Camila de Melo Moura - PERCURSO FORMATIVO DA HUMANIZAÇÃO DA SAÚDE NO DISCURSO DOS FISIOTERAPEUTAS DA UNIDADE NEONATAL DE UM HOSPITAL PÚBLICO DE ENSINO
Camila de Melo Moura - PERCURSO FORMATIVO DA HUMANIZAÇÃO DA SAÚDE NO DISCURSO DOS FISIOTERAPEUTAS DA UNIDADE NEONATAL DE UM HOSPITAL PÚBLICO DE ENSINO
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UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
FACULDADE DE MEDICINA
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENSINO NA SAÚDE
CAMILA DE MELO MOURA
PERCURSO FORMATIVO DA HUMANIZAÇÃO DA SAÚDE NO DISCURSO DOS
FISIOTERAPEUTAS DA UNIDADE NEONATAL DE UM HOSPITAL PÚBLICO DE
ENSINO
MACEIÓ-AL
2018
CAMILA DE MELO MOURA
PERCURSO FORMATIVO DA HUMANIZAÇÃO DA SAÚDE NO DISCURSO DOS
FISIOTERAPEUTAS DA UNIDADE NEONATAL DE UM HOSPITAL PÚBLICO DE
ENSINO
Trabalho Acadêmico de Conclusão de
Curso apresentado ao Programa de PósGraduação em Ensino na Saúde da
Faculdade de Medicina da Universidade
Federal de Alagoas, como requisito
parcial para obtenção do título de Mestre
em Ensino na Saúde.
Orientador: Prof. Dr. Sérgio Seiji Aragaki.
Linha de Pesquisa: Integração ensino,
serviço de saúde e comunidade.
Maceió-AL
2018
Catalogação na fonte
Universidade Federal de Alagoas
Biblioteca Central
Bibliotecária Responsável: Helena Cristina Pimentel do Vale – CRB4-661
M929p
Moura, Camila de Melo
Percurso formativo e práticas em humanização da saúde no discurso dos
fisioterapeutas da unidade neonatal de um hospital público de ensino / Camila
de Melo Moura. – 2018.
121 f. : il.
Orientador: Sérgio Seiji Aragaki
Dissertação (Mestrado em Ciências da Saúde) – Universidade Federal de
Alagoas. Faculdade de Medicina. Maceió, 2018.
Inclui bibliografia, apêndices e anexos.
1. Humanização da Assistência. 2. Unidade de Terapia Intensiva Neonatal.
3. Método Canguru. 4. Fisioterapeutas. 5. Educação Continuada. 6. Ensino
Superior. I. Título.
CDU: 61-053.31:378
À Deus, Aquele que sabe todas as coisas e tem
poder para fazer tudo.
Aos meus pais, Gilvânia e Luciano, principalmente à
minha mãe, que pacientemente tolerou meus
momentos de angústia e ansiedade durante essa
caminhada. Essa vitória também é fruto do esforço
de vocês.
AGRADECIMENTOS
Em primeiro lugar, agradeço à Deus, que me deu o dom da vida e guiou meus
passos até aqui. É Nele que sempre me fortaleço.
Aos meus pais, que me deram amor, segurança e me proporcionaram uma
educação de qualidade, mesmo tendo que fazer um esforço gigante para que não me
faltasse nada.
À minha irmã Luanda, que esteve presente em todos os momentos de minha
vida e aos meus sobrinhos Pedro e Júlia, que amo de paixão.
Ao meu orientador, Sérgio Aragaki, a quem eu muito admiro. Agradeço pelos
ensinamentos, pela paciência, pelo compromisso, pelo acolhimento e pela
disponibilidade sempre que precisei.
Aos meus familiares e amigos que acreditam em mim.
A todos os meus professores que fizeram parte dessa minha trajetória, desde
o Colégio Imaculada Conceição até o mestrado. Minha gratidão e admiração por
vocês serão eternas.
A todos que fazem parte do Hospital Universitário Professor Alberto Antunes,
principalmente aos meus colegas de trabalho.
Aos meus amigos de turma do mestrado. Agradeço por todos os momentos
maravilhosos que vivemos nesses dois anos, sem vocês teria sido muito mais árduo
e não tão prazeroso como foi.
Às professoras das bancas de qualificação e defesa, Cristina Camelo e Sandra
Zimpel, pela disponibilidade e pelas relevantes contribuições à pesquisa.
Muito obrigada!
RESUMO GERAL
Este Trabalho Acadêmico de Conclusão de Curso (TACC) é composto pelas seguintes
seções: apresentação; dissertação, fruto da pesquisa realizada durante o mestrado; e
três produtos educacionais a ela relacionados. Ao final, são traçadas as
considerações gerais do TACC e disponibilizados os apêndices e anexos. Na
apresentação são explicitadas as motivações pessoais que levaram à pesquisa, assim
como um breve histórico sobre o tema estudado. A dissertação é oriunda da pesquisa
“Percurso formativo da humanização da saúde no discurso dos fisioterapeutas da
unidade neonatal de um hospital público de ensino”. Feita na abordagem qualitativa,
por meio de entrevistas semiestruturadas, a pesquisa foi realizada com oito
fisioterapeutas da unidade neonatal de um hospital público de ensino de uma cidade
do nordeste brasileiro. Observadas lacunas nos processos formativos dos
profissionais, que dificultavam colocar em prática a humanização da saúde, foram
pensadas e executadas ações que pudessem colaborar na Educação Permanente em
Saúde (EPS), capazes de provocar mudanças nas práticas assistenciais. Frutos
dessas ações, os produtos educacionais foram: um Artigo Original, um manual técnico
para a produção de uma oficina de humanização e um relatório técnico da “Oficina de
humanização: uma reflexão sobre os modos de cuidar”. A conclusão geral, advinda
da pesquisa e das intervenções e produtos relacionados, é de que os objetivos
propostos foram alcançados, havendo importantes aprendizados para a pesquisadora
e para seus interlocutores nessa trajetória acadêmica, produzindo melhorias para os
profissionais e para a instituição onde foram desenvolvidas as ações.
Palavras-chaves: Humanização da Assistência. Ensino Superior. Educação
Continuada. Unidade de Terapia Intensiva Neonatal. Fisioterapia.
GENERAL ABSTRACT
This Academic Completion Work (TACC) is composed of the following sections:
presentation; dissertation, result of the research carried out during the master's degree;
and three related educational products. At the end the general considerations of the
TACC are outlined and the appendices and annexes are made available. In the
presentation the personal motivations that led to the research are explained, as well
as a brief history on the subject studied. The dissertation comes from the research
"Training course and practices in humanization of health in the discourse of
physiotherapists of the neonatal unit of a public teaching hospital". It was made in the
qualitative approach through semi-structured interviews. The research was carried out
with eight physiotherapists of the neonatal unit of a public teaching hospital in a city in
the northeast of Brazil. After observing gaps in the professional training processes,
which made it difficult to put into practice the humanization of health, actions were
taken that could collaborate in the Permanent Education in Health (PEH) and also
capable of provoking changes in the care practices. The educational products were:
the results of these actions, an original article, a technical manual for the production of
a humanization workshop and a technical report of the “Humanization workshop: a
reflection on the ways of caring”. The general conclusion drawn from research and
from the interventions and related products is that the proposed objectives have been
achieved with important learning for the researcher and her interlocutors in this
academic trajectory, producing improvements for the professionals and for the
institution where the actions were developed.
Keywords: Humanization of Assistance. Education, Higher. Education, Continuing.
Intensive Care Units, Neonatal. Physical Therapy Specialty.
LISTA ABREVIATURAS E SIGLAS
ASSOBRAFIR
Associação
Brasileira
de
Fisioterapia
Cardiorrespiratória
Fisioterapia em Terapia Intensiva
CAPES
Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior
EPS
Educação Permanente em Saúde
FAMED
Faculdade de Medicina
HUPAA
Hospital Universitário Professo Alberto Antunes
MPES
Mestrado Profissional em Ensino na Saúde
MS
Ministério da Saúde
P
Participante
PNH
Política Nacional de Humanização
PNHAH
Programa Nacional de Humanização da Atenção Hospitalar
RN
Recém-Nascido
RNBP
Recém-Nascido de Baixo Peso
SUS
Sistema Único de Saúde
TACC
Trabalho Acadêmico de Conclusão de Curso
TCLE
Termo de Consentimento Livre e Esclarecido
UCINCa
Unidade de Cuidado Intermediário Neonatal Canguru
UCINCo
Unidade de Cuidado Intermediário Neonatal Convencional
UFAL
Universidade Federal de Alagoas
UNCISAL
Universidade de Ciências da Saúde de Alagoas
UTIN
Unidade de Terapia Intensiva Neonatal
e
LISTA DE FIGURAS
Figura 1 - Montagem do cartaz.............................................................................
84
Figura 2 - Cartaz: Humanizar é............................................................................. 84
Figura 3 - Construção do mural............................................................................
87
Figura 4 - Mural dos pontos positivos, pontos negativos e sugestões
das práticas humanizadas...................................................................
87
Figura 5 - Apresentação do grupo 1.....................................................................
89
Figura 6 - Apresentação do grupo 2.....................................................................
90
Figura 7 - Apresentação do grupo 3...................................................................... 90
Figura 8 - Roda de conversa................................................................................
91
Figura 9 - Dinâmica de encerramento..................................................................
92
LISTA DE QUADROS
Quadro 1 -
Perfil dos fisioterapeutas participantes da pesquisa.
2018.
Quadro 2 -
...................................................................................
Sentidos de humanização dado pelos participantes da
oficina. 2018.
Quadro 3 -
.......................................................................
88
Resultado das respostas da avaliação dos participantes
quanto a sua participação na oficina. 2018 ...........................
Quadro 5 -
85
Pontos positivos, pontos negativos e sugestões das práticas
humanizadas. 2018. .............................................................
Quadro 4 -
27 e 51
93
Resultado das respostas da avaliação dos participantes
quanto a sua participação na oficina. 2018 ...........................
94
SUMÁRIO
1
APRESENTAÇÃO........................................................................................ 11
2
DISSERTAÇÃO: Percurso formativo da humanização da saúde
no discurso dos fisioterapeutas da unidade neonatal de um hospital
público de ensino ....................................................................................... 14
2.1
Introdução.................................................................................................... 16
2.2
A Política Nacional de Humanização da Atenção e Gestão do
SUS............................................................................................................... 17
2.2.1 Atenção Humanizada ao Recém-Nascido de Baixo-Peso............................ 18
2.2.2 Humanização da saúde e a formação profissional........................................18
2.3
Evolução histórica das unidades neonatais............................................. 19
2.3.1 A Fisioterapia na unidade neonatal.............................................................. 22
2.4
Objetivos...................................................................................................... 23
2.4.1 Objetivo geral................................................................................................ 23
2.4.2 Objetivos específicos.....................................................................................23
2.5
Percurso metodológico.............................................................................. 23
2.6
Resultados e discussão.............................................................................. 26
2.6.1 Sentidos de humanização............................................................................. 27
2.6.2 Atores sociais da humanização..................................................................... 30
2.6.3 Percurso formativo da humanização............................................................. 33
2.6.4 Práticas alinhadas à humanização................................................................ 37
2.7
Considerações finais.................................................................................. 39
REFERÊNCIAS............................................................................................ 40
3
PRODUTOS EDUCACIONAIS..................................................................... 45
3.1
Produto 1 – Artigo Original: Humanização da saúde no discurso
dos fisioterapeutas de uma unidade neonatal......................................... 46
3.2
Produto 2 – Manual técnico para a produção de uma oficina
de humanização.......................................................................................... 66
3.2.1 Apresentação................................................................................................ 68
3.2.2 Objetivos do manual..................................................................................... 69
3.2.3 Desenvolvimento da oficina......................................................................... 69
3.2.3.1 Objetivos da oficina..................................................................................... 69
3.2.3.2 Facilitadores................................................................................................ 69
3.2.3.3 Carga horária.............................................................................................. 69
3.2.3.4 Público alvo................................................................................................. 69
3.2.3.5 Número de vagas........................................................................................ 69
3.2.3.6 Local e infraestrutura................................................................................... 70
3.2.3.7 Inscrição...................................................................................................... 70
3.2.3.8 Equipamentos e materiais didáticos............................................................ 70
3.2.3.9 Programação da oficina.............................................................................. 70
3.2.3.10 Roteiro de atividades da oficina................................................................ 71
REFERÊNCIAS............................................................................................ 77
3.3
Produto 3 – Relatório técnico da oficina de humanização: uma
reflexão sobre os modos de cuidar........................................................... 78
3.3.1 Apresentação................................................................................................ 78
3.3.2 Introdução..................................................................................................... 79
3.3.3 Objetivos da oficina...................................................................................... 80
3.3.4 Desenvolvimento da oficina.......................................................................... 80
3.3.5 Execução da oficina...................................................................................... 81
3.3.6 Resultados, discussão e análise................................................................... 84
3.3.7 Considerações finais..................................................................................... 95
REFERÊNCIAS............................................................................................ 96
4
CONSIDERAÇÕES FINAIS DO TACC........................................................ 97
REFERÊNCIAS GERAIS.............................................................................. 99
APÊNDICES................................................................................................105
ANEXOS......................................................................................................111
11
1
APRESENTAÇÃO
Este trabalho é consequência da minha trajetória pessoal e profissional,
especialmente, pelo meu ingresso no Mestrado Profissional em Ensino na Saúde
(MPES) da Faculdade de Medicina (FAMED) da Universidade Federal de Alagoas
(UFAL), em 2017. Naquele momento eu já atuava como fisioterapeuta da Unidade de
Terapia Intensiva Neonatal de um hospital público de ensino e como preceptora de
Fisioterapia aplicada à Neurologia, em uma faculdade da rede particular, ambas em
uma cidade do nordeste brasileiro.
Minha formação acadêmica se iniciou com a graduação em Fisioterapia (2009)
pela Universidade de Ciências da Saúde de Alagoas (UNCISAL), seguindo com a
Residência em Saúde do Adulto e do Idoso (2012) pela UFAL e a Especialização
Profissional em Fisioterapia em Terapia Intensiva, com área de atuação em
Neonatologia e Pediatria (2015) pela Associação Brasileira de Fisioterapia
Cardiorrespiratória e Fisioterapia em Terapia Intensiva (ASSOBRAFIR).
Em 2017, concomitantemente às disciplinas cursadas no mestrado, realizei um
treinamento do Método Canguru, oferecido pelo Hospital Professo Alberto Antunes
(HUPAA) a profissionais e estudantes da área da saúde. Esse método trata de um
conjunto de medidas adotadas pelo Ministério da Saúde (MS) para a melhoria da
qualidade da atenção à saúde prestada à gestante, ao Recém-Nascido (RN) e à sua
família.
A partir daí meu interesse pela temática humanização da saúde se intensificou.
Eu já vinha observando a sua importância no meu ambiente de trabalho, mas também
percebia que havia obstáculos para a sua concretização, tais como: a pouca
participação dos profissionais nas decisões, escassez de material e de mão-de-obra
qualificada, espaço físico inadequado, sobrecarga de trabalho e pouco investimento
na Educação Permanente em Saúde (EPS).
O MS (2008) afirma que a humanização da saúde trata das mudanças nas
práticas de atenção e de gestão, de maneira a efetivar os princípios do Sistema Único
de Saúde (SUS).
Carvalho e colaboradores (2016), por sua vez, descrevem a humanização
como objeto de debate, sendo um dos temas centrais na área da saúde e na formação
do trabalhador de saúde. É uma política integrante do SUS para a realização do
12
cuidado integral, da promoção da saúde e da valorização da dimensão subjetiva e
social, implicadas no processo saúde-doença-cuidado.
É nesse contexto que eu, como pesquisadora e fisioterapeuta da unidade
neonatal, venho observando a importância da formação profissional alinhada à
humanização da saúde. É importante diminuir a distância entre as reais necessidades
do SUS e a formação dos seus profissionais.
Assim, senti a necessidade de analisar os discursos de profissionais da unidade
neonatal de um hospital público de ensino, relacionando o percurso formativo em
humanização da saúde e a sua atuação profissional. Considerando a viabilidade de
execução da pesquisa, escolhi restringir os participantes da pesquisa à categoria dos
fisioterapeutas.
Este Trabalho Acadêmico de Conclusão de Curso (TACC) contém uma
dissertação, intitulada “Percurso formativo da humanização da saúde no discurso dos
fisioterapeutas da unidade neonatal de um hospital público de ensino” e mais três
produtos educacionais1.
Assim, o primeiro produto foi um Artigo Original, feito a partir da dissertação e
submetido para publicação na revista científica Saúde e Sociedade, Qualis CAPES
Periódicos na Área de Ensino A1.
O segundo produto foi um manual técnico para a produção de uma oficina de
humanização, desenvolvido como um facilitador nas práticas de Educação
Permanente em Saúde (EPS).
Já o terceiro produto foi o relatório técnico fruto da Oficina de humanização:
Uma Reflexão Sobre os Modos de Cuidar, embasada no produto anterior e realizada
com os profissionais da unidade neonatal do referido hospital como uma atividade de
EPS.
Cada produto será detalhado oportunamente, com as devidas discussões e
conclusões.
Esclareço que todos produtos foram pensados e elaborados a partir dos
resultados da pesquisa, que apontaram a necessidade de melhorias nos processos
1 Esclarecemos que, conforme as orientações e Documento de Área – Ensino – da Coordenação de
Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), o próprio artigo já se caracteriza como um
produto educacional.
13
formativos em humanização da saúde que pudessem se reverter em mudanças nas
práticas profissionais.
Os produtos serão vinculados a um sistema de informação em âmbito nacional,
com a finalidade de causar impacto não apenas em caráter local, mas também em
outras instâncias da sociedade, servindo como elementos transformadores no
processo de ensino-aprendizagem, de maneira que o acesso seja fácil e que possa
colaborar na melhoria da formação e das práticas em saúde de outras localidades
também.
Após as considerações finais em relação ao TACC, encontram-se os apêndices
e os anexos. Todos os materiais produzidos durante a sua construção, como o roteiro
da entrevista, a lista de frequência e a autorização de uso de dados da oficina pelos
participantes, estão disponibilizados nos apêndices. Em anexo, consta o parecer
consubstanciado do Comitê de Ética em Pesquisa, o certificado de realização da
oficina e o formulário de avaliação da oficina pelos participantes.
14
2
DISSERTAÇÃO: Percurso formativo da humanização da saúde no
discurso dos fisioterapeutas da unidade neonatal de um hospital público de
ensino.
RESUMO
Introdução: A formação do trabalhador de saúde é imprescindível para a
concretização do cuidado humanizado preconizado pelo o SUS. A humanização da
saúde, nos últimos anos, vem ganhando espaço nas discussões da área no Brasil,
destacando-se a Política Nacional de Humanização, proposta pelo Ministério da
Saúde. Objetivo: analisar a relação entre o percurso formativo da humanização da
saúde e a atuação dos fisioterapeutas da unidade neonatal de um hospital público de
ensino, a partir de seus discursos. Percurso metodológico: trata-se de uma pesquisa
de abordagem qualitativa, de caráter exploratório, sustentada pelos pilares teóricosmetodológicos de análise das Práticas Discursivas e Produção de Sentidos e do
Construcionismo Social. Para a produção das informações foram feitas entrevistas
com oito fisioterapeutas da unidade neonatal da referida instituição. Para análise dos
discursos foram feitas a transcrição sequencial e integral das falas. Todos os cuidados
éticos foram tomados, em respeito à Resolução n° 510/16, do Conselho Nacional de
Saúde. O procedimento analítico centrou-se na leitura exaustiva das entrevistas e
identificação de categorias analíticas. Resultados: foram identificadas quatro
categorias analíticas: sentidos de humanização, atores sociais da humanização,
percurso formativo da humanização e práticas alinhadas à humanização. Quanto aos
sentidos da humanização, os discursos apontam para uma aproximação com
conceitos da Política Nacional de Humanização (PNH); os participantes citaram os
profissionais, os usuários e a gestão como atores sociais da humanização; quanto à
formação em humanização foi identificada uma fragilidade no ensino relacionado ao
tema, porém, apesar disso, percebeu-se um alinhamento das práticas realizadas no
local de trabalho com algumas propostas feitas pela PNH. O curso do Método Canguru
destacou-se como o mais relevante no processo formativo, citado por todos os
entrevistados. A Educação Permanente em Saúde (EPS) mostrou-se essencial na
trajetória formativa desses fisioterapeutas. Considerações finais: É fundamental que
o tema humanização da saúde seja trabalhado de maneira consistente na formação
profissional, tanto em nível de graduação quanto em pós-graduação e na educação
permanente em saúde. Nesta última, considerando-se o âmbito da Unidade Neonatal,
isso pode ser dar por meio de cursos do Método Canguru. Assim, com a melhora no
ensino desses trabalhadores, ocorrerão mudanças em suas práticas profissionais,
colaborando que as realizem tal como proposto pelo SUS.
Palavras-chave: Humanização da Assistência. Ensino Superior. Educação
Continuada. Unidade de Terapia Intensiva Neonatal. Método Canguru. Fisioterapia.
15
DISSERATION: Training course of the humanization of health in the
physiotherapists discourse of the neonatal unit of a public teaching hospital.
