16- Rafaela Brandão da Silva Almeida - Rep0resentações de Formandos e Enfermagem, Medicina e Odontologia Sobre Sexualidade de Adolescentes com Deficiência

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                    UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
FACULDADE DE MEDICINA
MESTRADO PROFISSIONAL EM ENSINO NA SAÚDE

RAFAELA BRANDÃO DA SILVA ALMEIDA

REPRESENTAÇÔES DE FORMANDOS DE ENFERMAGEM, MEDICINA E
ODONTOLOGIA SOBRE SEXUALIDADE DE ADOLESCENTES COM
DEFICIÊNCIA

Maceió - AL
2015

RAFAELA BRANDÃO DA SILVA ALMEIDA

REPRESENTAÇÔES DE FORMANDOS DE ENFERMAGEM, MEDICINA E
ODONTOLOGIA SOBRE SEXUALIDADE DE ADOLESCENTES COM DEFICIÊNCIA

Trabalho
Acadêmico
de
Mestrado
apresentado ao Programa de PósGraduação em Ensino na Saúde da
Faculdade de Medicina da Universidade
Federal de Alagoas, para obtenção do
grau de Mestra em Ensino na Saúde.
Orientadora: Profa. Dra. Maria de Lourdes
Fonseca Vieira
Coorientador: Prof. Dr. Jorge Luís de
Souza Riscado

Maceió - AL
2016

Catalogação na fonte
Universidade Federal de Alagoas
Biblioteca Central
Divisão de Tratamento Técnico
Bibliotecária Responsável: Helena Cristina Pimentel do Vale

A447r

Almeida, Rafaela Brandão da Silva.
Representações de formandos de enfermagem, medicina e odontologia sobre
sexualidade de adolescentes com deficiência / Rafaela Brandão da Silva Almeida,
2015.
49 f. : il.
Orientadora: Maria de Lourdes Fonseca Vieira.
Coorientador: Jorge Luís de Souza Riscado.
Dissertação (Mestrado Profissional em Ensino na Saúde) – Universidade
Federal de Alagoas. Faculdade de Medicina. Programa de Pós-Graduação
em Ensino na Saúde. Maceió, 2015.
Inclui bibliografias.
Apêndices: f. 44-47.
Anexo: f. 48-49
1. Profissionais em ciências da saúde - Formação. 2. Sexualidade - Adolescente.
3. Pessoas com deficiência. I. Título.
CDU: 371. 13: 612.6.057

AGRADECIMENTOS

Um começo, um caminho e o início de sonhos que estão tomando forma da
realidade almejada. Algumas pessoas foram fundamentais nessa caminhada
agradeço:
A Deus por me conduzir em seu caminho, que ele sempre guie minhas mãos
e mente;
A Painho e Mainha por se fazerem sempre presentes em minha vida;
Ao Guinho pela intensidade de sua presença e de seu incentivo;
À professora Lourdinha e ao professor Riscado pela credibilidade,
ensinamentos, confiança e amizade;
Aos colegas de turma pela soma da amizade e compromisso;
À ESENFAR, FAMED e FOUFAL pela confiança e acolhimento com que me
receberam;
Aos formandos que participaram da pesquisa pela disponibilidade e
contribuição;
Aos funcionários do MPES pela agradável convivência;
Às professoras Divanise Suruagy (FAMED/UFAL), Rosana Quintela Brandão
Vilela (FAMED/UFAL) e Stella Regina Taquette (FAMED/UERJ) pela leitura atenta e
valiosas contribuições;
À Enfermeira e Sexóloga Maria Helena Brandão Vilela, do Instituto Kaplan de
São Paulo, pela significativa contribuição na Roda de Conversa - Sexualidade da
Pessoa com Deficiência na perspectiva da Saúde, durante o Congresso Acadêmico
Integrado de Inovação e Tecnologia-CAIITE-2015;
Aos Mestres por ajudarem a construir este momento;
Aos técnicos e diretoria do COSEMS pela compreensão e apoio nas
ausências;
A todos os meus amigos, pela torcida.
O Amor e o carinho de Vocês foram estímulos essenciais para alcançar este
momento especial!
Rafaela Bandão

INCLUSÃO E AMOR
Nas diferenças, harmonia
Na diversidade, equilíbrio
Por que incluir?
Por que conhecer?
Vida digna para todos!
Na simplicidade, gesto acolhedor
Na linguagem, ação sem preconceitos
Por que incluir?
Por que conhecer?
Vida digna para todos!Aceitar a diferença
E dela desfrutar o amor
Incluir é a nossa missão
E aceitar é o nosso desafio!
Vida digna para todos!
Sempre com afeto, ética e emoção
Autêntico compromisso entre pessoas
Que num entrelaçar de mãos
Fortalecem o encontro e a comunhão
Vida digna para todos!
Incluir para sentir
A paixão e o coração
Motivos da alma
Grandeza da aproximação
Vida digna para todos!
Sensibilidade à flor da pele
Basta escutar, enxergar, sentir
Para isso é necessário olhar, tocar, ouvir
Despir-se das amarras e incluir
Incluir para equiparar
Viver[...] Sonhar, Realizar!
Por: Vania de Castro e Ari Vieira

RESUMO GERAL

O presente Trabalho Acadêmico de Conclusão de Curso - TACC, composto de um
artigo científico e um produto de intervenção, discute a dificuldade dos futuros
profissionais da saúde, na abordagem da temática sexualidade, apresentando
aspectos relativos ao conhecimento e suas representações. Trata-se de uma
pesquisa de abordagem qualitativa com análise baseada nos sentidos atribuídos ao
objeto, com o objetivo de conhecer as representações de formandos de
enfermagem, medicina e odontologia quanto a sexualidade do adolescente com
deficiência, realizada nas faculdades de enfermagem, medicina e odontologia de
uma instituição pública. Participaram deste estudo, quinze formandos, sendo cinco
de cada curso elencado, selecionados aleatoriamente dentre aqueles que cursavam
o último período. A coleta de dados aconteceu entre dezembro de 2013 e junho de
2014, tendo como instrumento de coleta uma entrevista semiestruturada sob a
perspectiva da interpretação dos sentidos, realizada pela própria pesquisadora.
Após a análise dos dados emergiram três categorias: Dificuldade de
abordagem/comunicação quando o assunto é sexualidade; Invisibilidade da
sexualidade e Invisibilidade da sexualidade da pessoa com deficiência. Os
resultados evidenciaram que os formandos ainda apresentam dificuldades em
abordar o tema sexualidade, seja com pessoas deficientes ou não. Observou-se
também que, conceitos e práticas conservadoras que envolvem o assunto, ainda se
perpetuam, mesmo se tratando de indivíduos quase egressos das três áreas da
saúde pesquisadas. As subjetividades e práticas observadas nas inter-relações
pessoais se verificam refratárias na prática profissional. Tal fato apresentou-se
potencializado, em se tratando da pessoa com deficiência. Essa é uma realidade
que necessita de uma ruptura desses conceitos conservadores, minimizando
possivelmente os efeitos do estigma em relação à população e a sexualidade.
Evidenciou-se ainda, que o tema é de abordagem restrita ou ausente nos cursos
estudados e que, quando presente, está relacionado apenas aos aspectos
biológicos. Os resultados motivaram vários desdobramentos ou produtos: a
realização de um Seminário num evento interinstitucional regional – Congresso
Acadêmico Integrado de Inovação e Tecnologia – CAIITE 2015, constituído por uma
apresentação oral da pesquisa realizada e uma roda de conversa sobre o tema,
além
da
construção
de
um
blog
educacional
<www.sexualidadesomosiguais.com.br>, a fim de instrumentalizar os graduandos
para a abordagem do assunto em suas práticas profissionais de forma crítica e
reflexiva, despertando e os motivando para a temática da sexualidade da pessoa
com e sem deficiência.
Palavras-Chave: Adolescente. Pessoas com deficiência. Sexualidade. Educação
superior. Ensino.

