, o estudo de caso pode ser um caminho pois
analisa uma unidade social ao considerar suas múltiplas dimensões e sua
dinâmica natural (ANDRÉ, 2013). O estudo de caso pode ser definido como:
Procedimento metodológico que enfatiza entendimentos contextuais, sem
se esquecer da representatividade centrando-se na compreensão da
dinâmica do contexto real e envolvendo-se num estudo profundo e
exaustivo de um ou poucos objetos, de maneira que se permita o seu
amplo e detalhado conhecimento ( JABBOUR; FREITAS, 2011 apud
LLEWELLYN; NORTHCOTT, 2007; EISENHARDT, 1989; GIL, 2007,
p.10) .

Para Jabbour e Freitas (2011), nada impede que o pesquisador, nos
estudos de casos, inicie a investigação com uma pesquisa qualitativa e não

21

obstante, se necessário, finalize a investigação validando as evidências obtidas
por meio de uma pesquisa quantitativa. A combinação metodológica é
considerada uma forma robusta de se produzir conhecimentos, uma vez que se
superam as limitações de cada uma das abordagens tradicionais (qualitativa e
quantitativa) .
Já de acordo com Minayo (2007), o uso de métodos quantitativos tem como
objetivo trazer à luz dados, indicadores e tendências observáveis ou produzir
modelos teóricos de alta abstração com aplicabilidade. Ainda segundo a autora,
a abordagem qualitativa se aplica ao estudo da história, das relações, das
representações, das crenças, das percepções e das opiniões que são produtos
das interpretações que os humanos fazem a respeito de como vivem, sentem,
pensam e como constroem seus artefatos e a si mesmos (MINAYO, 2007).
O método qualitativo, além de permitir desvelar processos sociais ainda
pouco conhecidos referentes a grupos particulares, propicia a construção
de novas abordagens, revisão e criação de novos conceitos e categorias
durante a investigação (MINAYO, 2007, p. 57).

Para facilitar a exposição da metodologia utilizada nesta pesquisa, ela foi
dividida em 4 (quatro) etapas que serão descritas a seguir:

2.2.1 Primeira Etapa – Exploratória
O estudo foi desenvolvido em uma IES privada, localizada na cidade de
Maceió, que atua no campo de educação desde 2006. O curso de Fisioterapia
desta instituição somente foi iniciado no ano de 2009, possui carga horária de
4500 horas e tem duração de 5 anos divididos em 10 períodos, organizados em
aulas práticas e teóricas, além de estágios curriculares.
Inicialmente, o projeto de pesquisa foi apresentado à coordenação do curso
para solicitar as demandas da pesquisa. Assim, o PPC do curso nos foi
disponibilizado. Este documento permanece em vigência desde 2016, porém,
em 2018, foram realizadas as últimas atualizações em suas referências.
O PPC se pauta no desenvolvimento de competências e habilidades
técnico-científicas, sócio-políticas, necessárias à formação profissional e
adequadas ao mercado de trabalho, considerando as demandas locais de
saúde da população, das políticas públicas de saúde vigentes, em conformidade

22

às características epidemiológicas, demográficas e sanitárias da região e em
especial do Estado de Alagoas, onde a Faculdade está inserida ((CENTRO
UNIVERSITÁRIO,, 2018).
Com a finalidade de desenvolver as competências e habilidades, este PPC
apresenta

4

(quatro)

eixos

estruturantes

que

sistematizam

a

complementariedade dos conteúdos, saberes, ações e competência
competências, em
grupos de unidades programáticas e/ou disciplinas que guardam certa
proximidade quanto à finalidade específica da formação obedecendo às
DCN/FISIO.
Desta forma, para se integrar à formação do aluno, este deverá estar
envolvido nas atividades em sala de aula, nos laboratórios
s e na prática da
assistência fisioterapêutica pertinente ao ensino clínico. Do mesmo modo, terá a
oportunidade de aplicar o conhecimento teórico nas prática
práticas das disciplinas
específicas de fisioterapia ((CENTRO UNIVERSITÁRIO,, 2018).
A figura de número 1 ((um) sintetiza os eixos estruturantes
uturantes deste centro
c
universitário utilizadoss a fim de desenvolver as competências e habilidades
necessárias aos seus alunos e que serão investigadas neste estudo.
Figura 1:: Eixos estruturantes do curso de fisioterapia com respectivas
respe
disciplinas e
objetivos.
• Disciplinas básicas e
de formação geral
• Produzir
conhecimento

• Estágio e TCC
• Adquirir habilidades
específicas

• Disciplinas práticas
de fisioterapia e
extensão
• Educar de forma
integral e social

1- Eixo de
formação e
processos
básicos

2- Eixo de
práticas
investigativas

4- Eixo de
práticas
profissionais

3- Eixo de
formação
específica
•
• Disciplinas de áreas
específicas
• Conhecer técnicas e
instrumentos

Fonte: Projeto Pedagógico do curso de Fisioterapia (CENTRO UNIVERSITÁRIO, 2018)

23

2.2.2 Segunda Etapa – Construção do Instrumento de pesquisa
A construção do instrumento de pesquisa aconteceu em dois momentos:
Elaboração do instrumento de pesquisa e Validação semântica.
1)

Elaboração do Instrumento de pesquisa

Para a elaboração do instrumento de pesquisa, tomou-se como base as
DCN/FISIO, já que nelas estão descritas as competências e habilidades gerais e
específicas necessárias à formação do profissional fisioterapeuta. A partir
destes dados, foi realizada uma adaptação do instrumento de pesquisa de
Baldo (2008), que tinha como proposta a avaliação das competências do
fisioterapeuta, especificamente na interação com os pacientes.
Inicialmente, o questionário foi constituído somente por questões fechadas
que abordavam as competências e habilidades gerais e específicas do
profissional fisioterapeuta na perspectiva de verificar o reconhecimento destas
pelos alunos.
As assertivas foram elaboradas a partir das DCN/FISIO e editadas pelos
autores. Inicialmente foram elaboradas 48 assertivas divididas em 7 categorias
que respeitavam a classificação das competências gerais dispostas nas
DCN/FISIO: atenção à saúde; tomada de decisão; comunicação; liderança;
administração e gerenciamento e educação permanente. Além dessas 6
competências, foi acrescida a categoria “Inadequado ao fisioterapeuta” que
conteve assertivas em que as atividades descritas não faziam parte das
competências e habilidades do profissional da Fisioterapia.
Foram utilizadas 4 alternativas para as respostas do questionário: “Não se
aplica” (em que esperava-se que, ao assinalar essa opção, os alunos
reconhecessem que o texto descrito não se aplicava as atribuições do
Fisioterapeuta),

“discordo”

(quando

as

alternativas

apresentavam-se

equivocadas ao texto das DCN/FISIO), “concordo parcialmente” (quando dentro
do texto apresentado apenas parte das afirmações estavam de acordo com as
DCN/FISIO) e “concordo” (quando dentro do texto apresentado existiam
afirmações que estavam totalmente de acordo com as DCN/FISIO).

24

2) Validação Semântica
Foi realizado um estudo piloto para a validação semântica do questionário
com aplicação aos alunos do 9° período deste curso de fisioterapia. Os alunos
que participaram da validação foram escolhidos por não fazerem parte da
amostra da pesquisa e por também estarem próximos à finalização do curso.
Esta intervenção decorre da necessidade de realizar uma análise da
clareza e entendimento das assertivas, minimizar possíveis erros na coleta,
esclarecer o tempo utilizado para aplicação e ter melhor adesão do aluno. Desta
forma, aprimorando o método.
Os dados obtidos com essa validação não foram utilizados para a análise,
apesar de estarem validados pelo Comitê de Ética e Pesquisa (CEP).
A etapa de validação aconteceu no dia 26 de fevereiro de 2019, nas
dependências do centro universitário em questão, onde 20 discentes se
propuseram a responder ao questionário durante o intervalo de suas aulas. Os
alunos ficaram livres para fazer perguntas sobre o questionário durante a
aplicação e assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE).
Não foi estabelecido tempo mínimo ou máximo para aplicação do questionário, o
discente ficou à vontade para escolher a alternativa com que mais concordava.
Os alunos utilizaram entre 15 e 20 minutos para responder o questionário e
tiveram dúvidas com relação às opções de resposta. As dúvidas foram
esclarecidas pelo pesquisador principal e anotadas para possíveis correções.
As principais contribuições desta validação foram acerca da escrita de
algumas assertivas, sua quantidade e a estruturação do questionário.
Após reedição da nova versão, o questionário passou a ter 36 assertivas,
novamente distribuídas em 7 categorias. Também foi adicionada ao perfil a
identidade de gênero com respectiva legenda e a distribuição de idade.
Foi acrescentada uma questão aberta ao instrumento, na perspectiva de
verificar se o aluno reconhece que adquiriu competências e habilidades no seu
processo de formação e se seria capaz de descrevê-las. A pergunta realizada
aos alunos foi: “Você acha que adquiriu algumas competências e/ou habilidades
durante a sua formação em fisioterapia? Se sim, quais?”
Já reestruturado, o instrumento foi avaliado por um especialista na área
(expertise), que fez sugestões sobre o conteúdo das assertivas. Tais

25

considerações foram incorporadas ao texto na construção da versão final do
instrumento de pesquisa.
O questionário final aplicado aos estudantes, assim como o gabarito de
respostas, está disponível nos apêndices.

2.2.3 Terceira Etapa - Aplicação do instrumento de pesquisa (coleta de
dados)
A coleta de dados ocorreu entre os meses de março e abril do ano de 2019
nas depedências do centro universitário em questão. Para aplicação, a amostra
foi dividida em dois grupos: Grupo 1, formado por alunos que estavam cursando
o 6°e/ou 7°períodos do curso de fisioterapia; Grupo 2, composto por alunos do
10° período do curso.
Dentre os 10 períodos, foram selecionados os grupos segundo a
proximidade da conclusão do curso. Foram utilizados 2 grupos para possível
comparação entre a perspectiva discente sobre as competências e habilidades
na formação em Fisioterapia.
Todos os alunos participantes estavam devidamente matriculados nas
atividades do primeiro semestre de 2019 e eram maiores de 18 anos. Deveriam
ser excluídos os alunos que tivessem sido reprovados nas atividades de estágio,
porém não houve nenhum aluno incluso nesse critério.
Os dois grupos responderam ao questionário durante o intervalo das suas
atividades curriculares, em sala apropriada, nas dependências da instituição.
Todos foram convidados a participar de forma voluntária, após um convite
verbal, e assinaram o TCLE (em anexo) baseado nas resoluções do CNS/MS n°
466/12 e a CNS/MS n° 510/16. Foi explicado que a participação do aluno
poderia ser suspensa a qualquer momento, obedecendo a sua vontade
particular.
A pesquisa foi explicada de forma breve, para não interferir no resultado das
respostas do questionário, e em seguida, os alunos responderam às questões
sem limite de tempo de duração das respostas. A identidade dos alunos foi
preservada durante toda pesquisa. Esta foi aprovada pelo CEP sob o parecer de
número 3.082.513/2018 (em anexo). Também foi necessária a autorização da
instituição em questão para a realização deste estudo no local (em anexo).

26

2.2.4 Quarta Etapa – Organização dos dados.
Os dados foram divididos em dois grupos, sendo colocados em planilha
eletrônica os dados sociodemográficos como gênero, idade e período do curso
que o aluno estava cursando. Existia também a opção desperiodizado, que
significava que o aluno estava cursando disciplinas do 6° e do 7° períodos.
Na construção das assertivas dos questionários, foram criadas planilhas no
programa Microsoft Excel dividindo cada grupo (grupo 1 e grupo 2) em 7
categorias, respeitando a divisão das competências gerais dispostas nas
DCN/FISIO. A distribuição das categorias para organização dos dados está
disponível na tabela
.
Tabela 1: distribuição das categorias para organização dos dados

Categorias
Atenção à saúde
Tomada de decisão
Comunicação
Liderança
Administração e gerenciamento
Educação permanente
Inadequado ao fisioterapeuta
Total:

Número de assertivas por categoria
5
5
5
5
5
5
6
36 assertivas

Fonte: dados da pesquisa

Considerando as quatro opções de respostas, existiam dez questões que
deveriam ser assinaladas na opção discordo, dez na opção concordo
parcialmente, dez na opção concordo e seis na opção não se aplica para serem
consideradas corretas, totalizando 36 assertivas. Atribuiu-se o valor 0 quando a
resposta das assertivas estava correta e o 1 quando a resposta estava
incorreta.
Como método estatístico, para a análise dos dados coletados, utilizou-se a
frequência em valores percentuais através do programa Microsoft Excel; a
estatística Analítico-Descritiva foi feita por meio do Teste t não paramétrico de
Mann-Whitney através do software Grafpah prism 6, considerando o valor de p <
0,05 para o cálculo do nível significância das 7 categorias de assertivas entre os
dois grupos.

27

Os valores de média e mediana também foram calculados e utilizados por
meio de construção gráfica através do software R studio versão 3.5.1.
Com relação às respostas obtidas nas questões abertas, estas foram
digitalizadas no programa Microsoft Word e divididas em 6 categorias prévias
baseadas nas competências definidas nas DCN/FISIO: atenção à saúde;
tomada de decisão; comunicação; liderança; administração e gerenciamento e
educação permanente, de acordo com o conteúdo teórico da resposta, tendo
como base o texto das DCN/FISIO.
Todo material coletado foi analisado através da técnica da análise de
conteúdo de Bardin (1977). Nesta análise, o pesquisador deve buscar
compreender as características, estruturas ou modelos que estão por trás dos
fragmentos de mensagens tornados em consideração (CÂMARA, 2013).
2.3 DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
Para iniciar a discussão dos resultados da pesquisa, foi realizada a análise
do perfil, em seguida, efetuou-se a investigação dos dados frequenciais obtidos
nas respostas dos discentes sobre as competências e habilidades. Considerouse ainda as respostas encontradas nas questões abertas obedecendo a divisão
geral das competências e habilidades previstas nas DCN/FISIO em 6
categorias.
Por fim, comparou-se estatisticamente as duas partes da amostra (grupos 1
e 2) considerando a quantidade total de respostas certas e erradas encontradas
nas categorias.

2.3.1

Análise e discussão do perfil da amostra.

No primeiro semestre de 2019 do curso de fisioterapia estudado, estavam
matrículados 325 alunos divididos em 10 períodos nos horários diurno e
noturno.
A amostra desta pesquisa foi constituída por 30 (38%) alunos dos 79
matriculados no 6° e/ou 7° períodos (grupo 1) e 29 alunos (100%) estavam no
último período do curso (grupo 2).

28

Quanto à faixa etária, no grupo 1, 20 participantes (66,6%) tinham entre 2131 anos; 16,6% (5 alunos) tinham entre 18-20 anos; 13,3% (4 alunos) entre 3140 e 3,3% (1 aluno) entre 41-50 anos. A amostra do grupo 2 apresentou-se mais
homogênea em relação à idade, com 28 alunos (96,6%) dos participantes tendo
entre 21-30 anos de idade e 3,4% (1 aluno) entre 31 e 40 anos.
Os dados gerais da distribuição de gênero deste estudo mostraram um
predomínio de mulheres cis com 44 (74,5%) em relação a homem cis, com 22%
(13). Não foram obtidas respostas com relação a outras identidades de gênero.
Os 2 (dois) alunos que não quiseram responder sua identidade de gênero
correspondem a 3,5% da amostra. O censo de Educação superior do INEP
aponta que o gênero feminino é o predominante nos cursos de Fisioterapia no
Brasil (MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO, 2018).
A pesquisa de Santana e Barreto (2013) corrobora com faixa etária
semelhante à obtida nesta pesquisa, com discentes com média de idade entre
22 e 41 anos. Porém, o perfil do grupo dos autores foi específicamente
composto por mulheres.

2.3.2 Perspectiva discente sobre as competências e habilidades
No quadro 1 a seguir, encontram-se as análises das assertivas contendo os
valores totais, considerando as respostas (certas e erradas) e seus respectivos
percentuais distribuídos por categorias nos dois grupos avaliados. Os valores
percentuais das assertivas nulas não foram expostos na tabela devido ao seu
valor inexpressivo.
Quadro 1: Frequência de respostas quanto a perspectiva discente sobre as
competênciae habilidades

6 e 7º períodos
Categorias/Grupos

10º período

Certo

Errado

Certo

Errado

Nº/f (%)

Nº/f (%)

Nº/f (%)

Nº/f (%)

Atenção à saúde

92/62%

54/37%

88/61%

56/39%

Tomada de decisão

78/53%

70/47%

78/54%

61/44%

Comunicação

89/60%

58/39%

91/63%

52/36%

Liderança
Administração e
gerenciamento
Educação permanente

62/42%

85/57%

64/45%

76/54%

85/57%

63/43%

82/57%

60/49%

63/43%

83/57%

71/51%

70/49%

29

Inadequado ao
fisioterapeuta

35/21%

139/79%

78/46%

89/53%

Fonte: dados da pesquisa

Após a análise dos dados de frequência, foi possível observar em ambos os
grupos o maior número de respostas corretas em 3 (três) categorias: atenção à
saúde, comunicação e Administração e gerenciamento.
Com relação às respostas abertas, houve uma adesão correspondendo a
80% no grupo 1 e a 83% no grupo 2. A tabela 2 expõe a contagem frequencial
em que as competências e habilidades propostas nas DCN/FISIO apareceram
nas respostas dos discentes por categoria.
Tabela 2: distribuição de categorias e contagem da frequência.