ABSTRACT
Introduction: The training of the health worker is essential for the implementation of
the humanized care advocated by the SUS. The humanization of health in recent years
has been gaining ground in discussions in the area in Brazil, highlighting the National
Humanization Policy proposed by Ministry of Health. Objective: to analyze the
relationship between the formative course of the health humanization and the
performance of physiotherapists of the neonatal unit of a public teaching hospital,
based on their discourses. Methodological course: this is a qualitative research,
exploratory in nature, supported by the theoretical-methodological pillars of Discursive
Practices and Production of Senses and Social Constructionism. For the production of
information, interviews were conducted with eight physiotherapists of the neonatal unit
of the institution. For the analysis of the speeches were made the sequential and
integral transcription of the speeches. All ethical care was taken in compliance with
Resolution No. 510/16 of the National Health Council. The analytical procedure
focused on the exhaustive reading of the interviews and identification of analytical
categories. Results: four analytical categories were identified: senses of
humanization, social actors of humanization, training path of humanization and
practices aligned to humanization. As for the senses of humanization, the discourses
point towards an approach with concepts of the National Humanization Policy (NHP);
the participants cited professionals, users and management as social actors of
humanization; Regarding to humanization training, a fragility was identified in the
teaching related to the subject, however, despite this, it was observed an alignment of
the practices carried out in the workplace with some proposals made by the HNP. The
Kangaroo Method course was highlighted as the most relevant in the training process,
cited by all the interviewees. Permanent Health Education (PHE) has proved to be
essential in the formative trajectory of these physiotherapists. Final considerations: It
is fundamental that the topic humanization of health be worked consistently in
professional training, both at undergraduate and postgraduate levels and in health
education. In the latter, considering the scope of the Neonatal Unit, this may be through
courses of the Kangaroo Method. Thus, with the improvement in the teaching of these
workers, changes will occur in their professional practices, collaborating to carry them
out as proposed by SUS.
Keywords: Humanization of Assistance. Education, Higher. Education, Continuing.
Intensive Care Units, Neonatal. Kangaroo-Mother Care Method. Physical Therapy
Specialty.
16
2.1
Introdução
Nos últimos anos, a humanização da saúde vem ganhando espaço nas
discussões sobre saúde no Brasil.
Segundo pesquisas do Ministério da Saúde (MS) junto aos usuários do Sistema
Único de Saúde (SUS), o avanço científico, a utilização de sofisticados aparelhos de
diagnóstico, técnicas cirúrgicas avançadas e desenvolvimento de ações preventivas
não estavam sendo acompanhados de um atendimento humanizado (MORAIS;
WUNSCH, 2013).
A partir da década de 1980 surge o processo de humanização dentro dos
movimentos de reforma sanitária, nas Conferências de Saúde e nos grupos militantes,
que almejavam com suas atuações o alcance da ampliação de uma consciência
cidadã (REIS; MARAZINA; GALLO, 2004).
A sistematização sobre a humanização na saúde torna-se mais evidente em
1999, após o planejamento e implementação de algumas ações, programas e
políticas. Por exemplo: Programa Nacional de Humanização da Atenção Hospitalar –
PNHAH (BRASIL, 2001) e Política Nacional de Humanização da Atenção e Gestão do
SUS – PNH (BRASIL, 2003), lançados pelo MS.
Carvalho e colaboradores (2016) descrevem a humanização como objeto de
debate, sendo um dos temas centrais na área da saúde, na formação do trabalhador
de saúde, como uma política integrante do SUS para a realização do cuidado integral,
da promoção da saúde e da valorização das dimensões subjetiva, além de serem
implicadas no processo saúde-doença-cuidado.
Este trabalho trata da questão da humanização da saúde em unidade neonatal,
tendo sido originado a partir de uma pesquisa inédita, feita em um hospital público de
ensino, situado em uma cidade do nordeste brasileiro. Tem como foco analisar a
relação entre o percurso formativo da humanização da saúde e a atuação de
fisioterapeutas de uma unidade neonatal.
Consideramos que esta pesquisa poderá trazer contribuições nos processos
formativos e no trabalho dos profissionais (não somente os que colaboraram nesse
trabalho), que afetarão positivamente o trabalho das equipes dos quais fazem parte,
assim como poderão trazer benefícios para os usuários da saúde e seus familiares.
17
2.2
A Política Nacional de Humanização da Atenção e Gestão do SUS
Em 2003, tendo como base as contribuições e o êxito do PNHAH, foi criada a
PNH – conhecida também como HumanizaSUS –, que surgiu como resposta à
insatisfação dos usuários do SUS no que diz respeito, sobretudo, aos aspectos
negativos de relacionamento com os profissionais da saúde (BRASIL 2003; FORTES,
2004).
A PNH, visando a concretização dos princípios do SUS, traz contribuições para
todos os níveis de atenção e gestão da saúde, da atenção básica à especializada.
Procura sistematizar, estimular e organizar as práticas em saúde, de forma que elas
se transformem em ações para além da boa educação, da simpatia ou do
comportamento de piedade em relação ao usuário (BRASIL, 2011).
[...] quando no SUS se tomou a tarefa de humanizar as práticas de gestão e de cuidado
pela PNH, não foi para combater práticas adjetivadas de desumanas, mas para afirmar
a humanização como um valor do cuidado e da gestão em saúde. Valor que afirma
uma nova ética: a de colocar em primeiro plano na gestão do trabalho e no cuidado em
saúde as pessoas, que implica em reconhecer seus diferentes interesses, desejos e
necessidades e incluí-los nos processos de diálogo, negociação e construção de
corresponsabilidade (BRASIL, 2011, p. 32).
A PNH tem três princípios: transversalidade, que refere-se ao aumento do grau
de comunicação entre os sujeitos e coletivos com a ampliação da compreensão do
processo de trabalho e a mudança nas relações de saber e de poder entre os
partícipes da produção de saúde; a indissociabilidade entre atenção e gestão, ou seja,
a inseparabilidade entre os modos de cuidar e modos de gerir e de se apropriar do
trabalho; e a afirmação do protagonismo, corresponsabilização e autonomia dos
sujeitos e coletivos, envolvidos como sujeitos que assumam um lugar central nos
acontecimentos de saúde (BRASIL, 2008; BRASIL, 2009; NORA; JUNGES, 2013).
Em síntese, humanizar se traduz como inclusão e respeito às diferenças nos
processos de gestão e de cuidado, produzindo práticas corresponsabilizadas,
alinhadas às necessidades em saúde. Tais mudanças são construídas não por uma
pessoa ou grupo isolado, mas de forma coletiva e compartilhada. Incluir para estimular
a produção de novos modos de cuidar, novas formas de organizar o trabalho e de
ensino e aprendizagem a ele relacionadas.
18
2.2.1 Atenção Humanizada ao Recém-Nascido de Baixo-Peso
A fim de contribuir para a mudança de postura de profissionais e visando a
humanização da assistência ao Recém-Nascido (RN), o MS lançou, por meio da
Portaria n° 693 de, de 5 de julho de 2000, a Norma de Atenção Humanizada ao
Recém-Nascido de Baixo Peso (RNBP): o Método Canguru. É interessante notar que
esse documento é datado de antes da criação do HumanizaSUS. Porém, somente em
2007 foi lançada a Portaria n° 1.683, oferecendo informações necessárias à aplicação
do Método Canguru (BRASIL, 2000; BRASIL, 2011).
O Método Canguru é um modelo de assistência perinatal voltado para a
melhoria da qualidade do cuidado ao RNBP e sua família, baseado nos princípios da
atenção humanizada (BRASIL, 2011).
No Brasil, a aplicação do Método Canguru é composta de três etapas: duas
hospitalares e uma ambulatorial. A primeira fase ocorre após o nascimento do bebê
que necessita de internação. Neste período a mãe permanece junto ao RN no hospital
na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN) ou na Unidade de Cuidado
Intermediário Neonatal Convencional (UCINCo). A segunda etapa ocorre quando o
bebê se encontra estabilizado clinicamente e em condições de ficar em
acompanhamento contínuo com sua mãe na enfermaria, conhecida como Unidade de
Cuidado Intermediário Neonatal Canguru (UCINCa). A terceira é a fase ambulatorial,
que tem início após a alta hospitalar e segue até que o bebê atinja o peso de, pelo
menos, 2.500g (BRASIL, 2011).
Pereira, Carvalho e Ikeda (2015), afirmam que a humanização em neonatologia
representa a formulação de uma nova cultura institucional, com outros padrões de
relacionamento ético e uma melhor qualidade assistencial, buscando facilitar o vínculo
mãe-bebê durante a sua permanência no hospital.
2.2.2 Humanização da saúde e a formação profissional
Em relação ao ensino da humanização do cuidado nos cursos de graduação
da área da saúde, observa-se que nem sempre há uma clareza em relação às
concepções dessa temática com algumas propostas de ensino. Tal fato, demonstra
que enfocar a humanização como tema a ser inserido nos cursos de graduação em
saúde, no contexto do SUS, é ainda um desafio a ser enfrentado (MIRANDA; ARCE,
2014).
19
Deve-se ressaltar que a formação dos profissionais de saúde tem privilegiado
o conhecimento técnico-científico, limitando-se aos ensinamentos relativos ao fazer.
Mudar as práticas de saúde e alinhá-las à humanização exige mudanças no processo
de construção dos sujeitos dessas práticas, sendo indispensável que os docentes
responsáveis pela formação de profissionais da saúde se apropriem da temática. Para
isso é necessário investimento na construção de um novo tipo de interação entre os
atores na qual profissional da saúde, gestores e usuários sejam sujeitos de um
processo e não objeto dele (BRASIL, 2010).
Concordando com Barbosa e colaboradores (2013), que consideram o SUS
como um processo social em construção, os profissionais de saúde destacam-se
como importantes sujeitos desse processo. O ser humano está em um processo
permanente de educação.
Partindo desta perspectiva, acredita-se que o ensino é um aliado nas mudanças
que devem acontecer nas práticas de saúde, sendo a Educação Permanente em
Saúde (EPS) um dos mais relevantes meios para que isto ocorra, de forma a intervir
na melhoria da formação do profissional que atua no SUS (BRASIL, 2009).
2.3 Evolução histórica das unidades neonatais
Antigamente, os partos eram realizados em casa pelas parteiras, sendo os RNs
mantidos com suas mães e familiares. Eram altas as taxas de mortalidade infantil e
de prematuros, pois não existiam estabelecimentos voltados para os cuidados delas.
Por muitos séculos elas não eram consideradas como parte integrante da sociedade,
pois eram tidas como seres sem alma, sem forma reconhecida pelo corpo. Esperavase que a seleção natural fosse capaz de excluir aquelas menos adaptadas à
sobrevivência, a exemplo das crianças prematuras ou nascidas com malformações
(DIAS, 2009; SÁ NETO; RODRIGUES, 2010).
Segundo o estudo de Dias (2009) o surgimento da neonatologia moderna se
deu na França, em 1892, proposta pelo obstetra Pierre Budin. A base da medicina
neonatal foi instituída por seus princípios e métodos. Para ele, a participação da mãe
nos cuidados com seu filho era essencial para desenvolver o vínculo afetivo entre
ambos. Assim, o primeiro berçário hospitalar foi criado em 1893, em Paris.
Em 1896, Martin Couney, discípulo de Budin, revolucionou a assistência
hospitalar ao RN com o uso das incubadoras, onde os bebês prematuros eram
20
colocados para crescerem e se desenvolverem, garantindo a sobrevida de bebês, até
então considerados inviáveis. Couney cuidou, durante quatro décadas, de mais de
cinco mil prematuros, com sucesso (DIAS, 2009).
Contudo, contrariando a proposta de Budin, a preocupação com o risco de
infecção e também com a chegada da tecnologia nos berçários, as mães foram
excluídas totalmente dos cuidados com seus filhos internados nos berçários dos
hospitais. Elas não tinham autorização para permanecerem com seu filho e eram
desencorajadas a realizar as visitas, refletindo na ruptura do vínculo mãe-bebê (DIAS,
2009).
Na década de 1920, a partir das demonstrações do trabalho de Couney com
prematuros,
foram
criados,
em
Chicago,
Estados
Unidos,
novos
centros
especializados em cuidado ao RN prematuro. Porém, era mantida a exclusão dos
cuidados maternos e orientado que houvesse o mínimo de intervenção e de manuseio
possível por parte dos profissionais (SÁ NETO; RODRIGUES, 2010).
Em meados de 1950, nos Estados Unidos da América, com o intuito de atender
crianças durante a epidemia de poliomielite por meio do uso da ventilação mecânica,
foram desenvolvidas as Unidades de Terapia Intensiva Pediátricas e Neonatal.
Apenas na década de 1980 foi que a primeira UTIN surgiu no Brasil, no estado do Rio
de Janeiro (IZUMI; FUJISAWA; GARANHANI, 2011).
Nesta perspectiva, temos o conceito, proposto pela Portaria n°930/12, de
unidade neonatal:
[...] é um serviço de internação responsável pelo cuidado integral ao recém-nascido
grave ou potencialmente grave, dotado de estruturas assistenciais que possuam
condições técnicas adequadas à prestação de assistência especializada, incluindo
instalações físicas, equipamentos e recursos humanos (BRASIL, 2012).
As unidades neonatais hospitalares são divididas de acordo com a necessidade
do cuidado em: UTIN, UCINCo e UCINCa. Assim, a UTIN é voltada ao atendimento
do RN grave ou com risco de morte; a UCINCo, destinados ao atendimento de RN
considerados de médio risco e que demandem assistência contínua, porém de menor
complexidade do que na UTIN; e a UCINCa, deve acolher mãe e filho para prática do
método canguru, para repouso e permanência no mesmo ambiente nas 24 horas por
dia, até a alta hospitalar (BRASIL, 2012).
A hospitalização, por vezes, é necessária. Por outro lado, remete aos RNs a
um ambiente doloroso e inóspito, bastante diferente do ambiente uterino, que é ideal
21
para o crescimento e desenvolvimento fetal (REICHERT; LINS; COLLET, 2007).
Exposições frequentes a estímulos nociceptivos (alto nível de ruído, luminosidade e
manipulação), geralmente não contingente às suas respostas e incompatível com sua
capacidade de autorregulação, são fonte de estresse e desorganização para o bebê,
podendo gerar danos ao seu desenvolvimento (PEREIRA; CARVALHO; IKEDA, 2015;
ROSEIRO; PAULA, 2015).
Como o cuidado ofertado pela equipe multiprofissional muitas vezes ainda é
orientada pelo modelo biomédico, torna-se necessário o aperfeiçoamento das práticas
profissionais, afim de minimizar as práticas nocivas, comumente vistas nas unidades
neonatais.
Ressaltamos que concordamos com Costa e Padilha (2011), quando afirmam
que a criação de unidades neonatais nos hospitais contribui significativamente na
redução da morbimortalidade neonatal, sendo notáveis os avanços científicos e
tecnológicos nesta área. Entretanto, esse processo acabou afastando a família do
contato com seu filho, uma vez que os profissionais de saúde se tornaram detentores
hipervalorizados do saber e dos modos de cuidar da saúde e do adoecimento das
crianças atendidas, sendo os pais excluídos, por serem considerados incapazes de
realizar os cuidados.
Atualmente, uma mudança está ganhando força no que concerne aos cuidados
nas unidades neonatais. A assistência aos pais e a participação da família nos
cuidados hospitalares dos bebês prematuros têm sido prioridade nos serviços de
neonatologia, reafirmando os princípios e métodos criados por Budin, e conforme o
proposto pelo MS em relação à humanização da saúde. Um exemplo importante é o
Método Canguru, destinado a RN de Baixo Peso (RNBP), com ênfase no seu
desenvolvimento físico e psíquico (BRASIL, 2011).
Essa mudança nas práticas, felizmente tem ocorrido no local onde a pesquisa
foi realizada e, segundo nossa observação e de profissionais do setor, além dos
próprios pais e familiares, esse novo modo de cuidar tem proporcionado uma melhoria
na qualidade da assistência. Todavia, mesmo com os avanços obtidos, é importante
ressaltar a preocupação com possíveis deficiências na formação dos trabalhadores
da saúde, visto que são notórios alguns entraves para a efetivação de práticas
humanizadas, conforme proposto pela PNH.
22
2.3.1 A Fisioterapia na unidade neonatal
A especialidade de Fisioterapia neonatal é recente, foi criada e regulamentada
pela Portaria N.3.432/SM/GM de 12 de agosto de 1998, que atribui e considera a
importância na assistência das unidades que realizam tratamento intensivo nos
hospitais do país, inserindo-a na formação da equipe básica de atendimento (BRASIL,
1998).
Posteriormente, a resolução N. 7 de 24 de fevereiro de 2010, regulamenta e
atribui responsabilidade técnica ou coordenação no serviço de UTI, colocando o
fisioterapeuta como profissional fundamental na assistência da reabilitação e
prevenção do paciente crítico (BRASIL, 2010; ALMEIDA; THEIS; GERZSON, 2016).
O fisioterapeuta intensivista neonatal, como é chamado aquele profissional que
trabalha nas UTIN, atua na prevenção e tratamentos de complicações decorrentes da
prematuridade neonatal, como as complicações respiratórias e do desenvolvimento
neuropsicomotor. Atua também na redução de estímulos estressantes aos RNs, como
luz forte, ruídos intensos, temperatura inadequada e procedimentos invasivos e
dolorosos. Deve ainda dar assistência aos familiares e ajudar na elaboração e na
execução de normas e protocolos específicos para a unidade, junto à equipe
multiprofissional.
Percebemos que os procedimentos realizados pelos fisioterapeutas muitas
vezes são invasivos, podendo causar dor, desconforto e estresse aos bebês. Por
conseguinte, os profissionais fisioterapeutas que atuam em unidades neonatais
devem utilizar em seu trabalho atitudes humanizadas e buscar trabalhar com ética
pela dignidade humana (MONDADORI et al., 2016).
Temos ciência de que os resultados alcançados com a inserção do
fisioterapeuta nas unidades neonatais têm sido de grande importância, levando ao
reconhecimento profissional do fisioterapeuta, tornando-o um membro imprescindível
da equipe multiprofissional. Desta forma, afirmamos que a atuação da Fisioterapia na
equipe multiprofissional das unidades neonatais pode contribuir de forma diferenciada
na atenção humanizada ao neonato e à sua família.
É nesse contexto que buscamos responder ao questionamento: qual a relação
entre o percurso formativo da humanização da saúde com a atuação dos
fisioterapeutas da unidade neonatal de um hospital público de ensino?
23
2.4
Objetivos
2.4.1 Objetivo geral
Analisar a relação entre o percurso formativo da humanização da saúde e a
atuação dos fisioterapeutas da unidade neonatal de um hospital público de ensino, a
partir de seus discursos.
2.4.2 Objetivos específicos
Identificar quais os sentidos de humanização da saúde para os fisioterapeutas da
unidade neonatal.
Destacar quem são os atores sociais envolvidos na humanização da saúde de
acordo com os fisioterapeutas da unidade neonatal.
2.5
Percurso metodológico
O estudo foi desenvolvido na área de Ensino na Saúde, sendo uma pesquisa
de abordagem qualitativa, de caráter exploratório, sustentada pelos pilares teóricosmetodológicos de análise das Práticas Discursivas e Produção de Sentidos no
Cotidiano (SPINK, 2010; SPINK et al., 2013; SPINK et al; 2014). Esta perspectiva
alinha-se ao Construcionismo Social, movimento que propõe uma reflexão crítica
acerca da produção do conhecimento.
Spink e colaboradores (2013), descrevem as Práticas Discursivas como uma
linguagem em ação, ou seja, é por meio do discurso que ocorre a construção social
da realidade em que se vive. A mesma autora também traz o conhecimento como algo
construído em conjunto, por meio das práticas sociais, e não algo apreendido do
mundo (SPINK, 2010).
O interesse maior das práticas discursivas é no papel da linguagem na
interação social. É nesse contexto que será possível entender a relação entre o
percurso formativo da humanização da saúde e a atuação dos fisioterapeutas na
unidade neonatal, mediante os sentidos produzidos nas práticas discursivas dos
profissionais.
De acordo com o Construcionismo, o conhecimento se produz na troca de
experiências entre as pessoas, por meio das relações humanas, respeitando suas
divergências (SPINK et al., 2013). O conhecimento é produzido histórica e
24
socialmente, onde as verdades devem ser consideradas dentro de um determinado
tempo e contexto, tornando esses os seus parâmetros e limites (ARAGAKI, 2001).
A pesquisa foi realizada nas instalações de um hospital público de ensino,
localizado em uma cidade do nordeste brasileiro, após ser aprovada pelo Comitê de
Ética em Pesquisa sob parecer nº 2.542.048/2018 (ANEXO I).
Foram convidados a participar da pesquisa os fisioterapeutas que trabalham na
unidade neonatal. O convite foi feito de forma verbal e presencial pela pesquisadora,
no local de trabalho.
Foi considerado como critério de inclusão os fisioterapeutas que trabalham na
Unidade Neonatal, num período igual ou superior a seis meses, por considerarmos
que estes já possuem conhecimento necessário sobre o local de trabalho e o serviço
que realizam. Não foram considerados os aspectos relacionados ao sexo, raça/etnia,
gênero, orientação sexual ou condição socioeconômica, uma vez que esses aspectos
não são objetos dessa pesquisa e por se considerar que eles não influíram no material
produzido.
Foram considerados critérios de exclusão profissionais que não concordassem
em participar da pesquisa ou se negassem a assinar o Termo de Consentimento Livre
e Esclarecido (TCLE).
É importante esclarecer que na abordagem teórica adotada se considera que os
dados não estão prontos para serem coletados. As informações que permitiram o
alcance dos objetivos da pesquisa foram produzidas ativamente na relação dialógica
entre pesquisadora e participantes.
