Suderlande da Silva Leão - A INTERDISCIPLINARIDADE NA RESIDÊNCIA MULTIPROFISSIONAL DE UMA UNIVERSIDADE FEDERAL DO NORDESTE: À ÓPTICA DOS RESIDENTES

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UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
FACULDADE DE MEDICINA
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENSINO NA SAÚDE

A INTERDISCIPLINARIDADE NA RESIDÊNCIA MULTIPROFISSIONAL DE UMA
UNIVERSIDADE FEDERAL DO NORDESTE:
À ÓPTICA DOS RESIDENTES

SUDERLANDE DA SILVA LEÃO

MACEIÓ-AL
2018

1

SUDERLANDE DA SILVA LEÃO

A INTERDISCIPLINARIDADE NA RESIDÊNCIA MULTIPROFISSIONAL DE UMA
UNIVERSIDADE FEDERAL DO NORDESTE:
À ÓPTICA DOS RESIDENTES
Trabalho Acadêmico de Mestrado Profissional,
apresentado ao Programa de Pós-Graduação em Ensino
na Saúde da Faculdade de Medicina (FAMED), da
Universidade Federal de Alagoas (UFAL), como requisito
parcial para obtenção do título de Mestre em Ensino na
Saúde.
Orientador: Prof. Dr. Sérgio Seiji Aragaki.
Linha de Pesquisa: Integração, ensino, serviço de saúde
e comunidade.

MACEIÓ-AL
2018

2

Catalogação na fonte
Universidade Federal de Alagoas
Biblioteca Central
Bibliotecário Responsável: Marcelino de Carvalho
L437i Leão, Suderlande da Silva.
A interdisciplinaridade na residência multiprofissional de uma universidade
federal do Nordeste : à óptica dos residentes / Suderlande da Silva Leão. – 2019.
122 f. : il. color.
Orientador: Sérgio Seiji Aragaki.
Dissertação (Mestrado Profissional em Ensino na Saúde) –
Universidade Federal de Alagoas. Faculdade de Medicina. Programa de
Pós-Graduação em Ensino na Saúde. Maceió, 2018.
Inclui bibliografias. Apêndices: f.
88-110.
Anexos: f. 111-122.
1. Ensino superior. 2. Hospitais de ensino. 3. Equipe de assistência ao
paciente. 4. Preceptoria. 5. Universidade Federal de Alagoas. Faculdade de
Medicina. I. Título.
CDU: 616:378.147

3

FOLHA DE APROVAÇÃO

4

AGRADECIMENTOS

Não é fácil elencar aqueles a quem preciso agradecer pela conquista desse
sonho, por ter conseguido finalmente chegar até aqui e encerrar mais este ciclo
depois de tantos momentos em que pensei que não iria conseguir.
Agradeço, primeiramente, a Deus, por me guiar, dar forças, coragem e
sabedoria, permitindo mais essa conquista em minha vida.
Às minhas filhas Rafaela e Rebeca, pois são a razão de tudo. Pelos abraços,
beijinhos, declarações de amor ou, simplesmente, pelos olhares de ternura. Como
isso me fortalece!
À minha mãe, pelos preciosos conselhos ao longo da minha vida, sempre
com palavras de incentivo e pela ajuda com “as minhas pequenas”.
Ao meu esposo Rafael, por seu cuidado, carinho e companheirismo. Por
muitas vezes ter segurado a barra, sempre reafirmando, em meus momentos de
fraqueza, que eu era capaz.
Aos meus avós Argemiro e Antônia (in memoriam), que por meio de uma
educação rígida, mas cheia de amor, me ensinaram a trilhar sempre o caminho do
bem e a lutar pelos meus objetivos com honestidade. A vocês a minha eterna
gratidão!
À minha sogra, pela torcida e apoio em vários momentos.
As amigas-enfermeiras, Suely Angelo, Vanessa Cavalari e Daniela Magalhães
que, de alguma forma, me ajudaram nessa caminhada, me incentivando e sempre
disponíveis a ajudar; em especial a Silvana Barros, pois sempre me inspirou na
conquista desse sonho e me ajudou em vários momentos de minha vida. É um
privilégio ter conhecido vocês!
A todos da turma MPES 2016. Se tivesse uma palavra para descrever essa
turma seria “companheirismo”. Em especial a Regina Braga, amiga querida de um
coração imenso, que está sempre disponível a ajudar.
Ao meu orientador, Prof. Dr. Sérgio Aragaki, pela disponibilidade, por me
nortear de forma firme em suas recomendações e pelas ricas contribuições no
desenvolvimento dessa pesquisa.

5

Aos tutores, preceptores e residentes da Residência Multiprofissional em
Saúde do Adulto e do Idoso pela participação na pesquisa.
Às professoras das bancas de qualificação e de defesa, pela disponibilidade e
grandes contribuições em prol do aperfeiçoamento deste estudo.
Muito obrigada!

6

RESUMO GERAL DO TRABALHO

Este Trabalho Acadêmico de Conclusão de Curso consta de uma dissertação e dois
produtos educacionais (um artigo científico e um relatório técnico de uma oficina),
oriundos de uma pesquisa desenvolvida no Mestrado Profissional em Ensino na
Saúde da Faculdade de Medicina (MPES) da Universidade Federal de Alagoas
(UFAL). Todos esses componentes foram motivados pela minha vivência como
preceptora em um hospital público de ensino. Diante dos princípios do Sistema
Único de Saúde (SUS), uma das estratégias elaboradas pelos Ministérios da
Educação (MEC) e da Saúde (MS) para sua operacionalização são os programas de
residência multiprofissional em saúde. Estas têm o intuito de garantir a formação
fundamentada na atenção integral, multiprofissional e interdisciplinar (BRASIL,
2102). Diante disso, a pesquisa teve como objetivo analisar os discursos de
residentes para saber se a Residência Multiprofissional em Saúde do Adulto e do
Idoso (RMSAI) de uma universidade pública do nordeste brasileiro está formando
profissionais para o trabalho interdisciplinar na saúde. Os resultados mostraram que
a interdisciplinaridade acontece de forma incipiente, com o predomínio de práticas
individuais ou multidisciplinares. Para que as práticas interdisciplinares possam se
firmar como práxis de maior intensidade, são necessárias mudanças em aspectos
organizacionais, estruturais e interpessoais do curso. A partir desses resultados,
como primeiro produto educacional foi escrito um artigo, tendo como base a
pesquisa, o qual será submetido a um periódico científico. O segundo produto é o
relatório técnico de uma oficina, a qual teve como objetivo promover um feedback
reflexivo sobre os resultados da pesquisa e produzir propostas para melhoria da
formação proporcionada pela RMSAI. A oficina, atingindo o objetivo, se constituiu
em uma importante estratégia de reflexão acerca do tema interdisciplinaridade no
âmbito da RMSAI, fomentando a troca de experiências e ideias entre as
participantes. Além disso, se configurou em uma oportunidade de avaliar de forma
colaborativa ambientes de práticas educativas, tal como proposto pelo mestrado
profissional.
Palavras-chave: Ensino superior; Hospitais de ensino; Equipe interdisciplinar de
saúde.

7

GENERAL ABSTRACT

This Academic Work consists of a dissertation and two educational product. Result
of a research developed in the Professional Master in Health Teaching of the Faculty
of Medicine (PMHT) of the Federal University of Alagoas (FUAL), It was motivated by
my experience as a preceptor in a public teaching hospital. Considering the
principles of the Unified Health System (UHS), one of the strategies developed by the
Ministries of Education (MEC) and Health (MH) for its operationalization are the
multiprofessional health residency programs. These are intended to guarantee
training based on comprehensive, multiprofessional and interdisciplinary care
(BRASIL, 2102). The aim of this research was to analyze the discourses of the
residents to know whether the Multiprofessional Residency in Adult and Elderly
Health (RMSAI) of a public university in the Brazilian Northeast is training
professionals for interdisciplinary health work. The results showed that the
interdisciplinarity happens in an incipient way, with the predominance of individual
and multidisciplinarity practices. In order for interdisciplinarity practices to be
established as a more intense praxis, changes in the organizational, structural and
interpersonal aspects of the course are required. Based on these results, as the first
educational product was written a scientific article, based on the research, which will
be submitted in a scientific journal. The second product is the technical report of a
workshop, which aimed to promote reflective feedback on the results of the research
and to produce proposals to improve the training provided by the MRAEH. As the
workshop achieved its objective it became an important strategy for reflection on the
subject of interdisciplinarity within the MRAEH, fostering the exchange of
experiences and ideas among the participants. Besides, it has been configured in an
opportunity to collaboratively evaluate environments of educational practices, as
proposed by the professional master degree.
Keywords: Higher education; Teaching hospitals; Interdisciplinary health team.

8

LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

BVS
CACON
CEP
CNRMS
CNS
COREMU
DCN
FAMED
MEC
MPES
PTS
PPC
RMS
RMSAI
SUS
TCLE
TI
TS
UFAL
UBS

Biblioteca Virtual em Saúde
Centro de Alta Complexidade em Oncologia
Comitê de Ética em Pesquisa
Comissão Nacional de Residência Multiprofissional de Saúde
Conselho Nacional de Saúde
Comissão de Residência Multiprofissional
Diretrizes Curriculares Nacionais
Faculdade de Medicina
Ministério da Educação
Mestrado Profissional em Ensino na Saúde
Projeto Terapêutico Singular
Projeto Pedagógico do Curso
Residência Multiprofissional em Saúde
Residência Multiprofissional em Saúde do Adulto e do Idoso
Sistema Único de Saúde
Termo de Consentimento Livre e Esclarecido
Transcrição Integral
Transcrição Sequencial
Universidade Federal de Alagoas
Unidade Básica de Saúde

9

LISTA DE FOTOS

Foto 1
Foto 2
Foto 3
Foto 4
Foto 5
Foto 6

Imagens da apresentação dos resultados.........................................
Imagens da apresentação dos resultados.........................................
Desenvolvimento da oficina...............................................................
Desenvolvimento da oficina...............................................................
Apresentação dos desafios e propostas............................................
Apresentação dos desafios e propostas............................................

72
72
73
73
73
73

10

LISTA DE QUADROS

Quadro I
Quadro II

Relação
de
atividades
individuais,
multidisciplinares,
interdisciplinares, transdisciplinares...........................................
27
Desafios/propostas............................................................................ 74

11

SUMÁRIO

APRESENTAÇÃO GERAL DO TACC...............................................................

13

DISSERTAÇÃO: A INTERDISCIPLINARIDADE NA RESIDÊNCIA
MULTIPROFISSIONAL DE UMA UNIVERSIDADE FEDERAL DO
NORDESTE: A ÓPTICA DOS RESIDENTES..................................................

15

INTRODUÇÃO..................................................................................................

17

1 A COMPOSIÇÃO DO TRABALHO EM EQUIPE: multidisciplinaridade,
interdisciplinaridade e transdisciplinaridade...............................................
1.1 A interdisciplinaridade na Formação em Saúde: as Residências
Multiprofissionais em Saúde..........................................................................
1.1.1 A Residência Multiprofissional do hospital-escola de uma universidade
pública
do
nordeste
brasileiro.............................................................................

18
19
20

2 OBJETIVOS....................................................................................................
2.1 Objetivo Geral....................................................................................................
2.2 Objetivos Específicos.....................................................................................

21
21
21

3
3.1
3.2
3.3
3.4
3.5

ABORDAGEM TEÓRICO-METODOLÓGICA..................................................
Oficina como método de produção de informação...........................................
Participantes......................................................................................................
Ética na pesquisa..............................................................................................
Procedimentos...................................................................................................
Métodos de análise das informações................................................................

22
22
23
24
24
25

4
4.1
4.2
4.2.1
4.2.2
4.2.3
4.3

RESULTADOS E DISCUSSÕES......................................................................
Sobre a descrição das atividades desenvolvidas durante a residência...........
Categorias analíticas relativas aos discursos produzidos na oficina................
Categoria 1 – Estrutura e organização dos serviços.........................................
Categoria 2 – Formação profissional/educação permanente em saúde..........
Categoria 3 – Relações interpessoais...............................................................
Considerações finais.........................................................................................
Referências bibliográficas.................................................................................

27
27
30
30
36
39
41
43

5 PRODUTO EDUCACIONAL 1: ARTIGO ORIGINAL
A INTERDISCIPLINARIDADE NA RESIDÊNCIA MULTIPROFISSIONAL DE
UMA UNIVERSIDADE PÚBLICA DO NORDESTE BRASILEIRO: À
ÓPTICA DOS RESIDENTES............................................................................
INTRODUÇÃO
5.1 A COMPOSIÇÃO DO TRABALHO EM EQUIPE: multidisciplinaridade,
interdisciplinaridade e transdisciplinaridade...................................................
5.2 A interdisciplinaridade na Formação em Saúde: as Residências

48
49
50

12

Multiprofissionais em Saúde..........................................................................
5.2.1 A Residência Multiprofissional do hospital-escola de uma universidade
pública do nordeste brasileiro.........................................................................
5.3 Abordagem Teórico-Metodológica....................................................................
5.4 Resultados e Discussões................................................................................
5.4.1 Categoria 1 – Estrutura e organização dos serviços......................................
5.4.2 Categoria 2 – Formação profissional/educação permanente em saúde...........
5.4.3 Categoria 3 – Relações interpessoais............................................................
5.5 Considerações Finais.....................................................................................
Referências.....................................................................................................

51
52
53
54
55
60
62
64
65

6 PRODUTO EDUCACIONAL 2: RELATÓRIO DA OFICINA SOBRE A
INTERDISCIPLINARIDADE NA RESIDÊNCIA MULTIPROFISSIONAL EM
SAÚDE DO ADULTO E DO IDOSO (RMSAI)..................................................
APRESENTAÇÃO............................................................................................
INTRODUÇÃO..................................................................................................
6.1 Objetivos............................................................................................................
6.2 Público-alvo....................................................................................................
6.3 Metodologia.......................................................................................................
6.4 Procedimentos...................................................................................................
6.5 Resultados.........................................................................................................
6.6 Considerações finais......................................................................................
Referências bibliográficas................................................................................

69
69
69
70
70
70
71
72
77
78

7 CONSIDERAÇÕES FINAIS DO TRABALHO ACADÊMICO...........................

80

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÀFICAS................................................................

81

APÊNDICES...................................................................................................
87
APÊNDICE A: Revisão bibliográfica...............................................................
88
APÊNDICE B: Transcrição Sequencial (TS)...................................................
89
APÊNDICE C: Transcrição Integral (TI)..........................................................
92
APÊNDICE D: Quadros analíticos provenientes das “TI” e “TS”....................
101
APÊNDICE E: Lista de Frequência dos Participantes da Oficina Realizada
como Produto de Intervenção......................................................... 112
ANEXOS.........................................................................................................
ANEXO I: Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE)...................
ANEXO II: Parecer Consubstanciado do CEP................................................

113
114
118

13

APRESENTAÇÃO GERAL DO TACC

Minha experiência como preceptora iniciou em 2006, quando ingressei em um
hospital público de ensino, como enfermeira. Sabendo que se tratava de um hospital
escola, desde o início, compreendi que minha missão nessa instituição seria de
atuar não só como enfermeira assistencialista, mas também como preceptora dos
estudantes do curso de enfermagem da universidade ao qual o hospital é vinculado.
Fui lotada no serviço de quimioterapia do Centro de Alta Complexidade em
Oncologia (CACON), quando, em 2014, assumi juntamente com a coordenação do
serviço, a preceptoria dos residentes de enfermagem da Residência Multiprofissional
em Saúde do Adulto e do Idoso (RMSAI) no referido setor.
A trajetória como preceptora e o desejo de ampliar os conhecimentos em
ensino-aprendizagem na área da saúde, despertou-me o interesse de ingressar no
Mestrado Profissional em Ensino na Saúde (MPES) da Faculdade de Medicina
(FAMED) da UFAL, ao mesmo tempo em que, baseado em minha vivência com os
residentes de enfermagem, acompanhando as suas práticas de perto e na
participação de reuniões da Comissão de Residência Multiprofissional (COREMU)
da RMSAI, firmei o compromisso de desenvolver pesquisa intitulada “A
INTERDISCIPLINARIDADE NA RESIDÊNCIA MULTIPROFISSIONAL DE UMA
UNIVERSIDADE PÚBLICA DO NORDESTE: À ÓPTICA DOS RESIDENTES”. O
tema foi escolhido por apontar aspectos importantes no processo de formação
desses profissionais.
O MPES me permitiu conhecer um ensino inovador, voltado para o uso de
metodologias ativas, onde o aprender é compartilhado. Ajudou-me também a
ampliar meus conhecimentos acerca do tema pesquisado, mediante algumas
discussões acadêmicas sobre os princípios da interdisciplinaridade e suas
contribuições para a melhoria da assistência à população nos serviços de saúde.
Os princípios e diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS) reconhecem o
trabalho multiprofissional e interdisciplinar como um caminho para a integralidade do
cuidado à saúde (MATOS; PIRES, 2009). Por conseguinte, em 2005, as Residências
Multiprofissionais em Saúde (RMS) foram instituídas como um dos dispositivos
facilitadores desse processo.

14

Nesse sentido, a RMSAI foi criada em 2010, sendo uma modalidade de pósgraduação, com o propósito de promover uma formação de caráter interdisciplinar.
Tem um hospital público como um de seus principais cenários de prática, onde as
aulas teóricas prioritariamente acontecem.
Sendo assim, a presente pesquisa tem a finalidade de analisar se a
residência está atendendo à proposta de formar profissionais aptos ao trabalho em
equipe multiprofissional com enfoque na interdisciplinaridade. Para isso, foi
necessário ouvir os principais sujeitos envolvidos nesse processo – os residentes,
apreendendo o entendimento deles acerca da interdisciplinaridade na residência,
assim como, quais os possíveis fatores que influenciam na realização de atividades
dessa natureza.
Como aporte teórico-metodológico foram analisadas as práticas discursivas
de nossos pesquisados, de acordo com Spink (2013). Para a produção dessas
informações foi feita uma oficina. Em seguida, foram realizadas as transcrições
integral e sequencial dessas práticas discursivas, e elaborados quadros analíticos
como ferramenta para auxiliar na sua organização e análise.
A partir dos resultados desta pesquisa, foi possível elaborar e implantar um
dos produtos de intervenção: uma oficina realizada com as coordenadoras, tutoras e
preceptoras da residência. Na ocasião, foram apresentados os resultados obtidos, o
que fomentou em uma discussão sobre o tema e a apresentação dos desafios e
propostas pelas participantes.
Além disso, produziu-se um artigo científico, o qual será submetido a um
periódico, com a finalidade de divulgação e contribuição na formação de outros
profissionais e na melhoria de outros cursos da área da saúde.
Em síntese, este Trabalho Acadêmico de Conclusão de Curso (TACC) é
composto de uma dissertação e dois produtos educacionais. Na conclusão,
traçamos considerações finais e disponibilizamos as referências gerais, apêndices e
anexos. Todo o material produzido durante a sua composição, como o processo de
revisão bibliográfica, as transcrições sequencial e integral e os quadros analíticos,
estão sendo disponibilizados no apêndice. Em anexo, consta o parecer
consubstanciado do Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) e o Termo de
Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE).

15

DISSERTAÇÃO:
A INTERDISCIPLINARIDADE NA RESIDÊNCIA MULTIPROFISSIONAL DE UMA
UNIVERSIDADE FEDERAL DO NORDESTE: A ÓPTICA DOS RESIDENTES

RESUMO

As Residências Multiprofissionais em Saúde (RMS) foram criadas pelos Ministérios
da Saúde e da Educação como um dos dispositivos para ajudar no processo de
reorientação na formação dos profissionais da saúde, de maneira a alinhá-la às
necessidades do SUS. Assim, este estudo teve como objetivo analisar se a
Residência Multiprofissional em Saúde do Adulto e do Idoso (RMSAI) de uma
universidade pública do nordeste brasileiro está formando profissionais para o
trabalho interdisciplinar na saúde. Trata-se de uma pesquisa de caráter qualitativo,
exploratório e analítico, que utilizou uma abordagem teórico-metodológica focada
nas práticas discursivas e produção de sentidos. Para a produção das informações
foi realizada uma oficina com 12 residentes que estavam concluindo a RMSAI. E, a
partir da leitura do material produzido, foram definidas 03 categorias de análise:
estrutura e organização dos serviços; formação profissional/educação permanente
em saúde e relações interpessoais. Os resultados nos permitiram maior
aproximação com a temática da interdisciplinaridade na RMSAI, bem como conhecer
seus fatores facilitadores e dificultadores no contexto do processo ensinoaprendizagem. Concluiu-se que as práticas interdisciplinares acontecem de forma
muito incipiente durante a RMSAI, tornando expressiva a necessidade de elaborar
medidas que possam fortalecê-la, reconhecendo que cabe a todos os atores
envolvidos no processo a superação dos problemas e desafios encontrados, por
meio da elaboração de ações conjuntas.

Palavras-chave: Ensino superior; Hospitais de ensino; Equipe interdisciplinar de
saúde.

16

THE INTERDISCIPLINARITY IN THE MULTIPROFESSIONAL RESIDENCE OF A
NORTHEASTERN FEDERAL UNIVERSITY: THE OPTICS OF THE RESIDENTS

ABSTRACT
The Multiprofessional Residences in Health (MRH) were created by the Ministries of
Health and Education as one of the devices to help in the reorientation process in the
training of health professionals, in order to align it with the needs of UHS. Thus, this
study aimed to analyze whether the Multiprofessional Residency in Adult and Elderly
Health (MRAEH) of a public university in the Brazilian Northeast is training health
professionals for the interdisciplinary work. It is a qualitative, exploratory and
analytical research that used a theoretical-methodological approach focused on the
discursive practices and the production of meanings. For the production of
information, a workshop was held with 12 residents who were completing the
MRAEH. And, from the reading of the material produced, 03 categories of analysis
were defined: structure and organization of services; vocational training / continuing
education in health and interpersonal relationships. The results allowed us to get
closer to the subject of interdisciplinarity in the MRAEH, as well as to know its
facilitating factors and difficulties in the context of the teaching-learning process. It
was concluded that interdisciplinary practices occur very early in the MRAEH, making
expressive the need to elaborate measures that can strengthen them recognizing
that it is up to all the actors involved in the process to overcome the problems and
challenges encountered through elaboration of joint actions.
Keywords: Higher education; Teaching hospitals; Interdisciplinary health team.

17

INTRODUÇÃO

No campo da formação em saúde, a interdisciplinaridade tem sido proposta
como uma estratégia imprescindível para melhoria do Sistema Único de Saúde
(SUS), alinhando suas ações ao conceito ampliado de saúde.
A interdisciplinaridade é definida pelo grau de integração entre as disciplinas,
ou seja, são ações interligadas, integradas e interrelacionadas, de profissionais de
diferentes origens quanto à área básica do conhecimento, gerando mudanças e
enriquecimento mútuo (PEREIRA et al., 2015). Um olhar interdisciplinar precisa estar
presente no campo da teoria e da prática, podendo essa prática ser de ação social,
pedagógica ou de pesquisa (BISPO; TAVARES; TOMAZ, 2014).
Porém, mesmo havendo um reconhecimento da necessidade de um trabalho
em equipe interdisciplinar, observam-se dificuldades em seu cumprimento. Além de
uma compreensão teórica acerca dessa questão, é imprescindível que se
ultrapassem

problemas

práticos,

oriundos

de

uma

formação

profissional

fragmentada (ECHEVERRÍA; CARDOSO, 2017), e esta circunstância começa
durante a formação dos alunos na graduação, e vai até o corporativismo das
profissões, reproduzindo um modelo biomédico de atenção à saúde (MOTTA;
AGUIAR, 2007; COSTA et al., 2015).
Assim, os profissionais de saúde estão propensos a atuar de forma isolada e
dissociada de uma abordagem integral, que favoreça os diversos aspectos das
necessidades de saúde da população (CASANOVA; BATISTA; MORENO, 2015).
Com o objetivo de superar parte do problema acima exposto, foram criadas as
Residências

Multiprofissionais

em

Saúde

(RMS),

tal

como

a

Residência

Multiprofissional em Saúde do Adulto e do Idoso (RMSAI), criada em um hospital
universitário do nordeste brasileiro, em 2010.
Este trabalho é fruto da pesquisa realizada no Mestrado Profissional em
Ensino na Saúde (MPES) da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de
Alagoas e teve como objetivo analisar, a partir dos discursos dos residentes, se a
Residência Multiprofissional em Saúde do Adulto e do Idoso (RMSAI) de um
hospital-escola de uma universidade pública está formando profissionais para o
trabalho interdisciplinar.

