Inserção do Atendimento Domiciliar na Matriz Curricular em Odontologia: Contribuição da Pesquisa-Ação Educacional – Franklin Regazzone Pereira Lopes
Data da Defesa: 05/02/2020
INSERÇÃO DO ATENDIMENTO DOMICILIAR NA MATRIZ CURRICULAR EM ODONTOLOGIA -CONTRIBUIÇÃO DA PESQUISA-AÇÃO EDUCACIONAL – FRANKLIN REGAZZONE PEREIRA LOPES.pdf
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UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
FACULDADE DE MEDICINA
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENSINO NA SAÚDE
FRANKLIN REGAZZONE PEREIRA LOPES
INSERÇÃO DO ATENDIMENTO DOMICILIAR NA MATRIZ CURRICULAR EM
ODONTOLOGIA: CONTRIBUIÇÃO DA PESQUISA-AÇÃO EDUCACIONAL
MACEIÓ
2020
FRANKLIN REGAZZONE PEREIRA LOPES
INSERÇÃO DO ATENDIMENTO DOMICILIAR NA MATRIZ CURRICULAR EM
ODONTOLOGIA: CONTRIBUIÇÃO DA PESQUISA-AÇÃO EDUCACIONAL
Trabalho Acadêmico de Conclusão de Curso
apresentado ao Programa de Pós-graduação em
Ensino na Saúde da Faculdade de Medicina da
Universidade Federal de Alagoas, como requisito
parcial para obtenção do título de Mestre em Ensino
na Saúde.
Orientador(a): Prof.ª Dra. Maria Viviane Lisboa de
Vasconcelos.
MACEIÓ
2020
RESUMO GERAL
A educação em geral e a de nível superior devem estar em consonância com a
realidade vivenciada pela população. No entanto, numa análise dos cursos de
Odontologia, observa-se a existência de lacunas na elaboração curricular,
principalmente em relação à formação profissional para o atendimento de pacientes
com necessidades especiais. Objetivo: contribuir para a inserção do atendimento
domiciliar na matriz curricular dos cursos de odontologia. Percurso metodológico:
trata-se de uma pesquisa-ação educacional com graduandos do décimo período do
curso de odontologia em estágio supervisionado, numa unidade de saúde de um
município do nordeste do Brasil, que foram submetidos, inicialmente, a uma entrevista
semiestruturada para identificação do nível de entendimento sobre odontologia
domiciliar. Em seguida, participaram de rodas de conversa com a equipe do estágio
para orientações no campo da prática da odontologia domiciliar em pacientes com
deficiência. Ao final do estágio, os participantes foram submetidos a uma segunda
entrevista semiestruturada para avaliação da intervenção executada. Para análise das
entrevistas, adotou-se a técnica de Análise de Conteúdo. Considerações finais: os
resultados demonstram a possibilidade de inserção do atendimento domiciliar na
matriz curricular dos cursos de Odontologia e a contribuição do estágio para a futura
atuação profissional do cirurgião-dentista.
Palavras-chave: Odontologia. Atendimento domiciliar. Deficientes. Currículo.
GENERAL ABSTRACT
Education in general and higher education must be in line with the reality experienced
by the population. However, when analyzing Dentistry courses, there are gaps in
curriculum development, especially in relation to professional training for the care of
patients with special needs. Objective: to contribute to the insertion of home care in
the curriculum of dentistry courses. Methodological path: This is an educational
research-action with undergraduate students from the 10th period of the dentistry
course in a supervised internship at a health unit in a municipality in the Northeast of
Brazil, who were initially submitted to a semi-structured interview to identify the level
of understanding of home dentistry. Then they participated in conversation circles with
the internship team for guidance in the field of home dentistry in patients with
disabilities. At the end of the internship, the participants were submitted to a second
semi-structured interview to assess the intervention performed. For analysis of the
interviews, the Content Analysis technique was adopted. Final considerations: The
results demonstrate the possibility of inserting home care in the curricular matrix of
Dentistry courses and the contribution of the internship to the future professional
performance of the dental surgeon.
Keywords: Dentistry. Home Care. Disabled Persons. Curriculum.
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
Abep
Associação Brasileira de Empresas de Pesquisas
CEP
Comitê de Ética em Pesquisa
DCN
Diretrizes Curriculares Nacionais
Foufal
Faculdade de Odontologia da Universidade Federal de Alagoas
MEC
Ministério da Educação
MPES
Mestrado Profissional em Ensino na Saúde
PPC
Projeto Pedagógico do Curso
RM
Residência Médica
SUS
Sistema Único de Saúde
TIC
Técnica de Incidentes Críticos
SUMÁRIO
1
APRESENTAÇÃO
2
ARTIGO – INSERÇÃO DO ATENDIMENTO DOMICILIAR NA
8
MATRIZ CURRICULAR EM ODONTOLOGIA: CONTRIBUIÇÃO
DA PESQUISA-AÇÃO EDUCACIONAL
11
2.1
Introdução
12
2.2
Percurso metodológico
14
2.2.1
Referencial metodológico
14
2.2.2
Aspectos éticos
15
2.2.3
Desenho, local de estudo e período
15
2.2.4
Participantes
16
2.2.5
Protocolo do estudo
16
2.2.6
Coleta e organização dos dados
17
2.2.7
Análise do estudo
17
2.3
Resultados e discussão
18
2.3.1
Diagnóstico do problema
18
2.3.1.1
Categoria I – Abordagem do tema no curso
18
2.3.1.1.1
Entendimento sobre o tema
19
2.3.1.1.2
Formação teórico-prática para odontologia domiciliar
19
2.3.1.2
Categoria II – Humanização
21
2.3.2
Estratégia de intervenção: o estágio em odontologia domiciliar
23
2.3.3
Avaliação após intervenção
25
2.3.3.1
Categoria I – Percepção sobre o estágio
25
2.3.3.2
Categoria II – Contribuição para a formação profissional
26
2.4
Considerações finais
27
2.5
Referências
29
1
1.1
O ATENDIMENTO ODONTOLÓGICO DOMICILIAR: MANUAL
DO ALUNO
TIPO DE PRODUTO
1.2
PÚBLICO-ALVO
32
2
INTRODUÇÃO
32
2.1
APRESENTAÇÃO
33
32
32
2.2
DA IDENTIFICAÇÃO
33
2.3
DAS FINALIDADES
34
2.4
DA EQUIPE DE APOIO
34
2.5
DOS DOCENTES
34
2.6
DOS PACIENTES
35
2.7
DAS NORMAS
35
2.8
DA AVALIAÇÃO DOS DISCENTES
36
3
OBJETIVO
38
4
METODOLOGIA
39
5
RESULTADOS
39
6
REFERÊNCIAS
39
APENDICE A: PRODUTO
41
REFERÊNCIAS
45
APÊNDICE A – QUESTIONÁRIO I
48
APÊNDICE B – QUESTIONÁRIO II
49
APÊNDICE C – TABELA I: QUESTIONÁRIO I
50
APÊNDICE D – TABELA II: QUESTIONÁRIO II
55
APÊNDICE E – TABELA III: CATEGORIAS REFERENTES AO
QUESTIONÁRIO I
58
APÊNDICE F – TABELA IV: CATEGORIAS REFERENTES AO
QUESTIONÁRIO II
59
8
1 APRESENTAÇÃO
O trabalho aqui apresentado é consequência da minha trajetória de
desenvolvimento pessoal e profissional, especialmente a partir do meu ingresso no
Mestrado Profissional em Ensino na Saúde (MPES) da Faculdade de Medicina da
Universidade Federal de Alagoas (Famed/Ufal), no ano de 2017. Naquele momento,
dei início ao processo de reestruturação de uma identidade profissional com foco na
docência. Iniciei com a graduação em Odontologia na Universidade Federal de
Alagoas (Ufal), na Faculdade de Odontologia (Foufal) (concluída em 2008), mas esse
foi somente o primeiro passo que me impulsionou ao processo de empatia para com
o outro. Nessa fase, a docência já me chamava atenção: fui monitor das disciplinas
de Materiais Dentários, Dentística Clínica e Prótese dentária, ampliando a busca e a
vontade da docência.
Após o término da graduação, fui em busca de qualificação e melhoramento
profissional através das atualizações em Cirurgia Oral Menor (2010) e em Patologia
Geral e Bucal (2008). Concomitantemente, iniciei a minha primeira especialização em
Saúde Pública pelo Centro de Estudos Superiores de Maceió (Cesmac), em 2011, à
qual se seguiu a especialização em Gestão em Saúde pela Ufal. Tais cursos tinham
um caráter mais voltado ao Sistema Único de Saúde (SUS) e ao entendimento de seu
funcionamento, o que me deu uma visão ampliada e uma vontade maior de atuar
nesse sistema tão amplo e de possibilidades, à época, inimagináveis para mim.
Em 2011, participei do processo seletivo para a Residência Multiprofissional em
Saúde da Família pela Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas
(Uncisal) e, ao ser aprovado, adentrei o mundo da saúde pública, tendo uma imersão,
tanto teórica quanto prática, e ampliando cada dia mais o carinho e o respeito pelo
SUS. Nessa perspectiva, pude me deparar com uma visão mais ampliada do termo
cuidar, além de desenvolver, paulatinamente, conceitos como saúde comunitária,
educação em saúde, promoção de saúde, dentre outros que pude vivenciar na prática,
desenvolvendo grupos dentro da comunidade, sempre no intuito da promoção e da
prevenção de forma universal e igualitária.
Nessa perspectiva, foi no Programa Saúde da Família – que é uma estratégia
para organização da atenção básica através de um conjunto de ações individuais e
9
coletivas voltadas para promoção, prevenção e tratamento dos agravos à saúde, bem
como um processo de trabalho voltado à família – que eu pude vislumbrar uma forma
de trabalhar uma odontologia não excludente, levando-a às pessoas que realmente
precisam dela e que, por suas condições físicas e seus impedimentos, nunca teriam
acesso a ela. Em 2014, fui selecionado para uma das vagas de cirurgião-dentista do
SUS pelo Programa de Valorização da Atenção Básica (Provab), que me encaminhou
para o trabalho no município de Campo Alegre, no estado de Alagoas.
Nessa fase, e após ter vivenciado a experiência da residência, pude entender
que a gestão é fundamental para que se possa desenvolver o que é preconizado pelo
SUS em seus princípios e diretrizes. Tive a ajuda da coordenação de Odontologia do
município de Campo Alegre, naquele momento, e, após a construção de um projeto
de intervenção, começamos a desenvolver o tratamento odontológico para pacientes
com necessidades especiais dentro do programa ministerial multiprofissional Melhor
em Casa, atendendo pessoas em condições crônicas, acamadas, sequeladas ou em
pós-operatório, para tratamento, reabilitação, prevenção de novos agravos.
