AMANDA KAROL DA SILVA GENERINO - AS CONTRIBUIÇÕES DA PRÁTICA DISCENTE DE TERAPIA OCUPACIONAL NOS NÚCLEOS AMPLIADOS DE SAÚDE DA FAMÍLIA E ATENÇÃO BÁSICA

Arquivo
TACC Amanda COMPLETO FINAL.pdf
Documento PDF (12.1MB)
                    UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
FACULDADE DE MEDICINA
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENSINO NA SAÚDE
MESTRADO PROFISSIONAL EM ENSINO NA SAÚDE

AMANDA KAROL DA SILVA GENERINO

AS CONTRIBUIÇÕES DA PRÁTICA DISCENTE DE TERAPIA OCUPACIONAL
NOS NÚCLEOS AMPLIADOS DE SAÚDE DA FAMÍLIA E ATENÇÃO BÁSICA

Maceió
2019

AMANDA KAROL DA SILVA GENERINO

AS CONTRIBUIÇÕES DA PRÁTICA DISCENTE DE TERAPIA OCUPACIONAL
NOS NÚCLEOS AMPLIADOS DE SAÚDE DA FAMÍLIA E ATENÇÃO BÁSICA

Trabalho apresentado à banca de defesa para a
obtenção do título de Mestre no Programa de PósGraduação em Ensino na Saúde da Faculdade de
Medicina - Universidade Federal de Alagoas.
Linha de Pesquisa: Integração ensino, serviço de
saúde e comunidade
Orientador: Prof. Dr. Sérgio Seiji Aragaki

Maceió
2019

Catalogação na fonte
Universidade Federal de Alagoas
Biblioteca Central
Divisão de Tratamento Técnico
Bibliotecário: Marcelino de carvalho
G326c Generino, Amanda Karol da Silva.
As contribuições da prática discente de terapia ocupacional nos núcleos
ampliados de Saúde da Família e Atenção Básica / Amanda Karol da Silva Generino.
– 2019.
163 f. : il.
Orientador: Sérgio Seiji Aragaki.
Dissertação (Mestrado Profissional em Ensino na Saúde) – Universidade
Federal de Alagoas. Faculdade de Medicina. Programa de Pós-Graduação em
Ensino na Saúde. Maceió, 2019.
Bibliografia: f. 69-77.
Apêndices: f. 94-153.
Anexos: f. 154-163.
1. Brasil. Ministério da Saúde. Núcleo de Apoio à Saúde da Família. 2.
Sistema Único de Saúde (Brasil). 3. Atenção primária à saúde. 4. Terapia
ocupacional. I. Título.
CDU: 615.8-057.87

AGRADECIMENTOS

A Deus, fonte de toda força e perseverança que me sustentaram em todo o caminho.
A minha família, base sólida que me ofereceu suporte, principalmente nos momentos
de fragilidade. Especialmente à minha mãe Lourdes, que abdicou de sua vida para segurar
minha mão de perto e não me deixou sozinha até o término do “nosso mestrado”. Por todo o
tempo em que doou amor materno à minha filha quando não pude oferecer fisicamente meus
braços.
Ao meu esposo Lenisson pela compreensão em todos os momentos, inclusive naqueles
quase insuportáveis, mas que foram superados graças ao seu companheirismo.
Aos meus colegas do mestrado que trilharam comigo este caminho, compartilharam
experiências e doaram ajuda quando os recorri.
Aos professores que tive o privilégio de conviver durante o desenvolvimento do
mestrado, os quais contribuíram com conhecimento ímpar através de suas cuidadosas formas
de ensinar; aos professores da banca que colaboraram para meu crescimento durante o
processo de conclusão deste TACC através de seus conhecimentos ofertados, sugestões e
críticas construtivas que deram qualidade ao trabalho.
Ao meu admirável orientador Sérgio Aragaki que ofereceu mais que conhecimentos.
Foi um forte incentivador que, com sua disponibilidade e paciência, compreendeu minhas
limitações durante o percurso e me fez enxergar possibilidades e caminhos que não me
deixaram desistir.
Aos usuários que gentilmente contribuíram na construção deste trabalho.
Aos meus amigos companheiros do Nasf-AB que me ajudaram na construção e
conclusão deste projeto de vida profissional, que compreenderam os momentos de minha
ausência, e principalmente pela amizade e apoio incondicional.
A todos os amigos e familiares que de todas as formas direta e indiretamente torceram,
incentivaram e colaboraram para o alcance de mais esta vitória. A vocês, todo meu amor e
gratidão.

RESUMO GERAL

Este trabalho de Conclusão de Curso do Mestrado Profissional de Ensino na Saúde da
Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Alagoas é composto de uma dissertação,
baseada na pesquisa intitulada As Contribuições da Prática Discente de Terapia Ocupacional
nos Núcleos Ampliados de Saúde da Família e Atenção Básica. A pesquisa foi baseada nos
teóricos-metodológicos do Construcionismo Social e nas práticas discursivas de Spink (2013),
tendo como objetivo identificar as contribuições da prática discente de terapia ocupacional na
atenção prestada junto às equipes de Núcleos Ampliados de Saúde da Família e Atenção
Básica de um município do estado de Alagoas, a partir dos discursos dos(as) usuários(as).
Para isso, foram realizados três grupos focais com usuários que participaram de atividades
desenvolvidas pelos referidos estudantes nas equipes 1 e 2 de Nasf-AB do referido município,
totalizando 24 participantes. Foram realizadas transcrições sequenciais e integrais com o
material produzido nos grupos focais, seguido de construção de mapas dialógicos e criação
das categorias analíticas: atividades desenvolvidas pelos estagiários de terapia ocupacional
junto às equipes de Núcleos Ampliados de Saúde da Família e Atenção Básica e aspectos
atribuídos pelos usuários, e três sub-categorias: Benefícios e beneficiados das atividades;
efeitos do trabalho de terapia ocupacional realizado pelos estudantes, e sugestões de
melhorias. Os resultados mostraram que os(as) usuários(as) conseguiram identificar que as
atividades de terapia ocupacional desenvolvidas pelos(as) estudantes apresentaram benefícios
a todos os envolvidos e ao surgimento de efeitos relacionados aos aspectos subjetivos e
sociais, levando a conclusão que esta prática discente traz benefícios no que se refere ao
processo de cuidado e melhorias à saúde dos (as) usuários(as), à melhoria no processo de
ensino-aprendizagem e na integração ensino-serviço-comunidade. Baseado nos resultados
encontrados, o produto relacionado à pesquisa refere-se a um vídeo animado explicativo sobre
a atuação da terapia ocupacional no Nasf-AB, com objetivo de ofertar conhecimentos teóricos
acerca da atuação da terapia ocupacional, contribuir para a formação acadêmica de estudantes
da área da saúde; orientar a prática de profissionais atuantes no Nasf-AB.
Palavras-Chaves: Núcleo de Apoio à Saúde da Família; Sistema Único de Saúde; Atenção
Básica; Terapia Ocupacional; Prática discente.

GENERAL ABSTRACT

This dissertation is linked to the Professional Master's Degree Course in Health Education at
the Federal University of Alagoas Medical School. It is based on the research entitled The
Contributions of Occupational Therapy Student Practice in Extended Family Health Centers
and Primary Healthcare. The research was based on theory and methods of Social
Constructionism and the discursive practices of Spink (2013), aiming to identify the
contributions of the Occupational Therapy student practice in the attention given to the teams
of Extended Family Healthcare Centers and Primary Healthcare of a city in the state of
Alagoas, from the speeches of service users. Therefore, three focal groups were held with
users who participated in activities developed by the students in teams 1 and 2 of Extended
Family Health Centers and Primary Healthcare of the municipality, totaling 24 participants.
Sequential and integral transcripts were made with the material produced in the focal groups,
followed by the construction of dialogic maps and the creation of analytical categories:
activities performed by Occupational Therapy interns with the Extended Family Health
Centers and Primary Healthcare teams, and aspects attributed by the users, and three
subcategories: Benefits and beneficiaries of activities; effects of occupational therapy work
done by students, and suggestions for improvements. The results showed that the users were
able to identify that the occupational therapy activities developed by the students had benefits
to all involved and the to the emergence of effects related to the subjective and social aspects,
leading to the conclusion that this student practice brings benefits regarding the process of
care and improvements to the users' health, the improvement of the teaching-learning process
and the teaching-service-community integration. Based on the results achieved, the researchrelated product refers to an animated video explaining occupational therapy performance at
Extended Family Health Centers and Primary Healthcare, aiming to offer theoretical
knowledge about occupational therapy performance, contributing to the academic formation
of students from Health area; guide the practice of professionals working at Extended Family
Health Centers and Primary Healthcare.
Keywords: Support Family Health Centers; Public Health System; Primary care;
Occupational Therapy; Student Practice.

LISTA DE QUADROS
Quadro 1 – Equipes de Núcleos Ampliados de Saúde da Família e Atenção Básica .............. 19
Quadro 2 – Elementos constituintes das atividades de terapia ocupacional............................. 31
Quadro 3 – Participantes da pesquisa ....................................................................................... 35
Quadro 4 – Atividades desenvolvidas pelos estagiários de terapia ocupacional ...................... 41
Quadro 5 – Aspectos atribuídos pelos(as) usuários(as) relativos às atividades desenvolvidas
pelos estagiários de terapia ocupacional e seu beneficiário ..................................................... 52
Quadro 6 – Efeitos do trabalho de terapia ocupacional realizado pelos estudantes ................. 60

LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

ABS

Atenção Básica à Saúde

DN

Distrito Sanitário

DCN

Diretrizes Curriculares Nacionais

ESF

Estratégia Saúde da Família

FAMED

Faculdade de Medicina

IESC

Integração Ensino-Serviço-Comunidade

MPES

Mestrado Profissional em Ensino na Saúde

NASF

Núcleo de Apoio à Saúde da Família

NASF-AB

Núcleo Ampliado de Saúde da Família e Atenção Básica

PNAB

Política Nacional de Atenção Básica

SMS

Secretaria Municipal de Saúde

SUS

Sistema único de Saúde

TCLE

Termo de Consentimento Livre e Esclarecido

TI

Transcrição Integral

TS

Transcrição Sequencial

UBS

Unidade Básica de Saúde

UNCISAL

Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas

SUMÁRIO

APRESENTAÇÃO ................................................................................................... 10
1

DISSERTAÇÃO SOBRE A PESQUISA ................................................................ 12

1.1

Introdução e Justificativa ........................................................................................ 14

1.2

A Atenção Básica à Saúde e os dispositivos para seu fortalecimento .................. 16

1.2.1

A Estratégia Saúde da Família e o Núcleo Ampliado de Saúde da Família e
Atenção Básica ........................................................................................................... 16

1.2.2

O Nasf-AB em um município do estado de Alagoas ................................................. 19

1.2.3

Atividades curriculares nos serviços de saúde ........................................................... 20

1.2.4

Integração Ensino-Serviço-Comunidade.................................................................... 22

1.2.5

As Diretrizes Curriculares Nacionais e Projeto Pedagógico do curso de graduação
em terapia ocupacional ............................................................................................... 25

1.2.6

A formação do(a) terapeuta ocupacional e seu papel no NAsf-AB ........................... 26

1.3

O Nasf-AB como campo para análise das Práticas Discursivas e Produção de
Sentidos ..................................................................................................................... 32

1.4

Objetivos ................................................................................................................... 34

1.4.1

Geral ........................................................................................................................... 34

1.4.2

Específicos.................................................................................................................. 34

1.5

Percurso metodológico ............................................................................................. 34

1.5.1

Participantes ............................................................................................................... 34

1.5.2

Local ........................................................................................................................... 36

1.5.3

Procedimentos de produção das informações ............................................................ 36

1.5.4

Ética na Pesquisa ........................................................................................................ 39

1.5.5

Procedimentos de análise das informações ................................................................ 39

1.6

Resultados e Discussões............................................................................................ 40

1.6.1

Atividades desenvolvidas pelos(as) estagiários(as) do curso de terapia ocupacional
junto às equipes de Nasf-AB ...................................................................................... 41

1.6.1.1 Considerações acerca das atividades de terapia ocupacional ..................................... 47
1.6.2

Aspectos atribuídos pelos(as) usuários(as) às atividades de terapia ocupacional ...... 51

1.6.2.1 Benefícios e benefíciados das atividades desenvolvidas pelos estagiários de terapia
ocupacional ................................................................................................................. 51
1.6.2.2 Efeitos do trabalho de terapia ocupacional realizado pelos estudantes ...................... 60

1.6.2.3 Sugestões de melhorias à prática discente de terapia ocupacional no Nasf-AB ........ 65
1.7

Considerações Finais ................................................................................................ 67
REFERÊNCIAS ....................................................................................................... 69

2

PRODUTOS EDUCACIONAIS RELACIONADOS À PESQUISA ................... 78

2.1

Vídeo-animação sobre a atuação da terapia ocupacional no Nasf-AB ................ 78

2.1.1

Introdução ................................................................................................................... 78

2.1.2

Justificativa ................................................................................................................. 80

2.1.3

Descrição .................................................................................................................... 81

2.1.4

Objetivos .................................................................................................................... 81

2.1.5

Público-alvo................................................................................................................ 81

2.1.6

Resultados esperados .................................................................................................. 82

2.2

Considerações finais referentes ao Produto Educacional ..................................... 82
REFERÊNCIAS DO PRODUTO EDUCACIONAL ............................................ 83

3

CONSIDERAÇÕES FINAIS DO TACC ............................................................... 84
REFERÊNCIAS GERAIS DO TACC.................................................................... 85
APÊNDICES ............................................................................................................. 94
ANEXOS ................................................................................................................. 154

10

APRESENTAÇÃO DO TACC

Ingressar no campo do ensino sempre foi um desejo desde os tempos da graduação, e
foi na preceptoria de estágio que desenvolvi a prática conciliando com a vida profissional
enquanto terapeuta ocupacional. Após alguns anos no mercado profissional, iniciei os
trabalhos na preceptoria em uma instituição de atendimento a crianças com deficiência física e
intelectual. Posteriormente, minha experiência estendeu-se quando assumi uma função de
professor especialista pela Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas em
estágio de terapia ocupacional em saúde mental, com práticas em um Centro de Atenção
Psicossocial do município.
Em 2015 iniciei o exercício na preceptoria de estágio de terapia ocupacional em saúde
coletiva, recebendo os(as) estagiários(as) do último ano do curso de graduação no Núcleo
Ampliado de Saúde da Família (Nasf-AB) e Atenção Básica, antes denominado Núcleo de
Apoio à Saúde da Família, no qual exerço o cargo de terapeuta ocupacional desde 2013. Deste
então, a trajetória enquanto preceptora neste campo de atuação aumentou meu anseio de
ampliar o conhecimento na área de ensino-aprendizagem, o que impulsionou o ingresso ao
Mestrado Profissional em Ensino na Saúde (MPES) da Faculdade de Medicina (FAMED) da
Universidade Federal de Alagoas (UFAL).
O Nasf-AB é um programa que traz uma perspectiva de ampliar a capacidade de
resposta à maior parte dos problemas de saúde da população na Atenção Básica podendo atuar
tomando como objeto, inclusive, os aspectos sociais e subjetivos das pessoas e coletivos
(BRASIL, 2014). Assim, constitui um rico campo para as práticas acadêmicas, principalmente
no contato com os(as) usuários(as), a vivenciar contextos diferentes e a como lidar com
queixas e perspectivas de cuidados à saúde.
Durante o desenvolvimento do mestrado, simultaneamente às práticas do estágio junto
aos(às) usuários(as) assistidos(as) pelo Nasf-AB, foi alimentada uma motivação de escrever
sobre a prática de estudantes que passavam por esse cenário de aprendizagem, visto que
durante este processo, muito se é construído na relação com os(as) usuários(as) do serviço,
importante tanto no cuidado dos(as) mesmos(as), como para o processo de formação
acadêmica. Nascendo assim o tema dessa dissertação intitulada: AS CONTRIBUIÇÕES DA
PRÁTICA DISCENTE DE TERAPIA OCUPACIONAL NOS NÚCLEOS AMPLIADOS DE
SAÚDE DA FAMÍLIA E ATENÇÃO BÁSICA.
Direcionar da melhor forma a prática dos(as) referidos(as) estudantes numa prática que
reconhece o(a) usuário(a) como sujeito ativo na promoção à saúde, e também alguém em que

11

se estabelece uma interação, uma construção compartilhada com trocas, diálogos e afetação
mútua, permitiu-me o aprofundamento sobre o tema, considerando sua opinião. No entanto,
pouco se tem encontrado na literatura de estudos sobre atuação de discentes sob a perspectiva
dos(as) usuários(as) do serviço e/ou o que esta prática tem proporcionado a essa população e
ao processo de formação profissional.
Esta pesquisa tem como finalidade descrever as contribuições da prática discente de
terapia ocupacional nos Nasf-AB, de forma que considere o que os(as) usuários(as) têm a
dizer sobre o que vivenciaram, sentiram e compreenderam durante estas práticas. Assim, seja
possível entender o processo e colaborar para melhorias na integração ensino-serviço e no
desenvolvimento de estágios curriculares de terapia ocupacional em saúde coletiva.
Os pilares teórico-metodológicos que sustentaram esta pesquisa foram as Práticas
Discursivas e Produções de Sentidos da autora Mary Jane Paris Spink, que permitiram
conduzir os métodos de produção de informações, com a realização de grupos focais, os
métodos de análise das informações a partir das transcrições integral e sequencial do material
produzido nos referidos grupos, e a construção de mapas dialógicos.
A partir dos resultados, o produto educacional elaborado, vídeo explicativo referente a
atuação da terapia ocupacional no Nasf-AB, poderá contribuir na ampliação do conhecimento
acerca da atuação da terapia ocupacional na busca de uma prática mais assertiva, de forma
que atenda às necessidades do(a) usuário(a) e ao mesmo tempo do(a) estudante em formação,
melhorando a integração ensino-serviço-comunidade e as práticas curriculares.

12

1 DISSERTAÇÃO SOBRE A PESQUISA: As Contribuições da Prática discente de Terapia
Ocupacional nos Núcleos Ampliados de Saúde da Família e Atenção Básica

RESUMO
Este trabalho resultou de uma pesquisa de abordagem qualitativa e caráter exploratório, que
teve como referencial as Práticas Discursivas e Produção de Sentidos de Spink, apoiada em
autores do Construcionismo Social e da Saúde Coletiva. Teve como objetivo identificar as
contribuições da prática discente de terapia ocupacional na atenção prestada junto às equipes
de Núcleos Ampliados de Saúde da Família e Atenção Básica a partir dos discursos dos(as)
usuários(as). Foram realizados três grupos focais, totalizando vinte quatro usuários que
participaram de atividades realizadas pelos referidos estudantes, junto a equipes de dois
Núcleos Ampliados de Saúde da Família e Atenção Básica de um município do estado de
Alagoas. Para análise dos discursos, foram feitas as transcrições sequenciais e integrais das
falas, produzidos mapas dialógicos, e por fim elaboração de quadros consolidados com as
seguintes categorias encontradas nos resultados: atividades desenvolvidas pelos estagiários de
terapia ocupacional junto às equipes de Núcleos Ampliados de Saúde da Família e Atenção
Básica e aspectos atribuídos pelos usuários, e três subcategorias: Benefícios e beneficiados
das atividades, efeitos do trabalho de terapia ocupacional realizado pelos estudantes, e
sugestões de melhorias. Com relação aos resultados, foi observado que os(as) usuários(as)
conseguiram identificar que as atividades de terapia ocupacional desenvolvidas pelos(as)
estudantes apresentaram benefícios a todos os envolvidos e ao surgimento de efeitos
relacionados aos aspectos subjetivos e sociais, o que levou a concluir que esta prática discente
traz benefícios no que se refere ao processo de cuidado e melhorias à saúde dos (as)
usuários(as), à melhoria no processo de ensino-aprendizagem e na integração ensino-serviçocomunidade.
Palavras-chave: Núcleo de Apoio à Saúde da Família; Sistema Único de Saúde; Atenção
Básica; Terapia Ocupacional; Prática discente.

13

DISSERTATION: The Contributions of Occupational Therapy student practice in Extended
Family Health Centers and Primary Healthcare
ABSTRACT
This paper resulted from a qualitative research and of exploratory character, which was
referenced by Spink's Discursive Practices and Production of Meanings, supported by authors
of Social Constructionism and Collective Health. It aims to identify the contributions of the
Occupational Therapy student practice in the attention given to the teams of Extended Family
Health Centers and Primary Healthcare, from the users' discourses. Three focal groups were
made, totaling twenty four users who participated in activities performed by these students,
together with teams from two Expanded Family Health Centers and Primary Healthcare of a
municipality in the state of Alagoas. For discourse analysis, were produced sequential and
integral transcriptions of the speeches, dialogical maps and finally elaboration of consolidated
tables with the following categories found in the results: activities developed by the
Occupational Therapy interns with the teams of Extended Family Health Centers and Primary
Care and aspects assigned by users, and three subcategories: Benefits and benefits of
activities, effects of Occupational Therapy work performed by students, and suggestions for
improvements. Regarding the results, it was observed that the users were able to identify that
the Occupational Therapy activities developed by the students showed benefits to all
involved, and to the emergence of effects related to the subjective and social aspects, which
led to the conclusion that this student practice brings benefits to the process of healthcare and
improvements to the users' health, to the improvement of the teaching-learning process and
the teaching-service-community integration.

Keywords: Support Family Health Centers; Public Health System;
Occupational Therapy; Student Practice.

Primary care;

14

1.1 Introdução e Justificativa
A Atenção Básica à Saúde1 (ABS) é um importante e essencial espaço para ajudar na
formação de profissionais de saúde, por aproximá-los(as) das reais necessidades do Sistema
Único de Saúde (SUS). Neste cenário, se permite que também ocorra a integralidade2, a
formação de vínculos entre todos(as) os(as) envolvidos(as), abordagem e contato com o
contexto familiar e o desenvolvimento do trabalho em equipe (ALMEIDA et al., 2012).
Para Ferreira, Fiorini e Crivelaro (2010), é preciso assumir papel ativo nas estratégias
de cuidado, tratamento e acompanhamento da saúde individual e coletiva, e é neste mesmo
sentido que se apresenta a necessidade de adequar a formação em saúde, para que seja
possível produzir profissionais capazes de atender às necessidades da população brasileira.
Propõe-se, assim, um novo olhar, no qual deva se considerar o contexto e a pessoa de forma
integral, onde o foco passe a ser a saúde e não a doença; a família, e não a pessoa
isoladamente.
É nesse contexto que se insere o Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF), criado
em 2008 pelo Ministério da Saúde, para apoiar a Estratégia de Saúde da Família (ESF) na
rede de serviços e ampliar a abrangência, a resolutividade, a territorialização e a
regionalização. Para isso, dentro de suas competências, desenvolve várias estratégias para um
maior e melhor cuidado a saúde dos(as) usuários3(as) do serviço (BRASIL, 2008). A partir de
2017, passa a ser denominado de Núcleo Ampliado de Saúde da Família e Atenção Básica
(Nasf-AB), diminuindo a sua função de apoio e aumentando o foco no exercício da clínica
(BRASIL, 2017).
Dentre as diversas áreas de conhecimento que constituem o Nasf-AB, a terapia
ocupacional se inclui como parte da equipe interdisciplinar e atua de maneira integrada para
dar suporte clínico, sanitário e pedagógico aos profissionais que compõem as equipes de ESF.
Para esta atuação, a formação do(a) terapeuta ocupacional é regida pelas suas Diretrizes

1 Apesar de divergências, os termos Atenção Primária à Saúde e Atenção Básica à Saúde são utilizados por
muitos autores como sinônimos e na perspectiva de unidades locais. Assim, a Atenção Primária à Saúde
representava um marco referencial como uma proposta de mudança do modelo assistencial. Após criação do
SUS e seu desenvolvimento, tornou-se cada vez mais frequente o uso do conceito Atenção Básica como
referência aos serviços municipais (GIL, 2006). Neste estudo utilizaremos esse último.
2 Sugestão de leitura: PEREIRA, I.B.; LIMA, J.C.F. Dicionário da educação profissional em saúde. 2ªed. rev.
ampl. Rio de Janeiro: EPSJU, 2008.
3
Utilizaremos o termo “usuário” ao longo de toda a escrita deste trabalho, visto que se trata de uma
denominação mais ampla, que traz uma concepção de saúde enquanto direito humano e social, regulado pelas
relações de cidadania. Além disso nos remete a ideia de um cuidado integral englobando a pessoa em todas as
suas dimensões (SAITO, 2013).

15

Curriculares Nacionais (DCN) que definem os princípios, fundamentos, condições e
procedimentos da formação do(a) terapeuta ocupacional. Desta forma, a formação do(a)
terapeuta ocupacional tem por objetivo dotar o profissional dos conhecimentos requeridos
para o exercício de competências e habilidades específicas, como identificar, entender,
analisar e interpretar as desordens da dimensão ocupacional do ser humano e a utilizar, como
instrumento de intervenção, as diferentes atividades humanas quais sejam as artes, o trabalho,
o lazer, a cultura, as atividades artesanais, o autocuidado, as atividades cotidianas e sociais,
dentre outras (BRASIL, 2002).
E é nesse contexto, como terapeuta ocupacional, que a pesquisadora proponente deste
trabalho está inserida. Profissional efetiva na Secretaria Municipal de Saúde de um município
do estado de Alagoas, com atuação no Nasf-AB desde 08/2013, vem observando de perto a
importância de se formar profissionais mais alinhados aos princípios do SUS. Além disso,
tem atuado na preceptoria de estágio curricular obrigatório de terapia ocupacional em saúde
coletiva da Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas4 da mesma cidade,
colaborando para o alcance de seu objetivo. Este, de acordo com o Plano de Estágio
Supervisionado de Saúde Coletiva em Terapia Ocupacional da referida instituição (ANEXO
A), está voltado para promover conhecimentos em relação à prática dessa profissão de forma
interdisciplinar5 e para o SUS.
No referido estágio, os(as) discentes desenvolvem diversas atividades junto às equipes
do Nasf-AB, quando estas atendem os(as) usuários (as) das equipes matriciadas6. Estes
estágios são reiniciados a cada semestre, sempre com novos componentes de estudantes. A
partir disso, foi observado pela pesquisadora que não havia até então a preocupação de saber
quais os benefícios e contribuições que os usuários identificavam e sentiam a partir da prática
promovida pelos(as) estudantes, surgindo a problemática que originou este estudo.
Então, frente a esta realidade com os(as) referidos(as) estudantes, surgiram
inquietações a respeito desta prática, o que levou à seguinte questão norteadora: quais as
contribuições proporcionadas pelos(as) estagiários(as) do curso de graduação de terapia
ocupacional para usuários de Unidades Básicas de Saúde (UBS) matriciadas pelas equipes de
Nasf-AB do município de acordo com a população assistida?

4 Única universidade que oferece o curso de terapia ocupacional no estado.
5 A interdisciplinaridade se caracteriza pela intensidade das trocas entre os especialistas e pelo grau de
integração real das disciplinas, no interior de um projeto específico (FERRO et al., 2014).
6 Apoio Matricial ou matriciamento é um dispositivo de colaboração que a equipe NASF oferece à equipe de
ESF como forma de desenvolver um trabalho integrado, colaborativo com compartilhamento de saberes e
responsabilidades com o propósito de ampliar a capacidade de cuidado e o escopo da Atenção (BRASIL, 2014).

16

A hipótese é que os(as) estagiários(as) contribuem em vários aspectos no cuidado e
estimulam a corresponsabilidade por parte dos(as) usuários(as) durante a experiência que
vivenciam em conjunto nas ações de saúde. A partir da pesquisa, tornar-se-á possível
identificar se as atividades estão sendo bem compreendidas por parte dos(as) usuários(as) e se
estão atingindo os objetivos propostos.
Além disso, entendendo que a realidade é construída socialmente, essa pesquisa
possibilitará a identificação das ações que têm sido realizadas pelos(as) discentes de terapia
ocupacional junto ao Nasf-AB e os sentidos a eles(as) dados pelos(as) usuários(as) assistidos.
Dessa maneira, considera-se que essa pesquisa poderá trazer benefícios a todas as
pessoas implicadas diretamente ou indiretamente no local onde foi desenvolvida: usuários(as),
estudantes e trabalhadores(as). Também colaborará para melhorias na relação entre ensino,
serviço e comunidade no que se refere à ampliação do conhecimento entre profissionais,
docentes e discentes quanto à atuação da terapia ocupacional no Nasf-AB com aprimoramento
do desenvolvimento do estágio curricular, melhorias na oferta e compartilhamento do cuidado
e promoção de saúde à comunidade. Ainda, que as ações consideradas positivas possam
permanecer e se fortalecer, assim como aquelas avaliadas como negativas possam ser revistas,
alteradas ou excluídas.

1.2 A Atenção Básica à Saúde e os dispositivos para seu fortalecimento

A ABS se caracteriza por um conjunto de ações que abrange a promoção, a proteção e
a manutenção da saúde e a prevenção de agravos. Para isso, realiza o diagnóstico, o
tratamento, a reabilitação e a redução de danos, de forma que se desenvolva uma atenção
integral à saúde das pessoas (BRASIL, 2006).
Para o fortalecimento da ABS, foram criados diversos dispositivos: a Estratégia Saúde
da Família, o Núcleos Ampliados de Saúde da Família e Atenção Básica, os estágios e outras
atividades curriculares nos serviços de saúde e a Integração Ensino-Serviço-comunidade, que
serão tratados a seguir.

1.2.1 A Estratégia Saúde da Família e o Núcleo Ampliado de Saúde da Família e Atenção
Básica

O Programa Saúde da Família foi implantado em 1994, e desde a sua criação foi se
tornando a principal estratégia para a ampliação do acesso de primeiro contato do usuário ao

17

serviço de saúde e de mudança do modelo assistencial, que era voltado para uma assistência
individualizada, baseada na cura e medicação com baixa resolutividade e impacto social
(PINTO; GIOVANELLA, 2018).
Após 12 anos, o PSF passou a ser reconhecido como estruturante, isto é, definido
como “Estratégia de Saúde da Família” através da portaria nº GM 648 com a aprovação da
Política Nacional de Atenção Básica (PNAB), que estabeleceu a revisão das diretrizes e
normas para organização da Atenção Básica (AB). Apesar de inovador, muitas críticas e
desafios surgiram, mas que ao longo do caminho levaram a uma reestruturação com propostas
de ampliação do número de equipes, qualificação na estruturação dos serviços de referência,
na adoção de tecnologias de informação, no suporte em educação permanente e na adoção de
mecanismos de monitoramento e avaliação (PINTO; GIOVANELLA, 2018; BRASIL, 2010).
Com a ESF, iniciaram ações que têm como base o trabalho em equipe para cuidar da
saúde de famílias de forma humanizada, com estabelecimento de vínculos, descentralização
de serviços e ações de saúde, que permitam a participação na construção da saúde e a
democratização do acesso e da informação. Além disso, o trabalho passa a ocorrer de forma
integrada com a comunidade com ações intersetoriais na busca de resolutividade (LACMAN;
BARROS, 2011)
Alves e Aerts (2011) corroboram com Lacman e Barros (2011) quando afirmam que a
ESF tem o objetivo de aumentar o acesso da população aos serviços de saúde, propiciando
longitudinalidade e integralidade na atenção prestada às pessoas e aos grupos populacionais.
Também é responsável por incentivar a participação popular e a criação de parcerias
intersetoriais, com o desafio de superar a fragmentação das políticas públicas e aumentar o
enfrentamento do processo saúde-doença. Traz, assim, novas formas de cuidar, com ênfase
nas práticas de educação e promoção de saúde.
Dentro desse contexto de reorganização da ABS, o Ministério da Saúde criou o Núcleo
de Apoio à Saúde da Família (NASF) mediante a Portaria GM nº 154, de 24 de janeiro de
2008, visando prioritariamente as ações de prevenção e promoção à saúde, tendo como
requisitos o conhecimento técnico e o desenvolvimento de habilidades relacionadas ao
trabalho da ESF, oferecendo Apoio Matricial às equipes de forma interdisciplinar (BRASIL,
2010).
Em 21 de setembro de 2017, foi aprovada e publicada pelo Ministério da Saúde a
portaria nº 2.436, que trata de uma revisão das diretrizes para a organização da AB, a qual deu
origem a uma nova versão da PNAB, em que o NASF passou a ser denominado Núcleo
Ampliado de Saúde da Família e Atenção Básica (Nasf-AB) (BRASIL, 2017).

18

O Nasf-AB tem como objetivo oferecer suporte às equipes das ESF na consolidação
da rede de atenção e na efetivação da integralidade da atenção. Por meio da
interdisciplinaridade, busca uma maior resolutividade nas diversas atividades: atendimentos
compartilhados, discussão de casos, formulação de projetos terapêuticos, dentre outras
intervenções, para ampliar e qualificar as intervenções no território e na saúde das pessoas e
dos grupos populacionais. Para isso, a sua atuação está dividida em nove áreas estratégicas:
Atividades Físicas e Práticas Corporais; Práticas Integrativas e Complementares; Reabilitação
e Atenção à Saúde da Pessoa Idosa; Alimentação e Nutrição; Saúde Mental; Serviço Social;
Saúde da Criança e do Adolescente; Saúde da Mulher e Assistência Farmacêutica (BRASIL,
2010).
Para incentivar o aprimoramento do trabalho dos Nasf-AB já implantados, novas
portarias foram elaboradas: a Portaria nº 2488 de outubro de 2011 e a Portaria nº 3124 de
dezembro de 2012. A primeira aprova a Política de Atenção Básica, reafirmando a
configuração de que sua atuação deve ser constituída pelo trabalho integrado em apoio aos
profissionais das ESF, às ações do Programa Academias da Saúde7 e às equipes de Atenção
Básica voltadas a populações específicas, como consultórios na rua e equipes ribeirinhas e
fluviais. O segundo documento redefine os parâmetros das modalidades dos Nasf-AB 1 e 2, e
cria a modalidade 38 (BRASIL, 2014).
Ferro et al. (2014) afirmam que, para um trabalho colaborativo entre as equipes NasfAB e ESF, ambas devem estimular a garantia da saúde da população e atender suas
particularidades. Assim, devem propor ações estratégicas em conjunto para o fortalecimento
das ações em saúde, além de promover a intersetorialidade. Neste trabalho em parceria, duas
das ferramentas que possuem para o enfrentamento dos problemas que dificultam a garantia
da saúde dos(as) usuários(a) são a educação em saúde e o cuidado desenvolvido em grupos.
O Ministério da Saúde considera que a Educação em Saúde é um conjunto de práticas
que contribui para aumentar a autonomia das pessoas no seu cuidado e no debate com os
profissionais e os gestores a fim de alcançar uma atenção de saúde de acordo com suas
necessidades (BRASIL, 2006). Para Pereira e Lima (2008), torna-se possível pensar educação
em saúde quando há possibilidades de reunir e dispor recursos para intervir e transformar as
7 Sugestão de leitura: BRASIL. Academias da Saúde. Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde.
Editora MS. Janeiro, 2014.
8 O NASF 1 deve possuir de 5 a 9 equipes vinculadas com cobertura profissional de 200 horas semanais; o
NASF 2, de 3 a 4 equipes com as cargas horárias de 120h semanais; e o NASF 3, deve assistir de 1 a 2 equipes c/
cobertura de no mínimo 80 horas semanais (BRASIL, 2014). A definição dos profissionais que compõe cada
NASF é de responsabilidade do gestor municipal, seguindo critérios de prioridade identificados a partir das
necessidades locais e da disponibilidade de profissionais de cada uma das diferentes ocupações (BRASIL, 2010).

19

condições objetivas de saúde através de atuação individual e coletiva de sujeitos políticosociais, com objetivo de alcançar a saúde como um direito socialmente conquistado.
Referente ao trabalho em grupo, Silva, Costa e Fermino (2008) afirmam que este é
importante no atendimento às pessoas, pois viabiliza a troca de experiências no intuito de
promover aprendizagem. Além de trazer a necessidade de respeito à cultura e à história das
pessoas, quesitos importantes no processo de corresponsabilização do cuidado.
É, portanto, importante observar que o desenvolvimento de ações de educação em
saúde em grupo passa a se constituir relevante meio de promover saúde, prevenir agravos
além de estimular relações sociais. Permite, também, que as pessoas aprendam e
compreendam seus papéis enquanto sujeitos ativos no cuidado à saúde de cada um de forma
singular e à saúde da comunidade a qual faz parte, tendo o Nasf-AB como potencializador do
alcance desses objetivos.

1.2.2 O Nasf-AB de um município do estado de Alagoas

Em 2017, o município em questão contava com sete equipes de Nasf-AB tipo I, e cada
equipe composta por diversas categorias profissionais: Educação Física, Fisioterapia, Serviço
Social, Nutrição, Psicologia e Terapia Ocupacional. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde
(2019), atualmente, o município conta com 10 equipes Nasf-AB, três implantadas
recentemente (ano de 2018) ampliando as ações de prevenção e promoção à saúde distribuídas
em sete Distritos Sanitários (DS), observado no Quadro 1.
Quadro 1 – Equipes de Núcleos Ampliados de Saúde da Família e Atenção Básica
NASF

DS

Número de UBS
matriciadas

Equipe 1
Equipe 2
Equipe 3
Equipe 4
Equipe 5
Equipe 6
Equipe 7
Equipe 8
Equipe 9
Equipe 10

VII
VII
VI
VI
II
VIII
III
V
IV
VIII

Três
Quatro
Três
Três
Quatro
Cinco
Cinco
Cinco
Cinco
Três

Fonte: Autora (2019) com base em SMS (2019).

Número de
Equipes de ESF
matriciadas
Oito
Nove
Sete
Sete
Oito
Nove
Dez
Nove
Dez
Oito

20

O DS abrange um conjunto de elementos conceitual e operacionalmente importantes
que formam estratégias de construção e implementação do SUS. Um desses elementos é o
território, que compreende uma área geográfica composta por uma população com
características epidemiológicas e sociais, com necessidades e recursos de saúde para atendêlas (ALMEIDA; CASTRO; LISBOA, 1998). É nesse território que pode se inserir uma ou
mais equipes de Nasf-AB. Podemos observar, como exemplo, a sua inserção em determinados
DS, com enfoque no VII DS (conforme sombreado no quadro 1). É nesse local onde se
inserem as equipes 1 e 2 de Nasf-AB, nas quais os(as) estudantes do curso de graduação em
terapia ocupacional desenvolviam atividades durante estágio curricular obrigatório até o ano
da pesquisa, em 2017.
Essas equipes Nasf-AB, junto às ESF, baseadas nas áreas estratégicas, desenvolvem
ações em grupo. Um grupo, segundo Meneses e Avelino (2016), é constituído quando um
conjunto de pessoas é motivado por necessidades semelhantes e se reúne em torno de uma
tarefa específica. Assim, são formados e denominados a partir da prestação de cuidados
específicos: Grupo de Idosos, de Hipertensos e Diabéticos, de Gestantes, de Saúde Mental e
de Práticas Corporais e Atividade Física. São esses grupos que são acompanhados pelas
equipes de Nasf-AB e que tiveram participação de estagiários de terapia ocupacional que
fizeram parte deste estudo.

1.2.3 Atividades curriculares nos serviços de saúde

Para que a vivência de estudantes de graduação no SUS ocorra, é fundamental o
cumprimento das atribuições e responsabilidades dos gestores de saúde federais, estaduais,
municipais e do Ministério da Educação. De acordo com a Norma Operacional Básica de
Recursos Humanos para o SUS, trata-se da abertura de campos de estágios e prática para a
formação dos trabalhadores do SUS, tendo o trabalho como referência e eixo central do
processo ensino/aprendizagem (BRASIL, 2005).
A Portaria Ministerial nº 1.996 de 20 de agosto de 2007 dispõe sobre as diretrizes para
a implementação da Política Nacional de Educação Permanente em Saúde. Esta portaria visa
estimular, acompanhar e regular a utilização dos serviços de saúde no seu âmbito de gestão
para atividades curriculares e extracurriculares dos cursos técnicos, de graduação e pósgraduação na saúde (BRASIL, 2007). Esta organização dos campos de estágio, por sua vez,
está na Lei Federal 11.788/08, que dispõe sobre o estágio de estudantes, considerando, entre

21

outros aspectos, as responsabilidades das instituições de ensino e a parte concedente do
estágio, neste caso o serviço de saúde.
Quando se promovem estágios curriculares nos serviços de saúde, permite-se que
ocorra um trabalho coletivo, pactuado e integrado de estudantes e professores dos cursos de
formação na área da saúde com trabalhadores(as) que compõem equipes dos serviços de
saúde. Esta integração ensino-serviço busca, dessa maneira, uma melhora na qualidade da
atenção à saúde individual e coletiva, na formação profissional, no desenvolvimento e
satisfação de trabalhadores(as) dos serviços (BRASIL, 2010).
Considerando isso, a Secretaria Estadual de Saúde de Alagoas publicou a Portaria
Normativa nº 01, de 16 de junho de 2011, regulamentando o estágio de estudantes, visando ao
aprendizado de competências próprias da atividade profissional e a contextualização
curricular (SESAU, 2011).
No âmbito da Secretaria Municipal de Saúde, é necessária a formalização de convênio
com a instituição de ensino após esta apresentar o Termo de Solicitação de Campo de Estágio
(ANEXO B) à Coordenação de Desenvolvimento de Recursos Humanos. A concessão do
estágio está condicionada ao planejamento interno e à disponibilidade de campo, conforme
demandas das unidades e serviços vinculados.
Dessa maneira, atendendo às leis e normas relativas ao estágio aqui tratado, estudantes
do curso de terapia ocupacional têm participado das atividades proporcionadas pelas equipes
de Nasf-AB. Assim, na experiência de cuidados com os(as) usuários(as) do SUS, têm
adquirido conhecimentos para a formação acadêmica e profissional na idealização de serem
formados(as) profissionais habilitados(as) para atuarem de forma integrada e efetiva no SUS.
E a esse respeito, Albuquerque et al. (2008) afirmam que o desenvolvimento de estágio
curricular é uma prática cada vez mais frequente, somando forças com os(as)
trabalhadores(as) para o alcance de resolutividade para as problemáticas dos(as) usuários(as),
ampliando as ações de prevenção e promoção à saúde.
No que se refere ao estágio curricular, os(as) estudantes são acompanhados por
seu(sua) respectivo(a) preceptor(a)9, guiado pelo Plano de Estágio Supervisionado de Saúde
Coletiva em Terapia Ocupacional da Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas.
Dentro de suas atribuições, participam do planejamento das ações a serem realizadas, das

9 O preceptor é o profissional de saúde que oferece treinamento prático em ambientes de serviços de saúde e atua
na orientação e supervisão de atividades práticas de estudantes. Possui duplo papel: atua como profissional na
assistência em saúde e, ao mesmo tempo, assume o compromisso de ensinar, orientar, supervisionar e servir
como modelo para o estudante (DIAS et al., 2015).