18

Justifica-se a relevância desse estudo pelas contribuições significativas que
ele poderá trazer no ensino que está sendo proporcionado na RMSAI e em outras
formações em saúde, para que, de fato, se produzam mudanças nas práticas
profissionais, alinhando-as às necessidades da população, dentro do que preconiza
o SUS.

1 A COMPOSIÇÃO DO TRABALHO EM EQUIPE: multidisciplinaridade,
interdisciplinaridade e transdisciplinaridade

No ensino-aprendizagem existem relações disciplinares em vários níveis
crescentes de colaboração e coordenação. Nesse sentido, podemos destacar a
multidisciplinaridade, a interdisciplinaridade e a transdisciplinaridade (FAZENDA,
2008).
Com o intuito de entendermos melhor esses, conceitos, começaremos com o
de disciplina. Para Santomé (1998, p. 55), “é um conjunto de estratégias que serve
como forma de organizar e delimitar uma área de trabalho, com o auxílio de
procedimentos didáticos e metodológicos, concentrando a pesquisa e as
experiências estabelecidas a partir de um ângulo de visão”.
A

partir

dessa

definição,

podemos

falar

de

multidisciplinaridade,

interdisciplinaridade e transdisciplinaridade. De acordo com o filósofo brasileiro
Hilton Japiassu (1976), a multidisciplinaridade ocorre quando, em um determinado
trabalho a solução dos problemas acontece apenas com uma simples justaposição
entre as disciplinas envolvidas, sem que haja uma transformação ou enriquecimento
entre elas. Fazenda (1999), por sua vez, nos diz que a multidisciplinaridade é
considerada a primeira etapa para a interdisciplinaridade.
O termo interdisciplinaridade, um dos conceitos centrais dessa pesquisa, para
Japiassu (1976, p. 74), “se caracteriza pela intensidade das trocas entre os
especialistas e pelo grau de integração real das disciplinas no interior de um projeto
específico”. Thiesen (2008) diz que a interdisciplinaridade estará situada sempre no
campo onde a possibilidade de superar a fragmentação das ciências e dos
conhecimentos gerados por elas são pensados.
A transdisciplinaridade, por sua vez, ocorre quando há um esmorecimento
das fronteiras entre as disciplinas, sendo considerado o nível mais alto das relações

19

iniciadas com a multidisciplinaridade e a interdisciplinaridade (SANTOMÉ, 1998;
FAZENDA, 1999; NICOLESCU, 2000).

1.1

A Interdisciplinaridade

na

Formação

em

Saúde:

as

Residências

Multiprofissionais em Saúde

As Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) dos cursos da área da saúde
destacam a necessidade de práticas orientadas pelos princípios e diretrizes do
Sistema Único de Saúde (SUS) (BRASIL, 2001). E para se estabelecerem serviços
de saúde com maior resolutividade, que visem às necessidades de saúde da
população, é preciso considerar o trabalho interdisciplinar em todos os seus
aspectos (PEREIRA et al., 2015).
Os programas de Residências Multiprofissionais em Saúde (RMS), foram
criados pelos Ministérios da Educação e da Saúde com o intuito de fornecer as
condições necessárias para mudanças no modelo médico-assistencial restritivo de
atenção à saúde, ainda predominante (SILVA et al., 2014).
Conforme a Resolução nº.2, da Comissão Nacional de Residência
Multiprofissional em Saúde (CNRMS), os programas de RMS consistem em sua
maioria, na formação latu sensu, e seus Projetos Pedagógicos de Curso (PPC)
devem ser orientados pelo desenvolvimento de prática multiprofissional e
interdisciplinar em determinado campo de conhecimento, integrando os núcleos dos
saberes e práticas de diferentes profissões. Devem também ter duração de dois
anos, carga horária total de 5.760 horas, sendo 80% de atividades práticas e 20% de
atividades teóricas ou teórico-práticas, estando de acordo com as normas
estabelecidas na Lei nº. 11.129, de 30 de junho de 2005, na Portaria Interministerial
1.077, de 12 de novembro de 2009, e nas demais resoluções da citada CNRMS
(BRASIL, 2012).

20

1.1.1 A Residência Multiprofissional do hospital-escola de uma universidade
pública do nordeste brasileiro1

A Residência Multiprofissional em Saúde do Adulto e do Idoso (RMSAI) foi
criada em 2010, em um hospital público do nordeste brasileiro. Ela tem, em seu
corpo, docentes, tutores e preceptores de diferentes áreas da saúde e oferece 20
vagas voltadas para cinco categorias profissionais: enfermagem, farmácia, nutrição,
psicologia e serviço social.
O PPC explicita que o seu objetivo é especializar profissionais da área da
saúde para a atuação no SUS. Para tanto, devem ser proporcionadas
aprendizagens de caráter interdisciplinar, em ambiente de serviço, na perspectiva do
trabalho em equipe e com vistas à atenção integral à saúde.
O curso tem duração de dois anos, com 60 horas semanais de atividades. Da
carga horária total, 80% são direcionadas às atividades práticas, sendo que 65%
representam atividades realizadas no hospital e 15% na rede de atenção básica. Os
demais 20% são destinados às atividades teórico-conceituais distribuídas em
componentes curriculares, cursos específicos, seminários, discussão de casos
clínicos, pesquisa, revisão e atualização científica.
As aulas teórico-práticas são realizadas prioritariamente no ambiente
hospitalar, onde os cenários de práticas são: Enfermaria de Clínica Médica,
Enfermaria de Clínica Cirúrgica e Ambulatório do Centro de Alta Complexidade em
Oncologia (CACON). A RMSAI é vinculada à COREMU da universidade em estudo.
Portanto, durante o programa, os residentes estagiam nos citados cenários, ora
realizando atividades individuais, ora em grupo; estas últimas devendo ser
realizadas dentro de uma perspectiva interdisciplinar.

1

Como cumprimento de requisito de proteção ao anonimato, exigência das normas éticas em
pesquisa, evitou-se divulgar qualquer informação que pudesse identificar os participantes e a
instituição onde ocorreu esse trabalho.

21

2 OBJETIVOS

2.1 Objetivo Geral:

Analisar,

a

partir

dos

discursos

dos

residentes,

se

a

Residência

Multiprofissional em Saúde do Adulto e do Idoso (RMSAI) de uma universidade
pública está formando profissionais para o trabalho interdisciplinar.

2.2 Objetivos Específicos:
1. Descrever as atividades teóricas e práticas realizadas pelos residentes em
cada setor do Hospital Universitário, de acordo com os discursos deles;
2. Caracterizar em multidisciplinar, interdisciplinar e transdisciplinar as
atividades teóricas e práticas desenvolvidas durante a residência, a partir
dos discursos dos residentes;
3.

Relatar

quais

os

aspectos

que

influenciam

interdisciplinaridade nos cenários de prática.

a

realização

da

22

3 ABORDAGEM TEÓRICO-METODOLÓGICA

Trata-se de um estudo de caráter qualitativo exploratório e analítico, focado
na análise das práticas discursivas e na produção de sentidos de residentes de uma
residência multiprofissional de uma universidade pública do nordeste brasileiro.
Assim, dá-se ênfase à riqueza dos diversos discursos produzidos durante o
processo de construção do conhecimento. Trata-se, portanto, de uma proposta
teórico-metodológica interdisciplinar e que difere da visão tradicionalista, que
acredita que o centro da elucidação dos processos de conhecimento é inerente à
mente individual (SPINK; FREZZA, 2013).
O conhecimento é produzido histórica e socialmente, e esse processo se faz
pelos discursos, que devem ser analisados de forma que se procure entender as
diferentes visões de mundo dos interlocutores envolvidos. Considera-se que as
verdades são produtos dentro de um determinado tempo e contexto, tornando esses
os seus parâmetros e limites (ARAGAKI, 2001; MARRA; BRITO, 2011).
Quando nosso interlocutor fala, durante a oficina, a respeito da RMSAI e das
ações e atividades que desenvolveu, está não somente as relatando, mas trazendo
uma determinada versão – que pode ser compartilhada total ou parcialmente – por
outros interlocutores e pelos documentos utilizados na pesquisa. Cada profissional
que cursou a residência carrega consigo as experiências construídas durante o
curso e as influências dos diversos cenários de prática que tiveram oportunidade de
vivenciar, trazendo consigo os sentidos por ele construídos. Dessa maneira, os
residentes colaboraram na pesquisa ajudando a produzir e sustentar o que é, como
se produz nas relações, e se a RMSAI atinge o objetivo de proporcionar uma
formação para o trabalho interdisciplinar.

3.1 Oficina como método de produção de informação

Para o alcance dos objetivos nesta pesquisa, foi realizada uma oficina em
uma sala ampla e reservada no referido hospital, com os residentes no mês de
setembro/2017. Segundo Spink, Menegon e Medrado (2014), a utilização de oficinas
como estratégia para produção de informação em pesquisas tem um potencial de
favorecer o exercício ético e político. Promove, ao mesmo tempo, a produção de

23

material para análise e um espaço de trocas representativas que intensifica a
discussão em grupo em relação ao tema proposto, gerando interações construtivas.
A atividade foi conduzida pela pesquisadora, e contou com a colaboração de
duas auxiliares, que contribuíram na organização da sala, na entrega e recolhimento
do material e no registro das ações verbais e comportamentais.
No início, foram fornecidas aos participantes todas as informações acerca da
pesquisa e os objetivos da oficina. Foi esclarecido que as discussões seriam
gravadas, por meio de celulares, e que seriam anotadas as informações não-verbais
expressas pelos participantes durante a discussão da temática, para serem
adicionadas ao material de análise. Também foi reforçado o respeito e anonimato
firmado entre todos e sobre o seu papel naquele contexto. Na sequência fez-se a
leitura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), prestados
esclarecimentos a respeito e solicitada a assinatura do mesmo.

3.2 Participantes

Foram convidados a participar da pesquisa, por meio verbal e presencial,
todos os 17 residentes da turma iniciada no mês de março de 2016, que estavam na
metade do segundo semestre do segundo ano da residência. Este momento foi
escolhido porque, de acordo com consulta feita à coordenadora da Residência, eles
já teriam a capacidade de expressar sua opinião sobre o tema proposto por essa
pesquisa, pois já estavam no último cenário de prática.
Porém, cabe ressaltar que das cinco categorias profissionais existentes na
residência, na oficina nós contamos com a participação de quatro categorias,
totalizando 12 residentes: quatro farmacêuticos, duas psicólogas, três enfermeiros e
três assistentes sociais. Destes, três são do sexo masculino e nove do sexo
feminino, numa faixa etária entre 23 a 34 anos de idade. Nenhum nutricionista
compareceu; os demais presentes informaram que eles não compareceram pois
estavam na elaboração de um trabalho específico da nutrição. Em consenso com o
entendimento coletivo, compreendemos que essa ausência não trouxe prejuízos à
pesquisa.

24

3.3 Ética na pesquisa

A oficina foi realizada somente após aprovação do Comitê de Ética em
Pesquisa (CEP) da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), pelo parecer
n°.2.212.730 (Anexo I). Os sujeitos convidados para participar do estudo receberam
o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), redigido e baseado na
Resolução nº. 510/16 do Conselho Nacional de Saúde (CNS), que dispõe sobre
normas aplicáveis à ética em pesquisas com seres humanos, de acordo com as
Ciências Humanas e Sociais.
Para colaborar na preservação do anonimato, cada participante foi
identificado com um nome fictício. Esta nomeação foi feita independente da
categoria profissional ao qual pertencia, uma vez que não fizemos análise
comparativa entre elas. Em todo momento procurou-se firmar o compromisso ético,
político e pedagógico com os participantes, considerando sua proteção, bem-estar e
segurança.

3.4 Procedimentos

Como primeira atividade, o grupo foi dividido por categoria profissional e
foram distribuídas tarjetas. Depois foi solicitado que eles colocassem nas tarjetas
todas as atividades desenvolvidas por eles durante a residência.
Em seguida, foi fixado no quadro branco da parede, os termos: atividades
multidisciplinar, interdisciplinar e transdisciplinar, com um breve conceito de cada um
logo abaixo, como descrito a seguir para facilitar o entendimento:
São consideradas atividades multidisciplinares aquelas desenvolvidas por
profissionais de especialidades distintas, de forma simultânea, onde cada um
contribui com informações inerentes a sua área de conhecimento, sem colaboração
entre os saberes (SOUZA; SOUZA, 2009).
Interdisciplinares "são ações que se caracterizam pela intensidade das trocas
entre as especialidades e pelo grau de integração real entre elas no interior de um
projeto específico" (JAPIASSÚ, 1976, p.74).

25

A transdisciplinaridade ocorre quando há um esmorecimento das fronteiras
entre as especialidades, sendo considerado o nível mais alto das relações
(SANTOMÉ, 1998).
Porém, durante a execução da atividade, diante do quantitativo de atividades
desenvolvidas individualmente, o grupo propôs e a pesquisadora aceitou que fosse
acrescentado o conceito de atividades individuais, como sendo as atividades
específicas de cada categoria profissional e realizada de forma individual.
A seguir, um representante de cada grupo ficou responsável por ler o que foi
escrito em cada tarjeta. Após a discussão e negociação entre os membros de cada
categoria profissional, este representante fixava a tarjeta abaixo do termo que eles
achassem mais adequado. Esta atividade gerou o Quadro I, que será apresentado
na seção 4.1.
Concluída esta etapa, foi aberto um processo de discussão, onde os
participantes tinham a oportunidade de expressar sua opinião sobre o quadro que foi
construído com as tarjetas. Em seguida, foi dado seguimento à oficina com três
perguntas provocadoras, que serviram de norteamento para a continuidade da
discussão: a) O que vocês entendem como trabalho interdisciplinar? b) Na opinião
de vocês, durante a residência são proporcionadas de forma satisfatória atividades
voltadas para uma atuação interdisciplinar? c) Qual a sugestão de vocês para
contribuir no ensino que está sendo proposto pela residência no que se refere às
práticas multiprofissionais dentro de uma perspectiva interdisciplinar?

3.5 Métodos de análise das informações

Além do material produzido por meio das tarjetas que deu origem ao Quadro
I, contamos com os discursos dos participantes, registrados em áudio, compondo
nosso banco de informações.
Assim, o material discursivo produzido na oficina foi transcrito sequencial e
integralmente. Segundo Nascimento, Tavanti e Pereira (2014), a Transcrição
Sequencial (TS) é a primeira aproximação com o material a ser analisado, a partir da
escuta e identificação das falas presentes no áudio. Já a Transcrição Integral (TI)
inclui todas as falas presente no áudio, de forma que conserva o discurso original
produzido durante a oficina.

26

A partir da leitura atenta das falas, foram identificados os sentidos produzidos,
os quais foram agrupados nas seguintes categorias: estrutura e organização dos
serviços; formação profissional/educação permanente em saúde e relações
interpessoais. Como mais uma etapa, foram construídos quadros analíticos que
serviram para organizar e dar visibilidade ao material produzido.

27

4 RESULTADOS E DISCUSSÕES

Nesta seção traremos os resultados e discussões produzidos durante o
trabalho a partir das atividades e dos diálogos que ocorreram durante a oficina.

4.1 Sobre a descrição das atividades desenvolvidas durante a residência

Conforme descrito na seção 3.4, no primeiro momento da oficina foi solicitado
que os residentes identificassem as atividades desenvolvidas por eles durante todo
o curso. Em seguida, essas atividades foram diferenciadas entre: individuais,
multidisciplinares, interdisciplinares e transdisciplinares (vide definições utilizadas na
seção 3.4). Com isso, produziu-se o quadro abaixo:
Quadro I: Relação
transdisciplinares.
Atividades
Individuais

Atividades
Multidisciplinares

Atividades
Interdisciplinares

de

atividades

individuais,

multidisciplinares,

interdisciplinares

e

Estudos de caso, procedimentos de enfermagem, consulta de
enfermagem, sistematização da assistência de enfermagem, produção
científica, participação em eventos científicos, gerenciamento de
enfermagem, encaminhamentos, escuta qualificada, entrevista social,
plano de cuidados, parecer social, referência e contra-referência da rede,
fortalecimento de vínculos, preceptoria de estágios, Articulação com a
rede sócio assistencial, prescrição farmacêutica, logísticas de
medicamentos, aula para graduação, intervenção farmacêutica,
manipulação de quimioterapia, padronização de medicamentos,
orientação de alta, entrevista admissional, plano de ação farmacêutica,
sistematização da assistência farmacêutica, validação de prescrição,
acompanhamento e orientação em visitas de crianças, acompanhamento
de visitas técnicas de estudantes de psicologia, construção de material
psicoeducativo, atendimento ambulatorial educativo.
Plano assistencial, sala de espera, relatos de caso, consulta
multiprofissional, condutas de grupos de promoção da saúde, alta
multiprofissional, projeto terapêutico singular, educação permanente em
saúde, visita domiciliar, participação em evento multiprofissional,
mobilização e participação no controle social, produção científica
multiprofissional,
ação
socioeducativa,
articulação
da
equipe
multiprofissional, estudo de caso multiprofissional, participação em
mutirão, acolhimento e aconselhamento multi, visitas domiciliares a
pacientes em cuidados paliativos, atendimento ambulatorial conjunto,
atendimento conjunto nas enfermarias, cuidando de quem cuida.
Contra-referência com a atenção primária, aconselhamento em saúde,
promoção/prevenção (aconselhamento em grupo), aconselhamento (pré e
pós-teste), reconstruindo histórias de vida, grupo conviver, teste rápido,
grupo de adesão (HD), grupo de educação em saúde (UBS) idosos,
gestantes, hiperdia, discussão de casos.
Atividades lúdicas.

Atividades
Transdisciplinares
Fonte: Elaborado pela autora, 2018.

28

De início, reafirmamos que a criação da categoria “atividades individuais” foi
proposta

pelo

grupo.

Percebemos

que

a

categoria

relacionada

à

multidisciplinaridade, a princípio, deveria abranger as atividades individuais
realizadas por cada profissional, porém essa categoria não contemplou todos os
sentidos atribuídos pelas pessoas, uma vez que elas sentiam que havia muitas
atividades onde não se sentiam membros de uma equipe multiprofissional.
Registramos que houve atividades que se repetiram em diferentes categorias,
como as produções científicas e participações em eventos.
A atividade “projeto terapêutico singular”, apesar de por excelência ser um
dispositivo interdisciplinar, foi classificada como multidisciplinar. Esclarecemos que,
após uma breve discussão, todos decidiram classificá-la como tal, como
representado pela fala de Suzana.
No primeiro ano nós temos uma disciplina, que se chama seminários
integrativos, [...] Nessa primeira disciplina a gente constrói o PTS, e faz a
consulta de enfermagem, a consulta do farmacêutico, o atendimento da
psicologia. Sempre valorizando as necessidades e prioridades que o
paciente demanda. Eu acho que essa atividade é realizada de forma
multidisciplinar, porque nós desenvolvemos como equipe multiprofissional,
mas não de forma interligada.

Entende-se que, a partir do sentido trazido por essa prática discursiva, seja
interessante (re)pensar e (re)formular a metodologia de ensino utilizada na RMSAI,
para que ela de fato seja aprendida e desenvolvida de maneira interdisciplinar.
No que se refere à transdisciplinaridade, apesar de não ser o foco central
dessa pesquisa, não podemos deixar de citar que foi perceptível por um dos
residentes o desenvolvimento de uma atividade transdisciplinar durante o programa,
como descrito por João em seu discurso:
Foram colocadas as atividades lúdicas como transdisciplinar, porque eu
lembrei de algumas atividades meio que artísticas que a gente fez. Por
exemplo, quando nós estávamos na UBS nós fomos fazer uma peça teatral
na escola. Uma peça teatral na escola falando sobre arboviroses, sobre
dengue, zika, chikungunya. [...] E naquele momento eu não consegui
identificar onde é que estava a farmácia, a enfermagem, etc... Então eu
enxerguei nessas atividades lúdicas, onde nós trabalhamos saúde através
da arte, uma atividade como sendo transdisciplinar. E através dessas
atividades lúdicas, como teatro e música nós abordamos vários temas,
como tabagismo, DST.

29

Com isso, nesse primeiro momento, de acordo com o quadro citado
anteriormente, foi possível perceber que a RMSAI proporcionou o desenvolvimento
de algumas atividades interdisciplinares, porém foram realizadas prioritariamente de
modo individual ou multidisciplinar. Assim, atende-se parcialmente o que é proposto
em seu Projeto Pedagógico (PPC), o qual destaca que seu objetivo principal é a
formação de trabalhadores para o SUS, utilizando o serviço de saúde como local de
prática, promovendo a atenção integral à saúde dos usuários, por meio do trabalho
em equipe interdisciplinar.
A RMSAI pauta o seu PPC em consonância com a legislação vigente na
Resolução nº2 da Portaria Ministerial Nº99 de 13 de abril de 2012, que considera
que:
O Programa de Residência Multiprofissional em Saúde deve ser orientado
por estratégias pedagógicas capazes de utilizar e promover cenários de
aprendizagem configurados em itinerário de linhas de cuidado nas redes de
atenção à saúde, adotando metodologias e dispositivos da gestão da clínica
ampliada, de modo a garantir a formação fundamentada na atenção
integral, multiprofissional e interdisciplinar (BRASIL, 2012).

De acordo com pesquisas realizadas por Scherer; Pires; Jean (2010) e
Domingos; Nunes; Carvalho (2015) os estudantes das residências multiprofissionais
em saúde estudadas relataram ter tido dificuldade no desenvolvimento de práticas
interdisciplinares, atribuindo tais dificuldades a fatores como a inexistência de
programas de incentivo institucional e a falta de capacitação dentro de uma
metodologia de ensino pautada no trabalho em equipe multiprofissional e
interdisciplinar. Essa forma de agir torna

inevitável a predominância no

desenvolvimento de atividades individuais e multidisciplinares nessas residências,
como resultado da fragmentação de tarefas e a excessiva divisão do trabalho,
fazendo com que o trabalho ocorra de forma isolada, fortalecendo o modelo
biomédico da assistência.
Compreende-se, com isso, que a dificuldade no desenvolvimento de ações
interdisciplinares não é algo privativo da RMSAI, e sim de uma realidade presente
nos cenários de práticas de outras residências, sendo a implantação e a
permanência da formação em serviço a partir da interdisciplinaridade um desafio
comum às RMS.