Depois de algum tempo, iniciei, na faculdade COESP-PB, a especialização em
Pacientes com Necessidades Especiais (PNE), que concluí em 2018. Essa visão
ampliada permitiu a construção de projetos que levaram a premiações da pesquisa
em nível nacional. Trata-se do Congresso Nacional de Secretarias Municipais de
Saúde, em 2016, que elevou a visão da Odontologia Domiciliar e culminou com a
criação do meu primeiro produto a ser apresentado, que é um minidocumentário em
webdoc sobre a odontologia domiciliar no programa Melhor em Casa (Campo Alegre).
Com essa vivência, tanto com os pacientes, com as famílias, com os cuidadores e
com a equipe multiprofissional, comecei a receber alunos do décimo período do curso
de odontologia da Universidade Federal de Alagoas, agora como preceptor, o que me
impulsionou a retomar minha visão acadêmica e a necessidade de fazer um mestrado.
Foi aí que ingressei no Mestrado Profissional em Ensino na Saúde da Ufal, pela
Faculdade de Medicina (Famed).
O intuito inicial foi, sem dúvida, desenvolver meu conhecimento na área
acadêmica para que eu, enquanto professor ou preceptor, pudesse ser um mediador
de conhecimentos sobre odontologia e, mais especificamente, sobre odontologia
domiciliar. Além disso, ser um construtor de novas ideias em conjunto com os alunos,
10
levando-os a ter uma visão mais ampliada e reflexiva sobre seu processo de trabalho
e sobre como ele pode ser melhorado através de reflexão sobre a própria prática.
Posteriormente, o intuito de incentivar, nos discentes, a empatia e a relação com essa
área tão pouco procurada e que necessita de tantos profissionais, que é a de PNE.
Por fim, destaco o objetivo de promover a reflexão sobre a necessidade de se falar
sobre o tema odontologia domiciliar na academia, isto é, dentro das universidades
como um todo, fazendo com que esse tema seja trabalhado, seja como um projeto de
extensão universitária, seja numa articulação com outras disciplinas, seja com a
construção de uma disciplina única para trabalhar o assunto, o manejo e a prática da
odontologia domiciliar .
11
2 ARTIGO – INSERÇÃO DO ATENDIMENTO DOMICILIAR NA MATRIZ
CURRICULAR EM ODONTOLOGIA: CONTRIBUIÇÃO DA PESQUISA-AÇÃO
EDUCACIONAL
RESUMO. A educação em geral e a de nível superior devem estar em consonância
com a realidade vivenciada pela população. No entanto, numa análise dos cursos de
Odontologia, observa-se a existência de lacunas na elaboração curricular,
principalmente em relação à formação profissional para o atendimento de pacientes
com necessidades especiais. Objetivo: contribuir para a inserção do atendimento
domiciliar na matriz curricular dos cursos de odontologia. Percurso metodológico:
Trata-se de uma pesquisa-ação educacional com graduandos do décimo período do
curso de odontologia em estágio supervisionado, numa unidade de saúde de um
município do nordeste do Brasil, que foram submetidos, inicialmente, a uma entrevista
semiestruturada para identificação do nível de entendimento sobre odontologia
domiciliar. Em seguida, participaram de rodas de conversa com a equipe do estágio
para orientações no campo da prática da odontologia domiciliar em pacientes com
deficiência. Ao final do estágio, os participantes foram submetidos a uma segunda
entrevista semiestruturada para avaliação da intervenção executada. Para análise das
entrevistas, adotou-se a técnica de Análise de Conteúdo. Considerações finais: os
resultados demonstram a possibilidade de inserção do atendimento domiciliar na
matriz curricular dos cursos de Odontologia e a contribuição do estágio para a futura
atuação profissional do cirurgião-dentista.
Palavras-chave: Odontologia. Atendimento domiciliar. Deficientes. Currículo.
Insertion of Home Care in the curricular matrix in Dentistry: contribution of
Educational Action Research
ABSTRACT. Education in general and higher education must be in line with the reality
experienced by the population. However, when analyzing Dentistry courses, there are
gaps in curriculum development, especially in relation to professional training for the
care of patients with special needs. Objective: to contribute to the insertion of home
care in the curriculum of dentistry courses. Methodological path: This is an educational
research-action with undergraduate students from the 10th period of the dentistry
course in a supervised internship at a health unit in a municipality in the Northeast of
Brazil, who were initially submitted to a semi-structured interview to identify the level
of understanding of home dentistry. Then they participated in conversation circles with
the internship team for guidance in the field of home dentistry in patients with
disabilities. At the end of the internship, the participants were submitted to a second
semi-structured interview to assess the intervention performed. For analysis of the
interviews, the Content Analysis technique was adopted. Final considerations: The
results demonstrate the possibility of inserting home care in the curricular matrix of
12
Dentistry courses and the contribution of the internship to the future professional
performance of the dental surgeon.
Keywords: Dentistry. Home care. Disabled persons. Curriculum
2.1 Introdução
A formação educacional em geral e, particularmente, a de nível superior devem
estar em consonância com a realidade vivenciada pela população. No entanto, numa
análise dos cursos de Odontologia, observa-se a existência de lacunas na elaboração
curricular, principalmente em relação à formação de profissionais para o atendimento
de pessoas com necessidades especiais, sejam elas de cunho físico, mental ou social
(MORITA et al., 2010).
O tratamento odontológico de portadores de deficiência é complexo e demanda
do cirurgião-dentista (CD) um conhecimento adequado para cada patologia ou
condição apresentada, além de exigir paciência e dedicação, devido à própria
complexidade do sujeito em questão. Em virtude disso, grande parte desses pacientes
são encaminhados, muitas vezes desnecessariamente, ao atendimento em serviços
hospitalares para realização de procedimentos sob anestesia geral, onerando e
superlotando o sistema de saúde. Isso torna a Atenção Domiciliar (AD) uma alternativa
eficiente, principalmente para pessoas portadoras de deficiência física e/ou mental de
baixo poder aquisitivo, que dependem exclusivamente do serviço público (OLIVEIRA,
2010).
O Serviço de Atenção Domiciliar (SAD), conforme a Portaria nº 2.029/2011,
redefinida pela Portaria nº 825/2016, corresponde a uma forma de atenção à saúde
oferecida na moradia do paciente e constituída por um conjunto de ações de
promoção de saúde, prevenção e tratamento de doenças, reabilitação e paliação.
Caracteriza um serviço complementar aos cuidados realizados na atenção básica e
em serviços de urgência, de forma substitutiva ou complementária à internação
hospitalar, além de ser responsável pelo gerenciamento e pela operacionalização das
Equipes
Multiprofissionais de Atenção Domiciliar
(EMAD)
e
das
Multiprofissionais de Apoio (EMAP), nas quais a Odontologia se insere.
Equipes
13
Essas equipes de assistência multiprofissional em saúde compreendem a
otimização das habilidades de seus membros através do compartilhamento e
gerenciamento de casos, fortalecendo os sistemas de saúde e promovendo melhores
resultados a nível populacional (CALDAS JR.; MACHIAVELLI, 2013).
A inserção da odontologia na EMAP abre uma nova perspectiva de atuação, e
uma nova proposta de diretrizes curriculares recomenda a inserção desse conteúdo
no curso de graduação em Odontologia. Porém, até que isso se configure como
realidade, torna-se necessária a inserção dessa área de conhecimento na formação
do futuro odontólogo, seja por meio de projetos de extensão ou do estágio
supervisionado (MORITA et al., 2010).
Nesse contexto, observa-se a necessidade de uma educação superior que
tenha como metas o alcance de uma maior cobertura e o compromisso social, com
vistas a inovações nas propostas educativas de produção e transferência de
aprendizagem, sempre galgadas através de círculos de alianças entre os diversos
atores sociais, em prol do cumprimento de uma missão com qualidade, eficácia,
eficiência e transparência.
Justifica-se este estudo pelo quantitativo crescente de pessoas com deficiência
ou necessidades especiais que requerem atendimento odontológico especializado,
bem como pela insuficiente quantidade de profissionais odontólogos com
especialização na área de pessoas com necessidades específicas: 682 especialistas
para todo o Brasil, segundo dados do Conselho Federal de Odontologia (CONSELHO
FEDERAL DE ODONTOLOGIA, 2017).
Este trabalho surgiu a partir de questionamentos realizados no exercício das
atividades de estágio supervisionado, e justifica-se, também, pelo valor agregado ao
processo de ensino-aprendizagem desenvolvido no labor da preceptoria, que faz a
mediação entre teoria e prática na prestação do atendimento odontológico domiciliar
aos portadores de necessidades especiais de uma unidade de saúde num município
do nordeste brasileiro.
É nessa perspectiva da nova odontologia que se questiona: como o
atendimento odontológico domiciliar está inserido no curso de Odontologia de uma
universidade? Dessa maneira, este trabalho objetivou contribuir para a inserção do
atendimento domiciliar na matriz curricular do referido curso.
14
2.2 Percurso metodológico
2.2.1 Referencial metodológico
O propósito deste estudo demandou uma abordagem qualitativa com a
pesquisa-ação na área educacional (pesquisa-ensino), pois se caracterizou como uma
pesquisa dentro do cotidiano da prática pedagógica vivenciada pelo pesquisador,
preceptor, ator, e pelos estudantes, bem como pela intervenção na realidade
estudada.
A pesquisa sobre a própria prática pedagógica tem especificidades, pois,
necessariamente, o pesquisador estará implicado com o contexto considerado,
propondo-se a teorizar sobre ele e a desenvolver um projeto de ação consequente
(ZAIDAN; FERREIRA; KAWASAKI, 2018).
A pesquisa-ação em educação costuma constituir-se em duas etapas: o
entendimento da realidade e do contexto do problema e a implementação da
intervenção, com base numa hipótese de solução identificada a partir do diagnóstico
(MALHEIROS, 2011).
O caráter participativo da pesquisa-ação é demonstrado pela atuação conjunta
dos estudantes, dos pesquisadores e da equipe envolvida na realização do
diagnóstico e na delimitação do problema, bem como na definição da intervenção a
ser executada e na reflexão sobre a ação, aumentando o conhecimento de todos os
envolvidos no processo, no sentido de modificar o cotidiano dessa prática.
Michel Thiollent (2002) desenvolve o seu entendimento da ação de pesquisa
numa perspectiva explícita de transformação da realidade. Segundo o autor, a
pesquisa-ação pode proporcionar um acesso maior à própria realidade para a
elaboração de análises e teorizações.
15
Figura 01 – Etapas da pesquisa-ação.
