Mariana Cota Bastos - O ENSINO DAS CEFALEIAS EM UMA UNIVERSIDADE PÚBLICA: ANÁLISE DA MATRIZ CURRICULAR E VISÃO DOS DISCENTES

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                    UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
FACULDADE DE MEDICINA
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENSINO NA SAÚDE

MARIANA COTA BASTOS

O ENSINO DAS CEFALEIAS EM UMA UNIVERSIDADE PÚBLICA: ANÁLISE DA
MATRIZ CURRICULAR E VISÃO DOS DISCENTES

MACEIÓ-AL
2019

MARIANA COTA BASTOS

O ENSINO DAS CEFALEIAS EM UMA UNIVERSIDADE PÚBLICA: ANÁLISE DA
MATRIZ CURRICULAR E VISÃO DOS DISCENTES

Trabalho Acadêmico de Conclusão de Curso
apresentado
ao
Programa
de
PósGraduação em Ensino na Saúde da
Faculdade de Medicina da Universidade
Federal de Alagoas, como requisito para
obtenção do titulo de Mestre em Ensino na
Saúde.
Orientadora: Profa.
Moreira Canuto

Dra.

Ângela

Maria

Co-orientadora: Profa. Dra. Rosana Quintella
Brandão Vilela

Maceió-AL
2019

Dedico,
Ao meu maior incentivador, meu amor incondicional, e
minha saudade diária: meu pai, Carlos Ubiratan (in
memoriam).

AGRADECIMENTOS
“A gratidão é a memória do coração.”
Antístenes de Atenas
Primeiramente а Deus, que em minha fraqueza me fortaleceu, em minha
angústia me acalentou e, apesar das minhas falhas, permitiu que tudo isso
acontecesse.
Aos meus pais, por me guiarem no caminho dos estudos, dedicação e
perseverança. Ao meu saudoso pai, Carlos, por perceber o quanto dele há em mim. À
minha mãe, Raquel, minha maior referência, que com seu amor soube me apoiar e
caminhar ao meu lado e com suas orações me ajudaram a permanecer firme.
Ao meu marido, Alexandre, por me fazer sentir amada e por compreender
minhas ausências e momentos de solidão.
Ao meu irmão, Cacá, pelo incentivo, torcida e amor.
Aos meus alunos, principais motivadores deste estudo, com quem compartilho
conhecimento e que me estimulam sempre a fazer o meu melhor. Em especial, à
Fernanda, que se tornou amiga e companheira de profissão, e esteve ao meu lado
apoiando e incentivando durante toda essa trajetória.
Às minhas orientadoras, Professora Ângela Canuto e Professora Rosana Vilela,
por não soltarem minha mão em nenhum momento nessa trajetória de desenvolvimento
do Trabalho Acadêmico de Conclusão de Curso (TACC). Ficam como exemplos de
competência, responsabilidade, ética e compromisso.
A todos os professores do Mestrado Profissional em Ensino na Saúde, que
tanto se dedicaram aos mestrandos, permitindo-lhes um belo crescimento pessoal.
Aos demais familiares e amigos, que, algumas vezes mesmo sem perceberem,
trouxeram palavras de conforto e incentivo nessa caminhada.
À minha turma do mestrado, “os queridinhos”, por me apresentarem um novo
mundo, onde a diversidade produz trocas e conhecimentos valiosos. Agradeço as
contribuições, o apoio, o incentivo e o carinho de todos. Foram meu maior presente.

À Faculdade de Medicina da UFAL, sеυ corpo docente, direção е
administração, que oportunizaram а janela do conhecimento. Admiração pela ética e
compromisso.
Aos professores das bancas de qualificação e defesa, Carlos Henrique Falcão e
Paulo Medeiros, pela disponibilidade, cuidado e relevantes contribuições ao trabalho.
Em especial, ao querido Professor Carlos Henrique que ilumina minha caminhada
desde o meu nascimento, meu maior respeito e admiração.

“Educação não transforma o mundo. Educação muda
as pessoas. Pessoas transformam o mundo.”
Paulo Freire

RESUMO GERAL
O Trabalho Acadêmico de Conclusão de Curso (TACC) teve o objetivo de examinar o
ensino da cefaleia na graduação, através da análise do projeto pedagógico do curso de
medicina (PPC) e da avaliação dos discentes. A metodologia utilizada foi quantiqualitativa de natureza exploratória, através da análise documental e utilização de
casos clínicos apresentados em vídeos. Os resultados da pesquisa são apresentados
em dois artigos originais intitulados: 1) O ensino da cefaleia em um curso de medicina;
no qual são apresentados os dados referentes à análise do PPC e à avaliação dos
questionários dos discentes e 2) Conhecimento dos internos de medicina sobre as
cefaleias, onde é avaliado o conhecimento dos discentes sobre o tema através da
resposta aos casos clínicos apresentados em formato de vídeo. A identificação de
lacunas no ensino da cefaleia despertou para o desenvolvimento de dois produtos de
intervenção: a criação de um canal no YouTube e um relatório técnico-científico para
o Núcleo Docente Estruturante (NDE) da Faculdade Medicina da UFAL. A dificuldade
em equilibrar a quantidade de informações e habilidades clínicas no currículo médico
proporciona um status menos importante para a cefaleia. Entretanto, dada sua
prevalência e magnitude social, é imprescindível que haja uma reavaliação no
planejamento educacional nas Academias. Pretende-se uma adequação curricular do
curso de medicina, utilizando-se de transversalidade e interdisciplinaridade do tema,
com o objetivo de tornar o egresso mais capacitado para o atendimento global à saúde
da comunidade.
Palavras-chaves: Cefaleia. Educação médica. Ensino. Currículo.

GENERAL ABSTRACT
The Academic Conclusion of the Course (TACC) had the objective of examining the
teaching of headache in the undergraduate, through the analysis of the pedagogical
project of the medical course (PPC) and the evaluation of the students. The
methodology used was quantitative-qualitative of exploratory nature, through
documentary analysis and use of clinical cases presented in videos. The results of the
research are presented in two original articles entitled: 1) The teaching of headache in a
medical course; in which the data on the analysis of the PPC and the evaluation of the
students 'questionnaires are presented and 2) Evaluation of the knowledge of the
medical interns on headache, where the students' knowledge about the subject is
evaluated through the response to the clinical cases presented in video format. The
identification of gaps in the teaching of headache has led to the development of two
intervention products: the creation of a channel on YouTube and a technical-scientific
report for the Nucleus Teaching Structure (NDE) of the Faculty of Medicine of UFAL.
The difficulty in balancing the amount of information and clinical skills in the medical
curriculum provides a less important status for headache. However, given its prevalence
and social magnitude, it is imperative that there is a reassessment of educational
planning in the Academies. It is intended a curricular adaptation of the medical course,
using transversality and interdisciplinarity of the subject, with the purpose of making the
egress better able to the global health care of the community.
Key words: Headache. Medical education. Teaching. Curriculum.

LISTA DE ABREVIATURAS

ABN

Academia Brasileira de Neurologia

AHS

American Headache Society

CAPES

Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior

CEP

Comitê de Ética em Pesquisa

CID

Classificação Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à
Saúde

DCN

Diretriz Curricular Nacional

FAMED

Faculdade de Medicina

ICHD

International Classification of Headache Disorders

MPES

Mestrado Profissional em Ensino na Saúde

MFC

Medicina da Família e Comunidade

OSCE

Objective Structured Clinical Examination

OMS

Organização Mundial de Saúde

PPC

Projeto Pedagógico do Curso

SBC

Sociedade Brasileira de Cefaleia

SUS

Sistema Único de Saúde

TACC

Trabalho Acadêmico de Conclusão de Curso

TCLE

Termo de Consentimento Livre e Esclarecido

UFAL

Universidade Federal de Alagoas

YLDs

Years lived with disability

LISTA DE FIGURAS

Figura 1 - “Head”, assistente virtual criada pelo programa Voki® ................ 46
Figura 2 - Página do canal ProjetoEnsinodaCefaleia no Youtube® ............. 78

LISTA DE GRÁFICOS

Gráfico 1 - Perfil dos discentes do internato de medicina que participaram
da pesquisa ............................................................................... 28
Gráfico 2 - Percentual de concordância dos discentes com a assertiva: o
tema cefaleia foi abordado de maneira satisfatória durante a
graduação ................................................................................. 29
Gráfico 3 - Percentual de concordância dos discentes com a
assertiva:durante a graduação, atendi pacientes com queixa
de cefaleia ................................................................................. 30
Gráfico 4 - Percentual de concordância dos discentes com a assertiva:
conheço os critérios diagnósticos da ICHD ............................... 31
Gráfico 5 - Percentual de concordância dos discentes com a assertiva:
considero este tema relevante para minha formação médica ... 32

LISTA DE QUADROS

Quadro 1 - Matriz de competências no ensino da cefaleia durante a
graduação médica ..................................................................... 23
.................................................................................................. 70
Quadro 2 - Fatores facilitadores no ensino da cefaleia, sob a visão dos
discentes .................................................................................. 33
Quadro 3 - Barreiras no ensino da cefaleia, sob a visão dos discentes ...... 34
Quadro 4 - Características da cefaleia tensional listadas pelos discentes .. 51
Quadro 5 – Tratamento medicamentoso e não-medicamentoso na crise
aguda da cefaleia tensional prescrito pelos discentes ............. 54
Quadro 6 – Classes farmacológicas prescritas pelos discentes para
tratamento profilático na cefaleia tensional .............................. 57
Quadro 7 – Justificativas dos discentes para a solicitação de parecer do
especialista, referente ao segundo caso clínico ........................ 60
Quadro 8 – Justificativas para o não encaminhamento ao especialista de um
quadro de cefaleia tensional crônica ........................................ 60
Quadro 9 - Guia para acesso ao canal ProjetoEnsinodaCefaleia, por caso
clínico ....................................................................................... 79

LISTA DE TABELAS

Tabela 1 - Diagnóstico referido pelos discentes para o primeiro caso clínico,
de acordo com o período do curso ........................................... 49
Tabela 2 - Etiologias consideradas pelos discentes para o segundo caso
clínico ........................................................................................ 50
Tabela 3 - Classes farmacológicas indicadas pelos discentes para o
tratamento da enxaqueca na fase aguda, de acordo com o
período do curso ..................................................................... 52
Tabela 4 - Prescrição medicamentosa sugerida pelos discentes para o
segundo caso clínico ............................................................... 53
Tabela 5 – Classes farmacológicas indicadas pelos discentes para o
tratamento profilático da enxaqueca, de acordo com o período
do curso .................................................................................. 56
Tabela 6 – Exames solicitados pelos discentes para o segundo caso clínico
................................................................................................ 59

SUMÁRIO

1

APRESENTAÇÃO........................................................................... 16

2

DISSERTAÇÃO: O ensino da cefaleia em um curso de medicina
......................................................................................................... 18

2.1

Introdução ..................................................................................... 20

2.2

Percurso metodológico ................................................................ 21

2.2.1

Tipo de pesquisa ............................................................................ 21

2.2.2

Local de estudo .............................................................................. 21

2.2.3

Participantes ................................................................................... 22

2.2.4

Produção dos dados ....................................................................... 22

2.2.4.1 Análise documental ......................................................................... 22
2.2.4.2 Aplicação de questionário aos discentes ......................................... 23
2.2.5

Análise dos dados .......................................................................... 24

2.2.5.1 Análise documental ......................................................................... 24
2.2.5.2 Análise do questionário ................................................................... 25
2.2.6

Aspectos éticos ............................................................................... 26

2.3

Resultados e Discussão ............................................................... 26

2.3.1

Avaliação do projeto pedagógico do curso de medicina ................. 26

2.3.2

Avaliação do questionário ................................................................ 28

2.3.2.1 Barreiras e facilitadores no ensino da cefaleia ................................ 32
2.4

Considerações Finais ................................................................... 36
REFERÊNCIAS .............................................................................. 38

3

DISSERTAÇÃO: Conhecimento dos internos de medicina sobre
cefaleia ........................................................................................... 41

3.1

Introdução ..................................................................................... 43

3.2

Percurso metodológico ................................................................ 44

3.2.1

Tipo de pesquisa ............................................................................ 44

3.2.2

Participantes ................................................................................... 44

3.2.3

Cenário da pesquisa ........................................................................ 45

3.2.4

Produção dos dados ....................................................................... 45

3.2.4.1 Criação do vídeo com os casos clínicos ......................................... 46
3.2.4.2 Aplicação da folha resposta ............................................................ 47
3.2.5

Análise dos dados .......................................................................... 47

3.2.6

Aspectos éticos................................................................................ 48

3.3

Resultados e Discussão ............................................................... 48

3.3.1

Diagnóstico da cefaleia ................................................................... 48

3.3.2

Tratamento agudo da cefaleia ......................................................... 51

3.3.3

Tratamento profilático da cefaleia .................................................... 55

3.3.4

Necessidade de exames complementares e avaliação com
especialista ...................................................................................... 58

3.4

Considerações Finais ................................................................... 61
REFERÊNCIAS .............................................................................. 62

4

PRODUTOS TÉCNICO E EDUCACIONAL .................................... 66

4.1

Produto 1 – Relatório técnico-científico com devolutiva dos
resultados da pesquisa ao Núcleo Docente Estruturante da
Faculdade de Medicina da UFAL .................................................. 66

4.2.

Produto 2 – Criação de canal no YouTube® para
disponibilização dos casos clínicos com os pacientes
virtuais ............................................................................................ 78

5

CONSIDERAÇÕES FINAIS DO TACC .......................................... 80
REFERÊNCIAS GERAIS DO TACC .............................................. 81
APÊNDICES .................................................................................... 85
ANEXO ........................................................................................... 96

16

1

APRESENTAÇÃO
O ensino sempre foi uma grande motivação profissional e fruto de uma paixão

herdada de mãe para filha. O entusiasmo pelo conhecimento compartilhado, a
realização no aprendizado adquirido e a satisfação na troca de saberes são os
principais motivos que guiaram a pesquisadora nessa escolha.
Graduada em Medicina pela Universidade Federal de Alagoas no ano de 2009, a
pesquisadora teve o privilégio de ser aluna de inúmeros professores/mentores
extraordinários, os quais demonstraram paixão pela arte do ensinar. Entretanto, sua
maior referência sempre foi sua mãe, Raquel, médica e professora vocacionada,
competente, ética, participante da vida política da universidade, além de caridosa e
humana no cuidado à vida. Sempre a estimulando ao ensino, valorizando suas
pequenas conquistas e sendo exemplo na caminhada.
Ao concluir a graduação, não conseguiu ingressar na residência médica
desejada e decidiu trabalhar no Programa Saúde da Família (PSF). Primeiramente, na
cidade de Junqueiro/AL, depois na cidade de Campo Grande/AL. Foram dois anos
transformadores em sua vida: choque cultural, conhecimento das calamidades do
estado, aprendizado na simplicidade e troca de experiências com os pacientes. Foram
momentos de reflexão em meio a uma natureza hostil e, paradoxalmente, bela.
Crescimento como médica e, principalmente, como ser humano.
Em 2011, ingressou na residência médica em neurologia na cidade de Salvador.
Estar longe da família foi um desafio, mas o conhecimento adquirido enriqueceu essa
experiência. Foi nesse momento, que a partida prematura de seu pai mostrou o que ele
tanto ensinou: “a educação é sua maior herança”. Mesmo com o coração repleto de
saudades, procurou concluir seus estudos para abraçar esses ensinamentos.
Ao retornar à Maceió, em 2014, mesmo com o coração partido e saudoso,
entusiasmou-se ao ser aprovada no concurso público do Hospital Universitário Prof.
Alberto Antunes da Universidade Federal de Alagoas. Onde, no final de 2014, ingressou
como neurologista clínica. Seu desejo de retribuir à sociedade o conhecimento
apreendido e melhorar as condições de saúde da população tornou-se realidade.
Como neurologista assistente, inaugurou o Ambulatório de Cefaleias, em 2015,
recebendo pacientes de todo estado de Alagoas. Os tratamentos inadequados

17

apresentados pelos pacientes, o impacto na qualidade de vida e o aparente despreparo
dos médicos da atenção primária eram fatos inquietantes para a pesquisadora.
Engajou-se, voluntariamente, no módulo de neurologia da Faculdade de
Medicina da UFAL, participando das atividades práticas e nas aulas teóricas sobre o
tema cefaleias. O contato com os discentes despertou mais inquietações, percebendose a dificuldade no atendimento e manejo dos pacientes com cefaleia.
Essas inquietações tornaram-se perguntas motivadoras: como a cefaleia está
sendo ensinada no curso de medicina da UFAL? Em quais momentos os discentes têm
a oportunidade de discutir o tema? Será que os discentes estão saindo com
conhecimento suficiente para manejar os pacientes com cefaleia na atenção primária?
Assim, levada pelo instinto de professora e pesquisadora, decidiu ingressar no
Mestrado Profissional de Ensino na Saúde para aprofundar seu conhecimento sobre a
área do ensino. Aprovada em 2017, um novo caminho abriu-se. Iniciou uma trajetória
de muito aprendizado, conquistas e interações com outras áreas do conhecimento. O
trabalho em grupo ajudou a delinear o objeto de estudo, e suas orientadoras
(Professoras Ângela e Zana) foram fundamentais no clareamento da pergunta central
do estudo: como o curso de medicina da UFAL tem reconhecido a importância da
abordagem da cefaleia em seu currículo?
Buscando responder à questão norteadora, foi elaborado o projeto de pesquisa:
O ensino da cefaleia em uma Universidade Pública: análise da matriz curricular e visão
dos discentes. Este projeto foi aprovado pelo comitê de ética em pesquisa da UFAL e
os resultados obtidos deram origem aos dois artigos apresentados neste trabalho.
A intenção inicial é de submeter os artigos à Revista Brasileira de Educação
Médica (RBEM), avaliada com Qualis A1 em ensino pela Coordenação de
Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), ou aos Cadernos de Saúde
Pública, avaliado com Qualis A2 pela CAPES.
Sendo assim, os presentes artigos foram intitulados: 1) O ensino da cefaleia em
um curso de medicina e 2) Conhecimento dos internos de medicina sobre as cefaleias.

