Layanne Crystina Bandeira Nunes - A INTEGRAÇÃO ENSINO, SERVIÇO E COMUNIDADE E A RELAÇÃO COM A FORMAÇÃO ACADÊMICA: A PERCEPÇÃO DOS DISCENTES DO CURSO DE MEDICINA DE UMA UNIVERSIDADE PÚBLICA DE ALAGOAS

Arquivo
TACC Layanne Bandeira.pdf
Documento PDF (1.2MB)
                    UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
FACULDADE DE MEDICINA – FAMED
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENSINO NA SAÚDE

LAYANNE CRYSTINA BANDEIRA NUNES

A INTEGRAÇÃO ENSINO, SERVIÇO E COMUNIDADE E A RELAÇÃO COM A
FORMAÇÃO ACADÊMICA: A PERCEPÇÃO DOS DISCENTES DO CURSO DE
MEDICINA DE UMA UNIVERSIDADE PÚBLICA DE ALAGOAS

MACEIÓ
2020

1

LAYANNE CRYSTINA BANDEIRA NUNES

A INTEGRAÇÃO ENSINO, SERVIÇO E COMUNIDADE E A RELAÇÃO COM A
FORMAÇÃO ACADÊMICA: A PERCEPÇÃO DOS DISCENTES DO CURSO DE
MEDICINA DE UMA UNIVERSIDADE PÚBLICA DE ALAGOAS

Trabalho Acadêmico de Conclusão do Curso
de Mestrado apresentado ao Programa de
Pós-Graduação em Ensino na Saúde da
Faculdade de Medicina da Universidade
Federal de Alagoas, para obtenção do grau
de Mestre em Ensino na Saúde.
Orientadora: Profª. Drª. Jerzuí Mendes Torres
Tomaz.
Co Orientador: Prof. Dr. Carlos Henrique
Falcão Tavares.

MACEIÓ
2020

2

3

4

Aos meus pais, esposo, irmã, sobrinhos e avó
por sempre me proporcionarem o apoio que eu
preciso pra continuar e seguir em frente,
superando

todos

os

obstáculos.

Por

me

demonstrarem amor e companheirismo em
todos os momentos, me estimulando e me
tornando uma pessoa mais forte. O meu
muitíssimo obrigado! Amo vocês!

5

AGRADECIMENTOS

À Deus pelo dom da vida e por todas as pessoas maravilhosas que colocou
em minha trajetória. Por sempre me guiar e conduzir, me proporcionar força e
coragem para vencer mais este desafio.
Aos meus pais Raimundo Nunes e Maria do O’ Bandeira Nunes pelo amor
incondicional que sempre me dedicaram. Por me transmitirem valores e princípios
que sempre carregarei comigo. Por nunca terem me permitido desistir.
À minha avó Antônia Bandeira, minha irmã Layla Nunes pelo apoio e palavras
de estímulo e aos meus sobrinhos João Gabriel e Pedro Lucas, que amo sem
medida.
Ao meu esposo Lucas Ferraz pelo apoio, companheirismo, estímulo, por
entender os meus momentos de ausência, por mostrar-se sempre disposto a me
ajudar. Obrigada pelo seu amor, cuidado e dedicação. À Lizinha, por sempre se
acomodar no meu colo enquanto eu produzia este trabalho.
À Jerzuí Tomaz e Carlos Henrique pela dedicação, paciência, por se
mostrarem sempre disponíveis, pela competência com que me conduziram e me
nortearam para que fosse possível a concretização deste trabalho.
Aos meus familiares e amigos que sempre torceram e acreditaram em mim.
À turma do Mestrado Profissional de Ensino na Saúde 2017, “os queridinhos”,
pelo companheirismo, estímulo e momentos maravilhosos compartilhados. A melhor
turma do MPES!
Aos professores do Mestrado Profissional de Ensino na Saúde pelo
compartilhamento de experiências, pela motivação e acolhimento.
Aos participantes desta pesquisa, por se voluntariarem e pelos seus relatos
tão ricos que possibilitaram a realização desse trabalho.

Muito obrigada!

6

Podemos e devemos aprender. E, ao
aprendermos,

nos

dotamos

das

competências que nos permitem ser
aquilo que podemos vir a ser – o que será
sempre muito mais do que aquilo que
somos.
José Luiz Tejon Megido
Guerreiros não Nascem Prontos

7

RESUMO GERAL DO TACC

Diante da Implantação do Sistema Único de Saúde e da reorientação dos Serviços
de Saúde segundo um novo foco de assistência, as Diretrizes Curriculares Nacionais
do Curso de Graduação em Medicina propõe a reformulação do Currículo para a
formação em Medicina voltada para o atendimento às reais necessidades de saúde
da população e ancorado na realidade epidemiológica como fator determinante no
processo saúde-doença. Este Trabalho Acadêmico de Conclusão de Curso consta
um artigo, elaborado a partir da pesquisa intitulada “A Integração Ensino, Serviço e
Comunidade e a Relação com a Formação Acadêmica: a Percepção dos Discentes
do Curso de Medicina de uma Universidade Pública de Alagoas”, desenvolvida no
contexto do programa de Mestrado Profissional de Ensino na Saúde. Tal pesquisa
teve como objetivo geral analisar a percepção dos graduandos do Curso de
Medicina de uma Universidade Pública de Alagoas sobre a Integração Ensino,
Serviço e Comunidade e a Relação com a Formação Acadêmica e Profissional.
Trata-se de um estudo exploratório, de abordagem qualitativa, onde foram realizadas
entrevistas com os discentes do 11º período do Curso de Medicina. A análise dos
dados foi realizada segundo a Análise de Conteúdo de Bardin. Foram estabelecidas
3 categorias de análise: o entendimento dos discentes do curso de medicina acerca
da integração ensino, serviço e comunidade; as atividades práticas nos cenários da
Atenção Básica e a relação Academia – Serviço de Saúde; e a Integração Ensino,
Serviço e Comunidade e suas repercussões na Formação Acadêmica e Profissional.
Os resultados evidenciam dificuldades e obstáculos no processo de Integração
Ensino, Serviço e Comunidade, como a recusa de profissionais do serviço em
receber os discentes nos cenários de prática, a frágil relação academia-serviço, além
da dificuldade da academia em proporcionar campo de prática para as atividades
discentes. Os resultados apontam ainda a prevalência do modelo biomédico, a
repercussão Integração Ensino, Serviço e Comunidade para a Formação Acadêmica
e Profissional e a não participação dos preceptores do serviço no processo de
Formação Acadêmica. A partir dos resultados foi elaborado como produto
educacional um Manual de orientação para a realização das atividades práticas nos
cenários da Atenção Básica. Este manual objetiva apontar estratégias para efetivar a
Integração Ensino, Serviço e Comunidade e fornecer instrumento para definição dos
objetivos educacionais dos discentes e instrumento para avaliação discente acerca
das atividades práticas, favorecendo a reflexão sobre as atividades desenvolvidas.

Descritores: Serviços de Integração Docente-Assistencial e Comunidade. Sistema
Único de Saúde. Educação Médica. Atenção Primária à Saúde.

8

GENERAL ABSTRACT OF TACC

Given the implementation of the National Health System (SUS) and the restructuring
of the health services according to a new health care focus, the National Curricular
Guidelines of the Undergraduate Medicine Course proposes a restructuring of the
medical curriculum aimed at meeting the real health needs of the population and
grounded on epidemiological reality as a determining factor in the health-disease
process. This final course paper (TACC in Portuguese) consists of an article,
developed from a study entitled “Teaching, Service and Community Integration and
the Relationship with Academic Training: Perception of Medical Students from a
Public University in Alagoas”, conducted in the Master’s in Professional Health
Teaching program. The general objective of this research was to analyze the
perception of graduating medical students from a public university in Alagoas state,
Brazil regarding teaching-service-community integration and the relationship with
academic and professional training. This is a qualitative exploratory study, involving
interviews with students in the 11th semester of the Medical Course. Data analysis
was carried out according to Bardin’s content analysis. Three analysis categories
were established: the understanding of medical students about teaching-servicecommunity integration; practical activities in basic care settings and the academiahealth service relationship; and teaching-service-community integration and its
repercussions for academic and professional training. The results show difficulties
and obstacles in the teaching-service-community integration process, such as
professionals refusing to receive students in practical settings, the fragile academiaservice relationship, in addition to the difficulty faced by academia in providing a
suitable environment for practical student activities. The findings also demonstrate
the prevalence of the biomedical model, the repercussion of teaching-servicecommunity integration for academic and professional training and the nonparticipation of preceptors from the service in the academic training process. Based
on the results, a manual of practical activities in basic care settings was created. This
manual aims at describing teaching-service-community integration strategies, and
provide an instrument to establish the educational goals of students and their
assessment of practical activities, encouraging them to reflect on the activities
developed.

Descriptors: Teaching Care Integration Services. Unified Health System. Education,
Medical. Primary Health Care.

9

LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

AB

Atenção Básica

APS

Atenção Primária à Saúde

CNE

Conselho Nacional de Educação

DCN

Diretrizes Curriculares Nacionais

EAPMC

Eixo de Aproximação à Prática Médica e à Comunidade

EDP

Eixo de Desenvolvimento Pessoal

ESF

Estratégias de Saúde da Família

ETPI

Eixo Teórico-Prático-Integrado

FAMED

Faculdade de Medicina

IBGE

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

MPES

Mestrado Profissional em Ensino na Saúde

PPC

Projeto Pedagógico do Curso

SUS

Sistema Único de Saúde

TCLE

Termo de Consentimento Livre e Esclarecido

UFAL

Universidade Federal de Alagoas

10

SUMÁRIO

1

APRESENTAÇÃO.........................................................................................

2

ARTIGO: A Integração Ensino, Serviço e Comunidade e a Relação

10

com a Formação Acadêmica......................................................................

12

2.1

Introdução.....................................................................................................

14

2.2

Percurso Metodológico...............................................................................

17

2.3

Resultados e Discussões............................................................................

18

2.4

Considerações Finais..................................................................................

37

REFERÊNCIAS ............................................................................................. 39
APÊNDICE A – FORMULÁRIO DE COLETA DE DADOS .......................

44

APÊNDICE B – TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E
ESCLARECIDO.............................................................................................

45

ANEXO A – PARECER CONSUBSTANCIADO DO COMITÊ DE ÉTICA
EM PESQUISA............................................................................................
3

48

PRODUTO EDUCACIONAL: Manual de Orientação para a realização
de Atividades Práticas no Contexto da Integração Ensino, Serviço e

4

Comunidade, nos Cenários da Atenção Básica .....................................

53

CONSIDERAÇÕES FINAIS DO TACC.......................................................

75

REFERÊNCIAS GERAIS.............................................................................

77

10

1 APRESENTAÇÃO

Este trabalho representa a minha trajetória de aprendizagem no Mestrado
Profissional em Ensino na Saúde (MPES), da Faculdade de Medicina (FAMED), da
Universidade Federal de Alagoas (UFAL). Corresponde à pesquisa intitulada “A
Integração Ensino, Serviço e Comunidade e a Relação com a Formação Acadêmica:
a Percepção dos Discentes do Curso de Medicina de uma Universidade Pública de
Alagoas”.
A motivação para desenvolver esta pesquisa surgiu a partir da atuação, como
enfermeira da Faculdade de Medicina (FAMED-UFAL), na Disciplina Saúde e
Sociedade II, módulo Habilidades.
A Disciplina Saúde e Sociedade integra o Eixo de Aproximação à Prática
Médica e Comunidade (EAPMC) e se dá de maneira longitudinal no Curso de
Graduação em Medicina na Universidade em que a pesquisa foi desenvolvida.
A Disciplina Saúde e Sociedade possui objetivos definidos no Projeto Político
Pedagógico do Curso de Graduação em Medicina, como oportunizar o conhecimento
acerca do processo saúde-doença, a aproximação com o paciente, família e
Serviços de Saúde no contexto da Integração Ensino, Serviço e Comunidade. Além
disso, promove o conhecimento acerca da Gestão do Sistema Único de Saúde, da
medicina do trabalho, considerando as principais patologias relacionadas à saúde do
trabalhador.
No contexto da Disciplina Saúde e Sociedade II, tive a oportunidade, como
preceptora da Universidade, de acompanhar os discentes do Curso de Graduação
em Medicina nas atividades práticas desenvolvidas nas Unidades de Saúde da
Estratégia de Saúde da Família (ESF). E, nestas oportunidades, foi possível
observar obstáculos advindos do processo de Integração Ensino, Serviço e
Comunidade, que resultaram em dificuldades para o desenvolvimento, pelos
estudantes, das atividades propostas pela Academia nos Serviços de Saúde.
A vivência nos cenários de prática da Atenção Básica, como preceptora, e os
obstáculos no processo de Integração Ensino, Serviço e Comunidade me levaram a

11

refletir acerca das repercussões da Integração para a Formação Acadêmica e
Profissional dos discentes do Curso de Medicina. Diante disto, esta pesquisa tem o
interesse de analisar a perspectiva dos Discentes do Curso de Medicina de uma
Universidade Pública de Alagoas sobre a Integração Ensino, Serviço e Comunidade
e a Relação com a Formação Acadêmica e Profissional.

12

2 ARTIGO: A Integração Ensino, Serviço e Comunidade e a Relação com a
Formação Acadêmica

RESUMO
Diante da implantação do Sistema Único de Saúde e da reorientação dos
serviços de saúde, as Diretrizes Curriculares Nacionais determinam a reformulação
do currículo médico. O objetivo geral foi analisar a percepção dos graduandos do
curso de medicina sobre a integração ensino, serviço e comunidade e a relação com
a formação acadêmica e profissional. Trata-se de um estudo com abordagem
qualitativa, onde foram entrevistados discentes do 11º período do curso de medicina.
Estabeleceu-se 3 categorias de análise: o entendimento dos discentes do curso de
medicina acerca da integração ensino, serviço e comunidade; as atividades práticas
nos cenários da atenção básica e a relação academia – serviço de saúde; e a
integração ensino, serviço e comunidade e suas repercussões na formação
acadêmica e profissional. Os resultados evidenciam dificuldades e obstáculos no
processo de integração, como a frágil relação academia-serviço e a prevalência do
modelo biomédico. Analisou-se ainda a repercussão da integração ensino, serviço e
comunidade para a formação acadêmica e profissional. Entende-se que a integração
merece maior enfoque, na academia e nos serviços de saúde, e necessita de um
planejamento efetivo das ações que serão desenvolvidas, integrando teoria e
prática.

Descritores: Serviços de Integração Docente-Assistencial e Comunidade. Sistema
Único de Saúde. Educação Médica. Atenção Primária à Saúde.

13

ARTICLE: Integrating teaching, service and community and the relation with
academic training

ABSTRACT
Given the implementation of the National Health System (SUS) and the
restructuring of the health services, the National Curricular Guidelines determined a
reformulation of the medical curriculum. The overall objective was to analyze the
perception of graduating medical students with respect to integrating teaching,
service and community and the relation with academic and professional training. This
is a qualitative study in which medical students in the 11th semester were interviewed.
Three categories of analysis were established: the understanding of medical students
about integrating teaching, service and community; practical activities in basic health
and the academia-health service relation; and integrating teaching, service and
community and its repercussions in academic and professional training. The results
show difficulties and obstacles in the integration process, such as the fragile
academia-service relation and the prevalence of the biomedical model. Also analyzed
was the repercussion of integrating teaching, service and community for academic
and professional training. It can be concluded that integration deserves more
attention in academia and in health services, and that effective planning of the
actions to be implemented is needed. This can be achieved by integrating theory and
practice.

Descriptors: Teaching Care Integration Services. Unified Health System. Education,
Medical. Primary Health Care.

14

2.1 Introdução

A criação do Sistema Único de Saúde (SUS), pela constituição Federal do
Brasil (1988), representa uma ruptura com o modelo de prestação de serviços de
saúde a população, tanto pelo caráter universal de assistência, quanto pela
mudança no foco da assistência. Este foco deixa de ser essencialmente curativo,
com ênfase no tratamento e reabilitação, passando a um caráter preventivo, com
destaque para a promoção da saúde e prevenção de agravos, aproximando os
serviços e os profissionais de saúde da população (BRASIL, 1990).
Para Gonçalves et al. (2009), o Sistema Único de Saúde (SUS), desde a sua
criação, precisa de profissionais capazes de produzir cuidado segundo um novo
modelo, que não se restrinja aos aspectos biomédicos.
Após a implantação do Sistema Único de Saúde (SUS), por meio da Lei
Orgânica da Saúde (1990), e da reorganização dos serviços, surgem algumas
dificuldades relacionadas ao perfil dos profissionais atuantes nestes serviços, o que
resulta na reorientação acerca da formação em saúde e na modificação da Matriz
Curricular dos cursos da área da saúde.
Na concepção de Ferreira, Fiorini e Crivelaro (2010), para atuação no Sistema
Único de Saúde (SUS) faz-se necessário que os modelos de formação sejam
revistos. Neste sentido, em 2001 o Conselho Nacional de Educação (CNE) institui as
Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) do Curso de Graduação em Medicina, que
define o perfil do egresso/profissional médico e propõe mudanças na formação
acadêmica. Além disso, destaca que esta formação deve preparar o profissional
para a atuação no Sistema Único de Saúde (SUS), na perspectiva da integralidade
da assistência.
Em 2014, os fundamentos propostos para formação em medicina são
ampliados pelas DCN, que abordam a Formação Médica com desdobramentos em
três áreas: Atenção à Saúde, Gestão em Saúde e Educação em Saúde e definem
quais a competências que o graduando em medicina deve adquirir em cada área,
colocando o graduando como sujeito ativo no processo ensino-aprendizagem.