Fonte: Adaptado de Tripp (2005).
Dessa maneira, foram seguidas as fases metodológicas que compõem a
pesquisa-ação: 1) a identificação do problema (através de entrevista com os
estudantes e da oficina de preparação para o campo, com o pesquisador e a equipe
de saúde), 2) a intervenção (ida dos estudantes para a prática supervisionada de
odontologia domiciliar, com o pesquisador e a equipe) e 3) avaliação da intervenção
(entrevista semiestruturada).
2.2.2 Aspectos éticos
O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da
Universidade
Federal
de
Alagoas
(Ufal),
através
do
parecer
CAAE
nº
45959415.3.0000.5013, não havendo conflitos de interesse.
2.2.3 Desenho, local de estudo e período
Trata-se de uma pesquisa-ação na modalidade educacional (pesquisa-ensino),
com abordagem qualitativa.
O cenário de estudo foi o território de abrangência de uma unidade de saúde
situada no município de Campo Alegre/AL, única unidade conveniada com a Ufal que
possui atendimento em odontologia domiciliar. O estudo foi realizado no período de
fevereiro a abril de 2019.
16
2.2.4 Participantes
O grupo de participantes da pesquisa foi formado por dez estudantes do décimo
período do curso de odontologia da Faculdade de Odontologia da Universidade
Federal de Alagoas (Foufal) que frequentaram o estágio curricular obrigatório, no
referido município, no período da realização do estudo. Para preservar a identidade
dos participantes, eles receberam, como identificação, a sequência de letras EO
(estudante de odontologia) e um número correspondente à sequência de sua
participação.
2.2.5 Protocolo do estudo
Os estudantes foram convidados a participar do estudo e das reuniões com os
profissionais e coordenadores dos programas “Melhor em Casa” e “Saúde Bucal” do
município-sede da pesquisa, contando com a presença do pesquisador e dos
docentes, a nível institucional/educacional.
Na reunião, o pesquisador repassou os pontos principais de um atendimento
domiciliar: adaptação do ambiente clínico ao ambiente domiciliar, rotinas de
atendimento, demandas e principais comorbidades associadas aos usuários do
programa, assim como o contexto da população. Foi pactuado o cronograma com os
dias de visitas para início das atividades práticas.
Os
estudantes
foram
submetidos,
inicialmente,
a
uma
entrevista
semiestruturada individual, realizada antes de sua inserção nas atividades
desenvolvidas no programa de Atenção Domiciliar (AD). A entrevista comporia o
diagnóstico situacional da presença do tema Odontologia Domiciliar (OD) na matriz
curricular. O questionário foi blocado em dois grupos: o primeiro contendo informações
sociodemográficas; o segundo incluindo questões acerca do conhecimento prévio em
OD, como a presença do tema nas disciplinas curriculares, a experiência prévia em
atendimento de pacientes com necessidades especiais, as sensações subjetivas
sobre esses pacientes e a perspectiva sobre atendimento domiciliar.
Após a vivência dos estudantes e sua interação com os profissionais e com os
pacientes atendidos pelo programa, foi solicitado aos mesmos que escrevessem,
individualmente, um diário de campo com a descrição de suas ações e percepções
sobre o atendimento, a equipe e os pacientes. Em seguida, foi realizada uma segunda
17
entrevista com as questões norteadoras: (1) O que chamou sua atenção durante os
atendimentos? (aspectos sobre cuidador/família e o ambiente –domicílio); (2) Como
você se sentiu ao realizar o atendimento domiciliar?; (3) Quais os desafios
encontrados por você para desenvolver o atendimento em nível domiciliar?; (4) Como
essa experiência poderá contribuir para sua formação profissional? As entrevistas
foram gravadas em áudio e transcritas pelo pesquisador.
2.2.6 Coleta e organização dos dados
Os dados advindos das entrevistas, tanto a prévia como a realizada após a
intervenção, foram organizados em categorias de análise que permitiram estabelecer
um diálogo entre as conversas e os objetivos da pesquisa.
2.2.7 Análise do estudo
Para a análise das entrevistas gravadas, aplicou-se a técnica de Análise de
Conteúdo de Bardin (2011) e Malheiros (2011), constituída de quatro grandes etapas.
A primeira etapa consistiu na organização dos dados, observando-se as ideias que
emergiram das respostas às questões norteadoras. Foi realizada a pré-análise, por
meio de uma leitura aprofundada, para elaboração das categorias. Essa fase
correspondeu à identificação da unidade de contexto. Todos os depoimentos foram
transcritos ipsis litteris para uma planilha.
Na segunda etapa, numa segunda planilha, organizaram-se as ideias explícitas
e implícitas, sendo as primeiras as categorias provisórias e as segundas os focos,
com identificação dos sentidos, considerando-se três princípios: o da
exclusão
(pertencimento a uma só categoria); o de pertinência (o dado tem que ser pertinente
à categoria na qual foi enquadrado); e o de objetividade (clareza dos dados).
A terceira etapa (terceira planilha) procurou responder à pergunta da pesquisa
por meio das unidades de registro, relacionando a fala com o foco ou tema, tendo a
finalidade de identificar se sua inferência faz sentido. Nesse momento, exemplificase, no texto, como se chegou ao resultado, que é a unidade de registro, podendo ser
uma palavra ou uma frase.
Por fim, a quarta etapa correspondeu à elaboração de duas planilhas: na
primeira, foram interpretados os focos e suas unidades de registro, finalizando com a
18
elaboração de uma síntese para cada foco. A segunda planilha dessa fase
correspondeu à elaboração de ideias que correspondem às categorias e suas
respectivas subcategorias.
2.3 Resultados e discussão
Dos dez estudantes participantes do estudo, sete eram do sexo feminino e três
do sexo masculino, com faixa etária entre 25 e 29 anos. Nenhum deles tinha
experiência anterior em atendimento odontológico domiciliar.
2.3.1 Diagnóstico do problema
Os dados da primeira entrevista corresponderam ao diagnóstico do problema,
cuja análise originou as categorias: “Abordagem do tema no curso” e “Humanização”.
A categoria “Abordagem do tema no curso” foi, ainda, dividida nas subcategorias
“Entendimento sobre o tema” e “Formação teórico-prática para odontologia domiciliar”.
2.3.1.1 Categoria I - Abordagem do tema no curso
A temática “odontologia domiciliar” ou “atendimento odontológico domiciliar”
ainda é pouco explorada em sala de aula, ou mesmo ausente, como observamos nas
falas dos estudantes:
Durante o curso foi falado do tema principalmente vinculado ao
Programa de Saúde da Família (PSF), contudo não foi vista nenhuma
técnica ou protocolo para realização. (EO1)
Durante todo o curso apenas ouvi falar, ou seja, alguns professores
citavam, mas nada muito específico. (EO2)
Ouvi falar superficialmente. (EO5)
Essa categoria foi dividida em outras duas subcategorias, para um melhor
entendimento e aprofundamento das questões que foram postas pelos estudantes.
19
2.3.1.1.1 Entendimento sobre o tema
Aborda o conhecimento limitado do tema entre os estudantes:
Sei da existência e já foi comentado sobre o fato do tipo de paciente
que esse atendimento busca, porém nada de muito fundo. (EO1)
Ouvi falar que são visitas que ocorrem em domicílio a pessoas que
não possuem condições de se locomover [...]. (EO6)
Acredito que visa o tratamento e prevenção dos pacientes com
dificuldade de locomoção. (EO8)
A falta de conhecimento decorre da pequena abordagem do tema durante o
curso. Fica explícito que os estudantes confundem as abordagens da visita prestada
pela Atenção Domiciliar (AD), que é realizada pela própria equipe da unidade de saúde
do Programa Estratégia de Saúde da Família (ESF), e da modalidade Serviço de
Atendimento
Domiciliar
(SAD),
que
requer
maior
atuação
das
equipes
multiprofissionais.
Ao questionar o tipo de atendimento, ficou clara a diferença entre visita
domiciliar prestada pela ESF e a da atenção domiciliar (AD), ambas
são importantes porem diferentes, no “Melhor em casa” existe uma
periodicidade buscando atender, solucionar as necessidades do
paciente. (Diário de campo - EO5)
Segundo Marega, Gonçalves e Romagnolo (2018), o atendimento odontológico
domiciliar, apesar de pouco praticado e conhecido, é muito bem aceito pela população,
na medida em que facilita o acesso aos pacientes que, de outro modo, talvez não
conseguissem obter algum outro tipo de assistência, e que passam a usufruir dos
mesmos procedimentos odontológicos praticados num consultório convencional.
2.3.1.1.2 Formação teórico-prática para odontologia domiciliar
Essa subcategoria emerge das falas sobre o atendimento de pacientes com
necessidades específicas, durante o curso de graduação, e demonstra que existe uma
lacuna no que se refere à temática, o que exige maior preparo por parte do estudante.
20
Os estudantes, quando questionados sobre o contato com pacientes que
necessitavam de cuidados específicos, intuem a necessidade de preparo nessa área,
pois alguns, de maneira assistemática, já vivenciaram o atendimento desses
pacientes na faculdade.
[...] Me senti num novo quadro, num novo ambiente, mais desafiador
uma vez que a maioria possui limitações que podem comprometer o
atendimento e mesmo impedi-lo. Sensação de que devo estar mais
bem capacitada para atender nas diversas situações e com os mais
variados tipos de paciente. (EO4)
É necessário o conhecimento, por parte do cirurgião-dentista, acerca dos
conceitos principais das condições sistêmicas, neurológicas e especiais de seus
pacientes, os protocolos pertinentes a cada alteração específica, bem como o
esclarecimento sobre os cuidados básicos relacionados às técnicas, ao tratamento
medicamentoso e às possíveis interações, assim como o tratamento de pacientes em
condições complexas de saúde (MAREGA; GONÇALVES; ROMAGNOLO, 2018).
[...] São pacientes que necessitam de uma conduta “diferente”, de
maior atenção. [...] fiquei um pouco apreensiva. [...] me angustia o fato
de poder machucá-lo caso não soubesse como conduzi-lo. (E02)
O conhecimento sobre os pacientes com necessidades especiais, assim como
sobre as formas de atendimento, incluindo o atendimento domiciliar, é de suma
importância para a formação do futuro profissional, pois, como demonstra Haddad
(2007), a evolução tecnológica da medicina propicia o melhor tratamento de patologias
crônicas e de situações agudas, demandando uma terapêutica prolongada. Com isso,
observa-se a necessidade e a importância do conhecimento em saúde para o
tratamento de pacientes com impossibilidade de deslocamento ao consultório
odontológico.
