Maria Magaly Albuquerque Medeiros - ENSINO SOBRE EXCESSO DE PESO NA GRADUAÇÃO DE UM CURSO DE MEDICINA: REALIDADE, REFLEXÕES E PROPOSTAS

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UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
FACULDADE DE MEDICINA
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENSINO NA SAÚDE
MESTRADO PROFISSIONAL EM ENSINO NA SAÚDE

MARIA MAGALY ALBUQUERQUE MEDEIROS

ENSINO SOBRE EXCESSO DE PESO NA GRADUAÇÃO DE UM CURSO DE
MEDICINA: REALIDADE, REFLEXÕES E PROPOSTAS

MACEIÓ-AL
2019

1

MARIA MAGALY ALBUQUERQUE MEDEIROS

ENSINO SOBRE EXCESSO DE PESO NA GRADUAÇÃO DE UM CURSO DE
MEDICINA: REALIDADE, REFLEXÕES E PROPOSTAS

Trabalho Acadêmico de Conclusão de
Curso apresentado ao Programa de PósGraduação em Ensino na Saúde da
Faculdade de Medicina da Universidade
Federal de Alagoas como requisito parcial
para a defesa do título de mestra em
Ensino na Saúde.
Orientadora: Profa. Dra. Rosana Quintella
Brandão Vilela.
Coorientadora: Profa.
Dra.
Marques Vanderlei Fregadolli

MACEIÓ-AL
2019

Andrea

2

3

4

Dedico este trabalho especialmente à minha filha Leticia,
que me faz acordar todos os dias agradecendo a dádiva de compartilhar a
nossa vida uma com a outra.
Ao meu esposo Fernando, um companheiro incentivador das minhas
atividades de forma incondicional.
À minha mãe Janete, que, ao longo dos seus 93 anos, manteve a alegria de
viver.

5

AGRADECIMENTOS

De acordo com os dicionários, o verbo agradecer significa manifestar gratidão,
render graças, compensar de maneira equivalente, retribuir.
Inicialmente, minha gratidão a Deus e a toda energia que envolve o amor, pois,
como diz a primeira carta de São Paulo aos Coríntios (13:1-13): “Ainda que eu tenha
uma fé tão grande que possa deslocar montanhas, se não tiver amor, eu não serei
nada”.
Também rendo graças a Deus pelos dons que recebi, que foram aperfeiçoados
pela família na qual fui criada, onde o ser é mais importante que o ter. Pelas
oportunidades que tive, por minha família, por meus amigos, com os quais compartilho
meus valores, pela força de vontade de recomeçar novos projetos e pela resiliência
de não desistir deles quando o cansaço chegava.
Manifesto gratidão aos meus mestres, desde o Ensino Fundamental,
especialmente à minha professora e cunhada Terezinha, que, em uma escola primária
no interior de Alagoas, me deu ferramentas para alcançar os meus sonhos. Depois,
aos professores dos colégios São José, Sacramento, da Universidade Federal de
Alagoas e aos preceptores das residências médicas e novamente a todos da equipe
da pós-graduação da FAMED.
Não tenho palavras para exprimir e retribuir às minhas grandes mestras:
Rosana e Andrea. Uma parceria fantástica, a maturidade e a juventude, a reflexão e
os cálculos, a paciência e o estímulo, mas, em ambas, o amor pelo que fazem, a ponto
de doarem horas importantes de suas vidas pessoais para me acolher.
Busco retribuir aos pacientes que, de forma resignada, esperam por ajuda na
luta contra o excesso de peso.

6

RESUMO

MEDEIROS, Maria Magaly Albuquerque. Ensino sobre excesso de peso na
graduação de um curso de medicina: realidade, reflexões e propostas. 2019.
84f. Trabalho de conclusão de Curso (Mestrado em Ensino na Saúde) –
Universidade Federal de Alagoas, Maceió, AL, 2019.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) aponta a obesidade como um dos maiores
problemas de saúde pública no mundo. No Brasil, o excesso de peso e a obesidade
vêm crescendo progressivamente de forma que 50% da população se encontra acima
do peso. Portanto, tornou-se uma questão de saúde pública para a qual o médico deve
estar capacitado para cuidar. Diante desse cenário e da escassez de estudos
nacionais e locais sobre ensino médico e o excesso de peso, esta pesquisa, intitulada
O manejo clínico do excesso de peso: saberes dos estudantes de Medicina, teve
como objetivo verificar o conhecimento, a autoconfiança e atitudes no manejo da
pessoa com EP em uma amostra de estudantes do internato de Medicina de uma
escola federal no Nordeste brasileiro. A pesquisa desenvolvida teve caráter descritivo,
transversal, com abordagem quantitativa. Foi aplicado um questionário, tipo Likert,
composto por 27 assertivas a 32 internos. O questionário foi organizado em quatro
dimensões: a importância do tema enquanto problema de saúde pública; o
conhecimento sobre a abordagem à pessoa com excesso de peso; autoconfiança para
o manejo da pessoa com excesso de peso e aspectos comportamentais diante da
pessoa com excesso de peso. Os resultados mostraram que os internos reconhecem
o EP como um problema de saúde pública e tema relevante na graduação do médico
generalista. Porém, evidenciaram a falta de conhecimento e autoconfiança no manejo
da pessoa com EP. Assim, indica-se que há a necessidade de aprimoramento e
providências de curto e médio prazos no currículo da escola pesquisada. Destaca-se
a necessidade premente de o curso oferecer oportunidades de aprendizagem que
permitam relacionar a teoria e uma prática colaborativa, interprofissional, centrada no
paciente. Desenvolveu-se, tomando como orientação esses resultados e as sugestões
efetuadas pelos internos, em uma questão aberta aplicada ao final do questionário,
um relatório técnico de pesquisa intitulado: Enfrentamento da invisibilidade da
temática excesso de peso no currículo de Medicina: sugestões aos gestores.
Defende-se, neste produto, o investimento no curso de Medicina com a introdução de
políticas “saudáveis” no ambiente da escola médica, por meio de um programa de
incentivo ao estilo de vida saudável, com intervenções transversais e frequentes no
currículo, enfatizando a importância dos comportamentos de saúde pessoal e das
habilidades profissionais no apoio à mudança de estilo de vida. Alega-se a
necessidade de construção de intervenções educacionais sobre o manejo da pessoa
com EP, desde o início da graduação, com métodos e técnicas pedagógicos
adequados, em variados cenários. Sugere-se contexto interdisciplinar e
interprofissional, permitindo que ocorra o desenvolvimento do pensamento críticoreflexivo e essencial para a atuação clínica.
Palavras-chave: Obesidade. Sobrepeso. Educação Médica.

7

ABSTRACT

MEDEIROS, Maria Magaly Albuquerque. Teaching about excess weight in the
graduation of a medical course: reality, reflections and proposals. 2019. 84f.
Dissertation (Master in Health Education) - Federal University of Alagoas, Maceió,
AL, 2019.
The World Health Organization points to obesity as one of the biggest public health
problems in the world. In Brazil, overweight and obesity are growing steadily, so 50%
of the population is overweight. Therefore, it has become a public health issue for
which the physician must be able to care. Given this scenario and the scarcity of
national and local studies on medical education and overweight, this research, entitled:
The clinical management of overweight: knowledge of medical students, This
study aimed to verify the knowledge, self-confidence and attitudes in the management
of people with OW in a sample of medical school students from a federal school in
northeastern Brazil. The research developed was descriptive and transversal, with
quantitative approach. A Likert questionnaire was applied, consisting of 27 statements
to 32 interns. The questionnaire was organized in four dimensions: the importance of
the theme as a public health problem; knowledge about the approach to the overweight
person; self-confidence in the management of the overweight person and behavioral
aspects in front of the overweight person. The results showed that inmates recognize
OW as a public health problem and a relevant theme in the graduation of the general
practitioner. However, it evidenced the lack of knowledge and self-confidence in the
management of the person with OW. Thus, it indicates that there is a need for
improvement and short and medium term measures in the curriculum of the researched
school. There is a pressing need for the course to offer learning opportunities to relate
theory and collaborative, inter-professional, patient-centered practice. Taking as a
guide these results and the suggestions made by the inmates, in an open question
applied at the end of the questionnaire, a technical research report was developed,
entitled: Facing the invisibility of overweight in the medical curriculum:
suggestions to managers. In this product, investment in the medical course is
supported by the introduction of “healthy” policies in the medical school environment,
through a healthy lifestyle incentive program, with transversal and frequent
interventions in the curriculum, emphasizing the Importance of Personal Health
Behaviors and Professional Skills in Supporting Lifestyle Change. The need to
construct educational interventions on the management of people with OW from the
beginning of the undergraduate course, with appropriate pedagogical methods and
techniques, in various scenarios is claimed. Interdisciplinary and inter-professional
context is suggested, allowing the development of reflexive critical thinking, essential
for clinical practice.
Keywords: Obesity. Overweight. Medical Education.

8

LISTA DE TABELA

Tabela 1

Intervalo das médias, classificação, atitudes e providências
curriculares a serem tomadas na análise quantitativa dos
dados..................................................................................... 22

Tabela 2

Dimensão 1: Importância do tema para os internos
enquanto problema de saúde pública.................................... 23

Tabela 3

Dimensão 2: Conhecimento sobre a prevenção do EP.......... 25

Tabela 4

Dimensão 2: Conhecimento sobre os critérios diagnósticos
de EP..................................................................................... 28

Tabela 5

Dimensão 2: Conhecimento sobre o tratamento do EP.......... 30

Tabela 6

Dimensão 3: Autoconfiança para o manejo clínico do EP...... 32

Tabela 7

Dimensão 4: Fatores comportamentais para a abordagem
das pessoas com EP…………………………………………

Tabela 8

34

Intervalo das médias, classificação, atitudes e providências
curriculares a serem tomadas na análise quantitativa dos
dados..................................................................................... 49

Tabela 9

Dimensão 1: Importância do tema para os internos
enquanto problema de saúde pública...................................

50

Tabela 10

Dimensão 2: Conhecimento sobre a prevenção do EP......... 51

Tabela 11

Dimensão 2: Conhecimento sobre os critérios diagnósticos
de EP....................................................................................

51

Tabela 12

Dimensão 2: Conhecimento sobre o tratamento do EP........

52

Tabela 13

Dimensão 3: Autoconfiança para o manejo clínico do EP...... 53

Tabela 14

Dimensão 4: Fatores comportamentais para a abordagem
das pessoas com EP............................................................

54

9

LISTA DE QUADRO

Quadro 1 Descrição das assertivas usadas no questionário..........................

18

Quadro 2 Descrição das assertivas usadas no questionário..........................

48

Quadro 3 Intervenções educacionais sugeridas pelos internos para o
aprimoramento do ensino sobre o excesso de peso na pesquisa
intitulada “Ensino do excesso de peso na graduação de um curso
de Medicina; realidade, reflexões e propostas................................

57

10

LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

AAMC

Association of American Medical Colleges

ABESO

Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome
Metabólica

CAB

Caderno de Atenção Básica

CEP

Comitê de Ética em Pesquisa

CID

Classificação Internacional de Doenças

DCN

Diretrizes Curriculares Nacionais

DCNT

Doenças Crônicas Não Transmissíveis

EIP

Educação Interprofissional

EP

Excesso de Peso

FAMED

Faculdade de Medicina

HUPAA

Hospital Universitário Professor Alberto Antunes

IMC

Índice de Massa Corporal

MPES

Mestrado Profissional em Ensino na Saúde

NASF

Núcleo Ampliado de Saúde da Família

NDE

Núcleo Docente Estruturante

OMS

Organização Mundial de Saúde

PPC

Projeto Pedagógico do Curso

PSF

Programa de Saúde da Família

SUS

Sistema Único de Saúde

TACC

Trabalho Acadêmico de Conclusão de Curso

TCLE

Termo de Consentimento Livre e Esclarecido

TCLI

Termo de Consentimento Livre e Informado

UFAL

Universidade Federal de Alagoas

11

SUMÁRIO

1

APRESENTAÇÃO.................................................................................

2

ARTIGO: O MANEJO CLÍNICO DO Excesso de Peso: SABERES

12

DOS ESTUDANTES DE MEDICINA......................................................

14

3

PRODUTO..............................................................................................

43

3.1

Relatório

para

o

NDE/FAMED/UFAL:

enfrentamento

da

invisibilidade da temática EP no currículo de medicina: sugestões

4

aos gestores….......................................................................................

44

CONSIDERAÇÕES FINAIS DO TACC..................................................

68

REFERÊNCIAS......................................................................................

69

APÊNDICES...........................................................................................

77

APÊNDICE A - Questionário: Percepção dos internos de Medicina
sobre o cuidado das pessoas com EP – Primeira e segunda
dimensão................................................................................................

77

APÊNDICE B - Questionário: Percepção dos internos de Medicina
quanto

ao

cuidado

das

pessoas

com

EP

–

Terceira

dimensão.................................................................................................

77

APÊNDICE C - Questionário: Percepção dos internos de Medicina

78

quanto ao cuidado das pessoas com EP.
ANEXOS.................................................................................................

79

ANEXO A - Parecer Consubstanciado do CEP.......................................

79

ANEXO B - Termo de Consentimento Livre e Esclarecido......................

82

12

1 APRESENTAÇÃO

A pesquisadora iniciou a graduação em Medicina na Universidade Federal de
Alagoas (UFAL) em 1985, período de grande mudança política no Brasil. Participou
ativamente da vida acadêmica, especialmente na busca de melhores condições de
ensino. Foi presidente do Centro Acadêmico Dr. Sebastião da Hora e, posteriormente,
representante dos discentes na Faculdade de Medicina (FAMED). Naquela época, o
currículo era baseado em especialidades e tão dicotomizado que até o ciclo básico
era realizado em um espaço físico diferente do profissional. Período também em que
o Sistema Único de Saúde (SUS) estava nascendo.
Fez residência médica em São Paulo em Clínica Médica no Hospital Heliópolis
e, depois, em Endocrinologia e Metabologia no Hospital Brigadeiro, finalizando em
1994. Em plena residência, já percebeu que a obesidade não era considerada doença
por alguns preceptores e buscou participar de alguns congressos para complementar
sua formação.
Ao retornar para Maceió – AL, em 1995, iniciou suas atividades profissionais
em consultório e percebeu que os casos raros da residência eram infrequentes na
vida real. O excesso de peso (EP) corresponde a mais de 50% dos atendimentos,
considerando as associações com Diabetes Mellitus e dislipidemia. Em 2000, teve um
contato pessoal muito próximo com dois endocrinologistas que levantaram a bandeira
para reconhecer a obesidade como doença: Dr. Alfredo Halpern e Dr. Marcio Mancini,
fundadores da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade da Síndrome
Metabólica (ABESO).
Em 2013, foi convidada para trabalhar no Programa Saúde na Escola e foi
surpreendida ao conhecer toda a rede de assistência aos doentes crônicos do SUS:
Programa Saúde da Família (PSF), Núcleo Ampliado de Saúde da Família (NASF) e
Academias de Saúde.
Realizou o sonho de voltar para o Hospital Universitário Professor Alberto
Antunes (HUPAA), após concurso federal, em 2014. Em fevereiro de 2015, iniciou
suas atividades como preceptora da Clínica Médica onde atua com os residentes e os
internos da FAMED da UFAL. Logo, ficou inquieta para adquirir metodologia de ensino
para tornar seus momentos de troca de conhecimento interessantes e produtivos.
Durante o primeiro ano, notou as fragilidades dos estudantes e residentes no
cuidado com o EP, assim como dos profissionais da atenção básica e mesmos dos

13

especialistas que não abordam esta condição. Por isso, resolveu fazer o mestrado
profissional em ensino na área da Saúde, escolhendo o tema como objeto de estudo,
intitulado Percepção dos internos de Medicina sobre o cuidado das pessoas com EP,
por entender que, diante de uma epidemia que envolve muitos fatores além dos
biológicos, o ideal é que todos os médicos saibam lidar com o problema.
Teve um grande incentivo da professora Divanise Suruagy na apresentação do
projeto inicial. Em seguida, foi acolhida e presenteada com o conhecimento e
orientações das professoras Rosana Vilela e Andrea Ferreira, pilares essenciais para
esta pesquisa. Durante o mestrado, foi enriquecida pessoal e profissionalmente pelo
convívio com os amigos e professores, uma verdadeira equipe multiprofissional e, em
alguns momentos, interdisciplinar.
A pesquisa teve como objetivo verificar o conhecimento, autoconfiança e
atitudes no manejo da pessoa com EP em uma amostra de estudantes do internato
de Medicina de uma escola federal no Nordeste brasileiro.
Os resultados da pesquisa motivaram a elaboração de um relatório técnico
intitulado: Sugestões para enfrentamento da invisibilidade das pessoas com EP no
currículo de Medicina. O relatório foi entregue e apreciado pelo Núcleo Docente
Estruturante (NDE) do curso de Medicina da UFAL.
Em médio prazo, ainda pretende implantar um serviço interprofissional no
HUPAA, a fim de promover atendimento e referência para a educação continuada para
todos aqueles que trabalham com essa complexa doença, respeitando e acolhendo
essas pessoas que tanto sofrem com estigmas e preconceito.