GENERAL ABSTRACT

This article, consisting of a scientific paper and a product of intervention, discusses
the difficulty of future health professionals in the thematic approach sexuality,
presenting aspects of knowledge and its representations. It is a qualitative research
with analysis based on the meanings attributed to the object held at nursing schools,
medicine and dentistry of a public institution. The study, fifteen trainees, five of each
part listed course, randomly selected among those who performed the last period.
Data collection took place between December 2013 and June 2014, with the
collection instrument A semi-structured interview from the perspective of
interpretation of the senses, performed by the researcher. After the data analysis
three categories emerged: Difficulty approach / communication when it comes to
sexuality; Invisibility sexuality and Invisibility sexuality of the disabled person. The
results showed that students still have difficulties in addressing the theme sexuality,
are with people with disabilities or not. It was also noted that conservative concepts
and practices surrounding the subject, still perpetuate, even when dealing with
almost graduating individuals of the three areas of surveyed health. Subjectivities
and practices observed in the personal interrelationships refractory occur in
professional practice. This fact is introduced enhanced, in the case of people with
disabilities. This is a reality that needs a break these conservative concepts, possibly
minimizing the effects of stigma in relation to population and sexuality. It showed also
that the subject is restricted or absent approach in the study courses and, when
present, is only related to biological aspects. Several developments or products: the
holding of a seminar in a regional inter-institutional event - Congresso Acadêmico
Integrado de Inovação e Tecnologia - CAIITE 2015 consists of an oral presentation
of the survey and a round of conversation on the subject, besides the construction of
an educational blog <www.sexualidadesomosiguais.com.br>, in order to equip the
graduates to approach the subject in their professional practices of critical and
reflective way, arousing and motivating them to the theme of sexuality of normal
people and disabled.
Keywords: Adolescent. People with disabilities. Sexuality. Higher education.
Teaching.

LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

CAIITE

Congresso Acadêmico Integrado de Inovação e Tecnologia

ESENFAR

Escola de Enfermagem e Farmácia

FAMED

Faculdade de Medicina

FOUFAL

Faculdade de Odontologia na Universidade Federal de Alagoas –

OPAS

Organização Pan-Anamericana da Saúde

TCLE

Termo de Consentimento Livre e Esclarecido

TIC’s

Tecnologias da Informação e Comunicação

UFAL

Universidade Federal de Federal de Alagoas

SUMÁRIO

1

APRESENTAÇÃO...............................................................................................10

2

ARTIGO - REPRESENTAÇÕES DE FORMANDOS DE ENFERMAGEM,
MEDICINA
E ODONTOLOGIA SOBRE SEXUALIDADE DE
ADOLESCENTES COM DEFICIÊNCIA.............................................................. 14

2.1 Introdução.......................................................................................................... 14
2.2 Percurso metodológico.....................................................................................16
2.3 Resultados e discussão.................................................................................... 18
2.4 Considerações finais.........................................................................................24
REFERÊNCIAS................................................................................................... 25
3

PRODUTO 1........................................................................................................ 28

3.1 Seminário: Sexualidade da Pessoa com Deficiência a perspectiva da
saúde...................................................................................................................28
3.2 Introdução.......................................................................................................... 28
3.3 Objetivo...............................................................................................................29
3.4 Justificativa........................................................................................................ 29
3.5 Público alvo........................................................................................................30
3.6 Metodologia........................................................................................................ 30
3.7 Resultados..........................................................................................................31
REFERÊNCIAS................................................................................................... 32
4

PRODUTO 2........................................................................................................ 33

4.1 Blog Educacional – Sexualidade: somos iguais.............................................33
4.2 Introdução.......................................................................................................... 33
4.3 Objetivo...............................................................................................................34
4.4 Justificativa........................................................................................................ 34

4.5 Público alvo........................................................................................................35
4.6 Metodologia........................................................................................................35
4.7 Resultados esperados.......................................................................................35
REFERÊNCIAS................................................................................................... 37
CONSIDERAÇÕES FINAIS DO TRABALHO ACADÊMICO..............................38
REFERÊNCIAS GERAIS.................................................................................... 39
APÊNDICES........................................................................................................ 44
ANEXO................................................................................................................ 48

10

1

APRESENTAÇÃO
O tema sexualidade é complexo, e a discussão em nossa cultura ainda é um

assunto difícil, cercado de estigmas e preconceitos. Quando a temática é voltada
para o adolescente com deficiência, as dificuldades são potencializadas.
Pensar sobre essa temática como objeto de pesquisa, partiu de uma ânsia
pessoal. A convivência com a prática de atividades inerentes ao cirurgião-dentista,
mais precisamente ao odontopediatra, produziu meus primeiros questionamentos
quanto à sexualidade do adolescente com deficiência.
Entre os anos de 2004 e 2008, fui aluna de graduação da Faculdade de
Odontologia na Universidade Federal de Alagoas – FOUFAL; e, durante todo o
curso, não identifiquei nenhum momento de reflexão ou informação sobre
sexualidade seja da pessoa deficiente ou sem deficiência. Sim, a preocupação
surgiu quando me deparei com este público alvo e ocorreram situações ligadas à
sexualidade, as quais eu não estava preparada para enfrentá-las.
Quando egressa e na prática, observei que o tema, apesar de não ser
específico da Odontologia, eu deveria estar preparada para lidar com ele.
Assim, o sentimento de despreparo para lidar com a sexualidade de
adolescentes com deficiência estimulou-me a desenvolver este estudo no Mestrado
Profissional em Ensino na Saúde.
Com a percepção de que não é apenas a pessoa que apresenta uma
deficiência, mas também a sociedade, e que superar não é, unicamente, cuidar dos
impedimentos, estimulou-me a pensar em propor mecanismos que minimizem as
barreiras existentes para o pleno desenvolvimento desses indivíduos.
Ao longo dos tempos, mudanças na nomenclatura, para se referir aos
indivíduos em questão, foram acontecendo de acordo com o entendimento da
sociedade. O termo pessoa com deficiência foi o escolhido neste trabalho, por
concordar que essa terminologia coloca a figura da pessoa antes da deficiência, ou
seja, enfatiza a pessoa e não a doença ou agravo à saúde.
Destaco que esse estudo não se limita a nenhum tipo específico de
deficiência, sendo assim, considero para a busca, os seguintes descritores:
sexualidade, pessoas com deficiência, adolescente, educação superior e ensino.
Os medos e mistérios que envolvem a sexualidade do adolescente com
deficiência, interferem nas vivências dos vínculos afetivo-sexuais (BRASIL, 2009;