A atenção domiciliar incorpora novas práticas que se adequam a esse novo
ambiente de cuidar que é o domicílio, o que exige dos profissionais maior implicação
em reconhecer e respeitar a singularidade de cada núcleo familiar e desenvolver
estratégias e intervenções terapêuticas diferenciadas de acordo com as necessidades
21
de cada paciente (BRASIL, 2013). Um exemplo é o uso das unidades de atendimento
portátil, caracterizadas pelo atendimento de pacientes com equipamentos portáteis
voltados, principalmente, para os casos de impossibilidade de locomoção do paciente
(SÃO PAULO, 1999).
Sim já atendi e sei o quão diferente é o contato, tem que ser, no
sentindo de entender o porquê essa pessoa é especial e adequar o
meu comportamento e a técnica para cada um deles [...]. Confesso
que fiquei mais nervosa que o normal. (EO1)
Observando-se as falas dos estudantes, percebe-se a necessidade de uma
readequação, nos cursos de graduação da área da saúde, para inserção de disciplinas
de ensino e prática envolvidas com o cuidado domiciliar, o que se apresenta, também,
como uma nova oportunidade no mercado de trabalho. Desse modo, serve de
incentivo para a criação de novos cursos de extensão universitária, de capacitação e
de pós-graduação.
Para Romanholi e Cyrino (2012), a formação dos profissionais de saúde deve
ser contextualizada, relacionando teoria e prática, permitindo aos profissionais
enfrentarem problemas do processo saúde-doença da população. No entanto,
Lacerda (2010) afirma que, na maioria das vezes, nos cursos de graduação, a
formação dos profissionais de saúde pouco aponta para as questões de cuidado no
domicílio, suas perspectivas, peculiaridades e o perfil necessário para um profissional
trabalhar nessa especialidade.
2.3.1.2 Categoria II - Humanização
Nessa categoria, são discutidos aspectos relacionados à humanização no trato
com os pacientes.
A humanização vem sendo preconizada, na legislação vigente, como essencial
no processo de formação do cirurgião-dentista, bem como na prática diária
profissional. Segundo Ramos (2001), tornar essa teoria uma prática habitual é
fundamental para o novo perfil delineado para o cirurgião-dentista.
Para Barbosa et al. (2016), o atendimento odontológico domiciliar proporciona
ao paciente maior conforto psicológico e maior confiança profissional, e muitos
22
acreditam que torna o tratamento mais humanizado e completo, visando ao melhor
caminho para o restabelecimento, a priori, funcional (BARBOSA; ARAÚJO, 2016).
Já atendi e tenho a perspectiva de ser algo que ajude as pessoas.
(EO8)
A prática odontológica domiciliar não é mencionada especificamente no
código de ética odontológico, provavelmente por ainda ser pouco explorada,
originando despreparo profissional para o futuro cirurgião-dentista nessa área. No
entanto, as condutas éticas e profissionais devem ser respeitadas nos atendimentos
odontológicos domiciliares realizados pelos dentistas, pois estes estão sujeitos a
infrações éticas.
A perspectiva é de aprendizado de humanização do tratamento
odontológico e de se sentir útil aos pacientes que muitas vezes são
condenados. (EO)
É de basilar importância a formação de profissionais competentes para
lidarem com as mais diversas realidades de maneira irrestrita e humanitária, de modo
a harmonizar uma articulação entre profissional e paciente. De acordo com Mota,
Farias e Santos (2012), a relação paciente/profissional abrange uma série de aspectos
subjetivos que vão além do tratamento odontológico: o dentista deve atentar para
quadros de ansiedade experimentados pelo seu paciente, para transmitir-lhe
confiança e firmar-se na imagem de alguém que reconstrói e repara.
A consulta ao dentista é um momento de grande significado emocional para o
paciente, pois se trata de um ato de bastante intimidade (RAMOS, 2001). Então, existe
a necessidade da conscientização de que o trabalho do dentista deve ser revestido
de um caráter maior e mais profundo do que somente recuperar a função, a estética
e aliviar a dor do paciente.
Sobre essa perspectiva, no atendimento do paciente em condições especiais,
os estudantes, ainda que não tenham tido uma formação voltada para o trabalho
23
domiciliar, perceberam que a experiência é enriquecedora e que a sensação de
nervosismo inicial se transforma em satisfação ao final do processo.
Já atendi, me senti útil ao atender, com sentimento de realização
pessoal. (EO3)
Além da odontologia foi possível vivenciar as condições em que os
pacientes estão inseridos, desde as condições físicas até mesmo a
estrutura familiar. (Diário de campo - EO6)
Os estudantes que tiveram contato com pacientes atendidos em domicílio
demostram empatia e um novo sentido de cuidar.
Nas crianças com síndrome de Down e autistas foi bastante
proveitoso, pois nos torna profissionais mais humanizados. (EO5)
A Portaria 1.444, de 28 de dezembro de 2000, do Ministério da Saúde, discorre
sobre
a
necessidade
de
se
implementar
a
interdisciplinaridade,
a
multiprofissionalidade e as habilidades de comunicação com a equipe, visando a
propiciar um tratamento mais integral e digno (BRASIL, 2000).
Foi possível notar a importância desse tipo de atendimento, marcado
por uma nova visão do que é ser dentista humanitário, além de
marcado por grande conhecimento multiprofissional, pois junto com a
enfermagem pude aprender como usar o glicosimetro e a importância
da mensuração para meus procedimentos. (Diário de campo - EO2)
2.3.2 Estratégia de intervenção: o estágio em odontologia domiciliar
O
estágio
em
odontologia
domiciliar
é
estruturado
com
foco
no
desenvolvimento de habilidades e competências dos futuros cirurgiões-dentistas para
o atendimento a pessoas portadoras de condições que as restringem ao leito.
A odontologia domiciliar garante ao usuário o acesso aos cuidados de saúde,
além de uma maior interação do cirurgião-dentista com o paciente, seus familiares e
a equipe multiprofissional, bem como a esse novo ambiente de cuidados que é o
domicílio, com todas as suas complexidades e adaptações.
24
A rotina do estágio em odontologia domiciliar inclui o planejamento das
atividades junto à equipe multiprofissional e a identificação dos prontuários dos
pacientes que serão analisados, com o intuito de preparar os equipamentos,
instrumentais e materiais correlatos para cada atendimento.
Um dos momentos cruciais para o atendimento no “Melhor em casa”
era quando antes de nós sairmos, fazer o planejamento de acordo com
o número de procedimentos e os pacientes que vamos visitar, para
não levar coisas a mais ou faltar algum instrumental que seria
necessário. (Diário de campo - EO8)
A rota era repassada para o motorista do programa e, a partir daí, iniciavam-se
as visitas, que variavam de cinco a sete, dependendo do número de profissionais
presentes no dia e das condições climáticas locais, bem como da existência de algum
paciente com maior nível de complexidade.
O dia em Campo Alegre foi de chuva, com isso ocorrem alguns
percalços nas visitas, além do banho de chuva ao entrar e sair do
carro. Os pacientes se mostravam mais sonolentos ou não estavam
acordados ou limpos, mas isso não inviabilizou os atendimentos.
(Diário de campo - EO5)
Os estudantes de odontologia desempenhavam as tarefas previamente
estabelecidas seguindo o plano terapêutico singular de cada paciente, atuando em
áreas da odontologia como dentística, periodontia, cirurgia oral, profilaxia, prótese
dentária. Os mesmos faziam o preenchimento do prontuário com a evolução do
paciente e, por fim, voltavam à sede do programa para elaboração do diário de campo
da pesquisa.
Ao chegar na residência, a mãe do paciente já estava esperando e
mostrou satisfação com nossa presença. Precisava fazer uma
restauração em resina, e a dificuldade em realizar esse atendimento
estava na ergonomia, pois tive que fazer no leito do paciente, mas eu
me superei e consegui fazer, realizando o ultimo atendimento deste
dia. Depois, voltamos para o CEO. (Diário de campo - EO6)
Encerro minhas atividades de hoje com a certeza de que os seis
atendimentos realizados hoje contribuíram com muito mais
conhecimento quando comparado ao que cheguei aqui, não só
25
conhecimentos odontológicos, como também vivências dentro das
condições que os pacientes estão inseridos, de cunho físico, social e
de estrutura familiar. (Diário de campo - EO10)
2.3.3 Avaliação após intervenção
Após a intervenção realizada pelos estudantes e pelo professor/pesquisador no
cenário de prática, os alunos foram submetidos a uma nova entrevista sobre o estágio
finalizado. Da análise dos depoimentos, emergiram duas categorias: “Percepção
sobre o estágio” e “Contribuição para a formação profissional”.
2.3.3.1 Categoria I - Percepção sobre o estágio
Existe uma concordância na literatura, como observado em Morita et al. (2010),
Malheiros (2011) e Lacerda (2010), quando se trata da popularidade da inclusão de
atividades práticas de ensino em circunstâncias reais de aprendizagem. A
receptividade dos alunos frente a esse tipo de experiência fica evidente no relato de
EO9:
Me senti realizado em fazer a diferença na sociedade de maneira
direta. (EO9)
Além disso, evidencia-se a superação do medo do desconhecido:
Senti medo e, ao mesmo tempo, me senti bem em fazer a diferença.
(EO10)
Muitos alunos conheciam o termo odontologia domiciliar de forma muito
superficial. Ao final do estágio, reconheceram a necessidade da incorporação de
experiências de aprendizagem atreladas a situações concretas, como a que ocorre
nesse serviço de saúde.
A experiência positiva de trabalho nos atendimentos domiciliares encontrada
neste estudo vai ao encontro dos achados de outros estudos, que indicam que o
trabalho envolvendo equipes multiprofissionais e família tem sua importância e é
valorizado pelos estudantes (MORITA; HADDAD, 2008).
26
Tal valorização é surpreendente, uma vez que o ambiente de prática clínica
da faculdade se distancia do contexto de vida familiar do paciente, assim como do
trabalho em integração multiprofissional. O mesmo ocorre com a prática em
consultório, para a qual ainda é hegemônico o direcionamento para a formação
fragmentada em superespecializações.
A realidade encontrada no presente estudo contrapõe-se à afirmação de Fadel
et al. (2019) de que o campo da formação profissional dos cursos das ciências da
saúde, nos tempos atuais, passa por um acelerado processo de mudança em sua
estrutura curricular, sob a perspectiva da formação interdisciplinar como elemento
central das práticas de construção e de compartilhamento do conhecimento no ensino
superior.
No Brasil, a inserção do dentista nas equipes de saúde da família foi primordial
para a democratização do acesso à odontologia no Sistema Único de Saúde (SUS).
Nessa direção, ganha força a premissa do estágio supervisionado, compreendido
como uma das práticas de maior potencial transformador, por inserir os alunos em
cenários reais do SUS, na realidade social e econômica de sua região (FADEL et al.,
2019).
