19- Teresa Cristina Carvalho dos Anjos - Uma Análise do Exercício da Preceptoria e as Diretrizes Curriculares Nacionais no Programa de Prevenção e Controle das Doenças Sexualmente Transmissíveis, Aids e Hepatites Virais do Município de Maceió.
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UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
FACULDADE DE MEDICINA
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO ENSINO NA SAÚDE
MESTRADO PROFISSIONAL EM ENSINO NA SAÚDE
TERESA CRISTINA CARVALHO DOS ANJOS
UMA ANÁLISE DO EXERCÍCIO DA PRECEPTORIA E AS DIRETRIZES
CURRICULARES NACIONAIS NO PROGRAMA DE PREVENÇÃO E CONTROLE
DAS DOENÇAS SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS, AIDS E HEPATITES VIRAIS
DO MUNICÍPIO DE MACEIÓ.
MACEIÓ
2015
TERESA CRISTINA CARVALHO DOS ANJOS
UMA ANÁLISE DO EXERCÍCIO DA PRECEPTORIA E AS DIRETRIZES
CURRICULARES NACIONAIS NO PROGRAMA DE PREVENÇÃO E CONTROLE
DAS DOENÇAS SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS, AIDS E HEPATITES VIRAIS
DO MUNICÍPIO DE MACEIÓ.
.
-
Orientadora: Prof. Dr. Carlos Henrique Falcão
Tavares.
Coorientadora: Profa. Dra. Jerzuí Mendes Tôrres
Tomaz
MACEIÓ
2015
Catalogação na fonte
Universidade Federal de Alagoas
Biblioteca Central
Divisão de Tratamento Técnico
Bibliotecária Responsável: Maria Helena Mendes Lessa
A599u
Anjos Teresa Cristina Carvalho dos.
Uma análise do exercício da preceptoria e as diretrizes curriculares nacionais
no programa de prevenção e controle das doenças sexualmente transmissíveis,
AIDS e hepatites virais do município de Maceió / Teresa Cristina Carvalho dos
Anjos. Maceió, 2015.
81 f. : Il.
Orientador: Carlos Henrique Falcão Tavares.
Coorientadora: Jerzuí Mendes Torres Tomaz.
Dissertação (Mestrado Profissional em Ensino na Saúde) Universidade
Federal de Alagoas. Faculdade de Medicina. Programa de Pós-Graduação em
Ensino na Saúde. Maceió, 2015.
Inclui bibliografias
Apêndices: f. 46-77.
Anexos: f. 78-81.
1. Preceptoria. 2. Educação Ensino Serviço. 3. Aprendizagem.
4. Educação baseada em competências - Diretrizes Curriculares Nacionais.
I. Título.
CDU: 61:378.147
” Não sei se a vida é curta ou longa demais para nós, mas sei que nada do que
vivemos tem sentido, se não tocarmos o coração das pessoas”
Cora Coralina
AGRADECIMENTOS
A gratidão é uma das maiores virtudes. Reconheço que somos constructo das relações
que partilhamos ao longo da vida, que não estamos sozinhos nessa caminhada em busca de
dias melhores. Tudo o que sou e aonde cheguei não cheguei sozinha.
Agradeço a Deus, onde busco a força e inspiração para minha caminhada, por todas as
oportunidades que tive e tenho na vida. É uma benção ter o aparato familiar que tenho as
amizades que construí na minha trajetória pessoal e profissional e acima de tudo a
sensibilidade e a capacidade que pude desenvolver de olhar e perceber no outro, um ser de luz
que independente de gênero, raça, posição social e cultural tem muito a me ensinar.
Ao meu orientador Carlos Henrique Falcão Tavares o meu especial apreço. Com seu
acolhimento, paciência e determinação, conhecimento técnico, tornou essa etapa da minha
formação mais leve, pois não é fácil realizar uma formação em nível de mestrado associando
as demandas do trabalho.
A minha coorientadora Jerzuí Tôrres Tomaz minha admiração por sua sabedoria de
tornar o que parecia impossível uma realidade ao provocar um processo de reflexão crítica
que me exigiu um esforço de desconstrução e reconstrução pessoal e profissional.
Aos colegas de pós graduação, em especial Maria Liege Batista, Ana Tojal, Danilo
Cavalcante e Rafaela Brandão e as do Núcleo de Saúde Pública da UFAL, Tereza Angélica
Lopes de Assis, Maria das Graças Monte e Margarete Pereira Cavalcante, pela ajuda mútua,
troca de experiências sobre nossos avanços e dificuldades, pois acreditaram e me fizeram
acreditar que esse sonho seria possível.
As minhas companheiras/os de trabalho do Programa Municipal de DST/HIV/AIDS e
Hepatites Virais; da Comissão Estadual de Integração Ensino
Serviço; e, da Coordenação de
Saúde do SESC Alagoas minha gratidão pela solidariedade, apoio e respeito. Meu
agradecimento especial às amigas: Sandra Gomes, Adriana Fragoso, Mariana Tavares,
Patrícia Bezerra, Quitéria Pugliesi, Sandra Barros, Janaína Valença, Mabel Araújo, Janeleusa
Oliveira e Rosinei Brito, sem as quais não teria conseguido concluir essa jornada.
Aos colegas do serviço de referência de DST/HIV/AIDS e Hepatites Virais do Bloco I
do PAM Salgadinho, especialmente aos preceptores que concordaram em participar das
entrevistas, pela valiosa contribuição, disponibilizando-se a socializar conosco suas
experiências, dando credibilidade aos achados desta pesquisa e aos coordenadores Samuel
Delane e Fábio Mota que permitiram desenvolver o projeto de intervenção desdobramento
deste trabalho.
Aos professores Jefferson Bernardes e Cristina Azevêdo que participaram da banca de
qualificação, pela leitura atenta e criteriosa do material e pelos comentários ao projeto deste
trabalho acadêmico que foram muito valiosos para a etapa final.
Aos usuários, estudantes, profissionais de saúde e professores que colaboraram na
concretização dos produtos de intervenção, propostos a partir desta pesquisa, minha
admiração, respeito e disponibilidade para colaborar na construção de um serviço melhor e
um espaço de aprendizagem profissional mais qualificado.
A minha família, em especial a minha avó Eliete Correia dos Santos (in memórian),
educadora sábia, com visão estratégica singular e a minha mãe Belmira Pires de Carvalho (in
memórian), fortaleza inspiradora, de alma e postura comprometida com questões
humanitárias, mulheres enviadas por Deus que me conduziram com determinação e postura
ética sem jamais perderem a ternura. Meus irmãos Tadea e João, minha Tia Graça, meus tios
Matias e Josefina, minha avó Betinha (in memórian) minha sogra Conceição pela presença
constante, por acreditarem no meu potencial e me incentivarem ao desenvolvimento
profissional, fazendo-se presente sempre na minha vida com o apoio e suporte necessários
para que eu tivesse as condições objetivas para me constituir como mulher trabalhadora,
cidadã, esposa e mãe.
E por fim, ao meu filho Carlos dos Anjos, razão da minha existência, a quem me
esforço para ser referência de amor, trabalho e dedicação e ao meu esposo Antonio Carlos
pelo amor a nós dedicado, sendo compreensivo nas situações mais adversas, quando me fiz
ausente, embora presente, em busca do meu crescimento pessoal e profissional.
RESUMO
Esta pesquisa investigou o exercício da preceptoria no Programa de Prevenção e Controle das
Doenças Sexualmente Transmissíveis, HIV, AIDS e Hepatites Virais DST/HIV/AIDS e HV
do Município de Maceió relacionado as Diretrizes Curriculares Nacionais DCNs no que se
refere ao aprendizado as competências gerais preconizadas para o exercício profissional na
área da saúde.
Programa DST/HIV/AIDS e Hepatites Virais do Município de
-se de um
estudo descritivo de abordagem qualitativa. Para coleta e tratamento dos dados foi utilizada a
técnica da entrevista semi estruturada fundamentada na análise de conteúdo. Os dados deste
estudo apontam para o conhecimento empírico dos participantes da pesquisa sobre o papel do
preceptor e o desconhecimento sobre o que preconiza as DCNs publicadas em 2001 no
desenvolvimento de competências. A partir do resultado da pesquisa foram elaborados dois
produtos: o primeiro, na modalidade de projeto de intervenção sistemático, denominado
integração ensino-serviço no
Programa DST/HIV/AIDS e HV; o segundo, um vídeo
ferramenta esta a ser disponibilizada para os preceptores com o objetivo de apoiá-los no
acolhimento e integração dos estudantes no serviço, possibilitando uma visão ampliada sobre
a potência do programa para a aprendizagem profissional. A intencionalidade é que os
produtos propostos possam contribuir para fortalecer e ampliar a atividade de preceptoria no
âmbito da Vigilância em Saúde, especificamente no Programa DST/HIV/AIDS e HV,
melhorar o acolhimento e integração dos estudantes no cenário de prática e fortalecer o
diálogo entre instituições de ensino e o serviço.
Palavras-Chave: Doenças Sexualmente Transmissíveis. AIDS. HIV. Hepatites Virais.
ABSTRACT
This work investigates the exercise on preceptorship in the Program for Prevention and
Control of Sexually Transmitted Diseases, HIV, AIDS and Viral Hepatitis - STD/HIV/AIDS e
HV from Maceió city related to the National Curriculum Directives - DCN on the learning of
general skills recommended for professional practice in healthcare. It features an article
It is about a descriptive study of qualitative approach. For collecting and
processing the data was used semi-structured interview technique based on content analysis.
The study data point to the empirical knowledge of research participants about the role of
preceptor and the ignorance about what recommends DCNs published in 2001 on skills
development. Based on the results of the research it were elaborated two products: the first, in
the form of systematic intervention project, called "Rodas de Conversas: tecendo diálogos
construindo caminhos" whose goal is to strengthen the teaching-service integration in
STD/HIV/AIDS e HV; the second, a documentary video called "Programa DST/HIV/AIDS e
a tool to be made available for tutors in order to support
them in reception and integration of students in service, enabling a larger view on program
power for professional learning. The intention is that the proposed products can contribute to
strengthening and expanding the preceptorship activity under the Health Surveillance,
specifically in the STD/HIV/AIDS and HV Program, improving the reception and integration
of students in the practice setting and strengthen dialogue between educational institutions
and the service.
Keywords: Sexually Transmitted Diseases. HIV. AIDS. Viral Hepatitis.
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
AIDS
Síndrome da Imunodeficiência Humana
CES
Câmara de Educação Superior
CNE
Conselho Nacional de Educação
CTA
Centro de Testagem e Aconselhamento
DCNs
Diretrizes Curriculares Nacionais
FAMED
Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Alagoas
HIV
Vírus da Imunodeficiência Humana
HV
Hepatites Virais
IE
Instituição de Ensino
IES
Instituição de Ensino Superior
MEC
Ministério da Educação e Cultura
MS
Ministério da Saúde
OMS
Organização Mundial de Saúde
OPAS
Organização Pan-Americana de Saúde
PAM
Posto de Atendimento Médico
PET/SAÚDE
Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde
PIASS
Programa de Interiorização da Assistência à Saúde e Saneamento
PM/DST/AIDS/HV
Programa Municipal de Prevenção e Controle das Doenças
Sexualmente Transmissíveis, AIDS e Hepatites Virais
PND
Plano Nacional de Desenvolvimento
Pp
Participante da Pesquisa
PPREPS
Programa de Preparação Estratégica do Pessoal da Saúde
PRO-RESIDENCIA
Programa Nacional de Apoio a Formação de Médicos Especialistas
em Áreas Estratégicas
SMS
Secretaria Municipal de Saúde
SUS
Sistema Único de Saúde
TCLE
Termo de Consentimento Livre e Esclarecido
UFAL
Universidade Federal de Alagoas
UR
Unidade de Registro
SUMÁRIO
1
APRESENTAÇÃO............................................................................................11
2
POSSIBILIDADES E DESAFIOS DA PRECEPTORIA NO PROGRAMA
DST/HIV/AIDS E HEPATITES VIRAIS DO MUNICÍPIO DE MACEIÓ......... 14
3
PROJETO DE INTERVENÇÃO.............................................................................. 34
3.1
Título............................................................................................................................ 34
3.2
Justificativa................................................................................................................. 34
3.3
Objetivos...................................................................................................................... 36
3.1.1 Objetivos Específicos................................................................................................... 36
3.4
Metas............................................................................................................................ 36
3.5
Metodologia................................................................................................................. 36
3.6
Período de Realização................................................................................................ 37
3.7
Recursos....................................................................................................................... 38
3.7.1 Recursos Humanos....................................................................................................... 38
3.7.2 Recursos Materiais e Financeiros................................................................................. 38
3.7.3 Recursos de Terceiros................................................................................................... 39
3.8
Cronograma................................................................................................................ 39
3.9
Resultados Esperados................................................................................................. 39
3.10
Avaliação..................................................................................................................... 40
REFERÊNCIAS......................................................................................................... 40
4
CONCLUSÃO GERAL............................................................................................. 41
REFERÊNCIAS GERAIS......................................................................................... 43
APÊNDICES............................................................................................................... 46
ANEXOS..................................................................................................................... 78
11
1
APRESENTAÇÃO
A realização deste trabalho foi motivada por minha trajetória profissional na política
de educação na saúde, pela intencionalidade de contribuir com a formação profissional na
área da saúde e a necessidade de compreender os desafios e possibilidades que estão postos
para a integração ensino-serviço analisando o exercício da preceptoria como um dos
dispositivos desta integração. A pesquisa foi realizada no Programa Municipal de Prevenção e
Controle das Doenças Sexualmente Transmissíveis,
AIDS e Hepatites Virais -
PM/DST/HIV/AIDS e HV do Município de Maceió/AL, especificamente no bloco I do Posto
de Atendimento Médico - PAM Salgadinho, onde funcionam o Serviço de Atenção
Especializada - SAE e o Centro de Testagem e Aconselhamento - CTA.
As Diretrizes Curriculares Nacionais - DCNs para os cursos da área da saúde
preconizam a aproximação do estudante no serviço desde o início do curso, a partir dos
primeiros anos de formação e durante todo o seu percurso acadêmico. Para que essa diretriz
seja consolidada, os serviços de saúde precisam estar abertos ao acolhimento e ao diálogo que
permitam contribuir para a formação de um profissional com habilidades e competências
apropriadas para o exercício profissional no Sistema Único de Saúde - SUS.
O PM/DST/HIV/AIDS e HV compõe o bloco da Vigilância em Saúde, área
compreendida pelo Ministério da Saúde - MS como estratégica para formação e
aprendizagem, cabendo ao profissional de saúde que atua no serviço a responsabilidade
compartilhada com as Instituições de Ensino - IE no desafio de inserir o aluno no processo de
trabalho, atuando como preceptor num papel estratégico no contexto da formação (BRASIL,
2010).
Corroborando com o pensamento de Botti e Rêgo (2011), Bispo, Tavares e Tomaz
(2014), compreendemos que preceptor é o profissional de saúde com formação superior que
atua no serviço e recebe alunos encaminhados por IE para vivência e aprendizagem nos
cenários de prática. A etimologia da palavra preceptoria vem do latim praeceptor,
praeceptoris, aquele que ministra preceitos ou instruções. Uma prática que atravessa a Idade
Média, a maioria dos anos da Era Moderna, sendo comum ainda no século XIX, na qual era
comum nobres ou seus filhos, filhos de monarcas, príncipes, serem acompanhados, cuidados,
ao longo dos anos por preceptores responsáveis pela educação formal e ensinamentos
filosóficos outros (CUNHA, 2013, p. 516). Na literatura da área da saúde, o termo identifica o
profissional de saúde que recebe e orienta os estudantes nos serviços, sendo corresponsável
12
por sua formação moral e técnica além de contribuir no desenvolvimento de habilidades
específicas, como sugere a etimologia da palavra. Para Rêgo (2011), preceptor é o
profissional que tem a possibilidade de estimular os estudantes para uma discussão orientada
sobre o que vivenciam no cenário de prática, de modo a contribuir para uma reflexão crítica
sobre essa experiência. No serviço investigado, verificou-se um alinhamento do exercício da
preceptoria com este conceito.
Considerando a importância do preceptor no acolhimento, orientação e viabilização do
contato do estudante com a prática profissional, que pode contribuir no aprendizado das
competências gerais preconizadas nas DCNs, que são: Atenção à Saúde; Tomada de Decisão;
Comunicação; Liderança; Administração e gerenciamento; e, Educação Permanente, o
presente estudo buscou analisar o exercício da preceptoria e as DCNs no PM/DST/AIDS e
HV de Maceió, especificamente no SAE e CTA.
A atuação profissional no referido programa está relacionada à prática educativa em
saúde, onde colaboro nos processos de educação permanente e educação continuada, voltados
aos trabalhadores do Sistema Único de Saúde
SUS, educação em saúde com a comunidade
em geral, destacando estudantes de escolas públicas e privadas do ensino fundamental a
graduação, trabalhadores de instituições e empresas, movimentos sociais, visando ampliar a
informação destes sujeitos sobre a prevenção das DST/HIV/AIDS e HV.
Este é um trabalho de conclusão de curso do Programa de Mestrado Profissional
Ensino na Saúde da Faculdade de Medicina
FAMED, da Universidade Federal de Alagoas Possibilidades e Desafios
da Preceptoria no Programa DST/HIV/AIDS e Hepatites Virais do Município de Maceió
como produt
Construindo Caminhos" e o
aprendizagem
Tecendo Diálogos Programa DST/AIDS e HV: um espaço de
s é fortalecer a integração ensino-serviço por
meio da discussão sobre o conceito e o exercício da preceptoria no serviço analisado,
proporcionando o diálogo entre os sujeitos envolvidos neste processo visando construir uma
proposta coletiva que contribua para a formação profissional nas áreas da saúde no âmbito de
atuação multidisciplinar do PM/DST/HIV/AIDS e HV. O vídeo acima citado tem o objetivo
de apoiar e subsidiar os preceptores no acolhimento dos estudantes no cenário de prática,
proporcionando uma visão ampliada sobre as possibilidades e os limites do programa para a
aprendizagem profissional.