11

FERREIRA, 2001) e contribui para o isolamento e, consequentemente, afastamento
das relações sociais, fundamentais na construção do “eu” (AMARAL, 1994). Porém,
quando bem conduzida, a sexualidade coopera para o bom desenvolvimento da
afetividade e das relações interpessoais, o que contribui para uma melhor
valorização de si mesmo e com a adaptação à sociedade (GEJER, 2001).
Uma boa assistência em saúde sexual perpassa por uma formação dos
profissionais de saúde que contemple, além dos aspectos biológicos da sexualidade,
os psicológicos e sociais, a fim de que fiquem aptos a tratar o tema de forma
abrangente (MOURA; PEDRO, 2006; PEDROSA; SPINK, 2011; SHINDELL et al.,
2010).
Apesar da magnitude da questão, ainda falta conscientização e informação
científica sobre as questões relativas à sexualidade do adolescente com deficiência.
Na graduação de cursos da saúde, o tema ainda é estigmatizado. Na
enfermagem, essa temática ainda é tratada de forma eventual e limitada aos
aspectos biológicos e ao risco da prática sexual, apresentando ausência da
dimensão do ser cuidador (EGRY; FONSECA; OLIVEIRA, 1990; GIR; NOGUEIRA;
PELÁ, 2000; RESSEL, 2003; SEHNEM, 2013). Essa mesma realidade é observada
nos cursos médicos que, mesmo diante da importância da sexualidade para o
desenvolvimento psicossocial individual e coletivo, e dos diversos conceitos e
contextos que podem surgir durante um atendimento, os currículos ainda
contemplam o tema de forma restrita e com enfoque em seus aspectos biológicos
(ALMEIDA et al., 2007; LIMA; CERQUEIRA, 2008; RUFINO, 2013; SALINASURBINA, 2013). Na odontologia, a literatura é escassa e que pode ser reflexo da
restrita/ausente abordagem durante a graduação.
Para Shindell (2010), a formação inadequada quanto à sexualidade, o sentirse confortável com o tema e as questões pessoais estão associadas à dificuldade
em abordar os pacientes quanto à sexualidade e devem ser uma das prioridades a
ser superada pela educação médica (SHINDELL, 2010).
Considerando que falar de sexualidade remete-se, geralmente, aos próprios
conceitos — nem sempre bem desenvolvidos — e, entendendo que os alunos
iniciam a sua vida acadêmica na universidade, ainda na fase de construção de sua
sexualidade, potencializa-se a importância de que o tema seja tratado durante a
graduação de forma contínua e ampliada (ABDO, 1989). Enquanto isso, Denari
(1997) em seu estudo, demonstra preocupação com a necessidade de oferecer

12

educação sexual a familiares e profissionais que lidam com as pessoas com
deficiência.
Dessa forma, essa pesquisa busca compreender a percepção dos formandos
da área da saúde, de uma universidade pública do nordeste, quanto à sexualidade
do adolescente com deficiência, tendo como pressupostos a inexistente ou
insuficiente abordagem do tema sexualidade relacionada ao adolescente com
deficiência na graduação dos cursos da área da saúde.
Para atender aos requisitos deste mestrado, este trabalho acadêmico está
composto e estruturado por um artigo intitulado “Representações de formandos de
enfermagem, medicina e odontologia sobre a sexualidade do adolescente com
deficiência”, e dois produtos de intervenção. O primeiro trata de um Seminário
intitulado “Sexualidade da Pessoa com Deficiência: a perspectiva da saúde”a Roda
de Conversa realizada durante o Congresso Acadêmico Integrado de Inovação e
Tecnologia da Universidade Federal de Alagoas – CAIITE UFAL em junho de 2015 e
um

blog

educacional

intitulado

“Sexualidade:

somos

iguais”

(www.sexualidadesomosiguais.com.br) para socialização de informações.
Assim, esse estudo foi realizado nas faculdades de Enfermagem (ESENFAR),
Medicina (FAMED) e Odontologia (FOUFAL) da Universidade Federal de Alagoas,
com alunos cursando os últimos períodos da graduação, no período de dezembro de
2013 até julho de 2014, como a finalidade de identificar as representações desses
formandos quanto à sexualidade do adolescente com deficiência.
Diante dos resultados encontrados e almejando ampla capilaridade da
temática entre acadêmicos e profissionais da área da saúde, foi produto de
intervenção deste trabalho acadêmico, um seminário intitulado “Percepção de
formandos da área da saúde sobre a sexualidade do adolescente com deficiência”,
composto por uma palestra e uma roda de conversa onde foi discutida e
problematizada a questão da sexualidade da pessoa com deficiência.
Em busca da ampla divulgação, foi desenvolvido um blog educacional
(www.sexualidadesomosiguais.com.br), a fim de utilizar a internet, unindo as novas
formas de ensinar e de aprender, permitindo maior dinamismo no processo de
construção do conhecimento.
Nas considerações finais, retomo as questões trazidas pelo trabalho,
apresentando algumas reflexões que contribuem para o repensar das ações na
busca pela superação da desigualdade e diversidade da sexualidade dos

13

adolescentes com deficiência, entendendo que a maior contribuição consiste em
promover a responsabilidade e a consciência sobre o tema como expressão da
condição humana e melhoria da atenção à saúde desse público alvo.

14

2

ARTIGO - REPRESENTAÇÕES DE FORMANDOS DE ENFERMAGEM,
MEDICINA E ODONTOLOGIA SOBRE SEXUALIDADE DE ADOLESCENTES
COM DEFICIÊNCIA.

RESUMO
Este artigo apresenta as representações de formandos de área da saúde –
Enfermagem, Medicina e Odontologia — de uma universidade pública quanto à
sexualidade do adolescente com deficiência. Trata-se de um estudo de abordagem
qualitativa que utiliza uma entrevista semiestruturada, sob a perspectiva da
interpretação dos sentidos. Os resultados apontam para o reconhecimento da
sexualidade como desencadeador de ansiedade para os sujeitos e para a
invisibilidade da sexualidade humana quer esteja relacionada a pessoa com
deficiência, quer não. Foi marcante a presença de um desconhecimento, pelos
formandos, quanto à expressão da sexualidade das pessoas com deficiência. Assim,
confirma-se o pressuposto que inexiste ou é insuficiente a abordagem desse tema
durante a graduação dos cursos da área da saúde. Daí, a necessidade de se incluir
nos currículos desses cursos, oportunidades de reflexões sobre a sexualidade dos
seres humanos quer sejam deficientes, quer não.
Descritores: Adolescente. Pessoas com deficiência. Sexualidade. Educação
superior. Ensino.
ABSTRACT
This paper presents the representations of health graduates - Nursing, Medicine and
Dentistry - a public university regarding adolescent sexuality with disabilities. It is a
qualitative study using a semi-structured interview, from the perspective of
interpretation of the senses. The results point to the recognition of sexuality as trigger
anxiety for the subjects and the invisibility of human sexuality whether you are related
to people with disabilities or not. It was remarkable the presence of a lack of
knowledge, by the trainees, as the expression of sexuality of people with disabilities.
Thus, it is confirmed the assumption that does not exist or is insufficient to approach
this issue during the ranking of health care courses. Hence the need to include in the
curricula of these courses, reflections opportunities on the sexuality of human beings
whether disabled or not.
Keywords: Adolescent. People with disabilities. Sexuality. Higher education.
Teaching.
2.1 Introdução
O pressuposto da integralidade em saúde prevê que, na assistência prestada,
o usuário seja visto de forma integral pelo profissional e que o sistema de saúde
possa responder às necessidades em todos os níveis de atenção. Nos modos de

15

cuidar encontra-se as representações dos profissionais de saúde que podem
favorecer ou impedir avanços das ações de saúde.
A sexualidade envolve aspectos biológicos, socioculturais e psicológicos que
não devem estar dissociados. (WEREBE, 1998; WORLD ASSOCIATION FOR
SEXUAL HEALTH, 2008; WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2010). Tais aspectos
compõem a vida de todas as pessoas, independente do querer, estando ligados ao
desenvolvimento global do indivíduo, constituindo um dos elementos de sua
personalidade. É a maneira de ser, de compreender e viver o mundo e se expressar
através da integração corpo/mente, por meio de gestos, discursos, atitudes,
posturas, olhares, sendo elemento básico para a feminilidade ou masculinidade do
indivíduo (COSTA e al., 2001; RESSEL, 2003).
No adolescer das pessoas com deficiência, o mundo da sexualidade é
negado, as informações restritas, o contato social limitado e os modelos de relações
afetivas, ausentes (SCHLIEMANN et al., 2005). Em função do desconhecimento,
encontram-se, entre eles, dificuldades em se identificar como adolescentes e
conviver com as novas sensações, inerentes a esse período da vida (ALVIN, 2002).
As pessoas com deficiência, em sua maioria, atingem a puberdade assim
como os adolescentes, ditos de desenvolvimento normal. O que deve ser
diferenciado é a forma como esse adolescente vai vivenciar essa fase, sendo
necessário respeitar a deficiência e não reprimir a sexualidade (MOURA; PEDRO,
2006).
Os educadores entendem a sexualidade desses indivíduos como puramente
genital, transitando entre exacerbado, selvagem e impulsivo, reproduzindo o
pensamento disseminado na sociedade. Pais e educadores apresentam argumentos
opostos, que tendem a buscar o controle da sexualidade e das relações, o que
sugere que não é comum oferecer a esses jovens a oportunidade de discutir e
esclarecer dúvidas quanto ao tema (GIAMI; D'ALLONES, 1984; SPROVIERI;
ASSUMPÇÃO JÚNIOR, 1993; MAIA; ARANHA, 2005).
Assim, faz-se necessário que informações relacionadas aos aspectos de
crescimento e desenvolvimento biopsicossocial e sexual, tão necessárias à
construção da identidade, alcancem amplas e adequadas proporções, a fim de evitar
que os adolescentes com deficiência se tornem expostos a riscos, liberdades e
responsabilidades, sem o devido preparo (BONONI et al., 2009).

