Defesa em: 12/08/2026

ITINERÁRIO FORMATIVO EM PRÁTICAS DE HUMANIZAÇÃO DE FISIOTERAPEUTAS EM UM HOSPITAL GERAL - AUTOR: MARIANA TEIXEIRA COSTA

Arquivo
TACC_MarianaTeixeiraCosta_MPES.pdf
Documento PDF (2.4MB)
                    UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
FACULDADE DE MEDICINA – FAMED
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENSINO NA SAÚDE
MESTRADO PROFISSIONAL EM ENSINO NA SAÚDE

MARIANA TEIXEIRA COSTA

ITINERÁRIO FORMATIVO EM PRÁTICAS DE HUMANIZAÇÃO DE
FISIOTERAPEUTAS EM UM HOSPITAL GERAL

MACEIÓ-AL
2026

MARIANA TEIXEIRA COSTA

ITINERÁRIO FORMATIVO EM PRÁTICAS DE HUMANIZAÇÃO DE
FISIOTERAPEUTAS EM UM HOSPITAL GERAL

Trabalho Acadêmico de Conclusão de Curso
apresentado ao Programa de Pós-Graduação em
Ensino na Saúde da Faculdade de Medicina da
Universidade Federal de Alagoas, como
requisito parcial para obtenção do título de
Mestre em Ensino na Saúde.
Linha de pesquisa: Integração Ensino, Serviço
de Saúde e Comunidade.
Orientador: Prof. Dr. Iramirton Figuerêdo
Moreira
Coorientadora: Profa. Dra. Ângela Maria
Moreira Canuto de Mendonça

MACEIÓ-AL
2026

FICHA CATALOGRÁFICA

AGRADECIMENTOS

Agradeço, primeiramente, a Deus pelo dom da vida, por me fortalecer e guiar ao longo
desta caminhada.
Ao meu esposo, ao meu filho e aos meus familiares, por todo o amor, apoio e incentivo,
fundamentais para a realização deste sonho.
Ao meu orientador, Iramiton Figuerêdo Moreira, e à coorientadora, Ângela Maria
Canuto, pelo acolhimento, atenção e valiosas orientações ao longo desta pesquisa.
Aos professores do curso, em especial às professoras Andrea Marques Vanderlei
Fregadolli e Maria Lusia de Morais Bello Bezerra, pelos ensinamentos compartilhados, pela
dedicação e pelo apoio ao longo dessa trajetória.
Aos colegas de turma, em especial Jacqueline, Larissa, Rose, Miliana e Viviane, pela
parceria, apoio e pelas trocas de experiências que contribuíram para o desenvolvimento deste
percurso.
Aos meus amigos, pela presença, incentivo e apoio, especialmente nos momentos mais
desafiadores.
Aos participantes da pesquisa, pela colaboração e pela disponibilidade durante a
realização deste estudo.
Aos membros da banca de qualificação e defesa, pela atenção, pelas contribuições
pertinentes e pelo olhar criterioso, que enriqueceram este trabalho.
Minha gratidão.

RESUMO GERAL

Introdução: A formação em saúde tem sido desafiada a superar modelos centrados apenas na
dimensão técnico-biológica do cuidado, exigindo processos formativos que integrem aspectos
éticos, relacionais, políticos e institucionais. No contexto do Sistema Único de Saúde (SUS), a
Política Nacional de Humanização (PNH) reforça a necessidade de práticas comprometidas
com a integralidade, a valorização dos sujeitos e a qualificação das relações de cuidado. Na
fisioterapia hospitalar, a humanização assume relevância particular diante da complexidade
assistencial, da influência do modelo biomédico e da necessidade de articulação entre
competência técnica e cuidado integral. Objetivo: Analisar os itinerários formativos de
fisioterapeutas atuantes em um hospital geral, identificando os sentidos atribuídos à
humanização em suas práticas assistenciais, representações sociais e experiências de educação
permanente. Metodologia: Trata-se de uma pesquisa qualitativa, descritiva e aplicada,
estruturada em três estudos articulados. O primeiro analisou os itinerários formativos de
fisioterapeutas hospitalares por meio de entrevistas semiestruturadas, com apoio do software
IRAMUTEQ e da Classificação Hierárquica Descendente (CHD), associada à análise de
conteúdo. O segundo investigou as representações sociais da humanização por meio da análise
de similitude, fundamentada na Teoria das Representações Sociais. O terceiro consistiu no
desenvolvimento e implementação de um e-book sobre humanização no cuidado hospitalar,
utilizado como dispositivo de educação permanente em rodas de conversa com estagiários,
residentes e profissionais da saúde. Resultados: Os achados evidenciaram que a humanização
é compreendida pelos fisioterapeutas como uma construção que envolve dimensões éticas,
técnicas, relacionais e institucionais, ultrapassando atitudes individuais de empatia e
acolhimento. O primeiro estudo mostrou que os itinerários formativos e as experiências no
trabalho influenciam diretamente a construção de práticas humanizadas, embora ainda existam
fragilidades na formação inicial sobre o tema. O segundo revelou que a humanização se
organiza, nas representações sociais dos participantes, em torno de elementos como paciente,
escuta, respeito, vínculo e cuidado integral. O terceiro demonstrou o potencial do e-book como
estratégia de educação permanente, favorecendo reflexão crítica, troca de experiências e
ampliação da compreensão da humanização no contexto hospitalar. Considerações finais: A
dissertação evidencia que a humanização na fisioterapia hospitalar é um fenômeno
multidimensional, construído na interface entre formação, trabalho, representações sociais e
educação permanente. Ao articular diferentes abordagens analíticas e um produto educacional,
o estudo contribui para o fortalecimento da formação em saúde, da prática fisioterapêutica
hospitalar e da implementação da Política Nacional de Humanização no SUS.
Palavras-chave: Humanização da assistência; Serviço Hospitalar de Fisioterapia; Educação
Superior; Educação Permanente.

GENERAL ABSTRACT
Introduction: Health education has been challenged to move beyond models focused solely on
the technical-biological dimension of care, requiring training processes that integrate ethical,
relational, political, and institutional aspects. Within the context of the Brazilian Unified Health
System (SUS), the National Humanization Policy (NHP) reinforces the need for practices
committed to comprehensiveness, the valuing of subjects, and the qualification of care
relationships. In hospital physiotherapy, humanization is particularly relevant given the
complexity of care, the influence of the biomedical model, and the need to articulate technical
competence with comprehensive care. Objective: To analyze the educational trajectories of
physiotherapists working in a general hospital, identifying the meanings attributed to
humanization in their care practices, social representations, and continuing health education
experiences. Methodology: This is a qualitative, descriptive, and applied study structured into
three interconnected studies. The first analyzed the educational trajectories of hospital
physiotherapists through semi-structured interviews, supported by IRAMUTEQ software and
Descending Hierarchical Classification (DHC), associated with content analysis. The second
investigated the social representations of humanization through similarity analysis, grounded
in Social Representations Theory. The third consisted of the development and implementation
of an e-book on humanization in hospital care, used as a continuing education tool in discussion
groups with physiotherapists. Results: The findings showed that physiotherapists understand
humanization as a construct involving ethical, technical, relational, and institutional
dimensions, going beyond individual attitudes such as empathy and welcoming. The first study
showed that educational trajectories and work experiences directly influence the construction
of humanized practices, although weaknesses in initial training on the topic remain. The second
revealed that, in participants’ social representations, humanization is organized around elements
such as patient, listening, respect, bond, and comprehensive care. The third demonstrated the
potential of the e-book as a continuing education strategy, fostering critical reflection, exchange
of experiences, and an expanded understanding of humanization in the hospital context. Final
considerations: This dissertation shows that humanization in hospital physiotherapy is a
multidimensional phenomenon built at the intersection of education, work, social
representations, and continuing health education. By articulating different analytical
approaches and an educational product, the study contributes to strengthening health education,
hospital physiotherapy practice, and the implementation of the National Humanization Policy
in SUS.
Keywords: Humanization of care; Hospital Physiotherapy Service; Higher Education;
Continuing Education.

LISTA DE FIGURAS

Figura 1

Dendrograma da Classificação Hierárquica Descendente (CHD)

32

Figura 2

Árvore de similitude das palavras associadas à humanização do cuidado 58

Figura 3

Síntese Integrada Geral dos Achados das Representações Sociais

71

Figura 4

80

Figura 5

Percurso de implementação do e-book como estratégia de Educação
Permanente em Saúde.
Apresentação do e-book durante a roda de conversa com participantes

Figura 6

Rodas de Conversas

85

85

LISTA DE TABELAS
Tabela 1

Percepções dos fisioterapeutas sobre humanização (Escala de Likert)

28

Tabela 2

Síntese interpretativa dos eixos temáticos identificados na análise de58
similitude das representações sociais da humanização no cuidado
fisioterapêutico hospitalar

LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

CAAE

Certificado de Apresentação para Apreciação Ética

CAPES

Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior

CEP

Comitê de Ética em Pesquisa
Classificação Hierárquica Descendente

CHD
CNS
DP

Conselho Nacional de Saúde
Desvio Padrão

Ent

Entrevistado (a)

EPS

Educação Permanente em Saúde

PNEPS

Política Nacional de Educação Permanente em Saúde

FAMED

Faculdade de Medicina

FIOCRUZ

Fundação Oswaldo Cruz

HGE

Hospital Geral do Estado

IESA

IA

Instituto de Ensino Superior de Alagoas
Interface de R pour les Analyses Multidimensionnelles de Textes et
de Questionnaires
Inteligência Artificial

MPES

Mestrado Profissional em Ensino na Saúde

MS

Ministério da Saúde

P

Participante

PNH
ST

Política Nacional de Humanização
Segmento de Texto

SUS

Sistema Único de Saúde

TACC

Trabalho Acadêmico de Conclusão de Curso

TCLE

Termo de Consentimento Livre e Esclarecido

TRS

Teoria das Representações Sociais

UCB

Universidade Castelo Branco

UFAL

Universidade Federal de Alagoas

IRAMUTEQ

SUMÁRIO
1 APRESENTAÇÃO................................................................................................................ 13
2 INTRODUÇÃO GERAL ...................................................................................................... 15
3 ARTIGO 1: Itinerário formativo em práticas de humanização de fisioterapeutas em um
hospital geral: análise por Classificação Hierárquica Descendente (CHD) ............................. 17
RESUMO.................................................................................................................................. 17
ABSTRACT ............................................................................................................................. 18
3.1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................. 19
3.2 PERCURSO METODOLÓGICO ...................................................................................... 22
3.2.1 Cenário do Estudo ........................................................................................................... 22
3.2.2 Participantes do Estudo ................................................................................................... 22
3.2.3 Instrumentos e Coleta de Dados ...................................................................................... 23
3.2.3.1 Questionário de Caracterização e Percepção ........................................................ 23
3.2.3.2 Entrevistas Semiestruturadas ................................................................................ 24
3.2.4 Análise de Dados ............................................................................................................. 24
3.2.4.1 Processamento dos Dados de Caracterização ....................................................... 25
3.2.4.2 Análise Textual ..................................................................................................... 25
3.2.5 Aspectos Éticos................................................................................................................ 26
3. 3RESULTADOS E DISCUSSÃO........................................................................................ 27
3.3.1 Perfil Socioprofissional e Percepções sobre Humanização da amostra .......................... 27
3.3.1.1 Caracterização Socioprofissional dos Participantes ............................................. 27
3.3.1.2 Percepções sobre Humanização na Formação e na Prática Profissional .............. 27
3.3.2 Itinerário Formativo Emergente da Classificação Hierárquica Descendente .................. 31
3.3.3 Síntese do Corpus e Organização das Classes ................................................................. 32
3.3.3.1 Eixo 1: Dimensão Institucional e Formativa ................................................................ 33
3.3.3.1.1 Classe 1: A construção da identidade e competência profissional .................... 34
3.3.3.1.2 Classe 4: Integração entre excelência técnica e ética do cuidado ...................... 35
3.3.3.1.3 Classe 3: Apoio institucional e corresponsabilização no cuidado ..................... 36
3.3.3.1.4 Classe 5: A humanização na política institucional ............................................ 37
3.3.3.2 Eixo 2: Prática Assistencial e Cuidado Cotidiano ........................................................ 38
3.3.3.2.1 Classe 6: Humanização no cotidiano e micropráticas de atendimento .............. 39
3.3.3.2.2 Classe 2: Autonomia, dignidade e a garantia de direitos ................................... 40
3.3.4 Síntese Integrativa da Classificação Hierárquica Descendente ....................................... 41
3.4 Considerações Finais .......................................................................................................... 42

REFERÊNCIAS ....................................................................................................................... 44
4 ARTIGO 2: Humanização no Cuidado em Fisioterapia Hospitalar: Representações Sociais e
Análise de Similitude................................................................................................................ 48
RESUMO.................................................................................................................................. 48
ABSTRACT ............................................................................................................................. 49
4.1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................. 50
4.2 PERCURSO METODOLÓGICO ...................................................................................... 52
4.2.1 Delineamento do estudo .................................................................................................. 52
4.2.2 Cenário do estudo ............................................................................................................ 52
4.2.3 Participantes..................................................................................................................... 53
4.2.4 Produção dos dados ......................................................................................................... 53
4.2.5 Análise dos dados ............................................................................................................ 54
4.2.5.1 Análise de Similitude............................................................................................ 54
4.2.5.2 Análise de Conteúdo de Bardin ............................................................................ 55
4.2.5.3 Integração das análises ......................................................................................... 56
4.2.6 Aspectos éticos ................................................................................................................ 56
4.3 RESULTADOS E DISCUSSÃO........................................................................................ 56
4.3.1 Eixo 1: Humanização como núcleo estruturante ............................................................. 59
4.3.2 Eixo 2: O paciente como sujeito do cuidado humanizado............................................... 61
4.3.3 Eixo 3: Formação profissional e construção ético-técnica da humanização ................... 62
4.3.4 Eixo 4: Contexto hospitalar e barreiras ........................................................................... 64
4.3.5 Eixo 5: A dimensão coletiva e participativa da humanização ......................................... 66
4.3.6 Eixo 6: O cuidado como prática de acolhimento e compreensão .................................... 67
4.3.7 Síntese Integrada dos Achados: A humanização na fisioterapia hospitalar .................... 69
4.4 CONSIDERAÇÕES FINAIS ............................................................................................. 70
REFERÊNCIAS ....................................................................................................................... 72
5 Artigo 3: O e-book "Humanização no Cuidado Hospitalar" como dispositivo pedagógico para
a Educação Permanente em Saúde: relato de experiência em um hospital geral ..................... 76
RESUMO.................................................................................................................................. 76
ABSTRACT ............................................................................................................................. 77
5.1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................. 78
5.2. PERCURSO METODOLÓGICO ..................................................................................... 79
5.3 RESULTADOS E DISCUSSÃO........................................................................................ 82
5.3.1 Construção e caracterização do e-book como produto educacional ................................ 82
5.3.2 Implementação do produto educacional no contexto hospitalar ..................................... 84
5.3.3 O e-book como dispositivo pedagógico para reflexão sobre a humanização .................. 85

5.3.4 Temas emergentes e desafios da humanização no contexto hospitalar ........................... 87
5.3.4.1 Concepções de humanização e alinhamento à PNH ............................................. 87
5.3.4.2 Acolhimento, escuta qualificada e ambiência no cuidado .................................... 87
5.3.4.3 Trabalho multiprofissional e liderança humanizada ............................................. 88
5.3.4.4 Formação profissional e Educação Permanente em Saúde .................................. 88
5.3.4.5 Condições de trabalho e desafios estruturais para a humanização ....................... 89
5.3.4.6 Outras dimensões da humanização: comunicação, ética e autocuidado ............... 89
5.3.5 Potencialidades e limites da experiência ......................................................................... 90
5.4 CONSIDERAÇÕES FINAIS ............................................................................................. 91
REFERÊNCIAS ....................................................................................................................... 93
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS GERAIS DO TACC .............................................................. 96
REFERÊNCIAS GERAIS DO TACC ..................................................................................... 98
APÊNDICE A......................................................................................................................... 105
APÊNDICE B ......................................................................................................................... 107
APÊNDICE C ......................................................................................................................... 108
ANEXO A............................................................................................................................... 114
ANEXO B............................................................................................................................... 120

1 APRESENTAÇÃO
Este trabalho é fruto de meu percurso de vida, com ênfase na trajetória acadêmica
e profissional.
Minha formação acadêmica se iniciou com a graduação em Fisioterapia (2010) pelo
Instituto de Ensino Superior de Alagoas (IESA), Pós-graduação em Gestão em Saúde pela
Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ), em Fisioterapia em Terapia Intensiva e Suporte Ventilatório
pela Universidade Castelo Branco (UNB) em 2015, e em Fisioterapia na Saúde da Mulher (Centro
de Ensino Superior Dom Alberto) em 2021.
Este estudo foi desenvolvido no Programa de Pós-Graduação em Ensino na Saúde
da Faculdade de Medicina (FAMED) da Universidade Federal de Alagoas (UFAL),
vinculado à linha de pesquisa Integração Ensino, Serviço de Saúde e Comunidade. A
investigação tem como tema o “Itinerário formativo em práticas de humanização de
fisioterapeutas em um hospital geral”, e propõe compreender de que forma se constroem
os processos formativos voltados à humanização no exercício profissional da fisioterapia,
especialmente no contexto hospitalar.
A escolha pelo tema emergiu das experiências acadêmicas e profissionais vividas
na área da fisioterapia hospitalar, bem como da inquietação frente aos desafios cotidianos
na consolidação de práticas humanizadas no cuidado em saúde. Tais vivências despertaram
o desejo de refletir sobre a formação continuada dos fisioterapeutas, destacando a
importância de um itinerário formativo que integre dimensões técnicas, éticas e relacionais
do cuidado.
A proposta se ancora na necessidade de fortalecer a articulação entre ensino, serviço
e comunidade, princípios que orientam o campo da formação em saúde e sustentam a
Política Nacional de Humanização (PNH). Assim, busca-se compreender como as práticas
de humanização podem ser potencializadas nos espaços de trabalho, por meio de processos
reflexivos e educativos que estimulem o desenvolvimento da empatia, da escuta sensível e
da corresponsabilidade entre profissionais e usuários.
Durante o percurso do mestrado, a pesquisa se estruturou com base em referenciais
teóricos e artigos científicos publicados em bases de dados nacionais e internacionais.
Foram analisadas produções que abordam a humanização na saúde, a formação ética, e a
integração ensino-serviço-comunidade. O diálogo com essas fontes possibilitou
13

compreender tendências contemporâneas e inovações no campo da formação em saúde,
articulando-as com as experiências vividas no contexto hospitalar.
O estudo, portanto, pretende evidenciar os impactos da pesquisa na prática dos
profissionais de fisioterapia e contribuir para o fortalecimento de uma formação mais
crítica, sensível e comprometida com a dignidade humana. Essa construção foi apoiada
também pelo uso de tecnologias educacionais e recursos de inteligência artificial (IA),
ampliando as possibilidades de análise, reflexão e desenvolvimento de competências
voltadas à humanização do cuidado.
Durante o percurso do mestrado, a pesquisa também gerou desdobramentos acadêmicos
e de divulgação científica. Entre eles, destaca-se a participação na 11ª Bienal Internacional do
Livro de Alagoas, com a apresentação da versão física do e-book Humanização no Cuidado
Hospitalar, ampliando a socialização do conhecimento produzido. Além disso, foi submetida
uma revisão de escopo a periódico científico na área temática do estudo, reforçando o
compromisso com a produção e disseminação de evidências sobre a humanização no cuidado
hospitalar.

14

2 INTRODUÇÃO GERAL
A formação em saúde tem sido progressivamente desafiada a superar modelos centrados
na transmissão de conteúdos e na dimensão técnico-biológica do cuidado, demandando
estratégias formativas capazes de integrar aspectos éticos, relacionais, políticos e institucionais.
No contexto do Sistema Único de Saúde (SUS), essa necessidade se intensifica diante da
complexidade dos cenários assistenciais e da exigência de práticas comprometidas com a
integralidade e a humanização do cuidado (Mélo et al., 2022).
Nesse cenário, a Política Nacional de Humanização (PNH), instituída pelo Ministério
da Saúde em 2003, constitui um importante marco para a reorganização das práticas de atenção
e gestão em saúde. Fundamentada na transversalidade, na indissociabilidade entre atenção e
gestão e no protagonismo dos sujeitos, a política propõe um cuidado compartilhado entre
trabalhadores, gestores e usuários, valorizando as relações humanas, a autonomia e a
corresponsabilização no processo de cuidado (Brasil, 2010; Ferreira Neto et al., 2024).
Nessa direção, a PNH orienta-se por diretrizes que buscam qualificar os processos de
atenção e gestão em saúde, entre elas o acolhimento, a ambiência, a clínica ampliada e
compartilhada, a valorização do trabalho e do trabalhador, a defesa dos direitos dos usuários e
o fortalecimento da participação coletiva nos espaços de cuidado e decisão. Tais diretrizes
apontam para a construção de práticas mais dialógicas, corresponsáveis e centradas nas
necessidades dos sujeitos, favorecendo a integralidade do cuidado e a reorganização dos
serviços de saúde em uma perspectiva ética, relacional e participativa (Silva, 2025).
No entanto, a humanização ainda enfrenta desafios em sua efetivação nos serviços de
saúde, especialmente quando reduzida a atitudes individuais e descolada de sua dimensão éticopolítica, institucional e formativa. Nessa perspectiva, a humanização deve ser compreendida
como construção coletiva, atravessada pelas condições de trabalho, pelos processos de
formação e pelas experiências vividas no cotidiano assistencial (Benevides; Passos, 2005a;
Benevides; Passos, 2005b; Oliveira, 2012).
No campo da fisioterapia hospitalar, essa discussão ganha relevância diante da
complexidade do cuidado, da influência do modelo biomédico e das exigências próprias do
ambiente hospitalar. Embora inserido em cenários marcados por alta demanda assistencial e
forte racionalidade técnico-procedimental, o fisioterapeuta ocupa posição estratégica na
produção do cuidado, especialmente por meio da escuta qualificada, da construção de vínculos
15

e da atenção às singularidades do paciente (Silva; Silveira, 2011; Casate; Corrêa, 2012; Cruz;
Moreto, 2023).
Diante desse contexto, esta dissertação adota o conceito de itinerário formativo como
eixo analítico para compreender os percursos educacionais e profissionais que atravessam a
construção da humanização na prática fisioterapêutica hospitalar. Parte-se do entendimento de
que a humanização não constitui atributo individual, mas um processo dinâmico, produzido na
articulação entre formação inicial, educação permanente e experiências no trabalho em saúde
(Brasil, 2004; Silva; Silveira, 2011; Moura; Aragaki, 2021).
A dissertação está estruturada em três artigos científicos articulados. O primeiro analisa,
por meio da Classificação Hierárquica Descendente com apoio do software IRAMUTEQ, os
itinerários formativos de fisioterapeutas atuantes em um hospital geral, evidenciando sentidos
atribuídos à humanização ao longo da trajetória profissional. O segundo investiga as
representações sociais da humanização entre fisioterapeutas, com base na análise de similitude
e na Teoria das Representações Sociais, destacando elementos simbólicos que organizam o
cuidado humanizado no contexto hospitalar. O terceiro apresenta o desenvolvimento e a
implementação de um e-book sobre humanização no cuidado hospitalar, elaborado como
produto educacional do Mestrado Profissional em Ensino na Saúde e utilizado como dispositivo
de educação permanente.
A integração desses estudos permite compreender a humanização como fenômeno
multidimensional, que se expressa na formação, nas representações sociais e nas estratégias
educativas voltadas à transformação das práticas de cuidado. Assim, esta dissertação busca
responder à seguinte questão norteadora: quais sentidos emergem dos itinerários formativos de
fisioterapeutas em relação à humanização no contexto hospitalar?
Desse modo, o objetivo geral consiste em analisar os itinerários formativos de
fisioterapeutas atuantes em um hospital geral, identificando os sentidos atribuídos à
humanização em suas práticas assistenciais, nas representações sociais e nas experiências de
educação permanente.
Espera-se que este estudo contribua para o fortalecimento das discussões sobre
formação em saúde, prática fisioterapêutica hospitalar e implementação da PNH no SUS, além
de subsidiar estratégias de educação permanente e produtos educacionais voltados à
qualificação do cuidado.

16

3 ARTIGO 1: Itinerário formativo em práticas de humanização de fisioterapeutas em um
hospital geral: análise por Classificação Hierárquica Descendente (CHD)
ARTICLE 1: Training Pathway in Humanization Practices Among Physiotherapists in a
General Hospital: Analysis Through Descending Hierarchical Classification (DHC)
RESUMO
Introdução: A Política Nacional de Humanização (PNH) propõe a qualificação dos processos
de cuidado e gestão no Sistema Único de Saúde, estimulando práticas pautadas na integralidade,
corresponsabilização e valorização das relações humanas. No contexto da fisioterapia
hospitalar, a incorporação desses princípios ainda enfrenta desafios relacionados à formação
profissional e às condições institucionais de trabalho. Objetivo: Analisar os itinerários
formativos de fisioterapeutas atuantes em um hospital geral, identificando os sentidos atribuídos
à humanização em suas práticas assistenciais. Metodologia: Trata-se de uma pesquisa
qualitativa, descritivo-exploratória, realizada com sete fisioterapeutas de um hospital geral. Os
dados foram coletados por meio de questionário de caracterização e entrevistas
semiestruturadas. O corpus textual foi processado no software IRAMUTEQ por meio da
Classificação Hierárquica Descendente (CHD), e a interpretação dos achados foi orientada
pelos pressupostos da análise de conteúdo de Bardin. Resultados: A CHD processou 148
segmentos de texto, com aproveitamento de 79,05%, resultando em seis classes temáticas
organizadas em dois eixos interpretativos: Dimensão Institucional e Formativa e Prática
Assistencial e Cuidado Cotidiano. Os resultados evidenciaram que a humanização é
compreendida como uma competência ética e técnica construída ao longo do itinerário
formativo e continuamente ressignificada na prática profissional. Os participantes destacaram
a importância do suporte institucional, da valorização do trabalhador, da educação permanente,
do acolhimento, da escuta qualificada e da promoção da autonomia do paciente para a
efetivação dos princípios da PNH. Considerações Finais: Conclui-se que a humanização
transcende atributos individuais e configura-se como uma construção ética, técnica e política,
dependente da articulação entre formação, gestão e prática assistencial. A efetivação da PNH
na fisioterapia hospitalar requer estratégias de cogestão, suporte institucional e qualificação
permanente, fortalecendo a integralidade do cuidado e a participação ativa dos usuários.
Palavras-chave: Humanização da Assistência; Serviço Hospitalar de Fisioterapia; Educação
em Saúde; Pesquisa Qualitativa.

17

ABSTRACT
Introduction: The National Humanization Policy (PNH) proposes the qualification of care and
management processes within the Brazilian Unified Health System (SUS), promoting practices
based on comprehensiveness, co-responsibility, and the valorization of human relationships. In
the context of hospital physiotherapy, the incorporation of these principles still faces challenges
related to professional training and institutional work conditions. Objective: To analyze the
formative trajectories of physiotherapists working in a general hospital, identifying the
meanings attributed to humanization in their care practices. Methodology: This is a qualitative,
descriptive-exploratory study conducted with seven physiotherapists from a public general
hospital in the state of Alagoas. Data were collected through a characterization questionnaire
and semi-structured interviews. The textual corpus was processed using the IRAMUTEQ
software via Descending Hierarchical Classification (CHD), and the interpretation of the
findings was guided by the principles of content analysis proposed by Bardin. Results: The
CHD processed 148 text segments, with a utilization rate of 79.05%, resulting in six thematic
classes organized into two interpretive axes: Institutional and Formative Dimension and Care
Practice and Daily Care. The results showed that humanization is understood as an ethical and
technical competence built throughout the formative trajectory and continuously reshaped in
professional practice. Participants highlighted the importance of institutional support, worker
valorization, permanent education, welcoming practices, qualified listening, and the promotion
of patient autonomy for the implementation of PNH principles. Conclusions: Humanization
goes beyond individual attributes and is configured as an ethical, technical, and political
construction, dependent on the articulation between training, management, and care practice.
The implementation of PNH in hospital physiotherapy requires co-management strategies,
institutional support, and continuous qualification, strengthening comprehensive care and the
active participation of users.
Keywords: Humanization of Care; Hospital Physiotherapy Service; Health Education;
Qualitative Research.