Os produtos objetivam contribuir na capacitação dos profissionais para a preceptoria,
no acolhimento dos estudantes, no fortalecimento da integração ensino serviço, aproximando
13
as Instituições de Ensino - IE ao serviço, por meio de estratégias como rodas de conversas
envolvendo preceptores, professores estudantes e usuários do serviço.
O artigo científico, o projeto de intervenção e o vídeo são resultados de pesquisa
bibliográfica e de campo na área da Integração Ensino - Serviço, tendo como principal objeto
de estudo a preceptoria.
O artigo é o desdobramento de uma pesquisa de campo cuja técnica de coleta de dados
foi a entrevista semiestruturada e para análise dos dados utilizamos análise temática
(MINAYO, 2010; BARDIN, 2012). Apoiamo-nos em autores como Rêgo, Botti, Bollela,
Batista, Ceccim, Trajman, dentre outros, para sustentação do referencial teórico sobre
Preceptoria, Aprendizagem, Desenvolvimento de Competências, Educação Permanente e
Integração Ensino-Serviço. Ancorando-nos, principalmente, no pensamento do educador
Anísio Teixeira que defendia uma educação integral articulada com as demandas da
comunidade (TEIXEIRA, 2011).
O artigo revela os dados da pesquisa que permitiu analisar como os profissionais
exercem preceptoria, o que desenvolvem, como ocorre a integração ensino-serviço e as
sugestões para melhoria deste exercício no serviço. O projeto de intervenção, intitulado
Rodas de Conversas: Tecendo Diálogos - Construindo Caminhos" tem como estratégia a
implantação de um processo de educação permanente dinâmico, sistematizado, que favoreça o
diálogo e fortaleça a integração ensino-serviço, propondo-se a aproximar Instituições de
Ensino-
Programa DST/HIV/AIDS e HV: um espaço de
é uma ferramenta ilustrativa sobre as possibilidades e os limites para
aprendizagem profissional existentes no serviço, que pode ser utilizado como um dos recursos
no acolhimento dos estudantes.
14
2
POSSIBILIDADES E DESAFIOS DA PRECEPTORIA NO PROGRAMA
DST/HIV/AIDS E HEPATITES VIRAIS DO MUNICÍPIO DE MACEIÓ
RESUMO
Este artigo analisa o exercício da preceptoria num programa da área de Vigilância em Saúde,
no município de Maceió, no que se refere ao aprendizado das competências gerais
preconizadas pelas Diretrizes Curriculares Nacionais DCNs (2001) que são: Atenção à
Saúde; Tomada de Decisão; Comunicação; Liderança; Administração e Gerenciamento; e,
Educação Permanente. Trata-se de um estudo descritivo de abordagem qualitativa, cujos
dados foram coletados por meio de entrevistas semiestruturadas e analisados sob perspectiva
da Análise de Conteúdo, utilizando a modalidade Análise Temática, sendo o conteúdo das
mensagens classificados em Unidades de Registro. Os resultados apontam o conhecimento
empírico dos participantes da pesquisa sobre papel do preceptor e desconhecimento sobre o
que preconiza as DCNs no desenvolvimento de competências nas graduações de Psicologia,
Medicina, Enfermagem, Odontologia e Serviço Social e evidenciam as possibilidades e os
desafios da preceptoria no Programa de Prevenção e Controle das DST/HIV/AIDS e Hepatites
Virais.
Palavras–chave:
Preceptoria; Educação;
competências.
Aprendizagem;
Educação
baseada
em
ABSTRACT
This paper analyzes the practice of preceptorship in one of the health surveillance area
program in the town of Maceió, with regard to the learning of general skills preconized by
National Curriculum Guidelines - DCNs (2001) which are: health care; decision taking;
communication; leadership; administration and management; and continuing education. It is
about a descriptive study of qualitative approach, whose data were collected through semistructured interviews and analyzed from the perspective of content analysis, using the
thematic analysis modality, while the content of the messages was classified in Registration
Units. The results indicate the empirical knowledge of research participants about the role of
preceptor and ignorance about what recommends DCNs on skills development in
undergraduate courses in Psychology, Medicine, Nursing, Dentistry and Social Service,
highlighting the opportunities and challenges of preceptorship in the Prevention and Control
of STD/HIV/AIDS and Viral Hepatitis Program.
Keywords: Preceptorship. Education. Learning. Competency-Based Education.
15
INTRODUÇÃO
As Diretrizes Curriculares Nacionais - DCN aprovadas em 2001 pelo Conselho
Nacional de Educação para os cursos de graduação em saúde objetivam permitir que os
currículos propostos contemplem a construção de um perfil acadêmico e profissional com
competências, habilidades e conteúdos compatíveis com as referências nacionais e
internacionais, formando profissionais capazes de atuar com qualidade, eficiência e
resolutividade no Sistema Único de Saúde - SUS, considerando o processo de Reforma
Sanitária Brasileiro (BRASIL, 2001).
O Programa de Prevenção e Controle das Doenças Sexualmente Transmissíveis, AIDS
e Hepatites Virais - PM DST/HIV/AIDS e HV, vinculado a área da Vigilância em Saúde,
requer a intervenção de equipe multiprofissional, agregando várias profissões da área da
saúde. Nessa perspectiva, foram analisadas as DCNs dos cursos de Serviço Social,
Enfermagem, Medicina, Odontologia e Psicologia, áreas técnicas que exercem preceptoria no
referido programa. As DCNs dos cursos de Enfermagem, Medicina, Odontologia e
Psicologia, recomendam que os estudantes desenvolvam competências gerais, tais como a
atenção à saúde, tomada de decisão, comunicação, liderança, administração, gerenciamento e
educação permanente. Já a DCN do curso de Serviço Social preconiza a compreensão do
significado social da profissão e de seu desenvolvimento sócio histórico, identificação das
demandas presentes na sociedade visando formulação de respostas para o enfrentamento da
questão social e a utilização de recursos da informática (BRASIL, 2001).
O desenvolvimento das competências acima mencionadas poderá ocorrer também na
integração entre o ensino e os serviços de saúde mediante o contato dos estudantes com a
prática de assistência mediada pela orientação dos preceptores do serviço. Para Botti e Rêgo
(2011, p. 80, 2008, p. 370), o preceptor tem a função primordial de educar, identificar
oportunidades de aprendizagem, cenários de exposição, tornando sua prática uma
possibilidade para o ensino em serviço. Sua ação se dá por um curto período de tempo em
encontros formais que objetivam o progresso do estudante, numa relação que exige
compromisso e que se efetiva no cenário do trabalho, com a função de desenvolver
habilidades profissionais e avaliar o profissional em formação.
A formação profissional em serviço é uma atividade legalmente reconhecida. Tanto a
Constituição Federal, no artigo 200, inciso III, discorre sobre as competências do SUS no
ordenamento da formação de recursos humanos, como a Lei Federal 8.080/1990, no artigo 27,
16
articuladamente, pelas diferentes esferas de governo, objetivando organizar um sistema de
formação de recursos humanos em todos os níveis de ensino, inclusive de pós(BRASIL, 1990). Com a promulgação da legislação brasileira, o país sinaliza a preocupação
com o processo de formação e o compromisso de envidar esforços conjuntos entre os
Ministérios da Educação e da Saúde para que estudantes de graduação tenham o serviço
público de saúde como cenário de prática (BRASIL, 2010). As condições legais para a
aprendizagem em serviço estão postas, contudo, para operacionalizar essa diretriz é necessário
a implicação e o envolvimento dos trabalhadores de saúde.
É reconhecido, tanto pela academia como pelo serviço, que a força de trabalho para o
SUS também se forma no cenário de prática em saúde e tem no profissional do serviço a
pessoa responsável por objetivar o que preconiza a legislação para a formação profissional por
meio do exercício da preceptoria. No entanto, Cunha (2011) discorre sobre a importância de
reconhecer que a formação acadêmica não é suficiente para capacitar os profissionais de
saúde como preceptores, durante a graduação, essa formação para preceptoria é limitada ou
inexistente. Segundo Botti e Rego (2008), o preceptor ensina por meio de instruções formais e
com determinados objetivos e metas, e deve integrar os conceitos e valores apreendidos na
formação acadêmica e no trabalho. Nesse contexto, a preceptoria se refere a um processo
educativo ético baseado no cuidado e respeito para com o cidadão em formação.
Com relação às Diretrizes Curriculares Nacionais, Bollela (2012) comenta que
Existe uma definição comum de perfil do egresso e de competências gerais
requeridas para o exercício profissional: Atenção à Saúde, Tomada de Decisões,
Comunicação, Liderança, Educação Permanente; Administração e Gerenciamento.
Como em toda diretriz o documento deixa c
o que se deve fazer
espera chegar, mas a questão não resolvida e tampouco equacionada ainda é relativa
como fazer
norte’, mas sim a decisão de ‘como’mobilizar os
recursos disponíveis para se chegar ao destino pretendido. (grifo do autor)
Mesmo com possibilidades de diálogo existentes para aproximar ensino-serviço, a
formação em saúde nos espaços da rede pública ainda se configura como uma relação de
distanciamento para os preceptores que possuem pouco domínio sobre o que fazer e como
fazer e para as instituições de ensino que demandam a necessidade de cumprir o que
preconiza as DCNs. Para Cunha (2011, p. 78)
um
direcionamento, deve ter clareza sobre que tipo de profissional ele deve formar. [...] As
instituições formadoras devem introduzir um processo de formação, de monitoramento e
O alinhamento e a
comunicação entre instituições de ensino e serviços de saúde são fundamentais para a
17
compreensão do profissional de saúde sobre o que preconiza as DCNs para o
desenvolvimento de competências e consequentemente, desenvolver de forma coerente e
articulada a preceptoria colaborando efetivamente com a formação profissional.
Conforme Tenório e Schelbauer (2007), o educador Anísio Teixeira, pioneiro na
implantação de escolas públicas em todos os níveis, reconhecia a escola enquanto meio de
preparação dos sujeitos para a vida, a qual não poderia se fechar nem se manter isolada da
vida social, devendo ampliar o seu raio de ação para além do seu espaço físico, associada a
um compromisso dos profissionais - tanto de administradores públicos quanto dos
profissionais de atuação direta - com os objetivos e fins da educação. Ancorando-nos no
pensamento de Teixeira (2011, p. 358), ao descrever que
escola pública é o instrumento da
integração e da coesão da grande sociedade, e se deve fazer o meio de transformá-la na grande
comunidade
a integração ensino-serviço como propósito de fortalecimento do
Estado brasileiro, no sentido de preparar a força de trabalho qualificada para atuar no SUS,
dando sustentabilidade a uma política de educação e de saúde que possam responder a uma
demanda da sociedade por um ensino e uma prestação de serviços de saúde de qualidade,
contextualizados e apropriados aos interesses da coletividade.
O Programa de Prevenção e Controle das Doenças Sexualmente Transmissíveis, AIDS
e Hepatites Virais - PM/DST/HIV/AIDS e HV da Secretaria Municipal de Saúde - SMS de
Maceió recebe, sistematicamente, estudantes em estágio supervisionado ou atividades
extramuros visando conhecer a realidade das pessoas vivendo com HIV/AIDS, os serviços
desenvolvidos e realizar a aprendizagem prática. A equipe multiprofissional da área da saúde
que atua no referido programa é composta por médicos, psicólogos, enfermeiros, odontólogos
e assistentes sociais, categorias profissionais que se responsabilizam pela preceptoria dos
estudantes que acessam o serviço para aprendizagem.
Neste cenário, se coloca a questão central desta pesquisa: Como profissionais de saúde
do PM/DST/HIV/AIDS e HV exercem a preceptoria?
PERCURSO METODOLOGICO
O projeto de pesquisa foi submetido a aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa por
meio da Plataforma Brasil, sendo aprovado em 18/06/2014 CAAE 32613914.1.0000.5013.
A pesquisa, desenvolvida em ambiente do serviço de saúde, correspondeu a um estudo
descritivo de abordagem qualitativa
estudo
a preceptoria
permitiu uma aproximação com o objeto central do
através das informações coletadas no processo de investigação. Foi
18
realizada nos meses de setembro e outubro de 2014 no Programa Municipal de
DST/HIV/AIDS e HV de Maceió, no bloco I do PAM Salgadinho onde funciona o Serviço de
Atenção Especializada - SAE e o Centro de Testagem e Aconselhamento
CTA que
correspondem a serviços distintos e ao mesmo tempo complementares. O primeiro realiza
assistência em saúde aos portadores de HIV, AIDS e Hepatites Virais, o segundo realiza
aconselhamento, oferta de testes para diagnóstico de sífilis, HIV, Hepatites B e C, para a
população em geral e encaminha os casos diagnosticados para o acompanhamento no SAE.
A pesquisa apresentou como objetivo analisar a preceptoria no PM/DST/HIV/AIDS e
HV da Secretaria Municipal de Saúde de Maceió, especificamente: descrever o entendimento
de preceptoria pelos profissionais de saúde entrevistados; identificar o que realizam no
exercício da preceptoria; levantar sugestões que contribuam para a melhoria da preceptoria e
que possam favorecer o diálogo entre instituições de ensino e serviço.
A técnica utilizada para a coleta de dados foi a entrevista semiestruturada, cujas
perguntas norteadoras possibilitaram que o entrevistado discorresse sobre o tema com relativa
liberdade. Permitiu ainda que o entrevistador tivesse liberdade para desenvolver e explorar o
tema da pesquisa, ampliando a possibilidade de obtenção de informações a partir das falas
(MINAYO, 2010, p. 261).
No momento da coleta de dados, o programa contava com 34 profissionais com
formação superior nas áreas de saúde, a saber: 06 médicos infectologistas, 02 médicos
dermatologistas, 01médico psiquiatra, 02 médicas ginecologistas, 01 médica pediatra, 01
médica gastroenterologista, 05 odontólogos, 04 enfermeiras, 07 psicólogos, 05 assistentes
sociais. Destes, 12 realizavam preceptoria.
Como critério de inclusão utilizamos ser profissional da saúde com formação superior,
estar recebendo ou ter recebido discentes de Instituições de Ensino Superior - IES nos últimos
dois anos. De acordo com esses critérios, os profissionais, em sua totalidade, aceitaram
participar da pesquisa, após a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.
19
Quadro 1 – Caracterização dos participantes da pesquisa (Pp) de acordo com idade, sexo e
formação acadêmica
Participante
Idade
Sexo
1
44
F
Formação
acadêmica –
graduação
Psicologia
2
50
M
Psicologia
3
56
F
Psicologia
4
23
F
Enfermagem
5
40
F
Enfermagem
6
29
F
Enfermagem
7
33
F
Enfermagem
8
53
F
Serviço Social
9
40
F
Serviço Social
10
38
F
Odontologia
11
53
F
Odontologia
12
41
F
Medicina
Fonte: Autora, 2015
Analisamos os dados, a partir do referencial teórico da Análise de Conteúdo
preconizada por Bardin (2012), que contou com: leitura flutuante objetivando conhecer e
identificar o contexto das falas; leitura exaustiva visando apropriação do conteúdo;
categorização; tratamento; redução e análise. Utilizamos a modalidade análise temática que
mensagem, podendo ser uma palavra, uma frase, um resumo. E para analisar o conteúdo das
mensagens utilizamos as Unidades de Registro - UR (MINAYO, 2010, p. 317).
Todas as entrevistas foram gravadas, transcritas na íntegra e exaustivamente lidas com
o objetivo de apropriação do conteúdo, descobrindo os núcleos de sentido implícitos na
comunicação conforme preconiza a literatura (MINAYO, 2010, p. 316). As perguntas
norteadoras foram: 1) O que você entende por preceptoria?; 2) Quais funções/atividades você
desempenha como preceptor?; 3) Tem alguma atividade na preceptoria que você considera
que faz a mais? Qual? Como? Por quê?; 4) Tem alguma atividade na preceptoria que você
considera que faz a menos?; 5) Que pontos facilitam o exercício da preceptoria?; 6) Algo
dificulta?; 7) O que você sugere para melhorar a preceptoria?.
20
O tratamento dos resultados foi confrontado com o referencial teórico sobre
preceptoria, aprendizagem, desenvolvimento de competências, educação permanente,
integração ensino serviço, com vistas à identificação de conteúdos convergentes e
divergentes, tendo se consubstanciado, principalmente, no pensamento de Teixeira (2011) que
defendia uma educação integral articulada com as demandas da comunidade.
Analisado o conteúdo das respostas e os relatos comuns relacionados ao objeto deste
estudo, foram identificados os núcleos de sentidos devidamente classificados pelas seguintes
Unidades de Registro (UR):
UR 1 Entendimento de preceptoria
UR 2 Atividades desenvolvidas
UR 3 Integração ensino
serviço
UR 4 Infra estrutura e condições de trabalho
UR 5 Sugestões para melhoria da preceptoria
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Foram analisadas as falas de 12 preceptores que revelam as possibilidades e desafios
da preceptoria no PM/DST/HIV/AIDS do município de Maceió. A análise permitiu identificar
uma compreensão polissêmica sobre preceptoria com ênfase no trabalho uniprofissional e sem
referência ao desenvolvimento de competências preconizadas nas DCNs o que pode ser
observado nas UR detalhadas abaixo:
UR 1- entendimento de preceptoria:
Trabalho de um profissional que recebe estudantes e faz o
acompanhamento desses estudantes nos serviços, é, pode ser da mesma área,
geralmente da área direta da gente, mas pode ser também de outra área como
também já tive essa
outra instituição em que isso é mais presente, é uma universidade, eu sei que
tem profissionais responsáveis por acompanhar o estágio em determinada
área [...] estou acompanhando uma estagiária, a nomenclatura que dão é
supervisora de campo, não sei se tem o mesmo sentido, o mesmo
essoa que vai esclarecer vai desnudar, vai estar a frente desse
processo, perpassa por todos os níveis de atenção à saúde, por todas as
disciplinas, é
21
As falas dos entrevistados evidenciam, prioritariamente, a preocupação com a
formação profissional na especificidade de cada área de atuação dos sujeitos, com a
possibilidade do acolhimento e orientação de estudantes de outras áreas considerando o
trabalho interdisciplinar que o PM/DST/HIV/AIDS e HV convoca. Identificam-se
similaridades na definição do significado de preceptoria para algumas áreas e um
desconhecimento em outras.