22

reuniões de matriciamento que o Nasf-AB realiza junto às equipes da ESF e colaboram na
implantação e/ou implementação de grupos na comunidade, além de avaliar as ações e
atividades desenvolvidas.
Desta forma, a vivência de estudantes de graduação de terapia ocupacional na ABS
condiz com um aprendizado diversificado, que não se limita ao conhecimento teórico de
condutas e procedimentos, mas se baseia fundamentalmente no relacionamento com os(as)
usuários(as) inseridos(as) em uma realidade própria, com necessidades e condições especiais
(ALMEIDA et al., 2012).
O Estágio Curricular Obrigatório é uma das atividades promotoras da integração
ensino-serviço-comunidade. Dessa forma, é importante conhecer o cenário de prática onde
essa atividade é desenvolvida articulando essa tríade. O espaço pedagógico, que antes
restringia-se à sala de aula, agora afirma-se no cenário real de trabalho onde ocorre vivências
e onde as responsabilidades são compartilhadas (BALDOÍNO; VERAS, 2016).
Por isso, devem-se considerar os aspectos relacionados às práticas de ensino-serviçocomunidade para entender a vivência da prática clínica fora das instituições formadoras, de
modo que se permita um maior diálogo entre a academia, o serviço e seus usuários e usuárias.
Esse movimento passa a ser fundamental tanto para a formação profissional como para a
diversificação das práticas de saúde no serviço realizado junto à comunidade.

1.2.4 Integração Ensino-Serviço-Comunidade

No desenvolvimento do trabalho colaborativo entre ESF e Nasf-AB, são formados
espaços de produção coletiva que, segundo Albuquerque et al. (2008), podem propiciar o
diálogo entre o trabalho e a educação, de forma que assumem lugar privilegiado para que haja
um aprendizado que o(a) estudante vai desenvolvendo acerca do outro no cotidiano do
cuidado. Assim, profissionais, docentes, discentes e usuários(as) podem definir e estabelecer
seus papéis sociais na confluência de seus saberes no que diz respeito ao modo de ser e de
enxergar o mundo.
Nesta perspectiva, temos o conceito de Integração Ensino-Serviço (IES):
Trabalho coletivo pactuado, articulado e integrado de estudantes e professores dos
cursos de formação na área da saúde com trabalhadores que compõem as equipes
dos serviços de saúde, [...] visando a qualidade de atenção à saúde individual e
coletiva, à qualidade da formação profissional e ao desenvolvimento/satisfação dos
trabalhadores dos serviços (ALBUQUERQUE et al., 2008, p.357).

23

Devemos considerar que essa integração deve acontecer a partir da prática de
conhecimentos que são adquiridos durante todo o processo de formação acadêmica,
profissional e de vida. Essa prática precisa se articular aos saberes e renovar as capacidades de
enfrentar as situações cada vez mais complexas nos processos de trabalho, diante da
diversidade das profissões, dos(as) usuários(as), das tecnologias, das relações, da organização
de serviços e dos espaços (FEUERWERKER, 2000).
Profissionais formados dessa maneira, que conhecem o sistema de saúde brasileiro e
as políticas de saúde, frequentemente adquirem uma postura de compromisso com o SUS.
Percebe-se, então, o quão importante se torna a integração ensino-serviço-comunidade para
um efetivo engajamento nas propostas de transformação das práticas profissionais e da
própria organização do trabalho (SERIANO; MUNIZ; CARVALHO, 2013).
Pizzinato et al. (2012) afirmam que os projetos voltados à integração ensino-serviçocomunidade têm sido estratégicos para a reorientação da formação dos(as) profissionais no
âmbito da graduação, a fim de atender às necessidades do SUS. Além disso, a inserção
dos(as) acadêmicos(as) nos serviços tem demonstrado ser uma excelente oportunidade para
conhecer o funcionamento integral da ESF, a realidade do sistema público de saúde e seus
princípios, bem como os serviços prestados e as necessidades dos(as) usuários(as),
possibilitando maior integração da teoria com a prática, a interdisciplinaridade e o
compartilhar de saberes e práticas.
Dessa forma, vê-se a importância da integração ensino-serviço-comunidade para que,
a partir do estabelecimento de vínculos, interação e integração entre os atores, haja trocas de
saberes e posturas entre os envolvidos. A respeito disso, Albuquerque et al. (2008) referem
que a inserção dos discentes nos serviços de saúde, além de promover a relação de troca entre
discentes, docentes, profissionais do serviço e usuários, pode induzir a novas formas de
organização de trabalho em saúde, de forma que haja uma melhora na qualificação para o
atendimento. Portanto, a presença dos estudantes nos espaços do serviço de saúde pode
provocar novas proposições e reflexões a respeito do fazer, que podem levar a uma mudança
no perfil dos profissionais a um maior comprometimento com a qualidade dos serviços e que
melhor atenda às necessidades da população.
Para que esta relação aconteça, deve-se pensar também a respeito no que se refere ao
processo de formação profissional, de forma que durante esse processo seja necessário que
haja um modelo de atenção à saúde centrado no(a) usuário(a). Haveria, dessa maneira, a
substituição de ações que visam procedimentos especializados e medicalizados por ações
relacionais (atitudes acolhedoras e no vínculo com o(a) usuário(a)), buscando o cuidado à

24

saúde e a busca da cura, resultado de um trabalho em saúde que se pauta na defesa da vida
individual e coletiva.
A esse respeito, Merhy (2005) explana que a superação do modelo médico
hegemônico neoliberal permite que as organizações de saúde se voltem para uma lógica que
permita a construção no cotidiano, com estabelecimentos de vínculos entre trabalhadores e
usuários na formatação das intervenções tecnológicas em saúde de acordo com as
necessidades individuais e coletivas. Para o autor, estas tecnologias centradas nas relações são
denominadas de tecnologias leves, o que nos leva à reflexão a respeito da produção de
cuidado à saúde que se dá a partir do processo nas relações de produção de vínculo e
acolhimento que ocorre no Nasf-AB, visto que sua inserção tem possibilitado a interface
destas tecnologias.
Destarte, para caracterizar uma boa relação nestes espaços coletivos e no processo de
ensino-aprendizagem, a atuação do(a) acadêmico(a) deve funcionar também como elemento
instigador no processo de aprender e também da reflexão sobre a produção dos cuidados
quando provoca a prática do fazer. Assim, o(a) estudante vivencia o que é produzido em
espaços como o Nasf-AB, onde se desenvolve a consciência acerca dos(as) usuários(as) em
relação aos seus problemas de saúde e a responsabilidade que lhe cabe enquanto parceiro
ativo em busca da melhoria de sua saúde (CISNERO; GONÇALVES, 2011).
Feuerwerker (2000), por sua vez, afirma que, para diminuir as lacunas que possam
existir na formação dos profissionais, é preciso identificar estratégias e modelos de
capacitação, aderi-los aos contextos de trabalho como também haja espaço de ação dos
participantes. Nevez e Azzi (2013) corroboram com essa ideia quando expõem que é preciso
que não haja distância entre as reais necessidades do SUS com a orientação da formação dos
profissionais da saúde, tendo esta última que qualificar-se para o planejamento em saúde e
para a gestão do trabalho, sendo dirigida para atuar segundo a lógica da saúde coletiva.
Compreendendo o papel que o(a) estudante passa a exercer, tornando-se parte
integrante da equipe e, por isso, formador(a) de vínculos com o serviço e com o usuário,
percebe-se que o(a) discente assume não só a posição de aquisição de conhecimentos, mas
também de facilitador(a) e coprodutor(a) de saúde frente às necessidades dos(as) usuários(as).
Desta forma, estando inserido no contexto do cuidado com o(a) usuário(a), considera-se que o
trabalho realizado pelos(as) discentes precisa ser melhor conhecido, analisado e avaliado,
inclusive pelos(as) próprios(as) usuários(as). É com base nessa asserção que este estudo visa
contribuir.

25

1.2.5 As Diretrizes Curriculares Nacionais e o Projeto Pedagógico do curso de graduação
em terapia ocupacional

Para compreender a prática discente de terapia ocupacional no contexto da ABS, fazse necessária uma abordagem quanto ao seu processo de formação profissional, em
consonância com as DCN do curso em questão. Estas definem os princípios, fundamentos,
condições e procedimentos da formação de terapeutas ocupacionais, que o curso de graduação
tenha como perfil do formando egresso/profissional o terapeuta ocupacional com formação
generalista, humanista, crítica e reflexiva, pautado em princípios éticos no campo clínico,
terapêutico e preventivo de suas práticas. Além disso, relativo à atenção à saúde, que o
profissional terapeuta ocupacional esteja apto(a) a desenvolver ações de prevenção,
promoção, proteção e reabilitação da saúde, em nível individual e coletivo (BRASIL, 2002).
O Projeto Pedagógico do Curso de Graduação em Terapia Ocupacional (PPC) da
Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas foi construído em consonância com
as Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso (DCN) e com as diretrizes institucionais, de
modo a atender, por meio de princípios metodológicos e filosóficos, às necessidades
primordiais para a formação do egresso com perfil profissional desejado. Este PPC visa
indicar características, objetivos e referências epistemológicas do curso que leve a formação
de terapeutas ocupacionais capacitados para o exercício de competências gerais de assistência,
tomada de decisões, liderança, gestão, empreendedorismo e educação permanente
relacionados à prática nos diferentes campos das políticas pública. O curso visa fornecer
conhecimentos à capacidade de compreender, analisar e sistematizar teorias do campo social,
preventivo, clínico-terapêutico, de aperfeiçoamento e de prática para atuar com indivíduos,
grupos e comunidade (UNCISAL, 2016).
Tendo como referência as diretrizes e dimensões encontradas no PPC, é importante
inserir as experiências práticas no processo de formação profissional onde Caetano, Diniz e
Soares (2009) referem como espaços onde haja construção de discussões para uma formação
articulada entre relações profissionais. Estas relações podem ser geradas por atitudes
interdisciplinares e democráticas, permitindo que a experiência prática ao lidar com as
necessidades de saúde da população, possa utilizar de intervenções compartilhadas.
Para Andrade et al. (2012), a importância deste compartilhamento das experiências
práticas se dá pelo fato de que ainda há insistência na formação de profissionais de saúde
voltada para a lógica fragmentada com direcionamento diferente daquele que a política de
saúde demanda, dificultando a atuação dos profissionais nesse sistema.

26

Para incentivar esta mudança, atualizações e otimização das propostas curriculares são
fundamentais para que as necessidades primordiais à formação do perfil profissional desejado
sejam alcançadas. A adequação dos currículos de cursos de terapia ocupacional às diretrizes
exige discussão sobre os diferentes tipos de conhecimento envolvidos no processo de
formação profissional (BALLARIN, 2015).
Neste sentido, o PPC de graduação em terapia ocupacional referido vem orientar que
as atividades práticas sejam desenvolvidas desde o início do curso integrando os conteúdos
teóricos e práticos, partindo da observação e culminando na prática supervisionada no último
ano da graduação (UNCISAL, 2016). Dessa forma, os estudantes têm a oportunidade de terem
experiência prática em diversos âmbitos da área da saúde, lidando com diferentes problemas e
situações com a população trabalhada.

1.2.6 A formação do(a) terapeuta ocupacional e seu papel no Nasf-AB

Em concordância com Rocha, Paiva e Oliveira (2012), estamos cientes de que as
estratégias e ações da terapia ocupacional para a atuação na ABS permitem um maior e
constante diálogo com os conhecimentos acumulados no campo da saúde coletiva, assim
como a inserção de tecnologias próprias para a incorporação dos pressupostos defendidos na
ABS.
Há, portanto, diferentes formas de aprofundamento na formação de profissionais para
atuarem efetivamente no Nasf-AB, por exemplo, por meio do ensino, pesquisa e extensão, de
forma que aproximem estudantes com a rede de ABS. Além disso, faz-se necessário qualificar
profissionais e fortalecer instituições para reorganização do processo de trabalho,
possibilitando uma abordagem integral, integrada e resolutiva (LIMA; FALCÃO, 2014;
BRASIL, 2010).
Para Andrade et al. (2012), é de fundamental importância que o desempenho destas
novas ações se consolidem ainda no processo de formação profissional e que as instituições
formadoras de recursos humanos adotem currículos que acompanhem as exigências da
atenção integral. Isto é importante considerar, pois é com o uso das novas práticas que pode
ser possível atender às demandas do contexto de atenção à saúde, onde o cuidado ao paciente
é traçado com base na utilização das tecnologias leves, no acolhimento, na produção de
vínculos entre profissionais e as necessidades de saúde de seus(suas) usuários(as).
A este respeito, Merhy e Feuerwerker (2009) enfatizam que as práticas no trabalho em
saúde oportunizam a constituição de espaços coletivos onde os diferentes atores podem

27

conhecer e reconhecer o valor de cada um na produção de ações de saúde. Além disso, em um
espaço com muitos atores envolvidos, há diferentes pontos de vista que suscitam debates,
inquietações, desconfortos, exteriorização de sentimentos e afetos. Ainda, por ter a
característica de abrir possibilidades para estratégias que possibilitem a construção de novos
valores, compreensões e relações, o trabalho em saúde visa modificar sobre o que age e firma
um compromisso com as necessidades sociais.
Por isso, a formação profissional deve levar em consideração não apenas as teorias,
denominadas por Merhy (2005) de tecnologias leve-duras (que são as dos saberes estruturados
adquiridos na formação acadêmica em sala da aula). Mas também necessita ter como base o
que acontece no encontro entre discente, trabalhador e usuário, a respeito na produção de
cuidado e o que é construído nessa relação, no que se refere a constituição de vínculos e
mobilização de afetos: as chamadas tecnologias leves.
Por isso é fundamental conhecer mais profundamente as diferentes experiências de
formação profissional inseridas na ABS e engajar-se no seu fortalecimento. Essas
experiências e indagações trazidas pela articulação entre os cursos de terapia ocupacional,
serviços e comunidades, tem contribuído e podem trazer potencialidades para a formação de
profissionais comprometidos com a construção de alternativas de cuidado no serviço e para o
aperfeiçoamento do SUS (OLIVER et al., 2012).
Com base nisso, é importante especificar o desenvolvimento do trabalho de terapia
ocupacional com os grupos populacionais existentes no território em que o Nasf-AB oferece
apoio. Assim como, posteriormente, compreender como é realizada a participação dos(as)
estudantes neste processo de construção coletiva, como se dá a oferta de cuidados e o
processo de ensino-aprendizagem no que se refere ao desenvolvimento desta prática. Pois,
segundo Maximino e Liberman (2015), o processo de ensino-aprendizagem sobre trabalhos
em grupo é o início de uma formação mais complexa e ampla que deve prosseguir durante a
vida profissional.
Para compreender o desenvolvimento da terapia ocupacional nos espaços da AB, é
necessário um breve recorte histórico relativo ao uso da terapia ocupacional enquanto
profissão.
O uso da terapia ocupacional ocorria desde o início do século XX nos Estados Unidos
por volta da Primeira Guerra Mundial. Contudo, o estabelecimento da profissão no Brasil só
ocorreu em 1957 com a instalação de um curso de formação de terapeutas ocupacionais na
Universidade de São Paulo. Em 1964, o curso foi regulamentado e, em 1969, reconhecido

28

como de nível superior (MEDEIROS, 2009). O Exercício da profissão é regulamentado pelo
decreto-lei de nº 938 de 13 de outubro de 1969 (SPINK, 2003).
Com o surgimento da ESF e a criação dos Nasf-AB, a terapia ocupacional foi inserida
como uma das profissões que compõe a equipe multidisciplinar (sic) com a proposta de novas
formas de atuação em diferentes grupos populacionais, espaços comunitários e domiciliares,
ampliando possibilidades de intervenção com o compartilhamento de ações essenciais que
contemplem o coletivo, construindo redes de atenção e cuidados a fim de alcançar a
integralidade (ROCHA; PAIVA; OLIVEIRA, 2012; LIMA; FALCÃO, 2014).
De acordo com Andrade et al. (2012), a intervenção do Nasf-AB deve priorizar o
apoio matricial às equipes da ESF, assim como também as intervenções coletivas de
promoção, prevenção e acompanhamento de grupos sociais em vulnerabilidade. Dessa forma,
a terapia ocupacional insere-se no trabalho em equipe, oferecendo retaguarda assistencial e
suporte técnico-pedagógico, ajudando a identificar as demandas existentes nos territórios, no
planejamento de estratégias e ações com um trabalho integrado e compartilhado.
A atuação da terapia ocupacional nos serviços de saúde procura respaldar suas técnicas
e métodos em fundamentos ora mais individual, ora mais preventivas com ações extensivas a
grupos populacionais. No entanto, o que a difere das demais profissões da saúde é o fato de
ter como seu objeto de trabalho as atividades humanas (MEDEIROS, 2009).
Quanto à inserção do terapeuta ocupacional no Nasf-AB, Cabral e Bregalda (2017)
identificaram em estudos que a ausência de clareza nas atribuições desse profissional neste
campo de atuação, gerava pouca preocupação em aprofundar a sua atuação na AB, o que
explica poucos achados em literatura sobre o assunto até o presente momento. Em
contrapartida, esta escrita vem contribuir para mudar este cenário e explicitar a importante
atuação da terapia ocupacional no Nasf-AB.
Lacman e Barros (2011) também referiam a inexistência de documentos norteadores
que apresentassem discriminadamente os processos de trabalho do Nasf-AB, e por isso, era de
se esperar que uma prescrição de trabalho de forma vaga tenha deixado os profissionais em
conflito sobre o trabalho a ser realizado. No entanto, mesmo considerando que a proposta do
Nasf-AB traga uma necessidade de um profissional generalista, a terapia ocupacional, assim
como outras categorias profissionais inseridas neste programa, tem o desafio de discriminar a
especificidade de seu trabalho, e ainda, lidar com dificuldades que possam existir na
disponibilização de parceiros e recursos.
Diante deste contexto e para preencher essas lacunas relativas às atribuições do
terapeuta ocupacional, voltaremos o olhar sobre a importância desta escrita destacar os

29

aspectos relacionados à inserção da terapia ocupacional no Nasf-AB. Descrever suas formas
de atuação neste campo, o desenvolvimento de atividades com grupos, assim como observar
que a inclusão das práticas comunitárias vivenciadas pelos(as) estudantes durante a formação
tem tornado uma estratégia importante para dar visibilidade à atuação da terapia ocupacional
no Nasf-AB.
Além disso, aproximar tais práticas por meio dos grupos, atividades de educação em
saúde e de oficinas terapêuticas à comunidade, pode ter um efeito potencializador para a
participação social e a melhoria da qualidade de vida dos(as) usuários(as).
Portanto, muitas são as possibilidades de atuação com trabalhos em grupos
estimulando a independência e autonomia. Quanto ao desempenho ocupacional, trabalha nas
Atividades de Vida Diária (AVD) e Atividades Instrumentais de Vida Diária (AIVD),
intervindo no trabalho, lazer e acessibilidade. Ainda, colaboram na interação social com
atividades que promovam a sociabilidade, a participação, a inclusão social da pessoa, da
família, dos grupos e da comunidade. Além disso, promove oficinas terapêuticas, culturais,
expressivas, corporais, lúdicas e de convivência (ROCHA; PAIVA; OLIVEIRA, 2012).
As atividades realizadas pela terapia ocupacional no Nasf-AB são inseridas em uma
perspectiva semelhante à que Lima (1997) tem buscado frente ao adoecimento, quando cria
um conjunto diversificado e rico de práticas onde as atividades possam desempenhar um
papel fundamental como ferramenta de trabalho clínico. A autora nos oferece exemplo no
campo da saúde mental, mas que podemos considerá-lo também no social, quando afirma que
as atividades podem ocupar um lugar diferenciado na construção de uma nova maneira de
cuidar. De forma que o conjunto dessas atividades busque oferecer uma estrutura na qual o
usuário possa participar ativamente de seu processo terapêutico.
As atividades que estão sendo referidas encontram-se vinculadas a técnicas
terapêuticas, que, de acordo com Benetton (1994), são construídas pelo terapeuta ocupacional
para que permitam a observação e o reconhecimento da subjetivação da ação. Sendo a
atividade considerada a principal ferramenta de trabalho do terapeuta ocupacional, deve
envolver a comunicação, a elaboração, a associação e outros aspectos relacionados ao fazer
terapêutico.
Benetton (1994) ainda enfatiza que não é fácil encontrar definições para atividades,
que qualquer coisa poderia ser uma atividade, mas deve-se partir do princípio que a atividade
é o terceiro termo de uma relação entre o terapeuta e o paciente/usuário (compondo a tríade
terapêutica), o qual apresenta um motivo, uma necessidade ou uma vontade de participar de
um grupo ou de uma atividade de terapia ocupacional.

30

A utilização e conceituação de atividades na obra de Benetton passou por algumas
transformações, e a partir do ano de 2000 ganhou uma sustentação teórica própria, nomeada
Terapia Ocupacional Dinâmica e, posteriormente, Método Terapia Ocupacional Dinâmica
(MTOD) (MARCOLINO; FANTINATTI, 2014).
Os aspectos gerais da MTOD levam a atividade a ter um caráter terapêutico, educativo
e social. O caráter social implica na criação de espaços saudáveis para a construção da vida
cotidiana. Os aspectos terapêuticos e educacionais se encontram conjugados como função
terapêutica e ação educativa, que através do aprender, ensinar e de realizar atividades, há
ampliação desses espaços saudáveis (BENETTON, MARCOLINO, 2013).
Para Marcolino e Fantinatti (2014), os elementos que se incorporam à tríade levam a
possuir uma relação dinâmica de ação e reação entre esses elementos e os aspectos
constituintes. Com isso, as atividades passam a ser compreendidas em sua função,
possibilitando flexibilidade e multiplicidade de maneiras que possam ser manejadas. A partir
da singularidade de cada caso, possa-se nomear aquisições, habilidades, construções e
autoconhecimento, enriquecendo com isso a vida cotidiana do usuário.
Fazendo parte desta relação entre os elementos da tríade terapêutica, é o setting. Para
Montrezor (2013), setting terapêutico é o local de execução das atividades de grupos
terapêuticos e é característico da terapia ocupacional.
Essa clareza nos diferentes termos conceituais é importante, porque as formas de atuar
com as atividades sem uma explicitação de sua compreensão podem dificultar uma
discriminação entre diferentes perspectivas teóricas. E isso, por sua vez, pode fazer com que
profissionais tenham problemas em categorizar as atividades, levando ao enfraquecimento
teórico-científico (LIMA, OKUMA, PASTORE, 2011).
Vale ressaltar que a atividade em si é destituída de qualificação, quantificações e
significados. Estes elementos são acrescidos à atividade durante a sua realização por meio da
pessoa que está realizando a atividade (BENETTON, 1994). Ou seja, só a partir da execução
da mesma, os aspectos subjetivos como os que estão presentes nas relações interpessoais,
sentimentos e emoções, é que a atividade pode ser caracterizada, qualificada e ressignificada.
[...] essa dinâmica, em terapia ocupacional, é conhecida por estar embutida na
técnica e se caracteriza pela qualidade de permitir aglutinar, superpor, queimar,
trocar e criar etapas sem alterar o produto. É ela que também nos oferece a
delimitação do movimento, ritmo, balanço corporal, assim como alguns caracteres
dos investimentos físicos, psicológicos e sociais requeridos para a realização de uma
dada atividade. Ela é, então, tudo de subjetivo que uma técnica pode conter
(BENETTON, 1994, p.30).

31

Para que seja possível compreender e teorizar o uso das atividades na prática da
terapia ocupacional, serão considerados os elementos presentes nas fases da obra de Jô
Benetton relativas ao uso da atividade, reunidas a partir de Benetton (1994) e Benetton e
Marcolino (2013). Após um estudo sobre estas fases, considerando os elementos constituintes

durante o fazer terapêutico, foi possível construir o Quadro 2 abaixo com destaque aos
aspectos que podem constituir as atividades. Desta forma, será possível a sua utilização para
compreender e caracterizar as atividades descritas pelos usuários que participaram dos grupos
assistidos pelo Nasf-AB e acompanhados pelos estudantes de terapia ocupacional.
Quadro 2 – Elementos constituintes das atividades em terapia ocupacional

Terapeuta Ocupacional

TRÍADE TERAPÊUTICA

Paciente (usuário)
Grupo de pessoas

Atividades

ELEMENTOS
PARTICIPANTES

Observar
Escutar
Reter informações
Propiciar o setting terapêutico
Estimular o fazer
Desejos e Necessidades
Aspectos terapêuticos
Aspectos sociais
Aspectos educacionais
Aspectos físicos
Aspectos emocionais
Aspectos psicológicos
Aspectos psicodinâmicos

Setting e Recursos Terapêuticos

Fonte: Autora (2019), a partir de Benetton (1994) e Benetton e Marcolino (2013).

O quadro construído permite dar uma visão geral sobre os elementos e aspectos
constituintes das atividades, que dão movimento à tríade terapêutica. Esse dinamismo leva a
uma cadeia de significados e não um significado para cada atividade (BENETTON, 1994;
BENETTON, MARCOLINO, 2013), o que o diferencia da análise de atividade que tem préestabelecidos sentidos ou significados.
Nessa escrita, portanto, serão considerados esses aspectos relativos às atividades e à
subjetividade trazida pelos(as) usuários(as) em suas falas.

32

1.3

O Nasf-AB como campo para análise das Práticas Discursivas e Produção de

Sentidos

Esta pesquisa foi realizada tendo como base teórica as Práticas Discursivas e Produção
de Sentidos (SPINK, 2013; SPINK, 2014), abordagem alinhada ao Construcionismo Social,
contando também com as contribuições de autores(as) da Saúde Coletiva e da Saúde Mental.
É com esse arcabouço teórico que será possível identificar e compreender as contribuições
proporcionadas pelos(as) discentes de terapia ocupacional, por meio dos sentidos produzidos
nas práticas discursivas dos(as) usuários(as) assistidos pelo Nasf-AB.
Spink e Medrado (2013) descrevem o sentido como sendo produzido de maneira
interativa, fruto das práticas discursivas utilizadas pelas pessoas para compreender e lidar com
os fenômenos das quais participam. Assim, baseados em Bakhtin (1994), os autores destacam
a importância do processo de interanimação dialógica que acontece numa conversação,
quando os enunciados de uma pessoa estão em contato com uma ou mais pessoas, trazendo as
vozes de pessoas presentes ou presentificadas para sustentar seu argumento. Isto pode ser
observado, por exemplo, nos grupos onde há a participação da terapia ocupacional do NasfAB, quando a fala de um(a) integrante traz um determinado sentido sobre a realização ou não
de determinada atividade, orientada pelo(a) profissional. A partir daí, os(as) participantes vão
trazer opiniões semelhantes ou divergentes, mantendo uma interação entre eles(as). As
práticas discursivas vão produzindo determinadas versões a respeito desse fenômeno, assim
como vão posicionando os(as) participantes em relação ao tema e estes vão se
autoposicionando. O processo descrito, por sua vez, pode produzir maneiras diferenciadas,
por parte dos(as) usuários(as) e profissionais, de se entender e de lidar com as atividades.
Na perspectiva bakhtiniana, por definição, a linguagem é uma prática social onde
acontece movimento de argumentação, considerando o contexto social e interacional entre os
interlocutores (SPINK; MEDRADO, 2013). É principalmente por meio da linguagem verbal
que ocorre a interação entre estudantes, profissionais e usuários(as) do serviço, provocando
colaborações (e também problemas) no cuidado e na educação em saúde. É por meio dessa
linguagem que defendem o posicionamento que cada um(a) ocupa em relação aos cuidados
com sua saúde, os seus direitos como usuários(as) do sistema e à determinada situação que
os(as) podem colocar como sujeitos ativos e, a partir de seus argumentos, confrontar e
interagir com os(as) outros(as).
Utilizando Potter e Wetherell (1987), Spink e Medrado (2013) especificam os
repertórios linguísticos como sendo um conjunto de termos, descrições, lugares-comuns e

33

figuras de linguagem que demarcam o conjunto de possibilidades de construções discursivas,
trazendo todo o contexto e estilos gramaticais específicos onde as práticas discursivas estão
inseridas.
Nos trabalhos desenvolvidos no Nasf-AB, cada grupo traz consigo características e
experiências construídas ao longo do convívio, assim como influências dos contextos onde
estes estão inseridos. Os repertórios são dispositivos usados para interpretar e construir
versões das ações, eventos e outros fenômenos que estão em volta e presentes nos grupos de
usuários(as), que são trabalhados pela equipe e pelos(as) estudantes.
Com base na perspectiva teórico-metodológica adotada, reconhecemos que a realidade
não está dada, pronta, mas em constante movimento de construção, desconstrução e
reconstrução, onde as práticas discursivas e a produção de sentidos têm papel de destaque.
Por outro lado, arguimos que também devem ser considerados os espaços onde estão
sendo realizados os encontros para a prática, o cenário em que são desenvolvidas as
atividades. Consideramos que, além de ser um simples espaço físico, ele é promotor de
diálogos, bem-estar, envolvimento, inserção e interação, o que chamamos de setting
terapêutico.
Para Benetton (2010), setting sustenta a relação tríade (atividade-terapeuta-paciente),
sendo promotor de atividades que permitem aprendê-las, apreender o significado que podem
ter, acrescentando contingente de habilidades e de autoconhecimento, além de encontrar-se
aberto para que o paciente possa nele entrar e sair. Ballarin (2007) refere o terapeuta como
constituinte do espaço terapêutico.
Nesta perspectiva, o cenário onde são desenvolvidas as atividades realizadas pelo
Nasf-AB pode constituir-se como setting terapêutico e em um importante espaço para a
produção de sentidos e saberes a respeito do trabalho em saúde, a partir do diálogo e da
interação entre as pessoas que dele participam.
Este cenário é constituído, geralmente, nos espaços disponíveis nas UBS de referência,
como as salas de reuniões ou espaço aberto onde tenha ambiência adequada para o
desenvolvimento das atividades. Estas também são desenvolvidas em espaços denominados
de equipamentos urbanos disponíveis no território que abrange a UBS de referência, como as
associações de bairro, parceiros neste cuidado à saúde.
Os recursos utilizados pela terapia ocupacional são confeccionados a partir de
materiais disponíveis juntamente com os de consumo advindos de papelaria (cartolina, isopor,
papel A4, cola, fita adesiva, canetas tipo hidrocor, entre outros), assim como os de
permanentes de baixo custo como tesoura, estilete, pistola de cola, quente, grampeador e

34

também itens utilizados em atividades de práticas corporais como bolas, cordas, bambolês etc.
Estes materiais e recursos são confeccionados e utilizados a depender dos objetivos propostos
para cada grupo.

1.4 Objetivos

1.4.1

Geral

Identificar as contribuições da prática discente de terapia ocupacional na atenção
prestada junto às equipes de Núcleo Ampliado de Saúde da Família e Atenção Básica de um
município do estado de Alagoas, a partir dos discursos dos(as) usuários(as).

1.4.2. Específicos

a) Descrever as atividades desenvolvidas pelos estagiários do curso de terapia
ocupacional junto às equipes de Núcleo Ampliado de Saúde da Família e Atenção Básica;
b) Identificar os sentidos atribuídos pelos usuários às atividades desenvolvidas
pelos(as) estagiários(as)de terapia ocupacional junto às equipes de Núcleo Ampliado de Saúde
da Família e Atenção Básica.
c) Discorrer sobre os efeitos das atividades desenvolvidas pelos(as) estagiários(as) de
Terapia Ocupacional junto às equipes de Núcleo Ampliado de Saúde da Família e Atenção
Básica identificados pelos usuários.

1.5 Percurso metodológico

Para a pesquisa, utilizou-se abordagem qualitativa de caráter exploratório, sustentada
pelos pilares teórico-metodológicos de análise das práticas discursivas e do Construcionismo
Social (SPINK, 2010; SPINK; FREZZA, 2013; SPINK; MEDRADO, 2013).

1.5.1 Participantes

Os sujeitos da pesquisa foram os(as) usuários(as) que participaram de atividades
desenvolvidas no Nasf-AB com a participação dos(as) estagiários(as) do curso de terapia
ocupacional da Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas, inseridos nas equipes

35

1 e 2 de Nasf-AB de um município do estado de Alagoas (vide quadro total de unidades que
contam com estagiários de terapia ocupacional no Quadro 1).
Estes usuários são participantes de grupos fixos desenvolvidos pela AB e que contam
com o apoio das equipes Nasf-AB.
Como critérios de inclusão, foram considerados os(as) usuários(as) adultos(as)
acompanhados pelos(as) estudantes em grupos desenvolvidos pelas referidas equipes e que
tiverem mantido assiduidade nos mesmos durante o período de, no mínimo, um ano (ano
letivo entre 2016 e 2017). Não foram considerados os aspectos relacionados ao sexo, idade,
raça/etnia, gênero, orientação sexual ou condição socioeconômica, uma vez que esses
aspectos não são objetos da pesquisa e por considerarmos que eles não influiriam no material
produzido (o que foi confirmado, após as análises feitas na pesquisa).
Atendendo aos critérios de exclusão, não participaram os(as) usuários(as) que não
aceitaram participar da pesquisa, assinar o TCLE ou onde o estágio contasse com menos de
um ano de ocorrência. Assim, não foram incluídos(as) os(as) usuários(as) da Equipe 5 do
NASF, uma vez que não atendia aos critérios de tempo de existência do estágio.
Para a seleção dos(as) participantes, foram inicialmente consultados os livros de
registros das equipes Nasf-AB, que contêm as frequências das pessoas que participam dos
grupos e suas respectivas unidades de saúde. Assim, identificamos dez usuários(as) da UBS
A, matriciada pela equipe 1; cinco da UBS B e nove da UBS C, matriciadas pela equipe 2. Ao
final, pudemos contar com 24 participantes da pesquisa, como pode ser visto no Quadro 3.
Identificadas e selecionadas as pessoas que fizeram parte do estudo, foram feitos os
convites para participar da pesquisa com dia, hora e local pré-definidos, tendo isso sido
reforçado por meio dos(as) profissionais de sua respectiva equipe Nasf-AB, que os lembraram
e buscaram confirmar a sua participação.
Aos(às) participantes, foram explicados os aspectos relacionados à pesquisa e feita
uma apresentação prévia do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE).
Quadro 3 – Participantes da pesquisa
Nº
GRUPO QUE
PARTICIPANTES
PARTICIPAM
10
Práticas Corporais e
Atividade Física /
Grupo de Idosos /
Saúde Mental

UBS
VINCULADOS
A

(continua)
NASF
Equipe 1

36

05

09
TOTAL 24

B

C

Equipe 2

Práticas Corporais e
Atividade Física /
Grupo de Idosos
Grupo de Idosos

(continuação)
Equipe 2

Fonte: Autora (2019).

Como pode ser visto, os(as) 24 usuários(as) eram participantes de três grupos de
atividades realizados por sua respectiva equipe Nasf-AB: Práticas Corporais e Atividade
Física, Grupo de Idosos e de Saúde Mental. Sendo o grupo focal C formado de participantes
apenas do grupo de idosos. Como não foi objeto de nosso estudo a diferença entre possíveis
atividades, consideramos que tal fato não trouxe problemas à pesquisa.
De acordo com o quadro geral dos participantes (APÊNDICE A), o grupo focal A
tinha em sua composição uma pessoa do sexo masculino e demais do sexo feminino, com
idades de 48 a 87 anos; o grupo focal B foi formado apenas por pessoas do sexo feminino, de
41 a 65 anos; e o grupo focal C foi composto por uma pessoa do sexo masculino e as demais
do sexo feminino, com idades de 67 a 88 anos.

1.5.2 Local

A pesquisa foi realizada em espaços acessíveis aos(às) usuários(as) participantes e
com boas condições físicas, onde a ambiência tenha sido considerada adequada. Assim, o
grupo focal 1 ocorreu em sala fechada da Associação dos Moradores do bairro onde
convivem. Os grupos focais 2 e 3 ocorreram em espaços abertos adaptados para os grupos em
suas respectivas UBS.
A escolha dos locais onde foram realizadas as entrevistas considerou os aspectos que
pudessem contribuir positivamente para a discursividade e a produção de sentidos, assim
como as condições relacionadas às possibilidades dos participantes, aos espaços e aos
recursos disponíveis no território (ARAGAKI et al., 2014).

1.5.3 Procedimentos de produção das informações

Na perspectiva teórico-metodológica adotada, em uma pesquisa, não é possível a
separação entre sujeito e objeto, entre a produção/ação do(a) pesquisador(a) e do(a)

37

pesquisado(a). Da mesma maneira, não existem dados prontos a serem colhidos para a
pesquisa. As informações são coproduzidas durante as práticas discursivas e delas fazem parte
os sentidos atribuídos pelos participantes (SPINK, 2010; SPINK et al., 2014).
Assim, respeitando o acima posto, para o alcance dos objetivos, foram realizados
grupos focais compostos por usuários(as) assistidos pelos(as) estagiários(as) de terapia
ocupacional durante as atividades de grupo das equipes de Nasf-AB de um município do
estado de Alagoas.
Para facilitar a identificação dos grupos focais, foram utilizadas as letras
correspondentes à sua UBS vinculada: A, B e C.
O Grupo focal A contou com a participação de dez usuários(as), o grupo B com cinco
e o C com nove participantes, totalizando vinte e quatro pessoas (Quadro 3).
De acordo com Brigagão et al. (2014), ao trabalharmos com grupos, estes devem ter
entre seis e doze pessoas. Um número muito pequeno pode dificultar a produção discursiva e
um grupo maior é difícil de coordenar e de garantir que todos participem em condição de
igualdade (BRIGAGÃO et al., 2014).
No entanto, é possível a realização de um grupo focal com sucesso contendo de três a
14 participantes (excluindo os pesquisadores), conforme afirmam Stewart e Shamdasani (apud
GILL et al., 2008). E isso foi constatado por nós, na realização do grupo B.
Grupo focal é uma técnica de pesquisa qualitativa onde é realizada entrevista com
grupos baseada na comunicação e na interação. Estes grupos possibilitam uma conversação
entre os(as) participantes e facilitam a expressão de ideias e afetos, assumindo posições,
compartilhando experiências e (co)produzindo sentidos, de modo que possa manifestar as
diferentes visões e posições presentes dos diálogos de cada um(a) (BRIGAGÃO et al., 2014).
Os grupos focais foram conduzidos e coordenados pela pesquisadora proponente desse
trabalho, com o auxílio de um outro profissional treinado para prestar auxílio. Este auxiliar de
pesquisa tinha a função de observar a linguagem não verbal, como as expressões,
comportamentos e interações, e registrá-las para que pudessem complementar as informações
obtidas na pesquisa.
Cada participante foi identificado(a) por uma letra correspondente ao grupo focal que
participou e um por um número, de forma que permitiu o reconhecimento de quem falou, o
que falou, quando falou e com quem interagiu durante a atividade, colaborando no processo
de análise, assim como na explanação dos resultados. Também possibilitou a permanência do
anonimato, procedimento ético importante em pesquisas com seres humanos.

38

As cadeiras foram dispostas em círculo, de maneira que possibilitou a visualização de
cada participante por todos(as) presentes e colaborou em uma boa interação pessoal. A
pesquisadora e o auxiliar de pesquisa permaneceram sentados frente-a-frente, de maneira que
tiveram um bom campo de visão para a coordenação do grupo e registros das ações
consideradas importantes para o entendimento das práticas discursivas e dos sentidos
produzidos.
A dinâmica da atividade de grupo focal foi composta por um momento inicial de
apresentação, para interação entre coordenador da pesquisa, auxiliar e participantes do grupo,
colaborando na produção de confiança e interanimação dialógica entre os envolvidos.
Posteriormente, com o desenvolvimento da atividade possibilitou-se ampliação e
aprofundamento das práticas discursivas e da produção de sentidos. Por fim, foi realizado
“desaquecimento” e finalização do grupo, com as considerações finais quanto à pesquisa.
Foi seguido um roteiro, que permitiu o alcance dos objetivos, assim estruturado:
1) falar, de maneira geral, sobre os grupos que participaram, e que contam com a
presença de estagiários(as) de terapia ocupacional;
2) motivos que os(as) levaram a participar e permanecer nas atividades em grupo
desenvolvidos pelos(as) estagiários(as) de terapia ocupacional;
3) descrição de atividades realizadas pelos(as) estagiários(as) do curso de terapia
ocupacional nas atividades em grupo de que participou;
4) avaliação das atividades descritas, incluindo pensamentos e sentimentos;
5) sugestões para melhoria das atividades realizadas pelos(as) acadêmicos(as).
O roteiro serviu de base para a formulação de perguntas que foram surgindo ao longo
dos discursos, de maneira que foi utilizada linguagem compreensível por todos(as)
participantes, o que possibilitou a realização das fases acima descritas.
Para o registro das informações, foi utilizado recurso de áudio (gravador). Também
foram feitas anotações consideradas pertinentes para o entendimento e análise da produção
grupal, tal como a linguagem não-verbal (posturas e expressões corporais), ações ocorridas
dentre membros do grupo e as impressões da pesquisadora e da auxiliar de pesquisa, surgidas
durante ou após a execução da atividade.
Antes do início do grupo foram apresentados a coordenadora-pesquisadora e auxiliar
de pesquisa e exposta a dinâmica de funcionamento do grupo e os recursos técnicos que foram
utilizados. Também foi realizada uma breve explanação a respeito da pesquisa, com leitura e
esclarecimentos a respeito do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) e
solicitada a sua assinatura.

39

Ao final do grupo, foram feitos os esclarecimentos finais e os agradecimentos.

1.5.4 Ética na Pesquisa

Esta pesquisa seguiu a Resolução nº 510 de 07 de abril de 2016, que dispõe sobre as
normas aplicáveis a pesquisas com seres humanos em Ciências Humanas e Sociais. O
documento regulamenta os procedimentos que envolvem a utilização de informações
diretamente obtidas com os(as) participantes ou de informações identificáveis ou que possam
acarretar riscos maiores do que os existentes na vida cotidiana.
O projeto foi submetido à Plataforma Brasil e aprovado pelo Comitê de Ética em
Pesquisa por meio do parecer nº 2.352.075 (APÊNDICE B).
Os participantes assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (ANEXO
B), que trouxe explicitados as justificativas, os objetivos, riscos, benefícios e procedimentos
da pesquisa, assim como todas as exigências e informações necessárias ao cuidado ético e
proteção com relação a possíveis danos que possam ser causados aos sujeitos da pesquisa.

1.5.5 Procedimentos de análise das informações

Para análise das informações produzidas no contexto da pesquisa, foram realizadas a
transcrição sequencial e a transcrição integral de todo o material dos grupos focais. Estas
etapas da análise, auxiliaram na construção posterior de mapas dialógicos, fundamentados por
Nascimento, Tavanti e Pereira (2014) que, por sua vez, seguem a abordagem teóricometodológica de Spink et al. (2014).
As transcrições sequenciais (APÊNDICE C) foram os primeiros contatos com os
materiais transcritos e permitiram entender a dinâmica dos discursos, as negociações dos
sentidos e os posicionamentos que aconteceram nos grupos focais. Foram realizadas a partir
da identificação das falas presentes no áudio, com o auxílio das anotações produzidas, de
forma que foram identificados os(as) interlocutores(as), a sua ordem de fala e os assuntos
abordados. A partir da transcrição sequencial, os discursos foram agrupados em temas, que
passaram a ser as categorias utilizadas na elaboração dos mapas dialógicos.
A transcrição integral (APÊNDICE D), por sua vez, incluiu todas as falas dos(as)
participantes, preservando o discurso original produzido no grupo focal. Foram realizadas
leituras atentas e aprofundadas, repetidas vezes, de maneira que a análise continuasse se

40

fazendo de maneira ampla e densa, permitindo o entendimento dos sentidos e
posicionamentos produzidos.
Posteriormente, foram construídos mapas dialógicos (APÊNDICE E), que de acordo
com Spink et al. (2014) são ferramentas de análise que permitiram dar visibilidade às práticas
discursivas e aos sentidos produzidos durante os grupos focais, utilizando-se dos
temas/categorias identificadas nas etapas da transcrição sequencial e inserindo-se neles
trechos da transcrição integral. Estruturamente é um quadro com linhas e colunas, organizadas
de acordo com os objetivos deste estudo, e que, com os demais procedimentos explicitados,
permitiu o alcance dos objetivos.
Por fim, a partir da análise dos mapas dialógicos construídos e das categorias
identificadas, foi possível agrupar os termos e os repertórios linguísticos encontrados nos
trechos da transcrição integral e formar quadros analíticos, sendo importantes para uma
posterior discussão desses resultados.