16

A sexualidade faz parte da vida e não pode ser separada de seus outros
aspectos, entendendo-se a necessidade de professores, alunos e profissionais da
saúde, serem instrumentalizados, capacitados para discutir o tema e orientar as
famílias de pessoas com deficiências (WORLD ASSOCIATION FOR SEXUAL
HEALTH, 2008).
Os profissionais da saúde, apesar de passarem uma imagem favorável à
vivência da sexualidade, ainda não conseguem tratá-la de forma natural e limitam
sua abordagem ao modelo genital, negando subsídios para a construção da
identidade sexual (AMARAL, 1994).
A omissão de profissionais em abordar a temática, quando o público é
composto de pessoas com deficiência, sugere o pouco acesso que eles tiveram às
informações precisas quanto ao tema (ARAUJO, 2002).
Gomes (2003) evidencia, então, que os universitários devam ter currículos
que possibilitem ao profissional em formação, as competências inerentes ao
exercício de sua profissão e que incluam conhecimentos do domínio: cognitivo,
psicomotor e habilidades afetivas. Para Bretas, Ohara e Querino (2008), uma vez
que se compromete com a formação de profissionais com uma visão holística do
indivíduo, a universidade não pode se omitir quanto à contextualização da
sexualidade na graduação.
Considerando-se a melhoria no diagnostico, no tratamento das pessoas com
deficiência, tem-se observado aumento na sobrevida e necessidade de melhor
qualidade de vida desses adolescentes e adultos jovens com atenção diferenciada,
levando-se em conta suas peculiaridades. Nesse sentido, este estudo contempla a
análise sobre o que os futuros profissionais de saúde do Estado de Alagoas pensam
a respeito da interface sexualidade e deficiência, visto que estas representações
podem favorecer ou impedir os avanços das ações de saúde. Conhecer as
representações dos futuros profissionais da saúde sobre a sexualidade do
adolescente com deficiência constitui o objeto deste estudo.
2.2 Percurso metodológico
Este é um estudo exploratório, transversal, de abordagem qualitativa, que
permite ao pesquisador se aprofundar nos aspectos subjetivos das ações humanas.

17

Atendidas as exigências da Resolução 466/2012 do Conselho Nacional de
Saúde, incluindo informações quanto ao objetivo da pesquisa e a assinatura do
Termo de Consentimento Livre e Esclarecido – TCLE, a presente pesquisa foi
aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Alagoas,
pelo protocolo de número 447.25.
Foram utilizadas, como cenários para coleta dos dados, as faculdades de
Medicina (FAMED), Enfermagem (ESENFAR) e Odontologia (FOUFAL) da
Universidade Federal de Alagoas, no período de dezembro de 2013 até julho de
2014.
Os participantes foram selecionados durante os estágios de conclusão dos
cursos de graduação. Assim, como os grupos de formandos são organizados em, no
mínimo, 5 alunos, foram selecionados 15 sujeitos de ambos os sexos; sendo 5 de
cada curso elencado, obtidos por aceitação de convite para participar deste estudo.
No sentido de se preservar o anonimato dos sujeitos, decidiu-se adotar
nomes fictícios, daí os nomes de deuses gregos. O plano de construção de dados se
deu por meio de dois instrumentos: um questionário com informações de
caracterização pessoal e uma entrevista semiestruturada, que permitiu, ao
entrevistador, explorar amplamente a questão desejada, possibilitando, assim, a
obtenção de informações a partir das falas.
As falas foram gravadas com o consentimento dos participantes, assegurando
a privacidade, o anonimato e o sigilo absoluto sobre as declarações prestadas. Em
seguida, foram transcritas na íntegra, respeitando a fidedignidade do vocabulário
utilizado. Sobre esse material realizou-se leitura exaustiva para apropriação do
conteúdo e identificação das categorias analíticas e empíricas que surgiriam.
Para interpretação do contexto, das razões e das lógicas da temática do
estudo, foi utilizada a análise de interpretação dos sentidos (GOMES, 2005).
A análise das transcrições das falas permitiu identificar as seguintes
categorias, que emergiram a partir das informações obtidas por meio das entrevistas
individualizadas.
C1: Dificuldade de comunicação quando o assunto é sexualidade;
C2: Invisibilidade da sexualidade;
C3: Invisibilidade da sexualidade da pessoa com deficiência.

18

2.3 Resultados e discussão
O importante papel da sexualidade na saúde geral dos indivíduos justifica o
incentivo para o ensino do tema para profissionais de saúde. O estar disponível para
conversas e abordagens de maneira direta e esclarecedora, sem a influência das
opiniões e aspectos pessoais, é fundamental para aqueles que escolheram
profissões da saúde. Para Abdo (1989), falar sobre sexualidade remete o indivíduo
aos próprios conceitos que nem sempre foram bem desenvolvidos.
Como os alunos iniciam o curso superior ainda na fase de construção de sua
sexualidade, potencializa-se a importância de que o tema seja tratado durante a
graduação de forma continuada e ampliada.
Neste estudo 11 (onze) são do sexo feminino e 4 (quatro), do sexo masculino;
todos solteiros. No que se refere à idade, verificou-se uma amplitude entre 22 a 29
anos.
A partir das falas dos sujeitos que participaram das entrevistas, foi possível
três categorias temáticas, descritas a seguir.
Dificuldade de abordagem/comunicação quando o assunto é
sexualidade
Entendendo que a conduta de cada pessoa está relacionada com as suas
possibilidades e interações individuais e coletivas, essa categoria engloba a
preocupação e dificuldades apontadas pelos formandos, sobre o assunto.
Os participantes da pesquisa trouxeram depoimentos que revelaram a
dificuldade em falar abertamente sobre o tema, sugerindo pouca propriedade com o
assunto.
Eu não me sinto à vontade. Eu não sinto que houve uma preparação
para trabalhar com sexualidade (Hemera).
Me sinto mais ou menos à vontade [...] (Hera)

Falar sobre sexualidade não é muito fácil, pois o tema, em nossa cultura,
ainda está cercado de estereótipos e repressões que contribuem para um
afastamento, (BRASIL, 2009 BASTOS; DESLANDES, 2005; FERREIRA, 1998)
apontam que os preconceitos no campo da sexualidade ainda são intensos.

19

Sexualidade ainda é um tema proibitivo para os entrevistados, seja por
normas familiares, valores; seja por preconceito que reflete na pouca fluência do
assunto. Entretanto, a informação é uma ferramenta fundamental para que a
sexualidade seja construída e aprendida. Assim, faz-se necessário que a informação
circule proporcionando capacidade de reflexão e questionamento.
Os participantes pontuaram ainda que, quando o paciente é do sexo oposto,
abordar a sexualidade é ainda mais difícil, pois o desconforto pessoal é
potencializado. Ressaltando que tendem a abordar o assunto apenas quando
questionados e a privilegiar somente as questões anatômicas e patológicas.
Eu posso esclarecer caso um paciente venha me perguntar. Não me
sinto preparado para ir falar (Hebe).
Eu não sei como seria uma experiência de abordar o assunto com o
sexo oposto, com um homem, seria ainda mais complicado, eu acho
(Hemera).