30

4.2 Categorias analíticas relativas aos discursos produzidos na oficina

A problematização da realidade a partir dos discursos dos residentes da RMSAI,
durante a oficina, possibilitou a criação de 03 categorias de análise, que foram
utilizadas na produção de quadros analíticos, conforme já sinalizado. Estes
possibilitaram entendermos com maior clareza, quais são os maiores dificultadores
e/ou facilitadores no exercício da interdisciplinaridade durante a formação na
RMSAI.
As categorias foram:
Categoria 1 – Estrutura e organização dos serviços;
Categoria 2 – Formação profissional/educação permanente em saúde;
Categoria 3 – Relações interpessoais.
4.2.1 Categoria 1 – Estrutura e organização dos serviços

Nesta categoria foram destacados os principais pontos originados das falas
dos residentes que deram sentido ao discurso e possibilitaram a realização da
análise em dois ambientes distintos: o hospitalar e o da atenção básica.
Apesar da proposta de ensino da RMSAI ser pautada na interdisciplinaridade,
por sua comprovada eficácia na busca pela integralidade na assistência à saúde, o
desenvolvimento dessas práticas ainda é um desafio a ser vencido. E, quando se
pensa em RMS no âmbito hospitalar, esse desafio é ainda maior do que no
ambiente da atenção básica.
A instituição hospitalar foi historicamente constituída, hegemonicamente, pela
medicina e todas as outras profissões acabaram tendo que se organizar nesse
sentido, com segregação de seus processos de trabalho. Santos; Cutolo (2004) e
Rosa; Lopes (2010) consideram que, historicamente a assistência à saúde no
âmbito hospitalar se constituiu no modelo biomédico, ou seja, centrado na figura do
médico, determinando as políticas de intervenção no processo saúde-doença.
Sendo assim, ao inserir residentes em um processo marcado pelo trabalho individual
e fragmentado predominam fatores que dificultam o desenvolvimento de práticas
integradas e interdisciplinares.
Então, quando questionados sobre quais poderiam ser os possíveis fatores
que interferem no desenvolvimento da interdisciplinaridade, algumas falas dos

31

residentes se destacaram, percebendo-se consonância nos discursos, como afirma
Felipe quando diz que “Na verdade essas visitas eram feitas só com a equipe da
residência. Os profissionais do serviço não participavam [...]”.
A visita que Felipe se refere nessa fala é a visita multiprofissional que
acontece nas enfermarias das clínicas médica e cirúrgica, com todos os residentes.
Trata-se de um momento em que abordam não só a patologia em si, mas outros
aspectos relacionados ao processo de adoecimento, com uma visão mais ampla
englobando o paciente e seus familiares. Essa informação é completada por João
quando diz que: “Essa atividade não era institucionalizada. Ela não fazia parte da
rotina do serviço, era a residência que fazia, sem o engajamento dos profissionais
do serviço”.
A falta de engajamento citada por Felipe e João nessas falas pode ser
consequência da imersão desses profissionais nos seus processos de trabalho
isolados, decorrente da organização e estrutura dos serviços, o que reforça a
natureza individualizada da assistência hospitalar.
Eles ressaltam também a não institucionalização dessa atividade. Segundo
afirmaram, a visita com a equipe multiprofissional pode ser considerada um
momento propício para o exercício da interdisciplinaridade que, quando consegue
ser executada pelo grupo, traz grandes contribuições para o ensino enquanto
residência multiprofissional e na assistência integral ao paciente.
Relataram também a dificuldade que enfrentaram ao tentarem colocar em
prática propostas de atividades de natureza interdisciplinar no hospital, como
também implantar novas atividades para serem trabalhadas como equipe
multiprofissional. Consideraram que isso ocorria por ocasionar mudanças e
substituição de paradigmas predominantes naqueles cenários, o que não era bem
aceito pelos profissionais do hospital.
Portanto, a disciplinaridade pode ser considerada um paradigma e a
dificuldade na quebra de paradigmas é um fato histórico. Kuhn (1998) em sua obra
Estrutura das Revoluções Científicas, fala sobre a resistência que existia na
comunidade científica sempre que surgia a necessidade da troca de paradigmas
pré-estabelecidos. E isso ainda é muito presente nos dias de hoje, pois implantar o
novo é algo que assusta e, muitas vezes, implica em sairmos da nossa “zona de
conforto”. No entanto, segundo as residentes Eva e Carla, essa realidade vem

32

apresentando sinais de mudança na RMSAI: [...] “Mas hoje com os R1 eles já
estipularam um dia e um horário e os preceptores e residentes vão fazer essa visita
[...]” (Eva); [...] “E com a chegada de mais profissionais nos serviços, hoje os
profissionais estão tendo um pouco mais de disponibilidade para acompanhar e
participar dessas atividades; percebemos isso acontecendo com a turma de R1”
(Carla).
Um outro fator foi evidenciado por Carla como sendo um aspecto positivo
nesse processo: “Eu acho que essa mudança de gestão contribuiu para que essas
atividades multi e interdisciplinares fossem sendo institucionalizadas”.
Quando Carla fala da mudança de gestão, ela se refere às mudanças de
gerências que houve no hospital. Alguns dos novos gestores acreditam na
contribuição que o trabalho em equipe interdisciplinar traz para a assistência. A partir
daí, iniciou-se um trabalho de sensibilização com os preceptores, em parceria com a
coordenação da residência.
Porém, outros fatores foram citados como dificultadores nesse processo, e
foram evidenciados quando Carla diz que “A própria rotina do serviço “no hospital”
não ajuda no desenvolvimento de atividades multi e nem interdisciplinares.
Direcionando sempre para que cada profissional trabalhe cada um no seu
quadrado”.
Ainda sobre a rotina do serviço, Felipe acrescenta que “Então ficava assim,
uma coisa solta mesmo, e querendo que você faça, siga uma linha realmente
individual”, ao passo que Maria diz: “Mas eu acredito que não é tão satisfatório,
porque além dos motivos citados, o hospital em si não favorece que aconteça,
porque quando o hospital como um todo enxergar isso, eu acho que com certeza vai
melhorar mais”.
Peduzzi corrobora com essas falas quando diz que:
Apesar de haver um amplo reconhecimento sobre a importância do trabalho
em equipe de saúde multiprofissional, ainda prevalece uma tradição que
impede a incorporação e a integração dos saberes e das diferentes áreas
de conhecimento, na perspectiva da interdisciplinaridade (2007, p. 3).

O trabalho individualizado é uma característica da assistência fragmentada, e
a forma como são pactuados os processos de trabalho no ambiente hospitalar

33

induzem os profissionais de saúde a este tipo de assistência. Nesse sentido, Ana
nos diz que:
Às vezes a própria equipe está desenvolvendo uma atividade em grupo,
mas o preceptor chama o residente para fazer outra coisa, sendo que
aquele seria um serviço individual. [...] porque acha que aquele trabalho é
essencial para o hospital. Apesar de estar fugindo da proposta da
residência.

Nas falas de residentes também percebemos que, muitas vezes, os
profissionais do serviço têm o entendimento de que o residente está ali para atuar
como um componente a mais no cenário de prática. E isso pode ser um reflexo da
falta de conhecimento de seu papel neste contexto.
Os programas de Residência Multiprofissional geralmente são elaborados
quando, em todos os níveis, os atores responsáveis por esse processo se articulam.
No entanto, apesar disso, tem que ser constante o cuidado com o repasse das
informações sobre as atividades da residência nos cenários de prática, com a
intenção de evitar fragilidades no início e durante a permanência dos residentes
nesses cenários. Busca-se evitar, com isso, uma visão equivocada a respeito da
proposta da Residência Multiprofissional em Saúde (ARAÚJO et al., 2017).
É importante reconhecer que faz parte do trabalho em saúde a realização de
atividades individuais ou multidisciplinares. Porém, conforme já foi dito, é
fundamental o planejamento e a execução de ações interdisciplinares para atender
às necessidades dos usuários do SUS.
Entretanto, os resultados da pesquisa apontam o quanto a formação e a
assistência à saúde se mantêm focada principalmente no trabalho individualizado
nos cenários de prática. Tem-se um prejuízo no processo de ensino/aprendizagem
na RMSAI no que se refere à ações interdisciplinares, contribuindo também para que
o modelo assistencial de caráter biomédico continue se perpetuando. Como retrata a
residente Nina, o qual nos diz que: “Eu acho que o cuidando de quem cuida, apesar
de ter essa proposta interdisciplinar, ele é mais difícil de ser efetivado, é tanto que a
gente colocou na parte de multidisciplinaridade. E mais adianta, acrescenta: [...] por
ser dentro do hospital, que ainda tem uma assistência com um caráter muito forte
biomédico, que trata a doença e não o sujeito”.
A esse respeito, Bispo, Tavares e Tomaz (2014) e Faquim (2016), afirmam
que, apesar da ampla compreensão do processo saúde-doença ser tida como uma

34

exigência crescente para que possa nortear uma mudança contínua da assistência
nos serviços de saúde, a centralidade do modelo biomédico é uma das razões que
dificultam a realização de ações em saúde mais integradas.
O hospital e os profissionais de saúde envolvidos no processo de
ensino/aprendizagem em serviço exercem um papel essencial e precisam considerar
a formação em saúde como um caminho para o trabalho em equipe com o
compartilhamento de saberes, se conscientizando que são peças chave para o início
de todo processo de mudança nas práticas em saúde (MATTOS, 2016).
Com isso, entende-se que os profissionais que trabalham e que ensinam nos
serviços de saúde precisam incorporar alternativas de organização do trabalho
diferentes das comumente utilizadas, ou seja, aquelas que ocorrem com simples
execuções de ações e técnicas que acontecem isoladamente. Dessa maneira abrese a possibilidade de o exercício da interdisciplinaridade, tal como proposta nas
residências multiprofissionais em saúde, visando englobar, em todo o seu contexto,
as necessidades de saúde da população.
Com a assistência prestada dentro de uma abordagem interdisciplinar, os
profissionais de saúde que atuam no ambiente hospitalar serão estimulados a
conduzirem uma prática diferente do que estão habituados no seu dia a dia; uma
prática em que a assistência acontece de forma compartilhada.
Porém, em contraposição ao que foi dito a respeito da atenção hospitalar, as
práticas discursivas dos residentes apontaram o ambiente da atenção básica, como
sendo

um

universo

mais

favorável

ao

desenvolvimento

de

atividades

interdisciplinares. Essas falas são baseadas no tempo que estagiam em Unidades
Básicas de Saúde (UBS) – cinco meses no segundo ano do curso.
Assim, João nos diz: “[...] Eu percebi o ambiente da atenção básica mais
propício para desenvolver um trabalho interdisciplinar do que o ambiente hospitalar”.
Concordante com isso, Felipe relata que “Quando nós estávamos na unidade
básica, tinham os grupos que já eram estabelecidos, [...]. São grupos que
geralmente não são trabalhados com a equipe multiprofissional de forma
interdisciplinar. Este último residente adiciona também que: [...] E quando a gente
chegou lá, a gente desconstruiu isso. [...] Então todos os profissionais foram
envolvidos, e nós vimos resultado”.

35

Em seu discurso João completou falando que “(...) houve resistência dos
profissionais, mas com o tempo eles foram aceitando, e foi um trabalho bastante
exitoso”.
Foi possível compreender que a disponibilidade por parte dos profissionais, o
modo como a equipe trabalha e a dinâmica do serviço foram pontos considerados
importantes para os residentes como facilitadores da interdisciplinaridade na
atenção básica. Ressaltaram que, a forma como se estrutura o trabalho no local e a
maneira como são executados os programas nesse nível de assistência trazem
outro benefício requerido: aproximam esses profissionais da comunidade. E este é
tido, pela residente Ana como sendo um fator facilitador nesse processo: “Eu
acredito que na unidade básica de saúde o que favorece ao desenvolvimento de
atividades interdisciplinares é o fortalecimento do vínculo e a integração social
deles”.
Sobre esse assunto, sabemos que o vínculo construído entre profissionalusuário é um dispositivo essencial em prol do fortalecimento do cuidado,
promovendo a troca de experiências e aprendizado, produzindo com isso maior
resolutividade nas ações de saúde (COELHO; JORGE, 2009). E o fato das Unidades
Básicas de Saúde (UBS) serem localizadas próximas aos usuários, possibilita aos
profissionais de saúde um maior entendimento do contexto econômico, social e
cultural no qual esses usuários estão inseridos (FRIEDRICH et al., 2018).
Os processos de trabalho na atenção básica são diferentes do hospital, por
ser um ambiente que não necessariamente tem a hegemonia do modelo biomédico.
E também pela especificidade do trabalho, por vezes com foco na promoção da
saúde e na prevenção de doenças, tendo suas ações pautadas em uma assistência
integral à saúde, com a interdisciplinaridade presente na maioria dessas ações.
Com isso, entende-se que a atuação dos profissionais de saúde na atenção
básica exige deles além de capacidade técnica, um perfil generalista. Estimula-se o
desenvolvimento de habilidades e competências para assistir ao usuário do serviço
como um todo. Dessa maneira, torna o ambiente da atenção básica um cenário
propício para formação de profissionais de saúde orientado pelas diretrizes do SUS,
capaz de compartilhar saberes, estimulando-os a participar de ações conjuntas com
outros trabalhadores.

36

Na pesquisa percebemos que o modelo de assistência hospitalar mantém a
formação e o trabalho, assim como a estrutura organizacional focada na doença. Por
outro lado, vimos que se ratificaram os princípios e estratégias quando os residentes
falaram sobre a atenção básica, que tem como filosofia a integralidade na
assistência, a partir de uma concepção ampliada de saúde. Isso poderia justificar a
potencialidade do trabalho interdisciplinar nas UBS e a necessidade de mudanças
na formação e atuação hospitalar. Torna-se importante a mudança de postura dos
profissionais frente ao modelo de assistência vigente, pois poderá romper com
paradigmas construídos anteriormente para construir um novo modelo de
assistência à saúde (OLIVEIRA, 2009).
Silva et al. (2015) corroboram com essas reflexões ao considerar que, apesar
de o ambiente hospitalar ser provido de melhores recursos, o cuidado é voltado para
uma assistência individual e fragmentada, com enfoque na doença. Enquanto isso,
na atenção básica o atendimento acontece de forma mais abrangente e dinâmica,
possibilitando diferentes abordagens alinhadas à integralidade do cuidado.
4.2.2 Categoria 2 – Formação profissional/educação permanente em saúde

Uma parte significativa do conteúdo extraído da oficina tratou da formação
dos residentes participantes da pesquisa.
Assim, percebemos que são profissionais que, desde a graduação, vêm de
uma educação voltada para o trabalho individual, sem nenhuma vivência com
relação às práticas interdisciplinares. Para além disso, apontaram que muitos dos
responsáveis pela sua formação na residência também tinham histórias similares.
Exemplo disso temos no discurso de João: “E eu diria que não só na nossa
graduação, mas também na formação do corpo docente assistencial... que a gente
percebe que no corpo docente assistencial muitos não têm essa visão
interdisciplinar [...]”. A isso acrescenta Felipe: “E esses profissionais que estão aí
vêm de uma formação voltada para esse modelo de assistência individual”. E ainda,
no mesmo sentido, temos a fala de Júlia:
A proposta da residência é essa, mas não é feito. Eu vou me colocar um
pouco no lugar dos preceptores, porque muitos deles não têm uma
formação voltada para interdisciplinaridade e não têm uma vivência multi.
Então, eu acho que falta de vontade não seja. Acredito que seja falta de
preparo.

37

Pinto et al. (2013) consideram que o perfil dos profissionais formados ainda é
inadequado para a necessidade de mudança do modelo de assistência atual. Tornase necessária, portanto, uma reordenação do processo de ensino aprendizagem na
formação dos profissionais de saúde, capacitando-os para novas práticas de
trabalho integral e interdisciplinar.
Ao mesmo tempo em que foi relatada a percepção que eles tiveram com
relação à falta de experiência dos profissionais envolvidos, as falas de Suzana e
Maria expressaram o despreparo dos próprios residentes com o trabalho em equipe
multiprofissional e interdisciplinar, levando em consideração a formação profissional
que tiveram no âmbito da graduação: “Porque a gente vem de uma formação uni,
então esse é o primeiro contato com a questão da multiprofissionalidade” (Suzana).
Eu acho também que além desse fator dificultador que é a rotina hospitalar,
que propicia o trabalho individual, vem também muito da nossa graduação,
porque na graduação não existe essa questão interdisciplinar, nós não
trabalhamos a interdisciplinaridade. Não existe essa correlação entre as
disciplinas e nem entre as profissões. E essa já é uma dificuldade que a
gente vem trazendo nossa (Maria).

Possivelmente, a falta de oportunidade em vivenciar experiências com o
trabalho

multiprofissional

e

interdisciplinar,

legitimado

por

uma

formação

unidisciplinar, ou até mesmo a falta de interesse de alguns profissionais que estão
inseridos nesse processo em se inteirar da proposta de uma RMS, podem ser
fatores que esclareçam o discurso de Felipe quando nos diz que:
E essa é uma dificuldade não só de algumas pessoas que estão na tutoria.
Mas também dos profissionais que estão nas clínicas e dos próprios
preceptores. Que quando a gente conversava, relatava isso, que essa era
uma dificuldade de pessoas que estão nos acompanhando, mas não têm o
entendimento do que a residência é, e do que ela traz.

Uma pesquisa realizada por Mattos (2016), em dois hospitais de ensino de
uma universidade pública federal que contemplam programas de RMS, foi possível
observar que a inserção de profissionais de saúde que exercem o papel de tutores
e/ou preceptores em programas de RMS dentro de hospitais universitários é
determinada, na maioria das vezes, por atuarem em um hospital-escola, mesmo que
não tenham nenhuma formação para se inserir nessas funções.
É preciso, portanto, instituir condições efetivas para o ensino da prática
interdisciplinar nas universidades brasileiras (PEREIRA; NASCIMENTO, 2016),

38

proporcionando um espaço compartilhado de atuação que permita a troca de
conhecimento e que possibilite ações coordenadas com o intuito de atingir um
objetivo comum, para que de fato esses profissionais estejam aptos ao trabalho em
equipe multiprofissional e interdisciplinar.
Porém, mesmo que as universidades proporcionassem isso, levaria um tempo
até que pudesse ser percebida a mudança no perfil desses profissionais. Este fato
torna evidente a necessidade de uma política de educação permanente em saúde
para os profissionais que já estão inseridos nesses cenários e recebem esses
residentes, na tentativa de conscientizá-los e de acarretar mudança na postura
deles. E isso foi expressado no discurso de Felipe, quando os residentes levantaram
questionamentos acerca

da ausência do

incentivo

à capacitação desses

profissionais:
“Nós ficávamos até nos perguntando: Como é que esses preceptores são
preparados para essa residência? Por que já que na graduação desses
profissionais eles não foram preparados a trabalhar dessa forma? [...] “Cadê
a educação permanente? Cadê a educação continuada?”.

E a esse discurso acrescentou João:
Eu acho que o incentivo à capacitação dos profissionais envolvidos nesse
processo de ensino-aprendizagem na residência multiprofissional para atuar
como preceptor deveria ser algo institucionalizado pela residência. E não
cada um ir em busca disso por conta própria a partir das inquietações de
cada um”.

A educação permanente em saúde tem como proposta se constituir em uma
ação estratégica que contribua para mudanças nos processos formativos, nas
práticas pedagógicas e de saúde, e na organização dos serviços, contribuindo com a
interlocução entre os diversos atores (OLIVEIRA, 2009).
Sendo assim, compreende-se que o hospital como principal cenário de prática
para a RMSAI deveria investir numa política de educação permanente em saúde,
para que todos os profissionais envolvidos se sentissem motivados a uma mudança
de postura frente ao que uma residência multiprofissional traz como proposta de
trabalho, entendendo que todos ganhariam com isso: os profissionais do serviço e
os residentes, com o enriquecimento mútuo, por meio de práticas colaborativas, e os
usuários por meio de uma assistência integral.

39

Os enunciados que surgiram durante a oficina com relação a essa temática
ressaltaram o desconhecimento por parte dos residentes com relação a obstáculos
que eles não imaginavam que vivenciariam ao iniciarem o curso.
4.2.3 Categoria 3 – Relações interpessoais

Nesta categoria foram destacados sentidos originados de falas dos residentes
referentes às suas experiências no que diz respeito às relações interpessoais na
residência. Os principais atores envolvidos nesse processo são os tutores,
preceptores, os residentes e os usuários.
Entende-se que em toda relação os sujeitos envolvidos precisam aprender a
respeitar o espaço e a opinião do outro, valorizando o trabalho individual e coletivo
para obter resultados satisfatórios na construção do conhecimento. Nesse sentido, e
em se tratando de um programa de residência multiprofissional, os residentes têm
um papel relevante no processo de ensino/aprendizagem. No entanto, quando
algum dos sujeitos envolvidos nesse processo de construção do conhecimento se
coloca em uma posição de superioridade em relação aos demais, as relações
interpessoais podem ser afetadas, dificultando o aprendizado.
Esta reflexão remete ao discurso de um dos residentes:
É como se de repente tivesse um bocado de criança numa praia, aí as
crianças olham uma para outra e dizem: Vamos construir um robô [...] mas
como é que a gente vai construir um robô? Aí fica todo mundo ali,
construindo um robô, sem saber como, sem saber como é que funciona. Aí
de repente algumas das crianças se colocam em uma posição superior às
outras [tutores e preceptores], e dizem: Não, agora eu vou ensinar pra
vocês como é que faz um robô. Sem nem saber direito, aprendendo junto.
Entendeu? É assim que eu vejo. É algo que não foi trabalhado ao longo da
vida acadêmica e profissional. Então está todo mundo aprendendo junto.
Aprendendo junto, só que em posições diferentes[...]. Porque não é nem o
fato de todo mundo estar aprendendo a trabalhar assim agora. É que está
todo mundo aprendendo agora, mas tem gente achando que sabe mais que
o outro. e isso atrapalha quando você se coloca assim [...] isso dificulta não
só aprendizado, isso dificulta as relações (João).

O exemplo citado pelo residente nesse discurso faz referência à necessidade
de todos os sujeitos envolvidos (re)conhecerem suas limitações no que concerne ao
processo de ensino/aprendizagem no contexto do trabalho multiprofissional e
interdisciplinar. Ressalta também que os residentes são profissionais em formação,

40

que podem contribuir com a construção desse saber. E a este propósito, Freire
(1996) e Cruz e Pereira (2013) nos dizem que o discente pode e deve fazer parte de
forma ativa no seu processo de aprendizagem, contribuindo com suas ideias e
experiências. Geram, dessa forma, um enriquecimento mútuo, proporcionando a
união de infinitas possibilidades, fazendo com que docentes e discentes tenham a
oportunidade de realizar trocas e descobertas.
Ainda dentro do espírito colaborativo, durante a oficina os residentes foram
questionados sobre qual seria a sugestão deles para contribuir no ensino que está
sendo proposto pela residência. Júlia se posiciona expressando sua opinião:
“Escutar mais o outro, eu acho que se quem está à frente da residência soubesse
ouvir, essa residência seria outra. Tem que existir mais diálogo e escutar mais os
residentes”. E João, por sua vez, nos diz:
É... mas a escuta tem que ser qualificada. Porque é o seguinte: escutar, a
gente é escutado, mas isso não quer dizer que seja ouvido. A gente ouve
algumas pessoas dizerem que acolhimento é isso, aquilo, aquilo outro, mas
na hora de acolher, não é acolhido. Muito pelo contrário, faz as coisas pra
legitimar a sua falta de acolhimento. Em que sentido? Vamos marcar uma
reunião todo mês da turma com a coordenação. Aí quando chega algum
problema que acontece e é levado pra reunião da COREMU. Aí alguém
fala, olha e diz: Mas a gente não tava na reunião com vocês? Vocês não
tiveram a oportunidade de falar o que querem pra gente? Mas acontece que
a gente falaria, mas não seria ouvido.

Santos (2016), corrobora com essas falas ao considerar que o acolhimento e
a capacidade de escutar o outro sejam instrumentos essenciais nas relações
interpessoais para o estabelecimento e fortalecimento de vínculos. No entanto, para
Pereira (2006), acolher não significa a resolução de todos os problemas, mas está
ligado à valorização das queixas, estabelecendo prioridades para as demandas
apresentadas, podendo essa demanda ser individual ou coletiva.
Com isso, pode-se observar nessas falas que os sentidos produzidos nas
práticas

discursivas

relacionadas

às

relações

interpessoais

apontaram

necessidades, tais como: escutar mais o outro, valorizando e considerando suas
queixas e acolhendo sempre que necessário; e transformar modos de trabalhar e de
ensinar na Residência, considerando os discursos trazidos pelos residentes, que
poderiam ajudar a minimizar os problemas identificados, contribuindo com o
desenvolvimento de práticas interdisciplinares, tal como proposto pela RMSAI.