1.6 Resultados e Discussões

Conforme já explicitado, a análise do material discursivo produzido permitiu
identificar e discriminar as atividades desenvolvidas pelos(as) estagiários(as) de terapia
ocupacional junto às equipes Nasf-AB, sendo esta uma das categorias analíticas. Como
também possibilitou perceber os aspectos atribuídos pelos(as) usuários(as), sendo possível
construir a segunda categoria analítica e, sendo esta última categoria detalhada em três
subcategorias: Benefícios e beneficiados das atividades, efeitos do trabalho de terapia
ocupacional realizado pelos estudantes e sugestões de melhorias, as quais serão a seguir
apresentadas e discutidas.
Vale ressaltar que nesta seção em que são trazidas as falas dos participantes dos
grupos focais realizados, foram suprimidos os erros e vícios de linguagem, sendo preservado
o contexto original simultaneamente à correção gramatical. Pois, de acordo com a ABNT
(2002), as falas em citação de entrevistas não publicadas são transcritas como foram ditas,
mas podem ser editadas pelo autor da tese, nas quais os erros de linguagem são eliminados.

41

1.6.1 Atividades desenvolvidas pelos estagiários(as) do curso de terapia ocupacional junto
às equipes de Nasf-AB

Compreendendo que a atividade é considerada ferramenta principal de trabalho do
terapeuta ocupacional, ela deve ser aplicada de acordo com a demanda e necessidade da
pessoa ou grupo, de forma que seja significativa e que o fazer seja terapêutico. Para isso, ele
pode utilizar a atividade de diversas maneiras, envolvendo áreas de lazer, sociabilidade,
motora, cognitiva ou outra que venha a ser importante para quem a realizar (BALLARIN,
2007).
Com base na afirmativa anterior, os(as) estagiários(as) de terapia ocupacional tiveram
a oportunidade de aprimorar a prática das atividades ao aplicá-las nos grupos acompanhados
pelos mesmos. Desta forma desenvolveram diferentes atividades com objetivos diversos
solidificando o aprendizado ao mesmo tempo em que permitiram que os (as) usuários(as)
tivessem experiências importantes para a saúde, contribuindo também para qualificação na
oferta dos serviços de saúde.
Os(as) usuários(as) demonstraram em suas falas exemplos em que a terapia
ocupacional estava presente de forma importante em várias ações na Atenção Básica,
reconhecida mesmo quando os relatos traziam atividades feitas junto com outras categorias
profissionais.
De modo a colaborar na compreensão das atividades e da diferenciação entre elas, a
pesquisadora as nomeou conforme consta no Quadro 4 a seguir.
Quadro 4 – Atividades desenvolvidas pelos estagiários do curso de terapia ocupacional

ATIVIDADES

Atividades de Educação em Saúde
Oficinas Terapêuticas
Atividades de Estimulação Cognitiva
Práticas Corporais
Atividades Comemorativas
Atividades Externas

Fonte: Autora (2019).

É importante destacar que essa construção foi elaborada tendo como norte o quadro
construído com os elementos relativos ao uso de atividades, elaborado a partir das bases
teóricas de Benetton (1994) e Benetton e Marcolino (2013) – com objetivo de auxiliar na
identificação e denominação das atividades descritas pelos(as) usuários(as). As autoras
propõem significar a atividade como um jogo sem regras pré-estabelecidas, passando a serem

42

compreendidas em sua função, o que me fornece autonomia para a denominação da atividade
conforme os aspectos presentes, os objetivos propostos e sentido dado pelo(a) usuário(a).
Assim, considerando as características presentes nas falas, as atividades foram
discriminadas conforme o quadro 4, que passarão a ser discutidas uma a uma a seguir.

Atividades de Educação em Saúde
A educação em Saúde pode provocar mudanças de comportamento, assim como da
subjetividade de agrupamentos, quando amplia-se a intervenção das pessoas sobre sua própria
realidade, culminando em mudanças em seu contexto de vida (CAMPOS, 2007).
Possuem aspectos educacionais propostos pelo Método Terapia Ocupacional
Dinâmica, onde acontece a ação de ensinar e aprender para que ocorra assistência em terapia
ocupacional, assim como a ligação desses aspectos com a realidade vivida (MARCOLINO;
FANTINATTI, 2014).
A9: A gente aprendeu muita coisa aqui com eles. Teve uma turma que trouxe aqui a
ABRAZ10, outros falaram sobre a demência.
C9: [...] ficava uma reunião muito grande, muita gente aqui... E tinha aquela
explicação de como devia se alimentar, se cuidar, não viver triste, procurar local pra
ficar alegre.

Sob essa perspectiva, é possível observar que os(as) estudantes trouxeram as
atividades de educação em saúde expostas nas falas acima, e que consideram os interesses dos
usuários para que os temas relativos aos cuidados com a sua saúde sejam significativos e
tenha impacto sobre sua vida.
B5: Sim... eu falei que estava em depressão, num foi? Teve uma roda de conversa
sobre depressão, que foi muito boa.

Como sabemos, o Nasf-AB deve atuar segundo as diretrizes da AB (BRASIL, 2010).
Por isso mostra-se importante que os(as) estudantes aprendam a inserir em suas práticas a
educação em saúde voltada para mudanças no estilo de vida e para o enfrentamento do
adoecimento da pessoa e da coletividade (SILVA et al., 2016).
Desta forma, a ação educativa mantém uma ligação com a realidade externa e vivida
pelo(a) usuário(a), tornando-a significativa para ele(a).

Oficinas Terapêuticas

10

Associação Brasileira de Alzheimer, que oferece assistência a cuidadores familiares por meio de grupos de

apoio.

43

São observadas nas falas características que remetem ao que Lima (1997) afirma sobre
as oficinas terapêuticas. Estas visam produções individuais ou grupais no sentido de
possibilitar o acesso a experiências artísticas e criativas e o encontro entre sujeitos.
A9: [...] A última turma trouxe uma coisa nova, num foi? Trouxe a pintura, a
colagem. Isso foi muito bom... a técnica de artesanato, de manipulação.
B5: A oficina das jóias eu pouco participei porque eu estava sem óculos e eu não
enxergava colocar aquele negocinho dentro do buraco.

E para a execução das oficinas, é preciso a existência de materiais, estes são
importantes porque em terapia ocupacional eles constituem o setting terapêutico
(BENETTON, 1994).
C6: Atividade do cartaz a gente trouxe, nós cortamos as florzinhas. A gente cortava,
fazia cola e colava; colocava o cordãozinho.

No entanto, elas vão além da técnica ou apenas do uso do material. Produzem efeitos
subjetivos e socializantes, ao caminhar no sentido de permitir ao sujeito estabelecer laços de
cuidado consigo mesmo, de trabalho e de afetividade com os outros (MENDONÇA, 2005).
As oficinas terapêuticas trazem também os aspectos terapêuticos que colaboram a
ampliação de espaços saudáveis no cotidiano, conforme afirmam Benetton e Marcolino
(2013). De acordo com o quadro 2 (elementos constituintes das atividades de terapia
ocupacional) e os exemplos trazidos, os aspectos terapêuticos podem interagir com os
aspectos físicos quando há o envolvimento, por exemplo, da coordenação motora, com os
aspectos psicológicos quando envolvem as emoções e efeitos operativos durante as oficinas,
psicodinâmicos quando ocorre a auto-observação e associações, e com os aspectos sociais
quando ocorrem as interações e inclusão social.
Para Mendonça (2005), é sob essa perspectiva que atividades das oficinas passam a ser
vistas como instrumento de enriquecimento pessoal, de valorização da expressão, de
descoberta e ampliação de suas possibilidades. Assim, as oficinas terapêuticas permitem não
apenas o envolvimento dos(das) usuários(as), mas também de quem as aplica. Assim, os(as)
estudantes têm oportunidades de adquirir maiores experiências e melhoramentos da
qualificação na formação profissional durante a execução dessa prática.

Atividades de estimulação cognitiva
Para Radomski e Davis (2005), o terapeuta ocupacional deve auxiliar a otimizar as
funções cognitivas do usuário, quando identifica as que estão deficitárias, e propor atividades
que estimulem essas funções. Portanto, o estudante deve aprender a realiza-las, para que as
habilidades necessárias para a aplicação destas atividades sejam alcançadas.

44

Seguem fragmentos de falas de usuários(as) a respeito dessa prática:
A7: Atividade de formar palavras.
B5: Uma atividade pra mente da gente, pra gente se lembrar mais das coisas.

À medida que o(a) usuário(a) passa a realizar estas atividades com mais facilidade,
propõe-se que o(a) estudante aprenda a aumentar a complexidade dos estímulos e a
dificuldade dos exercícios, gerando novos desafios cognitivos.
B2: Na hora da memória lá, que eu ainda esquecia, fiquei mais tempo do que as
outras. Mas mesmo assim, a gente começou a rir... e foi bom demais.

As atividades de estimulação cognitiva também promovem a interação entre os(as)
participantes, principalmente quando utilizados instrumentos como a atividade musical, visto
que torna-se um código comum entre os(as) participantes e traz possibilidades de acolher as
singularidades, as experiências e o ritmo que cada um traz para ser coletivizado
(BENETTON, 1994).
C5: Cantava também: “[...] a vida leva eu [...]” Tudo ela cantava e a gente também
cantava. Ela fazia aquela música e depois perguntava se a gente tava percebendo.

Podemos observar que os exemplos trazidos acima, nessa subseção, se referem a
atividades que visam ao treino cognitivo, uma vez que permitem identificar algumas palavraschave relativas à cognição, como “memória”, “formar”, “lembrar” e “perceber”.
Observamos a função terapêutica e ação educativa em atividades como as trazidas nos
exemplos, através do aprender, do ensinar e de realizar a atividade em si, exercendo efeitos
terapêuticos. Ainda podem estar presentes outros aspectos associados, tais como os aspectos
psicodinâmicos e sociais.

Práticas Corporais
Aqui, as falas trazem características de atividades de práticas corporais utilizando
materiais próprios para tal. Além disso, conseguem identificar os objetivos que estas práticas
promovem além da finalidade de movimentação corporal, quando referem o bem-estar
promovido por elas.
A9: Aquele exercício que a gente fez, lembra? Que elas botaram as madeiras e a
gente fez aqueles exercícios com elas?
C5: Colocavam o bambolê pra gente passar por cima. A gente arrodeava, era muito
bom.

Para Carvalho (2016), o termo “práticas corporais” refere-se a um conceito em
construção, que leva a uma perspectiva de cuidado ampliado, pois integra às abordagens do
corpo suas dimensões culturais, sociais, lúdicas, de autoconhecimento e de crítica aos modos

45

de vida contemporâneos. Para os autores, englobam uma diversidade de ações e podem trazer
benefícios socioafetivos, como a maior inserção e interação na comunidade, o aumento da
autoestima e a diminuição nos níveis de ansiedade e depressão.
B4: Eles contribuem também... a mexer com o corpo, é tão bom. Alegra a gente e
assim vai.

Nestas atividades, podemos observar, entre outros aspectos, a presença dos recursos
que constituem o setting terapêutico que, segundo Marcolino e Fantinatti (2014), são
integrantes do quarto elemento de uma relação originalmente triádica. O dinamismo entre
esses elementos permite encontrar vários aspectos nestas atividades de práticas corporais
trazidas nos exemplos, como os aspectos físicos quando envolvem o movimento, sociais
quando há interação e inclusão social, e educacionais quando existe o processo de ensinaraprender.
Além desses aspectos trabalhados, é importante ressaltar que a vivência dessas
atividades pelos(as) estudantes para seu processo de formação profissional é fundamental,
pois, segundo Fraga, Carvalho e Gomes (2012), durante a graduação são poucas as
oportunidades de experiências com práticas corporais no contexto do serviço de saúde. As
estratégias como as que descrevemos aqui permitem maior aproximação dos(as)
acadêmicos(as) aos serviços, possibilitando acolher outros modos de pensar e fazer o cuidado
com as práticas corporais.

Atividades comemorativas
Estas atividades fazem parte das produções do universo cultural humano. Para Lima
(1997), a noção de cultura é central para este campo, pois está ligada à produção de
sociabilidade, convivência, encontro com sujeitos e o contato com a comunidade.
A2: ...quando eles vêm participar dos eventos, pra melhorar nossa situação, todo
mundo se agrupa, todo mundo conversa, todo mundo interage .
C2: No dia que alguém completar ano, como antes, a gente podia ao aniversariante,
a gente podia organizar uma festinha, uma lembrancinha, uma coisa pra ele se sentir
bem.

Ainda para Lima (1997), quando se busca interações no processo saúde-doença
através de atividades na prática social, há um processo cultural inserido nelas que produz na
forma de fazer e de saber fazer. Ainda, na produção de um movimento singular que torna-se
apenas uma parte do fazer coletivo, como se fosse uma ponta do iceberg.
C6: Também me lembro do São João que a gente veio vestida de quadrilha e a gente
brincou aqui; o carnaval também, a gente cantava música de carnaval, elas
colocavam a gente pra cantar, cada um cantava uma coisa, uma música de carnaval.

46

Quando os(as) estudantes participam de diversas situações no cuidado que permitam
compreender aspectos da realidade social e cultural, são estimulados a desenvolver a
iniciativa, a criatividade e a cidadania, ao mesmo tempo em que são trabalhadas ações de
prevenção e promoção de saúde, em nível coletivo (OLIVEIRA; COELHO, 2011). Desta
forma, possibilita-se que sejam formados profissionais mais alinhados à humanização do
cuidado e a atenção integral à saúde, contemplando as diversas áreas da vida do(a) usuário(a).
Analisando os exemplos trazidos, podemos observar que há o envolvimento de
aspectos psicodinâmicos, terapêuticos, sociais e educacionais presentes nessas atividades. Por
isso, é importante que os(as) usuários(as) não apenas se permitam participar dessas atividades
comemorativas, como também compreendam o que se é produzido a partir desta participação,
como o efeito socializante, de envolvimento, aprendizagem sobre o novo e muitas outras
características que levam a um “fazer” significativo decorrente da interação de todos esses
aspectos. Sobre este aspecto, Castro, Lima e Nigro (2015) afirmam que atividades como estas,
além de saúde, promovem também arte, cultura e eventos, estimulam a participação ativa da
população atendida, possibilitam diálogos e trocas entre as experiências, mostrando-se
facilitadoras de novas significações das vidas dos sujeitos.

Atividades externas
Nos grupos focais A e B, os(as) usuários(as) participantes não tiveram experiências de
atividades externas conduzidas pelos estagiários de terapia ocupacional, por isso, apenas no
grupo focal C as atividades foram citadas:
C2: Eu me lembro também do piquenique que a gente foi fazer na praia, o
alongamento na praia. Saímos daqui, veio o ônibus e pegou a gente, foi bom demais.
C6: Lembro uma vez que no tempo de São João, nos levaram para aquela quadrilha,
pra assistir a quadrilha de lá. Com todo mundo.

Nas atividades externas, diferentes aspectos podem caracterizar este tipo de atividade,
a depender dos objetivos propostos. Nos exemplos descritos, remetem aos aspectos físicos,
terapêuticos, sociais e educacionais, o que levam aos(às) usuários(as) a vivenciarem entre
outras características, a inserção social com a ampliação de atividades no cotidiano na
ampliação de espaços saudáveis, como foram descritas por Benetton e Marcolino (2013).
Em relação a esse cuidado à saúde, por meio da interação com o meio social, Lima
(1997) refere em seu livro que em La Borde, na França, há variados ateliês nas áreas cultural,
artesanal, agrícola que promovem passeios, festas, eventos. Segundo alguns teóricos da área
citados pela autora, tal como Guattari (1992), o objetivo dessas atividades é a constituição de

47

complexos de subjetivação: permitir ao(à) usuário(a), grupo, trocas múltiplas que possam
oferecer diversas possibilidades de se recompor, de permitir que a pessoa possa ter novas
experiências e participar da construção de novos territórios existenciais.
A importância da exploração de territórios pelo sujeito se dá pelo fato de que a
circulação por ambientes novos, que não fazem parte do cotidiano, pode significar a
ampliação de espaços existenciais e, consequentemente, das relações do sujeito com o mundo.
Ou seja, aumentam-se as possibilidades de experiências e trocas, e além disso, a circulação
deles pelo território pode funcionar como desencadeador de questionamentos e
esclarecimentos sobre temas a respeito dos quais podem ter curiosidade (SCANDIUZI;
MAXIMINO; LIBERMAN, 2015).
Portanto, é fundamental que o(a) estudante compreenda e possibilite que o(a)
usuário(a) vivencie situações que não façam parte de seu cotidiano, para que seja possível
ampliar seus conhecimentos e aumentar as possibilidades de experiências e trocas com
diferentes pessoas, mantendo e potencializando sua interação e inserção social.

1.6.1.1 Considerações acerca das atividades de terapia ocupacional

Nas descrições relatadas até o presente momento, podemos observar o quão é
importante que haja conhecimento prévio da atividade a ser realizada, pois é por meio dela
que a terapia ocupacional estabelece um processo terapêutico a partir de um encontro com
o(a) usuário(a) (LIMA, 2004).
Os exercícios de terapia ocupacional envolvem a aplicação de atividades com
propostas que devem estar dentro do contexto, cultura, nível socioeconômico e idade de
determinado grupo. E a escolha delas exige que se alcance um equilíbrio entre a necessidade e
o interesse do(a) usuário(a). Sendo importante que esse interesse esteja relacionado com o
grau de conhecimento que ele(ela) tem a respeito de sua patologia, necessidades e a relação
que estabelece com a sua vida (SILVA, 2007).
Também é importante considerar que, nos grupos que contam com a presença do(a)
terapeuta ocupacional, os(as) participantes têm a possibilidade de experimentar várias formas
de se relacionar, de interagir consigo e com outros, de vivenciar novas situações relativas ao
fazer de forma que haja funcionalidade, que o fim não seja o mais importante, mas sim o
processo na execução, possibilitando que a ação ganhe um sentido e um significado para
quem a realiza (BALLARIN, 2007).
Como podemos verificar na fala de um dos participantes:

48

C8: A gente se sentia à vontade. Mesmo cantando errado, que não sabia direito mas
me sentia feliz, esquecia mais os problemazinhos da vida.

Quando observamos a fala de cada participante, é possível compreender que os(as)
usuários(as) se propõem a participar das atividades de forma aberta, espontânea e de como se
enxergam durante a execução das mesmas. Percebem o quão cada etapa tem efeito sobre seu
bem-estar e sobre a sua capacidade de melhor lidar consigo mesmo e com o outro.
A2: também uma maneira de chegarmos e procurar resolver aquele problema. A
gente se preocupar com o nosso amigo, com nosso parente, com nosso vizinho... por
quê ele está daquele jeito? Como eu vou ajudar? Então, eles fazem tudo. Fazem uma
pesquisa, nos traz, e mostram que daí pra frente a gente também tem que ter a
preocupação com quem está nos escutando.

Estas atividades desenvolvidas estão previstas no Plano de Estágio citado, dentre
outras, para que contribuam de forma significativa para promoção, proteção e recuperação da
saúde das comunidades que estão sendo assistidas. Têm o sentido de também proporcionar
ao(à) estudante a experiência interdisciplinar no cenário de prática da ESF que, por meio da
construção de espaços em que seja possível uma abordagem coletiva, possibilite também um
espaço de discussão, interação, troca de conhecimento e construção de novos saberes.
Nesta perspectiva, consideramos importante um estudo realizado por Campos e
Forster (2008), com estudantes do curso de medicina de uma universidade pública de São
Paulo, uma vez que convergem em resultados e conclusões em relação à nossa pesquisa: o
estágio na ESF contribui positivamente para sua formação, de forma que as experiências nas
atividades desenvolvidas possibilitam que se amplie o olhar durante a avaliação e intervenção
passando a considerar o contexto socioeconômico, emocional e cultural de seus(suas)
usuários(as).
As atividades descritas fazem parte de uma gama de atividades terapêuticas
ocupacionais que consideram os contextos acima descritos que possam envolver grupos
específicos, tal como explicitam Rocha, Paiva e Oliveira (2012), quando afirmam que podem
ser desenvolvidas ações de saúde envolvendo grupos de atividades corporais, de cuidados às
pessoas com doenças crônicas, com sofrimento psíquico, assim como cooperativas sociais.
Para os(as) autores(as), as atividades podem acontecer por meio de oficinas para
sociabilidade, com fins terapêuticos, oficinas artísticas, expressivas, culturais e atividades
lúdicas. Essas atividades planejadas objetivam o desempenho ocupacional na vida pessoal e
social, na inserção de práticas com abordagem familiar e comunitária, no desempenho de
habilidades ocupacionais, na ressignificação de espaços coletivos e de lazer, e no
fortalecimento de cidadania.

49

Dessa forma, quando o(a) acadêmico aprende e compreende esses objetivos, passando
a exercê-los durante as práticas do estágio no serviço de saúde, reafirma-se a ideia trazida
também por Pinto et al. (2012) de que a integração ensino-serviço-comunidade, assim como o
desenvolvimento de pesquisas neste campo de atuação contribui para a aquisição de
conhecimento, preparação e sensibilização dos profissionais para o enfrentamento das
diferentes realidades de vida e de saúde da população.
Considerando que esta compreensão dos objetivos trabalhados deve partir também
pelos usuários, foram levados a pensar nos momentos em que foram convidados a
participarem das atividades de terapia ocupacional junto aos(às) estagiários(às). Assim, os(as)
usuários(as) identificaram as atividades, descrevendo-as de forma sintética e trouxeram
exemplos de atividades, as quais foram discutidas em subsecção anterior. Isso nos leva a
entender que eles/elas compreendem as atribuições da profissão nas atividades em grupo.
Porém, importante enfatizar, nesse momento, como tem sido essa compreensão das atividades
e objetivos da terapia ocupacional, considerando o contexto e os aspectos envolvidos nos
diferentes tipos de grupo.
A9: Fizemos tudo compreendendo. Além de muito prazeroso também. A
comunicação é muito boa [...] Apresenta o objetivo, o que vai ser feito, organiza e aí
faz a prática. Com muita responsabilidade [...] Divide os grupos, as
responsabilidades, bem organizado. Depois executa, aí elas explicam e dão os
resultados.
B5: [...] Nós nos sentamos, eles explicam... [...]O que foi que a gente entendeu... dá
uns negocinhos, uns papelzinhos, umas perguntas.
C2: Eles diziam umas palavras pra gente dizer numa atividade, que tinha aquelas
palavras [...].

As falas dos(as) usuários(as) nos levam a perceber que, na organização das atividades,
há preparação, explicação e estímulo à participação dos usuários.
Podemos observar que as atividades obedecem a uma ordem em relação às etapas e de
como são dispostas as atividades, assim como há a preocupação de certificar se os usuários
estão compreendendo os objetivos propostos.
B2: Explicam. Depois perguntam se a gente entendeu. Falar do que entendeu, quais
foram as coisas que eles explicaram [...].

Assim, percebe-se que eles/elas conseguiram identificar e compreender de uma forma
geral as características da terapia ocupacional, tendo a atividade como ferramenta principal.
A fala a seguir de um(a) usuário(a) é indispensável por trazer um aspecto importante
relativo à preparação das atividades a serem desenvolvidas. Seu posicionamento teve
concordância dos demais participantes do grupo:

50

A9: [...] Pena que não tem projetor, essas coisas, porque elas não têm esse material,
ainda. Mas a gente vê que tem os cartazes feitos com carinho, tudo cortadinho,
embaladinho. Todo preparo bem carinhoso, a gente se sente especial.

Essa afirmativa nos leva à reflexão a respeito da existência de dificuldades estruturais
e carência de recursos e como estes podem influenciar na assistência prestada. Por isso, é
preciso ressaltar que para a terapia ocupacional, é fundamental que haja materiais disponíveis
para o trabalho terapêutico. E isso muito embora, na experiência vivida não esteja
acontecendo exatamente como se preconiza, pela precariedade em situações específicas. O
fato é que não importa a linha teórica, metodológica ou técnica utilizada, sempre será preciso
algum tipo de material (BENETTON, 1994).
Em uma pesquisa sobre o papel e a formação de terapeutas ocupacionais atuantes em
um Nasf-AB no município de Recife-PE, os autores Lima e Falcão (2014) relataram que,
dentre as dificuldades por parte do usuário, há a não compreensão ou a não aceitação da
intervenção/orientação. Na referida pesquisa, existiam dificuldades estruturais, como falta de
recursos e de espaço ou de adequação deles para a realização de algumas atividades, o que
influenciou na não compreensão dos objetivos propostos pela terapia ocupacional. Porém, em
nosso caso, os resultados foram diferentes, pois mostraram que mesmo com as dificuldades
relatadas, houve adequação das atividades com os recursos disponíveis e os(as) usuários(as)
demonstraram compreensão às propostas de cada atividade e sempre dispostos a participar.
Este aspecto torna-se muito importante, porque, apesar de existirem muitas limitações
nos Nasf-AB, foi possível observar que há compreensão por parte dos(as) usuários(as) quanto
às características da terapia ocupacional e aceitação das intervenções trazidas pela mesma. No
entanto, ainda observa-se a necessidade de intensificar as características da profissão aos(às)
participantes, as suas especificidades e objetivos, assim poderem conseguir compreender
melhor e explicar de maneira mais ampla e aprofundada a respeito dos benefícios obtidos por
meio dela, além de se sentirem mais seguros(as) no exercício das atividades.
É satisfatório, portanto, perceber que o trabalho desenvolvido pela terapia ocupacional
no Nasf-AB por meio da participação dos(as) estudantes está corroborando a literatura, no que
se refere ao desenvolvimento de atividades terapêuticas com grupos específicos e às formas
de trazer benefícios na vida de seus(suas) usuários(as). Ainda, mostra-se um campo amplo e
rico de possibilidades para que o(a) estudante tenha a oportunidade de vivenciar como a
terapia ocupacional proporciona diversas maneiras para um melhor desempenho das
atividades individuais e coletivas, assim como compreender como podem ser as respostas dos
usuários frente a elas. Podem, desse modo, ser experiências fundamentais para seu processo

51

de formação profissional, pois se referem a conhecimentos que não são possíveis adquirir tão
somente na teoria.

1.6.2 Aspectos atribuídos pelos(as) usuários(as) às atividades de terapia ocupacional

Considerando que muito é construído durante vivências proporcionadas aos(às)
usuários(as) de serviços de saúde, o estudo permitiu observar e compreender as práticas
discursivas e os sentidos produzidos pelos(as) usuários(as) quanto às atividades que contaram
com a participação de estudantes no território. Estes aspectos só foram possíveis de serem
identificados porque havia integração da comunidade com o serviço oferecido. Para Caldeira,
Leite e Neto (2011) um dos fatores que facilitam e fortalecem essa integração é a presença, a
dedicação e a qualidade do atendimento dos(as) estudantes.
Para melhor compreensão, as falas foram organizadas em três subcategorias:
Benefícios e beneficiados das atividades desenvolvidas pelos estagiários de terapia
ocupacional; Efeitos do trabalho de terapia ocupacional realizado por estudantes; e sugestões
de melhorias relativas a esta prática acadêmica, as quais serão apresentadas na sequência.

1.6.2.1 Benefícios e beneficiados das atividades desenvolvidas pelos estagiários de terapia

ocupacional

Anteriormente tivemos a oportunidade de perceber que a atividade pode envolver
diferentes aspectos. Lima (2004) mostra que podem ser identificados aspectos relacionados ao
desempenho motor, perceptual, cognitivo e aspectos psicodinâmicos presentes em sua
realização. Mas aqui nesta categoria será considerado o que a autora chama de “entrar no
espaço de troca com o(a) usuário(a)”, onde a atividade passa a ser agente no processo, com a
intenção de relacionar-se, permitir a interação no fazer e estabelecer uma interferência mútua:
a atenção e o cuidado que a terapia ocupacional tem com a forma com que a atividade é
realizada, pois possibilita pensarmos a respeito dos sentidos desta atividade, porque ela é
feita, como é conduzida e em qual situação. Trata-se de sentidos construídos no encontro, no
interior do processo terapêutico.
Para isto, serão considerados os aspectos atribuídos pelos(as) usuários(as) relativos a
estas atividades desenvolvidas pelos(as) estudantes de terapia ocupacional no que se refere
aos benefícios atribuídos ao próprio usuário(a), ao grupo, ao(à) estudante e ao serviço,
conforme podemos observar no quadro abaixo.

52

Quadro 5 – Aspectos atribuídos pelos(as) usuários(as) relativos às atividades desenvolvidas
pelos estagiários de terapia ocupacional e seu beneficiário
BENEFICIADO

BENEFÍCIOS

USUÁRIO(A)

-Cuidados à saúde
-Resolutividade de problema
-Troca e Aquisição de conhecimento
-Benefícios físicos/mentais

GRUPO

- Melhoria nas relações interpessoais
- Aumento da participação social

ESTUDANTE

- Troca e aquisição de conhecimento
- Integração teoria e prática

SERVIÇO

- Contribuições ao serviço para a melhoria

Fonte: autora (2019).

Benefícios ao(à) usuário(a)
Vários foram os benefícios que os participantes da pesquisa relataram ter obtido. Em
seguida, vamos tratar de cada um deles.
Os(as) nossos(as) interlocutores(as) relatam que a forma como se sentem e sentem os
efeitos das atividades pode estar contribuindo para uma participação mais assídua, para
assumir a responsabilidade na busca de melhorias. Além disso, mostram interesse em
conhecer várias maneiras de cuidar da saúde, ampliando-os para outros campos da existência.
A9: Aplicar nas nossas vidas as coisas diferentes.

Para Campos e Forster (2008), há durante o estágio a integração dos(as) estudantes
com outros profissionais, o aumento da adesão dos(as) usuários(as) ao tratamento e a
assistência ampliada à família, o que proporcionam maior resolutividade.
B3. A gente fica porque é importante pra gente. A gente aprende mais.
C2: Se tivesse todo dia, todo dia eu vinha. Agora, se só tem uma vez, a gente
aprende e faz um pouco em casa.

Para os autores Albuquerque e Deveza (2009), esses aspectos influenciam
comportamentos de saúde e doença, além da crescente valorização do papel do(a) usuário(a)
tanto como consumidor, quanto como corresponsável do seu estado de saúde.
C2: Eles mandam fazer o alongamento, mas a gente quando chega em casa, a gente
faz [...] A gente pega as explicações deles, o que der pra gente fazer, a gente faz [...].

53

Complementando, Alves (2005) enfatiza que o conhecimento cientificamente
produzido no campo da saúde atinge a vida cotidiana das pessoas, uma vez que a
compreensão dos condicionantes do processo saúde-doença oferece subsídios para a adoção
de novas condutas de saúde. Torna-se possível obter maior resolutividade de problemas, uma
vez que muitos deles resultam de hábitos não saudáveis.
Nos exemplos trazidos nas falas dos(as) usuários(as), percebe-se que quando o(a)
usuário(a) é estimulado a tomar posse de sua responsabilidade para um cuidado eficaz com a
saúde, passa a acreditar e a sentir que é importante, que faz parte de um conjunto de pessoas
onde cada um é levado a aprender e que traz consigo um saber capaz de utilizá-lo como
ferramenta principal na busca por promoção à saúde, e torna-se sujeito ativo corresponsável
no cuidado. Os(as) usuários(as) demonstram esse entendimento quando afirmam:
A9: Trazem um impacto de conhecimento mesmo. A gente aprendeu muita coisa
aqui com eles [...] Aplicar o que eles trazem pra cá, aplicar na nossa vida.
C1- “E uma vez... no banho que elas mandaram a gente tomar banho, levantar...
Fazer assim (gesto do autoexame de mama), quando for tomar banho, pra ver o que
a gente tem no seio. Todo dia quando eu vou tomar banho eu faço, graças a Deus eu
não tenho nada nos seios.

Para Pinto et al. (2013), a inserção precoce de estudantes no serviço de saúde pode
contribuir para que essas mudanças aconteçam. Assim, é fundamental que haja a formação de
profissionais que atuem como dispositivos de mudanças e que façam com que o(a) usuário(a)
se torne o núcleo para a produção de cuidados e na formação da responsabilidade de sua
própria saúde e dos que estão próximos, acontecendo dessa forma a extensão do aprendizado
para sua casa, sua família e sua comunidade.
Por outro lado, com todo movimento de promoção e busca à saúde por meio das
atividades em grupo, acontece um dinamismo entre conhecimentos, experiências e saberes.
Para os autores Jungles et al. (2011), ao pensar em troca e aquisição de conhecimento,
compreende-se a relação que existe e como interage o saber popular e o conhecimento
científico.
Esta relação pode ser compreendida na seguinte afirmativa:
A9: Porque nós fomos importantes pra eles e eles são muito importantes para nós
porque eles nos ensinam. Eles trazem tudo o que há de mais atual, tecnologicamente,
cientificamente sendo estudado e nós ensinamos experiências de vida, coisas que
eles no afã de buscar conhecimento, não valorizam tanto no dia a dia. Então eles
vêm e acabam descobrindo que no antigo também tem muita riqueza. E é uma troca.

Neste sentido de trocas, Oliveira (2013) afirma que em uma atividade em grupo de
terapia ocupacional, os(as) usuários(as) trazem o conhecimento a partir de sua experiência de
vida, assumem as suas esperanças e sonhos para o futuro. Eles identificam e partilham as suas

54

necessidades e prioridades, em contrapartida, os terapeutas ocupacionais trazem seu
conhecimento sobre como o envolvimento em ocupações afeta a saúde e o desempenho de
suas tarefas no cotidiano.
Ainda sobre este dinamismo na relação de trocas:
B2: A gente aprende com eles e eles aprendem com a gente [...] a juventude acha
que tá aprendendo mais com a gente que somos de mais idade do que eles. Eles
puxam pela nossa memória pra ver se a gente consegue.

Além disso, o grupo se constitui como espaço para trocas de saberes e de
conhecimentos, assim como é considerado constituinte de processo terapêutico, mas não
apenas por ter um potencial terapêutico inerente, nem apenas pelo fato do fazer coletivo ter
um poder multiplicador de efeitos terapêuticos, mas porque o(a) terapeuta ocupacional deve
estar atento(a) ao cuidado dos(as) participantes e disponível para as mediações e criações
(MAXIMINO; LIBERMAN, 2015).
Ainda sob este aspecto, concordamos com Nicolau (2015) quando afirma que no
grupo que envolve os afazeres, a tarefa não se resume à realização de atividades em si ou na
concretização de um produto final, mas sobretudo à aprendizagem e ao crescimento pessoal
que o “fazer junto” possibilita aos participantes.
Para Jungles et al. (2011), há uma construção de um universo consensual a partir das
experiências de grupo onde pessoas iguais e livres possam comungar de uma mesma visão
cercada de significados e interpretações. Mas o que observamos na prática é que há pessoas
diferentes, de opiniões que divergem, cultura e tradições diversas que fazem com que as
diferentes experiências sejam respeitadas e compartilhadas. Assim, as práticas do cotidiano
relativas à saúde possam ser melhores compreendidas e aceitas.
Por outro lado, Maciel et al. (2015), afirmam que por meio de atividades como as de
educação em saúde, proporciona-se às pessoas o desenvolvimento e o senso de
responsabilidade pela sua própria saúde. Assim, o ensino de hábitos saudáveis e de exercícios
terapêuticos (preventivos ou para reabilitação) também proporciona resultados benéficos na
redução de queixas e no desenvolvimento de potencialidades.
B5: Uma outra atividade que me ajudou, foi na época em que eu estava e ainda
estou, mas estou bem melhor graças a Deus. Que eu estou com psiquiatra, estou com
psicólogo, estou com tudo. Eles me ajudaram muito, muito, muito... foi a atividade
da cabeça.

Ainda em relação à corresponsabilização em relação ao autocuidado e consequente
promoção da saúde, temos:
C2: E a gente diz assim: eu já estou de idade, eu sei que tenho problemas de saúde,
que é crônica, que não fico boa, mas aí eu vou deixar pra lá? [...] a gente tenta
sobreviver um pouco mais, controla com medicamento, vem pro médico já pra
ajudar. E com umas palavras pelo menos a gente tá sentindo que não chegou a hora

55

da gente ainda e a gente vai aproveitar enquanto puder [...] Estou fazendo uma dieta,
caminho... eu não posso mais caminhar muito, mas pelo menos 20 min eu ando [...]
Porque se eu ficar sentada em casa... eu vou enferrujar de vez.

É importante, então, considerar o que pensa o(a) usuário(a), de forma que se faça uma
interação entre o que é significativo para ele, com o que seja considerado cientificamente
importante, dessa forma ele(a) terá interesse em fazer o que estiver ao seu alcance para a
manutenção de sua saúde, como observamos nas falas acima.
Toda a atividade precisa ser proposta de modo que desencadeie a melhora do usuário.
Para tanto, é necessário que ele se interesse pelo que está fazendo e o(a) terapeuta esteja
sensível para entender o que está propondo e, principalmente, com qual objetivo
(MAXIMINO; LIBERMAN, 2015).
Nicolau (2015) enfatiza que as pessoas que têm interesse em participar das abordagens
em grupo da terapia ocupacional, são pessoas com dificuldades na realização de atividades
cotidianas, que ao realizar estas atividades coletivamente, podem desenvolver habilidades
motoras, cognitivas e as relacionadas ao convívio social, pelo fato do grupo possibilitar o
aprender a fazer.
A2. Eu me sinto muito bem, de uma maneira que eu tento fazer todas as vezes.
Porque eu vou aprender mais, vai ser melhor pra mim.

Maciel et al. (2015) ainda afirmam que o interesse na realização das ações (práticas
corporais ou troca de saberes por meio da educação em saúde), além de proporcionar tais
benefícios físico, mental e social aos participantes, facilitam aos profissionais o desempenho
das competências e ações realizadas no Nasf-AB. De forma que, quando há o alcance dos
objetivos traçados aos(às) usuários(as), os profissionais são motivados a realizar mais
efetivamente o que é preconizado para o serviço.
Nesse sentido, alinhando-se aos achados em nossa pesquisa, Caldeira, Leite e Neto
(2011) afirmam que a presença do(a) estudante cria um ambiente de intercâmbio de saberes e
práticas entre os profissionais do serviço, de forma que o respeito e o reconhecimento por
parte dos estudantes se mostram importantes para a auto estima dos profissionais e aumento
da satisfação com o trabalho.
Medeiros (2009) refere que a terapia ocupacional agrega conhecimento de várias
disciplinas e profissões, se constituindo com práticas interdisciplinares importantes para que a
atenção à saúde aconteça dentro da perspectiva do cuidado integral e globalizante e considere
a subjetividade da pessoa. É notório, para nós, o quanto a participação de estudantes auxiliou
na produção desses saberes e práticas.

56

Portanto, quando o(a) usuário(a) sente este cuidado, e os elementos que constituem sua
singularidade são considerados, ele(a) busca maior participação nas ações e atividades em
grupo e, consequentemente, ampliam-se as possibilidades de saúde.

Benefícios ao grupo
De acordo com os(as) usuários(as), o trabalho em grupo favorece uma interação entre
todos, com estabelecimento e fortalecimento de vínculos, essenciais para um maior cuidado
com a saúde. Esta interação mostra-se importante principalmente porque pode estender-se
além dos grupos, atingindo a vida social e familiar.
A9: Tanto nós influenciamos a vida deles, que como essa última turma comentou
que elas mudaram a forma de lidar com seus parentes mais idosos, os avós, os tios.
Conhecendo através da gente, através dessa sensibilização que eles têm aqui.
Conhecendo e ouvindo as experiências nossas, isso abriu eles mais para se
sensibilizar e interagir com seus familiares em casa [...]

Para Campos e Forster (2008), a vivência do(a) estudante no dia a dia do trabalho em
equipe, possibilita que haja benefícios da construção desse vínculo para os(as) usuários(as) e
famílias que ele acompanha.
Portanto, à medida que os(as) usuários(as) vão interagindo e se posicionando, vão
conhecendo os condicionantes saúde-doença e aprendendo também como podem ser
responsáveis pelos cuidados de sua saúde. Assim, maiores são as possibilidades de alcance de
qualidade de vida para si e para o outro, quando se tornam multiplicadores de informações.
A2: A gente se envolve com essas coisas. Passa a acreditar, passa a frequentar mais.
Convida A, B e C.
A9: ...principalmente porque tem pessoas que se acalmam, interagem. A gente
interagiu muito aqui naquela tarde, não foi? Muito gostoso, muito agradável.

Especificamente em relação aos(às) estagiários(as) e ao quem trazem ao grupo, temos
a seguinte fala:
B4: Fazer as atividades deles (estudantes), fazem eles rirem. Eles fazem a gente rir,
tudo se diverte.

Nesse sentido, as atividades propostas pela terapia ocupacional por meio dos(as)
estudantes nos trabalhos em grupo têm como prioridade estimular o protagonismo dos sujeitos
do seu fazer, pois segundo Medeiros (2009), a partir da socialização, é oferecido senso de
suficiência pessoal, envolve interações com os outros e com o grupo, levando a identificações,
internalização de auto imagem como pertencente ao grupo, além de permitir a aquisição
individual de habilidades práticas, informação e capacidade para solucionar problemas.

57

O grupo permite a formação de redes, onde linhas vão se construindo à medida que
acontecem as interferências, as trocas de sentimentos, de conflitos, assim como o
reconhecimento de situações em comum e a busca de soluções. Também são possibilitadas a
ajuda mútua, a troca de ensinamentos de como se faz a atividade (LIMA, 1997).
Ainda, esta interação também tem forte influência aos facilitadores dos grupos, sejam
profissionais e/ou estudantes, pois estes além de aprenderem e aprimorarem a forma de
cuidar, passam a ter uma relação com interferências mútuas. Como exemplo, temos as
seguinte fala:
C9: Eu acho maravilhoso eles (estudantes) virem porque a gente aprende com eles,
reanima nossa memória e a reunião com muita gente e gente novo é bom também. A
gente aprende com eles e a gente pega mais alegria, mais amizade, amor. [...] eles
aprendem a saber viver, a saber respeitar, tratar bem, isso é muito bom.

Quanto a isso, Junges et al. (2009) afirmam que é possível construir relações quando
há integração entre os envolvidos, quando os vínculos são constituídos e efetuados os
acolhimentos. Assim como também só é possível entender, compreender e buscar melhorias
naquilo que se conhece. Então, é importante não só que os(as) usuários(as) sejam
influenciados pelos profissionais quando recebem ensinamentos e cuidados, mas também que
os(as) profissionais façam parte do universo deles. Por isso, é importante que o estudante
permita-se transformar durante o processo de ensino-aprendizagem, tornando-se profissionais
que se deixem envolver pelos usuários, por meio do diálogo, para que a interação aconteça,
criando formas solidárias e mais democráticas de produzir coletivamente a saúde e a
qualidade de vida.