18

2

DISSERTAÇÃO: O ensino da cefaleia em um curso de medicina
RESUMO

Introdução: Principal causa de perda de dias produtivos entre os jovens e altamente
prevalente na população, a cefaleia é um problema de saúde pública que necessita de
atenção. A Organização Mundial de Saúde relata que a baixa ênfase dada ao ensino da
cefaleia contribui para esse cenário. Objetivo: Objetivando contribuir com o ensino
médico, o presente estudo visa avaliar e identificar possíveis lacunas no ensino da
cefaleia em uma universidade pública, através da análise do projeto pedagógico do
curso (PPC) de medicina e da aplicação de questionário padronizado aos discentes de
medicina. Percurso metodológico: Participaram 31 discentes do internato de
medicina, do 9º ao 12º período, com média de 25 anos e paridade entre os sexos.
Resultados: Os resultados do estudo identificaram que a análise estrutural do PPC não
faz referência à cefaleia e a análise dos planos cursos revelou uma predominância do
tema exclusivamente no 6º período, módulo de neurologia. A análise do questionário
mostrou que 96% dos discentes recordaram desse tema ter sido abordado no 6º
periodo; 100% consideraram o tema relevante para a formação médica; e 52%
referiram conhecer os critérios diagnósticos das cefaleias pela ICHD. A consideração de
ser um tema importante para a saúde pública e o uso de metologias ativas no ensinoaprendizagem foram alguns dos facilitadores identificados pelos discentes no ensino da
cefaleia. As principais barreiras identificadas foram: pouca importância dada ao tema
pelas outras disciplinas, poucos cenários de práticas e carga horária insuficiente.
Considerações finais: O estudo permite concluir que existe uma lacuna no ensino da
cefaleia nas disciplinas da atenção básica e da urgência/emergência. A preocupação
com o ensino da cefaleia na graduação é necessária para a mudança do cenário atual
de incapacidade associada à cefaleia. Espera-se que esses resultados possam servir
de base para a adequação curricular do curso de medicina, tornando o egresso mais
capacitado para o atendimento no contexto no SUS.
Palavras-chave: Enxaqueca. Educação médica. Ensino. Currículo.

19

DISSERTATION: THE HEADACHE TEACHING IN A MEDICAL COURSE
ABSTRACT
Introduction: Main cause of day loss among young people and high prevalence,
headache is a public health problem that requires attention. The World Health
Organization reports that the low emphasis given to headache teaching contributes to
this scenario. Objective: In order to contribute to medical education, this study aims to
evaluate and identify possible gaps in the headache teaching in a public university,
through the analysis of the pedagogical project of the medical course (PPC) and the
application of a standardized questionnaire to medical students. Methodological
course: Thirty-one students from the medical school, from the 9 th to the 12 th period,
with an average of 25 years and parity of sexes, participated. Results: The results of the
study identified that the structural analysis of the PPC does not refer to headache and
the analysis of the plans courses revealed a predominance of the subject exclusively in
the 6th period, neurology module. The analysis of the questionnaire showed that 96% of
the students remembered that headache was approached in the 6th period; 100%
considered the topic relevant to medical training; and 52% reported knowing the
diagnostic criteria for headache by ICHD. The consideration of being an important
subject for public health and the use of active teaching-learning methodologies were
among the facilitators identified by the students in the teaching of headache. The main
barriers identified were little importance given to the theme by the other disciplines, few
practice scenarios and insufficient workload. Final considerations: This study
concludes that there is a gap in the headache teaching in primary care and
urgency/emergency disciplines. Concern with the teaching of headache at graduation is
necessary to change the current scenario of headache-related disability. It is hoped that
these results can serve as a basis for the curricular adequacy of the medical course,
making the egress better able to attend the context in the SUS.
Keywords: Migraine. Medical education. Teaching. Curriculum.

20

2.1

Introdução
Em 2001, o Relatório Mundial de Saúde definiu a cefaleia como prioridade

estratégica da Organização Mundial da Saúde (OMS) após identificar o alto impacto na
qualidade de vida da população (THE WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2001).
A Campanha Global para reduzir o impacto da cefaleia em todo o mundo,
lançada em 2004, procurou identificar as barreiras culturais, sociais e educacionais
responsáveis pelo inadequado tratamento da cefaleia (MARTELLETTI et al., 2005).
Segundo Martelletti e colaboradores (2005), uma das principais barreiras para o
tratamento das cefaleias é a deficiência educacional entre os profissionais de saúde,
que leva à ausência de habilidades para o diagnóstico e tratamento da cefaleia. Desde
então, a educação dos médicos no manejo das cefaleias foi considerada um elementochave para reduzir o impacto da cefaleia no mundo (STEINER et al., 2004;
GALLAGHER et al., 2005; MINEN et al., 2005).
A Sociedade Americana de Cefaleia (AHS – American Headache Society)
realizou, em 2007, uma pesquisa com seus membros e identificou que 22% deles não
tiveram nenhuma aula sobre cefaleia durante o curso de medicina (FINKEL, 2006).
Preocupados com o ensino da cefaleia na graduação, a AHS desenvolveu um currículo
básico de cefaleia para a educação dos discentes de medicina (YOUNG; ROSEN;
SHEFTELL, 2007).
A organização curricular no curso de medicina é uma tarefa difícil pois existe uma
vasta quantidade de informações médicas e habilidades clínicas que devem ser
incluídas. Segundo a OMS, a concordância de baixa prioridade é uma possível razão
pela qual as cefaleias recebem pouca ênfase educacional (GALLAGHER et al., 2005;
ONG; CHAN, 2017).
No Brasil, estudo de Speciali (1997) procurou avaliar o ensino da cefaleia no
país, enviando um questionário para todas Escolas de Medicina do Brasil. Das 36
escolas (45%) que responderam, todas referiam oferecer aulas teóricas sobre cefaleia
durante o curso médico. Desde então, nenhum estudo voltado à avaliação do ensino da
cefaleia foi realizado e nenhum currículo básico de cefaleia foi estabelecido no país.
As Instituições de Ensino Superior no Brasil organizam seus currículos com base
nas recomendações da Diretriz Curricular Nacional de Medicina:

21

O graduado em Medicina terá formação geral, humanista, crítica, reflexiva e ética, com
capacidade para atuar nos diferentes níveis de atenção à saúde, (...) com
responsabilidade social e compromisso com a defesa da cidadania, da dignidade
humana, da saúde integral do ser humano e tendo como transversalidade em sua prática,
sempre, a determinação social do processo de saúde e doença (BRASIL, 2014, p. 1).

A proposta curricular do curso de medicina da universidade pública federal
estudada foi elaborada visando a construção de uma formação médica baseada nas
necessidades de saúde da comunidade regional de acordo com a prevalência,
letalidade e potencial de prevenção (UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS, 2013).
Entendendo que a maioria das cefaleias deve ser tratada na atenção primária, já
que não requer habilidade especializada, o clínico generalista deve ter sua formação
direcionada para o diagnóstico e tratamento adequado das cefaleias (BRASIL NETO;
TAKAYANAGUI, 2013).
Estudos sobre o ensino da cefaleia são escassos no Brasil, porém são de
extrema importância para diagnosticar o cenário atual e as barreiras para a educação
da cefaleia na graduação. Assim, o principal objetivo deste estudo foi examinar o ensino
da cefaleia na graduação, através da análise do projeto pedagógico do curso de
medicina (PPC) e da avaliação dos discentes, buscando subsídios para o
aprimoramento curricular.
2.2

Percurso Metodológico

2.2.1 Tipo de Pesquisa
Trata-se de um estudo de abordagem quanti-qualitativa e caráter exploratório que,
de acordo com Triviños (1978, p.109), “permite ao investigador aumentar sua
experiência em torno de determinado problema”.
A associação das abordagens qualitativa e quantitativa, Minayo (2006) esclarece
que tais abordagens podem ser combinadas, desde que seja respeitado o emprego das
diferenças entre os dois métodos, o que pode, inclusive, contribuir para o
enriquecimento da análise proposta.
2.2.2 Local de estudo

22

Curso de medicina de uma universidade pública do Nordeste brasileiro. Seu marco
curricular, em consonância com o que determina e possibilita as DCNs, apresenta como
ênfase uma formação voltada às necessidades de saúde da população.
2.2.3 Participantes
Foram convidados todos os discentes do internato de medicina da UFAL (9º, 10º,
11º e 12º período), através de e-mail e mensagens telefônicas. Do total de 160
discentes, 31 participaram da pesquisa.
Os critérios de inclusão foram: ser discente de qualquer gênero e idade e estar
cursando o internato de medicina. Os critérios de exclusão foram discentes transferidos
de outras faculdades.
2.2.4 Produção dos dados
A pesquisa foi composta por duas fases: 1ª) análise documental e 2ª) aplicação
de questionário semiestruturado aos discentes de medicina. O propósito da pesquisa foi
o de responder a seguinte questão: Como o curso de medicina da UFAL tem
reconhecido a importância da abordagem da cefaleia em seu currículo?
2.2.4.1 Análise documental
A análise documental constitui uma técnica importante na pesquisa qualitativa,
seja complementando informações obtidas por outras técnicas, seja desvelando
aspectos novos de um tema ou problema (LUDKE; ANDRÉ, 1986).
O estudo em foco ateve-se

an lise cr tica do Projeto Pedag gico do

urso

(PPC) de medicina de uma universidade pública federal (UNIVERSIDADE FEDERAL
DE ALAGOAS, 2013), no período de janeiro a junho de 2018, tomando como referência
as Diretrizes Curriculares para o Curso de Medicina (BRASIL, 2014).
Uma matriz de competências para cefaleias na graduação (quadro 1) foi
construída com base nos seguintes documentos: a) Tratado de Medicina da Família e
Comunidade (GUSSO; LOPES, 2012); b) Matriz para Aquisição de Competências na
Urgência Clínica (SENGER; CAMPOS, 2015); e c) Currículo e competências essenciais
no ensino da cefaleia para as escolas de medicina da Sociedade Americana de

23

Cefaleia - American Headache Society, AHS – 2007 (YOUNG; ROSEN; SHEFTELL,
2007).
Quadro 1. Matriz de competências no ensino da cefaleia durante a graduação médica.
Tratado MFC
(2012)
Epidemiologia das cefaleias

1

Matriz competências
2
na urgência (2016)

x

Exame neurológico nas cefaleias
Diagnóstico da enxaqueca
Tratamento agudo da enxaqueca
Profilaxia da enxaqueca
Diagnóstico da cefaleia tensional
Tratamento agudo da cefaleia tensional
Profilaxia da cefaleia tensional
Uso excessivo de medicamentos
Sinais de alarme
Exames complementares nas cefaleias
Cefaleias - quando encaminhar

3

AHS
(2007)

x
x

x

x

x

x

x

x

x

x

x

x

x

x

x

x

x

x

x

x

Cefaleias na emergência

x

x

1

Referências: YOUNG, W.B.; ROSEN, N.; SHEFTELL, F. Square one: Headache education for the
2
medical student. Headache, v. 47, n. 3, p. 351–354, 2007. GUSSO, G.; LOPES, J.M. Tratado de
Medicina de Família e Comunidade: princípios, formação e prática. 1. ed. Porto Alegre: Artmed,
3
2012. 2870 p. SENGER, M.H.; CAMPOS, M.C.G. Matrizes para aquisição de competências no ensino
de urgências clínicas. Revista Brasileira de Educação Médica, v.40, n. 2, p. 172–182, 2015.

2.2.4.2 Aplicação de questionário aos discentes de medicina
A coleta de dados ocorreu no período de junho a agosto de 2018, após
aprovação do comitê de ética.
O instrumento para coleta dos dados foi um questionário elaborado pelos
pesquisadores (apêndice A) e validado com um grupo de sete médicos residentes de
clínica médica, recém-formados. Não houve necessidade de ajustes.

24

Este questionário é composto por um total de oito assertivas. Quatro assertivas
versam sobre o ensino da cefaleia na graduação, nelas os discentes devem manifestar
o grau de concordância por meio de uma escala do tipo Likert (GRESSLER, 2003).
Duas questões são de múltipla escolha sobre o período do ensino da cefaleia e
sugestões para melhorar a aprendizagem; e duas questões abertas sobre as barreiras
e os facilitadores no ensino da cefaleia.
Os itens da escala Likert são afirmações às quais o sujeito pesquisado responde
utilizando um critério que pode ser objetivo ou subjetivo. Originalmente foi proposta com
cinco categorias de respostas, variando de “discordo totalmente” a “concordo
totalmente”, e exige que os participantes indiquem um grau de concordância ou de
discordância em relação a cada uma de várias afirmações relacionadas ao objeto de
estímulo.
As assertivas da escala do tipo Likert foram construídas a partir de duas
dimensões: 1) Concepção sobre o ensino da cefaleia; e 2) Relevância na prática clínica.
As dimensões foram baseadas no referencial teórico e nos objetivos do estudo, para
cada dimensão duas assertivas foram propostas. Com relação à dimensão Concepção
sobre o ensino da cefaleia, foram propostas as assertivas: a) O tema cefaleia foi
abordado de maneira satisfatória durante a graduação; e b) Conheço (no sentido de já
ter ouvido falar) os critérios diagnósticos de cefaleia padronizados pela International
Classification of Headache Disorders (ICHD). Com relação à dimensão Relevância na
prática clínica, as assertivas foram: a) Durante a graduação, atendi paciente com queixa
de cefaleia; e b) Considero este tema relevante para a minha formação médica. Todas
as assertivas passíveis de influência por viés de interpretação.
2.2.5 Análise dos dados
2.2.5.1 Análise documental
A análise de conteúdo restringiu-se ao Projeto Pedagógico do Curso (PPC) de
Medicina de uma universidade pública de federal, versão 2013, disponível através do
site http://www.ufal.edu.br/unidadeacademica/famed, e aos planos de aula com os
conteúdos programáticos das disciplinas do corrente ano.

25

Foi utilizado o instrumento de avaliação estrutural do PPC de Buarque e
colaboradores (2017), obedecendo as seguintes etapas cronológicas para a análise
documental: (1) definição de categorias de análise; (2) definição de unidades de
registro; (3) exploração documental em busca por unidades de contexto que codifiquem
unidades de registro; e (4) tratamento dos resultados e interpretação.
Segundo Buarque e colaboradores:
Definem-se como “categorias de an lise” grupamentos de conteúdos de interesse que se
relacionam. “Unidades de registro” referem-se aos conteúdos de interesse propriamente
ditos, agrupados nas “categorias de an lise”. “Unidades de contexto” são definidas como
trechos dos documentos em an lise que permitam codificar as “unidades de registro”, ou
seja, que permitam verificar que as unidades de registro (conteúdos de interesse) são
contempladas pelo texto analisado (2017, p. 385).

As categorias de análise e unidades de registro foram estabelecidas através dos
documentos de referência (YOUNG; ROSEN; SHEFTELL, 2007; BRASIL, 2014;
GUSSO; LOPES, 2012; SENGES; CAMPOS, 2015). A partir da determinação das
“categorias de an lise” e “unidades de registro”, as “unidades de contexto” foram
buscadas no PPC e nos planos de aula das disciplinas determinando se as unidades de
registro eram contempladas, total ou parcialmente. Não sendo encontradas “unidades
de contexto” que pudessem decodificar as “unidades de registro”, considerou-se que o
conteúdo não é previsto na matriz curricular analisada.

s resultados obtidos passaram

por fase de tratamento e interpretação.
2.2.5.2 Análise do questionário
Os dados referentes às assertivas do tipo Likert e de múltipla escolha foram
avaliados por meio de análise descritiva simples. Enquanto a avaliação das assertivas
referentes aos fatores considerados barreiras e facilitadores no ensino da cefaleia foi
realizada através da análise de conteúdo, na modalidade temática, descrita por
Laurence Bardin como:
Um conjunto de técnicas de análise das comunicações visando a obter, por
procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens,
indicadores (quantitativos ou não) que permitam a inferência de conhecimentos relativos
às condições de produção/recepção (variáveis inferidas) destas mensagens (2011, p. 47).

26

A realização da análise de conteúdo consistiu em três fases: 1ª) pré-análise, 2ª)
exploração do material e 3ª) tratamento dos resultados.
A fase de pré-análise compreendeu a “leitura flutuante”, organizando os
indicadores de interpretação como os conteúdos norteadores. Na segunda fase, de
exploração do material, observamos os temas que se repetiam e escolhemos as
categorias iniciais. A partir da análise de conteúdo da amostra foi possível agrupar as
categorias iniciais e compreender as barreiras e os facilitadores no ensino da cefaleia.
A terceira fase consistiu no tratamento dos resultados, através da inferência e
interpretação dos dados (BARDIN, 2011), e será discutida nos resultados.
2.2.6 Aspectos éticos
O estudo foi aprovado pelo parecer n 2.442.719 do Comitê de Ética em
Pesquisa da Universidade Federal de Alagoas, atendendo às exigências da Resolução
CNS n 466/2012 e n 510/2016 (anexo A).
2.3

Resultados e Discussão

2.3.1 Avaliação do Projeto Pedagógico do Curso de Medicina
Para a análise estrutural do PPC quanto à relevância da cefaleia na população
foi utilizado o instrumento (apêndice B) elaborado por Buarque e colaboradores (2017).
As “categorias de an lise” e “unidades de registro” foram identificadas na matriz
de competências construída pelos pesquisadores (quadro 1), definindo os conteúdos
mínimos de cefaleia que o médico generalista deve conhecer.
Na fase de exploração, buscaram-se Unidades de Contexto no PPC que
permitissem inferir as Unidades de Registro determinadas. Os dados foram
complementados pela análise dos conteúdos programáticos dos planos de aula das
disciplinas do curso médico.
Ao aplicar o instrumento, observamos não haver nenhuma referência ao tema
cefaleia ou enxaqueca em todo projeto pedagógico. Entretanto, a análise do PPC
revelou alguns dados que justificam a inclusão do tema entre os objetivos de
aprendizagem, tais como:

27

Formar médicos com bases e conhecimentos suficientes para atender os problemas
básicos de saúde da comunidade regional de acordo com a prevalência, letalidade e
potencial de prevenção, através das aç es de Promoção, Proteção, ntervenção e
Reabilitação e Cura, dentro de princípios éticos e humanos. [...] considerar as
necessidades de saúde da comunidade como eixo direcionador da formação
(UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS, 2013, p.44).

Estudo da fisiopatologia, do quadro clínico, diagnóstico e do prognóstico das principais
condições de urgência e emergência médica, segundo critérios de incidência e
prevalência das condições mórbidas (UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS, 2013,
p.165).