A partir desse contexto, a formação odontológica passa a ser participante de
uma rede integrativa articulada ao SUS, podendo ser desenvolvida com a odontologia
domiciliar. Isso demanda uma postura de quebra de paradigmas, na medida em que
o profissional atua, de forma direta, dentro da residência dos pacientes, devendo
existir comunicação e integração entre todos os envolvidos no atendimento.
2.3.3.2 Categoria II - Contribuição para a formação profissional
Após vivenciar a experiência do atendimento domiciliar, os alunos foram
questionados sobre o conhecimento adquirido através dela e relataram que puderam
ampliar seu campo de visão e suas possibilidades de trabalho. Além disso, o estágio
contribuiu para a formulação de novas práticas e para a reconstrução de fazeres, pois,
ao se questionarem e criticarem o próprio fazer cotidiano, houve um maior
entendimento sobre o impacto que a família e o ambiente no qual está inserido
27
exercem sobre a saúde do paciente, favorecendo a identificação mais rápida dos
problemas de saúde bucal. Os estudantes relataram:
O estágio contribuiu de maneira positiva para mostrar outras
possibilidades dentro da odontologia. (EO1)
Foi muito importante, pois pude conhecer a odontologia de forma
prática. (EO2)
Fantástica! Foram práticas de muito valor para minha formação
acadêmica. (EO3)
Sanchez, Drumond e Vilaça (2008) avaliaram os desejos, percepções e preparo
de acadêmicos de odontologia em relação aos princípios do Programa de Saúde da
Família (PSF) e constataram que, para a maioria dos alunos, a aquisição de
características desejáveis para um bom trabalho no programa se daria através da
vivência da realidade, o que corrobora os achados do presente estudo.
Entre os estudantes, a prática da visita domiciliar foi percebida como relevante
para a formação profissional. Na mesma linha, em avaliação sobre as percepções de
acadêmicos de odontologia sobre as visitas domiciliares, Morita et al. (2010) puderam
verificar a aquisição de atributos como a ampliação da visão sobre o processo saúdedoença, bem como o reconhecimento da importância do vínculo e do acolhimento na
atenção à saúde.
2.4 Considerações finais
Esta pesquisa demonstrou que os estudantes atribuíram ao atendimento
odontológico domiciliar importância positiva para a sua formação profissional. A
análise qualitativa apontou que os estudantes foram capazes de valorizar a vivência
prática no serviço e o conhecimento da realidade social, porém essas percepções
trazem preocupações em relação à falta de conhecimento teórico, já que essa ainda
não é uma disciplina implantada em sala de aula.
28
A experiência da visita domiciliar proporcionou maior capacidade de pensar
criticamente, possibilitando, também, a participação e o entendimento do trabalho da
odontologia domiciliar, causando impactos importantes não só para a formação
profissional, como o conhecimento de protocolos de atendimento, materiais e insumos
correlatos à área e de técnicas de manejo do paciente, mas também para a
constituição de uma consciência de cidadania, porque deu a eles a oportunidade da
atuação através de contato direto com a realidade dos pacientes, em sua grande
maioria destituídos de acessibilidade, e que, se não fosse a disponibilidade do serviço
ofertado pelo município, não teriam suas necessidades atendidas.
O aprendizado é favorecido quando o sujeito participa ativamente do processo,
pois ele vivencia o conhecimento, os conceitos, os vínculos e as necessidades, uma
vez que está inserido no contexto.
O estudo constatou benefícios: para os estudantes participantes do estágio
obrigatório na modalidade de atendimento odontológico domiciliar, pois este
consolidou-se como uma forma de desenvolver habilidades ainda durante o período
de formação profissional; para os usuários do SUS vinculados à localidade, que, no
momento da pesquisa, foram assistidos pela equipe de odontologia formada pelo
preceptor de campo e pelos discentes; para a sociedade em geral, visto que, ao
garantir a formação de profissionais competentes, éticos e humanos, o atendimento
primário tende a melhorar; e, também, para a instituição vinculada, com a atualização
e o aprimoramento do processo de ensino-aprendizagem.
Por fim, podemos perceber que os alunos valorizam a oportunidade de
conhecer e aperfeiçoar habilidades técnicas em atendimentos realizados fora da
clínica universitária, os chamados atendimentos extraclasse, desmistificando a
necessidade de estar em um consultório, rodeado de recursos muito sofisticados, para
realizar um trabalho de qualidade.
Sendo assim, diante dos resultados alcançados, torna-se imprescindível a
formação profissional com um olhar mais ampliado. Como sugestão, coloca-se a
implantação e/ou o aprimoramento das disciplinas envolvidas com a prática
odontológica domiciliar nas instituições de ensino superior. Acredita-se que mudanças
de paradigma sobre o perfil dos profissionais impetrariam debates institucionais e
29
reformulações curriculares amplas, o que se mostra um enorme desafio a ser
enfrentado, tendo em vista o contexto político das instituições. Isso constitui-se em um
desafio válido e necessário para a formação de um profissional preparado para a
atuação em todas as áreas da odontologia.
2.5 Referências
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assistencial hospitalar. Mudanças, São Paulo, v. 14, n. 2, p. 205-214, 2016.
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âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) e atualiza as equipes habilitadas. Brasília,
DF: Ministério da Saúde, 2016.
BRASIL. Portaria 963, de 27 de maio de 2013. Redefine a Atenção Domiciliar no
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88-103, 2018.
32
PRODUTO
1. O ATENDIMENTO ODONTOLÓGICO DOMICILIAR: MANUAL DO ALUNO
HOME DENTAL CARE: STUDENT MANUAL
1.1. TIPO DE PRODUTO
CARTILHA EXPLICATIVA
1.2. PÚBLICO-ALVO
ESTUDANTES DE ODONTOLOGIA DO 10º PERÍODO
2-INTRODUÇÃO:
Um dos requisitos para conclusão do Mestrado Profissional em Ensino na Saúde
(MPES) da Faculdade de Medicina (FAMED) da Universidade Federal de Alagoas
(UFAL) está a elaboração de um produto educacional. A confecção deste produto é
resultado da pesquisa INSERÇÃO DO ATENDIMENTO DOMICILIAR NA MATRIZ
CURRICULAR EM ODONTOLOGIA: CONTRIBUIÇÃO DA PESQUISA-AÇÃO
EDUCACIONAL, O produto é um dos elementos que compõe o Trabalho Acadêmico
de Conclusão de Curso (TACC) e é escolhido de forma que contribua para minimizar
as lacunas elencadas durante a investigação. Para validação do produto a
Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) estabelece
os seguintes critérios:
(1) Validação Obrigatória do produto
por comitês ad hoc, órgão de fomento ou banca de dissertação,
(2) Registro do Produto, que expressa sua vinculação a um
sistema de informações em âmbito nacional ou internacional []],
5 (3) Utilização nos sistemas de educação, saúde, cultura ou
CT&I, que expressa o demandante ou o público alvo dos
produtos, e (4) Acesso livre (on-line) em redes fechadas ou
abertas,
nacionais
ou
internacionais,
especialmente
em
repositórios vinculados a Instituições Nacionais, Internacionais,
Universidades, ou domínios do governo na esfera local, regional
ou federal (BRASIL, 2016, p. 14).
33
A presente cartilha é uma forma de nortear o estudante de odontologia que vai ser
inserido no âmbito do estágio supervisionado em odontologia domiciliar, e como nos
fala Freitas(2010) de maneira mais específica, estes materiais informam sobre
mecanismos que determinam ou favorecem estados ideais de saúde, procuram
reforçar
orientações transmitidas oralmente
em consultas e
contribuir
na
implementação, pelo próprio indivíduo, de cuidados necessários ao tratamento ou
prevenção de doenças. Esses materiais de divulgação - nos formatos de cartazes,
cartilhas, folders, panfletos, livretos - são, convencionalmente, chamados de
“materiais educativos” nos serviços de saúde, por fazerem parte da mediação entre
profissionais e população. Esta cartilha tem como pontos principais:
2.1-APRESENTAÇÃO
É com satisfação que lhe entregamos o Manual de Orientação ao Aluno. Nele
você encontrará orientações sobre todos os processos ligados ao seu estágio de
campo.
Estamos certos de que o conhecimento deste documento dará a você uma
visão mais clara de todas as normas e procedimentos que regulam os processos de
estágio, bem como permitirá que tenha um acesso mais fácil a todos os serviços e
oportunidades que oferecemos.
Desejamos um ótimo período de estudos. Esteja certo (a) de que vamos
trabalhar com empenho para que você tenha a certeza que fez a melhor escolha.
2.2-DA IDENTIFICAÇÃO
A Clínica-escola de Odontologia está subordinada ao Curso de Odontologia da
Universidade Federal de Alagoas e destina-se às disciplinas clínicas curriculares e
projetos de extensão vinculados ao curso. Porém este manual tem como objetivo
auxiliar ao aluno que está realizando estágio extramuros, no atendimento odontológico
domiciliar, modalidade contínua de serviços na area de saúde, cujas atividades são
34
dedicadas aos pacientes e seus familiares em um ambiente extra-ambulatorial e/ou
hospitalar.
2.3-DAS FINALIDADES
O estágio extramuros tem como finalidade proporcionar aos discentes do curso
de Odontologia a vivência da prática odontológica traduzida por um corpo de
conteúdos em que os conhecimentos adquiridos são aprimorados na prática, aliado
ao proposito do atendimento domiciliar que é promover, manter e/ou restaurar a saúde
oral, maximizando o nível de independência do paciente, enquanto minimiza os efeitos
debilitantes das várias doenças e condições que gerencia. Direcionado não só aos
pacientes, mas também, de maneira diferenciada, aos seus familiares em qualquer
fase de suas vidas, é nesse contexto que vc estudante de odontologia vai se inserir
conhecendo os diferentes contextos e histórias de vida.
2.4-DA EQUIPE DE APOIO
A equipe de apoio ao estágio extramuros é formada além do professor
orientador Cirurgião Dentista responsável pelo serviço, como tambem, Auxiliares em
Saúde Bucal (ASBs) e pela equipe multiproficional do serviço. Tendo em vista que, a
atenção domiciliar é um trabalho interdisciplinar, multiprofissional, que visa garantir a
qualidade de assistência física, intelectual, emocional, capaz de proporcionar apoio
constante na saúde/doença oferecendo vida longa saudável para os necessitados ou
dignidade nos casos com prognóstico de terminalidade de vida.
