Desenvolvimento de Sistema Tutor Inteligente Gamificado Instrutor de Eletrocardiograma - Larissa Acioli Pereira

Data da Defesa: 15/05/2020

Arquivo
DESENVOLVIMENTO DE SISTEMA TUTOR INTELIGENTE GAMIFICADO INSTRUTOR DE ELETROCARDIOGRAMA - LARISSA ACIOLI PEREIRA.pdf
Documento PDF (1.9MB)
                    UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
FACULDADE DE MEDICINA
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENSINO NA SAÚDE
MESTRADO PROFISSIONAL EM ENSINO NA SAÚDE

LARISSA ACIOLI PEREIRA

DESENVOLVIMENTO DE SISTEMA TUTOR INTELIGENTE GAMIFICADO
INSTRUTOR DE ELETROCARDIOGRAMA

Maceió
2020

LARISSA ACIOLI PEREIRA

DESENVOLVIMENTO DE SISTEMA TUTOR INTELIGENTE GAMIFICADO
INSTRUTOR DE ELETROCARDIOGRAMA

Trabalho

Acadêmico

de

Conclusão

de

Curso

apresentado ao Programa de Pós-Graduação em
Ensino na Saúde da Faculdade de Medicina da
Universidade Federal de Alagoas, como requisito para
obtenção do título de Mestre em Ensino na Saúde.
Orientador: Prof. Dr. Diego Dermeval Medeiros da
Cunha Matos
Co-orientador: Prof. Dr. Jorge Artur Peçanha de
Miranda Coelho

Maceió
2020

Dedico,
Ao meu Deus e Pai do céu, que sempre abriu meus
caminhos, e ao meu incansável incentivador e
exemplo de professor: meu pai na terra, Valdomiro
Odilon.

AGRADECIMENTOS

“Se vi mais longe, foi por estar sobre os ombros de gigantes.”
Isaac Newton

Pelas mãos de Deus fui conduzida desde o meu nascimento. Meus caminhos
foram trilhados de forma tão acertada, que jamais poderia duvidar de Sua existência e
de Seu amor por mim. Até mesmo quando acreditava que algo dera errado, alguns
passos adiante, pude perceber que nem sempre o melhor para mim deveria acontecer
segundo minha vontade. Agradeço ao meu Pai por mais essa graça em minha vida.
Aos meus pais que, mesmo com as dificuldades enfrentadas, conseguiram
priorizar minha educação. Sempre ouvi de meu pai que esse seria o maior legado a
me deixar na vida. Por todo amor de minha mãe, Lenilda, que se doa completamente
a nós, muitas vezes esquecendo de si mesma. Ao meu apaixonado pai, Valdomiro,
que esteve ao meu lado em todos os momentos decisivos que enfrentei: é minha base,
meu chão.
Ao meu irmão, Vítor, que na minha ausência familiar foi e continua sendo
presença. Meu exemplo de espiritualidade e resiliência.
Ao meu marido, Tiago, por seu amor paciente e carinho incessante. Pelo pai doce
e amoroso que se tornou com a chegada da nossa princesa.
À amiga, presente que o mestrado me deu, Mariana Cota, meu modelo de
perseverança, força e dedicação em tudo que faz na vida. Agradeço por seu apoio em
todas as etapas dessa empreitada.
Aos meus orientadores, Professor Diego Dermeval e Professor Jorge Artur, pela
inovadora ideia e condução desse projeto. Em especial ao Prof. Diego, que com sua
personalidade leve, porém firme, esteve disponível em cada momento de inquietação
e insegurança, me impulsionando com suas palavras animadoras, mesmo sem
perceber.

Tendo consciência de que sou apenas parte de uma equipe, pude descobrir que
a ciência é uma construção coletiva. Sou muito grata a cada membro desse seleto
grupo composto por diversos talentos: Dalmaris, Janaíne, Victor, Lisley, João Ancelmo,
Lucas e Gustavo. Levo comigo a certeza de que sem eles essa conquista seria
impossível. Foi uma honra poder compartilhar conhecimentos e aprender junto durante
os últimos anos.
Aos professores das bancas de qualificação e defesa, Francisco Passos, Flávio
Teles e Marina Moura por suas valiosas contribuições e pelo esmero em se debruçar
sobre cada detalhe em busca do engrandecimento desse trabalho.

“A mente que se abre a uma nova ideia
jamais voltará ao seu tamanho original.”
Albert Einstein

RESUMO GERAL
O Trabalho Acadêmico de Conclusão de Curso (TACC) teve o objetivo de explorar o
interesse e motivação de estudantes de medicina na utilização de uma nova
ferramenta para ensino do eletrocardiograma (ECG) baseada no uso conjunto de duas
tecnologias: o sistema tutor inteligente (STI) e a gamificação. A metodologia utilizada
foi de abordagem quantiqualitativa em caráter descritivo do tipo Survey, por meio da
aplicação de questionários online em duas etapas. Inicialmente, protótipos de tela de
um STI gamificado instrutor de ECG foram idealizados e confeccionados pelos
pesquisadores e avaliados por um grupo de estudantes e especialistas da área de
tecnologias educacionais. Após feedback recebido, foi necessário o aperfeiçoamento
dos protótipos, os quais foram submetidos a uma segunda fase de apreciação, desta
vez por estudantes de medicina. Os resultados de cada etapa da pesquisa são
apresentados em formato de artigo original. Com o objetivo de desenvolver uma nova
ferramenta para o ensino do ECG durante a graduação em medicina, foram elaborados
dois produtos educacionais: protótipos educacionais interativos e um e-book para
ensino de ECG de forma leve, fácil e descontraída. Diante das dificuldades atuais de
aprendizado em ECG por estudantes de medicina, novas abordagens metodológicas
têm sido sugeridas, com destaque para aquelas baseadas em tecnologias de internet.
Pretende-se produzir um programa de computador com inteligência artificial sob o
modelo de um sistema tutor inteligente gamificado, o qual vem sendo utilizado para
educação médica porém ainda inédito no ensino de traçados eletrocardiográficos.
Espera-se que a verificação da eficácia de um STI gamificado instrutor em ECG possa
contribuir para definição de estratégias inovadoras de ensino em associação com as
existentes como forma de potencializá-las.

Palavras-chave: Eletrocardiograma. Educação médica. Tecnologia educacional.
Inteligência artificial.

GENERAL ABSTRACT
This work aimed to explore the interest of medical students in using a new tool for
teaching electrocardiogram (ECG) based on the joint use of two technologies:
intelligent tutoring systems (ITSs) and gamification. The methodology used was a
mixed research approach (quantitative and qualitative) using a descriptive Survey,
through the application of online questionnaires in two stages. Initially, screen
prototypes of a gamified ITS ECG instructor were idealized and created by the
researchers and, later, evaluated by a group of students and experts in the field of
educational technologies. After feedback received, the prototypes were improved, and
a second phase assessment was conducted; this time by medical students. The results
of each step of the research are presented in the original article format. To develop a
new tool for teaching ECG during medical undergraduate studies, two educational
products were developed: interactive educational prototypes and an e-book for
teaching ECG in a light, easy and relaxed way. Given the current difficulties in learning
ECG by medical students, new methodological approaches have been suggested,
especially those based on Internet technologies. The intention is to produce a computer
program with artificial intelligence under the model of a gamified intelligent tutor system,
which has been used for medical education but still unexplored to electrocardiographic
tracings teaching. It is expected that verifying the effectiveness of a gamified ITS ECG
instructor can contribute to the definition of new teaching strategies in association with
existing ones and improve them.

Keywords: Electrocardiogram. Medical education. Educational technology. Artificial
intelligence.

LISTA DE FIGURAS

Figura 1 - Tela inicial, logomarca do ECG tutor e o avatar Cora .............................. 26
Figura 2 - Tela do material de estudo ....................................................................... 26
Figura 3 - Tela da 1ª Fase - princípios básicos ......................................................... 27
Figura 4 - Tela do sistema de condução cardíaca .................................................... 27
Figura 5 - Tela do relatório de desempenho do usuário ........................................... 28
Figura 6 - Tela contendo o vídeo com a simulação do caso clínico e orientações da
assistente Cora ......................................................................................................... 36
Figura 7 - Tela inicial contendo instruções de navegação fornecidas pela assistente
Cora. É possível visualizar o ícone “★ Avaliar o ECG TUTOR” superiormente, na barra
de ferramentas ........................................................................................................... 41

LISTA DE GRÁFICOS

Gráfico 1 - Questão 1 sobre a tela inicial (Figura 1) ................................................. 31
Gráfico 2 - Questão 6 sobre a tela inicial (Figura 1) ................................................. 31
Gráfico 3 - Questão 9 sobre a tela inicial (Figura 1) ................................................. 31
Gráfico 4 - Questão 12 sobre a tela inicial (Figura 1) ............................................... 31
Gráfico 5 - Questão 2 sobre telas referentes à raiz curricular e material de
estudo (Figuras 2, 3 e 4) ........................................................................................... 32
Gráfico 6 - Questão 8 sobre telas referentes à raiz curricular e material de estudo
(Figuras 2, 3 e 4) ....................................................................................................... 32
Gráfico 7 - Questão 12 sobre telas referentes à raiz curricular e material de estudo
(Figuras 2, 3 e 4) ....................................................................................................... 32
Gráfico 8 – Questão 13 sobre telas referentes à raiz curricular e material de estudo
(Figuras 2, 3 e 4) ....................................................................................................... 32
Gráfico 9 - Questão 4 sobre a tela do relatório do desempenho (Figura 5) .............. 33
Gráfico 10 - Questão 8 sobre a tela do relatório do desempenho (Figura 5) ............ 33
Gráfico 11 - Questão 12 sobre a tela do relatório do desempenho (Figura 5) .......... 33
Gráfico 12 – Questão 13 sobre a tela do relatório do desempenho (Figura 5) ......... 33
Gráfico 13 - Distribuição dos discentes participantes do estudo em relação à população
total de alunos matriculados, por período do curso ................................................... 43
Gráfico 14 - Percentual de participação dos discentes em ligas acadêmicas, de acordo
com o tipo .................................................................................................................. 43
Gráfico 15 - Percentual de participação dos discentes em aulas e cursos
extracurriculares sobre eletrocardiograma ................................................................ 43

Gráfico 16 - Percentual de participação dos discentes em conferências sobre
eletrocardiograma em sua instituição de ensino ....................................................... 44
Gráfico 17 - Percentual das técnicas de estudo/ensino utilizados pelos acadêmicos de
medicina .................................................................................................................... 44
Gráfico 18 - Percentual de realização de provas sobre noções básicas ou interpretação
de ECG pelos acadêmicos de medicina em sua instituição de ensino, por período do
curso .......................................................................................................................... 45
Gráfico 19 - Percentual da classificação quantitativa das aulas sobre ECG ofertadas
por todas as disciplinas de forma conjunta ............................................................... 46
Gráfico 20 - Percentual de níveis (e notas correspondentes) de auto avaliação dos
discentes sobre suas habilidades em interpretação de ECG .................................... 46
Gráfico 21 - Percentual de níveis (e notas correspondentes) de auto avaliação dos
discentes sobre suas habilidades em interpretação de ECG, por período do curso . 46
Gráfico 22 - Questão 1: Foi claro e compreensível interagir com o sistema ............. 47
Gráfico 23 - Questão 3: Seria fácil usar esse programa para estudar um conteúdo . 47
Gráfico 24 - Questão 2: Interagir com o sistema não demandou muito esforço ........ 48
Gráfico 25 - Questão 4: Esse sistema tem boas funcionalidades ............................. 48
Gráfico 26 - Questão 5: Foi intuitivo operar esse programa ...................................... 48
Gráfico 27 - Questão 6: Esse programa ajudaria a aprimorar minhas atividades de
estudo ........................................................................................................................ 48
Gráfico 28 - Questão 7: Esse programa tornaria meu estudo mais interessante ...... 49
Gráfico 29 - Questão 9: Gostaria de ter esse programa no meu dia a dia como
estudante ................................................................................................................... 49
Gráfico 30 - Questão 8: Realizar as etapas desse sistema foi divertido .................... 49
Gráfico 31 - Questão 10: Eu usaria esse programa se ele estivesse disponível ....... 49

Gráfico 32 - Questão 11: Esse programa possui componentes com bom design e estilo
.................................................................................................................................... 50
Gráfico 33 - Questão 12: O design das telas desse sistema é criativo ...................... 50
Gráfico 34 – Questão 13: As telas desse programa são esteticamente atraentes .... 50
Gráfico 35 - Opinião dos discentes sobre o grau de utilidade do ECG Tutor para seu
aprendizado em ECG ................................................................................................ 50
Gráfico 36 - Utilizar o ECG Tutor seria estressante? ................................................. 51
Gráfico 37 - Utilizar o ECG Tutor seria divertido? ...................................................... 51
Gráfico 38 - O ECG Tutor seria um método de aprendizado que utilizaria bem o seu
tempo? ....................................................................................................................... 51
Gráfico 39 - O ECG Tutor seria envolvente (seria possível manter-se concentrado a
ativo)? ........................................................................................................................ 51

LISTA DE QUADROS

Quadro 1 - Padrões de interpretação de ECG divididos por grupos .......................... 37
Quadro 2 - Matriz de competências no ensino do ECG para a graduação médica ... 38

LISTA DE ABREVIATURAS

CAPES - Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior
CEP – Comitê de Ética em Pesquisa
CNPq – Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico
CNS – Conselho Nacional de Saúde
DCN – Diretriz Curricular Nacional
E-LEARNING - Electronic Learning
ECG - Eletrocardiograma
FAMED – Faculdade de Medicina
MEC - Ministério da Educação
NEES – Núcleo de Excelência em Tecnologias Sociais
PPC – Projeto Pedagógico do Curso
SKILLS - Students Knowledge Integration of Lower Level Clinical Skills
STI – Sistema Tutor Inteligente
TACC – Trabalho Acadêmico de Conclusão de Curso
TAM – Technology Acceptance Model
TCLE – Termo de Consentimento Livre e Esclarecido
UFAL – Universidade Federal de Alagoas
UNIT – Centro Universitário Tiradentes

SUMÁRIO

1

APRESENTAÇÃO .............................................................................................. 16

2

ARTIGO: DESENVOLVIMENTO DE SISTEMA TUTOR INTELIGENTE

GAMIFICADO INSTRUTOR DE ELETROCARDIOGRAMA ..................................... 18
2.1 Introdução ............................................................................................................ 19
2.2 Percurso metodológico ........................................................................................ 23
2.3 Construção dos protótipos educacionais .............................................................. 25
2.3.1 1ª Fase – Confecção e avaliação preliminar dos protótipos educacionais ........ 25
2.3.1.1 Confecção dos protótipos iniciais ................................................................. 25
2.3.1.2 Avaliação preliminar dos protótipos .............................................................. 28
2.3.1.2.1 Participantes .................................................................................. 28
2.3.1.2.2 Produção dos dados ....................................................................... 28
2.3.1.2.3 Análise dos dados .......................................................................... 29
2.3.1.2.4 Resultados e discussão .................................................................. 30
2.3.2 2ª Fase – Aperfeiçoamento dos protótipos e apreciação final ......................... 35
2.3.2.1 Aperfeiçoamento dos protótipos educacionais ............................................... 35
2.3.2.2 Avaliação dos novos protótipos interativos ..................................................... 39
2.3.2.2.1 Participantes .................................................................................. 39
2.3.2.2.2 Produção dos dados ....................................................................... 40
2.3.2.2.3 Análise dos dados .......................................................................... 41
2.3.2.2.4 Resultados e discussão .................................................................. 42
2.3.2.2.4.1 Questionário pré-interação .......................................................... 42
2.3.2.2.4.2 Questionário pós-interação ......................................................... 46
2.4 Considerações Finais ........................................................................................... 51

Referências ................................................................................................................ 54
3

PRODUTO ........................................................................................................... 59

3.1 Produto 1 – Desenvolvimento de protótipos educacionais para ensino de
eletrocardiograma ...................................................................................................... 60
3.2 Produto 2 – Material textual (e-book) para ensino de ECG .................................. 62
CONSIDERAÇÕES FINAIS DO TACC .................................................................... 66
REFERÊNCIAS DO TACC ........................................................................................ 68
APÊNDICES
Apêndice A – Questionário de avaliação dos protótipos iniciais do ECG
Tutor (Fase 1) ............................................................................................................ 75
Apêndice B – Respostas abertas do questionário de avaliação dos protótipos iniciais
do ECG Tutor (Fase 1), separadas por categorias ..................................................... 76
Apêndice C – Questionário pré-interação com os protótipos do ECG Tutor
(Fase 2), com características dos grupos estudados ................................................. 77
Apêndice D – Primeira parte do questionário pós-interação com os protótipos do ECG
Tutor (Fase 2), com feedback baseado no modelo TAM ............................................ 79
Apêndice E – Segunda parte do questionário pós-interação com os protótipos do ECG
Tutor (Fase 2), com feedback baseado no modelo de Rubinstein et al ..................... 80
ANEXO
ANEXO A – Parecer do Comitê de Ética em Pesquisa .............................................. 81
ANEXO B – Certificado de Registro dos protótipos do ECG Tutor junto ao INPI ...... 86
ANEXO C – Carta de anuência do orientador para entrega do TACC ...................... 87