14

2 ARTIGO:

O MANEJO CLÍNICO DO EXCESSO DE PESO: SABERES DOS

ESTUDANTES DE MEDICINA.

RESUMO

A Organização Mundial de Saúde aponta a obesidade como um dos maiores
problemas de saúde pública no mundo. No Brasil, o EP atingiu 50% da população,
sendo necessário capacitar os estudantes de Medicina para o cuidado dessa
epidemia. A pesquisa teve como objetivo verificar o conhecimento, a autoconfiança e
atitudes no manejo da pessoa com EP em uma amostra de 32 estudantes brasileiros
do internato de Medicina de uma universidade federal situada na região Nordeste. Foi
um estudo de caráter exploratório, transversal descritivo, com abordagem quantitativa,
obtido por meio de um questionário, tipo Likert, composto por 27 assertivas. O
questionário foi organizado em quatro dimensões: a importância do tema enquanto
problema de saúde pública; conhecimento sobre a abordagem à pessoa com EP;
autoconfiança para o manejo da pessoa com EP e aspectos comportamentais diante
da pessoa com EP. Os resultados inferem que os internos reconhecem o EP como
um problema de saúde pública, bem como consideram o tema relevante na graduação
do médico generalista. Porém, ficou evidente a falta de conhecimento e autoconfiança
dos internos no manejo da pessoa com EP. Assim, indica-se que há a necessidade
de aprimoramento e providências em curto e médio prazos no currículo da escola
pesquisada. Destaca-se a necessidade de o curso oferecer oportunidades de
aprendizagem que permitam relacionar a teoria com a prática colaborativa,
interprofissional e centrada no paciente.

Palavras-chave: Obesidade; Educação Médica; Sobrepeso.

INTRODUÇÃO

A Organização Mundial de Saúde (OMS) aponta a obesidade como um dos
maiores problemas de saúde pública no mundo. A projeção é que, em 2025, cerca de
2,3 bilhões de adultos estejam com sobrepeso e mais de 700 milhões, obesos. No
Brasil, a obesidade vem crescendo cada vez mais. Alguns levantamentos apontam

15

que 50% da população está acima do peso, ou seja, na faixa de sobrepeso e
obesidade (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA PARA O ESTUDO DA OBESIDADE E DA
SÍNDROME METABÓLICA, 2014). Além das complicações diretas do EP, há uma
relação com o Diabetes Mellitus tipo 2, doença cardíaca isquêmica do coração e, entre
7%

e

41%,

com

determinados

tipos

de

neoplasias

(WORLD

HEALTH

ORGANIZATION, 2018).
O EP corporal pode ser estimado por diferentes métodos ou técnicas.
Entretanto, devido à sua simplicidade de obtenção, baixo custo e correlação com a
gordura corporal, o Índice de Massa Corporal (IMC) tem sido amplamente utilizado e
aceito para estudos epidemiológicos (KUCZMARSKI; FLEGAL, 2000). O IMC é obtido
a partir da divisão do peso em quilogramas pelo quadrado da altura em metros (kg/m²).
Valores de IMC entre 25,0 kg/m2 e 29,9 kg/m2 caracterizam EP, sendo que valores de
IMC ≥ 30,0 kg/m2 correspondem à obesidade (BRASIL, 2014b). Essas definições são
baseadas em evidências que sugerem que estes valores de IMC contribuem, de forma
importante, para a carga de doenças crônicas e incapacidades.
O EP e a obesidade têm caráter múltiplo e heterogêneo. Envolvem não apenas
fatores biológicos e de causa individual, mas uma integração de fatores históricos,
econômicos, sociais e culturais. Não são apenas os fatores da dieta ou o sedentarismo
que devem ser avaliados, mas as condições de trabalho, moradia, segurança, rede
de abastecimento e globalização, que explicam os fatores proximais que, usualmente,
se incluem nos modelos causais das doenças e agravos à saúde (BRASIL, 2014c).
O EP é reconhecido como um problema de saúde pública no país, ou seja,
trata-se de uma condição que, segundo Costa e Victora (2006), provocaram impacto
no indivíduo em termos de anos potenciais de vida perdidos, a extensão de
incapacidade, dor e desconforto, o impacto na família do indivíduo, a mortalidade, a
morbidade e os custos do tratamento para a sociedade.
A abordagem de saúde pública para desenvolver estratégias baseadas na
população para a prevenção do EP é de grande importância e tem sido defendida nos
últimos anos. O desenvolvimento e a implementação de estratégias de prevenção da
obesidade devem incentivar mudanças de vida em níveis pessoais, ambientais e
socioeconômicos e envolver ativamente as partes interessadas (CHAN; WOO, 2010).
Nesse sentido, em 2011, o Ministério da Saúde lançou o plano de ação
estratégico para o enfrentamento das doenças crônicas não transmissíveis (DCNT)
no Brasil 2011-2022 (BRASIL, 2011). O plano alinha-se com o plano global da OMS,

16

o qual aborda os quatro principais fatores de risco modificáveis: tabagismo,
alimentação inadequada, inatividade física e consumo abusivo de bebidas alcoólicas.
Os médicos têm um papel especial em ajudar os pacientes a fazer mudanças
no estilo de vida e são mais confiáveis e eficazes se forem modelos deste estilo de
vida. No entanto, poucas escolas médicas incorporaram a Medicina do estilo de vida
em seus currículos (MALATSKEY et al., 2017).
Vários estudos demonstraram que os médicos, inclusive da Atenção Primária,
não abordam as medidas preventivas (COLBERT; JANGI, 2013; FOSTER et al., 2003;
GARRY; DIAMOND; WHITLEY, 2002; BLOCK; DESALVO; FISHER, 2003), poucos
fazem o tratamento de maneira adequada (LEEDHAM-GREEN et al., 2016) e exibem
atitudes preconceituosas que desmotivam o cuidado da pessoa com EP (FANG et al.,
2019; PANTENBURG et al., 2012; JAY et al., 2009). As principais barreiras descritas
são o pouco conhecimento adquirido no período de formação, principalmente no que
se refere às causas da obesidade, fisiologia, diagnóstico e tratamento. Além disso, o
preconceito, algumas vezes, não percebido, juntamente com o pouco tempo
despendido na consulta, ajuda a piorar o cuidado das pessoas com EP (LEEDHAMGREEN et al., 2016)
Nesse contexto epidemiológico e seguindo as Diretrizes Curriculares Nacionais
(DCN) (BRASIL, 2014a), entende-se que a formação em Medicina deve capacitar os
médicos sobre os mecanismos fisiopatológicos, prevenção e tratamento dessa
epidemia, desde a atenção básica até o encaminhamento para os especialistas, bem
como o trabalho interprofissional e colaborativo. Recentemente, Fang et al. (2019)
publicaram dados sobre estudantes americanos e concluíram que a proficiência sobre
EP poderá reduzir a estigmatização do paciente e melhorar o atendimento.
Ainda na formação médica, a literatura (BALL et al., 2014; DALEY et al., 2016;
MOGRE et al., 2018) demonstrou a falta de conhecimento e incapacidade de praticar
a nutrição clínica desde a graduação até os programas de residência médica, e,
sugere a necessidade de integração da nutrição no currículo de graduação. Ante o
exposto e à escassez de estudos nacionais e locais sobre o ensino médico e o EP,
esta pesquisa teve como objetivo verificar o conhecimento, a autoconfiança e atitudes
no manejo da pessoa com EP em uma amostra de estudantes do internato de
Medicina de uma escola federal no Nordeste brasileiro.

17

METODOLOGIA

A pesquisa desenvolvida teve caráter transversal e descritivo, com abordagem
quantitativa. Foi realizada em uma faculdade de Medicina, pública, federal, situada no
Nordeste do Brasil. O curso estudado compreende o ciclo teórico-prático, que dura
quatro anos, seguido de estágio curricular de treinamento prático supervisionado, em
regime de internato, em serviços próprios ou conveniados e sob a supervisão direta
dos docentes da própria escola/faculdade. O internato corresponde aos últimos dois
anos do curso e engloba o nono, décimo, décimo primeiro e décimo segundo períodos.
Para este estudo, foi escolhido o período do internato por se tratar da última
etapa da formação escolar do médico generalista, portanto, momento adequado para
avaliar as competências adquiridas nos ciclos anteriores da graduação.

Participantes
Foram convidados os estudantes (n=55) que cursavam o estágio de Clínica
Médica 2 do internato do curso de Medicina. Desses, treze participaram do teste piloto
do questionário, dez não responderam à pesquisa por decisão pessoal e 32
responderam ao convite. Quinze participantes identificaram-se como do sexo
masculino e 17 do sexo feminino. Esta amostra corresponde a 80% dos alunos que
se encontravam no estágio de Clínica Médica e 20% dos que cursavam o internato.

Instrumento
Os dados quantitativos foram coletados a partir da aplicação de um instrumento
produzido pela pesquisadora. Tratou-se de um questionário estruturado, com escala
tipo Likert, composto por 27 assertivas, abordando aspectos referentes ao objetivo do
estudo. Este tipo de escala tem como objetivo medir a intensidade das opiniões e
atitudes da maneira mais objetiva possível. Segundo Gil (2008), ela “possibilita o
estudo de opiniões e atitudes de forma precisa e mensurável. Isto implica transformar
fatos que habitualmente são vistos como qualitativos em fatos quantitativos” (GIL,
2008, p. 135). Optou-se pela elaboração de uma escala com quatro itens: (4) concordo
totalmente; (3) concordo; (2) discordo e (1) discordo totalmente, sem a opção neutra.
Para Alexandre et al. (2003), quando há o item central (neutro) na escala, o
respondente tende a selecionar essa resposta quando não sabe ou não tem
experiência. Por outro lado, a escala 0-4 pode conduzir a uma tendência e forçar os

18

respondedores a marcarem a direção a qual eles estão “inclinados”, o que pode ser
minimizado com a inclusão da opção “não sei” no exterior da escala gradual.
O questionário foi organizado em quatro núcleos direcionadores aqui chamados
de dimensões. Estas foram assim agrupadas: a importância do tema enquanto
problema de saúde pública; conhecimento sobre a abordagem à pessoa com EP;
autoconfiança para o manejo da pessoa com EP e aspectos comportamentais diante
da pessoa com EP. A redação das assertivas procurou ser objetiva, simples, clara,
sem ambiguidade e sem uso de expressões extremadas, com frases condizentes com
a dimensão (Quadro 1).
Para a elaboração das dimensões do questionário (Quadro 1), foram usados
como referências as DCN de Medicina (BRASIL, 2014a), as diretrizes brasileiras de
obesidade (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA PARA O ESTUDO DA OBESIDADE E DA
SÍNDROME METABÓLICA, 2016), o Caderno de Atenção Básica (CAB) sobre
obesidade do Ministério da Saúde (BRASIL, 2014b), o VIII Report da Association of
American Medical Colleges (AAMC) (ASSOCIATION OF AMERICAN MEDICAL
COLLEGES, 2007) e algumas publicações internacionais sobre o tema (FOSTER et
al., 2003; BLOCK; DESALVO; FISHER, 2003).
Quadro 1. Descrição das assertivas utilizadas no questionário.
Nº
1

Dimensão
Importância do tema enquanto
problema de saúde pública.

Item
1
3
4
29

30
2

Conhecimento
sobre
a
abordagem à
pessoa
com
EP.

Prevenção de EP.

2
5
6

7
8
Critérios
de
diagnóstico do EP
e
encaminhamento.

9

11

Questionário
Assertiva
O EP atingiu mais da metade da população
adulta no Brasil.
A obesidade é uma doença crônica.
A obesidade deve ser tratada por especialista.
Durante a graduação, teve contato com o Plano
Nacional de Enfrentamento das Doenças
Crônicas do Ministério da Saúde.
Acha importante a inclusão do tema na
graduação.
O componente genético é responsável por mais
de 50% dos casos de obesidade.
Alerta sobre os efeitos colaterais dos vários
medicamentos que aumentam o peso.
Faz abordagem do paciente com EP mesmo
quando esta patologia não é a causa da
consulta.
Rotineiramente, faz orientação alimentar.
Rotineiramente, orienta o hábito de realizar
exercício físico regular.
O cálculo do IMC para adultos é obtido por meio
da fórmula peso em kg dividido pela altura em
metros.
Efetua o cálculo do IMC na semiologia de rotina
nas suas consultas.

19

12
14
15
18
20
Tratamento
EP.

do

10
17
19
21

3

Autoconfiança do interno para o
manejo da pessoa com EP.

22
23
24

4

Aspectos comportamentais diante
da pessoa com EP.

25
27
28

Verifica a medição da circunferência abdominal
dos seus pacientes adultos.
O valor da circunferência abdominal para
homens é de 92 cm.
O valor de IMC normal para adultos é de 18,5 a
23,9.
A obesidade mórbida é caracterizada por IMC
acima de 30.
Tem conhecimento sobre os critérios para
encaminhar o obeso para a cirurgia bariátrica.
Os medicamentos antiobesidade devem ser
usados por três meses.
Os medicamentos antiobesidade devem ser
usados cronicamente.
A perda de peso de 10% em seis meses é a meta
para obter melhorias na saúde.
Durante a graduação, teve aula sobre
medicamentos para tratamento da obesidade.
Sente-se apto para fazer orientação nutricional.
Sente-se apto para fazer orientação sobre
atividade física.
Sente-se capaz de trabalhar com plano
terapêutico multiprofissional em relação ao EP.
Tem dificuldade para sentir empatia com as
pessoas com EP.
Acredita que a motivação do paciente é
essencial no estímulo para a perda de peso.
Tem preconceito contra as pessoas com EP.