Os profissionais de saúde entrevistados compreendem a preceptoria como atividade
importante na prática profissional e a definem baseados na experiência em serviço, uma vez
que não receberam nenhuma orientação ou capacitação para exercê-la. Contudo, há
similaridade com o preconizado por Botti e Rego (2008) ao definir o papel do preceptor como
o ato de ensinar ao aluno por meios formais, com objetivos e metas, Aguiar-da-Silva, Scapin e
Batista (2011) quando destaca a existência de uma preocupação com a aprendizagem do aluno
focada na área específica fortalecendo a tendência de manutenção da autonomia profissional,
Bispo, Tavares e Tomaz (2014) ao tratar a interdisciplinaridade como um dos caminhos
possíveis para aproximações de uma prática integral à saúde, referindo-se as ações
interdisciplinares como desafios no ensino em saúde e como possibilidade de reorganizar o
trabalho superando o modelo fragmentado em que cada profissional realiza partes do trabalho
sem integração com as demais áreas.
Torna-
preceptoria
participante da pesquisa, uma vez que a legislação que regulamenta o acesso de estudantes aos
serviços refere no artigo 3º § 1º a necessidade de acompanhamento do aluno por professor
orientador da Instituição de Ensino - IE e por supervisores da parte concedente (Lei nº
11.788/08 de 25/09/2008). Estudos de Botti e Rego (2011) mostram a dificuldade de
conceituar o papel do preceptor como evidenciado neste estudo. Em nenhum momento a lei
acima citada faz alusão a outras terminologias que são utilizadas na área da saúde para
conceituar o acompanhamento e orientação de estudantes nos cenários de prática, a exemplo
de tutor, mentor e preceptor.
Botti e Rego (2008, p. 365) ressaltam que, na literatura médica, encontram - se
diferentes funções para o preceptor, sendo essenciais as de orientar, dar suporte, ensinarem e
compartilharem experiências que melhorem a competência clínica e ajudem o graduando e o
recém-graduado a se adaptar ao exercício da profissão, cabendo ao preceptor criar as
condições necessárias para que as mudanças que ocorrem na área da saúde sejam
implementadas de maneira satisfatória durante o processo de formação.
22
Nessa perspectiva, os participantes desta pesquisa exercem a preceptoria tendo como
referência a experiência adquirida na prática cotidiana sem o conhecimento do que preconiza
a literatura para esta função. Para Ceccim, Bravin e Santos (2009, p. 166):
os processos de ensino-aprendizagem em interseção com o trabalho têm o potencial
de transformar as práticas profissionais ou de ensino e o próprio trabalho em saúde,
ou o trabalho pedagógico, além de representar o esforço de tornar a rede pública de
saúde uma rede de ensino-aprendizagem no exercício do trabalho.
A polissemia das falas com relação ao entendimento de preceptoria aponta para a
necessidade de desenvolver processos de educação permanente que contribuam para
qualificar o exercício da preceptoria no PM/DST/HIV/AIDS, relacionando-a com as
competências a serem desenvolvidas pelos estudantes de graduação preconizadas nas DCNs.
UR 2 - Atividades desenvolvidas na preceptoria:
assistência que é aqui dividido em Serviço de Atenção Especializada - SAE
e Centro de Testagem e Aconselhamento - CTA. [...] Discuto casos com os
estudantes [...] acho que é importante para essa formação deles porque a
gente discute condutas, abordagem, linhas de ação, a própria perspectiva da
Pp 9.
dele enquanto estudante,
acompanhar a rotina de trabalho, possibilitar reflexões sobre algumas
situações, indico também alguns textos, algumas leituras específicas da área
no caso aqui HIV e AIDS, acompanho algumas atividades que ela faz como
trabalhos e p
complementares, mais a coisa técnica. [...] No caso do HIV trabalhar muito
mais a necessidade que nós temos de formar pessoal humano para atender
essas pessoas porque a recusa ainda continua e é grande. [...] Para um aluno
fazer um procedimento num paciente soropositivo ele precisa estar comigo
ha bastante tempo, ou seja, eu perceber que ele realmente tem habilidade
Sedimentar o saber da interdisciplinaridade, o poder da escuta,
falo da importância dos direitos, da cidadania, dos direitos das gestantes. [...]
Fazê-lo ver que nem tudo são flores, que a realidade é um pouco, para não
dizer, muito diferente do que a gente aprende na sala de aula [...] como a
gente pode ser mais humano no lidar com as pessoas. [...] Um deles disse:
doutora, nem precisava CRM, ela só queria ser ouvida. Eu disse: você fez
Os entrevistados descreveram as atribuições do preceptor levando em conta o que
consideram de maior relevância para a aprendizagem do aluno tendo como referencial a área
específica de atuação profissional. A pesquisa nos mostra que os entrevistados mesmo sem
23
citar as DCNs, referem preocupação em contribuir no desenvolvimento de algumas
competências a exemplo de: Atenção à Saúde (Pp 11; Pp12); Administração e Gerenciamento
(Pp 2); Tomada de Decisão (Pp 2; Pp 9). Para Chemello, Manfroi e Machado (2009, p. 665),
mostrar ao estudante o que está correto, provendo-lhe feedback positivo, é uma excelente
maneira de aumentar sua autoconfiança e estimulá-lo a buscar novos conhecimentos.
Albuquerque et al. (2008, p.359) destacam que os profissionais do serviço devem sentir-se
corresponsáveis pela formação dos futuros profissionais, assim como os docentes devem
considerar-se parte dos serviços de saúde. A percepção dos participantes da pesquisa sobre as
atividades desenvolvidas por eles possui relação com o que consta na literatura como
atribuições do preceptor.
Para Botti e Rêgo (2011, p. 79-80), o preceptor, que é o profissional do serviço, deve
utilizar as situações diárias de seu local de trabalho para discutir com os estudantes
comportamentos, atitudes que contribuam para a formação ética e desenvolvimento da
consciência crítica, exercendo o seu papel educador.
Esta UR demonstra que a formação profissional se dá em movimento, na inter-relação
entre a aprendizagem teórica e as demandas da comunidade. O movimento de empreender
esforços para diminuir a distância entre as Instituições de Ensino - IE e os Serviços de Saúde
contribui para ampliar a comunicação entre estudantes, usuários, trabalhadores de saúde e
professores, qualifica o trabalho em saúde e fortalece o exercício da preceptoria.
Cavalheiro e Guimarães (2011, p. 19, 26) referem que a partir da década de 1990, com
a Constituição Federal - CF de 1988 e a publicação da lei 8080/90 que regulamentou o SUS,
as discussões sobre formação dos profissionais de saúde foram intensificadas. Ressaltam estes
autores a possibilidade de construção do novo, de relações horizontalizadas na Integração
Ensino-Serviço, onde não exista uma academia que simplesmente se utilize do serviço como
local de estágio, nem um serviço que se utiliza do estudante como mera mão de obra.
UR3 - Integração Ensino – Serviço:
por exemplo, uma consulta médica que isso é possível pela própria dinâmica
do atendimento além do sigilo. [...] A gente não sabe quando é que começa o
estágio, quando é que termina, da frequência dele, a gente não passa nada
para a instituição de ensino e, o mais importante, nós não temos recebido
nenhuma documentação das universidades com relação ao trabalho de
que ele
24
semestre para conversar com enfermeiras [...] se quando na visita a gente
recebesse orienta
gente faz porque a gente quer, porque tem boa vontade, tem vontade de
aprender também.[...] Tem a expectativa de retorno para o supervisor
(nomenclatura utilizada para o preceptor na área de atuação), um
treinamento, algum curso, trazer para uma discussão específica [...] acho que
Os participantes da pesquisa demonstraram preocupação com a conduta ética e com os
limites impostos pela natureza do serviço que trata de pessoas vivendo com HIV/AIDS, um
agravo à saúde ainda permeado de preconceito e estigma, onde o sigilo é um direito do
usuário. O acesso e o contato dos estudantes com os usuários ocorrem apenas quando
autorizados por estes. Evidenciam também o distanciamento das Instituições de Ensino - IE
na condução do processo formativo em serviço no que diz respeito à orientação prévia aos
profissionais, a capacitação para a preceptoria e o não reconhecimento formal por meio de
uma certificação ou declaração de que o profissional do serviço acompanhou e orientou o
estudante.
A disponibilidade em receber estudante no serviço e a expectativa de retorno no
campo da aprendizagem profissional com o exercício da preceptoria contribui para reafirmar
o compromisso dos sujeitos da pesquisa para com a formação na área da saúde. A interrelação do contexto social na produção da saúde e a potencialidade que a integração ensinoserviço agrega, possibilita um olhar para a própria prática na perspectiva de ressignificá-la.
Trajman et al. (2009, p. 31) aponta como necessidade a formação profissional e ético-política
dos profissionais de saúde no sentido de potencializá-los para transformar as condições
adversas a que está condicionado o trabalho em saúde retomando o caráter universalista do
SUS gestado na Reforma Sanitária. Nesta perspectiva, acredita-se que o profissional de saúde
técnico e politicamente preparado reúna mais condições para acolher e orientar estudantes em
formação profissional.
As falas dos entrevistados relatam uma preocupação com a inserção do aluno no
cenário de prática, principalmente com a conduta ética requerida em todo e qualquer
procedimento relacionado às relações humanas, potencializada no campo da saúde, cuja
intervenção requer respeito à diversidade, garantia do sigilo, recusa a qualquer forma de
discriminação. O PM/DST/HIV/AIDS e HV requer uma atenção ampliada no que se refere a
ética no cuidado em saúde. A preocupação com a ética explicitada nas falas (Pp2; Pp3) deve
ser intensificada em todas as etapas da formação profissional, tanto na IE como no serviço.
25
Preceptores desta pesquisa desconhecem o objetivo da aprendizagem dos estudantes em
serviço devido a falta ou a fragilidade de diálogo com a IE a exemplo das falas nesta UR 3. A
fragilidade do diálogo entre profissionais do ensino e do serviço dificulta o conhecimento dos
profissionais de saúde sobre o que o estudante apreendeu no campo teórico antes de acessar o
cenário de prática, e dos professores que desconhecem a realidade e a complexidade do
serviço, refletindo na aprendizagem dos estudantes.
Para Finkler, Caetano e Ramos (2011, p. 4482, 4491) na área da saúde, a competência
ética dos futuros profissionais é entendida como a capacidade autônoma de percepção,
reflexão crítica e decisão coerente em relação às condutas humanas no cuidado à saúde e à
vida. No campo da formação profissional em saúde, as DCNs ao tempo que reorientam o
processo de formação em busca de um novo perfil profissional, socialmente mais relevante,
estariam contribuindo em parte para a formação de profissionais também eticamente mais
competentes. O conhecimento sobre ética e bioética, sociologia, antropologia, psicologia,
filosofia, educação, economia, administração são necessários aos profissionais de saúde
auxiliando-os na fundamentação de suas práticas (BATISTA, 2012, p. 27). Portanto,
considera-se a preocupação apresentada pelos entrevistados com relação a postura ética dos
estudantes e o direito ao sigilo do usuário, questões a serem discutidas na integração ensinoserviço
enquanto
limites
para
a
preceptoria
no
PM/DST/HIV/AIDS,
evitando
constrangimentos em relação a conduta no cuidado à saúde.
A integração ensino-serviço no Brasil é um processo em construção. Na década de
1970 foi anunciado o II Plano Nacional de Desenvolvimento - PND. Em 1974, criou-se
espaço para formulação de programas de extensão como o Programa de Interiorização da
Assistência à Saúde e Saneamento - PIASS. Em 1980, por meio de cooperação técnica do
governo brasileiro, Ministério da Saúde - MS e Ministério da Educação e Cultura - MEC, com
a Organização Pan-Americana de Saúde - OPAS ocorreu o financiamento do Programa de
Preparação Estratégica do Pessoal da Saúde - PPREPS. A implantação conjunta desses
programas facilitou a integração ensino-serviço, considerando a necessidade de adequação da
formação de pessoal às necessidades do Sistema de Saúde (NUNES, 2007, p. 96-99). Esse
esforço do Estado brasileiro em preparar a força de trabalho para atuar na política publica de
saúde é uma realidade que precisa ser compreendida e incorporada no cotidiano dos serviços
de saúde.
De acordo com Bollela (2012),
26
Atualmente, [...] O Ministério da Saúde, através da Secretaria de Gestão do Trabalho
e da Educação na Saúde SGETS de forma articulada com a Secretaria de Educação
Superior do Ministério da Educação vem mobilizando esforços para demonstrar
claramente suas necessidades e expectativas, ao mesmo tempo em que ativa vários
recursos de apoio e suporte para os cursos de graduação da saúde, tais como: as
Diretrizes Curriculares Nacionais, Pró-Saúde, PET Saúde, Telemedicina, Residência
Multiprofissional, Pró Residência, etc. Desta forma estimula e provoca os cursos
da área da saúde a repensarem suas práticas de ensino e assistência na busca de
currículos e modelos pedagógicos adequados à formação de um profissional de
saúde de alto nível, capacitado a atender as necessidades da sociedade no contexto
do Sistema Único de Saúde SUS.
No município de Maceió os espaços de diálogo entre instituições de ensino e serviços
de saúde com o propósito de estabelecer uma dinâmica de trabalho que atenda aos interesses
da formação profissional aliada a necessidade dos serviços estão em construção motivados
pelos programas acima citados. Essa articulação beneficia o estudante, o professor, o
preceptor e o usuário, instituindo-se uma relação colaborativa.
UR 4 -Infra estrutura e condições de trabalho:
engajada, é comprometida, acredito que cada um individualmente faz o que
entendem o papel da preceptoria, não acolhe bem o aluno, acha que está
atrapalhando, não todos, alguns, ma
situação de vê-lo como aluno que está aprendendo e não como
profissional.[...] A gente não consegue evoluir na preceptoria porque tem
Pp 8.
crítico na saúde e é hora de recuar, não tem como você bater de frente, não
adianta, não vamos avançar. [...] Receber estagiário para eles não terem um
atendimento como a gente acha que ele d
contato (estudante/paciente) quem estava aqui esse ano ficou muito
prejudicado. [...] O volume de atividade é muito grande para todo mundo,
então todo mundo chega e executa o que tem que fazer, acho que poderia ser
- natal é uma
tecnologia de baixo custo, basta verificar pressão, pesar, medir barriga e
27
Os participantes da pesquisa reconhecem que para além do compromisso técnico é
necessária estrutura adequada para receber os estudantes. Na falta das condições ideais para o
ensino e aprendizagem, o cenário de prática sem estrutura revela contradições nas falas com
relação ao exercício da preceptoria no serviço. Trajman et al. (2009), em seus estudos,
identificou que os profissionais reconhecem que espaços e recursos inadequados, despreparo e
falta de tempo interferem no desenvolvimento das atividades de preceptoria, alguns
profissionais temem pela qualidade da relação médico-paciente e outros julgam que inserir o
estudante no serviço com as condições precárias é um ponto positivo pois os prepara para as
condições que encontrarão na vida profissional. Esses questionamentos também são
identificados nas falas dos profissionais entrevistados.
A preceptoria é um dos dispositivos que pode contribui para fortalecer a integração do
ensino com o serviço, uma vez que induz ao profissional refletir sobre sua prática, o coloca
numa situação de diálogo com o estudante sobre as demandas e estrutura do serviço, contribui
para o desenvolvimento do senso crítico e das competências gerais necessárias para o
exercício profissional conforme preconiza as DCNs. A formação de preceptores torna-se
necessária preparando profissionais do serviço para receber e orientar estudantes sob uma
perspectiva pedagógica para além da transmissão de conhecimentos. Possibilitando-os extrair
de situações complexas como as citadas por (Pp 11; Pp 8) e contraditórias (Pp 4; Pp 12) do
cotidiano profissional as ideias e atitudes para superar os obstáculos (Pp 1; Pp 2; Pp 7) e
construir caminhos e soluções para que a ausência de estrutura no serviço, a inexistência de
uma política local que defina o lugar da preceptoria no SUS possa ser superada facilitando o
diálogo e o fortalecimento da integração ensino-serviço (TRAJMAN et al., 2009, p. 31).
Existe todo um esforço no Brasil para que as políticas públicas cumpram o seu papel
de orientar diretrizes de cuidado, educação e gestão na saúde (AFONSO; SILVEIRA, 2012, p.
82). Contudo, apesar da existência de todo um aparato legal para a efetivação da integração
ensino-serviço, considerando a preceptoria como um dos elos dessa integração, faz-se
necessário que as condições objetivas sejam garantidas e não se limite a um discurso
intencional, mas, efetivamente, se estabeleçam os critérios que reconheçam o espaço da
preceptoria nos serviços de saúde. Lugar este que necessita de um amplo debate envolvendo
gestores locais dos serviços de saúde, destacando que uma das afirmações na fala dos
preceptores entrevistados (Pp 1; Pp 7; Pp 11) é a demanda excessiva e a ausência de estrutura
como dificultadores para um acompanhamento e uma orientação mais criteriosa aos
estudantes.
28
UR 5 -Sugestões para melhoria da preceptoria:
alguma vinculação como bolsa, [...] participar de eventos da universidade,
receber certificações, declarações de preceptoria. [...] Seria interessante ter
isso junto ao setor de Recursos Humanos, que tipo de profissionais podem
que aquele aluno at
pessoa ali em formação, mas ela precisa estar envolvida naquela
dinâmica.[...] Tem que ter essa troca entre os setores, entre as áreas e se a
gente se dispuser a ter essa atividade tem que estar todo mundo entendendo o
que é o que significa isso, se é preceptoria, se é supervisão de estágio que eu
não sei o que é que significa isso e procurar ir desenvolvendo alguma coisa
no nosso setor que favoreça o es
a disso, me sinto dentro
de uma
proposta do programa[...] todo mundo trabalhasse junto para facilitar o
at
Nas falas dos entrevistados destacamos questões externas e internas ao
PM/DST/HIV/AIDS e HV apresentadas como sugestões para a melhoria da preceptoria, a
exemplo do reconhecimento do profissional de saúde como preceptor por parte das
Instituições de Ensino - IE e definição do setor de Recursos Humanos da Secretaria Municipal
de Saúde de Maceió
SMS sobre os critérios para esta prática no serviço (Pp 2); do
desconhecimento dos profissionais de saúde que atuam no programa sobre os objetivos da
aprendizagem dos estudantes que acessam o cenário de prática (Pp 4); a desarticulação e o
isolamento das áreas técnicas explicitadas por (Pp 9 e Pp 10); o despreparo e
desconhecimento sobre o papel do preceptor, reflexo da ausência de práticas de educação
permanente que possibilitem preparar a equipe para a preceptoria e para compreender o
sentido do trabalho multiprofissional e interdisciplinar que o serviço convoca (Pp 9 e Pp 11).