16

1

APRESENTAÇÃO

O estudo das ciências médicas se iniciou precocemente em minha vida, já na
fase da adolescência, refletindo um encanto germinado ainda na infância pela arte de
cuidar e desejo de curar doenças. Ao adentrar pela primeira vez no Campus da
Universidade Federal de Alagoas (UFAL), na imaturidade dos meus 16 anos,
surpreendi-me com sua imensidão e mal conseguia acreditar que agora seria
acadêmica do curso de Medicina.
Concluindo a graduação em 2007, optei por adiar minha especialização, na
tentativa de aprender um pouco mais com a saúde pública, e comecei a atuar no
Programa de Saúde da Família (PSF) do município alagoano de Taquarana. As
experiências trocadas com agentes comunitários de saúde e população foram
importantes para meu amadurecimento, ainda uma jovem médica. Ao me deparar com
a sobrevivência em meio à carência e simplicidade, pude contemplar verdadeira
gratidão e uma curiosa felicidade mediante mínimas ações de amparo.
Em 2008, ingressei na Residência de Clínica Médica na Santa Casa de
Misericórdia de Maceió, onde fui recepcionada não por uma equipe de preceptores,
mas de amigos e verdadeiros incentivadores. Com a sabedoria desses mestres, foi
possível ampliar conhecimentos clínicos, ao mesmo tempo em que me deslumbrava
com a disponibilidade de instrumentos diagnósticos e terapêuticos destinados aos
pacientes do sistema único de saúde, num ambiente bem diferente daquela escassez
do PSF.
A fascinação pela Cardiologia, nascida ainda na universidade, foi reafirmada ao
longo desses três anos iniciais da minha carreira, aumentando o ímpeto de desbravar
outras fronteiras, renunciando o confortável aconchego da família. Tentando não
mensurar a distância sentimentalmente, iniciei a Residência em Cardiologia no
Hospital do Coração de São Paulo e, após dois anos, decidi cursar a especialização
em Reabilitação Cardiovascular e Cardiologia Nuclear no Instituto Dante Pazzanese
de Cardiologia por mais um ano. O choque cultural e a tecnologia de ponta foram
contundentes para meu desenvolvimento profissional e amadurecimento pessoal.
Impulsionada por meu mais dedicado mentor e também pai, conquistei a
aprovação no concurso público do Hospital Universitário Prof. Alberto Antunes da

17

UFAL e, retornando à Maceió ao final do ano de 2012, assumi a função de cardiologista
nuclear – o que parecia um sonho para quem acabara de concluir a especialização.
Por fazer parte de uma família de professores, sempre observei a docência com
admiração e respeito, mas somente após o convite de meu tio, médico e educador
entusiasta, decidi desbravar os caminhos da arte de ensinar. Foi atuando como
docente do curso de Medicina do Centro Universitário Tiradentes que descobri uma
nova paixão, a qual durante toda minha vida esteve tão próxima, mas apenas foi
despertada ao experimentá-la por mim mesma.
Com o tempo, se por um lado me deparava com a constatação de que muito
aprendia ao ensinar, por outro a consciência de que não havia sido preparada
academicamente para a docência me perturbava. Ganhou força o desejo de conhecer
mais profundamente as ciências da educação até que, em 2017, ingressei no Mestrado
Profissional em Ensino na Saúde da UFAL e um novo caminho abriu-se. Uma jornada
de descobertas e aprendizado foi iniciada.
Nesse ambiente, além de poder entender melhor a docência em seus aspectos
teóricos e práticos, também foi possível voltar-me para inquietações vivenciadas
enquanto acadêmica de medicina e residente, as quais se repetiam com meus
discentes. Surgiu a necessidade de investigar sobre uma habilidade historicamente
difícil de se adquirir – a interpretação de traçados eletrocardiográficos. Os jovens
estudantes estariam realmente aprendendo a elucidar aquelas linhas e ondas? Quais
as metodologias utilizadas por eles na tentativa de entende-las? Novas metodologias
estão sendo desenvolvidas?
Sob o direcionamento dos orientadores Jorge Artur e Diego Dermeval foi
possível perceber a tecnologia ligada à inteligência artificial como uma possibilidade
nova diante das demais existentes. Desta forma, fundamentou-se a pergunta central
do estudo: O sistema tutor inteligente gamificado aumenta o desempenho de
aprendizagem dos estudantes de medicina em eletrocardiograma?
Buscando responder à questão norteadora, foi elaborado o projeto de pesquisa:
Desenvolvimento

de

Sistema

Tutor

Inteligente

Gamificado

instrutor

de

Eletrocardiograma. Este projeto foi aprovado pelo comitê de ética em pesquisa da
UFAL e os resultados obtidos deram origem ao artigo apresentado neste trabalho.

18

2 ARTIGO: DESENVOLVIMENTO DE SISTEMA TUTOR INTELIGENTE
GAMIFICADO INSTRUTOR DE ELETROCARDIOGRAMA
RESUMO
Estudos recentes evidenciam deficiências no aprendizado sobre a interpretação de eletrocardiograma (ECG),
ferramenta amplamente empregada para diagnóstico e tratamento de doenças cardíacas. Novas abordagens
metodológicas têm sido sugeridas na tentativa de aprimorar a aquisição dessa habilidade comprovadamente
complexa e de difícil assimilação. Diante da expansão das metodologias ativas de ensino-aprendizagem e estímulo
às inovações tecnológicas para o ensino médico, o uso de tecnologias de internet (e-learning) tem ganhado força,
com resultados promissores. Destaca-se a utilização de plataformas com inteligência artificial, como os sistemas
tutores inteligentes (STIs), por sua capacidade de promover instrução adaptativa. No entanto, mesmo considerando
os benefícios destes sistemas, os alunos ainda podem ficar entediados no período de instrução, especialmente
quando prolongado. Pesquisadores têm utilizado gamificação (técnicas de design de jogos) em conjunto com STIs,
reportando maior engajamento. Buscando melhorar o desempenho de aprendizagem em ECG entre graduandos
de Medicina através do desenvolvimento de novas metodologias e considerando os benefícios de STIs e do uso
da gamificação na educação médica, o presente estudo objetivou explorar o interesse e motivação dos acadêmicos
de medicina na utilização conjunta de tais tecnologias para estudar ECG. Protótipos do design gráfico de STI
gamificado instrutor de ECG foram submetidos a avaliação preliminar de usabilidade por pesquisadores ligados a
tecnologias educacionais. Os modelos foram considerados de fácil interação, intuitivos e com boas funcionalidades,
necessitando aprimoramento nos quesitos design e estética. Ajustes nos requisitos do sistema foram realizados e
produzidos protótipos interativos. Os novos protótipos foram utilizados por graduandos de medicina os quais
demonstraram intenção de uso futuro, apesar da evidente necessidade de adaptação também para dispositivos
móveis e aperfeiçoamento nos elementos de gamificação e estética. Diante dos resultados promissores e a partir
do feedback recebido, pretende-se desenvolver uma solução computacional do sistema e mensurar seu impacto
no aprendizado dos estudantes. Espera-se que a verificação da eficácia de um STI gamificado instrutor em ECG,
possa contribuir para definição de estratégias inovadoras de ensino em associação com as existentes, minimizando
as dificuldades atuais de aprendizado.
Palavras-chave: Eletrocardiograma. Educação médica. Tecnologia educacional. Inteligência artificial

ARTICLE: DEVELOPING A GAMIFIED INTELLIGENT TUTORING SYSTEM FOR
ELECTROCARDIOGRAM TEACHING
ABSTRACT
Recent studies show deficiencies in learning about the interpretation of the electrocardiogram (ECG), a widely used
tool for diagnosis and treatment of heart disease. New methodological techniques have been suggested to improve
the acquisition of this ability proved complex and difficult to assimilate. Faced with the expansion of active teachinglearning methodologies and the expansion of technological innovations for medical education, the use of internet
technologies (e learning) has stood out, with promising results. Among them, the use of platforms with artificial
intelligence, such as intelligent tutoring systems (ITSs), for their ability to promote adaptive instruction is highlighted.
However, even considering the benefits of these systems, students may still get bored in the instruction period,
especially when prolonged. Researchers have used gamification (game design techniques) in conjunction with ITSs,
reporting greater engagement. Seeking to improve ECG learning performance among undergraduate medical
students through the development of new methodologies and considering the benefits of ITS' and the use of
gamification in medical education, this study aim to explore the interest and motivation of medical students in the
joint use of such technologies to study ECG. Graphical design prototypes of gamified ITS' ECG instructor have
undergone preliminary usability evaluation by researchers linked to educational technologies. The models were
considered easy to interact, intuitive and with good functionality, requiring improvement in design and aesthetics.
Adjustments to system requirements were made and interactive prototypes produced. The new prototypes were
used by medical undergraduates who demonstrated their intention for future use, despite need to adapt to mobile
devices and improve gamification and aesthetics. Given the promising results and from the feedback received, we
intend to further develop a computational solution of the system and measure its impact on student learning. It is
expected that verifying the effectiveness of a gamified ITS ECG instructor can contribute to the definition of new
teaching strategies in association with existing ones and minimize current learning difficulties.
Keywords: Electrocardiography, Medical education, Educational technology. Artificial intelligence

19

2.1

INTRODUÇÃO

As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte no país,
correspondendo a 31% de todas as mortes entre os brasileiros no ano de 2011,
destacando-se a doença coronariana, o acidente vascular cerebral, a doença cardíaca
hipertensiva e a insuficiência cardíaca (RIBEIRO et al, 2016). A importância da
prevenção de complicações maiores decorrentes dessas patologias justifica a
necessidade de conhecimento de métodos diagnósticos básicos por parte dos
profissionais médicos.
O eletrocardiograma (ECG), exame complementar de elevada capacidade
informativa, é uma ferramenta inestimável e amplamente empregada na detecção,
diagnóstico e tratamento da maior parte das doenças cardíacas (LIBBY et al, 2010).
Seu conhecimento aprofundado é fundamental para que a análise clínica seja eficaz
(COREY et al, 1999). Leituras incorretas de seus traçados podem interferir no
desfecho de pacientes, com eventos adversos e morte (BENNER et al, 2007;
SALERNO et al, 2003).
Estudantes da área médica foram objetos de estudo nas duas últimas décadas,
demonstrando conhecimento insuficiente sobre ECG independente da nacionalidade Estados Unidos (BOLTRI et al, 2003; CORCETTI, THOMPSON, 2010; JABLONOVER
et al, 2014; ESLAVA et al, 2009), Canadá (SIBBALD et al, 2014), Polônia (PUDLO et
al, 2010; KOPEC et al, 2015), Grécia (LAVRANOS et al, 2013), Irlanda (LITTLE; HO;
SCOTT, 2001), Emirados Árabes (MARGOLIS; REED, 2001) e Nova Zelândia (LEVER
et al, 2009). Tal fragilidade torna-se ainda mais exposta, quando são comparadas
cinco habilidades básicas em cardiologia clínica: medida da pressão arterial, ausculta
cardíaca, realização de ECG, interpretação do ECG e desfibrilação. Os pesquisadores
do estudo SKILLS, ao avaliar as referidas habilidades, notaram que estudantes de
Medicina parecem dominar a maioria delas, porém necessitam de reforço no ensino
eletrocardiográfico para um melhor aproveitamento (LAVRANOS et al, 2013).
Diante de diversas evidências relacionadas ao despreparo de estudantes
médicos na interpretação do ECG, que extrapola limites geográficos, tem-se suscitado
uma preocupação mundial com relação às prováveis limitações na abordagem
pedagógica atual, bem como busca-se estabelecer uma matriz de competências e

20

identificar quais metodologias de ensino-aprendizagem seriam comprovadamente
eficazes.
A I Diretriz da Sociedade Brasileira de Cardiologia sobre Processos e
Competências para a formação em Cardiologia no Brasil (2011) (SOUSA et al, 2012),
apesar de não adentrar na discussão das metodologias de ensino-aprendizagem,
aborda competências a serem desenvolvidas nos programas de especialização em
Cardiologia. O conteúdo programático sugerido, abrange aspectos éticos, passando
por conhecimentos clínicos, exames complementares (incluindo o ECG), prevenção e
promoção de saúde, entre outros, detalhando-os um a um, de acordo as três
dimensões da competência - cognição, habilidade e atitude.
Voltada exclusivamente para o aprendizado do ECG, a matriz de competências
recomendada pela Sociedade Internacional de Eletrocardiografia em parceria com a
Sociedade Internacional de Holter e Eletrocardiologia não invasiva (2018)
(ANTIPEROVITCH et al, 2018) engloba também a graduação médica, possibilitando a
delimitação dessa habilidade para o médico generalista. Tal documento discorre de
forma mais detalhada sobre o conhecimento das alterações eletrocardiográficas,
especificando as proficiências que devem ser adquiridas por graduandos e residentes,
bem como orienta (de forma objetiva e sucinta) algumas estratégias de ensino em
ECG.
Buscando explorar de forma mais profunda tais estratégias, serão listados a
seguir alguns aspectos que parecem influenciar positivamente no aprendizado:
contextualização dos traçados eletrocardiográficos com um cenário clínico,
relacionando os traçados com a história do paciente (HATALA; BROKS; NORMAN,
1999; HATALA; BROKS; NORMAN, 2003), instituição de processo avaliativo para
mensurar o conhecimento dos estudantes, particularmente quando atribuídos créditos
ou pontos ao mesmo, inferindo-se que a recompensa estimula o interesse e melhora
o desempenho do aluno (RAUPACH et al, 2010) utilização de estratégias de repetição
e feedback de um determinado conceito em contextos variados, podendo resultar no
desenvolvimento de soluções para novos problemas (HATALA; BROKS; NORMAN,
2003). Abordagens

metodológicas

com

capacidade

de

individualização

e

interatividade, bem como as viáveis especialmente para alunos que aprendem mais
eficientemente

em

ambientes

descontraídos

também

(RUBINSTEIN et al, 2009; MONTASSIER et al, 2016).

se

mostram

efetivas

21

Diferentes técnicas têm sido utilizadas para ensino do ECG, estando entre as
mais comuns o estudo individual (ou autodirigido), oficinas ou cursos intensivos e
conferências (MAHLER et al, 2011). Também são utilizadas vídeo-aulas, discussão de
casos clínicos e, mais recentemente, o aprendizado eletrônico, com a utilização de
tecnologias de internet (FENT; GOSAI; PURVAN, 2015). A Sociedade Internacional de
Eletrocardiografia, na diretriz já referida anteriormente nesse texto, sugere ainda uma
estratégia peculiar de ensino baseada no uso de jogos e problemas para aprender
ECG, melhorando o interesse e engajamento dos alunos (ANTIPEROVITCH et al,
2018).
Apesar da busca pelo método ideal, observa-se que ainda não se pode
determinar qual o mais efetivo para ensino eletrocardiográfico (FENT; GOSAI;
PURVAN, 2015) – possivelmente, porque a combinação de múltiplas técnicas é
necessária, dada a complexidade da interpretação dos traçados e dificuldade de
aquisição de habilidades suficientes para sua total apreensão. Todavia, o mesmo
artigo (FENT; GOSAI; PURVAN, 2015) destaca o aprendizado eletrônico como
abordagem moderna e promissora no processo de ensino-aprendizagem em ECG.
DeBonis, por sua vez, defende a importância de uma instituição de ensino médico ter
à sua disposição uma unidade com recurso de tecnologia da informação para
desenvolver módulos interativos de ensino eletrônico (DEBONIS et al, 2015).
O primeiro artigo de revisão sobre programas de computador voltados para o
ensino de ECG, desenvolvido por pesquisadores brasileiros em 2018, buscou por
estudos relacionados ao tema publicados até abril de 2017. Foram selecionados 17
artigos, tendo sido o primeiro publicado em 1983, porém 12 deles no século atual.
Apesar dos resultados apontarem positivamente para a inserção de softwares
educacionais com essa finalidade, os autores concluem que é necessário que novos
estudos com metodologias de pesquisa de maior qualidade sejam realizados
(PONTES et al, 2018). Na tentativa de avaliar a real efetividade do método
computacional em alcançar competência em ECG, uma revisão sistemática e metaanálise está sendo desenvolvida como dissertação de PhD por pesquisadores da
África do Sul (VILJOEN et al, 2017).
Voltando-se para a educação médica de forma geral, observa-se que, nos
últimos anos, o uso de tecnologias de internet (e-learning) também tem ganhado força.
Evidencia-se melhoria do conhecimento e desempenho acadêmico, com eficácia