18

3.1 INTRODUÇÃO
A Política Nacional de Humanização (PNH), instituída pelo Ministério da Saúde em
2003, consolidou-se como uma importante estratégia para a transformação dos modelos de
atenção e gestão no Sistema Único de Saúde (SUS) (Brasil, 2010; Santos, 2025). Fundamentada
nos princípios da transversalidade, da indissociabilidade entre atenção e gestão e do
protagonismo dos sujeitos, a PNH busca qualificar os processos de cuidado e fortalecer a
participação de usuários, trabalhadores e gestores na construção das práticas de saúde (Bona et
al., 2025; Ferreira Neto et al., 2024). Nesse sentido, propõe a superação de modelos
fragmentados e excessivamente centrados em procedimentos técnicos, promovendo uma
assistência pautada na integralidade, na corresponsabilização e na valorização das relações
humanas (Couto et al., 2026; Casate; Corrêa, 2012).
Para operacionalizar esses princípios, a PNH estabelece diretrizes que funcionam como
dispositivos práticos no cotidiano hospitalar. O acolhimento, ultrapassa a recepção
administrativa, configurando-se como uma postura ética de escuta e compromisso com a
resolução das demandas do usuário (Brasil, 2010; Bona et al., 2025; Ladeira; Koifman, 2021).
Somam-se a isso a gestão participativa e cogestão, que visam democratizar as decisões, e a
valorização do trabalho e do trabalhador, reconhecendo que a qualidade do cuidado ao paciente
é reflexo direto do suporte oferecido a quem cuida (Doricci; Guanaes-Lorenzi, 2021). Outras
diretrizes essenciais incluem a ambiência, focada na criação de espaços saudáveis e
acolhedores, e a clínica ampliada e compartilhada, que propõe um olhar interdisciplinar e
biopsicossocial sobre o sujeito (Brasil, 2010; Santos, 2025).
No contexto hospitalar, a humanização assume um papel estratégico na qualificação da
assistência, uma vez que os processos de cuidado são frequentemente atravessados pela
complexidade dos serviços, pela elevada demanda assistencial e pela predominância de práticas
tecnicistas. Nessa perspectiva, a humanização ultrapassa a ideia de cordialidade ou acolhimento
isolado, configurando-se como uma proposta ética, política e organizacional voltada à
construção de relações mais participativas entre usuários, trabalhadores e gestores (Cruz;
Moreto, 2025; Lima Júnior et al., 2022).
A premissa central da PNH consiste no entendimento de que a transformação dos modos
de cuidar está diretamente relacionada à transformação dos modos de gerir, fortalecendo valores
como autonomia, solidariedade e participação coletiva (Brasil, 2010; Oliveira, 2012).
19

Apesar dos avanços promovidos pela institucionalização da PNH, a implementação da
humanização nos serviços de saúde permanece permeada por desafios. O conceito de
humanização é polissêmico e pode assumir diferentes significados conforme o contexto em que
é empregado. Benevides e Passos (2005a) alertam que, quando desvinculada de sua dimensão
crítica, a humanização corre o risco de ser reduzida a ações pontuais ou a características
individuais dos profissionais, como empatia, cordialidade ou boa vontade. Nessa perspectiva,
perde-se a capacidade de questionar as estruturas organizacionais e as relações de poder que
influenciam os processos de cuidado (Oliveira, 2012).
Além disso, a humanização não pode ser compreendida de forma dissociada das
condições concretas de trabalho. Exigir atitudes humanizadas em contextos marcados por
sobrecarga laboral, precarização das condições de trabalho e relações hierárquicas rígidas pode
representar uma contradição que desconsidera fatores institucionais e organizacionais
determinantes para a qualidade da assistência (Benevides; Passos, 2005b). Dessa forma, a
valorização dos trabalhadores e a melhoria das condições de trabalho constituem elementos
fundamentais para a efetivação das práticas de humanização nos serviços de saúde (Guedes;
Pitombo; Barros, 2009).
Nesse cenário, a atuação do fisioterapeuta revela-se essencial para a promoção da
integralidade do cuidado. O exercício profissional exige uma compreensão ampliada do
processo saúde-doença, contemplando não apenas aspectos biológicos, mas também fatores
psicológicos, sociais e culturais que influenciam a experiência do adoecimento (Silva; Silveira,
2011; Cruz; Moreto, 2023). Além disso, a proximidade estabelecida entre fisioterapeuta e
paciente ao longo do processo terapêutico favorece a construção de vínculos, a escuta
qualificada e o reconhecimento das singularidades dos sujeitos, elementos diretamente
relacionados aos princípios da humanização (Campos; Dias, 2012; Mutou, 2019).
Entretanto, a incorporação desses princípios à prática fisioterapêutica encontra
obstáculos importantes no ambiente hospitalar. A elevada demanda assistencial, a pressão por
produtividade e a predominância de modelos organizacionais centrados na racionalidade
técnica podem dificultar a adoção de práticas que contemplem a participação do usuário e a
construção compartilhada do cuidado (Menéses-La-Riva et al., 2021; Capozza; Colledani;
Falvo, 2024). Associados a esses fatores, processos de precarização do trabalho e limitações
estruturais podem comprometer a efetivação de uma assistência integral e humanizada
(Oliveira, 2012).
20

Os desafios observados na prática profissional também encontram relação com os
processos de formação. A literatura aponta que a formação acadêmica em fisioterapia
permanece fortemente influenciada pelo modelo biomédico (Cruz; Moreto, 2023; Silva;
Silveira, 2011). Embora os princípios da humanização estejam presentes nas diretrizes
curriculares e nos debates contemporâneos sobre formação em saúde, sua abordagem muitas
vezes ocorre de forma pontual ou desvinculada das experiências concretas vivenciadas (Casate;
Corrêa, 2012; Batista et al., 2019; Silva; Silveira, 2011).
Diante dessas questões, torna-se relevante compreender como os saberes relacionados à
humanização são construídos e mobilizados ao longo da trajetória profissional dos
fisioterapeutas. Para isso, adota-se neste estudo o conceito de itinerário formativo, definido pelo
Decreto nº 5.154/2004 como o conjunto de percursos educacionais que possibilitam o
aproveitamento contínuo e articulado dos estudos (Brasil, 2004). Compreendido aqui desde a
formação inicial até a educação permanente, esse conceito permite analisar como os saberes
sobre humanização são construídos e mobilizados ao longo da trajetória profissional e de que
modo influenciam as práticas assistenciais (Silva; Silveira, 2011; Mutou, 2019).
A relevância desta investigação reside na necessidade de aprofundar a compreensão
sobre a interface entre formação profissional, prática assistencial e humanização na fisioterapia
hospitalar. Estudos têm discutido a humanização da assistência e os processos formativos de
diferentes profissionais da saúde, evidenciando a importância da formação para a incorporação
de práticas alinhadas aos princípios da PNH (Casate; Corrêa, 2012; Nascimento et al., 2023;
Santos, 2025; Silva, 2025). Entretanto, essas discussões têm se concentrado predominantemente
em categorias profissionais e contextos distintos.
Nesse cenário, permanece a necessidade de compreender de forma mais aprofundada
como fisioterapeutas constroem e mobilizam saberes relacionados à humanização ao longo de
seus itinerários formativos, especialmente no contexto hospitalar. A produção de
conhecimentos nessa área pode contribuir para o aprimoramento dos cursos de graduação em
Fisioterapia, bem como para o desenvolvimento de estratégias de educação permanente
voltadas à qualificação do cuidado e ao fortalecimento dos princípios da Política Nacional de
Humanização no âmbito hospitalar.
Desta forma, torna-se relevante compreender como os fisioterapeutas constroem e
mobilizam conhecimentos relacionados à humanização ao longo de seus itinerários formativos
e de suas práticas assistenciais no ambiente hospitalar. Assim, a presente investigação é guiada
21

pela seguinte questão norteadora: quais sentidos emergem dos itinerários formativos de
fisioterapeutas em relação à humanização no contexto hospitalar? Com base nessa questão, este
estudo tem como objetivo analisar os itinerários formativos de fisioterapeutas atuantes em um
hospital geral, identificando os sentidos atribuídos à humanização em suas práticas
assistenciais.
3.2 PERCURSO METODOLÓGICO
A presente pesquisa adota uma abordagem qualitativa, de natureza descritivoexploratória, voltada à compreensão da interface entre formação, prática profissional e
humanização no contexto da fisioterapia hospitalar. O estudo fundamenta-se na premissa de
que a subjetividade e os sentidos atribuídos pelos sujeitos são centrais para a compreensão dos
fenômenos sociais e de saúde (Minayo, 2014). Para subsidiar a análise qualitativa e permitir
uma caracterização robusta da amostra, foram integradas estratégias de coleta de dados
socioprofissionais e de percepção via escala de Likert, que serviram de suporte para a
contextualização do cenário investigado (Costa Júnior, 2024).
3.2.1 Cenário do Estudo
O estudo foi realizado em um hospital geral público de grande porte, referência estadual
em atendimentos de urgência e emergência em Alagoas. Trata-se de uma instituição de alta
complexidade, caracterizada por uma intensa demanda assistencial e pela atuação de equipes
interprofissionais, constituindo um espaço estratégico para observar os desafios da
implementação da Política Nacional de Humanização (PNH) no cotidiano hospitalar (Brasil;
2010; Bona et al., 2025; Cruz; Moreto, 2013). Para preservar a integridade ética e o sigilo
institucional, a identificação nominal da unidade foi omitida no corpo do texto.
3.2.2 Participantes do Estudo
Participaram da caracterização socioprofissional e do levantamento das percepções
sobre humanização 21 fisioterapeutas com atuação direta no cuidado ao paciente na instituição
investigada. Adotou-se como critério de inclusão a experiência assistencial mínima de um ano
na unidade, tempo considerado necessário para a apropriação das dinâmicas institucionais e das
práticas de humanização no serviço. Foram excluídos os profissionais que se encontravam
afastados por férias ou licença médica durante o período de coleta de dados.
22

Dos 21 fisioterapeutas que responderam ao questionário de caracterização e percepção,
sete participaram da etapa qualitativa, composta por entrevistas semiestruturadas. A definição
desse número seguiu o critério de saturação teórica, alcançada quando os relatos passaram a
apresentar recorrência e a inclusão de novos participantes deixou de contribuir
significativamente para a ampliação da compreensão do fenômeno investigado (Minayo, 2014;
Santos, 2025).
3.2.3 Instrumentos e Coleta de Dados
A coleta de dados foi realizada, no mês de novembro de 2025, após aprovação do Comitê
de Ética em Pesquisa (CEP), por meio de dois instrumentos complementares: um questionário
online e entrevistas individuais semiestruturadas, aplicados de forma sequencial para garantir a
profundidade da investigação.
3.2.3.1 Questionário de Caracterização e Percepção
O primeiro instrumento consistiu em um questionário eletrônico (Google Forms),
estruturado em dois blocos (Apêndice A). O primeiro bloco levantou o perfil socioprofissional
dos participantes, fundamentando-se na literatura sobre itinerários formativos, que compreende
a trajetória profissional como um processo contínuo de construção de saberes influenciado pelo
tempo de serviço e formação complementar (Mélo et al, 2022; Silva; Silveira, 2011).
O segundo bloco utilizou a escala Likert de cinco pontos, variando de "Discordo
totalmente" a "Concordo totalmente", para captar percepções sobre o preparo acadêmico,
suporte institucional e protocolos assistenciais (Costa Júnior, 2024). Esta ferramenta permitiu
identificar tendências relacionadas à formação acadêmica, ao suporte institucional e à
percepção dos profissionais sobre a humanização no contexto hospitalar, fornecendo elementos
complementares para a contextualização dos achados qualitativos.
As assertivas relacionadas ao preparo acadêmico e emocional baseiam-se na crítica ao
modelo biomédico, que frequentemente negligencia a subjetividade do paciente e a dimensão
emocional do cuidado na graduação (Almeida; Caldeira; Gomes, 2022).
Já as questões sobre suporte e protocolos institucionais fundamentam-se nas diretrizes
de gestão participativa e cogestão da PNH, que preconizam a humanização como uma política
organizacional e não apenas um esforço individual (Brasil, 2010; Santos, 2025). Por fim, as
indagações sobre os desafios da rotina e a necessidade de treinamentos ancoram-se no princípio
23

da indissociabilidade entre atenção e gestão e na Política Nacional de Educação Permanente em
Saúde (PNEPS), reconhecendo o impacto das condições de trabalho na eficácia do tratamento
e o ambiente laboral como espaço de aprendizagem contínua (Brasil, 2018).
3.2.3.2 Entrevistas Semiestruturadas
As entrevistas individuais foram conduzidas a partir de um roteiro com perguntas
disparadoras (Apêndice B) desenhadas para aprofundar a dimensão qualitativa do estudo. As
entrevistas foram realizadas individualmente com os sete participantes da etapa qualitativa, em
formato on-line, por meio da plataforma Google Meet, com duração média de aproximadamente
uma hora. Os áudios foram gravados em ambiente controlado, utilizando o aplicativo Notas da
Apple em um dispositivo móvel. A transcrição do áudio para o formato textual foi gerada
automaticamente por recurso nativo do próprio aplicativo e, posteriormente, revisada
integralmente pela pesquisadora mediante conferência com os áudios originais.
A investigação iniciou-se pela apreensão do conceito de humanização atribuído pelos
profissionais, buscando identificar se sua percepção é restrita à cordialidade ou se alcança a
dimensão ético-política proposta pela PNH (Benevides; Passos, 2005a). Em seguida, as
questões sobre a prática cotidiana e os desafios enfrentados ancoraram-se no princípio da
transversalidade, visando investigar como a humanização atravessa as diversas instâncias do
cuidado hospitalar e quais barreiras impedem sua efetivação (Lima Júnior et al., 2022).
A trajetória formativa foi explorada sob a ótica do itinerário propriamente dito,
permitindo identificar possíveis lacunas entre o ensino acadêmico e as exigências reais do
serviço hospitalar (Moura; Aragaki, 2021). No que tange ao suporte da gestão, as indagações
fundamentaram-se na diretriz de valorização do trabalho e do trabalhador, elemento essencial
para mitigar o esgotamento profissional e garantir a dignidade tanto de quem cuida quanto de
quem é cuidado (Guedes; Pitombo; Barros, 2009).
Por fim, as sugestões apresentadas pelos fisioterapeutas para o aprimoramento da
formação alinham-se à perspectiva da construção coletiva de saberes, valorizando o
conhecimento experiencial dos profissionais atuantes na prática assistencial para a qualificação
de futuros processos educacionais (Buss; Mafezoni, 2025).
3.2.4 Análise de Dados

24

A análise foi conduzida de forma integrada, priorizando a dimensão qualitativa dos
discursos.
3.2.4.1 Processamento dos Dados de Caracterização
Os dados obtidos pelo questionário foram submetidos à análise descritiva simples, no
software estatístico IBM SPSS Statistics (versão 22.0). Os itens da escala Likert foram
analisados por meio da distribuição de frequências relativas, sendo as respostas agrupadas em
discordância (1 e 2), neutralidade (3) e concordância (4 e 5). Adicionalmente, foram calculadas
medidas de tendência central (mediana e moda), permitindo identificar o posicionamento
predominante dos participantes em relação às dimensões investigadas.
As variáveis quantitativas foram expressas por média e desvio padrão, enquanto as
variáveis categóricas e os itens da escala Likert foram apresentados por frequências absoluta
(n) e relativa (%). Estes dados serviram como base para a caracterização da amostra e para
contextualizar os achados das entrevistas (Bermudes et al., 2016; Costa Júnior, 2024).
3.2.4.2 Análise Textual
Para a apreensão das percepções, experiências e significados atribuídos à humanização,
os dados qualitativos foram processados pelo software Interface de R pour les Analyses
Multidimensionnelles de Textes et de Questionnaires (IRAMUTEQ), versão 0.8 alpha 7,
desenvolvido por Pierre Ratinaud (2009). O uso desta ferramenta justifica-se pela capacidade
de realizar análises lexicais multivariadas, conferindo maior rigor estatístico à interpretação de
dados textuais e permitindo a identificação de padrões discursivos que emergem do corpus
(Camargo; Justo, 2013).
O percurso analítico iniciou-se com a preparação do corpus textual, composto pela
transcrição integral das sete entrevistas realizadas. Os textos foram submetidos a um rigoroso
processo de revisão ortográfica e padronização linguística para garantir a homogeneidade
lexical necessária ao software, sem alterar o conteúdo semântico dos discursos. O corpus foi
estruturado em um arquivo único de formato texto (.txt), codificado em UTF-8, utilizando
linhas de comando para identificar cada participante e suas respectivas variáveis de
caracterização.
A técnica principal empregada foi a Classificação Hierárquica Descendente (CHD),
baseada no método de Reinert (1990), que permite identificar classes lexicais a partir da
25

distribuição e associação das palavras no corpus textual. A CHD operou por meio de partições
sucessivas do corpus até a obtenção de classes lexicais estáveis, compostas por segmentos que
compartilham um vocabulário homogêneo entre si e heterogêneo em relação às demais classes
(Ratinaud, 2009).
Para garantir a validade estatística das classes, utilizou-se o teste do qui-quadrado (χ²),
adotando-se um nível de significância de p < 0,05. Este critério permitiu selecionar as palavras
com maior força de associação a cada classe, revelando os núcleos de sentido e as dimensões
do itinerário formativo investigado. Considerou-se um aproveitamento superior a 75% dos
segmentos de texto, parâmetro recomendado pela literatura para consolidar a representatividade
do corpus (Camargo; Justo, 2013). A interpretação final das classes foi realizada mediante a
análise dos segmentos de texto (ST) mais representativos (verbatim), articulando os achados
aos objetivos do estudo e ao referencial teórico da Política Nacional de Humanização (PNH).
Para a interpretação das classes geradas pela CHD, adotou-se como referencial
metodológico a análise de conteúdo proposta por Bardin (2016). Essa abordagem orientou as
etapas de organização, categorização e inferência: na organização, o corpus textual foi
preparado e sistematizado para garantir a homogeneidade e relevância dos dados; na
categorização, os ST foram agrupados em classes temáticas com base na coocorrência lexical
e nas unidades de sentido; na inferência, as classes foram analisadas à luz do referencial teórico
da PNH e das falas dos participantes, permitindo extrair significados, identificar padrões e
compreender os sentidos atribuídos à humanização na prática fisioterapêutica hospitalar.
Essa combinação do rigor estatístico da CHD com a abordagem qualitativa de Bardin
conferiu maior consistência à análise, assegurando que a categorização não se limitasse a um
procedimento automatizado, mas fosse interpretada dentro do contexto teórico e prático do
estudo. Conforme orientam Camargo e Justo (2013), a interpretação das classes não se restringe
à frequência lexical, exigindo a análise contextual dos segmentos de texto mais representativos.
3.2.5 Aspectos Éticos
O estudo foi conduzido em conformidade com as Resoluções nº 466/2012 e nº 510/2016
do Conselho Nacional de Saúde. A pesquisa foi submetida e aprovada pelo Comitê de Ética em
Pesquisa da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), sob CAAE: 89728925.3.0000.5013 e
Parecer nº 7.878.236.
Todos os participantes foram previamente esclarecidos sobre os objetivos,
procedimentos e aspectos éticos da pesquisa, manifestando sua concordância por meio do
26

Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). Foi assegurado o direito de
esclarecimentos, bem como a possibilidade de recusa ou desistência a qualquer momento, sem
qualquer prejuízo.
Para assegurar o anonimato e a confidencialidade das informações, os participantes
foram identificados por códigos (ent_1, ent_2, ent_3, ent_4, ent_5, ent_6 e ent_7) em todas as
etapas da pesquisa.
3. 3RESULTADOS E DISCUSSÃO
3.3.1 Perfil Socioprofissional e Percepções sobre Humanização da amostra
3.3.1.1 Caracterização Socioprofissional dos Participantes
A caracterização socioprofissional foi realizada com 21 fisioterapeutas atuantes em um
Hospital Geral. Os participantes apresentaram idade média de 39,43 anos (DP = 6,85), tempo
médio de formação em Fisioterapia de 14,71 anos (DP = 5,40) e tempo médio de atuação no
hospital de 6,43 anos (DP = 6,12).
Observou-se predominância do gênero feminino (90,5%) e de participantes casados(as)
(71,4%). Quanto à escolaridade, a maioria possuía pós-graduação lato sensu (76,2%), seguida
por graduação (14,3%) e mestrado ou doutorado (9,5%).
3.3.1.2 Percepções sobre Humanização na Formação e na Prática Profissional
A percepção dos participantes acerca da humanização está apresentada na tabela 1 e foi
investigada por meio da escala de Likert de cinco pontos, permitindo identificar tendências
sobre diferentes dimensões do cuidado. Para análise, as assertivas foram agrupadas em quatro
dimensões centrais: formação acadêmica, contexto institucional, protocolos assistenciais
centrados na Política Nacional de Humanização (PNH) e valorização da humanização na
formação profissional. Essas dimensões forneceram suporte à interpretação qualitativa dos
relatos obtidos nas entrevistas, articulando-se posteriormente aos eixos da Classificação
Hierárquica Descendente (CHD) (Camargo; Justo, 2013).
Formação acadêmica: Esta dimensão abrangeu a percepção dos participantes sobre a
presença da humanização na graduação e o preparo para lidar com as necessidades relacionais
e éticas dos pacientes. Embora os fisioterapeutas reconheçam a relevância do tema, observouse que seu aprendizado durante a graduação ocorre de forma fragmentada, refletindo limitações
27

do modelo biomédico predominante, que privilegia conhecimentos técnicos em detrimento da
dimensão relacional do cuidado (Mélo et al., 2022; Silva; Silveira, 2011; Moura; Aragaki,
2021). A análise revelou que os profissionais consideram essencial a inclusão da humanização
como componente obrigatório na formação, reforçando a necessidade de fortalecer
competências éticas, comunicacionais e relacionais desde o ensino superior.
Contexto institucional: Nesta dimensão, os participantes destacaram o papel da gestão
e das condições institucionais na efetivação da humanização. Reconheceu-se a pouca existência
de intenções políticas e incentivos à humanização, e também a presença de lacunas quanto ao
suporte efetivo à aplicação dessas práticas no cotidiano hospitalar. Este achado está alinhado às
diretrizes de gestão participativa e cogestão da PNH, que preconizam a humanização como
política organizacional e não apenas como responsabilidade individual do profissional (Brasil,
2010; Doricci; Guanaes-Lorenzi, 2021; Mélo et al., 2022).
Protocolos assistenciais centrados na PNH: Esta dimensão abrangeu percepções sobre
a formalização de rotinas, protocolos e dispositivos institucionais que orientam a prática
humanizada. Observou-se que, existem poucas políticas e normativas, a operacionalização
ainda é inconsistente, demandando articulação entre planejamento, recursos e sensibilização
dos profissionais (Brasil, 2010; Santos, 2025; Silva, 2025). Essa dimensão reforça que a
humanização requer integração entre diretrizes institucionais e práticas cotidianas para ser
efetiva.
Valorização da humanização na formação profissional: Os participantes também
enfatizaram a importância de capacitações continuadas, rodas de conversa e espaços de reflexão
sobre humanização, destacando a necessidade de aprendizagem ao longo da carreira. Essa
dimensão articula-se com o princípio da Educação Permanente em Saúde (PNEPS), que
reconhece o ambiente de trabalho como espaço de construção contínua de saberes, promovendo
o aprimoramento das competências profissionais e a efetivação da PNH (Doricci; GuanaesLorenzi, 2021; Mélo et al., 2022; Vieira Filho et al., 2019).
Tabela 1 – Percepções dos fisioterapeutas sobre humanização (Escala Likert)

28

Item /
Pergunta

Formação
em
humaniza
ção
durante a
graduação
Formação
centrada
na
dimensão
emociona
l
Incentivo
laboral às
práticas
de
humaniza
ção
Protocolo
s
assistenci
ais
centrados
na PNH
Desafios
com
rotina
centrada
na PNH
Influência
da PNH
na adesão
e
evolução
clínica
Capacitaç
ão em
humaniza

%
Discord
ância
(1+2)

28,6

57,1

52,4

52,3

9,5

0

0

% Neutro
(3)

23,8

14,3

4,8

4,8

0

0

4,8

%
Concor
dância
(4+5)

47,6

28,5

42,9

42,8

90,5

100

95,2

Mediana

3

2

2

2

4

5

5

Mod
a

Interpretação
prática

4

Presença
moderada da
temática na
graduação,
mas ainda com
lacunas na
formação

2

Predomínio de
percepção
negativa sobre
preparo para
lidar com a
dimensão
emocional

2e4

Percepção de
fragilidade do
apoio
institucional;
respostas
bimodais

2

Ausência de
diretrizes claras;
humanização
depende de
iniciativa
individual

4

Forte percepção
de desafios na
implementação
da PNH na
prática diária

5

Consenso sobre
a relevância da
humanização
para resultados
clínicos

5

Forte
valorização da
educação
permanente

29

Item /
Pergunta

%
Discord
ância
(1+2)

% Neutro
(3)

%
Concor
dância
(4+5)

Mediana

Mod
a

Interpretação
prática

ção como
rotina

como suporte à
humanização

Gostaria
de
participar
de
formação
sobre
PNH

5

Elevado
interesse em
qualificação
contínua

5

Consenso
absoluto sobre a
necessidade de
inserção
curricular

PNH
como
compone
nte
curricular
obrigatóri
o

0

0

0

0

100

100

5

5

Fonte: Dados da pesquisa, 2026.

A utilização da escala de Likert permitiu quantificar as percepções dos participantes em
relação às diferentes dimensões investigadas, possibilitando identificar tendências de
concordância, neutralidade e discordância frente aos aspectos relacionados à formação
acadêmica, ao contexto institucional e aos protocolos assistenciais. Esse recurso contribuiu para
uma leitura mais estruturada das percepções dos fisioterapeutas, oferecendo um panorama
descritivo que auxilia na compreensão das regularidades presentes no grupo estudado, sem
perder de vista a centralidade da análise qualitativa na interpretação dos achados.
Dessa forma, a escala de Likert contribuiu como referência de suporte à análise
qualitativa, permitindo demonstrar que as percepções dos participantes sobre formação,
contexto institucional e protocolos assistenciais se articulam com as categorias identificadas na
CHD, reforçando a compreensão da humanização como construção ética, técnica e política
dependente da interação entre formação, gestão e prática cotidiana (Camargo; Justo, 2013; Mélo
et al., 2022; Vieira filho et al., 2019).
De forma geral, observou-se reconhecimento expressivo da relevância da humanização
para a prática fisioterapêutica, evidenciado pela concordância unânime quanto à influência da
30

PNH na adesão e evolução clínica dos pacientes e à necessidade de sua inserção na formação
profissional. Em contrapartida, os participantes apontaram fragilidades relacionadas ao preparo
para lidar com a dimensão emocional do cuidado, à existência de protocolos institucionalizados
e ao suporte organizacional para a implementação das práticas humanizadas. Esses achados
forneceram subsídios para a etapa qualitativa, permitindo aprofundar a compreensão dos
sentidos atribuídos à humanização por meio da CHD.
3.3.2 Itinerário Formativo Emergente da Classificação Hierárquica Descendente
As entrevistas que compuseram o corpus textual submetido à Classificação Hierárquica
Descendente (CHD) permitiram compreender que os sentidos atribuídos à humanização pelos
fisioterapeutas não se constituem de forma isolada, mas são produzidos ao longo de um
itinerário formativo marcado pela articulação entre formação acadêmica, experiências
profissionais, condições institucionais e práticas assistenciais cotidianas.
Os achados evidenciam que a humanização não é percebida como uma característica
inata do profissional, tampouco como resultado exclusivo da formação inicial. Trata-se de uma
competência ética, técnica e relacional construída progressivamente, ressignificada pelas
experiências vivenciadas no ambiente hospitalar e fortalecida por processos contínuos de
aprendizagem e reflexão.
Nesse percurso, as Classes 1 e 4 evidenciam aspectos relacionados à formação
profissional e à construção de competências voltadas para a integração entre excelência técnica
e ética do cuidado. A Classe 3 destaca a importância do suporte institucional e da
corresponsabilização entre gestores, trabalhadores e usuários para a consolidação das práticas
humanizadas. A Classe 5 reforça o papel das políticas institucionais e da educação permanente
como elementos estruturantes para a efetivação da Política Nacional de Humanização. Por sua
vez, as Classes 6 e 2 revelam como esses conhecimentos e valores são incorporados ao cotidiano
assistencial por meio de micropráticas de cuidado, acolhimento, escuta qualificada, promoção
da autonomia e respeito à dignidade humana.
Essa articulação entre as classes permitiu organizar os resultados em dois eixos
interpretativos complementares. O primeiro eixo, denominado Dimensão Institucional e
Formativa, reúne elementos relacionados à formação, ao suporte organizacional e às condições
necessárias para o desenvolvimento de práticas humanizadas. O segundo eixo, denominado
Prática Assistencial e Cuidado Cotidiano, evidencia a materialização da humanização nas
31

relações estabelecidas entre fisioterapeutas, pacientes e familiares durante o processo
terapêutico.
Dessa forma, o itinerário formativo identificado neste estudo revela que a humanização
é continuamente construída na interação entre saberes adquiridos, experiências profissionais e
contextos institucionais, consolidando-se como um processo dinâmico que transcende a
dimensão técnica e contribui para a efetivação de um cuidado integral, ético e centrado na
pessoa.
3.3.3 Síntese do Corpus e Organização das Classes
O processamento do corpus resultou em 148 segmentos de texto (ST), 5.216
ocorrências, 1.173 formas, 887 lemas e 742 formas ativas. O aproveitamento de 79,05% dos
segmentos classificados foi considerado satisfatório para a robustez da análise lexical
(Camargo; Justo, 2013).
A análise permitiu identificar seis classes temáticas organizadas em dois eixos
interpretativos: Dimensão Institucional e Formativa (Classes 5, 1, 3 e 4) e Prática Assistencial
e Cuidado Cotidiano (Classes 6 e 2), refletindo a complexidade do itinerário formativo dos
fisioterapeutas hospitalares.
A distribuição e a relação entre essas classes, evidenciando a proximidade semântica, é
apresentada no dendrograma a seguir (figura 1).
Figura 1-Dendograma da Classificação Hierárquica Descendente

Fonte: Elaborado pela autora com auxílio do software IRAMUTEQ e suporte de inteligência artificial generativa
(ChatGPT), 2026.