Foi observado que na descrição das capacidades cognitivas dos estágios de
Neurologia (Clínica médica 2) e Urgência/Emergência vários temas foram propostos,
porém em nenhum deles a cefaleia estava incluída.
Na análise dos planos de curso (apêndice C), foram identificadas doze unidades
de registro, dez destas (83%) estavam presentes no 6º período (módulo de neurologia).
Dessas, apenas uma (semiologia neurológica) com previsão de abordagem completa.
O tema cefaleia não aparece em nenhum plano de aula da disciplina de saúde e
sociedade nem de urgência/emergência, onde os discentes entram em contato com os
problemas mais frequentes na população local. No estágio supervisionado de clínica
médica (11º período) aparece o tema dor crônica, onde acredita-se que as cefaleias
devam ser abordadas, apesar de não estar discriminado no plano.
Entende-se que existe uma necessidade da Academia priorizar alguns tópicos
dentro do seu currículo, tendo em vista a ampla quantidade de informações que o curso
médico exige. A cefaleia, por se tratar de patologia de baixa gravidade, provavelmente
é menos valorizada dentro do currículo de medicina.
No Brasil, a enxaqueca é uma patologia prevalente e incapacitante, apesar da
pouca atenção recebida pelas políticas de saúde. Uma revisão de seis estudos
epidemiológicos encontrou uma prevalência de 70,6% de cefaleia na população geral,
sendo 15,8% enxaqueca (QUEIROZ; SILVA JUNIOR, 2015). A análise subnacional do
GBD (Global Burden Disease) realizada no Brasil mostrou que desde 1990 a
enxaqueca permanece sendo a quarta causa de anos vividos com incapacidades entre
os brasileiros (MARINHO et al., 2018).
Bigal e colaboradores (2001) constataram que 9,3% de todos os atendimentos
realizados no Sistema Único de Saúde da cidade de Ipuã em São Paulo foram por

28

cefaleia.
O PPC do curso de medicina da universidade em estudo propõe a formação de
médico generalista com foco nas necessidades de saúde da comunidade. Assim, a
cefaleia torna-se tema fundamental no ensino médico, tendo em vista sua alta
prevalência e impacto na vida socioeconômica da população. Tais informações
contextualizadas seriam importantes ao Projeto, definindo o impacto social da cefaleia e
a importância de sua abordagem na matriz curricular.

2.3.2 Avaliação do questionário
A pesquisa foi aplicada a 31 discentes de medicina, sendo onze do 9º período,
seis do 10º período, nove do 11º período e cinco do 12º período (gráfico 1). Deste total,
dezesseis (51,6%) eram do sexo feminino e quinze (48,4%) do sexo masculino; a média
de idade dos participantes foi de 25,5 anos.
Gráfico 1. Perfil dos discentes de medicina que participaram da pesquisa. 2019.

Fonte: Autor - Dados da pesquisa.

A análise do questionário mostrou que quase a totalidade dos discentes (96,4%)
recordou de que o tema cefaleia foi abordado no 6º período do curso médico. Neste
período está a disciplina saúde do adulto e do idoso 2, ao qual o módulo de neurologia
integra. Dois discentes referiram o período do internato, provavelmente relacionado à

29

experiência prática nos cenários de ambulatórios ou emergências. E apenas um
discente mencionou o 7º período.
Este resultado corrobora com a análise do PPC que demonstra que 65% das
unidades de registro referente ao conteúdo cefaleia é abordado apenas no 6º período
do curso.
Em 1997, Speciali enviou um questionário a todas Escolas de Medicina do Brasil
para avaliar o ensino da cefaleia. Das 36 escolas (45%) que responderam, todas
ofereciam aulas teóricas sobre cefaleia durante o curso médico, na maioria das vezes
durante o 4° ano.
Acredita-se que as mudanças no internato médico após as recomendações das
DCNs de 2001 possam ter contribuído para o remodelamento das disciplinas,
antecipando a aula de cefaleia na neurologia do 4° ano para o 3° ano (6º período) do
curso de medicina.
Dos 31 discentes que responderam à pesquisa, 27 (87%) concordaram
(plenamente ou parcialmente) que o tema cefaleia foi abordado de maneira satisfatória
durante a graduação (gráfico 2). Resultado semelhante ao encontrado no estudo de
Gallagher e colaboradores (2005), onde 88% das escolas médicas consideraram
adequado o currículo de cefaleia na graduação.
Gráfico 2. Percentual de concordância dos discentes com a assertiva: o tema cefaleia foi
abordado de maneira satisfatória durante a graduação. 2019.

Fonte: Autor - Dados da pesquisa.

30

Entretanto, um estudo recente de Ong e colaboradores (2017) encontrou que
62,2% dos discentes de medicina em Cingapura consideraram inadequada a exposição
ao „diagn stico e manejo da cefaleia‟ e 55,1% não receberam um ensino formal sobre
como realizar uma história completa na cefaleia. Resultado semelhante ao de
Komminini e Finkel (2005), onde apenas 29% dos discentes concordaram que o
diagnóstico e o manejo da cefaleia eram adequadamente ensinados.
A maioria dos discentes (77%) concordou que atenderam pacientes com queixa
de cefaleia durante a graduação (gráfico 3). Todos os discentes do 12º período
concordaram plenamente com a assertiva, enquanto os 7% que discordaram totalmente
estavam no 9º período. Este resultado sugere que o atendimento a pacientes com
cefaleia está concentrado no último ano do internato. Tendo em vista a elevada
frequência da cefaleia na população, o contato dos discentes com pacientes com essa
queixa deveria ocorrer ao longo de toda graduação. Esse dado alerta para os cenários
de práticas aos quais os alunos são expostos antes do período do internato.
Gráfico 3. Percentual de concordância dos discentes com a assertiva: durante a
graduação, atendi pacientes com queixa de cefaleia. 2019.

Fonte: Autor - Dados da pesquisa.

Ademais, Speciali (1997) identificou que em 90% das escolas de medicina
brasileiras, os discentes atendiam pacientes com cefaleia, geralmente em enfermarias,
pronto-atendimentos e ambulatórios gerais.
Supõe-se que o resultado desse estudo possa estar relacionado à pouca ênfase
dada à queixa de cefaleia na oportunidade do atendimento; à insuficiência nos cenários
de práticas; ou ao despreparo dos preceptores médicos quanto às cefaleias.

31

O atendimento de pacientes com queixa de cefaleia exige o prévio conhecimento
dos critérios diagnósticos das principais cefaleias, tais como a enxaqueca e a tipo
tensão. Para isso, os discentes devem ser apresentados, durante a graduação, aos
critérios diagnósticos da International Classification of Headache Disorders - ICHD
(HEADACHE CLASSIFICATION COMMITTEE OF THE INTERNATIONAL HEADACHE
SOCIETY, 2018).
Em 1988 foi publicada a primeira Classificação Internacional das Cefaleias com o
intuito de auxiliar no reconhecimento, diagnóstico e manejo das cefaleias. Desde então
ela vem sendo aprimorada com o objetivo de organizar de forma racional as principais
causas e tipos de cefaleias. Em 2014, foi lançada a ICHD-3 beta e, em 2018, a versão
mais recente ICHD-3, Terceira Classificação Internacional das Cefaleias (HEADACHE
CLASSIFICATION COMMITTEE OF THE INTERNATIONAL HEADACHE SOCIETY,
2018).
O presente estudo encontrou que mais da metade dos discentes (52%)
concordou que conheciam os critérios diagnósticos da ICHD (gráfico 4). Todos do 12º
período concordaram com a assertiva, enquanto a maior discordância esteve no 9º e
11º períodos. Resultado superior ao encontrado no estudo de Ong e Chan (2017), onde
74% dos discentes de medicina de Cingapura desconheciam a ICHD-3 beta.
Gráfico 4. Percentual de concordância dos discentes com a assertiva: conheço os
critérios diagnósticos da The International Classification of Headache
Disorders- ICHD. 2019.

Fonte: Autor - Dados da pesquisa.

32

Entendendo que o correto diagnóstico do tipo de cefaleia orienta um tratamento
eficaz, o desconhecimento dos critérios diagnósticos da ICHD pelos profissionais de
saúde é fator preocupante, que pode repercutir no manejo inadequado das cefaleias.
Foi unânime a consideração de que a cefaleia é um tema relevante para a
formação médica; todos os discentes concordaram plenamente (gráfico 5). Esse
resultado foi superior ao encontrado no estudo de Kommineni e Finkel (2005), onde
76% dos discentes concordaram fortemente e 27% concordaram com a assertiva de
que a enxaqueca é um tema importante para ser ensinado na escola médica.
O reconhecimento dessa relevância pelos discentes desperta neles o interesse
para o aprendizado sobre cefaleia. É função da Academia fomentar e estimular esse
aprendizado através de metodologias inovadoras e cenários de práticas diversificados.
Gráfico 5. Percentual de concordância dos discentes com a assertiva: considero este
tema relevante para a minha formação médica. 2019.

Fonte: Autor - Dados da pesquisa.

2.3.2.1 Barreiras e facilitadores no ensino da cefaleia
Os fatores considerados barreiras ou facilitadores no ensino das cefaleias foram
apresentados no questionário através de respostas abertas, e, por isso, foram
categorizados através da análise de Bardin (2011).
A partir da fase de pré-análise, foram identificados os conteúdos norteadores e
organizados os indicadores de interpretação. Com a análise de conteúdo desses
indicadores tornou-se possível a elaboração das subcategorias e categorias finais.
Os fatores facilitadores e barreiras no ensino da cefaleia foram agrupados em
duas categorias: 1) Características do tema cefaleia e 2) O momento da prática e do

33

ensino. A correlação das subcategorias com o período em curso dos discentes não
mostrou diferença significativa.
As subcategorias dos elementos facilitadores para a definição destas categorias
finais foram: relevância da cefaleia, existência de critérios diagnósticos, momento do
ensino, valorização da dimensão técnica do docente, interação com os colegas e uso
de metodologias ativas no ensino-aprendizagem (quadro 2). Destas, o momento do
ensino e o uso de metodologias ativas foram consideradas os principais facilitadores
sob a visão dos discentes.
Enquanto as subcategorias das barreiras foram: pouca importância do tema
cefaleia na graduação, concentração do tema como especialidade, insuficiência e
inadequação do ensino teórico, poucos cenários de práticas abordando a cefaleia e
pouca motivação pessoal (quadro 3). Os discentes consideraram como principais
barreiras a insuficiência/inadequação do ensino e os poucos cenários de práticas.

Quadro 2. Fatores facilitadores no ensino da cefaleia, sob a visão dos discentes. 2019.

Categorias
finais

Subcategorias

Relevância da cefaleia

Indicadores de interpretação

Tema importante na saúde pública

Características do
tema cefaleia
Existência de critérios diagnósticos Critérios das cefaleias bem definidos

O momento da
prática e do
ensino

Momento do ensino

Abordado no sexto período em dois momentos

Valorização da dimensão técnica
do docente

Experiência e conhecimento dos professores;
aula com médica especialista

Interação com os colegas

Experiência com os colegas nos casos mais
comuns

Uso de metodologias ativas no
ensino-aprendizagem

Práticas, Vídeos, Discussões de casos clínicos,
OSCE, confecção de resumos e mapas mentais

Fonte: Autor - Dados da pesquisa.

34

Quadro 3. Barreiras no ensino da cefaleia, sob a visão dos discentes. 2019.

Categorias
finais

Características do
tema cefaleia

O momento da
prática e do
ensino

Subcategorias

Indicadores de interpretação

Pouca importância do
cefaleia na graduação

tema Pouca importância dada ao tema em outras
áreas fora da neurologia

Concentração
especialidade

como

do

tema

Dificuldade para fixar os critérios diagnósticos
das cefaleias; grande quantidade de etiologias
possíveis; múltiplos critérios diagnósticos

Insuficiência e inadequação do
ensino teórico

Quantidade de aulas insuficientes, carga horária,
tamanho da turma; aulas expositivas que não
contemplam metodologia ativa

Poucos cenários de
abordando a cefaleia

Abordagem do assunto em outras áreas da
medicina; falta de prática, principalmente em
UBS, ambulatório e emergência

Pouca motivação pessoal

prática

Falta de estudo

Fonte: Autor - Dados da pesquisa.

Na categoria relevância da cefaleia, os discentes reconhecem como fator
facilitador no ensino a importância do tema cefaleia na saúde pública, tornando-se um
conteúdo atrativo e importante durante formação médica. Achado semelhante ao
encontrado em um estudo americano, onde 91% dos discentes concordaram que a
cefaleia é um importante problema na saúde pública (KOMMINENI; FINKEL, 2005).
Ao mesmo tempo, a percepção dos discentes acerca da pouca importância
dada ao tema em outras áreas do curso de medicina foi apontada como uma barreira
no ensino. Tal fato, direciona para a necessidade de integração do tema cefaleia
transversalmente no currículo médico.
Segundo os internos, os critérios bem definidos das cefaleias estabelecidos
pela ICHD facilitam o aprendizado, provavelmente por padronizar a avaliação clínica
auxiliando na caracterização do quadro. Entretanto, alguns consideraram os critérios
difíceis para memorizar, o que pode estar relacionado ao uso exclusivo durante o
módulo de neurologia, sem replicação nos cenários de práticas da atenção primária e
secundária.

35

A grande quantidade de diagnósticos diferenciais das cefaleias dificultou o
aprendizado, o que pode estar relacionado aos poucos cenários de práticas abordando
cefaleia (ambulatórios, unidades básicas de saúde e urgência/emergência).
Minen e colaboradores (2015) realizaram um levantamento com os novos
pesquisadores da seção New Investers and Trainees da American Headache Society
(AHS). Este revelou que menos de 2% dos médicos da AHS tiveram contato com
centros de cefaleia durante a graduação de medicina. A experiência prática na medicina
é fundamental para o desenvolvimento das habilidades profissionais e interesse na
temática estudada.
A abordagem do tema em dois momentos no 6º período, sendo um momento
com exposição teórica e outro momento com discussão de casos clínicos, foi
considerada elemento facilitador. As aulas expositivas exclusivamente foram avaliadas
negativamente como barreiras ao ensino. A utilização de outras metodologias ativas no
ensino-aprendizagem foi enfatizada pelos discentes, tais como as aulas práticas, a
apresentação de vídeos, o OSCE (Objective Structured Clinical Examination),
confecção de resumos e mapas mentais.
Dentre os desafios atuais do ensino está o de desenvolver a autonomia individual
do discente no processo ensino-aprendizagem. Assim, as metodologias ativas surgem
como um método transformador e motivador, conforme descrito por Mitre e
colaboradores:
As metodologias ativas utilizam a problematização como estratégia de ensinoaprendizagem, com o objetivo de alcançar e motivar o discente, pois diante do problema,
ele se detém, examina, reflete, relaciona a sua história e passa a ressignificar suas
descobertas (2008, p.2136).

Os discentes consideraram que a carga horária destinada ao tema e a
quantidade de aulas são insuficientes, além de que turmas grandes dificultam o
aprendizado. Estudo de Ong e Chan (2017) encontrou que, no currículo do curso de
medicina em Cingapura, o número de horas expostas ao tema diabetes mellitus foi
quase cinco vezes maior em relação ao tema cefaleia/enxaqueca. Considerando o
impacto global de ambas patologias, o estudo revela que a proporção de tempo
dedicado à cefaleia empalidece em comparação com outras doenças crônicas.

36

Apesar de consideraram um tema relevante para a saúde pública, os discentes
mantêm a valorização da dimensão técnica do docente. Alguns consideraram
importante a aula ter sido ministrada por um docente especialista em cefaleia.
A interação com os colegas auxilia a aprendizagem na medida em que
compartilham

experiências

em

comum

e

ajudam-se

mutuamente,

sem

constrangimentos. A falta de estudo individual foi relatada apenas pelos discentes do 9º
período, o que está provavelmente relacionada à motivação ao tema, que pode ser
estimulada nos cenários de práticas.
A “pirâmide do aprendizado” descrita pelo National Training Laboratories, um
centro americano de psicologia comportamental, mostra que a participação ativa do
aluno no processo resulta em maior aprendizagem. Este estudo revelou que quando os
alunos estão ativamente engajados e colaborando uns com os outros o grau de
retenção aumenta consideravelmente (FERREIRA, 2017).
Por fim, os discentes escolheram através de múltipla escolha como o ensino da
cefaleia poderia ser melhor aproveitado na graduação. A maioria (68%) referiu a
discussão de casos clínicos como principal recurso no ensino-aprendizagem. As outras
sugestões foram: vídeo-aula, aulas práticas, aplicativos em smartphones e panfletos.
Tal achado reforça a importância do uso de estratégias de abordagem ativa no
processo ensino-aprendizagem.
Ong e Chan (2017) encontraram que 81,9% do ensino da cefaleia nos cursos
de medicina de Cingapura foram através de aulas didáticas, 74% tutorias, 27,6%
ambulatórios e apenas 18,9% com aprendizagem baseada em problemas. Enfatiza-se a
importância de estimular as discussões de casos clínicos no ensino na cefaleia.

2.4

Considerações finais
O principal objetivo deste estudo foi examinar o ensino da cefaleia de um curso

de medicina de uma universidade pública federal da região nordeste. Os resultados
obtidos através do PPC e da visão dos discentes, mostrou que o curso tem
reconhecido, de forma parcial, a importância da abordagem da cefaleia em seu
currículo.

37

Através da análise documental do PPC de medicina desta universidade,
complementada pela avaliação de planos de aulas com seus respectivos conteúdos
programáticos, observamos uma lacuna no ensino da cefaleia nas disciplinas de
urgência/emergência e saúde & sociedade. A abordagem do tema predomina no
módulo de Neurologia, no 6º período.
Esta avaliação foi corroborada com a análise do questionário aplicado aos
discentes do internato de medicina, onde a maioria recordou-se do ensino da cefaleia
apenas no 6º período do curso. Apesar da exposição concentrada na neurologia, todos
referiram que o tema é relevante para a formação médica, a maioria concordou que o
tema foi abordado de maneira satisfatória e que conheciam os critérios diagnósticos
das cefaleias. Fato favorável no atual cenário do ensino da cefaleia.
Entretanto as barreiras identificadas pelos discentes foram, principalmente, a
pouca importância dada ao tema durante a graduação e a insuficiência e inadequação
do ensino da cefaleia. A utilização de metodologias ativas foi sugerida pelos discentes
como uma forma para melhorar o processo ensino-aprendizagem na cefaleia.
Considerando a escassez de estudos sobre o ensino da cefaleia no Brasil, os
resultados deste estudo podem colaborar para a definição de novas iniciativas regionais
de educação sobre cefaleia, tendo como ênfase o treinamento durante a graduação.
As possíveis interferências no resultado deste estudo são: amostra pequena e
constrangimento em emitir uma resposta desfavorável, pelo fato de a pesquisadora ter
participação no módulo durante a graduação. Como atenuante, foi esclarecido durante
a aplicação da pesquisa que a veracidade nas informações é importante para a
obtenção de dados fidedignos que possam orientar melhorias na área.
A dificuldade em equilibrar a quantidade de informações e habilidades clínicas no
currículo médico proporciona um status menos importante para a cefaleia. Entretanto,
dada sua prevalência e magnitude social, é imprescindível que haja uma reavaliação
nos planejamentos educacionais nas Academias.
Pretende-se com estes resultados a formulação de uma proposta para
adequação curricular do curso de medicina, tornando o egresso mais capacitado para o
atendimento global à saúde da comunidade no contexto do Sistema Único de Saúde
(SUS).