Além das referências específicas sobre o tema, a construção das dimensões
envolveu conceitos como problema de saúde pública, conhecimento, autoconfiança e
fatores comportamentais, como empatia, preconceito e motivação.
Na dimensão 1(Importância do tema enquanto problema de saúde pública),
considerou-se como problema de saúde pública uma condição que provoca impacto
no indivíduo em termos de anos potenciais de vida perdidos, a extensão de
incapacidade, dor e desconforto, o impacto na família do indivíduo, a mortalidade, a
morbidade e os custos do tratamento para a sociedade (COSTA; VICTORA, 2006).
Conhecimento, na estruturação da taxonomia de Bloom (ANDERSON et al.,
2001), é a habilidade de lembrar informações e conteúdos previamente abordados.
Nesse questionário, na dimensão 2(Conhecimento sobre a abordagem à pessoa com
EP), o conhecimento requerido reportou-se às subcategorias factual e conceitual,
atendendo a níveis básicos do processo cognitivo (lembrar, entender e aplicar).
A autoconfiança, na dimensão 3(Autoconfiança do interno para o manejo da
pessoa com EP), foi reconhecida como a capacidade que o indivíduo possui para, em
um determinado ambiente, crer no sucesso de suas ações por meio de suas próprias

20

competências e habilidades psicomotoras, atitudinais e cognitivas (PERRY, 2011).
Esta dimensão abordou a percepção do participante sobre estágios mais elevados do
processo cognitivo (ANDERSON et al., 2001).
Para dimensão 4(Aspectos comportamentais diante da pessoa com EP)
adotou-se, como conceito de empatia, a capacidade de compreender de forma
acurada, bem como de compartilhar ou considerar sentimentos, necessidades e
perspectivas de alguém, expressando esse entendimento de tal maneira que a outra
pessoa se sinta compreendida e validada (FALCONE, 2008). O termo preconceito, de
acordo com a Psicologia Social, foi definido como uma atitude negativa que um
indivíduo está predisposto a sentir, pensar e conduzir em relação a determinado grupo
de uma forma previsível (RIOS, 2016). E motivação foi entendida como um conjunto
de fatores psicológicos ou de processos que levam a uma escolha, instigam e fazem
iniciar um comportamento direcionado a um objetivo (TODOROV; MOREIRA, 2005).

Estudo Piloto
Com o objetivo de avaliar a formatação do questionário, foi realizado um teste
piloto com treze internos que estavam cursando o estágio de Clínica Médica 2 do
internato de Medicina. O objetivo da pesquisa foi explicado e reforçado que a
participação era voluntária. Os internos receberam o questionário impresso com 30
questões e despenderam em torno de dez minutos para respondê-lo.
Após a avaliação das sugestões, foram retiradas as assertivas 16 (avaliava o
IMC de idosos) e 26 (avaliava gráficos de crescimento em crianças), pois o foco da
pesquisa foi a população adulta até 60 anos. Foi acrescida a assertiva 30 (acha
importante a inclusão do tema na graduação).
Foi acrescentada a opção “não tenho conhecimento” às assertivas um,
dois,17,19 e 21, pois o grupo piloto argumentou que não tinha como responder uma
vez que não tinham conhecimento sobre o assunto.

Aplicação do instrumento
O questionário, criado no Google Docs, foi enviado por meio eletrônico
(https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSfDq905bGRoSDfCv_NC7HCii7N9Vw_
DGabwEQf3SY1bGcdr-A/closedform) aos participantes durante o estágio de Clínica
Geral, após os mesmos terem assinado o Termo de Consentimento Livre e
Esclarecido (TCLE) ( APÊNDICE A). O período da coleta das informações foi de junho

21

a novembro de 2018. Os dados produzidos foram armazenados, sistematizados,
tabulados e dispostos em tabelas e quadros.

Procedimento
O critério de inclusão no estudo foi o estudante estar cursando ou ter cursado o
estágio de Clínica Geral do internato de Medicina. Não houve critérios de exclusão, já
que todos os internos convidados estavam aptos a participar da pesquisa.
O estudo foi submetido ao Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da UFAL –
Plataforma Brasil e aprovado com Parecer nº 80644117.4.0000.5013 (ANEXO A).
Todos os participantes assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido
(TCLE) (ANEXO B).

Análise dos dados
Os dados obtidos por meio do questionário do tipo Likert foram estruturados
com

o

auxílio

do

software

Past

3.25

(Download

em:

http://folk.uio.no/ohammer/past/index.html) (HAMMER; HARPER; RYAN, 2001). Os
dados sofreram análises descritivas.
Foram atribuídos valores de 1 (discordo totalmente), 2 (discordo), 3 (concordo)
e 4 (concordo totalmente) de acordo com o grau de concordância expresso pelos
sujeitos nas assertivas cujos conteúdos eram corretos: um, dois, três, cinco, seis, sete,
oito, 11, 12, 16, 17, 19, 20, 21, 22, 23, 24, 27, 29 e 30. Nas assertivas quatro, nove,
dez, 14, 15, 18, 25 e 28, cujos enunciados eram falsos, portanto, com os quais eles
deveriam discordar, a pontuação foi invertida; 4 (discordo totalmente); 3 (discordo); 2
(concordo) e 1 (concordo totalmente). Àqueles que responderam “não ter
conhecimento”, nas assertivas um, dois,17,19 e 21, foi atribuída a pontuação de
menor valor (1). A questão 13 foi retirada pois houve erro de digitação que poderia
causa erro na interpretação. Não havia a questão 26 por erro também na numeração
das questões.
As pontuações foram somadas e realizadas as médias de cada item, assim
como de cada dimensão, o que serviu de base para classificar quanto à zona de
respectivas análises referentes a atitudes e providências curriculares, como está
descrito na Tabela 1. Para a análise final, as médias das asserções foram divididas
em três intervalos de pontuação: de um a 1,99 pontos, a percepção foi considerada
negativa e mudanças de curto prazo deveriam ser tomadas; de dois a 2,99 pontos, a

22

percepção revelava aspectos a serem melhorados, exigindo medidas em médio prazo,
e de três a quatro pontos, a percepção foi considerada positiva, portanto, embora em
uma situação de relativo conforto, pode ser potencializada (VILELA; AMADO, 2018;
WANDERLEY, 2016).
Tabela 1. Intervalo das médias, classificação, atitudes e providências curriculares a
serem tomadas na análise quantitativa dos dados.
Média
3,0-4,0
2,0-2,99
1,0 a 1,99

Classificação
da zona
Conforto

Atitudes frente à
dimensão
Positiva

Providências
curriculares
Potencialização

Alerta

Preocupante

Aprimoramento

Crítica

Negativa

Mudanças
Urgentes

Fonte: Adaptado de Vilela e Amado (2018); Wanderley (2016).

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Para melhor entendimento e visualização, os resultados e a discussão dos
mesmos foram agrupados, tomando como orientação as quatro dimensões
estudadas.

Importância do tema enquanto problema de saúde pública
A obesidade é considerada um grave problema de saúde pública por se tratar
de uma doença epidêmica de grande repercussão no cenário mundial. Além de
inserida no grupo de DCNT, a obesidade é considerada um dos importantes fatores
de risco para outras complicações como: Diabetes Mellitus, hipertensão, doenças
cardiovasculares, entre outros (DUNCAN; CHOR; AQUINO, 2012).
Diante desse panorama, o EP tornou-se objeto de políticas públicas nos últimos
15 anos. Em 2011, o Ministério da Saúde lançou o plano de ação estratégico para o
enfrentamento das DCNT no Brasil 2011-2022 (BRASIL, 2011) e as diretrizes para a
organização da prevenção e do tratamento do sobrepeso e da obesidade, em 2013,
como linha de cuidado prioritária da Rede de Atenção à Saúde das Pessoas com
Doenças Crônicas (BRASIL, 2013), seguindo a tendência internacional (DIAS et al.,
2017; BRASIL, 2011).
Neste estudo, a média das notas atribuídas às cinco assertivas da dimensão 1
(Importância do tema enquanto problema de saúde pública, representada na Tabela

23

2), foi de 3,01, o que a classifica em uma zona de conforto, pois retrata uma atitude
positiva que, para ser mantida como tal, é recomendável ser potencializada. Os dados
da Tabela 2 demonstram a relevância do tema para os internos enquanto problema
de saúde pública.

Tabela 2. Importância do tema para os internos enquanto problema de saúde pública:
Dimensão 1.
Assertiva

Média

Desvio
padrão

Classificação
de zona

Atitudes
frente à
dimensão

Providências
curriculares

1.O EP atingiu
mais de metade
da
população
adulta no Brasil.

3,34

0,70

Conforto

Positiva

Potencialização

3. A obesidade é
uma
doença
crônica.

3,5

0,80

Conforto

Positiva

Potencialização

4. A obesidade
deve ser tratada
por especialista.

2,69

1,31

Alerta

Preocupante

Aprimoramento

29. Durante a
graduação, teve
contato com o
Plano Nacional de
Enfrentamento
das
Doenças
Crônicas
do
Ministério
da
Saúde.

1,75

0,72

Crítica

Negativa

Mudanças
Urgentes

30.
Acha
importante
a
inclusão do tema
na graduação.

3,78

0,42

Conforto

Positiva

Potencialização

DIMENSÃO

3,01

0,79

Conforto

Positiva

Potencialização

Observou-se, nas afirmativas um (média=3,34) e três (média=3,5), que os
internos concordaram que o EP, no Brasil, atingiu mais de metade da população
adulta, assim como que a obesidade é uma doença crônica de forma semelhante à
literatura consultada (FOSTER et al., 2003). Todos, na assertiva 30 (média=3,78),
concordaram com a inclusão do tema na graduação, demonstrando, assim, que o
interno de Medicina reconhece a importância do tema na formação médica.
A discordância (média=1,75) na assertiva 29, que abordou sobre o
conhecimento do plano de ações estratégicas para o enfrentamento das DCNT, foi

24

decisiva no decréscimo da média nessa dimensão. O plano brasileiro está alinhado
às diretrizes da OMS e aborda os quatro principais fatores de risco modificáveis:
tabagismo; alimentação inadequada; inatividade física e consumo abusivo de bebidas
alcoólicas (BRASIL, 2011). Estudos (MALTA; SILVA JUNIOR, 2014; MALTA et al.,
2019) mostraram que, apesar do lançamento do plano, em 2011, a obesidade
continua aumentando na população e pode não atingir a meta prevista para 2022:
estabilizar o crescimento da prevalência da obesidade. A tendência negativa das
respostas dos internos à assertiva que trata do plano, bem como a tendência
preocupante de concordar que a obesidade deve ser tratada por especialista
(média=2,68), pode espelhar o baixo protagonismo da escola pesquisada diante
dessa política pública.

Conhecimento sobre a abordagem à pessoa com EP: prevenção, critérios
diagnósticos e tratamento
A segunda dimensão teve como foco o conhecimento na abordagem ao EP,
tratando pontos considerados essenciais no relatório da AAMC (ASSOCIATION OF
AMERICAN MEDICAL COLLEGES, 2007). A média geral desse tema foi de 2,43
(Tabelas 3, 4 e 5), classificando-se, assim, em uma zona de alerta, pois retrata uma
atitude preocupante que necessita de aprimoramento curricular.
O Projeto Pedagógico do Curso (PPC) (UNIVERSIDADE FEDERAL DE
ALAGOAS, 2013), assim como a rede atenção às doenças crônicas (BRASIL, 2013),
enfatiza a necessidade de o médico atuar de forma preventiva, fazendo o diagnóstico
precoce das doenças e agravos e tratando, de forma integral, além de encaminhar
para a rede de atenção especializada, aqueles casos que têm maior complexidade.
Estes dados estão em conformidade com o VIII Report da Association of American
Medical Colleges (ASSOCIATION OF AMERICAN MEDICAL COLLEGES, 2007), que
trata do projeto de educação médica para a prevenção e o tratamento do EP e
obesidade na graduação.
Na busca por melhor aproveitamento dos resultados, esse tema foi dividido em
subdimensões (prevenção, diagnóstico e tratamento) que serão apresentadas e
discutidas separadamente.

25

Conhecimento sobre a prevenção do EP
Segundo Czeresnia (2003), a prevenção em saúde exige uma ação antecipada,
baseada no conhecimento da história natural, a fim de tornar improvável o progresso
posterior da doença. As ações preventivas definem-se como intervenções orientadas
a evitar o surgimento de doenças específicas, reduzindo sua incidência e prevalência
nas populações. Daí a importância da prevenção por meio do acolhimento e
abordagem às pessoas com EP que busquem atendimento por motivos diversos,
mesmo que essa não seja a causa do atendimento, assim como a avaliação rotineira
dos dados antropométricos para a orientação das pessoas que estão ganhando peso
de forma inadequada (BRASIL, 2014b).
A média da subdimensão conhecimento sobre a prevenção do EP foi de 2,75
(Tabela 3), o que indica zona de alerta, necessitando, assim, de aprimoramento
curricular. O maior impacto neste bloco foi a baixa média (1,67) obtida na assertiva
dois (Tabela 3), que explicita a discordância do impacto do fator genético na etiologia
da obesidade. Resultado semelhante foi demonstrado na revisão de Marques-Lopes
et al. (2004). Isso sinaliza para a necessidade de discussão mais profunda sobre a
etiologia da obesidade de forma que o graduando compreenda os vários mecanismos
da genética molecular e mecanismos neuroquímicos que são responsáveis pelo
balanço energético.
A etiologia do EP é complexa e multifatorial. Resulta da interação de genes,
ambiente, estilos de vida, fatores emocionais, fatores históricos, econômicos, sociais
e culturais que impactam as escolhas alimentares, os alimentos disponibilizados e
toda a cadeia de produção de alimentos (BRASIL, 2014c).
Tabela 3. Conhecimento sobre a prevenção do EP. Subdimensão 2.1.
Assertiva

Média Desvio
padrão

2. O componente
genético
é
responsável por mais
de 50% dos casos de
obesidade.
5. Alerta sobre os
efeitos colaterais dos
vários medicamentos
que aumentam o
peso.
6. Faz abordagem do
paciente com EP

Classificação
de zona

Atitudes
frente à
dimensão

Providências
curriculares

1,66

0,90

Crítica

Negativa

Mudanças
urgentes

2,75

1,14

Alerta

Preocupante

Aprimoramento

3,03

1,03

Conforto

Positiva

Potencialização

26

mesmo quando esta
patologia não é a
causa da consulta.
7.
Rotineiramente,
faz
orientação
alimentar.
8.
Rotineiramente,
orienta o hábito de
realizar
exercício
físico regular.
SUBDIMENSÃO

2,84

1,08

Alerta

Preocupante

Aprimoramento

3,47

0,67

Conforto

Positiva

Potencialização

2,75

0,96

Preocupante

Aprimoramento

Alerta

Também se evidenciou, em zona de alerta, a assertiva cinco (média=2,75).
Esse fato demonstrou uma atitude preocupante, visto que vários medicamentos
utilizados para o tratamento de outras patologias podem contribuir para o aumento do
ganho de peso em indivíduos suscetíveis. Os profissionais de saúde podem ajudar os
pacientes a evitar ou a atenuar o ganho de peso prescrevendo corretamente
medicamentos que promovam a perda de peso ou que minimizem o ganho de peso,
além de estimular um estilo de vida saudável (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA PARA O
ESTUDO DA OBESIDADE E DA SÍNDROME METABÓLICA, 2016).
As afirmativas seis (Abordagem do paciente com EP mesmo quando esta
patologia não é a causa da consulta) e oito (Rotineiramente, orienta o hábito de
realizar exercício físico regular), no Tabela 3, evidenciaram atitudes positivas
relacionadas à prevenção. Estes dados diferem da literatura internacional (COLBERT;
JANGI, 2013; FOSTER et al., 2003), que demonstrou que os médicos não abordam o
EP. Colbert e Jangi (2013), em editorial, discutiram as causas que levam os clínicos
gerais americanos a não cuidarem do EP. Entre estas estão a sobrecarga de trabalho,
o foco em tratar doenças com opções farmacológicas mais efetivas, como diabetes e
hipertensão, e a falta de conhecimento das drogas que atuam na obesidade
(COLBERT; JANGI, 2013). Outros pesquisadores (FANG et al., 2019; PANTENBURG
et al., 2012; JAY et al., 2009) identificaram atitudes preconceituosas que desmotivam
o cuidado da pessoa com EP.
A nutrição desempenha um papel fundamental na promoção da saúde,
prevenção e tratamento de doenças. Detectou-se, na assertiva sete, “Rotineiramente,
faz orientação alimentar” (Tabela 3), uma atitude preocupante (média=2,84), o que é
concordante com as publicações internacionais (BROAD; WALLACE, 2018). Estudos
(DALEY et al., 2016; MOGRE et al., 2018) demonstraram que, na maioria das escolas
de Medicina, não há integração da nutrição no currículo de graduação, o que leva à

27

falta de conhecimento e incapacidade de praticar a nutrição clínica desde a graduação
até os programas de residência médica. Vários artigos discutiram a inclusão curricular
da capacitação nutricional em torno de 25-30 horas para os graduandos e residentes
de Medicina (PERLSTEIN et al., 2016; DIMARIA-GHALILI et al., 2014; KRISETHERTON et al., 2014; KUSHNER et al., 2014).
Diferentemente do estudo de Garry, Diamond e Whitley (2002), que
demonstrou que apenas 21% dos médicos da Atenção Primária discutiram o exercício
com seus pacientes e elencou como barreira a esse tipo de atitude a falta de
conhecimento e habilidades, este estudo mostrou-se, por meio da assertiva oito, em
uma zona de conforto (média= 3,47) no que se relaciona com a orientação de
atividade física.