41

Por fim, os participantes da pesquisa falaram das contribuições que a RMSAI
trouxe para a vida profissional e pessoal deles.
Assim, Nina nos diz: “Apesar de todas essas dificuldades, quando sair daqui
vai ser difícil fazer um trabalho sem pensar como equipe, sem ter as outras
profissões para me apoiar”.
Eva relata que:
A gente meio que aprendeu a enxergar os outros, apesar de tudo, a gente
que se apoia no dia a dia. Eu agora sei o papel de cada um e a sua
importância. E para o nosso futuro profissional isso é de total valia,
independente dos problemas que nós enfrentamos na residência. É o que a
gente vai levar realmente.

E Ana afirma que: “O que eu vou levar daqui é essa visão diferenciada,
porque futuramente eu posso ser uma preceptora, tutora ou até mesmo professora
na graduação. E o importante é poder ser propagadora dessa forma de trabalho”.
Nessas falas os residentes expressaram o quanto foi importante ter tido a
oportunidade de enxergar os outros (profissionais de diferentes categorias), como
parceiros

que

podem

trazer

contribuições

significativas

no

processo

do

conhecimento e do assistir, contribuindo para formação dos residentes na resolução
de problemas vividos no cotidiano. Para Bones et al. (2014); Silva et al. (2014) e
Casanova; Batista; Moreno (2015), a RMS traz para os profissionais a oportunidade
de ter contato com conhecimentos acerca de outras áreas, fazendo com que
profissões diferentes se auxiliem e se complementem.

4.3 Considerações Finais

Apesar de a proposta da Residência Multiprofissional de Saúde do Adulto e
do Idoso pesquisada ter como um de seus pilares a formação para o trabalho em
equipe multiprofissional interdisciplinar, percebemos a dificuldade em tornar isso
efetivo.
Foi possível identificar fatores que estão relacionados com a dificuldade de
ensino e execução da interdisciplinaridade. Assim, a forma de organização e
estruturação dos serviços no âmbito hospitalar, assim como a formação
unidisciplinar na graduação dos profissionais envolvidos, conduz e propicia o

42

trabalho individual. Além disso, há falta de uma política de educação permanente em
saúde, que possa conscientizar e proporcionar uma mudança de postura frente ao
modelo de assistente vigente e alguns aspectos associados às relações
interpessoais dos atores envolvidos, tais como, o acolhimento e a capacidade de
escutar o outro, gerando relações mais horizontalizadas.
Os sentidos produzidos provenientes desses diálogos levaram-nos a entender
que as práticas interdisciplinares ainda acontecem de forma muito incipiente no
hospital universitário, principal cenário de práticas do curso estudado. Por outro lado,
os residentes disseram que na atenção básica a interdisciplinaridade acontece de
forma mais frequente, atribuindo isso a razões como a dinâmica do trabalho, a
postura que os profissionais que atuam nesses cenários adotam e a relação deles
com a comunidade assistida.
Dessa forma, de acordo com a óptica dos residentes, a vivência deles nesse
contexto perpassa por aspectos estruturais e relacionais do processo ensinoaprendizagem na residência, compreendendo que um profissional não aprende
apenas ao participar de disciplinas estruturadas previamente, que esse aprendizado
se dá no cotidiano das relações, sejam elas profissionais e/ou pessoais.
Consideramos também que a atuação dos residentes é importante, pois
podem produzir mudanças no modelo de assistência dos serviços que os recebem.
Porém, estar em uma residência multiprofissional, por si só, não garante que isso
aconteça; a disponibilidade pessoal de todos os sujeitos envolvidos precisa estar
presente para que essa mudança ocorra.
Com isso, fica claro o quanto é importante para a formação dos residentes a
conscientização e sensibilização de todos os profissionais envolvidos para
efetivação das práticas desejadas, pois o trabalho em equipe multiprofissional em
uma perspectiva interdisciplinar causa no profissional, acima de tudo, uma mudança
de (pre)conceitos, quebrando paradigmas existentes.
Outras questões nos orientam para estudos futuros, visto que a amplitude da
temática acerca da interdisciplinaridade dentro do contexto da formação profissional
em saúde nas residências multiprofissionais, e as possibilidades de sua
aplicabilidade, devem ser investigadas e analisadas sob outros aspectos.

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5 PRODUTO EDUCACIONAL 1: ARTIGO ORIGINAL
A INTERDISCIPLINARIDADE NA RESIDÊNCIA MULTIPROFISSIONAL DE UMA
UNIVERSIDADE PÚBLICA DO NORDESTE BRASILEIRO: À ÓPTICA DOS
RESIDENTES

Este

artigo

foi

produzido

com

base

na

dissertação

intitulada

“A

interdisciplinaridade na residência multiprofissional de uma universidade federal do
nordeste: à óptica dos residentes”. Será submetido para fins de publicação em
periódico científico.

RESUMO

As Residências Multiprofissionais em Saúde (RMS) foram criadas pelos Ministérios
da Saúde e da Educação, como um dos dispositivos para ajudar no processo de
reorientação na formação dos profissionais da saúde, de maneira a alinhá-la às
necessidades do SUS. Assim, este estudo teve como objetivo analisar se a
Residência Multiprofissional em Saúde do Adulto e do Idoso (RMSAI) de uma
universidade pública do nordeste brasileiro está formando profissionais para o
trabalho interdisciplinar na saúde. Trata-se de uma pesquisa de caráter qualitativo,
exploratório e analítico, que utilizou uma abordagem teórico-metodológica focada
nas práticas discursivas e produção de sentidos. Para a produção das informações
foi realizada uma oficina com 12 residentes que estavam concluindo a RMSAI. E, a
partir da leitura do material produzido, foram definidas 03 categorias de análise:
estrutura e organização dos serviços; formação profissional/educação permanente
em saúde e relações interpessoais. Os resultados nos permitiram maior
aproximação com a temática da interdisciplinaridade na RMSAI, bem como conhecer
seus fatores facilitadores e dificultadores no contexto do processo ensinoaprendizagem, conforme o discurso dos residentes. Concluiu-se que as práticas
interdisciplinares acontecem de forma muito incipiente durante a RMSAI, tornando
expressiva a necessidade de elaborar medidas que possam fortalecê-la,
reconhecendo que cabe a todos os atores envolvidos no processo a superação dos
problemas e desafios encontrados, por meio da elaboração de ações conjuntas.

Palavras-chave: Ensino superior; Hospitais de ensino; Equipe interdisciplinar de
saúde.

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THE INTERDISCIPLINARITY IN THE MULTIPROFESSIONAL RESIDENCE OF A
PUBLIC

UNIVERSITY

IN

THE

BRASILIAN

NORTHEAST:

UNDER

THE

RESIDENTS' POINT OF VIEW
ABSTRACT

The Multiprofessional Residences in Health (MRH) were created by the Ministries of
Health and Education as one of the devices to help in the reorientation process in the
training of health professionals, in order to align it with the needs of UHS. Thus, this
study aimed to analyze whether the Multiprofessional Residency in Adult and Elderly
Health (MRAEH) of a public university in the Brazilian Northeast is training health
professionals for the interdisciplinary work. It is a qualitative, exploratory and
analytical research that used a theoretical-methodological approach focused on the
discursive practices and the production of meanings. For the production of
information, a workshop was held with 12 residents who were completing the
MRAEH. And, from the reading of the material produced, 03 categories of analysis
were defined: structure and organization of services; vocational training / continuing
education in health and interpersonal relationships. The results allowed us to get
closer to the subject of interdisciplinarity in the MRAEH, as well as to know its
facilitating factors and difficulties in the context of the teaching-learning process,
according to residents' discourse It was concluded that interdisciplinary practices
occur very early in the MRAEH, making expressive the need to elaborate measures
that can strengthen them recognizing that it is up to all the actors involved in the
process to overcome the problems and challenges encountered through elaboration
of joint actions.
keywords: Higher education; Teaching hospitals; Interdisciplinary health team.
INTRODUÇÃO

No campo da formação em saúde, a interdisciplinaridade tem sido proposta
como uma estratégia imprescindível para melhoria do Sistema Único de Saúde
(SUS), alinhando suas ações ao conceito ampliado de saúde.
A interdisciplinaridade é definida pelo grau de integração entre as disciplinas,
ou seja, são ações interligadas, integradas e interrelacionadas, de profissionais de
diferentes origens quanto à área básica do conhecimento, gerando mudanças e
enriquecimento mútuo (PEREIRA et al., 2015).
Porém, mesmo havendo um reconhecimento da necessidade de um trabalho
em equipe interdisciplinar, observam-se dificuldades em seu cumprimento
(ECHEVERRÍA; CARDOSO, 2017), e esta circunstância começa durante a formação

50

dos alunos na graduação, e vai até o corporativismo das profissões, reproduzindo
um modelo biomédico de atenção à saúde (MOTTA; AGUIAR, 2007; COSTA et al.,
2015).
Assim, os profissionais de saúde estão propensos a atuar de forma isolada e
dissociada de uma abordagem integral, que favoreça os diversos aspectos das
necessidades de saúde da população (CASANOVA; BATISTA; MORENO, 2015).
Com o objetivo de superar parte do problema acima exposto, foram criadas as
Residências

Multiprofissionais

em

Saúde

(RMS),

tal

como

a

Residência

Multiprofissional em Saúde do Adulto e do Idoso (RMSAI), criada em um hospital
universitário do nordeste brasileiro, em 2010.
Este artigo é fruto da pesquisa realizada no Mestrado Profissional em Ensino
na Saúde (MPES) da Faculdade de Medicina (FAMED) da Universidade Federal de
Alagoas (UFAL) e teve como objetivo analisar, a partir dos discursos dos residentes,
se a Residência Multiprofissional em Saúde do Adulto e do Idoso (RMSAI) de um
hospital-escola de uma universidade pública está formando profissionais para o
trabalho interdisciplinar.
Justifica-se a relevância desse estudo pelas contribuições significativas que
ele poderá trazer no ensino que está sendo proporcionado na RMSAI e em outras
formações em saúde, para que, de fato, se produzam mudanças nas práticas
profissionais, alinhando-as às necessidades da população, dentro do que preconiza
o SUS.

5.1 A COMPOSIÇÃO DO TRABALHO EM EQUIPE: multidisciplinaridade,
interdisciplinaridade e transdisciplinaridade

No ensino-aprendizagem existem relações disciplinares em vários níveis
crescentes de colaboração e coordenação. Nesse sentido, podemos destacar a
multidisciplinaridade, a interdisciplinaridade e a transdisciplinaridade (FAZENDA,
2008). Com o intuito de entendermos melhor esses, conceitos, começaremos com o
de disciplina. Para Santomé (1998, p. 55), “é um conjunto de estratégias que serve
como forma de organizar e delimitar uma área de trabalho, com o auxílio de
procedimentos didáticos e metodológicos, concentrando a pesquisa e as
experiências estabelecidas a partir de um ângulo de visão”.

51

A

partir

dessa

definição,

podemos

falar

de

multidisciplinaridade,

interdisciplinaridade e transdisciplinaridade. De acordo com o filósofo brasileiro
Hilton Japiassu (1976), a multidisciplinaridade ocorre quando, num determinado
trabalho a solução dos problemas acontece apenas com uma simples justaposição
entre as disciplinas envolvidas, sem que haja uma transformação ou enriquecimento
entre elas.
O termo interdisciplinaridade, um dos conceitos centrais dessa pesquisa, para
Japiassu (1976, p. 74), “se caracteriza pela intensidade das trocas entre os
especialistas e pelo grau de integração real das disciplinas no interior de um projeto
específico”.
A transdisciplinaridade, por sua vez, ocorre quando há um esmorecimento
das fronteiras entre as disciplinas, sendo considerado o nível mais alto das relações
iniciadas com a multidisciplinaridade e a interdisciplinaridade (SANTOMÉ, 1998;
FAZENDA, 1999; NICOLESCU, 2000).

5.2

A Interdisciplinaridade

na

Formação

em

Saúde:

as

Residências

Multiprofissionais em Saúde

As Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) dos cursos da área da saúde
destacam a necessidade de práticas orientadas pelos princípios e diretrizes do
Sistema Único de Saúde (SUS) (BRASIL, 2001). E para se estabelecerem serviços
de saúde com maior resolutividade, que visem às necessidades de saúde da
população, é preciso considerar o trabalho interdisciplinar em todos os seus
aspectos (PEREIRA et al., 2015).
Os programas de Residências Multiprofissionais em Saúde (RMS), foram
criados pelos Ministérios da Educação e da Saúde com o intuito de fornecer as
condições necessárias para mudanças no modelo médico-assistencial restritivo, de
atenção à saúde, ainda predominante (SILVA et al., 2014).
Conforme a Resolução nº2, da Comissão Nacional de Residência
Multiprofissional em Saúde (CNRMS), os programas de RMS consistem em sua
maioria, na formação latu sensu, e seus Projetos Pedagógicos de Curso (PPC)
devem ser orientados pelo desenvolvimento de prática multiprofissional e

52

interdisciplinar em determinado campo de conhecimento, integrando os núcleos dos
saberes e práticas de diferentes profissões (BRASIL, 2012).

5.2.1 A Residência Multiprofissional do hospital-escola de uma universidade
pública do nordeste brasileiro2

A Residência Multiprofissional em Saúde do Adulto e do Idoso (RMSAI) foi
criada em 2010, em um hospital público do nordeste. Ela tem em seu corpo
docentes, tutores e preceptores de diferentes áreas da saúde e oferece 20 vagas
voltadas para cinco categorias profissionais: enfermagem, farmácia, nutrição,
psicologia e serviço social.
Por meio do seu PPC, reforça o reconhecimento da saúde, da ciência, da
tecnologia e da educação, como fatores-chave no desenvolvimento econômico e
social das nações. Com o objetivo de especializar profissionais da área da saúde
para a atuação no SUS, mediante aprendizagens de caráter interdisciplinar, em
ambiente de serviço, na perspectiva do trabalho em equipe e com vistas à atenção
integral à saúde.
O projeto tem duração de dois anos, com 60 horas semanais de atividades.
Da carga horária total, 80% são direcionadas às atividades práticas, sendo que 65%
representam atividades realizadas no hospital e 15% na rede de atenção básica. Os
demais 20% são destinados às atividades teórico-conceituais distribuídas em
componentes curriculares, cursos específicos, seminários, discussão de casos
clínicos, pesquisa, revisão e atualização científica. As aulas teórico-práticas são
realizadas prioritariamente no ambiente hospitalar, onde os cenários de práticas são:
clínica médica, clínica cirúrgica, ambulatório do Centro de Alta Complexidade em
Oncologia (CACON).

2

Como cumprimento de requisito de proteção ao anonimato, exigência das normas éticas em
pesquisa, evitou-se divulgar qualquer informação que pudesse identificar os participantes e a
instituição onde ocorreu esse trabalho.

53

5.3 Abordagem Teórico-Metodológica

Trata-se de um estudo de caráter qualitativo exploratório e analítico, focado
na análise das práticas discursivas e na produção de sentidos de residentes de uma
residência multiprofissional em saúde de uma universidade pública do nordeste.
Sendo, portanto, uma proposta teórico-metodológica interdisciplinar e que
difere da visão tradicionalista, que acredita que o centro da elucidação dos
processos de conhecimento é inerente à mente individual. Pois o conhecimento é
produzido histórica e socialmente, e esse processo se faz pelos discursos, que
devem ser analisados de forma que se procure entender as diferentes visões de
mundo dos interlocutores envolvidos, considerando as verdades dentro de um
determinado tempo e contexto, tornando esses os seus parâmetros e limites
(ARAGAKI, 2001; SPINK; FREZZA, 2013).
Como método de produção de informação, foi realizada uma oficina em uma
sala ampla e reservada no referido hospital, com12 residentes que estavam na
metade do segundo semestre do segundo ano da residência, sendo: 04
farmacêuticos, 02 psicólogas, 03 enfermeiros e 03 assistentes sociais. Destes, 03
são do sexo masculino e 09 do sexo feminino, numa faixa etária entre 23 a 34 anos
de idade no mês de setembro/2017. Este momento foi escolhido porque, de acordo
com consulta feita à profissional que coordenava a Residência na época, eles já
teriam a capacidade de expressar sua opinião sobre o tema proposto por essa
pesquisa, pois já estavam no último cenário de prática. Os nutricionistas residentes
não compareceram, pois estavam em uma atividade específica da categoria. Em
consenso com o entendimento coletivo, compreendemos que essa ausência não
trouxe prejuízos à pesquisa.
Segundo Spink, Menegon e Medrado (2014), a utilização de oficinas como
estratégia para produção de informação em pesquisas tem um potencial de
favorecer o exercício ético e político.
A oficina foi realizada somente após aprovação do Comitê de Ética em
Pesquisa (CEP) da UFAL, pelo parecer n°.2.212.730. Os sujeitos convidados para
participar do estudo receberam o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido
(TCLE), redigido e baseado na Resolução nº.510/16 do Conselho Nacional de
Saúde (CNS), que dispõe sobre normas aplicáveis à ética em pesquisas com seres

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humanos, de acordo com as Ciências Humanas e Sociais.Para colaborar na
preservação do anonimato, durante a transcrição dos discursos, cada participante foi
identificado com nomes fictícios.
Como primeira atividade, o grupo foi dividido por categoria profissional e
foram distribuídas tarjetas. Depois foi solicitado que eles colocassem nas tarjetas
todas as atividades desenvolvidas por eles durante a residência.
Logo após, foi fixado no quadro branco da parede, os termos: atividades
multidisciplinar, interdisciplinar e transdisciplinar, com um breve conceito de cada um
logo abaixo. Nesse momento, o grupo sentiu a necessidade e sugeriu que fosse
acrescido o conceito de atividades individuais.
A seguir, um representante de cada grupo ficou responsável por fixar as
tarjetas com as atividades no quadro abaixo do termo que eles achassem mais
adequado. Essa primeira atividade foi realizada com o intuito de inseri-los no tema.
Em seguida, foi dado seguimento à oficina com três perguntas provocadoras,
que serviram de norteamento para a continuidade da discussão: a) O que vocês
entendem como trabalho interdisciplinar? b) Na opinião de vocês, durante a
residência são proporcionadas de forma satisfatória atividades voltadas para uma
atuação interdisciplinar? c) Qual a sugestão de vocês para contribuir no ensino que
está sendo proposto pela residência no que se refere às práticas multiprofissionais
dentro de uma perspectiva interdisciplinar?
O material discursivo produzido na oficina foi transcrito sequencial e
integralmente. A partir da leitura atenta das falas, foram identificados os sentidos
produzidos, os quais foram agrupados nas seguintes categorias: 1-estrutura e
organização dos serviços; 2- formação profissional/educação permanente em saúde;
3-relações interpessoais.

5.4 Resultados e Discussões

Nesta seção traremos os resultados e discussões produzidos durante o
trabalho a partir das atividades e dos diálogos que ocorreram durante a oficina.
Reafirmamos que, no decorrer da execução da primeira atividade, diante do
quantitativo de atividades desenvolvidas individualmente, o grupo propôs e a
pesquisadora aceitou que fosse acrescentado o conceito de atividades individuais,

55

como sendo as atividades específicas de cada categoria profissional e realizada de
forma individual.
Percebemos que a categoria relacionada à multidisciplinaridade, a princípio,
deveria abranger as atividades individuais realizadas por cada profissional, porém
essa categoria não contemplou todos os sentidos atribuídos pelas pessoas, uma vez
que elas sentiam que havia muitas atividades onde não se sentiam membros de
uma equipe multiprofissional.
A partir da leitura atenta das falas, foram identificados os sentidos produzidos,
os quais foram agrupados nas seguintes categorias: estrutura e organização dos
serviços, formação profissional/educação permanente em saúde e relações
interpessoais.
3.1 Categoria 1 – Estrutura e organização dos serviços

Nesta categoria, foram destacados os principais pontos originados das falas
dos residentes, que possibilitaram a realização da análise em dois ambientes
distintos: o hospitalar e o da atenção básica.
Quando questionados sobre quais poderiam ser os possíveis fatores que
interferem no desenvolvimento da interdisciplinaridade, algumas falas dos residentes
se destacaram, percebendo-se consonância nos discursos, como afirma Felipe
quando diz que “Na verdade essas visitas eram feitas só com a equipe da
residência. Os profissionais do serviço não participavam [...]”.
A visita que Felipe se refere nessa fala é a visita multiprofissional que
acontece nas enfermarias das clínicas médica e cirúrgica, com todos os residentes.
Trata-se de um momento em que abordam não só a patologia em si, mas outros
aspectos relacionados ao processo de adoecimento, com uma visão mais ampla
englobando o paciente e seus familiares. Essa informação é completada por João
quando diz que: “Essa atividade não era institucionalizada. Ela não fazia parte da
rotina do serviço, era a residência que fazia, sem o engajamento dos profissionais
do serviço”.
A falta de engajamento citada por Felipe e João nessas falas pode ser
consequência da imersão desses profissionais nos seus processos de trabalho

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isolados, decorrente da organização e estrutura dos serviços, o que reforça a
natureza individualizada da assistência hospitalar.
Apesar da proposta de ensino da RMSAI ser pautada na interdisciplinaridade,
por sua comprovada eficácia na busca pela integralidade na assistência à saúde, o
desenvolvimento dessas práticas ainda é um desafio a ser vencido. E, quando se
pensa em RMS no âmbito hospitalar, esse desafio é ainda maior do que no
ambiente da atenção básica.
A instituição hospitalar foi historicamente constituída, hegemonicamente, pela
medicina e todas as outras profissões acabaram tendo que se organizar nesse
sentido, segregando seus processos de trabalho. Santos; Cutolo (2004) e Rosa;
Lopes (2010) consideram que, historicamente a assistência à saúde no âmbito
hospitalar se constituiu no modelo biomédico, ou seja, centrado na figura do médico,
determinando as políticas de intervenção no processo saúde-doença. Sendo assim,
inserir esses residentes em um processo marcado pelo trabalho individual e
fragmentado esbarra em fatores que dificultam o desenvolvimento dessas práticas.
Por outro lado, os participantes da pesquisa relataram também a dificuldade
que enfrentaram ao tentarem colocar em prática propostas de atividades de
natureza interdisciplinar no hospital, como também implantar novas atividades para
serem trabalhadas como equipe multiprofissional. Consideraram que isso ocorria por
ocasionar mudanças e substituição de paradigmas predominantes naqueles
cenários, o que não era bem aceito pelos profissionais do hospital.
Portanto, a disciplinaridade pode ser considerada um paradigma e a
dificuldade na quebra de paradigmas é um fato histórico. Kuhn (1998) em sua obra
Estrutura das Revoluções Científicas, fala sobre a resistência que existia na
comunidade científica sempre que surgia a necessidade da troca de paradigmas
pré-estabelecidos. E isso ainda é muito presente nos dias de hoje, pois implantar o
novo é algo que assusta e, muitas vezes, implica em sairmos da nossa “zona de
conforto”. No entanto, segundo as residentes Eva e Carla, essa realidade vem
apresentando sinais de mudança na RMSAI: [...] “Mas hoje com os R1 eles já
estipularam um dia e um horário e os preceptores e residentes vão fazer essa visita
[...]” (Eva); [...] “E com a chegada de mais profissionais nos serviços, hoje os
profissionais estão tendo um pouco mais de disponibilidade para acompanhar e

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participar dessas atividades; percebemos isso acontecendo com a turma de R1”
(Carla).
Um outro fator foi evidenciado por Carla como sendo um aspecto positivo
nesse processo: “Eu acho que essa mudança de gestão contribuiu para que essas
atividades multi e interdisciplinares fossem sendo institucionalizadas”.
Quando Carla fala da mudança de gestão, ela se refere às mudanças de
gerências que houve no hospital. Alguns dos novos gestores acreditam na
contribuição que o trabalho em equipe interdisciplinar traz para a assistência. A partir
daí, iniciou-se um trabalho de sensibilização com os preceptores, em parceria com a
coordenação da residência.
Porém, outros fatores foram citados como dificultadores nesse processo, e
foram evidenciados quando Carla diz que “A própria rotina do serviço no hospital
não ajuda no desenvolvimento de atividades multi e nem interdisciplinares.
Direcionando sempre para que cada profissional trabalhe cada um no seu
quadrado”.
Ainda sobre a rotina do serviço, Felipe acrescenta que “Então ficava assim,
uma coisa solta mesmo, e querendo que você faça, siga uma linha realmente
individual”, ao passo que Maria diz:“Mas eu acredito que não é tão satisfatório,
porque além dos motivos citados, o hospital em si não favorece que aconteça,
porque quando o hospital como um todo enxergar isso, eu acho que com certeza vai
melhorar mais”.
Peduzzi (2007, p. 3) corrobora com essas falas quando diz que:
Apesar de haver um amplo reconhecimento sobre a importância do trabalho
em equipe de saúde multiprofissional, ainda prevalece uma tradição que
impede a incorporação e a integração dos saberes e das diferentes áreas
de conhecimento, na perspectiva da interdisciplinaridade.