2.5-DOS DOCENTES
A orientação dos discentes nas atividades extramuros será exercida por um
grupo de profissionais pertencentes ao campo de extágio constítuído por profissionais
do sistema de saude público local no município que vc estudante será alocado, como
tambem, docentes do curso de Odontologia da Universidade Federal de Alagoas. São
funções dos docentes:
1- Recepcionar o discente no serviço do município;
35
2- Explicar o funcionamento e epidemiologia do serviço como também,
apresentar a equipe ao discente;
3- Acompanhar e supervisionar o discente em todo o percurso de seu estágio,
como no consernente a habilidades, atitudes na condução dos casos.
4- Servir de elo de ligação entre a teoria e a prática assim como, entre o
paciente/familia e o discente;
5- Avaliar individualmente e no contexto relacional o discente durante todo o
estágio.
2.6-DOS PACIENTES
Os pacientes desta modalidade de assistencia a saúde pública que é a da
odontologia domiciliar, na grande maioria dos casos são encaminhados para o serviço
através da rede de atenção municipal ou por livre demanda.
O aluno deverá estar atento e preparado para entrar em contato com pacientes
com necessidades especiais neste sentido o paciente poderá apresentar uma postura
colaboradora com o atendimento clínico domiciliar ou não, e neste caso quando o
paciente é não colaborador o aluno entrará em contato com as formas de contenção
(estabilização protetiva ou mecânica), o que promove um atendimento de qualidade.
No caso de pacientes que serão assistidos,pelos alunos estes deverão ser
acompanhados durante o atendimento, por um responsável, isso é, o docente do
serviço.
Podem ser atendidos nesse contexto: Pacientes com dificuldades de
locomoção como idosos e pessoas acamadas; Pacientes hospitalizados ou em pós
hospitalização; Pacientes com necessidades especiais em geral que não possam ir
ao CEO do município.
2.7-DAS NORMAS
A chegada do discente no local que será realizado seu estágio será permitido
em até 15 (quinze) minutos antes do horário do início da aula prática na presença de
um docente e/ou da Auxiliar de Saúde Bucal. Após 15 (quinze) minutos do horário
36
determinado para início das aulas será o discente considerado faltoso não mais sendo
permitida sua prática com o paciente já que a equipe deve sai com o carro para os
atendimentos.
Os discentes deverão finalizar os procedimentos clínicos nos domicilios tendo
um prazo de 15 (quinze) minutos antes do horário previsto para o término da prática,
e deverão permanecer no local para desenvolver o diario de campo previsto como
uma das avaliações. A prescrição de medicamentos e exames para o pacientes
deverá ser realizada em formulário próprio do município. A dispensa e o
encaminhamento de pacientes para Centro de Especialidades Odontologicas do
municipio deverão ser assinados por um docente responsável pela supervisão do
discente.
O atendimento do paciente só poderá ser realizado na presença do professor.
O atendimento domiciliar será feito individualmente a depender da demanda do dia e
da disposição pré estabelecida pelo serviço. O aluno é
responsáveis pelo
atendimento domiciliar e deverá conhecer todo o planejamento e plano de tratamento
do paciente. Nenhum material, instrumental e/ou equipamento será do aluno cabendo
ao munícipio cede do estágio a dispensa de materiais e equipamentos corelátos.
Os discentes assinaram um termo de responsabilidade. É importante que os
alunos, professores e funcionários fiquem atentos para que materiais não sejam
desperdiçados.
Não é permitida a alimentação durante o trabalho, a menos que o próprio
paciente ofereça quando o aluno estiver no domicílio. Não é permitido qualquer tipo
de manifestação ou atividade que possam interferir com a manutenção da ordem e
com o bom andamento das atividades acadêmicas durante o atendimento domiciliar.
2.8-DA AVALIAÇÃO DOS DISCENTES
A avaliação da atividade será diária, individual, e serão observados e
considerados os seguintes itens:
37
1. Biossegurança: todos os alunos, professor responsável e equipe
multidisciplinar deverão respeitar as normas de controle de infecção. Em
relação ao controle de infecção, é importante ressaltar: Casos de não
cumprimento das normas de controle de infecção, quanto à esterilização
dos materiais e instrumentais, manejo e acomodação dos materiais e
instrumentais serão encaminhados à coordenação de curso e
coordenação de estágio para as devidas providências;
2. Conhecimento teórico: se o discente é capaz de responder questões a
respeito do conteúdo teórico correspondente à prática que está
executando;
3. Documentação: é de responsabilidade do discente, o correto
preenchimento dos documentos sobre o atendimento fichas cínicas e
anamnese, assim como a evolução. O docente deverá assinar toda essa
documentação ao final de cada atendimento clínico;
4. Material/Instrumental: será disponibilizado pelo município sede do
estágio.
5. Organização: se o discente trabalha de forma sistematizada,
organizando o material e instrumental adaptando se ao ambiente de
domicílio, esses equipamentos são necessários à realização dos
procedimentos técnicos e os executa com capricho bem como as
atividades solicitadas; se preenche corretamente o prontuário e outras
documentações do paciente e as mantêm em ordem;
6. Plano de Tratamento: o discente deverá juntamente com a equipe
multiproficional desenvolver o PTS plano terapeutico singular apresentar
em cada atendimento domiciliar, em formulário próprio, o plano
odontológico de tratamento do procedimento que será realizado. Esse
documento será analisado pelo professor antes do atendimento
domiciliar;
7. Proatividade/Interesse/ Autocontrole: se o discente realiza com
empenho e da melhor forma possível todas as tarefas que lhes são
atribuídas, sendo resolutivo e tomando decisões no momento correto.
Também será avaliado se o discente colabora espontaneamente com os
38
demais menbros da equipe e se demonstra boa vontade em auxiliar,
quando solicitado; se o discente consegue lidar com situações de
tensão, mantendo o equilíbrio emocional diante de novas e inesperadas
situações;
8. Relacionamento professor/aluno/paciente/funcionário e Conduta Ética:
se o discente se relaciona bem e de forma respeitosa com os demais
acadêmicos e membros da equipe; se sabe aceitar críticas e consegue
trabalhá-las; se possui facilidade e demonstra sensibilidade no
relacionamento com o paciente;
9. Técnica: se o discente executa procedimentos técnicos de acordo com
os princípios científicos que o embasam; se tem capacidade de aplicar
a teoria na prática; se faz uso correto da linguagem técnica na
comunicação oral e escrita; se demonstra confiança na realização dos
procedimentos e transmite segurança para o paciente; se está apto para
executar os procedimentos técnicos que lhe são propostos; se tem
habilidade no manuseio dos materiais, instrumentais e equipamentos e
na realização da técnica;
10. Pontualidade/Assiduidade: se o discente está presente para o estágio
no horário de início da atividades, e se termina o atendimento no horário
previsto.
Ao final de cada etapa, será avaliado se o discente compareceu com
regularidade ao estágio. A atividade prática poderá ser cancelada, caso o docente
orientador considere a não observação de algum dos critérios acima descritos por
parte dos discentes. Neste caso, o discente não será avaliado no dia da atividade
prática cancelada.
O não cumprimento das atividades: O aluno poderá ser penalizado na
avaliação prática do estágio, devido ao não cumprimento das atividades.
3 -OBJETIVO:
Contribuir para uma formação estudante de odontologia inserido no serviço de
atenção domiciliar, assim como informar o mesmo sobre o estágio supervisionado.
39
4- METODOLOGIA:
Para elaboração da cartilha foi feita uma busca em bancos de dados dentro da
instituição de ensino superior da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), no curso
de odontologia e observada a forma de ingresso no PPC do curso de odontologia da
mesma instituição. Posteriormente foi feita a adequação do conteúdo e construção de
um texto de acordo com a proposta temática a que se propõe o estágio supervisionado
em odontologia domiciliar do curso de odontologia da UFAL.
A construção da cartilha seguiu as etapas de coleta de informações no PPC do
curso de odontologia da UFAL, posteriormente a construção do texto e adequação do
foco temático para a odontologia domiciliar e posteriormente a construção técnica e
de designer do produto final.
5-RESULTADOS:
Espera-se que através da cartilha educacional em odontologia domiciliar, os alunos
do 10º período que estarão no estágio supervisionado, tenham uma compreensão
acerca de todo o funcionamento do estágio assim como também possam entrar em
contato com alguns dados pertinentes ao serviço de atendimento odontológico
domiciliar. Auxiliar os discentes para o conhecimento necessário para auxiliar o
preceptor de campo do estágio supervisionado nos atendimentos domiciliares de
odontologia. Além disso, é uma forma de divulgação do estágio em odontologia
domiciliar que se mostra como uma nova estratégia de atendimento para os futuros
cirurgiões dentistas.
6-REFERÊNCIAS
BRASIL. Ministério da Educação. Coordenação de Aperfeiçoamento de
Pessoal de Nível Superior. Diretoria de avaliação. Documento de Área Ensino.
Disponível
em:
http://capes.gov.br/images/documentos/Documentos_de_area_2017/DOCUMENTO_
DE_AREA_ENSINO_2016_final.pdf. Acesso em: 07 dez. 2019.
40
FREITAS, F.V.; REZENDE FILHO, L.A. Modelos de comunicación y uso de
impresos en educación en salud: una pesquisa bibliográfica. Interface - Comunic.,
Saude, Educ.2010.
APÊNDICE A - PRODUTO
41
42
43
44
45
REFERÊNCIAS
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hospitalar. Mudanças, São Paulo, v. 14, n. 2, p. 205-214, 2016.
BARBOSA, D. C. M. et al. Visita domiciliar sob a percepção dos usuários da estratégia
saúde da família. Medicina, Ribeirão Preto, v. 49, n. 4, p. 360-366, 2016. Disponível em:
http://revista.fmrp.usp.br/2016/vol49n4/DMT-Visita-domiciliar-sob-a-percepcao-dosusuarios-da-ESF.pdf. Acesso em: 27 jan. 2020.
BARDIN, L. Análise de conteúdo. São Paulo: Edições 70, 2011.
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Saúde, 2013.
BRASIL. Portaria 1.444, de 28 de dezembro de 2000. Estabelece incentivo financeiro
para a reorganização da atenção à saúde bucal prestada nos municípios por meio do
Programa de Saúde da Família. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2000.
BRASIL. Portaria 825, de 25 de abril de 2016. Redefine a atenção domiciliar no âmbito do
Sistema Único de Saúde (SUS) e atualiza as equipes habilitadas. Brasília, DF: Ministério da
Saúde, 2016.
BRASIL. Portaria 963, de 27 de maio de 2013. Redefine a Atenção Domiciliar no âmbito
do Sistema Único de Saúde (SUS). Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2013.