Conhecimento sobre diagnóstico do EP
Entre os critérios mais simples e facilmente utilizáveis para o diagnóstico do
EP estão o cálculo do IMC e a aferição da circunferência abdominal (ASSOCIAÇÃO
BRASILEIRA PARA O ESTUDO DA OBESIDADE E DA SÍNDROME METABÓLICA,
2016). Apesar das limitações destes métodos, o médico deve incorporá-los na sua
prática clínica, pois estas atitudes estimulam os pacientes a se cuidarem. O estudo de
Sherson, Jimenez e Katalanos (2014) mostraram que os médicos que avaliam o
estado nutricional dos pacientes, diagnosticam e comunicam, aos mesmos, o
diagnóstico obtêm melhor resultado no tratamento. Por outro lado, o referido estudo
demonstra que apenas 20 a 29% realizam este diagnóstico.
Nesta subdimensão 2.2; conhecimento sobre o diagnóstico do EP, os
participantes da pesquisa obtiveram a média de 2,39, classificando-a em uma zona
de alerta, que retrata uma atitude também preocupante, necessitando de
aprimoramento curricular. Diferentemente da subdimensão 2.1, que tratou de
conhecimento sobre a prevenção do EP, aqui não foi observada nenhuma média de
assertiva com classificação de zona de conforto. E duas delas mostraram resultado
que traduz atitude negativa, ou seja, zona crítica (Tabela 4).

28

Tabela 4. Conhecimento sobre os critérios diagnósticos de EP. Subdimensão 2.2.
Assertiva

Desvio
padrão

Classificação
de zona

Atitudes
frente à
dimensão

Providências

2,81

0,54

Alerta

Preocupante

Aprimoramento

11. Efetua o
cálculo do IMC
na semiologia
de rotina nas
suas consultas.
12. Verifica a
medição
da
circunferência
abdominal dos
seus pacientes
adultos.
14. O valor da
circunferência
abdominal para
homens é de 92
cm.
15. O valor de
IMC normal para
adultos é de
18,5 a 23,9.
18. A obesidade
mórbida
é
caracterizada
por IMC acima
de 30.
20.
Tem
conhecimento
sobre
os
critérios
para
encaminhar
o
obeso para a
cirurgia
bariátrica.

2,50

1,05

Alerta

Preocupante

Aprimoramento

1,38

0,61

Crítica

Negativa

Mudanças
urgentes

2,66

1,12

Alerta

Preocupante

Aprimoramento

2,69

1,09

Alerta

Preocupante

Aprimoramento

2,91

0,93

Alerta

Preocupante

Aprimoramento

1,78

0,94

Crítica

Negativa

Mudanças
urgentes

SUBDIMENSÃO

2,39

0,90

Alerta

Preocupante

Aprimoramento

9. O cálculo do
IMC
para
adultos é obtido
pela
fórmula:
peso em Kg
dividido
pela
altura
em
metros.

Média

curriculares

Observou-se, nas assertivas nove,11,15 e 18, que avaliaram o conhecimento
da fórmula do IMC, dos valores referenciais normais e de diagnóstico de obesidade
mórbida, uma atitude de alerta (Tabela 4). Estes dados são concordantes com o

29

estudo de Block, Desalvo e Fisher (2003), o qual constatou que 60% dos médicos não
sabem os valores de referência do IMC.
Quanto à verificação da circunferência abdominal como medida da obesidade
(Tabela 4), há a necessidade de mudanças urgentes no currículo, pois a média, na
assertiva 12, foi de 1,38, o que foi corroborado pela atitude preocupante demonstrada
na assertiva 14 (média = 2,66). Mais uma vez, há similaridade com o estudo de Block,
Desalvo e Fisher (2003), no qual 69% não reconheceram o valor dessa ferramenta
diagnóstica.
A obesidade mórbida, caracterizada por IMC acima de 40 Kg/m², vem
aumentando no Brasil (SANTOS et al., 2010), portanto, é fundamental que o médico
conheça os critérios diagnósticos e de encaminhamento, como é determinado no PPC
(UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS, 2013). Apesar de ter sido identificada
uma zona de quase conforto (média = 2,91) na assertiva “ A obesidade mórbida é
caracterizada por IMC acima de 30”, Tabela 4,que avalia o diagnóstico da obesidade
mórbida, evidenciou-se uma atitude negativa na assertiva 20(Tem conhecimento
sobre os critérios para encaminhar o obeso para a cirurgia bariátrica),média de 1,78,
demonstrando que os participantes desconhecem os critérios de encaminhamento
para a cirurgia bariátrica. Estes dados são compatíveis com a literatura estudada
(SALINAS et al., 2015).
O conhecimento sobre a prevenção do EP é deficiente, mesmo requerendo, do
estudante, apenas “lembrar” conhecimentos ou “aplicar” conhecimentos em situações
e contextos já familiares. Observaram-se zonas mais críticas nas assertivas que
demandavam por um conhecimento mais complexo.

Conhecimento sobre o Tratamento do EP
A atitude dos participantes desta pesquisa sobre o tópico tratamento, de uma
maneira geral, foi preocupante, porque demonstrou falta de conhecimento sobre o
manejo das medicações. Foi classificado como zona de alerta (média = 2,17) e não
foi identificada nenhuma assertiva em zona de conforto (Tabela 5).

30

Tabela 5. Conhecimento sobre o tratamento do EP. Dimensão 2.3.
Assertiva

Média Desvio
padrão

Classificação
de zona

Atitudes
frente à
dimensão

Providências
curriculares

10. Os medicamentos
antiobesidade devem
ser usados por três
meses.

2,53

1,37

Alerta

Preocupante

Aprimoramento

17. Os medicamentos
antiobesidade devem
ser
usados
cronicamente.

1,38

0,71

Crítica

Negativa

Mudanças
urgentes

19. A perda de peso de
10% em seis meses é
a meta para obter
melhorias na saúde.

2,94

0,88

Alerta

Preocupante

Aprimoramento

21
Durante
a
graduação, teve aula
sobre medicamentos
para tratamento da
obesidade.

1,84

0,68

Crítica

Negativa

Mudanças
urgentes

SUBDIMENSÃO

2,17

0,91

Alerta

Preocupante

Aprimoramento

A obesidade é uma patologia que consta na Classificação Internacional das
Doenças (CID), porém, não muitas vezes, não é tratada como tal. Eventualmente, até
se faz o diagnóstico, mas o tratamento não é priorizado (KAPLAN et al., 2018). Este
inclui abordagem nutricional, orientação de atividade física, terapia comportamental
e/ou medicamentosa, além da cirurgia.
Quanto ao tratamento farmacológico, o mesmo é adjuvante das terapias
dirigidas com foco na modificação dos hábitos de vida relacionados com orientações
nutricionais para diminuir o consumo de calorias na alimentação e exercícios para
aumentar o gasto calórico. A escolha da medicação deve ser individualizada,
supervisionada periodicamente pelo médico e mantida por quanto tempo for
necessária desde que seja segura e efetiva. Além disso, deve basear-se na gravidade
do problema e na detecção de falha em perder peso com o tratamento não
farmacológico. A história prévia de falência com tentativa com dieta com restrição
calórica é suficiente para se optar por medicação, desde que tenha IMC > de 27 Kg/
m² com comorbidades ou IMC > 30 Kg/m² (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA PARA O
ESTUDO DA OBESIDADE E DA SÍNDROME METABÓLICA, 2014).
A assertiva 19, “A perda de peso de 10% em seis meses é a meta para obter
melhorias na saúde”, demonstrou uma atitude preocupante (média= 2,94) no que se

31

refere às metas de perda de peso adequadas para a saúde. Também a assertiva “Os
medicamentos antiobesidade devem ser usados cronicamente” (Tabela 5) evidenciou
a necessidade de medidas curriculares urgentes (média=1,38), bem como a assertiva
dez( os medicamentos antiobesidade devem ser usados por três meses- Tabela 5).
Estas informações são concordantes com a literatura (FOSTER et al., 2003;
YANOVSKI; YANOVSKI, 2018; FANG et al., 2019).
Ciciurkaite, Moloney e Brown (2019) discutem as possíveis causas para não
tratar a obesidade com medicação, destacando, entre elas; preconceito; treinamento
inadequado dos profissionais sobre o tema; receio de frustração pela não adesão e
sucesso pelo tratamento; percepção de que o tratamento é inefetivo; pouca estrutura
de suporte e de encaminhamento; pouco tempo na consulta para aconselhamento e
preocupação com os efeitos colaterais das medicações.
A tendência a discordar de oportunidades de aprendizagem (aulas) sobre
medicamentos para o tratamento da obesidade (média= 1,84) corrobora os demais
resultados dessa subdimensão, demonstrando a necessidade de investimento no
aprimoramento curricular sobre a abordagem terapêutica no EP.
Em conjunto, os achados sobre a dimensão conhecimento sobre a
abordagem à pessoa com EP revelaram que a abordagem do EP, de forma
preventiva, não se encontra incorporada à rotina dos diversos cenários de prática
utilizados pela escola médica em questão. As subdimensões que avaliaram o
conhecimento sobre critérios diagnósticos e tratamento mostraram-se mais
deficientes, requerendo ações de aprimoramento curricular em curto e médio prazos.

Autoconfiança para o manejo clínico do EP
Os termos confiança, autoconfiança e autoeficácia, dentro do meio científico,
muitas vezes são tratados como sinônimos, porém, a confiança e a autoconfiança são
elementos importantes do componente cognitivo de autoeficácia do indivíduo.
Emoções e sentimentos podem influenciar diretamente a construção desse atributo.
A autoconfiança pode ser interpretada como a convicção de que a pessoa tem de ser
capaz de fazer ou realizar algo; refere-se à competência pessoal do indivíduo em
atingir seus próprios objetivos (ALMEIDA et al., 2015; PERRY, 2011).
As respostas dos internos aos itens que tratavam da autoconfiança no manejo
clínico do EP, de uma maneira geral, classificaram esta dimensão em zona de alerta

32

(média=2,07) pelos parâmetros atribuídos neste estudo, sendo necessárias
providências curriculares para o aprimoramento deste manejo (Tabela 6).
Tabela 6. Autoconfiança para o manejo clínico do EP.
Assertiva

Média Desvio
padrão

22. Sente-se apto
para fazer orientação
nutricional.
23.Sente-se apto para
fazer orientação sobre
atividade física.

Classificação
de zona

Atitudes
frente à
dimensão

Providências
curriculares

1,75

0,92

Crítica

Negativa

Mudanças
urgentes

2,37

0,98

Alerta

Preocupante

Aprimoramento

24. Sente-se capaz de
trabalhar com plano
terapêutico
multiprofissional em
relação ao EP.

2,09

1,06

Alerta

Preocupante

Aprimoramento

SUBDIMENSÃO

2,07

0,98

Alerta

Preocupante

Aprimoramento

Detectou-se que, apesar de os internos apresentarem uma atitude positiva
frente à assertiva “Rotineiramente, faz orientação alimentar”, inserida na dimensão
que abordou o conhecimento sobre a prevenção (Tabela 3), estes não se perceberam
aptos para tal procedimento, como foi demonstrado na assertiva 22( Sente-se apto
para fazer orientação nutricional) do Tabela 6 (média=1,75). Este resultado é
concordante com as publicações internacionais (BROAD; WALLACE, 2018).
Os participantes do estudo mostraram uma atitude de autoconfiança
preocupante frente à assertiva “Sente-se apto para fazer orientação sobre atividade
física” (média=2,37). De acordo com o estudo de Stanford et al. (2014), médicos e
estudantes de Medicina com IMC normal e que atendiam às diretrizes moderadas e
vigorosas do departamento de saúde dos Estados Unidos eram mais propensos a
sentir-se confiantes em aconselhar seus pacientes sobre atividade física do que
aqueles que não cumpriam as orientações ou aqueles com sobrepeso ou obesidade.
Este argumento pode ter colaborado nos resultados, mas requer mais estudos na
instituição pesquisada.
Além da capacitação individual para tratar o paciente com EP, é essencial que
o tratamento seja realizado por equipe multidisciplinar. Esta forma de trabalhar em
equipe é estimulada nas DCN (BRASIL, 2014a). Nesta pesquisa, os internos não se
sentiram autoconfiantes para trabalhar em equipe multidisciplinar (média= 2,09),

33

evidenciando, assim, a necessidade de investimentos na Educação Interprofissional
(EIP), onde alunos de diferentes cursos estudam juntos e compartilham aprendizados
(BATISTA, 2012).
Para Ceccim (2018), é importante estimular a intercomplementaridade dos
saberes entre as profissões e entre os estudantes de áreas comuns do conhecimento.
Quanto mais se trabalha em equipe, mais se pode compartilhar os saberes uns dos
outros, ampliando-se as competências e a capacidade de resposta.
Diante da constatação de que a formação de médicos autoconfiantes no
manejo clínico do EP implica o desenvolvimento de um profissional que esteja
constantemente usufruindo e relacionando teoria e uma prática colaborativa centrada
no paciente (ASSOCIATION OF AMERICAN MEDICAL COLLEGES, 2007), os
resultados indicam a necessidade premente de o curso pesquisado passar a oferecer
oportunidades de aprendizagem que permitam a associação dessas vertentes (teoria
e prática interprofissional), permitindo que ocorra o desenvolvimento do pensamento
crítico-reflexivo essencial para a atuação clínica (BRANDÃO; CECILIO-FERNANDES,
2018).

Fatores comportamentais para a abordagem das pessoas com EP
A pessoa com EP deve ser atendida com profissionalismo, pois, além das
causas controláveis (alimentação e atividade física), há vários fatores não controláveis
que precisam ser avaliados: genética, ambiental e fatores emocionais. Para tal, é
necessário que os estudantes consigam mobilizar seus conhecimentos e usar as
habilidades de relacionamento interpessoal para entender os sentimentos do paciente
no contexto de suas crenças e valores culturais. Também é primordial que possuam
atitudes de acolhimento, empatia e motivação e que consigam realizar uma
comunicação sem preconceito para com o paciente com EP (BRASIL, 2014b).
Nesta quarta dimensão, a média geral foi de 3,48 refletindo zona de conforto.
Este resultado indicou uma atitude positiva dos participantes no que se refere a fatores
comportamentais na abordagem ao EP (Tabela 7).

