Lucas Fragoso Calheiros Lins
VIVÊNCIA DE MÃES DE FILHOS COM TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA
Resumo
A Atenção Primária à Saúde constitui espaço estratégico para o acompanhamento de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e de suas famílias. Este estudo teve como objetivo compreender as vivências de mães de crianças com TEA acompanhadas na Atenção Primária à Saúde. Trata-se de estudo descritivo, exploratório, com abordagem qualitativa, realizado na Unidade Básica de Saúde Tabelião José Luiz de Andrade, em São Miguel dos Campos, Alagoas. A coleta de dados ocorreu em junho de 2026, por meio de entrevistas individuais semiestruturadas. O corpus analítico final foi constituído por nove mães, identificadas como M1 a M9. Os dados foram submetidos à análise de conteúdo segundo Bardin, sendo organizados em seis categorias relacionadas ao reconhecimento dos primeiros sinais e à busca pelo diagnóstico; organização cotidiana do cuidado; redes de apoio; repercussões na vida materna e familiar; acolhimento e limites de resolutividade na Atenção Primária; e acesso a direitos e benefícios. Os resultados evidenciaram a centralidade das mães na organização do cuidado, envolvendo rotina, escola, consultas, terapias, medicamentos e encaminhamentos. As redes de apoio mostraram-se heterogêneas e, em algumas trajetórias, insuficientes para compartilhar as demandas do cuidado. Foram identificadas repercussões emocionais, profissionais e econômicas, além de dificuldades relacionadas ao acesso a terapias, especialistas e benefícios. Experiências positivas de acolhimento na Unidade Básica de Saúde coexistiram com limitações de acesso e continuidade em outros pontos da rede. A partir das necessidades identificadas, foi desenvolvido o Produto TécnicoTecnológico “Cuidando de Quem Cuida: guia prático para mães e famílias de crianças com TEA”. Conclui-se que as vivências maternas são atravessadas pela centralidade do cuidado, pela disponibilidade desigual de apoio e pelas condições concretas de acesso à rede, apontando para a importância de que a Atenção Primária reconheça também as necessidades de saúde das mães e acompanhe os percursos assistenciais das famílias.