Assim, utilizou-se como técnica de produção de informações a entrevista
semiestruturada ou não diretiva, que consiste numa forma de produzir informações
baseada no discurso do entrevistado sobre sua experiência, concepções e ideias. O
entrevistador se mantém atento às comunicações verbais e atitudes, intervindo com
discretas interrogações pertinentes à pesquisa que estimulem a expressão do
interlocutor (CHIZZOTTI, 2006; SPINK et al, 2014).
As entrevistas ocorreram individualmente e foram conduzidas pela proponente
da pesquisa, que explicou ao participante os objetivos da pesquisa, bem como leu
junto com o mesmo o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). Só após
a sua concordância com os termos e assinatura do documento citado foi feita a
entrevista, entre os meses de maio e julho de 2018, durante o turno de trabalho de
cada profissional, sendo gravada em áudio, previamente autorizada pelo participante.
25
Foi utilizada uma sala reservada, com conforto e privacidade aos participantes, no
próprio local de trabalho, respeitando a disponibilidade dos mesmos.
Foi seguido um roteiro (APÊNDICE A), afim de alcançar os objetivos propostos,
assim estruturado:
1. Falar, de maneira geral, sobre o que entendem sobre a humanização da saúde;
2. Relatar sobre a formação em humanização da saúde, durante a trajetória
acadêmica e profissional (graduação, pós-graduações, cursos, EPS e outras
atividades);
3. Dizer se as práticas que realizam no local de trabalho estão alinhadas à
humanização da saúde.
O roteiro serviu de base para a formulação de perguntas, de maneira que foi
utilizada linguagem compreensível por todos os participantes.
Participaram desse estudo oito fisioterapeutas, de um universo de dezessete
pessoas que faziam parte dos critérios de inclusão da pesquisa. A amostra foi por
conveniência, foram consideradas as indexicalidade (vinculação das práticas
discursivas com o contexto histórico e social), inconclusividade (impossibilidade de
controle de todas as variáveis que interferem na produção de realidade, pois esta é
complexa) e reflexividade (espiral interpretativa considerando que a pesquisadora
coproduziu as informações – pois a relação é dialógica, sendo impossível a
neutralidade), caracterizando como pesquisa qualitativa na abordagem teóricometodológica adotada (SPINK, 2013).
As falas gravadas foram inicialmente transcritas na íntegra, que incluiu todas
as falas e expressões comunicadas, ou seja, foi feita de forma literal, de modo a
preservar o discurso original do contexto de pesquisa. As linhas da transcrição foram
numeradas para localizar, na discussão dos resultados, onde se encontra a fala do
entrevistador e/ou entrevistado a que se refere no momento da análise.
(NASCIMENTO; TAVANTI; PEREIRA, 2014).
Posteriormente, foi feita ainda uma transcrição sequencial. Esta identifica o que
versa a entrevista e como ela acontece. Foi feita a partir da identificação das falas e
vozes presentes no áudio, procurando identificar quem fala, em que ordem cada
pessoa fala e sobre o que fala, observando também quem se detém mais em um
determinado assunto e como fala (NASCIMENTO; TAVANTI; PEREIRA, 2014).
26
Os participantes foram identificados através da letra “P” (inicial de participante)
segui a de numeração de acordo com a ordem das entrevistas, indo de P1 a P8.
O procedimento analítico centrou-se na leitura exaustiva das entrevistas e
identificação de categorias analíticas, que se baseou nas perguntas norteadoras da
entrevista.
Todos os cuidados éticos foram tomados para a realização da pesquisa, em
respeito à Resolução n° 510/16, do Conselho Nacional de Saúde. Neste quesito,
ressaltamos que a abordagem construcionista cria o cenário propício para a discussão
da ética a partir do próprio processo de pesquisa. A pesquisa configura-se pelo
compromisso ética com alguns pressupostos sobre a natureza da produção do saber
e das interações humanas (SPINK, 2000). Portanto, ao discutir sobre a relação do
percurso formativo da humanização da saúde e a atuação profissional, a partir das
entrevistas, pudemos dar vozes aos participantes e contribuir para uma reflexão sobre
as suas práticas individuais e coletivas.
2.6
Resultados e discussão
Os participantes do estudo foram predominantemente do sexo feminino
(87,5%); a média de idade foi de 36 anos, variando de 31 a 40 anos; a média do tempo
de formação foi de 12,25 anos, variando de 6 a 17 anos; a maioria (87,5%) não tinha
experiência prévia em neonatologia; seis (75%) eram lotados na UTIN e UCINCo e
dois (25%) na UCINCa. Todos os participantes foram contratados por meio de
concurso público e trabalham no referido hospital há três anos.
27
Quadro 1. Perfil dos fisioterapeutas participantes da pesquisa. 2018.
Participantes
Sexo
Idade
(anos)
40
Tempo de
formação
(anos)
15
Experiência
prévia em
neonatologia
Não
P1
F
P2
Setor de
atuação
UTIN/UCINCo
F
34
12
Não
UTIN/UCINCo
P3
M
37
12
Não
UCINCa
P4
F
31
6
Não
UTIN/UCINCo
P5
F
33
10
Não
UTIN/UCINCo
P6
F
40
17
Não
UCINCa
P7
F
40
17
Sim
UTIN/UCINCo
P8
F
33
9
Não
UTIN/UCINCo
Legenda: P – Participante; F – Feminino; M – Masculino; UTIN – Unidade de Terapia Intensiva
Neonatal; UCINCo – Unidade de Cuidados Intermediários Convencional; UCINCa – Unidade de
Cuidados Intermediários Canguru.
Fonte: Autor - Dados da pesquisa.
No decorrer da análise das informações da pesquisa, foram identificadas quatro
categorias analíticas: sentidos de humanização, atores sociais da humanização,
percurso formativo da humanização e práticas alinhadas à humanização.
2.6.1 Sentidos de humanização
Nesta categoria analítica, quando perguntado aos fisioterapeutas o que eles
entendiam sobre humanização, foi possível notar em seus discursos um
conhecimento amplo e distinto a respeito do termo.
É importante lembrar que, na literatura e nas práticas profissionais, alguns
sentidos sobre humanização ainda são associados a “favores” ou “caridade”. De
acordo com Carvalho et al (2015), estas concepções estão ligadas aos movimentos
religiosos e paternalistas da Idade Média, onde os hospitais tinham como objetivo
recolher os pobres necessitados de cuidados, físicos e morais.
Entretanto, podemos observar a relação de humanização com o respeito ao
outro e com a empatia, como no relato do P3:
P3 – [...] é você trabalhar de uma maneira respeitando a integridade do outro, os
desejos, buscando sempre o bem-estar naquele que tá nessa condição, no caso nosso
aqui, de doença ou necessitando de cuidado [...] se você pegar essa pronga2 e colocar
no seu nariz, significa que você pode colocar no outro [...] você tem que se perguntar
isso [...] para mim isso é humanização.
2 Acessório utilizado na ventilação mecânica não invasiva de bebês, posicionado nas narinas.
28
Já, outros participantes trazem sentidos relacionados ao proposto pela PNH.
P4, por exemplo, aproxima o sentido de humanização com o direito do usuário, que
no caso é a mãe acompanhante, com a ambiência3 e a valorização profissional:
P4 – [...] dar o direito de uma mãe saber o que o filho tem, aquela visita né? [...] você
ter material para trabalhar, é você ter uma boa relação com a equipe, você ser
valorizado, acho que isso entra também na humanização. Como profissional, ser
estimulada também.
Por outro lado, três participantes (P2, P6 e P8) ressaltaram a questão do
acolhimento4:
P2 – Eu entendo que seja um atendimento ao paciente, nós, profissionais da saúde,
é...tenhamos um certo acolhimento, um certo cuidado ao conversar, ao atender [...].
P6 – [...] no meu ver é o atendimento, é a assistência, é olhar o paciente não só como
aquela pessoa que veio fazer o tratamento.
Humanização é desde o acolhimento, é receber o paciente, é como chega, é sentar, é
saber ouvi-lo, sem criticar.
P8 – A gente tem que ter cuidado de perguntar para elas (mães) se tem alguma dúvida,
o que elas querem saber, estimular para que elas criem vínculos com o bebê.
Os resultados que apontam a integralidade, a empatia e a ambiência como
fatores que caracterizam o cuidado humanizado estão em consonância com achados
da pesquisa de Evangelista (2016), que identificou essas concepções nos discursos
dos profissionais de uma UTI.
O fragmento “dar o direito de uma mãe saber o que o filho tem” dito por P4, dá
indício que a participante acredita no entendimento de saúde como um direito do
usuário. Além desse relato, o envolvimento dos profissionais com as mães foi bastante
presente nos discursos de outros participantes, que apontaram o acolhimento como
um compromisso na atuação desses fisioterapeutas.
Temos percebido e, contando com o apoio de alguns autores (PEREIRA;
CARVALHO; YKEDA, 2015), que a hospitalização de uma criança é muito angustiante
para os pais, pois, afeta a estabilidade familiar e cria momentos de incertezas. O apoio
aos familiares deve ser incondicional e total, no sentido de escutá-los sem
3 Ambiente físico, social, profissional e de relações interpessoais que deve estar relacionado a um
projeto de saúde voltado para a atenção acolhedora, resolutiva e humana (BRASIL, 2008).
4 Processo constitutivo das práticas de produção e promoção de saúde que implica responsabilização
do trabalhador/equipe pelo usuário. Ouvindo sua queixa, considerando suas preocupações e angústias,
fazendo uso de uma escuta qualificada (BRASIL, 2008).
29
julgamentos, orientar e apoiá-los em suas decisões. Essas ações são fundamentais
para o sucesso da humanização em Neopediatria.
Entende-se que para a realização de um atendimento humanizado, aos RNs e
seus familiares, é imprescindível a garantia de boas condições de trabalho para os
profissionais envolvidos na assistência. Expressões citadas pelos participantes da
presente pesquisa, em relatos anteriores, como: “boa relação com a equipe”, “ser
valorizado” e “ser estimulada”, corroboram com esse entendimento.
Em detrimento do modelo biomédico, também conhecido como modelo
flexneriano5, ainda enraizado nas práticas em saúde, os sentidos de humanização
nesta pesquisa se aproximaram do modelo biopsicossocial.
Alguns participantes atentaram para um afastamento das práticas mecânicas,
que visam apenas as técnicas fisioterapêuticas, propondo um olhar mais dedicado às
necessidades individuais dos usuários.
P2 – Humanização é ...não estar ali para fazer o que tem escrito na sua parte, no lado
profissional [...] escrito nos protocolos: “devemos alongar, devemos fazer aspirações,
se necessário, e posicionamento e pronto”. Não! A humanização ela vem de tudo,
desde o acompanhante né?! Desde o próprio paciente.
P3 – [...] uma maneira mais humana sem tanta, vamos dizer assim: mecanização das
coisas né? Cada um tem suas necessidades, seus desejos [...].
As práticas discursivas acima estão de acordo com o MS, pois, segundo o
mesmo, o processo de humanização busca reverter um quadro de mecanismos,
automatismos ou tecnicismos, atualmente inerentes às relações de trabalho, em
determinados setores ou grupos de trabalhadores (BRASIL, 2010).
Também foi notado um olhar mais atento para os cuidados específicos dos
RNs, considerando suas particularidades. Exemplos:
P7 – Humanização é respeitar o indivíduo, o bebê como um indivíduo que precisa dos
cuidados próprios para sua idade, de entender que ele tá num ambiente hospitalar, mas
que ele precisa ser visto como um ser humano.
P8 – Os cuidados com o bebê, com um manejo de forma mais agradável [...] não uma
coisa que você pega, dá banho e pega aqui, pega ali, secou e pronto. É diferente!
Os relatos acima apontam que o atendimento fisioterapêutico deve ir além das
técnicas, evitando o trabalho puramente mecânico. O fisioterapeuta precisa estar
5
Modelo de ensino médico com bases eminentemente biológicas, centrado na doença de forma
individual, tendo como lócus o hospital, resultado em práticas mecanicistas, com ênfase nas
especializações precoces (MAEYAMA; ROS, 2018).
30
atento à atenção integral de quem por ele é atendido para a garantia de uma
assistência humanizada.
A Fisioterapia, inclusive, já dispõe de recursos em Neonatologia que propõem
esse cuidado mais humanizado, de acordo com as particularidades do RN. Como a
terapia aquática ou ofuroterapia, o posicionamento terapêutico, as técnicas de
massagem e o toque terapêutico.
Neste mesmo sentindo, Ramada e colaboradores (2013), em um estudo com
RNs, observaram que o toque terapêutico associado a um ambiente adequado
(aquecido, arejado e relaxante) e uma música de fundo tranquila e em tom baixo, foi
capaz de ajudar na cura das enfermidades dos bebês, por causar modificações
benéficas em seus parâmetros vitais e diminuição da dor. E tais condições se alinham
ao proposto como Ambiência, na PNH (BRASIL, 2008).
Assim, em síntese, apesar do caráter polissêmico do termo humanização, as
práticas discursivas dos participantes convergem, em muitos momentos, para alguns
princípios e diretrizes da PNH.
2.6.2 Atores sociais da humanização
Nesta categoria, ao dar sentido ao termo humanização, foi possível notar a
presença de diferentes sujeitos e as relações de cuidado entre si.
Dois fisioterapeutas destacaram a importância da atenção ligada aos usuários
(bebês e mães acompanhantes), porém, também incluíram a atenção aos
trabalhadores, a fim de que lhes sejam garantidas boas condições de trabalho:
P1 – [...] é a gente ter aquele olhar para as mães e não só para o bebê. [...] a gente
também, que a gente passa pelas situações, superlotação, aí fica aquele clima ruim,
clima ruim de trabalho, falta de material e a gente fica sobrecarregado e eu acho que
tudo faz parte dessa humanização.
P4 – [...] eu acho que é dar uma assistência com a qualidade melhor, garantir boas
condições de trabalho, pensando no profissional. Boas condições de trabalho no
sentido de um bom ambiente de trabalho.
Já outro fisioterapeuta, além da relação dos usuários e trabalhadores na
humanização, incluiu também a participação dos gestores:
P5 – A humanização na saúde é ver o usuário como um todo e não afastando também
o trabalhador da saúde, usuário e gestor. Assim, promovendo mudanças no modo de
cuidar.
31
Podemos perceber o múltiplo olhar que os participantes têm para os atores
envolvidos no processo do cuidado. Além da atenção com a saúde do usuário, que é
a mais discutida quando se fala humanização da assistência, eles também destacam
a importância do cuidado com os trabalhadores.
Em mais dois registros, nota-se a preocupação dos participantes no cuidado
consigo e com os colegas de trabalho, destacando novamente a importância do
cuidado com a saúde do trabalhador:
P1 – [...] tudo faz parte dessa humanização, a gente tratar da gente.
P3 – Quando alguém (profissional) tem um problema. Como teve com uma pessoa
daqui. O filho dela assumiu que era homossexual, usuário de drogas. Ela tava meio
chorosa, aí a equipe toda acolheu, chegou junto. [...] porque não é só olhar a parte
profissional, é ver o além, acolher o colega.
Concordamos com Rigonatto (2014), que afirma em seu estudo que o trabalho
em equipe é um ponto importante para que o atendimento seja humanizado. Além da
melhoria na qualidade de atendimento ao usuário, a proposta de humanização da
assistência também é vista como um valor para a conquista de melhores condições
de trabalho para os profissionais.
Porém, sabemos que há trabalhos que divergem nesse ponto, uma vez que
centram a humanização da saúde no cuidado prestado ao usuário, não considerando
os trabalhadores, como por exemplo os estudos de Oliveira (2013) e de Carvalho e
colaboradores (2015).
Além da participação dos profissionais nos cuidados ao RNs, observa-se ainda
o acolhimento da família pelos profissionais, incentivando-a no cuidado à criança:
P7 – [...] também dá um suporte para a família, porque a família estando com um
suporte ela pode apoiar o RN, ela vai acolher melhor aquela criança.
Esta mudança de comportamento vai de encontro ao que acontecia com
bastante frequência há uns anos atrás, onde quem buscava atendimento hospitalar
deixava de ser cidadão, de ter vontade própria, de ter direitos e passava a ser passivo,
respeitando às ordens médicas e da enfermagem de forma submissa (DIAS, 2007).
Para o MS, humanizar o atendimento ao RN significa, entre outras coisas,
incluir a participação da família no processo assistencial, pois é ela que assumirá o
cuidado do RN em domicílio. É imprescindível o estabelecimento e manutenção desse
vínculo durante a hospitalização, a fim de despertar o cuidado da família para com
32
seu bebê e acelerar o processo de recuperação de sua saúde (SILVA; BARROS;
MACHADO, 2014).
Um estudo de revisão bibliográfica sistemática sobre a humanização em terapia
intensiva verificou publicações relatando a importância do desenvolvimento de
estratégias pela equipe de profissionais, a fim de evitar o afastamento da família no
tratamento dos usuários, devendo ser considerada um aliado no tratamento. O estudo
também verificou que o envolvimento dos diferentes sujeitos para o processo de
humanização é essencial (CARLI; UBESSI; PETTENON et al., 2018).
A coparticipação de profissionais da atenção e da gestão em processos
decisórios, também esteve presente nos discursos dos participantes da presente
pesquisa. No entanto, apesar do reconhecimento do papel dos profissionais da
assistência junto à gestão, parece haver falta de iniciativa de ambas as partes.
Observadas a partir da fala de um dos participantes:
P5 – A parte da gestão com a aproximação com o profissional da saúde eu acho bem
importante de tá junto, de tá incentivando a estudar, principalmente formar grupos de
estudo [...] a gestão tem um papel muito importante em incentivar isso [...] acho que
deve haver mais essa aproximação [...] mas falta uma mobilização, até da gente como
profissional, se mobilizar, ir lá pedir.
O relato acima, de nosso entrevistado, encontra aporte teórico no estudo de
Ferreira e Araújo (2014), que destaca o modo como o trabalhador olha para si próprio,
sendo imprescindível iniciativas não apenas do setor da humanização e da gestão,
mas sim de ações que partam também dos trabalhadores e dos usuários.
Do contrário, ao seguir um modelo tradicional de gestão, com a não
participação dos trabalhadores em processos decisórios, faz-se reduzir os espaços
de reflexão, participação e autonomia dos sujeitos, impugnando o que preconiza a
PNH (BRASIL, 2003; CALDERON, 2014).
Os relatos acima mostram que as práticas discursivas de nossos entrevistados
em relação aos atores que fazem parte do processo de humanização reafirmam o que
propõe a PNH, que é a valorização dos diferentes sujeitos que participam da produção
de saúde: usuários, trabalhadores e gestores (BRASIL, 2008).
A inclusão das diferentes pessoas é estimulada pela PNH e discutida em
diversos estudos sobre a humanização. Ferreira e Araújo (2014), destacam a não
separação dessa tríade, afirmando que todos são sujeitos transformadores da
realidade e, portanto, de seus resultados.
33
2.6.3 Percurso formativo da humanização
Foram identificadas fragilidades no percurso formativo dos participantes em
relação à humanização da saúde na fala de todos entrevistados. Alguns relataram que
o tema foi abordado de forma superficial e não específica, tanto na graduação quanto
na pós-graduação.
P1 – Na época da faculdade falava [...] falava alguma coisa, mas por alto. Já falava de
humanização, mas era uma coisa assim, vaga, não era nada tão específico. [...] na pósgraduação [em Traumatologia] falou, mas era uma coisa vaga, assim, não era nada
pontual.
P4 – Eu não lembro se eu tive uma coisa só para isso, mas eu lembro que entre uma
disciplina e outra alguém falava sobre a questão de humanização. [...] eu lembro que
falam, mas assim, flashes, momentos. Mas dentro de uma certa aula, falando só de
humanização não lembro.
Já outros participantes, relatam que não viram ou não se lembravam:
P3 – Olha, de humanização na graduação e pós-graduação, nenhuma. Coisa
especifica não. [...] eu fiz pós-graduação e não falava, sinceramente eu não me
recordo.
P6 – Na graduação e pós-graduação eu não tive nada específico relacionado com a
humanização.
Percebe-se nos relatos acima que os discursos dos participantes se
assemelham. Expressões como: “por alto”, “muito vago”, “nada pontual”, “nenhuma”,
“não me recordo” e “nada específico” foram enfáticas nas falas ao se referirem da
abordagem da humanização em seus percursos formativos.
Assim, os achados desta pesquisa convergem com os de Silva e Silveira (2011)
e Carvalho e colaboradores (2015), que estudaram a percepção de discentes do curso
de Fisioterapia sobre a humanização. Nestes trabalhos a maioria dos participantes
também relataram não ter visto nenhuma disciplina específica que abordasse o tema
ou o mesmo foi abordado de forma por eles considerada vaga e superficial. Além
disso, o segundo estudo observou que a formação dos sujeitos da pesquisa ainda se
mostrou enraizada no modelo flexneriano.
No estudo de Rios e Sirino (2015) também se percebeu pouca familiarização
dos alunos com a temática humanização, corroborando com as pesquisas citadas
anteriormente. Nos discursos desses alunos, a abordagem da humanização no ensino
34
é colocada em segundo plano na formação em detrimento das “disciplinas mais
gerais”, no entanto, não especificam que disciplinas eram essas.
Já Ferreira e Araújo (2014), entrevistaram profissionais de uma equipe
hospitalar multidisciplinar e também notaram pouca ou nenhuma concatenação da
formação desses profissionais com a PNH na graduação. Os autores consideram que
a falta de conhecimento teórico sobre a PNH torna mais difícil a prática da
humanização.
Apesar dos relatos apontarem uma carência no ensino da humanização, ainda
assim os participantes da atual pesquisa identificaram a relação de algumas
disciplinas e temas com a humanização.