Categorias

Contagem da frequência
grupo 1

Contagem da frequência
grupo 2

Atenção à saúde
Tomada de decisão
Comunicação
Liderança
Administração e
gerenciamento
Educação permanente

1
12
4
3
1

4
7
6
3
3

1

7

TOTAL

22

30

Fonte: dados da pesquisa

As respostas das questões abertas estão na íntegra nos apêndices, sendo
destacadas algumas das falas que foram mais representativas por categoria. As
falas foram sinalizadas com as letras G e A que significam respectivamente
grupo e aluno.
2.3.2.1 Categoria Atenção à saúde
Os dois grupos analisados nesta pesquisa conseguiram distinguir o
conteúdo relacionado à atenção à saúde, com a maioria das assertivas
respondidas de forma correta. Tal perspectiva continuou sendo representada
nas questões abertas pelos alunos em 5 (cinco) descrições feitas sobre o tema,
sendo:1 (uma) no grupo 1 e 4 (quatro) no grupo 2.
Para Borges (2018), a competência geral de atenção à saude é
fundamental para operacionalização do princípio da integralidade do SUS e está

30

diretamente relacionada ao valor ético, que se refere a visar todos os
determinantes do processo saúde-doença. Sendo assim, para ser competente
nesta perspectiva, os profissionais da fisioterapia devem estar aptos a
desenvolver ações de prevenção, promoção, proteção e reabilitação da saúde
tanto em nível individual como coletivo (BRASIL, 2002).
Os alunos

também reconheceram componentes importantes desta

competência de acordo com as DCN/FISIO, tais como: a atuação em todos os
níveis de atenção e a amplitude dada a resolução do processo saúde-doença;
os textos dos alunos do grupo 2 citaram a incorporação de novas competências
para a atuação profissional, concordando com perspectiva de Santana e Barreto
(2013). Vejamos:
A4/G2 “Somos privilegiados com diversas competências e/ou habilidades,
em diversas áreas de atuação, como: atuar nos diversos níveis de atenção
à saúde e lidar e se integrar na equipe multiprofissional. Desenvolver nosso
papel com ética e respeito aos outros”.
A29/G2 “Comecei a enxergar o paciente como um todo, procurando
sempre ser o mais humana possível e aprender mais”.
A24/G2 “Habilidade de conseguir ver o paciente como um todo. Saber lidar
com todas as situações e que a humanização é o fundamento para realizar
qualquer tarefa a ser executada”.

A perspectiva de humanização, que não está disponível no texto das
DCN/FISIO publicadas no ano de 2002, foi percebida nos relatos dos alunos,
principalmente nos que estão mais próximos à finalização do curso, atrelando a
categoria atenção à saúde aos preceitos éticos de cuidado.
Tal ponto de vista pode ser aceito de forma positiva, já que atualmente o
termo humanização é entendido como a capacidade de ofertar atendimento de
qualidade, articulando os avanços tecnológicos com o acolhimento, melhoria
dos ambientes e do cuidado fazendo referência a possibilidade de uma
transformação cultural da gestão e das práticas desenvolvidas nas instituições
de saúde, assumindo uma postura ética de respeito ao outro (SILVA; SILVEIRA,
2011).
O grupo 1 trouxe uma perspectiva de atenção à saúde de acordo com o
texto das DCN/FISIO, em que se espera que cada profissional assegure que
sua prática seja realizada de forma integrada e contínua com as demais
instâncias do sistema de saúde (BRASIL, 2002). Percebe-se na resposta do
A6/G1 a inquietação no alcance da condição psicológica do seu paciente:

31

A6/G1 “Reabilitar a funcionalidade de pacientes vítimas de sequelas
neurológicas, ortopédicas e demais áreas, devolvendo o bem-estar a
esses pacientes e estimulando-os sempre a progredir tanto física quanto
psicologicamente”.

2.3.2.2 Categoria Comunicação
Nos grupos estudados, a frequência de respostas encontradas mostrou-se
semelhante tanto na pergunta aberta quanto nas questões fechadas, só que
nestas últimas com maior índice percentual de acertos do que de erros.
Sobre esta temática, Ramos e Bortagarai (2012) afirmam que o
fisioterapeuta é um profissional de saúde cuja comunicação está intimamente
relacionada ao corpo e ao movimento, sendo importante a compreensão da
comunicação verbal e não-verbal, principalmente, por contribuir de forma
relevante para a melhora das relações interpessoais e/ou interprofissionais.
Para Braga e Silva (2006), a comunicação pode fazer com que as pessoas
se relacionem, compartilhando experiências, ideias e sentimentos e, ao se
relacionarem, possam influenciar e modificar a realidade em que estão
inseridas. Ainda de acordo com os autores: “somos seres de relações e esta
compreensão nos leva a buscar maiores entendimentos sobre conceitos,
princípios e habilidades a serem adquiridas no processo comunicativo” (BRAGA;
SILVA, 2006, p. 330),
Na resposta dos alunos, notou-se a amplitude do conceito de comunicação,
trazida por eles e que é almejada nas DCN/FISIO. De acordo com as respostas
abaixo, foi abordada a comunicação com o paciente, com os professores e com
as equipes de trabalho, em ambos os grupos:
A19/G2 “Respeitar e ouvir a opinião do outro, integrar o paciente, ouvi-lo
da melhor maneira possível, pensando sempre na qualidade”.
A27/G2 “Ter uma boa comunicação com a equipe multidisciplinar”.
A11/G1 “Ser cordial com os colegas de turma, com os pacientes e
professores”.

Baldo (2008), em sua tese de mestrado, conseguiu validar um instrumento
de pesquisa que abordava as competências do fisioterapeuta no processo de
interação com o paciente. No questionário de sua pesquisa, foram abordadas
situações como a necessidade de o fisioterapeuta expressar-se de forma clara

32

ao paciente; utilizar de comunicação verbal e não verbal e de promover um
“feedback” paciente/terapeuta, que são necessários à evolução do tratamento
(BALDO, 2008).
A dissertação de Baldo (2008), serviu como referência para esta pesquisa e
para a construção do questionário. Verificou-se que as competências descritas
na pesquisa de Baldo (2008) também foram identificadas nas respostas dos
alunos nos dois grupos:
A11/G1 “Comunicação verbal, comunicação visual, dar instruções ao
paciente para saber como se comportar em casa [...]”.
A7/G2 “Realizar um feedback junto ao paciente quanto a evolução do
seu tratamento”.
A8/G2 “Contribuir com o bem-estar do paciente, incentivo, otimismo e
motivação aos pacientes, ter habilidades de escrita e leitura”.

Percebeu-se ainda através das respostas dos alunos o reconhecemento
das habilidades de escrita e leitura como parte da competência desta categoria.
A comunicação pode ser vista como um encontro produzido entre os
trabalhadores e os indivíduos, entre o cuidador e o ser cuidado, sendo
importante a utilização de todos os sentidos para reconhecer e interpretar os
sinais emitidos pelo usuário (MARINUS et al., 2014).
2.3.2.3 Categoria Administração e Gerenciamento
Além das competências técnicas necessárias ao exercício da profissão, os
fisioterapeutas devem possuir competências empreendedoras, como as de
administração, que envolvem planejamento das operações e utilização de
recursos, aquisição e uso de recursos de forma eficiente, formas para motivar os
empregados, liderança, delegação e controle (STEFANICZEN; ZAMPIER,
2017).
No geral, apenas 4 alunos fizeram referência à categoria administração e
gerenciamento na exposição das questões abertas (1 aluno do grupo 1 e 3
alunos do grupo 2) porém, em ambos os grupos se obteve um maior número de
respostas corretas nas questões fechadas. As argumentações dos alunos estão
dispostas abaixo:
A5/G1 “Ter noções sobre empreendedorismo e ética profissional”.

33

AG/G2 “Responsabilidades, organizações, cumprimento de horários, de
deveres...”
A8/G2 “Desenvolver atividades de organização e planejamento [...]”.
A20/G2 “Habilidade de planejamento e organização para um melhor
atendimento do paciente, desde o início até a alta dele [...]”.

Palavras como planejamento, organização e empreendedorismo foram
citadas nos trechos das falas dos alunos e podem fazer referência à percepção
destes sobre as competências do fisioterapeuta, concordando com o trabalho de
Montagna e Costa (2015), que alegam que esta classe profissional não deve ter
sua formação baseada apenas na busca eficiente de evidências ao diagnóstico,
cuidado, tratamento, prognóstico, etiologia e profilaxia das doenças e dos
agravos. Mas deve desenvolver condições de atendimento às necessidades de
saúde das pessoas e das populações, da gestão setorial e do controle social em
saúde.
Porém, alguns fatores podem interferir no desenvolvimento de atividades
empreendedoras pelos fisioterapeutas, como a própria formação dos cursos de
fisioterapia que não aprofundam o conhecimento em disciplinas ligadas ao
empreendedorismo, ao planejamento e à gestão organizacional (PARDINI;
BRANDÃO; SOUKI, 2008).
A disciplina de empreendedorismo está disponível na matriz curricular da
IES pesquisada, sendo ofertada no sétimo período do curso (CENTRO
UNIVERSITÁRIO, 2018). Tal fato pode ter contribuído para o reconhecimento
das questões relacionadas ao tema administração e gerenciamento, com
percentual elevado de acertos, já que a maioria dos alunos que responderam ao
questionário já passaram por esta disciplina.
Souza et al. (2011) relatam que as IES tem o papel essencial no processo
de desenvolvimento e aperfeiçoamento do comportamento empreendedor. No
entanto, após avaliar 232 estudantes de uma IES de Portugal sobre a tendência
empreendedora, o autor chegou à conclusão que poucos alunos apresentavam
tal característica.
Tal fato pode ser encontrado nesta pesquisa, já que, apesar do
reconhecimento das competências, os alunos fizeram poucas exposições sobre
essa categoria nas questões abertas, diferentemente da categoria tomada de
decisões, encontrada de forma insistente nas respostas dos alunos, tratando de

34

questões como avaliação e aplicação de técnicas fisioterapêuticas.
Para a discussão das categorias liderança, educação permanente e tomada
de decisões, será necessário o entendimento dos gráficos 1 e 2, disposto
abaixo, onde foram considerados os quantitativos de respostas certas e erradas
por categoria. As barras azuis representam a frequência de respostas certas e
nas cores vermelhas as erradas

Gráfico 1: Distribuição do grupo 1 quanto à perspectiva discente sobre as competências e
habilidades por categorias

Fonte: dados da pesquisa

Gráfico 2: Distribuição do grupo 2 quanto à perspectiva discente sobre as competências e
habilidades por categorias

35

Fonte: dados da pesquisa

2.3.2.4 Categoria Liderança
Considerando os grupos estudados, houve maior número de respostas
erradas do que corretas nesta categoria, com maior frequência no grupo 1 do
que no grupo 2. Com relação às questões abertas, 6 alunos (3 de cada grupo)
se expressaram sobre a competência liderança.
De acordo com Perrenoud (2000), a construção de atitudes, de
competências, ou de conhecimentos fundamentais leva meses ou anos. Ainda
segundo o autor, “os alunos que gastam pouco tempo na tarefa têm poucas
chances de aprender, salvo quando têm imensa facilidade” (PERRENOUD,
2000, p.50). Além disso, a construção de competências também pode estar
associada às atividades de integração no serviço público, que servem como
campo de prática para estágios ou projetos de extensão (SERIANO et al., 2013).
Os alunos do grupo 1 ainda não vivenciaram as atividades de estágio
supervisionado, exclusivas do 9° e 10° períodos deste curso, porém, seriam
estimulados a desenvolver atividades de extensão durante a permanência nessa
instituição de acordo com o PPC.
Atividades Complementares propiciam a ampliação e enriquecimento da
formação profissional do aluno que é sempre estimulado a participar de
outras atividades de modo a agregar e aprimorar os conhecimentos
relacionados à Fisioterapia, incluindo a participação do discente em
congressos, simpósios, monitorias, atividades de extensão e pesquisa,
dentre outras” (CENTRO UNIVERSITÁRIO, 2018, p. 63).

36

Ao avaliar a formação de competências em duas Instituições de Ensino
Brasileiras, Borges (2018) destacou a possibilidade de trabalhar a liderança por
meio de ligas acadêmicas ou centros acadêmicos, porém, assegurou que essas
estratégias pontuais podem não abranger todos os estudantes.
A liderança, como domínio de competência para promoção da saúde, deve
estar relacionada à utilização de habilidades para promover empoderamento, a
participação da comunidade e também para incentivar o trabalho em equipe
(BORGES, 2018). Porém, de acordo com as DCN/FISIO para desenvolver as
competências e habilidades da categoria liderança é necessário ter outras
competências prévias:

A liderança envolve compromisso, responsabilidade, empatia, habilidade
para tomada de decisões, comunicação e gerenciamento de forma ativa e
eficaz (BRASIL,2002, p. 2).

A liderança pode ser titulada como a arte de influenciar pessoas a cumprir
uma determinada tarefa alcançando um objetivo em comum (SILVA et al.,
2014). Esta, de acordo com Amestoy et al. (2010), deverá ser conquistada em
diferentes contextos profissionais, como a prática hospitalar e clínica, em que
um bom líder deve ser capaz de criar empatia, construir confiança e ambientes
de trabalho mais saudáveis que promovam a segurança do paciente e a
excelência do atendimento. Algumas colocações dos alunos sobre liderança
estão descritas abaixo e que envolvem outras competências:
A7/G1 “Ter empatia com o próximo, saber o que o fisioterapeuta pode ou
não fazer”.
A20/G1 “Posicionamento profissional, questionamento sobre assuntos
relacionados à área de saúde”.
A18/G2 “Liderança,
organizada”.

paciência,

autonomia,

ser

empreendedora,

Ao analisar 14 (quatorze) IES do Estado do Paraná, Trombelli et al. (2018),
investigando a construção de competências nos currículos dos cursos, verificou
o baixo percentual de disciplinas direcionadas à competência liderança,
presente em apenas 4 instituições. Pereira et al. (2011), todavia, percebe que a
construção da liderança em atividades vai além das disciplinas como, por

37

exemplo, as experiências de programas de extensão universitária, que
conseguem, a partir de atividades fora do campus, investir na formação cidadã
de seus futuros profissionais, fortalecer a responsabilidade social e desenvolver
a criatividade e a liderança jovem, contribuindo deste modo para a melhoria da
qualidade de vida das comunidades.
2.3.2.5 Categoria Educação permanente
Os dados frequenciais desta categoria mostram um valor equilibrado entre
as respostas certas e erradas dos alunos do grupo 2. Já o grupo 1 apresentou
maior número de respostas erradas. Tal perspectiva encontra-se refletida nas
respostas discursivas, em que apenas 1 aluno do grupo 1 fez referência a essa
competência na pergunta aberta. Já o grupo 2 expressou-se de forma
constante, inserindo a pesquisa científica como meio de exercer a educação
permanente, vejamos:
A10/G2 “Competência teórica para exercer a prática... desenvolver
trabalhos científicos [...]”.
A13/G2 “Conhecer métodos e técnicas de pesquisa e elaboração de
trabalhos acadêmicos, conhecer os fundamentos históricos, filosóficos e
metodológicos da fisioterapia, saber as atribuições que compõe a
profissão”.
A25/G2 “Conhecer e ter embasamento científico”.
A26/G2 “Ultimamente a instituição vem desempenhando um papel forte
em incentivo a realização de trabalhos (iniciação científica, trabalhos
para serem apresentados em congressos) e eu acho isso extraordinário,
pois faz com que o aluno amadureça”.