32

O dendrograma da CHD evidencia a partição do corpus em dois eixos interpretativos
principais, permitindo compreender a estrutura temática das percepções dos fisioterapeutas. As
palavras mais representativas de cada classe, destacadas na Figura 1, orientaram a interpretação
dos conteúdos e a definição dos eixos analíticos.
O primeiro eixo (Eixo 1) é composto pelas Classes 5, 1, 3 e 4, que concentram discussões
relacionadas à dimensão institucional e formativa do cuidado, incluindo aspectos de gestão,
formação profissional, valorização do trabalhador e suporte institucional. O segundo eixo (Eixo
2), formado pelas Classes 6 e 2, reflete a Prática Assistencial e o Cuidado Cotidiano, abordando
micropráticas de atendimento, centralidade do paciente, autonomia, dignidade e direitos.
A proximidade semântica das classes evidencia a correlação entre as experiências
formativas e a capacidade dos fisioterapeutas de atuar de maneira ética no cuidado ao paciente,
demonstrando como a formação e o contexto institucional interagem para sustentar práticas
humanizadas na rotina hospitalar.
Para a composição das classes, foram selecionadas as palavras que apresentaram maior
associação com cada agrupamento lexical, evidenciada pelo teste do qui-quadrado (χ²).
Ressalta-se que todas as palavras destacadas no dendrograma possuem significância estatística,
com valor de p < 0,05, garantindo que os termos são representativos do universo semântico de
cada classe.
A partir dessa estrutura e do rigor estatístico empregado, procedeu-se à análise
qualitativa de cada classe, integrando os achados à discussão teórica com base na PNH e
orientando-se pelos princípios da análise de conteúdo de Bardin (2016).
Para evidenciar o percurso contínuo do desenvolvimento da humanização, as classes
foram reorganizadas dentro de cada eixo de modo a contar uma história progressiva: desde a
formação acadêmica e a construção de competências éticas e técnicas, passando pelas
experiências práticas e limitações institucionais, até a aplicação na prática cotidiana e na
consolidação da autonomia e dignidade dos pacientes.
Essa organização permite compreender que a humanização não é uma característica
inata nem um resultado exclusivo da formação inicial. Trata-se de uma competência construída
progressivamente, influenciada pela interação entre saberes adquiridos na formação,
experiências profissionais, suporte institucional e práticas de cuidado diárias.
3.3.3.1 Eixo 1: Dimensão Institucional e Formativa
33

Este primeiro eixo constitui a base estrutural e educacional da prática profissional,
evidenciando que a humanização é indissociável das condições organizacionais e dos itinerários
formativos. A análise revela que a efetivação da PNH no contexto hospitalar depende de uma
estrutura institucional que ultrapasse o discurso prescritivo e promova uma gestão participativa,
garantindo suporte e ambiência favoráveis ao trabalhador (Ferreira Neto et al., 2024; Guedes;
Pitombo; Barros, 2009).
No que tange aos processos formativos, observa-se que a prática do fisioterapeuta ainda
é fortemente tensionada pela hegemonia do modelo biomédico, que privilegia a racionalidade
técnica e a fragmentação do corpo em detrimento da subjetividade do sujeito (Mutou, 2019).
Essa herança cartesiana na formação acadêmica impõe desafios significativos para a
incorporação da ética do cuidado, exigindo que a educação permanente atue como um
dispositivo de desconstrução dessas práticas tecnicistas (Silva; Silveira, 2011; Mélo et al.
2022).
Assim, este eixo discute como a tríade gestão-ambiente-formação molda a identidade
profissional e a capacidade de resposta humanizada no cotidiano hospitalar.
3.3.3.1.1 Classe 1: A construção da identidade e competência profissional
Com 13,7% dos segmentos de texto (ST), esta classe evidencia a humanização como
uma competência passível de desenvolvimento. Os profissionais contrapõem a ideia de que a
humanização seja apenas uma característica inata, compreendendo-a também como uma
habilidade técnica e relacional que pode ser aprimorada: ‘não é apenas um dom, é uma
habilidade de comunicação que precisamos aprimorar’ (ent_2). Este achado alinha-se aos
estudos de Romão et al (2024), que sugerem a inclusão de metodologias ativas na graduação
para sensibilizar os discentes sobre a dimensão ética do cuidado.
Essa necessidade de fortalecimento da formação também se evidencia nos relatos sobre
a abordagem da humanização durante a graduação, considerada insuficiente diante das
dimensões relacionais e emocionais presentes no cuidado:
[...] na graduação, o tema da humanização foi pouco abordado e de forma teórica. Nós
aprendemos muito sobre técnica, sobre o tratamento da doença, mas ninguém nos
ensinou como lidar com a dimensão emocional do paciente. O aprendizado sobre
humanização aconteceu principalmente na prática profissional, observando colegas e
tentando aplicar cada experiência no cotidiano (ent_3).

34

A integração entre técnica e sensibilidade é um desafio histórico na fisioterapia,
apontam que a competência ética deve ser indissociável da técnica, pois a segurança do paciente
e a eficácia do tratamento dependem da adesão terapêutica, construída através da confiança e
do reconhecimento da subjetividade do outro (Silva; Silveira, 2011).
Esse reconhecimento da importância de aprimorar esse conhecimento é fundamental,
pois indica que os fisioterapeutas compreendem a humanização como um saber dinâmico e
passível de educação permanente. Batista et al (2019), reforça a tese de que a excelência técnica
só é plena quando mediada por uma postura ética e comunicação eficaz. Assim, o desejo de
aprimorar esse conhecimento manifestado pelos participantes revela uma abertura para a
transformação das práticas assistenciais por meio da educação.
Dessa forma, esta classe representa o ponto de partida do itinerário formativo
identificado neste estudo, evidenciando que a humanização é inicialmente compreendida como
uma competência a ser desenvolvida. Os discursos revelam que a formação acadêmica oferece
bases importantes, mas insuficientes, exigindo processos contínuos de aprendizagem e reflexão
para que os fisioterapeutas integrem competências técnicas, comunicacionais e éticas em sua
prática profissional.
3.3.3.1.2 Classe 4: Integração entre excelência técnica e ética do cuidado
Representando 14,3% dos ST, esta subcategoria discute a indissociabilidade entre o
saber técnico e a postura humanizada, fundamentando-se na diretriz da Clínica Ampliada e
Compartilhada da Política Nacional de Humanização (PNH). Os participantes reforçam que a
humanização não substitui a técnica, mas a qualifica, ampliando o olhar profissional para além
da execução de procedimentos. Como expresso nesses depoimentos, “humanização é a
capacidade de ir além do protocolo, da técnica e ver a pessoa de forma integral” (ent_3). “Na
prática diária, precisamos juntar segurança, técnica e sensibilidade, sempre pensando no
paciente” (ent_4).
Esse achado evidencia que, para os fisioterapeutas, o rigor técnico constitui um
pressuposto ético do cuidado, uma vez que está diretamente relacionado à segurança, à
efetividade terapêutica e à qualidade da assistência prestada (Nascimento et al., 202).
Entretanto, os discursos apontam que a excelência profissional não se restringe ao domínio de
competências científicas e procedimentais. A técnica adquire maior significado quando é
mediada pelo respeito à singularidade do paciente, superando a fragmentação característica do
35

modelo biomédico tradicional, ainda presente em muitos processos formativos e práticas
assistenciais (Mutou, 2019; Casate; Corrêa, 2012).
Nessa perspectiva, Silva e Silveira (2011) afirmam que a humanização na fisioterapia
exige uma mudança de paradigma, na qual o profissional deixa de focalizar exclusivamente a
doença para reconhecer a complexidade biopsicossocial do sujeito. Tal compreensão aproximase da proposta da clínica ampliada, que preconiza a construção compartilhada do cuidado e o
reconhecimento do usuário como protagonista do processo terapêutico (Brasil, 2010).
Conforme aponta Santos (2025), ir além do protocolo significa integrar o saber clínico à escuta
qualificada, possibilitando que as decisões terapêuticas considerem não apenas as necessidades
biológicas, mas também os valores, expectativas e experiências do paciente.
Assim, a humanização na fisioterapia hospitalar materializa-se na articulação entre
competência científica, sensibilidade relacional e compromisso ético com a dignidade humana
(Batista et al., 2019). A técnica humanizada não representa uma flexibilização do rigor
profissional, mas a ampliação de seu alcance, ao incorporar a subjetividade e a participação do
usuário como elementos constitutivos do cuidado. Dessa forma, o ato técnico deixa de ser uma
intervenção exclusivamente procedimental para tornar-se uma prática de cuidado integral,
alinhada aos princípios da PNH.
Dessa forma, esta classe representa a etapa do itinerário formativo em que a técnica e a
ética do cuidado começam a se integrar, preparando os fisioterapeutas para lidar com desafios
institucionais e fortalecer práticas humanizadas na rotina hospitalar.
Com a base da competência técnica e ética estabelecida, os profissionais passam a se
confrontar com os limites institucionais e a necessidade de corresponsabilização no cuidado,
tema explorado na Classe 3.
3.3.3.1.3 Classe 3: Apoio institucional e corresponsabilização no cuidado
Esta classe (19,7% dos ST) destaca que a humanização deve ser compreendida como
um compromisso ético-político, que exige a corresponsabilização dos três protagonistas do
SUS: gestores, trabalhadores e usuários. Os participantes sugerem que o fortalecimento de
espaços de escuta e o suporte organizacional são fundamentais para sustentar a prática cotidiana
do cuidado humanizado.
[...] investir em espaços de escuta e rodas de conversa ajudaria muito os profissionais
a estarem mais preparados para humanizar o cuidado. Sem suporte institucional, com

36

sobrecarga de trabalho e falta de reconhecimento, é muito difícil manter práticas
humanizadas. A criação de momentos contínuos de educação permanente seria
importante para consolidar a humanização como parte da rotina do hospital (ent_3).

Conforme preconiza a Política Nacional de Humanização (PNH) (Santos, 2025; Casate;
Côrrea, 2012), a humanização só se efetiva quando há um pacto de gestão participativa, no qual
a responsabilidade pelo cuidado é compartilhada entre todos os atores do sistema. Sem esse
suporte institucional, a humanização tende a ser reduzida a uma característica individual de
“boa vontade”, desconsiderando os determinantes organizacionais da assistência (Benevides,
2005b; Guedes, Pitombo e Barros, 2009). Essa compreensão também se evidencia no relato de
um dos participantes, ao destacar que a disposição individual do profissional não é suficiente
para sustentar práticas humanizadas diante da ausência de suporte institucional e de condições
adequadas de trabalho: “Sem o apoio da gestão e condições adequadas de trabalho, mesmo com
boa vontade, é difícil manter práticas humanizadas todos os dias” (ent_2).
Benevides e Passos (2005b) reforçam que a valorização do trabalhador e a melhoria das
condições de trabalho são elementos indissociáveis da qualidade do cuidado ao usuário. Nesse
sentido, Oliveira (2012) destaca que o apoio institucional, fundamentado nos princípios da
PNH, constitui uma estratégia essencial para promover processos de corresponsabilização,
cogestão e democratização das relações de trabalho, favorecendo a construção coletiva de
práticas humanizadas e fortalecendo a humanização como potência transformadora no cotidiano
hospitalar.
Dessa forma, esta classe evidencia que a consolidação da humanização não depende
exclusivamente das competências individuais dos profissionais, mas também das condições
institucionais que sustentam o cuidado. No itinerário formativo identificado neste estudo, o
suporte organizacional, a valorização dos trabalhadores e os espaços de educação permanente
emergem como elementos fundamentais para transformar os princípios da humanização em
práticas efetivas no cotidiano hospitalar.
A partir dessa compreensão, torna-se necessário analisar como as diretrizes
institucionais e as políticas de gestão influenciam a operacionalização da humanização nos
serviços de saúde, aspecto discutido na Classe 5.
3.3.3.1.4 Classe 5: A humanização na política institucional

37

Esta classe (15,4% dos ST) evidencia a percepção da humanização como uma diretriz
formal da gestão. Os participantes reconhecem a existência de uma intenção política
institucional, mas apontam um hiato entre o discurso e a operacionalização prática no ambiente
hospitalar. Conforme relata os seguintes participantes:
[...] a humanização muitas vezes é vista apenas como um tema, mas falta suporte para
que a equipe realmente aplique isso no dia a dia. A intenção pode existir, mas na
prática não recebemos condições adequadas, nem incentivo institucional, e isso faz
com que cada profissional tente implementar a humanização por conta própria (ent_5).
[...] os principais desafios para aplicar práticas humanizadas são a cultura
institucional, a hierarquia hospitalar e a falta de reconhecimento [...] ausência de
suporte institucional dificulta a consolidação da humanização como política de
cuidado […] a formação continuada e a capacitação das lideranças são vistas como
estratégias fundamentais para mudar essa realidade (ent_2).

A literatura reforça que a efetivação da PNH depende de uma gestão participativa que
ofereça condições de trabalho e ambiência favoráveis (Santos, 2025; Oliveira, 2012). Estudos
indicam que a implementação de políticas de humanização, quando não acompanhada de
suporte institucional, recursos adequados e estratégias efetivas de gestão, pode resultar em um
distanciamento entre as diretrizes preconizadas e a prática cotidiana do cuidado (Silva, 2025).
Nesse contexto, profissionais submetidos a elevadas demandas assistenciais, como as
observadas em serviços de urgência e emergência, tendem a priorizar atividades técnicas e
operacionais, o que pode dificultar a adoção de práticas centradas nas necessidades dos usuários
(Sousa et al., 2019).
Assim, a cogestão não é apenas um método administrativo, mas uma ferramenta ética
indispensável para que o fisioterapeuta exerça sua clínica com dignidade. Com a compreensão
do papel das políticas e diretrizes institucionais consolidada, a análise avança para o segundo
eixo, no qual serão exploradas as formas pelas quais os fisioterapeutas incorporam os princípios
da humanização em seu cotidiano assistencial.
3.3.3.2 Eixo 2: Prática Assistencial e Cuidado Cotidiano
O segundo eixo foca na dimensão relacional e nas micropráticas que ocorrem à beira do
leito, onde a humanização se materializa por meio do vínculo, do acolhimento e do respeito à
dignidade dos sujeitos. Os resultados revelam que os fisioterapeutas buscam “brechas” no

38

cotidiano hospitalar para exercer práticas humanizadas, colocando a pessoa como centralidade
do cuidado (Campos; Silva; Dias, 2012).
Nesse contexto, as micropráticas assistenciais assumem papel fundamental na
concretização da humanização. Ações como explicar detalhadamente os procedimentos ao
paciente garantem o direito à informação, fortalecem a autonomia e favorecem o protagonismo
do usuário em seu processo de recuperação (Silva, 2025).
Para os profissionais, humanizar envolve transcender a prática puramente técnica e
reconhecer o sujeito em sua integralidade. Essa perspectiva contribui para o estabelecimento de
vínculos de confiança, considerados essenciais para a adesão terapêutica e para a efetividade
do cuidado fisioterapêutico no ambiente hospitalar (Nascimento et al., 2023).
3.3.3.2.1 Classe 6: Humanização no cotidiano e micropráticas de atendimento
Esta classe (14,5% dos ST) evidencia que a humanização se concretiza no cotidiano por
meio de pequenas ações que qualificam a relação entre profissional e paciente. Os participantes
destacam que gestos aparentemente simples, como escutar atentamente, chamar a pessoa pelo
nome e explicar os procedimentos realizados, assumem papel central na construção de um
cuidado mais humanizado.
[...] mesmo na correria, tento escutar e chamar o paciente pelo nome. Explico cada
procedimento de forma clara e procuro adaptar a linguagem para que ele compreenda.
Pequenas atitudes como essas fazem diferença na construção do vínculo, na confiança
e na adesão do paciente ao tratamento (ent_1).

À luz da Política Nacional de Humanização (Silva, 2025; Benevides; Passos, 2005b),
essas práticas ultrapassam a cordialidade e constituem estratégias que fortalecem o
protagonismo, a autonomia e os direitos dos usuários. Esse princípio também é evidenciado nas
falas dos participantes, que destacam a busca por transformar procedimentos técnicos em
momento de cuidado humanizado. “Mesmo diante da pressão por atendimento rápido,
buscamos transformar cada procedimento em um momento de cuidado” (ent_3). Essa fala
reforça que, mesmo em contextos de alta demanda, há esforço ativo dos profissionais para
manter a perspectiva humanizadora defendida pela PNH.
Os resultados demonstram que a humanização não se expressa apenas em grandes
mudanças institucionais, mas também nas interações cotidianas estabelecidas à beira do leito.
39

Nesse contexto, a escuta qualificada, o diálogo e o respeito às singularidades favorecem a
construção do vínculo terapêutico, elemento considerado fundamental para a confiança mútua
e para a adesão ao tratamento (Silva, 2025; Nascimento et al., 2023).
Observa-se, ainda, que essas práticas assumem especial relevância em ambientes
marcados por elevada demanda assistencial e pressão por produtividade. Mesmo diante dessas
limitações, os participantes relatam buscar espaços para estabelecer relações mais próximas e
acolhedoras com os pacientes, demonstrando que a humanização se materializa nas escolhas
realizadas durante o cuidado. Assim, as micropráticas assistenciais configuram-se como
importantes dispositivos para a efetivação dos princípios da PNH, contribuindo para um
cuidado ético, integral e centrado na pessoa.
As micropráticas assistenciais descritas nesta classe constituem a expressão concreta da
humanização no cotidiano do cuidado. Entretanto, para os participantes, essas ações adquirem
pleno significado quando articuladas ao reconhecimento da autonomia, da dignidade e dos
direitos dos usuários, aspectos aprofundados na Classe 2.
3.3.3.2.2 Classe 2: Autonomia, dignidade e a garantia de direitos
Sendo a classe mais representativa (20,5% dos segmentos de texto), ela reforça a
dimensão ética e política da humanização, transcendendo a visão meramente tecnicista do
cuidado. Os fisioterapeutas reconhecem a humanização como um compromisso com a
dignidade humana, a autonomia e o respeito às singularidades do paciente. “Humanizar é
garantir a autonomia e o respeito à dignidade da pessoa” (ent_6). Garantir que o paciente
participe das decisões sobre seu tratamento é fundamental (Ferreira Neto et al., 2024).
Essa percepção evidencia que o paciente é compreendido como sujeito de direitos e
protagonista de seu próprio processo de cuidado, colocando a pessoa na centralidade das
práticas assistenciais (Campos; Silva; Dias, 2012). As palavras mais representativas da classe,
como autonomia, pessoa, respeito, família e vida, reforçam uma compreensão ampliada do
cuidado, que considera não apenas as necessidades clínicas, mas também as dimensões
subjetivas, familiares e sociais que permeiam o processo de adoecimento e recuperação.
À luz da Política Nacional de Humanização (Brasil, 2010), a autonomia do paciente
deve ser preservada mesmo diante das rotinas institucionais que frequentemente favorecem a
padronização das condutas. Nesse sentido, Benevides e Passos (2005a) defendem que a
humanização exige a indissociabilidade entre atenção e gestão, sustentada pela
40

corresponsabilização dos diferentes atores envolvidos no cuidado. Os achados desta classe
sugerem que a garantia da dignidade humana não depende exclusivamente da atuação
individual do profissional, mas de um esforço coletivo capaz de criar condições para que o
paciente participe ativamente das decisões relacionadas à sua saúde.
Para a fisioterapia, promover funcionalidade, independência e participação constitui um
ato intrinsecamente humanizador. Como destacam Silva e Silveira (2011), a recuperação da
capacidade de agir sobre o próprio corpo representa também a recuperação da autonomia e do
protagonismo do sujeito. Assim, a humanização se materializa quando o saber técnico é
colocado a serviço das necessidades e escolhas da pessoa, transformando a assistência em um
exercício permanente de cidadania, respeito e compromisso ético.
A discussão contemporânea sobre bioética e humanização enfatiza que a autonomia do
paciente em ambiente hospitalar é frequentemente cerceada pela rotina institucional. O papel
do fisioterapeuta, ao promover a funcionalidade e a independência, é intrinsecamente
humanizador, pois devolve ao sujeito a capacidade de agir sobre seu próprio corpo e destino
(Couto et al., 2026).
Dessa forma, esta classe evidencia que a humanização se consolida no cotidiano do
cuidado, por meio do respeito à autonomia, dignidade e direitos dos usuários, consolidando o
itinerário formativo iniciado na formação acadêmica e reforçado pelas condições institucionais.
3.3.4 Síntese Integrativa da Classificação Hierárquica Descendente
A análise integrada das seis classes evidencia que os sentidos atribuídos à humanização
pelos fisioterapeutas se constroem ao longo de um itinerário formativo que articula experiências
acadêmicas, vivências institucionais e práticas assistenciais cotidianas. Os dois eixos
identificados pela Classificação Hierárquica Descendente revelam que a humanização é
simultaneamente uma competência profissional a ser desenvolvida e uma prática mediada pelas
condições organizacionais que sustentam o cuidado.
Essa análise demonstra que os sentidos atribuídos à humanização transcendem a
cordialidade e a empatia individual, constituindo uma construção ética, técnica e política,
mediada pelo contexto institucional e pelas relações estabelecidas no cuidado. Os itinerários
formativos analisados revelam que a humanização é continuamente produzida na interação
entre saberes adquiridos na formação, experiências profissionais e desafios presentes no
cotidiano hospitalar, configurando-se como um processo dinâmico e permanente de construção
do cuidado.
41

3.4 Considerações Finais
A análise realizada evidenciou que a humanização, na perspectiva dos fisioterapeutas
participantes, constitui uma construção progressiva que articula experiências formativas,
vivências institucionais e práticas assistenciais. Os sentidos atribuídos a esse processo revelam
que a humanização ultrapassa características individuais ou atitudes isoladas, configurando-se
como uma prática ética, técnica e política construída ao longo da trajetória profissional.
A Classificação Hierárquica Descendente permitiu identificar seis classes temáticas que
expressam diferentes dimensões desse percurso. A interpretação dos achados, orientada pelos
pressupostos da análise de conteúdo de Bardin (2016), evidenciou que tais sentidos se
organizam de forma articulada, envolvendo aspectos relacionados à formação acadêmica, ao
suporte institucional, à educação permanente e às experiências cotidianas de cuidado.
Os resultados demonstraram que a formação acadêmica representa um ponto de partida
essencial para a construção de competências humanizadoras, embora sejam apontadas lacunas
na abordagem prática do tema durante a graduação. As experiências profissionais, a educação
permanente, o suporte institucional e as condições de trabalho emergem como elementos
determinantes para a consolidação de práticas alinhadas aos princípios da Política Nacional de
Humanização.
A humanização se materializa no cotidiano assistencial por meio de micropráticas de
cuidado, incluindo escuta qualificada, acolhimento, adaptação da comunicação às necessidades
dos usuários, respeito à autonomia e valorização da dignidade humana. Esses achados
evidenciam que a efetivação da humanização depende da interação entre condições
institucionais e a capacidade dos profissionais de incorporar esses princípios nas práticas
cotidianas.
Como limitação, destaca-se que o estudo foi realizado em um único hospital geral e com
um grupo específico de fisioterapeutas, o que restringe a generalização dos resultados para
outros contextos. Além disso, os sentidos identificados refletem experiências situadas em uma
realidade institucional particular, não contemplando a diversidade de cenários existentes na
atenção à saúde. Apesar disso, os achados oferecem contribuições relevantes para compreender
os itinerários formativos relacionados à humanização. Além disso, os resultados indicam
caminhos para o desenvolvimento de estratégias educativas e recursos educacionais voltados à
qualificação das práticas humanizadas no contexto hospitalar.
42

Por fim, este estudo amplia a compreensão sobre a humanização na fisioterapia
hospitalar, mostrando que seus sentidos são produzidos na interação contínua entre formação,
contexto institucional e prática cotidiana. Dessa forma, a humanização se configura como um
processo dinâmico, ético e político, permanentemente construído nas relações entre
profissionais, usuários e instituições de saúde, fornecendo subsídios para estratégias de
educação permanente, políticas institucionais e aprimoramento da prática profissional.

43

REFERÊNCIAS
ALMEIDA, P. J. R.; CALDEIRA, F. I. D.; GOMES, C. Do modelo biomédico ao modelo
biopsicossocial: a formação de profissionais da saúde no Brasil. Revista Brasileira de
Educação Física, Saúde e Desempenho – REBESDE, v. 3, n. 2, e017, 2022. Disponível em:
https://revista.unifatecie.edu.br/index.php/rebesde/article/view/131. Acesso em: 21 jan. 2026.
BATISTA, K.; PEDREIRA, E.; GALVÃO, V.; MONTEIRO, S. Humanização na formação
acadêmica: percepção do estudante de fisioterapia. Revista Pesquisa em Fisioterapia, v. 9, n.
2, p. 219–226, 2019. Disponível em:
https://www5.bahiana.edu.br/index.php/fisioterapia/article/view/2334. Acesso em: 21 jun.
2025.
BARDIN, L. Análise de conteúdo. São Paulo: Edições 70 Brasil, 2016.
BENEVIDES, R.; PASSOS, E. A humanização como dimensão pública das políticas de
saúde. Ciência & Saúde Coletiva, v. 10, n. 3, p. 561–571, 2005a. Disponível em:
https://www.scielo.br/j/csc/a/Dtq6TH5LdJbfDPDwSxSmy6G/. Acesso em: 03 nov. 2024.
BENEVIDES, R.; PASSOS, E. Humanização na saúde: um novo modismo? Interface –
Comunicação, Saúde, Educação, v. 9, n. 17, p. 389–406, 2005b. Disponível em:
https://www.scielo.br/j/icse/. Acesso em: 29 nov. 2024.
BERMUDES, W. L.; SANTANA, B. T.; BRAGA, J. H. O.; SOUZA, P. H. Tipos de escalas
utilizadas em pesquisas e suas aplicações. Revista Vértices, v. 18, n. 2, p. 7–20, 2016.
Disponível em: https://editoraessentia.iff.edu.br/index.php/vertices/article/view/18092667.v18n216-01. Acesso em: 21 jun. 2026.
BRASIL. Decreto nº 5.154, de 23 de julho de 2004. Diário Oficial da União: seção 1,
Brasília, DF, 26 jul. 2004.
BRASIL. Ministério da Saúde. Política Nacional de Educação Permanente em Saúde.
Brasília: Ministério da Saúde, 2018. Disponível em:
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/politica_nacional_educacao_permanente_saude_f
ortalecimento.pdf. Acesso em: 10 jan. 2026.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Núcleo Técnico da Política
Nacional de Humanização. HumanizaSUS: documento base para gestores e trabalhadores
do SUS. 4. ed. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2010. Disponível em:
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/humanizasus_documento_gestores_trabalhadores
_sus.pdf. Acesso em: 12 dez. 2025.
BUSS, L.; MAFEZONI, R. O produto educacional no mestrado profissional em educação:
possibilidades de socialização do conhecimento. Revista Brasileira de Pós-Graduação, v.
22, n. 1, p. 88–102, 2025. Disponível em:
https://www.scielo.br/j/er/a/P4qJdfsjNxwdpX639fKnMnG/. Acesso em: 15 fev. 2025.
44

BONA, E. A.; QUEIROZ, K. H. S.; MATTOS, M. E. J.; CRUZ, J. C. Ç.; CONSTANTINO,
M. F.; SANTIAGO, E. K. S.; FURTADO, K. C. N.; BARACHO, M. N. L. Humanização
hospitalar sob a perspectiva do assistente social. ARACÊ, v. 7, n. 4, p. 19451–19468, 2025.
Disponível em: https://periodicos.newsciencepubl.com/arace/article/view/4554. Acesso em:
21 jun. 2026.
CAMARGO, B. V.; JUSTO, A. M. IRAMUTEQ: um software gratuito para análise de dados
textuais. Temas em Psicologia, v. 21, n. 2, p. 513–518, 2013. Disponível em:
https://www.mackenzie.br/fileadmin/ARQUIVOS/Public/top/midias_noticias/2015/iramuteq/
artigo_iramuteq.pdf. Acesso em: 4 mar. 2026.
CAMPOS, H. L. M.; SILVA, F. N.; DIAS, F. M. V. Humanização da saúde na fisioterapia:
uma revisão sistemática sob a perspectiva filosófica desse conceito. Fisioterapia Brasil, v.
13, n. 5, p. 390–397, 2012. Disponível em:
https://convergenceseditorial.com.br/index.php/fisioterapiabrasil/article/view/572/1177.
Acesso em: 10 jan. 2025.
CASATE, J. C.; CORRÊA, A. K. A humanização do cuidado na formação dos profissionais
de saúde nos cursos de graduação. Revista da Escola de Enfermagem da USP, v. 46, n. 1, p.
219–226, 2012. Disponível em:
https://www.scielo.br/j/reeusp/a/c5CW7WD9pXtCvYY5przScJd/. Acesso em: 15 nov. 2024.
CAPOZZA, D.; COLLEDANI, D.; FALVO, R. Are job characteristics associated with patient
(de)humanization through the mediation of health providers’ well-being? Journal of Applied
Social Psychology, v. 54, n. 10, 2024. Disponível em:
https://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/jasp.13060. Acesso em: 21 nov. 2025.
COSTA JÚNIOR, J. F.; CABRAL, E. L. S.; SOUZA, R. C.; BEZERRA, D. M. C.; SILVA, P.
T. F. Uso da escala Likert na coleta de dados qualitativos e sua correlação com as ferramentas
estatísticas. Contribuciones a las Ciencias Sociales, v. 17, n. 1, p. 360–376, 2024.
Disponível em: https://doi.org/10.55905/revconv.17n.1-021. Acesso em: 21 jun. 2026.
COUTO, N. N. V.; SANTOS, Y. P.; BEZERRA, P. H. S.; BEZERRA, V. S.; SILVA, C. G.;
GUIMARÃES, M. H. D.; FRANÇA, U. M.; RODRIGUES, J. S.; MARTINS, R. M. B.;
RODRIGUES, S. A. Humanização do cuidado em serviços de saúde: perspectivas éticas,
emocionais e organizacionais da prática multiprofissional. Revista Ibero-Americana de
Humanidades, Ciências e Educação, v. 12, n. 5, 2026. Disponível em:
https://doi.org/10.51891/rease.v12i5.26069. Acesso em: 21 jun. 2026.
CRUZ, T. T. S.; MORETO, V. Humanização no atendimento fisioterapêutico em unidade de
terapia intesiva: revisão bibliográfica. REASE, v. 9, n. 10, p. 4922–4930, 2023. Disponível
em: https://periodicorease.pro.br/rease/article/view/12041. Acesso em: 01 jun. 2026.
DORICCI, G. C.; GUANAES-LORENZI, C. Revisão integrativa sobre cogestão no contexto
da Política Nacional de Humanização. Ciência & Saúde Coletiva, v. 26, n. 8, p. 2949–2959,
2021. Disponível em: https://www.scielo.br/j/csc/a/G7XhLNvSZGX7QFymgKDHd9H/.
Acesso em: 10 fev. 2025.
45