38

REFERÊNCIAS
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Curso de Graduação em Medicina e dá outras providências. Diário Oficial [da]
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39

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41
3

DISSERTAÇÃO: Conhecimento dos internos de medicina sobre cefaleias.
RESUMO

Introdução: A cefaleia é uma das patologias mais prevalentes na atenção primária e na
rede de urgência/emergência, e ocasiona um alto impacto na qualidade de vida da
população. A Diretriz Curricular Nacional enfatiza que os currículos médicos devem se
basear nas necessidades de saúde da população. Objetivo: entendendo que a
cefaleia deve estar entre as competências necessárias para o médico generalista, o
objetivo deste estudo é avaliar e interpretar o conhecimento dos discentes de medicina
sobre este tema. Percurso metodológico: A pesquisa é do tipo exploratória, com
abordagem qualitativa, onde o conhecimento dos discentes foi avaliado através da
utilização de casos clínicos apresentados em formato de vídeos. A análise dos dados
baseou-se na análise de conteúdo, modalidade temática, segundo Bardin (2011), com a
definição das quatro categorias a priori: 1) diagnóstico da cefaleia; 2) tratamento agudo
da cefaleia; 3) tratamento profilático da cefaleia; e 4) necessidade de exames
complementares ou avaliação com especialista. Resultados: Participaram da pesquisa
31 discentes do internato de medicina de uma universidade pública. Os resultados da
pesquisa permitiram concluir que os discentes estão aptos ao diagnóstico das cefaleias
primárias (enxaqueca e tensional), apesar da falha em reconhecer as formas crônicas.
A maioria apresentou conhecimento adequado para a suspeita diagnóstica no caso de
meningite aguda. Entretanto, foram identificadas lacunas no tratamento medicamentoso
da fase aguda da enxaqueca e da meningite. Foi observado um adequado
conhecimento na solicitação dos exames de neuroimagem nos casos de cefaleias, bem
como na indicação de encaminhamento ao especialista. Considerações finais: Este
estudo sugere que o ensino da cefaleia na graduação apresenta resultados
satisfatórios, entretanto ainda não parece ser adequado em relação ao relevante
problema de saúde que a cefaleia apresenta. Por fim, embora não seja objetivo do
estudo, a utilização de vídeos com pacientes virtuais é uma ferramenta pedagógica
importante para o processo de ensino-aprendizagem.
Palavras-chave: Cefaleia. Ensino. Aprendizagem Baseada em Problemas.

42
DISSERTATION: M

’k

w

about headache.

ABSTRACT
Introduction: Headache is one of the most prevalent pathologies in primary care and in
the urgency/emergency network and causes a high impact on the quality of life of the
population. The National curriculum guideline emphasizes that medical curricula should
be based on the population's health needs. Objective: Thus, understanding that
headache must be among the competencies necessary for the generalist physician, the
aim of this study is to evaluate and interpret the knowledge of medical students on this
subject. Methodological course: The research is of the exploratory type, with a
qualitative approach, where the knowledge of the students was evaluated using clinical
cases presented in video format. Data analysis was based on content analysis, thematic
modality, according to Bardin (2011), with the definition of the four categories a priori: 1)
diagnosis of headache; 2) Acute headache treatment; 3) prophylactic treatment of
headache; and 4) need for complementary exams or expert evaluation. Results: 31
students from the medical internship of a public university participated in the research.
The results of the research allowed us to conclude that the students can diagnose the
primary headache (migraine and tension), despite the failure to recognize the chronic
forms. The majority presented adequate knowledge for the suspected diagnosis in the
case of acute meningitis. However, gaps were identified in drug treatment of the acute
phase of migraine and meningitis. An adequate knowledge was observed in the request
of neuroimaging exams in the cases of headache, as well as in the indication of referral
to the specialist. Final considerations: This study suggests that the teaching of
headache in undergraduate studies presents satisfactory results, but still does not seem
to be adequate in relation to the relevant health problem that headache presents.
Finally, although this is not the objective of the study, the use of videos with virtual
patients is an important pedagogical tool for the teaching-learning process.
Keywords: Headache. Teaching. Problem-Based Learning.

43
3.1

Introdução
A cefaleia é um sintoma clínico frequente na prática da atenção primária à saúde,

admite-se que pelo menos 95% das pessoas tem ou terão um episódio de dor de
cabeça ao longo da vida (GUSSO; LOPES, 2012).
Bigal e colaboradores (2001) constataram que 9,3% de todos os atendimentos
realizados no Sistema Único de Saúde da cidade de Ipuã em São Paulo foram por
cefaleia. Em Recife, o principal motivo de consulta médica em unidades de saúde da
família foi dor (34%), sendo a cefaleia responsável por 10% desses atendimentos
(TORRES et al., 2015).
Desde 2001, a Organização Mundial da Saúde (OMS) definiu a cefaleia como
prioridade estratégica, após identificar o alto impacto na qualidade de vida da
população (THE WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2011).
Apesar de todo esforço da comunidade científica para reduzir o impacto da
cefaleia no mundo, através da Campanha Global apoiada pela Lifting the Burden (uma
organização

não

governamental),

a

cefaleia

permanece

comprometendo

a

funcionalidade dos indivíduos jovens (MARTELLETTI et al., 2005).
De acordo com o último Global Burden of Disease (GBD) a enxaqueca ocupa o
segundo lugar no mundo, responsável por 5,6% de todos os anos vividos com
incapacidades (YLDs - Years lived with disability). Considerando a faixa etária de 15 a
49 anos, a enxaqueca já é a principal causa de YLDs em todo mundo (VOS et al.,
2017).
Essa perda de dias produtivos na faixa etária economicamente ativa repercute
em vários aspectos da vida social. Como descrito por Steiner e colaboradores (2018),
os anos produtivos compreendem a fase na qual a educação é concluída, as famílias
são formadas, as carreiras construídas e as perspectivas para todo o resto da vida são
estabelecidas.
Um interessante editorial, publicado na revista internacional The Journal of
Headache, questiona quando as políticas de saúde começarão a dar importância à
enxaqueca – “Migraine is first cause of disability in under 50s: will health politicians now
take notice?” (STEINER et al., 2018).
No Brasil, uma revisão de seis estudos epidemiológicos encontrou uma
prevalência de 70,6% de cefaleia na população geral, sendo 15,8% enxaqueca

44
(QUEIROZ; SILVA JUNIOR, 2015). A análise subnacional do GBD realizada no Brasil
mostrou que, desde 1990, a enxaqueca permanece sendo a quarta causa de anos
vividos com incapacidades entre os brasileiros (MARINHO et al., 2018).
A alta prevalência da cefaleia e seu impacto negativo na qualidade de vida da
população a torna um relevante problema de saúde pública, especialmente na atenção
básica. Sabe-se que a deficiência educacional entre os profissionais de saúde
compromete o diagnóstico adequado e o tratamento da cefaleia na rede de atenção à
saúde (MARTELLETTI et al., 2005).
Considerando tratar-se de patologia comum na atenção primária, o clínico
generalista deve ter sua formação direcionada para o manejo adequado das cefaleias.
Ademais, sabe-se que apenas cerca de 10% das pessoas com cefaleia serão avaliadas
por neurologistas em todo mundo (RUSSEL, 2007).
Seguindo a Diretriz Nacional Curricular (BRASIL, 2014), as Faculdades de
Medicina direcionam seus currículos para uma formação médica baseada nas
necessidades de saúde da população. Entendendo que as cefaleias devem estar entre
as competências exigidas para a atuação profissional ao nível da atenção primária, o
propósito deste estudo é avaliar e interpretar o conhecimento dos discentes de
medicina sobre este tema.
3.2

Percurso Metodológico

3.2.1 Tipo de Pesquisa
Estudo descritivo com abordagem quanti-qualitativa, relativo à avaliação do
conhecimento dos discentes de medicina.
3.2.2 Participantes
Foram convidados todos os discentes do internato de medicina da UFAL (9º, 10º,
11º e 12º período), através de e-mail e mensagens telefônicas. Os discentes
interessados procuraram voluntariamente o ambulatório de neurologia, onde a pesquisa
foi aplicada em ambiente confortável e silencioso.

45
Os critérios de inclusão foram: ser discente de qualquer gênero e idade e estar
cursando o internato de medicina. Os critérios de exclusão foram discentes transferidos
de outras faculdades.
3.2.3 Cenário da pesquisa
A pesquisa foi realizada com discentes do curso de medicina de uma
universidade pública federal da região nordeste.
3.2.4 Produção dos dados
A coleta de dados ocorreu no período de junho a agosto de 2018, após
aprovação do comitê de ética.
A avaliação do conhecimento dos discentes sobre cefaleia foi realizada através
da aplicação de um vídeo com pacientes virtuais em sala de aula ou no ambulatório da
neurologia, conforme agendamento prévio com os alunos (apêndice D).
A utilização de pacientes virtuais corresponde ao segundo nível da pirâmide
Miller (saber como), avaliando o conhecimento teórico aplicado em um contexto clínico
específico (FIGUEROA et al., 2015).
O vídeo com os pacientes virtuais foi construído pela autora, com base nos
documentos: a) Tratado de Medicina da Família e Comunidade (GUSSO; LOPES,
2012); b) Matriz para Aquisição de Competências na Urgência Clínica (SENGER;
CAMPOS, 2015); e c) Currículo e competências essenciais no ensino da cefaleia para
as escolas de medicina da Sociedade Americana de Cefaleia - American Headache
Society, AHS (YOUNG; ROSEN; SHEFTELL, 2007).
A escolha desta metodologia baseou-se na necessidade de estimular a
participação dos discentes, tornando a pesquisa um momento de aprendizagem
significativa. Estudo de Figueroa e colaboradores (2015) encontrou que a utilização de
pacientes virtuais melhorou significantemente o dom nio “aprendizagem estudantil”,
contribuindo para o desenvolvimento de competências relacionadas com a tomada de
decisões.
As principais vantagens da utilização de pacientes virtuais são: requerem menos
recursos e pessoal, reduzem os custos econômicos e são seguros, já que permitem o
erro sem comprometer a vida dos pacientes (FIGUEROA et al., 2015).

46
3.2.4.1 Criação do vídeo com os casos clínicos
Para a construção dos vídeos, dois instrumentos foram utilizados: Voki® (2017),
para criação dos personagens; e Movavi Video Editor® (2017), para edição e
formatação do vídeo. O vídeo completo tem a duração de 22 minutos, incluindo 15
minutos para a resposta aos casos clínicos, sendo 5 minutos para cada caso. Durante
todo o vídeo, existe uma assistente nomeada “Head” (figura 1), a qual orienta os
discentes quanto à participação na pesquisa e apresenta os casos.
F

r 1. “H

”

r

r

p

pr

rama Voki®. 2019.

Fonte: Autor - Dados da pesquisa.

Os casos construídos buscaram avaliar o conhecimento dos discentes acerca
dos conteúdos mais relevantes sobre cefaleias para o médico generalista, por isso
foram utilizados cenários da atenção básica e da urgência/emergência.
O primeiro caso ocorreu no cenário de uma Unidade Básica de Saúde (UBS),
onde uma paciente jovem procura atendimento por quadro de cefaleia crônica sem
sinais de alarme e com critérios diagnósticos de enxaqueca. Neste caso, pretendeu-se
avaliar o conhecimento dos discentes referente a: 1º) diagnóstico da enxaqueca
crônica; 2º) tratamento agudo da enxaqueca; 3º) tratamento profilático na enxaqueca; e
4º) necessidade de exames complementares nas cefaleias (apêndice E).
O segundo caso foi de um jovem que procurou a Unidade de Pronto-Atendimento
(UPA) por quadro de cefaleia com mudança do padrão e febre. Ao exame neurológico
apresentava sinais de irritação meníngea. Os objetivos desse caso foram avaliar o

47
conhecimento sobre: 1º) identificação dos sinais de alarme; 2º) etiologia das cefaleias
secundárias; 3º) avaliação da cefaleia na emergência; e 4º) necessidade de avaliação
com especialista (apêndice F).
O último caso aconteceu em um ambulatório de clínica médica, quando um
homem de meia idade procura o serviço com quadro de cefaleia sem sinais de alarme.
Nele, procurou-se identificar o conhecimento dos discentes sobre: 1º) diagnóstico da
cefaleia tensional; 2º) tratamento agudo da cefaleia tensional; 3º) tratamento profilático
da cefaleia tensional; e 4º) quando não encaminhar ao especialista (apêndice G).
3.2.4.2 Aplicação da folha resposta
O instrumento utilizado para coleta dos dados foi uma folha de respostas com
quatro questões descritivas para cada caso clínico. A descrição dos casos, as questões
elaboradas e as respostas esperadas estão descritas no apêndice (apêndices E, F, G).
Esse instrumento elaborado pelos pesquisadores foi validado com um grupo de
sete médicos residentes de clínica médica, recém-formados. A sugestão do grupo foi
prorrogar o tempo para resposta de cada caso clínico de 4 para 5 minutos, o que foi
atendido pelos pesquisadores.
Ao final de cada sessão de vídeos, a pesquisadora forneceu feedback imediato
das questões, orientando quanto às dúvidas existentes na condução dos casos
apresentados.
3.2.5 Análise dos dados
A análise dos dados dos casos clínicos baseou-se na análise de conteúdo, na
modalidade temática, segundo Bardin (2011), contemplando as respostas aos casos
clínicos conforme aspectos indicados nos documentos de referência e padrão de
respostas pré-estabelecidos na pesquisa (apêndices 1 a 3).
A realização da análise de conteúdo consistiu em três fases: 1ª) pré-análise, 2ª)
exploração do material e 3ª) tratamento dos resultados, que será discutida nos
resultados.
De acordo com Bardin (2011), as categorias podem ser criadas a priori ou a
posteriori, isto é, a partir da teoria ou após a coleta de dados. Quando as categorias são

48
definidas a priori, a validade ou pertinência pode ser construída a partir de um
fundamento teórico. Assim, as quatro categorias a priori definidas para o estudo foram:
1) diagnóstico da cefaleia
2) tratamento agudo da cefaleia
3) tratamento profilático da cefaleia
4) necessidade de exames complementares ou avaliação com especialista
3.2.6 Aspectos éticos
O estudo foi aprovado pelo parecer n 2.442.719 do Comitê de Ética em
Pesquisa da Universidade Federal de Alagoas, atendendo às exigências da Resolução
CNS n 466/2012 e n 510/2016.
3.3.

Resultados e Discussão
Participaram da pesquisa 31 discentes de medicina, sendo onze do 9º período,

seis do 10º período, nove do 11º período e cinco do 12º período. Deste total, dezesseis
(51%) eram do sexo feminino e quinze (48%) do sexo masculino; a média de idade dos
participantes foi de 25,7 anos. Os resultados dos dados obtidos serão apresentados de
acordo com as categorias a priori.
3.3.1 Diagnóstico da cefaleia
O objetivo desta categoria é avaliar o conhecimento dos critérios da International
Classification of Headache Disorders (ICHD) pelos discentes, para o correto diagnóstico
das cefaleias apresentadas nos casos. A ICHD é uma classificação internacional de
cefaleias, que orienta os profissionais quanto aos critérios clínicos e as características
de todas os tipos de cefaleias (HEADACHE CLASSIFICATION COMMITTEE OF THE
INTERNATIONAL HEADACHE SOCIETY, 2018).
Referente ao primeiro caso, que tratava do atendimento de uma paciente com
enxaqueca crônica na unidade básica de saúde (apêndice D), 83,8% dos discentes
diagnosticaram como enxaqueca e somente cinco (16%) referiram corretamente a
enxaqueca crônica (tabela 1).

49
Tabela 1. Diagnóstico referido pelos discentes para o primeiro caso clínico, de acordo
com o período do curso. 2019.
Diagnóstico

9º

10º

11º

12º

Total

Enxaqueca crônica sem aura

0

1

1

0

2

Enxaqueca crônica

0

0

1

2

3

Enxaqueca

9

3

5

3

20

Enxaqueca comum

1

0

0

0

1

Enxaqueca sem aura

1

2

2

0

5

Total
Fonte: Autor - Dados da pesquisa.

11

6

9

5

31

A maioria dos discentes que reconheceu a forma crônica da enxaqueca estavam
no último ano do curso (11º e 12º período). Isto pode estar relacionado à maior
experiência no ambulatório durante o estágio em clínica médica.
Estudo de Yadav, Bradley e Smith (2017) avaliou 56 estagiários de medicina
através de casos clínicos eletrônicos. A enxaqueca episódica foi reconhecida por 85,7%
dos discentes e a enxaqueca crônica por 24,1%, demonstrando uma deficiência para o
diagnóstico da forma crônica, semelhante ao encontrado neste estudo.
No diagnóstico do segundo caso, referente ao atendimento de um quadro
suspeito de meningite na unidade de pronto atendimento (apêndice E), a maioria dos
discentes (94%) identificou tratar-se de uma cefaleia secundária. Associado ao
reconhecimento de sinais sistêmicos (febre e astenia) e alteração no exame físico
(irritação meníngea e rebaixamento do nível de consciência).
A Sociedade Brasileira de Cefaleia (SBC) estabeleceu os sinais de alerta para
cefaleia secund ria através do “mnemônico SN

P”: S (Systemic) - sinais sistêmicos

como toxemia, rigidez de nuca, rash cutâneo etc.; N (Neurologic) - presença de déficits
neurológicos focais, edema de papila, convulsão; O (Older) - início após os 50 anos; O
(Onset) - início súbito ou primeira cefaleia; e P (Pattern) - mudança de padrão da
cefaleia prévia ou cefaleia progressiva (ACADEMIA BRASILEIRA DE NEUROLOGIA,
2018).
Considerando ser uma cefaleia secundária, as principais etiologias consideradas
para o caso foram (tabela 2): infecciosas (81%), vascular (23%) e tumoral (10%).

50
A etiologia infecciosa foi a mais relatada entre os discentes, e tal preocupação
corrobora com a orientação da SBC de que no cenário de cefaleia aguda emergente,
caracterizada por uma dor nova ou diferente das anteriores, associada à presença de
febre deve levantar a hipótese de cefaleia secundária a infecções do sistema nervoso
central, como meningite, encefalite, abscesso cerebral e empiema (ACADEMIA
BRASILEIRA DE NEUROLOGIA, 2018).

Tabela 2. Etiologias consideradas pelos discentes para o segundo caso clínico. 2019.
Etiologias

N

%

Infecciosa

25

81%

7

23%

Tumoral

3

10%

Anemia falciforme

2

6%

Abuso de substâncias

2

6%

Hidrocefalia

1

3%

Hipertensão arterial

1

3%

Meningoencefalite
Meningite
Encefalite
Abcesso cerebral
Sinusite
Infecção bacteriana sistêmica
Vascular
Hemorragia subaracnóidea
Malformações vascular
AVC

Fonte: Autor - Dados da pesquisa.