Teixeira et al. (2010), ao analisar os projetos pedagógicos de cursos de
fisioterapia da Região Norte do Brasil, baseado também nas DCN/FISIO, citou
que a interdisciplinaridade, o estágio supervisionado e o incentivo à produção
científica são componentes para a construção de competências.
Ademais, graduandos e profissionais de saúde devem desenvolver
capacidades para a identificação das próprias necessidades educacionais e a
busca por novos conhecimentos de modo articulado, com processos de
educação permanente (COSTA et al., 2018). Porém, de acordo com as
DCN/FISIO, os requisitos necessários para se dizer que é competente na
categoria de educação permanente são muito abrangentes, e tal situação pode

38

ter causado o não reconhecimento destes requisitos pelos alunos do grupo 1.
São eles:
Os profissionais devem ser capazes de aprender continuamente, tanto na
sua formação, quanto na sua prática. Desta forma, os profissionais de
saúde devem aprender a aprender e ter responsabilidade e compromisso
com a sua educação e o treinamento/estágios das futuras gerações de
profissionais, mas proporcionando condições para que haja benefício
mútuo entre os futuros profissionais e os profissionais dos serviços,
inclusive,
estimulando
e
desenvolvendo
a
mobilidade
acadêmico/profissional, a formação e a cooperação através de redes
nacionais e internacionais (BRASIL,2002, p.2).

Considerando a formação em fisioterapia neste centro universitário, além
das disciplinas eletivas da grade curricular, os alunos devem cumprir,
obrigatoriamente, mais de 260 (duzentos e sessenta) horas em atividades
complementares: estágios extracurriculares; programas de iniciação científica;
publicação de artigo científico; apresentação de trabalhos em congressos;
atividades complementares externas; participação em atividades voluntárias como
campanhas de educação em saúde; atividades de língua estrangeira e
participação em ligas acadêmicas (CENTRO UNIVERSITÁRIO, 2018).
Tal exigencia, pode ter contribuído para uma maior participação dos alunos
nas atividades. Contudo, segundo Salum e Prado (2014), a educação permanente
deve constituir parte do pensar e também do fazer dos profissionais, com a
finalidade de propiciar o crescimento pessoal e profissional destes, bem como
contribuir para a organização do processo de trabalho.
Nos trechos a seguir, os alunos ainda inserem as habilidades cognitivas
como necessárias para a construção da competência educação permanente:
A11/G2 “Adquirir habilidades cognitivas, com embasamento, para tratar
meu paciente; habilidade técnica, psicológica e social”.

Como pode ser visto, competências e habilidades são exercidas também
em informação e conteúdo que ativa e se transforma em habilidades cognitivas.
Sendo assim, os alunos devem perceber a necessidade de usar uma habilidade
para entender certas informações (LIZARRAGA, 2010).
2.2.3.6 Categoria Tomada de decisões

39

As habilidades para a tomada de decisão compõem-se do pensamento
crítico sobre as situações com base em análise e julgamento das perspectivas
de cada proposta de ação e de seus desdobramentos. Nessa categoria, também
se valoriza o conhecimento científico e a experiência profissional (CAMELO,
2012).
Ambos os grupos apresentaram valores percentuais equilibrados com
relação a essa categoria, entretanto, os alunos do grupo 1, em mais da metade
das respostas descritas nas questões abertas (12 numa contagem frequencial
de 22), fizeram referências a itens relacionados à competência de tomada de
decisões, com aspectos relacionados ao atendimento específico de áreas da
fisioterapia, além de avaliação e/ou uso de testes:
A1/G1“Ainda estou na graduação, mas acho que já adquiri diversas
competências como avaliar, diagnosticar e tratar”.
A5/G1 “Avaliar e tratar os pacientes, conhecer e saber as
particularidades dos diferentes tipos de patologias, prescrever
exercícios, desenvolver uma conduta própria para cada paciente [...]”.
A8/G1 “Habilidade em aplicar testes ortopédicos, avaliar capacidade
funcional do indivíduo de diversas formas [...]”.

As citações acima sobre esta competência podem estar atreladas ao fato
dos alunos deste grupo estarem estudando as disciplinas de áreas específicas
da fisioterapia, vivenciadas no 6°, 7° e 8° períodos, as quais abordam o
conteúdo teórico e a aplicação de técnicas específicas em cada área da
Fisioterapia (CENTRO UNIVERSITÁRIO, 2018).
Considera-se importante o reconhecimento dessa categoria pelo aluno, já
que as instituições contratantes do mercado de trabalho atualmente estão
exigindo cada vez mais trabalhadores qualificados, com destreza manual
agregada às competências de inovação, criatividade e autonomia na tomada de
decisões, ou seja, profissionais com perfil capaz de atender às mudanças
aceleradas no mercado de trabalho (CAMELO; ANGERAMI, 2013).
O grupo 1 também fez referência ao conhecimento necessário sobre o uso
apropriado de equipamentos, também descrito nas DCN/FISIO, dentro da
categoria tomada de decisões:
A11/G1 “Ser ágil na forma de pensar ao montar uma conduta
fisioterapêutica, ter conhecimento dos equipamentos úteis para um bom
atendimento [...]”.

40

Em menor proporção, o grupo 2 fez considerações sobre essa
competência. A uitilização de termos como autonomia e interdisciplinardade
foram apresentados nos comentários das questões abertas:
Aluno10/G2 “Encaminhar o paciente para outros profissionais de saúde,
trabalhar de forma interdisciplinar”.
Aluno 14/G2 “Vivência nas áreas de atuação da fisioterapia executando
atendimentos, desenvolvendo raciocínio com cada patologia e área de
atuação, adquirindo experiência”.

2.2.3 Comparação entre a perspectiva discente sobre as competências e
habilidades
Após a análise dos dados de frequência, pode-se afirmar que o grupo 2
obteve maior índice de respostas corretas em relação ao grupo 1. Considerando
a exposição das questões abertas, também foi evidenciada a maior participação
deste grupo com melhor contagem frequencial de respostas.
Todos os alunos do grupo 2 estavam vivenciando as atividades de estágio
supervisionado em diversos serviços de fisioterapia vinculados ao SUS.
Estar em fase de estágio supervisionado pode funcionar como elemento
facilitador para o reconhecimento das competências, pois, de acordo com a Lei
n°11788, que dispõe dos estágios no Brasil, este deverá proporcionar o
aprendizado de competências próprias das atividades profissionais e a
contextualização curricular, objetivando o desenvolvimento do educando para
vida cidadã e para o trabalho (BRASIL, 2008).
Tal momento do curso também pode estar relacionado ao maior número de
assertivas corretas na categoria inadequado ao fisioterapeuta (46%), onde os
alunos do grupo 1 acertaram apenas (21%). Pode-se dizer que os alunos do
grupo 1 tiveram maior dificuldade em reconhecer situações que não eram de
sua competência profissional.
Reconhecendo as diferenças descobertas nos dados obtidos com os
grupos, considerou-se o total de respostas certas e erradas encontradas (soma
de todas as categorias), para a aplicação do teste t não paramétrico de MannWhitney, na intenção de comparar as duas partes da amostra (grupo 1 e grupo
2).
Todavia, os resultados obtidos demonstraram que não houve diferença
significativamente estatística entre os grupos, visto que o valor de p foi maior

41

que 0,05 (p>0,05). Esses dados estão representados no gráfico 3, onde o
quantitativo

de

resposta

nulas

foi

retirado

da

exposição

por

baixa

expressividade numérica.
A linha traçada horizontalmente em cada caixa representa a média das
quantidades de respostas, os traços verticais acima e abaixo das caixas
representam o desvio padrão.

Gráfico 3: Perspectivas discentes sobre as competências e habilidades (comparação entre
os grupos).

Fonte: dados da pesquisa

O fato da amostra total do nosso estudo ser composta por 59 alunos pode
ter sido preditivo para o encontro de valores de p não significativos entre os
grupos. Diferentemente deste estudo, Carneiro, Mendes e Gazzinelli (2014)
conseguiram maior amostra total (103 egressos do curso de nutrição) para
avaliar questões referentes à aquisição das habilidades e competências
necessárias à formação dos nutricionistas, como o currículo praticado por eles,
considerando seus objetivos, princípios norteadores, sua proposta pedagógica e
organização curricular. Os questionários de ambos os estudos, porém,
continham questões abertas e fechadas.

2.3

CONSIDERAÇÕES FINAIS

42

Os alunos responderam ao questionário proposto evidenciando o maior
reconhecimento das competências gerais: atenção à saúde, administração e
gerenciamento e comunicação em ambos os grupos estudados.
A categoria liderança foi a que obteve o maior deficit com relação à
frequência das assertivas com um número elevado de respostas erradas em
ambos os grupos, fato este que possivelmente deve estar associado à
necessidade de competências prévias para a aquisição de habilidades nesta
categoria.
Percebeu-se também a fragilidade para a percepção dos estudantes em
outras competências como educação permanente e para a categoria
inadequado ao fisioterapeuta, principalmente para os alunos do grupo 1, que
tiveram maior dificuldade em reconhecer situações que não faziam parte de sua
competência profissional.
Considerando as respostas das questões abertas, observou-se que os
alunos afirmaram ter adquirido competências e habilidades durante seu
processo de formação fazendo menção sobre todas as competências e
habilidades gerais descritas nas DCN/FISIO. No entanto, a contagem
frequencial das respostas foi mais homogênea e de maior valor numérico no
texto dos alunos que estavam no último período do curso, considerando as
categorias utilizadas.
Pode-se

reconhecer

que

os

resultados

desta

pesquisa

possuam

características e especificidades da realidade institucional, porém, espera-se que
estes possam trazer reflexões que venham a contribuir para a orientação da
formação curricular de cursos de Fisioterapia. Espera-se que seja um estímulo
para que se alcance um perfil de profissionais que incorporem as competências e
habilidades necessárias para que sejam vivenciadas nas diversas realidades dos
serviços de saúde do Brasil.
Por fim, acredita-se que as ações para planejamento de cursos terão maior
possíbilidade de serem efetivadas se os sujeitos principais nelas envolvidos,
sejam estes alunos ou professores, tiverem a compreensão de onde estão as
lacunas existentes em seu processo de formação.

43

REFERÊNCIAS
AMESTOY, S. C.; TRINDADE, L. L.; WATERKEMPER, R.; HEIDMAN, I. T. S.;
BOEHS, A. E.; BACKES, V. M. S. Liderança dialógica nas instituições hospitalares.
Revista Brasileira de Enfermagem, Brasília, v. 63, n. 5, p. 844-847, 2010.
ANDRÉ, M. O que é um Estudo de Caso Qualitativo em Educação? . Revista da
FAEEBA – Educação e Contemporaneidade, Salvador, v. 22, n. 40, p. 95-103,
2013.
AGUIAR, A. C.; RIBEIRO, E. C. O. Conceito e Avaliação de Habilidades e
Competência na Educação Médica: Percepções Atuais dos Especialistas. Revista
Brasileira de Educação médica, Rio de Janeiro, v. 34, n. 3, p.371-378, 2010.
BALDO, Guilherme Valdir. Competências do fisioterapeuta no processo de
interação com o paciente: proposta de um instrumento de avaliação. 2008.
Dissertação (Mestrado em Engenharia de Produção) – Programa de Pós-Graduação
em Engenharia de Produção, Universidade de Santa Catarina, Florianópolis, 2008.
BARDIN, L. Análise de conteúdo. Lisboa, Edições 70, 1977
BISPO JÚNIOR, J. P. Formação em fisioterapia no Brasil: reflexões sobre a
expansão do ensino e os modelos de formação. História, Ciências, Saúde, Rio de
Janeiro, v.16, n.3, p.655-668, 2009.
BORGES, K. P. Competência para formação do Fisioterapeuta no âmbito das
diretrizes Curriculares Nacionais. Saúde e pesquisa, Maringá, v. 11, n. 2, p. 347385, maio/agosto, 2018.
BRAGA, E. M.; DA SILVA, M. J. P. Como acompanhar a progressão da competência

44

comunicativa no aluno de Enfermagem. Rev Esc Enfermagem USP, v. 40, n. 3, p.
329-335, 2006.
BRASIL. Casa Civil: Decreto lei n. 938 de 13 de outubro de 1969. Brasília, DF:
Presidência da República [2018].
BRASIL. Diretrizes Curriculares Nacionais do curso de graduação em
Fisioterapia. Resolução n. 4 de 19 de outubro de 2002. Brasília, DF: Presidência da
República [2018].
BRASIL. Diretrizes e Bases da Educação Nacional: lei n. 9394 de 20 de dezembro
de 1996. Brasília, DF: Presidência da República [2018].
BRASIL. Estágio: lei n. 11788 de 25 de setembro de 2008. Brasília, DF: Presidência
da República [2018].
CAMELO, S. H. H.; ANGERAMI, E. L. S. Competência profissional: a construção de
conceitos, estratégias desenvolvidas pelos serviços de saúde e implicações para a
enfermagem. Texto & Contexto Enfermagem, Santa Catarina, v.22, n. 2, 2013.
CAMELO, S. H. H. Competência profissional do enfermeiro para atuar em Unidades
de Terapia Intensiva: uma revisão integrativa. Revista Latino Americana de
Enfermagem, v. 20, n. 1, 2012.
CÂMARA, R. H. Análise de conteúdo: da teoria à prática em pesquisas sociais
aplicadas às organizações. Revista Interinstitucional de Psicologia, v.6, n.2,
p.179-191, jul - dez, 2013.
CARNEIRO, A. C. L. L.; MENDES, L. L.; GAZZINELLI, M. F. Avaliação curricular: a
perspectiva de egressos de um curso de nutrição. Revista de Enfermagem do
Centro-Oeste Mineiro, Governador Valadares, v. 8, 2018.
CENTRO UNIVERSITÁRIO TIRADENTES. Projeto pedagógico do curso de
Fisioterapia. Maceió, 2018.
Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional – CREFITO/Região 3
(Acesso em março de 2019), disponível em:
http://www.crefito3.org.br/dsn/fisioterapia.asp.
COSTA, D. A. S.; SILVA, R. F.; LIMA, V. V.; RIBEIRO, E. C. O. Diretrizes
curriculares nacionais das profissões da Saúde 2001-2004: análise à luz das teorias
de desenvolvimento curricular. Interface, Botucatu, 2018.
COTTA, R. M. M.; COSTA, G. D.; MENDONÇA, E. T. Portfólio reflexivo: uma
proposta de ensino e aprendizagem orientada por competências. Rev. Ciência &
Saúde coletiva, v.18, n.6, p.1847-1856, 2013.
DA SILVA, R. H. A.; ROCHA JUNIOR, A. M. Avaliação da problematização como
método ativo de ensino- aprendizagem nos cenários de prática do curso de
fisioterapia. E-Curriculum, São Paulo, v. 5, n. 2, p. 149-168, 2010.

45

DELORS, Jacques. Educação um tesouro a descobrir: Relatório para a UNESCO
da Comissão Internacional sobre educação para o século XXI. São Paulo, Ed.
Cortez, p. 90, 1998.
DIAS, I. S. Competências em Educação: conceito e significado pedagógico. Revista
Semestral da Associação Brasileira de Psicologia Escolar e Educacional, São
Paulo, v. 14, n. 1, p. 73-78, 2010.
FREITAS, H. C. N.; RAPOSO, N. A. V.; ALMEIDA, L. S. Adaptação do estudante ao
ensino superior e rendimento académico: Um estudo com estudantes do primeiro
ano de enfermagem. Revista portuguesa de pedagogia, v.41, n.1, p.179-188,
2007.
GALVÃO, M. H. R.; FREITAS, C. H. S.; CASSEMIRO, L. L.; PEREIRA, I. L.;
DEOLIVEIRA, M. G. PET-saúde: gestão e atenção à saúde potencializando
mudanças na formação. Da ABENO, v.14, n.1, p. 57-65, 2014.
GERMAIN, F.; RICO, C. P. La educación por competencias como medio para facilitar
la toma de control del aprendizaje por el estudiante. Fundacion Educacion médica,
Madrid, v.17, n.1, p. 11-19, 2014.
JABBOUR, C. J. S.; FREITAS, W. R. S. Utilizando estudo de caso(s) como
estratégia de Pesquisa qualitativa: boas práticas e sugestões. Estudo & debate.
Lajeado, v. 18, n. 2, p.7-22, 2011.
LIZARRAGA, Maria Luísa Sanz de Acedo. Competencias cognitivas en
Educación Superior. Ed. Narcea, p. 28, 2010.
MADRUGA, L. M. S.; RIBEIRO, K. S. Q. S.; FREITAS, C. H. S. M.; PEREZ, I. A. B.;
PESSOA, T. R. R. F.; BRITO, G. E. G. O PET-Saúde da Família e a formação de
profissionais da saúde. Interface, Botucatu, v. 19, 2015.
MARÃES, V. R. F.; MARTINS, E. F.; CIPRIANO JÚNIOR, G.; ACEVEDO, A. C.
PINHO, D. L.M. Projeto pedagógico do curso de Fisioterapia da Universidade de
Brasília. Fisioterapia e movimento, Curitiba, v. 23, n. 2, p. 311-321, 2010.
MARINUS, M. W. L. C.; QUEIROGA, B. A. M.; MORENO, L. R.; DE LIMA, L. S.
Comunicação nas práticas em saúde: revisão integrativa da literatura. Saúde
Sociedade, São Paulo, v. 23, n. 4, p.1356-1369, 2014.
MINAYO, M.C.S. O desafio do conhecimento: pesquisa qualitativa em saúde.
São Paulo. Ed. Hucitec, p. 56-57, 2007
MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. Censo da Educação do Ensino Superior. Instituto
Nacional de Ensino e Pesquisa (INEP), setembro de 2017. Brasília, DF: Presidência
da República [2018].
MONTAGNA, E.; COSTA, C. R. S. A formação acadêmica do fisioterapeuta para sua
atuação na gestão em saúde. ABCS Health Science, v. 40, n. 3, p. 252-256, 2015.

