Luzia Maria da Guia Malta Prata - A OFICINA DE HUMANIZAÇÃO COMO POSSIBILIDADE PARA A TRANSFORMAÇÃO DO TRABALHO EM SAÚDE

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                    UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
FACULDADE DE MEDICINA
MESTRADO PROFISSIONAL DO ENSINO NA SAÚDE

LUZIA MARIA DA GUIA MALTA PRATA

A OFICINA DE HUMANIZAÇÃO COMO POSSIBILIDADE PARA A
TRANSFORMAÇÃO DO TRABALHO EM SAÚDE

Maceió – Alagoas,
2018

LUZIA MARIA DA GUIA MALTA PRATA

A OFICINA DE HUMANIZAÇÃO COMO POSSIBILIDADE PARA A
TRANSFORMAÇÃO DO TRABALHO EM SAÚDE

Trabalho acadêmico apresentado à Universidade
Federal de Alagoas, como parte das exigências do
Programa de Pós-graduação em Ensino na Saúde,
para obtenção do título de Mestre em Ensino na
Saúde.
Orientadora: Prof.ª Dr.ª Cristina Camelo de
Azevedo.

Maceió – Alagoas,
2018

Catalogação na fonte
Universidade Federal de Alagoas
Biblioteca Central
Bibliotecário: Marcelino de Carvalho
P912o

Prata, Luzia Maria da Guia Malta.
A oficina de humanização como possibilidade para a transformação do trabalho
em saúde / Luzia Maria da Guia Malta Prata. – 2018.
81f. : il. color.
Orientadora: Cristina Camelo de Azevedo.
Dissertação (Mestrado Profissional em Ensino na Saúde) – Universidade
Federal de Alagoas. Faculdade de Medicina. Programa de Pós-Graduação em
Ensino na Saúde. Maceió, 2018.
Bibliografia: 50-52.
Apêndices: f. 53-61.
Anexos: f. 62-81.
1. Humanização dos serviços de saúde. 2. Grupos de trabalho.
3. Pessoal de saúde. I. Título.
CDU:616-051

DEDICATÓRIA

Dedico este trabalho a Deus, que me deu o dom
da vida e nunca me desamparou. Aos meus pais
Ismael e Acácia (in memoriam), por terem
estimulado em mim a vontade de aprender,
ofertando-me, dentro de suas possibilidades, o
que havia de melhor emeducação.

AGRADECIMENTOS
S
A conquista de um sonho nunca é solitária; é sempre coletiva, e cada pessoa tem uma
importância fundamental para esta conquista.
Quero iniciar agradecendo a Deus, por ter me permitido chegar até aqui e vencer todas as
dificuldades do percurso, as quais não foram poucas.
A minha família, representada por meu esposo e filhos, pela compreensão nos momentos em
que precisei, tantas vezes, abrir mão do nosso convívio para dedicar-me à pesquisa, e pelo
incentivo nas horas em que esmoreci pelo cansaço.
Aos meus pais e aos irmãos Luís Carlos e Israel (in memoriam), bem como a minha amada
irmã Martha, que sempre me incentivaram e me impulsionaram a encontrar, na educação, a
mola propulsora para transformar nossas vidas, além de serem, desde a minha tenra idade,
exemplos a serem seguidos de pessoas de bem e do bem, honestas, trabalhadoras, guerreiras,
sem comprometer o aconchego familiar.
Meu caminhar, nesse Mestrado, teve incentivadores importantes: lá atrás, onde não acreditava
ser possível, que me abriram o caminho e apostaram em mim, a quem chamo de amigos
queridos, aqui representados pelos Professores Doutores: Jefferson Bernardes, Sérgio Aragaki
e Cristina Camelo, a minha eterna gratidão.
À minha professora, orientadora e amiga Cristina Camelo. Agradeço por todo carinho,
paciência e aprendizado que me ofertou. Como aprendi com você!... Tê-la como orientadora
foi um presente de Deus.
Não poderia deixar de citar os amigos do trabalho e ressaltar o seu apoio nas ausências, nos
períodos em que precisei me afastar para me dedicar à pesquisa. Aqui, cito com carinho:
Robson da Silva, Patrícia Bezerra, Poliana Paulino, bem como a toda equipe do Setor de
Humanização da Saúde e do NASF Cajueiro, nosso carinho.
Nesse universo de agradecimentos, não poderia deixar de citar como foi importante o
exercício da preceptoria e cada estagiária que pude contribuir para sua formação. Todas, sem
dúvida, deixaram em mim muito aprendizado e alegria; mas hoje quero agradecer em especial
a Camila Buarque por toda amizade e carinho a mim ofertado, inclusive, no apoio e na coleta
de informações destapesquisa.
Durante o Mestrado, novos laços afetivos foram estabelecidos, e nossa turma MPES 2016 foi
e é muito especial e, por isso, fez a grande diferença. Somos muito parceiras/os, unidas/os e
solidárias/os entre nós e levarei cada um/a de vocês para sempre em meucoração.

No entanto, temos aquelas pessoas que terminamos por nos aproximar mais no dia-a-dia do
curso, o nosso grupo de “Carona Solidária”, o qual se tornou muito importante no meu
caminhar, pelo apoio, troca, incentivo nos momentos difíceis do percurso, que foi composto
por: Ana Neri Rocha, Moema Reis, Cícera Trindade e Giulliana Mafra, carinhosamente
denominadas de amigas-irmãs.
Formou-se, também, o grupo das “Curicas” em alusão à novela que tinha um grupo de
empregadas domésticas que, durante o dia trabalhavam e à noite eram cantoras: assim éramos
nós, as 04 empreguetes, que ralavam noite e dia e ainda tinham o Mestrado para dar conta,
aqui representadas por: Tathyanna Toledo, Elisangela Lira, Ana Neri Rocha e eu. Mas nossos
laços também tinham a ala masculina; tínhamos também o nosso “NERD favorito”, João
Tenório, com toda sua elegância, presteza e solidariedade, que encantava a todas nós. Como
também nosso “maestro fantástico”, o super divertido Rodrigo Teixeira. Nossa enfermeira
buchudinha no final do curso, Regina Braga, e todos os outros igualmente importantes e
queridos, aos quais desejo imensamente que os nossos laços estabelecidos seeternizem.
Sei que essa vitória envolve muitas outras pessoas que facilitaram, apoiaram e, de alguma
forma, se fizeram presentes nessa caminhada. Não tenho aqui como elencar todas; mas sou
grata a cada uma delas, pois esse sonho que virou realidade foi acalentado há muitos anos.
A todas/os, minha gratidão.

LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

CLT

Consolidação das Leis Trabalhistas

CTH

Câmara Técnica de Humanização

EBSERH

Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares

FAMED

Faculdade de Medicina

GDES

Gestão de Desenvolvimento e Educação em Saúde

GEVP

Gerência Executiva de Valorização de Pessoas

GTH

Grupo de Trabalho de Humanização

HEDH

Hospital de Emergência Dr. Daniel Houly

HUPAA

Hospital Universitário Prof. Alberto Antunes

MPES

Mestrado Profissional em Ensino na Saúde

MS

Ministério da Saúde

PNH

Política Nacional de Humanização

PNHAGS

Política Nacional de Humanização da Atenção e Gestão do SUS

PNEPS

Política Nacional de Educação Permanente em Saúde

PNHAH

Programa Nacional de Humanização da Atenção Hospitalar

RJU

Regime Jurídico da União

SESAU

Secretaria de Estado da Saúde

SHS

Setor de Humanização da Saúde

SUS

Sistema Único de Saúde

UFAL

Universidade Federal de Alagoas

UNCISAL

Universidade Estadual das Ciências da Saúde de Alagoas

TI

Transcrição Integral

RESUMO GERAL

Este Trabalho Acadêmico de Conclusão de Curso (TACC) do Mestrado Profissional em Ensino na
Saúde (MPES), da Faculdade de Medicina (FAMED) da Universidade Federal de Alagoas
(UFAL), abrange documentos gerados basicamente a partir de uma pesquisa que se originou após
a realização de uma Oficina de Humanização das Práticas de Saúde, entre o período de
setembro/2016 e janeiro/2017. Essa Oficina teve como objetivo formar profissionais de saúde
para exercerem a função de apoiadores da Política Nacional de Humanização em um hospital
universitário da região nordeste do Brasil. Em seguida, buscou- se a implantação de um Grupo de
Trabalho de Humanização, com vistas a promover sustentabilidade às ações de humanização do
referido hospital. Os documentos centrais deste TACC são: um artigo científico a ser ainda
submetido à revista com nível qualis correspondente ao exigido pelo MPES, que descreve com
detalhes os desdobramentos de uma pesquisa efetuada e seus resultados; e um produto de
intervenção definido por um relatório técnico resultante da discussão da pesquisa realizada, que
envolveu representantes e residentes vinculados à instituição onde a mesma foi realizada. No
capítulo que traz o artigo, a pesquisadora mostrou que, pelo fato de encontrar-se, à época, em
processo inicial do Mestrado Profissional em Ensino na Saúde, sentiu-se instigada a conhecer as
possíveis alterações ocorridas nas práticas dos profissionais atribuídas àquela Oficina, a partir de
pesquisa qualitativa de caráter descritivo e exploratório, cujo aporte teórico-metodológico
escolhido foi o das Práticas Discursivas e Produção de Sentidos de Mary Jane Spink (2000). Das
dezessete pessoas que concluíram a Oficina de Humanização, 13 tiveram disponibilidade de
participar deste estudo, representados pelas seguintes categorias profissionais: três assistentes
sociais, um terapeuta ocupacional, um psicólogo, um cirurgião-dentista, duas enfermeiras e cinco
residentes da Residência Multiprofissional da UFAL (duas da Psicologia, duas do Serviço Social e
um da Farmácia). A técnica utilizada para coprodução de informações foi a Roda de Conversa, e
as informações coproduzidas, após terem sido transcritas integralmente, possibilitaram a produção
de mapa dialógico, a partir de 04 categorias: comissão de humanização – espaço de diálogo
institucionalizado; conhecimento sobre a Política Nacional de Humanização (PNH); apoio da
gestão – fator determinante para fortalecimento da PNH; polissemia sobre Humanização. Nos
resultados e discussões, evidenciou-se a importância de se ter instituído, no hospital, um espaço
de discussões que pudesse agregar todos os atores envolvidos no serviço, gestores, trabalhadores e
usuários, assim como a necessidade do grupo de conhecer a legislação sobre a PNH como
estratégia de respaldar suas práticas laborais. Mereceu destaque especial o apoio da gestão como
fator determinante para fortalecimento da PNH, orientando as práticas no hospital. Por fim, tratouse da polissemia sobre Humanização, a necessidade de compreender o que são ações da PNH e o
que são ações humanitárias. Vale destacar, nas considerações finais do artigo que, apesar de os
avanços ocorridos a partir da realização da Oficina de Humanização, estes ainda não foram
suficientes para que a PNH passasse a orientar as práticas de saúde no hospital, sendo necessários,
portanto, um maior investimento e vontade política da gestão do HUPAA. O capítulo que discorre
sobre o Produto traz o Relatório Técnico produzido a partir da apresentação da pesquisa para
representantes da instituição, em que foi realizada, incluindo os profissionais que participaram da
pesquisa. Nessa apresentação, pretendeu-se, além de divulgar os resultados da pesquisa, promover
reflexões sobre os temas debatidos, bem como realçar que uma das principais estratégias de
enfrentamento para superação das dificuldades de se implementar a PNH nas instituições e
organizações da área de saúde é ampliar os espaços de gestão participativa, incluindo atoreschave nas discussões, a fim de fortalecer o coletivo. As demais partes que compõem o são: a
Apresentação, que explicita a trajetória profissional da pesquisadora, as razões de seu interesse
pela PNH e, consequentemente, pela pesquisa e produto que desenvolveu durante o Mestrado; as
Considerações Finais, que evidenciam a fragmentação do cuidado, refletindo o modo como a
organização dos serviços se desenvolve de forma isolada, salientando, ainda, a necessidade de se

trabalhar a integração entre o ensino-serviço; o Apêndice que consta o mapa dialógico da
pesquisa; por fim, o Anexo, que contém: o Parecer consubstanciado do Comitê de Ética em
Pesquisa da UFAL, a lista de participantes presentes na Reunião Ampliada para apresentação dos
resultados da pesquisa, a apresentação em power point dos resultados da pesquisa e, por fim, o
registro fotográfico da reunião ampliada.
Palavras-chave: Humanização. Grupo de Trabalho de Humanização. Política Nacional de
Humanização.

GENERAL ABSTRACT

This Academic Graduate Final Coursework (TACC) of the Professional Master's in Health
Education (MPES) of the Faculty of Medicine of the Federal University of Alagoas (UFAL)
comprises documents generated basically from a research originated after the accomplishment
of a Humanization of Health Practices Workshop between September 2016 and January 2017,
whose objective was to train health professionals to act as supporters of the National
Humanization Policy in a universitary hospital in the northeastern region of Brazil, and then
to establish a Humanization Working Group, with a view to promoting sustainability to the
humanization actions of the referred hospital. The core documents of this Coursework are: a
scientific paper still to be submitted to the journal with the corresponding level required by
theMPES, which describes in detail the results of a research and its results; and an intervention
product that includes a technical report resulting from the discussion of the survey, which
involved representatives and residents linked to the institution where the research was
conducted. In the chapter that brings the article, the researcher showed that, because she was,
at the time, in the initial process of the Professional Master's in Health Education, she was
instigated to know the possible changes occurred in the practices of the professionals assigned
to that workshop, from a qualitative research of descriptive and exploratory feature, whose
chosen theoretical-methodological contribution was the Discursive Practices and Production
of Meanings by Mary Jane Spink. Of the seventeen subjects who completed the Humanization
Workshop, 13 were willing to participate in this study, represented by the following
professional categories: three social workers, one occupational therapist, one psychologist,
one dental surgeon, two nurses and five residents of the Multiprofessional Residency of UFAL
(two from Psychology, two from Social Work and one from Pharmacy). Of this amount, 12
were females and only 01 male. The technique used for coproduction of information was The
Conversation Wheel, and the information coproduced, after being fully transcribed, enabled
the production of a dialogical map, in which four categories were distinguished: humanization
commission - space for institutionalized dialogue; knowledge of HNP legislation;
management support as a determining factor for the strengthening of HNP and; polysemy on
the concept of Humanization. In the results and discussions, it was evidenced the importance
of having established in the hospital a space of discussions that could assemble all the actors
involved in the service, managers, workers and users, as well as the group's necessity to know
about the HNP legislation as a strategy to support their work practices. Special attention was
paid to management support as a determining factor for the strengthening of HNP, guiding
practices in the hospital. And finally, it was talked about the polysemy of the concept of
humanization, the need to understand what the actions of the HNP are and what humanitarian
actions are. It is worth mentioning, in the final considerations of the paper, that despite the
progress made since the Humanization Workshop, these were still not enough for the HNP to
orient health practices in the hospital, thus requiring greater investment and political will of
the management of the hospital in this regard. The chapter that discusses the Product
comprises the Technical Report produced from the presentation of the research for
representatives of the institution in which it was carried out, which also included the
professionals who participated in the research, where it was intended, besides presenting the
results of the research, promote reflections on the themes discussed and highlight that one of
the main coping strategies to overcome the difficulties of implementing HNP in health
institutions and organizations is to broaden the spaces for participatory management,
including key actors in the discussions andstrengthen

the collective. The other documents that make up the Coursework are: a) the Presentation,
which explains the professional trajectory of the researcher, the reasons for her interest in the
National Humanization Policy and, consequently, the research and product she developed
during the master's degree; the Final Considerations point to the fragmentation of care,
reflecting the way in which the organization of services develops in an isolated way, also
stressing the need to work on the integration between teaching and service, the appendix that
includes the dialogical map of the research; and finally, the Annex, which contains: the UFAL
Research Ethics Committee's report, the list of participants present at the Extended Meeting to
present the results of the research, the power point presentation of the research results and,
finally, the photographic record of the enlarged meeting
Keywords: Humanization. Humanization Working Group. National Humanization Policy.