A Antropologia e a Psicologia foram citadas por dois participantes:
P5 – Na graduação eu vi, principalmente nas disciplinas de antropologia. Na pós em
Saúde Pública sempre abordava esse tema nas disciplinas.
P6 – Na graduação e pós-graduação eu não tive nada específico relacionado com a
humanização, com esse termo diretamente, mas a gente pagou muita Psicologia na
faculdade [...] que acaba trabalhando isso, da gente saber lidar com o paciente.
O estudo de Freitas e Ferreira (2016) corrobora com estes resultados. Em seu
estudo, participantes também citaram disciplinas das áreas de Ciências Sociais e
Humanas, como a Antropologia, a Sociologia e a Psicologia como as disciplinas que
apresentam maior relação com o aprendizado da humanização, visto que possibilitam
a compreensão do ser humano, considerando todos os seus aspectos, valorizando e
respeitando sua cultura e valores.
Os participantes 3 e 7, relacionaram, ainda, a humanização com a ética e a
interdisciplinaridade:
P3 – Falou em ética, tem um modulo de ética [...].
P7 – Eu me formei em 2001, se falava mais em questão de interdisciplinaridade, como
uma forma de ver o indivíduo como um todo, mas essa questão da humanização foi
depois.
Apesar dos participantes desta pesquisa citarem disciplinas fazendo algum tipo
de ligação com a humanização, essas pareceram ter sido vistas de forma isolada,
desarticulada com outras disciplinas, não havendo relatos de práticas concretas neste
sentido.
Dito isto, é fundamental registrar que algumas iniciativas semelhantes, com
relação à inclusão de disciplinas no ensino da humanização, já são evidentes no Brasil
35
e no mundo, de forma articulada e significativa. Como exemplo, citamos o ensino das
humanidades médicas nas faculdades da área de saúde. De acordo com De
Benedetto (2018), estas podem ser definidas como algumas combinações de
disciplinas como Ética, Filosofia, estudos acerca da Espiritualidade e Literatura,
voltadas para o contexto médico. Nesta perspectiva, ensinam os alunos a terem uma
reflexão crítica, com práticas mais humanizadas.
Estas iniciativas representam uma estratégia interessante no ensino da
humanização, visto que tende a formar profissionais com o perfil almejado pelo
Conselho Nacional de Educação do Ministério da Educação do Brasil, ou seja,
generalista, humanista, crítico e reflexivo (BRASIL, 2014). São sentidos diferentes
daquele proposto pela PNH, mas reconhecemos que são importantes nas práticas em
saúde.
Outro aspecto importante a ser considerado no ensino da humanização é sobre
a relação entre teoria e prática. Observada na fala abaixo:
P3 – Falava por cima: vamos fazer humanização! Mas você não vivia isso na prática.
[...] é aquele negócio: é muito importante você trabalhar com humanização! Mas não
se chegava a praticar humanização.
No discurso acima, sobre a formação na graduação, nota-se que o participante
recebeu algum tipo de informação sobre a humanização, porém, possivelmente de
forma mecânica e não significativa.
Para a PNH humanização não é falar, é fazer, é alterar práticas (BRASIL, 2008,
2009, 2010). A formação em saúde deve implicar ações e trocas coletivas, tendo como
base práticas concretas de intervenção para que se possa ser capaz de gerar novas
práticas (FREITAS; FERREIRA, 2016).
Na pesquisa de Rios e Sirino (2015) e de Freitas e Ferreira (2016), com alunos
de medicina e enfermagem, respectivamente, destaca-se a importância de articular
teoria e prática no ensino da humanização, e as ações dos professores como
referências, positivas ou negativas, do que consideram bons e maus exemplos de
postura profissional.
Considerando ainda o papel docente na formação em saúde, o relato abaixo
refere-se ao sentimento de um participante da presente pesquisa diante de uma
experiência em curso, onde o professor, na visão do aluno, teve uma atitude
desumana:
36
P3 – O paciente foi para o curso, ele (professor) colocou para ser cobaia perante 30,
40 pessoas, mas na esperança de ouvir alguma coisa boa [...] ele quase não atendeu
porque disse que ele não tinha prognóstico [...] você passa o curso todinho admirando
o cara, aí chega numa dessa cai o conceito. [...] ele ensina isso, que a pessoa tem que
ser positiva, mas quando chegou lá na hora de praticar...
Segundo Freitas e Ferreira (2016), a figura do professor representa um
elemento que facilita o aprendizado da humanização pela metodologia do ensino,
porém, no discurso supracitado, em um sentido destoante à PNH, mas ainda tratando
de humanização da saúde, o professor apresentou uma dicotomia entre o seu
discurso e sua prática. O participante 3 refere que o professor era desumano, nesse
caso aparece um sentido de humanização como o “bom humano”.
Benevides e Passos (2005), fazem uma crítica ao que se instituiu nas práticas
de saúde como o “bom humano”, os autores são contra uma idealização do homem
como uma figura-ideal. A PNH foi construída a partir de um “reencantamento do
concreto” (VARELA, 2003) ou do “SUS que dá certo”, e não a partir da definição de
um modelo ou de um padrão-ideal, que seria pautada na bondade humana e na
transformação de “maus humanos” em “bons humanos”.
Frente aos relados apresentados, ficam evidentes algumas lacunas existentes
à luz da formação em humanização.
Foi possível perceber relatos de medo e insegurança no início das experiências
dos fisioterapeutas na unidade neonatal:
P2 – Eu tinha medo de atender, de dar alguma coisa errada, daquele paciente
dessaturar e ir à óbito no meu atendimento. E aí com o passar do tempo, com a prática,
lendo, eu fui aprendendo.
P8 – Eu tive medo no começo. Eu tinha medo de pegar o bebê, de machucar [...] como
eu não sabia muita coisa, como hoje eu sei, eu até preferia atender o bebê quando a
mãe não estava perto (risos).
A inexperiência prévia em neonatologia, presente na maioria dos participantes
desta pesquisa (87,5%), pode ter contribuído como um entrave na realização de
práticas humanizadas na unidade neonatal. Porém, cabe destacar que o cuidado e/ou
o temor em fazer algo errado, demonstrado por P2 e P8, revelaram o reconhecimento
da singularidade dos sujeitos e das situações, e as ações profissionais consideraram
isso, a fim de que não fosse produzido algum mal àqueles usuários.
Dada a importância do Método Canguru na assistência neonatal, considerouse necessária a sensibilização dos profissionais atuantes na unidade neonatal. Desse
37
modo, o referido hospital passou a oferecer o Curso do Método Canguru aos
profissionais e estudantes.
Ao serem questionados sobre a trajetória da formação em humanização, da
graduação até a atualidade, a importância do Método Canguru foi notória nos
discursos. Todos os participantes destacaram este curso como o mais relevante,
citado por todos os entrevistados. Como observa-se nas falas selecionadas abaixo:
P2 – Eu digo que eu fui uma profissional antes do Método Canguru e depois do Método
Canguru, eu me senti uma outra pessoa, uma outra fisio, uma outra mãe, uma outra
mulher depois que eu vi o Método Canguru [...] a partir daquele momento eu comecei
a agir de outra forma.
P3 – É pura abordagem falando da humanização. Para mim foi o exemplo de
humanização.
Dois participantes demonstraram ter alguma compreensão prévia sobre o
Método Canguru. Porém, após o cursou, ampliaram seus conhecimentos:
P4 – De todos que eu fiz, foi o que mais falou [...] na verdade, tirou uma grande dúvida
minha, eu achava que o Método Canguru, para mim, eu só enxergava a 3° etapa [...]
na UTI eu suspeitava, mas eu não sabia que dali a gente já podia começar a praticar
esse método.
P5 - Abriu muito a minha mente sobre essa questão, porque a gente fica vendo muito
o Método Canguru achando que é só aquele contato mãe-bebê e vai muito além disso.
O estudo de Gontijo e colaboradores (2012) sugere a manutenção de cursos
de capacitação, relacionados ao Método Canguru, para os trabalhadores de todos os
níveis, incluindo os gestores. Não apenas para sensibilizar a equipe quanto à sua
importância, mas a fim de criar condições de construção coletiva de projetos que
levem a mudanças de práticas na assistência neonatal.
Desta forma, nas práticas discursivas analisadas e também na literatura
estudada, percebe-se um déficit na formação em humanização não só na área de
Fisioterapia, mas em outras áreas da saúde. Torna-se urgente a mudança desse
cenário, a fim de que se formem profissionais com a compreensão da humanização
como um potencial transformador da atenção e da gestão em saúde.
2.6.4 Práticas alinhadas à humanização
Nesta categoria, percebeu-se que, apesar da inexperiência profissional, os
discursos apontam um certo alinhamento ou um início de mudança das práticas com
as propostas da PNH, principalmente após a realização do Curso do Método Canguru.
38
Os discursos dos participantes 1 e 4 apontam para uma mudança no modo de
cuidar após o curso, nesses dois casos, focado no bebê:
P1 – [...] pra mim, antes eu visava mais a questão do bebê, da qualidade que a gente
oferecia, a questão de não fazer barulho, de mexer o mínimo possível com ele. Só que
aí a gente percebe que qualquer coisa que a gente faça ali desestrutura tudo né?! O
jeito que a gente abre a incubadora, o jeito que a gente abre o material, coloca em
cima, que não deve.
P4 – A parte dos ruídos que me chamou muita atenção e a questão do posicionamento,
de colocar na posição canguru [...] eu ainda acho que faço pouco, mas eu comecei a
fazer mais.
Já o participante 5 refere mudança de comportamento também após o curso e
que inclui também a atenção aos pais. Destaca-se mudanças relacionadas à
ambiência e à empatia:
P5 – Eu tento ao máximo explicar a mãe ou ao pai, quando eles estão juntos à
incubadora. [...] colocar no contato mãe-filho. A questão do silêncio a gente se policia
mais, a claridade [...] não tá manuseando muito, deixar ele mais quietinho. [...] foi bem
relevante esse curso para mudar até o comportamento da gente [...] em relação ao
ambiente e até de se colocar no lugar do outro.
Este recorte está em concordância com outros autores que apontam o Método
Canguru como uma proposta de assistência humanizada, com ênfase no paradigma
da não separação entre o bebê e seus pais, especialmente a mãe. Os pais se tornam
parceiros nos cuidados com o bebê, o que possibilita a transformação da crise do
nascimento prematuro e da internação em uma experiência mais gratificante para toda
a família (SPEHAR; SEIDL, 2013).
No discurso do P3, também fica evidente o relato de práticas humanizadas
realizadas em seu cotidiano:
P3 – As mães descompensam porque tá há 30, 60 dias trancadas aqui. [...] já
aconteceu várias vezes da gente colher frutas lá atrás. Os paciente, acompanhantes e
profissionais [...] vai um grupão, aí eles adoram [...] eles saem realizadíssimos. Tem o
dia do cinema, aí sai do ambiente, vai para o cinema, eles gostam.
Deste modo, apesar das fragilidades encontradas durante a formação
profissional, os entrevistados afirmaram realizar práticas de humanização da saúde
na unidade neonatal. Para todos os participantes, o curso do Método Canguru revelou
ser um provocador de mudança nos modos de cuidar e possibilitou que os próprios
profissionais modificassem a realidade do serviço. A partir da ressignificação dos
39
sentidos que os mesmos atribuíram às suas práticas puderam iniciar a superação de
alguns desafios, que enfraqueciam a qualidade da atenção humanizada.
2.7
Considerações finais
Os sentidos da humanização oriundos dos discursos dos fisioterapeutas
participantes da pesquisa levou-nos a entender que os mesmos estão alinhados ao
que é proposto pela PNH. A humanização da saúde na unidade neonatal é descrita
principalmente como a capacidade de oferecer uma assistência de qualidade, ao
acolhimento, à comunicação, a boas condições de trabalho e ao respeito com o outro,
devendo dela participar os usuários, os profissionais e a gestão.
No entanto, ainda que esse reconhecimento apareça nos discursos, notamos
pouco protagonismo e autonomia no processo de produção de saúde pelos sujeitos,
com pouca ou nenhuma participação coletiva no processo de gestão.
Foram identificadas lacunas na formação, tanto em nível de graduação quanto
em pós-graduação. Desse modo, parece oportuno refletir sobre o modelo de ensino
na área da Fisioterapia, visto que esses profissionais estão sendo preparados para o
trabalho na saúde com uma visão limitada à dimensão biológica do ser humano.
Mudanças na formação são necessárias, assim como melhorias nas práticas
proporcionadas pela educação permanente em saúde. No âmbito do cuidado
neonatal, por exemplo, nossa pesquisa destaca a importância de cursos do Método
Canguru.
Todavia, apesar desse déficit, através da EPS, destacada nos discursos dos
participantes pelo Curso do Método Canguru, realizado pela maioria dos
entrevistados, foi possível observar um alinhamento das práticas realizadas no local
de trabalho com algumas propostas da PNH.
Desta forma, os dados desta pesquisa respondem aos seus objetivos e
evidenciam o quanto é importante oportunizar a participação de profissionais da saúde
em programas de EPS, baseada numa reflexão crítica da realidade vivida no
cotidiano, a fim de contribuir na (re)formação dos mesmos e provocar mudanças em
suas práticas profissionais.
A limitação deste estudo foi encontrar pesquisas cientificas relacionadas à
formação em humanização na Fisioterapia, visto que é escassa as publicações da
40
área, a partir desse foco. Dito isto, sugerimos que mais estudos sejam feitos para
substanciar essa temática.
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2003. p.33-52.
45
3
PRODUTOS EDUCACIONAIS
Os produtos propostos neste TACC, apresentados a seguir, foram
desenvolvidos a partir da análise dos resultados obtidos na pesquisa intitulada
“Percurso formativo da humanização da saúde no discurso dos fisioterapeutas da
unidade neonatal de um hospital público de ensino”.
A proposta do desenvolvimento do produto educacional consiste na premissa
básica de promover subsídios que possam colaborar com a melhoria do ensino e o
seu retorno para a sociedade, em especial do local onde foi realizada a pesquisa.
Todos os produtos abaixo relacionados são considerados materiais
educacionais, segundo o Documento de Área do Ministério da Educação (BRASIL,
2016a) e as Orientações para Aplicativos de Propostas de Cursos Novos da CAPES
(BRASIL, 2016b).
A fim de causar impacto não apenas em caráter local, mas também em outras
instâncias da sociedade, todos os produtos serão vinculados a um sistema de
informação, servindo como elementos transformadores no processo de ensinoaprendizagem, de maneira que o acesso seja fácil e que possa colaborar na melhoria
da formação e das práticas em saúde de outras localidades também.
Portanto, o Artigo Original foi submetido para publicação na revista científica
Saúde e Sociedade, Qualis CAPES Periódicos na Área de Ensino A1.
Já os produtos 2 e 3, serão divulgados por meio de suas vinculações a sistemas
de informações em âmbito local (página virtual do Mestrado Profissional em Ensino
na Saúde - MPES) e nacional (Portal EduCAPES).
46
3.1 Produto 1 – Artigo Original: Humanização da saúde no discurso dos
fisioterapeutas de uma unidade neonatal
Título: Humanização da saúde no discurso dos fisioterapeutas de uma unidade neonatal.
Humanization of health in the discourse of physiotherapists of a neonatal unit.
Autores: Camila de Melo Moura (Universidade Federal de Alagoas, Faculdade de Medicina,
Mestrado Profissional em Ensino na Saúde; milammoura.fisio@gmail.com; Rua Vereador
Mironildes Vieira Peixoto, n. 590, apt 203, CEP 57035-551, Alagoas, Brasil) e Sérgio Seiji
Aragaki (Universidade Federal de Alagoas, Faculdade de Medicina, Mestrado Profissional em
Ensino na Saúde; sergioaragaki@gmail.com)
Resumo: O artigo analisa a relação entre o percurso formativo da humanização da saúde e a
atuação dos fisioterapeutas da unidade neonatal de um hospital público de ensino, a partir de
seus discursos. Trata-se de uma pesquisa de abordagem qualitativa, de caráter exploratória,
sustentada pelos pilares teóricos-metodológicos de análise das Práticas Discursivas e Produção
de Sentidos e do Construcionismo Social. Para a produção das informações foram feitas
entrevistas com oito fisioterapeutas da unidade neonatal da referida instituição. Para análise dos
discursos foram feitas a transcrição sequencial e integral das falas. Todos os cuidados éticos
foram tomados, em respeito à Resolução n° 510/16, do Conselho Nacional de Saúde. O
procedimento analítico centrou-se na leitura exaustiva das entrevistas e identificação de quatro
categorias analíticas: sentidos de humanização, atores sociais da humanização, percurso
formativo da humanização e práticas alinhadas à humanização. Quanto aos resultados, os
sentidos da humanização apontam para uma aproximação com conceitos da Política Nacional
de Humanização (PNH); os participantes citaram os profissionais, os usuários e a gestão como
atores sociais da humanização; a formação em humanização foi identificada uma fragilidade no
ensino relacionado ao tema, porém, apesar disso, percebeu-se um alinhamento das práticas
realizadas no local de trabalho com algumas propostas feitas pela PNH. O curso do Método
Canguru destacou-se como o mais relevante no processo formativo, citado por todos os
entrevistados. Por fim, a Educação Permanente em Saúde mostrou-se essencial na trajetória
formativa desses fisioterapeutas.
Palavras-chaves: Humanização da Assistência. Ensino Superior. Educação Continuada.
Unidade de Terapia Intensiva Neonatal. Método Canguru. Fisioterapia.
47
Abstract: To analyze the relationship between the formative course of the humanization of
health and the performance of the physiotherapists of the neonatal unit of a public teaching
hospital, based on their discourses. This is a qualitative research, exploratory in nature,
supported by the theoretical-methodological pillars of Discursive Practices and Production of
Senses and Social Constructionism. Interviews were conducted with 8 physiotherapists of the
neonatal unit. For the analysis of the speeches the sequential and integral transcription of the
speeches was done. All ethical care was taken in compliance with Resolution No. 510/16 of the
National Health Council. The analytical procedure focused on the exhaustive reading of
interviews and identification of analytical categories. Four analytical categories were identified:
meanings of humanization, social actors of humanization, formative course of humanization,
and practices aligned to humanization. As for the senses of humanization, the discourses point
to an approximation with concepts of Nacional Policy of Humaniation (NPH); the participants
cited professionals, users and management as social actors of humanization; regarding training
in humanization, a fragility was identified in the teaching related to the subject. However,
despite this, it was noticed an alignment of practices carried out in the workplace with some
proposals made by the NPH. The Kangaroo Method course was highlighted as the most relevant
in the training process, cited by all the interviewees. Permanent Health Education has proved
to be essential in the formative trajectory of these physical therapists.
Keywords: Humanization of Assistance. Education, Higher. Education, Continuing. Intensive
Care Units, Neonatal. Kangaroo-Mother Care Method. Physical Therapy Specialty.
Introdução
Nos últimos anos, a humanização da saúde vem ganhando espaço nas discussões sobre
saúde no Brasil.
Segundo pesquisas do Ministério da Saúde (MS) junto aos usuários do Sistema Único
de Saúde (SUS), o avanço científico, a utilização de sofisticados aparelhos de diagnóstico,
técnicas cirúrgicas avançadas e desenvolvimento de ações preventivas não estavam sendo
acompanhados de um atendimento humanizado (MORAIS; WUNSCH, 2013).
Porém, é a partir da década de 1980 que surge o processo de humanização dentro dos
movimentos de reforma sanitária, nas Conferências de Saúde e nos grupos militantes, que
almejavam com suas atuações o alcance da ampliação de uma consciência cidadã (REIS;
MARAZINA; GALLO, 2004).
48
A Política Nacional de Humanização da Atenção e Gestão do SUS (PNH) surgiu como
resposta à insatisfação dos usuários do SUS no que diz respeito, sobretudo, aos aspectos de
relacionamento com os profissionais da saúde. Visando a concretização dos princípios do SUS,
traz contribuições para todos os níveis de atenção e gestão da saúde, da atenção básica à
especializada. Procura sistematizar, estimular e organizar as práticas em saúde, de forma que
elas se transformem em ações para além da boa educação, da simpatia ou do comportamento
de piedade em relação ao usuário (BRASIL, 2011a, FORTES, 2004).
A fim de contribuir para a mudança de postura de profissionais e visando a humanização
da assistência ao Recém-Nascido (RN), o MS lançou, por meio da Portaria n° 693 de, de 5 de
julho de 2000, a Norma de Atenção Humanizada ao Recém-Nascido de Baixo Peso (RNBP): o
Método Canguru. É interessante notar que esse documento é datado de antes da criação da PNH.
Porém, somente em 2007 foi lançada a Portaria n° 1.683, oferecendo informações necessárias
à sua aplicação (BRASIL, 2000; BRASIL, 2011b).
Pereira, Carvalho e Ikeda (2015), afirmam que a humanização em neonatologia
representa a formulação de uma nova cultura institucional, com outros padrões de
relacionamento ético e uma melhor qualidade assistencial, buscando facilitar o vínculo mãebebê durante a sua permanência no hospital.
Porém, em relação ao ensino da humanização nos cursos de graduação da área da saúde,
observa-se que nem sempre há uma clareza em relação às concepções dessa temática com
algumas propostas de formação. Tal fato demonstra que enfocar a humanização como tema a
ser inserido nos cursos de graduação em saúde, no contexto do SUS, é ainda um desafio a ser
enfrentado (MIRANDA; ARCE, 2014).
Concordando com Barbosa e colaboradores (2013), que consideram o SUS como um
processo social em construção, os profissionais de saúde destacam-se como importantes
sujeitos desse processo.