22

comparável ao método tradicional conduzido por professor, porém sem pretensões de
substituí-lo, mas como um complemento, fazendo parte de uma estratégia de
aprendizagem mista. As tecnologias de aprendizado eletrônico podem ser variadas,
incluindo, por exemplo, plataformas que, ao se utilizar de inteligência artificial,
promovem instrução adaptativa ao aluno, à medida que propiciam controle sobre o
conteúdo, bem como sobre o seu próprio ritmo de estudo, permitindo adaptação de
suas experiências para atingir seus objetivos pessoais de aprendizagem (RUIZ;
MINTZER; LEIPZIG, 2006).
Uma dessas tecnologias educacionais ativas, atualmente exploradas na
educação médica, são os sistemas tutores inteligentes (STIs), os quais ainda não
foram descritos para o ensino em ECG. Os STIs são programas de computador que
incorporam técnicas de inteligência artificial para ensino individualizado, entendendo o
conhecimento do aluno para promover instrução adaptativa com feedback imediato
(GAMBOA; FRED, 2001). No entanto, evidencia-se que estudantes que interagem com
STIs, especialmente em períodos de tempo prolongados, tendem a ficar desengajados
e entediados durante o processo de aprendizagem (JACKSON; MCNAMARA, 2013;
BAKER et al, 2010).
Em busca de soluções, observou-se que os STIs podem beneficiar-se de
elementos de design que favoreçam intervenções apropriadas visando aumentar a
motivação e o engajamento de estudantes durante o processo ensino-aprendizagem
(JACKSON; MCNAMARA, 2013; WOOLF, 2010; DERMEVAL et al, 2018). As
chamadas tecnologias persuasivas, as quais objetivam mudar o comportamento
humano (ex.: para motivar) (FOGG, 1999), utilizam-se de diferentes técnicas como
estabelecimento de objetivos, auto-monitoramento, feedback, recompensa e
competição, podendo ser utilizadas em contextos educacionais (HAMARI; KOIVISTO;
PAKKANEN, 2014). As abordagens baseadas em jogos englobam um variado
conjunto destas tecnologias (BERKOVSKY et al, 2010).
A gamificação pode ser definida como o uso de elementos de jogos e técnicas
de design de jogos em contextos que não são de jogos (WERBACH; HUNTER, 2012;
KAPP, 2012). Mccoy et al. (2016) reportam as vantagens das plataformas gamificadas
na educação médica, a saber: maior engajamento, colaboração aprimorada, aplicação
ao mundo real (solução de problemas contextualizados), tomada de decisão clínica,
treinamento à distância, aprendizagem analítica (sistemas de pontuação e relatórios

23

estatísticos para fornecer feedback) e retroalimentação rápida (oportunidade de revisar
conceitos, de tentar novamente e, finalmente, obter uma melhor pontuação).
Resgatando os aspectos que influenciam positivamente no aprendizado do
ECG, explicitados anteriormente, é possível observar que tanto o sistema tutor
inteligente (STI) como a gamificação amoldam-se a esse cenário, à medida em que
propiciam estratégias de instrução individualizada e adaptativa, interatividade,
contextualização, repetição e feedback, avaliação e recompensa, ambiente
descontraído e possibilidade de aplicação a cenários práticos simulados.
Considerando os benefícios dos STIs e do uso da gamificação na educação
médica, além das recomendações das Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN)
(BRASIL, 2018) para o ensino médico em empregar metodologias ativas de ensinoaprendizagem

e

inovações

em

tecnologia,

o

presente

estudo

propõe

o

desenvolvimento e a investigação de um sistema tutor inteligente gamificado como
otimizador das atuais práticas existentes para ensino em ECG.

2.2 PERCURSO METODOLÓGICO

Trata-se de um estudo de abordagem mista quantiqualitativa (predominantemente
quantitativa) e caráter descritivo do tipo Survey. De acordo com Santos&Gamboa
(1999), o Survey é um procedimento útil, especialmente em pesquisas exploratórias e
descritivas, que busca informação diretamente com um grupo de interesse a respeito
dos dados que se deseja obter. Fonseca (2002) reforça que:
A pesquisa com Survey pode ser referida como sendo a obtenção de dados ou
informações sobre as características, as ações ou as opiniões de determinado grupo
de pessoas, indicado como representante de uma população-alvo, utilizando um
instrumento de pesquisa, usualmente um questionário.

Dessa forma, na tentativa de aperfeiçoar técnicas de ensino aprendizagem sobre
ECG, a apreciação de uma nova ferramenta pedagógica por potenciais usuários
através do método de pesquisa com Survey, permite ao investigador acesso a
elementos indicadores do nível de aceitação da inovação pelo referido grupo.
Sobre a associação das abordagens qualitativa e quantitativa, Minayo (2006)
esclarece que tais abordagens podem ser combinadas, desde que seja respeitado o

24

emprego das diferenças entre os dois métodos, o que pode, inclusive, contribuir para
o enriquecimento da análise proposta.
O projeto inicial desse estudo foi aprovado pelo parecer n° 2.744.469 do comitê
de ética em pesquisas da Universidade Federal de Alagoas, em 28/06/2018,
atendendo às exigências da Resolução CNS n° 466/2012 e n° 510/2016 (Anexo A).
Entretanto, algumas mudanças fizeram-se necessárias e foram realizadas.
De acordo com o planejamento inicial, primeiramente seriam desenvolvidos
protótipos de um STI gamificado, os quais seriam avaliados e aperfeiçoados para
criação de um software completo. Em seguida, a solução computacional produzida
seria testada por estudantes de medicina em um experimento do tipo caso controle
com o objetivo de mensurar o impacto no desempenho de aprendizagem dos mesmos,
através de dados de performance e motivação.
Contudo, após a elaboração dos protótipos iniciais, foi necessário confeccionar
uma versão de protótipos interativos antes de executar o caso controle, não havendo
tempo hábil para conclusão do software bem como para realização do experimento
seguindo o cronograma previsto. Desse modo, o projeto foi redesenhado e o estudo
realizado em duas novas fases.
A primeira, consistiu na idealização e confecção dos protótipos iniciais de tela
do STI gamificado instrutor de ECG, os quais foram analisados por um grupo de
pesquisadores da área de tecnologias educacionais. A segunda fase correspondeu ao
aperfeiçoamento dos protótipos, em versão interativa, e sua apreciação por estudantes
de medicina. Ambas as etapas foram realizadas na Faculdade de Medicina da
Universidade Federal de Alagoas (FAMED/UFAL).
O novo propósito da pesquisa foi o de responder a seguinte questão: O sistema
tutor inteligente gamificado desperta interesse e motivação dos acadêmicos de
medicina em utilizá-lo para estudar eletrocardiograma?
Por motivos didáticos, optou-se por apresentar todo o detalhamento da
metodologia e resultados encontrados separadamente, de acordo com a fase
correspondente do estudo, objetivando uma descrição mais clara de etapas
interdependentes e sequenciais. Dessa forma, poderão ser visualizados a seguir:
a) 1ª Fase – Confecção e avaliação preliminar dos protótipos educacionais;

25

b) 2ª Fase – Aperfeiçoamento dos protótipos e apreciação final.

2.3 CONSTRUÇÃO DOS PROTÓTIPOS EDUCACIONAIS

Conforme explicitado anteriormente, as fases de construção dos protótipos estão
descritas separadamente a seguir, de maneira a especificar seus respectivos
detalhamentos metodológicos, resultados e discussões.

2.3.1 1ª Fase – Confecção e avaliação preliminar dos protótipos educacionais

Com o intuito de desenvolver uma nova ferramenta pedagógica em um contexto
online, a primeira etapa do estudo voltou-se para a realização de prototipagem do
design gráfico de um STIs gamificado para o ensino de interpretação de ECG e
condução de avaliação preliminar de usabilidade dos protótipos, através de
questionário semi-estruturado.

2.3.1.1

Confecção dos protótipos iniciais

Um protótipo é uma representação parcial do design de um sistema e permite
desenvolver ideias para o projeto, além de criar soluções para os problemas
encontrados. Segundo Benyon (2011), é considerado a primeira e mais importante
forma para envolver pessoas durante o processo de avaliação das ideias de design.
Os protótipos iniciais do STI gamificado para ensino de ECG foram
desenvolvidos durante o curso da disciplina eletiva Introdução à Informática na
Educação, ofertada pelo programa de Pós-graduação em Ensino na Saúde da
FAMED/UFAL, no período de março a julho de 2018. Utilizou-se o programa Adobe
XD® para a confecção das telas, com ênfase no conteúdo a ser apresentado e no
design atrativo para os estudantes.
Inicialmente, o sistema foi nomeado de ECG Tutor e uma logomarca com o
traçado do eletrocardiograma foi desenvolvida (Figura 1). Em seguida, foi escolhido

26

um assistente (tutor) que representasse uma médica/professora para guiar o aluno no
sistema tutor. Tal assistente foi nomeado de Cora (Figura 1) e disponibilizado em todas
as telas da plataforma. A escolha pela figura feminina buscou gerar um sentimento de
acolhimento; o jaleco, representar seriedade e profissionalismo; e os óculos de graus,
intelectualidade e confiança.
Na tela inicial (Figura 1), após o login, o aluno tem acesso ao material de estudo
sobre eletrocardiograma, ao relatório de desempenho individual, a escolha do seu
avatar e ao ranking com a pontuação geral dos usuários. Ao iniciar a navegação do
sistema pelo material de estudo, o aluno visualiza a raiz do currículo oferecido na
plataforma: Princípios básicos (1ª fase) e Interpretação dos traçados (2ª fase).
Somente após conclusão da 1ª fase, será possível acessar a 2ª fase (Figura 2).

FIGURA 1 - Tela inicial, logomarca do ECG tutor e o avatar Cora

Figura 2 - Tela do material de estudo

Os estudos terão início pela 1ª fase, princípios básicos, cujos conteúdos são
exibidos: despolarização e repolarização; sistema de condução cardíaca; e

27

derivações. À medida em que o aluno progride com seus estudos, é exibido o nível de
avanço em relação ao conteúdo total ofertado, em percentual (Figura 3).

Figura 3 - Tela da 1ª Fase - princípios básicos

Todos os conteúdos, ao serem acessados, apresentam as opções de estudo
através de texto ou vídeo-aula, além oferecer questões para avaliar o conhecimento
adquirido sobre o assunto. Na Figura 4 é apresentada a tela referente ao conteúdo do
Sistema de Condução Cardíaca.

Figura 4 - Tela do sistema de condução cardíaca

Ainda na página inicial (Figura 1), o aluno tem acesso ao relatório de
desempenho individual. Este, ao ser selecionado, apresenta um resumo sobre a
utilização do material de estudo, acessos e pontuação do usuário (Figura 5).

28

Figura 5 - Tela do relatório de desempenho do usuário.

2.3.1.2

Avaliação preliminar dos protótipos

2.3.1.2.1 Participantes

Foram convidados todos os integrantes do grupo de pesquisa do Núcleo de
Excelência em Tecnologias Sociais (NEES) da UFAL, através de e-mail e mensagens
telefônicas, numa população total composta de 57 indivíduos, sendo 45 estudantes e
12 pesquisadores (docentes), conforme diretório do referido grupo de pesquisa
cadastrado junto ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico
(CNPq).
Os critérios de inclusão para a primeira fase foram: ser membro do NEES/UFAL,
de qualquer gênero e idade. Os critérios de exclusão foram desistência voluntária do
programa e não finalização da avaliação do processo.

2.3.1.2.2 Produção dos dados

Os protótipos foram avaliados através de questionário semiestruturado
construído no Google Forms®. A formulação das questões teve como base as métricas
de simplicidade, usabilidade, atitude em direção ao uso, intenção de uso e satisfação
validadas por meio da metodologia TAM (modelo de aceitação de tecnologia, do inglês
technology acceptance model) no contexto de ambientes educacionais online

29

(HOLDEN; RADA, 2011; FATHEMA; SHANNON; ROSS, 2015). O modelo TAM,
plenamente aplicável ao problema da pesquisa por ser específico para os usuários de
tecnologia, tem a vantagem de possuir uma forte base teórica.
O padrão de respostas escolhido para as questões de 1 a 13 foi construído por
meio de escala do tipo Likert, com seis opções de respostas; enquanto para as
questões 14 e 15 foi optado pelas respostas descritivas (Apêndice A). A escala Likert
é um tipo de escala de atitude na qual o indivíduo indica seu grau de concordância ou
discordância em relação à afirmação proposta. Na sua forma original ela é constituída
por cinco pontos, porém com o passar do tempo, os pesquisadores foram alterando o
número de pontos utilizados no seu questionário denominando assim a escala como
do tipo Likert (BERMUDES et al, 2016).
Todos os pesquisadores da amostra foram convidados a responder o
questionário através de e-mail e mensagens telefônicas, contendo link de
direcionamento para participação online. Antes da visualização da primeira questão, a
página mostrou informações sobre o projeto e instruções sobre como responder às
questões, sendo possível iniciar o processo de respostas somente após aceitação de
participação por meio do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE).

2.3.1.2.3 Análise dos dados

Os dados do questionário com metodologia TAM referentes às assertivas do
tipo Likert foram avaliados por meio de análise descritiva simples. Enquanto a
avaliação das duas assertivas referentes aos pontos positivos e negativos do sistema
foi realizada através da análise de conteúdo proposta por Laurence Bardin (BARDIN,
2011), a qual constitui-se num conjunto de técnicas para descrição sistemática do
conteúdo extraído das comunicações e sua posterior interpretação. Dessa forma, as
etapas para realização das técnicas de análise de conteúdo foram organizadas em
três fases: 1ª) pré-análise, 2ª) exploração do material e 3ª) tratamento dos resultados.
A fase de pré-análise consistiu na organização do material e elaboração dos
indicadores que nortearam a interpretação das informações coletadas, através da
“leitura flutuante”. Na segunda fase, os textos das respostas foram recortados em
unidades de registro (codificação) e os temas semelhantes foram agregados em
categorias iniciais. A partir da análise de conteúdo da amostra foi possível agrupar as

30

categorias iniciais, contando com respaldo do referencial teórico (HOLDEN; RADA,
2011; FATHEMA; SHANNON; ROSS, 2015), e compreender as principais
características positivas e negativas do sistema. A terceira fase, tratamento dos
resultados, compreendeu a captação dos conteúdos manifestos e latentes, através da
inferência e interpretação dos dados, e será discutida nos resultados.
A distribuição das respostas abertas do questionário de avaliação dos protótipos
separadas por categorias encontra-se no Apêndice B.

2.3.1.2.4 Resultados e discussão

Dentre todos pesquisadores para os quais foi enviado o convite da pesquisa via
e-mail, 14 concordaram com o TCLE e responderam às perguntas. Destes, 9 eram
professores e 5 alunos dos cursos da UFAL.
A média de idade dos participantes da amostra foi de 28 anos; 86% eram do
sexo masculino; 60% solteiro; e 60% concluíram pós-graduação. As áreas em curso
ou com nível superior concluído foram: ciências da computação (66%), sistemas de
informação (20%), engenharia da computação (6%) e psicologia (6%).
Foram selecionadas 5 telas do protótipo para análise pelos pesquisadores. A
tela inicial (Figura 1) apresentou uma boa aceitação nas questões que contemplavam
facilidade de uso, funcionalidade e interação. Sobre a tela ser clara e compreensível
para interagir, 93% concordaram (Gráfico 1) e todos concordaram que seria intuitivo
operar a tela.
Os maiores valores de indiferença (nem discordo nem concordo) concentraramse nas questões de 6 a 9, as quais contemplavam o uso da ferramenta nas atividades
diárias. Sobre o auxílio desta etapa nas atividades de estudo e seu no dia-a-dia como
estudante, 33% e 46%, respectivamente, foram indiferentes (Gráficos 2 e 3). Acreditase que este resultado possa estar associado ao fato de que os avaliadores não são da
área de medicina para os quais a plataforma de eletrocardiograma foi construída.
As questões de 10 a 12 avaliaram design, criatividade e estética do protótipo e
foram as que apresentaram maior percentual de discordância: 53% discordaram que

31

o design da tela é criativo (Gráfico 4) e 46% discordaram com a afirmativa da tela ser
esteticamente atraente.
GRÁFICO 1. Questão 1 sobre a tela inicial

GRÁFICO 2. Questão 6 sobre a tela

(Figura 1).

inicial (Figura 1).