Benefícios ao(à) estudante
Quando o(a) estudante tem a oportunidade de vivenciar essa interação durante os
trabalhos em grupo, ele tem maior possibilidade de compreender os desafios enfrentados
pelos(as) usuários(as) na busca por saúde e de levar para a vida profissional o que foi
adquirido em toda experiência prática no que se refere às subjetividades de cada usuário(a) e
às características coletivas. Há, dessa maneira, mais chances de um cuidado atento tanto às
individualidades, fazendo com que esses elementos desencadeiem sucesso na relação com o
usuário, como no bem-estar coletivo (JUNGES et al., 2009).
A interação existente durante o estágio supervisionado nos serviços de saúde e na
realização das atividades nos grupos, também permitiu que os(as) usuários(as) visualizassem
a existência de troca e aquisição de conhecimento por parte dos(as) estagiários(as). Observado
nas seguintes expressões:

58

A9: Porque quando a gente sai da universidade, a gente sai muito despreparados
para lidar com o outro [...] Então, Tem muita teoria mas muitas vezes são poucas
práticas, e eles tem essa oportunidade de testar todo o conhecimento que
aprenderam.
B3: O que eles aprendem na sala de aula é uma coisa e na prática é outra.
B5: Na prática eles aprendem sobre... conhecimento. Sobre o trabalho que ele está
fazendo.

Para Colliselli et al. (2009), aprender na prática pode ser mais eficiente que apenas
receber informações, por isso que a prática assistencial nos serviços de saúde é importante. Os
autores enfatizam que a prática permite uma aprendizagem ativa em ações que exigem
conhecimento e técnica, e criam-se experiências que sejam significativas e motivadoras.
Dessa forma, as competências profissionais podem ser formadas, fortalecidas e ampliadas,
permitindo adquirir conhecimento, habilidade e atitude de forma eficaz e permanente,
importante para toda a vida profissional.
Observa-se que há também um aprendizado que pode ser para além da área
profissional, de técnicas:
B4: Aprendem sobre diálogo.
C9: Eles (estudantes) aprendem a saber viver, a saber respeitar, tratar bem, isso é
muito bom. [...] Eles estando aqui aprendem a lutar com os pacientes seja como for.
Quando eles se formarem, atenderem os pacientes com amor, carinho. E eles tem
que aprender isso com a nossa idade, porque eles vão envelhecer e tratar bem os
pacientes e ter amor a cada um, pode ser roxo, pode ser preto, pode ser amarelo,
pode ser velhinho “gagá”, mas que eles tratem com amor. É isso que vão
aprenderem.

Assim, o conhecimento por meio da prática durante o processo de formação
profissional permite a existência de sentimentos que também são compartilhados. Estes fazem
parte do conjunto de experiências importantes e significativas para a formação de um(a)
profissional mais humano e seguro, e um usuário mais confiante no trabalho recebido.
A9: É importante porque é como se fosse uma barrufada de experiência pra eles que
estão saindo da universidade e precisam ter contato com o público. Isso dá coragem
a eles de serem profissionais mais seguros [...].

No campo do ensino em terapia ocupacional, o que se busca são possibilidades de
construção de conhecimentos práticos em conjunto aos cuidados da população e à temática a
ela relacionada. Isto é um importante desafio por vislumbrar uma construção cotidiana
baseada nas relações sociais e profissionais aos(às) estudantes, de forma que adquiram
experiências para a atuação transdisciplinar aproximando zonas de conhecimento (CASTRO;
DE LIMA; NIGRO, 2015).

59

É, portanto, fundamental ao(à) estudante que sejam estimuladas as experiências
práticas por meio da inserção nos serviços de saúde, por estas contribuírem na formação de
um profissional atento ao cuidado integral à saúde da população.

Benefícios ao serviço
Os(as) usuários(as) também atribuíram como resultados da participação dos(as)
estudantes nas atividades assistenciais junto ao Nasf-AB, possibilidades de contribuições aos
serviços de saúde. As trazidas nas falas dos participantes demonstraram contribuições
subjetivas, relacionadas ao afeto, sentimento, motivação, e como estes podem influenciar no
cuidado.
A9: Eles vêm com uma motivação que, infelizmente, quem está no dia a dia, a gente
cria uma rotina e não esttá, entendeu? Eles dão barrufadas de ventilação. Vêm
refrigerar, eles vêm cheios de energia, vêm com vontade de trazer coisas novas e
aprender [...] coisas que, a gente no dia a dia, quem é profissional entra na rotina.
Querendo ou não, mesmo sendo profissionais bons, mas acomodam. E eles não, eles
vêm renovar isso. E a gente sente como usuário.
A2: Os estagiários também têm o lado deles. Porque eles sabem que tem
profissional, e eles querem ser um profissional, então eles se preocupam em dar o
melhor de si. Tanto aprender como saber passar.

Um dos fatores que podem levar à prática reflexiva dos profissionais do serviço de
saúde é a presença do(a) estudante, de modo que leva-os a refletir criticamente sobre seus
próprios raciocínios e decisões, quando motiva os profissionais a reverem seus
conhecimentos, a estudarem e a “pensarem alto”. Estas ações podem diminuir o automatismo
da prática e simultaneamente impulsionam o raciocínio analítico e a capacitação permanente
(CALDEIRA; LEITE; NETO, 2011).
Caetano, Diniz e Soares (2009) afirmam que as atividades de ensino têm papel de
complementação, de troca que contribuem para tentar solucionar problemas que possam ser
apresentados pela realidade. Assim, o(a) estudante deposita contribuições ao serviço quando
complementa o que existe nesse espaço, ao mesmo tempo em que é capaz de refletir a sua
formação profissional à luz do sistema de saúde.
É importante destacar que temos observado que, o desempenho das atribuições diárias,
com cumprimentos de metas e atendimentos predominantemente técnicos, podem fazer com
que os(as) profissionais do serviço cristalizem suas atividades e deixem de priorizar os
sentimentos que são construídos durante a interação, o contato direto prolongado e o diálogo.
Isso demanda certo tempo para o fortalecimento de sentimentos como os exemplos
expressados nas falas dos usuários. Então, as contribuições ao serviço acontecem quando o(a)
estudante traz o novo, a novidade dentro de uma unidade marcada por rotinas e procedimentos

60

técnicos, quando ele(a) passa a ter destaque no serviço, passando a ser também alguém de
referência, elemento importante no cuidado com o outro, produzindo também afetos ao se
relacionar com as pessoas (e não com diagnósticos ou problemas).

1.6.2.2 Efeitos do trabalho de terapia ocupacional realizado pelos estudantes

Durante a análise dos grupos focais, outra categoria construída foi a relacionada aos
efeitos que os(as) usuários(as) relataram ter vivido durante as atividades realizadas junto com
os estagiários, conforme podem ser vistos no quadro a seguir:
Quadro 6 – Efeitos do trabalho de terapia ocupacional realizado pelos estudantes

EFEITOS

-Sentimentos
-Efeitos terapêuticos
-Valorização
-Motivação
-Relação afetiva
-Posições de saberes
-Necessidade de falar sobre si

Fonte: Autora (2019).

O Quadro 6 retrata o que foi trazido nas falas dos(as) usuários(as) no que se refere aos
aspectos subjetivos e necessidades singulares produzidos e vivenciados a partir das
experiências das atividades em grupo. Estes aspectos serão descritos a seguir.

Sentimentos
Durante o grupo focal os(as) usuários(as) relataram sentimentos de contentamento,
satisfação, prazer e alegria que sentiram nas atividades realizadas junto aos estagiários, tal
como podemos ver nos exemplos abaixo:
A5: Isso é muito prazeroso. Quando eu saio do trabalho eu venho correndo. Queria
que tivesse todos os dias.
B1: Eu não era muito de responder, sou só de ouvir. Mas me sentia leve.
C5: Com os estudantes, eles animam mais a gente. Eles chegam aqui e contam
aquelas historias bonitas deles [...] E a gente fica muito contente com eles.

Para Oliveira (2013), em atividades realizadas em grupo, a terapia ocupacional
proporciona um leque de sensações e emoções dentro de um espaço onde essas relações
acontecem. Justifica a importância do(a) estudante estar atento para que aprenda e torne-se
um profissional que seja capaz de interpretar os sentimentos expressados pelo(a) usuário(a),

61

pois ele deposita esses sentimentos ao mesmo tempo em que se espera que encontre
alternativas ao seu processo de cuidado à saúde.
Observamos que as falas acima remetem ao fato de que seja importante não haver
apenas a exteriorização das queixas e dificuldade que o levaram ao serviço, mas que ele esteja
aberto para vivenciar outras formas de se produzir saúde, a partir do compartilhamento de
sentimentos.

Efeitos terapêuticos
Em se tratando das atividades desenvolvidas pela terapia ocupacional por meio dos(as)
estudantes, concordamos com Ballarin (2007), quando afirma que espera-se que os(as)
usuários(as) percebam seus efeitos, por se tratar de atividades que objetivam sempre a um fim
terapêutico. Nas falas a seguir, é possível identificar alguns efeitos que exemplificam
características resultantes dessas atividades.
A4: É muito prazeroso e é uma terapia muito boa.
A5: Chegam a ser antidepressivos.
C6: É bom, pra quem está triste, pra quem está com desgosto né? Aí é uma atividade
boa pra gente.

Oliveira (2013) corrobora com este fato quando afirma que diante do que se é
construído dentro de uma atividade terapêutica ou um grupo, é propiciado um ambiente
favorável para enfrentar as diversidades, para suportar níveis altos de angústia e falta de
sentido, constituindo-se como um dos elementos básicos do processo terapêutico.
Por este motivo, é primordial que o(a) estudante de terapia ocupacional compreenda
que é durante a atividade que o(a) usuário(a) pode se mostrar aberto a vivenciar os efeitos
terapêuticos que uma atividade pode produzir. Isto ocorre quando, além das queixas, ele(a)
deposita suas expectativas e busca um trabalho do(a) terapeuta(a) que possa alcançar soluções
para seus problemas. Neste momento, o(a) usuário(a) pode, como exemplo, externalizar
sentimentos de bem-estar, ou alívio de seus sintomas depressivos, como visto acima.

Valorização de si
Para Oliveira (2013), muitas vezes os(as) usuários(as) não esperam dos profissionais
de saúde somente soluções para seus problemas de saúde, mas também buscam receptividade
e acolhimento. Quando isso acontece, o(a) usuário(a) mostra-se mais seguro, valorizado,
reconhecendo seu papel e pode demonstrar o que sente. Isso foi observado nas seguintes falas:
A10: Eu me sinto muito importante.

62

A9. E eles (participantes do grupo) se sentem muito importantes, queridos,
valorizados, porque é tanta opinião e elas (estudantes) querem ouvir opinião da
gente. Elas perguntam, elas interagem.
B2: Todas as aulas que participei, gostei muito, aprendi muito aqui. Eu me senti útil
e lembrava alguma coisa, quando chegava em casa eu ia ler.

Durante estas experiências práticas, é importante que os(as) estudantes percebam que
os(as) usuários(as) mostram-se mais atuantes no processo de cuidados com a saúde diante de
atitudes que os(as) façam sentir valorizados(as). Ferreira e Conadá (2017) afirmam que, em
uma relação em que o(a) usuário(a) é considerado(a) em seu saber específico, ele se
reconhece como parte da ação. Portanto, agora a atividade adquire sentido para si, e ele(a) se
engaja na busca de melhorias da sua própria saúde.
Por isso, é necessário o acolhimento e suas implicações vinculares junto ao saber
clínico. É fundamental levar em consideração a valorização do usuário, pois ele busca um
trabalho clínico centrado em si e em uma solução para seus problemas (OLIVEIRA, 2013).
Observamos, também, nas falas que nos remetem às práticas grupais cotidianas, que a
participação em grupo pode propiciar um efeito potencializador no que se refere a valorizar as
habilidades e potencialidades de cada participante. Esta valorização pode partir do(a)
terapeuta, do(a) estudante em formação ou do próprio grupo, quando eles reconhecem suas
próprias qualidades.

Motivação
Para que o(a) usuário(a) mostre-se motivado e mantenha esta participação ativa nos
grupos e no processo de cuidados de sua saúde, é necessário que haja estabelecimento de
relações, de vínculos, fazendo com que ele sinta-se seguro, sinta querer estar com a outra
pessoa, manter-se integrado (CASTRO, 2007).
B2: Quando eles faltam, a gente sente falta também. Quando eles vêm, a gente se
anima.

Quando isso acontece, o(a) usuário(a) mantém uma relação de interação com o outro e
mostra-se motivado em participar de ações de cuidado e compartilhar experiências. Nas
seguintes falas, é possível perceber que esse processo de vinculação vem acontecendo, onde a
presença do(a) estudante de terapia ocupacional influencia na participação dos(as)
usuários(as) nas atividades, levando-os a sentirem-se motivados:
A8: Às vezes a gente vem com preguiça, eles nos animam.
A9: E a gente vem em consideração porque a gente vê como eles estão motivados
em trazer o melhor pra gente. E isso é motivador.

63

De acordo com Friedrich et al. (2018), o “vínculo” constituiu a maneira como os(as)
usuários(as) relacionaram-se no contexto do grupo, por meio da conversa, do incentivo e da
convivência, sendo definido como motivo de adesão e permanência dos sujeitos às práticas
grupais.
A motivação é intrínseca e deve partir do próprio usuário, mas são esses fatores
externos que permitem seu desenvolvimento, como vimos nas expressões acima referentes ao
vínculo estabelecidos nos grupos e à interação existente entre eles.

Relação Afetiva
Numa relação de cuidados é importante que haja o cuidado, o acolhimento e o vínculo,
sendo essas características de uma atenção voltada para a integralidade, a fim de consolidar a
corresponsabilização como condição de uma assistência resolutiva e de qualidade (JUNGLES
et al., 2011).
Dessa forma, o(a) estudante deve compreender que tudo o que for produzido durante o
processo de interação entre si, usuários(as) e atividades passa a fazer mais sentido quando
compreende-se que o(a) usuário(a) é elemento fundamental no cuidado com sua saúde,
considerando seu conhecimento, contextos, sentimentos e saberes.
Além disso, o desenvolvimento dessas atividades em grupo que permite a interação e o
fortalecimento de vínculos, faz com que os envolvidos não se limitem a uma relação
profissional-usuário(a), mas mantenham uma relação de afetividade, como podemos observar
na seguinte fala:
A9: [...] Cria-se uma empatia. Uma amizade que é levada daqui para frente, acaba
levando pra toda a vida.

Para Oliveira (2013), com base nos escritos de Pichon-Rivière relativos ao
estabelecimento da relação terapêutica, ela é construída através da partilha, da troca, do
diálogo entre as partes envolvidas, possibilitando a criação do vínculo.
Dessa forma, o grupo não se torna apenas um lócus para a educação, mas através do
vínculo formado entre os participantes do grupo e os coordenadores (terapeuta ocupacional e
estudantes) são possíveis as trocas, ampliação das possibilidades de aprendizagem mútua,
compartilhamento de experiências e apoio para o enfrentamento das adversidades.

Posição de saberes
Junto a esta característica, na realização de um grupo, podemos perceber que há um
incentivo também a uma postura de respeito ao diferente, favorecendo o diálogo e o

64

surgimento de novos valores, novas formas de ações colaborativas e considerando as diversas
maneiras de se posicionarem nas relações sociais no cotidiano. A exemplo disso, a diferença
de cultura, idade e experiências entre os(as) estudantes e os(as) usuários(as) participantes de
um grupo de idosos(as) fazem com que surja o respeito às diferentes opiniões, permitindo a
dinâmica do diálogo e o jogo de posições:
C5: os alunos aprendem com nossa velhice, as histórias que a gente tem, aquelas
historias antigas e eles acham bom.

Como também podemos perceber o posicionamento entre eles diante de
conhecimentos, qualidades e opiniões diferentes, observado neste diálogo:
A3: Eu me sinto muito bem. Embora que eu não saiba. Acontece que de mim pra
vocês tem muita diferença [...] porque eu não sei lê.
A9: A única diferença é que o senhor é homem e nós somos mulheres, o resto tem
diferença nenhuma [...] Você tem outras qualidades. Principalmente sua educação,
sua pontualidade.

No diálogo acima, podemos observar que há um jogo de posições de saberes, quando
o(a) usuário(a) fala que entre eles há muita diferença, explicando que não tem conhecimento
porque não sabe ler. No entanto, o acolhimento e o respeito às diferenças fazem com que haja
o encorajamento pelos demais participantes do grupo, de forma que o estimulam e fortalecem
suas características positivas.
Ao mesmo tempo em que se é trabalhado para que o(a) usuário(a) torne-se o núcleo
produtor de saúde, incentivando-o para ser autor nas práticas de cuidado, é possível observar
que ele(a) ainda acredita estar numa posição de saber abaixo daquele que traz a informação,
ou seja, há sobreposição de saberes científicos sobre o saber popular.
Para Junges et al. (2009), isso acontece porque criou-se um sistema onde muitos
profissionais entendem que a solução para todos os males estão no conhecimento científico e
acabam despersonalizando a pessoa e desqualificando valores e práticas do saber não
científico. Portanto, é importante que o(a) estudante compreenda que desse modo o(a)
usuário(a) pode permanecer muitas vezes passivo, pois ele(a) está sendo excluído como
coprodutor do processo de saúde/doença, levando-o a acreditar que o(a) profissional é o único
detentor do saber.
Nos resultados de nossa pesquisa isso não ocorreu. No exemplo abaixo podemos
observar que os(as) estudantes vivenciaram situações onde houve mudanças nas relações de
saber e poder, com consequente valorização do saber do(a) usuário(a):
C2: Eles (estudantes) estão aprendendo mais porque uma pessoa que tem mais idade
tem uma certa experiência. A pessoa é jovem, mas os velhos, as pessoas idosas de
antigamente tem muita coisa que as vezes o jovem não sabe e a gente vai na

65

experiência da gente ajuda também a eles, e eles na profissão deles que estão
aprendendo, ajuda a gente também.

Dessa maneira, reconhecer o(a) usuário(a) também como produtor de saúde, perceber
a importância de considerar seu saber popular e experiências de vida são significativos para a
terapêutica, transformando saberes e poderes entre estudantes, profissionais e usuários(as).

Necessidade de falar de si
Uma outra importante característica que devemos considerar é que o(a) usuário(a) traz
consigo um conjunto de experiências e sentimentos que, em determinadas atividades, ele(a) as
relacionam com acontecimentos de sua vida. No momento em que sente-se seguro(a),
geralmente após de estabelecimentos de vínculos, é motivado a externalizar o que mais está
sobrepondo no momento da interação, havendo grande necessidade de falar de si, como
aconteceu na seguintes fala:
C6: Eu mesma que vivia, que vivo um pouco assim por causa que aconteceu muita
coisa na minha vida. Eu estando aqui no meio deles eu me alegro mais um
pouquinho. Porque eu moro só, eu sou viúva, aí meu marido morreu, levaram meu
filho, tiraram a vida do meu filho. Então eu me distraio aqui.

Uma situação onde o falar é tomado como uma atividade a mais, e por estar
comprometido com o fazer, assegura-se um forte compromisso com a realidade externa.
Talvez seja por isso que o(a) usuário(a) traga situações do cotidiano ditas conflitantes, para o
momento da realização da atividade. Nesse campo podem brotar ocorrências afetivas que
verdadeiramente levaram o indivíduo a procurar ou a se manter na terapia ocupacional
(BENETTON, 1994).
Por isso, o(a) estudante de terapeuta ocupacional deve estar atento a estas falas, pois
a partir delas que se é possível encontrar sentidos que são importantes para a execução das
atividades de terapia ocupacional.

1.6.2.3 Sugestões de melhorias à prática discente de terapia ocupacional no Nasf-AB

Esta subseção se constitui de sugestões trazidas pelos(as) usuários(as) quanto ao
desenvolvimento de atividades em grupo proporcionadas durante o estágio curricular
obrigatório em terapia ocupacional. É importante considerá-las não para serem estaticamente
estruturadas, mas para que permitam direcionar as propostas de intervenções e estas sejam
significativas e eficazes junto à população assistida pelo Nasf-AB. Estas propostas foram

66

relacionadas à estrutura e alguns elementos do desenvolvimento das atividades, como duração
e continuidade, que serão descritas a seguir.

Estrutura
A esta questão, nossos interlocutores trouxeram sugestões em relação ao ambiente e
recursos a serem utilizados nas realizações de grupos e de atividades de terapia ocupacional,
tal como pode ser visto a seguir:
A9: As meninas vêm com muita vontade, mas muitas vezes existe uma limitação
talvez de recursos. Então, a gente gostaria de mais exercícios de terapia ocupacional
na prática no dia a dia pra gente aplicar.
C5: Que fosse num horário que não tivesse tanto movimento aí dentro, não era? [...]
e então, colocar mais uns banquinhos aí, pra o povo ficar tudo de frente um com o
outro. Melhorar o espaço.

As falas exemplificam o desejo de muitos(as) usuários(as) participantes dos grupos de
mais adequações para a aplicação de atividades. De acordo com as afirmativas, podem estar
acontecendo poucas práticas devido a limitações de materiais e ambiente pouco adequado.
Para Silva (2007), para que seja possível a realização de atividades de terapia
ocupacional, é necessária uma preparação do ambiente e dos materiais para seu
desenvolvimento. Ballarin (2007) complementa a afirmativa quando refere que a preparação
do ambiente é um importante elemento na constituição do setting terapêutico ocupacional,
sendo este definido como um local que deve possibilitar o desenvolvimento da atividade e
permitir o alcance da finalidade terapêutica.
Este cuidado deve fazer parte do planejamento do(a) estudante quando este monta o
plano de intervenção para o trabalho em grupo. É, pois, a partir do exercício prático que os(as)
usuários participantes dão continuidade ao que aprendem, aplicando no seu dia a dia.

Duração e continuidade
Para Castro (2007), o tempo de acompanhamento aos grupos também é importante e
varia de acordo com a necessidade e demandas afinadas com o projeto terapêutico do grupo.
Mas observamos que os(as) usuários(as) sentem uma necessidade de aumentar o tempo junto
aos estagiários quando expressam:
A2: Mais com relação ao tempo, eu acho que o espaço de tempo é muito pouco. Pelo
o que eles trazem e o que têm pra nos oferecer, o tempo é pouco.
A1: E a gente sente falta quando elas não vêm. Demoram a vir. Porque, quando a
gente está começando a gostar, elas vão embora.

67

Quando não há esta continuidade, uma constância, o que poderia ser construído fica
comprometido. Podemos observar que os(as) usuários sentem esta necessidade de
continuidade, quando falam que seja preciso:
B1: Continuar com mais atividade que é muito importante pra gente. Com mais
frequência.
B5: Porque fazem uma coisa e nós que somos velhos e não estamos mais pra nada,
esquece. Como agora mesmo que a gente esqueceu de muita coisa que já passou por
aqui.

A frequência e continuidade no cuidado e manejo com os grupos permitem o
estabelecimento de vínculos, que se constroem na experiência interpessoal no relacionamento
que vai se estabelecendo entre usuário(a) e terapeuta – no caso aqui tratado, o(a) estudante) onde passam a vivenciar uma experiência compartilhada. Nessa experiência, o(a) usuário(a)
tem a possibilidade de pensar sobre si, tomar iniciativa de alcançar objetivos tornando-se
autor de suas próprias ações (CASTRO, 2007).
No entanto, é preciso considerar que o tempo é estabelecido previamente de acordo
com o planejamento de objetivos e alcance de metas. Além disso, está em consonância com a
Universidade que alinha os aspectos relativos ao estágio curricular, como o início e término
do mesmo.
Podemos considerar que a pesquisa permitiu um processo avaliativo que nesta
subseção pôde ser destacada, ainda que não utilizasse instrumentos padronizados ou que
permitissem maior aprofundamento. Consideramos tratar de uma contribuição à avaliação e
melhoria do estágio e dos serviços oferecidos pela terapia ocupacional onde há a participação
ativa de estudantes do referido curso, além de poder servir de material de base para os
necessários aprofundamentos e ampliações com perspectivas avaliativas.

1.7 Considerações Finais

A busca de estudos sobre a atuação a partir da inserção de estudantes nos diferentes
níveis assistenciais, essencial para fundamentação deste trabalho, foi desafiador, pois embora
o MEC preconize nas diretrizes curriculares a inserção de estudantes, pouco se investiga sobre
a opinião dos(as) usuários(as) do SUS a respeito dessa atuação. No entanto, a pesquisa aqui
apresentada

permitiu

uma

investigação

considerando

uma

vivência

anterior

e

acompanhamento desses discentes no contexto desses usuários(as), sendo os achados
construídos a longo prazo, e não de forma única e pontual, como vista na maioria das
pesquisas encontradas sobre o tema.

68

Além disso, o trabalho trouxe importantes reflexões em relação a alguns aspectos que
são de significativa relevância: Possibilitou a visibilidade às opiniões dos(as) usuários(as) em
relação à atuação de acadêmicos e o conhecimento dos resultados dessa atuação dos discentes
nas atividades do Nasf-AB com usuários(as) do serviço.
Estes resultados compreendem a discriminação pelos(as) usuários(as) das atividades
de terapia ocupacional realizadas pelos(as) estudantes, mesmo sem o conhecimento técnico
aprofundado referente à especificidade da terapia ocupacional. Observamos que estas práticas
levaram a aquisição de benefícios a todos os envolvidos, e ao surgimento de efeitos
relacionados aos aspectos subjetivos e sociais decorrentes da participação nestas atividades.
A pesquisa mostrou que, para a intervenção da terapia ocupacional, é de fundamental
importância o conhecimento prévio da atividade a ser realizada e que os(as) usuários(as)
compreendam os motivos que os levam ao exercício de uma determinada atividade. Isto é
importante porque eles podem ser capazes de identificar profundamente os benefícios
existentes na atividade, que vão além da técnica e dos materiais utilizados. Por isso, é
necessário que neste processo de formação, os(as) estudantes de terapia ocupacional
compreendam que a prática deva acontecer de forma mais clara e, assim, quando aplicarem,
seja possível o reconhecimento pelo(a) usuário(a) de seu processo de saúde-doença, assim
como a compreensão dos objetivos que serão buscados na intervenção terapêutica.
Além disso, para o desenvolvimento de atividades proporcionadas pela terapia
ocupacional, deve haver uma continuidade, de forma que o processo construído junto aos(às)
usuários(as) não se interrompa, cabendo esta preocupação por todos os envolvidos,
principalmente entre o término de um estágio e início do próximo.
Portanto, que os aspectos trazidos possam servir de base para melhorias na atenção
prestada no que se refere ao que a terapia ocupacional pode proporcionar neste campo de
atuação na AB, e principalmente contribua com o processo de formação profissional e melhor
direcionamento de estágios subsequentes, orientando os(as) estudantes para uma prática
efetiva.
Todavia, é importante considerar que houve ausência de declarações negativas
referentes a essa prática discente no Nasf-AB. Isso não significa que não existam, ao
contrário, tais aspectos podem existir e poderiam contribuir também para o melhoramento
dessa prática. E por isso, nos leva a refletir os possíveis motivos que não foram apresentados.
Para isso, talvez seria necessária uma posterior pesquisa para produção dessas informações
Embora este estudo tenha trazido muitas características da terapia ocupacional no
desenvolvimento de atividades com grupos no Nasdf-AB, não foi objetivo avaliar a atuação

69

deste profissional. Além disso, também apontou algumas barreiras físico-estruturais que,
certamente, podem influenciar na atenção prestada aos usuários do serviço, mas também não
foi objetivo nesta escrita. No entanto, tais achados podem contribuir como sinalizadores para
pesquisas futuras.
As considerações e aprofundamentos trazidos neste estudo nos levaram a identificar as
contribuições da prática discente no cuidado dos(as) usuários(as) assistidos. Assim como foi
possível concluir que essas contribuições trazem benefícios no que se refere ao processo de
cuidado, a qualificação das atividades desenvolvidas pela equipe NASF-AB com a
participação dos(as) estudantes e a melhorias à saúde dos(as) usuários(as) que tiveram a
oportunidade de participar.

Simultaneamente a esses benefícios, os resultados indicam

também que há melhorias no que se refere ao processo de ensino-aprendizagem e na
integração ensino-serviço-comunidade.

REFERÊNCIAS

ALBUQUERQUE, A. B.; DEVEZA, M. Adesão ao tratamento na prática do Médico de
Família e Comunidade e na Atenção Primária à Saúde. Porto Alegre: Promef-Artmed,
2009.
ALBUQUERQUE, V. S.; GOMES, A. P.; REZENDE, C. H. A.; SAMPAIO, M. X.; DIAS, O.
V.; LUGARINHO, L. M. A integração ensino-serviço no contexto dos processos de mudança
na formação superior dos profissionais da saúde. Revista Brasileira de Educação
Médica, Rio de Janeiro, v. 32, n.3, 2008. Disponível em:
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S010055022008000300010&lang=pt. Acesso em: 15 out. 2015.
ALMEIDA, E. S.; CASTRO, C. G. J.; VIEIRA, C. A. L. Distritos Sanitários: Concepção e
Organização. Volume 1. São Paulo: Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São
Paulo, 1998.
ALMEIDA, F. C. M.; MACIEL, A. P. P.; BASTOS, A. R.; BARROS, F. C.; IBIAPINA, J.
R.; SOUZA, S. M. F.; ARAÚJO, D. P. Avaliação da Inserção do Estudante na Unidade
Básica de Saúde: Visão do Usuário. Revista Brasileira de Educação Médica, Rio de
Janeiro, v. 36, n.1, 2012. Disponível em:
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S010055022012000200005&lang=pt. Acesso em: 01 set. 2016.
ALVES, G. G.; AERTS, D. As práticas educativas em saúde e a estratégia saúde da família.
Ciência & Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 16, n. 1, 2011. Disponível em:
http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1413-81232011000100034&script=sci_arttext. Acesso
em: 31 jun. 2016.

70

ALVES, V. S. Um modelo de educação em saúde para o Programa Saúde da Família: pela
integralidade da atenção e reorientação do modelo assistencial. Interface, Botucatu, v. 9, n.
16, pp. 39-52, 2005. Disponível em:
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttextπd=S141432832005000100004&lng=en&nr
m=iso. Acesso em: 16 ago. 2018.
ANDRADE, L. M. B. QUANDT, F. L.; CAMPOS, D. A.; DELZIOVO, C. R.; COELHO, E.
B. S.; MORETTI-PIRES, R. O. Análise da implantação dos Núcleos de Apoio à Saúde da
Família no interior de Santa Catarina. Saúde & Transformação Social, Florianópolis, v. 3, n.
1, p. 18-31, 2012. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?pid=S217870852012000100005&script=sci_arttext. Acesso em: 15 fev. 2019.
ARAGAKI, S. S.; LIMA, M. L. C.; PEREIRA, C. C. Q.; NASCIMENTO, V. L. V.
Entrevistas: Negociando sentidos e Coproduzindo Versões de Realidade. In: SPINK, M. J.;
BRIGAGÃO, J.; NASCIMENTO, V.; CORDEIRO, M. A produção de informação na
pesquisa social: compartilhando ferramentas. 1ªedição. Rio de Janeiro: Centro Edelstein de
Pesquisas Sociais, 2014. p.57-72.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 10520: Informação e
documentação: Citações em documentos. Rio de Janeiro, 2002.
BALDOINO, A.S.; VERAS, R.M. Análise das atividades de integração ensino-serviço
desenvolvidas nos cursos de saúde da Universidade Federal da Bahia. Revista da Escola de
Enfermagem da USP. v.50 n.spe, São Paulo, Jun. 2016. Disponível em:
http://www.scielo.br/pdf/reeusp/v50nspe/pt_0080-6234-reeusp-50-esp-0017.pdf. Acesso em:
16 ago. 2018
BALLARIN, M. L. G. S. Abordagens Grupais. In: CAVALCANTE, A.; GALVÃO, C.
Terapia Ocupacional Fundamentação & Prática. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan,
2007. p. 38-43.
BENETTON, M. J. O Encontro do Sentido do Cotidiano na Terapia Ocupacional para a
Construção de significados. Revista CETO, São Paulo, v. 12, n. 12, p.32-39, 2010.
Disponível em: ceto.pro.br/revistas/12/12-6.pdf. Acesso em: 20 jun. 2019.
BENETTON, M.J.; MARCOLINO, T.Q. As Atividades no Método Terapia Ocupacional
Dinâmica. Caderno de Terapia Ocupacional. UFSCar, São Carlos, v.21, n.3, p.645-652, 2013.
Disponível em:
http://www.cadernosdeterapiaocupacional.ufscar.br/index.php/cadernos/article/view/925.
Acesso em: 22 jul.2019.
BENETTON, M. J. Terapia Ocupacional como instrumento nas ações de Saúde Mental.
1994. [203] f. Tese (doutorado) - Universidade Estadual de Campinas, Faculdade de Ciências
Medicas, Campinas, SP. Disponível em:
http://www.repositorio.unicamp.br/handle/REPOSIP/308292. Acesso em: 19 jun. 2019.
BRASIL. Conselho Nacional de Educação. Câmara de Educação Superior. Resolução
CNE/CES 6, de 19 de fevereiro de 2002. Institui Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso
de Graduação em Terapia Ocupacional. Diário Oficial da República Federativa do Brasil,

71

Brasília, 4 mar. 2002. Seção 1, p. 12. Disponível em:
http://portal.mec.gov.br/cne/arquivos/pdf/CES062002.pdf. Acesso em: 22 mar. 2017.
BRASIL. Ministério da Saúde (MS). Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na
Saúde. Departamento de Gestão e da Regulação do Trabalho em Saúde. Câmara de
Regulação do Trabalho em Saúde. Brasília: MS; 2006.
BRASIL. Resolução CNE/CES 6, de 19 de fevereiro de 2002. Define as Diretrizes
Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Terapia Ocupacional. Diário Oficial da
República Federativa do Brasil, Poder Executivo, Brasília, DF, 4 mar. 2002. Disponível em:
http://portal.mec.gov.br/cne/arquivos/pdf/CES062002.pdf. Acesso em: 15 fev. de 2019.
BRASIL. Ministério da Saúde. Princípios e diretrizes para a gestão do trabalho no SUS
(NOB/RH-SUS). Ministério da Saúde, Conselho Nacional de Saúde. 3. ed. rev. atual.
Brasília: Ministério da Saúde, 2005. Disponível em:
http://conselho.saude.gov.br/biblioteca/livros/nob_rh_2005.pdf. Acesso em: 25 fev. 2017.
BRASIL. Ministério da Saúde. Política nacional de atenção básica. Ministério da Saúde,
Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção à Saúde. Brasília: Ministério da
Saúde, 2006.
BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº1996, de 20 de agosto de 2007. Disponível em:
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2007/prt1996_20_08_2007.html. Acesso em: 25
fev. 2017.
BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria GM nº 154, de 24 de janeiro de 2008. Cria os Núcleos
de Apoio à Saúde da Família – Nasf. Diário Oficial da República Federativa do Brasil,
Brasília, 25 jan. 2008a. Seção 1. Disponível em:
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2008/prt0154_24_01_2008.html. Acesso em: 22
mar. 2017.
BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. Nova Cartilha Esclarecedora Sobre a Lei do
Estágio. Brasília: Ministério do Trabalho e Emprego, 2010. Disponível em:
http://www.brasil.gov.br/economia-e-emprego/2016/08/cartilha-mte-estagio.pdf. Acesso em:
25 fev. 2017.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção
Básica. Diretrizes do NASF: Núcleo de Apoio a Saúde da Família. Brasília: Ministério da
Saúde, 2010.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção
Básica. Núcleo de Apoio à Saúde da Família- Ferramentas para a gestão e para o
trabalho no cotidiano. Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de
Atenção Básica. Brasília: Ministério da Saúde, 2014.
BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria GM nº2436, de 21 de setembro de 2017. Aprova a
Política Nacional de Atenção Básica. Diário Oficial da República Federativa do Brasil,
Brasília, 22 set.2017. Seção 1. Disponível em: http://www.in.gov.br/materia//asset_publisher/Kujrw0TZC2Mb/content/id/19308123/do1-2017-09-22-portaria-n-2-436-de21-de-setembro-de-2017-19308031. Acesso em 22 jul. 2019.

72

BRIGAGÃO, J. I. M.; NASCIMENTO, V. L. V.; TAVANTI, R. M. T.; PIANI, P. P.;
FIGUEIREDO, P. P. Como Fazermos para Trabalhar com a dialogia: A Pesquisa com grupos.
In: SPINK, M.J.; BRIGAGÃO, J.; NASCIMENTO, V.; CORDEIRO, M. A produção de
informação na pesquisa social: compartilhando ferramentas. 1ªedição, Rio de Janeiro:
Centro Edelstein de Pesquisas Sociais, 2014. p.73-96.
CABRAL, L. R. S.; BREGALGA, M. M. A atuação da terapia ocupacional na atenção básica
à saúde: uma revisão de literatura. Caderno de Terapia Ocupacional. UFSCAR, São Carlos,
v. 25, n. 1, p. 179-189, 2017. Disponível em: http://dx.doi.org/10.4322/01044931.ctoAR0763. Acesso em: 14 fev. 2019.
CAETANO, J. A.; DINIZ, R. C. M.; ENEDINA, S. Integração Docente – Assistencial sob a
ótica dos profissionais de Saúde. Revista Cogitare Enfermagem. UFCE, Ceará, v. 14, n. 4,
p. 638, 2009. Disponível em: https://revistas.ufpr.br/cogitare/article/view/16376/10857.
Acesso em: 14 fev. 2019.
CALDEIRA, E.S.; LEITE, M.T.S.; NETO, J.F.R. Estudantes de Medicina nos Serviços de
Atenção Primária: Percepção dos Profissionais. Revista Brasileira de Educação Médica.
Rio de Janeiro, v.35, n.4, p. 477-485, 2011. Disponível em:
http://www.scielo.br/pdf/rbem/v35n4/a06v35n4.pdf. Acesso em 14 set. 2019.
CAMPOS, G.W.S. Saúde paidéia. São Paulo: Hucitec, 2007.
CAMPOS, M.A.F.; FORSTER, A.C. Percepção e avaliação dos alunos do curso de medicina
de uma escola médica pública sobre a importância do estágio em saúde da família na sua
formação. Revista Brasileira de Educação Médica. Rio de janeiro, v.32, n.1, 2008.
Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S010055022008000100011&lng=en&nrm=iso&tlng=pt. Acesso em: 14 set. 2019.
CARVALHO, F. F. B. Práticas Corporais e atividades físicas na atenção Básica do SUS: Ir
além da prevenção de doenças crônicas não transmissíveis é preciso. Movimento. Revista da
Escola de Educação Física da UFRGS, Porto Alegre, v. 22, n. 2, p.647-658, 2016.
Disponível em: www.seer.ufrgs.br/Movimento/article/download/58174/37391. Acesso em: 01
jul. 2019.
CASTRO, E. D. Relação Terapeuta-paciente. In: CAVALCANTE, A.; GALVÃO, C.
Terapia Ocupacional Fundamentação & Prática. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan,
2007. p.28-34
CASTRO, E.D.; LIMA, L.J.C.; NIGRO, G.M. Convivência, trabalho em grupo,
formatividade e práticas territoriais na interface arte-saúde-cultura. In: MAXIMINO, V.;
LIBERMAN, F. Grupos e Terapia Ocupacional: Formação, pesquisas e ações. São Paulo:
Summus, 2015.
CISNERO, L. L.; GONÇALVES, L. A. O. Educação terapêutica para diabéticos: os cuidados
com os pés na realidade de pacientes e familiares. Ciência & Saúde Coletiva, Rio de Janeiro,
v. 16, n. supl. 1, 2011. Disponível em:
http://www.scielosp.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S141381232011000700086&lang=pt. Acesso em: 16 ago. 2018.

73

COLLISELLI, L.; TOMBINI, L. H. T.; LEBA, M. E.; REIBNITZ, K. S. Estágio curricular
supervisionado: diversificando cenários e fortalecendo a interação ensino serviço. Revista
Brasileira de Enfermagem [periódicos na internet], v. 62, n. 6, pp.932-937, 2009.
Disponível em:
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttextπd=S003471672009000600023&lng=pt.
Acesso em: 16 ago. 2018.
DIAS, A. R. N.; PARANHOS, A. C. M.; TEIXEIRA, R. C.; DOMINGUES, R. J. S.;
KIETZER, K. S.; FREITAS, J. J. S. Preceptoria em saúde: percepções e conhecimento dos
preceptores de uma unidade de ensino e assistência. Revista Educação Online, n. 19, p.8399, 2015. Disponível em: educacaoonline.edu.pucrio.br/index.php/eduonline/article/download/176/pdf/. Acesso em: 08 mai. 2017.
FERREIRA, G. I.; CANODÁ, E. Construcionismo Social e a Lógica de Cuidado na
Contemporaneidade. 2016. 24f. Trabalho de Conclusão de Curso – Universidade Regional
Integrada do Alto Uruguai e das Missões, 2016.
FERREIRA, R. C.; FIORINI, V. M. L.; CRIVELARO, E. Formação Profissional no SUS: O
Papel da Atenção Básica em Saúde na Perspectiva Docente. Revista Brasileira de Educação
Médica, v. 34, n. 2, 2010. Disponível em:
http://www.scielo.br/pdf/rbem/v34n2/a04v34n2.pdf. Acesso em: 08 mai. 2017.
FERRO, L. F.; SILVA, E. C.; ZIMMERMANN, A. B.; CASTANHARO, R. C. T.;
OLIVEIRA, F. R. L. Interdisciplinaridade e intersetorialidade na Estratégia Saúde da Família
e no Núcleo de Apoio à Saúde da Família: Potencialidades e desafios. O Mundo da Saúde,
São Paulo, v. 38, n. 2, p. 129-138, 2014. Disponível em: http://www.saocamilosp.br/pdf/mundo_saude/155562/A01.pdf. Acesso em: 25 fev. 2017.
FEUERWERKER, L. C. M. A construção de sujeitos no processo de mudança da formação
dos profissionais de saúde. Divulgação em Saúde para Debate, Rio de Janeiro, n. 22, p. 1824, 2000.
FRAGA, A.B.; CARVALHO, Y.M.; GOMES, I.M. Políticas de Formação em Educação
Física e Saúde Coletiva. Revista Trabalho, Educação e Saúde, Rio de Janeiro, v.10, n.3, p.
367-386, 2012. Disponível em:
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1981-77462012000300002. Acesso
em 14 set. 2019.
FRIEDRICH, T.L.; PETERMANN, X.B.; MIOLO, S.B.; PIVETTA, H.M.F. Motivações para
práticas coletivas na Atenção Básica: Percepção de usuários e profissionais. Interface –
Comunicação, saúde e educação, Botucatu, vol.22, n.65, p.373-385, 2018. Disponível em:
http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S141432832017005016102&script=sci_abstract&tlng=pt. Acesso em: 24 jul. 2019.
GILL, C.R.R. Atenção Primária, atenção básica e saúde da família: sinergias e singularidades
do contexto brasileiro. Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v.22, n.6, p.1171-1181,
2006. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102311X2006000600006&lang=pt. Acesso em: 26 fev.2017

74

GILL P.; STEAWART, K.; TREASURE, E.; CHADWICK, B. Methods of data collection in
qualitative research: interviews and focus groups. Bdj [Internet], v. 204, n. 6, p. 291–5,
2008. Disponível em: http://www.nature.com/doifinder/10.1038/bdj.2008.192. Acesso em: 25
jun. 2019.
JUNGES, J. R.; BARBIANI, R.; SOARES, N. A.; FERNANDES, R. B. P.; LIMA, M. S.
Saberes populares e cientificismo na estratégia saúde da família: complementares ou
excludentes? Ciências & saúde coletiva, Rio de Janeiro, v. 16, n. 11, 2011. Disponível em:
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S141381232011001200005&lng=en&nrm=iso&tlng=pt. Acesso em: 14 fev. 2019.
LANCMAN, S.; BARROS, J.O. Estratégia de saúde da família (ESF), Núcleo de Apoio à
Saúde da Família (NASF) e terapia ocupacional: problematizando as interfaces. Revista de
Terapia Ocupacional da Universidade de São Paulo. v.22, n.3, 2011. Disponível em:
https://www.revistas.usp.br/rto/article/view/46444. Acesso em: 10 jun. 2019.
LIMA, A. C. S.; FALCÃO, I. V. A formação do terapeuta ocupacional e seu papel no Núcleo
de Apoio à Saúde da Família – NASF do Recife, PE. Caderno de Terapia Ocupacional,
UFSCAR, São Carlos, v. 22, n. 1, p. 3-14, 2014. Disponível em:
http://dx.doi.org/10.4322/cto.2014.002. Acesso em: 19 ago. 2018.
LIMA, E. M. F. A. A análise de atividade e a construção do olhar do terapeuta ocupacional.
Rev.Ter. Ocup. Univ. São Paulo, São Paulo, v. 15, n. 2, p. 42-8, 2004.
LIMA, E. M. F. A.; PASTORE, M. N.; OKUMA, D. G. As atividades no campo da Terapia
Ocupacional: mapeamento da produção científica dos terapeutas ocupacionais brasileiros de
1990 a 2008. Rev. Ter. Ocup. Univ. São Paulo, São Paulo, v. 22, n. 1, p. 68-75, 2011.
LIMA, E. A. Clínica e Criação: A utilização de atividades em Instituições de Saúde
Mental. 1997. Trabalho de Conclusão de Curso (Mestrado) – Pontifícia Universidade
Católica, São Paulo, 1997.
LONGATTI, T. I.; MAXIMINO, V.; LIBERMAN, F.; SAVANI, A.C.C. O Grupo na
Formação em Terapia Ocupacional: Uma ótica das Alunas. In: MAXIMINO, V.;
LIBERMAN, F. Grupos e Terapia Ocupacional: Formações, pesquisas e ações. São
Paulo: Summus, 2015.
MACIEL, M. S. et al. Ações de saúde desenvolvidas pelo Núcleo de Apoio à Saúde da
Familia – NASF. Revista Saúde, Santa Maria, v.41, n.1, jan/jul. p.117-122, 2015. Disponível
em: https://periodicos.ufsm.br/revistasaude/article/view/13283. Acesso em 14 fev. 2019.
MARCOLINO, T.Q.; FANTINATTI, E. N. A transformação na utilização e conceituação de
atividades na obra de Jô Benetton. Revista de Terapia Ocupacional da Universidade de
São Paulo, São Paulo, v.25, n.2, p. 142-150, 2014. Disponível em:
http://www.revistas.usp.br/rto/article/view/56461/pdf_53. Acesso em: 22 jul. 2019
MAXIMINO, V.; LIBERMAN, F. Cenas em formação: buscando na prática os pressupostos
para o que fazemos com grupos. In: MAXIMINO, V.; LIBERMAN, F. Grupos e Terapia
Ocupacional: Formação, pesquisa e ações. São Paulo: Summus, 2015.