Partindo desta perspectiva, acredita-se que o ensino é um aliado nas mudanças que
devem acontecer nas práticas de saúde, sendo a Educação Permanente em Saúde (EPS) um dos
mais relevantes meios para que isto ocorra, de forma a intervir na melhoria da formação do
profissional que atua no SUS (BRASIL, 2009).
Temos ciência de que os resultados alcançados com a inserção do fisioterapeuta nas
unidades neonatais têm sido de grande importância, levando ao reconhecimento desse
profissional, tornando-o um membro imprescindível da equipe multiprofissional. Desta forma,
afirmamos que a atuação da Fisioterapia na equipe multiprofissional das unidades neonatais
pode contribuir de forma diferenciada na atenção humanizada ao neonato e à sua família.
49
É nesse contexto que buscamos identificar quais os sentidos de humanização da saúde
para os fisioterapeutas da unidade neonatal e destacar quem são os atores sociais envolvidos na
humanização da saúde de acordo com os mesmos. Além disso, analisaremos a relação entre o
percurso formativo da humanização da saúde e a atuação dos fisioterapeutas da unidade
neonatal de um hospital público de ensino, a partir de seus discursos.
Percurso metodológico
O estudo foi desenvolvido na área de Ensino na Saúde, sendo uma pesquisa de
abordagem qualitativa, de caráter exploratório, sustentada pelos pilares teóricos-metodológicos
de análise das Práticas Discursivas e Produção de Sentidos no Cotidiano (SPINK, 2010; SPINK
et al., 2013; SPINK et al; 2014). Esta perspectiva alinha-se ao Construcionismo Social,
movimento que propõe uma reflexão crítica acerca da produção do conhecimento.
De acordo com o Construcionismo, o conhecimento se produz na troca de experiências
entre as pessoas, por meio das relações humanas, respeitando suas divergências (SPINK et al.,
2013). O conhecimento é produzido histórica e socialmente, onde as verdades devem ser
consideradas dentro de um determinado tempo e contexto, tornando esses os seus parâmetros e
limites (ARAGAKI, 2001).
A pesquisa foi realizada nas instalações de um hospital público de ensino, localizado
em uma cidade do nordeste brasileiro, após ser aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa sob
parecer nº 2.542.048/2018.
Foram convidados a participar da pesquisa os fisioterapeutas que trabalham na unidade
neonatal. O convite foi feito de forma verbal e presencial pela pesquisadora, no local de
trabalho. Foi considerado como critério de inclusão os fisioterapeutas que trabalham na unidade
neonatal, num período igual ou superior há seis meses, por considerarmos que estes já possuem
conhecimento necessário sobre o local de trabalho e o serviço que realizam. Não foram
considerados os aspectos relacionados ao sexo, raça/etnia, gênero, orientação sexual ou
condição socioeconômica, uma vez que esses aspectos não são objetos dessa pesquisa e por se
considerar que eles não influíram no material produzido.
Foram considerados critérios de exclusão profissionais que não concordassem em
participar da pesquisa ou se negassem a assinar o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido
(TCLE).
Utilizou-se como técnica de produção de informações a entrevista semiestruturada ou
não diretiva (CHIZZOTTI, 2006; SPINK et al, 2014).
50
As entrevistas ocorreram individualmente, entre os meses de maio e julho de 2018,
durante o turno de trabalho de cada profissional, sendo gravada em áudio, previamente
autorizada pelo participante. Foi utilizada uma sala reservada, com conforto e privacidade aos
participantes, no próprio local de trabalho, respeitando a disponibilidade dos mesmos.
Foi seguido um roteiro, afim de alcançar os objetivos propostos, assim estruturado: 1)
falar, de maneira geral, sobre o que entendem sobre a humanização da saúde; 2) relatar sobre a
formação em humanização da saúde, durante a trajetória acadêmica e profissional (graduação,
pós-graduações, cursos, EPS e outras atividades); 3) dizer se as práticas que realizam no local
de trabalho estão alinhadas à humanização da saúde.
Participaram desse estudo oito fisioterapeutas, de um universo de dezessete pessoas que
faziam parte dos critérios de inclusão da pesquisa. A amostra foi por conveniência, foram
consideradas as indexicalidade (vinculação das práticas discursivas com o contexto histórico e
social), inconclusividade (impossibilidade de controle de todas as variáveis que interferem na
produção de realidade, pois esta é complexa) e reflexividade (espiral interpretativa
considerando que a pesquisadora coproduziu as informações – pois a relação é dialógica, sendo
impossível a neutralidade), caracterizando como pesquisa qualitativa na abordagem teóricometodológica adotada (SPINK, 2013).
As falas gravadas foram transcritas na íntegra e posteriormente foi feita uma transcrição
sequencial (NASCIMENTO; TAVANTI; PEREIRA, 2014).
Os participantes foram identificados através da letra “P” (inicial de participante) seguida
de numeração de acordo com a ordem das entrevistas, indo de P1 a P8.
O procedimento analítico centrou-se na leitura exaustiva das entrevistas e identificação
de categorias analíticas, que se baseou nas perguntas norteadoras da entrevista.
Todos os cuidados éticos foram tomados para a realização da pesquisa, em respeito à
Resolução n° 510/16, do Conselho Nacional de Saúde. Neste quesito, ressaltamos que a
abordagem construcionista cria o cenário propício para a discussão da ética a partir do próprio
processo de pesquisa (SPINK, 2000). Portanto, ao discutir sobre a relação do percurso
formativo da humanização da saúde e a atuação profissional, a partir das entrevistas, pudemos
dar vozes aos participantes e contribuir para uma reflexão sobre as suas práticas individuais e
coletivas.
Resultados e discussão
Os participantes do estudo foram predominantemente do sexo feminino (87,5%); a
média de idade foi de 36 anos, variando de 31 a 40 anos; a média do tempo de formação foi de
51
12,25 anos, variando de 6 a 17 anos; a maioria (87,5%) não tinha experiência prévia em
neonatologia; seis (75%) eram lotados na UTIN e UCINCo e dois (25%) na UCINCa. Todos
os participantes foram contratados por meio de concurso público e trabalham no referido
hospital há três anos.
Quadro 1. Perfil dos fisioterapeutas participantes da pesquisa. 2018.
Participantes
Sexo
Idade
(anos)
40
Tempo de
formação
(anos)
15
Experiência
prévia em
neonatologia
Não
P1
F
P2
Setor de
atuação
UTIN/UCINCo
F
34
12
Não
UTIN/UCINCo
P3
M
37
12
Não
UCINCa
P4
F
31
6
Não
UTIN/UCINCo
P5
F
33
10
Não
UTIN/UCINCo
P6
F
40
17
Não
UCINCa
P7
F
40
17
Sim
UTIN/UCINCo
P8
F
33
9
Não
UTIN/UCINCo
Legenda: P – Participante; F – Feminino; M – Masculino; UTIN – Unidade de Terapia Intensiva
Neonatal; UCINCo – Unidade de Cuidados Intermediários Convencional; UCINCa – Unidade de
Cuidados Intermediários Canguru.
Fonte: autor - dados da pesquisa.
No decorrer da análise das informações da pesquisa, foram identificadas quatro
categorias analíticas: sentidos de humanização, atores sociais da humanização, percurso
formativo da humanização e práticas alinhadas à humanização.
Sentidos de humanização
Nesta categoria analítica, quando perguntado aos fisioterapeutas o que eles entendiam
sobre humanização, foi possível notar em seus discursos um conhecimento amplo e distinto a
respeito do termo.
É importante lembrar que, na literatura e nas práticas profissionais, alguns sentidos
sobre humanização ainda são associados a “favores” ou “caridade”. De acordo com Carvalho
et al (2015), estas concepções estão ligadas aos movimentos religiosos e paternalistas da Idade
Média, onde os hospitais tinham como objetivo recolher os pobres necessitados de cuidados,
físicos e morais.
Entretanto, podemos observar a relação de humanização com o respeito ao outro e com
a empatia, como no relato do P3:
52
P3 – [...] é você trabalhar de uma maneira respeitando a integridade do outro, os desejos,
buscando sempre o bem-estar naquele que tá nessa condição, no caso nosso aqui, de doença
ou necessitando de cuidado [...] se você pegar essa pronga e colocar no seu nariz, significa
que você pode colocar no outro [...] você tem que se perguntar isso [...] para mim isso é
humanização.
Já, outros participantes trazem sentidos relacionados ao proposto pela PNH. P4, por
exemplo, aproxima o sentido de humanização com o direito do usuário, que no caso é a mãe
acompanhante, com a ambiência e a valorização profissional:
P4 – [...] dar o direito de uma mãe saber o que o filho tem, aquela visita né? [...] você ter
material para trabalhar, é você ter uma boa relação com a equipe, você ser valorizado,
acho que isso entra também na humanização. Como profissional, ser estimulada também.
Por outro lado, três participantes (P2, P6 e P8) ressaltaram a questão do acolhimento:
P2 – Eu entendo que seja um atendimento ao paciente, nós, profissionais da saúde,
é...tenhamos um certo acolhimento, um certo cuidado ao conversar, ao atender [...].
P6 – [...] no meu ver é o atendimento, é a assistência, é olhar o paciente não só como aquela
pessoa que veio fazer o tratamento. Humanização é desde o acolhimento, é receber o
paciente, é como chega, é sentar, é saber ouvi-lo, sem criticar.
P8 – A gente tem que ter cuidado de perguntar para elas (mães) se tem alguma dúvida, o
que elas querem saber, estimular para que elas criem vínculos com o bebê.
Os resultados que apontam a integralidade, a empatia e a ambiência como fatores que
caracterizam o cuidado humanizado estão em consonância com achados da pesquisa de
Evangelista (2016), que identificou essas concepções nos discursos dos profissionais de uma
UTI.
O fragmento “dar o direito de uma mãe saber o que o filho tem” dito por P4, dá indício
que a participante acredita no entendimento de saúde como um direito do usuário. Além desse
relato, o envolvimento dos profissionais com as mães foi bastante presente nos discursos de
outros participantes, que apontaram o acolhimento como um compromisso na atuação desses
fisioterapeutas.
Temos percebido e, contando com o apoio de alguns autores (PEREIRA; CARVALHO;
YKEDA, 2015), que a hospitalização de uma criança é muito angustiante para os pais, pois,
afeta a estabilidade familiar e cria momentos de incertezas. O apoio aos familiares deve ser
incondicional e total, no sentido de escutá-los sem julgamentos, orientar e apoiá-los em suas
decisões. Essas ações são fundamentais para o sucesso da humanização em Neopediatria.
Entende-se que para a realização de um atendimento humanizado, aos RNs e seus
familiares, é imprescindível a garantia de boas condições de trabalho para os profissionais
envolvidos na assistência. Expressões citadas pelos participantes da presente pesquisa, em
53
relatos anteriores, como: “boa relação com a equipe”, “ser valorizado” e “ser estimulada”,
corroboram com esse entendimento.
Em detrimento do modelo biomédico, também conhecido como modelo flexneriano,
ainda enraizado nas práticas em saúde, os sentidos de humanização nesta pesquisa se
aproximaram do modelo biopsicossocial.
Alguns participantes atentaram-se para um afastamento das práticas mecânicas, que
visam apenas as técnicas fisioterapêuticas, propondo um olhar mais dedicado às necessidades
individuais dos usuários.
P2 – Humanização é ...não estar ali para fazer o que tem escrito na sua parte, no lado
profissional [...] escrito nos protocolos: “devemos alongar, devemos fazer aspirações, se
necessário, e posicionamento e pronto”. Não! A humanização ela vem de tudo, desde o
acompanhante né?! Desde o próprio paciente.
P3 – [...] uma maneira mais humana sem tanta, vamos dizer assim: mecanização das coisas
né? Cada um tem suas necessidades, seus desejos [...].
As práticas discursivas acima estão de acordo com o MS, pois, segundo o mesmo, o
processo de humanização busca reverter um quadro de mecanismos, automatismos ou
tecnicismos, atualmente inerentes às relações de trabalho, em determinados setores ou grupos
de trabalhadores (BRASIL, 2010).
Também foi notado um olhar mais atento para os cuidados específicos dos RNs,
considerando suas particularidades próprias da sua idade. Exemplificado nos discursos abaixo:
P7 – Humanização é respeitar o indivíduo, o bebê como um indivíduo que precisa dos
cuidados próprios para sua idade, de entender que ele tá num ambiente hospitalar, mas
que ele precisa ser visto como um ser humano.
P8 – Os cuidados com o bebê, com um manejo de forma mais agradável [...] não uma coisa
que você pega, dá banho e pega aqui, pega ali, secou e pronto. É diferente!
Os relatos acima apontam que o atendimento fisioterapêutico deve ir além das técnicas,
evitando o trabalho puramente mecânico. O fisioterapeuta precisa estar atento à atenção integral
de quem por ele é atendido para a garantia de uma assistência humanizada.
A Fisioterapia, inclusive, já dispõe de recursos em neonatologia que propõem esse
cuidado mais humanizado, de acordo com as particularidades do RN. Como a terapia aquática
ou ofuroterapia, o posicionamento terapêutico, as técnicas de massagem e o toque terapêutico.
Neste mesmo sentindo, Ramada e colaboradores (2013) em um estudo com RNs,
observaram que o toque terapêutico associado a um ambiente adequado (aquecido, arejado e
relaxante) e uma música de fundo tranquila e em tom baixo, foi capaz de ajudar na cura das
enfermidades dos bebês, por causar modificações benéficas em seus parâmetros vitais e
54
diminuição da dor. E tais condições se alinham ao proposto como Ambiência, na PNH
(BRASIL, 2008).
Assim, em síntese, apesar do caráter polissêmico do termo humanização, as práticas
discursivas dos participantes convergem, em muitos momentos, para alguns princípios e
diretrizes da PNH.
Atores sociais da humanização
Nesta categoria, ao dar sentido ao termo humanização, foi possível notar as relações de
cuidado envolvendo os diferentes sujeitos.
Dois fisioterapeutas destacaram a importância da atenção ligada aos usuários (bebês e
mães acompanhantes), porém, também incluíram a atenção aos trabalhadores, a fim de que lhes
sejam garantidas boas condições de trabalho:
P1 – [...] é a gente ter aquele olhar para as mães e não só para o bebê. [...] a gente também,
que a gente passa pelas situações, superlotação, aí fica aquele clima ruim, clima ruim de
trabalho, falta de material e a gente fica sobrecarregado e eu acho que tudo faz parte dessa
humanização.
P4 – [...] eu acho que é dar uma assistência com a qualidade melhor, garantir boas
condições de trabalho, pensando no profissional. Boas condições de trabalho no sentido de
um bom ambiente de trabalho.
Já outro fisioterapeuta, além da relação dos usuários e trabalhadores na humanização,
incluiu também a participação dos gestores:
P5 – A humanização na saúde é ver o usuário como um todo e não afastando também o
trabalhador da saúde, usuário e gestor. Assim, promovendo mudanças no modo de cuidar.
Podemos perceber o múltiplo olhar que os participantes têm para os atores envolvidos
no processo do cuidado. Além da atenção com a saúde do usuário, que é a mais discutida quando
se fala humanização da assistência, eles também destacam a importância do cuidado com os
trabalhadores.
Em mais dois registros, nota-se a preocupação dos participantes no cuidado consigo e
com os colegas de trabalho, destacando novamente a importância do cuidado com a saúde do
trabalhador:
P1 – [...] tudo faz parte dessa humanização, a gente tratar da gente.
P3 – Quando alguém (profissional) tem um problema. Como teve com uma pessoa daqui.
O filho dela assumiu que era homossexual, usuário de drogas. Ela tava meio chorosa, aí a
equipe toda acolheu, chegou junto. [...] porque não é só olhar a parte profissional, é ver o
além, acolher o colega.
55
Concordamos com Rigonatto (2014), que afirma em seu estudo que o trabalho em
equipe é um ponto importante para que o atendimento seja humanizado. Além da melhoria na
qualidade de atendimento ao usuário, a proposta de humanização da assistência também é vista
como um valor para a conquista de melhores condições de trabalho para os profissionais.
Porém, sabemos que há trabalhos que divergem nesse ponto, uma vez que centram a
humanização da saúde no cuidado prestado ao usuário, não considerando os trabalhadores,
como por exemplo os estudos de Oliveira (2013) e de Carvalho e colaboradores (2015).
Além da participação dos profissionais nos cuidados ao RNs, observa-se ainda o
acolhimento da família pelos profissionais, incentivando-a no cuidado à criança:
P7 – [...] também dá um suporte para a família, porque a família estando com um suporte
ela pode apoiar o RN, ela vai acolher melhor aquela criança.
Esta mudança de comportamento vai de encontro ao que acontecia com bastante
frequência há uns anos atrás, onde quem buscava atendimento hospitalar deixava de ser
cidadão, de ter vontade própria, de ter direitos e passava a ser passivo, respeitando às ordens
médicas e da enfermagem de forma submissa (DIAS, 2007).
Para o MS, humanizar o atendimento ao RN significa, entre outras coisas, incluir a
participação da família no processo assistencial, pois é ela que assumirá o cuidado do RN em
domicílio. É imprescindível o estabelecimento e manutenção desse vínculo durante a
hospitalização, a fim de despertar o cuidado da família para com seu bebê e acelerar o processo
de recuperação de sua saúde (SILVA; BARROS; MACHADO, 2014).
Um estudo de revisão bibliográfica sistemática sobre a humanização em terapia
intensiva verificou publicações relatando a importância do desenvolvimento de estratégias pela
equipe de profissionais, a fim de evitar o afastamento da família no tratamento dos usuários,
devendo ser considerada um aliado no tratamento. O estudo também verificou que o
envolvimento dos diferentes sujeitos para o processo de humanização é essencial (CARLI;
UBESSI; PETTENON et al., 2018).
A coparticipação de profissionais da atenção e da gestão em processos decisórios,
também esteve presente nos discursos dos participantes da presente pesquisa. No entanto,
apesar do reconhecimento do papel dos profissionais da assistência junto à gestão, parece haver
falta de iniciativa de ambas as partes. Observadas a partir da fala de um dos participantes:
P5 – A parte da gestão com a aproximação com o profissional da saúde eu acho bem
importante de tá junto, de tá incentivando a estudar, principalmente formar grupos de
estudo [...] a gestão tem um papel muito importante em incentivar isso [...] acho que deve
haver mais essa aproximação [...] mas falta uma mobilização, até da gente como
profissional, se mobilizar, ir lá pedir.
56
O relato acima, de nosso entrevistado, encontra aporte teórico no estudo de Ferreira e
Araújo (2014), que destaca o modo como o trabalhador olha para si próprio, sendo
imprescindível iniciativas não apenas do setor da humanização e da gestão, mas sim de ações
que partam também dos trabalhadores e dos usuários.
Do contrário, ao seguir um modelo tradicional de gestão, com a não participação dos
trabalhadores em processos decisórios, faz-se reduzir os espaços de reflexão, participação e
autonomia dos sujeitos, impugnando o que preconiza a PNH (BRASIL, 2003; CALDERON,
2014).
Os relatos acima mostram que as práticas discursivas de nossos entrevistados em relação
aos atores que fazem parte do processo de humanização reafirmam o que propõe a PNH, que é
a valorização dos diferentes sujeitos que participam da produção de saúde: usuários,
trabalhadores e gestores (BRASIL, 2008).
A inclusão das diferentes pessoas é estimulada pela PNH e discutida em diversos
estudos sobre a humanização. Ferreira e Araújo (2014), destacam a não separação dessa tríade,
afirmando que todos são sujeitos transformadores da realidade e, portanto, de seus resultados.
Percurso formativo da humanização
Foram identificadas fragilidades no percurso formativo dos participantes em relação à
humanização da saúde na fala de todos entrevistados.
Alguns relataram que o tema foi abordado de forma superficial e não específica, tanto na
graduação quanto na pós-graduação.
P1 – Na época da faculdade falava [...] falava alguma coisa, mas por alto. Já falava de
humanização, mas era uma coisa assim, vaga, não era nada tão específico. [...] na pósgraduação [em Traumatologia] falou, mas era uma coisa vaga, assim, não era nada
pontual.
P4 – Eu não lembro se eu tive uma coisa só para isso, mas eu lembro que entre uma
disciplina e outra alguém falava sobre a questão de humanização. [...] eu lembro que falam,
mas assim, flashes, momentos. Mas dentro de uma certa aula, falando só de humanização
não lembro.
Já outros participantes, relatam que não viram ou não se lembravam:
P3 – Olha, de humanização na graduação e pós-graduação, nenhuma. Coisa especifica não.
[...] eu fiz pós-graduação e não falava, sinceramente eu não me recordo.
P6 – Na graduação e pós-graduação eu não tive nada específico relacionado com a
humanização.
57
Percebe-se nos relatos acima que os discursos dos participantes se assemelham.
Expressões como: “por alto”, “muito vago”, “nada pontual”, “nenhuma”, “não me recordo” e
“nada específico” foram enfáticas nas falas ao se referirem da abordagem da humanização em
seus percursos formativos.
Assim, os achados desta pesquisa convergem com os achados de Silva e Silveira (2011)
e Carvalho e colaboradores (2015), que estudaram a percepção de discentes do curso de
Fisioterapia sobre a humanização e perceberam que a maioria dos participantes também
relataram não ter visto nenhuma disciplina específica que abordasse o tema ou o mesmo foi
abordado de forma por eles considerada vaga e superficial. Além disso, o segundo estudo
observou que a formação dos sujeitos da pesquisa ainda se mostrou enraizada no modelo
flexneriano.