15

As DCN estabelecem o aprendizado com a prática nos Serviços de Saúde do
Sistema Único de Saúde (SUS), contextualizada com a realidade local, vinculando,
por meio da Integração Ensino-Serviço, a formação médico-acadêmica às
necessidades sociais da saúde.
Na concepção de Albuquerque et al. (2008, p. 357), a Integração EnsinoServiço é entendida como o “trabalho coletivo, pactuado e integrado de estudantes e
professores dos cursos de formação na área da saúde com trabalhadores que
compõem as equipes dos serviços de saúde, incluindo-se os gestores”.
Com base nas DCN de 2001, o Projeto Pedagógico do Curso (PPC) de
Medicina, da Universidade Pública em questão, foi construído em 2013 e propõe a
reorientação para o trabalho e tem o SUS como principal cenário de formação
profissional e com objetivo de promover a Integração Ensino, Serviço e Comunidade.
Considerando o Projeto Pedagógico do Curso (PPC), a Matriz Curricular do
Curso de Medicina se sustenta em três eixos articulados entre si: Eixo TeóricoPrático-Integrado (ETPI), Eixo de Aproximação à Prática Médica e à Comunidade
(EAPMC) e Eixo de Desenvolvimento Pessoal (EDP). Estes eixos reúnem as
disciplinas que compõem a Matriz Curricular do Curso.
No Eixo de Aproximação à Prática Médica e à Comunidade (EAPMC)
destaca-se na Disciplina Saúde e Sociedade, que se dá de forma longitudinal no
Curso de Graduação em Medicina da Universidade em questão.
De acordo com o PPC, a Disciplina Saúde e Sociedade visa proporcionar a
Integração Ensino, Serviço e Comunidade através do desenvolvimento de atividades
contextualizadas na realidade sócio-sanitária da população, contemplando ações de
comunicação em saúde, promoção, prevenção, tratamento e recuperação da saúde,
em Unidades Básicas da rede do Sistema Único de Saúde (SUS) e na comunidade.
Segundo Campos (2007), a combinação da teoria e da prática voltada para a
Saúde Coletiva, com ações de educação em saúde, epidemiologia, política e gestão
em saúde pode ser desenvolvida desde o primeiro ano em cenários da Atenção
Básica.

16

No contexto da Atenção Básica, a Disciplina Saúde e Sociedade oportuniza o
primeiro contato dos discentes, desde o primeiro ano do Curso de Medicina, com os
Serviços de Saúde da Atenção Básica e com a comunidade, no contexto da
Estratégia de Saúde da Família (ESF) e possibilita aos discentes conhecerem o
SUS, os princípios e diretrizes que o regem e como se dá o funcionamento e a
organização dos Serviços.
A importância da Atenção Primária à Saúde (APS) para a formação em saúde
é defendida por Melo et al. (2016, p. 302) quando afirmam que um dos eixos
norteadores da formação acadêmica do futuro profissional de saúde é a prática
comunitária, pois tal vivência aproxima as demandas universitárias, as exigências
sociais e a prestação de serviços à população.
Assim, visando à efetiva Integração Ensino-Serviço, Albuquerque et al. (2008,
p.357) afirmam que para atenuar a dicotomia entre ensino e a produção dos
cuidados em saúde deve-se investir na modificação das práticas dos profissionais
atuantes nos cenários onde os cuidados e o processo de ensino-aprendizagem se
desenvolvem, visando “a qualidade de atenção à saúde individual e coletiva, a
qualidade

da

formação

profissional

e

o

desenvolvimento/satisfação

dos

trabalhadores dos serviços”.
Ou seja, a Integração Ensino, Serviço e Comunidade deve proporcionar
ganhos mútuos aos discentes, à academia e aos serviços de saúde. Para isto,
requer uma efetiva articulação, para que o conhecimento seja produzido no cotidiano
dos serviços de saúde, em conjunto com os profissionais das diferentes áreas do
conhecimento, de modo que o processo de formação acadêmica seja compartilhado.
Considerando a Integração Ensino, Serviço e Comunidade e a sua relevância
no processo de Formação Acadêmica e Profissional dos cursos de graduação na
área da saúde, conforme preconizam as DCN, esta pesquisa objetiva analisar a
percepção dos discentes do Curso de Medicina de uma Universidade Pública de
Alagoas acerca da Integração Ensino, Serviço e Comunidade e a relação com a
Formação Acadêmica e Profissional, nos cenários de prática da Atenção Básica.

17

2.2 Percurso Metodológico

Para alcançar os objetivos desta pesquisa, optou-se por um estudo
exploratório, de abordagem qualitativa.
A Integração Ensino Serviço e Comunidade, no contexto da Disciplina Saúde
e Sociedade, acontece em diferentes Unidades de Saúde da Estratégia de Saúde da
Família (ESF). Nestas Unidades de Saúde, os discentes desenvolvem atividades
programadas pela Academia e tem a oportunidade de aplicar na prática os
conhecimentos e habilidades adquiridos em sala de aula.
Os participantes da pesquisa foram os discentes do 11º período do Curso
Medicina de uma Universidade Pública de Alagoas, visto que estes já concluíram a
disciplina que promove a Integração Ensino, Serviço e Comunidade.
A coleta de dados se deu após a aprovação do projeto de pesquisa pelo
Comitê de Ética e Pesquisa da Universidade Federal de Alagoas, sob parecer nº
2.769.190. A entrevista foi realizada no Hospital Universitário da Universidade em
questão, após o participante concordar em participar voluntariamente da pesquisa,
por meio da assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). A
pesquisa seguiu os critérios estabelecidos pela Resolução 510/2016 do Conselho
Nacional de Saúde, que dispõe sobre as normas aplicáveis a pesquisas em Ciências
Humanas e Sociais.
Como técnica de coleta de dados foi utilizada a entrevista semi-estruturada. A
análise e interpretação dos dados obtidos foram realizadas segundo a técnica da
Análise de Conteúdo de Bardin (2012). O número de participantes na pesquisa foi
definido de acordo com a técnica de amostragem por saturação, proposto por
Fontanella et al. (2011).
Para garantir o anonimato dos entrevistados, estes foram identificados com a
leta D de Discente, seguido de um número, que representa a ordem em que as
entrevistas foram realizadas.

18

2.3 Resultados e Discussões

A

partir

da

realização

das

entrevistas,

foi

possível

estabelecer

a

caracterização dos sujeitos participantes, por meio das seguintes variáveis: gênero,
faixa etária e procedência.
Dos participantes entrevistados, 8 (oito) eram do gênero feminino e 2 (dois)
do gênero masculino. A faixa etária variou entre 24 e 30 anos de idade. E, de acordo
com a procedência, 7 (sete) eram procedentes do estado de Alagoas e 3 (três) de
outros estados da federação.
A transcrição, sistematização e análise do material obtido por meio das
entrevistas possibilitaram estabelecer 3 (três) categorias de análise: o entendimento
dos discentes do curso de medicina acerca da integração ensino, serviço e
comunidade; as atividades práticas nos cenários da Atenção Básica e a relação
Academia – Serviço de Saúde; e a Integração Ensino, Serviço e Comunidade e suas
repercussões na Formação Acadêmica e Profissional.

O entendimento dos discentes do curso de medicina acerca da integração
ensino, serviço e comunidade
Esta categoria representa o entendimento expresso pelos discentes do Curso
de Medicina acerca da Integração Ensino, Serviço e Comunidade, no decorrer da
graduação.
Albuquerque et al. (2008) define a Integração Ensino-Serviço como um
trabalho pactuado e integrado que inclui os estudantes, os docentes, os
trabalhadores da saúde e os gestores e que tem como objetivo melhorar a qualidade
da formação profissional, da assistência à saúde e da satisfação dos profissionais
dos serviços.
As Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Medicina de
2001 e 2014 destacam a importância de vincular, por meio da Integração Ensino-

19

Serviço, a formação médico-acadêmica às necessidades sociais da saúde, com
ênfase no SUS.
A partir da análise da fala dos entrevistados, pudemos inferir que os discentes
do Curso de Medicina possuem um entendimento acerca da Integração Ensino,
Serviço e Comunidade. É o que podemos observar nos seguintes relatos:
D3 – Eu acredito que seja algo muito importante e que é feito desde
o começo da graduação em medicina [...], desde o começo a gente
tem matérias voltadas na ação, principalmente de Atenção Básica.
D5 – É uma abordagem metodológica utilizada em algumas
disciplinas [...] onde o objetivo é trazer na prática em si, trazer o
ensino que a gente recebe no dia a dia nas aulas e colocar isso em
prática na rotina dos serviços da Atenção Básica.
D10 – No decorrer do curso nós tivemos 8 semestres de uma
disciplina que tem o nome Saúde e Sociedade que a ideia é integrar
não só os estudantes com outros profissionais e a realidade deles
nas suas atividades, mas também com a comunidade.

Podemos observar que os discentes entendem a Integração Ensino, Serviço e
Comunidade como a realização de atividades práticas nos cenários da Atenção
Básica e a Integração entre os estudantes e profissionais do serviço e com a
comunidade desde o início do curso. Além disso, os discentes citam a existência da
Disciplina Saúde e Sociedade, de forma longitudinal no Curso de Graduação em
Medicina, com o objetivo de promover a Integração Ensino, Serviço e Comunidade.
Observa-se ainda referência ao aprendizado no contexto dos Serviços de
Saúde. Este aprendizado produzido na prática, por meio da vivência da realidade e
na rotina dos Serviços de Saúde, proporciona aos discentes aplicar na comunidade
os conhecimentos teóricos adquiridos em sala de aula.
De acordo com as DCN do Curso de Graduação em Medicina (2014) o aluno
deve ser inserido, desde as séries iniciais do curso, nas Unidades de Saúde do
Sistema Único de Saúde (SUS). Além disso, o graduando deve aprender
interprofissionalmente, por meio da troca de saberes com profissionais da área da
saúde e outras áreas do conhecimento, tendo a oportunidade de lidar com
problemas reais.

20

Neste sentido, o Projeto Pedagógico do Curso de Graduação em Medicina
(2013) da Universidade em questão estabelece como objetivo propiciar diferentes
cenários de ensino-aprendizagem, tendo como referência o Sistema Único de Saúde
(SUS), permitindo ao aluno conhecer e evidenciar contextos variados de
organização social, de trabalho e de cuidados.
Na concepção de Brandão, Rocha e Silva (2013) a inserção dos discentes
desde as primeiras séries do curso aproxima-o da realidade e isto proporciona o
aprendizado, na dinâmica do funcionamento dos serviços.
Ainda no que concerne à Atenção Primária à Saúde (APS) como espaço
essencial para a Formação Acadêmica e Profissional, Almeida et al. (2012, p. 34)
afirmam que a vivência na APS proporciona a “formação de um profissional de
saúde crítico, reflexivo, preparado para atuar em equipe” e essa vivência
fundamenta-se no “relacionamento com os usuários inseridos em uma realidade
própria, com necessidades e condições especiais”.
No que se refere a disciplina Saúde e Sociedade, Cavalcante et al. (2017)
apontam que a existência de uma disciplina que proporciona a Integração Ensino,
Serviço e Comunidade constitui um meio de troca contínua, culminando em uma
mudança, tanto individual como coletiva. Coletiva enquanto Unidade de Saúde
(alunos - profissionais) e enquanto comunidade (aluno-usuário da Atenção Básica).
Com relação à Integração Ensino, Serviço e Comunidade e a forma como ela
acontece, no âmbito da Disciplina Saúde e Sociedade ao longo do Curso de
Graduação em Medicina da Universidade em questão e considerando os cenários
da Atenção Básica, destacamos os seguintes relatos:
D1 – Assim a gente tem pouco contato com paciente (no começo do
curso), normalmente a gente faz só algumas atividades de ensino e
pronto e só vai ter contato depois no internato [...] se pelo menos, em
cada período a gente tivesse um contato desse [...] uma coisa assim,
mais médica [...] não essa parte aí meio lúdica.
D2 – A vivência que a gente vai ter é agora no próximo rodízio aqui,
que eu vou realmente acompanhar a Unidade Básica [...]. Tudo que
eu pretendo fazer depois de formada eu ainda acho que vou adquirir
nesse novo estágio (internato).

21

D4 – A gente tem a disciplina de Saúde e Sociedade, mas 95 % das
aulas são teóricas [...] é imprescindível que a gente veja isso na
prática e a gente vê pouco.
D5 – Eu acho que a disciplina poderia se organizar [...] no sentido de
que você ter que levar o discente até o campo de estágio de prática.
D9 – É difícil porque no currículo da gente Saúde e Sociedade tem
muita carga horária e mesmo assim ainda sai deficiente.

Os relatos acima apontam para a percepção dos discentes do Curso de
Medicina acerca das atividades inerentes à medicina. Mesmo após duas décadas da
criação e implantação do Sistema Único de Saúde (SUS) e mesmo com o
reconhecimento da importância de se priorizar as atividades de Atenção Primária à
Saúde (APS), o que culminou com a modificação da Matriz Curricular do Curso de
Medicina, o discurso dos discentes nos remente ao modelo biomédico.
Além disso, os relatos dos discentes nos permitem inferir que a forma como a
Disciplina

Saúde

e

Sociedade

está

estruturada

não

está

atendendo

satisfatoriamente à Integração Ensino, Serviço e Comunidade. Nota-se, no discurso
dos discentes, que a carga horária teórica é considerada extensa, no contexto da
Disciplina, demonstra que há disparidades entre as atividades teóricas e práticas
desenvolvidas. Ademais, evidencia-se, pelos relatos, que os discentes não valorizam
a Disciplina Saúde e Sociedade e as atividades, por esta, propostas.
As atividades caracterizadas pelos discentes como “meio lúdicas” (D1) fazem
referência às atividades de Educação em Saúde, além disso, os discentes afirmam
que “tudo que eu pretendo fazer depois de formada eu ainda acho que vou adquirir
nesse novo estágio" (D2). Tais afirmações refletem o modelo de assistência
considerado, por estes graduandos, como “uma coisa assim, mais médica” (D1),
deixando transparecer à prevalência do modelo biomédico, permitindo inferir que,
para os discentes em questão, as atividades desenvolvidas nos primeiros períodos
do curso, com enfoque na Promoção da Saúde, não são consideradas válidas.
A percepção dos discentes de que a Integração Ensino, Serviço e
Comunidade acontece de fato apenas nos 2 meses de internato pode estar
relacionada à valorização do atendimento médico tradicional com enfoque na
doença, na queixa, no tratamento medicamentoso e na resolução de problemas de

22

saúde específicos, visto que, no internato, o enfoque está no atendimento médico,
ou seja, na consulta individual e no atendimento à demanda.
As DCN (2014) preconizam o cuidado centrado na pessoa, na família e na
comunidade, onde o trabalho interprofissional deve prevalecer, desenvolvendo uma
relação horizontal e compartilhada entre profissional de saúde e usuários no
cuidado. Neste mesmo sentido, o PPC (2013) defende que o tradicional modelo
hospitalocêntrico deve ser revisto, para que o médico atenda as necessidades de
saúde da sociedade.
Marin et al. (2014) destacam que o modelo biomédico não responde
adequadamente às necessidades de saúde da população, além disso, apontam a
prevalência do atendimento à demanda, à queixa principal do usuário e a
fragmentação do cuidado como dificuldades para a Integração Ensino Serviço e
Comunidade.
Diante disto, e refletindo acerca dos relatos dos discentes, acreditamos que
mudanças são necessárias para romper com a prevalência do modelo biomédico,
visto que este modelo de assistência ainda é valorizado entre professores,
estudantes, profissionais da saúde, indivíduos e comunidades, mesmo após
aproximadamente 3 décadas de implantação do Sistema Único de Saúde (SUS).
Acredita-se que uma disciplina com o objetivo de proporcionar a Integração
Ensino, Serviço e Comunidade representa uma importante ferramenta para a
modificação da Formação em Saúde, visando atender aos princípios e diretrizes do
Sistema Único de Saúde (SUS), conforme determinado pelas Diretrizes Curriculares
Nacionais do Curso de Graduação em Medicina. Porém, conforme observado nos
relatos apresentados nesta categoria, a Disciplina Saúde e Sociedade, na forma
como está estruturada, não está atendendo aos propósitos desta Integração.

