Cledna Kaline dos Santos Duarte
PIGMENTOS PRODUZIDOS POR FUNGOS FILAMENTOSOS DA ILHA DE SÃO PEDRO E SÃO PAULO E DO BIOMA CAATINGA: PROSPECÇÃO E POTENCIAL CONTRA O GÊNERO CANDIDA
Resumo
O aumento da resistência antifúngica causada pelo gênero Candida constitui-se em um sério e urgente problema de saúde pública, uma vez que reduz a chance de tratamentos eficazes e, consequentemente, aumentam a taxa de mortalidade. Nessa perspectiva, pigmentos produzidos por fungos filamentosos configuram-se como alvos promissores de investigação, em decorrência do seu amplo espectro de propriedades biológicas já reconhecidas. Essa biatividade pode ser ainda mais expressiva quando esses compostos são recuperados de ambientes extremos, considerando que as condições ambientais favorecem a ativação de uma resposta bioquímica altamente especializada por esses organismos. Assim, o objetivo deste estudo foi prospectar fungos produtores de pigmentos a partir de amostras de solos da Ilha de São Pedro e São Paulo e da Caatinga alagoana, visando o potencial antifúngico desses pigmentos contra leveduras do gênero Candida. O primeiro grupo de amostras foram advindas de uma parceria através do Projeto Ilhas Oceânicas, na qual foram coletadas amostras de solos de aves na Ilha de São Pedro e São Paulo pelo grupo de pesquisa do Prof. Dr. Luiz Rosa, da UFMG. O segundo grupo de amostras foi obtido pela equipe do LABMIP, em colaboração com um especialista em cactáceas, ambos da UFAL Campus Arapiraca, na qual amostras de solo de rizosfera de cactáceas foram coletadas. As amostras foram processadas utilizando diferentes meios de cultura e duas diluições (10−1 e 10−2) para otimizar a recuperação dos microrganismos. Os fungos selecionados passaram pela etapa de produção de pigmentos, utilizando duas estratégias de cultivo: (i) cultivo sólido em meio Ágar Extrato de Malte 2% em placas de Petri grandes e (ii) cultivo sólido em Erlenmeyer, com quantificação de conídios pela câmara de Neubauer. Os pigmentos foram extraídos com acetato de etila, filtrados em filtração a vácuo, concentrados em rotaevaporador, secos em dessecador e liofilizados. Enquanto a avaliação do rendimento de produção se deu a partir de pesagem em balança analítica. Posteriormente, os fungos selecionados foram submetidos a microcultivo utilizando a montagem em câmara, sendo visualizados em microscópio óptico na objetiva de 40x. Logo após, foi realizada a avaliação taxonômica dos isolados através de análise molecular da região do rDNA ITS1 e ITS2. Com isso, foram isolados 199 fungos filamentosos, 97 do ASPSP e 102 da Caatinga alagoana. Dentre os fungos isolados da Ilha, 17 apresentaram capacidade de produzir pigmentos, com tons de amarelo e marrom, enquanto na Caatinga, 11 exibiram pigmentação variando entre amarelo, marrom e vermelho. Os fungos do ASPSP apresentaram uma produção mais limitada de pigmentos, não respondendo de forma expressiva à radiação UV-C. Por outro lado, os fungos da Caatinga foram capazes de crescer e produzir pigmentos sob exposição à radiação UV-C. Além disso, foi possível a produção de 16 fungos filamentosos, 8 isolados de cada ambiente supracitado. Em relação ao rendimento de produção dos pigmentos, os fungos do ASPSP exibiram os maiores rendimentos de produção, com máximo de 711,1 mg e mínimo de 234,8 mg. Já os isolados da Caatinga apresentaram valores de rendimento distribuídos entre 375,3 mg a 129,5 mg. Os resultados demonstraram uma predominância do gênero Aspergillus, considerando que dos 16 isolados fúngicos analisados, 15 foram identificados como pertencentes ao gênero em questão. No entanto, um dos isolados não pôde ser identificado, dado que não apresentou estruturas reprodutivas visíveis. Os dados obtidos apontam que tanto o ASPSP quanto a Caatinga alagoana atuam como um reservatório promissor para a recuperação de fungos filamentosos produtores de pigmentos e que podem possuir potencial biotecnológico diferenciado.