Os profissionais da saúde, apesar de passarem uma imagem favorável à
vivência da sexualidade, ainda não conseguem tratá-la de forma natural e limitam
sua abordagem ao modelo genital, negando subsídios para a construção da
identidade sexual (AMARAL, 1994).
A World Health Organization (2010), enfatiza que a sexualidade envolve mais
que aspectos biológicos, envolvem os socioculturais e psicológicos que não devem
estar dissociados.
O diálogo é uma estratégia facilitadora para o equilíbrio no processo de
comunicação entre o profissional, o paciente e a família, sendo importante que ele
esteja preparado para esse momento.
Reflexões

precisam ser

oportunizadas

em discussões

no

ambiente

acadêmico, preparando os formandos para embasarem o assunto em critérios
científicos, e não em crenças e valores pessoais. É preciso preocupar-se com a
forma como essa dimensão está sendo apreendida pelos alunos.
Ao refletir sobre a formação, os acadêmicos demonstraram interesse em
conhecer melhor a sexualidade, durante os momentos teóricos e práticos da
graduação.
Às vezes eu sinto dificuldade nas questões de termos que eu posso
usar, como vão me interpretar. Uma formação mais ampla, ajudaria
(Tessala).

20

A sexualidade não se restringe à vida privada, assim o desconforto e a
vergonha com a temática precisam ser enfrentados e poderiam ser suprimidos com
uma abordagem que, além dos conteúdos, fossem trabalhadas metodologias
aplicáveis e condizentes.
Percebe-se entre os sujeitos da pesquisa a necessidade de se sentirem
inseridos no contexto da sexualidade para que se sintam aptos a abordar a temática
em sua prática clínica.
Invisibilidade da sexualidade
Nessa categoria, observa-se que antes da invisibilidade da sexualidade do
adolescente com deficiência, os sujeitos apresentam falas sobre a sexualidade que
ficam dentro do discurso moral e do senso comum. O que remete à sexualidade é
tido como desconhecido e produtor de ansiedade para a maioria dos formandos.
Evidencia-se, pelas falas dos sujeitos dessa pesquisa, que não há entre eles
uma clareza do que seja sexualidade.
[...] Talvez as formas em que o sexo oposto pode se apresentar
(Apolo)
É transformação do corpo, né?... Puberdade (Démeter)

A inexistência dessa clareza causa certo estranhamento uma vez que se trata
de graduandos de cursos da área da saúde em fase de conclusão do curso.
Evidenciando a necessidade da incorporação da temática no dia a dia da formação
desses alunos, hoje observada em algumas situações pontuais.
Segundo Alencar, Ciosak e Bueno (2010), a abordagem da sexualidade, além
de contribuir para o cuidado a ser prestado, colabora, também, para o
desenvolvimento saudável desses indivíduos.
As falas denotam dificuldade e constrangimento em trabalhar a sexualidade.
O medo de ser mal interpretado aparece como um inibidor para a abordagem da
temática na prática clínica.
[...] é muito complicado você chegar para um paciente e começar a
conversar com ele sobre sexualidade, porque muitas vezes, (risos)...
eles podem achar que é invasão de privacidade, principalmente se
for do outro sexo (Hebe).

21

Me sinto à vontade, mas já os pacientes têm receio, têm vergonha e
tal. Existe um tabu da sociedade e nos da saúde também somos
parte da sociedade [...] (Hera)

Pensando em formandos dos cursos da saúde, a invisibilidade parece
contraditória, mas quando analisada no contexto diário de vida, é possível apontar
que essa atitude é motivada pelo medo do desconhecido.
Geralmente, crenças descrevem ideias que são tomadas como reais a toda
pessoa com deficiência (GUERPELLI, 1995). No cuidado prestado ao paciente, a
ausência da sexualidade foi identificada nos relatos, relacionada a limitada
oportunidade de conhecimento durante a formação acadêmica, as questões
pessoais e culturais e, também, ligadas ao momento de descoberta da própria
sexualidade.
Eu não me lembro de ter tido... a gente estuda doenças, estuda
gravidez, mas a sexualidade, a gente não estuda (Afrodite)
[...] falar de droga, sexualidade e temas assim [...] (silêncio) é mais
difícil, talvez por serem considerados polêmicos e também por
envolver cultura e religiosidade (Gaia).

Parece marcante que o constrangimento que a ocasião pode proporcionar e a
ideia de que esse assunto é responsabilidade da família limitem a viabilização de
oportunidades para abordar o tema, ou mesmo a tendência a driblar o assunto
quando abordado.
A sexualidade está presente na vida das pessoas e, apesar desnecessária
para o indivíduo e de não mais ser vista apenas pela função da procriação, ainda
apresenta uma visão convencional e enfrenta restrições, preconceitos e normas
rígidas de gênero, consequência, da relação sociocultural que envolve a temática.
Isso está impregnado; é algo que precisa ser trabalhado na formação.
Uma vez que se compromete com a formação de profissionais com uma visão
holística do indivíduo, Bretas, Ohara e Querino (2008), colocam que a universidade
não pode se omitir quanto a contextualização da sexualidade na graduação.
Também World Association for Sexual Health (2008) justifica o estímulo da
sexualidade na saúde integral do individuo para ser iniciado na graduação dos
profissionais da saúde.
Observa-se que a temática ainda tem uma socialização restrita e que a
participação da universidade ainda é rara. Na maioria das vezes, reflexo de

22

iniciativas individuais de alguns professores, não ultrapassando o fornecimento de
informações teóricas sobre anatomia e fisiologia dos órgãos sexuais.
Rufino, Madeiro e Girão (2013), encontraram em seus estudos uma visão
centrada nos aspectos biológicos e patológicos, com um destaque para a construção
social da sexualidade quase ausente. Relatando que o assunto não pode dispensar
o trabalho interdisciplinar de uma equipe multiprofissional treinada para esse fim.
Assim, podemos perceber que as representações que os formandos da área
da saúde detêm sobre a sexualidade, são direta ou indiretamente expressas por
influências de abordagens biológicas e patológicas, associadas ao senso comum e
repletas de medos e preconceitos. A possibilidade reflexiva é uma mudança de ação
por parte das universidades que podem gerar nos formandos a possibilidade de se
permitir pensar sobre a flexibilidade e empatia, quanto à sexualidade.
Invisibilidade da sexualidade da pessoa com deficiência
Nessa categoria, os formandos disseram que não acreditam na inexistência
da sexualidade da pessoa com deficiência, porém negá-la ou ignorá-la, demonstra
uma perspectiva de fuga, despreparo técnico e preconceito, produzindo a
invisibilidade.
Eu acho que isso de não existir é errado. Pode ser que seja diferente
[...] (Nix).
Existe sim (silêncio) porém a deficiência tem que levar em conta a
própria deficiência dele neh? (Zeus).

Observou-se um desconhecimento quanto à expressão da sexualidade das
pessoas com deficiência, apesar de, a maioria dos formandos, entender que ela
existe. Este fato também observado por Amaral13, relata que os profissionais
passam uma imagem de favoráveis a esta vivência, mas ainda não conseguem
tratá-la de forma natural.
Não na questão de não ter, mas que, em alguns, é a partir da
deficiência... eles criam uma barreira e, com certeza, não é uma
coisa muito fácil (Tessala).
Eu acho que tem normalmente, como todo mundo. Tem vontades,
tem desejo, tudo igual... acho que o que falam é porque isso é pouco
trabalhado com eles, eu acho que as pessoas pensam que eles não
têm (sexualidade) e aí não trabalham isso com eles [...] (Afrodite).