75

MEDEIROS, M. H. R. Terapia Ocupacional: um enfoque epistemológico e social. São
Carlos: EdUFSCAR, 2009.
MENDONÇA, T.C.P. As Oficinas na Saúde Mental: Relato de Experiência na Internação.
Psicologia Ciência e Profissão. 2005, 25 (4), 626-635.
MENESES, K. K. P.; AVELINO, P. R. Grupos operativos na Atenção Primária à Saúde como
prática de discussão e educação: uma revisão. Cadernos de Saúde Coletiva [online], v. 24,
n. 1, pp.124-130, 2016. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1414462X2016000100124&script=sci_abstract&tlng=pt. Acesso em: 16 jul. 2019.
MERHY, E.E. Saúde: a cartografia do trabalho vivo. São Paulo: Hucitec, 2005.
MERHY, E.E.; FEUERWERKER, L.C.M. Novo olhar sobre as tecnologias de saúde: uma
necessidade contemporânea. In: MANDARINO, A.C.S.; GOMBERG, E. (Orgs.). Leituras de
novas tecnologias e saúde. São Cristóvão: Editora UFS, 2009. p.29-74. Disponível em:
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000207&pid=S14143283201300020000900012&lng=pt. Acesso em: 22 jul. 2019.
MONTREZOR, J. B. A Terapia Ocupacional na prática de grupos e oficinas terapêuticas com
pacientes de saúde mental. Cadernos de Terapia Ocupacional. UFScar, São Paulo, v. 21, n.
3, p.529-536, 2013. Disponível em: http://doi.editoracubo.com.br/10.4322/cto.2013.055.
Acesso em: 20 jun. 2019.
NASCIMENTO, V. L. V.; TAVANTI, R. M. T.; PEREIRA, C. C. Q. O Uso de Mapas
Dialógicos como Recurso Analítico em Pesquisas Científicas. In: A produção de informação
na pesquisa social: compartilhando ferramentas. 1ªedição, Rio de Janeiro: Centro Edelstein
de Pesquisas Sociais, 2014 (publicação virtual).
NEVES, J. M.; AZZI, L. M. W. A Integração Ensino e Serviço como uma Política
Estratégica. In: FERLA, A. A. et al. (Org). Cadernos da Saúde Coletiva: Integração ensino
– serviço: caminhos possíveis? Volume 2. Porto Alegre: Rede UNIDA, 2013.
NICOLAU, S.M. Grupos na Atenção Básica: Enraizar-se em uma comunidade. In:
MAXIMINO, V.; LEBERMAN, F. Grupos e Terapia Ocupacional: Formação, pesquisa e
ações. São Paulo: Simmus, 2015.
OLIVEIRA, I.G. A Relação Terapeuta-Cliente: na Perspectiva do cliente. Dissertação de
mestrado. Escola Superior de Tecnologia da Saúde do Porto. Junho, 2013.
OLIVEIRA, M.L.; COELHO, T.C. A Percepção de acadêmicos de odontologia sobre o PETSaúde UFMG/SESAU, Campo Grande/MS, 2009. Revista da ABENO, v.11, n.1, p. 76-80,
2011.
PEREIRA, I.B.; LIMA, J.C.F. Dicionário da educação profissional em saúde. 2ªed. rev. ampl.
Rio de Janeiro: EPSJU, 2008
PINTO, L. F.; GIOVANELLA, L. Do Programa à Estratégia Saúde da Família: Expansão do
acesso e redução das internações por condições sensíveis à Atenção Básica. Ciência & Saúde
Coletiva [online], v. 23, n. 6, pp.1903-1914, 2018. Disponível em:

76

http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S141381232018000601903&script=sci_abstract&tlng=pt. Acesso em: 16 jul. 2019.
PINTO, A.C.; OLIVEIRA, I.V.; SANTOS, A.L.S.; SILVA, L.E.S.; IZIDORO, G.S.L.;
MENDONÇA, R.D.; LOPES, A.C.S. Percepção dos Alunos de uma Universidade Pública
sobre o Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde. Ciência & Saúde
Coletiva [online], v.18, n.8, p.2201-2210, 2013. Disponível em:
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S141381232013000800004&lang=pt. Acesso em: 14 set. 2019
PIZZINATO, A. GUSTAVO, A. S.; SANTOS, B. R. L.; OJEDA, B. S.; FERREIRA, E.;
THIESEN, F. V.; CREUTZBERG, M.; ALTAMIRANO, M.; PANIZ, O.; CORBELLINI, V.
L. A integração ensino-serviço como estratégia na formação profissional para o SUS. Revista
Brasileira de Educação Médica, Rio de Janeiro, v. 36, n. 1, supl.2, 2012. Disponível em:
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S010055022012000300025&lang=pt. Acesso em: 15 out. 2015.
RADOMSKI, M. V.; DAVIS, E. S. Otimização das capacidades cognitivas. In: RADOMSKI,
M. V.; TROMBLY, C. A. Terapia ocupacional para disfunções físicas. São Paulo: Santos
Livraria, 2005. p. 609-627.
ROCHA, E. F.; PAIVA, L. F. A.; OLIVEIRA, R. H. Terapia ocupacional na Atenção
Primária à Saúde: atribuições, ações e tecnologias. Caderno de Terapia Ocupacional,
UFSCar, São Carlos, v. 20, n. 3, p. 351-361, 2012.
SAITO, D. Y. T.; ZOBOLI, E. L. C. P.; SCHVEITZER, M. C.; MAEDA, S. T. Usuário,
Cliente ou Paciente? Qual o termo mais utilizado pelos estudantes de enfermagem? Texto
Contexto Enfermagem, Florianópolis, v. 22, n. 1, p. 175-183, 2013. Disponível em:
http://www.scielo.br/pdf/tce/v22n1/pt_21.pdf. Acesso em: 02 jul. 2019.
SCANDIUZI, L.B.; MAXIMINO, V.; LIBERMAN, F. Fazer para conhecer: Relatos de um
grupo de jovens da região Nordeste de Santos. In: MAXIMINO, V.; LIBERMAN, F. Grupos
e Terapia Ocupacional: Formações, pesquisas e ações. São Paulo: Summus, 2015.
SECRETARIA MUNICIPAL DE SAÚDE (Maceió). Matriciamento em Saúde Mental:
Guia para profissionais de CAPS e NASF do município de Maceió. Maceió: SMS, 2019.
SERIANO, K.N.; MUNIZ, V.R.C.; CARVALHO, M.E.I.M. Percepção de estudantes do
curso de fisioterapia sobre sua formação profissional para atuação na atenção básica no
Sistema Único de Saúde. Fisioterapia e Pesquisa, São Paulo, v. 20, n. 3, 2013. Disponível
em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S180929502013000300009&lang=pt. Acesso em: 15 out. 2015.
SESAU. Cartilha de Orientação à Integração Ensino-Serviço. Gerência executiva de
Valorização de Pessoas (GEVP). Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas, 2011.
SILVA, S.N.P. Análise de Atividade. In: In: CAVALCANTE, A.; GALVÃO, C. Terapia
Ocupacional Fundamentação & Prática. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2007. p.110124.

77

SILVA, C.R.L.; SILVEIRA, S.A.S.; VASCONCELOS, K.E.L.; XAVIER, A.B. Promoção da
Saúde e Educação em Saúde nos Núcleos de Apoio à Saúde da Família (NASF) de Campina
Grande e João Pessoa-PB. Revista UNIVAP online, v. 22, n. 40, 2016. Disponível em:
https://revista.univap.br/index.php/revistaunivap/article/view/1519. Acesso em: 02 jul.2019.
SILVA, R. V.; COSTA, P. P.; FERMINO, J. S. Vivência de educação em saúde: O grupo
enquanto proposta de atuação. Trabalho, Educação e Saúde, Rio de Janeiro, v. 6, n. 3, 2008.
Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S198177462008000300014&lang=pt. Acesso em: 15 out. 2015.
SILVA, S. N. P. Análise da Atividade. In: CAVALCANTE, A.; GALVÃO, C. Terapia
Ocupacional Fundamentação & Prática. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2007. p.110124.
SPINK, M. J. P. Linguagem e Produção de Sentidos no Cotidiano. Rio de Janeiro: edição
on-line: Centro Edelstein de Pesquisas Sociais, 2010.
SPINK, M.J.P. Psicologia Social e Saúde: Práticas, saberes e sentidos. Petrópolis: Vozes,
2003.
SPINK, M. J. P. et al. A Produção de Informação na Pesquisa Social: compartilhando
ferramentas. Rio de Janeiro: Edição virtual, 2014.
SPINK, M. J. P.; FREZZA, R. M. A Perspectiva da Psicologia Social. In: SPINK, M. J. P.
Práticas Discursivas e Produções de Sentidos no cotidiano. Rio de Janeiro: Edição virtual,
2013. p.1-21.
SPINK, M. J. P.; MEDRADO, B. Uma abordagem teórico-metodológica para análise das
práticas discursivas. In: SPINK, M. J. P. Práticas Discursivas e Produções de Sentidos no
cotidiano. Rio de Janeiro: Edição virtual, 2013. p.22-41.
UNCISAL. Projeto Pedagógico do Curso de Terapia Ocupacional. Versão Resumida.
Universidade de Ciencias da Saúde de Alagoas, 2016. Disponível em:
https://www.uncisal.edu.br/wp-content/uploads/2015/02/PPC-TERAPIA-OCUPACIONAL2015.pdf. Acesso em: 04 jul. 2019.

78

2 PRODUTOS EDUCACIONAIS RELACIONADOS À PESQUISA

O Mestrado Profissional em Ensino na Saúde da Faculdade de Medicina da
Universidade Federal de Alagoas tem como um dos requisitos para composição do TACC,
além da escrita de um relato da pesquisa, a criação e a aplicação de produto de educacional.
O produto é uma produção técnico-científica decorrente da pesquisa realizada pelo
discente com o objetivo de contribuir para transformar a realidade onde o mestrando
desenvolve suas atividades profissionais, colaborar para o processo de ensino-aprendizagem,
na formação profissional em saúde e na integração ensino-serviço-comunidade.
Dessa forma, será apresentado o produto educacional decorrente da pesquisa
intitulada:

“AS

CONTRIBUIÇÕES

DA

PRÁTICA

DISCENTE

DE

TERAPIA

OCUPACIONAL NOS NÚCLEOS AMPLIADOS DE SAÚDE DA FAMÍLIA E ATENÇÃO
BÁSICA”.
É importante esclarecer que o produto educacional pode ser avaliado pela
Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) por meio de quatro
parâmetros:
(1) Validação Obrigatória do produto por comitês ad hoc, órgão de fomento ou banca
de dissertação, (2) Registro do Produto, que expressa sua vinculação a um sistema de
informações em âmbito nacional ou internacional [ ], (3) Utilização nos sistemas de
educação, saúde, cultura ou CT&I, que expressa o demandante ou o público alvo dos
produtos, e (4) Acesso livre (on line) em redes fechadas ou abertas, nacionais ou
internacionais, especialmente em repositórios vinculados a Instituições Nacionais,
Internacionais, Universidades, ou domínios do governo na esfera local, regional ou
federal (BRASIL, 2016, p. 14).

2.1 Vídeo-animação sobre a atuação da terapia ocupacional no Nasf-AB

2.1.1 Introdução

De acordo com Nascimento e Oliveira (apud SANTOS et al., 2013), para um trabalho
efetivo na Estratégia Saúde da Família (ESF), é preciso mais do que conhecimento técnico
específico adquirido na formação inicial: requer dos profissionais conhecimentos sobre as
políticas públicas de saúde, território, perfil epidemiológico da população e rede de cuidados.
Desse modo, há também a necessidade de ter habilidade para abordar o paciente, acolher,
ouvir, comunicar-se e desenvolver um trabalho em equipe. Este último, essencial para o
desenvolvimento do trabalho no Núcleo Ampliado de Saúde da Família e Atenção Básica

79

(Nasf-AB), uma vez que é uma importante diretriz para reorganização do processo de trabalho
na ESF.
Com o objetivo de compensar possíveis lacunas que podem ser deixadas pela
academia na formação de profissionais para atuação no SUS, várias estratégias são realizadas
na prática profissional na atenção à saúde. Inclusive, muitas destas estratégias têm sido
propostas pelo governo federal, dentre elas a instituição em 2008 do Programa Nacional de
Reorientação da Formação Profissional em Saúde (Pró-Saúde), que objetiva a integração
ensino-serviço-comunidade (SANTOS et al., 2013)
Segundo Caetano, Diniz e Soares (2009), a prática profissional envolve uma série de
ações, as quais evidenciam um saber que se dá no fazer, ou seja, o conhecimento está na ação.
Este conhecimento prático é adquirido por meio de determinada atividade, quando as pessoas
passam a dar respostas imediatas aos problemas enquadrados dentro da estrutura de outros
problemas já resolvidos. Mas, no caso da atuação do estudante nestes contextos, é preciso que
ele vivencie situação nova de uma problemática para que seja desafiado a buscar meios para
solucioná-la, e assim tenha uma maior possibilidade de tornar-se um profissional capacitado
para atuação no SUS frente a inúmeros desafios de saúde da população.
Entretanto, é preciso que haja mais estratégias para que os profissionais sejam
qualificados a atuarem na Atenção Básica (AB) em conformidade com os princípios que
norteiam o SUS, ainda no processo de formação acadêmica. O terapeuta ocupacional é um
desses profissionais que atuam na AB, compondo especificamente a equipe Nasf-AB, cujo
programa tem como princípio a intervenção de trabalho em equipe, e que vem sendo cada vez
mais frequente a presença de estudantes acompanhando e intervindo junto ao profissional na
atenção integral à saúde da população.
Oliver et al. (2012) referem que a terapia ocupacional é uma profissão que contribui
para a compreensão da complexidade dos problemas de saúde da população e tem contribuído
no desenvolvimento de estratégias assistenciais compatíveis com os desafios colocados pela
atenção à saúde no SUS, além de estar engajada nos movimentos que visam à
institucionalização das articulações ensino-serviço para maior qualificação de seus
profissionais. Para os autores, são muitos os desafios colocados tanto para melhor qualificar
esse ensino e integração com o serviço e a comunidade quanto para realizar, na prática
assistencial, a radical universalização da atenção e o exercício de direitos da população
acompanhada em terapia ocupacional.
O trabalho generalista do terapeuta ocupacional no Nasf-AB e também das demais
profissões que compõe a equipe pode levar a dúvidas quanto às especificidades do seu fazer.

80

No entanto, o que a difere das demais profissões da saúde é o fato de ter como seu objeto e
instrumento de trabalho as atividades humanas (MEDEIROS, 2009). Porém, para a autora,
esse instrumental, por haver inúmeras possibilidades de interpretações e aplicações, muitas
vezes provoca dúvidas quanto em seu fazer cotidiano. No entanto, o terapeuta ocupacional
deve ter em mente que as atividades escolhidas devem implicar diretamente na qualidade de
vida dos sujeitos atendidos.
O papel da terapia ocupacional no Nasf-AB perpassa desde as atribuições gerais de
qualquer profissional da saúde inserido neste campo de atuação à sua especificidade relativa a
fundamentos da profissão e a prática das atividades terapêuticas.
Isto é importante considerar, pois é preciso que o terapeuta ocupacional e, neste caso,
o estudante em formação, tenham clareza sobre o que o usuário está compreendendo com a
execução da atividade. Para isso, Lima et al. (2011) afirmam que é preciso fortalecer as bases
teóricas da terapia ocupacional, que tem nela a atividade, para contribuir para uma melhor
definição de fronteiras conceituais da profissão, além de contribuir para a análise crítica das
práticas com atividades e para o desenvolvimento de métodos e técnicas para a sua utilização.
Além disso, é necessário que também sejam formulados subsídios tanto para a formação de
alunos de graduação, como para o entendimento desta prática pelos profissionais e usuários
do serviço.

2.1.2 Justificativa

A definição de se elaborar um vídeo-animação autoexplicativo referente à atuação do
terapeuta ocupacional no Nasf-AB foi decorrente de uma reflexão acerca do que foi
encontrado na pesquisa, que mostrou inúmeros benefícios e contribuições da prática da terapia
ocupacional no Nasf-AB pelos alunos de graduação do referido curso. Apesar da existência
desses, ainda há ausência de materiais norteadores quanto às especificidades para a atuação
desse(a) profissional, de modo geral, e em específico, nesse campo da AB. Exatamente por
carecer de documentos e instrumentos específicos que explanem a atuação da terapia
ocupacional neste serviço, estudantes que chegam ao campo, demais profissionais e usuários
terminam por conhecer apenas superficialmente aspectos técnicos e objetivos da profissão.
Este fato torna visível a importância de um material didático e acessível que minimize esta
problemática, contribua com melhoramentos do serviço, do processo de ensino-aprendizagem,
assim como de melhorias da qualidade do cuidado/assistência.

81

2.1.3 Descrição

Este produto consiste em uma síntese animada sobre a atuação da terapia ocupacional
no Nasf-AB, que traz explanações de conceitos e definições importantes sobre a prática, com
seus objetivos, cenários de atuação, atividades específicas e perfil do público participante.
Trata-se de um vídeo curto e com recursos visuais básicos ofertados pelo programa
Powtoon® em sua versão gratuita. Permite ser acessível, com linguagem adequada ao público
a ser alcançado. O vídeo está disponibilizado no seguinte endereço eletrônico:
https://www.youtube.com/watch?v=q04T_OkrPpM&rel=0.
Em relação aos critérios CAPES, esclarecemos que:
1) Validação: Foi realizada pela banca de defesa do mestrado;
2) Registro: será feito, no prazo de até 01 ano após a defesa, o pedido de registro, que
ocorrerá em algum sistema de informações a definir;
3) Acesso: Serão disponibilizados na página de produtos do MPES e no Repositório
Institucional da UFAL, também com acessos públicos e gratuitos;
4) Uso: será utilizado como material explicativo sobre o assunto em salas de aula,
aulas teórico-práticas realizadas em campos, em estágios supervisionados em saúde
coletiva, entre outros afins.

2.1.4 Objetivos

a) Ofertar conhecimentos teóricos acerca da atuação da terapia ocupacional no NasfAB;
b) Contribuir para a formação acadêmica em relação ao trabalho em terapia
ocupacional;
c) Orientar a prática de profissionais, em especial de terapeutas ocupacionais atuantes
na Atenção Básica e Nasf-AB.

2.1.5 Público-alvo

a) Profissionais terapeutas ocupacionais atuantes no NASF;
b) Profissionais de várias áreas do saber que trabalham na saúde, em especial da AB,
de modo geral e, em específico, que fazem parte de equipes apoiadas pelo NASF;
c) Docentes do curso de terapia ocupacional e de demais áreas da saúde;

82

d) Estudantes de graduação e de pós-graduação de terapia ocupacional e demais áreas
da saúde;
e) Usuários(as) da saúde em geral e em específico, da área de saúde mental, em
especial, da AB que participam de atividades e grupos desenvolvidos por terapeutas
ocupacionais.
f) Gestores(as) da área da saúde.

2.1.6 Resultados esperados

Espera-se que com esse produto haja ampliação de esclarecimentos acerca da atuação
da terapia ocupacional no campo de prática do NASF aos(às) usuários(as), profissionais,
estudantes e gestores(as). Ao mesmo tempo, que leve ao(à) estudante a visualizar melhor a
prática profissional, contribuindo na sua formação profissional. Como consequência, ele(a)
poderá produzir maiores benefícios e contribuições aos cuidados da saúde do(a) usuário(a).
Além disso, ao ser utilizado nos campos de ensino, que se torne mais uma ferramenta
importante para as melhorias das práticas de ensino-aprendizagem

2.2 Considerações finais referentes ao Produto Educacional

Este produto educacional mostra-se potencialmente importante para contribuir a
preencher lacunas decorrentes a limitação do conhecimento específico em relação à terapia
ocupacional, de modo geral, e na esfera da AB, de modo mais particular. Referente a isso,
alcança os objetivos propostos de ampliar os esclarecimentos acerca da atuação da terapia
ocupacional no Nasf-AB, de permitir que essa prática seja melhor visualizada pelos
estudantes em formação, contribuindo para o processo de ensino-aprendizagem. Ele
possibilita a oferta de orientações acerca da prática de profissionais atuantes da AB e no NasfAF, especialmente a terapeutas ocupacionais.
Com o desenvolvimento desse vídeo como produto educacional, abrem-se
possibilidades de criação de outros meios para ampliação e aprofundamento acerca da atuação
do profissional terapeuta ocupacional no Nasf-AB. Tais meios podem ser por meio de textos
específicos, folders explicativos, cartilhas ou manuais de orientações para a prática
profissional nesse campo de atuação ou mesmo um roteiro prático de como executar uma
atividade terapêutica ocupacional em grupos assistidos pela ESF e Nasf-AB, mediante a
situações e demandas específicas que necessitem dessa intervenção. São desafios aos quais a

83

pesquisadora pretende futuramente se lançar, sozinha ou em parcerias, mas também aponta
que existem essas necessidades, que podem ser trabalhadas por outros(as) pessoas.
Portanto, esse produto contribui com novas possibilidades de ação da terapia
ocupacional, diante da ampliação acerca de sua atuação e da formação de novos laços entre
estudantes, usuários(as), profissionais e gestores(as). Além disso, favorece caminhos para que
profissionais competentes e comprometidos(as) possam ser formados(as), a partir de
melhorias das potencialidades do processo de ensino-aprendizagem e da formação acadêmica
voltada para a prática no SUS.

REFERÊNCIAS DO PRODUTO EDUCACIONAL
CAETANO, J. A.; DINIZ, R. C. M.; SOARES, E. Integração Docente – Assistencial sob a
ótica dos profissionais de Saúde. Revista Cogitare Enfermagem. UFCE, Ceará, v. 14, n. 4,
p. 638, 2009. Disponível em: https://revistas.ufpr.br/cogitare/article/view/16376/10857.
Acesso em: 14 fev. 2019.
LIMA, E. M. F. A.; PASTORE, M. N.; OKUMA, D. G. As atividades no campo da Terapia
Ocupacional: mapeamento da produção científica dos terapeutas ocupacionais brasileiros de
1990 a 2008. Rev. Ter. Ocup. Univ. São Paulo, São Paulo, v. 22, n. 1, p. 68-75, 2011.
MEDEIROS, M. H. R. Terapia Ocupacional: um enfoque epistemológico e social. São
Carlos: EdUFSCAR, 2009.
OLIVER, F. C.; PIMENTEL, A.; UCHOA-FIGUEIREDO, L. R; NICOLAU, S. M. Formação
do terapeuta ocupacional para o trabalho na Atenção Primária à Saúde (APS): contribuições
para o debate. Caderno de Terapia Ocupacional, UFSCar, São Carlos, v. 20, n. 3, p. 327340, 2012.
SANTOS, M. C.; FRAUCHES, M. B.; RODRIGUES, S. M.; FERNANDES, E. T. Processos
de trabalho do núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF): Importância da Qualificação
Profissional. Revista Saúde & Transformação Social, Florianópolis, v. 8, n.2, p.60-69,
2017. Disponível em: https://www.redalyc.org/articulo.oa?id=265352024007. Acesso em: 02
jul. 2019.

84

3 CONSIDERAÇÕES FINAIS DO TACC

Atuar na Atenção Básica nos leva a constantes entraves na busca de ofertar serviços de
qualidade, mas também a várias conquistas no que se refere aos resultados quando são
alcançados. Abrir as portas para a inserção da academia é permitir que esta equipe vivencie
esta dicotomia, mas também leva a refletir sobre nossa prática e ao repasse de conhecimento
da melhor forma possível aos estudantes sedentos do fazer.
Ser uma das pessoas atuantes na área de ensino, no meu caso, no exercício da
preceptoria, fez-me obter a experiência do mestrado, cheia de aprendizados e novos caminhos
apresentados sobre o ensinar, pesquisar e persistir. A pesquisa fez estreitar ainda mais a
relação entre o mestrado e a preceptoria exercida, com o acréscimo de permitir que o usuário
fizesse parte dessa história quando criamos a oportunidade de ouvi-los e de dar visibilidade às
suas falas e sentimentos.
Com isso, foi possível perceber que os usuários, na busca de um cuidado à sua saúde,
descobrem-se como seres além de coadjuvantes para o sucesso da saúde, seja física, mental ou
social. São, ainda, estimulados a enxergarem-se sujeitos ativos e também fonte de
conhecimento capaz de ofertar, àqueles que se dedicam ao cuidado do outro, saberes que só
através da interação entre eles é possível acontecer.
O trabalho com grupos de usuários visto neste trabalho nos permitiu perceber como a
terapia ocupacional, aqui através da atuação dos estudantes, tem a dimensão de potencializar o
fazer no cotidiano daquilo que for de valia e que fizer mais sentido para os usuários, e na
forma como eles se relacionam. Quando isto acontece, eles têm maior facilidade em
externalizar e caracterizar estas relações. Por isso, através desta pesquisa, foi possível
conhecer suas opiniões e os benefícios sentidos com o desenvolvimento de atividades
propostas e acompanhadas pelos acadêmicos.
Desta maneira, acreditamos que o trabalho aqui exposto e o produto de intervenção
decorrente do mesmo venham a contribuir com melhorias nas intervenções terapêuticas
ocupacionais no Nasf-AB, na compreensão desta prática pelos envolvidos e colaborar no
avanço do processo de ensino-aprendizagem.

85

REFERÊNCIAS GERAIS DO TACC

ALBUQUERQUE, A. B.; DEVEZA, M. Adesão ao tratamento na prática do Médico de
Família e Comunidade e na Atenção Primária à Saúde. Porto Alegre: Promef-Artmed,
2009.
ALBUQUERQUE, V. S.; GOMES, A. P.; REZENDE, C. H. A.; SAMPAIO, M. X.; DIAS, O.
V.; LUGARINHO, L. M. A integração ensino-serviço no contexto dos processos de mudança
na formação superior dos profissionais da saúde. Revista Brasileira de Educação
Médica, Rio de Janeiro, v. 32, n.3, 2008. Disponível em:
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S010055022008000300010&lang=pt. Acesso em: 15 out. 2015.
ALMEIDA, E. S.; CASTRO, C. G. J.; VIEIRA, C. A. L. Distritos Sanitários: Concepção e
Organização. Volume 1. São Paulo: Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São
Paulo, 1998.
ALMEIDA, F. C. M.; MACIEL, A. P. P.; BASTOS, A. R.; BARROS, F. C.; IBIAPINA, J.
R.; SOUZA, S. M. F.; ARAÚJO, D. P. Avaliação da Inserção do Estudante na Unidade
Básica de Saúde: Visão do Usuário. Revista Brasileira de Educação Médica, Rio de
Janeiro, v. 36, n.1, 2012. Disponível em:
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S010055022012000200005&lang=pt. Acesso em: 01 set. 2016.
ALVES, G. G.; AERTS, D. As práticas educativas em saúde e a estratégia saúde da família.
Ciência & Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 16, n. 1, 2011. Disponível em:
http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1413-81232011000100034&script=sci_arttext. Acesso
em: 31 jun. 2016.
ALVES, V. S. Um modelo de educação em saúde para o Programa Saúde da Família: pela
integralidade da atenção e reorientação do modelo assistencial. Interface, Botucatu, v. 9, n.
16, pp. 39-52, 2005. Disponível em:
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttextπd=S141432832005000100004&lng=en&nr
m=iso. Acesso em: 16 ago. 2018.
ANDRADE, L. M. B. QUANDT, F. L.; CAMPOS, D. A.; DELZIOVO, C. R.; COELHO, E.
B. S.; MORETTI-PIRES, R. O. Análise da implantação dos Núcleos de Apoio à Saúde da
Família no interior de Santa Catarina. Saúde & Transformação Social, Florianópolis, v. 3, n.
1, p. 18-31, 2012. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?pid=S217870852012000100005&script=sci_arttext. Acesso em: 15 fev. 2019.
ARAGAKI, S. S.; LIMA, M. L. C.; PEREIRA, C. C. Q.; NASCIMENTO, V. L. V.
Entrevistas: Negociando sentidos e Coproduzindo Versões de Realidade. In: SPINK, M. J.;
BRIGAGÃO, J.; NASCIMENTO, V.; CORDEIRO, M. A produção de informação na
pesquisa social: compartilhando ferramentas. 1ªedição. Rio de Janeiro: Centro Edelstein de
Pesquisas Sociais, 2014. p.57-72.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 10520: Informação e
documentação: Citações em documentos. Rio de Janeiro, 2002.

86

BALDOINO, A.S.; VERAS, R.M. Análise das atividades de integração ensino-serviço
desenvolvidas nos cursos de saúde da Universidade Federal da Bahia. Revista da Escola de
Enfermagem da USP. v.50 n.spe, São Paulo, Jun. 2016. Disponível em:
http://www.scielo.br/pdf/reeusp/v50nspe/pt_0080-6234-reeusp-50-esp-0017.pdf. Acesso em:
16 ago. 2018
BALLARIN, M. L. G. S. Abordagens Grupais. In: CAVALCANTE, A.; GALVÃO, C.
Terapia Ocupacional Fundamentação & Prática. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan,
2007. p. 38-43.
BENETTON, M. J. O Encontro do Sentido do Cotidiano na Terapia Ocupacional para a
Construção de significados. Revista CETO, São Paulo, v. 12, n. 12, p.32-39, 2010.
Disponível em: ceto.pro.br/revistas/12/12-6.pdf. Acesso em: 20 jun. 2019.
BENETTON, M. J.; MARCOLINO, T.Q. As Atividades no Método Terapia Ocupacional
Dinâmica. Caderno de Terapia Ocupacional. UFSCar, São Carlos, v.21, n.3, p.645-652,
2013. Disponível em:
http://www.cadernosdeterapiaocupacional.ufscar.br/index.php/cadernos/article/view/925.
Acesso em: 22 jul.2019.
BENETTON, M. J. Terapia Ocupacional como instrumento nas ações de Saúde Mental.
1994. [203] f. Tese (doutorado) - Universidade Estadual de Campinas, Faculdade de Ciências
Medicas, Campinas, SP. Disponível em:
http://www.repositorio.unicamp.br/handle/REPOSIP/308292. Acesso em: 19 jun. 2019.
BRASIL. Conselho Nacional de Educação. Câmara de Educação Superior. Resolução
CNE/CES 6, de 19 de fevereiro de 2002. Institui Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso
de Graduação em Terapia Ocupacional. Diário Oficial da República Federativa do Brasil,
Brasília, 4 mar. 2002. Seção 1, p. 12. Disponível em:
http://portal.mec.gov.br/cne/arquivos/pdf/CES062002.pdf. Acesso em: 22 mar. 2017.
BRASIL. Ministério da Saúde (MS). Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na
Saúde. Departamento de Gestão e da Regulação do Trabalho em Saúde. Câmara de
Regulação do Trabalho em Saúde. Brasília: MS; 2006.
BRASIL. Resolução CNE/CES 6, de 19 de fevereiro de 2002. Define as Diretrizes
Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Terapia Ocupacional. Diário Oficial da
República Federativa do Brasil, Poder Executivo, Brasília, DF, 4 mar. 2002. Disponível em:
http://portal.mec.gov.br/cne/arquivos/pdf/CES062002.pdf. Acesso em: 15 fev. de 2019.
BRASIL. Ministério da Saúde. Princípios e diretrizes para a gestão do trabalho no SUS
(NOB/RH-SUS). Ministério da Saúde, Conselho Nacional de Saúde. 3. ed. rev. atual.
Brasília: Ministério da Saúde, 2005. Disponível em:
http://conselho.saude.gov.br/biblioteca/livros/nob_rh_2005.pdf. Acesso em: 25 fev. 2017.
BRASIL. Ministério da Saúde. Política nacional de atenção básica. Ministério da Saúde,
Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção à Saúde. Brasília: Ministério da
Saúde, 2006.

87

BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº1996, de 20 de agosto de 2007. Disponível em:
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2007/prt1996_20_08_2007.html. Acesso em: 25
fev. 2017.
BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria GM nº 154, de 24 de janeiro de 2008. Cria os Núcleos
de Apoio à Saúde da Família – Nasf. Diário Oficial da República Federativa do Brasil,
Brasília, 25 jan. 2008a. Seção 1. Disponível em:
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2008/prt0154_24_01_2008.html. Acesso em: 22
mar. 2017.
BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. Nova Cartilha Esclarecedora Sobre a Lei do
Estágio. Brasília: Ministério do Trabalho e Emprego, 2010. Disponível em:
http://www.brasil.gov.br/economia-e-emprego/2016/08/cartilha-mte-estagio.pdf. Acesso em:
25 fev. 2017.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção
Básica. Diretrizes do NASF: Núcleo de Apoio a Saúde da Família. Brasília: Ministério da
Saúde, 2010.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção
Básica. Núcleo de Apoio à Saúde da Família- Ferramentas para a gestão e para o
trabalho no cotidiano. Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de
Atenção Básica. Brasília: Ministério da Saúde, 2014.
BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria GM nº2436, de 21 de setembro de 2017. Aprova a
Política Nacional de Atenção Básica. Diário Oficial da República Federativa do Brasil,
Brasília, 22 set.2017. Seção 1. Disponível em: http://www.in.gov.br/materia//asset_publisher/Kujrw0TZC2Mb/content/id/19308123/do1-2017-09-22-portaria-n-2-436-de21-de-setembro-de-2017-19308031. Acesso em 22 jul. 2019.
BRIGAGÃO, J. I. M.; NASCIMENTO, V. L. V.; TAVANTI, R. M. T.; PIANI, P. P.;
FIGUEIREDO, P. P. Como Fazermos para Trabalhar com a dialogia: A Pesquisa com grupos.
In: SPINK, M.J.; BRIGAGÃO, J.; NASCIMENTO, V.; CORDEIRO, M. A produção de
informação na pesquisa social: compartilhando ferramentas. 1ªedição, Rio de Janeiro:
Centro Edelstein de Pesquisas Sociais, 2014. p.73-96.
CABRAL, L. R. S.; BREGALGA, M. M. A atuação da terapia ocupacional na atenção básica
à saúde: uma revisão de literatura. Caderno de Terapia Ocupacional. UFSCAR, São Carlos,
v. 25, n. 1, p. 179-189, 2017. Disponível em: http://dx.doi.org/10.4322/01044931.ctoAR0763. Acesso em: 14 fev. 2019.
CAETANO, J. A.; DINIZ, R. C. M.; ENEDINA, S. Integração Docente – Assistencial sob a
ótica dos profissionais de Saúde. Revista Cogitare Enfermagem. UFCE, Ceará, v. 14, n. 4,
p. 638, 2009. Disponível em: https://revistas.ufpr.br/cogitare/article/view/16376/10857.
Acesso em: 14 fev. 2019.
CALDEIRA, E.S.; LEITE, M.T.S.; NETO, J.F.R. Estudantes de Medicina nos Serviços de
Atenção Primária: Percepção dos Profissionais. Revista Brasileira de Educação Médica.
Rio de Janeiro, v.35, n.4, p. 477-485, 2011. Disponível em:
http://www.scielo.br/pdf/rbem/v35n4/a06v35n4.pdf. Acesso em 14 set. 2019.

88

CAMPOS, G.W.S. Saúde paidéia. São Paulo: Hucitec, 2007.
CAMPOS, M.A.F.; FORSTER, A.C. Percepção e avaliação dos alunos do curso de medicina
de uma escola médica pública sobre a importância do estágio em saúde da família na sua
formação. Revista Brasileira de Educação Médica. Rio de janeiro, v.32, n.1, 2008.
Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S010055022008000100011&lng=en&nrm=iso&tlng=pt. Acesso em: 14 set. 2019.
CARVALHO, F. F. B. Práticas Corporais e atividades físicas na atenção Básica do SUS: Ir
além da prevenção de doenças crônicas não transmissíveis é preciso. Movimento. Revista da
Escola de Educação Física da UFRGS, Porto Alegre, v. 22, n. 2, p.647-658, 2016.
Disponível em: www.seer.ufrgs.br/Movimento/article/download/58174/37391. Acesso em: 01
jul. 2019.
CASTRO, E. D. Relação Terapeuta-paciente. In: CAVALCANTE, A.; GALVÃO, C.
Terapia Ocupacional Fundamentação & Prática. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan,
2007. p.28-34
CASTRO, E.D.; LIMA, L.J.C.; NIGRO, G.M. Convivência, trabalho em grupo,
formatividade e práticas territoriais na interface arte-saúde-cultura. In: MAXIMINO, V.;
LIBERMAN, F. Grupos e Terapia Ocupacional: Formação, pesquisas e ações. São Paulo:
Summus, 2015.
CISNERO, L. L.; GONÇALVES, L. A. O. Educação terapêutica para diabéticos: os cuidados
com os pés na realidade de pacientes e familiares. Ciência & Saúde Coletiva, Rio de Janeiro,
v. 16, n. supl. 1, 2011. Disponível em:
http://www.scielosp.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S141381232011000700086&lang=pt. Acesso em: 16 ago. 2018.
COLLISELLI, L.; TOMBINI, L. H. T.; LEBA, M. E.; REIBNITZ, K. S. Estágio curricular
supervisionado: diversificando cenários e fortalecendo a interação ensino serviço. Revista
Brasileira de Enfermagem [periódicos na internet], v. 62, n. 6, pp.932-937, 2009.
Disponível em:
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttextπd=S003471672009000600023&lng=pt.
Acesso em: 16 ago. 2018.
DIAS, A. R. N.; PARANHOS, A. C. M.; TEIXEIRA, R. C.; DOMINGUES, R. J. S.;
KIETZER, K. S.; FREITAS, J. J. S. Preceptoria em saúde: percepções e conhecimento dos
preceptores de uma unidade de ensino e assistência. Revista Educação Online, n. 19, p.8399, 2015. Disponível em: educacaoonline.edu.pucrio.br/index.php/eduonline/article/download/176/pdf/. Acesso em: 08 mai. 2017.
FERREIRA, G. I.; CANODÁ, E. Construcionismo Social e a Lógica de Cuidado na
Contemporaneidade. 2016. 24f. Trabalho de Conclusão de Curso – Universidade Regional
Integrada do Alto Uruguai e das Missões, 2016.
FERREIRA, R. C.; FIORINI, V. M. L.; CRIVELARO, E. Formação Profissional no SUS: O
Papel da Atenção Básica em Saúde na Perspectiva Docente. Revista Brasileira de Educação
Médica, v. 34, n. 2, 2010. Disponível em:
http://www.scielo.br/pdf/rbem/v34n2/a04v34n2.pdf. Acesso em: 08 mai. 2017.