23

As atividades práticas nos cenários da Atenção Básica e a relação Academia –
Serviço de Saúde.
Nesta categoria discutimos, na visão dos discentes do Curso de Medicina, as
atividades desenvolvidas por eles nos cenários da Atenção Básica no contexto da
Integração Ensino, Serviço e Comunidade. Analisamos ainda a relação estabelecida
entre a Academia e o Serviço de Saúde no contexto da Integração Ensino, Serviço e
Comunidade.
As Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Medicina de
2001 e 2014 destacam que se deve inserir o aluno em atividades práticas relevantes
para a sua futura vida profissional, utilizando-se de diferentes cenários de ensinoaprendizagem, desde o início do curso de graduação.
Os discentes nos descrevem as atividades práticas desenvolvidas nos
cenários da Atenção Básica, no contexto da Integração Ensino, Serviço e
Comunidade. Segue os relatos:
D8 – A gente fez uma visita pra conhecer tipo o funcionamento da
UBS [...]. A gente chegou a fazer algumas atividades de prevenção,
né, tipo, sala de espera, essas aulinhas [...], além disso, a gente
acompanhou visita domiciliar.
D9 – Atividades nos primeiros períodos de promoção e prevenção da
saúde em postos de saúde a gente sempre ia. Na Atenção Básica,
acho que foi basicamente isso [...]. Foi uma experiência muito
proveitosa, por que eu acredito que a Atenção Básica é o foco da
saúde.
D3 - Acho que fica meio dividido, porque [...] a gente tem muito
[ênfase] contato bem no começo, aí no meio para de ter contato e
agora no final tem muito contato de novo.
D4 – No 1º período a gente tem algumas visitas à comunidade, mas
são breves, a gente não chega a entrar realmente em contato com a
equipe do serviço de comunidade e fica uma coisa mais superficial
entre o nosso preceptor (da Universidade) e a gente, uma coisa mais
expositiva, realmente [...] (a Integração) ocorre de maneira muito
pontual.

No tocante as atividades práticas descritas pelos discentes, estes relatam,
quase em sua totalidade, o desenvolvimento de atividades de Educação em Saúde
com foco na promoção e prevenção da saúde. Porém, conforme podemos observar
pelo relato de D8, os discentes não valorizam as atividades de Educação em Saúde,

24

visto que se referem a tais atividades como “essas aulinhas”, diminuindo a
importância da metodologia.
A Educação em Saúde é definida, por Brasil (2012), como um processo
educativo de construção de conhecimentos em saúde, com o objetivo de fornecer
informações para que a população se aproprie de temas específicos, contribuindo
para o aumento da autonomia das pessoas no seu cuidado.
Sendo assim, as atividades educativas representam uma importante
estratégia, que pode ser utilizada nas ações de Promoção à Saúde, podendo ser
executadas pelos profissionais dos serviços, das diferentes categorias profissionais.
Neste sentido, a atividade educativa devido ao seu caráter organizacional, tipo sala
da espera ou roda de conversa, consegue abranger um número maior de pessoas
na mesma oportunidade.
Ainda fazendo referência aos relatos acima, podemos depreender que os
discentes restringem a Integração Ensino, Serviço e Comunidade à realização de
atividades práticas pontuais, superficiais e expositivas desenvolvidas nos cenários
da Atenção Básica. Afirmam ainda que a Integração se restringe à interação
professor-aluno, ou seja, mesmo os discentes inseridos no campo de prática, a
participação dos profissionais do serviço no processo de Formação Acadêmica e
Profissional é mínima ou inexistente. Os discentes apontam ainda para uma
fragmentação, na realização das atividades nos cenários da Atenção Básica, visto
que, segundo os relatos, estas atividades acontecem apenas nos primeiros períodos
do curso e no internato.
Tais fatos vão de encontro às determinações das DCN (2014), de inserir o
aluno, desde as séries iniciais e ao longo do curso de graduação em medicina, nas
redes de serviços de saúde. Contrapõem-se, também, à proposta do Projeto
Pedagógico do Curso (PPC 2013) de Medicina da Universidade Pública em questão,
que possui, no desenvolvimento da Proposta Curricular, a prática em Serviço e
Comunidade do 1º ao 4º ano do curso, ou seja, o PPC propõe inserir o discente de
medicina no Sistema Único de Saúde (SUS) do 1º ao 8º períodos, tendo a Atenção
Básica como campo de prática para conhecimento da realidade loco-regional. Não

25

correspondendo, assim, ao propósito da Integração Ensino, Serviço e Comunidade,
em que o objetivo é estabelecer uma relação pactuada de vínculo.
A fragmentação na realização das atividades práticas na Atenção Básica,
associada à disparidade de tempo entre as atividades teóricas e práticas, torna o
processo de Integração Ensino, Serviço e Comunidade frágil, visto que, conforme
relato discente, não há o estabelecimento de uma relação de vínculo fortalecida
entre a academia, os serviços de saúde, os discentes e a comunidade, contribuindo
para a dicotomia teoria e prática.
Vendruscolo et al. (2016a) afirmam que a dicotomia teoria-prática muitas
vezes acontece devido à definição das prioridades dos Serviços de Saúde por
gestores e trabalhadores sem considerar a disponibilidade da Universidade e, em
contrapartida, as Universidades definem as atividades de ensino em demandas que
não correspondem as reais necessidades dos serviços.
Carvalho, Duarte e Guerrero (2015), apontam que discentes e profissionais
dos Serviços de Saúde compartilham da percepção de que é necessário ampliar a
participação dos alunos nas atividades da Unidade de Saúde, esta visão não é
compartilhada pelos docentes, evidenciando uma distinção de interesses e um
distanciamento entre os atores envolvidos no processo de Integração Ensino,
Serviço e Comunidade.
No que concerne à relação Academia – Serviço, no processo de Integração
Ensino, Serviço e Comunidade, destacamos os relatos que seguem:
D2 – Na verdade eu acho muito solto. Geralmente eles (professores)
mandam a gente fazer, orientam que a gente faça alguma ação em
saúde, mas assim, nem a Atenção Básica está muito preparada pra
receber a gente lá. Porque eles têm a rotina deles assim, e às vezes
a gente mais atrapalha do que ajuda e também fica meio
sobrecarregado pra ensinar [...]. Geralmente a gente chega porque
tem que ir e assim não é tão proveitoso. Não tem vínculo.
D8 – Assim, o primeiro comentário que sempre vem quando a gente
começa a discutir sobre o estágio na USB, é que os serviços não
querem a Universidade lá. Que é muito difícil, todo semestre a gente
tá perdendo UBS [...], porque a gente atrasa o funcionamento,
diminui a produção, enfim, os médicos não querem ensinar, esse tipo
de coisa [...]. A gente tá indo lá (no serviço de saúde), meio que
invadindo, eles (os profissionais do serviço) olham e tipo, eles não

26

veem os estudantes como parte integrante do serviço. [...] E daí, por
outro lado, [...] a gente não vê também um grande [ênfase] interesse
da Universidade de colocar a gente lá dentro.
D9 – E assim, a relação, né, da faculdade em si com o serviço, a
gente tem sempre que buscar, por exemplo, agora a gente vai pro
estágio de PSF e muitos médicos não querem aceitar acadêmico no
PSF e a gente fica sem campo, né, como é que a gente vai aprender
a lidar com a comunidade se a gente não tem porta (oportunidade)
pra gente?

É possível extrair do relato discente que há dificuldades no processo de
Integração Ensino, Serviço e Comunidade, e isto interfere diretamente na relação
Academia-Serviço e traz repercussões para a Formação Acadêmica e Profissional
dos discentes.
Segundo Panúncio-Pinto, Rodrigues e Fiorati (2015), as mudanças que
ocorreram na saúde nas últimas décadas e que culminaram na reordenação da
formação dos profissionais ainda enfrentam desafios e obstáculos para a sua
consolidação, tanto no que se refere à Universidade quanto ao que se refere aos
serviços de saúde.
Observa-se nos relatos acima que há um despreparo da Atenção Básica para
receber os discentes. Os estudantes relatam que “às vezes a gente mais atrapalha
do que ajuda” (D2) e que os profissionais do serviço “não veem os estudantes como
parte integrante do serviço” (D8). Tais afirmações colaboram para o fato dos
discentes não se sentirem úteis para o Serviço de Saúde e, consequentemente,
encararem as atividades práticas apenas para o cumprimento da carga horária.
Os discentes apontam, ainda, para a dificuldade da Universidade em
promover campo de prática para as atividades discentes, além dos entraves
relacionados aos Serviços de Saúde, no sentido destes não estarem preparados
para acolher os estudantes e na recusa dos profissionais médicos do Serviço em
recebê-los e participar das atividades de ensino.
A dificuldade em proporcionar campo de prática para os estudantes do curso
de saúde é uma realidade, especialmente no que concerne à Atenção Básica, no
município de Maceió – AL. Maceió possui uma baixa cobertura de Estratégias de
Saúde da Família nos seus 8 distritos sanitários. De acordo com dados do Instituto

27

Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apenas 45,21% da população de
Maceió possuía cobertura pelas equipes de Atenção Básica, no ano de 2016
(MACEIÓ, 2017).
Soma-se à cobertura insuficiente da Estratégia de Saúde da Família, no
município de Maceió, o incremento das faculdades privadas no Brasil. Segundo o
Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais, por meio do Censo da
Educação Superior no Brasil, no ano 2000, havia 698 instituições privadas de Ensino
Superior no país, sendo 88 na região Nordeste, 5 em Alagoas, sendo 4 na capital
Alagoana. Em 2017, o Censo da Educação Superior no Brasil demonstra que estes
números cresceram consideravelmente. No ano de 2017, as instituições privadas de
Ensino Superior perfazem um total de 2.152 instituições no Brasil, o Nordeste soma
451, sendo 25 em Alagoas, destas 17 estão em Maceió.
Neste sentido, Baldoino e Veras (2016), afirmam que há uma disputa entre as
instituições públicas e privadas pelos campos de prática, e que nesta disputa, as
instituições privadas possuem vantagem por fornecer aos profissionais do serviço o
pagamento de bolsas de preceptoria, garantindo o acesso aos seus discentes pelos
profissionais. Tal fato dificulta o ingresso de graduandos de Universidades Públicas
em determinados Serviços de Saúde.
Os discentes apontaram, ainda, a recusa dos profissionais do serviço em
receber os estudantes de medicina, especialmente os profissionais médicos. Neste
sentido e no que concerne à participação do profissional médico no processo de
Formação Acadêmica e Profissional nos cenários da Atenção Básica, destacamos
os seguintes relatos:
D9 – A gente vê que basicamente na faculdade de medicina [...]
sempre quando é relacionada a saúde básica, normalmente é com
os professores da gente que não são médicos, muitas vezes a gente
fica com enfermeiros, com terapeutas ocupacionais, né?. E seria
mais proveitoso pra gente também que tivesse os médicos
mostrando pra gente a oportunidade, mas muitos não tem tempo,
não querem ensinar.
D5 – Nesse período todo eu nunca vi um médico fazendo atividade
educativa, eu vi o meu professor ajudando a gente nas atividades
educativas que a gente fazia. Então, é como se a gente soubesse,
existisse o estímulo pra desenvolver esse tipo de ação quando a
gente se formar, mas que, na prática, não é o que a gente vê.

28

Ressaltamos, dos relatos acima, que os discentes apontam para a
importância da participação do profissional do Serviço de Saúde no processo de
Formação Acadêmica e a recusa desses profissionais em participarem deste
processo. Acreditamos que a resistência destes profissionais, especialmente do
médico, em receber os estudantes fragiliza a Integração Ensino, Serviço e
Comunidade. Além disso, pode contribuir para a prevalência do modelo biomédico,
para o desinteresse dos discentes em atuar na Atenção Primária à Saúde.
A participação dos médicos na Formação Acadêmica e Profissional é
considerada importante, pois se entende que os discentes buscam se espelhar na
categoria profissional que escolheram para exercer e nas atividades que esta
categoria desempenha nos serviços. Portanto, quando determinadas atividades não
são vistas pelos estudantes do Curso de Medicina como uma atribuição médica,
pois, eles não presenciam a execução de tais atividades pelo médico da equipe de
saúde, possivelmente estes graduandos também não irão desenvolver estas
atividades em sua vida profissional e a almejada modificação do modelo de
assistência à saúde da população, proposto pelas DCN, se torna mais distante.
As Diretrizes Curriculares Nacionais (2014) determinam que os profissionais e
graduandos em medicina devem participar da formação dos futuros profissionais,
estimulando a construção coletiva do conhecimento, além disso, devem se mostrar
dispostos para a transformação do conhecimento e da própria prática. Ainda neste
sentido, e de acordo com o PCC (2013), os preceptores do serviço, juntamente com
os docentes são responsáveis pela supervisão dos discentes de medicina no
desempenho de suas atividades nos Serviços de Saúde. Portanto, a recusa dos
profissionais médicos dos Serviços em receber os estudantes vai de encontro ao
preconizado pelas DCN (2014) e pelo PPC (2013).
Considera-se importante que o acadêmico vivencie e participe ativamente do
processo de trabalho dos profissionais do serviço, das diferentes categorias,
incluindo o médico, pois o graduando encontra-se em processo de Formação
Profissional, e esta vivência proporciona o aprendizado com a prática, conforme
preconizado pelas DCN.

29

A recusa dos profissionais em receber os estudantes é descrita por Madruga
et al. (2015), que destacam a resistência dos profissionais em inserir os estudantes
no processo de trabalho das equipes, além do não estabelecimento de uma relação
de troca entre profissionais dos serviços e estudantes como dificuldades
encontradas para a efetivação da Integração Ensino, Serviço e Comunidade.
Baldoino e Veras (2016) também apontam a dificuldade na receptividade dos
alunos pelos serviços e profissionais de saúde como dificuldades no processo de
Integração Ensino, Serviço e Comunidade, visto que, os serviços e profissionais não
estão preparados e capacitados para receber os discentes, seja por ausência de
incentivo financeiro, por desinteresse próprio ou por inferir que o aluno irá dificultar a
rotina de trabalho.
A participação do serviço no ensino-aprendizagem foi considerada satisfatória
por 56,1% dos participantes de uma pesquisa realizada por Carvalho, Duarte e
Guerrero (2015), porém, os discentes e docentes entrevistados consideraram
necessário haver maior envolvimento do serviço no processo ensino-aprendizagem,
tal necessidade não é compartilhada pelos profissionais do serviço.
O fato dos profissionais dos serviços não serem participativos no processo de
formação dos estudantes também foi evidente em outros estudos. Rodrigues et al.
(2014) apontam, em sua pesquisa, que os preceptores não se viam responsáveis
pelos estudantes e ignoravam a sua participação no processo de formação
profissional.
Considera-se importante buscar compreender o porquê da recusa dos
profissionais do serviço em participar do processo de Formação Acadêmica dos
estudantes, assim como desvendar os motivos que levam estes profissionais a
acreditarem que são isentos dessa responsabilidade, pois o preceptor é elemento
fundamental para a formação em saúde.
O preceptor é o profissional que exerce as suas funções no ambiente de
trabalho e de formação, de acordo com Botti e Rego (2008). Além disso, segundo
Barreto et al. (2011), o preceptor do serviço exerce um papel fundamental na
apropriação de competências para a futura vida profissional do estudante, incluindo

30

conhecimentos, habilidades e atitudes. Neste sentido, consideramos primordial
incluir o preceptor de forma ativa no processo de Formação Acadêmica.
Na concepção de Silva et al. (2018), a não colaboração dos profissionais dos
serviços nas atividades de ensino e a não participação do docente no planejamento
das atividades dos serviços podem resultar na execução de ações desarticuladas
com as reais necessidades dos Serviços de Saúde, configurando a dicotomia entre
as ações de ensino e as atividades dos serviços.
Caldeira, Leite e Rodrigues-Neto (2011) afirmam que a apreensão dos
profissionais de saúde na interação com estudantes das diversas áreas inseridos
nos serviços de saúde, poderá diminuir consideravelmente se os objetivos
educacionais dos estudantes forem esclarecidos pelos professores e pela Academia.
Pesquisa realizada por Carvalho, Duarte e Guerrero (2015), com estudantes
de curso de graduação, docentes e profissionais do serviço apontam que apenas
29% dos entrevistados afirmaram existir um planejamento conjunto, entre docentes e
profissionais, do processo ensino-aprendizagem e 24% dos participantes da
pesquisa afirmaram conhecer as Diretrizes Curriculares Nacionais.
Para uma efetiva relação Academia – Serviço é imprescindível para que a
Integração Academia, Serviço e Comunidade aconteça e para que a Formação
Acadêmica alcance os seus objetivos, conforme preconiza as DCN. As afirmações
dos discentes de que “nem a Atenção Básica está muito preparada pra receber a
gente lá. Não tem vínculo” (D2) e que “a gente não vê também um grande [ênfase]
interesse da Universidade de colocar a gente lá dentro” (D8), demonstram que ainda
há muito que se avançar para o alcance de uma efetiva relação Academia – Serviço
na Universidade em questão.
Segundo o dicionário on line Michaelis, vínculo pode ser definido como “o que
ata, liga. O que estabelece uma relação lógica”. Sendo assim, para uma relação de
vínculo é necessário que se estabeleça um diálogo entre a academia e o serviço,
com a definição de responsabilidades de cada instituição no processo de Formação
Acadêmica e Profissional.