SUMÁRIO

1

APRESENTAÇÃO ................................................................................................. 11

2

ARTIGO ................................................................................................................. 14

2.1

Introdução .............................................................................................................. 16

2.1.1

Política Nacional de Humanização em Alagoas ........................................................ 18

2.1.2

Oficina de Humanização como instrumento de formação e intervenção .................... 19

2.2

Percurso Metodológico ........................................................................................... 21

2.2.1

Sujeitos da pesquisa.................................................................................................. 22

2.2.2

Coprodução de informações ..................................................................................... 22

2.2.3

Análise das informações ........................................................................................... 23

2.3

Resultados e discussão ............................................................................................ 24

2.3.1

Comissão de Humanização: espaço de diálogo institucionalizado ............................. 24

2.3.2

Conhecimento sobre a PNH ...................................................................................... 27

2.3.3

Apoio da gestão: fator determinante para fortalecimento da PNH ............................. 29

2.3.4

Polissemia sobre Humanização ................................................................................. 31

2.4

Considerações Finais .............................................................................................. 33
REFERÊNCIAS ..................................................................................................... 35

3

PRODUTO DE INTERVENÇÃO ......................................................................... 37

3.1

Introdução .............................................................................................................. 37

3.2

Objetivos ................................................................................................................. 38

3.3

Desenvolvimento ..................................................................................................... 38

3.4

Discussão e Análise ................................................................................................. 40

3.5

Considerações Finais .............................................................................................. 43
REFERÊNCIAS ..................................................................................................... 44

4

CONSIDERAÇÕES FINAIS DO TACC............................................................... 45
REFERÊNCIAS GERAIS ..................................................................................... 47
APÊNDICE ............................................................................................................. 49
ANEXOS ................................................................................................................. 58

11

1 APRESENTAÇÃO

Assistente Social de formação ingressei no Sistema Único de Saúde (SUS) em meados
de 2004, através de concurso público das Prefeituras Municipais de Pilar e Cajueiro, em
Alagoas. Nesses 14 anos de trabalho, por vezes ocupei cargos de gestão e de assistência
desenvolvidas na atenção primária, na área hospitalar e na área de saúde mental, esta última
sendo no Centro de Atenção Psicossocial (CAPS).
Na minha trajetória profissional, a paixão pela saúde pública se evidenciou, pois
sempre acreditei que poderíamos oferecer uma assistência em saúde de qualidade, eficiente e
com garantia de direitos. Contudo, essa não foi a realidade com que me deparei no cotidiano
dessa minha prática. Essa maneira de vivenciar a realidade, por vezes, gerava empatia nos
colegas, como também o estranhamento naqueles que estavam confortáveis com as
fragilidades da gestão do SUS.
No início da década de 2010, quando ingressei na Secretaria de Estado da Saúde de
Alagoas (SESAU-AL), uma das minhas principais ações profissionais diz respeito à
divulgação e realização de ações que consolidem a Política Nacional de Humanização da
Atenção e Gestão do SUS no Estado de Alagoas. Naquela época, fui lotada na Gerência de
Desenvolvimento e da Educação em Saúde (GDES), além de ter sido designada para auxiliar
a Coordenadora Estadual da Política Nacional de Humanização.
Durante toda essa década, tive a oportunidade de me aproximar da PNH, conhecer seu
arranjo organizacional em âmbito nacional e estadual, bem como vivenciar experiências em
coletivos. Como exemplo, cito a Câmara Técnica de Humanização (CTH), importante
dispositivo da diretriz Gestão Participativa da PNH, que era conduzido, à época, pela
Coordenação Estadual da PNH.
Convém registrar que, em Alagoas, a Coordenação Estadual da Política Nacional de
Humanização localiza-se na Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas (SESAU-AL). Mais
precisamente, na Gerência Executiva de Valorização de Pessoas (GVEP), na área de Gestão
de Desenvolvimento e Educação em Saúde (GDES), como uma atribuição do Setor de
Humanização da Saúde (SHS).
A PNH provocou mudanças significativas na minha forma de ver o mundo e de
perceber a realidade, a partir de vários prismas e lugares, bem como buscar soluções coletivas
para os desafios diários que enfrentamos na vida. Trata-se de uma Política que convoca a nos
imbricarmos nos processos, de forma corresponsável, com os desafios das questões diárias

12

que nos atravessam em todos os aspectos da vida, seja profissional ou pessoal. Como afirma
Santos-Filho:
Os conceitos estruturantes da PNH (BRASIL, 2008) articulam-se visando a
reorganização dos processos de trabalho em saúde, propondo essencialmente
transformações nas relações sociais que envolvem usuários, trabalhadores e gestores
em sua experiência cotidiana de interação, organização e condições de serviços –
transformações nas formas de produzir e prestar serviços (2009, p. 55).

Em 2011, assumi a referida Coordenação e a conduzo até os dias atuais. Essa função
tem como uma de suas principais atribuições a capilarização e o fomento da PNH nos serviços
de saúde do Estado, independente da esfera de governo. Nesses sete anos, pude acompanhar e
contribuir para o avanço dessa política em vários serviços de saúde, nos âmbitos municipal e
estadual.
Em meados de 2016, fomos procuradas pela responsável do setor de Gestão das Linhas
de Cuidado do Hospital Universitário Professor Alberto Antunes (HUPAA), que buscava
estabelecer uma parceria com a SESAU, para realizar um trabalho na área da humanização
junto à recepção desse mesmo Hospital. No entanto, ao aprofundarmos a discussão sobre o
desenvolvimento desse trabalho, percebemos que a proposta inicial de uma Oficina com a área
da recepção não surtiria o efeito desejado, pois o HUPAA não possuía Setor ou Apoiadores da
PNH, que pudessem dar sustentabilidade às demandas que viriam a partir dessa Oficina. E isso
poderia resultar em um investimentoestéril.
Diante dessa realidade, sugerimos uma ação mais ampla, que consistia na realização
de uma Oficina, onde se propusesse formar um grupo de profissionais do Hospital, para
exercerem a função de Apoiadores da PNH. Esse processo se encaminharia, posteriormente,
para a constituição de um Grupo de Trabalho de Humanização (GTH) nesse mesmo Hospital,
no intuito de dar sustentabilidade às ações de humanização dentro daquela unidade assistencial.
A Oficina ocorreu no período de outubro de 2016 a janeiro de 2017, a qual teve a carga
horária de 40 horas e sua programação voltou-se para apresentar a PNH como política pública
do SUS. Além disso, foram discutidos os seus princípios, métodos e as seguintes diretrizes: a
cogestão, o acolhimento, a clínica ampliada e os direitos dos usuários e, por fim,o dispositivo
denominado Grupo de Trabalho de Humanização(GTH).
A Oficina de Humanização apresentou-se como um desafio, visto que a sua proposta
era de formar Apoiadores da PNH, a fim de intervirem naquela unidade hospitalar, analisando e
refletindo sobre o modo de gerir e de cuidar dos processos de trabalho e das relações intra e
intergrupos. Em 2017, ao término desse trabalho e já cursando o Mestrado Profissional em

13

Ensino na Saúde da mesma Universidade fiquei instigada a investigar se, de fato, a atividade
realizada promoveu mudanças nas práticas profissionais daqueles que dela participaram.
Decidi, então, realizar ali minha pesquisa de Mestrado intitulada: “A Oficina de
Humanização como possibilidade de transformação do trabalho em saúde”, por ser o HUPAA
lugar em que se realiza a prática hospitalar dos profissionais de saúde. Além disso, trata-se de
um espaço de formação dos futuros profissionais que, em breve, exercerão suas atividades nos
diversos espaços de saúde, a exemplo dos Residentes da Residência Multiprofissional da
UFAL, que foram de grande relevância para nosso projeto, pelo fato de essa pesquisa envolver
diretamente o trinômioensino-serviço-comunidade.
Este Trabalho Acadêmico de Conclusão de Curso (TACC) está estruturado pelas
seguintes partes: Artigo, Produto de Intervenção, Considerações Finais, Referências Gerais,
Apêndice e Anexos.
O Artigo Científico versará sobre a pesquisa realizada e será submetido à publicação em
revista específica, a qual esteja alinhada com as especificidades do tema.
O Produto de Intervenção consiste no relatório técnico produzido sobre o encontro que
objetivou a apresentação da pesquisa ao HUPAA, às gerências do hospital, aos membros da
Comissão de Humanização e à Residência Multiprofissional em Saúde.
As considerações finais deste trabalho acadêmico contêm o relato sobre como foram
as experiências vivenciadas no Mestrado, o que a Pesquisa e o Artigo mostraram, quais as
contribuições que este trabalho pôde apresentar para o serviço e os limites identificados. As
Referências Gerais contêm: as referências bibliográficas do TACC, seguido das referências do
artigo científico e, por fim, as referências do produto deintervenção.
O Apêndice contém a produção elaborada pela pesquisadora, durante a construção do
TACC, qual seja o instrumento de análise das informações denominado mapa dialógico.
Por fim, o Anexo traz o Parecer consubstanciado do Comitê de Ética de Pesquisa da
Universidade Federal de Alagoas, autorizando a realização da Pesquisa em lide, a lista de
participantes presentes na Reunião Ampliada para apresentação dos resultados da pesquisa, a
apresentação em power point dos resultados da pesquisa e, por fim, o registro fotográfico da
reunião ampliada.

14

2 ARTIGO

TÍTULO: A Oficina de Humanização como possibilidade para transformação do trabalho
em saúde.
RESUMO
A pesquisa de que trata esse trabalho foi realizada no Hospital Universitário Prof. Alberto Antunes
da Universidade Federal de Alagoas, mais precisamente com um grupo de profissionais de saúde,
que participou de uma Oficina de Humanização das práticas de saúde. Esta visou difundir e
ampliar as ações de humanização no referido Hospital, buscando encontrar, na Política Nacional
de Humanização, conhecimentos que pudessem modificar as práticas endurecidas e verticalizadas
predominantes numa instituição pública hospitalar, que é também docente e assistencial. O estudo
utilizou o aporte teórico das Práticas Discursivas e Produção de Sentidos de Mary Jane Spink
(2000), e teve como objetivo principal analisar as possíveis alterações ocorridas nas práticas de
treze dos dezessete profissionais que participaram da referida Oficina de Humanização. Utilizouse a técnica da Roda de Conversa. As informações produzidas, após terem sido transcritas
integralmente, possibilitaram a produção de mapa dialógico, através do qual se pôde observar
como, quando e o que as pessoas falavam sobre a experiência da oficina e de suas práticas de
trabalho, permitindo visibilizar e dando destaque a quatro temas-foco presentes na interação
dialógica proporcionada pela Roda de Conversa. Os temas-foco foram: Comissão de
Humanização – espaço de diálogo institucionalizado; necessidade de conhecimento sobre a PNH;
o apoio da gestão – fator determinante para fortalecimento da PNH; a polissemia sobre
Humanização. Nos resultados e discussões, ressaltou-se que os participantes expressaram que é
importante ter um espaço institucional para discussão de processos de trabalho, no qual as pessoas
efetuem trocas de conhecimentos, empoderando-se, assim, do seu próprio trabalho, e reflitam
sobre como estão produzindo saúde. Destacou-se, ainda, o quão importante é se ter conhecimento
sobre as normas, políticas e regulações que denotem a importância de se trabalhar a Humanização,
não como festas ou eventos socializadores no cerne das instituições; mas como práticas
constitutivas de avanços e melhorias dos processos de trabalho, que também incluem a
valorização dos sujeitos, ampliação do compromisso profissional e melhoria dos cuidados em
saúde. Nas Considerações Finais, constatou-se que houve avanços no fortalecimento da PNH
nesse Hospital, haja vista a implantação nele da Comissão de Humanização, espaço
institucionalizado pela gestão para discussão dos processos de trabalho, com reuniões regulares e
definidas em cronograma difundido aos profissionais de saúde, gestão e usuários. Entretanto,
ainda serão necessários investimentos da gestão para que a PNH venha a orientar as práticas de
saúde naquela unidade hospitalar.

Palavras-chave: Integração docente assistencial. Humanização hospitalar. Política Nacional de
Humanização.

15

ABSTRACT
The research that this paper deals with was carried out at the University Hospital Professor
Alberto Antunes, more precisely with a group of health professionals who participated in a
Humanization Workshop, with a view to disseminating and expanding the humanization
practices in the hospital, seeking to find in the National Humanization Policy, knowledge that
could modify, dialogically, the hardened and verticalized practices prevalent in a public
hospital institution, which is also teaching and assistentialist. The study uses the theoretical
contribution of Discursive Practices and Production of Meanings by Spink, and its main
objective was to analyze the possible changes that occurred in the practices of thirteen of the
seventeen professionals who participated in the aforementioned Humanization Workshop. The
technique utilized was The Conversation Circle, and the information produced, after being fully
transcribed, made possible the production of a dialogical map, through which could be possible
to observe what people said, how and when they talked about the experience of the workshop
and their work practices, allowing the visualization and development of four themes-focus,
present in the dialogical interaction provided by The Conversation Wheel. The themes-focus
were: humanization commission - space for institutionalized dialogue; need for awareness about
HNP; management support - a determining factor for the strengthening of HNP and; the
polysemy on humanization. In the results and discussions, we could emphasize that the
participants expressed the importance to have an institutional space for discussion about the
work processes, where people can share knowledge, thus empowering themselves with their
work and reflect on how they are producing health. It was also highlighted how important it is
to be aware of norms, policies and regulations that denote the importance of working the
humanization, not as socializing parties or events at the core of institutions, but as practices
constituting advances and improvements in working processes, which also include the valuation
of the subjects, expansion of professional commitment and improvement of health care.
Keywords: Teacher assistance integration. Hospital humanization. National Humanization
Policy.

16

2.1 Introdução

O presente Artigo tem por finalidade apresentar os resultados encontrados na pesquisa
realizada no Hospital Universitário Prof. Alberto Antunes (HUPAA) da Universidade Federal
de Alagoas (UFAL), através da Roda de Conversa, onde pretendeu conhecer as possíveis
alterações nas práticas laborais dos profissionais de saúde, que participaram da Oficina de
Humanização das práticas de saúde, fundamentada na Política Nacional de Humanização
(PNH).
Entre os anos de 1999 e 2002, além do Programa Nacional de Humanização da Atenção
Hospitalar (PNHAH), algumas outras ações e programas foram propostos pelo
Ministério da Saúde, todos voltados para o que também foi-se definindo como campo
da “humanização”. Destacamos a instauração: do Procedimento da Carta ao Usuário
(1999), Programa Nacional de Avaliação dos Serviços Hospitalares (PNASH, 1999),
Programa de Acreditação Hospitalar (2001), Programa Centros Colaboradores para a
Qualidade e Assistência Hospitalar (2000), Programa de Modernização Gerencial dos
Grandes Estabelecimentos de Saúde (1999), Programa de Humanização no Pré-Natal e
Nascimento (2000), Norma de Atenção Humanizada de Recém-Nascido de Baixo Peso
– Método Canguru (2000), dentre outros. Ainda que a palavra “humanização” não
apareça em todos os programas e ações e que haja diferentes intenções e focos entre
eles, podemos acompanhar a relação que se vai estabelecendo entre humanização e
qualidade na atenção-satisfação do usuário. Os resultados dessas ações disparadas pelo
PNHAH foram importantes, visto que impactaram na qualidade da assistência ofertada,
no modo de fazer saúde e, consequentemente, na satisfação dos usuários e trabalhadores
(BENEVIDES; PASSOS, 2008, p. 246).