No terceiro e último caso, referente ao atendimento de um homem com cefaleia
tensional crônica no ambulatório de clínica médica, a quase totalidade dos discentes
(97%) diagnosticou o caso como cefaleia tensional. Entretanto, nenhum discente definiu

51
a cefaleia como crônica, apesar de na história o paciente referir cefaleia quase
diariamente há 3 meses.
A ICHD-3 (2018) define cefaleia tensional crônica como uma cefaleia que
preenche os critérios de cefaleia tensional e que ocorre em média 15 dias ao mês por
mais de três meses (180 dias/ano).
As características clínicas identificadas no caso pelos discentes que preenchem
os critérios da ICHD para cefaleia tensional estão apresentadas no quadro 4.
Quadro 4. Características da cefaleia tensional listadas pelos discentes. 2019.
Cefaleia tensional
Holocraniana

Piora ao final do dia

Em aperto

Apresenta tensão muscular

Leve a moderada intensidade

Melhora após relaxamento

Sem náuseas ou vômitos

Melhora ao dormir

Sem fotofobia ou fonofobia

Associada ao estresse emocional

Não incapacita
Fonte: Autor - Dados da pesquisa.

Associada à insônia

A análise desta categoria permite concluir que os discentes estão aptos ao
reconhecimento da enxaqueca, cefaleia tensional e cefaleia secundária de etiologia
infecciosa. Entretanto, as formas crônicas das cefaleias primárias (enxaqueca crônica e
cefaleia tensional crônica) não foram identificadas de maneira satisfatória, o que sugere
haver necessidade de uma melhor abordagem durante o ensino.
3.3.2 Tratamento agudo da cefaleia
A maioria dos pacientes com quadro agudo de cefaleia será avaliada pelo
médico

generalista,

seja

na

unidade

básica

de

saúde

ou

na

rede

de

urgência/emergência. Por isso, o conhecimento dos tratamentos instituídos para cada
tipo de cefaleia pelos discentes é fundamental para a avaliação do correto manejo das
cefaleias.
Referente ao caso de enxaqueca crônica, a maioria dos discentes escolheu para
tratamento da fase aguda as classes dos anti-inflamatórios (n=15, 48%) e dos
analgésicos simples (n=13, 42%). Em terceiro lugar, foram considerados os triptanos,

52
seguido pelos derivados do ergot (tabela 3). Todos estes considerados com nível A de
evidência, ou seja, eficazes no tratamento agudo da enxaqueca (MARMURA;
SILBERSTEIN; SCHWEDT, 2015).
Três discentes indicaram o uso de dexametasona e clorpromazina no controle da
crise de enxaqueca. Tais medicações são reconhecidamente eficazes pelo seu efeito
analgésico (GIACOMOZZI et al., 2013) e estão indicadas n

Protocolo Nacional da Sociedade Brasileira de Cefaleia (ACADEMIA BRASILEIRA DE
NEUROLOGIA, 2018).
Das demais classes sugeridas, cinco discentes prescreveriam opioides (tramadol
e codeína), apesar de toda evidência e recomendação nos protocolos de cefaleia contra
o uso dessa classe no tratamento da enxaqueca (YOUNG et al., 2017). Em 2013, a
Academia Americana de Neurologia elaborou as „Top Five Recommendations’ e a
terceira recomendação é a de não utilizar opióide no tratamento da enxaqueca, exceto
como último recurso, pois existem tratamentos mais eficazes e específicos para a
enxaqueca (LANGER-GOULD et al., 2013).
Atualmente, a Sociedade Brasileira de Cefaleia elaborou um protocolo para
diagnóstico e manejo das cefaleias nas unidades de urgência, no qual desencoraja o
tratamento da enxaqueca com opioide pelo alto risco de abuso e dependência
(ACADEMIA BRASILEIRA DE NEUROLOGIA, 2018).
Tabela 3. Classes farmacológicas indicadas pelos discentes para o tratamento da
enxaqueca na fase aguda, de acordo com o período do curso. 2019.
Classes de medicamentos

9º

10º

11º

12º

Total

Anti-inflamatórios

5

3

4

3

15

Analgésicos simples

6

1

2

4

13

Triptanos

1

2

4

1

8

Derivados do ergot

2

2

1

0

5

Clorpromazina

0

0

2

0

2

Tramadol

3

0

1

0

4

Codeína

1

0

0

0

1

Dexametasona

0

0

1

0

1

Fonte: Autor - Dados da pesquisa.

53
A análise do segundo caso, suspeita de meningite na emergência, mostrou que
dos 25 discentes que consideraram a etiologia infecciosa, apenas 16 prescreveram
antibioticoterapia empírica (52%). Destes dezesseis, seis discentes citaram a
ceftriaxona como principal opção. Os demais referiram hidratação venosa, analgesia e
uso de antiemético (tabela 4).
Tabela 4. Prescrição medicamentosa sugerida pelos discentes para o segundo caso
clínico. 2019.
PRESCRIÇÃO

9º

10º

11º

12º

Total

%

Antibioticoterapia
empírica

6

2

5

3

16

52%

Hidratação venosa
com SF 0,9%

3

0

2

0

5

16%

Analgesia

4

1

2

1

8

26%

Antiemético

0

1

0

0

1

3%

Fonte: Autor - Dados da pesquisa.

O Ministério da Saúde do Brasil recomenda que, na suspeita clínica de
meningite, o tratamento com antibiótico deve ser instituído o mais precoce possível,
pois reduz letalidade e melhora prognóstico. De maneira geral, o tratamento
antibacteriano é feito de maneira emp rica, pois o agente etiol gico é desconhecido. A
recomendação de iniciar ceftriaxona 2g (12 em 12 horas) em adultos é baseada no
conhecimento dos agentes bacterianos mais prevalentes na comunidade (BRASIL,
2017).
Assim, apesar da alta suspeita clínica para meningite (81%), apenas 52% dos
discentes introduziriam antibioticoterapia profilática. Outras questões necessitariam ser
aprofundadas para o entendimento dos motivos desse resultado (insegurança no
manejo, desconhecimento dos protocolos nacionais, falta de experiência prática etc.),
entretanto sabe-se que o desenvolvimento de aprendizagem significativa está
associado à vivência prática na área.
Segundo Demo:
[...] cabe ao professor competente conduzir essa aprendizagem significativa, orientando o
aluno permanentemente para expressar-se de maneira fundamentada, exercitar o
questionamento e formulação própria, reconstruir autores e teorias e cotidianizar a
pesquisa (2011, p. 41).

54
O terceiro caso clínico (cefaleia tensional crônica) foi o que apresentou melhores
resultados na análise das respostas dos discentes. Várias opções de tratamento da
fase aguda foram sugeridas pelos discentes, tanto medicamento quanto nãomedicamentoso (quadro 5). Dentre os medicamentos, três classes farmacológicas
foram prescritas: analgésicos, anti-inflamatórios e relaxante muscular, todas eficazes no
tratamento da cefaleia tensional.

Quadro 5. Tratamento medicamentoso e não-medicamentoso na crise aguda da cefaleia
tensional prescrito pelos discentes. 2019.
Não medicamentoso

Medicamentoso

Acupuntura

Ingesta hídrica adequada

Analgésicos simples (dipirona, paracetamol)

Alimentação saudável

Massagem

Anti-inflamatórios (ibuprofeno, naproxeno)

Alongamento

Meditação

Relaxante muscular

Ambiente calmo

Melhorar qualidade de vida

Atividade física regular

Modificação no estilo de vida

Banho quente

Psicoterapia

Compressa gelada

Repouso

Controlar pressão arterial

Suspensão do café

Evitar estresse

Técnicas de relaxamento

Higiene do sono

Yoga

Fonte: Autor - Dados da pesquisa.

O Protocolo Diretrizes do Brasil (PINTO et al., 2009) orienta que o uso de
analgésicos e de anti-inflamatórios não hormonais é a conduta adequada para a
maioria dos casos de cefaleia tensional, desde que complementado com a orientação
aos fatores desencadeantes.
Deve-se sempre associar terapias não farmacológicas ou comportamentais no
tratamento da cefaleia tensional, algumas com resultados empíricos validados, tais
como a fisioterapia, acupuntura e terapia cognitiva comportamental (HU; YAN, 2015). O
Protocolo nacional para manejo da cefaleia recomenda a orientação de medidas
educativas como: sono regular, evitar bebidas alcoólicas, controle de estresse (técnicas
de relaxamento, atividade física leve) e lazer (ACADEMIA BRASILEIRA DE
NEUROLOGIA, 2018).

55
Foi admirável a quantidade de orientações não medicamentosas sugeridas pelos
discentes, tendo em vista a importância da promoção de saúde na atenção básica. Tal
conhecimento apresentado foi considerado como um resultado positivo do processo
ensino-aprendizagem na graduação.
Assim, os resultados desta categoria revelaram lacunas no tratamento da fase
aguda da enxaqueca e da meningite. Sugere-se que, durante a graduação, uma maior
ênfase seja dada ao tratamento da enxaqueca com triptanos e ergotamínicos, a fim de
evitar o uso de medicamentos pouco eficazes (como os opioides). Ademais, o
tratamento da meningite na urgência/emergência deve ser melhor explorado, buscando
reforçar a necessidade de tratamento empírico de imediato.
3.3.3 Tratamento profilático da cefaleia
Os quadros crônicos das cefaleias primárias (aquelas que não têm uma causa
subjacente) têm indicação de tratamento profilático, com o objetivo de reduzir a
frequência e intensidade das crises e melhorar a qualidade de vida do paciente.
O tratamento profilático deve ser iniciado nos pacientes que apresentam uma
frequência ou severidade de crises que interfiram com suas atividades cotidianas. O
objetivo deve ser o de reduzir a frequência dos episódios ou sua intensidade, e deve
ser mantido por um período de pelo menos seis meses (GUSSO; LOPES, 2012).
Com relação à avaliação da terapia profilática na enxaqueca crônica, 87% dos
discentes indicaram haver necessidade de iniciá-la. As classes farmacológicas
sugeridas para o tratamento estão descritas na tabela 5, sendo as mais prescritas:
betabloqueador (propranolol), antidepressivo tricíclico (amitriptilina) e anticonvulsivante
(topiramato). Todas classificadas com nível de evidência I ou II segundo o Consenso
sobre tratamento profilático da migrânea da SBC, ou seja, evidência de eficácia
proporcionada por estudos clínicos ou de coorte (GIACOMOZZI, 2013).
Tal resultado foi semelhante ao encontrado no estudo de Jackson e
colaboradores (2018), que avaliou o tratamento profilático da enxaqueca na atenção
primária. As classes mais comumente usadas pelos médicos generalistas foram:
anticonvulsivantes, antidepressivos tricíclicos e betabloqueadores. Acredita-se que um
fator facilitador para essa prescrição seja a disponibilidade dos fármacos pelo sistema
único de saúde.

56
Um discente indicou a classe dos inibidores seletivos de recaptação de
serotonina (ISRS), os quais apresentam dados insuficientes para apoiar ou refutar o
uso na profilaxia da enxaqueca (LODER et al., 2012).
Três discentes descreveram o uso de opioide, derivado ergot e anti-inflamatório
como terapia profilática, entretanto tais medicações são utilizadas para o controle da
dor aguda, sem evidência de eficácia na profilaxia da enxaqueca.

Tabela 5. Classes farmacológicas indicadas pelos discentes para o tratamento profilático
da enxaqueca, de acordo com o período do curso. 2019.
Medicamentos profiláticos

9º

10º

11º

12º

TOTAL

Betabloqueador

0

2

5

2

9

Antidepressivos tricíclicos

4

2

2

1

9

Anticonvulsivante

1

2

1

2

6

ISRS

0

1

0

0

1

Opioide (codeína)

0

0

1

0

1

Derivados do ergot

1

0

0

0

1

Anti-inflamatórios

1

0

0

0

1

Total
7
7
Legenda: ISRS - Inibidores de recaptação da serotonina
Fonte: Autor - Dados da pesquisa.

9

5

28

Com relação ao tratamento profilático da cefaleia tensional, apesar de nenhum
discente diagnosticar a cefaleia tensional crônica, 10 discentes (32%) indicariam
tratamento profilático para o caso. Dentre as justificativas para essa indicação estão:
dores recorrentes, padrão quase diário, frequência maior que 15 dias no mês e crises
que incomodam o paciente.
Conforme descrito por Yu e Han (2015), pacientes com cefaleia tensional crônica
apresentam indicação de iniciar terapia profilática para ajudar a reduzir a frequência e a
gravidade da cefaleia.
Os 10 discentes que iniciariam tratamento profilático escolheram: inibidores de
recaptação de serotonina, mirtazapina, topiramato, betabloqueadores e antidepressivos
tricíclicos (quadro 6).

57
Quadro 6. Classes farmacológicas prescritas pelos discentes para o tratamento
profilático na cefaleia tensional. 2019.
Classes de medicamentos
Antidepressivos tricíclicos
Betabloqueadores
Inibidores da recaptação de serotonina
Mirtazapina
Topiramato
Fonte: Autor - Dados da pesquisa.

Dentre as classes farmacológicas utilizadas na profilaxia, os antidepressivos
tricíclicos são os de primeira linha, sendo a amitriptilina o primeiro medicamento
comprovadamente eficaz na cefaleia tensional (PINTO et al., 2009).
A

mirtazapina,

um antidepressivo

com

ação

noradrenérgica

e

efeitos

serotoninérgicos específicos, verificou-se ser tão eficaz quanto a amitriptilina no
tratamento da cefaleia tipo tensão crônica (YU; HAN, 2015).
O topiramato foi considerado um medicamento profilático eficaz e seguro na
cefaleia tensional crônica, no entanto, faltam estudos para nível de evidência (YU; HAN,
2015).
Não foram encontradas evidências sobre a eficácia dos antidepressivos
inibidores da recaptação de serotonina nem dos betabloqueadores no tratamento
preventivo da cefaleia tensional crônica (GHADIRI-SANI; SILVER, 2016).
Os

64,5%

dos

discentes

que

não

indicaram

tratamento

profilático

medicamentoso justificaram que apenas orientações para modificação do estilo de vida
seriam suficientes.
Dessa forma, os resultados encontrados nessa categoria evidenciaram que os
discentes estão aptos a indicar o tratamento profilático da enxaqueca, prescrevendo
medicações eficazes e recomendadas pelos consensos brasileiros. Entretanto, maior
ênfase deve ser dada ao tratamento profilático da cefaleia tensional crônica, pois
apenas uma minoria dos discentes reconheceu a necessidade de iniciar a profilaxia.

58
3.3.4 Necessidade de exames complementares ou avaliação com especialista
Os exames de neuroimagem em pacientes com cefaleia primária são
comumente solicitados, apesar do fato das anormalidades encontradas serem
comparáveis às encontradas em indivíduos saudáveis. Por isso, a Academia Americana
de Neurologia, Federação Europeia das Sociedades de Neurologia e a Academia
Americana de Radiologia publicaram guidelines com recomendações contra a
solicitação de exames de neuroimagem de rotina (CALLAGHAN et al., 2015).
No caso clínico de enxaqueca crônica, a maioria dos discentes (77%) não
indicaria a realização de exames de imagem pelos seguintes motivos: a enxaqueca tem
características típicas, o diagnóstico é clínico, a evolução é crônica e o exame
neurológico é normal.
Os sete discentes, distribuídos do 9º ao 12º período, que solicitariam exames de
imagem justificaram pelo aumento da frequência das crises e para afastar causas
secundárias. Entretanto, o Consenso Europeu de Cefaleia orienta que:
Quando há a história típica de aumento gradual de frequência de cefaleia ao longo dos
anos e os critérios ICHD-3-beta para enxaqueca crônica estão satisfeitos, não há
necessidade para investigações adicionais (MITSIKOSTAS et al., 2016).

Assim, a maioria dos discentes parece compreender que não existe benefício na
solicitação de tomografia computadorizada para o diagnóstico de cefaleia sem sinais de
alerta, além de onerar o sistema de saúde de saúde.
No Brasil, o Projeto Diretrizes do Ministério da Saúde (PINTO et al., 2009) orienta
que a solicitação de neuroimagem (ressonância nuclear magnética ou tomografia
computadorizada) deve ser considerada apenas em pacientes com cefaleias agudas,
sinais de alerta, mudanças no padrão da cefaleia pré-existente e com achados não
explicáveis no exame neurológico.
Assim, como o segundo caso envolvia uma cefaleia secundária de provável
etiologia infecciosa, os discentes solicitaram o estudo do líquido cefalorraquidiano e
tomografia do crânio (tabela 6). Nos casos suspeitos de meningite aguda onde o
paciente apresenta sinais de hipertensão intracraniana (papiledema, alteração do
estado mental), existe a recomendação de se realizar exame de neuroimagem antes da
punção lombar pelo risco de herniação com compressão do tronco encefálico (MCGILL
et al., 2016).

59
Tabela 6. Exames solicitados pelos discentes para o segundo caso clínico. 2019.

EXAMES

9º

10º

11º

12º

Total (%)

LCR

6

4

8

4

71%

TC do crânio

7

5

4

4

65%

Hemograma

9

5

3

3

65%

PCR

3

4

1

3

35%

Eletrólitos

1

1

1

1

13%

Culturas

1

2

1

0

13%

VHS

0

1

0

1

6%

EAS

1

0

0

0

3%

Fonte: Autor - Dados da pesquisa.

Conclui-se que a confiança demonstrada pelos discentes em não indicar exames
desnecessários reflete o conhecimento adquirido durante a graduação e auxilia no bom
funcionamento do SUS.
Referente à avaliação com o especialista, a maioria dos discentes (74%)
solicitaria parecer da neurologia para o caso de meningite, pela gravidade do quadro,
para avaliar a necessidade de intervenção imediata e afastar outras causas
secundárias (quadro 7).
Este resultado é condizente com a recomendação da SBC onde, nos casos de
cefaleia secundária à patologia infecciosa do sistema nervoso central, o paciente seja
encaminhado para hospital de nível terciário, onde será avaliado por neurologista
(ACADEMIA BRASILEIRA DE NEUROLOGIA, 2018).

60
Quadro 7. Justificativas dos discentes para a solicitação de parecer do especialista,
referente ao segundo caso clínico. 2019.
Consideraria solicitar uma avaliação da neurologia de urgência neste caso?
Sim

Não

Avaliar outras causas de cefaleia secundária

Quadro sem
ambulatorial

risco

de

vida,

acompanhamento

Avaliar a sonolência

Só se houvesse piora do quadro neurológico

Não estar seguro da conduta

Não parece ser um quadro agudo

Melhor elucidar o quadro

Iniciar investigação primeiro

Melhor avaliação e condução do caso

Aguardaria o resultado da TC do crânio

Alterações neurológicas significativas

Desnecessário para quadro infeccioso

Profissional com maior competência

A depender do resultado dos exames

Presença de irritação meníngea

Solicitaria avaliação da Infectologia

Quadro com gravidade
Quadro de febre e sonolência associadas
Avaliar se existe papiledema
Intervenção imediata de especialista
Fonte: Autor - Dados da pesquisa.

