Dorneles de Oliveira Silva
Formação profissional e desenvolvimento de tecnologia educacional para o cuidado à população LGBTQIAPN+ em uma Unidade Docente Assistencial
Resumo
Introdução: o presente estudo examina Percursos Formativos de profissionais de saúde de uma Unidade Docente Assistencial no Cuidado à População LGBTQI+, analisando as lacunas existentes em suas formações acadêmicas para qualifica-los no cuidado a esta população extremamente vulnerabilizada. Objetivo: Este estudo analisa o percurso formativo de profissionais de saúde em unidade docente-assistencial quanto à temática LGBTQIAPN+, investigando as abordagens pedagógicas recebidas, as percepções sobre o processo de ensino-aprendizagem e seus reflexos na prática clínica-assistencial. A partir desses achados, propõe-se desenvolver um aplicativo voltado à educação permanente em saúde, visando qualificar o cuidado prestado a essa população. Percurso Metodológico: Optou-se por uma abordagem mista, estruturada em dois estudos complementares: (1) revisão de escopo (2) um relato de experiência; e (3) um artigo referente à elaboração e apresentação do produto técnico-educacional (Portal da População LGBTQIAPN+). A partir do relato de experiência e da vivência cotidiana, foi possível fundamentar a construção do Produto Educacional, concebido como instrumento pedagógico e assistencial voltado ao aprimoramento do ensino e do cuidado, direcionado tanto aos profissionais atuantes na Atenção Primária à Saúde (APS) quanto aos estudantes em estágio na Unidade Docente-Assistencial (UDA). Este projeto foi aprovado pelo comitê de ética e pesquisa, sob o número de protocolo 98514026.5.0000.5013. Resultados: Os resultados evidenciaram, no relato de experiência, desafios relacionados à formação profissional pregressa, à insegurança técnica das equipes, a limitações estruturais e a violências institucionais no cuidado prestado à população LGBTQIAPN+ na Unidade Docente-Assistencial. Em contrapartida, observaram-se avanços significativos decorrentes da integração ensino-serviço, da Educação Permanente em Saúde e de ações extensionistas, fortalecendo um acolhimento mais humanizado e livre de preconceitos. Quanto ao Portal da Saúde LGBTI+, produto educacional desenvolvido a partir dessa vivência, sua validação preliminar com 12 profissionais revelou inseguranças prévias quanto ao uso de pronomes (75%), à abordagem clínica (50%) e ao conhecimento dos direitos da população trans (33,3%). Após o acesso, 100% dos participantes relataram maior clareza conceitual, segurança prática e intenção de adoção na rotina laboral. Em conjunto, os achados demonstram que a articulação entre vivência assistencial e tecnologia educacional qualifica o cuidado, reduz inseguranças profissionais e fortalece a formação crítica voltada à equidade em saúde.