34

Tabela 7. Fatores comportamentais para a abordagem das pessoas com EP. Dimensão
4
Assertiva

Média Desvio
padrão

25. Tem dificuldade
para sentir empatia
com as pessoas com
EP.

Classificação
de zona

Atitudes
frente à
dimensão

Providências
curriculares

3,28

0,68

Conforto

Positiva

Potencialização

27. Acredita que a
motivação
do
paciente é essencial
no estímulo para a
perda de peso.

3,75

0,62

Conforto

Positiva

Potencialização

28. Tem preconceito
contra as pessoas
com EP.

3,41

0,61

Conforto

Positiva

Potencialização

SUBDIMENSÃO

3,48

0,64

Conforto

Positiva

Potencialização

Na análise das respostas relacionadas à empatia, ao preconceito e à
motivação, não foi observada qualquer tipo de atitude negativa, o que é discordante
da literatura. Na revisão sistemática de Valente, Pais-Ribeiro e Maia (2012), foram
discutidas as atitudes dos médicos frente aos pacientes com EP e ficou evidente que
a maioria dos clínicos de Medicina Geral e de Família caracteriza os obesos como
preguiçosos, com elevada falta de vontade e de motivação para a perda de peso,
assim como falta de autocontrole. Existe uma correlação negativa entre a percepção
de responsabilidade pessoal e sentimentos de simpatia. Condições médicas
estigmatizadas são menos propensas a evocar simpatia, empatia e intenções para
ajudar (VALENTE; PAIS-RIBEIRO; MAIA, 2012).
Fogelman (2002) detectou que, quanto maiores os anos de experiência do
médico, menores são as atitudes negativas demonstradas, bem como, quanto
maiores os conhecimentos acerca da obesidade, menores são as atitudes negativas,
as dificuldades em abordar o problema e a frustração em lidar com essa questão,
enquanto que aumenta a confiança na eficácia dos tratamentos e na expectativa de
sucesso de perda de peso. No Brasil, há um estudo que também evidenciou o
preconceito dos estudantes da saúde em relação aos obesos (CORDONI; ROSSAKA;
REATO, 2014).
Infere-se, considerando os dados da literatura, bem como o tamanho e
características da amostra deste estudo (internos com pouco tempo de experiência

35

médica que relatam não ter preconceito, sentem empatia e estimulam a motivação
dos pacientes com EP), que os estudantes estariam diante de um processo de
negação. Segundo a Psicologia, trata-se de um mecanismo de defesa do ego:
“consiste na recusa do sujeito aceitar a existência de uma situação penosa demais
para ser tolerada, ou seja, o indivíduo dá como inexistente um pensamento ou
sentimento que, caso ele admitisse, causaria grande angústia’’ (SILVA, 2011, p. 2).
Portanto, para uma maior aproximação da real imagem desta dimensão, são
necessários mais estudos, que aprofundem a discussão sobre o tema.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Neste estudo, foi observado que os internos reconhecem o EP como um tema
relevante na graduação do médico generalista, tratando-se de um problema de saúde
pública. Porém, evidenciou-se a falta de conhecimento e autoconfiança no manejo da
pessoa com EP. Assim, constata-se a necessidade de aprimoramento e medidas de
curto e médio prazo no currículo da escola pesquisada.
Destaca-se a necessidade premente de o curso pesquisado oferecer
oportunidades de aprendizagem que permitam: relacionar a teoria com a prática
colaborativa, interprofissional, centrada no paciente. O desenvolvimento desse
conhecimento deve ocorrer de forma transversal, desde o início da graduação, em
variados cenários, com complexidade crescente do processo cognitivo, permitindo
que ocorra o desenvolvimento do pensamento crítico-reflexivo essencial para a
atuação clínica.
Embora pouco explorados no estudo, os resultados das afirmativas sobre
preconceito e repulsa às pessoas com EP mostraram-se discordantes da literatura,
levando a inferir que pode existir um processo de negação. A condução de pesquisas
nesta área, com a coleta de dados junto aos estudantes e profissionais médicos, pode
contribuir para suscitar discussões e reflexões acerca do tema.
Finaliza-se acreditando que a pesquisa avança no conhecimento e na reflexão
sobre o tema, mas apresenta limites, como a quantidade de participantes e o olhar
centrado apenas no estudante. Assim, fazem-se necessários novos estudos com
outros atores, como preceptores, residentes e usuários.

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Pedagógico do Curso de Medicina - PPC. Maceió: UFAL, 2013. Disponível em:
http://www.ufal.edu.br/unidadeacademica/famed/graduacao/medicina/projetopedagogico/pcc-medicina-2013/view. Acesso em: 28 jun. 2019.
VALENTE, F. T.; PAIS-RIBEIRO, J. L.; MAIA, A. R. P. C. Crenças e práticas dos
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VILELA, R. Q. B.; AMADO, E. Educação interprofissional e prática colaborativa em
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WANDERLEY, V. E. A gestão acadêmica da reestruturação curricular do curso
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42

WORLD HEALTH ORGANIZATION. Obesity and overweight. Geneva: WHO, 2018.
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https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3928674/pdf/nihms-547536.pdf.
Acesso em: 12 set. 2019.

43

3 PRODUTO

O Mestrado Profissional em Ensino na Saúde (MPES) é uma pós-graduação
na modalidade profissional e tem como exigência a elaboração de projeto de
intervenção, que é aplicado e incorporado no Trabalho Acadêmico de Conclusão de
Curso (TACC).
O produto selecionado a partir desta pesquisa foi baseado nos resultados
obtidos e segue a determinação de alguns objetivos do MPES: avaliação de forma
crítica, contínua e transformadora para seus discentes nos diversos cenários de
práticas; desenvolvimento de competência interdisciplinar na sua atuação com os
discentes e compreensão da relação entre a produção do conhecimento científico e
as possibilidades de intervenção na realidade.

3.1 Relatório para o NDE/FAMED/UFAL: enfrentamento da invisibilidade da
temática excesso de peso no currículo de medicina: sugestões aos gestores

O NDE do curso de graduação em Medicina da UFAL é um órgão consultivo da
coordenação de curso responsável pelo processo de concepção, consolidação e
contínua atualização do PPC. Entre as atribuições do NDE, estão determinadas:
elaborar, acompanhar a execução, propor alterações no PPC (e/ou estrutura
curricular) e disponibilizá-lo à comunidade acadêmica do curso para apreciação;
avaliar regularmente a adequação do perfil profissional do egresso do curso; zelar
pela integração curricular interdisciplinar entre as diferentes atividades acadêmicas;
indicar formas de incentivo ao desenvolvimento de atividades de pesquisa e extensão
oriundas de necessidades da graduação, de exigências do mercado de trabalho e
afinadas com as políticas públicas relativas à área do conhecimento.
Diante da importância deste núcleo, foi elaborado um relatório para o
NDE/FAMED/UFAL com o objetivo de compartilhar os resultados da pesquisa e
colaborar com sugestões para o aprimoramento do ensino sobre o cuidado das
pessoas com EP.

44

UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
FACULDADE DE MEDICINA
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENSINO NA SAÚDE
MESTRADO PROFISSIONAL EM ENSINO NA SAÚDE

RELATÓRIO TÉCNICO DE PESQUISA

ENFRENTAMENTO DA INVISIBILIDADE DA TEMÁTICA EXCESSO DE PESO NO
CURRÍCULO DE MEDICINA: SUGESTÕES AOS GESTORES

MACEIÓ-AL
2019

45

UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
FACULDADE DE MEDICINA
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENSINO NA SAÚDE
MESTRADO PROFISSIONAL EM ENSINO NA SAÚDE

MARIA MAGALY ALBUQUERQUE MEDEIROS

RELATÓRIO TÉCNICO DE PESQUISA
ENFRENTAMENTO DA INVISIBILIDADE DA TEMÁTICA EXCESSO DE PESO NO
CURRÍCULO DE MEDICINA: SUGESTÕES AOS GESTORES

Orientadoras:
Profa. Dra. Rosana Quintella Brandão
Vilela
Profa. Dra. Andrea Marques Vanderlei
Fregadolli

MACEIÓ-AL
2019

46

SUMÁRIO

1

APRESENTAÇÃO...............................................................................................

2

O QUE APONTA A PESQUISA “O MANEJO CLÍNICO DO EXCESSO

47

DE PESO: SABERES DOS ESTUDANTES DE MEDICINA”................... 48
2.1

Dados sobre o percurso metodológico....................................................... 48

2.2

Resultados..............................................................................................

50

2.3

Conclusões..............................................................................................

55

3

DESENVOLVIMENTO

DO

PRODUTO

DE

INTERVENÇÃO

NA

PRÁTICA..................................................................................................

55

3.1

Percurso metodológico do produto de intervenção............................ 56

3.2

Resultados..............................................................................................

57

3.3

Dialogando com a literatura sobre as sugestões...............................

60

3.3.1

Incentivo ao estilo de vida saudável no curso de Medicina........................ 60

3.3.2

Intervenções Educativas Teóricas e Práticas sobre o tema excesso de
peso..........................................................................................................

61

3.3.3

Avaliação da aprendizagem......................................................................

62

4

CONSIDERAÇÕES FINAIS...................................................................... 64
REFERÊNCIAS......................................................................................... 65

47

1 APRESENTAÇÃO

Ao longo dos 28 anos da vida profissional da pesquisadora, dos quais quatro
atuando como preceptora do internato e residência de Clínica Médica da
Famed/HUPAA/UFAL, ela observou a deficiência no cuidado dos pacientes com
Excesso de Peso (EP). Os pacientes são vistos por várias especialidades que tratam
das comorbidades causadas pelo EP, mas, na maioria das vezes, o EP é invisível.
Por isso, ela escolheu este tema para o mestrado profissional em ensino na área da
saúde.
Inicialmente,

analisaram-se

as

mudanças

no

currículo

de

Medicina

preconizadas pelas diretrizes curriculares nacionais de 2014, onde é enfatizada a
formação de profissionais capazes entender a etiologia das doenças, de atuar nas
patologias mais prevalentes, de forma preventiva e com equipe multidisciplinar. Todas
estas características também são primordiais para o cuidado do EP.
Após revisão da literatura, concluiu-se que esta é uma dificuldade mundial. Os
dados epidemiológicos evidenciam a epidemia de EP no mundo, mas os profissionais
da saúde ainda não estão preparados para uma atuação adequada. Vários fatores
estão envolvidos na “invisibilidade” do EP, como: falta de reconhecimento como
doença crônica; desconhecimento da fisiopatologia, dos fatores biopsíquicos sociais
e das opções medicamentosas; falta de tempo para examinar o paciente; poucos
medicamentos disponíveis (YANOVSKI; YANOVSKI, 2014) e o preconceito para com
as pessoas com EP. O estudo de Vitolins et al. (2012) demonstrou que a falta de
treinamento sobre o assunto durante a graduação também dificulta o cuidado das
pessoas com EP ao longo da vida profissional.
Escolheu-se o período do internato para realizar o estudo por se tratar da última
etapa da formação do médico generalista, portanto, momento adequado para avaliar
os conhecimentos adquiridos nos ciclos anteriores da graduação.
Para tanto, como proposta de pesquisa, elaborou-se um questionário
semiestruturado baseado na revisão da literatura, tipo escala Likert, cujo objetivo geral
foi verificar o conhecimento e a autoconfiança no manejo da pessoa com excesso de
peso em uma amostra de estudantes do internato de Medicina de uma escola federal
no Nordeste brasileiro.

48

2 O QUE APONTA A PESQUISA “O MANEJO CLÍNICO DO EXCESSO DE PESO:
SABERES DOS ESTUDANTES DE MEDICINA”
2.1 Dados sobre o percurso metodológico
O questionário semiestruturado, com escala tipo Likert, foi composto por 27
assertivas que visaram a responder ao objetivo da pesquisa. Foi organizado em quatro
dimensões (Quadro 2) assim agrupadas: conhecer a importância do tema enquanto
problema de saúde pública; conhecimento sobre a abordagem à pessoa com EP;
autoconfiança do interno para o manejo da pessoa com EP e aspectos
comportamentais diante da pessoa com EP.
Quadro 2 - Descrição das assertivas usadas no questionário.
Nº
1

Dimensão
Importância do tema enquanto
problema de saúde pública.

Item
1
3
4
29

30
2

Conhecimento Prevenção
de
sobre
a excesso de peso.
abordagem
à
pessoa
com
excesso
de
peso.

2
5
6

7
8
Critérios
de
diagnóstico
do
excesso de peso e
encaminhamento.

9

11
12
14
15
18
20

Tratamento
do
excesso de peso

10

Questionário
Assertiva
O excesso de peso atingiu mais da metade da
população adulta no Brasil.
A obesidade é uma doença crônica.
A obesidade deve ser tratada por especialista.
Durante a graduação, teve contato com o Plano
Nacional de Enfretamento das Doenças Crônicas
do Ministério da Saúde.
Acha importante a inclusão do tema na
graduação.
O componente genético é responsável por mais
de 50% dos casos de obesidade.
Alerta sobre os efeitos colaterais dos vários
medicamentos que aumentam o peso.
Faz abordagem do paciente com excesso de peso
mesmo quando esta patologia não é a causa da
consulta.
Rotineiramente, faz orientação alimentar.
Rotineiramente, orienta sobre o hábito de realizar
exercício físico regular.
O cálculo do Índice de Massa Corpórea = IMC
para adultos é obtido por meio da fórmula peso
em quilos dividido pela altura em metros.
Efetua o cálculo do IMC na semiologia de rotina
nas consultas as quais atende.
Verifica a medição da circunferência abdominal
dos seus pacientes adultos.
O valor da circunferência abdominal para homens
é de 92 cm.
O valor de IMC normal para adultos é de 18,5 23,9.
A obesidade mórbida é caracterizada por IMC
acima de 30.
Tem conhecimento sobre os critérios para
encaminhar o obeso para a cirurgia bariátrica.
Os medicamentos antiobesidade devem ser
usados por três meses.

49

17
19
21
3

Autoconfiança do interno para o
manejo da pessoa com excesso de
peso.

22
23
24

4

Aspectos comportamentais diante
da pessoa com excesso de peso.

25
27
28

Os medicamentos antiobesidade devem ser
usados cronicamente.
A perda de peso de 10% em seis meses é a meta
para obter melhorias na saúde.
Durante a graduação, teve aula sobre
medicamentos para tratamento da obesidade.
Sente-se apto para fazer orientação nutricional.
Sente-se apto para fazer orientação sobre
atividade física.
Sente-se capaz de trabalhar com plano
terapêutico multiprofissional em relação ao
excesso de peso.
Tem dificuldade para sentir empatia com as
pessoas com excesso de peso.
Acredita que a motivação do paciente é essencial
no estímulo para a perda de peso.
Tem preconceito contra as pessoas com excesso
de peso.

Para a análise, foram atribuídos valores de 1 (discordo totalmente), 2
(discordo), 3 (concordo) e 4 (concordo totalmente), de acordo com o grau de
concordância expresso pelos sujeitos nas assertivas cujos conteúdos eram corretos:
1, 2, 3, 5, 6, 7, 8, 11, 12, 16, 17, 19, 20, 21, 22, 23, 24, 27, 29 e 30. Nas assertivas 4,
9, 10, 14, 15, 18, 25 e 28, cujos enunciados eram falsos, portanto, esperava-se
discordar, sendo a pontuação invertida; 4 (discordo totalmente), 3 (discordo), 2
(concordo) e 1 (concordo totalmente). Àqueles que responderam não ter
conhecimento, foi atribuída a pontuação menor: 1.
As pontuações foram somadas e realizadas às médias de cada item assim
como de cada dimensão, o que serviu de base para classificar quanto à zona e
respectivas análises referentes a atitudes e providências curriculares, como está
descrito na Tabela 8. Para a análise final, as médias das asserções foram divididas
em três intervalos de pontuação, conforme a Tabela 8.
Tabela 8. Intervalo das médias, classificação, atitudes e providências curriculares a
serem tomadas na análise quantitativa dos dados.
Média
3,0-4,0
2,0-2,99
1,0 a 1,99

Classificação
da zona
Conforto

Atitudes frente à
dimensão
Positiva

Providências
curriculares
Potencialização

Alerta

Preocupante

Aprimoramento

Crítica

Negativa

Mudanças
Urgentes

Fonte: Adaptado de Vilela e Amado (2018); Wanderley (2016).

