July Polyana de Souza Simões
CHATBOTS BASEADOS EM INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA EDUCAÇÃO EM SAÚDE: revisão de escopo, estudo bibliométrico e etnografia virtual.
Resumo
Introdução: A expansão da inteligência artificial generativa e dos modelos de linguagem de grande escala tem ampliado a utilização de chatbots e outras tecnologias inteligentes nos processos educacionais, assistenciais e de organização do trabalho em saúde. Essas ferramentas apresentam potencial para apoiar a aprendizagem, a atualização profissional, a personalização do ensino, a tomada de decisão e o acesso à informação. Entretanto, sua incorporação à formação e aos serviços de saúde também suscita desafios relacionados à confiabilidade das informações, capacitação profissional, privacidade, vieses algorítmicos, segurança do paciente, responsabilidade profissional e preservação das dimensões humanas do cuidado. Objetivo: Analisar o uso e as repercussões dos chatbots e da inteligência artificial na educação em saúde, com ênfase na Educação Permanente em Saúde e na qualificação da assistência, caracterizando a produção científica sobre a temática e compreendendo os discursos e percepções acerca dos impactos dessas tecnologias na formação e no trabalho dos profissionais de saúde. Método: O estudo foi desenvolvido por meio de três abordagens complementares. O primeiro artigo consistiu em uma revisão de escopo, conduzida conforme as recomendações do Joanna Briggs Institute e do PRISMA-ScR. O segundo correspondeu a um estudo bibliométrico, de abordagem quantitativa, exploratória e descritiva. A busca inicial identificou 2.511 registros em bases nacionais e internacionais, dos quais 33 artigos compuseram o corpus após aplicação dos critérios de elegibilidade. Foram analisadas características metodológicas, temporais, geográficas, linguísticas, tecnológicas e temáticas. O terceiro artigo constituiu uma etnografia virtual, de abordagem qualitativa, exploratória e interpretativa, realizada na plataforma YouTube, a partir de 20 vídeos selecionados por pertinência temática e densidade discursiva. Os conteúdos foram assistidos, transcritos, codificados e organizados em eixos temáticos. Resultados: A revisão de escopo evidenciou que os chatbots vêm sendo utilizados no apoio educacional, na aprendizagem personalizada, na simulação clínica, na educação permanente, na comunicação em saúde, no acesso à informação e no suporte à prática assistencial. A análise bibliométrica demonstrou crescimento acentuado da produção científica, especialmente em 2024 e 2025, com predomínio de publicações em língua inglesa e maior concentração nos Estados Unidos e no Reino Unido. Destacaram-se os chatbots educacionais, o ChatGPT e outras ferramentas de inteligência artificial generativa, com contribuições relacionadas ao apoio à aprendizagem, desenvolvimento de competências digitais, personalização do ensino e qualificação da prática profissional. A etnografia virtual ampliou esses achados ao demonstrar que a IA é representada nos discursos digitais como elemento de transformação e reconfiguração do trabalho em saúde, sobretudo pela possibilidade de automatização de tarefas repetitivas, administrativas e relacionadas ao processamento de informações. Em contrapartida, empatia, comunicação, pensamento crítico, julgamento clínico, liderança e tomada de decisão em situações complexas foram reconhecidos como competências humanas essenciais. Também emergiram preocupações recorrentes relacionadas à ética, confiabilidade, vieses algorítmicos, privacidade, segurança do paciente, regulamentação e dependência tecnológica. Conclusão: Os três estudos demonstram que a inteligência artificial e os chatbots apresentam potencial para fortalecer a educação em saúde, a Educação Permanente em Saúde e a qualificação da assistência, promovendo maior acesso ao conhecimento, personalização da aprendizagem e apoio aos processos profissionais. Entretanto, sua incorporação não deve ser compreendida como substituição do profissional, mas como reconfiguração de tarefas, competências e processos formativos. A implementação responsável dessas tecnologias requer validação científica, supervisão humana, segurança da informação, alfabetização em inteligência artificial, pensamento crítico, ética digital e capacitação contínua, preservando as competências relacionais e a centralidade da pessoa no cuidado.