31

A Integração Ensino, Serviço e Comunidade e suas repercussões na
Formação Acadêmica e Profissional.
Nesta categoria apresentamos a discussão referente à Integração Ensino,
Serviço e Comunidade e as suas contribuições e repercussões na Formação
Acadêmica e Profissional, a partir da visão dos discentes do Curso de Medicina.
Após a modificação curricular do Curso de Graduação em Medicina, houve
uma tentativa de aproximar as Instituições de Ensino Superior dos Serviços de
Saúde e da comunidade. De acordo com Vendruscolo, Prado e Kleba (2016), diante
da reestruturação curricular proposta pelas Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN),
a Integração Ensino-Serviço aparece como questão central na Formação Acadêmica
e vêm mobilizando os cursos de graduação da área da saúde.
Neste sentido, Neta e Alves (2016, p. 223) afirmam que “a educação dos
profissionais da saúde pode e deve acontecer, portanto, em um ambiente
privilegiado no que se refere à capacidade de realização das vivências essenciais ao
aprendizado, o próprio SUS”.
Conforme discutido na categoria anterior, os obstáculos enfrentados pelos
discentes, pelos professores da academia e pelos profissionais do serviço no
contexto da Integração Ensino, Serviço e Comunidade, a relação entre a Academia
e os Serviços de Saúde ainda não oferecem aos discentes um ambiente adequado
para o aprendizado, visto que, Academia e Serviço não planejam e executam as
atividades de ensino em sincronia com as atividades do Serviço de Saúde. Além
disso, os objetivos de aprendizagem dos discentes não são construídos em parceria
com os profissionais do serviço.
Considerando as discussões até o momento, a Integração Ensino, Serviço e
Comunidade, na visão dos discentes, acontece de forma pontual e enfrenta
obstáculos inerentes aos Serviços de Saúde e à Universidade para a sua efetivação.
As repercussões da Integração Ensino, Serviço e Comunidade para a Formação
Acadêmica e Profissional, percebida pelos discentes, são evidenciados nos relatos
seguintes:

32

D5 – Eu acho que contribui no sentido de você ter uma perspectiva
diferente de assistência [...]. Então, ter um olhar diferenciado, ter um
olhar pras questões sociais que envolvem o adoecer, pras questões
psicológicas que envolvem o adoecer também.
D3 – A experiência, o contato, você observa outras coisas que não
necessariamente seja da matéria [...], há muito que se aprender que
não a parte biológica, a parte de doença e principalmente na atenção
de saúde na família.
D6 – Essa Integração facilita muito, tanto questão de comunicação
também com a população mais carente [...]. No PSF a gente vê muito
assim aquela questão de ensinar o paciente a tomar o medicamento
[...], a adequação de linguagem a gente aprende muito. [...] A gente
vê muito a importância do atendimento multiprofissional aos
pacientes.
D7 – Então, acho que o desenvolvimento dessa capacidade de
dialogar, de escutar, no início do curso leva que quando a gente se
forma a gente já tem uma prática maior com isso [...] ter essa relação
pessoa-pessoa.
D9 – O tratamento daquele paciente também não é só o remédio que
a gente vai dar, é toda uma educação em saúde que você vai fazer
para aquele paciente e isso, se não fossem as atividades dos
primeiros períodos que a gente tivesse, talvez fosse mais difícil a
gente perceber isso [...] isso é um dos pilares pra atuação como
médico, né?

Podemos inferir, dos relatos acima, que os discentes identificam contribuições
no processo de Integração Ensino, Serviço e Comunidade para a Formação
Acadêmica e futura atuação profissional. Além disso, os discentes apontam
atividades de Promoção da Saúde como parte do cuidado médico.
Enfatizamos o entendimento discente acerca da contribuição da Integração
Ensino, Serviço e Comunidade para o desenvolvimento de algumas habilidades
essenciais ao profissional médico, como o diálogo, o estabelecimento de vínculo
com o paciente e a adequação da linguagem para a educação em saúde. Os
discentes apontam para as questões sociais e psicológicas que envolvem o
processo saúde e doença e consideram que e o aprendizado vai além do foco na
doença.
Tais considerações nos permitem inferir que, apesar das críticas à Integração
Ensino, Serviço e Comunidade e à Disciplina Saúde e Sociedade, já discutidas na
categoria anterior, os discentes acreditam que a Integração traz contribuições para o
processo de Formação Acadêmica e Profissional.

33

Os relatam demonstram ainda a abordagem centrada no indivíduo, que
considera outros aspectos que são inerentes ao sujeito, além da queixa clínica e o
atendimento multiprofissional, pois, conforme preconizam as DCN (2014), a
graduação em medicina visa a formação do médico capaz de compreender os
princípios, diretrizes e políticas do Sistema de Saúde, considerando sempre as
dimensões da diversidade humana. As DCN (2014) preconizam ainda que a
formação em Medicina deve considerar o processo saúde-doença e estar em
consonância com a realidade epidemiológica e profissional. Estas determinações
também integram o PPC (2013) de Medicina da Universidade.
Na concepção de Vendruscolo et al. (2016b) e Vasconcelos, Stedefeldt e
Frutuoso (2016), os benefícios da Integração Ensino-Serviço se apresentam para os
diferentes atores envolvidos. Vendruscolo et al. (2016b) afirmam ainda que o
estudante se beneficia com uma aprendizagem a partir da realidade. Os
profissionais de saúde têm a oportunidade de atualização de conceitos e conteúdos,
e, a comunidade se beneficia por receber um atendimento diferencial.
Marin et al. (2014) realizaram um pesquisa com 183 sujeitos, sendo estes
estudantes do 2° e 4º ano do curso de Enfermagem, estudantes do 2º e 5º ano do
curso Medicina, docentes e professores colaboradores, acerca da contribuição da
Integração Ensino-Serviço para a Comunidade, para as equipes de saúde e para a
formação profissional, em consonância com os princípios e diretrizes do SUS. Em
seus resultados, os autores evidenciaram que as contribuições da Integração
Ensino-Serviço para a Formação Profissional foram as que apresentam maior
tendência de avaliação positiva em especial aos itens “capacita o estudante para
trabalhar em equipe” e “coloca o estudante em situações que fazem parte do papel
do profissional da saúde”.
Neta e Alves (2016) afirmam que é possível perceber a complexidade para a
formação adequada dos profissionais para o Sistema Único de Saúde e afirmam que
ampliar a compreensão acerca da importância da formação dos profissionais da
saúde exige uma aproximação das vivências ocorridas dentro dos Serviços de
Saúde.

34

Portanto, entende-se que oportunizar a vivência dos discentes nos serviços
de saúde, para que eles possam aprender vivenciando a prática, identificando as
dificuldades, superando os obstáculos em conjunto com os profissionais do serviço e
de maneira interdisciplinar, representa um importante passo para a mudança
almejada no processo de Formação Acadêmica e Profissional. No entanto, entendese que, para que esta vivência contribua para o processo de Formação Acadêmica,
a Integração Ensino, Serviço e Comunidade necessita ser fortalecida.
Ainda no que concernem às repercussões da Integração Ensino, Serviço e
Comunidade, considerando a dicotomia Academia – Serviço evidenciada a partir do
relato dos discentes, destaca-se os relatos que seguem:
D8 – A gente cria uma imagem de que essa não é uma atividade de
ensino importante, digamos assim. A gente passa a não valorizar
tanto. Por quê? Porque na prática a gente não consegue absorver
muita coisa [...] e daí a gente, além de não valorizar a especialidade,
então a gente nem cogita fazer isso quando sair daqui, a gente fica
despreparado.
D9 – Assim, como às vezes essa relação (Academia – Serviço) tá um
pouco enfraquecida a gente percebe que muitos acadêmicos, muitos
estudantes não dão o valor devido a essa parte da Atenção Básica
[...], porque todo mundo sai da faculdade querendo fazer já
residência pra várias coisas, endócrino, não sei o que, setor
hospitalar, todo mundo pensando no tratamento.
D1 - Muita gente sai da faculdade pensando ‘ah eu não quero ser
médico da família’, já sai com esse pensamento.

Os relatos acima expressam as repercussões da Integração Ensino, Serviço e
Comunidade na forma em que esta se dá no âmbito da Disciplina Saúde e
Sociedade. Os discentes apontam para um aprendizado não satisfatório no contexto
da Disciplina Saúde e Sociedade. Apontam, ainda, a não valorização da Atenção
Básica e da especialidade de Medicina de Família e Comunidade, e o despreparo do
discente para atuação nesta área.
Os discentes associam a desvalorização das atividades desenvolvidas na
Atenção Básica à Disciplina Saúde e Sociedade e à relação estabelecida entre a
Academia e o Serviço de Saúde. Fica evidente, nos relatos, o desinteresse do
estudante em especializar-se na área de Medicina de Família e Comunidade.
Consideramos importante buscar compreender os motivos para tal desinteresse,

35

visto que as Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Medicina
(2014) e o PPC (2013) de Medicina da Universidade em questão determinam as
ações de Atenção Básica como o foco da Formação Acadêmica. No entanto,
conforme podemos observar nos relatos dos discentes, a Integração Ensino, Serviço
e Comunidade não está sendo efetiva no atendimento a estas determinações.
Gonçalves et al. (2009), realizaram uma entrevista com médicos que exercem
as suas atividades na Atenção Primária à Saúde (APS) de um município brasileiro.
Os entrevistados relatam, de forma unânime, que não tiveram, durante a graduação,
uma experiência prática longitudinal na rede de saúde. Os entrevistados afirmam
ainda que, no curso de graduação, não houve destaque para a Atenção Básica,
além de não haver capacitação dos médicos para eles escolherem e exercerem a
profissão na Atenção Primária à Saúde.
Cavalcante Neto, Lira e Miranda (2009) analisaram 27 artigos da literatura
nacional e internacional acerca do interesse dos estudantes pela Medicina de
Família. Os autores constataram que o desinteresse para atuar na Atenção Primária
à Saúde está relacionado, dentre outros aspectos, com a baixa remuneração
quando comparado a outras especialidades, o baixo prestígio, a vivência insuficiente
em Atenção Primária durante a graduação e com a ideia equivocada de que a
Medicina de Família é simplória.
Campedelli-Lopes, Bicudo e Antônio (2016) realizaram uma pesquisa em que
investigaram graduandos do terceiro ao sexto ano do Curso de Graduação em
Medicina acerca da intenção destes de trabalhar na Atenção Primária à Saúde
(APS). As autoras observaram que os alunos do quinto e sexto ano, que já haviam
concluído a disciplina que promove à Integração Ensino-Serviço, apresentaram,
respectivamente, 40% e 47% de respostas positivas ao questionamento. As autoras
concluem que os resultados refletem uma tendência de modificação no perfil do
estudante de medicina e que a Integração Ensino-Serviço promove uma formação
diferenciada dentro do Sistema Único de Saúde (SUS).
A intenção trabalhar na Atenção Primária à Saúde não foi o objetivo da nossa
pesquisa. Porém, em contraste com a pesquisa realizada por Campedelli-Lopes,
Bicudo e Antônio (2016), apenas 1 (um) discente manifestou o desejo em se

36

especializar na área de Medicina de Família e Comunidade. Tal fato nos permite
inferir que a Integração Ensino, Serviço e Comunidade, conforme corroborado pelo
relato dos discentes participantes desta pesquisa, não está sendo efetiva na
Universidade Pública em questão, não atendendo assim aos propósitos do PPC e
das DCN.
Acredita-se que investir no processo de Integração Ensino, Serviço e
Comunidade de maneira longitudinal durante a graduação, pode contribuir para a
modificação da formação em Saúde, de forma a atender as determinações das
Diretrizes Curriculares Nacionais e do Projeto Pedagógico do Curso de Graduação
em Medicina da Universidade em questão.
Segundo Neta e Alves (2016, p. 223), uma melhor e mais profunda
compreensão dos processos educativos é necessária e fundamental no atual
cenário da saúde no Brasil. Há, de acordo com as autoras, uma desarticulação entre
as práticas educativas e as necessidades dos usuários, “o desafio é criar, recriar,
propor e modernizar tecnologias educacionais capazes de atender a tais
necessidades”.
Neste sentido, Madruga et al. (2015) ponderam que, para a Integração
Ensino-Serviço ser instituída faz-se necessário esforços conjuntos da academia e
dos serviços de saúde, e que isto culmina na transformação da Formação em Saúde
e no aperfeiçoamento dos serviços e, para isto, é necessário que os atores
envolvidos no processo desejem realizar as mudanças estruturais necessárias.
Compreendemos que, para efetivação das mudanças e a consequente
efetivação desta Integração, os atores envolvidos no processo são os docentes das
Universidades, os discentes, os preceptores dos Serviços de Saúde, os gestores
desses serviços e a Comunidade. Para isto, faz-se necessário que os objetivos
educacionais dos discentes sejam estabelecidos em conjunto com os profissionais
dos serviços, considerando o nível de conhecimento do graduando. A definição dos
objetivos educacionais é considerada uma etapa essencial para a efetivação da
Integração Ensino, Serviço e Comunidade e a consequente modificação da
Formação em Saúde.

37

2.4 Considerações Finais

A realização desta pesquisa teve como objetivo analisar a percepção dos
discentes do Curso de Medicina acerca da Integração Ensino, Serviço e
Comunidade e a relação com a Formação Acadêmica e Profissional, considerando
as Atividades Práticas desenvolvidas nos cenários da Atenção Básica.
Os relatos obtidos possibilitaram a análise dos dados em três categorias: o
entendimento dos discentes do curso de medicina acerca da integração ensino,
serviço e comunidade; as atividades práticas nos cenários da Atenção Básica e a
relação Academia – Serviço de Saúde; e a Integração Ensino, Serviço e
Comunidade e suas repercussões na Formação Acadêmica e Profissional.
Os resultados demonstram que, apesar dos discentes apresentarem um
entendimento acerca da Integração Ensino, Serviço e Comunidade, eles resumem a
Integração à realização de atividades pontuais de Educação em Saúde nos Serviços
da Atenção Básica. Além disso, essas atividades de Educação em Saúde não são
vistas, por parte de alguns discentes, como uma atribuição médica.
Os discentes apontam ainda a existência da Disciplina Saúde e Sociedade,
de forma longitudinal no curso, com o objetivo de proporcionar a Integração Ensino,
Serviço e Comunidade, mas relatam que a carga horária teórica da Disciplina
excede a carga horária prática. Desse modo, correlacionam essa dicotomia teoriaprática no contexto da Disciplina Saúde e Sociedade como um dos motivos para não
valorizarem a Atenção Básica e a especialidade da Medicina de Família e
Comunidade.
Analisando o relato dos discentes e o Projeto Político Pedagógico do Curso
(PPC) de Graduação em Medicina da Universidade Pública em questão, evidenciase que há um distanciamento entre o que está delineado no PPC e as atividades
desenvolvidas na prática. Além disso, é evidente, no discurso dos entrevistados, a
prevalência e valorização do modelo biomédico.

38

Sabe-se que a modificação do currículo médico, para atender as Diretrizes
Curriculares Nacionais e um novo modelo de formação, é um desafio para as
Instituições de Ensino Superior e para os Serviços de Saúde do SUS. Representa
um desafio também para os docentes e profissionais do serviço, visto que estes, em
sua maioria, vivenciaram o processo de Formação Acadêmica segundo um modelo
hospitalocêntrico. E, por fim, representa um desafio para os discentes, que
vivenciam a disparidade entre o atendimento às necessidades de saúde da
população versus o atendimento médico tradicional, experienciado na academia e
nos Serviços de Saúde.
Diante disso, é primordial proporcionar a concretização das atividades
definidas no PPC, o qual foi construído atendendo às determinações das Diretrizes
Curriculares Nacionais (DCN), e tem como foco a modificação da formação em
saúde para atendimento às reais necessidades de saúde da população, priorizando
a Atenção Primária à Saúde e as atividades de Promoção da Saúde.
Dentre as dificuldades apontadas pelos discentes destaca-se a recusa dos
profissionais do serviço em receber os estudantes, dificultando o aprendizado com a
prática; a não participação dos profissionais no planejamento e execução das
atividades discentes; a dificuldade da universidade em proporcionar campo de
prática para os discentes e o despreparo do serviço para receber o estudante.
Diante das dificuldades apontadas para a efetivação da Integração Ensino,
Serviço e Comunidade, os resultados deste estudo sugerem que a Integração não
está acontecendo de maneira adequada. Assim, considerando a importância da
Integração para a Formação Acadêmica e Profissional, é necessário um maior
enfoque e um planejamento efetivo das ações que serão desenvolvidas em seu
contexto, não dissociando teoria e prática.
Para proporcionar uma efetiva Integração Ensino, Serviço e Comunidade, fazse necessário envolver ativamente os docentes, discentes, profissionais do serviço
de saúde e gestores no planejamento e execução das atividades práticas. Além
disso, as atividades devem acontecer de forma longitudinal no curso de graduação,
buscando garantir o estabelecimento de vínculo entre a Academia, os Serviços de
Saúde e a Comunidade, bem como a modificação do perfil profissional.