Segundo Passos e Pasche (2008), essas experiências positivas, que foram chamadas de
“SUS que dá certo”, motivaram o Ministério da Saúde a investir na humanização, antes consistia
num Programa de ações refrerentes a atenção Hospitalar, agora, como Política Nacional da
Atenção e Gestão do SUS.
Em 2003, o Ministério da Saúde institui oficialmente a Política Nacional de
Humanização da Atenção e Gestão do SUS como uma política, que nasce com a seguinte
estrutura: princípios, método, diretrizes e dispositivos. Embora a PNH passe a ser uma política
de saúde do SUS, há uma polissemia sobre Humanização. Por essa razão, trouxemos alguns
autores que representam a proposta da PNH. Dentre eles, podemos destacar Campos (2005),
que traz:
A humanização é uma mudança das estruturas, da forma de trabalhar e também das
pessoas. A humanização da clínica e da saúde pública depende de uma reforma da
tradição médica e epistemológica. Uma reforma que consiga combinar a objetivação
científica do processo saúde/doença/intervenção com novos modos de operar,
decorrentes da incorporação do sujeito e da sua história, desde o momento do
diagnóstico até o da intervenção. O trabalho em saúde se humaniza quando busca
combinar a defesa de uma vida mais longa com a construção de novos padrões de
qualidade de vida para sujeitos concretos (p.399).

17

Campos (2005) ressalta que a humanização requer uma mudança nos modos de operar
e produzir saúde, passando pela necessidade de se incluir o sujeito nos processos decisórios,
durante todo o período de seu tratamento de saúde.
Para Benevides e Passos (2008),
A “humanização” enquanto política pública de saúde vem-se afirmando na atualidade
como criação de espaços/tempos que alterem as formas de produzir saúde, tomando
como princípios o aumento do grau de comunicação entre sujeitos e equipes
(transversalidade), assim como a inseparabilidade entre a atenção e a gestão. Este
movimento se faz com sujeitos que possam exercer sua autonomia de modo acolhedor,
corresponsável resolutivo e de gestão compartilhada dos processos de trabalho (p.247).

Benevides e Passos (2005) destacam, como diferencial, que a humanização tem criado
espaços de diálogo, viabilizando encontros entre sujeitos que refletem sobre os modos de
produzir saúde, a partir dos princípios que norteiam a PNH, qualificando a assistência e
mudando suas práticas.
Deslandes (2004 apud BENEVIDES; PASSOS, 2008) traz a compreensão de que,
Podemos dizer que se trata de uma estratégia de interferência no processo de produção
de saúde, através do investimento em um novo tipo de interação entre sujeitos,
qualificando vínculos inter profissionais e destes com os usuários do sistema,
sustentando a construção de novos dispositivos institucionais nessa lógica (p.247).

Deslandes (2004) ratifica a compreensão de que a PNH é uma interferência nesse modo
de produzir saúde e referencia as relações entre sujeitos como diferencial que darão um novo
norte à assistência ofertada.
A nova política surge com uma estrutura composta por: princípios, método, diretrizes e
dispositivos que articulados buscam qualificar o SUS através de uma proposta de construção
coletiva, corresponsabilização dos entes federativos e dando destaque ao protagonismo dos
sujeitos,
A PNH se pauta em três princípios: indissociabilidade entre a atenção e a gestão dos
processos de produção de saúde, transversalidade e autonomia e protagonismo dos
sujeitos. Além disso, está em constante atualização, em busca de coerência com os
princípios do SUS, sendo uma política institucional construída coletivamente,
envolvendo não só o governo federal, mas as instâncias estaduais e municipais. Para se
efetivar a humanização, segundo essa política, é fundamental que os sujeitos
participantes dos processos em saúde se reconheçam como protagonistas e
corresponsáveis de suas práticas, buscando garantir a universalidade do acesso, a
integralidade do cuidado e a equidade das ofertas em saúde (FIOCRUZ, 2018, n.p.).

A PNH aposta na dimensão ético-estético-política como estratégia de qualificar a assisitência
à saúde e a gestão do SUS,
A Humanização, enquanto conjunto de estratégias para alcançar a qualificação da
atenção e da gestão em saúde no SUS, estabelece-se, portanto, como a
construção/ativação de atitudes ético-estético-políticas em sintonia com um projeto de
corresponsabilidade e qualificação dos vínculos inter profissionais, como também entre
estes e os usuários, na produção de saúde. Éticas porque há defesa da vida como eixo de
suas ações. Estéticas porque estão voltadas para a invenção das normas que regulam a

18
vida, para os processos de criação que constituem o mais específico do homem em
relação aos demais seres vivos. Políticas porque é na polis, na relação entre os homens,
que as relações sociais e de poder se operam (BRASIL, 2004, p. 08).

Como método, a PNH preconiza o da tríplice inclusão dos sujeitos, dos analisadores
sociais e dos coletivos ou movimentos sociais (BRASIL, 2010a). Mas é por intermédio de suas
diretrizes e dispositivos que a humanização se efetiva nos cenários de prática de diversos
serviços de saúde. Sendo assim, a seguir, destacaremos algumas diretrizes e dispositivos
associados: acolhimento – classificação de risco; gestão participativa – grupo de trabalho de
humanização; direito dos usuários – visita aberta e direito ao acompanhante.

2.1.1 Política Nacional de Humanização em Alagoas

Faz-se necessário destacar brevemente o percurso da PNH em Alagoas, que se iniciou
em 2008 com a realização de duas oficinas de humanização, ambas promovidas pela Secretaria
de Estado da Saúde de Alagoas (SESAU-AL), nas quais foram capacitados quarenta
profissionais de saúde. Esses profissionais, por sua vez, implantaram o primeiro coletivo de
humanização do Estado, a Câmara Técnica de Humanização (CTH), em novembro de 2009, que
perdura até os dias atuais. A CTH é um dispositivo ligado à diretriz gestão participativa e tem a
finalidade de discutir os processos de trabalho e os modos de gerir e de cuidar dos serviços de
saúde do Estado, de forma democrática e inclusiva.
Em Alagoas, diferentemente do que ocorre em outras capitais brasileiras, a
denominação da política de humanização é mantida como nacional, sendo desenvolvida por
uma coordenação estadual situada na SESAU-AL. Ligada, mais precisamente, à Gerência da
Valorização das Pessoas (GEVP), na área de Desenvolvimento e Educação em Saúde, alocada
no Setor de Humanização da Saúde. Essa coordenação tem como objetivo o fomento e
capilarização da PNH em todo o Estado, nos seus diversos serviços de saúde. Uma das
estratégias utilizadas para alcançar esse objetivo é a oferta de cursos e oficinas de formação,
utilizando o método da Roda de Conversa. Isso tornou possível capacitar profissionais de saúde
para exercerem a função de apoiadores da PNH e, assim, dispararem e sustentarem ações de
humanização nos diversos serviços de saúde.
Como explicitam Moura e Lima (2014):
As Rodas de Conversa consistem em um método de participação coletiva de debate acerca
de determinada temática, em que é possível dialogar com os sujeitos, que se expressam e
escutam seus pares e a si mesmos por meio do exercício reflexivo. Um dos seus objetivos é
de socializar saberes e implementar a troca de experiências, de conversas, de divulgação e
de conhecimentos entre os envolvidos, na perspectiva de construir e reconstruir novos
conhecimentos sobre a temática proposta (p. 101).

19

Durante o período de 2011 a 2015, houve um maior aquecimento da PNH no Estado,
que foi potencializado por ações de humanização disparadas nos diversos serviços de saúde.
Esse movimento aconteceu por meio da realização de: Rodas de Conversa sobre as diretrizes e
dispositivos da PNH, cursos de atualização, seminários, além da implantação de coletivos de
apoiadores na SESAU, UNCISAL e no município de Maceió, como formas de agregar e apoiar
esses profissionais. Ao longo desse período, Alagoas capacitou cento e cinquenta e três
profissionais de saúde para exercerem a função de apoiadores da PNH.
Dentre outros avanços da PNH em Alagoas, destacamos: a inclusão de ações de fomento
à PNH no calendário da SESAU-AL; a realização anual do Seminário Estadual da
Humanização da Saúde de Alagoas, desde 2012; realização da Mostra Anual das Ações de
Humanização, desde 2017; a elaboração do I Plano Estadual da Humanização, com vigência
pelo quadriênio 2016-2019, que propõe e norteia ações fundamentadas na PNH, que é dividido
nos eixos: Gestão, Atenção e Valorização do Trabalho e do Trabalhador, que orientam as ações
de Humanização no Estado de Alagoas.
Por fim, em meados de 2017, a SESAU aderiu ao Projeto Acolhe SUS, numa parceria com
o MS, visando à implantação da diretriz acolhimento no Hospital de Emergência Dr. Daniel
Houly (HEDH), no município de Arapiraca. O projeto tem validade de um ano, a ser concluído no
final do ano de 2018.
2.1.1 Oficina de Humanização como instrumento de formação e de intervenção

A Política Nacional de Humanização utiliza as oficinas de formação/intervenção como
ferramentas potentes de fomento e capilarização da política, permitindo que haja interação e
troca de saberes entre os participantes. A partir da discussão de processos de trabalho, as
diretrizes e dispositivos da PNH são vivenciadas e reinventadas no cotidiano dos serviços de
saúde.
Em todo o Brasil, os trabalhadores/as são formados técnica e politicamente e, a partir
disso, são reconhecidos como multiplicadores e apoiadores da PNH, pois são os
construtores de novas realidades em saúde, e poderão se tornar os futuros formadores
da PNH em suas localidades (BRASIL, 2015, n.p.).

Além disso, segundo o Ministério da Saúde, “vale ressaltar que todos os processos de
formação em que a PNH está envolvida tem como objetivo geral formar apoiadores
institucionais – ou, ao menos, contribuir para a criação de condições para que isso aconteça ”
(BRASIL, 2012, p. 74).

20

É importante destacarmos o conceito de função apoio:
[...] O apoio é uma função estreitamente relacionada ao desafio de operar mudanças
nos serviços de saúde no rumo da cogestão. Ao atravessar o processo de trabalho dos
coletivos, os apoiadores institucionais assumem uma dupla função: qualificar as
ofertas clínicas e de saúde pública, assim como ampliar o grau de grupalidade dos
coletivos. O trabalho de um apoiador é servir de apoio para processos de mudança nas
organizações, misturando e articulando conceitos e tecnologias advindas da análise
institucional e da gestão, entre outros. Em síntese, a tarefa primordial do apoio seria
ofertar suporte ao movimento de mudança deflagrado por coletivos, buscando
fortalecê-los (ROZA et al.,, 2014, p. 1042).

Dessa maneira, entende-se que fazer apoio institucional é dar sustentabilidade às ações
de mudança pretendidas pelo grupo ou coletivo, além de ofertar articulação e conceitos que
possam embasar esse movimento, ou seja, sustentar e empurrar o grupo num movimento que o
conduza às suas necessidades e expectativas.
No entanto, precisamos conhecer as características do apoiador:
[...] o apoiador não é simplesmente um consultor, que palpita sobre o trabalho e diz das
mazelas do grupo; nem tampouco sua ação se resume à assessoria, indicando caminhos
a partir de um suposto saber externo que atua sobre o grupo. Sem negar estas
especificidades, o apoiador é alguém que penetra no grupo para acioná-lo como
dispositivo, apresentando como um “fora dentro incluído”, alguém que atravessa o
grupo não para feri-lo, ou para anunciar suas debilidades, mas para operar junto com o
grupo em um processo de transformação na própria grupalidade e nos modos de
organizar o trabalho e de ofertar ações e estratégias de saúde (BRASIL, 2012, p.22).

“Assim, as ações de formação da PNH são entendidas como dispositivos de
problematização da experiência concreta dos trabalhadores de saúde, a partir da intervenção nas
práticas, de modo a gerar mudanças nos modos de atenção e gestão da saúde” (BRASIL, 2012,
p. 76).
Dentre os objetivos propostos nas oficinas de formação/intervenção, podemos
evidenciar o de se aprender com a prática cotidiana exercida a partir da reflexão-ação sobre a
realidade vivenciada, em que os participantes refletem sobre seus modos de produzir saúde com
base nos princípios e método da PNH.
É nessa articulação entre princípios, método e diretrizes que os processos de formação
têm sido propostos e organizados. As diretrizes dos processos de formação da PNH se
assentam no princípio de que a formação é inseparável dos processos de mudanças, ou
seja, que formar é, necessariamente, intervir, e intervir é experimentar em ato as
mudanças nas práticas de gestão e de cuidado, na direção da afirmação do SUS como
política inclusiva, equitativa, democrática, solidária e capaz de promover e qualificar a
vida do povo brasileiro (BRASIL, 2010b, p.8).

Importante destacar que exercer a função de apoiadores institucionais em unidades
hospitalares tem se consituído em grande desafio para os pofissionais de saúde, pois são
espaços permeados de relações de poder e com grande resisitencia a mudanças como explica
Santos Filho (2009),

21
No entanto, exercer a função de Apoiador/a da PNH em hospitais, que são estruturas
por demais complexas e uma das instituições contemporâneas mais impermeáveis à
mudança, se constitui em um grande desafio, pois mexer em sua organização e em
seus modos de gestão, tomando por princípios o método da Política de Humanização, é
uma tarefa que exige preparação e acompanhamento (CAMPOS, 2008 apud
SANTOS-FILHO, 2009, p.35)

Percebe-se, assim, que os apoiadores institucionais são fundamentais para o processo
de mudança das práticas de saúde. Segundo Campos (2000 apud BRasil 2012, p. 75),
“apoiadores são sujeitos que „atravessam‟ o processo de trabalho de coletivos, ajudando-os nas
tarefas de qualificar suas ofertas clínicas e de saúde pública, de um lado; mas também ampliar o
grau de grupalidade, de outro lado”.
Os processos de formação, desta forma, são um recurso precioso para a experimentação e
necessária construção de extensividade da PNH na rede SUS. Os agentes desta estratégia,
em geral, são apoiadores institucionais, agentes que contribuem para a problematização de
realidades institucionais, construindo com as equipes de saúde mudanças nas percepções,
na forma de lidar com conflitos, ampliando processos de grupalidades e,
consequentemente, alterando atitudes e produzindo as condições para a superação de
problemas e desafios do cotidiano do trabalho em saúde (BRASIL,2010b, p. 9).

Por fim, a realização da Oficina de Humanização em saúde do HUPAA instigou o
surgimento de uma pergunta, que se pretendeu responder nessa pesquisa: quais as possíveis
contribuições que a Oficina de Humanização trouxe para os profissionais de saúde que dela
participaram? A partir dessa pergunta, estabeleceu-se que o objetivo central da pesquisa seria o
de analisar as possíveis alterações ocorridas nas práticas dos profissionais de saúde, os quais
participaram da Oficina de Humanização realizada naquelehospital.