46

PARDINI, D. J.; BRANDÃO, M. M.; SOUKI, G. K. Competências empreendedoras e
sistema de relações sociais: a dinâmica dos construtos na decisão de empreender
nos serviços de fisioterapia. Revista de negócios, Blumenau, v.13, n. 1, p. 28-44,
2008.
PEREIRA, S. M. et al. Extensão universitária e trabalho voluntário na formação do
acadêmico em Odontologia. Arq. Odontol, Belo Horizonte, v. 47, n. 2, p. 95-103,
2011.
PERRENOUD, P. Construir as competências desde a escola. Genève, Ed.
Artmed, p. 5, 1999.
PERRENOUD, P. Dez novas competências para ensinar. Porto alegre, Ed.
Artmed, p. 50, 2000.
RAMOS, A. P.; BORTAGARAI, I. F. M. A comunicação não-verbal na área da saúde.
Revista CEFAC, São Paulo, 2011.
RAYMUNDO, C. S.; VARJABEDIAN, D.; GUAZZELLI, M. E.; AKERMAN, M. A
implantação do currículo baseado em competência na graduação de fisioterapia: a
integralidade como eixo condutor. ABCS Helth Science, São Paulo, v. 40, n. 3,
p.220-228, 2015.
RIBEIRO M. T. G. D.; ALVES, H. N. S.; MAIA FILHO, A. L. M. Percepção de
estudantes do curso de fisioterapia de uma Instituição privada sobre sua formação
profissional para atuação no sistema único de saúde. Saúde em Foco, Terezina, v.
3, n.1, p.20-35, 2016.
SALUM, N.C.; PRADO, M. L. A educação permanente no desenvolvimento de
Competências dos profissionais de enfermagem. Texto Contexto Enfermagem,
Florianópolis, v. 23, n. 2, p. 301-308, 2014.
SANTANA, G. O.; BARRETO, M. O. Imaginário de estudantes de graduação do
curso de fisioterapia em relação à dimensão humanística de sua formação.
Pesquisa em Fisioterapia. V.3, n. 2, p. 168-181, 2013.
SANTOS, G. C. V.; KIENEN, N.; VIECILI, J.; BOTOMÉ, S. P.; KUBO, O. M.
“Habilidades” e “Competências” a Desenvolver na Capacitação de Psicólogos: Uma
Contribuição da Análise do Comportamento para o Exame das Diretrizes
Curriculares. Interação em Psicologia, Curitiba, v.13, n.1, p. 131-145, 2009.
SERIANO, K. N.; MUNIZ, V. R. C.; CARVALHO, M. E. I. M. Percepção de
estudantes do curso de fisioterapia sobre sua formação profissional para atuação na
atenção básica no Sistema Único de Saúde. Fisioterapia e Pesquisa, v. 20, n. 3, p.
250-255, 2013.
SILVA, D. S.; BERNARDES, A.; GABRIEL, C. S.; ROCHA, F. L. R.; CALDANA, G.
A liderança do enfermeiro no contexto dos serviços de urgência e emergência.
Revista eletrônica de enfermagem, v. 16, n.1, p. 211-219, 2014.

47

SILVA, I. P.; SILVEIRA, M. F. A. A humanização e a formação do profissional em
fisioterapia. Ciência & saúde coletiva, 2011
SIMONI, D. E.; CARVALHO, J. B.; MOREIRA, A. R.; MORERA, J. A. C.; MAIA, A. R.
C.; BOREINSTEIN, M. S. A formação educacional em fisioterapia no Brasil:
fragmentos históricos e perspectivas atuais. História da enfermagem, Santa
Catarina, v. 6, n. 1, p. 10-20, 2015.
SOUSA, L. F.; SILVA, R. P.; AFONSO, A. P.; DIXE, M. A. C. R. Tendência
empreendedora dos estudantes do ensino superior. INFAD Revista de Psicología,
v. 1, n. 1, p. 629-638, 2011.
STEFANICZEN, J.; ZAMPIER, M. A. Competências dos Profissionais de Fisioterapia:
Estudo em um Município da Região Centro Oeste do Paraná. Revista da Micro e
Pequena Empresa, Campo Limpo Paulista, v.11, n.2 p. 33-57, 2017.
SUÑÉ, L. S.; ARAÚJO, P. J. L.; URQUIZA, R. A. Desenho de currículo para
desenvolver competências: uma proposta metodológica. Aracajú, Ed. EDUNIT,
p. 29, 2015.
TEIXEIRA, R. C.; Aderência dos cursos de Fisioterapia da Região Norte às Diretrizes
Curriculares Nacionais. Fisioterapia e Movimento, v. 25, n. 1, p. 47-54, 2012.
TROMBELLI, F. S. O.; FERREIRA, F. S. O.; DE OLIVEIRA, J. L. C.; MATSUDA, L.
M. Competências gerenciais: análise curricular de cursos da área da Saúde da rede
pública. Saúde & Comunidade, Paraná, v. 1, n. 1, p. 20-26, 2018.
VARELA, D. S. S.; CARVALHO, M. M. B.; BARBOSA, M. V. F.; DA SILVA, I. Z. F.;
GADELHA, R. R. M.; MACHADO, M. F. A. S. Diretrizes Curriculares Nacionais e a
Formação de Profissionais para o SUS. Revista Brasileira de Saúde Pública,
Pombal, V. 6, n.3, p.39-43, 2016.

3

PRODUTOS
Com o intuito de promover melhorias ao serviço e aos ambientes de ensino
do local onde foi desenvolvida esta pesquisa e também como exigência do
programa de Mestrado Profissional em Ensino na Saúde (MPES) da Faculdade
de Medicina (FAMED) da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), foi realizada
a confecção de produtos de intervenção dentro deste trabalho acadêmico de

48

Universidade Federal de Alagoas
Faculdade de Medicina
Programa de Pós-Graduação
Graduação em Ensino na Saúde

FAMED-UFAL
UFAL – Campus A. C. Simões
Av. Lourival Melo Mota, s/n
Cidade Universitária – Maceió – AL
CEP 57072-970
970

conclusão de curso
urso (TACC) para a obtenção do título de m
mestre.
estre.
Para a elaboração dest
destes, levou-se em consideração os resultados da
pesquisa: Perspectiva
spectiva discentes sobre as competências e Habilidades
Habilidade na
formação em Fisioterapia
Fisioterapia.
Os produtos realizados foram
foram:


Produto 01: Relatório técnico da pesquisa: Perspectiva Discente sobre as
competências e habilidades na formação em fisioterapia.



Produto 02: Oficina
Oficina: “ Reconhecendo as competências e habilidades do
Fisioterapeuta”.
”.



Produto 03: Relatório técnico da oficina: “Reconhecendo
Reconhecendo as competência
e habilidades do Fisioterapeuta
Fisioterapeuta”.

Os produtos serão desc
descritos
ritos abaixo com suas respectivas justificativas,
objetivos, percurso metodológico e descrição da realização.

3.1 Produto 01 - Relatório técnico da pesquisa : Perspectiva dis
discente sobre as
competências e habilidades na formação em fisioterapia
Autores: Laíssa Fonseca Tatajuba Monteiro1, Waldemar Antônio das Neves Junior2,
Mércia Lamenha Medeiros3

49

1

2

Mestranda em Ensino na Saúde, FAMED/UFAL

Orientador, Docente do MPES/UFAL, Doutor em Bioética, Ética aplicada e Saúde Coletiva ENSP/FIOCRUZ, UERJ, UFRJ e UFF
3
Co-orientadora, Docente do MPES/UFAL, Doutora em Ciências em Pediatria pela UNIFESP

3.1.1 Apresentação:
A elaboração do relatório técnico é fruto da pesquisa Perspectiva discente
sobre as competências e habilidades na formação em fisioterapia, realizada em um
centro universitário alagoano com os discentes do curso de Fisioterapia.
Após a realização da análise dos dados encontrados nesta pesquisa, ficou
evidente o maior reconhecimento de algumas competências entre as seis propostas
pelas DCN/FISIO, e notou-se fragilidade na percepção de outras. Sendo assim, os
pesquisadores verificaram a necessidade de apresentar o grupo de dados
encontrados à coordenação do curso de Fisioterapia que, já ciente da realização da
pesquisa, aceitou receber o relatório, nas depedências deste centro universitário, no
dia 04 de novembro do ano de 2019.
Utilizando-se da projeção em slides para a exposição dos objetivos da
pesquisa, resultados gráficos e discussão, um dos pesquisadores apresentou o
conteúdo do relatório à coordenadora do curso em sala apropriada.
Ressalta-se que este relatório teve como objetivos: mostrar os resultados da
pesquisa a respeito da perspectiva discente sobre as competências e habilidades
adquiridas na formação em Fisioterapia e promover reflexões a respeito de
competências e habilidades que se mostraram frágeis após os resultados da
pesquisa.
Após ouvir as colocações da coordenação de Fisioterapia sobre a
necessidade de exposição dos dados fornecidos para os professores e alunos do
curso, foi apresentada a mesma a proposta de oficina com os discentes e
preceptores, conforme planejado pelos pesquisadores, sendo entregue seu roteiro
de atividades. A oficina foi aceita e agendada entre a coordenação do curso e um
dos pesquisadores que faz parte do núcleo de preceptores da instituição.
A declaração de recebimento do relatório final da pesquisa Perspectiva
discente sobre as competências e habilidades na formação em Fisioterapia segue
em anexo.
3.1.2 Público Alvo

50

Este relatório é destinado à coordenação do curso de Fisioterapia do centro
universitário onde foi realizada a pesquisa intitulada Perspectiva discente sobre
as competências e habilidades na formação em Fisioterapia. Este material
também será apresentado à banca de defesa do Mestrado Profissional em
Ensino na Saúde como um dos produtos de intervenção necessários para a
obtenção do título de Mestre.
3.1.3 Introdução
O relatório técnico traz uma perspectiva sobre as competências e
habilidades na formação em Fisioterapia encontradas a partir da visão de alunos
do Curso de Fisioterapia de um centro universitário alagoano.
Os profissionais devem desenvolver habilidades e competências que
ultrapassem os limites do conhecimento técnico e enfatizem a formação em
atitudes voltadas para a saúde, cidadania, comunidade e a atuação em equipe
(GALVÃO et al., 2014).
Historicamente, a palavra “competência” é utilizada em diferentes contextos
e como referência a diversos fenômenos (SANTOS et al., 2009). Na educação,
surgiu como alternativa a capacidade, habilidade, aptidão, potencialidade,
conhecimento, entre outros. É a competência que permite ao sujeito aprendente
enfrentar e regular adequadamente um conjunto de tarefas e de situações
educativas (DIAS, 2010).
O termo competência pode ser definido como a aquisição de habilidades
apropriadas para a realização de uma tarefa, ou capacidade para decidir,
utilizando habilidades e conhecimentos adquiridos, para conduzir uma
situação particular. Também pode ser descrita como uma combinação
articulada e complexa de habilidades e capacidades, que são o resultado
de uma síntese conceitual e funcional de aspectos teóricos, ligados aos
conteúdos disciplinares e a experiência atual (CAMELO; ANGERAMI,
2013, p. 563).
As habilidades são compreendidas como: parte constituinte ou conteúdo
da competência que acaba, assim, por estar definida como conjunto de
atributos de natureza cognitiva, psicomotora e afetiva também
qualificados como dimensões da competência (AGUIAR; RIBEIRO, 2010,
p.375).

“Uma competência traduz-se na capacidade de agir eficazmente perante
um determinado tipo de situação, apoiando-se em conhecimentos, mas sem se
limitar a eles” (DIAS, 2010 apud PERRENOUD, 1999, p. 74). No entanto, o

51

reconhecimento da própria pertinência da noção de competência continua sendo
um desafio nas ciências cognitivas, assim como na didática (PERRENOUD,
1999).
Considerando que o aluno também tem o dever de monitorar sua aquisição
de habilidades e planejar as mudanças necessárias para sua realização
(GERMAN; RICO, 2014), esta pesquisa se propôs a analisar o tema
competências e habilidades do profissional da Fisioterapia a partir do seguinte
questionamento: qual o entendimento dos discentes sobre as competências e
habilidades na formação em fisioterapia?
3.1.4 Objetivos:
 Mostrar os resultados da pesquisa a respeito da perspectiva
discente sobre as competências e habilidades adquiridas na
formação em Fisioterapia.
 Promover reflexões a respeito de competências e habilidades que
se mostraram frágeis após os resultados da pesquisa.

3.1.5 Metodologia:
3.1.5.1 Percurso Metodológico de elaboração do Relatório técnico
A elaboração do relatório técnico foi resultado da pesquisa que foi realizada
com os discentes dos cursos de Fisioterapia de um centro universitário da
cidade de Maceió no Estado de Alagoas.
Esta devolutiva foi elaborada para ser entregue à cordenação do curso de
Fisioterapia como forma de apresentar os resultados obtidos na pesquisa
realizada por uma das docentes da Instituição.
3.1.5.2 Metodologia da pesquisa
A pesquisa foi um estudo quanti-qualitativo, do tipo estudo de caso,
descritivo, exploratório, desenvolvido entre os meses de janeiro e agosto do ano

52

de 2019 com alunos do 6° e/ou 7° ( grupo 1 ) e 10º (grupo 2) períodos do curso
de Fisioterapia da instituição proposta.
Os alunos responderam a um questionário semi-estruturado construído
pelos pesquisadores e revisado por especialista, composto por 36 assertivas
com 4 opções de resposta (discordo, concordo parcialmente e concordo, não se
aplica,) e uma questão aberta. As assertivas estavam relacionadas com as
competências descritas nas DCN/FISIO (atenção à saúde, tomada de decisões,
comunicação,

liderança,

administração

e

gerenciamento

e

educação

permanente), ainda foi adicionada a categoria “Inadequado ao fisioterapeuta”
contendo atribuições que não faziam parte das competências e habilidades do
profissional Fisioterapeuta.
As respostas dos questionários foram consideradas certas e erradas,
codificadas e distribuidas no programa Microsoft Excel, divididas em 2 grupos:
grupo 1 (alunos do 6° e/ou 7° períodos) e grupo 2 (alunos do 10° período). As
resposta das questões abertas foram colocadas no programa Microsoft Word
em categorias respeitando as 6 competências das DCN/FISIO. Para as
categorização das respostas abertas, foi realizada a técnica de análise do
conteúdo. A análise estatística utilizou-se de frequência, percentual e o teste
estatístico Mann-Whitney, utilizando nível de significância com (p<0,05).

3.1.6 Resultados da Pesquisa
Participaram da pesquisa 59 discentes, sendo 50,8% participantes do
(grupo 1) e 49,2% (grupo 2), 81% na faixa etária de 21 a 30 anos e 75%
identificando-se no gênero feminino, considerando-se os dois grupos.
Questões Fechadas :
Dentre as competências percebidas pelos alunos, as que obtiveram maior
número de respostas corretas foram administração e gerenciamento; atenção à
saúde e comunicação (quadro 1).
Quadro 1: Frequência de respostas quanto à perspectiva discente sobre as
competências e habilidades

6 e 7º períodos
Categorias/Grupos

10º período

Certo

Errado

Certo

Errado

Nº/f (%)

Nº/f (%)

Nº/f (%)

Nº/f (%)

53

Atenção à saúde

92/62%

54/37%

88/61%

56/39%

Tomada de decisão

78/53%

70/47%

78/54%

61/44%

Comunicação

89/60%

58/39%

91/63%

52/36%

Liderança
Administração e
gerenciamento
Educação permanente
Inadequado ao
fisioterapeuta

62/42%

85/57%

64/45%

76/54%

85/57%

63/43%

82/57%

60/49%

63/43%

83/57%

71/51%

70/49%

35/21%

139/79%

78/46%

89/53%

Fonte: dados da pesquisa

A competência educação permanente e a tomada de decisão apresentaram
maior porcentagem de acertos no grupo 2.
A categoria liderança apresentou maior número de respostas incorretas em
ambos os grupos. A distribuição dos valores frequenciais estão expostos nos
gráficos 1 e 2. Neste gráfico, as barras azuis representam a frequência de
respostas certas e nas cores vermelhas as respostas erradas.
Gráfico 1: Distribuição do grupo 1 quanto à perspectiva discente sobre as competências e
habilidades por categorias

Fonte: dados da pesquisa

Gráfico 2: Distribuição do grupo 2 quanto à perspectiva discente sobre as
competências e habilidades por categorias

54

Fonte: dados da pesquisa

Considerando o total de respostas certas e erradas, n
não
ão houve diferença
estatística significativa entre os grupos nas categorias estudadas,
estudadas (gráfico 3),
onde a linha traçada horizontalmente em cada caixa representa a méd
média das
quantidades de respostas e os traços verticais acima e abaixo das caixas
representam o desvio padrão.
Gráfico 3: Perspectiva discente sobre as competências e habilidades na
formação em fisioterapia (comparação entre os grupos).