39

Assim, considerando os resultados desta pesquisa, foi possível inferir que,
para a Integração Ensino, Serviço e Comunidade ser instituída e, de fato, contribuir
para a Formação Acadêmica e Profissional, conforme proposto pelas Diretrizes
Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Medicina, mudanças são
necessárias no sentido de concretizar a Integração e proporcionar ao discente uma
Formação Acadêmica e Profissional com ênfase no Sistema Único de Saúde e na
Atenção Primária à Saúde.

REFERÊNCIAS
ALBUQUERQUE, V. S. et al. A integração ensino-serviço no contexto dos processos
de mudança na formação superior dos profissionais da saúde. Rev. bras. educ.
med., Rio de Janeiro, v. 32, n. 3, p. 356-362, Set. 2008. Disponível em:
http://www.scielo.br/scielo.php? script=sci_arttext&pid=S010055022008000300010&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 17 jan 2017.
ALMEIDA, F. C. M. et al. Avaliação da inserção do estudante na Unidade Básica de
Saúde: visão do usuário. Rev. bras. educ. med., Rio de Janeiro, v. 36, n. 1, supl.
1, p. 33-39, Mar. 2012. Disponível em:
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S010055022012000200005&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 18 jan. 2017.
BALDOINO, A. S.; VERAS, R. M. Análise das atividades de integração ensinoserviço desenvolvidas nos cursos de saúde da Universidade Federal da Bahia. Rev
Esc Enferm USP. v. 50, n. esp., p. 17-24, 2016;. Disponível em:
http://www.scielo.br/pdf/reeusp/v50nspe/pt_0080-6234-reeusp-50-esp-0017.pdf.
Acesso em: 01 set. 2019.
BARDIN, L. Análise de Conteúdo / Laurence Bardin; tradução Luís Antero Reto,
Augusto Pinheiro. São Paulo: Edições 70, 2011. 2º impressão da 1ª edição de 2011.
Título original: L’analyse de contenu.
BARRETO, V. H. L. et al. Papel do Preceptor da Atenção Primária em Saúde na
Formação da Graduação e PósGraduação da Universidade Federal de Pernambuco
– um Termo de Referência. Revista Brasileira de Educação Médica. v. 35, n. 4. p.
578-583, 2011. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rbem/v35n4/a19v35n4.pdf.
Acesso em: 01 jun. 2019.
BOTTI S. H. O.; REGO S. Preceptor, supervisor, tutor e mentor: quais são seus
papéis?. Rev. bras. educ. med., Rio de Janeiro, v. 32, n. 3, p. 363-373, Set. 2008.
Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S010055022008000300011&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 20 set. 2018.

40

BRANDÃO, E. R. M.; ROCHA, S. V.; SILVA, S.S. Práticas de Integração EnsinoServiço-Comunidade: Reorientando a Formação Médica. Revista Brasileira de
Educação Médica. v. 37, n. 4, p. 573 – 577, 2013. Disponível em:
http://www.scielo.br/pdf/rbem/v37n4/a13v37n4.pdf. Acesso em: 23 set. 2018.
BRASIL. Ministério da Saúde. Conselho Nacional de Saúde. Resolução 510, de 07
de abr. de 2016. Dispõe sobre as normas aplicáveis a pesquisas em Ciências
Humanas e Sociais. Brasília, 2016. Disponível em:
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/cns/2016/res0510_07_04_2016.html.
Acesso em: 15 jun. 2017.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria-Executiva. Secretaria de Gestão do
Trabalho e da Educação na Saúde. Glossário temático: gestão do trabalho e da
educação na saúde. 2. ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2012. 44 p. Disponível em:
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/glossario_gestao_trabalho_2ed.pdf.
Acesso em 28 ago. 2019.
BRASIL. Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação. Câmara de
Educação Superior. Resolução nº 4, de 07 de nov. de 2001. Institui Diretrizes
Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Medicina. Disponível em:
http://portal.mec.gov.br/cne/arquivos/pdf/CES04.pdf. Acesso em: 10 set. 2017.
BRASIL. Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação. Câmara de
Educação Superior. Resolução nº 3, de 20 de jun. de 2014. Institui Diretrizes
Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Medicina e dá outras
providências. Disponível em:
http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&view=download&alias=1587
4-rces003-14&category_slug=junho-2014-pdf&Itemid=30192. Acesso em: 12 jan.
2017.
BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Subchefia de assuntos jurídicos.
Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Disponível em:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm. Acesso em: 12
jan. 2017.
BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Subchefia de assuntos jurídicos. Lei
8.080 de 19 de setembro de 1990a. Dispõe sobre as condições para a promoção,
proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento dos serviços
correspondentes e dá outras providências. Disponível em:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8080.htm. Acesso em: 12 jan. 2017.
CALDEIRA, E. S.; LEITE, M. T. S.; RODRIGUES-NETO, J. F. Estudantes de
Medicina nos Serviços de Atenção Primária: Percepção dos Profissionais. Revista
Brasileira de Educação Médica. v. 35, n. 4, p. 477-485, 2011. Disponível em:
http://www.scielo.br/pdf/rbem/v35n4/a06v35n4.pdf. Acesso em: 01 mai. 2019.
CAMPEDELLI-LOPES, A. M.; BICUDO, A. M.; ANTONIO, M. Â. R. G. M. A Evolução
do Interesse do Estudante de Medicina a respeito da Atenção Primária no Decorrer
da Graduação. Rev. bras. educ. med. Rio de Janeiro, v. 40, n. 4, p. 621-

41

626, Dez. 2016. Disponível em:
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S010055022016000400621&lng=en&nrm=iso. Acesso em 05 jun. 2019.
CAMPOS, G. W. S. Papel da Rede de Atenção Básica em Saúde na Formação
Médica – Diretrizes. Cadernos ABEM, v. 3, Out. 2007. Disponível em:
http://www.pucsp.br/prosaude/downloads/bibliografia/papel_rede_atencao_basica.pd
f. Acesso em: 14 jan. 2017
CARVALHO, S. B. O.; DUARTE, L. R.; GUERRERO, J. M. A. Parceria Ensino e
Serviço em Unidade Básica de Saúde como Cenário de Ensino-Aprendizagem.
Trab. Educ. Saúde, Rio de Janeiro, v. 13 n. 1, p. 123-144, jan./abr. 2015. Disponível
em: https://www.redalyc.org/pdf/4067/406756985008.pdf. Acesso em 01 Set. 2019.
CAVALCANTE NETO, P. G.; LIRA, G. V.; MIRANDA, A. S. Interesse dos Estudantes
pela Medicina de Família: Estado da Questão e Agenda de Pesquisa. Revista
Brasileira de Educação Médica. v. 33, n. 2, p. 198–204; 2009. Disponível em:
http://www.scielo.br/pdf/rbem/v33n2/06.pdf. Acesso em: 31 mar. 2019.
CAVALCANTE, T. M. et al. Uma Experiência de Integração Ensino, Serviço e
Comunidade de Alunos do Curso de Graduação em Medicina na Atenção Básica no
Município de Maceió - AL, Brasil. Revista Ciência Plural. v.3, n. 3, p. 69-80, 2017.
Disponível em: https://periodicos.ufrn.br/rcp/article/view/13301/9353. Acesso em: 23
jun. 2019
FERREIRA, R. C.; FIORINI, V. M. L; CRIVELARO, E. Formação profissional no SUS:
o papel da Atenção Básica em Saúde na perspectiva docente. Rev. bras. educ.
med., Rio de Janeiro,v.34, n.2, p.207-215, Jun. 2010. Disponível em:
http://www.scielo.br/scielo.php?script =sci_arttext&pid=S010055022010000200004&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 13 jan 2017.
FONTANELLA, B. J. B. et al. Amostragem em pesquisas qualitativas: proposta de
procedimento para constatar saturação teórica. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro,
v. 24, n. 1, p. 17-27. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/csp/v27n2/20.pdf.
Acesso em: 05 dez. 2017.
GONÇALVES, R. J. et al. Ser Médico no PSF: formação acadêmica, perspectivas e
trabalho cotidiano. Revista Brasileira de Educação Médica. v. 33, n. 3, p. 393 –
403, 2009. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rbem/v33n3/09.pdf. Acesso em:
31 mar. 2019.
INSTITUTO NACIONAL DE ESTUDOS E PESQUISAS EDUCACIONAIS. Sinopse
Estatística da Educação Superior – 2000 / Instituto Nacional de Estudos e
Pesquisas Educacionais. Brasília: O Instituto, 2001. Disponível em:
http://download.inep.gov.br/download/censo/2000/Superior/sinopse_superior2000.pdf. Acesso em: 21 jun. 2019.
INSTITUTO NACIONAL DE ESTUDOS E PESQUISAS EDUCACIONAIS ANÍSIO
TEIXEIRA. Sinopse Estatística da Educação Superior 2017. Brasília: INEP, 2018.

42

Disponível em: <http://portal.inep.gov.br/web/guest/sinopses-estatisticas-daeducacao-superior>. Acesso em 21 Jun. 2019.
MACEIÓ. Secretaria Municipal de Saúde. Diretoria de Gestão e Planejamento em
Saúde/Coordenação Geral de Planejamento. Plano Municipal de Saúde (PMS)
2018-2021. SMS/DGPS/CGP. Maceió. 2017. Disponível em:
http://www.maceio.al.gov.br/wp-content/uploads/2018/10/pdf/2018/10/PLANOMUNICIPAL-ATUALIZADO-EM-18-09-20181.pdf. Acesso em: 27 mar. 2019.
MADRUGA, L. M. S. et al. O PET-Saúde da Família e a formação de profissionais da
saúde: a percepção de estudantes. Interface (Botucatu), Botucatu, v. 19, supl. 1, p.
805-816, 2015. Disponível em:
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S141432832015000500805&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 23 set. 2018.
MARIN, M. J. S. et al. A integração ensino-serviço na formação de enfermeiros e
médicos: a experiência da FAMEMA. Ciênc. saúde coletiva, Rio de Janeiro, v.
19, n. 3, p. 967-974, Mar. 2014. Disponível em:
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S141381232014000300967&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 18 mar. 2019.
MEGIDO, J. L. T. Guerreiros não nascem prontos. São Paulo: Editora Gente, 4ª
ed, 2016.
MELO, R. H. V. et al. Roda de Conversa: uma Articulação Solidária entre Ensino,
Serviço e Comunidade. Rev. bras. educ. med., Rio de Janeiro, v. 40, n. 2, p. 301309, Jun. 2016. Disponível em:
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S010055022016000200301&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 01 set. 2017.
MICHAELIS. Michaelis dicionário online. Disponível em:
<https://michaelis.uol.com.br/> Acesso em: 19 Set. 2019.
NETA, A. A.; ALVES, M. S. C. F. A comunidade como local de protagonismo na
integração ensino-serviço e atuação multiprofissional. Trab. educ. saúde, Rio de
Janeiro, v. 14, n. 1, p. 221-235, Mar. 2016. Disponível em:
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S198177462016000100221&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 02 abr. 2019.
PANÚNCIO-PINTO M. P.; RODRIGUES M. L. V.; FIORATI R. C. Novos cenários de
ensino: a comunidade e o território como espaços privilegiados de formação de
profissionais da saúde. Medicina (Ribeirão Preto). v. 48, n. 3, p. 257-64,
2015. Disponível em http://www.revistas.usp.br/rmrp/article/view/104316/102964.
Acesso em: 27 mar. 2019.
RODRIGUES, A. M. M. et al. Preceptoria na perspectiva da integralidade:
conversando com enfermeiros. Rev. Gaúcha Enferm. [Internet]. v. 35, n. 2, p. 106112, Jun. 2014. Disponível em:
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S198314472014000200106&lng=en. Acesso em: 20 set. 2018.

43

SILVA, F. A. et al. Papel docente no fortalecimento das políticas de integração
ensino-serviço-comunidade: contexto das escolas médicas brasileiras. Interface
(Botucatu), Botucatu, v. 22, supl. 1, p. 1411-1423, 2018. Disponível em:
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S141432832018000501411&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 27 mar. 2019.
UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS (UFAL). Faculdade de Medicina. Projeto
Pedagógico do Curso de Medicina, 2013. Disponível em:
http://www.ufal.edu.br/unidadeacademica/famed /graduacao/medicina/projetopedagogico. Acesso em: 12 jan. 2017.
VASCONCELOS, A. C. F.; STEDEFELDT, E.; FRUTUOSO, M. F. P. Uma
experiência de integração ensino-serviço e a mudança de práticas profissionais: com
a palavra, os profissionais de saúde. Interface (Botucatu), Botucatu, v. 20, n. 56, p.
147-158, Mar. 2016. Disponível em:
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S141432832016000100147&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 23 set. 2018.
VENDRUSCOLO, C. et al. A Inserção da Universidade no Quadrilátero da Educação
Permanente em Saúde: relato de experiência. Texto contexto- enferm.,
Florianópolis, v. 25, n. 1, p.1-7, 2016a. Disponível em:
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S010407072016000100306&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 18 set. 2018.
VENDRUSCOLO, C. et al. Integração ensino-serviço e sua interface no contexto da
reorientação da formação na saúde. Interface (Botucatu), Botucatu, v. 20, n. 59,
p.1015-1025, Dez. 2016b. Disponível em:
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S141432832016000401015&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 26 set. 2018.
VENDRUSCOLO, C.; PRADO, M. L.; KLEBA, M. E. Integração Ensino-Serviço no
âmbito do Programa Nacional de Reorientação da Formação Profissional em Saúde.
Ciênc. saúde coletiva, Rio de Janeiro, v. 21, n. 9, p. 2949-2960, Set. 2016.
Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S141381232016000902949&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 23 set. 2017.

44

APÊNDICE A – FORMULÁRIO DE COLETA DE DADOS

Caracterização do Participante da Pesquisa

Gênero: ( ) F ( ) M

Idade: ______ anos

Procedência:__________________.

Questões

- O que você entende por Integração Ensino, Serviço e Comunidade no decorrer do
seu curso de graduação?
- Descreva e caracterize as atividades práticas desenvolvidas por você, nos
diferentes períodos do curso, nos serviços de saúde da atenção básica.
- Comente como você percebe a relação estabelecida entre a academia e o serviço
de saúde da Atenção Básica.
- Como você avalia que essa relação interfere nas suas atividades práticas na
Integração Ensino, Serviço e Comunidade no decorrer da sua graduação.
- O que a Integração Ensino, Serviço e Comunidade proporciona para a sua atuação
como profissional médico?
- Apresente sugestões para aperfeiçoar as atividades práticas na Atenção Básica na
Integração Ensino, Serviço e Comunidade.

45

APÊNDICE B – TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO

Você está sendo convidado(a) a participar do projeto de pesquisa “A Integração
Ensino, Serviço e Comunidade e a relação com a Formação Acadêmica: a
percepção dos discentes do Curso de Medicina-FAMED/UFAL”, da pesquisadora
Layanne Crystina Bandeira Nunes. A seguir, as informações do projeto de pesquisa
com relação a sua participação neste projeto:
1. O estudo se destina a analisar a percepção dos graduandos do Curso de
Medicina sobre a Integração Ensino, Serviço e Comunidade e a relação com a
formação acadêmica.
2. A importância deste estudo é a de contribuir para elaborar propostas de
operacionalizar a Integração Ensino, Serviço e Comunidade.
3. Os resultados que se desejam alcançar são os seguintes: identificar, sob a ótica
dos discentes do Curso de Medicina da FAMED, os aspectos relacionados à
Integração Ensino, Serviço, Comunidade e a relação com a formação acadêmica.
4. A coleta de dados acontecerá no período entre julho e dezembro de 2018.
5. O estudo será feito por meio de uma Pesquisa de Campo com a aplicação do
instrumento de pesquisa aos discentes do 11º período do Curso de Medicina, será
desenvolvido na Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Alagoas –
FAMED/UFAL. A coleta de dados será realizada por meio de entrevista individual
semiestruturada, por meio de gravação em áudio, e se dará após a aprovação do
projeto de pesquisa pelo Comitê de Ética e Pesquisa da Universidade Federal de
Alagoas – UFAL.
6. A sua participação será na etapa de Coleta de Dados.
7. Os incômodos ou riscos que podem te afetar e\ou decorrentes da realização da
pesquisa, são considerados mínimos, tais como: inibição no decorrer das
entrevistas, constrangimento por não saber responder determinadas questões e
dificuldade em comunicar o desejo de desistir de participar da pesquisa. Para
minimizar e/ou mitigar estes riscos ou incômodos, será realizada uma entrevista de
acolhimento, na qual será explicitada a forma da condução dos trabalhos, as

46

entrevistas serão realizadas em ambiente reservado e reafirma-se a garantia de
liberdade para não responder quaisquer questões consideradas, por você,
constrangedoras.