No período da coleta de dados da pesquisa apenas 35,3% dos trabalhadores do
PM/DST/HIV/AIDS e HV, com formação superior nas áreas da saúde, exerciam preceptoria.
Os
participantes
da
pesquisa
apresentam questões
relacionadas
a
equipe
multiprofissional e a gestão do serviço na relação com as IE que podem ser discutidas no
sentido de melhorar a prática da preceptoria, a atenção à saúde a partir da reorganização do
serviço alinhando demandas do usuário, do estudante, dos professores e dos profissionais de
29
saúde. Machado et al. (2007, p. 338) destaca que para se repensar novas modelagens
assistenciais na integralidade do cuidado na saúde, há que se aprofundar o debate sob novos
fundamentos teóricos, particularmente sobre a natureza do processo de trabalho. Melhorar o
exercício da preceptoria exige dos trabalhadores, da gestão dos serviços de saúde e das
instituições de ensino um esforço conjunto que contribuirá na melhoria da formação
profissional em saúde. O documento Marco para Ação em Educação Interprofissional e
Prática Colaborativa (ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE, 2010), publicado com o
intuito de ajudar a desenvolver políticas e programas para motivar a força de trabalho no
mundo, apresenta um indicativo importante na configuração do trabalho em saúde que é a
dificuldade do encontro, da realização de ações conjuntas, a desmotivação e a falta de
profissionais de saúde.
O cenário apresentado no documento acima citado é preocupante e amplia a
responsabilidade dos preceptores que atuam no SUS para com a formação profissional. As
falas dos entrevistados apresentam semelhanças com a pesquisa da OMS na dificuldade do
encontro e da realização de ações conjuntas. Fatores esses que ocorrem no serviço de saúde
pesquisado, mas também consiste num fenômeno identificado em outras localidades ao ponto
de se tornar uma preocupação da OMS oferecer subsídios teóricos que contribuam para
definição de estratégias de enfrentamento e superação dessa situação em âmbito mundial.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os dados da pesquisa permitem concluir que o exercício da preceptoria no
PM/DST/HIV/AIDS e HV é fundamentado na experiência em serviço sem aprofundamento
teórico sobre o que preconizam as DCNs para o aprendizado das competências gerais
requeridas no exercício profissional, que são: Atenção à Saúde, Tomada de Decisões;
Comunicação; Liderança; Educação Permanente; Administração e Gerenciamento. O
desenvolvimento de competências é possibilitado de forma empírica, uma vez que o cotidiano
e a natureza do serviço favorecem aos estudantes a vivência de situações complexas na
relação com os usuários, sob o acompanhamento do preceptor, que demandam reflexão,
postura ética, conhecimento sobre os desafios do viver com HIV/AIDS, o que contribui para
aprimorar as referidas competências.
Os profissionais do serviço, que exercem a preceptoria, desconhecem, ou conhecem
parcialmente os objetivos da aprendizagem dos alunos e os projetos políticos pedagógicos dos
cursos. O contato e diálogo com as instituições de ensino, quando ocorrem, são fragmentados,
30
setorizados, personalizados, não se constituindo efetivamente numa relação institucionalizada
capaz de mobilizar a construção de objetivos conjuntos para a formação na área da saúde
como preconiza as DCNs. Para que se formem profissionais de saúde críticos e reflexivos,
comprometidos com as demandas da sociedade, é importante que os estudantes no cenário de
prática tenham a oportunidade de questionar e problematizar a realidade contextualizando
com o referencial teórico apreendido durante a formação acadêmica.
O conhecimento técnico, o comprometimento dos profissionais de saúde envolvidos
com a preceptoria e o desejo de colaborar na formação dos estudantes, assim como o de
aprender nesta relação, constituem-se elementos favoráveis para a integração ensino-serviço
no PM/DST/HIV/AIDS e HV de Maceió. A estrutura física limitada, a falta de recursos
materiais, a demanda expressiva e as implicações éticas no contato com o usuário são fatores
que limitam o acesso dos estudantes ao serviço. Essa contradição é reconhecida pelos
preceptores como rica em oportunidades de aprendizagem. Se por um lado estão disponíveis e
compreendem a importância da formação profissional em serviço, identificam a necessidade
de superar os limites para que a oportunidade de aprendizagem seja viabilizada com
qualidade. A implantação de práticas de educação permanente no serviço pode contribuir para
qualificar a discussão sobre a preceptoria e desencadear um movimento interno de
sensibilização da equipe no reconhecimento da presença do estudante e da importância do
envolvimento de todos para a formação na área da saúde nos níveis de graduação e técnico.
A normatização da atividade preceptoria como trabalho, estabelecendo critérios para
essa prática, é importante para que se definam fluxos, objetivos e metas de aprendizagens nos
serviços. Nas falas, os preceptores demonstram a dificuldade do encontro entre os
profissionais e a tendência ao trabalho uniprofissional, justificada pela demanda expressiva e
imposta pela sobrecarga de trabalho. A ausência de tempo para diálogo da equipe
multiprofissional é evidenciada em todas as áreas profissionais envolvidas na pesquisa,
embora refiram que o trabalho da preceptoria deva ser multiprofissional e interdisciplinar.
Por fim, importante destacar que os dados obtidos não encerram a discussão sobre o
tema. Esta pesquisa possibilitou identificar que o exercício da preceptoria no
PM/DST/HIV/AIDS e HV de Maceió é uma realidade que necessita de investimento no
capital humano e esforço da gestão e de toda a equipe na melhoria das condições de trabalho e
reorganização do serviço para melhor acolher e integrar os estudantes considerando os limites
identificados: ausência de capacitação profissional, tendência ao trabalho uniprofissional,
precariedade dos recursos materiais, físicos e equipamentos. Aponta para a necessidade de
estudos complementares e investimento em educação permanente, uma vez que foi
31
evidenciado o potencial técnico da equipe, a disposição e o desejo de fazer melhor. Esse
potencial, aliado a processos educativos que favoreçam a ampliação da capacidade técnica e
ético-política do profissional de saúde pode contribuir para qualificar a formação profissional
voltada para os interesses do SUS.
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contexto de reorientação da educação médica. Revista Hospital Universitário Pedro
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26/11/2012. Texto de apoio do Curso de especialização em educação na saúde para
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BOTTI, S. H. O; REGO, S. Preceptor, supervisor, tutor e mentor: quais são seus papéis?
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______. Docente clínico: o complexo papel do preceptor na residência médica. Physis
Revista de Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 21, n. 1, p. 65-85, 2011.
32
BRASIL. Lei n. 11.788, de 25 de setembro de 2008. Dispõe sobre o estágio de estudantes;
altera a redação do art. 428 da Consolidação das Leis do Trabalho CLT, aprovada pelo
Decreto-Lei no 5.452, de 1o de maio de 1943, e a Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996;
revoga as Leis nos 6.494, de 7 de dezembro de 1977, e 8.859, de 23 de março de 1994, o
parágrafo único do art. 82 da Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e o art. 6o da Medida
Provisória no 2.164-41, de 24 de agosto de 2001; e dá outras providências. Diário Oficial
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de Janeiro: opinião dos profissionais de saúde. Revista Brasileira de Educação Médica, Rio
de Janeiro, v. 33, n. 1, p. 24-32, 2009.
34
3
PROJETO DE INTERVENÇÃO
Propomos desenvolver dois produtos, sendo um para implantação e sistematização de
processos de educação permanente, com vistas a resultados em longo prazo e outro para
subsidiar os preceptores no acolhimento de estudantes com aplicação imediata.
3.2
Títulos
Rodas de Conversa: tecendo diálogos
construindo caminhos
Produção do Vídeo: Programa DST/HIV/AIDS e HV: um espaço de aprendizagem.
3.3
Justificativa
O Serviço de Atenção Especializada - SAE e Centro de Testagem e Aconselhamento -
CTA do Programa Municipal de DST/HIV/AIDS e Hepatites Virais
PM/DST/HIV/AIDS e
HV recebem anualmente uma demanda de estudantes de graduação das áreas de Serviço
Social, Psicologia, Enfermagem, Odontologia e Medicina na condição de estagiários, em
visita técnicas para conhecer as práticas profissionais na área da saúde ou para conhecer o
serviço.
preceptoria e as Diretrizes Curriculares Nacionais no Programa de Prevenção e Controle das
aprovada pelo Comitê de Ética e Pesquisa por meio da Plataforma Brasil em 18/06/2014
CAAE 32613914.1.0000.5013 e realizada em setembro e outubro de 2014, os estudantes são
encaminhados ao serviço de acordo com o fluxo estabelecido pela Secretaria Municipal de
Saúde SMS. Não necessariamente há um contato prévio da Instituição de Ensino SuperiorIES com os profissionais que recebem e orientam os estudantes no serviço, denominados no
estudo como preceptores.
O programa, na época da pesquisa, contava com 34 profissionais de saúde com nível
superior. Destes apenas 12 se colocavam à disposição do trabalho de preceptoria, o que
representa 35,5% dos profissionais com capacidade e formação para o desempenho dessa
atividade.
Identificamos estudo realizado por Trajman et al. (2009, p .26), no Rio de Janeiro cuja
disponibilidade dos profissionais de saúde em orientar estudantes foi bastante representativo.
Nesse estudo, foi respondido um questionário por 351 profissionais de saúde de 13 Unidades
35
Básicas que recebiam estagiários, 61,4% dos respondentes afirmaram que gostariam de
supervisionar atividades práticas de estudantes. Tendo como referência o percentual de
disponibilidade encontrado no universo estudado por Trajman et al, conclui-se que há muito o
que se fazer no sentido de desencadear um processo de formação e sensibilização da equipe
do PM/DST/AIDS e HV de Maceió para ampliar a adesão dos profissionais no exercício da
preceptoria.
As Diretrizes Curriculares Nacionais - DCNs para os cursos de graduação em saúde
aprovadas em 2001 pelo Conselho Nacional de Educação recomendam que estudantes
desenvolvam competências gerais, das quais Bollela (2012) destaca que está claro, no
documento, o que se deve fazer e aonde se espera chegar, estando indefinido o como fazer.
Para Botti e Rego (2008), o preceptor ensina a partir de objetivos e metas que devem
convergir com valores da escola e do trabalho. Nesse contexto, realizar preceptoria implica
também em conhecer o projeto pedagógico das Instituições de Ensino Superior IES, da área
da saúde das quais os estudantes pertencem, além do perfil que se espera deles.
A preceptoria é um dos dispositivos da integração ensino-serviço, portanto, capacitar
os profissionais para exercê-la é um propósito a ser efetivado no sentido de contribuir
efetivamente para a formação profissional em saúde. A ausência de práticas de educação
permanente no serviço, o desconhecimento por parte dos profissionais de saúde sobre as
competências e habilidades que os estudantes precisam desenvolver conforme preconizadas
nas DCNs publicadas em 2001 para cursos na área da saúde, requer empenho da gestão da
Secretaria Municipal de Saúde - SMS, serviço e IES no sentido de investir na formação e
sensibilização dos profissionais de saúde, desenvolvendo e aumentando a capacidade técnica
e reflexiva destes sobre o seu papel na formação de estudantes.
Para Trajman (2009, p. 30) a formação de preceptores deve ser função prioritária das
IES tanto na atualização profissional como no que se refere às funções do ensino, devendo ser
esta a principal contrapartida nos convênios com as SMS.
Nessa perspectiva, propomos a implantação e sistematização do projeto Rodas de
Conversas: Tecendo Diálogos - Construindo Caminhos", voltado para profissionais de saúde,
estudantes, professores e usuários viabilizando processos de educação permanente que
fortaleçam a preceptoria e favoreçam a integração ensino-serviço. As Rodas de Conversa
serão desenvolvidas no longo prazo e consistirão numa oportunidade de reduzir o
tensionamento existente nas relações entre docentes e trabalhadores (AZEVEDO, 2013, p.
30). O vídeo, Programa DST/HIV/AIDS e HV: um espaço de aprendizagem , é uma
ferramenta de apoio ao trabalho da preceptoria, cujo roteiro agrega a visão de preceptores,
36
usuários e estudantes sobre a inserção de estudantes no cenário de aprendizagem prática e as
possibilidades do serviço como espaço formador.
3.3
Objetivos
Implantar e sistematizar Rodas de Conversas:
Tecendo Diálogos - Construindo
Caminhos" e produzir o Vídeo: Programa DST/AIDS e HV: um espaço de aprendizagem,
visando ampliar o conhecimento dos profissionais de saúde sobre preceptoria, acolhimento e
integração de estudantes no serviço.
3.3.1 Objetivos Específicos
Proporcionar o diálogo entre preceptores, estudantes, professores/coordenadores
de cursos e usuários sobre o PM/DST/HIV/AIDS e HV e o potencial de
aprendizagem prática;
Estabelecer um cronograma para as rodas de conversas nas temáticas que
envolvem a preceptoria e fortalecem a integração ensino serviço;
Construir coletivamente proposta de acesso de estudantes ao serviço;
Disponibilizar aos preceptores uma ferramenta ilustrativa que os auxilie no
acolhimento dos estudantes apresentando as possibilidades de aprendizagem e os
limites existentes no cenário de prática.
3.4
Metas
Realizar mensalmente Rodas de Conversas, no segundo semestre do ano de 2015, com
profissionais do serviço, estudantes, professores e usuários contemplando os dois turnos de
trabalho.
Produzir 01 (um) vídeo sobre o serviço no seu potencial para aprendizagem.
3.5
Metodologia
1.
Solicitar, junto a coordenação do programa, reunião com os preceptores para
preceptoria e as Diretrizes Curriculares Nacionais no Programa de Prevenção e
Controle das Doenças Sexualmente Transmissíveis, AIDS e Hepatites Virais no
Município de
37
2.
Propor aos participantes da pesquisa a realização do projeto de intervenção
s: Tecendo Diálogos operacionalizado no local de trabalho e ouvir as considerações destes sobre o
resultado encontrado na pesquisa;
3.
Discutir com a equipe multiprofissional as ideias sobre o roteiro inicialmente
proposto para a produção do vídeo documentário sobre o programa em seu
potencial para aprendizagem;
4.
Identificar no grupo os temas a serem priorizados nas Rodas de Conversa,
considerando os achados da pesquisa e definir um calendário para os encontros;
5.
Realizar levantamento bibliográfico que subsidie e fundamente teoricamente as
discussões temáticas;
6.
Convidar equipe multiprofissional, usuários, estudantes e professores que
acessam o serviço para estágio, visitas técnicas, pesquisa, aula prática, ou outra
atividade de interesse acadêmico para participarem das rodas de conversa;
7.
Realizar as Rodas de Conversas envolvendo gestores, trabalhadores de saúde,
estudantes, professores, usuários, com vistas a aprofundar conceitos sobre
preceptoria e demais temas que forem priorizados pela equipe;
8.
Mobilizar os preceptores para construir coletivamente fluxo de acesso de
estudantes ao serviço que inclua funções para o profissional de saúde
denominado no estudo por preceptor, para os estudantes e os professores que os
acompanham no serviço, considerando os objetivos da aprendizagem propostos
nos projetos pedagógicos dos cursos das áreas envolvidas com esta proposta;
9.
Gravar o vídeo sobre o programa enquanto espaço de aprendizagem envolvendo
preceptores, estudantes e usuários;
10. Disponibilizar cópias do vídeo aos preceptores do serviço como ferramenta para
o acolhimento dos estudantes.
3.6
Período de Realização
Junho a Novembro de 2015
38
3.7
Recursos
3.7.1 Recursos Humanos
Qtd
Função
01
Coordenador Geral do PM/DST/AIDS
01
Coordenador do Serviço
01
Responsável Técnico setor de educação permanente da SMS
*
Profissionais de Saúde Preceptores do PM/DST/AIDS e HV e demais técnicos
**
Professores responsáveis por estágio dos cursos de Serviço Social, Psicologia,
Odontologia, Enfermagem, Medicina ou outras áreas das Instituições de
Ensino conveniadas na SMS Maceió para acesso aos cenários de prática.
Usuários do serviço especializado - SAE
Estudantes que estiverem em práticas de aprendizagem no serviço no período
das oficinas
***
****
Notas: (*); (**); (***) a quantidade de pessoas participando das rodas de conversa será de acordo com a
disponibilidade e o interesse dos sujeitos envolvidos, a divulgação será ampla.
**** a presença de estudantes no serviço é condicionada ao encaminhamento pelas instituições de ensino
superior e liberação pela coordenadoria de recursos humanos da SMS.
3.7.2 Recursos Materiais e Financeiros
Qtd
Material
Valor unitário (R$)
Valor total (R$)
01 un
Datashow
Existente
Existente
20 un
Papel 40kg
0,45
9,00
03 un
Cola branca pequena
0,80
2,40
5 un
Durex colorido
1,00
5,00
3 un
Fita crepe
3,15
17,25
02 cx
Giz cera
1,70
3,40
05 ct
Copos descartáveis 180 ml
2,00
10,00
20 un
Pincel atômico
1,20
24,00
01 un
Resma de papel A4
13,00
13,00
03 un
Garrafão 20lt agua mineral
5,00
15,00
99,05
39
3.7.3 Recursos de Terceiros
Qtd
01 un
3.8
Serviço
Valor
Produção de vídeo
R$ 1.400,00
Cronograma
Período
Atividades
Mai
Reunião com os preceptores do serviço para
apresentação da proposta
Definição das temáticas prioritárias de acordo
com as demandas apresentadas pelos
preceptores e datas e discussão sobre roteiro
do vídeo
Produção do vídeo
x
jun
Oficina ampliada para construção da proposta
de fluxo de estudantes no serviço envolvendo
todas as áreas considerando os objetivos da
aprendizagem propostos nos projetos
pedagógicos dos cursos das áreas envolvidas
3.9
ago
set
out
x
x
x
x
x
x
x
x
x
Disponibilização do vídeo aos preceptores
Formulação e envio de convites aos
professores, estudantes e usuários.