2.2 Percurso Metodológico

Este estudo caracteriza-se como uma pesquisa de abordagem qualitativa, de caráter
descritivo e exploratório. O aporte teórico-metodológico escolhido foi o das Práticas
Discursivas e Produção de Sentidos (2000). Essa abordagem se fundamenta no
construcionismo social que, segundo Méllo et al. (2007) é um “movimento, uma postura
crítica diante do mundo, no sentido de processos de mudanças e deslocamentos, animação,
agitação e vivacidade” (p. 27).
As práticas discursivas, assim situadas, constituem o foco central de análise na
abordagem construcionista. Implicam: ações, seleções, escolhas, linguagens, contextos;
enfim, uma variedade de produções sociais das quais são expressão. Constituem, dessa
forma, um caminho privilegiado para entender a produção de sentidos no cotidiano
(SPINK; FREZZA,1999).

22

Para Spink e Frezza (1999), as práticas discursivas são linguagem em ação, ou seja, as
maneiras a partir das quais as pessoas produzem sentidos e se posicionam em relações sociais
cotidianas. As práticas discursivas têm como elementos constitutivos: “a dinâmica, ou seja, os
enunciados orientados por vozes; as formas, que são os speech genres (conceitos que focalizam,
portanto, o habitual gerado pelos processos de institucionalização); e os conteúdos, que são os
repertórios interpretativos” (p.26).
Nesse estudo, portanto, buscou-se conhecer os sentidos que foram produzidos pelos
participantes da Roda de Conversa sobre os conteúdos discutidos na Oficina de Humanização.
É importante destacar as diversas compreensões produzidas pelo grupo, a partir do contexto em
que estão inseridos, do seu cotidiano de prática, da empatia que tiveram com a PNH e de sua
disponibilidade em efetivar esse conhecimento em sua prática laboral.
2.2.1 Participantes da pesquisa
Foram definidos como participantes da pesquisa todos/as aqueles/as que concluíram a
Oficina de Humanização, ou seja, dezessete profissionais de saúde. No entanto, apenas treze
puderam estar presentes no dia da coprodução de informações, a saber: três assistentes sociais,
um terapeuta ocupacional, um psicólogo, um cirurgião dentista, duas enfermeiras e cinco
residentes da Residência Multiprofissional da UFAL (duas da Psicologia, duas do Serviço
Social e um da Farmácia). Desse quantitativo, doze eram do sexo feminino e apenas um, do
sexo masculino.
Destacamos que, para preservar os sujeitos desta pesquisa, utilizamos as seguintes
nomenclaturas para identificá-los: “P1, P2...P13” para representar os participantes; “PE” para
representar a pesquisadora; “R” representando os residentes da residência multiprofissional.

2.2.2 Coprodução de informações
Utilizamos a Roda de Conversa para coprodução de informações, por ela proporcionar
a interação dialógica entre os participantes, além de promover uma maior fluidez do discurso e
da contratualização entre os participantes epesquisador/a,
A Roda de Conversa é um recurso que possibilita maior intercâmbio de informações ,
possibilitando fluidez de discurso e de negociações diversas entre pesquisador e
participantes.Inicia-se com a exposição de um tema pelo pesquisador a um
grupo(selecionado de acordo com os obvjetivos da pesquisa) e, a partir disso, as pessoas
apresentam suas elaboraçõwes sobre ele, sendo que cada uma instiga a outra a falar,
argumentando e contra-argumentando entre si, posicionando-se e ouvindo o
posicionamento do outro (MÉLLO et al., 2007, p. 30)

A Roda se iniciou com a apresentação da proposta/tema pela pesquisadora ao grupo e,
em seguida, as pessoas apresentaram suas elaborações sobre o tema. Cada fala instigou outras

23

falas, em que os/as participantes argumentaram e contra argumentaram entre si, posicionandose e ouvindo o posicionamento do outro.
A Roda de Conversa foi gravada com a devida autorização dos participantes; a mesma
teve duração de uma hora e trinta minutos. Foram utilizadas duas perguntas disparadoras: 1) O
que significou para sua prática profissional a Oficina de Humanização? 2) Se houve
contribuição, qual/quais foramelas?
Iniciamos a Roda de Conversa agradecendo a adesão dos presentes e explicando como a
mesma iria funcionar. Salientamos a necessidade de leitura e assinatura do Termo de
Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), para continuar a participar da pesquisa. Como não
houve dúvidas, todos assinaram e ficaram de posse das suas cópias dotermo.
De modo geral, as falas evidenciaram a importância da Oficina realizada, no que se
refere ao conhecimento teórico ofertado, pois os participantes demonstraram que absorveram
referenciais sobre a PNH, nos quais podem se apoiar para refletir sobre seu modo de produzir
saúde. Além disso, alguns mencionaram que já praticavam a PNH, mas não sabiam disso,
mostrando a necessidade de ampliar esse conhecimento para outras áreas do HUPAA, bem
como manter espaços de diálogo sobre as práticas cotidianas que exercem, e sobre como estas
podem (ou não) estar embasadas na legislação da PNH e do SUS como um todo.
Para o registro das informações colhidas durante a Roda de Conversa, primeiramente foi
realizada a transcrição integral (TI) das falas registradas na gravação de áudio, devidamente
autorizada pelos integrantes da referida roda.
A transcrição integral do áudio ou vídeo inclui todas as falas e expressões
comunicadas, ou seja, é feita literal, de modo a preservarmos o discurso original do
contexto de pesquisa. Temos assim quem fala, sobre o que fala e como cada um/a
fala (NASCIMENTO; TAVANTI; PEREIRA, 2014, p.258).

Nessa TI, os participantes foram identificados através das siglas P1 a P13, e suas falas
foram descritas em linhas (L1 a L733), também identificadas numericamente como em uma ata.
Essa organização facilitou a elaboração e revisão do mapa dialógico, quando necessária, bem
como os destaques de fala efetuados para a análise das informações.

2.2.3 Análise das informações

No estudo das práticas discursivas de Spink (NASCIMENTO; TARVANTI;
PEREIRA, 2014, p. 248), “o mapa dialógico é um recurso que permite dar visibilidade aos
passos dados na construção da pesquisa e à dialogia presente nos discursos analisados”. Nos
mapas elaborados para este estudo, procurou-se registrar, através de categorias, o que os
participantes dessa Oficina falaram sobre: suas ações cotidianas, práticas profissionais,
sentimentos, opiniões e inquietações, a partir do que vivenciaram, discutiram e estudaram na

24

Oficina, objeto de estudo dessa pesquisa.
O mapa dialógico da pesquisa foi elaborado a partir dessas falas, seguindo suas
sequências, representadas no eixo horizontal do referido mapa. Desde a elaboração da TI, a
pesquisadora observou que as falas produziam sentidos que poderiam ser elencados em quatro
categorias centrais, representadas no eixo vertical.
Para Nascimento, Tavanti e Pereira (2014),
os mapas dialógicos subsidiam a interpretação dos discursos analisados, podendo
nortear a discussão, e serem usados como estratégia de visibilidade da dialogia. A
escolha sobre o uso e a apresentação dependerá do contexto de produção do texto e
de seu endereçamento, seja um trabalho de conclusão de curso, uma iniciação
científica, uma dissertação de mestrado, uma tese de doutoramento ou de pós-doc
(p.269).

A produção do mapa dialógico ocorreu, a partir de sua definição como a ferramenta
analítica de pesquisa. Sua elaboração se iniciou a partir da leitura da transcrição integral das
falas produzidas na Roda de Conversa para coprodução de informações.
Após a identificação das falas dos sujeitos da pesquisa, através das nomenclaturas “P”,
“PE” e “R” e a devida enumeração das linhas, foi-se fazendo uma leitura sequencial das
discussões. A partir dessas etapas, emergiram 04 categorias que mais se evidenciaram, nessa
Roda de Conversa: 1) Comissão de Humanização: espaço de diálogo institucionalizado; 2)
Conhecimento sobre a PNH; 3) Apoio da gestão: fator determinante para fortalecimento da
PNH e 4) Polissemia sobre humanização.
A próxima discussão será a respeito do aprofundamento dessas categorias.
2.3 Resultados e Discussão

Com base no mapa dialógico que pôs em destaque quem falou e sobre o que falou com
as falas classificadas por categorias/temas, evidenciamos, a seguir, alguns trechos, agora
categorizados e demonstrando como se efetuou a interação dialógica dos participantes da
pesquisa.

2.3.1 Comissão de Humanização: espaço de diálogo institucionalizado

Esta categoria/tema se refere à Comissão de Humanização como espaço de diálogo
institucionalizado dentro da unidade de saúde. Aqui, trata-se a Comissão enquanto instância que
tem como objetivo proporcionar encontros que favoreçam: diálogos, discussões, reflexões e
tomadas de decisões coletivas sobre processos de trabalho, gestão e organização da assistência,
dentre outros.

25

A seguir, podemos observar a fala de P1, que relata:
[...] e eu acho que já começou, tanto é que, em algumas situações que acontecem, a gente
escuta “eita, a gente precisa ir lá na reunião conversar com a comissão de humanização,
vamos lá na reunião que a gente vai discutir assunto, tal...”, “vá, é aberta, pode ir”, “eita, já
sei a quem vou procurar. Vou ver o que a comissão de humanização vai poder contribuir nesse
sentido”. Então já tem, de certa forma, essa referência, a comissão ou algumas pessoas que
estão dentro da própria comissão [...] (P1: L412-L428 - Apêndice A).
Observamos que já se faz presente, entre os profissionais do hospital, um certo
reconhecimento sobre a Comissão de Humanização como espaço institucionalizado, em que
eles podem transitar e propor pautas a serem discutidas a partir do olhar da humanização. Essa
visibilidade é atribuída por P1 como consequência do movimento iniciado pelos trabalhadores,
membros dessa Comissão.
Durante a Roda, surgiram vários posicionamentos sobre a categoria/tema. Na fala de
P4, chama-se atenção quando identifica mais uma atribuição para essa comissão: a de realizar
assessoria às ações de humanização disparadas pelos profissionais.
“a grande ideia é que de uma forma geral os profissionais vão se agrupando, se desenvolvendo
e a comissão fique mais na assessoria, acompanhando os grupos [...]” (P4: L429-L447Apêndice A ).
Convém salientar que fazer assessoria, como refere P4 para a PNH, tem outra
denominação: a de exercer a função de apoio, seja ele a iniciativas pontuais ou aos coletivos e
grupos. Para isso, a política busca estimular a autonomia e protagonismo dos profissionais,
possibilitando que sejam disparados ações e processos, nos diversos espaços em que estejam
atuando. Isso quer dizer que os membros da Comissão de Humanização possuem, também, a
atribuição de darem apoio às ações de humanização que sejam desenvolvidas no hospital, dando
a elas a sustentabilidade necessária à sua efetivação.
É importante compreender o significado da função do apoiador da PNH, como
conceituam Figueiredo e Campos (2014):
O termo apoiador pretende enfatizar a noção de suporte, amparo, auxílio, mas
também a noção de impulso para o movimento. O apoiador deve oferecer suporte à
constituição do coletivo, facilitando a interação e reflexão. Mas, ao mesmo tempo,
deve ofertar novos conceitos, categorias e recursos, empurrando o grupo para atingir
seus objetivos. Seja ele um apoiador institucional, matricial ou um apoiador num
processo formativo, seu trabalho é ajudar o grupo a analisar seus dilemas e
impasses, com um compromisso de passar da análise e da crítica para a intervenção
na realidade (p.933).

Portanto, o apoiador institucional tem a função de agregar e dar apoio às ações que são
disparadas dentro da unidade hospitalar, na área da humanização. Sendo assim, a Comissão de
Humanização se constitui esse espaço aberto e democrático que deve acolher todos os sujeitos

26

que desejem conhecer a PNH e/ou que tenham iniciativas que possam ser potencializadas pelo
grupo – ou até mesmo adaptadas a outras áreas.
Nesse sentido, P7 destaca ser esta uma outra característica da Comissão de
Humanização: a de agregar outros atores e, com isso, fortalecer a PNH na unidade.
[...] Porque, na verdade, todos nós já fazíamos alguma coisa, mas todo mundo fazia muito
separado; isolado, não é? E assim, algumas pessoas já conseguiam trabalhar um pouco juntas.
Outras não, e o fortalecimento veio com a criação do grupo. Foi muito importante; o grupo foi
indispensável para fortalecer a humanização aqui no hospital. Talvez, se a gente fizesse só o
seminário e não tivesse criado o grupo, a gente não teria crescido tanto (P7:L494-L511 Apêndice A ).
Essas citações descortinam algumas situações interessantes, que se fazem necessárias
registrar: uma delas é a que atribui a implantação da Comissão de Humanização como aspecto
determinante para o fortalecimento da PNH no hospital e, concomitantemente, enfatiza que os
membros dessa Comissão já possuem vivências na prática de ações de humanização, o que vem
potencializar a troca de saberes e experiências no grupo.
Diante dessas colocações, fica a reflexão de que esse movimento que ocorreu no
hospital em questão aponta para a importância dessa Comissão – não só para o fomento da
Política de Humanização no HUPAA, mas também para o estabelecimento de vínculos entre os
membros da Comissão, estimulando o trabalho multiprofissional. Como dizem Barros, Mori e
Bastos (2006): “promover saúde nos locais de trabalho passa a ter a dimensão que inclui,
necessariamente, a instituição de espaços de trocas e debates entre os trabalhadores acerca das
relações entre saúde e trabalho” (p. 37).
Dentre as várias possibilidades de intervenção que a Comissão de Humanização
proporciona, destacamos a fala de P4, que aponta outro desafio à Comissão de Humanização:
“[...] Acho que a gente precisa pensar numa oficina já aqui, esse grupo. A comissão
já pode propor agora, para 2018, uma oficina de humanização, e aí já trazermos as pessoas
aqui do hospital, dos setores, para sentar e pensar [...]” (P4:L529-L573 - Apêndice A).
A fala supra citada identifica o potencial formativo dessa Comissão, que convoca os
apoiadores institucionais da PNH a atuarem como agentes multiplicadores do conhecimento
adquirido, o que pode ajudar a canalizar essa política para outras áreas do hospital. Esse
movimento de expansão, a partir do próprio trabalhador local, tem muita potência, pois ocorre
na micropolítica do seu espaço, somando forças, contagiando por atitude, e tende a agregar mais
sujeitos na unidade.

27
O profissional da saúde, ao refletir sobre as condições e relações de trabalho e o seu
modo de agir, pode inserir-se na realidade, de uma maneira mais crítica e consciente.
Problematizar e concretizar a humanização do ambiente, mais especificamente a
partir do trabalhador, implica uma reflexão crítica e dialógica acerca dos princípios e
valores que norteiam a prática dos profissionais, de modo a assumirem sua condição
de sujeitos e agentes de transformação (BACKES; LUNARDI FILHO; LUNARDI,
2006, p.222).

Para Franco (2014), micropolítica significa a atividade de cada um, a partir do local
social em que ele se encontra. Ela está presente no cotidiano das práticas de saúde, na gestão, no
cuidado em saúde e na atividade de comunidade: os espaços em que o trabalhador e o gestor de
saúde estabelecem relações são atividades da micropolítica.
Salienta-se, também, os sentidos que foram produzidos pelos participantes da pesquisa
no que tange a essa categoria. São eles: espaço de formação, apoio institucional, espaço de
integração profissional e elemento fortalecedor da PNH no hospital.
A construção de um grupo de trabalho aproxima as pessoas e possibilita a
transformação dos vínculos já instituídos. Além disso, estabelece um ambiente
favorável para compartilhar as tensões do cotidiano e as dificuldades do trabalho;
acolher e debater as divergências, os sonhos de mudança e buscar, por meio da análise e
da negociação, potencializar propostas inovadoras (BRASIL, 2008, p. 06).