Caso

sinta-se

inibido/constrangido

por

quaisquer

razões

relacionadas ao processo da pesquisa o (a) senhor (a) será encaminhado (a) ao
serviço de psicologia da FAMED/UFAL.
8. A pesquisa será interrompida imediatamente caso haja liberação de informações,
sem o seu consentimento, resultando em quebra do sigilo das informações acerca
dos participantes ou de dados obtidos com a realização da pesquisa. Além disso, no
decorrer da pesquisa, caso as suas respostas possam identificá-lo, os dados obtidos
com a sua entrevista serão definitivamente excluídos.
9. Os benefícios esperados com a sua participação no projeto de pesquisa, mesmo
que não diretamente, são os de proporcionar benefícios mútuos ao Ensino, ao
Serviço e especialmente à Comunidade. Aos graduandos e docentes do Curso de
Medicina da FAMED/UFAL proporcionar novas metodologias que auxiliem na
inserção dos discentes nos serviços de saúde. Aos serviços de saúde oportunizar
que os resultados desta parceria com a academia modifiquem positivamente o
processo de trabalho dos profissionais para que à comunidade seja a maior
favorecida desta parceria e que as ações resultantes da mesma promovam
modificações no indivíduo e nas coletividades.
10. Você será informado(a) do resultado final do pesquisa e sempre que desejar,
serão fornecidos esclarecimentos sobre cada uma das etapas do estudo.
11. A qualquer momento, você poderá recusar a continuar participando do estudo e,
também, que poderá retirar seu consentimento, sem que isso lhe traga qualquer
penalidade ou prejuízo.
12. As informações conseguidas através da sua participação não permitirão a
identificação da sua pessoa, exceto para a equipe de pesquisa, e que a divulgação
das mencionadas informações só será feita entre os profissionais estudiosos do
assunto após a sua autorização.
13. O estudo não acarretará nenhuma despesa para você.
14. Você será indenizado (a) por qualquer dano que venha a sofrer com a sua
participação na pesquisa.

47

Eu,

____________________________________________________________,

tendo compreendido perfeitamente tudo o que me foi informado sobre a minha
participação no mencionado estudo e estando consciente dos meus direitos, das
minhas responsabilidades, dos riscos e dos benefícios que a minha participação
implicam,

concordo

em

dele

participar

e

para

isso

eu

DOU

O

MEU

CONSENTIMENTO SEM QUE PARA ISSO EU TENHA SIDO FORÇADO OU
OBRIGADO. Declaro que recebi uma cópia desse Termo de Consentimento Livre e
Esclarecido assinada pelo pesquisador.
Endereço do responsável pela pesquisa:
Instituição: Universidade Federal de Alagoas
Endereço: Av. Lourival Melo Mota, s/n, Tabuleiro dos Martins.
Cidade/CEP: Maceió – Al. CEP: 57072-900
Telefone: (82) 3214-1100
Contato de urgência: Sr(a). Layanne Crystina Bandeira Nunes
Endereço: Av. Menino Marcelo, 5585, Torre 04, Apartamento 1507, Antares.
Cidade/CEP: Maceió – Al. CEP: 57083-410 Telefone: (82) 99621-8487
ATENÇÃO: O Comitê de Ética da UFAL analisou e aprovou este projeto de
pesquisa. Para obter mais informações a respeito deste projeto de pesquisa,
informar ocorrências irregulares ou danosas durante a sua participação no estudo,
dirija-se ao:
Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Alagoas
Prédio do Centro de Interesse Comunitário (CIC), Térreo, Campus A. C. Simões,
Cidade Universitária. Maceió – Al. Telefone: 3214-1041 – Horário de Atendimento:
das 8:00 as 12:00hs. E-mail: comitedeeticaufal@gmail.com
Maceió,

de

de 201__.

Assinatura ou impressão datiloscópica do
voluntário e rubricar as demais folhas

Layanne Crystina Bandeira Nunes
Pesquisadora

48

ANEXO A – PARECER CONSUBSTANCIADO DO COMITÊ DE ÉTICA EM
PESQUISA

49

50

51

52

53

3 PRODUTO EDUCACIONAL: Manual de Orientação para a realização de
Atividades Práticas no Contexto da Integração Ensino, Serviço e Comunidade,
nos Cenários da Atenção Básica.

A partir da análise dos resultados da pesquisa intitulada “A Integração Ensino,
Serviço e Comunidade e a Relação com a Formação Acadêmica: a Percepção dos
Discentes do Curso de Medicina de uma Universidade Pública de Alagoas” foi
possível desenvolver o Produto Educacional apresentado a seguir.
A elaboração do Produto Educacional “Manual de Orientação para a
realização de Atividades Práticas no Contexto da Integração Ensino, Serviço e
Comunidade, nos Cenários da Atenção Básica” visa contribuir para o processo de
Integração Ensino, Serviço e Comunidade e subsidiar a elaboração dos objetivos
educacionais dos discentes pelos professores da Universidade em conjunto com os
profissionais do serviço. Propõe-se ainda a utilização de um recurso eletrônico para
avaliação discente acerca das atividades desenvolvidas nos Serviço de Saúde,
visando o contínuo aperfeiçoamento destas atividades.
Busca-se, por meio da implementação deste manual, minimizar ou mitigar as
dificuldades e obstáculos advindos do processo de Integração Ensino, Serviço e
Comunidade, a fim de contribuir para a Formação Acadêmica com foco no Sistema
Único de Saúde e na Atenção Primária à Saúde.

54

Universidade Federal de Alagoas
Faculdade de Medicina

Manual de Orientação para a realização de Atividades Práticas no Contexto da
Integração Ensino, Serviço e Comunidade, nos Cenários da Atenção Básica

Organizadores:
Layanne Crystina Bandeira Nunes
Profª. Drª. Jerzuí Mendes Torres Tomaz
Prof. Dr. Carlos Henrique Falcão Tavares

Maceió
2020

55

LAYANNE CRYSTINA BANDEIRA NUNES

Manual de Orientação para a realização de Atividades Práticas no Contexto da
Integração Ensino, Serviço e Comunidade, nos Cenários da Atenção Básica

Manual
elaborado
como
Produto
Educacional do Programa de Pós
Graduação em Ensino na Saúde da
Faculdade de Medicina da Universidade
Federal de Alagoas, para obtenção do
grau de Mestre em Ensino na Saúde.
Orientadora: Profª. Drª. Jerzuí Mendes
Torres Tomaz
Co Orientador: Prof. Dr. Carlos Henrique
Falcão Tavares

Maceió
2020

56

SUMÁRIO

3.1

Apresentação .....................................................................................

57

3.2

Objetivos do Manual ..........................................................................

58

3.3

Atividades Práticas..............................................................................

59

3.3.1

Pactuação entre docentes e preceptores dos serviços........................

59

3.3.2

Atividade de preparação do discente para a prática..............................

61

3.3.3

Realização das Atividades Práticas......................................................

62

3.3.4

Atividade de reflexão acerca da prática realizada...............................

62

3.4

O Planejamento Docente.....................................................................

63

3.5

Propostas de Estratégias ...................................................................

64

REFERÊNCIAS......................................................................................

68

APÊNDICE A – FORMULÁRIO GOOGLE PARA AVALIAÇÃO
DISCENTE ACERCA DAS ATIVIDADES PRÁTICAS REALIZADAS
NOS CENÁRIOS DA ATENÇÃO BÁSICA...........................................
APÊNDICE

B

–

PLANEJAMENTO

DAS

ATIVIDADES

71

E

ELABORAÇÃO DE OBJETIVOS EDUCACIONAIS.............................

74

57

3.1 Apresentação

Este Manual de Orientação para a realização de Atividades Práticas no
contexto da Integração Ensino, Serviço e Comunidade, nos Cenários da Atenção
Básica, surgiu a partir da realização da pesquisa intitulada “A Integração Ensino,
Serviço e Comunidade e a Relação com a Formação Acadêmica: a Percepção dos
Discentes do Curso de Medicina de uma Universidade Pública de Alagoas”,
realizada no Programa de Pós-Graduação em Ensino na Saúde.
A realização da pesquisa apontou que há obstáculos no processo de
Integração Ensino, Serviço e Comunidade nos cenários de prática da Atenção
Básica. Estes obstáculos referem-se tanto à Universidade, aos docentes e discentes,
como aos Serviços de Saúde e aos profissionais deste serviço.
O estudo evidenciou, ainda, que há disparidades entre as atividades teóricas
e práticas desenvolvidas no âmbito da Disciplina Saúde e Sociedade. A Disciplina
Saúde e Sociedade integra o Eixo de Aproximação à Prática Médica e à
Comunidade (EAPMC) e tem como um dos seus objetivos proporcionar a Integração
Ensino, Serviço e Comunidade.
Na concepção de Albuquerque et al. (2008, p. 357) a Integração EnsinoServiço é entendida como o “trabalho coletivo, pactuado e integrado de estudantes e
professores dos cursos de formação na área da saúde com trabalhadores que
compõem as equipes dos serviços de saúde, incluindo-se os gestores”.
Percebe-se que a Integração Ensino, Serviço e Comunidade visa não apenas
aproximar a academia dos serviços de saúde e dos profissionais que nele atuam,
mas estabelecer uma relação pactuada de vínculo, onde são definidas as
responsabilidades de cada sujeito participante no processo de formação profissional.
O Curso de Graduação em Medicina da Universidade Federal de Alagoas
(UFAL), segundo o Projeto Pedagógico do Curso (PPC), possui a Matriz Curricular
formada pelo Ciclo Teórico-Prático, que compreende do 1º ao 8º períodos, e o
Estágio Supervisionado (internato), que compreende do 9º ao 12º períodos. O atual

58

PPC de Medicina da UFAL foi elaborado em 2013 e segue as Diretrizes Curriculares
Nacionais (DCN) do Curso de Graduação em Medicina de 2001.
Dentre os objetivos do Curso, definidos pelo PPC de Medicina, destacamos:
Formar médicos com conhecimentos suficientes para atender os problemas de
saúde da comunidade regional; Propiciar uma formação generalista; Tornar a prática
médica como eixo norteador do currículo, desde o início do curso, com graus
crescentes de complexidade; Considerar as necessidades de saúde da comunidade,
como eixo direcionador da escolha de conteúdos; Propiciar diferentes cenários de
ensino-aprendizagem; Tomar como referência o Sistema Único de Saúde (SUS) no
processo de ensino-aprendizagem.
O PPC de Medicina da UFAL propõe, na Matriz Curricular do Curso e no
âmbito do Eixo de Aproximação à Prática Médica e à Comunidade (EAPMC), inserir
o discente de medicina no Sistema Único de Saúde (SUS) do 1º ao 9º períodos,
tendo a Atenção Básica como campo de prática para conhecimento da realidade
loco-regional. O PPC determina a carga horária para as disciplinas, no contexto dos
Eixos Norteadores, porém não há referência à carga horária prática e teórica de
cada disciplina, fato este que, possivelmente, tenha contribuído para os resultados
da pesquisa, que impulsionou a elaboração desse Manual.
Desta forma, este Manual de Orientação foi desenvolvido com o intuito de
auxiliar no planejamento e realização das Atividades Práticas nos cenários da
Atenção Básica, a fim de contribuir para o processo de Integração Ensino, Serviço e
Comunidade, podendo, assim, colaborar com a melhoria do processo de ensinoaprendizagem e a modificação da Formação Acadêmica em Saúde.

3.2 Objetivos do Manual

✓

Fornecer aos docentes e preceptores dos serviços de saúde um

instrumento que favoreça o processo de Integração Docente-Assistencial;

59

✓

Apontar estratégias para facilitar o processo de Integração Ensino,

Serviço e Comunidade, nos cenários da Atenção Básica, no âmbito do Sistema
Único de Saúde;
✓

Fornecer Instrumento para o planejamento das Atividades Práticas e

definição dos objetivos educacionais dos Discentes do Curso de Graduação em
Medicina, no contexto da Integração Ensino, Serviço e Comunidade nos cenários de
prática da Atenção Básica;
✓

Fornecer Instrumento para avaliação discente acerca das Atividades

Práticas desenvolvidas nos cenários da Atenção Básica.

3.3 Atividades Práticas

Conforme proposto pelo PPC de Medicina da UFAL, as Atividades Práticas
devem constituir momentos didáticos, para isto é recomendado: pactuação entre
docentes e preceptores dos serviços; atividade de preparação do discente para a
prática; a realização da prática; e atividade de reflexão acerca da prática realizada.
Importante ressaltar que as orientações contidas neste Manual servirão de
guia e que adequações, possivelmente, necessitam ser realizadas para o
atendimento às necessidades e particularidades de cada disciplina e à metodologia
utilizada pelos docentes.

3.3.1 Pactuação entre docentes e preceptores dos serviços
Segundo o dicionário on line Michaelis pactuar significa decidir em pacto,
ajustar, combinar. Portanto, esta etapa possui importância fundamental no processo
de Integração Ensino, Serviço e Comunidade, visto que, a pactuação entre docentes
e os preceptores do serviço representa o alicerce para a efetivação da Integração.
Compartilhar

a

responsabilidade

da

Formação

Acadêmica

com

os

preceptores dos serviços de saúde é fundamental, para que a Integração Ensino,

60

Serviço e Comunidade aconteça, visto que, o preceptor é elemento fundamental
para a formação em saúde. De acordo com Botti e Rego (2008), o preceptor é o
profissional que exerce as suas funções no ambiente de trabalho e de formação.
Na concepção de Barreto et al. (2011), o preceptor do serviço exerce um
papel fundamental na apropriação de competências para a futura vida profissional
do estudante, incluindo conhecimentos, habilidades e atitudes. Neste sentido, o
preceptor representa elemento imprescindível no processo de Formação Acadêmica
e precisa ter o seu papel reconhecido pela academia.
A pactuação entre docentes e os preceptores dos serviços acerca das
atividades que serão desenvolvidas pelos discentes nos Serviços de Saúde é uma
etapa primordial para inclusão e participação ativa dos preceptores no processo de
Formação Acadêmica e Profissional, alcançando um processo de Formação
Acadêmica e Profissional compartilhado.
Nesta ocasião, os docentes e preceptores podem definir, além das atividades
discentes, os objetivos educacionais de aprendizagem dos graduandos. Além disso,
este contato possibilita um planejamento das atividades de ensino em consonância
com as atividades do serviço, contribuindo para um alinhamento teoria-prática.
Pesquisa realizada por Carvalho, Duarte e Guerrero (2015), com estudantes
de curso de graduação, docentes e profissionais do serviço apontam que apenas
29% dos entrevistados afirmaram existir um planejamento conjunto, entre docentes e
profissionais, do processo ensino-aprendizagem.
No ensino em serviço, segundo Carvalho, Duarte e Guerrero (2015), o
planejamento conjunto é um componente importante para a integração. As
atividades devem ser planejadas considerando-se o período que o estudante está
cursando, o aprendizado teórico e prático adquirido até o momento, para determinar
o nível de exigência que será adotado na execução das atividades.
Devem ser estabelecidas ainda quais as responsabilidades dos docentes e
dos preceptores no decorrer das atividades práticas, tais reponsabilidades podem
apresentar pontos em comum para ambos os profissionais.

61

Dentre as reponsabilidades dos docentes e preceptores destaca-se:
coordenar

as

atividades

desenvolvidas

pelos

alunos;

identificar

possíveis

dificuldades individuais ou coletivas; sanar dúvidas; minimizar, na medida do
possível, as dificuldades encontradas, traçando estratégias para o enfrentamento
destas dificuldades, visando o alcance dos objetivos educacionais estabelecidos;
estabelecer critérios de avaliação e avaliar os discentes no contexto dos serviços.

3.3.2 Atividade de preparação do discente para a prática.
Na atividade de preparação do discente para a prática, sugere-se a realização
de uma aula participativa ou uma oficina, na qual seja apresentando aos discentes o
cronograma das atividades, a divisão dos grupos, os locais e horários das atividades
e os materiais e equipamentos necessários para a realização destas.
Os discentes precisam sem orientados quanto às vestimentas apropriadas, às
atividades propostas pela academia e aos critérios de avaliação docente. Além
disso, os discentes precisam estar cientes dos objetivos educacionais das Atividades
Práticas que serão desenvolvidas. Pode-se, ainda, aproveitar este momento para
sanar eventuais dúvidas e realizar adequações no cronograma que se façam
necessárias.
Faz-se necessário dialogar com os discentes acerca do funcionamento do
Serviço de Saúde e do território, como forma de prepara-los para o desenvolvimento
das atividades e para as eventuais dificuldades advindas na execução destas.
Nesta ocasião, pode-se ainda, fazer uma breve revisão dos procedimentos
que os discentes irão executar na prática e esclarecer dúvidas e promover um
momento para que o discente possa conhecer e aplicar quaisquer instrumentos ou
formulários para coleta de dados, caso seja utilizado no semestre.
Destacamos que, esta atividade de preparação discente é importante, em
especial nos primeiros semestres do curso, pois os alunos, possivelmente, não
possuem uma experiência prévia com o Serviço e Saúde e com a comunidade.

62

3.3.3 Realização das Atividades Práticas
Para a realização das Atividades Práticas, nos cenários da Atenção Básica, é
necessário que as definições realizadas na pactuação docente-preceptor sejam
respeitadas.
É importante promover a vivência dos graduando com os profissionais das
diferentes categorias profissionais, visto que, segundo as Diretrizes Curriculares
Nacionais (DCN) do Curso de Graduação em Medicina de 2014, Art. 7, o discente
deve “aprender interprofissionalmente, com base na reflexão sobre a própria prática
e pela troca de saberes com profissionais da área da saúde e outras áreas do
conhecimento”. Portanto, o discente precisa participar e aprender com o trabalho das
diferentes categorias profissionais, que exercem suas atividades no contexto do
Sistema Único de Saúde (SUS).
Conforme mencionado anteriormente, as Atividades Práticas devem ser
executadas em consonância com os preceptores do serviço e, sempre que possível,
com a sua participação. Além disso, os discentes precisam estar cientes,
previamente, acerca das atividades que eles irão desenvolver, a fim de que eles
possam estar preparados para executá-las.