BRASIL. Ministério da Educação. Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível
Superior. Diretoria de avaliação. Documento de Área Ensino. Disponível em:
http://capes.gov.br/images/documentos/Documentos_de_area_2017/DOCUMENTO_
DE_AREA_ENSINO_2016_final.pdf. Acesso em: 07 dez. 2019.
CALDAS JR., A. F; MACHIAVELLI, J. L. Atenção e cuidado da saúde bucal da pessoa
com deficiência: protocolos, diretrizes e condutas para cirurgiões-dentistas. Recife:
Editora Universitária, 2013.
CONSELHO FEDERAL DE ODONTOLOGIA. Dados estatísticos de profissionais e
entidades ativas por especialidade. Portal do CFO. 2017. Disponível em:
http://cfo.org.br/website/dados-estatisticos-de-profissionais-e-entidades-ativas-porespecialidade/2017. Acesso em: 27 jan. 2020.
FADEL, C. B. et al. Críticas construtivas de formandos em Odontologia para o repensar do
estágio supervisionado no SUS. Revista da ABENO, Londrina, v. 19, n. 2, p. 20-32, 2019.
FREITAS, F.V.; REZENDE FILHO, L.A. Modelos de comunicación y uso de impresos en
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2010.
MALHEIROS, B. T. Metodologia da pesquisa em educação. Rio de Janeiro: LTC, 2011.
MAREGA, T.; GONÇALVES, A. R.; ROMAGNOLO, F. U. Odontologia especial. São Paulo:
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1999.
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Paulo, v. 31, n. 3, p. 443-466, set./dez. 2005.
ZAIDAN, S; FERREIRA, M. C. C.; KAWASAKI, T. F. A. A pesquisa da própria prática no
mestrado profissional. Plurais – Revista multidisciplinar, Salvador, v. 3, n. 1, p. 88-103,
2018.
48
APÊNDICE A – QUESTIONÁRIO I
Universidade Federal de Alagoas – Ufal
Faculdade de Medicina – Famed
Mestrado Profissional em Ensino na Saúde – MPES
(1) O que você já ouviu falar sobre odontologia domiciliar? Comente sobre.
(2) Durante o curso na faculdade de odontologia, foi falada alguma coisa sobre a
odontologia domiciliar? Do que você se lembra?
(3) Você já teve oportunidade de atender, na sua faculdade, algum paciente com
necessidade específica? Você entende o que quer dizer ser um paciente com
necessidade específica? O que você sentiu? Qual sua sensação ao se deparar com
esse paciente?
(4) Qual sua perspectiva sobre o atendimento de pacientes com necessidades
específicas em domicílio?
(5) Qual a sua ideia sobre como é o atendimento odontológico e quais os procedimentos
que você acha que podem ser realizados?
49
APÊNDICE B – QUESTIONÁRIO II
Universidade Federal de Alagoas – Ufal
Faculdade de Medicina – Famed
Mestrado Profissional em Ensino na Saúde – MPES
(1) Como essa experiência contribuiu para sua formação?
(2) Quais os desafios encontrados por você para desenvolver o atendimento em nível
domiciliar?
(3) O que chamou sua atenção durante os atendimentos? Cuidador/família? Ambiente
(domicílio)?
(4) Como você se sentiu ao realizar o atendimento domiciliar?
50
APÊNDICE C – TABELA I: QUESTIONÁRIO I
Universidade Federal de Alagoas – Ufal
Faculdade de Medicina – Famed
Mestrado Profissional em Ensino na Saúde – MPES
QUESTÕES
O que o discente
entende de
odontologia
domiciliar: o que
ele já ouviu falar
sobre o tema?
Sei da existência e
já foi comentado
ENTREVISTADO
sobre
o fato do tipo
1
de paciente que
esse atendimento
busca, porém nada
de muito fundo.
Você já teve oportunidade de
Durante o curso na
atender, na sua faculdade,
Qual sua perspectiva
Qual a sua ideia de
faculdade de
algum paciente com
sobre o atendimento a como é o atendimento
odontologia, foi falada necessidade específica? Você
pacientes com
odontológico e quais os
alguma coisa sobre a entende o que quer dizer ser um
necessidades
procedimentos que você
odontologia
paciente como esse? O que
específicas em
acha que podem ser
domiciliar? Do que o você sentiu? Qual sua sensação
domicílio?
realizados?
discente se lembra?
ao se deparar com esse
paciente?
Sim já atendi, e sei o quão
A perspectiva é de
Durante o curso foi
diferente é o contato tem que ser,
aprendizado, de
falado do tema
no sentido de entender o porquê
humanização do
principalmente
essa pessoa é especial e adequar tratamento odontológico
vinculado ao Programa
meu comportamento e a técnica
e de se sentir útil aos
de Saúde da Família
para cada um deles, com relação
pacientes que muitas
(PSF) contudo não foi
aos sentimentos e sensação,
vezes são “condenados”
visto nenhuma técnica
confesso que fiquei um pouco
por muitos por causa de
ou protocolo para
mais nervoso que o normal,
sua condição.
Acredito que o
atendimento odontológico
é igual a outro, quando se
leva em consideração a
técnica em si, mas com
diferença na conduta e no
manejo do paciente,
acredito que a adequação
bucal como um todo,
51
realização deste tipo de
entretanto havia me preparado
atendimento.
para tal, pois já sabia da vinda do
mesmo, então acho que não tive
nenhuma experiencia mais
chocante devido a isto.
Ouvi falar através de
um professor da
Universidade
Federal de Alagoas
ENTREVISTADO
(UFAL), ele fazia o
2
atendimento
domiciliar, mas
apenas em
pacientes idosos.
Lembro de ter
ouvido falar em uma
aula de saúde
coletiva que “existe
ENTREVISTADO
um programa de
3
atendimento
domiciliar”,
entretanto não ficou
claro.
como por exemplo:
restaurações, raspagem
supra e subgengival e
cirurgias.
Durante o curso, o
professor explicou
como seria
atendimento, que
poderia ser feito com
consultório móvel.
Já sim, acredito que são pacientes
que necessitam de condutas
Acho que é o caminho
“diferentes”, de maior atenção e
interessante, pois muitos
quanto aos procedimentos que
destes pacientes
serão realizados. Fiquei um pouco
possuem locomoção
apreensivas a princípio a
dificultado, então se o
sensação é de medo, pois se tem
ambiente e a localidade
responsabilidades em relação ao
permitir, creio que essa
tratamento (como se tem com
modalidade de
qualquer paciente) porém me
atendimento para ser
angustiava o fato de poder
levada em consideração.
machucá-lo caso não soubesse
como conduzi-lo.
Dependendo do paciente,
acredito que alguns
fatores devem ser
passados, como:
capacidade de locomoção
do paciente, risco de
contaminação ao realizar
procedimentos invasivos,
urgência para realização
do tratamento e a
capacidade do cirurgião
dentista para realizar
esses atendimentos.
Durante todo curso,
apenas ouvi falar, ou
seja, alguns
professores citavam,
mas nada muito
específico.
Acredito que a promoção
Sim, várias vezes. Pacientes com
e prevenção sejam
necessidades especificas são
Minha perspectiva é
aplicadas dentro do
pessoas que necessitam de um atender as necessidades
possível, naquilo que está
olhar diferenciado e precisam ser dos pacientes, conhecer
disponível, como por
compreendidas em sua totalidade
as dificuldades e
exemplo materiais e
de acordo com suas condições
desafios do programa,
instrumentais. Dentre os
físicas e mentais. Ao atendê-los
bem como a realidade
procedimentos,
senti-me útil, sentimento de
do SUS nesse
exodontias, raspagem,
realização pessoal, de prestar um
município.
ATR e procedimento de
serviço que nem eu mesmo era.
baixa complexidade.
52
ENTREVISTADO
4
Já ouvi falar nas
aulas de saúde
coletiva.
Sim, entendo como necessidade
especifica um paciente que
precisa de uma determinada
especialidade, como endodontia
ou cirurgia. Sentimento de sanar a
Lembro-me que foi
dor ou resolver o problema do
Minha expectativa é que
explicado que era
outro é muito gratificante. Os
Meu entendimento é que
consigamos ser
necessário para avaliar
pacientes que chegam com
seria como uma avaliação,
resolutivos aliviar a dor
os pacientes e
problemas específicos das áreas
podendo fazer trabalho
caso ocorra.
encaminhá-los para o
clínicas eu me senti capacitado a
preventivo também.
posto de saúde.
resolver, já pacientes de
necessidades especiais foi um
desafio, pois senti que não fui
preparado o suficiente para lidar
com os problemas que poderiam
surgir durante o atendimento.
De forma bem
singela e superficial
ENTREVISTADO foi citado na matéria
5
de saúde coletiva,
porém sem muitos
detalhes.
Ouvi falar
superficialmente
Sim, pacientes que apresentam
alguma limitação ou sequela
motora ou neurológica. Me senti
num novo quadro, num novo
ambiente mais desafiador uma vez
O profissional enfrentará
que a maioria possui limitações
muitos desafios sendo os
Acredito ser algo muito
que podem comprometer o
principais a colaboração e
humanizado e individual.
atendimento ou até mesmo
cooperações do paciente
impedi-lo. Sensação de que devo
e da família que o cuida.
estar melhor capacitá-lo para
atender nas mais diversas
situações e com os mais variados
tipos de paciente.
Ouvi falar que são
ENTREVISTADO visitas que ocorrem
6
em domicílio a
pessoas que não
Me lembro que na
disciplina de saúde
coletiva foram
realizadas algumas
Sim, crianças com síndrome de
Down e altista. Sim, foi bastante
proveitoso e sem dúvidas nos
torna futuros profissionais mais
O atendimento será
adequado as condições
físicas e de material
disponível por parte da
Entendo que será um
tratamento preventivo e
com nível grande de
dificuldade.
53
possuem condições visitas domiciliares e foi humanizados e bem preparados.
equipe e da
de se locomover
bastante enriquecedor. Inicialmente há um certo receio em possibilidade de realizar
com facilidade até a
atender devido a falta de
os tratamentos naquele.
Unidade Básica de
experiência, porém, com o tempo paciente (se o mesmo se
Saúde (UBS).
e vivencia isso vai diminuindo,
encontra apto a ser
pois, apesar de algumas
submetido aos
dificuldades são pacientes normais
tratamentos).
e que necessitam de atendimento.
A odontologia
domiciliar tem sido
ENTREVISTADO
uma área de
7
atuação profissional
bastante atual.
Ouvi falar que é um
ENTREVISTADO
serviço que está em
8
crescimento.
ENTREVISTADO
9
Ouvi que é a
odontologia que
atende os pacientes
Durante meu curso
nunca ouvi falar nada
sobre o tema.