FERREIRA NETO, J. L.; FERREIRA, M. E. C.; OLIVEIRA, M. E. C.; PENIDO, C. M. F. A
formulação da Política Nacional de Humanização e seus antecedentes históricos. Psicologia:
Ciência e Profissão, v. 44, e268625, 2024. Disponível em: https://doi.org/10.1590/19823703003268625. Acesso em: 21 jun. 2025.
GUEDES, C. R.; PITOMBO, L. B.; BARROS, M. E. B. Os processos de formação na Política
Nacional de Humanização: a experiência de um curso para gestores e trabalhadores da
atenção básica em saúde. Physis, v. 19, n. 4, p. 1087–1109, 2009. Disponível em:
https://www.scielo.br/j/physis/a/GHI012. Acesso em: 20 dez. 2024.
LADEIRA, T. L.; KOIFMAN, L. Bioética na prática clínica do fisioterapeuta: concepções de
docentes e discentes. Revista Bioética, v. 29, n. 3, p. 588–599, 2021. Disponível em:
https://doi.org/10.1590/1983-80422021293494. Acesso em: abr. 2025.
LIMA JÚNIOR, D. A.; LIMA, D. S.; DIAS, E. A. F.; FERREIRA, L. C.; FONTENELE, R.
P.; OLIVEIRA, V. C. L.; NETO, A. R.; SILVA, C. M. Barreiras enfrentadas na assistência
humanizada em Unidades de Terapia Intensiva - UTI. Research, Society and Development,
v. 11, n. 14, e471111436327, 2022. Disponível em:
https://rsdjournal.org/rsd/article/download/36327/30538/403253. Acesso em: 21 jun. 2025.
MÉLO, C. B.; ROCHA, L. N. F. C.; COSTA, T. E. L.; GONDIM, F. M. L.; FARIAS, G. D.;
ARAUJO, E. G. O.; FREIRE, J. C. G.; DIAS, M. M.; PIAGGE, C. S. L. D. Humanização nos
cursos de graduação em saúde: desafios para implantação das diretrizes nacionais. Research,
Society and Development, v. 11, n. 6, 2022. Disponível em: http://dx.doi.org/10.33448/rsdv11i6.29325. Acesso em: dez. 2025.
MÉNESES-LA-RIVA, M. E.; SUYO-VEGA, J. A.; FERNÁNDEZ-BEDOYA, V. H.
Humanized care from the nurse–patient perspective in a hospital setting: a systematic review
of experiences disclosed in Spanish and Portuguese scientific articles. Frontiers in Public
Health, v. 9, p. 737506, 2021. Disponível em: https://doi.org/10.3389/fpubh.2021.737506.
Acesso em: jun. 2025.
MINAYO, M. C. S. O desafio do conhecimento: pesquisa qualitativa em saúde. São
Paulo: Hucitec, 2014.
MOURA, C. M.; ARAGAKI, S. S. Percurso formativo da humanização da saúde no discurso
dos fisioterapeutas de uma unidade neonatal. Saúde em Redes, v. 7, n. 3, p. 85–99, 2021.
Disponível em: https://revista.redeunida.org.br/index.php/redeunida/article/view/3305/767.
Acesso em: 5 fev. 2025.
MUTOU, F. M. L. A humanização na fisioterapia: uma revisão sistemática. Revista
Científica UMC, v. 4, n. 1, 2019. Disponível em:
https://revista.umc.br/index.php/revistaumc/article/view/289. Acesso em: 10 fev. 2025.
NASCIMENTO, L. R.; ALVES, M. F. V.; ANDRADE, T.; OLIVEIRA, N. M. L. Aspectos
éticos presentes no contexto da fisioterapia hospitalar: revisão de escopo. ABENFISIO, v. 11,
n. 21, 2023. Disponível em: https://doi.org/10.18310/2358-8306.v11n21.a3. Acesso em: 21
jun. 2026.
46

OLIVEIRA, G. N. O apoio institucional aos processos de democratização das relações de
trabalho na perspectiva da humanização. Tempus, v. 6, n. 2, p. 223–235, 2012. Disponível
em: https://doi.org/10.18569/tempus.v6i2.1125. Acesso em: 21 jun. 2025.
RATINAUD, P. IRAMUTEQ: interface de R pour les analyses multidimensionnelles de
textes et de questionnaires. Toulouse: Laboratoire LERASS, 2009. Disponível em:
http://www.iramuteq.org. Acesso em: 8 jan. 2026.
REINERT, M. Alceste: une méthodologie d’analyse des données textuelles et une application:
Aurélia de Gérard de Nerval. Bulletin of Sociological Methodology, v. 26, n. 1, p. 24–54,
1990. Disponível em: https://journals.sagepub.com/doi/10.1177/075910639002600103.
Acesso em: 12 fev. 2026.
ROMÃO, A. C. A.; NEVES, P. V. T.; SALES, A. P. M.; SANTOS, E. C. S.; ALMEIDA, C.
P.; LIMA, J. G. B.; FERREIRA, J. O.; TILMANN, I. I. A.; FRANÇA, A. P. F. M.;
MORAES, P. M. O. Metodologias ativas no processo de aprendizagem nas residências em
saúde. Revista Eletrônica Acervo Saúde, v. 24, n. 11, 2024. Disponível em:
https://acervomais.com.br/index.php/saude/article/view/17417. Acesso em: 21 jun. 2026.
SANTOS, P. O. A Política Nacional de Humanização: princípios, diretrizes e desafios na
consolidação do SUS. Revista Multidisciplinar em Saúde, v. 6, n. 1, 2025. Disponível em:
https://www.researchgate.net/publication/389149744. Acesso em: 21 maio 2026.
SILVA, I. D.; SILVEIRA, M. F. A. A humanização na formação do profissional em
fisioterapia. Ciência & Saúde Coletiva, v. 16, p. 1535–1546, 2011. Disponível em:
https://www.scielo.br/j/csc/a/dJfwdfzVc4nVysSC7HSNY6R/. Acesso em: 03 fev. 2025.
SILVA, J. M. A humanização no Sistema Único de Saúde (SUS): avanços, desafios e
perspectivas. RCMOS, v. 1, n. 1, 2025. Disponível em:
https://doi.org/10.51473/rcmos.v1i1.2025.1012. Acesso em: 21 ago. 2025.
SOUSA, K. H. J. F.; DAMASCENO, C. K. C. S.; ALMEIDA, C. A. P. L.; MAGALHÃES, J.
M.; FERREIRA, M. A. Humanização nos serviços de urgência e emergência: contribuições
para o cuidado de enfermagem. Revista Gaúcha de Enfermagem, v. 40, 2019. Disponível
em: https://doi.org/10.1590/1983-1447.2019.20180263. Acesso em: 11 jun. 2026.
VIEIRA FILHO, L. V.; SOUSA, I. F. L.; VASCONCELOS, P. H. A.; FILHO, S. T.; SILVA,
M. P. F.; ARAUJO, L. C. N. Estresse e a necessidade da valorização profissional na
implantação dos processos de humanização do SUS (Humanizasus). Ciência & Saúde
Coletiva, 2019. Disponível em: https://afmo.emnuvens.com.br/afmo/article/view/40. Acesso
em: 21 nov. 2025.

47

4 ARTIGO 2: Humanização no Cuidado em Fisioterapia Hospitalar: Representações
Sociais e Análise de Similitude
ARTICLE 2: Humanization in Hospital Physiotherapy Care: Social Representations
and Similarity Analysis
RESUMO
Introdução: A humanização do cuidado em saúde constitui um eixo fundamental para a
qualificação da assistência, especialmente no contexto hospitalar, onde as práticas profissionais
são atravessadas por demandas técnicas, relacionais e éticas. No campo da fisioterapia
hospitalar, compreender como os profissionais significam a humanização torna-se relevante
para o fortalecimento do cuidado integral e das práticas alinhadas à Política Nacional de
Humanização. Objetivo: Analisar as representações sociais da humanização no cuidado
fisioterapêutico hospitalar entre fisioterapeutas atuantes em um hospital geral. Metodologia:
Trata-se de uma pesquisa qualitativa, exploratória e descritiva, fundamentada na Teoria das
Representações Sociais. Participaram sete fisioterapeutas de um hospital geral localizado em
Alagoas. Os dados foram produzidos através de entrevistas semiestruturadas e analisados com
apoio do software IRAMUTEQ, por meio da análise de similitude, articulada à análise de
conteúdo de Bardin. Resultados: A humanização emergiu como núcleo central das
representações sociais dos participantes, articulando-se a dimensões como escuta qualificada,
acolhimento, vínculo terapêutico, valorização da subjetividade do paciente, formação
profissional, trabalho em equipe e condições institucionais de cuidado. Os achados
evidenciaram que a humanização é compreendida como prática que integra competência técnica
e sensibilidade relacional, mas sua efetivação é tensionada por sobrecarga de trabalho,
hierarquização, limitações organizacionais e fragilidades formativas. Considerações finais:
Conclui-se que a humanização constitui elemento estruturante da prática fisioterapêutica
hospitalar, sendo compreendida para além de uma diretriz normativa, como dimensão ética,
relacional e organizacional do cuidado. Os resultados reforçam a necessidade de fortalecer a
formação e a educação permanente, bem como de ampliar o suporte institucional para a
consolidação de práticas humanizadas nos serviços de saúde.
Palavras-chave: Humanização da Assistência; Serviço Hospitalar de Fisioterapia;
Representações Sociais; Educação em Saúde; Educação Permanente.

48

ABSTRACT
Introduction: Humanization of healthcare is a fundamental axis for improving the quality of
care, especially in the hospital context, where professional practices are shaped by technical,
relational, and ethical demands. In the field of hospital physiotherapy, understanding how
professionals perceive and signify humanization is relevant to strengthening comprehensive
care and practices aligned with the National Humanization Policy. Objective: To analyze the
social representations of humanization in hospital physiotherapy care among physiotherapists
working in a general hospital. Methodology: This is a qualitative, exploratory, and descriptive
study grounded in the Theory of Social Representations. Seven physiotherapists from a general
hospital located in Alagoas participated in the study. Data were produced through semistructured interviews and analyzed with the support of IRAMUTEQ software, using similarity
analysis combined with Bardin’s content analysis. Results: Humanization emerged as the
central core of the participants’ social representations, articulated with dimensions such as
qualified listening, welcoming, therapeutic bonding, recognition of the patient’s subjectivity,
professional training, teamwork, and institutional conditions of care. The findings showed that
humanization is understood as a practice that integrates technical competence and relational
sensitivity; however, its implementation is challenged by work overload, hierarchical
structures, organizational limitations, and weaknesses in professional training. Final
Considerations: It is concluded that humanization constitutes a structuring element of hospital
physiotherapy practice, being understood beyond a normative guideline, as an ethical,
relational, and organizational dimension of care. The results reinforce the need to strengthen
professional training and continuing education, as well as to expand institutional support for the
consolidation of humanized practices in healthcare services.
Keywords: Humanization of Care; Hospital Physiotherapy Service; Social Representations;
Health Education; Continuing Education.

49

4.1 INTRODUÇÃO
A produção do cuidado em saúde constitui um fenômeno complexo que transcende a
dimensão estritamente técnica e biomédica, envolvendo aspectos éticos, relacionais, culturais e
subjetivos que influenciam tanto as práticas profissionais quanto as experiências vivenciadas
pelos usuários dos serviços de saúde. Nessa perspectiva, o cuidado não se restringe à realização
de procedimentos ou intervenções terapêuticas, mas compreende também a construção de
vínculos, a valorização da singularidade dos sujeitos e o reconhecimento das necessidades
humanas que permeiam os processos de adoecimento e recuperação (Vieira Filho et al., 2019).
Dessa forma, a qualidade da assistência em saúde depende não apenas do domínio
técnico-científico dos profissionais, mas também da capacidade de estabelecer relações
pautadas no acolhimento, na escuta e no respeito à dignidade humana (Ladeira; Koifman, 2021;
Almeida; Caldeira; Gomes, 2022).
No contexto brasileiro, a humanização consolidou-se como um importante eixo
orientador das políticas públicas de saúde, especialmente a partir da criação da Política Nacional
de Humanização (PNH), instituída pelo Ministério da Saúde em 2003. A PNH surgiu em
resposta à necessidade de enfrentar práticas fragmentadas e excessivamente tecnicistas
presentes nos serviços de saúde, propondo mudanças nos modos de gerir e cuidar. Entre seus
princípios destacam-se a valorização dos sujeitos envolvidos nos processos de produção da
saúde, a corresponsabilização entre usuários, trabalhadores e gestores, a ampliação da
autonomia dos indivíduos e a construção coletiva das decisões relacionadas ao cuidado e à
gestão dos serviços (Brasil, 2010; Ferreira Neto et al., 2024).
Mais do que uma política voltada para a melhoria das relações interpessoais, a
humanização constitui uma estratégia de transformação dos processos de trabalho em saúde,
buscando promover a integração entre aspectos técnicos, éticos e relacionais. Nesse sentido, a
PNH propõe que a produção do cuidado seja compreendida como um processo compartilhado,
no qual a escuta qualificada, o acolhimento, o diálogo e a participação dos sujeitos assumem
papel central. Além disso, a política reconhece que a qualidade da assistência está diretamente
relacionada às condições de trabalho dos profissionais e à organização dos serviços, defendendo
a indissociabilidade entre atenção e gestão (Doricci; Guanaes-Lorenzi, 2021).
Apesar dos avanços proporcionados pela institucionalização da PNH, sua efetivação no
cotidiano dos serviços de saúde ainda enfrenta importantes desafios. A literatura aponta que
fatores como sobrecarga de trabalho, insuficiência de recursos humanos e materiais,
50

fragmentação da assistência, hierarquização das relações profissionais e predominância do
modelo biomédico podem dificultar a incorporação dos princípios da humanização nas práticas
assistenciais (Silva; Silveira, 2011; Couto et al., 2026).
No âmbito da fisioterapia hospitalar, essa discussão assume particular relevância. A
atuação do fisioterapeuta envolve intervenções voltadas à prevenção de complicações,
recuperação funcional, manutenção da capacidade respiratória e motora, promoção da
autonomia e melhoria da qualidade de vida dos pacientes. Em muitos casos, esses profissionais
acompanham indivíduos em situações de elevada vulnerabilidade física e emocional, exigindo
não apenas competência técnica, mas também sensibilidade para compreender os impactos
subjetivos do processo de adoecimento e hospitalização. Assim, a prática fisioterapêutica
hospitalar demanda a articulação entre conhecimento científico, habilidades relacionais e
compromisso ético com o cuidado integral (Campos; Silva; Dias, 2012; Mutou, 2019).
Entretanto, a forte presença de protocolos assistenciais, tecnologias e demandas
produtivistas pode favorecer uma compreensão do cuidado centrada predominantemente em
aspectos biológicos e funcionais. Embora tais elementos sejam indispensáveis para a qualidade
da assistência, existe o risco de que as dimensões subjetivas e relacionais sejam secundarizadas
no cotidiano profissional. Nesse cenário, a humanização emerge como um importante
referencial para a construção de práticas que integrem técnica e sensibilidade, reconhecendo o
paciente como sujeito ativo do processo de cuidado e valorizando suas necessidades,
expectativas e experiências (Cruz; Moreto, 2023).
Compreender como os fisioterapeutas significam a humanização é relevante para o
campo da saúde, pois essas interpretações influenciam suas atitudes, comportamentos e
decisões no cotidiano assistencial. Para investigar esses significados, o presente estudo
fundamenta-se na Teoria das Representações Sociais (TRS), proposta por Moscovici (2003),
que compreende as representações sociais como formas de conhecimento elaboradas e
compartilhadas coletivamente, orientando a interpretação da realidade e as práticas sociais.
Segundo Jodelet (2001), essas representações constituem sistemas de significação construídos
nas interações sociais, influenciando a forma como os sujeitos percebem, comunicam e atuam
diante dos objetos presentes em seu universo social.
A utilização da TRS no campo da saúde tem possibilitado compreender como
profissionais, usuários e gestores constroem sentidos sobre diferentes fenômenos relacionados
ao cuidado, contribuindo para a análise das relações entre conhecimento, prática e contexto
51

social. No caso da humanização, essa abordagem permite ultrapassar definições normativas e
investigar os significados efetivamente compartilhados pelos profissionais, revelando os
elementos simbólicos que sustentam suas práticas e orientam suas formas de atuação.
Embora a humanização seja amplamente discutida na literatura e reconhecida como
diretriz fundamental para a qualificação da assistência em saúde, ainda são limitadas as
investigações que exploram as representações sociais construídas por fisioterapeutas acerca
desse fenômeno, especialmente em contextos hospitalares. A compreensão dessas
representações pode contribuir para o fortalecimento de processos formativos, para a
qualificação das práticas assistenciais e para a implementação de estratégias institucionais
voltadas à consolidação dos princípios da humanização nos serviços de saúde.
Diante desse contexto, o presente estudo teve como objetivo analisar as representações
sociais da humanização no cuidado fisioterapêutico hospitalar, buscando identificar os
elementos estruturantes e os sentidos compartilhados que organizam esse objeto social entre
fisioterapeutas atuantes em ambiente hospitalar.
4.2 PERCURSO METODOLÓGICO
4.2.1 Delineamento do estudo
Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de caráter exploratório e descritivo, fundamentada
na Teoria das Representações Sociais (TRS), proposta por Moscovici (2003). Esse referencial
possibilita compreender os conhecimentos construídos e compartilhados socialmente pelos
sujeitos, permitindo analisar como os fisioterapeutas atribuem sentidos à humanização no
contexto hospitalar. A investigação concentra-se na dimensão estrutural das representações
sociais, buscando identificar os elementos que organizam e sustentam os significados
associados ao cuidado humanizado.
4.2.2 Cenário do estudo
O estudo foi realizado em um Hospital Geral localizado no estado de Alagoas,
instituição de referência para atendimento de média e alta complexidade. O ambiente hospitalar
caracteriza-se por elevada demanda assistencial, diversidade de perfis clínicos e intensa atuação
multiprofissional, constituindo um espaço relevante para a análise das práticas de humanização
no cuidado.

52

4.2.3 Participantes
Participaram do estudo sete fisioterapeutas atuantes na assistência hospitalar. Foram
adotados como critérios de inclusão possuir vínculo profissional com a instituição, exercer
atividades assistenciais diretas e apresentar tempo mínimo de um ano de atuação no serviço.
Foram excluídos profissionais afastados por licença, férias ou qualquer outro motivo durante o
período de coleta de dados.
Os participantes foram selecionados dentre os 21 fisioterapeutas elegíveis que
compuseram a etapa inicial da pesquisa. A seleção ocorreu por amostragem em bola de neve,
na qual os primeiros participantes foram identificados a partir de um grupo inicial e os demais
indicados pelos próprios entrevistados, até o alcance da saturação teórica, considerando a
profundidade dos relatos obtidos e a recorrência dos conteúdos representacionais identificados
nas entrevistas (Biernacki; Waldorf, 1981; Minayo, 2017).
4.2.4 Produção dos dados
A produção dos dados ocorreu por meio de entrevistas semiestruturadas individuais
(Apêndice B), realizadas de forma on-line, por meio da plataforma Google Meet, em horário
previamente acordado com os participantes, com duração média de aproximadamente uma
hora. Os áudios foram gravados, mediante autorização dos participantes, em ambiente
controlado, utilizando o aplicativo Notas da Apple em um dispositivo móvel. A transcrição do
áudio para o formato textual foi gerada automaticamente por recurso nativo do próprio
aplicativo e, posteriormente, revisada integralmente pela pesquisadora mediante conferência
com os áudios originais.
A escolha da entrevista semiestruturada fundamentou-se em sua capacidade de
favorecer a exploração de percepções, experiências e significados atribuídos pelos participantes
ao fenômeno investigado, permitindo simultaneamente flexibilidade na condução da entrevista
e aprofundamento dos temas de interesse (Minayo, 2014).
O roteiro de entrevista foi elaborado pelas pesquisadoras com base nos referenciais da
Teoria das Representações Sociais (Moscovici, 2003; Jodelet, 2001) e nos princípios, diretrizes
e dispositivos da Política Nacional de Humanização (PNH) (Brasil, 2010; Santos, 2025). A
construção das questões buscou favorecer a emergência dos conteúdos representacionais
relacionados à humanização no cuidado fisioterapêutico hospitalar, contemplando dimensões
conceituais, assistenciais, formativas e institucionais.
53

As perguntas abordaram aspectos relacionados à compreensão da humanização em
saúde, às experiências vivenciadas na prática profissional, à aplicação dos princípios da
humanização no cotidiano assistencial, à influência da formação acadêmica na construção
desses conhecimentos e aos desafios encontrados para sua efetivação nos serviços hospitalares.
Além disso, foram exploradas temáticas relacionadas ao acolhimento, à escuta qualificada, à
corresponsabilização no cuidado, ao trabalho multiprofissional, à valorização dos trabalhadores
da saúde e ao papel da gestão na promoção de práticas humanizadas, em consonância com as
diretrizes da PNH (Brasil, 2010; Benevides; Passos, 2005a; Benevides; Passos, 2005b).
A utilização desse roteiro permitiu acessar os sentidos compartilhados pelos
fisioterapeutas acerca da humanização, favorecendo a compreensão das representações sociais
construídas a partir de suas experiências, interações e práticas desenvolvidas no contexto
hospitalar.
4.2.5 Análise dos dados
4.2.5.1 Análise de Similitude
Os dados qualitativos foram analisados por meio da articulação entre a Análise de
Similitude, realizada no software Interface de R pour les Analyses Multidimensionnelles de
Textes et de Questionnaires (IRAMUTEQ), versão 0.8 alpha 7. Essa estratégia metodológica
possibilitou explorar tanto a estrutura lexical do corpus quanto os significados atribuídos pelos
participantes ao fenômeno investigado (Ratinaud, 2009).
Inicialmente, as entrevistas foram transcritas na íntegra e submetidas à revisão
ortográfica e à padronização linguística, preservando-se o conteúdo semântico dos discursos.
Em seguida, constituiu-se um corpus textual único, organizado em arquivo de texto (.txt)
codificado em UTF-8, conforme as recomendações do IRAMUTEQ para o processamento dos
dados.
O IRAMUTEQ foi utilizado como ferramenta de apoio à análise textual, permitindo o
tratamento estatístico do corpus e a identificação das relações de coocorrência entre os termos.
Seu emprego em pesquisas qualitativas na área da saúde tem sido amplamente difundido por
favorecer maior rigor e sistematização na análise de dados textuais (Camargo; Justo, 2013).
O processamento inicial do corpus identificou sete textos, totalizando 5.216 ocorrências
de palavras (tokens) e 742 formas ativas (palavras distintas). Para a elaboração da árvore de
similitude, adotou-se como critério de inclusão palavras com frequência mínima de três
54

ocorrências, garantindo maior consistência das conexões lexicais. A estrutura do grafo foi
construída com base no índice de coocorrência entre os termos, permitindo visualizar a
intensidade das associações e a organização das comunidades lexicais.
Antes do processamento, realizou-se a configuração das classes gramaticais do corpus,
priorizando palavras com maior conteúdo semântico, como substantivos e verbos, e reduzindo
a influência de termos

predominantemente gramaticais, conforme recomendações

metodológicas para análises lexicais.
A análise de similitude foi utilizada por possibilitar a identificação dos núcleos de
sentido e das conexões entre os termos do corpus, favorecendo a compreensão da estrutura das
representações sociais da humanização. Amplamente empregada em estudos fundamentados na
Teoria das Representações Sociais, essa técnica contribui para interpretar os significados
compartilhados pelos participantes (Moscovici, 2003; Abric, 2000).
4.2.5.2 Análise de Conteúdo de Bardin
Os dados também foram submetidos à análise de conteúdo proposta por Bardin (2016),
compreendida como um conjunto de técnicas sistemáticas de análise das comunicações que
permite a inferência de conhecimentos a partir dos discursos.
A análise foi desenvolvida em três fases. A pré-análise consistiu na leitura flutuante do
corpus, com o objetivo de apreender a totalidade do material e identificar unidades de sentido
preliminares. Nessa etapa, procedeu-se à organização do material, à definição do corpus
analítico e à formulação de hipóteses iniciais orientadas pelo referencial teórico da Teoria das
Representações Sociais e da humanização. Na exploração do material, realizou-se a codificação
sistemática dos dados, com a identificação das unidades de registro e seu posterior agrupamento
em categorias temáticas de análise. Esse processo subsidiou a interpretação dos eixos de sentido
identificados pela análise de similitude, permitindo aprofundar os significados atribuídos pelos
participantes. Por fim, no tratamento dos resultados, inferência e interpretação, as classes foram
analisadas de forma interpretativa, articulando os achados empíricos ao referencial teórico da
pesquisa, especialmente à Teoria das Representações Sociais (Moscovici, 2003) e à Política
Nacional de Humanização (Santos, 2025).
A utilização da análise de conteúdo permitiu aprofundar a dimensão semântica dos
discursos, contribuindo para a identificação de significados, valores e percepções que não se
apresentam de forma explícita na estrutura lexical evidenciada pela análise de similitude.
55

4.2.5.3 Integração das análises
A integração dos dados foi realizada por meio da articulação entre a análise de
similitude, operacionalizada no software IRAMUTEQ, e a análise de conteúdo proposta por
Bardin (2016), configurando uma estratégia de triangulação metodológica no âmbito da
pesquisa qualitativa.
A integração entre as duas abordagens possibilitou relacionar a estrutura lexical
identificada pelo IRAMUTEQ com a interpretação dos sentidos produzidos pelos participantes,
configurando uma estratégia analítica complementar. Conforme destaca Minayo (2014), a
análise qualitativa em saúde pressupõe a articulação entre estrutura, significado e contexto
social, perspectiva fortalecida pelo uso de softwares de análise textual como ferramenta de
apoio ao processo interpretativo, sem substituí-lo (Camargo; Justo, 2013; Reinert, 1990).
Dessa forma, a triangulação entre a análise de similitude e a análise de conteúdo conferiu
maior robustez interpretativa ao estudo, permitindo compreender, de maneira integrada, a
estrutura e os significados das representações sociais da humanização no cuidado
fisioterapêutico hospitalar.
4.2.6 Aspectos éticos
O estudo foi conduzido em conformidade com as Resoluções nº 466/2012 e nº 510/2016
do Conselho Nacional de Saúde. A pesquisa foi submetida e aprovada pelo Comitê de Ética em
Pesquisa da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), sob CAAE: 89728925.3.0000.5013 e
Parecer nº 7.878.236.
Todos os participantes foram previamente esclarecidos sobre os objetivos,
procedimentos e aspectos éticos da pesquisa, manifestando sua concordância por meio do
Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). Foi assegurado o direito de
esclarecimentos, bem como a possibilidade de recusa ou desistência a qualquer momento, sem
qualquer prejuízo.
Para assegurar o anonimato e a confidencialidade das informações, os participantes
foram identificados por códigos (ent_1, ent_2, ent_3, ent_4, ent_5, ent_6 e ent_7) em todas as
etapas da pesquisa.
4.3 RESULTADOS E DISCUSSÃO

56

A análise de similitude, processada pelo software IRAMUTEQ e visualizada na árvore
de similitude (Figura 2), permitiu a visualização da estrutura das representações sociais,
organizando as 742 formas ativas selecionadas em um grafo de alta conectividade. A árvore
gerada demonstrou uma estrutura, onde a força das ligações entre os termos reflete a frequência
de coocorrência nos discursos, permitindo identificar o núcleo central e suas ramificações
periféricas com rigor estatístico, revelando a complexa organização das representações sociais
da humanização do cuidado entre os fisioterapeutas hospitalares.
A estrutura do grafo é composta por um núcleo central e cinco halos periféricos
principais, que se articulam em seis eixos temáticos que estruturam o discurso: Humanização
(núcleo central), Paciente, Profissional, Hospital, Gente e Cuidado.
Figura 2 – Árvore de similitude das palavras associadas à humanização do cuidado, Maceió,
Brasil, 2026.

Fonte: Dados da pesquisa, processados no software IRAMUTEQ, 2026.

57

A partir da análise de similitude, foi possível identificar que as representações sociais
da humanização se organizam em uma rede articulada de significados, estruturada em seis eixos
temáticos. Esses eixos sintetizam os principais núcleos de sentido presentes no discurso dos
fisioterapeutas e evidenciam como elementos relacionados ao paciente, à formação profissional,
ao contexto institucional e às práticas de cuidado se articulam na construção coletiva da
humanização.
Essa organização evidencia que a humanização é representada como um fenômeno
multidimensional, construído na interação entre diferentes dimensões do cuidado. A articulação
entre os eixos reforça que os significados atribuídos pelos participantes não se apresentam de
forma isolada, mas compõem uma estrutura representacional coerente, em consonância com os
pressupostos da Teoria das Representações Sociais (TRS) (Abric, 2000; Moscovici, 2003).
Com base nessa estrutura, elaborou-se a Tabela 2, que apresenta a síntese interpretativa
dos eixos temáticos, seus principais termos associados e a interpretação analítica
correspondente, articulando os dados empíricos à TRS, à análise de conteúdo de Bardin (2016)
e à luz da Política Nacional de Humanização (PNH).
Tabela 2– Síntese interpretativa dos eixos temáticos identificados na análise de similitude das
representações sociais da humanização no cuidado fisioterapêutico hospitalar
Eixo

Principais

termos

associados

Interpretação analítica

Representa o elemento estruturador da rede lexical,
Humanização importante, saúde, base evidenciando a humanização como referência central na
organização dos discursos dos participantes.
Paciente

escutar, sentir, decisão

Reflete a centralidade da escuta qualificada, da subjetividade
e da participação do usuário no processo de cuidado.

Profissional

apoio, diálogo
valorização, iniciativa

Expressa a importância das relações profissionais para a
consolidação do cuidado humanizado.

Hospital

ambiente, problema,
realidade

Evidencia os desafios institucionais e organizacionais que
influenciam a implementação das práticas humanizadas.

Gente

pessoal, participar,
ajudar, cuidado
humanizado

Revela a dimensão coletiva e participativa da humanização,
baseada na colaboração e no envolvimento das pessoas no
cuidado.

Cuidado

momento, acolhimento, Expressa o cuidado como uma prática baseada no
entender
acolhimento e na compreensão das necessidades dos sujeitos.

Fonte: Elaborada pela autora com base na análise de similitude realizada no IRAMUTEQ (2026).