Fonte: dados da pesquisa

Resultados nas questões abertas:
Com relação às respostas abertas, houve uma adesão de 80% no grupo 1 e
de 83% no grupo 2. A tabela 1 expõe a contagem frequencial em que as
competências e habilidades propostas nas DC
DCN/FISIO apareceram nas
respostas dos discentes por categoria.

55

Tabela 1: distribuição de categorias e contagem da frequência.

Categorias

Contagem da frequência
grupo 1

Contagem da frequência
grupo 2

Atenção à saúde
Tomada de decisão
Comunicação
Liderança
Administração e
gerenciamento
Educação permanente
TOTAL

1
12
4
3

4
7
6
3

1

3

1
22

7
30

Fonte: dados da pesquisa

Optou-se por fazer recortes das respostas encontradas com base na
exposição

de

competências

e

habilidades

relacionadas

às

categorias

escolhidas. Percebeu-se um reconhecimento das competências nas respostas
das questões abertas em ambos os grupos, com ênfase na categoria tomada de
decisões do grupo 1.
Algumas das respostas abertas dos alunos foram selecionadas e estão
dispostas abaixo de acordo com suas categorias.
Categoria Atenção à saúde
A4/G2* - “Somos privilegiados com diversas competências e/ou
habilidades, em diversas áreas de atuação, como: atuar nos diversos
níveis de atenção à saúde e lidar e se integrar na equipe multiprofissional.
Desenvolver nosso papel com ética e respeito aos outros”.
A29/G2 - “Comecei a enxergar o paciente como um todo, procurando
sempre ser o mais humana possível e aprender mais”.
A24/G2 - “Habilidade de conseguir ver o paciente como um todo. Saber
lidar com todas as situações e que a humanização é o fundamento para
realizar qualquer tarefa a ser executada”.
A6/G1 - “Reabilitar a funcionalidade de pacientes vítimas de sequelas
neurológicas, ortopédicas e demais áreas, devolvendo o bem-estar a
esses pacientes e estimulando-os sempre a progredir tanto física quanto
psicologicamente”.
*aluno 4/ grupo

56

Categoria Comunicação
A19/G2 - “Respeitar e ouvir a opinião do outro, integrar o paciente, ouvi-lo
da melhor maneira possível, pensando sempre na qualidade”.
A27/G2 - “Ter uma boa comunicação com a equipe multidisciplinar”.
A11/G1 - “Ser cordial com os colegas de turma, com os pacientes e
professores”.
A11/G1 - “Comunicação verbal, comunicação visual, dar instruções ao
paciente para saber como se comportar em casa [...]”.
A7/G2 - “Realizar um feedback junto ao paciente quanto a evolução do
seu tratamento”.
A8/G2 - “Contribuir com o bem-estar do paciente, incentivo, otimismo e
motivação aos pacientes, ter habilidades de escrita e leitura”.

Categoria Administração e Gerenciamento
A5/G1 -“Ter noções sobre empreendedorismo e ética profissional”.
AG/G2 - “Responsabilidades, organizações, cumprimento de horários, de
deveres...”
A8/G2 - “Desenvolver atividades de organização e planejamento [...]”.
A20/G2 - “Habilidade de planejamento e organização para um melhor
atendimento do paciente, desde o início até a alta dele [...]”.

Categoria Liderança
A7/G1 - “Ter empatia com o próximo, saber o que o fisioterapeuta pode
ou não fazer”.
A20/G1 - “Posicionamento profissional, questionamento sobre assuntos
relacionados à área de saúde”.
A18/G2 - “Liderança,
organizada”.

paciência,

autonomia,

ser

empreendedora,

Categoria Educação permanente
A10/G2 - “Competência teórica para exercer a prática... desenvolver
trabalhos científicos [...]”.

57

A13/G2 - “Conhecer métodos e técnicas de pesquisa e elaboração de
trabalhos acadêmicos, conhecer os fundamentos históricos, filosóficos e
metodológicos da fisioterapia, saber as atribuições que compõe a profissão”.
A25/G2 - “Conhecer e ter embasamento científico”.
A26/G2 - “Ultimamente a *** vem desempenhando um papel forte em
incentivo a realização de trabalhos (iniciação científica, trabalhos para
serem apresentados em congressos) e eu acho isso extraordinário, pois faz
com que o aluno amadureça”.
A11/G2 - “Adquirir habilidades cognitivas, com embasamento, para tratar
meu paciente; habilidade técnica, psicológica e social”.

Categoria Tomada de decisões
A1/G1 - “Ainda estou na graduação, mas acho que já adquiri diversas
competências como avaliar, diagnosticar e tratar”.
A5/G1 - “Avaliar e tratar os pacientes, conhecer e saber as
particularidades dos diferentes tipos de patologias, prescrever
exercícios, desenvolver uma conduta própria para cada paciente [...]”.
A8/G1 - “Habilidade em aplicar testes ortopédicos, avaliar capacidade
funcional do indivíduo de diversas formas [...]”.
A11/G1 - “Ser ágil na forma de pensar ao montar uma conduta
fisioterapêutica, ter conhecimento dos equipamentos úteis para um bom
atendimento [...]”.
A10/G2 - “Encaminhar o paciente para outros profissionais de saúde,
trabalhar de forma interdisciplinar”.
A14/G2 - “Vivência nas áreas de atuação da fisioterapia executando
atendimentos, desenvolvendo raciocínio com cada patologia e área de
atuação, adquirindo experiência”.

3.1.7 Considerações finais
A pesquisa Perspectiva discente sobre as competências e habilidades na
formação em Fisioterapia identificou um maior reconhecimento das competências
gerais: atenção à saúde, administração e gerenciamento e comunicação em
ambos os grupos de alunos estudados.
Após a análise dos dados de frequência, pode-se afirmar que o grupo 2
(formado por alunos que já estavam no último período do curso) obteve maior

58

número de respostas corretas em relação ao grupo 1, no qual se constatou uma
maior vulnerabilidade para a percepção de competências como a de educação
permanente e na categoria “inadequado ao fisioterapeuta” (onde deveriam
reconhecer situações que não faziam parte de sua competência profissional).
A competência liderança foi a que obteve o maior deficit com relação a
frequência das assertivas com maior número de erros em ambos os grupos, fato
possivelmente associado à necessidade do fortalecimento de competências
prévias para a aquisição de habilidades.
Considerando as respostas das questões abertas, verificou-se através da
análise da resposta dos alunos que, durante seu processo de formação, foram
adquiridas as competências e habilidades gerais descritas nas DCN/FISIO.
Porém, perecebeu-se que a contagem frequencial das respostas foi mais
homogênea e de maior valor numérico nas respostas dos alunos que estavam
no grupo 2, considerando as categorias utilizadas.
3.1.8 Recomendações:
As sugestões e recomendações estão pautadas nos resultados da pesquisa
e serão direcionadas à coordenação do curso de Fisioterapia em questão; são
elas:
 Promover rodas de conversas com os alunos sobre o tema como
forma de iniciar ações de sensibilização sobre a aquisição e
execução de competências e habilidades durante o processo de
formação;
 Buscar, através de discussões, sugestões coletivas sobre o
desenvolvimento de competências e habilidades ao longo da matriz
curricular do curso durante o processo de formação dos alunos;
 Construir junto aos professores e preceptores uma proposta coletiva
sobre o desenvolvimento de competências e habilidades dentro do
planejamento das atividades curriculares;
 Desenvolver ações dentro e fora do campus que possam estimular os
alunos ao exercício da liderança da tomada de decisão, entre outros,
aproveitando os diversos contextos sociais.

59

REFERÊNCIAS
AGUIAR, A. C.; RIBEIRO, E. C. O. Conceito e Avaliação de Habilidades e
Competência na Educação Médica: Percepções Atuais dos Especialistas. Revista
Brasileira de Educação médica, Rio de Janeiro, v. 34, n. 3, p.371-378, 2010.
BRASIL. Diretrizes Curriculares Nacionais do curso de graduação em
Fisioterapia. Resolução n. 4 de 19 de outubro de 2002. Brasília, DF: Presidência da
República [2018].
CAMELO, S. H. H.; ANGERAMI, E. L. S. Competência profissional: a construção de
conceitos, estratégias desenvolvidas pelos serviços de saúde e implicações para a
enfermagem. Texto & Contexto Enfermagem, Santa Catarina, v.22, n. 2, 2013.
DIAS, I. S. Competências em Educação: conceito e significado pedagógico. Revista
Semestral da Associação Brasileira de Psicologia Escolar e Educacional, São
Paulo, v. 14, n. 1, p. 73-78, 2010.
GALVÃO, M. H. R.; FREITAS, C. H. S.; CASSEMIRO, L. L.; PEREIRA, I. L.;
DEOLIVEIRA, M. G. PET-saúde: gestão e atenção à saúde potencializando
mudanças na formação. Da ABENO, v.14, n.1, p. 57-65, 2014.
GERMAIN, F.; RICO, C. P. La educación por competencias como medio para facilitar
la toma de control del aprendizaje por el estudiante. Fundacion Educacion médica,
Madrid, v.17, n.1, p. 11-19, 2014.
PERRENOUD, P. Construir as competências desde a escola. Genève, Ed.
Artmed, p. 5, 1999.
SANTOS, G. C. V.; KIENEN, N.; VIECILI, J.; BOTOMÉ, S. P.; KUBO, O. M.
“Habilidades” e “Competências” a Desenvolver na Capacitação de Psicólogos: Uma
Contribuição da Análise do Comportamento para o Exame das Diretrizes
Curriculares. Interação em Psicologia, Curitiba, v.13, n.1, p. 131-145, 2009.

60

3.2 Produto 02 - Oficina :“Reconhecendo as competências e habilidades do
fisioterapeuta”.
3.2.1 Apresentação:
A proposição para esta oficina surgiu a partir dos resultados do trabalho
intitulado: Perspectiva discente sobre as competências e habilidades na
formação em fisioterapia. Nesta pesquisa, foi possível detectar fragilidades no
reconhecimento de competências e habilidades do profissional fisioterapeuta,
levando em consideração os valores frequenciais da participação dos alunos que
responderam ao questionário. Uma das competências que demonstrou maior
fragilidade nos resultados desta pesquisa foi a liderança.
A justificativa para a elaboração dessa oficina se dá a partir do presuposto
que as DCN/FISIO preveem que a formação do fisioterapeuta tem por objetivo
dotar o profissional dos conhecimentos requeridos para o exercício de
competências e habilidades gerais: I- Atenção à saúde; II- tomada de decisões; IIIcomunicação; IV- liderança; V- administração e gerenciamento; VI- educação
permanente, além de competências e habilidades específicas (BRASIL, 2002).
Esta oficina foi construída com objetivos baseados na Taxonomia de Bloom,
com o intuito de desenvolver estruturas do processo cognitivo, tais como: lembrar,
entender, aplicar, analisar, avaliar e criar (FERRAZ; BELHOT, 2011); e de
reconher as competências e habilidades do profissional fisioterapeuta através da
utilização de metodologias ativas de ensino que colocam os estudantes como
sujeitos ativos do processo de aprendizagem (SIMON et al., 2015).
3.2.2 - Objetivos da oficina


Facilitar o reconhecimento dos alunos sobre as competências e
habilidades do fisioterapeuta propostas pelas DCN/FISIO;



Desenvolver a competência liderança, que apresentou-se mais
fragilizada nos resultados da pesquisa.

61

3.2.3 Carga horária
Será necessário para realização desta oficina um tempo hábil de 120
minutos.
3.2.4 Público alvo
Esta oficina foi destinada aos alunos do 9° e 10° períodos, que estavam em
fase final do curso de fisioterapia em vivência de estágio supervisionado.
Justifica-se por ser este o momento no qual se deve proporcionar o aprendizado
de competências próprias das atividades profissionais e a contextualização
curricular, objetivando o desenvolvimento do educando para a vida cidadã e
para o trabalho (BRASIL, 2008).
Esta atividade também foi oferecida aos preceptores que acompanharam os
alunos nas atividades diárias de estágio curricular. Estes formarão grupos
específicos para a participação na oficina.
3.2.5 Número de participantes
Devido ao número expressivo de alunos (72) e preceptores (12), a oficina foi
planejada em dois momentos: o primeiro foi constituído por 32 alunos (9°
período) e 5 preceptores; e no segundo momento a atividade foi ministrada para
40 alunos (10° período) e 7 preceptores.
3.2.6 Equipamentos e material didáticos


Data show



Computador



Caixa de som



14 cartolinas brancas



Pincel para cartolina



Cartões coloridos



Fita adesiva



Cola



Caixas de fósforo



Folhas de papel A4

62



2 caixas de bombons



2 caixas para o desafio



Lista de frequência de alunos e preceptores

3.2.7 Programação da oficina
1- Atividade : Dinâmica de boas-vindas – Desafio
Descrição: o facilitador dará início às atividades dando as boas-vindas aos
alunos e agradecendo à presença. Em seguida, haverá a disposição dos
participantes em um grande círculo onde todos escutarão as instruções sobre a
dinâmica. Será entregue a eles uma caixa fechada com o seguinte dizer:
DESAFIO. Será reproduzida uma música e a caixa passará pelas mãos dos
participantes. Ao encerrar a música, quem estiver com a caixa deverá responder
a seguinte pergunta feita pelo facilitador: você aceita realizar este desafio? Caso
ele não queira, a música continuará até que aguém aceite o desafio. Dentro da
caixa deverá haver uma barra de chocolate com o seguinte dizer: “seu desafio é
comer este delicioso chocolate!”. Ao final, o facilitador explicará que nem todos
os desafios são ruins e fará a sugestão de mais um novo desafio: conhecer as
competências e habilidades do profissional fisioterapeuta com esta oficina.
Objetivos da atividade 1: Descontrair o grupo e estimular a participação na
oficina.
Metodologia: Dinâmica em grupo
Duração: 10 minutos
2- Apresentação da oficina e organização dos participantes
Descrição: o facilitador deverá, de forma breve, apresentar os objetivos da
oficina e em seguida apresentar o conceito das palavras: competência e
habilidade, a partir da exposição de figuras ilustrativas disponíveis em
apresentação no programa Power Point.
Na sequência, os participantes serão divididos em grupos (de acordo com a
equipe de estágio que já participam, a fim de possivelmente promover melhores

63

discussões). Também será realizado grupo específico com os preceptores de
estágio que acompanham os alunos nas atividades, estes receberão as mesmas
instruções dos alunos. Cada grupo deverá eleger um dos componentes como
líder, que receberá os materiais necessários para a oficina: folheto explicativo
contendo o resumo do texto das DCN/FISIO sobre as competências e
habilidades gerais divididas por cores (apêndices); cartolina branca; pincel para
cartolina; cartões coloridos nas cores das competências e habilidades gerais
(servirão para sinalizar as respostas das perguntas norteadoras que serão
apresentadas aos alunos em projeção de slides); cola branca; folha de papel A4;
1 caixa de fósforo.
Metolologia: Exposição de figuras e formação de grupos para discussão.
Objetivos da atividade: lembrar ou fazer entender conceitos importantes
para a formação em fisioterapia e que são essenciais para a participação na
oficina; construir o andamento da oficina coletivamente; estimular a liderança.
Duração: 10 minutos
3- Exposição de vídeos e construção dos cartazes
Descrição: os vídeos serão exibidos em projeção multimídia com áudio e
imagem acessível a todos os participantes e trarão a exposição de situações em
que

profissionais

da

fisioterapia

exercem

competências

e

habilidades

profissionais em seus ambientes de trabalho. Para a construção dos cartazes, a
cada pergunta norteadora, os participantes poderão consultar o folheto
explicativo entregue junto aos materiais da oficina para as discussões em grupo.
3.1 Exposição do vídeo 1
Video 1: https://www.youtube.com/watch?v=Wyjd0OszR8I
1°) Que competências você acredita que estão representadas no vídeo de
número 1? Escolha duas de acordo com as cores dos seus cartões de resposta
e cole em seu cartaz.