23

As falas dos formandos pesquisados mostram que eles acreditam na
sexualidade do adolescente com deficiência, apesar da maioria imaginar que seja
problemática ou patológica, e desde que não tenham que trabalhar com o tema. O
que sugere uma dificuldade em se envolver com o assunto em suas práticas na
graduação e, futuramente, profissionais.
Eu acho que pode ser um pouco diferente, em alguns casos a
sexualidade é muito aguçada [...]. Mas não que não tenham (Hebe)

Ao explicar o que faltava para a aproximação com o tema, os alunos
alegaram a falta de orientação para trabalhar com adolescentes deficientes de forma
mais sistematizada.
Eu acho que tem que [...] (silêncio) e que essa opinião de que a
pessoa com deficiência não tem sexualidade é justamente pelos
profissionais, que fazem as pessoas não terem informações
suficientes sobre isso. (Téia).

A invisibilidade da sexualidade das pessoas com deficiência gera situações
prejudiciais à sua inserção social, portanto o despertar da sexualidade vem
acompanhado da repressão pela sua construção imaginária como anormal e
socialmente inadequada ou, angelical e despretensiosa.
Sexualidade e deficiência parecem não se relacionar quando colocadas, lado
a lado, entretanto se relacionam. Gherpelli (1995), aponta para a sexualidade para
além de, simplesmente, um corpo desenvolvido ou em desenvolvimento, apto para
procriar e apresentar desejos sexuais.
É de importância fundamental que, na abordagem da sexualidade, seja
considerada a necessidade e a diversidade das pessoas com deficiência,
contemplando, além dos aspectos biológicos e comportamento adaptativo, regras e
limites, intimidade e diversidade, como apontado por Bastos e Deslandes21.
Para Moreira e Gusmão (2002), o silêncio e a repressão são formas negativas
de tratar a sexualidade, destacando-se a importância de se desconstruir o imaginário
quanto à sexualidade da pessoa com deficiência.
É fundamental perceber que a sexualidade vai além do sexo, envolve a
afetividade e assim, cada ser tem o direito de viver sua sexualidade, da forma como
lhe é possível. Como afirma Gherpelli (1995),

é preciso esclarecer que a

24

sexualidade faz parte da vida de qualquer ser humano, seja uma pessoa com
deficiência, seja não.
Vale pontuar que a falta de tempo que impede um aprofundamento, e o
despreparo para lidar com a sexualidade dos pacientes com deficiência foram
apontados como os pontos que mais contribuem para a invisibilidade do tema.
Eu até entendo que tem a questão tempo, mas se faz parte do
trabalho da [...] como pode ser assim colocada tão de lado (Tessala).

Ao serem solicitados para sugestões de abordagem sobre sexualidade na
graduação, os sujeitos pesquisados defenderam que este deveria ser um tema
transversal entre as disciplinas, abordado dentro do próprio currículo da
universidade e apoiado por projetos de extensão em todos os cursos da área da
saúde.
As instituições de ensino superior precisam assumir seu papel na produção e
disseminação de conhecimentos relevantes, a fim de proporcionar uma formação
direcionada à realidade que os alunos vão encontrar na vida profissional.
2.4 Considerações finais
Este estudo reforça achados importantes quanto à invisibilidade da
sexualidade, quer seja de pessoa normal quer com deficiência. O desconforto com o
tema e o despreparo para atuar na sua área foram relatos presentes,
potencializados quando voltados para as pessoas com deficiência.
A sexualidade não pode ser separada da saúde e deve ser explorada para
que possa ser compreendida. Entretanto, mesmo os profissionais da saúde de quem
se esperava uma naturalidade na abordagem ao tema, apresentam dificuldade com
o assunto. Assim a temática continua a ser uma barreira a ser superada.
É fundamental apoiar e refletir, sob a perspectiva da formação profissional,
sobre essa temática, em instituições do ensino superior. Parece claro que o
preconceito que envolve a questão dificulta a sua presença nas discussões e ações
de saúde.
Seja por falta de preparação, seja por desconhecimento, é percebido que o
ensino superior continua a ter dificuldades em abordar a temática da sexualidade.
Entende-se que ações de sensibilização e formação devam ser uma das principais
medidas para melhorar a qualidade da resposta na abordagem da sexualidade.

25

É premente a necessidade de sensibilização para os profissionais de saúde
sobre a sexualidade desde sua formação, com novas abordagens, considerando os
direitos humanos e a integralidade como princípios do cuidado das pessoas com
deficiência.
O presente estudo se concentrou em um contexto especifico. Assim é preciso
considerar que a temática carece de mais pesquisas. Abre-se, desta forma, espaço
para novos estudos e, melhoria da formação profissional, que resultarão em uma
melhor atenção à saúde das pessoas em geral e das com deficiência.
Colaboradores
RBS Almeida, MLF Vieira e RISCADO JLS foram igualmente responsáveis por todas
as etapas de elaboração do artigo.
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26

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27

RUFINO, A. C.; MADEIRO, A. P.; GIRAO, M. J. B. C. O ensino da sexualidade nos
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<http://whqlibdoc.who.int/hq/2010/who_rhr_10.12_eng.pdf>.

28

3

PRODUTO 1

3.1 Seminário: Sexualidade da Pessoa com Deficiência a perspectiva da saúde.
Identificação
Sexualidade da pessoa com deficiência: a perspectiva da saúde.
3.2 Introdução
Sexualidade é um termo abrangente que, muitas vezes, se confunde com
sexo. Para Costa (2001) e Ressel (2003) é uma necessidade básica que não pode
ser separada de outros aspectos da vida.
A conduta sexual de pessoas com deficiência é variável, pois depende do
nível do seu comprometimento, do apoio familiar e da estrutura social em que estão
inseridas (VIEIRA, 2006).
Para os adolescentes com deficiência a vivência dessa sexualidade, muitas
vezes, é negada e assim limita ou impede que estes tenham oportunidade de
vivenciar experiências psicoemocionais.
Educar para a sexualidade não se restringe apenas à veiculação de
informação, deve também contemplar diversas áreas de intervenção como: o eu, o
outro e as relações estabelecidas (PEREIRA, 2013).
A formação dos profissionais de saúde ainda não está voltada para se falar
abertamente da sexualidade, menos ainda quando relacionado à pessoa com
deficiência. Geralmente a dificuldade apontada está relacionada tanto aos próprios
preconceitos internalizados quanto ao despreparo teórico.
O desafio de trabalhar o tema com os pacientes, apontando para o
reconhecimento da sexualidade como desencadeador de ansiedade, para os
sujeitos e para a invisibilidade da sexualidade humana, quer esteja relacionada a
pessoa com deficiência, quer não, demonstra a dificuldade de como abordar o tema
e a falta de confiança nas informações a serem transmitidas.
As estratégias de ensino-aprendizagem se inserem como facilitadoras para
desenvolvimento de competências dentro do contexto, do conteúdo e considerando
os objetivos da aprendizagem (ANASTASIOU; ALVES, 2004).