GRÁFICO 3. Questão 9 sobre a tela inicial

GRÁFICO 4. Questão 12 sobre a tela inicial

(Figura 1).

(Figura 1).

A análise das três telas referentes à raiz curricular e material de estudo da
plataforma (Figuras 2, 3 e 4) foi realizada de modo simultâneo pelos participantes. A
interação, funcionalidade e facilidade de uso permaneceram como as questões com
melhor avaliação: 80% discordaram que demandaria muito esforço para interagir com
a tela (Gráfico 5). O item sobre a tela ser divertida foi a com maior percentual de
indiferença (Gráfico 6). Enquanto as questões envolvendo criatividade e estética
apresentaram maior percentual de divergência nas respostas, entretanto houve uma
maior aceitação quando comparadas às demais telas do protótipo: 40% concordaram
que o design é criativo e esteticamente atraente (Gráficos 7 e 8).

32

GRÁFICO 5. Questão 2 sobre telas referentes à

GRÁFICO

6.

Questão

8

sobre

telas

raiz curricular e material de estudo (Figuras

referentes à raiz curricular e material de

2, 3 e 4).

estudo (Figuras 2, 3 e 4).

GRÁFICO 7. Questão 12 sobre telas referentes

GRÁFICO 8. Questão 13 sobre telas

à raiz curricular e material de estudo (Figuras

referentes à raiz curricular e material de

2, 3 e 4).

estudo (Figuras 2, 3 e 4).

Com relação à tela do relatório de desempenho do usuário (Figura 5), a
concordância com a funcionalidade da tela foi alta (Gráfico 9) e 60% foram indiferentes
quanto a diversão (Gráfico 10). A maior diversidade de respostas foi encontrada nas
questões envolvendo criatividade e estética da tela, porém houve predominância na
discordância às afirmativas em 46% e 53% dos participantes, respectivamente
(Gráficos 11 e 12).

33

GRÁFICO 9. Questão 4 sobre a tela do

GRÁFICO 10. Questão 8 sobre a tela do

relatório do desempenho (Figura 5).

relatório do desempenho (Figura 5).

GRÁFICO 11. Questão 12 sobre a tela do

GRÁFICO 12. Questão 13 sobre a tela do

relatório do desempenho (Figura 5).

relatório do desempenho (Figura 5).

Com relação à análise das questões 14 e 15 que permitiam respostas
descritivas livres, 3 participantes deixaram de respondê-las. Entre os que opinaram
sobre os aspectos positivos e negativos, alguns comentaram sobre algumas telas, mas
se abstiveram de outras.
Dessa forma, a taxa de resposta para a Tela inicial (Figura 1) e para o Relatório
de desempenho (Figura 5) foi de 78% enquanto a taxa referente ao Material de estudo
(Figura 2), à Primeira fase (Figura 3) e ao Sistema de Condução cardíaca (Figura 4)
foi de 64%.
Observa-se que o maior índice de opiniões está concentrado nas primeiras
páginas que aparecem no questionário, inferindo-se que a participação diminuiu à
medida em que se avançavam as questões.
Com relação à primeira tela (Figura 1), alguns participantes apontaram como
aspecto positivo a assistente Cora, porém o maior destaque voltou-se para a

34

simplicidade e clareza das funcionalidades apresentadas, julgando a tela como
intuitiva. Por outro lado, o botão “Escolha seu avatar”, por ser funcionalidade de baixa
frequência de uso, foi repetidamente apontado como aspecto negativo, sendo sugerido
aparecer

no

primeiro

acesso

e

permanecer

disponível

em

ambiente

de

visualização/edição de perfil. Aconselhou-se ainda que seja permitido a ocultação ou
desativação da assistente Cora quando conveniente ao usuário, evitando poluição do
ambiente com informações triviais ou inconvenientes. O design da tela também foi
avaliado como pouco atraente e relativamente desatualizado, especialmente com
relação à forma e organização dos elementos gráficos. Além disso, um participante
apontou que a tela contém dois menus com poucas funcionalidades, recomendando
substituição por um único menu.
A tela do Relatório de desempenho (Figura 5) é classificada pela maioria das
respostas como intuitiva contendo informações importantes para o usuário, sobretudo
às relacionadas ao acesso e descrição detalhada dos conteúdos já visualizados e
interagidos. Porém, a forma como os dados foram exibidos é avaliada como aspecto
negativo, com críticas ao design da tela bem como à proporção e alinhamento dos
ícones, o que tornaria as informações de difícil legibilidade. Sugere-se expressar os
dados através de gráficos e apresentar o conteúdo em árvore, o que tornaria mais
clara a organização hierárquica entre os módulos. A mudança na posição do botão
“Página inicial” em relação à primeira tela (Figura 1) foi desaprovada por três
participantes, os quais recomendam manter os botões sempre nas mesmas posições
evitando a perda de sua referência.
As telas contendo Material de estudo (Figura 2), Primeira fase (Figura 3) e
Sistema de Condução cardíaca (Figura 4) são apresentadas em conjunto e
referenciadas a perguntas em comum para todas elas, as quais foram respondidas por
9 participantes. Entre os comentários positivos, exalta-se a simplicidade, clareza e
objetividade das telas. A utilização de etapas para progresso e percentual de
progresso (deixando claro em quais conteúdos focar) bem como a interação com o
usuário através da assistente Cora causaram satisfação em alguns dos participantes.
Com relação aos pontos negativos, alguns demonstraram dúvidas diversas em
relação a ação de ícones e botões; enquanto outros reprovaram a hierarquia da página
disposta verticalmente de modo a ocupar parte da tela, julgando mais adequado um
padrão horizontal. Porém, novamente se repetiram as críticas ao design, estética e

35

disposição dos ícones (ou botões), assim como à inconsistência das abas das telas
atuais com as anteriores (horizontais e verticais). Um estudante observou ainda que a
barra percentual não parece com nenhuma barra de progresso usual, aconselhando
organizar o percentual em pilha.

2.3.2 2ª Fase – Aperfeiçoamento dos protótipos e apreciação final

Esta fase foi iniciada após a conclusão da fase 1 e teve como objetivo o
aprimoramento dos protótipos iniciais do STI gamificado, seguido de nova avaliação
de usabilidade, através de questionário estruturado.

2.3.2.1

Aperfeiçoamento dos protótipos educacionais

Uma equipe formada por acadêmicos da área de informática (sistema de
informação e ciências da computação) foi convidada a participar do estudo e
desenvolver os novos protótipos. Tendo como base o feedback fornecido pelos
pesquisadores do NEES, que apontou deficiências nos quesitos criatividade, design,
estética e elementos de gamificação, a referida equipe realizou ajustes nos requisitos
do sistema, visando uma maior adequação da proposta da solução com o que seria
esperado pelos usuários.
As telas dos novos protótipos foram desenvolvidas em uma versão de software
para uso em laptops e computadores, passíveis de algum grau de interação com os
avaliadores, simulando o uso real do ECG tutor e facilitando a análise de suas
funcionalidades. O projeto arquitetural do ECG tutor foi especificado utilizando
modelos arquiteturais de módulos e de componentes. Tecnologia web atual
reaproveitável foi utilizada para implementar a interface gráfica do STI projetado
(React® - utilizada no Facebook e Instagram). O desenvolvimento das funcionalidades
seguiu conforme os módulos definidos na arquitetura projetada, utilizando plataforma
pronta de linguagens de programação (Firebase® pertencente à empresa Google).
O design da gamificação do ECG Tutor foi especificado de modo a evidenciar,
com maior destaque, os elementos que promoveriam instrução gamificada, utilizando:

36

ferramentas de recompensa – sistema de pontos e medalhas; diversão – ranking e
avatar representando o usuário (que evolui ao completar missões); feedback – relatório
de desempenho e, por último, persuasão – assistente Cora (para interagir diretamente
com os alunos, trazendo mensagens de incentivo, curiosidades e dicas de estudos).
Com a versão interativa também foi possível disponibilizar um caso clínico em vídeo,
simulando um cenário prático real com tomada de decisão clínica.
Para a construção do vídeo foi utilizado o programa Voki®. O vídeo, com
duração de 43 segundos, mostra um paciente virtual relatando suas queixas em um
ambiente de consultório médico (Figura 6). Após o vídeo, é disponibilizado o ECG do
paciente e ícone de direcionamento para as 5 perguntas sobre o caso clínico.

FIGURA 6 - Tela contendo o vídeo com a simulação do caso clínico e orientações da assistente
Cora.

Uma matriz de competências para ensino do ECG na graduação foi construída
com base nos seguintes documentos: I Diretriz da Sociedade Brasileira de Cardiologia
sobre processos e competências para a formação em cardiologia no Brasil (2012), que
aborda conteúdos de forma abrangente para formação completa em cardiologia; e
Proposed

In-Training

Electrocardiogram

Interpretation

Competencies

for

Undergraduate and Postgraduate Trainees (2018), que especifica a matriz curricular
para cada tipo de estudante (graduandos e residentes), detalhando cada conteúdo
após classificação em alterações comuns e incomuns (Quadro 1).
Dessa forma, foram incluídas na matriz de competências (Quadro 2): a)
eletrofisiologia cardíaca, princípios básicos do ECG e interpretação do ECG normal,
de acordo com a orientação da Diretriz da SBC; b) alterações eletrocardiográficas

37

comuns (Grupos A e B), que são referidas em ambos os documentos. Foram excluídas
as alterações incomuns (Grupos C e D) conforme recomenda Antiperovitch (2018) para
graduandos.
Apenas uma pequena parte do conteúdo da matriz curricular construída foi
inserida nos protótipos interativos, exclusivamente como demonstração do formato de
apresentação do material de estudo do ECG Tutor (texto, vídeo, questões e caso
clínico). O link e QR Code para visualização completa dos protótipos do ECG Tutor
está disponibilizado ao final deste documento, na parte sobre Produto.

QUADRO 1 - Padrões de interpretação de ECG divididos por grupos. Achados eletrocardiográficos
foram classificados de A a D de acordo com critérios emergenciais/não emergenciais e
comuns/incomuns. Estudantes de medicina devem ser proficientes nos padrões A e B, enquanto
residentes ao final do 1º ano de pós-graduação devem ser adicionalmente proficientes nas
classes C e D.

Emergenciais

Comuns

Incomuns

Grupo A

Grupo C

Emergências eletrocardiográficas

Emergências eletrocardiográficas

comuns

incomuns

Padrões comuns que exigem

Padrões incomuns que, se reconhecidos,

reconhecimento em minutos para fornecer
podem prevenir desfecho adverso grave
cuidados potencialmente salvadores

(Exemplo: Pré-excitação ventricular)

(Exemplo: IAM com supra de ST)
Grupo B

Grupo D

Situações eletrocardiográficas não

Situações eletrocardiográficas não

emergenciais comuns

emergenciais incomuns

Padrões comuns vistos

Padrões menos comuns que não exigem

rotineiramente que podem afetar o

atenção médica imediata, mas que podem

atendimento ao paciente

impactar o atendimento ao paciente em

(Exemplo: Hipertrofia Ventricular

determinados contextos

Esquerda)

(Exemplo: Anormalidades no átrio direito)

Não emergenciais

NOTA: Abreviações: ECG, eletrocardiograma; IAM, infarto agudo do miocárdio.
Fonte: ANTIPEROVITCH (2018) - adaptação da figura 1 da página 186.

38

QUADRO 2 - Matriz de competências no ensino do ECG para a graduação médica
Proposed In-Training ECG
I

Diretriz Interpretation
SBC,

2012
Fisiologia e anatomia do sistema de condução

x

Princípios básicos do ECG

x

Reconhecer o ECG normal e como ele é realizado

x

Competencies, 2018

Emergências eletrocardiográficas comuns
IAM com supradesnivelamento de ST
Taquicardia ventricular, fibrilação ventricular e taquicardia
supraventricular instável

x

x

x

x

Assistolia
BAV de 2º grau Mobitz tipo II e BAV de 3º grau

x
x

Alterações secundárias a distúrbios do potássio
Síndrome do QT longo

x
x

x

x

Alterações eletrocardiográficas não-emergenciais comuns
Erros de colocação de eletrodos e artefatos comuns

x

Taquiarritmias – taquicardia sinusal, fibrilação atrial, flutter atrial,
taquicardia atrial, taquicardia atrial multifocal, taquicardia por

x

x

x

x

x

x

Isquemia miocárdica

x

x

Hipertrofia ventricular esquerda

x

x

Pericardite

x

x

reentrada nodal, taquicardia ventricular não sustentada e
taquicardia por reentrada atrioventricular
Bradiarritmias – bradicardia sinusal, arritmia sinusal, BAV de 2º
grau Mobitz tipo I, Ritmo juncional
Anormalidades de condução - BAV de 1º grau, bloqueio de
ramos direito e esquerdo, alteração inespecífica da condução
intraventricular, hemibloqueio anterior esquerdo

Extrassístoles ventriculares
Marcapasso eletrônico

x
x

x

Anormalidades em átrio esquerdo

x

Bloqueio interatrial

x

Repolarização ventricular precoce

x

x

NOTA: Abreviações: ECG, eletrocardiograma; IAM, infarto agudo do miocárdio; BAV, bloqueio
atrioventricular.
Fonte: Autora.

39

2.3.2.2

Avaliação dos novos protótipos interativos

2.3.2.2.1 Participantes

Foram convidados todos os acadêmicos de medicina a partir do 5º período de
uma instituição pública (UFAL) e de uma instituição particular (Centro Universitário
Tiradentes - UNIT/AL) de Alagoas. Desta forma, a população foi constituída por um
total de 779 estudantes, sendo 351 da UFAL e 428 da UNIT/AL, conforme listagem de
alunos devidamente matriculados nos referidos períodos, segundo dados fornecidos
pela coordenação do curso das respectivas instituições.
A escolha dos estudantes a partir do 5º período do curso tem como base os
PPCs de medicina da UFAL e UNIT/AL, que fazem referência à intensificação de
conteúdos relacionados à cardiologia a partir desse momento, apesar de não existir
citação direta ao ECG. Importante destacar que, por ser um curso implantado
recentemente (em 2014), a UNIT/AL ainda não possui alunos no 12º período do curso,
com previsão para egressos somente ao final do primeiro semestre de 2020.
Ambos os cursos estão em consonância com o que determinam e possibilitam
as DCNs, com ênfase em uma formação voltada às necessidades de saúde da
população. Ressalta-se, porém, que o projeto pedagógico do curso (PPC) de Medicina
da UNIT/AL (CENTRO UNIVERSITÁRIO TIRADENTES, 2019) foi desenvolvido,
desde sua concepção inicial, tendo como princípio o ensino centrado no aluno,
utilizando-se de metodologias ativas de ensino-aprendizagem em toda sua matriz
curricular. Por sua vez, o modelo pedagógico do curso de Medicina da UFAL
(UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS, 2013), consiste em um novo currículo
integrado (implantado em 2006), marcado pela reestruturação do curso, anteriormente
centrado no professor e no processo de saúde-doença, modificando o foco do
processo ensino-aprendizagem para a problematização do ensino e participação ativa
do aluno na construção do conhecimento. Ambas as instituições incluem em sua
proposta: a integração dos sistemas por conteúdos, desfocando a abordagem
dissociada entre o ciclo básico e o clínico, bem como a integração entre teoria e
prática, pesquisa e ensino.

40

Os critérios de inclusão são: ser estudante do quinto ao décimo segundo
período do curso de Medicina da UFAL e do quinto ao décimo primeiro período da
UNIT/AL, de qualquer gênero e idade. Os critérios de exclusão são desistência
voluntária do programa e não finalização da avaliação do processo.