Socialização da proposta com demais
profissionais que compõem a equipe
multiprofissional do serviço
Realização das rodas de conversa
jul
x
x
x
x
x
x
x
x
x
Resultados Esperados
Equipe multiprofissional conhecendo e dialogando sobre o trabalho de
preceptoria;
Profissionais do serviço e do ensino integrados com o objetivo de aprendizagem
dos estudantes;
Profissionais de saúde com capacidade técnica ampliada para o exercício da
preceptoria;
40
Outros profissionais de saúde da equipe sensibilizados e motivados para acolher
os estudantes ou exercer a preceptoria;
Processos de trabalho reorientados incluindo a presença efetiva de estudantes.
3.10
Avaliação
Avaliação ocorrerá no processo, sendo registrados os encaminhamentos e sugestões da
equipe para a melhoria da preceptoria e a evolução de aceitação de estagiários no serviço. O
registro das atividades contribuirão para reorganizar o acesso dos estudantes no Serviço de
Atenção Especializada - SAE e no Centro de Testagem e Aconselhamento - CTA do
PM/DST/AIDS e HV.
REFERÊNCIAS
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município de Maceió: preceptorias do PET Saúde: Saúde da Família na perspectiva da
Ergologia e da Política Nacional de Humanização em Saúde. 2013. 247 f. Tese (Doutorado
em Ciências, área Saúde Pública) - Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca,
Fundação Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro, 2013.
BOLLELA, V. R. Desenvolvimento de competência: a importância da definição dos
objetivos educacionais no processo de ensino aprendizagem. Team based learning
26/11/2012. Texto de apoio do Curso de especialização em educação na saúde para
preceptores do SUS. São Paulo: Instituto Sírio-Libanês de Ensino e Pesquisa: Ministério da
Saúde; Conselho Nacional dos Secretários de Saúde: Conselho Nacional de Secretarias
Municipais de Saúde: Faculdade de Saúde Pública, 2012.
BOTTI, S. H. O; REGO, S. Preceptor, supervisor, tutor e mentor: quais são seus papéis?
Revista Brasileira de Educação Médica, Rio de Janeiro, v. 32, n. 3, p. 363-373, 2008.
TRAJMAN, A. et al. A preceptoria na rede básica da Secretaria Municipal de Saúde do Rio
de Janeiro: opinião dos profissionais de saúde. Revista Brasileira de Educação Médica, Rio
de Janeiro, v. 33, n. 1, p. 24-32, 2009.
41
4
CONCLUSÃO GERAL
A oportunidade de participar do Programa de Mestrado Profissional Ensino na Saúde -
MPES nos possibilitou conhecimento e compreensão de que quanto mais nos apropriamos de
informações mais nos distanciamos das verdades supostamente acabadas. Ao nos lançarmos
no desafio de retornar aos bancos da Universidade em busca de adquirir novos conhecimentos
e aprender a fazer ciência, não imaginávamos quão difícil seria estudar e ao mesmo tempo
estar inteira nas atividades laborais que tendem a nos consumir mais do que o necessário, sem
perder o foco do estudo.
Concluir essa etapa é ter clareza de todos os passos que precisam ser empreendidos
para a materialização do projeto de intervenção que está sendo proposto e da importância da
colaboração de todos os parceiros na concretização de uma ideia, dos quais destaco os
professores do eixo Saúde e Sociedade II da Faculdade de Medicina
FAMED/UFAL e do
Núcleo de Saúde Pública - NUSP/UFAL, onde colaboramos como professora voluntária.
Profissionais que nos incentivaram a buscar novos conhecimentos; os estudantes que
acompanhamos como preceptora no serviço de saúde; os colegas e amigos de trabalho que
envidaram esforços no sentido de nos poupar do excesso de demandas, muitas vezes ficando
sobrecarregados, numa postura solidária, abrindo mão do direito de exercer apenas o que lhes
competia para colaborar com o alcance do nosso objetivo; e, meus professores, orientador e
coorientadora, que tiveram uma postura paciente, persistente, compreensiva, mas acima de
tudo firme no sentido de exercitar a problematização, questionar e orientar de modo coerente
um processo de construção e desconstrução tão necessário para a aprendizagem.
O trabalho consistiu numa pesquisa bibliográfica e de campo tendo como tema central
Possibilidades e Desafios da
Preceptoria no Programa DST/HIV/AIDS e Hepatites Virais do Município de Maceió
AIDS e HV: um espaço
de aprendizagem.
O estudo aponta para o conhecimento empírico dos participantes da pesquisa sobre
papel do preceptor e desconhecimento sobre o que preconiza as Diretrizes Curriculares
Nacionais - DCNs no desenvolvimento de competências para o exercício profissional. Revela
o potencial técnico dos preceptores e o compromisso destes para com a formação dos
estudantes mesmo diante dos limites estruturais, da sobrecarga de trabalho, da exiguidade do
tempo e ausência de capacitação específica para o exercício da preceptoria conforme dados
42
analisados nas Unidades de Registro. Como sugestão para a melhoria do trabalho, os
preceptores referiram à necessidade de investimento nas condições de trabalho, no
reconhecimento por parte da Secretaria Municipal de Saúde de Maceió - SMS da atividade de
preceptoria como trabalho e da necessidade de capacitação profissional.
Espera-se que o artigo e os produtos de intervenção contribuam para dar visibilidade a
prática de preceptoria, como ela ocorre num programa da área de Vigilância em Saúde
VS
em Maceió. Possibilite ainda o diálogo da equipe multiprofissional, o conhecimento sobre a
capacidade técnica e disposição da equipe para o trabalho de preceptoria e contribua para
aproximar instituições de ensino ao serviço. Além disso, potencialize a capacidade técnica dos
profissionais envolvidos com essa prática e desperte o interesse de outros profissionais da
equipe para acolher, orientar estudantes e fomentar a educação permanente no serviço com
vistas à reorganização das práticas de trabalho atualmente instituídas.
Do ponto de vista científico, consideramos que os objetivos definidos para este estudo
foram alcançados por ter sido possível responder a seguinte pergunta de pesquisa: Como
profissionais de saúde do PM/DST/AIDS e HV exercem preceptoria? O resultado da pesquisa
possibilitará a equipe multiprofissional um conhecimento sistêmico de uma prática realizada
no serviço com tendência ao trabalho uniprofissional com ênfase na formação específica de
cada área envolvida. Questão posta por Almeida (2008 apud BOLLELA, 2012) ao referir que
nas DCNs
o que se deve fazer” para que o egresso desenvolva competências gerais
como fazer (grifo do autor)
Porém, o Trabalho Acadêmico de Conclusão de Curso - TACC motiva novas
investigações e questionamentos relacionados ao processo de trabalho que interferem no
exercício da preceptoria a exemplo da ausência de flexibilidade na agenda de trabalho
apresentado como dificuldade para melhor atenção ao estudante, a dificuldade do encontro
entre os profissionais, a precariedade dos recursos materiais, físicos, equipamentos e ausência
de educação permanente repercutindo nos processos pedagógicos.
Novas
pesquisas
podem
contribuir
para
subsidiar
a
Coordenação
do
PM/DST/HIV/AIDS e HV na tomada de decisão que possa fortalecer a integração ensino
serviço.
43
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46
APÊNDICES
47
APÊNCICE A - ANÁLISE DAS UNIDADES DE REGISTRO
acompanhamento desses estudantes nos serviços, é, pode ser da mesma
área geralmente da área direta da gente mas pode ser também de outra
área como também já tive essa experiência[...]possibilidade de discutir
com os estudantes, com o público, as atividades e novos modelos de
experiência de trabalho para que eles tenham uma visão de como é a
ceber estudantes e orientá-los em relação ao serviço da
enfermeira[...]poder orientar o estudante na questão da atividade e da
consulta do enfermeiro voltado para o paciente que vive com
HIV/AIDS
-los, mostrar o serviço de enfermagem para
-lo nas atividades, facilitar o aprendizado
UR 1.
Entendimento de
estar ensinando também como é a rotina de trabalho [...]pegar aquele
aluno que vem e passar o conhecimento e as nossas rotinas de
trabalho[...]tá supervisionando, vendo como está o desempenho daquele
Preceptoria
ele se
instituição em que isso é mais presente, é uma universidade, eu sei que
tem profissionais que, não sei se estou equivocada, tem alguns
profissionais que são responsáveis por acompanhar o estágio em
determinada área. Eles não são professores, eles são
profissionais[...]estou acompanhando uma estagiária, a nomenclatura
que dão (na área de atuação)é supervisora de campo. Não sei se tem o
mesmo sentido, o mesmo si
experiência passam ensinamentos para os alunos que ainda estão se
formação e passar as informações que tem sobre o serviço, sobre a
doença, sobre tudo, sobre direitos e deveres dos pacientes e formar eles,
48
desnudar, que vai estar a frente desse processo [...] perpassa por todos os
(Pp12)
Preocupação com formação numa perspectiva uniprofissional, similaridade entre as falas na
definição do conceito de preceptoria coincidindo com o encontrado na literatura pesquisada,
porém, com margem a questionamento se o que fazem é preceptoria ou supervisão de estágio,
situação que ganha força na legislação que regulamenta acesso de estudantes nos serviços ao
descrever o profissional que acolhe estudantes como supervisores da parte concedente. Tomam
por referência a experiência em serviço para fundamentar a prática da preceptoria.
plano de ação [...] informa-lo, esclarecê-lo melhor e
presta ao público, não só da psicologia mas de todo o serviço dentro do
programa DST/AIDS. A gente fala da esfera de gestão, da esfera da
prevenção, da esfera da assistência que é aqui dividido em SAE e CTA
[...] faço um acompanhamento deles nas atividades da psicologia, ou
seja, eles não atendem.[...]Discussão de caso com os estudantes, isso
não faz parte da proposta do trabalho direto aqui, mas eu acho que é
importante para essa formação deles porque a gente discute condutas, a
gente discute abordagem, a gente discute linhas de ação, a própria
xplicação antes que alguém entre (se
referindo a demanda)[...]acolher bem, explicar, tirar dúvida, passar
UR 2 Atividades
desenvolvidas na
preceptoria
testes rápidos, em relação ao papel gerencial do enfermeiro, escala,
consulta, adesão, exames, uso da medicação, carga viral, se tiver acima
de 1.000 e ainda tomando antirretroviral, separar
prontuário,
encaminhar ao médico para avaliar necessidade de genotipagem. [...]
estimular leitura na questão do HIV [...]orientar sobre investigação,
colocarem a mão na massa. Mostro o que
deve ser escrito, como deve ser feito o atendimento dos pacientes, o que
participe da rotina das consultas, passamos nossa técnica como
enfermeira passando conhecimentos específicos da área, estimulando a
questão da pesquisa no serviço [...] sempre costumo passar tudo o que
sei, além do trabalho de preceptor, as vezes a gente consegue ir além e
49
diagnosticar coisas bem pessoais do aluno e aí tentar direcionar a
mostra a rotina do serviço, o que o serviço social faz, atividades que a
gente orienta para o usuário, importância dos direitos do usuário, os
acompanhar a rotina de trabalho, possibilitar reflexões sobre algumas
situações, indico também alguns textos, algumas leituras específicas da
área no caso aqui HIV e AIDS, acompanho algumas atividades que ela
odontológica infantil, então nos procedimentos invasivos tipo:
extrações, canais, eu faço, vou falando, explicando, mas eles só
complementares, mais a coisa técnica [...] como vai fazer o
procedimento, de que forma vai executar, no caso do HIV trabalhar
muito mais a necessidade que nós temos de formar pessoal humano para
atender essas pessoas porque a recusa ainda continua e é grande. [...] Os
alunos iam na defensoria pública com os pacientes, ensinar, acompanhar
os pacientes, iam para a santa casa para marcar consulta,
acompanhavam os pacientes na primeira consulta, tem muita coisa aqui
(Pp11)
da interdisciplinaridade, o poder da escuta, falo da
importância dos direitos, da cidadania, os direitos das gestantes
enquanto cidadãs, direito a acompanhante, direito a liberdade de posição
durante o trabalho de parto, direito a dieta líquida, oriento o estudante a
Partem da experiência prática para definir prioridades na aprendizagem dos estudantes,
preocupam-se em contribuir para desenvolver habilidades e competências que compreendem
como importantes como gerenciamento, autonomia para a tomada de decisão, consolidar
conteúdos e técnicas relacionados a atenção à saúde, preocupação com formação de vínculos o
que remete a comunicação, direcionar a aprendizagem a partir da observação da prática
estimulando a confiança, desafiando o estudante ao desenvolvimento do espírito de liderança,
referem preocupação com feedback ao estudante. Todas essas competências focadas na
preocupação com a formação numa perspectiva uniprofissional. Não as referem como
competências comuns a todas as áreas como preconizadas nas Diretrizes Curriculares Nacionais
para o egresso na área da saúde, documento que não citam nas falas. Conclui-se que a
50
convergência sobre o como fazer não se dá de forma intencional e planejada, mas fundamentase em situações diárias da prática de trabalho. Correlacionando com o que fomenta Anísio
Teixeira (1964) para a educação integral, esse envolvimento e comprometimento do
profissional com a aprendizagem do estudante buscando estimular a correlação teoria /prática é
necessária para o desenvolvimento da postura crítica e propositiva capaz de mobilizar processos
de transformação da sociedade.
existe outros pontos, poderia ser melhorado, essa forma pedagógica de
ajudar [...] utilizar a teoria observando a prática, atuando na prática, [...]
geralmente eu ligo para o coordenador, peço informação, marco um
encontro as vezes. [...]usuários rejeitaram uma estagiária mas com muita
UR 3 Integração
ensino –serviço
desse estudante que o serviço não tem, isso fica na mão da universidade,
a gente não sabe quando é que começa, quando é que termina, da
frequência dele a gente não passa nada e, o mais importante, nós não
temos recebido nenhuma documentação das universidades com relação
ao trabalho de preceptor. Eu sou preceptor meio de boca. Até hoje, de
todos os estudantes que recebi eu não tenho uma declaração de que eu
recebi um estudante aqui, então, até para colocar no currículo é
complicado, não tem como provar [...] chegam querendo fazer o estágio,
querendo começar já hoje, e a gente, não, não é assim, para poder ter
esse respaldo institucional já que há um convênio das universidades com
a secretaria de saúde. Só que o tramite além de ser lento, quando finaliza
você perde o estudante. Você não tem resposta da avaliação dele, você
não tem resposta da avaliação do serviço, você não tem resposta da
avaliação da universidade, do coordenador do curso, do tutor, do
professor, supervisor de estágio, orientador de estágio desse estudante,
se foi bom, se foi ruim pra eles, então a gente fica sem respaldo e não
tem certificação. Pronto, não recebi certificação até então. Não é que
não tenha. Não recebi de nenhuma instituição [...] a gente não pode abrir
para qualquer pessoa que queira fazer um estágio, tem que ter uma
orientação da universidade, tem que ter um encaminhamento para a
gente saber que aquele aluno está vinculado e matriculado e que ele tem
uma proposta [...] falta de intercâmbio supervisor, orientador de estágio
com o campo de estágio. É uma coisa que a gente não tem interação.
Então, os supervisores nunca veem aqui, eles não sabem qual é a
vivência que o estudante está tendo, eles não conhecem muito da
realidade daqui, então eles mandam as pessoas, mas nunca vieram aqui
visitar e isso pra mim é um grande dificultador, então se tá bom, se tá
ruim, como é que é o campo, como é que tá sendo a greve, enfim, que
51
impacto está tendo no estágio, isso é uma coisa que inclusive alguns
alunos reclamam, principalmente quando eles fazem atividades.[...] Pior
de tudo é a falta de acompanhamento, então a gente não sabe por
exemplo, como se reportar para dizer que o indivíduo não está vindo
para o estágio. [...] seria muito interessante que eles pudessem ter o
contato mais direto com os usuários, é, a gente fica num cuidado e aí é
uma coisa que não é só minha, com o próprio usuário para a questão da
exposição, para a questão até da forma de preparo dos estudantes, e aí a
gente termina poupando um pouco desse contato direto [...] depois que
passam por esse período de adaptação, a gente consegue trazê-los para o
atendimento do CTA, pois como é um atendimento de demanda
espontânea onde ele vem e vai embora, não vai continuar com o trabalho
aqui, com o serviço, o cliente não vai permanecer, via de regra, na sua
maioria, então, é possível esse contato.[...]Dentro da psicologia essa é
uma restrição que eu não consigo implantar, que ainda é um desejo [...]
pessoas que são mais sensíveis com a questão da exposição, porque não
estão lidando bem com a vivência com o HIV, ficam mais reticentes a
presença de um estranho manuseando prontuário, sabendo um
não acompanha o processo anterior, quando vê, a gente tá aqui e chegou
e a gente tá recebendo. Não sei em nível burocrático como acontece [...]
recebi duas cartas depois de agradecimento de uma instituição privada
do curso de enfermagem depois de receber várias turmas acompanhadas
da professora de estágio [...] de psicologia já recebi e a pessoa ficou
mais tempo, com horário, mas não há contato direto com a instituição de
ensino [...] o pessoal da enfermagem vem sempre com um orientador
[...] de psicologia não fui à instituição nem a instituição veio,
oficialmente, para chegar aqui um supervisor, professor, uma
supervisora, não. [...] sempre informo ao aluno que vou pedir
autorização ao paciente para que ele participe [...]eu sempre pergunto:
pode ficar mais uma pessoa aqui? Você se incomoda? Explico tudo,
uno chega aqui e só quer passar o tempo, só quer
cumprir a responsabilidade, [...] professora e coordenadora da disciplina
vem antes, no começo do semestre para conversar com enfermeiras,
dizer quantos alunos e quando virão, o objetivo e o que podemos
direcionar para organizar o tempo. [...] se quando na visita da professora
e coordenadora a gente recebesse orientações sobre projeto pedagógico
do curso seria mais fácil, a gente conhecendo o plano da disciplina
ficaria melhor. [...] a professora sempre chega, a coordenadora da
disciplina vem antes, no começo do semestre para conversar com as
enfermeiras e dizer que tal mês vão vir alunos. No dia geralmente eles
52
veem e dizem o objetivo deles estarem aqui, o que a gente pode
direcionar para organizar o tempo de
, mas não explicam o que
espera que o aluno aprenda no serviço, passo meu dia a dia para o aluno
[...] era bom antes de trazerem as meninas, conversarem com a gente,
mostrar cronograma de trabalho, o que querem que a gente passe. [...]
questão do sigilo, os pacientes às vezes ficam meio assim, podem
encontrar conhecidos delas, é esse lado que eu acho meio, mas, a gente
aluno autônomo, senão ficam muito retraídos, não querem praticar,
ficam com medo de falar com o paciente. Para se formarem precisam ter
esse contato, saber como se relacionar com o paciente. [...] uma
citologia que tira a privacidade tem pessoas que não gostam que o aluno
esteja naquele momento [...] o paciente pode dificultar um pouco mais é
a escolha dele de querer ou não e a gente tem sempre que perguntar se
infectologia, o de infectologia consegue aprofundar mais, o de saúde da
mulher a gente fazer esse elo tentando relacionar DST e saúde da
mulher, estimula aluno a ter visão geral do paciente e não só focar na
especificidade, ver o paciente como um todo que está ali presente [...]
quando a gente pega um paciente para atender já sabe o que observar e
como observar, quando eles (aluno) chegam ficam meio perdidos. Tem
essa situação de direcionar, a gente tem dificuldade de direcionar por
conta da demanda, [...] a própria universidade e a questão da educação,
ter uma relação maior, a gente não tem relação nenhuma com o pessoal
da universidade, é como se fosse só para mostrar campo de trabalho e aí
tem a parte teórica que é extremamente importante para eles [...] eu sei
que eles tem lá os trabalhos teóricos, mas é você estar podendo conciliar
teoria e prática nesse momento, se você puder estar fazendo a discussão
disso aí, enriquece muito o aprendizado do aluno que são oportunidades
ímpares na vida dele, realmente a gen
(Pp7)
acha que ele deve ter, é melhor não ter. [...] Aquele estagiário que está
desencantado desde a academia ele não vai dar nada no programa, vai
simplesmente cumprir obrigação. [...] Você dá uma ficha social para
fazerem uma entrevista, impressionante como ficam presos as questões.