Já no caso da cefaleia tensional crônica, 83,9% dos discentes não
encaminhariam o paciente para uma avaliação ambulatorial com neurologista, por
considerarem uma cefaleia leve e de fácil manejo (quadro 8).
Quadro 8. Justificativas para o não encaminhamento ao especialista de um quadro de
cefaleia tensional crônica. 2019.
Não consideraria encaminhar este paciente para uma avaliação ambulatorial com neurologista.
“ l nica compat vel com cefaleia tensional e pode ser manejada por cl nico.”
“Não, pois responde bem s medidas não medicamentosas e atividade f sica.”
“

cl nico geral pode conduzir o caso nesse momento.”

“Resolução na atenção b sica.”
“Trata-se de uma cefaleia prim ria, de f cil manejo (...).”
“(...) podem ser conduzidos em uma assistência prim ria de saúde.”
Fonte: Autor - Dados da pesquisa.

61
O Protocolo nacional para manejo da cefaleia recomenda que no caso de
cefaleia tensional o médico oriente o paciente quanto à baixa gravidade do quadro e de
não haver necessidade de encaminhá-lo a um especialista ou realização de exames
complementares (ACADEMIA BRASILEIRA DE NEUROLOGIA, 2018).
Em conclusão, a maioria dos discentes compreendem de forma adequada as
indicações de exames de imagem na abordagem das cefaleias, bem como da
necessidade de avaliação por um especialista.
3.4

Considerações finais
O propósito deste estudo foi avaliar e interpretar o conhecimento dos discentes

de medicina sobre as cefaleias, já que estão entre as competências necessárias para o
médico generalista.
O estudo analisou a resposta dos discentes aos três casos clínicos criados com
pacientes virtuais com base nos tipos de cefaleias mais prevalentes na atenção primária
de saúde: enxaqueca, tipo tensão e meningite.
Os resultados obtidos permitiram concluir que os discentes estão aptos ao
diagnóstico das cefaleias primárias (enxaqueca e tensional), apesar da falha em
reconhecer as formas crônicas desses tipos de cefaleias.
O reconhecimento dos sinais de alarme na cefaleia secundária foi um resultado
importante

para

a

formação

de

generalista

que

atuará

nos

serviços

de

urgência/emergência. A maioria dos discentes apresentou conhecimento adequado
para a suspeita diagnóstica no caso de meningite aguda.
Entretanto, foram identificadas lacunas no tratamento medicamento da fase
aguda da enxaqueca e da meningite. A escassa prescrição de triptanos e ergotamínicos
pelos discentes parece refletir uma baixa familiaridade e exposição à classe
farmacológica durante a graduação. Enquanto no tratamento da meningite, a
insuficiente referência à antibioticoterapia empírica de urgência, sugere a necessidade
de maior atuação nos cenários de práticas.
A divulgação dos protocolos nacionais de manejo das cefaleias e dos protocolos
do ministério da saúde, dentro da Academia, pode auxiliar na sistematização do
tratamento das cefaleias.
Os discentes mostraram conhecimento adequado na solicitação dos exames de

62
neuroimagem: reduzindo os gastos com exames desnecessários, no caso da
enxaqueca; e auxiliando no diagnóstico das cefaleias secundárias, no caso da
meningite.
A visão da maioria dos discentes de não encaminhar o paciente com cefaleia de
baixa gravidade ao especialista proporciona uma maior resolutividade nos serviços de
atenção primária e reforça a importância do médico generalista no manejo da cefaleia.
Dada a necessidade de formar médicos generalistas com competências para
diagnosticar e tratar as patologias mais prevalentes na atenção primária, as escolas
médicas necessitam reformular o ensino da cefaleia no seu currículo, principalmente
nos estágios médicos. Este estudo sugere que o ensino da cefaleia na graduação ainda
não é adequado para o relevante problema de saúde que a patologia apresenta.
Por fim, embora não seja objetivo do estudo, a utilização de recursos
audiovisuais no ensino da cefaleia, como os vídeos com pacientes virtuais, é uma
ferramenta pedagógica importante para o processo de ensino-aprendizagem. Através
desse instrumento foi possível avaliar o conhecimento discente sobre os principais
conteúdos de cefaleia na atenção primária.

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66
4

PRODUTOS
Os produtos apresentados neste Trabalho Acadêmico de Conclusão de Curso

(TACC) foram desenvolvidos a partir da análise dos resultados obtidos nesta pesquisa.
A elaboração consiste em uma exigência do Mestrado Profissional Ensino na Saúde
(MPES) da FAMED/UFAL, para a obtenção do título de mestre.
A proposta do produto consiste na premissa de promover subsídios que possam
colaborar com a melhoria do ensino, e o retorno para a sociedade, em especial do local
onde foi realizada a pesquisa.
Esta pesquisa terá dois produtos técnico-educacionais, desenvolvidos com o
objetivo de aprimorar o ensino da cefaleia durante a graduação em medicina.

4.1

Produto 1 – Relatório técnico-científico com devolutiva dos resultados da
pesquisa no NDE/FAMED/UFAL, com propostas para otimização curricular.
Universidade Federal de Alagoas
Faculdade de Medicina
Programa de Pós-Graduação em Ensino
na Saúde

FAMED-UFAL – Campus A. C. Simões
Av. Lourival Melo Mota, s/n
Cidade Universitária – Maceió – AL
CEP 57072-970

RELATÓRIO TÉCNICO-CIENTÍFICO
O ENSINO DAS CEFALEIAS EM UMA UNIVERSIDADE PÚBLICA: ANÁLISE DA
MATRIZ CURRICULAR E VISÃO DOS DISCENTES
AUTORES: Mariana Cota Bastos1, Rosana Vilela2 e Ângela Canuto3.

APRESENTAÇÃO
O presente relatório é um produto do trabalho acadêmico de conclusão de curso
do mestrado em ensino da saúde da FAMED/UFAL, com a devolutiva dos dados da
pesquisa O Ensino da Cefaleia em uma Universidade Pública: análise da matriz
curricular e visão dos discentes ao Núcleo Docente Estruturante da FAMED/UFAL,

1

Mestranda do Mestrado Profissional em Ensino na Saúde da FAMED/UFAL.
Co-orientadora do trabalho acadêmico, Doutora em Medicina pela Universidade Federal de São Paulo.
3
Orientadora do trabalho acadêmico, Doutora em Bioética pela Universidade de Porto.
2

67
aprovado pelo parecer n 2.442.719 do comitê de ética em pesquisas da Universidade
Federal de Alagoas.
A proposta de elaboração do relatório é demonstrar as lacunas existentes no
Projeto Pedagógico do Curso (PPC) de Medicina referente ao tema cefaleia, além de
enfatizar a necessidade de aprimorar os cenários de práticas para os discentes. A
importância da inclusão do tema transversalmente no currículo médico é justificada pela
alta prevalência e prejuízo na qualidade de vida da população, devendo o egresso estar
apto para o manejo dessa patologia na atenção primária.
O documento será apresentado ao Núcleo Docente Estruturante (NDE), o qual é
constituído de um grupo de docentes com atribuições acadêmicas elaboradas segundo
a Comissão Nacional de Avaliação de Educação Superior (CONAES), no uso das
atribuições que lhe confere o inciso I do art. 6º da Lei Nº 10.861 de 14 de abril de 2004,
e o disposto do Parecer CONAES Nº4, de 17 de junho de 2010 (BRASIL, 2010).
O NDE do curso de graduação em Medicina da Universidade Federal de Alagoas
é um órgão consultivo da coordenação de curso, responsável pelo processo de
concepção, consolidação e contínua atualização do Projeto Pedagógico do curso.
Dentre suas atribuições estão: I. Elaborar, acompanhar a execução, propor
alterações no Projeto Pedagógico do Curso (PPC) e/ou estrutura curricular e
disponibilizá-lo à comunidade acadêmica do curso para apreciação; II. Avaliar
regularmente a adequação do perfil profissional do egresso do curso; e III. Zelar pelo
cumprimento

das

diretrizes

curriculares

nacionais

no

curso

de

graduação

(UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS, 2016).
Assim, espera-se que os dados apresentados neste relatório possam contribuir
nas discussões do NDE acerca da necessidade de atualização do PPC de Medicina no
tocante ao tema cefaleias.

1

INTRODUÇÃO
Em 2001, o Relatório Mundial de Saúde definiu a cefaleia como prioridade

estratégica da Organização Mundial da Saúde (OMS) após identificar o alto impacto na
qualidade de vida da população (THE WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2011).
A Campanha Global para reduzir o impacto da cefaleia em todo o mundo,
lançada em 2004, procurou identificar as barreiras culturais, sociais e educacionais

68
responsáveis pelo inadequado tratamento da cefaleia (MARTELLETTI et al., 2005).
Segundo Martelletti e colaboradores (2005), uma das principais barreiras para o
tratamento das cefaleias é a deficiência educacional entre os profissionais de saúde,
que leva à ausência de habilidades para o diagnóstico e tratamento da cefaleia. Desde
então, a educação dos médicos no manejo das cefaleias foi considerada um elementochave para reduzir o impacto da cefaleia no mundo (STEINER et al., 2004;
GALLAGHER et al., 2005; MINEN et al., 2005).
A Sociedade Americana de Cefaleia (AHS – American Headache Society)
realizou, em 2007, uma pesquisa com seus membros e identificou que 22% deles não
tiveram nenhuma aula sobre cefaleia durante o curso de medicina (FINKEL, 2003).
Preocupados com o ensino da cefaleia na graduação, a AHS desenvolveu um currículo
básico de cefaleia para a educação dos discentes de medicina (YOUNG et al., 2007).
A organização curricular no curso de medicina é uma tarefa difícil, pois existe
uma vasta quantidade de informações médicas e habilidades clínicas que devem ser
incluídas. Segundo a OMS, a concordância de baixa prioridade é uma possível razão
pela qual as cefaleias recebem pouca ênfase educacional (MINEM et al., 2005).
No Brasil, estudo de Speciali (1997) procurou avaliar o ensino da cefaleia no
país, enviando um questionário para todas as Escolas de Medicina do Brasil. Das 36
escolas (45%) que responderam, todas referiam oferecer aulas teóricas sobre cefaleia
durante o curso médico. Desde então, nenhum estudo voltado à avaliação do ensino da
cefaleia foi realizado e nenhum currículo básico de cefaleia foi estabelecido no país.
As Instituições de Ensino Superior no Brasil organizam seus currículos com base
nas recomendações da Diretriz Curricular Nacional de Medicina:
O graduado em Medicina terá formação geral, humanista, crítica, reflexiva e ética, com
capacidade para atuar nos diferentes níveis de atenção à saúde, (...) com
responsabilidade social e compromisso com a defesa da cidadania, da dignidade
humana, da saúde integral do ser humano e tendo como transversalidade em sua prática,
sempre, a determinação social do processo de saúde e doença (BRASIL, 2014, p. 1).

A proposta curricular do curso de medicina da universidade pública federal
estudada foi elaborada visando à construção de uma formação médica baseada nas
necessidades de saúde da comunidade regional de acordo com a prevalência,
letalidade e potencial de prevenção (UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS, 2013).

69
Entendendo que a maioria das cefaleias deve ser tratada na atenção primária, já
que não requer habilidade especializada, o clínico generalista deve ter sua formação
direcionada para o diagnóstico e tratamento adequado das cefaleias (BRASIL NETO;
TAKAYANAGUI, 2013).
Estudos sobre o ensino da cefaleia são escassos no Brasil, porém são de
extrema importância para diagnosticar o cenário atual e as barreiras para a educação
da cefaleia na graduação. Assim, o principal objetivo deste estudo foi examinar o ensino
da cefaleia na graduação, através da análise do projeto pedagógico do curso de
medicina (PPC) e da avaliação dos discentes, buscando subsídios para o
aprimoramento curricular.

2

ANÁLISE DOCUMENTAL
estudo em foco ateve-se

análise crítica do Projeto Pedagógico do Curso

(PPC) de medicina da Universidade Federal de Alagoas, versão 2013, disponível
através do site http://www.ufal.edu.br/unidadeacademica/famed, e aos planos de aula
com os conteúdos programáticos das disciplinas do corrente ano.
A análise ocorreu no período de janeiro a junho de 2018, tomando como
referência as Diretrizes Curriculares para o Curso de Medicina (BRASIL, 2014).
Uma matriz de competências para cefaleias na graduação (quadro 1) foi
construída com base nos seguintes documentos: a) Tratado de Medicina da Família e
Comunidade (GUSSO; LOPES, 2012); b) Matriz para Aquisição de Competências na
Urgência Clínica (SENGER; CAMPOS, 2015); e c) Currículo e competências essenciais
no ensino da cefaleia para as escolas de medicina da Sociedade Americana de
Cefaleia - American Headache Society, AHS (YOUNG; ROSEN; SHEFTELL, 2007).

70
Quadro 1. Matriz de competências no ensino da cefaleia durante a graduação médica.
Tratado MFC
(2012)
Epidemiologia das cefaleias

1

Matriz competências
2
na urgência (2016)

x

Exame neurológico nas cefaleias
Diagnóstico da enxaqueca
Tratamento agudo da enxaqueca
Profilaxia da enxaqueca
Diagnóstico da cefaleia tensional
Tratamento agudo da cefaleia tensional
Profilaxia da cefaleia tensional
Uso excessivo de medicamentos
Sinais de alarme
Exames complementares nas cefaleias
Cefaleias - quando encaminhar
Cefaleias na emergência

3

AHS
(2007)

x
x

x

x

x

x

x

x

x

x

x

x

x

x

x

x

x

x

x

x
x

x

1

Referências: YOUNG, W.B.; ROSEN, N.; SHEFTELL, F. Square one: Headache education for the
2
medical student. Headache, v. 47, n. 3, p. 351–354, 2007. GUSSO, G.; LOPES, J.M. Tratado de
Medicina de Família e Comunidade: princípios, formação e prática. 1. ed. Porto Alegre: Artmed,
3
2012. 2870 p. SENGER, M.H.; CAMPOS, M.C.G. Matrizes para aquisição de competências no ensino
de urgências clínicas. Revista Brasileira de Educação Médica, v.40, n. 2, p. 172–182, 2015.

Para a análise, foi utilizado o instrumento de avaliação estrutural do PPC de
Buarque e colaboradores (2017), obedecendo as seguintes etapas cronológicas para a
análise documental: (1) definição de categorias de análise; (2) definição de unidades de
registro; (3) exploração documental em busca por unidades de contexto que codifiquem
unidades de registro; e (4) tratamento dos resultados e interpretação.
As categorias de análise e unidades de registro foram estabelecidas através dos
documentos de referência (YOUNG; ROSEN; SHEFTELL, 2007; BRASIL, 2014;
GUSSO; LOPES, 2012; SENGES; CAMPOS, 2015). A partir da determinação das
“categorias de an lise” e “unidades de registro”, as “unidades de contexto” foram
buscadas no PPC e nos planos de aula das disciplinas determinando se as unidades de
registro eram contempladas, total ou parcialmente. Não sendo encontradas “unidades
de contexto” que pudessem decodificar as “unidades de registro”, considerou-se que o

71
conteúdo não é previsto na matriz curricular analisada.

s resultados obtidos passaram

por fase de tratamento e interpretação.
3

VISÃO DOS DISCENTES
A avaliação da visão dos discentes sobre o ensino da cefaleia foi realizada

através da aplicação de um questionário elaborado pelos pesquisadores. Trinta e um
discentes do internato de medicina (9º ao 12º períodos) participaram da pesquisa.
4

RESULTADOS E DISCUSSÃO
A análise estrutural do PPC demonstrou não haver nenhuma referência ao tema

cefaleia ou enxaqueca em todo projeto pedagógico. Entretanto, revelou alguns dados
que justificam a inclusão do tema entre os objetivos de aprendizagem (apêndice B):
Formar médicos com bases e conhecimentos suficientes para atender os problemas
básicos de saúde da comunidade regional de acordo com a prevalência, letalidade e
potencial de prevenção, através das ações de Promoção, Proteção, Intervenção e
Reabilitação e Cura, dentro de princípios éticos e humanos. [...] considerar as
necessidades de saúde da comunidade como eixo direcionador da formação
(UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS, 2013, p.44).

Estudo da fisiopatologia, do quadro clínico, diagnóstico e do prognóstico das principais
condições de urgência e emergência médica, segundo critérios de incidência e
prevalência das condições mórbidas (UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS,
2013, p.165).

Foi observado que na descrição das capacidades cognitivas dos estágios de
Neurologia (Clínica médica 2) e Urgência/Emergência vários temas foram propostos,
porém em nenhum deles a cefaleia estava incluída.
Na análise dos planos de curso (apêndice C), foram identificadas dezessete
unidades de registro, onze destas (65%) estavam presentes apenas no 6º período.
Dessas, apenas duas (11%) com previsão de abordagem completa, referentes à
semiologia neurológica.
Tal resultado foi corroborado pelos discentes, já que 96,4% referiram que o tema
cefaleia foi abordado no 6º período do curso médico. Neste período está a disciplina
saúde do adulto e do idoso 2, ao qual o módulo de neurologia integra.
O tema cefaleia não aparece em nenhum plano de aula da disciplina de saúde e
sociedade nem de urgência/emergência, onde os discentes entram em contato com os

72
problemas mais frequentes na população local. No estágio supervisionado de clínica
médica (11º período) aparece o tema dor crônica, onde se acredita que as cefaleias
devam ser abordadas, apesar de não estar discriminado no plano.
A maioria dos discentes (77%) concordou que atendeu pacientes com queixa de
cefaleia durante a graduação. Todos os discentes do 12º período concordaram
plenamente com a assertiva, enquanto os 7% que discordaram totalmente estavam no
9º período. Este resultado sugere que o atendimento a pacientes com cefaleia está
concentrado no último ano do internato. Tendo em vista a elevada frequência da
cefaleia na população, o contato dos discentes com pacientes com essa queixa deveria
ocorrer ao longo de toda graduação.
Foi unânime a consideração de que a cefaleia é um tema relevante para a
formação médica. O reconhecimento dessa relevância pelos discentes desperta o
interesse para o aprendizado sobre cefaleia. É função da Academia fomentar e
estimular esse aprendizado através de metodologias inovadoras e cenários de práticas
diversificados.
Através da fala dos discentes, foi possível identificar os fatores considerados
facilitadores e as barreiras no ensino da cefaleia. Na categoria relevância da cefaleia, a
percepção dos discentes acerca da pouca importância dada ao tema em outras áreas
do curso de medicina foi apontada como uma barreira no ensino. Tal fato direciona para
a necessidade de integração do tema cefaleia transversalmente no currículo médico.
A grande quantidade de diagnósticos diferenciais das cefaleias dificultou o
aprendizado, o que pode estar relacionado aos poucos cenários de práticas abordando
cefaleia (ambulatórios, unidades básicas de saúde e urgência/emergência).
A abordagem do tema em dois momentos no 6º período, sendo um momento
com exposição teórica e outro momento com discussão de casos clínicos, foi
considerada elemento facilitador. As aulas expositivas exclusivamente foram avaliadas
negativamente como barreiras ao ensino. A utilização de outras metodologias ativas no
ensino-aprendizagem foi enfatizada pelos discentes, tais como as aulas práticas, a
apresentação de vídeos, o OSCE (objective structured clinical examination), confecção
de resumos e mapas mentais.