2.3.2.2.2 Produção dos dados

Os protótipos interativos foram avaliados através de questionário estruturado
construído no Google Forms®. Todos os discentes da população citada anteriormente
foram convidados a responder o questionário através de e-mail e mensagens
telefônicas, contendo link de direcionamento para participação online, no período de
23 de setembro a 21 de novembro de 2019.
Antes da visualização das telas do ECG Tutor, foram exibidas informações
sobre o projeto, sendo possível iniciar o processo de respostas somente após
aceitação de participação por meio do TCLE. Em seguida, o aluno teve acesso à
primeira parte do questionário, que versa sobre características do respondente, tais
como dados sócio demográficos e informações acerca do aprendizado do estudante
sobre ECG ao longo de sua vida acadêmica (Apêndice C), seguindo modelo
apresentado por Kopeć e colaboradores (2015).
Após responder à primeira parte do questionário, o usuário foi direcionado para
visualização das telas do protótipo. As instruções sobre como navegar no ECG Tutor
foram dadas pela assistente Cora, à medida em que o usuário interagia com as
funcionalidades das telas. Um botão com a frase “Avaliar o ECG TUTOR” poderia ser
visualizado na barra superior da tela (Figura 7) e clicado a qualquer momento para
acessar o questionário pós-interação com perguntas sobre análise das telas
(Apêndices D e E).
As assertivas desse segundo questionário (após interação com as telas) da
Fase 2 foram semelhantes ao da Fase 1, entretanto, não foram incluídas as questões
abertas referentes aos pontos positivos e negativos do sistema (Apêndice D), bem
como referem-se ao conjunto de telas (não sendo repetidas para cada tela), buscando
abreviar o tempo de resposta e evitar esgotamento do respondente. Também diferente
do questionário aplicado na Fase 1, o padrão de respostas escolhido para as referidas
questões foi construído por meio de escala do tipo Likert, com apenas quatro opções

41

de respostas, evitando o ponto neutro, conforme sugerido por Akins (2002). Akins
defende que a não inclusão de uma categoria que representa indecisão induz os
respondentes a se posicionarem, marcando a opção a qual estão “inclinados”. O
diferencial semântico proposto é: “discordo totalmente”, “discordo”, “concordo” e
“concordo totalmente”.
FIGURA 7 - Tela inicial contendo instruções de navegação fornecidas pela assistente Cora. È
possível visualizar o ícone “★ Avaliar o ECG TUTOR” superiormente, na barra de ferramentas.

Ao final, foram incluídas indagações sobre a interação do aluno com o protótipo
utilizado, as quais foram extraídas de estudo piloto de Rubinstein e colaboradores
(2009), a saber: 1. Em que grau o ECG Tutor seria útil para o seu aprendizado (1=sem
utilidade a 5=extremamente útil), 2. Utilizar o ECG Tutor seria estressante (sim/não),
3. Divertido (sim/não), 4. Envolvente (sim/não). 5. Considera que ao utilizá-lo fez faria
bom uso do seu tempo (sim/não) (Apêndice E).

2.3.2.2.3 Análise dos dados

Todos os dados do questionário, tanto os obtidos através das questões
fechadas de múltipla escolha como das respostas do tipo Likert foram avaliados por
meio de análises estatísticas descritivas simples.
Nesta fase, a análise de dados foi inteiramente quantitativa, pois não foram
aplicadas questões abertas como ocorreu na avaliação preliminar dos protótipos de
tela estáticos.

42

2.3.2.2.4 Resultados e discussão

Dentre todos os acadêmicos de Medicina para os quais foi enviado o convite
da pesquisa, 53 concordaram com o TCLE e responderam às perguntas. Destes, 15
alunos eram da UFAL e outros 38 alunos da UNIT/AL.
Para facilitar a descrição dos resultados, foram separados os dados obtidos em
duas partes: questionário pré-interação e questionário pós-interação com os protótipos
do ECG Tutor.

2.3.2.2.4.1 Questionário pré-interação

Dos 53 graduandos que concordaram em participar da pesquisa, 15 eram
alunos da UFAL e 38 da UNIT/AL. A idade dos discentes variou entre 19 e 44 anos,
com média de 24 anos; 64% eram do sexo feminino. Os estudantes do 6º, 8º e 9º
períodos participaram de forma mais significativa em relação aos demais. A
participação diminuiu consideravelmente a partir do 10º período. Nenhum acadêmico
do 12º período respondeu ao questionário (Gráfico 13).
Algumas atividades extracurriculares foram abordadas no questionário, tais como
ligas acadêmicas, aulas e cursos. Sobre atuação em ligas acadêmicas, 9 discentes
afirmaram nunca terem participado anteriormente, enquanto 44 deles já fizeram ou
fazem parte dessa modalidade de ensino ao menos uma vez. Destacando-se as ligas
acadêmicas

que

habitualmente

abordam

conteúdos

relacionados

ao

eletrocardiograma, observou-se participação dos estudantes da seguinte forma: 11%
Cardiologia, 11% Urgência e Emergência, 11% Clínica Médica e 7% Terapia Intensiva
(Gráfico 14). Com relação a aulas e cursos extracurriculares sobre ECG, 47% dos
discentes responderam nunca ter frequentado. Por outro lado, a maioria dos
estudantes alega participação em alguma dessas práticas fora de sua faculdade,
sendo 43% em aulas e 10% em cursos, de forma online ou presencial (Gráfico 15).

43

GRÁFICO 13 - Distribuição dos discentes participantes do estudo em relação à população total
de alunos matriculados, por período do curso.

GRÁFICO 14 - Percentual de participação dosGRÁFICO 15 - Percentual de participação dos
discentes em ligas acadêmicas, de acordo comdiscentes
o tipo.

em

aulas

e

cursos

extracurriculares sobre eletrocardiograma

Apesar de serem instituições com predomínio de metodologias ativas de ensino,
buscou-se investigar sobre a existência de técnicas convencionais expositivas, visto
que estão entre as mais utilizadas para ensino do ECG, tais como conferências ou
palestras (MAHLER et al, 2011; FENT et al, 2015). Observou-se que 30% dos
acadêmicos negaram ter participado de quaisquer conferências sobre o tema em sua
faculdade, enquanto 42% vivenciaram tal atividade apenas uma vez, 15% duas vezes
e 13% mais de duas vezes. (Gráfico 16). No entanto, quando as duas instituições são
avaliadas separadamente, nota-se que 80% dos alunos da UFAL nunca participaram
de conferências oferecidas pela sua faculdade, enquanto na UNIT/AL apenas 10%
negam participação.

44

Ressalta-se que as aulas teóricas expositivas são mencionadas como
conferências no PPC da UNIT/AL, e aparentemente como seminários no PPC da
UFAL, podendo gerar confusão entre os alunos ao responder à pergunta do
questionário, já que o significado do termo ‘conferência’ não foi explicado no
enunciado. Diante disso, é possível que os estudantes da UFAL não tenham
compreendido a palavra ‘conferência’ como sinônimo de aula teórica expositiva.

GRÁFICO 16 - Percentual de participação

GRÁFICO 17 - Percentual das técnicas de

dos discentes em conferências sobre

estudo/ensino

eletrocardiograma em sua instituição de

acadêmicos de medicina

utilizados

pelos

ensino

Segundo Fent e colaboradores (2015) não se pode determinar qual o método
mais efetivo para ensino eletrocardiográfico. Aparentemente, a associação de
múltiplas técnicas é necessária. Quando perguntados sobre as duas técnicas de
estudo/ensino mais utilizadas pelos alunos para aprender ECG, 21% deles restringiuse a escolher apenas uma técnica entre todas as disponíveis na resposta da questão,
inferindo-se que praticam estudo de forma pouco diversificada. Entretanto, outros 21%
optaram por assinalar mais de duas opções.
À vista disso, não foi possível destacar apenas dois métodos sobre os demais.
Por outro lado, nenhum aluno indicou técnica diversa das expostas entre as opções
de resposta, mesmo existindo espaço para citar outras. Assim sendo, pode-se afirmar
que os métodos de estudo/ensino mais frequentemente utilizados pelos acadêmicos
de medicina são (Gráfico 17): estudo autodirigido (30%), vídeo aulas (26%), aulas
expositivas (23%), discussões de casos clínicos em ambiente teórico (9%), discussões
de casos clínicos em ambiente prático (6%) e estudo em ambiente de aprendizado
online (6%).
A submissão dos discentes a avaliações periódicas sobre ECG, segundo
Raupach et al (2010), contribui positivamente para o desempenho deles. No entanto,

45

40% dos estudantes afirmam nunca ter realizado prova sobre noções básicas ou
interpretação de ECG em sua instituição de ensino, enquanto outros 56% realizaram
esse tipo de avaliação apenas uma vez durante o curso. Ao analisar a distribuição de
provas por período, nota-se um percentual crescente de alunos do 5º ao 7º período
que nunca realizaram provas sobre ECG seguido de uma súbita diminuição dos
mesmos no 8º período (Gráfico 18).
Algumas hipóteses podem explicar essa discrepância: realização de prova
sobre ECG logo no início do curso e novamente apenas no 8º período, implicando em
esquecimento desse primeiro momento à medida que o curso avança e percepção
recente no 8º período; número de participantes ligeiramente maior entre os alunos do
8º período em relação aos demais períodos; e a não exclusão de discentes transferidos
de outras instituições de ensino no presente estudo, inferindo-se a possível existência
de experiências externas anteriores confundidas com as atuais.
No tocante às aulas sobre ECG ofertadas por todas as disciplinas de forma
conjunta, 96% dos discentes as classifica como quantitativamente insuficientes para
seu aprendizado (Gráfico 19). Finalmente, quando o aluno se auto avalia sobre suas
habilidades de interpretação dos traçados eletrocardiográficos, as piores notas
(péssimo e ruim) são escolhidas por 75% deles (Gráfico 20).
GRÁFICO 18 - Percentual de realização de provas sobre noções básicas ou interpretação de ECG
pelos acadêmicos de medicina em sua instituição de ensino, por período do curso

46

GRÁFICO 19 - Percentual da classificação

GRÁFICO 20 - Percentual de níveis (e notas

quantitativa das aulas sobre ECG ofertadas

correspondentes) de auto avaliação dos

por todas as disciplinas de forma conjunta.

discentes

sobre

suas

habilidades em

interpretação de ECG.

A tendência é a mesma quando separamos as auto avaliações por período,
demonstrando que o mesmo fenômeno ocorre também entre os mais graduados
(Gráfico 21). Apesar de existir concordância desses resultados com aqueles
provenientes de diversos estudos em todo mundo, desta vez é a percepção do aluno
sobre seu próprio conhecimento que é abordada.
GRÁFICO 21 - Percentual de níveis (e notas correspondentes) de auto avaliação dos discentes
sobre suas habilidades em interpretação de ECG, por período do curso

2.3.2.2.4.2 Questionário pós-interação

Dos discentes que iniciaram participação na pesquisa e responderam ao
primeiro questionário, quase nenhum respondeu ao questionário após interagir com os
protótipos. Alguns desses alunos entraram em contato, via e-mail ou mensagens

47

telefônicas, relatando dificuldades em encontrar o link de acesso ao questionário pósinteração utilizando smartphone. De fato, a versão dos protótipos do ECG Tutor
utilizada nesse estudo foi desenvolvida para laptops e computadores, não estando
totalmente adaptada para dispositivos móveis. Diante dessas informações e tendo em
vista a baixa participação no questionário pós-interação, novas instruções foram
enviadas e disponibilizado link direto ao mesmo através de e-mail e mensagens
telefônicas.
Após três tentativas de envio de novas instruções, dos 53 graduandos que
concordaram em participar da pesquisa, apenas 14 responderam ao questionário após
interagir com os protótipos, sendo 6 alunos da UFAL e 8 da UNIT/AL; 50% do sexo
masculino; média de 24 anos. Nenhum acadêmico do 6º, 11º e 12º períodos participou
dessa etapa.
As primeiras três assertivas do questionário pós-interação versam sobre a
facilidade de uso percebida. Todos os alunos concordaram, em diferentes graus, que
foi claro e compreensível interagir com o sistema (Gráfico 22) e que seria fácil usá-lo
para estudar um conteúdo (Gráfico 23). A maioria (86%) julgou que interagir com os
protótipos não demandou muito esforço (Gráfico 24).

GRÁFICO 22 - Questão 1: Foi claro e

GRÁFICO 23 - Questão 3: Seria fácil usar

compreensível interagir com o sistema.

esse

programa

conteúdo.

para

estudar

um

48

GRÁFICO 24 - Questão 2: Interagir com o

GRÁFICO 25 - Questão 4: Esse sistema tem

sistema não demandou muito esforço.

boas funcionalidades.

As características relacionadas à utilidade percebida, abordadas nas questões
4 (Gráfico 25), 5 (Gráfico 26) e 6 (Gráfico 27), foram muito bem avaliadas pelos
estudantes, com total aprovação (concordo e concordo totalmente) em todas as
perguntas.

GRÁFICO 26 - Questão 5: Foi intuitivo

GRÁFICO 27 - Questão 6: Esse programa

operar esse programa.

ajudaria a aprimorar minhas atividades de
estudo.

As questões 7,8 e 9, que retratam a atitude em direção ao uso, também
demonstraram elevada aceitação. Todos os discentes responderam que o ECG Tutor
tornaria seus estudos mais interessante (Gráfico 28), bem como gostariam de ter
esse programa no dia a dia como estudante (Gráfico 29). No entanto, 21% dos
estudantes não entenderam a interação como algo divertido (Gráfico 30).
Possivelmente, os elementos de gamificação que incluem estratégias de recompensa
e ambiente descontraído não ficaram tão evidentes nos protótipos do ECG Tutor,
como defendem alguns autores (KAPP, 2012; MCCOY; LEWIS; DALTON, 2016).

49

GRÁFICO 28 - Questão 7: Esse programa

GRÁFICO 29 - Questão 9: Gostaria de ter esse

tornaria meu estudo mais interessante.

programa no meu dia a dia como estudante.

GRÁFICO 30 - Questão 8: Realizar as etapas

GRÁFICO 31 - Questão 10: Eu usaria esse

desse sistema foi divertido.

programa se ele estivesse disponível.

Ao responder à décima assertiva do questionário, todos os discentes
sinalizaram que usariam o ECG Tutor se ele estivesse disponível (Gráfico 31), com
percentual elevado de concordância total (71%). A variável intenção de uso do
modelo de aceitação de tecnologia (TAM), de acordo com Fathema et al (2015),
indica a intenção de usar o sistema no futuro e determinará o uso real do sistema.
A última variável do modelo TAM a ser avaliada foi a estética dos protótipos,
englobando as questões 11 a 13. Ambas as afirmações das assertivas 11 e 12
(componentes do programa possuem bom design e estilo; design das telas é criativo)
obtiveram 21% de discordância (Gráfico 32 e 33). A rejeição foi ainda maior para a
última questão, na qual 36% dos estudantes contrapuseram-se à alegação de que as
telas do programa seriam esteticamente atraentes (Gráfico 34).

50

GRÁFICO 32 - Questão 11: Esse programa

GRÁFICO 33 - Questão 12: O design das telas

possui componentes com bom design e

desse sistema é criativo.

estilo.

Após a interação com os protótipos, os discentes também responderam às
perguntas com feedback, baseado no modelo de Rubinstein e colaboradores (2009).
À primeira delas, a totalidade dos alunos respondeu que o ECG Tutor seria muito ou
extremamente útil para seu aprendizado em ECG (Gráfico 35).
GRÁFICO 34 – Questão 13: As telas desse

GRÁFICO 35 - Opinião dos discentes sobre o

programa são esteticamente atraentes.

grau de utilidade do ECG Tutor para seu
aprendizado em ECG.

Em seguida, os participantes responderam a uma sequência rápida de
questões com feedback sobre o sistema, baseado no modelo de Rubinstein e
colaboradores (2009), assinalando sim ou não. Assim sendo, 64% afirmaram que
utilizar o ECG Tutor não seria estressante (Gráfico 36) e 79% avaliaram que seria
divertido (Gráfico 37). Contraditoriamente, todos os alunos que garantiram que seria
estressante utilizar o programa (36%) assinalaram que o mesmo ato seria divertido,
gerando confusão na interpretação dos resultados. Ressalta-se que as referidas
perguntas são antagônicas e, talvez, tenha ocorrido uma desorganização nas ideias
de alguns respondentes ao final de uma série de questionamentos. Finalmente, todo

51

o grupo que interagiu com os protótipos deliberou, de forma unânime, que o ECG
Tutor seria um método de aprendizado que utilizaria bem o seu tempo (Gráfico 38) e
ainda que seria possível manter-se concentrado e ativo durante o estudo com o
sistema (Gráfico 39).
GRÁFICO 36 - Utilizar o ECG Tutor seria

GRÁFICO 37 - Utilizar o ECG Tutor seria

estressante?

divertido?

GRÁFICO 38 - O ECG Tutor seria um

GRÁFICO 39 - O ECG Tutor seria envolvente

método de aprendizado que utilizaria

(seria possível manter-se concentrado a

bem o seu tempo?

ativo)?