89

FERRO, L. F.; SILVA, E. C.; ZIMMERMANN, A. B.; CASTANHARO, R. C. T.;
OLIVEIRA, F. R. L. Interdisciplinaridade e intersetorialidade na Estratégia Saúde da Família
e no Núcleo de Apoio à Saúde da Família: Potencialidades e desafios. O Mundo da Saúde,
São Paulo, v. 38, n. 2, p. 129-138, 2014. Disponível em: http://www.saocamilosp.br/pdf/mundo_saude/155562/A01.pdf. Acesso em: 25 fev. 2017.
FEUERWERKER, L. C. M. A construção de sujeitos no processo de mudança da formação
dos profissionais de saúde. Divulgação em Saúde para Debate, Rio de Janeiro, n. 22, p. 1824, 2000.
FRAGA, A.B.; CARVALHO, Y.M.; GOMES, I.M. Políticas de Formação em Educação
Física e Saúde Coletiva. Revista Trabalho, Educação e Saúde, Rio de Janeiro, v.10, n.3, p.
367-386, 2012. Disponível em:
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1981-77462012000300002. Acesso
em 14 set. 2019.
FRIEDRICH, T.L.; PETERMANN, X.B.; MIOLO, S.B.; PIVETTA, H.M.F. Motivações para
práticas coletivas na Atenção Básica: Percepção de usuários e profissionais. Interface –
Comunicação, saúde e educação, Botucatu, vol.22, n.65, p.373-385, 2018. Disponível em:
http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S141432832017005016102&script=sci_abstract&tlng=pt. Acesso em: 24 jul. 2019.
GILL, C.R.R. Atenção Primária, atenção básica e saúde da família: sinergias e singularidades
do contexto brasileiro. Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v.22, n.6, p.1171-1181,
2006. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102311X2006000600006&lang=pt. Acesso em: 26 fev.2017
GILL P.; STEAWART, K.; TREASURE, E.; CHADWICK, B. Methods of data collection in
qualitative research: interviews and focus groups. Bdj [Internet], v. 204, n. 6, p. 291–5,
2008. Disponível em: http://www.nature.com/doifinder/10.1038/bdj.2008.192. Acesso em: 25
jun. 2019.
JUNGES, J. R.; BARBIANI, R.; SOARES, N. A.; FERNANDES, R. B. P.; LIMA, M. S.
Saberes populares e cientificismo na estratégia saúde da família: complementares ou
excludentes? Ciências & saúde coletiva, Rio de Janeiro, v. 16, n. 11, 2011. Disponível em:
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S141381232011001200005&lng=en&nrm=iso&tlng=pt. Acesso em: 14 fev. 2019.
LANCMAN, S.; BARROS, J.O. Estratégia de saúde da família (ESF), Núcleo de Apoio à
Saúde da Família (NASF) e terapia ocupacional: problematizando as interfaces. Revista de
Terapia Ocupacional da Universidade de São Paulo. v.22, n.3, 2011. Disponível em:
https://www.revistas.usp.br/rto/article/view/46444. Acesso em: 10 jun. 2019.
LIMA, A. C. S.; FALCÃO, I. V. A formação do terapeuta ocupacional e seu papel no Núcleo
de Apoio à Saúde da Família – NASF do Recife, PE. Caderno de Terapia Ocupacional,
UFSCAR, São Carlos, v. 22, n. 1, p. 3-14, 2014. Disponível em:
http://dx.doi.org/10.4322/cto.2014.002. Acesso em: 19 ago. 2018.
LIMA, E. M. F. A. A análise de atividade e a construção do olhar do terapeuta ocupacional.
Rev.Ter. Ocup. Univ. São Paulo, São Paulo, v. 15, n. 2, p. 42-8, 2004.

90

LIMA, E. M. F. A.; PASTORE, M. N.; OKUMA, D. G. As atividades no campo da Terapia
Ocupacional: mapeamento da produção científica dos terapeutas ocupacionais brasileiros de
1990 a 2008. Rev. Ter. Ocup. Univ. São Paulo, São Paulo, v. 22, n. 1, p. 68-75, 2011.
LIMA, E. A. Clínica e Criação: A utilização de atividades em Instituições de Saúde
Mental. 1997. Trabalho de Conclusão de Curso (Mestrado) – Pontifícia Universidade
Católica, São Paulo, 1997.
LONGATTI, T. I.; MAXIMINO, V.; LIBERMAN, F.; SAVANI, A.C.C. O Grupo na
Formação em Terapia Ocupacional: Uma ótica das Alunas. In: MAXIMINO, V.;
LIBERMAN, F. Grupos e Terapia Ocupacional: Formações, pesquisas e ações. São
Paulo: Summus, 2015.
MACIEL, M. S. et al. Ações de saúde desenvolvidas pelo Núcleo de Apoio à Saúde da
Familia – NASF. Revista Saúde, Santa Maria, v.41, n.1, jan/jul. p.117-122, 2015. Disponível
em: https://periodicos.ufsm.br/revistasaude/article/view/13283. Acesso em 14 fev. 2019.
MARCOLINO, T.Q.; FANTINATTI, E.N. A transformação na utilização e conceituação de
atividades na obra de Jô Benetton. Revista de Terapia Ocupacional da Universidade de
São Paulo, São Paulo, v.25, n.2, p. 142-150, 2014. Disponível em:
http://www.revistas.usp.br/rto/article/view/56461/pdf_53. Acesso em: 22 jul. 2019
MAXIMINO, V.; LIBERMAN, F. Cenas em formação: buscando na prática os pressupostos
para o que fazemos com grupos. In: MAXIMINO, V.; LIBERMAN, F. Grupos e Terapia
Ocupacional: Formação, pesquisa e ações. São Paulo: Summus, 2015.
MEDEIROS, M. H. R. Terapia Ocupacional: um enfoque epistemológico e social. São
Carlos: EdUFSCAR, 2009.
MENDONÇA, T.C.P. As Oficinas na Saúde Mental: Relato de Experiência na Internação.
Psicologia Ciência e Profissão. 2005, 25 (4), 626-635.
MENESES, K. K. P.; AVELINO, P. R. Grupos operativos na Atenção Primária à Saúde como
prática de discussão e educação: uma revisão. Cadernos de Saúde Coletiva [online], v. 24,
n. 1, pp.124-130, 2016. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1414462X2016000100124&script=sci_abstract&tlng=pt. Acesso em: 16 jul. 2019.
MERHY, E.E. Saúde: a cartografia do trabalho vivo. São Paulo: Hucitec, 2005.
MERHY, E.E.; FEUERWERKER, L.C.M. Novo olhar sobre as tecnologias de saúde: uma
necessidade contemporânea. In: MANDARINO, A.C.S.; GOMBERG, E. (Orgs.). Leituras de
novas tecnologias e saúde. São Cristóvão: Editora UFS, 2009. p.29-74. Disponível em:
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000207&pid=S14143283201300020000900012&lng=pt. Acesso em: 22 jul. 2019.
MONTREZOR, J. B. A Terapia Ocupacional na prática de grupos e oficinas terapêuticas com
pacientes de saúde mental. Cadernos de Terapia Ocupacional. UFScar, São Paulo, v. 21, n.
3, p.529-536, 2013. Disponível em: http://doi.editoracubo.com.br/10.4322/cto.2013.055.
Acesso em: 20 jun. 2019.

91

NASCIMENTO, V. L. V.; TAVANTI, R. M. T.; PEREIRA, C. C. Q. O Uso de Mapas
Dialógicos como Recurso Analítico em Pesquisas Científicas. In: A produção de informação
na pesquisa social: compartilhando ferramentas. 1ªedição, Rio de Janeiro: Centro Edelstein
de Pesquisas Sociais, 2014 (publicação virtual).
NEVES, J. M.; AZZI, L. M. W. A Integração Ensino e Serviço como uma Política
Estratégica. In: FERLA, A. A. et al. (Org). Cadernos da Saúde Coletiva: Integração ensino
– serviço: caminhos possíveis? Volume 2. Porto Alegre: Rede UNIDA, 2013.
NICOLAU, S.M. Grupos na Atenção Básica: Enraizar-se em uma comunidade. In:
MAXIMINO, V.; LEBERMAN, F. Grupos e Terapia Ocupacional: Formação, pesquisa e
ações. São Paulo: Simmus, 2015.
OLIVEIRA, I.G. A Relação Terapeuta-Cliente: na Perspectiva do cliente. Dissertação de
mestrado. Escola Superior de Tecnologia da Saúde do Porto. Junho, 2013.
OLIVEIRA, M.L.; COELHO, T.C. A Percepção de acadêmicos de odontologia sobre o PETSaúde UFMG/SESAU, Campo Grande/MS, 2009. Revista da ABENO, v.11, n.1, p. 76-80,
2011.
OLIVER, F. C.; PIMENTEL, A.; UCHOA-FIGUEIREDO, L. R; NICOLAU, S. M. Formação
do terapeuta ocupacional para o trabalho na Atenção Primária à Saúde (APS): contribuições
para o debate. Caderno de Terapia Ocupacional, UFSCar, São Carlos, v. 20, n. 3, p. 327340, 2012.
PEREIRA, I.B.; LIMA, J.C.F. Dicionário da educação profissional em saúde. 2ªed. rev. ampl.
Rio de Janeiro: EPSJU, 2008
PINTO, L. F.; GIOVANELLA, L. Do Programa à Estratégia Saúde da Família: Expansão do
acesso e redução das internações por condições sensíveis à Atenção Básica. Ciência & Saúde
Coletiva [online], v. 23, n. 6, p.1903-1914, 2018. Disponível em:
http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S141381232018000601903&script=sci_abstract&tlng=pt. Acesso em: 16 jul. 2019.
PINTO, A.C.; OLIVEIRA, I.V.; SANTOS, A.L.S.; SILVA, L.E.S.; IZIDORO, G.S.L.;
MENDONÇA, R.D.; LOPES, A.C.S. Percepção dos Alunos de uma Universidade Pública
sobre o Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde. Ciência & Saúde
Coletiva [online], v.18, n.8, p.2201-2210, 2013. Disponível em:
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S141381232013000800004&lang=pt. Acesso em: 14 set. 2019.
PIZZINATO, A. GUSTAVO, A. S.; SANTOS, B. R. L.; OJEDA, B. S.; FERREIRA, E.;
THIESEN, F. V.; CREUTZBERG, M.; ALTAMIRANO, M.; PANIZ, O.; CORBELLINI, V.
L. A integração ensino-serviço como estratégia na formação profissional para o SUS. Revista
Brasileira de Educação Médica, Rio de Janeiro, v. 36, n. 1, supl.2, 2012. Disponível em:
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S010055022012000300025&lang=pt. Acesso em: 15 out. 2015.

92

RADOMSKI, M. V.; DAVIS, E. S. Otimização das capacidades cognitivas. In: RADOMSKI,
M. V.; TROMBLY, C. A. Terapia ocupacional para disfunções físicas. São Paulo: Santos
Livraria, 2005. p. 609-627.
ROCHA, E. F.; PAIVA, L. F. A.; OLIVEIRA, R. H. Terapia ocupacional na Atenção
Primária à Saúde: atribuições, ações e tecnologias. Caderno de Terapia Ocupacional,
UFSCar, São Carlos, v. 20, n. 3, p. 351-361, 2012.
SAITO, D. Y. T.; ZOBOLI, E. L. C. P.; SCHVEITZER, M. C.; MAEDA, S. T. Usuário,
Cliente ou Paciente? Qual o termo mais utilizado pelos estudantes de enfermagem? Texto
Contexto Enfermagem, Florianópolis, v. 22, n. 1, p. 175-183, 2013. Disponível em:
http://www.scielo.br/pdf/tce/v22n1/pt_21.pdf. Acesso em: 02 jul. 2019.
SANTOS, M. C.; FRAUCHES, M. B.; RODRIGUES, S. M.; FERNANDES, E. T. Processos
de trabalho do núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF): Importância da Qualificação
Profissional. Revista Saúde & Transformação Social, Florianópolis, v. 8, n.2, p.60-69,
2017. Disponível em: https://www.redalyc.org/articulo.oa?id=265352024007. Acesso em: 02
jul. 2019.
SECRETARIA MUNICIPAL DE SAÚDE (Maceió). Matriciamento em Saúde Mental:
Guia para profissionais de CAPS e NASF do município de Maceió. Maceió: SMS, 2019.
SCANDIUZI, L.B.; MAXIMINO, V.; LIBERMAN, F. Fazer para conhecer: Relatos de um
grupo de jovens da região Nordeste de Santos. In: MAXIMINO, V.; LIBERMAN, F. Grupos
e Terapia Ocupacional: Formações, pesquisas e ações. São Paulo: Summus, 2015.
SERIANO, K.N.; MUNIZ, V.R.C.; CARVALHO, M.E.I.M. Percepção de estudantes do
curso de fisioterapia sobre sua formação profissional para atuação na atenção básica no
Sistema Único de Saúde. Fisioterapia e Pesquisa, São Paulo, v. 20, n. 3, 2013. Disponível
em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S180929502013000300009&lang=pt. Acesso em: 15 out. 2015.
SESAU. Cartilha de Orientação à Integração Ensino-Serviço. Gerência executiva de
Valorização de Pessoas (GEVP). Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas, 2011.
SILVA, S.N.P. Análise de Atividade. In: In: CAVALCANTE, A.; GALVÃO, C. Terapia
Ocupacional Fundamentação & Prática. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2007. p.110124.
SILVA, C.R.L.; SILVEIRA, S.A.S.; VASCONCELOS, K.E.L.; XAVIER, A.B. Promoção da
Saúde e Educação em Saúde nos Núcleos de Apoio à Saúde da Família (NASF) de Campina
Grande e João Pessoa-PB. Revista UNIVAP online, v. 22, n. 40, 2016. Disponível em:
https://revista.univap.br/index.php/revistaunivap/article/view/1519. Acesso em: 02 jul.2019.
SILVA, R. V.; COSTA, P. P.; FERMINO, J. S. Vivência de educação em saúde: O grupo
enquanto proposta de atuação. Trabalho, Educação e Saúde, Rio de Janeiro, v. 6, n. 3, 2008.
Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S198177462008000300014&lang=pt. Acesso em: 15 out. 2015.

93

SILVA, S. N. P. Análise da Atividade. In: CAVALCANTE, A.; GALVÃO, C. Terapia
Ocupacional Fundamentação & Prática. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2007. p.110124.
SPINK, M. J. P. Linguagem e Produção de Sentidos no Cotidiano. Rio de Janeiro: edição
on-line: Centro Edelstein de Pesquisas Sociais, 2010.
SPINK, M.J.P. Psicologia Social e Saúde: Práticas, saberes e sentidos. Petrópolis: Vozes,
2003.
SPINK, M. J. P. et al. A Produção de Informação na Pesquisa Social: compartilhando
ferramentas. Rio de Janeiro: Edição virtual, 2014.
SPINK, M. J. P.; FREZZA, R. M. A Perspectiva da Psicologia Social. In: SPINK, M. J. P.
Práticas Discursivas e Produções de Sentidos no cotidiano. Rio de Janeiro: Edição virtual,
2013. p.1-21.
SPINK, M. J. P.; MEDRADO, B. Uma abordagem teórico-metodológica para análise das
práticas discursivas. In: SPINK, M. J. P. Práticas Discursivas e Produções de Sentidos no
cotidiano. Rio de Janeiro: Edição virtual, 2013. p.22-41.
UNCISAL. Projeto Pedagógico do Curso de Terapia Ocupacional. Versão Resumida.
Universidade de Ciencias da Saúde de Alagoas, 2016. Disponível em:
https://www.uncisal.edu.br/wp-content/uploads/2015/02/PPC-TERAPIA-OCUPACIONAL2015.pdf. Acesso em: 04 jul. 2019.

94

APÊNDICE A – Quadro geral dos participantes
PARTICIPANTE

SEXO

IDADE

A1

F

78 anos

A2

A3

A4

A5

A6

A7

A8

A9

A10

F

M

F

F

F

F

F

F

F

72 anos

87 anos

63 anos

60 anos

63 anos

62 anos

72 anos

48 anos

63 anos

B1

F

50 anos

B2

F

41 anos

B3

F

65 anos

B4

F

58 anos

B5

F

61 anos

C1
C2
C3
C4
C5
C6
C7
C8
C9
TOTAL 24

F
F
M
F
F
F
F
F
F

74 anos
68 anos
82 anos
88 anos
81 anos
76 anos
67 anos
82 anos
81 anos

GRUPOS QUE
PARTICIPA
Praticas Corporais /
Grupo de Idosos /
Saúde Mental
Praticas Corporais /
Grupo de Idosos /
Saúde Mental
Praticas Corporais /
Grupo de Idosos /
Saúde Mental
Praticas Corporais /
Grupo de Idosos /
Saúde Mental
Praticas Corporais /
Grupo de Idosos /
Saúde Mental
Praticas Corporais /
Grupo de Idosos /
Saúde Mental
Praticas Corporais /
Grupo de Idosos /
Saúde Mental
Praticas Corporais /
Grupo de Idosos /
Saúde Mental
Praticas Corporais /
Grupo de Idosos /
Saúde Mental
Praticas Corporais /
Grupo de Idosos /
Saúde Mental
Praticas Corporais /
Grupo de Idosos
Praticas Corporais /
Grupo de Idosos
Praticas Corporais /
Grupo de Idosos
Praticas Corporais /
Grupo de Idosos
Praticas Corporais /
Grupo de Idosos
Grupo de Idosos
Grupo de Idosos
Grupo de Idosos
Grupo de Idosos
Grupo de Idosos
Grupo de Idosos
Grupo de Idosos
Grupo de Idosos
Grupo de Idosos

UBS
VINCULADO

Nasf-AB

A

Equipe 1

A

Equipe 1

A

Equipe 1

A

Equipe 1

A

Equipe 1

A

Equipe 1

A

Equipe 1

A

Equipe 1

A

Equipe 1

A

Equipe 1

B

Equipe 2

B

Equipe 2

B

Equipe 2

B

Equipe 2

B

Equipe 2

C
C
C
C
C
C
C
C
C

Equipe 2
Equipe 2
Equipe 2
Equipe 2
Equipe 2
Equipe 2
Equipe 2
Equipe 2
Equipe 2

95

APÊNDICE B – Parecer CEP

96

97

98

99

100

APÊNDICE C – Transcrições Sequenciais
TRANSCRIÇÃO SEQUENCIAL – GRUPO FOCAL A
QUEM

SOBRE O QUE FALA

FALA

TEMA

Pergunta sobre a participação dos alunos
Coordenador

nas atividades em grupos do NASF e todos
falam positivamente

A6
A9

Fala que é Importante

Benefícios

Alunos vêm com a intenção de fazer o trabalho
bem feito.

A5

carismáticos.

A9

Agradam os usuários. Conhecimento mútuo.

P5

troca de informações.

P9

Benefício ao estudante

troca mútua nos grupos e depois na interação

Benefício ao usuário

com familiares.

Benefício ao estudante

intercambio entre os jovens e eles (idosos)

P3. P10.

Troca e Aquisição de Conhecimentos

Coordenador

Pergunta do que seja essa troca

Coordenador

Benefício ao usuário
Benefício ao usuário

P1

A2

Benefício do serviço

Benefício ao usuário
Benefício ao estudante
Benefício ao usuário
Benefício ao estudante

De conhecimento. Sobre a vida, sobre o dia a
dia, de como melhorar.

Benefícios ao usuário

A partir de uma fala, pergunta como é um
trabalho bem feito pelos alunos

A8

Satisfação.

Efeitos

A9

Dedicação e vontade.

Efeitos

pergunta o que a participação dos alunos
Coordenador

traz para o serviço.
(falaram

ao

mesmo

tempo

que

eles

Benefício ao serviço

contribuem muito)
A9

Conhecimento. Aprendizado e a forma de olhar

Benefício ao usuário

o outro

A2

Formas de enxergar e resolver um problema.

Benefício ao usuário

A9

formas de aplicar na vida o que aprendem nas

Benefício ao estudante

101

atividades
Pergunta se há diferença entre as atividades
Coordenador

com a participação dos estudantes e as que
não há participação.

A2
A9

A2

A9

sim.

Benefício ao serviço

não. Eles aprendem com os que já estão
atuando.
Aprendem e ensinam.

Benefício ao estudante
Benefício ao usuário
Benefício ao estudante

Concorda e enfatiza sobre a presença boa dos
alunos

Efeitos

A2

A dedicação dos alunos é bom para ambos.

Efeitos

A9

Estimulam o que no serviço está acomodado.

Benefício ao serviço

Pergunta
Coordenador

se

isso

ajuda

na

formação

profissional dos alunos.
(Muitos falas: “com certeza” e todos
concordam)

A6. A1

Aprendizado

Benefício ao estudante
Benefício ao usuário

A5

Troca de Conhecimento

A1

Confiança

Efeitos – sentimento

A9

Contagiados pelos Alunos

Benefício ao usuário

A8. A9
A9

Benefício ao estudante

Incentivo

Efeitos

Alunos são Motivadores

Efeitos

Pergunta os motivos que fazem com que eles
Coordenador

participem e mantenham a participação
nessas atividades. (Avaliação)

A6
A10
A9

Ajuda mútua.

Benefício ao usuário
Benefício ao estudante

simpatia contagiante.

Efeitos

carisma e o aprendizado em coisas novas

Efeitos
Benefício ao usuário

A7

prazer; terapêutico

Efeitos

A2

Amizade.

Efeitos

A9

Novos conhecimentos técnicos-científicos.

Benefício ao usuário
Benefício ao estudante

102

A5

Alunos antidepressivos (muitos risos e palmas
de apoio)

Benefício ao usuário

A4

Aprendizado

Benefício ao usuário

A10

Incentivadores e relaxantes.

Efeitos

A9

Incentiva a participação..

Efeitos

A10

Esquecem a tristeza e o cansaço.

Efeitos

A9

Eles acalmam, interagem.

Efeitos

Pergunta quais atividades lembram e se
Coordenador

conseguem

descrevê-las.

(Atividades

descritas)

A9

Práticas corporais com madeiras

Atividades desenvolvidas

A10

Babolês

Atividades desenvolvidas

A7

Atividade de formar palavras

Atividades desenvolvidas

A8

De pinturas

Atividades desenvolvidas

A9

De memórias, de sabor, de aroma, de cheiro.

Atividades desenvolvidas

A1

Da memória, de agilidade;

Atividades desenvolvidas

A6

Caça palavras.

Atividades desenvolvidas

A7

utilidade de cada fruta

Atividades desenvolvidas

A4

A atividade das palavras
(Risos... muitos repetiram ao mesmo tempo das
atividades já citadas)

A10

A atividade das bolinhas da árvore de Natal.

Coordenador

Perguntou

se

nessas

atividades,

Atividades desenvolvidas

Atividades desenvolvidas

eles

conseguiram compreender os objetivos.
(Muitos falaram ao mesmo tempo que sim.

Benefícios ao usuário

Todos concordaram)

Compreensão de tudo o que foi explicado.
A9

Prazeroso.

Boa

comunicação.

Ordem

de

Benefício ao usuário

aplicação da atividade.
A1

P1. Dividem os grupos.

Benefício ao usuário

A5

P5. Ajudam na dificuldades.

Benefícios ao usuário

Coordenador

Pergunta se as atividades tinham objetivos
(Muitos falaram ao mesmo tempo que sim).

Benefício ao usuário

103

objetivos, elaboração, clareza, concisas e bem
A9

explicadas

Benefício ao usuário

pergunta ao grupo como se sentem ao
Coordenador

participar das atividades com os estagiários
de terapia ocupacional.
bem, mas não sabe fazer.

A3

(momento de discordâncias e apoio ao colega

Efeitos

com palavras de incentivo)
Insiste que não sabe (fala emotivo) completa
A3

afirmando que não sabe lê.

Efeitos

(mais palavras de incentivo)
A2

Incentiva o colega

Efeitos

A9

afirma que ele tem Educação, pontualidade.

Efeitos

A2

Lembra o carinho com que ele é tratado.

Efeitos

Fala emotivo. (Muitas palavras de incentivo

Efeitos

A3

referente a importância da participação dele no
grupo)(Voltam a falar de si)

A7

Maravilhosa

Efeitos

A10

Importante

Efeitos

A4

Sente-se bem.

Efeitos

A9

é prazeroso

Efeitos

A5

Prazeroso

Efeitos

A2

Sente-se bem.

Efeitos

A8

Bem

Efeitos

A10

Sente que é bom para mente e para o corpo.

Benefícios ao usuário

Intercambio

Benefícios ao usuário

A1
A5
A2

Benefício ao estudante
Sente que é um Antidepressivo

Efeitos

Estagiárias comunicativas. Sente-se cheia de

Efeitos

vida e reconhecidas.

104

A3

A9

Lembra que sente-se bem quando alguma aluna

Efeitos

o encontra.
Empatia. Ensinam conhecimento técnico-

Efeitos

científico e aprendem experiências de vida

Benefícios ao usuário
Benefício ao estudante

Coordenador

A3
A10
A9

A2

A9

Pergunta como avaliam as atividades
(todos: Importantes)
Para aprender

Benefícios ao usuário
Benefício ao estudante

Para a saúde

Benefícios ao usuário

Para conhecimento

Benefícios ao usuário
Benefício ao estudante

Se envolver com pessoas

Benefícios ao usuário
Benefício ao estudante

Aplicar na vida as coisas diferentes que
aprenderam. Ser agente multiplicador

Benefícios ao usuário

A10

Convidar amigos.

Benefícios ao usuário

A2

Benefícios para a saúde

Benefícios ao usuário

Apoio. Interação com o outro.

Benefícios ao usuário

A6

A2

A4

Benefícios ao grupo
Troca de conversas

Benefício ao estudante
Conhecimento.

Bom para a mente. Não entra em depressão.

A6. A8

Participação do grupo

Coordenador
A9. A6
A9
A2
A1
A2

Benefícios ao usuário
Benefício ao estudante

A10

A2

Benefícios ao usuário

Interação de todos os envolvidos. Estudantes,
profissionais e usuários.

Sentimentos
Benefícios ao grupo
Benefícios ao grupo

Pergunta sobre sugestão de melhorias
Mais coisas práticas
mais exercícios de terapia ocupacional na
pratica no dia a dia.
Trazer coisas diferentes
Relação afetiva: “Nós somos o jardim, elas são
as rosas”
Mais tempo de duração do estágio. 6 meses é

Melhorias
Melhorias
Melhorias
Sentimentos
Melhorias

105

pouco.
A9

Ao fim do estágio, retornar ao grupo.
Melhorias

A10

Mais movimento.

Melhorias

A1

Mais atividades de educação em saúde.

Melhorias

A7. A9

Maior nº de alunos. Para maior interação.

Melhorias

Coordenador

Pergunta se compreenderem o porquê
participaram da pesquisa
P9. Pra melhorar o estágio, o ensino e o

A9

aprendizado com qualidade. Melhorar a
interação. Identificar as necessidades e

Melhorias

melhorar

TRANSCRIÇÃO SEQUENCIAL – GRUPO FOCAL B

QUEM

SOBRE O QUE FALA

TEMA

FALA
Coordenador Pergunta sobre o que acham da participação
dos alunos de terapia ocupacional nos grupos
que participaram
B5

Disse que foi ótima.

Efeitos

B4

Disse q foi Maravilhosa.

Efeitos

B5

Afirmou que foi bom porque muita coisa foi

Benefícios ao usuário

explicada.
B1. B5

Queixam-se que demoram a voltar. Ou ausenta-se

Melhorias

definitivamente.
B2

Afirma que a participação é muito importante

Benefícios ao usuário

porque aprendem e exercitam a memória
B4

B5

Elogia a terapeuta ocupacional da equipe pela
atenção e educação. (todas as outras concordaram)

-

Elogia os alunos porque trazem atividades e

Melhorias

novidades.
B3

Concorda com as colegas e afirma que trazem
muitos ensinamentos.

Benefícios ao usuário

106

Coordenador pergunta se os alunos contribuem com a
qualidade das atividades
B5

Contribuem 100% (Todas outras concordaram

Benefícios ao serviço

acenando positivamente)
B5

Afirma que trazem diversão e novidades de

Benefícios ao serviço

atividades.
B1

Diz que se diverte e que trazem lembrancinhas ao

Benefícios ao usuário

fim do estágio.
B4

Afirmam que são gentis.

B5

Afirma que contribuem com a memória; a faze-los

Benefícios ao usuário

rir.

Benefícios ao serviço

Contribuem a mexer com o corpo

Benefícios ao usuário

B4

Efeitos

Coordenador Pergunta como geralmente fazem ao aplicar
atividade
B5

Diz que formam um grupo com as cadeiras e
explicam

B5

Atividades desenvolvidas

Oferecem perguntas, utilizam papel como recurso
Atividades desenvolvidas

B2

Diz que explicam o que foi entendido.

Atividades desenvolvidas
Benefícios ao usuário

B1. B4

Dizem que depois recolhem o que foi produzido e

Atividades desenvolvidas

os recursos utilizados.
Coordenador C: pergunta se há diferença entre atividades que
há a participação dos alunos e as que não há
participação deles
B5

Diz que Não. Pela presença de outros profissionais

Atividades desenvolvidas

que suprem
B1. B4

Afirmam que fica mais divertido pelo numero

Benefícios ao serviço

maior de pessoas.
B2

Diz que A diferença é de poder participar

B5

Completa afirmando que pode ter diferença quando
trabalha

com

a

memória,

porque

Benefícios ao usuário

é

outra

especialidade
Coordenador C: Pergunta se lembram e se conseguem
descrever as atividades que participaram junto
aos estagiários

Atividades desenvolvidas

107

B5, B1, B4

Descrevem Atividade para a memória.

Atividades desenvolvidas

B2

Fala sobre Atividade de raciocínio

Atividades desenvolvidas

B5

Oficina de jóias. (Necessidade de falar sobre si e

Atividades desenvolvidas

descreve sobre sua saúde)
B2, B1

Palestra com outros profissionais.

Atividades desenvolvidas

B2

Atividade com cores

Atividades desenvolvidas

B3

Lembra que realizou no chão.

Atividades desenvolvidas

Atividade de memória. Perguntas e respostas.

Atividades desenvolvidas

Roda de conversa sobre depressão. (Necessidade

Atividades desenvolvidas

B2, B5
B5

de falar sobre si)
B2

Atividade de confecção de cartaz.

Atividades desenvolvidas

Coordenador C: Pergunta se os estagiários foram claros nos
objetivos e se conseguiram compreender.
B4, B5

Dizem que sim. Forneceram todas as informações

Benefícios ao usuário

B2

Fala que sim. Explicam e depois perguntam se

Benefícios ao usuário

entenderam
Coordenador C: Pergunta quais os motivos que fazem
participarem das atividades junto aos alunos.
(Muitas

disseram

ao

mesmo

tempo

que

gostavam)
B5

Aprendizado

Benefícios ao usuário

B2

Curiosidade

Efeitos

B3

Diz que é importante para aprender

Benefícios ao usuário

Coordenador C: Pergunta como se sentem ao participar das
atividades juntos aos alunos
B2, B3, B5
B1

Dizem que sentem-se Bem

Efeitos

Sente-se leve e gosta de atividade para memória.

Efeitos
Atividades desenvolvidas

B2

Sente que as atividades foram muito importantes.
Aprendizado. Sentimento de utilidade.

Benefícios ao usuário
Sentimentos

Coordenador C: Pergunta se os alunos participando nas
atividades do NASF, ajuda na formação
profissional deles.
B2

Diz que há Aprendizado mútuo

Benefícios ao usuário
Benefícios ao estudante

Coordenador C: Pergunta o que aprendem com os alunos

108

B4

Aprendem as atividades trazidas; interação

Benefícios ao usuário

B2

Fala que também aprendem com a Juventude

Benefícios ao usuário

Coordenador C: Pergunta o que os alunos aprendem
B1

Refere sobre Sabedoria.

Benefícios ao usuário

B2

Diz que seja Inteligência

Benefícios ao usuário

B3

Fala que Aprendem a prática

Benefícios ao usuário

B5

Referem

que

Aprendem

na

prática

sobre

Benefícios ao usuário

conhecimento.
B4

aprendem sobre diálogo

Benefícios ao usuário
Benefícios ao estudante

Coordenador C: Pergunta sobre sugestão de melhorias
B4, B5

Solicitam que os alunos compareçam mais vezes

Melhorias

B1, b3

Diz que haja Continuidade.

Melhorias

Que Não houvesse espaços de tempo sem

Melhorias

B2

participarem.
B5

Mais atividades de memória

Melhorias

B1

Trabalhar mais com dinâmica

Melhorias

B4

Mais palestras. O que trouxerem. Sem exigências

Melhorias

B2

Temas diferentes. Mais interação

Melhorias

TRANSCRIÇÃO SEQUENCIAL – GRUPO FOCAL C
QUEM

SOBRE O QUE FALA

FALA

TEMA

C: Pergunta se lembram e se conseguem
Coordenador descrever as atividades que participaram junto
aos estagiários
C6

C1

Atividade de confecção de cartaz. Com corte e
colagem.
Atividade de confecção de bandeirinhas. Corte e
colagem

Atividades desenvolvidas

Atividades desenvolvidas

Pergunta sobre o que acham da participação
Coordenador dos estudantes de terapia ocupacional nos
grupos que participaram
C5
C5, C6, C8

Diz que a presença do estudante é o motivo pelo
qual estão ali participando
Diz que é Bom. Eles alegram as atividades.

Sentimentos
Efeitos

109

C5

C2

C9

Coordenador

Fala que há aprendizado mútuo
Diz que Ensinam a fazer para que possam fazer

Benefícios ao estudante
Benefícios ao usuário

em casa. (fala sobre si)
Fala que trazem Renovação.
(necessidade de falar sobre si)

Efeitos

C: Pergunta o que eles aprendem com as
atividades junto aos alunos

C7

Relata Experiências da juventude

C4

Fala que aprendeu Poesias

C5

Benefícios ao usuário

Diz que aprendeu As musicas que cantaram nas
atividades.

Benefícios ao usuário
Atividades desenvolvidas
Atividades desenvolvidas

C7

Exercícios para a memória.

Atividades desenvolvidas

C9

Reanima a memória. Fala de sentimentos.

C1

Aprendeu a realizar o auto exame de mama

Benefícios ao usuário

C7, C8

Falam sobre sentimentos. Sentem-se alegres.

Efeitos

Atividades desenvolvidas
Efeitos

Coordenador C: Pergunta o que os alunos aprendem com eles
C5

Com a experiência da velhice.

Benefícios ao estudante

C9

Vida, respeito, tratar bem ao outro.

Benefícios ao estudante

C9

Substitui pensamentos negativos. Trabalha a
mente

Benefícios ao usuário

C: Pergunta se os alunos participando nas
Coordenador atividades do NASF, ajuda na formação
profissional deles.
C2

Diz que Ajuda devido a troca de experiência

Benefícios ao usuário

mútua

Benefícios ao estudantes

Ajuda porque aprendem como atender aos
C9

pacientes.
(Muitos falaram ao mesmo tempo e acenavam que

Benefícios ao estudante

concordavam).
C5

Coordenador
C5

Afirma que o que aprendem na prática, levam para
a faculdade.

Benefícios ao estudante

C: Pergunta quais os motivos que fazem
participarem das atividades junto aos alunos
Diz que traz Benefícios físicos

Benefícios ao usuário

110

C4

Fala que proporciona Aprendizado

Benefícios ao usuário

Refere que traz Beneficios físicos e de relações
C2, C8

interpessoais.
(necessidade de falar sobre si. Descreve sobre sua

Benefícios ao usuário

vida e saúde)
C2, C7

Coordenador

C2

Dizem que recebem Bom atendimento. Bons
cuidados oferecidos.

Benefícios ao estudante

C: Pergunta como se sentem ao participar das
atividades juntos aos alunos
Diz que sente-se bem, as atividades são adaptadas
às necessidades e limitações de cada um

Efeitos
Benefícios ao usuário

Referiu que a participação dos alunos é muito
C8

bom. Lembra de como se sentiu bem em atividade

Efeitos

de Natal
Coordenador C: Pergunta sobre sugestão de melhorias
C5

Afirma que precisa de melhoramentos em espaços.

Melhorias

Fala que precisa aumentar a frequência de
C2

atividades com eles. Necessidade de falar de si.

Melhorias

Descreve sobre sua vida e saúde)
C6

Trazer mais atividades diferentes

Melhorias

C4

Cita Artesanato

Melhorias

C9

Refere os Jogos para memória

Melhorias

C7

Cita Músicas

Melhorias

C8

Refere algo que seja bom para a saúde.

Melhorias

C1

Solicita que haja Músicas de forró para dançar.

Melhorias

C2

Comemorar os aniversariantes do grupo

Melhorias

C6

Cita atividades externas

Melhorias

C9

Enfatiza que os alunos estejam sempre presentes

Melhorias

111

APENDICE D – Transcrições Integrais
GRUPO FOCAL 1 (UBS Graciliano Ramos) – 10 PARTICIPANTES
C: FALEM DE MANEIRA GERAL SOBRE OS GRUPOS QUE PARTICIPARAM, E QUE
CONTAM COM A PRESENÇA DOS ESTAGIÁRIOS DE TERAPIA OCUPACIONAL. O
QUE ACHAM SOBRE A PARTICIPAÇÃO DESSES ALUNOS NAS ATIVIDADES NOS
GRUPOS?
6. Importante. Muito importante
9. A gente percebe que eles vêm de muita boa vontade né, renovados, muito alegres, meigos, são
muito doces. E cada turma vem com uma renovação. A gente percebe no olhar deles que eles vêm com
a intenção de fazer o trabalho bem feito. E realmente eles se esforçam muito. Eles sempre trazem, a
gente vê o carinho com que eles fazem, né?
5. São carismáticos
9. Fazem as coisinhas pra gente, até se preocupam em nos agradar com lanchinhos, com brindes, com
tudo. Então, assim, eles são muito amáveis. E importante porque é como se fosse uma barrufada de
experiência pra eles que estão saindo da universidade e precisam ter contato com o público. Isso dá
coragem a eles de serem profissionais mais seguros, né?
10. É!
9. Porque quando a gente sai da universidade, a gente sai muito despreparados para lidar com o outro.
Ainda mais quem trabalha nesses cursos de área de saúde, de humanas, que vai lidar com o público.
Então, Tem muita teoria, mas muitas vezes são poucas práticas, e aí eles tem essa oportunidade de
testar todo o conhecimento que aprenderam, né? E esse conhecimento também, eles aprendem muito
com a gente, assim como nós aprendemos com eles.
5. Com trocas de informações.
9. Não é?! Trocas de informações maravilhosas. E eles são muito abertos às nossas opiniões, respeitam
muito as nossas opiniões. Tanto nós influenciamos a vida deles, que como essa última turma comentou
que elas mudaram a forma de lidar com seus parentes mais idosos, os avós, os tios, né. Conhecendo
através da gente, através dessa sensibilização que eles têm aqui. Conhecendo e ouvindo as
experiências nossas, isso os abriu mais para se sensibilizar e interagir com seus familiares em casa. A
riqueza de conhecimentos que os avós e os pais têm. Isso é muito bom a gente saber disso, né gente?
7. Com certeza!
1. Completando o que ela falou... eu acho que na realidade é um intercambio muito bom entre jovens
e a gente. Então, é uma troca de conhecimentos. Eles aprendem muito com a gente, eles pedem nossa
opinião, eles dão opinião, aceitam as nossas. Então, é muito bom. E falta deles pra gente seria
lamentável.
10. Verdade.
1. Porque na realidade eles são excelentes

112

3. É Tudo bom
10. Eles aprendem com a gente e a gente aprende com eles. É uma troca.
C: QUE TROCA É ESSA? TROCA DE QUÊ?
2. De conhecimento. Sobre a nossa vida, sobre o nosso dia a dia, de como melhorar.
C: FOI COLOCADO AQUI SOBRE A PREOCUPAÇÃO DE FAZER UM TRABALHO BEM
FEITO. MAS COMO É UM TRAVALHO BEM FEITO?
8. A gente entende quando fica satisfeito.
9. Dedicar-se. Eles se dedicam. Alegria e respeito. Eles vêm cheios de energia. Vêm com vontade.
C: O QUE A PARTICIPAÇÃO DESSE ALUNOS TRAZ PARA O SERVIÇO?
7. Apoio.
(muitos falaram ao mesmo tempo em que eles contribuem muito e todos encenaram que concordavam)
9. Trazem um impacto de conhecimento mesmo. A gente aprendeu muita coisa aqui com eles. Teve
uma turma que trouxe aqui a ABRAZ, outros falaram sobre a demência, que também desmistificou
muito porque nós temos alguns integrantes do nosso grupo começando nesse nível de problema, e isso
mudou até mesmo nossa forma aqui interna, nossa familiazinha, nosso grupo de amizade, visualizar o
amigo. Como aquele amigo nosso continua ali, entendeu, sempre. Só está diferente.
2. Também uma maneira de chegarmos e procurar resolver aquele problema. A gente se preocupar
com o nosso amigo, com nosso parente, com nosso vizinho... por quê ele esta daquele jeito? Como eu
vou ajudar? Então, eles fazem tudo. Fazem uma pesquisa, nos traz, e mostram que daí pra frente a
gente também tem que ter a preocupação com quem está me escutando.
9. De aplicar o que eles trazem pra cá, aplicar na nossa vida.
C: E TEM DIFERENÇA ENTRE AS ATIVIDADES QUE TEM A PARTICIPAÇÃO DOS
ESTAGIÁRIOS JUNTO COM OS PROFISSIONAIS DO SERVIÇO COM AS ATIVIDADES
SEM A PARTICIPAÇÃO DESSES ESTAGIÁRIOS?
(Alguns disseram ao mesmo tempo que não, outros disseram que sim)
2. Tem. Tem.
9. Eu acho que não. Porque os estagiários estão aprendendo com os que já estão atuando.
2. Os estagiários também têm o lado deles. Porque eles sabem que tem profissional, e eles querem ser
um profissional, então eles se preocupam em dar o melhor de si. Tanto aprender como saber passar.
9. A presença deles é boa. Mas é enriquecedora a diferença.
2. Essas pessoas nos transmitem coisas boas, vejam bem: esse povo novo que está aprendendo, não é
que você não sabe, você sabe. Eles estão afim de botar o pé no chão, trazer o melhor, aproveitando a
tua dica, do outro amigo, e fazem grupo. Eu acho que seja maravilhoso isso. Pra eles e pra gente.
9. Eles vêm com uma motivação que, infelizmente, quem está no dia a dia, a gente cria uma rotina e
não tá, entendeu? Eles são barrufadas de ventilação. vêm refrigerar, eles vêm cheios de energia, vem
com vontade de trazer coisas novas, né, e aprender.
2. Eles ajudam demais.

113

9. Coisas que, a gente no dia a dia, quem é profissional entra na rotina. Querendo ou não, mesmo
sendo profissionais bons, mas acomodam. E eles não, eles vêm renovar isso. E a gente sente como
usuário.
C: ENTAO, A VINDA DELES PARA AS ATIVIDADES DO NASF, VAI AJUDAR NA
FORMAÇÃO PROFISSIONAL DELES?
(muitos falam ao mesmo tempo afirmando “com certeza” e todos concordam)
6. Sempre é um aprendizado.
1. Eles aprendem muito com a gente.
5. É uma troca de conhecimento.
1. Até a confiança. A confiança de público que nós aqui o grupo transmite pra eles. É muito
importante. A gente nota quando eles chegam, chegam assim inibidos, mas quando eles encontram
com o nosso grupo que vê a alegria da gente, contagia. Esse grupo aqui contagia todo mundo.
9. E eles também nos contagiam, Viu?
8. As vezes a gente vem com preguiça, eles nos animam (risos)
9. As vezes a gente tem uma coisa pra fazer, mas a gente sabendo que eles têm aquela vontade, sabe?
Fizeram, prepararam... eu já perdi aqui uma e me arrependi, porque as meninas colocaram as fotos.
Mas o carinho com que eles fazem, preparar aquela apresentação, trazer um tema... a gente sabe que
eles se dedicaram, entendeu? E a gente vem em consideração porque a gente vê como eles estão
motivados em trazer o melhor pra gente, sabe? E isso é motivador né?
C: E POR FALAR NISSO, QUAIS OS MOTIVOS QUE FAZEM VCS PARTICIPAREM E
PERMANECEREM NESSAS ATIVIDADES COM OS ESTAGIÁRIOS?
6. Porque um ajuda o outro.
10. A simpatia deles são contagiantes
9. O carisma. E o aprendizado. Porque eles chegam com coisas novas e conquistam nosso interesse.
7. O carinho que eles tem por todos nós em querer melhorar a nossa saúde.
4. É muito prazeroso e é uma terapia muito boa.
2. Eles conquistam nossa amizade. E nos ensinam também.
9 Trazem coisas que muitas vezes a gente nem conhece. É sempre um aprendizado, uma coisa nova.
Porque eles estão lá na universidade, e traz um conhecimento que a gente não conhece aqui,
novidades, coisas que estão sendo atualizadas, eles trazem pra gente.
5. Chegam a ser antidepressivos
(muitos risos e palmas de apoio)
4. A gente aprende mais, né?
10. Às vezes eu saio de casa muito arrastada assim, sem querer vir, devido ao sol quente, as vezes
cansada, as vezes com muita coisa na cabeça, e quando chego aqui principalmente com aquela turma
com Amanda e a turma dela, eu me relaxo de uma vez.