O trabalho individualizado é uma característica da assistência fragmentada, e
a forma como são pactuados os processos de trabalho no ambiente hospitalar,
induzem os profissionais de saúde a este tipo de assistência. Nesse sentido, Ana
nos diz que:
Às vezes a própria equipe está desenvolvendo uma atividade em grupo,
mas o preceptor chama o residente para fazer outra coisa, sendo que
aquele seria um serviço individual. [...] porque acha que aquele trabalho é
essencial para o hospital. Apesar de estar fugindo da proposta da
residência.

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Nas falas de residentes também percebemos que, muitas vezes, os
profissionais do serviço têm o entendimento de que ele está ali para atuar como um
componente a mais no cenário de prática, como se fosse simplesmente um membro
da equipe. E isso pode ser um reflexo da falta de conhecimento do papel do
residente neste contexto.
Sobre a questão acima, cabe lembrar que os programas de Residência
Multiprofissional, geralmente, são elaborados quando em todos os níveis, os atores
responsáveis por esse processo se articulam. No entanto, apesar dessas
articulações entre os diversos atores envolvidos, tem que ser constante o cuidado
com o repasse acerca das informações sobre as atividades da residência nos
cenários de prática, com a intenção de evitar fragilidades no início e durante a
permanência dos residentes nesses cenários (ARAÚJO et al., 2017).
É importante reconhecer que faz parte do trabalho em saúde a realização de
atividades individuais ou multidisciplinares. Porém, é fundamental o planejamento e
a execução de ações interdisciplinares para atender às necessidades dos usuários
do SUS.
Entretanto, os resultados da pesquisa apontam o quanto a formação e a
assistência à saúde se mantém focada principalmente no trabalho individualizado
nos cenários de prática. Tem-se um prejuízo no processo de ensino/aprendizagem
na RMSAI, no que se refere à ações interdisciplinares, contribuindo também para
que o modelo assistencial de caráter biomédico continue se perpetuando. Como
retrata a residente Nina, o qual nos diz que: “Eu acho que o cuidando de quem
cuida, apesar de ter essa proposta interdisciplinar, ele é mais difícil de ser efetivado,
é tanto que a gente colocou na parte de multidisciplinaridade. E mais adianta,
acrescenta: [...] por ser dentro do hospital, que ainda tem uma assistência com um
caráter muito forte biomédico, que trata a doença e não o sujeito”.
A esse respeito, Bispo, Tavares e Tomaz (2014) e Faquim (2016), afirmam
que, apesar da ampla compreensão do processo saúde-doença ser tida como uma
exigência crescente para que possa nortear uma mudança contínua da assistência
nos serviços de saúde, a centralidade do modelo biomédico é uma das razões
quedificultam a realização de ações em saúde mais integradas.
Com isso, entende-se que os profissionais que trabalham e que ensinam nos
serviços de saúde precisam incorporar alternativas de organização do trabalho

59

diferentes das comumente utilizadas, ou seja, aquelas que ocorrem com simples
execuções de ações e técnicas que acontecem isoladamente. Dessa maneira abrese a possibilidade de o exercício da interdisciplinaridade, tal como proposta nas
residências multiprofissionais em saúde, visando englobar, em todo o seu contexto,
as necessidades de saúde da população.
Porém, em contraposição ao que foi dito a respeito da atenção hospitalar, as
práticas discursivas dos residentes apontaram outra realidade no ambiente da
atenção básica, onde estagiaram em Unidades Básicas de Saúde (UBS), durante
cinco meses, no segundo ano do curso.
Assim, João nos diz: “[...] Eu percebi o ambiente da atenção básica mais
propício para desenvolver um trabalho interdisciplinar do que o ambiente hospitalar”.
Concordante com isso, Felipe relata que “Quando nós estávamos na unidade
básica, tinham os grupos que já eram estabelecidos, [...]. São grupos que
geralmente não são trabalhados com a equipe multiprofissional de forma
interdisciplinar”. E adiciona também que: [...]Então todos os profissionais foram
envolvidos, e nós vimos resultado”. Em seu discurso João completou falando que
“[...] houve resistência dos profissionais, mas com o tempo eles foram aceitando, e
foi um trabalho bastante exitoso”.
Foi possível compreender que a disponibilidade por parte dos profissionais, o
modo como a equipe trabalha e a dinâmica do serviço foram pontos considerados
importantes para os residentes como facilitadores da interdisciplinaridade na
atenção básica. Ressaltaram que, a forma como se estrutura o trabalho no local e a
maneira como são executados os programas nesse nível de assistência trazem
outro benefício requerido: aproximam esses profissionais da comunidade. E este é
tido, pela residente Ana como sendo um fator facilitador nesse processo: “Eu
acredito que na unidade básica de saúde o que favorece o desenvolvimento de
atividades interdisciplinares é o fortalecimento do vínculo e a integração social
deles”.
Sabemos que o vínculo construído entre profissional-usuário é um dispositivo
essencial em prol do fortalecimento do cuidado, promovendo a troca de experiências
e aprendizado, produzindo com isso maior resolutividade nas ações de saúde
(COELHO; JORGE, 2009). Os processos de trabalho na atenção básica são
diferentes do hospital, por ser um ambiente que não necessariamente tem a

60

hegemonia do modelo biomédico. E também pela especificidade do trabalho, por
vezes com foco na promoção da saúde e na prevenção de doenças, tendo suas
ações pautadas em uma assistência integral à saúde, com a interdisciplinaridade
presente na maioria dessas ações.
Silva et al. (2015) corroboram com essa reflexão ao considerar que, apesar
do ambiente hospitalar ser provido de melhores recursos, o cuidado é voltado para
uma assistência individual e fragmentada, com enfoque na doença. Enquanto isso,
na atenção básica o atendimento acontece de forma mais abrangente e dinâmica,
possibilitando diferentes abordagens de cuidado, mas integrais.
Na pesquisa percebemos que o modelo de assistência hospitalar mantém a
formação e o trabalho, assim como a estrutura organizacional focada na doença. Por
outro lado, vimos que se ratificaram os princípios e estratégias quando os residentes
falaram sobre a atenção básica, que tem como filosofia a integralidade na
assistência, a partir de uma concepção ampliada de saúde. Isso poderia justificar a
potencialidade do trabalho interdisciplinar nas UBS e a necessidade de mudanças
na formação e atuação hospitalar.
3.2 Categoria 2 – Formação profissional/educação permanente em saúde

Uma parte significativa do conteúdo extraído da oficina tratou da formação
dos residentes participantes da pesquisa.
Assim, percebemos que são profissionais que, desde a graduação, vêm de
práticas de ensino voltadas para o trabalho individual, sem nenhuma vivência com
relação às práticas interdisciplinares. Para além disso, apontaram que muitos dos
responsáveis pela sua formação na residência também tinham histórias similares.
Exemplo disso temos no discurso de João: “E eu diria que não só na nossa
graduação, mas também na formação do corpo docente assistencial... que a gente
percebe que no corpo docente assistencial muitos não têm essa visão
interdisciplinar [...]”. A isso acrescenta Felipe: “E esses profissionais que estão aí
vêm de uma formação voltada para esse modelo de assistência individual”. E ainda,
no mesmo sentido, temos a fala de Júlia:
A proposta da residência é essa, mas não é feito. Eu vou me colocar um
pouco no lugar dos preceptores, porque muitos deles não têm uma
formação voltada para interdisciplinaridade e não têm uma vivência multi.
Então, eu acho que falta de vontade não seja. Acredito que seja falta de
preparo.

61

Pinto et al. (2013) consideram que o perfil dos profissionais formados ainda é
inadequado para a necessidade de mudança do modelo de assistência atual. Este
exige uma reordenação do processo de ensino aprendizagem na formação dos
profissionais de saúde, capacitando-os para novas práticas de trabalho integral e
interdisciplinar.
Ao mesmo tempo em que foi relatada a percepção que eles tiveram com
relação à falta de experiência dos profissionais envolvidos, as falas de Suzana e
Maria expressaram o despreparo dos próprios residentes com o trabalho em equipe
multiprofissional e interdisciplinar, levando em consideração o que aprenderam no
âmbito da graduação: “Porque a gente vem de uma formação uni, então esse é o
primeiro contato com a questão da multiprofissionalidade” (Suzana).
Eu acho também que além desse fator dificultador que é a rotina hospitalar,
que propicia o trabalho individual, vem também muito da nossa graduação,
porque na graduação não existe essa questão interdisciplinar, nós não
trabalhamos a interdisciplinaridade. Não existe essa correlação entre as
disciplinas e nem entre as profissões. E essa já é uma dificuldade que a
gente vem trazendo nossa (Maria).

Possivelmente, a falta de oportunidade em vivenciar experiências com o
trabalho

multiprofissional

e

interdisciplinar,

legitimado

por

uma

formação

unidisciplinar, podem ser fatores que esclareçam o discurso de Felipe quando nos
diz que:
E essa é uma dificuldade não só de algumas pessoas que estão na tutoria.
Mas também dos profissionais que estão nas clínicas e dos próprios
preceptores. Que quando a gente conversava, relatava isso, que essa era
uma dificuldade de pessoas que estão nos acompanhando, mas não têm o
entendimento do que a residência é, e do que ela traz.

Uma pesquisa realizada por Mattos (2016) em dois hospitais de ensino de
uma universidade pública federal que contemplam programas de RMS, de maneira
similar ao que ocorre na RMSAI, foi possível observar que a inserção de
profissionais de saúde que exercem o papel de tutores e/ou preceptores em
programas de RMS dentro de hospitais universitários, é determinada, na maioria das
vezes, por atuarem em um hospital-escola, mesmo que não tenham nenhuma
formação para se inserir no contexto de uma RMS.
É preciso, portanto, instituir condições efetivas para a prática interdisciplinar
nas universidades brasileiras (PEREIRA; NASCIMENTO, 2016), proporcionando um

62

espaço compartilhado de atuação que permita a troca de conhecimentos, que
possibilite ações coordenadas, com o intuito de atingir um objetivo comum, para que
de fato esses profissionais estejam aptos ao trabalho em equipe, tal como proposto.
Porém, mesmo com alguns cursos de algumas universidades proporcionando
isso, levaria um tempo até que possa ser percebida a mudança no perfil dos
profissionais. O que torna evidente a necessidade de uma política de educação
permanente em saúde para os profissionais que já estão inseridos nesses cenários.
E isso foi expressado no discurso de Felipe, quando os residentes levantaram
questionamentos acerca

da ausência do

incentivo

à capacitação desses

profissionais:
“Nós ficávamos até nos perguntando: Como é que esses preceptores são
preparados para essa residência? Por que já que na graduação desses
profissionais eles não foram preparados a trabalhar dessa forma? [...] “Cadê
a educação permanente? Cadê a educação continuada?”.

E a esse discurso acrescentou João:
Eu acho que o incentivo à capacitação dos profissionais envolvidos nesse
processo de ensino-aprendizagem na residência multiprofissional para atuar
como preceptor deveria ser algo institucionalizado pela residência. E não
cada um ir em busca disso por conta própria a partir das inquietações de
cada um”.

A educação permanente em saúde tem como proposta se constituir em uma
ação estratégica que contribua para mudanças nos processos formativos, nas
práticas pedagógicas e de saúde, e na organização dos serviços, contribuindo com a
interlocução entre os diversos atores (OLIVEIRA, 2009).
Sendo assim, compreende-se que o hospital como principal cenário de prática
para a RMSAI deveria investir em ações pautadas nessa política, para que haja uma
mudança de postura frente ao que uma residência multiprofissional traz como
proposta de trabalho, entendendo que todos ganhariam com isso. Os profissionais
do serviço e os residentes, com o enriquecimento mútuo, por meio de práticas
colaborativas, e os usuários por meio de uma assistência integral.
3.3 Categoria 3 – Relações interpessoais

Nesta categoria foram destacados sentidos originados de falas dos
residentes referentes às suas experiências no que diz respeito às relações

63

interpessoais na residência. Dessa maneira, foram identificados como principais
atores envolvidos nesse processo os tutores, os preceptores, os residentes e os
usuários.
Entende-se que em toda relação os sujeitos envolvidos precisam aprender a
respeitar o espaço e a opinião do outro, valorizando o trabalho individual e coletivo
para obter resultados satisfatórios na construção do conhecimento e do cuidado à
saúde.

Nesse sentido, defendemos que os residentes têm um papel relevante

no processo de ensino/aprendizagem. No entanto, quando algum dos sujeitos
envolvidos nesse processo de construção do conhecimento se coloca em uma
posição de superioridade em relação aos demais, as relações interpessoais podem
ser afetadas, dificultando o aprendizado.
Esta reflexão remete ao discurso de um dos residentes:
É como se de repente tivesse um bocado de criança numa praia, aí as
crianças olham uma para outra e dizem: Vamos construir um robô [...] mas
como é que a gente vai construir um robô? Aí fica todo mundo ali,
construindo um robô, sem saber como, sem saber como é que funciona. Aí
de repente algumas das crianças se colocam em uma posição superior às
outras [tutores e preceptores], e dizem: Não, agora eu vou ensinar pra
vocês como é que faz um robô. Sem nem saber direito, aprendendo junto.
Entendeu? É assim que eu vejo. É algo que não foi trabalhado ao longo da
vida acadêmica e profissional. Então está todo mundo aprendendo junto.
Aprendendo junto, só que em posições diferentes[...]. Porque não é nem o
fato de todo mundo estar aprendendo a trabalhar assim agora. É que está
todo mundo aprendendo agora, mas tem gente achando que sabe mais que
o outro. e isso atrapalha quando você se coloca assim [...] isso dificulta não
só aprendizado, isso dificulta as relações (João).

O exemplo citado pelo residente nesse discurso faz referência à necessidade
de todos os sujeitos envolvidos (re)conhecerem suas limitações no que concerne ao
processo de ensino/aprendizagem no contexto do trabalho multiprofissional e
interdisciplinar. Ressalta também que os residentes são profissionais em formação,
que podem contribuir com a construção desse saber. E a este propósito, Freire
(1996) e Cruz e Pereira (2013) nos dizem que o discente pode e deve fazer parte de
forma ativa no seu processo de aprendizagem, contribuindo com suas ideias e
experiências. Geram, dessa forma, um enriquecimento mútuo, proporcionando a
união de infinitas possibilidades, fazendo com que docentes e discentes tenham a
oportunidade de realizar trocas e descobertas.
Ainda dentro do espírito colaborativo, durante a oficina os residentes foram
questionados sobre qual seria a sugestão deles para contribuir no ensino que está

64

sendo proposto pela residência. Júlia se posiciona: “Escutar mais o outro, eu acho
que se quem está à frente da residência soubesse ouvir, essa residência seria outra.
Tem que existir mais diálogo e escutar mais os residentes”. E João, por sua vez, nos
diz:
É... mas a escuta tem que ser qualificada. Porque é o seguinte: escutar, a
gente é escutado, mas isso não quer dizer que seja ouvido. A gente ouve
algumas pessoas dizerem que acolhimento é isso, aquilo, aquilo outro, mas
na hora de acolher, não é acolhido. Muito pelo contrário, faz as coisas pra
legitimar a sua falta de acolhimento. Em que sentido? Vamos marcar uma
reunião todo mês da turma com a coordenação. Aí quando chega algum
problema que acontece e é levado pra reunião da COREMU. Aí alguém
fala, olha e diz: Mas a gente não tava na reunião com vocês? Vocês não
tiveram a oportunidade de falar o que querem pra gente? Mas acontece que
a gente falaria, mas não seria ouvido.

Santos (2016), corrobora com essas falas ao considerar que o acolhimento e
a capacidade de escutar o outro sejam instrumentos essenciais nas relações
interpessoais para o estabelecimento e fortalecimento de vínculos.
Portanto, pôde-se observar nessas falas que os sentidos produzidos nas
práticas

discursivas

relacionadas

às

relações

interpessoais

apontaram

necessidades, tal como: escutar mais o outro, valorizando e considerando suas
queixas e acolhendo sempre que necessário. Além disso, é preciso transformar
modos de trabalhar e de ensinar na residência, considerando os discursos trazidos
pelos residentes, que poderiam ajudar a minimizar os problemas identificados. Tudo
isso poderia, enfim, contribuir com o desenvolvimento de práticas interdisciplinares,
tal como proposto pela RMSAI.

4 Considerações Finais
Apesar de a proposta da Residência Multiprofissional de Saúde do Adulto e
do Idoso pesquisada ter como um de seus pilares a formação para o trabalho em
equipe multiprofissional interdisciplinar, percebemos a dificuldade em tornar isso
efetivo.
Foi possível identificar fatores que estão relacionados com a dificuldade de
ensino e execução da interdisciplinaridade. Assim, a forma de organização e
estruturação dos serviços no âmbito hospitalar, assim como a formação
unidisciplinar na graduação dos profissionais envolvidos conduz e propicia o trabalho
individual. Além disso, há falta de uma política de educação permanente em saúde,

65

que possa conscientizar e proporcionar uma mudança de postura frente ao modelo
de assistência e de gestão vigentes e alguns aspectos associados às relações
interpessoais dos atores envolvidos, tais como, o acolhimento e a capacidade de
escutar o outro, gerando relações mais horizontalizadas.
Os sentidos produzidos provenientes desses diálogos levaram-nos a entender
que as práticas interdisciplinares ainda acontecem de forma muito incipiente no
hospital universitário, principal cenário de práticas do curso estudado. Por outro lado,
os residentes disseram que na atenção básica a interdisciplinaridade acontece de
forma mais frequente, atribuindo isso a razões como a dinâmica do trabalho, a
postura que os profissionais que atuam nesses cenários adotam e a relação deles
com a comunidade assistida.
Dessa forma, de acordo com a óptica dos residentes, a vivência deles nesse
contexto perpassa por aspectos estruturais e relacionais do processo ensinoaprendizagem na residência, compreendendo que um profissional não aprende
apenas ao participar de disciplinas estruturadas previamente, que esse aprendizado
se dá no cotidiano das relações, sejam elas profissionais e/ou pessoais.
Consideramos também que a atuação dos residentes é importante, pois
podem produzir mudanças no modelo de assistência dos serviços que os recebem.
Porém, estar em uma residência multiprofissional, por si só, não garante que isso
aconteça; a disponibilidade pessoal de todos os sujeitos envolvidos precisa estar
presente para que essa mudança ocorra.
Com isso, fica claro o quanto é importante para a formação dos residentes a
conscientização e sensibilização de todos os profissionais envolvidos para
efetivação das práticas desejadas, pois o trabalho em equipe multiprofissional em
uma perspectiva interdisciplinar causa no profissional, acima de tudo, uma mudança
de (pre)conceitos, quebrando paradigmas existentes e alinhando o trabalho às
necessidades dos usuários.

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69

6

PRODUTO

EDUCACIONAL

2:

RELATÓRIO

DA

OFICINA

SOBRE

A

INTERDISCIPLINARIDADE NA RESIDÊNCIA MULTIPROFISSIONAL EM SAÚDE
DO ADULTO E DO IDOSO (RMSAI)

APRESENTAÇÃO

A elaboração desse produto educacional foi possível a partir das
necessidades evidenciadas após a análise dos resultados da pesquisa intitulada “A
INTERDISCIPLINARIDADE NA RESIDÊNCIA MULTIPROFISSIONAL DE UMA
UNIVERSIDADE PÙBLICA DO NORDESTE: À ÓPTICA DOS RESIDENTES”.
Constitui-se como um dos requisitos para obtenção do título de mestre do Programa
de Pós-Graduação em Ensino na Saúde da Faculdade de Medicina (FAMED) da
Universidade Federal de Alagoas (UFAL).

Título:

Oficina

de

sensibilização

e

mobilização

acerca

do

trabalho

interdisciplinar na Residência Multiprofissional em Saúde do Adulto e do
Idoso.

INTRODUÇÃO

O SUS tem possibilitado importantes mudanças na forma de assistência em
saúde e, também, nos métodos de ensinar e aprender, solicitando com isso, um
novo perfil profissional. Dentre as estratégias criadas para que os princípios do SUS
sejam consolidados, uma delas é a criação dos programas de residências
multiprofissionais em saúde (BRASIL, 2004; LOBATO, 2010), que tem a
interdisciplinaridade como uma de suas principais características no processo de
formação, contribuindo com o caráter inovador desse programa (BRASIL, 2006;
2009).
Assim, a partir dos resultados da pesquisa, observou-se que o contexto da
RMSAI vem enfrentando desafios no desenvolvimento de práticas interdisciplinares,
apontando para a necessidade de ações conjuntas entre os atores envolvidos no
processo de ensino-aprendizagem no que se refere à implementação e
desenvolvimento de práticas dessa natureza.

70

Desse modo, a oficina foi definida com o objetivo de promover um feedback
reflexivo acerca da pesquisa para, a partir disso, promover a sensibilização dos
diversos atores envolvidos acerca da necessidade de rever alguns pontos no que
concerne ao fortalecimento do trabalho multiprofissional e interdisciplinar nos
diversos cenários de prática da RMSAI.

6.1 Objetivos
• Apresentar os resultados da pesquisa;
• Promover discussão acerca dos resultados;
• Identificar os desafios na visão das coordenadoras, dos(as) tutores(as) e
preceptores(as);
• Sensibilizar e provocar a reflexão para fomentar propostas de ações
conjuntas para o desenvolvimento de práticas interdisciplinares.

6.2 Público-alvo
• Coordenadoras, tutores(as) e preceptores(as) da RMSAI.

6.3 Metodologia

O formato desta oficina se concretizou ao vislumbrar a oportunidade de tornála o meio para apresentação dos resultados da pesquisa, bem como estimular o
diálogo sobre a importância das práticas interdisciplinares. Assim, buscou incentivar
a reflexão e a formulação de sugestões por parte dos participantes, que possam
contribuir para melhorias no citado curso.
Segundo Spink, Menegon e Medrado (2014), as oficinas se caracterizam em
espaços de negociação de sentidos, onde os sujeitos são envolvidos de forma
integral, levando em consideração seus pensamentos, sentidos e ações, permitindo
diferentes versões e dando visibilidade aos argumentos. O que é produzido em uma
oficina foge do que é contido na mente de um indivíduo ou do que é expressado de
forma singular, mediante sua fala.

71

A apresentação da pesquisa aconteceu com uma breve introdução sobre a
temática da interdisciplinaridade, das residências multiprofissionais e da Residência
Multiprofissional em Saúde do Adulto e do Idoso, seguida do percurso metodológico
e dos resultados e discussões pertinentes à pesquisa realizada. Proporcionou-se,
dessa maneira, uma discussão acerca da interdisciplinaridade na RMSAI, se
constituindo em um espaço de reflexão coletiva.
A oficina foi conduzida pela pesquisadora e as discussões foram gravadas em
áudio com a autorização dos participantes. As falas foram transcritas integralmente,
compondo o material a ser analisado.