No estudo de Rios e Sirino (2015) também se percebeu pouca familiarização dos alunos
com a temática humanização, corroborando com as pesquisas citadas anteriormente. Nos
discursos desses alunos, a abordagem da humanização no ensino é colocada em segundo plano
na formação em detrimento das disciplinas mais gerais, no entanto, não especificam que
disciplinas eram essas.
Já Ferreira e Araújo (2014), entrevistaram profissionais de uma equipe hospitalar
multidisciplinar e também notaram pouca ou nenhuma concatenação da formação desses
profissionais com a PNH na graduação. Os autores consideram que a falta de conhecimento
teórico sobre a PNH torna mais difícil a prática da humanização.
Apesar dos relatos apontarem uma carência no ensino da humanização, ainda assim os
participantes da atual pesquisa identificaram a relação de algumas disciplinas e temas com a
humanização.
A Antropologia e a Psicologia foram citadas por dois participantes:
P5 – Na graduação eu vi, principalmente nas disciplinas de antropologia. Na pós em Saúde
Pública sempre abordava esse tema nas disciplinas.
P6 – Na graduação e pós-graduação eu não tive nada específico relacionado com a
humanização, com esse termo diretamente, mas a gente pagou muita Psicologia na
faculdade [...] que acaba trabalhando isso, da gente saber lidar com o paciente.
O estudo de Freitas e Ferreira (2016) corrobora com estes resultados. Em seu estudo,
participantes também citaram disciplinas das áreas de Ciências Sociais e Humanas, como a
Antropologia, a Sociologia e a Psicologia como as disciplinas que apresentam maior relação
com o aprendizado da humanização, visto que possibilitam a compreensão do ser humano,
considerando todos os seus aspectos, valorizando e respeitando sua cultura e valores.
58
Os participantes 3 e 7, relacionaram, ainda, a humanização com a ética e a
interdisciplinaridade:
P3 – Falou em ética, tem um modulo de ética [...].
P7 – Eu me formei em 2001, se falava mais em questão de interdisciplinaridade, como uma
forma de ver o indivíduo como um todo, mas essa questão da humanização foi depois.
Apesar dos participantes desta pesquisa citarem disciplinas fazendo algum tipo de
ligação com a humanização, essas pareceram ter sido vistas de forma isolada, desarticulada com
outras disciplinas, não havendo relatos de práticas concretas neste sentido.
Dito isto, é fundamental registrar que algumas iniciativas semelhantes, com relação à
inclusão de disciplinas no ensino da humanização, já são evidentes no Brasil e no mundo, de
forma articulada e significativa. Como exemplo, citamos o ensino das humanidades médicas
nas faculdades da área de saúde. De acordo com De Benedetto (2018), estas podem ser definidas
como algumas combinações de disciplinas como Ética, Filosofia, estudos acerca da
Espiritualidade e Literatura, voltadas para o contexto médico. Nesta perspectiva, ensinam os
alunos a terem uma reflexão crítica, com práticas mais humanizadas.
Estas iniciativas representam uma estratégia interessante no ensino da humanização,
visto que tende a formar profissionais com o perfil almejado pelo Conselho Nacional de
Educação do Ministério da Educação do Brasil, ou seja, generalista, humanista, crítico e
reflexivo (BRASIL, 2014). São sentidos diferentes daquele proposto pela PNH, mas
reconhecemos que são importantes nas práticas em saúde.
Outro aspecto importante a ser considerado no ensino da humanização é sobre a relação
entre teoria e prática. Observada na fala abaixo:
P3 – Falava por cima: vamos fazer humanização! Mas você não vivia isso na prática. [...]
é aquele negócio: é muito importante você trabalhar com humanização! Mas não se
chegava a praticar humanização.
No discurso acima, sobre a formação na graduação, nota-se que o participante recebeu
algum tipo de informação sobre a humanização, porém, possivelmente de forma mecânica e
não significativa.
Para a PNH humanização não é falar, é fazer, é alterar práticas (BRASIL, 2008, 2009,
2010). A formação em saúde deve implicar ações e trocas coletivas, tendo como base práticas
concretas de intervenção para que se possa ser capaz de gerar novas práticas (FREITAS;
FERREIRA, 2016).
59
Na pesquisa de Rios e Sirino (2015) e de Freitas e Ferreira (2016), com alunos de
medicina e enfermagem, respectivamente, destaca-se a importância de articular teoria e prática
no ensino da humanização, e as ações dos professores como referências, positivas ou negativas,
do que consideram bons e maus exemplos de postura profissional.
Considerando ainda o papel docente na formação em saúde, o relato abaixo refere-se ao
sentimento de um participante da presente pesquisa diante de uma experiência em curso, onde
o professor, na visão do aluno, teve uma atitude desumana:
P3 – O paciente foi para o curso, ele (professor) colocou para ser cobaia perante 30, 40
pessoas, mas na esperança de ouvir alguma coisa boa [...] ele quase não atendeu porque
disse que ele não tinha prognóstico [...] você passa o curso todinho admirando o cara, aí
chega numa dessa cai o conceito. [...] ele ensina isso, que a pessoa tem que ser positiva, mas
quando chegou lá na hora de praticar...
Segundo Freitas e Ferreira (2016), a figura do professor representa um elemento que
facilita o aprendizado da humanização pela metodologia do ensino, porém, no discurso
supracitado, em um sentido destoante à PNH, mas ainda tratando de humanização da saúde, o
professor apresentou uma dicotomia entre o seu discurso e sua prática. O participante 3 refere
que o professor era desumano, nesse caso aparece um sentido de humanização como o “bom
humano”.
Benevides e Passos (2005), fazem uma crítica ao que se instituiu nas práticas de saúde
como o “bom humano”, os autores são contra uma idealização do homem como uma figuraideal. A PNH foi construída a partir de um “reencantamento do concreto” (VARELA, 2003) ou
do “SUS que dá certo”, e não a partir da definição de um modelo ou de um padrão-ideal, que
seria pautada na bondade humana e na transformação de “maus humanos” em “bons humanos”.
Frente aos relados apresentados, ficam evidentes algumas lacunas existentes à luz da
formação em humanização.
Foi possível perceber relatos de medo e insegurança no início das experiências dos
fisioterapeutas na unidade neonatal:
P2 – Eu tinha medo de atender, de dar alguma coisa errada, daquele paciente dessaturar
e ir à óbito no meu atendimento. E aí com o passar do tempo, com a prática, lendo, eu fui
aprendendo.
P8 – Eu tive medo no começo. Eu tinha medo de pegar o bebê, de machucar [...] como eu
não sabia muita coisa, como hoje eu sei, eu até preferia atender o bebê quando a mãe não
estava perto (risos).
A inexperiência prévia em neonatologia, presente na maioria dos participantes desta
pesquisa (87,5%), pode ter contribuído como um entrave na realização de práticas humanizadas
na unidade neonatal. Porém, cabe destacar que o cuidado e/ou o temor em fazer algo errado,
60
demonstrado por P2 e P8, revelaram o reconhecimento da singularidade dos sujeitos e das
situações, e as ações profissionais consideraram isso, a fim de que não fosse produzido algum
mal àqueles usuários.
Dada a importância do Método Canguru na assistência neonatal, considerou-se
necessária a sensibilização dos profissionais atuantes na unidade neonatal. Desse modo, o
referido hospital passou a oferecer o Curso do Método Canguru aos profissionais e estudantes.
Ao serem questionados sobre a trajetória da formação em humanização, da graduação
até a atualidade, a importância do Método Canguru foi notória nos discursos. Todos os
participantes destacaram este curso como o mais relevante, citado por todos os entrevistados.
Como observa-se nas falas selecionadas abaixo:
P2 – Eu digo que eu fui uma profissional antes do Método Canguru e depois do Método
Canguru, eu me senti uma outra pessoa, uma outra fisio, uma outra mãe, uma outra
mulher depois que eu vi o Método Canguru [...] a partir daquele momento eu comecei a
agir de outra forma.
P3 – É pura abordagem falando da humanização. Para mim foi o exemplo de
humanização.
Dois participantes demonstraram ter alguma compreensão prévia sobre o Método
Canguru. Porém, após o cursou, ampliaram seus conhecimentos:
P4 – De todos que eu fiz, foi o que mais falou [...] na verdade, tirou uma grande dúvida
minha, eu achava que o Método Canguru, para mim, eu só enxergava a 3° etapa [...] na
UTI eu suspeitava, mas eu não sabia que dali a gente já podia começar a praticar esse
método.
P5 – Abriu muito a minha mente sobre essa questão, porque a gente fica vendo muito o
Método Canguru achando que é só aquele contato mãe-bebê e vai muito além disso.
O estudo de Gontijo e colaboradores (2012) sugere a manutenção de cursos de
capacitação, relacionados ao Método Canguru, para os trabalhadores de todos os níveis,
incluindo os gestores. Não apenas para sensibilizar a equipe quanto à sua importância, mas a
fim de criar condições de construção coletiva de projetos que levem a mudanças de práticas na
assistência neonatal.
Desta forma, nas práticas discursivas analisadas e também na literatura estudada,
percebe-se um déficit na formação em humanização não só na área de Fisioterapia, mas em
outras áreas da saúde. Torna-se urgente a mudança desse cenário, a fim de que se formem
profissionais com a compreensão da humanização como um potencial transformador da atenção
e da gestão em saúde.
61
Práticas alinhadas à humanização
Nesta categoria, percebeu-se que, apesar da inexperiência profissional, os discursos
apontam um certo alinhamento ou um início de mudança das práticas com as propostas da PNH,
principalmente após a realização do Curso do Método Canguru.
Os discursos dos participantes 1 e 4 apontam para uma mudança no modo de cuidar
após o curso, nesses dois casos, focado no bebê:
P1 – [...] pra mim, antes eu visava mais a questão do bebê, da qualidade que a gente
oferecia, a questão de não fazer barulho, de mexer o mínimo possível com ele. Só que aí a
gente percebe que qualquer coisa que a gente faça ali desestrutura tudo né?! O jeito que a
gente abre a incubadora, o jeito que a gente abre o material, coloca em cima, que não deve.
P4 – A parte dos ruídos que me chamou muita atenção e a questão do posicionamento, de
colocar na posição canguru [...] eu ainda acho que faço pouco, mas eu comecei a fazer mais.
Já o participante 5 refere mudança de comportamento também após o curso e que inclui
também a atenção aos pais. Destaca-se mudanças relacionadas à ambiência e à empatia:
P5 – Eu tento ao máximo explicar a mãe ou ao pai, quando eles estão juntos à incubadora.
[...] colocar no contato mãe-filho. A questão do silêncio a gente se policia mais, a claridade
[...] não tá manuseando muito, deixar ele mais quietinho. [...] foi bem relevante esse curso
para mudar até o comportamento da gente [...] em relação ao ambiente e até de se colocar
no lugar do outro.
Este recorte está em concordância com outros autores que apontam o Método Canguru
como uma proposta de assistência humanizada, com ênfase no paradigma da não separação
entre o bebê e seus pais, especialmente a mãe. Os pais se tornam parceiros nos cuidados com o
bebê, o que possibilita a transformação da crise do nascimento prematuro e da internação em
uma experiência mais gratificante para toda a família (SPEHAR; SEIDL, 2013).
No discurso do participante 3, também fica evidente o relato de práticas humanizadas
realizadas em seu cotidiano:
P3 – As mães descompensam porque tá há 30, 60 dias trancadas aqui. [...] já aconteceu
várias vezes da gente colher frutas lá atrás. Os paciente, acompanhantes e profissionais
[...] vai um grupão, aí eles adoram [...] eles saem realizadíssimos. Tem o dia do cinema, aí
sai do ambiente, vai para o cinema, eles gostam.
Deste modo, apesar das fragilidades encontradas durante a formação profissional, os
entrevistados afirmaram realizar práticas de humanização da saúde na unidade neonatal. Para
todos os participantes, o curso do Método Canguru revelou ser um provocador de mudança nos
modos de cuidar e possibilitou que os próprios profissionais modificassem a realidade do
serviço. A partir da ressignificação dos sentidos que os mesmos atribuíram às suas práticas
62
puderam iniciar a superação de alguns desafios, que enfraqueciam a qualidade da atenção
humanizada.
Considerações finais
Os sentidos da humanização oriundos dos discursos dos fisioterapeutas participantes da
pesquisa levou-nos a entender que os mesmos estão alinhados ao que é proposto pela PNH. A
humanização da saúde na unidade neonatal é descrita principalmente como a capacidade de
oferecer uma assistência de qualidade, ao acolhimento, à comunicação, a boas condições de
trabalho e ao respeito com o outro, devendo dela participar os usuários, os profissionais e a
gestão.
No entanto, ainda que esse reconhecimento apareça nos discursos, notamos pouco
protagonismo e autonomia no processo de produção de saúde pelos sujeitos, com pouca ou
nenhuma participação coletiva no processo de gestão.
Foram identificadas lacunas na formação, tanto em nível de graduação quanto em pósgraduação. Desse modo, parece oportuno refletir sobre o modelo de ensino na área da
Fisioterapia, visto que esses profissionais estão sendo preparados para o trabalho na saúde com
uma visão limitada à dimensão biológica do ser humano. Mudanças na formação são
necessárias, assim como melhorias nas práticas proporcionadas pela educação permanente em
saúde. No âmbito do cuidado neonatal, por exemplo, nossa pesquisa destaca a importância de
cursos do Método Canguru.
Todavia, apesar desse déficit, através da EPS, destacada nos discursos dos participantes
pelo Curso do Método Canguru, realizado pela maioria dos entrevistados, foi possível observar
um alinhamento das práticas realizadas no local de trabalho com algumas propostas da PNH.
Desta forma, os dados desta pesquisa respondem aos seus objetivos e evidenciam o
quanto é importante oportunizar a participação de profissionais da saúde em programas de EPS,
baseada numa reflexão crítica da realidade vivida no cotidiano, a fim de contribuir na
(re)formação dos mesmos e provocar mudanças em suas práticas profissionais.
A limitação deste estudo foi encontrar pesquisas cientificas relacionadas à formação em
humanização na Fisioterapia, visto que é escassa as publicações da área, a partir desse foco.
Dito isto, sugerimos que mais estudos sejam feitos para substanciar essa temática.
REFERÊNCIAS
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Cadernos de subjetividade: o reencantamento do concreto. São Paulo: Hucitec, 2003. p.3352.
66
3.2 Produto 2 – Manual técnico para a produção de uma oficina de humanização
MANUAL TÉCNICO PARA A PRODUÇÃO DE
UMA OFICINA DE HUMANIZAÇÃO
ORGANIZADORES:
CAMILA DE MELO MOURA
SÉRGIO SEIJI ARAGAKI
67
SUMÁRIO
3.2.1
Apresentação......................................................................................
68
3.2.2
Objetivos do manual...........................................................................
69
3.2.3
Desenvolvimento da oficina................................................................
69
3.3.2.1
Objetivos da oficina............................................................................. 69
3.3.2.2
Facilitadores........................................................................................ 69
3.3.2.3
Carga horária......................................................................................
3.3.2.4
Público alvo......................................................................................... 69
3.3.2.5
Número de vagas................................................................................ 69
3.3.2.6
Local e infrainstrutura.......................................................................... 70
3.3.2.7
Inscrição.............................................................................................. 70
3.3.2.8
Equipamentos e materiais didáticos.................................................... 70
3.3.2.9
Programação da oficina......................................................................
70
3.3.2.10 Roteiro da oficina................................................................................
71
69
REFERÊNCIAS................................................................................... 79
68
3.2.1 Apresentação
Este manual técnico para a produção de uma oficina de humanização surgiu
tendo em vista os resultados encontrados na pesquisa intitulada “Percurso formativo
e práticas em humanização da saúde no discurso dos fisioterapeutas da unidade
neonatal de um hospital público de ensino”.
Realizada no Programa de Pós-Graduação em Ensino na Saúde, o referido
trabalho de mestrado apontou lacunas na formação em humanização da saúde, tanto
em nível de graduação quanto em pós-graduação. O estudo também evidenciou o
quanto é importante oportunizar a participação de profissionais da saúde em
programas de Educação Permanente em Saúde (EPS), baseada numa reflexão crítica
da realidade vivida no cotidiano, a fim de contribuir na (re)formação dos mesmos e
provocar mudanças em suas práticas profissionais.
Assim, partimos do entendimento que discutir a humanização é imprescindível
no percurso formativo de profissionais que atuam na atenção à saúde, visto que a
formação em saúde tem privilegiado o conhecimento técnico-científico em detrimento
de práticas alinhadas à humanização. Para que mudanças possam acontecer nas
práticas em saúde, a EPS é uma estratégia fundamental para recompor as práticas
de formação, atenção, gestão, formulação de políticas e controle social no setor de
saúde (CECCIM, 2004).
Acredita-se que para romperem com o modelo de ensino tradicional de ensino,
as oficinas podem ser usadas como um recurso da EPS. Elas possibilitam a criação
de espaços de negociação de sentidos, com potencial crítico de produção coletiva de
sentidos. Também permitem sensibilizar as pessoas para a temática trabalhada,
gerando conflitos construtivos, pois, possibilitam aos participantes a convivência com
a multiplicidade de versões e sentidos sobre o tema, que nem sempre são harmônicos
(SPINK; MENEGON; MEDRADO, 2014).
Desta forma, este manual técnico foi desenvolvido como um facilitador nas
práticas de EPS, a fim de contribuir no enfrentamento criativos das situações de
saúde, podendo servir como um material que colabore na melhoria do processo de
ensino-aprendizagem.
69
3.2.2 Objetivo do manual
Apontar caminhos para a produção de oficinas que favoreçam o cuidado
humanizado em saúde.
3.2.3 Desenvolvimento da oficina
3.2.3.1
Objetivos da oficina
- Promover uma reflexão sobre a humanização da saúde por meio do diálogo,
permeado por experiências nos cenários de prática.
- Explanar os conceitos da Política Nacional de Humanização.
- Discutir sobre experiências práticas de humanização.
3.2.3.2
Facilitadores
Pessoas com conhecimento a respeito da polissemia do conceito de
humanização, e que consigam produzir e sustentar rodas de conversa onde os
princípios da PNH sejam a base. Assim, devem estimular o aumento da comunicação
e que essa seja feita em relações de saber-poder menos hierarquizadas; que os
modos de cuidar de si e do outro durante a atividade são coproduzidos pela forma
como se faz a gestão das ações e que se estimule e fortaleça o protagonismo e a
autonomia dos participantes.
3.2.3.3
Carga horária
Sugerimos cerca de seis horas, de maneira que haja tempo para o aquecimento
(início da atividade) e um bom aprofundamento das atividades, com um tempo de
desaquecimento (finalização), contando com um momento de descanso e lanche.
3.2.3.4
Público alvo
Profissionais da área da saúde ligados à formação, atenção e gestão da saúde.
3.2.3.5
Número de vagas
Depende de vários elementos: capacidade do coordenador exercer gestão
participativa e inclusiva, local onde será desenvolvida a atividade e os equipamentos
70
e materiais disponíveis, podendo ser reajustada de acordo com a realidade local.
Assim, há possibilidade de realização de oficina com número variado de pessoas. É
importante considerar que esse tipo de atividade exige a participação ativa dos
presentes e isso ocupa tempo. Porém, a oficina que fizemos tinham 19 participantes
e foi considerada por eles como muito rica e produtiva.
3.2.3.6
Local e infraestrutura
Sugestão: sala reservada com conforto e privacidade aos participantes, de
preferência no próprio local de trabalho. A sala deve possibilitar a disposição de
cadeiras em círculo.
3.2.3.7
Inscrição
No próprio local ou em algum site específico para inscrição em eventos. Há
alguns facilmente encontrados em mecanismos de busca da internet e que são
gratuitos.
3.2.3.8
Equipamentos e materiais didáticos
- Pendrive;
- Slides em Powerpoint®;
- Projetor multimídia;
- Computador;
- Caixa de som.
- Tarjetas coloridas de papel.
- Fita adesiva.
- Pincéis atômicos de diversas cores.
- Cartolina.
3.2.3.9
Programação da oficina
O tempo estimado para cada atividade é apenas uma proposta, podendo ser
readequando de acordo com o ritmo de trabalho do grupo.
71
Sugestão:
07:00h – 08:00h
Atividade 1 – Café da manhã e recepção
08:00h – 08:15h
Atividade 2 – Apresentação da oficina
08:15h – 09:00h
Atividade 3 – Humanizar é...
09:00h – 09:45h
Atividade 4 – Apresentação da Política Nacional de
Humanização (PNH)
09:45h – 10:30h
Atividade 5 – Dinâmica de grupo 1
10:30h – 11:15h
Atividade 6 – Dinâmica de grupo 2
11:15h – 12:00h
Atividade 7 – Roda de Conversa
12:00h – 12:15h
Atividade 8 – Dinâmica de encerramento
12:15h – 13:00h
Atividade 9 – Avaliação da oficina
3.2.3.10 Roteiro de atividades da oficina
Atividade 1 - Café da manhã e recepção
60min
DESCRIÇÃO:
- Ofertar um café da manhã ou um lanche aos participantes no início das
atividades.
- Distribuir cartões com uma mensagem de agradecimento pela presença dos
participantes. Haverá três cores diferentes de cartão que identificarão os grupos aos
quais os participantes irão pertencer nas demais atividades.
Na nossa pesquisa adicionamos um bombom para tornar o momento mais
agradável.
- Sugestão da frase:
“Seja muito bem-vindo! Nenhum de nós é tão bom quanto todos nós
junto”
72
OBJETIVO EDUCACIONAL:
- Promover a criação de grupos heterogêneos, a fim de estimular a
comunicação e a conexão de um com o outro. Item importante nas práticas discursivas
em grupo.