Convém destacar que todos os autores citados reforçam a importância de se instituir
um espaço democrático de discussões no ambiente de trabalho em saúde, como sendo algo
necessário, viável e salutar. Esse espaço se constitui como instrumento fundamental para
potencializar o trabalho em equipe, reduzindo a fragmentação do fazer, e estimulando a
autonomia e o protagonismo dos sujeitos.

2.3.2 Conhecimento sobre a PNH

Esta categoria compreende o destaque de alguns sentidos produzidos pelo grupo,
quanto ao conhecimento sobre a PNH, que promoveram expectativas diferentes entre os
participantes da Roda de Conversa. Dentre elas, salientamos: 1) Conhecimento como fator
determinante para fundamentar as mudanças de práticas laborais; 2) Importante para
distinguir se as ações de humanização desenvolvidas no hospital estão condizentes com o que
preconiza a PNH ou não; 3) Como oportunidade de fomentar novos espaços de formação, no
hospital, e exercer a função de agentes multiplicadores da PNH.

28

Nessa perspectiva, na citação de P2, a seguir, identifica-se a expectativa do
conhecimento para o desenvolvimento de práticas laborais mais condizentes com o que
preconiza a política de humanização:
“[...] chegou a oficina e se pensou para a gente esse direcionamento, né, de ampliar, de
entender o mecanismo, de fazer o processo diferente, de dados embasados nos conhecimentos
que a gente iria adquirir e somar” (P2: L305-L321 - Apêndice A ).
A Oficina de Humanização promoveu o acesso ao conhecimento, aqui representando a
segurança, o amparo legal e, ao mesmo tempo, o desafio de desenvolver práticas mais
acolhedoras e inclusivas, pautadas numa política que propõe uma intervenção no modo de gerir
e decuidar.
Convém salientar que “as ações de formação da PNH são entendidas como dispositivos
de problematização da experiência concreta dos trabalhadores de saúde, a partir da
intervenção nas práticas, de modo a gerar mudanças nos modos de atenção e gestão da
saúde” (BRASIL, 2012, p.76).

A fala de P7, a seguir, ressalta o conhecimento como elemento determinante para a
qualificação da prática profissional, atrelando a necessidade de distinguir o que são ações de
humanização, segundo o que preconiza a PNH:
“[...] no final da oficina, todo mundo ficou empoderado e passou a ter mais conhecimento; a
identificar o que era e o que não era, e a se perguntar: o que é? O que não é? [...]” (P7: L355L374 - Apêndice A).
É importante destacar que promover saúde, nos locais de trabalho, é aprimorar a
capacidade de compreender e analisar o trabalho, de forma a fazer circular a palavra,
criando espaços para debates coletivos. Nesses debates, as tensões produzidas, quando
os trabalhadores se encontram para discutir o trabalho, vão desestabilizar os saberes e as
formas de serem instituídos, forçando a criação de novos modos de trabalhar e visando à
democratização das relações de trabalho (BARROS; MORI; BASTOS, 2006, p. 38).

Ainda dentro desta categoria, salientamos o posicionamento de R4:
“[...] então, esse espaço está trazendo coisas novas, e está com base na política. Tem uma lei;
uma legislação que apoia essa iniciativa. Não é uma criatividade ou porque é bonzinho, mas
porque tem um efeito positivo nesse trabalho [...]” (R4: L708-L718 - Apêndice A).
Esse discurso deixa claro o entendimento de R4 sobre o fato de a Comissão de
Humanização também desempenhar a função de espaço de formação e de conhecimento. Isso se
dá pelo estímulo às mudanças das práticas de saúde, embasadas na legislação de uma política
do SUS, que preconiza um modo de gerir e de cuidar mais acolhedor, inclusivo e
transformador.
Para Pereira e Barros (2008 apud BENEVIDES; PASSOS, 2008),
Transformar práticas de saúde exige mudanças no processo de construção dos
sujeitos dessas práticas. Somente com trabalhadores e usuários protagonistas e

29
corresponsáveis, é possível efetivar a aposta que o SUS faz na universalidade do
acesso, na integralidade do cuidado e na equidade das ofertas em saúde. Por isso,
falamos da, humanização‟ do SUS (HumanizaSUS) como processo de subjetivação
que se efetiva com a alteração dos modelos de atenção e de gestão em saúde, isto é,
novos sujeitos implicados em novas práticas de saúde. Pensar a saúde como
experiência de criação de si e de modos de viver é tomar a vida em seu movimento
de produção de normas e não de assujeitamento a elas (p. 243).

Por fim, os sentidos que foram produzidos pelos participantes da pesquisa, no que se
refere a essa categoria, são representados por: identificar o que são ações da PNH, aprender a
fazer diferente e ampliar os acessos a partir dos dispositivos da PNH.

2.3.3 Apoio da gestão: fator determinante para o fortalecimento daPNH

Esta categoria representou um consenso entre os participantes, enquanto fator
determinante, carregado de poder e sentidos, ora percebido como elemento facilitador,
articulador de redes, promovendo acessos e valorização; ora, como algo inacessível, regulador,
sem dialogia e participação. Também apareceu um consenso sobre o fato de que as ações que a
gestão apoia fluem e, na sua ausência, a ação emerge da autonomia e protagonismo do
profissional de saúde, com apoio e adesão dos usuários, caracterizando uma ação pessoal e
nãoinstitucional.
A PNH nos convida a exercer esse protagonismo; afirma que qualquer mudança na
gestão e atenção é mais concreta, se construída com a ampliação da autonomia e
vontade das pessoas envolvidas, que compartilham responsabilidades. Os usuários não
são só pacientes; os trabalhadores não só cumprem ordens: as mudanças acontecem
com o reconhecimento do papel de cada um. Um SUS humanizado reconhece cada
pessoa como uma legítima cidadã de direitos, e valoriza e incentiva sua atuação na
produção de saúde (BRASIL, 2015).

“A PNH conceitua a gestão em saúde como a capacidade de lidar com conflitos, de
ofertar métodos (modos de fazer), diretrizes, quadros de referência para análise e ação das
equipes nas organizações de saúde” (BRASIL, 2009, p.13). Através de sua fala, R2 nos
apresenta a sua percepção sobre a categoria, no que se refere ao apoio da gestão do HUPAA
como fator determinante para realização da Oficina de Humanização:
[...] e também levando em consideração que a gestão está envolvida, e como é mais fácil da
implantação, quando [ela] está envolvida. Talvez, se a gestão não estivesse envolvida, tivesse
mais dificuldades para os trabalhadores na implantação dessa oficina; como isso é bom levar
para outros espaços (R2: L196-L207, Apêndice A).
Sua afirmação atribui à gestão uma ação potencializadora sobre a Oficina de
Humanização, visto que, ao oferecer seu apoio, essa presença se tornou elemento facilitador
de acesso dos trabalhadores à mesma. Concomitantemente, evidencia que, na ausência deste
apoio, não seria possível a adesão e a participação dos trabalhadores, destacando as relações

30

de poder que permeiam os espaços deprática.
Fica explicitado, ainda, nessa categoria, que a realização da Oficina de Humanização
no hospital passou a fortalecer as ações da PNH, como narra P4:
“[...] essas oficinas vieram apenas agrupar, para que as pessoas entendessem que não
estavam sozinhas. Para que as pessoas entendessem que isso era um projeto institucional e não
um projeto pessoal; que a instituição tem que estar presente [...]” (P4:L270-L304 - Apêndice
A).
A adesão da gestão do HUPAA ao projeto da Oficina ratifica todos os sentidos
destacados nas falas anteriormente citadas, deixando clara a decisão da gestão como decisão
política:
O exercício da gestão ampliada e compartilhada para a produção de mudanças nas
organizações de saúde requer vontade política, provisão de condições concretas e
método, sem o qual se corre o risco de se transformar a cogestão apenas em um
exercício discursivo. É nesta perspectiva que a própria gestão se apresenta como um
método, pois ela tanto pode se prestar ao exercício do controle dos sujeitos (processos
de assujeitamento), como pode ser um importante espaço de reinvenção do trabalho,
produzindo sentido desde pressupostos éticos – como, por exemplo, a base doutrinária
do SUS (equidade, universalidade, integralidade e participação cidadã) (BRASIL,
2009, p. 29).

Na fala de P1, subsequente, pode-se perceber a importância do reconhecimento da
gestão nas ações desenvolvidas no hospital, na área de humanização:
[....] E também a questão da gestão: eu acho que outro ponto ganho para a gente foi esse
reconhecimento da gestão de valorizar esses trabalhos; de oportunizar esses espaços e
valorizar. Já tem vários ganhos: foi a cartilha, é a comissão, é o seminário... Temos vários
artistas e a gente está só começando. E eu acho que vai ter uma ampliação muito maior (P1:
L574-L593 - Apêndice A).
Há um destaque ao apoio da gestão como sendo uma ação de valorização do trabalho
produzido pelos profissionais. Atribui-se, a esse apoio, o valor de elemento motivacional
potencializador, para que aconteçam outras ações.
Uma das formas de ampliar o sentido do trabalho e a vontade de fazer, a implicação e
a responsabilização dos sujeitos é através da efetiva participação na gestão dos
processos de trabalho, portanto a inclusão das pessoas, de fato, nos processos de
tomada de decisão nas organizações (PASCHE; PASSOS; HENNIGTON, 2011, p.
4546).

A PNH aposta na cogestão como diretriz capaz de estimular a transformação dos
modos de gerir e de cuidar, a partir de uma relação horizontalizada e inclusiva da tríade:
gestores, trabalhadores da saúde e usuários – todos esses como sujeitos autônomos e
protagonistas. No entanto, é preciso observar que o risco de se transformar a gestão
participativa em apenas discurso é elevado, haja vista que os hospitais brasileiros, grupo do qual

31

o HUPAA faz parte, são estruturados no modelo biomédico, verticalizado, o que vai de encontro
com a proposta da PNH:
“A humanização se apresentava para nós como estratégia de interferência no processo
de produção de saúde, levando em conta que sujeitos, quando mobilizados, são capazes de
transformar realidades, transformando-se a si próprios neste mesmo processo” (BENEVIDES;
PASSOS, 2005, p. 563).
Assim, o espaço da gestão a partir da experiência brasileira passa a ser compreendido,
também, como exercício de método, uma forma e um modo de fazer as mudanças na
saúde, considerando a produção de sujeitos mais livres, autônomos e corresponsáveis
pela coprodução de saúde (BRASIL,2009, p. 23).

Por fim, apresentam-se os sentidos que foram produzidos pelo grupo referente a esta
categoria: valorização, ação potencializadora e ato ou ação política.

2.3.4 Polissemia sobre Humanização
A palavra “humanização” provoca vários sentidos e interpretações: Durante a Roda de
Conversa, foi possível perceber, nas falas e posicionamentos de alguns membros, que ainda
havia associações entre a PNH e ações assistencialistas e humanitárias, apesar de terem
participado da Oficina de Humanização. Isso reforça a existência dos limites nos processos
educativos/formativos.
É importante destacar essa limitação, visto que a polissemia de sentidos em questão foi
identificada na Roda de Conversa, como vem explicitado a seguir:
[...] para valorizar, como os aniversariantes do mês, algumas atividades de cuidados com os
trabalhadores, integrar mais essa equipe e fazer reunião multidisciplinar, porque as queixas
dos usuários com relação aos profissionais poderiam ser minimizadas, com relação a isso, a
gente cuidando melhor da nossa equipe [...] (L142-L165 – Apêndice A).
Percebem-se vários entendimentos sobre o que são ações de humanização e o que são
ações da PNH. Esta última propõe uma transformação nos modos de produzir saúde, a partir da
inclusão dos sujeitos implicados nos processos, enquanto a humanização está relacionada a
ações assistencialistas e humanitárias.
A Política Nacional de Humanização da Atenção e da Gestão do SUS tem como
objetivo qualificar práticas de gestão e atenção em saúde. Uma tarefa desafiadora, sem
dúvida, uma vez que, na perspectiva da humanização, isso corresponde à produção de
novas atitudes por parte de trabalhadores, gestores e usuários de novas éticas no campo
do trabalho, incluindo o campo da gestão e das práticas de saúde, superando
problemas e desafios do cotidiano do trabalho (BRASIL,2012, p. 06).

Entretanto reconhecemos a importância das ações de cunho humanitário e sabemos

32

como o ambiente hospitalar onde está presente a fragilidade da saúde, potencializa ações dessa
natureza,
Mas é no discurso de P1 que fica explícito que o ambiente hospitalar favorece ações
de humanização de cunho humanitário. „Por ser um local permeado por dor e carência,
o trabalhador, num ato de voluntariado, se organiza para proporcionar aos seus
usuários um momento diferente nas datas mais relevantes para nossa sociedade, tais
como: Natal, Dia das Mães, Dia das Crianças, entre outros eventos” (ALAGOAS,
2017).

[...] e a gente conseguiu fazer um trabalho lindo aqui dentro desse hospital. Foi uma semana
toda de dia das crianças, com bastante fartura. Tem presente aí para as crianças já para
dezembro, por conta de toda uma mobilização e de um reconhecimento, união e fortalecimento
que teve das equipes – mesmo em setores diferentes. Mas isso aí foi um processo que foi
construído, que foi a partir desse momento, dessa oficina, que favoreceu esses espaços que a
gente não tinha anteriormente (L185-L195 - Apêndice A).
Por fim, trazemos a fala do aluno residente R5 que, em seu relato, também deixa clara
sua compreensão sobre a categoria:
[...] tipo assim, desafiadora, no sentido de que a gente muda quando chega aqui no hospital e é
aquele modelo, né? Biomédico. Para a gente chegar e fazer diferente, é desafiante. E escutar o
usuário sempre naquele processo todo de doença, que ele tá naquele processo junto com os
acompanhantes, sair um pouquinho, fazer um curso como a gente fazia, e eles sempre me
diziam “ah, nem parecia que eu estava aqui num hospital”, porque favorecia, assim, um
espaço para que eles pudessem pensar outras coisas, ter outros momentos que não fossem só a
questão da saúde, a questão da doença. Eu acho que isso é também humanização. (L342- L354
- Apêndice A).
Dessa maneira, diante das falas anteriormente citadas, percebemos que nem todos os que
participaram da Oficina de Humanização elaboraram o mesmo entendimento sobre o conceito
da PNH. Isso nos permite concluir que a Oficina, cuja carga horária de 40h, é limitada, pois
cada sujeito possui um tempo próprio e singular para elaborar a sua compreensão sobre a
política que lhe foi apresentada.
Assim, é importante conhecer os sentidos produzidos pelos participantes no que se
refere a essa categoria, visto que aponta várias possibilidades: por um lado, uma visão
humanista, em que são praticadas ações identificadas como sendo do bom humano, caridoso,
voluntariado, assistencialista e promotor de festas e eventos; por outro lado, no que tange à
PNH, a ideia é de qualificar as práticas de gestão e atenção à saúde, gerando novas atitudes nos
gestores e trabalhadores, fundamentadas na ética e na gestão compartilhada pelos gestores,
trabalhadores eusuários.