3.3.4 Atividade de reflexão acerca da prática realizada.
Conforme preconizado pelas Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) do
Curso de Graduação em Medicina de 2014, o discente de medicina deve ter
capacidade reflexiva (Art. 23) e deve refletir sobre a própria prática (Art. 7).
Refletir acerca das Atividades Práticas realizadas nos cenários da Atenção
Básica, se possível com a participação dos preceptores do serviço, pode resultar em
momentos de aprendizagem. Nesses momentos, pode-se elencar as expectativas
dos discentes, antes e após a realização da atividade, as dificuldades dos discentes
em executar a atividade proposta e o aprendizado que foi produzido na prática.
É importante que, após este momento de compartilhamento de vivências e de
experiências, seja realizada uma avaliação por parte dos discentes, docentes e

63

preceptores do serviço acerca da atividade executada e do desempenho de cada
discente, considerando os pontos fortes e os aspectos a melhorar, para que o
discente tenha oportunidade de aprimorar as suas fragilidades durante o período de
atividades práticas.
O docente da disciplina pode optar por adotar instrumentos para que o
discente registre a sua vivência e experiência. O diário de campo representa um
destes instrumentos e, de acordo com Veloso e Bonilla (2017, p. 52), consiste em
“um documento de reflexões, em que o autor dialoga consigo, analisando atividades
realizadas, revendo encaminhamentos, documentando seu percurso”.
Outro instrumento que pode ser utilizado é o Portfólio Reflexivo, que segundo
Otrenti et al. (2011), é um conjunto de registros realizados pelos estudantes, onde
realizam o registro a respeito de suas vivências no processo ensino-aprendizagem.
Estes dois instrumentos citados representam uma importante ferramenta para
que o discente reflita acerca da sua prática e da sua vivência nos serviços de saúde,
além disso, como é construído pelo estudante, além de exercitar a capacidade de
reflexão, exercita a capacidade criativa e coloca o discente como protagonista do
processo ensino-aprendizagem.

3.4 Planejamento Docente

Considera-se importante que o planejamento docente das Atividades Práticas
esteja em consonância com as atividades planejadas pelo Serviço de Saúde,
respeitando-se o cronograma de atividades.
O Planejamento Docente, segundo Teixeira (2015), deve ser significativo para
docente e discente, ambos devem compreender os objetivos e as finalidades das
atividades propostas. O planejamento pode e deve ser alterado e adaptado
conforme as necessidades que surgem no decorrer do período.

64

É necessário elaborar os objetivos educacionais das atividades práticas por
cada período do curso. Segundo a Fiocruz (?) apud Massachusetts Institute of
Technology (?), os Objetivos Educacionais precisam descrever o que os alunos
precisarão saber ou ser capazes de fazer ao final do curso, do período ou da
atividade proposta, e que não eram capazes de fazer antes. Os Objetivos
Educacionais devem estar relacionados ao desempenho dos alunos, e este
desempenho, assim como o aprendizado e o compromisso do discente, precisa ser
supervisionado e avaliado pelo docente e/ou preceptor do serviço de saúde.
O planejamento das atividades, que serão executadas nos Serviços de Saúde
da Atenção Básica, possibilita a colaboração e sugestão dos estudantes acerca de
temas e/ou metodologias que podem ser adotadas na execução das Atividades
Práticas, e isto permite o protagonismo do discente no seu processo de Formação
Acadêmica.
O planejamento das atividades precisa ser estruturado para promover o
crescimento e a capacitação gradativa do estudante, com atividades que exijam
níveis de complexidade e de responsabilidade crescentes (IEL, 2009).

3.5 Propostas de Estratégias

Nesta seção elencamos algumas propostas de estratégias que podem ser
utilizadas pelos docentes, em especial os docentes que exercem suas atividades no
âmbito da Integração Ensino, Serviço e Comunidade, visando fortalecer o processo
de Integração e identificar oportunidades de aperfeiçoamento para o planejamento e
a execução das atividades práticas.
Objetivando facilitar o processo de planejamento das Atividades Práticas e
para definição dos objetivos educacionais para cada atividade planejada elaboramos
uma planilha, para preenchimento conjunto pelo docente e preceptor (Planilha 1).
Fazendo alusão à Planilha 1, no local destinado às “Atividades Propostas”
nomear a atividade ou procedimento que deve ser executado pelo discente no

65

Serviço de Saúde. Os “Objetivos Educacionais” devem ser elaborados com base nos
conhecimentos, habilidades e atitudes esperadas dos estudantes ao final da
atividade proposta. No campo “Providências Necessárias” destina-se à listagem dos
documentos, materiais ou equipamentos necessários para a execução das
“Atividades Propostas”, importante apontar qual a instituição ou o profissional
responsável por cada providência a ser tomada.
No campo “Objetivos Alcançados”, o docente e/ou o preceptor, de preferência
após discussão com os alunos acerca da atividade executada, assinala Sim ou Não,
de acordo com a avaliação realizada. Por fim, o campo “Avaliação do
Professor/Preceptor” destina-se ao registro dos pontos fortes e dos pontos que
necessitam ser melhorados, no planejamento ou na execução das atividades
propostas. Tal campo foi pensado com o intuito de estimular o professor a refletir
acerca da prática docente e identificar oportunidades de melhoria e de crescimento
profissional.
Ao final do semestre é importante uma reunião dos docentes, que integram as
disciplinas que promovem o desenvolvimento de Atividades Práticas nos Serviços de
Saúde, para que os docentes compartilhem as experiências exitosas e as
dificuldades advindas do processo de Integração Ensino, Serviço e Comunidade e
tracem estratégias para a superação destas dificuldades. Tal encontro, também
pode servir de instrumento para aperfeiçoamento e inovação das atividades
propostas e modificações em metodologias utilizadas, objetivando benefícios para o
Serviço de Saúde, Comunidade e para a Formação Acadêmica e Profissional.
Objetivando facilitar o acompanhamento e monitoramento das atividades
executadas, foi elaborada uma planilha na plataforma eletrônica gratuita Google
Drive, que consiste em um pacote de aplicativos que permite a edição, o
compartilhamento e o gerenciamento de dados em forma de documentos,
formulários, planilhas, apresentações de slides e edição de desenhos.
A planilha elaborada no Google Drive será compartilhada com o coordenador
do Eixo de Aproximação à Prática Médica e à Comunidade, para que o coordenador,
por sua vez, compartilhe com os coordenadores de disciplina e docentes, para que
estes avaliem a possibilidade de operacionalização e utilização da planilha.

66

Planilha 1: Planilha para Planejamento das Atividades Práticas e definição dos Objetivos Educacionais.

Universidade Federal de Alagoas
Faculdade de Medicina
Planilha de Planejamento de Atividades
Curso:

Ano:

Semestre:

Disciplina:

Turma:

CH:

Docentes/Preceptores:
Planejamento de Atividades
Atividades
Propostas

Providências
Necessárias

Fonte: Elaborada pelos Autores.

Objetivos
Educacionais

Local de
realização
da Atividade

Data

Objetivos
alcançados
Sim Não

Avaliação do Professor /
Preceptor

67

Acreditamos que tal ferramenta auxilie na visualização dos resultados e facilite o
processo de monitoramento e avaliação por permitir o acesso aos dados pelo
computador ou celular.
Visando,

ainda,

o

contínuo

aperfeiçoamento

das

atividades

práticas

desenvolvidas no contexto da Integração Ensino, Serviço e Comunidade foi elaborado
um formulário utilizando a ferramenta Google Forms, que faz parte do pacote de
aplicativos do Google Drive. Esta ferramenta possibilita a elaboração de formulários on
line, além disso, ele organiza as respostas e informações coletadas em forma de
gráficos em tempo real, facilitando assim a visualização e a análise das respostas,
poupando o tempo do professor.
O formulário elaborado na plataforma Google Forms (Apêndice A) objetiva a
avaliação discente acerca das atividades práticas desenvolvidas nos Serviços de Saúde
da Atenção Básica. Neste formulário o discente descreve quais as atividades foram
desenvolvidas nos cenários da Atenção Básica, avaliam a participação do preceptor no
planejamento e execução das atividades, elencam as dificuldades relacionadas ao
processo de Integração Ensino, Serviço e Comunidade no que concerne à
Universidade, ao Serviço de Saúde e aos discentes.
O formulário possibilita ainda a auto avaliação discente, aborda quesitos como
assiduidade,

pontualidade,

interesse

e

iniciativa,

participação

nas

atividades,

dificuldades enfrentadas, relacionamento com a equipe e a comunidade e aspectos a
melhorar.
Os arquivos criados no Google Drive ficam armazenados no servidor do Google,
podendo ser acessados pelo usuário por qualquer dispositivo que possua acesso a
internet (MATHIAS, SAKAI, 2013), este fato também facilita a avaliação por parte dos
discentes, visto que, eles podem acessar e responder ao formulário no momento que
lhes seja mais conveniente.
Outro motivo que nos levou a optar por esta ferramenta é que esta possibilita que
os discentes realizem a avaliação das Atividades Práticas, utilizando o celular ou o
computador, equipamentos indispensáveis na atualidade.

68

O link de acesso ao formulário será encaminhado aos discentes pelo professor e,
no formulário de avaliação será solicitado que os discentes apresentem às dificuldades
e facilidades no processo de Integração Ensino, Serviço e Comunidade e apresentem
sugestões de melhorias neste processo.
A utilização de ferramentas tecnológicas oferece praticidade tanto para o docente
quanto para o discente, além de representar uma inovação no processo de
planejamento e avaliação das atividades práticas na Faculdade de Medicina da
Universidade Pública em questão. Ademais, o formulário de avaliação, assim como o
link de acesso também será compartilhado com o coordenador do EAPMC.
Espera-se com este Manual de Orientação associado à utilização da Planilha de
Planejamento

e

do

Formulário

de

Avaliação

contribuir

para

o

constante

aperfeiçoamento do planejamento, execução e avaliação das Atividades Práticas
desenvolvidas no âmbito da Integração Ensino, Serviço e Comunidade, e assim,
contribuir para a Formação Acadêmica dos discentes do Curso de Medicina da FAMED.

REFERÊNCIAS
ALBUQUERQUE, V. S. et al. A integração ensino-serviço no contexto dos processos de
mudança na formação superior dos profissionais da saúde. Rev. bras. educ. med., Rio
de Janeiro, v. 32, n. 3, p. 356-362, Set. 2008. Disponível em:
http://www.scielo.br/scielo.php? script=sci_arttext&pid=S010055022008000300010&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 17 jan. 2017.
BARRETO, V. H. L. et al. Papel do Preceptor da Atenção Primária em Saúde na
Formação da Graduação e PósGraduação da Universidade Federal de Pernambuco –
um Termo de Referência. Revista Brasileira de Educação Médica. v. 35, n. 4. p. 578583, 2011. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rbem/v35n4/a19v35n4.pdf. Acesso
em: 01 jun. 2019.
BOTTI, S. H. O.; REGO, S. Preceptor, supervisor, tutor e mentor: quais são seus
papéis?. Rev. bras. educ. med., Rio de Janeiro, v. 32, n. 3, p. 363-373, Set. 2008.
Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S010055022008000300011&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 20 set. 2018.

69

BRASIL. Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação. Câmara de
Educação Superior. Resolução nº 3, de 20 de jun. de 2014. Institui Diretrizes
Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Medicina e dá outras providências.
Disponível em:
http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&view=download&alias=15874rces003-14&category_slug=junho-2014-pdf&Itemid=30192. Acesso em: 12 jan. 2017.
CARVALHO, S. B. O.; DUARTE, L. R.; GUERRERO, J. M. A. Parceria Ensino e Serviço
em Unidade Básica de Saúde como Cenário de Ensino-Aprendizagem. Trab. Educ.
Saúde, Rio de Janeiro, v. 13 n. 1, p. 123-144, jan./abr. 2015. Disponível em:
https://www.redalyc.org/pdf/4067/406756985008.pdf. Acesso em 01 Set. 2019.
FIOCRUZ. O que são Objetivos Educacionais? Tradução de Nadson Santiago
(Brasillis Idiomas). Original: Massachusetts Institute of Technology (MIT). Teaching
materials: learning objectives. Disponível em: http://web.mit.edu/tll/teachingmaterials/learning-objectives/indexlearning-objectives.html. Disponível em:
http://www5.ensp.fiocruz.br/biblioteca/dados/txt_160739746.pdf. Acesso em: 09 jun.
2019.
INSTITUTO EUVALDO LODI - IEL. Núcleo Regional da Bahia. Manual de boas
práticas de estágio. Elaborado pelo Fórum de Estágio da Bahia. — 2. ed. — Salvador:
FIEB, 2009. Disponível em:
http://www.ielestagio.org.br/melhorespraticas/downloads/manual.pdf . Acesso em: 09
jun. 2019.
MATHIAS, S. L.; SAKAI, C. Utilização da Ferramenta Google Forms no Processo de
Avaliação Institucional: Estudo de Caso nas Faculdades Magsul. Disponível em:
http://download.inep.gov.br/educacao_superior/avaliacao_institucional/seminarios_regio
nais/trabalhos_regiao/2013/centro_oeste/eixo_1/google_forms_processo_avaliacao_ins
tit_estudo_caso_faculdades_mag.pdf. Acesso em: 07 Mai. 2019.
MICHAELIS. Michaelis dicionário online. Disponível em: <https://michaelis.uol.com.br/>
Acesso em: 19 Set. 2019.
OTRENTI, E. et al. Portfólio reflexivo como método de avaliação na residência de
gerência de serviços de enfermagem. Semina: Ciências Biológicas e da Saúde,
Londrina, v. 32, n. 1, p. 41-46, jan./jun. 2011. Disponível em:
http://www.uel.br/revistas/uel/index.php/seminabio/article/view/3482. Acesso em: 09 jun.
2019.
TEIXEIRA, M.C. Metodologia do ensino superior. Guarapuava: Unicentro, 2015.
Disponível em
http://repositorio.unicentro.br:8080/jspui/bitstream/123456789/984/5/Metodologia%20do
%20ensino%20superior.pdf. Acesso em: 09 jun. 2019.

70

UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS. Faculdade de Medicina. Projeto
Pedagógico do Curso de Medicina, 2013. Disponível em:
http://www.ufal.edu.br/unidadeacademica/famed /graduacao/medicina/projetopedagogico. Acesso em: 12 mai. 2019.

VELOSO, M. M. S. A.; BONILLA, M. H. S. O Jornal de Pesquisa e o Diário de Campo
como Dispositivos da Pesquisa-Formação. Interfaces Científicas – Educação. v. 6, n.
1, p. 47 – 58. Aracaju. Out. 2017. Disponível em:
https://periodicos.set.edu.br/index.php/educacao/article/viewFile/4508/2417. Acesso em
09 jun. 2019.

71

APÊNDICE A: FORMULÁRIO GOOGLE PARA AVALIAÇÃO DISCENTE ACERCA
DAS ATIVIDADES PRÁTICAS REALIZADAS NOS CENÁRIOS DA ATENÇÃO
BÁSICA.

72

73

74

APÊNDICE B – PLANEJAMENTO DAS ATIVIDADES E ELABORAÇÃO DE OBJETIVOS EDUCACIONAIS.

75

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS DO TACC

O Mestrado Profissional em Ensino na Saúde (MPES) trouxe contribuições
importantíssimas para a minha vida pessoal e profissional. O Mestrado me oportunizou
a aquisição de conhecimentos e a troca de experiências com profissionais de diferentes
categorias. A cada disciplina cursada, surgiam novos desafios a serem superados e um
leque de conhecimentos a serem desvendados e explorados.
Por meio da realização desta pesquisa e dos resultados obtidos foi possível
analisar as repercussões do processo de Integração Ensino, Serviço e Comunidade e
da relação Academia – Serviço na Formação Acadêmica e Profissional dos graduandos
do Curso de Medicina.
A abordagem qualitativa, ancorada nas Diretrizes Curriculares Nacionais do
Curso de Graduação em Medicina, no Projeto Político Pedagógico do Curso de
Medicina da UFAL e na percepção dos graduandos acerca da Integração Ensino,
Serviço e Comunidade, permitiram uma análise acerca da Integração nos cenários da
Atenção Básica.
Os discentes do Curso de Medicina reconhecem a importância da Integração
Ensino, Serviço e Comunidade para a Formação Acadêmica e Profissional, no entanto
identificam que há dificuldades neste processo e estas dificuldades estão relacionadas
tanto à Universidade quanto aos Serviços de Saúde.
Conforme determina as Diretrizes Curriculares Nacionais e o Projeto Político
Pedagógico do Curso de Graduação em Medicina, o graduando deve ter formação
generalista e deve atender as reais necessidades de saúde da população, tendo como
foco as ações de Atenção Primária à Saúde. Assim, os resultados da pesquisa
evidenciam que, para uma Formação Acadêmica e Profissional, conforme determinação
das DCN e do PPC, é necessária a adoção de estratégias que visem a superação das
dificuldades identificadas.

