Clara Daniela Silva de Freitas
Cronofarmacologia de psicofármacos: uma revisão sistemática sobre a influência dos ritmos circadianos na otimização da eficácia terapêutica.
Resumo
Os efeitos terapêuticos dos fármacos são influenciados pelos ritmos biológicos ao longo do tempo. Entretanto, o potencial cronoterapêutico dos agentes psicotrópicos permanece pouco explorado na literatura, e ainda não existem evidências sistemáticas que reúnam as diferentes classes farmacológicas desses medicamentos. Esta revisão sistemática tem como objetivo avaliar sistematicamente se a administração dos psicofármacos em diferentes horários do dia influencia os desfechos terapêuticos de eficácia e/ou toxicidade, em comparação com a administração em horários convencionais, aleatórios ou não padronizados, em humanos e outros mamíferos. Neste trabalho, foram incluídos estudos pré-clínicos em mamíferos e estudos clínicos, sem restrição quanto à data de publicação ou idiomas. A busca foi realizada nas seguintes bases eletrônicas: PubMed, Scopus, Embase, Web of Science, Biblioteca Virtual de Saúde, Biblioteca de Teses e Dissertações, Google Scholar e Cochrane. Utilizaram-se descritores MeSH/DeCS, termos sinônimos, operadores booleanos e ferramentas como o Research Rabbit. O software Rayyan foi utilizado para triagem e seleção dos estudos, e a análise dos dados foi conduzida por meio de extração padronizada. O protocolo da revisão foi registrado na base internacional de registro de protocolos de revisões sistemáticas (PROSPERO), sob o número de identificação ID CRD420251072938. A triagem preliminar resultou em 248 estudos, dos quais três estudos pré-clínicos, com ratos Sprague-Dawley (2) e macacos Rhesus (1). E três estudos clínicos foram analisados de maneira completa. A análise preliminar dos estudos incluídos apontam que os ritmos biológicos exercem um papel relevante na modulação dos efeitos terapêuticos dos psicofármacos. Em relação às classes farmacológicas investigadas, os estudos com modelos animais avaliaram principalmente antipsicóticos, o haloperidol, e anticonvulsivantes, o ácido valproico. Enquanto, os estudos conduzidos em humanos investigaram anticonvulsivantes, a carbamazepina, e antidepressivos, a trazodona. Os achados a partir dos estudos selecionados sugerem que o horário de administração destes medicamentos pode influenciar tanto a eficácia quanto a toxicidade dos fármacos. Tal constatação colabora para a importância do papel da cronofarmacologia na otimização da terapêutica medicamentosa.