Atividade 2 – Pactuação da oficina
15min
DESCRIÇÃO:
- A sala deverá estar organizada com as cadeiras formando um círculo.
- Um facilitador irá apresentar de forma oral os objetivos e as atividades que
serão desenvolvidas na oficina.
- Para melhor entendimento, a programação da oficina será projetada por um
projetor multimídia para melhor visualização e apreciação pelos participantes, ajustes
poderão ser feitos, caso haja necessidade.
OBJETIVO EDUCACIONAL:
- Construir o andamento da oficina coletivamente de modo a fazer com que os
participantes se sintam parte do processo.
Atividade 3 – Humanizar é...
45min
DESCRIÇÃO:
- A atividade consiste em distribuir tarjetas de papel aos participantes e solicitar
que eles escrevam uma palavra que remeta ao conceito de humanização.
- Após a escrita, solicitar que os participantes colem suas tarjetas em uma
cartolina que estará no centro do círculo com a frase escrita: “Humanizar é...”.
- Ao termino da colagem, solicitar a um dos participantes a leitura do cartaz em
voz alta para os demais presentes.
- Abrir a discussão para que todos possam falar acerca do conceito de
73
humanização e sobre as suas expectativas para a oficina.
OBJETIVO EDUCACIONAL:
- Verificar o entendimento prévio dos participantes acerca do tema
humanização e promover uma discussão sobre os achados do ponto de vista
conceitual e prático, construindo e desconstruindo conceitos pré-estabelecidos e
esclarecendo que humanização é um termo polissêmico (tem vários sentidos).
Atividade 4 – Apresentação da Política Nacional de Humanização (PNH)
45min
DESCRIÇÃO:
- Apresentar de meio de exposição dialogada os conceitos da Política Nacional
de Humanização (PNH).
- Sugestões de apresentação:
Utilizar slides em power point.
Utilizar apresentações com animação, pois podem tornar a atividade menos
cansativa, mais divertida, mais interessante.
- Sugestão de conteúdo:
O que é humanização.
O que é o trabalho em saúde.
Princípios, método, diretrizes e alguns dispositivos propostos pela PNH.
OBJETIVO EDUCACIONAL:
- Promover uma reflexão sobre o que está sendo proposto pela PNH e
consequências para a formação e o trabalho na saúde, comparando com as
relacionadas a outros sentidos de humanização.
74
Atividade 5 – Dinâmica de grupo 1
45min
DESCRIÇÃO:
- Dividir os participantes em 3 grupos de acordo com as cores dos cartões
entregues na apresentação da oficina.
- Distribuir tarjetas coloridas, uma cor para cada grupo.
- Utilizar a questão norteadora: “Humanização nas práticas em saúde”.
- Solicitar que o grupo 1 discuta sobre os pontos positivos (facilitadores) das
práticas em humanização da assistência, o grupo 2 discuta os pontos negativos
(dificultadores) e o grupo 3 discuta sobre propostas e sugestões para a concretização
de práticas humanizadas no cotidiano. Há também a possibilidade de todos os grupos
discutirem todos esses tópicos. Neste caso, é importante a administração do tempo
de maneira que os grupos consigam realizar a tarefa com êxito dentro do prazo
estipulado.
- Disponibilizar um facilitador para mediar cada grupo.
- Solicitar que os participantes escrevam todos os pontos discutidos nas
tarjetas.
- Abrir a discussão em cada grupo. È importante a confecção de uma síntese
para ser compartilhada, em momento mais tarde, com os demais grupos (também
poderão colar as tarjetas na parede, formando um quadro visível para todos os
presentes.
OBJETIVO EDUCACIONAL:
- Promover um debate entre os participantes, possibilitando a negociação de
sentidos, que pode, inclusive, comportar diferentes versões a respeito do mesmo
tema.
75
Atividade 6 – Dinâmica de grupo 2
45min
DESCRIÇÃO:
- Solicitar que os participantes discutam, ainda em grupos divididos por cores,
situações vividas em seus cotidianos, de acordo com o tema definido na dinâmica
anterior, e escolham uma situação para expor aos demais participantes.
- Disponibilizar 15min para a discussão e 10min para apresentação de cada
grupo.
- Sugestões de exposição (síntese da dinâmica de grupo 1, quadro com tarjetas
e exemplo de situação vivida no trabalho):
Apresentação oral.
Dramatização.
OBJETIVO EDUCACIONAL:
- Compartilhar as experiências com os outros participantes da oficina.
Identificação de semelhanças e diferenças em relação aos temas trabalhados e
práticas vivenciadas, permitindo que os participantes se enxerguem como
coprodutores do processo de humanização.
Atividade 7 – Roda de Conversa
45min
DESCRIÇÃO:
- Abrir a discussão a respeito da temática humanização em uma roda de
conversa.
OBJETIVO EDUCACIONAL:
- Promover um debate entre os participantes de modo a refletir sobre as
potencialidades, as deficiências e possibilidades de humanização nas práticas do
76
cotidiano. Criar propostas que possam ser executadas pelos participantes para a
melhoria do trabalho em saúde, considerando sempre a sua governabilidade. Pode
ser traduzida em ações de curto, médio e longo tempo e alcance.
Atividade 8 – Dinâmica de encerramento
15min
DESCRIÇÃO:
- Solicitar que os participantes fiquem de pé, formando um círculo.
- Pedir para que cada participante fale sobre o que está levando da oficina.
OBJETIVO EDUCACIONAL:
- Saber que lições foram levadas da oficina para cada participante.
- Destacar a importância do processo avaliativo compartilhado, de maneira a
produzir corresponsabilidade para melhorias em oficinas futuras. Caso se deseje, é
possível também o uso de um questionário de avaliação.
Atividade 9 – Avaliação da oficina
15min
DESCRIÇÃO:
- Entregar um questionário de avaliação de participação na oficina a cada
participante.
- Não identificar os participantes no questionário.
- Sugestão de Avaliação: vide anexo C.
OBJETIVO EDUCACIONAL:
- Ter um registro escrito com o feedback dos pontos positivos e negativo, assim
como comentários, sugestões e/ou críticas do que poderia ser melhorado.
77
REFERÊNCIAS
CECCIM, R.B. Educação Permanente em Saúde: desafio ambicioso e necessário.
Interface – comunicação, saúde, educação, v.9, n.16, p.161-78, 2004.
SPINK, M.J.; MENEGON, V.M.; MEDRADO, B. Oficinas como estratégias de
pesquisa: articulações teórico-metodológicas e aplicações ético-políticas. Psicologia
& Sociedade, v.26, n.1, p.32-43, 2014.
78
3.3
Produto 3 – Relatório técnico da oficina de humanização: uma reflexão
sobre os modos de cuidar
Universidade Federal de Alagoas
Faculdade de Medicina
Programa de Pós-Graduação em Ensino na Saúde
FAMED-UFAL – Campus A. C. Simões
Av. Lourival Melo Mota, s/n
Cidade Universitária – Maceió – AL
CEP 57072-970
AUTORES: Camila de Melo Moura6, Gracielle Torres Azevedo7, Sarah Lins de Barros
Moreira8, Sérgio Seiji Aragaki9 e Vanessa Ferry de Oliveira Soares10.
3.3.1 Apresentação
O presente relatório é decorrência da “Oficina de Humanização: Uma Reflexão
Sobre os Modos de Cuidar” realizada no dia 11 de outubro de 2018, em um hospital
público de ensino, em uma cidade do nordeste brasileiro. Segue em anexo (ANEXO
B) o certificado de realização da oficina emitida pelo Núcleo de Educação Permanente
da instituição onde foi realizado o evento.
A elaboração da oficina foi possível a partir dos resultados obtidos na pesquisa
intitulada “Percurso formativo e práticas em humanização da saúde nos discursos dos
fisioterapeutas da unidade neonatal de um hospital público de ensino”.
Neste documento traremos reflexões a respeito da necessidade de
humanização do trabalho realizado em unidades hospitalares e de como a Educação
Permanente em Saúde (EPS), realizada por meio de uma oficina, pode possibilitar o
seu alcance. Em seguida, serão explicitados os objetivos e os procedimentos
metodológicos adotados durante a sua realização. Os resultados serão analisados e
discutidos à medida em que vão sendo apresentados, incluindo a avaliação da oficina
pelos participantes.
A proposta do desenvolvimento do relatório técnico consiste na importância de
criar um registro da oficina, de maneira que se caracterize como um produto
6 Mestranda, fisioterapeuta da local onde foi desenvolvida a atividade. Facilitadora da oficina.
7 Fisioterapeuta da local onde foi desenvolvida a atividade. Facilitadora da oficina.
8 Terapeuta ocupacional da local onde foi desenvolvida a atividade. Facilitadora da oficina.
9 Psicólogo, Professor Doutor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Alagoas.
Orientador.
10 Psicóloga da local onde foi desenvolvida a atividade. Facilitadora da oficina.
79
educacional. Portanto, será divulgado amplamente, por meio de sua vinculação a
sistemas de informações em âmbito local (página virtual do Mestrado Profissional em
Ensino na Saúde - MPES) e nacional (Portal EduCAPES), podendo servir como um
material que colabore na melhoria do processo de ensino-aprendizagem e das
práticas de saúde.
3.3.2 Introdução
A estrutura organizativa e a tradição gerencial dos hospitais brasileiros os têm
tornado
organizações
burocráticas,
autoritárias
e
centralizadoras.
Estas
características têm sido apontadas como relevantes na produção de uma série de
problemas, como a oferta de assistência impessoal e fragmentada, a indefinição de
vínculos entre usuários e profissionais, o que produz baixa responsabilização e
descompromisso, fragmentação do trabalho e insatisfação dos trabalhadores, e
também dos usuários (BRASIL, 2011).
Na contramão desse pensamento, Guedes e Castro (2009) destacam que
todos os níveis de atenção guardam possibilidades salutares de promoção da saúde
enquanto qualidade de vida e direito do cidadão. Em seu trabalho, os autores
evidenciam as potencialidades do espaço hospitalar como produtor do cuidado,
enfocando a educação em saúde como uma possibilidade de efetivação do olhar
cuidador.
O trabalho diário junto a pacientes internados no hospital desperta e sensibiliza
sobre a obrigação do atendimento humanizado, com base na Política Nacional de
Humanização (PNH), visto que é imprescindível enxergar além da patologia inerente
ao indivíduo. Desta forma, torna-se necessária a compreensão das condições
psicológicas, sociais e familiares envolvidas no contexto, a fim de que se possa
realizar um atendimento pautado na integralidade, um dos pilares de sustentação do
Sistema Único de Saúde – SUS (BRASIL, 2003).
É pensando neste SUS e em sua consolidação que se busca desenvolver
opções de formação/qualificação em saúde que transponha o paradigma hegemônico
tradicional, pautado na transmissão mecanicista e centrado no professor, para uma
abordagem que elicie a problematização das práticas e dos saberes. Entende-se por
este viés que discutir a prática profissional e promover atualizações para a assistência
aos usuários do serviço é de fundamental importância, principalmente quando se
80
considera a produção de conhecimentos advinda dos serviços, essencialmente
sensibilizadora e pensada de forma criativa.
O ensino é um aliado nas mudanças que devem acontecer nas práticas de
saúde, sendo a Educação Permanente em Saúde (EPS) um dos mais relevantes
meios para que isto ocorra, de forma a intervir na melhoria da formação do profissional
que atua no SUS (BRASIL, 2009).
Dessa forma, acredita-se que para romper com o modelo de ensino tradicional,
as oficinas podem ser usadas como um recurso da EPS, visto que elas possibilitam a
criação de espaços de negociação de sentidos, com potencial crítico de produção
coletiva de sentidos, sensibilizando as pessoas para a temática trabalhada, gerando
conflitos construtivos, pois, possibilitam aos participantes a convivência com a
multiplicidade de versões e sentidos sobre o tema, que nem sempre são harmônicos
(SPINK; MENEGON; MEDRADO, 2014).
3.3.3 Objetivos da oficina
Objetivo geral:
- Promover uma reflexão sobre a humanização da saúde por meio do diálogo,
permeado por experiências nos cenários de prática hospitalar.
Objetivos específicos:
- Explanar sobre a Política Nacional de Humanização da Atenção e Gestão do
SUS.
- Discutir experiências práticas de humanização no contexto hospitalar
3.3.4 Desenvolvimento da oficina
Data e local
A oficina foi realizada no dia 11 de outubro de 2018, no mini auditório de um
hospital público de ensino, localizado em uma cidade do nordeste brasileiro, das 7h
às 13h.
Participantes
Os participantes foram convidados pela coordenação da Unidade de
81
Reabilitação por meio de convite verbal e aplicativo de trocas de mensagens. Foram
ofertadas 40 vagas.
Participaram desta oficina 19 (dezenove) funcionários do hospital, ligados à
atenção (16 fisioterapeutas e 1 fonoaudióloga) e à gestão (1 coordenador da Unidade
de Reabilitação e 1 coordenadora no Núcleo de Educação Permanente).
Os presentes assinaram a lista de frequência (APÊNDICE I) e uma autorização
de divulgação das fotos e do material produzido na oficina (APÊNDICE II).
Equipamentos e materiais didáticos:
- Pendrive;
- Slides em Powerpoint®;
- Projetor multimídia;
- Notebook;
- Caixa de som.
- Tarjetas coloridas de papel.
- Fita adesiva.
- Pincéis atômicos de diversas cores.
- Cartolina.
- Filme “EMPATIA: Se pudéssemos ver dentro do coração de outras pessoas
(Dublado)”.
3.3.5 Execução da Oficina
Antes de iniciar a oficina foi realizado um café da manhã com os participantes
e posteriormente uma recepção, onde as facilitadoras distribuíram bombons em
caixinhas coloridas aos participantes, com a seguinte mensagem “Seja muito bemvindo! Nenhum de nós é tão bom quanto todos nós junto”.
Foram utilizadas caixinhas em três cores distintas que posteriormente
identificariam os grupos aos quais os participantes iriam pertencer nas demais
atividades. O objetivo desta atividade foi promover a criação de grupos heterogêneos,
a fim de estimular a comunicação e a conexão entre as pessoas, aumentando a
possibilidade de conversa entre pessoas que comumente não o fazem entre si.
82
Para dar início, uma das facilitadoras apresentou a motivação e os objetivos da
oficina, assim como as atividades propostas. A finalidade foi desenvolver a oficina
coletivamente, de modo a fazer com que os participantes se sentissem parte ativa do
processo.
A sala foi disposta em semicírculo para facilitar a comunicação bem como
promover melhor a produção discursiva, com ampliação da interanimação dialógica e
o compartilhamento de conhecimentos.
Primeiro momento - Foram distribuídas tarjetas coloridas e solicitado aos
participantes que escrevessem e colassem em cartolina, previamente fixada em
parede, uma palavra que remetesse ao conceito de Humanização. Assim, deveriam
completar o fragmento de frase “Humanizar é...”.
No final dessa atividade um dos participantes realizou a leitura do cartaz e os
demais discutiram acerca dos conceitos de Humanização trazidos.
O objetivo educacional desta atividade foi verificar o entendimento prévio dos
participantes acerca do tema humanização e promover uma discussão sobre os
achados do ponto de vista conceitual e prático, desconstruindo conceitos préestabelecidos e possibilitando a construção de outros conceitos, não trazidos ou
desconhecidos por alguns dos presentes.
Segundo momento - Foi projetado um vídeo sobre empatia, como instrumento
metodológico disparador para continuidade do processo dialógica. O filme tem
duração de cinco minutos e posteriormente à exibição foi feita uma reflexão com os
participantes sobre a importância do tema.
A ideia desta atividade foi promover um debate entre os participantes, de modo
a refletirem sobre a importância da empatia, um dos sentidos presentes quando se
fala de humanização da saúde.
- Vídeo utilizado disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=xhbSuy__nq0
Terceiro momento - Após o vídeo, foi apresentada aos participantes a Política
Nacional de Humanização da Atenção e Gestão do SUS (PNH). Foi feita exposição
visual e dialogada da mesma, com uso de Powerpoint®. Esta atividade teve como
finalidade apresentar a PNH e seu conceito de humanização da saúde, assim como
83
questões relacionadas à gestão e à atenção à saúde, promovendo reflexões baseadas
no que está proposto por essa política pública.
Quarto momento - Os participantes foram divididos em 3 grupos, de acordo
com as cores das caixinhas com bombons entregues no início da manhã.
Em seguida, foram distribuídas tarjetas coloridas, uma cor para cada grupo.
A partir da questão norteadora: “Humanização nas práticas dos profissionais
no contexto hospitalar” foi proposto que os grupos discutissem sobre o tema.
O grupo 1 discutiu sobre os pontos positivos (facilitadores) das práticas em
humanização da assistência. O grupo 2 discutiu os pontos negativos (dificultadores).
O grupo 3 discutiu sobre propostas e sugestões para a concretização de práticas
humanizadas nos seus ambientes de trabalho. Cada facilitadora mediou um dos
grupos e ao término da atividade, todas as respostas foram coladas na parede,
formando um quadro para compartilhamento.
O intuito desta atividade foi promover um debate entre os participantes, de
modo a refletirem e trazerem questões sobre suas práticas executadas em seu local
de trabalho.
Quinto momento – Foi proposto que os grupos 1, 2 e 3 discutissem, ainda em
grupo, situações vividas em seus cotidianos, de acordo com o tema definido na
dinâmica anterior, e escolhessem uma situação para expor aos demais participantes.
O objetivo dessa dinâmica foi compartilhar as experiências com os outros
participantes da oficina, permitindo que os participantes se reconhecessem dentro do
processo de humanização.
Sexto momento - Foi aberta uma roda de conversa para continuidade e
aprofundamento das reflexões a respeito da temática humanização. Também foi
conversado a respeito da importância da oficina enquanto um espaço de diálogo e
discussão.
A roda de conversa teve como objetivo educacional promover um debate entre
os participantes, de modo a refletirem sobre as potencialidades, as deficiências e
possibilidades de humanização nas práticas do cotidiano.
84
Sétimo momento – Foi feita uma dinâmica de encerramento com todos em pé
formando um grande círculo e falando uma palavra sobre o que estariam levando da
oficina.
O objetivo deste momento foi obter uma síntese dos aprendizados produzidos
durante a oficina.
Oitavo momento - Foi solicitado que os participantes respondessem um
instrumento para avaliação da atividade. Este documento é disponibilizado pelo
Núcleo de Educação Permanente – NEP da instituição hospitalar em questão.
A avaliação teve como objetivo oferecer um feedback dos pontos positivos e
negativos, assim como comentários, sugestões e/ou críticas do que poderia ser
melhorado em outras oportunidades.
3.3.6 Resultados, discussão e análise
Na primeira atividade, foi solicitado que os participantes escrevessem em
tarjetas algo que remetesse ao conceito de humanização, a partir daí foi
confeccionado um cartaz onde estava escrito: “Humanizar é...” (Figura 1 e 2).
Figura 1 - Montagem do cartaz
Figura 2 - Cartaz: Humanizar é...
Fonte: Autor - Dados da pesquisa. Oficina de
Humanização: uma Reflexão Sobre os Modos
de Cuidar. 2018.
Fonte: Autor - Dados da pesquisa.
Oficina de Humanização: uma Reflexão
Sobre os Modos de Cuidar. 2018.
85
A partir do cartaz foi construído o quadro 2, com os sentidos de humanização
dado pelos participantes.
Quadro 2 - Sentidos de humanização dado pelos participantes da oficina. 2018.
Empatia
Se pôr no lugar do outro (empatia)
Cuidar
Acolher
Cuidado
Ter empatia
Amor
Cuidar
Acolher
Sabedoria no cuidar
Promover autonomia
Dar carinho
Acolher com amor
É respeitar
Acolher
Necessário
Se doar
Sensibilizar-se
Ser sensível ao próximo
Doação
Fonte: Autor - Dados da pesquisa. Oficina de humanização: uma reflexão sobre os modos de
cuidar. 2018.
Pelos sentidos dados pelos participantes, percebe-se que a empatia, o
acolhimento e o cuidado com o outro ocuparam um lugar de destaque na definição do
que é humanização.
Ao ser aberta a discussão a respeito dos conceitos de humanização, destacase as seguintes falas:
“Ser mais humano, as pessoas estão esquecendo de serem humanas, humanizar é
ouvir”.
“Experiências com a humanização que mudaram a atividade do profissional, às
vezes você não vai resolver, mas pode ouvir, dar atenção, vai acolher”.
“A técnica não anda só”.
“A parte humana vai de cada profissional”.
“Se colocar sempre no lugar do outro”.
“Humanizar não é só profissional-paciente, é também entre os colegas de trabalho,
chefia. Tentar se colocar no lugar do outro”.
“Humanização é uma política, não está no campo da bondade”.
86
Discutir o sentido de humanização torna-se imprescindível em ambientes
dialógicos, pois, segundo Benevides (2005), a forma conceitual e metodológica da
humanização é ainda um desafio. Torna-se necessário um processo de mudanças
que possa responder aos anseios dos usuários e trabalhadores da saúde, pois muitas
vezes o seu sentido está ligado, por exemplo, ao assistencialismo, ao voluntarismo e
ao paternalismo.
Após essa discussão foi feita uma reflexão com os participantes sobre a
importância da empatia, de enxergar o outro, bem como sobre as maneiras de assistir
aos pacientes e colegas de trabalho, enfatizando as singularidades e os processos
com que cada indivíduo está vivenciando.