[...]Tem que falar, ser franca sincera, mostrar para ele que vai trabalhar
com uma demanda difícil para que se questione se quer continuar no
curso para futuramente não ser uma profissional ruim[...] você tem que
orientar ao estagiário, ao futuro profissional, que ele vai lidar com essas
53
demandas e se ele tem condições de falar, não é ser assistencialista não
ou então que seja uma assistencialista boa, eu não critico não. [...] tá
faltando um planejamento como avaliar, como cobrar do estagiário,
porque não é só a nota [...] tive estagiário de todas as academias, tanto
privada como pública então a gente nota uma diferença muito grande
naquele estagiário [...] sempre há um contato, as supervisoras de estágio
vêm fazer o contato, foi uma luta grande elas têm dificuldade (aceitação
do profissional em receber alunos) [...] muitas colegas não querem mais,
não querem ter esse trabalho, elas acham que realmente é um trabalho a
mais para a gente [...] você não ir para as reuniões de supervisão, não
vale a pena ter estagiário porque vai cortar um vínculo, é importante
você levar um feedback para lá, vamos olhar direitinho essa avaliação,
acho muito importante a gente também dar essa contribuição [...] não é
só ter o estágio, a gente sabe que é um cumprimento da norma, tem que
ter o estágio, mas, eu não tenho esse olhar não. Prefiro ter esse vínculo,
agora quando acho que não estou bem, prefiro não ter. Foi o que fiz esse
ano, não recebi.[...] já tive estagiária que morava no interior, estudava a
noite, chegava em casa meia noite. Esse aluno não tem condições de
estar aqui 7h ou 7h30 da manhã, vai faltar, não vai produzir, digo:
procurem estágio para esse pessoal do noturno a tarde ou final de
semana. [...] a gente tem aqui a questão do sigilo, eu sempre digo a elas
(estagiárias): se eles (usuários) não quiserem a presença de vocês, aí eu
peço licença e eles (estudantes) se afastam [...] o paciente nosso vem
com muitas demandas sociais, principalmente. [...] É uma doença
crônica, carregada de preconceito, ele (usuário) sofre preconceito
interno (ele mesmo) e externo [...] como o grau de escolaridade deles é
muito baixo, fica difícil orientar, é um trabalho muito delicado e
demorado [...] ou você é em prol dos direitos da pessoa como um todo
aquilo [...] é uma pessoa que está em formação, às vezes tem aqueles
pequenos absurdos que é comum, que eu cometi e todo o mundo
cometeu e eu penso assim: não posso cobrar demais porque depois eu
posso até inibir, a pessoa se sentir retraída e não ir atrás. Acho que
ninguém tem o direito de fazer isso com ninguém. [...] Espero que ele
aprenda principalmente o que o assistente social efetivamente não faz,
que a gente trabalha com a questão dos direitos [...]a gente quando sai
da faculdade tem a visão que vai fazer e acontecer e no dia a dia não é
bem assim, se você conseguir fazer a sua diferença no seu cantinho onde
você está trabalhando, se ela (estudante) já entender isso, eu percebo
assim que ela na convivência com a equipe já está entendendo como é
essa coisa, eu percebo que ela está entendendo. [...] tenho muita
restrição ao ensino a distância, ainda mais serviço social que a gente
54
sabe que presencial já é complicado [...] eu estava querendo pegar o
estágio, mas só recebi uma visita da supervisora acadêmica porque pedi
muito e ela veio aqui para esclarecer as questões de estágio em si,
documento, papelada, prazo, e uma visita de avaliação e a menina está
aqui desde março [...] não é apresentado nada, nem o projeto político
pedagógico e a menina eu tenho a impressão que não teve um bom
preparo, não sei se é uma deficiência da universidade que eu acredito
que tem a parcela e a própria dela [...] estágio também trás retorno para
a instituição [...] agora ela está traçando o perfil dos usuários atendidos
pelo Serviço Social em 2013. Foi uma atividade que a assistente social S
fez em 2002 e de lá para cá a gente não teve pernas para acompanhar,
para fazer, então as entrevistas vão se acumulando, a gente tem um
monte de pastas de entrevistas que a gente não consegue analisar. Então
o estagiário também dá esse retorno para a gente. É uma atividade que
ela está fazendo, para ela vai ser uma nota, é uma atividade que tem um
objetivo na faculdade, mas para a gente vai ser importante também [...]
aqui nós somos um serviço de atendimento que a academia vem [...] tem
a expectativa de retorno para o supervisor, um treinamento, algum
curso, trazer para uma discussão específica, que essa (faculdade) eu não
vi, mas acho que é importante ter algum preparo. [...] todo mundo que
vem ao atendimento você tem que explicar: olha, fulano é estagiário,
está aprendendo, um dia vai atender também alguém, você autoriza que
ela (estudante) participe? Com todo mundo você tem que fazer essa
abordagem [...] você precisa pedir autorização para o usuário para
exercitar aquele atendimento [...] o paciente está no corredor e o
(Pp9)
são menos invasivos, eles que fazem. Profilaxia, flúor, restauração [...]
acho que os alunos desenvolvem o lado humano, eles se empolgam
mesmo, se entrosam com os pacientes e os pacientes se apegam a eles
[...] tem criança aqui que não deixa chupar a chupeta comigo, mas
quando vêm os alunos deixam com eles [...] tenho esse cuidado de com
o aluno dar uma estudada no caso dele (paciente), mas eu confesso, eu
nunca tive essa coragem de sair com meus alunos e passear pelo serviço
[...] acho muito pouco eles (estudantes) só terem a visão do
conhecimento da odontopediatria, para ficar completo, teriam que ter
um rodízio também nos outros profissionais, não me sinto à vontade
para solicitar que esses meus alunos visitem os outros profissionais. [...]
quem se aventura por essa área acadêmica, eu acho que não tenho como
me desvencilhar dos meus alunos. E aqui eu acho que por não estar
numa sala de aula, por não estar naquela clínica gigante como na
faculdade com milhões de móveis, acho que aqui a gente se sente mais
55
aconchegado um no outro. [...] Antes deles virem para cá (alunos) eu
mostrando que tudo é igual, só que assim, tem aquelas peculiaridades, a
gente vê como está a carga viral, tem que ver como está a defesa da
criança, eu acho que falo tanto que eles ficam assim, sabe assim, com
(Pp10)
paciente quais são seus direitos, lembrar a eles as vezes, quais são seus
deveres [...] eles vêm sem saber direito o que é que eles vão fazer aqui e
quando eles se veem diante do paciente soropositivo as vezes eles
tentam esconder que não querem atender [...] eles acabam aprendendo
outras coisas também (além da técnica) porque eles veem com uma
visão e essa visão é desconstruída, até hoje veem com uma visão de que
o paciente soropositivo é aquele paciente magro, caquético, doente, e,
chega aqui se depara com outro perfil de paciente [...] acabam dizendo
que isso aqui é uma lição mais de vida do que técnica e acaba
acrescentando bastante [...] saem daqui com outro olhar e isso é muito
bom [...] tenho alguns alunos que sentam e executam alguns
procedimentos, mas é muito raro mesmo, digamos que de cem, dois no
máximo teriam condições de sentar e atender o paciente soropositivo
sem medo [...] o procedimento clínico eles sabem executar porque é um
procedimento que eles fazem na faculdade até o décimo período, mas
vem com uma carga de medo, medo de se acidentar, medo do contato,
medo de se contaminar [...] existe esse medo mesmo irracional de
atender o paciente soropositivo [...] ele aprende a levar (o paciente) na
defensoria, na santa casa, outras coisas como medicamentos da farmácia
especial, acaba aprendendo outras coisas que está longe do que ele ia
aprender a fazer [...] você trás o aluno para ele aprender em serviço e na
realidade está usando o serviço do SUS, ele tinha que estar trabalhando
políticas públicas de saúde, olha isso aqui é um serviço, eu acho que
esse serviço é importante e eu vou querer construir um desse na minha
cidade quando eu me formar, eu vou precisar trabalhar assim quando eu
for chamado para um concurso público para trabalhar no SUS para
trabalhar no PSF e a gente não tem essa discussão. [...]são mais os
alunos que estão mais ligados a mim por projetos de pesquisa, ficam
mais tempo ligados comigo. Não só da preceptoria, ou seja, não é só
aqueles que vêm, que ficam aqui três meses e vão embora [...] o que
quer mesmo, que fica mais junto, é quem fica mais tempo porque está
ligado ao projeto de pesquisa ou alguma coisa assim [...] a coordenação
desde o começo percebeu esse trabalho como um trabalho importante
para o serviço, importante para o paciente, acolheu isso e ajudou [...] a
faculdade por estar mandando estudantes você consegue algumas coisas
56
para trabalhar por conta disso. [...] O que piora mesmo é a falta de
políticas públicas para a saúde, então você não tem como, é até chato
você receber um aluno se você não tem o que dar, o que mostrar, não há
essa discussão. [...] se o aluno for atender com medo, ele acaba deixando
cárie onde não devia deixar fazendo uma restauração mal feita e aí eu
vou ter que repetir [...] para um aluno meu fazer uma extração num
paciente soropositivo ele precisa estar comigo a bastante tempo, ou seja,
eu perceber que ele realmente tem habilidade para executar o
procedimento, senão eu faço [...] a gente vem para cá para atender uma
demanda sem nenhuma ingerência, sem nenhum posicionamento, sem
nenhuma discussão de nada do que está acontecendo, do que está sendo
planejado, e os pacientes não estão envolvidos com isso, não brigam por
-lo ver que
nem tudo são flores, que a realidade é um pouco, para não dizer, muito
diferente do que a gente aprende na sala de aula [...] como a gente pode
ser mais humano no lidar com as pessoas [...] eles mesmos dizem: foi
muito gratificante. Um deles disse: doutora, nem precisava CRM, ela só
queria ser ouvida. E eu disse: você fez muito bem. [...] facilita estar no
PET Saúde, estar no SUS facilita e dificulta [...] é feita uma reunião lá
Preocupação com desenvolvimento de habilidades e competências presente nas falas,
corroborando com o sentido etimológico da palavra preceptoria, aquele que ministra preceito e
instruções. Demonstram preocupação para além da aprendizagem técnica propriamente dita.
Identificam os limites para a prática da preceptoria no serviço que vão desde a preocupação
com o sigilo e a ética a deficiência de espaços e recursos adequados, ausência de trabalho
interdisciplinar, sugerindo a necessidade de investimento em educação permanente da equipe
fomentando a educação interprofissional e a interdisciplinaridade.
Integração ensino serviço frágil no diálogo entre gestão, instituições de ensino e serviço; não
reconhecimento por parte da gestão da preceptoria como parte do processo de trabalho;
ausência de plano de estágio no setor com definição de fluxo, objetivos e metas; distanciamento
das instituições de ensino do cenário de prática; ausência do professor na definição dos
objetivos da aprendizagem; falta de instrumentos de acompanhamento do estagiário; não
emissão de certificados ou declarações pelas instituições de ensino emerge com maior
frequência nas falas, indicando a importância de pautar a preceptoria como tema de debate tanto
das instituições de ensino como do serviço. Para Nunes (2007), integração ensino serviço é um
processo em construção que ganha força na década de 70 e perdura até os dias atuais
considerando a necessidade de formar pessoal de acordo com as necessidades do Sistema de
57
Saúde (SUS), Bollela (2012) destaca o esforço do Ministério da Saúde por meio da Secretaria
de Gestão do Trabalho na Saúde, em articulação com Secretaria de Educação Superior do
Ministério da Educação, lançando vários recursos para apoiar mudanças na formação que modo
que atendam as demandas do SUS.
Necessário investir no diálogo entre instituições de ensino e serviços de saúde com propósito de
definir caminhos que atendam tanto interesses da formação profissional como da necessidade
dos serviços referência ao PET Saúde como exemplo positivo. A preocupação com ética na
relação com o usuário é destaque nas falas assim como a prática profissional fundamentada no
princípio da integralidade. Machado et al (2007) destaca que uma prática sob enfoque da
integralidade requer exercício efetivo de trabalho em equipe. A natureza do serviço por si só já
é limitante para ampliar o espaço para acesso de estudantes. Trata de uma patologia permeada
de estigma e preconceitos que envolvem valores culturais e sociais. Preceptores não referem
segurança em permitir que o estudante realize determinados procedimentos que possam causar
dano físico ou psicológico ao paciente. Sugere a necessidade de investir na educação
permanente dos profissionais com enfoque na interdisciplinaridade como a possibilidade de
integrar diferentes categorias na construção de um novo saber, permitindo uma visão ampliada
da saúde (Bispo et al, 2014).
do estudante. A gente precisa de uma estrutura. [...] Equipe aqui é muito
boa, é engajada, é comprometida, acredito que cada um individualmente
faz o que pode o melhor que pode, mas em relação a gestão a gente não
tem esse apoio. [...] necessário ler alguns artigos que esse estudante traz
[..
vezes é bastante tumultuada, o que dificulta a assistência ao
estudante.[...] A gente apresenta a pessoa, mas a gente não tem certa
receptividade da maior parte do grupo, então esse estudante ele não é
acolhido pela equipe de um modo geral [...] recebe mais estágio
específico [...] acho que o serviço é aberto. Apesar dessa falta de
entrosamento que eu citei, o serviço não se fecha, não diz não
[...]abertura do serviço e do PAM salgadinho que nunca colocou
empecilho, pelo contrário, o único critério que ele estabelece é que a
coisa seja organizada [...]também interessante para mim porque eles
trazem à luz de novos teóricos como é que se vê algumas coisas dentro
da psicologia social, de outras abordagens, certo? De como é que essa
inserção se dá no âmbito do SUS, isso é muito interessante para eles e é
para mim[...] a gente fala muito do trabalho multidisciplinar, quando a
gente recebe estudante não é multidisciplinar, o único que me
58
UR 4 Infra
Estrutura e
Condições de
Trabalho
facilita. Entra uma pessoa a gente conversa, entra outra, não tem aquela
continuidade, uma relação de ligação maior com o psicólogo, algo que o
paciente fale da sua vida [...]por ser uma coisa mais dinâmica, acho que
é interessante (referindo-se ao CTA)[...]o que a gente tem condições de
mostrar do trabalho a gente vai mostrando, trabalhando dentro das
nossas condições que as veze a gente acha que é precária, que falta uma
coisa e outra, mas a gente vai mostrando o que a gente tem, como é
trabalhar as vezes com algumas situações, ter que sei lá, agora o ar está
quebrado, vou ter que mudar de sala, essas situações como a gente anda.
[...] A gente tem que ter informação técnica da situação, saber toda a
parte teórica, como é que eu vou explicar, saber sobre o sistema
imunológico, mas também tem esse lado humano da gente. [...] a gente
aprende muito, a gente cresce como ser humano [...]não é o tempo de
experiência que vai dizer agora eu já sei tudo. Não sei nada. Estou
sempre aprendendo[...]é uma troca e eu aprendo também[...]espero
melhorar minha prática também[...]nós dávamos palestra de
aconselham
enquete e descobriram que essa palestra estava muito longa, muito
cansativa e a gente achava muito interessante. Precisou alguém vir de
fora, as estagiárias, para mostrar isso pra gente, pois a gente não estava
tendo essa visão[...]se eu não estivesse aqui ouvindo essas pessoas todas
eu não seria eu, nesse sentido de tempo, de vida, acho que estaria mais
inocente em determinadas situações. A gente troca muito e é muito
es que chegam e você tem que parar para orientar
o aluno, só que lá fora tem muita gente te esperando, daí quando você é
o enfermeiro do serviço também tem que dar conta do que está fora, na
fila que se forma, acho que as orientações poderiam ser passadas ao
aluno mais a fundo, mas às vezes eu não faço por conta da demanda
também. [...] É um lugar tranquilo então a gente não está no corre corre
como em outros ambientes como hospitalar por exemplo [...]as vezes a
gente quer passar alguma coisa a mais porém a demanda é grande. [...]