58

A síntese apresentada na Tabela 2 evidencia que a estrutura de similitude das
representações sociais da humanização organiza-se em torno de seis eixos interdependentes. O
termo "humanização" ocupa posição central na rede lexical, conectando-se aos demais
elementos e indicando sua relevância na construção dos significados atribuídos pelos
fisioterapeutas ao cuidado hospitalar. Essa configuração sugere que a humanização não é
compreendida como uma prática isolada, mas como um fenômeno multidimensional que
articula aspectos assistenciais, relacionais, institucionais, formativos e éticos, influenciando
diretamente a prática profissional e a produção do cuidado em saúde.
De acordo com a TRS, essa organização reflete um sistema sociocognitivo dinâmico,
onde o núcleo central confere estabilidade, coerência e sentido à representação, enquanto os
sistemas periféricos permitem a adaptação da representação à realidade cotidiana, às
experiências individuais e às transformações sociais (Abric, 2000; Moscovici, 2003). A
presente discussão aprofunda cada um desses eixos, articulando-os com a análise de conteúdo
de Bardin (2016) e as diretrizes da Política Nacional de Humanização (PNH) (Brasil, 2010;
Santos, 2025), bem como com a literatura científica pertinente.
4.3.1 Eixo 1: Humanização como núcleo estruturante
O termo “humanização” emerge como termo com maior conectividade na rede lexical
da representação social dos fisioterapeutas, conforme evidenciado por sua posição proeminente
e pelo maior número de conexões na árvore de similitude. Nesta perspectiva, o núcleo central
constitui a estrutura mais estável e resistente à mudança da representação, estando diretamente
relacionado aos valores compartilhados e à memória coletiva do grupo (Abric, 2000). Nesse
sentido, a humanização não se configura apenas como um conceito abstrato, mas como
elemento organizador do sentido atribuído à prática profissional no contexto hospitalar.
A compreensão da humanização, a partir dos dados empíricos, evidencia seu caráter
relacional e experiencial, ultrapassando uma definição meramente técnica ou normativa. Os
participantes destacam que:
[...] humanização em saúde significa enxergar o outro como ser humano e não como
número de leito ou diagnóstico [...] trata-se de reconhecer que ali existe alguém que
sente medo, dor e expectativa. Na prática, a humanização se manifesta no
acolhimento, na escuta e no respeito ao tempo do paciente (ent_1).

59

Essa fala evidencia que a humanização se concretiza no cotidiano do cuidado,
especialmente na escuta qualificada e no reconhecimento da subjetividade do paciente,
reforçando sua dimensão ética e relacional.
Essa perspectiva dialoga diretamente com os princípios da PNH, que propõe a
valorização dos sujeitos, a corresponsabilização no cuidado e a integralidade das práticas em
saúde (Ferreira Neto et al., 2024). Nesse contexto, a humanização é compreendida não apenas
como diretriz institucional, mas como uma prática ética que deve atravessar todas as dimensões
do processo de trabalho em saúde, promovendo vínculos, escuta e reconhecimento da
singularidade dos sujeitos (Santos, 2025).
Outro aspecto relevante identificado nas falas refere-se à humanização como resgate da
dignidade e preservação da identidade do sujeito no ambiente hospitalar. Conforme destacado:
[...] humanização em saúde representa o resgate da dignidade no processo de
adoecimento [...] precisamos garantir que mesmo no ambiente hospitalar a pessoa não
perca sua identidade. O cuidado precisa ser tecnicamente adequado e ao mesmo tempo
respeitoso, considerando as particularidades do paciente e de sua história de vida
(ent_2).

Essa perspectiva reforça a necessidade de articulação entre competência técnica e
sensibilidade humana, evidenciando que a qualidade do cuidado não se restringe à execução de
procedimentos, mas envolve também o reconhecimento da história de vida e da singularidade
do paciente.
À luz da análise de conteúdo de Bardin (2016), as conexões evidenciadas revelam que
a humanização é compreendida pelos participantes como elemento organizador do cuidado,
ultrapassando uma dimensão normativa e assumindo significado ético, relacional e profissional.
Na perspectiva da TRS, essa posição central corresponde ao núcleo estável da representação,
responsável por organizar e conferir sentido aos elementos periféricos (Abric, 2000; Moscovici,
2003).
Na perspectiva psicossocial, essa centralidade pode ser interpretada como uma resposta
adaptativa dos profissionais às exigências contemporâneas do cuidado em saúde, marcadas pela
intensificação da tecnificação do trabalho, sobrecarga assistencial e riscos de despersonalização
do cuidado. Esse cenário tem sido amplamente discutido na literatura sobre trabalho em saúde,
especialmente no que se refere ao impacto da racionalidade técnica sobre a subjetividade dos
profissionais e dos pacientes (Oliveira, 2012; Silva, 2025).
60

Nesse contexto, a humanização emerge como um princípio organizador do cuidado,
permitindo a ressignificação da prática profissional em direção a uma abordagem mais integral,
relacional e centrada no sujeito, em consonância com os princípios da Política Nacional de
Humanização (Bona et al., 2025; Mutou, 2019).
Os achados evidenciam que a humanização se configura como um imperativo ético e
estruturante da prática fisioterapêutica no contexto hospitalar, articulando dimensões técnicas,
relacionais e políticas do cuidado. Nesse sentido, a centralidade atribuída à humanização pelos
participantes reforça sua vinculação aos princípios da PNH, especialmente no que se refere à
defesa da vida, à valorização dos sujeitos e à integralidade da atenção em saúde (Brasil, 2010;
Benevides; Passos, 2005a; Vieira Filho et al, 2019).
4.3.2 Eixo 2: O paciente como sujeito do cuidado humanizado
O halo “paciente” apresenta forte conexão com o núcleo central “humanização”,
evidenciando sua posição como um dos principais elementos organizadores da representação
social dos fisioterapeutas. Na análise de similitude, observa-se a recorrência de termos como
“explicar”, “falar”, “sentir”, “equipe” e “acontecer”, indicando que a dimensão relacional ocupa
papel central na construção do cuidado. Sob a perspectiva da TRS (Moscovici, 2003; Abric,
2000), essa configuração representa a articulação entre o núcleo central e os elementos
periféricos, responsáveis por concretizar a humanização no cotidiano da prática profissional.
Nesse contexto, a humanização é compreendida como uma prática que transcende a
dimensão técnica e protocolar do cuidado, incorporando a integralidade do sujeito e valorizando
sua participação no processo terapêutico. Conforme destacado por um participante:
[...] humanização em saúde significa ir além da técnica e do protocolo para enxergar
o paciente em sua totalidade [...] envolve comunicação clara, empatia e
compartilhamento das decisões com o paciente, com a equipe [...] a humanização
materializa o princípio da integralidade do cuidado em geral (ent_3).

Esse relato demonstra que a humanização se concretiza por meio da comunicação
qualificada, da empatia e da participação ativa do paciente, reforçando a integralidade como
princípio orientador das práticas em saúde. Essa compreensão está em consonância com a PNH,
que reconhece o acolhimento, a escuta qualificada e a corresponsabilização como diretrizes
fundamentais para a produção do cuidado (Brasil, 2010; Doricci; Guanaes-Lorenzi, 2021).
Dessa forma, o paciente deixa de ser concebido como mero receptor de intervenções e passa a
ocupar posição ativa na construção do seu processo terapêutico.
61

Entretanto, os participantes também evidenciam os desafios enfrentados para
concretizar essa perspectiva na prática cotidiana. Conforme relatado:
[...] na prática, a humanização é uma escolha diária que enfrenta resistência da cultura
da instituição [...] a escuta e o diálogo são frequentemente vistos como tempo perdido
em um sistema mecanizado [...] a corresponsabilização do paciente e da família é parte
essencial do cuidado humanizado (ent_6).

Essa narrativa revela a tensão entre o modelo tecnicista e produtivista ainda
predominante nos serviços de saúde e a proposta da humanização, que valoriza o tempo
destinado à escuta, ao diálogo e à participação do paciente e de sua família no processo de
cuidado.
Este eixo indica que a humanização está diretamente associada à valorização da
subjetividade e da experiência do adoecimento. Nessa perspectiva, o cuidado ultrapassa a
intervenção técnica e incorpora dimensões comunicacionais, afetivas e éticas, reconhecendo o
paciente como protagonista do processo terapêutico.
A presença de termos como “decisão” e “hierarquia” na estrutura representacional
evidencia, ainda, tensões relacionadas às relações de poder no contexto hospitalar, sugerindo
um movimento de transição do modelo biomédico para práticas mais horizontais e
compartilhadas. Essa interpretação converge com a proposta da clínica ampliada, que integra
diferentes saberes e reconhece o paciente como participante ativo na construção do cuidado
(Almeida; Caldeira; Gomes, 2022; Doricci; Guanaes-Lorenzi, 2021). Nessa perspectiva, a
escuta ativa deixa de representar apenas uma estratégia comunicacional e assume um papel
ético-político na reorganização das práticas em saúde.
A recorrência de termos como “escutar” e “sentir” revela a construção de uma relação
pautada no reconhecimento da subjetividade e da experiência do paciente. Esse processo
favorece o fortalecimento do vínculo terapêutico e amplia as possibilidades de produção de um
cuidado integral e humanizado.
Assim, os resultados evidenciam que a humanização se materializa na prática por meio
da escuta ativa, da participação compartilhada nas decisões e do reconhecimento da
singularidade do sujeito, consolidando o paciente como protagonista do cuidado e reafirmando
a dimensão relacional como elemento essencial das representações sociais dos fisioterapeutas
sobre a humanização.
4.3.3 Eixo 3: Formação profissional e construção ético-técnica da humanização
62

O eixo “profissional” apresenta-se articulado a termos como “valorização”, “cuidar”,
“acreditar”, “diálogo” e “mudança”, indicando que a humanização é representada como um
processo diretamente vinculado à identidade profissional do fisioterapeuta. Na perspectiva da
TRS (Moscovici, 2003; Abric, 2000), esse eixo pode ser compreendido como uma dimensão
periférica estruturante, responsável por operacionalizar o núcleo central “humanização” na
prática cotidiana. Assim, a humanização é significada não apenas como atributo relacional, mas
como competência construída e desenvolvida ao longo da trajetória formativa e profissional.
Os dados evidenciam que a formação acadêmica é percebida como insuficiente no que
se refere à abordagem da humanização, sendo predominantemente voltada para aspectos
técnicos do cuidado. Conforme relato:
[...] na formação acadêmica, o tema da humanização foi pouco abordado e de maneira
majoritariamente teórica. A graduação em fisioterapia priorizou aspectos técnicos e
deixou lacunas relacionadas ao cuidado integral e à comunicação. A ausência de
educação permanente institucional reforça a necessidade de que a humanização seja
incorporada como cultura organizacional (ent_1).

Esse depoimento revela uma tensão entre a formação técnica e as demandas
contemporâneas do cuidado integral, indicando que a humanização ainda não está plenamente
incorporada como eixo estruturante da formação em saúde.
A centralidade da técnica em detrimento da dimensão relacional também é confirmada
por outros participantes, que destacam que o aprendizado sobre humanização ocorre
majoritariamente no cotidiano profissional:
[...] na graduação o tema foi pouco valorizado e pouco integrado à prática. A formação
priorizou a parte prática, as patologias, a técnica e muitas vezes reduziu o paciente a
partes do corpo. O aprendizado sobre humanização ocorreu principalmente por meio
da experiência profissional após a formação (ent_5).

Esse achado evidencia que a humanização é frequentemente construída de forma
informal e experiencial, o que pode gerar desigualdades na formação ética e relacional dos
profissionais.
A análise de conteúdo (Bardin, 2016) permite identificar a categoria “Humanização
como competência ética e técnica”, evidenciando que os participantes não a compreendem
como atributo inato, mas como uma habilidade a ser desenvolvida continuamente. Essa
categoria revela a indissociabilidade entre o saber técnico e o saber ético, indicando que a
63

qualidade do cuidado depende da articulação entre competência profissional, comunicação e
sensibilidade relacional.
Essa perspectiva encontra sustentação na PNH, que enfatiza a valorização do
trabalhador e a Educação Permanente em Saúde (EPS) como dispositivos fundamentais para a
transformação das práticas assistenciais (Brasil, 2010; Brasil, 2018). A EPS é compreendida
como um processo contínuo de aprendizagem-trabalho, orientado pela reflexão crítica sobre o
cotidiano dos serviços e pela construção coletiva de novas práticas de cuidado.
O termo “mudança” aponta para a necessidade de revisão dos currículos da fisioterapia,
de modo a incorporar de forma transversal os princípios da humanização. Nesse sentido, a
humanização não deve ser tratada como conteúdo complementar, mas como eixo estruturante
da formação profissional, contribuindo para o desenvolvimento de competências éticas,
comunicacionais e relacionais. Essa reformulação é coerente com a proposta da PNH de
integração entre ensino, serviço e gestão, visando a qualificação do cuidado em saúde (Batista
et al., 2019).
Dessa forma, o eixo “profissional” evidencia que a humanização é representada como
uma construção contínua, articulada à formação acadêmica, à experiência prática e à educação
permanente. Essa representação social reforça a ideia de que o fisioterapeuta é um agente ativo
de transformação do cuidado, sendo responsável por integrar competência técnica e
sensibilidade ética na produção de um cuidado integral, humanizado e corresponsável (Campos;
Silva; Dias, 2012).
4.3.4 Eixo 4: Contexto hospitalar e barreiras
O eixo “hospital” emerge na análise de similitude como parte do sistema periférico
tencionado da representação social da humanização, sendo constituído por termos como
“escutar”, “problema”, “realidade”, “ambiente” e “rodas de conversa”. Na perspectiva da TRS,
essa dimensão periférica desempenha a função de adaptação do núcleo central às condições
concretas do contexto social e organizacional (Abric, 2000; Moscovici, 2003). Nesse sentido, a
humanização, embora reconhecida como valor central, encontra no ambiente hospitalar
barreiras estruturais que condicionam sua efetivação.
A análise de conteúdo (Bardin, 2016) permitiu a construção desse eixo, evidenciando
que a implementação da humanização é atravessada por limitações institucionais, culturais e
organizacionais. Conforme relato:
64

[...] os principais desafios para aplicar práticas humanizadas são a cultura
institucional, a hierarquia dentro do hospital e a falta de reconhecimento [...] a
ausência de suporte institucional dificulta a consolidação da humanização como
política de cuidado, como algo que deve ser seguido (ent_2).

Esse depoimento evidencia que a efetivação da humanização depende diretamente do
suporte organizacional e da superação de modelos hierárquicos ainda predominantes no
ambiente hospitalar.
Outro aspecto relevante refere-se à tensão entre produtividade e humanização no
cotidiano assistencial:
[...] os desafios envolvem tempo, hierarquia entre gestão e profissionais, além da
resistência de muitas pessoas e ausência de política sobre o tema dentro da instituição.
A criação de programas contínuos de educação permanente e rodas de conversa é pode
ser apontada como essencial para estimular a humanização dentro do hospital (ent_7).

Essa fala evidencia que a lógica produtivista dos serviços de saúde pode atuar como
fator de desgaste das práticas humanizadas, especialmente quando associada à escassez de
tempo e à rigidez organizacional.
A presença de “rodas de conversa” associada ao ambiente hospitalar constitui um
achado significativo, pois esse dispositivo é um dos instrumentos da PNH para promoção da
cogestão e da democratização das relações de trabalho (Barbosa; Lannes, 2023; Doricci;
Guanaes-Lorenzi; 2021). A PNH propõe a ambiência como dimensão fundamental da
organização dos serviços de saúde, visando torná-los mais acolhedores, participativos e
produtores de cuidado qualificado (Silva, 2025).
Nesse sentido, a incorporação de rodas de conversa sugere uma tentativa concreta de
resistência às estruturas hierárquicas tradicionais, ainda que tensionada pelas condições reais
de trabalho.
A análise evidencia uma tensão estrutural entre o modelo de gestão hospitalar tradicional
e os princípios da humanização. Enquanto a PNH propõe cogestão, participação coletiva e
valorização dos trabalhadores, o cotidiano hospitalar ainda é marcado por hierarquias,
sobrecarga e fragmentação do cuidado (Doricci; Guanaes-Lorenzi; 2021).
Autores destacam que essas tensões refletem o embate entre tecnologias duras (normas,
protocolos, produtividade) e tecnologias leves (vínculo, escuta, relação), sendo a humanização
situada justamente nesse campo de disputa (Lima Júnior et al, 2022; Silva, 2025).
65

Dessa forma, o eixo “hospital” evidencia que a humanização, embora constitua um
núcleo central das representações sociais dos fisioterapeutas, encontra no ambiente institucional
um campo de tensão permanente. As condições organizacionais, a cultura hierárquica e a
pressão produtiva atuam como elementos que limitam sua plena efetivação, ao mesmo tempo
em que estratégias como rodas de conversa e educação permanente emergem como dispositivos
de transformação. Assim, o hospital é compreendido não apenas como cenário do cuidado, mas
como espaço de disputa entre diferentes racionalidades em saúde.
A identificação do hospital como um campo de tensões e problemas organizacionais na
estrutura de similitude corrobora achados de estudos estruturais prévios (Lima Júnior et al,
2022; Silva., 2025), onde elementos de insegurança e dificuldade frequentemente aparecem na
primeira periferia das representações de profissionais de saúde, indicando que a realidade
institucional atua como um modulador crítico da prática humanizada.
4.3.5 Eixo 5: A dimensão coletiva e participativa da humanização
O halo "gente" evidencia a dimensão coletiva e participativa da humanização,
deslocando o cuidado para além da relação entre profissional e paciente e incorporando o
envolvimento de todos os sujeitos que participam do processo assistencial. Na análise de
similitude, esse halo associa-se a termos como "pessoal", "participar", "ajudar" e "cuidado
humanizado", indicando que a representação social da humanização é construída a partir da
colaboração, da participação e do apoio mútuo. Sob a perspectiva da TRS (Moscovici, 2003;
Abric, 2000), esses elementos periféricos concretizam, no cotidiano do trabalho, os significados
atribuídos ao núcleo central "humanização".
Os relatos dos participantes reforçam essa compreensão ao evidenciarem que a produção
do cuidado humanizado depende não apenas da relação com o usuário, mas também das
relações estabelecidas entre trabalhadores, gestores e equipes de saúde. Conforme relatado:
[...] a humanização não se limita ao paciente, mas envolve também a relação entre os
profissionais, entre a gestão. Quando o trabalhador não é tratado de forma humana,
torna-se difícil oferecer esse cuidado humanizado. Envolve condições de trabalho,
respeito entre as categorias e reconhecimento profissional (Ent_1).

Esse depoimento demonstra que a humanização é compreendida como um processo
coletivo, sustentado pelo respeito, pela colaboração e pelo reconhecimento entre os diferentes
atores envolvidos no cuidado. Nessa perspectiva, a qualidade da assistência depende das
66

relações construídas no ambiente de trabalho e do compromisso compartilhado com a produção
de um cuidado mais humano.
Os participantes também reconhecem que a concretização dessa proposta enfrenta
desafios relacionados à organização do trabalho e às condições institucionais. Conforme
destacado:
[...] os desafios envolvem a questão do imediatismo, a hierarquia dentro do hospital e
algumas vezes a sobrecarga de trabalho [...] a falta de espaços de diálogo institucional
dificulta a consolidação de práticas humanizadas. A educação permanente, a
valorização da saúde mental do profissional deveria ser considerada essenciais
(Ent_3).

Essa narrativa evidencia que fatores como a sobrecarga de trabalho, a hierarquia e a
ausência de espaços de diálogo comprometem a participação, a colaboração entre os
profissionais e a consolidação de práticas humanizadas. Ao mesmo tempo, destaca a
importância da educação permanente e da valorização da saúde mental como estratégias para
fortalecer relações mais cooperativas e favorecer o cuidado humanizado.
Essa compreensão está em consonância com a PNH, que reconhece a
corresponsabilização como princípio organizador do cuidado, envolvendo gestores,
trabalhadores e usuários na produção da saúde (Vieira Filho et al., 2024; Couto et al., 2026).
Além disso, a PNH enfatiza a necessidade de cuidar de quem cuida, reconhecendo que a
qualidade da assistência depende também das condições físicas, emocionais e institucionais dos
profissionais. Estudos recentes reforçam essa perspectiva ao destacar a valorização do
trabalhador e a construção de ambientes institucionais mais saudáveis (Silva, 2025; Couto et
al., 2026).
Sob a perspectiva das representações sociais, esse conjunto de elementos revela que a
humanização é concebida como uma construção coletiva, na qual o envolvimento das pessoas,
a participação ativa e as relações colaborativas constituem condições essenciais para a
efetivação do cuidado. Assim, os resultados evidenciam que a humanização ultrapassa a
dimensão individual da assistência e se consolida por meio da corresponsabilização, da
cooperação e da valorização das relações que permeiam o cotidiano dos serviços de saúde.
4.3.6 Eixo 6: O cuidado como prática de acolhimento e compreensão
O halo "cuidado" evidencia a dimensão relacional da prática assistencial, aproximando
a humanização das experiências vividas no cotidiano do atendimento. Na análise de similitude,
67

esse halo associa-se aos termos "momento", "acolhimento" e "entender", indicando que o
cuidado é representado como uma prática fundamentada na compreensão das necessidades dos
sujeitos e na valorização do encontro terapêutico. Sob a perspectiva da TRS (Moscovici, 2003;
Abric, 2000), esses elementos periféricos traduzem o núcleo central "humanização" em ações
concretas desenvolvidas durante o processo de cuidado.
Nesse contexto, a humanização é compreendida como uma prática que integra
competência técnico-científica, acolhimento e respeito à singularidade do paciente. Conforme
relatado:
[...] humanização em saúde consiste na integração da excelência técnica com a ética
do cuidado. Não se trata apenas de gentileza, mas de respeitar a história, a cultura e a
autonomia do paciente [...] o cuidado humanizado valoriza a individualização em um
ambiente que já é sobrecarregado por si só (ent_4).

Esse relato evidencia que o cuidado humanizado se concretiza quando o conhecimento
técnico é exercido de forma sensível às necessidades, aos valores e à experiência de cada sujeito.
No cotidiano profissional, essa compreensão manifesta-se em atitudes que qualificam o
encontro terapêutico:
[...] no cotidiano profissional, a humanização exige esforço constante diante da
pressão por produtividade. Pequenos gestos como explicar procedimentos, respeitar o
corpo do paciente e envolver a família são estratégias para manter a dignidade no
cuidado (Ent_5).

Essa narrativa demonstra que a humanização se expressa nos diferentes momentos do
cuidado, especialmente por meio do acolhimento, da escuta, da compreensão das necessidades
do paciente e do respeito à sua singularidade, mesmo diante das limitações impostas pela rotina
assistencial (Oliveira, 2012; Santos, 2025).
Este eixo, evidencia que a humanização não representa uma oposição à técnica, mas
qualifica sua aplicação ao integrar conhecimento científico, acolhimento e compreensão das
necessidades dos usuários. Assim, o cuidado fisioterapêutico é representado como uma prática
relacional, construída no encontro entre profissional e paciente.
Essa compreensão está em consonância com a Política Nacional de Humanização, que
reconhece o acolhimento como diretriz fundamental para a produção do cuidado, articulando
escuta qualificada, vínculo e responsabilização (Bona et al., 2025; Santos, 2025). Sob a
perspectiva fenomenológica, o cuidado constitui uma experiência intersubjetiva, na qual
68

compreender o outro e reconhecer sua singularidade tornam-se elementos essenciais para a
efetivação da humanização.
Assim, os resultados evidenciam que a humanização se materializa por meio do
acolhimento, da compreensão das necessidades dos sujeitos e da valorização de cada momento
do cuidado, reafirmando o encontro terapêutico como elemento central da prática
fisioterapêutica.
4.3.7 Síntese Integrada dos Achados: A humanização na fisioterapia hospitalar
A integração dos eixos evidencia que a representação social da humanização na
fisioterapia hospitalar constitui uma estrutura articulada de significados, na qual dimensões
éticas, relacionais, técnicas e institucionais se complementam na compreensão do cuidado. O
núcleo central “humanização” organiza essa representação, enquanto os eixos Paciente,
Profissional, Hospital, Gente e Cuidado expressam diferentes formas de sua concretização no
cotidiano da prática fisioterapêutica.
De forma integrada, os resultados demonstram que a humanização é representada como
uma prática fundamentada na escuta, no acolhimento, na compreensão das necessidades dos
sujeitos, na participação compartilhada e na corresponsabilização entre profissionais, gestores,
pacientes e familiares. Essa compreensão amplia o cuidado para além da dimensão técnicoassistencial, valorizando a singularidade do paciente, as relações interpessoais e o compromisso
ético que permeia a atuação profissional.
Entretanto, os achados também evidenciam que a concretização dessas práticas é
tensionada por fatores institucionais, como a hierarquia, a sobrecarga de trabalho, a cultura
organizacional e a insuficiência de espaços de diálogo, elementos que limitam a incorporação
dos princípios da humanização no cotidiano dos serviços de saúde.
À luz da PNH, observa-se que a efetivação desse modelo de cuidado depende da
articulação entre mudanças individuais, coletivas e institucionais, fortalecendo a
corresponsabilização, a valorização dos trabalhadores e a participação dos usuários na produção
do cuidado. Nesse contexto, a humanização configura-se como um processo contínuo de
transformação das práticas assistenciais, no qual o cuidado fisioterapêutico é compreendido
como um encontro ético e relacional que integra competência técnico-científica, acolhimento e
reconhecimento da singularidade humana, conforme sintetizado na Figura 3.
Figura 3 – Síntese Integrada Geral dos Achados das Representações Sociais
69

Fonte: Elaborado pela autora com auxílio dos dados da pesquisa e suporte de inteligência artificial generativa
(ChatGPT), 2026.

4.4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A análise das representações sociais da humanização do cuidado na fisioterapia
hospitalar, a partir da análise de similitude realizada no software IRAMUTEQ, permitiu
identificar que a humanização se configura como núcleo central das representações sociais dos
fisioterapeutas, organizando e conferindo sentido aos demais elementos da prática assistencial.
Os resultados evidenciam que a humanização é compreendida pelos profissionais como
uma postura ética e relacional, indissociável da competência técnica. Nesse contexto, destacase o resgate da subjetividade do paciente, a valorização da escuta ativa e a construção de
vínculos terapêuticos, elementos que tensionam e, ao mesmo tempo, ressignificam o modelo
biomédico tradicional.
No âmbito da formação profissional, a humanização foi percebida como um processo
contínuo de aprendizagem, iniciado na graduação e fortalecido por meio da educação
permanente. A presença de termos associados à formação e ao diálogo no sistema periférico da
representação indica o reconhecimento da necessidade de bases teóricas consistentes para
sustentar práticas alinhadas à PNH. Entretanto, identifica-se uma lacuna entre o discurso
formativo e a prática cotidiana, evidenciando a necessidade de maior integração curricular das
diretrizes da humanização.
70

Quanto à prática cotidiana, os achados revelam que a humanização se materializa em
dispositivos como a escuta qualificada, o diálogo e as rodas de conversa, ainda que sob
tensionamentos institucionais, como sobrecarga de trabalho, hierarquização e fragmentação do
cuidado. Nesse cenário, o cuidado humanizado emerge como um esforço contínuo de
articulação entre exigências técnicas e dimensões subjetivas do atendimento.
Como limitação, destaca-se que o estudo foi desenvolvido em um único hospital geral,
refletindo as especificidades desse contexto institucional. Contudo, por tratar-se de uma
investigação qualitativa fundamentada na Teoria das Representações Sociais, o objetivo não
consiste em produzir generalizações estatísticas, mas compreender, em profundidade, os
significados compartilhados pelos participantes acerca da humanização no cuidado
fisioterapêutico hospitalar.
Recomenda-se a realização de estudos em diferentes contextos hospitalares e com outros
grupos profissionais, a fim de ampliar a compreensão das representações sociais da
humanização e de suas relações com os processos formativos e as práticas de cuidado em saúde.
Conclui-se que a humanização constitui um elemento estruturante das representações
sociais dos fisioterapeutas, não se restringindo a uma diretriz normativa, mas configurando-se
como dimensão constitutiva da identidade profissional e da prática assistencial. A análise de
similitude evidenciou sua centralidade na organização do discurso dos participantes, enquanto
a análise de conteúdo permitiu aprofundar os significados e as contradições presentes nessas
representações.