73
Os discentes consideraram que a carga horária destinada ao tema e a
quantidade de aulas são insuficientes. Entende-se que os cenários de práticas da
atenção básica podem ser utilizados para ampliar o contato do discente com o tema.
Apesar de consideraram um tema relevante para a saúde pública, os discentes
mantêm a valorização da dimensão técnica do docente. Alguns consideraram
importante a aula ter sido ministrada por um docente especialista em cefaleia.
A interação com os colegas auxilia a aprendizagem na medida em que
compartilham

experiências

em

comum

e

ajudam-se

mutuamente,

sem

constrangimentos. A falta de estudo individual está provavelmente relacionada à
motivação ao tema, que pode ser estimulada nos cenários de práticas.
Por fim, os discentes escolheram através de múltipla escolha como o ensino da
cefaleia poderia ser mais bem aproveitado na graduação. A maioria (68%) referiu a
discussão de casos clínicos como principal recurso no ensino-aprendizagem. As outras
sugestões foram: videoaula, aulas práticas, aplicativos em smartphones e panfletos. Tal
achado reforça a importância do uso de estratégias de abordagem ativa no processo
ensino-aprendizagem.
Entende-se que existe uma necessidade da Academia priorizar alguns tópicos
dentro do seu currículo, tendo em vista a ampla quantidade de informações que o curso
médico exige. A cefaleia, por se tratar de patologia de baixa gravidade, provavelmente
é menos valorizada dentro do currículo de medicina.
No Brasil, a enxaqueca é uma patologia prevalente e incapacitante, apesar da
pouca atenção recebida pelas políticas de saúde. Uma revisão epidemiológica
encontrou uma prevalência de 70,6% de cefaleia na população geral (QUEIROZ; SILVA
JUNIOR, 2015). A análise subnacional do GBD (Global Burden Disease) realizada no
Brasil mostrou que desde 1990 a enxaqueca permanece sendo a quarta causa de anos
vividos com incapacidades entre os brasileiros (MARINHO et al., 2018).
O PPC do curso de medicina da universidade em estudo propõe a formação de
médico generalista com foco nas necessidades de saúde da comunidade. Assim, a
cefaleia torna-se tema fundamental no ensino médico, tendo em vista sua alta
prevalência e impacto na vida socioeconômica da população. Tais informações
contextualizadas seriam importantes ao Projeto, definindo o impacto social da cefaleia e
a importância de sua abordagem na matriz curricular.

74
5

CONCLUSÕES
Através da análise documental do PPC de medicina desta universidade,

complementada pela avaliação de planos de aulas com seus respectivos conteúdos
programáticos, observamos uma lacuna no ensino da cefaleia nas disciplinas de
urgência/emergência e saúde & sociedade.
A abordagem do tema predomina no 6º período, módulo de Neurologia, sendo
pouco valorizada nos outros módulos do curso e, inclusive, nos estágios da atenção
básica.
As principais barreiras ao ensino da cefaleia identificadas pelos discentes foram
a insuficiência e inadequação do ensino da cefaleia e os poucos cenários de práticas,
os quais estão concentrados no último ano do internato. A utilização de metodologias
ativas foi sugerida pelos discentes como uma forma para melhorar o processo ensinoaprendizagem na cefaleia.
A dificuldade em equilibrar a quantidade de informações e habilidades clínicas no
currículo médico proporciona um status menos importante para a cefaleia. Entretanto,
dada sua prevalência e magnitude social, é imprescindível que haja uma reavaliação
nos planejamentos educacionais nas Academias.
Pretende-se que estes resultados possam contribuir na formulação de uma
proposta para adequação curricular do curso de medicina, aprimorando o conhecimento
sobre o tema e tornando o egresso mais capacitado para o atendimento global à saúde
da comunidade no contexto do Sistema Único de Saúde (SUS).

75
REFERÊNCIAS

BIGAL, M.E. et al. Prevalence and costs of headache for the public health system in a
town in the interior of the state of Sao Paulo. Arq Neuropsiquiatr, v. 59, n. 3-A, p. 50411, 2001.
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República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 23 jun. 2014. Seção 1, p. 8-11. Disponível
em:<http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&view=download&alias=15
874-rces003-14&category_slug=junho-2014-pdf&Itemid=30192 >. Acesso em: 2 marc
2018.
______________. Comissão Nacional de Avaliação da Educação Superior (CONAES).
Resolução n.01 de 17 de junho de 2010. Normatiza o Núcleo Docente Estruturante e
dá outras providências. Disponível em:
http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&view=download&alias=6885resolucao1-2010-conae&category_slug=outubro-2010-pdf&Itemid=30192
BRASIL NETO, J.; TAKAYANAGUI, O. Tratado de Neurologia da Academia
Brasileira de Neurologia. 1.ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2013. 867 p.
BUARQUE, D.C.; SOARES, F.J.P.; COELHO, J.A.P.M. An lise do ensino sobre saúde
do idoso em um curso de medicina.
vol. 1, p. 393-391, 2017.
FERREIRA, D.S. Ensino participativo na educação médica. Arte Médica Ampliada, v.
37, n. 1, p. 24-29, 2017.
GUSSO, G.; LOPES, J.M. Tratado de Medicina de Família e Comunidade:
princípios, formação e prática. 1.ed. Porto Alegre: Artmed, 2012. 2870 p.
MARINHO, F. et al. Burden of disease in Brazil, 1990–2016: a systematic subnational
analysis for the Global Burden of Disease Study 2016. Lancet, n. 392, v. 10149, p. 760775, 2018.
MARTELLETTI, P. et al. The global campaign to reduce the burden of headache
worldwide. The international team for specialist education. Journal of Headache and
Pain, v. 6, n. 4, p. 261–263, 2005.
MINEN, M.T. et al. New Investigator and Trainee Task Force Survey on the Recruitment
and Retention of Headache Specialists. Headache, v. 55, p. 1092-1101, 2005.

76
MITRE, S.M. et al. Metodologias ativas de ensino-aprendizagem na formação
profissional em saúde: debates atuais. Ciência & Saúde Coletiva, v. 13, n. 2, p. 21332144, 2008.
QUEIROZ, L.P.; SILVA JUNIOR, A.A. The prevalence and impact of headache in Brazil.
Headache, v. 55, n. S1, p. 32–38, 2015.
SENGER, M.H.; CAMPOS, M.C.G. Matrizes para aquisição de competências no ensino
de urgências clínicas. Revista Brasileira de Educação Médica, v.40, n. 2, p. 172–182,
2015.
SPECIALI, J.G. Simpósio: cefaleia. Anais, XI Conferência Congresso Internacional
Da Sociedade Brasileira de Cefaleia 1997.
STEINER, T.J. et al. Lifting the burden: the global campaign against headache.
Reflection & Reaction. The Lancet, v. 3, p. 204-205, 2004.
THE WORLD HEALTH ORGANIZATION. Atlas of headache disorders and resources
in the world 2011. World Health Organization, 2011. 72 p.
YOUNG, W.B.; ROSEN, N.; SHEFTELL, F. Square one: Headache education for the
medical student. Headache, v. 47, n. 3, p. 351–354, 2007.
UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS. Faculdade de Medicina. Projeto
Pedagógico do Curso de Medicina - PPC. Maceió, 2013. 239 p. Disponível em:
<http://www.ufal.edu.br/estudante/graduacao/projetospedagogicos/campusmaceio/medicina-2013.2>. Acesso em: janeiro de 2018.
__________________________________. Faculdade de Medicina. Regimento do
Núcleo Docente Estruturante. Maceió, 2016. Disponível em:
http://www.ufal.edu.br/unidadeacademica/famed/institucional/nucleos/nucleo-docenteestruturante-nde/regimento-nde.

77
ANÁLISE CRÍTICA DO PESQUISADOR

Eu, Mariana Cota Bastos, aluna do Mestrado Profissional em Ensino na Saúde, venho
por meio deste documento apresentar minha an lise sobre o projeto de pesquisa “O
ENSINO DAS CEFALEIAS EM UMA UNIVERSIDADE PÚBLICA: ANÁLISE DA
MATRIZ CURRICULAR E VISÃO DOS DISCENTES”. A análise documental do PPC da
Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Alagoas, complementada pela
avaliação de planos de aulas com seus respectivos conteúdos programáticos, revelou
lacunas no ensino da cefaleia. Os principais pontos observados foram:
1. Não houve nenhuma referência ao tema cefaleia ou enxaqueca em todo PPC.
2. A cefaleia não estava na lista dos temas propostos nos Estágios de
Urgência/Emergência e Clínica Médica 2 (Neurologia).
3. O tema cefaleia não aparece nas disciplinas de Urgência/Emergência nem de
Saúde & Sociedade.
4. A abordagem do tema predomina no módulo de Neurologia, durante o 6º período.
5. A maioria dos discentes recordou-se de o tema cefaleia ter sido abordado apenas
no 6º período do curso.
6. Todos discentes consideraram o tema relevante para sua formação médica.
7. As principais barreiras ao ensino da cefaleia identificadas pelos discentes foram a
pouca importância dada ao tema durante a graduação e a insuficiência e
inadequação do ensino da cefaleia.
8. A utilização de metodologias ativas foi sugerida pelos discentes como uma forma
para melhorar o processo ensino-aprendizagem na cefaleia.
A dificuldade em equilibrar a quantidade de informações e habilidades clínicas no
currículo médico proporciona um status menos importante para a cefaleia. Entretanto,
dada sua prevalência e magnitude social, é imprescindível que haja uma reavaliação no
planejamento educacional nas Academias.
Deve-se considerar a possibilidade de inclusão do tema transversalmente no
currículo médico, bem como de utilizar a multi/interdisciplinaridade (pediatria,
urgência/emergência, saúde e sociedade, estágio rural) para abordagem da temática.

78
Pretende-se uma adequação curricular do curso de medicina, aprimorando o
conhecimento dos discentes sobre o tema e tornando o egresso mais capacitado para o
atendimento global à saúde da comunidade.
4.2

Produto 2 – Criação de canal no YouTube® para disponibilização dos casos
clínicos com os pacientes virtuais.
O YouTube® é uma plataforma de compartilhamento de vídeos, criada em 2005

por Chad Hurley, Steve Chen e Jawed Karim. Hospeda uma grande variedade de
vídeos, filmes, documentários e materiais de estudo. A fácil acessibilidade e a grande
repercussão dos vídeos publicados tornaram esta plataforma a mais popular para
divulgação de vídeos.
Murrau e colaboradores (2017) mostraram que os discentes que participaram da
simulação de um caso de cefaleia no departamento de emergência referiram que as
sessões os ajudaram a reconhecer os principais atributos dos diagnósticos e foram
úteis à sua aprendizagem na sala de aula.
Após a conclusão da pesquisa, foi criado um canal no YouTube® denominado de
ProjetoEnsinodaCefaleia (figura 2), onde foram incluídos três casos clínicos de cefaleias
desenvolvidos pelos pesquisadores. Na descrição dos casos, existe um link que contém
as respostas corretas e as referências bilbiográficas para cada questão abordada.
Figura 2. Página do canal ProjetoEnsinodaCefaleia no Youtube.

79
O objetivo principal deste produto é disponibilizar uma ferramenta educacional
tecnológica que auxilie e incentive os discentes no estudo da cefaleia.
O acesso ao canal do YouTube® ProjetoEnsinodaCefaleia, com os vídeos dos
pacientes virtuais, pode ser obtido através do link ou QR code descritos no quadro
abaixo:
Quadro 9. Guia para acesso ao canal ProjetoEnsinodaCefaleia, por caso clínico.

Caso Clínico

Link

1

https://youtu.be/liiNBhLtH9A

2

https://youtu.be/1ybhu-5wXro

3

https://youtu.be/_D4ABZW7oA0

QR code

Fonte: Autor - Dados da pesquisa.

REFERÊNCIAS
MURRAY, H. et al. Teaching diagnostic reasoning: using simulation and mixed practice
to build competence. CJEM, v. 20, n. 1, p.142-145, 2017.
YOUTUBE® – WWW.YOUTUBE.COM

80

5

CONSIDERAÇÕES FINAIS DO TACC
Este trabalho acadêmico foi fruto do trabalho de uma equipe preocupada em

realizar pesquisa científica com zelo e cuidado ético. Através dos resultados obtidos foi
possível analisar o ensino da cefaleia na faculdade de medicina da UFAL.
A abordagem quanti-qualitativa, com a análise do PPC e a visão dos discentes
geraram valiosos dados, consolidados em dois artigos científicos, que permitiram uma
análise do cenário do ensino da cefaleia.
Altamente prevalente e a principal causa de incapacidades entre os jovens, a
cefaleia permanece em posição de menos valia dentro do currículo médico. Os
discentes de medicina reconhecem a importância do tema na prática médica, entretanto
percebem uma inadequação no ensino, com insuficiência dos cenários de práticas.
A Diretriz Nacional Curricular de Medicina enfatiza a necessidade de formar
médicos com habilidades e competências para tratar os principais problemas de saúde
da população. Assim, por se tratar de importante problema de saúde pública, este
trabalho revela lacunas no ensino da cefaleia que necessitam ser corrigidas para a
formação de profissionais com as competências necessárias.
Com o objetivo de contribuir no cenário do ensino da cefaleia, a pesquisa
culminou com o desenvolvimento de dois produtos educacionais. O primeiro foi a
criação de um canal do YouTube com a disponibilização de casos clínicos sobre
cefaleia para estimular o estudo dos discentes.
O segundo produto educacional foi a elaboração de um relatório técnicocientífico da pesquisa com propostas para otimização curricular entregues ao Núcleo
Docente Estruturante da FAMED/UFAL.
Espera-se que tais produtos possam contribuir e despertar o interesse pelo tema
na graduação de medicina, além de fomentar discussões acerca da necessidade de
incluir o tema transversalmente no currículo médico.
Novos estudos são necessários para um maior aprofundamento da temática,
espera-se que este trabalho acadêmico possa contribuir com pesquisas futuras.

81

REFERÊNCIAS GERAIS DO TACC
ACADEMIA BRASILEIRA DE NEUROLOGIA. Departamento Científico de Cefaleia
Sociedade Brasileira de Cefaleia. Protocolo nacional para diagnóstico e manejo das
cefaleias nas unidades de urgência do Brasil, 2018. Disponível em:
<https://sbcefaleia.com.br/images/protocolo%20cefaleia%20urgencia.pdf>
BARDIN, L. Análise de conteúdo. São Paulo: Edições 70, 2011. 280 p.
BIGAL, M.E. et al. Prevalence and costs of headache for the public health system in a
town in the interior of the state of Sao Paulo. Arq Neuropsiquiatr., v. 59, n. 3-A, p. 50411, 2011.
BRASIL. Conselho Nacional de Educação. Câmara de Educação Superior. Resolução
CNE/CES n. 3, de 20 de junho de 2014. Institui Diretrizes Curriculares Nacionais do
Curso de Graduação em Medicina e dá outras providências. Diário Oficial [da]
República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 23 jun. 2014. Seção 1, p. 8-11. Disponível
em:
<http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&view=download&alias=15874
-rces003-14&category_slug=junho-2014-pdf&Itemid=30192 >. Acesso em: 2 marc 2018.
_______. Ministério da Saúde. Guia de vigilância em saúde. Volume único [recurso
eletrônico]. 2ª edição. Brasília, 2017. 33-70pgs.
BRASIL NETO, J.; TAKAYANAGUI, O. Tratado de Neurologia da Academia
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CALLAGHAN, B.C. et al. Headache neuroimaging: routine testing when guidelines
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DEMO, Pedro. Educar pela pesquisa. 7. ed. Campinas: Autores Associados, 2011.
FERREIRA, D.S. Ensino participativo na educação médica. Arte Médica Ampliada, v.
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M
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82
FINKEL, A.G. Academic headache medicine in America: Report of academic
membership survey of the american headache society special interest section on
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migraine treatment. Arq Neuropsiquiatr, v. 71, n. 7, p. 478-486, 2013.
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85

APÊNDICES

86
Apêndice A – Questionário de avaliação sobre o ensino da cefaleia.

Mariana Cota Bastos. O Ensino das cefaleias em uma universidade pública.

Questionário
Identificação
Período atual do curso: _______________ D.N.:_______/________/_______ Sexo: ¨ F

¨M

Sobre o Ensino da Cefaleia
Concordo
Concordo
Não concordo
Discordo
plenamente parcialmente nem discordo parcialmente

Discordo
totalmente

Concordo
Concordo
Não concordo
Discordo
2. Durante a graduação, atendi paciente com plenamente parcialmente nem discordo parcialmente
queixa de cefaleia.

Discordo
totalmente

Concordo
Concordo
Não concordo
Discordo
plenamente parcialmente nem discordo parcialmente

Discordo
totalmente

Concordo
Concordo
Não concordo
Discordo
plenamente parcialmente nem discordo parcialmente

Discordo
totalmente

1. O tema Cefaleia foi abordado de maneira
satisfatória durante a graduação.

3. Conheco os critérios diagnósticos de
Cefaleia padronizados pela Inte rnational
Classification Headache Disorde rs (ICHD).

4. Considero este tema relevante para a
formação médica.

5. Em que momento da graduação você se
recorda deste tema ter sido abordado?

1° período

7° período

2° período

8° período

3° período

9° período

4° período

10° período

5° período

11° período

6° período

12° período

Prefiro não responder
6. Quais fatores foram facilitadores no ensino da cefaleia?

7. Quais as barreiras identificadas no ensino da cefaleia?

Vídeo-aula
Aula expositiva
Discussão de casos clínicos
8. Para finalizar, como o aprendizado da
cefaleia seria melhor aproveitado?