6.4 Procedimentos

Inicialmente foi explicada a proposta desse produto educacional para a
coordenadora da citada Residência, com a entrega do projeto da oficina, solicitando
a inclusão dessa atividade no cronograma de reuniões. A coordenadora se
disponibilizou a conversar com os tutores(as) e preceptores(as) na reunião da
Comissão de Residência Multiprofissional (COREMU), para viabilizar junto a eles o
melhor dia e horário para realização da atividade. Em seguida, o convite foi feito
formalmente por email para todos os 10 tutores, sendo dois de cada área
profissional e para os 33 preceptores, sendo 10 de farmácia, 11 de enfermagem,
quatro da psicologia, cinco da nutrição e três do serviço social.
A oficina foi realizada no dia 18/09/18 às 10h no hospital de ensino onde
ocorrem atividades práticas da RMSAI, na sala de aula da radiologia. A lista de
frequência dos participantes encontra-se como apêndice do trabalho.
Foi desenvolvida de acordo com o roteiro apresentado abaixo:
• Apresentação da proposta da oficina;
• Apresentação dos resultados da pesquisa;
• Espaço

para

discussões

e

esclarecimentos

sobre

os

resultados

apresentados;
• Divisão dos grupos para pontuar os desafios enfrentados e elaboração de
propostas para melhoria dessa realidade;
• Apresentação desses desafios e propostas;
• Considerações finais e encerramento.

72

Assim, a atividade começou com uma breve explicação sobre o que me
motivou a falar acerca dessa temática, em seguida foi realizada a apresentação dos
resultados utilizando data show, com duração de 35 minutos.
Em seguida, os participantes foram divididos em dois subgrupos; foram
distribuídas cartolinas e solicitado que listassem os desafios enfrentados e as
propostas de ações conjuntas para melhoria do cenário baseado nos resultados da
pesquisa. Os escritos foram lidos e foi iniciada uma discussão a respeito do que
relataram.

6.5 Resultados

Seis pessoas compareceram na oficina: a coordenadora e tutora, a vicecoordenadora e preceptora do programa, uma tutora e três preceptoras3. Os demais
justificaram a ausência em virtude de compromissos acadêmicos e assistenciais.
No entanto, a oficina conseguiu alcançar seu objetivo, causando reflexão e
mobilização das participantes acerca da interdisciplinaridade na RMSAI, com o
compromisso de repassar o que foi discutido para os que não compareceram,
tornando-as multiplicadoras do que foi trabalhado e discutido.

Fotos 1 e 2. Imagens da apresentação dos resultados.

Fonte: Acervo pessoal do autor.

3

Optou-se por não identificar os nomes dos participantes, apesar de ter sido pactuado que seriam
tiradas fotografias e que estas seriam publicizadas.

73

Fotos 3 e 4. Desenvolvimento da oficina.

Fonte: Acervo pessoal do autor.

Foto 5. Apresentação dos desafios e propostas.

Fonte: Acervo pessoal do autor.

Foto 6. Apresentação dos desafios e propostas.

Fonte: Acervo pessoal do autor.

74

A partir do painel que foi construído, onde as participantes elencaram os
principais desafios/propostas relacionados à residência, foi reproduzido o quadro
abaixo.
Quadro II: Desafios/propostas.

Desafios/propostas
Não existe tempo designado para preceptoria.
Institucionalizar as horas e atividades utilizadas pelos preceptores.
Estabelecer rotinas contínuas nos cenários de prática.
Desenvolver a prática da interdisciplinaridade no cotidiano dos cenários →
melhoria da assistência.
Consenso entre tutores e preceptores sobre os conceitos de práticas uni, multi e
inter.
Reconhecimento, por parte da gestão do HUPAA, da RMSAI como um programa
desenvolvido no HUPAA→reconhecimento do trabalho dos preceptores.
Reconhecimento da UFAL da RMS e garantia de que o corpo docente que
colabora com a RMSAI (tutores e professores) terá a carga horária
reconhecida→função gratificada (FG) para coordenação do programa de RMS.
Compromisso ético- político dos residentes.
Políticas neoliberais que, cada vez mais, precarizam o SUS.

Os tópicos foram sendo apresentados e fomentando discussões, e todas as
participantes se posicionaram de forma que os desafios e propostas foram se
misturando, pois compreendeu-se que as propostas por si só já são desafios que
precisam ser vencidos.
Com isso, dentre os discursos registrados, foram destacadas as falas de
algumas preceptoras que estavam presentes, apontando a falta de tempo como um
grande desafio: [...] “A gente tentou expressar o nosso principal problema que é a
falta de tempo, [...] a gente tem que se dividir em mil. Muitas vezes queremos trazer
coisas novas, mas sempre esbarra na questão do tempo”; Complementando essa
fala outra preceptora diz que: “Simplesmente além da assistência, que você tem que
dar conta, você tem que absorver a preceptoria”.
Todas as profissionais que participaram da oficina concordam que a escassez
de tempo é um dos principais problemas enfrentados, uma vez que, a partir do

75

momento que assumem o compromisso com a RMSAI, se vêm na responsabilidade
de continuar prestando uma assistência adequada aos usuários, sem deixar
lacunas, ao mesmo tempo que precisam cumprir com êxito o papel de preceptores.
Sendo esse, composto em acompanhamento e orientação dos residentes nas
suas práticas diárias, elaboração de aulas para seminários, participação em
reuniões da residência, como membros fundamentais na avaliação e elaboração de
estratégias para melhorias constantes nesse processo. Araújo et al. (2017)
corroboram com essas falas quando dizem que, dentre as dificuldades enfrentadas
pelos preceptores no cumprimento satisfatório de seu papel, são ressaltadas a
escassez de tempo e o acúmulo de funções, causando fragilidade no desempenho
da preceptoria.
Dentre os discursos, destacamos a fala de outra participante, o qual nos diz
que:
“Apesar de estar na lei do SUS que é o ordenador da formação, não pode
ser só obrigatoriedade. Precisa ter um processo de sensibilização do
profissional e também um reconhecimento de progressão para quem
assume preceptoria, isso é uma questão de política de gestão”.

Mediante essas falas, entende-se que a institucionalização de um horário
para as atividades destinadas para residência sem acarretar ônus ao serviço é algo
a ser pensado e discutido com os gestores, assim como algum incentivo de
progressão profissional, para que os preceptores não se sintam sobrecarregados e
lesados no cumprimento de suas funções, tendo como decorrência o desestímulo
por parte destes profissionais.

Ainda nesse contexto, a fala de uma das preceptoras se destacou, quando ela
diz que: “A gente faz por amor, mas também porque a gente acredita [...] a gente fica
[...] eu pelo menos acredito que a residência é uma potencializadora na formação
em saúde para o profissional e para os residentes”.
Reforçando essa fala pode-se dizer que, os programas de RMS surgiram para
reconfigurar a atuação dos trabalhadores da saúde, partindo da educação no e para
o trabalho, sendo considerada como um dispositivo para promoção de mudanças no
modelo de formação dos profissionais da saúde (BRASIL, 2004; 2006).
Foi citado também o não reconhecimento da residência por parte da
universidade enquanto instituição responsável, se referindo à dificuldade na

76

liberação de algumas horas de docentes para a residência. Nesse sentido, uma das
participantes pronunciou-se a respeito quando disse que: “Institucionalmente a [fala
o nome da universidade] também não tem um lugar para residência, e a gente vem
brigando por isso”.
Diante dessas falas uma das participantes afirmou que: “Todos esses
desafios da RMSAI são de âmbito nacional, mas eu acho que nós podemos ir
aparando nossas arestas”.
Por fim, algumas ações foram sugeridas com o propósito de contribuir com o
processo de ensino-aprendizagem no que se refere a interdisciplinaridade na
RMSAI, conforme as falas a seguir:
“Nós já fomos na clínica médica e os outros profissionais (da saúde) que
trabalham lá, mas que não estão na preceptoria direto, disseram que
sentiam falta de saber mais sobre a residência. Seria interessante a
residência chegar junto desses profissionais, eles precisam ser
sensibilizados, convidados a conhecer a proposta da residência”.

Diante de tal afirmação e partindo do pressuposto de que a RMSAI é uma
modalidade de ensino pautada na formação em serviço, com vista na integralidade
das ações de saúde, entende-se que a necessidade de articulação entre a
residência e os profissionais que estão diretamente envolvidos com a assistência
nos cenários de prática é fundamental e inevitável.
Para Costa e Azevedo (2016), o trabalho integrado entre residentes,
professores e profissionais que compõem as equipes de saúde, tendo como objetivo
a melhoria na qualidade de atenção à saúde individual e coletiva é o que entende-se
por integração ensino-serviço.
E ainda no interesse de contribuir com sugestões para melhoria nesse
sentido, outra preceptora expressa sua opinião quando nos diz que:
“Acho que temos que voltar a ter um momento com eles, porque quando
nós tivemos esse momento com outras turmas eles paravam pra pensar no
papel de cada um, no quanto a gente vive as mesmas inquietações e os
mesmos desafios e o quanto temos as mesmas propostas, só que nas suas
perspectivas diferentes. E esse momento é muito importante, acho que é
um dos momentos mais enriquecedores da residência”.

Nesse discurso essa preceptora se refere a ter um momento entre
preceptores e residentes, para esclarecimento de dúvidas, assim como, para o

77

compartilhamento de ideias, angústias e sugestões. Reforçando que já foi
proporcionado momentos como estes com outras turmas e o quanto foi produtivo.
No que se refere a sensibilizar os(as) gestores(as) foi citado em " fazer uma
nota para gerência de ensino e pesquisa, para o corpo docente assistencial sobre as
coisas que foram pontuadas no Encontro Nacional de Residências em Saúde".
E para finalizar, uma das preceptoras presentes falou em: “ [...] estabelecer
rotinas interdisciplinares contínuas nos cenários de práticas e manter”. E
complementando sua fala uma das tutoras presentes afirma que: “Pois é, a prática
interdisciplinar não é só importante para o programa de residência, ela melhora a
assistência do hospital como um todo, então a prática inter tem que ser
institucionalizada para todos os cenários”.
Considerando as propostas sugeridas pelo grupo, percebe-se que é possível
mediante a reformulação e implementação de algumas ações internas, dar início a
um processo de mudança, no sentido de colaborar para minimizar as dificuldades
encontradas nos cenários de práticas.

6.6 Considerações Finais

O propósito inicial era de que, mediante a apresentação dos resultados da
pesquisa realizada com os residentes, os participantes refletissem sobre a proposta
do trabalho interdisciplinar da RMSAI, que se configura como uma atividade
importante para o processo de formação profissional em saúde, fazendo um
contraponto de como isso está acontecendo na prática.
E, apesar do número de participantes ter sido abaixo do esperado, a
realização da oficina como produto educacional cumpriu o seu objetivo, pois se
estabeleceu em um importante recurso, reforçando os resultados da pesquisa,
fomentando reflexões acerca da temática e, sobretudo, mobilizando as participantes
que por meio dos discursos promoveram a troca de experiências e opiniões,
culminando no (re)conhecimento de desafios e elaboração de propostas.
Assim, foi ressaltada a necessidade de rever algumas questões no intuito de
sensibilizar todos os atores envolvidos para o empenho na implementação e
manutenção de práticas interdisciplinares na prática cotidiana de ensino da citada
residência.

78

Ao final da oficina, as participantes elogiaram a iniciativa da pesquisa,
afirmando sua importância como contribuição para o processo ensino-aprendizagem
na RMSAI.

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80

7 CONSIDERAÇÕES FINAIS DO TRABALHO ACADÊMICO

Iniciei no MPES cheia de expectativas e incertezas, porém hoje eu posso
dizer o quanto essa experiência foi e ainda está sendo enriquecedora. No âmbito
profissional, ampliando minha visão como enfermeira e preceptora, e no âmbito
pessoal, sendo colocada à prova por diversas vezes, sobretudo, pesquisando sobre
um termo polissêmico como a interdisciplinaridade, dentro do contexto desafiador
das residências multiprofissionais em saúde.
A

pesquisa

possibilitou

conhecer

o

entendimento

acerca

da

interdisciplinaridade na RMSAI sob a óptica dos residentes, assim como os fatores
facilitadores e dificultadores que interferem no processo ensino-aprendizagem, tendo
uma compreensão melhor das questões relacionadas ao processo saúde-doença,
passando a ter convicção da necessidade de um cuidado integral.
Com isso, baseado nos resultados da pesquisa, e a partir do momento da
qualificação, foi vislumbrada a elaboração e realização de uma oficina com
coordenadoras, tutores(as) e preceptores(as) da RMSAI como produto educacional.
A oficina cumpriu o seu propósito, pois além da oportunidade de um feedback
reflexivo, foi possível fomentar discussões acerca da temática e sensibilizar aos que
estavam presentes sobre a necessidade de rever algumas questões. Durante a
oficina pude perceber o grupo bastante engajado, acreditando no potencial da
residência como dispositivo transformador na formação em saúde.
Espero que a semente plantada na oficina possa dar fruto e que as ações
sugeridas possam se perpetuar, sendo a mola propulsora para as mudanças
necessárias.
Por fim, posso afirmar que o MPES ampliou meus horizontes, promovendo
minha inserção no mundo científico, e despertando em mim o gosto por esse mundo
até então desconhecido.

81

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87

APÊNDICES

88

APÊNDICE A:

Este documento relata como foi realizado o processo de revisão bibliográfica,
explicitando as opções e critérios utilizados.

Essa pesquisa teve início com a formulação do objeto de estudo que
possibilitou a realização de uma revisão da literatura, na busca por contextualizar a
temática da interdisciplinaridade na Residência Multiprofissional da Universidade
Federal de Alagoas: sob a óptica dos residentes.
Como referências bibliográficas foram utilizados livros, dissertações, teses,
artigos científicos, legislação e o projeto pedagógico da RMSAI. Essas referências
foram adquiridas por meio de compra, pesquisa em biblioteca, sugeridas e/ou
cedidas por professores e mediante pesquisa nas bases de dados da bireme (Lilacs,
Scielo e Medline) e periódicos capes. Essas bases de dados foram escolhidas por
possuírem o maior número de revistas e trabalhos indexados na área da saúde.
Para realização dessas buscas, foram utilizados os seguintes descritores:
educação em saúde, equipe interdisciplinar em saúde, percepção e hospitais de
ensino. Fazendo cruzamentos com os descritores em cada uma das bases de dados
citadas acima, na tentativa de encontrar o maior número possível de referência
abordando essa temática.

89

APÊNDICE B:
TRANSCRIÇÃO SEQUENCIAL
QUEM FALA

SOBRE O QUE FALA

Pesquisadora

Pergunta como os residentes trabalhavam nas
atividades descritas por eles nas tarjetas.

Suzana

Fala sobre uma disciplina ministrada no primeiro ano da
residência.

Suzana

Suzana

Fala como são desenvolvidas as atividades nessa
disciplina no ambiente hospitalar.
Cita a formação unidisciplinar na graduação X
multiprofissionalidade.

Ana

Felipe, Eva,
João
Pesquisadora

Carla
Júlia

Rosa

TEMA

LINHAS
10-11

Formação
profissional/educação
permanente
Estrutura e organização
dos serviços
Formação
profissional/educação
permanente

12-14

Cita atividade multiprofissional no primeiro ano.

Estrutura e organização
dos serviços

42-43

Fala como eram feitas as visitas para a construção do PTS
no hospital.

Estrutura e organização
dos serviços

53-67

Pergunta se alguém quer fazer mais alguma
observação.
Fala sobre a rotina do serviço no hospital X
interdisciplinaridade
Fala sobre os preceptores e a ausência da
interdisciplinaridade na graduação.
Fala sobre a residência e a quebra de paradigmas
provenientes da graduação.

14-18
23-25

72
Estrutura e organização
dos serviços

75-77

Formação
profissional/educação
permanente
Formação
profissional/educação
permanente

78-83

85-87

João

Fala do corpo docente assistencial e a ausência de uma
visão interdisciplinar.

Formação
profissional/educação
permanente

88-90

QUEM FALA
Felipe

SOBRE O QUE FALA
Cita a dificuldade que o corpo docente tem acerca do que
é a residência e do que ela traz.

TEMA
Formação
profissional/educação
permanente

LINHAS
96-100

Seguimento de uma assistência individualizada.

Estrutura e organização
dos serviços

102-104

Profissionais do serviço e o modelo de assistência
individualizada

Formação
profissional/educação
permanente

104-106

Felipe

90

Ana

Fala da dificuldade dos residentes desenvolverem
atividades em grupo no ambiente hospitalar.

Estrutura e organização
dos serviços

109-114

João

Fala que os residentes são vistos como mão de obra
barata devido à carência de recursos humanos.

Estrutura e organização
dos serviços

124-126

Pesquisadora

Pergunta: Então, pelo já foi dito aqui, são vários
fatores que dificultam que a residência funcione da
forma como deveria funcionar. E, com relação ao
trabalho interdisciplinar mesmo, o que vocês
entenderiam como trabalho interdisciplinar?

127-130

João

Cita o desenvolvimento de atividade interdisciplinar na
residência no ambiente hospitalar.

Estrutura e organização
dos serviços

131-134

Felipe

Cita a construção de atividade interdisciplinar frente à
equipe na atenção básica.

Estrutura e organização
dos serviços

135-144

João

Fala da resistência dos profissionais do serviço em
desenvolver essas atividades.

Estrutura e organização
dos serviços

148-149

QUEM FALA
Felipe

SOBRE O QUE FALA
Fala que a rotina de trabalho no hospital é um dificultador
para realização de atividades interdisciplinares.
Posicionamento dos profissionais.

TEMA
Estrutura e organização
dos serviços
Estrutura e organização
dos serviços
Estrutura e organização
dos serviços
Estrutura e organização
dos serviços
Relações de poder

LINHAS
150-151

Eva
Ana
Nina
Felipe

A unidade básica no desenvolvimento de atividades
interdisciplinares.
Fala da dificuldade de desenvolver atividades
interdisciplinares no ambiente hospitalar.
Fala da pressão exercida pela COREMU para o
desenvolvimento de atividades em grupo.

Pesquisadora

Pergunta: Na opinião de vocês, durante a residência
são proporcionadas de forma satisfatória atividades
voltadas para uma atuação interdisciplinar?

Júlia

Fala da ausência da interdisciplinaridade na formação dos
preceptores e da ausência de uma vivência multi.

Felipe

Fala da ausência de educação permanente e continuada
no preparo dos preceptores.

João

Fala sobre o despreparo dos profissionais envolvidos e as
relações de poder.

152
155-157
158-163
168-169

184-185

Formação
profissional/educação
permanente
Formação
profissional/educação
permanente
Formação
profissional/educação
permanente

186-189

190-195

196-216

Relações de poder
Rosa

Fala do corpo docente e as relações de poder.

Relações de poder

217-218

José

Sugere a melhoria na organização do serviço para o
desenvolvimento dessas práticas.

Estrutura e organização
dos serviços

221-222

José

Fala do acontecimento de algumas atividades
interdisciplinares mesmo com os conflitos internos.

Relações de poder

222-224

91

QUEM FALA
Felipe

SOBRE O QUE FALA
Sugere a implantação de mais atividades
interdisciplinares.

TEMA
Formação
profissional/educação
permanente

LINHAS
225-226

Maria

Fala sobre a necessidade do hospital como um todo
enxergar a importância das atividades interdisciplinares.
Fala sobre a necessidade do incentivo à capacitação dos
profissionais envolvidos.

Estrutura e organização
dos serviços
Formação
profissional/educação
permanente

228-230

Fala da falta de um consenso para viabilizar a
interdisciplinaridade na residência.

Formação
profissional/educação
permanente

241-244

João

Nina

236-239

Relações de poder
Pesquisadora

Pergunta: Qual a sugestão de vocês para contribuir no
ensino que está sendo proporcionado pela residência,
no que se refere às práticas multiprofissionais, dentro
de uma perspectiva interdisciplinar?

245-247

Júlia

Escuta e diálogo.

Relações de poder

248-250

João

Escuta qualificada.

Relações de poder

251-252

Maria

Fala que não é visto como profissional.

Relações de poder

261-262

José

Institucionalizar o que está dando certo.

Formação
profissional/educação
permanente

263-264

Carla, José

Estabelecer um tempo para passagem das rotinas na
transição de um cenário para outro.

Formação
profissional/educação
permanente

275-280

José

Diminuir as disciplinas individuais ou englobar essas
disciplinas no geral com uma abordagem interdisciplinar.

284-287

Júlia, Carla

Transferência de disciplinas para o primeiro ano com
abordagem interdisciplinar.

Nina

Criar mais disciplinas voltadas para o trabalho em grupo.

Formação
profissional/educação
permanente
Formação
profissional/educação
permanente
Formação
profissional/educação
permanente

289-294

295-300

92

APÊNDICE C:
TRANSCRIÇÃO INTEGRAL

TRANSCRIÇÃO DA OFICINA REALIZADA COM OS RESIDENTES (R2) DA
RESIDÊNCIA MULTIPROFISSIONAL EM SAÚDE DO ADULTO E DO IDOSO DA
UFAL:
1ª ETAPA DO SEGUNDO MOMENTO DA OFICINA (PERGUNTAS ACERCA DAS
ATIVIDADES DESCRITAS NAS TARJETAS FIXADAS NO QUADRO):
C- Bom, gente! Antes de começar a oficina eu gostaria de pedir a vocês que se
identifiquem antes de começar a falar.
C- Vocês descreveram aquelas atividades nas tarjetas, separando em
atividades
individuais,
multidisciplinares,
interdisciplinares
e
transdisciplinares.
C- Baseado nas atividades que vocês descreveram nas tarjetas, como é que
vocês trabalharam nessas atividades?
Suzana- No primeiro ano nós temos uma disciplina que se chama seminários
integrativos, com a Profa. Graça. Nessa primeira disciplina a gente constrói o PTS,
mas, ao mesmo tempo em que esse PTS é construído, a gente tá assistindo, tem
alguma enfermeira fazendo exame diagnóstico, os meninos também vendo as
necessidades nas áreas deles. Mas a gente conversa. O plano terapêutico singular é
construído no decorrer da assistência que a gente presta ao paciente, através da
visita ao leito. A gente fica lotado em um posto de referência, e no decorrer que essa
disciplina se desenvolve, a gente é solicitado a expor mais essa atividade que a
gente realiza em grupo. A gente faz estudo de casos, a equipe de referência atende
todos os pacientes daquela enfermaria. Mas a gente pode ter o contato com o
paciente e descrever o que é que a gente está fazendo enquanto equipe multi com
aquele paciente. Porque a gente vem de uma formação uni, então esse é o primeiro
contato com a questão da multiprofissionalidade. Aí assim, é... Nessa disciplina a
gente escolhe o paciente, tem uns que a gente atende na equipe de referência nas
outras enfermarias. E faz a consulta de enfermagem, a consulta do farmacêutico, o
atendimento da psicologia. Sempre valorizando as necessidades e prioridades que o
paciente demanda. Eu acho que essa atividade é realizada de forma multidisciplinar,
porque nós desenvolvemos como equipe multiprofissional, mas não de forma
interligada.
C- Aí no caso cada um faz a sua intervenção daquilo que é inerente a sua área,
né?
Suzana- É. Mas a gente conversa.
C- E essa conversa é feita de forma que permite que vocês possam dar alguma
sugestão com relação a alguma coisa do colega de outra categoria
profissional, por exemplo?