71

REFERÊNCIAS
ABRIC, J. C. A abordagem estrutural das representações sociais. In: MOREIRA, A. S. P.;
OLIVEIRA, D. C. (org.). Estudos interdisciplinares de representação social. Goiânia: AB
Editora, 2000.
ALMEIDA, P. J. R.; CALDEIRA, F. I. D.; GOMES, C. Do modelo biomédico ao modelo
biopsicossocial: a formação de profissionais da saúde no Brasil. Revista Brasileira de
Educação Física, Saúde e Desempenho – REBESDE, v. 3, n. 2, e017, 2022. Disponível em:
https://revista.unifatecie.edu.br/index.php/rebesde/article/view/131. Acesso em: 21 jan. 2026.
BARDIN, L. Análise de conteúdo. São Paulo: Edições 70 Brasil, 2016.
BATISTA, K.; PEDREIRA, E.; GALVÃO, V.; MONTEIRO, S. Humanização na formação
acadêmica: percepção do estudante de fisioterapia. Revista Pesquisa em Fisioterapia, v. 9, n.
2, p. 219–226, 2019. Disponível em:
https://www5.bahiana.edu.br/index.php/fisioterapia/article/view/2334. Acesso em: 21 jun.
2025.
BENEVIDES, R.; PASSOS, E. A humanização como dimensão pública das políticas de
saúde. Ciência & Saúde Coletiva, v. 10, n. 3, p. 561–571, 2005a. Disponível em:
https://www.scielo.br/j/csc/a/Dtq6TH5LdJbfDPDwSxSmy6G/abstract/?lang=pt. Acesso em: 3
nov. 2024.
BENEVIDES, R.; PASSOS, E. Humanização na saúde: um novo modismo? Interface –
Comunicação, Saúde, Educação, v. 9, n. 17, p. 389–406, 2005b. Disponível em:
https://www.scielo.br/j/icse/a/qgwhN4TZKY5K3LkPfVRbRQK/?format=pdf&lang=pt.
Acesso em: 29 nov. 2024.
BIERNACKI, P.; WALDORF, D. Snowball sampling: problems and techniques of chain
referral sampling. Sociological Methods & Research, v. 10, n. 2, p. 141–163, 1981.
Disponível em: https://journals.sagepub.com/doi/10.1177/004912418101000205. Acesso em:
5 jun. 2026.
BONA, E. A.; QUEIROZ, K. H. S.; MATTOS, M. E. J.; CRUZ, J. C. Ç.; CONSTANTINO,
M. F.; SANTIAGO, E. K. S.; FURTADO, K. C. N.; BARACHO, M. N. L. Humanização
hospitalar sob a perspectiva do assistente social. ARACÊ, v. 7, n. 4, p. 19451–19468, 2025.
Disponível em: https://periodicos.newsciencepubl.com/arace/article/view/4554. Acesso em:
21 jun. 2026.
BRASIL. Ministério da Saúde. Política Nacional de Educação Permanente em Saúde.
Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2018. Disponível em:
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/politica_nacional_educacao_permanente_saude_f
ortalecimento.pdf. Acesso em: 10 jan. 2026.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Núcleo Técnico da Política
Nacional de Humanização. HumanizaSUS: documento base para gestores e trabalhadores
do SUS. 4. ed. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2010. Disponível em:
72

https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/humanizasus_documento_gestores_trabalhadores
_sus.pdf. Acesso em: 12 dez. 2025.
CAMARGO, B. V.; JUSTO, A. M. IRAMUTEQ: um software gratuito para análise de dados
textuais. Temas em Psicologia, v. 21, n. 2, p. 513–518, 2013. Disponível em:
https://www.mackenzie.br/fileadmin/ARQUIVOS/Public/top/midias_noticias/2015/iramuteq/
artigo_iramuteq.pdf. Acesso em: 4 mar. 2026.
CAMPOS, H. L. M.; SILVA, F. N.; DIAS, F. M. V. Humanização da saúde na fisioterapia:
uma revisão sistemática sob a perspectiva filosófica desse conceito. Fisioterapia Brasil, v.
13, n. 5, p. 390–397, 2012. Disponível em:
https://convergenceseditorial.com.br/index.php/fisioterapiabrasil/article/view/572/1177.
Acesso em: 10 jan. 2025.
COUTO, N. N. V.; SANTOS, Y. P.; BEZERRA, P. H. S.; BEZERRA, V. S.; SILVA, C. G.;
GUIMARÃES, M. H. D.; FRANÇA, U. M.; RODRIGUES, J. S.; MARTINS, R. M. B.;
RODRIGUES, S. A. Humanização do cuidado em serviços de saúde: perspectivas éticas,
emocionais e organizacionais da prática multiprofissional. Revista Ibero-Americana de
Humanidades, Ciências e Educação, v. 12, n. 5, 2026. Disponível em:
https://doi.org/10.51891/rease.v12i5.26069. Acesso em: 21 jun. 2026.
CRUZ, T. T. S.; MORETO, V. Humanização no atendimento fisioterapêutico em unidade de
terapia intesiva: revisão bibliográfica. REASE, v. 9, n. 10, p. 4922–4930, 2023. Disponível
em: https://periodicorease.pro.br/rease/article/view/12041. Acesso em: 1 jun. 2026.
DORICCI, G. C.; GUANAES-LORENZI, C. Revisão integrativa sobre cogestão no contexto
da Política Nacional de Humanização. Ciência & Saúde Coletiva, v. 26, n. 8, p. 2949–2959,
2021. Disponível em: https://www.scielo.br/j/csc/a/G7XhLNvSZGX7QFymgKDHd9H/.
Acesso em: 10 fev. 2025.
FERREIRA NETO, J. L.; FERREIRA, M. E. C.; OLIVEIRA, M. E. C.; PENIDO, C. M. F. A
formulação da Política Nacional de Humanização e seus antecedentes históricos. Psicologia:
Ciência e Profissão, v. 44, e268625, 2024. Disponível em: https://doi.org/10.1590/19823703003268625. Acesso em: 21 jun. 2025.
JODELET, D. Representações sociais: um domínio em expansão. In: JODELET, D. (org.). As
representações sociais. Tradução de L. Ulup. Rio de Janeiro: EdUERJ, 2001. p. 17–44.
Original publicado em 1989.
LADEIRA, T. L.; KOIFMAN, L. Bioética na prática clínica do fisioterapeuta: concepções de
docentes e discentes. Revista Bioética, v. 29, n. 3, p. 588–599, 2021. Disponível em:
https://doi.org/10.1590/1983-80422021293494. Acesso em: abr. 2025.
LIMA JÚNIOR, D. A.; LIMA, D. S.; DIAS, E. A. F.; FERREIRA, L. C.; FONTENELE, R.
P.; OLIVEIRA, V. C. L.; NETO, A. R.; SILVA, C. M. Barreiras enfrentadas na assistência
humanizada em Unidades de Terapia Intensiva - UTI. Research, Society and Development,
v. 11, n. 14, e471111436327, 2022. Disponível em:
https://rsdjournal.org/rsd/article/download/36327/30538/403253. Acesso em: 21 jun. 2025.
73

MINAYO, M. C. S. O desafio do conhecimento: pesquisa qualitativa em saúde. São
Paulo: Hucitec, 2014.
MINAYO, M. C. S. Amostragem e saturação em pesquisa qualitativa: consensos e
controvérsias. Revista Pesquisa Qualitativa, São Paulo, v. 5, n. 7, p. 1–12, abr. 2017. ISSN
2525-8222. Disponível em: https://editora.sepq.org.br/rpq/article/view/82. Acesso em: 10 jan.
2026.
MOSCOVICI, S. Representações sociais: investigações em psicologia social. Petrópolis:
Vozes, 2003.
MUTOU, F. M. L. A humanização na fisioterapia: uma revisão sistemática. Revista
Científica UMC, v. 4, n. 1, 2019. Disponível em:
https://revista.umc.br/index.php/revistaumc/article/view/289. Acesso em: 10 fev. 2025.
NASCIMENTO, L. R.; ALVES, M. F. V.; ANDRADE, T.; OLIVEIRA, N. M. L. Aspectos
éticos na fisioterapia hospitalar: revisão de escopo. ABENFISIO, v. 11, n. 21, 2023.
Disponível em: https://doi.org/10.18310/2358-8306.v11n21.a3. Acesso em: 21 jun. 2026.
OLIVEIRA, G. N. O apoio institucional aos processos de democratização das relações de
trabalho na perspectiva da humanização. Tempus, v. 6, n. 2, p. 223–235, 2012. Disponível
em: https://www.tempusactas.unb.br/index.php/tempus/article/view/1125. Acesso em: 21 jun.
2025.
PAIVA, C. B. N.; BARROS, S. M. M. Representações sociais da humanização em pediatria
hospitalar entre profissionais de saúde. Psicologia em Estudo, v. 28, e54532, 2023.
Disponível em:https://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/biblio-1529186. Acesso em: 7
abr. 2025.
RATINAUD, P. IRAMUTEQ: interface de R pour les analyses multidimensionnelles de
textes et de questionnaires. Toulouse: Laboratoire LERASS, 2009. Disponível em:
http://www.iramuteq.org. Acesso em: 8 jan. 2026.
REINERT, M. Alceste: une méthodologie d’analyse des données textuelles et une application:
Aurélia de Gérard de Nerval. Bulletin of Sociological Methodology, v. 26, n. 1, p. 24–54,
1990. Disponível em: https://journals.sagepub.com/doi/10.1177/075910639002600103.
Acesso em: 12 fev. 2026.
SANTOS, P. O. A Política Nacional de Humanização: princípios, diretrizes e desafios na
consolidação do SUS. Revista Multidisciplinar em Saúde, v. 6, n. 1, 2025. Disponível em:
https://www.researchgate.net/publication/389149744. Acesso em: 21 maio 2026.
SILVA, I. D.; SILVEIRA, M. F. A. A humanização e a formação do profissional em
fisioterapia. Ciência & Saúde Coletiva, v. 16, p. 1535–1546, 2011. Disponível em:
https://www.scielo.br/j/csc/a/dJfwdfzVc4nVysSC7HSNY6R/. Acesso em: 3 fev. 2025.

74

SILVA, J. M. A humanização no Sistema Único de Saúde (SUS): avanços, desafios e
perspectivas. RCMOS, v. 1, n. 1, 2025. Disponível em:
https://doi.org/10.51473/rcmos.v1i1.2025.1012. Acesso em: 21 jan. 2026.
VIEIRA FILHO, L. V.; SOUSA, I. F. L.; VASCONCELOS, P. H. A.; FILHO, S. T.; SILVA,
M. P. F.; ARAUJO, L. C. N. Estresse e a necessidade da valorização profissional na
implantação dos processos de humanização do SUS (Humanizasus). Ciência & Saúde
Coletiva, 2019. Disponível em: https://afmo.emnuvens.com.br/afmo/article/view/40. Acesso
em: 21 nov. 2025.

75

5 Artigo 3: O e-book "Humanização no Cuidado Hospitalar" como dispositivo pedagógico
para a Educação Permanente em Saúde: relato de experiência em um hospital geral
Article 3: The e-book “Humanization in Hospital Care” as a Pedagogical Tool for
Permanent Health Education: an experience report in a general hospital
RESUMO
Introdução: A Política Nacional de Humanização (PNH) constitui uma importante estratégia
para qualificar o cuidado em saúde, promovendo acolhimento, participação,
corresponsabilização e valorização dos sujeitos envolvidos no processo assistencial. Nesse
contexto, os produtos educacionais desenvolvidos em programas de Mestrado Profissional
apresentam potencial para fortalecer a formação continuada e aproximar os resultados das
pesquisas dos cenários de prática. Objetivo: Relatar a experiência de implementação do e-book
Humanização no Cuidado Hospitalar por meio de rodas de conversa realizadas com
profissionais e estudantes da área da saúde em um hospital geral. Metodologia: Trata-se de um
relato de experiência realizado em um Hospital Geral, durante o mês de maio de 2026. A
implementação do produto educacional ocorreu por meio de duas rodas de conversa, com
duração média de uma hora cada, envolvendo 20 participantes entre fisioterapeutas, acadêmicos
de fisioterapia, residentes multiprofissionais e outros profissionais da saúde. O e-book foi
utilizado como recurso disparador para reflexões sobre a humanização no contexto hospitalar.
Resultados: A experiência evidenciou que o e-book favoreceu a articulação entre teoria e
prática, atuando como dispositivo pedagógico para problematização do cotidiano assistencial,
compartilhamento de experiências e construção coletiva de conhecimentos. Os temas mais
discutidos envolveram fundamentos da humanização, princípios e diretrizes da PNH,
acolhimento, escuta qualificada, trabalho multiprofissional, liderança humanizada,
comunicação em saúde, autocuidado profissional e ética no cuidado. As discussões também
permitiram identificar desafios relacionados à sobrecarga de trabalho, limitações institucionais
e lacunas na formação profissional, evidenciando que a efetivação da humanização depende
não apenas do compromisso individual dos trabalhadores, mas também de condições
organizacionais favoráveis. A experiência reforçou o potencial das rodas de conversa como
estratégia de Educação Permanente em Saúde para promover reflexão crítica e ressignificação
das práticas profissionais. Considerações Finais: O e-book mostrou-se uma ferramenta
educativa relevante para a Educação Permanente em Saúde, atuando como dispositivo de
reflexão crítica e apoio à qualificação das práticas assistenciais. A associação entre produto
educacional e rodas de conversa demonstrou potencial para fortalecer a humanização do
cuidado, aproximar pesquisa e prática profissional e estimular processos formativos em
diferentes contextos de saúde. A experiência reforça a relevância dos produtos educacionais
desenvolvidos em programas de Mestrado Profissional como estratégias de transformação dos
cenários de prática e fortalecimento do Sistema Único de Saúde.
Palavras-chave: Humanização da Assistência; Educação continuada; Educação em saúde;
Profissional da Saúde; Hospitais Gerais.

76

ABSTRACT
Introduction: The National Humanization Policy (NHP) constitutes an important strategy for
improving the quality of healthcare by promoting welcoming practices, participation, coresponsibility, and the appreciation of all individuals involved in the care process. In this
context, educational products developed within Professional Master's Programs have the
potential to strengthen continuing education and bring research findings closer to real-world
practice settings. Objective: To report the experience of implementing the e-book
Humanization in Hospital Care through discussion circles conducted with healthcare
professionals and students in a general hospital. Methodology: This is an experience report
carried out in a General Hospital May 2026. The implementation of the educational product
took place through two discussion circles, each lasting approximately one hour, involving 20
participants, including physiotherapists, physiotherapy students, multiprofessional residents,
and other healthcare professionals. The e-book was used as a triggering resource to promote
reflections on humanization in the hospital context. Results: The experience demonstrated that
the e-book facilitated the integration of theory and practice, functioning as a pedagogical device
for problematizing everyday healthcare activities, sharing experiences, and fostering the
collective construction of knowledge. The most frequently discussed topics included the
foundations of humanization, the principles and guidelines of the National Humanization
Policy, welcoming practices, qualified listening, multiprofessional teamwork, humanized
leadership, health communication, professional self-care, and ethics in healthcare. The
discussions also enabled the identification of challenges related to work overload, institutional
limitations, and gaps in professional training, highlighting that the effective implementation of
humanization depends not only on the individual commitment of healthcare workers but also
on favorable organizational conditions. The experience reinforced the potential of discussion
circles as a Continuing Health Education strategy to promote critical reflection and the
reframing of professional practices. Final Considerations: The e-book proved to be a relevant
educational tool for Continuing Health Education, serving as a device for critical reflection and
supporting the improvement of healthcare practices. The combination of the educational
product and discussion circles demonstrated potential to strengthen humanized care, bridge the
gap between research and professional practice, and stimulate educational processes in different
healthcare settings. The experience reinforces the relevance of educational products developed
in Professional Master's Programs as strategies for transforming practice settings and
strengthening the Brazilian Unified Health System (SUS).
Keywords: Humanization of Care; Continuing Education; Health Education; Health
Professional; General Hospitals.

77

5.1 INTRODUÇÃO
A Política Nacional de Humanização (PNH), instituída pelo Ministério da Saúde (MS),
constitui um marco para a reorientação das práticas de cuidado no Sistema Único de Saúde
(SUS), ao promover a valorização de usuários, trabalhadores e gestores, o fortalecimento dos
vínculos, a corresponsabilização e a construção de práticas mais integrais e resolutivas. Seus
princípios buscam superar o modelo assistencial fragmentado e centrado na doença,
reconhecendo a integralidade do cuidado e a complexidade das relações estabelecidas nos
serviços de saúde (Brasil, 2010; Couto et al., 2019).
Entretanto, a consolidação dos princípios da PNH no cotidiano dos serviços de saúde,
especialmente no contexto hospitalar, ainda enfrenta desafios relacionados à organização do
trabalho, às hierarquias institucionais, à sobrecarga dos profissionais e às condições estruturais
dos serviços. Esses fatores dificultam a incorporação de práticas humanizadas e contribuem
para o distanciamento entre as diretrizes da política e a realidade vivenciada por trabalhadores
e usuários (Sousa et al., 2019; Silva, 2025).
Nesse contexto, a Educação Permanente em Saúde (EPS) configura-se como uma
estratégia essencial para promover mudanças nas práticas profissionais, ao compreender o
trabalho como espaço privilegiado de aprendizagem, reflexão crítica e construção coletiva do
conhecimento. Diferentemente de ações pontuais de capacitação, a EPS fundamenta-se na
problematização das situações reais do cotidiano e no protagonismo dos sujeitos envolvidos,
favorecendo processos contínuos de transformação das práticas assistenciais (Brasil, 2018;
Andrade, 2025). Entre as metodologias utilizadas nesse processo, destacam-se as rodas de
conversa, por favorecerem o diálogo horizontal, a troca de experiências e a construção
compartilhada de saberes, em consonância com os pressupostos da educação problematizadora
(Barbosa; Lannes, 2023).
A incorporação de tecnologias educacionais potencializa as ações de Educação
Permanente em Saúde ao ampliar o acesso ao conhecimento científico e estimular processos
formativos mais participativos. Entre essas tecnologias, os e-books destacam-se por sua
acessibilidade, flexibilidade e potencial para mediar discussões sobre temas complexos,
favorecendo a sensibilização e a reflexão crítica dos profissionais acerca da humanização do
cuidado (Brasil, 2018; Mendonça; Dias, 2023). No âmbito dos programas de Mestrado
Profissional, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES)
incentiva o desenvolvimento de produtos educacionais inovadores, aplicáveis e passíveis de
78

replicação nos cenários de prática, fortalecendo a articulação entre pesquisa, ensino e serviço
(Andrade, 2025; Santos, 2025; Buss; Mafezoni, 2025).
Embora estudos evidenciem o potencial das tecnologias educativas e das metodologias
participativas para fortalecer a Educação Permanente em Saúde, sua efetividade depende da
articulação com condições institucionais favoráveis, como apoio da gestão, engajamento dos
profissionais e uma cultura organizacional comprometida com a humanização. Dessa forma, a
utilização de produtos educacionais deve ser compreendida como estratégia capaz de estimular
processos reflexivos e de qualificar as práticas assistenciais, sem desconsiderar a influência do
contexto organizacional na sustentabilidade das mudanças (Mendonça; Dias, 2023; Romão et
al., 2024; Silva, 2025).
A sistematização desta experiência possibilita articular pesquisa, formação e prática
assistencial a partir da implementação de um produto educacional oriundo de um Mestrado
Profissional. Conforme destacam Mussi, Flores e Almeida (2021), relatos de experiência
adquirem relevância científica quando transcendem a descrição dos acontecimentos e
promovem análise crítica capaz de produzir conhecimentos aplicáveis a outros contextos.
A experiência apresenta caráter inovador ao integrar o e-book Humanização no Cuidado
Hospitalar, elaborado com base nos resultados de uma pesquisa de mestrado, às ações de
Educação Permanente em Saúde por meio de rodas de conversa realizadas em ambiente
hospitalar. Ao articular produto educacional, metodologias participativas e prática assistencial,
esta experiência evidencia possibilidades para o fortalecimento da humanização do cuidado e
constitui uma estratégia potencialmente replicável em diferentes serviços de saúde.
Diante desse contexto, este relato de experiência tem como objetivo relatar a experiência
de implementação do e-book Humanização no Cuidado Hospitalar por meio de rodas de
conversa realizadas com profissionais e estudantes da área da saúde em um hospital geral.
5.2. PERCURSO METODOLÓGICO
Este estudo caracteriza-se como um relato de experiência, modalidade de produção
científica que possibilita a descrição, sistematização e reflexão crítica sobre experiências
desenvolvidas em contextos profissionais, articulando a prática vivenciada aos referenciais
teóricos que a fundamentam (Mussi; Flores; Almeida, 2021).
A experiência relatada refere-se à implementação do e-book Humanização no Cuidado
Hospitalar, produto educacional desenvolvido como resultado da pesquisa de mestrado
79

profissional intitulada Itinerário formativo em práticas de humanização de fisioterapeutas em
um hospital geral. O material foi elaborado com base nos achados da pesquisa e estruturado
como uma tecnologia educacional voltada à formação e à sensibilização de profissionais e
estudantes da área da saúde para a temática da humanização do cuidado.
A elaboração do produto educacional encontra respaldo nas diretrizes da Coordenação
de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), que reconhece os produtos
educacionais como instrumentos capazes de promover inovação, aplicabilidade e impacto nos
cenários profissionais, contribuindo para a articulação entre pesquisa, ensino e prática
(Andrade, 2025; Buss; Mafezoni, 2025). Nesse contexto, o e-book foi concebido como um
recurso educativo digital destinado à disseminação do conhecimento científico em linguagem
acessível e contextualizada (Santos, 2024).
A implementação do produto ocorreu em um Hospital Geral, localizado em Alagoas,
durante o mês de maio de 2026. A atividade foi desenvolvida por meio de duas rodas de
conversa, realizadas como estratégia de mediação pedagógica e Educação Permanente em
Saúde (EPS).
Participaram da experiência 20 indivíduos, entre fisioterapeutas, acadêmicos de
fisioterapia, residentes multiprofissionais e outros profissionais da saúde atuantes na instituição.
A participação de diferentes categorias profissionais possibilitou a construção de um espaço de
diálogo multiprofissional, favorecendo a troca de experiências e a reflexão sobre o cuidado em
saúde.
A escolha das rodas de conversa fundamentou-se em seu potencial como estratégia
participativa de aprendizagem e construção coletiva do conhecimento, amplamente utilizadas
na EPS e alinhadas aos princípios da Política Nacional de Humanização (PNH). Segundo
Barbosa e Lannes (2023), essa metodologia favorece a problematização da realidade e
possibilita a valorização das experiências dos participantes.
A experiência foi desenvolvida em etapas sequenciais, conforme apresentado na figura
4, que compreenderam o planejamento da intervenção, a preparação do produto educacional, a
realização das rodas de conversa, a mediação das discussões, a síntese coletiva dos principais
aspectos abordados e o encerramento das atividades.
Figura 4 – Percurso de implementação do e-book como estratégia de Educação Permanente
em Saúde.
80

Fonte: Elaborado pela autora com auxílio dos dados da pesquisa e suporte de inteligência artificial generativa
(ChatGPT), 2026.

Durante todo o processo, a pesquisadora atuou como mediadora das rodas de conversa,
conduzindo as discussões, estimulando a participação dos profissionais, favorecendo a troca de
experiências e promovendo reflexões fundamentadas nos conteúdos do e-book e nos princípios
da PNH. Essa atuação buscou criar um ambiente dialógico, acolhedor e participativo,
favorecendo a construção coletiva de conhecimentos e a problematização das práticas
cotidianas.
Cada encontro teve duração média de uma hora e foi conduzido de forma dialógica e
participativa. Inicialmente, realizou-se a apresentação do e-book, contextualizando sua origem,
finalidade e organização. Em seguida, foi promovida uma roda de conversa orientada pelos
conteúdos do material, estimulando a participação dos presentes e a discussão de experiências
relacionadas ao cotidiano assistencial.
Os registros da experiência foram realizados por meio de lista de frequência e registros
fotográficos, utilizados para documentar o desenvolvimento das atividades e subsidiar a
descrição da experiência. Além disso, foram realizadas anotações de falas representativas dos
81

participantes durante os encontros, registradas de forma manual pela pesquisadora, com o
objetivo de enriquecer a análise qualitativa e preservar expressões significativas emergentes nas
discussões. As imagens foram utilizadas exclusivamente para fins acadêmicos, respeitando os
princípios éticos relacionados à preservação da identidade dos participantes.
As reflexões apresentadas neste relato foram construídas a partir das percepções
registradas durante as rodas de conversa, das anotações realizadas pela pesquisadora, dos
registros fotográficos e da observação das interações entre os participantes. Esses elementos
permitiram descrever a experiência, identificar aspectos facilitadores e desafios encontrados
durante a implementação do produto educacional, bem como refletir criticamente sobre suas
contribuições para a EPS e para o fortalecimento das práticas de humanização no contexto
hospitalar.
A utilização do e-book associada às rodas de conversa buscou promover espaços de
diálogo, reflexão e compartilhamento de experiências, alinhando-se aos pressupostos da
Educação Permanente em Saúde e às recomendações da CAPES para aplicação de produtos
educacionais em cenários reais de prática profissional.
A experiência foi considerada relevante por representar a implementação de um produto
educacional em cenário real de prática, possibilitando a articulação entre pesquisa, ensino e
assistência. A vivência proporcionou reflexões sobre potencialidades e desafios da utilização
de tecnologias educacionais na EPS, reforçando o papel da humanização como processo
contínuo de transformação das práticas assistenciais.
A implementação do produto educacional integra a pesquisa intitulada Itinerário
formativo em práticas de humanização de fisioterapeutas em um hospital geral, aprovada pelo
Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Alagoas, sob CAAE nº
89728925.3.0000.5013 e Parecer nº 7.878.236. O estudo foi conduzido em conformidade com
as Resoluções do Conselho Nacional de Saúde nº 466/2012 e nº 510/2016. Todos os
participantes manifestaram sua concordância mediante assinatura do Termo de Consentimento
Livre e Esclarecido (TCLE), sendo assegurados o anonimato, a confidencialidade das
informações e o uso das imagens exclusivamente para fins científicos, mediante autorização
dos participantes.
5.3 RESULTADOS E DISCUSSÃO
5.3.1 Construção e caracterização do e-book como produto educacional
82

A elaboração do e-book Humanização no Cuidado Hospitalar constituiu-se como um
dos resultados do Mestrado Profissional em Ensino na Saúde (MPES), configurando-se como
um produto educacional voltado à qualificação das práticas de cuidado no contexto hospitalar.
Sua construção foi orientada pela articulação entre evidências científicas, experiência prática e
os princípios da Política Nacional de Humanização (PNH), em consonância com as diretrizes
da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), que destacam a
importância de produtos educacionais inovadores, aplicáveis e com potencial de transformação
dos cenários de prática (Andrade, 2025; Buss; Mafezoni, 2025).
O produto foi desenvolvido no formato de e-book, caracterizando-se como tecnologia
educacional digital de caráter formativo e informativo, destinada a profissionais de saúde,
estudantes de graduação, residentes multiprofissionais, preceptores e gestores. Essa amplitude
de público-alvo foi definida considerando o caráter transversal da humanização no cuidado em
saúde e sua inserção em diferentes níveis de formação e atuação profissional.
A construção do material teve como base uma abordagem descritiva e integrativa,
sustentada por revisão de literatura realizada em bases científicas, contemplando produções
relacionadas à humanização em saúde, à PNH e à formação em saúde. Os conteúdos foram
organizados em eixos temáticos progressivos, abrangendo desde os fundamentos teóricos da
humanização até dispositivos aplicados ao cotidiano assistencial, incluindo acolhimento,
comunicação em saúde, trabalho multiprofissional, liderança humanizada e autocuidado
profissional.
Do ponto de vista pedagógico, a elaboração do e-book foi fundamentada nos
pressupostos da aprendizagem significativa (Ausubel, 1963), da andragogia (Knowles, 1984) e
de abordagens contemporâneas de ensino mediado por tecnologias digitais. Essas perspectivas
possibilitaram a construção de um material que valoriza a autonomia do aprendiz, a integração
entre teoria e prática e a contextualização do conhecimento no cenário real do trabalho em
saúde.
Adicionalmente, o desenvolvimento do produto incorporou princípios de tecnologias
educacionais digitais e de design instrucional, com vistas à organização didática do conteúdo e
à facilitação do processo de aprendizagem (Filatro, 2018; Moran et al., 2015). Nesse sentido, o
e-book foi concebido como recurso educativo digital interativo, favorecendo o protagonismo
do sujeito na construção do conhecimento e o engajamento com os conteúdos propostos
(Falkembach, 2005; Valente, 2014).
83

A elaboração do material também se articula às diretrizes da Política Nacional de
Humanização, uma vez que busca fortalecer práticas de cuidado centradas no sujeito,
valorizando a transversalidade, o acolhimento e a produção coletiva do conhecimento no
processo de formação em saúde (Brasil, 2024; Santana, 2025). Assim, o e-book se apresenta
como uma ferramenta capaz de aproximar os conteúdos teóricos das necessidades concretas dos
serviços de saúde, contribuindo para a qualificação da assistência e para a Educação Permanente
em Saúde.
O produto educacional foi disponibilizado em repositórios institucionais de acesso
aberto e registrado com DOI, garantindo sua visibilidade, rastreabilidade e potencial de
replicação em diferentes contextos de formação e prática em saúde. Dessa forma, o e-book
consolida-se

como

uma

tecnologia

educacional

aplicada,

alinhada

às

demandas

contemporâneas do Sistema Único de Saúde (SUS) e aos princípios da Educação Permanente
em Saúde.
Acesso:

O

e-book

foi

disponibilizado,

por

meio

do

portal

EduCapes

(http://educapes.capes.gov.br/handle/capes/1174358) e possui DOI para identificação e
localização

permanente

encontra-se

disponível

(https://doi.org/10.5281/zenodo.15101278).
em

formato

interativo

no

link:

Adicionalmente,

https://heyzine.com/flip-

book/1a7c964c06.html, e será disponibilizado na página de produtos do MPES e no Repositório
Institucional da UFAL.
5.3.2 Implementação do produto educacional no contexto hospitalar
A implementação do e-book ocorreu por meio de duas rodas de conversa realizadas em
um Hospital Geral, em Alagoas, envolvendo 20 participantes entre fisioterapeutas, acadêmicos
de fisioterapia, residentes multiprofissionais e outros profissionais da saúde. A diversidade dos
participantes favoreceu a construção de um espaço de diálogo multiprofissional, possibilitando
a troca de experiências e a reflexão coletiva acerca das práticas de humanização desenvolvidas
no contexto hospitalar.
A atividade foi organizada em dois momentos complementares. Inicialmente, realizouse a apresentação do e-book, contextualizando sua origem, seus objetivos e sua relação com os
resultados da pesquisa de mestrado que o originou. Em seguida, foram promovidas rodas de
conversa nas quais o material foi utilizado como elemento disparador para a problematização
de situações vivenciadas no cotidiano assistencial.
84

Observou-se que a utilização do e-book favoreceu o interesse dos participantes e
estimulou a participação ativa nas discussões. Esse resultado corrobora o entendimento de que
produtos educacionais, quando articulados às demandas concretas dos cenários de prática,
apresentam potencial para promover a aproximação entre conhecimento científico e realidade
profissional (Buss; Mafezoni, 2025). Além disso, a estratégia adotada está alinhada às
recomendações da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES)
para os programas de mestrado profissional, que valorizam produtos educacionais capazes de
gerar impacto social, aplicabilidade e transformação dos contextos de atuação (Andrade, 2025).
Figura 5 – Apresentação do e-book “Humanização no Cuidado Hospitalar” aos participantes da
atividade realizada em um Hospital Geral, Maceió-AL, maio de 2026.

Fonte: Acervo da pesquisa (2026).
Figura 6 – Rodas de conversa sobre humanização do cuidado hospitalar com profissionais e
estudantes da área da saúde em um Hospital Geral, Maceió-AL, maio de 2026.