Destacou-se nos discursos dos participantes a dificuldade de lidar com más
notícias, o contexto emocional e os elementos do dia-a-dia que passam
despercebidos. Também foi trazida a importância de ajudar o colega de trabalho que
esteja enfrentando alguma dificuldade e de criar estratégias como um “escape”
funcional para aliviar as tensões de trabalho, foram dados exemplos de lazer e ajuda
profissional, como um psicólogo, para o enfrentamento do sofrimento e da depressão,
causados pela tensão do ambiente hospitalar.
Concordando com Cardoso e colaboradores (2017), esta atividade da oficina
possibilitou momentos de colaboração e construção de conhecimentos, em que os
significados são construídos a partir da interação entre os integrantes do grupo, as
reflexões sobre as ações realizadas nas práticas de trabalho e as ações produzidas
nos processos sociais constituíram um aspecto central.
A partir do proposto pela PNH, podemos afirmar que falar sobre o processo de
trabalho, as dúvidas, as dificuldades, os sentimentos, os êxitos e as demais questões
relacionadas é fundamental para diminuir o adoecimento por conta das atividades
laborais na saúde. Tece, ao mesmo tempo, melhoria das relações interpessoais e a
possibilidade de análise e enfrentamento das dificuldades de forma coletiva e
corresponsabilizada (BRASIL, 2003).
Após o vídeo, foi feita uma apresentação sobre a humanização baseada na
PNH pelas facilitadoras, referente ao seu conceito, princípios e diretrizes, e durante a
exposição das informações os participantes conseguiram relacionar o conteúdo com
as relações de trabalho dentro do referido hospital. Desta forma, a atividade
representou um espaço de dialogia entre as facilitadoras e os participantes.
87
Neste momento foram discutidos vários aspectos, entre eles a importância de
respeitar a autonomia do paciente, mesmo que seja contrária à vontade da equipe,
utilizando exemplos do cotidiano; o exemplo de um projeto do hospital responsável
por cuidar de quem cuida; a importância do cuidado humanizado a pacientes sem
possibilidades terapêuticas; ambiência para tornar o espaço hospitalar mais agradável
e neste caso utilizaram o exemplo da pediatria que vem ressignificando sua rotina a
fim de acolher melhor os pacientes e suas famílias; e o acolhimento de colegas de
trabalho no enfrentamento da rotina profissional em momentos de dificuldade.
No quarto momento, na atividade que os grupos tinham que escrever nas
targetas os pontos positivos (facilitadores), os pontos negativos (dificultadores) e as
propostas e sugestões para a concretização de práticas humanizadas no cotidiano do
hospital, foi confeccionado um mural (Figura 3 e 4).
Figura 3 - Construção do mural
Figura 4 - Mural dos pontos positivos,
pontos negativos e sugestões das práticas
humanizadas
Fonte: Autor - Dados da pesquisa. Oficina
de Humanização: uma Reflexão Sobre os
Modos de Cuidar. 2018.
Fonte: Autor - Dados da pesquisa. Oficina de
Humanização: uma Reflexão Sobre os Modos de
Cuidar. 2018.
88
A partir das informações do mural foi produzido o quadro 3.
Quadro 3 - Pontos positivos, pontos negativos e sugestões das práticas humanizadas.
2018.
PONTOS POSITIVO
Cuidado compartilhado
Inter/transdiciplinaridade
Melhora a qualidade da
assistência
Melhora do vínculo (pacienteequipe)
PONTOS NEGATIVOS
Precariedade do setor
Envolvimento pessoal
Doenças infectos contagiosas
Interação equipe paciente
Reunir equipe
SUGESTÕES
Sensibilização/ Continuidade/
Monitoramento
Acreditação
Reuniões mensais
(equipe/gestão)
Aumentar o quantitativo de
funcionários
Favorece a inclusão do
paciente e da família no
Resistência da equipe
Capacitação
Empoderamento
Superlotação do setor
Estrutura/ Equipamentos
Maior resolutividade
_____
Melhorar interação equipe
_____
_____
_____
_____
_____
_____
processo terapêutico
A cumplicidade e entendimento
nas relações profissionalpaciente e profissionalprofissional
Promover segurança, conforto,
cuidado compartilhado.
Sensibilização. Empatia.
Melhora adesão ao tratamento
Fonte: Autor - Dados da pesquisa. Oficina de humanização: uma reflexão sobre os modos de Cuidar.
2018.
A partir do resultado desta dinâmica, ressaltamos o potencial da oficina em
promover o exercício ético e político, já que, à medida que o material é gerado para
análises, cria-se um espaço de trocas simbólicas que potencializam a discussão em
grupo no tocante da temática proposta. São gerados conflitos construtivos, com vistas
ao engajamento político de transformação (SPINK; MENEGON; MEDRADO, 2014).
Na atividade seguinte foi proposto que os grupos expusessem uma situação
discutida e escolhida entre eles para todos os participantes, ainda considerando os
pontos positivos, pontos negativos e sugestões. Cada grupo escolheu uma situação
de acordo com suas experiências.
89
O grupo 1 leu os pontos positivos, escritos e expostos no mural, e projetou
imagens de uma ação realizada na pediatria do referido hospital, onde profissionais e
estudantes fizeram um ensaio fotográfico com os pacientes e seus familiares, o grupo
considerou a ação como uma atividade humanizada (Figura 5).
Figura 5 - Apresentação do grupo 1
Fonte: Autor - Dados da pesquisa. Oficina de
Humanização: uma Reflexão Sobre os Modos
de Cuidar. 2018.
O grupo 2 apresentou de forma dialógica os pontos negativos que estavam
expostos no mural. Falaram da precariedade de alguns setores, como a falta e o
sucateamento de materiais e equipamentos; do envolvimento emocional dos
profissionais com as situações de sofrimento dos pacientes, que pode trazer
adoecimento para os mesmos; da dificuldade de trabalhar de forma humanizada com
pacientes com doenças infectocontagiosas; da dificuldade de reunir a equipe para
reuniões, citada pelo coordenado no Núcleo de Reabilitação, visto que os profissionais
têm outros compromissos, inclusive outros empregos, e devido também a localização
do hospital, que se encontra afastado do centro da cidade, dificultando o
deslocamento dos profissionais nos dias de folga; da resistência de algumas pessoas
da equipe em trabalhar de forma humanizada; e por último foi falado sobre a
superlotação frequente que a Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN) vem
enfrentando, que dificulta o trabalho da equipe, sobrecarregando os profissionais
(Figura 6).
90
Figura 6 - Apresentação do grupo 2
Fonte: Autor - Dados da pesquisa. Oficina de
Humanização: uma Reflexão Sobre os Modos
de Cuidar. 2018.
Por fim, o grupo 3 apresentou as sugestões em forma de dramatização. O grupo
encenou uma situação considerada rotineira na UTIN do hospital, que foi a questão
do banho desumanizado de bebês, no final da encenação foi sugerido por uma das
integrantes que as pessoas que tivessem feito o Curso do Método Canguru
repassassem para outros colegas a melhor maneira de dar o banho naquele bebê.
Também foi sugerido que mais profissionais fossem contratados, visto que, muitas
vezes o profissional tem que atender uma demanda maior do que deveria (Figura 7).
Figura 7 - Apresentação do grupo 3
Fonte: Autor - Dados da pesquisa. Oficina de
Humanização: uma Reflexão Sobre os Modos
de Cuidar. 2018.
Após a encenação foram feitos alguns comentários a respeitos das sugestões
realizadas pelo grupo e expostas no mural, que foram a sensibilização da equipe a
respeito da humanização, através de cursos de capacitação, assim como a
continuidade dos cursos já ofertados e o monitoramento da equipe; o processo de
91
Acreditação Hospitalar que o hospital deveria fazer, a fim de melhorar o
atendimento e as condições de trabalho; reuniões mensais entre os profissionais da
atenção e gestão; a melhora da estrutura física do hospital e a compra de
equipamentos novos; e por último promover a melhora da interação das equipes.
Os participantes puderam, além de pontuar os problemas e identificar os pontos
positivos que já acontecem na realidade do hospital, encontrar soluções para alguns
entraves das práticas humanizadas, embora a maioria das que foram citadas estejam
fora de suas responsabilidades.
Concordando com outro estudo, a oficina realizada apontou que o hospital pode
ser um espaço de realização profissional, para o exercício da criatividade, um local
onde sentir‑se útil contribua para despertar o sentido de pertencimento à coletividade
(GUEDES; CASTRO, 2009).
Essa atividade conseguiu atender o objetivo proposto, que era compartilhar as
experiências entre os participantes da oficina, permitindo que os mesmos se
enxergassem dentro do processo de humanização de forma criativa e dinâmica.
Na sequência, foi realizada uma roda de conversa, onde os participantes
falaram da importância de estar participando da oficina e de como eles se sentiam
felizes em poder ter esse espaço de diálogo para discutirem um assunto de tamanha
relevância que é a humanização. Devido ao tempo que estava corrido, pois já estava
no final da manhã, e a discussão da temática já ter ocorrido nas atividades anteriores,
de modo que todos os participantes puderam se posicionar, pouco foi falado sobre a
humanização nessa roda de conversa (Figura 8).
Figura 8 - Roda de conversa
Fonte: Autor - Dados da pesquisa. Oficina
de Humanização: uma Reflexão Sobre os
Modos de Cuidar. 2018.
92
Foi sugerido pelos participantes que fossem marcados novos encontros e que
fossem estendidos a outras categorias profissionais do hospital.
Durante toda oficina, a turma participou ativamente das atividades propostas,
em alguns momentos se mostraram agitados, acreditamos que pela ansiedade e
vontade de se posicionarem. Foi muito ressaltada a importância de ser realizados
novos encontros
Na dinâmica de encerramento, com todos de pé formando um grande círculo,
foram feitos agradecimentos e depois foi solicitado que os participantes falassem uma
palavra sobre o que estariam levando da oficina (Figura 9).
Figura 9- dinâmica de encerramento
Fonte: Autor - Dados da pesquisa. Oficina de
Humanização: uma Reflexão Sobre os Modos de
Cuidar. 2018.
As palavras faladas foram: esperança, aprendizado, gratidão, novidade, união,
felicidade, mudanças, cooperação e integração.
Dito isto, acreditamos que a oficina alcançou seu objetivo no tocante de
promover uma reflexão dos participantes sobre a humanização da saúde, visto que
possibilitou espaços de negociações de sentidos, sensibilizando as pessoas para a
temática trabalhada.
Após o encerramento da oficina foi solicitado que os participantes
respondessem um instrumento para avaliação, disponibilizado pelo Núcleo de
Educação Permanente – NEP (ANEXO I) do referente hospital. Os questionários
93
foram respondidos por 14 (quatorze) participantes, pois, alguns tiveram que sair antes
do encerramento da oficina.
O resultado das respostas da avaliação dos participantes quanto a sua
participação na oficina está apresentado no quadro 4.
Quadro 4 – Resultado das respostas da avaliação dos participantes quanto a sua
participação na oficina. 2018.
Ótimo
Bom
Regular
Insuficiente
85,7%
14,3%
_____
_____
92,9%
7,1%
_____
_____
64,3%
21,4%
14,3%
_____
85,7%
14,3%
_____
_____
92,9%
7,1%
_____
_____
92,9%
7,1%
_____
_____
85,7%
14,3%
_____
_____
Participação nas
atividades
propostas
Aplicabilidade das
competências
Cumprimento de
horário com
pontualidade
Contribuição dos
conhecimentos
oferecidos
Clima de
colaboração
Socialização dos
conhecimentos
com a equipe
Grau de
satisfação com o
curso
Fonte: Autor - Dados da pesquisa. Oficina de humanização: uma reflexão sobre os modos de cuidar.
2018.
O resultado da avaliação dos participantes quanto a estrutura geral do evento
está apresentado no quadro 5.
94
Quadro 5 – Resultado das respostas da avaliação dos participantes quanto a
estrutura geral do evento. 2018.
Ambiente
físico
Qualidade do
material
Ótimo
Bom
Regular
Insuficiente
85,7%
14,3%
_____
_____
64,3%
35,7%
_____
_____
50%
50%
_____
_____
64,3%
28,6%
7,1%
_____
64,3%
21,4%
14,3%
_____
92,9%
7,1%
_____
_____
Horário de
início das
atividades
Carga horária
diária
Carga horária
total
Coordenação
geral do evento
Fonte: Autor - Dados da pesquisa. Oficina de humanização: uma reflexão sobre os modos de cuidar.
2018.
Na seção da avaliação onde os participantes podiam fazer indicações e/ou
sugestões de melhorias para itens avaliados como insuficientes ou regulares, um
participante se queixou que o curso foi curto, com necessidade de maiores
abordagens e vivências pessoais, sugeriu que poderia ter usado filmes e momentos
práticos de humanização. Já outro participante sugeriu melhorar o espaço para que
fosse mais acolhedor e aumentar a carga horária do curso total e diária, pois reflete
no currículo.
Quanto a avaliação das expectativas, 92,9% responderam que atendeu
totalmente e 7,1% atendeu parcialmente.
No que tange as sugestões, um dos participantes sugeriu que a coordenação
geral da Unidade de Reabilitação junto com o NEP e a equipe organizadora deveriam
realizar mais oficinas de sensibilização, cursos de capacitação, reuniões com grupos
de estudos, eventos de atualização na área hospitalar.
Os pontos negativos foram poucos, porém merecem atenção para o
aperfeiçoamento de novos encontros. Alguns pontos a serem considerados é em
relação ao cumprimento do horário com pontualidade, que pode ser explicado pelo
fato de alguns participantes estarem em outra atividade profissional no dia do evento,
95
não conseguindo ficar em tempo integral na oficina; em relação ao tempo curto do
curso e a falta de prática, visto o vasto conteúdo a ser abordado em apenas uma
manhã.
Assim, face as opiniões e sugestões relatadas pelos participantes, concluímos que
a oficina foi bem avaliada, o que pode ser comprovado pela maioria das respostas
terem sido consideradas ótimas ou boas, tanto na participação individual e do grupo,
quanto na estrutura geral do evento.
3.3.7 Considerações finais
A participação de todos foi positiva, atendendo as expectativas e revelando o
quanto é importante oferecer cursos de atualização que criem espaço para discussão
das práticas profissionais.
A escolha da oficina foi bastante acertada, uma vez que ela produziu reflexões
importantes para as pessoas presentes. A interação entre profissionais de setores e
áreas de atuação diferentes, necessária para a execução das atividades, foi de
extrema relevância no compartilhamento de experiências e na melhoria dos
relacionamentos entre os participantes.
O conhecimento prévio da temática pela turma, contribuiu para o
desenvolvimento da oficina, o que possibilitou um clima de colaboração e interesse
entre os participantes.
Acreditamos que a oficina conseguiu atingir seus objetivos ao possibilitar a
reflexão da temática pelos participantes baseada em suas experiências do cotidiano,
favorecendo a negociações e possivelmente contribuindo para mudanças nas práticas
profissionais.
Como sugestões, consideramos importante proporcionar novos momentos de
discussão, aumentar a carga horária para a ampliar e aprofundar as reflexões e
melhorar a análise e a produção de propostas para solução de problemas
identificados. Também seria fundamental ampliar a oferta de oficinas ou outras
atividades de extensão, com fins de EPS, para outros profissionais não contemplados.
Tudo isso com a finalidade de que se possa refletir no processo de ensinoaprendizagem e nas práticas de humanização de todos os profissionais atuantes no
hospital.
96
REFERÊNCIAS
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97
4
CONSIDERAÇÕES FINAIS DO TACC
A experiência de cursar o mestrado foi um grande passo na minha formação,
contribuindo para meu crescimento pessoal e profissional. O Mestrado Profissional
em Ensino na Saúde da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Alagoas
me oportunizou vivenciar experiências teórico-práticas que me instigaram a refletir
sobre minhas práticas na assistência e na docência, proporcionando, por exemplo,
uma maturidade em conduzir o desenvolvimento de estratégias de ensinoaprendizagem.
Cada disciplina ministrada no programa serviu de alicerce não apenas para a
construção do meu estudo, mas também para uma caminhada pedagógica que espero
seguir, compartilhando tais ensinamentos.
Percebo que o processo de mudança ao encontro da humanização, objeto de
meu estudo, está no fazer e luto dia-a-dia para praticá-la, pois, acredito que tal
mudança tem que começar por nós mesmos.
Minha pesquisa foi capaz de responder aos seus objetivos, ao analisar a
relação entre o percurso formativo da humanização em saúde e a atuação dos
fisioterapeutas da unidade neonatal de um hospital público de ensino
A partir da análise dos resultados apresentados no estudo foi pensada a
construção de um artigo original, um manual técnico para a produção de uma oficina
de humanização, assim como um relatório técnico da realização de uma oficina de
humanização realizada em uma instituição pública, um hospital-escola, configurando,
desse modo, produtos educacionais do TACC.
Com isso, a realização da oficina, além da oportunidade de oferecer um
compartilhamento da pesquisa, possibilitou processos de desnaturalização daquilo
que é considerado normal ou rotineiro, ampliando o entendimento da produção dos
acontecimentos ocorridos no ambiente hospitalar, o que pode colaborar na sua
melhoria. A fim de estender essa oportunidade, foram oferecidas vagas para outros
profissionais do hospital, colaborando para que mudança nas práticas se efetivem.
Neste sentido, acredito que o TACC poderá trazer contribuições importantes
para o ensino da humanização da saúde. Vale ressaltar que a realização desta
pesquisa poderá afetar positivamente o trabalho das equipes dos quais os
participantes fazem parte, com consequente benefícios para usuários e familiares,
principalmente por mostrar a percepção dos fisioterapeutas. Também poderá trazer
98
benefícios no âmbito nacional, visto que todos os produtos serão vinculados a um
sistema de informação de acesso aberto e gratuito.
No entanto, não foi esgotado todo o conteúdo da temática em questão neste
estudo. Devido ao grande volume de informações produzidas na pesquisa, algumas
questões não foram contempladas neste TACC, porém, assumo o compromisso de
utilizá-las para a construção de novos estudos e produtos. Por exemplo: discussão
sobre os desafios e sugestões para a concretização de práticas humanizadas na
unidade neonatal, a partir dos discursos dos participantes, assim como a oferta de
atividades de extensão (cursos, oficinas, rodas de conversa etc.).
Sugiro que novos estudos sejam realizados pela comunidade acadêmica,
incluindo pesquisas com outros sujeitos envolvidos no processo de ensinoaprendizagem da humanização da saúde.
99
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105
APÊNDICES
106
APÊNDICE A – Roteiro para entrevista
TÍTULO DA PESQUISA: Percurso formativo e práticas em humanização da saúde no
discurso dos fisioterapeutas da unidade neonatal de um hospital público de ensino.
1) Falar, de maneira geral, sobre o que entendem sobre a humanização da
saúde;
2) Relatar sobre a formação em humanização da saúde, durante a trajetória
acadêmica e profissional (graduação, pós-graduações, cursos, EPS e
outras atividades);
3) Dizer se as práticas que realizam no local de trabalho estão alinhadas à
humanização da saúde;
107
APÊNDICE B – Lista de frequência da oficina
108
109
APÊNDICE C – Autorização de uso dos dados da oficina
110
111
ANEXOS
112
ANEXO A - Parecer Consubstanciado do Comitê de Ética em Pesquisa
113
114
115
116
ANEXO B – Certificado de realização da oficina
117
ANEXO C - Formulário de avaliação da oficina pelos participantes
FORMULÁRIO DE AVALIAÇÃO
Caro participante,
O presente instrumento tem por objetivo obter a avaliação do evento de capacitação que V.
Sª participou, permitindo, assim, mensurar esse encontro em seus diferentes aspectos, os
resultados alcançados e o aperfeiçoamento dos próximos eventos.
Para tanto, solicitamos sua colaboração no sentido de responder integralmente o formulário,
sem necessidade de identificar-se, acrescentando comentário, sugestão ou crítica sempre que
julgar pertinente.
Curso:
Coordenação do Evento:
PERÍODO:
Local:
CARGA HORÁRIA:
A seguir, indique sua opinião para cada item de acordo com a escala abaixo:
I. VAMOS FALAR SOBRE SUA PARTICIPAÇÃO
Ótimo
Bom
Regular
Insuficiente
Ótimo
Bom
Regular
Insuficiente
1. Participei com interesse das atividades propostas.
2. Acredito que terei oportunidade de aplicação das
competências adquiridas no meu trabalho.
3. Sinto que os conhecimentos oferecidos contribuirão para
o meu crescimento na Instituição.
4. Percebi um clima de colaboração entre os colegas.
5. Cumpri o horário com pontualidade.
6. Sinto-me à vontade para socializar os conhecimentos
oferecidos à minha equipe de trabalho.
7. Meu grau de satisfação por ter participado desse curso.
II. VAMOS FALAR SOBRE A ESTRUTURA GERAL DO EVENTO
1. Ambiente físico onde o evento foi realizado
2. Qualidade do material distribuído
3. Abrangência do material didático
4. Horário de início das atividades
5. Carga horária diária
6. Carga horária total
7. Coordenação-geral do evento
11
III. CASO, NA AVALIAÇÃO ACIMA, HAJA(M) ITEM(S) COM A MARCAÇÃO INSUFICIENTE OU
REGULAR, SOLICITAMOS INDICAÇÕES OU SUGESTÕES PARA PODERMOS MELHORÁ-LO:
IV. O EVENTO ATENDEU AS SUAS EXPECTATIVAS
Totalmente ( )
Principalmente por que:
Parcialmente ( )
Não as atendeu ( )
V. VOCÊ TEM ALGUM COMENTÁRIO, SUGESTÃO OU CRÍTICA QUE QUEIRA REGISTRAR?
Obrigado