93

Suzana- Sim. Nós temos esse feedback muito aberto pra gente. A gente conversa
com o paciente, a gente percebe, a gente discute juntos. Na maioria das vezes nós
atendemos juntos, por conta dos cenários que nós estamos, aí é muito aberto esse
diálogo.
Ana- No primeiro ano a gente também fazia a visita ao leito com uma equipe multi. E
cada um ia vendo a necessidade e depois com o atendimento individual, também
poderia ver essa necessidade da intervenção dos demais profissionais.
Eva- Também tem a questão assim... As meninas que já falaram, elas eram da
minha equipe. Então, às vezes, a gente passava a consulta individual, e não
percebia alguns fatores, aí o outro profissional com outro olhar, já com outro contato,
às vezes percebia. O paciente às vezes não relata pra você, mas relata pra o
colega. Então a gente mantém esse diálogo pra poder fazer essa assistência mais
completa.
José- As visitas eram feitas quase todos os dias com a equipe da residência.
Felipe- Na verdade essas visitas eram feitas só com a equipe da residência. Os
profissionais do serviço não participavam, nem da visita e nem da construção do
PTS. E isso também foi discutido com a gente em reuniões com a COREMU. E só
agora é que as coisas mudaram um pouco. Parece que os profissionais do serviço
estão acompanhando essas visitas junto com os residentes uma vez por semana.
Eva- Porque no caso a visita era iniciativa nossa, a gente juntava a nossa equipe e
ia fazer a visita. Mas hoje com os R1 eles já estipularam um dia e um horário e os
preceptores e residentes vão fazer essa visita. Antes ela era uma atividade que fazia
parte da disciplina, mas só era feita pelos residentes, sem acompanhamento dos
preceptores e não tinha dia fixo.
João- Essa atividade não era institucionalizada. Ela não fazia parte da rotina do
serviço, era a residência que fazia, sem o engajamento dos profissionais do serviço.
Eu percebi o ambiente da atenção básica mais propício para desenvolver um
trabalho interdisciplinar do que o ambiente hospitalar. No ambiente hospitalar o que
foi ensinado é que o trabalho multi é um trabalho colaborativo. Ou seja, cada
profissão dentro da sua esfera de saberes, você vai contribuir com a saúde do
paciente e essa contribuição deve estar em contato, colaborando com o outro.
C- Alguém quer fazer mais alguma observação?
Maria- Aqui no hospital existem as visitas domiciliares, lá no CACON é feito visita na
casa dos pacientes de cuidados paliativos.
Carla- A própria rotina do serviço “no hospital” não ajuda no desenvolvimento de
atividades multi e nem interdisciplinares. Direcionando sempre para que cada
profissional trabalhe cada um no seu quadrado.
Júlia- Os preceptores colaboram com as atividades individuais de cada profissão.

94

Maria- Eu acho também que além desse fator dificultador que é a rotina hospitalar,
que propicia o trabalho individual. Vem também muito da nossa graduação, porque
na graduação não existe essa questão interdisciplinar, nós não trabalhamos a
interdisciplinaridade. Não existe essa correlação entre as disciplinas e nem entre as
profissões. E essa já é uma dificuldade que a gente vem trazendo nossa.
Rosa- Verdade, e quando a gente chega na residência e nos pedem isso, aí aos
pouquinhos a gente vai tentando quebrar esse paradigma que já estão impostos,
então é um trabalho de aprendizado mesmo.
João- E eu diria que não só na nossa graduação, mas também na formação do
corpo docente assistencial. Que a gente percebe no corpo docente assistencial
muitos não têm essa visão interdisciplinar, e está ali ensinando, está na tutoria e nas
entre linhas considera a multidisciplinaridade e a interdisciplinaridade como um mal
necessário para a residência funcionar. Então é algo que a gente... é um modelo
novo que está sendo proposto, e que as pessoas que estão sendo responsáveis da
parte do corpo assistencial ainda não vivenciaram, e também é isso que existe essa
dificuldade.
Felipe- Essa é uma dificuldade não só de algumas pessoas que estão na tutoria.
Mas também dos profissionais que estão nas clínicas e dos próprios preceptores,
que quando a gente conversava, relatava isso, que essa era uma dificuldade de
pessoas que estão nos acompanhando. Mas não têm o entendimento do que a
residência é, e do que ela traz. Então não tinha como conduzir um grupo de
residentes, se eles mesmos não estavam tendo essa percepção do que é essa
residência. Então ficava assim, uma coisa solta mesmo, e querendo que você faça,
siga uma linha realmente individual, assistencialista mesmo, como mão de obra
também. E esses profissionais que estão aí vêm de uma formação voltada para esse
modelo de assistência individual. Eu já sentia falta disso na minha formação, e esses
profissionais mais antigos realmente têm uma dificuldade de trabalhar dessa forma.
Pois não foi implantado isso nas turmas das pessoas que se formaram
anteriormente.
Ana- Às vezes a própria equipe está desenvolvendo uma atividade em grupo, mas o
preceptor chama o residente para fazer outra coisa, sendo que aquele seria um
serviço individual. A intenção da equipe de referência é fazer uma atividade multi ou
interdisciplinar e mesmo assim é chamada para fazer um trabalho individual, porque
acha que aquele trabalho é essencial para o hospital. Apesar de estar fugindo da
proposta da residência.
Eva- Às vezes até a conformação do serviço mesmo, como por exemplo, lá no
CACON, quando a gente vai entrando já vai separando. A farmacêutica vai para um
lado, o serviço social vai para o outro, a enfermagem vai para o outro lado. Aí no
caso a minha preceptora no CACON, ela me deixa bem à vontade para fazer a parte
multi. Mas aí dificulta juntar todo mundo. Não é nem porque a gente não queira
tentar fazer, tem essa dificuldade. Aí, por exemplo, os farmacêuticos vão lá
manipular, e quando se entra ali não consegue sair, a enfermagem que vai fazer a
administração. E isso é como o serviço é implantado, né?

95

Maria- E, além disso, tem a falta de recursos humanos, e a gente é visto como mão
de obra, e não que tá ali para se envolver no serviço e para desenvolver um trabalho
enquanto equipe multi.
C- Então, pelo que já foi dito aqui, são vários fatores que dificultam que a
residência funcione da forma como deveria funcionar. E com relação ao
trabalho interdisciplinar mesmo, o que vocês entenderiam como trabalho
interdisciplinar?
João- Eu considero que o teste rápido mais o aconselhamento sejam atividades
interdisciplinares, porque a tua formação contribui para que você realize bem o teste
em todas as suas fases. Mas não é estabelecido determinada atribuição para
determinada profissão. Por isso é interdisciplinar.
Felipe- Quando nós estávamos na unidade básica, tinham os grupos que já eram
estabelecidos, tipo hiper/dia, gestante, idosos, tabagismo. São grupos que
geralmente não são trabalhados com a equipe multiprofissional de forma
interdisciplinar. Porque cada profissional falava do que era pertinente a sua área de
acordo com a patologia. E quando a gente chegou lá, a gente desconstruiu isso.
Porque a gente não conseguia trabalhar conjuntamente nem de forma multi e nem
de forma interdisciplinar, porque eram coisas específicas. Então fomos
desconstruindo isso, começamos a falar no grupo sobre coisas que não tinham nada
haver com a doença. Então todos os profissionais foram envolvidos, e nós vimos
resultados. Nós falávamos sobre a vida deles, sobre música, sobre convivência.
João- E isso não foi uma proposta do cenário. Foi a gente que veio com essa visão
de tentar desconstruir aquele modelo de palestras, onde é cada um na sua, no seu
núcleo. Houve resistência dos profissionais, mas com o tempo eles foram aceitando,
e foi um trabalho bastante exitoso.
Felipe- Um dos fatores que contribuem como dificultador para a realização de
algumas atividades interdisciplinares é a rotina de trabalho.
Eva- Os profissionais alegam não poder abandonar o setor para estar brincando...
Por exemplo, quando nós chamávamos os profissionais a participarem do cuidando
de quem cuida.
Ana- Eu acredito que na unidade básica de saúde o que favorece ao
desenvolvimento de atividades interdisciplinares é o fortalecimento do vínculo e a
integração social deles. Então, o maior foco dos grupos é esse.
Nina- Eu acho que o cuidando de quem cuida apesar de ter essa proposta
interdisciplinar, ele é mais difícil de ser efetivado, é tanto que a gente colocou na
parte de multidisciplinaridade. Não sei, eu acho que não sei se pelos fatores que a
gente já colocou aqui e também por ser dentro do hospital, que ainda tem uma
assistência com um caráter muito forte biomédico, que trata a doença e não o
sujeito. Então, fica mais difícil de trabalhar, porque se torna difícil a adesão de
profissionais.

96

Eva- O grupo conviver que é do HD nós também consideramos uma atividade
interdisciplinar, que é no segundo ano da residência e tem uma proposta parecida
com o cuidando de quem cuida.
Felipe- E nós sofremos pressão da coordenação da COREMU, que os grupos
tinham que dar certo. E falavam que a culpa era nossa. Eu não sei como é que está
sendo agora com a turma desse ano.
C- Com relação à transdisciplinaridade, em que vocês acham que ela difere da
interdisciplinaridade?
João- Foram colocadas as atividades lúdicas como transdisciplinaridade, porque eu
lembrei de algumas atividades meio que artísticas que a gente fez. Por exemplo,
quando nós estávamos na UBS nós fomos fazer uma peça teatral na escola. Uma
peça teatral na escola falando sobre arboviroses, sobre dengue, zika, chikungunya.
E eu não consegui identificar claramente, como núcleo profissional, numa atividade
como essa. A gente bolou uma música pra falar disso, e naquele momento eu não
consegui identificar onde é que estava a farmácia, a enfermagem, etc... Então eu
enxerguei nessas atividades lúdicas, onde nós trabalhamos saúde através da arte,
uma atividade como sendo transdisciplinar. E através dessas atividades lúdicas,
como teatro e música nós abordamos vários temas, como tabagismo, DST's.
C- Na opinião de vocês, durante a residência são proporcionadas de forma
satisfatória atividades voltadas para uma atuação interdisciplinar?
Júlia- A proposta da residência é essa, mas não é feito. Eu vou me colocar um
pouco no lugar dos preceptores, porque muitos deles não têm uma formação voltada
para interdisciplinaridade e não tem uma vivência multi. Então eu acho que falta de
vontade não seja. Acredito que seja falta de preparo.
Felipe- Nós ficávamos até nos perguntando: Como é que esses preceptores são
preparados para essa residência. Porque eu acho que já li, vendo um site, que agora
não me recordo qual, que tem essa preparação para tutores e preceptores, mas não
sei se são feitas. Porque já que na graduação desses profissionais eles não foram
preparados a trabalhar dessa forma. Cadê a educação permanente? Cadê a
educação continuada?
João- Às vezes eu fico me perguntando: O que é que habilita alguém a ser um
preceptor? O que é que habilita alguém a ser um tutor? Porque eu sinto, às vezes,
todo mundo... É... Assim... Eu vou botar um exemplo bem tosco pra vocês
entenderem: É como se de repente tivesse um bocado de criança numa praia, aí as
crianças olham uma para outra e dizem: Vamos construir um robô. Certo, mas como
é que a gente vai construir um robô? Aí fica todo mundo ali, construindo um robô,
sem saber como é um robô, sem saber como é que funciona. Aí de repente algumas
das crianças se colocam em uma posição superior às outras, e dizem: Não, agora
eu vou ensinar pra vocês como é que faz um robô. Sem nem saber direito,
aprendendo junto. Entendeu? É assim que eu vejo. É algo que não foi trabalhado ao
longo da vida acadêmica e profissional. Então, está todo mundo aprendendo junto.
Aprendendo junto, só que em posições diferentes. Uns na posição de tutor, outros
de preceptor e outros de residente. É assim que eu enxergo. E isso atrapalha

97

quando você se coloca assim. Achando que porque está em determinada posição
sabe mais que os outros. Enquanto que se nós tivéssemos a consciência de que
estamos todos no mesmo nível de entendimento com relação a isso, talvez não
houvesse tanta dificuldade. Porque não é nem o fato de todo mundo estar
aprendendo a trabalhar assim agora. É que está todo mundo aprendendo agora,
mas tem gente achando que sabe mais do que o outro. E isso dificulta não só o
aprendizado, isso dificulta as relações.
Rosa- Mesmo que você esteja em uma posição de ensinar, mas se você admitir que
também está aprendendo com isso, você tencione a sua relação de poder. É como
se mostrar que também está aprendendo com isso seja demonstrar fraqueza.
José- Eu acho que poderia ser melhor organizado, pensado juntos e colocado em
prática. Porque mesmo com os conflitos internos e as demandas, acontecem
algumas atividades interdisciplinares, e, quando acontece, eu acho bastante
positivo.
Felipe- Eu acho que não está tão satisfatório, precisa melhorar e implantar mais
atividades.
Júlia- Da nossa entrada até hoje eu percebo que melhorou em alguns pontos.
Maria- Mas eu acredito que não é tão satisfatório, porque além dos motivos citados,
o hospital em si não favorece que aconteça, porque quando o hospital como um todo
enxergar isso, eu acho que, com certeza, vai melhorar mais.
Carla- Eu acho que essa mudança de gestão contribuiu para que essas atividades
multi e interdisciplinares fossem sendo institucionalizadas. E com a chegada de mais
profissionais nos serviços, hoje os profissionais estão tendo um pouco mais de
disponibilidade para acompanhar e participar dessas atividades; percebemos isso
acontecendo com a turma de R1.
João- Eu acho que o incentivo à capacitação dos profissionais envolvidos nesse
processo de ensino-aprendizagem na residência multiprofissional para atuar como
preceptor deveria ser algo institucionalizado pela residência. E não cada um ir em
busca disso por conta própria a partir das inquietações de cada um. E, infelizmente,
eu percebo que isso não acontece.
Nina- Mas também nem as pessoas que estão à frente da coordenação da
residência têm o consenso pra viabilizar essa interdisciplinaridade. Muitas vezes o
que eu vejo é uma briga entre elas mesmas. E isso reflete em todo resto.
C- Qual a sugestão de vocês para contribuir no ensino que está sendo
proporcionado pela residência, no que se refere às práticas multiprofissionais,
dentro de uma perspectiva interdisciplinar?
Júlia- Escutar mais o outro! Eu acho que se quem está à frente da residência
soubesse ouvir, essa residência seria outra. Tem que existir mais diálogo e escutar
mais os residentes.

98

João- É... mas, a escuta tem que ser qualificada. Porque é o seguinte: escutar a
gente é escutado, mas isso não quer dizer que seja ouvido. A gente ouve algumas
pessoas dizerem que acolhimento é isso, aquilo, aquilo outro, mas na hora de
acolher, não é acolhido. Muito pelo contrário, faz as coisas pra legitimar a sua falta
de acolhimento. Em que sentido? Vamos marcar uma reunião todo mês da turma
com a coordenação. Aí quando chega algum problema que acontece e é levado pra
reunião da COREMU. Aí alguém fala, olha e diz: Mas a gente não tava na reunião
com vocês? Vocês não tiveram a oportunidade de falar o que querem pra gente?
Mas acontece que a gente falaria, mas não seria ouvido.
Maria- Na verdade eles nos enxergam como estudantes, e não como profissionais
que têm muito com o que contribuir.
José- Ver o que está sendo produzido e que está tendo êxito e institucionalizar.
Porque as coisas ficam sempre se perdendo.
Eva- E, pra completar essas coisas que foram faladas, eu acho que seria
interessante essa questão dos grupos, porque como a maioria dos preceptores não
fazem parte disso, aí quando entra uma nova turma de residente, acaba com tudo
que tinha sido feito. Aí vai de novo construir tudo, do jeito que eles querem fazer. A
gente escuta muito quando é R1. "Os R2 faziam assim e porque vocês não fazem?".
Só que ninguém passa nada pra gente. Se perdendo. Porque toda turma que entra
muda tudo de novo. Não existe uma continuidade de algumas atividades. A
comunicação, então, meio que a gente começa tudo do zero. Por isso que algumas
coisas vão entre os R1 e os R2 é muito falha, principalmente pelo fator tempo.
Carla- Entendo que é tudo muito corrido, mas se tivesse como ter um tempo para
que as rotinas e o que estava em andamento pudesse ser passado, não haveria
tanta quebra das atividades desenvolvidas, as coisas teriam uma continuidade. E
quem ganharia com isso seria a população.
José- E essa transição deveria existir não só entre R1 e R2, mas entre a gente
também, de um cenário para o outro. A gente agora nessa transição de cenário,
falamos com a coordenação e conseguimos fazer. Elas falaram: "vai atrasar um
pouco para começar. Um ou dois dias depois". Mas nós conseguimos fazer, e vimos
que isso é muito importante.
José- Pra que tanta disciplina individual? Tem muita coisa que a gente já viu que
repetem. Tem muita disciplina repetida na específica que poderia ser englobada no
geral, num sei... Ou que poderia ter uma abordagem interdisciplinar. Poderia ser a
mesma coisa, só que uma abordagem interdisciplinar.
Júlia- E algumas disciplinas que nós vimos no segundo ano, que poderiam ter sido
dadas no primeiro ano, como a disciplina de cuidados paliativos por exemplo.
Carla- Pois é, a gente chega de cara na clínica médica e na cirúrgica pra lidar com
pacientes de cuidados paliativos sem ter visto isso ainda. Então, se fosse uma
disciplina dada no primeiro ano, com uma abordagem interdisciplinar, seria muito
bom.

99

Nina- E também disciplinas que poderiam ser pensadas. Por exemplo, desde o
primeiro ano, quando a gente entrou que se fala e se trabalha com grupos. E não
tem nenhuma disciplina voltada para o grupo, e não é só simplesmente chegar, levar
um tema e trabalhar. Tem toda uma metodologia e o aparato teórico, né? Para se
trabalhar com o grupo utilizando uma abordagem interdisciplinar, e a gente não tem
nenhuma disciplina voltada para isso.
C- O que vocês vão levar como experiência profissional dessa residência
multiprofissional?
Nina- Apesar de todas essas dificuldades, quando sair daqui vai ser difícil fazer um
trabalho sem pensar como equipe, sem ter as outras profissões para me apoiar.
Eva- A gente meio que aprendeu a enxergar os outros, apesar de tudo, a gente que
se apoia no dia a dia. Eu agora sei o papel de cada um e a sua importância. E para
o nosso futuro profissional isso é de total valia, independente dos problemas que nós
enfrentamos na residência. É o que a gente vai levar realmente.
Ana- O que eu vou levar daqui é essa visão diferenciada, porque futuramente eu
posso ser uma preceptora, tutora ou até mesmo professora na graduação. E o
importante é poder ser propagadora dessa forma de trabalho.

101

APÊNDICE D:
QUADROS ANALÍTICOS PROVENIENTES DAS “TI” E “TS”

Perguntas

Categoria 1
Estrutura e organização
dos serviços

C- Baseado nas atividades
que vocês descreveram nas
tarjetas. Como é que vocês
trabalharam nessas
atividades?

Categoria 2
Formação
profissional/educação
permanente
Suzana- No primeiro ano nós
temos uma disciplina que se
chama seminários
integrativos, com a Profa.
Graça. Nessa primeira
disciplina a gente constroi o
PTS (...)

Suzana- (...) mas, ao mesmo
tempo em que esse PTS é
construído, a gente tá
assistindo, tem alguma
enfermeira fazendo exame
diagnóstico, os meninos
também vendo as
necessidades nas áreas
deles. Mas a gente conversa.
O plano terapêutico singular é
construído no decorrer da
assistência que a gente
presta ao paciente, através
da visita ao leito.
Suzana- Porque a gente vem
de uma formação uni, então
esse é o primeiro contato
com a questão da
multiprofissionalidade.
Ana- No primeiro ano a gente
também fazia a visita ao leito
com uma equipe multi.
Felipe- Na verdade essas
visitas eram feitas só com a
equipe da residência. Os
profissionais do serviço não
participavam, nem da visita e
nem da construção do PTS.
Eva- Porque no caso a visita
era iniciativa nossa, a gente
juntava a nossa equipe e ia
fazer a visita.

Categoria 3
Relações de poder

102

Perguntas

Categoria 1
Estrutura e organização
dos serviços

Categoria 2
Formação
profissional/educação
permanente

João- Essa atividade não era
institucionalizada. Ela não
fazia parte da rotina do
serviço, era a residência que
fazia, sem o engajamento dos
profissionais do serviço. Eu
percebi o ambiente da
atenção básica mais propício
para desenvolver um trabalho
interdisciplinar do que o
ambiente hospitalar.
C- Alguém quer fazer mais
alguma observação?
Carla- A própria rotina do
serviço “no hospital” não
ajuda no desenvolvimento de
atividades multi e nem
interdisciplinares.
Direcionando sempre para
que cada profissional trabalhe
cada um no seu quadrado.
Júlia- Os preceptores
colaboram com as atividades
individuais de cada profissão.
João- Eu acho também que
além desse fator dificultador
que é a rotina hospitalar, que
propicia o trabalho individual,
vem também muito da nossa
graduação, porque na
graduação não existe essa
questão interdisciplinar, nós
não trabalhamos a
interdisciplinaridade. Não
existe essa correlação entre
as disciplinas e nem entre as
profissões.

Categoria 3
Relações de poder

103

Perguntas

Categoria 1
Estrutura e organização
dos serviços

Categoria 2
Formação
profissional/educação
permanente
Rosa- Verdade, e quando a
gente chega na residência e
nos pedem isso, aí aos
pouquinhos a gente vai
tentando quebrar esse
paradigma que já estão
impostos, então é um
trabalho de aprendizado
mesmo.
João- E eu diria que não só
na nossa graduação, mas
também na formação do
corpo docente assistencial.
Que a gente percebe que no
corpo docente assistencial
muitos não têm essa visão
interdisciplinar (...)
Felipe- E essa é uma
dificuldade não só de
algumas pessoas que estão
na tutoria. Mas também dos
profissionais que estão nas
clínicas e dos próprios
preceptores. Que quando a
gente conversava e relatava
isso, que essa dificuldade de
pessoas que estão nos
acompanhando. Mas não têm
o entendimento do que a
residência é, e do que ela
traz.

Felipe- Então ficava assim,
uma coisa solta mesmo, e
querendo que você faça, siga
uma linha realmente
individual, assistencialista
mesmo, como mão de obra
também.
Felipe- E esses profissionais
que estão aí vêm de uma
formação voltada para esse
modelo de assistência
individual.

Categoria 3
Relações de poder

104

Perguntas

Categoria 1
Estrutura e organização
dos serviços
Ana- Às vezes a própria
equipe está desenvolvendo
uma atividade em grupo, mas
o preceptor chama o
residente para fazer outra
coisa, sendo que aquela seria
um serviço individual. (...)
porque acha que aquele
trabalho é essencial para o
hospital. Apesar de estar
fugindo da proposta da
residência.
Maria- E, além disso, tem a
falta de recursos humanos, e
a gente é visto como mão de
obra, e não que está ali para
desenvolver um trabalho
enquanto equipe multi.

C- Então pelo que já foi dito
aqui, são vários fatores que
dificultam que a residência
funcione da forma como
deveria funcionar. E com
relação ao trabalho
interdisciplinar mesmo. O que
vocês entenderiam como
trabalho interdisciplinar?
João- Eu considero que o
teste rápido mais o
aconselhamento sejam
atividades interdisciplinares
porque a tua formação
contribui para que você
realize bem o teste em todas
as suas fases. Mas não é
estabelecido determinada
atribuição para determinada
profissão.

Categoria 2
Formação
profissional/educação
permanente

Categoria 3
Relações de poder

105

Perguntas

Categoria 1
Estrutura e organização
dos serviços
Felipe- Quando nós
estávamos na unidade
básica, tinham os grupos que
já eram estabelecidos, tipo
hiper/dia, gestante, idosos,
tabagismo. São grupos que
geralmente não são
trabalhados com a equipe
multiprofissional de forma
interdisciplinar (...). E, quando
a gente chegou lá, a gente
desconstruiu isso (...). Então,
todos os profissionais foram
envolvidos, e nós vimos
resultados.
João-(...) Houve resistência
dos profissionais, mas com o
tempo eles foram aceitando,
e foi um trabalho bastante
exitoso.
Felipe- Um dos fatores que
contribuem como dificultador
para a realização de algumas
atividades interdisciplinares é
a rotina de trabalho.
Eva- Os profissionais alegam
não poder abandonar o setor
para “estar brincando” (...)
Ana- Eu acredito que na
Unidade Básica de Saúde o
que favorece ao
desenvolvimento de
atividades interdisciplinares é
o fortalecimento do vínculo e
a integração social deles.