33

2.4 Considerações Finais
Foi percebida uma ampliação na implementação da PNH no HUPAA, através da
vontade política da gestão, através da adesão à realização da Oficina de Humanização e de seu
apoio na implantação da Comissão da Humanização. No entanto, o desafio parece consistir em
como efetivar essa implementação na prática da assistência à saúde e na forma de gerir e de
lidar com as relações de poder, presentes em um hospital que é docente-assistencial e alicerçado
no modelo biomédico, em que a estrutura organizacional do cuidado é realizada por setores
específicos que produzem um trabalhofragmentado.
Um dos caminhos que se pode percorrer para o alcance desse fim é o de identificar os
fatores que impedem que a proposta da PNH se efetive no hospital e, em seguida, elaborar
estratégias para superá-los de forma coletiva. Acreditamos que uma das estratégias possíveis é
fortalecer e ampliar espaços de diálogo no hospital, promovendo encontros entre profissionais,
estudantes, residentes e usuários, através do uso sistemático de Rodas de Conversa, nas quais se
exercite a gestão participativa, deslocando o poder decisório de poucos para ocoletivo.
Pode-se dizer que as reflexões sobre a temática da Política Nacional de Humanização
e a Oficina de Humanização como instrumento de formação/intervenção conduziram à
constatação de que seu fomento no HUPAA tem se sustentado mais no desejo e na motivação
pessoal dos profissionais de saúde, do que nos fatores externos a si. Dentre esses fatores, temos
o apoio da gestão para o desenvolvimento de suas atividades, visto que não há um planejamento
construído coletivamente que oriente as práticas nessesentido.
A experiência do HUPAA, trazida pelos participantes da Roda de Conversa, nos
apresentou duas situações: a primeira, em que ainda persiste a polissemia de sentidos sobre a
proposta da Política Nacional de Humanização entre os membros da Comissão de
Humanização, apesar do discurso e movimento produzidos por eles; e a segunda, que diz
respeito à resistência da gestão em estimular a gestão participativa, o que representa que as
relações de poder são desafios a serem enfrentados.
Verificou-se que essa Oficina promoveu avanços nas práticas dos profissionais que
dela participaram, apesar de identificar que mudar atitudes se constitui sempre num grande
desafio para um grupo de profissionais-apoiadores da PNH. No entanto, vale destacar que
houve uma melhor compreensão sobre conceito de Humanização e da proposta da PNH, além
de já serem notícias as ações de fomento das discussões sobre a PNH no hospital. Como
exemplo, temos o caso do II Seminário de Humanização do HUPAA, a ser realizado em
novembro de 2018, organizado pela Comissão de Humanização. A comissão mantém
institucionalizado o espaço democrático de discussão e, na micropolítica de seus membros, se
constroem relações mais afirmativas, que terminam por estimular outros profissionais.

34

Certamente ainda há um longo percurso para que a PNH se fortaleça e oriente as
práticas de saúde no HUPAA. Assim, conclui-se que essa Oficina de Humanização se
constituiu em um pequeno passo para o alcance desse desafio.

35

REFERÊNCIAS
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Oficina de Humanização das práticas de saúde realizada no Hospital Universitário Prof.
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36

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Psicologia Social. In: SPINK, M. J. Práticas discursivas e produção de sentido no
cotidiano: aproximações teóricas e metodológicas. São Paulo: Cortez,1999.

37

3

PRODUTO DE INTERVENÇÃO: Relatório Técnico da Reunião Ampliada para

Apresentação dos Resultados da Pesquisa denominada: “A Oficina de Humanização como
possibilidade para transformação do trabalho emsaúde”

3.1

Introdução

O Relatório Técnico que aqui se inicia compreende o conjunto de informações básicas
sobre a apresentação dos resultados da pesquisa denominada: “A Oficina de Humanização
como possibilidade para transformação do trabalho em saúde”. Este foi direcionado aos
representantes do hospital em que a pesquisa foi realizada, através de uma Reunião Ampliada
na qual estavam presentes: os membros da Comissão de Humanização do hospital, as gerências
das Linhas de Cuidado e Ensino desse mesmo hospital, bem como os residentes, tutoras e
preceptoras da Residência Multiprofissional em Saúde da UFAL.
Outras apresentações desta pesquisa serão realizadas no Estado de Alagoas no ano de
2019. Dentre elas, a que deverá ser efetuada para a Câmara Técnica de Humanização do Estado
de Alagoas e, em seguida, para o VIII Seminário Estadual de Humanização, com a finalidade de
promover discussões e aprendizados sobre o dispositivo Oficina de Humanização da PNH, que
estimulem o seu uso em outras instituições desaúde.
Pode-se, também, assegurar que a principal razão da escolha desse produto está
relacionada com a importância de se devolver o que é produzido na Universidade à sociedade
em geral. Geralmente, é no intuito de contribuir para esta sociedade que o pesquisador retira,
discute, analisa e compila elementos para responder às indagações que faz em suas pesquisas,
esmiuçando detalhes de pessoas e objetos, descobrindo ou realçando o que pesquisou e,
finalmente, apresentando conclusões. A reunião de devolução desta pesquisa para o hospital
teve essa finalidade.
Considerando ser uma pesquisa pertencente à linha de pesquisa denominada:
Integração entre Ensino, Serviço e Comunidade do Mestrado Profissional do Ensino na Saúde,
que, por sua vez, é vinculado à Faculdade de Medicina (FAMED) da UFAL, procurar- se-á
sempre garantir que sejam convidados para essas apresentações os representantes dos
segmentos citados.
A Política Nacional de Humanização como política do SUS propõe uma interferência
no modo de produzir saúde, buscando qualificar a atenção e a gestão da saúde. A Oficina de
Humanização tem se configurado em importante ferramenta de formação de Apoiadores da

38

PNH nos serviços de saúde, estimulando a implantação de Grupos de Trabalho de Humanização
(GTH). Estes grupos, por sua vez, se constituem em espaços democráticos de discussão, abertos
a trabalhadores, gestores, usuários e estudantes de graduação ou pós- graduação, os quais estão
atuando nos serviços de saúde. Portanto, tanto a Oficina de Humanização quanto o GTH são
dispositivos que potencializam o encontro de sujeitos, que desenvolvem as ações de
humanização nas instituições de saúde.
O presente relatório técnico é composto pelos seguintes tópicos: Objetivos
estabelecidos sobre a apresentação da pesquisa; Desenvolvimento, que inclui o planejamento
das ações necessárias para a realização da reunião ampliada, tais como: definição do públicoalvo, elaboração e envio dos convites, reserva de sala e de equipamentos, e a elaboração da
apresentação; Discussões e análises das contribuições, impressões, comentários e elogios
realizados durante a reunião; Considerações finais; e, por fim, as Referências utilizadas na
elaboração do produto.

3.2 Objetivos

Os objetivos estabelecidos para a apresentação dos resultados da pesquisa ao hospital
foram os seguintes:
a) Contribuir para a melhoria do serviço através dos resultados dapesquisa;
b) Promover reflexão com os participantes da reunião sobre os resultados revelados na
pesquisa;
c) Fortalecer a Comissão de Humanização como estratégia de fomento às ações de
humanização.

3.3 Desenvolvimento
A realização da Reunião Ampliada no dia 19 de setembro de 2018, no horário das 11h
às 13h, na sala de aula de nefrologia do HUPAA, requereu algumas providências e articulações
prévias. Inicialmente, definiu-se o público-alvo desta reunião, ou seja, os membros da
Comissão de Humanização e os representantes das Gerências de Ensino e das Linhas de
Cuidado.
O segundo passo foi alinhar com parte desse público: a data, o local e horário mais
viável para todos, para que pudessem se fazer presentes. Esse alinhamento ocorreu através email e foi reforçado por mensagens de WhatsApp. Houve certa dificuldade neste alinhamento,
em função das agendas do representante da Gerência de Ensino e da própria pesquisadora, que
precisou

antecipar

a

data

combinada

39

Após tudo acordado entre as partes, com data, local e horários definidos, a minha
orientadora e co-pesquisadora deste estudo ressaltou a necessidade de convidar todos os
integrantes do Programa de Residência Multiprofissional em Saúde do Adulto e do Idoso da
UFAL, destacando ser este um Mestrado Profissional de Ensino da Saúde, estando o estudo
dentro da Linha de Pesquisa Integração Ensino-Serviço-Comunidade, e estar sendo
desenvolvido em um Hospital docente-assistencial.
A partir dessa ponderação, foram necessárias novas articulações. Desta vez, junto à
Coordenação do Programa de Residência citado anteriormente que, apesar do pouco espaço de
tempo entre o convite e a reunião, mostrou-se muito acolhedora e disponível, ressaltando a
importância da reunião para os residentes, tutoras/es e preceptoras/es. Contou-se com o apoio
de uma residente da área de Psicologia, que ajudou a divulgar e mobilizar os demais residentes
para a reunião. No entanto, em função das várias atividades da Residência Multiprofissional na
data marcada, alguns componentes não puderam se fazer presentes, como foi o caso da
Coordenadora e Vice-coordenadora, que justificaram a ausência. Apesar disso, houve uma
importante participação dos residentes das cinco áreas profissionais que compõem o Programa
(Enfermagem, Farmácia, Nutrição, Psicologia e Serviço Social), bem como de algumas tutoras
epreceptoras.
Diante da ampliação do número de convidados – pois, inicialmente eram esperados
entre dez a quinze pessoas, que se transformaram em vinte e oito – a sala reservada não
comportava esse quantitativo de pessoas. A convite da tutora da área de Farmácia da
Residência, que suspendeu sua aula em favor da reunião, nos alojamos em uma das salas da
Nefrologia. Essa mudança trouxe, inicialmente, desconforto para algumas pessoas que alegaram
não se sentirem confortáveis com mudanças de última hora, salientando que não sentiam
necessidade da participação dos demais convidados da Residência, por estes não terem
participado da pesquisa. Neste momento, a pesquisadora contou com apoio de uma preceptora
da área de Nutrição, que ressaltou a importância da reunião para os residentes, preceptoras/es e
tutoras/es, e expressou seu desejo de participar – desejo esse que foi endossado pela
pesquisadora e que culminou com a concordância de todos em relação à mudança dasala.
No novo espaço físico, após algumas dificuldades iniciais na instalação dos
equipamentos de multimídia e notebook, foi iniciada a reunião e conduzida pela pesquisadora.
Esta agradeceu a todos/as pela presença, em especial aos profissionais que participaram da
pesquisa, ao HUPAA, através da representante da Gerência de Ensino, por ter permitido que se
desenvolvesse a pesquisa nas suas dependências e, por fim, à Gerente das Linhas de Cuidado,
que promoveu a parceria entre SESAU e HUPAA na realização da Oficina de Humanização,
que deu origem a esseestudo.
No momento seguinte, a pesquisadora explicou aos presentes que a Reunião Ampliada

40

seria composta por duas etapas: a primeira, com a explanação sobre a pesquisa, através de
slides que destacaram os tópicos: tema, objetivos, percurso metodológico, resultados e
discussão, considerações finais e referências utilizadas; e a segunda etapa, em que foi facultada
a palavra para todos os presentes interessados em emitirem suas opiniões, contribuições e
impressões sobre o estudoapresentado.
Convém salientar que, para o desenvolvimento da Reunião Ampliada, foram utilizadas
a exposição visual e a Roda de Conversa (ver ANEXOS C e D). A primeira, com o fim de
fornecer informações sobre o estudo realizado, e a segunda, para proporcionar a participação
através das falas – tanto daqueles que estiveram diretamente na pesquisa, quanto daqueles que
foram convidados, por serem da instituição e estimulados a participar das discussões sobre a
humanização das práticas no hospital.
A conversa é um espaço de formação, de troca de experiências, de confraternização,
de desabafo; que muda caminhos, forja opiniões, razão por que a Roda de Conversa
surge como uma forma de reviver o prazer da troca e de produzir dados ricos em
conteúdo e significado para a pesquisa [...] O diálogo é um momento singular de
partilha, uma vez que pressupõe um exercício de escuta e fala. As colocações de
cada participante são construídas a partir da interação com o outro, sejam para
complementar, discordar, sejam para concordar com a fala imediatamente anterior.
Conversar, nesta acepção, remete à compreensão de mais profundidade, de mais
reflexão, assim como de ponderação, no sentido de melhor percepção, de franco
compartilhamento (MOURA; LIMA, 2014,p.98).

A reunião ocorreu no dia 19 de setembro do corrente ano, a qual se iniciou às onze
horas e finalizou às treze horas, tendo a duração de duas horas. Vinte e oito sujeitos
participaram da reunião, com a seguinte representatividade: Gerência de Ensino (01); Gerência
das Linhas de Cuidado (01); Residência Multiprofissional em Saúde – Tutor da área de
Farmácia (01), Preceptor da área de Nutrição (01), Residentes do Serviço Social (04),
Psicologia (04), Farmácia (04), Nutrição (04) e Enfermagem (04); além de Profissionais da
Comissão de Humanização das áreas de: Psicologia (01), Odontologia (01), Nutrição (01) e
Serviço Social (01). Salienta-se que, apesar do número expressivos de presentes, não houve
uma participação significativa através defalas.
Estão nos anexos do TACC: a lista de presença dessa reunião, os slides da
apresentação e o registro fotográfico da reunião. Na etapa seguinte deste RelatórioTécnico,
serão apresentadas as discussões e análises das contribuições, impressões, comentários e
elogios realizados durante a Reunião Ampliada.

3.4 Discussão e Análise

Deve-se considerar que a inclusão dos residentes no âmbito dessa discussão, além de
promover o enriquecimento das propostas e permitir a oportunidade de vivenciarem espaços
democráticos de diálogo e de aprendizado sobre uma das políticas do SUS, promoveu também a

41

articulação em redes de produção na saúde.
Dentre as falas registradas, destacou-se a da tutora da área de Farmácia, que
parabenizou as pesquisadoras pelo estudo, e apresentou-se surpresa, pois desconhecia a
existência da Comissão de Humanização do HUPAA, demonstrando interesse em saber sobre
seu modo de funcionamento, quem pode participar e onde ocorrem as reuniões e seus horários,
pois pretende participar e inserir os alunos neste espaço dediálogo.
A tutora também aproveitou a oportunidade e convidou os membros da Comissão de
Humanização para participarem da próxima aula da Residência, que iria ocorrer no dia 26/09
(quarta-feira), às 10h, momento em que seria discutido o tema “Projeto Terapêutico Singular”.
A tutora da Farmácia ressaltou que, por esse tema se constituir em um dispositivo da PNH,
gostaria de contar com a participação da Comissão de Humanização nas discussões
empreendidas pela Residência sobre o assunto. Ressalta-se, nas colocações realizadas pela
tutora, a necessidade sentida por ela de viabilizar a integração ensino-serviço num hospital que
é docente-assistencial – e que, por esse motivo, deveria promover essaaproximação.
No caderno da PNH sobre Formação e Intervenção (BRASIL, 2012b), reflete-se que:
[...] É necessário que as universidades e seus cursos formem cidadãos-trabalhadores
da saúde que compreendam e tenham condições de interferir sobre múltiplos
campos, que conformam diversos planos de forças que interferem e, muitas vezes,
definem seus processos de trabalho. Dessa forma, a exigência é que formemos
trabalhadores da saúde com capacidade técnica e política para construir novas
realidades institucionais e novas práticas, mais eficazes, mais justas e igualitárias (p.
69).