Acredito que seja um excelente
campo de trabalho, rentável. Mas
por ser um atendimento
diferenciado a PNE e outros
pacientes com restrições, isso
também sugere perfil profissional
específico. Um cirurgião dentista
preparado cientificamente, prático
e emocionalmente capaz de lidar
com as condições que serão
encontradas.
Não me recordo de ter
sido abordado o tema
em sala de aula.
O atendimento segue
um protocolo clínico
Quando ocorre algum
onde será feito o
risco clínico ou quando os
planejamento das ações
recursos do atendimento
Uma área em crescimento e com
no paciente, podendo
domiciliar são
um vasto campo a ser explorado.
variar conforme as
insuficientes, é possível
condições clínicas do
intervir em nível hospitalar
mesmo, a maioria dos
ou em centro
procedimentos
especializado.
odontológicos podem ser
realizados a domicílio.
Na faculdade em
nenhuma matéria é
Já atendi e acredito que é uma
oportunidade de poder levar uma
qualidade de vida melhor através
Acredito que será uma
experiencia muito boa e
que só irá enriquecer
como pessoa e futura
profissional.
Uma extrema gama de
procedimentos, a
exceção dos
Acredito que visa a
prevenção e tratamento
desses pacientes sempre
buscando o tratamento
mais adequado de acordo
com a necessidade e
condição do paciente.
Tratamento com nível
maior de dificuldade.
54
em domicílio por
visto esse atendimento, da saúde bucal, para as pessoas
procedimentos que
impossibilidade dos nem algo relacionado. que não tem acesso de outro jeito. necessitam de ambiente
mesmos se
hospitalar para maior
deslocarem.
segurança de sua
realização.
ENTREVISTADO
10
Ouvi falar em
notícias, que é o
atendimento para
pessoas que não
podem ou tem
sérias dificuldades
de locomoção.
Durante o curso não
ouvi falar sobre este
tipo de atendimento.
Já atendi e acho um bom campo
de trabalho com relação ao
rendimento, mas fiquei nervoso
por não ter certeza que me sairia
bem no atendimento.
Todos os procedimentos
Através do consultório
podem ser realizados,
completo, que é levado
desde exodontias, a
em malas e de moto que restaurações e profilaxias,
a casa do paciente
desde que a saúde do
permite, seja numa
paciente permita, com
cadeira, cama ou sofá.
pressão e glicose
adequadas.
55
APÊNDICE D – TABELA II: QUESTIONÁRIO II
Universidade Federal de Alagoas – Ufal
Faculdade de Medicina – Famed
Mestrado Profissional em Ensino na Saúde – MPES
QUESTÕES
ENTREVISTADO
1
ENTREVISTADO
2
ENTREVISTADO
3
Como essa experiência
contribuiu para sua
formação?
Contribuiu para mostrar uma
outra possibilidade dentro da
odontologia e derrubar alguns
parâmetros pré-estabelecidos
dentro desta.
A experiência foi uma benção,
permitiu que eu pudesse
conhecer a odontologia de
forma prática. Foi importante
também conhecer os vários
serviços nos quais podemos
estar inseridos.
Foi uma experiencia fantástica,
foram práticas de muito valor
Quais os desafios
encontrados por você para
desenvolver o atendimento
em nível domiciliar?
O que chamou sua atenção
durante os atendimentos?
Cuidador/família? Ambiente
(domicílio)?
Como você se sentiu ao
realizar o atendimento
domiciliar?
O quadro de pacientes em si,
pois já é uma dificuldade, pois
não permitem, muitas vezes, a
melhor posição para o
atendimento.
O cuidado com que o Franklin
dedicava a cada paciente, era
emocionante a chegada em
cada residência.
Me senti hora angustiada ao
chegar em lares muito pobres,
hora acolhida pelas pessoas
que estávamos atendendo.
Tudo no atendimento domiciliar
é muito desafiador e
encantador, a começar pelo
local e material que possuímos,
porém o atendimento é muito
gratificante.
Nos cuidadores/ família a
diferença de uns para os
outros, pois uns são
preocupados e outros
desleixados, com relação ao
domicílio nada que não seja o
retrato da população brasileira.
Foi uma experiencia diferente
que tirou alguns preconceitos
sobre o atendimento domiciliar.
No início, por ser algo novo a
insegurança foi presente, mas
no decorrer dos atendimentos
Principalmente a relação dos
parentes com os pacientes, nos
Me senti parte de algo maior,
mais humano e mais
56
para minha formação
acadêmica.
ENTREVISTADO
4
ENTREVISTADO
5
ENTREVISTADO
6
ENTREVISTADO
7
Preciso reconhecer que são
outras formas mais humanas e
vendo uma realidade com o
qual 5 anos de graduação eu
nuca me deparei.
Faltam-me palavras para
descrever aqui os sentimentos
presentes a cada atendimento
e cada “muito obrigado” dos
familiares.
Mostrou que as pessoas que
possuem incapacitadas não
podem e não devem ser
esquecidas, muito pelo
contrário, a atenção a elas
deve ser redobrada, e fico
muito feliz em saber que
existem profissionais que se
empenham nesse propósito.
Geraram em mim um outro
olhar para os pacientes com
necessidades especiais. Além
disso, ratifiquei minha
admiração pelo SUS, nos seus
diferentes níveis de
complexidade.
fui me familiarizando e logo me
senti seguro para atender os
pacientes.
O que me limitou com certeza
foi a falta de conhecimento.
Um desafio foi realizar os
procedimentos no leito do
paciente, desenvolver
ergonomia e biossegurança.
Dificulta entre outras coisas a
falta de colaboração e
conhecimentos de alguns
cuidadosos.
A iluminação me causou cero
estranhamento, juntamente a
postura corporal que temos que
manter, porém o sentimento
que temos de ajudar é muito
gratificante.
recebe sempre sorrindo e isso
é gratificante.
profissional, por fazer a
diferença na vida de alguém.
A receptividade dos familiares
pois muitos sabem que se não
fosse o programa, não
receberiam atendimento.
Apesar de ser desafiador me
senti bem e acolhida pela
equipe e pelos familiares dos
pacientes.
A felicidade da família por ser
acompanhado em casa, a
receptividade, o carinho que
tratam a todos. Mesmo com os
ambientes as vezes não muito
favoráveis em questão de
iluminação, principalmente, o
atendimento se faz possível.
A forma como a família encara
a saúde do paciente, a higiene
oral e pessoal. Em relação ao
ambiente em que essas
pessoas estão inseridas,
poderia pontuar a questão da
condição de moradia, da falta
de saneamento em que a
maioria dos pacientes se
encontravam.
Chamou atenção o Franklin,
que é um profissional exemplar,
pois onde chegávamos ele
dedicava todo amor e carinho,
não era um simples
atendimento.
Senti uma realização na
profissão. Por descobrir uma
nova vertente que não vi na
faculdade.
Me senti útil a parcela da
população que não pode
procurar atendimento (por
situações adversas).
Senti muito feliz em poder
ajudar aquelas pessoas que
necessitavam tanto de
atendimento, tanto pela
dificuldade de locomoção
quanto pela dificuldade
financeira.
57
ENTREVISTADO
8
ENTREVISTADO
9
ENTREVISTADO
10
Foi de suma importância para
entender que o atendimento
odontológico domiciliar é
possível e traz muitos
benefícios a comunidade.
Momento de descoberta de
uma modalidade de trabalho
inovadora incomum as
tradicionais, levar a odontologia
a quem não pode ter acesso a
ela é melhorar e beneficiar a
comunidade e a mim mesma,
por isso foi importantíssimo
este estágio, para eu pensar
fora da clínica, e olhar o
paciente por outro ângulo.
Contribuiu na minha “vivência”
profissional, pois as técnicas
utilizadas e o manejo dos
pacientes diferem muitas vezes
do dia a dia do consultório,
faculdade, mostrando assim
novas formas de lidar com
situações clínicas em que
formos expostos.
Contribuiu na minha visão
quanto a humanização,
dedicação e amor dos
profissionais que fazem parte
do atendimento domiciliar.
Desafio para mim era a
ergonomia. Para trabalhar se
adequando ao ambiente tem
que ser muito consciente da
ergonomia para não se
prejudicar no futuro.
O que chamou atenção foi a
humildade das pessoas e das
casas acredito que se fossem
melhor amparados as
condições de cuidados seriam
maiores
Me senti muito mais útil ao
perceber que estava realmente
mudando a vida de alguém, foi
um sentimento de realização.
Muitas vezes a colaboração do
paciente e do acompanhante
frente ao tratamento e a
higiene oral.
Chamou atenção a acolhida,
apesar de serem humildes,
eles se mostram muito gratos.
Me senti um profissional
realizado, em fazer a diferença
na sociedade de maneira tão
direta, pois ao ir até a casa
destes pacientes tão carentes
de tudo vemos a verdadeira
realidade do país.
A maior dificuldade foi adentrar
ao ambiente familiar e perceber
as condições em que o
paciente se encontra inserido.
Chamou atenção a acolhida,
ambientes extremamente
humildes e com receptividade e
grande acolhida.
Senti medo e ao mesmo tempo
senti bem por poder fazer a
diferença na vida dos
envolvidos.
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APÊNDICE E – TABELA III: CATEGORIAS REFERENTES AO QUESTIONÁRIO I
Universidade Federal de Alagoas – Ufal
Faculdade de Medicina – Famed
Mestrado Profissional em Ensino na Saúde – MPE
CATEGORIA
FALA
Ouvir falar de forma superficial.
Entendimento sobre o tema
Nunca ouvi falar.
Crescimento profissional
Atendi e creio ser uma área em crescimento.
Perspectiva de ser algo mais humanizado,
que atenda às necessidades dos pacientes.
Perspectiva de ser algo que ajude as
Humanização do atendimento
pessoas.
Acredito que visa ao tratamento e à
prevenção dos pacientes com dificuldade de
locomoção.
Necessidade de se adaptar ao ambiente
O profissional enfrentará um alto nível de
dificuldade.
59
APÊNDICE F – TABELA IV: CATEGORIAS REFERENTES AO QUESTIONÁRIO II
Universidade Federal de Alagoas – Ufal
Faculdade de Medicina – Famed
Mestrado Profissional em Ensino na Saúde – MPES
CATEGORIA
FALA
Visão de mercado de trabalho
Contribuiu de maneira positiva para mostrar outras
dentro da profissão
possibilidades dentro da odontologia.
Dificuldade ergonômica
Cuidado com o corpo que trabalha (dentista).
Falta de conhecimento sobre o atendimento
domiciliar.
Bom desenvolvimento do trabalho
O cuidado que o profissional Franklin (pesquisador
principal) demonstrou.
O carinho com que éramos recebidos.
Humanização do trabalho
Me senti feliz e útil.