Objetivo do vídeo 1: levar o aluno a analisar as competências
mediante aplicação prática de profissionais da fisioterapia.



As competências e habilidades gerais exemplificadas neste vídeo
são:

64

1. Atenção à saúde: a reabilitação hospitalar é um dos níveis de
atenção a saúde (prevenção, promoção, proteção e reabilitação)
nos quais o fisioterapeuta deve atuar.
2. Tomada de decisões: a partir da capacidade de decidir sobre a
efetividade de equipamentos, além de avaliar e conduzir a conduta
mais adequada.
3. Comunicação: necessária na relação paciente-terapeuta para a
realização dos exercícios, além da comunicação no ambiente
profissional para uso e aceitação do equipamento.
4. Liderança : competência que envolve responsabilidade, habilidade
para tomada de decisões, comunicação e gerenciamento.
5. Administração e gerenciamento: a partir da economia de gastos
com o uso de recursos simples e de fácil elaboração, pensando-se
no bem estar financeiro do hospital em questão.
6. Educação permanente: os profissionais devem ser capazes de
aprender

continuamente na sua prática diária e no

convívio com outros profissionais.
3.2 Exposição do vídeo 2
Vídeo 2: https://www.youtube.com/watch?v=L_8qWLpQA48
2°) Que competências você acredita que estão representadas no vídeo de
número 2? Escolha duas de acordo com as cores dos seus cartões de resposta
e cole em seu cartaz.


Objetivos do vídeo 2: levar o aluno a analisar as competências
mediante aplicação prática de profissionais da fisioterapia.



As competências e habilidades gerais exemplificadas neste vídeo
são:

1. Atenção à saúde: são demonstradas no vídeo ações de prevenção,
proteção e reabilitação de atletas (diferentes níveis de atenção
necessários ao profissional fisioterapeuta em sua atuação).
2. Tomada de decisões: aplicação de técnicas e equipamentos
fisioterapêuticos de acordo com a condição do paciente.
3. Comunicação:

destaca-se

a

presença

mutidisciplinar para o tratamento dos atletas.

de

uma

equipe

65

4. Liderança : competência que envolve responsabilidade, habilidade
para tomada de decisões, comunicação e gerenciamento.
5. Administração e gerenciamento: a atitude de prevenir lesões pode
gerar menos custos em reabilitação.
6. Educação permanente: os profissionais devem ser capazes de
aprender

continuamente na sua prática diária e no

convívio com outros profissionais.
3.3 Pergunta norteadora de número 3.
Após os grupos terem respondido as perguntas de número 1 e 2, será
lançada pelo facilitador a pergunta disparadora de número 3:
3°) Que palavras remetem a vocês a competência liderança? Escrevam nos
papéis recebidos e colem em seus cartazes. A pergunta estará disponível em
projeção no programa Power point.
3.4 Pergunta norteadora de número 4.
4°) Em algum desses vídeos foi possível perceber atitudes de liderança?
Em que momento? Escreva de forma breve em sua cartolina.
Objetivos da atividade 3: recordar ou fazer entender a distribuição das
competências propostas pelas DCN/FISIO; analisar os achados do ponto de vista
conceitual e prático, a fim de criar e recriar conceitos sobre o tema competências
e habilidades, enfatizando a competência liderança.
Metodologia: folheto auto explicativo (anexo 1) e exposição audiovisual.
Duração : 40 minutos
4- Apresentação dos cartazes
Nesta atividade, cada grupo deverá expor suas considerações sobre os
cartazes construídos.
Objetivo da atividade 4: compartilhar ideias entre os grupos; promover a
construção do conhecimento coletivo; colocar os alunos como coprodutores do
seu conhecimento.
Metodologia: apresentação oral.
Duração: 30 minutos

66

5- Dinâmica de encerramento: Construção com fósforos
Link: https://www.youtube.com/watch?v=HOEnSHgGrdo&t=255s
Os líderes deverão visualizar uma figura feita com palitos de fósforos a ser
apresentada a eles pelo facilitador da oficina. Apenas os líderes terão acesso a
essa figura (apêndices);
Apenas com suas palavras, os líderes deverão guiar sua equipe para a
construção dessa figura. Em nenhuma hipótese o líder poderá ajudar com a
construção da figura. A equipe que chegar mais perto da figura ganhará uma
caixa de bombom.
Objetivo da dinâmica: despertar o trabalho em grupo e conscientizar as
equipes sobre a importancia do exercício da competência liderança para atingir
um determinado objetivo.
Duração: 20 minutos
6- Avaliação da oficina
Será aplicado um questionário simples para a avaliação da oficina a todos
os participantes (apêndices). Os alunos não serão identificados em seus
questionários.
Objetivos: Conseguir um feedback sobre a oficina aplicada através da
exposição de pontos positivos e negativos.
Duração: 10 minutos

67

REFERÊNCIAS

BRASIL. Diretrizes Curriculares Nacionais do curso de graduação em
Fisioterapia. Resolução n. 4 de 19 de outubro de 2002. Brasília, DF: Presidência da
República [2018].
BRASIL. Estágio: lei n. 11788 de 25 de setembro de 2008. Brasília, DF: Presidência
da República [2018].
FERRAZ, A. P. C. M; BELHOT, R. V. Taxonomia de Bloom: revisão teórica e
apresentação das adequações do instrumento para definição de objetivos
instrucionais. Gest. Prod. São Carlos, v. 17, n. 2, p. 421-431, 2010.
SIMON. E; JEZINE, E; VASCONCELOS. E. M; RIBEIRO, K. S. Q. S. Metodologias
ativas de ensino-aprendizagem e educação popular: encontros e desencontros no
contexto da formação dos profissionais de saúde. Interface. Botucatu, v. 18, p.13551364, 2014.

68

3.3 Produto 03 – Relatório técnico da oficina : “Reconhecendo as
Competências e habilidades do fisioterapeuta”.
AUTORES: Laíssa Fonseca Tatajuba Monteiro1, Waldemar Antônio das Neves
Junior2, Mércia Lamenha Medeiros3
1

2

Mestranda em Ensino na Saúde, FAMED/UFAL

Orientador, Docente do MPES/UFAL, Doutor em Bioética, Ética aplicada e Saúde Coletiva ENSP/FIOCRUZ, UERJ, UFRJ e UFF
3
Co-orientadora, Docente do MPES/UFAL, Doutora em Ciências em Pediatria pela UNIFESP

3.3.1 Apresentação
O relatório técnico tem por finalidade apresentar os resultados da oficina:
Reconhecendo as competências e habilidades do Fisioterapeuta”, realizada
com discentes e preceptores do curso de Fisioterapia nas dependências do Centro
Universitário Tiradentes (UNIT/AL).
A proposição para esta oficina surgiu a partir dos resultados do trabalho
intitulado: Perspectiva discente sobre as competência e habilidades na
formação em fisioterapia, efetuada nesta instituição de ensino como pré-requisito
do Mestrado Profissional em Ensino na Saúde (MPES) da Faculdade de Medicina
(FAMED) da Universidade Federal de Alagoas (UFAL) para obtenção do título de
Mestre.
A realização desta oficina funcionou como proposta de devolutiva institucional
com intuito de promover a sensibilização ao tema desenvolvido e fortalecer ações
para o estímulo à liderança (competência e habilidade geral que encontrou maior
vulnerabilidade nos resultados da pesquisa) em alunos e preceptores deste curso de
fisioterapia que integram as atividades de estágio supervisionado (9° e 10°
períodos).
Este momento vivenciado em meio acadêmico também pode ser considerado
uma oportunidade de gerar discussões entre discentes e docentes sobre o tema
competências e habilidades, tornando-se um espaço de exposição de ideias e
partilha de situações cotidianas, já que, segundo Stahlschimidt (2012), as oficinas
vêm

enfocando,

em

especial,

a

elaboração

de

relatos

de

experiência,

proporcionando aos envolvidos, atividades que têm como objetivo a aplicação
prática de conhecimentos previamente construídos sobre a produção de textos.

69

3.3.2 Introdução
A elaboração dessa oficina se dá a partir do presuposto que as DCN/FISIO
preveem que a formação do fisioterapeuta tem por objetivo formar o profissional
com os conhecimentos requeridos para o exercício de competências e habilidades
gerais: I- Atenção à saúde; II- tomada de decisões; III- comunicação; IV- liderança;
V- administração e gerenciamento; VI- educação permanente, além de
competências e habilidades específicas (BRASIL, 2002).
O estágio supervisionado curricular trata-se de um momento pedagógico
capaz de enfrentar de maneira positiva os desafios instituídos pelas DCN
(CAVALCANTI, 2014), pois, segundo Rodrigues (2012), sua proposta foi idealizada
para transformar as práticas de ensino, permitindo a integração entre docentes e
profissionais do serviço ao receber alunos para cumprir estágios, numa constante
busca na formação de um profissional. E que estes possuam coerência crítica e
capacidade para compreender a realidade e intervir nela, sempre trabalhando em
consonância com as políticas públicas de saúde.
Os estágios no Brasil deverão proporcionar o aprendizado de competências
próprias das atividades profissionais e a contextualização curricular, objetivando o
desenvolvimento do educando para a vida cidadã e para o trabalho (BRASIL,
2008). Esta oficina foi elaborada e planejada para ser aplicada aos alunos na etapa
final do curso de fisioterapia (fase de estágio), contando com a participação de seus
preceptores, que os acompanham diariamente nas atividades de estágio, com a
intenção de levantar questões importantes sobre o tema a ser trabalhado.
Por fim, este relatório teve como objetivo descrever as reflexões obtidas com
a realização da oficina: “Reconhecendo as competências e habilidades do
Fisioterapeuta”, aplicada a alunos e preceptores, assim como expor seus registros
fotográficos.

70

3.3.3

Oficina:

Reconhecendo

as

competências

e

habilidades

do

fisioterapeuta.
Para a realização deste produto, foram necessárias reuniões de planejamento
com seus idealizadores, assim como seu agendamento prévio com a instituição de
ensino que recebeu a intervenção. As etapas para o planejamento desta oficina
estão descritas no quadro abaixo.
Quadro 2: Planejamento da oficina

Etapa

Atividades de planejamento
Apresentação da proposta final do Produto de Intervenção e do Projeto de
realização da Oficina para Discentes e preceptores ao Orientador: Prof. Dr.
Waldemar Antônio das Neves Júnior e a Co-orientadora: Prof.ª Dr.ª Mércia
Lamenha Medeiros.
Apresentação da proposta do Produto de Intervenção e do Projeto de realização
da Oficina para a Coordenação do curso de Fisioterapia do Centro Universitário
estudado no dia 04 de novembro de 2019.
Agendamento da realização do Produto de Intervenção: Oficina:
“Reconhecendo as competências e habilidades do Fisioterapeuta “, junto a
coordenação dos estágios, após liberação da Coordenação do curso.
Organização para execução da oficina
Aplicação da oficina
Discussão dos resultados
Construção do relatório Técnico da oficina: “Reconhecendo as competências e
habilidades do Fisioterapeuta”.

1°

2°
3°
4°
5°
6°
7°

Fonte: Autores – Dados da pesquisa. Oficina: “Reconhecendo as competências e habilidades do
fisioterapeuta”.

A

oficina:

“Reconhecendo

as

competências

e

habilidades

do

Fisioterapeuta”, aconteceu no dia 18 de novembro nas dependências do centro
universitário em dois momentos. No primeiro momento (das 8 às 9h e 20 minutos),
participaram da oficina os alunos do 9° período do curso de Fisioterapia e os
preceptores que os acompanham nas atividades práticas de estágio. No segundo
momento (das 10 às 11h e 20 minutos), a oficina foi aplicada aos alunos do 10°
período do curso de fisioterapia e seus preceptores.
Todos os participantes foram avisados das atividades da oficina pela
coordenação dos estágios em Fisioterapia, que também disponibilizou os horários.
Entre as atividades das duas turmas, houve a oferta de um lanche oferecido pela
pesquisadora a todos os alunos e preceptores participantes.

71

A oficina foi facilitada pela pesquisadora, que também faz parte do corpo
docente desta instituição. Contou-se também com a ajuda de uma auxiliar
(preceptora do 9° período), que voluntariamente ajudou no registro de fotos,
gravações e suporte de som.
Construída com objetivos baseados na Taxonomia de Bloom, esta oficina
teve a finalidade de desenvolver estruturas do processo cognitivo, tais como:
lembrar, entender, aplicar, analisar, avaliar e criar (FERRAZ; BELHOT, 2011); ); e
de reconher as competências e habilidades do profissional fisioterapeuta através
da utilização de metodologias ativas de ensino, que colocam os estudantes como
sujeitos ativos do processo de aprendizagem (SIMON et al., 2015).
O conteúdo programático da oficina foi dividido em etapas que serão
dispostas abaixo, assim como seus respectivos objetivos educacionais:
Quadro 3: Conteúdo programático da oficina “Reconhecendo as competências e
habilidades do fisioterapeuta”.

Etapa

Atividade

1°

Dinâmica de boas vindas

2°

Apresentação da oficina e
organização dos participantes

3°

Exposição de vídeos e
construção dos cartazes

4°

Apresentação dos cartazes

5°

Dinâmica de encerramento

Objetivo (s)
 Descontrair o grupo e
estimular a participação na
oficina.
 Lembrar ou fazer entender
conceitos importantes para a
formação em fisioterapia e que
são
essenciais
para
a
participação na oficina;
 Construir o andamento da
oficina coletivamente;
 Estimular a liderança
 Recordar ou fazer entender a
distribuição das competências
propostas pelas DCN/FISIO;
 Analisar os achados do ponto
de vista conceitual e prático, a
fim de criar e recriar conceitos
sobre o tema competências e
habilidades,
enfatizando
a
competência liderança.
 Compartilhar ideias entre os
grupos;
promover
a
construção do conhecimento
coletivo;
 Colocar os alunos como
coprodutores
do
seu
conhecimento.
 Despertar o trabalho em
grupo e conscientizar as

72

equipes sobre a importancia
do exercício da competência
liderança para atingir um
determinado objetivo.
Fonte: Autores – Dados da pesquisa. Oficina: “Reconhecendo as competências e habilidades do
fisioterapeuta”.

Ao final das tarefas, foi realizada uma avaliação da oficina utilizando-se de
um modelo proposto pelos pesquisadores, dando aos participantes a
possibilidade de deixarem sua opinião, assim como contribuirem com sugestões
sobre a atividade de forma prática, e sem a necessidade de identificação
pessoal. Na avaliação deixava-se 5 (cinco) sugestões de resposta (gostei, não
gostei, indiferente, gostei e adorei), assim como a opção: “deixe sua sugestão”
em questão aberta.
3.3.4 Resultados e discussão
3.3.4.1 Distribuição dos participantes
Ao total, 79 pessoas participaram da oficina, sendo 9 preceptores de estágio e
70 discentes de fisioterapia, a distribuição se deu em dois grupos que estão
dispostos no quadro abaixo:
Quadro 4: Distribuição dos participantes
competências e habilidades do fisioterapeuta”.

nas

oficinas:

“Reconhecendo

Descrição do
grupo

N° de alunos

N° de
preceptores

Total de
participantes

9° período

31

3

34

10° período

39

6

45

Total

70 (89%)

9 (11%)

79

as

Fonte: Autores – Dados da pesquisa. Oficina: “Reconhecendo as competências e habilidades
do fisioterapeuta”.

Eram esperados ao total 72 alunos e 12 preceptores, porém 2 alunos e 3
preceptores faltaram às atividades neste dia. Um preceptor do décimo período não
assinou a lista de presença. A lista de presença das oficinas segue nos apêndices.

73

Os preceptores foram incluídos nas atividades da oficina, visto que a
educação dos profissionais de saúde deve ser entendida como processo
permanente na vida profissional, mediante o estabelecimento de relações de
parceria entre as instituições de educação, a gestão e os serviços de saúde, a
comunidade, as entidades e outros setores da sociedade civil (KOLTERMANN, et
al., 2012).

3.3.4.2 Realização da oficina
Na primeira etapa da oficina, o facilitador deu início às atividades dando as
boas-vindas aos alunos. Em seguida, houve a disposição dos participantes em um
grande círculo onde eles escutaram as instruções sobre a primeira dinâmica. Assim,
foi distribuída uma caixa que passou pelas mãos dos participantes durante a
execução de uma música. A caixa apresentava o seguinte dizer: “DESAFIO”. Tendo
a caixa em suas mãos ao parar da música, os participantes sorteados, em ambos os
grupos, logo aceitaram desafio e se depararam com a seguinte surpresa dentro da
caixa: Seu desafio é comer este delicioso chocolate!
Imagem 1: material necessário
para dinâmica

Imagem
2:
disposição
participantes (10° período).

dos

Fonte: Autores – Dados da pesquisa. Oficina: “Reconhecendo as competências e habilidades

74

do fisioterapeuta”.