50

2.2 Os resultados da pesquisa
Os resultados estão apresentados por dimensão e no formato de tabelas. A
primeira dimensão abordou a importância do tema enquanto problema de saúde
pública e está detalhada no Tabela 9.
Tabela 9. Importância do tema para os internos enquanto problema de saúde pública:
Dimensão 1.
Assertiva

Média

Desvio
padrão

Classificação
de zona

Atitudes
frente à
dimensão

Providências
curriculares

1.O EP atingiu
mais de metade
da
população
adulta no Brasil.

3,34

0,70

Conforto

Positiva

Potencialização

3. A obesidade é
uma
doença
crônica.

3,5

0,80

Conforto

Positiva

Potencialização

4. A obesidade
deve ser tratada
por especialista.

2,69

1,31

Alerta

Preocupante

Aprimoramento

29. Durante a
graduação, teve
contato com o
Plano Nacional de
Enfrentamento
das
Doenças
Crônicas
do
Ministério
da
Saúde.

1,75

0,72

Crítica

Negativa

Mudanças
Urgentes

30.
Acha
importante
a
inclusão do tema
na graduação.

3,78

0,42

Conforto

Positiva

Potencialização

DIMENSÃO

3,01

0,79

Conforto

Positiva

Potencialização

A média da primeira dimensão (3,01) apresenta uma zona de conforto,
portanto, uma percepção favorável, entre os participantes, do reconhecimento da
relevância do tema e da sua importância no currículo médico. No entanto, demonstra
a necessidade de uma maior interlocução entre o currículo de Medicina e as
prioridades do sistema de saúde, além de medidas que potencializem a importância
do cuidado da pessoa com EP pelo médico generalista.

51

A segunda dimensão tratou do conhecimento sobre a abordagem à pessoa com
excesso de peso e, para melhor entendimento e aproveitamento dos resultados, foi
subdivida em três subdimensões: prevenção, diagnóstico e tratamento do EP (Tabelas
10, 11 e 12).
Tabela 10. Conhecimento sobre a prevenção do EP. Subdimensão 2.1.
Assertiva

Média Desvio
padrão

2. O componente
genético
é
responsável por mais
de 50% dos casos de
obesidade.
5. Alerta sobre os
efeitos colaterais dos
vários medicamentos
que aumentam o
peso.
6. Faz abordagem do
paciente com EP
mesmo quando esta
patologia não é a
causa da consulta.
7.
Rotineiramente,
faz
orientação
alimentar.
8.
Rotineiramente,
orienta o hábito de
realizar
exercício
físico regular.
SUBDIMENSÃO

Classificação
de zona

Atitudes
frente à
dimensão

Providências
curriculares

1,66

0,90

Crítica

Negativa

Mudanças
urgentes

2,75

1,14

Alerta

Preocupante

Aprimoramento

3,03

1,03

Conforto

Positiva

Potencialização

2,84

1,08

Alerta

Preocupante

Aprimoramento

3,47

0,67

Conforto

Positiva

Potencialização

2,75

0,96

Preocupante

Aprimoramento

Alerta

Tabela 11. Conhecimento sobre os critérios diagnósticos de EP. Subdimensão 2.2.
Assertiva

9. O cálculo do
IMC
para
adultos é obtido
pela
fórmula:
peso em Kg
dividido
pela
altura
em
metros.
11. Efetua o
cálculo do IMC
na semiologia

Média

Desvio
padrão

Classificação
de zona

Atitudes
frente à
dimensão

Providências

2,81

0,54

Alerta

Preocupante

Aprimoramento

2,50

1,05

Alerta

Preocupante

Aprimoramento

curriculares

52

de rotina nas
suas consultas.
12. Verifica a
medição
da
circunferência
abdominal dos
seus pacientes
adultos.
14. O valor da
circunferência
abdominal para
homens é de 92
cm.
15. O valor de
IMC normal para
adultos é de
18,5 a 23,9.
18. A obesidade
mórbida
é
caracterizada
por IMC acima
de 30.
20.
Tem
conhecimento
sobre
os
critérios
para
encaminhar
o
obeso para a
cirurgia
bariátrica.

1,38

0,61

Crítica

Negativa

Mudanças
urgentes

2,66

1,12

Alerta

Preocupante

Aprimoramento

2,69

1,09

Alerta

Preocupante

Aprimoramento

2,91

0,93

Alerta

Preocupante

Aprimoramento

1,78

0,94

Crítica

Negativa

Mudanças
urgentes

Preocupante

Aprimoramento

SUBDIMENSÃO 2,39

0,90

Alerta

Tabela 12. Conhecimento sobre o tratamento do EP. Dimensão 2.3.
Assertiva

Média Desvio
padrão

Classificação
de zona

Atitudes
frente à
dimensão

Providências
curriculares

10. Os medicamentos
antiobesidade devem
ser usados por três
meses.

2,53

1,37

Alerta

Preocupante

Aprimoramento

17. Os medicamentos
antiobesidade devem
ser
usados
cronicamente.

1,38

0,71

Crítica

Negativa

Mudanças
urgentes

19. A perda de peso de
10% em seis meses é
a meta para obter
melhorias na saúde.

2,94

0,88

Alerta

Preocupante

Aprimoramento

21
Durante
a
graduação, teve aula

1,84

0,68

Crítica

Negativa

Mudanças
urgentes

53

sobre medicamentos
para tratamento da
obesidade.
SUBDIMENSÃO

2,17

0,91

Alerta

Preocupante

Aprimoramento

Em conjunto, os achados sobre a dimensão Conhecimento sobre a
abordagem à pessoa com excesso de peso (média=2,43) revelaram que a
abordagem da temática de forma preventiva não se encontra incorporada à rotina dos
diversos cenários de prática utilizados pela escola médica em questão.
Consequentemente, não está alinhada com o preconizado com as diretrizes
curriculares (BRASIL, 2014), que estimulam a diversificação dos cenários de prática
e de aprendizagem. As subdimensões que avaliaram o conhecimento sobre critérios
diagnósticos e tratamento mostraram-se com maior deficiência, requerendo ações de
aprimoramento curricular em curto e médio prazos.
A autoconfiança, na dimensão 3, foi reconhecida como a capacidade que o
indivíduo possui para, em um determinado ambiente, crer no sucesso de suas ações
por meio de suas próprias competências e habilidades psicomotoras, atitudinais e
cognitivas (PERRY, 2011). Esta dimensão abordou a percepção do participante sobre
estágios mais elevados do processo cognitivo (ANDERSON et al., 2001).
As respostas dos internos aos itens que tratavam da autoconfiança no manejo
clínico do EP, de uma maneira geral, classificaram esta dimensão em zona de alerta
(média = 2,07) pelos parâmetros atribuídos neste estudo, sendo necessárias
providências curriculares para o aprimoramento deste manejo (Tabela 13).
Tabela 13. Autoconfiança para o manejo clínico do EP.
Assertiva

Média Desvio
padrão

22. Sente-se apto
para fazer orientação
nutricional.
23.Sente-se apto para
fazer orientação sobre
atividade física.

Classificação
de zona

Atitudes
frente à
dimensão

Providências
curriculares

1,75

0,92

Crítica

Negativa

Mudanças
urgentes

2,37

0,98

Alerta

Preocupante

Aprimoramento

24. Sente-se capaz de
trabalhar com plano
terapêutico
multiprofissional em
relação ao EP.

2,09

1,06

Alerta

Preocupante

Aprimoramento

SUBDIMENSÃO

2,07

0,98

Alerta

Preocupante

Aprimoramento

54

A quarta e última dimensão (Tabela 14) avaliada foi aquela que abordou os
fatores comportamentais para a abordagem das pessoas com excesso de peso. Nesta
dimensão, a média geral foi de 3,48 (zona de conforto). Este resultado indicou uma
atitude positiva dos participantes no que se refere a fatores comportamentais na
abordagem ao EP.
Tabela 14. Fatores comportamentais para a abordagem das pessoas com EP. Dimensão
4
Assertiva

Média Desvio
padrão

25. Tem dificuldade
para sentir empatia
com as pessoas com
EP.

Classificação
de zona

Atitudes
frente à
dimensão

Providências
curriculares

3,28

0,68

Conforto

Positiva

Potencialização

27. Acredita que a
motivação
do
paciente é essencial
no estímulo para a
perda de peso.

3,75

0,62

Conforto

Positiva

Potencialização

28. Tem preconceito
contra as pessoas
com EP.

3,41

0,61

Conforto

Positiva

Potencialização

SUBDIMENSÃO

3,48

0,64

Conforto

Positiva

Potencialização

Na análise das respostas relacionadas à empatia, ao preconceito e à
motivação, não foi observado qualquer tipo de atitude negativa, o que é discordante
da literatura.
Na revisão sistemática de Valente, Paes-Ribeiro e Maia (2012), foram
discutidas as atitudes dos médicos frente aos pacientes com excesso de peso e ficou
evidente que a maioria dos clínicos de Medicina Geral e de Família caracteriza os
obesos como sendo preguiçosos, com elevada falta de vontade e de motivação para
a perda de peso, assim como falta de autocontrole. Existe uma correlação negativa
entre a percepção de responsabilidade pessoal e sentimentos de simpatia; condições
médicas estigmatizadas são menos propensas a evocar simpatia, empatia e intenções
para ajudar.

55

Indica-se, considerando os dados da literatura, bem como o tamanho e
características da amostra deste estudo, a necessidade de outras pesquisas para uma
maior aproximação da real imagem desta dimensão.
2.3 As conclusões da pesquisa

O excesso de peso é uma doença reconhecida pela OMS como uma doença
crônica, que provoca ou acelera o desenvolvimento de muitas outras e causa a morte
precoce. Trata-se de uma condição multifatorial visto que o organismo humano resulta
das interações entre a carga genética e os ambientes: individual e familiar,
socioeconômico, cultural e educativo.
Neste estudo, foi observado que os internos reconhecem o EP como um tema
relevante na graduação do médico generalista, tratando-se de um problema de saúde
pública. Porém, evidenciou-se a falta de conhecimento e autoconfiança no manejo da
pessoa com EP. Assim, indicam-se a necessidade de aprimoramento e a adoção de
medidas de curto e médio prazos no currículo da escola pesquisada. A
conscientização e o incentivo para a formação na prática profissional dos internos,
bem como dos demais estudantes, necessitam ser estimulados por mais
oportunidades de aprendizagem. No entanto, isso demanda investimento curricular
para que se possa observar a mudança na prática, mas instituir excesso de peso como
temática transversal faz-se necessário para que o manejo dessas pessoas faça parte
da rotina do estudante de Medicina.
Dessa forma, destaca-se a necessidade premente de o curso pesquisado
passar a oferecer oportunidades de aprendizagem que permitam relacionar a teoria e
uma prática colaborativa, interprofissional, centrada no paciente. O desenvolvimento
desse conhecimento deve ocorrer desde o início da graduação, em variados cenários
com complexidade crescente do processo cognitivo, permitindo que ocorra o
desenvolvimento do pensamento crítico-reflexivo essencial para a atuação clínica.
Embora pouco explorados no estudo, os resultados das afirmativas sobre
preconceito e repulsa às pessoas com excesso de peso mostraram-se discordantes
da literatura, levando a inferir que pode existir um processo de negação. A condução
de pesquisas nesta área, com a coleta de dados junto aos estudantes e profissionais
médicos, pode contribuir para suscitar discussões e reflexões acerca do tema.

56

Finaliza-se apontando que a pesquisa avança no conhecimento e na reflexão
sobre o tema, mas apresenta limites como: a quantidade de participantes e o olhar
centrado apenas no estudante.

3 DESENVOLVIMENTO DO PRODUTO DE INTERVENÇÃO NA PRÁTICA
Este produto de intervenção na prática é derivado da pesquisa “O MANEJO
CLÍNICO DO EXCESSO DE PESO: SABERES DOS ESTUDANTES DE MEDICINA”,
que teve como objetivo verificar o conhecimento, a autoconfiança e as atitudes no
manejo da pessoa com EP em uma amostra de estudantes do internato de Medicina
de uma escola federal no Nordeste brasileiro. Nesta pesquisa, foi empregada uma
abordagem quantitativa utilizando-se um questionário estruturado com escala tipo
Likert. Ao final do instrumento, foi acrescida a pergunta aberta: “Quais as sugestões
para o aprimoramento do ensino sobre excesso de peso?”. Os dados produzidos por
essa pergunta originaram o material a ser apresentado como conteúdo principal deste
produto de intervenção na prática com o objetivo de enfrentar a invisibilidade da
temática excesso de peso no currículo de Medicina.
3.1 O percurso metodológico do produto de intervenção
Este produto foi gerado a partir da pergunta: “Quais as sugestões para a
aprimoramento do ensino sobre excesso de peso?”. Para responder à pergunta, foram
convidados os estudantes (55) que cursavam o estágio de Clínica Médica 2 do
internato do curso de Medicina de uma universidade federal do Estado de Alagoas.
Desses, treze participaram do teste-piloto do questionário e 32 responderam à
pesquisa. Foram 15 participantes do sexo masculino e 17 do sexo feminino. Esta
amostra corresponde a 80% dos alunos que se encontravam no estágio de Clínica
Médica e 20% dos que cursavam o internato na instituição (FAMED/UFAL).
A pergunta aberta foi respondida por 30 participantes durante o período de
junho a novembro de 2018.
Os dados produzidos foram armazenados, transcritos, sistematizados,
categorizados e dispostos em tabelas.

57

Foi efetuada a Análise de Conteúdo, na modalidade Temática. Esta análise
deu-se a partir de repetidas e cuidadosas leituras. Em continuidade, foram destacadas
as categorias e subcategorias temáticas de acordo com a similaridade das respostas
e das experiências (BARDIN, 2011; MALHEIROS, 2011). A categorização foi seguida
do tratamento e da interpretação dos resultados, que tiveram como base a literatura
consultada.
O estudo foi submetido ao Comitê de Ética em Pesquisa da UFAL – Plataforma
Brasil e aprovado com o Parecer nº 80644117.4.0000.5013. Com o intuito de
preservar o anonimato dos participantes, os seus nomes foram substituídos pela letra
P (participante) seguida de numeração crescente.
3.2 Resultados
A busca por estratégias é fundamental no processo de desenvolvimento
curricular, principalmente no curso que objetiva desenvolver competências médicas
de forma integrada e contextual.

Ao ser abordado o tema “sugestões para o

aprimoramento do ensino sobre EP no âmbito da graduação”, durante a pesquisa
intitulada “O MANEJO CLÍNICO DO EXCESSO DE PESO: SABERES DOS
ESTUDANTES DE MEDICINA”, emergiram, dos discursos dos participantes
(internos), informações significativas que podem indicar caminhos importantes para a
busca da excelência do plano pedagógico do curso. Tais dados traduzem-se em um
material rico para a formulação de um futuro plano de ação.
Para melhor visualização, as respostas foram organizadas em relação às
categorias temáticas, conforme exposto no Quadro 3.
Quadro 3. Intervenções educacionais sugeridas pelos internos para o aprimoramento
do ensino sobre o excesso de peso na pesquisa intitulada “Ensino sobre excesso de
peso na graduação de um curso de Medicina: realidade, reflexões e propostas”.
Alagoas - Brasil, 2017-2019.
Categorias temáticas
Exemplos de narrativa dos participantes
1 Incentivo ao estilo de vida
P4: Fazer, de cada aluno, um paciente, visto que o
saudável no curso de Medicina. ganho de peso durante o curso é muito comum, muito
em função da nossa péssima qualidade de vida. Em
virtude da carga enorme de assuntos pra estudar,
carga horária de aulas/estágios, pouco tempo livre
e/ou muita correria, grande maioria dos estudantes
comem mal (lanches rápidos, por vezes, como
sanduíches e pizzas), ficam com pouco tempo pra
uma atividade física regular (é possível se adequar
com muita disciplina, mas, dentre todas as

58

obrigações que temos, quase sempre a academia é
a escolhida pra ser dispensada quando a corda
aperta), qualidade do sono prejudicada, tudo que
contribui para o ganho de peso e possível obesidade.
Logo, se cada aluno, além de ser um estudante
(tendo aulas sobre o tema), fosse um paciente, com
certeza, seria um tema amplamente aprendido.
2 Características das
intervenções teóricas sobre o
tema EP.
2.1 Uso de metodologias
tradicionais e ativas.