76

Um importante obstáculo a ser superado para a transformação da Formação
Acadêmica e Profissional está relacionado à valorização e prevalência do modelo
biomédico no processo de formação dos profissionais de saúde. A hegemonia do
modelo biomédico mostra-se evidente no discurso dos participantes da pesquisa.
Tendo como objetivo contribuir para o planejamento, execução e Atividades
Práticas nos cenários da Atenção Básica, vinculando Ensino e Serviço por meio da
Integração Ensino, Serviço e Comunidade e, assim, contribuir para a Formação
Acadêmica e Profissional, esta pesquisa possibilitou a elaboração de um Manual de
Orientação para as Práticas como produto educacional do Mestrado.
O Manual de Orientação para as Práticas propõe facilitar o planejamento das
Atividades Práticas. Assim, espera-se que este manual traga contribuições para a
Formação Acadêmica e Profissional. Pretende-se, ainda, despertar nos docentes,
discentes e profissionais dos Serviços de Saúde o reconhecimento da importância dos
Serviços de Atenção Primária à Saúde para a atuação médica, no que concerne ao
atendimento às necessidades de saúde da população.
Consideramos importante a realização de outras pesquisas abordando a
Integração Ensino, Serviço e Comunidade, visando um maior aprofundamento da
temática e tornando possível o fortalecimento e a melhoria da Formação em Saúde
para atuação no Sistema Único de Saúde (SUS).

77

REFERÊNCIAS GERAIS
ALBUQUERQUE, V. S. et al. A integração ensino-serviço no contexto dos processos de
mudança na formação superior dos profissionais da saúde. Rev. bras. educ. med., Rio
de Janeiro, v. 32, n. 3, p. 356-362, Set. 2008. Disponível em:
http://www.scielo.br/scielo.php? script=sci_arttext&pid=S010055022008000300010&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 17 jan 2017.
ALMEIDA, F. C. M. et al. Avaliação da inserção do estudante na Unidade Básica de
Saúde: visão do usuário. Rev. bras. educ. med., Rio de Janeiro, v. 36, n. 1, supl. 1, p.
33-39, Mar. 2012. Disponível em:
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S010055022012000200005&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 18 jan. 2017.
BALDOINO, A. S.; VERAS, R. M. Análise das atividades de integração ensino-serviço
desenvolvidas nos cursos de saúde da Universidade Federal da Bahia. Rev Esc
Enferm USP. v. 50, n. esp., p. 17-24, 2016;. Disponível em:
http://www.scielo.br/pdf/reeusp/v50nspe/pt_0080-6234-reeusp-50-esp-0017.pdf. Acesso
em: 01 set. 2019.
BARDIN, L. Análise de Conteúdo / Laurence Bardin; tradução Luís Antero Reto,
Augusto Pinheiro. São Paulo: Edições 70, 2011. 2º impressão da 1ª edição de 2011.
Título original: L’analyse de contenu.
BARRETO, V. H. L. et al. Papel do Preceptor da Atenção Primária em Saúde na
Formação da Graduação e PósGraduação da Universidade Federal de Pernambuco –
um Termo de Referência. Revista Brasileira de Educação Médica. v. 35, n. 4. p. 578583, 2011. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rbem/v35n4/a19v35n4.pdf. Acesso
em: 01 jun. 2019.
BOTTI S. H. O.; REGO S. Preceptor, supervisor, tutor e mentor: quais são seus
papéis?. Rev. bras. educ. med., Rio de Janeiro, v. 32, n. 3, p. 363-373, Set. 2008.
Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S010055022008000300011&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 20 set. 2018.
BRANDÃO, E. R. M.; ROCHA, S. V.; SILVA, S.S. Práticas de Integração EnsinoServiço-Comunidade: Reorientando a Formação Médica. Revista Brasileira de
Educação Médica. v. 37, n. 4, p. 573 – 577, 2013. Disponível em:
http://www.scielo.br/pdf/rbem/v37n4/a13v37n4.pdf. Acesso em: 23 set. 2018.
BRASIL. Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação. Câmara de
Educação Superior. Resolução nº 4, de 07 de nov. de 2001. Institui Diretrizes
Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Medicina. Disponível em:
http://portal.mec.gov.br/cne/arquivos/pdf/CES04.pdf. Acesso em: 10 set. 2017.

78

BRASIL. Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação. Câmara de
Educação Superior. Resolução nº 3, de 20 de jun. de 2014. Institui Diretrizes
Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Medicina e dá outras providências.
Disponível em:
http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&view=download&alias=15874rces003-14&category_slug=junho-2014-pdf&Itemid=30192. Acesso em: 12 jan. 2017.
BRASIL. Ministério da Saúde. Conselho Nacional de Saúde. Resolução 510, de 07 de
abr. de 2016. Dispõe sobre as normas aplicáveis a pesquisas em Ciências Humanas e
Sociais. Brasília, 2016. Disponível em:
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/cns/2016/res0510_07_04_2016.html. Acesso
em: 15 jun. 2017.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria-Executiva. Secretaria de Gestão do Trabalho e
da Educação na Saúde. Glossário temático: gestão do trabalho e da educação na
saúde. 2. ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2012. 44 p. Disponível em:
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/glossario_gestao_trabalho_2ed.pdf. Acesso
em 28 ago. 2019.
BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Subchefia de assuntos jurídicos.
Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Disponível em:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm. Acesso em: 12 jan.
2017.
BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Subchefia de assuntos jurídicos. Lei
8.080 de 19 de setembro de 1990. Dispõe sobre as condições para a promoção,
proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento dos serviços
correspondentes e dá outras providências. Disponível em:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8080.htm. Acesso em: 12 jan. 2017.
CALDEIRA, E. S.; LEITE, M. T. S.; RODRIGUES-NETO, J. F. Estudantes de Medicina
nos Serviços de Atenção Primária: Percepção dos Profissionais. Revista Brasileira de
Educação Médica. v. 35, n. 4, p. 477-485, 2011. Disponível em:
http://www.scielo.br/pdf/rbem/v35n4/a06v35n4.pdf. Acesso em: 01 mai. 2019.
CAMPEDELLI-LOPES, A. M.; BICUDO, A. M.; ANTONIO, M. Â. R. G. M. A Evolução do
Interesse do Estudante de Medicina a respeito da Atenção Primária no Decorrer da
Graduação. Rev. bras. educ. med. Rio de Janeiro, v. 40, n. 4, p. 621-626, Dez. 2016.
Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S010055022016000400621&lng=en&nrm=iso. Acesso em 05 jun. 2019.
CAMPOS, G. W. S. Papel da Rede de Atenção Básica em Saúde na Formação Médica
– Diretrizes. Cadernos ABEM, v. 3, Out. 2007. Disponível em:
http://www.pucsp.br/prosaude/downloads/bibliografia/papel_rede_atencao_basica.pdf.
Acesso em: 14 jan. 2017

79

CARVALHO, S. B. O.; DUARTE, L. R.; GUERRERO, J. M. A. Parceria Ensino e Serviço
em Unidade Básica de Saúde como Cenário de Ensino-Aprendizagem. Trab. Educ.
Saúde, Rio de Janeiro, v. 13 n. 1, p. 123-144, jan./abr. 2015. Disponível em:
https://www.redalyc.org/pdf/4067/406756985008.pdf. Acesso em 01 Set. 2019.
CAVALCANTE NETO, P. G.; LIRA, G. V.; MIRANDA, A. S. Interesse dos Estudantes
pela Medicina de Família: Estado da Questão e Agenda de Pesquisa. Revista
Brasileira de Educação Médica. v. 33, n. 2, p. 198–204; 2009. Disponível em:
http://www.scielo.br/pdf/rbem/v33n2/06.pdf. Acesso em: 31 mar. 2019.
CAVALCANTE, T. M. et al. Uma Experiência de Integração Ensino, Serviço e
Comunidade de Alunos do Curso de Graduação em Medicina na Atenção Básica no
Município de Maceió - AL, Brasil. Revista Ciência Plural. v.3, n. 3, p. 69-80, 2017.
Disponível em: https://periodicos.ufrn.br/rcp/article/view/13301/9353. Acesso em: 23 jun.
2019
FERREIRA, R. C.; FIORINI, V. M. L; CRIVELARO, E. Formação profissional no SUS: o
papel da Atenção Básica em Saúde na perspectiva docente. Rev. bras. educ. med.,
Rio de Janeiro,v.34, n.2, p.207-215, Jun. 2010. Disponível em:
http://www.scielo.br/scielo.php?script =sci_arttext&pid=S010055022010000200004&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 13 jan 2017.
FIOCRUZ. O que são Objetivos Educacionais? Tradução de Nadson Santiago
(Brasillis Idiomas). Original: Massachusetts Institute of Technology (MIT). Teaching
materials: learning objectives. Disponível em: http://web.mit.edu/tll/teachingmaterials/learning-objectives/indexlearning-objectives.html. Disponível em:
http://www5.ensp.fiocruz.br/biblioteca/dados/txt_160739746.pdf. Acesso em: 09 jun.
2019.
FONTANELLA, B. J. B. et al. Amostragem em pesquisas qualitativas: proposta de
procedimento para constatar saturação teórica. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, v.
24, n. 1, p. 17-27. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/csp/v27n2/20.pdf. Acesso em:
05 dez. 2017.
GONÇALVES, R. J. et al. Ser Médico no PSF: formação acadêmica, perspectivas e
trabalho cotidiano. Revista Brasileira de Educação Médica. v. 33, n. 3, p. 393 – 403,
2009. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rbem/v33n3/09.pdf. Acesso em: 31 mar.
2019.
INSTITUTO EUVALDO LODI - IEL. Núcleo Regional da Bahia. Manual de boas
práticas de estágio. Elaborado pelo Fórum de Estágio da Bahia. — 2. ed. — Salvador:
FIEB, 2009. Disponível em:
http://www.ielestagio.org.br/melhorespraticas/downloads/manual.pdf . Acesso em: 09
jun. 2019.

80

INSTITUTO NACIONAL DE ESTUDOS E PESQUISAS EDUCACIONAIS ANÍSIO
TEIXEIRA. Sinopse Estatística da Educação Superior 2017. Brasília: INEP, 2018.
Disponível em: <http://portal.inep.gov.br/web/guest/sinopses-estatisticas-da-educacaosuperior>. Acesso em 21 Jun. 2019.
INSTITUTO NACIONAL DE ESTUDOS E PESQUISAS EDUCACIONAIS. Sinopse
Estatística da Educação Superior – 2000 / Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas
Educacionais. Brasília: O Instituto, 2001. Disponível em:
http://download.inep.gov.br/download/censo/2000/Superior/sinopse_superior-2000.pdf.
Acesso em: 21 jun. 2019.
MACEIÓ. Secretaria Municipal de Saúde. Diretoria de Gestão e Planejamento em
Saúde/Coordenação Geral de Planejamento. Plano Municipal de Saúde (PMS) 20182021. SMS/DGPS/CGP. Maceió. 2017. Disponível em: http://www.maceio.al.gov.br/wpcontent/uploads/2018/10/pdf/2018/10/PLANO-MUNICIPAL-ATUALIZADO-EM-18-0920181.pdf. Acesso em: 27 mar. 2019.
MADRUGA, L. M. S. et al. O PET-Saúde da Família e a formação de profissionais da
saúde: a percepção de estudantes. Interface (Botucatu), Botucatu, v. 19, supl. 1, p.
805-816, 2015. Disponível em:
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S141432832015000500805&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 23 set. 2018.
MARIN, M. J. S. et al. A integração ensino-serviço na formação de enfermeiros e
médicos: a experiência da FAMEMA. Ciênc. saúde coletiva, Rio de Janeiro, v. 19, n. 3,
p. 967-974, Mar. 2014. Disponível em:
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S141381232014000300967&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 18 mar. 2019.
MATHIAS, S. L.; SAKAI, C. Utilização da Ferramenta Google Forms no Processo de
Avaliação Institucional: Estudo de Caso nas Faculdades Magsul. Disponível em:
http://download.inep.gov.br/educacao_superior/avaliacao_institucional/seminarios_regio
nais/trabalhos_regiao/2013/centro_oeste/eixo_1/google_forms_processo_avaliacao_ins
tit_estudo_caso_faculdades_mag.pdf. Acesso em: 07 Mai. 2019.
MEGIDO, J. L. T. Guerreiros não nascem prontos. São Paulo: Editora Gente, 4ª ed,
2016.
MELO, R. H. V. et al. Roda de Conversa: uma Articulação Solidária entre Ensino,
Serviço e Comunidade. Rev. bras. educ. med., Rio de Janeiro, v. 40, n. 2, p. 301309, Jun. 2016. Disponível em:
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S010055022016000200301&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 01 set. 2017.

81

MICHAELIS. Michaelis dicionário online. Disponível em: <https://michaelis.uol.com.br/>
Acesso em: 19 Set. 2019.
NETA, A. A.; ALVES, M. S. C. F. A comunidade como local de protagonismo na
integração ensino-serviço e atuação multiprofissional. Trab. educ. saúde, Rio de
Janeiro, v. 14, n. 1, p. 221-235, Mar. 2016. Disponível em:
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S198177462016000100221&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 02 abr. 2019.
OTRENTI, E. et al. Portfólio reflexivo como método de avaliação na residência de
gerência de serviços de enfermagem. Semina: Ciências Biológicas e da Saúde,
Londrina, v. 32, n. 1, p. 41-46, jan./jun. 2011. Disponível em:
http://www.uel.br/revistas/uel/index.php/seminabio/article/view/3482. Acesso em: 09 jun.
2019.
PANÚNCIO-PINTO M. P.; RODRIGUES M. L. V.; FIORATI R. C. Novos cenários de
ensino: a comunidade e o território como espaços privilegiados de formação de
profissionais da saúde. Medicina (Ribeirão Preto). v. 48, n. 3, p. 257-64,
2015. Disponível em http://www.revistas.usp.br/rmrp/article/view/104316/102964.
Acesso em: 27 mar. 2019.
RODRIGUES, A. M. M. et al. Preceptoria na perspectiva da integralidade: conversando
com enfermeiros. Rev. Gaúcha Enferm. [Internet]. v. 35, n. 2, p. 106-112, Jun. 2014.
Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S198314472014000200106&lng=en. Acesso em: 20 set. 2018.
SILVA, F. A. et al. Papel docente no fortalecimento das políticas de integração ensinoserviço-comunidade: contexto das escolas médicas brasileiras. Interface (Botucatu),
Botucatu, v. 22, supl. 1, p. 1411-1423, 2018. Disponível em:
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S141432832018000501411&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 27 mar. 2019.
TEIXEIRA, M.C. Metodologia do ensino superior. Guarapuava: Unicentro, 2015.
Disponível em
http://repositorio.unicentro.br:8080/jspui/bitstream/123456789/984/5/Metodologia%20do
%20ensino%20superior.pdf. Acesso em: 09 jun. 2019.
UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS (UFAL). Faculdade de Medicina. Projeto
Pedagógico do Curso de Medicina, 2013. Disponível em:
http://www.ufal.edu.br/unidadeacademica/famed /graduacao/medicina/projetopedagogico. Acesso em: 12 jan. 2017.
VASCONCELOS, A. C. F.; STEDEFELDT, E.; FRUTUOSO, M. F. P. Uma experiência
de integração ensino-serviço e a mudança de práticas profissionais: com a palavra, os
profissionais de saúde. Interface (Botucatu), Botucatu, v. 20, n. 56, p. 147-158, Mar.

82

2016. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S141432832016000100147&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 23 set. 2018.
VELOSO, M. M. S. A.; BONILLA, M. H. S. O Jornal de Pesquisa e o Diário de Campo
como Dispositivos da Pesquisa-Formação. Interfaces Científicas – Educação. v. 6, n.
1, p. 47 – 58. Aracaju. Out. 2017. Disponível em:
https://periodicos.set.edu.br/index.php/educacao/article/viewFile/4508/2417. Acesso em
09 jun. 2019.
VENDRUSCOLO, C. et al. A Inserção da Universidade no Quadrilátero da Educação
Permanente em Saúde: relato de experiência. Texto contexto- enferm., Florianópolis,
v. 25, n. 1, p.1-7, 2016a. Disponível em:
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S010407072016000100306&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 18 set. 2018.
VENDRUSCOLO, C. et al. Integração ensino-serviço e sua interface no contexto da
reorientação da formação na saúde. Interface (Botucatu), Botucatu, v. 20, n. 59,
p.1015-1025, Dez. 2016b. Disponível em:
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S141432832016000401015&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 26 set. 2018.
VENDRUSCOLO, C.; PRADO, M. L.; KLEBA, M. E. Integração Ensino-Serviço no
âmbito do Programa Nacional de Reorientação da Formação Profissional em Saúde.
Ciênc. saúde coletiva, Rio de Janeiro, v. 21, n. 9, p. 2949-2960, Set. 2016. Disponível
em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S141381232016000902949&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 23 set. 2017.