No CTA não é só a enfermeira que fica ao contrário do SAE. As vezes a
gente fica numa sala com técnicos de enfermagem e as vezes eles não
entendem o papel da preceptoria, não acolhe bem o aluno, acha que está
atrapalhando, não todos, alguns, mas dificulta. [...]a coordenação não
deixa ninguém chegar aqui sem encaminhamento. Se chegar volta.[...]
demais, se vira nos trinta [...] tem tanta coisa aqui para se trabalhar,
fazer pesquisa dentro do campo para publicar mas a gente não tem
59
tempo com tanta atividade [...] a gente aprende com elas e elas
genotipagem, mas falta até o conhecimento e a prática de fazer
pouco mais rápidas, não da forma como deveria. Se tiver uma
movimentação tranquila eu passo tranquilamente tudo o que deve ser
informado[...]as vezes alguns profissionais não aceitam, não querem o
atenção, pode estar realmente conhecendo o aluno e vendo as carências
que ele tem [...] questão da demanda dificulta, a gente tem essa
preocupação mas as vezes ocorre atendimento automático e só olhamos
aquilo ali [...] demanda é grande aí uma das dificuldades é tentar
equilibrar essa situação de vê-lo como aluno que está aprendendo e não
como profissional [...] a gente não consegue evoluir na preceptoria
porque tem esse fluxo de atendimento. [...] A gente como preceptor
consegue ficar muito junto dele, termina realmente orientando e
algumas vezes em questões pessoais [...] quando o paciente chega aqui
eu sei realmente qual vai ser minha intervenção, mas eu tenho que fazer
com que àquele aluno entenda o que é aquilo. Então em alguns
momentos realmente a gente tem que parar [...] queria ter mais tempo
para poder estudar mais com eles, a gente não tem o tempo para pegar
um estudo de caso, discutir determinados assuntos bem detalhadamente.
ra
do sistema então esse ano mesmo eu resolvi nem ter estagiário [...] não
está dando condições (estrutura) de a gente dar o que é correto. [...]
Estou desencantada com o programa, com o sistema único de saúde,
com todos esses entraves que a gente tem enfrentado [...] não quero esse
ano porque realmente aumentou muito a demanda da gente com relação
ao hospital que não estava recebendo paciente, então estava uma loucura
para a gente atender [...] nós estamos num momento crítico na saúde e é
hora de recuar, não tem como você bater de frente, não adianta, não
vamos avançar [...] eu vim hoje assim decepcionada com essa greve, eu
fico observando o movimento, vendo aquilo tão sem nexo, mas de
repente pode ser que tenha uma luz lá no fundo. [...] para o profissional
é uma realimentação, fico muito mais estimulada quando estou com
acadêmicos, mesmo sentindo a falha com eles porque a gente recebe de
todos os níveis, existe aquele que é dedicado e aquele relapso [...] esse
aluno me estimula a refletir o ambiente de trabalho, eu como
profissional, onde estou tendo falhas na minha atividade, no meu
desenvolvimento [...] prefiro aquele que me cobra mais, que vai além do
60
com a atividade que você já
desenvolve, então assim, é um dia muito corrido (tempo), você tem que
se preocupar em atender e explicar ao estudante o que é aquilo, o que
está acontecendo, porque você fez determinado tipo de
encaminhamento, você tem que estar explicando [...] a gente não tem
esse preparo, a gente não tem esse conhecimento, a gente faz porque a
gente quer, porque tem boa vontade, tem vontade de aprender também.
[...]quando você assume, você aceita ter esse estagiário, você precisa ler,
precisa preparar alguma coisa para trazer para aquela pessoa, precisa
indicar material, em casa você recebe email: dá uma olhada aí nesse
trabalho que eu fiz, aí você vai até onze da noite [...]enriquece a prática
e esse é um dos motivos porque tenho estagiária, me motivar, porque no
dia a dia você acaba naquela coisa mesma, a coisa que desgasta e você
as vezes acha que não consegue fazer o novo, não consegue fazer o
diferente, você só consegue fazer aquilo que é rotina e o estagiário já lhe
mostra outras possibilidades [...] você acumula trabalho mas você
também tem um ganho [...] com relação ao estágio eu sempre me cobro
que eu deveria ter mais um preparo para estar discutindo algumas
questões [...] talvez eu devesse estar me reciclando mais, correndo mais
atrás d
até por isso por aqui não parei, tudo o que tem aqui que eu uso neles, eu
trago de fora (referindo-se ao material odontológico em falta no serviço
há 2 anos) [...] procuro entrar na minha sala, fazer meu trabalho e ir
embora, já ouvi aqui, fique na sua porque você está aqui pela faculdade,
Não é fácil não. [...] desde que eu estou aqui, desde quando eu entrei, eu
nunca mais fui a mesma. A gente antes reclamava de pequenas coisas e
que carregam no sangue, mas, isso é o lado humano. [...] eu digo que
meus pacientes não têm muito tempo para esperar, então eu trago de
casa (material) e a gente atende aqui normalmente, hoje tenho cinco
tem esse acesso ao paciente soropositivo e o atendimento do paciente
soropositivo [...] não separo os pacientes que são soropositivos daqueles
que não são eles estão na mesma sala de espera, entram na mesma
sequencia, não há distinção de atendimento [...] infelizmente esse ano
todo a gente não teve material, então esse contato (do aluno com o
paciente) quem estava aqui esse ano ficou muito prejudicado [...] o
Estado não dá apoio (referindo-se ao paciente da estomatologia) aqui
dentro do serviço você tem o HIV que tem tudo isso: nutrição,
assistência social, psicologia, mas para o paciente de câncer você não
61
tem nada [...] é um trabalho bastante desgastante porque é um trabalho
de equipe que é feito por um, então fica bem complicado (referindo-se a
estomatologia) [...] o volume de atividade é muito grande para todo
mundo, então todo mundo chega e executa o que tem que fazer, acho
que poderia ser feito mais enquanto grupo [...] a coordenação de
DST/AIDS que sempre estimulou, nunca vedou, nunca implicou de eu
estar com muitos alunos, sempre facilitou, cedeu sala, cedeu espaço, o
que pode ser cedido é cedido. O profissional que não pode, pois ele já
tem muito volume [...] material, insumos, políticas públicas de saúde
que se acabou [...] quando eu comecei a trabalhar a gente ainda tinha
alguma coisa, nosso material era todo comprado com o dinheiro que a
gente tinha separadamente, agora a gente precisa esperar o dinheiro da
prefeitura, então a indisponibilidade de material, de insumos, dificulta
muito [...] a gente está quase seis meses sem fazer um atendimento ao
paciente soropositivo, isso nunca aconteceu. [...] Acabou aqueles
encontros que a gente tinha para discutir, para planejar junto, para fazer
durante o ano. Não tem mais nada, não tem mais porto seguro, não tem
mais nenhuma informação sobre a Programação de Ações e Metas
(PAM), sobre o planejamento, nada [...] você tem um volume grande de
pacientes para atender com poucos recursos, onde o que funciona mais é
o seu celular, sua mão e o seu olho, então o que eu digo ao paciente é
assim: o que depender da minha cabeça, da minha escrita você vai ter, o
que depender de insumos você não tem, então é bem complicado, bem
triste de ver. [...] é uma atividade muito gratificante porque desde os
mitos que eles têm em função do que eles escutam na mídia, dos mitos
que eles constroem até aqui eles veem isso diferente, então é uma coisa
muito interessante, embora é muito raro ter um aluno que queira voltar
para o atendimento ao paciente soropositivo [...] ainda fico muito
decepcionada com aqueles que vêm e que negam, que se escondem e
não ficam na linha de frente para não ser a pessoa a ser chamada a fazer,
e aí que antigamente eu meio que fazia um rodízio para forçar todo
mundo a ter essa experiência, hoje em dia eu prefiro não [...] se eu
identifico no aluno que ele não está a vontade para fazer esse
atendimento, hoje em dia não forço
[...] como é que eu falo uma coisa e faço outa? Pré natal é uma
tecnologia de baixo custo, basta verificar pressão, pesar, medir barriga e
auscultar. As vezes não tem tensiômetro, tenho que trazer o meu. As
vezes falta a pilha do sonar, então eu me sinto fazendo aquém do que eu
poderia, aí não tem o papel, não tem o cartão pré natal, é difícil!. [...] a
esperança de formar melhores profissionais [...] eu poderia
simplesmente vir aqui atender e tchau, deixava o aluno do lado e no
máximo deixava medir a barriga, auscultar o menino e pronto, mas fico
62
Referem que para além do conhecimento técnico, ambiente favorável, estrutura física e
condições de trabalho são importantes como apoio a prática da preceptoria. O volume de
trabalho aparece fortemente como fator limitante impedindo evoluir na preceptoria. O momento
crítico por que passa a política de saúde também aparece com frequência nas falas como
entrave e a recusa de alguns profissionais da equipe em receber estudantes. Esses fatores que
emergiram sugerem a necessidade de novos estudos que contemplem as múltiplas dimensões
que envolvem e interferem no exercício da preceptoria. Necessário um olhar criterioso da
Coordenação de Recursos Humanos da Secretaria Municipal de Saúde de Maceió - SMS sobre
esta prática e o diálogo permanente com as Instituições de Ensino - IE na área da saúde.
Predominância nas falas dos preceptores o interesse em adquirir novos conhecimentos.
Destacam compromisso que possuem para com a formação na área da saúde a disponibilidade e
o desejo em contribuir com processos formativos e predisposição a aprendizagem. O que sugere
ponto forte para desenvolvimento de propostas de intervenção numa perspectiva da educação
permanente, somando esforços para tornar a rede pública de saúde uma rede de ensino
aprendizagem no exercício do trabalho (Ceccim, Bravin e Santos , 2009. p.166).
UR 5 Sugestões
para melhoria da
preceptoria
organizar essa rotina de horário [...] ter horário, um dia, ou sei lá,
atender a partir de determinada hora para poder atender os estudantes
com mais calma e tranquilidade. [...] Eu acho que é importante que a
presença desse estudante seja percebida por todo o grupo [...] trabalhar
esse acolhimento daquele futuro profissional seria interessante[...]muito
importante que a secretaria esteja atenta a isso e o PAM Salgadinho
também para poder não atrapalhar o andamento do serviço porque as
vezes muito estudante atrapalha.[...] Seria interessante se a gente propõe
uma coisa séria seria importante também alguma vinculação como
bolsa, algum tipo de abertura, não necessariamente uma bolsa, mas
participar de eventos da universidade, receber certificações, declarações
de preceptoria já que eu recebi um, dois três, quatro alunos, e essa
organização formal do que é que eles querem de um preceptor[...] abrir
um campo de discussão de interação ensino e instituição de saúde para
colocar qual a importância desse estágio, tipo fazer um evento, tipo
fazer um momento onde a universidade viesse, antes de trazer
estudantes.[...]Seria interessante ter isso junto ao recursos humano, que
tipo de profissionais podem receber, quem são os profissionais, que tipo
de área esses profissionais atuam podendo receber estudantes para fazer
poderia até vir mais pessoas, principalmente
63
psicologia [...] não vejo muita gente vir na minha área que seria
psicologia. Seria interessante se pudesse receber mais aluno de
psicologia
formasse qual interesse
no CTA e no SAE [...] quando chegassem fizessem intensivão em teste
rápido, porque fica tanto para aqui como para lá ou para qualquer
e realmente demonstrando como é que pode ser a intervenção do
enfermeiro nessa situação [...] quando a gente tiver com aluno a gente
tem que limitar certo atendimento se bem que é nessa demanda que vem
a oportunidade do aluno aprender [...] a gente tem que ter um tempo
para discutir, ter um calendário, alguma coisa[...] a gente tem que ter
atualização e a gente tem dificuldade disso, porque tem que ser de forma
individual, a gente não tem muito educação continuada (referindo-se a
programa), melhor facilitado,
depende não só da nossa orientação mas o que está recebendo na
academia [...] a gente tem que unir forças, academia e profissionais.[...]
Importante essa preocupação que vocês estão tendo (referindo-se a
pesquisa), principalmente você, de dar uma contribuição, ainda acreditar
precisa entender a natureza do nosso serviço [...] acho que precisa
envolver os demais profissionais, sensibilizar, que tem uma pessoa ali
em formação mas ela precisa estar envolvida naquela dinâmica [...]
possibilitar essa troca entre áreas, no caso do serviço Social, talvez as
outras também tenham isso, a questão do sigilo, são pessoas que estão
em formação, não tem o conteúdo ético ainda [...] tem que ter essa troca
entre os setores, entre as áreas e se a gente se dispor a ter essa atividade
te que estar todo mundo entendendo o que é, o que significa isso, se é
preceptoria, se é supervisão de estágio que eu não sei o que é que
significa isso e procurar ir desenvolvendo alguma coisa no nosso setor
métodos de
prevenção, saúde bucal, higienização, incluir a filosofia da prevenção
porque quando chegam aqui a boca já está detonada. [...] Alunos visitem
os outros profissionais [...] aproximação dos profissionais, sinto falta
disso, me sinto dentro de um
64
proposta do programa eu acho que a gente poderia fazer muito mais do
que é feito hoje, em termos de programa HIV a gente peca muito por
isso, a gente não consegue trabalhar do ponto de vista multidisciplinar,
não consegue se reunir, não consegue se falar [...] a preceptoria deveria
ser melhor organizada, o serviço é muito grande, melhor se tivesse
outros recebendo para poder ajudar todo mundo, enfermagem, nutrição,
serviço social, todo mundo trabalhasse junto para facilitar o atendimento
numa perspectiva interprofissional [...] existia discussão, existia planos,
dania, o poder de escuta,
respeito pelo outro, chamar o outro pelo nome, reativar com gosto as
Sugerem melhoria da estrutura física e das condições de trabalho; conhecimento sobre objetivos
da aprendizagem do aluno; incentivo como certificados e capacitações tanto por parte da SMS
Maceió como das Instituições de Ensino; superar a relação fragmentada, setorizada,
personalizada com as instituições de ensino; ter a oportunidade de discutir e planejar e definir
coletivamente com a equipe multiprofissional, estudantes e professores os objetivos da
aprendizagem. A polissemia nas falas ao conceituar a perspectiva para o trabalho em equipe
como interprofissional, multiprofissional, interdisciplinar, integral bem como o reconhecimento
do limite de exercer um trabalho colaborativo, justificada pela expressiva demanda, aponta para
a necessidade de reavaliar a organização do serviço, os processos de trabalho conformando com
a prática da preceptoria evitando o desestímulo sobre este fragmento do fazer profissional. A
Organização Mundial de Saúde (OMS, 2010) aponta para a necessidade de desenvolver
políticas e programas para motivar a força de trabalho no mundo, destaca que a desmotivação e
a falta de profissionais na saúde consistem num fenômeno mundial.
65
REFERÊNCIAS
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interprofissional no ensino superior em saúde: aspectos da colaboração e do trabalho em
equipe. Avaliação, Campinas: Sorocaba, v. 16, n. 1, p.167-184, mar. 2011. Disponível em:
http://www.scielo.br/pdf/aval/v16n1/v16n1a09.pdf. Acesso em:
BISPO, E. P. F.; TAVARES, C. H. F.; TOMAZ, J. M. T. Interdisciplinaridade no ensino em
saúde: o olhar do preceptor na Saúde da Família. Interface (Botucatu), Botucatu, v. 18, n.
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BOLLELA, V. R. Desenvolvimento de competência: a importância da definição dos
objetivos educacionais no processo de ensino aprendizagem. Team based learning
26/11/2012. Texto de apoio do Curso de especialização em Educação na Saúde para
Preceptores do SUS. São Paulo: Instituto Sírio-Libanês de Ensino e Pesquisa: Ministério da
Saúde: Conselho Nacional dos Secretários de Saúde: Conselho Nacional de Secretarias
Municipais de Saúde: Faculdade de Saúde Pública, 2012.
BRASIL. Lei n. 11.788, de 25 de setembro de 2008. Dispõe sobre o estágio de estudantes;
altera a redação do art. 428 da Consolidação das Leis do Trabalho CLT, aprovada pelo
Decreto-Lei no 5.452, de 1o de maio de 1943, e a Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996;
revoga as Leis nos 6.494, de 7 de dezembro de 1977, e 8.859, de 23 de março de 1994, o
parágrafo único do art. 82 da Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e o art. 6o da Medida
Provisória no 2.164-41, de 24 de agosto de 2001; e dá outras providências. Diário Oficial
[da] República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 26 set. 2008. Disponível em:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2008/lei/l11788.htm. Acesso em: 5 jan.
2014.
CECCIM, R .B.; BRAVIN, F. P.; SANTOS, A. A. Educação na saúde, saúde coletiva e
ciências políticas: uma análise da formação e desenvolvimento para o Sistema Único de
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CUNHA, A. G. Dicionário etimológico da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Lexikon
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66
TEIXEIRA, A. Escola pública é o caminho para a integração social. Revista Brasileira de
Estudos Pedagógicos, Brasília, DF, v. 52, n. 95, p. 210-213, jul/set. 1964. Disponível em:
<http://www.bvanisioteixeira.ufba.br/>. Acesso em: 20 mar. 2014.
67
APÊNDICE B - ROTEIRO DO VÍDEO: Programa DST/HIV/AIDS e Hepatites Virais –
espaço de aprendizagem
O vídeo é um dos produtos do trabalho de conclusão do Mestrado Profissional Ensino
na Saúde e visa contribuir com os preceptores no acolhimento de estudantes que acessam o
serviço apresentando a potencialidade do programa para aprendizagem.
Depoimento do Coordenador Geral do Programa
apresentando o programa e o olhar
sobre a integração ensino-serviço.
Imagem: de ações de planejamento.
Depoimento de usuário (1 a 2): como percebe a presença de estudantes no serviço
Depoimento de estudantes (1 a 2): o que leva de contribuição do serviço para a
profissão que escolheu.
Narração de preceptores: As ações de prevenção são voltadas para todos os segmentos
populacionais, da criança ao idoso e são realizadas em escolas, instituições, empresas,
comunidades, contando com o apoio das equipes de saúde que atuam na rede básica.