2.4

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Conforme artigo de revisão sobre programas de computador voltados para o
ensino de ECG (PONTES et al, 2018) e até a conclusão da análise dos dados desse
trabalho, não foram encontrados na literatura evidências da existência de um STI
associado à gamificação para ensino de ECG. Além disso, a maioria dos estudos que

52

contemplam softwares como métodos educacionais voltados para ECG possuem
metodologia de pesquisa direcionada para mensuração do aprendizado dos alunos.
Nenhum deles teve como objetivo principal a percepção dos alunos sobre a
ferramenta de ensino. Por não existir estudo similar, não foi realizada comparação
do presente trabalho com quaisquer outros.
O principal objetivo da primeira fase deste estudo foi confeccionar e analisar
protótipos de tela de um STI gamificado como ferramenta pedagógica inédita no
ensino do eletrocardiograma. A prototipagem do design gráfico e sua avaliação por
pesquisadores da área de tecnologias educacionais buscou avaliar as métricas de
simplicidade, usabilidade, intenção de uso e satisfação. A heterogeneidade desse
grupo de pesquisadores, composto por graduandos, professores e pós-graduandos
de diferentes cursos, possivelmente contribuiu com a diversidade de opiniões
encontradas.
Os resultados encontrados nesta primeira avaliação mostraram que, de forma
geral, o protótipo foi considerado de fácil interação, intuitivo e com boas
funcionalidades. Entretanto, os quesitos criatividade, design, estética e elementos de
gamificação não foram apreciados positivamente. Como limitação, pode-se destacar
que os itens referentes à aplicabilidade na vida diária e atividades de estudo não
puderam ser satisfatoriamente analisados, pois a maioria dos participantes manteve
uma opinião neutra. Acredita-se que o conteúdo relacionado ao ECG, por não ser de
interesse da equipe de avaliadores da fase 1, possa ter influência direta sob esse alto
índice de indiferença.
Assim sendo, uma equipe constituída por acadêmicos da área de informática
(sistemas de informação e ciências da computação) foi convidada a participar do
estudo. Reforça-se assim, a importância do trabalho colaborativo e interdisciplinar no
cenário das tecnologias ativas de ensino-aprendizagem. Com a contribuição desses
estudantes, além dos ajustes necessários nos requisitos do sistema, foi possível
desenvolver um novo protótipo que proporcionasse algum grau de interação com o
usuário, simulando o uso real do ECG tutor e facilitando a análise de suas
funcionalidades.
Após desenvolvimento dos protótipos interativos, foi conduzida uma nova
etapa de apreciação dos mesmos. Desta vez, foram escolhidos acadêmicos de
medicina como avaliadores, os quais são os potenciais usuários do sistema tutor de

53

eletrocardiograma. Além disso, foi utilizada escala tipo Likert de 4 pontos sugerida
por Akins (2002), evitando o ponto neutro.
Foram convocados discentes do curso médico de uma instituição pública e
outra privada. Dessa população de graduandos, 53 participaram do estudo e
responderam ao questionário pré-interação. O perfil dos participantes incluiu
acadêmicos do 5º ao 11º período, maioria de instituição privada (72%), com ligeira
predominância do sexo feminino (64%) e média de 24 anos. Com relação aos
métodos de utilizados por esses alunos para aprender ECG, muitos deles afirmaram
estudar de forma pouco diversificada (apenas uma técnica), com destaque para o
estudo autodirigido e vídeo aulas. Além disso, declaram que foram submetidos a
testes avaliativos com conteúdos relacionados ao ECG poucas vezes durante o
curso, classificando as aulas fornecidas pelas instituições como insuficientes para
seu aprendizado. Em uma escala de 0 a 10, 96% dos discentes se auto avaliam com
nota igual ou inferior a 6 com relação às suas habilidades em interpretação de ECG,
não ocorrendo melhora entre os mais graduados.
Após interação com o ECG Tutor, apenas 14 dos 53 discentes que iniciaram
o estudo responderam ao questionário de avaliação dos protótipos, possivelmente
por visualização inadequada das telas e, consequentemente, dificuldade de acesso
à barra de ferramentas (contendo o link para o questionário pós-interação) ao acessar
o sistema via smartphone. Apesar da baixa participação nessa etapa e da
heterogeneidade da população estudada observou-se evidente convergência de
opiniões em relação ao programa. Em geral, os protótipos interativos foram bem
avaliados pelos estudantes de medicina em relação à facilidade de uso, utilidade,
atitude em direção ao uso e, especialmente, intenção de uso, variável determinante
para o uso real futuro do sistema. De forma semelhante aos protótipos iniciais, os
elementos de gamificação e a estética não obtiveram índices de aprovação
satisfatórios.
Os resultados encontrados nesse estudo apontam que, apesar da insatisfação
com aspectos relacionados ao design, uma nova ferramenta para ensino de ECG
baseada na estrutura de um STI gamificado possivelmente seria utilizada por
acadêmicos de medicina como auxiliadoras no processo de ensino aprendizagem,
se estivesse disponível.

54

Considerando que o processo educacional envolve várias etapas, os
resultados da fase inicial de validação foram utilizados para aprimoramento dos
protótipos. Tais modificações foram observadas positivamente na segunda fase.
Novas mudanças e avaliações sequenciais serão ainda necessárias para
aprimoramento e conclusão da solução computacional final.
Diante disso, a equipe de estudo pretende aperfeiçoar os protótipos do ECG
Tutor e dar vida ao software, inclusive com versão adaptada para dispositivos móveis.
Finalmente, planeja-se testar o impacto da solução final do programa no aprendizado
dos estudantes de medicina, bem como avaliar em quais contextos de uso um STI
gamificado para ensino de ECG poderia ser mais efetivo.
A disponibilização de protótipo de uma tecnologia inédita para o ensino de
ECG, que faz uso de sistema tutor inteligente e gamificação, contribui para o
desenvolvimento de um produto com potencial inovador e complementar aos
métodos tradicionais de instrução direcionados à interpretação dos traçados
eletrocardiográficos. Novos estudos são necessários para avaliar a aceitação dos
discentes e a existência de melhoria no aprendizado do ECG após uso do programa.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. AKINS RN. In AERA Division D: Measurement and Research Methodology
Forum [online]. NJ Dept. of education. Nov. 19. 2002. Disponível em: AERAD@asu.edu
2. ANTIPEROVITCH
L,

P,

TERESHCHENKO

ZAREBA
LG,

W,

FARRE

STEINBERG
J

et

al.

JS,

BACHAROVA

Proposed

In-Training

Electrocardiogram Interpretation Competencies for Undergraduate and
Postgraduate Trainees. J Hosp Med 2018 Mar 1;13(3):185-193.
3. ANTIPEROVITCH
L,

P,

TERESHCHENKO

ZAREBA
LG,

W,

FARRE

STEINBERG
J

et

al.

JS,

BACHAROVA

Proposed

In-Training

Electrocardiogram Interpretation Competencies for Undergraduate and
Postgraduate Trainees. J Hosp Med 2018 Mar 1;13(3):185-193.

55

4. BAKER RSJd, D’MELLO SK, RODRIGO MMT, Graesser AC. Better to be
frustrated than bored: The incidence, persistence, and impact of learners’
cognitive–affective states during interactions with three different computerbased learning environments. International Journal of Human-Computer
Studies, v. 68, n. 4, p. 223-241, 2010.
5. BARDIN L. Análise de conteúdo. São Paulo: Edições 70, 2011. 280 p.
6. BENNER JP, BORLOZ MP, ADAMS M, BRADY WJ. Impact of the 12-lead
electrocardiogram on ED evaluation and management. Am J Emerg Med,
2007. 25(8): p. 942-8.
7. BENYON D. Interação humano-computador. 2. ed. São Paulo: Pearson
Prentice Hall, 2011. 442 p.
8. BERKOVSKY S, COOMBE M, FREYNE J, BHANDARI D, BAGHAEI N.
Physical activity motivating games: virtual rewards for real activity. In:
Proceedings of the SIGCHI Conference on Human Factors in Computing
Systems. ACM, 2010. p. 243-252.
9. BERMUDES WL, SANTANA BT, BRAGA JHO, SOUZA, PH. Tipos de escalas
utilizadas em pesquisas e suas aplicações. Vértices, Campos dos
Goytacazes/RJ, 18 (2): 7-20, 2016.
10. BOLTRI JM, HASH RB, VOGEL RL. Are family practice residents able to
interpret

electrocardiograms?

Adv

Health

Sci

Educ

Theory

Pract.

2003;8(2):149-53.
11. BRASIL. Ministério da Educação. Diretrizes Curriculares para o Curso de
Medicina Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/cne/arquivos/pdf/Med.pdf>.
Acesso em 27 dez. 2018.
12. CENTRO UNIVERSITÁRIO TIRADENTES. Pró-reitoria de Graduação.
Coordenação do Curso de Medicina. Projeto Pedagógico do Curso de
Medicina. Maceió, 2019. 309 p. Disponível em: https://al.unit.br/cursos/wpcontent/uploads/sites/2/2014/10/PPC-MEDICINA_compressed.pdf.

Acesso

em: outubro de 2019.
13. COREY KE, MAYNARD C, PAHLM O, WILKINS ML, ANDERSON
ST, CERQUEIRA MD et al. Combined historical and electrocardiographic timing

56

of acute anterior and inferior myocardial infarcts for prediction of reperfusion
achievable size limitation. Am J Cardiol. 1999.
14. CROCETTI M, THOMPSON R. Electrocardiogram interpretation skills in
pediatric residents. Ann Pediatr Cardiol. 2010 Jan;3(1):3-7.
15. DEBONIS K, BLAIR TR, PAYNE ST, WIGAN K, KIM S. Viability of a web-based
module for teaching electrocardiogram reading skills to psychiatry residents:
Learning outcomes and trainee interest. Acad Psychiatry 2015;39:645–8.
16. DERMEVAL D, ALBUQUERQUE J, BITTENCOURT II, VASSILEVA J, LEMOS
W, da Silva AP, PAIVA R. Amplifying Teachers Intelligence in the Design of
Gamified Intelligent Tutoring Systems. In International Conference on Artificial
Intelligence in Education (pp. 68-73). Springer, Cham. 2018, Jun.
17. ESLAVA D, DHILLON S, BERGER J, HOMEL P, BERGMANN S. Interpretation
of electrocardiograms by first-year residents: the need for change. J
Electrocardiol. 2009;42(6):693-697.
18. FATHEMA N, SHANNON D, ROSS M. Expanding The Technology Acceptance
Model (TAM) to Examine Faculty Use of Learning Management Systems
(LMSs) In Higher Education Institutions. MERLOT Journal of Online Learning
and Teaching Vol. 11, No. 2, June 2015.
19. FENT

G,

GOSAI

J,

PURVA

M.

Teaching

the

interpretation

of

electrocardiograms: which method is best?. J Electrocardiol. 2015 MarApr;48(2):190-3.
20. FOGG BJ. Persuasive technologies. Communications of the ACM, v. 42, n. 5,
p. 27-29, 1999.
21. FONSECA JJS. Metodologia da pesquisa científica. Fortaleza: UEC, 2002.
Apostila.
22. GAMBOA H, FRED ALN. Designing Intelligent Tutoring Systems: A Bayesian
Approach. ICEIS (1) 2001: 452-458
23. HAMARI J, KOIVISTO J, PAKKANEN T. Do persuasive technologies
persuade? - A review of empirical studies. In: International Conference on
Persuasive Technology. Springer International Publishing, 2014. p. 118-136.

57

24. HATALA RM, BROOKS LR, NORMAN GR. Practice makes perfect: the critical
role of mixed practice in the acquisition of ECG interpretation skills. Adv Health
Sci Educ Theory Pract 2003;8:17–26.
25. HATALA RM, NORMAN GR, BROOKS LR. Impact of a clinical scenario on
accuracy of electrocardiogram interpretation. J Gen Intern Med 1999;14:126–
9.
26. HOLDEN H & RADA R. Understanding the influence of perceived usability and
technology self-efficacy on teachers’ technology acceptance. Journal of
Research on Technology in Education, 43(4):343–367, 2011.
27. JABLONOVER RS, LUNDBERG E, ZHANG Y, STAGNARO-GREEN A.
Competency in electrocardiogram interpretation among graduating medical
students. Teach Learn Med. 2014;26(3):279-284.
28. JACKSON GT, MCNAMARA DS. Motivation and performance in a game-based
intelligent tutoring system. Journal of Educational Psychology, v. 105, n. 4,
p. 1036, 2013.
29. KAPP KM. The gamification of learning and instruction: game-based methods
and strategies for training and education. John Wiley & Sons, 2012.
30. KOPEĆ G, MAGOŃ W, HOŁDA M, PODOLEC P. Competency in ECG
Interpretation Among Medical Students. Med Sci Monit. 2015 Nov 6; 21: 338694.
31. LAVRANOS G, KOLIAKI C, BRIASOULIS A, NIKOLAOU A, STEFANADIS C.
Effectiveness of current teaching methods in Cardiology: the SKILLS (medical
Students Knowledge Integration of Lower Level clinical Skills) study.
Hippokratia. 2013 Jan;17(1):34-7.
32. LEVER NA, LARSEN PD, DAWES M, WONG A, HARDING SA. Are our medical
graduates in New Zealand safe and accurate in ECG interpretation? N Z Med
J. 2009 Apr 3; 122 (1292): 9-15.
33. LIBBY P, BONOW RO, MANN D, ZIPES D. Braunwald: Tratado de Doenças
Cardiovasculares. Tradução de Alexandre Maceri Midão et al. 8 ed. Rio de
Janeiro: Elsevier, 2010. 2432 p. 2v

58

34. LITTLE B, HO KJ, SCOTT L. Electrocardiogram and rhythm strip interpretation
by fnal year medical students. Ulster Med J. 2001;70(2):108-110.
35. MAHLER SA, WOLCOTT CJ, SWOBODA TK, WANG H, ARNOLD TC.
Techniques for teaching electrocardiogram interpretation: self-directed learning
is less effective than a workshop or lecture. Med Educ. 2011;45(4):347-53.
36. MARGOLIS S, REED R. EKG analysis skills of family practice residents in the
United Arab Emirates: a comparison with US data. Fam Med. 2001
Jun;33(6):447-52.
37. MCCOY L, LEWIS JH, DALTON D. Gamification and multimedia for medical
education: a landscape review. J. Am. Osteopath. Assoc, v. 116, n. 1, p. 2234, 2016.
38. MINAYO, MCS. O desafio do conhecimento: pesquisa qualitativa em saúde. 9.
Ed. São Paulo: HUCITEC, 2006.
39. MONTASSIER E, HARDOUIN JB, SEGARD J, BATARD E, POTEL G,
PLANCHON B et al. e-Learning versus lecturebased courses in ECG
interpretation for undergraduate medical students: a randomized noninferiority
study. Eur J Emerg Med. 2016 Apr;23(2):10813.
40. PONTES PAI, CHAVES RO, CASTRO RC, SOUZA EF, SERUFFO MCR,
FRANCÊS CRL. Educational Software Applied in Teaching Electrocardiogram:
A Systematic Review. BioMed Research International. 2018.
41. PUDŁO J, WIERDAK M, MACIOŁ K, GUMUL K, LELAKOWSKI J. The
comparison of 4th, 5th and 6th year medical students knowledge of rules and
practical skills in the interpretation of electrocardiograms at Jagiellonian
University. Przegl Lek. 2012; 69(4):143-8.
42. RAUPACH T, HANNEFORTH N, ANDERS S, PUKROP T, TH J TEN CATE O,
HARENDZA

S.

Impact

of

teaching

and

assessment

format

on

electrocardiogram interpretation skills. Med Educ 2010;44:731–40.
43. RIBEIRO AL, DUNCAN BB, BRANT LC, LOTUFO PA, MILL JG, BARRETO
SM. Cardiovascular health in Brazil: Trends and perspectives. Circulation
2016;133(4):422-33.

59

44. RUBINSTEIN J, DHOBLE A, FERENCHICK G. Puzzle based teaching versus
traditional instruction in electrocardiogram interpretation for medical students –
a pilot study. BMC Med Educ 2009;9:4.
45. RUIZ JG, MINTZER MJ, LEIPZIG RM. The impact of e-learning in medical
education. Academic Medicine, v. 81, n. 3, p. 207-212, 2006.
46. SALERNO SM, ALGUIRE PC, WAXMAN HS. Competency in interpretation of
12-lead electrocardiograms: a summary and appraisal of published evidence.
Ann Intern Med, 2003;138(9): p. 751-60.
47. SANTOS Filho JC, GAMBOA S. Sánchez (org). Pesquisa educacional:
quantidade-qualidade. São Paulo: Cortez, 1999.
48. SIBBALD M, DAVIES EG, DORIAN P, YU EH. Electrocardiographic
interpretation skills of cardiology residents: are they competent? Can J Cardiol.
2014 Dec;30(12):1721-4.
49. SOUSA MR, FEITOSA GS, DE PAOLA AAV, SCHNEIDER JC, FEITOSAFILHO GS, NICOLAU JC et al. I Diretriz da Sociedade Brasileira de Cardiologia
sobre processos e competências para a formação em cardiologia no
Brasil: resumo executivo. Arq. Bras. Cardiol. [online]. 2012, vol.98, n.2, pp.98103.
50. SOUSA MR, FEITOSA GS, DE PAOLA AAV, SCHNEIDER JC, FEITOSAFILHO GS, NICOLAU JC et al. I Diretriz da Sociedade Brasileira de Cardiologia
sobre processos e competências para a formação em cardiologia no
Brasil: resumo executivo. Arq. Bras. Cardiol. [online]. 2012, vol.98, n.2, pp.98103.
51. VILJOEN CA, MILLAR RS, ENGEL ME, SHELTON M, BURCH V. Is computerassisted instruction more effective than other educational methods in achieving
ECG competence among medical students and residents? Protocol for a
systematic review and meta-analysis. BMJ Open. 2017.
52. UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS. Faculdade de Medicina. Projeto
Pedagógico do Curso de Medicina - PPC. Maceió, 2013. 239 p. Disponível em:
http://www.ufal.edu.br/unidadeacademica/famed/graduacao/medicina/projetopedagogico. Acesso em: outubro de 2019.