Categoria 2
Formação
profissional/educação
permanente

Categoria 3
Relações de poder

106

Perguntas

Categoria 1
Estrutura e organização
dos serviços

Categoria 2
Formação
profissional/educação
permanente

Categoria 3
Relações de poder

Nina- Eu acho que o
cuidando de quem cuida
apesar de ter essa proposta
interdisciplinar, ele é mais
difícil de ser efetivado, é tanto
que a gente
colocou na parte de
multidisciplinaridade. (...) por
ser dentro do hospital, que
ainda tem uma assistência
com um caráter muito forte
biomédico, que trata a
doença e não o sujeito.
Felipe- E nós sofremos
pressão da coordenação da
COREMU, que os grupos
tinham que dar certo. E
falavam que a culpa era
nossa.
C- Na opinião de vocês,
durante a residência são
proporcionadas de forma
satisfatória atividades
voltadas para uma atuação
interdisciplinar?
Júlia- A proposta da
residência é essa, mas não é
feito. Eu vou me colocar um
pouco no lugar dos
preceptores, porque muitos
deles não têm uma formação
voltada para
interdisciplinaridade e não
têm uma vivência multi. Então
eu acho que falta de vontade
não seja. Acredito que seja
falta de preparo.

107

Perguntas

Categoria 2
Estrutura e organização
dos serviços

Categoria 2
Formação
profissional/educação
permanente
Felipe- Nós ficávamos até
nos perguntando: Como é
que esses preceptores são
preparados para essa
residência? Por que já que na
graduação desses
profissionais eles não foram
preparados a trabalhar dessa
forma. Cadê a educação
permanente? Cadê a
educação continuada?

Categoria 3
Relações de poder

João- Às vezes eu fico me
perguntando: O que é que
habilita alguém a ser um
preceptor? O que é que
habilita alguém a ser um
tutor?
João- É como se de repente
tivesse um bocado de criança
numa praia, aí as crianças
olham uma para outra e
dizem: Vamos construir um
robô (...) mas como é que a
gente vai construir um robô?
Aí fica todo mundo ali,
construindo um robô, sem
saber como, sem saber como
é que funciona. Aí de repente
algumas das crianças se
colocam em uma posição
superior as outras, e dizem:
Não, agora eu vou ensinar
pra vocês como é que faz um
robô. Sem nem saber direito,
aprendendo junto. Entendeu?
(...) e isso atrapalha quando
você se coloca assim (...) isso
dificulta não só aprendizado,
isso dificulta as relações.

108

Perguntas

Categoria 1
Estrutura e organização
dos serviços

Categoria 2
Formação
profissional/educação
permanente

Categoria 3
Relações de poder

Rosa- Mesmo que você
esteja em uma posição de
ensinar, mas se você admitir
que também está aprendendo
com isso, você tencione a
sua relação de poder.
José- Porque mesmo com os
conflitos internos e as
demandas, acontecem
algumas atividades
interdisciplinares, e quando
acontece eu acho bastante
positivo.
Maria- Mas eu acredito que
não é tão satisfatório, porque
além dos motivos citados, o
hospital em si não favorece
que aconteça, porque quando
o hospital como um todo
enxergar isso, eu acho que
com certeza vai melhorar
mais.
João- Eu acho que o
incentivo à capacitação dos
profissionais envolvidos
nesse processo de ensinoaprendizagem na residência
multiprofissional para atuar
como preceptor deveria ser
algo institucionalizado pela
residência. E não cada um ir
em busca disso por conta
própria a partir das
inquietações de cada um.

109

Perguntas

Categoria 1
Estrutura e organização
dos serviços

Categoria 2
Formação
profissional/educação
permanente
Nina- Mas também nem as
pessoas que estão à frente
da coordenação da
residência têm o consenso
pra viabilizar essa
interdisciplinaridade.

Categoria 3
Relações de poder

Nina- Muitas vezes o que eu
vejo é uma briga entre elas
mesmas. E isso reflete em
todo resto.
C- Qual a sugestão de vocês
para contribuir no ensino que
está sendo proporcionado
pela residência, no que se
refere às práticas
multiprofissionais, dentro de
uma perspectiva
interdisciplinar?
Júlia- Escutar mais o outro,
eu acho que se quem está à
frente da residência soubesse
ouvir, essa residência seria
outra. Tem que existir mais
diálogo e escutar mais os
residentes.
João- É, mas a escuta tem
que ser qualificada. Porque é
o seguinte, escutar a gente é
escutado, mas isso não quer
dizer que seja ouvido.
Maria- Na verdade eles nos
enxergam como estudantes,
e não como profissionais que
têm muito com o que
contribuir.

110

Perguntas

Categoria 1
Estrutura e organização
dos serviços

Categoria 2
Formação
profissional/educação
permanente

José- Ver o que está sendo
produzido e que está tendo
êxito e institucionalizar.
Porque as coisas ficam
sempre se perdendo.
Carla- Entendo que é tudo
muito corrido, mas se tivesse
como ter um tempo para que
as rotinas e o que estava em
andamento pudesse ser
passado, não haveria tanta
quebra das atividades
desenvolvidas, as coisas
teriam uma continuidade. E
quem ganharia com isso seria
a população.
José- E essa transição
deveria existir não só entre
R1 e R2, mas entre a gente
também, de um cenário para
o outro
José- (...).Pra que tanta
disciplina individual? Tem
muita coisa que a gente já viu
que repetem. Tem muita
disciplina repetida na
específica que poderia ser
englobada no geral, num
sei... Ou que poderia ter uma
abordagem interdisciplinar.

Categoria 3
Relações de poder

111

Perguntas

Categoria 1
Estrutura e organização
dos serviços

Categoria 2
Formação
profissional/educação
permanente

Carla- Pois é, a gente chega
de cara na clínica médica e
na cirúrgica pra lhe dar com
pacientes de cuidados
paliativos sem ter visto isso
ainda. Então se fosse uma
disciplina dada no primeiro
ano, com uma abordagem
interdisciplinar, seria muito
bom.
Júlia- E algumas disciplinas
que nós vimos no segundo
ano, que poderiam ter sido
dadas no primeiro ano, como
a disciplina de cuidados
paliativos por exemplo.
Nina-E também disciplinas
que poderiam ser pensadas.
Por exemplo, desde o
primeiro ano, quando a gente
entrou que se fala e se
trabalha com grupos. E não
tem nenhuma disciplina
voltada para o grupo, e não é
só simplesmente chegar,
levar um tema e trabalhar.
Tem toda uma metodologia e
o aparato teórico né, para se
trabalhar com o grupo
utilizando uma abordagem
interdisciplinar, e a gente não
tem nenhuma disciplina
voltada para isso.

Categoria 3
Relações de poder

112

APÊNDICE E:
LISTA DE FREQUÊNCIA DOS PARTICIPANTES DA OFICINA REALIZADA COMO
PRODUTO DE INTERVENÇÃO:

113

ANEXOS

114

ANEXO I
TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO (T.C.L.E.)
(Em 2 vias, firmado por cada participante voluntário(a) da pesquisa e pelo responsável)
“O respeito devido à dignidade humana exige que toda pesquisa se processe após o
consentimento livre e esclarecido dos sujeitos, indivíduos ou grupos que por si e/ou por seus
representantes legais manifestem a sua anuência à participação na pesquisa.”
Eu ______________________________________________________________tendo sido
convidado(a) a participar como voluntário(a) do estudo: Protocolo de Pesquisa: “A
INTERDISCIPLINARIDADE

NA

RESIDÊNCIA

MULTIPROFISSIONAL

DA

UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS: A ÓPTICA DOS RESIDENTES”, que
será realizado no Hospital Universitário Professor Alberto Antunes, situado em Maceió,
recebi da Sra. Suderlande da Silva Leão (mestranda e pesquisadora responsável) e do Prof.
Dr. Sérgio Seiji Aragaki (orientador da pesquisa) as seguintes informações que me fizeram
entender sem dificuldades e sem dúvidas os seguintes aspectos:
1) Que o estudo se destina a entender se a Residência Multiprofissional de Saúde do
Adulto e do Idoso da Universidade Federal de Alagoas está formando profissionais para o
trabalho interdisciplinar na saúde, a partir dos discursos dos residentes;
2) Que a importância do estudo reside em compreender se as atividades teóricas e práticas
desenvolvidas pelos residentes, de forma geral, estão atingindo a proposta de uma
formação multiprofissional dentro de uma visão interdisciplinar;
3) Que os resultados que se desejam alcançar poderão trazer contribuições significativas no
ensino que está sendo proporcionado pela residência, no que se refere às práticas
interdisciplinares, para que, de fato, produza mudanças nelas, alinhando-as mais às
necessidades da população, dentro do que preconiza o Sistema Único de Saúde;
4) Que este estudo começará em junho de 2017 e terminará em junho de 2018. Após
aprovação pelo CEP, a produção das informações iniciará a partir de setembro de 2017 e
terminará em outubro de 2017;
5) Que eu participarei do estudo da seguinte maneira: concedendo minha participação na
oficina proposta pela pesquisadora, no local e data marcados, onde a pesquisadora primeiro
se apresentará, em seguida fará uma breve apresentação explicando os objetivos da

115

pesquisa, respeitando a minha liberdade para fazer perguntas que achar conveniente e
respondendo-as adequadamente;
6) Que minha participação será gravada, por meio de um gravador de voz, assim como, o
material que será produzido durante a oficina será utilizado para análise das informações;
7) Que os possíveis riscos à minha saúde física e mental são: risco de cansaço, incômodo,
preocupação, medo de me expressar em grupo ou constrangimento de não conseguir
contribuir como gostaria;
8) Que os pesquisadores adotarão as seguintes medidas para minimizar os riscos: a oficina
acontecerá só com a presença da pesquisadora, dos residentes e do auxiliar de pesquisa,
que será devidamente treinado para ajudar a lidar com essas questões. Será assegurado o
meu direito de não-resposta sem que isso possa me ocorrer prejuízos de qualquer ordem.
Todas as minhas dúvidas serão sanadas pelos pesquisadores. Haverá pausa para descanso
durante a atividade;
9) Que os benefícios que deverei esperar com a minha participação, mesmo que não
diretamente são: o sentimento de ter dado voz às minhas dúvidas, inquietações e
contentamentos no que se refere às práticas interdisciplinares durante o curso. Falando
sobre este assunto, por meio deste estudo, após a publicação dos resultados poderá haver
alguma contribuição para uma reflexão sobre a importância da formação de profissionais
aptos ao trabalho em equipe interdisciplinar e possibilidade de contribuição na melhoria
dessa prática;
10) Que eu serei informado(a) sobre o resultado final desta pesquisa, e sempre que desejar,
serão fornecidos esclarecimentos sobre cada uma das etapas do estudo;
11) Que a qualquer momento, eu poderei recusar a continuar participando do estudo e,
também, que eu poderei retirar este meu consentimento, sem que isso me traga qualquer
penalidade ou prejuízo;
12) Que as informações conseguidas por meio de minha participação não permitirão a
identificação da minha pessoa, exceto pela equipe da pesquisa, e que a divulgação das
mencionadas informações pessoais só será feita entre os profissionais estudiosos do
assunto, com garantia do meu total anonimato;
13)Que o estudo não acarretará nenhuma despesa para mim enquanto participante da
pesquisa e nem me renderá nenhum tipo de remuneração;

116

14) Que eu serei indenizado por qualquer dano que venha a sofrer com a participação na
pesquisa, podendo a reclamação ser encaminhada diretamente para a equipe da pesquisa,
nos endereços e telefones disponibilizados abaixo. E os recursos necessários para este tipo
de despesa serão de responsabilidade dos pesquisadores;
15) Que eu receberei uma via do TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E
ESCLARECIDO.
Finalmente, tendo eu compreendido perfeitamente tudo o que me foi informado sobre a minha
participação no mencionado estudo e, estando consciente dos meus direitos, das minhas
responsabilidades, dos riscos e dos benefícios que a minha participação implica, concordo em
dela participar e, para tanto eu DOU O MEU CONSENTIMENTO SEM QUE PARA ISSO
EU TENHA SIDO FORÇADO OU OBRIGADO.
Endereço da equipe de pesquisa (OBRIGATÓRIO):
Nome: Suderlande da Silva Leão
Endereço: Rua São Domingos, 340, apart. 906-A, Residencial Miramar, Mangabeiras, CEP.
57037-780
Email: suderlande@hotmail.com
Telefone p/ contato: (82) 98108-2252; (82) 3202-5487
Nome: Sérgio Seiji Aragaki
Endereço: Av. Lourival Melo Mota, s/n, Tabuleiro dos Martins, CEP:57072-900, Maceió –
AL, Faculdade de Medicina (FAMED).
Email: sergioaragaki@gmail.com
Telefone p/ contato: (82) 99668-3991; (82) 3214-1857/1858

ATENÇÃO: O Comitê de Ética da Ufal analisou e aprovou este projeto de pesquisa. Para
mais informações a respeito deste projeto de pesquisa, informar ocorrências irregulares ou
danosas durante a sua participação no estudo, dirija-se ao: Comitê de Ética em Pesquisa da
Universidade Federal de Alagoas
Prédio da Reitoria, 1° andar, Campus A. C. Simões, Cidade Universitária.
Telefone: 3214-1041. No horário das 8h às 12h. E-mail: comitedeeticaufal@gmail.com

Maceió, ______ de ______________ de 201__.

117

(Assinatura ou impressão datiloscópica
do(a) voluntário(a;) ou responsável
legal
- Rubricar as demais folhas)

SÉRGIO SEIJI ARAGAKI
Orientador – Pesquisador
____________________________
SUDERLANDE DA SILVA LEÃO
Mestranda – Pesquisadora

118

ANEXO II

UNIVERSIDADE
FEDERAL DE
ALAGOAS

PARECER CONSUBSTANCIADO DO CEP
Pesquisador:
Título da Pesquisa:
Instituição Proponente:
Versão:
CAAE:
A Interdisciplinaridade na Residência Multiprofissional da Universidade Federal de
Alagoas: a óptica dos Residentes.
SUDERLANDE DA SILVA LEAO
Faculdade de Medicina da UFAL
170959917.0.0000.5013
Área Temática:
DADOS DO PROJETO DE PESQUISA
Número do Parecer: 2.212.730
DADOS DO PARECER
Trata-se de um estudo de caráter qualitativo descritivo e exploratório, focado na análise de
práticas discursivas e na produção de sentidos. Que será realizado no Hospital Universitário
Professor Alberto Antunes (HUPAA), hospital-escola da Universidade Federal de Alagoas
(UFAL). Os sujeitos da pesquisa serão 17 residentes da turma que iniciou em março de
2016, na Residência Multiprofissional de Saúde do Adulto e do Idoso da (UFAL).
Após aprovação do CEP- Plataforma Brasil, e dos sujeitos da pesquisa terem assinados o
Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), consentindo sua participação no
estudo, conforme Resolução nº510/16 do Conselho Nacional de Saúde (CNS), garantindo
os princípios éticos e legais que regem a pesquisa com seres humanos, será iniciada a
produção das informações. Que acontecerá no HUPAA, em uma sala ampla e reservada, a
ser definida, que possa proporcionar conforto e privacidade para os sujeitos da pesquisa. A
produção das informações se dará por meio de uma oficina com os residentes, onde no
primeiro momento, será feita uma breve apresentação dos participantes, o coordenador da
oficina deverá
Apresentação do Projeto:
Patrocinador Principal: Financiamento Próprio
57.072-900
(82)3214-1041
E-mail: comitedeeticaufal@gmail.com
Endereço:
Bairro:
CEP:
Telefone:
Av. Lourival Melo Mota, s/n - Campus A . C. Simões, Cidade Universitária
UF: AL
Município: MACEIO
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UNIVERSIDADE FEDERAL
DE
ALAGOAS

Continuação do Parecer: 2.212.730
fazer um esclarecimento sobre as regras do funcionamento da oficina para o grupo. Em
seguida, o grupo será dividido em categoria profissional, e será solicitado que escrevam, em
tarjetas, as atividades desenvolvidas por eles no primeiro e segundo ano da residência.
Depois eles apresentarão para todo o grupo o que foi produzido, afixando as tarjetas em
local de boa visualização para todos, abrindo espaço para correções e complementações
das demais pessoas. Após as apresentações será dado uma pausa de trinta minutos, onde
será oferecido um lanche. A seguir, o grupo classificará cada uma das atividades
apresentadas em categorias: multidisciplinar, interdisciplinar e transdisciplinar,com
possibilidades de explicações, questionamentos e negociações a respeito. Além do material
produzido durante a oficina, as falas serão registradas por meio de um gravador de voz.
Como método de análise das informações, todo material será transcrito sequencial e
integralmente, e essas transcrições serão tomadas como base para a construção de mapas
dialógicos, que possibilitarão o alcance dos objetivos desse estudo.
Objetivo Primário:
Entender, a partir dos discursos dos residentes, se a Residência Multiprofissional em Saúde
do Adulto e do Idoso (RMSAI) da Universidade Federal de Alagoas está formando
profissionais para o trabalho interdisciplinar.
Objetivo Secundário:
1. Descrever as atividades teóricas e práticas realizadas pelos residentes em cada setor do
Hospital Universitário Professor Alberto Antunes, de acordo com os discursos deles;
2. Caracterizar em multidisciplinar, interdisciplinar e transdisciplinar as atividades teóricas e
práticas desenvolvidas durante a residência, a partir dos discursos dos residentes.
Objetivo da Pesquisa:
Riscos:
Esta pesquisa pode apresentar possíveis riscos de ordem física e mental, tais como: risco
de cansaço, incômodo, preocupação, medo de se expressar em grupo ou constrangimento
de não conseguir contribuir como gostaria. Desta forma, a pesquisadora adotará as
seguintes medidas para
Avaliação dos Riscos e Benefícios:
57.072-900
(82)3214-1041
E-mail: comitedeeticaufal@gmail.com
Endereço:
Bairro:
CEP:
Telefone:
Av. Lourival Melo Mota, s/n - Campus A . C. Simões,
Cidade Universitária UF: AL Município: Maceió

120

UNIVERSIDADE FEDERAL
DE
ALAGOAS

Continuação do Parecer: 2.212.730
minimizar ou evitar esses possíveis riscos: a oficina acontecerá só com a presença da
pesquisadora, dos residentes e o auxiliar de pesquisa será devidamente treinado para
ajudar a lidar com essas questões.
Benefícios:
Os benefícios da pesquisa, mesmo que de forma indireta, são: dar voz as dúvidas,
inquietações e contentamentos dos residentes no que se refere às práticas interdisciplinares
durante o curso. Além disso, o estudo poderá contribuir para uma reflexão sobre a
importância da formação de profissionais aptos ao trabalho em equipe interdisciplinar.
Considerada adequada a relação entre riscos e benefícios.
Trata-se de um estudo de caráter qualitativo descritivo e exploratório, focado na análise de
práticas discursivas e na produção de sentidos. Que será realizado no Hospital Universitário
Professor Alberto Antunes (HUPAA), hospital-escola da Universidade Federal de Alagoas
(UFAL). Os sujeitos da pesquisa serão 17 residentes da turma que iniciou em março de
2016, na Residência Multiprofissional de Saúde do Adulto e do Idoso da (UFAL).
Após aprovação do CEP- Plataforma Brasil, e dos sujeitos da pesquisa terem assinados o
Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), consentindo sua participação no
estudo, conforme Resolução nº510/16 do Conselho Nacional de Saúde (CNS), garantindo
os princípios éticos e legais que regem a pesquisa com seres humanos, será iniciada a
produção das informações. Que acontecerá no HUPAA, em uma sala ampla e reservada, a
ser definida, que possa proporcionar conforto e privacidade para os sujeitos da pesquisa. A
produção das informações se dará por meio de uma oficina com os residentes. Segundo
Spink, Menegon e Medrado (2014), a utilização de oficinas como estratégia para produção
de informação em pesquisas, tem um potencial de favorecer o exercício ético e político.
Promove, ao mesmo tempo, a produção de material para análise e um espaço de trocas
representativas que intensifica a discussão em grupo em relação ao tema proposto, gerando
conflitos construtivos.
No primeiro momento da oficina, será feita uma breve apresentação dos participantes, o
Comentários e Considerações sobre a Pesquisa:
57.072-900
(82)3214-1041
E-mail: comitedeeticaufal@gmail.com
Endereço:
Bairro:
CEP:
Telefone:
Av. Lourival Melo Mota, s/n - Campus A . C. Simões,
Cidade Universitária
UF: AL
Município: MACEIO
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UNIVERSIDADE FEDERAL
DE
ALAGOAS

Continuação do Parecer: 2.212.730
coordenador da oficina deverá fazer um esclarecimento sobre as regras do funcionamento
da oficina para o grupo. Em seguida, o grupo será dividido em categoria profissional, e será
solicitado que escrevam, em tarjetas, as atividades desenvolvidas por eles no primeiro e
segundo ano da residência.
Depois eles apresentarão para todo o grupo o que foi produzido, afixando as tarjetas em
local de boa visualização para todos, abrindo espaço para correções e complementações
das demais pessoas. Após as apresentações será dado uma pausa de trinta minutos, onde
será oferecido um lanche. A seguir, o grupo classificará cada uma das atividades
apresentadas em categorias: multidisciplinar, interdisciplinar e transdisciplinar, com
possibilidades de explicações, questionamentos e negociações a respeito. Além do material
produzido durante a oficina, as falas serão registradas por meio de um gravador de voz. A
pesquisa poderá ser suspensa ou encerrada, se não houver anuência dos sujeitos em
participar da oficina, tornando inviável, desse modo, a composição necessária para um
resultado satisfatório. Dessa forma, será necessário repensar e rediscutir o planejamento do
projeto, suspendê-lo ou encerrá-lo.
O pesquisador se responsabilizará foram analisados os seguintes documentos:
FOLHA_DE_ROSTO.pdf; Declaração de Pesquisadores destinação dos dados; Declaração
de Pesquisadores suspensão da pesquisa; CARTA_AUTORIZACAO; TCLE; Projeto
Detalhado
Considerações sobre os Termos de apresentação obrigatória:
Fazer referência à Resolução 510/2016 em todos os documentos.
Recomendações:
Protocolo atende as recomendações éticas da Resolução 510/2016.
Conclusões ou Pendências e Lista de Inadequações:
Considerações Finais a critério do CEP:
Este parecer foi elaborado baseado nos documentos abaixo relacionados:
Tipo Documento Arquivo Postagem Autor Situação
Informações Básicas do Projeto
PB_INFORMAÇÕES_BÁSICAS_DO_P
ROJETO_941236.pdf
27/06/2017
11:22:58
Aceito
57.072-900
(82)3214-1041
E-mail: comitedeeticaufal@gmail.com
Endereço:
Bairro:
CEP:

122

Telefone:
Av. Lourival Melo Mota, s/n - Campus A. C. Simões,
Cidade Universitária
UF: AL
Município: Maceió

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UNIVERSIDADE FEDERAL
DE
ALAGOAS

Continuação do Parecer: 2.212.730
MACEIO, 10 de Agosto de 2017.
Luciana Santana
(Coordenador)
Assinado por:
Projeto Detalhado /
Brochura
Investigador
PROJETO.docx 23/06/2017
18:11:23
SUDERLANDE DA SILVA LEAO
Aceito
TCLE / Termos de Assentimento /
Justificativa de Ausência
TCLE.docx 23/06/2017
18:09:50
SUDERLANDE DA SILVA LEAO
Aceito
Outros CARTA_AUTORIZACAO.pdf 16/06/2017
19:43:23
SUDERLANDE DA SILVA LEAO
Aceito
Declaração de Pesquisadores
DECLARACAO_SUSP_PESQ.pdf 16/06/2017
19:37:59
SUDERLANDE DA SILVA LEAO
Aceito
Declaração de Pesquisadores
DEC_CUMP_NORMAS_DEST_DADOS.pdf
16/06/2017 19:37:14
SUDERLANDE DASILVA LEAO
Aceito
Folha de Rosto FOLHA_DE_ROSTO.pdf 16/06/2017
19:36:48
SUDERLANDE DA SILVA LEAO
Aceito

124

Situação do Parecer:
Aprovado

Necessita Apreciação da CONEP:
Não
57.072-900
(82)3214-1041
E-mail: comitedeeticaufal@gmail.com
Endereço:
Bairro:
CEP:
Telefone:
Av. Lourival Melo Mota, s/n - Campus A . C. Simões,
Cidade Universitária
UF: AL
Município: MACEIO
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