Imagens ou fotografias: de reuniões de planejamento, de capacitação, oficinas,
atividades externas. (incluir imagens de cada área do programa)
Narração: Preceptores explicando sobre a potência e os limites do cenário de prática
para a formação profissional.
Imagens: de treinamento e atividades de prevenção realizadas extra muros; CTA
itinerante, reuniões de planejamento, ações de educação permanente.
Narração: Sobre a importância do acolhimento para adesão e o respeito com o usuário.
Imagem:
recepção,
cadastro,
documentos
necessários,
setores
odontologia,
enfermagem, psicologia, serviço social, nutrição, medicina.
Conclui com fala sobre acolhimento (1 palavra/frase) - ênfase em acolhimento aos
estudantes e aos usuários no serviço.
Segundo Elarrat (2015), dificilmente um filme é feito a partir da primeira ideia que
está no papel, parece inevitável olhar para o texto de vez em quando e procurar melhorá-lo à
medida em que novas ideias vão surgindo ou o distanciamento em relação ao próprio trabalho
nos faz questionar algumas coisas e procurar por outras formas de se contar uma mesma
história.
Neste sentido, este roteiro consiste num primeiro passo para a organização das ideias.
Provavelmente sofrerá alterações, ganhando formato e tratamento a partir da opinião de outras
pessoas envolvidas no processo a exemplo de colaboradores externos, professor orientador e
68
coorientador, participantes da pesquisa de mestrado, usuários, professores e estudantes
envolvidos com o tema preceptoria no cenário retratado neste documentário de 5 minutos.
Autor:
Teresa Cristina Carvalho dos Anjos
Colaboradores:
Profª Naara Lima Normande. Mestre em Comunicação e Cultura Contemporâneas pela
Universidade Federal da Bahia - UFBA. Professora do Curso de Comunicação Social
/Jornalismo do Centro Universitário CESMAC. Integrou o Projeto Laboratório de Jornalismo
Convergente, coordenado pela Profa. Dra. Suzana Barbosa, e o Grupo de Pesquisa em
Jornalismo Online - GJOL. Pós-Graduada em Jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero, São
Paulo. Graduada em Comunicação Social / Jornalismo pela Universidade Federal de Alagoas
(UFAL). Autora do livro Entre uma ostra e outra: histórias de vida dos ostreicultores de
Alagoas, publicado pela Edufal.
Vitor Beltrão. Estudante de Jornalismo do Centro Universitário Tiradentes em Maceió –
UNIT. Estagiário em Audiovisual pelo SESC
AL. Produtor audiovisual, diretor dos curtas
na campanha a Deputado Estadual do Rodrigo Cunha. E-mail: vitorbeltra88@gmail.com
Manuel Henrique O. Barbosa. Graduação em andamento no curso de Jornalismo pela
Universidade Federal de Alagoas; membro do Grupo Comulti - Grupo de Pesquisa e Extensão
em Comunicação e Multimídia, onde atua na produção de conteúdo audiovisual; experiência
na área de produção e edição de áudio e vídeo; experiência na produção de programas de TV;
experiência na área de fotografia; trabalha com manutenção de computadores, redes windows
e linux com fio e sem fio, construção de websites utilizando PHP e MySQL e CMS.
REFERÊNCIA
ELARRAT, R. Escrevendo roteiros, seus tratamentos e revisões. Blog Visagem Filmes,
21/01/2015. Disponível em: <http://www.visagemfilmes.com/index.php?pg=blog>.Aceso em:
26 de fevereiro 2015.
69
APÊNDICE C - TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO
TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO - TCLE
(Em 2 vias, firmado por cada participante voluntário(a) da pesquisa e pelo responsável)
_____________________________________________________________________
I – DADOS DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO DA PESQUISA OU LEGAL RESPONSÁVEL
1. Dados de Identificação
Nome: ..........................................................................................................................
Documento de Identidade Nº :............................................. Sexo: ( ) M ( ) F
Data de Nascimento:............/............/................
Endereço:..................................................................................Nº:..............Apto:.............
Bairro:.........................................................Cidade:...........................................................
CEP:....................................................................Telefone:...............................................
II DADOS SOBRE A PESQUISA
Título do Protocolo de Pesquisa: Uma Análise do Exercício da Preceptoria no Programa de Prevenção e Controle
das Doenças Sexualmente Transmissíveis, AIDS e Hepatites Virais do Município de Maceió.
1. Pesquisador: Teresa Cristina Carvalho dos Anjos.
Documento de Identidade Nº : 3097853 Sexo: ( ) M
(X)F
Cargo/Função: Mestranda
Departamento: Mestrado Profissional de Ensino na Saúde da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de
Alagoas
2. Avaliação de Risco da Pesquisa
( ) Sem Risco
( X ) Risco Mínimo
( ) Risco Médio
( ) Risco Baixo
(
) Risco Maior
3.
III
REGISTRO DAS EXPLICAÇÕES DO PESQUISADOR AO SUJEITO DA PESQUISA OU SEU
REPRESENTANTE LEGAL SOBRE A PESQUISA, CONSIGNANDO:
1. O estudo se destina a analisar a preceptoria no PM/DST/HIV/AIDS e HV da SMS Maceió nas
competências gerais preconizadas pelas DCN para a formação na área da saúde.
2. O início da pesquisa está condicionado a aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa e tem como
prazo para ser concluída, fevereiro de 2015. Sendo que o período de coletar de dados, acontecerá nos meses de
agosto a outubro de 2014.
3. A importância deste estudo é a possibilidade contribuir no aprimoramento do exercício da preceptoria
no SUS no Município de Maceió, produzir conhecimento científico e formular estratégias que possam contribuir
para melhor articular ensino - serviço.
4. Os sujeitos participarão do estudo respondendo a um roteiro de perguntas norteadoras, podendo se
recusar a responder o que não souber ou não se sentir confortável. Suas respostas serão gravadas, o material de
áudio referentes a gravação das entrevistas serão transcritos e posteriormente destruídos, após às leituras e
análises.
5. Os possíveis riscos relacionados a esta pesquisa são: 1) dificuldade e desconforto dos profissionais
em falar sobre sua prática de preceptoria; 2) não saber responder alguma ou todas as questões formuladas pelo
entrevistador, sendo minimizado com a não identificação da fala e a possibilidade da recusa a responder a
pergunta.
6. Que os benefícios que se espera com a pesquisa é o aprimoramento do exercício da preceptoria no
PM/DST/AIDS e HV, despertando interesse dos preceptores para apropriação de informações sobre o que e
como fazer para contribuir no desenvolvimento das competências preconizadas pelas DCN para a formação na
área da saúde.
IV
ESCLARECIMENTOS DADOS PELO PESQUISADOR SOBRE GARANTIAS DO SUJEITO DA
PESQUISA
1.
2.
3.
Sempre que desejar, serão fornecidos esclarecimentos sobre cada uma das etapas do estudo;
A qualquer momento, poderá recusar a continuar participando do estudo e, também, retirar este seu
consentimento, sem que isso lhe traga qualquer penalidade ou prejuízo;
As informações conseguidas através de sua participação não permitirão a identificação da sua pessoa, exceto
aos responsáveis pelo estudo, e a divulgação das mencionadas informações só será feita entre os
profissionais estudiosos do assunto;
70
4.
Deverá ocorrer ressarcimento por qualquer despesa que porventura venha a ter com a participação nesse
estudo e, também, indenização por danos que venha a sofrer pela mesma razão, cabendo a indenização ao
pesquisador.
V
INFORMAÇÕES DE NOMES, ENDEREÇOS E TELEFONES DOS RESPONSÁVEIS PELO
ACOMPANHAMENTO DA PESQUISA PARA CONTATO EM CASO DE NECESSIDADE DE
ESCLARECIMENTOS
Nome: Teresa Cristina Carvalho dos Anjos Telefone: (82) 9999 4419
Endereço: Av. Gustavo Paiva, 4.200. Edf. Sérgio IV aptº 504
Bairro: Mangabeiras
Cidade: Maceió
CEP: 57038-360
Nome: Carlos Henrique Falcão Tavares. Telefone: (82) 9969-0520
Endereço: Rua Claudio Ramos, 431, aptº 103. Edf. Arunachala
Bairro: Ponta Verde Cidade: Maceió/AL CEP 57035-020
Nome: Jerzuí Mendes Tôrres Tomáz. Telefone: (82) 9972-5855
Endereço: Rua Profº Abdon Arroxelas, 478, aptº 1002. Edf. Evidence,
Bairro: Ponta Verde Cidade: Maceió/AL CEP 57035-380
VI CONSENTIMENTO PÓS-ESCLARECIDO
Declaro que, após convenientemente esclarecido pelo pesquisador e ter entendido o que me foi explicado,
consinto em participar do presente Protocolo de Pesquisa sem que para isso tenha sido forçado ou obrigado.
Maceió, __________ de ________________________ de ___________
_____________________________
Assinatura do sujeito de pesquisa
ou responsável legal
____________________________
Assinatura do pesquisador
(carimbo ou nome legível )
71
APÊNDICE D - FORMULÁRIO DE APRESENTAÇÃO DA PESQUISA AO CEP
FORMULÁRIO DE ENCAMINHAMENTO DE PROJETO DE PESQUISA AO CEP
Titulo do Projeto de Pesquisa
Uma Análise do Exercício da Preceptoria no Programa de Prevenção e Controle das Doenças
Sexualmente Transmissíveis, AIDS e Hepatites Virais do Município de Maceió.
Nome do Pesquisador Responsável:
Teresa Cristina Carvalho dos Anjos
Vínculo do pesquisador Responsável
Pesquisador da Instituição
Doutoranda
X Mestranda
Aluno (a) de outros cursos - qual curso: _________________________________________
Nome do (a) orientador a): Carlos Henrique Falcão Tavares
Fonte de dados do pr oj eto (pode pr eencher com um “ x” mais de uma opção)
X Projeto envolvendo seres humanos diretamente
Acesso à base de dados secundários de acesso público irrestrito
Declaro para fins de direito, que todo delineamento foi realizado por mim Pesquisadora Responsável,
Teresa Cristina Carvalho dos Anjos, com orientação do Professor Dr.Carlos Henrique Falcão Tavares.
Todos nós atestamos ciência e concordamos em cumprir as diretrizes preconizadas pela resolução nº
466/2012 e suas complementares durante o desenvolvimento da pesquisa.
Maceió, ________de _____________de______
_________________________________________________
Teresa Cristina Carvalho dos Anjos (Responsável pela pesquisa)
72
APÊNDICE E - PARECER DA UNIDADE DE ORIGEM
DECLARAÇÃO DE ANUÊNCIA e TERMO DE COMPROMISSO
Declaro que conheço e cumprirei os requisitos da Res. CNS nº 466/12 e suas
complementares. Comprometo-me a utilizar os materiais e dados coletados exclusivamente
para os fins previstos no protocolo de pesquisa intitulado
Análise do Exercício da
Preceptoria no Programa de Prevenção e Controle das Doenças Sexualmente Transmissíveis,
AIDS e Hepatites Virais do Município de Maceió
Declaro, ainda, estar ciente da realização da pesquisa acima intitulada nas
dependências da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Alagoas e como esta
instituição tem condições para o desenvolvimento deste projeto, autorizo sua execução.
Local e data........./........./.........
__________________________________________
Carlos Henrique Falcão Tavares
Orientador
73
APÊNDICE F - AUTORIZAÇÃO PARA REALIZAÇÃO DA PESQUISA
CARTA DE AUTORIZAÇÃO
Eu, Sandra Cristina Gomes, Coordenadora do Programa de Prevenção e Controle das
DST/HIV/AIDS e Hepatites Virais da Secretaria Municipal de Saúde de Maceió/AL, declaro
estar informado da metodologia que será desenvolvida na pesquisa Uma Análise do
Exercício da Preceptoria no Programa de Prevenção e Controle das Doenças
Sexualmente Transmissíveis, AIDS e Hepatites Virais do Município de Maceió, que tem
como pesquisadora responsável Teresa Cristina Carvalho dos Anjos.
Ciente de que sua metodologia será desenvolvida conforme a resolução CNS
nº466/2012 e das demais resoluções complementares autorizo a realização da pesquisa neste
programa.
Maceió,_______ de__________de 2014.
______________________________________
Sandra Cristina Gomes
Coordenadora do PM/DST/HIV/AIDS/HV em Maceió.
74
APÊNDICE G - DECLARAÇÃO SOBRE A PUBLICAÇÃO DOS RESULTADOS DO
ESTUDO
Protocolo de pesquisa: Uma Análise do Exercício da Preceptoria no Programa de
Prevenção e Controle das Doenças Sexualmente Transmissíveis, AIDS e Hepatites Virais do
Município de Maceió.
Pesquisadora responsável: Teresa Cristina Carvalho dos Anjos
Os dados obtidos neste estudo serão inicialmente material de áudio, referente às
entrevistas, conforme roteiro de perguntas norteadoras. Estes dados, depois de transcritos e
analisados, serão destruídos. Os dados do estudo em questão serão considerados propriedade
conjunta das partes envolvidas, não devendo ser comunicado a terceiros por uma das partes
sem prévia autorização da outra parte interessada. No entanto, torna-se expresso o
comprometimento em tornar público os resultados da pesquisa, sejam eles favoráveis ou não.
Atenciosamente
________________________________________
Teresa Cristina Carvalho dos Anjos
75
APÊNDICE H - PERGUNTAS NORTEADORAS DA ENTREVISTA
1. O que você entende por preceptoria?
2. Quais funções
atividades você desempenha como preceptor?
3. Tem alguma atividade na preceptoria que você considera que faz a mais? Qual? Como?
Por quê?
4. Tem alguma atividade na preceptoria que você considera que faz a menos? Qual?
Como? Por quê?
5. Que pontos facilitam o exercício da preceptoria?
6. E quais dificultam?
7. O que você sugere para melhorar o exercício da preceptoria?
76
APÊNDICE I - ENDEREÇO DO CURRICULUM LATTES DOS PESQUISADORES
Teresa Cristina Carvalho dos Anjos
http://lattes.cnpq.br/0682892977634306
Carlos Henrique Falcão Tavares
http://lattes.cnpq.br/1002923033043026
Jerzuí Mendes Tôrres Tomáz
http://lattes.cnpq.br/0642903869243215
77
APÊNDICE J - TERMO DE CESSÃO DE DIREITO E USO DE IMAGEM
Eu, ________________________________________, RG nº___________, CPF nº
_____________________, cedo a ___________________________, residente à rua
_____________, CPF nº ______________, RG nº ______________, meus direitos sobre
as imagens cedidas por mim para a produção do vídeo intitulado PROGRAMA
DST/HIV/AIDS E HEPATITES VIRAIS: ESPAÇO DE APRENDIZAGEM, que será
usado como trabalho de conclusão para obtenção do título de mestre, pela Universidade
Federal de Alagoas. Declaro-me titular de todos os direitos de autor sobre o material
audiovisual objeto desta Cessão. Declaro estar ciente de que o material audiovisual poderá
ser utilizado em atividades acadêmicas e de divulgação do serviço de DST/HIV/AIDS e
HV do município de Maceió.
Maceió, ______________________ de 2015.
_____________________________________
Nome e assinatura
78
ANEXO
79
ANEXO A - AUTORIZAÇÃO DO COMITÊ DE ÉTICA NA PESQUISA
UNIVERSIDADE FEDERAL DEALAGOAS
PARECER CONSUBSTANCIADO DO CEP
Pesquisador: Teresa Cristina Carvalho dos Anjos
Título da Pesquisa: Uma análise do exercício da preceptoria no Programa de Prevenção e
Controle das Doenças Sexualmente Transmissíveis, AIDS e Hepatites Virais do Município de
Maceió.
Instituição Proponente: Instituto de Ciências Biológicas e da Saúde
Versão: 1
CAAE: 32613914.1.0000.5013
Área Temática:
DADOS DO PROJETO DE PESQUISA
Número do Parecer: 713.392
Data da Relatoria: 21/07/2014
DADOS DO PARECER
Apresentação do Projeto:
O projeto Uma análise do serviço de preceptoria no Programa de Prevenção e Controle das
Doenças Sexualmente Transmissíveis, AIDS e Hepatites Virais do Município de Maceió se
propõe a realizar uma análise do exercício da preceptoria no programa de Prevenção e
controle das doenças sexualmente transmissíveis, AIDS e Hepatite Virais no Município de
Maceió com vistas a compreender como se efetiva a preceptoria em serviço, qual a
compreensão e contribuição dos profissionais deste programa para a formação profissional no
SUS e para integração ensino serviço.
Objetivo da Pesquisa:
Analisar a preceptoria no PM/DST/HIV/AIDS e HV da Secretaria Municipal de Saúde de
Maceió.
Descrever o entendimento de preceptoria dos profissionais de Saúde entrevistados.
Identificar o que o preceptor valoriza como importante para a aprendizagem em serviço dos
estudantes.
Levantar as sugestões que contribuam para a melhoria da preceptoria e que favoreçam o
diálogo entre instituições de ensino e serviço.
Patrocinador Principal: Financiamento Próprio
80
Os riscos estão previstos e as ações para minimizá-los previstas, os benefícios estão elencados
e são relevantes.
Avaliação dos Riscos e Benefícios:
A pesquisa está bem formulada em suas partes e a metodologia em acordo aos objetivos
propostos.
Comentários e Considerações sobre a Pesquisa:
Os termos obrigatórios estão postados e atendem a resolução 466/12.
Considerações sobre os Termos de apresentação obrigatória:
Recomendações:
A pesquisa atende a resolução 466/12.
Conclusões ou Pendências e Lista de Inadequações:
Aprovado
Situação do Parecer:
Não Necessita Apreciação da CONEP:
Considerações Finais a critério do CEP:
MACEIO, 09 de Julho de 2014
Assinado por: Deise Juliana Francisco (Coordenador)
Endereço: Campus A.C Simões Cidade Universitária
Bairro:Tabuleiro dos MartinsCEP: 57.072-900Telefone:(82) 3214-1041
E-mail: comitedeeticaufal@gmail.com UF: AL Município: MACEIÓ Fax: (82)3214-1700
81
ANEXO B – COMPROVANTE DE SUBMISSÃO DE ARTIGO