Convém salientar que, dentre os parâmetros utilizados para implementação de ações da
PNH na atenção hospitalar, encontra-se “a realização de atividades sistemáticas de formação,
articulando processos de educação permanente em saúde para os trabalhadores, contemplando
diferentes temáticas permeadas pelos princípios e conceitos da PNH” (BRASIL, 2012b, p.46).
Percebeu-se, na fala da tutora da Farmácia, a necessidade e o desejo de se
constituírem redes de trabalho entre a Residência Multiprofissional em Saúde do Adulto e do
Idoso e a Comissão de Humanização do HUPAA. Com isso, seria possível fortalecer a
Comissão, enquanto espaço de diálogo institucionalizado, e a Residência Multiprofissional, que
ampliará acessos de conhecimentos, vivências e trocas para os residentes.
Dando sequência à discussão, a presidente da Comissão de Humanização e, também,
Gerente das Linhas de Cuidado respondeu à tutora da Residência sobre o local de
funcionamento da Comissão de Humanização e se colocou à disposição para contribuir com a
Residência Multiprofissional. Neste momento, a pesquisadora sugeriu à presidente que o
cronograma anual das reuniões da Comissão fosse enviado à Coordenação da Residência, para
que seus membros pudessem participar.
Em seguida, a presidente da Comissão teceu elogios à pesquisa e aos resultados
revelados por ela. Agradeceu à pesquisadora pelo apoio que prestou durante o desenvolvimento

42

da Oficina de Humanização, realizada no HUPAA, que culminou com a implantação da
Comissão de Humanização. Segundo ela, esse apoio foi fundamental para a implementação da
PNH no hospital, visto que hoje há um reconhecimento da gestão e dos profissionais que
laboram ali sobre a Comissão. Destacou, ainda, que o grupo se manteve unido, promovendo o
fomento da política. Em seguida, ela informou sobre a realização do II Seminário de
Humanização do HUPAA, a nível de Nordeste, nos dias 25 e 26 de outubro de 2018, e que já
contava com mais de trezentas inscrições. Disse, também, que este evento trará maior
visibilidade para a Comissão de Humanização junto à instituição.
Por fim, a presidente resgatou, em sua fala, a satisfação que sentiu, ao participar da
primeira Roda de Conversa com a equipe de profissionais que compõem a Clínica Médica do
hospital. Esta Roda ocorreu após a Comissão de Humanização escolher ser esta a área para
realizarem o projeto de intervenção, oriundo da Oficina de Humanização das Práticas em Saúde.
Ressaltou, ainda, a participação ativa dos profissionais médicos e dos residentes de Medicina,
além das outras áreas da saúde presentes; atribuiu à Comissão em lide a oportunidade de
vivenciarem momentos de integração entre as equipes, e contribuírem com reflexões potentes
sobre o modo de realizarem a assistência em saúde, seus desafios e potencialidades.
A pesquisadora explicou aos presentes que toda formação promovida pela PNH
implica num produto de intervenção no território em que os participantes estão alocados. No
caso do HUPAA, a área da Clínica Médica foi escolhida pelo grupo para sua primeira
intervenção. Expôs, ainda, quão rica foi a Roda de Conversa realizada junto àquela área,
ressaltando que o mais importante foi o encontro entre médicos e residentes de Medicina, ao
participarem das discussões junto à equipe multiprofissional, compartilhando sentimentos,
desafios a serem vencidos; identificando os avanços e permitindo acessos para um trabalho
mais articulado.
Todos podem participar desses grupos: trabalhadores, técnicos, funcionários,
gestores, coordenadores, usuários, ou seja, todos aqueles que estejam implicados na
construção de propostas para promover as ações humanizadoras, que aprimorem a
rede de atenção em saúde, as inter-relações das equipes e a democratização
institucional nas unidades de prestação de serviço ou nos órgãos das várias
instâncias do SUS (BRASIL, 2008, P.6).

Dando prosseguimento às discussões, houve uma fala da cirurgiã-dentista e membro
da Comissão, em que ela afirmou que, quando a Oficina de Humanização das Práticas em
Saúde foi realizada, já existia no hospital um grupo que discutia a humanização. Diante disso,
sugere que a pesquisadora não se refira à Oficina como tendo sido a que criou a atual Comissão
de Humanização; mas, sim, que a realização da Oficina fortaleceu o grupo para continuar com
suas atividades. A pesquisadora respondeu que o grupo já podia, sim, ter sido formado; mas que
a institucionalização da Comissão de Humanização no hospital só ocorreu após a emissão da

43

Portaria da EBSERH, que reconheceu oficialmente o grupo como tal, e que esse fato só ocorreu
após a realização da referida Oficina.
Outra contribuição foi a da nutricionista, também membro da Comissão de
Humanização, quanto à solicitação de correção de um dos slides da apresentação, no qual não
constava a representatividade da sua área profissional, bem como da Educadora Física. A
pesquisadora explicou que, para a roda de coprodução de informações da pesquisa, a Nutrição e
a Educação Física não puderam participar e que, por esta razão, não constam suas respectivas
áreas nomaterial.
Seguindo as discussões, foi apresentada a contribuição do residente de Psicologia, que
trouxe uma fala sobre as implicações na transformação dos espaços de atuação profissional, a
partir de uma maior integração e reflexão sobre o modo de fazer, proporcionadas por espaços
institucionalizados como a Comissão de Humanização. Enfatizou, ainda, a importância de se ter
clareza sobre o que são ações humanitárias e o que são ações pautadas na PNH, ao comentar
sobre a análise da categoria da pesquisa, que fala sobre a polissemia do conceito de
Humanização. Por fim, a Presidente da Comissão voltou a parabenizar a pesquisa, afirmando
que a mesma provocou os envolvidos a olharem o outro como pessoa e não como doença.
Dentre os resultados esperados com a implementação da PNH, pode-se registrar o
estímulo à prática da gestão participativa como um dos avanços para os serviços de saúde, nos
quais os processos de trabalho, a organização dos serviços e as decisões são amparadas no
coletivo e representados pela tríade de gestores, trabalhadores e usuários do SUS.
As unidades de saúde garantirão gestão participativa aos seus trabalhadores e
usuários, com investimento na educação permanente em saúde dos trabalhadores, na
adequação de ambiência e espaços saudáveis e acolhedores de trabalho, propiciando
maior integração de trabalhadores e usuários em diferentes momentos (diferentes
rodas e encontros) (BRASIL, 2012a, p. 31).

Por conta do adiantado do horário e observando que os participantes começaram a
ficar silenciosos, a pesquisadora agradeceu a presença e as contribuições oferecidas e finalizou
a Reunião Ampliada.
Na sequência do Relatório, encontram-se as Considerações Finais do que representou
esta Reunião Ampliada para apresentação dos resultados da pesquisa.

3.5 Considerações Finais

Apesar da grande adesão dos convidados ao convite de participarem da Reunião
Ampliada para apresentação dos resultados da pesquisa, não houve um grande número de
contribuições, pois poucos fizeram uso da palavra, quando esta foi facultada. Vários fatores
podem ter influenciado esse comportamento. Apresento, aqui, algumas hipóteses: a presença de

44

gestores no grupo pode ter inibido uma maior participação; os residentes, por não terem
participado da pesquisa, não se sentiram implicados ou imbuídos no processo; as relações de
poder entre servidores, professores e residentes provocou receios e, também, o horário marcado
para a reunião, próximo ao horário do almoço, pode não ter favorecido uma maior participação
dos presentes.
Entretanto, há um fato que se destacou nesta reunião e que já havia se repetido durante
todos os encontros da Oficina de Humanização, objeto de estudo desta pesquisa: o silêncio dos
residentes da Residência Multiprofissional em Saúde, que nos leva a questionar sobre o seu
significado. Acreditamos ser necessário aprofundar o olhar sobre esses silêncios e o que eles
podem trazer sobre sentimentos e percepções que contribuam potencialmente para a
transformação das práticas de saúde do HUPAA. Apesar de apenas um dos vinte residentes
presentes na reunião ter comentado algo, sua fala foipertinente.
No que tange aos resultados da pesquisa, esta conseguiu responder à pergunta que a
originou, pois a Oficina de Humanização promoveu mudanças nas práticas dos profissionais de
saúde que dela participaram. Contudo, em se tratando de uma Política que aciona as
subjetividades de seus atores e que estimula mudanças na micropolítica do fazer de cada
profissional de saúde, ainda será necessário um acentuado investimento da gestão institucional,
para que a PNH venha a orientar as práticas da assistência doHUPAA.

REFERÊNCIAS

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Núcleo Técnico da Política
Nacional de Humanização. Humaniza SUS: Documento base para gestores e
trabalhadores do SUS. 4. ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2012a.
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Nacional de Humanização. Grupo de Trabalho de Humanização. 2. ed. Brasília: Editora do
Ministério da Saúde,2008.
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Humanização. Formação e intervenção. Brasília: Ministério da Saúde,2012b.
MOURA, A. F.; LIMA, M. G. A Reinvenção da Roda: Roda de Conversa, um instrumento
metodológico possível. Revista Temas em Educação, v. 23, n. 1, p. 95-103, 2014.

45

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS DO TACC

Minha experiência dentro do Mestrado Profissional do Ensino na Saúde, da Faculdade
de Medicina da Universidade Federal de Alagoas, se constituiu em vários ciclos e sentimentos
diversos. Fomos privilegiados por nossa turma ser composta por sujeitos especiais, o que
resultou num vínculo fraterno, solidário e prazeroso em poder desfrutar da companhia de todos.
Os ciclos vivenciados durante o primeiro ano de convivência em sala de aula foram de muito
aprendizado, e possibilitaram a abertura de novos conhecimentos e oportunidades. O segundo
ciclo, quando nos afastamos fisicamente para a construção da pesquisa, não foi uma vivência
fácil e tranquila, apesar de profunda; um mergulho no conhecimento, que se estava produzindo
e vivenciando ao mesmo tempo, em que houve momentos de angústia e, por vezes, a certeza de
que nãoconseguiria.
É importante destacar que o Mestrado Profissional do Ensino na Saúde traz muito
sacrifício para o aluno, que também é trabalhador, pois este precisa, ao mesmo tempo,
desempenhar suas atribuições de aluno e de trabalhador. E isso termina levando a uma
sobrecarga de atividades para este sujeito, gerando, por vezes, o adoecimento. Além disso,
podemos mencionar, ainda, a exigência de se elaborar um produto de intervenção, que
contribua com o serviço de saúde no qual houve a pesquisa.
Contudo, apesar do que foi citado anteriormente, essa experiência também se
caracterizou como uma excelente oportunidade de crescimento enquanto pesquisadora. Em
decorrência da minha trajetória profissional ter sido apenas na assistência e na gestão de
serviços de saúde, vivenciei pouco a experiência da docência, área da qual ressalto ter grande
afinidade e expectativa de investir após a defesa deste Trabalho Acadêmico.
Vale salientar que esta pesquisa deu origem ao artigo: “A Oficina de Humanização
como Possibilidade para Transformação do Trabalho em Saúde”, na qual, ao se refletir sobre os
avanços produzidos pela referida oficina, percebeu-se que esses avanços foram pequenos e
frágeis `para a efetivação da PNH no hospital. Observou-se o desejo dos profissionais em
desenvolverem práticas mais humanizadas; porém esse desejo isoladamente não é suficiente
para efetivá-las, fazendo-se necessário mais investimento e vontade política da gestão do
hospital, para que a PNH venha a orientar as práticas de saúde do HUPAA.
O produto de intervenção pretendeu apresentar os resultados da pesquisa aos atores
envolvidos e aos convidados. Mas, para além disso, também buscou promover uma reflexão
coletiva sobre a importância de se fortalecer a Comissão de Humanização, enquanto espaço de
encontro de sujeitos que ali laboram, constituindo-se um espaço aberto a todos os interessados
em participarem das discussões nele suscitadas. Assim, para isso acontecer, precisa ter uma

46

maior divulgação entre os trabalhadores eusuários.
Propõe-se, destarte, o fortalecimento de espaços de diálogos como a Comissão de
Humanização, enquanto estratégia de enfrentamento ao desafio de identificar os fatores que
impedem a efetivação da PNH no cotidiano das práticas dos profissionais do HUPAA. A
contribuição almejada por esse estudo é que se possam oferecer mais instrumentos de análise
sobre a PNH em Alagoas, estimulando outros pesquisadores a explorar mais profundamente o
tema.
Este trabalho se constitui numa análise científica sobre os desdobramentos da Oficina de
Humanização, realizada junto a profissionais de saúde do HUPAA, revelando suas
potencialidades e fragilidades na implementação da PNH neste hospital. No entanto, faz-se
necessário outros estudos, que busquem identificar e aprofundar quais os fatores que impedem a
sua efetivação e que apontem estratégias de enfrentamento e superação.

47

REFERÊNCIAS GERAIS

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Oficina de Humanização das práticas de saúde realizada no Hospital Universitário Prof.
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BARROS, M. E. B.; MORI, M. E.; BASTOS, S. S. O Desafio da Política Nacional de
Humanização nos Processos de Trabalho: O Instrumento “Programa de Formação em Saúde e
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. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Núcleo Técnico daPolítica
Nacional de Humanização. Humaniza SUS: Documento base para gestores e trabalhadores do
SUS. 4. ed. Brasília: Ministério da Saúde,2010a.
. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Núcleo Técnico da Política
Nacional de Humanização. Grupo de Trabalho de Humanização. 2. ed. Brasília: Editora do
Ministério da Saúde,2008.
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da Atenção e Gestão do SUS. Gestão participativa e cogestão. Brasília: Ministério da
Saúde,2009.

48

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aproximações

teóricas e metodológicas. São Paulo: Cortez, 2000.

; FREZZA; R. M. Práticas discursivas e produção de sentidos: a perspectivada Psicologia
Social. In: SPINK, M. J. Práticas discursivas e produção de sentido no cotidiano:
aproximações
teóricas
e
metodológicas.
São
Paulo:
Cortez,1999.

49

APÊNDICE A – Mapa Dialógico
SOBRE O QUE FALOU?
QUEM
FALOU?

P7

COMISSÃO DE HUMANIZAÇÃO:
ESPAÇO
DE
DIÁLOGO
INSTITUCIONALIZADO

CONHECIMENTO
LEGISLAÇÃOPNH

SOBRE

DA

APOIO DA GESTÃO: FATOR
DETERMINANTE
PARA
FORTALECIMENTO DA
PNH

POLISSEMIA SOBRE
CONCEITO
DE
HUMANIZAÇÃO
[...]para valorizar, como o
aniversariantes do mês,
algumas
atividades
de
cuidados
com
os
trabalhadores, integrar mais
essa equipe, fazer reunião
multidisciplinar, porque as
queixas do usuários com
relação aos profissionais
poderiam ser minimizadas,
com relação a isso, a gente
cuidando melhor da nossa
equipe, interagindo melhor,
tornando aquele ambiente
mais agradável de se
trabalhar poderia minimizar
o estresse e o adoecimento e
melhorar a qualidade da
assistência
com
os
usuários[...](P7:L142-L165)

50
SOBRE O QUE FALOU?
QUEM
FALOU?

COMISSÃO DE HUMANIZAÇÃO:
ESPAÇO
DE
DIÁLOGO
INSTITUCIONALIZADO

CONHECIMENTO SOBRE
LEGISLAÇÃO PNH

DA

APOIO DA GESTÃO:FATOR
DETERMINANTE
PARA
FORTALECIMENTO
DA
PNH

P1

R2

P4

POLISSEMIA SOBRE
CONCEITO
DE
HUMANIZAÇÃO
[...]e a gente conseguiu fazer
um trabalho lindo aqui
dentro desse hospital, foi
uma semana toda de dia das
crianças, com
bastante
fartura, tem presente ai pras
crianças já pra dezembro por
conta
de
toda
uma
mobilização e de um
reconhecimento, união e
fortalecimento que teve das
equipes, mesmos em setores
diferentes, mas isso ai foi
um processo que foi
construído, que foi a partir
dessa momento dessa oficina
que favoreceu esses espaços
que a gente não tinha
anteriormente.(P1:L185L195)

E também levando em consideração
que também a gestão está envolvida,
e como é mais fácil da implantação
quando tá envolvida, e talvez se a
gestão não tivesse envolvida tivesse
mais
dificuldade
para
os
trabalhadores na implantação dessa
oficina, como isso é bom levarpara
outros espaços (R2: L196-L207).
[...]essas oficinas vieram apenas
agrupar, para que as pessoas
entendessem que não estavam
sozinhas, para que as pessoas
entendessem que isso era um projeto
institucional e não um projeto

51
SOBRE O QUE FALOU?
QUEM
FALOU?

P2

R5

COMISSÃO DE HUMANIZAÇÃO:
ESPAÇO
DE
DIÁLOGO
INSTITUCIONALIZADO

CONHECIMENTO SOBRE
LEGISLAÇÃO PNH

DA

APOIO DA GESTÃO:FATOR
DETERMINANTE
PARA
FORTALECIMENTO
DA
PNH
pessoal, que a instituição tem que
está presente...(P4:L270-L304).