29

Assim ao perceber que existe uma enorme lacuna e a fim de minimizar
preconceitos e repressões para uma comunicação dinâmica, optamos pelo
seminário como estratégia de ensino para sensibilização da área da saúde com
objetivo de minimizar preconceitos.
Para Campos (2000) a roda de conversa é um método de ressonância
coletiva que consiste na criação de espaços de diálogo, em que as pessoas se
expressam, escutam os outros e a si mesmas, estratégia que estimula a construção
da autonomia dos sujeitos por meio da problematização, da troca de informações e
da reflexão para a ação.
Para Miranda e Barroso (2004) o seminário busca problematizar um
determinado tema com retorno crítico e valorização do diálogo com liberdade de
criar e recriar uma ideia.
Essas técnicas foram escolhidas por permitir a interação entre o que os
participantes expressam, permitindo trabalhar de forma reflexiva as manifestações
apresentadas no grupo.
3.3 Objetivo
Temos por objetivo discutir e/ou problematizar a questão da sexualidade da
pessoa deficiente que impacta no ensino e nas práticas de saúde.
Entende-se aqui o conceito ampliado de Saúde, apregoado pela Organização
Pan-Anamericana da Saúde – OPAS, em que Saúde perpassa pelo direito humano
e pela saúde, ao acesso à saúde e à educação, condições de moradia, de trabalho,
de lazer, das relações societárias, da ecologia humana.
3.4 Justificativa
Essa proposta situa a conversa, como estratégia de aprendizagem, e faz
parte do trabalho desenvolvido em busca de despertar e motivar para o
aprofundamento teórico dos conteúdos.
A correspondência entre objetivo-conteúdo-método foi decisiva na escolha da
roda de conversa como instrumento de partida, a fim de problematizar a temática da
sexualidade da pessoa com deficiência na prática profissional, partindo da
identificação da realidade, situando o referido gênero como adequado à situação de
ensino apresentada.

30

3.5 Público alvo
Profissionais e alunos dos cursos das áreas da saúde e educação das
instituições de ensino superior de Alagoas e instituições especializadas na atenção à
pessoa com deficiência de Alagoas.
3.6 Metodologia
Como ponto de partida foi identificada e contextualizada a realidade, bem
como o referencial teórico encontrado a fim de proporcionar discussões a partir das
quais o conhecimento é construído.
O seminário “Sexualidade da pessoa com deficiência: a perspectiva da saúde”
foi constituído por uma palestra intitulada “Percepção de formandos da área da
saúde sobre a sexualidade do adolescente com deficiência” e uma roda de conversa
em que foi discutido e problematizado a questão da sexualidade da pessoa com
deficiência que impacta no ensino e nas práticas de saúde. Foi realizado em 19 de
junho de 2015 durante o Congresso Acadêmico Integrado de Inovação e Tecnologia
- CAIITE da UFAL com duração de 4 horas.
Como estratégia de divulgação, além da realizada pelo próprio evento,
entregamos convites nas instituições com cede em Maceió que trabalham com a
pessoa com deficiência como público alvo, estendendo o convite a profissionais e
pais dessas instituições.
A palestra teve duração de 30 minutos e cada debatedor 20 minutos para
expor suas ideias e colocar o assunto na roda. O tempo restante foi destinado à
discussão, articulação e síntese do conhecimento dos temas e fora mediado pelo
coordenador.

31

Quadro 1 – Atividades do Evento
Horário
09h15 – 09h30

10h40 – 11h00

Atividade
Abertura do seminário “Sexualidade da
pessoa com deficiência: a perspectiva da
saúde”
Palestra “A percepção de formandos da
área da saúde sobre sexualidade do
adolescente com deficiência”
Intervalo
Sexualidade da pessoa com deficiência:
a perspectiva da saúde.
Colóquio

11h00- 12h00

Roda de conversa

09h30 –10h00

10h00 – 10h15
10h15 – 10h40

Responsável
Maria de Lourdes Fonseca
Vieira
Rafaela Brandão da Silva
Almeida

Maria Helena Brandão
Vilela (Instituto Kaplan-SP)
Maria de Lourdes Vieira e
Jorge Luis de Souza
Riscado

Fonte: Elaborado pela autora

3.7 Resultados
Esta estratégia contou com a participação de 33 pessoas dentre professores,
acadêmicos da área da saúde e da educação, pais e pessoas com deficiência,
sendo que 17 participaram da palestra e 16 da roda de conversar contribuindo para
disseminar

e

sensibilizar,

por

meio

de

uma

abordagem

direta

e

com

enquadramentos conceituais, profissionais, graduandos, pais e responsáveis quanto
à necessidade de visualizar a sexualidade da pessoa com deficiência como inerente
à vida, desmistificando os medos e facilitando a abordagem e condução da temática.
Em busca de disseminar a informação cientifica e de alcançar um número
maior de pessoas foi resultado dessa oficina a construção de um Blog Educacional
para abordagem e interação sobre a temática, que ainda é estigmatizada e de
abordagem restrita.

32

REFERÊNCIAS

ANASTASIOU, L. G.; ALVES, L. P. Processos de ensino na universidade:
pressupostos para estratégias de trabalho em aula. Joinville, Ed. Univille, 2004.
CAMPOS, G. W. S. Um método para análise e co-gestão de coletivos. São
Paulo: HUCITEC, 2000.
COSTA, M. C. O. et al. Sexualidade na adolescência: desenvolvimento, vivências e
propostas de intervenção. Jornal de Pediatria, Rio de Janeiro, v. 77, supl.2, p.
S217-S224, 2001.
MIRANDA, K. C .L.; BARROSO, M. G. T. A contribuição de Paulo Freire à prática e
educação crítica em enfermagem. Revista Latino-Americana de Enfermagem,
Ribeirão Preto, v.12, n. 4, p. 631-635, 2004.
PEREIRA, M. F. A sexualidade na deficiência mental: mitos e tabus. 2013. 184 f.
Dissertação (Mestrado em Ciências da Educação) - Escola Superior de Educação
João de Deus, Lisboa, 2013. Disponível em:
http://comum.rcaap.pt/bitstream/10400.26/4780/1/Disserta%C3%A7%C3%A3o%20d
e%20Mestrado.pdf. Acesso em 10/05/2015.
RESSEL, L. B. Vivenciando a sexualidade na assistência de enfermagem: um
estudo na perspectiva cultural. 2003. 333 f. Tese (Doutorado em Enfermagem) –
Universidade de São Paulo, São Paulo, 2003.
VIEIRA, C. M. Programa informativo sobre deficiência mental e inclusão: efeitos
nas atitudes e concepções de crianças não-deficientes. 2006.209 f. Dissertação
(Mestrado em Educação Especial) - Universidade Federal de São Carlos, São
Carlos, 2006.

33

4

PRODUTO 2

4.1 Blog Educacional – Sexualidade: somos iguais
Identificação
Blog Educacional - Sexualidade: Somos Iguais
4.2 Introdução
Com o desenvolvimento acelerado das tecnologias no século XXI,
especialmente com a convergência das mídias, desenvolveu-se formas inovadoras
de armazenar, recuperar e disseminar informações.
A importância da informática no processo educativo está em permitir uma
maior

interatividade,

criando

ambientes

que

propiciem

a

construção

do

conhecimento, tornando-se uma forma atrativa de aprender (CARDOSO, 2008).
Valente (1999) considera que os ambientes virtuais podem ser fontes de
informações, ideias ou de problemas a serem resolvidos dentro do contexto
educacional.
É importante que o ensino seja inovador e proporcione a experiência mais
próxima da realidade. Nessa perspectiva, as tecnologias da informação e
comunicação (TIC’s) são ferramentas que podem ser usadas para veicular
informação e possibilitar a comunicação em pequena e grande escala (DARODA,
2012).
Assim estão cada vez mais inseridas no contexto educacional em
consonância com a necessidade da universidade em oferecer aos acadêmicos
referenciais que os ajudem a perceber as várias dimensões do ensino, favorecendo
a construção do conhecimento pelos alunos.
O desenvolvimento de novas competências e o conhecimento do aluno, como
capacidade de enfrentar o novo, criatividade, autonomia e comunicação, são
impactos atribuídos às TICs.
Para Daroda (2012) o perfil dos alunos mudou e atualmente, perpassa pela
necessidade de informação, ações paralelas e múltiplas, preferem, gostam de
trabalhar em rede, precisam de retornos instantâneos.