114

9. E elas sempre perguntam: vocês gostariam de ver que tema? E isso é muito bom porque já tivemos
coisas aqui dinâmicas né? A última turma trouxe uma coisa nova, num foi? Trouxeram a pintura, a
colagem. Isso foi muito bom a técnica de artesanato, de manipulação.
5. De manuseio né?
10. Esquece até da tristeza, do cansaço...
9. Principalmente porque tem pessoas que se acalmam, interagem. A gente interagiu muito aqui
naquela tarde, num foi? Muito gostoso, muito agradável.
10. Eu adorei.
C: PENSANDO NAS ATIVIDADES E OFICINAS REALIZADAS PELOS ESTAGIÁRIOS DE
TERAPIA OCUPACIONAL, VOCES LEMBRAM DELAS E CONSEGUEM DESCREVER
ESSAS ATIVIDADES?
9. Aquele exercício que a gente fez, lembra? Que elas botaram as madeiras e a gente fez aqueles
exercícios com elas?
10. Com Bambolês...
7. Atividade de formar palavras
(Muitos que participaram dessas, confirmavam que também lembravam)
8. De pinturas...
9. Aqueles testes de memória de sabor, de aroma, de cheiro... aquele é legal
1. Lembro o da memória de agilidade, de memória, tudo o que eles trabalharam com a gente né?
2. Teve atividade da memória
6.Teve também uma de caça palavras, faz de conta que é uma caça palavras.
9. Mamãe, você lembra daquela atividade que a gente pintou, lembra? Que você pintou a flor linda?
(ela não lembrou especificamente da atividade, portadora de Alzheimer, confundiu os acontecimentos,
mas afirmou quando disse: “ai, meu Deus, tomara que ela goste, que eu vou dá uma jeito de ficar mais
bonita ainda)
7. Utilidade de cada fruta ne, ia colando;
4. A das palavras... agora que estou lembrando.
(Risos... muitos repetiram ao mesmo tempo das atividades já citadas)
10. O das bolinhas da árvore de Natal. Aí ia botando as palavras que a gente queria e colou na árvore
todinha, num foi?
C:NESSAS

ATVIDADES

QUE

VOCÊS

LEMBRAM,

VOCES

CONSEGUIRAM

COMPREENDER? OS ESTAGIÁRIOS FORAM CLAROS NOS OBJETIVOS?
(Muitos falaram ao mesmo tempo: sim, muito claros. Todos concordaram)
9. Fizemos tudo compreendendo. Além de muito prazeroso também. A comunicação é muito boa.
C:COMO É QUE ELES GERALMENTE FAZEM? COMO É A ORDEM DA ATIVIDADE?
9. Apresenta o objetivo, o que vai ser feito, organiza e aí faz a prática. Com muita responsabilidade
1. Divide os grupos...

115

9. Isso, divide os grupos, as responsabilidades, bem organizado. Depois executa, aí elas explicam né,
dão os resultados... e as vezes dão lanchinho.
(risos)
5. Quando a gente faz a física, aí se eu tenho alguma dificuldade aí eles já ajudam, já colaboram.
C:AS ATIVIDADES TINHAM OBJETIVOS?
(Muitos falaram ao mesmo tempo: todas!)
9. Todas as atividades tiveram objetivos, muito bem elaboradas, claras, concisas, bem explicadas, bem
preparadas as aulas. Todas com muito carinho, né meninas? Pena que não tem projetor, essas coisas,
porque elas não tem esse material, ainda. Mas a gente vê que tem os cartazes feitos com carinho, tudo
cortadinho, embaladinho. Todo preparo bem carinhoso, a gente se sente especial.
C:COMO VOCÊS SE SENTEM AO PARTICIPAREM DESSAS ATIVIDADES?
3. Eu me sinto muito bem. Embora que eu não saiba. Acontece que de mim pra vocês, tem muita
diferença, né minha filha?
(todos discordaram e falaram ao mesmo tempo na tentativa de mostra-lo ao contrário)
2. Oh, Senhor H.! Quando a gente não consegue fazer de um jeito, faz de outro.
7. Qualquer coisa pega uma cadeira e faz sentado, nós se ajuda.
9. A única diferença é que o sr é homem e nós somos mulheres, o resto tem diferença nenhuma.
3. Vocês passam a mão no rosto e sabem onde tem o nariz, e eu passo a mão no rosto e não sei ontem
tem o nariz. (fala emotivo)
(muitos risos e falas ao mesmo tempo)
3. Porque eu não sei lê, né minha filha?
2. Mas você sabe outras coisas. Você é inteligente, meu filho.
9. Você tem outras qualidades. Principalmente sua educação, sua pontualidade...
2. O carinho com quem trata o senhor é maravilhoso
3. Eu nunca participei de reunião com mulheres e nem com homens. Mas depois que eu vim praqui,
pra mim foi uma maravilha. Porque toda vez to no meio de vocês. (Fala emotivo)
2. Que coisa boa!
3. Pois então. Eu não sei se vocês gostam de mim, mas eu gosto de todas vocês. (fala emotivo)
(muitas falas ao mesmo tempo afirmando que gostam muito dele)
1. Esse grupo sem o Helio, não tem graça. Esse daí é o ponto fundamental do nosso grupo;
9. É o nosso mascote. E ele é o nosso exemplo. Nosso marinheiro. A gente sente falta quando ele não
está.
3. Obrigado.
7. Participando dessas atividades eu me sinto maravilhosa.
10. Eu me sinto muito importante.
4. Eu me sinto muito bem.
9. É muito prazeroso

116

5. Isso é muito prazeroso. Quando eu saio do trabalho eu venho correndo. Queria que tivesse todos os
dias.
2. Eu me sinto muito bem, de uma maneira que eu tento fazer todas as vezes. Porque eu vou aprender
mais, vai ser melhor pra mim.
8. Muitíssimos bem
10. Porque é muito bom, nem só a mente, mas também bem para o corpo. Mais energia, porque a
gente esclarece a mente e é muito bom para o corpo todo.
1. Eu me sinto muito bem mesmo, e é um intercambio maravilhoso. Eu creio que elas vem
complementar o nosso grupo. Complementar nossas palestras, nossos ensinamentos, nossos
aprendizados. E eu creio que também muita coisa elas levam do nosso grupo. Com certeza.
5. É um antidepressivo.
2. Quando elas nos encontram às vezes descendo até de um ônibus, elas se aproximam e dá a mão e dá
beijinho e dá abraço... pra onde foi? Como está? São muito comunicativas. E a gente se sente cheio de
vida né? Ta Sendo reconhecido por elas
5. É Verdade!
9. Elas sentem valorizadas né
2. Porque tem alunos que dá aulas e tudo mais, mas quando chega lá fora não vê ninguém não. São
imperiosos. Mas elas não, são ótimas.
3. Tinha uma menina que foi aluna da gente, eu não sei o nome dela, mas toda vez que ela passa: “Seu
Helio, tudo bom?” eu digo: tudo bom, minha filha! Eu quero me lembrar mas não sei o nome dela. E
ela foi aluna daqui e ela é muito dada. Mas há causa que pode mais do que a gente, né, minha filha?
9. E eles se sentem muito importantes, queridos, valorizados, porque é tanta opinião e elas querem
ouvir opinião da gente, né meninas? Elas perguntam, elas interagem. Cria-se uma empatia. Uma
amizade que é levada daqui para frente, acaba levando pra toda a vida. Porque nós fomos importantes
pra eles e eles são muito importantes para nós porque eles nos ensinam. Eles trazem tudo o que há de
mais atual, tecnologicamente, cientificamente sendo estudado e nós ensinamos experiências de vida,
coisas que eles no afã de buscar conhecimento, não valorizam tanto no dia a dia. Então eles vêm e
acabam descobrindo que no antigo também tem muita riqueza. E é uma troca.
C: COMO VCS AVALIAM AS ATIVIDADES? O QUE ACHAM DELAS?
(muitas falas: São importantes)
C:EM QUÊ ELAS SÃO IMPORTANTES?
3. Pra saúde.
10. Para aprender
9. Para nosso conhecimento, né meninos?
2. A gente se envolve com essas coisas. Passa a acreditar, passa a frequentar mais. Convida A, B e C.
9. Aplicas nas nossas vidas as coisas diferentes. Leva para a vizinhança como a senhora falou, num
foi? Que levava até para a sua vizinhança, no seu dia a dia, para as pessoas fora daqui.

117

10. Convidar nossos amigos.
2. Muito bom para nossa saúde. Traz muitos benefícios.
6. Pra mim é importante em tudo. De alegria, de apoio, de estar juntos, de chegar e conversar com
alguém.
2. Importante pra troca de conversas
4. Para o nosso conhecimento
10. Para mim, se eu não tivesse vindo para essas palestras que tem para o próprio grupo mesmo, eu
acho que eu já tinha entrado em depressão. Porque quando eu chego aqui, tudo é bom pra mim, tudo é
bom pra minha mente. Pra minha mente principalmente porque senão eu já tinha entrado em
depressão.
6. O que eu gosto demais é da participação. De todos.
8. Dos profissionais, dos estagiários, estagiárias...
6. E dos alunos também, né? Com certeza.
2. Quando eles vem participar dos eventos, pra melhorar nossa situação, todo mundo se agrupa, todo
mundo conversa, todo mundo interage. Isso é muito bom, não fica ninguém isolado. Quando não sabe
fazer, aí vai ensinar. Tem carinho com os outros.
3. Todos eles foram bons.
C: TEVE ALGUM ESTAGIO COM ESSES ALUNOS QUE VOCÊS ACHARAM QUE
FALTOU ALGUMA COISA? OU QUE POODERIA SER DIFERENTE?
(todos falaram ao mesmo tempo negativamente)
C: QUAIS AS SUGESTÕES DE MELHORIAS PARA A PRÁTICA DESSES ESTAGIÁRIOS
DE TERAPIA OCUPACIONAL NO NOSSO NASF?
9. Mais coisas práticas, né meninos?
6. Nós queremos mais!
9.Porque assim, as meninas vem com muita vontade, mas muitas vezes existem uma limitação talvez
de recursos. Então, a gente gostaria de mais exercícios de terapia ocupacional na pratica no dia a dia
pra gente aplicar. A gente já falou sobre isso e que a gente sabe que vocês sabem, e que a gente
gostaria de aprender mais. Ao invés da gente ficar só revendo, às vezes ate repetindo, algumas
mensagens que já forma dadas. Quando tem repetição, quando as meninas abordam algum tema assim,
a gente sempre evidencia pra elas que já foi visto. Ainda bem que são turmas e alunos que vêm abertos
a receber feedbacks e a nos escutar. Isso aí ta de parabéns, quem escolhe os alunos ta de parabéns.
2. a gente gosta de fazer coisas diferentes.
9. É, mas como eles têm um conhecimento muito amplo e a gente não sabe, a gente gostaria que
tivesse mais uma prática também. Não fosse só a teoria. A gente aprende muito com a teoria, mas
Uma coisa pratica que a gente pudesse aplicar na vivencia do nosso dia a dia. Um exercício, né
meninas?

118

1. Eu sempre falo pra elas que elas são as rosas que vêm enfeitar nosso jardim. Eu sempre digo pra
elas isso: nós somos o jardim, e elas são as flores, as rosas. Sempre maravilhosas.
9. a gente só não gosta quando vão embora.
(risos. Muitos concordam)
2. Era bom que fosse por mais tempo. Porque só são 6 meses né.
9. Quando acaba o estágio delas, a gente fica com vontade de quero mais. Pelo menos, assim... tudo
bem que vem outras turmas, mas essas pessoas que já saíram, não teria como a própria universidade
interagir com elas para que elas voltassem um dia pra ver a evolução da gente aqui? Pra matar a
saudade da gente?
2. Quando elas vêm, que estão terminando, estão se formando né? Aí se afastam ... não permanecem
no NASF mais não? Não já ficam com o direito de algum trabalho? Não né? Por que deviam ter uma
margem de conseguir trabalho já que estagiaram. Eu achava que depois que terminasse, com tanto
esforço e com tanta coisa, tinha que ter uma vaga pra aquelas criaturas.
5. Não tem essa garantia. Depois que formou, cada um por si.
C: O QUE NÓS PROFISSIONAIS PODERIAMOS SOLICITAR DURANTE O ESTAGIO
PARA QUE OS ALUNOS PUDESSEM CONTRIBUIR MELHOR PRA VOCÊS?
9. Mais práticas. Coisas que a gente possa aplicar no nosso dia a dia.
10. Mais movimento.
2. Mais com relação ao tempo, eu acho que o espaço de tempo é muito pouco. Pelo os que eles trazem
e o que têm pra nos oferecer, o tempo é pouco.
1. Mais atividades de educação em saúde durante o mês. Com práticas no mínimo 2x ao mês.
10. por mim, seria todo dia
(risos)
7. Seria bom que aumentasse mais o grupo, tivesse mais animação, né? Número de alunos.
9. É, o número de estagiários. Porque é pouco, devia ter mais alunos. Que pudesse dar a oportunidade
de mais alunos e a gente poder conhecer mais.
C: VOCÊS CONSEGUIRAM COMPREENDER O PORQUÊ PARTICIPARAM DESSA
PESQUISA? POR QUE EU FIZ ESSE GRUPO COM VCS?
9. Sim. Pra melhorar cada vez mais o estágio. Pra melhorar o ensino e o aprendizado com qualidade.
Melhorar a interação. Identificar as necessidades e melhorar.
(Muitos concordaram dizendo sim. E concordaram com a fala da colega 9, mas não complementaram
verbalmente).
GRUPO FOCAL 2 ( UBS SÉRGIO QUINTELA) – 5 PARTICIPANTES
FALAR DE MANEIRA GERAL, SOBRE OS GRUPOS QUE PARTICIPARAM, E QUE
CONTAM COM A PRESENÇA DOS ESTAGIÁRIOS DE TERAPIA OCUPACIONAL. O

119

QUE ACHAM SOBRE A PARTICIPAÇÃO DESSES ALUNOS NAS ATIVIDADES NOS
GRUPOS?
5. ótima.
4.Maravilhosa.
5. Foi bom porque muita coisa ela explicou... foi bom, gostei!
1. E a gente sente falta quando elas não vem. Demora a vir. Porque, quando a gente ta começando a
gostar aí elas vão embora.
5. É, como daquela vez que foi aquele negócio todinho... aí, cabou-se, desapareceu!
1. (risos) aí a gente para e quando elas voltam de novo a gente já tem esquecido tudo o que já tinha
aprendido.
4. Por isso que... muitas coisas não lembro. Quer dizer, vinham 2 dias e faltavam 5. Como era que eu
ia lembrar?
2. A participação é muito importante. Por que... coisas que a gente nem lembrava ne? Faz tempo que a
gente parou de estudar e elas falavam, mandavam a gente participar de algumas e... teve uma assim,
uma tarefa pra na outra semana a gente trazer... e nesse dia nem tive condições de vir, fiquei até
sentindo falta mas não foi possível eu vir. Que ela passou foi até sobre as novelas, sobre as frutas,
nomes das frutas, muita coisa importante que eles falaram. Perguntaram as novelas que assistimos,
tinha que dizer os nomes das antigas e as de hoje.
4. a participação desses alunos com a Lara, primeiro porque a Lara é muito maravilhosa. Dá muita
atenção, muito educada. E a gente gosta muito dela.
(todas as outras concordaram)
5. E os alunos também. A participação dos alunos é bom porque traz atividades pra gente, traz
novidade. Não ruim não.
3. Eu concordo. Concordo em tudo o que elas falaram aí. Eles podem trazer muita coisa boa, né?
Muitos ensinamentos e tudo mais... eu não sei muito falar... (risos).
OS ESTAGIÁRIOS, ELES CONTRIBUIEM COM A QUALIDADE DESSAS ATIVIDADES?
4. Contribuem sim
5. Contribuem 100%
(Todas outras concordaram acenando positivamente)
5. A gente se diverte, a gente faz as coisas que elas trazem pra gente fazer as atividades. Não é ruim
não. Contribuem 100% pra mim.
1. Eles contribuem. Quando uns começaram com a gente, vieram 3 vezes num foi? Aí na despedida
também foi muito bom com a gente, num foi isso? A gente se divertiu bastante com a gente. A gente
adoramos. Ainda trouxeram lembrança pra gente, num foi? A gente ainda tem um calendário deles.
4. Na verdade, todos que passam por aqui é bom. São uma maravilha. Todos, todos! Todos são gentis.
5. No começo, sem ser elas e sem ser o professor, os outros... tinha um aqui que, misericórdia! Teve
um que não lembro o nome... Aquele, meu Pai do céu, Nossa Senhora!!

120

(expressão de exaltação)
VOCÊ GOSTOU?
5. Maravilhoso!!!
4. E sobre uma que colocava os braços da gente pra trás, e Terezinha dizia: vá devagar! Esqueci o
nome dela...
(a profissional de educação física que acompanhou a atividade lembrou que era a fisioterapeuta)
4. Era tão boazinha também ela... Dizia: vamos, minha gente!
E O QUE MAIS? EM QUE ELES CONTRIBUEM?
5. Abrir mais a memória da gente. Porque eles botam coisas que a gente não lembra. E quando eles
botaram, a gente ficou matutando.
2. A gente nem sabia pra onde começar
(risos)
E PRA COMEÇAR, COMO É QUE ELES GERALMENTE FAZIAM? COMO ERA A
ORDEM DA ATIVIDADE?
5. Formam as cadeiras né? Nós se senta, eles explicam...
2. Explicam o que foi que a gente entendeu.
5. O que foi que a gente entendeu... dá uns negocinhos, uns papelzinhos, umas perguntas...
E DEPOIS?
1. Depois recolhem...
4. Recolhem os materiais que trouxe, os trabalhos, e pronto.
5. Eles também contribuem com o riso, a gente rir. Muitas não sabem, aí fica uma rindo para o lado da
outra...
(muitos risos)
4. Eles contribuem também... a mexer com o corpo, é tão bom. Alegra a Gente, e assim vai.
E TEM DIFERENÇA ENTRE AS ATIVIDADES QUE TEM A PARTICIPAÇÃO DOS
ESTAGIÁRIOS JUNTO COM OS PROFISSIONAIS DO SERVIÇO COM AS ATIVIDADES
SEM A PARTICIPAÇÃO DESSES ESTAGIÁRIOS?
5. Não. Porque a Ju (Professora de Educação Física do NASF) não deixa a pessoa sossegada.
(RISOS)
1. Bem, fica mais divertido, porque o grupo está maior né? Aí ajuda bastante.
4. Fica mais animado.
(todas concordam)
5. Não tem diferença pra mim porque tem a física e depois termina. E tem diferença porque não tem
esse negocio de ensinar, de dizer alguma coisa...
2. Da gente poder participar...
5. Da gente participar, bulir com a memória, outra especialidade.

121

PENSANDO NAS ATIVIDADES E OFICINAS REALIZADAS PELOS ESTAGIÁRIOS DE
TERAPIA OCUPACIONAL, VOCES LEMBRAM DELAS E CONSEGUEM DESCREVER
ESSAS ATIVIDADES?
5. Foi quando a gente fez aquele negocinho ali, foi bom demais. Lembra aquele negocinho ali, que a
gente fez com eles?
1. Pra nossa memória! Para o esquecimento!
5. Foi ótimo. Uma atividade pra mente da gente, pra gente se lembrar mais das coisas. Muitas coisas
que ela falou...
4. Se estava com a mente...
2. Raciocínio num foi? Pra mexer com o nosso psicológico!
5. Aí ela mostrou uma coisa, perguntou o que era. Foi bom.
5. Uma outra atividade que me ajudou, foi na época em que eu estava e ainda estou, mas estou bem
melhor graças a Deus, que eu estou com psiquiatra, tô com psicólogo, tô com tudo. Eles me ajudaram
muito, muito, muito... foi a atividade da cabeça. A oficina das jóias eu pouco participei porque eu tava
sem óculos e eu não enxergava colocar aquele negocinho dentro do buraco.
2. Também teve uma com a participação dos enfermeiros. Aqueles grupos que vieram aqui... eu
esqueci de quando foi.
Muitas falaram que foi uma palestra junto com o NASF.
1. Ah, foi uma do outubro rosa!
2. Teve uma das cores.
3. Foi! Aquele que a gente fez no chão, num foi?
2. E aquele que a gente respondia, foi de qual mesmo?
5. Da novela!
3. Eu não lembro mais de nada, essa minha cabeça!
5. Sim... eu falei que tava em depressão num foi, teve uma roda de conversa sobre depressão, que foi
muito bom
2. Foi um cartaz que a gente colocou lá na frente.
(Muitas palestras)
NESSAS

ATVIDADES

QUE

VOCÊS

LEMBRAM,

VOCES

CONSEGUIRAM

COMPREENDER? OS ESTAGIÁRIOS FORAM CLAROS NOS OBJETIVOS?
5. Sim. Eles explicaram pra gente.
4. Sim. Explicam tudo direitinho.
2. Explicam. depois perguntam se a gente entendeu. Falar do que entendeu, qual foram às coisas que
eles explicaram. Entendi assim.
QUAIS OS MOTIVOS QUE FAZEM VCS PARTICIPAREM E PERMANECEREM NESSAS
ATIVIDADES COM OS ESTAGIÁRIOS?
(Muitas disseram ao mesmo tempo que gostavam)

122

5. Pra aprender; ouvir o que eles tem a dizer
2. Curiosidade também. A gente queria saber o que ia acontecer, o que era aquele significado. Aí foi
todo mundo ficando, se aglomerando e gostando.
3. A gente fica porque é importante pra gente, ne? A gente aprende mais, né?
COMO VOCÊS SE SENTEM AO PARTICIPAREM DESSAS ATIVIDADES?
2. Bem
4. Se sente bem melhor.
5. Eu me senti muito bem. Coisas que eu ficava matutando para poder dizer. Foi bom.
1. Eu não era muito de responder, sou só de ouvir. Mas me sentia leve e também gostava porque a
memória... muitas coisas que eu tava esquecida fui me lembrando. Na hora da memória lá, que eu
ainda esquecia, fiquei mais tempo do que as outras, mas mesmo assim, a gente começou a rir e foi
bom demais.
2. Foi muito importante. Todas as aulas que participei, gostei muito, aprendi muito aqui. Eu me senti
útil e lembrava alguma coisa, que chegava em casa eu ia ler. Eles mandavam procurar em casa pra no
outro dia a gente trazer as respostas. Tudo isso é importante.
3. Eu me senti bem... não sei explicar.
A VINDA DELES PARA AS ATIVIDADES DO NASF, VAI AJUDAR NA FORMAÇÃO
PROFISSIONAL DELES? VAI AJUDAR A ELES A APRENDEREM?
(Todas falaram sim, com certeza)
2. A gente aprende com eles e eles aprendem com a gente.
(todas concordaram)
E O QUE VOCÊS APRENDEM COM ELES?
4. Fazer as atividades deles, fazer eles rirem, eles fazer a gente rir, tudo se diverte.
2. A Juventude acha que tá aprendendo mais com a gente que somos de mais idade do que eles. Aí eles
puxam pela nossa memória pra ver se a gente consegue. Risos
E O QUE ELES APRENDEM?
1. Sabedoria, né?
2. Inteligência. Eles são inteligentes, aprendem com a nossa sabedoria, com nossa experiência.
3. O que eles aprendem na sala de aula é uma coisa, e na prática é outra.
5. Na prática eles aprendem sobre... conhecimento. Sobre o trabalho que ele está fazendo.
4. Aprendem sobre diálogo.
QUAIS AS SUGESTÕES DE MELHORIAS PARA A PRÁTICA DESSES ESTAGIÁRIOS DE
TERAPIA OCUPACIONAL NO NOSSO NASF?
5. O que poderia melhorar era que eles num viessem 1x ou 2 só... viessem sempre.
4. Viessem direto.
5. Porque fazem uma coisa, e nós que somos velhos e não estamos mais pra nada, esquece. Como
agora mesmo que a gente esqueceu de muita coisa que já passou por aqui.

123

3. Continuar sempre, né?
1. Continuar com mais atividade que é muito importante pra gente. Com mais frequência
2. Quando eles faltam, a gente sente falta também né. Quando eles vêm, a gente se anima. Mas se eles
viessem mais e não passassem tanto tempo sem vir, era melhor.
5. Mais atividade de memória, da cabeça. Tudo o que eles inventar, programar, pra trazer pra gente
melhorar a mente...
4. O que eles trouxerem, a gente vai aceitar.
3. Nós vamos gostar né?
1. Trabalhar mais com dinâmica, né.
4. Mais palestras.
2. Porque os temas que eles trouxeram a gente sempre gostou. Porque foram os temas que a gente
estava precisando ouvir. Agora, se trouxerem mais temas diferentes, coisas que a gente né? Pra gente
vai ser melhor, que a gente vai puxar mais pra memória e vamos também ter mais sabedoria.
4. Tudo o que eles trouxerem de bom, que eles criarem de bom pra gente participar, bom pra gente. O
que eles criarem, a gente participa.
2. Quanto mais interagir, melhor.
3. Dar continuamento mesmo; não parar, tudo é válido.
5. Não tirando a Lara (Terapeuta Ocupacional do NASF equipe 2)... tá tudo bom!
(risos... todas concordaram)
GRUPO FOCAL 3 ( UBS GALBA NOVAIS) – 9 PARTICIPANTES
QUAIS ATIVIDADES QUE VOCÊS LEMBRAM QUE PARTICIPARAM JUNTO AOS
ESTAGIÁRIOS DE TERAPIA OCUPACIONAL ? COMO FOI CADA UMA?
6. Atividade do cartaz, a gente trouxe, nós cortamos né? As florzinhas. A gente cortava, fazia cola e
colava; colocava o cordãozinho;
1- teve uma das bandeirinhas. Cortava as bandeirinhas e colava no cordão. Não era?
6. Também me lembro do são Joao que a gente veio vestida de quadrilha e a gente brincamos aqui; o
carnaval também, a gente cantava música de carnaval, elas colocavam a gente pra cantar, cada um
cantava uma coisa, uma música de carnaval.
5- Até eu cantei, num foi? (sorrisos)
6-Tinha um senhor que trazia o violão aí cantava aquelas cantigas antigas, Valdik Soriano, Simbinha,
aquele...
5- Roberto Carlos... aí a gente cantava também.
6 tudo! oia oia, era demais!!!
2- Era bom demais!
8- a gente se sentia a vontade. Mesmo cantando errado, que não sabia direito mas me sentia feliz,
esquecia mais os problemazinhos da vida

124

6- é bom, pra quem ta triste, pra quem ta com desgosto né? Aí é uma atividade boa pra gente. Eu
mesma que vivia, que vivo um pouco assim né, por causa que aconteceu muita coisa na minha vida, e
eu tando aqui no meio deles e me alegro mais um pouquinho né. Porque eu moro só, eu sou viúva, aí
meu marido morreu, levaram meu filho, tiraram a vida do meu filho. Aí eu me distraio aqui.
(diminuição na tonalidade da voz)
7- eu lembro do rapaz que toca violão né, aquele senhor. Ele tocava Zeca Pagodinho, nera? Um monte
de música, Roberto Carlos, aquilo é bom pra gente né? Muito bom.
6-a gente escutava tanto mais ele, ele cantando e a gente cantando também. Eita, era bom viu. Queria
que ele voltasse pra cá de novo, pra alegrar.
9. Eu lembro. Lembro das festas de São João, lembro dos alongamentos que elas ensinavam; que a
gente vinha toda tarde na semana, ficava uma reunião muito grande, muita gente aqui. Tinha o
psicólogo que dava a palavra, tinha a assistente social que também nos ajudava muito. E tinha aquela
explicação de como devia se alimentar, se cuidar, não viver triste, procurar local pra ficar alegre.
Então, essas coisa que me lembro. Muita coisa boa.
2 – Eu me lembro também do piquenique que a gente foi fazer na praia, o alongamento na praia.
Saímos daqui, veio o ônibus e pegou a gente, foi bom demais. Foi pra praia, fez alongamento na praia,
num foi? A gente tudinho... o ônibus veio pegar a gente e veio trazer. E eu ainda queria mais, que
viesse de novo pra levar nós pra ir pra praia ne.
5- Pra praia, fazer uma viagem, um piquenique, uma coisa se tiver...
2- Isso, uma viagem... se não tem dinheiro, a gente paga. Eu sou da associação, mas eu passeio.
Pra todo canto, pagando. Porque ninguém paga pra gente mais ne, quem puder que pague.
6- passear com nós né, que é muito bom, porque veio um ônibus aqui e levou nós pra passear; Lembro
uma vez que no tempo de São João, levaram nós praquela quadrilha, pra assistir a quadrilha de lá.
Com todo mundo.
7-. Traziam um sonzinho e a gente dançava, e tudo. Aquelas músicas...
4- Lembro das mesmas coisas que elas... do rapaz que veio tocar, nós dançamos muito aí com eles. Eu
achei ótimo. A gente fica sozinha dentro de casa, sem fazer nada, então, quando vem é uma alegria né,
pra pessoa.
5- Eu tava sentindo uma falta tão grande daqui... Porque a gente fica se movimentando, né. Colocavam
o bambolê pra gente passar por cima, a gente arrodeava, era muito bom, e passou muito tempo sem a
gente vir aqui, já estava sentindo falta. Já tamo ficando tudo duro de novo (risos) (referem-se ao
período de reforma da unidade de saúde onde permaneceram sem atividades).
FALAR DE MANEIRA GERAL SOBRE OS GRUPOS QUE PARTICIPARAM E QUE
CONTAM COM A PRESENÇA DE ESTAGIÁRIOS DE TERAPIA OCUPACIONAL? O QUE
VOCÊS ACHAM DA PARTICIPAÇÃO DOS ALUNOS NESSES GRUPOS E ATIVIDADES?
5- Sem eles nós não estava aqui.
6- Eu acho bom!

125

8- Muito bom né?! Vixi maria, a gente fica muito alegre, chega em casa... é outra coisa.
6- Nós se alegra, mulher, nós se alegra muito pq nós se movimenta.
(Muitos falam ao mesmo tempo que a participação deles é muita boa)
5- Tanto a gente aprende, como eles aprendem com nós.
(palmas e concordâncias)
5- Com os estudantes, eles animam mais a gente. Eles chegam aqui e contam aquelas historias bonitas
deles. Tinha um rapaz aqui que cantava pra nós ouvir. E a gente fica muito contente com eles
9- Eles disseram que viriam ver a gente sempre né, mas não vieram mais. Mas eu me sinto muito
alegre.
2- A gente sozinho, eles mandam fazer o alongamento né, mas a gente quando chega em casa, a gente
faz. Muitas coisas a gente não faz. Aí aqui a gente vai fazendo, embora seja muito poucos dias. Porque
se tivesse a semana toda, a semana toda eu vinha. A gente pega as explicações deles, o que der pra
gente fazer, a gente faz. Se tivesse mais dias era melhor. Eu, eu fiz desse braço aqui 70 dias de terapia,
das pernas tb. Se tivesse todo dia, todo dia eu vinha. Agora, se só tem uma vez, a gente aprende e faz
um pouco em casa. Eu mesma, muitas coisas que eles “ensinou”, como se senta, como se vira, como
se faz, a gente faz. Alongamento, que eu não posso fazer mais do que isso, essas coisas eu faço. Mas
relaxo um pouco, né. E vindo aqui não, a gente sempre tá fazendo, pelo menos uma vezinha.
9- Com os alunos aqui, eles renovam a vida da gente. Eles renovam a nossa coragem, porque vêm
àqueles jovens talentosos, e eu já vou fazer 81 anos e estou aqui alegre. Então, amo essa turma desse
posto, que eu cheguei aqui em 85 (década), depois que começou o posto parece que eu fui uma das
primeiras, nunca ninguém me tratou mal, tudo me trataram bem. Então, são meus irmãos, meus filhos.
Eu já fui no medico, fazer acupuntura. Quando eu cheguei no consultório do doutor, ele disse assim: e
a sua médica não disse que isso é doença de velho? Eu disse: eu sei doutor, mas os médicos ficaram
pra aliviar as dores dos pacientes. Eu conheço acupuntura bem feita. Aí depois dei um tempo né.
Quando voltei: ficou boa? Eu disse: não doutor, eu faço uns movimentos e dói. Mas a senhora sabe
que isso é doença de velho. A sua médica não falou? Eu disse: eu sei doutor que é doença de velho,
mas o senhor veio pra cuidar dos pacientes que sofrem.
OK! E O QUE VCS APRENDEM QUANDO ELES ESTÃO NESSAS ATIVIDADES?
7- muitas coisas da juventude, aqueles talentos que eles têm de estar aqui movimentando nós.
4- E recitam poesias...
5- Se lembram que a Doutora ensinava e a gente cantava assim...: “Sabiá na gaiola fez um buraquinho,
voo voo voo...”
(muitos risos de que lembravam)
5- Cantava também: “... a vida leva eu...” Aí tudo ela cantava e a gente também cantava. Ela fazia
aquela música e depois perguntava a gente se a gente tava percebendo.
7- É bom pra memória da gente né?

126

9- Eu acho maravilhoso eles vir porque a gente aprende com eles, reanima nossa memória e a reunião
com muita gente e gente novo é bom também. A gente aprende com eles e a gente pega mais alegria,
mais amizade, amor.
(a nº 5 continuava a cantar a música do sabiá, e muitos falavam ao mesmo tempo)
1- E uma vez... no banho que elas mandaram a gente tomar banho, levantar... fazer aqui ó (faz como
exame de toque de mama). Fazer assim, quando for tomar banho, pra ver o que a gente tem no seio.
Todo dia quando eu vou tomar banho eu faço, graças a Deus eu não tenho nada nos seios.
(Algumas falas simultâneas...)
GOSTARIA QUE CADA UM FALASSE DE CADA VEZ. EU QUERO OUVIR TODOS
VOCÊS
7 – a gente aprende muita coisa boa e a gente chega em casa muito alegre.
8- Eu também me sinto muito alegre quando chego em casa. Já estava sentindo falta.
VOCÊS FALARAM QUE TANTO VOCÊS APRENDEM COMO OS ALUNOS TAMBÉM
APRENDEM COM VOCÊS. E O QUE OS ALUNOS APRENDEM?
5- Aprendem com nossa velhice né, as historias que a gente tem, aquelas histórias antigas e eles acham
bom.
6- Quando a gente se lembra das coisas né, pra dizer a eles né.
9- Aprendem a saber viver, a saber respeitar, tratar bem, isso é muito bom.
2- Eles diziam umas palavras pra gente dizer numa atividade né, que tinha aquelas palavras... eita,
meus Deus, agora eu não me lembro...
9- Em casa a gente fica colocando besteira na cabeça. E aqui não, trabalha a mente da gente.
(muitas falas paralelas de como as atividades as fazem bem)
EU QUERO OUVIR VOCÊS, DE PREFERÊNCIA UMA DE CADA VEZ, PRA PODER A
GENTE REGISTRAR TODAS AS OPINIÕES, PORQUE TODAS AS OPINIÕES SÃO
IMPORTANTES.
COM RELAÇÃO AOS ALUNOS, ALÉM DE TUDO ISSO QUE VOCÊS FALARAM, VOCÊS
ACHAM QUE A PARTICIPAÇÃO DOS ALUNOS NAS ATIVIDADES AJUDA NA
FORMAÇÃO PROFISSIONAL?
6- AJUDA SIM.
2- Eles estão aprendendo mais porque uma pessoa que tem mais idade tem uma certa experiência né.
A pessoa é jovem , mas os velhos, as pessoas idosas de antigamente tem muita coisa que as vezes o
jovem são sabe, e a gente vai na experiência da gente ajuda também a eles, e eles na profissão deles
que estão aprendendo, ajuda a gente também.
9- E outra, eles estando aqui, aprendem a lutar com os pacientes seja como for. quando eles se
formarem, atender os pacientes com amor, carinho. E eles tem que aprender isso com a nossa idade,
porque eles vão envelhecer e tratar bem os paciente e ter amor a cada um, pode ser roxo, pode ser

127

preto, pode ser amarelo, pode ser velhinho gagá, mas que eles tratem com amor. É isso que vão
aprenderem.
VOCÊS CONCORDAM?
6- Muito boa a fala dela!
Muitos falaram ao mesmo tempo e acenavam que concordavam.
5 Acho que a pesquisa deles aqui, ajuda muito eles lá (na faculdade). Porque eles já vem praqui pra
aprender alguma coisa com a gente. E chega aqui , leva pra lá e ajuda muito eles pra lá na faculdade.
DURANTE A PARTICIPAÇÃO NAS ATIVIDADES, QUAIS OS MOTIVOS QUE LEVAM
VOCÊS A PARTICIPAREM E A PERMANECEREM NAS ATIVIDADES EM GRUPO
DESENVOLVIDOS PELOS ESTAGIÁRIOS DE TERAPIA OCUPACIONAL?
5- Porque aquilo ali ajuda muito nós, nós se movimenta mais um pouco, pra os ossos amolecer mais
um pouco.
4- Pra aprender mais alguma coisa né. Porque a gente fica num lugar quieta né?
2- E a gente diz assim: eu já tô de idade, eu sei que tenho problemas de saúde, que é crônica, que não
fico boa, aí eu vou deixar pra lá? A gente fica em casa acomodado e já sem esperança da vida...
porque quem não morre de criança, de velho não escapa não. Agora só que a gente tenta sobreviver
um pouco mais né, aí controla com medicamento, vem pro médico já pra ajudar. E também uma ajuda
que a gente pensa assim... com umas palavras pelo menos a gente ta sentindo que não chegou a hora
da gente ainda e a gente vai aproveitar enquanto puder. Pronto. Porque eu mesma não tenho mais
condições de andar muito, não ando muito porque eu tenho problema de osteoporose na coluna, nas
pernas também artrose. Eu já ando com essa bengalazinha porque o médico chegou a me dizer que eu
podia ate a ficar de cadeira de rodas, mas como Deus é grande e eu sou muito católica, vou muito à
igreja e por isso eu vou sobrevivendo né? Ele disse que não sabe se é 1 ano, com 2, com 3... que não ia
consertar mais. Agora, em qualquer momento eu ficar de cadeira de rodas. Agora só que, to fazendo
uma dieta, caminho... eu não posso mais caminhar muito, mas pelo menos 20 minutos eu ando, vou
pra lá, vou pra cá, uma giradazinha por aqui, pra poder ver se eu “coiso”. Porque se eu ficar sentada
em casa, não posso ficar muito tempo sentada, nem muito tempo em pé, mas se eu ficar numa cama ou
sentada, aí eu vou enferrujar de vez. Aí é que eu não vou nem me levantar
9- E hoje eu já fiz minha caminhada.
8- Porque é bom. Bom para os ossos... Porque, é assim inchado meus dedos. Quando me pega, eu fico
em cima da cama.
2- Que nem vocês e todos aqui que participam né. Pelo menos tem consideração aos idosos. Eu vou
dizer uma coisa: aqui nesse posto eu me sinto muito bem. Porque toda vida fui muito atendida aqui. As
meninas me tratam tudo bem. Porque em outros cantos que já fui que levei foi desacerto. De idade
mesmo fui, não tinha preferência, não tinha nada. E pelo menos, esse grupo daqui desse posto e de
vocês, tem respeito pelos idosos. Pelo menos respeito tem. E a gente se sente bem. Quando chega na
hora, eu já estou avexada pra trocar de roupa pra vir. Porque sei que as pessoas aqui tratam a gente

128

tudo bem. Porque tem muitos lugares aí que não tratam os idosos... é em ônibus, é em tudo, leva
rejeição.
7- Mais importante aqui é o atendimento. Porque todos atendem bem.
COMO SENTIRAM/SENTEM AO PARTICIPAREM DAS ATIVIDADES REALIZADAS
COM A PARTICIPAÇÃO DOS ESTUDANTES NOS GRUPOS?
9- Muito bem!
2- Eu sinto muito bem! E não perco não. Enquanto eu puder andar um pouquinho com essa bengala,
eu venho.
9- Eu também me sinto muito bem, graças a Deus.
2- Só que não posso fazer atividade com muito esforço né. Eu já tive esses problemas todinhos né, aí
eu só faço o normal. Mas pelo menos, to assistindo e o que der pra eu fazer, eu faço. Que Eles não
exigem que a pessoa faça atividade forte, que não pode. Mas ajuda e o que eu puder fazer eu faço. Aí
eu não vou deixar de vim.
8- Eu acho muito bom. Todos os alunos.
8- A participação dos alunos é muito bom né. A gente no tempo de Natal, assim, a gente veio
comemorar com eles, muito bom o Natal, amigo secreto... me senti bem.
QUAIS AS SUGESTÕES DE MELHORIAS PARA A PRÁTICA DESSES ESTAGIÁRIOS DE
TERAPIA OCUPACIONAL NOS GRUPOS DO NASF?
5- Que fosse num horário que não tivesse tanto movimento aí dentro, não era? Pra gente medir a
pressão, ver se melhorava aqui. e então, colocar mais uns banquinhos aí, pra o povo ficar tudo de
frente um com o outro ne. Melhorar o espaço.
2- Que tivesse mais dias, não só 1. Que tivesse mais uns diazinhos né. Mais vezes, ou duas ou três,
quanto pudesse ne. Porque pelo menos a gente não ia... Porque passou esses meses todinhos em
reforma assim, a senhora acredita que eu fiquei de cama, não podia nem sair, tudo me doía. Eu fiquei
com depressão, pode confiar. Eu fiquei com tanta depressão, que eu não queria comer, assim, era
mole, ficava na cama, me levantava e voltava... era assim. Aí por isso que até meu filho teve lá em
casa e disse: mãe, a senhora precisa se alimentar, não pode ficar assim. Porque eu tenho problema de
diabetes e tomo insulina e não posso ficar sem me alimentar. Mas não tinha vontade mesmo de comer.
Aí ate que ele, por sinal, resolveu comprar um medicamento, porque quando a gente não se alimenta
direito, perde peso... aí ele foi e comprou, é caro, mas quando ele comprou, comprou até em
quantidade. Comprou umas meia dúzia pra eu ir tomando 3 vezes ao dia, porque tinha todo um
preparo. Aí, justamente, fui tomando ele, melhorei um pouco. Quando voltei pra médica, ela disse
como eu sou diabética e ele é doce, já não serve. Aí disse que ajuda uma coisa, mas outra não. Eu me
senti melhor porque eu não estava nem andando, nem nada. Pelo menos eu tava alimentada.
VAMOS PENSAR UM POUCO MAIS NAS MELHORIAS PARA A PRÁTICA DESSES
ESTAGIÁRIOS DE TERAPIA OCUPACIONAL NOS GRUPOS DO NASF. COMO
PODEMOS MELHORAR AS ATIVIDADES REALIZADAS PELOS ALUNOS NO NASF?