POLISSEMIA SOBRE
CONCEITO
DE
HUMANIZAÇÃO

[....]chegou a oficina e se pensou pra
gente esse direcionamento né de
ampliar, de entender o mecanismo de
fazer o processo diferente, de dados
embasados nos conhecimentos que a
gente iria adquirir e somar(P2: L305L321).
Pra gente a chegar e fazer
diferente é desafiante, e
escutar o usuário sempre
naquele processo todo de
doença, que ele tá naquele
processo junto com os
acompanhantes, sair um
pouquinho, fazer um curso
como a gente fazia e eles
sempre me diziam: “Ah nem
parecia que eu estava aqui
num hospital”, porque
favorecia assim um espaço
para que eles pudessem
pensar outras coisas, ter
outros momentos que não
fosse só a questão da saúde,
a questão da doença, eu
acho que isso é também
humanização e isso é
gratificante enquanto assim
profissionais de saúde, é
bem válido, desafiador, e
ainda continua sendo apesar
dos avanços,muito
desafiador a saúde (R5:

52
SOBRE O QUE FALOU?
QUEM
FALOU?

COMISSÃO DE HUMANIZAÇÃO:
ESPAÇO
DE
DIÁLOGO
INSTITUCIONALIZADO

CONHECIMENTO SOBRE
LEGISLAÇÃO PNH

DA

APOIO DA GESTÃO:FATOR
DETERMINANTE
PARA
FORTALECIMENTO
DA
PNH

POLISSEMIA SOBRE
CONCEITO
DE
HUMANIZAÇÃO
L342-L354).

P7

P1

P4

P6

[..]no final da oficina todo mundo ficou
emponderado e passou a ter mais
conhecimento, a identificar o que era e
o que não era e a se perguntar: o que é?
O que não é?.. (P7:L355-L374).
[...]e eu acho que já começou, tanto é
que em algumas situações que
acontecem a gente escuta:” eita a gente
precisa ir lá na reunião conversar com a
comissão de humanização, vamos lá na
reunião que a gente vai discutir assunto
tal” vá, é aberta, pode ir, “eita já sei a
quem vou procurar, vou ver o que a
comissão de humanização vai poder
contribuir nesse sentido,” então já tem
de certa forma essa referência, a
comissão ou algumas pessoas que estão
dentro da própria comissão (P1:
L412-L428).
A grande ideia é que de uma forma
geral os profissionais vão
se
agrupando, se desenvolvendo e a
comissão fique mais na assessoria,
acompanhando os grupos... (P4:L429L447)
Eu acho que o conhecimento em
relação a política como eu já falei, acho
que foi uma grande contribuição e o
ensinamento de direcionamento de
como criar o grupo, de como expor as
atividades e funcionalidades do
hospital, mas acho que foi o
conhecimento e o ensinamento mesmo
pra mim foi o principal, porque hojea

53
SOBRE O QUE FALOU?
QUEM
FALOU?

COMISSÃO DE HUMANIZAÇÃO:
ESPAÇO
DE
DIÁLOGO
INSTITUCIONALIZADO

P4

DA

gente sabe que tantas coisas podem
virar projetos de humanização, tanta
coisa que a gente faz um pouquinho
aqui um pouquinho ali, mas não vira
um projeto oficial, então eu acho que
conhecimento de como fazer isso foio
principal (P6: L466-L473).
Eu também concordo com a P6
conhecimento foi fundamental. Mas
além do conhecimento pra mim foi o
fortalecimento, esse vínculo com
pessoas que estavam tão distantes de
mim foi maravilhoso (P5:L474-L493).

P5

P7

CONHECIMENTO SOBRE
LEGISLAÇÃO PNH

[...]Porque na verdade todos nós já
fazíamos alguma coisa, mas todo
mundo faziam muito separado,
isolados, não é? E assim algumas
pessoas já conseguiam trabalhar um
pouco juntas, outras não, e o
fortalecimento veio com a criação do
grupo, foi muito importante, o grupo
foi indispensável para fortalecer a
humanização aqui hospital, talvez se a
gente fizesse só o seminário e não
tivesse criado o grupo, a gente não teria
crescido tanto. (P7:L494-L511).
[...]a contribuição que a oficina me deu
na verdade, foi essa oportunidadede
agregar, de perceber o grande volume

APOIO DA GESTÃO:FATOR
DETERMINANTE
PARA
FORTALECIMENTO
DA
PNH

[...] E a ideia de aplicar isso ao meu
trabalho, tanto é que quando eu vi a
minuta eu mandei logo pro grupo de
humanização, eu coloquei a minuta e
alguém colocou: “precisamos discutir
isso.” Eu coloquei realmente pra
discussão, quer dizer que o que eu
pensava antes de vigilância em saúde,
defendendo isso ai de corpo e alma,
não precisou eu falar, a própria
sede(EBSERH) mandou (P5:L474L493).

Eu queria falar assim referente ao
grupo, conhecimento e fortalecimento,
o grupo precisava conhecer mais, pra
poder a gente ter mais referencial e
conhecimento teórico para saber se a
gente estava fazendo certo, a gente
precisava saber pra fazer da maneira
mais correta, por isso o conhecimento e
fortalecimento foi muito bom[...]( P7:
L494-L511)

E a própria gestão esta avançando né?
Que também foi outracontribuição
da oficina, pra gestão perceber oque

POLISSEMIA SOBRE
CONCEITO
DE
HUMANIZAÇÃO

54
SOBRE O QUE FALOU?
QUEM
FALOU?

COMISSÃO DE HUMANIZAÇÃO:
ESPAÇO
DE
DIÁLOGO
INSTITUCIONALIZADO

CONHECIMENTO SOBRE
LEGISLAÇÃO PNH

DA

APOIO DA GESTÃO:FATOR
DETERMINANTE
PARA
FORTALECIMENTO
DA
PNH
é a humanização ne? Porque também
não percebia que em relação a todas
as questões dos acompanhantes, de
como a gente vai acolher esse
acompanhante,
como
esse
acompanhante dormindo onde? Então
a gente já providenciou poltronas,
não chegou pra todas as clínicas
ainda, mas já chegou alguns lugares
que não tinha poltronas pra eles
dormirem e apesar de todas as
dificuldades a gente hoje tem outro
olhar para humanização, vamos ter
uma sala já está definido, estamos
esperando que isso aconteça, acredito
que no início do ano isso já vamos
ter uma sala nossa...(P4:L529-L573).

A contribuição acho que foi o despertar
do conhecimento porque como a gente
trabalha, eu como já tenho 20 anos de
trabalho, já trabalhei essa questão da
humanização, e não é uma questão
nova na verdade, mas veio que inovar
esse conhecimento e me fortalecer
enquanto profissionais e trabalhador
(P1: L574-L593).

[....]E Também a questão da gestão,
eu acho que a gente outro ponto
ganho
pra
gente,
foi
esse
reconhecimento da gestão de
valorizar
esses
trabalhos,
de
oportunizar esses espaços e valorizar,
Já tem vários ganhos, foi a cartilha, é
a comissão, é o seminário, temos
vários artistas
e a gente tásó
começando, e eu acho que vai ter
uma ampliação muito maior (P1:
L574-L593).

de profissionais que tinha aqui voltado
pra isso, voltado para essa concepção
que nós tínhamos e, no entanto tão
dispersos e quando eu cheguei na
gestão eu dizia: o que é isso? O que é
linha de cuidado? E as pessoas não
sabiam. E porque as pessoas estavam
dispersas, cada um no seu canto, cada
um produzindo sozinhas[...]( P4: L529L573).
[...] acho que a gente precisa pensar
numa oficina já nós aqui, esse grupo, a
comissão já pode propor agora para
2018 um oficina de humanização e ai já
trazermos as pessoas aqui do hospital,
dos setores, sentar para pensar[...](P4:
L529-L573)
[...]Outra questão foi a da visibilidade
de outros colegas de trabalho, de
conhecer e me aproximar
eaté
desenvolver trabalhos conjuntos e até
de enxergar lá o setor (P1: L574-L593).

P1

P3

Revisando algumas coisas, própria
legislação, juntos somos mais forte.
Essa oficina veio assim de certa forma
no momento em que o HU está muito
dividido, de um lado os RJU e de outro

[...]acho que a contribuição foi de
conhecer melhor a lei, a legislação da
PNH, a construção desse grupo, da
gente poder tá junto, apesar dagente
nem sempre poder por estarmos

POLISSEMIA SOBRE
CONCEITO
DE
HUMANIZAÇÃO

55
SOBRE O QUE FALOU?
QUEM
FALOU?

COMISSÃO DE HUMANIZAÇÃO:
ESPAÇO
DE
DIÁLOGO
INSTITUCIONALIZADO

CONHECIMENTO SOBRE
LEGISLAÇÃO PNH

a EBSERH, e naquele momento no
início a gente não estava nessa divisão,
e a gente teve a oportunidade e alguma
forma de tá juntos, de trabalharmos
juntos, não importa se é EBSERH ou
RJU, nós somos o HU independente de
qualquer coisa, isso a gente percebeu e
juntos com a gestão a gente conseguiu,
assim nesse momento a oficina foi
importante (P3: L598-L615).

ocupado, mas a gente sempre tá junto
né? (P3: L598-L615).

P8

P8

DA

APOIO DA GESTÃO:FATOR
DETERMINANTE
PARA
FORTALECIMENTO
DA
PNH

POLISSEMIA SOBRE
CONCEITO
DE
HUMANIZAÇÃO

[...] a gente conseguiu implantar a
brinquedoteca que foi um movimento
dos profissionais e a gestão ficava
muito distante disso, e a gente sentiu
a necessidade de dar visibilidadea
esse espaço (P8: L616-L634).
...]desmistificar aquele mito que
profissional humanizado é aquele que
passa a mão na cabeça do usuário, que
eu já escutei muito, falam muito, então
eu conseguir ficar mais segura que eu
estou trabalhando e não estou sendo
boazinha, e ter outro olhar também da
atenção do trabalhador, a gente pensou
alguns cursos rápidos de capacitação e
treinamento pra equipe em relação a
humanização, P7 fez junto comigo,
agente
fez na
pediatria
mas
infelizmente sem ter o apoio da gestão
e das coordenações pra liberar e
motivar esses
funcionários pra
participar porque quem participou foi
só o estudante, a gente é um espaçoque
ia discutir com a equipe da pediatria
quais as ações de humanização que a

os projetos aqui de extensão
daqui do hospital, o sorriso
de plantão então resgatar, a
brinquedoteca, a contação de
história, os projetos estavam
agindo assim de forma
isolada, ai a gente resolveu
montar uma comissão de
atividades
lúdicas,
assistências e espirituais pra
discutir e unir e trabalhar de
forma conjunta e pensar em
estratégias para organizar as
atividades
espirituais,
porque tem os grupos
religiosos aqui pra poder dar
algumas palavras
de
conforto, e pensar em como
a gente faz pra organizar

56
SOBRE O QUE FALOU?
QUEM
FALOU?

COMISSÃO DE HUMANIZAÇÃO:
ESPAÇO
DE
DIÁLOGO
INSTITUCIONALIZADO

CONHECIMENTO SOBRE
LEGISLAÇÃO PNH

DA

gente precisa melhorar, quais as
sugestões, e não compareceu ninguém
da equipe, só os estudantes, então a
gente tá precisando retomar novamente
esse espaço.. (P8: L635-L660)
[...] buscar outras estratégias pra ficar
discutindo
isso
com
outros
profissionais, porque a gente já tem
embasamento, já tem uma prática agora
é contaminar outras pessoas,..., pra elas
se engajarem e se contaminarem, para
elas mudarem, e transformar realmente
o atendimento aqui no hospital que ele
seja de excelência, referência pra todo
Brasil (P8: L635-L660)
P2

P8

POLISSEMIA SOBRE
CONCEITO
DE
HUMANIZAÇÃO
isso, e que tem também na
minuta pra gente pensar em
estar realizando alguma
atividade em relação a isso,
mas a gente está a frente
dessa comissão mas a gente
pode trabalhar em conjunto
com as duas comissões. (P8:
L661-L677)

Quais contribuições da oficina? com
certeza eu acho que foi o
emponderamento, pelo menos assim,
do que eu buscava de somar, conhecer,
de entender melhor o que é a política,
porque eu sou péssima em decorar lei,
mas isso trouxe conhecimento sobrea
legislação (P2:L693-L707).
[...]os projetos aqui de extensão daqui
do hospital, o sorriso de plantão então
resgatar, a brinquedoteca, a contação
de história, os projetos estavam agindo
assim de forma isolada, ai a gente
resolveu montar uma comissão de
atividades lúdicas, assistências e
espirituais pra discutir e unir
e
trabalhar de forma conjunta e pensar
em estratégias para organizar as
atividades espirituais, porque tem os
grupos religiosos aqui pra poder dar

APOIO DA GESTÃO:FATOR
DETERMINANTE
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FORTALECIMENTO
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PNH

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SOBRE O QUE FALOU?
QUEM
FALOU?

COMISSÃO DE HUMANIZAÇÃO:
ESPAÇO
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DIÁLOGO
INSTITUCIONALIZADO

CONHECIMENTO SOBRE
LEGISLAÇÃO PNH

DA

algumas palavras de conforto, e pensar
em como a gente faz pra organizar isso,
e que tem também na minuta pra gente
pensar em estar realizando alguma
atividade em relação a isso, mas a
gente está a frente dessa comissão mas
a gente pode trabalhar em conjunto
com as duas comissões (P8:L661L677).
R4

[...]Então esse espaço esta trazendo
coisas novas, e está com base na
política, e tem uma lei, uma legislação
que apoia essa iniciativa, não é uma
criatividade, porque é bonzinho, mas
porque tem um efeito positivo nesse
trabalho. Pra gente funcionou nesse
sentido de também, apoiar e discutir é
importante tem de ser feito sim, e está
fundamentado (R4: L708-L718).

APOIO DA GESTÃO:FATOR
DETERMINANTE
PARA
FORTALECIMENTO
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PNH

POLISSEMIA SOBRE
CONCEITO
DE
HUMANIZAÇÃO

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ANEXO A – Parecer do Comitê de Ética da Universidade Federal de Alagoas

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ANEXO B - Lista de presença dos participantes da reunião ampliada para apresentação dos
resultados da pesquisa

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ANEXO C - Slides utilizados na reunião ampliada para a apresentação dos resultados da
pesquisa

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ANEXO D - Registro fotográfico da reunião ampliada para apresentação dos resultados da
pesquisa

Fonte: arquivo pessoal da pesquisadora.