2.2 Atividades transversais,
interdisciplinares e
interprofissionais.

3 Oportunidades de
aprendizagem sobre EP na
prática clínica.
3.1 O ambulatório.

P2: Ser abordado isto em aulas, sendo estas
específicas para este assunto.
P24: Capacitação do estudante por meio de
aula/palestra sobre o correto manejo destes
pacientes.
P14: Estudos, aulas, focar em casos clínicos e
tratamento.
P4: [...] se cada aluno, além de ser um estudante
(tendo aulas sobre o tema), fosse um paciente, com
certeza, seria um tema amplamente aprendido.
P9: Ela deve ter um espaço de discussão destinado
a ela, portanto, seria interessante incluir esse tema
na graduação juntamente com outras patologias
crônicas e de grande prevalência. Isso contribuiria
para que a obesidade deixasse de ser relacionada
apenas a um fator de risco, por sinal, muito
determinante para desenvolvimento de outras
patologias, e passasse a ser abordada como uma
doença, que de fato é. O conhecimento sobre a
doença é o principal caminho para melhor abordagem
da mesma.
P15: [...] poderia se trabalhar com o tema de
obesidade contando com a participação de outros
profissionais da área de saúde, não médicos, que
ofereceriam uma visão mais ampla e completa do
assunto. Este tema deveria ser incluído às aulas de
Saúde e Sociedade, além de na Endocrinologia.
P20: Ter nas grades das matérias de Endocrinologia,
Cirurgia, Cardiologia e nas demais clínicas
envolvidas nas modificações sistêmicas causadas
pela obesidade aulas específicas com discussões,
visto que a obesidade se trata de uma "epidemia"
mundial e todo o médico terá, em sua lista de
pacientes, pessoas com excesso de peso, devendo
assim ter, pelo menos, uma ideia geral do que estes
pacientes necessitam para referenciá-los aos
especialistas ou a um possível tratamento.

P11: O tema deve ser incluído na graduação antes do
início do internato, preferencialmente nas clínicas,
para que seja abordado de forma detalhada, uma vez
que é de grande importância.
P1: Participação em ambulatórios de obesidade.

59

3.2 O internato.

3.3 – A prática colaborativa.

P19: Abordar com mais afinco a temática,
sedimentando o conhecimento mediante o
acompanhamento de casos ambulatorialmente, o
que, em geral, é pouco estimulado.
P26: [...] todas as práticas voltadas ao assunto foram
realizadas em ambulatório de Endocrinologia,
Cardiologia e Saúde da Criança e do Adolescente.
Porém, o tema "obesidade", em si, foi pouco
trabalhado e ele perpassa todas as áreas da
Medicina.
P30: Incluir o tema na grade e aulas no ambulatório.
P10: Incluir, dentro do bloco de Endocrinologia, esse
assunto é reforçar, durante as aulas práticas, a
importância da temática para que se transforme em
parte de nossa prática rotineira, já que é uma doença
que faz parte do nosso dia a dia, mesmo não sendo
a queixa principal de muitos desses pacientes.
P22: Inclusão do tema na graduação e na prática do
internato.
P6: Medidas eficazes na atenção básica contra a
obesidade.
P28: Termos contato com a temática e os pacientes,
sobretudo, no internato, pois aprendemos mais na
prática.
P6: Como posso trabalhar esse assunto de modo
multiprofissional?
P18: [...] como futuros médicos, acredito que não
sejamos capaz de lidar com o processo de sobrepeso
sem o trabalho de equipe multiprofissional, porém,
como temos pouquíssimo contato com estes
profissionais durante a graduação, acabamos não
sendo capazes de reconhecer o limite que nossa
capacidade atinge e o espaço que podemos
direcionar para outros profissionais poderem
complementar no cuidado do paciente.
P25: Tratar sobre as opções terapêuticas, investir na
prevenção e iniciar um plano nacional de combate à
obesidade, com uma abordagem ampla e
multidisciplinar.

4 Conteúdo a ser reforçado nas
intervenções educativas teóricas
e práticas.
4.1 Prevenção.
P27: [...] precisa-se tratar os transtornos
neuropsiquiátricos que podem levar à obesidade,
desde ansiedade a outros sintomas que não se trata
antes mesmo da pessoa ser obesa.
P13: Capacitar melhor os acadêmicos para fazer
orientação nutricional.
4.2 Tratamento do EP.
P16: Aulas específicas sobre o manejo ambulatorial.
P17: Incluir a temática de forma clara e objetiva, com
ênfase no diagnóstico, tratamento farmacológico e
não farmacológico [...].
P26: [...] não me recordo de nenhuma aula sobre
medicações para tratamento de obesidade em toda a
graduação, por exemplo.

60

4.3 Estigmatização.

5 Avaliação de aprendizagem
sobre o tema.

P13: Capacitar melhor os acadêmicos para fazer
orientação nutricional.
P6: Pra quem devo encaminhar e quando?
P20: [...] devendo, assim, ter, pelo menos, uma ideia
geral do que estes pacientes necessitam para
referenciá-los aos especialistas ou a um possível
tratamento.
P18: Acredito que o excesso de peso sofre por um
problema semelhante ao da depressão. Crescemos
acreditando que tais patologias eram apenas
relacionadas à falta de "força de vontade" de cada
indivíduo e, muitas vezes, esquecemos do perfil
metabólico e hormonal (além das outras esferas do
conceito expandido de saúde) de cada indivíduo, o
que deveria ser abordado em sala de aula durante a
graduação. [...]
P7: Cobrar mais em provas.

3.3 Dialogando com a literatura sobre as sugestões

3.3.1 Incentivo ao estilo de vida saudável no curso de Medicina

A Organização Mundial da Saúde (OMS) prevê que, em 2020, dois terços de
todas as doenças em todo o mundo serão o resultado de escolhas de estilo de vida
não saudáveis (CHOPRA; GALBRAITH; DARNTON-HILL, 2002). As doenças
crônicas continuam a aumentar, apesar da forte evidência científica que sustenta os
comportamentos saudáveis como meios eficazes de prevenção e tratamento
(BLANCHARD; SHILTON; BULL, 2012).
Os médicos têm um papel especial em ajudar os pacientes a fazer mudanças
no estilo de vida. No entanto, poucas escolas médicas incorporaram a Medicina do
estilo de vida em seus currículos (MALATSKEY et al., 2019). Verifica-se, na pesquisa
(Quadro 3), o relato sobre a influência de um currículo de Medicina no estilo de vida
do estudante, futuro modelo para a sociedade.
Pesquisas mostraram a associação entre as práticas de saúde dos médicos e
sua capacidade de influenciar o comportamento do estilo de vida de seus pacientes
(OBERG; FRANK, 2009; FRANK et al., 2013). Revelaram, também, que uma prática
pessoal mais saudável durante a graduação prediz positivamente as práticas de
aconselhamento preventivo dos médicos (FRANK et al, 2007; FRANK et al., 2008).
Malatskey et al. (2019) afirmaram que é improvável que os médicos forneçam uma
orientação eficaz se não puderem sustentar comportamentos saudáveis.

61

Diante desses estudos e evidências, é fundamental investir na inclusão da
Medicina do estilo de vida na educação médica. Esta intervenção curricular, durante
a graduação, é um passo estratégico para alterar o panorama do cuidado preventivo
(LIANOV; JOHNSON, 2010; PHILLIPS et al., 2015).

3.3.2 Intervenções Educativas Teóricas e Práticas sobre o tema EP

A graduação médica precisa abordar a epidemia de obesidade para diminuir a
mortalidade e a morbidade por doenças crônicas relacionadas ao excesso de peso.
Constata-se, no Quadro 3, a existência de uma variedade de intervenções
possíveis e eficazes, entre elas, palestras didáticas, discussão de casos clínicos,
encontros com pacientes padronizados, treinamento prático, principalmente no
ambulatório.
O Report VIII Contemporary Issues in Medicine: The Prevention and Treatment
of Overweight and Obesity da Association of American Medical Colleges discutiu e
elaborou o conteúdo para as escolas médicas adotarem objetivando a implantação do
tema na graduação médica (ASSOCIATION OF AMERICAN MEDICAL COLLEGES,
2007).
Uma revisão (MATHARU et al., 2014) examinou os métodos de treinamento
efetivo para a intervenção em sobrepeso e obesidade na graduação médica. Os
estudos utilizaram, com sucesso, uma variedade de métodos de ensino, incluindo
treinamento na prática, palestras, dramatização e interação padronizada de pacientes
para aumentar a competência dos estudantes de Medicina em relação à abordagem
no sobrepeso e obesidade.
Os momentos da inserção do tema EP, como sugerem os internos, podem ser
variados, contando com a participação de várias disciplinas médicas, além da
Endocrinologia (interdisciplinaridade), bem como outras profissões - Educação
Interprofissional (EIP). Nos últimos anos, diversas iniciativas de mudanças na
formação das profissões de saúde recomendam a adoção da EIP para avançar em
uma nova configuração do trabalho (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2010;
FRENK et al., 2010; COSTA, 2016). Outro desafio à EIP envolve a formação docente,
dimensão essencial para essa prática pedagógica, visto que essa vivência requer
novos saberes e habilidades profissionais que orientem seus estudantes a
aprenderem uns com os outros (REEVES et al., 2013).

62

Outros conteúdos fundamentais realçados nas sugestões foram os referentes
ao tratamento farmacológico e não farmacológico da pessoa com excesso de peso.
Essas sugestões estão afinadas com os resultados da pesquisa, que mostraram
lacunas sobre os conhecimentos relacionados à conduta medicamentosa e nutricional
após o diagnóstico, bem como o momento mais adequado de encaminhar ao
especialista.
Nesse sentido, igualmente importante ao aspecto teórico sobre o tema, os
estudantes precisam ser expostos a modelos eficazes no cenário clínico. Os
participantes apontaram a atenção secundária (ambulatório de Endocrinologia,
Cardiologia, entre outros) e a atenção primária em saúde como espaços importantes
e ricos para o exercício prático sobre EP, principalmente no internato. Estas
proposições vão ao encontro das DCN (BRASIL, 2014), que apontam a rede básica
como um campo potencial e necessário de prática colaborativa no qual vários cursos
de formação de profissionais de saúde deverão inserir seus estudantes (SANTOS;
SIMONETTI; CYRINO, 2018).
Ainda sobre modelos eficazes na prática clínica, estudo recente demonstrou
que o conhecimento dos estudantes de Medicina e a prestação de cuidados
relacionados à obesidade melhoram significativamente com o aumento do
treinamento de habilidades e da quantidade de interações com as pessoas com EP
(DOSHI et al, 2011).
Kaplan et al. (2018) demonstraram, por sua vez, que, para melhorar o
tratamento da pessoa com EP, são necessários: o diagnóstico formal da doença; a
priorização na consulta sobre o tema, assim como o acompanhamento com consultas
regulares e a valorização dos programas de cuidado com o peso, além de
conhecimento das medicações. A rotação em um programa de cirurgia bariátrica
mostrou-se mais promissora quando comparada às rotações em outras disciplinas
clínicas (BANASIAK; MURR, 2001).

3.3.3 Avaliação da aprendizagem

Nas sugestões, surge o pleito por mais avaliações sobre o tema.
A avaliação é parte constitutiva das intervenções educativas e propicia o
acompanhamento dos avanços, dificuldades na aprendizagem e deve estar
relacionada com os objetivos da aprendizagem, devendo, assim, estar voltada para

63

os fins e não somente para os resultados. Para tanto, propõe-se o uso conjugado de
modalidades de avaliação integradas entre si e relacionadas diretamente com os
objetivos do curso, a saber:

a) Avaliação diagnóstica; b) Avaliação formativa e c) Avaliação somativa.
Gontijo et al. (2015) afirmaram que “nenhum método é capaz de isoladamente
avaliar os múltiplos aspectos que envolvem o saber médico. Daí a necessidade de a
avaliação combinar diferentes instrumentos e múltiplas observações, com registros
sistemáticos. Os estudos de Ockene et al. (2018) e de Fang et al. (2019) utilizaram o
Exame Clínico Objetivo Estruturado (OSCE) como instrumento de avaliação das
habilidades para o manejo à pessoa com EP.

64

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Buscam-se,

neste

produto

educacional,

entendendo

que

o

simples

reconhecimento da importância ou mesmo a incipiente presença do tema no currículo
são insuficientes para promover o necessário manejo clínico da pessoa com excesso
de peso, uma reflexão e propostas sobre o tema excesso de peso na formação
médica.
Defende-se, neste produto, o investimento no curso de Medicina com a
introdução de políticas “saudáveis” no ambiente da escola médica. Esta conduta é
essencial para ampliar as chances de superar a epidemia de doenças relacionadas
ao estilo de vida, que está dominando a saúde em todo o mundo. Isso requer a
inclusão de um programa de incentivo ao estilo de vida saudável, por meio de
intervenções transversais e frequentes no currículo, enfatizando a importância dos
comportamentos de saúde pessoal e das habilidades profissionais no apoio à
mudança de estilo de vida.
Alega-se, ainda, a necessidade da construção de intervenções educacionais
referentes ao manejo da pessoa com EP, em um contexto interdisciplinar e
interprofissional, voltadas para o conjunto de discentes e docentes/preceptores
envolvidos na formação profissional.
É importante a criteriosa escolha de métodos e técnicas pedagógicos e de
avaliação

que,

amparados

em

fundamentos

teóricos

que

expliquem

o

desenvolvimento das competências necessárias para o manejo de pessoas com EP,
possam efetivamente interferir neste processo de adoecimento.

65

REFERÊNCIAS

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Acesso em: 12 set. 2019.

68

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS DO TACC

O Mestrado Profissional em Ensino na Saúde foi uma experiência
enriquecedora e transformadora em vários aspectos: utilização de metodologias
ativas, alunos e professores de várias profissões, idades e áreas. Isso significou um
mundo novo, pois pertenço a uma geração onde o ensino foi baseado em aulas
expositivas, segregação de profissões e enfoque no conhecimento médico científico.
O estudo, pautado em conhecimentos e experiências compartilhadas,
corresponde a um exemplo vivo de como deveria ser o ensino na saúde e também no
cuidado centrado no paciente, que foi um dos aspectos que mais me despertou para
a realização deste trabalho.
Há evidências, neste estudo, que os internos percebem a importância do tema
para sua formação generalista e a necessidade de desenvolvimento de competências
já definidas nas Diretrizes Curriculares de Medicina e no Projeto Pedagógico do Curso
analisado. Detectou-se, também, que eles fazem orientação alimentar e de atividade
física, mas têm preconceito ao paciente com excesso de peso, contradizendo a
literatura.
Há poucos estudos nacionais sobre o tema. Por isso, a necessidade de
apresentar os resultados desta pesquisa para a comunidade científica, bem como o
desenvolvimento de futuros trabalhos com temáticas que envolvam o sobrepeso e a
obesidade.
A publicação do artigo poderá despertar a discussão e o aprimoramento do
ensino de um assunto de interesse global. A apresentação do relatório para o Núcleo
Docente Estruturante do curso da faculdade estudada também poderá fundamentar a
reflexão e a possível mudança na percepção dos docentes envolvidos na formação
de novos profissionais.
Por fim, a capacitação planejada como mais um produto de intervenção no
ensino suprirá não apenas as lacunas do cuidado do paciente com excesso de peso,
mas também de outras condições que envolvem as doenças crônicas não
transmissíveis, onde é essencial o envolvimento do paciente e da equipe
interprofissional.