Aplicativo em smartphone
Panfleto
Palestra
Outros:
Prefiro não responder

87
Apêndice B – Instrumento de análise estrutural do Projeto Pedagógico do Curso (PPC) de graduação acerca do tema
cefaleias: embasamento e justificativa do ensino.
r

Unidades de Registro&

Cefaleias

Importância do ensino das
cefaleias

Cefaleias

Importância epidemiológica
das cefaleias

Cefaleias

Semiologia clínica na
neurologia

Cefaleias

Diagnóstico das cefaleias

Cefaleias

Diagnóstico e Tratamento
das cefaleias na emergência

Cefaleias

Importância do tema cefaleia
na atenção primária

Unidades de contexto£
Página 44, objetivos do curso, 1° parágrafo: "Formar médicos com bases e
conhecimentos suficientes para atender os problemas básicos de saúde da
comunidade regional de acordo com a prevalência, letalidade e potencial de
prevenção, através das aç es de Promoção, Proteção, ntervenção e Reabilitação e
Cura, dentro de princípios éticos e humanos"
Página 44, objetivos do curso, 6° parágrafo: "Considerar as necessidades de saúde
da comunidade como eixo direcionador da formação"
Página 94, Clínica médica 2, Neurologia, Capacidade cognitiva: "Etiopatogenia,
epidemiologia, fisiopatologia, anatomia patológica, semiologia clínica e laboratorial,
diagnóstico e terapêutico das seguintes afecções: transtornos cerebrais isquêmicos e
hemorrágicos; doenças degenerativas cerebrais; tumores cerebrais"
Página 133, Semiologia Integrada: "Capacitação do aluno para identificar, na
anamnese e exame físico geral e especial, os sinais e sintomas, iniciando o
raciocínio clínico, descrevendo os aspectos físicos e psicológicos específicos da
criança, do adolescente e do adulto, através do desenvolvimento de atividades
contextualizadas na realidade s cio-sanit ria da população, contemplando aç es de
promoção da saúde, prevenção, cura das doenças e recuperação da saúde"
Página 94, Clínica médica 2, Neurologia, Capacidade cognitiva: "Etiopatogenia,
epidemiologia, fisiopatologia, anatomia patológica, semiologia clínica e laboratorial,
diagnóstico e terapêutico das seguintes afecções: transtornos cerebrais isquêmicos e
hemorrágicos; doenças degenerativas cerebrais; tumores cerebrais"
Página 69, Estágio de Urgência e Emergência, Conhecimentos: "Apresentação e
discussão de casos trazidos pelos alunos e revisados pelo professor. Em Clínica
Médica: Arritmias, Emergências hipertensivas, Angina instável/Infarto agudo do
miocárdio, Pneumonia domiciliar, Acidente Vascular Cerebral, Crise epiléptica,
Cetoacidose e coma diabético, Asma, Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica,
Insuficiência Renal Aguda, Trombose Venosa Profunda e Tromboembolismo
Pulmonar"
Página 124, Saúde e Sociedade 2: "Interação, ensino, serviços e comunidade,
através do desenvolvimento das atividades contextualizadas na realidade s ciosanit ria da população, contemplando aç es de comunicação em saúde, promoção
da saúde, prevenção, cura das doenças e recuperação da saúde, em equipe multi e
interdisciplinar e multiprofissional em unidades básicas da rede de saúde e na
comunidade"
Página 140, Saúde e Sociedade 4: "Interação ensino, serviço e comunidade através
do desenvolvimento de atividades contextualizadas na realidade s cio-sanit ria da
população, contemplando aç es de promoção da saúde, prevenção, cura das
doenças e recuperação da saúde, em equipe multi e interdisciplinar e
multiprofissional, tanto em unidades básicas, quanto em ambulatórios, hospitais da
rede de saúde e na comunidade"
Página 165, Saúde do Adulto e do Idoso 7: "Estudo da fisiopatologia, do quadro
clínico, diagnóstico e do prognóstico das principais condições de urgência e
emergência médica segundo critérios de incidência e prevalência das condições
mórbidas"

Sugestões / Citações

Atualmente a Enxaqueca é a principal causa de
incapacidade entre os jovens (GBD, 2017).
A enxaqueca é uma das principais causas de consulta
ambulatorial e em emergência.
Por se tratar de uma das doenças mais prevalentes
na comunidade, as cefaleias (ênfase na enxaqueca)
deveriam ser incluídas nesta lista de afecções.
Contextualizar a semiologia da cefaleia, enfatizando a
importância do exame físico para o raciocínio
integrado com outras patologias de outras áreas da
medicina que cursam com cefaleia
(otorrinolaringologia, oftalmologia, reumatologia,
psiquiatria, ginecologia)
Por se tratar de uma das doenças mais prevalentes
na comunidade, as cefaleias (ênfase na enxaqueca)
deveriam ser incluídas nesta lista de afecções.

Por ser uma das principais causas de consulta na
emergência, as cefaleias deveriam ser incluídas na
lista.

Introduzir o tema na ementa do estágio

Introduzir o tema na ementa do estágio

A enxaqueca é um dos principais motivos de consulta
em emergência médica.

88

Cefaleias

Prescrição medicamentosa,
Uso excessivo de
analgésicos

Página 181, 11° período, Clínica Médica 1 (PSF): "Prática da clínica médica ampliada
em atenção ambulatorial, com destaque na estratégia da saúde da família, numa
abordagem multidisciplinar e multiprofissional"
Página 130, 3° período, Princípios de Farmacologia: "Introdução dos conceitos
básicos de armacologia eral visando capacitação do estudante para o
entendimento da terapêutica medicamentosa"
Página 135, 5° período, Saúde da criança e do adolescente 1, Ementa:
"Compreensão dos fundamentos do uso racional de medicamentos"
Página 154, 7° período, Saúde do adulto e do idoso 4, Ementa: "Compreensão dos
fundamentos do uso racional de medicamentos"

A enxaqueca é uma das principais causas de consulta
na atenção primária.

Reforçar na ementa o uso racional de medicamentos
analgésicos

* Categoria de análise: Categoria geral do conteúdo de interesse (Ex.: Envelhecimento humano)
& Categoria de Registro: Conteúdo de interesse a ser identificado no texto (Ex.: Transição demográfica)
£ Unidade de Contexto: Trechos do Projeto Pedagógico do Curso que permitam codificar unidades de registro
Referência adotada: BUAR U , D ; S AR S, P;
H , AP . An lise do ensino sobre saúde do idoso em um curso de medicina. Atas
2017, nvestigação ualitativa em ducação, nvestigaci n Qualitativa en ducaci n, volume 1, pg. 393-391.

A

89
Apêndice C - Análise dos planos de curso da matriz curricular do 1º ao 12º período do curso de medicina da UFAL.
Unidade de
Registro

Cefaleias

Cefaleias

Importância
Epidemiológica
das cefaleias

Semiologia
clínica na
neurologia

Unidades de contexto

Abordagem
total ou
parcial?*

Eixo
de
ensino

Estágios

vel de
abordagem?
&

-

2º, 5º

EAPMC

SS-2; SS-4

Sim

Introdução sobre a alta prevalência
das cefaleias, analisando os fatores
desencadeadores de crises e
orientando mudanças do estilo de
vida.

Plano de Curso, Saúde do
Adulto e do Idoso 2,
Conteúdo programático:
"Semiologia do Sistema
Nervoso"

Total

6º

ETPI

SAI-2

-

-

Plano de Curso, Semiologia
Integrada, Conteúdo
programático: "Sistema
nervoso aula teórica"

Total

4º

ETPI

Semiologia
Integrada

-

-

Não abordado

Cefaleias

Diagnóstico da
Enxaqueca

Plano de Curso, Saúde do
Adulto e do Idoso 2,
Conteúdo programático:
"Cefaleias primárias"

Cefaleias

Tratamento
agudo da
Enxaqueca

Plano de Curso, Saúde do
Adulto e do Idoso 2,
Conteúdo programático:
"Cefaleias primárias"

Cefaleias

Tratamento
profilático da
Enxaqueca

Plano de Curso, Saúde do
Adulto e do Idoso 2,
Conteúdo programático:
"Cefaleias primárias"

Parcial

6º

ETPI

SAI-2

Sim

Parcial

6º

ETPI

SAI-2

Sim

Parcial

6º

ETPI

SAI-2

Sim

A informação completa acerca do
tema deve estar contida no plano
de aula da disciplina. Sugestão:
abordagem no cenário prático do
estágio rural (12º período)
A informação completa acerca do
tema deve estar contida no plano
de aula da disciplina. Sugestão:
abordagem no cenário prático do
estágio rural (12º período)

Incluir o tratamento profilático da
enxaqueca crônica, principal causa
de incapacidades no mundo.
Sugestão: abordagem no cenário

90
Plano de Curso, Estágio,
Clínica Médica 1, Conteúdo
programático: "Dor crônica e
Depressão na APS"

Cefaleias

Diagnóstico da
Cefaleia
Tensional

Plano de Curso, Saúde do
Adulto e do Idoso 2,
Conteúdo programático:
"Cefaleias primárias"

Cefaleias

Tratamento
agudo da
Cefaleia
Tensional

Plano de Curso, Saúde do
Adulto e do Idoso 2,
Conteúdo programático:
"Cefaleias primárias"

Cefaleias

Tratamento
profilático da
Cefaleia
Tensional

Plano de Curso, Saúde do
Adulto e do Idoso 2,
Conteúdo programático:
"Cefaleias primárias"

Cefaleias

Sinais e sintomas
de alerta para
cefaleia
secundária

Plano de Curso, Saúde do
Adulto e do Idoso 2,
Conteúdo programático:
"Cefaleias secundárias"

Prescrição
medicamentosa

Plano de Curso, Saúde do
Adulto e do Idoso 2,
Conteúdo programático:
"Cefaleias secundárias"

Uso excessivo
de
medicamento

Parcial

Parcial

Parcial

Parcial

Parcial

Parcial

11º

6º

6º

6º

6º

6º

Estágio

ETPI

ETPI

ETPI

ETPI

ETPI

Clínica
médica 1

SAI-2

SAI-2

SAI-2

SAI-2

SAI-2

prático do estágio rural (12º
período)
Sim

Sim

A informação completa acerca do
tema deve estar contida no plano
de aula da disciplina. Sugestão:
abordagem no cenário prático do
estágio rural (12º período)

Sim

A informação completa acerca do
tema deve estar contida no plano
de aula da disciplina. Sugestão:
abordagem no cenário prático do
estágio rural (12º período)

Sim

A informação completa acerca do
tema deve estar contida no plano
de aula da disciplina. Sugestão:
abordagem no cenário prático do
estágio rural (12º período)

Sim

Sim

A informação completa acerca do
tema deve estar contida no plano
de aula da disciplina.

A informação completa acerca do
tema "cefaleia por uso excessivo de
medicamentos" deve estar contida
no plano de aula da disciplina.

91
Plano de Curso, Princípios da
Farmacologia, Conteúdo
programático: "Analgésicos
opioides"
Plano de Curso, Saúde do
Adulto e do Idoso 2,
Conteúdo programático:
"Cefaleias secundárias"
Exames
Exames de
complementares
neuroimagem
nas cefaleias

Cefaleias na
urgência

Diagnóstico e
Tratamento das
cefaleias na
emergência

Plano de Curso,
Propedêutica 2, Objetivos:
"Orientar a utilização da
Radiologia, […] Tomografia
Computadorizada, Medicina
Nuclear e Ressonância
Magnética, na avaliação de
patologias das diversas
especialidades e áreas da
medicina"

Parcial

Parcial

3º

6º

ETPI

ETPI

Princípios de
Farmacologia

SAI-2

Sim

Sim

Interessante acrescentar a
farmacologia de todas as classes de
medicamentos para controle da dor
(não somente os opioides) e os
risco do uso excessivo.
A informação completa acerca do
tema deve estar contida no plano
de aula da disciplina.
A informação completa acerca do
tema deve estar contida no plano
de aula da disciplina.

Parcial

6º

ETPI

Propedêutica
2

Sim

Não abordado

-

8º

ETPI

SAI-7

Sim

Não abordado

-

9º

Estágio

UE

Sim

Sugestão de incluir o tema cefaleia
na urgência.

* Se há previsão na matriz curricular de abordagem total ou parcial da Unidade de Registro (conteúdo mínimo avaliado).
Se o conteúdo m nimo avaliado (Unidade de Registro), não sendo encontrado na an lise do PP , pode ser inclu do na matriz curricular j existente;
ategoria de an lise: categoria(s) geral(is) de conteúdo(s) de interesse(S) – baseada(s) em documento(s) auxiliar(es) (diretrizes, curr culos pré-existentes,
consensos de especialistas, etc.)
Unidade de Registro: conteúdo(s) m nimo(s) de interesse necess rio(s) graduação – baseado(s) em domumento(s) auxiliar(es) (diretrizes, curr culos préexistentes, consensos de especialistas, etc.)
Unidade de Contexto: Trechos da Matriz Curricular presente no Projeto Pedag gico do urso que permitam codificar unidades de registro espec ficas
Legenda: EAPMC – eixo de aproximação pratica a medicina da comunidade; ETPI – eixo teórico-prático integrado; SS – saúde e sociedade; SAI – saúde do
adulto e do idoso; UE – unidade de emergência.
Referência(s) adotada(s):
UAR U , D ; S AR S, P;
H , AP . An lise Do nsino Sobre Saúde Do doso m Um urso De edicina. Atas A 2017, nvestigação
ualitativa em ducação, nvestigaci n Qualitativa en ducaci n, v. 1, p. 393-391.
UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS. Faculdade de Medicina. Projeto Pedagógico do Curso de Medicina. Maceió, 2013. 239 p.

92

Apêndice D – Aplicação do vídeo com pacientes virtuais em sala de aula.

93

Apêndice E - Caso Clínico 1 apresentado em formato de vídeo com personagem, perguntas e respostas esperadas.
CASO CLÍNICO 1

Identificação: C.M.S,
solteira, balconista.
Cenário:
Saúde.

Unidade

26

PERSONAGEM

anos,

Básica

PERGUNTAS

RESPOSTAS CORRETAS

1. Qual o tipo de cefaleia relatada pela
•
paciente?

nxaqueca crônica “sem aura”.

de
2. Cite quais medicamentos você indicaria para
controle da dor aguda (na crise).

Queixa: dor de cabeça há um ano.
“Há um ano tenho uma dor de
cabeça muito forte, pulsátil, mais
na parte de trás da cabeça (região
occipital). Tenho muito enjoo, mas
nunca chego a vomitar. Tenho que
ficar no escuro e no silêncio, e já
sei que não conseguirei ir
trabalhar.
Estou
muito
preocupada, pois nos últimos seis
meses venho apresentando crises
quase todos os dias. Uso sempre
o dorflex, mas não melhoro
muito”.

• Sim.
3. Essa paciente apresenta indicação de iniciar
• Cronicidade.
tratamento profilático para a cefaleia?
Justifique e, em caso afirmativo, indique qual • Beta
bloqueador,
Tricíclico,
classe de medicamento você iniciaria?
Topiramato,
Valproato,
Flunarizina, (mínimo de 1 classe)

• Não.

Vídeo 1
Fonte: Autor - Dados da pesquisa.

• Triptanos,
ergotamínicos,
analgésicos, AINES, corticóide
(mínimo de 2 classes).

4. Consideraria importante a solicitação de • Enxaqueca de padrão típico,
algum exame de imagem? Justifique.
sem sinais de alarme com
exame neurológico normal.

94

Apêndice F – Caso Clínico 2 apresentado em formato de vídeo com personagem, perguntas e respostas esperadas.
CASO CLÍNICO 2

PERSONAGEM

Identificação: F.S.S., 23 anos,
solteiro, estudante do nível
superior
Cenário: Unidade
Atendimento

de

PERGUNTAS

1. Em qual grupo de cefaleias você
classificaria
o
caso
(primária
ou
secundária)? Justifique sua resposta.

RESPOSTAS CORRETAS

• Secundária.
• Sinais de alarme e exame
neurológico alterado.

Pronto
2. Quais etiologias devem ser consideradas
para o caso?

Queixa: dor de cabeça e vômitos
“Desde criança lembro de ter dor
de cabeça, mas dessa vez está
durando muito tempo...já tem uma
semana com dor contínua. No
início tive um pouco de febre junto
com a dor, mas depois de uns 2
dias a febre sumiu e ficou só essa
dor. Então comecei a ter vômitos,
perda de apetite e venho com
muito sono, ontem mesmo passei
o dia quase todo dormindo”.
Exame neurológico: sinal
Brudzinski
e
assimetria
reflexos

de
de

Fonte: Autor - Dados da pesquisa.

3. Pensando na principal suspeita cl nica,
que conduta (prescrição médica e
exames) você adotaria na emergência

Vídeo 2

4. Consideraria solicitar uma avaliação da
neurologia de urgência neste caso?
Justifique sua resposta.

• Meningoencefalite ou HSA.
• Monitoração dos sinais vitais;
Hidratação venosa, Analgesia;
Antibiótico
(Ceftriaxone);
Corticoide.
• TC do crânio, LCR, exames
laboratoriais, culturas.

• Sim.
• Patologia neurológico
risco de vida.

com

95

Apêndice G – Caso Clínico 3 apresentado em formato de vídeo com personagem, perguntas e respostas esperadas.
CASO CLÍNICO 3

Identificação: F.A.B., 40
casado, pedreiro

PERSONAGEM

PERGUNTAS

• Cefaleia tensional crônica.

anos,
1. Qual
o
diagnóstico
da
cefaleia
apresentada? Liste as características que
preenchem seus critérios.

Cenário: Ambulatório de Clínica
Médica
Queixa: dor de cabeça e pressão
arterial alta
“Estou estranhando porque minha
pressão arterial está sempre
dando alta. Venho há alguns
meses sentindo-me cansado, com
dificuldade para dormir e com dor
de cabeça frequente. Há três
meses tenho dor de cabeça,
quase diariamente, sempre no
final do dia, ao voltar do trabalho.
A dor não é muito forte, consigo
realizar
minhas
atividades
normalmente,
mas
incomoda
muito. Só melhora depois que
tomo banho, como e deito para

RESPOSTAS CORRETAS

2. ue orientaç es você daria ao paciente
sobre o tratamento medicamentoso e nãomedicamentoso no controle da dor?

• Holocraniana, leve/moderada
intensidade, não limita as
atividades diárias, predomínio
no fim do dia, sem náuseas, só
com fonofobia (sem fotofobia).
• Analgésicos, AINEs e relaxante
muscular (mínimo de um).
• Terapia não medicamentosa:
acupuntura, yoga, relaxamento,
meditação, atividade física
(mínimo de uma).
• Sim.

Vídeo 3

3. Existe indicação de tratamento profilático
para este paciente? Justifique e, em caso
afirmativo,
indique
uma
classe
de
medicamento profilático.

• Cronicidade.
• Beta bloqueador, tricíclicos e
ISRSS (mínimo de um).

96
dormir. Não preciso nem tomar
remédio, já acordo bem. Dói a
cabeça toda, não tenho vômitos e
nem tenho incômodo com luz ou
barulho”.
Fonte: Autor - Dados da pesquisa.

4. Você consideraria encaminhar este
paciente para uma avaliação ambulatorial
com neurologista? Explique.

• Não.
• Cefaleia primária, sem sinal de
alarme.

97

ANEXO

98
Anexo – Parecer do Comitê de Ética

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