Sobre a utilização de dinâmicas em grupo, Sobral e Campos (2012), em sua
revisão integrativa, fazem referências a estas como uma das metodologias ativas de
ensino amplamente utilizadas pela enfermagem. Os autores ainda citam:
“Atualmente, muitas discussões apontam para a utilização de novas
práticas pedagógicas e as IES têm sido estimuladas a reconstruir seu papel
social e valorizar a qualidade da assistência no trabalho em saúde
adotando tais inovações” (SOBRAL; CAMPOS, 2012 apud MITRE et al.,
2008; SILVA; SÁ-CHAVES, 2008; CYRINO;TORALLES-PEREIRA, 2004,
p.209).

Dando continuidade, a facilitadora apresentou o conceito das palavras
competência e habilidade a partir da exposição de figuras ilustrativas disponíveis em
apresentação no programa Power Point. A apresentação foi feita de forma breve,
porém respeitando as ideias da taxonomia de Bloom que definem como estrutura do
processo cognitivo o conhecimento. Sendo assim, a habilidade deste domínio pode
envolver, lembrar uma quantidade significativa de informação ou fatos específicos
(FERRAZ; BELHOT, 2010 apud BLOOM et al., 1956).
Na sequência, os participantes foram divididos em grupos (de acordo com a
equipe de estágio que já participam a fim de possivelmente promover melhores
discussões). Também foi realizado grupo específico com os preceptores de estágio
que acompanham os alunos nas atividades. Cada grupo elegeu um dos
componentes como líder e recebeu o material necessário para a continuidade da
oficina.
O 9° período ficou organizado em 6 grupos (5 grupos de alunos com média
de 6,2 participantes por grupo) e um grupo com 3 preceptores. O 10° período foi
dividido em 7 grupos (6 grupos de alunos com média de 5,6 participantes por grupo)
e um grupo com 6 preceptores.

75

Imagem 3 - Apresentação dos
conceitos: competência e habilidade
e divisão em grupos (9° período).

Imagem
4
Apresentação
dos
conceitos: competência e habilidade e
divisão em grupos (10° período).

Fonte: Autores – Dados da pesquisa. Oficina: “Reconhecendo as competências e habilidades do
fisioterapeuta”.

Tendo em mãos os materiais necessários: folheto explicativo contendo o
resumo do texto das DCN/FISIO sobre as competências e habilidades gerais
divididas por cores; cartolina branca; pincel para cartolina; cartões coloridos nas
cores das competências e habilidades gerais (servirão para sinalizar as respostas
das perguntas disparadoras que serão apresentadas aos alunos em projeção de
slides); cola branca; folha de papel A4; 1 caixa de fósforo.
Os participantes assistiram aos vídeos disponibilizados e responderam às
perguntas norteadoras apresentadas em projeção de slides. Foram realizadas 4
perguntas norteadoras durante a oficina, que foram respondidas na cartolina que
apresentava um modelo pré- estabelecido entregue igualmente a todos os
participantes. A utilização de perguntas, assim como a divisão em grupos, também
fez parte da metodologia da oficina de Souza et al., 2019, sobre a educação
permanente em saúde.

Imagem 5 –
estabelecido.

Modelo

de

cartolina

pré

-

76

Fonte: Autores – Oficina: “Reconhecendo as competências e habilidades do fisioterapeuta”.

As

quatro

perguntas

norteadoras

utilizadas

pela

facilitadora

e

disponibilizadas em projeção de slides foram:
1. Que competências você acredita que estão representadas no vídeos
de número 1? Escolha duas de acordo com as cores dos seus cartões
de resposta e cole em seu cartaz.
2. Que competências você acredita que estão representadas no vídeo de
número 2? Escolha duas de acordo com as cores dos seus cartões de
resposta e cole em seu cartaz.
3. Que palavras remetem a vocês a competência liderança? Escrevam
nos seus cartazes.
4. Em algum desses vídeos foi possível perceber atitudes de liderança?
Em que momento? Escreva de forma breve em sua cartolina.
Imagem 6 – Processo de construção
dos cartazes (9° período).

Fonte:
Autore
s
–
Dados
da
pesqui
sa.
Oficina
:
“Recon
hecend
o
as
competências
e habilidades
do
fisioterapeuta.

Imagem 7 – Processo de construção
dos cartazes (10° período).

Imagem 8 – processo de confecção dos cartazes (grupo de preceptores
do 10° período).

77

Fonte: Autores – Dados da pesquisa. Oficina: “Reconhecendo as competências e habilidades do
fisioterapeuta”.

A partir da pergunta disparadora de número 3
3, que instruía os participantes
a escrever palavras referentes à competência liderança, foram
ram criadas nuvens de
palavras que serão apresentadas a seguir

Figura 2: Nuvem de palavras sugeridas pelos participantes relacionadas à competência
liderança (9° período).

Fonte: Autores – Dados da pesquisa. Oficina: “Reconhecendo as competências e habilidades do
fisioterapeuta”.
Figura 3:: Nuvem de palavras sugeridas pelos participantes relacionadas a competência
liderança (10° período).

78

Fonte: Autores – Dados da pesquisa. Oficina: “Reconhecendo as competências e habilidades do
fisioterapeuta”.

A competência liderança, de aco
acordo com os dados da pesquisa Perspectiva
discente sobre as competências e habilidades na formação em Fisioterapia
Fisioterapia, de onde
se pensou essa oficina, mostrou
mostrou-se
se mais vulnerável entre os grupos estudados em
diferentes fases da vida acadêmica, sendo assim, esta competência
competê
foi enfatizada
nas atividades desta oficina.
De acordo com as DCN/FISIO
DCN/FISIO, a liderança

envolve compromisso,

responsabilidade, empatia, habilidade para tomada de decisões, comunicação e
gerenciamento de forma ativa e eficaz (BRASIL,2002)
(BRASIL,2002),, ou seja, para que a liderança
seja alcançada, são necessárias diversas competências e habilidades citadas nas
diretrizes. A amplitude do conceito de liderança foi enfatizada nesta oficina pelas
inúmeras palavras descritas nos cartazes presentes nas nuvens apresentadas acima
e nos trechos escritos da questão 4
4.
Levando em consideração as respostas da pergunta disparadora de número
4, o vídeo 1 foi o mais citado entre os participantes. Apenas dois grupos,
considerando as duas oficinas, fizeram referência ao vídeo 2. Algumas respostas
que se destacaram na construção dos cartazes estão citadas abaixo
abaixo:
*9°P/G1
9°P/G1 – “Quando
Quando o fisioterapeuta percebeu que podia criar um
equipamento com recursos mais acessíveis para ajudar na mobilização do
paciente no leito da UTI”. (Vídeo 1)

79

9°P/G3 – “O fisioterapeuta assume um papel de liderança quando resolve
produzir um equipamento que seu setor não possui e que irá trazer enorme
benefício na reabilitação dos pacientes utilizando para isso todo seu
conhecimento adquirido e empatia com o próximo além de ter apresentado
iniciativa e proatividade”. (Vídeo 1)
9°P/G1 – “Troca de conhecimento entre professores e alunos com postura
profissional e acessibilidade”. (Vídeo 2)
10°P/G3 – “Foi possível observar a proatividade, empatia, comunicação com
a equipe, proporcionou um melhor atendimento ao paciente, além de tudo
foi criativo”. (Vídeo 1)
10°P/ Preceptores – “Devido à tomada de decisão para mobilização
precoce, devido à necessidade e importância de uma equipe multidisciplinar
precisando de uma liderança. Porém o vídeo 2 também necessita de
liderança”. (Vídeos 1 e 2)
10°P/G4 - “O fisioterapeuta teve a iniciativa e atitude de confeccionar uma
cadeira visando a melhora do paciente e menor gasto financeiro para o
hospital”. (Vídeo 1)
*P/período, G/grupo
Fonte: Dados da pesquisa. Oficina: “Reconhecendo as competências e habilidades do fisioterapeuta

Dando continuidade, a apresentação dos cartazes foi realizada por todos os
grupos, oferecendo aos participantes a oportunidade de expor e compartilhar suas
ideias entre os demais.
Imagem 9 – Preceptora do 9° período
apresentando o cartaz de seu grupo.

Imagem 10 – Alunas do 10°
período
realizando
a
apresentação dos cartazes.
Font
e:
Auto
res –
Dad
os
da
pesq
uisa.
Ofici
na:
“Rec
onhe

cendo as competências e habilidades do fisioterapeuta”.

Durante a exposição dos cartazes, os alunos e preceptores fizeram suas
colocações sobre as conclusões de seus grupos. A diversidade de cores
encontradas nos cartazes das perguntas de número 1 e 2 demonstra que os alunos

80

conseguiram reconhecer diversas competências em ambos os vídeos apresentados.
A frequência com
m que as competências foram distribuídas pelos alu
alunos nas
questões 1 e 2 durante as apresentações estão dispostas nos gráficos 4 e 5.
As cores utilizadas para confecção dos gráficos foram as mesmas que
estavam
stavam distribuídas nos cartões
cartões-resposta de acordo com
m o folder
f
explicativo
entregue (apêndices).

Gráfico 4:: Distribuição das competências de acordo com a resposta dos cartazes da questão 1
(9° e 10° períodos).

Fonte: Autores – Dados da pesquisa. Oficina: “Reconhecendo as competências e habilidades do
fisioterapeuta”.

Gráfico 5:: Distribuição das competências de acordo com a resposta dos cartazes da questão 2
(9° e 10° períodos).

81

Fonte: Autores – Dados da pesquisa. Oficina: “Reconhecendo as competências e habilidades do
fisioterapeuta”.

Assim como nos resultados da pesquisa Perspectiva discente sobre as
competências e habilidades na formação em Fisioterapia, em que os alunos fizeram
inúmeras exposições escritas sobre a competência tomada de decisões
decisões, totalizando
as respostas de ambos os p
períodos,
eríodos, houve um predomínio da relação desta
competência e habilidade com o vídeo 1.
Os alunos evidenciaram que
que, para a confecção do dispositivo auxiliar para o
posicionamento na cama (descrição do vídeo 1), foi necessária a competência
tomada de decisão,
o, vejamos:
10°P/G5 – “Em
Em sua prática clínica ele percebeu a dificuldade da equipe de
manter o paciente em sedestação e necessidade de auxílio, sendo assim
tomou a decisão de criar um dispositivo para facilitar o trabalho em equipe
equipe”.

No vídeo 2,, houve o predomínio da competência comunicação.
comunicação Segundo os
participantes, esta relação foi enfatizada com a comunicação entre os diferentes
tipos de profissionais (educadores físicos e fisioterapeutas
fisioterapeutas,, presente no vídeo 2)
2
para a reabilitação dos paciente
pacientes.
A educação
ucação interprofissional e prática colaborativa na atenção primária à
saúde, é o tema do trabalho de Silva e colaboradores (2015
015), que citam a
comunicação interprofissional como um elemento central para o trabalho em
equipes integradas. Neste, foi possív
possível reconhecer que a comunicação como troca
de saberes pode ocorrer por meio da discussão de casos e consultas

82

compartilhadas.

Apontam

ainda

que

a

comunicação

possibilita

a

complementariedade das ações, condição necessária para a atenção ao usuário e
formação interprofissional.
A oficina continuou, após a exposição dos cartazes, com a realização da
dinâmica de encerramento, que tinha a finalidade de estimular a liderança e o
trabalho em equipe. Para dar início, os líderes dos grupos visualizaram uma figura
feita com palitos de fósforos apresentada pela facilitadora da oficina. Apenas os
líderes tiveram acesso a essa figura e poderiam revê-la o quanto precisassem;
somente com palavras, os líderes tiveram que guiar sua equipe para a construção
da figura. Em nenhuma hipótese os líderes ajudaram manualmente com a
construção das figuras.
Imagem 11 – Exposição da figura aos
líderes dos grupos.

Imagem 12 – Orientação do líder para
execução da figura pelos componentes
do grupo.

Fonte: Autores – Dados da pesquisa. Oficina: “Reconhecendo as competências e habilidades do
fisioterapeuta”.

Após a dinâmica final, a facilitadora agradeceu a participação de todos os
alunos e preceptores e pediu que eles respondessem à avaliação final da oficina.
Todos os participantes (100%) avaliaram a oficina. Os resultados quantitativos, de
acordo com as perguntas, seguem abaixo.
Quadro 5: Frequência das respostas correspondentes a avaliação da oficina.

Pergunta

Grupo

Frequência das respostas

83

9° período
O tema da oficina foi
relevante?
As atividades da oficina
foram interessantes?
O que você falaria para
outros alunos que fossem
vivenciar esta oficina?

10° período
9° período
10° período
9° período
10° período

27 (79%) adorei; 6 (18%) gostei; 1
(3%) indiferente.
34 (77%) adorei; 10 (23%) gostei.
22 (65%) adorei; 11 (32%) gostei;
1 (3%) indiferente.
33 (75%) adorei; 11 (25%) gostei.
28 (82%) adorei; 6 (18%) gostei.
34 (77%) adorei; 10 (23%) gostei.

Fonte: Autores – Dados da pesquisa. Oficina: “Reconhecendo as competências e habilidades do
fisioterapeuta”.

Com relação à questão aberta, houve sugestão de 1 aluno do 9° período
sobre a necessidade de, durante a oficina, propor maior interação entre os grupos.
Houve ainda uma sugestão de um aluno do 10° período que achou conveniente a
exposição de um número maior de vídeos.
As sugestões serão consideradas pelos pesquisadores.
Houve atraso para o início da primeira oficina, prevista para as 7 horas e 30
minutos, tendo início às 8 horas devido a problemas no sistema de som do local. A
realização da oficina não cumpriu, em ambos os grupos, o tempo estimado de 120
minutos para a realização, sendo necessário aproximadamente 80 minutos.
Os participantes da oficina assinaram a lista de presença no final das
atividades (apêndices).
3.3.5 Considerações Finais
As oficinas aplicadas puderam contar com a participação de alunos e
preceptores de forma ativa e colaborativa, oportunizando a construção do
conhecimento coletivo. As atividades propostas permitiram aos participantes expor
suas ideias em grupo, o que, consequentemente, demonstra a compreensão do
tema apresentado.
As atividades foram aceitas pelos participantes que deram, em sua maioria, a
melhor avaliação a todos os itens aplicados.
As sugestões apresentadas pelos participantes serão consideradas pelos

84

pesquisadores para execução desta oficina em outras oportunidades.
Acredita-se, porém, que um menor número de participantes poderá beneficiar
ainda mais o aprendizado na realização desta prática, evitando repetições
desnecessárias das exposições dos grupos.
Por fim, acredita-se que, com o cumprimento deste produto foi possível fazer
a devolutiva à IES, que disponibilizou seu ambiente para a realização desta
pesquisa.

REFERÊNCIAS
BRASIL. Diretrizes Curriculares Nacionais do curso de graduação em
Fisioterapia. Resolução n. 4 de 19 de outubro de 2002. Brasília, DF: Presidência da
República [2018].
BRASIL. Estágio: lei n. 11788 de 25 de setembro de 2008. Brasília, DF: Presidência
da República [2018].
CAVALCANTI, J. K; SOARES, F. J. P; CORREIA, D. S. Desenvolvimento discente
no estágio em estratégia em saúde da família. Rev. Brasileira de educação
médica, vol. 38, n. 1, 2014.
FERRAZ, A. P. C. M; BELHOT, R. V. Taxonomia de Bloom: revisão teórica e
apresentação das adequações do instrumento para definição de objetivos
instrucionais. Gest. Prod. São Carlos, v. 17, n. 2, p. 421-431, 2010.
KOLTERMANN, A. P; GASPARETO, A; VENDRUSCULO, A. P; SAGRILLO, M. R.
Oficina sobre orientações pedagógicas no ensino superior: ação do programa prósaúde. Ciência & Saúde, Porto Alegre, v. 5, n. 1, p. 33-40, 2012.
SILVA, J. A. M; PEDUZZI, M. ORCHARD, C; LEONELLO, V. Educação
Interprofissional e prática colaborativa na Atenção Primária à Saúde. Rev Esc
Enferm USP, v. 49, p. 16-24, 2015.
SIMON, E; JEZINE, E; VASCONCELOS. E. M; RIBEIRO, K. S. Q. S. Metodologias
ativas de ensino-aprendizagem e educação popular: encontros e desencontros no
contexto da formação dos profissionais de saúde. Interface. Botucatu, v. 18, p.13551364, 2014.