129

6- Trazer mais atividades diferentes pra nós aqui. Alguns joguinhos, qualquer coisa de felicidade pra
nós;
1-O que eles fazem com nós já é demais (risos)
4- Artesanato
9- É melhor fazer uns joguinhos, negócios pra mente, memória.
7- Músicas pra alegrar o coração
(risos)
8- Trazer tudo de bom. Mas não sei dizer mais
9- Sempre que puderem vir, venham. E que sejam bem vindos na nossa comunidade. Que eu quero
aprender com eles, e amar.
1- Trazer um forró pra gente dançar né. Que é muito bom, pra saúde. Ao atendimento das pessoas.
2- No dia que alguém completar ano, como antes, a gente podia ao aniversariante, a gente podia
organizar uma festinha, uma lembrancinha, uma coisa pra ele se sentir bem. A gente ir organizando né.
Dar um presentinho, fazer um lanchezinho né.
6- Passear! Passear com nós! Conhecer os cantos.
(Muitos falam ao mesmo tempo sobre como o posto fez falta durante a reforma).
9- Gostaria de falar que você está de parabéns, de chegar e nos dá essa força, essa renovação...
E a presença dos alunos aqui, vai renovar mais a nossa força né. Porque eu já vou fazer 81 anos, então
com a palestra deles eu tenho mais força. Então, diga a eles que sejam sempre bem vindos à
comunidade aqui do Cleto, que eu estou gostando muito.
(muitos elogios à Lara e às suas atividades juntos aos alunos. Muitas falas simultâneas).

130

APÊNDICE E – Mapas Dialógicos
ATIVIDADES DESCRITAS
C. Pensando nas atividades e
oficinas realizadas pelos estagiários
de terapia ocupacional, vocês
lembram delas e conseguem
descrever essas atividades?
P9. Aquele exercício que a gente fez,
lembra? Que elas botaram as
madeiras e a gente fez aqueles
exercícios com elas?
P10. ...com Bambolês.!

MAPA DIALÓGICO – GRUPO FOCAL 1
AVALIAÇÃO
SENTIDOS ATRIBUÍDOS

P7. Atividade de formar palavras
P9. Aquele é legal!
P8. de pinturas...
P9. aqueles testes de memória de
sabor, de aroma, de cheiro...
P1. lembro o da memória. de
agilidade, de memória, tudo o que
eles trabalharam com a gente ne?
P9. Além de muito prazeroso também.
P6.teve também
palavras.

uma

de

caça

C. Nessas atividades que vocês
lembram,
conseguiram
compreender os objetivos?

C. As atividades tinham objetivos?
Falas simultâneas: Todas!

P9. Fizemos tudo compreendendo [...]
a comunicação é muito boa!

MELHORIAS

131

P9. Todas as atividades tiveram
objetivos, muito bem elaboradas,
claras, concisas, bem explicadas, bem
preparadas as aulas.
C. Falem de maneira geral sobre os
grupos que participaram e que
contam com a presença dos
estagiários de terapia ocupacional.
O que acham sobre a participação
desses alunos nas atividades e nos
grupos?
P6. Importante. Muito importante
P9. A gente percebe que eles vêm de
muita boa vontade né, renovados,
muito alegres, meigos, são muito
doces. E cada turma vem com uma
renovação. A gente percebe no olhar
deles que eles vêm com a intenção de
fazer o trabalho bem feito. E realmente
eles se esforçam muito.
P9. Eles sempre trazem, a gente vê o
P9.Isso dá coragem a eles de serem carinho com que eles fazem, né.
profissionais mais seguros, né?
P9. Porque quando a gente sai da P5. são carismáticos.
universidade, a gente sai muito
despreparados para lidar com o outro.
Ainda mais quem trabalha nesses
cursos de área de saúde, de humanas,
que vai lidar com o público. Então,

132

Tem muita teoria mas muitas vezes
são poucas práticas, e aí eles tem essa
oportunidade de testar todo o
conhecimento que aprenderam, ne. E
esse conhecimento também, eles
aprendem muito com a gente, assim
como nós aprendemos com eles.
P5. ...com trocas de informações.
P9. não é?! Trocas de informações
maravilhosas. E eles são muito abertos
às nossas opiniões, respeitam muito as
nossas opiniões. em casa.

P9. Tanto nós influenciamos a vida
deles, que como essa ultima turma
comentou que elas mudaram a forma
de lidar com seus parentes mais
idosos, os avós, os tios, né.
Conhecendo através da gente, através
dessa sensibilização que eles têm
aqui. Conhecendo e ouvindo as
experiências nossas, isso abriu eles
mais para se sensibilizar e interagir
com seus familiares.
C. O que a participação desses
alunos traz para o serviço?
P9.
trazem
um
impacto
de
conhecimento mesmo.
P9. Teve uma turma que trouxe aqui
a ABRAZ, outros falaram sobre a

133

demência, que também desmistificou
muito porque nós temos alguns
integrantes
do
nosso
grupo
começando nesse nível de problema.
P9. ...e isso mudou até mesmo nossa
forma
aqui
interna,
nossa
familiazinha, nosso grupo de amizade,
visualizar o amigo. Como aquele
amigo nosso continua ali, entendeu,
sempre. Só está diferente.
P2. também uma maneira de
chegarmos e procurar resolver aquele
problema
P9. De aplicar o que eles trazem pra
cá, aplicar na nossa vida
C. E tem diferença entre as
atividades que tem a participação
dos estagiários junto com os
profissionais, e as atividades sem a
participação desses estagiários?
P9. eu acho que não. Pq os estagiários
estão aprendendo com os que já estão
atuando.
P2. os estagiários também têm o lado
deles. Porque eles sabem que tem
profissional, e eles querem ser um
profissional, então eles se preocupam
em dar o melhor de si. Tanto aprender
como saber passar.
P2. Essas pessoas nos transmitem
coisas boas, vejam bem: esse povo

134

novo que tá aprendendo, não é que
você não sabe, você sabe. Eles tão
afim de botar o pé no chão, trazer o
melhor, aproveitando a tua dica, do
outro amigo, e fazem grupo. Eu acho
que seja maravilhoso isso. Pra eles e
pra gente.
P9. coisas que, a gente no dia a dia,
quem é profissional entra na rotina.
Querendo ou não, mesmo sendo
profissionais bons, mas acomodam. E
eles não, eles vêm renovar isso. E a
gente sente como usuário
C. A vinda deles para as atividades
do NASF, vai ajudar na formação
deles?
P1. eles aprendem muito com a gente.
P5. É uma troca de conhecimento.
P9. E eles também nos contagiam,
Viu?
P8. As vezes a gente vem com
preguiça, eles nos animam (risos)
P1. Até a confiança. A confiança de
público que nós aqui do grupo
transmite pra eles. É muito
importante. A gente nota quando eles
chegam, chegam assim inibidos, mas
quando eles encontram com o nosso
grupo que vê a alegria da gente,
P9. ... E a gente vem em consideração contagia.
porque a gente vê como eles estão
motivados em trazer o melhor pra

135

gente, sabe? E isso é motivador ne?

P9. ...o carinho com que eles fazem,
preparar aquela apresentação, trazer
um tema... a gente sabe que eles se
dedicaram, entendeu?
C. Quais os motivos que fazem vocês
a participarem e permanecerem
nessas
atividades
com
os
estagiários?
P10. a simpatia deles são contagiantes
P9. o carisma. E o aprendizado.
Porque eles chegam com coisas novas
e conquistam nosso interesse.
P7. o carinho que eles tem por todos
nós em querer melhorar a nossa
saúde.
P4. é muito prazeroso e é uma terapia
muito boa.
P2. Eles conquistam nossa amizade. E
nos ensinam também.

P9. Porque eles estão lá na
universidade, e traz um conhecimento
que a gente não conhece aqui,
novidades, coisas que estão sendo
atualizadas, eles trazem pra gente.
P9. A ultima turma trouxe uma coisa
nova, num foi? Trouxeram a pintura,
a colagem. Isso foi muito bom a

136

técnica
de
artesanato,
manipulação.
P5. De manuseio ne?

de
P10. Esquece até da tristeza, do
cansaço...
P9. principalmente porque tem pessoas
que se acalmam, interagem. A gente
interagiu muito aqui naquela tarde, P9. Muito gostoso, muito agradável.
num foi?
C. Como vocês se sentem ao
participarem dessas atividades?
P3.Eu me sinto muito bem. Embora
que eu não saiba. Acontece que de
mim pra vcs, tem muita diferença, né
minha filha?
P2. ...quando a gente não consegue
fazer de um jeito, faz de outro.
P7. qualquer coisa pega uma cadeira e
faz sentado, nós se ajuda.
P7. Participando dessas atividades eu
me sinto maravilhosa.
P10 eu me sinto muito importante.
P4. eu me sinto muito bem.
P9. é muito prazeroso

P10. é muito bom, nem só a mente
mas também bem para o corpo. Mais
energia, porque a gente esclarece a
mente e é muito bom para o corpo P5. é um antidepressivo.
todo.
P2.E a gente se sente cheio de vida
ne. Tá sendo reconhecido por elas.
P9. Cria-se uma empatia. Uma
amizade que é levada daqui para

137

frente, acaba levando pra toda a vida.
Porque nós fomos importantes pra
eles e eles são muito importantes para
nós porque eles nos ensinam.
C. Como vocês avaliam
atividades?
(muitas falas: São importantes)

as

C. Em quê elas são importantes?
P3. Pra saúde.
P10. Para aprender
P9. Para nosso conhecimento, né
meninos?
P2. A gente se envolve com essas
coisas. Passa a acreditar, passa a
frequentar mais. Convida A, B e C.
P9. Aplicar nas nossas vidas as coisas
diferentes. Leva para a vizinhança
como a senhora falou, num foi? Que
levava até para a sua vizinhança, no
seu dia a dia, para as pessoas fora
daqui.
P2. muito bom para nossa saúde. Traz
muitos benefícios.
P2. Importante pra troca de conversas
P4. para o nosso conhecimento
P6. Pra mim é importante em tudo. De
alegria, de apoio, de estar juntos, de
chegar e conversar com alguém.
P10. para mim, se eu não tivesse
vindo para essas palestras que tem,
para o próprio grupo mesmo, eu acho

138

que eu já tinha entrado em depressão.
Porque quando eu chego aqui, tudo é
bom pra mim, tudo é bom pra minha
mente.
Pra
minha
mente
principalmente porque senão eu já
tinha entrado em depressão.
P6. o que eu gosto demais é da
participação. De todos.
P2. quando eles vem participar dos
eventos, pra melhorar nossa situação,
todo mundo se agrupa, todo mundo
conversa, todo mundo interage. Isso é
muito bom, não fica ninguém isolado.
Quando não sabe fazer, aí vai ensinar.
Tem carinho com os outros.
C. Quais as sugestões de
melhorias para a prática dos
estagiários no NASF?
P9. Então, a gente gostaria de
mais exercícios de terapia
ocupacional na pratica no dia a
dia pra gente aplicar.
P9. Ainda bem que são turmas e
alunos que vêm abertos a receber
feedbacks e a nos escutar
P2. Era bom que fosse por mais
tempo.
P9. Quando acaba o estágio
delas, a gente fica com vontade
de quero mais. Pelo menos,
assim... tudo bem que vem
outras turmas, mas essas pessoas

139

que já saíram, não teria como a
própria universidade interagir
com elas para que elas
voltassem um dia pra ver a
evolução da gente aqui?
P1.mais atividades de educação
em saúde durante o mês.
P7. Seria bom que aumentasse
mais o grupo...

P7 ...tivesse mais animação, né? P9. é, o número de estagiários.
Número de alunos
Porque é pouco, devia ter mais
alunos. Que pudesse dar a
oportunidade de mais alunos e a
gente poder conhecer mais.

140

MAPA DIALÓGICO – GRUPO FOCAL 2
ATIVIDADES DESCRITAS
AVALIAÇÃO
C. Pensando nas atividades e
oficinas realizadas pelos estagiários
de terapia ocupacional, vocês
lembram delas e conseguem
descrever?
P1. Pra nossa memória! Para o
esquecimento!
P5. Uma atividade pra mente da P5. foi ótimo.
gente, pra gente se lembrar mais das
coisas. Muitas coisas que ela falou...
P2. raciocínio num foi? pra mexer
com o nosso psicológico!

P5. Eles me ajudaram muito, muito,
muito... foi a atividade da cabeça. A
oficina das jóias eu pouco participei
porque eu tava sem óculos e eu não
enxergava colocar aquele negocinho
dentro do buraco
P2. teve uma das cores
P2. e aquele que a gente respondia, P5...foi muito bom!
foi de qual mesmo?
P5. da novela!
P5.teve uma roda de conversa sobre

SENTIDOS ATRIBUÍDOS

P5.Uma outra atividade que me
ajudou, foi na época em que eu
estava e ainda estou, mas estou bem
melhor graças a Deus, que eu estou
com psiquiatra, tô com psicólogo, tô
com tudo.

P5. Sim... eu falei que tava em

MELHORIAS

141

depressão....
P2. Foi um cartaz que a gente
colocou lá na frente.
(Falas simultâneas: muitas palestras!)

depressão num foi?

C. Nessas atividades que vocês
lembram,
vocês
conseguiram
compreender? Os estagiários forma
claros nos objetivos?
P5. sim. Eles explicaram pra gente.
P4. sim. Explicam tudo direitinho.
P2.Explicam. depois perguntam se a
gente entendeu. Falar do que entendeu,
qual foram as coisas que eles
explicaram. Entendi assim.
C. Falem de maneira geral sobre os
grupos que participaram e que
contam com a presença dos
estagiários de terapia ocupacional. O
que acham sobre a participação
desses alunos nas atividades e nos
grupos?
P5. ótima.
P4.Maravilhosa.
P5. foi bom porque muita coisa ela
explicou... foi bom, gostei!
P1. E a gente sente falta quando
elas não vem. Demora a vir.
Porque, quando a gente ta
começando a gostar aí elas vão
embora.
P5. É, como daquela vez que foi

142

aquele negócio todinho... aí,
cabou-se, desapareceu!
P1. (risos) aí a gente pára e
quando elas voltam de novo a
gente já tem esquecido tudo o
que já tinha aprendido.
P4. por isso que... muitas coisas
não lembro. Quer dizer, vinham
2 dias e faltavam 5. Como era
que eu ia lembrar?

P2. A participação é muito importante.
P2.Faz tempo que a gente parou de
estudar e elas falavam, mandavam a
gente participar de algumas e... teve
uma assim, uma tarefa pra na outra
semana a gente trazer... Que ela
passou foi até sobre as novelas, sobre
as frutas, nomes das frutas, muita
coisa importante que eles falaram.
Perguntaram
as
novelas
que
assistimos, tinha que dizer os nomes
das antigas e as de hoje.
P5. A participação dos alunos é bom
porque traz atividades pra gente, traz
novidade. Não ruim não.
P3. Eu concordo. Concordo em tudo o
que elas falaram aí. Eles podem trazer
muita coisa boa, né? Muitos
ensinamentos e tudo mais.

143

P3. Eu não sei muito falar... (risos).
C. Os estagiários, eles contribuem
com a qualidade dessas atividades?
P5. A gente se diverte, a gente faz as
coisas que elas trazem pra gente fazer
as atividades. Não é ruim não.
Contribuem 100% pra mim

C. O que mais eles contribuem?
5. Abrir mais a memória da gente.
Porque eles botam coisas que a gente
não lembra. E quando eles botaram, a
gente ficou matutando.

P1. Aí na despedida também foi
muito bom com a gente, num foi
isso? A gente se divertiu bastante.

P5. Eles também contribuem com o
riso, a gente rir. Muitas não sabem, aí
fica uma rindo para o lado da outra...
(muitos risos)
P4. Eles contribuem também... a mexer
com o corpo, é tão bom. Alegra a
Gente, e assim vai.
C. E tem diferença entre as
atividades que tem a participação
dos estagiários junto com os
profissionais, e as atividades sem a
participação desses estagiários?
P5. Não. Porque a Ju (Prof.de Ed.Física
do NASF) não deixa a pessoa
sossegada.
(RISOS)
P1.Bem, fica mais divertido, porque
o grupo está maior né? Aí ajuda

144

bastante.
P4. fica mais animado.
P5. Não tem diferença pra mim porque (todas concordam)
tem a física e depois termina. E tem
diferença porque não tem esse negocio
de ensinar, de dizer alguma coisa...
P2. Da gente poder participar...
P5. da gente participar, bulir com a
memória, outra especialidade.
C. Quais os motivos que fazem vocês
a participarem e permanecerem
nessas atividades com os estagiários?
P5. pra aprender; ouvir o que eles tem a
dizer.
P2. curiosidade também. A gente
queria saber o que ia acontecer, o que
era aquele significado. Aí foi todo
mundo ficando, se aglomerando e
P3. a gente fica porque é importante gostando.
pra gente, ne? A gente aprende mais,
né?
C. Como vocês se sentem ao
participarem dessas atividades?
P2. Bem
P4. Se sente bem melhor.
P5. eu me senti muito bem. Coisas
que eu ficava matutando para poder
dizer. Foi bom.
P2. Foi muito importante. Todas as
aulas que participei, gostei muito,
aprendi muito aqui..
P3. eu me senti bem... não sei

145

explicar.
P1. eu não era muito de responder,
sou só de ouvir. Mas me sentia leve e
também gostava porque a memória...
muitas coisas que eu tava esquecida
fui me lembrando.
P2.Eu me senti útil e lembrava
alguma coisa, que chegava em casa
eu ia ler. Eles mandavam procurar
em casa pra no outro dia a gente
trazer as respostas.
C. A vinda deles para as atividades
do NASF, vai ajudar na formação
deles?
(Todas falaram: sim, com certeza!)
P2. A gente aprende com eles e eles
aprendem com a gente.
(todas concordaram)
C. E o que eles aprendem?
P1.Sabedoria, né?
P2. Inteligência. Eles são inteligentes,
aprendem com a nossa sabedoria, com
nossa experiência.
P3. o que eles aprendem na sala de aula
é uma coisa, e na prática é outra.
P5. na prática eles aprendem sobre...
conhecimento. Sobre o trabalho que ele
está fazendo.
P4. aprendem sobre diálogo.

146

C. Quais as sugestões de
melhorias para a prática dos
estagiários no NASF?
P1. continuar com mais
atividade
que
é
muito
importante pra gente. Com mais
frequência
P2. Quando eles vêm, a gente se
anima. Mas se eles viessem
mais e não passassem tanto
tempo sem vir, era melhor.
P5. mais atividade de memória,
da cabeça. Tudo o que eles
inventar, programar, pra trazer
pra gente melhorar a mente...
P1. Trabalhar mais com
dinâmica, ne.
P4. Mais palestras.

P2. Porque os temas que eles
trouxeram a gente sempre gostou.
Porque foram os temas que a gente P2.Agora, se trouxerem mais
estava precisando ouvir.
temas diferentes, coisas que a
gente né? Pra gente vai ser
melhor, que a gente vai puxar
mais pra memória e vamos
também ter mais sabedoria.
P2. quanto mais interagir,
melhor.
P3. dar continuamento mesmo;
não parar, tudo é válido.

147

MAPA DIALÓGICO – GRUPO FOCAL 3
ATIVIDADES DESCRITAS
C. Quais atividades que vocês
lembram que participaram junto
aos
estagiários
de
terapia
ocupacional? Como foi cada uma?
P6. Atividade do cartaz, a gente
trouxe, nós cortamos né? As
florzinhas. A gente cortava, fazia
cola e colava; colocava o
cordãozinho;
P1- teve uma das bandeirinhas.
Cortava as bandeirinhas e colava no
cordão. Não era?
P6. Também me lembro do são Joao
que a gente veio vestida de quadrilha
e a gente brincamos aqui; o carnaval
também, a gente cantava música de
carnaval, elas colocavam a gente pra
cantar, cada um cantava uma coisa,
uma música de carnaval.

AVALIAÇÃO

SENTIDOS ATRIBUÍDOS

P2- Era bom demais!
P8- a gente se sentia a vontade.
Mesmo cantando errado, que não
sabia direito mas me sentia feliz,
esquecia mais os problemazinhos da
vida
P6- é bom, pra quem tá triste, pra
quem tá com desgosto né? Aí é uma
atividade boa pra gente. Eu mesma

MELHORIAS

148

que vivia, que vivo um pouco assim
né, por causa que aconteceu muita
coisa na minha vida, e eu tando aqui
no meio deles e me alegro mais um
pouquinho né. Porque eu moro só,
eu sou viúva, aí meu marido morreu,
levaram meu filho, tiraram a vida do
meu filho. Aí eu me distraio aqui.
P7- eu lembro do rapaz que toca
violão né, aquele senhor. Ele tocava
Zeca Pagodinho, nera? Um monte de
música, Roberto Carlos...
P2 – Eu me lembro tb do piquenique
que a gente foi fazer na praia, o P7. Aquilo é bom pra gente né?
alongamento na praia. Saímos daqui, Muito bom
veio o ônibus e pegou a gente, foi
bom demais. Foi pra praia, fez
alongamento na praia, num foi?

P2. Eu ainda queria mais, que viesse
de novo pra levar nós pra ir pra praia
ne?
P5- pra praia, fazer uma viagem, um
piquenique, uma coisa se tiver...

P4- lembro das mesmas coisas que
elas... do rapaz que veio tocar, nós
dançamos muito aí com eles. Eu
achei ótimo.

P4. A gente fica sozinha dentro de
casa, sem fazer nada, então, quando

149

vem é uma alegria.
C. Falem de maneira geral sobre
os grupos que participaram e que
contam com a presença dos
estagiários de terapia ocupacional.
O que acham sobre a participação
desses alunos nas atividades e nos
grupos?
6- eu acho bom!
8- muito bom ne?!
6- nós se alegra, mulher, nós se
alegra muito pq nós se movimenta.

P6. Vixi maria, a gente fica muito
(Muitos falam ao mesmo tempo que alegre, chega em casa... é outra
a participação deles é muita boa)
coisa.
5- Tanto a gente aprende, como eles
aprendem com nós.
(palmas e concordâncias)

5- Com os estudantes, eles animam
mais a gente. Eles chegam aqui e
contam aquelas historias bonitas
deles. Tinha um rapaz aqui que
cantava pra nós ouvir. E a gente fica
muito contente com eles
P9- Eles disseram que viriam ver a
gente sempre né, mas não vieram
mais.

150

P2. Porque se tivesse a semana toda,
a semana toda eu vinha. A gente
pega as explicações deles, o que der
pra gente fazer, a gente faz. Se
tivesse mais dias era melhor.

4- recitam poesias.

P9- Com os alunos aqui, eles
renovam a vida da gente. Eles
renovam a nossa coragem, pq vem
C. O que vocês aprendem com aqueles jovens talentosos, e eu já
vou fazer 81 anos e estou aqui
eles?
P9- Eu acho maravilhosos eles vir alegre.
porque a gente aprende com eles,
reanima nossa memória e a reunião
com muita gente e gente novo é bom
também.

P9.A gente aprende com eles e a
P7 – a gente aprende muita coisa boa gente pega mais alegria, mais
e a gente chega em casa muito amizade, amor.
alegre.

C. E o que os alunos aprendem?
P5- Aprendem com nossa velhice

P8- Eu tb me sinto muito alegre
quando chego em casa. Já estava
sentindo falta

P9- aprendem a saber viver, a saber
respeitar, tratar bem, isso é muito
bom

151

C. A vinda deles para as
atividades do NASF, vai ajudar na
formação deles?
P6- Ajuda sim.
P2- a gente vai na experiência da
gente ajuda também a eles, e eles na
profissão
deles
que
estão
aprendendo, ajuda a gente tb.
P9- e outra, eles estando aqui,
aprendem a lutar com os pacientes
seja como for.
P9.quando eles se formarem, atender
os pacientes com amor, carinho.
P5 Acho que a pesquisa deles aqui,
ajuda muito eles lá (na faculdade).
Pq eles já vem praqui pra aprender
alguma coisa com a gente. E chega
aqui , leva pra lá e ajuda muito eles
pra lá na faculdade.
C. Quais os motivos que fazem
vocês
a
participarem
e
permanecerem nessas atividades
com os estagiários?
P5- Porque aquilo ali ajuda muito
nós, nós se movimenta mais um
pouco, pra os ossos amolecer mais
um pouco.
P4- Pra aprender mais alguma coisa
né?
P2. A gente fica em casa acomodado
e já sem esperança da vida... E tb
uma ajuda que a gente pensa assim...

152

com umas palavras pelo menos a
gente ta sentindo que não chegou a
hora da gente ainda e a gente vai
aproveitar enquanto puder.
P8- porque é bom. Bom para os
ossos.
P2. As meninas me tratam tudo bem.
Porque em outros cantos que já fui
que levei foi desacerto.
P7- Mais importante aqui é o
atendimento. Porque todos atendem
bem.
C. Como vocês se sentem ao
participarem dessas atividades?
P9- Muito bem!
P2- Só que não posso fazer atividade
com muito esforço ne [...]Mas pelo
menos, to assistindo e o que der pra
eu fazer, eu faço. Que Eles não
exigem que a pessoa faça atividade
forte, que não pode. Mas ajuda e o
que eu puder fazer eu faço.
P8- A participação dos alunos é
muito bom né.
C. Quais as sugestões de melhorias
para a prática dos estagiários no
NASF?
P5- Que fosse num horário que não
tivesse tanto movimento aí dentro,
não era? colocar mais uns
banquinhos aí, pra o povo ficar tudo

153

de frente um com o outro ne.
Melhorar o espaço.
P2- Que tivesse mais dias, não só
um. Mais vezes, ou duas ou três,
quanto pudesse né?
P2. Porque passou esses meses
todinhos em reforma assim, a
senhora acredita que eu fiquei de
cama, não podia nem sair, tudo me
doía? Eu fiquei com depressão, pode
confiar.
P6Trazer
mais
atividades
diferentes pra nós aqui. Alguns
joguinhos.
P4- Artesanato.
P9- é melhor fazer uns joguinhos,
negócios pra mente, memória.
P7- Músicas pra alegrar o coração
P1-trazer um forró pra gente dançar
né
P1. Que é muito bom, pra saúde. Ao
atendimento das pessoas.
P2- no dia que alguém completar
ano, a gente podia ao aniversariante,
a gente podia organizar uma
festinha, uma lembrancinha, uma
coisa pra ele se sentir bem.
P6- passear! Passear com nós!
Conhecer os cantos.
P9. E a presença dos alunos aqui, vai
renovar a nossa força.

154

ANEXO A – Plano de Estágio

Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas -UNCISAL
Transformada pela Lei nº 6.660 de 28 de dezembro 2005

Campus Governador Lamenha Filho - Rua Jorge de Lima, 113 – Trapiche da Barra, cep 57.010.300,
Maceió/Al

PLANO DE ESTÁGIO
DADOS DA INSTITUIÇÃO
Instituição de Ensino: UNCISAL
Curso: Terapia Ocupacional
Núcleo: Núcleo de Ciências Humanas, Sociais e Políticas Públicas
Preceptor(a): Prof. Me. Emanuella Pinheiro F. Bispo; Prof. Esp. Karini Vieira Menezes de
Omena; Prof. Me. Magda Fernanda; TO Amanda KarolGenerino (Preceptora-Serviço) / TO
Lara Sandes (Preceptora-Serviço)
Orientador do Estágio: Emanuella Pinheiro

Carga Horária:200h

JUSTIFICATIVA
O estágio supervisionado de Saúde Coletiva em Terapia Ocupacional é oferecido
para o quinto ano do curso de Terapia Ocupacional como estágio obrigatório. Possui 200h
de atividades supervisionadas nos cenários de prática, além de articulação teórico-prática
durante todo o período do estágio e construção das atividades a serem trabalhadas nos
territórios de referência.
Os cenários de prática do estágio são aqueles que estão sob a responsabilidade do
NASF equipe 1 (Unidade Básica de Saúde Graciliano Ramos), NASF equipe 2 (Unidade
Básica de Saúde Galba Novaes) além das seguintes unidades: Unidade de Saúde da Família
Hélvio Auto (Rua Riachuelo, 20, Trapiche); Unidade de Saúde da Família Virgem dos
Pobres (Av. Senador Rui Palmeira S/N Dique Estrada); Unidade de Saúde da Família
Tarcísio Palmeira (Rua Alípio Barbosa, s/n - Pontal da Barra).
Cada cenário de prática possui uma supervisora (docente da UNCISAL) ou
preceptor de estágio (profissional terapeuta ocupacional do serviço) que supervisiona as
práticas dos estudantes de Terapia Ocupacional na Saúde Coletiva. Este profissional tem
como funções: orientar, dar suporte, ensinar, avaliar e compartilhar experiências que

155

melhorem a competência do discente na área de atuação O supervisor/preceptor também
procura possibilitar práticas multidisciplinares e interdisciplinares tanto com outros grupos
de estágio da universidade quanto com o serviço. Dessa forma, acredita que a formação em
saúde tem entre seus principais desafios buscar superar conceitos vinculados ao
conhecimento técnico do modelo biomédico, evoluindo para um modelo mais humanista,
interdisciplinar e territorial/comunitário com uma perspectiva de melhorar a qualidade de
vida da população assistida.
Este estágio, em seus cenários de prática, possui reconhecimento, principalmente da
comunidade, das ações que são realizadas. Nem todas estas Unidades de Saúde da Família
são contempladas com a presença do Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF). Desse
modo, a Terapia Ocupacional, como também outros cursos da UNCISAL (Fisioterapia e
Fonoaudiologia, por exemplo) realizam ações baseadas no NASF, contribuindo, assim, de
forma significativa para a promoção, proteção e recuperação da saúde das comunidades
assistidas.
A meta do Estágio Supervisionado Obrigatório de Terapia Ocupacional em
Saúde Coletiva é proporcionar a experiência interdisciplinar no cenário de prática da
Estratégia Saúde da Família. Esta meta é alcançada através da construção de espaços em
abordagem coletiva, possibilitando, assim, espaço de discussão, interação, troca de saberes
e construção de novos saberes.

Ementa
Instrumentalização da prática de Estagio de Terapia Ocupacional da área de
Saúde Coletiva no cenário de prática da Saúde da Família na perspectiva da
interdisciplinaridade e das práticas territoriais
OBJETIVO
Objetivo Geral:
Promover conhecimentos em relação à prática da Terapia Ocupacional na Saúde
Coletiva de forma interdisciplinar e sua importância na formação para o Sistema Único de
Saúde.
Objetivos específicos:
- Compreender as diferenças entre Interdisciplinaridade e Multidisciplinaridade na Saúde
Coletiva;
- Conhecer as políticas públicas e as áreas de cuidado em que a interdisciplinaridade pode

156

ser instrumentalizada e praticá-la;
- Conhecer o território e as possibilidades de atuação e planejamento estratégico;
- Proporcionar a compreensão das possibilidades da prática interdisciplinar na Atenção
Básica;
- Desenvolver propostas de ações interdisciplinares no cenário da Saúde da Família;
- Aplicar a teoria e a prática da Interdisciplinaridade no HumanizaSUS e suas ferramentas;
- Compreender a prática e executar ações integradas na Educação em Saúde;
- Realizar acompanhamento domiciliar, priorizando os usuários acamados ou que
apresentem dificuldades de locomoção aos centros de referência, buscando embasamento
no Projeto Terapêutico Singular (PTS);
- Entender o trabalho Interdisciplinar - teoria e prática e a inserção dasdiversas categorias
profissionaisnas ações interprofissionais.
- Compreender o processo de trabalho da Terapia Ocupacional na Estratégia Saúde da
Família.
- Realizar intervenções a partir dos princípios da Política Nacional de Atenção Básica;
- Desenvolver propostas de atuação nas escolas que estão sob os cuidados das Unidades
básicas de saúde, a partir dos princípios do Programa Saúde na Escola (PSE).
ATIVIDADES A SEREM DESENVOLVIDAS
- Territorializacão e Planejamento Estratégico;
- Saúde Escolar;
- Ações nas áreas de cuidado: Saúde do Homem; Saúde da Pessoa Idosa; Saúde
da Mulher; Saúde da Criança;
- Ações de Educação em Saúde em todo o território;
- Planejamento e Supervisão Integrada para discussão das ações que foram
executadas;
- Produção de trabalhos científicos das ações executadas na comunidade;
- Práticas Corporais;
- Ações de Saúde Mental;
- Ações de referencia e contra-referencia.
- Atendimentos Domiciliares;
- Salas de espera nas Unidades básicas de saúde.

157

METODOLOGIA
Protocolos de Estágio e Conteúdos
- Diário de Campo;
- Análise das atividades (Objetivos da Atividade; público-alvo, estratégias, descrição
das atividades, materiais utilizados e resultados esperados);
- Ficha de Triagem Multiprofissional;
- Avaliações específicas de cada categoria profissional para os usuários acamados;
- Prontuário Unificado;
- Relatório final;
- Seminário Científico de Integração.
Conteúdo Programático:
1. Estágio supervisionado em equipamentos de saúde e educação.
2. Planejamento, implantação de avaliação de ações programáticas em saúde tendo
como referência oterritório, a organização do sistema local de saúde e políticas públicas.
3. Avaliação e discussão das atividades desenvolvidas pautadas os princípios e
diretrizes do SistemaÚnico de Saúde e na organização local dos serviços de saúde.
Avaliação:
Avaliação Diagnóstica
O processo avaliativo do Estágio inicia com Apresentação do Programa eElaboração da
Proposta de Sistematização, Integração Disciplinar e Avaliação. Combase na coleta de
informações escritas sobre as expectativas e conhecimento prévio do discente, procura-se
identificar ospercursos de aprendizagens as conexões com outras disciplinas/módulos e
saberes, temas eas formas de avaliação possíveis de serem empregadas no decorrer do
semestre.
Avaliação Formativa
Será realizada, conforme identificação dos estagiários, de maneira coletiva eindividual:
- Coletiva: através de Elaboração de Relatórios e Seminários, Debates, Projetos ePesquisa
de Campo, Grupo de Estudos, Painéis Expositivos, Práticas de Leitura,Trocas de
experiências, articulação com Atividade que envolva outras disciplinas cursadas nos anos
anteriores, participação na supervisão de estágio.
- Individual: Fichamento, Resumo, Resenhas, Análise de referencial Teórico.

158

Nome do Orientador do Estágio Supervisionado de Terapia Ocupacional em Saúde
Coletiva: Emanuella Pinheiro
Telefone: (82) 9 9636 1109
Email:emanuellapinheirofbispo@gmail.com

_______________________________________
NOME
COORDENADOR DE ESTÁGIO

159

ANEXO B – SOLICITAÇÃO DE CAMPO DE ESTÁGIO

Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas -UNCISAL
Transformada pela Lei nº 6.660 de 28 de dezembro 2005
Campus Governador Lamenha Filho - Rua Jorge de Lima, 113 – Trapiche da Barra, cep 57.010.300,
Maceió/Al.

SOLICITAÇÃO DE CAMPO DE ESTÁGIO
Ofício nº _______/ Sigla do departamento
Maceió,

de

de 2017.

À
Coordenação de Desenvolvimento de Recursos Humanos – CDRH
Assunto: Solicitação de vagas para estágio
Prezados,
Solicitamos de Vossa Senhoria autorização para os alunos da Instituição
___________________do curso___________________ possam realizar estágio curricular
obrigatório _________________(caso seja de disciplina discriminar) com carga horária de
___________horas na Unidade de Saúde abaixo descrita.
UNIDADE DE SAÚDE:
PERÍODO:
TURNO:
HORÁRIO:
SUPERVISOR (A) ACADÊMICO (A):
TELEFONE:
Nº
NOME DOS ALUNOS COMPLETO
1.
2.
3.
4.
5.

Agradecemos a colaboração, visto que o estágio é um ato educativo e contribuirá com
o processo de desenvolvimento do educando para a vida cidadã e profissional.
Atenciosamente,
___________________________________
NOME
COORDENADOR DE ESTÁGIO

160

ANEXO C – TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO

TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO
Você está sendo convidado(a) a participar do projeto de pesquisa “AVALIAÇÃO DA
PRÁTICA DISCENTE DE TERAPIA OCUPACIONAL NA ATENÇÃO PRESTADA
PELAS EQUIPES DE NASF DE MACEIÓ-AL, A PARTIR DOS DISCURSOS DOS
(AS) USUÁRIOS (AS)”, dos pesquisadores Sérgio Seiji Aragaki e Amanda Karol da
Silva Generino. A seguir, as informações do projeto de pesquisa com relação a sua
participação neste projeto:
1. O estudo se destina a avaliar a prática de estagiários de terapia ocupacional e
identificar o que esses proporcionam durante o estágio curricular que realizam no
NASF, por meio dos discursos de seus/suas usuários(as);

2. Os motivos que levam a realizar este estudo são: a) a necessidade de identificar
as contribuições que estudantes de terapia ocupacional do NASF estão produzindo,
junto com profissionais da equipe, aos usuários atendidos e, b) colaborar para
melhorias na relação entre ensino e serviço;

3. Os resultados que se esperam alcançar são: A compreensão da prática discente
de terapia ocupacional no NASF; Como e quais as atividades que estão sendo bem
compreendidas por parte dos usuários de modo que estejam atingindo os objetivos
propostos pelos (as) estagiários(as); e identificação dos aspectos no cuidado que
estimulam a corresponsabilidade por parte dos(as) usuários(as) durante a
experiência que vivenciam em conjunto nas ações de saúde;

4. Os benefícios esperados com a sua participação no projeto de pesquisa, mesmo
que não diretamente são: benefícios a todos(as) os(as) envolvidos(as): Usuários(as),
profissionais e estudantes, pois proporcionará: a) Melhorias ao serviço do NASF e
aos usuários assistidos, sendo possível conduzir a prática dos estágios às
contribuições positivas para uma melhor assistência no campo do SUS; b) Melhorias
no ensino no que se refere ao estágio curricular obrigatório, dentro de uma

161

perspectiva que leve ao aluno a atingir um melhor conhecimento em relação à
prática da Terapia Ocupacional na Saúde Coletiva;

5. Será realizada uma visita domiciliar pela pesquisadora em sua residência, para
fornecer todas as informações sobre a pesquisa e o convite inicial para participar de
um grupo focal. A sua participação é voluntária e será respeitada sua decisão de
participar ou não do estudo, da mesma forma o direito de desistir da participação a
qualquer momento durante a realização da pesquisa, sem qualquer penalidade ou
perda de benefícios. Após sua decisão, leitura e entendimento desse Termo de
Consentimento Livre e Esclarecido, será realizada a assinatura do mesmo,
autorizando que a pesquisadora registre informações a partir da sua participação;

6. A coleta de dados ocorrerá a partir da produção de informações em grupos focais
que acontecerá no 4º trimestre de 2017, com início em dezembro/2017 e prazo para
o término no 1º trimestre de 2018, até fevereiro/2018;

7. Para a produção das informações relativas à pesquisa, você participará de um
dos dois grupos focais coordenados pela pesquisadora responsável, com o apoio de
um/a auxiliar de pesquisa. Cada grupo será composto de, no máximo, dez
usuários(as) que participam de atividades da Equipe 1 ou 2 do NASF da Unidade
Básica de Saúde onde sou referenciado(a). Nele serão realizadas conversas e
debates, seguindo um roteiro de perguntas relativo ao tema da pesquisa;

8. Durante a execução do grupo focal, para melhor registro das informações, será
utilizado recurso de áudio (gravador), assim como realizadas anotações por parte da
pesquisadora e de seu/sua auxiliar de pesquisa, onde você terá a garantia de que
tais registros possam ser interrompidos a qualquer momento, caso seja solicitado
por você ou por qualquer membro do grupo do qual fará parte, com a clareza de que
tais registros são importantes para a análise do material produzido, que permitirão o
alcance dos objetivos do estudo;

9. A pesquisa não causará nenhum dano ou risco físico, econômico, social, cultural
ou religioso. Os incômodos e os possíveis riscos psicológicos ou emocionais são: a)
quebra de sigilo sobre a identificação da fala dos participantes. Para sanar essa

162

situação, o pesquisador irá registrar os dados obtidos utilizando-se códigos de
identificação e arquivo digital codificado para cada participante, permitindo apenas
acesso aos dados gerais; b) perda de tempo com a participação no estudo, a
minimização de riscos será realizada pela explicação detalhada da metodologia
antes da assinatura do TCLE; c) os riscos de inibição e/ou constrangimento por
expor a opinião na presença de outros participantes ou por não saber o que
responder. Desta forma, a pesquisadora adotará as seguintes medidas para
minimizar ou evitar esses possíveis riscos: a oficina acontecerá em um ambiente
tranqüilo e acolhedor só com a presença dos usuários participantes, da
pesquisadora e o auxiliar de pesquisa será devidamente treinado para ajudar a lidar
com essas questões.

10. A garantia de esclarecimento a respeito da pesquisa e de anonimato em relação
à sua participação estão assegurados. Ou seja, será informado(a) sobre o resultado
final desta pesquisa, e sempre que desejar serão fornecidos esclarecimentos sobre
cada uma das etapas do estudo. Uma via deste consentimento informado será
arquivada no curso de Mestrado Profissional em Ensino da Saúde da Faculdade de
Medicina da Universidade Federal de Alagoas e outra será fornecida a você
assinado por todos;

11. As informações conseguidas através de sua participação não permitirão a
identificação de sua pessoa, exceto para a equipe de pesquisa, e que a divulgação
das mencionadas informações só será feita entre os profissionais estudiosos do
assunto após sua autorização;

12. A participação no estudo não acarretará nenhuma despesa a você e não será
disponibilizada nenhuma compensação financeira. A despesa prevista no orçamento
(materiais de papelaria, transporte para deslocamento e alimentação) será de
responsabilidade do pesquisador responsável;

13. Você será indenizado(a) por qualquer dano que venha a sofrer com a sua
participação na pesquisa.

163

Eu

.........................................................................................................................,

tendo compreendido perfeitamente tudo o que me foi informado sobre a minha
participação no mencionado estudo e estando consciente dos meus direitos, das
minhas responsabilidades, dos riscos e dos benefícios que a minha participação
implicam,

concordo

em

dele

participar

e

para

isso

eu

DOU

O

MEU

CONSENTIMENTO SEM QUE PARA ISSO EU TENHA SIDO FORÇADO OU
OBRIGADO.
Endereço do(a) responsável pela pesquisa:
Instituição: Universidade Federal de Alagoas - UFAL
Endereço: Av. Antõnio Lisboa de Amorim.
Complemento: Condomínio Recanto dos Pássaros. Rua H Nº398
Cidade/CEP: Maceió-AL, 57084-136
Telefone: (82) 999264022
Contato de urgência: Sr(a).
Endereço:
Complemento:
Cidade/CEP:
Telefone:
Ponto de referência:
ATENÇÃO: O Comitê de Ética da UFAL analisou e aprovou este projeto de
pesquisa.
Para obter mais informações a respeito deste projeto de pesquisa, informar
ocorrências irregulares ou danosas durante a sua participação no estudo, dirija-se
ao: Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Alagoas
Prédio do Centro de Interesse Comunitário (CIC), térreo.
Campus A. C. Simões, Cidade Universitária. E-mail:
comitedeeticaufal@gmail.com
Telefone: 3214-1041 – Horário de Atendimento: das 8:00 as 12:00hs.
Maceió, ___ de _________________ de _________.

Assinatura ou impressão datiloscópica
d(o,a) voluntári(o,a) ou responsável
legal e rubricar as demais folhas

Sérgio Seiji Aragaki
(Orientador pesquisador responsável pelo estudo)

Amanda Karol da Silva Generino
(Mestranda pesquisadora responsável pelo estudo)