Fonte: Acervo da pesquisa (2026).
5.3.3 O e-book como dispositivo pedagógico para reflexão sobre a humanização
A utilização do e-book Humanização no Cuidado Hospitalar durante as rodas de
conversa evidenciou seu potencial como dispositivo pedagógico para mediação de processos
formativos no contexto hospitalar. Mais do que um material informativo, o e-book funcionou
como elemento disparador de reflexões acerca das práticas de cuidado, favorecendo a
85

participação ativa dos profissionais e a problematização de situações vivenciadas no cotidiano
assistencial.
Observou-se que a apresentação dos conteúdos do e-book despertou interesse entre os
participantes, especialmente por abordar temas diretamente relacionados aos desafios
enfrentados no ambiente hospitalar, como acolhimento, escuta qualificada, comunicação em
saúde, trabalho multiprofissional e valorização dos trabalhadores. A proximidade entre os
conteúdos apresentados e a realidade profissional contribuiu para ampliar o envolvimento dos
participantes nas discussões, favorecendo o compartilhamento de experiências e a construção
coletiva de conhecimentos.
Essa experiência reforça a compreensão de que os produtos educacionais desenvolvidos
nos programas de mestrado profissional podem desempenhar papel relevante na aproximação
entre a produção científica e os cenários reais de prática. Quando construídos a partir de
demandas concretas dos serviços, esses materiais tornam-se ferramentas capazes de favorecer
processos de reflexão crítica e transformação das práticas profissionais (Buss; Mafezoni, 2025;
Andrade, 2025).
Sob a perspectiva da Educação Permanente em Saúde (EPS), o e-book não foi utilizado
como instrumento de transmissão verticalizada de conhecimentos, mas como recurso mediador
do diálogo. Nesse sentido, sua utilização esteve alinhada aos pressupostos da EPS, que
compreende a aprendizagem como um processo construído a partir da problematização da
realidade e da valorização das experiências dos trabalhadores (Brasil, 2018; Barbosa, Lannes
2023). As rodas de conversa possibilitaram que os participantes relacionassem os conteúdos do
material às situações concretas vivenciadas em seus contextos de trabalho, favorecendo a
reflexão crítica sobre as práticas assistenciais.
Além disso, a experiência demonstrou que a associação entre tecnologias educacionais
e metodologias participativas potencializa os processos formativos. O e-book forneceu
subsídios teóricos para as discussões, enquanto as rodas de conversa criaram um espaço de
escuta, diálogo e construção compartilhada de sentidos sobre a humanização. Essa articulação
contribuiu para transformar o material educativo em um dispositivo de mobilização coletiva,
ampliando suas possibilidades de aplicação para além da leitura individual.
Dessa forma, a principal potência educativa observada não esteve apenas na
disponibilização de informações sobre a Política Nacional de Humanização (PNH), mas na
capacidade do e-book de estimular reflexões, promover diálogo entre diferentes profissionais e
86

favorecer a aproximação entre teoria, prática e contexto institucional. Tais aspectos reforçam o
potencial dos produtos educacionais como estratégias de EPS e como instrumentos capazes de
contribuir para a qualificação do cuidado e para o fortalecimento de práticas humanizadas nos
serviços de saúde.
5.3.4 Temas emergentes e desafios da humanização no contexto hospitalar
As rodas de conversa possibilitaram a emergência de reflexões ampliadas sobre a
humanização no contexto hospitalar, evidenciando tanto suas potencialidades quanto os
desafios para sua efetivação na prática assistencial. De modo geral, os participantes
reconheceram a humanização como uma prática complexa e multidimensional, que ultrapassa
atitudes individuais de cordialidade, envolvendo dimensões éticas, relacionais, organizacionais
e institucionais do trabalho em saúde. Essa compreensão aproxima-se dos pressupostos da
Política Nacional de Humanização (PNH), que concebe a humanização como uma estratégia
transversal voltada à transformação dos modos de cuidar e gerir os serviços de saúde (Batista
et al., 2019; Couto et al., 2019).
5.3.4.1 Concepções de humanização e alinhamento à PNH
Os participantes demonstraram compreensão ampliada da humanização, reconhecendoa como parte constitutiva do processo de trabalho em saúde. As falas evidenciaram que a
humanização não se restringe a atitudes individuais, mas envolve práticas institucionais,
organização do trabalho e relações interpessoais. "Às vezes, um minuto para escutar o paciente
faz mais diferença do que o procedimento" (P2). Além da escuta, os participantes destacaram o
acolhimento como elemento essencial. "Mesmo com a correria, o paciente percebe quando é
acolhido e tratado com respeito” (P7). Tal perspectiva dialoga com a PNH, que propõe a
transversalidade e a corresponsabilização como princípios estruturantes do cuidado em saúde
(Brasil, 2010; Silva, 2025).
5.3.4.2 Acolhimento, escuta qualificada e ambiência no cuidado
O acolhimento e a escuta qualificada emergiram como temas centrais das discussões.
Os participantes destacaram que a elevada demanda assistencial e a sobrecarga de trabalho
dificultam a construção de vínculos mais próximos com usuários e familiares. "Quando a equipe
conversa, o cuidado acontece de forma muito mais integrada" (P6). Ainda assim, reconheceram
que práticas simples de escuta, atenção e respeito são fundamentais para qualificar o cuidado.
87

Esse achado reforça o acolhimento como dispositivo essencial da PNH, capaz de
fortalecer vínculos e ampliar a resolutividade das ações em saúde (Vieira Filho et al., 2024;
Silva, 2025).
A ambiência hospitalar também foi problematizada, sendo compreendida não apenas
como estrutura física, mas como um espaço relacional produzido pelas interações entre
profissionais, usuários e familiares. “Podemos não ter a estrutura que queríamos, mas podemos
criar esse ambiente acolhedor com ações” (P8). Essa compreensão está alinhada à PNH, que
define a ambiência como dimensão física, social e subjetiva do cuidado (Vieira Filho et al.,
2019; Santos, 2025).
5.3.4.3 Trabalho multiprofissional e liderança humanizada
Outro aspecto relevante foi a valorização do trabalho multiprofissional e da liderança
humanizada. Os participantes destacaram que a humanização depende da atuação integrada das
equipes e de gestores comprometidos com a criação de ambientes colaborativos e dialógicos.
“Quando a gestão escuta e participa com a equipe, tudo flui melhor” (P3). Essa compreensão
está alinhada às evidências de Santana et al. (2025). “Quando todos participam, a cuidado
melhora e a gente leva o plantão com mais leveza” (P12).
Evidenciou-se que a liderança exerce papel fundamental na consolidação de práticas
humanizadas, ao promover espaços de escuta, valorização dos trabalhadores e
corresponsabilização no cuidado. Esses achados reforçam a importância de modelos de gestão
participativa, capazes de fortalecer o trabalho multiprofissional e favorecer a humanização nos
serviços de saúde (Couto et al., 2019).
5.3.4.4 Formação profissional e Educação Permanente em Saúde
Os participantes relataram que a temática da humanização ainda é abordada de forma
fragmentada nos processos formativos, o que dificulta sua incorporação como competência
transversal na prática profissional. “Na faculdade focam muito na técnica, deixando de lado
outros aspectos importantes” (P6). Essa fala reflete a predominância do modelo biomédica na
formação em saúde, historicamente centrado nos aspectos técnicos do cuidado (Benevides;
Passos, 2005).
Os relatos evidenciaram a necessidade de espaços permanentes de aprendizagem.
“Momentos como esses ajudam a gente refletir e levar para a prática” (P16). Nesse contexto, a
88

Educação Permanente em Saúde (EPS) foi reconhecida como estratégia para a transformação
das práticas, ao possibilitar a reflexão crítica sobre o cotidiano do trabalho e a construção
coletiva de soluções para os desafios institucionais (Barbosa; Lannes, 2023).
5.3.4.5 Condições de trabalho e desafios estruturais para a humanização
As discussões também evidenciaram desafios importantes para a efetivação da
humanização no contexto hospitalar. Entre os principais fatores apontados destacam-se a
sobrecarga de trabalho, a elevada demanda assistencial, a insuficiência de recursos e as
limitações institucionais.
Os participantes relataram que, apesar do reconhecimento da importância da
humanização, frequentemente encontram dificuldades para sua implementação no cotidiano
devido às condições estruturais dos serviços. “Muitas vezes a correria e falta de recursos
dificultam” (P5). Esse cenário evidencia que a efetivação da humanização não depende
exclusivamente do esforço individual dos profissionais, mas requer condições organizacionais
adequadas e suporte institucional contínuo (Santos, 2025).
Tais achados reforçam críticas presentes na literatura, que apontam para a necessidade
de superar a responsabilização individualizada do trabalhador e avançar na construção de
ambientes que favoreçam práticas humanizadas (Benevides; Passos, 2005; Silva, 2025; Bona
et al., 2025).
5.3.4.6 Outras dimensões da humanização: comunicação, ética e autocuidado
Além dos temas centrais, emergiram discussões relacionadas à comunicação em saúde,
ética no cuidado e autocuidado profissional. Os participantes destacaram a importância de
processos comunicacionais qualificados e do cuidado com o trabalhador como elementos
essenciais para a sustentação de práticas humanizadas “Quando a equipe está bem, o cuidado
melhora” (P9).
Essas reflexões evidenciam que a humanização envolve também a valorização dos
profissionais de saúde e a criação de condições que favoreçam seu bem-estar. “O profissional
também precisa ser acolhido” (P11). Alinhando-se à perspectiva de que cuidar de quem cuida
é condição fundamental para a qualidade da assistência (Benevides; Passos, 2005; Bona et al.
2025).

89

5.3.5 Potencialidades e limites da experiência
A experiência de implementação do e-book Humanização no Cuidado Hospitalar
evidenciou potencialidades relevantes para a formação em saúde e para o fortalecimento da
EPS. A utilização do produto educacional associada às rodas de conversa favoreceu a
aproximação entre conhecimento científico e prática profissional, possibilitando que os
participantes refletissem criticamente sobre situações vivenciadas no cotidiano hospitalar e
sobre os desafios relacionados à efetivação da humanização nos serviços de saúde (Barbosa;
Lannes, 2023).
Entre as principais potencialidades observadas destaca-se a capacidade do e-book de
atuar como dispositivo pedagógico mediador do processo educativo. O material apresentou
linguagem acessível, organização temática compatível com a realidade hospitalar e conteúdos
alinhados aos princípios da PNH, favorecendo o interesse dos participantes e estimulando sua
participação nas discussões. Esses aspectos reforçam o papel dos produtos educacionais
desenvolvidos nos programas de mestrado profissional como instrumentos capazes de
promover inovação, aplicabilidade e impacto nos cenários de prática (Andrade, 2025; Buss;
Mafezoni, 2025).
As rodas de conversa também se mostraram estratégias potentes para a construção
coletiva do conhecimento, permitindo o compartilhamento de experiências, a problematização
de situações concretas de trabalho e a valorização dos diferentes saberes presentes na equipe
multiprofissional. Essa dinâmica contribuiu para a criação de um espaço dialógico de
aprendizagem, em consonância com os pressupostos da Educação Permanente em Saúde, que
compreende o trabalho como espaço privilegiado para reflexão e transformação das práticas
profissionais (Barbosa; Lannes, 2023).
Outro aspecto relevante refere-se ao potencial de replicabilidade da experiência. Por
tratar-se de um material digital de fácil acesso e baixo custo de implementação, o e-book pode
ser utilizado em diferentes contextos assistenciais, educacionais e institucionais, ampliando as
possibilidades de disseminação dos conhecimentos produzidos pela pesquisa e fortalecendo
iniciativas voltadas à humanização do cuidado.
Entretanto, alguns limites devem ser considerados na análise da experiência. A
implementação ocorreu em uma única instituição hospitalar e envolveu um número restrito de
participantes, o que limita a transferência dos resultados para outros contextos organizacionais.
Além disso, a realização de apenas dois encontros impossibilitou o acompanhamento
90

longitudinal dos participantes, não sendo possível avaliar mudanças sustentadas nas práticas
profissionais ou impactos duradouros sobre os processos de trabalho e assistência.
Outro limite refere-se à natureza do próprio relato de experiência, que busca
compreender e analisar criticamente uma vivência específica, sem a pretensão de produzir
generalizações. Todavia, conforme destacam Mussi, Flores e Almeida (2021), a relevância
científica desse tipo de estudo reside justamente na capacidade de sistematizar experiências
concretas, produzir reflexões contextualizadas e gerar subsídios para novas intervenções e
investigações.
Apesar dessas limitações, a experiência demonstrou que a associação entre produtos
educacionais e metodologias participativas constitui uma estratégia promissora para promover
reflexão crítica, estimular processos de Educação Permanente em Saúde e fortalecer a
incorporação dos princípios da humanização nos serviços de saúde. Os resultados observados
sugerem a importância de ampliar iniciativas semelhantes e desenvolver estudos futuros que
acompanhem seus efeitos em médio e longo prazo, contribuindo para a consolidação de práticas
assistenciais mais humanizadas e alinhadas às necessidades dos usuários, trabalhadores e
gestores do Sistema Único de Saúde.
5.4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A experiência de implementação do e-book Humanização no Cuidado Hospitalar,
mediada por rodas de conversa com profissionais e estudantes da área da saúde, evidenciou o
potencial dos produtos educacionais como instrumentos de Educação Permanente em Saúde
(EPS) e de fortalecimento das práticas humanizadas nos serviços hospitalares. A utilização do
material favoreceu a criação de espaços de diálogo, reflexão crítica e compartilhamento de
experiências, possibilitando a aproximação entre os conhecimentos produzidos pela pesquisa e
a realidade cotidiana dos profissionais.
As discussões desenvolvidas durante os encontros permitiram aprofundar reflexões
sobre temas centrais da Política Nacional de Humanização (PNH), como acolhimento, escuta
qualificada,

corresponsabilização,

trabalho

multiprofissional,

liderança

humanizada,

comunicação em saúde, ética e autocuidado profissional. A experiência demonstrou que a
problematização coletiva do cotidiano constitui importante estratégia para estimular processos
de aprendizagem significativos e fortalecer a construção de práticas assistenciais mais sensíveis
às necessidades dos usuários e dos trabalhadores.
91

Ao mesmo tempo, as rodas de conversa evidenciaram desafios persistentes para a
efetivação da humanização no contexto hospitalar, incluindo sobrecarga de trabalho, limitações
estruturais, fragilidades nos processos formativos e insuficiência de apoio institucional. Esses
achados reforçam a compreensão de que a humanização não pode ser atribuída exclusivamente
à iniciativa individual dos profissionais, mas depende de condições organizacionais, gerenciais
e formativas que sustentem práticas coerentes com os princípios da PNH.
A experiência também permitiu reconhecer o e-book como um dispositivo pedagógico
capaz de mediar processos de reflexão e sensibilização sobre a humanização do cuidado. Sua
natureza digital, acessível e adaptável amplia as possibilidades de utilização em diferentes
cenários de formação e assistência, favorecendo sua replicabilidade e contribuindo para a
disseminação do conhecimento produzido no âmbito do mestrado profissional.
Como limitação, destaca-se que a experiência foi desenvolvida em uma única instituição
e em encontros pontuais, não sendo possível avaliar mudanças sustentadas nas práticas
profissionais ou impactos de longo prazo sobre os processos de trabalho. Apesar disso, a
sistematização desta vivência oferece subsídios para futuras iniciativas de EPS e para o
desenvolvimento de novas estratégias voltadas à consolidação da humanização nos serviços de
saúde.
Conclui-se que a associação entre produtos educacionais e metodologias participativas
constitui uma estratégia promissora para fomentar a reflexão crítica, fortalecer processos
formativos e contribuir para a construção de práticas mais humanizadas. Recomenda-se a
ampliação de experiências semelhantes em outros contextos assistenciais, bem como o
acompanhamento de seus efeitos em médio e longo prazo, visando consolidar uma cultura
institucional comprometida com a valorização dos usuários, trabalhadores e gestores no Sistema
Único de Saúde.

92

REFERÊNCIAS
ANDRADE, M. F. R. Mestrado profissional e a importância dos produtos educacionais.
Revista de Estudos Interdisciplinares, v. 7, n. 6, p. 01–12, 2025. Disponível em:
https://doi.org/10.56579/rei.v7i6.2447. Acesso em: 21 jun. 2026.
AUSUBEL, D. P. The psychology of meaningful verbal learning. New York: Grune &
Stratton, 1963.
BARBOSA, J. M. C.; LANNES, D. R. C. Rodas de conversa como uma lente da realidade
docente no ambiente escolar. Momento - Diálogos em Educação, v. 32, n. 2, 2023.
Disponível em: https://doi.org/10.14295/momento.v32i02.14891. Acesso em: 21 jun. 2026.
BATISTA, K.; PEDREIRA, E.; GALVÃO, V.; MONTEIRO, S. Humanização na formação
acadêmica: percepção do estudante de fisioterapia. Revista Pesquisa em Fisioterapia, v. 9, n.
2, p. 219–226, 2019. Disponível em:
https://www5.bahiana.edu.br/index.php/fisioterapia/article/view/2334. Acesso em: 21 jun.
2025.
BENEVIDES, R.; PASSOS, E. Humanização na saúde: um novo modismo? Interface –
Comunicação, Saúde, Educação, v. 9, n. 17, p. 389–406, 2005b. Disponível em:
https://www.scielo.br/j/icse/. Acesso em: 29 nov. 2024.
BONA, E. A.; QUEIROZ, K. H. S.; MATTOS, M. E. J.; CRUZ, J. C. Ç.; CONSTANTINO,
M. F.; SANTIAGO, E. K. S.; FURTADO, K. C. N.; BARACHO, M. N. L. Humanização
hospitalar sob a perspectiva do assistente social. ARACÊ, v. 7, n. 4, p. 19451–19468, 2025.
Disponível em: https://periodicos.newsciencepubl.com/arace/article/view/4554. Acesso em:
21 jun. 2026.
BRASIL. Ministério da Saúde. Política Nacional de Educação Permanente em Saúde.
Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2018. Disponível em:
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/politica_nacional_educacao_permanente_saude_f
ortalecimento.pdf. Acesso em: 10 jan. 2026.
BRASIL. Ministério da Saúde. Política Nacional de Humanização. Brasília: Ministério da
Saúde, 2010. Disponível em: https://www.gov.br/saude/ptbr/composicao/secretarias/saes/humanizasus. Acesso em: 18 maio 2025.
BUSS, J. J.; MAFEZONI, A. C. O produto educacional no mestrado profissional em
educação: possibilidades de socialização do conhecimento. Educar em Revista, v. 41, 2025.
Disponível em: http://educa.fcc.org.br/scielo.php?pid=S010440602025000100125&script=sci_arttext&tlng=pt. Acesso em: 21 jun. 2026.
COUTO, N. N. V.; SANTOS, Y. P.; BEZERRA, P. H. S.; BEZERRA, V. S.; SILVA, C. G.;
GUIMARÃES, M. H. D.; FRANÇA, U. M.; RODRIGUES, J. S.; MARTINS, R. M. B.;
RODRIGUES, S. A. Humanização do cuidado em serviços de saúde: perspectivas éticas,
emocionais e organizacionais da prática. Revista Ibero-Americana de Humanidades,
93

Ciências e Educação, v. 12, n. 5, 2026. Disponível em:
https://doi.org/10.51891/rease.v12i5.26069. Acesso em: 21 jun. 2026.
FALKEMBACH, G. A. M. Concepção e desenvolvimento de material educativo digital.
Porto Alegre: UFRGS, 2005. Disponível em:
https://seer.ufrgs.br/index.php/renote/article/view/13742. Acesso em: 18 jan. 2026.
FILATRO, A. Design instrucional na prática. São Paulo: Pearson Education do Brasil,
2018.
KNOWLES, M. S. The adult learner: a neglected species. 3. ed. Houston: Gulf Publishing,
1984.
MENDONÇA, R. S.; DIAS, L. C. de O. E-book para dinamização de um clube de leitura:
contribuições do produto educacional na educação profissional e tecnológica. REDIN Revista Educacional Interativa, 2019. Disponível em:
https://seer.faccat.br/index.php/redin/article/view/1522/981. Acesso em: 21 jun. 2026.
MORAN, J. M.; BACICH, L.; NETO, A. T.; TREVISANI, F. M. (org.). Ensino híbrido:
personalização e tecnologia na educação. Porto Alegre: Penso, 2015. Disponível em:
https://www.gov.br/mec/pt-br/rieh/Manual_MEC_ebookRIEH.pdf. Acesso em: 2 fev. 2026.
MUSSI, R. F. de F.; FLORES, F. F.; ALMEIDA, C. B. de. Pressupostos para a elaboração de
relato de experiência como conhecimento científico. Práxis Educacional, v. 17, n. 48, p. 1–
18, 2021. Disponível em:
https://www.researchgate.net/publication/355133369_Pressupostos_para_a_elaboracao_de_re
lato_de_experiencia_como_conhecimento_cientifico. Acesso em: 21 jun. 2026.
ROMÃO, A. C. A.; NEVES, P. V. T.; SALES, A. P. M.; SANTOS, E. C. S.; ALMEIDA, C.
P.; LIMA, J. G. B.; FERREIRA, J. O.; TILMANN, I. I. A.; FRANÇA, A. P. F. M.;
MORAES, P. M. O. Metodologias ativas no processo de aprendizagem nas residências em
saúde. Eletrônica Acervo Saúde, v. 24, n. 11, 2024. Disponível em:
https://acervomais.com.br/index.php/saude/article/view/17417. Acesso em: 21 jun. 2026.
SANTANA, M. I.; GOMES, N. P.; GONÇALVES, T. G. B.; VITORINO, H. R. S.;
NOGUEIRA, I. F.; LISBOA, C. C. R.; OLIVEIRA, Í. C. de; SOUZA, A. P. M. de.
Humanização no atendimento à saúde: promovendo o cuidado integral e a relação empática
entre profissionais e pacientes. Revista Foco, [S. l.], v. 18, n. 6, p. e8808, 2025. Disponível
em: https://ojs.focopublicacoes.com.br/foco/article/view/8808. Acesso em: 24 jun. 2026.
SANTOS, L. G. Recursos tecnológicos: o uso do e-book como produto educacional. Sítio
Novo, 2024. Disponível em:
https://sitionovo.ifto.edu.br/index.php/sitionovo/article/view/1518. Acesso em: 10 jun. 2026.
SANTOS, P. O. A Política Nacional de Humanização: princípios, diretrizes e desafios na
consolidação do SUS. Revista Multidisciplinar em Saúde, v. 6, n. 1, 2025. Disponível em:
https://www.researchgate.net/publication/389149744. Acesso em: 21 maio 2026.
94

SILVA, J. M. A humanização no Sistema Único de Saúde (SUS): avanços, desafios e
perspectivas. RCMOS, v. 1, n. 1, 2025. Disponível em:
https://doi.org/10.51473/rcmos.v1i1.2025.1012. Acesso em: 21 jan. 2026.
SOUSA, K. H. J. F.; DAMASCENO, C. K. C. S.; ALMEIDA, C. A. P. L.; MAGALHÃES, J.
M.; FERREIRA, M. A. Humanização nos serviços de urgência e emergência. Revista
Gaúcha de Enfermagem, v. 40, 2019. Disponível em: https://doi.org/10.1590/19831447.2019.20180263. Acesso em: 11 jun. 2026.
VALENTE, J. A. Blended learning e as mudanças no ensino superior: a proposta da sala de
aula invertida. Educar em Revista, 2014. Disponível em:
https://www.scielo.br/j/er/a/8vJkJwHqKj3rWw3zjGQ4JZz/?lang=pt. Acesso em: 11 fev.
2026.
VIEIRA FILHO, L. V.; SOUSA, I. F. L.; VASCONCELOS, P. H. A.; FILHO, S. T.; SILVA,
M. P. F.; ARAUJO, L. C. N. Estresse e a necessidade da valorização profissional na
implantação dos processos de humanização do SUS (Humanizasus). Ciência & Saúde
Coletiva, 2019. Disponível em: https://afmo.emnuvens.com.br/afmo/article/view/40. Acesso
em: 21 nov. 2025.

95

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS GERAIS DO TACC
A presente dissertação analisou os sentidos atribuídos à humanização no itinerário
formativo de fisioterapeutas atuantes em um hospital geral, articulando diferentes perspectivas
metodológicas por meio da Classificação Hierárquica Descendente (CHD), da análise de
similitude e da implementação de um produto educacional no formato de e-book, desenvolvido
no âmbito do Mestrado Profissional em Ensino na Saúde, em conformidade com as diretrizes
da CAPES.
De forma integrada, os resultados evidenciam que a humanização na fisioterapia
hospitalar não se constitui como um elemento isolado ou exclusivamente individual, mas como
um fenômeno complexo, multidimensional e socialmente construído, atravessado por
condições institucionais, processos formativos e práticas cotidianas de cuidado. Nesse sentido,
os achados da CHD demonstraram que a humanização é compreendida pelos profissionais
como uma competência ética, técnica e relacional, continuamente construída ao longo do
itinerário formativo e ressignificada no contexto do trabalho hospitalar, sendo fortemente
influenciada por aspectos como educação permanente, suporte institucional e organização dos
processos de trabalho.
Complementarmente, a análise de similitude evidenciou a estrutura simbólica que
organiza as representações sociais da humanização, revelando a centralidade do paciente como
sujeito do cuidado, a relevância da escuta ativa, do vínculo terapêutico e das relações
interpessoais como eixos estruturantes da prática profissional. Esses elementos indicam que a
humanização, além de sua dimensão normativa, também se constitui como uma construção
simbólica compartilhada no cotidiano dos profissionais, articulando dimensões afetivas,
cognitivas e sociais.
No que se refere ao terceiro eixo da investigação, a implementação do e-book como
produto educacional demonstrou o potencial das tecnologias educacionais no fortalecimento da
educação permanente em saúde, especialmente quando articuladas a metodologias ativas, como
rodas de conversa. Em consonância com as diretrizes da CAPES para os Mestrados
Profissionais, o produto evidenciou-se como dispositivo pedagógico capaz de promover
reflexão crítica, problematização da prática e aproximação entre produção científica e realidade
assistencial, reforçando o papel da pesquisa aplicada na transformação dos processos de
trabalho em saúde.
96

A integração desses três eixos analíticos permite afirmar que a humanização, no
contexto da fisioterapia hospitalar, deve ser compreendida como um processo dinâmico e
relacional, sustentado pela articulação entre formação profissional, condições institucionais e
práticas de educação permanente. Assim, o itinerário formativo emerge como categoria central
para compreender como os profissionais constroem, incorporam e ressignificam os princípios
da Política Nacional de Humanização ao longo de sua trajetória profissional.
Como limitações deste estudo, destaca-se o recorte institucional único, que pode
restringir a generalização dos achados para outros contextos hospitalares, bem como o número
reduzido de participantes na etapa qualitativa, o que, embora adequado ao delineamento
metodológico adotado, sugere a necessidade de ampliação de investigações futuras em
diferentes cenários e categorias profissionais.
Diante disso, recomenda-se o desenvolvimento de novos estudos que aprofundem a
compreensão da humanização em outras realidades assistenciais, bem como investigações que
explorem o impacto de dispositivos formativos e tecnológicos na consolidação de práticas
humanizadas no SUS. Também se ressalta a importância de fortalecer estratégias institucionais
de educação permanente, capazes de sustentar mudanças efetivas na cultura organizacional dos
serviços de saúde.
Por fim, esta dissertação contribui para o campo da saúde ao evidenciar que a
humanização não se limita a um princípio normativo, mas se configura como uma construção
ética, política e formativa, cuja efetivação depende da articulação entre sujeitos, instituições e
processos educativos. Nesse sentido, reforça-se a relevância dos Mestrados Profissionais como
espaços de produção de conhecimento aplicado, capazes de gerar tecnologias educacionais e
intervenções concretas no contexto do Sistema Único de Saúde, alinhadas às diretrizes da
CAPES e às necessidades reais do trabalho em saúde.