34

Masseto (2006) destaca que as tecnologias devem ser utilizadas para
valorizar a aprendizagem, incentivar a formação permanente, a pesquisa de
informação básica e novas informações, o debate, a discussão e o diálogo. Para
Moraes e Torres (2004), as estratégias de ensino devem favorecer uma
aprendizagem que integre vários sentidos: imaginação, intuição, colaboração e
impactos emocionais.
Silva (2003) destaca a importância de considerar o aluno como um sujeito
ativo que manipula o conteúdo a sua maneira, respeitando sua forma de aprender e
seus interesses pessoais.
Quanto ao educador, espera-se que ele seja mais que um transmissor de
informação ou provedor de respostas. A busca atual é um facilitador da interação e
da aprendizagem (SACERDOTE, 2010), sendo o professor um mediador do
conhecimento.
A informatização não substitui o professor, mas pode auxiliar no processo de
tomada de decisão, contribuindo para habilidades profissionais em saúde, como
também na construção do conhecimento.
4.3 Objetivo
Dinamizar a relação de ensino aprendizagem sobre sexualidade usando a TIC
como recurso educacional.
4.4 Justificativa
A pesquisa desenvolvida apontou a necessidade de ampliação do debate
sobre sexualidade da pessoa com deficiência a fim minimizar os preconceitos e
favorecer avanços na abordagem das ações de saúde.
Entendo que a diferença entre site e blog reside em que o site tem um caráter
mais “estático” que sofre poucas alterações e o blog é uma página interativa
ordenada cronologicamente com atualizações periódicas, não necessariamente
diárias. Optamos, em busca de uma interação para motivar reflexões e discussões
sobre o tema, por um blog constantemente alimentado com conteúdo atualizado.

35

4.5 Público alvo
Profissionais e alunos de graduação de cursos da área da saúde e da
educação.
4.6 Metodologia
O ponto de partida são os elementos vivenciados pelos alunos, dando
significado à aprendizagem e contemplando a área da sexualidade na adolescência.
Foi elaborado um blog educacional no qual e-mail, chat, fórum, áudio e material
gráfico constam como as ferramentas de comunicação. Com o fórum, objetivamos
que os visitantes possam deixar suas opiniões; o e-mail como ferramenta para
auxiliar nas dúvidas; e, tanto o áudio quanto o material gráfico como informações
educativas. Este desenho de material educacional contribui para uma dinâmica
motivadora e participativa. A linguagem é de fácil assimilação do público alvo,
criando uma atmosfera adequada de ensino-aprendizagem.
A aprendizagem é considerada uma atividade social, assim aprende-se por
meio de muitos agentes. O blog, <www.sexualidadesomosiguais.com.br> busca
uma interação pedagógica para motivar reflexões e discussões sobre o tema.
Refletiremos sobre questões da prática diária dos profissionais da área da saúde
como ferramenta de caráter colaborativo e espaço de acesso à informação
especializada.
Como estratégia de divulgação utilizamos a fim de atingir alunos da área da
saúde e pais de pessoas com deficiência, e profissionais da área optamos pela
colagem de banners e distribuição de folder informativo, em faculdades, instituições
especializadas na atenção as pessoas com deficiência e instituições de saúde.
A fim de atingir e sensibilizar os professore das instituições de ensino superior
na área da saúde para a abordagem da temática, elaboramos para distribuição um
kit com caderneta com divulgação do blog, maçã e lápis.
4.7 Resultados esperados
Espera-se que o blog “Sexualidade: somos iguais” atue de forma dinâmica no
processo de construção de novos saberes, os quais combinados com outras mídias

36

e outros recursos didáticos se constituam uma opção adequada, despertando e
motivando para a temática da sexualidade da pessoa com ou sem deficiência.

37

REFERÊNCIAS

CARDOSO, J. P. et al. Construção de uma práxis educativa em informática na saúde
para ensino de graduação.Ciência & Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 13, n.1, p.
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infância. 2003. 166 f. Dissertação (Mestrado em Educação) - Universidade Estadual
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Interdisciplinaridade e novas tecnologias: formando professores. Campo Grande:
Ed.UFMS, 1999. p. 75-119.

38

5

CONSIDERAÇÕES FINAIS DO TRABALHO ACADÊMICO
Com esse trabalho acadêmico acreditamos que os objetivos alcançados não

são o fim, são apenas sementes lançadas para que novos caminhos sejam traçados.
Propusemos-nos a estudar as “Representações de Formandos de
Enfermagem, Medicina e Odontologia sobre Sexualidade de Adolescentes com
Deficiência” onde um dos maiores desafios foi abordar um tema ainda com muitas
restrições, voltado para a pessoa com deficiência, ainda pouco compreendida.
Outro desafio para a realização dessa pesquisa foi encontrar os alunos que
em estágios de conclusão de curso fazem suas práticas espalhados pelos vários
espaços universitários.
Desafio esse que foi minimizado com a contribuição das faculdades e seus
coordenadores que entendendo a importância da pesquisa disponibilizaram seus
cursos como cenário de nossa pratica e nos auxiliaram para encontrar os grupos de
alunos.
Os resultados atentam para a realidade de que a abordagem da sexualidade
da pessoa sem deficiência é tão restrita quanto da pessoa com deficiência, barreira
essa a ser superada dentro da universidade. E faz refletir sobre a formação que é
proporcionada aos alunos dos cursos da saúde quanto ao tema em questão.
Também ficou evidente que a sexualidade não se pode separada da saúde e
assim deve ser explorada para que possa ser compreendida e desmistificada
A partir dos resultados propomos a última parte desse trabalho que foi a
construção do produto de intervenção, para o qual optamos por duas estratégias: um
seminário em espaço acadêmico a fim de proporcionar o despertar para a
importância da abordagem da sexualidade no ensino superior onde nosso público
alvo foram alunos, professores, profissionais e instituições que lidam com a pessoa
com deficiência; e a utilização da Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC)
com a estruturação de um blog educacional com objetivo de auxiliar no processo de
ensino/aprendizagem que entendemos pode ser bastante proveitosa principalmente
em se tratando da temática em questão.
Assim esse trabalho acadêmico aponta para a necessidade estruturações de
estratégias a fim de contemplar a temática da sexualidade durante a graduação dos
cursos da área da saúde.

39

REFERÊNCIAS GERAIS

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à Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiências: decreto legislativo n.
186, de 9 de julho de 2008: decreto n. 6.949, de 25 de agosto de 2009. 4. ed. rev. e
atual. Brasília, DF: Secretaria de Direitos Humanos, Secretaria Nacional de
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2015.

44

APÊNDICES

45

APÊNDICE A
Questionário de Caracterização dos participantes
Nome (iniciais): ____________
Idade:______ Sexo:________Estado Civil:______________
Graduação: _____________________________________________________
Ano de conclusão:_______
Tem algum familiar com deficiência? ( ) Sim

( ) Não

Se sim, quem? _________________
Você já teve alguma experiência educacional com enfoque na pessoa com
deficiência ?
( ) Sim

( ) Não

Se sim, qual? ____________________________________________________
Você já teve alguma experiência educacional com enfoque na sexualidade humana?
( ) Sim

( ) Não

Se sim, qual? ___________________________________________________

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APÊNDICE B
Plano de construção de dados
1 O que é adolescência para você?
2 O que é sexualidade para você?
3 Dizem que a sexualidade do adolescente considerado normal/comum é diferente
da sexualidade do adolescente com deficiência. O que você pensa sobre isso?
4 Para você, como os pais enxergam a sexualidade de seu filho com
deficiência?
5 O que você entende por interdisciplinaridade?
6 O que você entende por atenção multiprofissional?
7 Qual a sua opinião quanto à atuação interdisciplinar/multiprofissional nas ações
integrais de saúde do adolescente com deficiência?

47

APÊNDICE C
Blog Educacional

48

ANEXO

49

ANEXO A
Submissão do artigo a Revista Ciência & Saúde Coletiva