85

SOBRAL, F. R; CAMPOS, C. J. G. Utilização de metodologia ativa no ensino e
assistência de enfermagem
nfermagem na produção nacional: revisão integrativa
integrativa. Rev Esc
Enferm USP,, v. 46, n.1, p. 202
202-218, 2012.
STAHLSCHIMIDT, A. P. M. Integralidade, construção e socialização de
conhecimentos
no contexto da educação permanente e atuação de profissionais da área da saúde.
Interface,, v.4, n. 42, p. 819
819-827, 2012.
RODRIGUES, L. M. S; TAVARES, C. M. M. Estágio supervisionado de enfermagem
na atenção básica: o planejamento dialógico como dispositivo do processo ensino
ensinoaprendizagem. Rene. vol. 13, n°5, 2012.

APÊNDICES
APÊNDICE A- INSTRUMENTO DE COLETA DE DADOS COM GABARITO
UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
FACULDADE DE MEDICINA – FAMED
Programa de Pós
Pós-Graduação em Ensino na Saúde
Mestrado Profissional em Ensino na Saúde – MPES

QUESTIONÁRIO
1. ( ) Entre 15-20
2. ( ) Entre 21-30
3. ( ) Entre 31-40
4. ( ) Entre 41-50
5. ( ) Não desejo responder

Idade

1.
2.
3.
4.

Gênero

Cis
- ( ) Mulher ( ) Homem
Trans - ( ) Mulher ( ) Homem
Outros - ( ) ___________________
( ) Não desejo responder

Legenda Gênero: Cis Homem - Quando o indivíduo possui genitália masculina e se reconhecer como homem; Cis Mulher
Quando o indivíduo possui genitália feminina e se reconhece como Mulher ; Mulher Trans - Quando o indivíduo possui
genitália masculino e se reconhece como mulher ; Homem Trans - Quando o indivíduo possui genitália feminina e se
reconhece como homem.

Período que está
cursando

( ) 6º

( ) 7º

( ) 10º

( ) desperiodizado ( ) não desejo responder

Assinale com um (X) seu grau de concordância com as assertivas considerando as
atribuições que o fisioterapeuta deverá possuir no final de seu curso.
Assertivas

Não se
aplica

Discordo

Concordo
parcialmente

Concordo

86

1. Deve atuar em todos os níveis de
atenção
à
saúde:
promoção,
manutenção, prevenção, proteção e
recuperação da saúde.
2. Realizar
consultas,
avaliações
e
reavaliações do paciente. Para a
reavaliação
deve-se
priorizar
os
momentos de admissão e alta.
3. Sempre utilizar termos científicos para
tirar dúvidas e orientar os pacientes e
seus familiares.
4. Em seu exercício profissional deve
atuar de forma independe da decisão de
outros profissionais.
5. Desempenhar
atividades
de
planejamento, organização e gestão de
serviços de saúde públicos ou privados.
6. Conhecer métodos e técnicas de
pesquisa, elaboração de trabalhos
acadêmicos e estar apto para carreira de
professor.
7. Realizar o procedimento de intubação
orotraqueal dentro da Unidade de
Terapia Intensiva.
8. Dominar as indicações fisiopatológicas
para solicitar, executar e interpretar os
exames
propedêuticos
e
complementares.

Assinale com um (X) seu grau de concordância com as assertivas considerando as
atribuições que o fisioterapeuta deverá possuir no final de seu curso.
Não se
Concordo
Discordo
Concordo
Assertivas
aplica
parcialmente
9. Em casos interessantes para pesquisa,
o paciente não terá direito a
confidencialidade das suas informações,
pois deverá ajudar na melhoria da
condição de saúde do público em geral.
10. Dar ao paciente a possibilidade de
comunicar-se a partir da reabilitação
vocal.
11. Assessorar e prestar consultorias para
todas as profissões em saúde.
12. Conhecer os fundamentos históricos,
filosóficos
e
metodológicos
da
fisioterapia e também das profissões que
compõe a equipe multidisciplinar.
13. Contribuir para a manutenção da saúde,
bem-estar e qualidade de vida das
pessoas,
famílias
e
comunidade,
considerando suas circunstâncias éticas,
políticas,
sociais
e
econômicas.
Deixando as ambientais e biológicas
para os órgãos competentes.
14. Ter habilidades de escrita e leitura.
15. Estar apto a assumir posições de
liderança. De forma enfática em sua
área de especialidade.

.

87

16. Garantir a integralidade da assistência.
17. Emitir laudos, pareceres, atestados e
relatórios se estritamente na sua área de
especialização.
18. Prescrever
e
aplicar
medicações
intramusculares.
19. Manter os equipamentos em bom estado
de conservação e favorecer um
ambiente de tratamento com conforto e
luxo.
20. Fazer de sua prática diária um ambiente
de
aprendizado
contínuo.
Essa
aprendizagem deve sempre permanecer
vinculada a uma Instituição de Ensino
Superior.
21. Saber que a atuação do fisioterapeuta
se encerra com o ato técnico de atender
o paciente e não com a resolução do
problema de saúde em nível coletivo.
22. Encaminhar o paciente apenas a outros
profissionais da Fisioterapia, Terapeuta
Ocupacional e Psicólogo.
23. Realizar assepsia e troca de curativos
em pacientes queimados.
24. Incentivar o otimismo e a motivação
durante os atendimentos além de
oferecer apoio psicológico.
25. Ser
empreendedor,
gestor
e
empregador.

Assinale com um (X) seu grau de concordância com as assertivas considerando as
atribuições que o fisioterapeuta deverá possuir no final de seu curso.
Não se
Concordo
Discordo
Concordo
Assertivas
aplica
parcialmente
26. Desenvolver e estimular a mobilidade
acadêmico/profissional através de redes
internacionais.
27. Manter controle sobre à eficácia dos
recursos tecnológicos pertinentes à sua
atuação.
28. Saber explicar ao paciente quaisquer
dificuldades que possam vir a interferir
na evolução do seu tratamento. A família
deve estar ciente dos acontecimentos,
mesmo contra a vontade do mesmo.
29. Ter habilidade para tomar decisões de
forma ativa e eficaz.
30. Deve ser superior a outras profissões ao
liderar uma equipe de saúde.
31. Ter responsabilidade e compromisso
com
a
sua
educação
e
o
treinamento/estágio
das
futuras
gerações de profissionais, apenas se
exercer a atividade de preceptor.
32. Permanecer junto ao paciente durante a
execução
dos
procedimentos

88

fisioterapêuticos, dando a ele autonomia
e liberdade para escolher os seus
exercícios.
33. No tratamento das luxações deve ser
responsável em executar “a redução” da
luxação em ambientes cirúrgicos.
34. Realizar um “feedback” junto ao paciente
quanto a evolução do seu tratamento.
35. Demonstrar organização nas tarefas a
serem executadas, de forma rígida ou
pouco flexíveis.
36. Realizar punção de artérias para
realização da gasometria.

Você acha que adquiriu algumas competências e/ou habilidades durante a sua
formação em Fisioterapia?
( ) Sim ( ) Não

Se sim, quais?

GABARITO
Categoria

1.Atenção
à saúde

2.Tomada
de decisão

3.Comunicação 4.Liderança

5.Administração 6.Educação
e gerenciamento permanente

 5
Questões

 5
questões

 5
questões

 5
questões

 5
questões

 5
questões

Discordo
21,
10 questões

17, 22

3, 9

4, 35

11, 30

31

Concordo
13, 32
Parcialmente
10 questões

2,

28

15, 24

19

6, 12, 20

Concordo
1, 16
10 questões

8, 27

14, 34

29

5, 25

26

89

Inadequado ao fisioterapeuta


7, 10, 18, 23,33, 36

6 questões

APÊNDICE B- CATEGORIZAÇÃO DAS RESPOSTAS ABERTAS

COMPETÊNCIA

I-

Atenção à saúde

SEXTO, SÉTIMO E DESPERIODIZADOS (GRUPO 1)
 Aluno 6 “Reabilitar a funcionalidade de pacientes vítimas de
sequelas neurológicas, ortopédicas e demais áreas, devolvendo o
bem-estar a esses pacientes e estimulando-os sempre a progredir
tanto física quanto psicologicamente”.
 Aluno 1 “Ainda estou na graduação, mas acho que já adquiri
diversas como avaliar, diagnosticar e tratar”.
 Aluno 3 “Ter uma boa execução de condutas fisioterapêuticas
para um melhor tratamento”.
 Aluno 5 “Avaliar e tratar os pacientes, conhecer e saber as
particularidades dos diferentes tipos de patologias, prescrever
exercícios, desenvolver uma conduta própria para cada
paciente...”.

II-

Tomada de
decisões

 Aluno 8 “Habilidade em aplicar testes ortopédicos, avaliar
capacidade funcional do indivíduo de diversas formas...”.
 Aluno 10 “Todas que foram ensinadas até aqui, dede a avaliação
até o atendimento”.
 Aluno 11 “Ser ágil na forma de pensar ao montar uma conduta
fisioterapêutica, ter conhecimento dos equipamentos úteis para
um bom atendimento...”.
 Aluno 12 “Conhecer melhor os problemas do paciente e oferecer

90

o melhor tratamento”.
 Aluno 14 “Sim, tratar pacientes dando-lhes melhor conforto e uma
nova oportunidade para viver melhor, seja na redução da dor,
ganho de movimentos, redução de cansaço físico e respiratório”.
 Aluno 15 “Sim, já adquiri vários conhecimentos como: técnicas
manuais, como tratar o paciente de acordo com seu diagnóstico e
usar vários aparelhos”.
 Aluno 16 “Avaliar um paciente para tratamento, escolher
exercícios adequados para a melhora do paciente, escolher o
melhor método a ser aplicado”.
 Aluno 23 “Conhecimento prático como o atendimento dos
pacientes”.
 Aluno 25 “De como ser um bom profissional, tratando com o
máximo de cuidado, analisando perante a anamnese uma boa
conduta para melhor atender as necessidades diárias com relação
a sua funcionalidade física.
 Aluno 3 “Ter uma boa relação com os pacientes...”
 Aluno 11 “Comunicação verbal, comunicação visual, dar
instruções ao paciente para saber como se comportar em casa...”.
III-

Comunicação

 Aluno 11 “Ser cordial com os colegas de turma, com os pacientes
e professores”.
 Aluno 27 “Aprender a trabalhar em equipe”.
 Aluno 7 “Ter empatia com o próximo, saber o que o fisioterapeuta
pode ou não fazer”.

IV-

VVI-

Liderança

Administração e
gerenciamento
Educação
permanente

COMPETÊNCIA
I-

Atenção à saúde

 Aluno 20 “Posicionamento profissional, questionamento sobre
assuntos relacionados à área de saúde”.
 Aluno 26 “Sempre atender bem o paciente, ter responsabilidade e
compromisso...”.
 Aluno 5 “Ter noções sobre empreendedorismo e ética
profissional”.
 Aluno 26 “Buscar novos conhecimentos”.

DÉCIMO PERÍODO (GRUPO 2)
 Aluno 4 “Somos privilegiados com diversas competências e/ou
habilidades, em diversas áreas de atuação, como: atuar nos
diversos níveis de atenção à saúde e lidar e se integrar na
equipe multiprofissional. Desenvolver nosso papel com ética e
respeito aos outros”.

91

 Aluno 7 “Deve atuar em todos os níveis de atenção à saúde:
promoção, manutenção, prevenção, proteção e recuperação da
saúde”.
 Aluno 24 “Habilidade de conseguir ver o paciente como um todo.
Saber lidar com todas as situações e que a humanização é o
fundamento para realizar qualquer tarefa a ser executada”.
 Aluno 29 “Comecei a enxergar o paciente como um todo,
procurando sempre ser o mais humana possível e aprender
mais”.
 Aluno 5 “...Conhecimento de técnicas, testes, prática, estágio,
foi adquirida uma rotina importante, favorável...”
 Aluno 9 “Realizar técnicas fisioterapêuticas, utilizando a
cinesioterapia, cinesiologia e biomecânica. Usar padrão
respiratório, bem como técnicas da fisioterapia respiratória para
adequar a melhor ventilação do paciente”.
 Aluno 10 “Encaminhar o paciente para outros profissionais de
saúde, trabalhar de forma interdisciplinar”.

II-

Tomada de
decisão

 Aluno 13 “Saber avaliar e tratar o paciente de forma
generalista”.
 Aluno 14 “Vivência nas áreas de atuação da fisioterapia
executando atendimentos, desenvolvendo raciocínio cem cada
patologia e área de atuação, adquirindo experiência”.
 Aluno 21 “Ter autonomia na conduta do paciente, ter autonomia
de solicitação de exames de imagem, ter domínio nas áreas de
escolha, trabalhar em todos os ambientes seja hospital, clínica
domiciliar”.
 Aluno 26 “Aprendi muito sobre técnicas cinesioterapêuticas,
desobstrutivas,
reexpansivas;
aprendemos
desde
o
fortalecimento do quadríceps, ao fortalecimento pulmonar;
técnicas que podem ser aplicadas desde os Recém-nascidos
aos idosos com suas limitações”.

 Aluno 5 “...respeito as decisões do paciente, forma de interagir
melhor em público, trabalho em equipe...”

III-

Comunicação

 Aluno 7 “Realizar um feedback junto ao paciente quanto a
evolução do seu tratamento”.
 Aluno 8 “Contribuir com o bem-estar do paciente, incentivo,
otimismo e motivação aos pacientes, ter habilidades de escrita e
leitura”.
 Aluno 9 “Habilidade para trabalhar em equipe, respeitando o

92

espaço do outro...”.
 Aluno 19 “Respeitar e ouvir a opinião do outro, integrar o
paciente, ouvi-lo da melhor maneira possível, pensando sempre
na qualidade”.
 Aluno 27 “Ter
multidisciplinar”.

uma

boa

comunicação

com

a

equipe

 Aluno 18 “Liderança, paciência, autonomia, ser empreendedora,
organizada”.
IV-

Liderança

 Aluno 23 “Comprometimento, agilidade, realização de condutas
mais humanizadas”.
 Aluno 25 “...incentivar os pacientes, dar apoio”.
 Aluno 5 “Responsabilidades, organizações, cumprimento de
horários, de deveres...”

V-

Administração e
gerenciamento

 Aluno 8 “Desenvolver
planejamento...”.

atividades

de

organização

e

 Aluno 20 “Habilidade de planejamento e organização para um
melhor atendimento do paciente, desde o início até a alta
dele...”.
 Aluno 1 “Humanização no serviço, trabalho, estágio...
estimulação de sempre buscar conhecimento, estar junto de
outras profissões, responsabilidade”.
 Aluno 10 “Competência teórica para exercer a prática...
desenvolver trabalhos científicos...”.
 Aluno 11 “Adquirir habilidades cognitivas, com embasamento,
para tratar meu paciente; habilidade técnica, psicológica e
social”.
VI-

Educação
permanente

 Aluno 13 “Conhecer métodos e técnicas de pesquisa e
elaboração de trabalhos acadêmicos, conhecer os fundamentos
históricos, filosóficos e metodológicos da fisioterapia, saber as
atribuições que compõe a profissão”.
 Aluno 20 “Adquirir competência para um melhor trabalho a partir
do conhecimento das patologias e como elas vão alterar o
funcionamento do corpo...”.
 Aluno 25 “Conhecer e ter embasamento científico”.
 Aluno 26 “Ultimamente a Unit vem desempenhando um papel
forte em incentivo a realização de trabalhos (iniciação científica,
trabalhos para serem apresentados em congressos) e eu acho
isso extraordinário, pois faz com que o aluno amadureça”.

93

APÊNDICE C- FOLDER EXPLICATIVO SOBRE AS COMPETÊNCIAS E HABILIDADES
GERAIS

94

APÊNDICE D- FIGURA DA DINÂMICA FINAL (DINÂMICA DOS FÓSFOROS)

95

APÊNDICE E – FICHA DE AVALIAÇÃO DA OFICINA

96

APÊNDICE F- LISTA DE FREQUÊNCIA DOS PARTICIPANTES DA OFICINA

97

98

99

100

101

ANEXOS
ANEXO A- TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO

102

103

104

ANEXO B- PARECER DO COMITÊ DE ÉTICA

105

106

107

108

ANEXO C- DECLARAÇÃO DE AUTORIZAÇÃO INSTITUCIONAL

109

ANEXO D- DECLARAÇÃO DE RECEBIMENTO DO RELATÓRIO TÉCNICO E
AUTORIZAÇÃO DA OFICINA

110

ANEXO E – SUBMISSÃO DO ARTIGO À REVISTA