97

REFERÊNCIAS GERAIS DO TACC
ABRIC, J. C. A abordagem estrutural das Representações Sociais. In: MOREIRA, A. S. P.;
OLIVEIRA, D. C. (org.). Estudos interdisciplinares de representação social. Goiânia: AB
Editora, 2000.
ALMEIDA, P. J. R.; CALDEIRA, F. I. D.; GOMES, C. Do modelo biomédico ao modelo
biopsicossocial: a formação de profissionais da saúde no Brasil. Revista Brasileira de
Educação Física, Saúde e Desempenho – REBESDE, v. 3, n. 2, e017, 2022. Disponível em:
https://revista.unifatecie.edu.br/index.php/rebesde/article/view/131. Acesso em: 21 jan. 2026.
ANDRADE, M. F. R. Mestrado profissional e a importância dos produtos educacionais.
Revista de Estudos Interdisciplinares, v. 7, n. 6, p. 01–12, 2025. Disponível em:
https://doi.org/10.56579/rei.v7i6.2447.
AUSUBEL, D. P. The psychology of meaningful verbal learning. New York: Grune &
Stratton, 1963.
BARBOSA, J. M. C.; LANNES, D. R. C. Rodas de conversa como uma lente da realidade
docente no ambiente escolar. Momento - Diálogos em Educação, v. 32, n. 2, 2023. Disponível
em: https://doi.org/10.14295/momento.v32i02.14891.
BARDIN, L. Análise de conteúdo. São Paulo: Edições 70 Brasil, 2016.
BATISTA, K.; PEDREIRA, E.; GALVÃO, V.; MONTEIRO, S. Humanização na formação
acadêmica: percepção do estudante de fisioterapia. Revista Pesquisa em Fisioterapia, v. 9, n.
2, p. 219–226, 2019. Disponível em:
https://www5.bahiana.edu.br/index.php/fisioterapia/article/view/2334. Acesso em: 21 jun.
2025.
BENEVIDES, R.; PASSOS, E. A humanização como dimensão pública das políticas de
saúde. Ciência & Saúde Coletiva, v. 10, n. 3, p. 561–571, 2005a. Disponível em:
https://www.scielo.br/j/csc/a/Dtq6TH5LdJbfDPDwSxSmy6G/. Acesso em: 3 nov. 2024.
BENEVIDES, R.; PASSOS, E. Humanização na saúde: um novo modismo? Interface –
Comunicação, Saúde, Educação, v. 9, n. 17, p. 389–406, 2005b. Disponível em:
https://www.scielo.br/j/icse/. Acesso em: 29 nov. 2024.
BERMUDES, W. L.; SANTANA, B. T.; BRAGA, J. H. O.; SOUZA, P. H. Tipos de escalas
utilizadas em pesquisas e suas aplicações. Revista Vértices, v. 18, n. 2, p. 7–20, 2016.
Disponível em: https://editoraessentia.iff.edu.br/index.php/vertices/article/view/18092667.v18n216-01. Acesso em: 21 jun. 2026.
BIERNACKI, P.; WALDORF, D. Snowball sampling: problems and techniques of chain
referral sampling. Sociological Methods & Research, v. 10, n. 2, p. 141–163, 1981.
Disponível em: https://journals.sagepub.com/doi/10.1177/004912418101000205. Acesso em:
5 jun. 2026.
98

BONA, E. A.; QUEIROZ, K. H. S.; MATTOS, M. E. J.; CRUZ, J. C. Ç.; CONSTANTINO,
M. F.; SANTIAGO, E. K. S.; FURTADO, K. C. N.; BARACHO, M. N. L. Humanização
hospitalar sob a perspectiva do assistente social. ARACÊ, v. 7, n. 4, p. 19451–19468, 2025.
Disponível em: https://periodicos.newsciencepubl.com/arace/article/view/4554. Acesso em:
21 jun. 2026.
BRASIL. Decreto nº 5.154, de 23 de julho de 2004. Diário Oficial da União, Brasília, DF,
2004.
BRASIL. Ministério da Saúde. Política Nacional de Educação Permanente em Saúde.
Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2018. Disponível em:
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/politica_nacional_educacao_permanente_saude_f
ortalecimento.pdf. Acesso em: 10 jan. 2026.
BRASIL. Ministério da Saúde. Política Nacional de Humanização. Brasília, DF: Ministério
da Saúde, 2010. Disponível em: https://www.gov.br/saude/ptbr/composicao/secretarias/saes/humanizasus. Acesso em: 18 maio 2025.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Núcleo Técnico da Política
Nacional de Humanização. HumanizaSUS: documento base para gestores e trabalhadores
do SUS. 4. ed. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2010. Disponível em:
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/humanizasus_documento_gestores_trabalhadores
_sus.pdf. Acesso em: 12 dez. 2025.
BUSS, L.; MAFEZONI, R. Construção coletiva de saberes em mestrados profissionais.
Revista Brasileira de Pós-Graduação, v. 22, n. 1, p. 88–102, 2025. Disponível em:
https://www.scielo.br/j/er/a/P4qJdfsjNxwdpX639fKnMnG/. Acesso em: 15 fev. 2025.
BUSS, J. J.; MAFEZONI, A. C. O produto educacional no mestrado profissional em
educação: possibilidades de socialização do conhecimento. Educar em Revista, v. 41, 2025.
Disponível em: http://educa.fcc.org.br/scielo.php?pid=S010440602025000100125&script=sci_arttext&tlng=pt.
CAMARGO, B. V.; JUSTO, A. M. IRAMUTEQ: um software gratuito para análise de dados
textuais. Temas em Psicologia, v. 21, n. 2, p. 513–518, 2013. Disponível em:
https://www.mackenzie.br/fileadmin/ARQUIVOS/Public/top/midias_noticias/2015/iramuteq/
artigo_iramuteq.pdf. Acesso em: 4 mar. 2026.
CAMPOS, H. L. M.; SILVA, F. N.; DIAS, F. M. V. Humanização da saúde na fisioterapia.
Fisioterapia Brasil, v. 13, n. 5, p. 390–397, 2012. Disponível em:
https://convergenceseditorial.com.br/index.php/fisioterapiabrasil/article/view/572/1177.
Acesso em: 10 jan. 2025.
CAPOZZA, D.; COLLEDANI, D.; FALVO, R. Are job characteristics associated with patient
(de)humanization? Journal of Applied Social Psychology, v. 54, n. 10, 2024. Disponível em:
https://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/jasp.13060. Acesso em: 21 nov. 2025.

99

CASATE, J. C.; CORRÊA, A. K. A humanização do cuidado na formação dos profissionais
de saúde. Revista da Escola de Enfermagem da USP, v. 46, n. 1, p. 219–226, 2012.
Disponível em: https://www.scielo.br/j/reeusp/a/c5CW7WD9pXtCvYY5przScJd/. Acesso
em: 15 nov. 2024.
COSTA JÚNIOR, J. F.; CABRAL, E. L. S.; SOUZA, R. C.; BEZERRA, D. M. C.; SILVA, P.
T. F. Uso da escala Likert na coleta de dados. Contribuciones a las Ciencias Sociales, v. 17,
n. 1, p. 360–376, 2024. Disponível em: https://doi.org/10.55905/revconv.17n.1-021. Acesso
em: 21 jun. 2026.
COUTO, N. N. V.; SANTOS, Y. P.; BEZERRA, P. H. S.; BEZERRA, V. S.; SILVA, C. G.;
GUIMARÃES, M. H. D.; FRANÇA, U. M.; RODRIGUES, J. S.; MARTINS, R. M. B.;
RODRIGUES, S. A. Humanização do cuidado em serviços de saúde. Revista IberoAmericana de Humanidades, Ciências e Educação, v. 12, n. 5, 2026. Disponível em:
https://doi.org/10.51891/rease.v12i5.26069. Acesso em: 21 jun. 2026.
CRUZ, T. T. S.; MORETO, V. Humanização no atendimento fisioterapêutico em Unidade de
Terapia Intensiva: Revisão Bibliográfica. REASE, v. 9, n. 10, p. 4922–4930, 2023. Disponível
em: https://periodicorease.pro.br/rease/article/view/12041. Acesso em: 1 jun. 2026.
DORICCI, G. C.; GUANAES-LORENZI, C. Cogestão na Política Nacional de Humanização.
Ciência & Saúde Coletiva, v. 26, n. 8, p. 2949–2959, 2021. Disponível em:
https://www.scielo.br/j/csc/a/G7XhLNvSZGX7QFymgKDHd9H/. Acesso em: 10 fev. 2025.
FALKEMBACH, G. A. M. Concepção e desenvolvimento de material educativo digital. Porto
Alegre: UFRGS, 2005. Disponível em:
https://seer.ufrgs.br/index.php/renote/article/view/13742. Acesso em: 18 jan. 2026.
FERREIRA NETO, J. L.; FERREIRA, M. E. C.; OLIVEIRA, M. E. C.; PENIDO, C. M. F. A
formulação da Política Nacional de Humanização e seus antecedentes históricos. Psicologia:
Ciência e Profissão, v. 44, e268625, 2024. Disponível em: https://doi.org/10.1590/19823703003268625. Acesso em: 21 jun. 2025.
FILATRO, A. Design instrucional na prática. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2018.
GUEDES, C. R.; PITOMBO, L. B.; BARROS, M. E. B. Os processos de formação na Política
Nacional de Humanização. Physis, v. 19, n. 4, p. 1087–1109, 2009. Disponível em:
https://www.scielo.br/j/physis/. Acesso em: 20 dez. 2024.
JODELET, D. Representações sociais: um domínio em expansão. In: JODELET, D. (org.). As
representações sociais. Tradução de L. Ulup. Rio de Janeiro: Ed. UERJ, 2001. p. 17–44.
Original publicado em 1989.
KNOWLES, M. S. The adult learner: a neglected species. 3. ed. Houston: Gulf Publishing,
1984.

100

LADEIRA, T. L.; KOIFMAN, L. Bioética na prática clínica do fisioterapeuta. Revista
Bioética, v. 29, n. 3, p. 588–599, 2021. Disponível em: https://doi.org/10.1590/198380422021293494. Acesso em: abr. 2025.
LIMA JÚNIOR, D. A.; LIMA, D. S.; DIAS, E. A. F.; FERREIRA, L. C.; FONTENELE, R.
P.; OLIVEIRA, V. C. L.; NETO, A. R.; SILVA, C. M. Barreiras enfrentadas na assistência
humanizada em UTI. Research, Society and Development, v. 11, n. 14, e471111436327, 2022.
Disponível em: https://rsdjournal.org/rsd/article/download/36327/30538/403253. Acesso em:
21 jun. 2025.
MÉLO, C. B.; ROCHA, L. N. F. C.; COSTA, T. E. L.; GONDIM, F. M. L.; FARIAS, G. D.;
ARAÚJO, E. G. O.; FREIRE, J. C. G.; DIAS, M. M.; PIAGGE, C. S. L. D. Humanização nos
cursos de graduação de saúde: desafios para implantação das diretrizes nacionais. Research,
Society and Development, v. 11, n. 6, 2022. Disponível em: http://dx.doi.org/10.33448/rsdv11i6.29325. Acesso em: dez. 2025.
MENDONÇA, R. S.; DIAS, L. C. de O. E-book para dinamização de um clube de leitura:
contribuições do produto educacional na educação profissional e tecnológica. REDIN Revista Educacional Interativa, 2019. Disponível em:
https://seer.faccat.br/index.php/redin/article/view/1522/981.
MÉNESES-LA-RIVA, M. E.; SUYO-VEGA, J. A.; FERNÁNDEZ BEDOYA, V. H.
Humanized care from the nurse–patient perspective in a hospital setting: a systematic review
of experiences disclosed in Spanish and Portuguese scientific articles. Frontiers in Public
Health, v. 9, p. 737506, 2021. Disponível em: https://doi.org/10.3389/fpubh.2021.737506.
Acesso em: jun. 2025.
MINAYO, M. C. S. O desafio do conhecimento: pesquisa qualitativa em saúde. São Paulo:
Hucitec, 2014.
MINAYO, M. C. S. Amostragem e saturação em pesquisa qualitativa: consensos e
controvérsias. Revista Pesquisa Qualitativa, São Paulo, v. 5, n. 7, p. 1–12, abr. 2017. ISSN
2525-8222. Disponível em: https://editora.sepq.org.br/rpq/article/view/82. Acesso em: 10 jan.
2026.
MORAN, J. M.; BACICH, L.; NETO, A. T.; TREVISANI, F. M. (org.). Ensino híbrido:
personalização e tecnologia na educação. Porto Alegre: Penso, 2015. Disponível em:
https://www.gov.br/mec/pt-br/rieh/Manual_MEC_ebookRIEH.pdf. Acesso em: 2 fev. 2026.
MOSCOVICI, S. Representações sociais: investigações em psicologia social. Petrópolis:
Vozes, 2003.
MOURA, C. M.; ARAGAKI, S. S. Percurso formativo da humanização da saúde no discurso
dos fisioterapeutas de uma unidade neonatal. Saúde em Redes, v. 7, n. 3, p. 85–99, 2021.
Disponível em: https://revista.redeunida.org.br/index.php/redeunida/article/view/3305/767.
Acesso em: 5 fev. 2025.

101

MUSSI, R. F. F.; FLORES, F. F.; ALMEIDA, C. B. de. Pressupostos para a elaboração de
relato de experiência como conhecimento científico. Práxis Educacional, v. 17, n. 48, p. 1–
18, 2021. Disponível em:
https://www.researchgate.net/publication/355133369_Pressupostos_para_a_elaboracao_de_re
lato_de_experiencia_como_conhecimento_cientifico.
MUTOU, F. M. L. A humanização na fisioterapia: uma revisão sistemática. Revista Científica
UMC, v. 4, n. 1, 2019. Disponível em:
https://revista.umc.br/index.php/revistaumc/article/view/289. Acesso em: 10 fev. 2025.
NASCIMENTO, L. R.; ALVES, M. F. V.; ANDRADE, T.; OLIVEIRA, N. M. L. Aspectos
éticos na fisioterapia hospitalar. ABENFISIO, v. 11, n. 21, 2023. Disponível em:
https://doi.org/10.18310/2358-8306.v11n21.a3. Acesso em: 21 jun. 2026.
OLIVEIRA, G. N. O apoio institucional aos processos de humanização. Tempus, v. 6, n. 2, p.
223–235, 2012. Disponível em: https://doi.org/10.18569/tempus.v6i2.1125. Acesso em: 21
jun. 2025.
PAIVA, C. B. N.; BARROS, S. M. M. Representações sociais da humanização. Psicologia
em Estudo, v. 28, e54532, 2023. Disponível em:
https://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/biblio-1529186. Acesso em: 7 abr. 2025.
RATINAUD, P. IRAMUTEQ: interface de R pour les analyses multidimensionnelles de textes
et de questionnaires. Toulouse: Laboratoire LERASS, 2009. Disponível em:
http://www.iramuteq.org. Acesso em: 8 jan. 2026.
REINERT, M. Alceste: une méthodologie d’analyse des données textuelles et une application:
Aurélia de Gérard de Nerval. Bulletin of Sociological Methodology, v. 26, n. 1, p. 24–54,
1990. Disponível em: https://journals.sagepub.com/doi/10.1177/075910639002600103.
Acesso em: 12 fev. 2026.
ROMÃO, A. C. A.; NEVES, P. V. T.; SALES, A. P. M.; SANTOS, E. C. S.; ALMEIDA, C.
P.; LIMA, J. G. B.; FERREIRA, J. O.; TILMANN, I. I. A.; FRANÇA, A. P. F. M.;
MORAES, P. M. O. Metodologias ativas na residência em saúde. Revista Eletrônica Acervo
Saúde, v. 24, n. 11, 2024. Disponível em:
https://acervomais.com.br/index.php/saude/article/view/17417. Acesso em: 21 jun. 2026.
SANTANA, M. I.; GOMES, N. P.; GONÇALVES, T. G. B.; VITORINO, H. R. S.;
NOGUEIRA, I. F.; LISBOA, C. C. R.; OLIVEIRA, Í. C. de; SOUZA, A. P. M. de.
Humanização no atendimento à saúde: promovendo o cuidado integral e a relação empática
entre profissionais e pacientes. Revista Foco, v. 18, n. 6, e8808, 2025. Disponível em:
https://ojs.focopublicacoes.com.br/foco/article/view/8808. Acesso em: 24 jun. 2026.
SANTOS, L. G. Recursos tecnológicos: o uso do e-book como produto educacional. Sítio
Novo, 2024. Disponível em:
https://sitionovo.ifto.edu.br/index.php/sitionovo/article/view/1518. Acesso em: 10 jun. 2026.

102

SANTOS, P. O. A Política Nacional de Humanização: princípios, diretrizes e desafios na
consolidação do SUS. Revista Multidisciplinar em Saúde, v. 6, n. 1, 2025. Disponível em:
https://www.researchgate.net/publication/389149744. Acesso em: 21 maio 2026.
SILVA, I. D.; SILVEIRA, M. F. A. A humanização na formação do profissional em
fisioterapia. Ciência & Saúde Coletiva, v. 16, p. 1535–1546, 2011. Disponível em:
https://www.scielo.br/j/csc/a/dJfwdfzVc4nVysSC7HSNY6R/. Acesso em: 3 fev. 2025.
SILVA, J. M. A humanização no Sistema Único de Saúde (SUS): avanços, desafios e
perspectivas. RCMOS, v. 1, n. 1, 2025. Disponível em:
https://doi.org/10.51473/rcmos.v1i1.2025.1012. Acesso em: 21 jan. 2026.
SOUSA, K. H. J. F.; DAMASCENO, C. K. C. S.; ALMEIDA, C. A. P. L.; MAGALHÃES, J.
M.; FERREIRA, M. A. Humanização nos serviços de urgência e emergência. Revista Gaúcha
de Enfermagem, v. 40, 2019. Disponível em: https://doi.org/10.1590/19831447.2019.20180263. Acesso em: 11 jun. 2026.
VALENTE, J. A. Blended learning e as mudanças no ensino superior: a proposta da sala de
aula invertida. Educar em Revista, 2014. Disponível em:
https://www.scielo.br/j/er/a/8vJkJwHqKj3rWw3zjGQ4JZz/?lang=pt. Acesso em: 11 fev.
2026.
VIEIRA FILHO, L. V.; SOUSA, I. F. L.; VASCONCELOS, P. H. A.; FILHO, S. T.; SILVA,
M. P. F.; ARAUJO, L. C. N. Estresse e valorização profissional no SUS. Ciência & Saúde
Coletiva, 2019. Disponível em: https://afmo.emnuvens.com.br/afmo/article/view/40. Acesso
em: 21 nov. 2025.

103

APÊNDICES

104

APÊNDICE A
Questionário - Humanização na Formação do Fisioterapeuta Hospitalar
Perfil Socioprofissional
Qual sua idade?
Gênero:
()Feminino
( ) Masculino
( ) Prefiro não informar
( ) Outro:
Estado civil:
( ) Solteiro(a)
( ) Casado(a) ou em união estável
( ) Divorciado(a)
( ) Viúvo(a)
Qual o tempo de formação em Fisioterapia?
Qual tempo de atuação como fisioterapeuta no Hospital?
Nível de escolaridade:
( ) Graduação em Fisioterapia
( ) Pós-graduação lato sensu (especialização)
( ) Mestrado
( ) Doutorado
Percepção e Nível de Conhecimento sobre Humanização (Escala de Likert)
Instruções: Marque a alternativa que melhor representa sua opinião.
Durante minha graduação, tive acesso a conteúdo sobre humanização na assistência à saúde.
( ) 1 - Discordo totalmente
( ) 2 – Discordo parcialmente
( ) 3 - Neutro
( ) 4 - Concordo parcialmente
( ) 5 - Concordo totalmente
Sinto que minha formação acadêmica me preparou adequadamente para lidar com a dimensão
emocional do paciente.
( ) 1 - Discordo totalmente
( ) 2 - Discordo parcialmente
( ) 3 - Neutro
( ) 4 – Concordo parcialmente
( ) 5 - Concordo totalmente
No hospital onde trabalho, há incentivo institucional para práticas humanizadas na assistência.
( ) 1 - Discordo totalmente
( ) 2 - Discordo parcialmente63
( ) 3 - Neutro
( ) 4 - Concordo parcialmente
( ) 5 - Concordo totalmente
Os protocolos assistenciais da minha instituição incluem diretrizes sobre humanização.
( ) 1 - Discordo totalmente
( ) 2 - Discordo parcialmente
( ) 3 – Neutro
105

( ) 4 - Concordo parcialmente
( ) 5 - Concordo totalmente
Enfrento desafios ao tentar aplicar princípios de humanização na minha rotina profissional.
( ) 1 - Discordo totalmente
( ) 2 - Discordo parcialmente
( ) 3 – Neutro
( ) 4 - Concordo parcialmente
( ) 5 - Concordo totalmente
A humanização influencia diretamente na adesão e evolução do paciente durante a fisioterapia
hospitalar.
( ) 1 - Discordo totalmente
( ) 2 - Discordo parcialmente
( ) 3 – Neutro
( ) 4 - Concordo parcialmente
( ) 5 - Concordo totalmente
Acredito que cursos ou treinamentos sobre humanização deveriam ser mais frequentes na
formação dos fisioterapeutas.
( ) 1 - Discordo totalmente
( ) 2 - Discordo parcialmente
( ) 3 – Neutro
( ) 4 - Concordo parcialmente
( ) 5 - Concordo totalmente
Gostaria de participar de um curso/oficina sobre humanização hospitalar.
( ) 1 - Discordo totalmente
( ) 2 - Discordo parcialmente
( ) 3 – Neutro
( ) 4 - Concordo parcialmente
( ) 5 - Concordo totalmente
A humanização deveria ser um componente obrigatório na graduação em fisioterapia.
( ) 1 - Discordo totalmente
( ) 2 - Discordo parcialmente
( ) 3 – Neutro
( ) 4 - Concordo parcialmente
( ) 5 - Concordo totalmente

106

APÊNDICE B
Roteiro da Entrevista
1. O que é humanização da saúde para você?
2. Você sente que a humanização faz parte do seu dia a dia profissional? De que
forma?
3. Como e quando o tema da humanização foi abordado na sua graduação ou em
jornada profissional em fisioterapia?
4. Quais desafios você enfrenta ao tentar aplicar práticas humanizadas no ambiente
hospitalar?
5. Você sente que há suporte institucional para a humanização no hospital onde
atua? O que poderia ser melhorado?
6. Você já participou de algum curso ou treinamento específico sobre
humanização na assistência à saúde? Como foi e o que trouxe para o exercício
profissional?
7. Que sugestões você daria para aprimorar a formação dos fisioterapeutas sobre
humanização no atendimento hospitalar?

107

APÊNDICE C
TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO
(Em 2 vias, firmado por cada participante da pesquisa e pelo responsável)
“O respeito devido à dignidade humana exige que
toda pesquisa se processe após o consentimento livre
e esclarecido dos participantes ou grupos que por si
e/ou por seus representantes legais manifestem a sua
anuência à participação na pesquisa”
Título do Estudo: Itinerário Formativo de Fisioterapeutas em um Hospital Geral nas
Práticas de Humanização da Assistência na Saúde
Pesquisador Responsável: Mariana Teixeira Costa
Instituição: Universidade Federal de Alagoas - UFAL

A(o) Senhor(a) está sendo convidada(o) a participar do estudo: “Itinerário Formativo de
Fisioterapeutas em um Hospital Geral nas Práticas de Humanização da Assistência
na Saúde”, que será realizado no Hospital Geral do Estado Professor Osvaldo Brandão
Vilela - HGE e receberá da Sra. Mariana Teixeira Costa, fisioterapeuta, responsável por
sua execução, do Sr Iramirton Figuerêdo Moreira, professor orientador e da Sra Ângela
Maria Moreira Canuto de Mendonça, professora coorientadora as informações necessárias
da pesquisa:

Objetivos do estudo:
Este estudo destina-se a conhecer o itinerário formativo em humanização em saúde de
fisioterapeutas que atuam no Hospital Geral de Alagoas. Tendo como objetivos específicos:
a) Descrever o perfil socioprofissional dos fisioterapeutas participantes;
b) Conhecer quais os sentidos de humanização em saúde produzidos por esses profissionais;
c) Analisar em quais momentos da formação ocorreu a abordagem de conteúdos relacionados
à humanização em saúde, identificando o que foi ensinado e como esses conteúdos foram
ensinados conteúdos de humanização da saúde; d) Identificar os desafios vivenciados no
processo de formação em humanização; e) Levantar propostas de aprimoramento para a
108

formação, voltadas à humanização no ambiente hospitalar onde atuam.
Tipo de estudo:
Este estudo adotará uma abordagem quanti-qualitativa. Caracteriza-se de uma pesquisa
descritiva, será utilizada a análise IRAMUTEQ com foco nos elementos de produção e
recepção do sentido, para explorar a compreensão e os significados construídos no discurso
dos participantes em relação ao tema proposto. Além disso, trata-se de uma pesquisa
exploratória e reflexiva, pois busca aprofundar a compreensão do problema por meio de uma
investigação detalhada, permitindo conhecer aspectos relevantes da formação e da prática em
humanização na fisioterapia hospitalar. Caso aceite participar, a coleta de dados será realizada em
duas etapas, entre outubro e novembro de 2025: O questionário digital, via Google Forms com
perguntas objetivas sobre dados sociodemográficos e profissionais, a ser preenchido pelo participante
em aproximadamente 30 minutos. E na segunda etapa será realizada a entrevista semiestruturada,
conduzida pela pesquisadora principal, por meio da plataforma Google Meet, com duração
aproximada de 1h30, que será gravada em áudio mediante autorização prévia.
Critérios de Inclusão e Exclusão:
Como critérios de inclusão adotados serão: Fisioterapeutas atuantes nas áreas verde e azul, com
tempo mínimo de um ano de atuação no hospital, garantindo que os participantes possuam
conhecimento consolidado sobre o ambiente de trabalho e sobre as atividades desempenhadas.
Enquanto os critérios de exclusão compreendem profissionais afastados por motivo de férias
ou licença durante o período da pesquisa de campo.
4.

Procedimentos:

A etapa quantitativa será realizada por meio da aplicação de um questionário estruturado com
todos os fisioterapeutas participantes. O instrumento buscará levantar dados sobre o perfil
socioprofissional dos participantes, bem como avaliar a percepção e o nível de conhecimento
sobre a temática da humanização na assistência à saúde. A coleta de dados será realizada entre
os meses de outubro e novembro de 2025, em dias e horários previamente combinados com
os participantes, respeitando a disponibilidade de cada um. Será realizada em duas etapas: a
primeira será por meio do questionário digital, via Google Forms com perguntas objetivas
sobre dados sociodemográficos e profissionais, a ser preenchido pelo participante em
aproximadamente 30 minutos. Na segunda etapa será realizada a entrevista semiestruturada,
conduzida pela pesquisadora principal, por meio da plataforma Google Meet, com duração
aproximada de 1h30, que será gravada em áudio mediante autorização prévia.
109

5. Riscos e Benefícios
Os riscos envolvidos na pesquisa são mínimos, incluindo a possibilidade de desconforto
emocional ao relatar experiências profissionais. Para minimizar esse impacto, as entrevistas
on-line serão conduzidas em plataforma digital segura, em horário previamente acordado com
o(a) participante, com perguntas objetivas e atenção a sinais de incômodo. Caso necessário, a
coleta poderá ser interrompida e remarcada. O(a) participante poderá desistir a qualquer
momento, sem prejuízo. A pesquisa será suspensa se houver riscos à integridade dos
participantes, sejam eles físicos, psíquicos, morais, intelectuais, sociais ou culturais.
O estudo contribuirá para o aprimoramento das práticas de humanização, promovendo melhor
integração entre gestão, profissionais da saúde e usuários do SUS, favorecendo a qualidade
do atendimento. No campo acadêmico e científico, fornecerá subsídios para futuras pesquisas
e para o aprimoramento da formação em saúde. Entre os benefícios destacam-se: 1.Impacto
social positivo, promovendo reflexões e propostas que possam influenciar políticas públicas
e iniciativas de humanização; 2. Empoderamento dos participantes, ao valorizar suas
percepções e vivências; 3.Promoção da equidade e justiça social, contribuindo para a redução
de desigualdades e fortalecimento de direitos. O(a) participante terá direito de acesso aos
resultados gerais da pesquisa, que poderão ser solicitados diretamente à pesquisadora
responsável em qualquer momento.
6. Confidencialidade e Proteção de Dados
As entrevistas on-line serão gravadas em áudio e armazenadas em formato digital em pasta
protegida por senha, localizada em computador pessoal da pesquisadora principal, com cópia
de segurança em dispositivo externo criptografado. Os questionários digitais (Google Forms)
terão seus dados exportados para arquivos em PDF/Excel, armazenados no mesmo ambiente
seguro. As gravações e questionários fisícos serão armazenados em local seguro, sob
responsabilidade da pesquisadora principal, por cinco anos após o término da pesquisa. Após
esse período, os arquivos digitais serão eliminados por meio de exclusão definitiva dos
arquivos digitais e fragmentação física dos documentos impressos.O acesso aos dados serão
restrito à equipe de pesquisa.
7. Direito de Retirada e Considerações Éticas
110

O participante tem o direito de se retirar da pesquisa a qualquer momento, sem justificativa e
sem prejuízo. Caso ocorram eventos adversos ou danos decorrentes da pesquisa, haverá
indenização, desde que comprovado. O estudo será conduzido em conformidade com as
Resoluções nº 466/2012 e nº 510/2016 do Conselho Nacional de Saúde (CNS).
8. Autorização de uso de imagem e/ou voz
Após ter sido esclarecido sobre as condições para a minha participação, autorizo:
( ) O uso da minha voz gravada, exclusivamente para esta pesquisa.
( ) O uso da minha imagem (fotos e/ou vídeos), exclusivamente para esta pesquisa.
( ) Não autorizo o uso da minha imagem ou voz.
9. Contato, dúvidas e esclarecimentos
Em caso de dúvidas ou esclarecimentos sobre a pesquisa, você poderá entrar em contato
diretamente com a pesquisadora responsável Mariana Teixeira Costa pelo telefone (82)
98833-4269 ou e-mail: mari_tcosta@hotmail.com.
10. Declaração de Ciência
Estou ciente de que a pesquisadora tratará a minha identidade com padrões profissionais de
sigilo. Meu nome ou o material que indique a minha participação não será liberado sem a
minha permissão. Não serei identificado(a) em nenhuma publicação que possa resultar deste
estudo. Fui informado de que sou livre para recusar-me a participar desta pesquisa, retirar meu
consentimento ou interromper a minha participação a qualquer momento. Com a minha recusa
em participar, não acarretará qualquer penalidade ou perda de benefícios ou modificação na
forma em que sou atendido pelo pesquisador. A minha participação no estudo não me trará
qualquer custo, ocorrendo gastos adicionais, estes serão absorvidos pelo orçamento da
pesquisa e que não receberei nenhuma compensação financeira. Caso eu venha sofrer algum
dano decorrente dessa pesquisa serei indenizado, desde que devidamente comprovado.
A(o) Senhor(a) tendo compreendido o que lhe foi informado sobre a sua participação
voluntária no estudo “Itinerário Formativo de Fisioterapeutas em um Hospital Geral nas
Práticas de Humanização da Assistência na Saúde”, consciente dos seus direitos, das suas
responsabilidades, dos riscos e dos benefícios que terá com a sua participação, concordará em
participar da pesquisa mediante a sua assinatura deste Termo de Consentimento.
111

Declaro que fui informado(a) sobre a pesquisa, seus objetivos, procedimentos, riscos e
benefícios. Sei que minha participação é voluntária e que posso desistir a qualquer momento,
sem prejuízo.
Ciente, DOU O MEU CONSENTIMENTO SEM QUE PARA ISSO EU TENHA SIDO
FORÇADO OU OBRIGADO.
Endereço do (a) participante:
Residência:(rua).........................................................................................Bloco:........
Nº:............, complemento:.............................................Bairro:...................................
Cidade:.................................. CEP:.................................. Telefone:............................
Itinerário Formativo de Fisioterapeutas em um Hospital Geral nas Práticas de
Humanização da Assistência na Saúde
ATENÇÃO:
Se você tiver dúvidas sobre seus direitos como participante de pesquisa, ou para informar
ocorrências irregulares ou danosas,você pode contatar o Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da
UFAL, pelo telefone (82) 3214-1041. O CEP é um grupo de indivíduos com conhecimentos
científicos responsável pela avaliação e acompanhamento dos aspectos éticos de todas as
pesquisas envolvendo seres humanos, realizando a revisão ética e continuada dos estudos para
mantê-los seguros e proteger seus direitos. Este papel está baseado nas diretrizes éticas
brasileiras (Resolução CNS 466/2012 e complementares
Maceió,

de

Assinatura ou impressão datiloscópica
participante

de

.

Assinatura da responsável pelo estudo
(Rubricar as demais folhas)

(Rubricar as demais folha)

112

ANEXOS

113

ANEXO A

Parecer Consubstanciado do Comitê de Ética em Pesquisa

114

115

116

117

118

119

ANEXO B
SUBMISSÃO DE ARTIGO À REVISTA

120