60

53. WERBACH K, HUNTER D. For the win: How game thinking can revolutionize
your business. Wharton Digital Press, 2012.
54. WOOLF BP. Building intelligent interactive tutors: Student-centered strategies
for revolutionizing e-learning. Morgan Kaufmann, 2010.

3 PRODUTO

Os produtos propostos neste Trabalho Acadêmico de Conclusão de Curso
(TACC) foram desenvolvidos a partir da análise dos resultados obtidos nesta
pesquisa. A elaboração consiste em uma exigência do Mestrado Profissional Ensino
na Saúde (MPES) da FAMED/UFAL, para a obtenção do título de mestre.
A proposta do produto consiste na premissa de promover subsídios que
possam colaborar com a melhoria do ensino, e o retorno para a sociedade, em
especial do local onde foi realizada a pesquisa.
Esta pesquisa teve dois produtos educacionais, elaborados com o objetivo de
desenvolver uma nova ferramenta para potencializar o ensino da interpretação do
eletrocardiograma durante a graduação em medicina. Os produtos desenvolvidos
foram:
●

Produto 1 – Protótipos educacionais para ensino de eletrocardiograma

●

Produto 2 – Material textual para ensino de eletrocardiograma (e-book)

As justificativas e a viabilidade de realização de cada produto serão descritas
abaixo.

3.1 Produto 1 - Desenvolvimento de protótipos educacionais para ensino de
eletrocardiograma

Novas técnicas metodológicas têm sido sugeridas na tentativa de aprimorar a
aquisição da habilidade em interpretação de ECG entre estudantes de medicina,
destacando-se aquelas com capacidade de individualização e interatividade, bem
como as viáveis especialmente para alunos que aprendem mais eficientemente em

61

ambientes descontraídos (MONTASSIER et al, 2016). Nos últimos anos, destacamse estudos direcionados à avaliação da viabilidade de diferentes tipos de softwares
para ensino de ECG (PONTES et al, 2018).
Diante da importância de uma estratégia viabilizadora de instrução adaptativa,
além da mediação positiva de técnicas de ensino eletrocardiográfico envolvendo
contextualização,

recompensa

e

repetição,

optou-se

nesse

projeto

pelo

desenvolvimento de software do tipo sistema tutor inteligente (STI) (RUIZ; MINTZER;
LEIPZIG, 2006) associado a gamificação (JACKSON; MCNAMARA, 2013),
tecnologias educacionais ativas que vem sendo utilizadas para a educação médica e
que abrangem tais estratégias educacionais.
O objetivo principal deste produto foi disponibilizar uma ferramenta
educacional tecnológica que auxilie e incentive os discentes no estudo do ECG. O
protótipo do ECG Tutor foi registrado como programa de computador junto ao Instituto
Nacional da Propriedade Industrial (INPI), sob o processo no BR512019002788-4
(Anexo B), e está disponível online com acesso público e gratuito, especialmente
destinado a acadêmicos do curso de medicina da UFAL e da UNIT/AL.
O acesso aos protótipos do ECG Tutor® e também ao vídeo do caso clínico
com o paciente virtual, pode ser obtido através do link ou QR code descritos a seguir:

Link

QR code

Protótipos do ECG

https://ecgfront-b11dd.firebaseapp.com

Tutor®

https://firebasestorage.googleapis.com/v0/b/ecgfront-b11
Vídeo do Caso

dd.appspot.com/o/WhatsApp%20Video%202019-08-07%

Clínico

20at%2010.29.21.mp4?alt=media&token=effb 355b-969
9-4621-8b0c-31316969ec38

REFERÊNCIAS

1. JACKSON GT, MCNAMARA DS. Motivation and performance in a gamebased intelligent tutoring system. Journal of Educational Psychology, v. 105,
n. 4, p. 1036, 2013.

62

2. MONTASSIER E, HARDOUIN JB, SEGARD J, BATARD E, POTEL G,
PLANCHON B, TROCHU JN, POTTIER P. E-Learning versus lecture-based
courses in ECG interpretation for undergraduate medical students: a
randomized noninferiority study. Eur J Emerg Med. 2016 Apr;23(2):10813.
3. PONTES PAI, CHAVES RO, CASTRO RC, SOUZA EF, SERUFFO MCR,
FRANCÊS CRL. Educational Software Applied in Teaching Electrocardiogram:
A Systematic Review. BioMed Research International. 2018.
4. RUIZ JG, MINTZER MJ, LEIPZIG RM. The impact of e-learning in medical
education. Academic Medicine, v. 81, n. 3, p. 207-212, 2006.

3.2 Produto 2 - Material textual (e-book) para ensino de eletrocardiograma

Segundo o Ministério da Educação (MEC), o livro didático é um material textual
com informações atualizadas, desenvolvido em uma sequência de progressão de
conteúdos claramente definida. Seu objetivo, de acordo com Echeverría, Mello e
Gauche (2010) é:
[...] o livro didático tem como finalidade apresentar uma proposta
pedagógica

dos

conteúdos

selecionados

no

vasto

campo

do

conhecimento em que se insere a área do saber.

Quando o conteúdo informativo de um livro adquire o formato digital, podendo
ser exibido através de equipamentos eletrônicos como computadores ou celulares,
passa a ser denominado livro digital, livro eletrônico ou e-book (MOTA; GOMES,
2013). Os primeiros livros eletrônicos surgiram na década de 70 do século passado
(MOTA; GOMES, 2013), notando-se crescimento considerável de seus leitores na
última década (SOLER, 2010). De acordo com Dourado e Oddone (2011), em
publicação sobre a produção de livros digitais por editoras universitárias brasileiras:
“A cada dia o livro digital vem alcançando mais popularidade como objeto
de consumo e cada vez mais se consolida como artefato cultural na
sociedade. Devido à sua capacidade de transmitir o conhecimento de
maneira rápida e fazê-lo circular através de redes e sistemas de
informação, o livro em formato digital se torna bastante adequado às

63

demandas informacionais da sociedade, sobretudo no ambiente
acadêmico (DOURADO; ODDONE, 2011, p. 2437).”

O material textual para o ECG Tutor em formato digital foi desenvolvido pelos
pesquisadores desse estudo de forma a condensar conteúdos extensos, extraídos
de artigos, livros (ex. ECG: manual prático de eletrocardiograma, ECG essencial:
eletrocardiograma na prática diária) e cursos online de livre acesso (ex. My EKG,
Cardiopapers, ...) sobre ECG habitualmente utilizados por estudantes de medicina.
Buscou-se abordar os diversos assuntos numa linguagem objetiva e pouco formal,
contendo dicas de memorização comumente utilizadas nos ambientes da prática
cardiológica diária, numa tentativa de propiciar o aprendizado de forma leve, fácil e
descontraída.
A especificação da estrutura curricular a ser incorporada no e-book (Quadro
2) baseou-se na matriz de competências sugerida por Antiperovitch e colaboradores
(2018)

(Quadro

1),

sendo

incluídos

conteúdos

relativos

a

alterações

eletrocardiográficas emergenciais comuns (grupo A) e não emergenciais comuns
(grupo B). Conforme orientação da Diretriz da Sociedade Brasileira de Cardiologia
sobre processos e competências para a formação em cardiologia no Brasil (2012),
também foram adicionados materiais sobre eletrofisiologia cardíaca, princípios
básicos do ECG e reconhecimento do ECG normal, tais como cálculo da frequência
cardíaca e determinação do eixo elétrico do coração.
O objetivo principal deste produto é disponibilizar uma ferramenta educacional
de leitura rápida e descomplicada, que auxilie e incentive os discentes no estudo do
ECG, habilidade de reconhecida dificuldade de apreensão. O e-book entitulado “ECG
Tutor: o que o aluno de medicina precisa saber sobre eletrocardiograma” foi
registrado junto à Agência Brasileira do International Standart Book Number (ISBN)
com o número 978-65-902140-0-3, em formato PDF® interativo. Encontra-se
disponível online, com acesso público e gratuito, podendo ser obtido através do link
ou QR code descritos a seguir:

64

Link
E-book
ECG Tutor®

QR code

https://sites.google.com/view/e-book-ecg-tutor/in%C3 %A Dcio

REFERÊNCIAS

1. ANTIPEROVITCH
L,

P,

TERESHCHENKO

ZAREBA
LG,

W,

FARRE

STEINBERG
J

et

al.

JS,

BACHAROVA

Proposed

In-Training

Electrocardiogram Interpretation Competencies for Undergraduate and
Postgraduate Trainees. J Hosp Med 2018 Mar 1;13(3):185-193.
BRASIL. Ministério da educação. WebEduc. Mídias na Educação. Disponível
em: < http://webeduc.mec.gov.br/midiaseducacao/material/i mpresso/imp_
basico /e3_assuntos_a3.html >. Acesso em: 09 fev. 2019.
2. DOURADO SM, ODDONE N. A produção de livros digitais em editoras
universitárias brasileiras: mapeando a inovação editorial para comunicação
científica em CT&I. In: ENCONTRO NACIONAL DE PESQUISA EM CIÊNCIA
DA INFORMAÇÃO, 12., 2011, Rio de Janeiro. Anais eletrônicos. Rio de
Janeiro: ANCIB, 2011. Disponível em: < http://200.20.0.78/reposito rios/ >.
Acessado em: 01/07/2019.
3. ECHEVERRÍA AR, MELLO IC, GAUCHE R. Livro Didático: Análise e
Utilização no Ensino de Química. In: Santos WLP, Maldaner OA (Orgs.)
Ensino de Química em Foco. Ijuí: Ed. Unijuí, 2010, p. 267.
esso/imp_ basico /e3_assuntos_a3.html >. Acesso em: 09 fev. 2019.
4. MOTA MO, GOMES DMOA. Uma análise do comportamento do consumidor
na adoção de inovação tecnológica: uma perspectiva brasileira dos livros
eletrônicos. Revista de Negócios, v. 18, n. 4, p. 3-16, 2013.
5. SOLER C. ‘eBooks’: la guerra digital global por el dominio del libro. Análisis
del Real Instituto Elcano (ARI), n. 92, 2010.

65

6. SOUSA MR, FEITOSA GS, DE PAOLA AAV, SCHNEIDER JC, FEITOSAFILHO GS, NICOLAU JC et al. I Diretriz da Sociedade Brasileira de Cardiologia
sobre processos e competências para a formação em cardiologia no
Brasil: resumo executivo. Arq. Bras. Cardiol. [online]. 2012, vol.98, n.2, pp.98103.

66

CONSIDERAÇÕES FINAIS DO TACC

Esta pesquisa foi fruto do trabalho interdisciplinar de um grupo de graduandos
em medicina, preocupados em solucionar seus problemas de aprendizado, em
parceria com uma equipe de estudantes de cursos da área de informática, ávidos por
buscar soluções inovadoras no contexto de educação médica.
Idealizou-se um programa de computador com inteligência artificial aliado a
estratégias de jogos em contextos que não são de jogos – o sistema tutor inteligente
gamificado, tecnologia já utilizada na educação médica, porém ainda inédita para
ensino do eletrocardiograma. Destaca-se, portanto, a originalidade desse projeto.
Os protótipos de tela iniciais foram confeccionados e submetidos à análise por
uma equipe de pesquisadores da área de tecnologias educacionais, através de
abordagem quantiqualitativa. Com o feedback desses profissionais, que sugeriram
diversos ajustes, em especial relacionados à estética, design e gamificação, além
dos reparos necessários, foi possível viabilizar algum grau interatividade com as
telas, antes estáticas.
Os novos protótipos interativos foram conduzidos a uma segunda etapa de
apreciação, desta vez por potenciais usuários – graduandos do curso médico. Os
discentes demonstraram insatisfação com o design das telas, bem como dificuldade
de acesso por dispositivos móveis, refletidos pela baixa participação no segundo
bloco de perguntas do questionário. Por outro lado, apesar de pertencerem a diversos
períodos do curso de diferentes instituições de ensino, os estudantes demonstraram
intenção de uso futuro da nova ferramenta, se a mesma estivesse disponível. Mesmo
não sendo objetivo dessa pesquisa, evidenciou-se que, a maioria refere pouca
habilidade em interpretação do ECG, aulas quantitativamente insuficientes bem como
realização de poucos testes avaliativos sobre ECG durante a graduação.
Por meio dos resultados obtidos, foi possível verificar que os estudantes de
Medicina demonstraram intenção em usar um programa de computador como o STI
gamificado para estudar ECG. Assim, por se tratar de importante competência do
currículo médico, esse trabalho propicia a criação de uma nova e inédita ferramenta
tecnológica para o ensino dessa habilidade complexa.

67

Considerando que o processo educacional envolve várias etapas, os
resultados da fase inicial de validação foram utilizados para aprimoramento dos
protótipos. Tais modificações foram observadas positivamente na segunda fase.
Novas mudanças e avaliações sequenciais serão ainda necessárias para
aprimoramento e conclusão da solução computacional final.
Com o objetivo de contribuir com novas soluções no cenário do ensino do
ECG, a pesquisa culminou com o desenvolvimento de dois produtos educacionais. O
primeiro foi a criação de protótipos interativos de STI gamificado para instrução de
ECG, o qual foi registrado no Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI). O
segundo produto educacional foi a elaboração de um e-book com conteúdo sobre
ECG direcionado para estudantes de medicina baseado na matriz curricular proposta
pela literatura nacional e internacional mais recentes.
Espera-se que tais produtos possam ser associados aos métodos de ensino
atualmente existentes e auxiliar no aprendizado do ECG. Novos estudos são
necessários para um maior aprofundamento na temática. Espera-se ainda que esse
trabalho acadêmico possa contribuir com pesquisas futuras e culmine com o
desenvolvimento de novas ferramentas para o ensino do ECG.

68

REFERÊNCIAS DO TACC

1. AKINS RN. In AERA Division D: Measurement and Research Methodology
Forum [online]. NJ Dept. of education. Nov. 19. 2002. Disponível em: AERAD@asu.edu
2. ANTIPEROVITCH
L,

P,

TERESHCHENKO

ZAREBA
LG,

W,

FARRE

STEINBERG
J

et

al.

JS,

BACHAROVA

Proposed

In-Training

Electrocardiogram Interpretation Competencies for Undergraduate and
Postgraduate Trainees. J Hosp Med 2018 Mar 1;13(3):185-193.
3. BAKER RSJd, D’MELLO SK, RODRIGO MMT, Graesser AC. Better to be
frustrated than bored: The incidence, persistence, and impact of learners’
cognitive–affective states during interactions with three different computerbased learning environments. International Journal of Human-Computer
Studies, v. 68, n. 4, p. 223-241, 2010.
4. BARDIN L. Análise de conteúdo. São Paulo: Edições 70, 2011. 280 p.
5. BENNER JP, BORLOZ MP, ADAMS M, BRADY WJ. Impact of the 12-lead
electrocardiogram on ED evaluation and management. Am J Emerg Med,
2007. 25(8): p. 942-8.
6. BENYON D. Interação humano-computador. 2. ed. São Paulo: Pearson
Prentice Hall, 2011. 442 p.
7. BERKOVSKY S, COOMBE M, FREYNE J, BHANDARI D, BAGHAEI N.
Physical activity motivating games: virtual rewards for real activity. In:
Proceedings of the SIGCHI Conference on Human Factors in Computing
Systems. ACM, 2010. p. 243-252.
8. BERMUDES WL, SANTANA BT, BRAGA JHO, SOUZA, PH. Tipos de escalas
utilizadas em pesquisas e suas aplicações. Vértices, Campos dos
Goytacazes/RJ, 18 (2): 7-20, 2016.
9. BOLTRI JM, HASH RB, VOGEL RL. Are family practice residents able to
interpret

electrocardiograms?

2003;8(2):149-53.

Adv

Health

Sci

Educ

Theory

Pract.