69

REFERÊNCIAS

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aplicada à gestão pela qualidade total através da teoria da resposta ao item. In:
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77

APÊNDICES
APÊNDICE A - Questionário: Percepção dos internos de Medicina sobre o cuidado
das pessoas com EP.
Primeira dimensão: Conhecer a importância do tema
Assertiva

Concordo
totalmente

Concordo

Discordo
totalmente

Discordo

Não tenho
conhecimento

1. O EP atingiu mais da metade
da população adulta no Brasil.
2. O componente genético é
responsável por mais de 50%
dos casos de obesidade.
3. A obesidade é uma doença
crônica.
4. A obesidade deve ser tratada
por especialista.
5. Alerta sobre os efeitos
colaterais
dos
vários
medicamentos que aumentam o
peso.
6. Faz abordagem do paciente
com EP mesmo quando esta
patologia não é a causa da
consulta.
7.
Rotineiramente,
faz
orientação alimentar.
8. Rotineiramente, orienta o
hábito de realizar exercício físico
regular.

APÊNDICE B
Segunda dimensão: concepções sobre o diagnóstico e tratamento das pessoas com EP.
Assertiva
9. O cálculo do IMC para adultos é
obtido por meio da fórmula peso em Kg
dividido pela altura em metros.
10. Os medicamentos antiobesidade
devem ser usados por três meses.
11. Efetua o cálculo do IMC na
semiologia de rotina nas suas
consultas.
12.
Verifica
a
medição
da
circunferência abdominal dos seus
pacientes adultos.
13. O valor da circunferência
abdominal para mulheres é de 82 cm.
14. O valor da circunferência
abdominal para homens é de 92 cm.
15. O valor de IMC normal para adultos
é de 18,5 a 23,9.
17. Os medicamentos antiobesidade
devem ser usados cronicamente.
18.
A
obesidade
mórbida
é
caracterizada por IMC acima de 30.
19. A perda de peso de 10% em seis
meses é a meta para obter melhorias
na saúde.
20. Tem conhecimento sobre os
critérios para encaminhar o obeso para
a cirurgia bariátrica.

Concordo
totalmente

Concordo

Discordo
totalmente

Discordo

Não tenho
conhecimento

78

APÊNDICE C - Questionário: Percepção dos internos de Medicina quanto ao cuidado
das pessoas com EP.
Terceira dimensão: fatores facilitadores e barreiras para a abordagem das pessoas com EP.
Assertiva
21. Durante a graduação,
teve
aula
sobre
medicamentos
para
tratamento da obesidade.
22. Sente-se apto para fazer
orientação nutricional.
23. Sente-se apto para fazer
orientação sobre atividade
física.
24. Sente-se capaz de
trabalhar
com
plano
terapêutico multiprofissional
em relação ao EP.
25. Tem dificuldade para
sentir empatia com as
pessoas com EP.
27. Acredita que a motivação
do paciente é essencial no
estímulo para a perda de
peso.
28. Tem preconceito contra
as pessoas com EP.
29. Durante a graduação,
teve contato com o Plano
Nacional de Enfrentamento
das Doenças Crônicas do
Ministério da Saúde.

Concordo
totalmente

Concordo

Discordo
totalmente

Discordo

Não tenho
conhecimento

79

ANEXOS

ANEXO A - Parecer Consubstanciado do CEP

DADOS DO PROJETO DE PESQUISA

Título da Pesquisa: Percepção dos discentes do sexto ano de Medicina quanto ao
cuidado das pessoas com EP na Atenção Primária à Saúde.
Pesquisador: MARIA MAGALY ALBUQUERQUE MEDEIROS
Área Temática:
Versão: 2
CAAE: 80644117.4.0000.5013
Instituição Proponente: Faculdade de Medicina da UFAL
Patrocinador Principal: Financiamento Próprio
DADOS DO PARECER
Número do Parecer: 2.482.545
Apresentação do Projeto:
Devido ao aumento mundial da prevalência das pessoas com EP e às diretrizes
curriculares do curso de Medicina, que incentivam a formação de um médico
generalista, pretende-se avaliar a percepção do graduando de Medicina sobre o tema.
Serão avaliados as atitudes, o conhecimento e a percepção quanto à importância
deste tema na Atenção Primária. Será aplicado questionário usando a escala Likert,
que será respondido por estudantes de Medicina do sexto ano enquanto estiverem
cursando o internato no HUPAA/ UFAL.
Objetivos da Pesquisa:
Objetivo primário:
Analisar o conhecimento do discentes do sexto ano de Medicina de uma universidade
pública sobre EP.
Objetivos secundários:
1.
Conhecer a importância do tema entre discentes de Medicina matriculados no
internato;
2.
Investigar as concepções dos discentes de Medicina matriculados no internato
sobre diagnósticos e condutas às pessoas com EP;
3.
Identificar os fatores facilitadores e as barreiras para a aprendizagem sobre o
cuidado das pessoas com EP;
4.
Conhecer a opinião dos discentes sobre a inserção do tema na graduação de
Medicina.
Avaliação dos Riscos e Benefícios:
Riscos:
Os participantes poderão ter os seguintes incômodos e possíveis riscos à saúde:
ocupação do tempo, desgaste físico e emocional e risco de revelação dos dados
pessoais. Para minimizá-los, garantir-se-ão: a confidencialidade dos dados; a
pesquisa ocorrerá em ambiente agradável, no horário mais conveniente para os

80

participantes. Assegurar-se-á assistência médica nos casos de desgaste físico e
emocional. Garantir-se-á indenização, diante da ocorrência de danos decorrentes da
participação na pesquisa (nexo causal), conforme decisão judicial ou extrajudicial.
Benefícios:
Os benefícios esperados para os participantes da pesquisa são: ter a oportunidade de
conhecer e discutir o tratamento das pessoas com EP, inclusive, melhorando a
atenção do estudante de Medicina com a própria saúde, além de alertar para a
necessidade de essa abordagem ser realizada na Atenção Primária.
Comentários e Considerações sobre a Pesquisa:
O projeto é de relevância para a área de Medicina.
Considerações sobre os termos de apresentação obrigatória:
Os termos apresentados foram:
- Informações básicas;
- TCLE;
- Projeto;
- Orçamento;
- Declaração da Instituição;
- Declaração de conflito;
- Declaração de publicização;
- Cronograma;
- Folha de rosto.
Conclusões ou Pendências e Lista de Inadequações:
As pendências foram cumpridas e o projeto pode ser aprovado segundo a Resolução
466/12.
Continuação do Parecer: 2.482.545
Considerações Finais a critério do CEP:
Protocolo Aprovado
Prezado (a) Pesquisador (a), lembre-se que, segundo a Res. CNS 466/12 e sua
complementar 510/2016:
O participante da pesquisa tem a liberdade de recusar-se a participar ou de retirar seu
consentimento em qualquer fase da pesquisa, sem penalização alguma e sem
prejuízo ao seu cuidado e deve receber cópia do TCLE, na íntegra, por ele assinado,
a não ser em estudo com autorização de declínio;
V.S.a deve desenvolver a pesquisa conforme delineada no protocolo aprovado e
descontinuar o estudo somente após a análise das razões da descontinuidade por
este CEP, exceto quando perceber risco ou dano não previsto ao sujeito participante
ou quando constatar a superioridade de regime oferecido a um dos grupos da
pesquisa que requeiram ação imediata;
O CEP deve ser imediatamente informado de todos os fatos relevantes que alterem o
curso normal do estudo. É responsabilidade do pesquisador assegurar medidas
imediatas adequadas a evento adverso ocorrido e enviar notificação a este CEP e, em
casos pertinentes, à ANVISA;
Eventuais modificações ou emendas ao protocolo devem ser apresentadas ao CEP
de forma clara e sucinta, identificando a parte do protocolo a ser modificada e suas
justificativas. Em caso de projetos dos Grupos I ou II apresentados anteriormente à

81

ANVISA, o pesquisador ou patrocinador deve enviá-los também à mesma, junto com
o parecer aprovatório do CEP, para serem juntados ao protocolo inicial;
Seus relatórios parciais e final devem ser apresentados a este CEP, inicialmente, após
o prazo determinado no seu cronograma e ao término do estudo. A falta de envio de,
pelo menos, o relatório final da pesquisa implicará o não recebimento de um próximo
protocolo de pesquisa de vossa autoria.
O cronograma previsto para a pesquisa será executado caso o projeto seja
APROVADO pelo Sistema CEP/CONEP, conforme Carta Circular nº.
061/2012/CONEP/CNS/GB/MS (Brasília-DF, 04 de maio de 2012).
Este parecer foi elaborado baseado nos documentos abaixo relacionados:
Tipo Documento

Arquivo

Postagem

Informações

PB_INFORMAÇÕE
S_BÁSICAS_DO_P
ETO_1025082.pdf

10/01/2018

Aceito

18:13:32

Aceito

Recurso Anexado
pelo Pesquisador

CARTA.pdf

10/01/2018
09:11:30

Projeto
Detalhado/Brochur
a Investigador
Declaração de
Pesquisadores

PROJETONOVO.p
df

10/01/2018
09:11:06

DECLARACAOPU
BLICIZACAO.pdf

27/12/2017
08:03:35

TCLE/Termos de
Assentimento/Justif
icativa de Ausência

TCLE.pdf

01/12/2017
12:40:38

Declaração de
Pesquisadores

DECLARACAOCO
NFLITO.pdf

01/12/2017
12:39:52

Declaração de
Instituição e
Infraestrutura
Cronograma

TERMOINSTITUIC
AO.pdf

01/12/2017
12:39:40

CRONOGRAMA.pd
f

01/12/2017
12:39:26

FOLHADEROSTO.
pdf

01/12/2017
12:39:10

Básicas do Projeto

Folha de Rosto

Autor

Situação

MARIA MAGALY
ALBUQUERQUE
MEDEIROS
MARIA MAGALY
ALBUQUERQUE
MEDEIROS
MARIA MAGALY
ALBUQUERQUE
MEDEIROS
MARIA MAGALY
ALBUQUERQUE
MEDEIROS

Aceito

MARIA MAGALY
ALBUQUERQUE
MEDEIROS
MARIA MAGALY
ALBUQUERQUE
MEDEIROS
MARIA MAGALY
ALBUQUERQUE
MEDEIROS
MARIA MAGALY
ALBUQUERQUE
MEDEIROS

Aceito

Situação do Parecer: Aprovado
Necessita Apreciação da CONEP: Não
MACEIO, 02 de fevereiro de 2018

Assinado por: Luciana Santana (Coordenador)

Aceito

Aceito

Aceito

Aceito

Aceito

Aceito

82

ANEXO B - Termo de Consentimento Livre e Esclarecido
Você está sendo convidado (a) a participar do projeto de pesquisa Percepção dos
discentes do sexto ano de Medicina quanto ao cuidado das pessoas com EP na
Atenção Primária à Saúde, da pesquisadora Maria Magaly Albuquerque Medeiros.
A seguir, as informações do projeto de pesquisa com relação à sua participação neste
projeto, de acordo com as Resoluções CNS n 466/2012 e n 510/2016:
1. O estudo destina-se a avaliar a percepção dos discentes do sexto ano de Medicina
quanto ao cuidado das pessoas com EP na Atenção Primária à Saúde;
2. A importância deste estudo está em avaliar como os discentes do sexto ano de
Medicina se comportam frente às pessoas com EP, se foram capacitados para o
tratamento e se entendem a importância do tema e a necessidade dessa abordagem
ser realizada na Atenção Primária à Saúde;
3. Os resultados poderão contribuir no aprimoramento do currículo médico da UFAL,
capacitando médico generalista para atuar no cuidado das pessoas com EP na
Atenção Primária;
4. A coleta de dados ocorrerá no período de março/2018 a abril/2018, e o início darse-á apenas após a aprovação do comitê de ética;
5. O estudo será realizado por meio da aplicação do questionário elaborado pela
pesquisadora durante o estágio de sexto ano dos discentes no HUPAA;
7. Os incômodos e possíveis riscos à sua saúde são: ocupação do tempo, desgaste
físico e emocional e risco de revelação dos dados pessoais. Para minimizá-los,
garantir-se-ão: confidencialidade dos dados; a pesquisa ocorrerá em ambiente
agradável, no horário mais conveniente para os participantes. Assegurar-se-á
assistência médica nos casos de desgaste físico e emocional. Garantir-se-á
indenização, ocorrendo danos decorrentes da participação na pesquisa (nexo
causal), conforme decisão judicial ou extrajudicial;
8. Os benefícios esperados com a sua participação no projeto de pesquisa são:
conhecer, discutir o tratamento das pessoas com EP, inclusive, melhorando a atenção
do estudante de Medicina com a própria saúde e alertar para a necessidade de essa
abordagem ser realizada na Atenção Primária;
9. Caso você necessite de alguma assistência ou informação referente à pesquisa,
poderá procurar a pesquisadora principal (Maria Magaly Albuquerque Medeiros) no
Ambulatório 2, sala 50, do HUPAA, às terças-feiras à tarde ou às quartas-feiras,
quintas-feiras e sextas-feiras no quarto andar setor de Clínica Médica. Também pode
contatá-la por meio do e-mail: magalymedeiros@uol.com.br ou pelo telefone
991066349;
10. Você será informado (a) do resultado final do projeto e, sempre que desejar, serão
fornecidos esclarecimentos sobre cada uma das etapas do estudo;
11. A qualquer momento, você poderá recusar a continuar participando do estudo e
retirar seu consentimento, sem que isso lhe traga qualquer penalidade ou prejuízo;

83

12. As informações conseguidas por meio da sua participação não permitirão a
identificação da sua pessoa, exceto para a equipe de pesquisa, bem como a
divulgação das mencionadas informações, que só será feita entre os profissionais
estudiosos do assunto com a sua autorização;
13. O estudo não acarretará nenhuma despesa para você;
14. Você receberá uma via do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido assinado.
Eu...............................................................................................................................,
tendo compreendido perfeitamente tudo o que me foi informado sobre a minha
participação no mencionado estudo e estando consciente dos meus direitos, das
minhas responsabilidades, dos riscos e dos benefícios que a minha participação
implicam, concordo em dele participar e, para isso, eu DOU O MEU
CONSENTIMENTO SEM QUE, PARA ISSO, EU TENHA SIDO FORÇADO OU
OBRIGADO.
Endereço dos (das) responsável (is) pela pesquisa (OBRIGATÓRIO):
Instituição: Hospital Universitário Prof. Alberto Antunes/UFAL
Endereço: Av. Lourival Melo Mota, s/nº, Tabuleiro
Complemento:
Cidade/CEP: Maceió/57072-900
Telefone: (82) 3202-3800
Ponto de referência: Universidade Federal de Alagoas
Contato de urgência: Sra. Maria Magaly Albuquerque Medeiros
Endereço: Avenida Lourival Melo Mota, s/nº, Tabuleiro
Complemento:
Cidade/CEP: Maceió/57072-900
Telefone: (82) 991066349/E-mail: magalymedeiros@uol.com.br
Ponto de referência: Ambulatório da Endocrinologia/Clínica Médica.

ATENÇÃO: O Comitê de Ética da UFAL analisou e aprovou este projeto de pesquisa. Para obter mais
informações a respeito deste projeto de pesquisa, informar ocorrências irregulares ou danosas durante
a sua participação no estudo, dirija-se ao:
Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Alagoas
Prédio do Centro de Interesse Comunitário (CIC), térreo, ao lado do Sintufal, Campus A. C. Simões,
Cidade Universitária
Telefone: 3214-1041 – Horário de Atendimento: das 8h às 12h.
E-mail: comitedeeticaufal@gmail.com
Maceió,

de

de .

Assinatura ou impressão datiloscópica do (a) Nome e Assinatura do Pesquisador pelo
voluntário (a) ou responsável legal
estudo