69

10. BRASIL. Ministério da Educação. Diretrizes Curriculares para o Curso de
Medicina Disponível em: http://portal.mec.gov.br/cne/arquivos/pdf/Med.pd f>.
Acesso em 27 dez. 2018.
11. BRASIL. Ministério da educação. WebEduc. Mídias na Educação. Disponível
em: < http://webeduc.mec.gov.br/midiaseducacao/material/impr esso/imp_
basico /e3_assuntos_a3.html >. Acesso em: 09 fev. 2019.
12. CENTRO UNIVERSITÁRIO TIRADENTES. Pró-reitoria de Graduação.
Coordenação do Curso de Medicina. Projeto Pedagógico do Curso de
Medicina. Maceió, 2019. 309 p. Disponível em: https://al.unit.br/cursos/wpcontent/uploads/sites/2/2014/10/PPC-MEDICINA_compressed.pdf.

Acesso

em: outubro de 2019.
13. COREY KE, MAYNARD C, PAHLM O, WILKINS ML, ANDERSON
ST, CERQUEIRA MD et al. Combined historical and electrocardiographic
timing of acute anterior and inferior myocardial infarcts for prediction of
reperfusion achievable size limitation. Am J Cardiol. 1999.
14. CROCETTI M, THOMPSON R. Electrocardiogram interpretation skills in
pediatric residents. Ann Pediatr Cardiol. 2010 Jan;3(1):3-7.
15. DEBONIS K, BLAIR TR, PAYNE ST, WIGAN K, KIM S. Viability of a web-based
module for teaching electrocardiogram reading skills to psychiatry residents:
Learning outcomes and trainee interest. Acad Psychiatry 2015;39:645–8.
16. DERMEVAL D, ALBUQUERQUE J, BITTENCOURT II, VASSILEVA J, LEMOS
W, da Silva AP, PAIVA R. Amplifying Teachers Intelligence in the Design of
Gamified Intelligent Tutoring Systems. In International Conference on Artificial
Intelligence in Education (pp. 68-73). Springer, Cham. 2018, Jun.
17. DOURADO SM, ODDONE N. A produção de livros digitais em editoras
universitárias brasileiras: mapeando a inovação editorial para comunicação
científica em CT&I. In: ENCONTRO NACIONAL DE PESQUISA EM CIÊNCIA
DA INFORMAÇÃO, 12., 2011, Rio de Janeiro. Anais eletrônicos. Rio de
Janeiro: ANCIB, 2011. Disponível em: < http://200.20.0.78/reposito rios/ >.
Acessado em: 01/07/2019.

70

18. ECHEVERRÍA AR, MELLO IC, GAUCHE R. Livro Didático: Análise e
Utilização no Ensino de Química. In: Santos WLP, Maldaner OA (Orgs.)
Ensino de Química em Foco. Ijuí: Ed. Unijuí, 2010, p. 267.
19. ESLAVA D, DHILLON S, BERGER J, HOMEL P, BERGMANN S. Interpretation
of electrocardiograms by first-year residents: the need for change. J
Electrocardiol. 2009;42(6):693-697.
20. FATHEMA N, SHANNON D, ROSS M. Expanding The Technology
Acceptance Model (TAM) to Examine Faculty Use of Learning Management
Systems (LMSs) In Higher Education Institutions. MERLOT Journal of Online
Learning and Teaching Vol. 11, No. 2, June 2015.
21. FENT

G,

GOSAI

J,

PURVA

M.

Teaching

the

interpretation

of

electrocardiograms: which method is best?. J Electrocardiol. 2015 MarApr;48(2):190-3.
22. FOGG BJ. Persuasive technologies. Communications of the ACM, v. 42, n. 5,
p. 27-29, 1999.
23. FONSECA JJS. Metodologia da pesquisa científica. Fortaleza: UEC, 2002.
Apostila.
24. GAMBOA H, FRED ALN. Designing Intelligent Tutoring Systems: A Bayesian
Approach. ICEIS (1) 2001: 452-458
25. HAMARI J, KOIVISTO J, PAKKANEN T. Do persuasive technologies
persuade? - A review of empirical studies. In: International Conference on
Persuasive Technology. SPRINGER INTERNATIONAL PUBLISHING, 2014.
p. 118-136.
26. HATALA RM, BROOKS LR, NORMAN GR. Practice makes perfect: the critical
role of mixed practice in the acquisition of ECG interpretation skills. Adv Health
Sci Educ Theory Pract 2003;8:17–26.
27. HATALA RM, NORMAN GR, BROOKS LR. Impact of a clinical scenario on
accuracy of electrocardiogram interpretation. J Gen Intern Med 1999;14:126–
9.

71

28. HOLDEN H & RADA R. Understanding the influence of perceived usability and
technology self-efficacy on teachers’ technology acceptance. Journal of
Research on Technology in Education, 43(4):343–367, 2011.
29. JABLONOVER RS, LUNDBERG E, ZHANG Y, STAGNARO-GREEN A.
Competency in electrocardiogram interpretation among graduating medical
students. Teach Learn Med. 2014;26(3):279-284.
30. JACKSON GT, MCNAMARA DS. Motivation and performance in a gamebased intelligent tutoring system. Journal of Educational Psychology, v.
105, n. 4, p. 1036, 2013.
31. KAPP KM. The gamification of learning and instruction: game-based methods
and strategies for training and education. John Wiley & Sons, 2012.
32. KOPEĆ G, MAGOŃ W, HOŁDA M, PODOLEC P. Competency in ECG
Interpretation Among Medical Students. Med Sci Monit. 2015 Nov 6; 21: 338694.
33. LAVRANOS G, KOLIAKI C, BRIASOULIS A, NIKOLAOU A, STEFANADIS C.
Effectiveness of current teaching methods in Cardiology: the SKILLS (medical
Students Knowledge Integration of Lower Level clinical Skills) study.
Hippokratia. 2013 Jan;17(1):34-7.
34. LEVER NA, LARSEN PD, DAWES M, WONG A, HARDING SA. Are our
medical graduates in New Zealand safe and accurate in ECG interpretation?
N Z Med J. 2009 Apr 3; 122 (1292): 9-15.
35. LIBBY P, BONOW RO, MANN D, ZIPES D. Braunwald: Tratado de Doenças
Cardiovasculares. Tradução de Alexandre Maceri Midão et al. 8 ed. Rio de
Janeiro: Elsevier, 2010. 2432 p. 2v
36. LITTLE B, HO KJ, SCOTT L. Electrocardiogram and rhythm strip interpretation
by fnal year medical students. Ulster Med J. 2001;70(2):108-110.
37. MAHLER SA, WOLCOTT CJ, SWOBODA TK, WANG H, ARNOLD TC.
Techniques for teaching electrocardiogram interpretation: self-directed
learning is less effective than a workshop or lecture. Med Educ.
2011;45(4):347-53.

72

38. MARGOLIS S, REED R. EKG analysis skills of family practice residents in the
United Arab Emirates: a comparison with US data. Fam Med. 2001
Jun;33(6):447-52.
39. MCCOY L, LEWIS JH, DALTON D. Gamification and multimedia for medical
education: a landscape review. J. Am. Osteopath. Assoc, v. 116, n. 1, p. 2234, 2016.
40. MINAYO, MCS. O desafio do conhecimento: pesquisa qualitativa em saúde.
9. Ed. São Paulo: HUCITEC, 2006.
41. MONTASSIER E, HARDOUIN JB, SEGARD J, BATARD E, POTEL G,
PLANCHON B et al. e-Learning versus lecturebased courses in ECG
interpretation for undergraduate medical students: a randomized noninferiority
study. Eur J Emerg Med. 2016 Apr;23(2):10813.
42. MONTASSIER E, HARDOUIN JB, SEGARD J, BATARD E, POTEL G,
PLANCHON B, TROCHU JN, POTTIER P. E-Learning versus lecture-based
courses in ECG interpretation for undergraduate medical students: a
randomized noninferiority study. Eur J Emerg Med. 2016 Apr;23(2):10813.
43. MOTA MO, GOMES DMOA. Uma análise do comportamento do consumidor
na adoção de inovação tecnológica: uma perspectiva brasileira dos livros
eletrônicos. Revista de Negócios, v. 18, n. 4, p. 3-16, 2013.
44. PONTES PAI, CHAVES RO, CASTRO RC, SOUZA EF, SERUFFO MCR,
FRANCÊS CRL. Educational Software Applied in Teaching Electrocardiogram:
A Systematic Review. BioMed Research International. 2018.
45. PUDŁO J, WIERDAK M, MACIOŁ K, GUMUL K, LELAKOWSKI J. The
comparison of 4th, 5th and 6th year medical students knowledge of rules and
practical skills in the interpretation of electrocardiograms at Jagiellonian
University. Przegl Lek. 2012; 69(4):143-8.
46. RAUPACH T, HANNEFORTH N, ANDERS S, PUKROP T, TH J TEN CATE O,
HARENDZA

S.

Impact

of

teaching

and

assessment

format

electrocardiogram interpretation skills. Med Educ 2010;44:731–40.

on

73

47. RIBEIRO AL, DUNCAN BB, BRANT LC, LOTUFO PA, MILL JG, BARRETO
SM. Cardiovascular health in Brazil: Trends and perspectives. Circulation
2016;133(4):422-33.
48. RUBINSTEIN J, DHOBLE A, FERENCHICK G. Puzzle based teaching versus
traditional instruction in electrocardiogram interpretation for medical students –
a pilot study. BMC Med Educ 2009;9:4.
49. RUIZ JG, MINTZER MJ, LEIPZIG RM. The impact of e-learning in medical
education. Academic Medicine, v. 81, n. 3, p. 207-212, 2006.
50. SALERNO SM, ALGUIRE PC, WAXMAN HS. Competency in interpretation of
12-lead electrocardiograms: a summary and appraisal of published evidence.
Ann Intern Med, 2003;138(9): p. 751-60.
51. SANTOS FILHO JC, GAMBOA S. Sánchez (org). Pesquisa educacional:
quantidade-qualidade. São Paulo: Cortez, 1999.
52. SIBBALD M, DAVIES EG, DORIAN P, YU EH. Electrocardiographic
interpretation skills of cardiology residents: are they competent? Can J
Cardiol. 2014 Dec;30(12):1721-4.
53. SOLER C. ‘eBooks’: la guerra digital global por el dominio del libro. Análisis
del Real Instituto Elcano (ARI), n. 92, 2010.
54. SOUSA MR, FEITOSA GS, DE PAOLA AAV, SCHNEIDER JC, FEITOSAFILHO GS, NICOLAU JC et al. I Diretriz da Sociedade Brasileira de Cardiologia
sobre processos e competências para a formação em cardiologia no
Brasil: resumo executivo. Arq. Bras. Cardiol. [online]. 2012, vol.98, n.2, pp.98103.
55. UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS. Faculdade de Medicina. Projeto
Pedagógico do Curso de Medicina - PPC. Maceió, 2013. 239 p. Disponível em:
http://www.ufal.edu.br/unidadeacademica/famed/graduacao/medicina/projetopedagogico. Acesso em: outubro de 2019.
56. VILJOEN CA, MILLAR RS, ENGEL ME, SHELTON M, BURCH V. Is computerassisted instruction more effective than other educational methods in achieving
ECG competence among medical students and residents? Protocol for a
systematic review and meta-analysis. BMJ Open. 2017.

74

57. WERBACH K, HUNTER D. For the win: How game thinking can revolutionize
your business. Wharton Digital Press, 2012.
58. WOOLF BP. Building intelligent interactive tutors: Student-centered strategies
for revolutionizing e-learning. Morgan Kaufmann, 2010.

75

APÊNDICE A – Questionário de avaliação dos protótipos iniciais do ECG Tutor (Fase
1).

76

APÊNDICE B – Respostas abertas do questionário de avaliação dos protótipos
iniciais do ECG Tutor (Fase 1), separadas por categorias.
CATEGORIAS

CATEGORIAS INICIAIS

FINAIS

PÁGINA 1

PÁGINA 2

PÁGINA 3

I. Design estético

1. Cores

1. Cores

1. Cores

2. Aparência e

2. Aparência e disposição

2. Aparência e

disposição dos

ícones

disposição ícones

3. Elementos e

3. Elementos e disposição

3. Elementos e

disposição do painel de

do painel de controle

disposição do painel de

elementos na tela

controle

II. Funcionalidades

controle

4. Elementos gráficos

4. Gráficos

5. Material de estudos

5. Utilidade geral

4. Utilidade geral

6. Área para perfil do

6. Área de perfil do aluno

5. Área de perfil do

(utilidade
percebida)

aluno

7. Assistente Cora

aluno

7. Barra de progressão /

6. Assistente Cora

evolução do aluno
8. Relatório de

7. Barra de progressão /

desempenho

evolução do aluno
8. Simplicidade e
objetividade

III. Design de

9. Entendimento e

8. Entendimento e clareza

9. Entendimento e

informação

clareza das informações

das informações

clareza das informações

(facilidade de uso)

10. Espaço ajuda (para

9. Organização das

10. Organização das

informações)

informações

informações

11. Quantidade de

10. Quantidade de

11. Descrição prévia

informações

informações

dos assuntos

12. Avatar

11. Organização dos

12. Interação do usuário

IV. Elementos de
gamificação

elementos de gamificação
13. Ranking

13. Adequação às
inovações tecnológicas

14. Outros (ex. desafios,
evolução)

77

APÊNDICE C – Questionário pré-interação com os protótipos do ECG Tutor (Fase
2), com características dos grupos estudados.
Sexo:
( ) Masculino

( ) Feminino

Data de nascimento:
DIA / MÊS / ANO
Instituição de ensino:
( ) UFAL

( ) UNIT/AL

Período do curso:
( ) 5º período

( ) 9º período

( ) 6º período

( ) 10º período

( ) 7º período

( ) 11º período

( ) 8º período

( ) 12º período

Você participa ou já participou de alguma liga acadêmica?
( ) Nunca

( ) Urgência e emergência

( ) Terapia intensiva

( ) Cardiologia

( ) Clínica Médica

( ) Outra _________

Você já participou de alguma conferência sobre ECG na sua instituição de ensino?
( ) Nunca

( ) Duas vezes

( ) Uma vez

( ) Mais de duas vezes

Você participa ou já participou de aulas regulares sobre ECG fora da sua instituição
de ensino?
( ) Nunca
( ) Curso de ECG online ou presencial
( ) Aula (s) de ECG online ou presencial
Assinale as 2 técnicas de estudo/ensino que você tem utilizado mais frequentemente
para obter seus conhecimentos sobre ECG?
( ) Estudo autodirigido – o aluno estuda sozinho, em seu próprio tempo e ritmo
( ) Conferências ou aulas expositivas
(

) Discussões de casos clínicos em ambiente teórico (ex. tutoria ou sala de aula

convencional)
(

) Discussões de casos clínicos em ambiente prático (ex. laboratório de habilidades,

ambulatório, enfermaria, posto de saúde, ...)
( ) Estudo em ambiente de aprendizado online

78

( ) Vídeo aulas
( ) Outra ________________________

Você já realizou alguma prova sobre noções básicas ou interpretação de ECG na
sua instituição de ensino?
( ) Nunca

( ) Duas vezes

( ) Uma vez

( ) Mais de duas vezes

Como você classifica quantitativamente as aulas sobre ECG fornecidas na sua
instituição de ensino, em todas as disciplinas ofertadas de forma conjunta?
( ) Poucas aulas
( ) Aulas suficientes
( ) Muitas aulas
Como você se auto avalia sobre suas habilidades em interpretação de ECG?
( ) Péssimo – nota 1 a 2
( ) Ruim – nota 3 e 4
( ) Regular – nota 5 e 6
( ) Bom – nota 7 e 8
( ) Ótimo – nota 9 e 10

79

APÊNDICE D – Primeira parte do questionário pós-interação com os protótipos do ECG
Tutor (Fase 2), com feedback baseado no modelo TAM.

80

APÊNDICE E – Segunda parte do questionário pós-interação com os protótipos do ECG
Tutor (Fase 2), com feedback baseado no modelo de Rubinstein et al (2009).
Em que grau o ECG Tutor seria útil para o seu aprendizado em ECG?
( ) Sem utilidade
( ) Pouco útil
( ) Útil
( ) Muito útil
( ) Extremamente útil
Utilizar o ECG Tutor seria estressante?
( ) Sim
( ) Não
Utilizar o ECG Tutor seria divertido?
( ) Sim
( ) Não
O ECG Tutor seria um método de aprendizado que utilizaria bem o seu tempo?
Considera que ao utilizá-lo você faria um bom uso do seu tempo?
( ) Sim
( ) Não
O ECG Tutor seria envolvente, ou seja, seria possível manter-se concentrado e
ativo durante o estudo?
( ) Sim
( ) Não

81

ANEXO A – Parecer do Comitê de Ética

82

83

84

85

86

ANEXO B – Certificado de registro dos protótipos do ECG Tutor junto ao INPI

87

ANEXO C – Carta de anuência do orientador para entrega do TACC